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6448921 #
Numero do processo: 10725.720282/2010-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 19/03/2008 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. A multa aplica-se ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de “material usado”, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.  Fl. 840DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10725.720282/2010­23  Acórdão n.º 9303­003.867  CSRF­T3  Fl. 423          3 Relatório  Trata­se de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda  Nacional  ao  amparo  do  art.  67,  Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de  22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3302­002.054, de 23/04/2013, cuja ementa  se transcreve a seguir:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 19/03/2008, 07/04/2008  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  MATÉRIA  CONSTITUCIONAL.  O  Carf  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Data do fato gerador: 19/03/2008, 07/04/2008  REPETRO.  INFRAÇÃO  ADMINISTRATIVA.  FALTA  DE  LICENÇA  DE  IMPORTAÇÃO.  SUBSUNÇÃO  DOS  FATOS  À  NORMA. PENALIDADE.  As  operações  de  importação  submetidas  ao  regime  aduaneiro  especial  Repetro  não  se  enquadram  como  importações  "desembaraçadas no regime comum de importação".  MULTA.  OMISSÃO  DE  INFORMAÇÃO.  PRODUTO  USADO.  NÃO OBRIGATORIEDADE.  A  dispensa  de  licença  de  importação,  no  âmbito  do  Repetro,  implica  a  não  obrigatoriedade  da  informação  de  se  tratar  de  produto  usado  aquele  que  seja  objeto  de  admissão  temporária  nesse regime.  Recurso Voluntário Provido  Recurso de Ofício Negado  Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs o já referido recurso  especial,  em razão do afastamento da  incidência da multa decorrente da  falta de  informação,  sob  o  argumento  de  que,  se  incabível  a  licença  de  importação,  no  âmbito  do  Repetro,  não  haveria como se correlacionar tais informações.  O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do r. despacho  de fls. 782/784.  Contrarrazões às fls. 797/819.  Fl. 841DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4 É o relatório.  Fl. 842DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10725.720282/2010­23  Acórdão n.º 9303­003.867  CSRF­T3  Fl. 424          5 Voto             Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser  conhecido.  A matéria aceita como divergente no  recurso especial da Fazenda Nacional  cinge­se à aplicação da multa decorrente da falta de informação prevista no artigo 69 da Lei n°  10.833/03, que assim dispõe, in verbis:  Art.  69.  A  multa  prevista  no  art.  84  da Medida  Provisória  no  2.158­35,  de  24  de  agosto  de  2001,  não  poderá  ser  superior  a  10% (dez por cento) do valor  total  das mercadorias constantes  da declaração de importação.    §  1o A multa  a  que  se  refere  o  caput  aplica­se  também  ao  importador,  exportador  ou  beneficiário  de  regime  aduaneiro  que  omitir  ou  prestar  de  forma  inexata  ou  incompleta  informação  de  natureza  administrativo­tributária,  cambial  ou  comercial  necessária  à  determinação  do  procedimento  de  controle aduaneiro apropriado.    § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras  que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria  da  Receita  Federal,  compreendem  a  descrição  detalhada  da  operação, incluindo:    I ­ identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na  transação:  importador/exportador;  adquirente  (comprador)/fornecedor  (vendedor),  fabricante,  agente  de  compra ou de venda e representante comercial;    II  ­  destinação  da mercadoria  importada:  industrialização  ou  consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade;    III  ­  descrição  completa  da  mercadoria:  todas  as  características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca  comercial,  modelo,  nome  comercial  ou  científico  e  outros  atributos  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  que  confiram sua identidade comercial;    IV ­ países de origem, de procedência e de aquisição; e    V ­ portos de embarque e de desembarque.(G.N.)  A  penalidade  foi  decorrente  de  importação  sob  o  regime  de  admissão  temporária, amparada pelo REPETRO, em que foi omitida a condição de "material usado" para  o bem importado. O bem posteriormente foi reexportado.  Conforme  entendimento  do  acórdão  recorrido,  que  negou  provimento  ao  recurso  de  ofício,  o  bem  admitido  temporariamente  não  carecia  de  licença  de  importação,  sendo  exonerada  a multa  correspondente,  porém  foi  dado  provimento  ao  recurso  voluntário  Fl. 843DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     6 para  exonerar  igualmente  a  multa  tratada  nesse  recurso  especial,  sob  o  argumento  que  a  dispensa  de  licença  de  importação,  no  âmbito  do Repetro,  implica  a  não  obrigatoriedade  da  informação de se tratar de produto usado aquele que seja objeto de admissão temporária nesse  regime .  A  Fazenda  Nacional  alega  no  presente  recurso,,  por  sua  vez,  que  a  informação  omitida  era  relevante  para  fins  de  parametrização  das  importações,  podendo  influenciar  na  tomada  de  decisão  acerca  da  amplitude  e  profundidade  das  atividades  fiscalizatórias  sobre os bens, na ocasião de  sua entrada, acarretando prejuízo ao controle das  importações, razão pela qual o acórdão ora recorrido deve ser reformado, mantendo­se a multa  por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro.  De fato, entendo que assiste razão à Fazenda Nacional.  As portarias que dispunham sobre o tratamento administrativo nas operações  de  importação, vigentes à época, conforme  já explanado na decisão recorrida, dispensavam a  apresentação  de  licença  de  importação  para  mercadorias  amparadas  no  regime  aduaneiro  especial REPETRO, ao mesmo tempo que previam que material usado está sujeito a licença de  importação  (licenciamento  não  automático),  sem  definir  a  prevalência  das  mercadorias  enquadradas nos dois caos, como no caso de material usado admitido temporariamente, o que  só foi se modificar com a publicação da Portaria SECEX n° 10, de 25/05/2010, que no § 2º , do  artigo 8º previa que nesses casos "o primeiro prevalecerá sobre a dispensa".  Verificando normativos  anteriores,  tal  como o COMUNICADO DECEX nº  12/1997,  consta  no  seu  ANEXO  II  a  observação  de  que  as  mercadorias  sujeitas  ao  Licenciamento  não  Automático,  como  é  o  caso  de  material  usado,  quando  importadas  sob  regime  de  admissão  temporária,  com  algumas  exceções,  estariam  dispensadas  de  Licenciamento  não  Automático,  porém  não  dispensadas  do  Licenciamento  Automático,  in  verbis:     Observações:  I  ­  Estão  dispensadas  de  Licenciamento  não  Automático  as  operações relacionadas abaixo:  (...)     b)  importação  sob  regime de  admissão  temporária,  exceto  as  situações previstas na alínea "i" do item IX do anexo I;  No  sítio  da  Receita  Federal  do  Brasil  existe  o  documento  “Informações  específicas da declaração de importação – dados da adição”, que pode ser acessado através do  link  http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho­de­importacao/sistemas/siscomex­ importacao­web/declaracao­de­importacao/funcionalidades/links­para­arquivos/dicionario­de­dados­da­ adicao.doc, que apresenta as seguintes informações:  2.5  Indicativos  da  condição  da  mercadoria  Indicativos  da  condição  da  mercadoria  objeto  da  adição.  Informação  obrigatória  nos  casos  de  declaração  de  importação  de  mercadorias  que  procedam  diretamente  do  exterior(exceto  quando destinada a entrada em regime de admissão temporária)  e  quando  da  nacionalização  de  mercadoria  em  regime  de  admissão  temporária.  Não  informar  nos  demais  tipos  de  declaração.  2.5.1  Indicador de material usado   Fl. 844DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10725.720282/2010­23  Acórdão n.º 9303­003.867  CSRF­T3  Fl. 425          7 Indicativo da condição da mercadoria ser um material usado.  Formato:  alfanumérico    Tamanho:  1  Nome  Interno:  IN­ MATERIAL­USADO  Domínio: S ­ usado         N ­ não usado   Analisando  as  informações  contidas  nesse  documento,  que  a  princípio  é  oficial da RFB, dá­se a entender que a informação sobre a condição da mercadoria, se trata de  material usado ou não, só é obrigatória nos casos de declaração de importação de mercadorias  que procedam diretamente do exterior ou quando da nacionalização de mercadoria em regime  de admissão temporária  No  entanto  tal  documento  não  possui  caráter  normativo  quanto  a  prescindibilidade  da  informação  da  condição  da mercadoria  ser  um material  usado  frente  ao  tratamento administrativo a ser dispensado a mercadoria importada.  No  anexo  único  da  IN  SRF  nº  680,  de  2006,  por  sua  vez,  constam  as  informações a serem prestadas pelo importador na declaração de importação, dentre as quais os  "Indicativos  da  Condição  da  Mercadoria"  devendo  ser  assinalado,  quando  for  o  caso  "1  ­  Material usado", não havendo nenhuma exceção quando a mercadoria é destinada a entrada em  regime de admissão temporária.  A conduta tipificada como infração seria "omitir ou prestar de forma inexata  ou  incompleta  informação  de  natureza  administrativo­tributária,  cambial  ou  comercial  necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado".  Na  hipótese,  a  omissão  ou  prestação  de  forma  inexata  ou  incompleta  da  informação  instituída  no  interesse  da  fiscalização  das  operações  de  comércio  exterior,  incluindo os aspectos de natureza  tributária,  administrativo, comercial ou cambial, no caso a  informação  da  condição  da  mercadoria  ser  um  material  usado,  é  fato  infringente  que  materializa  a  infração,  pois  compromete  o  controle  aduaneiro  efetuado  pela  autoridade  administrativa  no  exercício  do  seu  Poder  de  Polícia,  seja  da  RFB  ou  de  outros  órgãos  intervenientes do comércio exterior.  Não obstante a aplicação da multa se dar em sede de revisão aduaneira e, no  caso,  não  ter  havido  a  nacionalização  do  bem  importado  em  regime  aduaneiro  especial  do  REPETRO  e  sim  reexportação  das  mercadorias  admitidas  temporariamente,  não  se  pode  olvidar  do  caráter  objetivo  da  exigência  de multa  por  omissão  de  informação,  independe  da  intenção  do  agente  ou  responsável  e  da  efetividade,  natureza  e  extensão  dos  efeitos  do  ato,  conforme preceitua o artigo 136 do CTN, uma vez que era obrigação da interessada assinalar o  indicativo  relacionado  à  condição  da  mercadoria  por  se  tratar  de  material  usado,  conforme  estabelecido  em  ato  normativo  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  informação  essa  necessária ao controle aduaneiro.  Por  conseguinte,  em  face  de  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, restabelecendo a multa aplicada por  infração ao controle aduaneiro.   (assinado digitalmente)  Fl. 845DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     8 Rodrigo da Costa Pôssas ­ Relator                Fl. 846DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10725.720282/2010­23  Acórdão n.º 9303­003.867  CSRF­T3  Fl. 426          9 Declaração de Voto  Conselheira Vanessa Marini Cecconello      A matéria em discussão restringe­se à análise da aplicação da multa prevista no  art. 69 da Lei nº 10.833/2003 em razão da ausência de informação de se tratar o bem importado  de "material usado", conforme obrigação  imposta por ato normativo da Secretaria da Receita  Federal.   Restou  assentado  nos  presentes  autos  que  as  importações,  efetuadas  pela  Contribuinte  estavam  no  regime  aduaneiro  especial  de  admissão  temporária  instituído  pela,  então  vigente,  Instrução Normativa  nº  285/2003,  da Secretaria  da Receita Federal  (revogada  pela IN RFB nº 1.361, de 21 de maio de 2013), o qual permite a importação de bens que devam  permanecer no País durante prazo  fixado, com suspensão  total do pagamento de  tributos, ou  com suspensão parcial, no caso de utilização econômica.    Trata­se, portanto, de regime aduaneiro especial de exportação e de importação  de bens, destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural  (Repetro),  estando no campo de  incidência dos  tributos  sobre o  comércio  exterior,  embora a  exigibilidade  de  seu  pagamento  permaneça  suspensa,  em  razão  dos  tratamentos  aduaneiros,  dispensados aos bens admitidos no Repetro, conforme art. 459, caput e §3º do Regulamento  Aduaneiro.   Nessa  esteira,  a  DRJ  excluiu  a  multa  do  art.  633,  II,  “a”,  do  Regulamento  Aduaneiro,  decisão  confirmada  no  julgamento  do  recurso  voluntário,  com  fundamento  na  interpretação dos artigos 8º, II, e 10, II, alínea "e", ambos da Portaria SECEX nº 25/2008 em  conjunto com o art. 112 do CTN, entendendo pela dispensa da licença de importação no caso  dos autos.   Em relação à multa por omissão de informações, segundo o acórdão recorrido, é  inaplicável  ao  caso dos  autos,  em  razão de  se  tratar de  importação em  admissão  temporária,  submetida ao Regime Especial Repetro, para o qual não haveria a obrigação da informação de  indicativos da condição da mercadoria (se bem usado ou novo).   De  fato,  em  razão  de  não  ter  sido  informada  a  condição  de  "usado"  das  mercadorias  importadas,  não  houve  alteração  de  tratamento  tributário,  administrativo  ou  aduaneiro. Portanto, frente à inexistência de alteração de procedimento do controle aduaneiro,  no  caso  dos  autos,  não  há  de  se  falar  na  aplicação  da  multa  do  art.  69,  §1º  da  Lei  nº  10.833/2003.   Para  elucidar  a  legislação  vigente  à  época,  faz­se  breve  retrospectiva  da  legislação. A Secretaria de Comércio Exterior ­ SECEX, no âmbito da competência outorgada  pelo art. 15, do Anexo  I do então vigente Decreto nº 4.632/2003, editou a Portaria nº 17, de  01/12/2003, para consolidar os procedimentos relativos às operações de importação.   No art. 6º da referida Portaria, restaram definidas as modalidades de importação  do  sistema  administrativo:  I  ­  importações  dispensadas  de  Licenciamento;  II  ­  importações  sujeitas  a  Licenciamento  Automático.  e  III  ­  importações  sujeitas  a  Licenciamento  Não  Fl. 847DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     10 Automático. O dispositivo legal tem sido reproduzido nas Portarias subsequentes editadas pela  SECEX:  Portaria  nº  14/2004;  Portaria  nº  35/2006;  Portaria  nº  36/2007;  Portaria  nº  25/2008;  Portaria  nº  10/2010  e  Portaria  nº  23/2011,  que  consolidou  as  normas  e  procedimentos  aplicáveis às operações de comércio exterior, e está em vigor.   Em razão da data dos fatos geradores do processo, far­se­á remissão aos artigos  da Portaria SECEX nº 36/2007.   O art. 7º, §único da Portaria Secex nº 36/2007, traz as hipóteses de dispensa de  licenciamento  de  importação,  abrangendo  as  importações  de  bens  usados  e  não  usados,  com  exceção daquelas decorrentes de doações, para as quais só é admitida a licença no caso de bens  novos.  No  inciso  II,  §  único  do  art.  7º  da  Portaria  Secex  nº  36/2007,  está  prevista  como  dispensada da  licença  a  admissão  dos  bens  provenientes  do  exterior  sob  o  regime aduaneiro  especial do Repetro, in verbis:  Art.  7º  Como  regra  geral,  as  importações  brasileiras  estão  dispensadas  de  licenciamento, devendo os importadores tão­somente providenciar o registro  da Declaração de Importação – DI ­ no SISCOMEX, com o objetivo de dar  início  aos  procedimentos  de Despacho Aduaneiro  junto  à  unidade  local  da  RFB.  Parágrafo  único.  São  dispensadas  de  licenciamento  as  seguintes  importações:  I  –  sob  os  regimes  de  entrepostos  aduaneiro  e  industrial,  inclusive  sob  controle aduaneiro informatizado;  II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo  Regime  Aduaneiro  Especial  de  Exportação  e  Importação  de  Bens  Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e  de Gás Natural ­ REPETRO;  III  –  sob  os  regimes  aduaneiros  especiais  nas modalidades  de  loja  franca,  depósito afiançado, depósito franco e depósito especial;  IV  –  com  redução  da  alíquota  de  imposto  de  importação  decorrente  da  aplicação de “ex­tarifário”;  V  –  mercadorias  industrializadas,  destinadas  a  consumo  no  recinto  de  congressos,  feiras  e  exposições  internacionais  e  eventos  assemelhados,  observado o contido no art. 70 da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991;  VI – peças e acessórios, abrangidas por contrato de garantia;  VII – doações, exceto de bens usados;  VIII – filmes cinematográficos;  IX – retorno de material remetido ao exterior para fins de testes, exames e/ou  pesquisas, com finalidade industrial ou científica;   X – amostras;  XI  –  arrendamento  mercantil  ­leasing­,  arrendamento  simples,  aluguel  ou  afretamento;  XII – investimento de capital estrangeiro;  Fl. 848DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10725.720282/2010­23  Acórdão n.º 9303­003.867  CSRF­T3  Fl. 427          11 XIII  –  produtos  e  situações  que  não  estejam  sujeitos  a  licenciamento  automático e não automático; e  XIV – sob o regime de admissão temporária ou reimportação, quando usados,  reutilizáveis e não destinados à comercialização, de recipientes, embalagens,  envoltórios,  carretéis,  separadores,  racks,  clip  locks,  termógrafos  e  outros  bens retornáveis com finalidade semelhante destes, destinados ao transporte,  acondicionamento,  preservação,  manuseio  ou  registro  de  variações  de  temperatura de mercadoria importada, exportada, a importar ou a exportar.   (grifou­se)  O dispositivo reproduzido acima trata­se de norma especial, tendo em vista ser  admitida a dispensa de  licenciamento somente nas hipóteses ali  enumeradas, com uma única  exceção com relação aos bens usados que ingressam no território nacional por doação, os quais  sujeitam­se  ao  licenciamento  não  automático  do  art.  9ª,  inciso  II,  alínea  "e"  da  Portaria  nº  36/2007.   Prevalecia,  portanto,  quando  realizadas  as  importações,  a  Portaria  SECEX  nº  36/2007,  segundo  a  qual  nas  admissões  temporárias  de  bens  vinculados  ao  Repetro,  independente da condição de novos ou usados, estavam dispensadas as licenças de importação.   De fato, a partir da Portaria SECEX nº 10, de 24/05/2010, sobreveio situação de  prevalência da necessidade de licença sobre a dispensa, conforme disposto no art. 8º, §2º. No  entanto,  tal  exigência  não  pode  ser  imposta  sobre  as  importações  em  regime  temporário  de  embarcações  para  pesquisas  efetuadas  sob  a  égide  de  regulamentação  anterior,  sob  pena  de  violação ao art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez sendo admissível a retroação tão  somente da legislação mais benigna ao contribuinte.   Assim, incabível a exigência de licença de importação no Repetro nos termos do  art.  7º,  §único  da Portaria SECEX nº  36/2007,  inexistente  também a  obrigatoriedade de  que  conste no documento a informação de se tratar de material usado, ainda mais quando para se  prestar  referida  informação  seja  necessária  a  correlação  com  um  número  de  licença  de  importação, providência impossível de ser realizada no caso.  Além  disso,  foram  consignadas  pela  contribuinte,  nas  declarações  de  importação, as datas de fabricação das embarcações, a partir das quais é possível depreender­se  terem  sido  utilizadas  anteriormente  à  entrada  no  território  nacional,  interpretação  dada  pela  Autoridade  Fiscal  no  momento  da  autorização  da  entrada  das  embarcações  no  País,  cuja  alteração implica em violação ao art. 146 do CTN.   Tendo  sido  prestadas  pela  contribuinte  todas  as  informações  exigíveis  pela  legislação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores,  inclusive  com  a  indicação  das  datas  de  fabricação das  embarcações,  evidenciando  tratarem­se de bens usados,  não há de  se  falar na  aplicação da multa do art. 69, §1º da Lei nº 10.833/2003.     Diante do exposto, há de ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda  Nacional.   É o Voto.     Vanessa Marini Cecconello  Fl. 849DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     12       Fl. 850DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por VANESSA MARINI CECCO NELLO, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 11543.003879/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Presidente-substituto. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto (Presidente-substituto), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Jose Luiz Feistauer de Oliveira e Elias Fernandes Eufrasio.. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Presidente-substituto. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto (Presidente-substituto), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Jose Luiz Feistauer de Oliveira e Elias Fernandes Eufrasio.. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11543.003879/2001­10  Resolução nº  3201­000.682  S3­C2T1  Fl. 422          2 30/06/1999 a 30/06/2001, totalizando um crédito tributário apurado de  R$  324.527,43  (fls.  156),  incluindo multa  de  ofício  e  juros  de  mora,  calculados até 31/08/2001.  Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 157), e no Termo  de Verificação Fiscal de fls.150, o AFRF autuante informa que houve  falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração  Social ­ PIS, esclarecendo que :  1)  Fatos  Geradores —  10/98,  11/98  e  12/98,  a  fiscalizada  informou  indevidamente na DCTF do 4° Trimestre de 1998, no campo "Créditos  Vinculados",  os  valores  devidos  ao  PIS  como  tendo  sido  pagos.  Intimada a comprovar os referidos pagamentos, a fiscalizada declarou  que  "por  um  lapso  de  nossa  parte,  declaramos  indevidamente  como  recolhidos as contribuições sendo que de fato os valores devidos ainda  estão em aberto";  2)  Fatos  Geradores  —  06/99  a  06/01,  intimada  a  comprovar  as  compensações  dos  créditos  do  PIS  com  o  PIS  dos meses  de  06/99  a  06/01,  informadas  nas  DCTF,  docs.  de  fls.70  a  119,  a  fiscalizada  apresentou  cópia  da  petição  inicial,  sentença,  parecer  contábil,  planilhas demonstrativas dos créditos e das compensações, e extrato de  consulta do processo 98.0000856­0, que trata de Ação Ordinária com  pedido  de  Tutela  Antecipada,  interposta  contra  a  União  Federal,  objetivando  garantir  a  imediata  compensação  entre  os  créditos  resultantes de valores  indevidamente  recolhidos para o PIS  com seus  débitos derivados do próprio PIS;  3)  O  referido  processo  não  transitou  em  julgado,  não  podendo,  de  imediato,  produzir  os  efeitos  almejados  pela  fiscalizada,  ou  seja,  a  compensação entre os créditos resultantes de valores recolhidos ao PIS  na  vigência  dos  Decretos­leis  2.445  e  2.449,  declarados  inconstitucionais  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  com  os  valores  devidos ao PIS dos meses de 06/99 a 06/01. No extrato de consulta de  processo da Seção Judiciária do Espírito Santo, consta que o processo  em tela foi "concluso ao Juiz em 23.10.00 para despacho sem liminar";  4) Considerando que a Ação Judicial em tela foi ajuizada em 10/02/98,  procedeu­se  a  análise  dos  documentos  referentes  a  compensação  pleiteada,  recuando 05(cinco)  anos  da data  do  ajuizamento  da Ação,  ou  seja,  a  partir  dos  pagamentos  efetuados  em  02/93(fato  gerador  01/93);  5)  A  fiscalizada  ao  proceder  aos  cálculos  indicados  nas  planilhas  apresentadas, entendeu que o prazo estabelecido na Lei Complementar  07/70 — vencimento dia 20 do 6° mês subseqüente à ocorrência do fato  gerador,  alcançaria  todo  o  período  abrangido  pela  sua  pretensão  (12/88  a  10/95),  fls.129  a  133.  No  entanto,  esse  direito  prevaleceu  somente até  junho de 1989, no que concerne a  fato gerador ocorrido  em 12/88, tendo em vista que legislações (sic) posteriores alteraram os  prazos de recolhimento;  6) Com base na Lei Complementar n° 07/70, procedeu­se à apuração  dos  valores  devidos  ao  PIS  do  período  de  01/93  a  10/95,  aplicando  sobre as bases de cálculo, apresentadas pela fiscalizada, a alíquota de  0,75%.  Os  valores  obtidos,  relativos  ao  período  de  01/93  a  12/94,  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11543.003879/2001­10  Resolução nº  3201­000.682  S3­C2T1  Fl. 423          3 foram  convertidos  em  UFIR,  de  acordo  com  os  art.  53,  IV  da  Lei  8383/91,  art.  53,  IV  da  Lei  8850/94  e  art.  55  da  Lei  9096/95.  Dos  valores  devidos  foram  deduzidos  os  valores  efetivamente  recolhidos  pela  fiscalizada,  convertidos  em  UFIR  pelo  seu  valor  da  data  do  pagamento.  Os  valores  devidos  e  recolhidos,  do  período  de  01/95  a  10/95, foram obtidos em Reais.  7) Finalmente, no período analisado (01/93 a 10/95), a fiscalizada não  teve  créditos  a  serem  aproveitados,  restando,  pelo  contrário,  débitos  remanescentes do período de 01/93 a 12/94, no montante de 21.207,17  UFIR e de 01/95 a 10/95, no montante de R$ 5.504,87, conforme docs.  de fls. 120 a 149.  O  enquadramento  legal  da  presente  autuação  foram  os  artigos  3°,  alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70, art. 1°, parágrafo Único, da  Lei Complementar n° 17/73, arts. 2°, inciso I, 3 0, 8°, inciso I, e 9°, da  Lei n° 9.715/98, e arts 2° e 3° da Lei n° 9.718/98.  Após  tomar  ciência  da  autuação  em 24/09/2001,  a  empresa  autuada,  inconformada,  apresentou  a  impugnação  anexada  às  fls.  24  em  22/10/2001, alegando em resumo:  •  Falta  a  apresentação  das  alíquotas  no  corpo  do  Auto  de  Infração.  Erra o Fisco quando traz anexos e demonstrativos juntados ao auto de  infração e que, supostamente, demonstram os períodos, datas e valores  apurados;  • Como a autuação foi apurada através de escrituração fiscal, deveria,  por  óbvio,  terem  sido  relacionados  os  livros  ou  registros  contábeis  para  embasar  seu  lançamento,  como  também,  o  agente  fiscalizador  deveria comprovar sua habilitação contábil ensejadora de tal ação;  •  Outrossim,  a  impugnante  está  juntando  a  certidão  do  Conselho  Regional  de  Contabilidade  do  Espírito  Santo,  que  afirma  categoricamente  que  o  sr.  Manoel  Sérgio  de  A  Macedo,  não  possui  nenhum tipo de registro no referido Conselho;  •  É  de  sabença  de  todos  que  a  análise  de  livros  e  escriturações  contábeis  é  tarefa  concernente  à  profissão  de  contabilista  e,  sob  o  prisma  da  Constituição  Federal,  qualquer  outra  pessoa  que  não  contabilista que o faça está exercendo ilegalmente profissão alheia;  • Assim, nem careceria adentrar ao mérito do lançamento, vez que os  liames  de  validade  e  legalidade  não  foram  satisfeitos.  Mas,  por  derradeiro  amor  a  querela  e  por  primazia  a  verdade  material,  a  Impugante  fez  tecer  considerações  sobre  a  suposta  causa  do  lançamento, conforme segue;  •  Na  data  de  30/03/00,  a  empresa  impetrou Mandado  de  Segurança,  sob  n°  2000.50.01.001999­2,  em  que  lhe  foi  proferida  sentença  autorizando a compensação dos valores recolhidos indevidamente ou a  maior  do PIS,  no  período  de  julho  de  1989  a  1995,  sob  a  égide  dos  Decretos­lei  2.445  e  2.449,  de  1988,  os  quais  foram  declarados  inconstitucionais  pelo  STF,  com  débitos  do  contribuinte  da  mesma  natureza;  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11543.003879/2001­10  Resolução nº  3201­000.682  S3­C2T1  Fl. 424          4 •  Desta  forma,  torna­se  evidente  que  a  autuação  sofrida  pela  impetrante está em total desacordo com a decisão proferida pela MM  Juíza  da  5'  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  de  Vitória/ES,  pois  a  empresa  ainda  possui  créditos  a  compensar,  conforme  se  pode  perceber com a análise das planilhas em anexo;  •  No  tocante  a  alegação  de  que  a  empresa  deixou  de  recolher  as  contribuições  dos meses  de  10/98,  11/98  e  12/98,  apesar  de  ter  sido  reconhecida  pela  mesma,  não  pode  ser  levada  a  efeito  para  que  se  proceda  a  autuação  da  impugnante,  pois  como  já  foi  afirmado,  a  empresa  tem  o  direito  de  compensar  os  valores  que  foram  pagos  indevidamente  a  título  de  PIS,  sob  a  égide  dos  Decretos­lei  2.445  e  2.449,  1988,  os  quais  foram  declarados  inconstitucionais  pelo  STF  e  foram afastados do mundo jurídico através da Resolução n° 49/95, do  Senado Federal;  • Desnecessário dizer, que esses valores recolhidos a maior constituem  propriedade  da  Impetrante,  propriedade  essa  garantida  constitucionalmente;  •  Se  o  contribuinte  tem  crédito,  vale  dizer  que  pagou  a  maior  um  determinado  tributo,  ou  seja,  tem  o  direito  de  propriedade  sobre  seu  crédito.  Ora,  se  tem  que  efetuar  novos  recolhimentos,  por  que  não  compensá­los?  Vale  frisar  que,  ocorrendo  o  indébito  tributário,  o  Estado  apodera­se  de  determinada  parcela  da  propriedade  do  contribuinte;  • Neste diapasão, não há que  se  cogitar  em  falta de  recolhimento do  PIS;  • Como se pode observar e por tudo o que foi exaustivamente exposto,  não  é  aplicável  a  incidência  da  multa  de  ofício  que  foi  aplicada  à  impugnante, pois a mesma agiu conforme determinação judicial;  •  Nestes  termos,  requer  a  impugnante  seja  declarado  insubsistente  o  presente  Auto  de  Infração  e  conseqüente  débito  lançado  pela  impugnada,  tudo  conforme  foi  exaustivamente  fundamentado  nesta  impugnação.  Junto com a petição impugnatória, o contribuinte apresentou cópia do  Contrato Social  (fls.186/194), Sentença do Mandado de Segurança n°  2000.50.01.001999­2,  na  5"  Vara  Federal  no  Espírito  Santo(fls.195/211)  e  Declaração  do  Conselho  Regional  de  Contabilidade.  A  Turma  Julgadora  julgou  a  Impugnação  parcialmente  procedente,  restando  assim ementada a decisão:  Assunto:  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  Período  de  apuração:  01/10/1998  a  31/12/1998,  01/06/1999  a  30/06/2001  Ementa:  NULIDADE  DA  AÇÃO  FISCAL  ­  Não  ocorrida  violação  das  disposições contidas nos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há  que se falar em nulidade do lançamento formalizado através de auto de  infração.  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11543.003879/2001­10  Resolução nº  3201­000.682  S3­C2T1  Fl. 425          5 CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE  DEFESA  —  O  cerceamento  ao  direito  de  defesa  somente  se  caracteriza  pela  ação  ou  omissão  por  parte  da  autoridade  lançadora  que  impeça  o  sujeito  passivo  de  conhecer os dados essenciais à sua defesa, restringindo tal direito. Não  se  configura  cerceamento  à  defesa,  quando  o  contribuinte  apresenta  impugnação contra os mesmos fatos que originaram a autuação.  ATIVIDADE DE LANÇAMENTO —COMPETÊNCIA — Nas atividades  inerentes  à  constituição  de  créditos  da  Fazenda  Nacional,  administrados pela Secretaria da Receita Federal, não se aplicam aos  Auditores Fiscais da Receita Federal quaisquer limitações relativas às  sua atribuições.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  —  ANEXOS  —  Não  há  impedimento  à  existência de demonstrativos e  relatórios anexos ao auto de  infração,  desde que deles seja dada ciência ao contribuinte, a fim de possibilitar  o exercício da ampla defesa.  AÇÃO JUDICIAL PROPOSTA PELO INTERESSADO. RENÚNCIA ÀS  INSTÂNCAS  ADMINISTRATIVAS.  IMPUGNAÇÃO  NÃO  CONHECIDA  EM  PARTE  ­  Ação  judicial  proposta  pelo  interessado  contra a Fazenda Nacional — antes ou após o lançamento do crédito  tributário  —  com  idêntico  objeto,  impõe  renúncia  às  instâncias  administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa  via,  sem  a  apreciação  do  mérito,  declarando­se  a  definitividade  do  crédito tributário.  PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ­ Não compete à DRJ, nos  termos do  inciso  I  do  art.224  e  225  da  Portaria  MF  n°  30/2005,  apreciar,  originariamente, pedido de compensação de tributos ou contribuições.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL/JULGAMENTO  ­ Embora o  débito declarado, a princípio, dispense o lançamento, os procedimentos  fiscais  perpetrados,  assim  como  eventuais  impugnações  ou  recursos  tempestivos  apresentados  pelo  sujeito  passivo  no  curso  do  processo  administrativo  fiscal,  constituem­se  atos  perfeitos,  motivo  pelo  qual  devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas.  MULTA  .DE  OFÍCIO.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  Em  face  da  retroatividade benigna, cancela­se a multa de lançamento de ofício.  O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 277 e seguintes, por meio  do qual reafirmou que a matéria em discussão se encontra sob discussão judicial, destacando,  ainda,  que,  por  força  de  sentença  proferida,  a  compensação  tributária  deveria  se  dar  independentemente de procedimento administrativo.   Os  autos  foram  remetidos  a  este  CARF  para  julgamento  e  distribuídos  ao  Relator  Luciano  Lopes  de  Almeida  Moraes.  Por  unanimidade  de  votos,  deliberou­se  pela  conversão do feito em diligência, nos seguintes termos:  Discute­se  nos  autos  a  compensação  de  PIS  decorrente  de  processo  judicial.  Entretanto,  verifica­se  que,  para  deslinde  do  feito,  se  faz  necessário  verificar  o  teor  das  decisões  proferidas  bem  como  o  trânsito  em  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11543.003879/2001­10  Resolução nº  3201­000.682  S3­C2T1  Fl. 426          6 julgado  das  demandas  que  influem  neste  processo  (2000.50.01.0019992 e 98.000008560).  Assim, entendo que deva ser intimado o contribuinte a juntar aos autos  cópia  das  iniciais,  sentenças  e  acórdãos  proferidos  nos  referidos  processos judiciais, bem como certidão narratória dos mesmos.  Ainda,  deve  a  recorrente  ser  intimada a  explicitar  se  os  créditos  ora  debatidos  foram  calculados  com  base  nos  dois  processos  judiciais  supra ou, se em apenas um deles, especificar qual.  Diante do exposto, voto por ser realizada diligência para que:  1) A recorrente junte aos autos cópia das iniciais, sentenças e acórdãos  proferidos  nos  referidos  processos  judiciais,  bem  como  certidão  narratória dos mesmos.  2)  A  recorrente  deve  ainda  esclarecer  se  os  créditos  ora  debatidos  foram  calculados  com base  nos  dois  processos  judiciais  supra  ou,  se  em apenas um deles, especificar qual.  3)  A  autoridade  preparadora  informe  se  os  valores  pretendidos  de  compensação  pela  recorrente  foram  realizados  conforme  determinam  as  decisões  judiciais  dos  processos  supra  elencados,  esclarecendo  eventuais divergências.  Não  obstante  a  determinação  contida  na  referida Resolução,  verifica­se  que  a  diligência solicitada não foi atendida pela Autoridade Preparadora.  Consta,  à  fl.  419,  o  seguinte  despacho  de  encaminhamento  proferido  pela  Delegacia da Receita Federal de Vitória:     Fl. 426DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 11543.003879/2001­10  Resolução nº  3201­000.682  S3­C2T1  Fl. 427          7 Com a devida vênia,  o  envio dos  autos  à SECAT/DRF/VIT/ES não  se deu de  forma indevida. É necessário que a Autoridade Preparadora atenda ao que restou solicitado por  este órgão julgador.  Desse modo, voto pela CONVERSÃO DO FEITO EM DILIGÊNCIA para que  seja efetuada nova remessa dos autos à Autoridade Preparadora, para que esta atenda ao  que restou determinado pela Resolução nº 3201000.307, de 28/02/2012 (fls. 408/413).    Tatiana Josefovicz Belisário ­ Relatora    Fl. 427DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO

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Numero do processo: 15463.000461/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRRF. ALUGUÉIS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar a glosa de compensação indevida de IRRF no valor de R$ 18.034,91. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA     2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  nos  autos  do  processo  nº  15463.000461/2009­59,  em  face  do  acórdão  nº  09­48.718,  julgado  em  19/12/2013,  pela  6ª.  Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA),  no  qual  os  membros  daquele  colegiado  entenderam  por  julgar  improcedente  a  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte.  Ainda,  por  este  acórdão,  foi  substituído  o  acórdão  de  nº  0946.263, da mesma DRJ, que havia sido  julgado em 05/09/2013. Tal  substituição  tornou­se  necessária em razão do acerto efetuado relativo à exigência tributária remanescente nos autos, à  fl. 78.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal  do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou:  “Para o contribuinte retro qualificado foi emitida a Notificação  de Lançamento IRPF de fl(s). 8/13, que lhe exige o recolhimento  do  crédito  tributário  no  montante  de  R$28.440,35,  sendo  de  imposto  suplementar  código  2904  o  valor  de  R$962,50  e  de  imposto  código  0211  o  valor  de R$18.440,34,  e  o  restante  dos  acréscimos  legais  correspondentes,  consoante  nela  discriminados.  Decorreu  o  lançamento  da  revisão  efetuada  na Declaração  de  Ajuste  Anua  do  IRPF  DAA/  2007  apresentada  à  RFB  pelo  contribuinte,  cujo  resultado  foi  de  imposto  a  pagar  de  R$38.052,67, conforme demonstrativo à fl. 13. De acordo com a  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  de  fl(s).  10/11,  foram  apuradas  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  Limatech  Artigos  de  Informática  Ltda.,  no  total  de  R$3.500,00,  e  compensação  indevida  de  IRRF  no  valor  de  R$18.528,24,  informado  como  incidente  sobre  rendimentos  declarados  como  recebidos  de  Thiana´s  Coiffeur  Ltda.,  LLB  Restaurante  Ltda.  ME,  Parco  Papelaria  Ltda.,  Imperador  Petrópolis Frutas e Legumes Ltda. e Freedom Equipamentos de  Mergulho  Ltda.,  sob  a  justificativa:  “diferença  entre  o  valor  declarado e o informado em Dirf”.  Cientificado do lançamento, o interessado apresentou, por meio  de  seu  procurador  nomeado  conforme  instrumento  de  fl.  5,  a  impugnação de fl(s). 2/4, instruída com o(s) elemento(s) de fl(s).  14/54. Nessa oportunidade, contesta o feito fiscal argumentando  que  as  fontes  pagadoras  cometeram  erros  nas  informações  prestadas em Dirf, tendo em vista que os IRRF foram retidos no  ato  do  recebimento,  conforme  recibos  anexos;  afirma  que  a  glosa do valor de R$236,06 foi correta; também acata a omissão  de  rendimentos  verificada,  tendo  inclusive,  realizado  o  recolhimento  da  exigência  tributária  correspondente,  Darf  fls.  61 e 70; diz não ter havido má fé.”    A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu  pela  improcedência  da  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte.  Inconformado  com  a  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 15463.000461/2009­59  Acórdão n.º 2202­003.428  S2­C2T2  Fl. 136          3 improcedência de  sua  impugnação, o contribuinte  interpôs Recurso Voluntário, às  fls. 93/94,  onde  são  reiterados,  em parte,  os  argumentos  lançados  na  impugnação,  bem como  anexados  documentos às fls. 76/113.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Relator  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.    Delimitação da lide.  A contribuinte apresenta as razões de seu recurso, que houve erro de fato no  preenchimento da DIRF, ano­calendário 2006, pelas fontes pagadoras L.L.B. Restaurante Ltda.  (CNPJ 03.168.897/0001­55) e Thaina's Coiffeur Ltda (CNPJ 01.350.085/0001­09).   Requer o contribuinte que seja afastada a glosa no valor de R$ 12.519,19 em  relação ao IRRF da fonte pagadora L.L.B. Restaurante Ltda. (CNPJ 03.168.897/0001­55) e, em  relação  a  fonte  pagadora Thaina's Coiffeur  Ltda  (CNPJ  01.350.085/0001­09)  seja  afastada  a  glosa no valor de R$ 5.515,68. Assim, delimita­se a lide em relação a estes valores, destas duas  fontes pagadoras.     Glosas de IRRF. Aluguéis.  O contribuinte, em recurso voluntário, anexa documentos para comprovar seu  direito, sendo juntado aos autos, às fls. 97/122:   · Cópia  autenticada  do  contrato  de  locação  com  a  empresa  Thaina's  Coiffeur  Ltda,  com  firmas  reconhecidas  em  tabelionato  à  época  dos  contratos;  · Cópia autenticada do contrato social e alterações da empresa Thaina's  Coiffeur Ltda;  · Cópia  simples  do  contrato  de  locação  com  a  empresa  L.L.B.  Restaurante  Ltda.,  com  firmas  reconhecidas  em  tabelionato  à  época  dos contratos;  · Cópia autenticada do contrato  social  e  alterações da  empresa L.L.B.  Restaurante Ltda;  Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA     4   Ainda, foi juntado também, às fls. 95/96 e 128/129, os seguintes documentos:  · Comprovantes  de  rendimentos  pagos  e  de  retenção  de  imposto  de  renda  na  fonte,  ano­calendário  2006,  de  duas  fonte  pagadoras:  Thaina's Coiffeur Ltda. e L.L.B. Restaurante Ltda.;  · Declaração  das  empresa  Thaina's  Coiffeur  Ltda.  onde  sua  representante  legal,  Rosemberg  Nunes  de  Alcantara,  declarara  que  pagou  ao  recorrente  R$  41.988,00,  tendo  retido  o  valor  de  R$  5.515,68, tendo, entretanto, recolhido somente o valor de R$ 420,04,  restando um saldo a recolher no valor de R$ 5.095,64.  · Declaração  das  empresa  L.L.B.  Restaurante  Ltda.  onde  sua  representante  legal,  Rosemberg  Nunes  de  Alcantara,  declarara  que  pagou ao recorrente R$ 54.800,77, de um total bruto de R$ 67.320,00,  tendo retido o valor de R$ 12.519,23, não tendo, entretanto, recolhido  o imposto devido.    Em  relação  aos  documentos  juntados,  por  força  do  princípio  da  verdade  material e do formalismo moderado, recebo­os nesta fase processual.  Em relação a fonte pagadora Thaina's Coiffeur Ltda (CNPJ 01.350.085/0001­ 09),  o  IRRF  declarado  foi  R$  5.516,63,  sendo  que  o  contribuinte  comprovou  ,  pela  documentação anexada, a retenção no valor de R$ 5.515,68. Portanto, em relação a esta fonte  pagadora, mantém­se a glosa no valor de R$ 0,95.  Em  relação  a  fonte  pagadora  L.L.B.  Restaurante  Ltda.  (CNPJ  03.168.897/0001­55), o IRRF declarado foi R$ 12.688,60, sendo que o contribuinte comprovou  , pela documentação anexada, a retenção no valor de R$ 12.519,23. Portanto, em relação a esta  fonte pagadora, mantém­se a glosa no valor de R$ 169,37  Assim, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter as  glosas  impugnadas,  pois  prosperam  as  razões  apresentadas  pelo  contribuinte,  devendo  ser  afastada  a  glosa  no  valor  de  R$  18.034,91,  considerando  a  soma  de  R$  5.515,68  e  R$  12.519,23),  relativa  ao  IRRF  sobre  alugueis,  das  fontes  pagadoras  Thaina's  Coiffeur  Ltda  (CNPJ  01.350.085/0001­09)  e  .L.B.  Restaurante  Ltda.  (CNPJ  03.168.897/0001­55),  respectivamente.    Conclusão.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário, afastando­se a glosa de IRRF no valor de R$ 18.034,91.    (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 15463.000461/2009­59  Acórdão n.º 2202­003.428  S2­C2T2  Fl. 137          5                             Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA

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6458414 #
Numero do processo: 10920.007781/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MERCADORIA IMPORTADA. DRAWBACK. Constatada a existência de créditos suficientes para homologar o pedido de compensação formulado pela contribuinte, é de rigor o provimento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3302-003.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO

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REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MERCADORIA IMPORTADA. DRAWBACK. Constatada a existência de créditos suficientes para homologar o pedido de compensação formulado pela contribuinte, é de rigor o provimento do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. RICARDO PAULO ROSA - Presidente. LENISA PRADO- Relatora . EDITADO EM: 30/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Paulo Guilherme Dèrouledé, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Linhares de Araújo, Walker Araújo e Lenisa Prado. Fl. 1.615Fl. 1.615 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o PIS/Pasep KAVO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA KAVO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório A questão tem início em pedido de ressarcimento de créditos das contribuições para o PIS/PASEP não cumulativo, previsto na Lei n. 10.637/2002 e IN 600/2005 (revogada pela IN 900/2008), referentes ao 3º trimestre do ano de 2006, no valor de R$ 111.683,53. A Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC reconheceu parcialmente o direito creditório, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido (fls. 441/ 446 dos autos eletrônicos). A autoridade fiscal não reconheceu o valor integral apontado pelo contribuinte pelos seguintes motivos: 1. Duplicidade no lançamento de notas fiscais, listadas tanto na linha 02 do Dacon (Bens Utilizados como Insumos) e na linha 06 (Despesas de Aluguel de Máquinas e Equipamentos); 2. Diferença entre a base de cálculo declarada pelo contribuinte e os valores de reembolso dos salários e encargos constantes nas notas fiscais; 3. Foram glosados os valores de crédito de PIS/Pasep lançados como Bens Utilizados como Insumos - esses adquiridos pelo regime de drawback - diante da limitação prevista na Lei n. 10.637/2002, art. 3º, § 2º, II1. Conforme atesta a declaração de folha 449, a compensação com os débitos informados pela contribuinte foi realizada até o valor de R$ 111.683,51, remanescendo o saldo devedor de R$ 5.216,02. Intimada sobre a compensação e o débito remanescente (Aviso de Recebimento Postal à folha 452), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 453/474), oportunidade na qual contesta as glosas apontadas pela autoridade fiscal. A manifestação de inconformidade foi julgada parcialmente procedente pela instância de origem (fls. 1003/1012), em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA APLICADA DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO DE BENS. Desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência, geram direito a créditos no regime da não- cumulatividade da Contribuição para o PIS e a COFINS os valores pagos a outra pessoa jurídica em decorrência da locação de mão-de-obra diretamente aplicada na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. 1 Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 2º Não dará direito a crédito o valor: II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produto ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.007781/2008-09 Acórdão n.º 3302-003.179 S3-C3T2 Fl. 1.616 3 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MERCADORIA IMPORTADA. DRAWBACK. Mercadoria importada sob o regime aduaneiro de drawback não gera direito a créditos no regime da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS e da COFINS. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. O voto condutor do acórdão recorrido concluiu pelo reconhecimento do direito de crédito em relação às aquisições realizadas no mercado interno, mas manteve a glosa em relação aos créditos na importação. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1019/1045), motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho. Em 23/07/2013 a 3ª Turma da 4ª Câmara desta 3ª Seção converteu o julgamento do recurso em diligência para que as seguintes providências fossem tomadas pela Delegacia de origem: "1. detalhar, por valor, entre os montantes glosados, aqueles que decorrem de (a) operações de importação sujeitas a drawback e (b) operações de importação de bens destinados a industrialização, regularmente tributadas; 2. levantar, a partir das notas fiscais e declarações de importação, o valor total de PIS/COFINS que foi recolhido em operações de importação de bens destinados a industrialização, certificando se confere com o valor alegado pelo recorrente, constantes no arquivo digital apresentado com a manifestação de inconformidade; 3. demonstrar e informar, tendo em conta o valor apurado destes créditos, se são suficientes para o reconhecimento integral do direito de crédito pleiteado pelo contribuinte e para a homologação de suas compensações". Em resposta a resolução acima transcrita, a DRF de Joinville apresentou o relatório Informação Fiscal 028/2015 (fls. 1558/1561). A contribuinte foi cientificada sobre as informações prestadas pela Delegacia de origem em 13/05/2015 (Aviso de Recebimento Postal à folha 1563) e apresentou sua manifestação em 15/06/2015 (certidão de folha 1572). Os autos retornaram a este Conselho. É o relatório. Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Voto Conselheira Lenisa Prado A contribuinte foi cientificada sobre o teor do acórdão recorrido em 04/04/2012 (Aviso de Recebimento acostado à folha 1018) e interpôs tempestivamente o recurso voluntário sob julgamento em 04/05/2012, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A instância de origem, ao negar em parte a pretensão da contribuinte, o fez com amparo nos seguintes argumentos: "Em análise as notas fiscais apresentadas pela contribuinte, quais sejam as notas ficais cujos créditos foram glosados e os extratos das declarações de importação, verifica-se que todas as notas fiscais correspondem a operações de drawback. Observa-se ainda que os registros das Declarações de Importação são explícitos ao informar que as aquisições referidas nas notas fiscais não foram objeto de tributação pela Contribuição ao PIS ou pela Cofins. Desta forma, tendo em vista que as glosas correspondem a importações que não foram objeto de tributação, conclui-se que a contribuinte não possui direito ao crédito em relação a estas operações, estando correta a glosa procedida pela autoridade fiscal" (fl. 758 - grifos nossos). Por sua vez a recorrente sustenta que houve cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que a instância de origem não analisou as notas fiscais apresentadas, já que é por meio desses documentos que se verifica que apenas uma parte das importações foi submetida ao regime especial de drawback. As demais são importações regulares, em que houve o recolhimento do PIS/COFINS. Consta no Relatório Fiscal fornecido pela DRF em resposta a diligência requerida que: "o contribuinte, a título de PIS-Importação, para este terceiro semestre, indicou um valor superior aos valores efetivamente recolhidos em procedimentos de importação. Ainda que isto tenha ocorrido, em uma análise sistêmica, no 2º trimestre, por parte do contribuinte, houve indicação de uma valor menor que o efetivamente realizado. Ora, as diferenças praticamente se compensam. O contribuinte teria recolhido ainda R$ 1.146,00 além do indicado no cômputo dos dois trimestres". E conclui: "O erro apontado pelo contribuinte levou ao erro da apuração do PIS/COFINS no momento da análise da Dcomp. Uma vez caracterizado este equívoco, é de se reconhecer que o montante de crédito pretendido era existente de fato. Ainda que as glosas sobre as operações de drawback fossem corretas - dada a natureza da operação, não se considerou o incremento de créditos nas operações 3.101. Ou seja, há que se reconhecer a existência do crédito pleiteado pelo contribuinte no PER. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.007781/2008-09 Acórdão n.º 3302-003.179 S3-C3T2 Fl. 1.617 5 Finalmente, analisando-se as DComps vinculadas a este pedido de restituição, com a utilização do sistema de apoio para cálculos, da RFB, conclui-se que o crédito mencionado (considerando a decisão da DRJ e os apontamentos neste relatório) é suficiente para homologar as compensações pretendidas ". (grifos nossos) Assim, considerando o princípio da verdade material que rege o Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1977), é de rigor o provimento do recurso voluntário. Lenisa Prado - Relatora Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA

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Numero do processo: 11128.000550/2001-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 29/03/1996 REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO. É de 5 (cinco) anos, a contar da data do registro da DI, o prazo para a SRF proceder sua revisão. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N.º 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Mantém-se a reclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, no código tarifário determinado pela autoridade lançadora. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. SUFICIÊNCIA DE PROVAS. DILIGÊNCIA. Sendo suficientes as provas apresentadas aos autos, o conselho não tem a obrigação de converter o julgamento em diligência.
