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Numero do processo: 10835.003396/2004-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
ITR/1999/2000/2001 e 2002.
ÁREA RURAL UTILIZADA COMO RESERVATÓRIO DE ÁGUA PARA
PRODUÇÃO DE ENERGIA.
Impossibilidade de aproveitamento produtivo do imóvel a não ser como reservatório de água para produção de energia elétrica. A afetação do imóvel rural ao serviço público específico de produção e geração de energia elétrica, torna-o inalienável, indisponível e imprescritível. A impossibilidade jurídica
de comercialização de tais áreas as coloca na situação de bens fora do comércio, sem valor de mercado aferível.
NÃO INCIDÊNCIA DO ITR.
As porções de terras cobertas pelas águas de reservatórios das usinas hidrelétricas são de domínio público da União e não estão abrangidas no critério material da hipótese de incidência do ITR. Ademais, no caso, seria impossível estabelecer a base de cálculo do tributo.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3803-000.010
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de voto , dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou pela conclusão, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO
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ÁREA RURAL UTILIZADA COMO RESERVATÓRIO DE ÁGUA PARA PRODUÇÃO DE ENERGIA. Impossibilidade de aproveitamento produtivo do imóvel a não ser como reservatório de água para produção de energia elétrica. A afetação do imóvel rural ao serviço público específico de produção e geração de energia elétrica, torna-o inalienável, indisponível e imprescritível. A impossibilidade jurídica de comercialização de tais áreas as coloca na situação de bens fora do comércio, sem valor de mercado aferível. NÃO INCIDÊNCIA DO ITR. As porções de terras cobertas pelas águas de reservatórios das usinas hidrelétricas são de domínio público da União e não estão abrangidas no critério material da hipótese de incidência do ITR. Ademais, no caso, seria impossível estabelecer a base de cálculo do tributo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de voto , dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou ela conclusão, nos termos do voto do Relator. Processo n° 10835.003396/2004-10 S3-TE03 Acórdão n.°3803-00.010 Fl. 346 LUI MARC O GUERRA DE CASTRO .1PreI,sÁt. e (01 gliè-iANI L - LUIZ BONAT CO DEIRO Rela ar Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Regis Xavier Holanda e Jorge Higashino. 2 Processo n° 10835.003396/2004-10 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.010 Fl. 347 Relatório Por bem retratar os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ — Campo Grande/MS, o qual passo a transcrever (fls. 332/340): "Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 21/32), mediante o qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercícios 1999 a 2003, no valor total de R$ 91.370,62, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 0.740.305-4, localizado no Município de Narandiba — SP. Na descrição dos fatos (f. 21), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente das alterações discriminadas nos Demonstrativos de Apuração de Imposto de f. 25/29. Houve alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. O interessado apresentou a impugnação e anexos de f. 156/192. Alega nulidade do Auto de Infração, por violação ao Decreto n° 70.235/72 e às IN n° 94/97 e 77/98. Invoca, ainda, a nulidade do procedimento fiscal, ao argumento de que há ilegalidade na aferição do ITR por arbitramento. No mérito, aduz que a autuação é improcedente, em síntese, por desrespeitar disposições constitucionais e legais sobre bens da União e sobre a tributação da atividade de energia elétrica. Invoca a inexistência da relação jurídico - tributária, da deterrninação do fato imponível e da base de cálculo do ITR na presente autuação. Sustenta a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC e o caráter confiscatório das multas de oficio, seja de 75%, seja a de 112,5%." Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS), que após analisar os argumentos apresentados na impugnação, julgou procedente em parte o lançamento constante na notificação de lançamento do ITR199-2003, nos termos da ementa transcrita adiante (fls. 332/340): Assunto: Imposto sobre Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LANÇAMENTO DE OFICIO. Se o sujeito passivo não apresentar a DITR e/ou deixe de tomar as iniciativas necessárias ao lançamento por homologação pela Fazenda Pública, esta deve proceder à determinação e ao lançamento de oficio do crédito tributário (Lei n° 5,172, de 1996, art. 149, \inciso V; Lei n°9.393, de 1996, art. 14). & 3 Processo n° 10835.003396/2004-10 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.010 Fl. 348 VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado em 15/05/2007 (AR - fls. 343) da decisão que julgou procedente em parte o lançamento, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 346-396) em 14/06/2007, onde ratificou todos os argumentos da impugnação, além de inserir novos argumentos à sua defesa, quais sejam: a) Alega nulidade quanto à aferição do ITR, art. 14 da Lei 9.393/96, cuja autoridade, em decorrência da falta de atendimento à intimação, não levou em consideração elementos particulares do imóvel. Sendo assim, a autoridade fiscal não soube o preço das terras, tampouco a área total e área tributável, além dos elementos que deveriam ser apurados em procedimento fiscal a fim de ajustar a cobrança do tributo; b) Ainda, diz que a autoridade fiscal presumiu os fatos com justificativa de que não houve atendimento à intimação fiscal; c) Afirma, no tocante ao mérito, que: - O imóvel foi objeto de desapropriação, por utilidade pública, para que fosse produzida energia elétrica; - A utilização de reservatórios seria objeto de contrato de concessão firmado com o Poder Público; - Após levados em consideração todos os valores referentes ao imóvel (valor de mercado, VTN, preço de mercado), todos com suas aferições, e feitos os cálculos, o LER teria valor fixado em ZERO; - Às empresas produtoras de energia elétrica é conferida a isenção tributária de acordo com o Decreto 41.019/57 (art. 1 0) e Decreto-Lei 2.281/40 (art. 109), cita-se jurisprudência acerca do caso; - Diante da expedição da Carta de Adjudicação, não seria devido o imposto frente aos exercícios de 1999 a 2000. É o relatório. \\ 1°7 4 Processo n° 10835.003396/2004-10 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.010 F1, 349 Voto Conselheiro ANDRÉ LUIZ BONAT CORDEIRO, Relator Por ser passível de julgamento, sem prejuízo do Recorrente, o mérito do recurso, deixo de apreciar as questões preliminares. O litígio se resume, a meu ver, em estabelecer se as áreas rurais ocupadas pela interessada com lagos artificiais (reservatórios) e instalações de produção de energia, na qualidade de concessionária de serviço público, são ou não passíveis de tributação pelo ITR, e se forem, qual o valor do tributo. Aspecto recorrente nesses processos que tratam da tributação pelo ITR tem sido a falta de percepção para o fato de que nem o contribuinte, nem o IBAMA, nem a SRF podem interferir no conceito de área de preservação permanente, tais áreas isentas de ITR, são conceituadas no Código Florestal e são isentas do ITR por imposição legal. Nem as IN SRF, nem os atos normativos da COSIT têm o condão de alterar o conceito dessas áreas, não podem nem restringir nem ampliar tal conceito. Em outro processo, com objeto semelhante, referente ao recurso n" 128.344, o representante do IBAMA no Paraná, Engenheiro Florestal atestou naquele caso que essas áreas submersas de reservatórios de usinas hidrelétricas são áreas de preservação permanente, e assim estariam isentas do ITR. No presente caso não foi juntado nenhum laudo técnico, mas não há discussão quanto a se tratar de empresa concessionária de serviço público de produção de energia elétrica e que as terras em comento são cobertas por reservatório de água voltado à finalidade antes declinada, e as áreas adjacentes servem à instalação de equipamentos necessários à finalidade de geração de energia elétrica. Deve ser dito, contudo, independente de se constatar serem ou não áreas de preservação permanente, que o auto de infração incorre em equívocos importantes e evidentes acerca da base de cálculo e da alíquota aplicável. Falo a respeito da fixação de VTN e da indicação do grau de utilização da propriedade. É verdadeiramente absurdo, diante dos elementos constantes dos autos, se afirmar que o grau de utilização dessas terras seja zero. A recorrente na qualidade de concessionária de serviço público, voltada à produção de energia elétrica, utiliza tais terras afetadas a uma finalidade de interesse público na única atividade que lhe seria adequada, para formação de lagos artificiais e para as instalações de usinas hidrelétricas. A recorrente lembra que a Lei 9.433/97, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, no seu art.1°, destaca ser a água um bem de domínio público, mas, mesmo que não se pudesse afirmar a condição de águas públicas àquelas que banham as terras sob exame, cumpre reconhecer que estas terras se colocam numa situação de bens fora do comércio, no sentido jurídico de direito privado, e que sendo assim, a elas não se pode atribuir um valor de mercado. Há notória impossibilidade de apuração de base de cálculo para a exigência \ de ITR neste caso, posto que não há como se conceber valor de mercado para essas terras. No caso concreto o contrato público de concessão estabelece o compromisso de produção de energia elétrica; as terras, antes desapropriadas de terceiros, foram adquiridas pelo interessado mediante compromisso firmado com o poder público, ou seja, são terras com o uso restrito por 6estarem, por contrato, afetadas a uma finalidade de interesse público. São efetivamente, s Processo n°10835.003396/2004-10 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.010 Fl. 350 inalienáveis, indisponíveis e imprescritíveis, conforme protestou a recorrente. Portanto, não há dúvida de se tratar de terra caracterizada como bem fora do comércio, conforme subsídio verificado no Código Civil. A hipótese não comporta abrangência no âmbito do elemento material da regra-matriz do ITR, e, portanto, se evidencia ainda por esse caminho a inviabilidade de tributação por não incidência do ITR no caso concreto. Ainda dessa vez se revela a pouca ou nenhuma vocação da SRF para administrar um tributo como o ITR, com notória e nobre função extrafiscal não percebida pela administração tributária. Em resumo: 1. A utilidade dessas terras submersas é exclusiva, só servem para abrigar o reservatório, destinado a finalidade especial de serviço público. Já por isso não resistiria o grau de utilização zero pretendido no lançamento. 