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Numero do processo: 10980.724003/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. EFEITOS INFRINGENTES. INOCORRÊNCIA
Acolhem-se em parte os embargos declaratórios, apenas para integrar os fundamentos omissos, sem efeitos infringentes, quando as omissões constatadas não tiverem o condão de alterar a decisão embargada.
Numero da decisão: 1401-001.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração da Fazenda Nacional, apenas para integrar os fundamentos omissos, sem dar-lhes efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. EFEITOS INFRINGENTES. INOCORRÊNCIA Acolhemse em parte os embargos declaratórios, apenas para integrar os fundamentos omissos, sem efeitos infringentes, quando as omissões constatadas não tiverem o condão de alterar a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração da Fazenda Nacional, apenas para integrar os fundamentos omissos, sem darlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas e Aurora Tomazini Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 40 03 /2 01 1- 61 Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que consta da decisão embargada, fls. 1482148: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 09.1.01.002009020245, com autorização para reexame do anocalendário de 2006 (fls. 002 e 006), foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Auto de Infração de IRPJ 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 356377), exige o recolhimento de R$ 88.532.702,12 de imposto, R$ 66.399.526,60 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 34.044.808,62 de juros de mora, além de R$ 51.578.116,71 de multa de ofício isolada. 3. O lançamento fiscal, com base no lucro real anual, nos termos dos arts. 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), decorre das seguintes infrações: 3.1. glosa de despesas desnecessárias e não usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, relativas a perdas apuradas em operações de swap contratadas para proteção (hegde) de investimentos na Argentina e contra obrigações decorrentes de empréstimos, conforme descrito no item “b” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR de 1999: [...] 3.2. glosa de encargos financeiros desnecessários e não usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, relativos a juros e variação cambial pagos sobre empréstimos em moedas nacional e estrangeira, porquanto os recursos captados acabaram sendo integralmente aplicados no mercado financeiro, ao invés de serem direcionados aos investimentos aos quais se destinavam, conforme descrito no item “c” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR de 1999: [...] 3.3. falta de tributação dos lucros disponibilizados pelas controladas no exterior ALL Argentina e Boswells (Uruguai), tendo no caso da ALL Argentina sido invocado tratado Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401001.548 S1C4T1 Fl. 3 3 internacional para evitar a dupla tributação, conforme descrito no item “d” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, II, 251, 277, 278 e 394 do RIR de 1999, art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e art. 1º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com as alterações introduzidas pelo art. 3º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000: [...] 3.4. falta de contabilização do ganho de capital apurado na integralização do aumento de capital da JPESPE Empreendimentos e Participações Ltda., mediante conferência das ações das controladas Brasil Ferrovias S/A e Novoeste Brasil S/A, conforme descrito no item “e” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, II, 251, 418 e 426 do RIR de 1999: [...] 3.5. glosa de despesa indedutível com amortização de ágio constituído, com fundamento econômico em valor de rentabilidade futura, por ocasião da integralização em 31/12/2003 do aumento de capital da LOGISPAR Logística e Participações S/A, cujo encargo de amortização passou a ser deduzido do lucro real a partir da incorporação dessa investida em 29/09/2006, porquanto decorrente de operações societárias sem substância econômica e sem a necessária independência entre as partes envolvidas, conforme descrito no item “a” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 249, I, c/c 324, §§ 2º e 4º, e 325 do RIR de 1999: [...] [...] 3.6. parcela da amortização do ágio da LOGISPAR Logística e Participações S/A que vinha sendo contabilizada como encargo e adicionada ao Lalur até a incorporação dessa controlada, em 29/09/2006, cujo valor acumulado passou a ser indevidamente excluído, na determinação do lucro real, a partir de outubro/2006, conforme descrito no item “a” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247 e 250 do RIR de 1999: [...] 3.7. compensação de prejuízos fiscais em montante superior ao saldo remanescente após a compensação do valor das infrações descritas nos itens anteriores, observado o limite de 30% do lucro líquido ajustado, conforme descrito ao final do Termo de Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 250, III, 509 e 510 do RIR de 1999: [...] 3.8. multa de ofício isolada exigida em decorrência da falta/insuficiência de pagamento do imposto de renda devido por estimativa, conforme descrito ao final do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), com infração ao disposto nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999 e art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: [...] Autos de Infração de CSLL 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL de fls. 378392 exige o recolhimento de R$ 30.924.269,39 de contribuição e R$ 23.193.202,05 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, além de R$ 12.018.673,45 de juros de mora. 5. O auto de infração de CSLL de fls. 393403 exige o recolhimento de R$ 962.351,82 de contribuição e R$ 721.763,87 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, além de R$ 242.512,66 de juros de mora e de 18.568.148,68 de multa de ofício exigida isoladamente. 6. Decorrem das mesmas infrações de deram causa ao lançamento de IRPJ, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459), e têm como fundamento o disposto nos arts. 2º, e §§, e 3º (com a redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008) da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, arts. 57 e 58 da Lei nº 8.981, de 1995, com as alterações dos arts. 1º e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995, art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 36 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A 1ª Turma da DRJ Curitiba, por unanimidade, não acatou as preliminares e, no mérito, julgou procedentes em parte os lançamentos, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 11221125: [...] A parcela exonerada do crédito tributário foi submetida à análise deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto n o artigo 34, I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo artigo 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401001.548 S1C4T1 Fl. 4 5 Cientificada do referido Acórdão em 14/11/2011 (fls. 1211), a contribuinte apresentou em 12/12/2011 o recurso voluntário de fls. 12121364, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Este colegiado, em sessão de julgamento realizada em 04 de março de 2015, decidiu por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação à falta de contabilização do ganho de capital apurado na integralização do aumento de capital da JPESPE; 2) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação ao ágio interno na Logispar; 3) Por maioria de votos, DAR provimento em relação as operações remanescentes de hedge. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto; 4) Por maioria de votos, DAR provimento em relação à glosa de encargos financeiros, relativos a juros e variação cambial pagos sobre empréstimos em moedas nacional e estrangeira. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto; 5) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação à tributação dos lucros disponibilizados pelas controladas no exterior ALL Argentina e Boswells (Uruguai). Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; 6) Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial para ajustar a compensação de 30% (trinta por cento) do valor remanescente da base de cálculo apurada após o julgamento; 7) Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial para cancelar as estimativas não pagas em relação ao anocalendário de 2006; 8) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação a estimativas não pagas em relação ao anocalendário de 2007. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; 9) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação aos juros sobre a multa de oficio; 10) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. Cientificada do Acórdão em 16/09/2015, a PGFN em 25/09/2015 apresentou embargos de declaracao (fls. 15361538), que foram recebidos nos termos do art. 65, §1º, do Anexo II da Portaria MF no 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF. A embargante alegou omissão e contradição no Acórdão nº 1401001.396, proferido pela 4ª Camara/1ª Turma Ordinaria (fls. 14771533), relativamente às seguintes matérias: a) omissão quanto à justificativa para afastamento do art. 47 da Lei nº 4.506/64, mencionado pelo art. 13 da Lei nº 9.249, para fins de concluir pela impossibilidade de cômputo na base de cálculo da CSLL das despesas consideradas desnecessárias; b) contradição em razão da aplicação da Súmula CARF nº 105, considerando que a multa isolada relativa a 2006 foi lançada com base nas disposições surgidas após a edição da MP nº 351/2007. É o relatório. Voto Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os embargos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Arguição de omissão quanto à justificativa para afastamento do art. 47 da Lei nº 4.506/64 Ao apreciar o recurso de ofício, assim se manifestou a decisão embargada acerca da, fls. 1511: […] a decisão de piso também cancelou outras duas parcelas do lançamento referente a esta contribuição, pelo fato de a legislação de regência não prever a adição à base de cálculo da CSLL do valor correspondente às despesas desnecessárias ou não usuais. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão de piso, fls. 1194: 184. [...] como inexiste no artigo 13 da Lei nº 9.249, de 1995, e nos demais diplomas legais citados qualquer determinação para adição à base de cálculo da CSLL do valor das despesas desnecessárias e não usuais ou normais para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, não há como se manter a glosa das perdas em operações de hedge e das despesas financeiras não necessárias tratadas nos itens “b” e “c” do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Procedimento Fiscal (fls. 404459). Considero inteiramente correto o entendimento adotado pelo colegiado julgador a quo, razão pela também em relação à CSLL considero que o presente recurso de ofício merece ser indeferido. Em sua peça de embargos, assim se manifestou a PGFN, fls. 15371538: […] a e. Turma não justificou o afastamento do art. 47 da Lei n º 4.506/64 mencionado pelo art. 13 da Lei nº 9.249/95. O referido art. 47 da Lei nº 4.506/64 é bastante claro ao determinar que as despesas desnecessárias à atividade da empresa também não seriam passíveis de dedução. Confirase: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. [...] (Destaque nosso) Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401001.548 S1C4T1 Fl. 5 7 Ora, as despesas que não forem necessárias não podem ser consideradas como despesas operacionais. Logo, não podem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL, isto é, não podem interferir no resultado do exercício para fins de apuração da base de cálculo da contribuição. Percebese, pois, que, assim como ocorre em relação ao IRPJ, as despesas consideradas desnecessárias não podem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL. Não assiste razão à embargante. Vejamos a íntegra do caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95 (grifado): Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: O aludido art. 47 da Lei nº 4.506/64, devidamente transcrito pela PGFN em sua peça de embargos, apenas estabelece o conceito de despesas operacionais. No entanto, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, revelase irrelevante o aludido conceito, conforme expressamente referido no caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95. Tratase de entendimento já consagrado no âmbito desta CARF, conforme revelam os seguintes julgados (grifado): CSLL – LANÇAMENTO DECORRENTE. As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Na matéria em que não há disposição específica quanto à CSLL, e tratandose da mesma matéria fática, aplicase ao lançamento decorrente o decidido no principal (que tratase de IRPJ). Recurso Voluntário nº 130.570, Relatora Tânia Koetz Moreira – Oitava Câmara, Sessão do dia 06/11/2002 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E OUTRO – AC. 1995 CSLL – DESPESAS DESNECESSÁRIAS. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO – IMPROCEDÊNCIA – A base de cálculo da CSLL é o resultado do período, apurado na forma da legislação comercial, ajustado na forma da legislação específica (artigo 2º da lei nº 7.689/1988). As despesas desnecessárias são indedutíveis para o IRPJ, não o sendo para a CSLL por falta de expressa previsão legal, desde que comprovadas por documentos hábeis e idôneos. Recurso de ofício não provido. Recurso nº 139549 – Relator Caio Marcos Cândido – Primeira Câmara, Data da Sessão: 27/01/2005. CSLL – BASE DE CÁLCULO As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. Acórdão 1401000.962 – Relator Fernando Luiz Gomes de Mattos, Data da sessão 10 de abril de 2013. Assim sendo, em relação ao presente tema, considero que os embargos merecem ser conhecidos e acolhidos em parte, apenas para integrar os fundamentos omissos, sem efeitos infringentes Arguição de contradição em razão da aplicação da Súmula CARF nº 105, considerando que a multa isolada relativa a 2006 foi lançada com base nas disposições surgidas após a edição da MP nº 351/2007 Sobre o tema, assim se manifestou a decisão embargada, fls. 1529: A recorrente protestou contra aplicação concomitante da multa de ofício isolada de 50% com a multa de ofício de 75%, que entende terem sido aplicadas sobre as mesmas infrações. Assiste parcial razão à recorrente. Em relação ao anocalendário de 2006, devese observar o disposto na Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Somente é possível a aplicação concomitante da multa isolada por estimativa e da multa de ofício, após a edição da Medida Provisória 351/2007, publicada no DOU em 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. Diante do exposto, em relação a este tema, dou provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para cancelar a exigência da multa isolada sobre estimativas não pagas em relação ao anocalendário de 2006. Assim se manifestou a embargante, fls. 1538: […] oportuno registrar que o acórdão recorrido afastou o emprego da multa isolada relativa ao ano de 2006, por considerar ilegítima a sua aplicação com a multa de ofício. Sustentou que seria aplicado o entendimento contido na Súmula CARF nº 105. Eis o teor da citada Súmula: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Destaque nosso) Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.724003/201161 Acórdão n.º 1401001.548 S1C4T1 Fl. 6 9 Contudo, cabe registrar que a multa isolada relativa ao ano de 2006 foi lançada já com fundamento no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96, ou seja, foi reduzido o seu percentual para 50%. Assim, mostrase contraditória, a ligação do caso concreto ao conteúdo da Súmula CARF nº 105, pois o lançamento da multa isolada relativa a 2006 foi efetuado com base nas disposições surgidas após a edição da MP nº 351/2007. Não assiste razão à recorrente. Não obstante o lançamento da multa isolada ter feito expressa referência ao art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96, é forçoso concluir que o fundamento desta exigência, em relação ao anocalendário de 2006, foi o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, vigente na data de ocorrência do fato gerador. A aplicação do percentual previsto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 somente se deu por força do princípio da retroatividade benigna, expressamente previsto no art. 106, II do CTN. A regra legal aplicável no anocalendário de 2006, contudo, foi a prevista no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, único em vigor na data de ocorrência do fato gerador. Afinal, o art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 somente entrou em vigor com a edição da MP nº 351/2007. Consequentemente, em relação ao presente tema, considero que os embargos merecem ser conhecidos e acolhidos em parte, apenas para integrar os fundamentos omissos, sem efeitos infringentes. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os presentes embargos de declaração. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 9/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 12448.724638/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. REFORMA. PENSÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
Somente são isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-003.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ISENÇÃO. APOSENTADORIA. REFORMA. PENSÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Somente são isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 46 38 /2 01 1- 21 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 12448.724638/201121 Acórdão n.º 2201003.018 S2C2T1 Fl. 60 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/RJ2 (Fls. 29), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte foi lavrada notificação de fls.1 a 7 relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2009, para apurar crédito tributário no valor de R$25.133,28 (R$13.616,50 sob o código 2904 e R$19,97 sob o código 0211). De acordo com a descrição dos fatos de fls.3 a 5 foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos recebidos do Ministério da Saúde, dedução indevida de contribuição para previdência oficial e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Inconformado o procurador da contribuinte alega que os rendimentos recebidos do Ministério da Saúde são isentos por moléstia grave desde 21/05/2003, conforme Portaria nº477/2009, com base nas informações prestadas pela Doutora Sandra da Silva Azevedo constantes do processo 33374008354/200950. Ao final, requer o cancelamento da notificação e solicita a restituição no valor de R$22,97. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO FONTE. Cabe manter a glosa de IRRF quando não ficar demonstrado nos autos a efetiva retenção. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. As contribuições à Previdência Oficial pagas pelo contribuinte só são dedutíveis quando devidamente comprovadas. Cientificada em 27/02/2014 (Fls. 39), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 27/03/2014 (fls. 42 e 43), argumentando em síntese: (...) Fl. 61DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 12448.724638/201121 Acórdão n.º 2201003.018 S2C2T1 Fl. 61 3 A requerente, conforme faz prova os relatórios médicos emitidos pelo Dr Luiz Carlos D de Miranda, professor Doutor da faculdade de Medicina da UFRJ e Dr. João Batista portador do CRM 52.321179, membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clinica, é possuidora de Neoplasia Maligna da Bexiga, desde o ano de 2002, e esta doença esta classificada no Código Internacional de Doenças (CID 10) e referente a categoria C 67, e assim se encontra dentro das doenças enquadradas e regulamentada pela Lei 7713/1988, no artigo 6, inciso XIV, com redação dada pela Lei n° 11052 de 29.12.2004, relativa a isenção por moléstia grave e moléstia profissional. (...) Informamos ainda, que a requerente é aposentada e pensionista do Ministério da Saúde, que através de junta médica constatou e confirmou a gravidade da doença, e desde aquele ano de 2009 e todos os anos subseqüentes, vem isentando seus rendimentos, como de fato devem ser considerados, sendo informada esta situação no DIRF anual, que remete a Receita Federal, e este órgão vem catando perfeitamente. Em vista do exposto solicita a este conselho, o devido cancelamento, dos débitos tributários referente ao ano base 2009, exercício 2010 que corresponde ao valor de R$ 19,97 e R$ 13.616,50. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em sua impugnação, e em seu recurso, a contribuinte combate somente a omissão de rendimentos, e unicamente com a alegação que tais rendimentos seriam isentos em razão da existência de moléstia grave à época dos fatos. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 12448.724638/201121 Acórdão n.º 2201003.018 S2C2T1 Fl. 62 4 Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios." De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Por seu turno, a DRJ, após a análise dos documentos apresentados pela contribuinte, entendeu que não estava comprovado através de laudo médico oficial que a contribuinte era portadora de moléstia grave à época dos fatos. O Acórdão recorrido assim estabeleceu; in verbis: A contribuinte apresentou os documentos de fls 6 a 12 para comprovação da moléstia grave. Nenhum dos documentos apresentados se reveste da qualidade de laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Ressaltese que a Portaria nº477/2009 do Hospital Geral de Bonsucesso apenas menciona Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 12448.724638/201121 Acórdão n.º 2201003.018 S2C2T1 Fl. 63 5 que o fundamento da isenção é a Lei nº7713/88, sequer identifica a moléstia da qual a interessada seria portadora. Quanto ao Relatório Médico e o documento emitido pela ONCOTRAT cabe informar que não podem ser aceitos para comprovação por terem sido expedidos por médicos particulares. Mesmo sendo alertada pela DRJ, que os documentos apresentados seriam inábeis para comprovação do seu estado clínico, e, em conseqüência, para formar a convicção do seu destinatário, no caso, a Receita Federal do Brasil, de que a mesma seria portadora de moléstia grave em 2009, em seu Recurso a contribuinte insistiu nas mesmas alegações, juntando os mesmos documentos. Ocorre que, como já indicado pela DRJ, referidos documentos não se revestem da qualidade de laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Assim, entendo que a recorrente não logrou êxito em provar que era, à época do fato gerador, portadora de moléstia grave. Não tendo, portanto, direito à isenção pleiteada, no ano base de 2009. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000862/2006-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
Numero da decisão: 2201-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Celso Costa, OAB/SP nº 148.255.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator.