Numero da decisão: 3201-002.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. EDITADO EM: 26/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, José Luiz Feistauer de Oliveira e Cassio Schappo.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA     2 (assinatura digital)  PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA ­ Relator.  EDITADO EM: 26/05/2016  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro Souza (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos  Alberto nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, José Luiz Feistauer de Oliveira  e Cassio Schappo.    Relatório  Por  bem  relatar  os  fatos,  transcrevo  o  relatório  da  decisão  de  primeira  instância, Acórdão 17­21.861, da DRJ/SP, de 06/12/2007, de fls. 176 dos autos:  "Trata­se de Recurso Voluntário  interposto  em  face da decisão  de primeira instância que manteve o auto de infração lavrado em  2001,  para  cobrança  de  diferença  do  Imposto  de  Importação,  Imposto sobre Produtos Industrializados, multas de ofício e juros  de mora, em decorrência da reclassificação da mercadoria.   Adoto o Relatório de fls. 133/135, elaborado por esta julgadora,  quando da diligência através da Resolução de n.º 552, de 10 de  fevereiro de 2006:  Através da DI de n° 096­03201012, registrada em 29103196, o  importador  submeteu  a  despacho  mercadoria  descrita  como  "Catalizador, à base de ácido dinonilnaftaleno disulfônico, 55%  ativo  em  butanol;  Nacure  155"  ,  classificando­o  na  TEC  no  código  2904.10.59,  com  alíquota  de  2%  para  o  Imposto  de  Importação.  De  acordo  com  o  Laudo  Técnico  de  fls.  37,  a  mercadoria  analisada  não  se  trata  de  composto  orgânico  de  constituição  química  definida  e  isolado.  Trata­se  sim  de  preparação  aceleradora de cura de Resina Sintética à base de Ácido Alquil  Aril  Sulfônico  (Surfactante  Aniônico)  em  35,7%  de  Solvente  (Isobutanol).  À  vista do  citado Laudo, a  fiscalização entendeu que a  correta  classificação seria no código 3402.11.90, lavrando assim, o Auto  de Infração de fls. 42148.  Ciente  daquela  autuação,  o  contribuinte  impugnou  o  Auto  de  Infração.  A  Decisão  DRI­­SPO  n'474,  de  1710212000,  considerou  improcedente  o  lançamento,  considerando  que  tanto  à  classificação escolhida pelo importador quanto a escolhida pela  fiscalização estavam incorretas. Entendeu àquele julgador que a  correta classificação seria o código NCM3824.90.3.  Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 11128.000550/2001­06  Acórdão n.º 3201­002.191  S3­C2T1  Fl. 218          3 Remetido o processo à origem, a  fiscalização  lavrou o Auto de  Infração de  fls.  01 a 11,  considerando a  classificação  sugerida  pela  DIU  O  interessado,  inconformado,  apresentou  a  Impugnação de fls. 72188, e anexos onde alegou, entre outros:  ­  a  literatura  técnica  fornecida  pelo  Fabricante,  fls.  1071108  comprova que trata­se efetivamente de um "Composto Orgânico  de  Constituição  Química  Definida"  contendo  impurezas  decorrentes do processo de fabricação.  Formulou os seguintes quesitos às fls. 87,  a)  O  produto  importado  pode  ser  considerado  um  composto  orgânico  de  constituição  química  definida,  contendo  impurezas  decorrentes do processo de fabricação?  b)  Qual  o  embasamento  técnico%ientífico  (citar  literatura  técnica)  que  enquadra  o  produto  como  uma  Preparação  Aceleradora de Cura Resina Sintética.  Por parte desta DRJ:  1) A mercadoria importada é o NACURE 155?  2) O que mais achar necessário esclarecer para solução da lide.  Este  foi  o  Relatório  da  Resolução.  Cabe  acrescentar,  ainda,  S  algumas alegações da Impugnação de fls. 72/88:  ­  nas  situações  da  espécie,  ou  seja,  quando  ambas  as  classificações  tarifárias  estão  incorretas  (tanto  a  adotada  pelo  importador  como  aquela  eleita  pelo  fisco),  deve  prevalecer  na  respectiva  D.I.  o  enquadramento  tarifário  do  Importador,  conforme  pacífico  entendimento  firmado  pela  jurisprudência  predominante  no  Egrégio  Terceiro  de  Contribuintes  e  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  do  Ministério  da  Fazenda  em  lBrasília;  ­ a exigência de que trata esse novo Auto de Infração, carece de  total  respaldo  legal,  afrontando,  flagrantemente,  os  princípios  mais elementares do direito, destacando­se, em especial, que não  estão  presentes,  na  questão  ventilada  nos  autos,  as  hipóteses  elencadas no artigo 149 do C. TN, que autorizam a revisão do  lançamento;  ­  deve  ser decretada a nulidade do Auto de Infração de que  se  cuida, vez que eivado de vício formal insanável;  ­  ao  proferir  a  Decisão  n°  47412000  nos  autos  do  Processo  Administrativo n° 11128­007.381198­24, o julgador monocrático  ao  decidir  pela  Improcedência  do  feito  sob  a  alegação  de  que  ambas as classificações tarifárias estavam incorretas (tanto a do  importador  como  a  do  fisco),  *amais  poderia  tecer  considerações no sentido de que o risco deveria promover novo  lançamento  ,  propondo  a  classificação  tarifária  do  produto  importado na posição que esse mesmo julgador entendia correta  Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA     4 , que foi o procedimento adotado pela Alfândega de Santos nesse  novo Auto de Infração . (grifou)  ­  prevalecer  tal  situação o  julgador  estará  fazendo as  vezes de  juiz  e  parte,  o  que  é  manifestamente  arbitrário,  ilegal  e  inconstitucional;  ­ a revisão de lançamento na forma como procedida no Auto de  Infração em tela, contraria frontalmente as disposições contidas  no  artigo  149  do Código Tributário Nacional,  que  descreve  as  possibilidades em que o lançamento pode ser revisto pelo fisco;  ­  há  muito  pacificou­se  o  entendimento  da  jurisprudência  predominante  em  nossos  tribunais,  no  que  diz  respeito  a  alteração da  classificação  tarifária  de mercadorias  importadas  em ato de revisão aduaneira, quando houver erro de direito ou  mudança  de  critérios  jurídicos  por  parte  da  fiscalização;  (cita  Acórdãos).  O  processo  retornou  à  esta  DRJ  para  julgamento  com  a  Informação  Técnica  de  n°  001/2007  elaborada  pelo  Laboratório Falcão Bauer que ratificou o laudo anterior.  A interessada tomou ciência da diligência e novamente ratificou  o  seu  entendimento  de  que  a  mercadoria  classifica­se  corretamente  no  Código  TEC­NCM  2904.10.59,  tal  como  declarado quando submetido a regular despacho aduaneiro por  meio da Declaração de  Importação de n° 096/032010­2, de  29/03/1996.  É o relatório."    Foi  publicada  a  seguinte  Ementa  do  Acórdão  17­21.861,  da  DRJ/SP,  de  06/12/2007, de fls. 176 dos autos:    "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 29/03/1996  REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO  É de 5 (cinco) anos, a contar da data do registro da DI, o prazo  que a SRF dispõe para proceder sua revisão.  Reclassificação  Fiscal.  Mantém­se  a  reclassificação  fiscal  realizada  com base  em Laudo Técnico  que  contenha  elementos  suficientes  para  comprovar  que  o  produto  examinado  se  enquadra,  .  inequivocamente,  no  código  tarifário  determinado  pela autoridade lançadora.  Lançamento procedente."     Os autos foram submetidos ao Conselho para julgamento.  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 11128.000550/2001­06  Acórdão n.º 3201­002.191  S3­C2T1  Fl. 219          5 É o relatório.      Voto             Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima    Conforme  as  provas,  documentos  e  petições  apresentados  aos  autos  deste  procedimento  administrativo  e,  no  exercício  dos  trabalhos  e  atribuições  profissionais  concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento e  relato o seguinte Voto.  Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do tempestivo Recurso  Voluntário  protocolado  em  27/02/2008  e  cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  28/01/2008.   DA PRELIMINAR  Com o objetivo de trazer aos autos informações que completem a convicção  dos  conselheiros  a  respeito  da  solução  para  a  controvérsia  apresentada  neste  procedimento  administrativo, reproduzo a decisão do Processo 11128.007381/98­24, do mesmo contribuinte,  mesma DI 032.010/96, adição 002 ­ mesma mercadoria e adição, decisão da DRJ/SP de 17 de  fevereiro de 2000, que exonerou o tributo lançado.  Segue:  "Com  relação  ao  produto  NACURE  155,  a  fiscalização,  com  base  no  laudo  LABANA,  afirma  que  trata­se  de  preparação  aceleradora  de  cura  de  resina  sintética,  tendo  reclassificado  referido produto para o código NCM 3402.11.90, coro o que não  concorda  o  contribuinte,  o  qual  afirma.  que  o  produto  possui  constituição química definida  e que os elementos apontados no  laudo  LABANA  são  impurezas  decorrentes  do  processo  de  fabricação.  Este  é  o  litígio,  Numa  primeira  análise,  comparando  as  descrições feitas para o produto NACURE 155 na declaração de  importação  (fls.15) e na conclusão do  laudo LABANA n° 1910,  parte  02  (fls.33),  verificamos  que  são  bastante  divergentes,  senão vejamos:  Descrição na DI: Catalisador, a base de ácido dinonilnaftaleno  dissulfônico,  55%  ativo  em  butanol.  NACURE  155.  Conclusão  do laudo: Preparação aceleradora de cura de Resina sintética à  base  de  ácido  alquil  anil  sulfônico  (surfactante  aniônico)  em  35,7% de solvente (isobutanol),.  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA     6 Notamos, de plano, que a conclusão do laudo não faz referência  ao ácido dinonilnaftaleno dissulfônico, mas sim ao ácido alquil  aril  sulfônico.  A  presença  do  solvente  isobutanol  está  coincidente.  Também  notamos  que  os  elementos  'apontados  na  identificação  química  do  laudo  (ácido  carboxílico,  enxôfre,  álcool  alifático  e  surfactante  aniônico),  os  quais  são  confirmados  pelo  contribuinte  e  definidos  por  este  como  impurezas  decorrentes  do  processo  de  fabricação,  não  estão  descritos  na  declaração  de  importação.  Além  disso,  o  contribuinte não trouxe em sua defesa elementos que comprovem  a definição destes elementos como impurezas.  A  nota  1  do  capítulo  29  lista  os  produtos  que  devem  ser  classificados no mesmo, bem como os elementos cuja presença é  permitida  junto  ao  composto  de  constituição  química  definida,  como veremos a seguir nas alíneas "a", "d", "e", " P' e "g":  1.  Ressalvadas  as  disposições  era  contrário,  as  posições  do  presente , Capítulo apenas compreendera:  a)  os  compostos  orgânicos  de  constituição  química  definida•  apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas;  d) as soluções aquosas dos produtos das alíneas "a", "b" ou "c"  acima;  e)  as  outras'soluções  dos  produtos  das  alíneas  "a",  "b"  ou  "c"  acima,  desde  que  essas  soluções  constituam  um  modo  de  acondicionamento  usual  e  indispensável,  determinado  exclusivamente por razões de segurança ou por necessidades de  transporte, e que o solvente não torne o produto particular apto  para usos específicos de preferência à sua aplicação geral;  f)  os  produtos  das  alíneas  "a"  "b"  "c"  "d"  ou  "e"  acima,  adicionados  de  una  estabilizante  (incluído  um  agente  antiaglonierante)  indispensável  à  sua  conservação  ou  transporte;  g)  os  produtos  das  alíneas  "a",  "b",  "c",  V%  "e"  ou  'f'  acima,  adicionados 49 de uma substância antipoeira, de wn corante ou  de uma substância aromática, com  finalidade de  facilitar a  sua  identificação  ou  por  razões  de  segurança,  desde  que  essas  adições  não  tornem  o  produto  particularmente  apto  para  usos  específicos de preferência à sua aplicação geral; "  A alínea "a" admite a presença de impurezas junto ao composto  de  constituição  química  definida.  As  NESH  referentes  ao  capítulo 20 apresentara o conceito de impurezas: .  "O  termo  "impurezas"  aplica­se  exclusivamente  às  substâncias  çom presença  no  composto  químico  distinto  resulta  exclusiva  e  diretamente do processo de fabricação (incluída a purificação).  "  Entretanto,  o  contribuinte  não  apresentou  elementos  comprovadores  de  que  os  elementos  identificados  no  laudo  LABANA  são  impurezas.  Assim,  ficou  caracterizado  que  o  produto NACURE 155 não possui constituição química definida,  Fl. 222DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 11128.000550/2001­06  Acórdão n.º 3201­002.191  S3­C2T1  Fl. 220          7 como  afirma  o,  laudo,  não  podendo  então  ser  classificado  no  capítulo 29.  Por  conseguinte,  está  incorreta  a  classificação  adotada  pelo  contribuinte .   A fiscalização, por sua vez, identifica o produto importado como  preparação  aceleradora  de  cura  de  resina  sintética,  tendo  reclassificado  o  produto  NACURE  155  para  o  código  NCM  3402.11.90. Ora, a posição 3402, escolhida pelo fisco, acolhe os  agentes,  orgânicos  de  superfície,  preparações  tensoativas,  preparações  para  lavagem  e  preparações  para  limpeza,  exceto  as  da  posição  3401.  O  código  NCM  3402.11.90  refere­se  aos  outros  agentes  orgânicos  de  superfície,  aniônicos.  Porém,  segundo  as  NESH  da  posição  3402,  os  agentes  orgânicos  de  superfície  apresentam  um  conjunto  de  propriedades  físico­ químicas, particularmente uma atividade de superfície, como por  exemplo,  redução  da"tensão  superficial,  formação  de  espuma,  emulsificação ou  ação molhante,  as  quais,  ainda  que  presentes  no  produto  analisado,  não  guardam  qualquer  relação  com  a  conclusão do  laudo LABANA, a  saber, preparação aceleradora  de cura de resina sintética.  Nesse sentido, cumpre lembrar que as preparações aceleradoras  de  cura,  também  conhecidas  como  agente  de  cura,  estão  incluídas  entre  os  produtos  químicos  e  preparações  das  indústrias  químicas  ou  das  indústrias  conexas.  Note­se  que  o  código NCM 3824.90.3 trata das preparações para borracha ou  plásticos e outras preparações para endurecer resinas sintéticas,  colas,  pinturas  ou  usos  similares.  O  Dicionário  Aurélio  da  Língua  Portuguesa  apresenta  a  seguinte  definição  para  resina  sintética :  "Produto  obtido  pela  condensação  e  polimerização de  duas  ou  mais  substâncias,  corri  aspecto  resinoso  e  propriedades  orgânicas que possibilitam ampla gama de aplicações. "  Tal  conceito  enquadra  as  resinas  entre  os  polímeros.  Dessa  maneira,  o  produto  importado,  um  acelerador  de  cura  de  polímeros,  apresenta  código  específico  na  posição  das  preparações  das  indústrias  químicas  não  especificadas  nem  compreendidas em outras posições.  Além  disso,  a  literatura  técnica  específica  aponta  o  produto  como  um  catalisador  (incentivados)  de  cura  Corroborando  nosso  entendimento,  temos  ementas  de  Acórdãos  do  Terceiro  Conselho  de  Contribuintes  (fls.95/96)  onde  um  produto  que  exerce  a  função  de  agente  de  cura  está  classificado no mesmo  código  das  preparações  endurecedoras,  quando  tais  preparações'  ainda  eram  classificadas  na  posição  3.823,  que  posteriormente foi alterada para 3824.  Destarte,  também  está  incorreta  a  classificação  escolhida  pela  fiscalização.  Com  relação  aos  juros  de  mora  e  às  multas  aplicadas, seguem o regime do principal, ou seja, do imposto de  importação e do imposto sobre produtos industrializados.  Fl. 223DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA     8 JULGO IMPROCEDENTE o lançamento, exonerando tributário  lançado."  A  reclassificação  do  produto  importado  ao  amparo  da DI  32010/96,  adição  002,  foi mesmo  objeto  de  autuação  anterior  como  alega  o  recorrente  e  foi  também  julgado  improcedente  o  lançamento  e  o  crédito  tributário  exonerado,  conforme  transcrito  acima  na  decisão 474/2000. O PAF prevê o caráter definitivo das decisões conforme segue:  "Art. 42. São definitivas as decisões:  I  ­  de  primeira  instância  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  II  ­  de  segunda  instância  de  que  não  caiba  recurso  ou,  se  cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição;  III ­ de instância especial.  Parágrafo  único.  Serão  também  definitivas  as  decisões  de  primeira  instância  na  parte  que  não  for  objeto  de  recurso  voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.  Art.  45.  No  caso  de  decisão  definitiva  favorável  ao  sujeito  passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerá­lo, de ofício,  dos gravames decorrentes do litígio."  Contudo,  não  é  possível  atender  ao  pedido  de  nulidade  apresentado  em  Recurso Voluntário,  em virtude de  "coisa  julgada",  uma vez que o  crédito  tributário não  foi  extinto nos moldes do Art. 156, inc. I do CTN, oportunidade em que a pretendida extinção do  crédito  tributário  se  daria  por meio  de  pagamento.  Logo,  não  há  como  reconhecer  a  "coisa  julgada" como pretende o contribuinte uma vez que, conforme exposto, não há a duplicidade  da cobrança do crédito.  A  decisão  que  "exonerou  o  crédito  tributário"  lançando  no  âmbito  do  Processo  Administrativo  11128.007381/98­24,  considerou  que  houve  erro  na  classificação  tanto  por  parte  da  fiscalização  quanto  por  parte  do  contribuinte.  Dessa  forma,  correto  o  procedimento  adotado  por  aquela DRJ,  uma  vez  que  não  poderia  trazer  àqueles  autos  novo  fundamento e inovar na decisão.  Assim, ainda dentro do prazo previsto para a Revisão Aduaneira, conforme o  disposto no Art. 54 do DL 37/66 (vigente à época dos fatos), a autoridade fiscal  realizou um  novo  lançamento,  em  estrito  acordo  com  as  respectivas  normas.  Logo,  se  a  declaração  de  importação  ocorreu  em  29/03/1996  e  o  novo  lançamento  ocorreu  em  29/01/2001,  correto  o  procedimento adotado uma vez que este se deu dentro dos 5 (cinco) anos a contar do registro  da DI.  A  respeito  da  inconstitucionalidade  alegada,  de  que  a DRJ  "jamais  poderia  tecer novas argumentações no sentido de que o fisco deveria promover novo lançamento" (fls.  196),  pois  atuaria  como  "juiz"  e  "parte",  este  Conselho  não  é  autorizado  a  tratar  da  inconstitucionalidade, conforme Súmula n.º 2:  "Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."  DO MÉRITO  Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 11128.000550/2001­06  Acórdão n.º 3201­002.191  S3­C2T1  Fl. 221          9 Mediante  o  Recurso  Voluntário  o  contribuinte  contestou  a  reclassificação  fiscal, a multa e o juros.   O  presente  procedimento  administrativo  comporta  dois  novos  Autos  de  Infração lavrados sobre o mesmo fato, o primeiro trata da cobrança do Imposto de Importação  por  "Declaração  Inexata  de  Mercadoria"  e  o  segundo  trata  da  cobrança  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  na  modalidade  "Reconstituição  da  Base  de  Cálculo".  Havendo  diferenças nas alíquotas dos impostos, seria correto o lançamento e sua fundamentação legal.  Logo,  considerando  o  trâmite  anterior,  a  solução  principal  da  lide  está  em  determinar  se  foram  corretas  ou  não  as  classificações  adotadas  pelo  contribuinte  e  pela  autoridade neste novo lançamento.  Verifica­se  que  tanto  no  Recurso  Voluntário,  assim  como  em  sua  manifestação  de  fls.  164  (pós  Informação  Técnica  001/2007,  Instituto  Falcão  Bauer,  Laboratório  de  Análises),  o  contribuinte  alega  que  o  substância  Isobutanol  é  somente  um  solvente,  substância  inerte  com  o  único  propósito  de  diluir  o  Ácido  Dinonilnaftaleno  Dissulfônico  (substância  predominante  da  mercadoria  Nacure  155)  para  viabilizar  o  armazenamento, transporte e manuseio da mercadoria NACURE 155.  Contudo,  verifica­se  nas  provas  juntadas  nos  autos  e  principalmente  no  cruzamento das informações disponibilizadas por meio do Laudo Labana/8.ª RF n.º 01/2007 ,  Laudo de Análise  1910.02/96  (fls.  45)  e  Informação Técnica  001/2007  de  fls.  148  (Instituto  Falcão  Bauer,  Laboratório  de  Análises),  que  a  mercadoria  importada  não  corresponde  à  mercadoria  "Nacure  155",  justamente  por  estar  claro  que  a  presença  do  Isobutanol  na  mercadoria importada não pode ser considerada como uma impureza, uma vez que sua adição  ao  Ácido  Dinonilnaftaleno  Dissulfônico  foi  realizada  de  forma  intencional  para  "tornar  o  produto particularmente apto para uso específico na indústria de revestimentos (fls. 152)."  Inclusive em virtude de outros quesitos solucionados em desfavor à definição  do produto  como  "Nacure 155",  seja o  fato do  Isobutanol  estar  em 55% na  solução e não o  Ácido Dinonilnaftaleno Dissulfônico  (fls.  152),  o  que  altera  a  essência  da mercadoria  e  sua  utilização,  seja porque a diluição do Ácido Dinonilnaftaleno Dissulfônico em  Isobutanol não  "constitua um modo de acondicionamento usual e indispensável, determinado exclusivamente  por razões de segurança ou por necessidade de transporte" (fls . 152).   Em  análise  mais  detalhada,  nenhuma  regra  geral  do  sistema  harmonizado  leva à conclusão de que a mercadoria é o "Nacure 155", ao contrário, as  regras  levam a crer  que a mercadoria apontada não pode ser classificada no código TAB­SH 2904.10.0399, tanto  em razão do  texto não corresponder, quanto em razão da essencialidade ou especificidade da  mercadoria.  Somente  se  a  mercadoria  analisada  fosse  o  "Nacure  155",  como  descrito  pelo  contribuinte, a sua classificação poderia ser adotada como correta.  Superada a questão da classificação da mercadoria por parte do contribuinte,  resta concluir se a classificação adotada no lançamento foi a correta.  Adotado em  reclassificação da mercadoria o  código TEC­NCM 3824.90.39  como "Preparação Aceleradora de Cura de Resina Sintética", com alíquotas de 14% para o II e  10% para o IPI, é importante reproduzir os textos dos códigos em comparação:  Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA     10 "TAB­SH. 2904 ­ DERIVADOS SULFONADOS, NITRATOS OU  NITROSADOS  DOS  HIDROCARBONETOS,  MESMO  HALOGENADOS.  TAB­SH.  ­2904.10  ­  ÁCIDOS  NAFTALENOSSULFÔNICOS,  SEUS  SAIS,  SEUS  ÉSTERES,  NAFTALENOSS ULFONA TOS DE SÔDIO.  TAB­SH. 2904.10.0399 ­ OUTROS"   _________  "NCM ­ 3824.90.39 ­ Produtos diversos das indústrias químicas  ­  Aglutinantes  preparados  para  moldes  ou  para  núcleos  de  fundição;  produtos  químicos  e  preparações  das  indústrias  químicas  ou  das  indústrias  conexas  (incluídos  os  constituídos  por  misturas  de  produtos  naturais),  não  especificados  nem  compreendidos  em  outras  posições  ­  Outros  ­  Misturas  e  preparações  para  borracha  ou  plásticos  e  outras  misturas  e  preparações  para  endurecer  resinas  sintéticas,  colas,  pinturas  ou usos similares ­ Outras"  Ao  reclassificar  a  mercadoria  no  código  TEC­NCM  3824.90.39  como  "Preparação Aceleradora de Cura de Resina Sintética" e de acordo com Laudo Labana/8.ª RF  n.º 01/2007 , Laudo de Análise 1910.02/96 (fls. 45) e Informação Técnica 001/2007 de fls. 148  (Instituto Falcão Bauer, Laboratório de Análises), verifica­se que a mercadoria é um acelerador  de  cura  de  polímeros,  relativo  a  preparações  das  indústrias  químicas  não  especificadas  nem  compreendidas em outras posições, para utilização específica na indústria de revestimentos.   Portanto,  correta  a  reclassificação  adotada pela  autuante. Em consequência,  improcedem  as  alegações  do  contribuinte  com  relação  à  multa  e  juros  uma  vez  que  a  capitulação legal no lançamento se mostra adequada e a declaração da mercadoria do produto  foi equivocada, por não se tratar da mercadoria "Nacure 155".  Em face do exposto, sendo as provas dos autos suficientes para a solução da  lide  e  dispensada  a  solicitação  de  nova  análise  conforme  fls.  206,  conheço  mas  nego  provimento ao Recurso Voluntário e considero procedente o Auto de Infração, determinando a  manutenção do lançamento em sua integralidade.  Este é o voto.  (assinatura digital)  Conselheiro Relator ­ Pedro Rinaldi de Oliveira Lima                                Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA

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Numero do processo: 15586.001638/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO O presente processo retorna depois da realização de diligências determinadas pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento nos termos das Resoluções nº 1101-000.078 e 1101-000.153. Da Resolução nº 1101-000.078 colhe-se o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos: ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 10/01/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 175.840.067,86. Esta Relatora requereu e lhe foi deferida a distribuição deste processo em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, no qual foi veiculada exigência semelhante, mas pertinente ao ano-calendário 2004. Aquele procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, em razão de a autuada figurar como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Tais informações também foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Já nestes autos, não há referência a qualquer representação externa. Todavia, o procedimento fiscal também se baseou na verificação de remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago em virtude das operações de hedge de comodities agrícolas, nos anos-calendário de 2005 a 2007. Por meio de intimações lavradas entre 07/06/2010 e 12/08/2010, a autoridade lançadora exigiu a apresentação dos mesmos elementos requeridos no procedimento fiscal anterior, com vistas à comprovação da efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, mediante transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Especialmente na resposta apresentada em 27/08/2010, a contribuinte insistiu que os elementos apresentados provavam os fatos questionados, ressaltando que as obrigações relativas às posições financeiras da intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company (ADM Company), principal empresa do grupo ADM no mundo, conforme entre elas convencionado, promovendo-se a contabilização dos montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente)com base em extratos mensais de transações de hedge, e liquidando estas operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Disse, ainda, que os contratos de liquidação futura são as ordens eletrônicas contidas nos extratos já apresentados, e que a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago não emite extrato de suas operações, incumbindo esta responsabilidade à ADM Investor Services. A autoridade lançadora conciliou os registros contábeis com os contratos de câmbio apresentados pela contribuinte, identificando divergências que, questionadas, foram esclarecidas pela fiscalizada (fls. 1524/1635). Também verificou o resultado de operações de hedge realizadas no Brasil, junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), analisando resumo das aplicações, extratos da corretora e documentos de transferências de recursos (fls. 1636/1741) e concluindo que estas operações resultaram em receitas contabilizadas em 2006 e 2007. Quanto às operações de hedge no exterior, observou que o resultado positivo apurado em 2005 foi regularmente contabilizado como receita. Já em 2006 e 2007 constatou que houve despesas nos montantes de R$ 53.778.588,62 e R$ 299.337.808,53, vinculadas a remessas por contrato de câmbio e a pagamentos mediante conta-corrente mantida no exterior (de acordo com a Lei nº 11.371/2006), acerca das quais se manifestou de forma semelhante ao que apontado no procedimento fiscal anterior: • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior e transferências do próprio exterior, para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM), para que esta realizasse o pagamento das coberturas de margens de hedge solicitadas pela BM&F Chicago. Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), a empresa Matriz nos EUA (ADM Company) e a empresa recebedora e aplicadora dos recursos (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; • O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116-501 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 55/2010 que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 83/127 e 1519/1520); • O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Cambio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de cambio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão - Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS - Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento - Cálculo de Exposições, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; Detalhando os valores contabilizados pela fiscalizada, a autoridade lançadora conclui que a ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão - conta "423130 - Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." - fls. 1594/1622) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, isto é, a comprovação das transferências de recursos da ADM do Brasil, ADM Investor Services ou ADM Holding para a BM&F-Chicago. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: 4. INFRAÇÕES APURADAS - OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 - GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram contabilizados na conta "423130 - Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 55.151.492,46 (...) para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 (...) A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 299, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submete-se às regras de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 1742/1798). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DRE, DIPJ e LALUR— fls. 26/82 e 1742/1798), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Demonstração do Resultado – Ano-Calendário 2006 Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 3.641.984.063,21 3.641.984.063,21 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) 3.278.357.868,92 3.223.206.376,46 Lucro Bruto 363.626.194,29 418.777.686,75 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais 471.484.238,87 471.484.238,87 Lucro Operacional -107.858.044,58 -52.706.552,12 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 4.233.259,97 4.233.259,97 Resultado do Período -103.624.784,61 -48.473.292,15 (+) Adições / (-) Exclusões (2) 218.107.496,86 218.107.496,86 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 114.482.712,25 169.634.204,71 (-) Compensação de Prejuizos 34.344.813,68 34.344.813,68 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal 80.137.898,58 135.289.391,03 BC dos Tributos (Glosas) 55.151.492,45 Demonstração do Resultado – Ano-Calendário 2007 Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 4.961.027.816,19 4.961.027.816,19 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) 4.612.263.190,30 4.317.546.729,75 Lucro Bruto 348.764.625,89 643.481.086,25 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais 202.871.216,99 202.871.216,99 Lucro Operacional 145.893.408,90 440.609.869,45 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 457.774,69 457.774,69 Resultado do Período 146.351.183,59 441.067.644,14 (+) Adições / (-) Exclusões (2) -236.796.028,02 -236.796.028,02 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos -90.444.844,43 204.271.616,12 (-) Compensação de Prejuizos 0,00 0,00 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal -90.444.844,43 204.271.616,12 BC dos Tributos (Glosas) 204.271.616,12 Obs: (1) Glosa dos custos das mercadorias e despesas acessórias relativos aos contratos de hedge fechados nos exterior, no valor de R$ 55.151.492,45 para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 para o ano de 2007; (2) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 10/01/2011, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO-CALENDÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DO MÉRITO: 1 – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA INTERESSADA: 1.1 – DA REALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE HEDGE E DA PROVA IMPOSSÍVEL EXIGIDA 2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS – A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 396 DO RIR 3 – DA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA INTERESSADA – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE 4 – DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. A juntada de provas, pela qual a impugnante protestou, deve ser feita por ocasião da impugnação, inexistindo razão para realização de diligência, ante a verificação de que constam nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador. No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratando-se de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em Bolsa. Centrando-se na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. Contestou documentos citados na impugnação por emitidos por empresa do grupo ADM ou por não individualizar e discriminar as operações. Disse, também, que ps contratos de Câmbio atestam a remessa de numerário para a ADM Co./ADM Investor Services Inc.. Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de tê-los apenas na conformidade da técnica mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido. Com referência aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, atribui-lhes a mesma conseqüência das demais glosas, porque tidas como acessórias, declarando desnecessário analisar os demais requisitos de dedutibilidade das despesas, quais sejam, necessidade, usualidade ou normalidade. Acrescentou que na ausência de documentos e livros fiscais, apenas a tabela de fl. 1949/1951 não se prestaria a atestar que houve adições relativas a despesas de juros, comissões ou variação cambial, e destacou que a variação cambial, na verdade, reduziu os valores lançados. Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos aos anos-calendário de 2006 e 2007, sendo considerados como valores tributáveis somente as infração apuradas. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 3064/3066) e do Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 3072), os saldos existentes em 2005 foram integralmente utilizados em períodos subseqüentes. Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas nas DIPJ 2006/2007 e 2007/2008, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado, e o saldo negativo apurado foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fls. 3075/3076); o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL (fls. 3077/3078). Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/01/2012 (fl. 3153), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/02/2012 (fls. 3204/3269), acompanhado dos documentos de fls. (3270/3422), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede nos EUA) ser um dos maiores dedicados à comercialização de produtos agrícolas, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 7,7 milhões de toneladas de soja em grãos por ano, tanto no mercado nacional, quanto no exterior. Inicialmente observa que em suas atividades com commodities pratica operações de compra, hedge e venda, sendo que o hedge é necessário como proteção das transações nas quais o preço que será pago ao produtor é definido no momento de aquisição, bem como nos acordos de venda que podem sofrer oscilações até a data da entrega física ou embarque da mercadoria. Acrescenta que o imenso volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM lhe impõe a necessidade de operar junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, de modo que as operações de hedge por ela contratadas submetem-se ao art. 396 do RIR/99. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação nos anos-calendário de 2006 e 2007, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; (b) o I. Agente Fiscal não efetuou a recomposição das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Argúi a nulidade do lançamento em razão da desconsideração das antecipações realizadas nos anos-calendário 2006 e 2007, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações, o IRPJ em 2006 seria negativo e o valor apurado em 2007 seria reduzido a R$ 2.645.777,67. Não reproduz esta demonstração para a CSLL, mas especifica a forma de quitação das estimativas de ambos os tributos, apontadas para aqueles anos-calendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõe-se à cogitação de que as deduções e antecipações de IRPJ e CSLL tiveram por efeito a formação de saldos negativos que foram utilizados pela Recorrente em Declarações de Compensação, ressaltando ser dever da Fiscalização apurar corretamente os tributos devidos e invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006. Defende que naquele ato determinou-se, para toda e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita. Assevera que os saldos negativos de IRPJ e CSLL somente são passíveis de restituição e compensação quando constituem legítimos pagamentos a maior do tributo, de modo que uma revisão fiscal da apuração não autoriza que se fale em pagamento a maior de tributo. 52. Ora, a formalização posterior de Declarações de Compensação pela Recorrente em nada altera o dever de ofício do D. Agente Fiscal de, efetivamente, apurar o IRPJ e a CSLL devidos ao final do período, considerando as antecipações regularmente quitadas nos anos-calendário de 2006 e 2007. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos a título de IRPJ correspondem exatamente à aplicação do percentual de 25% (15% mais adicional de 10%) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais. Observa que relativamente à CSLL, sequer houve detalhamento da apuração, mas, de toda sorte, haveria possibilidade de compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores, bem como suas antecipações deveriam ter sido consideradas. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de 1a instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reporta-se à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida. Questiona o procedimento adotado pela DRJ, que lastreou suas conclusões com base na utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL constantes dos sistemas SAPLI e SACS da RFB em detrimento dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007. Defende a prevalência dos valores informados em seu LALUR, até porque não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Cita jurisprudência administrativa favorável ao seu entendimento. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Questiona a afirmação da autoridade julgadora de 1a instância de que constitui ônus da interessada a instrução de sua impugnação com todos os documentos que entenda necessários à prova pretendida, para ver afastada a preclusão de seu direito de apresentar documentos após a impugnação, invocando o princípio da verdade material, e afirmando a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa caso seja negado este direito, com conseqüente declaração de nulidade da decisão, como inclusive firmado em decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais nos autos do processo administrativo nº 10814.017735/96-77. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: • Extratos das operações de hedge efetuadas. pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 404/1508); • Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 83/127); • Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativas às operações de hedge da Recorrente (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632). Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da inaceitável exigência de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a reduzida liquidez da bolsa brasileira não apenas impede a absorção de um volume grande de operações, mas envolve até mesmo o risco de os agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Ilustra que realizou cerca de 116.000 e 130.000 contratos de hedge em 2006 e 2007, respectivamente, volume bastante superior àquele negociado na BM&F no período. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam-se a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 120. Para efetuar as operações de hedge acima mencionadas, as subsidiárias do Grupo ADM localizadas em mais de 60 países ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou clientes das empresas do Grupo ADM. 121. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago18.[18 Como já salientado, o pareamento dos preços estabelecidos nas Ordens colocadas pela Recorrente com os preços praticados na Bolsa de Chicago foi expressamente confirmado pela própria D. Autoridade Fiscal e é matéria incontroversa nos presentes autos] 122. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 123. As Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 125. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias por meio do sistema da ADM Trading, decorre, dentre outros fatores, da necessidade de melhor cumprir as regras da CFTC e também do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago. 126. Essas regras são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, e devem ser especialmente observadas pelas empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o quanto ora afirmado, a Recorrente anexa ao presente recurso documento firmado pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex-diretor jurídico e ex-vice-presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 04). Cita, também, parecer solicitado ao Professor Steve Thel, experiente especialista norte-americano que, como Advogado-Consultor, integrou o escritório do Consultor Jurídico Geral da Securities and Exchange Comission - “SEC”, órgão americano correspondente à Comissão de Valores Mobiliários – “CVM” brasileira (doc. 05). Ali são abordadas as regras emitidas pela CFTC e a necessidade de que suas operações fossem formatadas nos termos em que aqui relatados, de modo a demonstrar que configuraria infração um mesmo grupo de empresas efetuar pedidos para comprar e vender substancialmente a mesma quantidade de um valor mobiliário ou commodity em substancialmente o mesmo tempo e preço (“wash sales”). Daí a atuação da ADM Trading, confrontando e depurando todas as Ordens colocadas pelas subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo, de modo que a posição consolidada do Grupo seja contratada junto à Bolsa de Chicago. Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado da Bolsa de Chicago e está sujeita a diversas normas de regulação e controle, dentre as quais aquelas emitidas pela CFTC, o que por si só desqualifica a incomprovada suspeita lançada contr a ADM Financeira nos presentes autos em razão da vinculação ao Grupo ADM. Observa que a ADM Financeira não se responsabiliza apenas pela intermediação, mas pela efetiva liquidação financeira das operações conduzidas por todos os seus clientes junto às bolsas, e aponta declaração à fl. 1521/1522 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, reportando-se à exigência fiscal de prova de realização das operações diretamente em bolsas no exterior, e ao requisito expresso na decisão recorrida de comprovante em nome da ADM do Brasil. Entende evidenciado, assim, que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em conservar seus documentos em ordem, já que se trata de documento inexistente. Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, inexistindo pagamentos realizados para aquela Bolsa em nome do comitente, já que as clearing houses realizam as compensações multilaterais das posições que intermediam. Menciona que também no Brasil esta sistemática é adotada em algumas operações, de modo que a depender do objeto negociado, o documento exigido da Recorrente no caso presente não poderia ser obtido ainda que as operações de hedge tivessem sido contratadas no Brasil. Descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: (i) Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. (ii) A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. (iii) A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. (iv) Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Relaciona os documentos acostados aos autos (fls. 404/1508, 83/127, 128/403, 1627/1629, 1630/1632, 1511/1512, 1513/1515), descrevendo seu conteúdo e concluindo, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 167. Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte-se, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente Fiscal. 168. Ora, quer parecer à Recorrente que se trata de prova mais do que suficiente quanto à realização dessas operações em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Aborda a correta interpretação do artigo 396 do RIR, defendendo sua observância no presente caso na medida em que as operações foram realizadas em bolsa e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norte-americano. Em seu entendimento, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto de assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro. Defende que a operação de hedge no exterior alcançada pelo artigo 396 do RIR deve ser visualizada sob os prismas do conteúdo e do modo de execução, afirmando incontroverso o conteúdo das Ordens realizadas pela recorrente, centrando-se a discussão no modo de execução dessas Ordens, sem atentar que este se sujeita às regras estrangeiras. Na medida em que a ADM Financeira visualiza todas as Ordens da Recorrente destinadas a serem executadas na Bolsa de Chicago e as identifica como verdadeiras Ordens de compra ou de venda com a finalidade de hedge, fica evidente tratar-se de atuação direta em bolsa para fins de aplicação do artigo 396 do RIR. O termo “diretamente”, presente na lei, deve ser interpretado segundo as regras do ordenamento jurídico dos EUA, da Bolsa de Chicago e o princípio da legalidade, afastando-se o sentido mais literal e formal deste termo. E o termo “bolsa” deve ser concebido como ambiente e sistemas organizados e regulados em que se realizam operações de mercado, e não apenas “pessoa jurídica Bolsa”. Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertura. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente de qualquer discussão sobre o modo de execução das operações. Reporta-se a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações e complementa: 194. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reporta-se a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Questiona, também, a glosa de juros, comissões e variações cambiais com base na “acessoriedade” das despesas. Caberia à Fiscalização averiguar sua efetiva ocorrência, bem como a necessidade, usualidade e normalidade dos gastos, para demonstrar que eles não atenderiam ao art. 299 do RIR/99. Ressalta, ainda, que as operações e margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, de modo que restrições contidas no art. 396 do RIR/99 se limitam às perdas com hedge, não havendo motivo para glosa das demais despesas. E acrescenta que as variações cambiais observam regime de caixa para sua dedutibilidade, não avaliado pela Fiscalização, restando patente a superficialidade da investigação. Afirma que promoveu adições, neste sentido, em 2007, no valor de R$ 19.511.352,94. Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os juros prestam-se a indenizar o prejuízo do credor com a privação do capital, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Em seu entendimento, os juros não podem incidir sobre a multa, já que esta penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Argumenta que a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio do não-confisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitante sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. Cita jurisprudência neste sentido, e invoca posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10680.002472/2007-23. Ao final, requer, ainda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência, na hipótese de este procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Ainda, os procuradores da Recorrente declaram ser autênticas as cópias simples anexas ao presente Recurso Voluntário, nos termos do artigo 365, IV do Código de Processo Civil. Em 28/02/2012 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e em 12/06/2012 distribuídos a esta Relatora, em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01 (fl. 3426). Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo a juntada dos seguintes estudos e pareceres jurídicos: Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; Interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas, em parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho. Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia nos Anos-Base de 2006 e 2007 e Relatório de Verificação das Operações de Futuros (Hedge) Realizadas pela Companhia nos Anos-Base de 2006 e 2007, ambos emitidos pela empresa de auditoria KPMG; Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e os pareceres antes mencionados acompanharam a referida petição. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao E-processo evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, conexo a este. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas naqueles autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção em 11/12/2012, acompanhadas da informação de que o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01 seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados dois conjuntos de documentos anexos a estes autos, um com 34 (trinta e quatro) volumes e outro com 13 (treze) volumes, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no E-processo em razão de o processo encontrar-se pautado para julgamento. O conjunto de documentos composto de 13 (treze) volumes está intitulado Laudo KPMG – Relatório de verificação das operações de futuros (hedge) realizadas pela Companhia nos anos-base de 2006 a 2007. Reportam-se a anexos numerados de 1 a 28, os quais guardam relação com o relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora em 06/12/2012. O conjunto de documentos composto de 34 (trinta e quatro) volumes está intitulado Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia nos ano-base de 2006 e 2007 e reúne anexos entre os números 1 e 38, evidenciando tratar-se dos documentos de suporte do relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora também em 06/12/2012. Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às fls. 3482/14778. Além deles, foram juntados aos autos digitalizados a tradução juramentada do Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 18777/18970), bem como os relatórios e o parecer apresentados a esta Conselheira em 06/12/2012 (fls. 14781/18577), além dos pareceres emitidos pelos Professores Eurico Marcos Diniz de Santi, Ary Oswaldo Mattos Filho e Marco Aurélio Greco (fls. 18595/18703). Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 4) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa e, para concluir pela necessidade de diligência, invocou à abordagem consignada no voto condutor da Resolução nº 1101-000.078, na medida em que a discussão, nestes autos, possui os mesmos contornos daquela travada nos autos do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, e a recorrente reportou-se, por ocasião da petição apresentada a esta Relatora em 06/12/2012, aos mesmos pareceres juntados aos autos do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, bem como indicou a elaboração de relatórios por KPMG Tax Advisors Ltda e Ernst & Young LLP, com vistas à comprovação das operações de hedge contabilizadas nos anos-calendário 2006 e 2007, aqui questionadas. No voto condutor daquela Resolução, esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa; observou que o art. 396 do RIR/99 admite a dedução de perdas em operações de cobertura (hedge), desde que realizadas diretamente em bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento fiscal permitiu à contribuinte provar que assim procedeu, mas as discrepâncias constatadas nos elementos apresentados, somados a outros indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a interposição de outras empresas do grupo ADM para realização de operações junto à Bolsa de Chicago não as desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge mediante demonstração de sua contratação com membro credenciado da Bolsa de Chicago; evidenciou que os elementos apresentados à Fiscalização não asseguravam que os recursos remetidos ao exterior destinaram-se às operações de hedge, porque consolidadas diversas operações, a demandar seu exame individualizado, além de sua vinculação à contratação de cobertura efetiva em bolsa no exterior e correspondente pagamento; e discorreu sobre o conteúdo das provas juntadas depois do recurso voluntário, destinadas a demonstrar o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização, ressaltando que referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação. Considerando tais circunstâncias, esta Conselheira concluiu que as provas apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria necessária a conversão do julgamento em diligência para confirmação do conteúdo dos relatórios apresentados pela defesa. Todavia, a demonstração da atuação da ADM Trading como hedge center suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não teriam sido contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora: Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. Esta Conselheira ainda acrescentou ao voto condutor da Resolução nº 1101-000.078 que: Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases negativas pleiteada em impugnação, a autoridade julgadora de 1a instância assim anotou: Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça-se que: consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais – fl. 3.064/3.066) que o prejuízo fiscal no valor de R$ 5.515.198,35 existente em 2005 foi totalmente utilizado no ano-calendário de 2006 (em que pese somente possuir R$ 5.515.198,35, a interessada utilizou R$ 34.344.813,68). Portanto, não há prejuízo a ser compensado no Auto de Infração de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (o prejuízo fiscal do período já foi considerado). consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL – fl. 3.072) que o saldo de base de cálculo negativa no valor de R$ 38.753.786,46 existente em 2005 foi utilizado em 2006 (R$ 34.180.769,68) e em 2008 (em que pese só possuir R$ 4.573.016,78, a interessada utilizou R$ 240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a ser compensada no Auto de Infração de CSLL relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (a base negativa do período já foi considerada). A recorrente questiona estas conclusões, e defende a prevalência dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007, asseverando que não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Assim, na hipótese de, após a diligência, subsistir base tributável nos períodos fiscalizados, necessário será saber se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados. Além disso, será necessário aferir se tais prejuízos e bases negativas permanecem disponíveis à época da conclusão da diligência para a compensação requerida pela contribuinte. Por estas razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora, além das verificações nos moldes daquelas determinadas no processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, confirme a existência de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados antes dos períodos fiscalizados, bem como a sua disponibilidade, ao final da diligência, para sua utilização nestes autos. Ao final dos trabalhos a contribuinte deverá ser cientificada de relatório circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho. A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias de cálculos das perdas em operações de hedge promovidas pela recorrente, bem como demonstração das operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, e aquelas compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo ADM (fl. 19059/19060). Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindo-se pedido de explicação detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 19061/19093). A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 19096/19223) e assim consolidou os valores das perdas resultantes de operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago (item 2 da intimação) e compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo (item 3 da intimação): A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 19224/19225) e em resposta a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 19228/19246. Às fls. 19247/24318 constam os documentos apresentados no curso da diligência. Novos esclarecimentos foram exigidos em razão de divergências constatadas entre os elementos apresentados pela contribuinte (fls. 24319/24321), sendo prestadas as informações de fls. 24322/24327. A diligência foi concluída com a lavratura do termo de fls. 24334/24347, no qual a autoridade fiscal apresenta constatações acerca das informações apresentadas pela contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em hedge na BM&F Chicago em comparação com os valores totais das perdas com Hedge da ADM do Brasil, e ao final apresentando as seguintes respostas aos quesitos consignados na Resolução: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; e 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado; • Em resposta à solicitação do CARF, informamos: 1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizava-se do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência, a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, esta fiscalização informa que é inviável e temerário emitir um parecer, visto que só seria possível formar convicção diante de uma auditoria independente , isto é, não contratada e paga pelo contribuinte. 3. Considerando as informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas respectivas repercussões no crédito tributário lançado: RECALCULO DAS INFRAÇÕES APURADAS CONFORME VALORES INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo sistema VAX. Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões) retirados dos processos de auto de infração n° 15586.001637/2009-01 e 15586.001638/2010-81: Valor 2004 Valor 2006 Valor 2007 RESULTADOS DE HEDGE INFORMADOS NA CONTABILIDADE -GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO 988.456.803,45 55.151.492,45 294.716.460,55 RESULTADOS DO HEDGE APLICADOS EM BOLSA -RELATÓRIOS DO CONTRIBUINTE 307.889.579,00 35.700.691,00 160.554.919,00 TOTAL DAS GLOSAS CONSIDERANDO INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE 680.567.224,45 19.450.801,45 134.161.541,55 RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO [...] Cientificada, a contribuinte não se manifestou nestes autos, apesar de nos autos do processo administrativo conexo nº 15586.001637/2009-01 ter consignado o que assim relatado na Resolução nº 1101-001.152: Cientificada, a contribuinte manifestou-se às fls. 18031/18043, reiterando as justificativas antes apresentadas, observando que atendeu prontamente a todas as solicitações que lhe foram dirigidas durante a diligência, participando inclusive de diversas reuniões presenciais e por conferência telefônica para apresentar explicações sobre os documentos e sanar dúvidas do agente fiscal, e apresentando milhares de páginas de documentos contendo todos os detalhes das operações de hedge contratadas no exterior. Aduziu que a reintimação fiscal lavrada no curso da diligência decorreu de falha no processamento das respostas tempestivamente apresentadas, e disse que os trabalhos realizados pelo agente fiscal em nada contradizem o que vinha sendo sustentado pela Recorrente, atestando desde a colocação das Ordens no Sistema VAX, suas conciliações periódicas e compensações com posições opostas do Grupo ADM, até a efetiva transferência das Ordens para a Bolsa de Chicago. Discordou das comparações feitas pela Fiscalização entre os ganhos/perdas da Recorrente e os ganhos/perdas da ADM Company, pois não existe padrão numérico esperado para as comparações selecionadas, dado que suas atividades são influenciadas por inúmeras variáveis que citou e demonstrou por meio de exemplos práticos. Na seqüência, reportando-se às respostas aos quesitos da diligência, firmou o entendimento de que as conclusões fiscais confirmaram o que vem sendo sustentado pela Recorrente nos presentes autos, de modo que os argumentos de defesa não são abalados nem mesmo pelas suposições lançadas pela Fiscalização quanto ao fato de os auditores independentes terem sido contratados pela Recorrente, mormente tendo em conta que todas as informações por eles utilizadas foram apresentadas à Fiscalização, sem que qualquer vício tenha sido apontado, seja nas premissas adotadas, nos procedimentos realizados ou nas conclusões alcançadas. Abordou as normas que regem as atividades de auditoria independente para reafirmar desarrazoadas as suspeitas lançadas pelo agente fiscal, e concluiu: 36. Portanto, diante das robustas provas apresentadas pela Recorrente nos presentes autos, seja pelos laudos elaborados pelos auditores independentes, seja pelos inúmeros documentos que os sustentam, jamais poderia o agente fiscal pretender desqualificá-los sob a simples alegação de que os auditores foram contratados pela Recorrente. Restando abalados quaisquer dos elementos que sustentam o Auto de Infração por provas carreadas aos autos pelo contribuinte, incumbe ao Fisco efetivamente comprovar as suas alegações, por meio da adequada contestação técnica, até mesmo porque a diligência seria o momento adequado para tanto. 37. Dessa forma, na medida em que (i) as Ordens colocadas pela Recorrente foram reconhecidas pela própria autoridade fiscal como relativas a operações de hedge que atenderam aos parâmetros da Bolsa de Chicago já desde o Termo de Verificação fiscal e que (ii), conforme atestado pelo Termo de Encerramento de Diligência, se demonstrou que as operações foram realizadas em ambiente de bolsa por meio do Sistema VAX e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norte-americano, sendo parte consolidada com Ordens contrárias de outras empresas do Grupo ADM e parte contratada junto à Bolsa de Chicago, o atendimento da regra do artigo 396 do RIR é patente. 38. Conforme já exposto nos presentes autos, sob a perspectiva do Fisco brasileiro, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto da assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro, de maneira que o Fisco Brasileiro tenha o conforto de que os valores reconhecidos pela empresa brasileira não foram artificialmente inflados por meio de negociações entre particulares no exterior. Isto é, a exigência do art. 396 do RIR visa a evitar que prejuízos fictícios sejam deduzidos pelas empresas brasileiras da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa exigência, no entanto, não pode ser vista de maneira dissociada das regras que delineiam a materialidade do IRPJ e da CSLL, nem pode a autoridade fiscal extrapolar o conteúdo das normas que regulam a incidência desses tributos. Ainda, reportando-se ao Parecer do Professor Marco Aurélio Greco, disse que o conteúdo das Ordens realizadas pela Recorrente para compra ou venda da commodity é incontroverso nestes autos, centrando-se a discordância no modo de execução dessas Ordens, sujeita às regras estrangeiras. Discorreu sobre tais regras, citando o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, e finalizou defendendo que as Ordens colocadas junto à ADM Trading, repassadas à ADM Financeira e então colocadas junto à Bolsa de Chicago certamente atendem a todos conceitos que extraiu da legislação brasileira, razão pela qual entendeu improcedente a exigência. No voto condutor da Resolução nº 1101-000.153 observou-se que o segundo ponto da diligência anterior não havia sido atendido, conforme assim exposto: Antes de adentrar ao reexame das preliminares e à apreciação do mérito, observa-se que, caso se conclua pela indedutibilidade, ainda que em parte, das perdas resultantes de operações de hedge, não será possível finalizar a apreciação das demais matérias autuadas. Isto porque, na realização da diligência requerida por este Colegiado, a autoridade fiscal entendeu inviável e temerário confirmar a validade dos critérios das auditorias contratadas, mas intimou a contribuinte a demonstrar os valores mensais das perdas correspondentes às operações de hedge contratadas junto à Bolsa de Chicago e compensadas com as posições opostas de outras empresas do grupo ADM, e a contribuinte assim detalhou esta apuração: Para segregar as perdas relativas às operações de hedge que foram consolidadas pela ADM Trading das perdas relativas àquelas que foram executadas junto à Bolsa de Chicago conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal, a ADM do Brasil partiu do banco de dados que consolida todos os Relatórios R38381-01 e que engloba todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas as transações da ADM Trading executadas junto à Bolsa de Chicago (“Extrato 5032”). Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima, a parti desse confronto conclui-se que as perdas decorrentes de transações de um mesmo produto, mês de Entrega e preço em determinado dia, constantes de ambos os documentos (Relatório R38381-01 e Extrato 5032) foram negociadas junto à Bolsa de Chicago. A partir das perdas totais nas operações de compra e venda da ADM Brasil, identificou-se o volume de contratos e o valor das compras e das vendas pelos preços destes contratos para identificação das perdas das operações da ADM do Brasil na Bolsa de Chicago. A partir destes critérios, a contribuinte informou que, em 2006, as perdas de hedge da ADM do Brasil representaram R$ 97.980.871,00, sendo que as perdas das operações de hedge realizadas em bolsa totalizaram R$ 35.700.691,00, e as perdas das operações de hedge compensadas o montante de R$ 62.280.180,00. Já em 2007, as perdas de hedge da ADM do Brasil representaram R$ 346.885.003,00, sendo que as perdas das operações de hedge realizadas em bolsa totalizaram R$ 160.554.919,00, e as perdas das operações de hedge compensadas o montante de R$ 186.330.084,00. A autoridade fiscal encarregada da diligência admitiu que, em tese, a empresa ADM Trading utilizava-se do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities, mas afirmou impossível auditá-lo, visto que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas. Consignou, ainda, que a contribuinte não apresentou os valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago referentes a aplicações em hedge, o que impossibilitou a elaboração de comparativos em relação ao valor informado pelo contribuinte como aplicado na BM&F Chicago pela ADM do Brasil. De outro lado, elaborou tais comparativos confrontando ganhos/perdas com soja e seus derivados registrados por ADM do Brasil e ADM Company, apurando que os resultados desta corresponderiam a 65% dos resultados daquela. Comparou também as perdas totais da recorrente com as perdas resultantes de hedge junto à Bolsa de Chicago, observando que estas representam 25,8% daquelas. E reportou-se à divergência já constatada, por esta Conselheira, nos relatórios das auditorias, que poderia ser justificada pela consolidação que não reporta à ADM Investor Services as operações contrárias praticadas pelo Grupo (fl. 7357). A abordagem assim desenvolvida no Termo de Encerramento de Diligência não expressa qualquer objeção à dedutibilidade das parcelas de R$ 35.700.691,00 e R$ 160.554.919,00, indicadas pela contribuinte como correspondente a perdas em operações de hedge junto à Bolsa de Chicago nos anos calendário 2006 e 2007, respectivamente. Ao contrário, a autoridade fiscal encerra a exigência recompondo a apuração do lucro tributável excluindo aquela parcela das glosas aqui promovidas. Assim, é razoável concluir que as discrepâncias acima mencionadas apenas se prestaram a reforçar que parte das perdas contabilizadas pela contribuinte, de fato, não foram contratadas junto a bolsa no exterior, assim como que os registros da contribuinte seriam confiáveis para se admitir a dedução das parcelas antes indicadas, ainda que sem a apresentação dos documentos de transferências financeiras para a Bolsa de Chicago, visto que a ausência destes somente teria impedido a Fiscalização de elaborar comparativos semelhantes aos anteriormente citados. Mas, retomando o voto condutor da Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, vê-se que a autoridade fiscal dela encarregada nada disse acerca dos questionamentos específicos ali formulados quanto à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, a seguir reproduzidos: Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases negativas pleiteada em impugnação, a autoridade julgadora de 1a instância assim anotou: Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça-se que: consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais – fl. 3.064/3.066) que o prejuízo fiscal no valor de R$ 5.515.198,35 existente em 2005 foi totalmente utilizado no ano-calendário de 2006 (em que pese somente possuir R$ 5.515.198,35, a interessada utilizou R$ 34.344.813,68). Portanto, não há prejuízo a ser compensado no Auto de Infração de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (o prejuízo fiscal do período já foi considerado). consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL – fl. 3.072) que o saldo de base de cálculo negativa no valor de R$ 38.753.786,46 existente em 2005 foi utilizado em 2006 (R$ 34.180.769,68) e em 2008 (em que pese só possuir R$ 4.573.016,78, a interessada utilizou R$ 240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a ser compensada no Auto de Infração de CSLL relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (a base negativa do período já foi considerada). A recorrente questiona estas conclusões, e defenda a prevalência dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007, asseverando que não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Assim, na hipótese de, após a diligência, subsistir base tributável nos períodos fiscalizados, necessário será saber se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados. Além disso, será necessário aferir se tais prejuízos e bases negativas permanecem disponíveis à época da conclusão da diligência para a compensação requerida pela contribuinte. Por estas razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora, além das verificações nos moldes daquelas determinadas no processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, confirme a existência de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados antes dos períodos fiscalizados, bem como a sua disponibilidade, ao final da diligência, para sua utilização nestes autos. Assim, os autos devem retornar à origem para que a autoridade fiscal se manifeste acerca destes aspectos e, ao final dos trabalhos, cientifique a contribuinte de relatório circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho. Manifestando-se às fls. 24375/24382, a autoridade fiscal encarregada da diligência relatou os esclarecimentos prestados acerca da segregação das perdas, reiterou as discrepâncias verificadas nas análises comparativas e destacou as divergências originalmente apontadas na Resolução nº 1101-000.077, bem como a falta de apresentação dos valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago, referentes a aplicações em hedge, e concluiu que: As auditorias realizadas pelas empresas contratadas (Ernest Young e KPMG) ficam no mínimo comprometidas na sua essência, pois seu cliente era o próprio contribuinte. Considerando a impossibilidade de auditoria no Sistema VAX, que realiza as compensações de ganhos e perdas de hedge das diversas empresas do grupo ADM, por auditoria independente ou pela própria Secretaria da Receita Federal, e visto que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas, entendemos não ser possível dar um parecer conclusivo sobre os valores informados pelo contribuinte. ?Diante do exposto, no entendimento desta fiscalização, não restam devidamente comprovados documentalmente os valores informados pelo contribuinte como aplicações de hedge realizados pela ADM do Brasil na BM&F Chicago. Reproduzindo as respostas aos quesitos formulados na primeira diligência, a autoridade fiscal esclareceu que, em seu entendimento, não restam comprovadas as aplicações em hedge informados pelo contribuinte, mas apresentou os cálculos da Recomposição das Demonstrações de Resultado levando-se em consideração as informações prestadas pelo contribuinte, porém não aceitas por esta fiscalização, com o objetivo único de proporcionar novo cálculo para um eventual julgamento do CARF a favor do contribuinte. Ao final, apresentou os seguintes quadros de recomposição do lucro tributável: Cientificada em 19/06/2015, a contribuinte apresentou petição observando que não fora cientificada da Resolução nº 1101-000.153, e posteriormente, em 21/07/2015, manifestou sua inconformidade com o resultado da diligência, observando inicialmente que o objeto da Resolução nº 1101-000.153 foi apenas exigir resposta aos quesitos acerca dos quais a autoridade fiscal silenciara na diligência anterior, sendo certo que a contribuinte sequer foi intimada acerca destes quesitos específicos, a evidenciar a superficialidade dos trabalhos. Prosseguindo, a contribuinte afirma que os trabalhos realizados reforçam de forma cabal a regularidade dos procedimentos por ela adotados, e, depois do resumo dos fatos sob análise, das conclusões da primeira diligência, e de sua manifestação acerca daquele resultado, abordou o resultado da segunda diligência, inicialmente destacando que o escopo da diligência estampado na Resolução nº 1101-000.152 não refletiria as discussões do Colegiado pois parte dos Conselheiros entendera pelo prosseguimento do julgamento diante do flagrante esvaziamento da diligência em razão da superficialidade dos trabalhos fiscais. Na sequência, destaca que a autoridade fiscal encarregada da diligência deixou de proceder às análises relativas a juros e variação cambial para os anos de 2006 e 2007, diferentemente do que fez em relação ao ano de 2004, apresentando quadro no qual evidencia que despesas acessórias também foram integradas aos resultados glosados. Aponta, também, que na recomposição do ano-calendário 2006, a autoridade fiscal encarregada da diligência suprimiu os prejuízos compensados admitidos no cálculo original. Finaliza asseverando que os esclarecimentos almejados pelo Colegiado original não foram atendidos de forma satisfatória, destacando seu empenho em esclarecer os fatos e requerendo a determinação de perícia no caso presente com o objetivo de que os esclarecimentos inicialmente almejados por este colegiado com a realização da diligência sejam efetivamente apresentados por profissional com independência e a qualificação necessárias. Invocando o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72 e o princípio da verdade material, indica perito e formula quesitos para o desenvolvimento de tais trabalhos. Os autos retornaram a este Conselho em 23/07/2015, mas frente à alegação da contribuinte de que não fora cientificada da Resolução nº 1101-000.153, bem como diante da constatação de que não haviam sido respondidos os quesitos indicados na referida Resolução, distintos daqueles consignados na Resolução nº 1101-000.152, promoveu-se sua devolução à origem para tais providências (fl. 24524). Em 06/10/2015 a contribuinte foi cientificada da Resolução nº 1101-000.153 e, na sequência, apresentou petição ratificando a manifestação antes apresentada, além de observar que o Agente Fiscal ainda não atendeu as solicitações específicas ao presente caso constantes da Resolução em referência, cujas determinações foram reiteradas pelo Despacho de fl. 24.524 (fl. 24543/24615). Novo despacho foi lavrado para retorno dos autos à DRF/Vitória para atendimento às solicitações específicas consignadas na Resolução nº 1101-000.153, distintas daquelas já adotadas em razão da Resolução nº 1101-000.152 (fl. 24621). A autoridade fiscal encarregada da diligência juntou aos autos extratos do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário - SAPLI (fls. 24625/24626), da DIPJ 2005/2004 (fls. 24627/24833) e demonstrações financeiras da contribuinte (fls. 24834/24836). Na sequência, com referência aos questionamentos deduzidos acerca do descompasso alegado pela contribuinte entre os prejuízos e bases negativas acumulados no SAPLI e no LALUR, expressou as seguintes análises: Verificou-se, em consulta ao sistema SAPLI/RFB que o saldo de Prejuízos Fiscais no final do ano-calendário 2003 era de R$ 106.822.505,15 e o Saldo Negativo de Contribuição Social de R$ 139.409.027,90. Em contrapartida, no Balanço Patrimonial e no Balancete Contábil de dezembro de 2003, consta prejuízos acumulados de R$ 55.752.250,00. Este valor que deverá ser utilizado para compensação de prejuízo de 2004. Verificou no LALUR do ano-calendário 2005 que houve Lucro Real no Valor de R$ 119.813.335,82, portanto não há prejuízos a ser compensado no ano-calendário de 2006. Na diligência encerrada em 10/06/2015 (fls. 24.375/24.382), foi apurado pela fiscalização os Demonstrativos dos Resultados de Exercício dos anos de 2004 (auto de infração - processo 15586.001637/2009-01), 2006 e 2007 (auto de infração - processo 15586.001638/2010-81), dos quais apresentamos os valores apurados pela fiscalização, inclusive com o aproveitamento dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da contribuição social. Verifica-se que todo saldo de prejuízos fiscais e saldo negativo de contribuição social foi totalmente absorvido durante o ano-calendário 2004, não havendo que se falar em compensação de prejuízos e saldo negativo nos anos-calendário de 2006 e 2007. Abaixo apresentamos a tabela recompondo o Lucro Real após a compensação dos prejuízos e saldos negativos: [...] Cientificada do Termo de Encerramento da Diligência Fiscal em 21/03/2015 (fl. 24848), a contribuinte manifestou-se às fls. 24853/24869, afirmando arbitrária a conclusão fiscal de limitar os prejuízos compensados ao saldo acumulado em seu balanço patrimonial e classificando de superficial o trabalho fiscal ao desconsiderar as conclusões apresentadas pela própria Fiscalização na 1ª diligência realizada. Defende ser mandatório que a autoridade fiscal observasse a apuração feita anteriormente, na qual as glosas haviam sido reduzidas; reitera que as análises relativas a juros e variação cambial não foram procedidas para os períodos de 2006 e 2007; e afirma ser de conhecimento basilar que os valores de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL, para fins de compensação das bases tributáveis de IRPJ e CSLL, encontram-se registrados na parte B do LALUR/LACS, não havendo como se admitir a utilização de um valor indicado no Balanço Patrimonial e/ou no Balancete. Na sequência, a contribuinte apresenta a evolução de seus prejuízos e bases negativas desde o ano-calendário 1999, apontando dispor dos saldos de R$ 238.334.436,88 e R$ 240.100.335,79, a título, respectivamente, de prejuízos fiscais e bases negativas a compensar em 2007. Discorda da limitação das compensações ao que informado no SAPLI e defende a necessidade de nova diligência para que sejam esclarecidas as divergências, observando que o SAPLI pode estar afetado por processos administrativos que ainda não transitaram em julgado (relacionados em nota à fl. 24864). Finaliza pleiteando o cancelamento do lançamento por vício material, sobretudo diante das inúmeras tentativas da D. Fiscalização de aperfeiçoar o lançamento, nulo desde o princípio, pelos vícios expostos no processo, mais uma vez enfatizados. Destaca a iliquidez e incerteza do lançamento, mormente frente ao recálculo dos valores devidos promovidos em diligência, e cita jurisprudência em favor do cancelamento das exigências em tais circunstâncias. Acrescenta, ainda, que não se presta a diligência para, indiretamente, reabrir a ação fiscal, aperfeiçoar o lançamento já efetuado de forma equivocada, ou mesmo para efetuar novo lançamento, tal como está sendo realizado no caso concreto, reproduzindo excerto de julgado deste Conselho e invocando o art. 146 do CTN. Entende que há desigualdade no tratamento atribuído ao Fisco, ao qual foram conferidas inúmeras oportunidades para reanalisar o feito, e à Requerente, cujas alegações, em caso de dúvida, direcionariam ao desprovimento do Recurso voluntário em análise.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. RELATÓRIO O presente processo retorna depois da realização de diligências determinadas pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento nos termos das Resoluções nº 1101-000.078 e 1101-000.153. Da Resolução nº 1101-000.078 colhe-se o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos: ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 10/01/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 175.840.067,86. Esta Relatora requereu e lhe foi deferida a distribuição deste processo em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, no qual foi veiculada exigência semelhante, mas pertinente ao ano-calendário 2004. Aquele procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, em razão de a autuada figurar como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Tais informações também foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Já nestes autos, não há referência a qualquer representação externa. Todavia, o procedimento fiscal também se baseou na verificação de remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago em virtude das operações de hedge de comodities agrícolas, nos anos-calendário de 2005 a 2007. Por meio de intimações lavradas entre 07/06/2010 e 12/08/2010, a autoridade lançadora exigiu a apresentação dos mesmos elementos requeridos no procedimento fiscal anterior, com vistas à comprovação da efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, mediante transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Especialmente na resposta apresentada em 27/08/2010, a contribuinte insistiu que os elementos apresentados provavam os fatos questionados, ressaltando que as obrigações relativas às posições financeiras da intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company (ADM Company), principal empresa do grupo ADM no mundo, conforme entre elas convencionado, promovendo-se a contabilização dos montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente)com base em extratos mensais de transações de hedge, e liquidando estas operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Disse, ainda, que os contratos de liquidação futura são as ordens eletrônicas contidas nos extratos já apresentados, e que a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago não emite extrato de suas operações, incumbindo esta responsabilidade à ADM Investor Services. A autoridade lançadora conciliou os registros contábeis com os contratos de câmbio apresentados pela contribuinte, identificando divergências que, questionadas, foram esclarecidas pela fiscalizada (fls. 1524/1635). Também verificou o resultado de operações de hedge realizadas no Brasil, junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), analisando resumo das aplicações, extratos da corretora e documentos de transferências de recursos (fls. 1636/1741) e concluindo que estas operações resultaram em receitas contabilizadas em 2006 e 2007. Quanto às operações de hedge no exterior, observou que o resultado positivo apurado em 2005 foi regularmente contabilizado como receita. Já em 2006 e 2007 constatou que houve despesas nos montantes de R$ 53.778.588,62 e R$ 299.337.808,53, vinculadas a remessas por contrato de câmbio e a pagamentos mediante conta-corrente mantida no exterior (de acordo com a Lei nº 11.371/2006), acerca das quais se manifestou de forma semelhante ao que apontado no procedimento fiscal anterior: • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior e transferências do próprio exterior, para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM), para que esta realizasse o pagamento das coberturas de margens de hedge solicitadas pela BM&F Chicago. Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), a empresa Matriz nos EUA (ADM Company) e a empresa recebedora e aplicadora dos recursos (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; • O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116-501 - ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 55/2010 que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 83/127 e 1519/1520); • O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Cambio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de cambio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão - Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS - Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento - Cálculo de Exposições, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; Detalhando os valores contabilizados pela fiscalizada, a autoridade lançadora conclui que a ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão - conta "423130 - Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." - fls. 1594/1622) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, isto é, a comprovação das transferências de recursos da ADM do Brasil, ADM Investor Services ou ADM Holding para a BM&F-Chicago. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: 4. INFRAÇÕES APURADAS - OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 - GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram contabilizados na conta "423130 - Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 55.151.492,46 (...) para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 (...) A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 299, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submete-se às regras de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 1742/1798). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DRE, DIPJ e LALUR— fls. 26/82 e 1742/1798), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Demonstração do Resultado – Ano-Calendário 2006 Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 3.641.984.063,21 3.641.984.063,21 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) 3.278.357.868,92 3.223.206.376,46 Lucro Bruto 363.626.194,29 418.777.686,75 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais 471.484.238,87 471.484.238,87 Lucro Operacional -107.858.044,58 -52.706.552,12 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 4.233.259,97 4.233.259,97 Resultado do Período -103.624.784,61 -48.473.292,15 (+) Adições / (-) Exclusões (2) 218.107.496,86 218.107.496,86 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 114.482.712,25 169.634.204,71 (-) Compensação de Prejuizos 34.344.813,68 34.344.813,68 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal 80.137.898,58 135.289.391,03 BC dos Tributos (Glosas) 55.151.492,45 Demonstração do Resultado – Ano-Calendário 2007 Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 4.961.027.816,19 4.961.027.816,19 (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) 4.612.263.190,30 4.317.546.729,75 Lucro Bruto 348.764.625,89 643.481.086,25 (-) Despesas / (+) Receitas Operacionais 202.871.216,99 202.871.216,99 Lucro Operacional 145.893.408,90 440.609.869,45 (+) Receitas / (-) Despesas Não Operacionais 457.774,69 457.774,69 Resultado do Período 146.351.183,59 441.067.644,14 (+) Adições / (-) Exclusões (2) -236.796.028,02 -236.796.028,02 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos -90.444.844,43 204.271.616,12 (-) Compensação de Prejuizos 0,00 0,00 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal -90.444.844,43 204.271.616,12 BC dos Tributos (Glosas) 204.271.616,12 Obs: (1) Glosa dos custos das mercadorias e despesas acessórias relativos aos contratos de hedge fechados nos exterior, no valor de R$ 55.151.492,45 para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 para o ano de 2007; (2) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 10/01/2011, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO-CALENDÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DO MÉRITO: 1 – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA INTERESSADA: 1.1 – DA REALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE HEDGE E DA PROVA IMPOSSÍVEL EXIGIDA 2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS – A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 396 DO RIR 3 – DA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA INTERESSADA – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE 4 – DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. A juntada de provas, pela qual a impugnante protestou, deve ser feita por ocasião da impugnação, inexistindo razão para realização de diligência, ante a verificação de que constam nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador. No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratando-se de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em Bolsa. Centrando-se na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. Contestou documentos citados na impugnação por emitidos por empresa do grupo ADM ou por não individualizar e discriminar as operações. Disse, também, que ps contratos de Câmbio atestam a remessa de numerário para a ADM Co./ADM Investor Services Inc.. Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de tê-los apenas na conformidade da técnica mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido. Com referência aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, atribui-lhes a mesma conseqüência das demais glosas, porque tidas como acessórias, declarando desnecessário analisar os demais requisitos de dedutibilidade das despesas, quais sejam, necessidade, usualidade ou normalidade. Acrescentou que na ausência de documentos e livros fiscais, apenas a tabela de fl. 1949/1951 não se prestaria a atestar que houve adições relativas a despesas de juros, comissões ou variação cambial, e destacou que a variação cambial, na verdade, reduziu os valores lançados. Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos aos anos-calendário de 2006 e 2007, sendo considerados como valores tributáveis somente as infração apuradas. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 3064/3066) e do Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 3072), os saldos existentes em 2005 foram integralmente utilizados em períodos subseqüentes. Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas nas DIPJ 2006/2007 e 2007/2008, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado, e o saldo negativo apurado foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fls. 3075/3076); o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL (fls. 3077/3078). Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/01/2012 (fl. 3153), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/02/2012 (fls. 3204/3269), acompanhado dos documentos de fls. (3270/3422), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede nos EUA) ser um dos maiores dedicados à comercialização de produtos agrícolas, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 7,7 milhões de toneladas de soja em grãos por ano, tanto no mercado nacional, quanto no exterior. Inicialmente observa que em suas atividades com commodities pratica operações de compra, hedge e venda, sendo que o hedge é necessário como proteção das transações nas quais o preço que será pago ao produtor é definido no momento de aquisição, bem como nos acordos de venda que podem sofrer oscilações até a data da entrega física ou embarque da mercadoria. Acrescenta que o imenso volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM lhe impõe a necessidade de operar junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, de modo que as operações de hedge por ela contratadas submetem-se ao art. 396 do RIR/99. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação nos anos-calendário de 2006 e 2007, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; (b) o I. Agente Fiscal não efetuou a recomposição das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Argúi a nulidade do lançamento em razão da desconsideração das antecipações realizadas nos anos-calendário 2006 e 2007, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações, o IRPJ em 2006 seria negativo e o valor apurado em 2007 seria reduzido a R$ 2.645.777,67. Não reproduz esta demonstração para a CSLL, mas especifica a forma de quitação das estimativas de ambos os tributos, apontadas para aqueles anos-calendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõe-se à cogitação de que as deduções e antecipações de IRPJ e CSLL tiveram por efeito a formação de saldos negativos que foram utilizados pela Recorrente em Declarações de Compensação, ressaltando ser dever da Fiscalização apurar corretamente os tributos devidos e invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006. Defende que naquele ato determinou-se, para toda e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita. Assevera que os saldos negativos de IRPJ e CSLL somente são passíveis de restituição e compensação quando constituem legítimos pagamentos a maior do tributo, de modo que uma revisão fiscal da apuração não autoriza que se fale em pagamento a maior de tributo. 52. Ora, a formalização posterior de Declarações de Compensação pela Recorrente em nada altera o dever de ofício do D. Agente Fiscal de, efetivamente, apurar o IRPJ e a CSLL devidos ao final do período, considerando as antecipações regularmente quitadas nos anos-calendário de 2006 e 2007. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos a título de IRPJ correspondem exatamente à aplicação do percentual de 25% (15% mais adicional de 10%) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais. Observa que relativamente à CSLL, sequer houve detalhamento da apuração, mas, de toda sorte, haveria possibilidade de compensação de bases de cálculo negativas de períodos anteriores, bem como suas antecipações deveriam ter sido consideradas. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de 1a instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reporta-se à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida. Questiona o procedimento adotado pela DRJ, que lastreou suas conclusões com base na utilização dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL constantes dos sistemas SAPLI e SACS da RFB em detrimento dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007. Defende a prevalência dos valores informados em seu LALUR, até porque não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Cita jurisprudência administrativa favorável ao seu entendimento. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Questiona a afirmação da autoridade julgadora de 1a instância de que constitui ônus da interessada a instrução de sua impugnação com todos os documentos que entenda necessários à prova pretendida, para ver afastada a preclusão de seu direito de apresentar documentos após a impugnação, invocando o princípio da verdade material, e afirmando a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa caso seja negado este direito, com conseqüente declaração de nulidade da decisão, como inclusive firmado em decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais nos autos do processo administrativo nº 10814.017735/96-77. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: • Extratos das operações de hedge efetuadas. pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 404/1508); • Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 83/127); • Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativas às operações de hedge da Recorrente (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632). Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da inaceitável exigência de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a reduzida liquidez da bolsa brasileira não apenas impede a absorção de um volume grande de operações, mas envolve até mesmo o risco de os agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Ilustra que realizou cerca de 116.000 e 130.000 contratos de hedge em 2006 e 2007, respectivamente, volume bastante superior àquele negociado na BM&F no período. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinam-se a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 120. Para efetuar as operações de hedge acima mencionadas, as subsidiárias do Grupo ADM localizadas em mais de 60 países ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou clientes das empresas do Grupo ADM. 121. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago18.[18 Como já salientado, o pareamento dos preços estabelecidos nas Ordens colocadas pela Recorrente com os preços praticados na Bolsa de Chicago foi expressamente confirmado pela própria D. Autoridade Fiscal e é matéria incontroversa nos presentes autos] 122. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 123. As Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 125. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias por meio do sistema da ADM Trading, decorre, dentre outros fatores, da necessidade de melhor cumprir as regras da CFTC e também do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago. 126. Essas regras são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, e devem ser especialmente observadas pelas empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o quanto ora afirmado, a Recorrente anexa ao presente recurso documento firmado pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex-diretor jurídico e ex-vice-presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 04). Cita, também, parecer solicitado ao Professor Steve Thel, experiente especialista norte-americano que, como Advogado-Consultor, integrou o escritório do Consultor Jurídico Geral da Securities and Exchange Comission - “SEC”, órgão americano correspondente à Comissão de Valores Mobiliários – “CVM” brasileira (doc. 05). Ali são abordadas as regras emitidas pela CFTC e a necessidade de que suas operações fossem formatadas nos termos em que aqui relatados, de modo a demonstrar que configuraria infração um mesmo grupo de empresas efetuar pedidos para comprar e vender substancialmente a mesma quantidade de um valor mobiliário ou commodity em substancialmente o mesmo tempo e preço (“wash sales”). Daí a atuação da ADM Trading, confrontando e depurando todas as Ordens colocadas pelas subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo, de modo que a posição consolidada do Grupo seja contratada junto à Bolsa de Chicago. Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado da Bolsa de Chicago e está sujeita a diversas normas de regulação e controle, dentre as quais aquelas emitidas pela CFTC, o que por si só desqualifica a incomprovada suspeita lançada contr a ADM Financeira nos presentes autos em razão da vinculação ao Grupo ADM. Observa que a ADM Financeira não se responsabiliza apenas pela intermediação, mas pela efetiva liquidação financeira das operações conduzidas por todos os seus clientes junto às bolsas, e aponta declaração à fl. 1521/1522 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, reportando-se à exigência fiscal de prova de realização das operações diretamente em bolsas no exterior, e ao requisito expresso na decisão recorrida de comprovante em nome da ADM do Brasil. Entende evidenciado, assim, que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em conservar seus documentos em ordem, já que se trata de documento inexistente. Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, inexistindo pagamentos realizados para aquela Bolsa em nome do comitente, já que as clearing houses realizam as compensações multilaterais das posições que intermediam. Menciona que também no Brasil esta sistemática é adotada em algumas operações, de modo que a depender do objeto negociado, o documento exigido da Recorrente no caso presente não poderia ser obtido ainda que as operações de hedge tivessem sido contratadas no Brasil. Descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: (i) Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. (ii) A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. (iii) A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. (iv) Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Relaciona os documentos acostados aos autos (fls. 404/1508, 83/127, 128/403, 1627/1629, 1630/1632, 1511/1512, 1513/1515), descrevendo seu conteúdo e concluindo, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 167. Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte-se, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente Fiscal. 168. Ora, quer parecer à Recorrente que se trata de prova mais do que suficiente quanto à realização dessas operações em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Aborda a correta interpretação do artigo 396 do RIR, defendendo sua observância no presente caso na medida em que as operações foram realizadas em bolsa e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norte-americano. Em seu entendimento, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto de assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro. Defende que a operação de hedge no exterior alcançada pelo artigo 396 do RIR deve ser visualizada sob os prismas do conteúdo e do modo de execução, afirmando incontroverso o conteúdo das Ordens realizadas pela recorrente, centrando-se a discussão no modo de execução dessas Ordens, sem atentar que este se sujeita às regras estrangeiras. Na medida em que a ADM Financeira visualiza todas as Ordens da Recorrente destinadas a serem executadas na Bolsa de Chicago e as identifica como verdadeiras Ordens de compra ou de venda com a finalidade de hedge, fica evidente tratar-se de atuação direta em bolsa para fins de aplicação do artigo 396 do RIR. O termo “diretamente”, presente na lei, deve ser interpretado segundo as regras do ordenamento jurídico dos EUA, da Bolsa de Chicago e o princípio da legalidade, afastando-se o sentido mais literal e formal deste termo. E o termo “bolsa” deve ser concebido como ambiente e sistemas organizados e regulados em que se realizam operações de mercado, e não apenas “pessoa jurídica Bolsa”. Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertura. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente de qualquer discussão sobre o modo de execução das operações. Reporta-se a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações e complementa: 194. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reporta-se a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Questiona, também, a glosa de juros, comissões e variações cambiais com base na “acessoriedade” das despesas. Caberia à Fiscalização averiguar sua efetiva ocorrência, bem como a necessidade, usualidade e normalidade dos gastos, para demonstrar que eles não atenderiam ao art. 299 do RIR/99. Ressalta, ainda, que as operações e margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, de modo que restrições contidas no art. 396 do RIR/99 se limitam às perdas com hedge, não havendo motivo para glosa das demais despesas. E acrescenta que as variações cambiais observam regime de caixa para sua dedutibilidade, não avaliado pela Fiscalização, restando patente a superficialidade da investigação. Afirma que promoveu adições, neste sentido, em 2007, no valor de R$ 19.511.352,94. Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os juros prestam-se a indenizar o prejuízo do credor com a privação do capital, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Em seu entendimento, os juros não podem incidir sobre a multa, já que esta penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Argumenta que a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio do não-confisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitante sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. Cita jurisprudência neste sentido, e invoca posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10680.002472/2007-23. Ao final, requer, ainda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência, na hipótese de este procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Ainda, os procuradores da Recorrente declaram ser autênticas as cópias simples anexas ao presente Recurso Voluntário, nos termos do artigo 365, IV do Código de Processo Civil. Em 28/02/2012 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e em 12/06/2012 distribuídos a esta Relatora, em razão de sua conexão com o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01 (fl. 3426). Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo a juntada dos seguintes estudos e pareceres jurídicos: Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; Interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas, em parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho. Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia nos Anos-Base de 2006 e 2007 e Relatório de Verificação das Operações de Futuros (Hedge) Realizadas pela Companhia nos Anos-Base de 2006 e 2007, ambos emitidos pela empresa de auditoria KPMG; Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e os pareceres antes mencionados acompanharam a referida petição. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao E-processo evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, conexo a este. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas naqueles autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção em 11/12/2012, acompanhadas da informação de que o processo administrativo nº 15586.001637/2009-01 seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados dois conjuntos de documentos anexos a estes autos, um com 34 (trinta e quatro) volumes e outro com 13 (treze) volumes, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no E-processo em razão de o processo encontrar-se pautado para julgamento. O conjunto de documentos composto de 13 (treze) volumes está intitulado Laudo KPMG – Relatório de verificação das operações de futuros (hedge) realizadas pela Companhia nos anos-base de 2006 a 2007. Reportam-se a anexos numerados de 1 a 28, os quais guardam relação com o relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora em 06/12/2012. O conjunto de documentos composto de 34 (trinta e quatro) volumes está intitulado Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia nos ano-base de 2006 e 2007 e reúne anexos entre os números 1 e 38, evidenciando tratar-se dos documentos de suporte do relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora também em 06/12/2012. Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às fls. 3482/14778. Além deles, foram juntados aos autos digitalizados a tradução juramentada do Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 18777/18970), bem como os relatórios e o parecer apresentados a esta Conselheira em 06/12/2012 (fls. 14781/18577), além dos pareceres emitidos pelos Professores Eurico Marcos Diniz de Santi, Ary Oswaldo Mattos Filho e Marco Aurélio Greco (fls. 18595/18703). Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 4) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa e, para concluir pela necessidade de diligência, invocou à abordagem consignada no voto condutor da Resolução nº 1101-000.078, na medida em que a discussão, nestes autos, possui os mesmos contornos daquela travada nos autos do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, e a recorrente reportou-se, por ocasião da petição apresentada a esta Relatora em 06/12/2012, aos mesmos pareceres juntados aos autos do processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, bem como indicou a elaboração de relatórios por KPMG Tax Advisors Ltda e Ernst & Young LLP, com vistas à comprovação das operações de hedge contabilizadas nos anos-calendário 2006 e 2007, aqui questionadas. No voto condutor daquela Resolução, esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa; observou que o art. 396 do RIR/99 admite a dedução de perdas em operações de cobertura (hedge), desde que realizadas diretamente em bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento fiscal permitiu à contribuinte provar que assim procedeu, mas as discrepâncias constatadas nos elementos apresentados, somados a outros indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a interposição de outras empresas do grupo ADM para realização de operações junto à Bolsa de Chicago não as desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge mediante demonstração de sua contratação com membro credenciado da Bolsa de Chicago; evidenciou que os elementos apresentados à Fiscalização não asseguravam que os recursos remetidos ao exterior destinaram-se às operações de hedge, porque consolidadas diversas operações, a demandar seu exame individualizado, além de sua vinculação à contratação de cobertura efetiva em bolsa no exterior e correspondente pagamento; e discorreu sobre o conteúdo das provas juntadas depois do recurso voluntário, destinadas a demonstrar o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização, ressaltando que referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação. Considerando tais circunstâncias, esta Conselheira concluiu que as provas apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria necessária a conversão do julgamento em diligência para confirmação do conteúdo dos relatórios apresentados pela defesa. Todavia, a demonstração da atuação da ADM Trading como hedge center suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não teriam sido contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora: Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. Esta Conselheira ainda acrescentou ao voto condutor da Resolução nº 1101-000.078 que: Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases negativas pleiteada em impugnação, a autoridade julgadora de 1a instância assim anotou: Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça-se que: consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais – fl. 3.064/3.066) que o prejuízo fiscal no valor de R$ 5.515.198,35 existente em 2005 foi totalmente utilizado no ano-calendário de 2006 (em que pese somente possuir R$ 5.515.198,35, a interessada utilizou R$ 34.344.813,68). Portanto, não há prejuízo a ser compensado no Auto de Infração de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (o prejuízo fiscal do período já foi considerado). consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL – fl. 3.072) que o saldo de base de cálculo negativa no valor de R$ 38.753.786,46 existente em 2005 foi utilizado em 2006 (R$ 34.180.769,68) e em 2008 (em que pese só possuir R$ 4.573.016,78, a interessada utilizou R$ 240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a ser compensada no Auto de Infração de CSLL relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (a base negativa do período já foi considerada). A recorrente questiona estas conclusões, e defende a prevalência dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007, asseverando que não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Assim, na hipótese de, após a diligência, subsistir base tributável nos períodos fiscalizados, necessário será saber se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados. Além disso, será necessário aferir se tais prejuízos e bases negativas permanecem disponíveis à época da conclusão da diligência para a compensação requerida pela contribuinte. Por estas razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora, além das verificações nos moldes daquelas determinadas no processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, confirme a existência de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados antes dos períodos fiscalizados, bem como a sua disponibilidade, ao final da diligência, para sua utilização nestes autos. Ao final dos trabalhos a contribuinte deverá ser cientificada de relatório circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho. A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias de cálculos das perdas em operações de hedge promovidas pela recorrente, bem como demonstração das operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, e aquelas compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo ADM (fl. 19059/19060). Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindo-se pedido de explicação detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 19061/19093). A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 19096/19223) e assim consolidou os valores das perdas resultantes de operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago (item 2 da intimação) e compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo (item 3 da intimação): A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 19224/19225) e em resposta a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 19228/19246. Às fls. 19247/24318 constam os documentos apresentados no curso da diligência. Novos esclarecimentos foram exigidos em razão de divergências constatadas entre os elementos apresentados pela contribuinte (fls. 24319/24321), sendo prestadas as informações de fls. 24322/24327. A diligência foi concluída com a lavratura do termo de fls. 24334/24347, no qual a autoridade fiscal apresenta constatações acerca das informações apresentadas pela contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em hedge na BM&F Chicago em comparação com os valores totais das perdas com Hedge da ADM do Brasil, e ao final apresentando as seguintes respostas aos quesitos consignados na Resolução: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; e 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado; • Em resposta à solicitação do CARF, informamos: 1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizava-se do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência, a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, esta fiscalização informa que é inviável e temerário emitir um parecer, visto que só seria possível formar convicção diante de uma auditoria independente , isto é, não contratada e paga pelo contribuinte. 3. Considerando as informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas respectivas repercussões no crédito tributário lançado: RECALCULO DAS INFRAÇÕES APURADAS CONFORME VALORES INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo sistema VAX. Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões) retirados dos processos de auto de infração n° 15586.001637/2009-01 e 15586.001638/2010-81: Valor 2004 Valor 2006 Valor 2007 RESULTADOS DE HEDGE INFORMADOS NA CONTABILIDADE -GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO 988.456.803,45 55.151.492,45 294.716.460,55 RESULTADOS DO HEDGE APLICADOS EM BOLSA -RELATÓRIOS DO CONTRIBUINTE 307.889.579,00 35.700.691,00 160.554.919,00 TOTAL DAS GLOSAS CONSIDERANDO INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE 680.567.224,45 19.450.801,45 134.161.541,55 RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO [...] Cientificada, a contribuinte não se manifestou nestes autos, apesar de nos autos do processo administrativo conexo nº 15586.001637/2009-01 ter consignado o que assim relatado na Resolução nº 1101-001.152: Cientificada, a contribuinte manifestou-se às fls. 18031/18043, reiterando as justificativas antes apresentadas, observando que atendeu prontamente a todas as solicitações que lhe foram dirigidas durante a diligência, participando inclusive de diversas reuniões presenciais e por conferência telefônica para apresentar explicações sobre os documentos e sanar dúvidas do agente fiscal, e apresentando milhares de páginas de documentos contendo todos os detalhes das operações de hedge contratadas no exterior. Aduziu que a reintimação fiscal lavrada no curso da diligência decorreu de falha no processamento das respostas tempestivamente apresentadas, e disse que os trabalhos realizados pelo agente fiscal em nada contradizem o que vinha sendo sustentado pela Recorrente, atestando desde a colocação das Ordens no Sistema VAX, suas conciliações periódicas e compensações com posições opostas do Grupo ADM, até a efetiva transferência das Ordens para a Bolsa de Chicago. Discordou das comparações feitas pela Fiscalização entre os ganhos/perdas da Recorrente e os ganhos/perdas da ADM Company, pois não existe padrão numérico esperado para as comparações selecionadas, dado que suas atividades são influenciadas por inúmeras variáveis que citou e demonstrou por meio de exemplos práticos. Na seqüência, reportando-se às respostas aos quesitos da diligência, firmou o entendimento de que as conclusões fiscais confirmaram o que vem sendo sustentado pela Recorrente nos presentes autos, de modo que os argumentos de defesa não são abalados nem mesmo pelas suposições lançadas pela Fiscalização quanto ao fato de os auditores independentes terem sido contratados pela Recorrente, mormente tendo em conta que todas as informações por eles utilizadas foram apresentadas à Fiscalização, sem que qualquer vício tenha sido apontado, seja nas premissas adotadas, nos procedimentos realizados ou nas conclusões alcançadas. Abordou as normas que regem as atividades de auditoria independente para reafirmar desarrazoadas as suspeitas lançadas pelo agente fiscal, e concluiu: 36. Portanto, diante das robustas provas apresentadas pela Recorrente nos presentes autos, seja pelos laudos elaborados pelos auditores independentes, seja pelos inúmeros documentos que os sustentam, jamais poderia o agente fiscal pretender desqualificá-los sob a simples alegação de que os auditores foram contratados pela Recorrente. Restando abalados quaisquer dos elementos que sustentam o Auto de Infração por provas carreadas aos autos pelo contribuinte, incumbe ao Fisco efetivamente comprovar as suas alegações, por meio da adequada contestação técnica, até mesmo porque a diligência seria o momento adequado para tanto. 37. Dessa forma, na medida em que (i) as Ordens colocadas pela Recorrente foram reconhecidas pela própria autoridade fiscal como relativas a operações de hedge que atenderam aos parâmetros da Bolsa de Chicago já desde o Termo de Verificação fiscal e que (ii), conforme atestado pelo Termo de Encerramento de Diligência, se demonstrou que as operações foram realizadas em ambiente de bolsa por meio do Sistema VAX e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norte-americano, sendo parte consolidada com Ordens contrárias de outras empresas do Grupo ADM e parte contratada junto à Bolsa de Chicago, o atendimento da regra do artigo 396 do RIR é patente. 38. Conforme já exposto nos presentes autos, sob a perspectiva do Fisco brasileiro, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto da assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro, de maneira que o Fisco Brasileiro tenha o conforto de que os valores reconhecidos pela empresa brasileira não foram artificialmente inflados por meio de negociações entre particulares no exterior. Isto é, a exigência do art. 396 do RIR visa a evitar que prejuízos fictícios sejam deduzidos pelas empresas brasileiras da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa exigência, no entanto, não pode ser vista de maneira dissociada das regras que delineiam a materialidade do IRPJ e da CSLL, nem pode a autoridade fiscal extrapolar o conteúdo das normas que regulam a incidência desses tributos. Ainda, reportando-se ao Parecer do Professor Marco Aurélio Greco, disse que o conteúdo das Ordens realizadas pela Recorrente para compra ou venda da commodity é incontroverso nestes autos, centrando-se a discordância no modo de execução dessas Ordens, sujeita às regras estrangeiras. Discorreu sobre tais regras, citando o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, e finalizou defendendo que as Ordens colocadas junto à ADM Trading, repassadas à ADM Financeira e então colocadas junto à Bolsa de Chicago certamente atendem a todos conceitos que extraiu da legislação brasileira, razão pela qual entendeu improcedente a exigência. No voto condutor da Resolução nº 1101-000.153 observou-se que o segundo ponto da diligência anterior não havia sido atendido, conforme assim exposto: Antes de adentrar ao reexame das preliminares e à apreciação do mérito, observa-se que, caso se conclua pela indedutibilidade, ainda que em parte, das perdas resultantes de operações de hedge, não será possível finalizar a apreciação das demais matérias autuadas. Isto porque, na realização da diligência requerida por este Colegiado, a autoridade fiscal entendeu inviável e temerário confirmar a validade dos critérios das auditorias contratadas, mas intimou a contribuinte a demonstrar os valores mensais das perdas correspondentes às operações de hedge contratadas junto à Bolsa de Chicago e compensadas com as posições opostas de outras empresas do grupo ADM, e a contribuinte assim detalhou esta apuração: Para segregar as perdas relativas às operações de hedge que foram consolidadas pela ADM Trading das perdas relativas àquelas que foram executadas junto à Bolsa de Chicago conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal, a ADM do Brasil partiu do banco de dados que consolida todos os Relatórios R38381-01 e que engloba todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas as transações da ADM Trading executadas junto à Bolsa de Chicago (“Extrato 5032”). Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima, a parti desse confronto conclui-se que as perdas decorrentes de transações de um mesmo produto, mês de Entrega e preço em determinado dia, constantes de ambos os documentos (Relatório R38381-01 e Extrato 5032) foram negociadas junto à Bolsa de Chicago. A partir das perdas totais nas operações de compra e venda da ADM Brasil, identificou-se o volume de contratos e o valor das compras e das vendas pelos preços destes contratos para identificação das perdas das operações da ADM do Brasil na Bolsa de Chicago. A partir destes critérios, a contribuinte informou que, em 2006, as perdas de hedge da ADM do Brasil representaram R$ 97.980.871,00, sendo que as perdas das operações de hedge realizadas em bolsa totalizaram R$ 35.700.691,00, e as perdas das operações de hedge compensadas o montante de R$ 62.280.180,00. Já em 2007, as perdas de hedge da ADM do Brasil representaram R$ 346.885.003,00, sendo que as perdas das operações de hedge realizadas em bolsa totalizaram R$ 160.554.919,00, e as perdas das operações de hedge compensadas o montante de R$ 186.330.084,00. A autoridade fiscal encarregada da diligência admitiu que, em tese, a empresa ADM Trading utilizava-se do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities, mas afirmou impossível auditá-lo, visto que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas. Consignou, ainda, que a contribuinte não apresentou os valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago referentes a aplicações em hedge, o que impossibilitou a elaboração de comparativos em relação ao valor informado pelo contribuinte como aplicado na BM&F Chicago pela ADM do Brasil. De outro lado, elaborou tais comparativos confrontando ganhos/perdas com soja e seus derivados registrados por ADM do Brasil e ADM Company, apurando que os resultados desta corresponderiam a 65% dos resultados daquela. Comparou também as perdas totais da recorrente com as perdas resultantes de hedge junto à Bolsa de Chicago, observando que estas representam 25,8% daquelas. E reportou-se à divergência já constatada, por esta Conselheira, nos relatórios das auditorias, que poderia ser justificada pela consolidação que não reporta à ADM Investor Services as operações contrárias praticadas pelo Grupo (fl. 7357). A abordagem assim desenvolvida no Termo de Encerramento de Diligência não expressa qualquer objeção à dedutibilidade das parcelas de R$ 35.700.691,00 e R$ 160.554.919,00, indicadas pela contribuinte como correspondente a perdas em operações de hedge junto à Bolsa de Chicago nos anos calendário 2006 e 2007, respectivamente. Ao contrário, a autoridade fiscal encerra a exigência recompondo a apuração do lucro tributável excluindo aquela parcela das glosas aqui promovidas. Assim, é razoável concluir que as discrepâncias acima mencionadas apenas se prestaram a reforçar que parte das perdas contabilizadas pela contribuinte, de fato, não foram contratadas junto a bolsa no exterior, assim como que os registros da contribuinte seriam confiáveis para se admitir a dedução das parcelas antes indicadas, ainda que sem a apresentação dos documentos de transferências financeiras para a Bolsa de Chicago, visto que a ausência destes somente teria impedido a Fiscalização de elaborar comparativos semelhantes aos anteriormente citados. Mas, retomando o voto condutor da Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, vê-se que a autoridade fiscal dela encarregada nada disse acerca dos questionamentos específicos ali formulados quanto à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, a seguir reproduzidos: Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases negativas pleiteada em impugnação, a autoridade julgadora de 1a instância assim anotou: Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça-se que: consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais – fl. 3.064/3.066) que o prejuízo fiscal no valor de R$ 5.515.198,35 existente em 2005 foi totalmente utilizado no ano-calendário de 2006 (em que pese somente possuir R$ 5.515.198,35, a interessada utilizou R$ 34.344.813,68). Portanto, não há prejuízo a ser compensado no Auto de Infração de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (o prejuízo fiscal do período já foi considerado). consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL – fl. 3.072) que o saldo de base de cálculo negativa no valor de R$ 38.753.786,46 existente em 2005 foi utilizado em 2006 (R$ 34.180.769,68) e em 2008 (em que pese só possuir R$ 4.573.016,78, a interessada utilizou R$ 240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a ser compensada no Auto de Infração de CSLL relativo ao ano-calendário de 2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano-calendário de 2007 (a base negativa do período já foi considerada). A recorrente questiona estas conclusões, e defenda a prevalência dos valores constantes na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos-calendário 2006 e 2007, asseverando que não houve procedimento por parte da Autoridade Fiscal visando à retificação de tais saldos. Assim, na hipótese de, após a diligência, subsistir base tributável nos períodos fiscalizados, necessário será saber se os prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de procedimentos fiscais passados. Além disso, será necessário aferir se tais prejuízos e bases negativas permanecem disponíveis à época da conclusão da diligência para a compensação requerida pela contribuinte. Por estas razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora, além das verificações nos moldes daquelas determinadas no processo administrativo nº 15586.001637/2009-01, confirme a existência de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados antes dos períodos fiscalizados, bem como a sua disponibilidade, ao final da diligência, para sua utilização nestes autos. Assim, os autos devem retornar à origem para que a autoridade fiscal se manifeste acerca destes aspectos e, ao final dos trabalhos, cientifique a contribuinte de relatório circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho. Manifestando-se às fls. 24375/24382, a autoridade fiscal encarregada da diligência relatou os esclarecimentos prestados acerca da segregação das perdas, reiterou as discrepâncias verificadas nas análises comparativas e destacou as divergências originalmente apontadas na Resolução nº 1101-000.077, bem como a falta de apresentação dos valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago, referentes a aplicações em hedge, e concluiu que: As auditorias realizadas pelas empresas contratadas (Ernest Young e KPMG) ficam no mínimo comprometidas na sua essência, pois seu cliente era o próprio contribuinte. Considerando a impossibilidade de auditoria no Sistema VAX, que realiza as compensações de ganhos e perdas de hedge das diversas empresas do grupo ADM, por auditoria independente ou pela própria Secretaria da Receita Federal, e visto que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas, entendemos não ser possível dar um parecer conclusivo sobre os valores informados pelo contribuinte. ?Diante do exposto, no entendimento desta fiscalização, não restam devidamente comprovados documentalmente os valores informados pelo contribuinte como aplicações de hedge realizados pela ADM do Brasil na BM&F Chicago. Reproduzindo as respostas aos quesitos formulados na primeira diligência, a autoridade fiscal esclareceu que, em seu entendimento, não restam comprovadas as aplicações em hedge informados pelo contribuinte, mas apresentou os cálculos da Recomposição das Demonstrações de Resultado levando-se em consideração as informações prestadas pelo contribuinte, porém não aceitas por esta fiscalização, com o objetivo único de proporcionar novo cálculo para um eventual julgamento do CARF a favor do contribuinte. Ao final, apresentou os seguintes quadros de recomposição do lucro tributável: Cientificada em 19/06/2015, a contribuinte apresentou petição observando que não fora cientificada da Resolução nº 1101-000.153, e posteriormente, em 21/07/2015, manifestou sua inconformidade com o resultado da diligência, observando inicialmente que o objeto da Resolução nº 1101-000.153 foi apenas exigir resposta aos quesitos acerca dos quais a autoridade fiscal silenciara na diligência anterior, sendo certo que a contribuinte sequer foi intimada acerca destes quesitos específicos, a evidenciar a superficialidade dos trabalhos. Prosseguindo, a contribuinte afirma que os trabalhos realizados reforçam de forma cabal a regularidade dos procedimentos por ela adotados, e, depois do resumo dos fatos sob análise, das conclusões da primeira diligência, e de sua manifestação acerca daquele resultado, abordou o resultado da segunda diligência, inicialmente destacando que o escopo da diligência estampado na Resolução nº 1101-000.152 não refletiria as discussões do Colegiado pois parte dos Conselheiros entendera pelo prosseguimento do julgamento diante do flagrante esvaziamento da diligência em razão da superficialidade dos trabalhos fiscais. Na sequência, destaca que a autoridade fiscal encarregada da diligência deixou de proceder às análises relativas a juros e variação cambial para os anos de 2006 e 2007, diferentemente do que fez em relação ao ano de 2004, apresentando quadro no qual evidencia que despesas acessórias também foram integradas aos resultados glosados. Aponta, também, que na recomposição do ano-calendário 2006, a autoridade fiscal encarregada da diligência suprimiu os prejuízos compensados admitidos no cálculo original. Finaliza asseverando que os esclarecimentos almejados pelo Colegiado original não foram atendidos de forma satisfatória, destacando seu empenho em esclarecer os fatos e requerendo a determinação de perícia no caso presente com o objetivo de que os esclarecimentos inicialmente almejados por este colegiado com a realização da diligência sejam efetivamente apresentados por profissional com independência e a qualificação necessárias. Invocando o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72 e o princípio da verdade material, indica perito e formula quesitos para o desenvolvimento de tais trabalhos. Os autos retornaram a este Conselho em 23/07/2015, mas frente à alegação da contribuinte de que não fora cientificada da Resolução nº 1101-000.153, bem como diante da constatação de que não haviam sido respondidos os quesitos indicados na referida Resolução, distintos daqueles consignados na Resolução nº 1101-000.152, promoveu-se sua devolução à origem para tais providências (fl. 24524). Em 06/10/2015 a contribuinte foi cientificada da Resolução nº 1101-000.153 e, na sequência, apresentou petição ratificando a manifestação antes apresentada, além de observar que o Agente Fiscal ainda não atendeu as solicitações específicas ao presente caso constantes da Resolução em referência, cujas determinações foram reiteradas pelo Despacho de fl. 24.524 (fl. 24543/24615). Novo despacho foi lavrado para retorno dos autos à DRF/Vitória para atendimento às solicitações específicas consignadas na Resolução nº 1101-000.153, distintas daquelas já adotadas em razão da Resolução nº 1101-000.152 (fl. 24621). A autoridade fiscal encarregada da diligência juntou aos autos extratos do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário - SAPLI (fls. 24625/24626), da DIPJ 2005/2004 (fls. 24627/24833) e demonstrações financeiras da contribuinte (fls. 24834/24836). Na sequência, com referência aos questionamentos deduzidos acerca do descompasso alegado pela contribuinte entre os prejuízos e bases negativas acumulados no SAPLI e no LALUR, expressou as seguintes análises: Verificou-se, em consulta ao sistema SAPLI/RFB que o saldo de Prejuízos Fiscais no final do ano-calendário 2003 era de R$ 106.822.505,15 e o Saldo Negativo de Contribuição Social de R$ 139.409.027,90. Em contrapartida, no Balanço Patrimonial e no Balancete Contábil de dezembro de 2003, consta prejuízos acumulados de R$ 55.752.250,00. Este valor que deverá ser utilizado para compensação de prejuízo de 2004. Verificou no LALUR do ano-calendário 2005 que houve Lucro Real no Valor de R$ 119.813.335,82, portanto não há prejuízos a ser compensado no ano-calendário de 2006. Na diligência encerrada em 10/06/2015 (fls. 24.375/24.382), foi apurado pela fiscalização os Demonstrativos dos Resultados de Exercício dos anos de 2004 (auto de infração - processo 15586.001637/2009-01), 2006 e 2007 (auto de infração - processo 15586.001638/2010-81), dos quais apresentamos os valores apurados pela fiscalização, inclusive com o aproveitamento dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da contribuição social. Verifica-se que todo saldo de prejuízos fiscais e saldo negativo de contribuição social foi totalmente absorvido durante o ano-calendário 2004, não havendo que se falar em compensação de prejuízos e saldo negativo nos anos-calendário de 2006 e 2007. Abaixo apresentamos a tabela recompondo o Lucro Real após a compensação dos prejuízos e saldos negativos: [...] Cientificada do Termo de Encerramento da Diligência Fiscal em 21/03/2015 (fl. 24848), a contribuinte manifestou-se às fls. 24853/24869, afirmando arbitrária a conclusão fiscal de limitar os prejuízos compensados ao saldo acumulado em seu balanço patrimonial e classificando de superficial o trabalho fiscal ao desconsiderar as conclusões apresentadas pela própria Fiscalização na 1ª diligência realizada. Defende ser mandatório que a autoridade fiscal observasse a apuração feita anteriormente, na qual as glosas haviam sido reduzidas; reitera que as análises relativas a juros e variação cambial não foram procedidas para os períodos de 2006 e 2007; e afirma ser de conhecimento basilar que os valores de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL, para fins de compensação das bases tributáveis de IRPJ e CSLL, encontram-se registrados na parte B do LALUR/LACS, não havendo como se admitir a utilização de um valor indicado no Balanço Patrimonial e/ou no Balancete. Na sequência, a contribuinte apresenta a evolução de seus prejuízos e bases negativas desde o ano-calendário 1999, apontando dispor dos saldos de R$ 238.334.436,88 e R$ 240.100.335,79, a título, respectivamente, de prejuízos fiscais e bases negativas a compensar em 2007. Discorda da limitação das compensações ao que informado no SAPLI e defende a necessidade de nova diligência para que sejam esclarecidas as divergências, observando que o SAPLI pode estar afetado por processos administrativos que ainda não transitaram em julgado (relacionados em nota à fl. 24864). Finaliza pleiteando o cancelamento do lançamento por vício material, sobretudo diante das inúmeras tentativas da D. Fiscalização de aperfeiçoar o lançamento, nulo desde o princípio, pelos vícios expostos no processo, mais uma vez enfatizados. Destaca a iliquidez e incerteza do lançamento, mormente frente ao recálculo dos valores devidos promovidos em diligência, e cita jurisprudência em favor do cancelamento das exigências em tais circunstâncias. Acrescenta, ainda, que não se presta a diligência para, indiretamente, reabrir a ação fiscal, aperfeiçoar o lançamento já efetuado de forma equivocada, ou mesmo para efetuar novo lançamento, tal como está sendo realizado no caso concreto, reproduzindo excerto de julgado deste Conselho e invocando o art. 146 do CTN. Entende que há desigualdade no tratamento atribuído ao Fisco, ao qual foram conferidas inúmeras oportunidades para reanalisar o feito, e à Requerente, cujas alegações, em caso de dúvida, direcionariam ao desprovimento do Recurso voluntário em análise.