2. O VTN arbitrado não serve como informação válida diante do fato de ser "bem fora do mercado" afetado a uma finalidade essencial de interesse público. É improcedente a autuação. As áreas em causa constituem glebas sem aptidão agropastoril, florestal, aquícola, ou qualquer outra diversa da apontada estritamente no contrato de concessão. O uso restrito se dá sob controle de preservação ambiental com relação às terras submersas, e adjacentes, bem como aos recursos hídricos destinados a finalidade específica, recursos afetados a um serviço público essencial. Por fim, nesse mesmo sentido, confira-se o pacifico entendimento desse Conselho, que muito conforta minha proposta de voto: Número do Recurso: 140965 • • Câmara: TERCEIRA CAMARA '• Número do Processo . 10650.720007/2007-25 • ' Ti. o do Recurso- VOLUNTARIO Matéria IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrida/Interessado . DRJ-BRASILIA/DF , Data da Sessão 08/07/2008 09:00:00 _ Relator . HEROLDES BAHR NETO • Decisão: Acórdão 303-35502 Resultado . DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a Advogada Maria Leonor Leite Vieira, OAB/SP 53655. Ementa:Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITRExercício: 2003ITR. ÁREA RURAL UTILIZADA COMO RESERVATÓRIO DE ÁGUA PARA PRODUÇÃO DE ENERGIA. NÃO INCIDÊNCIA DO ITR SOBRE A ÁREA TRIBUTADA, A afetação do imóvel rural ao serviço público específico de produção e geração de energia elétrica o faz inalienável, indisponível e imprescritível. 1 Tratando-se de bem de domínio público, da União, não está o imóvel tributado abrangido no critério material de hipótese de incidência do ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTNAdemais, in casu, seria inviável estabelecer a base de cálculo do tributo, ante a impossibilidade Jurídica de comercialização de tais áreas, não apresentando, por 1Pe 4sRs0a6v5ra2oorazão, Número do Recurso: o, valor de mercado aferivel.RECURSO VOLUNTÁRIO0 Câmara-SEGUNDA CAMARA Número do Processo:10675.72004112007-11 Tipo do Recurso: VOLUNTARIO 466 • Processo n° 10835.003396/2004-10 S3-TE03 • Acórdão n.° 3803-00.0I0 Fl. 351 Matéria IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrida/Interessado DRJ-BRASILIA/DF Data da Sessão: 13/0812008 14:00:00 Relator LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Decisão . Acórdão 302-39722 Resultado DPM - DADO PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso, nos termos do; voto do relator. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ricardo Paulo Rosa. Fez sustentação oral a advogada Maria Leonor Leite Vieira, OAB/SP - 53.655. Ementa:Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITRExercicio: 2005ITR -IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. NÃO INCIDÊNCIA. TERRAS SUBMERSAS. Não há incidência do ITR - sobre as terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica (usinas hidroelétricas) bem como as áreas de seu entorno. A posse e o domínio útil das terras submersas pertencem à União Federal, pois a água é bem público que forma o seu patrimônio nos termos da Constituição Federal, não podendo haver a incidência do ITR sobre tais áreas ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.Não incide o ITR sobre as áreas que ladeiam o reservatório artificial nos termos da legislação aplicável - Código Florestal.ERRO DA ATRIBUIÇÃO DO VTNO VTN atribuído pela fiscalização não respeita os termos da legislação de regência porque não descontou a área de construção, não excluiu a área de preservação permanente e porque tomou como base o valor da terra com destinação agrícola quando notoriamente as terras submersas não tem tal destinação. Falta previsão legal para atribuição do VTN de terras submersas, o que também causa impossibilidade da incidência do ITR ainda que a sujeição passiva pudesse ser atribuída a pessoa diversa da União Federal RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Pelo e •osto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para determinar a improcedênta do lançamento. Sala da : - fies, em 16 de março de 2009. Ok...._ .....„ ANDA í U1Z BONAT CORDEIR e, - R - lator Ó•::, 7 Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11128.000306/2001-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.854
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13819.002027/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2006
AJUSTE ANUAL. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Se os elementos de prova apresentados pelo contribuinte corroboram suas alegações de efetividade dos serviços de saúde recebidos e dos
correspondentes desembolsos e, ao mesmo tempo, os óbices da autoridade lançadora são apenas genéricos, devem ser aceitas as deduções pleiteadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.790
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Relator), que negava provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2006 AJUSTE ANUAL. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Se os elementos de prova apresentados pelo contribuinte corroboram suas alegações de efetividade dos serviços de saúde recebidos e dos correspondentes desembolsos e, ao mesmo tempo, os óbices da autoridade lançadora são apenas genéricos, devem ser aceitas as deduções pleiteadas. Recurso Voluntário Provido.
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DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Se os elementos de prova apresentados pelo contribuinte corroboram suas alegações de efetividade dos serviços de saúde recebidos e dos correspondentes desembolsos e, ao mesmo tempo, os óbices da autoridade lançadora são apenas genéricos, devem ser aceitas as deduções pleiteadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Relator), que negava provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende – Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.002027/200919 Acórdão n.º 2801001.790 S2TE01 Fl. 59 2 Relatório Mediante Notificação de Lançamento, às fls. 02/05, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (suplementar), referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, no valor total de R$ 11.324,13, incluídos a multa de oficio (75%) e os juros de mora, estes calculados até 30/11/2009. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, o contribuinte não atendeu à intimação que lhe foi regularmente cientificada. Em decorrência, a fiscalização efetuou a glosa de deduções com despesas médicas pleiteadas na DIRPF/2007, no valor total de R$ 20.261,15, por falta de comprovação. O interessado apresentou impugnação, à fl. 01, solicitando o cancelamento do débito fiscal, tendo em vista a apresentação dos recibos e demais documentos anexados juntamente com sua peça de defesa. Ao apreciar a lide, a 11a Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo II (SP), em decisão unânime, julgou procedente em parte a impugnação, e assim, manteve a glosa da dedução para os recibos emitidos por Carmem Lucia Frade Nunez, no valor total de R$ 12.800,00, mas restabeleceu a dedução para os recibos emitidos pela Unimed do Estado de São Paulo Federação Estadual, no valor total de R$ 7.461,15, conforme Acórdão DRJ/SPO2 nº 1744.909, de 05/10/2010, às fls. 29/35. Constam da peça decisória as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. PAGAMENTOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os recibos emitidos devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda pessoa física. Não comprovados os pagamentos efetuados a titulo de despesas médicas é de manterse a glosa para essas deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Com a ciência da decisão da DRJ ocorrendo em 27/10/2010, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 38, o contribuinte interpôs, em 09/11/2010, o Recurso Voluntário à fl. 39, asseverando que efetuou despesas médicas no montante de R$ 12.800,00, relacionadas a tratamento psicoterápico realizado com a profissional Carmem Lucia Frade Nunez, e que tal valor se encontra nominalmente discriminado na declaração de renda da referida terapeuta, que foi entregue ao fisco em 29/04/2007, comprovando, deste modo, os pagamentos questionados. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.002027/200919 Acórdão n.º 2801001.790 S2TE01 Fl. 60 3 Informa ainda o interessado que juntamente com o seu recurso anexa aos autos declaração da profissional especificando o tratamento médico ao qual foi submetido. Requer, ao final, o cancelamento da exigência fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Nesta instância de julgamento, a controvérsia restringese à dedução com despesas médicas no valor total de R$ 12.800,00, glosada pela fiscalização, e não restabelecida pela decisão recorrida. Segundo o recorrente tais gastos teriam sido efetuados com tratamento terapêutico realizado com a profissional Carmem Lucia Frade Nunez. Do exame dos autos, observase que a glosa ocorreu sob as determinações restritivas contidas no artigo 8°, inciso II, alínea “a”, e § 2o, da Lei n° 9.250, de 1995, com a regulamentação estabelecida pelos artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001. O artigo 8° da Lei n° 9.250, de 1995, assim dispõe: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas. a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (....) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser Fl. 61DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.002027/200919 Acórdão n.º 2801001.790 S2TE01 Fl. 61 4 feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaque nosso) Deveras, em conformidade com o artigo 11, § 3°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Assim, na espécie dos autos, ante ao valor expressivo das deduções pleiteadas, coube ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n° 5.844, de 1943. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o ônus de comprovação e justificação das deduções, o que implica o contribuinte trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado, e que, no caso em pauta, está relacionado à comprovação do efetivo pagamento dos gastos indicados pelo recorrente como tendo sido efetuadas com tratamento psicoterápico. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. A respeito, é equivocado entender que o inciso III do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do § 1° do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ do profissional que prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. No entanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante dispositivos legais acima referidos. Ademais, é pacífico neste Egrégio Conselho que a simples apresentação de recibos e declarações, por si sós, não são hábeis para comprovar valores elevados de despesas médicas. Havendo questionamento da autoridade fiscal, tornase necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço e do pagamento correspondente, conforme bem destacado no julgado a seguir transcrito: IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se Fl. 62DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.002027/200919 Acórdão n.º 2801001.790 S2TE01 Fl. 62 5 respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1° CC 10416647/1998). (grifei) Levandose em consideração, pois, tais observações, caberia ao autuado a apresentação de prova robusta e incontestável de que os pagamentos declarados foram efetivamente realizados. Juntese a isso o fato de que, conforme bem destacado na decisão recorrida, os recibos às fls. 11/16 não contêm informações essenciais para a configuração do direito pretendido, ou seja, não atendem às exigências contidas nos incisos II e III, parágrafo 2°, do art. 8° da retrocitada Lei n° 9.250/95, pois não constam destes documentos o endereço do profissional emitente, e mais, apresentamse sem a identificação do paciente Portanto, no caso em pauta, o exame da documentação acostada aos autos pelo interessado (declaração de rendimentos apresentada por Carmem Lucia Frade Nunez às fls. 49/52, e recibos/declaração às fls. 10/16) não estabelece a convicção necessária à validação da dedução em comento. Não satisfeitas as condições de admissibilidade, não há como acolher referidas despesas médicas como dedução da base de cálculo do imposto, conforme havia pleiteado o recorrente em sua declaração. Assim, tomo por consistente a manutenção da glosa a título de despesas médicas no valor de R$ 12.800,00, como destacado na decisão recorrida Isto posto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Voto Vencedor Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Redatora designada. Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, entendo, como os demais Conselheiros deste Colegiado, que o caso apresenta especificidades que militam a favor do contribuinte. Como muitas vezes temos tido a oportunidade de discutir neste Colegiado, os contornos da fiscalização, devidamente circunstanciados nos autos, até certo ponto balizam os limites do litígio. No caso, o termos da intimação expedida ao contribuinte anteriormente à lavratura da Notificação de Lançamento não são de conhecimento deste Colegiado, eis que a correspondente cópia não foi juntada aos autos pela autoridade preparadora. Além disso, a Fl. 63DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.002027/200919 Acórdão n.º 2801001.790 S2TE01 Fl. 63 6 profissional emitente dos recibos pleiteados pelo contribuinte apresentou tempestivamente declaração de ajuste anual para o exercício em litígio (fls. 49 a 52), tendo informado o recebimento de rendimentos tributáveis do interessado no montante em discussão. Ora, tal declaração estava acessível à autoridade fiscalizadora que poderia ter tecido comentários a este respeito, mas não o fez. Neste contexto, entendo que fica prejudicado o entendimento que em muitas circunstâncias defendo, sempre em função da condução da fiscalização, de que seria indispensável que o contribuinte carreasse aos autos elementos de prova que não deixassem nenhuma dúvida quanto à efetividade dos desembolsos. No tocante à efetividade dos serviços, destaquese que a dedução de despesas médicas em litígio é referente a tratamento psicológico, que, por sua natureza, dificilmente virá acompanhada de cópias de exames complementares. Assim, diferentemente do que acontece em procedimentos de fiscalização mais elaborados, se a autoridade lançadora não cuidou de especificar óbices mais consistentes à dedução em questão, é de se considerar que a declaração firmada pela profissional, ainda que em 2009 (fls. 10 e 40), com o propósito de aperfeiçoar as informações contidas nos recibos de fls. 11 a 16, atestando que o contribuinte esteve sob seus cuidados psicológicos desde 2003, seja a expressão da verdade e que os pagamentos efetuados pelo contribuinte efetivamente sejam decorrentes destes serviços e correspondam àqueles oportunamente declarados pela profissional. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 64DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10855.005949/2002-79
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 20 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 301-01.963
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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DRJ/CAMPO GRANDE/MS Processo n° Recurso n° Assunto Resolução n° Data Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. OTACiLIO DAN CARTAXO Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Joao Luiz Fregonazzi, Susy Gomes Hoffmann, Valdete Aparecida Marinheiro, Luciano França Sousa (Suplente) e José Fernandes do Nascimento (Suplente). Ausente a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Processo n.° 10855.005949/2002-79 Resolução n.° 301-1.963 CCONCO I Fls. 194 RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário interposto por Marquesa S.A. (fls. 99 a 104) contra decisão proferida pela Colenda P Turma da DRJ em Campo Grande— MS que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento para considerar devido o 1TR referente ao exercício de 1998, no valor total de R$ 97.418,32, em virtude da glosa parcial da área de preservação permanente do imóvel rural denominado Fazenda Taquaral, localizado no município de Capão Bonito/SP (fls. 85 a 95). Restou consignado no Auto de Infração (fl. 25) o seguinte, verbis: A empresa declarou, no quadro 08 do DIAT, a existência de 1.215,90 ha de área de preservação permanente. Foi intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, a contar do recebimento da intimação, documentação que comprovasse a condição da área declarada. (..) Foi entregue laudo técnico denominado "Laudo de Constatação de áreas de Preservação Permanente", assinado por Engenheiro Agrônomo, coin a devida ART/CREA. No presente Laudo, constata-se a existência de 584,7 hectares de área de preservação permanente, distribuídas em 573,8 hectares ao longo de córregos e rios, e 11,8 hectares ao longo de nascentes. Conforme documento assinado pelo Sup. Florestal da empresa, Carlos Pereira de Oliveira, a diferença de 631,1 hectares, seria área de interesse anibiental de utilização limitada, constituindo-se de áreas com cobertura vegetal nativa com restrições de uso imposta pelo Decreto Federal n" 750/93. A ementa do julgado da DRJ restou assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 Ementa: ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. INTERESSE ECOLÓGICO. Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter especifico, para determinadas áreas da propriedade particular, conforme legislação tributária. Cumpre seja considerada como de reserva legal a área devidamente averbada como tal ez margem da matricula do imóvel, à época do respectivo fato gerador, e objeto de requerimento protocolado junto ao IBA MA no prazo previsto na legislação tributária. Lançamento procedente 2 Processo n.° 10855.005949/2002-79 Resoluciio n.° 301-1.963 C.0O3/C0 I Fls. 195 Contra o mencionado julgado o contribuinte interpôs o referido recurso voluntário, alegando, em síntese, que houve erro material no preenchimento de sua DITR, pois o mesmo deveria ter distribuído a area total de 1.215,90 ha, declarada como de interesse ambiental, em 584,7 ha como sendo área de preservação permanente e 631,19 ha como sendo área de utilização limitada, conforme apontado na sua petição de fls. 08. Requereu, por fim, a reforma do julgamento da DRJ em virtude da não apreciação do Laudo Técnico e da retificação à DITR (fls. 08), ambos apresentados na origem, os quais atestam a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, totalizando 1.215,90 ha de áreas de interesse ambiental, conforme declarado em sua DITR. 0 contribuinte recentemente juntou aos autos novo Laudo Técnico elaborado em 8 de dezembro de 2007, acompanhado do respectivo ART/CREA (fis.145/168), onde ficou constatada a existência de 676,18 ha de área de utilização limitada, sendo esta composta de 447,81 ha de área de reserva legal e 228,37 ha de área de vegetação nativa enquadrada no disposto no art. 1° do Decreto 750, de 10 de fevereiro de 1993. No tocante à area de reserva legal, foi apresentado, também, comprovante de requerimento realizado junto ao órgão ambiental, protocolado no dia 09 de dezembro de 2003, do Projeto Técnico Ambiental de Reserva Legal da fazenda Taquaral (fls.160). o relatório. 3 Processo n.° 10855.005949/2002-79 Resoluçao n.° 301-1.963 CC03/C01 Fls. 196 VOTO Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator 0 recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Consoante se depreende das várias manifestações do contribuinte, bem como dos diversos documentos acostados aos autos, notadamente do laudo técnico e do requerimento de licenciamento formulado junto ao órgão ambiental (fls. 160), não se afigura possível verificar ao certo as áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Por conseguinte, em homenagem ao Principio da Verdade Material, entendo ser pertinente uma melhor investigação sobre referidas áreas, razão pela qual voto no sentido de converter o presente julgamento em diligencia a fim de que o IBAMA se manifeste quanto as areas de preservação permanente, reserva legal e de interesse ecológico, além de prestar quaisquer outras informações que considerar pertinentes ao deslinde da controvérsia. Sala das Sessões, em 20 de rnas20ø,: ROD * MIRANDA - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000013/2004-17
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/10/1997
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA
O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.261
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/10/1997 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Recurso Voluntário Negado.