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Celso Costa, OAB/SP nº 148.255. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
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NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Celso Costa, OAB/SP nº 148.255. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 62 /2 00 6- 64 Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2004, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 1209/1217, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 4.794.634,40. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 5. A fiscalização constatou que o contribuinte possuía contas conjuntas com a Sra.Gimol Kerzner, conforme se observa do relatório fiscal, fls.1218: Observese que, em conformidade com o estabelecido no art. 58 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e em razão das contas bancárias mantidas junto ao Banco Itaú e Banco BBV serem de titularidade conjunta com Gimol Kerzner, que apresenta a declaração de rendimentos em separado, foi considerado como rendimento omitido a parcela proporcional a sua participação na conta. 6. Realizamos consulta no sistema COMPROT, e verificamos que não existe processo no nome da cônjuge do impugnante, Sra. Gimol Kerzner, fl.2679. 7. Observando as planilhas de fls.1218 e 1219, notase que todos os depósitos bancários de origem não comprovada, pertencem às contas dos Bancos Itaú e BBV, as quais eram em conjunto com a Sra.Gimol Kerzner. 8. É possível verificar tal observação, comparando o total obtido em cada anocalendário com o que consta na autuação às fls.1215/1217. 9. Sendo assim, de acordo com o que rege o art.42 da Lei N.9.430/96, ambos os titulares da conta bancária devem ser intimados a comprovar a origem dos depósitos. Senão vejamos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 10. Neste sentido, procedemos a diligência de fls.2679/2681, no sentido de esclarecer se também foi intimada a Sra. Gimol Kerzner quanto a origem dos depósitos bancários questionados na presente autuação. Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000862/200664 Acórdão n.º 2201002.989 S2C2T1 Fl. 3 3 11. Obtivemos como resposta à diligência, o despacho de fls.2686, a qual será tratada no voto a seguir. A 2ª Turma da DRJ em Belém (PA) julgou procedente a impugnação apresentada, conforme se depreende das ementas abaixo transcritas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO COTITULAR. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Não havendo intimação do cotitular da conta conjunta, o lançamento é nulo quanto aos valores apurados decorrentes de depósitos nesta conta. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Contra a referida decisão foi interposto Recurso de Ofício a este Conselho Administrativo, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 03/2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Ao analisar a Impugnação apresentada pelo contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância, assim concluiu, em síntese, verbis: 15. O caput do artigo 42 estabelece um requisito de validade para a verificação da presunção de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, qual seja, que o titular dos valores depositados nas contas de depósito ou de investimento Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 seja regularmente intimado e não comprove a origem dos recursos utilizados nas operações. 16. Já o § 6º do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 58 da Lei 10.647, de 2002, determina que, no caso de contas bancárias mantidas em conjunto, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos deve ser imputado a cada titular, mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. 17. Concluise, portanto, que, no caso de contas conjuntas, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430 de 1996, deve ser imputada a todos os titulares das contas. Para tanto, fazse necessária a intimação de todos os titulares a fim de comprovarem a origem dos depósitos. (...) 21. A falta de intimação da Srª Gimol Kerzner para a justificação da origem dos depósitos bancários causa não apenas a não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a Autoridade Fiscal deixou de cumprir o rito previsto no caput do art. 42 para que se estabelecesse a presunção legal, mas também enseja o cerceamento do direito de defesa do impugnante. 22. Neste caso, entendemos que o contribuinte não teve meios de exercer plenamente o direito de defesa, vez que sua cônjuge não apresentou justificativas e/ou prova da origem dos recursos depositados, o que poderia contribuir para a diminuição da omissão de rendimentos apurada. 23. A fiscalização deveria ter averiguado a justificativa para os mesmos depósitos junto a Srª Gimol Kerzner, a fim de comprovar a responsabilidade de cada um dos cotitulares pelos valores depositados nas contas conjuntas. (...) 30. Neste passo, entendemos que ocorrera nulidade formal, em virtude do descumprimento do que ordena o art.42 da Lei N.9.460/96, sem prejuízo do disposto no art.173, II do Código Tributário Nacional LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966. DO JULGAMENTO 31. Vistas e analisadas as alegações da impugnante, julgo PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO apresentada, descabendo o crédito tributário ora combatido Do exposto, verificase que a autoridade recorrida aplicou à espécie a Súmula CARF nº 29: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem se intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000862/200664 Acórdão n.º 2201002.989 S2C2T1 Fl. 4 5 De fato, a própria autoridade fiscal confirmou, em resposta à diligência proposta pela DRJ, fls. 2679/2681, que a cotitular, Srª Gimol Kerzner, não foi intimada para justificar a origem dos depósitos bancários e, dessa feita, não se aperfeiçoou presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 . Ressaltese que o vício presente no lançamento é de natureza material, já que diz respeito aos pressupostos fundamentais do lançamento, pois não se pode admitir a existência obrigação tributária contrária a determinação legal (art. 142 do Código Tributário Nacional). Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721372/2013-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-001.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães.
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DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Havendo decisão definitiva, na esfera administrativa, em outro processo, no qual foram reduzidos os prejuízos fiscais de períodos anteriores, há que se reconhecer a procedência do lançamento, neste processo, no qual são glosadas as compensações de prejuízos fiscais acumulados, por inexistência/insuficiência de saldos a compensar. O mesmo raciocínio se aplica à CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 13 72 /2 01 3- 70 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 430 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório JOSAPAR JOAQUIM OLIVEIRA S/A PARTICIPAÇÕES, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1661.181, de 05/09/2014, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito (grifos no original). O interessado foi autuado, em 25/02/2013, no IRPJ e na CSLL, em razão de compensação indevida de prejuízo fiscal e de base negativa nos dois primeiros trimestres do anocalendário de 2008, sendo exigido o crédito tributário total de R$ 5.224.722,10, incluindo imposto, contribuição, multas de 75% e juros de mora calculados até 02/2013 (fls. 1 a 246). O Relatório da Ação Fiscal (RAF) aponta que (fls. 241 a 244): “(...) 2. DESCRIÇÃO DOS FATOS 2.1 Compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL excedentes aos saldos existentes no sistema SAPLI. 2.1.1 O ... sistema SAPLI, apontou inconsistências relativas às compensações de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL informadas, respectivamente, nas fichas 09A e 17 da ... DIPJ ... do anocalendário de 2008, 1º e 2° trimestres, fls. 17 a 20 e 27 a 30, ou seja, não havia saldo compensável de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL .... 2.1.2 ... constatase que, no anocalendário de 1999, a fiscalização ... promoveu alterações dos resultados negativos, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL ... em virtude de procedimento fiscal que redundou no auto de infração, processo n° 11040001458/200468, conforme ... documentos intitulados "Histórico da Compensação de Prejuízos Fiscais" e Fl. 430DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 431 3 "Histórico da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido" do sistema SAPLI, juntados às fls. 68 e 69. 2.1.2.1 ... as alterações ... do processo n° 11040001458/2004 68, ... geraram uma redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL ... no montante correspondente a R$ 6.973.133,69, conforme demonstrado a seguir: DIPJ AC 1999 Valor Declarado Valor Apurado pela Fiscalização Ficha 09A Lucro Real antes das Compensações 9.258.581,96 2.285.448,27 Ficha 17 Base de Cálculo da CSLL antes das compensações 8.964.665,27 1.991.531,58 Diferença entre o Valor Declarado e o Valor Apurado pela Fiscalização = 6.973.133,69 2.1.2.2 Em relação à base de cálculo negativa da CSLL a divergência ... era ... igual à diferença entre o valor declarado pela empresa e o valor apurado pela fiscalização, conforme ... planilha acima. No entanto, a inconsistência relativa ao prejuízo fiscal era superior à diferença apurada após as modificações realizadas pela fiscalização, fato que evidenciava que havia outra(s) causa(s) gerando a inconsistência, além das citadas alterações.... 2.1.3 ... a empresa foi intimada (fl. 93) a prestar os esclarecimentos ... quanto às diferenças apuradas, apresentando a devida documentação comprobatória dos valores de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL compensados no anocalendário de 2008, no 1º e 2° trimestres. 2.1.3.1 ... decorrido o prazo concedido ..., não houve manifestação formal ... da contribuinte. 2.1.3.2 Embora não tenha havido manifestação formal ..., a contadora compareceu para verificar porque o sistema SAPLI estava apresentando as inconsistências especificadas no referido Termo de Intimação Fiscal. Na ocasião, trouxe os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) desde o anocalendário de 1999, onde estavam registradas as demonstrações do lucro real da empresa na parte "A" e a utilização dos prejuízos fiscais na parte "B". 2.1.3.3 Da confrontação das informações existentes nos livros LALUR e as constantes do sistema SAPLI observamos, no que diz respeito ao prejuízo fiscal, que havia outra divergência de informação além daquela decorrente da alteração promovida pela fiscalização da Receita Federal do Brasil em decorrência do processo n°'11040¬001458/200468, ou seja, no ano calendário de 2000, constava, no sistema SAPLI, o valor do prejuízo fiscal declarado pela empresa na DIPJ original e não o valor informado na DIPJ retíficadora apresentada em 3112 2004, fls. 127 a 218, o qual estava demonstrado na parte "A" do Livro LALUR do citado anocalendário. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 432 4 2.1.3.3.1 Identificamos que, devido a problema de processamento, a DIPJ retificadora não alimentou o sistema SAPLI com o novo valor de prejuízo fiscal declarado pela empresa. Resolvida esta situação, o sistema SAPLI passou a espelhar o prejuízo fiscal constante da DIPJ retificadora e, em decorrência, a inconsistência apontada para o prejuízo fiscal ficou também exatamente igual à diferença entre o valor do prejuízo fiscal declarado pelo contribuinte e aquele apurado no procedimento realizado pela fiscalização ..., conforme ... item 2.1.2.1. 2.1.4 Devido ao fato de que a empresa não apresentou resposta formal ao Termo de Intimação Fiscal n° 045/2012, posteriormente, em continuidade ao procedimento fiscal, encaminhamos, por via postal, o Termo de Intimação Fiscal n° 007/2013, vide docs. de fls. 97 a 99, a fim de que a empresa apresentasse os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) dos anoscalendário de 1999 e 2000, os originais e as cópias correspondentes, uma vez que as divergências de valores de prejuízo fiscal ocorreram nos citados anoscalendário, conforme ...item 2.1.3.3. 2.1.4.1 Em resposta ao referido Termo de Intimação, a empresa apresentou a correspondência de fl. 100, juntamente com os livros LALUR dos anoscalendário de 1999 e 2000, cujas cópias foram anexadas às fls. 101 a 162. 2.1.4.2 A Demonstração do Lucro Real do anocalendário de 2000, ... item 2.1.3.3, está registrada na Parte "A" do livro LALUR, fl. 114. 2.1.4.3 No que diz respeito ao anocalendário de 1999, na parte "A" do livro LALUR, fls. 114, está demonstrado o prejuízo fiscal apurado pela empresa, o qual foi ... reduzido pela fiscalização através do procedimento fiscal que resultou no processo n° 11040001458/200468 (... item 2.1.2). 2.1.4.3.1 Na parte "B" do livro LALUR, fis. 161, a empresa registrou o valor de prejuízo fiscal apurado na parte "A", fl. 144 e 145, com a finalidade de compensálo em anoscalendário posteriores. Observase ainda que, de acordo com as informações constantes da referida Parte "B" do Livro LALUR do anocalendário de 1999, fls. 146 a 162, não havia registro de prejuízo fiscal compensável de períodos anteriores, apenas o registro do prejuízo fiscal apurado no próprio anocalendário (vide ... docs. de fls. 129 e 130). 2.1.5 Consideradas as alterações ... no sistema SAPLI resultantes do procedimento fiscal citado anteriormente, vide item 2.1.2.1, restaram, no anocalendário de 2008, no 1º trimestre, saldos compensáveis de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL correspondentes a R$ 3.800.479,72 e R$ 3.658.466,89, respectivamente. 2.1.6 Por oportuno, informamos que o processo n° 11040.001458/200468 está no Conselho Administrativo de Fl. 432DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 433 5 Recursos Fiscais (CARF), consoante pesquisa realizada em 15 022013, anexada à fl. 70. 2.1.6.1 No que se refere ao citado processo, anexamos também a consulta processual de fls. 71 e 72 e a cópia do Acórdão n° 107 08867, proferido pela Sétima Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, juntada às fls. 73 a 92. 2.1.6 Diante do exposto, e considerando o prazo decadencial do Imposto de Renda e da CSLL relativos ao anocalendário de 2008, formalizamos o presente auto de infração através do qual glosamos as compensações de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL declaradas pela empresa no 1º e 2º trimestres do anocalendário de 2008, fls. 17 a 20 e 27 a 30, da seguinte forma: 2.1.6.1 Parcialmente as compensações de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL declaradas no 1º trimestre do anocalendário de 2008. A compensação de prejuízo fiscal foi alterada de R$ 4.384.546,06 para R$ 3.800.479,72 e a da base de cálculo negativa da CSLL, de R$ 4.316.727,71 para R$ 3.658.466,90. A redução, no caso do prejuízo fiscal, corresponde a R$ 584.066,34; e, a da base de cálculo negativa da CSLL equivale a R$ 658.260,31 (vide ... Histórico da Compensação de Prejuízo Fiscal e Histórico da Compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL de fls. 221 e 222); 2.1.6.2 Integralmente as compensações de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL declaradas no 2º trimestre do citado anocalendário, respectivamente, R$ 6.389.067,35 e R$ 6.314.872,88 (vide ... Histórico da Compensação de Prejuízo Fiscal e Histórico da Compensação da Base de Cálculo Negativa da CSLL de fls. 221 e 222); 2.1.7 As glosas das compensações de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, efetuadas conforme especificado no item anterior, perfazem, em ambos os casos, um montante de R$ 6.973.133,69, que é idêntico ao valor da redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, ambas realizadas no procedimento fiscal que redundou no processo n° 11040 001458/200468, vide item 2.1.2. 2.1.8 Em consequência, efetuamos o cálculo do Imposto de Renda e da CSLL devidos no 1º e 2° trimestres do ano calendário de 2008, correspondentes às glosas de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL realizadas nos referidos períodos, conforme Demonstrativos de Apuração de fls. 225 a 230 e 234 a 237. 2.1.9 Procedemos à atualização do sistema SAPLI concernente às reduções das compensações de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL efetuadas no 1º e 2° trimestres do ano calendário de 2008, de acordo com os formulários de alteração (FAPLI e FACS) de fls. 219 e 220.” (negritos do original) Os autos de infração constam às fls. 223 a 240. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 434 6 O interessado apresentou impugnação em 22/03/2013 (fls. 248 a 280), por meio de seus advogados (fls. 280 a 292), alegando, em resumo, que: ‘(...) ... aos créditos tributários objeto destes Autos de Infração reflexos impõese a suspensão da exigibilidade (art. 151, III3, CTN), bem como a suspensão do julgamento, porque ... são motivados pelos ajustes realizados pela Fiscalização no prejuízo fiscal e na base de cálculo negativa do anocalendário de 1999, ... no processo administrativo n.º 11040.001458/2004 68, cujo direito defendido em sede de recurso especial teve seguimento admitido apenas em parte, atualmente no aguardo do julgamento do recurso de agravo quanto ao mais, circunstância que se configura como fato impeditivo à cobrança daqueles e julgamento deste apartado daquele, uma vez que as alterações de ofício realizadas no SAPLI estão com seus efeitos jurídicos prospectivos suspensos, sob condição de decisão final superveniente. Senão, subsidiariamente, impõese a improcedência dessas autuações e extinção dos créditos tributários por ocasião de novo julgamento, eis que válidos e eficazes os contratos de compra e venda dos títulos do Tesouro Americano e, por conseguinte, dedutíveis as despesas dos anos calendário de 1998 e 1999, com variação cambial sobre capital e juros, como defendido nos autos do processo 11040.001458/200468, legitimando o prejuízo e a base negativa compensados no anocalendário de 2008. Ainda e ao fim da linha eventual, impõese a extinção dos créditos tributários correspondentes à indevida cobrança das multas lançadas de ofício, diante do caráter confiscatório. Tudo, como passa a demonstrar. (...) Clarividente transparece, sim, os necessários lançamentos de IRPJ e de CSLL do períodobase de 2008, evitandose a decadência, todavia, com suspensão da exigibilidade dos seus correspondentes créditos, já que o originário direito inserto no processo matriz 11040.001458/200468 ... está amparado pela interposição de recursos na esfera administrativa .... Conquanto isso, inafastavelmente a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários dáse com a presente impugnação, a qual, porém, deve ter seu julgamento atrelado ao que vier a ser decidido, de forma definitiva, no processo 11040.001458/2004 68 não só diante do que até aqui se apresentou, mais, a se valorar as diversas manifestações de doutrinadores e de órgãos julgadores no identificar hipóteses de prova emprestada, lançamentos subsequentes, decorrentes, reflexos e semelhantes. Deveras, este processo 11080.721372/201370 não existiria se não existisse o processo 11040.001458/200468, como claro exsurge da DESCRIÇÃO DOS FATOS veiculada no Relatório da Ação Fiscal deste processo 11080.721372/201370. Inequívoco processo reflexo, este 11080.721372/201370, portanto, daquele 11040.001458/200468. Em casos que tais, impositiva a Fl. 434DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 435 7 suspensão deste 11080.721372/201370, enquanto não julgado definitivamente as autuações do 11040.001458/200468, em consonância com pacífico entendimento, no âmbito administrativo e judicial, em linha de que, onde o resultado de um julgamento reflete em outros, estes devem aguardar pelo julgamento daquele, de modo a evitar decisões contraditórias (CPC, art. 265, IV), por exemplo: (...)” (negritouse) O interessado prossegue sua impugnação reportandose ao mérito do processo administrativo n.º 11040.001458/200468, trazendo argumentos para sustentar os pleitos acima. Às fls. 368 e 369 consta despacho de saneamento para que fosse providenciado o registro das alterações no sistema SAPLI, conforme a Norma de Execução SRF/Cofis/Cosit/Cotec/Corat nº 005, de 06 de novembro de 2006, e posterior devolução a esta DRJ para prosseguimento do julgamento. As alterações foram registradas no SAPLI. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1661.181, de 05/09/2014 (fls. 373/380), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL DE PERÍODOS ANTERIORES. Não cabe a compensação de prejuízo fiscal inexistente. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Não cabe a compensação de base negativa inexistente. Ciente da decisão de primeira instância em 23/09/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 387, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/10/2014 conforme carimbo de recepção à folha 389. No recurso interposto (fls. 390/420), após historiar o ocorrido, por sua ótica, a recorrente pleiteia a reforma do acórdão recorrido, com argumentos que podem ser sintetizados como segue: · A recorrente requer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto do presente processo. · A recorrente requer a suspensão do julgamento do presente processo, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo nº 11040.001458/200468. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 436 8 · A recorrente sustenta a inexigibilidade das multas no percentual de 75%, por ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, “apresentando inegável caráter confiscatório”. · A recorrente aduz razões de mérito atinentes ao lançamento discutido nos autos do processo nº 11040.001458/200468. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, a recorrente requer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto do presente processo. De se observar que seu pedido é decorrência direta da lei, descabendo qualquer manifestação, seja em que sentido for, por parte deste Colegiado. Confirase o teor do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Os créditos tributários do presente processo foram regularmente constituídos, mediante lançamento de ofício. Um dos efeitos da impugnação apresentada pela interessada é, exatamente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, enquanto durar o contencioso administrativo fiscal. O mesmo se diga do recurso voluntário da decisão de primeira instância, que ora se aprecia. Inexiste qualquer litígio, quanto a este ponto. Ainda em preliminares, a recorrente requer a suspensão do julgamento do presente processo, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do processo nº 11040.001458/200468. Conforme visto no relatório que antecede a este voto, a principal discussão de mérito, neste processo, diz respeito à autuação por glosa de prejuízos fiscais insuficientes, compensados indevidamente, no anocalendário 2008 (fl. 224). O mesmo sucedeu com as base de cálculo negativas da CSLL (fl. 233). A origem das diferenças apuradas pelo Fisco se encontra no processo administrativo fiscal nº 11040.001458/200468, no qual a interessada foi autuada e, em consequência, foram reduzidos os prejuízos fiscais e saldos negativos de CSLL por ela apurados no anocalendário 1999. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 437 9 Tenho por certo que a matéria discutida naquele processo (nº 11040.001458/200468) constitui prejudicial à decisão que se há de proferir neste (nº 11080.721372/201370). Antes de decidir sobre a compensação indevida de prejuízos fiscais em 2008, por insuficiência de saldos a compensar, é indispensável saber se a redução de prejuízos fiscais, promovida de ofício pelo Fisco no anocalendário 1999 e causa direta da insuficiência de saldos verificada em 2008, já está consolidada na esfera administrativa. Cumpre, então, breve histórico do processo administrativo fiscal nº 11040.001458/200468, passando pelo lançamento, até sua situação atual. · O lançamento no processo nº 11040.001458/200468 alcançou fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998 (lucro real trimestral) e também no ano calendário 1999 (lucro real anual). No anocalendário 1998 foram apurados e lançados IRPJ e CSLL a pagar. No anocalendário 1999 houve tão somente a redução de ofício dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL apurados pelo contribuinte. Essa redução, no anocalendário 1999, é a causa direta da insuficiência de saldos a compensar verificados em 2008 e discutidos no presente processo. Fls. 6/20 do processo nº 11040.001458/200468. · O lançamento do processo nº 11040.001458/200468 foi integralmente mantido em primeira instância, mediante Acórdão nº 5.534, de 27/04/2005, da DRJ Porto Alegre/RS (fls. 1191 e segs do processo nº 11040.001458/200468). · Em segunda instância, o lançamento do processo nº 11040.001458/200468 foi mantido parcialmente, mediante o Acórdão nº 10708.867, de 24/01/2007, da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 1448 e segs. do processo nº 11040.001458/200468, também reproduzido às fls. 73/92 do presente processo). A parte dispositiva do Acórdão é como segue: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade. Quanto ao IRPJ, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência dos trimestres do anocalendário de 1998 e REJEITAR a preliminar de decadência quanto ao ano de 1999. Quanto à CSLL, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência. Vencidos os conselheiros Natanael Martins, Hugo Correia Sotero e Selma Fontes Ciminelli. E, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. · Por relevante, observo que a parcela afastada foi exclusivamente o IRPJ para o ano calendário 1998, reconhecida a decadência para esse período. A redução de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, em 1999, não foram afetadas pela decisão. · No processo nº 11040.001458/200468, a interessada interpôs recurso especial, alegando existência de dissídio jurisprudencial quanto às seguintes matérias: (1) prazo decadencial para lançamento de ofício da CSLL; (2) caracterização e existência da simulação; e (3) existência do evidente intuito de fraude na simulação. Quanto à matéria (1), a recorrente é expressa (fl. 1513 do processo nº 11040.001458/200468) ao se referir exclusivamente ao anocalendário 1998. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 438 10 · O Presidente da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial, tão somente no que toca à primeira matéria, negando seguimento quanto aos demais pontos. · A decisão foi agravada pela interessada, conforme regramento processual então vigente e, em reexame de admissibilidade de recurso especial, o Sr. Presidente do CARF rejeitou o agravo e confirmou o seguimento do recurso especial tão somente no que tange ao prazo decadencial para o lançamento de CSLL (fls. 1727/1734 do processo nº 11040.001458/200468). · O processo nº 11040.001458/200468 se encontra, atualmente, aguardando o julgamento do recurso especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, exclusivamente no que toca ao prazo decadencial para o lançamento de CSLL no anocalendário 1998. Feito o breve histórico, concluo que a matéria daquele processo nº 11040.001458/200468, prejudicial à decisão que se há de tomar neste processo, já foi definitivamente julgada no âmbito administrativo. A redução de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, no anocalendário 1999, já foi integral e definitivamente mantida, sendo certo que o recurso especial que aguarda julgamento não terá qualquer interferência nessa matéria, qualquer que seja seu resultado. Somente está em litígio, no outro processo nº 11040.001458/200468, o prazo decadencial para a CSLL no anocalendário 1998, que nenhuma relação possui nem tem o poder de alterar o lançamento do anocalendário 1999. Desde que a origem das diferenças constadas pelo Fisco em 2008 residia na autuação objeto do processo administrativo nº 11040.001458/200468 (fatos geradores ocorridos em 1999), fato reconhecido pela própria interessada, revelase a correção dos lançamentos do presente processo, por insuficiência de saldos a compensar. Voto, desta forma, por negar provimento ao recurso voluntário, quanto a esta matéria. A seguir, a recorrente sustenta a inexigibilidade das multas no percentual de 75%, por ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, “apresentando inegável caráter confiscatório”. A multa de ofício de 75% decorre da aplicação direta da lei, a saber, o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, vigente à época dos fatos geradores. Não alegada nem demonstrada qualquer irregularidade na aplicação do dispositivo legal, o argumento deve ser rejeitado. Quanto à alegação de ofensa a princípio constitucional, trago à colação a súmula CARF nº 2, que declara a incompetência deste órgão administrativo para se pronunciar sobre essa matéria. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, a recorrente aduz razões de mérito atinentes ao lançamento discutido nos autos do processo nº 11040.001458/200468. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 11080.721372/201370 Acórdão n.º 1301001.966 S1C3T1 Fl. 439 11 Tais argumentos, por certo, não podem ser conhecidos por este Colegiado. A discussão sobre o mérito do processo nº 11040.001458/200468 somente pode ser apreciada naqueles autos, nunca nestes. Descabida a pretensão de reabrir a discussão sobre matéria já decidida em outro processo. Por todo o exposto, em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 439DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/04/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.018343/98-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994
BASE DE CÁLCULO
Identificado erro na apuração da base de cálculo, impõe-se a sua correção para ajustar o valor lançado.