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1302­000.428  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  08 de junho de 2016  Assunto  IRPJ/CSLL ­ Glosa de perdas em operações de hedge  Recorrente  ADM DO BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR  a arguição de nulidade do lançamento e CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos  do relatório e voto que integram o presente julgado.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Presidente e Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (presidente da  turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Rogério  Aparecido  Gil  e  Talita  Pimenta  Félix.  Ausente,  justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 63 8/ 20 10 -8 1 Fl. 24993DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 3          2   RELATÓRIO  O  presente  processo  retorna  depois  da  realização  de  diligências  determinadas  pela  1ª  Turma  Ordinária  da  1ª  Câmara  desta  1ª  Seção  de  Julgamento  nos  termos  das  Resoluções  nº  1101­000.078  e  1101­000.153.  Da  Resolução  nº  1101­000.078  colhe­se  o  seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos:  ADM  DO  BRASIL,  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida  pela  1ª  Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ­I que, por  unanimidade  de  votos,  julgou  IMPROCEDENTE  a  impugnação  interposta  contra  lançamento  formalizado  em 10/01/2011,  exigindo  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$ 175.840.067,86.  Esta Relatora requereu e lhe foi deferida a distribuição deste processo em razão de sua  conexão  com  o  processo  administrativo  nº  15586.001637/2009­01,  no  qual  foi  veiculada exigência semelhante, mas pertinente ao ano­calendário 2004.  Aquele  procedimento  fiscal  foi  motivado  por  demanda  externa  requisitória  do  Ministério Público Federal,  em  razão  de  a  autuada  figurar  como  uma das  empresas  que,  no  período  de  2003  a  2004,  efetuaram  remessas  ao  exterior  em  pagamento  de  margem  de  garantia  em Bolsa  de Mercadorias  no Exterior  (hedge),  de  valores muito  relevantes  e  aparentemente  incompatíveis  com  os  volumes  de  suas  operações  comerciais,  mesmo  para  empresas  de  seu  porte.  Tais  informações  também  foram  encaminhadas  ao  Presidente  do  Conselho  de  Controle  de  Atividades  Financeiras  –  COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de  11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998,  tendo em conta que  elas  poderiam  configurar,  em  tese,  indícios  de  cometimento  de  crime  tipificado  na  Lei  9.613, de 3.3.1998.   Já  nestes  autos,  não  há  referência  a  qualquer  representação  externa.  Todavia,  o  procedimento fiscal também se baseou na verificação de remessas de divisas ao exterior  em pagamento  a  cobertura de margens  de  contratos  futuros  de  soja  e  seus  derivados,  solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago em virtude das operações de hedge de  comodities agrícolas, nos anos­calendário de 2005 a 2007.  Por  meio  de  intimações  lavradas  entre  07/06/2010  e  12/08/2010,  a  autoridade  lançadora  exigiu  a  apresentação dos mesmos  elementos  requeridos  no  procedimento  fiscal anterior, com vistas à comprovação da efetiva aplicação dos recursos remetidos  ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, mediante  transferência  dos  recursos  da  ADM  em  nome  da  ADM  do  Brasil  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago.  Especialmente  na  resposta  apresentada  em  27/08/2010,  a  contribuinte  insistiu  que os  elementos apresentados provavam os  fatos  questionados,  ressaltando  que  as  obrigações  relativas  às  posições  financeiras  da  intimada  com  relação  aos  seus  contratos  de  hedge  são  cobertas  pela  Archer  Daniels  Midland  Company  (ADM  Company),  principal  empresa  do  grupo  ADM  no mundo,  conforme entre elas convencionado, promovendo­se a contabilização dos montantes a  pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge,  respectivamente)com base  em  extratos mensais  de  transações  de hedge,  e  liquidando  estas operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Disse, ainda, que  os  contratos  de  liquidação  futura  são  as  ordens  eletrônicas  contidas  nos  extratos  já  apresentados, e que a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago não emite extrato  de suas operações, incumbindo esta responsabilidade à ADM Investor Services.  Fl. 24994DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 4          3 A autoridade  lançadora conciliou os  registros  contábeis com os  contratos de  câmbio  apresentados  pela  contribuinte,  identificando  divergências  que,  questionadas,  foram  esclarecidas  pela  fiscalizada  (fls.  1524/1635).  Também  verificou  o  resultado  de  operações  de  hedge  realizadas  no  Brasil,  junto  à  Bolsa  de  Mercadorias  e  Futuros  (BM&F),  analisando  resumo  das  aplicações,  extratos  da  corretora  e  documentos  de  transferências  de  recursos  (fls.  1636/1741)  e  concluindo  que  estas  operações  resultaram em receitas contabilizadas em 2006 e 2007.  Quanto às operações de hedge no exterior, observou que o resultado positivo apurado  em  2005  foi  regularmente  contabilizado  como  receita.  Já  em 2006  e  2007  constatou  que  houve  despesas  nos  montantes  de  R$  53.778.588,62  e  R$  299.337.808,53,  vinculadas a remessas por contrato de câmbio e a pagamentos mediante conta­corrente  mantida  no  exterior  (de  acordo  com  a  Lei  nº  11.371/2006),  acerca  das  quais  se  manifestou de forma semelhante ao que apontado no procedimento fiscal anterior:  • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior e transferências do próprio exterior,  para  a ADM  Investor Services  (empresa  de  investimentos  do  grupo ADM),  para  que  esta realizasse o pagamento das coberturas de margens de hedge solicitadas pela BM&F  Chicago.  Considerando  que  a  empresa  remetente  dos  recursos  (ADM  do  Brasil),  a  empresa Matriz nos EUA  (ADM Company)  e  a  empresa  recebedora  e  aplicadora dos  recursos  (ADM  Investor  Services)  são  todas  do  grupo ADM,  somado  ao  fato  da  não  existência  de  contratos  comerciais  sobre  adiantamento  de  margens  de  garantia  entre  estas  empresas,  nos  remete  a  facilidade  para  manipulação  de  operações,  relatórios  e  contabilidade das mesmas;  •  O  contribuinte  criou  em  sua  escrituração  a  conta  128116­501  ­  ADM  DECATUR  EXEC FUTUROS,  que  utiliza  como  uma  conta  corrente  entre  a  ADM do Brasil  e  a  ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da  ADM do Brasil  com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta  recursos  para  pagamento  de  margens  de  garantia  para  a  Bolsa  de Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago  (fls.  679/708). O  contribuinte  informou  em  resposta  ao Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  55/2010  que  "com  base  nos  extratos  mensais  de  transações  de  hedge,  a  intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou  ganho em suas operações de hedge,  respectivamente),  fazendo a  liquidação  financeira  das  operações  conforme  o  melhor  gerenciamento  de  caixa  do  grupo"  (fls.  83/127  e  1519/1520);  •  O  contribuinte  entregou  uma  enorme  gama  de  documentos  com  o  objetivo  de  comprovar  a  aplicação  dos  recursos  em  operações  de  hedge  dos  contratos  futuros  de  soja  e  derivados  (Contratos  de  Cambio,  Relatório  por  contas  dos  fechamentos  dos  contratos  de  cambio  com  as  respectivas  perdas/ganhos,  Livro  Razão  ­  Conta  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS  ­  Contabilidade  dos  adiantamentos  das  margens  pela  ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos,  Posição de Contratos de Processamento ­ Cálculo de Exposições, Relatórios informando  que  a  ADM  Investor  Services  é  membro  de  compensação  da  Bolsa  de  Valores  de  Chicago) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos  transferidos  ao  exterior  pela  ADM  do  Brasil  na  operação  de  Hedge  alegada  pelo  contribuinte,  isto  é,  nenhum  deles  apresenta  a  transferência  de  recursos  da  ADM  Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros  de Chicago;  Detalhando os valores contabilizados pela fiscalizada, a autoridade lançadora conclui  que  a ADM  do  Brasil  escritura  em  seus  livros  as  operações  de  hedge  de  contratos  futuros  como  Custo  de Mercadorias  Vendidas  (vide  Livro  Razão  ­  conta  "423130  ­  Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech."  ­  fls. 1594/1622) e a variação cambial, os  juros e as  comissões  como  despesas  (entendemos  como  despesas  acessórias  as  operações  de  Hedge).  Estes  custos  e  despesas  serão  glosados  pois  não  houve  sua  efetiva  comprovação, isto é, a comprovação das transferências de recursos da ADM do Brasil,  ADM Investor Services ou ADM Holding para a BM&F­Chicago.  Fl. 24995DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 5          4 A  autoridade  lançadora  também  fez  ponderações  específicas  quanto  à  determinação  dos valores lançados:  4. INFRAÇÕES APURADAS ­ OMISSÃO DE RECEITAS  4.1 ­ GLOSA DE CUSTOS  Verificamos  na  contabilidade  eletrônica  da  empresa  que  os  valores  informados  como  pagamentos  de  margens  de  garantia  de  contratos  futuros  de  Hedge  fechados  foram  contabilizados na conta "423130  ­ Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados",  levada  como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício.  Considerando a  falta de comprovação da transferência de  recursos em nome da ADM  do  Brasil  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago,  estes  custos  serão  glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício.  O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida,  relativo ao Hedge  informado, é  de R$ 55.151.492,46 (...) para o ano de 2006 e R$ 294.716.460,55 (...)  A  glosa  de  custos  tem  sua  fundamentação  legal  nos  artigos  249,  inciso  I,  251  e  parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 299, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de  Renda (RIR/99).  5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO.  No caso em questão, o contribuinte submete­se às regras de apuração do IRPJ e da CSL  pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 1742/1798).  Conforme  verificado  no  Demonstrativo  do  Resultado  e  Ajustes  do  Lucro  Liquido  (DRE, DIPJ  e LALUR— fls.  26/82  e 1742/1798),  verificamos que  após  as  receitas  e  custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício,  Lucro este que após as glosas efetuadas pela  fiscalização mencionadas no decorrer do  relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado:  Demonstração do Resultado – Ano­Calendário 2006  Discriminação  Valor apurado pelo  contribuinte  Valor Apurado pela  fiscalização (após glosas)  Receita Liquida da Atividade  3.641.984.063,21 3.641.984.063,21 (­) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1)  3.278.357.868,92 3.223.206.376,46 Lucro Bruto  363.626.194,29 418.777.686,75 (­) Despesas / (+) Receitas Operacionais  471.484.238,87 471.484.238,87 Lucro Operacional  ­107.858.044,58 ­52.706.552,12 (+) Receitas / (­) Despesas Não Operacionais  4.233.259,97 4.233.259,97 Resultado do Período  ­103.624.784,61 ­48.473.292,15 (+) Adições / (­) Exclusões (2)  218.107.496,86 218.107.496,86 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos  114.482.712,25 169.634.204,71 (­) Compensação de Prejuizos  34.344.813,68 34.344.813,68 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal  80.137.898,58 135.289.391,03 BC dos Tributos (Glosas)  55.151.492,45   Demonstração do Resultado – Ano­Calendário 2007  Discriminação  Valor apurado pelo  contribuinte  Valor Apurado pela  fiscalização (após  glosas)  Receita Liquida da Atividade  4.961.027.816,19 4.961.027.816,19 (­) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1)  4.612.263.190,30 4.317.546.729,75 Fl. 24996DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 6          5 Lucro Bruto  348.764.625,89 643.481.086,25 (­) Despesas / (+) Receitas Operacionais  202.871.216,99 202.871.216,99 Lucro Operacional  145.893.408,90 440.609.869,45 (+) Receitas / (­) Despesas Não Operacionais  457.774,69 457.774,69 Resultado do Período  146.351.183,59 441.067.644,14 (+) Adições / (­) Exclusões (2)  ­236.796.028,02 ­236.796.028,02 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos  ­90.444.844,43 204.271.616,12 (­) Compensação de Prejuizos  0,00 0,00 Lucro Real/ Prejuízo Fiscal  ­90.444.844,43 204.271.616,12 BC dos Tributos (Glosas)  204.271.616,12 Obs:  (1) Glosa dos custos das mercadorias e despesas acessórias  relativos aos  contratos de  hedge  fechados  nos  exterior,  no valor de R$ 55.151.492,45  para o  ano de 2006 e R$  294.716.460,55 para o ano de 2007;  (2) As  despesas  de  variação  cambial  não  alteram  as  adições/exclusões,  pois  já  foram  realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge;  Cientificada  do  lançamento  em  10/01/2011,  a  contribuinte  apresentou  impugnação  estruturada sob os seguintes tópicos:  · CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE  · NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  EM  DECORRÊNCIA  DA  OBRIGATORIEDADE  DE  O  D.  AGENTE  FISCAL  CONSIDERAR  AS  ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO­ CALENDÁRIO  · NULIDADE DO AUTO DE  INFRAÇÃO POR CONTA DA  INSUBSISTÊNCIA  DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA  BASE DE CÁLCULO DA CSLL  · DO MÉRITO:  o  1  –  DAS  OPERAÇÕES  DE  HEDGE  REALIZADAS  PELA  INTERESSADA:   § 1.1 – DA REALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE HEDGE E DA  PROVA IMPOSSÍVEL EXIGIDA  o  2  –  DA  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  USUAIS  E  NECESSÁRIAS  –  A  CORRETA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 396 DO RIR  o  3  –  DA  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO  DOS  REQUISITOS  PARA  A  DEDUTIBILIDADE  DAS  DESPESAS  COM  JUROS  E  COMISSÕES,  BEM  COMO  DAS  VARIAÇÕES  CAMBIAIS  INCORRIDAS  PELA  INTERESSADA – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE  o  4  –  DA  ILEGALIDADE  DA  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  SOBRE  A  MULTA DE OFÍCIO:  A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que:  · A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra,  no  presente  caso,  qualquer  óbice  que  determine  a  precariedade  dos  lançamentos  realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo  Código  Tributário  Nacional,  não  se  configurando  qualquer  violação  ao  que  o  mencionado  diploma  legal  dispõe  e,  tampouco,  ao  artigo  59  do  Decreto  n°  70.235/1972. Os Autos de  Infração  foram  lavrados por autoridade administrativa  plenamente  vinculada,  respeitando  os  devidos  procedimentos  fiscais,  previstos  na  legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária,  Fl. 24997DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 7          6 além  do  que  a  descrição  dos  fatos  e  as  provas  juntadas  ao  processo  permitem  esclarecer  a  causa  das  autuações,  bem  como  toda  a  sistemática  aplicável  à  constituição dos créditos  tributários e, por  sua vez, a argumentação desenvolvida  pela  interessada  na  peça  impugnatória  permite  concluir  que  o  motivo  das  autuações foi compreendido, tanto que contestado.  · A juntada de provas, pela qual a impugnante protestou, deve ser feita por ocasião da  impugnação,  inexistindo  razão para  realização de diligência, ante a verificação de  que constam nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção do  julgador.  · No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de  documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações  de hedge dos contratos  futuros de soja e derivados, observou que as glosas  foram  promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva  aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de  hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E,  tratando­se  de matéria de prova,  invocou o disposto nos art.  251, parágrafo único, 264 e 396,  todos  do  RIR/99,  no  sentido  de  que  os  resultados  líquidos  de  operações  de  cobertura  em  Bolsa  no  Exterior  realizados  diretamente  pela  empresa  brasileira  devem  ser  comprovadas  por  documentação  hábil  e  idônea  (incluindo  a  demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira).  · Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos  tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das  alegações  relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge  realizadas no exterior, ainda que não fossem consideradas operações realizadas em  Bolsa.  · Centrando­se  na  lide  propriamente  dita,  asseverou  que  a  interessada  não  logrou  comprovar,  nem  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  nem  na  impugnação,  momento  propício  para  contraditar,  com  documentos  hábeis  e  idôneos,  a  transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil,  para  a  Bolsa  de  Mercadorias  &  Futuros  de  Chicago,  e  declarou  válida  a  glosa  promovida.  · Contestou documentos citados na  impugnação por emitidos por empresa do grupo  ADM ou por não individualizar e discriminar as operações. Disse, também, que ps  contratos  de  Câmbio  atestam  a  remessa  de  numerário  para  a  ADM  Co./ADM  Investor Services Inc..  · Desmereceu  a  afirmação  de  que  "não  é  possível  fazer  a  demonstração  dos  pagamentos  feitos pela  impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se  tratando de  custos,  que  têm  o  condão  de  reduzir  o  lucro  liquido  do  exercício  e,  conseqüentemente,  o  crédito  tributário  devido,  é  seu  o  ônus  de  provar  a  sua  existência. Citou doutrina neste sentido.  · Quanto  à  afirmação  de  que  as  operações  estariam  devidamente  registradas  na  contabilidade,  salientou  que  a  credibilidade  dos  assentamentos  contábeis  não  se  operacionaliza pelo simples fato de tê­los apenas na conformidade da técnica mas,  também,  se  funda nos Princípios  e Convenções que norteiam a Ciência Contábil,  especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência,  o  que  exige  disponibilização  da  documentação  hábil,  idônea  que  resguarda  a  escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido.  · Com referência aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, atribui­ lhes  a  mesma  conseqüência  das  demais  glosas,  porque  tidas  como  acessórias,  declarando  desnecessário  analisar  os  demais  requisitos  de  dedutibilidade  das  despesas,  quais  sejam,  necessidade,  usualidade  ou  normalidade. Acrescentou  que  na ausência de documentos e livros fiscais, apenas a tabela de fl. 1949/1951 não se  prestaria  a  atestar  que  houve  adições  relativas  a  despesas  de  juros,  comissões  ou  variação cambial, e destacou que a variação cambial, na verdade, reduziu os valores  lançados.  Fl. 24998DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 8          7 · Quanto  à  apuração  dos  tributos  lançados,  tendo  em  conta  o  que  informado  pela  contribuinte  em  DIPJ,  e  o  demonstrativo  apresentado  pela  Fiscalização,  assevera  que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL relativos  aos anos­calendário de 2006 e 2007, sendo considerados como valores tributáveis  somente as infração apuradas. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite  do prejuízo  fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo  informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos  Fiscais  —  fl.  3064/3066)  e  do  Sistema  SACS/RFB  (Demonstrativo  da  Base  de  Cálculo  Negativa  da  CSLL  —  fl.  3072),  os  saldos  existentes  em  2005  foram  integralmente utilizados em períodos subseqüentes.  · Ainda,  observou  que  não  foi  considerada  a  dedução  do  valor  de  R$  240.000,00  quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma  única  vez.  E,  relativamente  às  antecipações  de  IRPJ  e CSLL  declaradas  nas DIPJ  2006/2007 e 2007/2008, constatou que seus valores  foram utilizados para quitar o  valor de IRPJ devido declarado, e o saldo negativo apurado  foi objeto de diversas  DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fls. 3075/3076);  o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL (fls. 3077/3078).  · Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.  Cientificada da decisão de primeira instância em 23/01/2012 (fl. 3153), a contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  17/02/2012  (fls.  3204/3269),  acompanhado  dos  documentos  de  fls.  (3270/3422),  no  qual  reprisa  os  argumentos  apresentados na impugnação.  Antes,  porém,  descreve  o papel da  recorrente  em  seu  ramo de  atividade,  destacando  que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede nos EUA) ser um dos  maiores  dedicados  à  comercialização  de  produtos  agrícolas,  atuando  desde  1923  e  contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por  sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 7,7 milhões de toneladas de soja  em grãos por ano, tanto no mercado nacional, quanto no exterior.   Inicialmente  observa  que  em  suas  atividades  com  commodities  pratica  operações  de  compra, hedge e venda, sendo que o hedge é necessário como proteção das transações  nas quais o preço que será pago ao produtor é definido no momento de aquisição, bem  como nos acordos de venda que podem sofrer oscilações até a data da entrega física ou  embarque  da  mercadoria.  Acrescenta  que  o  imenso  volume  de  commodities  regularmente negociado pelo Grupo ADM  lhe impõe a necessidade de operar junto à  Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, de modo que as operações de hedge por  ela contratadas submetem­se ao art. 396 do RIR/99.   Reitera  a  arguição  de  nulidade  do  lançamento  porque  (a)  na  apuração  da  base  tributável,  não  se  procedeu  à  dedução  dos  recolhimentos  efetuados pela Recorrente  a  titulo  de  antecipação  nos  anos­calendário  de  2006  e  2007,  em  conformidade  com  Solução  de  Consulta  Interna  n°  23/06;  (b)  o  I.  Agente  Fiscal  não  efetuou  a  recomposição das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; e (c) foram  cometidos  diversos  outros  equívocos  pelo D.  Agente  Fiscal  na  apuração  dos  tributos  supostamente devidos.  Argúi  a  nulidade  do  lançamento  em  razão  da  desconsideração  das  antecipações  realizadas nos anos­calendário 2006 e 2007, destaca que a constituição da obrigação  tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em  lei,  e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao  final do período de  apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma que há  erro  de  direito,  ou  erro  no  critério  jurídico  utilizado,  pois  a  autoridade  lançadora  deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur  de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual.  Demonstra que, admitindo as antecipações, o  IRPJ em 2006 seria negativo e o valor  apurado em 2007 seria reduzido a R$ 2.645.777,67. Não reproduz esta demonstração  Fl. 24999DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 9          8 para a CSLL, mas especifica a forma de quitação das estimativas de ambos os tributos,  apontadas  para  aqueles  anos­calendário,  e  conclui  que  o  lançamento  carece  de  elemento essencial, qual seja, seu motivo.   Opõe­se à cogitação de que as deduções e antecipações de IRPJ e CSLL tiveram por  efeito  a  formação  de  saldos  negativos  que  foram  utilizados  pela  Recorrente  em  Declarações  de  Compensação,  ressaltando  ser  dever  da  Fiscalização  apurar  corretamente  os  tributos  devidos  e  invocando o  entendimento  firmado  na  Solução  de  Consulta Interna COSIT nº 23/2006. Defende que naquele ato determinou­se, para toda  e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou  antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também  refletido  no  Ato  Declaratório  Normativo  COSIT  nº  58/94  e  em  acórdãos  administrativos  que  cita. Assevera que  os  saldos  negativos  de  IRPJ  e CSLL  somente  são passíveis de restituição e compensação quando constituem legítimos pagamentos a  maior do tributo, de modo que uma revisão fiscal da apuração não autoriza que se fale  em pagamento a maior de tributo.  52. Ora, a formalização posterior de Declarações de Compensação pela Recorrente em  nada altera o dever de ofício do D. Agente Fiscal de, efetivamente, apurar o  IRPJ e a  CSLL devidos ao final do período, considerando as antecipações regularmente quitadas  nos anos­calendário de 2006 e 2007.  Alerta  que  a  manutenção  da  autuação  fiscal,  com  redução,  apenas,  do  montante  exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do  lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN.  Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base  de  cálculo  da  CSLL,  aduz  que  o  lançamento  exige  prévio  levantamento  e  o  exame  completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que  a autoridade  lançadora optou por proceder ao  lançamento com base  tão  somente nos  valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e  a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos a  título de IRPJ correspondem exatamente à aplicação do percentual de 25% (15% mais  adicional  de  10%)  sobre  os  custos  e  despesas  glosados,  desconsiderando  as  antecipações e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais. Observa que  relativamente  à  CSLL,  sequer  houve  detalhamento  da  apuração,  mas,  de  toda  sorte,  haveria  possibilidade  de  compensação  de  bases  de  cálculo  negativas  de  períodos  anteriores, bem como suas antecipações deveriam ter sido consideradas.  Discorda  da  argumentação  da  autoridade  julgadora  de  1a  instância  quanto  à  indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever  da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da  Recorrente.  Da  mesma  forma  reporta­se  à  impossibilidade  de  compensação  de  prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida.   Questiona o procedimento adotado pela DRJ, que lastreou suas conclusões com base na  utilização  dos  saldos  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  de  CSLL  constantes  dos  sistemas SAPLI e SACS da RFB em detrimento dos valores constantes na Parte B do  LALUR  e  nas  DIPJ  dos  anos­calendário  2006  e  2007.  Defende  a  prevalência  dos  valores  informados  em  seu LALUR, até porque não houve procedimento por parte da  Autoridade  Fiscal  visando  à  retificação  de  tais  saldos.  Cita  jurisprudência  administrativa favorável ao seu entendimento.  Ressalta,  por  fim,  que  não  pode  esse  Egrégio  Conselho,  tampouco  a  autoridade  lançadora,  realizar  o  cálculo  correto  dos  tributos  lavrados,  a  pretexto  de  corrigir  o  lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o  que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e  conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração.  Fl. 25000DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 10          9 Questiona a afirmação da autoridade  julgadora de 1a  instância de que constitui ônus  da  interessada  a  instrução de  sua  impugnação  com  todos  os  documentos  que  entenda  necessários  à  prova  pretendida,  para  ver  afastada  a  preclusão  de  seu  direito  de  apresentar  documentos  após  a  impugnação,  invocando  o  princípio  da  verdade  material,  e  afirmando  a  ocorrência  de  cerceamento  ao  direito  de  defesa  caso  seja  negado  este  direito,  com  conseqüente  declaração  de  nulidade  da  decisão,  como  inclusive  firmado  em  decisão  recente  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  nos  autos do processo administrativo nº 10814.017735/96­77.  No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela  Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente,  pois  referido  documento  não  existe  e  não  pode  ser  obtido  dada  a  sistemática  de  funcionamento  daquela  instituição.  Destaca  a  apresentação  de  farta  e  robusta  documentação  plenamente  hábil  a  comprovar  que  suas  operações  de  hedge  foram  contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos:  •  Extratos  das  operações  de  hedge  efetuadas.  pela  Recorrente,  que  contém  todas  as  informações das operações efetuadas (fls. 404/1508);  •  Razão  contábil  da  conta  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS  mantida  pela  Recorrente,  que  atesta  as  movimentações  das  operações  de  hedge  efetuadas  (fls.  83/127);  •  Contratos  de  câmbio  comprobatórios  das  remessas  e  recebimentos  relativas  às  operações de hedge da Recorrente (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632).  Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos  corretos  dos  valores  das  margens  dos  contratos  futuros  das  operações  de  Hedge  alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão  da inaceitável exigência de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa  de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às  atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais  e necessárias à consecução de seus objetivos sociais.  Mais à  frente,  acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil  não  são  capazes de  absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume  das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela  Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando  que a reduzida liquidez da bolsa brasileira não apenas impede a absorção de um volume  grande de operações, mas  envolve  até mesmo o  risco de os  agentes  locais não serem  capazes de fechar suas posições.   Ilustra que realizou cerca de 116.000 e 130.000 contratos de hedge em 2006 e 2007,  respectivamente, volume bastante superior àquele negociado na BM&F no período. Daí  a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a  submissão  da  recorrente  às  normas  regulatórias  desta  entidade  e  das  autoridades  competentes dos Estados Unidos da América.  Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de  compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao  redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou  internacionais, de forma que as operações de hedge destinam­se a reduzir os riscos das  flutuações  dos  preços  de  soja  entre  a  data  da  compra  e/ou  venda  da  soja  e  o  seu  recebimento e/ou entrega física. Especifica que:  120. Para efetuar as operações de hedge acima mencionadas, as subsidiárias do Grupo  ADM  localizadas em mais de 60 países ao redor do mundo  inserem os dados de suas  respectivas  operações  comerciais  em  um  único  sistema  de  computador,  o  qual  é  administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao  inserir os dados no  referido  sistema,  as  subsidiárias  do  Grupo  ADM  submetem  à  ADM  Trading  as  correspondentes  ordens  de  hedge  ("Ordem"),  que  nada  mais  são  do  que  as  posições  Fl. 25001DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 11          10 contrárias  àquelas  contratadas  fisicamente  com  os  produtores  rurais  ou  clientes  das  empresas do Grupo ADM.   121. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda  do  tipo  e  quantidade  de  mercadoria  estabelecidos  na  Ordem,  na  data  de  entrega  ali  prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago18.[18 Como já  salientado,  o  pareamento  dos  preços  estabelecidos  nas  Ordens  colocadas  pela  Recorrente  com  os  preços  praticados  na  Bolsa  de  Chicago  foi  expressamente  confirmado pela própria D. Autoridade Fiscal e é matéria  incontroversa nos presentes  autos]  122.  Na  colocação  da  Ordem,  são  informados  o  número  da  conta  de  controle  da  subsidiária,  o  tipo  e  quantidade  de  mercadoria  a  ser  coberta  pelo  hedge,  o  tipo  de  operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago.  123.  As  Ordens  são  inseridas  no  sistema  administrado  pela  ADM  Trading,  que  centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas  exposições  a  ADM  Financeira,  entidade  financeira  que  executa  tais  Ordens  junto  à  Bolsa de Chicago.  [...]  125. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias por meio do sistema da ADM  Trading, decorre, dentre outros fatores, da necessidade de melhor cumprir as regras  da CFTC e também do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago.  126. Essas regras são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de  hedge na Bolsa de Chicago, e devem ser especialmente observadas pelas empresas do  porte do Grupo ADM, que operam volume  imenso de  transações e possuem  inúmeras  subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago.  169. A fim de comprovar o quanto ora afirmado, a Recorrente anexa ao presente recurso  documento firmado pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, ex­diretor jurídico e  ex­vice­presidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 04).  Cita, também, parecer solicitado ao Professor Steve Thel, experiente especialista norte­ americano que, como Advogado­Consultor, integrou o escritório do Consultor Jurídico  Geral da Securities and Exchange Comission ­ “SEC”, órgão americano correspondente  à Comissão de Valores Mobiliários – “CVM” brasileira (doc. 05). Ali são abordadas as  regras emitidas pela CFTC e a necessidade de que suas operações  fossem formatadas  nos termos em que aqui relatados, de modo a demonstrar que configuraria infração um  mesmo grupo de empresas efetuar pedidos para  comprar  e vender  substancialmente a  mesma  quantidade  de  um  valor  mobiliário  ou  commodity  em  substancialmente  o  mesmo tempo e preço (“wash sales”). Daí a atuação da ADM Trading, confrontando e  depurando  todas  as Ordens  colocadas  pelas  subsidiárias  do Grupo ADM ao  redor  do  mundo, de modo que a posição consolidada do Grupo seja contratada junto à Bolsa de  Chicago.  Passando  à  exposição  do  fluxo  de  pagamentos  de  suas  atividades,  a  recorrente  inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado  da Bolsa de Chicago e está sujeita a diversas normas de regulação e controle, dentre as  quais aquelas emitidas pela CFTC, o que por si só desqualifica a incomprovada suspeita  lançada contr a ADM Financeira nos presentes autos em razão da vinculação ao Grupo  ADM.  Observa  que  a  ADM  Financeira  não  se  responsabiliza  apenas  pela  intermediação, mas  pela  efetiva  liquidação  financeira  das  operações  conduzidas  por  todos os seus clientes junto às bolsas, e aponta declaração à fl. 1521/1522 que confirma  a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago  Mercantile Exchange (CME).  Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos  diretamente ao Grupo ADM, reportando­se à exigência  fiscal de prova de realização  das operações diretamente  em bolsas no  exterior,  e ao  requisito  expresso na decisão  recorrida de  comprovante em nome da ADM do Brasil. Entende  evidenciado, assim,  Fl. 25002DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 12          11 que a  falta  de  apresentação  de  tal  documento,  portanto,  não  decorre  de um descuido,  desídia ou falha por parte da Recorrente em conservar seus documentos em ordem, já  que se trata de documento inexistente.  Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita  mediante  pagamentos  centralizados  e  consolidados  à  Bolsa  de  Chicago,  inexistindo  pagamentos  realizados  para  aquela  Bolsa  em  nome  do  comitente,  já  que  as  clearing  houses  realizam  as  compensações  multilaterais  das  posições  que  intermediam.  Menciona que também no Brasil esta sistemática é adotada em algumas operações, de  modo que a depender do objeto negociado, o documento exigido da Recorrente no caso  presente  não  poderia  ser  obtido  ainda  que  as  operações  de  hedge  tivessem  sido  contratadas no Brasil.  Descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos:  (i)  Diariamente,  a  ADM  Financeira  realiza  dois  grupos  de  pagamentos  das  margens  contratadas  naquele  dia,  um  grupo  se  refere  às  transações  do  Grupo  ADM  e  outro  relativo às operações de seus demais clientes.  (ii) A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de  Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM.  (iii) A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas  subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente.  (iv) Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias  do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em  relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente.  Relaciona  os  documentos  acostados  aos  autos  (fls.  404/1508,  83/127,  128/403,  1627/1629,  1630/1632,  1511/1512,  1513/1515),  descrevendo  seu  conteúdo  e  concluindo, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao  longo  do  processo  de  fiscalização  que  atestam  as  remessas  efetuadas  à  ADM  Co.  a  titulo de ressarcimento das margens cobertas por  tal entidade para a ADM Financeira  (fls. 128/403, fls. 1627 a 1629 e fls. 1630 a 1632) são prova suficiente da realização das  operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz:  167.  Adicionalmente,  muito  embora  não  seja  possível  fazer  a  demonstração  dos  pagamentos  feitos  pela  Recorrente  diretamente  a  Bolsa  de  Chicago  em  razão  da  regulação  vigente  nos  Estados  Unidos,  é  possível  que  se  realize  o  confronto  dos  resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique  que estes oscilam conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas"  na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressalte­se, foi expressamente reconhecido pelo D.  Agente Fiscal.   168. Ora, quer parecer à Recorrente que se trata de prova mais do que suficiente quanto  à  realização dessas operações em bolsa, o que as  tornam dedutíveis  tanto para  fins de  apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL.   Aborda a correta  interpretação do artigo 396 do RIR, defendendo sua observância no  presente  caso  na  medida  em  que  as  operações  foram  realizadas  em  bolsa  e  sempre  estiveram sob o controle do órgão regulador norte­americano. Em seu entendimento, o  que  importa  é  que  o  eventual  resultado  negativo  da  operação  de  hedge  seja  fruto  de  assunção  efetiva  do  risco  das  operações  de  bolsa  e  que  tal  resultado  negativo  esteja  sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro.   Defende que a operação de hedge no exterior alcançada pelo artigo 396 do RIR deve ser  visualizada  sob  os  prismas  do  conteúdo  e  do  modo  de  execução,  afirmando  incontroverso  o  conteúdo  das  Ordens  realizadas  pela  recorrente,  centrando­se  a  discussão no modo de execução dessas Ordens, sem atentar que este se sujeita às regras  estrangeiras.  Na  medida  em  que  a  ADM  Financeira  visualiza  todas  as  Ordens  da  Recorrente  destinadas  a  serem  executadas  na Bolsa  de Chicago  e  as  identifica  como  verdadeiras Ordens  de  compra  ou  de  venda  com a  finalidade de  hedge,  fica  evidente  Fl. 25003DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 13          12 tratar­se  de  atuação  direta  em  bolsa  para  fins  de  aplicação  do  artigo  396  do RIR.  O  termo  “diretamente”,  presente  na  lei,  deve  ser  interpretado  segundo  as  regras  do  ordenamento  jurídico  dos  EUA,  da  Bolsa  de  Chicago  e  o  princípio  da  legalidade,  afastando­se o  sentido mais  literal  e  formal deste  termo. E o  termo “bolsa” deve  ser  concebido  como  ambiente  e  sistemas  organizados  e  regulados  em  que  se  realizam  operações de mercado, e não apenas “pessoa jurídica Bolsa”.  Ainda,  porque  representativos  de  despesas  usuais  e  necessárias,  defende  a  dedutibilidade  dos  resultados  de  operações  de  cobertura.  Desde  que  se  trate  de  operações  de  hedge  vinculadas  a operações  reais  e  efetivas  de  revenda  de  soja  e  que  sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente,  tais despesas  deverão  ser  consideradas  operacionais  e  dedutíveis  independentemente  de  qualquer  discussão sobre o modo de execução das operações.  Reporta­se  a  doutrina  esclarecendo  que  o  hedge  nada  mais  é  que  a  aquisição  de  contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que  num  contexto  em  que  os  preços  dos  produtos  que  comercializa  oscilam  ao  sabor  do  mercado,  deixar  de  realizar  operações  de  hedge  certamente  evidenciaria  que  a  Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de  variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às  atividades da Recorrente.  Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações e complementa:  194. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando  da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu  cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro  lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física  pague  menos  à  Recorrente,  o  hedge  propiciará  um  resultado  positivo  equivalente  ao  valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época.  Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir  que  em  decorrência  da  premissa  basilar  e  irredutível  de  que  apenas  podem  ser  submetidos  ao  IRPJ  (e  também  CSLL)  os  acréscimos  patrimoniais  efetivos,  os  resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados  isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da  forma efetuada pelo D. Agente Fiscal.   Apresenta mais exemplos numéricos dos  resultados que  seriam auferidos em caso de  valor de mercado superior ou  inferior ao preço de compra contratado, para concluir  que  impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria  tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os  custos  incorridos para  a  sua  consecução,  isto  é,  aqueles decorrentes das operações de  hedge.  Reporta­se  a  jurisprudência  administrativa  contrária  a  este  tipo  de  entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos  em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico.  Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera  indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois  tal  implicaria  reconhecer  que  aquela  norma  visa  a  locupletar  o  fisco  de  forma  injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias,  mas  não  seria  aceito  um  importante  custo  incorrido  para  que  essas  mesmas  receitas  fossem auferidas.  Questiona,  também,  a  glosa  de  juros,  comissões  e  variações  cambiais  com  base  na  “acessoriedade” das despesas. Caberia à Fiscalização averiguar sua efetiva ocorrência,  bem como a necessidade, usualidade e normalidade dos gastos, para demonstrar que  eles  não  atenderiam  ao  art.  299  do  RIR/99.  Ressalta,  ainda,  que  as  operações  e  margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, de modo  que  restrições  contidas  no  art.  396  do RIR/99  se  limitam  às  perdas  com  hedge,  não  Fl. 25004DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 14          13 havendo  motivo  para  glosa  das  demais  despesas.  E  acrescenta  que  as  variações  cambiais  observam  regime  de  caixa  para  sua  dedutibilidade,  não  avaliado  pela  Fiscalização, restando patente a superficialidade da investigação. Afirma que promoveu  adições, neste sentido, em 2007, no valor de R$ 19.511.352,94.  Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os  juros prestam­se a indenizar o prejuízo do credor com a privação do capital, ao passo  que  a  multa  é  pena  pecuniária  pelo  inadimplemento  de  obrigação.  Em  seu  entendimento,  os  juros  não  podem  incidir  sobre  a multa,  já  que  esta  penalidade  não  retrata  obrigação  principal, mas  sim  encargo  que  se  agrega  ao  valor  da  dívida,  como  forma de punir o contribuinte.   Argumenta  que a  aplicação  de  tal  percentual,  de  forma  ilimitada,  sobre  o  principal  e  sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio do não­confisco, bem como viola  o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitante sobre o imposto devido e,  ainda,  sobre  a  multa  aplicada.  Cita  jurisprudência  neste  sentido,  e  invoca  posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº  10680.002472/2007­23.  Ao final, requer, ainda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência, na  hipótese  de  este  procedimento  ser  tido  como  necessário  para  o  esclarecimento  de  qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo,  bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como  pela  oportuna  sustentação  oral  de  suas  razões  de  defesa.  Ainda,  os  procuradores  da  Recorrente  declaram  ser  autênticas  as  cópias  simples  anexas  ao  presente  Recurso  Voluntário, nos termos do artigo 365, IV do Código de Processo Civil.  Em  28/02/2012  os  autos  do  presente  processo  foram  encaminhados  em CARF,  e  em  12/06/2012  distribuídos  a  esta  Relatora,  em  razão  de  sua  conexão  com  o  processo  administrativo nº 15586.001637/2009­01 (fl. 3426).  Em  06/12/2012  a  recorrente  apresentou  a  esta  Relatora  petição  protocolizada  no  CARF naquela data, requerendo a juntada dos seguintes estudos e pareceres jurídicos:  · Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz  do  art.  396  do RIR/99, expressa  em parecer  do Professor Marco Aurélio  Greco;  · Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração,  proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi;  · Interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação  das Bolsas, em parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho.  · Relatório  de  Comprovação  do  Hedge  em  Operações  Futuros  Realizadas  pela Companhia nos Anos­Base de 2006 e 2007 e Relatório de Verificação  das Operações de Futuros  (Hedge) Realizadas pela Companhia nos Anos­ Base de 2006 e 2007, ambos emitidos pela empresa de auditoria KPMG;  · Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de  Commodities  Realizadas  pela  Companhia,  emitido  pela  empresa  de  auditoria Ernst  &  Young,  acerca  das  controvérsias  objeto  de  lançamento  nestes autos.  O  relatório  da  Ernst  &  Young,  acompanhado  de  diversos  demonstrativos  (todos  em  língua  estrangeira),  o  relatório  da  KPMG  e  os  pareceres  antes  mencionados  acompanharam  a  referida  petição.  Por  ocasião  de  sua  apresentação,  a  recorrente  mencionou  a  existência  de  documentos  que  lhes  dariam  suporte,  os  quais  seriam  apresentados no CARF. Consulta ao E­processo evidenciou que a referida petição e os  Fl. 25005DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 15          14 documentos  que  a  instruíram  ainda  não  haviam  sido  digitalizados  até  janeiro/2013,  bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos.  Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício  da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade  na tramitação do processo administrativo nº 15586.001637/2009­01, conexo a este. Em  28/11/2012  o  mesmo  órgão  requereu  cópias  do  auto  de  infração  e  das  decisões  já  proferidas naqueles autos, as quais  foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção  em  11/12/2012,  acompanhadas  da  informação  de  que  o  processo  administrativo  nº  15586.001637/2009­01  seria  incluído  em  pauta  na  sessão  seguinte,  em  fevereiro  de  2013.  O  litígio não  foi  apreciado na  reunião de  julgamento de  fevereiro/2013 em  razão de  pedido  de  adiamento  apresentado  pela  recorrente.  Ao  final  de  fevereiro/2013,  foram  digitalizados dois conjuntos de documentos anexos a estes autos, um com 34 (trinta e  quatro) volumes e outro com 13 (treze) volumes, cuja juntada definitiva ainda não foi  promovida  no  E­processo  em  razão  de  o  processo  encontrar­se  pautado  para  julgamento.   O  conjunto  de  documentos  composto  de  13  (treze)  volumes  está  intitulado  Laudo  KPMG  –  Relatório  de  verificação  das  operações  de  futuros  (hedge)  realizadas  pela  Companhia nos anos­base de 2006 a 2007. Reportam­se a anexos numerados de 1 a 28,  os quais guardam relação com o relatório de mesmo título, apresentado a esta Relatora  em 06/12/2012.  O  conjunto  de  documentos  composto  de  34  (trinta  e  quatro)  volumes  está  intitulado  Laudo  KPMG  –  Relatório  de  comprovação  do  hedge  em  operações  de  futuros  realizadas  pela  Companhia  nos  ano­base  de  2006  e  2007  e  reúne  anexos  entre  os  números  1  e  38,  evidenciando  tratar­se  dos  documentos  de  suporte  do  relatório  de  mesmo título, apresentado a esta Relatora também em 06/12/2012.   Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às  fls.  3482/14778.  Além  deles,  foram  juntados  aos  autos  digitalizados  a  tradução  juramentada  do  Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 18777/18970), bem como os relatórios e o parecer  apresentados  a  esta  Conselheira  em  06/12/2012  (fls.  14781/18577),  além  dos  pareceres  emitidos pelos Professores Eurico Marcos Diniz de Santi, Ary Oswaldo Mattos Filho e Marco  Aurélio Greco (fls. 18595/18703).   Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, este Colegiado decidiu: 1) por  voto  de  qualidade,  REJEITAR  as  argüições  de  nulidade  do  lançamento  por  falta  de  compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período,  divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José  Ricardo  da  Silva;  2)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  do  lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 3) por unanimidade de votos,  REJEITAR  a  argüição  de  nulidade  da  decisão  recorrida;  4)  por  maioria  de  votos,  CONVERTER  EM  DILIGÊNCIA  o  julgamento,  divergindo  os  Conselheiros  Nara  Cristina  Takeda  Taga  e  José  Ricardo  da  Silva,  que  davam  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  Esta Conselheira  expôs  suas  razões  para  rejeitar  as  preliminares  deduzidas  na  defesa  e,  para  concluir  pela  necessidade  de  diligência,  invocou  à  abordagem  consignada  no  voto  condutor  da Resolução  nº  1101­000.078,  na medida  em  que  a  discussão,  nestes  autos,  possui  os  mesmos  contornos  daquela  travada  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  15586.001637/2009­01,  e  a  recorrente  reportou­se,  por ocasião da petição  apresentada  a esta  Relatora em 06/12/2012, aos mesmos pareceres juntados aos autos do processo administrativo  Fl. 25006DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 16          15 nº  15586.001637/2009­01,  bem  como  indicou  a  elaboração  de  relatórios  por  KPMG  Tax  Advisors  Ltda  e  Ernst  &  Young  LLP,  com  vistas  à  comprovação  das  operações  de  hedge  contabilizadas nos anos­calendário 2006 e 2007, aqui questionadas.   No voto condutor daquela Resolução,  esta Conselheira expôs  suas  razões para  rejeitar  as  preliminares  deduzidas  na  defesa;  observou  que  o  art.  396  do  RIR/99  admite  a  dedução de perdas  em operações de  cobertura  (hedge),  desde que  realizadas diretamente  em  bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento  fiscal permitiu à  contribuinte provar que  assim  procedeu,  mas  as  discrepâncias  constatadas  nos  elementos  apresentados,  somados  a  outros  indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a  interposição de outras  empresas  do  grupo  ADM  para  realização  de  operações  junto  à  Bolsa  de  Chicago  não  as  desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge  mediante  demonstração  de  sua  contratação  com membro  credenciado  da Bolsa  de  Chicago;  evidenciou  que  os  elementos  apresentados  à  Fiscalização  não  asseguravam  que  os  recursos  remetidos  ao  exterior  destinaram­se  às  operações  de  hedge,  porque  consolidadas  diversas  operações,  a  demandar  seu  exame  individualizado,  além  de  sua  vinculação  à  contratação  de  cobertura  efetiva  em  bolsa  no  exterior  e  correspondente  pagamento;  e  discorreu  sobre  o  conteúdo  das  provas  juntadas  depois  do  recurso  voluntário,  destinadas  a  demonstrar  o  fluxo  operacional  e  financeiro  das  atividades  questionadas  pela  Fiscalização,  ressaltando  que  referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação.  Considerando  tais  circunstâncias,  esta  Conselheira  concluiu  que  as  provas  apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer  este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que  dossiês  diários  fossem  mantidos  para  demonstração  da  equivalência  entre  os  registros  contábeis  e as operações da  empresa  junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os  elementos  trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um  fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas  operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas  demonstrações  não  permitiu  que a  empresa  as apresentasse  à Fiscalização  e  convencesse  a  autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria  necessária  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  confirmação  do  conteúdo  dos  relatórios apresentados pela defesa.  