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Numero do processo: 19515.721898/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. ILEGALIDADE.
Inexiste ilegalidade do feito fiscal, não caracterizando nulidade por preterição do direito de defesa, se a infração foi claramente descrita, os fatos alegados foram documentalmente comprovados e a fundamentação legal expressamente declarada.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
LUCRO PRESUMIDO. RENDA FIXA E VARIÁVEL. REGIME DE CAIXA.
Os rendimentos em aplicações financeiras de renda fixa e os ganhos líquidos auferidos em renda variável são tributados no lucro presumido segundo o regime de caixa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA.
Em face da decisão contida no REsp nº 973.733-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, verificada a existência de pagamentos para os correspondentes tributos/períodos, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO.
Inexiste dolo em condutas caracterizadas por omissões de pouca expressão relativa e pela simples divergência de entendimento na qualificação jurídica.
JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE.
Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o crédito tributário. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006, 2007
RECEITA NÃO OPERACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
Exonera-se os lançamentos de PIS consubstanciados sobre receita não operacional apurada nos períodos em que a base de cálculo dessa contribuição era definida pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por força de sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso representativo de controvérsia.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006, 2007
RECEITA NÃO OPERACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
Exonera-se os lançamentos de COFINS consubstanciados sobre receita não operacional apurada nos períodos em que a base de cálculo dessa contribuição era definida pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por força de sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso representativo de controvérsia.
RO Negado e RV Provido em Parte
Numero da decisão: 1401-001.631
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário apresentado para acolher a preliminar de decadência dos 1º, 2º e 3º trimestres, relativamente ao IRPJ e à CSLL, e, no mérito, AFASTAR a totalidade das omissões de receitas financeira e não operacionais, bem como DESQUALIFICAR as multas aplicadas.
Documento assinado digitalmente.
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. ILEGALIDADE. Inexiste ilegalidade do feito fiscal, não caracterizando nulidade por preterição do direito de defesa, se a infração foi claramente descrita, os fatos alegados foram documentalmente comprovados e a fundamentação legal expressamente declarada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 LUCRO PRESUMIDO. RENDA FIXA E VARIÁVEL. REGIME DE CAIXA. Os rendimentos em aplicações financeiras de renda fixa e os ganhos líquidos auferidos em renda variável são tributados no lucro presumido segundo o regime de caixa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.733-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, verificada a existência de pagamentos para os correspondentes tributos/períodos, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. Inexiste dolo em condutas caracterizadas por omissões de pouca expressão relativa e pela simples divergência de entendimento na qualificação jurídica. JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o crédito tributário. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006, 2007 RECEITA NÃO OPERACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. Exonera-se os lançamentos de PIS consubstanciados sobre receita não operacional apurada nos períodos em que a base de cálculo dessa contribuição era definida pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por força de sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso representativo de controvérsia. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006, 2007 RECEITA NÃO OPERACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. Exonera-se os lançamentos de COFINS consubstanciados sobre receita não operacional apurada nos períodos em que a base de cálculo dessa contribuição era definida pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por força de sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso representativo de controvérsia. RO Negado e RV Provido em Parte
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Omissões de receitas da atividade, financeiras e não operacionais. Multa qualificada. Recorrentes AMBAR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ARTÍSTICOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. ILEGALIDADE. Inexiste ilegalidade do feito fiscal, não caracterizando nulidade por preterição do direito de defesa, se a infração foi claramente descrita, os fatos alegados foram documentalmente comprovados e a fundamentação legal expressamente declarada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 LUCRO PRESUMIDO. RENDA FIXA E VARIÁVEL. REGIME DE CAIXA. Os rendimentos em aplicações financeiras de renda fixa e os ganhos líquidos auferidos em renda variável são tributados no lucro presumido segundo o regime de caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. VERIFICAÇÃO DE PAGAMENTO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.733SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, verificada a existência de pagamentos para os correspondentes tributos/períodos, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 98 /2 01 1- 42 Fl. 5519DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.520 2 Inexiste dolo em condutas caracterizadas por omissões de pouca expressão relativa e pela simples divergência de entendimento na qualificação jurídica. JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007 RECEITA NÃO OPERACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. Exonerase os lançamentos de PIS consubstanciados sobre receita não operacional apurada nos períodos em que a base de cálculo dessa contribuição era definida pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por força de sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso representativo de controvérsia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007 RECEITA NÃO OPERACIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. Exonerase os lançamentos de COFINS consubstanciados sobre receita não operacional apurada nos períodos em que a base de cálculo dessa contribuição era definida pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por força de sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso representativo de controvérsia. RO Negado e RV Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário apresentado para acolher a preliminar de decadência dos 1º, 2º e 3º trimestres, relativamente ao IRPJ e à CSLL, e, no mérito, AFASTAR a totalidade das omissões de receitas financeira e não operacionais, bem como DESQUALIFICAR as multas aplicadas. Documento assinado digitalmente. Antônio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Fl. 5520DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.521 3 Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AMBAR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ARTÍSTICOS LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência parcial da impugnação. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Defis/SP, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, totalizaram o valor de R$ 26.660.866,12. A autuação foi motivada pela omisssão de receitas da atividade, financeiras e não operacionais. Houve, também, a imposição de multas qualificadas. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 557/570, no curso da ação fiscal foram apuradas as seguintes diferenças de receitas abaixo arroladas. Diferenças de Receitas da Atividade da Empresa apuradas do confronto dos valores lançados na contabilidade na conta Prestação de Serviços e os valores considerados pela empresa como base de cálculo para fins de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme dados transcritos na "Tabela I" (fls. 558/559). Diferenças de Receitas Financeiras em razão de que os valores lançados na contabilidade da empresa na conta 43101001 Rendimento Bruto de Fundos, relativos a aplicações financeiras e rendimentos de aplicações em bolsas de valores, que a despeito de contabilizados, não compuseram a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Com base na contabilidade, nos informes de rendimentos apresentados pela empresa e nos valores informados em DIRF pelas fontes pagadoras, foram apurados os valores apresentados na "Tabela II" (fls. 559/560). Diferenças de Receitas Não Operacionais em razão de a empresa não ter incluído na base de cálculo IRPJ e de seus reflexos os valores lançados em sua contabilidade na conta 45101001 Receitas Não Operacionais, nas competências maio/06 e junho/06, nos valores de R$ 11.764.705,88 e R$ 2.681.969,03, num total de R$ 14.446.674,91, conforme Tabela III (fls. 560). Fl. 5521DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.522 4 Sobre as diferenças apuradas foram exigidos IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, tendo a fiscalização aplicado a multa de 150% por entender que a empresa omitiu deliberadamente os valores referentes às receitas financeiras e não operacionais e declarou a menor as receitas da atividade com o intuito de reduzir os valores de tributos por ela devidos. Cientificado, em 13/12/2011, nos próprios autos de infração, o contribuinte apresentou, em 11/01/2012, a presente impugnação, com as alegações abaixo sintetizadas. PRELIMINARMENTE A INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA Sobre as diferenças de receitas da atividade de prestação de serviços da empresa descaberia a aplicação de multa qualificada com base na omissão de receitas em que teria incorrido ao cometer equívocos na elaboração das declarações entregues ao Fisco Federal, pois se trataria de hipótese de simples erro de fato que não ensejaria a aplicação da multa qualificada. Não teriam sido informados os valores como receitas financeiras tributáveis para os anos fiscalizados por conta do erro de fato em que teria incorrido a Impugnante ao preencher suas declarações relativas a tais anos calendários erro este que, além de envolver valores de rendimentos financeiros pouco representativos (R$ 663.245,66) em comparação com os recursos que permaneceram aplicados (R$ 22.091.575,22), teria decorrido, como já salientado, do fato de que as retenções de IR sofridas eram quase que o dobro das bases a serem tributadas, em razão do descompasso entre regime de competência e regime de caixa. Também com relação à acusação de que a Impugnante teria omitido deliberadamente e de forma continuada receitas não operacionais à tributação, é fato que tal afirmação não procederia, pois o que teria acontecido fora que a Impugnante teria deixado de oferecer à tributação receitas que entendia que não deviam ser tributadas, por possuírem conteúdo indenizatório. Por todas as razões acima postas, é de rigor a conclusão de que não está presente no caso vertente qualquer sorte de dolo específico de se fraudar ou sonegar tributos ao Fisco Federal, não existindo nos autos uma única prova de que a Impugnante possuía tal intuito tampouco de que suas ações foram norteadas pelo desejo de causar prejuízo ao Fisco. Estaria demonstrado que a omissão de rendimentos decorrente das receitas da atividade decorreu de erros de fato cometidos pelos prepostos da Impugnante quando da elaboração das declarações entregues ao Fisco, os quais possuem reduzidíssima expressão econômica, por terem sido cometidos com relação a 2,93% da receita de serviços auferida no período. Com relação às acusações de que houve reiterada omissão de receitas financeiras, o que há é uma interpretação divergente (ou erro por parte da autoridade, como se verá adiante) sobre o momento de tributação de tais receitas, bem como um erro de fato com relação aos rendimentos tributáveis vinculados aos resgates feitos nos anos de 2006 e 2007, erro este que, além de ser de reduzida expressão econômica, foi motivado pelo fato de que as retenções de IR sofridas no período eram mais do que o dobro das bases tributáveis no mesmo período. Fl. 5522DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.523 5 Com relação à acusação de que houve omissão de receitas não operacionais ("Processo Record"), o que há é uma divergência de entendimentos sobre própria incidência das exações, pois a Impugnante entendeu que os valores recebidos em virtude do "Processo Record" possuíam natureza indenizatória e, portanto, não deveriam ser tributados. Por tudo isso, pedese seja afastada a multa qualificada imposta à Impugnante nos autos de infração ora defendidos, reduzindose a multa aplicada em tais autos ao percentual de 75% previsto no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, pelas razões acima expostas. A DECADÊNCIA NOS TERMOS DO ARTIGO 150, § 4º DO CTN A impugnante teria tomado ciência do auto de infração em 13/12/2011, assim já estariam extintos por decadência os valores exigidos a título de IRPJ e CSLL para o 1º, 2º e 3º trimestres de 2006, bem como a COFINS e a contribuição ao PIS relativa aos períodos de apuração até novembro de 2006, por força da aplicação da regra posta no §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. NO MÉRITO RECEITAS FINANCEIRAS – AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO TRIBUTADA Não constaria nos autos qualquer demonstrativo e/ou tabela de apuração que pudesse permitir à Impugnante conhecer a origem das diferenças apontadas, o que lhe permitiria, como é de rigor, defenderse de modo pleno e adequado contra essa acusação. Haveria apenas e tão somente a "Tabela II" posta no TVF, onde estariam inseridos os valores totais e consolidados das receitas que teriam sido omitidas. A fiscalização concluiu que a impugnante teria que ter oferecido à tributação diferenças de receitas financeiras não tributadas, as quais foram por ela apuradas no confronto contabilidade X informes X DIRFs, mas não se demonstrou a origem dessas diferenças tampouco quais eram exatamente os valores que estavam sendo considerados como diferenças. A fiscalização teria inserido no TVF uma tabela com números consolidados e que teria sido por ela intitulada como "Tabela II", onde estaria a base de cálculo total considerada para cada período de apuração como receita financeira omitida à tributação, mas não teria apresentado demonstrativos de quais os rendimentos que teriam sidos considerados como omitidos nesse confronto contabilidade x informes x DIRFs tampouco como teria sido apurada a base de cálculo dessa suposta omissão. A fiscalização teria fundado sua autuação na afirmação de que o confronto da contabilidade com os informes de rendimentos e com as DIRFs apontariam para a existência de uma receita financeira tida por omitida à tributação da ordem R$ 16.039.314,89 (dezesseis milhões, trinta e nove mil, trezentos e quatorze reais e oitenta e nove centavos), mas não teria demonstrado o que se considerou como receita omitida, em cada período, e, tampouco demonstrado como teria se dado a apuração de tais receitas, num procedimento que comprometeria o direito à ampla defesa e ao contraditório. Os lançamentos fiscais lavrados para a cobrança de valores a título de IRPJ/CSLL/PIS e COFINS sob a acusação de que teria havido omissão de receitas financeiras estariam maculados por evidente nulidade, pois tais exigências estariam Fl. 5523DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.524 6 fundadas em base de cálculo incerta e desconhecida e cujo demonstrativo de apuração não instruiriam os lançamentos fiscais, como obriga o artigo 142 do CTN e os arts. 9º e 10 do Decreto n° 70.235/72. OPERAÇÕES DE RENDA VARIÁVEL ERRO DE BASE DE CÁLCULO Os valores inseridos pela Safra Corretora de Valores e Câmbio Ltda. nas DIRFs entregues para os anos de 2006 e 2007 e também aquele informado pela Santander Corretora não representariam rendimentos auferidos em operações de bolsa em tais períodos, mas sim os valores das próprias operações realizadas naqueles períodos. A apuração do imposto de renda incidente sobre as operações efetivadas nos mercados de capitais obedeceria a regras específicas e que considerariam, dentre outros fatores, o custo de aquisição dos papéis transacionados, para fins de apuração do ganho tributável. A apuração do imposto de renda a ser pago sobre os ganhos auferidos nas operações de renda variável no mercado à vista seria atividade complexa, que deveria considerar, obrigatoriamente, os custos de aquisição dos ativos que foram alienados e as despesas cuja dedução seria admitida pela legislação (despesas de corretagem, emolumentos, taxas de custódia, etc), além da própria compensação com as perdas passadas. Seria inadmissível que se pretenda calcular imposto de renda tido por omitido sobre operações no mercado de renda variável tomandose por base, exclusivamente, o valor das negociações efetivadas, ou seja, o valor das operações. O ganho não seria o valor das operações, mas sim a grandeza absolutamente distinta do valor das operações, pois o ganho seria o resultado positivo do confronto entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição, admitidas a dedução das despesas que são necessárias para a realização da operação e também a compensação de perdas passadas. A impugnante não teria sido intimada a fornecer qualquer informação que permitisse à fiscalização apurar corretamente o ganho tributável nas operações realizadas pelo contribuinte no mercado de renda variável e tampouco a fiscalização teria buscado tais informações junto aos órgãos de controle e junto àqueles que realizaram as operações. Haveria, portanto, falta de aprofundamento da fiscalização o que destoaria do comando inserto no art. 142 do CTN, devendo o auto ser considerado nulo de pleno direito. APLICAÇÕES FINANCEIRAS NÃO RESGATADAS – UTILIZAÇÃO DO REGIME DE CAIXA PARA A TRIBUTAÇÃO NO LUCRO PRESUMIDO Os tributos relativos aos rendimentos de aplicações financeiras deveriam ser tributados, pelas empresas optantes pelo lucro presumido, pelo regime de caixa. Para a pessoa jurídica submetida ao lucro presumido, as receitas financeiras sempre deveriam ser oferecidas à tributação somente quando da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação. O relatório técnico elaborado pela Ernst & Young Terco (doc. 4) teria demonstrado ter havido o resgate dos investimentos de fundos de renda fixa, nos Fl. 5524DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.525 7 anos de 2006 e 2007, da ordem de R$ 11.125.527,63, o que teria gerado receita financeira tributável, pelo regime de caixa no valor de R$ 663.246,11. Em razão de ter havido, no período, retenção na fonte no montante de R$ 1.109.977,03, nada seria devido a título de imposto de renda sobre os rendimentos financeiros tributáveis apurados em tal período pelo regime de caixa. PIS E COFINS SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS (LUCRO PRESUMIDO) Seria inconstitucional a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas estranhas ao faturamento, pois a Lei n° 9.718/98 teria sido editada antes da publicação da EC 20/98. Para as empresas que permaneceram sujeitas aos ditames da Lei n° 9.718/98, como acontece com aquelas que optaram pela apuração do seu imposto de renda pela sistemática do lucro presumido (caso da impugnante), o que se dá por força do artigo 8º, inciso II da Lei n° 10.637/02 e do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, estaria em pleno vigor o que já teria decidido o Plenário do Supremo Tribunal Federal nos autos dos Recursos Extraordinários n°s 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, no sentido de que seria inconstitucional o alargamento de base de cálculo previsto no §1° do art. 3º da Lei n° 9.718/98. Seria tão relevante a força de tal decisão que o artigo 79 da Lei n° 11.941/09 revogou o citado §1° do art. 3º da Lei n° 9.718/98, beneficiando, direta e frontalmente e com relação às operações posteriores a tal revogação, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido e as instituições financeiras, que ainda estariam sujeitas à sistemática da Lei n° 9.718/98. Por ser a impugnante pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido, por força da decisão proferida em caráter definitivo pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal nos autos dos Recursos Extraordinários nºs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, no sentido de que seria inconstitucional o alargamento de base de cálculo previsto no §1° do art. 3º da Lei n° 9.718/98, seria de rigor que seja acolhida e provida a presente impugnação para que sejam canceladas as exigências de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras tidas como omitidas pela fiscalização e sobre as demais que não estariam incluídas no conceito de faturamento. “PROCESSO RECORD” A fiscalização teria lavrado os já citados autos de infração para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre supostas diferenças de receitas não operacionais, sob a afirmação de que a empresa teria deixado de incluir na base de cálculo do IRPJ e de seus reflexos os valores lançados em sua contabilidade na conta 45101001 Receitas Não Operacionais, nas competências maio/06 e junho/06, nos valores de R$ 11.764.705,88 e R$ 2.681.969,03, num total de R$ 14.446.674,91 e que diz respeito ao "Processo Record". Tal receita não teria sido oferecida à tributação por conta do entendimento existente à época no sentido de que tendo existido um descumprimento contratual por parte da Rádio e Televisão Record S/A no que dizia respeito ao pagamento das verbas que tinham sido contratualmente ajustadas para que houvesse a prestação de serviços que incumbia a impugnante, teria surgido um dano decorrente desse inadimplemento contratual, dano este que possuiria nítido conteúdo patrimonial, de modo que o recebimento dos valores inadimplidos representaria a reparação do dano que tinha sido causado à impugnante, tratarseia de uma recomposição patrimonial cujo caráter indenizatório implicava que não fosse oferecido à tributação. Fl. 5525DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.526 8 Esses dois ingressos de recursos motivados pela ação de consignação em pagamento movida pela TV Record em face da impugnante teriam sido considerados como indenização que não deveria ser oferecida à tributação. Em face da discordância da fiscalização com relação ao entendimento da impugnante, de que tais valores deveriam ser oferecidos à tributação, descaberia qualquer exigência fiscal sobre tais valores em função de já se teria aperfeiçoado decadência extintiva do crédito tributário. O intento da ação movida pela Rádio e Televisão Record S/A seria pagar valores decorrentes da prestação dos serviços de apresentação do "Programa Note e Anote" e do "Programa Semanal Ana Maria Braga", os quais se refeririam aos valores mensalmente acordados pela prestação dos serviços, a adiantamentos que teriam sido acordados contratualmente, além de verbas vinculadas a ações de merchandising veiculadas nos programas apresentados por força do contrato firmado entre as partes. Assim seriam receitas decorrentes da própria atividade e por ter natureza de receita operacional bruta estaria sujeita à apuração do IRPJ/CSLL pela sistemática do lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 32% para a definição da base de cálculo tributável. A presente impugnação deveria ser acolhida e provida para o fim de que se sejam julgados parcialmente improcedentes os lançamentos fiscais de IRPJ e CSLL ora impugnados, e, à luz da constatação de que tais recebimentos representariam receita operacional bruta da impugnante, que eles, quando menos, sejam incluídos na base de cálculo do lucro presumido, reduzindose o IRPJ e a CSLL exigidos nos autos de infração impugnados àquele que é devido pela sistemática do lucro presumido, e mantendose a compensação do IRRF que foi retido sobre tais recebimentos. A INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC A aplicação da Taxa SELIC seria incompatível com as regras do CTN e da CF/88, sendo imperativo o afastamento desse índice da composição do cálculo do lançamento ora impugnado. A ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Os juros calculados com base nessa taxa não poderiam ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. (...) Com o fito de sanear os autos, estes foram baixados em diligência, por esta turma de julgamento, em 21/06/2012, conforme despacho de fls. 3935/3938. A fiscalização diligenciou junto ao contribuinte e apresentou o Relatório Fiscal de Diligência, de fls. 4006/4013, abaixo reproduzido: Em atendimento ao Despacho de fls.3935/3938 da 2ª Turma da DRJ/SP1 de 28/06/2012 no processo acima mencionado, diligenciamos o sujeito passivo acima identificado para atender aos quesitos apresentados no Despacho acima mencionado. Cumpre destacar que a empresa teve alterada sua denominação para a acima mencionada sendo a anterior AMBAR AGENCIA DE EVENTOS E EDITORA LTDA. Fl. 5526DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.527 9 QUESITO 1 — Teria o contribuinte contabilizado os rendimentos auferidos em operações financeiras de renda fixa e de renda variável no regime de caixa ou de competência? R: O contribuinte contabilizou os rendimentos auferidos pelo regime de competência. QUESITO 1.1 — Caso a fiscalização não tenha apurado os ganhos líquidos nos mercados de renda fixa e de renda variável, observando o regime de caixa, como estabelece o art. 770 do RIR/99, acima referido, solicitase que assim proceda e apure as eventuais diferenças a serem tributadas. R: Em relação aos rendimentos de renda variável, fizemos a apuração, que esta melhor detalhada nos quesitos 2, 2.1 e 2.2. Em relação aos rendimentos de renda fixa a empresa os contabilizou, pelo regime de competência, fez opção na DIPJ pelo regime de competência. As pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido que mantem contabilidade, como é o caso da contribuinte, deverão controlar os recebimentos de suas receitas em conta especifica, caso apurem as receitas pelo regime de caixa, pratica não adotada pelo contribuinte. Cumpre salientar que a empresa nunca ofereceu a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sobre suas receitas financeiras, nem pelo regime de competência e nem pelo regime de caixa, as omitindo em todas as competências de 2006 e 2007, por isso a denominação de diferenças de receitas financeiras constantes em nossos relatórios estão imprecisas, pois a na verdade não são diferenças e sim receitas financeiras na sua integridade. As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido estão autorizadas a reconhecer as receitas pelo regime de competência ou de caixa, pelo art. 20 da MP n° 2.15835, de 2001, desde que adote o mesmo critério para os quatro tributos. Assim entendemos que a empresa não usou da faculdade legal de apurar as receitas financeiras pelo regime de caixa, contabilizandoas pelo regime de competência e nada recolhendo em qualquer regime. Ademais conforme resumo das alegações do contribuinte elaborado pelo DD Julgadora a empresa afirma: O relatório técnico, elaborado pela Emst & Young (doc. n° 04), a partir dos extratos relativos à movimentação financeira das aplicações de renda fixa e respectivos informes de rendimentos vinculados a tais movimentações, demonstra que teria havido o resgate, nos anos de 2006 e de 2007, da importância de R$ 11.125.527,63, o que geraria receita financeira tributável pelo regime de caixa no valor de R$ 663.246,11, sendo que permaneceriam aplicados recursos da ordem de R$ 22.091.575,22. A impugnante teria cometido o equívoco de não inserir os valores resgatados nos anos de 2006 e 2007 em suas declarações, diante do fato de que as retenções na fonte, sofridas naquele ano, teriam sido da ordem de R$ 1.109.977,03, muito superiores às próprias receitas tributáveis. Fl. 5527DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.528 10 Observase que as informações acima não se confirmam no citado relatório técnico elaborado pela Ernst & Young, no seu Quadro 7 onde constam que os resgastes nos anos de 2006 e 2007 geraram em tese, receita financeira tributável pelo regime de caixa no de 2006 na ordem de R$ 1.513.978,20 e em 2007 no total de R$ 1.962.785,27 totalizando nos dois exercícios a soma de R$3.476.763,47 e não R$ 663.246,11 como afirma a empresa em suas alegações. É sabido que sobre estas receitas não haveria apenas a incidência do IRPJ, mas também da CSLL e do PIS e da COFINS, tributos e contribuições sobre os quais não havia nenhuma retenção e se o contribuinte quer usar o regime de caixa para as receitas porque usa o regime de competência para o IRRF ? Portanto em nosso entendimento o contribuinte optou expontaneamente pela tributação com base no regime de competência para suas receitas financeiras. QUESITO 2 Foram os valores tomados pela fiscalização como receitas omitidas, auferidas no mercado de renda variável, apurados consoante dispõe o art. 761 e 762 do RIR/99, como acima referido? R: Não, por um equivoco desta fiscalização acabamos cometendo o engano de considerar como receita os valores auferidos em venda de ações não observando os artigos 761 e 762 do RIR/99. QUESITO 2.1 Em caso afirmativo, solicitase demonstrar quais são esses valores e como foram obtidos, juntando aos autos as memórias de cálculo das diferenças devidas. R: Prejudicado. QUESITO 2.2 Em caso negativo, solicitase diligenciar junto ao contribuinte e apurar os devidos valores referentes ao efetivo ganho liquido que deva ser oferecido à tributação. R: Em 24/10/2012 intimamos o sujeito passivo a apresentar, diversos documentos. Em 22/11/2012 a empresa apresentou a documentação solicitada através do CD Rom com respectivo recibo validado pelo SVA (Código de Identificação no Sistema Validador de Arquivos Digitais ) que recebeu o seguinte código geral de validação 3b4934e3ce660ac3488f310398b7bb92. De posse destes arquivos digitais contendo as Notas de Corretagem de compra e venda de ações nos anos de 2006 e 2007, através da ferramenta institucional denominada Contagil, procedemos a apuração dos ganhos líquidos em renda variável no período, tendo sido deduzidos os respectivos prejuízos em competências anteriores. Os relatórios gerados pela citada ferramenta, devido ao grande volume, foram gravados em CD Rom, que esta anexo ao presente, cuja copia foi enviada ao sujeito passivo e que foram validados ple SVA Código de Identificação no Sistema Validador de Arquivos Digitais ) que recebeu o seguinte código geral de validação fe7222d4 47e37b31e1965d64bae34745. Fl. 5528DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.529 11 Segue abaixo tabela dos meses que apresentaram resultados positivos em renda variável e que deverão ser acrescidos ao Lucro Presumido nos respectivos trimestres, apurados de acordo com os artigos 761 e 762 do RIR/99: (...) QUESITO 3 —Na hipótese de alteração de quaisquer dos valores indicados nas TABELAS II e IV a IX insertas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 561 a 565), solicitase a reelaboração das referidas tabelas, bem assim as apurações dos respectivos tributos. R: Seguem abaixo novas Tabelas II, e IV a IX (vide tabelas em fls. 4318/4320) O contribuinte foi devidamente cientificado, em 17/05/2013 e apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 4019/4054, com as alegações abaixo sintetizadas. Da análise da Tabela II apresentada pela fiscalização no Termo de Verificação fiscal às fls. 559/560 e da mesma tabela em sua nova versão no “Relatório Fiscal de Diligência” de fls. 4006/4014, o contribuinte assim se manifestou: ... O confronto entre ambas as Tabelas acima transcritas demonstra, exemplificativamente, que, com relação ao mês de janeiro/06, inicialmente as autuações tinham sido lavradas sobre receitas financeiras tidas por omitidas da ordem de R$ 703.328,01, enquanto que na nova Tabela II, a AFRFB autuante está afirmando que houve omissão de receitas financeiras no importe de R$ 410.831,03 e omissão de receitas de renda variável da ordem de R$ 581.748,85, num valor total de R$ 992.579,88. Ou seja, o cálculo efetivado pela AFRFB, por contemplar um aumento no valor total das receitas tidas por omitidas com relação ao mês de janeiro/06, sem apresentar uma única memória do cálculo que demonstraria que, de fato, do valor original de R$ 703.328,01, o valor de R$ 410.831,03 corresponde ao cálculo das receitas das demais aplicações financeiras, gera uma nova incerteza sobre os lançamentos fiscais. ... Para sanar possíveis equívocos os autos foram novamente baixados, em diligência, em 31/10/2013, por esta turma de julgamento, nos termos do despacho de fls. 4090/4092, com as alegações abaixo sintetizadas: Os valores relativos às receitas com aplicações de renda variável ainda conteriam erros de cálculo, pois tais cálculos estariam viciados por exigências feitas em duplicidade, além de que em diversas operações não teriam sidos considerados corretamente os custos iniciais, ou seja, ainda haveria, em diversas operações a consideração de custos iniciais zerados. Apresentou o quadro de fls. 4036/37, sobre o qual argumenta que demonstraria de modo exemplificativo os equívocos apresentado no novo cálculo da fiscalização. Fl. 5529DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.530 12 Acrescenta que nos valores apresentados na nova tabela haveria inúmeras duplicidades, além da já mencionada não consideração de custo inicial em diversas operações o que seria inadmissível e não corresponderia com a realidade dos fatos para a apuração do ganho líquido nas operações de renda variável. Alega que do confronto com as novas Tabelas apresentadas pela fiscalização após a diligência e as Tabelas apresentadas com o TVF, verificarseia, por exemplo, que com relação ao mês de janeiro/06, inicialmente as autuações tinham sido lavradas sobre receitas financeiras tidas por omitidas da ordem de R$ 703.328,01, enquanto que nas novas Tabelas haveria omissão de receitas financeiras, no montante de R$ 992.579,88, que parecem corresponder: R$ 410.831,03 a receitas com aplicações de renda fixa e R$ 581.748,85 de renda variável. A respeito dos valores referentes a janeiro de 2006, pergunta como seria possível que ao tributar o valor total da operação o cálculo feito no TVF tenha apurado uma receita menor do que a apurada na diligência. Por haver indícios de equívocos por parte da fiscalização os autos foram baixados novamente para a delegacia de origem para que se diligenciasse junto ao contribuinte a fim de que se apurar os reais valores com ganho de renda variável, correspondentes aos valores brutos declarados em DIRF pela Safra Corretora de Valores e Câmbio Ltda. e pela Santander Corretora fls. 385, 458 e 459. A fiscalização apresentou em fls. 4318/4320 o “Relatório Fiscal de Diligência” com as seguintes informações: De fato a apuração dos ganhos de renda variável feita na Diligencia anterior à presente, apresentou incorreções, pois além de faltar a informação dos estoques iniciais de ativos em 01/01/2006, o sistema duplicou a leitura de algumas notas de corretagem. Em 03/02/2014 intimamos a empresa a apresentar os estoques iniciais de ativos em 01/0/1/2006, a empresa os apresentou em 24/02/2014. De posse destes estoques bem como dos arquivos digitais contendo as Notas de Corretagem de compra e venda de ações nos anos de 2006 e 2007, através da ferramenta institucional denominada Contagil, procedemos a apuração dos ganhos líquidos em renda variável no período, tendo sido deduzidos os respectivos prejuízos em competências anteriores. Os relatórios gerados pela citada ferramenta, devido ao grande volume, foram gravados em CD Rom, que está anexo ao presente, cuja copia foi enviada ao sujeito passivo e que foram validados pelo SVA Código de Identificação no Sistema Validador de Arquivos Digitais ) que recebeu o seguinte código geral de validação c1656613f2e083426e955acee3d5508b. Segue abaixo tabela dos meses que apresentaram resultados positivos em renda variável e que deverão ser acrescidos ao Lucro Presumido nos respectivos trimestres, apurados de acordo com os artigos 761 e 762 do RIR/99: (vide Tabela I – Ganhos Líquidos em Renda Variável e Tabela IX Comparativo entre Diligencia atual e anterior em fls. 4318/4320) O contribuinte foi novamente cientificado apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade de fls. 4323/4334, após desenvolver as suas teses de defesa requereu por fim: Fl. 5530DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.531 13 a) Seja cancelada a integralidade dos valores exigidos nos autos de infração lavrados em face da Reqte. sobre a rubrica de "Receitas Financeiras", eis que estas exigências estão marcadas pelos já apontados vícios e incertezas e, quando menos, b) Sejam canceladas todas as exigências fiscais feitas sobre os valores que representam, em verdade, ganhos líquidos de renda variável, eis que estas estão marcadas por um evidente e grave erro de direito, que também gerou erro de base de cálculo e violações cometidas ao direito de defesa da Reqte., reconhecendose também que não podem ser exigidos quaisquer tributos em face da Reqte. sobre os valores de receitas de renda variável apontados pela AFRFB em suas Tabelas, pois isso implicaria em refazimento do lançamento fiscal pela autoridade julgadora, com alteração da acusação fiscal e do seu respectivo fundamento jurídico, que não é admissível no ordenamento jurídico pátrio. c) Caso não sejam acolhidos os itens precedentes, o que se pede apenas por amor ao argumento, em que pese o novo cálculo elaborado pela fiscalização esteja mais próximo da realidade, é de rigor que, ante as incertezas que este novo cálculo contém, prevaleça o valor dos ganhos apurados pela E&Y em seu Relatório Técnico, os quais, inclusive, foram apurados considerandose o critério jurídico correto aplicável nesta sorte de tributação. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 8ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1663.369, de 19 de novembro de 2014, por meio do qual decidiu pela procedência parcial da impugnação. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA Nos casos de sonegação fiscal o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário tem seu termo de início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LUCRO PRESUMIDO REGIME DE APURAÇÃO DA RECEITA. O contribuinte, optante do lucro presumido, pode apurar sua receita segundo o regime de caixa ou competência. A opção pelo primeiro regime obrigao a controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, no caso de manter escrituração contábil, ou escriturar o livro caixa. BASE DE CÁLCULO. INCORREÇÕES. Deve ser exonerada a parcela do tributo indevidamente lançada decorrente de erros na apuração da base de cálculo utilizada. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Para fins de apuração do tributo, adicionamse às receitas operacionais os valores omitidos a título de receitas não operacionais, independentemente do regime de tributação a que submetida a pessoa jurídica. Fl. 5531DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.532 14 A ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível aplicação da multa de ofício qualificada quando presentes os elementos abrangidos pelos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, relacionados às operações que deram causa ao lançamento tributário. JUROS. TAXA SELIC. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A incidência de juros calculados com base na taxa Selic está prevista em lei em vigor, que os órgãos administrativos não podem se furtar a aplicar. LANÇAMENTOS DECORRENTES.Aplicase à CSLL, ao PIS/Pasep e à Cofins a mesma solução dada ao lançamento do IRPJ. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade, por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento para fins de tributação do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser cancelada a parcela do lançamento referente às receitas financeiras, conforme permissivo introduzido no art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Cumpre esclarecer que a instância a quo, ao acatar a alegação de erros na apuração dos valores lançados, partiu dos cálculos efetuados por ocasião da segunda diligência e ainda corrigiu um novo equívoco cometido nesses cálculos (a diligência havia somado a receita da atividade ao invés da correspondente lucratividade de 32% no cômputo da base de cálculo do IRPJ e CSLL vide a Tabela IV, do relatório daquela diligência, às fls. 4338 e 4339). Por outro lado, discordou da alegação referente a outros equívocos exemplificados com algumas operações levadas a cabo com ações do Bradesco porque não foram apontados exaustivamente os enganos e valores que seriam corretos, bem como da alegação que propugnava pela prevalência do relatório técnico produzido pela empresa Ernst & Young (E&Y) porque este se referia tão somente aos ganhos auferidos em renda fixa. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual repete os argumentos deduzidos anteriormente. Acrescenta, no entanto, que: (i) o relatório final (doc. 3 fls. 4685 a 5459) da E&Y, não carreado aos autos pela autoridade autuante, demonstra a desproporcionalidade entre a acusação fiscal (omissão de receita financeira da ordem de R$ 16.039.314,89) e a realidade (erro de fato ao não ter informado em suas declarações o valor de R$ 3.566.187,26); (ii) ofereceu à tributação todos os rendimentos auferidos quando dos resgates, em 2008, pelo regime de caixa, recolhendo os tributos devidos através de parcelamentos (doc. 4 fls. 5460 a 5501); (iii) em que pese os valores dos ganhos tenham sido segregados entre "receitas financeiras" e "renda variável", em função das diligências efetuadas, o fato é que não é admissível o acertamento dos autos de infração que incorreram em erro de base de cálculo e de critério jurídico; (iv) a incerteza da autuação é verificada quando a própria DRJ, ao formular os quesitos da primeira diligência, indaga se as regras dos artigos 761 e 762 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) foram observadas; (v) os relatórios da primeira e segunda diligências incorreram em novos erros que também caracterizaram incertezas que macularam de modo irremediável os lançamentos fiscais originalmente lavrados sob a rubrica de receita financeira; (vi) os exemplos apresentados são válidos para demonstrar o desacerto Fl. 5532DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.533 15 dos cálculos e foi, inclusive, em função desses exemplos que a própria DRJ havia baixado a segunda diligência; (vii) o acórdão recorrido entendeu pela impossibilidade de considerar o relatório técnico da E&Y porque não tinha conhecimento do seu relatório final; (viii) não há nos dispositivos legais a condição de se comprovar a tributação de rendimentos em período posterior, apesar disso, repete que ofereceu os referidos rendimentos à tributação no ano de 2008; (ix) por força da decisão do STF, devem ser canceladas todas as exigências de PIS e COFINS, incluindo as decorrentes de receitas não operacionais; (x) o acórdão recorrido, ao elaborar os cálculos da parte "mantida" e "exonerada", incorreu em erro ao acrescer à base de cálculo do IRPJ novamente o total de receitas da atividade. Por fim, em requerimento juntado após a apresentação do seu recurso (fls. 506 a 517), a recorrente anexa aos autos uma declaração firmada pelo advogado Sérgio Fama D'Antino na qual este declara que havia dado orientação a seus clientes no sentido de que o imposto de renda na fonte sobre a indenização já havia sido pago pela TV Record. Anexa, também, cópia do acordo celebrado entre as partes no referido processo com a sua correspondente homologação pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Pretende, com isso, corroborar o fato de que agiu escorada em orientação jurídica, sem máfé ou com o intuito de iludir ao Fisco. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Além disso, o valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto também deve ser conhecido. Preliminares: A recorrente aponta uma variedade de erros relacionados à base de cálculo e ao critério jurídico utilizados na autuação. Alguns desses erros foram sendo saneados no decorrer do processo, após as duas diligências e no próprio voto condutor da decisão recorrida, contudo, ainda assim, restariam problemas não enfrentados naquela decisão porque esta não admitiu impugnação por exemplificação. Diante disso, alega incerteza da autuação e propugna por sua nulidade em face do descumprimento das formalidades prescritas no artigo 142 do Fl. 5533DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.534 16 Código Tributário Nacional (CTN) e nos artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Nada obstante, tal alegação só implicaria em nulidade se resultasse em preterição do direito de defesa da recorrente, exvi do inciso II do artigo 59 daquele mesmo PAF. E não é isso que se verifica no presente caso. Toda a matéria fática e legal que fundamentou o lançamento foi claramente descrita no Termo de Verificação e Constatação Fiscal. Tanto foi bem compreendida que a empresa não se esquivou de produzir em suas peças impugnatória (incluindo as manifestações de inconformidade acerca das diligências efetuadas) e recursal toda a sorte de argumentos que julgou oportunos para a sua defesa. As correções que foram sendo produzidas para aferir a liquidez do lançamento são consequências do diálogo das provas conduzido ao longo do processo. A verificação de sua procedência é matéria de mérito. Também em sede preliminar, a recorrente defende a inaplicabilidade das multas qualificadas e o resultante deslocamento da regra decadencial do artigo 150, § 4º, para o artigo 173, I, do CTN. De fato, a análise da qualificação das multas é prérequisito para a discussão da decadência. Passemos, então, a essa questão. As multas qualificadas foram aplicadas nas três infrações identificadas, quais sejam, as omissões de receita da atividade, financeiras e não operacionais. Quanto à omissão de receitas da atividade, a empresa alega que houve meros erros de fato cometidos por seus prepostos quando da elaboração das declarações entregues ao Fisco. Assevera que tais erros possuem reduzidíssima expressão econômica da ordem de 2,93% da receita de serviços auferida no período. No que diz respeito à omissão de receitas financeiras, sustenta que há apenas divergência de interpretação (regime de competência x regime de caixa) e novos erros de fato de reduzida expressão econômica. Esses últimos, motivados pelo fato de que as retenções de imposto de renda sofridas no período eram mais do que o dobro das bases tributáveis no mesmo período. Por fim, no tocante à omissão de receitas não operacionais, alega nova divergência de interpretação pois entendia que os valores recebidos do chamado "Processo Record" possuíam natureza indenizatória, portanto, não tributável. Após o recurso, acrescenta documentos (declaração de advogado e acordo judicial) com os quais pretende comprovar a ausência de máfé nessa infração. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal, a fiscalização justifica a qualificação das multas exclusivamente por entender que "não há dúvidas de que a empresa omitiu deliberadamente as Receitas Financeiras, as Receitas não Operacionais, bem como declarou a menor as receitas da atividade com o intuito de reduzir os valores de tributos por ela devidos". Acrescenta que a empresa estaria "agindo de forma reiterada e continuada nos 24 meses objeto da presente fiscalização declarando valores inferiores aos consignados em sua contabilidade o que pode ser confirmado nos lançamentos contábeis da escrituração comercial da autuada". Apesar dessa motivação mais consentânea com a ideia da sonegação, a autoridade fiscal não teve dúvidas em apontar como conduta ilícita unicamente a figura da fraude contida no artigo 72 da Lei nº 4.502/64. Por sua vez, a DRJ concordou com a aplicação das multas qualificadas porque, na visão do relator do acórdão recorrido, "o autuante demonstrou claramente o crime Fl. 5534DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.535 17 de sonegação fiscal, pois escriturou valores significativamente menores que os valores devidos, conforme sobejamente demonstrado pelo autuante". Data vênia, não posso concordar com a singeleza dessas argumentações. Independentemente de todos os problemas atinentes à omissão das receitas financeiras (os quais serão a seguir analisados), é patente a inexistência de dolo em condutas caracterizadas por omissões de pouca expressão relativa e pela simples divergência de entendimento na qualificação jurídica. Como disse a recorrente, a omissão de receitas da atividade atingiu valores muito inferiores à receita de serviços oferecida à tributação no período (vide as diferenças apuradas na Tabela I do Termo de Verificação e Constatação Fiscal fls. 558 e 559 em comparação com as receitas declaradas nas DIPJ fls. 40, 41, 52 e 53). A omissão de receitas financeiras, inicialmente apontada em valores aproximados de R$ 16 milhões, foi substancialmente reduzida no decorrer do processo (os últimos valores considerados pela fiscalização foram discriminados na Tabela II do relatório fiscal da segunda diligência fls. 4336 e 4337). A par disso, a recorrente ainda reivindica a redução desses valores, para um total aproximado de R$ 3,5 milhões, na consonância do que foi concluído no relatório final da auditoria empreendida pela E&Y (esse mérito será adiante analisado). Mesmo assim, há que se considerar também o fato de que boa parte dos rendimentos referentes a essas receitas foi objeto de retenção do imposto na fonte. Portanto, a omissão da receita na apuração dos tributos devidos ao final de cada período resultou numa omissão dos correspondentes tributos numa proporção significativamente menor do que a aplicação das alíquotas sobre as bases de cálculo poderia sugerir. Ademais, cumpre acrescentar que a diferença ainda existente entre a omissão apontada pela fiscalização (após a segunda diligência) e aquela reconhecida no relatório final da E&Y é explicada pela divergência no entendimento acerca do regime a ser aplicado para o reconhecimento dessas receitas, quais sejam, de competência ou de caixa. Porém, como se verá adiante, assiste razão à recorrente nessa discussão, de modo a ter que se admitir a escusa de que os valores retidos (pela sistemática do "come quotas") poderiam superar os correspondentes tributos devidos, o que arrefece ainda mais os fundamentos para a qualificação das multas. No que diz respeito à omissão dos valores recebidos por conta do "Processo Record", é verdade que há entendimento no sentido de que verbas indenizatórias decorrentes de descumprimento de condições contratuais não sejam tributáveis, por não constituir renda, mas, sim, mera recomposição patrimonial. Independentemente da precisão ou não desse entendimento, o fato é que a recorrente demonstra que não agiu com máfé. Com efeito, trata se de dois únicos recebimentos, ocorridos em maio e junho de 2006 (nos valores, respectivos, de R$ 11.764.705,88 e R$ 2.681.969,03), como consequência de uma única ação de consignação em pagamento movida pela Rádio e Televisão Record S/A por conta de seu inadimplemento contratual de dívidas passadas (a ação foi originalmente proposta em 1999 e a recorrente não concordava com os valores consignados). Apesar de a declaração que pretende comprovar a inexistência de máfé quanto à eventual omissão ter sido firmada por seu advogado de forma extemporânea (13/05/2015), é possível constatar que é verdadeira sua afirmação no sentido de que o acordo judicialmente homologado referiuse de forma expressa a pagamentos "a título de indenização por danos patrimoniais" (vide fls. 5514). Destarte, não vejo em nenhuma das infrações consubstanciadas na autuação razões suficientes para qualificar as multas aplicadas. E afirmo isso tanto se fosse para atribuir Fl. 5535DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.536 18 uma conduta tipificada no espectro da fraude contida no artigo 72 da Lei nº 4.502/64, como fez a fiscalização, quanto para imputar a conduta da sonegação (artigo 71 da mesma lei), como tentou corrigir a instância a quo. Assim, é de rigor rever o entendimento acerca da regra decadencial a ser aplicada no caso. Isso porque, inexistindo circunstâncias de dolo, fraude ou simulação, a hipótese prevista no artigo 173, I, do CTN deve ser aplicada em sintonia com a jurisprudência consolidada no REsp nº 973.733SC. Como se sabe, a questão da decadência está disciplinada no § 4º do artigo 150 do CTN nos seguintes termos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (grifei) (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Com efeito, entendo que a “atividade” exercida pelo sujeito passivo obrigado a antecipar o pagamento é a característica marcante dessa modalidade de lançamento chamado “por homologação”. Assim, o que se homologa é a atividade concernente à apuração de eventual crédito tributário sujeito à extinção. Independe, portanto, da existência de efetivo pagamento, até porque muita das vezes ele poderá não ser necessário, seja porque não é apurado crédito tributário ou porque existe crédito a favor do sujeito passivo que poderá ser aproveitado numa compensação. Nesse sentido, qualquer que seja o tributo, se ele for sujeito a essa sistemática denominada “lançamento por homologação”, o prazo decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação da atividade de apuração do crédito tributário efetivada pelo sujeito passivo, corresponderia ao mesmo prazo que dispõe o Fisco para o lançamento de ofício de eventuais diferenças não pagas e/ou declaradas. Porém, constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a ressalva é expressa. Nessa hipótese, a regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o lançamento de ofício deslocase para aquela prevista no artigo 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 5536DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.537 19 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. No entanto, esse meu entendimento não pode prevalecer neste julgamento. Isso porque o § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF) dispõe que as decisões proferidas pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidos nos julgamentos desta Casa. Vejase seu teor: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão da decadência foi objeto de decisão do STJ, na referida sistemática, no REsp nº 973.733SC, com a relatoria do Ministro Luiz Fux. Foi o seguinte a ementa dessa decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 5537DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.538 20 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Percebase que o julgado deslocou a regra da decadência para o artigo 173, I, também nos casos em que se constata que o pagamento antecipado inocorre e inexiste declaração prévia do débito que corresponde ao crédito tributário. Portanto, o início do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos sujeitos à sistemática dos denominados “lançamentos por homologação”, restou assim configurado: 1. Se ocorrer dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) 2. Se não ocorrer dolo, fraude ou simulação: Fl. 5538DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.539 21 a. Se houver pagamento (ou declaração): data da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4º, do CTN) b. Se não houver pagamento (ou declaração): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) Independentemente de a maioria desta Turma discordar do entendimento de que o STJ teria incluído a "declaração" como fato suficiente para o enquadramento nas hipóteses "2.a" e "2.b" acima, importa notar que, no presente caso, tal discussão não pode ser enfrentada porque inexiste nos autos qualquer prova de declaração (com o atributo de confissão de dívida) dos tributos a pagar. A recorrente, com a sua impugnação, junta cópias dos DARF pagos nos anos de 2006 e 2007 com os códigos de receita nº 2372 e 2089 (fls. 3814 a 3849), respectivamente, referentes à CSLL e ao IRPJ. Por outro lado, na peça impugnatória (fls. 700), afirma que seria certo que o PIS e a COFINS também haviam sido pagos e que tal fato não havia sido negado pela autoridade autuante. Depois, no recurso (fls. 4524), acrescenta que o mesmo fato também não foi negado pelo acórdão recorrido. Ora, a argumentação da recorrente, no que diz respeito ao PIS e à COFINS, leva a crer que inexiste prova do pagamento daqueles tributos nos períodos que poderiam ser alcançados pela decadência se a regra a ser aplicada fosse a do § 4º do artigo 150 do CTN. Como se viu, a empresa fez prova do pagamento do IRPJ e da CSLL por ocasião da impugnação. Se houvesse a mesma prova para o PIS e a COFINS, não estaria ela a fazer meras alegações de que "seria certo" o seu pagamento. Além disso, a circunstância de a autoridade autuante e o acórdão recorrido não terem negado suas alegações não é pretexto para sua aquiescência. Ademais, os extratos das DIPJ juntados aos autos pela fiscalização (fls. 38 a 63) sugerem a ausência de qualquer sorte de apuração atinentes ao PIS e à COFINS. Nesse contexto, há que se reconhecer como procedente apenas parte da alegação concernente à decadência. Com efeito, relativamente ao IRPJ e à CSLL, há prova do pagamento em todos os períodos lançados, de modo que a regra a ser aplicada é a do § 4º do artigo 150 do CTN. Por isso, como a ciência da autuação foi efetivada em 13/12/2011, havia sido consumada a decadência do direito de lançar diferenças desses tributos referentes aos fatos geradores ocorridos no 1º, 2º e 3º trimestres de 2006. De outra parte, como não há prova do pagamento do PIS e da COFINS, a regra a ser aplicada é a do artigo 173, I, do CTN. Portanto, quanto a esses tributos, inexiste razão à recorrente. Mérito: Quanto às receitas da atividade, desde a impugnação, a empresa reconhece que houve erro de fato cometido por seus prepostos. Nesse sentido, ressalvada a aplicação da multa qualificada, já superada na análise das preliminares, inexiste litígio sobre essa infração. Fl. 5539DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.540 22 No tocante às receitas financeiras, primeiramente, existe a questão do regime de reconhecimento dessas receitas (caixa ou competência). Sobre o assunto, as Instruções Normativas da Receita Federal (IN/SRF), na condição de normas complementares da legislação tributária (artigo 100, I, do CTN), são claras ao determinar que os rendimentos em aplicações financeiras de renda fixa e os ganhos líquidos auferidos em renda variável sejam tributados segundo o regime de caixa. Nesse sentido, confirase os seguintes dispositivos: IN/SRF nº 93/97: Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: (...) II os ganhos de capital, demais receitas e resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior, auferidos no mesmo período; (...) § 2º O lucro presumido será determinado pelo regime de competência. (...) Art. 37. Excetuamse da regra estabelecida no § 2º do artigo anterior: I os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa; II os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável. § 1º Os rendimentos e ganhos líquidos de que tratam os incisos I e II deste artigo serão acrescidos à base de cálculo do lucro presumido por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação. (grifei) IN/SRF nº 25/01: Art. 33. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; (...) Fl. 5540DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.541 23 § 1º Os rendimentos e os ganhos líquidos de que trata este artigo integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado. (...) § 9º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado: (...) II os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); (grifei) Essa determinação tem fundamento no comando estampado no artigo 770 do RIR/99, verbis: CAPÍTULO II TRATAMENTO DOS RENDIMENTOS, GANHOS LÍQUIDOS E PERDAS Seção I Rendimentos e Ganhos Líquidos Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitam se à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swape outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). (...) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; (...) § 3º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado: I os ganhos líquidos auferidos no mês de encerramento do período de apuração serão incorporados automaticamente ao lucro presumido ou arbitrado; Fl. 5541DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.542 24 II os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); Portanto, equivocaramse a fiscalização e a decisão recorrida quando insistiram que o regime de caixa seria uma opção do contribuinte condicionada ao controle dos recebimentos de suas receitas em conta específica, no caso de manter escrituração contábil, ou escriturar o livro caixa. Na verdade, esse entendimento surgiu de uma leitura assistemática dos dispositivos normativos que regem a tributação pelo lucro presumido. Com efeito, aquela opção do contribuinte, como disse a DRJ, é prevista no § 2º do artigo 13 da Lei nº 9.718/98. Contudo, sua aplicação não se estende a hipótese dos rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e variável. Tanto é que a regulamentação administrativa que impunha o controle mencionado pela decisão recorrida (o artigo 1º da IN/SRF nº 104/98) tratava exclusivamente do reconhecimento de receitas de "venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços". Destarte, mesmo se forem convalidadas as correções promovidas pela primeira e segunda diligências, bem como pela própria decisão recorrida, há ainda o grave erro no regime de reconhecimento das receitas financeiras omitidas. Isso porque a fiscalização, depois de verificar o completo equívoco de ter tributado a totalidade dos valores auferidos com a venda de ações, segregou as receitas das aplicações de renda fixa daquelas obtidas com renda variável. Nesse sentido, seguiu os critérios de apuração dos ganhos líquidos em operações com ações nos mercados à vista estipulados nos artigos 761 e 762 do RIR/99. Depois, reconheceu que havia erros consubstanciados pela ausência de informação dos estoques iniciais de ativos em 01/01/2006 e pela duplicação da leitura de algumas notas de corretagem. Fez, então, novas correções e finalizou seus cálculos segundo os demonstrativos apresentados no corpo do relatório fiscal da segunda diligência (fls. 4335 a 4342). Por último, a DRJ corrigiu ainda um novo equívoco cometido nesses cálculos (a diligência havia somado a receita da atividade ao invés da correspondente lucratividade de 32% no cômputo da base de cálculo do IRPJ e CSLL vide a Tabela IV, às fls. 4338 e 4339) e acatou a alegação de não incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade da receita financeira em consonância com a inconstitucionalidade reconhecida pelo STF. Restaram, assim, as omissões de receita informadas no relatório da segunda diligência, porém, com valores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS calculados na conformidade das tabelas apresentadas na parte conclusiva do voto condutor da decisão recorrida. Ocorre que a receita financeira que restou mensalmente omitida, segundo a fiscalização, foi reconhecida segundo o regime de competência (segunda coluna da Tabela II do relatório da segunda diligência fls. 4336 e 4337). Como já ressaltado, o correto seria reconhecer essa receita segundo o regime de caixa. Por outro lado, a recorrente alegou que ainda há erros nos valores indicados como receita omitida a título de ganhos líquidos auferidos na renda variável (Tabela I do relatório da segunda diligência fls. 4335 e 4336). Demonstra esses erros exemplificando algumas operações levadas a cabo com ações do Bradesco e da Hering onde sustenta, no primeiro caso, a não consideração do estoque inicial de ações que propaga o erro para todos os meses em que houve apuração de ganho tributável e, no segundo caso, a não consideração de qualquer custo das ações vendidas. Acrescenta que a apuração, pelo regime de caixa, de todas as suas operações de renda fixa e renda variável deveria se dar Fl. 5542DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.543 25 na conformidade do relatório técnico final produzido pela auditoria da empresa E&Y. A DRJ não concordou em aprofundar essas questões porque entendeu que não seria possível a impugnação por exemplificação e que o relatório da E&Y se referia tão somente aos ganhos auferidos em aplicações de renda fixa. Nada obstante, a recorrente alega que a instância a quo se baseou no relatório parcial da E&Y juntado aos autos ainda durante a fiscalização. Não teria sido possível a conclusão daquela auditoria antes da lavratura dos autos de infração. Mesmo assim, já nas respostas à primeira diligência, segundo a recorrente, apresentou a versão final daquele relatório. Contudo, este não foi juntado aos autos. Por isso, no recurso fez a devida juntada (fls. 4685 a 5459). De fato, o citado relatório final apresenta valores de receita omitida bastante diversos daqueles que constam nas tabelas elaboradas pela fiscalização na segunda diligência. Se ficarmos apenas nos valores da receita financeira auferidos em renda fixa nos anos de 2006 e 2007, as aplicações totalizaram R$ 2.813.518,41 e os fundos de investimento R$ 663.245,06 (fls. 4701 e 4706). Enquanto isso, os valores omitidos como receita financeira (considerando apenas a renda fixa) segundo a tabela elaborada pela fiscalização (Tabela II fls. 4336 e 4337) atingiu a ordem de grandeza de R$ 6,5 milhões. Por outro lado, no que diz respeito aos valores da receita financeira auferidos na renda variável, de acordo com o relatório final da E&Y, chegouse a um total de apenas R$ 89.423,79 (fls. 4703). Em contrapartida, segundo a tabela elaborada pela fiscalização (Tabela I fls. 4335 e 4336), os valores omitidos como renda variável atingiram a ordem de grandeza de R$ 383 mil. A discrepância em relação à renda fixa é facilmente explicada pela diferença regimes de reconhecimento das receitas (competência x caixa). Por sua vez, em relação à renda variável, pode ser que haja alguma diferença motivada pelo fato de a fiscalização ter se mantido fiel ao regime de competência ao efetuar seus cálculos seguindo os critérios dos artigos 761 e 762 do RIR/99. Afinal, se tiver reconhecido a receita advinda das ações nas datas das respectivas alienações, ao invés das datas dos recebimentos, estará incorrendo no mesmo erro. Nada obstante, há também a hipótese de ter havido uma propagação dos erros apontados pela recorrente mediante os exemplos das ações do Bradesco e da Hering. Nesse contexto, é inaceitável a negativa da DRJ em aprofundar essa questão. Diante de tantas incertezas, assiste razão à recorrente em propugnar o cancelamento da totalidade da infração atinente à omissão das receitas financeiras. Admitese a correção dos valores lançados, nunca no sentido de agraválos, desde que se restrinja a meros erros de cálculo que podem ser facilmente contornados. No presente caso, a gravidade dos erros cometidos pela fiscalização, mormente no que diz respeito ao regime de reconhecimento das receitas, quando consubstanciados numa grande quantidade de operações, macula qualquer tentativa de correção. Por conseguinte, seria despiciendo tratar do recurso de ofício uma vez que a parte exonerada pela instância a quo alcançou apenas as receitas financeiras. Como já anunciado, isso se deu em consequência do erro cometido na segunda diligência (quando a autoridade fiscal somou a receita da atividade ao invés da correspondente lucratividade de 32% no cômputo da base de cálculo do IRPJ e CSLL) e por ter acatado a alegação de não incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade da receita financeira em consonância com a inconstitucionalidade reconhecida pelo STF. Contudo, caso seja vencido no entendimento acerca do