Numero da decisão: 1401-001.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a base da autuação relativa a 31/05/1994, de CR$ 18.123.425,00 para CR$ 12.157.060,50, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a base da autuação relativa a 31/05/1994, de CR$ 18.123.425,00 para CR$ 12.157.060,50, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 83 43 /9 8- 62 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 21/26, lavrado pela DRF Rio de Janeiro Centro/Norte RJ, contra DISPAL Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 219.802,40, acrescidos da multa proporcional de 75%, prevista no art. 4°l da Lei n° 8.218/91, combinado com o art. 44I da Lei n° 9.430/96 e de juros de mora. Em decorrência dos fatos apurados na autuação do IRPJ, foram lavrados os autos de infração de fls. 27/49, para exigir o PIS no valor de R$ 6.595,79, a Cofins no valor de R$ 17.588,74, a CSLL no valor de R$ 87.920,95 e o IRRF no valor de R$ 219.802,40, também acrescidos da multa proporcional de 7 5 % e dos juros de mora. Deu causa ao lançamento, conforme Descrição dos Fatos de fl. 26, a omissão de receita da revenda de mercadorias, tendo em vista que o interessado não declarou valores de vendas recebidos de órgãos governamentais, nem comprovou a respectiva escrituração, após intimado (fls. 06/07). Fazem, ainda, parte integrante dos autos os seguintes documentos: à fl. 09, receitas declaradas pelo interessado; às fls. 10/19, relação de valores recebidos pelo interessado; e à fl. 20, demonstrativo da diferença entre valores declarados e valores recebidos. Cientificado das autuações, fls. 25, 30, 36, 42 e 47, o interessado apresentou a impugnação de fls. 51/53, alegando, in verbis: "Inconformada, com a autuação, informa a impugnante que todas as suas operações estão devidamente demonstradas em seus assentamentos contábeis e que os mesmos refletem com clareza a correção por que pauta a sua administração, tendo no decorrer da ação fiscal colocado a disposição do Notificante, todos os seus livros e documentos, conforme solicitados, não se justificando portanto, o levantamento do débito por amostragem por não considerar estornos referentes aos créditos, deduções parciais por devolução do produto, fatos os quais conduziria o autuante ao mesmo montante declarado pela empresa mês a mês. Protesta também para provar o imposto declarado pela autuada, todas as provas de direito admitidas, notadamente por diligências de fiscalização nos documentos emitidos para os próprios órgãos informantes, bem como através de Fl. 389DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10768.018343/9862 Acórdão n.º 1401001.520 S1C4T1 Fl. 389 3 quaisquer outros documentos para assim, finalmente, serem julgados os presentes autos de infração improcedentes e insuficientes". DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 57 a 61) negou provimento nos termos do voto condutor: A impugnação apresentada pelo interessado não contestou a infração de que ele foi acusado, que consiste em declarar receita inferior ao valor recebido por vendas efetuadas a órgãos públicos. Limitouse a trazer, em um só parágrafo, de forma condensada, questionamentos genéricos que são incapazes de infirmar a infração demonstrada pela fiscalização. Afirma, por exemplo, que escritura regularmente suas operações, mas não trouxe qualquer prova de ter escriturado as vendas que ora se discutem. Insurgese, também, contra a forma de levantamento do débito, que seria feita por amostragem. Na realidade, quando o termo de encerramento expressa que "o cumprimento das obrigações tributárias" foi verificado por amostragem, quer, apenas, resguardar o direito de o fisco vir a exigir débitos porventura não constatados naquela auditoria. Isto não significa, como parece entender o interessado, que o montante da exigência tenha sido calculado sem exatidão. Reclama, ainda, por eventuais créditos ou devoluções que deveriam ser subtraídos. No entanto, não esclarece quais seriam estes créditos/devoluções, não os quantifica, nem, tampouco, junta qualquer prova da existência dos mesmos. Além disto, não seria razoável crer que o interessado houvesse registrado devoluções (caso existissem), se não escriturou as vendas. Com relação ao protesto por "diligências", o pleito deveria ser formulado de maneira específica e deveria indicar qual fato se deseja ver examinado, de acordo com o artigo 16, inciso IV e parágrafo 1o , do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93. No presente caso, além de não definir a dúvida a ser esclarecida, o suposto pedido foi feito de forma genérica e não se destina a averiguar uma circunstância material bem determinada, tal como uma operação realizada, um lançamento contábil etc. Ademais, em sua defesa , o interessado não argüiu qualquer dos fatos a ele imputados, fazendose concluir que não existe dúvida a ser esclarecida por via da diligência. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 89 a 92, mediante o qual teceu as seguintes razões, in verbis: 4. Assim, o procedimento fiscal está respaldado, em sua totalidade, na listagem fornecida pelo SIAFI que afigurase insuficiente para embasar a ação fiscal. Quando muito serviria como peça informativa e complementar para instruir o processo de apuração, a fim de comprovar ou não a eventual omissão de receita, não podendo se constituir em instrumento único de apuração. 5. Ademais, a listagem utilizada para instrumentalizar a ação fiscal apresenta valores não recebidos. É que, ao se cotejar a malsinada listagem com o extrato bancário ora exibido, verifica se que alguns valores não foram creditados na conta corrente. 6. Desse modo, o procedimento fiscal revelouse impreciso, pois iniciada a ação fiscal não foi realizada qualquer diligência ou investigação para confirmar os registros contidos na listagem do SIAFI, apesar de requerida pelo Recorrente em sua impugnação e que serviria para averiguar a efetividade dos recebimentos, cujo pedido restou rejeitado, em flagrante cerceamento de defesa. 7. Portanto, a listagem gerada pela administração não é suficiente para embasar a ação fiscal, repitase. 8. Além disso, há erro na apuração do valor da diferença apontada, quando da transformação da receita encontrada para o atual padrão monetária, conforme quadro demonstrativo de fls. 20, ao se multiplicar os valores pela URV de 30.06.94, sem levar em conta o mês de apuração, gerando substancial aumento dos valores em reais. 9. Cabe enfatizar, por derradeiro, que na relação entre a Administração Pública e o contribuinte deve prevalecer o princípio da presunção dá veracidade. Assim, considerando que a Recorrente contesta a imputação de omissão de receita, deveriam ser realizadas diligências visando a comprovação da autuação, como ofícios aos órgãos pagadores indagandoos sobre o efetivo recebimento dos valores constantes da listagem do SIAFI. Vale ainda registrar que o feito chegou a ser inscrito em dívida ativa em razão da falta do depósito recursal. É o relatório do essencial. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 10768.018343/9862 Acórdão n.º 1401001.520 S1C4T1 Fl. 390 5 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Em primeiro lugar, conforme já aduzido pela autoridade julgadora recorrida, os extratos do SIAFI não correspondem a meros indícios. São provas efetivas de pagamento da administração pública para o particular, apta e suficiente para comprovação dos fatos ali retratados. São identificados os valores, o beneficiário e até a contacorrente bancária de destino dos valores, conforme podemos verificar nas páginas 1220 (eprocesso). Desse modo, caberia ao interessado fazer contraprova do não recebimento dos valores ali indicados. Não o fez por ocasião da impugnação. No recurso voluntário, apresentou dezenas de páginas de extratos bancários para afirmar genericamente que não teria recebido parte dos valores. No entanto, não apontou, nem sequer de forma exemplificativa, quais seriam as diferenças entre os registros no SIAFI e nos seus extratos bancários. Não cabe a autoridade julgadora fazer esse cotejo. Isso é ônus da defesa. Como já consignei inúmeras vezes, provar não é apenas juntar papeis ao processo. Pelo contrário, é articular o registro físico com o argumento específico que se pretende demonstrar. Isso é ônus de quem alega. Por fim, a defesa apresenta na fase recursal argumento novo de ter havido erro de cálculo na conversão de moedas. Além de novo, a defesa nem sequer apontou os meses em que teriam ocorrido os supostos erros. De todo modo, o pretenso erro é passível de ser reconhecido de ofício, inclusive na fase de execução da exigência. Ao compulsar os autos, de fato, verificamos um erro relativo a 31/05/94. A autoridade fiscal, multiplicou a diferença expressa em URV por CR$ 2.750,00 (fl. 2223 do e processo), quando o correto seria CR$ 1.844,69. CR$ 2.750,00 é o valor relativo a 30/06/94. Desse modo, a receita omitida (base de cálculo das autuações), para o mês de maio de 1994, deve ser reduzida de CR$ 18.123.425,00 para CR$ 12.157.060,50 (6.590,30 URV x CR$ 1.844,69). Fl. 392DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário com o fito de reduzir a base da autuação, relativa a 31/05/1994, de CR$ 18.123.425,00 para CR$ 12.157.060,50. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 393DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.010269/2002-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2005, 01/01/2002
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-003.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2005, 01/01/2002 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
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REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusões díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 02 69 /2 00 2- 35 Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Relatório A Fazenda Nacional busca a reversão da decisão proferida pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Seção do CARF acórdão 340200.749 que recebeu a seguinte ementa: "CPMF— FALTA DE RECOLHIMENTO. Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidência concreta e suficiente para descaracterizar a autuação, há que se manter a exigência tributária. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO — COMPENSAÇÃO INDEVIDA — RETROATIVIDADE BENIGNA. Em relação às declarações apresentadas anteriormente à vigência da Lei n. 11.051, de 2004, aplicase retroativamente a legislação posterior mais benéfica, ainda que alterada por nova lei (106, inc. II alínea "c" do CTN), que previa aplicação da multa somente em 'razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n"4.502/64, inocorrente no caso'.' Recurso negado." Apesar da menção constante da ementa à "multa isolada...", disso não cuidou o lançamento discutido. De fato, retrata ele lançamento de diferenças encontradas em procedimento de revisão interna das DCTF entregues pela empresa relativamente ao ano de 1997 ("lançamento eletrônico"), nas quais a empresa informara ter promovido "compensações com Darf sem processo". Ou seja, a empresa declarara ter efetuado recolhimentos a maior em alguns meses e que compensara tais indébitos, sem formalizar processo administrativo ou judicial, com débitos de períodos posteriores. Não localizados os indébitos, foram os créditos tributários supostamente compensados constituídos de ofício, incluindo, portanto, tanto o tributo quanto as penalidades. A decisão recorrida entendeu que se aplicava a retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN em razão das alterações sucessivamente realizadas no art. 90 da MP 2.158, considerado a base legal do lançamento original (feito em 2002), e afastou a multa de ofício lançada em conjunto com o principal. O objeto do recurso é esse afastamento da multa de ofício decidido pelo colegiado. Para comprovar a divergência de entendimentos, apresenta a Fazenda Nacional julgado (acórdão 20179.948) assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2004 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO INEXATA. E devida a multa isolada decorrente de diferenças apuradas em compensação indevida e declaração inexata prestada em DCTF pelo contribuinte, conforme Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10166.010269/200235 Acórdão n.º 9303003.829 CSRFT3 Fl. 1.513 3 disposto no art. 90 da MP nº 2.158/2001, nos termos do art. 18 da Lei n ° 10.833/2003, atualmente modificado pela Lei n °. 11.196/2005. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA. MOMENTO DE CONSTITUIÇÃO. O lançamento referente à multa de oficio isolada decorrente de compensação indevida e declaração inexata prestada em DCTF deve ser efetuado, independente de julgamento final na esfera administrativa, de pedido/Declaração de Compensação. Recurso negado. Neste último, segundo o relatório da decisão: (...) De acordo com o Relatório do Trabalho Fiscal (fls. 20/37), foram analisadas compensações declaradas em DCTF de créditos de origem não tributária com débitos de Cofins, PIS, CSLL, IRPJ e IRRF... O despacho que examinou a admissibilidade concluiu: Do exame dos requisitos de admissibilidade do recurso especial (arts. 67 e 68 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 RICARF), verificase que deve ser admitido, pois a ementa do acórdão paradigma número 20179.948, da 1ª . Câmara do 2º . Conselho de Contribuintes, proferido já na vigência da Lei n° 11.196/2005, que alterou o art. 18, da Lei n°. 10833/2003, cuja redação já havia sido alterada pelo art. 25 da Lei n.° 11.051/2004, evidencia divergência, em relação à exigibilidade de multa isolada nos casos de compensação não homologada, caracterizada como não declarada. Em contrarrazões, defende a empresa a manutenção do decidido sem questionar a admissibilidade do recurso da Fazenda. Registro que houve também recurso especial da empresa, mas ele não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Entendo que o recurso não pode ser admitido. De fato, procurei demonstrar no relatório a ampla diversidade fática entre o processo em discussão e aquele pretendido como comprobatório da divergência. Enfatizo: no processo que ora examinamos não houve nem Dcomp nem pedido de compensação que nela se tivesse convertido; não houve lançamento de multa isolada e sim lançamento de principal e acréscimos, dado que ele ocorreu antes da entrada em vigor do art. 18 da Lei 10.833. Ademais, Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 e provavelmente mais importante, não houve acusação de que os créditos pretendidos fossem de origem não tributária ou outra qualquer hipótese para a qual as sucessivas alterações promovidas nesse art. 18 da Lei 10.833 mantiveram a condição de "compensação considerada não declarada", até porque ela não fora declarada mesmo. Já o acórdão apontado como paradigma cuidou de lançamento efetuado quando já vigente o art. 18 da Lei 10.833 em sua redação original e por ter a empresa pretendido compensar créditos de origem não tributária. Portanto: a) a declaração entregue foi desconsiderada como previsto na legislação (§ 4º do art. 74 da lei 9.430) b) foi lançada apenas a multa isolada; c) a hipótese para esse lançamento compensação com créditos de origem não tributária era uma das expressamente elencadas como exceção nas alterações posteriores daquele artigo (art. 18 da Lei 11.051, que alterou o art. 74 da Lei 9.430). Em suma, díspares os fatos e diferentes as legislações aplicadas, não se pode considerar comprovada a divergência ensejadora da aceitação do recurso. Voto, pois, por dele não conhecer. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000695/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-005.412
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Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 00 69 5/ 20 10 -3 7 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2402000.569 S2C4T2 Fl. 764 2 RELATÓRIO Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP para a matrícula CEI relativa à prestação dos serviços, além de insuficiência de mãode obra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificado da decisão em 13/04/2011(fl. 494), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 495 e segs.) em 13/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 2803000.198, de 17 de julho de 2013 (fls. 582 a 588), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestar se, no prazo de 30 (trinta) dias". O fisco se pronunciou às fls. 593/594, para informar que: a) não é mais possível a retificação da GFIP, haja vista já haver transcorrido mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores; b) a competência 11/2006 não foi alcançada pela decadência; c) o sujeito passivo apresentou a documentação solicitada pelo fisco; Fl. 765DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2402000.569 S2C4T2 Fl. 765 3 d) os recolhimentos dos subempreiteiros foram realizados no CNPJ destes e não na matrícula da obra; e) há nas folhas de pagamento empregados em funções incompatíveis com obras de construção civil, como é o caso de desenhista, auxiliar de compras, gerente administrativo, auxiliar administrativo, etc; f) há divergência entre os valores de retenção lançados na contabilidade e aqueles constantes no pedido de restituição. Ao final, concluiu: " PELO EXPOSTO NOS PARÁGRAFOS ANTERIORES EM RELAÇÃO À COMPETÊNCIA 11/2006 DA MATRÍCULA CEI 38.720.05895/70 CORRESPONDENTE AO PER/DCOMP 10429.34582.181209.1.2.15 6903 NÃO FICOU COMPROVADO O DIREITO LÍQUIDO E CERTO DO CRÉDITO DA CONTRIBUINTE, TENDO EM VISTA O REFLEXO DAS FOLHAS DE PAGAMENTO NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, ONDE CONSTAM FUNÇÕES INCOMPATÍVEIS COM MÃO DE OBRA DE CANTEIRO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL, NÚMERO DE EMPREGADOS INFORMADOS NO CAGED, E VALORES DE RETENÇÃO TRANSMITIDOS EM PER/DCOMP EM DESACORDO COM AS NOTAS FISCAIS EMITIDAS NA COMPETÊNCIA, PORTANTO NÃO SENDO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO NESTA COMPETÊNCIA." A empresa manifestouse sobre esse pronunciamento às fls. 599/639, onde, em síntese, ponderou que: a) a autoridade fiscal ignorou as providências determinadas na diligência comandada pelo CARF, que foi enfático ao requerer que fosse analisado o cumprimento pelo pedido de todos os requisitos necessários ao reconhecimento do direito creditório e, em caso afirmativo, qual o valor a ser restituído; b) não há necessidade de retificação da GFIP apresentada, a qual está em total consonância com as folhas de pagamento e com a contabilidade, mas se houvesse necessidade de retificação esta seria plenamente possível; c) embora a Resolução do CARF tenha claramente afastado a aplicação da aferição indireta ao caso, o fisco insiste em manter seu entendimento quanto à utilização deste método excepcional, argumentando a existência de segurados com funções incompatíveis com obras de construção civil e em supostas divergências entre a GFIP e a escrituração contábil; d) as funções tidas como incompatíveis para execução da obra são funções administrativas que guardam estreita relação com a construção civil, além de que este argumento não constou no despacho que indeferiu o pedido de restituição. Tal inovação na fundamentação fática da informação fiscal é inconcebível; e) para comprovar a inexistência das discrepâncias apontadas pela autoridade fiscal, apresenta a metodologia utilizada para chegar ao direito creditório pleiteado, a qual pode ser assim resumida: Fl. 766DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2402000.569 S2C4T2 Fl. 766 4 Ao final, pugna pela anulação da informação fiscal combatida e pede o reconhecimento do seu direito creditório. É o relatório. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000695/201037 Resolução nº 2402000.569 S2C4T2 Fl. 767 5 VOTO Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Necessidade de diligência Observo que de fato a autoridade tributária não cumpriu a risca a determinação contida na Resolução da Turma do CARF. Vejamos. No item 1, pedese que seja afastada a aferição indireta da base de cálculo e que se proceda à apreciação do pedido do contribuinte com base na documentação exibida. Vejo que o fisco, ao alegar a inclusão na folha de pagamento de trabalhadores com funções incompatíveis com obra de construção, acaba por adotar exatamente a idéia de massa salarial mínima para execução da obra, o que recai exatamente num critério de aferição indireta. O item 2 também não foi observado, posto que não se ofereceu, antes da emissão da informação, a possibilidade de apresentação de novos elementos e retificação de informações que porventura estivessem discrepantes. Também não houve resposta específica a pontos levantados pelo sujeito passivo nos seus pronunciamentos, conforme determinado na Resolução. Feitas essas ponderações e se considerando que, em vinte e um processos da mesma empresa e tratando de pedido de mesma natureza para competências diversas, após a realização de uma segunda diligência fiscal, o fisco acabou acatando integralmente as alegações da recorrente, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência de modo que a autoridade fiscal aprecie os argumentos e elementos apresentados no recurso voluntário e nas demais manifestações do contribuinte apresentadas na sequência e se manifeste conclusivamente acerca do direito creditório pleiteado. Desse pronunciamento, ao contribuinte deve ser facultado o prazo legal para manifestação. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.000528/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Demonstrado nos autos que os fatos que deram origem à tributação estão perfeitamente descritos no trabalho fiscal, e que o contribuinte e o responsável tributário defenderam-se plenamente, demonstrando saber exatamente as razões de autuação, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS OU PAGOS. REGIME DE APURAÇÃO.