Todavia,  a  demonstração  da  atuação  da  ADM  Trading  como  hedge  center  suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não  teriam  sido  contratadas  em  Bolsa,  em  razão  de  impedimentos  legais,  razão  pela  qual  o  julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora:  · Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de  hedge  seriam  necessárias  e  dedutíveis:  1)  analise  os  elementos  trazidos  pela  recorrente  como  evidências  de  que  os  registros  junto  ao  mencionado  Sistema  VAX  existiam  e  obedeciam  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  de  modo  a  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  físicas  com  commodities;  2)  informe  a  validade  dos  critérios  de  auditoria  adotados  pelas  empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pela  contribuinte,  ou  apure  esta  regularidade  por  outros  meios  que  entender  e  justificar  suficientes;  3)  aponte  divergências  que  deste  exame  resultem,  identificando  as  perdas  que  restarem  sem  comprovação,  e  quantificando  sua  repercussão no crédito tributário lançado;  Fl. 25007DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 17          16 · Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa  ensejam  perdas  dedutíveis,  promova  as  verificações  acima  requeridas,  mas  identifique  as  perdas  correspondentes  a  operações  de  hedge  efetivamente  contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes  terem sido compensadas com  posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo  ADM.  Esta  Conselheira  ainda  acrescentou  ao  voto  condutor  da  Resolução  nº  1101­ 000.078 que:  Além disso, importa observar que, para indeferir a compensação de prejuízos e bases  negativas  pleiteada  em  impugnação,  a  autoridade  julgadora  de  1a  instância  assim  anotou:  Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da  base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os  valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça­se que:  · consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos  Fiscais  –  fl.  3.064/3.066)  que  o  prejuízo  fiscal  no  valor  de  R$  5.515.198,35  existente em 2005 foi totalmente utilizado no ano­calendário de 2006 (em que  pese  somente  possuir  R$  5.515.198,35,  a  interessada  utilizou  R$  34.344.813,68).  Portanto,  não  há  prejuízo  a  ser  compensado  no  Auto  de  Infração de IRPJ relativo ao ano­calendário de 2006 nem valor a ser utilizado  no AI  relativo  ao  ano­calendário  de  2007  (o prejuízo  fiscal  do período  já  foi  considerado).  · consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da  CSLL  –  fl.  3.072)  que  o  saldo  de  base  de  cálculo  negativa  no  valor  de  R$  38.753.786,46 existente em 2005  foi utilizado em 2006  (R$ 34.180.769,68) e  em 2008  (em que pese  só possuir R$ 4.573.016,78,  a  interessada utilizou R$  240.100.335,79). Portanto, não remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a  ser  compensada  no Auto  de  Infração  de CSLL  relativo  ao  ano­calendário  de  2006 nem valor a ser utilizado no AI relativo ao ano­calendário de 2007 (a base  negativa do período já foi considerada).  A  recorrente  questiona  estas  conclusões,  e  defende  a  prevalência  dos  valores  constantes  na  Parte  B  do  LALUR  e  nas  DIPJ  dos  anos­calendário  2006  e  2007,  asseverando  que  não  houve  procedimento  por  parte  da  Autoridade  Fiscal  visando  à  retificação  de  tais  saldos.  Assim,  na  hipótese  de,  após  a  diligência,  subsistir  base  tributável  nos  períodos  fiscalizados,  necessário  será  saber  se  os  prejuízos  e  bases  negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às apurações  por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão de  procedimentos  fiscais passados. Além disso,  será necessário aferir  se  tais prejuízos e  bases  negativas  permanecem  disponíveis  à  época  da  conclusão  da  diligência  para  a  compensação requerida pela contribuinte.  Por  estas  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  autoridade  lançadora,  além  das  verificações  nos  moldes  daquelas determinadas no processo administrativo nº 15586.001637/2009­01, confirme  a  existência  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  acumulados  antes  dos  períodos  fiscalizados,  bem  como  a  sua  disponibilidade,  ao  final  da  diligência,  para  sua  utilização nestes autos.  Ao  final  dos  trabalhos  a  contribuinte  deverá  ser  cientificada  de  relatório  circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para  sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho.  Fl. 25008DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 18          17 A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias  de  cálculos  das  perdas  em  operações  de  hedge  promovidas  pela  recorrente,  bem  como  demonstração  das  operações  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago,  e  aquelas  compensadas  com  posições  opostas  de  outras  empresas  do  grupo  ADM  (fl.  19059/19060).  Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindo­se pedido de explicação  detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após  prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 19061/19093).   A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 19096/19223) e assim  consolidou  os  valores  das  perdas  resultantes  de  operações  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago  (item  2  da  intimação)  e  compensadas  com  posições  opostas  de  outras  empresas do grupo (item 3 da intimação):    A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 19224/19225)  e  em  resposta  a  contribuinte  apresentou  os  esclarecimentos  de  fls.  19228/19246.  Às  fls.  19247/24318  constam  os  documentos  apresentados  no  curso  da  diligência.  Novos  esclarecimentos  foram  exigidos  em  razão  de  divergências  constatadas  entre  os  elementos  apresentados  pela  contribuinte  (fls.  24319/24321),  sendo  prestadas  as  informações  de  fls.  24322/24327.  A  diligência  foi  concluída  com  a  lavratura  do  termo  de  fls.  24334/24347,  no  qual  a  autoridade  fiscal  apresenta  constatações  acerca  das  informações  apresentadas  pela  contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados  como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil  em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela  ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em  hedge  na BM&F Chicago  em  comparação  com  os  valores  totais  das  perdas  com Hedge  da  ADM do  Brasil,  e  ao  final  apresentando  as  seguintes  respostas  aos  quesitos  consignados  na  Resolução:  O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1)  analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto  ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a  conciliações  periódicas,  de  modo  a  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  com  commodities; 2 )  informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas  contratadas,  e  por  conseqüência  a  admissibilidade  de  seus  relatórios  para  demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure  esta  regularidade  por  outros meios  que  entender  e  justificar  suficientes;  e  3)  aponte  divergências  que  deste  exame  resultem,  identificando  as  perdas  que  restarem  sem  comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado;  • Em resposta à solicitação do CARF, informamos:  1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizava­se do sistema VAX  que  obedecia  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  realizando  Fl. 25009DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 19          18 compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de  suas operações físicas com commodities;  2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas,  e  por  conseqüência,  a  admissibilidade  de  seus  relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pelo  contribuinte,  esta  fiscalização  informa  que  é  inviável  e  temerário  emitir  um  parecer,  visto  que  só  seria  possível  formar  convicção diante de uma auditoria  independente  ,  isto é, não contratada e paga pelo  contribuinte.   3. Considerando as  informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as  divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas  respectivas repercussões no crédito tributário lançado:  RECALCULO  DAS  INFRAÇÕES  APURADAS  CONFORME  VALORES  INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE  Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em  hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo  sistema VAX.  Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões)  retirados  dos  processos  de  auto  de  infração  n°  15586.001637/2009­01  e  15586.001638/2010­81:    VALOR 2004  VALOR 2006  VALOR 2007  RESULTADOS  DE  HEDGE  INFORMADOS NA CONTABILIDADE ­ GLOSAS  DE  CUSTOS  E  DESPESAS  NOS AUTOS DE INFRAÇÃO  988.456.803,45  55.151.492,45  294.716.460,55  RESULTADOS DO HEDGE  APLICADOS EM BOLSA ­RELATÓRIOS  DO CONTRIBUINTE  307.889.579,00  35.700.691,00  160.554.919,00  TOTAL  DAS  GLOSAS  CONSIDERANDO  INFORMAÇÕES DO  CONTRIBUINTE  680.567.224,45  19.450.801,45  134.161.541,55  RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO  [...]  Cientificada, a contribuinte não se manifestou nestes autos, apesar de nos autos  do  processo  administrativo  conexo  nº  15586.001637/2009­01  ter  consignado  o  que  assim  relatado na Resolução nº 1101­001.152:  Cientificada,  a  contribuinte  manifestou­se  às  fls.  18031/18043,  reiterando  as  justificativas  antes  apresentadas,  observando  que  atendeu  prontamente  a  todas  as  solicitações  que  lhe  foram  dirigidas  durante  a  diligência,  participando  inclusive  de  diversas  reuniões  presenciais  e  por  conferência  telefônica  para  apresentar  explicações  sobre  os  documentos  e  sanar  dúvidas  do  agente  fiscal,  e  apresentando  milhares  de  páginas de documentos contendo todos os detalhes das operações de hedge contratadas  no exterior. Aduziu que a reintimação fiscal lavrada no curso da diligência decorreu de  falha  no  processamento  das  respostas  tempestivamente  apresentadas,  e  disse  que  os  trabalhos  realizados  pelo  agente  fiscal  em  nada  contradizem  o  que  vinha  sendo  sustentado pela Recorrente, atestando desde a colocação das Ordens no Sistema VAX,  suas conciliações periódicas e compensações com posições opostas do Grupo ADM, até  a efetiva transferência das Ordens para a Bolsa de Chicago.   Discordou  das  comparações  feitas  pela  Fiscalização  entre  os  ganhos/perdas  da  Recorrente  e  os  ganhos/perdas  da  ADM Company,  pois  não  existe  padrão  numérico  esperado para as comparações selecionadas, dado que suas atividades são influenciadas  por  inúmeras  variáveis  que  citou  e  demonstrou  por  meio  de  exemplos  práticos.  Na  seqüência,  reportando­se  às  respostas  aos  quesitos  da  diligência,  firmou  o  Fl. 25010DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 20          19 entendimento  de  que  as  conclusões  fiscais  confirmaram  o  que  vem  sendo  sustentado  pela  Recorrente  nos  presentes  autos,  de  modo  que  os  argumentos  de  defesa  não  são  abalados nem mesmo pelas suposições lançadas pela Fiscalização quanto ao fato de os  auditores  independentes  terem  sido  contratados  pela  Recorrente,  mormente  tendo  em  conta que todas as informações por eles utilizadas foram apresentadas à Fiscalização,  sem  que  qualquer  vício  tenha  sido  apontado,  seja  nas  premissas  adotadas,  nos  procedimentos realizados ou nas conclusões alcançadas. Abordou as normas que regem  as  atividades  de  auditoria  independente  para  reafirmar  desarrazoadas  as  suspeitas  lançadas pelo agente fiscal, e concluiu:  36.  Portanto,  diante  das  robustas  provas  apresentadas  pela  Recorrente  nos  presentes  autos, seja pelos laudos elaborados pelos auditores independentes, seja pelos inúmeros  documentos que os sustentam, jamais poderia o agente fiscal pretender desqualificá­los  sob a simples alegação de que os auditores foram contratados pela Recorrente. Restando  abalados  quaisquer  dos  elementos  que  sustentam  o  Auto  de  Infração  por  provas  carreadas aos autos pelo contribuinte, incumbe ao Fisco efetivamente comprovar as suas  alegações,  por meio  da  adequada  contestação  técnica,  até mesmo  porque  a  diligência  seria o momento adequado para tanto.  37.  Dessa  forma,  na  medida  em  que  (i)  as  Ordens  colocadas  pela  Recorrente  foram  reconhecidas  pela  própria  autoridade  fiscal  como  relativas  a  operações  de  hedge  que  atenderam aos parâmetros da Bolsa de Chicago já desde o Termo de Verificação fiscal e  que (ii), conforme atestado pelo Termo de Encerramento de Diligência, se demonstrou  que as operações foram realizadas em ambiente de bolsa por meio do Sistema VAX e  sempre  estiveram  sob  o  controle  do  órgão  regulador  norte­americano,  sendo  parte  consolidada  com  Ordens  contrárias  de  outras  empresas  do  Grupo  ADM  e  parte  contratada  junto  à Bolsa de Chicago, o  atendimento  da  regra do  artigo  396  do RIR é  patente.  38. Conforme  já exposto nos presentes autos,  sob a perspectiva do Fisco brasileiro,  o  que  importa  é  que  o  eventual  resultado  negativo  da  operação  de  hedge  seja  fruto  da  assunção  efetiva  do  risco  das  operações  de  bolsa  e  que  tal  resultado  negativo  esteja  sujeito  ao  controle do  órgão  regulador  estrangeiro,  de maneira que o Fisco Brasileiro  tenha  o  conforto  de  que  os  valores  reconhecidos  pela  empresa  brasileira  não  foram  artificialmente inflados por meio de negociações entre particulares no exterior. Isto é, a  exigência do art. 396 do RIR visa a evitar que prejuízos fictícios sejam deduzidos pelas  empresas brasileiras da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa exigência, no entanto,  não pode ser vista de maneira dissociada das  regras que delineiam a materialidade do  IRPJ e da CSLL, nem pode a autoridade fiscal extrapolar o conteúdo das normas que  regulam a incidência desses tributos.   Ainda,  reportando­se  ao  Parecer  do  Professor  Marco  Aurélio  Greco,  disse  que  o  conteúdo das Ordens realizadas pela Recorrente para compra ou venda da commodity é  incontroverso nestes autos, centrando­se a discordância no modo de execução dessas  Ordens, sujeita às regras estrangeiras. Discorreu sobre tais regras, citando o parecer  do  Professor  Ary  Oswaldo  Mattos  Filho,  e  finalizou  defendendo  que  as  Ordens  colocadas junto à ADM Trading, repassadas à ADM Financeira e então colocadas junto  à  Bolsa  de Chicago  certamente  atendem  a  todos  conceitos  que  extraiu  da  legislação  brasileira, razão pela qual entendeu improcedente a exigência.   No  voto  condutor  da  Resolução  nº  1101­000.153  observou­se  que  o  segundo  ponto da diligência anterior não havia sido atendido, conforme assim exposto:   Antes de adentrar ao reexame das preliminares e à apreciação do mérito, observa­se  que, caso se conclua pela indedutibilidade, ainda que em parte, das perdas resultantes  de operações de hedge, não será possível  finalizar a apreciação das demais matérias  autuadas.   Fl. 25011DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 21          20 Isto  porque,  na  realização  da  diligência  requerida  por  este  Colegiado,  a  autoridade  fiscal entendeu  inviável e  temerário confirmar a validade dos critérios das auditorias  contratadas, mas  intimou a  contribuinte a demonstrar os  valores mensais das perdas  correspondentes  às  operações  de  hedge  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago  e  compensadas  com  as  posições  opostas  de  outras  empresas  do  grupo  ADM,  e  a  contribuinte assim detalhou esta apuração:  Para  segregar  as  perdas  relativas  às  operações  de  hedge  que  foram  consolidadas  pela  ADM  Trading  das  perdas  relativas  àquelas  que  foram  executadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal,  a ADM do Brasil  partiu do banco de dados que consolida todos os Relatórios R38381­01 e que engloba  todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas  as transações da ADM Trading executadas junto à Bolsa de Chicago (“Extrato 5032”).  Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima, a  parti desse confronto conclui­se que as perdas decorrentes de transações de um mesmo  produto,  mês  de  Entrega  e  preço  em  determinado  dia,  constantes  de  ambos  os  documentos (Relatório R38381­01 e Extrato 5032) foram negociadas junto à Bolsa de  Chicago.  A partir das perdas totais nas operações de compra e venda da ADM Brasil, identificou­ se  o  volume  de  contratos  e  o  valor  das  compras  e  das  vendas  pelos  preços  destes  contratos para  identificação das perdas das operações da ADM do Brasil  na Bolsa de  Chicago.  A partir destes critérios, a contribuinte informou que, em 2006, as perdas de hedge da  ADM do Brasil representaram R$ 97.980.871,00, sendo que as perdas das operações de  hedge realizadas em bolsa totalizaram R$ 35.700.691,00, e as perdas das operações de  hedge compensadas o montante de R$ 62.280.180,00. Já em 2007, as perdas de hedge  da  ADM  do  Brasil  representaram  R$  346.885.003,00,  sendo  que  as  perdas  das  operações de hedge realizadas em bolsa totalizaram R$ 160.554.919,00, e as perdas das  operações de hedge compensadas o montante de R$ 186.330.084,00.  A autoridade fiscal encarregada da diligência admitiu que, em tese, a empresa ADM  Trading  utilizava­se  do  sistema VAX  que  obedecia  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  realizando  compensações  com  posições  opostas,  de  modo  a  calcular  e  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  físicas  com  commodities,  mas  afirmou  impossível  auditá­lo,  visto  que  os  valores  aplicados  em  hedge  na  BM&F  Chicago  são  realizados  pelo  Grupo  ADM,  não  sendo  separados  por  empresas.  Consignou, ainda, que a contribuinte não apresentou os valores e documentos relativos  às transferências financeiras para a BM&F Chicago referentes a aplicações em hedge, o  que impossibilitou a elaboração de comparativos em relação ao valor  informado pelo  contribuinte  como  aplicado  na BM&F Chicago  pela ADM do Brasil.  De  outro  lado,  elaborou  tais  comparativos  confrontando  ganhos/perdas  com  soja  e  seus  derivados  registrados  por ADM do Brasil  e ADM Company, apurando que  os  resultados  desta  corresponderiam a 65% dos resultados daquela. Comparou também as perdas totais da  recorrente com as perdas resultantes de hedge junto à Bolsa de Chicago, observando  que estas representam 25,8% daquelas. E reportou­se à divergência já constatada, por  esta  Conselheira,  nos  relatórios  das  auditorias,  que  poderia  ser  justificada  pela  consolidação  que  não  reporta  à  ADM  Investor  Services  as  operações  contrárias  praticadas pelo Grupo (fl. 7357).  A  abordagem  assim  desenvolvida  no  Termo  de  Encerramento  de  Diligência  não  expressa  qualquer  objeção  à  dedutibilidade  das  parcelas  de  R$  35.700.691,00  e  R$  160.554.919,00,  indicadas  pela  contribuinte  como  correspondente  a  perdas  em  operações  de  hedge  junto  à  Bolsa  de  Chicago  nos  anos  calendário  2006  e  2007,  respectivamente. Ao contrário, a autoridade  fiscal encerra a exigência recompondo a  apuração  do  lucro  tributável  excluindo  aquela  parcela  das  glosas  aqui  promovidas.  Assim,  é  razoável  concluir  que  as  discrepâncias  acima  mencionadas  apenas  se  Fl. 25012DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 22          21 prestaram  a  reforçar  que  parte  das  perdas  contabilizadas  pela  contribuinte,  de  fato,  não  foram  contratadas  junto  a  bolsa  no  exterior,  assim  como  que  os  registros  da  contribuinte seriam confiáveis para se admitir a dedução das parcelas antes indicadas,  ainda  que  sem  a  apresentação  dos  documentos  de  transferências  financeiras  para  a  Bolsa de Chicago, visto que a ausência destes somente teria impedido a Fiscalização de  elaborar comparativos semelhantes aos anteriormente citados.   Mas,  retomando  o  voto  condutor  da  Resolução  que  determinou  a  conversão  do  julgamento  em diligência, vê­se que a autoridade  fiscal dela  encarregada nada disse  acerca  dos  questionamentos  específicos  ali  formulados  quanto  à  compensação  de  prejuízos fiscais e bases negativas, a seguir reproduzidos:  Além disso,  importa observar que,  para  indeferir  a  compensação  de prejuízos  e bases  negativas  pleiteada  em  impugnação,  a  autoridade  julgadora  de  1a  instância  assim  anotou:  Quanto à alegação de que teria havido erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da  base de cálculo negativa de CSLL utilizados, ou seja, não teriam sido compensados os  valores a que teria direito (30% da base tributável), esclareça­se que:  consta no Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais –  fl. 3.064/3.066) que o prejuízo fiscal no valor de R$ 5.515.198,35 existente em 2005 foi  totalmente  utilizado  no  ano­calendário  de  2006  (em  que  pese  somente  possuir  R$  5.515.198,35, a interessada utilizou R$ 34.344.813,68). Portanto, não há prejuízo a ser  compensado no Auto de Infração de IRPJ relativo ao ano­calendário de 2006 nem valor  a ser utilizado no AI relativo ao ano­calendário de 2007 (o prejuízo fiscal do período já  foi considerado).  consta no Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL –  fl.  3.072)  que  o  saldo  de  base  de  cálculo  negativa  no  valor  de  R$  38.753.786,46  existente em 2005 foi utilizado em 2006 (R$ 34.180.769,68) e em 2008 (em que pese só  possuir  R$  4.573.016,78,  a  interessada  utilizou  R$  240.100.335,79).  Portanto,  não  remanesceu base de cálculo negativa de CSLL a ser compensada no Auto de Infração de  CSLL  relativo  ao  ano­calendário de 2006 nem valor  a  ser utilizado no AI  relativo  ao  ano­calendário de 2007 (a base negativa do período já foi considerada).  A recorrente questiona estas conclusões, e defenda a prevalência dos valores constantes  na Parte B do LALUR e nas DIPJ dos anos­calendário 2006 e 2007, asseverando que  não  houve  procedimento  por  parte  da Autoridade  Fiscal  visando  à  retificação  de  tais  saldos. Assim, na hipótese de, após a diligência, subsistir base  tributável nos períodos  fiscalizados,  necessário  será  saber  se  os  prejuízos  e  bases  negativas  disponíveis  no  LALUR  da  contribuinte  correspondem,  de  fato,  às  apurações  por  ela  declaradas  em  períodos anteriores,  e  se estas não  foram alteradas  em razão de procedimentos  fiscais  passados.  Além  disso,  será  necessário  aferir  se  tais  prejuízos  e  bases  negativas  permanecem  disponíveis  à  época  da  conclusão  da  diligência  para  a  compensação  requerida pela contribuinte.  Por  estas  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência, para que a autoridade lançadora, além das verificações nos moldes daquelas  determinadas  no  processo  administrativo  nº  15586.001637/2009­01,  confirme  a  existência  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  acumulados  antes  dos  períodos  fiscalizados, bem como a sua disponibilidade, ao final da diligência, para sua utilização  nestes autos.  Assim,  os  autos  devem  retornar  à  origem  para  que  a  autoridade  fiscal  se  manifeste  acerca destes aspectos e, ao final dos trabalhos, cientifique a contribuinte de relatório  circunstanciado da diligência fiscal, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para  sua manifestação, antes da devolução dos autos a este Conselho.  Manifestando­se  às  fls.  24375/24382,  a  autoridade  fiscal  encarregada  da  diligência  relatou  os  esclarecimentos  prestados  acerca  da  segregação  das  perdas,  reiterou  as  discrepâncias verificadas nas  análises  comparativas  e destacou as divergências originalmente  Fl. 25013DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 23          22 apontadas  na  Resolução  nº  1101­000.077,  bem  como  a  falta  de  apresentação  dos  valores  e  documentos  relativos  às  transferências  financeiras  para  a  BM&F  Chicago,  referentes  a  aplicações em hedge, e concluiu que:  As auditorias realizadas pelas empresas contratadas (Ernest Young e KPMG) ficam no  mínimo comprometidas na sua essência, pois seu cliente era o próprio contribuinte.  Considerando  a  impossibilidade  de  auditoria  no  Sistema  VAX,  que  realiza  as  compensações de ganhos e perdas de hedge das diversas empresas do grupo ADM, por  auditoria  independente ou pela própria Secretaria da Receita Federal, e visto que os  valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não  sendo separados por empresas, entendemos não ser possível dar um parecer conclusivo  sobre os valores informados pelo contribuinte.   Diante  do  exposto,  no  entendimento  desta  fiscalização,  não  restam  devidamente  comprovados  documentalmente  os  valores  informados  pelo  contribuinte  como  aplicações de hedge realizados pela ADM do Brasil na BM&F Chicago.  Reproduzindo  as  respostas  aos  quesitos  formulados  na  primeira  diligência,  a  autoridade fiscal esclareceu que, em seu entendimento, não restam comprovadas as aplicações  em  hedge  informados  pelo  contribuinte,  mas  apresentou  os  cálculos  da  Recomposição  das  Demonstrações  de  Resultado  levando­se  em  consideração  as  informações  prestadas  pelo  contribuinte, porém não aceitas por esta  fiscalização, com o objetivo único de proporcionar  novo cálculo para um eventual julgamento do CARF a favor do contribuinte.  Ao final, apresentou os seguintes quadros de recomposição do lucro tributável:        Fl. 25014DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 24          23    Cientificada  em  19/06/2015,  a  contribuinte  apresentou  petição  observando  que  não  fora  cientificada  da  Resolução  nº  1101­000.153,  e  posteriormente,  em  21/07/2015,  manifestou sua inconformidade com o resultado da diligência, observando inicialmente que o  objeto da Resolução nº 1101­000.153 foi apenas exigir resposta aos quesitos acerca dos quais a  autoridade  fiscal  silenciara  na  diligência  anterior,  sendo  certo  que  a  contribuinte  sequer  foi  intimada acerca destes quesitos específicos, a evidenciar a superficialidade dos trabalhos.  Prosseguindo, a contribuinte afirma que os trabalhos realizados reforçam de forma  cabal a regularidade dos procedimentos por ela adotados, e, depois do resumo dos fatos sob  análise, das conclusões da primeira diligência, e de sua manifestação acerca daquele resultado,  abordou o resultado da segunda diligência, inicialmente destacando que o escopo da diligência  estampado na Resolução nº 1101­000.152 não refletiria as discussões do Colegiado pois parte  dos  Conselheiros  entendera  pelo  prosseguimento  do  julgamento  diante  do  flagrante  esvaziamento da diligência em razão da superficialidade dos trabalhos fiscais. Na sequência,  destaca  que  a  autoridade  fiscal  encarregada  da  diligência  deixou  de  proceder  às  análises  relativas a juros e variação cambial para os anos de 2006 e 2007, diferentemente do que fez  em relação ao ano de 2004,  apresentando quadro no qual  evidencia que despesas  acessórias  também foram integradas aos  resultados glosados. Aponta,  também, que na recomposição do  ano­calendário  2006,  a  autoridade  fiscal  encarregada  da  diligência  suprimiu  os  prejuízos  compensados  admitidos  no  cálculo  original.  Finaliza  asseverando  que  os  esclarecimentos  almejados pelo Colegiado original não foram atendidos de forma satisfatória, destacando seu  empenho em esclarecer os fatos e requerendo a determinação de perícia no caso presente com  o  objetivo  de  que  os  esclarecimentos  inicialmente  almejados  por  este  colegiado  com  a  realização da diligência sejam efetivamente apresentados por profissional com independência  e a qualificação necessárias. Invocando o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72 e o princípio da  verdade material, indica perito e formula quesitos para o desenvolvimento de tais trabalhos.   Os autos retornaram a este Conselho em 23/07/2015, mas frente à alegação da  contribuinte de que não fora cientificada da Resolução nº 1101­000.153, bem como diante da  constatação de que não haviam sido respondidos os quesitos indicados na referida Resolução,  distintos daqueles consignados na Resolução nº 1101­000.152, promoveu­se  sua devolução à  origem para tais providências (fl. 24524).  Fl. 25015DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 25          24 Em 06/10/2015 a contribuinte foi cientificada da Resolução nº 1101­000.153 e,  na  sequência,  apresentou  petição  ratificando  a  manifestação  antes  apresentada,  além  de  observar que o Agente Fiscal ainda não atendeu as solicitações específicas ao presente caso  constantes da Resolução em referência, cujas determinações foram reiteradas pelo Despacho  de  fl.  24.524  (fl.  24543/24615).  Novo  despacho  foi  lavrado  para  retorno  dos  autos  à  DRF/Vitória para atendimento às solicitações específicas consignadas na Resolução nº 1101­ 000.153, distintas daquelas já adotadas em razão da Resolução nº 1101­000.152 (fl. 24621).  A  autoridade  fiscal  encarregada  da  diligência  juntou  aos  autos  extratos  do  Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário ­ SAPLI (fls. 24625/24626),  da  DIPJ  2005/2004  (fls.  24627/24833)  e  demonstrações  financeiras  da  contribuinte  (fls.  24834/24836).  Na  sequência,  com  referência  aos  questionamentos  deduzidos  acerca  do  descompasso  alegado  pela  contribuinte  entre  os  prejuízos  e  bases  negativas  acumulados  no  SAPLI e no LALUR, expressou as seguintes análises:  Verificou­se, em consulta ao sistema SAPLI/RFB que o saldo de Prejuízos Fiscais no  final  do  ano­calendário  2003  era  de  R$  106.822.505,15  e  o  Saldo  Negativo  de  Contribuição Social de R$ 139.409.027,90.  Em  contrapartida,  no Balanço Patrimonial  e  no Balancete Contábil  de  dezembro  de  2003,  consta  prejuízos  acumulados  de  R$  55.752.250,00.  Este  valor  que  deverá  ser  utilizado para compensação de prejuízo de 2004.  Verificou  no  LALUR do  ano­calendário  2005  que  houve  Lucro Real  no Valor  de R$  119.813.335,82,  portanto  não  há  prejuízos  a  ser  compensado  no  ano­calendário  de  2006.  Na  diligência  encerrada  em  10/06/2015  (fls.  24.375/24.382),  foi  apurado  pela  fiscalização os Demonstrativos dos Resultados de Exercício dos anos de 2004 (auto de  infração ­ processo 15586.001637/2009­01), 2006 e 2007 (auto de infração ­ processo  15586.001638/2010­81),  dos  quais  apresentamos  os  valores  apurados  pela  fiscalização,  inclusive  com  o  aproveitamento  dos  prejuízos  fiscais  e  base  de  cálculo  negativa da contribuição social.  Verifica­se que todo saldo de prejuízos fiscais e saldo negativo de contribuição social  foi totalmente absorvido durante o ano­calendário 2004, não havendo que se falar em  compensação de prejuízos e saldo negativo nos anos­calendário de 2006 e 2007.  Abaixo  apresentamos  a  tabela  recompondo  o  Lucro  Real  após  a  compensação  dos  prejuízos e saldos negativos:  [...]  Cientificada do Termo de Encerramento da Diligência Fiscal em 21/03/2015 (fl.  24848),  a  contribuinte  manifestou­se  às  fls.  24853/24869,  afirmando  arbitrária  a  conclusão  fiscal de limitar os prejuízos compensados ao saldo acumulado em seu balanço patrimonial e  classificando de superficial o trabalho fiscal ao desconsiderar as conclusões apresentadas pela  própria Fiscalização na 1ª diligência realizada.  Defende  ser mandatório  que  a  autoridade  fiscal  observasse  a  apuração  feita  anteriormente, na qual as glosas haviam sido reduzidas; reitera que as análises relativas a juros  e  variação  cambial  não  foram  procedidas  para  os  períodos  de  2006  e  2007;  e  afirma  ser  de  conhecimento basilar que os valores de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL,  para fins de compensação das bases tributáveis de IRPJ e CSLL, encontram­se registrados na  parte B do LALUR/LACS, não havendo como se admitir a utilização de um valor indicado no  Balanço Patrimonial e/ou no Balancete.   Fl. 25016DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 26          25 Na  sequência,  a  contribuinte  apresenta  a  evolução  de  seus  prejuízos  e  bases  negativas desde o ano­calendário 1999, apontando dispor dos saldos de R$ 238.334.436,88 e  R$  240.100.335,79,  a  título,  respectivamente,  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  a  compensar em 2007. Discorda da limitação das compensações ao que informado no SAPLI e  defende  a  necessidade  de  nova  diligência  para  que  sejam  esclarecidas  as  divergências,  observando  que  o  SAPLI  pode  estar  afetado  por  processos  administrativos  que  ainda  não  transitaram em julgado (relacionados em nota à fl. 24864).   Finaliza pleiteando o cancelamento do lançamento por vício material, sobretudo  diante das inúmeras tentativas da D. Fiscalização de aperfeiçoar o lançamento, nulo desde o  princípio, pelos vícios expostos no processo, mais uma vez enfatizados. Destaca a  iliquidez e  incerteza  do  lançamento, mormente  frente  ao  recálculo  dos  valores  devidos  promovidos  em  diligência,  e  cita  jurisprudência  em  favor  do  cancelamento  das  exigências  em  tais  circunstâncias. Acrescenta, ainda, que não se presta a diligência para, indiretamente, reabrir a  ação  fiscal,  aperfeiçoar  o  lançamento  já  efetuado  de  forma  equivocada,  ou  mesmo  para  efetuar  novo  lançamento,  tal  como  está  sendo  realizado  no  caso  concreto,  reproduzindo  excerto  de  julgado  deste  Conselho  e  invocando  o  art.  146  do  CTN.  Entende  que  há  desigualdade  no  tratamento  atribuído  ao  Fisco,  ao  qual  foram  conferidas  inúmeras  oportunidades  para  reanalisar  o  feito,  e  à  Requerente,  cujas  alegações,  em  caso  de  dúvida,  direcionariam ao desprovimento do Recurso voluntário em análise.                Fl. 25017DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 27          26 VOTO  Conselheira EDELI PEREIRA BESSA   Nos  termos  do  art.  63,  §5º  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF  aprovado  pela  Portaria MF  nº  343/2005,  submete­se  novamente  ao  Colegiado  o  exame  das  questões preliminares apreciadas por ocasião da conversão do julgamento em diligência.  A  recorrente  aborda  a  manifestação  da  autoridade  julgadora  de  1ª  instância  acerca de seu protesto pela juntada de novos documentos que possam comprovar as alegações  formuladas  em  sua  defesa,  mas  não  aponta  sua  nulidade,  apenas  alertando  que  a  eventual  desconsideração de provas juntadas depois da impugnação poderia caracterizar cerceamento do  direito de defesa e eventual nulidade da decisão a ser proferida por este Conselho.   A recorrente argúi a nulidade do  lançamento porquê:  (a) na apuração da base  tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de  antecipação nos anos­calendário de 2006 e 2007, em conformidade com Solução de Consulta  Interna n° 23/06; (b) o I. Agente Fiscal não efetuou a recomposição das apurações do Lucro  Real e da Base de Cálculo da CSLL; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D.  Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos.  A  nulidade  dos  atos  administrativos  de  lançamento  é  regida  pelo  Decreto  nº  70.235/72 que, em seu art. 59, inciso I, prevê a hipótese de lavratura por pessoa incompetente,  e  em seu  art.  10  traça os  requisitos essenciais para  a  formalização do  auto de  infração. Tais  dispositivos  legais alinham­se ao art. 142 do CTN que  também estabelece a  formalização do  lançamento por autoridade administrativa competente e exige, para sua validade, a verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  a  determinação  da  matéria  tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo.  Diante deste contexto, inexiste nulidade quando a autoridade lançadora deixa de  deduzir, da base tributável, prejuízos e bases negativas acumulados em períodos anteriores, na  medida  em  que  esta  compensação  é  uma  faculdade  do  sujeito  passivo,  nos  termos  do  que  dispõe a Lei nº 9.065/95:  Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano­calendário de 1995,  poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de  dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na  legislação do imposto de renda, observado o  limite máximo, para a compensação, de  trinta por cento do referido lucro líquido ajustado.  Parágrafo  único. O disposto  neste  artigo somente  se  aplica  às  pessoas  jurídicas  que  mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do  montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação.   Art.  16.  A  base  de  cálculo  da  contribuição  social  sobre  o  lucro,  quando  negativa,  apurada a partir do encerramento do ano­calendário de 1995, poderá ser compensada,  cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994,  com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas  na  legislação  da  referida  contribuição  social,  determinado  em  anos­calendário  subseqüentes, observado o  limite máximo de redução de  trinta por cento, previsto no  art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995.  Fl. 25018DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 28          27  Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas  jurídicas que  mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da  base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (negrejou­se)  Inadmissível  impor  ao  Fisco  a  averiguação  de  prejuízos  e  bases  negativas  acumulados em períodos anteriores com vistas a promover, de ofício, a redução do lucro real  ou da base de cálculo da CSLL apurados em razão das infrações constatadas, vinculando tais  parcelas a uma exigência ainda passível de discussão no âmbito administrativo e impedindo o  sujeito  passivo  de  dispor  destes  valores  para  redução  das  bases  tributáveis  que  reconhece  devidas. Da mesma  forma, não é possível  assim proceder,  consumindo saldos de prejuízos  e  bases negativas em lançamento e caracterizando, como nova infração, a utilização futura destes  saldos,  em  momento  no  qual  o  sujeito  passivo  desconhecia  os  questionamentos  que  a  Administração Tributária poderia produzir em relação a sua apuração original.   É  certo,  como  diz  o  Professor  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi  no  parecer  fornecido à autuada, que a regra de compensação dos prejuízos fiscais  integra o conjunto de  regras  denominado  “regra  de  apuração”.  Todavia,  nos  termos  em  que  estabelecida  na  lei  antes  transcrita,  esta  compensação  é  um  direito  conferido  ao  sujeito  passivo,  que  assim  necessariamente integra a apuração por ele promovida, em observância ao art. 150 do CTN. A  revisão deste procedimento pelo Fisco não impõe à autoridade lançadora o dever de integrar a  vontade  do  sujeito  passivo  e  promover  compensação  superior  àquela  por  ele  definida,  eventualmente desconstituindo a  livre decisão deste  interessado de  fazer uso daqueles  saldos  em outro período de apuração.  Como direito do sujeito passivo, esta compensação pode ser  invocada em seus  recursos administrativos, e desde que provada a disponibilidade, naquele momento, de saldos  de  prejuízos  fiscais  e bases  negativas  passíveis  de  utilização. Desta  forma,  tal  argumentação  passa  a  ter  contornos  de  mérito,  e  não  se  mostra  suficiente  para  ensejar  a  declaração  de  nulidade do lançamento.  Também  não  há  falar  em  nulidade  quando  a  autoridade  lançadora  deixa  de  considerar,  na  determinação  do  tributo  a  ser  exigido,  recolhimentos  ou  antecipações  promovidos  pelo  sujeito  passivo.  Embora  seja  discutível  a  natureza  da  dedução  das  antecipações invocadas pela contribuinte, assim como o procedimento a ser adotado em face do  sujeito passivo que já se valeu de eventual saldo negativo daí resultante para compensação de  outros  débitos,  não  é  possível  afirmar,  como  pretende  a  recorrente,  que  a  desconsideração  destes aspectos represente a ausência de elemento essencial ao lançamento tributário.  A  verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  a  determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação  do  sujeito  passivo,  nos  termos  do  art.  142  do  CTN,  estão  presentes  quando  a  autoridade  lançadora identifica a  infração e recompõe a base tributável, determinando o tributo devido e  promovendo  o  lançamento  da  parcela  superior  àquela  inicialmente  calculada  pelo  sujeito  passivo.  As  deduções  de  recolhimentos  e  antecipações,  a  partir  deste  ponto,  representam  a  extinção do crédito tributário, e a existência de parcela que surte tal efeito em relação ao valor  exigido  reveste  a  natureza  de  fato  extintivo  do  direito  do  Fisco,  que  deve  ser  alegado  pelo  sujeito  passivo  em  seus  recursos  administrativos,  desencadeando  a  discussão  acerca  de  sua  admissibilidade para redução do valor lançado.  Ressalte­se que, no presente caso, a autoridade  lançadora observou a opção da  contribuinte pela apuração anual do lucro real, e por conseqüência da base de cálculo da CSLL,  Fl. 25019DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 29          28 reconstituindo  esta  apuração  para  determinar  o  efeito  da  infração  constatada,  consoante  determina o  art.  24 da Lei nº 9.249/95. Logo, não há  erro de direito na  apuração do crédito  tributário,  podendo  existir,  apenas,  erro  de  fato,  se  provada  a  existência  de  antecipações  ou  recolhimento que deveriam ter reduzido os tributos devidos para fins de exigência.   Quanto  à  alegada  burla  ao  prazo  decadencial  para  confirmação  de  elementos  determinantes do  crédito  tributário,  ou  alteração  do critério  jurídico do  lançamento mediante  admissibilidade  daquelas  deduções,  tratam­se,  também,  de  aspectos  materiais  a  serem  considerados  no momento  da  apreciação  da  prova  destas  antecipações  e  recolhimentos  pelo  sujeito  passivo,  e  não  em  âmbito  preliminar de validade do  lançamento. De  fato,  estando  as  antecipações e recolhimentos declarados, caberá ao julgador decidir se esta prova é suficiente  ou se outros questionamentos podem ser feitos acerca dos fatos extintivos do crédito tributário  alegados  pelo  autuado.  Aliás,  é  oportuno  registrar  que  está  em  pauta  nesta  sessão  de  julgamento, para apreciação do Colegiado, o litígio instaurado em razão da não homologação  das  compensações  vinculadas  ao  saldo  negativo  de  CSLL  apurado  no  ano­calendário  2007,  objeto  do  processo  administrativo  nº  10783.720011/2013­26,  no  qual  o  crédito  não  foi  reconhecido pela autoridade fiscal em razão da revisão da base de cálculo da CSLL promovida  por meio deste lançamento, decisão esta parcialmente revertida pela autoridade julgadora de 1ª  instância em razão da não utilização das antecipações de CSLL na determinação dos valores  aqui lançados.  Acrescente­se, ainda, que, uma vez instaurada a  fase litigiosa do procedimento  fiscal,  cabe  à  autoridade  julgadora  analisar  a  procedência  ou  não  do  lançamento  fiscal,  mediante apreciação das alegações de defesa apresentadas pelos interessados, inclusive quanto  à exatidão dos cálculos da exigência fiscal, cujo exame constitui matéria de mérito. A mudança  do  critério  jurídico,  nos  termos  do  art.  146  do CTN,  somente ocorreria  quando  a  autoridade  julgadora,  ao  analisar  um  lançamento  completo  e  acabado,  refaz  sua  materialidade  e  sua  fundamentação. Eventual correção dos cálculos da exigência não acarreta qualquer alteração do  critério  jurídico,  se  mantida  a  motivação  da  glosa  originalmente  promovida  e  a  forma  de  apuração  (lucro  real  anual)  adotada  pela  autoridade  lançadora.  Não  fosse  assim,  e  os  julgamentos  administrativos  sempre  resultariam  em  procedência  ou  improcedência  do  lançamento, e nunca em procedência parcial.  Por  tais  razões,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  REJEITAR  as  argüições  de  nulidade do lançamento.  Adentrando ao mérito, vê­se que a discussão, nestes autos, possui, em sua maior  parte,  os  mesmos  contornos  daquela  travada  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  15586.001637/2009­01. Ali, tendo em conta a interpretação atribuída ao art. 396 do RIR/99; os  esclarecimentos trazidos, apenas em defesa, acerca da atuação da ADM Trading na contratação  das  operações  de  hedge  que  ensejaram  as  perdas  glosadas;  e  os  elementos  reunidos  em  auditorias contratadas pela recorrente, acerca de seu fluxo operacional e financeiro direcionado  à contratação e  liquidação daquelas operações, concluiu­se pela necessidade de conversão do  julgamento  em  diligência,  cujos  resultados  não  foram  satisfatórios  e  ensejaram  novas  diligências pelos motivos assim consolidados na Resolução nº 1302­000.416:  Adentrando ao mérito,  vê­se que a discussão, nestes autos, prende­se à qualidade da  prova que deve ser produzida pelo sujeito passivo para fins de dedução de perdas na  forma do caput do art. 396 do RIR/99:  Art.  396.  Serão  computados  na  determinação  do  lucro  real  os  resultados  líquidos,  positivos  ou  negativos,  obtidos  em  operações  de  cobertura  (hedge)  realizadas  em  Fl. 25020DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 30          29 mercados  de  liquidação  futura,  diretamente  pela  empresa  brasileira,  em  bolsas  no  exterior (Lei nº 9.430, de 1996, art. 17).   §  1º  O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  também,  às  operações  de  cobertura  de  riscos  realizadas  em  outros  mercados  de  futuros,  no  exterior,  além  de  bolsas,  desde  que  admitidas  pelo  Conselho  Monetário  Nacional  e  que  sejam  observadas  as  normas  e  condições por ele estabelecidas (Lei nº 8.383, de 1991, art. 63).   § 2º No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de  apuração  do  lucro  real,  os  lucros  obtidos  serão  computados  e  os  prejuízos  não  serão  dedutíveis.   A  partir  do  exame  dos  documentos  e  dos  esclarecimentos  apresentados  pela  contribuinte  em  razão  do  termo  inicial  de  fiscalização,  a  autoridade  lançadora  reconheceu que os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos  contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte, mas ressalvou que  os referidos documentos não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao  exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, ou seja, não  demonstram a transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a  Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago.   Em  conseqüência,  por  meio  das  intimações  lavradas  de  05/07/2009  a  25/08/2009,  a  Fiscalização buscou prova de que a contribuinte havia, de fato, realizado operações de  hedge junto à Bolsa de Chicago, mediante demonstração do fluxo financeiro necessário  para tanto em favor daquela entidade. Questionou, dentre outros aspectos, a existência  de contrato de adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia, ante a  alegação de que ADM Company, sediada nos EUA, promovera tais pagamentos.   Ao  final, os esclarecimentos prestados pela contribuinte não  foram suficientes para o  convencimento  do  fiscal  autuante  que,  em  razão:  1)  da  possibilidade  aventada  pelo  Banco Central do Brasil de que as operações da autuada poderiam configurar, em tese,  indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613/98; 2) do volume de remessas  em favor de outras empresas do grupo (ADM Company e ADM Investor Services), 3)  da inexistência de contratos entre as empresas, e 4) do registro das operações apenas  em  conta  corrente  contábil,  concluiu  que  não  havia  prova  da  efetiva  aplicação  dos  recursos  transferidos  ao  exterior  pela ADM do Brasil  na  operação  de Hedge  alegada  pelo contribuinte,  isto é, nenhum deles apresenta a  transferência de recursos da ADM  Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros  de Chicago.  A  contribuinte  apresentara  relatório  dos  pagamentos  efetuados  pela  ADM  Investor  Services para a Bolsa de Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência de  recursos, mas o fiscal autuante não conseguiu determinar a que empresas se refeririam  estas transferências. Ainda, a partir do volume de operações da ADM Investor Services  e  dos  depósitos  de margens  que  teriam  sido  feitos  pela ADM Company  e  pela ADM  Brasil,  a  autoridade  lançadora  também  vislumbrou  indícios  de  que  boa  parte  dos  valores  remetidos  ao  exterior  pela  ADM  Brasil  não  teriam  sido  aplicados  para  cobertura de margens de garantia de hedge.  Diante deste contexto, releva inicialmente refutar a afirmação da recorrente de que a  Fiscalização pautou suas requisições em providências impossíveis, de modo a justificar  o  lançamento  na  inexistência  de  comprovantes  de  pagamento,  em  nome  da ADM do  Brasil, para a Bolsa de Chicago. A Fiscalização permitiu à contribuinte demonstrar o  fluxo financeiro de recursos em favor da Bolsa de Chicago, de modo a evidenciar que,  mesmo  com  a  atuação  de  intermediários,  havia  pagamentos  à  Bolsa  de  Chicago  correspondentes  às  perdas  contabilizadas.  Todavia,  os  elementos  apresentados  revelaram discrepâncias  significativas,  que  somadas a  outros  indícios,  justificaram a  glosa promovida. Logo, a prova necessária para desconstituição da exigência consiste  na  demonstração  segura  de  que  as  perdas  contabilizadas  decorrem  de  operações  de  Fl. 25021DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 31          30 hedge  junto à Bolsa de Chicago, o que se faz, na ausência de documento emitido por  parte daquela entidade, mediante a demonstração do  fluxo  financeiro correspondente  em seu favor.  Feita esta ressalva, passa­se à apreciação dos demais argumentos da recorrente.  Nos  termos do art. 396 do RIR/99, o  lucro real somente pode ser afetado por perdas  decorrentes de operações de  cobertura  (hedge)  realizadas  em mercados de  liquidação  futura  se  a  empresa  brasileira  promover  estas  operações  diretamente  em  bolsas  no  exterior.  A  recorrente  se  empenha  em  demonstrar  que  as  operações  de hedge  foram  realizadas  na  Bolsa  de  Mercadorias  e  Futuros  de  Chicago,  mediante  um  complexo  fluxo de operações que envolvia também outra empresa do grupo (ADM Trading), em  razão das restrições da legislação estrangeira aplicável à ADM Investor Services e às  que com ela operam, ao final liquidando financeiramente as operações de hedge com a  intervenção da holding do grupo, ADM Company.  Primeiramente  cumpre  definir  se  o  art.  396  do  RIR/99,  ao  exigir  que  a  empresa  brasileira realize as operações de hedge diretamente em bolsas no exterior, pretende  firmar  a  indedutibilidade  das  perdas  em  operações  nas  quais  atuam  intermediários,  como os aqui  apontados pela contribuinte: ADM Trading, ADM Investor Services ou  Financeira  e  ADM  Company.  Em  caso  positivo,  a  glosa  das  perdas  deveria  ser  mantida, pois a própria autuada reconhece que não realizou, e nem poderia realizar,  tais operações diretamente na Bolsa de Chicago.  Todavia, esta não parece ser a melhor interpretação da norma. Ao exigir a realização  das operações diretamente em bolsas no exterior, a lei fixa que a cobertura seja dada  por uma bolsa no exterior, com a efetividade e a transparência que estas  instituições  conferem às operações nelas  realizadas, em razão da regulação a que se  sujeitam. A  necessidade, usualidade e normalidade de despesas desta espécie seriam demonstradas  pela  prática  mais  segura  e  impessoal  de  garantia  contra  oscilações  de  preços:  a  cobertura mediante a realização da operação inversa à contratada pela empresa com  seus clientes ou fornecedores, em Bolsa de Mercadorias e Futuros.  Assim,  compartilha­se  aqui  da  interpretação  exteriorizada  no  parecer  concedido  à  recorrente pelo Professor Marco Aurélio Greco, nos seguintes termos:  Da perspectiva brasileira, a razão fundamental dessa previsão é a mesma que embasa a  quase  totalidade  das  regras  que  disciplinam  o  funcionamento  das  bolsas  em  geral:  pretende­se impedir a manipulação de resultados. No caso tributário, busca­se bloquear  a geração de prejuízos fictícios redutores da base de cálculo de imposto sobre a renda e  da contribuição social sobre o lucro.  O motivo do preceito é o de assegurar que o eventual resultado negativo seja  fruto da  assunção  efetiva  do  risco  inerente  às  operações  no  mercado  de  bolsa,  pois,  nesse  ambiente,  o  resultado  se  apresenta  confiável  em  função  da  minuciosa  e  rigorosa  regulação a que as operações estão sujeitas.  Ou  seja,  a  lei  assegura  ser  dedutível  o  prejuízo  que  resultar  de  operação  cercada  de  confiabilidade e submetida à regulação rigorosa, inerentes ao funcionamento da bolsa e  não o prejuízo fruto de mera negociação entre particulares fora desse manto de controle.   A  contratação  destas  operações  de  cobertura  em  Bolsa,  por  sua  vez,  devem  ser  realizadas segundo as normas da instituição, de modo que, se para tanto for necessária  a  intervenção de um corretor, a operação ainda assim será realizada diretamente em  Bolsa, porque feita por um terceiro em nome ou por ordem do interessado. A recorrente  demonstra  que  a  Bolsa  de  Chicago  somente  admite  operações  por  membros  credenciados,  mas  estabelece  controles  da  origem  das  demandas  feitas  a  estes  operadores, de modo a assegurar a estabilidade do mercado.  