cancelamento da totalidade da autuação na parte que toca as receitas financeiras, Fl. 5543DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.544 26 expresso minha concordância com as exonerações promovidas e chancelo as razões expostas no voto condutor da decisão recorrida. Relativamente às receitas não operacionais, quais sejam, aquelas recebidas em decorrência do chamado "Processo Record", a recorrente alega que os valores recebidos não foram tributados porque, na época, havia o entendimento de que verbas indenizatórias decorrentes de descumprimento de condições contratuais não seriam tributáveis, por não constituir renda, mas, sim, mera recomposição patrimonial. Ao remeter essa alegação para um entendimento passado, a recorrente parece se conformar com o caráter tributável dos valores recebidos. Nada obstante isso, a fiscalização e a DRJ sustentam a tributação por entenderem que se trata de receitas não operacionais ("demais receitas" contidas no espectro do artigo 521 do RIR/99). A recorrente contraargumenta invocando a natureza operacional dessas receitas porque decorrem da remuneração contratualmente acordada para a prestação de serviços por parte da sua sócia majoritária (programação apresentada por Ana Maria Braga). Extrai desse entendimento duas consequências: teria decaído o direito de exigir qualquer tributo porque os serviços foram prestados anteriormente ao ajuizamento da ação (1999) e, no caso do IRPJ e da CSLL, a tributação deveria incidir sobre o lucro presumido (as alíquotas seria aplicadas sobre o percentual de 32% dos valores recebidos). Caso contrário, ou seja, na hipótese de ser confirmada a natureza não operacional daquelas receitas, proclama a improcedência da cobrança do PIS e da COFINS em face da inconstitucionalidade decidida pelo STF. Como já assentado, entendo que havia decaído o direito de a fiscalização lançar os valores de IRPJ e CSLL correspondentes ao fato gerador dos valores recebidos do "Processo Record" (2º trimestre de 2006). Não por causa de os serviços terem sido prestados anteriormente a 1999, mas, sim, porque não ficou caracterizada as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, nem a ausência de pagamentos desses tributos, condições necessárias para o deslocamento da regra decadencial para o artigo 173, I, do CTN. O mesmo não se pôde concluir a respeito do PIS e da COFINS, por isso, persiste a análise do mérito do lançamento dessas contribuições. De fato, a fiscalização e a DRJ têm razão ao entender que estamos diante de receitas não operacionais. A natureza dos valores recebidos está estampada no documento que os sustentou, vale dizer, o acordo homologado entre as partes (fls. 5514), o qual foi categórico em afirmar que os pagamentos foram realizados "a título de indenização por danos patrimoniais". Portanto, não se tratava mais de remuneração pelos serviços prestados. Por outro lado, assiste razão à recorrente quando alega a improcedência da cobrança do PIS e da COFINS em face da inconstitucionalidade decidida pelo STF. É que, por estar no regime do lucro presumido, a empresa se submete, no âmbito daquelas contribuições, à sistemática cumulativa. Nesse caso, a tributação das receitas não operacionais era motivada pelo alargamento do conceito de faturamento promovido pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ocorre que o STF declarou sua inconstitucionalidade por violação à redação original do artigo 195, I, da Constituição Federal. Por disposição expressa do § 2º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF, devem ser reproduzidas nos julgamentos desta Casa. Confira se: Fl. 5544DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.545 27 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sobre o caráter definitivo da menciona inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais assim já se posicionou: Acórdão nº 9101001.281, de 25/10/2012 REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ – ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, não incide a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. A relatora do voto condutor do referido acórdão, a ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias, expressou seu entendimento com as seguintes palavras: A despeito da presunção de constitucionalidade das leis, bem como a despeito das decisões acerca da ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS terem sido proferidas em controle difuso, cumpre fazer duas considerações a seguir: (i) a primeira de que é autorizado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a lei por inconstitucionalidade, quando houver decisões definitivas de mérito, proferidas pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543B do Código de Processo Civil; (ii) a segunda, de que, em 10/09/2008, o Supremo Tribunal Federal, resolvendo questão de ordem no Recurso Extraordinário nº 585.235 reconheceu a repercussão geral acerca do tema e reafirmou a jurisprudência anteriormente firmada, no sentido de que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § Fl. 5545DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.546 28 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; RE`s nºs. 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Portanto, de fato, são improcedentes também os lançamentos de PIS e COFINS atinentes às receitas não operacionais. No que diz respeito à insurgência contra a taxa SELIC e a cobrança de juros sobre a multa de ofício, não assiste razão à recorrente. Essa argumentação costuma ser motivada pela ressalva contida no artigo 161 do CTN. Confirase: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) Ou seja, apenas o valor do principal poderia ser atualizado pelos juros, ressalvado o direito de o Fisco exigir a multa correspondente, sem que esta pudesse ser atualizada. Outras vezes fazse semelhante argumentação com base no que dispõem o artigo 61, c/c o seu § 3º, da Lei nº 9.430/96, verbis: Fl. 5546DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.547 29 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) Desta feita, somente sobre os débitos de tributos e contribuições poderiam incidir os juros. Sem embargo, sobre o assunto, o entendimento do CARF pode ser extraído das seguintes súmulas: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (grifei) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (grifei) Portanto, os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Esta última expressão é definida pelo CTN nos seguintes termos: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (grifei) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 5547DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.548 30 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. Como se sabe, a matéria sumulada é de observância obrigatória por disposição expressa do que consta no artigo 72 do Anexo II do RICARF. A despeito de existirem decisões contrárias, há outras que corroboram o entendimento acima expresso. Notese, por exemplo, as ementas dos seguintes acórdãos da Câmara Superior: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada: Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011, Redator Designado: Claudemir Rodrigues Malaquias) Ademais, o STJ também já se pronunciou neste sentido. Vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, concluo que está correta a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Fl. 5548DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.549 31 Por fim acerca do erro cometido pelo acórdão recorrido ao elaborar os cálculos da parte "mantida" e "exonerada", considerando as exonerações promovidas no presente voto, há que se refazêlos nos seguintes termos: Parte mantida: omissão de receitas da atividade (primeira infração dos autos de infração), aplicando coeficiente de presunção do lucro de 32% (no caso do IRPJ e da CSLL) e multa proporcional de 75%, nos seguintes trimestres: 1º Trimestre de 2006: R$ 143.527,98 (para o PIS e a COFINS) 2º Trimestre de 2006: R$ 489.561,81 (para o PIS e a COFINS) 3º Trimestre de 2006: R$ 199.154,77 (para o PIS e a COFINS) 4º Trimestre de 2006: R$ 125.583,05 (para todos os tributos) 1º Trimestre de 2007: R$ 141.259,37 (para todos os tributos) 2º Trimestre de 2007: R$ 90.957,33 (para todos os tributos) 3º Trimestre de 2007: R$ 75.326,64 (para todos os tributos) 4º Trimestre de 2007: R$ 205.903,98 (para todos os tributos) Parte exonerada: omissão de receitas da atividade, correspondentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2006, relativa ao PIS e à COFINS (primeira infração dos autos de infração); omissão de receitas financeiras (segunda infração dos autos de infração); e omissão de receitas não operacionais (terceira infração dos autos de infração). Conclusão: Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para acolher a preliminar de decadência dos 1º, 2º e 3º trimestres, relativamente ao IRPJ e à CSLL, e, no mérito, afastar a totalidade das omissões de receitas financeira e não operacionais, bem como desqualificar as multas aplicadas. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 5549DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721898/201142 Acórdão n.º 1401001.631 S1C4T1 Fl. 5.550 32 Fl. 5550DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 12/05/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10980.725664/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento fiscal, vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento fiscal, vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que aplicavam aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 56 64 /2 01 3- 75 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.725664/201375, em face do acórdão nº 1652.213, julgado pela 16ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), na sessão de julgamento de 30 de outubro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Como resultado da apreciação da Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL) apresentada pelo contribuinte contra a emissão da Notificação de Lançamento n° 2010/324804083743952 (fls. 97 a 102), foi emitida a Notificação de Lançamento n° 2010/807774032141585 (fls. 33 a 37), que substituiu integralmente a primeira. Por meio desta última, constituiuse o crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, no valor de R$ 10.039,52, acrescido de multa de mora de R$ 2.007,90, além de juros de mora calculados até 31/03/2009. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 35) que foi apurada a seguinte infração: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Enquadramento legal: art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/1995; arts. 7o, §§ 1o e 2o, e 87, inciso IV, § 2o, do RIR/1999. O interessado foi cientificado em 04/07/2013 (fl. 38) e, em 02/08/2013, apresentou a impugnação de fls. 02 a 08, na qual alega o que segue: o valor de IRRF de R$ 15.199,85 referese a ação judicial proposta por excolaboradores do antigo Banco Meridional (atual Banco Santander Brasil), dentre os quais o ora impugnante, perante a 14ª Vara (Cível) de Porto Alegre, Processo n° 001.07.02807099, tendo por objeto o pagamento de diferenças de Abono e AuxílioCesta referentes aos anos de 1994 a 2007; o impugnante jamais imaginou que esse valor não seria recolhido pela fonte pagadora, uma vez que se tratava de ação judicial; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10980.725664/201375 Acórdão n.º 2202003.286 S2C2T2 Fl. 182 3 como o Banco Santander não forneceu o informe de rendimentos, o impugnante se baseou nos documentos que fazem parte do referido processo; o banco entrou com recurso posterior à entrega da declaração, solicitando que o valor do IRRF ficasse retido para ser discutido em parcela incontroversa; em março de 2010, a Justiça autorizou o banco a fazer o cálculo com base no rendimento mensal, nos termos dos artigos 12 e 12A da Lei n° 7.713/1988; à luz dos documentos entregues à Receita Federal, não houve por parte do impugnante qualquer omissão de informações sobre rendimentos da pessoa jurídica, razão pela qual não poderia ser penalizado por multas punitivas; caso seus argumentos não sejam aceitos, requer seja aplicado o artigo 12A da Lei n 7.713/1988, de modo que os rendimentos sejam calculados separadamente dos proventos da aposentadoria, como rendimentos recebidos acumuladamente, conforme Pergunta n° 233 do Manual de Perguntas e Respostas extraído do sítio da Receita Federal; não é justo que o contribuinte seja punido por uma situação onde os rendimentos, o valor da retenção devida, demonstrada por perito nos autos, informada pelo advogado do processo, seja considerada como glosa pela Receita Federal; em momento algum o contribuinte tentou enganar ou esconder alguma coisa da Receita Federal. Ao final, requer: i) seja restabelecido o valor do IRRF glosado; ii) caso seja mantida a glosa, seja aplicado o artigo 12A da Lei n° 7.713/1988; iii) sejam considerados os documentos entregues no curso do procedimento fiscal; iv) não haja aplicação de multa e atualização de valores, pois não houve violação da legislação vigente, em função de ação judicial onde houve reforma na decisão no quesito do valor do IRRF; v) seja conferida prioridade na apreciação do litígio, conforme previsto no artigo 71 da Lei n° 10.741/2003. Os autos foram instruídos com o dossiê fiscal de fls. 97 a 149. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Mantémse a glosa, uma vez confirmada nos autos a retenção do imposto na fonte, no valor computado no lançamento. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, proventos ou pensões, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente, estão sujeitos à incidência do imposto de renda quando do seu recebimento. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade tributária por infrações é, em regra, objetiva, ou seja independe da intenção do agente. Em caso de lançamento de ofício, quando não evidenciada a existência de dolo na conduta do contribuinte, aplicase a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do imposto devido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a improcedência da impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 167/177, onde são reiterados os argumentos já apresentados em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme referido, foi utilizado no lançamento, como fundamentação legal, o artigo 12 da Lei nº 7.713/88. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nª 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 10980.725664/201375 Acórdão n.º 2202003.286 S2C2T2 Fl. 183 5 o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Artigo 62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal por vício material. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 10715.001387/2011-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/12/2008, 12/12/2008, 18/12/2008
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/12/2008, 12/12/2008, 18/12/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/12/2008, 12/12/2008, 18/12/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 13 87 /2 01 1- 80 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 9303003.750 CSRFT3 Fl. 246 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3803006.265, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 9303003.750 CSRFT3 Fl. 247 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 9303003.750 CSRFT3 Fl. 248 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 9303003.750 CSRFT3 Fl. 249 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 9303003.750 CSRFT3 Fl. 250 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 9303003.750 CSRFT3 Fl. 251 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 9303003.750 CSRFT3 Fl. 252 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001387/201180 Acórdão n.º 9303003.750 CSRFT3 Fl. 253 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15586.720247/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificadas omissões na decisão embargada, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de suprir os vícios apontados.
INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CUSTO DE NAVIOS. DESPESAS DE EMBARQUE.
Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com custos de navios e com as demais despesas na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afasta-se a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA.
À luz do art. 8º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deve ser apurado com base no valor das notas fiscais de aquisição dos bens no mesmo período de apuração do crédito, não havendo amparo legal para ajustar o valor dessas aquisições pelo preço médio dos produtos em estoque.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3402-003.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas na decisão embargada, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos; b) pelo voto de qualidade, para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para apuração dos créditos presumidos sobre transferências entre filiais. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Verificadas omissões na decisão embargada, acolhemse os embargos de declaração para o fim de suprir os vícios apontados. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CUSTO DE NAVIOS. DESPESAS DE EMBARQUE. Comprovada a vinculação dos gastos incorridos com custos de navios e com as demais despesas na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, afastase a glosa que foi fundamentada apenas na não vinculação. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. À luz do art. 8º, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deve ser apurado com base no valor das notas fiscais de aquisição dos bens no mesmo período de apuração do crédito, não havendo amparo legal para ajustar o valor dessas aquisições pelo preço médio dos produtos em estoque. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas na decisão embargada, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos; b) pelo voto de qualidade, para manter a glosa do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 47 /2 01 1- 41 Fl. 783DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 apuração dos créditos presumidos sobre transferências entre filiais. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos em tempo hábil pelo contribuinte ao Acórdão nº 3403002.755, sob o argumento de que existem omissões no referido julgado. Primeira omissão. Segundo a embargante, o colegiado reconheceu, em tese, o direito à tomada do crédito sobre os dispêndios com serviços portuários na prestação de serviços a terceiros. Entretanto, não reconheceu esse direito in concreto, por ter considerado que a recorrente não apresentara a documentação comprobatória da vinculação entre os gastos com despesas portuárias e a prestação de serviços a terceiros, em relação ao trimestre em questão. Após ter requerido cópia integral do processo, a defesa percebeu que a petição por ela protocolizada em 27 de novembro de 2013, com os documentos relativos ao 3º Trimestre de 2007, não havia sido juntada aos autos, o que fez com que o processo fosse julgado sem que os conselheiros tomassem conhecimento das referidas provas. Assim, por razão alheia ao controle e vontade da embargante e dos conselheiros, mas sim por falha exclusiva de procedimentos internos do CARF, a decisão recorrida omitiuse de se pronunciar sobre documentos que haviam sido regularmente apresentados antes de iniciado o julgamento do recurso voluntário, situação que deve ser sanada por meio destes embargos. Segunda omissão. Segundo a embargante, a fiscalização glosou o crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004), sob o argumento de que a empresa o registrou em momento posterior à efetiva aquisição da soja e com base em valor diverso do constante das notas ficais de aquisição. Em resposta, a defesa demonstrou que a sistemática adotada para apuração do crédito presumido tinha amparo legal, considerandose as particularidades da aquisição de soja. Ao analisar essa questão, o colegiado, de maneira inédita, decidiu manter a glosa sob o único fundamento de que o crédito presumido da agroindústria não poderia ter sido utilizado em pedido de ressarcimento. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720247/201141 Acórdão n.º 3402003.158 S3C4T2 Fl. 5 3 Acontece, que o pedido de ressarcimento apresentado pela empresa não contempla o crédito presumido da agroindústria, pois se refere exclusivamente a créditos relativos às aquisições no mercado interno, vinculadas à receita de exportação. Tal fato pode ser comprovado por meio da análise do DACON às fls. 244/285. No referido documento, o crédito presumido de COFINS foi efetivamente utilizado da forma como proposta pelo Colegiado, exclusivamente para a dedução da COFINS devida nos meses de julho, agosto e setembro de 2007, não havendo qualquer saldo remanescente compondo o valor do crédito pleiteado no pedido de ressarcimento. É por tal motivo que as autoridades fiscais nunca acusaram a Embargante de ter pleiteado a restituição dos créditos presumidos e esse assunto nunca ter sido objeto de controvérsia. Ao analisar o pedido de ressarcimento apresentado, a fiscalização decidiu também analisar e glosar o crédito presumido, fato que implicou, entre outros motivos, a reapuração da PIS do período e o indeferimento do crédito pleiteado. Tendo sido comprovado que a situação fática existente neste processo é diferente da considerada na decisão embargada, ainda pende de exame a questão da validade do crédito presumido da forma apurada pelo contribuinte, omissão que merece ser sanada por meio destes embargos de declaração. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Relativamente à primeira omissão, tendo em vista que o despacho de admissibilidade de embargos de fls. 780/782 constatou que o Acórdão embargado foi proferido sem a análise dos documentos que haviam sido protocolados pela defesa em 27/11/2013, é necessário suprir a omissão alegada pela embargante. A omissão se refere à análise de provas, pois o Acórdão 3403002.755 analisou a questão de direito, relativa à tomada do crédito sobre serviços prestados a terceiros pela filial Santos, tendo rechaçado a interpretação da DRJ, e reconhecido o direito em tese. O problema foi que os documentos comprobatórios anexados com a impugnação não se referiam a este trimestrecalendário e os documentos pertinentes protocolados pelo contribuinte em 27/11/2013 só apareceram nos autos após a prolação do acórdão embargado. Sendo assim, esta turma não pode analisar a questão de direito, pois ela já foi decidida pela extinta Turma 3403, restando apenas verificar se os documentos protocolados pelo contribuinte em 27/11/2013 comprovam o fato alegado e se eles podem ser aceitos à luz do que preceitua o art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No que concerne à preclusão do direito de apresentar documentos, o art. 16 do PAF regula o procedimento em relação ao julgamento de primeira instância, estabelecendo uma preclusão quanto a documentos apresentados após a impugnação, mas esse dispositivo legal não veda a possibilidade de o CARF apreciar a documentação serôdia. Pelo contrário, Fl. 785DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 existe previsão expressa no art. 16, § 6º, no sentido de que os documentos serôdios deverão permanecer no processo para serem analisados em segunda instância, no caso de haver interposição de recurso. Sendo assim, e diante do silêncio do Regimento Interno quanto à apresentação serôdia de documentos, entendo que os documentos apresentados pelo contribuinte em 27/11/2013 podem e devem ser conhecidos por este colegiado, sem que ocorra nenhuma ofensa a qualquer dispositivo legal que seja. Acrescento que no caso concreto nem se pode alegar que haveria supressão de instância, pois se tivessem sido juntados com a impugnação, a DRJ não teria apreciado esses documentos, pois para manter a glosa ela alterou o critério jurídico adotado pela fiscalização, conforme se pode comprovar no seguinte excerto, extraído do voto condutor do Acórdão 3403 002.755: "(...) Neste tópico, a decisão de primeira instância foi mais radical que a própria fiscalização, pois entendeu que a legislação não dá respaldo ao rateio das despesas, encargos e custos comuns, quando uma parte poderia gerar o crédito e a outra parte representa despesas operacionais. A DRJ chegou a essa conclusão analisando a literalidade dos arts. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, os quais se referem ao rateio na hipótese de parte das receitas da pessoa jurídica estarem sujeitas ao regime cumulativo e parte ao regime não cumulativo. Tendo em vista que a lei silenciou quanto à hipótese de rateio com base na despesa, entendeu a DRJ que não haveria direito à tomada do crédito por ausência de previsão legal. A interpretação literal da DRJ não foi correta, pois de um lado, o direito de os contribuintes tomarem o crédito sobre serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros foi contemplado no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10833/03. E de outro lado, o art. 299, do RIR/99 conceitua o que são despesas operacionais. Se determinados gastos incorridos pela filial Santos configuram custo na prestação de serviços a terceiros e ao mesmo tempo despesa operacional da própria empresa, se não houver um sistema de custos integrado com a contabilidade, a única forma de garantir o direito estabelecido nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 é fazer o rateio dessas despesas com base no percentual de mercadorias de terceiros em relação ao total de mercadorias movimentado a cada mês. Este foi também o entendimento da fiscalização, pois ela admitiu o crédito obtido mediante rateio e somente glosou as despesas identificadas no ANEXO II com a indicação "santos armaz", que ela não conseguiu identificar como sendo diretamente relacionadas a serviços prestados a terceiros. Assim, o único fato a ser provado pela defesa para o fim de elidir a glosa é a existência de vinculação dessas despesas com o embarque de mercadorias de terceiros efetuados no trimestre. (...)" Por tais razões, voto no sentido de que o colegiado admita e conheça dos documentos protocolados pela defesa em 27/11/2013. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720247/201141 Acórdão n.º 3402003.158 S3C4T2 Fl. 6 5 Em sede de recurso e também nos documentos protocolados em 27/11/2013, o contribuinte explicou a forma e os critérios utilizados no rateio e alegou que tais documentos comprovam a vinculação de parte dos gastos com o serviço prestado a terceiros. Analisandose a documentação apresentada às fls. 670/711, verificase que restou plenamente comprovada a vinculação dos gastos com os serviços prestados a terceiros. Esses documentos permitem identificar os custos com navios e as demais despesas envolvidas, os nomes dos navios envolvidos e as quantidades de cargas pertencentes à empresa ADM e a terceiros movimentadas por cada embarque realizado e a cada mês do trimestre calendário em questão. Portanto, comprovada, em relação ao terceiro trimestre de 2007, a vinculação de uma parte das despesas com o embarque de cargas de terceiros, deve ser revertida a glosa efetuada no ANEXO II, sob a rubrica "santos armaz". No que concerne à segunda omissão, a defesa também tem razão, pois analisandose os dados consignados nas fichas 16A e 24 do DACON às fls. 244/285, verifica se que não houve pedido de ressarcimento do crédito presumido, mas apenas seu aproveitamento para dedução dos valores da COFINS a serem recolhidos. Quanto ao mérito, a defesa argumentou, em síntese, que em virtude da flutuação do preço da soja, o preço efetivo do produto só é conhecido ao final do contrato de fornecimento. Em razão disso, existe uma diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustado no final do contrato. O preço consignado na nota fiscal do vendedor pode ser inferior ou superior ao que é fixado no final do contrato, daí a razão de o contribuinte adotar o método de apurar o custo (e o crédito presumido) com base no valor médio da soja estocada, o que não foi aceito pela fiscalização. A embargante argumentou com o disposto no art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925/2004, mas ignorou o disposto no § 2º do mesmo dispositivo legal, que para maior comodidade permitome transcrever: Art. 8º Omissis... § 1º Omissis... § 2oO direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1odeste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3oO montante do crédito a que se referem o caput e o § 1odeste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Da leitura conjunta dos dois parágrafos acima transcritos, concluise que a lei determina o cálculo do crédito presumido relativo a determinado período de apuração, tomando por base o valor das aquisições ocorridas no próprio mês. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 A interpretação pretendida pela recorrente só seria viável, caso não existisse o parágrafo 2º. Mas o parágrafo 2º existe e ele determina que somente bens adquiridos ou recebidos no mesmo período de apuração do crédito é que podem gerar o crédito presumido. Portanto, o pleito da recorrente deve ser rejeitado, pois à luz do art. 8º, § 2º e 3º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido deve ser apurado com base no valor das notas fiscais relativas à aquisição de bens ocorridas no mesmo período de apuração do crédito. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir as omissões apontadas no Acórdão 3403002.755, e, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas efetuadas no ANEXO II sob a rubrica "santos armaz". (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 788DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722064/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN) nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou, ainda, mesmo nas ausências desses vícios, quando não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado, pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733/SC. Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cuidando-se de decisões de mérito proferidas no âmbito do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos do art. 543-C do Código de Processo Civil, cumpre o acatamento pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 REGIME NÃO-CUMULATIVO. REVENDA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é permitida a manutenção de crédito de contribuições, pelo vendedor, nas hipóteses de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Contudo, somente os créditos legalmente constituídos têm sua manutenção assegurada por tal dispositivo, não sendo cabível invocá-lo para manter créditos com origem vedada pela legislação de regência da COFINS, como nos casos de aquisição de produtos farmacêuticos cujo desconto de crédito está vedado pelo art. 3º, I, ‘b’, da Lei nº 10.833/2003. ACÓRDÃO GERADO NO PGD-CARF PROCESSO 19515.722064/2012-35 2 REGIME NÃO-CUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As devoluções de vendas são, na essência, o cancelamento de operações anteriormente ocorridas. Se as vendas ocorreram com incidência de alíquota zero e, portanto, sem débito da contribuição, não há que se falar em crédito por ocasião de suas devoluções. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Para efeito do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003, insumo deve ser entendido como o bem ou serviço pertinente ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possa ser diretamente empregado, e cuja subtração importa a impossibilidade de prestação do serviço ou da produção. Em se tratando de comércio, atividade distinta de produção e de prestação de serviço, não há que se falar em insumo para fins de aplicação dos dispositivos legais que tratam de desconto de crédito na apuração da COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Frete pago em deslocamento de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com a finalidade de facilitar a entrega dos bens a potenciais consumidores, não gera direito ao desconto de crédito previsto no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADO COM BASE EM ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. RESTRIÇÃO LEGAL. O § 1º, inciso III, c/c o inciso VI do caput do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, autoriza o desconto de créditos calculados em relação a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, destinados à locação a terceiros ou utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Dessa feita, a depreciação de tais bens quando associados à comercialização não está abrangida pelo preceito legal, sendo-lhe vedada a extração de créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 REGIME NÃO-CUMULATIVO. REVENDA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é permitida a manutenção de crédito de contribuições, pelo vendedor, nas hipóteses de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Contudo, somente os créditos legalmente constituídos têm sua manutenção assegurada por tal dispositivo, não sendo cabível invocá-lo para manter créditos com origem vedada pela legislação de regência do PIS/PASEP, como nos casos de aquisição de produtos farmacêuticos cujo desconto de crédito está vedado pelo art. 3º, I, ‘b’, da Lei nº 10.637/2002. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As devoluções de vendas são, na essência, o cancelamento de operações anteriormente ocorridas. Se as vendas ocorreram com incidência de alíquota zero e, portanto, sem débito da contribuição, não há que se falar em crédito por ocasião de suas devoluções.
Numero da decisão: 3401-003.169
Decisão: Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário
apresentado. Vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Eloy Eros da Silva Nogueira, que reconheciam o direito de créditos no que se refere a fretes de produtos acabados.
O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira foi ainda vencido em relação a créditos decorrentes de despesas de depreciação, e acompanhou o relator pelas conclusões, em relação à decadência.