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I - TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13056.000013/2004-17 Recurso n° 154.055 Voluntário Acórdão n° 3803-00.261 — 3 2 Turma Especial Sessão de 19 de novembro de 2009 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente COOTALL-COOPERATIVA TAQUARENSE DE LATICÍNIOS LTDA. Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COEINS Período de apuração: 01/0911997 a 31110/1997 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA O direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da ?. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃOO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. ti"- . NA^ .. LE Á DRE KERN - Presidente ' diellebt BELC 10~IPE SOUSA - Relator Particip• am, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio • fetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. i Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 10-13237, de 06 de setembro de 2007, da DRS-Porto Alegre/RS, fls. 255 a 257, que indeferiu a solicitação de restituição e mantendo a não-homologação das compensações, em face da manifestação de inconformidade, fls. 83 a 89. Cientificada da decisão em 05 de outubro de 2007, inconformada, vem a interessada com o presente recurso voluntário apresentado em 01 de novembro de 2007, em que argui não subsistir nenhum dos fundamentos em que se amparou a decisão contra a qual recorre, afirmando que: a) é equivocada, para o caso concreto, a interpretação dada ao art. 168, I. Sendo o PIS contribuição lançada por homologação deve este dispositivo legal ser aplicado de forma conjunta o art. 150, § 40, resultando em um prazo de prescrição/decadência de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador em relação ao qual houve o recolhimento indevido; b) que no silêncio do Fisco para homologar op procedimento adotado pelo contribuinte, somente com o decurso do prazo de cinco anos (5) a contar da ocorrência do respectivo fato gerador, com a homologação tácita dos respectivos lançamento e pagamento (indevido) é que se dá o inicio da contagem do prazo de cinco (5) anos para a extinção do crédito tributário; c) no caso concreto não se deu a decadência, já que os fatos geradores dos indébitos (recolhimentos indevidos) ocorreram dentro dos dez (10) anos que antecederam a protocolização da declaração de compensação; d) afirma que está é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça-STE e) que esta interpretação se impõe mesmo em face da sobrevinda Lei Complementar n° 118/2005, que veio determinar que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para efeitos do art. 168, I, do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre com op respectivo pagamento, por sua vigência ser posterior à protocolização do Pedido de Restituição; t) noutra linha, contrapõe-se aos fundamentos tomados pela decisão recorrida, Decreto n° 70.235/72 e o art. 6°, IV, da Lei n° 9384/99, para exigir a comprovação prévia da liquidez e certeza do crédito acompanhando o pedido de restituição/compensação. O vinculo com o Decreto n° 70.235/72 é apenas quanto ao rito de contestação/contraditório para a manifestação de inconformidade; g) para atestar o seu contraponto, argumenta perguntando: mutatis mutandis, se tivesse utilizado o meio eletrônico (PER/DCOMP) Seria aplicável tais exigências de fazer juntada da documentação tendente a esmiuçar a origem do crédito?. g) que obedeceu rigorosamente ao rito processual indicado pela IN SRF n° 21012002, cujo Anexo VI, utilizado no caso dos autos, sequer contém campo para 'exposição de fatos e de seus fundamentos'. h) como a sistemática do processo administrativo tendente à homologação da declaração de compensação criada pela Lei n° 9.430/96 e INs que a regulamen . não (-)t- 2 • Processo n° 13056.00001312004-17 53-TE03 Acórdão n°3803-00261 Fl. 271 comporta essa exigência, e por ter a motivação do despacho decisório limitado-se à alegação de decadência a manifestação de inconformidade fixou também limitada a essa matéria; i) pela falta de oportunidade de apresentar cabalmente sua defesa, posto afirmar que a DR.T/P0Á introduziu argumento novo para indeferir sua solicitação, pede a possibilidade de provar a existência da liquidez e certeza do seu crédito, fundado na tese de que o ato cooperativo não gera faturamento para as cooperativas, conforme entendimento do STJ, convertendo-se o processo em diligência. Ao fim, requer seja reformado o acórdão recorrido para afastar a decadência e homologar as compensações em questão. É o relatório. Voto Conselheiro BELCHIOR MELO DE SOUSA, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se extrai do relatório, a presente disputa restringe-se à extinção do direito de pleitear a restituir da contribuição, por suposto, paga indevidamente, se 10 anos composto de 5 anos a partir do prazo final de 5 anos para a Fazenda homologar o procedimento do contribuinte de antecipar o pagamento, ou 5 anos a contar do pagamento. Correto e o mais lógico sentido, a meu ver, é o entendimento manifestado na decisão recorrida, interpretando "o decurso do prazo de 5 (anos), contados ...da data da extinção do crédito tributário", previsto no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional - CTN, como sendo a data do pagamento do tributo ou contribuição, em que pese respeitáveis os arrazoados. Para o quantum devido apurado pelo contribuinte, em cumprimento da formulação prevista no art. 150, caput não se discute que o pagamento antecipado tem eficácia extintiva imediata, embora sob condição resolutória. Além disso, cru meu entender, no quanto apura como seu débito, confessa e pau sua eficácia é dei-miava, subsistindo a condição resolutiva, enquanto evento condicional, tão-só para preservar o direito de a Fazenda homologar ou efetuar a revisão do procedimento do contribuinte. Sobre diferenças que verificar nos elementos do fato gerador, como a base de cálculo ou a aliquota, o Fisco efetuará o lançamento, no exercício do direito de revisão, que se extingue após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 40• Esgotado esse prazo, o que foi apurado e recolhido pelo contribuinte - irrelevando-se a impropriedade de o CTN denominar impropriamente de crédito tributário - certo ou errado, torna-se definitivamente extinto. Assim, a homologação, expressa ou tácita, toma definitiva a extinção do crédito tributário apenas no sentido de estancar a atividade revisional do Fisco sem afetar a eficácia exaltava do pagamento, se eventualmente efetuado. a (31- ter 3 Por simetria de direitos, se a Fazenda tem 5 [cinco] anos para revisar o procedimento do contribuinte, não poderia este ter 10 [dez] para repetir o indébito, mas também 5 [cinco]. Segundo a tese defendida pela recorrente, este tempo se perfaz a contar da homologação expressa ou tácita, uma vez que somente este procedimento da Administração, cumulado com o pagamento tem eficácia extintiva. Mas não é isto o que ocorre no mundo real, eis que o contribuinte não precisa esperar cinco anos para solicitar restituição do que pagara a maior. Assim, se o contribuinte pode, de pronto, exercer o seu direito de repetir o pagamento indevido, não pode ser outra a conclusão de que o termo inicial do prazo de decadência para pedir a restituição se dê com o pagamento antecipado. Não hesito em servir-me, para sedimentar esta posição, do art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 09 de fevereiro de 2005, mesmo em face de argumentos de ser esta uma lei extemporânea, tardia para vir a ser interpretativa, e mesmo à luz do respeitável argumento expresso pelo eminente advogado e ex-Ministro do STF Sepúlveda Pertence de ser material a norma veiculada no texto do referido artigo, cujo efeito, assim, deve ser prospectivo, a despeito de nomear-se (expressamente) interpretativa, in verbis: "Art. 3 ° Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § do art. 150 da referida Lei" Não existindo decisão plenária definitiva do STF que afaste a eficácia desta norma, ou inquine de inconstitucional a expressão "para efeito de interpretação", não pode este Conselho afastar a aplicação de lei, nos termos do art. 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo "Da Competência, Estrutura e Funcionamento dos Colegiados do CARF", do Regimento Interno do Conselho de Administração de Recursos Fiscais, que aparelhou a Portaria MF n° 256, de 19 de junho de 2009. Da natureza jurídica da citada lei exsurge o seu efeito retrospectivo, conforme previsto no art. 106, I, do CTN. As declarações de compensação em formulário foram recepcionadas pela DRF a partir de 22 de fevereiro de 2005, com o aproveitamento de créditos de PIS dos períodos de apuração de janeiro de 1996 a dezembro de 1997. Desse modo, decaído encontra-se o direito de pleitear a restituição do que pagou indevidamente nos períodos sob exame para cobertura das compensações efetuadas. Nada há, pois, a reparar na decisão recorrida. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. 41111~ e"\t ~11ewee.— BELC OR -e E SOUSA 4
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001095/2007-42
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil
apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-001.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas no montante de R$ 4.730,00, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas no montante de R$ 4.730,00, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 81DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11543.001095/200742 Acórdão n.º 280101.798 S2TE01 Fl. 79 2 Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 15.369,01, referente ao exercício de 2003, a título de imposto (R$ 6.467,90), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 4.850,92), além dos juros de mora (R$ 4.050,19). O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de contribuição à previdência privada e despesas médicas. Em sua impugnação, o contribuinte, em síntese, requereu o cancelamento do auto de infração, pois juntou a sua defesa a documentação referente aos pagamentos das despesas médicas, da previdência privada e oficial. A 4ª Turma da DRJ/BSB/DF, conforme Acórdão de fls. 50/54, julgou procedente em parte a impugnação, para restabelecer o valor integral da dedução a título de contribuição à previdência privada, bem como a parcela de R$ 2.720,86 da dedução a título de despesas médicas. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 25/11/2010 (fl. 59), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 60/61, em 15/10/2010. Em preliminar, o recorrente suscita a nulidade do auto de infração, vez que carece de efeito fático para o fundamento legal a que foi lavrado, tendo ferido o amplo direito de defesa constitucional. No mérito, requer o cancelamento do débito fiscal, tendo em vista as declarações dos profissionais que ora apresenta, com as informações necessárias ao exame das despesas médicas. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, suscitada pelo recorrente sob o argumento de fundamentação precária, posto que o auto de infração (fls. 04/09) expõe todos os fatos que culminaram na autuação, com indicação dos dispositivos legais infringidos, sendo certo que as glosas se deram no sentido de que não foram apresentados os comprovantes das deduções questionadas. Ademais, na espécie não ocorreu qualquer prejuízo à defesa do recorrente, que teve pleno acesso ao processo, conheceu, entendeu e rebateu as acusações que lhe foram imputadas, quando da apresentação da impugnação e recurso. Portanto, não se verifica, na espécie, hipótese alguma que propicie a nulidade do lançamento, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Fl. 82DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11543.001095/200742 Acórdão n.º 280101.798 S2TE01 Fl. 80 3 No mérito, o recorrente pretende sejam acatadas as despesas médicas declaradas como pagas às profissionais Sandra Marta Almeida da Costa, Renata Souza Meirelles e Maria Júlia de Vargas Lima. Registrese que a fiscalização glosou todas as despesas médicas pelo fato de o contribuinte não ter atendido à intimação fiscal para apresentar os comprovantes dessas despesas. A decisão recorrida, por seu turno, após examinar os recibos apresentado pelo impugnante, às fls. 12/14 e 17, assim se manifestou: Sandra Marta Almeida da Costa Os recibos de fls. 12 e 13 no valor total de R$ 5.920,00 não atendem os requisitos estabelecidos pelo inciso III do §1º do art. 80 do RIR/1999, visto que não informam o beneficiário dos serviços prestados, o endereço do profissional de saúde e o número do registro no conselho de classe. Por isso, não serão aceitos. A identificação do beneficiário dos serviços prestados é imprescindível, uma vez que, conforme legislação citada acima, só é permitida a dedução de despesas médicas comprovadas referentes ao contribuinte ou seus dependentes. Renata Souza Meirelles e Maria Júlia de Vargas Lima Os recibos de fl. 14 não serão considerados, pelo fato de não informarem o beneficiário do tratamento e o endereço do prestador dos serviços. UNIMED A declaração de fl. 17 confirma gastos médicos no valor de R$ 2.720,86. Assim, o lançamento será revisto, conforme demonstrativo a seguir, para incluir as despesas médicas comprovadas no valor total de R$ 2.720,86. Em sede de recurso, o contribuinte apresenta as declarações de fls. 72/73 e 75, firmadas pelas profissionais Renata Souza Meirelles, Maria Júlia de Vargas Lima e Sandra Marta Almeida da Costa. No que se refere às dentistas Renata Souza Meirelles e Maria Júlia de Vargas Lima, verificase que as referidas profissionais, por meio das declarações de fls. 72 e 73, confirmam os serviços prestados, informando o beneficiário do tratamento e o endereço profissional faltantes nos recibos apresentados, à fl. 14, de sorte que devem ser restabelecidas as respectivas deduções pleiteadas nos valores de R$ 1.650,00 (Renata Souza Meirelles ) e R$ 3.080,00 (Maria Júlia de Vargas Lima). Já, em relação à técnica de enfermagem Sandra Marta Almeida da Costa, que, segundo a declaração de fl. 75, teria prestado serviços de assistência domiciliar noturno para Rubia Leão Lima – filha do contribuinte, entendo que não deve ser atendido o pleito do Fl. 83DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11543.001095/200742 Acórdão n.º 280101.798 S2TE01 Fl. 81 4 Contribuinte, pois, de acordo com a legislação de regência, os gastos com enfermagem somente são admitidos como dedutíveis quando tais serviços integram fatura correspondente aos serviços prestados por estabelecimento hospitalar. E nem se diga que essa não foi a motivação da rejeição pela decisão recorrida, haja vista que a natureza dos serviços prestados pela profissional Sandra Marta Almeida da Costa somente veio a ser conhecida nesta fase recursal mediante a apresentação da declaração de fl. 75. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer despesas médicas no montante de R$ 4.730,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 84DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001335/2008-02
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 09.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DE IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Correto o posicionamento do Colegiado de primeiro grau ao deixar de conhecer da impugnação apresentada após o prazo de trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo
15 do Decreto n° 70.235/72.
NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ANÁLISE DO MÉRITO PELA INSTÂNCIA AD QUEM. PRECLUSÃO.
O não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário às razões que consideram intempestiva a impugnação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.850
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DE IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Correto o posicionamento do Colegiado de primeiro grau ao deixar de conhecer da impugnação apresentada após o prazo de trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto n° 70.235/72. NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ANÁLISE DO MÉRITO PELA INSTÂNCIA AD QUEM. PRECLUSÃO. O não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário às razões que consideram intempestiva a impugnação. Recurso Voluntário Negado.
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VIA POSTAL. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DE IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Correto o posicionamento do Colegiado de primeiro grau ao deixar de conhecer da impugnação apresentada após o prazo de trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto n° 70.235/72. NORMAS PROCESSUAIS. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ANÁLISE DO MÉRITO PELA INSTÂNCIA AD QUEM. PRECLUSÃO. O não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário às razões que consideram intempestiva a impugnação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10945.001335/200802 Acórdão n.º 280101.850 S2TE01 Fl. 71 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão unânime da 7a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba (PR) que concluiu por não conhecer da impugnação apresentada pela contribuinte, por intempestiva. Consta do Acórdão DRJ/CTA nº 0624.957, de 17/12/2009, às fls. 33/34, a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. É considerada válida a intimação endereçada corretamente ao endereço do contribuinte e recebida por porteiro do edifício onde está localizada a residência do contribuinte. Devidamente intimada da decisão a quo em 04/01/2010, conforme AR à fl. 37, a contribuinte interpôs em 27/01/2010 o Recurso Voluntário às fls. 38/40, alegando que: reside em apartamento e a Notificação de Lançamento, ao invés de lhe ser entregue diretamente, foi entregue ao porteiro do edifício na data de 17/10/2007, e como a impugnante estava em viagem, somente lhe foi repassada a referida notificação em 26/10/2007, data em que de fato se iniciou a contagem de tempo para apresentar sua declaração de inconformidade contra o lançamento, que está equivocado e incorreto, pois a renda que lhe atribuída pelo fisco, não lhe pertence, e sim, ao seu filho, Edson de Almeida, portador do CPF 023.487.69999, que foi devidamente informada na declaração de ajuste anual por ele apresentada, conforme cópia anexada aos autos; apresentou a Solicitação de Retificação de Lançamento SRL em 21/11/2007, no prazo legal, e os equívocos foram provocados pelo próprio fisco, que entregou a notificação a terceiros não autorizados e lançou equivocadamente uma renda que não lhe pertence, conforme prova documental dos rendimentos que foi anexada; por qualquer ângulo que se examine o lançamento de oficio, relativo a alegação de omissão de receitas, concluise que não houve omissão de receitas, pelas provas documentais apresentadas, e que a recorrente não foi devidamente notificada, como determina a Lei, atribuindolhe o fisco uma culpa ou responsabilidade que não lhe pertence, concorrendo o próprio fisco para uma confusão generalizada de receitas e notificação indevida; se houve erro, é porque foi induzida a esse fato, apelando pelo senso de justiça, pois não houve prejuízo ao Erário. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10945.001335/200802 Acórdão n.º 280101.850 S2TE01 Fl. 72 3 Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. Como preliminar, ressaltase que o Recurso Voluntário deve ser conhecido apenas quanto à alegação pertinente à tempestividade da impugnação, uma vez que, neste caso, verificase uma precondição à análise de mérito, face à contrariedade da recorrente quanto à decisão de primeira instância que não conheceu do documento às fls. 01/02, por intempestivo. E nesse sentido, já diante da análise do teor do Acórdão recorrido, verificase que a decisão prolatada pelos Membros da 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) apreciou as razões de defesa postas pela contribuinte quanto ao tópico relativo à intempestividade na apresentação da peça impugnatória e da SRL colacionadas ao processo. Em matéria de preliminar, o relator do voto esclareceu que, no caso dos autos, para intimação do lançamento à contribuinte, foi escolhida a via postal em detrimento da ciência pessoal, cabendo observar que esta escolha é válida e possível conforme se depreende da leitura da legislação pertinente, que foi devidamente citada pela autoridade julgadora, inclusive com a transcrição dos artigos 15 e 23 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972. Também se encontra destacado na referida decisão que a peça de autuação (Notificação de Lançamento) foi encaminhada para o domicílio eleito pela contribuinte, por meio de Aviso de Recebimento AR, ou seja, foi enviada para o endereço da contribuinte constante nos cadastros da Receita Federal do Brasil. Observase que o recebimento se deu em 17/10/2007, conforme fotocópia do AR à fl. 09, tendo sido esta a data da ciência do lançamento. A conclusão deste relator não é diferente. De fato, não há como acolher a alegação da recorrente, pois diante da norma que rege o processo administrativo fiscal, restou claramente evidenciado nos autos que não houve qualquer vício ou equívoco na ciência do lançamento. Cabe aqui registrar o entendimento deste Conselho quanto à ciência efetuada por via postal, conforme expresso na Súmula CARF nº 09: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Portanto, o lançamento de oficio só se completa com a intimação para recolhimento do crédito tributário ou para impugnar a exigência. A partir da ciência da intimação, começam a fluir os prazos legais para que o interessado exerça o seu direito de defesa. De fato, no caso concreto, a contribuinte manifestouse intempestivamente contra o lançamento, ou seja, após transcorrido o trintídio legal previsto no art. 15 do Decreto n° 70.235/72, verificandose, deste modo, que não foi instaurada a fase litigiosa do procedimento administrativo. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10945.001335/200802 Acórdão n.º 280101.850 S2TE01 Fl. 73 4 De todo o exposto, conheço do recurso apenas na parte em que ataca a declaração de intempestividade da impugnação, para negarlhe provimento. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 78DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 06/10/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 16408.001257/2006-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL.
O fato gerador relativo ao ganho de capital ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano-calendário.
Assim, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplica-se a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Para os ganhos de capital, em que não houve pagamento algum a esse título, aplica-se a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando-se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. GANHO 0DE CAPITAL.
A alienação de participação societária efetivada após o advento da Lei nº 7.713, de 1988, ainda que subscrição ou aquisição da participação tenha ocorrido anteriormente a 1983, sujeita-se à apuração de ganho de capital.
LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Os valores pagos ao sócio a título de participação nos lucros somente são isentos do imposto quando restar comprovado nos autos a existência de lucros regularmente apurados passíveis de distribuição em razão da observância da proporcionalidade entre os valores distribuídos e a participação de cada sócio no capital da empresa.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2801-001.816
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. O fato gerador relativo ao ganho de capital ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano-calendário. Assim, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplica-se a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN. Para os ganhos de capital, em que não houve pagamento algum a esse título, aplica-se a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando-se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. GANHO 0DE CAPITAL. A alienação de participação societária efetivada após o advento da Lei nº 7.713, de 1988, ainda que subscrição ou aquisição da participação tenha ocorrido anteriormente a 1983, sujeita-se à apuração de ganho de capital. LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Os valores pagos ao sócio a título de participação nos lucros somente são isentos do imposto quando restar comprovado nos autos a existência de lucros regularmente apurados passíveis de distribuição em razão da observância da proporcionalidade entre os valores distribuídos e a participação de cada sócio no capital da empresa. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 285 1 284 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16408.001257/200630 Recurso nº 173.942 Voluntário Acórdão nº 280101.816 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria IRPF Recorrente SADY LIEVORE ESPÓLIO, Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. O fato gerador relativo ao ganho de capital ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do anocalendário. Assim, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4o, do CTN. Para os ganhos de capital, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. GANHO 0DE CAPITAL. A alienação de participação societária efetivada após o advento da Lei nº 7.713, de 1988, ainda que subscrição ou aquisição da participação tenha ocorrido anteriormente a 1983, sujeitase à apuração de ganho de capital. LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Os valores pagos ao sócio a título de participação nos lucros somente são isentos do imposto quando restar comprovado nos autos a existência de lucros regularmente apurados passíveis de distribuição em razão da observância da proporcionalidade entre os valores distribuídos e a participação de cada sócio no capital da empresa. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Fl. 529DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 280101.816 S2TE01 Fl. 286 2 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte supraidentificado foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF de fls. 227 a 231, do qual fazem parte os demonstrativos de apuração de fls. 232/243, o demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 244/249, o termo de verificação fiscal, fls. 222/224, o termo de encerramento de fl. 250 e os demais documentos e demonstrativos constantes dos autos, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 287.509,97, sendo R$ 159.912,42 de imposto suplementar e R$ 15.990,97 de multa de mora de 10%, prevista no art. 964, I, "b", do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda de 1999RIR/1999, além de R$ 111.606,58 de juros de mora calculados até 30/11/2006. Decorreu tal lançamento da apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, conforme detalhado no termo de verificação fiscal, de fls. 222/224, e no auto de infração As fls. 228/231. 0 enquadramento legal da exigência reportase aos arts. 1° ao 3°, §§, e 18 a 22 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; aos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 14 de abril de 1990; aos arts. 7°, 21 e 22 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; aos arts. 17 e 23 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995;aos arts. 22 a 24 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995; e aos arts. 113, 117, 126, 130, 135 e 142 do Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda de 1999RIR/1999 (fl. 231). Cientificado o espólio, em 13/12/2006 (fl. 227), este ingressou, por meio de representante, com a impugnação de fls. 252 a 259. Inicialmente, alega a decadência de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, com fulcro no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, afirmando que o fato gerador, "nos termos do artigo 117, do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999), ocorreu em 14 de fevereiro de 2001" e "a intimação do ora impugnante, nos exatos termos do parágrafo 4°, do artigo 23, do Decreto n° 70.235, de 5 de setembro de 1969, deuse apenas em 13 de dezembro de 2006, ou seja, quando já havia expirado o prazo decadencial de cinco Fl. 530DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 280101.816 S2TE01 Fl. 287 3 anos, contados da ocorrência do fato gerador". Cita decisões administrativas que estariam neste sentido. Aduz que "alienou participações societárias adquiridas há mais de cinco anos a época da publicação da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro. Ou seja, já se havia incorporado ao patrimônio do contribuinte a isenção prevista no artigo 4°, letra d, do Decretolei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976". Transcreve decisões administrativas para sustentar esta tese. Contesta o entendimento da autoridade lançadora, que considerou a distribuição de lucros como componente do valor da alienação das quotas "porque os lucros acumulados, no montante de R$ 1.105.946,68, não devem integrar o valor de alienação, visto ser praxe comum e habitual no mercado financeiro a venda de participações societárias exdividendo", definindo esta modalidade de negócio como aquela em que é aposta uma condição à ação, onde, "por determinado período, após a transação, o vendedor reterá os dividendos. Em decorrência, o preço da ação sofre uma redução". Acrescenta que isto é equivalente "ao usufruto de participações societárias, regulado no artigo 1.390, do Código Civil vigente, no artigo 713, do Código Civil de 1916, e nos artigos 40 e 169, parágrafo 2°, da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações), o alienante poderá reter os lucros ou dividendos". Assevera que houve a realização de dois negócios jurídicos absolutamente distintos: 1°) "recebimento de R$ 1.105.946,68, a titulo de lucros acumulados, isentos de tributação nos termos do artigo 654, do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999); e" 2°) "alienação de participações societárias por R$ 2.708.300,17, tributável como ganho de capital, nos termos do artigo 117, do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999)". Requer a declaração de improcedência do auto de infração.” Conforme Acórdão de fls. 261/268, o lançamento foi julgado procedente sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR MENSAL. FALTA DE PAGAMENTO. 0 fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos oriundos de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos é mensal e, não havendo pagamento, o prazo de decadência para constituição do crédito tributário começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que podia ter sido lançado (CTN, art. 173, I). GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. Fl. 531DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 280101.816 S2TE01 Fl. 288 4 Não constitui direito adquirido a isenção que não foi concedida sob determinadas condições e por prazo certo, que pode ser revogada a qualquer tempo por lei. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Incide o imposto de renda sobre os ganhos de capital obtidos na alienação de participação societária, computandose como valor da alienação toda a quantia recebida, ou seja, o valor efetivo da operação. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 22/09/2008 (fl. 274), o representante legal do espólio do contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 276/283, em 07/10/2008, no qual repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, o recorrente alega a ocorrência da decadência já que teriam transcorrido mais de cinco anos entre a ocorrência do fato gerador e a constituição do lançamento tributário De plano, importa registrar que não houve a imposição de multa de oficio qualificada para as exigências formalizadas no presente lançamento. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 532DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 280101.816 S2TE01 Fl. 289 5 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 533DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 280101.816 S2TE01 Fl. 290 6 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. Já o IRPF decorrente do ganho de capital apurado pela pessoa física não integra a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual, sendo tributado em separado, desde a edição da Lei no 8.134, de 27 de dezembro de 1990 (§§ 1o e 2o, art. 18). Posteriormente, a Lei no 8.189, de 20 de janeiro de 1995, reduziu a alíquota de 25% para 15% (art. 21). Visto que o fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN, pode ser a “aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica” e que a pessoa física é regida pelo regime de caixa, o legislador determinou que “nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver” (art. 21 da Lei no 7.713, de 1988) considerando expressamente, como fato gerador, nos casos de venda parcelada, a disponibilidade econômica. Diferentemente da alienação à vista em que o fato gerador é único (disponibilidade jurídica ocorre junto com a disponibilidade econômica), nas vendas a prazo teremos vários fatos geradores, um para cada recebimento de parcela. Apenas a forma de apuração do percentual de ganho de capital, a ser aplicado a cada parcela, é que será feita como se à vista fosse (art. 140 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99). Se assim não o fosse, em alienações, cujo prazo de pagamento fosse superior a cinco anos, a Fazenda só poderia exigir de ofício o pagamento do ganho de capital das parcelas pagas nos cinco primeiros anos, pois as demais já teriam sido atingidas pela decadência, antes mesmo de serem devidas. Portanto, em relação ao ganho de capital, há de se observar que a tributação é realizada em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, o fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do anocalendário. Do mesmo modo, havendo pagamento referente ao correspondente ganho de capital, aplicase a regra de decadência prevista no art. 150, §4o, do CTN. Para os ganhos de capital, em que não houve pagamento algum a esse título, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a Fl. 534DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 280101.816 S2TE01 Fl. 291 7 contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, como o ganho de capital apurado nos presentes autos referese aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro de 2001 a agosto de 2006, sem que houvesse pagamento algum do imposto correspondente aos fatos geradores ocorridos no período de fevereiro a novembro de 2001, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/2002, sendo possível o lançamento até 31/12/2006. Legítimo, assim, o crédito tributário constituído por auto de infração cuja ciência se deu em 13/12/2006. No mérito, o interessado pleiteia que o ganho de capital obtido na venda de participação societária seja considerado isento, pois quando do advento da Lei nº 7.713, de 1988, já possuía a referida participação a mais de cinco anos. Assim, entende que o Decreto Lei nº 1.510, de 1976 lhe teria assegurando um direito passível de ser exercido em qualquer tempo, direito esse que não poderia ser revogado pela superveniência da referida lei. Cumpre registrar que o DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, dispõe sobre a tributação de resultados obtidos na venda de participações societárias pelas pessoas físicas. De fato, em seu 4º, alínea “d”, estabelecia que não incidiria o ganho de capital na alienação de quaisquer participações societárias depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição dessa participação. Ocorre que, com a advento da Lei nº 7.713, de 1988, a alínea “d”, do art. 4º, alínea “d”, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogada. Confirase o texto do art. 58: Art. 58. Revogamse o art. 50 da Lei n° 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1° a 9° do DecretoLei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os arts. 65 e 66 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, os arts. 1° a 4° do DecretoLei n° 1.641, de 7 de dezembro de 1978, os arts. 12 e 13 do DecretoLei n°1.950, de 14 de julho de 1982, os arts. 15 e 100 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o art. 18 do DecretoLei n° 2.287, de 23 de julho de 1986, o item IV e o parágrafo único do art. 12 do DecretoLei n°2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2° do DecretoLei n° 2.301, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 7° do DecretoLei n°2.394, de 21 de dezembro de 1987, e demais disposições em contrário. (grifos acrescidos) A referida Lei nº 7.713, de 1988, ao mesmo tempo, estabeleceu em seus arts. 1º a 3º: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Fl. 535DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 280101.816 S2TE01 Fl. 292 8 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. (grifos acrescidos) Insta frisar que o art. 178 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), assim prevê: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104 Fl. 536DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 16408.001257/200630 Acórdão n.º 280101.816 S2TE01 Fl. 293 9 Portanto, de acordo com a legislação vigente à época da alienação da participação societária, o ganho de capital sujeitase à tributação, sendo incabível a alegação de direito adquirido à isenção que foi expressamente revogada em legislação posterior. Quanto aos julgados invocados, destaquese que não foram trazidas à colação posições que vinculariam as decisões prolatadas por este Colegiado. Melhor sorte não socorre o recorrente quanto à pretensa isenção da parcela de R$ 1.105.946,68, sob a justificativa de que seria proveniente da distribuição de lucros acumulados, em que pese tenham as partes, no termo de transação judicial de fls. 07 a 15 e na ata de reunião de quotistas de fls. 17 a 21, determinado que esse valor da transação era referente a distribuição de lucros. Isto porque, a mera definição por parte da empresa de que estaria efetuando um pagamento a título de participação nos lucros ou resultados não é suficiente para que tais rendimentos sejam considerados rendimentos isentos de tributação. A norma tributária é clara ao definir a isenção dos valores pagos aos sócios e acionistas até o valor dos lucros apurados e distribuídos. Consequentemente, qualquer valor que exceda a estes não são alcançados pelo benefício da isenção. É evidentemente, também, que este lucro deve ser considerado segundo os princípios e normas que regem a contabilidade. Assim, o que é relevante, para o desfecho do caso, é a definição, objetiva, da natureza dos rendimentos recebidos, se lucros regularmente apurados ou não. É que, se por um lado, para a verificação do fato gerador basta a ocorrência da situação definida em lei como tal, por outro, a norma isentiva deve ser interpretada de forma literal. Portanto, não restando provado nos autos que o suscitado valor tem relação com a existência de lucros regularmente apurados passíveis de distribuição em razão da observância da proporcionalidade entre os valores distribuídos e a participação de cada sócio no capital da empresa., é de se considerálo passível de incidência tributária, como parte que integra o valor da alienação da participação societária em questão. Diante do exposto, voto negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 537DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/09/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000087/2006-40
Turma: Terceira Turma Especial
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
Processo Administrativo Fiscal. Fundamentação Inovada. Cerceamento do Direito de Defesa. Nulidade.