Fl. 25022DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 32          31 Extrai­se  do  parecer  concedido  pelo  Professor  Steven  Scott  Thel  –  apresentado  em  língua  estrangeira  e  vertido  em  língua  portuguesa  por  tradutor  juramentado  –,  os  seguintes esclarecimentos:  Nos  Estados  Unidos,  os  mercados  de  futuros  de  commodity  são  negociados  nos  mercados de câmbio organizados como a CBOT [Bolsa de Mercadorias e Futuros de  Chicago]  que  devem  registrar­se  na  CFTC  federal  [Comissão  de  Negociação  de  Mercadorias Futuras, órgão fiscalizador federal dos Estados Unidos] como mercados  de  contrato  designados.  Comerciantes  que  efetuam  operações  para  clientes  nos  mercados geralmente devem registrar­se como operadores da bolsa.   A  negociação  de mercados  e  futuros  de  commodity  é  intensamente  regulada  sob  um  estatuto federal dos Estados Unidos, a Commodity Exchance Act [Lei sobre o Mercado  de Commodities]. Conforme a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou em uma de  suas  decisões  mais  importantes  no  campo,  “a  Commodity  Exchance  Act  foi  adequadamente  caracterizada  como  ‘uma  estrutura  reguladora  inclusive  para  supervisionar  os  mercados  de  futuros  voláteis  e  complexos  de  negócios  futuros  privados’”1[1 Merrill Lynch, Pierce, Fenner & Smith v. Curran, 456 EUA 353, 355­56  (1982)  (citação  omitida,  citação  H.R.  Rep.  Nº  93.975,  at  1  (1974))].  As  bolsas  de  futuros de commodities são intensamente reguladas e são exigidas a supervisionar seus  mercados, executar suas próprias regras e prevenir a manipulação. Semelhantemente, a  Commodity  Excchange  Act  e  regulamentos  de  implementação  exigem  que  os  negociantes  de  comissão  de  mercados  futuros,  como  a  ADM  IS  [ADM  Investor  Services], registrem­se na CFTC pela Associação Nacional de Mercados de Futuros. Os  corretores  comissionados  de  mercados  futuros  devem  realizar  e  manter  registros  extensos  com  respeito  às  suas  próprias  transações  e  posições  bem  como  as  de  seus  clientes.  Eles  devem  produzir  relatórios  periódicos  de  situação  financeira.  Eles  são  responsáveis  por  informar  todas  as  posições  relatáveis  de  seus  clientes.  Eles  devem  segregar os fundos e propriedade do cliente, e seus controles de fundos e propriedade de  cliente são intensamente regulados. Eles estão sujeitos a vários regulamentos que visam  proteger os clientes  e os mercados,  incluindo  regras que  lhes  exigem dar prioridade a  pedidos de cliente.  A ADM [Archer­Daniels­Midland Compant] e a ADM Trading também estão sujeitas a  regulamentação das bolsas e da CFTC. A ADM, como a ADM IS, é membro da CBOT  e  outras  bolsas,  e  está  adequadamente  sujeita  a  extensa  regulamentação.  Conforme  indicado  acima,  as  regulamentações  de  mercado  governam  todos  os  aspectos  das  atividades  do  mercado  de  seus  membros.  A  ADM  Trading  é  membro  de  bolsa  para  propósitos de execução das regras da CBOT como afiliada de membros ADM e ADM  IS e pode ser disciplinada diretamente pela bolsa.2   Na  nota  de  rodapé  nº  2,  acima  indicada,  o  Professor  Steven  Scott  Thel  remete  a  consulta  à  CBOT  Regra  400  e  complementa:  O  Conselho  adotou  Regras,  e  periodicamente  adota  emendas  e  complementos  a  tais  Regras,  para  promover  um  mercado  livre  e  aberto  na  Bolsa,  manter  a  administração  apropriada  dos  negócios  e  fornecer proteção para o público em seus procedimentos com a Bolsa e seus Membros.  O  Conselho  criou  comitês  para  os  quais  delegou  responsabilidade  pela  investigação,  audiência  e  imposição  de  multas  para  violações  de  Regulamentos  de  Mercado.  O  Conselho também delegou responsabilidade para a investigação e imposição de multas  para  violações  de  Regulamentos  de  Mercado  para  a  Equipe  de  Bolsa  conforme  estabelecido  nos  Regulamentos.  A  delegação  de  tal  responsabilidade  e  autoridade  de  nenhuma maneira limitará a autoridade do Conselho com respeito a todas as violações  de  Regulamento.  Para  propósitos  do  Capítulo  4,  o  termo  “Membro”  significará:  1)  membros e membros de compensação da Bolsa;  incluindo membros aposentados com  privilégios  de  acesso  ao  pregão  e  indivíduos  e  entidades  descritas  na  Regra  106;  2)  pessoas  associadas  (“PAs”)  e  afiliadas  de  membros  de  compensação  e  empresas  membros da Bolsa; 3) corretores de introdução garantidos de membros de compensação  e  empresas  membros  de  Bolsa  e  seus  PÁS;  4)  titulares  de  licença  de  mercado/negociação  e  qualquer  pessoa  ou  entidade  que  recebeu  privilégios  de  negociação cruzados; 5) funcionários, representantes autorizados, contratados, e agentes  Fl. 25023DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 33          32 de quaisquer das pessoas ou entidades anteriores, com respeito a atividades relacionadas  à  Bolsa  de  tais  indivíduos;  6)  empresas  regulares;  7)  indivíduos  e  entidades  que  concordaram  via  assinatura  escrita  ou  eletrônica  em  obedecer  aos  Regulamentos  da  Bolsa; 8) membros de CME e outros  indivíduos  com acesso  aos pregões  combinados  CBOT  e CME. Considera­se  que  os membros  sabem,  consentem  e  estão  ligados  por  todos  os  Regulamentos  de  Mercado.  Os  ex­membros  estarão  sujeitos  à  jurisdição  contínua da Bolsa, incluindo, entre outros, a aplicação da Regra 432.L., com respeito a  qualquer conduta que aconteceu enquanto membro.  Prosseguindo, complementa o Professor Steven Scott Thel:  Além  do  regulamento  como  membros  de  mercado,  o  grupo  de  empresas  ADM  está  sujeito a extensivos requisitos de manutenção de registros e  relatório sob as  regras da  CFTC como participantes significativos no mercado. Pessoas que controlam certo nível  de  posições  de  mercados  de  futuros  (uma  posição  relatável)  em  uma  bolsa  devem  manter  livros  e  registros  apropriados  demonstrando  todos  os  detalhes  relativos  às  posições  e  transações  de  commodity  nas  bolsas.  Os  titulares  de  posições  relatáveis  também devem manter registros demonstrando todos os detalhes de suas participações  em  mercados  externos  e  também  com  relação  a  “todas  as  posições  e  transações  no  mercado  à  vista,  seus  produtos  e  subprodutos  e  todas  as  atividades  comerciais  que  o  comerciante  faz  uso  do  hedge”3[3  Consulte  17C.F.R.  §18.05].  Todos  esses  registros  devem  ser  disponibilizados  à  CFTC  mediante  seu  pedido.  Além  de  informar  mensalmente as posições de mercado à vista, a ADM deve informar a CFTC sobre os  tipos  de  mercados  futuros  em  que  negocia,  os  tipos  de  negócios  envolvidos  e  as  identidades  de  suas  afiliadas  que  são  ativas  nos  mercados  de  futuros.  Além  disso,  diariamente  a  ADM  IS  apresenta  à  CFTC  relatórios  de  grande  comerciante  e  as  negociações  que  mostram  todas  as  posições  nas  contas  operacionais  da  ADM  sobre  liminares especificados que são realizados na ADM IS.  A ADM também é registrada na Chicago Mercantile Exchange (doravante denominada  “CME”)  para  uma  isenção  de  limites  de  posição  de  hedge.  Para  assegurar  e  manter  aquela isenção, a ADM deve demonstrar que suas posições e atividade são apropriadas  às  suas  necessidades  de  administração  de  risco,  devem  cumprir  regulamentações  de  mercado  e  iniciar  e  liquidar  posições  de  uma  maneira  ordeira.  O  nível  de  escrutínio  aumenta significativamente quando um mês de opção particular muda para o período de  entrega, e a CFTC e a bolsa insistem que a expiração de contrato esteja em ordem, e que  a  realização  ou  recebimento  da  entrega  estejam  de  acordo  com  as  economias  de  mercado sólidas.  Estas  informações  estão  alinhadas  àquelas  prestadas  pela  contribuinte  durante  o  procedimento  fiscal,  em  especial  no  documento  de  fls.  866/868,  embora  ali  não  se  destaque  a  possibilidade  de  os  órgãos  federais  norte­americanos  fiscalizarem  e  exigirem declarações da ADM Company.   De  toda  sorte,  o  fato  é  que  para  operar  junto  à Bolsa  de Chicago,  a ADM  Investor  Services  se  registrou  na Comissão  de Negociação  de Mercadorias Futuras  – CFTC,  órgão  fiscalizador  federal  dos  Estados  Unidos,  submetendo­se  a  controle  de  suas  transações  e  de  seus  clientes  mediante  relatórios  periódicos.  Seus  clientes,  especialmente  o  grupo  do  qual  faz  parte  a  autuada,  controlador  de  um  volume  significativo de posições de mercados de  futuro,  também se  sujeitam a  fiscalização e  controle dos órgãos federais e da Bolsa, devendo manter registros específicos e prestar  informações àquelas entidades.   De outro  lado,  embora  tais  entidades possam exigir das  empresas do grupo ADM as  informações  que  se  fizerem  necessárias  para  assegurar  a  regularidade  de  suas  operações, declaração do Presidente da CME Group, vertida em língua portuguesa por  tradutor  juramentado,  e  apresentada  à  Fiscalização  (fl.  1010),  nega  a  existência  do  fluxo  inverso de  informações, qual seja, a demonstração, pela Bolsa de Chicago, das  operações realizadas pelo grupo ADM:  Fl. 25024DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 34          33 Com  base  em  sua  solicitação,  confirmamos  que  a  ADM  Investor  Services,  Inc.  (ADMIS)  é  um  membro  da  compensação  da  Camara  de  Compensação  da  Chicago  Mercantile Exchange (CME) e tem sido um membro da compensação de boa reputação  desde 1968 até o ano atual.  Esclarecemos também que a CME não oferece extratos ou quaisquer outros documentos  informativos  diretamente  aos  titulares  das  contas  de  ADMIS  em  relação  a  quaisquer  transações  registradas  por  esses  titulares.  Esses  extratos  são  de  responsabilidade  da  ADMIS conforme seu papel como um membro da compensação da CME.  Acrescentamos  ainda  que  a  CME  não  recebe  nem  realiza  pagamentos  diretamente  de/para os titular das contas para transações registradas pelo ADMIS em seus nomes ou  para suas contas.  Em tais circunstâncias, a validade dos fatos narrados somente poderia ser questionada  mediante demonstração de vícios, não sendo possível presumir a má­fé da contribuinte  em simular prova em seu favor. Assim, o fato de inexistir documento que comprove a  transferência de recursos em nome da autuada, para Bolsa de Mercadorias e Futuros  de  Chicago,  não  pode  representar  obstáculo  à  dedução  pretendida.  É  admissível  a  prova mediante demonstração da contratação das operações de cobertura com membro  credenciado da Bolsa de Chicago.  É  importante  acrescentar,  neste  ponto,  que  em  memoriais  complementares  apresentados  pela  recorrente  após  a  exposição  do  presente  voto  na  reunião  de  julgamento  de  março/2013,  a  recorrente  anota  que  parece  contraditório  que  a  Conselheira  Relatora,  num  primeiro  momento,  manifeste  a  concordância  com  os  procedimentos  adotados  pela Recorrente  para  a  realização  das  operações  na Bolsa  de  Chicago,  e,  num  segundo momento  faça  as  exigências  que  serão  a  seguir  expostas.  Assim, releva frisar que a argumentação até aqui exposta enseja a conclusão, apenas,  de  que:  1)  as  operações  são  consideradas  como  realizadas  diretamente  em  Bolsa,  ainda  que  feitas  por  um  terceiro  em  nome  ou  por  ordem  do  interessado,  e  2)  a  inexistência  de  documento  que  comprove  a  transferência  de  recursos  em  nome  da  autuada,  para  Bolsa  de Mercadorias  e  Futuros  de  Chicago,  não  pode  representar  obstáculo à dedução pretendida. Ou seja,  somente  estão afastados os óbices  formais  que  poderiam  dispensar  a  comprovação  das  operações  realizadas,  e  ensejar  a  manutenção  da  exigência.  Prossegue­se,  assim,  na  abordagem  da  prova  necessária  para a dedutibilidade dos valores aqui glosados.  Neste  sentido,  a  fiscalizada,  em  atendimento  ao  termo  de  início  de  fiscalização,  apresentou  instruções  de  pagamento  da/para  a  Archer  Daniels Midland  Company  ou  da/para  a  ADM  Investor  Services,  baseadas  em  extratos  das  operações  de  hedge.  Contudo,  o  exame  dos  elementos  apresentados  pela  contribuinte  conduz  à  mesma  conclusão  da  autoridade  lançadora:  não  é  possível  assegurar  que  os  recursos  remetidos  ao  exterior  destinaram­se  efetivamente  à  cobertura  das  margens  dos  contratos futuros de hedge.  De  fato,  as  remessas  ao  exterior  (contratos  de  câmbio  às  fls.  18/89  e  swifts  às  fls.  831/856) são decompostas nos demonstrativos de  fls. 812/822, que apontam a origem  dos  ganhos/perdas  liquidados  nas  datas  das  remessas.  Estes  ganhos/perdas,  por  sua  vez,  são  detalhados  por  contas  representativas  de  diferentes  produtos  (fls.  99/678)  e  resultam  em  um  valor  líquido  de  ganho  ou  perda  por  conta  (fls.  91/97),  registrado  contabilmente sob histórico CLOSED ou FUTUROS CLOSED na conta contábil ADM  DECATUR EXEC FUTUROS  (conta  nº  128116­501),  representativa  das  obrigações  da  contribuinte  com sua controladora ADM Company  (fls.  679/708). A  soma mensal  destes  ganhos/perdas,  embora  com  algumas  variações,  aparentam  ser  aquelas  posteriormente remetidas ao exterior.   A título de exemplo, é possível traçar o percurso do que seria a perda com o produto  soja controlado na conta 6370, relativamente ao mês de  janeiro/2004. O relatório de  fls.  99/126  detalha  as  operações  que  resultariam  em  perda  de  US$  6.407.150,00,  Fl. 25025DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 35          34 equivalente  a  R$  18.642.787,44,  contabilizado  na  conta  ADM  DECATUR  EXEC  FUTUROS  (nº  128116­501)  à  fl.  680,  e  integrado  ao  demonstrativo  de  fl.  91  para  apuração  da  perda  líquida  total,  em  janeiro/2004,  de  R$  37.478.526,70  (US$  12.743.897,00). Esta perda líquida de janeiro/2004 está apresentada no demonstrativo  de fl. 814, por seu valor original e atualizado de R$ 40.077.007,29, como integrante da  remessa de R$ 304.313.183,09, promovida em 28/05/2004. Tal remessa, equivalente a  US$ 96.767.103,50 está apontada no contrato de câmbio às fls. 30/33 e no swift de fls.  845/846.  Como se vê, a conexão das remessas ao exterior com a perda originalmente apurada é  feita  mediante  demonstrativos  que  consolidam  diversas  operações,  a  exigir  a  verificação  de  todas  estas  para  se  confirmar  a  conexão  alegada.  Demais  disso,  a  apuração da perda é  feita por meio do relatório de operações sujeitas a variação de  preço, a exigir, também, a confirmação de todas estas operações para admissibilidade  da perda alegada, e de que corresponderia a operação de cobertura, e não operação  exposta. Por fim, nenhum destes elementos evidenciam que a operação de cobertura foi  realizada em bolsa, e apenas indicam que a ADM Company poderia ter sido ressarcida  pelas operações de cobertura que ensejariam tais perdas.   Os demais documentos apresentados em conjunto com os acima referidos (posição dos  contratos  de  originação  de  grãos  às  fls.  709/713  e  posição  de  contratos  de  processamento às fls. 714/811) não auxiliam na sua compreensão, na medida em que,  além de redigidos em língua estrangeira, apenas refletem consolidações de quantidades  possivelmente negociadas, ao passo que os demais relatórios dão ênfase às variações  de  preço,  em  especial  os  demonstrativos  de  fls.  98/678,  sem  trazer  totalização  das  quantidades que estariam associadas a estas variações.   No mais,  a  contribuinte  não  logrou  apresentar qualquer  outro  documento,  durante o  procedimento  fiscal,  que  pudesse  afastar  estas  dúvidas.  Em  resposta  às  demais  intimações da Fiscalização, sempre no sentido de que fosse comprovado o pagamento  das alegadas perdas em operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, a contribuinte  concentrou­se em demonstrar a forma de operação da referida Bolsa. Assim procedeu,  inclusive,  na  resposta  à  intimação  de  25/08/2009,  quando  buscou  exemplificar  as  operações  da  ADM  Investor  Services,  na  medida  em  que  não  distinguiu  operações  próprias, mas  sim  transações  globais  daquela  empresa  que  incluem  contas  da  ADM  Brasil.  Também  globais  foram  as  informações  juntadas  às  fls.  1025/1483,  que  se  reportam  a  Pagamentos  efetuados  pela  ADM  Investor  Services,  Inc.  para  Bolsa  de  Chicago (Chicago Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano  de  2004,  mas  somente  demonstram  o  que  possivelmente  seriam  as  transferências  bancárias  em  favor  da  Bolsa  de  Chicago,  sem  qualquer  esclarecimento  acerca  da  composição dos pagamentos.   Ainda, ao apresentar planilhas suporte (doc. 5) para o cálculo dos juros e da variação  cambial da conta contábil 128116­501 (fls. 857/861), a contribuinte  informou valores  devidos em razão de operações de futuros fechadas nos meses de 2004 incompatíveis  com  a  transcrição  dos  extratos  CBOT  (hedge)  de  fls.  91/97,  que  dariam  suporte  às  perdas contabilizadas, como antes demonstrado. Em janeiro/2004, por exemplo, o que  parece  ser  a  dívida  da  empresa  brasileira  em  razão  das  operações  do mês,  tem  seu  valor acrescido por possíveis perdas no valor, aparentemente em dólares americanos,  de  6.336.747,00,  ao  passo  que  a  perda  líquida  contabilizada  naquele mês  foi  de  R$  37.478.526,69,  equivalente  a US$  12.743.897,00  (ao  dólar  de  R$  2,9409,  informado  naquele  mesmo  demonstrativo),  conforme  fl.  91.  Recorde­se  que,  como  também  demonstrado, a perda líquida de R$ 37.478.526,69 integra o valor remetido ao exterior  em 28/05/2004.  Ressalte­se,  ainda, que não  se  trata de  exigir a realização de  remessas  internacionais  diárias para a cobertura das margens à ADM Financeira, mas sim que as remessas  se  Fl. 25026DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 36          35 refiram a pagamentos que a ADM Company efetivamente teria de realizar em nome da  ADM Brasil, em favor da ADM Investor Services, por conta da cobertura de margens  em operações de hedge contratadas junto à Bolsa de Chicago.   Irrelevante, desta forma, se o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com  as suas operações de hedge permite verificar que estes oscilam exatamente conforme as  variações  dos  preços  das mercadorias  "hedgeadas"  na Bolsa  de Chicago,  como  diz  a  recorrente,  reportando­se a  reconhecimento expresso neste sentido pela Fiscalização.  É  indispensável  a  comprovação  documental  de  que  a  operação  de  hedge  foi  efetivamente  realizada  em  Bolsa,  como  também  exigiu  a  Fiscalização,  sem  a  qual  subsiste  a  dúvida  de  qual mecanismo  foi  utilizado  pela  empresa,  voluntariamente  ou  por restrição de legislação estrangeira, para evitar prejuízos com a variação do preço  das commodities com as quais opera.  Somente  com  a  apresentação  das  petições  após  o  recurso  voluntário  a  contribuinte  agregou elementos que se prestaram a demonstrar, efetivamente, o fluxo operacional e  financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização. Antes, porém, cabe observar  que  apenas  na  impugnação  a  contribuinte  passou  a  mencionar  a  atuação  da  ADM  Trading em seu fluxo operacional, assim esclarecendo:  · De forma geral, as subsidiárias do Grupo ADM no mundo fecham negócios de  compra  com  entrega  física  futura  de  soja  com  os  produtores  rurais  ou  exportadores ao redor do mundo, bem como contratos de venda dessa natureza  com  seus  clientes  locais  ou  internacionais.  A  fim  de  reduzir  os  riscos  das  flutuações dos preços de mercado recorrem, necessariamente, às operações de  hedge. Dessa  forma,  submetem as  ordens  (compras  e  vendas de mercadorias  em  mercado  futuro)  de  hedge,  concomitantemente  à  realização  de  suas  operações  comerciais  de  compra  e  exportação  de  soja,  em  sistema  de  computador,  o  qual  é  administrado  pela  ADM  Trading  Company  ("ADM  Trading"), subsidiária da ADM CO. ("Ordem"). Na colocação da Ordem, são  informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade  de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda)  e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago.  · Cada  Ordem  configura  um  contrato,  o  que  implica  a  obrigação  de  compra/venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na  data de entrega ali prevista, avaliada conforme precificação de mercado listada  na Bolsa de Chicago; e   · As Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, o qual as  consolida e as submete para a ADM Financeira, entidade financeira do Grupo  ADM, a qual executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago.  Até então, a contribuinte limitara­se a dizer que a ADM Investor Services (Financeira)  concentrava  as  operações  de  cobertura  para  o  Grupo  ADM,  e  que  a  liquidação  financeira destas operações era centralizada pela ADM Company (vide fluxogravam à  fl.  1605).  Havia  referências  à  ADM  Trading  nas  remessas  feitas  pela  autuada,  bem  como esta denominação figurava no cabeçalho de alguns relatórios, mas nada constou  nos  autos  acerca  de  sua  atuação  como mediadora  das  necessidades  do Grupo ADM  antes da contratação das operações de cobertura pela ADM Investor Services. Aliás, a  respeito  do  fato  de  a  ADM  Company  nem  sempre  figurar  nos  contratos  de  câmbio  relativos  às  remessas  questionadas  pela  Fiscalização,  disse  a  recorrente,  em  suas  defesas,  que  a  conta­corrente  indicada  nos  contratos  de  câmbio  é  sempre  da  ADM  Company,  o  que  desmerece  até  mesmo  as  referências  à  ADM  Trading  naqueles  documentos.  Diz  a  recorrente  que  a  atuação  da  ADM Trading  decorre  da  necessidade  de melhor  cumprir  as  regras  do  Grupo  CME,  controlador  da  Bolsa  de  Chicago  e  do  órgão  regulador  norte­americano  (i.e.,  the  Commodity  Futures  Trading  Commission  ("CFTC"), aplicáveis a empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso  Fl. 25027DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 37          36 de  transações  e  possuem  inúmeras  subsidiárias  que  precisam,  ao  mesmo  tempo,  ter  acesso  a  Bolsa  de Chicago.  Reporta­se  a  carta  preparada  pelos  Srs.  Scott  E.  Early  e  Kathryn  M.  Trkla,  ex­diretor  jurídico  e  ex­vice­presidente  da  Bolsa  de  Chicago,  respectivamente (doc. 03), mas referido documento está redigido em língua estrangeira  e desacompanhado de tradução juramentada, ou mesmo livre (fls. 2858/2860).  De toda sorte, a matéria é também tratada no parecer do Professor Steven Scott Thel,  aqui já mencionado, do qual extrai­se:  Um  propósito  primário  do  regulamento  de  mercado  de  negociação  de  futuros  nos  Estados  Unidos,  talvez  o  propósito  primário,  é  prevenir  a  manipulação  pelos  participantes  do  mercado.  Para  esta  finalidade,  as  leis  proíbem  várias  práticas  de  negociação. Uma destas é a transação fictícia. A Commodity Exchange Act torna ilícito  “para  qualquer  pessoa  participar  de  uma  transação  que...  for,  do  caráter  de,  ou  geralmente  for  conhecida  do  comércio  como  uma  ‘transação  fictícia.’”4[4  Consulte  a  Commodity Exchange Act § 4c(a)(2), 7 U.S.C. §6 c(a)(2) (...)].  A  Lei  de Mercados  de  Capitais  e  Commodities  dos  Estados  Unidos  há  muito  tempo  proibiu transações fictícias, em que uma pessoa ou grupo efetua pedidos para comprar e  vender substancialmente a mesma quantidade de um valor mobiliário ou commodity em  substancialmente o mesmo  tempo  e preço.5 [5 Consulte  também a Lei de Mercado de  Capitais §9(a)(1), 15 U.S.C §78i(a)(1)]. As transações fictícias são proibidas por várias  razões. Na medida em que o comerciante não assumir risco econômico – desde que as  negociações  sejam  compensadas  –  as  transações  fictícias  são  consideradas  inerentemente  enganosas  e  os  preços  nos  quais  acontecem  são  considerados  falsos.  Transações fictícias também criam uma impressão enganosa de volume de negócio que  pode, por sua vez, mudar preços de mercado. A hostilidade reguladora para transações  fictícias foi resumida durante os debates sobre a promultação da Commodity Exchange  Act: “Todos que estiverem familiarizados com os mercados sabem exatamente co que é  uma ‘transação fictícia’. É uma pura, não adulterada fraude.”6 [6 80 Cong. Rec. 7905­06  (26 de maio de 1936) declaração do Senador Smith].  A  Commodity  Exchange  Act  não  define  o  termo  “transação  fictícia”.  Falando  em  termos  gerais,  uma  transação  fictícia  é  a  execução  de  uma  compra  e  venda  que  se  compensam. Um tratado principal explica: “O termo transação fictícia não está definido  na  [Commodity  Exchange]  Act  ou  nos  Regulamentos...  mas  geralmente  tem  sido  interpretado como a compra e venda do mesmo contrato de futuros de commodity para  o mesmo  contratante  sob  o  qual  ambos  os  lados  da  negociação  ‘se  desgastam’  e,  em  efeito  prático,  o  contratante  não  ganha  propriedade  de  qualquer  novo  contrato.”7  [7  2Phillip McBride Johnson & Tomas Lee Hazen, Regulamento de Derivativas §3.10 [8]  em 775 (2004); consulte  também Charles R.P. Pouncy, The Scienter Requirement and  Wash Trading in Commodity Futures, the Knowledge Lost in Knowing, 16 Cardozo L.  Rev.  1625,  1625  (1995)  (“negociação  fictícia,  que  é  proibida  pela  seção  4c  da  Commodity Exchange Act. ... consiste na compra e venda simultânea do mesmo número  de contratos de  futuros no mesmo preço ou preço semelhante.”). Como caso criminal  freqüentemente  citado  explica,  “As  decisões  administrativas  fornecem  uma  definição  consistente para o termo ‘transação fictícia’ [As acusações na denúncia] indicam que os  mesmos indivíduos compraram e venderam os mesmos contratos de futuros nas mesmas  quantidades pelo mesmo preço. Isso é tradicionalmente o tipo de conduta associado ao  termo ‘transação fictícia.’”8 [8 Estados Unidos v. Siegel, 472 F. Supp. 440, 443 (N.D. III.  1979), consulte também Wilson v. CFTC, 322 F.3d 555, 559 (8o Cir. 2003) (...)]  Um  comerciante  que  efetua  compensação  de  compra  e  venda  de  um  determinado  contrato  futuro  de  commodity  pode  argumentar  que  suas  negociações  não  constituem  uma transação fictícia porque ele não negociou com intenção inadequada. Enquanto os  tribunais  e  administradores  considerarem  que  aquela  intenção  inadequada  é  um  elemento  de  delito,  não  fica  claro  qual  a  intenção  é  requerida.  A  confusão  sobre  o  requisito  intenção pode surgir porque em ações contra corretores agindo para clientes,  não  fica  sempre  claro  quanto  os  corretores  sabiam  dos  planos  de  seus  clientes.9  [9  Consulte, por exemplo, Wilson v. CFTC, 322 F.d 555 (8o Cir. 2003)]. Em casos contra  um cliente, a CFTC sustentou que a questão é se o cliente, quando negociou, planejou  as negociações  correspondentes para  eliminar o  risco de preço.  10 [10  In  re San Diego  Fl. 25028DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 38          37 Gas x Elec. Co., [Atual] Comm. Fut. L. Rep. (CCH) 31.549, 2010 WL 1638992 (CFTC  22 de abril de 2010)]. Sob esse padrão, negociações  simétricas podem ser  suficientes  apenas para estabelecer ilegalidade.11 [11 Consulte Elliott v. CFTC, 202 F.3d 926 (7o Cir.  2000) ...]. Em todo caso, fica claro que as transações fictícias são ilícitas mesmo se não  forem  realizadas  com  intenção  de  manipulação  e  mesmo  se  forem  para  propósitos  legítimos.12 [12 Consulte In re San Diego Gas x Elec. Co., [Atual] Comm. Fut. L. Rep.  (CCH) 31.549, 2010 WL 1638992 (CFTC 22 de abril de 2010); consulte também In re  Elliott  ,  [1997­199 Pasta  de Transferência] Comm. Fut.  L.  Rep.  27.243  (CFTC  3  de  fevereiro de 1998) ...]  Daí  a  conclusão  do  referido  parecerista,  no  sentido  de  que,  se  a  ADM  e  suas  subsidiárias  efetuassem  todas  as  suas  compras  e  vendas  de  futuros  de  commodity  diretamente com bolsas de mercadorias (em vez de primeiro consolidar internamente as  negociações)  elas  enfrentariam  um  risco  significativo  de  violar  a  proibição  de  transações fictícias, de modo que resta­lhe claro que o mecanismo que a ADM e suas  afiliadas utilizam para consolidar suas negociações foi projetado exatamente para evitar  esta  possibilidade.  Acrescenta  que,  mesmo  se  a  ADM  e  suas  afiliadas  estivessem  dispostas a arriscar a violação da proibição de  transação fictícia, arriscariam violar os  limites de posição se inserissem todas as suas operações diretamente na bolsa.   Como  já  antes  dito,  o  Grupo  ADM  deteria  a  referida  isenção  de  limites  mas,  no  entender do Professor Steven Scott Thell,  como esta  isenção é  concedida pela CFTC  com base na boa­fé, se o grupo elevasse exponencialmente suas posições, levantaria a  questão se essas posições seriam consideradas de boa fé com a finalidade de determinar  limites de posição, e exceder os  limites de especulação é uma violação séria. Citando  caso  semelhante  já  apreciado  pelos  Tribunais,  o  parecerista  conclui  que  o  caso  demonstra que a ADM e suas afiliadas não podem evitar as proscrições da Commodity  Exchange Act discutindo que são entidades separadas.  Infere­se,  de  todo  o  exposto,  que  operações  de  cobertura  exigidas  em  razão  de  contratações  da ADM no Brasil  não  poderiam  ser  promovidas  na Bolsa  de Chicago  caso outra empresa do Grupo ADM necessitasse de cobertura para contratação oposta  por ela realizada em outro país. Assim, a empresa brasileira definiria sua exposição e  ordenaria a contratação da operação de cobertura, apurando os posteriores ganhos ou  perdas  em  razão  desta  solicitação.  Mas  a  ADM  Trading,  atuando  como  o  que  se  denominou hedge center, faria o cruzamento destas contratações antes de definir quais  coberturas poderiam ser promovidas junto à Bolsa de Chicago, possivelmente deixando  de  realizar  aquelas  compensadas  com  exposições  opostas,  apresentadas  por  outra  empresa do Grupo.  Surge, assim, um segundo aspecto a  ser apreciado acerca do alcance do art.  396 do  RIR/99:  a  dedutibilidade  de  perdas  em  razão  de  operações  de  hedge  que  seriam  necessárias, mas não são contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais.  O  tema  foi  submetido à apreciação do Professor Marco Aurélio Greco,  cujo parecer  destinou­se a responder, dentre outras, às seguintes questões:  1) Em  sua  opinião,  a  utilização  do  hedge  center  pelo Grupo ADM,  a  fim de  evitar  a  prática de wash sales, conforme determinado pela legislação norte­americana, deve ser  observada na aplicação da norma contida no artigo 17 da Lei nº 9.430/96?  2)  Poderia  o  aplicador  da  norma  contida  no  aludido  artigo  17,  condicionar  a  dedutibilidade de um custo/despesa à prática, pela ADM do Brasil, de ato tido por ilícito  pela legislação norte­americana (wash sales)?  3) Em sua opinião, utilização de um hedge center pela ADM do Brasil, visando a evitar  a prática de wash sales, violaria a regra do artigo 17 da Lei nº 9.430/96? Nesse sentido,  pode­se afirmar que a utilização de hedge center está abrangida pela expressa “bolsa no  exterior” utilizada pelo legislador no aludido dispositivo legal?  4)  Nesse  cenário,  é  correto  afirmar  que  as  operações  efetuadas  pela  ADM  do  Brasil  foram diretamente em bolsa no exterior?  Fl. 25029DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 39          38 O Professor Marco Aurélio Greco  inicialmente  aborda,  em  seu  parecer,  o  problema  representado pelo  fato de, uma pessoa, numa mesma operação, comparecer em Bolsa  como comprador e vendedor, assim observando:  Neste caso, desde reunidos outros elementos, pode configurar­se aquilo que, no jargão  do mercado, é conhecido como operação “Zé com Zé”, pois a mesma pessoa estará nas  duas  pontas  da  operação  e  isto  pode  ser  o  instrumento  para  o  cometimento  de  uma  infração, por interferir na formação de preços, volumes, demanda, etc.  Nas  palavras  de  ILENE  PATRÍCIA  DE  NORONHA,  dentre  os  principais  tipos  de  irregularidades que podem vir a ser cometidos no mercado bursátil brasileiro, incluem­ se as “operações conhecidas pela denominação Zé com Zé” da qual essa Autora dá um  exemplo:  “Para induzir os participantes do mercado à compra, a empresa "B" começa a  COMPRAR  E  VENDER,  em  Bolsa,  PARA  SI  MESMA,  as  ações  de  emissão da companhia "A", operações essas conhecidas como "Zé com Zé", de  forma a dar a falsa aparência de que o papel era bastante negociado e que tinha  preço  atrativo.  Portanto,  criação  de  condições  de  demanda,  oferta  e  preço,  porque  tudo  era  falso.”14  [14  No  seu  texto,  “Poder  de  polícia  da  CVM”,  disponível  em  http://www.cjf.jus.br/revista/seriecadernos/VOL15­8.htm,  acessado em 13.10.2011. Grifei, realcei e coloquei em maiúsculas]   E prossegue acentuando o caráter de “meio hábil” de que elas podem se revestir:  “As  operações  "Zé  com  Zé"  configuram  criação  de  condições  artificiais  de  demanda,  oferta  e  preço,  pois  nelas  tudo  é  falso,  fictício,  tratando­se  de  operações  simuladas,  que  geram  o  MEIO  PARA  manipular  o  mercado  induzindo seus participantes a comprar ações. E não se pode deixar de lembrar  que todo o conjunto consiste numa fraude.”15 [15 Op. loc. cit., grifei, realcei e  coloquei em maiúsculas]   [...]  Destacando que comprar  e vender para  si mesmo determinado valor mobiliário é um  meio hábil para manipular o mercado, o Professor Marco Aurélio Greco define, a partir  do item 5 de seu parecer, o que significa realizar “diretamente” a operação em Bolsa,  asseverando que o requisito expresso no art. 396 do RIR/99 consiste na emissão pela  empresa brasileira de uma ordem de venda ou de compra a ser executada NA bolsa no  exterior, ordem esta que se submeterá à disciplina normativa estrangeira que regula o  funcionamento da bolsa em questão, pois é ela que irá determinar o meio e o modo de  executar  essa ordem de  compra ou de venda,  assim como é  a disciplina da bolsa que  imporá restrições e limites à sua execução.  A partir daí,  sob o pressuposto de que a ADM Services visualiza  todas  as ordens da  Consulente destinadas a serem executadas na Bolsa de Chicago, conclui o professor que  se  estaria  diante  de  atuação  direta  em bolsa.  Recordando,  porém,  que  as  operações  “Zé  com Zé”  (ou wash  sale)  são  interpretadas  como meios  hábeis  para manipular  o  mercado,  e  que  o  simples  fato  de  uma  pessoa  jurídica  pertencente  a  um Grupo  que  possui outras empresas em que também emitem ordens a serem executadas na mesma  bolsa, já é, em si mesmo, o meio hábil para a prática de uma infração punível, assevera  que consolidar as ordens de todas as integrantes do Grupo é uma exigência que resulta  da proibição mencionada e das circunstâncias de ser um Grupo. Deste modo:  ...  tão  logo  emitida  a  ordem  pela  Consulente,  ela  já  se  encontra  alcançada  pela  legislação  que  regula o  funcionamento  da bolsa  e deve  seguir  seus ditames. Portanto,  daí  por  diante,  a  compra  ou  a  venda  estará  sendo  realizada  no  âmbito  e  segundo  as  regras pertinentes àquela bolsa.  Defende  que  a  finalidade  e  a  função  da  norma  brasileira  é  assegurar  o  adequado  tratamento  tributário  às  operações  realizadas  pelas  empresas  brasileiras  resultantes  da  sua inserção numa economia globalizada, não se podendo olvidar que a lei estrangeira  impõe realizar uma compensação de ordens das diversas empresas no âmbito do grupo  Fl. 25030DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 40          39 para que a ordem final seja o saldo dessa prévia confrontação. Acrescenta que ainda que  se  enxergue  apenas  o  resultado  consolidado,  mesmo  assim  a  ordem  emitida  pela  Consulente  dele  faz  parte,  de  modo  que,  se  em  determinado  momento  não  existir  qualquer outra ordem de empresa do Grupo, esta será a ordem executada na Bolsa.  Nas palavras do Professor Marco Aurélio Greco:  Sublinhe­se  que  o  “saldo”  apurado  no  âmbito  do  hedging  center  do  Grupo  que  consolida  as  ordens  é  fruto  de  cada  um  das  ordens  individuais  emitidas,  portanto  comunga da sua natureza.  Diante disso, minha conclusão é que, neste caso, a subsidiária brasileira está realizando  operações  diretamente  na  bolsa  no  exterior,  pois  emitiu  ordens  para  serem  nela  executadas e o  fato de a  legislação de regência  impor este modo de executar a ordem  para  assegurar  a  plena  legalidade  da  sua  conduta  não  lhe  retira  o  caráter  de  determinar uma operação a ser realizada na bolsa.  Sua  interpretação,  portanto,  é  no  sentido  de  que  a  lei  brasileira  não  poderia  condicionar a dedutibilidade à prática de uma operação ilícita em outro País, de modo  que  a  utilização  de  um  hedge  center  não  representa  violação  ao  art.  17  da  Lei  nº  9.430/96 (matriz legal do caput do art. 396 do RIR/99), mas sim sua exata aplicação ao  enxergar o seu uso como necessário para a realização de operações em bolsa.  Inicialmente cumpre observar que, mesmo admitindo­se esta argumentação, necessária  seria a comprovação de que as ordens foram, de fato, enviadas à ADM Trading, a qual,  depois  de  realizar  as  compensações  impostas pela  legislação  estrangeira,  solicitou  à  ADM Investor Services a operação de hedge correspondente ao saldo  líquido. E  isto  porque,  como antes destacado, não há evidências de que a atuação  intermediária da  ADM Trading  tenha  sido  reportada  à  Fiscalização, mas  somente  alegada  em  defesa  administrativa.  Ademais,  embora  não  seja  exigível,  da  contribuinte,  um  extrato  de  suas  aplicações  emitido pela Bolsa de Chicago, houve falhas por parte da recorrente no cumprimento  de  seu  dever  de  conservar  em  ordem,  documentos  e  papéis  que  se  refiram  a  atos  e  operações  que modifiquem ou  possam vir  a modificar  a  sua  situação patrimonial. De  fato, seus registros contábeis deveriam estar suportados por controles internos diários  de  suas  posições  e  de  suas  ordens  enviadas  à  ADM  Trading,  bem  como  de  sua  confrontação  permanente  com  as  variações  de  mercado  a  que  se  sujeitavam  suas  operações de hedge, não bastando, para tanto, a existência de sistemas informatizados  que agregassem estes dados.  Neste  sentido,  não  só  durante  o  procedimento  fiscal,  como  também em  sua  primeira  manifestação  complementar  ao  recurso  voluntário  (petição  de  16/03/2012),  a  contribuinte buscou demonstrar a compatibilidade de seus registros contábeis com os  preços  praticados  nas  operações  de  hedge  no  exterior,  mediante  a  apresentação  de  estudos  realizados  por  KPMG  Advisors  Ltda,  no  que  foi  denominado  1a  fase  dos  serviços  previstos.  Este  exame,  embora  necessário  e  relevante,  exigiria  complementação  acerca  da  confirmação  de  que  as  operações  foram  efetivamente  realizadas,  aspecto  não  abordado  nos  primeiros  elementos  apresentados,  já  digitalizados e integrados aos autos como Anexos 1 a 30 daquela petição.  De fato, nesta 1a fase dos serviços, inicialmente a contratada atestou que a contribuinte  utilizou corretamente suas contas contábeis para registro de operações de derivativos  financeiros,  conforme  sistemática  por  ela  descrita  no  documento  de  fls.  3782/3784  (Anexo 8), gerando contrapartidas em resultado de R$ 884.814.749,14, diferindo em R$  982.351,31  do  valor  lançado  em  conta  de  resultado  apurado  pela  Fiscalização  (R$  885.797.100,45).  Para  tanto,  a  contratada  se  valeu  da  acusação  fiscal  (Anexo  1,  fl.  3379/3408)  e  do  balancete  de  verificação  de  2004  (Anexo  2,  fl.  3409/3506),  confrontando  seus  resultados  com  os  registros  em  lotes  contábeis  de  lançamentos  (Anexos  3  e  4,  fls.  3507/3669),  registros  na  conta  128116­501  (Anexo  5  e  6,  fls.  Fl. 25031DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 41          40 3670/3682),  e  registros  dos  Livros  Diário  e  Razão  de  2003  e  2004  (Anexo  7,  fls.  3683/3781).   Na  seqüência,  tendo  em  conta  documentos  semelhantes  aos  de  fls.  96/678,  aqui  denominados extratos disponibilizados emitidos pela Archer Daniels Midland Company  (Anexo  9,  fls.  3785/4211),  e  a  informação  de  que  as  contas  de  hedge  na  bolsa  de  mercadoria e futuro (trading accounts) numeradas 6302, 6311, 6312, 6313,6321, 6331,  6341, 6361, e 6370, foram aquelas utilizadas pela ADM do Brasil Ltda durante o ano  calendário de 2004 (Anexo 10, fl. 4212), a contratada fez a conciliação das informações  do “Anexo 9” com os  resultados mensais  contabilizados  consolidados no “Anexo 6”  (fls. 3681/3682), demonstrando­a no “Anexo 11” (fl. 4213/4217), o qual também reuniu  a  conciliação  dos  resultados  mensais  obtidos  em  operações  com  opções,  aferidos  a  partir  do  “Anexo  12”  (fls.  4218/4330),  na  medida  em  que  estes  resultados  tiveram  como contrapartida a mesma conta de resultado (423130 “Ajuste P. Hedge Contr. Fut.  Enc.”). As  conversões de dólares para reais  foram demonstradas no “Anexo 13”  (fl.  4331/4332)  e  as  taxas  utilizadas  no  “Anexo  14”  (fls.  4333/4345).  O  resultado  de  operações  com  futuros  foi  de  R$  891.111.833,32,  que  reduzido  pelos  ganhos  com  opções de R$ 4.462.247,99, totalizou R$ 886.649.585,33, apresentando variação de R$  1.834.836,19  (0,21%)  em  relação  aos  valores  contabilizados.  A  tributação  do  ganho  das operações com opções foi demonstrada no “Anexo 30” (fls. 7059/7301).  A partir daí, a contratada demonstrou a compatibilidade das  informações do “Anexo  9”  –  origem  da  contabilização  de  perdas  aqui  questionadas  –  com  as  oscilações  de  preço da Bolsa de Chicago, assim atestando:  A partir dos extratos disponibilizados pela Companhia (anexo 9) [fls. 3785/4211] e das  informações  constantes do sítio eletrônico da Bloomberg  (anexo 15)  [fls. 4346/6590],  confrontamos  os  preços  (price)  de  cada  posição  de  compra  e  venda  de  todas  as  operações  de  futuro  de  soja,  óleo  de  soja  e  farelo  de  soja,  realizadas  pela  ADM  do  Brasil no período compreendido entre 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2004, com os  preços  das  operações  de  futuros  das  referidas  commodities  praticados  na  Bolsa  de  Mercadorias e Futuros de Chicago (CBOT), para o mesmo período.  Para a conversão dos valores dos extratos em dólar para reais, nos valemos das taxas de  conversão  de dólar para  real  demonstradas nos  controles  extra­contábil  (anexo 13)[fl.  4331/4332].  Essas operações, expurgados os contratos de boardcrush e rollover, corresponderam à  negociação  de  914.484  contratos  (de  um  total  de  983.836  contratos  ­  92,95%)  e  resultaram  em  uma  perda  da  ordem  de  R$  835.804.754,20  (de  um  total  de  R$  891.111.833,32 ­ 93,79%).[Anexo 16, à fl. 6591, demonstra a correlação mensal entre o  resultado total e a quantidade de contratos]   Do confronto efetuado, constatamos que os preços praticados em 633.416 contratos de  futuros  (64,38%  do  total  de  contratos),  que  corresponderam  a  uma  perda  de  R$  708.316.097,73  (79,49% do  total da perda),  estavam entre o mínimo e o máximo dos  preços  dos  contratos  negociados  na  CBOT  naquela  mesma  data  em  que  firmados  os  contratos de futuros e em relação ao mesmo tipo de operação, conforme informações do  sítio  da  Bloomberg.  Entenda­se  como  o  mesmo  tipo  de  operação  aquele  em  que  o  produto (soja, óleo de soja e farelo de soja) e o termo/vencimento são iguais.  Para  os  281.068  contratos  de  futuros  restantes  (28,57%  do  total  de  contratos),  que  corresponderam  a  uma  perda  de  R$  127.488.656,47  (14,31%  do  total  da  perda),  verificamos  que  os  preços  praticados  pela  ADM  do  Brasil,  muito  embora  não  estivessem  entre  o  preço  mínimo  e  o  máximo  dos  contratos  negociados  na  CBOT,  foram  em  grande  parte  satisfatoriamente  esclarecidos  e  justificados  pela  Companhia.  [Os esclarecimentos evidenciariam que as operações foram praticadas antes do início  do  pregão  da  bolsa,  adotavam  parâmetros  de  dias  próximos  ou  vinculados  a  contratação  prévia,  foram  estornados,  ou  apresentavam  outras  particularidades.  Documentos acerca destas ocorrências integram os Anexos 17 a 22, fls. 6590/6643].  Fl. 25032DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 42          41 A  contratada  esclarece  nos  anexos  26  a  28  (fl.  7052/7056)  as  características  das  operações  de  “rolagem”  (rollover)  –  decorrente  de  alteração  nas  datas  de  entrega  física  ou  de  esmagamento  –,  e  no  “Anexo  29”  (fl.  7058)  das  operações  de  “board  crush”  –  decorrente  da  venda  interna  da  divisão Originação  (grãos)  para  a  divisão  Esmagamento,  com  uma  nova  data  de  entrega  de  óleo  ou  farelo. Nos  “Anexo  25”  e  “Anexo 25.1” (fls. 6975/6978) demonstra que apenas 36,71% dos contratos atrelados  às  operações  de  rolagem  o  valor  dos  spreads  apresentou­se  dentro  dos  limites  esperados. No “Anexo 28” (fl. 7057) apresenta o resultado da análise das operações de  “board crush”, observando que o preço praticado em uma das oposições não estava  dentro dos limites esperados.   Com  estes  elementos,  a  contribuinte  apenas  evidencia  o  método  adotado  para  contabilização  das  operações  de  hedge,  mas  ainda  não  demonstra  a  efetividade  das  operações. Em especial,  não  estabelece  correlação  entre os  extratos  disponibilizados  emitidos  pela  Archer  Daniels  Midland  Company  (Anexo  9,  fls.  3785/4211),  e  as  operações de hedge realizadas junto à Bolsa de Chicago.   Somente  na  petição  apresentada  em  06/12/2012  (fls.  12484/12597)  a  recorrente  traz  elementos que poderiam dar suporte às suas alegações acerca do fluxo operacional das  operações  de  hedge  aqui  questionadas.  Menciona  que  as  empresas  do  Grupo  ADM  inserem  os  dados  de  suas  respectivas  operações  comerciais  em  um  único  sistema  de  computador  denominado  Sistema  VAX,  o  qual  é  administrado  pela  ADM  Trading  Compay (“ADM Trading”), submetendo a esta as correspondentes ordens de hedge, que  nada mais  são  do  que  as  posições  contrárias  àquelas  contratadas  fisicamente  com  os  produtos rurais ou clientes das empresas do Grupo ADM.  Diz  que  cada  ordem  de  hedge  configura  um  contrato,  o  que  implica  a  obrigação  de  compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos nessa ordem, na data  de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago.  E  neste  sentido  apresenta  relatório  do  fluxo  operacional  no  Brasil,  elaborado  por  KPMG  Tax  Advisors  Ltda  (Relatório  da  comprovação  do  hedge  em  operações  de  futuros  realizadas  pela  companhia  no  ano­base  de  2004,  fls.  7365/12285),  bem  como  relatório  do  fluxo  operacional  no  exterior,  elaborado  por  Ernst  &  Young  LLP  (Relatório de auditoria independente das operações de futuro e opções de commodities  realizadas  pela  companhia,  fls.  12288/12481),  este  último  juntado  apenas  em  língua  estrangeira, mas com tradução  juramentada  já produzida, e apresentada por cópia a  esta  Relatora  depois  da  apresentação  deste  voto  na  reunião  de  julgamento  de  março/2013.    O  relatório  elaborado  por  KPMG  Tax  Advisors  Ltda  busca  evidenciar  a  operacionalização do hedge  localmente,  bem como a demonstrar que  as operações de  futuros realizadas pela Companhia, no ano­calendário de 2004,  tiveram por  finalidade  proteger suas operações de compra e venda de soja em grão, óleo e farelo de soja contra  as oscilações de preço dessas commodities (objetivo de hedge), de modo a estabelecer a  correspondência inversa entre os saldos mensais no mercado físico (estoque + compras  –  vendas)  e  os  saldos  mensais  no  mercado  futuro  (compras  –  vendas)  das  referidas  commodities em quantidade, no decorrer do ano­calendário de 2004.  Quanto à operacionalização do hedge, a contratada descreve a atuação dos setores da  companhia  responsáveis  pela  compra  e  venda  das mercadorias,  bem  como  pelo  seu  processamento,  os  quais  demandam  o  setor  comercial  para  realização  de  operações  inversas  no  mercado  de  futuro  a  fim  de  proteger  suas  posições,  no  mercado  físico,  contra as oscilações de preço (hedge). As ordens de hedge são inseridas no sistema VAX  de  propriedade  da  Archer  Daniels  Midland  Company,  responsável  pelo  registro  e  controle das operações de futuros da companhia, o qual é usado no Brasil, meramente,  para  inserção  das  ordens  de  hedge  à  ADM  Trading.  Há  confrontos  diários  entre  a  posição  líquida  em  aberto  no  mercado  físico  e  no mercado  futuro,  e  diferenças  são  Fl. 25033DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 43          42 ajustadas mediante novas ordens de hedge, ou suscitam operações de “rolagem” ou de  “board cruch” (semanal). Ao final do mês, há nova conciliação das posições existentes  no mercado físico e futuro, podendo ser verificadas diferenças especialmente em razão  de  ocorrências  ligadas  ao  estoque  físico,  ou  de  ordens  não  efetivadas  em  função  de  encerramento do expediente ou fechamento do pregão.  O  demonstrativo  abaixo  exemplifica  as  análises  feitas  pela  KPMG  acerca  da  operacionalização  da  compra  da  soja  em  grão  até  a  realização  do  hedge.  Outros  fluxogramas foram produzidos para as operações de venda de soja em grão, realocação  da soja em grão da Divisão de Originação para a Divisão de Processamento, compra de  farelo e óleo de soja, venda de farelo e óleo de soja.  Fl. 25034DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 44          43   Para  demonstrar  que  as  operações  de  futuros  realizadas  pela  Companhia,  no  ano­ calendário de 2004, tiveram por finalidade proteger suas operações de compra e venda  de soja em grão, óleo e farelo de soja contra as oscilações de preço dessas commodities  (objetivo de hedge), a contratada apurou o saldo líquido de compras/vendas em aberto  ao  final  de  cada  mês  a  partir  de  planilhas  e  de  controles  de  estoque,  e  testou  por  amostragem estas  informações. De outro  lado,  extraiu do  sistema VAX a  informação  dos saldos líquidos ao final de cada mês, confrontando­os com o saldo físico convertido  em lotes negociáveis, apurando divergências, mas constatando que na maior parte dos  meses a posição no mercado futuro era oposta à posição no mercado físico. Ao final,  Fl. 25035DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 45          44 considerando as justificativas apresentadas pela contribuinte, apresentou gráficos por  commodity  para  evidenciar  que  as  posições  no  mercado  futuro  tendem  a  seguir  inversamente as posições no mercado físico. Reproduz­se, a título de exemplo, o gráfico  referente às operações com soja em grão:    Ao final, a contratada reproduz conciliação semelhante à antes feita entre o “Anexo 9”  (extratos  disponibilizados  emitidos  pela  Archer  Daniels  Midland  Company,  fls.  3785/4211)  e  os  resultados  mensais  contabilizados  consolidados  no  “Anexo  6”  (fls.  3681/3682),  mas  agora  reportando­se  a  informações  do  Sistema  VAX,  do  qual  possivelmente originam­se os extratos antes juntados no “Anexo 9”.  O relatório  elaborado por KPMG Tax Advisors Ltda  faz  referência a outros Anexos,  numerados de 1 a 33 e organizados em 17 (dezessete) volumes.  Quanto  ao  relatório  elaborado  por  Ernst  &  Young  LLP,  aduz  a  recorrente  em  sua  petição  de  06/12/2012  que  as  planilhas  que  o  seguem  resultam  de  aprofundada  auditoria do fluxo operacional no exterior das suas operações de hedge, especificamente  para  atestar,  numericamente  (contratos  e  valores),  o  referido  fluxo.  Esclarece  que  os  demonstrativos  que  acompanham  a  petição  apresentam  a  reconciliação  da  consolidação  dos  contratos  de  hedge  do  Grupo  ADM,  a  transferência  destas  Fl. 25036DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 46          45 informações da ADM Trading para a ADM Financeira e a sua liquidação junto à Bolsa  de Chicago.  O  exame  dos  referidos  demonstrativos  coincide  com  algumas  informações  aqui  já  expostas, a título de exemplo, relativamente ao registro de perda em janeiro/2004 com  o  produto  soja  controlado  na  conta  6370.  Segundo  o  relatório  de  fls.  99/126,  estas  operações teriam resultado em perda de US$ 6.407.150,00, a qual integraria a perda  líquida  total,  em  janeiro/2004,  de  R$  37.478.526,70  (US$  12.743.897,00),  conforme  demonstrativo  de  fl.  91  e  relatório  das  remessas  ao exterior  à  fl.  814. Estes mesmos  valores  foram demonstrados  pela Ernst & Young LLP  em  planilhas que  detalham as  operações  da  conta  6370  e  sua  consolidação  com  as  demais  contas  utilizadas  pela  empresa  brasileira,  formuladas  a  partir  de  registros  da ADM Trading  (Schedule  III,  campos em verde e lilás). Segundo esclarecimentos contidos na tradução juramentada  do  relatório  elaborado por Ernst & Young LLP  (apresentado a  esta Relatora após a  exposição deste voto na reunião de julgamento de março/2013), referido demonstrativo,  ali  denominado  Anexo  III  –  Reconciliação  das  Demonstrações  da  ADMIS,  das  Demonstrações de Negociação da ADM e dos Resultados de Hedge da ADM do Brasil  no  Razão  Geral  dos  exercícios  findos  em  31  de  dezembro  de  2004,  2006  e  2007,  apresenta  em  sua  primeira  parte  a  origem  das  informações  financeiras  presentes  nas  contas de Nível D, expondo os resultados realizados em contratos finalizados.  