A falta ou insuficiência de recolhimento do tributo, decorrente da constatação de diferenças entre os valores apurados, a partir das receitas contidas nos livros contábeis ou fiscais do contribuinte, ou em outros elementos de prova, e aqueles declarados e/ou pagos, é passível de lançamento de ofício.
REGIME DE APURAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A pessoa jurídica, uma vez excluída do Simples, sujeita-se, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo-se fazer a apuração do lucro e do imposto devido por uma das demais formas existentes: lucro real, presumido, ou arbitrado.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que se limita a apresentar os livros fiscais, deixando de apresentar à autoridade tributária os demais livros obrigatórios de sua escrituração (Diário e Razão, se optante pelo Lucro Real, ou Livro Caixa, se optante pelo Lucro Presumido ou pelo Simples).
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.
Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 1201-001.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Demonstrado nos autos que os fatos que deram origem à tributação estão perfeitamente descritos no trabalho fiscal, e que o contribuinte e o responsável tributário defenderam-se plenamente, demonstrando saber exatamente as razões de autuação, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS OU PAGOS. REGIME DE APURAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento do tributo, decorrente da constatação de diferenças entre os valores apurados, a partir das receitas contidas nos livros contábeis ou fiscais do contribuinte, ou em outros elementos de prova, e aqueles declarados e/ou pagos, é passível de lançamento de ofício. REGIME DE APURAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica, uma vez excluída do Simples, sujeita-se, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendo-se fazer a apuração do lucro e do imposto devido por uma das demais formas existentes: lucro real, presumido, ou arbitrado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que se limita a apresentar os livros fiscais, deixando de apresentar à autoridade tributária os demais livros obrigatórios de sua escrituração (Diário e Razão, se optante pelo Lucro Real, ou Livro Caixa, se optante pelo Lucro Presumido ou pelo Simples). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
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Recorrente BOMBONFLEX LTDA E JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Demonstrado nos autos que os fatos que deram origem à tributação estão perfeitamente descritos no trabalho fiscal, e que o contribuinte e o responsável tributário defenderamse plenamente, demonstrando saber exatamente as razões de autuação, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS OU PAGOS. REGIME DE APURAÇÃO. A falta ou insuficiência de recolhimento do tributo, decorrente da constatação de diferenças entre os valores apurados, a partir das receitas contidas nos livros contábeis ou fiscais do contribuinte, ou em outros elementos de prova, e aqueles declarados e/ou pagos, é passível de lançamento de ofício. REGIME DE APURAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 05 28 /2 00 6- 26 Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 3 2 A pessoa jurídica, uma vez excluída do Simples, sujeitase, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, devendose fazer a apuração do lucro e do imposto devido por uma das demais formas existentes: lucro real, presumido, ou arbitrado. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte que se limita a apresentar os livros fiscais, deixando de apresentar à autoridade tributária os demais livros obrigatórios de sua escrituração (Diário e Razão, se optante pelo Lucro Real, ou Livro Caixa, se optante pelo Lucro Presumido ou pelo Simples). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 4 3 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BOMBONFLEX LTDA E JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA (contribuinte e responsável, respectivamente), contra acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Recife, que concluiu pela procedência parcial do lançamento de ofício efetuado. Transcrevese a seguir relatório da decisão de primeira instância proferida em 30 de abril de 2007 (Acórdão 1118.794): "Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 04/12 e 570/579, através dos quais foi constituído, respectivamente, o crédito Tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 3.840.923,49, incluídos juros de mora e multa de ofício de 150%, e referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 2.035.129,89, também incluídos juros de mora e multa de ofício de 150%. 2. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 389/400), o lançamento decorreu de diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos relativamente aos anos calendário de 2002 a 2005. 3. Descrevem as autoridades autuantes que a ação fiscal consistiu em verificar o recolhimento/declaração em DCTF dos tributos em cotejo com a escrituração fiscal e contábil. Para o anocalendário de 2005, a tributação se deu com base no lucro arbitrado, em face da nãoapresentação dos livros contábeis por parte da empresa. 4. Informa ainda a fiscalização que, pelos elementos que carreou, consta ter sido a pessoa jurídica administrada de fato pela pessoa física do senhor José Porfírio de Oliveira, o qual foi incluído no pólo passivo da relação tributária na condição de responsável solidário (termo de sujeição à fl. 387). 5. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração das receitas, dos tributos e das respectivas multas e juros, encontramse anexos aos autos de infração. 6. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, constituindo o Processo nº 10435.000527/200681, que, consoante despacho de fl. 1155, encontrase apenso ao Processo nº 10435.000532/200694. 7. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 411/432 e 989/1010), alegando, em síntese: a) preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Diz não se saber quem realmente foi autuado e do que haverá de se defender. Insurgese ainda contra o arbitramento do lucro e contra suposta falta de clareza quanto aos valores das receitas tributadas; Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 5 4 b) no anocalendário 2002, não houve diferença entre o valor escriturado e o declarado, pois as receitas constaram da DIPJ. A multa devida seria de 20%; c) no anocalendário 2003, os valores foram declarados pelo Simples, sistema do qual a empresa foi excluída sem o devido comunicado pessoal. A multa também seria de no máximo 20%; d) no anocalendário 2004 também é indevida a multa de 150%, pois não houve fraude, dolo ou simulação; e) no anocalendário 2005 não havia razão para o arbitramento do lucro, além de que não foram compensados os valores pagos no decorrer do ano; f) a multa de 150% é confiscatória, como também é inconstitucional a cobrança de juros pela taxa Selic. 8. Ao final, requereu a interpretação benéfica (art. 112 do CTN), a produção de provas, inclusive a pericial, e a decretação de improcedência do lançamento. 9. O senhor José Porfírio de Oliveira, alçado pela fiscalização à condição de responsável tributário, apresentou defesa (fls. 538/547 e 1125/1134), por meio da qual contesta a sujeição passiva que lhe foi atribuída, o que, a seu ver, inquinaria de nulidade o auto de infração." A decisão recorrida (fls. 1.165 a 1.180) afastou parcialmente a autuação, conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 6 5 Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RECEITAS ESCRITURADAS E RECEITAS DECLARADAS. DIFERENÇA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatado que o sujeito passivo declarou a menor receitas escrituradas em seus livros fiscais, legítima a tributação da diferença apurada. Exonerase a parcela comprovadamente recolhida. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Sendo empresa optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o lucro será arbitrado no caso de falta de escrituração do Livro Caixa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Constatado que o sujeito passivo declarou a menor receitas escrituradas em seus livros fiscais, legítima a tributação da diferença apurada. Exonerase a parcela comprovadamente recolhida. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Sendo empresa optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o lucro será arbitrado no caso de falta de escrituração do Livro Caixa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O evidente intuito de fraude, consistente na nãodeclaração de receitas de forma reiterada, e conseqüente nãopagamento de tributos, enseja a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TERCEIROS ARROLADOS. Escapa à competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a análise da responsabilidade de terceiros arrolados nos autos pela Fiscalização." Em síntese, a DRJ exonerou parcialmente o IRPJ e a CSLL lançados relativamente ao anocalendário 2005, em razão dos recolhimentos comprovadamente feitos pela contribuinte, mantendo o lançamento quanto ao demais. No tocante à responsabilidade, a Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 7 6 DRJ não apreciou as contraposições à caracterização da responsabilidade do Sr. José Porfírio de Oliveira, por considerar a matéria estranha ao processo administrativo fiscal. Tanto o contribuinte quanto o responsável tributário recorreram (fls. 1250 a 1281 e 1304 a 1318, respectivamente), reiterando os argumentos trazidos na impugnação. Em 15 de dezembro de 2010, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu parcial provimento ao recurso, "para devolver o feito à autoridade de primeiro grau com o fito de prosseguir no julgamento a fim de enfrentar os argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário". Em 17 de maio de 2012 a DRJ proferiu o Acórdão 1136.995, por meio do qual confirmou a imputação da sujeição passiva do Sr. José Porfírio de Oliveira. Reproduzse abaixo a ementa do julgado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 GERÊNCIA. SÓCIO DE FATO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Comprovada a existência de sócio de fato, que efetivamente geriu os negócios da empresa, escorreita é sua imputação como sujeito passivo da obrigação, a titulo de responsável." Intimada da decisão, a contribuinte apresentou recurso em 05/07/2013 (fls. 11961207) no qual contesta a sujeição passiva imposta a terceira pessoa não integrante do seu quadro social. Aduz que inexistem nos autos sequer indícios de fraude, dolo ou máfé, e que a conexão entre o imputado e a contribuinte se dá unicamente pela "outorga de procurações com poderes específicos que nada tinham com a gestão e administração da sociedade empresária." Finaliza requerendo a reforma in totum do Acórdão 1136.995. Tendo em vista não constar dos autos a intimação ao Sr. José Porfírio de Oliveira do retromencionado Acórdão 1136.995, da 3ª Turma da DRJ/Recife, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento do recurso em diligência para saneamento desta questão, abertura de prazo para recurso, e posterior ciência à PFN e retorno para julgamento do mérito (Resolução 1202000.222, de 10 de outubro de 2013). Após a ciência do responsável (AR de fls. 12341235), a contribuinte novamente protocolou, dentro do prazo de 30 dias, recurso (fls. 12371248) idêntico ao anteriormente apresentado em 05/07/2013, no qual é contestada a sujeição passiva imposta a terceira pessoa não integrante do seu quadro social. Cientificada, a PFN apenas requereu seja dado seguimento ao feito, com o julgamento de mérito da exigibilidade do crédito tributário (fls. 1265). É o relatório. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Tempestividade e legitimidade processual Conforme visto, o processo ora em análise possui duas decisões de primeira instância: (i) o Acórdão 1118.794, de 30 de abril de 2007, por meio do qual foi dado parcial provimento ao recurso, contudo, não foi analisada a defesa do responsável, apresentada em impugnação; (ii) o Acórdão 1136.995, de 17 de maio de 2012, por meio do qual foi confirmada a sujeição passiva do Sr. José Porfírio de Oliveira. Os acórdãos são complementares, posto que o segundo acórdão foi proferido por expressa determinação do CARF para a DRJ "prosseguir no julgamento a fim de enfrentar os argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário". Todos os recursos apresentados pela contribuinte ao longo do trâmite processual foram tempestivos, disto não há dúvidas. Poderseia eventualmente questionar a legitimidade da contribuinte para apresentar recurso em nome do responsável ao segundo acórdão da DRJ, uma vez que ausente nos autos instrumento de procuração outorgado pelo responsável ao subscritor das duas peças recursais (idênticas) apresentadas contra este segundo acórdão. Contudo, com a devida vênia, considerandose todos os incidentes processuais ao norte sucintamente relatados, entendo que a discussão do vínculo de responsabilidade é objeto do presente julgamento em sede de recurso. Em primeiro lugar, porque o responsável apresentou recurso ao primeiro acórdão proferido pela DRJ. Muito embora aquele acórdão não tenha analisado a defesa do responsável, o resultado acabou sendo, portanto, de qualquer modo, a manutenção do vínculo de responsabilidade que fora atribuído pela fiscalização. E, em segundo lugar, porque, em sede de recurso — tempestivamente apresentado — àquela decisão, o responsável tributário, para contestar a imputação que lhe fora feita, aduziu argumentos que, em larga medida, não destoam substancialmente daqueles que posteriormente vieram a ser apresentados (agora pela contribuinte) em recurso apresentado contra a segunda decisão da DRJ (a qual, analisando a defesa do responsável, manteve, uma vez mais, o vínculo de responsabilidade que fora atribuído pela fiscalização). Isto posto, devese prosseguir no julgamento. Cerceamento do direito de defesa Aduz a recorrente que a denúncia não está corretamente tipificada, posto haver incerteza acerca de quem realmente foi autuado e de quem haverá de se defender. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 9 8 Acrescenta ainda que: "Diante da incorreta especificação legal do contribuinte infrator, é de ser declarado NULO o Auto de Infração por cinco motivos: em primeiro lugar porque age o eminente fiscal com claro excesso de exação, haja vista que aplica percentual acima do valor aplicável à Recorrente, segundo porque a denúncia não pode ter força perante o contribuinte à vista do principio da legalidade porque só se pode fazer ou deixar de fazer o que a lei impõe; terceiro, o contribuinte tem cerceado o seu direito constitucionalmente previsto, de ampla defesa; em quarto lugar, nosso direito privado tem consagrado que são NULOS todos os atos que deixarem de cumprir as formas previstas em lei (artigo 104, III do Codigo Civil), preceptivas estas aplicáveis ao sistema tributário por força dos artigos 109 e 110 do CTN; e, por último, fere os princípios norteadores do lançamento inscrito no art. 142 do CTN, que é a clareza na proposição do lançamento." Não lhe assiste razão. Estas preliminares de alegada nulidade do auto de infração pelos motivos mencionados já foi adequadamente enfrentada pela decisão recorrida, consoante excerto que peço vênia para transcrever: "Os autos de infração e seus anexos deixam claro que o lançamento recaiu sobre a pessoa jurídica Bombonflex Ltda, na condição de contribuinte, tendo sido arrolado como responsável a pessoa física José Porfirio de Oliveira. Tanto é assim que ambos apresentaram suas defesas, nas quais demonstram evidente compreensão dos fatos que lhes são imputados." Igualmente, não se verifica nos autos lavrados qualquer vício de forma ou qualquer outra condição mencionada no art. 59 do Decreto 70.235/72 — PAF, que os inquinem de nulidade. Já os demais motivos mencionados pela recorrente para a nulidade, vinculados ao arbitramento ou aos percentuais aplicados são questões de mérito a serem tratadas adiante. Apuração da receita e dos tributos devidos Neste aspecto, cumpre observar que, de acordo com o Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, a fiscalizada, nos anos calendários de 2002 a 2005 não declarou em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), ou declarou a menor, valores constantes de sua escrituração contábil/fiscal. Para levantamento dos débitos, a fiscalização lastreouse em valores de receitas informados pela própria empresa, conforme formulários assinados por seu contador às fls. 359/373, bem assim em receitas lançadas no Livro de Apuração do ICMS (fls. 184/305). A partir desses valores, o fisco calculou os débitos de IRPJ e de CSLL devidos, considerando o regime do lucro presumido para os anos de 2002 a 2004 e do lucro arbitrado para o anocalendário de 2005, e os percentuais aplicáveis conforme a espécie de cada receita auferida (vendas e serviços), deduzindo, ainda, dos valores lançados, os valores declarados em DCTF. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 10 9 Com relação ao anocalendário 2002, aduz a recorrente que "todo o montante cobrado pelo agente fiscal foi devidamente informado em DIPJ (doc. 04 da impugnação), bem como no foram apresentados os livros fiscais onde consta toda a situação patrimonial do referido ano" (sic). Transcrevo a seguir excerto da decisão recorrida que enfrentou esta alegação: "No anocalendário 2002, a empresa apresentou declaração simplificada pelo sistema Simples (fls. 18/19), entretanto já havia sido excluída do regime desde 01/01/2002 (fl. 20). Não cabe, aqui, adentrarse à discussão envolvendo a exclusão do sistema, como pretendido pela impugnante, por constituir matéria tratada em processo administrativo próprio, nos termos da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Ademais, a contribuinte apresentou, para todo o anocalendário, DCTFs apurando os tributos segundo o regime de lucro presumido (fls. 1157/1160) e também efetuou os pagamentos por esse regime, como o demonstram exemplificativamente os extratos de fls. 1161/1164." Do quanto exposto no parágrafo acima, em consonância com os documentos que instruem os autos, o que se tem é que o contribuinte apresentou apenas declaração simplificada para este ano, conforme pesquisa de fls. 18 (efls. 25). Analisandose os valores da receita bruta declarada em cada mês, conforme fls. 19 (efls. 26), visàvis os valores da receita bruta apurada pela fiscalização (fls. 374, efls. 385), verificase uma enorme discrepância entre os valores, jogando por terra o argumento de que os montantes cobrados pelo fisco teriam sido devidamente informados em DIPJ. A discrepância entre os valores dos tributos cobrados e os valores dos tributos declarados decorre, portanto. não apenas da alteração na forma de tributação, senão da enorme discrepância entre os montantes das receitas auferidas. Ademais, mesmo levandose em conta o fato de a contribuinte ter apresentado DCTF's segundo o regime de lucro presumido, conforme mencionou a DRJ, aquelas exemplificativamente trazidas aos autos evidenciam a declaração de valores devidos significativamente inferiores aos lançados (por exemplo, IRPJ devido declarado no 1º trimestre de R$ 59,81, e IRPJ devido lançado de R$ 465,44; IRPJ devido declarado no 4º trimestre de R$ 1.376,77, e IRPJ devido lançado de R$ 38.146,10). Com relação ao anocalendário 2003, aduz a recorrente que "a Denúncia Fiscal desconsiderou que a Recorrente foi excluída do SIMPLES sem o devido comunicado pessoal A Recorrente foi informada por meio do Termo de Encerramento da ação fiscal, forma inadequada de intimação, razão por que é nula de Pleno direito." Assim, por não ter sido comunicada pessoalmente sobre sua exclusão do SIMPLES, não teria tido direito à ampla defesa, ao contraditório e ao principio da legalidade, razão pela qual seria indevida a sua exclusão do regime simplificado e o arbitramento, sem levar em conta a opção pelo SIMPLES. Além de improcedentes os argumentos, a defesa, no caso, apresentase, com a devida vênia, desconexa dos fatos, pois a fiscalizada não foi submetida ao arbitramento em 2003. Com relação à exclusão do Simples, conforme já bem observou a decisão recorrida, tratase de matéria tratada em processo administrativo próprio, não cabendo neste processo a sua discussão. Do quanto consta nos autos, temse apenas a informação de que a empresa foi excluída do Simples com efeitos a partir de 01/01/2002 (fls. 20, efls. 27), e que, ademais, a Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 11 10 empresa apresentou declaração pelo lucro presumido para o ano de 2003, conforme pesquisa de fls. 18 (efls. 25), mesma sistemática de apuração que foi utilizada pela fiscalização, o que apenas reafirma a falta de nexo e coerência na defesa. Com relação ao anocalendário 2004, aduz a recorrente que "o próprio fiscal declara que a Recorrente forneceu os livros fiscais dos anos de 2002 a 2004", o que demonstra "o total descabimento da arbitrária imposição da confiscatória multa de 150%". No que toca ao caráter supostamente confiscatório da multa aplicada, cediço que não cabe ao julgador administrativo apreciar alegações de suposta inconstitucionalidade, nos termos da Súmula CARF nº 2. O fato de a recorrente ter apresentado livros ou documentos com base nos quais o fisco apurou o montante dos tributos devidos em nada impede a aplicação da multa qualificada. Esta possui expressa previsão legal, e tem por pressuposto a demonstração do intuito de fraude. No caso, peço vênia para transcrever o seguinte excerto do relatório fiscal que bem sintetiza a situação detectada pelo fisco: "A BOMBONFLEX LTDA, no período sob fiscalização, efetuou o pagamento de percentual ínfimo (2,55% equivalente ao valor total de R$ 121.585,24) dos tributos federais devidos (R$ 4.755.833,16), informando, quando as apresenta, nas Declarações de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF valores iguais aos que foram pagos e não os valores devidos de acordo com a sua contabilidade." A circunstância de o contribuinte apresentar, de forma reiterada, durante diversos anoscalendário, declarações contendo valores muito inferiores ao do efetivo montante de suas receitas auferidas, assim como dos tributos devidos, sem qualquer justificativa plausível, denota a intenção dolosa do contribuinte de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária federal, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, prática esta definida como sonegação à luz do art. 71 da Lei n° 4.502/64, o que implica a qualificação da multa de ofício. Este é o entendimento majoritário assente neste Conselho, consoante as ementas a seguir transcritas, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e de outras turmas ordinárias deste Conselho: Acórdão 910100.362, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 01/10/2009: “MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9430/96, vigente à época. O fato de o contribuinte ter apresentado ao fisco federal, de forma reiterada, declaração com valores significativamente menores do que o apurado a partir de documentação obtida junto ao fisco estadual, bem como ter omitido receitas para se manter no regime do SIMPLES, legitima a aplicação da multa qualificada.” Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 12 11 Acórdão 910100.417, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, sessão de 03/11/2009: “MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo.” Acórdão 1102000.916, sessão de 07 de agosto de 2013, relator Antonio Carlos Guidoni Filho: MULTA DE OFÍCIO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. Com relação ao anocalendário 2005, aduz a recorrente que o arbitramento só deveria ser aplicado nos casos em que o contribuinte não mantém a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. E que, no caso, "o Fiscal arbitrou o lucro da Recorrente, mesmo podendo realizar o levantamento pelo lucro real, conforme DIPJ de 2005 (doc. 04 da impugnação), eis que ele próprio atingiu o valor da receita bruta da Recorrente por meio daqueles documentos fiscais..." Ao contrário do alegado, o arbitramento, no caso, obedeceu estritamente ao que determina a legislação. Consoante o relato fiscal, a fiscalizada não apresentou ao fisco diversos livros e documentos de sua escrituração, alegando encontraremse os mesmos sob o poder do fisco estadual. Contudo, com relação ao ano de 2005, registrou o fisco que, de acordo com o documento de fls. 26 (efls. 33), os livros contábeis não se encontravam com o fisco estadual. Assim, apesar de intimado e reintimado a respeito, o fato é que o contribuinte deixou de apresentar ao fisco os livros contábeis obrigatórios do ano de 2005 (Livro Caixa, se optante pelo Lucro Presumido ou pelo Simples; ou Livros Diário e Razão, se optante pelo Lucro Real), limitandose a apresentar apenas os seus livros fiscais, circunstância esta que autoriza e impõe a tributação com base no lucro arbitrado. A apuração do imposto devido pelo lucro arbitrado também observou o quanto dispõe a lei, no que toca aos percentuais aplicados. De qualquer sorte, não demonstrou a recorrente, objetivamente, qualquer incorreção ou equívoco outro em que tenha incorrido o fisco, além do fato de não ter abatido alguns valores pagos. Neste aspecto, contudo, a decisão recorrida já reconheceu que os valores comprovadamente pagos, relativamente ao anocalendário 2005, deveriam ser abatidos dos valores lançados. Nada mais tendo sido levantado, de forma objetiva, pela recorrente, conclui se que nada mais há a avançar, neste aspecto. Lançamentos reflexos Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 13 12 Às exigências reflexas, posto que apuradas em razão dos mesmos fatos, e amparados nos mesmos elementos de prova, deve ser aplicado o quanto aqui exposto com relação à exigência principal. Juros Selic Os argumentos relativos à inaplicabilidade e/ou inconstitucionalidade da taxa Selic para cálculo dos juros de mora restam completamente insubsistentes ante o teor das Súmulas CARF nº 2 e nº 4, verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Responsabilidade tributária No que toca à responsabilidade solidária de José Porfírio de Oliveira, aduz a recorrente que o acórdão recorrido "não preencheu as formalidades próprias, não contemplando com clareza a fundamentação e a parte dispositiva, (...) não foi construído seguindo as bases lógicas do judicium, (...) ou melhor, a quaestio juris e a quaestio facti não foram claramente elucidadas." Argumenta que restou comprovado, pela documentação acostada no próprio processo, que o referido senhor nunca integrou o quadro societário da recorrente, que inexistem nos autos quaisquer indícios de fraude, dolo ou máfé, e que a conexão entre o imputado e a contribuinte se dá unicamente pela "outorga de procurações com poderes específicos que nada tinham com a gestão e administração da sociedade empresária". Sendo a relação jurídica existente entre José Porfírio e a Bombonflex apenas aquela decorrente de mandato, afirma não merecer guarida o entendimento da autoridade recorrida de que a sociedade empresária teria um "sócio de fato". Entretanto, ao contrário do que arguido pela fiscalizada, não se verifica na decisão recorrida qualquer vício ou falta de fundamentação, ao contrário, as questões fáticas e jurídicas foram ali adequadamente enfrentadas e elucidadas. Não há dúvidas de que o Sr. José Porfírio de Oliveira jamais integrou formalmente o quadro societário da fiscalizada. Contudo, o art. 124 do CTN, no qual fundamentouse a imputação fiscal, não limita a responsabilidade solidária apenas às pessoas que integram o quadro societário da empresa, mas sim estende a possibilidade de tal responsabilidade alcançar a todos aqueles que "tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal". Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 14 13 Conforme já por mim manifestado em outros julgados, entendo que não se possa reduzir o “interesse comum” a que alude o mencionado dispositivo legal apenas àquelas singelas hipóteses em que as pessoas se encontrem num mesmo polo da relação jurídica, tal como no clássico exemplo do IPTU devido pelos condôminos de uma mesma propriedade. Ao contrário, entendo que pode haver solidariedade entre pessoas que se encontram até mesmo em polos opostos (tal como a solidariedade existente entre comprador e vendedor, quando demonstrado o conluio entre eles — embora esta questão não tenha nada a ver com o caso dos autos), ou ainda, entre contribuinte pessoa jurídica e responsáveis pessoas físicas (este o caso dos autos), podendo ser o interesse econômico o elemento caracterizador do referido "interesse comum". Contudo, por certo que se há de fazer certa construção jurisprudencial, para que não se caia no absurdo de estender tal responsabilização, de forma indiscriminada, a todo e qualquer sócio da pessoa jurídica, uma vez que todos os sócios possuem, intuitivamente, interesse econômico nos resultados daquela. No caso dos autos, há de se ressaltar, em primeiro lugar, que, ao contrário do alegado, restou plenamente comprovado o intuito de fraude, conforme aqui já ao norte analisado. Em segundo, verificase que o fisco reuniu um vasto conjunto probatório que demonstra que, por trás das pessoas que se apresentam como sócios, ou mesmo como mandatários, da pessoa jurídica, encontrase o Sr. José Porfírio de Oliveira, conforme adiante será mencionado. Em situações assim, o CARF possui sólida jurisprudência confirmando estar demonstrado o "interesse comum" a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. A título exemplificativo, transcrevo a seguir a ementa de alguns precedentes neste sentido: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Demonstrado de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do C.T.N. (Acórdão 10808.467, relator José Carlos Teixeira da Fonseca, sessão de 12 de setembro de 2005) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTASDEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. (Acórdão 20311.330, relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, sessão de 20 de setembro de 2006) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, I, do CTN. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. (Acórdão 20312.270, relator Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de julho de 2007) Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 15 14 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária pressupõe o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do mesmo lado de uma mesma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato que movimentavam recursos em conta corrente de pessoa jurídica é prova do interesse comum das pessoas físicas que movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio. (Acórdão 120200.037, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 13 de maio de 2009) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1202001.034, relatora Viviane Vidal Wagner, sessão de 8 de outubro de 2013) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. (Acórdão 1102001.034, relator José Evande Carvalho Araujo, sessão de 13 de março de 2014) Com relação aos elementos de prova que permitem inferir a condição de sócio de fato do Sr. José Porfírio de Oliveira, pedese vênia para transcrever os pertinentes excertos do relatório fiscal, os quais também subsidiaram o convencimento da autoridade julgadora a quo a este respeito: "01. A BOMBONFLEX LTDA é administrada pelo procurador WALDECIR DE MELO SILVA, CPF nº 446.164.06472 (folhas 29), e que na procuração consta o seu endereço residencial como sendo a Rua Dr. Pedro Jordão nº 105, Bairro Maurício de Nassau, Caruaru/PE. Este imóvel consta nas Declarações de Imposto de Renda do Sr. JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA, C.P.F. 085.111.52415, como de sua propriedade e com seu endereço residencial (folhas 3035). 02. O endereço cadastral, junto à Receita Federal, do Sr. WALDECIR DE MELO SILVA, CPF nº 446.164.06472 é na Rua Ana Rosa nº 500, Bairro Divinópolis, Caruaru/PE (folhas 3638). 03. JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA, CPF 085.111.52415, figura como responsável perante o Ministério da Fazenda pelas seguintes empresas: JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA, CNPJ 11.536.661/000152; ATACADÃO DAS BALAS FUTEBOL CLUBE, CNPJ 12.660.585/000155 (associação desportiva); GULOSEIMA SANTA RITA LTDA, CNPJ 03.626.511/000101 E O CESTÃO DOS DOCES LTDA, CNPJ 05.073.302/000103 (folhas 4046). 04. Em imóvel localizado na Rua dos Guararapes nº 126, Bairro Nossa Senhora das Dores, Caruaru/PE, consta cadastrada a empresa ATACADÃO DOS DOCES LTDA, CNPJ 40.820.201/000150. Como responsável perante a Receita Federal por ATACADÃO DOS DOCES LTDA figura a pessoa de SOLANGE MARIA DE ANDRADE, CPF 600.347.50487, com endereço cadastral na Rua Marília nº 37, Bairro Maurício de Nassau, Caruaru/PE. Tratase de imóvel Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 16 15 localizado em frente ao imóvel da Rua Dr. Pedro Jordão nº 1015, e que também pertence a JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA (folhas 4750). 05. Os endereços cadastrais dos “sócios” da BOMBONFLEX LTDA são: 1. povoado chã do Carmo, zona rural, Frei Miguelinho/PE; 2. Rua 13 de Maio nº 516, Centro, Porto Velho/RO; 3. Rua Leão Dourado nº 469, São Francisco, Caruaru/PE, mesmo endereço da pessoa jurídica (folhas 5155). Oficiados os Cartórios da Comarca de Caruaru/PE, apresentaram cópias de traslados de procurações, dentre as quais se destacam as que se seguem (folhas 56 64): 05.1. Procuração outorgada, em 11/12/2002, por BOMBONFLEX LTDA, representada pelo sócio PAULO ROGÉRIO DE BARROS, para JOSÉ PROFÍRIO DE OLIVEIRA conferindo poderes para “representar a outorgante junto a RODOBENS ADM. E PROMOÇÕES LTDA, perante o grupo 10.113, cota 110, plano de 60 meses, podendo dito procurador tudo requerer, declarar e assinar, juntar, apresentar e retirar documentos, assinar contratos de alienação, notas promissórias, transferir a propriedade e praticar tudo o mais que se fizer preciso ao dito fim e como se a firma outorgante fosse”. Nela consta como endereço residencial de PAULO ROGÉRIO DE BARROS a Rua Dr. Renato Cabral de Oliveira nº 194, bairro São Francisco, Caruaru/PE, e de JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA a Rua Pedro Jordão nº 1015, Bairro Maurício de Nassau, Caruaru/PE; 05.2 Procuração outorgada, em 12/02/2003, por BOMBONFLEX LTDA, representada pelo sócio PAULO ROGÉRIO DE BARROS, para JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA conferindo poderes para “representar a outorgane junto a RODOBENS ADM. E PROMOÇÕES LTDA, perante o grupo 10.113, cota 055, plano 60 meses, podendo dito procurador tudo requerer, declarar e assinar, juntar, apresentar e retirar documentos, assinar contratos de alienação, notas promissórias, transferir a propriedade e praticar tudo o mais que se fize preciso ao dito fim e como se a firma outorgante fosse”. Consta como endereço residencial de PAULO ROGÉRIO DE BARROS, a Rua Dr. Renato Cabral de oliveira nº 194, bairro São Francisco, Caruaru/PE, e de JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA, consta a construção de uma casa na Rua Dr. Renato Cabral de oliveira, bairro São Francisco, Caruaru/PE (folhas 3035); 05.3. Procuração outorgada, em 04/11/2003, por BOMBONFLEX LTDA, representada pelo sócio PAULO ROGÉRIO DE BARROS, conferindo poderes a WALDECIR DE MELO SILVA para administrar a empresa. Como endereço de PAULO ROGÉRIO DE BARROS consta a Rua Real da Torre no. 1.476, apto. 303, Torre, Recife/PE, e de WALDECIR DE MELO SILVA a Rua Dr. Renato Cabral de Oliveira no. 263, Bairro São Francisco, Caruaru/pe; 05.4. Procuração outorgada, em 13/01/2005, por BOMBONFLEX LTDA, representada pelo sócio JOSÉ ROMILDO BEZERRA MELO, conferindo poderes a WALDECIR DE MELO SILVA para administrar a empresa. Como endereço de josé romildo bezerra melo consta a Rua 27 de Janeiro no. 59, Centro, Caruaru/PE, e de WALDECIR DE MELO SILVA a av. Dr. Pedro Jordão no. 1015, Maurício de Nassau, Caruaru/PE; 05.5. Procurações outorgadas em 17/01/2005, 16/05/2003 e 22/05/2003, onde consta o endereço de JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA como sendo a Av. Dr. Pedro Jordão nº 1015, Maurício de Nassau, Caruaru/PE; Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 17 16 05.6. Procuração outorgada em 09/12/2005 por BRUNO EDUARDO VILARIM DA CUNHA, CPF 901.129.14404, para PAULO HENRIQUE ANDRADE DE OLIVEIRA, CPF 058.710.05403, com poderes para assinar escritura de imóveis localizados na Rua dos Guararapes nº 111 e 115, Centro, Caruaru/PE, para o nome de JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVIERA. Nesta procuração o endereço de JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA é rua Dr. Renato Cabral de Oliveira nº 194, Bairro São Francisco, Caruaru/PE (mesmo endereço do sócio de direito da BOMBONFLEX LTDA, PAULO ROGÉRIO DE BARROS, em outra procuração). Já o endereço de PAULO HENRIQUE ANDRADE DE OLIVEIRA é Rua Pastor Rubens Fernando Prado nº 265, apto. 101, Maurício de Nassau, Caruaru/PE, entretanto nos cadastros da Receita Federal consta como sendo Av. Dr. Pedro Jordão nº 1015, Maurício de Nassau, Caruaru/PE (folhas 65); 05.7. A genitora de PAULO HENRIQUE ANDRADE DE OLIVEIRA é SOLANGE MARIA DE ANDRADE (folhas 65), sócia de direito do ATACADÃO DOS DOCES LTDA. O endereço cadastral de SOLANGE MARIA DE ANDRADE é na Rua Marília nº 37, Bairro Maurício de Nassau, Caruaru/PE, localizado em frente ao imóvel da Rua Dr. Pedro Jordão nº 1015, e que também pertence a JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA. PAULO HENRIQUE DE ANDRADE DE OLIVEIRA, CPF 058.710.05403, junto com MARIA JOSÉ DE JESUS, CPF 377.406.36487, figuram como sócios de direito de GUARARAPES DOCES LTDA, CNPJ 05.374.481/000119, pessoa jurídica estabelecida na Rua dos Guararapes nº 115, Centro, Caruaru/PE (folhas 6771); 05.8. Procuração outorgada em 07/08/2000 onde JOSÉ PORFÍRIO DE OLIVEIRA aparece como residente na Rua Leão Dourado no. 47, Caruaru/PE, primeiro endereço cadastral da ATACADÃO DOS DOCES LTDA." Correta, pois, a imputação de responsabilidade solidária ao Sr. José Porfírio de Oliveira. In dubio pro reu Não procede o argumento da recorrente acerca da aplicação do art. 112 do CTN ao caso, posto que, ao contrário do alegado, por todo o quanto exposto no presente voto, não se faz presente qualquer circunstância que caracterize dúvida quanto à autoria da suposta infração, ou ainda qualquer outra, dentre aquelas contidas no referido dispositivo legal. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 1201001.416 S1C2T1 Fl. 18 17 Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10166.720781/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO NÃO CORRIGIDO PELO FISCO. VÍCIO MATERIAL.