É nula a decisão de 1º (primeiro) grau que inova na fundamentação que ensejou a exclusão da contribuinte do Simples.
Processo anulado a partir do acórdão recorrido, inclusive.
DECISÃO RECORRIDA NULA.
Numero da decisão: 3803-000.090
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Acórdão de Primeira Instância, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 Processo Administrativo Fiscal. Fundamentação Inovada. Cerceamento do Direito de Defesa. Nulidade. É nula a decisão de 1º (primeiro) grau que inova na fundamentação que ensejou a exclusão da contribuinte do Simples. Processo anulado a partir do acórdão recorrido, inclusive. DECISÃO RECORRIDA NULA.
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I I 1 '. 't":.• . • .- MINISTÉRIO DA FAZENDA.. V..k '' s .. • .." ("' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISN., P: .,• 1: ' '' .),,N,' „12.,/, .• TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO tz,z,ff'fmr:e Processo n° 13851.000087/2006-40 Recurso n° 142.178 Voluntário , Acórdão n° 3803-00.090 — 3' Turma Especial, Sessão de 19 de maio de 2009 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO Recorrente AGROGARCIA PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS S/C LTDA. ME. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 Processo Administrativo Fiscal. Fundamentação Inovada. Cerceamento do Direito de Defesa. Nulidade. É nula a decisão de 1" (primeiro) grau que inova na fundamentação que ensejou a exclusão da contribuinte do Simples. Processo anulado a partir do acórdão recorrido, inclusive. DECISÃO RECORRIDA NULA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Acórdão de Primeira Instância, nos termos do voto do Relator. EL* UERRA DE CASTRO - Presidente -) REGISiiirdi ANDA - Relator Participarai !ainda, do presente julgamento, os Conselheiros André Luiz Bonat Cordeiro e Jorge Higashino. 1 Processo n° 13851.000087/2006-40 83-TE03 Acórdão n•° 3803-00.090 Fl. 112 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por Agrogarcia Prestações de Serviços S/C Ltda. ME contra Acórdão n a 14-18.184, de 21 de janeiro de 2008 (fls. 79 a 81-v), proferido pela l a Turma da DRJ-Ribeirão Preto/SP, que indeferiu solicitação da empresa que impugnava sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: "A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo n°28, às fls. 18, de 26 de junho de 2007, emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Arara quara, fii excluída do Sistema Integrado de Pagamento de hnpostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), informando como causa do evento a atividade econômica, no caso, presta serviços de engenheiro agrônomo e piloto habilitado em aviação agrícola. Fundamentou-se na Lei n" 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art. 9", XIII. Constou do ato declaratório que os efeitos da exclusão se dariam a partir de 01/01/2002. A exclusão do referido sistema foi motivada por Representação Fiscal do INSS, 011 anexo, encaminhada à Secretaria da Receita Federal em face da situação de vedação/exclusão à opção pelo SIMPLES, aos autos foram juntados cópia de representação .fiscal, contrato social e alterações, notas fiscais e demais documentos. Cientificada do Ato Declaratório, a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade delis. 21/24." A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve a sua exclusão do Simples em acórdão com a seguinte ementa: LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce atividades que envolvem locação de mão-de-obra ou cessão de adio-de-obra não pode optar pelo simples. Cientificado do referido acórdão em 17 de março de 2008 (11. 83), o interessado apresentou em 16 de abril de 2008, recurso voluntário (fls. 84 a 86) pleiteando a reforma do decisum. Suscita, preliminarmente, preliminar de nulidade formal na Comunicação DRF/AQA/SACAT/N° 161/2008 sob o argumento de que a comunicação encaminhada à Processo n° 13851.000087/2006-40 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.090 Fl. 113 recorrente, cientificando-a da decisão de 1" instância, estaria desacompanhada de cópia fiel do Acórdão recorrido urna vez que faltante as páginas 02 e 04 dessa decisão. Anota ainda que a decisão combatida não logrou êxito em sustentar o motivo determinante do ato de exclusão (afronta ao artigo 9', XIII da Lei n°9.317/96) e criou um outro fato impeditivo que seria a realização de atividade de locação de mão-de-obra. Acrescenta que não pode ser enquadrada em atividade de locação de mão-de- obra tendo em vista que não possui empregados e sua atividade limita-se tão-somente a prestar serviços de coordenação na operação de pulverização. Registra ainda que o CNAE 01.61-0-01 (serviço de pulverização e controle de pragas agrícolas) é admitido pelo Comitê Gestor do Simples, não estando previsto nos códigos impeditivos ao Simples Nacional (Res. CGSN n" 06/2006). Por fim, aponta que os efeitos retroativos da exclusão não se justificam. É o relatório. 4 ditx 3 Processo n" 13851.000087/2006-40 S3-TE03 Acórd5o n°3803-00.090 Fl. 114 Voto Conselheiro REGIS XAVIER HOLANDA, Relator Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Preliminarmente, entendo caber ressalva à decisão de 1" instância que manteve a exclusão da interessada do Simples por se enquadrar na condição impeditiva relacionada à realização de locação de mão-de-obra nos termos do art. 9", XII, "f" da Lei n" 9.317/96. É certo que a representação administrativa da Delegacia da Receita Previdenciária em Ribeirão Preto (fls. 03 e 04) — que rendeu ensejo ao presente processo - adotou como fundamento os incisos XI, "e" e XII do artigo 20 da IN/SRF n° 355/2003 que reproduzem respectivamente as vedações insertas nos incisos XII, "f" e XIII do art. 9" da Lei n" 9.317/96, estando, ai sim, referenciada a atividade de locação de mão-de-obra. Entretanto, observa-se, pela análise do Ato Declaratório Executivo em questão (fl. 18) que o fundamento legal adotado foi unicamente o art. 9", inciso XIII da Lei supracitada — devido ao exercício da atividade econômica vedada de "engenheiro agrónomo e piloto habilitado em aviação agrícola". O Despacho Decisório DRF/AQA/SACAT (fls. 15 a 17) que embasou a edição do referido Ato Declaratório Executivo aponta que à atividade econômica exercida pela recorrente de prestação de serviços de pulverização aérea é vedada a opção ao Simples por caracterizar atividade de engenheiro agrônomo, piloto habilitado em aviação agrícola e técnico em agropecuária com curso de executor técnico em aviação agrícola, conforme disposto no referido art. 90, XIII da Lei n°9.317/96, verbis: "Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;" Negritos constantes do referido Despacho Decisório. Em atenção aos fundamentos do ato de exclusão, a impugnação da contribuinte (fls. 22 a 24) se ateve unicamente à vedação ali indicada, não trazendo, por conseguinte, qualquer abordagem no tocante à atividade de locação de mão-de-obra. 4 Processo o' 13851.000087/2006-40 S3-TE03 Acórdilo n°3803-00.090 Fl. 115 Dessa forma, claramente se constata que houve inovação nos fundamentos da exclusão da empresa do SIMPLES por parte do órgão julgador de primeiro grau o que, por si só, enseja a nulidade da Decisão atacada. De fato, a Turma de Julgamento da DRJ recorrida deveria, em sua análise e fundamentação da Decisão emitida, verificar se a exclusão da Contribuinte do SIMPLES, pelo argumento (fundamento) apresentado pela repartição de origem e que embasou o ato de exclusão da Autoridade competente, foi ou não correto, proferindo decisão a respeito. Melhor dizendo, é fora de dúvida que a Decisão de primeiro grau deveria limitar-se às razões de exclusão expostas pela DRF e pela defesa interposta pela Contribuinte, ou seja, decidindo se ocorreu ou não a situação prevista no art. 9", inciso XIII da Lei n" 9.317/96 — atividades de engenheiro ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. O que não se comporta é a DRJ inovar no fundamento, ou seja, por outro qualquer motivo excludente, manter aquele Ato de exclusão. Em sendo assim, penso que a Decisão atacada está inquinada pela nulidade, conforme previsto no art. 59, II do Decreto n°. 70.235/72, pois que a Contribuinte, tendo se defendido de uma fundamentação (motivo da exclusão), acabou tendo que recorrer de outra fundamentação (motivo constante da decisão a quo), face à inovação por parte dos I. Julgadores de primeiro grau, caracterizando preterição do direito de defesa. Ante o exposto, voto por DECLARAR A NULIDADE do processo a partir da decisão de 10 (primeiro) grau, inclusive, estampada no Acórdão n" 14-18.184, de 21 de janeiro de 2008 (fls. 79 a 81-v), para que outra seja proferida atenta aos fundamentos constantes do ato de exclusão. Sala das Sessões, - q e maio de 2009. ,- 111REGIS A ' ; R 411VA - Relator g9. 5
score : 1.0
Numero do processo: 10820.002156/2002-03
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS.
Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos, incide multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA.
No regime de lançamento por homologação o procedimento administrativo é do contribuinte. A denúncia que faz à Fazenda Pública sempre será a este posterior, o que exclui a espontaneidade. Aplica-se a multa de mora sobre débitos recolhidos em atraso.