Todavia,  há divergências quando comparadas  estas  informações com os  registros da  ADM  Investor  Services,  os  quais  apontam  a  perda  de US$  14.312.725,  em  razão  de  operações fechadas em janeiro/2004 (Schedule III, campos em amarelo). Neste mesmo  sentido, a planilha que consolida mensalmente as perdas em razão das contas operadas  pela empresa brasileira, totaliza em US$ 14.320.470,50 este valor para janeiro/2004, o  qual é integrado por perda de US$ 5.187.464,00 decorrente da conta 6370 (Schedule  II).  Esta  última  planilha  (Schedule  II)  –  nomeada  Anexo  II  –  Resumo  dos  valores  de  Liquidação  Líquidos  no  Encerramento  do Mês  por  Conta  de  Nível  D  dos  exercícios  findos  em  31  de  dezembro  de  2004,  2006  e  2007,  na  tradução  juramentada  antes  referida  –  também  evidencia  que  as  perdas  realizadas  em  janeiro/2004,  quando  somadas  às  perdas  não  realizadas  da  empresa  brasileira  no  valor  de  US$  153.834.408,50,  totalizam  US$  168.154.879,00,  que  confrontados  com  ganhos  decorrentes de contas “D” não operadas pela empresa brasileira, no montante de US$  255.214.015,85,  resultam  no  ganho  acumulado  de  US$  87.059.136,85,  até  janeiro/2004.  Este  valor  é  conciliado  com  o  resultado  apurado  nas  contas  “A”  em  janeiro/2004  (US$  87.071.544,58)  na  planilha  denominada  Schedule  I  (nomeada  Anexo I – Reconciliação dos Valores de Liquidação Líquidos no Encerramento do Mês  entre as Contas de Nível D e Nível A dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004,  2006 e 2007).  Como se vê, os Anexos I e II fazem referência a valores de liquidação líquidos, ao passo  que  o  Anexo  III  trata  de  resultados  realizados  em  contratos  finalizados.  Assim,  eventualmente  a  diferença  entre  as  perdas  US$  6.407.150,00  e  US$  5.187.464,00,  relativamente  ao  produto  soja,  na  conta  6370,  em  janeiro/2004  pode  se  esclarecida  pela consolidação que não reporta à ADM Investor Services as operações contrárias  praticadas pelo Grupo. Este aspecto, porém, precisa ser melhor investigado.  Para  além  disso,  convém  notar  que  a  recorrente  reporta­se  a  análises  da  empresa  contratada acerca do  fluxo operacional após a consolidação de operações pela ADM  Trading, acerca das quais não havia evidências nos demonstrativos juntados à petição  de 06/12/2012. Especificamente diz a recorrente:  26. Pois bem, após a consolidação dos contratos de hedge do Grupo ADM, inclusive da  Requerente,  a  ADM  Trading  transfere  à  ADM  Financeira  todas  as  exposições  em  aberto, não consolidadas nesse procedimento. As exposições em aberto dão surgimento  Fl. 25037DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 47          46 às contas de liquidação “A” (“Contas de Nível A”): nº 5000, nº 5031, nº 5032, nº 5033,  nº 5034, nº 5035, e nº 5036. As “Contas de Nível A” agrupam todas as exposições em  aberto e as Bolsas de Valores de liquidação. Assim, no caso concreto, pela natureza das  operações físicas realizadas pela Requerente (compra e venda de soja, farelo de soja e  óleo  de  soja),  as  exportações  não  consolidadas  foram  liquidadas  através  da Conta  de  Nível A , nº 5032 (conta correspondente às operações realizadas na Bolsa de Chicago).  27. Portanto, o Relatório da EY reconciliou e atestou o procedimento de consolidação,  realizado dentro dos parâmetros da Bolsa de Chicago, bem como da  transferência das  posições em aberto da ADM Trading para a ADM Financeira, e a sua liquidação, junto  à Bolsa de Chicago, mediante o respectivo fluxo de caixa entre a ADM Financeira e a  Bolsa de Chicago.  Esta última demonstração acerca do fluxo de caixa entre a ADM Investor Services e a  Bolsa  de  Chicago  aparenta  corresponder  à  planilha  denominada  Schedule  IV  (nomeada Anexo IV – Reconciliação entre a Variação no Patrimônio Líquido Total e o  Caixa  Pago  nas  Transações  Cambiais  nos  exercícios  findos  em  31  de  dezembro  de  2004,  2006  e  2007,  na  tradução  juramentada  antes  referida),  apresentada  com  as  informações  do  fluxo  nos  dias  de  dezembro  de  2004.  No  mais,  aparentemente  não  foram  juntados,  à  petição  de  06/12/2012  os  demonstrativos  que  evidenciaram  as  exposições efetivamente levadas à Bolsa de Chicago.  Por fim, na tradução juramentada antes mencionada, há referência, também, ao Anexo  V – Resumo dos Valores de Liquidação Líquidos do Encerramento do Mês da Conta de  Nível A, o qual apontaria, em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007 que o valor de  liquidação  líquido da  conta de Nível A no mês  findo está de  acordo com o Valor de  Mercado da Conta total, conforme indicado no Anexo I.  Antes da sessão da qual resultou a primeira conversão do julgamento em diligência, a  interessada  apresentou  memoriais  elaborados  em  27/02/2013  que  aparentemente  abordam referido fluxo. A partir de exemplos referentes à conta de nível D nº 6321, a  contribuinte busca demonstrar a consolidação das operações advindas desta sua planta  operacional (Fábrica de Campo Grande/MS) em outubro/2004, das quais resultam as  exposições  que  ensejam  o  registro  contábil  das  operações  de  hedge,  agrupadas  em  conta  de  nível  A  na  ADM  Trading.  Para  tanto,  junta  exemplo  das  seguintes  demonstrações:  1)  relatório  de  operações  inseridas  no  Sistema  referente  à Conta  de  Nível  D  no  6321,  relativo  ao  período  de  outubro  de  2004;  2)  relatório  emitido  pela  ADM Trading para o período de outubro de 2004, que refletiria as mesmas operações;  3) relatório emitido pela ADM Financeira com agrupamento dos contratos colocados  no  Sistema;  4)  planilhas  da  ADM  Financeira  nas  quais  constariam  os  montantes  liquidados  a  partir  da  conciliação  de  todas  as  Contas  de  Nível  D,  bem  como  os  montantes  liquidados  a  partir  da  conciliação  de  todas  as  Contas  de  Nível  A;  5)  relatório da ADM Financeira que indicaria as exposições não consolidadas agrupadas  por  meio  da  Conta  de  Nível  A  no  5032,  a  serem  colocadas  na  Bolsa  de  Chicago.  Todavia, são elementos correspondentes a apenas uma espécie de registro de um dos  meses  autuados.  Em  recente  exame  dos  autos,  não  foi  localizada  a  solicitação,  pela  contribuinte, de juntada deste memorial aos autos.  Registre­se, por oportuno, que o parecer elaborado pelo Professor Ary Oswaldo Mattos  Filho, apresentado com a petição de 06/12/2012 (fls. 12600/12645), ao fazer menção à  atuação da ADM Investor Services como membro de compensação, parece cogitar que  referida  instituição  promoveria  a  compensação,  também,  para  com  terceiros  clientes  sem  qualquer  vínculo  com  a  ADM  IS,  talvez  considerando  que  haja  liquidações  externas ao pregão da CBOT, promovidas pela ADM Investor Services, entre ordens de  hedge do Grupo ADM com ordens de hedge de terceiros. Todavia, não há alegação da  contribuinte,  nem  qualquer  outra  evidência  nos  elementos  por  ela  apresentados,  naquele  sentido. Assim,  supõe­se  que as  posições  líquidas,  após  a  consolidação  feita  pela ADM Trading, são comunicadas à ADM Investor Services que necessariamente as  Fl. 25038DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 48          47 apresenta à Bolsa de Chicago, sendo este o fluxo que a recorrente pretende provar por  meio dos elementos apresentados.  De  toda  sorte,  as  alegações  da  recorrente  foram  suficientes  para  demonstrar  seu  empenho  em  reunir  elementos  para  convencer  esta Relatora  da  legitimidade  de  seus  registros contábeis. Ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração  da  equivalência  entre  os  registros  contábeis  e  as  operações  da  empresa  junto  ao  mencionado Sistema VAX. Mas os elementos  trazidos pela recorrente são evidências  fortes  de  que  estes  registros  existiam  e  obedeciam  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  de modo  a  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  físicas  com  commodities.  Apenas  que,  a  precariedade  da  guarda  documental  destas  demonstrações  não  permitiu  que  a  empresa  as  apresentasse  à  Fiscalização  e  convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis.  Este cenário evidenciou ser justificável a conversão do julgamento em diligência para  que a autoridade lançadora confirmasse a validade dos critérios de auditoria adotados  pelas  empresas  contratadas,  e por  conseqüência a admissibilidade de  seus  relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pela  contribuinte,  apontando divergências que deste exame resultassem e quantificando sua repercussão  no crédito tributário lançado.  Antes, porém, observou­se que a alegada compensação de ordens das diversas empresas  no  âmbito  do  grupo  poderia  ser  interpretada,  também,  como  evidência  da  desnecessidade da operação de hedge, na medida em que a cobertura é dada por outra  operação comercial do próprio grupo. O exemplo construído no parecer exarado pelo  Professor Marco Aurélio Greco deixava transparecer este aspecto:  Realmente,  se,  por  hipótese,  a  ADM  do  Brasil  vender  soja  para  o  Japão  e  der  uma  ordem de  compra31  [31 Ordem  inversa  à  operação  física  emitida  com a  finalidade  de  cobertura  (hedge).]  a  ser  executada  na Bolsa  de Chicago,  a ADM do  Japão  que  está  importando soja, poderá estar,  ao mesmo  tempo, emitindo uma ordem de venda a  ser  executada na mesma Bolsa.   Se o objetivo das normas estrangeiras é assegurar uma livre e verdadeira formação de  preço junto ao mercado comprador e vendedor de contratos futuros, e esta condição é  necessária  para  tornar  dedutíveis  as  perdas  de hedge na  forma  do  art.  17  da Lei  nº  9.430/96  (matriz  legal  do  caput  do  art.  396  do  RIR/99),  como  diz  o  Professor  Ary  Oswaldo Mattos  Filho  em  seu  parecer,  a  vedação  à  prática  de  operações  opostas  e  simultâneas  por  um  mesmo  grupo  empresarial  pode  ser  perfeitamente  interpretada  como restrição a uma prática desnecessária, que pode prejudicar a  livre e verdadeira  formação de preços.  A prática descrita pela recorrente, em verdade, afirma a existência de uma operação de  cobertura  junto  à  Bolsa  de  Chicago  que  não  foi  formalizada,  e  assim  enseja  o  reconhecimento contábil de um resultado decorrente de uma operação que efetivamente  não existiu. Assim, não basta reputar como método aceitável para admissibilidade de  perdas  em  hedge  aquele  que  demonstre  em  tempo  real  a  formação  de  preço,  e  que  permita  que  as  compras  e  vendas  sejam  liquidadas  por  valores  praticados  livremente  pelo mercado secundário, como dito pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho em seu  parecer.  É  necessário  que  a  cobertura  resulte  de  uma  operação  realizada  em  bolsa  para  que  tenha  efetividade,  não  bastando  que  ela  adote  os  parâmetros  daquele  mercado regulado.   Veja­se,  ainda,  que  a  prática da  recorrente permite a  remessa  de  valores  a  título  de  pagamento  de margens  que  não  eram  devidas  à Bolsa  de Chicago, mas  sim  a  outra  empresa do Grupo ADM.   Este aspecto, inclusive, poderia justificar as disparidades apontadas pela Fiscalização,  acerca  da  representatividade  dos  depósitos  totais  de  margens  remetidos  ao  exterior  pela  autuada,  quando  comparado  com  seu  faturamento  (24,73%),  que  destoa  do  Fl. 25039DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 49          48 percentual de 1,25%, inferido a partir dos depósitos de margens promovidos pela ADM  Investor Services em favor de todo o Grupo ADM, considerando o faturamento global  deste. É certo que a recorrente contesta as premissas destas inferências, especialmente  o período ao qual se refere faturamento global do Grupo e a utilização do dólar médio  para  conversões.  Contudo,  no mais,  os  depósitos  de margem  promovidos  pela  ADM  Investor  Services  em  2004,  e  a  informação  de  que  80%  de  suas  operações  corresponderiam a terceiros estranhos ao Grupo ADM, são informações apresentadas  pela  contribuinte  à  Fiscalização.  Ademais,  são  apenas  inferências,  que  somente  ganham relevo ante os demais fatos não esclarecidos adequadamente pela contribuinte.  Irrelevante,  assim,  se  a  bolsa  de  mercadorias  brasileira  não  tem  capacidade  para  acolher os negócios da recorrente, estando ela obrigada a recorrer à Bolsa de Chicago  e submeter­se às suas regras. O fato de as leis estrangeiras visualizarem as empresas  do  Grupo  ADM  como  um  ente  único,  e  impedir­lhes  de  requerer  cobertura  para  operações  simultâneas  e  opostas,  autoriza  a  interpretação  de  que  a  hedge  é  desnecessária  e,  por  conseqüência,  sua  perda,  indedutível  nos  termos  do  art.  396,  caput, do RIR/99.  Observe­se  que,  ao  contrário  do  que  diz  a  recorrente  em  memorial  complementar  formulado após a apresentação deste voto na  reunião de  julgamento de março/2013,  não se trata, aqui, de questionar a natureza de proteção das operações de hedge, mas  sim de apurar como esta proteção se efetivou dentro do grupo empresarial, e se houve  a necessidade, e conseqüente efetivação de hedge em Bolsa. Há evidências de proteção  contra  oscilações  de  preços  mediante  contratação  de  operações  físicas  opostas  por  outras empresas do grupo, as quais não podem ser  interpretadas como operações de  hedge em bolsa.   Recorde­se, ainda, que nada neste sentido teria sido argüido durante a Fiscalização, na  medida  em  que  a  contribuinte,  ao  longo  do  procedimento  fiscal,  asseverou  que  as  perdas  deduzidas  decorreriam  de  operações  de  hedge  contratadas  em  Bolsa,  e  não  logrou provar este  fato. Ademais, não apontou em seus esclarecimentos a atuação da  ADM Trading, de modo a suscitar dúvida na Fiscalização acerca deste outro aspecto  subsidiário, mas que passa a ser determinante para aferição da dedutibilidade a partir  do momento em que se busca trazer aos autos a prova das operações realizadas. Assim,  tais  aspectos  não  representam  a  abertura  de  uma  nova  discussão,  mas  sim  considerações  acerca  da  prova  necessária  para  dedutibilidade  dos  valores  contabilizados.  A  recorrente  também  invoca,  subsidiariamente,  a  aplicação  do  §1o  do  art.  396  do  RIR/99 ou do art. 71 da Lei nº 9.430/96, com vistas a legitimar perdas decorrentes de  operações de hedge realizadas fora de Bolsa.   O § 1o do art. 396 do RIR/99 reflete o cenário legal anterior à alteração  introduzida  pelo  art.  17  da  Lei  nº  9.430/96,  base  legal  do  caput  daquele  artigo  regimental.  O  referido §1o tem fundamento no art. 63 da Lei nº 8.383/91 que, reportando­se ao art. 6o  do  Decreto­lei  nº  2.397/87,  assim  dispunham  até  o  final  de  2004  (art.  24  da  Lei  nº  11.033/2004 revogou o art. 63 da Lei nº 8.383/91 a partir de 01/01/2005):  Decreto­lei nº 2.397, de 1987:   Art.  6°  Serão  computados  na  determinação  do  lucro  real  da  pessoa  jurídica  os  resultados  líquidos  obtidos  em  operações  de  cobertura  realizadas  nos  mercados  de  futuros, em bolsas no exterior, iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1988.   1° No  caso  de  operações  que  não  se  caracterizem  como  de  cobertura,  para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  os  lucros  obtidos  serão  computados  e  os  prejuízos  não  serão  dedutíveis.   2° O Poder Executivo expedirá instruções para a apuração do resultado líquido, sobre a  movimentação  de  divisas  relacionadas  com  essas  operações,  e  outras  que  se  fizerem  necessárias à execução do disposto neste artigo.   Fl. 25040DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 50          49 Lei nº 8.383, de 1991   Art. 63. O  tratamento  tributário previsto no art. 6° do Decreto­Lei n° 2.397, de 21 de  dezembro  de  1987,  aplica­se,  também,  às  operações  de  cobertura  de  riscos  realizadas  em outros mercados de futuros, no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo  Conselho Monetário Nacional e desde que sejam observadas as normas e condições por  ele estabelecidas.   Segundo a recorrente, a Resolução CMN nº 2.012/93 autorizaria a dedução de perdas  desde  que  se  trate  de  operações  de  hedge  vinculadas  a  operações  reais  e  efetivas  de  revenda  de  soja  e  que  sigam  rigorosamente  os  parâmetros  de  mercado.  Referida  Resolução, revogada a partir de 19/09/2005 pela Resolução CMN nº 3.312/2005, assim  dispunha:  Art.  1º.  Permitir  que  as  entidades  do  setor  privado  realizem,  no  exterior,  com  instituições  financeiras  ou  em  bolsas,  operações  destinadas  a  proteção  ("hedge")  contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de  mercadorias, no mercado internacional.   Parágrafo 1º. As operações  de que  se  trata pautar­se­ão  pelos parâmetros  vigentes  no  mercado  internacional,  podendo  o  Banco  Central  do  Brasil,  a  seu  exclusivo  critério,  exigir  compensação  cambial  suficiente  para  elidir  os  efeitos  das  operações  que  se  mostrarem  dissonantes  do  objetivo  previsto  ou  celebradas  fora  daqueles  parâmetros,  sem prejuízo da aplicação das sanções porventura cabíveis.   Parágrafo  2º.  As  operações  que  se  vinculem  a  direitos  e  obrigações  registradas,  ou  sujeitas a registro, no Banco Central do Brasil/Departamento De Capitais Estrangeiros  (FIRCE)  estarão  igualmente  sujeitas  a  registro,  o  qual  poderá  ser  efetuado  após  a  respectiva contratação.   [...]  Art. 3º. Observado o disposto no art. 1º, parágrafo 1º, desta resolução, fica reduzido em  100%  (cem  por  cento)  o  valor  do  imposto  de  renda  que  incida  sobre  remessas  ao  exterior,  desde  que,  comprovadamente,  se  caracterizem  como  necessárias,  usuais  e  normais, inclusive quanto ao seu valor, à realização da cobertura de riscos de variações,  no mercado internacional, de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de  mercadorias, e/ou delas decorram, obedecida a regulamentação pertinente.   Art. 4º. Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e  baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta resolução.   Art. 5º. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação.   Art.  6º.  Ficam  revogadas  as  resoluções  nºs  272,  de  17.12.73,  1.203,  de  30.10.86,  e  1.921, de 30.04.92. (negrejou­se)  Como se vê, as operações de hedge cogitadas na Resolução CMN nº 2.012/93 seriam  aquelas  realizadas junto a  instituições  financeiras, circunstância aqui não verificada.  Imprópria, assim, a alegação da recorrente.  Quanto ao art. 71 da Lei nº 9.430/96, há que se ter em conta sua redação na forma da  Lei nº 10.833/2003:  Art.71. Sem prejuízo do disposto no art. 74 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, os  ganhos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, nas demais  operações realizadas em mercados de liquidação futura, fora de bolsa, serão tributados  de  acordo  com  as  normas  aplicáveis  aos  ganhos  líquidos  auferidos  em  operações  de  natureza semelhante realizadas em bolsa.  §1º Não se aplica aos ganhos auferidos nas operações de que trata este artigo o disposto  no §1º do art. 81 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.  § 2o Somente será admitido o reconhecimento de perdas nas operações registradas nos  termos da legislação vigente. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (negrejou­se)  Assim, não bastasse a oposição que a recorrente se antecipa a questionar – de que o  referido  dispositivo  legal  (art.  71),  ao  assegurar  a  dedutibilidade  das  perdas  auferidas  Fl. 25041DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 51          50 nas  operações  realizadas  em  mercado  de  liquidação  futura  fora  de  Bolsa,  não  teria  explicitado que tal regra também seria aplicável às operações realizadas no exterior –,  bem  como  o  fato  de  o  referido  dispositivo  legal  apenas  se  prestar  a  equivaler  a  tributação  de  ganhos  auferidos  dentro  ou  fora  da  bolsa,  vê­se  que,  de  toda  sorte,  somente  seriam  dedutíveis  perdas  nas  operações  registradas  nos  termos  da  legislação  vigente,  quais  sejam,  operações  em  bolsa  ou  em  instituições  financeiras  como  antes  exposto.  Foram  estas  as  razões  expostas  na  Resolução  nº  1101­000.077  para  concluir  pela  conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora:  · Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de  hedge  seriam necessárias  e  dedutíveis:  1) analise  os  elementos  trazidos  pela  recorrente como evidências de que os  registros  junto ao mencionado Sistema  VAX  existiam  e  obedeciam  a  um  fluxo  operacional  sujeito  a  conciliações  periódicas,  de  modo  a  assegurar  a  cobertura  de  suas  operações  físicas  com  commodities; 2)  informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas  empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios  para  demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pela  contribuinte,  ou  apure  esta  regularidade  por  outros  meios  que  entender  e  justificar  suficientes;  3)  aponte  divergências  que  deste  exame  resultem,  identificando  as  perdas  que  restarem  sem  comprovação,  e  quantificando  sua  repercussão no crédito tributário lançado;  · Sob  a  premissa  final  de  que  somente  as  operações  de  hedge  realizadas  em  bolsa  ensejam  perdas  dedutíveis, promova  as  verificações  acima  requeridas,  mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente  contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com  posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo  ADM.  A  partir  do  primeiro  resultado  apresentado  para  a  diligência  assim  requerida  esta  Relatora  entendeu  que  a  autoridade  lançadora  havia  concordado  com  parte  da  dedução dos valores glosados. Porém, formulados outros questionamentos acerca das  glosas  acessórias  por  meio  da  Resolução  nº  1101­000.152,  o  auditor  responsável  afirmou  discordar  integralmente  dos  valores  deduzidos.  Tais  esclarecimentos,  em  conjunto,  evidenciam  que  a  autoridade  fiscal  encarregada  da  diligência  não  logrou  êxito  em  alcançar  a  origem  dos  valores  glosados,  apesar  de  a  contribuinte  ter  respondido às intimações que lhe foram dirigidas no curso da diligência.   Observa­se que na execução inicial da diligência, a autoridade fiscal exigiu memórias  de  cálculo  das  perdas  compensadas  e  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago, bem como posterior explicação detalhada da forma de apuração dos valores  apontados  nos  demonstrativos,  além  de  relatórios  mensais  das  perdas,  inicialmente  fazendo  referência  aos  relatórios  de  auditoria  apresentados  antes  da  conversão  do  julgamento  em  diligência,  e  depois  exigindo  que  os  demonstrativos  tomassem  como  base os registros no Sistema VAX. A resposta de fls. 12915/12916 foi acompanhada de  documentos  juntados  às  fls.  13176/17998  e,  examinando­os,  o  auditor  responsável  questionou  as  divergências  constatadas  entre  as  memórias  de  cálculo  iniciais  e  os  demonstrativos  posteriormente  apresentados,  destacando  estas  ocorrências  no  Termo  de Encerramento de Diligência, no qual  também: 1) apontou a  falta de apresentação  dos valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago;  2)  questionou  a  imparcialidade  das  auditorias  contratadas;  3)  afirmou  a  impossibilidade  de  auditoria  no  Sistema  VAX  por  auditoria  independente  ou  pela  Receita Federal; 4) destacou que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são  realizados  pelo  Grupo  ADM,  não  sendo  separados  por  empresas,  a  inviabilizar  um  parecer conclusivo sobre os valores informados pelo contribuinte. Concluiu, assim, que  não restavam comprovados documentalmente os valores informados pela contribuinte.  Fl. 25042DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 52          51 Contudo,  tais  obstáculos  não  são  suficientes  para  imputar  à  contribuinte  a  incapacidade de provar a origem dos valores glosados.   Inicialmente com referência à falta de apresentação dos valores e documentos relativos  às  transferências  financeiras  para  a  BM&F  Chicago,  observa­se  que  tal  exigência  constou, de fato, na intimação de fl. 12904 e na reintimação de fl. 12906, nas quais a  autoridade  acrescentou,  ao  final  do  item  referente  ao  valores  mensais  das  perdas  correspondentes  às  operações  de  hedge  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago, a necessidade de apresentação dos  respectivos documentos de  transferência  financeira para a Bolsa de Chicago. Ocorre que, depois de pedir prorrogação de prazo,  a  contribuinte  respondeu  à  intimação  mencionando  que  o  fazia  em  atendimento  às  solicitações  complementares  ao  Termo  de  Reintimação  Fiscal  em  referência,  formuladas  verbalmente  em  reunião  realizada  em  08/04/2014.  Na  sequência,  a  intimação  de  fls.  17999  somente  pede  esclarecimentos  acerca  das  diferenças  identificadas nos demonstrativos apresentados durante a diligência, e nada menciona  sobre os documentos de transferência que não teriam sido entregues.   Por sua vez, na manifestação de  inconformidade apresentada contra o segundo  relatório de diligência, a contribuinte consignou que:  41.  Neste  tópico  específico  convém  esclarecer  que  à  época  da  diligência  (em  atendimento  à Resolução  nº  1101­000.077),  o  agente  fiscal  solicitou  documentos  que  comprovassem  a  transferência  de  recursos  à  Bolsa  de  Chicago:  foram  solicitados  os  comprovantes dos pagamentos de margem efetuados junto a Bolsa de Chicago.  [...]  43. Nesse processo, os comprovantes dos pagamentos de margens  foram apresentados  aos agentes  fiscais por ocasião do processo fiscalizatório do ano de 2004. Ou seja, os  comprovantes solicitados em atendimento à Resolução nº 1101­000.077 já constam dos  autos  do  Processo  nº  15586.001637/2009­01.  Portanto,  em  momento  alguma  a  Requerente deixou de atender o agente fiscal.  44. Ainda,  com  relação  ao  processo  nº  15586.001638/2010­81,  referente  aos  anos  de  2006  e  2007,  não  abarcado  pela  Resolução  nº  1101­000.077  (e  tampouco  pela  Resolução nº 1101­000.152), cumpre esclarecer que os comprovantes de pagamento de  margem  não  foram  solicitados  por  ocasião  do  processo  fiscalizatório  e,  portanto,  não  constam dos respectivos autos.  45. O agente fiscal somente solicitou tais documentos no decorrer da primeira diligência  (i.e. decorrente da Resolução nº 1101­000.077).  46. Ocorre que a apresentação de tais documentos demandaria um tempo significativo  da Requerente:  (i)  em  função  do enorme  volume de documentos;  e  (ii)  em  função da  logística,  já  que  tais  documentos  são  mantidos  nos  EUA.  Esse  fato  foi  levado  ao  conhecimento  do  agente  fiscal,  o  qual  optou  por  não  renovar  a  solicitação  pela  apresentação de tais comprovantes.  47.  Portanto,  evidente  que  a  Requerente  não  mediu  esforços  no  atendimento  das  solicitações dos agentes fiscais, seja no processo fiscalizatório, seja nas diligências.  De  fato,  na  intimação de  fls.  823/824  (e­fls.  431/432) a  autoridade  lançadora exigiu  documentação  comprobatória  das  coberturas  das  margens  dos  contratos  futuros  solicitadas pela Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.)  relativo  ao  ano­calendário  de  2004  (ADM­EUA)  e,  em  resposta  (fls.  827/829,  e­fls.  435/437), a contribuinte informou apresentar cópias dos comprovantes de transferência  bancária  (denominados  "swifts"  conforme  linguagem  bancaria) —  (doc.  3),  os  quais  comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições contratuais  da  Intimada,  resultantes  das  ordens  eletrônicas  inseridas  em  sistema  de  compras  e  vendas  de  posições  contratuais  de  lotes­padrão  as  quais  estão  devidamente  demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas.  por  ocasião  do  atendimento  ao  Termo  de  Inicio  de  Diligência  n°  251/2009.  Os  Fl. 25043DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 53          52 mencionados "swifts", por sua vez, estão capeados como "doc. 3" às fls. 830/857 (e­fls.  438/464).  Quanto ao fato de os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago serem realizados  pelo  Grupo  ADM,  não  sendo  separados  por  empresas,  observa­se  na  resposta  apresentada às  fls. 12776/12780 que a segregação  foi promovida mediante o critério  assim descrito pela contribuinte:  Em  observância  da  legislação  regulatória  dos  Estados  Unidos  da  América,  o  Grupo  ADM consolida todas as operações de hedge das suas subsidiárias ao redor do mundo.  Essa  consolidação  é  realizada  pela  ADM  Trading,  que  transfere  à  ADM  Financeira  (corretora de valores) as operações de hedge que não foram contrapostas com operações  do Grupo ADM, para que sejam executadas junto à Bolsa de Chicago.  Para  segregar  as  perdas  relativas  às  operações  de  hedge  que  foram  consolidadas  pela  ADM  Trading  das  perdas  relativas  àquelas  que  foram  executadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago, conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal,  a ADM do Brasil  partiu do banco do dados que consolida todos os Relatórios R38381­01 e que engloba  todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas  as transações da ADM Trading executadas junto à Bolsa de Chicago ("Extrato 5032")2.  Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima, a  partir  desse  confronto  conclui­se  que  as  perdas  decorrentes  de  transações  de  mesmo  produto,  Mês  de  Entrega  e  preço  em  determinado  dia,  constantes  de  ambos  os  documentos  (Relatório R38381­0  e Extrato  5032)  foram  negociadas  junto  à Bolsa  de  Chicago.  Referido  critério  não  foi  confrontado  pela  Fiscalização  e,  do  ponto  de  vista  lógico,  apresenta­se  razoável,  pois  para  negar­lhe  validade  seria  necessário,  por  exemplo,  demonstrar que dentre as posições  compensadas,  aquela que remanesceu dependente  de cobertura não corresponderia à posição posta pela empresa brasileira, mas sim a  outra posição idêntica apresentada por empresa do grupo situada em outro país, que  da aplicação do critério adotado resultou compensada com outra posição oposta.    Ainda,  quanto à  confiabilidade  dos  relatórios  produzidos  nas  auditorias  contratadas  pela  contribuinte,  cabe  destacar  que  na  Resolução  nº  1101­000.077  requereu­se  informação  acerca  da  validade  dos  critérios  de  auditoria  adotados  pelas  empresas  contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração  da  regularidade  dos  valores  contabilizados  pela  contribuinte  ou,  então,  a  apuração  desta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes, especialmente  porque está evidente o volume significativo de operações realizadas pela contribuinte e  os  múltiplos  registros  contábeis  decorrentes  da  cobertura  rotineiramente  praticada,  sujeita  a  variações  periódicas.  Assim,  se  a  autoridade  fiscal  não  vislumbra  nos  trabalhos realizados pelas auditorias contratadas nada que possa ser aproveitado para  otimizar a confirmação das operações alegadas, cumpre­lhe exigir da contribuinte os  relatórios individualizados das operações junto ao sistema VAX para confronto com as  perdas e ganhos contabilizados no período autuado, bem como para identificação das  operações que foram compensadas e das que receberam cobertura em Bolsa, ensejando  variações  que  integraram  os  valores  pagos  à  Bolsa.  Acrescente­se  que  a  autoridade  fiscal  afirma  a  impossibilidade  de  auditoria  do  Sistema  VAX  mas,  como  observa  a  contribuinte à  fl. 18188, não dá qualquer explicação minimamente razoável acerca da  natureza dessa impossibilidade, permitindo­se vislumbrar a possibilidade de relatórios  serem  gerados  sob  declaração  de  sua  veracidade  pelo  sujeito  passivo,  além  da  vinculação  de  seus  registros  às  contratações  de  compra  e  venda  futura  que  a  contribuinte  certamente  documentou  em  suas  relações  com  terceiros,  viabilizando  conferências,  ainda  que  por  amostragem,  dos  registros  eletrônicos  das  posições  opostas objeto de hedge. Recorde­se, ainda, que o Decreto nº 8.506, de 2015, permite a  troca  de  informações  entre  Brasil  e  Estados  Unidos  da  América,  de  forma  que  a  Fl. 25044DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 54          53 intervenção  de  entidades  situadas  naquele Estado  estrangeiro  não  pode  ser  óbice  às  investigações.   Por  fim, a autoridade  fiscal  também produziu análises comparativas entre os valores  totais  apresentados  nos  demonstrativos  elaborados  pela  contribuinte  no  curso  da  diligência  fiscal,  as  quais  poderiam,  apenas,  resultar  no  desprezo,  pela  autoridade  fiscal,  das  consolidações  promovidas  pela  contribuinte,  sem dispensar­lhe da  análise  dos  relatórios  de  operações  e  da  produção  de  suas  próprias  consolidações.  Desnecessário, assim, abordar os questionamentos  formulados pela contribuinte para  demonstrar que não existe padrão numérico esperado para as comparações selecionadas  em razão das inúmeras variáveis que influenciam suas atividades.  Observe­se, ainda, que no voto condutor da Resolução nº 1101­000.152 foram exigidos  esclarecimentos  acerca  da  repercussão  atribuída  pela  autoridade  fiscal  à  glosa  de  variações  monetárias,  juros  e  comissões.  E,  em  sua  segunda  manifestação,  a  autoridade fiscal recompôs os cálculos para proporcionalizar o valor destes acessórios  à  comprovação  do  principal  alegada  pela  contribuinte.  Frente  a  tais  circunstâncias,  importa  esclarecer  que  tal  cálculo  proporcional  somente  poderia  ser  admitido  se  devidamente  justificada a  impossibilidade de  se estabelecer a correlação direta entre  os acessórios glosados e as perdas que eventualmente venham a ser comprovadas.   Esclareça­se, também, que o requerimento de perícia apresentado na manifestação de  fls.  18180/18241  não  merece  deferimento,  na  medida  em  que  a  interessada  não  apresentou quesitos que demandem conhecimento técnico distinto daquele detido pela  autoridade  fiscal.  As  análises  propostas  têm  em  conta  o  fluxo  operacional  do  qual  resultou  os  registros  no  sistema  VAX  para  cobertura  das  operações  físicas  com  commodities,  bem  como  a  apuração  das  perdas  decorrentes  de  operações  de  hedge  efetivamente  contratadas  junto  à  Bolsa  de  Chicago,  bem  como  das  correspondentes  despesas com variações cambiais e juros. De outro lado, nada impede a contribuinte de  requerer  aos  peritos  indicados  a  produção  de  laudos  técnicos  acerca  dos  quesitos  abaixo colocados para apuração pela autoridade fiscal, ou mesmo constituí­los como  seus representantes legais para se manifestarem durante a continuidade da diligência.   Por  todo  o  exposto,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  novamente  CONVERTER  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  competente  apure  a  regularidade  dos  valores  contabilizados,  ainda  que  por  amostragem  devidamente  justificada,  mediante:  1)  identificação  das  operações  que  demandaram  cobertura  no  período  fiscalizado;  2)  avaliação  do  fluxo  operacional  para  concretização  das  operações de hedge em Bolsa de modo a confirmar se as perdas registradas guardam  correspondência com a variação de preços ali verificadas; 3) seleção, dentre as perdas  vinculadas às operações de hedge demandadas pela contribuinte, das que resultam de  operações de hedge efetivamente levadas à Bolsa, identificadas a partir dos relatórios  que  detalham  as  transferências  financeiras  devidas e  pagas  à  instituição  com a  qual  foram  contratadas  as  operações  de  hedge;  4)  quantificação  do  valor  das  perdas  decorrentes do total de operações de hedge ordenadas pela contribuinte e do valor das  perdas  vinculadas  a  operações  efetivamente  levadas  à  Bolsa;  e  5)  definição  da  repercussão  desta  classificação  de  perdas  nos  registros  acessórios  de  variação  cambial, comissões e juros.    Ao  final  dos  trabalhos  a  autoridade  fiscal  deve  produzir  relatório  circunstanciado,  descrevendo  suas  análises  e  conclusões  daí  resultantes,  dele  cientificando  a  interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas  razões de defesa.  Idênticas  providências  se  fazem  necessárias  em  relação  às  exigências  aqui  formalizadas,  correspondentes  aos  anos­calendário  2006  e  2007,  mas  destacando­se,  especificamente em relação aos registros acessórios de variação cambial, comissões e juros, a  Fl. 25045DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 55          54 alegação da contribuinte, em sua manifestação diante da diligência promovida, que não foram  procedidas  às  análises  relativas  a  juros  e  variação  cambial  para  os  anos  de  2006  e  2007,  diferentemente do que fez em relação ao ano de 2004, apesar de tais despesas acessórias terem  sido integradas aos resultados glosados. De fato, na segunda diligência requerida nestes autos,  frente  a  ausência  de  especificação,  nos  valores  glosados,  das  parcelas  correspondentes  às  despesas acessórias em referência, não foram aqui reproduzidos os questionamentos acerca dos  critérios  adotados  pela  autoridade  fiscal  encarregada  da  diligência  para  determinação  dos  valores que poderiam ser admitidos em caso de comprovação das perdas com hedge. Assim,  frente  à  demonstração  à  fl.  24861  das  parcelas  de  variação  cambial,  juros,  comissão  e  corretagem  que  também  integrariam  os  valores  glosados  em  2006  e  2007,  necessário  se  faz  afirmar,  também  aqui,  necessidade  de  que,  a  partir  da  identificação  da  natureza  das  perdas  contabilizadas  pela  contribuinte,  seja  demonstrada  a  repercussão  desta  classificação  nos  registros  acessórios  referidos,  caso  efetivamente  incluídos  nos  valores  glosados  de  2006  e  2007.  Ainda,  com  referência  aos  questionamentos  anteriores  acerca  dos  saldos  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  detidos  pela  contribuinte,  cumpre  reiterar  as  verificações  antes  solicitadas, na medida em que os prejuízos acumulados em balanço patrimonial não se  prestam  como  limitadores  do  direito  à  compensação.  Nos  termos  do  art.  262,  inciso  III,  os  registros  de  controle  de  prejuízos  fiscais  a  compensar  são  mantidos  no  LALUR,  e  têm  por  referência  o  resultado  contábil  ajustado  pelas  determinações  específicas  da  legislação  de  regência do IRPJ e da CSLL, devendo refletir, inclusive, os efeitos de lançamentos tributários  que alterem a apuração originalmente informada pelo sujeito passivo em DIPJ.   Assim,  para  cumprir  a  requisição  veiculada  na  diligência  anterior  ­  se  os  prejuízos e bases negativas disponíveis no LALUR da contribuinte correspondem, de fato, às  apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e se estas não foram alteradas em razão  de procedimentos fiscais passados ­ cabe à autoridade fiscal confrontar os registros do Sistema  de Acompanhamento  de Prejuízos  e  Lucro  Inflacionário  ­  SAPLI  com  as DIPJ  apresentadas  pelo  sujeito  passivo,  avaliar  os  efeitos  de  eventuais  declarações  retificadoras,  bem  como  identificar  se  houve  alterações  decorrentes  de  lançamentos  tributários,  informando  a  data  de  formalização destes e traçando em demonstrativos a evolução, a cada período de apuração, dos  prejuízos e bases negativas, comparando as informações do sujeito passivo e aquelas extraídas  dos sistemas de controle da RFB. Tal análise deve ser promovida desde o primeiro período de  apuração no qual a contribuinte indica ter apurado prejuízo fiscal ou base negativa integrante  do saldo que entende dispor para compensação.   Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de novamente CONVERTER o  julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente:  a) Apure a  regularidade dos valores contabilizados, ainda que por amostragem  devidamente justificada, mediante: 1) identificação das operações que demandaram cobertura  no período fiscalizado; 2) avaliação do fluxo operacional para concretização das operações de  hedge em Bolsa de modo a confirmar se as perdas registradas guardam correspondência com a  variação  de  preços  ali  verificadas;  3)  seleção,  dentre  as  perdas  vinculadas  às  operações  de  hedge  demandadas  pela  contribuinte,  das  que  resultam  de  operações  de  hedge  efetivamente  levadas à Bolsa, identificadas a partir dos relatórios que detalham as transferências financeiras  devidas  e  pagas  à  instituição  com  a  qual  foram  contratadas  as  operações  de  hedge;  4)  quantificação do valor das perdas decorrentes do  total de operações de hedge ordenadas pela  contribuinte e do valor das perdas vinculadas a operações efetivamente levadas à Bolsa; e 5)  Fl. 25046DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001638/2010­81  Resolução nº  1302­000.428  S1­C3T2  Fl. 56          55 definição  da  repercussão  desta  classificação  de  perdas  nos  registros  acessórios  de  variação  cambial, comissões e juros;  b)  Verifique  se  os  prejuízos  e  bases  negativas  disponíveis  no  LALUR  da  contribuinte correspondem, de fato, às apurações por ela declaradas em períodos anteriores, e  se  estas  não  foram  alteradas  em  razão  de  procedimentos  fiscais  passados,  mediante:  1)  identificação  dos  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  integrantes  do  saldo  que  a  contribuinte  entende  dispor  para  compensação,  de modo  a  determinar  o  período  de  apuração  inicial  das  análises; 2) confronto entre os registros do SAPLI e as DIPJ apresentadas pelo sujeito passivo,  com avaliação dos efeitos de eventuais declarações retificadoras; 3) identificação de eventuais  alterações  dos  prejuízos  fiscais  ou  bases  negativas  em  razão  de  lançamentos  tributários,  informando  a  data  de  formalização  destes  e  o  seu  estágio  atual,  caso  contestado;  e  4)  demonstração  da  evolução,  a  cada  período  de  apuração,  dos  prejuízos  e  bases  negativas,  comparando as informações do sujeito passivo e aquelas extraídas dos sistemas de controle da  RFB.   Ao  final  dos  trabalhos  a  autoridade  fiscal  deve  produzir  relatório  circunstanciado,  descrevendo  suas  análises  e  conclusões  daí  resultantes,  dele  cientificando  a  interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de  defesa.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora    Fl. 25047DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA

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6377496 #
Numero do processo: 10715.002402/2010-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 03/11/2006 a 28/11/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.570
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002402/2010­26  Acórdão n.º 9303­003.570  CSRF‐T3  Fl. 240          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo  Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando  o  feito,  a  Turma  recorrida  deu  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  Acórdão  3801­004.888,  aplicando  a  denúncia  espontânea  para  afastar  a  exigência da multa em comento.   Cientificada  do  acórdão mencionado  o Representante  da  Fazenda Nacional  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  exoneração  da  penalidade  em  comento  por  aplicação  da  denúncia  espontânea  prevista  no  art.  102,  §  2º,  do Decreto­lei  nº  37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.551, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/2010­15, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.551):  "O  recurso  é  tempestivo e,  ao contrário do alegado pelo  sujeito passivo em  suas contrarrazões, atende aos demais  requisitos de admissibilidade, merecendo, por  isso, ser  admitido.  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002402/2010­26  Acórdão n.º 9303­003.570  CSRF‐T3  Fl. 241          3 De  fato,  ao  cotejarmos  o  objeto  desta  lide  com  o  da  discutida  no  acórdão  paradigma, vê­se que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea  "e"  do  inciso  IV  do  art.  107  do  Decreto­Lei  nº  37/1966,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.833/2003:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas: (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) .  I­ omissis  .....................................................................................................   IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003) .  a) omissis  .......................................................................................................  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga; e  As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma,  como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações  previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo  ou  aéreo. O  dispositivo  legal  interpretado  é,  absolutamente,  idêntico, mas  os  resultados  dos  julgamentos  foram  distintos.  No  recorrido,  aplicou­se  a  denúncia  espontânea,  já  no  acórdão  paradigma,  não.  Acrescente­se  ainda  que  a  matéria  foi  prequestionada  e  o  recurso  foi  apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.   Importante  frisar  que  recorrido  e  paradigma,  além  de  tratarem  da  mesma  matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei  12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do  Decreto­Lei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras.   Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do  apelo apresentado pela Fazenda Nacional.  A matéria devolvida ao Colegiado cinge­se, exclusivamente, à possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010,  para  afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga  nele transportada.  O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como  o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos  são  como  uma  ponte  de  ouro,  como  diriam  os  penalistas,  para  aqueles  que  se  encontram  à  margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte  de  ouro  para  a  legalidade.  Por  essa  ponte  só  podem  passar  aqueles  que,  voluntariamente,  desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitam­lhe o resultado.   Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002402/2010­26  Acórdão n.º 9303­003.570  CSRF‐T3  Fl. 242          4 Nos delitos unissubsistentes1  não  se admite desistência voluntária,  uma vez  que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os  crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que,  encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser  evitado".   No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais  é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado,  o que não veio a ocorrer no caso em exame.  Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não  são  suscetíveis  de  denúncia  espontânea.  São  aquelas  em  que  a  mera  conduta,  por  si  só,  já  configura  o  ilícito,  o  qual,  uma  vez  ocorrido,  não  há  possibilidade  jurídica,  ou  até  mesmo  física, de se evitar o resultado.  O  exemplo  mais  característico  desse  tipo  de  infração,  é,  justamente,  a  referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se  exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o  atraso não poderá ser reparado.   Em  outras  palavras,  atendo­se  às  normas  do  Direito  Tributário,  o  dano  relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagando­se o tributo e os  consectários  legais.  Todavia,  se  se  tratar  de  infrações  referentes  a  obrigações  acessórias  autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o  núcleo do bem  jurídico protegido, uma vez violado, não  tem como ser  restabelecido. Assim,  por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi  apresentada  no  prazo  determinado,  não  há  como  cumprir  a  obrigação  acessória  tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível  hoje.  No  caso  dos  autos,  a  obrigação  acessória  autônoma,  descumprida  pelo  transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados  de  embarque  de  mercadorias  no  prazo  estabelecido  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil. Note­se  que,  uma  vez  exaurido  o  prazo  para  se  prestar  as  informações  sem  que  elas  tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais  possibilidade de se evitar o resultado.  Note­se que, se a sanção fosse destinada, apenas e tão­somente, a punir o não  cumprimento  da  obrigação  acessória,  poder­se­ia  admitir  que,  o  adimplemento  a  destempo,  desde  que  espontâneo,  poderia  ser  beneficiado  com  a  norma  excludente  da  penalidade.  Entretanto,  se a  sanção é destinada a  coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez  ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea.                                                              1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta.  2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes  formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa  produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele  poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada.  3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra.  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002402/2010­26  Acórdão n.º 9303­003.570  CSRF‐T3  Fl. 243          5 Essa  questão  da  denúncia  espontânea  envolvendo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontrava­se  apascentada,  tanto  no  Judiciário4  quanto  no  âmbito  administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº  49, cujo enunciado transcreve­se a seguir:   Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso na entrega de declaração.  Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação  ao art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência  e  na  doutrina,  mas,  a  meu  sentir,  não  há  razão  alguma  para  se  modificar  o  entendimento  anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança  a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da Terceira Seção, Acórdão 3102­00.988, cujo voto condutor  foi da lavra do insigne  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui  transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto.  "O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações positivas  (fazer  ou  tolerar) ou  negativas  (não  fazer)  instituídas no  interesse  fiscalização das operações de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de                                                              4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO  DE RENDIMENTOS.  1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do  atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2.  Agravo  Regimental  não  provido.”  (STJ.  2ª  T.  AgRg  nos  EDcl  no  AREsp  209663/BA.  Rel.  Min.  Herman  Benjamin. DJe 10/05/2013).'    5  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no  curso  do despacho aduaneiro,  até o desembaraço da mercadoria;  (Incluído  pelo Decreto­Lei nº  2.472, de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela  Lei nº 12.350, de 2010).   (...)    Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002402/2010­26  Acórdão n.º 9303­003.570  CSRF‐T3  Fl. 244          6 natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No âmbito da  legislação aduaneira, em consonância com  o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades  de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado  art. 102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea  da  infração.  São  dessa modalidade  as  infrações  que  têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão de desfazer  ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade toda infração que tem o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do  tipo  é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002402/2010­26  Acórdão n.º 9303­003.570  CSRF‐T3  Fl. 245          7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De modo geral,  se admitida a denúncia  espontânea para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui  um  contrassenso  jurídico,  uma  espécie  de  revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática de infração desse jaez."  No  mesmo  sentido,  posicionou­se  o  Conselheiro  Solon  Sehn  no  Acórdão  3802­002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "Destarte,  a  aplicação  da  denúncia  espontânea  às  infrações  caracterizadas  pelo  fazer  ou  não­fazer  extemporâneo  do  sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia  ser  cumprido  há  qualquer  tempo,  ao  alvedrio  do  sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais  no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6.                                                              6  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002402/2010­26  Acórdão n.º 9303­003.570  CSRF‐T3  Fl. 246          8 Entende­se,  portanto,  que  a  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN  e  art.  102  do  Decreto­Lei  n°  37/1966)  não  alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  Não destoando desse entendimento, manifestou­se recentemente o e. Tribunal  Regional Federal da 4ª Região, conforme se  infere do enunciado da ementa e dos  trechos do  voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar  a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107,  inciso IV, alínea  "e",  do DL 37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria  embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc.   Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002402/2010­26  Acórdão n.º 9303­003.570  CSRF‐T3  Fl. 247          9 Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  necessário  verificar  o  efeito  desse  entendimento  sobre  o  resultado  do  julgamento,  tendo  em  vista  que  a  decisão  neste  processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF (recursos repetitivos).  Como  a  denúncia  espontânea  é  questão  prejudicial  de  mérito,  impede  o  julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que  o  voto  condutor  do  recorrido  tenha  se  pronunciado  sobre  outras  questões  de  mérito,  tal  pronunciamento  não  representa  julgamento  pelo  colegiado  a  quo,  constituindo,  apenas,  manifestação pessoal do relator.  Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância  a  quo  para  que  sejam  enfrentadas  as  questões  de  mérito  trazidas  pelo  Sujeito  Passivo  no  recurso voluntário.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar  inaplicável  ao  caso  a  denúncia  espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões  trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado."  Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  acima  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  dá­se  provimento  parcial  ao  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  para  considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância  a  quo  para  apreciação  das  demais  questões  trazidas  no  recurso  voluntário  e  que  não  foram  objeto de deliberação por aquele Colegiado.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                              Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 13804.008106/2002-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1989 a 31/01/1992 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL. PRECLUSÃO. O litígio administrativo nasce com a impugnação válida. A ausência de impugnação determina a preclusão do direito instrumental de defesa administrativa do contribuinte, impedindo o conhecimento de recurso voluntário. Para o reconhecimento do interesse processual, é necessária a confluência de dois elementos: a utilidade e a necessidade do pronunciamento pelo julgador. Ausente a utilidade, diante da preclusão processual de matéria que impede a homologação do pedido de compensação. O julgamento da lide, mesmo que favorável à Recorrente, não ensejará o resultado final pretendido, implicando na ausência de interesse processual. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 229          1 228  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13804.008106/2002­18  Recurso nº       Voluntário  Acórdão nº  3201­002.203  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de junho de 2016  Matéria  FINSOCIAL  Recorrente  CASA FORTALEZA COMÉRCIO DE TECIDOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/1989 a 31/01/1992  RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL.  PRECLUSÃO.   O  litígio  administrativo  nasce  com  a  impugnação  válida.  A  ausência  de  impugnação  determina  a  preclusão  do  direito  instrumental  de  defesa  administrativa  do  contribuinte,  impedindo  o  conhecimento  de  recurso  voluntário.  Para o reconhecimento do interesse processual, é necessária a confluência de  dois elementos: a utilidade e a necessidade do pronunciamento pelo julgador.  Ausente a utilidade, diante da preclusão processual de matéria que impede a  homologação do pedido de compensação. O julgamento da lide, mesmo que  favorável à Recorrente, não ensejará o resultado final pretendido, implicando  na ausência de interesse processual.  Recurso Voluntário Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  se  conhecer  do  recurso  voluntário.  Ausentes,  justificadamente,  as  Conselheiras  Mércia  Helena  Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.    Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.    Winderley Morais Pereira ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 81 06 /2 00 2- 18 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     2   Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  José  Luiz  Feistauer  de  Oliveira,  Cassio  Shappo,  Winderley  Morais  Pereira,  Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz  Belisario.      Relatório    Por  bem  descrever  os  fatos  adoto,  com  as  devidas  adições,  o  relatório  da  decisão da Câmara Superior que anulou a decisão anteriormente proferida pela turma ordinária  do CARF.     A instância a quo assim relatou os fatos:    Trata­se  de  pedido  de  Compensação  (fls.  01/04)  formalizado  pelo  contribuinte  em  08/11/2002,  em  razão  de  pagamento  indevido a título de Finsocial, fundamentado em decisão judicial.  Anexa  ao  pedido  os  documentos  de  fls.  05/24,  entre  os  quais,  cópia  dos  processos  nº.  94.0020909­6  e  94.0007343­7  (fls.07/13),  bem  como,  Contrato  Social  e  Alteração Contratual  (14/24).  O pleito do contribuinte foi indeferido pela Delegacia da Receita  Federal  em  São  Paulo/SP  (fls.  26/30),  sob  o  entendimento  de  que, no caso, o prazo para repetição do indébito seria de 5 anos,  contados do trânsito em julgado da decisão judicial, que se deu  em  19/10/95  (fls.  04),  e  que,  além  disso,  não  consta  dos  autos  comprovação de que o contribuinte tenha desistido da execução  judicial da sentença obtida em Ação Declaratória, c/c Repetição   de  Indébito,  o  que  demonstra  desatendimento  ao  disposto  no  artigo  37,  da  Instrução  Normativa  da  Secretaria  da  Receita  Federal  nº.  210/02,  sendo  descabido  o  procedimento  administrativo da compensação.  Ciente  do  despacho decisório  (AR de  fls.  35­vº),  o  contribuinte  apresentou  tempestiva  Manifestação  de  Inconformidade,  fls.  37/40, acompanhada dos documentos de fls. 41/57, alegando que  não procede o motivo que  levou a d. Delegacia a  indeferir  seu  pedido,  visto  que,  o  prazo  decadencial  deveria  ser  contado  da  data  da  edição  da  MP  1.110,  de  30/08/1995,  cujo  artigo  17,  reconheceu  a  inconstitucionalidade  da  legislação,  com  eficácia  “erga omnes”.  Às  fls.  71/76  consta  cópia  do  Acórdão proferido  pelo  Tribunal  Regional Federal da 3º Região, quanto à apelação nos autos da  Ação  Declaratória  nº.  94.0020909­6,  do  qual  se  transcreve  a  ementa:    “TRIBUTÁRIO.  FINSOCIAL.  MAJORAÇÃO  DE  ALÍQUOTAS.  INCONSTITUCIONALIDADE.  PROCEDIMENTO  DE  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.008106/2002­18  Acórdão n.º 3201­002.203  S3­C2T1  Fl. 230          3 COMPENSAÇÃO.  EXCEDENTE  RECOLHIDO  A  TÍTULO DE  FINSOCIAL.  ART.  66,  DA  LEI  8383/91.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA Nº.  67/92.  IMPOSSIBILIDADE DE  INSTRUÇÃO  NORMATIVA REGULAMENTAR LEI.    ­  A  Suprema  Corte  já  declarou  a  inconstitucionalidade  das  alíquotas majoradas do FINSOCIAL (RE nº. 150.764­1, rel. Min.  Marco  Aurélio,  e  RE  nº.  150.755­1.  rel.  Sepúlveda  Pertence),  como também já o fez este Tribunal (Al­AMS nº. 38950, reg. nº.  90.03.42053­0, rel. Juíza Lúcia Figueiredo).  ­  A  Instrução  Normativa  nº.  67,  de  26.05.92,  extrapolou  sua  competência  de  determinar  procedimentos  administrativos  internos  para  boa  concretização  do  desiderato  legal.  À  autoridade  administrativa  compete  sim  a  expedição  de  atos  administrativos  sub  legem  e,  além  disso,  debaixo  do  regulamento,  quando este existe, para que qualquer parcela de  discricionariedade  não  sobeje  a  seus  agentes,  impedindo­se,  destarte, atitudes diversas de  seus subordinados, em afronta ao  princípio da igualdade.  ­  Admissibilidade  da  compensação  de Finsocial  com  o  próprio  Finsocial  e  com  a  Cofins,  para  futura  extinção  do  crédito  tributário,  “ex  vi  legis”,  do  disposto  no  artigo  66,  da  Lei  nº.  8.383/91.  ­  Não  se  pense  que  este  Tribunal  ao  permitir  a  compensação  esteja  atribuindo  ao  contribuinte  a  “homologação”  de  seu  pagamento,  tal  seja,  declarar  a  extinção  do  crédito  tributário.  Isso,  ao  cabo  do  procedimento  de  compensação,  caberá  ao  Fisco.  ­ Apelação e remessa oficial desprovidas. Sentença confirmada.”  Remetidos  os  autos  à  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  São  Paulo/SP,  esta  indeferiu  o  pedido  do  contribuinte, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa:    “Assunto: Outros Tributos ou Contribuições  Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992  Ementa:  FINSOCIAL.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  INEXITÊNCIA  DE  CONEXÃO  LÓGICA  ENTRE  AS  AÇÕES  JUDICIAIS  CITADAS  PELA  CONTRIBUINTE  E  O  PROCEDIMENTO POR ELA ADOTADO.  Verificada a  inexistência de conexão  lógica entre o provimento  judicial  invocado  pela  requerente  e  a  declaração  de  compensação,  esta  deverá  ser  apreciada  unicamente  com  base  na legislação de regência.  DECADÊNCIA.  O  direito  de  a  contribuinte  pleitear  a  restituição  ou  compensação de  indébito  tributário  extingue­se  com  transcurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos  contados  da  data  do  pagamento,  mesmo  na  hipótese  de  este  ter  sido  efetuado  com  base  em  lei  posteriormente  declarada  inconstitucional.  Aplicação  do  artigo  168, inciso I, do CTN, do Ato Declaratório SRF nº. 96/1999 e do  artigo 3º da Lei Complementar nº. 118/2005.  Solicitação Indeferida”    Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     4 Segundo  entendeu  o  r.  julgador  monocrático,  embora  o  contribuinte  tenha optado pela  forma de  compensação prevista  no  artigo  74,  da  Lei  nº.  9.430/96  e  alterações  posteriores,  valendo­se  para  isso  da  declaração  de  compensação  anexa  às  fls.  01/04,  procura  fundamentar  seu  procedimento  em  acórdão  judicial  que  a  autorizou  tão  somente  a  efetuar  a  autocompensação  em  sua  escrita  fiscal,  nos  termos  da  Lei  nº.  8.383/91.  Entende ainda que na data em que a requerente protocolizou o  pedido administrativo (08/11/02), os recolhimentos de Finsocial  relativos ao período mencionado na fl. 4 (09/1989 a 01/1992), já  haviam sido atingidos pela decadência, em virtude do decurso do  prazo  qüinqüenal  previsto  no  artigo  168,  inc.  I,  do  CTN,  interpretado à luz do Ato Declaratório SRF nº. 96/99, e do artigo  3º da Lei Complementar nº. 118/2005.  Ressalta que não se pode descartar a hipótese de que, valendo­se  da  medida  liminar  concedida  nos  autos  da  ação  cautelar  em  1994, a contribuinte já tenha aproveitado os supostos créditos de  Finsocial,  compensando­os  diretamente  em  sua  escrita  fiscal,  afinal,  em  nenhum  momento  a  suplicante  traz  aos  autos  elementos  que  atestem  à  existência  e  a  disponibilidade  dos  indébitos  em  questão,  e  que  tal  circunstância,  abstraída  a  questão  da  decadência,  tornaria  as  compensações  declaradas  ilegais e lesivas aos interesses da Fazenda Pública.  Irresignado com a decisão de primeira instância, o contribuinte  interpôs  tempestivo  Recurso  Voluntário,  fls.  85/91,  reiterando  argumentos,  fundamentos,  e  pedidos  já  apresentados,  ressaltando  que  o  pagamento  indevido,  diante  da  inconstitucionalidade  da  lei  que  havia  criado  o  tributo,  materializa­se  na  data  da  edição  da  Medida  Provisória  nº.  1.110/95.  Os  autos  foram  distribuídos  a  este  Conselheiro,  constando  numeração até às fls. 93, última.  Desnecessário  o  encaminhamento  do  processo  à  Procuradoria  da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário  interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF nº. 314,  de 25/08/99.  É o relatório.    Julgando  o  feito,  a  Câmara  recorrida,  afastou  a  decadência  e  determinou  a  devolução  dos  autos  à  primeira  instância  para  examinar  as  demais  questões.  O  acórdão  recebeu  a  seguinte  ementa:    COMPENSAÇÃO  AUTÔNOMA  REGIDA  PELO  ART.  66  §  1º  DA  LEI  8383/91.  TÍTULO  JUDICIAL.  EFEITOS  DA  COISA  JULGADA.  COMPENSAÇÕES  INFORMADAS  EM  DCTF  DENTRO  DO  PRAZO  DE  CINCO  ANOS  DO  TRÂNSITO  EM  JULGADO.  FORMULÁRIO  SUBSEQUENTE  DE  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  MERAMENTE  INFORMATIVO,  E,  PORTANTO,  NÃO  CONSTITUTIVO.  DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE AFASTADA.  Intimada,  a  Douta  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  apresentou  embargos  de  declaração,  assim  relatados  pelo  colegiado precedente:    Fl. 232DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.008106/2002­18  Acórdão n.º 3201­002.203  S3­C2T1  Fl. 231          5 Tornam os  autos  a  julgamento por  esta Eg. Câmara,  tendo  em  vista  o  Despacho  de  fls.  110/111  acerca  do  acolhimento  de  Embargos  de  Declaração  interpostos  pela  Procuradoria  da  Fazenda Nacional (fls. 105/106).  Aduzem  referidos  Embargos  que  a  r.  decisão  embargada  foi  omissa quanto à questão exarada no Despacho Decisório de fls.  ‘26/80’,  relativo  a  não  comprovação,  pelo  contribuinte,  de  “desistência  da  execução  do  título  judicial  e  a  assunção  das  custas do processo, conforme previa o artigo 37, par. 2°, da IN  SRF n° 210/2002”.  Retornam os autos à pauta, a fim de que a Câmara profira nova  decisão. Os declaratórios foram acolhidos para sanar a omissão  apontada, e rerratificar o acórdão embargado, que passou a ter  a ementa seguinte:    EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  Rerratifica­se  o  Acórdão  nº  303­33.858  COMPENSAÇÃO  AUTÔNOMA  REGIDA  PELO  ART.  66,  §1º  DA  LEI  Nº  8.383/91.  TÍTULO  JUDICIAL.  EFEITOS  DA  COISA  JULGADA.  COMPENSAÇÕES  INFORMADAS  EM  DCTF  DENTRO  DO  PRAZO  DE  CINCO  ANOS  DO  TRÂNSITO  EM  JULGADO.  FORMULÁRIO  SUBSEQUENTE  DE  DECLARAÇÃO  MERAMENTE  INFORMATIVO  E,  PORTANTO,  NÃO  CONSTITUTIVO.  DECADÊNCIA AFASTADA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO.  EMBARGOS ACOLHIDOS    Segundo entendeu o colegiado a quo:    É que, em respeito ao duplo grau de jurisdição, limitou­se a r.  decisão  embargada  à:  reformar  o  Acórdão  de  fls.  77/82,  afastando a suposta decadência – qual seja, a que haveria entre  o  trânsito  em  julgado  e  a  data  do  protocolo  do  formulário  de  declaração  de  compensação  ­,  determinando  a  remessa  dos  autos  à  primeira  instância  para  o  julgamento  do  mérito  da  compensação.  Assim, encontra­se no aresto embargado a justificativa para que  tal  ponto  não  fosse  apreciado,  haja  vista  que  a  questão,  meritória,  deveria  ser  primeiramente  analisada  pela Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento,  bem  como,  qualquer  outra  questão atinente ao mérito da compensação.  Seja como for, importa­me ressaltar que o §2º, do artigo 37, da  Instrução  Normativa  nº  210/2002,  razão  recursal  da  r.  embargante,  trata  da  hipótese  de  título  judicial  em  fase  de  execução, o que não me parece ser o caso dos autos. Ao menos  não se tem notícias de que o contribuinte, vencedor na demanda  judicial, tenha intentado execução.  Com  efeito,  só  se  pode  desistir  de  algo  que  já  existe,  in  casu,  eventual execução.  O  certo  é  que  se  o  contribuinte  não  promoveu  a  execução  judicial da sentença, se mostrará descabida a exigência disposta  no §2º, da IN SRF nº 210/2002.  De qualquer forma, em que pesem minhas considerações acerca  a matéria  objeto  dos Embargos  de Declaração, mantenho meu  posicionamento  em  consonância  com  o  decidido  pela  Câmara  Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     6 anteriormente,  no  sentido  de  que  devem  os  autos  regressar  à  primeira  instância  para  o  julgamento  do  mérito  da  compensação.  Outrossim,  tal  como  consignado  na  r.  decisão  embargada,  “o  cerne  da  controvérsia  reside  na  análise  do  título  judicial  ora  executado  por  compensação  administrativa,  que  expressamente  reconheceu o direito do sujeito passivo compensar seu crédito de  FINSOCIAL  com  a  COFINS,  conforme  Apelação  Cível  nº  346331­SP, FLS. 71/76, pelo artigo 66 da  lei 8383/91, ou seja,  autonomamente, apenas nos limites deste dispositivo, tendo sido  salientado  que  “qualquer  outra  imposição,  qualquer  outra  limitação, não terá calço jurídico” (fls. 74). (omissis).  .........................................................................................................  Assim, é de se concluir que se o  interessado estava autorizado,  por meio de decisão judicial, a proceder a autocompensação em  sua escrita fiscal, busca agora,  tão somente, a homologação de  tal  procedimento.  Não  me  parece,  portanto,  aplicável  a  exigência disposta no §2º, do artigo 37, da Instrução Normativa  nº 210/2002, já que o mesmo trata de “hipótese de título judicial  em fase de execução”.  Isto  posto,  ratifico  o  entendimento  esposado  no  r.  voto  de  fls.  100/102, no sentido de que seja afastada a suposta decadência,  reitero  que  o  formulário  de  compensação  que  deu  início  aos  autos  possui  efeito  meramente  informativo  da  compensação  apontada  em  DCTF´s;  retifico  o  aresto  embargado  para  fazer  constar  minhas  observações  acerca  da  questão  relativa  ao  disposto  no  §2º,  do  artigo  37,  da  IN  nº  210/2002;  e,  por  fim,  determino  a  remessa  dos  autos  à  primeira  instância  para  o  julgamento do mérito da compensação.  Intimado  desse  acórdão,  o  representante  da  Fazenda Nacional  apresentou recurso especial de divergência em relação à matéria  embargada,  qual  seja,  a  necessidade  de  o  sujeito  passivo  comprovar  a  “desistência  da  execução  do  título  judicial  e  a  assunção das custas do processo,  conforme previa o artigo 37,  par. 2°, da IN SRF n° 210/2002”.  O  apelo  Fazendário  foi  admitido  pela  então  Presidenta  da  Câmara recorrida, nos termos do despacho de fls. 133 a 135.  Contrarrazões às fls 139 a 141.    A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu por anular  os atos processuais emanados a partir do acórdão da câmara baixa e determinar a realização de  outro julgamento, observando os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, e a  vedação de se enfrentar matéria cujo litígio não foi instaurado pelo sujeito passivo. A decisão  foi assim ementada:       ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992  Normas  Processuais  ­  julgamento  pelo  colegiado  de  segunda  instância  de  matéria  sobre  a  qual  o  litígio  não  foi  instaurado  pelo sujeito passivo ­ Impossibilidade.  O  julgamento  da  causa  é  limitado  pelo  pedido,  devendo  haver  perfeita  correspondência  entre  o  postulado  pela  parte  e  a  decisão,  não  podendo  o  julgador  afastar­se  do  que  lhe  foi  Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.008106/2002­18  Acórdão n.º 3201­002.203  S3­C2T1  Fl. 232          7 pleiteado,  sob  pena  de  vulnerar  a  imparcialidade  e  a  isenção,  bases em que se assenta a atividade judicante.  Viola  as  normas  procedimentais  do  processo  administrativo  fiscal  a  apreciação  por  julgador  ad  quem  de  matéria  sobre  a  qual o sujeito passivo não instaurou o litígio. Processo Anulado.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  anular  os  atos  processuais  emanados  a  partir  do  acórdão  recorrido,  inclusive.  Vencida  a  Conselheira  Nanci  Gama,  que  negava  provimento  ao  recurso.  As  conselheiras  Maria  Teresa  Martínez  López  e  Susy  Gomes  Hoffmann  votaram  pelas  conclusões.    É o Relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    Inicialmente,  por  tratar­se  de  questão  preliminar,  passo  a  análise  dos  requisitos de admissibilidade do recurso.   A  Recorrente  pede  a  revisão  da  decisão  da  DRJ  que  negou  provimento  a  manifestação  de  inconformidade  em  razão  da  decadência  do  pedido  de  compensação.  Ao  consultar o Despacho Decisório denegatório do pleito da Recorrente (fls. 28 a 32) constata­se  que foram dois os motivos que embasaram a negativa do pedido de compensação. O primeiro a  decadência e o segundo a ausência da desistência do processo judicial e da assunção das custas  processuais.   A manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, em nenhum  momento  tratou  da  segunda  questão  referente  à  desistência  do  processo  judicial,  discutindo  unicamente a matéria referente à decadência.  Considerando  que  a  exigência  de  desistência  da  ação  judicial  para  homologação da compensação é matéria preclusa no processo, considero prejudicada a análise  da  decadência,  pois,  independente  da  decisão  que  possa  vir  deste  colegiado.  O  despacho  decisório vai se manter, em razão da ausência de desistência da ação judicial.  Quanto a possibilidade do enfrentamento da exigência de desistência da ação  judicial,  esta  turma  está  impossibilitada  de  se manifestar,  em  razão  da  preclusão  processual.  Posição que  foi  adotada pela Terceira Turma da Câmara Superior,  ao  cancelar o Acórdão nº  303­33.858  da  Terceira  Câmara  do  extinto  Conselho  de  Contribuintes  (fls.  101  a  107),  por  considerar que o enfrentamento desta matéria consistiu em julgamento extra­petita.  Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA     8 Neste caminho, em que qualquer decisão que possa ser exarada no processo  não aproveita o  impetrante,  está­se diante da  ausência de  interesse de  agir. Neste  caminho a  lição de Alexandre Câmara.    "A  segunda  "condição  da  ação"  é  o  interesse  de  agir,  também  chamado de "interesse processual". Este não se confunde com o  interesse  do  direito  material,  ou  interesse  primário,  que  o  demandante  pretende  fazer  valer  em  juízo.  Pode­se  definir  o  interesse  de  agir  com  a  "utilidade  do  provimento  jurisdicional  pretendido  pelo  demandante".  Tal  "condição  de  ação"  é  facilmente  compreensível.  O  Estado  não  pode  exercer  suas  atividades  senão quando esta atuação  se mostre absolutamente  necessária. Assim, sendo pleiteado em juízo provimento que não  traga  ao  demandante  nenhuma  utilidade  (ou  seja,  faltando  ao  demandante interesse de agir), o processo deverá ser encerrado  sem que se  tenha um provimento de mérito,  visto que o Estado  estaria  exercendo  atividade  desnecessária  ao  julgar  a  procedência  (ou  improcedência)  da  demanda  ajuizada"  (Câmara, Alexandre Freitas. Lições de Direito Processual civil:  volume 1. 25ª ed. São Paulo. Atlas. 2014.p. 151)     Também  confirmando  a  impossibilidade  da  continuidade  do  julgamento,  a  posição do Professor Humberto Teodoro.  "O  interesse  processual,  a  um  só  tempo,  haverá  de  traduzir­se  numa  relação  de  necessidade  e  também  numa  relação  de  adequação  do  provimento  postulado,  diante  do  conflito  de  direito material trazido a solução da lide.  Mesmo que a parte esteja na iminência de sofrer um dano em seu  interesse  material,  não  se  pode  dizer  que  exista  o  interesse  processual, se aquilo que se reclama do órgão judicial não será  útil  juridicamente para  evitar a  temida  lesão.  (Teodoro  Júnior,  Humberto. Curso de Direito Processual Civil. V 1. 41ª ed. Rio de  Janeiro. Forense. 2004. p. 56)    Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário por  ausência de interesse processual.      Winderley Morais Pereira                           Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13804.008106/2002­18  Acórdão n.º 3201­002.203  S3­C2T1  Fl. 233          9     Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA

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Numero do processo: 11128.000748/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 21/12/2007 Ementa:EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NECESSIDADE DE SE DEMONSTRAR A OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão ou contradição na decisão recorrida.
Numero da decisão: 3301-002.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não acolher os embargos de declaração. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente. VALCIR GASSEN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 495          1 494  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11128.000748/2009­39  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3301­002.938  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de abril de 2016  Matéria  II  Embargante  J TOLEDO DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS  LTDA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 21/12/2007  Ementa:EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  NECESSIDADE  DE  SE  DEMONSTRAR A OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO.   Rejeitam­se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida  omissão ou contradição na decisão recorrida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não acolher  os embargos de declaração.  ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL ­ Presidente.     VALCIR GASSEN ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Luiz Augusto  do  Couto  Chagas,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Paulo  Roberto  Duarte Moreira,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 07 48 /2 00 9- 39 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL     2 Trata­se  de  Embargos  de  Declaração  interpostos  pelo  Contribuinte  contra  decisão  consubstanciada  no Acórdão  nº  3301­002.615  (fls.  271  a  280),  de  25  de  janeiro  de  2015, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais – CARF – que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte.  Assim ficou ementado o acórdão:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II  Data do fato gerador: 21/12/2007  Ementa:  INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL  ADQUIRENTE.  IMPORTAÇÃO  POR  CONTA  E  ORDEM  DE  TERCEIROS.  PENALIDADE. MULTA. PERDIMENTO.  Com  a  comprovação  materializada  da  ocultação  do  real  adquirente  das  mercadorias,  caracterizando  as  operações  de  comércio  exterior  realizadas  pela  autuada, por sua conta e ordem, sem atender as condições da legislação de regência  na  forma  como  consta  no  art.  23  do DecretoLei  n.  1455/76. A  interposição  está  muito  bem  comprovada  na  forma  do  par.  2º  do  mencionado  dispositivo,  sendo  perfeitamente aplicável ao caso a pena de perdimento prevista no seu par. 1º.     Visando  a  elucidação  do  caso  e  a  economia  processual  adoto  e  cito  o  relatório do Acórdão ora embargado:   Trata o presente de auto de infração, fls. 01/16, lavrado contra o contribuinte acima  qualificado,  com  a  exigência  da  Multa  Proporcional  ao  Valor  Aduaneiro  das  mercadorias, no valor de R$ 636.809,67, pelas razões a seguir expostas.   Em  16/08/2007,  teve  início  o  Procedimento  de  Fiscalização  na  empresa  referida,  pela  DRJ/Jundiaí/SP,  unidade  de  jurisdicã̧o  do  contribuinte,  BB  Comercial  Importadora  Ltda.,  CNPJ  64.651.987/000197.  A fiscalizaca̧õ constatou que as  importações eram realizadas por conta e ordem da  empresa J. Toledo da Amazônia Indústria e Comércio de Veículos Ltda., doravante  denominada J. Toledo, real adquirente das mercadorias importadas pela empresa BB  Comercial,  doravante  denominada  BB  Comercial,  sem  que  tal  fato  fosse  comunicado à Secretaria da Receita Federal como exige a legislação de regência.   A  auditoria  foi  realizada,  com  fundamento  na  Instrução  Normativa  SRF  n°  228/2002,  para  verificação  da  origem  dos  recursos  aplicados  em  operações  de  comércio  exterior  e  combate  à  interposição  fraudulenta  de  pessoas,  e  diante  dos  indícios,  presunções  e  provas  apurados,  a  fiscalização  concluiu  que  ter  ocorrido  a  prática de  interposição  fraudulenta e ocultação do  real  adquirente das mercadorias  importadas.  Esses  indícios  (provas  indiretas)  que  levaram  a  até  a  figura  da  interposição,  decorreram  do  seguintes  fatos  conforme  constam  do  Relatório  investigativo.   Inicialmente,  foi  verificado  que  a  empresa,  BB  Comercial:  ­ não possuía funcionários em quantidade suficiente para atender a demanda de suas  operações de importação, comercialização, administrativas etc,;   ­não possuía depósito para armazenar  as mercadorias  importadas;  ­  funcionava no  mesmo endereco̧ da J. Toledo, não assumindo as despesas de aluguel, luz, telefone,  água, manutenção, IPTU, pois operava por meio da estrutura dessa empresa.;  ­ a sócia administradora da BB Comercial e o contador da empresa são empregados  da J. Toledo.  Outra constataçaõ foi a de que a empresa importadora de direito, a BB Comercial foi  adquirida  pela  sócias  Fernanda  de  Toledo  Risi  e  Marina  de  Toledo  Risi,  em  20/11/2000,  por  mil  reais,  embora  tivesse  patrimônio  líquido,  como  lucros  acumulados,  superior  a  um  milhão  de  reais,  denotando  incompatibilidade  entre  o  valor  pago  pela  empresa  e  seu  valor  real. Acresce  destacar,  ainda,  que  a  empresa  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.000748/2009­39  Acórdão n.º 3301­002.938  S3­C3T1  Fl. 496          3 pertencia  a  duas  pessoas,  o  sr.  Euler  Fabio  do  Nascimento  e  sr.  Benedito Vanim  Muraro, que também eram empregados da empresa J.Toledo.   A  fiscalização  elaborou  um  quadro  demonstrativo  que  possibilita  visualizar  a  situação da empresa BB Comercial, com  lucros acumulados e  rendimentos  isentos  (lucros e dividendos), os quais foram recebidos pela sócia Fernanda de Toledo Risi,  em  montante  tão  insignificante,  que  seus  rendimentos  anuais  não  ultrapassaram  R$30.000,00,  sem qualquer  retirada de dividendos que  estavam disponíveis, numa  forte eviden̂cia do papel desempenhado pela sra. Fernanda, ou seja, de sócia apenas  de  direito,  não  de  fato  dessa  empresa,.  Foi  apurado  que  a  mesma  sra.  Fernanda  também  aparece  como  sócia  da  TT  Armazéns,  recebendo  baixos  rendimentos.  Outro fato mostrando os artifícios e simulacõ̧es, é aquele em que, as sócios da BB  Comercial,  bem  como  os  ex­sócios  da BB Comercial,  bem  como  o  contador,  são  todos empregados da J.Toledo ou da Consórcio Nacional Suzuki Motos Ltda.,  (do  qual  a  J.Toledo  é  sócia).  Prosseguindo nas  investigações,  a  fiscalização  observou que nas notas  fiscais pela  BB Comercial,  as datas de emissão, das notas de entrada e de  saída  são  iguais ou  bem próximas, deixando claro que a empresa não possuía estoque das mercadorias  importadas  (conforme o  livro de  inventário),  denotando a existen̂cia de  adquirente  predeterminado.  No exame do livro razão e dos extratos bancários, a fiscalizaçaõ também constatou  que  a BB Comercial  sempre  possuía  contas  a  receber  da  J.Toledo, mas  que  esses  recebimentos sempre ocorrem próximo as liquidações dos contratos de câmbio das  importações  seguintes,  bem  como  dos  pagamentos  dos  tributos  das  referidas  operações  de  importaçaõ,  inexistindo  imobilização  financeira  confirmado  pelos  extratos bancários, e não sendo localizados documentos de crédito a seu favor contra  a J.Toledo.   O  único  cliente  e  comprador  dos  produtos  importados  pela.  BB  Comercial  era  sempre a empresa J.Toledo.   Embora constem nas notas fiscais de saída, que as vendas foram realizadas a prazo,  a  fiscalização  não  localizou  lançamentos  do  recebimento  de  duplicatas  ou  outro  título de crédito contra a J.Toledo. Em alguns casos os recebimentos ocorreram em  datas incerta, e, até, após seis meses das vendas.   Consta  do  processo  a  análise  detalhada,  realizada pela  fiscalização,  com  relação  a  movimentação bancária e do livro razão da BB Comercial, no ano de 2003, ficando  transparente a sua falta de capacidade financeira para operar no comércio exterior,  numa  demonstração  de  que  as  importações  eram  realizadas  com  os  recursos  repassados pela J.Toledo diretamente em conta corrente.   Na análise das faturas comerciais e dos conhecimentos de carga, que instruíram as  declaracõ̧es de importação registradas pela BB Comercial nos anos de 2002 a 2006,  pode  ser  verificado  que  consta  o  nome  da  J.Toledo,  deixando  transparente  a  participação dessa empresa nas referidas operações de importação.   Outro forte indício foi a constatação de que os contratos de cam̂bio da BB Comercial  estavam  assinados  por  um  empregado  da  J.Toledo.  Outro fato relevante dessa dependência da BB Comercial com a J.Toledo e ́que, na  ficha cadastral e na procuracã̧o, apresentada por aquela empresa ao Banco do Brasil,  estão os nomes de sócios e funcionários da empresa J.Toledo.   A própria contabilidade da BB Comercial, como apurou a fiscalizacã̧o da RFB, era  de  uma  empresa  industrial,  semelhante  ao  da  J.Toledo,  embora  seu  objeto  social  fosse o de importação, exportação e comércio. Praticando a interposição fraudulenta  nessas operações, o IPI e as contribuicõ̧es do PIS e Cofins, que seriam devidos numa  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL     4 operação  por  conta  e  ordem,  deixaram  de  ser  recolhidos  pela  real  adquirente,  portanto  passaram  a  configurar  operações  não  lícitas,  e  como  enfatizou  a  fiscalização,  a  BB  Comercial  importou  aproximadamente  R$21.000,000,00,  nos  anos de 2003 a 2.007, o que representou um não recolhimento de IPI da ordem de  R$1.300.000,00.   Diante de todos os indícios que levaram a presunções da interposição fraudulenta, e  das  provas  coletadas,  a  fiscalização,  além  de  propor  a  Inaptidão  do CNPJ  da BB  Comercial,  diante  da  impossibilidade  de  apreensão  das  mercadorias,  promoveu  a  lavratura  de  auto  de  infração,  sendo  que  o  presente  auto  referese  tão  somente  as  operações  de  importação,  daquelas  declarações  de  importaca̧õ  que  estavam  sob  procedimento especial de fiscalização.   O autuado foi intimado e cientificado, fls.175v., em 20/02/2009, tendo postado sua  Impugnação, fls. 176/192, conforme AR, fls.220, em 19/03/2009.  Em sua Impugnação o contribuinte alega que:   1.  o  sócio majoritário da  empresa  é  tio e padrinho da  sócia administradora da BB  Comercial, motivado a garantir a sua segurança financeira, sugerindo a aquisição de  quotas daquela empresa, juntamente com Marina de Toledo Risi;   2.  para  não  assumir  despesas,  considerou  que  não  precisariam  locar  armazém  ou  contratar empregados, por ser apenas um fornecedor exportador — a Suzuki e um  cliente,  a  J.  Toledo,  3.  poderiam  se  tornar  empresas  interdependentes,  com  base  no  art.  42,  parágrafo  único, inciso I, da Lei n° 4.502/64 e, com valores praticados com base no art.136, da  mesma lei, com alteraca̧õ do DL n°34/66 art.2 alteraca̧õ 5",   4. não ocorreu o beneficio da  'quebra do IPI'  , pois com a edição da MP n° 2.158­ 3512001,  a  importação  por  conta  e  ordem,por  intermédio  de  pessoa  jurídica  importadora,  tornou  a  real  adquirente  equiparada  a  estabelecimento  industrial,  devendo  recolher  o  IPI  sobre  a  venda  das mercadorias,  ou,  ainda,  na  condição  de  encomendante conforme disposto na Lei n° 11.281/2006, enquadramentos factíveis  de  serem  feitos  pela  fiscalizaçaõ  da  RFB,  porém,  inaceitável  o  tratamento  de  'interposição fraudulenta';   5. a  incapacidade para financiar as operacõ̧es de comércio exterior, no caso da BB  Comercial  inexistia,  pois  o  seu  patrimônio  e ́ compatível  com  o  volume  transacionado, faturando milhões anualmente, conforme seus balanco̧s patrimoniais  e balancetes;   6.  todos  os  depósitos  efetuados  estavam  lastreados  em  operações  anteriores,  representando créditos da  importadora contra sua  interdependente  e,  superavam as  operações de importação realizadas posteriormente;   7.  simples  presuncõ̧es  não  são  suficientes  para  amparar  a  aplicacã̧o  da  multa  de  oficio lançada pela autoridade fazendária;    8.  a penalidade de perdimento  aplicada  tem como  fatos:  o  ingresso  clandestino de  produtos  de  proceden̂cia  estrangeira  em  território  nacional  ou,  ainda,  de  subfaturamento  do  valor  aduaneiros  dos  bens,  portanto,  não  enquadráveis  no  caso  concreto;   9. a autuação vulnera os princípios constitucionais da legalidade e da finalidade, da  razoabilidade,  da  proporcionalidade  e  da  igualdade.  Ao final, requer a improcedência do auto de infração.     A DRJ,  analisando  as  razões  expostas,  houve  por  bem  desprovê­las  por meio  do  aresto de fls.226/240, cuja ementa a seguir se transcreve:     Fl. 498DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.000748/2009­39  Acórdão n.º 3301­002.938  S3­C3T1  Fl. 497          5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II   Data do fato gerador: 21/12/2007   INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL  ADQUIRENTE. IMPORTAÇAÕ POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS   Com a comprovação materializada da ocultação do real adquirente das mercadorias,  caracterizando  as  operações  de  comércio  exterior  realizadas  pela  autuada,  por  sua  conta e ordem, sem atender as condições da legislacã̧o de regência, fica tipificada a  figura da  Interposição Fraudulenta, sendo cabível a aplicaçaõ da multa prevista na  legislação de regência.   Em face do mencionado acórdão foi interposto recurso voluntário pela contribuinte  (fls.248/268),  mediante  o  qual,  de  forma  resumida  reitera  as  razões,  impugnando  especificamente as conclusões do aresto recorrido, nos seguintes termos:   1 – Não se observa no caso concreto interposição fraudulenta, porquanto “embora a  autoridade fazendária tenha se apegado nesses indícios para ratificar a autuação, não  negou que o faturamento da importadora alcançava milhões todos os anos. Pode­se  dizer,  sem  medo  de  equívocos,  que  o  requisito  legal  para  a  configuração  da  interposição  fraudulenta,  qual  seja,  a  incompatibilidade  entre  o  volume  transacionado e o patrimônio líquido da importadora, continua ausente no caso em  testilha”.   2  – Entende  que  se  a  fiscalização  pretendia  tratar  as  importações  realizadas  como  sendo por conta e ordem, caberia ao Fisco penalizar os envolvidos como a legislação  prevê  e  naõ  simplesmente  reputar  criminosas  todas  as  importações  em  função  de  uma  suposta  intençaõ  de  ocultaçaõ  do  real  adquirente.  Seria,  para  tanto,  indispensável  ao  caso a prova de que não havia disponibilidade  financeira para  as  importações.   3 – A aplicaca̧õ da pena de perdimento no caso concreto, além de severa em demasia  não  se  encontra  suficientemente  motivada.  Isso  porque  restou  demonstrado  nos  autos,  segundo  a  recorrente,  a  falta  de  indícios  da  interposição  fraudulenta,  em  especial,  ficou  demonstrado  que  a  importadora  BB  detinha  lastro  financeiro  para  suportar  as  importações.  Quanto  aos  demais  indícios  a  relação  entre  o  sócio  proprietário  da  J  Toledo  e  da  sócia  da  BB  (tio  e  sobrinha)  e  a  preocupaçaõ  do  primeiro em “proporcionar a ela um futuro mais seguro – até porque a BB já possuía  um  cliente  cativo,  que  não  lhe  faltaria”  justificariam  o  fato  de  a  importadora  funcionar dentro da estrutura da ‘J Toledo (“cliente cativo que não lhe faltaria”), não  possuir  estoque  ou  empregados.  Segundo  a  recorrente  esses  indícios  –  falta  de  estoque, empregados e endereço coincidente com seu único cliente e o contador das  empresas ser o mesmo – não configuraria provas suficientes para a caracterização da  interposição  fraudulenta,  até  porque  a  norma  do  art.  23,  par  2º,  do  DL  1455/76  menciona  apenas  a  ausência  de  recursos  financeiros  suficientes  para  suportar  as  operações como sendo o único indício passível para a caracterização da interposica̧õ  fraudulenta.   4  – Aponta  que  a  aplicacã̧o  da  pena  de  perdimento  na  hipótese  dos  autos  fere  os  princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade.   Diante da negativa em prover o Recurso Voluntário, o Contribuinte ingressou  com Embargos de Declaração (fls. 309 a 318), em 20 de abril de 2015, alegando que não há  meios  comprobatórios  que  justifiquem  a  interposição  fraudulenta  e  visando  sanar  suposta  omissão/contradição do Acórdão, modificando assim, a decisão a quo.   É o relatório.  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL     6   Voto             Conselheiro Relator  Os  Embargos  de  Declaração  interposto  pelo  Contribuinte,  em  face  ao  Acórdão nº 3301­002.615 é tempestivo.  Conforme  o  art.  65  do  Regimento  interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256,  de  22  de  junho  de  2009  –  RICARF,  repetidos pelo art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  aprovado  pela Portaria MF  nº  343,  de  9  de  junho  de  2015  – RICARF,  cabem  embargos  de  declaração  quando o  acórdão  for obscuro,  omisso  ou  contraditório  no  que  tange  a  decisão  e  seus fundamentos.  Alega  o  Contribuinte  no  Embargos  de  Declaração  que  o  Acórdão  ora  embargado  foi  omisso  e  contraditório  ao  caracterizar  a  interposição  fraudulenta  pela  não  comprovação da origem dos recursos das operações de importação, não havendo, segundo ele,  documentos que justifiquem a caracterização da interposição fraudulenta. Vejamos na citação  dos Embargos (fl. 316):  Destarte, imperioso concluir que os indícios podem ser considerados pela autoridade  fiscal, desde que em conjunto com o fato probante constante da norma presuntiva.  Portanto,  no  caso  em  questão  todos  os  argumentos  reproduzidos  alhures  somente  servem de convencimento se realizados concomitantemente com a comprovação do  não  fechamento  de  câmbio  pela Recorrente  e  que  os  recursos  para  realização  das  operações não são de sua titularidade, o que não ocorreu no caso em apreço.  Ao analisar os  autos do  processo, mais  especificamente o voto do Acórdão  ora  embargado,  percebe­se  que  não  houve  a  alegada  omissão/contradição  no  julgamento  do  Recurso Voluntário.   No  voto  da  Conselheira  relatora  fica  evidente  que  é  rebatido  todas  as  alegações do Contribuinte de forma clara e didática, motivando seu entendimento. Conforme  observa­se na citação a seguir (fls. 276 e 277):  Inicio minha  análise  do  caso,  fazendo  referência  a  trecho  do  voto  do Conselheiro  Rosaldo  Trevisan  no  PA  13116.000756/200788,  Ac  3403002.746,  proferido  na  sessão de janeiro desse ano, litteris:   “A  interposicã̧o,  em uma operação  de  comércio exterior,  pode ser comprovada ou  presumida. A  interposica̧õ presumida  é  aquela na qual  se  identifica que a empresa  que  está  importando  não  o  faz  para  ela  própria,  pois  não  consegue  comprovar  a  origem,  a  disponibilidade  e  a  transferência  dos  recursos  empregados  na  operação.  Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2º do Decreto­Lei  no  1.455/1976),  configurase  a  interposição  e  aplica­se  o  perdimento.  Em  tal  hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Segue­se,  então,  a declaração  de  inaptidão  da  empresa,  com base  no  art.  81,  §  1º  da Lei  no  9.430/1996,  com  a  redação  dada  pela  Lei  no  10.637/2002.  É  o  caso  do  presente  processo,  no  qual  a  fiscalização,  ao  final  da  autuação,  informa  que  propôs  em  procedimento apartado a inaptidão do CNPJ da empresa (fl. 88).   A  interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe  quem  é  o  acobertante  e  quem  é  o  acobertado.  A  penalidade  de  perdimento  afeta  materialmente  o  acobertado  (em  que  pese  possa  a  responsabilidade  ser  conjunta,  conforme o  art.  95  do DecretoLei no  37/1966)  e  a multa  por  acobertamento  afeta  somente o acobertamento, e justamente pelo fato de “acobertar”  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11128.000748/2009­39  Acórdão n.º 3301­002.938  S3­C3T1  Fl. 498          7 A  razão  para  a  transcrição  do  trecho  do  voto  do  Conselheiro  Trevisan  no  caso  concreto é simples e merece ser explicitada: É que o recorrente, no caso concreto,  durante  toda  sua  peca̧  impugnatória  e  recursal,  em momento  algum,  nega  que,  de  fato, é o  real adquirente das mercadorias  importadas pela BB Comercial. Também  não nega que é o único cliente cativo da mencionada importadora. No entanto, não  explica,  em  momento  algum,  por  que,  sendo  o  real  adquirente  das  mencionadas  mercadorias  e  conhecendo profundamente  o  funcionamento  da  importadora,  que  é  de  sua  sobrinha  e  que  funciona  nas  suas mesmas  instalações,  por  que,  então,  não  teria sido indicado nos registros de importação que o real adquirente seria a J Toledo  e não a BB Comercial.   E acrescenta ainda (fl. 277):  Entendo, assim, que a interposição, no caso concreto, nem precisaria ser presumida  na forma do par. 2º. já que as próprias partes envolvidas não negam essa prática. A  interposição, a meu ver, já seria comprovada.   Nada  obstante,  a  presunção  da  interposição  fraudulenta  também  restou  caracterizada.  De  fato,  o  contribuinte  insiste  na  análise  da  norma  para  se  eximir  da  penalidade,  aduzindo  que  a  BB  Comercial  é  empresa  lucrativa,  conforme  reconhecido  pela  própria fiscalização e que esse fato (lucratividade) seria suficiente para comprovar o  lastro  dos  recursos  empregados  nas  importações  e  a  inexistência  da  presunção  da  interposição.  Em  que  pese,  de  fato,  ser  bastante  relevante  a  lucratividade  da  empresa  para  a  análise  dessas  alegações,  a  lucratividade  em  si  não  revela  a  origem  dos  recursos  empregados  nas  importações.  Explico:  O  fato  de  a  empresa  auferir  lucros  em  determinados  anos,  não  explica  nem  justifica,  de  per  se,  de  onde  teriam  sido  provenientes os valores despendidos para a importação das mercadorias. (grifou­se).  Já nas fls. 280 e 281 do voto vencedor aponta­se o seguinte:  Veja  que  as  acusações  que  pesam  contra  as  empresas  envolvidas  nas  importações  analisadas  nesses  autos,  mais  precisamente  as  acusações  da  completa  ausência  de  conhecimento da origem dos recursos empregados pela importadora nas importações  são graves e não passam pela simples e simplória análise da lucratividade ou não da  mesma.  O  desenho  traçado  pela  fiscalização  envolve  análise  contábil,  de  movimentação de contas e cotejo com as operações examinadas.  Tais  assertivas,  entretanto,  não  foram  impugnadas  pelo  contribuinte  em  momento  algum.  Assim,  e  com  base  em  todos  os  elementos  sólidos  e  comprovados  pela  fiscalização,  entendo  não  assistir  razão  à  contribuinte  no  tocante  à  ausência  de  interposição  fraudulenta,  na  forma  como  consta  no  art.  23  do  Decreto­Lei  no.  1455/76. No entender dessa Relatora, a interposicã̧o está muito bem comprovada na  forma do par. 2º do mencionado dispositivo, sendo perfeitamente aplicável ao caso a  pena de perdimento prevista no seu par. 1º.  Desta forma, não verificada a alegada omissão ou contradição na decisão ora  embargada, voto no sentido de não acolher os Embargos de Declaração.  Valcir Gassen ­ Relator               Fl. 501DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL     8               Fl. 502DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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Numero do processo: 10166.730649/2013-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98). Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesa com pensão alimentícia no valor de R$ 7.425,37. Vencidos os Conselheiros CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2035; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 77          1 76  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.730649/2013­42  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.980  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  9 de março de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  JESUS RODRIGUES MACEDO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2012  PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.  A  dedução  de  pensão  alimentícia  da  base  de  cálculo  do  Imposto  de Renda  Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando  comprovado  o  seu  efetivo  pagamento  e  a  obrigação  decorra  de  decisão  judicial, de acordo homologado  judicialmente, bem como, a partir de 28 de  março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou  discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98).  Recurso Voluntário Provido em Parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesa com pensão alimentícia no valor de R$  7.425,37. Vencidos os Conselheiros CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA  LUSTOSA DA CRUZ.   Assinado digitalmente  Eduardo Tadeu Farah ­ Presidente Substituto.   Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator.  Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente  Substituto),  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Ivete  Malaquias  Pessoa  Monteiro,  Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 06 49 /2 01 3- 42 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.730649/2013­42  Acórdão n.º 2201­002.980  S2­C2T1  Fl. 78          2 (Suplente  convocado),  Ana  Cecília  Lustosa  da  Cruz  e Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente convocada).  Relatório  Trata­se de Notificação de Lançamento por meio da qual se exige Imposto de  Renda Pessoa Física suplementar, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por  cento) e juros de mora.  Consta  da  “Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal”,  à  fl.  25  deste  processo  digital,  que  foi  constatada,  na  declaração  de  ajuste  anual  do  contribuinte,  dedução  indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 34.693,84.  O contribuinte apresentou a impugnação de fl. 3, que foi julgada procedente  em parte por  intermédio do  acórdão de  fls.  35/39. Entenderam os  julgadores da  instância de  piso que deveria ser restabelecida dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 19.911,20 e  mantida a glosa no valor de R$ 14.782,64.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  25/07/2014  (fl.  43),  o  Interessado interpôs, em 06/08/2014, o recurso de fl. 58, acompanhado de um “Comprovante  de Rendimentos Pagos e Retenção de Imposto de Renda na Fonte” do INSS (fl. 60). Alega que  o  cálculo  feito  na  decisão  de  piso  não  levou  em  consideração  a  dedução  realizada  nos  rendimentos percebidos do INSS, decorrentes de sua aposentadoria.  Ao  fim,  requer  o  acolhimento  do  recurso  para  que  seja  cancelado  o  débito  fiscal reclamado.  Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade.  As folhas citadas neste voto referem­se à numeração do processo digital.  A insurgência recursal se restringe à glosa parcial de pensão alimentícia.  Em 09/12/2013 foi aprovada a Súmula CARF nº 98, com o seguinte teor:  Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base  de cálculo do  Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em  face  das  normas  do Direito  de Família,  quando  comprovado  o  seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial,  de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28  de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor  da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.  Assim,  a  dedução  de  pensão  alimentícia  da  base  de  cálculo  do  IRPF  está  condicionada  à  comprovação  de  dois  requisitos:  a)  o  efetivo  pagamento;  e  b)  a  obrigação  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.730649/2013­42  Acórdão n.º 2201­002.980  S2­C2T1  Fl. 79          3 decorrer de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública que  especifique o valor da obrigação, neste último caso, a partir de 28/03/2008.  A declaração de ajuste anual de fls. 15/22 evidencia que o Recorrente recebeu  rendimentos de duas fontes: INSS ­ Instituto Nacional do Seguro Social e REGIUS ­ Sociedade  Civil de Previdência Privada.  A  decisão  recorrida,  com  base  no  Termo  de  Audiência  de  fl.  9,  que  homologou o acordo de pensão alimentícia em favor dos filhos do Interessado num percentual  de  24%  dos  rendimentos  brutos  por  ele  recebidos,  deduzidos  os  descontos  compulsórios,  restabeleceu dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 19.911,20,  referentes  a 24% dos  rendimentos  líquidos  pagos  por  REGIUS  ­  Sociedade  Civil  de  Previdência  Privada,  não  mencionando, contudo, os rendimentos pagos pelo INSS.  À  peça  recursal  o  Recorrente  anexou  um  “Comprovante  de  Rendimentos  Pagos  e Retenção de  Imposto de Renda na Fonte” do  INSS  (fl.  60) que  revela o desconto  a  título  de  pensão  alimentícia  no  valor  de  R$  7.425,37,  em  favor  de  uma  das  filhas  do  Interessado, que contava, no ano­calendário de 2011, com 21 anos.  O valor descontado a título de pensão alimentícia (R$ 7.425,37) importa no  percentual  de  22,84% dos  rendimentos  de  aposentadoria  recebidos  do  INSS  pelo Recorrente  (R$ 32.505,94 = R$ 12.409,85 + R$ 20.096,09),  percentual  este que muito  se  aproxima dos  24% estabelecidos no acordo homologado judicialmente.  Nesse contexto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer  dedução de despesa com pensão alimentícia no valor de R$ 7.425,37.  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida                                Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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