Cabe à Autoridade Lançadora a correta determinação da base de cálculo. Sendo por ela constatado o erro, e não havendo correção em duas diligências requeridas, deve-se acatar a nulidade pleiteada por existência de vício material no lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade, por vício material, do lançamento. Vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA (relator), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI e EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), que propunham a conversão do julgamento em diligência. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado). Realizou sustentação oral pelo contribuinte Dr. Clelio Chisa, OAB/SP 285.860.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO NÃO CORRIGIDO PELO FISCO. VÍCIO MATERIAL. Cabe à Autoridade Lançadora a correta determinação da base de cálculo. Sendo por ela constatado o erro, e não havendo correção em duas diligências requeridas, devese acatar a nulidade pleiteada por existência de vício material no lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade, por vício material, do lançamento. Vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA (relator), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI e EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), que propunham a conversão do julgamento em diligência. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado). Realizou sustentação oral pelo contribuinte Dr. Clelio Chisa, OAB/SP 285.860. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 07 81 /2 01 1- 84 Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.691 2 Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto excertos do relatório da Resolução nº 2201000.183, de 12 de agosto de 2014 (fls. 3.312/3.320 deste processo digital), reproduzidos a seguir: (...) O lançamento decorreu em razão de diferença apurada entre o valor de IRRF escriturado na conta “obrigações de IRRF a pagar” (“IRRF s/ Folha de Pagamento a Recolher” (210301001) e “IRRF Diversos a Recolher” (210301002)) e o valor reportado pelo Contribuinte nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A fiscalização cotejou as informações apresentadas pelo Contribuinte em sua escrituração contábil e fiscal com aquelas reportadas em suas Declarações (DACON, DCTF, DIRF e DIPJ) e localizou divergências entre os valores escriturados e aqueles reportados na DCTF. O Contribuinte foi cientificado pessoalmente do lançamento em 22/03/2011 (fls. 211) e apresentou Impugnação (fls. 216 a 367) tempestiva em 25/04/2011, alegando os seguintes argumentos, conforme extraído do Relatório do Acórdão da DRJ: (...) Além dos argumentos acima, o Contribuinte anexou à Impugnação: cópias das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, informando os débitos do mês; os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARF, comprovando os pagamentos dos débitos informados em DCTF; conciliações, que visam demonstrar resumidamente as transações contábeis do mês e o saldo final (Diário); Razão Contábil, com as transações contábeis relativas à conta de IRRF a Recolher; e Relatórios de Apuração, que consistem em relatórios internos com identificação de impostos retidos dos fornecedores. A 2ª Turma da DRJ/BSB, em 17/06/2011, em decisão de fls. 2228 a 2242, julgou a Impugnação improcedente. (...) Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.692 3 O Contribuinte foi notificado da decisão em 06/07/2011 (fls. 2247), tendo apresentado Recurso Voluntário tempestivo em 05/08/2011 (fls. 2248 a 3134) alegando, em síntese que: ∙ O Auto de Infração deve ser considerado nulo, em razão de enquadramento legal genérico e impreciso, fato que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa do Contribuinte e com violação ao Princípio da Estrita Legalidade. Argumenta que o Auto de Infração não observa os requisitos formais para sua lavratura conforme disposto no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72, logo deve ser considerado nulo. Complementa que no Auto de Infração o enquadramento legal, que fundamenta a autuação, consta de forma genérica, fato que prejudica a defesa do Contribuinte. ∙ O Auto de Infração deve ser considerado nulo, tendo em vista que os valores contabilizados nas rubricas contábeis “IRRF s/ Folha de Pagamento a Recolher (210301001)” e “IRRF Diversos a Recolher” (210301002) não representam valores efetivamente devidos na competência, pois nessas contas há valores a recolher no próprio mês, bem como as retenções futuras que só serão devidas quando do efetivo pagamento. Pontua que a contabilização do IRRF é uma obrigação junto à Fazenda Nacional e não impacta o resultado do Contribuinte, não representa despesa, ainda que nos registros contábeis sejam apresentados como “provisão”. ∙ O Auto de Infração deve ser considerado nulo, pois as contas contábeis autuadas pela fiscalização não representam IRRF efetivamente devido, mas sim uma estimativa do IRRF que será pago (regime de competência), portanto, os valores de tais contas não devem ser reportados na DCTF, tendo em vista que nesta declaração apenas indicamse os valores pagos (regime caixa). Argumenta que a fiscalização ocorreu em equívoco ao comparar valores contabilizados com base no regime de competência com valores reportados na DCTF com base no regime de caixa, fato que acaba por gerar uma série de divergências. O Contribuinte não contabiliza o IRRF na competência do pagamento, mas sim anteriormente quando da prestação do serviço ou recebimento da fatura. ∙ Parte dos valores de IRRF provisionados são referentes a pagamentos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Como o pagamento da PLR está vinculado a metas e resultados projetados em Acordo Coletivo, no ano anterior há provisionamento do valor do IRRF como se todos os empregados alcancem as metas propostas. Porém, quando da medição das metas, o valor a ser pago de PLR é ajustado e, por consequência, o valor de IRRF também. Pondera que ainda há ajustes referentes a limite de isenção, alíquotas, dentre outros que também impactam no valor provisionado de IRRF. ∙ Não houve pagamento de prolabore no período, não havendo fato gerador e, por conseguinte, não havendo IRRF devido. Em relação à parcela referente ao IRRF devido sobre autônomos, o Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.693 4 recolhimento do IRRF e seu informe em DCTF foi efetuado quando do efetivo pagamento aos autônomos (fevereiro/08). Contribuinte pondera que tal prova deve ser feita por amostragem, considerando a grande quantidade de documentos existentes. ∙ Em relação ao IRRF devido sobre as ações trabalhistas, esse é recolhido quando do trânsito em julgado desfavoravelmente ao Contribuinte. Antes desse momento, os valores são provisionados e apenas quando da decisão desfavorável ocorrerá a apropriação contábil. Logo, entende que se equivoca a fiscalização ao considerar como IRRF devido os valores provisionados a título de ação trabalhista, sem que tenha ocorrido condenação do Contribuinte. Junta documentação comprobatória referente a competência de fevereiro/2008. ∙ Necessidade de diligência ou perícia para aferir se há impropriedade na escrita contábil e fiscal do Contribuinte, conforme alegado no Acórdão recorrido. Pondera que nem a fiscalização e nem a autoridade julgadora de 1ª instância conseguiram apontar a documentação que comprove as suas alegações. (...) A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em sessão de 19/06/2012, por meio de Resolução nº 2201000.006 (fls. 3152 a 3162) resolveu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração e acolher o pedido de diligência à repartição de origem. De acordo com o voto do Conselheiro Relator (...) verificase que a Autoridade Fiscal não possuía a documentação necessária à época da fiscalização. Confirase: “Contudo, a quantidade de documentos apresentados, bem como o fato de parte da documentação necessária ao perfeito deslinde da matéria controvertida estar à época da defesa em posse de terceiro, não tendo sido disponibilizada nem para a Autoridade administrativa responsável pela acusação fiscal, justifica a meu ver a diligência. Conforme consta dos autos a fiscalização não confrontou os comprovantes de pagamento efetivo com a escrituração fiscal, utilizando apenas como base da autuação os livros empresariais e as declarações prestadas”. Desta feita, a conclusão do referido voto foi no sentido de: i) Intimar o contribuinte para, no prazo de 60 dias, apresentar demonstrativo detalhado que contenha, para cada lançamento no contas a pagar que deu origem à autuação: a) data do lançamento no contas a pagar; b) natureza do pagamento; c) data do vencimento da obrigação; d) data do efetivo pagamento; e) inclusão em DCTF, inclusive com especificação de data; e f) recolhimento do imposto. As informações acima deverão ser documentalmente comprovadas pelo contribuinte. Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.694 5 ii) Apresentar relatório sobre a demonstração produzida pelo contribuinte nos termos do item (i), manifestandose conclusivamente sobre a correção ou não da exigência fiscal; e, Intimar o contribuinte para, se desejar, manifestarse sobre o relatório referido no item (ii) no prazo de 30 dias. (...) O Contribuinte apresentou a documentação solicitada (fls. 3184 e seguintes) em 27/06/2013. O Auditor Fiscal apresentou Relatório de Diligência Fiscal (fls. 3216 a 3218), cuja conclusão foi pela correção dos valores autuados, tendo em vista a precariedade das informações apresentadas pelo Contribuinte. Desta feita, não há ajustes a serem efetuados ao lançamento de ofício. O Relatório de Diligência Fiscal examinou a seguinte documentação apresentada pelo Contribuinte: (i) planilha com valores que supostamente justificam as divergências que geraram o lançamento de ofício conjuntamente com 02 DVDROM com diversos arquivos digitalizados e (ii) cópia dos DARFs e DCTFs apresentadas. A fiscalização pontua que os valores declarados em DCTF e constantes em DARF já foram excluídos da autuação. Complementa ainda que o Contribuinte não apresenta qualquer documento que comprove a sistemática utilizada para registro do IRRF devido sobre PLR e ações trabalhistas. Intimado do Relatório de Diligência Fiscal em 27/08/2013 (fls. 3219), o Contribuinte apresentou em 20/09/2013 argumentos contrapondo as conclusões do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 3222 a 3254), aduzindo em suma que a documentação apresentada comprova que o IRRF devido foi corretamente recolhido quando da realização do pagamento. Pondera que juntou documentação que comprova a data da escrituração (cópia do Livros), a natureza do pagamento (Nota Fiscal), a data do pagamento (comprovantes), retenção efetiva e recolhimento do IRRF (DARF) e a declaração em DCTF. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 3.216/3.218 há indicação de que o contribuinte apresentou a planilha de fls. 3.198/3.215 na tentativa de justificar as divergências entre os valores reportados em DCTF e aqueles registrados nos livros contábeis. Também no Relatório de Diligência Fiscal a Autoridade fiscal menciona que o contribuinte acostou aos autos 02 DVDROM contendo diversos arquivos digitalizados que visam comprovar as justificativas apontadas na referida planilha (fl. 3.217). O contribuinte argumenta que nos DVDROM encontramse: notas fiscais, cópias de lançamentos contábeis no “contas a pagar”, DCTFs e DARFs. Entretanto, a Relatora da Resolução nº 2201000.183, de 12 de agosto de 2014, verificou que não houve a juntada de tais informações (constantes dos 02 DVDROM) ao processo, o que, em seu entendimento, prejudicaria a análise acerca das informações prestadas pelo contribuinte. Na mesma Resolução, averbou a Relatora: Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.695 6 O Auditor Fiscal afirma que os documentos acostados aos autos pelo Contribuinte com vistas a justificar as divergências se tratam, em sua maioria, das cópias dos DARFs e das DCTFs e foram acostadas às fls. 3.202/25 (trecho do Relatório de Diligência Fiscal fl. 3.218). Porém, resta imprecisa a indicação feita pelo Auditor Fiscal, pois o mesmo afirma que nessas folhas do processo se encontram a planilha elaborada pelo Contribuinte. Ademais, nas folhas 3.216 a 3.218 encontrase o Relatório de Diligência Fiscal e não as referidas cópias. Ainda, no Relatório de Diligência Fiscal, o Auditor Fiscal menciona que o Contribuinte não apresentou documentos que respaldassem sua alegação que os valores de IRRF seriam devidos em razão de PLR paga a empregados, IRRF sobre processos trabalhista e IRRF sobre autônomos. Porém, considerando a ausência das informações constantes nos 02 DVDROM que o Contribuinte entregou à fiscalização, bem como a imprecisa indicação das informações utilizadas pelo Auditor Fiscal na confecção do Relatório de Diligência Fiscal, resta difícil definir se as referidas informações foram ou não apresentadas pelo Contribuinte. Ademais, o Contribuinte informa (fls. 3222 a 3254) estar entregando planilha contendo a descrição de todos os lançamentos no “contas a pagar” (em suas respectivas datas), as naturezas dos pagamentos, as datas dos pagamentos realizados, as datas em que foram declarados em DCTF e as datas dos recolhimentos. Mas, tal planilha não se encontra acostada aos autos. Por isso mesmo entenderam os julgadores desta 1ª Turma Ordinária em converter o julgamento em nova diligência, a fim de que a Autoridade preparadora tomasse as seguintes providências: Juntasse aos autos o conteúdo dos 02 DVDROM entregues pelo Contribuinte, conforme indicado no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 3.217). Juntasse aos autos a planilha elaborada pelo Contribuinte, que o mesmo alega ter entregue contendo a descrição de todos os lançamentos no “contas a pagar” (em suas respectivas datas), as naturezas dos pagamentos, as datas dos pagamentos realizados, as datas em que foram declarados em DCTF e as datas dos recolhimentos. Caso a referida planilha não tenha sido entregue, que restasse consubstanciado tal fato no Relatório de Diligência Fiscal. Revisasse o Relatório de Diligência Fiscal apresentado, com vistas a sanar as inconsistências apontadas na Resolução, especialmente no tocante a indicação das folhas do processo referente às provas, bem como indicasse de forma precisa os documentos (com indicação das folhas do processo) que tomou como base para confecção e conclusão do referido relatório, bem como uma manifestação conclusiva da fiscalização. Intimasse o contribuinte para que em 30 (trinta) dias se manifestasse acerca da diligência. Fl. 3695DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.696 7 Por meio do Termo de Início de Diligência Fiscal de fls. 3.324/3.325 o contribuinte foi intimado a reapresentar os dois DVDROM. Em 19/11/2014 a Interessada apresentou a petição de fls. 3.328/3.330, encaminhando dois DVDs com o seguinte conteúdo: DVD 1 Laudo Pericial e DVD 2 Documentação que comprova o pagamento do IRRF. Em 27/11/2014 a Recorrente informa que “por motivos de erros de validação dos arquivos digitais entregues à RECEITA FEDERAL DO BRASIL em 19/11/2014, decorrentes do Termo de Início de Diligência Fiscal, venho por meio desta colocar à disposição do Auditor novos DVDs com seus respectivos relatórios de validação SVA (...) 1. DVD 1 Perícia Contábil e Laudo; 2. DVD 2 Documentos Comprobatórios; 3. DVD 3 Resumos das Folhas de Pagamento de 2006 a 2009; 4. DVD 4 Notas Fiscais 2007 a 2009; 5. Documentos Contábeis e Planilhas Explicativas” (fls. 3.413/3.414). Após análise da documentação juntada a Autoridade fiscal emitiu o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 3.643/3.647, por meio do qual teceu, em síntese, as seguintes considerações: Devido ao tamanho de parte dos arquivos apresentados, incompatíveis com os limites para anexação ao eprocesso, mesmo depois de compactados (máximo de 150 M para arquivos não pagináveis), os conteúdos dos DVDs: DVD 2 – Documentos Comprobatórios (1.273.792 KB compactado); e DVD 4: Notas Fiscais 2007, 2008 e 2009 (910.016 KB compactado) tiveram que ser juntados ao eprocesso separadamente, em vários anexos, de maneira que não extrapolassem aos limites máximos do sistema. Assim, os arquivos constantes dos 05 DVDs foram anexados conforme abaixo: 1. DVD 1 – Perícia Contábil e Laudo: 01 anexo de arquivos não pagináveis, fls. 3.568; 2. DVD 2 – Documentos Comprobatórios: 16 anexos de arquivos não pagináveis, fls. 3.569 a 3.584; 3. DVD 3 Resumos da Folha de Pagamentos de 2006, 2007, 2008 e 2009: 01 anexo de arquivos não pagináveis, fls. 3.585; 4. DVD 4 Notas Fiscais 2007, 2008 e 2009: 09 anexos de arquivos não pagináveis, fls. 3.586 a 3.594; 5. DVD 5 – Documentos Contábeis e Planilhas Explicativas: 01 anexo de arquivos não pagináveis, fls. 3.595. (...) Da análise dos documentos juntados ao processo, em especial do “laudo pericial contábil” (DVD 1 – Perícia Contábil e Laudo, anexo de arquivo não paginável, fl. 3.568), percebese que o perito contábil contratado pela empresa chegou à conclusão de que os “Autos de Infração lavrados pela Autoridade Fiscal […] estão em sua totalidade prejudicados por equívocos ocorridos na interpretação técnica contábil” (página 4 do “laudo pericial contábil”). Fazse exceção aos períodos de 01/2006 e 06/2006, para os quais o perito do contribuinte não questionou o Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.697 8 lançamento de ofício (valores de R$ 14.432,90 e R$ 79.836,88, respectivamente, página 8 do “laudo pericial contábil”). O cerne da discussão se concentra no momento da ocorrência do fato gerador das retenções na fonte (efetivo pagamento) em confronto ao registro na contabilidade destas mesmas retenções. A empresa informa ter registrado as retenções nas datas de emissão das notas fiscais de serviços, momento anterior ao pagamento/retenção e declaração em DCTF. Também alega registrar, nas mesmas contas contábeis, provisões para retenções futuras, de valores incertos e que podem sofrer ajustes. Tais fatos, segundo a empresa, acarretaram equívocos por parte do Auditor Fiscal autuante, que considerou as retenções na data do seu registro contábil. Para confirmar suas alegações, foram apresentados 05 DVDROM contendo vasta documentação. Cabe ressaltar que o raciocínio adotado pela Autoridade Fiscal não está equivocado, tendo em vista que os valores escriturados nas contas do Passivo, referentes à obrigações de IRRF, devem refletir as obrigações efetivamente incorridas e devidas pelo contribuinte. Os registros das provisões contábeis devem ter outra destinação contábil. Ao se analisar os valores apurados pela fiscalização, percebese que o Auditor fiscal confrontou os saldos finais mensais, registrados na contabilidade, referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com os valores declarados em DCTF das mesmas retenções (conforme Termo de Constatação Fiscal e Anexos, fls. 90 a 140). Assim, valores de retenções registrados em um determinado mês, e que somente foram pagos e declarados em DCTF ou baixados/estornados, em períodos posteriores, tendem a gerar débitos a pagar na autuação em todos os meses em que impactaram os saldos mensais das contas contábeis. Percebese que ocorreu tal situação no presente processo. A empresa registrou valores significativos de provisões para pagamentos de participação em Lucros e Resultados, de Juros sobre o Capital Próprio, entre outros, cujas respectivas retenções na fonte foram contabilizadas nas contas do Passivo referentes a IRRF a recolher. Em algumas situações, os pagamentos/declarações em DCTF foram realizados em meses posteriores ao do registro contábil, tendo impactado os saldos mensais até a ocasião do seu efetivo pagamento/declaração em DCTF ou estorno/baixa. Segue tabela, com algumas dessas situações, a título de exemplo: (...) Verificase, ao analisar as informações da tabela acima, que os registros de R$ 110.149,09 e R$ 232,17, referentes a provisões para pagamentos de lucros e resultados, na conta: 210301001 IRRF S/FOLHA DE PAGTO A REC. contabilizados na data de 29/06/2007, foram pagos em 10/09/2007, e declarados na DCTF do mês de agosto/2007. Esses valores impactaram os saldos mensais nos meses de junho, julho e agosto, até sua efetiva Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.698 9 declaração em DCTF e pagamento (o pagamento foi registrado na contabilidade em 11/09/2007, no valor de R$ 233.290,33, pois envolvia outros recolhimentos). Ou seja, o pagamento realizado em 10/09/2007, declarado na DCTF de ago/2007 e referente a provisão contabilizada em 29/06/2007, não deveria ter gerado débitos a pagar no auto de infração em questão. Situação similar ocorreu com os valores registrados na contabilidade, referentes à soma do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre folha de salários, do mês de abril/2009. O imposto retido, contabilizado e declarado na DCTF do mês de abril de 2009 somente foi pago em 13/07/2009. Como o registro do pagamento, na contabilidade, ocorreu na data de 09/07/2009, esse valor impactou os saldos de maio e junho, gerando, equivocadamente, débitos a pagar no lançamento de ofício em discussão. As comparações acima tiveram como parâmetros os registros na conta contábil: 210301001 IRRF S/FOLHA DE PAGTO A REC., anos de 2007 e 2009, cujos lançamentos constam das planilhas em “excel”, gravadas no DVD 5, pastas: “Documentos 2007” e “Documentos 2009”, juntadas ao processo às fls. 3.595. Os