RESSARCIMENTO DE IPI. TAXA SELIC
Inaplicável a taxa SELIC no ressarcimento de IPI por falta de previsão legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.057
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª turma especial do terceira SEÇÃO DE
JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
1.0 = *:*
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materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos, incide multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. No regime de lançamento por homologação o procedimento administrativo é do contribuinte. A denúncia que faz à Fazenda Pública sempre será a este posterior, o que exclui a espontaneidade. Aplica-se a multa de mora sobre débitos recolhidos em atraso. RESSARCIMENTO DE IPI. TAXA SELIC Inaplicável a taxa SELIC no ressarcimento de IPI por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-23T12:41:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-08-23T12:41:36Z; Last-Modified: 2013-08-23T12:41:36Z; dcterms:modified: 2013-08-23T12:41:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f0bca150-f5bd-49a8-8bc5-8c5a5cf0572c; Last-Save-Date: 2013-08-23T12:41:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-08-23T12:41:36Z; meta:save-date: 2013-08-23T12:41:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-08-23T12:41:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-08-23T12:41:36Z; created: 2013-08-23T12:41:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2013-08-23T12:41:36Z; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2013-08-23T12:41:36Z | Conteúdo => DRE KERN - Presidente S3-TE03 Fl. 125 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10820.002156/2002-03 Recurso no 156.590 Voluntário Acórdão n° 3803-000.057 — 3' Turma Especial Sessão de 11 de agosto de 2009 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente BRUSCHETTA E CIA LTDA. Recorrida DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos, incide multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. No regime de lançamento por homologação o procedimento administrativo é do contribuinte. A denúncia que faz à Fazenda Pública sempre será a este posterior, o que exclui a espontaneidade. Aplica-se a multa de mora sobre débitos recolhidos em atraso. RESSARCIMENTO DE IPI. TAXA SELIC Inaplicável a taxa SELIC no ressarcimento de IPI por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' turma especial do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. BEL 4 HIOR V LO DE SOUSA - Relator 1 Fl. 1DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0420.10477.T0V3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. EDITADO EM: 29/09/2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Mauricio Fedato, Hélei° Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de no 14-18.966, de 12 de março de 2008, da DRJ/Ribeirão Preto/SP, fls. 101 a 109, que indeferiu a solicitação da recorrente, em face da manifestação de inconformidade, fls. 110 a 111. Cientificada da decisão em 27 de março de 2008, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 112 a 122, em 20 de novembro de 2008, por meio reitera todos os seus argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, segundo os quais: Recompondo os fatos desde a origem, a contribuinte declara compensação do débito de COFINS, em 14 de novembro de 2003, no valor de R$ 28.951,90, referentes aos períodos de apuração julho/2002, agosto/2002 e setembro/2002, aos quais vinculou crédito no mesmo valor, com origem no pedido de ressarcimento do terceiro trimestre de 2002, fls. 01 e 02. Teve sua compensação homologada parcialmente em virtude dos acréscimos de multa e juros de mora incidentes sobre o débito, por tê-lo declarado fora do prazo de vencimento e um crédito deferido em valor menor que o solicitado, de R$ 39.514,38. 0 despacho decisório foi mantido pela decisão da DRJ/Ribeirão Preto. No recurso interposto, afirma a recorrente: a) com base na doutrina, ser a multa de mora penalidade pecuniária de natureza indenizatória, cujo fim é compensar os prejuízos sofridos pela Fazenda com o atraso no pagamento de tributos. b) que não há razão para considerar tal pretenso prejuízo pelo fato de que seu direito a crédito formou-se ao longo do terceiro trimestre de 2002, e é maior que seu débito de COFINS do período de apuração outubro de 2002; c) que no momento do vencimento do seu débito teve parte do seu patrimônio subtraído e acrescido ao da Fazenda Nacional; d) o direito à elisão de sua responsabilidade, e, em conseqüência, à exclusão da incidência da multa de mora sobre o valor db. seu débito, Com declaração de compensação em formulário protocolada em 31 de maw() de 2003, 'constituindo este processo, pelo que vincula este seu ato ao instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138, do CTN; e) que a incidência de acréscimos legais sobre os débitos somente adveio com a IN SRF n° 323, 24 de abril de 2003, portanto posterior à sua declaração de compensação, sendo inaplicável a sua situação; Fl. 2DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0420.10477.T0V3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 10820.002156/2002-03 Acórdão n.° 3803-000.057 83-TE03 Fl. 126 f) seu direito A atualização do crédito a ser ressarcido, pela aplicação da taxa SELIC, tal como incidente sobre os débitos para com a Fazenda Nacional,em observância ao principio da isonomia nas relações tributárias. Requer, ao fim, a reforma da decisão recorrida. E. o Relatório. Voto Conselheiro BELCHIOR MELO DE SOUSA, Relator 0 recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Não prospera a defesa da recorrente pelos fundamentos a seguir. 1. Da formação do crédito 0 direito subjetivo do contribuinte ao ressarcimento do IPI encontra previsão no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que textualmente reza: Art.11. 0 saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado A aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. [grifos acrescidos] Observe-se, primeiro, da leitura da norma legal acima, que o valor que "L.) poderá ser utilizado de conformidade com os arts. 73 e 74, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 19964..1" (vale dizer, "[...] na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele ,de é "o saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI acumulado em cada trimestre-calendário [...]". Ambos os textos legais, art. 11 da lei n° 9.779/99 e art. 74, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/2002, este parcialmente transcrito, mencionam que o crédito de ressarcimento de IPI a ser utilizado pelo contribuinte é o saldo credor acumulado ern cada trimestre-calendário. (t 3 Fl. 3DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0420.10477.T0V3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Isto não tem outro significado senão que o crédito em cada mês é valor que apenas coopera para o referido saldo credor, não se configurando em crédito apto a ser compensado na forma do art. 74, da Lei n° 9.430/96. Os critérios para esta compensação, são os prescritos pelas "normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda", segundo expressamente atribuiu a própria norma concessora do beneficio fiscal, em sua parte final, grifada. Ao tempo do protocolo do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação que constituíram este processo, tais normas vieram a ser veiculadas pelo texto do art. 14, da IN SRF n°210, de 30 de setembro de 2002, verbis: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação especifica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1 Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I — créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei n' 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei n' 10.276, de 10 de setembro de 2001; H - créditos decorrentes de estímulos fiscais na area do IPI a que se refere o art. i da Portaria MF rt" 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III — créditos do IPI passíveis de transferencia a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF n' 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2' Remanescendo, ao final de cada trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizá-los na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. Note-se, uma vez mais, que o crédito do contribuinte apto a ser utilizado para a compensação com outros débitos administrados pela SRF, perfaz-se apenas ao final de um trimestre-calendário, como já preceituado pelas leis referidas. Dentro do trimestre os créditos são escriturais, devendo ser utilizados apenas na dedução, na escrita fiscal, de débitos de IPI. Deduz-se dai que na data do vencimento do débito compensado neste processo o crédito indicado na declaração de compensação não estava disponível para que dele se servisse a contribuinte declarante. Referindo-se a formação do seu crédito ao quarto trimestre de 2002, sua disponibilidade somente ocorreu em 1° de janeiro de 2003. Ao declarar compensação em 31 de janeiro de 2003, encontrava-se, de fato, a contribuinte em mora com o débito em apreço perante a Administração Fazenddria. Do que, Fl. 4DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0420.10477.T0V3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 10820.002156/2002-03 S3-T E03 Acórdão n.° 3803-000.057 FL 127 não são sustentáveis os argumentos da recorrente de que dispunha de crédito no momento do vencimento. 2. Da exclusão da responsabilidade Nesta seara de argumentação também não há como ser exitosa a recorrente, eis porque se está a lidar com contribuição sujeita a lançamento por homologação. Neste regime de tributação é pertinente " [...]ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa," e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa", conforme regência do art. 150, caput, do CTN. Não me inclino a admitir que haja espontaneidade na denúncia de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois o contribuinte é quem dá inicio ao procedimento fiscal, substituindo a Fazenda Pública, sendo conhecedor da infração, da prática do ilícito tributário de não pagá-lo no vencimento, desde o momento da apuração da obrigação tributária. 0 procedimento administrativo é seu, propriamente. Logo, qualquer denúncia que faça Administração Tributária, sempre se dará após o procedimento administrativo, que é seu por atribuição legal. E é esta dinâmica que retira o caráter de espontaneidade da denúncia. 3. Dos acréscimos legais sobre o débito Não procede a defesa da recorrente de que os acréscimos legais, multa e juros de mora, somente vieram a viger a partir da IN SRF n° 323, 24 de abril de 2003. 0 molde atual de incidência de multa de mora A. taxa de 0,33% ao dia sobre os tributos e contribuições não pagos nos prazos previstos na legislação especifica foi regulado pelo art. 61 da Lei n° 9.430196,conforme se transcreve abaixo: Art.61.0s débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [grifos acrescidos] §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 4.Taxa SELIC sobre o ressarcimento JA bem defendido pela decisão recorrida a diferente natureza jurídica dos institutos do ressarcimento e da restituição, nada havendo a acrescentar e a modificar. Não havendo, pois, previsão legal para a concessão do que entendo ser um "plus", para o 19- Fl. 5DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0420.10477.T0V3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. contribuinte, não se pode servir da previsão do art. 39, § 40, da Lei n° 9.250/95, para aplicá-la a este caso concreto. De toso o ex.. o voto por negar provimento ao recurso. 4111111111 AIM i As......._ BELC IOR ME 0 DE SOUSA 6 Fl. 6DF CARF MF Excluído - Cópia autenticada administrativamente Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0420.10477.T0V3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LEVI ANTONIO DA SILVA em 23/08/2013 11:22:15. Documento autenticado digitalmente por LEVI ANTONIO DA SILVA em 23/08/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/04/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.0420.10477.T0V3 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 94E330BB47CA9C4B0B59E2E4C38BC660F259BE7B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10820.002156/2002-03. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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