pagamentos com DARF’s foram confirmados conforme “Extrato Completo do Contribuinte”, gerado dos sistemas da RFB e juntado ao processo às fls. 3.596 a 3.640. Já os débitos declarados em DCTF, referentes ao IRRF cód. 0561 (rendimentos do trabalho assalariado) dos meses de ago/2007 e abr/2009 foram extraídos do sistema DCTF da RFB conforme telas às fls. 3.641 e 3.642. CONCLUSÃO Primeiramente, cabe reforçar que, para os períodos de 01/2006 e 06/2006, a empresa não contestou a autuação. Para os demais períodos que foram objeto do auto de infração, o perito do contribuinte concluiu que os lançamento foram indevidos. Da análise da documentação apresentada pela Recorrente, concluise que parte do alegado pela empresa é procedente. Houve casos de provisões – registradas equivocadamente em contas do Passivo que impactaram os saldos mensais das contas contábeis, gerando equívocos na apuração fiscal, que utilizou como base os saldos mensais finais das contas de IRRF em comparação com os mesmos valores declarados em DCTF. Os registros contabilizados, nas contas do passivo, que foram pagos ou baixados em meses posteriores à sua contabilização, impactaram os saldos mensais dos períodos, impactando, da mesma forma, o auto de infração. Intimada, a Interessada se manifestou às fls. 3.651/3.678, aduzindo, em síntese, que: O atual relatório fiscal é de uma assertividade ímpar, ao assim dispor na fl. 3646: Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.699 10 O cerne da discussão se concentra no momento da ocorrência do fato gerador das retenções na fonte (efetivo pagamento) em confronto com a contabilidade destas mesmas retenções. (...) Assim, valores de retenções registrados em um determinado mês, e que somente foram pagos e declarados em DCTF ou baixados/estornados, em períodos posteriores, tendem a geram débitos a pagar na autuação em todos os meses em que impactaram nestes saldos mensais das contas contábeis. Percebese que ocorreu tal situação no presente caso. Tratase, no presente caso, da verificação de inúmeras operações, de forma que é inviável, nesta manifestação, a demonstração minudente de todos os detalhes. Todavia, anexase uma planilha explicativa (DOC. l) contendo os valores envolvidos e que foram cobrados de forma múltipla e indevida, a qual, por ser muito extensa, é juntada também por meio de arquivo "xls", em mídia digital (DOC. 2). A título exemplificativo cita exemplos que demonstram uma cobrança indevida de R$ 4.209.428,55, que acrescido unicamente da multa de 75% chega a um valor de R$ 7.366.499.96, o que comprova o equívoco na apuração realizada pela Autoridade lançadora. A Recorrente manifesta a sua concordância parcial com o Relatório de Diligência Fiscal apresentado, pois apesar de ter detectado com exatidão a inconsistência na apuração dos valores tidos por devidos, de forma equivocada assim também apontou à fl. 3647: “Primeiramente, cabe reforçar que, para os períodos de 01/2006 e 06/2006, a empresa não contestou a autuação. Para os demais períodos que foram objeto do auto de infração, o perito do contribuinte concluiu que os lançamentos foram indevidos”. Não é que não foram questionados os períodos de 01/2006 e 06/2006, mas sim que o perito contratado não dispunha dos documentos e registros referentes a estes períodos para, com exatidão, poder se manifestar, o que não enseja de nenhuma forma a preclusão consumativa do direito da Recorrente em relação a estes períodos. Ao final requer, ante a constatação das inconsistências apontadas no relatório de diligência fiscal, que os Julgadores desta Turma decidam pela Nulidade do Auto de Infração, uma vez que no procedimento de diligência restou evidente que há vícios que tornam o lançamento insanável. No pedido formulado no Recurso Voluntário a Recorrente pleiteou: a) a declaração de nulidade do Auto de Infração objurgado, pela ausência dos requisitos formais previstos no Art. 142 do CTN, e também pela ausência dos requisitos formais para o Processo Administrativo previstos no Art. 10 do Decreto 70.235/72 , na medida em que a fundamentação legal aposta no Auto de Infração é genérica e imprecisa, e desta sorte restou cerceado o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente; Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.700 11 b) superado o pedido anterior, o que definitivamente não se espera, que declare a nulidade do Auto de Infração objurgado, uma vez que se comprovou a abusividade da cobrança levada a efeito pela Autoridade Fiscal, a qual não tem visos de procedência, uma vez que não se encontra na escrituração da recorrente, qualquer irregularidade, bem como a forma de apuração realizada pela Autoridade Fiscal leva a um resultado distorcido, que leva em consideração múltiplas incidências sobre um mesmo fato gerador, de forma cumulativa, apontando débitos tributários, quando os mesmos inexistem; c) superados os pedidos anteriores, acaso não seja declarado nulo o Auto de Infração objurgado, que o converta em nova diligência ou que determine a realização de perícia, uma vez que a Autoridade Julgadora admitiu expressamente a possibilidade de uma impropriedade na escrituração da Recorrente, e da existência de uma apuração distorcida dos valores lançados como devidos pela Recorrente, aliado ao fato de que a Autoridade Fiscal não exigiu por meio das intimações que emitiu os documentos que ora alega serem insuficientes, bem como a aferição de eventual valor devido, depende de conhecimentos especializados para serem demonstrados. Na sessão de dezembro de 2015 o processo foi redistribuído a este Conselheiro. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia às diferenças apuradas pela Fiscalização entre os valores escriturados na contabilidade a título de IRRF a recolher e os valores lançados em DCTF, relativamente aos anoscalendário de 2006 a 2009. A Interessada entende que o Auto de Infração deve ser considerado nulo, uma vez que os valores contabilizados nas rubricas contábeis “IRRF s/ Folha de Pagamento a Recolher” (210301001) e “IRRF Diversos a Recolher” (210301002) não representam valores efetivamente devidos na competência, haja vista que nas mencionadas contas há valores a recolher referentes ao próprio mês e, também, relativos a retenções futuras que só serão devidas quando do efetivo pagamento. Tendo em vista a ausência, nos autos, de documentos imprescindíveis à solução da controvérsia, os julgadores desta 1ª Turma Ordinária entenderam por bem converter o julgamento em diligência a fim de que fossem tomadas algumas providências, destacandose, em especial, as seguintes: a) juntada aos autos do conteúdo dos DVDs entregues pela Contribuinte, assim como a planilha por ela elaborada; e b) revisão do Relatório de Diligência Fiscal anteriormente apresentado com vistas a sanar as inconsistências apontadas e manifestação conclusiva da Fiscalização acerca do lançamento. A primeira observação a se fazer referese à manifestação da Autoridade fiscal de que “da análise dos documentos juntados ao processo, em especial do laudo pericial contábil (DVD 1 – Perícia Contábil e Laudo, anexo de arquivo não paginável, fl. 3.568), percebese que o perito contábil contratado pela empresa chegou à conclusão de que os Autos de Infração lavrados pela Autoridade Fiscal […] estão em sua totalidade prejudicados por Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.701 12 equívocos ocorridos na interpretação técnica contábil (página 4 do laudo pericial contábil). Fazse exceção aos períodos de 01/2006 e 06/2006, para os quais o perito do contribuinte não questionou o lançamento de ofício”. Compulsando os autos verificase que o documento de fl. 3.568 é o “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável”, cuja descrição de conteúdo aponta que foram anexados ao presente processo o “DVD 1 – Perícia Contábil e Laudo”. Os documentos de fls. 3.569/3.571, que encerram o primeiro volume de documentos deste processo, também são “Termos de Anexação de Arquivos Não Pagináveis” (relativos a documentos comprobatórios do ano de 2006, 1º trimestre de 2007 e 2º trimestre de 2007). A partir do 2º volume, encontramse os documentos constantes dos arquivos não pagináveis, até o 6º volume, que contém, ainda, o Relatório de Diligência Fiscal e a resposta da Recorrente relativa à última diligência realizada. Em trabalho exaustivo, para não dizer fatigante, este Relator examinou um a um os volumes de arquivos não pagináveis, encontrando as seguintes pastas anexadas ao processo digital (dentro de cada pasta existem inúmeros documentos): Volume 2 Documentos comprobatórios relativos às competências 07/2007 a 11/2007. Volume 3 Documentos comprobatórios relativos às competências 12/20071, 12/2007 2, 1º e 2º semestres de 2008 e 1º trimestre de 2009. Volume 4 Resposta DVD 2 (folhas de pagamento de 2006 a 2009). Notas fiscais 2007/1. Notas fiscais 2007/2. Notas fiscais 2007/3. Documentos comprobatórios relativos ao 2º trimestre de 2009. Documentos comprobatórios relativos ao 3º trimestre de 2009. Documentos comprobatórios relativos ao 4º trimestre de 2009. Volume 5 Notas fiscais 2008/1. Notas fiscais 2008/2. Notas fiscais 2008/3. Notas fiscais 2009/1. Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.702 13 Volume 6 Notas fiscais 2009/2. Notas fiscais 2009/3. Planilha IRRF – Composição Justificativa x Diferenças RFB. Resposta 2 DVD 5, contendo as seguintes pastas: a) Apuração do IRPJ; b) DCTF 2006, DCTF 2007, DCTF 2008, DCTF 2009, Documentos 2006, Documentos 2007, Documentos 2008, Documentos 2009 e Planilhas Explicativas do IRRF. Além das pastas acima elencadas, constam do volume 6 os seguintes arquivos: Documentos Comprobatórios Outros (Extrato do Contribuinte). Documentos Comprobatórios Outros (DCTF Mensal Agosto de 2007). Documentos Comprobatórios Outros (DCTF Mensal Abril de 2009). Relatório de Diligência Fiscal. Resposta Última Diligência. Embora a Autoridade fiscal tenha mencionado a existência de um “laudo pericial contábil” que serviu de fundamento para que o perito da empresa chegasse à conclusão de que o Auto de Infração lavrado estava em sua totalidade prejudicado por equívocos na interpretação da técnica contábil, com exceção das competências 01/2006 e 06/2006, para as quais o perito não questionou o lançamento, o mencionado laudo não se encontra acostado aos autos. Este Relator pode até ter se equivocado nesta constatação, devido ao volume de documentos que foram juntados aos autos, mas a verificação foi feita com cuidado, por duas vezes, mediante a abertura de todas as pastas e arquivos dos volumes não pagináveis. O laudo mencionado pela Autoridade fiscal, no entanto, não foi localizado. A segunda observação a se fazer referese à inconclusividade da manifestação da Autoridade fiscal no concernente aos débitos a pagar apurados no presente lançamento. Confira: Ao se analisar os valores apurados pela fiscalização, percebese que o Auditor Fiscal confrontou os saldos finais mensais, registrados na contabilidade, referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com os valores declarados em DCTF das mesmas retenções (conforme Termo de Constatação Fiscal e Anexos, fls. 90 a 140). Assim, valores de retenções registrados em um determinado mês, e que somente foram pagos e declarados em DCTF ou baixados/estornados, em períodos posteriores, tendem a gerar débitos a pagar na autuação em todos os meses em que impactaram os saldos mensais das contas contábeis. Percebese que ocorreu tal situação no presente processo. A empresa registrou valores significativos de provisões para Fl. 3702DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.703 14 pagamentos de participação em Lucros e Resultados, de Juros sobre o Capital Próprio, entre outros, cujas respectivas retenções na fonte foram contabilizadas nas contas do Passivo referentes a IRRF a recolher. Em algumas situações, os pagamentos/declarações em DCTF foram realizados em meses posteriores ao do registro contábil, tendo impactado os saldos mensais até a ocasião do seu efetivo pagamento/declaração em DCTF ou estorno/baixa. Segue tabela, com algumas dessas situações, a título de exemplo: (...) Da análise da documentação apresentada pela Recorrente, concluise que parte do alegado pela empresa é procedente. Houve casos de provisões registradas equivocadamente em contas do Passivo que impactaram os saldos mensais das contas contábeis, gerando equívocos na apuração fiscal, que utilizou como base os saldos mensais finais das contas de IRRF em comparação com os mesmos valores declarados em DCTF. Os registros contabilizados, nas contas do passivo, que foram pagos ou baixados em meses posteriores à sua contabilização, impactaram os saldos mensais dos períodos, impactando, da mesma forma, o auto de infração. Mesmo tendo constatado equívocos na apuração do imposto a pagar, a Autoridade fiscal se limitou a dar dois exemplos de valores que não deveriam ter gerado débito no presente Auto de Infração. Confira: Verificase, ao analisar as informações da tabela acima, que os registros de R$ 110.149,09 e R$ 232,17, referentes a provisões para pagamentos de lucros e resultados, na conta: 210301001 IRRF S/FOLHA DE PAGTO A REC. contabilizados na data de 29/06/2007, foram pagos em 10/09/2007, e declarados na DCTF do mês de agosto/2007. Esses valores impactaram os saldos mensais nos meses de junho, julho e agosto, até sua efetiva declaração em DCTF e pagamento (o pagamento foi registrado na contabilidade em 11/09/2007, no valor de R$ 233.290,33, pois envolvia outros recolhimentos). Ou seja, o pagamento realizado em 10/09/2007, declarado na DCTF de ago/2007 e referente a provisão contabilizada em 29/06/2007, não deveria ter gerado débitos a pagar no auto de infração em questão. Situação similar ocorreu com os valores registrados na contabilidade, referentes à soma do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre folha de salários, do mês de abril/2009. O imposto retido, contabilizado e declarado na DCTF do mês de abril de 2009 somente foi pago em 13/07/2009. Como o registro do pagamento, na contabilidade, ocorreu na data de 09/07/2009, esse valor impactou os saldos de maio e junho, gerando, equivocadamente, débitos a pagar no lançamento de ofício em discussão. Ora, o cálculo do montante devido, que é intrínseco ao ato de lançamento, está a cargo da Autoridade administrativa, vale dizer, da Autoridade lançadora, a teor do que Fl. 3703DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.704 15 dispõe o caput do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, cuja responsabilidade não pode ser transferida a terceiro. Para que o crédito tributário possa ser exigido é preciso que a Autoridade lançadora determine a sua certeza e liquidez, sem o que não será possível exigir o seu pagamento. Somente quando a dívida tributária se torna líquida e certa é que surge um direito dotado de exigibilidade, oponível ao devedor. Anoto, por oportuno, que o registro incorreto de valores na contabilidade não autoriza o Fisco a receber o mesmo tributo por duas vezes. Se os pagamentos e as respectivas declarações foram realizados/enviadas em momento posterior ao do registro contábil, e este fato é reconhecido pela Autoridade fiscal, cabe a esta promover os devidos ajustes no lançamento, evitando o enriquecimento sem causa do sujeito ativo. Assim, verificada em procedimento de diligência fiscal a existência de equívocos na apuração do tributo, compete à Autoridade fiscal eliminar, em sua inteireza, o montante do tributo indevido, e não apenas mencionar, a título exemplificativo, alguns poucos valores que não seriam devidos. É por isso que nas duas diligências propostas no julgamento deste processo a Autoridade julgadora solicitou uma manifestação conclusiva da Fiscalização acerca da correção ou não da exigência fiscal. Nesse contexto, penso que a melhor solução a ser dada ao caso concreto é converter novamente o julgamento em diligência a fim de que a Fiscalização: a) junte aos autos o Laudo Pericial Contábil apresentado pelo contribuinte (caso o laudo já esteja nos autos, informar a numeração das páginas do mesmo no processo digital); b) analise os documentos apresentados e elimine do crédito tributário todos os valores porventura já recolhidos aos cofres públicos, indicando, com precisão, no Relatório de Diligência Fiscal, todos os valores que porventura são devidos, bem como as respectivas competências. Após as providências mencionadas, o contribuinte deve ser intimado para, caso queira, apresentar novas alegações circunscritas aos fatos objeto da presente Resolução. Caso o Recorrente discorde das conclusões da Autoridade fiscal, deverá indicar os documentos que contradizem a versão fiscal, de forma pormenorizada e com a indicação da respectiva folha do processo digital. De seguida, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 3704DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.705 16 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator Designado Em que pese o costumeiro acerto do ilustre Conselheiro Relator, ouso, com a máxima vênia discordar da decisão, embora partilhe dos mesmos fundamentos fáticos por ele apontados. Como bem relatado, tratase de lançamento tributário decorrente da diferença verificada, pela Autoridade Autuante, na conta contábil “obrigações de IRRF a pagar” (“IRRF s/ Folha de Pagamento a Recolher” (210301001) e “IRRF Diversos a Recolher” (210301002)) e o valor reportado pelo Contribuinte nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), DACON, DIRF e DIPJ". Tal lançamento, sem dúvida de monta quanto aos documentos que deveriam ser analisados, foi realizado sem o devido embasamento documental, consoante se observa nas folhas de nº 19 e 20 do eprocesso , que contém cópia do Auto de Infração lavrado. Nelas há a seguinte afirmação da Autoridade Fiscal: "Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas diferenças a recolher entre os valores escriturados na conta obrigações de IRRF a pagar e os valores informados nas DCTF, conforme acima descritos" Ainda apoiados no excelente relatório constante do voto vencido, constatamos que o presente lançamento foi encaminhado por esta Turma deste Conselho, por duas vezes, para diligência a fim de que se esclarecesse o lançamento, em razão dos documentos acostados pela Recorrente na impugnação e outras elucidações necessárias . Na primeira diligência, embora tenha sido determinado por este Colegiado que outro Auditor Fiscal se pronunciasse, foi dito, pela Autoridade Notificante ao cumprir a diligência, que nada havia a ser retificado no lançamento, embora o Contribuinte tenha apresentado em resposta à nova intimação, planilha que, juntamente com arquivos digitais constantes de DVDRom, justificavam, no ver do Recorrente, as diferenças que geraram o lançamento. Como bem aponta o Conselheiro Relator, ao examinar o resultado da Diligência, esta Turma novamente não se viu apta a realizar o julgamento, convertendoo novamente em diligência, para que se elucidasse definitivamente os pontos apontados como nebulosos. O Relatório traz o resultado da segunda diligência, que abaixo reproduzimos no ponto que nos é fulcral: Devido ao tamanho de parte dos arquivos apresentados, incompatíveis com os limites para anexação ao eprocesso, mesmo depois de compactados (máximo de 150 M para arquivos não pagináveis), os conteúdos dos DVDs: DVD 2 – Documentos Comprobatórios (1.273.792 KB compactado); e DVD 4: Notas Fiscais 2007, 2008 e 2009 (910.016 KB compactado) tiveram que ser juntados ao eprocesso separadamente, em vários Fl. 3705DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.706 17 anexos, de maneira que não extrapolassem aos limites máximos do sistema. Assim, os arquivos constantes dos 05 DVDs foram anexados conforme abaixo: (...) Ao se analisar os valores apurados pela fiscalização, percebese que o Auditor fiscal confrontou os saldos finais mensais, registrados na contabilidade, referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com os valores declarados em DCTF das mesmas retenções (conforme Termo de Constatação Fiscal e Anexos, fls. 90 a 140). Assim, valores de retenções registrados em um determinado mês, e que somente foram pagos e declarados em DCTF ou baixados/estornados, em períodos posteriores, tendem a gerar débitos a pagar na autuação em todos os meses em que impactaram os saldos mensais das contas contábeis. Percebese que ocorreu tal situação no presente processo. A empresa registrou valores significativos de provisões para pagamentos de participação em Lucros e Resultados, de Juros sobre o Capital Próprio, entre outros, cujas respectivas retenções na fonte foram contabilizadas nas contas do Passivo referentes a IRRF a recolher. Em algumas situações, os pagamentos/declarações em DCTF foram realizados em meses posteriores ao do registro contábil, tendo impactado os saldos mensais até a ocasião do seu efetivo pagamento/declaração em DCTF ou estorno/baixa. Segue tabela, com algumas dessas situações, a título de exemplo: (...) Verificase, ao analisar as informações da tabela acima, que os registros de R$ 110.149,09 e R$ 232,17, referentes a provisões para pagamentos de lucros e resultados, na conta: 210301001 IRRF S/FOLHA DE PAGTO A REC. contabilizados na data de 29/06/2007, foram pagos em 10/09/2007, e declarados na DCTF do mês de agosto/2007. Esses valores impactaram os saldos mensais nos meses de junho, julho e agosto, até sua efetiva declaração em DCTF e pagamento (o pagamento foi registrado na contabilidade em 11/09/2007, no valor de R$ 233.290,33, pois envolvia outros recolhimentos). Ou seja, o pagamento realizado em 10/09/2007, declarado na DCTF de ago/2007 e referente a provisão contabilizada em 29/06/2007, não deveria ter gerado débitos a pagar no auto de infração em questão. Situação similar ocorreu com os valores registrados na contabilidade, referentes à soma do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre folha de salários, do mês de abril/2009. O imposto retido, contabilizado e declarado na DCTF do mês de abril de 2009 somente foi pago em 13/07/2009. Como o registro do pagamento, na contabilidade, ocorreu na data de 09/07/2009, esse valor impactou os saldos de maio e junho, gerando, equivocadamente, débitos a pagar no lançamento de ofício em discussão. Fl. 3706DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.707 18 As comparações acima tiveram como parâmetros os registros na conta contábil: 210301001 IRRF S/FOLHA DE PAGTO A REC., anos de 2007 e 2009, cujos lançamentos constam das planilhas em “excel”, gravadas no DVD 5, pastas: “Documentos 2007” e “Documentos 2009”, juntadas ao processo às fls. 3.595. Os pagamentos com DARF’s foram confirmados conforme “Extrato Completo do Contribuinte”, gerado dos sistemas da RFB e juntado ao processo às fls. 3.596 a 3.640. Já os débitos declarados em DCTF, referentes ao IRRF cód. 0561 (rendimentos do trabalho assalariado) dos meses de ago/2007 e abr/2009 foram extraídos do sistema DCTF da RFB conforme telas às fls. 3.641 e 3.642. CONCLUSÃO Primeiramente, cabe reforçar que, para os períodos de 01/2006 e 06/2006, a empresa não contestou a autuação. Para os demais períodos que foram objeto do auto de infração, o perito do contribuinte concluiu que os lançamento foram indevidos. Da análise da documentação apresentada pela Recorrente, concluise que parte do alegado pela empresa é procedente. Houve casos de provisões – registradas equivocadamente em contas do Passivo que impactaram os saldos mensais das contas contábeis, gerando equívocos na apuração fiscal, que utilizou como base os saldos mensais finais das contas de IRRF em comparação com os mesmos valores declarados em DCTF. Os registros contabilizados, nas contas do passivo, que foram pagos ou baixados em meses posteriores à sua contabilização, impactaram os saldos mensais dos períodos, impactando, da mesma forma, o auto de infração." (destaques nossos) Da leitura atenta do pronunciamento fiscal produzido em resposta à resolução desta Turma, conferese de maneira cabal o reconhecimento do equívoco quanto à apuração fiscal. São dizeres da Autoridade Fiscal: "Os registros contabilizados, nas contas do passivo, que foram pagos ou baixados em meses posteriores à sua contabilização, impactaram os saldos mensais dos períodos, impactando, da mesma forma, o auto de infração". Tal fato não passou despercebido pelo ínclito Conselheiro Relator. Reproduzo, uma vez mais, suas sensatas considerações: Mesmo tendo constatado equívocos na apuração do imposto a pagar, a Autoridade fiscal se limitou a dar dois exemplos de valores que não deveriam ter gerado débito no presente Auto de Infração. Confira: (...) Assim, verificada em procedimento de diligência fiscal a existência de equívocos na apuração do tributo, compete à Autoridade fiscal eliminar, em sua inteireza, o montante do Fl. 3707DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.708 19 tributo indevido, e não apenas mencionar, a título exemplificativo, alguns poucos valores que não seriam devidos. É por isso que nas duas diligências propostas no julgamento deste processo a Autoridade julgadora solicitou uma manifestação conclusiva da Fiscalização acerca da correção ou não da exigência fiscal. Nesse contexto, penso que a melhor solução a ser dada ao caso concreto é converter novamente o julgamento em diligência a fim de que a Fiscalização: (...)" Esse é o cerne da divergência de opinião entre este Conselheiro e o ínsigne Relator: não há que se falar em nova diligência. Como relatado, tal oportunidade já foi, por duas vezes, ofertada ao Fisco. Novamente, como bem por ele apontado: "para que o crédito tributário possa ser exigido é preciso que a Autoridade lançadora determine a sua certeza e liquidez, sem o que não será possível exigir o seu pagamento" A determinação da base de cálculo e da alíquota aplicável, ou seja o cálculo do tributo devido, é requisito do lançamento tributário segundo o artigo 142 do CTN: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte. Porém, desde a impugnação do lançamento que novos documentos que permitem a quantificação da base de cálculo são carreados aos autos. Instada a comprovar os fatos modificativos do lançamento por meio das diligências requeridas, a Recorrente soube, ao menos parcialmente, se desvencilhar do ônus, transferido ao Fisco o dever da quantificação correta. Tal fato não ocorreu. Pior, mesmo reconhecendo como acima demonstrado a comprovação da alteração da base de cálculo do tributo devido, a Autoridade Lançadora se queda inerte quanto à retificação da base imponível, como se dela não fosse a obrigação. Fl. 3708DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.709 20 Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: "Atos irregulares são aqueles padecentes de vícios materiais irrelevantes, reconhecíveis de plano, ou incursos em formalização defeituosa consistente em transgressão de normas cujo real alcance é meramente o de impor a padronização interna dos instrumentos pelos quais se veiculam os atos administrativos" Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." Fl. 3709DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.710 21 O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) Fl. 3710DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.720781/201184 Acórdão n.º 2201002.978 S2C2T1 Fl. 3.711 22 Após distinguir os erros de fato (aqueles que o vício ocorrem dentro da própria norma), dos de direito (nos quais os defeitos são detectáveis entre normas distintas, no caso entre a norma geral e abstrata prescritora da obrigação tributária e a individual e concreta instituidora do lançamento), asseverando que erros de direito são sempre ensejadores de atos administrativos viciados de maneira absoluta, Paulo de Barros (Fundamentos Jurídicos da Incidência Tributária, 6ª ed., p. 285), exemplifica o erro na determinação da base de cálculo como erro de direito em razão da dissonância entre o consequente da norma individual e concreto (elemento quantitativo) e o enunciado do consequente da regra matriz de incidência. Por todo o exposto, ao analisarmos o caso concreto, observamos que o Fisco quando do lançamento tributário, adotou base imponível diversa da devidamente calculada, e que nas duas diligências posteriores não a corrigiu. Posteriormente, explicitamente a Administração Tributária reconhece a alegação da Recorrente que aponta a diferença de valor, sem contudo reduzila. Assim, constamos a incorreção do cálculo do tributo devido, ofensa a literalidade do artigo 142 do CTN, ensejando vício material do lançamento. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento tributário por vício material. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Fl. 3711DF CARF MF Impresso em 25/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CARLOS HENRIQ UE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 19515.720992/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, José Eduardo Dornelas Souza, Paulo Jakson da Silva Lucas, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, José Eduardo Dornelas Souza, Paulo Jakson da Silva Lucas, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa e Wilson Fernandes Guimarães. ALSPAC TRANSPORTES INTERNACIONAIS E AGENCIAMENTO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0641.404, de 15/06/2013, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, por fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2007 e 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 99 2/ 20 12 -6 5 Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720992/201265 Resolução nº 1301000.336 S1C3T1 Fl. 2.591 2 A infração apurada pelo Fisco foi omissão de receitas, apurada com base em depósitos bancários cuja origem a contribuinte, regularmente intimada, não logrou comprovar (art. 42 da Lei nº 9.430/1996). Conhecidas as receitas, o lucro foi arbitrado, em face da não apresentação, no curso da fiscalização, de escrituração contábil completa ou de Livro Caixa, nos termos exigidos para os optantes pelo lucro presumido. Foi aplicada ainda multa de 112,5%, por falta de atendimento a intimações. Impugnado o lançamento, o processo foi levado a julgamento perante a 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0641.404, de 15/06/2013 (fls. 1839/1886), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 CRÉDITOS BANCÁRIOS. Por presunção de natureza legal, os depósitos/créditos junto a instituições bancárias não comprovados com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores com esses créditos autorizam o lançamento de ofício como omissão de receitas. PROVA.EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ARBITRAMENTO DE LUCRO A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. Atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos em lei (CTN, art. 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pelo posterior oferecimento da escrituração contábil, cuja falta de apresentação foi a causa do arbitramento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS e COFINS Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720992/201265 Resolução nº 1301000.336 S1C3T1 Fl. 2.592 3 Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no artigo 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. DECADÊNCIA. REGRA GERAL Inexistindo pagamento antecipado, não há que se falar em fato homologável, deslocandose a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173 do CTN. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a solicitação de perícia acerca de matéria que não demande conhecimento técnico especializado próprio de perito. Descabe a realização de diligência ou perícia quando constarem do processo todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador para a solução do litígio. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA . EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO NO PRAZO MARCADO. Mantémse a majoração da multa em 50% nos casos em que o sujeito passivo não atende, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos e apresentar arquivos e documentos. Ciente da decisão de primeira instância em 18/07/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1896, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/08/2013 conforme carimbo de recepção à folha 1897. No recurso interposto (fls. 1897/1921), a interessada afirma a tempestividade de seu recurso e historia, sob sua ótica, os fatos. Na sequência, aduz os argumentos a seguir sintetizados, conforme os tópicos da peça recursal. III – Do direito. A recorrente alega que o lançamento teria sido feito baseado apenas em presunções absolutamente infundadas. Seria necessária prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Conclui como segue: “O fato tido como infracional foi a suposta não contabilização de valores creditados em conta corrente, contudo essa movimentação não é apenas entrada, mas também saída para pagamentos dos serviços, devidamente demonstrado. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720992/201265 Resolução nº 1301000.336 S1C3T1 Fl. 2.593 4 Ora, se os depósitos tidos como não contabilizados não são apenas entrada, qual seria a infração capaz de levar a cabo a presente autuação?”. III2. Decadência. A recorrente argúi a decadência para fatos geradores ocorridos entre janeiro/2007 e junho/2007, forte nas disposições do art. 150, § 4º, do CTN. Tece considerações acerca do “autolançamento” e conclui que “nos casos em que [...] existe autolançamento, mas não pagamento, a autoridade fiscal deve rever o autolançamento dentro do quinquênio contado a partir do fato gerador [...]”. III3. O princípio da verdade material. A recorrente sustenta que os livros da escrituração foram apresentados, afastando a hipótese de arbitramento, e a apresentação a posteriori deve ser avaliada, tendo em vista os incisos LV e LXXXVIII da Constituição Federal. Discorre acerca de diversos princípios constitucionais e outros que informam o processo administrativo fiscal. III4. Da nulidade da autuação em razão de quebra de sigilo bancário sem autorização. Neste tópico, a recorrente repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação. Alega que seu sigilo bancário não poderia ser quebrado sem ordem judicial e reputa inconstitucional o ordenamento da Lei Complementar nº 105/2001 sobre a matéria. O sigilo bancário estaria protegido pelos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. III5. Da inexistência de omissão de receitas por depósitos bancários supostamente não contabilizados. Também neste tópico a recorrente repisa os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Busca esclarecer aspectos atinentes a sua atividade operacional de operação de transportes na modalidade NVOCC (Non Vessel Operating Common Carrier, por ela livremente traduzida como transportadora não proprietária de navio que possui registro do Departamento de Marinha Mercante). Ao final, conclui (fl. 1910): Desta forma, a Recorrente recebe do importador todo o montante pela operação – embarque, consolidação, fretamento e transporte marítimo e desconsolidação da carga, por meio do (House Bill of Lading) que é o conhecimento de embarque original, entretanto, essa receita não fica inteiramente com a Recorrente, que ainda tem que pagar ao transportador, dono do navio, que emitiu o conhecimento (Master Bill of Lading) e ao agente responsável pelo embarque (agente exportador). Acrescenta tabelas mensais, por banco, nas quais discrimina as colunas “créditos autuados”, “custo real” e “receita líquida”, como resultado da subtração entre a primeira e a segunda colunas. Protesta pela prova por amostragem, por se tratar de centenas de operações. III6. Da não tributação da transferência entre contas da mesma titularidade. Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720992/201265 Resolução nº 1301000.336 S1C3T1 Fl. 2.594 5 A recorrente sustenta, com base na legislação de regência, que não deveriam ser tributados os depósitos bancários decorrentes de transferências entre contas bancárias da mesma titularidade. Acrescenta tabelas mensais, por banco, dos totais representativos dessa rubrica (que atingiria, em 2007 e 2008, o montante de R$ 18.291.041,41), e faz referência a um documento anexo. III7. Da ilegalidade da cobrança de multa nos moldes pretendidos – violação ao princípio do não confisco. A recorrente sustenta que a multa aplicada viola expressamente o princípio do nãoconfisco, estatuído pelo inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Acrescenta razões baseada em doutrina e jurisprudência que entende cabíveis e, ao final, requer a desconsideração da multa constante no Auto de Infração. IV – Do pedido. Tratase, aqui, de mera menção de todos os pedidos sintetizados nos itens anteriores. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Da análise dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. · Arguição de decadência A recorrente argúi a decadência para fatos geradores ocorridos entre janeiro/2007 e junho/2007, forte nas disposições do art. 150, § 4º, do CTN. Tece considerações acerca do “autolançamento” e conclui que “nos casos em que [...] existe autolançamento, mas não pagamento, a autoridade fiscal deve rever o autolançamento dentro do quinquênio contado a partir do fato gerador [...]”. A decisão de primeira instância aplicou, para esse fim, as regras do art. 173, inciso I, do CTN, diante da ausência de pagamentos. Confirase: 28. Consulta efetuada no Sistema SINAL08, comprova que no ano calendário de 2007, a contribuinte só efetuou pagamentos a partir do mês 07/07, portanto, até essa data não existem valores a homologar, o que autoriza deslocar o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). Não encontro nos autos a consulta ao sistema SINAL, referida pelo ilustre Relator, pelo que não resta claro se ele se refere a todos os tributos aqui discutidos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) ou apenas a um ou alguns deles. Ademais, nos termos da jurisprudência consolidada no STJ, inclusive em sede de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), também se mostra relevante saber se houve declaração prévia do débito, e não encontro em parte alguma dos autos sequer menção, positiva Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720992/201265 Resolução nº 1301000.336 S1C3T1 Fl. 2.595 6 ou negativa, acerca de terem sido entregues DCTFs para os períodos objeto de autuação, e se havia ali valores declarados para os tributos lançados. O arrazoado da recorrente sobre “autolançamento” e de “débito declarado e não pago”, passível de execução, ainda que não explicitamente, pode conduzir nesse sentido. · Arguição acerca de transferências entre contas da mesma titularidade. A recorrente sustenta, com base no inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que não deveriam ser tributados os depósitos bancários decorrentes de transferências entre contas bancárias da mesma titularidade. Acrescenta tabelas mensais, por banco, dos totais representativos dessa rubrica (que atingiria, em 2007 e 2008, o montante de R$ 18.291.041,41), e faz referência a um documento anexo. Eis o mencionado dispositivo legal. Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...] Os documentos a que se refere a recorrente se encontram às fls. 1945/1949. A recorrente especifica, individualmente, uma série de créditos em contascorrentes bancárias que teriam sido objeto de tributação, conforme quadro seguinte. No entanto, deixa de especificar o débito correspondente em outra conta bancária de sua titularidade, com identidade de datas e valores. Banco Agência Conta Corrente Total de Créditos (R$) Fls. Unibanco 477 1142165 4.182.356,00 1945/1946 Unibanco 131 2096215 167.713,95 1947 Itaú 367 705357 1.609.116,96 1948 Unibanco 7280 1126573 13.551,94 1949 Total 5.972.738,85 Ademais, essas planilhas não guardam estrita relação com as tabelas que constam às fls. 1914/1916, as quais mencionam totais diferentes por instituição financeira, além do Banco do Brasil. Não obstante, tenho que o mesmo texto legal (art. 42, supra) que estabelece a presunção legal de omissão de receitas e impõe ao contribuinte o ônus de provar a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, também impõe ao Fisco o ônus de expurgar do Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720992/201265 Resolução nº 1301000.336 S1C3T1 Fl. 2.596 7 total dos lançamentos os valores que possam ser identificados como transferências entre contas bancárias de mesma titularidade. Em adição, mesmo diante da falta de indicação do lançamento a débito, em exame preliminar constatei ao menos duas ocorrências em que a alegação do contribuinte se confirma, a saber: o Data: 01/10/2007; Valor: R$ 25.000,00; Crédito: ITAÚ Ag. 367 c/c 705357 extrato fl. 361; Débito: UNIBANCO Ag. 477 c/c 1110535 extrato fl. 214. o Data: 02/10/2001; Valor: R$ 56.000,00; Crédito: ITAÚ Ag. 367 c/c 705357 extrato fl. 361; Débito: UNIBANCO Ag. 477 c/c 1110535 extrato fl. 214. Diante disso, penso ser necessário aprofundar a investigação. · Diligência proposta Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora consulte os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, intime o contribuinte, caso entenda necessário, examine os documentos dos autos e, ao final adote as seguintes providências: 1. Informe se foram apresentadas DCTFs para os períodos de apuração compreendidos entre janeiro/2007 e dezembro/2008, contendo valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Caso afirmativo, acostar aos autos os extratos correspondentes. 2. Informe se houve pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para os períodos de apuração compreendidos entre janeiro/2007 e dezembro/2008. Caso afirmativo, acostar aos autos os extratos correspondentes. 3. Informe se os valores constantes das planilhas de fls. 1945/1949 se tratam efetivamente de créditos bancários incluídos entre aqueles submetidos à tributação como depósitos bancários de origem não comprovada. 4. Informe quais dos valores constantes das planilhas de fls. 1945/1949 podem ser efetivamente identificados como transferências entre contas bancárias de mesma titularidade, com perfeita identidade de datas e valores. 5. Acrescente outros documentos ou considerações que entender relevantes para a solução do litígio. O cumprimento da diligência deve constar de relatório circunstanciado, do qual deverá ser dada ciência à interessada, facultandolhe, ainda, a possibilidade de se manifestar nos autos em prazo adequado, caso assim o deseje. Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19515.720992/201265 Resolução nº 1301000.336 S1C3T1 Fl. 2.597 8 Após cumpridas as providências acima, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do feito, sendo distribuído diretamente a este Relator, independentemente de novo sorteio, nos termos regimentais. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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