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Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cuidando-se de decisões de mérito proferidas no âmbito do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos do art. 543-C do Código de Processo Civil, cumpre o acatamento pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 REGIME NÃO-CUMULATIVO. REVENDA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é permitida a manutenção de crédito de contribuições, pelo vendedor, nas hipóteses de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Contudo, somente os créditos legalmente constituídos têm sua manutenção assegurada por tal dispositivo, não sendo cabível invocá-lo para manter créditos com origem vedada pela legislação de regência da COFINS, como nos casos de aquisição de produtos farmacêuticos cujo desconto de crédito está vedado pelo art. 3º, I, ‘b’, da Lei nº 10.833/2003. ACÓRDÃO GERADO NO PGD-CARF PROCESSO 19515.722064/2012-35 2 REGIME NÃO-CUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As devoluções de vendas são, na essência, o cancelamento de operações anteriormente ocorridas. Se as vendas ocorreram com incidência de alíquota zero e, portanto, sem débito da contribuição, não há que se falar em crédito por ocasião de suas devoluções. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Para efeito do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003, insumo deve ser entendido como o bem ou serviço pertinente ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possa ser diretamente empregado, e cuja subtração importa a impossibilidade de prestação do serviço ou da produção. Em se tratando de comércio, atividade distinta de produção e de prestação de serviço, não há que se falar em insumo para fins de aplicação dos dispositivos legais que tratam de desconto de crédito na apuração da COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Frete pago em deslocamento de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com a finalidade de facilitar a entrega dos bens a potenciais consumidores, não gera direito ao desconto de crédito previsto no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADO COM BASE EM ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. RESTRIÇÃO LEGAL. O § 1º, inciso III, c/c o inciso VI do caput do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, autoriza o desconto de créditos calculados em relação a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, destinados à locação a terceiros ou utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Dessa feita, a depreciação de tais bens quando associados à comercialização não está abrangida pelo preceito legal, sendo-lhe vedada a extração de créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 REGIME NÃO-CUMULATIVO. REVENDA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é permitida a manutenção de crédito de contribuições, pelo vendedor, nas hipóteses de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Contudo, somente os créditos legalmente constituídos têm sua manutenção assegurada por tal dispositivo, não sendo cabível invocá-lo para manter créditos com origem vedada pela legislação de regência do PIS/PASEP, como nos casos de aquisição de produtos farmacêuticos cujo desconto de crédito está vedado pelo art. 3º, I, ‘b’, da Lei nº 10.637/2002. REGIME NÃO-CUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As devoluções de vendas são, na essência, o cancelamento de operações anteriormente ocorridas. Se as vendas ocorreram com incidência de alíquota zero e, portanto, sem débito da contribuição, não há que se falar em crédito por ocasião de suas devoluções.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN) nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou, ainda, mesmo nas ausências desses vícios, quando não ocorre o pagamento antecipado da exação e inexiste declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado, pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733/SC. Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cuidandose de decisões de mérito proferidas no âmbito do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil, cumpre o acatamento pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 REGIME NÃOCUMULATIVO. REVENDA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é permitida a manutenção de crédito de contribuições, pelo vendedor, nas hipóteses de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Contudo, somente os créditos legalmente constituídos têm sua manutenção assegurada por tal dispositivo, não sendo cabível invocálo para manter créditos com origem vedada pela legislação de regência da COFINS, como nos casos de aquisição de produtos farmacêuticos cujo desconto de crédito está vedado pelo art. 3º, I, ‘b’, da Lei nº 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 64 /2 01 2- 35Fl. 796DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 REGIME NÃOCUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As devoluções de vendas são, na essência, o cancelamento de operações anteriormente ocorridas. Se as vendas ocorreram com incidência de alíquota zero e, portanto, sem débito da contribuição, não há que se falar em crédito por ocasião de suas devoluções. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Para efeito do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003, insumo deve ser entendido como o bem ou serviço pertinente ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possa ser diretamente empregado, e cuja subtração importa a impossibilidade de prestação do serviço ou da produção. Em se tratando de comércio, atividade distinta de produção e de prestação de serviço, não há que se falar em insumo para fins de aplicação dos dispositivos legais que tratam de desconto de crédito na apuração da COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Frete pago em deslocamento de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com a finalidade de facilitar a entrega dos bens a potenciais consumidores, não gera direito ao desconto de crédito previsto no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADO COM BASE EM ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. RESTRIÇÃO LEGAL. O § 1º, inciso III, c/c o inciso VI do caput do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, autoriza o desconto de créditos calculados em relação a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, destinados à locação a terceiros ou utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Dessa feita, a depreciação de tais bens quando associados à comercialização não está abrangida pelo preceito legal, sendolhe vedada a extração de créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 REGIME NÃOCUMULATIVO. REVENDA DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS. ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é permitida a manutenção de crédito de contribuições, pelo vendedor, nas hipóteses de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Contudo, somente os créditos legalmente constituídos têm sua manutenção assegurada por tal dispositivo, não sendo cabível invocálo para manter créditos com origem vedada pela legislação de regência do PIS/PASEP, como nos casos de aquisição de produtos farmacêuticos cujo desconto de crédito está vedado pelo art. 3º, I, ‘b’, da Lei nº 10.637/2002. REGIME NÃOCUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As devoluções de vendas são, na essência, o cancelamento de operações anteriormente ocorridas. Se as vendas ocorreram com incidência de alíquota zero e, portanto, sem débito da contribuição, não há que se falar em crédito por ocasião de suas devoluções. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.722064/201235 Acórdão n.º 3401003.169 S3C4T1 Fl. 797 3 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Para efeito do art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, insumo deve ser entendido como o bem ou serviço pertinente ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possa ser diretamente empregado, e cuja subtração importa a impossibilidade de prestação do serviço ou da produção. Em se tratando de comércio, atividade distinta de produção e de prestação de serviço, não há que se falar em insumo para fins de aplicação dos dispositivos legais que tratam de desconto de crédito na apuração do PIS/Pasep. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Frete pago em deslocamento de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com a finalidade de facilitar a entrega dos bens a potenciais consumidores, não gera direito ao desconto de crédito previsto no art. 3º, inciso IX, c/c o art. 15, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS COM BASE EM ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. RESTRIÇÃO LEGAL. O § 1º, inciso III, c/c o inciso VI do caput do artigo 3º da Lei nº 10.637/02 autoriza o desconto de créditos calculados em relação à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, destinados à locação a terceiros ou utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Dessa feita, a depreciação de bens imobilizados que contribuam à comercialização não está abrangida pelo preceito legal, sendolhe vedada a extração de créditos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário apresentado. Vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Eloy Eros da Silva Nogueira, que reconheciam o direito de créditos no que se refere a fretes de produtos acabados. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira foi ainda vencido em relação a créditos decorrentes de despesas de depreciação, e acompanhou o relator pelas conclusões, em relação à decadência. Robson José Bayerl Presidente. Waltamir Barreiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para exigir da contribuinte o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), referentes a fatos geradores do período de 01/01/2007 a 31/12/2007 (fls. 464473 e 474483). A ciência da contribuinte acerca dos Autos de Infração deuse em 16/10/2012 (fl. 487). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF (fl. 441), a fiscalização teve origem no exame de diversos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação (DCOMP) em que a contribuinte pretendia compensar débitos administrados pela RFB com créditos de PIS/Pasep e de COFINS. Assevera a Autoridade Fiscal que foram indeferidos os pedidos de ressarcimento e não homologadas as declarações de compensação apresentadas por insuficiência dos créditos pleiteados. Aduz, ainda, que a insuficiência de créditos alcançou também o montante das deduções informadas na DACON, constatandose a necessidade de constituição de ofício, por meio de Auto de Infração, dos valores não declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DTCF. Após os ajustes decorrentes das glosas de despesas que o agente fiscal entendeu não ter amparo legal, foram apurados saldos devedores em todos os meses do período fiscalizado (janeiro a dezembro de 2007), ao contrário das DACON’s apresentadas, que continham saldos mensais credores em virtude das despesas e devoluções posteriormente glosadas. Como resultado, os saldos devedores de COFINS e de PIS/Pasep objeto do lançamento de ofício totalizaram, respectivamente, R$ 2.463.598,16 e R$ 534.860,09. (fls. 437440) De modo sumário, elencamse as razões que deram causa à autuação, todas relacionadas à legalidade do creditamento promovido pela Recorrente (fls. 441462): 1 impossibilidade de creditamento de PIS/Pasep e COFINS quanto às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revendas ou relacionadas à devolução de vendas; 2 ausência de comprovação de despesas de aluguel de imóvel pago à pessoa jurídica, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2007, bem como da não apresentação do respectivo contrato de locação no curso do procedimento fiscal, impossibilitando o respectivo creditamento de PIS/Pasep e COFINS; 3 impossibilidade de creditamento de PIS/Pasep e COFINS quanto às despesas de frete por transferência de mercadoria entre estabelecimentos da mesma empresa; 4 impossibilidade de creditamento de PIS/Pasep e COFINS quanto à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado que não sejam destinados à produção de outros bens ou à prestação de serviços; e 5 ausência de comprovação de créditos rubricados como “outras operações com direito a crédito”. Por fim, a autoridade fiscal fundamenta a legalidade do lançamento quanto ao prazo decadencial, assinalando que “a contagem do prazo decadencial com início na ocorrência Fl. 799DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.722064/201235 Acórdão n.º 3401003.169 S3C4T1 Fl. 798 5 do fato gerador prevista no § 4º do art. 150 do CTN aplicase apenas aos casos de lançamento por homologação em que há o pagamento antecipado do tributo (...) Na hipótese em que não há o pagamento antecipado aplicase a regra geral do inciso I do art. 173 do CTN ...” Conclui afirmando que no caso em tela não houve recolhimento de PIS/Pasep e COFINS, já que não houve valores declarados na DCTF. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou Impugnação, em 14/11/2012, alegando, em breve síntese, as seguintes matérias: (i) a decadência de parte do crédito tributário; (ii) a possibilidade de creditamento de PIS/Pasep e COFINS com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas; (iii) a devida comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica. Juntou, à impugnação, o Contrato de Locação firmado em 01/08/2005, que à época não havia localizado “por se tratar de documento muito antigo”; (iv) a possibilidade de creditamento de PIS/Pasep e COFINS com relação a frete nas transferências de mercadoria entre estabelecimentos da mesma empresa; (v) a possibilidade de creditamento de PIS/Pasep e COFINS em relação à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado; e (vi) a necessidade de prazo para a comprovação de créditos rubricados como “outras operações com direito a crédito” (fls. 490506). Em 09/08/2013, a DRJ/RS baixou o feito em diligência, a fim de verificar a existência ou não de pagamentos de PIS/Pasep e Cofins ao longo dos períodos lançados, bem como averiguar a cópia do Contrato de Locação firmado em 01/08/2005, atentandose aos comprovantes de pagamentos já apresentados, referentes ao período de março a dezembro/2007 (fls. 605607): Item 1 A análise das peças processuais não permite verificar, com a necessária clareza, se houve ou não pagamentos de PIS/COFINS (regime nãocumulativo) relativamente aos períodos lançados. Atentese que eventual antecipação de pagamento das contribuições, importa aceitar que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN). Item 2 Em seu TVF a autuante assentou: 3) DESPESAS DE ALUGUEIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS O contribuinte apurou crédito de PIS e Cofins nãocumulativo referente a rubrica supra. Intimado, a partir do Termo de Intimação Fiscal nº 2, item 3, a apresentar o contrato com a Pessoa Jurídica locadora (no caso, NEWSERV ADM COM E SERVIÇOS LTDA, CNPJ: 73949752/000177), a empresa apresentou apenas comprovantes de pagamento de março/2007 a dezembro/2007. Ante a impossibilidade de comprovação de que os valores pleiteados se referem efetivamente a despesa de aluguel de bens imóveis pagos a pessoa jurídica e, ainda, que são utilizados nas atividades da empresa, os valores pleiteados foram excluídos da base de cálculo da apuração dos créditos. Contraditando tal assertiva, a contribuinte apresenta, junto à impugnação. (doc. 6), cópia de Contrato de Locação firmado em 01/08/2005, donde tal item merece pormenorizada verificação (atentandose, inclusive, aos comprovantes de pagamentos já apresentados março a dezembro/2007). Assim, entendendose necessários esclarecimentos quanto a estes argumentos expostos pela contribuinte, conforme transcrições de partes de sua impugnação, Fl. 800DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 propõese, para a solução da lide, o encaminhamento do presente à DEFIS/SPO (SP), para que: 1. verifique as argumentações registradas pela contribuinte conforme relatório desta diligência, manifestandose de forma clara e objetiva acerca de cada uma das alegações postas; 2. produza informação circunstanciada e precisa que esclareça as questões apontadas, adotando demais providências que, a critério da Fiscalização, possam subsidiar a solução da lide. Caso seja necessário, produza demonstrativo com eventuais novos valores para os autos de infração; 3. após as verificações que processar, observe a existência de processos com pedidos de restituição/compensação, conforme discriminado em seu TVF (por exemplo, processos nºs 10880.921903/201263; 10880.921908/201296); 4. dê ciência do resultado desta diligência à contribuinte, facultandolhe a oportunidade de manifestação no processo, no prazo legal, se assim o desejar. Em resposta, o órgão preparador anexou Informação Fiscal, da qual se extrai (fls. 678683): 2. Quanto à preliminar de decadência de parte do crédito tributário alegada pelo contribuinte, ratificase o relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 441/462, no sentido de não terem sido constatados recolhimentos de PIS/COFINS (regime não cumulativo) relativamente aos períodos lançados: [...] 4. No que tange ao contrato de locação apresentado pelo contribuinte às fls. 567/569, não foram constatados óbices para utilização dos valores pagos para apuração de créditos, desde que apresentados os documentos comprobatórios da realização das referidas despesas. 5. Portanto, apesar de referido contrato ter sido apresentado somente quando da apresentação de Impugnação ao Auto de Infração lavrado, entende este AFRFB que os valores comprovados pelo contribuinte como despesas de aluguel do imóvel objeto do contrato de locação em questão devam ser considerados. [...] 13. Por tal motivo, os valores lançados no Auto de Infração em comento devem, s.m.j., ser retificados, conforme detalhado na tabela em anexo. Frisese que estão sendo considerados os valores pagos a título de aluguel do contrato de locação em questão de março de 2007 a dezembro de 2007. Ato contínuo, a contribuinte manifestouse sobre a Informação Fiscal, aduzindo que, apesar do auditor fiscal alegar não ter ocorrido pagamento de PIS e de COFINS no período objeto da autuação fiscal, efetuou compensações que foram validadas pelas autoridades fiscais, citando, como exemplo, despesas de energia elétrica analisadas pelo “Termo de Verificação Fiscal”. Disso, pois, resultaria a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, e, por consequência, a decadência do crédito tributário relativo ao período de janeiro a outubro de 2007, (fls. 687688). A DRJ/RS, através do Acórdão nº 1052.408, lavrado em 30/10/2014, julgou parcialmente procedente a impugnação, com a transcrição da seguinte ementa (fls. 703705): “JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PROTESTO. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.722064/201235 Acórdão n.º 3401003.169 S3C4T1 Fl. 799 7 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe à impugnante o ônus probatório daquilo que alega. LANÇAMENTOS. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. REGRA GERAL. O prazo de que dispõe a Fazenda Publica para constituição do crédito tributário iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a contribuinte não efetua, no período fiscalizado, qualquer pagamento antecipado dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. REGIME NÃOCUMULATIVO. ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. É incabível cogitarse da possibilidade de manutenção de crédito no regime monofásico tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, uma vez que, por força da referida vedação legal, esses créditos, de direito, sequer existem. A manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressuposto necessário a possibilidade legal do respectivo crédito. Não se verificando esse pressuposto, não há existência de crédito e, por conseguinte, não há que se falar em manutenção. REGIME NÃOCUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Uma vez que a venda do produto não gerou débito da contribuição, tendo em vista tributação pela alíquota zero, não há que se falar em crédito relativo à operação de devolução. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, insumos devem ser entendidos como os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Não há previsão legal para o aproveitamento dos créditos calculados em relação à depreciação ou amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que não sejam utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. AUTO DE INFRAÇÃO. CANCELAMENTO PARCIAL. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Comprovado nos autos através de diligência a existência de créditos antes glosados, deve ser cancelada a parcela da exigência indevidamente constituída. Impugnação Procedente em Parte” A contribuinte, irresignada com o decidido, interpôs Recurso Voluntário, pelo qual se ratificaram as razões da Impugnação, a saber: (i) a decadência de parte do crédito tributário; (ii) a possibilidade de creditamento de PIS/Pasep e COFINS com relação às mercadorias sujeitas à incidência monofásica adquiridas para revenda ou relacionadas à devolução de vendas; (iii) a devida comprovação das despesas de aluguel de bem imóvel pago à pessoa jurídica; (iv) a possibilidade de creditamento de PIS/Pasep e COFINS com relação a frete nas transferências de mercadoria entre estabelecimentos da mesma empresa; (v) a possibilidade de creditamento de PIS/Pasep e COFINS em relação à depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado; e (vi) a necessidade de prazo para a comprovação de créditos rubricados como “outras operações com direito a crédito” (fls. 490506). São estes os argumentos que se passa a analisar, um a um. É o relatório. Voto Conselheiro Waltamir Barreiros A Recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ em 27/01/2015 (fl. 733) e protocolizou o Recurso Voluntário em 20/02/2015 (fl. 735), razão pela qual é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade. PRELIMINAR: DECADÊNCIA A Recorrente defende a decadência de parte do crédito tributário pela via do seguinte raciocínio: (a) parte dos fatos geradores ocorreram mais de cinco anos antes da lavratura da referida autuação, tendo havido, no período, comprovação de pagamento não considerado pela DRJ e compensações de PIS/Pasep e COFINS, a exemplo das despesas de energia elétrica analisadas e validadas pelas autoridades fiscais; (b) o art. 150, § 4º, do CTN, estabelece que, para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador; e (c) considerando que a autuação foi lavrada em 16/10/2012, o Fisco não poderia exigir débitos com fatos geradores anteriores a 16/10/2007, de forma que a exigência fiscal relativa ao período de janeiro a outubro de 2007 estaria extinta pela decadência. O julgamento da DRJ abordou a temática, de modo a rechaçar a alegação da contribuinte sob os seguintes fundamentos (fls. 711712): Pertinente, pois, transcreverse excerto das conclusões do Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008 que, em consonância com o entendimento pacificado no STJ, foi exarado em função da edição da Súmula Vinculante antes referida: (...) d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 803DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.722064/201235 Acórdão n.º 3401003.169 S3C4T1 Fl. 800 9 e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; Esse Parecer foi aprovado pelo Ministro da Fazenda em despacho de 18/08/2008, para fins de observância pela RFB, vinculando, assim, esta instância administrativa, em conformidade com o disposto na LC nº 73, de 1993 (arts. 13 e 42). Da análise das peças processuais podese inferir que no caso vertente está afastada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tendo em vista que tal aspecto não foi apontado pela Fiscalização. Também se pode verificar: a) que a Fiscalização apontou lançamentos para fatos geradores entre 31/01/2007 e 31/12/2007, tanto para o PIS, quanto para a COFINS; b) que a ciência das autuações ocorreu em 16/10/2012; c) que conforme registrado na Informação Fiscal de fls. 678 a 682, não houve pagamentos para as contribuições em tela no período objeto do lançamento d) que a contribuinte não carreou aos autos qualquer comprovante de que tivesse efetuado pagamentos, ainda que parciais. Notese que os lançamentos ora realizados decorrem de verificações em pedidos de ressarcimento/compensação, para os quais foram proferidos despachos decisórios indeferindo tais pedidos e nãohomologando as declarações de compensação apresentadas por falta de suficiência de créditos pleiteados (os processos também estão sendo julgados nesta mesma sessão de julgamento). No caso, houve a constituição de ofício de valores não declarados em DCTFs e informados em DACON. Isso observado, concluise que os lançamentos não foram atingidos pelo instituto da decadência, eis que ao presente caso aplicase a regra geral de decadência contida no art. 173, inciso I, do CTN, que determina que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pois bem, extraemse dois elementos essenciais que são incontroversos no contexto dos autos: (i) a ciência do contribuinte acerca dos Autos de Infração ocorreu em 16/10/2012; e (ii) o período de apuração é o ano de 2007 (01/01/2007 a 31/12/2007). A discussão cingese a saber qual a regra a ser aplicada para marcar o início do prazo decadencial: se do art. 150, § 4º, ou do art. 173, inc. I, ambos dispositivos do CTN. Regra geral, aos lançamentos por homologação aplicase o art. 150, § 4º, do CTN. Entretanto, há exceções à regra, dentre as quais a prevista pela recente Súmula n. 555 do STJ, de 09/12/2015, que preceitua: “Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa”. (o grifo não é do original) A partir deste enunciado, elucidase a questão. Verificase que a Recorrente não apresentou qualquer “declaração de débito” referente a PIS/Pasep e COFINS, no caso Fl. 804DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 concreto a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DTCF, acompanhada do pagamento devido – ainda que parcial – do numerário que deveria ter sido recolhido aos cofres públicos. Inclusive, o TVF descreve esta situação (fl. 442): No caso, a insuficiência de créditos alcançou também o montante utilizado para realizar as deduções pretendidas, de modo que se constatou a necessidade de constituição de ofício, por meio de Auto de Infração, dos valores não declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF (fls. 353/358) e informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) (fls. 17/352). (grifo no original) O caso dos autos, então, subsumese à uniformização de jurisprudência promovida pelo CARF, conforme revela o Acórdão 9101002.159, de 08/12/2015: DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2. Se a contribuinte apresentou confissões em DCTF e realizou pagamentos referentes aos mesmos tributos e períodos que foram objeto de autuação fiscal neste processo, a regra para a contagem da decadência é a prevista no art. 150, § 4º, do CTN. [...] (CARF – Processo n. 19515.002329/200556, Rel. Cons. Rafael Vidal de Araujo, CSRF, 1ª Turma, j. em 08/12/2015) (grifouse) Da análise do feito, depreendese existir, da parte da Recorrente, ligeira confusão quanto à acepção do termo “compensação”, como hipótese de extinção do crédito tributário, ao afirmar em diversas oportunidades que houve compensação de PIS/Pasep e de COFINS no período a que se refere o AI, citando como exemplo as despesas de energia elétrica validadas pela autoridade fiscal. Ora, não há como compensar tributos com despesas, sob a égide das normas que regem as contribuições de PIS/Pasep e de Cofins. O que houve, na verdade, foi a utilização de despesas para “descontar créditos” nos termos art. 3º das leis 10.867/2002 e 10.833/2003, o que se faz na DACON, para que sejam determinados os saldos devedores ou credores das contribuições. Se devedores, lançamse na DCTF para pagamento e, se credores, transferemse para compensação em períodos seguintes.. No presente processo, verificase que a Recorrente descontou créditos calculados com base em despesas que, posteriormente, a autoridade fiscal considerou desprovidos de legalidade e apurou saldos devedores em todos os meses do período de 01.01.2007 a 31012.2007. Exatamente por isso, aliás, que, no âmbito do Mandado de Procedimento FiscalD n. 08.1.80.002012.000305, foi proferida decisão (administrativa) indeferindo os Fl. 805DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.722064/201235 Acórdão n.º 3401003.169 S3C4T1 Fl. 801 11 pedidos de ressarcimento, e nãohomologando as declarações de compensação apresentadas por falta de suficiência dos créditos pleiteados (fl. 362364) Também não houve pagamentos de PIS/Pasep e de COFINS, segundo afirmou o Órgão preparador em sua Informação Fiscal. (fl. 679). Desta forma, concluo pela aplicação do art. 173, inc. I, do CTN ao presente caso, a denotar que não houve decadência dos créditos tributários sob exame. CREDITAMENTO DE PIS/COFINS COM RELAÇÃO ÀS MERCADORIAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA ADQUIRIDAS PARA REVENDA OU RELACIONADAS À DEVOLUÇÃO DE VENDAS A Recorrente alega que as autoridades fiscais não se atentaram para as alterações normativas posteriores às Leis nºs 10.637/02 e 10.833/2003 que vedam o aproveitamento de créditos relacionados aos produtos farmacêuticos (incidência monofásica). Assim, postula a manutenção de créditos de PIS/Pasep e COFINS extraídos da operação de compra de medicamentos, ainda que a saída seja tributada à alíquota zero, na forma do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 (fl. 741). Eis o teor do dispositivo comentado: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ademais, argumenta a recorrente (fl. 742743): Este entendimento é reforçado, ainda, pelo fato de que, em 3.1.2008, o Governo Federal editou a Medida Provisória nº 413 (“MP nº 413/08”), que, em seu artigo 15, determinou expressamente que o artigo 17, da Lei nº 11.033/04, não seria aplicável para os distribuidores e comerciantes atacadistas e varejistas de produtos farmacêuticos: [...] Esse dispositivo claramente restringiu, ao menos por um período determinado, aos comerciantes atacadistas e varejistas a possibilidade de creditamento no regime de incidência monofásica, ao criar uma exceção expressa à aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/04. Contudo, em 23.6.2008, a MP nº 413/08 foi convertida na Lei nº 11.727/08, SENDO VETADO O DISPOSITIVO QUE CRIAVA A EXCEÇÃO À REGRA DE CREDITAMENTO PREVISTA NO ARTIGO 17 DA LEI 11.033/04! Ora, não há dúvidas, portanto, de que, em decorrência desse veto, o Legislativo pretendeu garantir aos distribuidores e comerciantes varejistas e atacadistas, o direito ao crédito de PIS e COFINS, em relação às operações de aquisição e revenda de bens sujeitos ao regime monofásico de tributação. Primeiramente, vale a abordagem acerca da tributação monofásica, conforme a lição de Leandro Paulsen: A tributação monofásica também é utilizada nas contribuições PIS/COFINS para receitas de determinadas atividades, com concentração da incidência com alíquota bastante elevada na primeira etapa (industrial ou importador) e Fl. 806DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 desoneração das etapas posteriores, com alíquota zero para distribuidores e comerciantes. Isso ocorreu, por exemplo, quando o art. 3º da Lei 9.990/2000 concentrou o ônus de Cofins sobre as refinarias, afastando a tributação dos comerciantes varejistas de combustíveis. E também com os produtos farmacêuticos, por força da Lei 10.147/2000. (PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 6. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014. p.137) (grifouse) De início, registrese que os produtos farmacêuticos enquadramse na hipótese de mercadoria sujeita à tributação monofásica, de modo a incidir, numa única operação, todo o ônus tributário, submetendose as demais à alíquota zero, na esteira do art. 2º da Lei nº 10.147/2000. Essa modalidade de tributação concentra, pois, num único agente da cadeia todo o ônus da exação, aquele que denotar maior capacidade contributiva, cabendolhe a posteriori repercutir a carga econômica. Desde logo, porém, é importante firmar que nem se pode cogitar de “manutenção” do crédito, visto que, no presente contexto, há regra expressa vedando o creditamento. Logo, a rigor, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não é nem sequer dirigido à situação em tela, pois há certeza de que o crédito não poderá ser utilizado, sendo, então, impossível “manter” algo que nunca poderia ter sido criado. Com efeito, quanto aos produtos farmacêuticos especificamente, há vedação expressa de creditamento, prevista no art. 3º da Lei nº 10.637/2002.. Para efeito de análise, transcrevese o diploma do qual se retira tal proibição: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...] b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Por oportuno, citase o dispositivo ao qual é feita a remissão: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar seá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: [...] II no inciso I do art. 1º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; Indubitavelmente, a referida proibição ao crédito (art. 3º, inc. I, alínea ‘b’, Lei nº 10.637/2002) alcança os produtos farmacêuticos adquiridos pela Recorrente, o que impossibilita o creditamento pretendido. Assim, concluise que não é possível manter o crédito, tal como prevê o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, quando o crédito relacionado a produtos adquiridos com incidência monofásica nem sequer existe, em face da vedação existente nas normas de regência do PIS/Pasep e da COFINS. Contudo, é importante ressaltar que aos créditos apurados ao abrigo do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.637/2003, tais como os relacionados a energia elétrica e a aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, entre outros, aplicase o que dispõe o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, no que respeita às saídas com a incidência de alíquota zero. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.722064/201235 Acórdão n.º 3401003.169 S3C4T1 Fl. 802 13 Ademais, acerca do veto ao dispositivo que criava a exceção à regra, de manutenção de crédito em nada influi ao caso. Não se pode inferir de um veto legislativo a pretensa garantia aos comerciantes do direito ao crédito de PIS/Pasep e COFINS, em relação às operações de aquisição e revenda de bens sujeitos ao regime monofásico, sobretudo porque a norma que o legislativo pretendia alterar está relacionada à manutenção de crédito e não à possibilidade de constituir o crédito que a Recorrente pretende manter. Por fim, relativamente à devolução de vendas a Recorrente expressa a seguinte arqumentação (fl. 743): 22. O raciocínio acima disposto aplicase também aos casos de devolução de venda sujeita à alíquota zero, uma vez que a legislação garante aos comerciantes o direito ao creditamento dessas contribuições nas operações de aquisição bens. Pretende, assim, a Recorrente, estender às devoluções de venda o mesmo tratamento que entende deveria ser aplicado às aquisições com incidência monofásica. Como se conclui pelas análises acima, o art. 17 das Leis nº 11.033/2004, não se aplica às hipóteses de constituição de créditos no regime de tributação não cumulativa, cuja disciplina está prevista nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas tão somente à possibilidade de manutenção de créditos legalmente constituídos. Muito menos aplicarseia às devoluções de vendas que são, na essência, o cancelamento das operações anteriormente ocorridas. Em outras palavras, deve se dar às entradas por devolução o mesmo tratamento dispensado às saídas por vendas objeto da devolução. Desta forma, se as vendas ocorreram com incidência de alíquota zero, não há que se falar em crédito de PIS/Pasep e de COFINS por ocasião de sua devolução. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE ALUGUEL DE BEM IMÓVEL PAGO À PESSOA JURÍDICA Quanto a este ponto, é necessário esclarecer que a Recorrente se manifesta no mesmo sentido da sua Impugnação inicial. Vejase excerto do Recurso Voluntário (fls. 490 506): Muito embora entenda que a documentação acostada quando da fiscalização já é suficiente para comprovar a efetiva despesa com a locação do imóvel, a Recorrente, para reforçar sua boafé e cooperação junto às Autoridades Fiscais, localizou em seus arquivos remotos o anexo contrato de locação em referência juntado em sua Impugnação (doc. nº 6 da Impugnação), que comprova definitivamente o seu direito ao crédito de PIS e COFINS objeto deste item do Auto de Infração, o qual deve ser, portanto, cancelado com a reforma parcial do Acórdão recorrido. Oportuno, para o deslinde da questão, transcrever trecho da informação fiscal que tratou, especificamente, dos créditos pretendidos pela Recorrente (fls. 678682): 6. Entretanto, verificouse que no decorrer do processo o contribuinte apresentou apenas os comprovantes de aluguel referentes aos meses de março de 2007 a dezembro de 2007, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 441/462, no item “3) DESPESAS DE ALUGUÉIS DE PRÉDIOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS”: “O contribuinte apurou crédito de PIS e Cofins nãocumulativo referente a rubrica supra. Intimado, a partir do Termo de Intimação Fiscal nº 2, item 3, Fl. 808DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 a apresentar o contrato com a Pessoa Jurídica locadora (no caso, NEWSERV ADM COM E SERVIÇOS LTDA, CNPJ: 73949752/000177), a empresa apresentou apenas comprovantes de pagamento de março/2007 a dezembro/2007. Ante a impossibilidade de comprovação de que os valores pleiteados se referem efetivamente a despesa de aluguel de bens imóveis pagos a pessoa jurídica e, ainda, que são utilizados nas atividades da empresa, os valores pleiteados foram excluídos da base de cálculo da apuração dos créditos.” Grifo nosso. 7. Por tal motivo, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal n.º 03/2014/DBA/EQAUD/DIORT/DERAT, intimando o contribuinte a “fornecer os recibos de aluguel do período de janeiro e fevereiro de 2007 e outros documentos que julgar pertinentes referentes ao contrato firmado com NEWSERV ADMINISTRAÇÃO, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, cujo objeto é a locação do imóvel situado na Rua Fortunato Ferraz, n.º 210, São Paulo/SP.” 8. Em sua resposta, o contribuinte informa, de forma genérica, que “a documentação referente à locação do imóvel que ensejou a apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos tratados no processo administrativo nº 19515.722064/201235 já foi juntada pela Requerente em resposta ao Termo de Intimação Fiscal MPFD n.º 0818000.2012.000305 apresentada em 9.8.2012 (doc. n.º 3), bem como complementada pela Impugnação apresentada no processo administrativo nº 19515.722064/2012 35 (doc. n.º 4). ” 9. Compulsando os autos em busca dos recibos de aluguel do período de janeiro e fevereiro de 2007 ou de outros documentos que comprovassem de forma inequívoca a realização de referidas despesas, este Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB não logrou êxito. 10. Considerando tal situação, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal n.º 05/2014/DBA/EQAUD/DIORT/DERAT, reintimando o contribuinte a apresentar os recibos de aluguel do período de janeiro e fevereiro de 2007. 11. Em resposta a esta intimação, o contribuinte novamente informou, de forma genérica, que “a documentação referente à locação do imóvel que ensejou a apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos tratados no processo administrativo nº 19515.722064/201235 já foi juntada pela Requerente em resposta ao Termo de Intimação Fiscal MPFD n.º 0818000.2012.000305 apresentada em 9.8.2012 (doc. n.º 3), bem como complementada pela Impugnação apresentada no processo administrativo nº 19515.722064/201235 (doc. n.º 4). Além disso, informa que a Intimação Fiscal nº 03/2014/DBA/EQAUD/DIORT/DERAT foi tempestivamente respondida, conforme protocolo em anexo (doc. n.º 5). ” 12. Frisese que em nenhum momento falouse em intempestividade com relação à resposta ao Termo de Intimação Fiscal n.º 03/2014/DBA/EQAUD/DIORT/DERAT. Houve a resposta, porém não ocorreu a apresentação dos recibos de aluguel de janeiro e fevereiro de 2007 ou outros documentos que comprovassem de maneira cabal a ocorrência destas despesas. 13. Por tal motivo, os valores lançados no Auto de Infração em comento devem, s.m.j., ser retificados, conforme detalhado na tabela em anexo. Frisese que estão sendo considerados os valores pagos a título de aluguel Fl. 809DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.722064/201235 Acórdão n.º 3401003.169 S3C4T1 Fl. 803 15 do contrato de locação em questão de março de 2007 a dezembro de 2007. (grifouse) Após elucidado o ponto, decidiu a DRJ em favor da Recorrente, de modo a permitir a utilização do crédito das despesas de aluguel de bem imóvel pago a pessoa jurídica, desde que comprovados (fls. 718719): Visando a certificação da validade de tal contrato de locação/pagamentos de aluguéis, foi determinada a realização de diligência pela DRF autuante. Disso resultou o registro feito nas fls. 679 a 681: [...] Dessa forma, há que se acatar a argumentação da contribuinte quanto a este item, determinandose o aproveitamento dos créditos em questão, resultando corretos os valores registrados na planilha de fl. 683, que discrimina o valor lançado de contribuição, o novo crédito a ser descontado e o valor de contribuição retificado (esse o valor que está mantido nos Autos de Infração). (grifouse) Ocorre que, conforme Informação Fiscal supra mencionada, a Recorrente apenas comprovou os aluguéis referentes aos meses de março a dezembro de 2007, omitindo se, ainda quando intimada pelo Fisco, acerca dos aluguéis de janeiro e fevereiro de 2007. Por ocasião do julgamento neste Conselho, a omissão da Recorrente persiste quanto àqueles meses. Desta forma, haja vista a decisão da DRJ, declarase a falta de interesse recursal da Recorrente quanto à impugnação dos aluguéis de março a dezembro de 2007, e decidese pelo desprovimento do presente Recurso Voluntário quanto aos aluguéis de janeiro e fevereiro de 2007, eis que não houve comprovação da despesa no período. DESPESAS INCORRIDAS COM FRETES NAS TRANSFERÊNCIAS DE MERCADORIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA RECORRENTE Pois bem, a Recorrente tem como objeto social “o comércio atacado de produtos farmacêuticos e correlatos, médicos, ortopédicos, odontológicos, de uso humano ou veterinário, instrumentos e materiais médicohospitalares e laboratoriais, cosméticos e produtos de higiene pessoal e perfumaria, artigos de escritório e informática, ótica e fotografia, produtos de higiene doméstica e hospitalar, distribuição de filmes, fitas, discos, livros, publicações, transporte multimodal, logística, armazenagem e distribuição de medicamentos e alimentos, podendo ainda, exercer atividades de prestação de serviços correlatas ao seu objeto social” (fl. 5). Os fretes em questão, impugnados pelo Auditorfiscal, consistiam no translado de mercadorias entre estabelecimentos da própria Recorrente, como se extrai de suas razões recursais (fls. 715716): 29. No caso em análise, a Recorrente promove a transferência de mercadorias entre suas filiais por razões logísticas, a fim de facilitar a destinação à futura operação de venda, otimizando o tempo e os custos com o transporte nessas operações. [...] Ainda no bojo do recurso, a Recorrente busca justificar o creditamento de PIS/Pasep e de COFINS realizado (fls. 715716): Fl. 810DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 41. De fato, a posição firmada pela doutrina é de que o conceito de insumo deve estar atrelado à noção de empreendimento, ou seja, de tudo aquilo que colabora de forma imprescindível à formação de receita e faturamento. Assim, é possível afirmar que esse conceito deve incorporar todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade. De pronto, não há que se falar em insumos de mercadorias (produtos acabados), pois, por excelência, insumo é um atributo que se agrega ao produto em elaboração e aos custos da prestação de serviços. Assim, a transferência de mercadorias entre estabelecimentos não se caracteriza senão como despesa operacional da empresa, longe de ser um insumo da atividade econômica. Em que pese a existência de votos divergentes, este é o entendimento majoritário do CARF, conforme trecho do Acórdão nº 330100.424, que bem representa o quanto defendido: De se registrar que não geram créditos as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da contribuinte, vez que não se trata de "frete na operação de venda". Este tema foi elucidativamente abordado na Solução de Consulta nº 210, SRRF/8ºRF/Disit, de 25/06/2009, nos seguintes termos: [...] Todavia, no caso do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da consulente seja correspondente a frete pago a terceiros ou a simples custo de transporte de produtos acabados, há que se considerar que o mero deslocamento das mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais até os estabelecimentos distribuidores, com intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, não integra a ‘operação de venda’ referida pelo art.3º, inciso IX da Lei nº 10.833, de 2003. [...] Portanto, hão de ser considerados os créditos oriundos de fretes sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados (criadores de aves e suínos) e as filiais do contribuinte, os quais compõe o custo de produção do produto final, nos termos do art.3°, II, das Leis IV 10.637/02, e n° 10,833/03, o que não se confunde com atividades de transporte do produto acabado entre quaisquer estabelecimentos. (CARF – Processo nº 11080.003380/200440, Recurso Voluntário nº 253.618, Acórdão nº 330100.424, 3º Câmara / 1ª Turma Ordinária). Do mesmo modo, já teve oportunidade de se manifestar sobre a matéria o Superior Tribunal de Justiça, reconhecendose a impossibilidade do creditamento pretendido pela Recorrente. Vejamse julgados elucidativos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL. 1. Consoante decidiu esta Turma, "as despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente. [...] (STJ – AgRg Fl. 811DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.722064/201235 Acórdão n.º 3401003.169 S3C4T1 Fl. 804 17 no REsp 1335014/CE, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, j. em 18/12/2012) Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial (STJ – REsp 1147902/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, j. em 18/03/2010) É importante que se esclareça: o raciocínio desenvolvido não se aplica à generalidade dos fretes. No presente caso, tratase de frete de mercadorias adquiridas para revenda (produtos acabados) entre estabelecimentos da própria Recorrente. E, quanto a esta modalidade de frete, não há que se cogitar de creditamento de PIS/Pasep e de COFINS, porquanto não se trata de frete na operação de venda. Sem razão, assim, a Recorrente. CREDITAMENTO DE PIS/COFINS REFERENTE À DEPRECIAÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO A Recorrente, pessoa jurídica com atividade exclusivamente comercial, foi autuada em razão da apuração indevida de créditos sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado (mesas, cadeiras, armários, escada, aparelhos telefônicos, aparelhos de ar condicionado, aparelhos de informática, etc). A glosa tem por base o art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/2003, haja vista não se ter utilizado tais bens para locação a terceiros, para produção de outros bens ou à prestação de serviços. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente alega que “a não cumulatividade do PIS e COFINS encontrase diretamente vinculada ao faturamento da empresa, ou seja, a todo o esforço realizado pela pessoa jurídica com o intuito de desenvolvimento de suas atividades, devendose, portanto, ser reconhecido o direito da Recorrente dos equipamentos em questão, uma vez que esses bens se destinam à utilização no processo operacional realizado pela Recorrente (ativo imobilizado)” (fls. 751753). Ante a irresignação promovida pela Recorrente, é de se assentar, inicialmente, que todo o creditamento deve ser realizado com base em legislação própria do tributo ao qual se requer o crédito, não cabendo analogias que visem à redução da carga tributária (art. 111 do CTN). Assim, em que pese a aproximação que pretende a Recorrente entre as materialidades do PIS/Pasep e COFINS e do IRPJ, há hipótese específica na Lei nº 10.833/2003 (COFINS) que prescreve quando será possível creditar as depreciações do ativo imobilizado (raciocínio aplicável ao PIS/Pasep por força do art. 15, II, da mesma lei): Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; A redação é suficientemente clara para se verificar que há tão somente três situações nas quais os bens incorporados ao ativo imobilizado podem servir ao creditamento em questão: (i) locação a terceiros; (ii) utilização na produção de bens destinados à venda; ou (iii) prestação de serviços. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 18 O primeiro caso diz respeito, sobretudo, às administradoras de imóveis; o segundo, às empresas industriais; o terceiro, às empresas prestadoras de serviço. Daí notarse que o legislador optou, como regra geral, pelo não creditamento de empresas comerciais sobre os bens incorporados ao ativo imobilizado. Não há, assim, possibilidade de dito creditamento pela Recorrente, vez que tais bens impugnados pelo Auditorfiscal se vinculavam à atividade comercial de revenda de produtos farmacêuticos, o que não encontra guarida na hipótese legal. Rememorase, por derradeiro, que o emprego da equidade (justiça no caso concreto) não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido (art. 108, § 2º, CTN). Em arremate, temse que a extensão do creditamento sobre encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado a situações não abarcadas pela previsão legal já foi rechaçada pelo CARF, conforme se infere do Acórdão nº 3802004.258, de 19/03/2015: REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS COM BASE EM ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. RESTRIÇÃO LEGAL. O inciso VI, c/c § 1º, inciso III, do artigo 3º das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, autoriza o desconto de créditos calculados sobre a depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, destinados à locação de terceiros ou utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Assim, não poderão ser admitidos na base de cálculo de tais créditos os bens que não se subsumam ao preceito legal acima referenciado. Recurso ao qual se dá parcial provimento. (CARF – Processo n. 13971.001499/200550, Rel. Cons. Francisco Jose Barroso Rios, 3ª Seção de Julgamento, 2ª Turma Especial, j. em 19/03/2015) Sem razão, portanto, a Recorrente. CRÉDITOS RUBRICADOS COMO “OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO” A Recorrente, a partir de janeiro/2007, passou a apurar créditos de PIS/Pasep e COFINS sob a rubrica de “outras operações com direito a crédito”. Ao ser intimada para apresentar os documentos comprobatórios deste creditamento, mantevese silente (fl. 456). Desde a sua Impugnação, a Recorrente apresenta alegação genérica sobre o assunto, aduzindo que não localizou a documentação necessária à comprovação dos referidos créditos. Na mesma linha é o que alega em Recurso Voluntário (fl. 753): 66. Por fim, com relação aos créditos rubricados como “outras operações com direito a crédito”, a Recorrente esclarece que, por se tratar de despesas ocorridas a [sic] mais de 5 (cinco) anos, a Recorrente ainda não localizou a documentação que comprova a ocorrência desses dispêndios. Contudo, está providenciando o levantado [sic] de seus arquivos remotos para encontrar este documento. 67. Por esse motivo, em respeito ao princípio da verdade real, a Recorrente requer lhe seja assegurado o direito à futura produção de prova sobre este item de autuação fiscal, a fim de demonstrar a inocorrência da infração apontada. Não há o que se analisar da alegação. A parte não junta documentos e não justifica, de qualquer modo, os créditos escriturados sob a rubrica correspondente. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.722064/201235 Acórdão n.º 3401003.169 S3C4T1 Fl. 805 19 Ademais, conforme já exposto pela DRJ (fls. 719720), o Decreto nº 7.574/2011, em seu art. 57, § 4º, prescreve que a prova documental deve ser apresentada na Impugnação, salvo as exceções elencadas. Não se verificando as situações excepcionais à apresentação intempestiva da documentação, devese ter como inoportuna a pretensão da Recorrente. Por fim, a Recorrente requer que seja "autorizado e intimado para a realização de sustentação oral." A este respeito, impende registrar que não compete ao CARF expedir a autorização ou a intimação pleiteadas, porquanto a sustentação oral é um direito facultado ao contribuinte ou ao seu representante legal que, manifestandose interessado em sessão de julgamento, terá a palavra concedida pelo Presidente da Turma, nos termos do art. 58 da Portaria MF nº 343, de 9 de julho de 2015. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, de molde a manter a exoneração parcial do crédito tributário realizada pela DRJ de Porto Alegre/RS. Waltamir Barreiros Fl. 814DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10860.721016/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008
CRÉDITO. IMPOSTO DESTACADO INDEVIDAMENTE. POSSIBILIDADE.
Pode gerar crédito o IPI relativo a aquisições de insumos com destaque indevido do imposto nas notas fiscais quando há elementos concorrentes que comprovam a veracidade material da operação.
IPI. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS.
É permitido ao estabelecimento industrial creditar-se do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito.
DEVOLUÇÕES FICTAS. DECRETO 6.687/2008.
A venda direta a consumidor final dos produtos de que trata o Decreto 6.687/2008, efetuada em data anterior à da sua publicação e ainda não recebida pelo adquirente, o produtor poderá reintegrar em seu estoque, de forma ficta, os veículos novos por ele produzidos, mediante emissão de nota fiscal de entrada. As notas fiscais emitidas compõem prova da ocorrência do direito, como dispõe o caput do artigo 3º desse Decreto.
Numero da decisão: 3401-003.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para afastar o lançamento quanto às operações com suspensão e aos retornos fictos. No que tange às operações com suspensão, os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan acompanharam o relator pelas conclusões. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou no sentido de não dar provimento quanto às operações com suspensão. Os conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Júlio César Alves Ramos votaram pelas conclusões quanto à parcela do lançamento mantida.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (vice Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO. IMPOSTO DESTACADO INDEVIDAMENTE. POSSIBILIDADE. Pode gerar crédito o IPI relativo a aquisições de insumos com destaque indevido do imposto nas notas fiscais quando há elementos concorrentes que comprovam a veracidade material da operação. IPI. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. DEVOLUÇÕES FICTAS. DECRETO 6.687/2008. A venda direta a consumidor final dos produtos de que trata o Decreto 6.687/2008, efetuada em data anterior à da sua publicação e ainda não recebida pelo adquirente, o produtor poderá reintegrar em seu estoque, de forma ficta, os veículos novos por ele produzidos, mediante emissão de nota fiscal de entrada. As notas fiscais emitidas compõem prova da ocorrência do direito, como dispõe o caput do artigo 3º desse Decreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para afastar o lançamento quanto às operações com suspensão e aos retornos fictos. No que tange às operações com suspensão, os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan acompanharam o relator pelas conclusões. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou no sentido de não dar provimento quanto às operações com suspensão. Os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 10 16 /2 01 3- 14 Fl. 4274DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Júlio César Alves Ramos votaram pelas conclusões quanto à parcela do lançamento mantida. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (vice Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Para apresentar o contraditório, recorro ao relatório da Resolução 3401 000.872: Este processo cuida de auto de infração que constitui e exige crédito tributário referente a IPI, multa proporcional e acréscimos, decorrente das seguintes infrações, conforme Relatório Fiscal de fls. 17/42: a) Recolhimento a menor do imposto em função da utilização de créditos básicos indevidos, decorrentes da aquisição de insumos sujeitos à suspensão obrigatória do imposto. São eles Componentes, acessórios, partes e peças’ adquiridos pela contribuinte e cujas notas fiscais de aquisição deveriam constar a obrigatória indicação de suspensão do IPI por força do disposto no art. 5o da Lei n ° 9.826, de 1999, com nova redação dada pelo art. 4o da Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002. O que implica que os créditos de IPI relacionados a esses bens devem ser retirados da escrita da contribuinte por terem propiciado créditos de IPI em contrariedade com determinação legal de suspensão. A autoridade fiscal os lista no Anexo 22. b) Recolhimento a menor do imposto em função da utilização de créditos relativos à devolução e retorno de produtos. De acordo com a autoridade fiscal, a contribuinte "não possui registro de controle de produção e estoque ou sistema equivalente, tendo apresentado cópias de folhas do Registro de Saídas/de Entradas, de registros totalmente indistintos de valores inscritos no Livro Diário (registros contábeis de saídas/retornos) e de planilhas Excel com dados também indistintos, incongruentes, contraditórios, denominando os de “sistemas internos”." in verbis: Anexo 12 planilhas intituladas ‘DEMONSTRATIVO DE RETORNO DE VEÍCULOS’ que as datas em que os veículos ‘entraram no estoque’ de VW e as datas das respectivas emissões de Notas fiscais de entrada data do ‘efetivo retorno’a VW são díspares. Veículos saíram da Montadora, foram para as transportadoras, os Clientes desistiram das compras, veículos voltaram para o ‘estoque’ da Montadora e, dias, Fl. 4275DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Acórdão n.º 3401003.189 S3C4T1 Fl. 3 3 semanas, meses depois, VW resolve emitir Notas fiscais de entrada e estornar o IPI apurado dias, semanas, meses antes. Sem mais documento algum a não ser Notas fiscais de entrada por Ela própria emitidas. O que, sem dúvida, demonstra que planilhas excel de VW o que VW pretendia ser ‘equivalente’ ao Controle da Produção e Estoque não eram muito fidedignas, pois careciam de requisitos mínimos de consistência e, por conseguinte, de veracidade. ‘Sistemas internos’ indescritíveis, apesar de nossas reiteradas solicitações para que fossem descritos e enumerados. ‘Sistemas internos’ que, para serem conhecidos e revelados, demandaram a descrição de Termo recém relatado. Que, em sua concretude, eram tão só Registro de Entradas e Livro Diário! Debalde, intentamos obter de VW comprovações, no mínimo, críveis do efetivo retorno dos veículos à sua planta; de que os carros realmente entraram em sua planta e retornaram ao estoque que lhes seria competente. Registro de Saídas/de Entradas/Livro Diário e planilhas, só isto. Sem mais registrados sob os CFOP 1.410 e 2.410. Advieram da devolução ficta, com estorno de IPI antes destacado, prevista no Decreto 6.687/2008. Entretanto, semelhante ‘benefício’, para ser fruído, tinha que atender a todas as condições das devoluções ordinárias, sobretudo, ao requisito de escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, como abaixo se verifica negrito/ sublinhado de nossa inserção: (...) ‘O produtor deverá registrar a devolução do veiculo em seu estoque’ era a condição para a legitimidade das devoluções fictas em tela. Controle inexistente em VW, como ficou fartamente demonstrado anteriormente. Razão, assim, de também retirálos de sua escrita. c) Recolhimento a menor do imposto no PA 07/2008 em decorrência da escrituração e utilização de estorno de débito indevido. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 568/585) na qual: a) Informa haver optado pelo recolhimento referente à infração do item“c” acima; b) alegou, no que diz respeito aos créditos decorrentes da aquisição de insumos sujeitos à suspensão obrigatória do imposto, ao contrário do entendimento do fiscal, que: os insumos adquiridos cujos créditos foram glosados são relacionados a produtos classificados em códigos da NCM distintos daqueles arrolados no artigo 5º da Lei 9.826/99. ...... De fato, os produtos objeto das CFOPs 1.101 e 2.101 integram as posições da NCM 2834, 32141 3824, 7 209, 7210, 7211 9 8415 e 87.08. Ou seja, são espécies outras de componentes de veículos não integrantes do rol de itens sujeitos à suspensão do imposto na saída do fabricante. Assim, ainda que houvesse alguma irregularidade na saída das mercadorias com o débito do imposto, o que se admite meramente a título de argumentação, a Impugnante, na condição de adquirente das mercadorias, não poderia ser Fl. 4276DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 responsabilizada, pois agiu de boa fé ao se apropriar dos créditos de IPI não cumulativos.” c) Alegou, quanto aos créditos apropriados em decorrência da devolução de mercadorias, ter apresentado conjunto probatório suficiente para demonstrar a correção desse créditos. Explicou: O material apresentado pela Impugnante ao longo da auditoria fiscal é formado por: 1. Documentos contábeis. Compostos pelas rubricas próprias que revelam a saída das mercadorias dos estabelecimentos da Impugnante (contas 80000001 a 80000004, 80000008 a 800000014) e ulterior recebimento em devolução (contas 36030400 e 36030402). Os veículos nela mencionados podem ser identificados a partir dos seus números de chassis, coincidentes tanto das rubricas de saída, quanto de entradas; 2. Notas fiscais. Revelam as saídas e ulteriores entradas das mercadorias nos estabelecimentos da Impugnante, com a identificação dos produtos mediante indicação dos números de chassis de cada um deles, dentre outras características (docs. 5 e 6 — novas notas, juntadas de forma exemplificativa, além daqueles já apresentadas no curso da auditoria); 3. Livro Registro de Controle de Produção e do Estoque. Nele estão identificados os produtos a partir, dentre outras características, dos números de chassis dos veículos (doc. 7). A partir dele, é possível saber o que aconteceu com o automóvel que deu saída do estabelecimento da Impugnante, como, no que interessa ao presente caso, a ulterior entrada, seja por cancelamento ou devolução, com identificação em campo próprio. 4. Livro Registro de Entradas. Semelhantemente ao item anterior, os veículos são identificados, dentre outras informações, pelos seus números de chassis; e 5. Planilhas e prints de sistema interno. Demonstrativos com as indicações de CNPJs, inscrições estaduais, números de notas fiscais emitidas, valor das operações, IPI e, sobretudo, chassis de veículos. O conjunto probatório enumerado permite à Impugnante individualizar os veículos recebidos em devolução pelos seus números de chassis. Com isso, fica comprovado que o produto que a outrora se deu saída é o mesmo que retorna ao estabelecimento industrial, sendo identificado no estoque, o que, inclusive, tem correspondência com a documentação contábil apresentada. Especificamente em relação às devoluções e saídas fictas feitas em dezembro de 2008, são apresentados, em adição aos documentos já referidos — registros contábeis, notas fiscais, Livros de Registros de Controle de Produção e do Estoque e de Entradas, planilhas e prints de sistema interno notas fiscais exemplificativas, emitidas pelos próprios revendedores, de saída ficta dos produtos em devolução à Impugnante, juntamente com as ulteriores notas de saídas, também fictas, Fl. 4277DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Acórdão n.º 3401003.189 S3C4T1 Fl. 4 5 desses mesmos bens (vide os números de chassi), promovidas pela Autuada, destinadas aos mesmos remetentes (docs. 4). Os respeitáveis Julgadores da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte apreciaram os documentos que instruem o processo e a impugnação e proferiram as considerações e conclusões resumidas a seguir: · Aquele Colegiado não acolheu a argumentação da impugnante e manteve o entendimento da autuação de recolhimento a menor do imposto em função da utilização de créditos básicos indevidos, decorrentes da aquisição de insumos sujeitos à suspensão obrigatória do imposto. E explicou: ",,, ainda que com a diferença nas descrições contidas nas notas e na relação elaborada pela fiscalização, não existem dúvidas de que tais produtos referemse a insumos (componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças) que irão compor os produtos fabricados pela impugnante, estes sim classificados nas posições relacionadas na Lei nº Lei 9.826/99, estando sujeitos à suspensão do IPI, motivo pelo qual não haverá direito a crédito." · com relação à infração relativa à utilização de créditos decorrentes da devolução e retorno de produtos, não considerou improcedentes as razões expostas pela impugnante e manteve o entendimento da autuação. E explicou: 19. A fiscalização acusa que a empresa não possui registro de controle de produção e estoque ou sistema equivalente, tendo apresentado cópias de folhas do Registro de Saídas/de Entradas, de registros totalmente indistintos de valores inscritos no Livro Diário (registros contábeis de saídas/retornos) e de planilhas Excel com dados também indistintos, incongruentes, contraditórios, denominandoos de “sistemas internos”. O direito ao creditamento em questão não decorre imediatamente do registro isolado, no Livro de Registro de Entradas, do retorno dos produtos ao estabelecimento industrial. E, quanto às planilhas “Registro de Estoque” apresentadas pela impugnante como se fora o Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, verificase que o referido documento não exibe, induvidosamente, os mesmos elementos do livro a que pretende substituir e nem representa um controle quantitativo de produtos que permita a perfeita apuração do estoque permanente e de seu fluxo. Como se vê, a quantificação do crédito ficto a que teria direito a impugnante necessita, da mesma forma que o crédito regular referente ao retorno de produtos, do devido controle de estoque da impugnante, cujas carências já foram apontadas na análise acima. Ao final, concluíram os E Julgadores pela improcedência da Impugnação, e o Acórdão n. 0128.283, de 15/01/2014 teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 4278DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO. IMPOSTO DESTACADO INDEVIDAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Mantémse a glosa de créditos de IPI relativos a aquisições de insumos com destaque indevido do imposto nas notas fiscais; compete às empresas fornecedoras impetrar administrativamente pedidos de restituição do imposto indevidamente pago e à adquirente requerer, na esfera civil, devolução do valor pago indevidamente. IPI. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, a contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, por meio do qual argumenta suas razões: 1. Inaplicabilidade do regime de suspensão do IPI aos produtos constantes das notas fiscais enumeradas pela Fiscalização. Mesmo que a suspensão fosse cabível, o registro do crédito não implicou prejuízo ao Erário, vez que os insumos foram adquiridos com débito do imposto em observância à não cumulatividade do imposto. Boafé na conduta da Recorrente. 2. o exame da documentação fiscal revelou que integravam as posições da NCM 2834, 3214, 3824. 7209, 7210, 7211, 8415 e 87.08. Em conseqüência, tratandose de componentes não enumerados no rol do artigo 5º da Lei 9.826/1999 não havia que se cogitar da suspensão do imposto, sendo legítimo o lançamento do IPI na venda da peça e o respectivo registro do crédito pela Recorrente. 3. A suspensão de incidência do IPI na saída de produto industrializado é norma de caráter excepcional, posto que, como regra, o imposto incide sobre todas as operações que envolvam a venda de mercadorias por estabelecimentos fabricantes ou equiparados. Seguese daí a conclusão decorrente de que o regime de suspensão do imposto deve ser interpretado de forma estrita (CTN, art. 111), por representar uma exceção à sistemática geral de incidência e lançamento a débito do IPI a cada saída da mercadoria industrializada (RIPI/02, arts. 34, II e 39). 4. os demais produtos, não apontados no texto legal que instituiu a suspensão, sujeitamse ao regular recolhimento do imposto quando da saída do estabelecimento, ainda que possam se enquadrar no mesmo gênero daqueles cuja tributação seja suspensa, como são os casos dos componentes de veículos não numerados no artigo 5° da Lei 9.826/99, a exemplo dos itens de que ora se cuida (vide doe. 3 anexo à impugnação). 5. Na hipótese em exame, não há nenhuma prova de que as mercadorias adquiridas pela Recorrente tenham sido destinadas à fabricação de novas peças, componentes ou mesmo de veículos. Notese que elas poderiam ser revendidas no estado em que adquiridas como itens de reposição, usualmente instalados pelos distribuidores Volkswagen em veículos usados, Fl. 4279DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Acórdão n.º 3401003.189 S3C4T1 Fl. 5 7 na medida em que envolvem, dentre outros, para lamas (traseiros e dianteiros) e painéis (internos, externos e laterais). 6. Diversamente do alegado, não se tem a comprovação de que o destino dos produtos exame tenha sido veículos em fabricado pela Recorrente. Para que a alegação fosse procedente, caberia ao Fisco demonstrar que os produtos objeto dos CFOPs 1.101 e 2.101 foram necessariamente destinados à fabricação de peças, componentes ou veículos da Recorrente, o que inexiste nos autos. 7. Os créditos apropriados em decorrência da devolução de mercadorias estão lastreados em documentação probatória idônea e suficiente a comprovar a saída e retomo dos produtos. 8. O Livro Registro de Controle de Produção e do Estoque utilizado contempla as mercadorias fabricadas pela Recorrente, as datas em que industrializadas, as datas em que comercializadas, os destinatários, as datas em que retomaram ao seu estabelecimento, os números das notas fiscais, dos CFOPs, os tributos IPI e ICMS devidos, as NCMs e os chassis. (...) O acórdão recorrido afirma que não seria possível fazer a prova de retomo da mercadoria ao estoque da Recorrente. No entanto, não faz qualquer exposição no sentido de demonstrar porque chegou a essa conclusão. Pior do que a ausência de exposição da fundamentação que serviu à conclusão é a constatação de que, a partir da leitura dos arquivos da Recorrente, há uma diferente gama de informações que, contrariamente à convicção da DRJ, comprova haver o rigoroso sistema de controle de entrada e saída de mercadorias no estoque da Recorrente. Depreendese de tudo isso que o acórdão recorrido desprezou as provas integrantes dos autos, pois só assim teria condições de manter o lançamento, entendimento que não pode subsistir. Este processo chegou a este Tribunal Administrativo e foi submetido à sessão de 10 de dezembro de 2014, quando o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos; Resolução n. 3401000.872 ... VOTO ... A sistemática da contabilidade empresarial e da contabilidade de custos, com seus registros relatórios, quando corretamente efetivada, consegue proporcionar as informações desejadas pela administração fiscal e tornar evidente cada uma das operações de devolução e suas implicações tributárias, integrando os processos, as operações e os registros de interesse gerencial e os de fiscal. Um dos controles indispensáveis é o que permite a apuração dos estoques, de sua movimentação, saldos e de cada uma das operações de entrada e saída, Fl. 4280DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 conhecendo sua motivação e correlação com as outras operações da empresa. E com a apreciação desse conjunto, conseguir verificar que há correspondências dos registros com a realidade das operações e, também, o atendimento das prescrições legais. Mas não logrei esse resultado com o conjunto de documentos e informações oferecidas pela contribuinte. Sem dúvida que esse resultado não corresponde à expectativa da contribuinte. Há que se verificar a funcionalidade do seu sistema interno e que ele atende à hipótese prevista no artigo 388 do RIPI, e dele ser capaz em termos analíticos, gerenciais, operacionais, fiscais , de permitir o acompanhamento e a apuração do estoque e a identificação individualizada das operações, observadas as prescrições do art. 3° do Decreto n. 6.687, de 2008. Proposta de conversão do julgamento em diligência: A recorrente insiste que os seus registros estão em condições de atender á prescrição da legislação a respeito. Explica que o conjunto de documentos resulta de um sistema informatizado, e que ele pretende estar consoante o disposto no artigo 388 do RIPI e do art. 3° do Decreto n. 6.687, de 2008. Tenho como profissão de fé que a observação das formalidades prescritas, em linhas gerais, não podem se sobrepor à verdade material, à justiça e aos princípios que orientam os atos administrativos. Nesse sentido, ressalto a importância da contabilidade e dos registros fiscais, valorizados pela ordem jurídica; e a expectativa que os avanços tecnológicos e as funcionalidades e benefícios dos sistemas informatizados atendam às normas que disciplinam as práticas contábeis e as referentes aos registros fiscais. Sendo assim, em nome da posição que acima defendo, proponho a conversão do julgamento em diligência para: 1. ser verificada a conformidade e a correção dos registros de devolução, inclusive as fictas. 2. A obtenção dos meios de demonstração que os produtos tributados foram recebidos em devolução, ingressaram no estoque do sujeito passivo e de que houve ressarcimento ao comprador do valor dos produtos devolvidos, quais sejam: mediante exibição do Livro de Registro de Saídas, do Livro de Registro de Entradas, do livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou de Fichas impressas com os mesmos elementos do livro substituído ou, ainda, de Controle Quantitativo de Produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente), sem prejuízo da apresentação dos demais documentos contábeis e fiscais obrigatórios (Livro de Registro de Apuração do IPI e de Registro de Inventário, v.g.). 3. Seja dada ciência à contribuinte dessa decisão e da informação fiscal resultante do atendimento da diligência e que, em cada uma delas, ela possa apresentar suas considerações no prazo de 30 dias da ciência. A autoridade fiscal, em resposta à demanda deste Tribunal, informou que não conseguiu cumprila por que não obteve acesso aos livros e registros. Em sua conclusão: Fl. 4281DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Acórdão n.º 3401003.189 S3C4T1 Fl. 6 9 Enfim, como documentado à saciedade cumpre concluir que: • dado não existir, em VW/Taubaté, nenhuma Nota fiscal de devolução (própria/terceiros)e nenhum controle de fluxo de mercadorias (em papel ou digital) impossível verificar a "conformidade e a correção dos registros de devolução inclusive as fictas" conforme o solicitado pelo Sr. Conselheiro em item 1 de fls. 4.162; • dado não existir nenhum dos elementos subsidiários à escrita de VW/Taubaté e todos os "demais documentos contábeis e fiscais obrigatórios" em VW/Taubaté item 2 de fls. 4.162 é impossível "A obtenção dos meios de demonstração que os produtos tributados foram recebidos em devolução, ingressaram no estoque, e que houve ressarcimento ao comprador do valor dos produtos devolvidos..." conforme estabelecido pelo Sr. Conselheiro em item 2 de fls. 4.162; • dado que os funcionários de VW/Taubaté desconhecem toda e qualquer questão acerca das operações fiscais, comerciais, escriturais, digitais do estabelecimento e a eles lhes é vedado acesso às mesmas é impossível qualquer perquirição acerca das devoluções de vendas feitas em 2008 que permita atender ao solicitado; • dado que VW/Taubaté não possui arquivos digitais fidedignos de Notas fiscais para o ano de 2008, impossível a consecução da diligência sem a consulta das Notas fiscais de devolução impressas autuação de meios magnéticos (IN 85/2001) mencionada em fls. 17, processo fiscal n° 10860.721925/201344. Finalizando: vale registrar que, em 35 anos na Auditoria da União, semelhante situação nunca ocorrera, qual seja, não atendermos adequadamente ao solicitado pelas instâncias julgadoras. Todavia, cremos ter deixado mais que baldados por um Contribuinte que, há anos, pratica, continuamente, infrações contra o princípio da autonomia dos estabelecimentos do IPI. Antes, sem pejo; hoje, de forma evasiva, continua, VW/Taubaté, a violar normas basilares da legislação do IPI. Afora o lamentável do "todo", ao cabo e ao fim le ião surreal desfecho, ficanos a ressoar o iracundo discurso que Cícero fez ao Senado romano contra Catilina, aquele que começa com "Quosque tandem". Em Io de dezembro lavramos o Termo de Constatação n° 7 registrando a continuidade do que aqui está relatado a ver Anexo 13. A contribuinte, cientificada, rebateu essas informações. Afirma que manteve à disposição da autoridade fiscal a documentação comprobatória e que o que proporciona o sistema informatizado SWAP da empresa oferece as informações requeridas pela administração tributária. Na verdade, as infundadas ilações fiscais apenas confirmam aquilo que a Requerente tem sustentando desde a sua defesa inicial. Isto é: a documentação necessária à conferência das devoluções foi posta à disposição da autoridade fiscal em diferentes momentos. Sucede que ela, Fl. 4282DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 ao invés de examinar o material, cumprindo, aliás, com a sua função, na forma como determinada o CARF, tem sistematicamente se negado a fazêlo, utilizandose para tanto de diferentes subterfúgios. E o que se passa a demonstrar. A primeira conclusão fiscal é descabida porque as notas fiscais não só já haviam sido avaliadas no passado pela mesma fiscalização, como também haviam sido juntadas ao feito de que se cuida, dispensandose assim a sua nova apresentação. A fim de comprovar o exposto, configurando assim a desídia da fiscalização, observese que o "Relatório Fiscal", que acompanhou o auto de infração e foi produzido pelo mesmo agente da Receita Federal, é peremptório em afirmar o oposto daquilo que constou do encerramento da diligência. Lê se dele que: "Todas Notas Fiscais, orieinais/cópias. bem como demais documentos da Autuada foram por Ela fornecidos" (página 2). .. Na realidade, tal fato exame de notas fiscais e demais documentação contábil e fiscal pela fiscalização se deu porque a motivação fiscal para a glosa dos créditos sobre as mercadorias em devolução não foi a ausência de apresentação de quaisquer documentos a demonstrar o retorno das mercadorias em devolução, mas a alegada imprestabilidade do documento apresentado pela Requerente como sistema equivalente ao Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque2. .. Não por outra razão é que a Requerente se defendeu ao longo do processo demonstrando que, diferentemente do afirmado pela fiscalização ao lavrar o auto de infração, o seu sistema alternativo ao Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque permite sim identificar as devoluções havidas individualizadamente por veículo, como, aliás, demonstrouse exemplificativamente para parte das operações. Por meio do seu sistema, verificase: (i) os modelos de veículos fabricadas; (ii) as datas de industrialização e comercialização; (iii) os destinatários; (iv) as datas em que retornaram ao estabelecimento; (v) os números (v.l) das notas fiscais e (v.2) dos CFOPs; (vi) os tributos IPI e ICMS devidos; (vii) as NCMs e (viii) os chassis3. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 4283DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Acórdão n.º 3401003.189 S3C4T1 Fl. 7 11 Recurso tempestivo e atendidos demais requisitos de admissibilidade. Com relação ao regime de suspensão do IPI previsto no artigo 5º da Lei n. 9.826, de 1999: Preliminarmente tenho como necessário dedicarmos nossa atenção ao que dispõe este artigo 5º. Lei n. 9.826/1999: Art. 5o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 1º O fabricante dos veículos referidos no caput ficará sujeito ao recolhimento do IPI suspenso, caso destine os produtos recebidos com suspensão do imposto a fim diverso do ali estabelecido. § 1o Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 2º O disposto neste artigo não impede a manutenção e a utilização do crédito do imposto pelo estabelecimento que houver dado saída com suspensão do imposto. § 2o A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 3º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput, deverá constar a expressão "Saído com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 3o A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 2002) § 4o Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput deverá constar a expressão ‘Saída com suspensão do IPI’ com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 5o Na hipótese de destinação dos produtos adquiridos ou importados com suspensão do IPI, distinta da prevista no § 2o deste artigo, a saída dos mesmos do estabelecimento industrial adquirente ou importador darseá com a incidência do imposto. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 6o O disposto neste artigo aplicase, também, a estabelecimento filial ou a pessoa jurídica controlada de pessoas jurídicas fabricantes ou de suas controladoras, que opere na comercialização dos produtos referidos no caput e de suas partes, peças e componentes para reposição, adquiridos no mercado interno, recebidos em transferência de estabelecimento industrial, ou importados. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 2002) § 6o O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 4284DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 A autoridade fiscal interpreta que a lei impõe a suspensão do IPI. É mandatório. O texto, quando informa que os bens sairão com suspensão do IPI, se trata de um comando. Os Julgadores de 1º piso se afiliam a essa interpretação. A contribuinte, em seu recurso voluntário, não questiona precisamente este ponto. Apenas argumenta que haveria a possibilidade de que bens fossem excluídos dessa suspensão desde que não aplicados às hipóteses dos incisos I e II do § 2º do artigo 5º e ilustra a possibilidade de que os bens possam não estar destinados à produção, mas, sim, destinados á revenda, por exemplo, como bens de reposição. A autoridade fiscal e os Julgadores a quo entendem que a suspensão alcança os bens considerados componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 8429, 8432, 8701 a 8706 e 8711. Ou seja, seriam os produtos autopropulsados que pertenceriam às posições listadas. A contribuinte defende posição oposta. A suspensão do IPI alcançaria os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças (dos produtos autopropulsados) classificados eles mesmos nas posições 8429, 8432, 8701 a 8706 e 8711, e não os produtos autopropulsados. Ela afirma que os produtos em discussão pertencem às posições da TIPI 2834, 3214, 3824, 7209, 7210, 7211, 8415 e 8708. e que eles seriam outro tipo de componente de veículo que não integrariam o rol dos sujeitos à suspensão do IPI, tal como previsto no art. 5º da Lei 9.826, de 1999. Ora, analisando essas informações, por exemplo, a partir das posições na TIPI, elas levam a entendimento diverso do exposto pela recorrente. A posição 8708 se refere a partes e peças de veículos autopropulsados; a posição 8415 se refere a equipamentos de condicionamento de ar; as posições 7209, 7210 e 7211 se referem a diferente laminados de aço ou de ferro. Por outro lado, a leitura dos documentos que identificam e descrevem os produtos em discussão (ex.: paralama, painéis laterais, aparelho de ar condicionado para veiculo, etc.) também confirmam a compreensão de que se destinam à produção ou a compor veículos. Por medida de economia não vou citar a diversidade de entendimentos a respeito desse artigo 5º. Muitas decisões justificam a desnecessidade de comprovação de regularidade fiscal, por não se tratar ele de benefício fiscal. Algumas decisões a classificam como obrigatória, outras como facultativa. Em meu entendimento, esse artigo informa um benefício fiscal de regime tributário suspensivo, que não depende da mediação da autoridade para ser usufruído, não depende de concessão ou reconhecimento, mas depende do cumprimento de condições. Esse regime pode não ser adotado pelo contribuinte, ou seja, ele é facultativo. Nesse ponto divirjo da interpretação da autoridade fiscal, dos julgadores de 1º piso e da contribuinte. Mas também ele pode ser cassado pela autoridade competente quando se constatar o descumprimento das condições para o seu usufruto. Ademais, a suspensão alcança os componentes, chassis, carroçarias. acessórios, parte e peças dos produtos classificados nas posições 8429, 8432, 8701 a 8706 e 8711. E quais seriam os tipos de produtos dessas classificações? O que a TIPI nos traz? Fl. 4285DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Acórdão n.º 3401003.189 S3C4T1 Fl. 8 13 TIPI 8429 Bulldozers, angledozers, niveladores, raspotransportadores (scrapers), pás mecânicas, escavadores, carregadoras e pás carregadoras, compactadores e rolos ou cilindros compressores, autopropulsados. 8432 Máquinas e aparelhos de uso agrícola, hortícola ou florestal, para preparação ou trabalho do solo ou para cultura; rolos para gramados ou para campos de esporte. 8433 Máquinas e aparelhos para colheita ou debulha de produtos agrícolas, incluindo as enfardadeiras de palha ou forragem; cortadores de grama e ceifeiras; máquinas para limpar ou selecionar ovos, frutas ou outros produtos agrícolas, exceto as da posição 84.37. 8701 Tratores (exceto os carrostratores da posição 87.09). 8702 Veículos automóveis para transporte de dez pessoas ou mais, incluindo o motorista. 8703 Automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluindo os veículos de uso misto (station wagons) e os automóveis de corrida. 8704 Veículos automóveis para transporte de mercadorias. 8705 Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo, autosocorros, caminhõesguindastes, veículos de combate a incêndio, caminhõesbetoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículosoficinas, veículos radiológicos), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias. 8706 Chassis com motor para os veículos automóveis das posições 87.01 a 87.05. 8711 Motocicletas (incluindo os ciclomotores) e outros ciclos equipados com motor auxiliar, mesmo com carro lateral; carros laterais. Portanto, divirjo da contribuinte, pois a suspensão alcança todo e qualquer componentes, chassis, acessórios, partes e peças de produtos auto propulsados dessas posições da TIPI, não necessitando que esses componentes, chassis, acessórios, partes e peças sejam classificados nessas posições da TIPI. Assim, os produtos listados pela fiscalização podem, sim, receber essa suspensão tributária. Se esses bens se enquadram em um dos tipos de componentes, chassis, carroçarias, partes ou peças dos produtos autopropulsados das posições 84.29, 8432, 8433, 8701 a 8706 e 8711 da TIPI, então eles estão submetidos à regra do artigo aqui citado. A recorrente não nega esse enquadramento. Mas propõe que eles estariam excluídos do regime suspensivo. Mas não prova essa exclusão; apenas alega. "Ou seja, são espécies outras de componentes de veículos não integrantes do rol de itens sujeitos à suspensão do imposto na saída do fabricante ao contrário do entendimento do fiscal, que os insumos adquiridos cujos créditos foram glosados são relacionados a produtos classificados em códigos da NCM distintos daqueles arrolados no artigo 5º da Lei 9.826/99. ...... De fato, os produtos objeto das CFOPs 1.101 e 2.101 integram as posições da NCM 2834, 32141 3824, 7 209, 7210, 7211 9 8415 e 87.08. Ou seja, são espécies outras de componentes de veículos não integrantes do rol de itens sujeitos à suspensão do imposto na saída do fabricante." A sua aquisição pela contribuinte, empresa industrial automotiva, nas quantidades e espécies encontradas nesses documentos se constituem em forte indicação de que esses bens adquiridos pretenderiam atender sua atividade industrial. Se assim não fosse, a recorrente teria demonstrado em contrário, em sua contestação. Fl. 4286DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 De outro lado, a recorrente tem razão quando afirma que a autoridade fiscal não provou que esses bens (componentes, partes e peças e outros de veículos) foram destinados a veículos fabricados pela autuada. A verdade material está no conjunto de notas e registros que dão conta de que houve a incidência do IPI nas aquisições e que a contribuinte aproveitou esse IPI na apuração do seu IPI devido. A autoridade fiscal e os Julgadores a quo não contestam esse fato. Faço notar que não há questionamento de que o contribuinte não tenha pago o IPI nos períodos de apuração aqui em discussão. O questionamento neste contraditório se centra no direito ao crédito. Esposo o entendimento de que a administração pode agir e decidir sob o manto dos Princípios da eficiência, da finalidade, da verdade material e do informalismo moderado. Esses princípios justificariam a legalidade e a legitimidade de decisões que ultrapassariam os equívocos cometidos pelos contribuintes em suas obrigações acessórias e em suas petições. Por isso, entendo que, neste caso, o aproveitamento de créditos por sistemática indevida é neutralizada pelo fato de que a materialidade que baseou o equívoco interpretativo ao mesmo tempo justifica a existência de um direito creditório de igual valor e sentido contrário. Por essas considerações, proponho a este Colegiado seja dado provimento ao recurso voluntário neste ítem. Com relação aos créditos provenientes de mercadorias devolvidas e às obrigações acessórias concernentes Com relação ao recolhimento a menor do imposto em função da utilização de créditos relativos à devolução e retorno de produtos, após consultar os documentos que instruem o processo, com exceção das devoluções fictas que explicarei adiante , não consigo concluir diferentemente dos julgadores a quo. Segui as orientações da contribuinte, conforme constam da impugnação e do recurso voluntário, e não pude alcançar a qualidade de informações prometidas. Não logrei constatar que esse conjunto de documentos demonstram que os produtos retornados foram efetivamente recebidos no estabelecimento em devolução, que entraram realmente nos estoques do contribuinte e, em adição, se for o caso, que ocorreu o ressarcimento àquele que devolveu o produto. A sistemática da contabilidade empresarial e da contabilidade de custos, com seus registros relatórios, quando corretamente efetivada, consegue proporcionar as informações desejadas pela administração fiscal e tornar evidente cada uma das operações de devolução e suas implicações tributárias, integrando os processos, as operações e os registros de interesse gerencial e os de fiscal. Um dos controles indispensáveis é o que permite a apuração dos estoques, de sua movimentação, saldos e de cada uma das operações de entrada e saída, conhecendo sua motivação e correlação com as outras operações da empresa. Mas não conseguimos esse resultado com o conjunto de documentos e informações oferecidas pela contribuinte. Fl. 4287DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10860.721016/201314 Acórdão n.º 3401003.189 S3C4T1 Fl. 9 15 Sem dúvida que esse resultado não corresponde à expectativa da contribuinte. A funcionalidade do seu sistema interno não me parece estar atendendo à hipótese prevista no artigo 388 do RIPI, pois ele deve ser capaz de permitir a perfeita apuração do estoque permanente e da identificação individualizada das operações. Não merece reparos a decisão do Colegiado de 2º piso a esse respeito. Devoluções Fictas. O mesmo não se dá com relação às devoluções fictas, nos termos previstos pelo Decreto n. 6.687, de 2008. Este Decreto, publicado em 11 de dezembro daquele ano, autorizou aos distribuidores, para os veículos não vendidos até 12 de dezembro, devoluções fictas de veículos aos produtores. Foi curto o prazo para que distribuidoras e produtores tomassem as providências, por isso, pareceme justificável a concentração de notas fiscais e devoluções nesse período. Aqui, ocorre o contrário do afirmado pela autoridade fiscal, de que meses se passaram sem que a devolução fosse processada. Estamos a nos referir a devoluções que se deram apenas documentalmente, e que tinham prazo estreito para cumprimento. O conjunto de documentos anexos à impugnação me proporcionou informações de que foram observadas as prescrições do art. 3º do Decreto n. 6.687, de 2008. Por isso, proponho a este Colegiado dar provimento ao recurso voluntário quanto a este item (devoluções fictas Decreto n. 6.687/2008). Por tudo isso, proponho seja dado PARCIAL provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 4288DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 13/ 07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 19515.720085/2014-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 1201-001.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Lizandro Rodrigues de Sousa e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 85 /2 01 4- 88 Fl. 644DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Lizandro Rodrigues de Sousa e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e reflexos, no total de R$ 32.455.462,92, lavrados contra a empresa mediante arbitramento dos lucros. Os fatos e circunstâncias da autuação foram descritos no Termo de Verificação Fiscal e na decisão de primeira instância, com transcrição a seguir: Razão do arbitramento no(s) período(s): 12/2009 Arbitramento do lucro que se faz necessário, tendo em vista que o contribuinte, mesmo intimado, deixou de apresentar os livros de registro de inventário e a apuração dos custos (CMV) que estivesse de acordo com a legislação fiscal, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. 00001 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta da revenda de mercadorias, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo. Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei n° 9.249/95. Arts. 532 do RIR/99 00002 RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta dos serviços prestados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo. Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei n° 9.249/95. Arts. 532 do RIR/99 00002 RECEITAS DA ATIVIDADE OUTRAS RECEITAS DA ATIVIDADE Arbitramento do lucro realizado com base na receita de reversão de provisões, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 4 3 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei n° 9.249/95. Arts. 532 do RIR/99 De acordo com a fiscalização, os fatos que ensejaram a autuação podem ser assim descritos: A empresa entregou em 21/12/2010 a sua DIPJ retificadora ND 1430599 referente ao ano calendário de 2009, adotando o Lucro Real anual para a apuração do IRPJ e o seu objeto social é a importação, exportação, distribuição, representação comercial, intermediação, comércio atacadista e varejista de roupas e acessórios do vestuário masculino, serviços de alfaiataria, a importação e o comércio de aparelhos de comunicação e componentes, serviços bancários de acordo com a resolução 3.110/2003 do BACEN e a participação em outras sociedades, conforme o Capítulo II do Estatuto Social. O seu nome de fantasia é Camisaria Colombo. A empresa foi intimada, por via postal, em 24/10/2012, para apresentar no prazo de 20 dias: o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) de 2009, o Livro de Apuração das Bases de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro de 2009 (LACON), os Balancetes Mensais de 2009, a Demonstração do Resultado do Exercício de 2009 e os demonstrativos mensais de apuração das bases de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e COFINS de 2009, além de cópia dos seus atos constitutivos e das últimas alterações registradas na JUCESP e o recibo de entrega no Sistema Público de Escrituração (SPED) dos arquivos digitais dos livros contábeis do anocalendário de 2009. Em resposta, foi apresentado o instrumento de procuração datado de 14/11/2012, outorgando poderes de representação da empresa junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil ao Sr. José Neves de Santana Neto para o atendimento à fiscalização e foi entregue cópia da última versão do Contrato Social da sociedade limitada e uma cópia do instrumento de transformação da empresa de sociedade limitada para Sociedade Anônima em 04/01/2011, contendo o Estatuto Social. Após dilatação do prazo de atendimento por 20 dias, a empresa entregou toda a documentação solicitada no Termo de Início. Importamos do SPED os arquivos magnéticos entregues pela empresa referentes à escrituração contábil digital (ECD) do ano de 2009 para utilização e análise na presente fiscalização do IRPJ. Verificamos que havia algumas diferenças entre os registros do LALUR com os valores informados a DIPJ do anobase 2009 da empresa, por exemplo: no LALUR não havia o registro do valor de R$ 29.988.852,89 do item “Outras Exclusões” que foi informado em sua DIPJ. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 12/03/2013 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 5 4 No prosseguimento da ação fiscal, intimamos a empresa em 16/03/2013, por via postal, para apresentar, no prazo de 15 (quinze) dias: 1) arquivos digitais dos seus livros fiscais de 2009. 2) recibos de autenticação (no programa SVA) e de validação (no programa SINCO) do item 1. 3) o arquivo entregue ao SINTEGRA do anobase 2009 (entrada e saída de mercadorias); 4) demonstrativos auxiliares da apuração mensal de 2009 das bases de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e COFINS, com planilhas discriminando e somando os valores por cada filial da empresa. 5) comprovação do valor de R$ 29.988.852,89 do item "Outras Exclusões" que foi informado na DIPJ do anocalendário de 2009, na linha 69 da Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) e também na linha 53 da Ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). 6) revisão do LALUR e do LACON de 2009 e reapresentálos, ou justificar as divergências existentes com os valores declarados na sua DIPJ. Não houve atendimento ao solicitado. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 26/04/2013 Diante do não atendimento, a empresa foi reintimada em 29/04/2013, para apresentar, no prazo de 10 dias, os mesmos elementos anteriormente solicitados por meio da intimação de 12/03/13. Em 13/05/2013, a empresa entregou as planilhas mensais da apuração das bases de cálculo das contribuições do PIS/PASEP e COFINS de 2009, com os valores de cada um dos seus estabelecimentos. A empresa também entregou cópia dos arquivos entregues ao SINTEGRA da maioria das suas filiais. Na mesma ocasião, a empresa entregou uma cópia do seu LALUR de 2009 revisado, explicando que o valor de R$ 29.988.852,89 do item "Outras Exclusões" que foi informado na DIPJ seria referente a anulação dos efeitos tributários do valor correspondente a receitas não operacionais, contabilizadas e classificadas incorretamente quando da operação de incorporação, efetuada pela fiscalizada, de parte dos ativos de outra empresa do grupo, a ADM Comércio de Roupas Ltda. (CNPJ 04.744.781/000180). Em 27/05/2013, a empresa entregou a documentação comprobatória da operação de incorporação de parte dos ativos da ADM Comércio de Roupas, no valor total de R$ 29.988.852,89 e esclareceu que o resultado contábil da operação foi nulo, considerando que a transferência foi realizada ao valor Fl. 647DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 6 5 líquido contábil (que é o valor de custo, subtraído da depreciação acumulada). Dessa forma, foi incorreta a contabilização dessa receita operacional e a sua exclusão na DIPJ foi realizada para corrigir essa distorção do lucro contábil. Informou ainda, que a diferença dessa informação no LALUR apresentado é decorrente de já ter havido essa correção e que inclusive o lucro contábil registrado no LALUR como ponto de partida da apuração do lucro real já veio sem a inclusão desse valor. A empresa também entregou os arquivos do SINTEGRA de mais algumas das suas filiais e pediu prorrogação de 15 dias para a entrega dos arquivos do SINTEGRA das suas filiais faltantes, alegando problemas de Sistema em alguns Estados (PB, PE, RN, RO e SC). Essa prorrogação foi concedida. Até então, a empresa não havia entregado os arquivos digitais dos seus livros fiscais de 2009. (...) Termo de Intimação Fiscal lavrado em 27/05/2013: Em seguida, a empresa foi intimada em 27/05/2013, no prazo de 20 dias, a apresentar: 1) arquivos digitais dos seus livros fiscais de 2009; 2) demonstrativos dos totais das operações informadas ao SINTEGRA do ano 2009; 3) comprovantes das despesas de aluguéis de junho 2009 de todos os estabelecimentos; 4) comprovantes de despesas de energia elétrica de junho 2009 de todos os estabelecimentos; 5) demonstrativos mensais de 2009, com abertura das "Outras Operações com Direito a Crédito" de PIS/PASEP e COFINS, para cada estabelecimento da empresa. Em 26/06/2013, a empresa apresentou documentação comprovando parte dos valores das despesas de aluguéis e de energia elétrica de junho 2009 dos seus estabelecimento e também parte das "Outras Operações com Direito a Crédito" de PIS/PASEP e COFINS, que seriam, em sua maioria, de pagamentos para a empresa "Linx Fast Fashion Armazém Geral". A empresa também apresentou parte dos documentos das despesas de aluguéis de junho 2009 dos seus estabelecimentos. Posteriormente, em 12/07/2013, foram entregues mais outros documentos das despesas de aluguéis e de energia elétrica de junho 2009 dos seus estabelecimentos e os arquivos do SINTEGRA das filiais que faltavam, conforme protocolo. Verificamos que a documentação comprobatória das despesas de aluguéis e de energia elétrica de junho 2009 ainda estava Fl. 648DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 7 6 incompleta. Faltava a documentação de vários dos seus estabelecimentos e para vários deles os comprovantes estavam em nome de outras pessoas, físicas ou jurídicas, ou com valores menores do que o total pleiteado. Tendo em vista a insuficiência da comprovação documental, decidimos reintimar a empresa, porém ampliando a amostra para três meses, escolhendo fevereiro, junho e dezembro, que são meses que geralmente apresentam padrões diferentes de comportamento na atividade comercial, para melhor verificar a confiabilidade desses registros contábeis da empresa. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 12/07/2013: A empresa foi intimada em 16/07/2013 a apresentar, no prazo de 20 dias: 1) os arquivos digitais dos livros fiscais de 2009 (entradas e saídas). 2) livros de registro de entradas e de saídas da matriz e de todas as filiais de 2009. 3) livros de registro de inventário da matriz e de todas as filiais da empresa de 2009. 4) comprovantes das Despesas de Aluguéis e de Energia Elétrica dos meses de fevereiro, junho e dezembro de 2009 de todos os estabelecimentos (matriz e filiais). 5) comprovantes das "outras operações com direito a crédito" de PIS/PASEP e COFINS de 2009. 6) Comprovantes dos pagamentos efetuados à empresa Linx Fast Fashion Armazém Geral, referentes às operações do ano de 2009, informando a sua natureza. 7) documento escrito informando e descrevendo o método de controle dos estoques adotado. 8) documento escrito informando e descrevendo o método de apuração de custos adotado. 9) demonstrativo e planilhas de apuração mensal dos custos, da matriz e de todas as filiais da empresa, para integrar o resultado contábil e fiscal da empresa em 2009. 10) demonstrativos dos cálculos das estimativas mensais do IRPJ e CSLL e justificativa para o não recolhimento, por meio dos balancetes mensais de suspensão ou de redução. 11) documento escrito descrevendo o método de aquisição das mercadorias para revenda pela empresa (nacionais e importadas) e a sua logística de distribuição. 12) documento escrito informando, para as operações comerciais da empresa Ql COMERCIAL DE ROUPAS SA e na sua logística de distribuição, o papel das empresas "Linx Fast Fl. 649DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 8 7 Fashion Armazém Geral" e "ADM Comércio de Roupas Ltda.", apresentando os contratos celebrados e documentação para exemplificar as operações desenvolvidas. 13) documentação exemplificativa de compras: apresentar 10 notas fiscais (critério do exemplo: as 10 maiores compras do mês de janeiro de 2009, contendo camisas entre os tipos de mercadorias) e os correspondentes comprovantes dos pagamentos dessas compras aos fornecedores, mesmo que efetuados em momento posterior. Em 05/08/2013, a empresa solicitou prorrogação do prazo de atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de 12/07/2013, por mais 20 dias, o qual foi concedido mediante despacho. Em 02/09/2013, a empresa entregou cópia dos seus balancetes mensais, das DCTF do primeiro e do segundo semestres de 2009, uma planilha dos cálculos mensais da apuração do IRPJ e da CSLL, uma planilha do movimento da conta Estoques em 2009 do CNPJ 09.044.235000150 (matriz) e parte dos comprovantes das despesas de aluguéis e de energia elétrica de fevereiro, junho e dezembro dos seus estabelecimentos. E informou que os livros de registro de entradas e de saídas da matriz e de todas as filiais, impressos em papel, estariam à disposição da fiscalização em sua sede. Sobre o método adotado para o controle dos estoques, informou que o "estoque é composto de mercadorias compradas no mercado nacional e mensuradas pelo valor dos custos menos os impostos recuperáveis junto ao fisco (ICMS, PIS e COFINS). Estas mercadorias são de origem nacional e estrangeira (adquiridas já nacionalizadas). Controlamos o estoque "através de contagem cíclica". Sobre o método adotado para a apuração de custos, informou que "é o do varejo, pois temos grande quantidade de itens que mudam rapidamente e itens que têm margens semelhantes. O custo do estoque é determinado pela redução do seu preço de venda na percentagem apropriada à margem bruta". Apresentou também uma apostila contendo o demonstrativo dos cálculos por esse método. Também entregou um resumo operacional das operações do Grupo Colombo em 4 atividades: 1) Compras de mercadorias para revenda: produtos nacionais (35% do total, mantendo uma relação direta com os fornecedores) e produtos importados (65% do total, realizando os pedidos por encomenda, via "trading", recebendo as mercadorias já nacionalizadas). 2) Armazenagem: Estoques a empresa ADM recebe as mercadorias e as armazena em instalações de terceiros. 3) Distribuição: a empresa ADM é responsável pela distribuição das mercadorias para as demais filiais e venda às filiais das outras empresas do grupo. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 9 8 4) Venda ao consumidor final: 379 lojas nas 5 Regiões, 26 Estados e 164 Cidades do País. Informa ainda que a estrutura do grupo é formada por 4 empresas, sendo: ADM (responsável por 100% das compras e distribuição, realizando transferência interna ao grupo, sem margem de lucro e possuindo ainda 15% dos pontos de venda); Q1 S/A (possui 77% dos pontos de venda e no futuro irá absorver todos os pontos de venda das empresas ADM e AMD); AMD (possui 7% dos pontos de vendas) e Q1 Amazônia (possui 1% dos pontos de vendas). No dia seguinte, em 03/09/2013, a empresa entregou os arquivos digitais das notas fiscais de saída e entrada de 2009, de acordo com a IN SRF n° 86/2001, conforme o ADE COFIS n° 15/2001. Entregou cópia dos seus balancetes mensais, das DCTF do primeiro e do segundo semestres de 2009, uma planilha dos cálculos mensais da apuração do IRPJ e da CSLL, uma planilha do movimento da conta Estoques em 2009 do CNPJ 09.044.235000150 (matriz) e parte dos comprovantes das despesas de aluguéis e de energia elétrica de fevereiro, junho e dezembro dos seus estabelecimentos. Considerando que a documentação comprobatória das despesas de aluguéis e de energia elétrica dos meses de fevereiro, junho e dezembro de 2009 dos estabelecimentos da empresa estava incompleta, diante da possível irregularidade de falta de comprovação de parte desses valores na auditoria fiscal e considerando que a empresa adotou o regime de apuração anual do lucro real, ficou caracterizada a necessidade de solicitar a íntegra dos comprovantes desses valores em 2009 na próxima intimação. Também faltou parte dos comprovantes das "outras operações com direito a crédito" de PIS/PASEP e COFINS de 2009. A empresa não apresentou os seus livros de registro de inventário, nem os comprovantes dos pagamentos da Linx Fast Fashion Armazém Geral, nem a descrição da valoração dos estoques e dos custos que estivesse de acordo com a legislação fiscal. Em consulta aos sistemas da RFB e às DCTF do primeiro e do segundo semestres de 2009, verificouse que não houve pagamentos dos valores devidos de PIS, COFINS e de CSLL e que houve apenas pagamentos de pequenos valores de IRPJ, frente aos totais apurados. Verificouse, também, que foram declarados créditos vinculados ao PERD/COMP 1002.009.2010.2020394522 em DCTF, anulando esses valores dos tributos devidos. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/09/2013: A empresa foi intimada em 23/09/2013, por via postal, para apresentar, no prazo de 10 dias: Fl. 651DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 10 9 1) Comprovantes das despesas de aluguéis e de energia elétrica de todos os meses de 2009, de todos os estabelecimentos (matriz e filiais). 2) Demonstrativo da totalização mensal dos valores relativos aos documentos apresentados para a comprovação das despesas de aluguéis e de energia elétrica referidas no item 1. 3) comprovantes das "outras operações com direito a crédito" de PIS/PASEP e COFINS de 2009. 4) comprovantes dos pagamentos efetuados à empresa Linx Fast Fashion Armazém Geral, referentes às operações do ano de 2009, informando a sua natureza. 5) livros de registro de inventário da matriz e de todas as filiais da empresa de 2009. 6) documento escrito informando, explicando e descrevendo o método adotado pela empresa de controle e valoração dos seus estoques em 2009. 7) documento escrito informando, explicando e descrevendo o método adotado pela empresa para o cálculo e a apuração de custos de todo o período de 2009. 8) documento escrito descrevendo o método de aquisição das mercadorias para revenda pela empresa (nacionais e importadas) e a sua logística de distribuição, incluindo o papel das empresas "Linx Fast Fashion Armazém Geral" e "ADM Comércio de Roupas Ltda.", apresentando os contratos por ventura celebrados com elas 9) Apresentar documentação comprobatória dos pagamentos relativos ao ano de 2009, por meio de DARF ou de Compensação, dos valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, inclusive dos pagamentos mensais a título de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Em 04/10/2013, a empresa declarou que não possui os livros de registro de inventário e nos entregou mais comprovantes das suas despesas de aluguéis e de energia elétrica de 2009 e planilhas demonstrando a sua soma e também entregou planilha e notas fiscais dos pagamentos à Linx FF Armazém Geral. Porém, ainda ficaram faltando parte desses comprovantes. A empresa informou que "para o exercício de 2009 não mantinha método para o controle de estoque..." e que "a valoração do estoque de 2009 foi feita através de um estoque inicial anteriormente conhecido mais as compras do exercício já deduzidos os valores de ICMS, PIS e COFINS, menos o custo das mercadorias vendidas...". A empresa apresentou uma apuração do seu custo por linha de produto: terno, gravata, blazer, camisa social, calça, etc, declarando que: "...levantamos os fornecedores por linha de Fl. 652DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 11 10 produto e com base na quantidade vendida no ano estimamos o percentual de produtos vendidos por fornecedor...". Foi reapresentado o seu resumo operacional das atividades desenvolvidas, complementando as explicações anteriores e detalhandoas mais ainda. Para a apresentação da comprovação dos créditos utilizados em compensação, ou dos pagamentos dos valores devidos, dos tributos do anobase 2009 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), a empresa solicitou uma prorrogação de prazo em 04/10/2013, a qual foi concedida por 15 dias. Após o vencimento dessa prorrogação de prazo, em 11/11/2013, o procurador da empresa compareceu à RFB, acompanhado de seu Diretor Alvaro Jabur Maluf Júnior e entregou 3 documentos: 1) Um conjunto de planilhas mensais, contendo nova apuração das Contribuições PIS e COFINS de 2009, diferentes das que serviram de base para o preenchimento da sua DACON entregue à RFB e também diferente das planilhas que nos foram entregues, no início da fiscalização, em atendimento ao Termo de Início e aos Termos de Intimação de 12/03/2013 e de 29/04/2013. A diferença dessa nova planilha, para a apuração anterior, foi o acréscimo de uma linha para informar os valores do ICMS incidente sobre as vendas e para efetuar a sua dedução da receita bruta de vendas, chegando a um novo valor, menor, da receita total para o cálculo dos valores devidos de PIS e COFINS, "negativos", dando origem/a créditos tributários em favor da empresa, que não foram comprovados 2) Um estudo tributário, não oficial, aonde é defendida a possibilidade de exclusão dos valores de ICMS das receitas integrantes das bases de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. 3) O extrato Comprot do processo n° 13811.000091/200927 (assunto: "Retificação DARF Ass. Trib. Diversos"), protocolizado em 15/01/2009, sem apresentar qualquer explicação para a sua relação com os créditos tributários objeto da presente ação fiscal. Fizemos a pesquisa desse processo nos sistemas da RFB e verificamos que esse processo, em papel, foi arquivado e não houve o cadastramento de nenhum valor de crédito no Sistema SIEF. Perguntados, os representantes da empresa não apresentaram nenhum esclarecimento acerca do que pretendiam comprovar, justificar ou pleitear, utilizando documentos desse processo, com relação à presente ação fiscal. Portanto, após análise do conjunto dos documentos entregues, verificouse que a empresa: a) não apresentou os livros de registro de inventário dos seus estabelecimentos. b) não apresentou a totalidade dos comprovantes dos pagamentos da Linx Fast Fashion Armazém Geral (principal Fl. 653DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 12 11 item dos "Outros Créditos de PIS e COFINS". c) não apresentou uma descrição da valoração dos seus estoques e da apuração dos seus custos que estivesse de acordo com a legislação fiscal. d) Não foi apresentada a documentação comprobatória dos pagamentos por meio de DARF ou de compensação, via PERD/COMP, dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS devidos em 2009. Termo de Intimação Fiscal lavrado em 20/12/2013: A empresa foi intimada em 23/12/2013, mais uma vez, para apresentar, no prazo de 15 dias: 1) Os Livros de Registro de Inventário da matriz e de todas as filiais da empresa, abrangendo o ano de 2009 (contendo os inventários realizados de 31/12/2008 a 31/12/2009). 2) Documento escrito informando, explicando e descrevendo o método adotado pela empresa para o CÁLCULO E A APURAÇÃO DOS CUSTOS de todo o período de 2009 e para a VALORAÇÃO DOS SEUS ESTOQUES em 2009, que esteja de acordo com a legislação do IRPJ. 3) Documentação comprobatória dos créditos utilizados em compensação e que substituíram os recolhimentos e os pagamentos dos valores devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao ano de 2009, via PERDCOMP. 4) Comprovantes do ano de 2009 da totalidade dos valores informados para "Outras Operações com Direito a Crédito" de PIS/PASEP e COFINS. Em 02/01/2014, a empresa solicitou prorrogação, por mais 20 dias, do prazo de atendimento à essa intimação, que somente venceria em 09/01/2014. O pedido foi indeferido, no interesse da Fazenda Nacional, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, recebido em 09/01/2014, porque os questionamentos são de solicitações anteriores, que não haviam sido satisfatoriamente atendidas. Vencido o prazo do atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de 20/12/2013, em 09/01/2014, foi efetuada a análise da documentação disponível para a conclusão da presente ação fiscal. Tendo em vista que a empresa: a) Não apresentou os livros de registro de inventário do ano 2009 e afirmou que não os possui. Descumpriu, assim, a obrigatoriedade legal da escrituração e manutenção do registro de inventário para cada um dos seus estabelecimentos. b) Não possui registro permanente de estoques, deveria, portanto, fazer obrigatoriamente a sua contagem física, ao menos, no final de cada períodobase e avaliálos pelos preços das últimas entradas e registrar os valores e as quantidades de Fl. 654DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 13 12 cada item de produto nos livros de registro de inventário, individualmente, para cada um dos seus estabelecimentos. c) Apresentou um cálculo indireto do seu Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), apurado por família de produtos, inclusive, com base em estimativas. Esse procedimento não é permitido pela a legislação fiscal. Como não possui inventário permanente, a empresa deveria utilizar o inventário periódico (realizando o inventário físico de cada item de produto dos estoques, no mínimo, no início e no final do período e calculando os seus custos), conforme o art. 289 do RIR/1999: "Art. 289: O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fím do período de apuração art. 14 do DecretoLei n° 1.598/1977". d) Não apresentou o controle individual dos estoques de cada produto, dentro de cada estabelecimento, provocou uma limitação aos trabalhos de auditoria fiscal, impossibilitando a conferência de que todas as compras foram registradas nos estoques e a verificação de que as quantidades dos produtos apropriadas como custo, tiveram o seu correspondente registro à conta de receita de vendas, quando da sua operação mercantil de saída. De acordo com o princípio contábil do "custo como base de valor", o custo de cada unidade só pode integrar o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) quando corresponder a uma venda efetiva, que tenha sido registrada em conta de receita de vendas, integrando o faturamento e o lucro contábil e fiscal. e) Declarou créditos de PIS/PASEP e COFINS em valores elevados para anular as suas dívidas tributárias presentes nas suas DCTF do anobase 2009. Intimada ao longo da presente fiscalização para comprovar a existência de tais créditos, a empresa não apresentou documentação hábil e idônea, caracterizando erro ou falsidade no preenchimento de suas declarações de 2009 (DACON e DCTF) ao eliminar os débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. f) Mesmo tendo receitas de revenda de mercadorias em valores substanciais e faturamento elevado em 2009, com base nesse mecanismo de gerar créditos de PIS e COFINS, que não foram comprovados, não pagou nenhum valor a título de PIS/PASEP e COFINS e mesmo sendo bastante lucrativa, pagou valores mínimos de IRPJ e nenhum valor de CSLL em 2009. Pelas razões acima expostas, esta fiscalização desconsiderou o regime de apuração do lucro real adotado pela empresa e procedeu ao arbitramento do seu lucro do ano 2009, com base nos seguintes dispositivos: arts. 530, inciso III , 532 e 537, parágrafo único, do RIR/1999. A base de cálculo para o arbitramento, conforme totalizado na "Planilha das Receitas Conhecidas Base de Cálculo do Arbitramento do Lucro", foi a receita escriturada nos livros contábeis da empresa, sendo que para o IRPJ foi utilizado o Fl. 655DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 14 13 percentual de presunção de 9,6% para a receita de revenda de mercadorias e para as outras receitas e de 38,4% para a receita de serviços. E para a CSLL foi utilizado o percentual de presunção de 12% para a receita de revenda de mercadorias e para as outras receitas e de 32% para a receita de serviços. Ressaltase que, tendo sido arbitrado o lucro da empresa, a apuração das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS devem ser calculadas pelo regime cumulativo e também que devem ser eliminados os créditos da "nãocumulatividade", não havendo direito à sua utilização, nem da sua compensação em declaração de PER/DCOMP. A empresa informou créditos não comprovados em suas DCTF do ano 2009, que por sua vez anularam os valores apurados na DIPJ e na DACON e declarados como débitos devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS na DCTF e permitiram que a empresa não recolhesse esses tributos. Em consequência, essas informações dos créditos não comprovados nas DCTF do ano 2009 caracterizaram informações falsas ou inexatas, correspondendo às infrações tributárias que provocaram a supressão ou redução dos tributos devidos de 2009, com enquadramento nas condutas previstas no art. 1°, incisos I, II e IV, da Lei n° 8.137/1990. Em virtude dessas irregularidades constatadas, na conclusão da presente ação fiscal, aos valores dos tributos acima apurados, conforme demonstrativos anexos, foram adicionados os acréscimos e penalidades legais cabíveis, a título de juros de mora e de multa de ofício qualificada de 150%, conforme determinam o § Io c/c inc. I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 e o inc. II do art. 957 do RIR/1999, por se tratar, em tese, de hipótese prevista no Art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, c/c art. Iº , incisos I, II e IV, da Lei n° 8.137/1990. Em conseqüência, foi lavrada correspondente a Representação Fiscal para Fins Penais objeto do Processo n° 19515.720.086/201422. Portanto, conforme os cálculos e enquadramento legal dos demonstrativos anexos, efetuamos o correspondente lançamento de ofício, com a lavratura do presente Auto de Infração do IRPJ e dos seus tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS), objeto do Processo Administrativo Fiscal (PAF) n° 19515.720.085/2014 88, com o valor de Crédito Tributário de R$ 32.455.462,92. O contribuinte foi cientificado em 22/01/2014, conforme doc. de fls. 376, e apresentou, em 19/02/2014, a impugnação de fls. 391/412. Após desenvolver as suas teses de defesa pugnou pela procedência da presente impugnação e assim requereu: a) não está presente hipótese que justifique o lançamento por arbitramento no caso dos autos, na forma do artigo 148 do CTN, já que todos os documentos foram entregues ou disponibilizados ao Sr. Fiscal; Fl. 656DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 15 14 b) não há imposto a pagar em razão da decisão judicial proferida nos autos do mandado de segurança n° 81786 32.2013.401.3400 favorável à impugnante (doc. 02), que determina a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; c) não resta caracterizada hipótese de aplicação da multa de 75% (artigo 44, 1, da Lei n° 9.430/96), nem, muito menos, está presente qualquer atitude dolosa da impugnante que pudesse ser tido como fraude, simulação ou conluio que são exigidos para a aplicação da multa qualificada de 150% (art. 44, I, § Iº, da Lei 9.430/96 c/c arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64). Portanto, conforme os cálculos e enquadramento legal dos demonstrativos anexos, efetuamos o correspondente lançamento de ofício, com a lavratura do presente Auto de Infração do IRPJ e dos seus tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS), objeto do Processo Administrativo Fiscal (PAF) n° 19515.720.085/2014 88, com o valor de Crédito Tributário de R$ 32.455.462,92. O contribuinte foi cientificado em 22/01/2014, conforme doc. de fls. 376, e apresentou, em 19/02/2014, a impugnação de fls. 391/412. Após desenvolver as suas teses de defesa pugnou pela procedência da presente impugnação e assim requereu: a) não está presente hipótese que justifique o lançamento por arbitramento no caso dos autos, na forma do artigo 148 do CTN, já que todos os documentos foram entregues ou disponibilizados ao Sr. Fiscal; b) não há imposto a pagar em razão da decisão judicial proferida nos autos do mandado de segurança n° 81786 32.2013.401.3400 favorável à impugnante (doc. 02), que determina a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; c) não resta caracterizada hipótese de aplicação da multa de 75% (artigo 44, 1, da Lei n° 9.430/96), nem, muito menos, está presente qualquer atitude dolosa da impugnante que pudesse ser tido como fraude, simulação ou conluio que são exigidos para a aplicação da multa qualificada de 150% (art. 44, I, § Iº, da Lei 9.430/96 c/c arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64). Em sessão de 30 de janeiro de 2015, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, para manter integralmente os lançamentos efetuados. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual, como se verá adiante, basicamente alega ofensa a princípios constitucionais. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 16 15 Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. De plano, convém destacar que o recurso apresentado pela interessada é bastante singelo e que, em apenas seis páginas, basicamente alega ofensa a princípios constitucionais, como se pode depreender da peça acostada aos autos (fls. 578 a 583). Quanto aos fundamentos principiológicos, cuja ofensa poderia ensejar nulidade processual, percebese que não assiste razão à Recorrente. Não se verifica nos autos qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Quanto ao mérito, transcrevemos a seguir o único trecho veiculado pela defesa: No mérito, em que pesem os esforços expendidos pela empresa, como adiante se verificará, durante a Ação Fiscal com o condão de demonstrar a "Ilmo. AUDITOR FISCAL" que as contribuições e impostos não seriam devidas, pois a empresa vem entregando todas as suas declarações em conformidade com a lei, o Agente Fiscal, de forma impaciente, com abuso de poder, procedeu ao Lançamento Fiscal, sabendo ser improcedente. Outrossim, pergunto a este conceituado órgão julgador: com base em quê o AUDITOR alega não ter recebido documentos? Se possuímos os comprovantes. (sic) Posteriormente, em dezembro de 2015, a interessada solicitou a juntada de memoriais, nos quais tece alguns argumentos jurídicos. Interessante notar que, a exemplo da peça recursal, os memoriais também mencionam que seriam apresentados documentos, o que efetivamente não ocorreu. Não se tem notícia, nos autos, de qualquer documentação comprobatória anexada depois da decisão da Delegacia de Julgamento. Conquanto isso pudesse subsidiar as Fl. 658DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 17 16 alegações da Recorrente, o simples apelo ao princípio da verdade material, sem qualquer comprovação ou novidade fática, em nada lhe socorre. Destaquese, por oportuno, que a fiscalização durou quase dois anos, entre 2012 e 2014, período mais do que suficiente para que a empresa apresentasse documentos em seu favor. Descabe, portanto, qualquer argumento de "pressa", "nulidade" ou "abuso de poder", pois o lançamento é dever legal da administração tributária e foi efetuado nos termos da legislação. No que tange ao arbitramento, que é a matéria central dos autos, percebese que a autoridade fiscal fundamentou sua conduta ante a insuficiência dos documentos apresentados, somada à não comprovação dos custos e valores de estoque, circunstância essencial para a apuração do resultado das atividades da interessada. Isso restou bem demonstrado no Termo de Verificação, conforme já relatado. Reproduzse, a seguir, os fundamentos da fiscalização (grifaremos): A empresa não apresentou os seus livros de registro de inventário, nem os comprovantes dos pagamentos da Linx Fast Fashion Armazém Geral, nem a descrição da valoração dos estoques e dos custos que estivesse de acordo com a legislação fiscal. Em consulta aos sistemas da RFB e às DCTF do primeiro e do segundo semestres de 2009, verificouse que não houve pagamentos dos valores devidos de PIS, COFINS e de CSLL e que houve apenas pagamentos de pequenos valores de IRPJ, frente aos totais apurados. Verificouse, também, que foram declarados créditos vinculados ao PERD/COMP 1002.009.2010.2020394522 em DCTF, anulando esses valores dos tributos devidos. (...) Em 04/10/2013, a empresa declarou que não possui os livros de registro de inventário e nos entregou mais comprovantes das suas despesas de aluguéis e de energia elétrica de 2009 e planilhas demonstrando a sua soma e também entregou planilha e notas fiscais dos pagamentos à Linx FF Armazém Geral. Porém, ainda ficaram faltando parte desses comprovantes. Especificamente quanto às razões para o arbitramento, a autoridade fiscal consignou que, mesmo após diversas intimações e reintimações, a contribuinte simplesmente não atendeu ao que fora solicitado, concluindo que: a) Não apresentou os livros de registro de inventário do ano 2009 e afirmou que não os possui. Descumpriu, assim, a obrigatoriedade legal da escrituração e manutenção do registro de inventário para cada um dos seus estabelecimentos. b) Não possui registro permanente de estoques, deveria, portanto, fazer obrigatoriamente a sua contagem física, ao menos, no final de cada períodobase e avaliálos pelos preços das últimas entradas e registrar os valores e as quantidades de cada item de produto nos livros de registro de inventário, individualmente, para cada um dos seus estabelecimentos. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 18 17 c) Apresentou um cálculo indireto do seu Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), apurado por família de produtos, inclusive, com base em estimativas. Esse procedimento não é permitido pela a legislação fiscal. Como não possui inventário permanente, a empresa deveria utilizar o inventário periódico (realizando o inventário físico de cada item de produto dos estoques, no mínimo, no início e no final do período e calculando os seus custos), conforme o art. 289 do RIR/1999: "Art. 289: O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fím do período de apuração art. 14 do DecretoLei n° 1.598/1977". d) Não apresentou o controle individual dos estoques de cada produto, dentro de cada estabelecimento, provocou uma limitação aos trabalhos de auditoria fiscal, impossibilitando a conferência de que todas as compras foram registradas nos estoques e a verificação de que as quantidades dos produtos apropriadas como custo, tiveram o seu correspondente registro à conta de receita de vendas, quando da sua operação mercantil de saída. De acordo com o princípio contábil do "custo como base de valor", o custo de cada unidade só pode integrar o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) quando corresponder a uma venda efetiva, que tenha sido registrada em conta de receita de vendas, integrando o faturamento e o lucro contábil e fiscal. e) Declarou créditos de PIS/PASEP e COFINS em valores elevados para anular as suas dívidas tributárias presentes nas suas DCTF do anobase 2009. Intimada ao longo da presente fiscalização para comprovar a existência de tais créditos, a empresa não apresentou documentação hábil e idônea, caracterizando erro ou falsidade no preenchimento de suas declarações de 2009 (DACON e DCTF) ao eliminar os débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. f) Mesmo tendo receitas de revenda de mercadorias em valores substanciais e faturamento elevado em 2009, com base nesse mecanismo de gerar créditos de PIS e COFINS, que não foram comprovados, não pagou nenhum valor a título de PIS/PASEP e COFINS e mesmo sendo bastante lucrativa, pagou valores mínimos de IRPJ e nenhum valor de CSLL em 2009. Pelas razões acima expostas, esta fiscalização desconsiderou o regime de apuração do lucro real adotado pela empresa e procedeu ao arbitramento do seu lucro do ano 2009, com base nos seguintes dispositivos: arts. 530, inciso III, 532 e 537, parágrafo único, do RIR/1999. O artigo 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda, base legal do arbitramento, estatui que: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando Fl. 660DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 19 18 (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Ressaltese que a fiscalização apontou, ainda, alternativas para a apresentação da documentação, como o controle periódico do inventário, com base no artigo 289 do RIR ou o controle individual dos estoques por produto, mas constatou que nenhuma dessas providências foi adotada pela empresa, o que dificultou os trabalhos de auditoria, conforme demonstrado, e ensejou o correto arbitramento do lucro, por expressa disposição legal. Não podemos olvidar que se trata de uma empresa de grande porte, com atividade econômica relevante e estabelecimentos em todo o país. Nesse contexto, é essencial manter escrituração capaz de atender à legislação, que expressamente qualifica o livro inventário como obrigatório para todas as empresas tributadas pelo lucro real notadamente as de grande atividade comercial, como a Recorrente por força dos artigos 260, inciso I, e 261 do Decreto n. 3.000/99: Art. 260. A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros I para registro de inventário; (...) Art. 261. No Livro de Inventário deverão ser arrolados, com especificações que facilitem sua identificação, as mercadorias, os produtos manufaturados, as matériasprimas, os produtos em fabricação e os bens em almoxarifado existentes na data do balanço patrimonial levantado ao fim da cada período de apuração. A inexistência de livro inventário, admitida pela própria autuada, somada à ausência de qualquer mecanismo capaz de indicar, com precisão, o valor dos produtos e dos estoques movimentados exige o arbitramento do resultado, o que nos leva a concluir pela higidez dos procedimentos adotados pela fiscalização. Cumpre ainda destacar que a empresa obteve, entre 2013 e 2014, liminar e decisão de primeira instância favoráveis à não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, fato que não foi trazido no voluntário. Todavia, por se tratar de decisão judicial, que consta dos autos (embora só mencionada pela empresa na impugnação e em memoriais), entendo relevante analisar o seu alcance. Verificase que a contribuinte obteve decisão liminar favorável e, posteriormente, sentença de 1o grau no mesmo sentido, para afastar o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Em pesquisa na justiça do Distrito Federal podemos constatar que na sentença favorável obtida em 15 de agosto de 2014 ficou consignado que: Fl. 661DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 20 19 No tocante ao pedido de retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF’s), defiroo, tão somente quanto aos valores indevidamente cobrados a partir da impetração da presente demanda, pois é cediço que o mandado de segurança não tem efeitos patrimoniais pretéritos (Súmulas nºs 269 e 271 do STF). Diante do exposto e com base nas razões de fato e de direito aqui mencionadas, confirmando a liminar deferida, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para afastar o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, bem como para autorizar a retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF’s), somente quanto aos valores indevidamente cobrados a partir da impetração da presente demanda. Como a demanda foi ajuizada pela Recorrente em 2013, quando obteve liminar (Processo 008178632.2013.4.01.3400 DF), resta evidente que a decisão judicial não alcança os fatos ao tempo da fiscalização, que trata do anocalendário de 2009. Tal circunstância está expressa no comando ao norte exposto, de sorte que a decisão em nada altera os lançamentos efetuados. Ademais, em consulta realizada no sítio do TRF da 1a região, em maio de 2016, constatamos que o processo não transitou em julgado, posto que pendente de análise do reexame necessário por aquele Tribunal. Conquanto a matéria seja realmente objeto de controvérsia, considero, por enquanto, que não assiste razão à Recorrente. Isso porque o entendimento em vigor nos Tribunais superiores, ao tempo deste voto, indica que o ICMS compõe o preço final da mercadoria que, por sua vez, integra o conceito de faturamento, tributável a título de PIS e COFINS. Nesse sentido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, editado nas Súmulas n. 68 e 94, ao fixar que a parcela relativa ao ICMS integra o faturamento e, portanto, incluise na base de cálculo do PIS e do FINSOCIAL (este posteriormente substituído pela COFINS, com a edição da Lei Complementar n. 70/1991). Embora não se possa olvidar que o Supremo Tribunal Federal concluiu, em 08/10/2014, o julgamento do RE n. 240.785/MG, decidindo, naquele feito, pela exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, devemos ressaltar que os efeitos da decisão limitamse às partes envolvidas naquele processo, uma vez que consideradas apenas as peculiaridades ali debatidas, tanto assim que o próprio STF não tem aplicado o aludido precedente a outros feitos em que se discute a mesma matéria. Por força disso, os Tribunais têm reconhecido a possibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, pela vigência da legislação que dispõe sobre a matéria e das Súmulas exaradas pelo STJ, a exemplo de recente decisão do TRF da 3a Região: EI 000199827.1994.4.03.6100/SP, Rel. Des. Federal MAIRAN MAIA, eDJF3 Judicial 1 DATA:16/04/2015 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 21 20 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS INFRINGENTES. ART. 260, §1º DO REGIMENTO INTERNO DESTA E. CORTE. ALEGAÇÃO DE NULIDADE QUE SE AFASTA. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO LIVRE ACESSO À JUSTIÇA, DO DUPLO GRAU E DO CONTRADITÓRIO QUE NÃO SE VERIFICA NA ESPÉCIE. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. VIGÊNCIA PLENA. PRECEDENTES DESTA SEGUNDA SEÇÃO. MATÉRIA PRELIMINAR REJEITADA. RECURSO IMPROVIDO NO MÉRITO. 1 Tendo o juízo de admissibilidade dos embargos infringentes sido realizado pelo relator do acórdão impugnado, verificase o cumprimento do art. 260, § 1º, do Regimento Interno desta E. Corte, restando afastada a alegação de nulidade da decisão agravada. 2 Julgamento monocrático dos embargos infringentes que atendeu aos ditames do art. 557 do Código de Processo Civil, restando afastada a alegação de violação aos princípios do livre acesso à justiça, do duplo grau e do contraditório, sobretudo em virtude da garantia processual conferida ao ora agravante de ver sua irresignação apreciada perante esta Segunda Seção via do presente recurso. 3 Incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS que se mantém em razão da plena vigência das Súmulas 68 e 94 do C. STJ, até que sobrevenha decisão definitiva e com efeito vinculante a ser proferida pelo Supremo Tribunal Federal quanto à matéria. Precedentes desta Segunda Seção. (grifamos) Como os julgamentos da ADC n. 18 (que tem por objeto o art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98) e do RE 574.706/PR (em cujos autos foi reconhecida a repercussão geral da matéria) não foram concluídos até a presente data, temos que a questão relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS ainda pende de pronunciamento definitivo pelo Supremo Tribunal Federal, razão pela qual descabe, a este Conselho, afastar a legalidade de norma vigente e eficaz, até porque o STJ tem julgado o tema, na esteira das Súmulas n. 68 e 94, favoravelmente à pretensão do Fisco. Por fim, no que tange à qualificação da multa, ressaltese que a matéria não foi objeto do recurso voluntário. Entretanto, para que não remanesça qualquer dúvida, considero a qualificação correta ante os fundamentos apresentados pela autoridade fiscal, que foram assim formulados (grifaremos): A empresa informou créditos não comprovados em suas DCTF do ano 2009, que por sua vez anularam os valores apurados na DIPJ e na DACON e declarados como débitos devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS na DCTF e permitiram que a empresa não recolhesse esses tributos. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.720085/201488 Acórdão n.º 1201001.452 S1C2T1 Fl. 22 21 Em consequência, essas informações dos créditos não comprovados nas DCTF do ano 2009 caracterizaram informações falsas ou inexatas, correspondendo às infrações tributárias que provocaram a supressão ou redução dos tributos devidos de 2009, com enquadramento nas condutas previstas no art. 1°, incisos I, II e IV, da Lei n° 8.137/1990. Em virtude dessas irregularidades constatadas, na conclusão da presente ação fiscal, aos valores dos tributos acima apurados, conforme demonstrativos anexos, foram adicionados os acréscimos e penalidades legais cabíveis, a título de juros de mora e de multa de ofício qualificada de 150%, conforme determinam o § 1o c/c inc. I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 e o inc. II do art. 957 do RIR/1999, por se tratar, em tese, de hipótese prevista no Art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, c/c art. 1º, incisos I, II e IV, da Lei n° 8.137/1990. Em conseqüência, foi lavrada correspondente a Representação Fiscal para Fins Penais objeto do Processo n° 19515.720.086/201422. De se notar que a fundamentação para a qualificação da multa não se refere ao arbitramento do lucro, mas sim ao fato de a empresa ter informado créditos em DCTF que não foram comprovados, atuando no sentido de reduzir o pagamento dos tributos devidos no período, fato que se amolda às hipóteses previstas no artigo 71 da Lei n. 4.502/64. Correto, portanto, o entendimento da fiscalização e da decisão de piso. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 664DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10380.901158/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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Seção: Terceira Seção De Julgamento
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AUMENTO DE DÉBITO DECLARADO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação de declaração de compensação não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado em declaração anterior, conforme disposto no artigo 59 da IN SRF nº600/2005. PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de cinco anos contados do pagamento antecipado ao pedido de restituição pleiteado administrativamente após 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A realização de diligência requerida com a finalidade de suprir a falta de apresentação de provas no momento processual oportuno deve ser indeferida. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 01 15 8/ 20 06 -2 9 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901158/200629 Resolução nº 3302003.118 S3C3T2 Fl. 334 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Trata o presente de apreciação das declarações de compensação sob os nº 15874.68915.250603.1.3.040521 e 33355.40213.130208.1.3.043020. O Despacho Decisório de efl. 78 indeferiu a DCOMP 15874.68915.250603.1.3.040521 por falta de apresentação do Livro Razão relativo às receitas que integraram a base de cálculo demonstrada, de modo a comprovar a legitimidade do crédito pleiteado, e indeferiu a DCOMP 33355.40213.130208.1.3.043020 por decadência do direito de repetição do indébito tributário. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em preliminares, a necessidade de suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação fora indeferida e, no mérito, reconhecer a legitimidade do indébito pleiteado mediante a juntada de novas partes do Livro Razão, relativo às contas de receita, ou, alternativamente, a realização de diligência fiscal, em homenagem ao princípio da verdade material. Quanto ao indeferimento da DCOMP nº 33355.40213.130208.1.3.043020 por decadência do direito de repetição, alegou que o crédito pleiteado já havia sido informado na DCOMP retificadora 02403.29218.261006.1.7.045360, única e exclusivamente com o fito de incluir a atualização pela taxa Selic não informada na DCOMP original 15874.68915.250603.1.3.040521. Entretanto, pelo fato de a Receita Federal ter glosado este instrumento, por “razões suas”, a recorrente se viu obrigada a apresentar a DCOMP complementar de nº 33355.40213.130208.1.3.043020, embora já informara o crédito na DCOMP não admitida, dentro do prazo do artigo 168, inciso I do CTN. A Décima Sexta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 12 59.071, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901158/200629 Resolução nº 3302003.118 S3C3T2 Fl. 335 3 Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. REPETIÇÃO DO INDÉBITO DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de tributo pago em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá o pedido de realização de perícia quando esta for prescindível. É de se considerar prescindível a realização de perícia requerida com a finalidade de suprir a falta de apresentação de provas na impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações deduzidas na manifestação de inconformidade e pugnando pelo conhecimento de toda a documentação já produzida no processo 10380.901169/200617, o qual seria o processo principal de toda a verificação relativa à matéria de direito objeto de diversas DCOMPs protocoladas. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O processo trata de indeferimento de duas declarações de compensação: DCOMP nº 15874.68915.250603.1.3.040521 e 33355.40213.130208.1.3.043020. A DCOMP nº 33355.40213.130208.1.3.043020 foi indeferida por decadência do direito de repetição. Por seu turno, a recorrente alega que esta DCOMP não teve a finalidade de fazer compensação nova, mas apenas de fazer constar a atualização do crédito tributário informado na DCOMP nº 15874.68915.250603.1.3.040521. Informa que transmitiu a DCOMP retificadora 02403.29218.261006.1.7.045360 para constar a atualização monetária, tendo sido indeferida Fl. 335DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901158/200629 Resolução nº 3302003.118 S3C3T2 Fl. 336 4 pela Receita Federal por “questões suas” e que devido a este indeferimento, se viu obrigada a transmitir a DCOMP complementar nº 33355.40213.130208.1.3.043020. Destacase, de início, que a DCOMP retificadora mencionada não foi admitida, por ter apresentado aumento de débito em relação à original transmitida. De fato, constatase que nesta última houve compensação de débito original no montante de R$ 1.129.020,60 referente a Cofins de fevereiro e março/2003, efl. 136, enquanto na dita retificadora, foi a informada a compensação de R$ 1.245.132,52, portanto, débito superior ao informado na DCOMP original, o que caracteriza nova compensação e não retificação, ao contrário do que afirma a recorrente. O artigo 59 da IN SRF nº600/2005 esclarece: Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput , o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. O impedimento justificase porque a data de valoração da compensação na retificadora é a data da original transmitida, e por isso o débito compensado não pode ser alterado sob pena de se considerar a nova DCOMP como original e nova data de valoração, conforme art. 61 da IN SRF nº 600/2005: Art. 61. A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 28, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, a inadmissão da DCOMP retificadora nº 02403.29218.261006.1.7.045360 não foi por “questões” da Receita Federal, mas porque, de fato, se tratava de nova compensação e não de retificadora, o que implicaria nova data de valoração dos créditos. Por outro lado a DCOMP nº 33355.40213.130208.1.3.043020 compensa o valor de R$ 116.111.96, ou seja, a diferença entre as DCOMPs original e a suposta retificadora, reafirmando a natureza de nova compensação. Concluise, portanto, que, primeiro, a DCOMP 02403.29218.261006.1.7.04 5360 não foi, acertadamente, admitida e, destarte, não produziu efeitos legais. Segundo, a DCOMP 33355.40213.130208.1.3.043020 representa nova compensação e, portanto, demanda análise distinta da DCOMP nº 15874.68915.250603.1.3.040521, quanto ao prazo de repetição do crédito pleiteado. No caso, tendo a DCOMP sido transmitida em 13/02/2008, referente a crédito constante de recolhimento em 30/09/2002, configurase o decurso do prazo estabelecido no artigo 168, inciso I do CTN, aplicável aos pedidos administrativos pleiteados após 9/06/2005, em consonância com a Súmula CARF nº 91: Fl. 336DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901158/200629 Resolução nº 3302003.118 S3C3T2 Fl. 337 5 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Ressaltase, ainda, que a recorrente poderia ter efetuado declarações de compensação há mais de cinco anos da data do pagamento indevido ou a maior, desde que tivesse efetuado o pedido de restituição dentro do prazo de cinco previstos no CTN, conforme disposto nos artigos 26 e 27 da IN SRF nº 600/2005, o que, entretanto, aparentemente não ocorreu: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. [..]§ 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de cinco anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. Concernente à DCOMP nº 15874.68915.250603.1.3.040521, o despacho decisório decidiu pelo indeferimento pela falta de provas, precisamente, pela falta de apresentação do Razão relativo às contas contábeis de receita, necessárias para a verificação da legitimidade do direito creditório. A recorrente pugna pela aplicação do princípio da verdade material, alegando ter juntado as contas de receitas da Cofins de maio/2002, e a necessidade de se conhecer a documentação anexada ao processo 10380.901169/200617 e, caso a documentação não seja suficiente, alega, ainda, a necessidade de realização de diligência. Inicialmente, a recorrente alega que o fundamento das declarações de compensação foi objeto de processo de consulta de nº 10380.000375/200357, cuja solução lhe foi favorável no sentido de que a aplicação da sobretarifa de que trata o §1º do artigo 4º da MP nº 14/2001 deveria compor a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins dos períodos em que ocorressem o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a sobretarifa e não em dezembro/2001, conforme determinado pela Resolução ANEEL nº 72/2002. A própria solução de consulta indicou os procedimentos previstos na IN SRF nº 210/2002 para a recuperação dos tributos e abordou apenas o ano de 2001, embora a recorrente afirmou ter efetuado o mesmo procedimento em alguns meses de 2002. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901158/200629 Resolução nº 3302003.118 S3C3T2 Fl. 338 6 Para demonstrar seu direito, a recorrente apresentou em manifestação de inconformidade, demonstrativo da base de cálculo do período do crédito, Razão de 2003 contendo lançamentos relativos a tributos e contribuições compensáveis, incluindo históricos de PIS/Pasep e Cofins retidos, a recuperar, compensação de PIS/Pasep e Cofins, Razão da conta de retenção de PIs/Pasep e Cofins de 31/12/2001 a 31/12/2003, balancete comparativo de 07/2002 e 08/2002. Afirmou ainda, em recurso voluntário, ter juntado o Livro Razão relativo às contas de receitas de maio/2002, embora tal documento, além de não ter sido localizado, não diz respeito ao período do crédito em discussão, ou seja, agosto de 2002. Reafirmou, ainda, a necessidade de conhecimento das provas juntadas ao processo 10380.901169/200617, o qual conteria a consulta formulada no processo 10380.000375/200357, as planilhas de cálculo do PIS e da Cofins relativa aos períodos de dezembro/2001, janeiro, fevereiro, março, maio e agosto/2002, livro Razão de contas do ativo do anocalendário de 2003. Destacase que a recorrente apresentou um primeiro demonstrativo referente a Cofins de agosto de 2002, efl. 42 relacionando os valores de receita operacional, encargo emergencial, receita financeira, acréscimos por atraso – Encargo Emergencial, Diferimento de Receita órgãos públicos – Adição, Diferimento de Receita órgãos públicos – Exclusão, valor retido – Lei 9.430, valor compensado e valor recolhido em DARF. Posteriormente, em manifestação de inconformidade, apresentou novo demonstrativo, identificando as rubricas contábeis: Receita pela disponibilidade de rede elétrica, comercialização de energia elétrica, suprimento, ativo regulatório, outras receitas e rendas – distribuição, outras receitas e rendas – comercialização, receita financeira – comercialização, atualização ativo regulatório, receitas não operacionais – outras receitas, diferimento órgãos públicos e retenções órgãos públicos. Pelos documentos constantes no processo, podese comprovar o valor da Cofins retida em agosto/2002, efls. 62. Em relação aos demais valores, os documentos não são suficientes à sua comprovação, como se depreende do excerto extraído do voto condutor do acórdão da DRJ: "30. Do exame da documentação apresentada pela interessada à Autoridade Fiscal que apreciou as compensações declaradas nos PER/DCOMP nºs 15874.68915.250603.1.3.040521 e 33355.40213.130208.1.3.043020, verificase que no demonstrativo de apuração da base de cálculo da Cofins referente ao mês 08/2002, não foi informado quais receitas compõem as parcelas que integram o cálculo nos títulos: receita operacional, receita financeira, receita não operacional, diferimento da receita – órgãos públicos – adição e diferimento da receita – órgãos públicos – exclusão. Também, não foi anexada aos autos a documentação contábil que pudesse comprovar os valores informados nesse demonstrativo, conforme solicitado na Intimação Fiscal. 31. Na manifestação de inconformidade, a impugnante informa ter anexado o Livro Razão das contas de receitas que integram a base de cálculo da Cofins de agosto de 2002 (Doc. 09, fls. 250 a 257). Ocorre que, ao contrário do informado, tal documentação não foi trazida aos autos. Os documentos apresentados pela interessada (Doc. 09, fls. 250 a 257) foram: Fl. 338DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901158/200629 Resolução nº 3302003.118 S3C3T2 Fl. 339 7 31.1 Demonstrativo de Apuração da Cofins referente ao mês 08/2002 (fl. 251); 31.2 Balancete Comparativo referente ao mês 08/2002 (fls. 252 a 254); e 31.3 Lançamento efetuado no mês 08/2002 na conta 6310519300 Com Out Rec FinAcrésc Moratório Conta (fl. 255). 32. Do exame da documentação apresentada verificase que: 32.1 No Demonstrativo de Apuração da Cofins referente ao mês 08/2002 (fl. 251) a interessada deixou de incluir no cômputo da base de cálculo valores de receita operacional referentes às contas: R311034000 DtLn,Rd,SbRc Op En ElPc Dp Rd ElAt (R$ 16.825.189,14); R511011000 ComRec Op En ElFornecimentoAtivo Reg (R$ 7.561.369,74); e R511012000 ComRec Op En El FornecimentoEnergia L (R$ 2.397.118,87); 32.2 Não restou comprovado que tais valores seriam referentes a financiamento contratado e vinculado à recomposição tarifária extraordinária “RTE” reconhecido contabilmente como receita nos termos das determinações normativas impostas pela ANEEL; 32.3 No Demonstrativo de Apuração da Cofins referente ao mês 08/2002 (fl. 251) a interessada deixou de incluir no cômputo da base de cálculo valores de receita financeira referentes às contas: 6310311040 DstLin,Red,SubRndJuros Vr Renda Fixa (R$ 46.340,75); 6310413000 AdmVariações MonetDiferença de Cambio (R$ 276,00); 6310519300 ComOut Rec FinAcrésc Moratório Conta (R$ 3.535.969,89); 6310311110 DistLin,Red,SubRendasJuros por Conta (R$ 9.409,34); 6310349100 DistAdmOutras Receitas FinanceirasOu (R$ 93.753,97); 6310419000 AdministracaoOutras Receitas Financeir (R$ 107.489,14); e 6310519000 Comercialização Outras Receitas Finance (R$ 8.921.993,82); 32.4 No Balancete Comparativo referente ao mês 08/2002 (fls. 252 a 254) não se identifica o valor informado a título de “Receita Financeira – Distribuição” (R$ 8.049.958,96) no Demonstrativo de Apuração da Cofins referente ao mês 08/2002 (fl. 251); 32.5 Não restou comprovado que o valor excluído a título de “Atualização Ativo Regulatório” (R$ 5.818.268,75) estaria incluído no valor informado a título de “Receita Financeira – Distribuição” (R$ 8.049.958,96), e que aquele seria referente aos juros remuneratórios incidentes sobre o financiamento contratado e vinculado à recomposição tarifária extraordinária “RTE”; 32.6 Além disso, não foi objeto da consulta efetuada no processo n° 10380.000375/200357 qualquer questionamento relacionado ao tratamento tributário a ser dado aos juros remuneratórios incidentes sobre o financiamento contratado e vinculado à recomposição tarifária extraordinária “RTE”; 32.7 No Demonstrativo de Apuração da Cofins referente ao mês 08/2002 (fl. 251) a interessada, indevidamente, deduziu do valor da base de cálculo da Cofins valor negativo referente a “Outras Receitas” (R$ 23.763,84); Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10380.901158/200629 Resolução nº 3302003.118 S3C3T2 Fl. 340 8 32.8 Não restaram comprovados os valores informados a título de “DIFERIMENTO ÓRGÃOS PÚBLICOS” (R$ 343.706,69) e “RETENÇÕES ÓRGÃOS PÚBLICOS” (R$ 19.432,69). 33. Sem essas comprovações, não há como se afirmar qual seria o valor devido da Cofins no mês 08/2002, tampouco reconhecer ser o valor recolhido maior que o efetivamente devido." De fato, dadas as peculiaridades do caso concreto, a recorrente deveria ter juntado as cópias do Livro Razão de todas as contas de receita, contas de recebimentos de receitas, o controle extracontábil relativo às adições e exclusões decorrentes das receitas auferidas em face de órgãos públicos, bem como identificado como surgiram os valores que foram excluídos da base de cálculo como ativo regulatório e sua atualização. Por outro lado, dos documentos informados como constantes do processo 10380.901169/200617, a consulta formulada no processo 10380.000375/200357 e o demonstrativo de cálculo foram aqui juntados, sendo que o Livro Razão do ano de 2003 é irrelevante para se apurar o direito creditório de agosto de 2002, objeto desta lide. O que, na realidade, constatase, é que a recorrente teve oportunidade de demonstrar a base de cálculo na análise da compensação, em manifestação de inconformidade e, por fim, no recurso voluntário, quando já possuía conhecimento, pela decisão da DRJ, do que seria necessário para comprovar suas alegações, não se desincumbindo do ônus que lhe cabe quanto à comprovação do indébito tributário, nos termos do artigo 170 do CTN, dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 e do artigo 333 do vigente Código de Processo Civil, Lei nº 5.869/73. Quanto ao pedido de diligência fiscal, a recorrente não logrou êxito em demonstrar a impossibilidade de juntar as provas necessárias nos três momentos que lhe foram oportunizados, mormente após a decisão da DRJ, a qual especificou os pontos não comprovados. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10280.001042/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES DO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL.
Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigura-se constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-004.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior Presidente.
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amílcar Barca Teixeira Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Júlio de Souza, Júlio César Vieira Gomes.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES DO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL. Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigura-se constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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POSSIBILIDADE DE O FISCO REQUISITAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS DO CONTRIBUINTE DIRETAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PRECEDENTES DO STF EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL. Consoante consagrado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP, com repercussão geral, pelo plenário do STF, ocorrido em 24/02/2016, afigurase constitucional o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permite aos Fiscos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames forem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, requisitar informações bancárias do contribuinte diretamente às instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 10 42 /2 00 7- 05 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 João Bellini Júnior – Presidente. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amílcar Barca Teixeira Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Júlio de Souza, Júlio César Vieira Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, ora Recorrente (fls. 213217), em face do acórdão de primeira instância que lhe foi integralmente desfavorável, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Belém/PA (fls. 205209). Para a adequada compreensão dos fatos que orbitam em torno da controvérsia estabelecida no presente processo administrativo, faço o resumo a seguir. Com base nas informações constantes da declaração de ajuste anual, a fiscalização vinculada à Delegacia da Receita Federal (DRF) em Belém/PA, ao perceber grande disparidade entre a movimentação financeira global e os rendimentos tributáveis declarados, intimou o Recorrente para apresentar seus extratos bancários, relativos aos anos calendários 2002 e 2003. Não obtendo êxito, a fiscalização intimou o Banco do Brasil para fornecer referidas informações bancárias do Recorrente (fls. 2122), tendo por fundamento legal o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (regulamentado pelo Decreto nº 3.724/2001): Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. O Banco do Brasil cumpriu a intimação e entregou ao Fisco as informações solicitadas. Os depósitos bancários identificados deram origem à planilha intitulada “Fluxo Financeiro Mensal”, de fls. 8486. O Recorrente foi intimado (fls. 87) para comprovar a origem dos valores depositados em suas contas correntes. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10280.001042/200705 Acórdão n.º 2301004.686 S2C3T1 Fl. 224 3 Como não apresentou justificativa a respeito, a fiscalização promoveu lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, lavrado em 27/03/2007, por meio do qual se exige do Recorrente o recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) incidente sobre rendimentos omitidos nos anoscalendários 2002 e 2003, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada (fls. 5104). Na data da lavratura, a composição do débito fiscal era a seguinte: Principal (IRPF) ........................................................ R$ 375.321,57 Multa de Ofício (75%)............................................... R$ 281.491,17 Juros de mora ............................................................. R$ 191.107,05 TOTAL ...................................................................... R$ 847.919,79 Em impugnação, o Recorrente contestou as conclusões alcançadas pela fiscalização. No mérito, arguiu que todos os créditos registrados em sua conta corrente bancária decorreram de transferências realizadas pela empresa MADENORTE S/A LAMINADOS E COMPENSADOS em favor da empresa LAMITEL – LAMINADOS E MADEIRAS TROPICAIS LTDA. – da qual o Recorrente seria sócio – a título de pagamento por serviços prestados de serragem, preparação e embarque de madeiras, de acordo com os documentos juntados. Informa que utilização da sua conta corrente por terceiro teria ocorrido em razão da recusa do Banco do Brasil em abrir conta em nome da empresa Lamitel, em virtude de pendências cadastrais de familiares. Em primeira instância, a DRJ em Belém/PA validou integralmente o lançamento de ofício e julgou improcedente a impugnação apresentada. Defendeu a presunção legal de omissão de receita, com apoio no art. 42 da Lei nº 9.430/96. No mérito, rejeitou as alegações do Recorrente, por entender não haver prova que estabeleça um nexo entre os depósitos, as notas fiscais e os contratos. Irresignada, o Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF contra o acórdão de primeira instância, repisando os argumentos de defesa já mencionados acima. Em 21/06/2012, com base no art. 62A, §1º, Anexo II do antigo RICARF, os membros do CARF resolveram sobrestar o julgamento do referido recurso voluntário até decisão final, pelo Supremo Tribunal Federal, da questão envolvendo a transferência compulsória, pela instituição financeira diretamente ao Fisco, do sigilo bancário do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 30/09/2008 e o recurso voluntário foi interposto em 29/10/2008. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 A primeira questão a ser analisada diz respeito à possibilidade de o Fisco federal solicitar informações sobre a movimentação bancárias de correntistas diretamente às instituições financeiras, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e nos demais diplomas regulamentares. A decisão proferida, em 24/02/2016, pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP (com repercussão geral), põe uma pá de cal sobre a discussão e afirma ser constitucional tal possibilidade, nos seguintes termos: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. A segunda questão referese à validade da presunção constante do art. 42 da Lei nº 9.430/96 quanto à existência de omissão de rendimentos tributáveis pelo imposto de renda, em virtude de o Fisco ter identificado depósitos bancários em favor do contribuinte, sem origem comprovada. Este CARF já foi instado a se manifestar inúmeras vezes sobre essa presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Muitas dessas manifestações tornaramse súmulas, cujo teor daquelas importantes para o deslinde do presente caso transcrevemos agora: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10280.001042/200705 Acórdão n.º 2301004.686 S2C3T1 Fl. 225 5 Pois bem. A fiscalização observou exemplarmente todos esses enunciados, não havendo qualquer mácula que, previamente ao exame do mérito, pudesse afetar a validade do lançamento de ofício. Quanto ao mérito propriamente dito, tal como já constatado pela DRJ em Belém/PA, o Recorrente não logrou comprovar que os depósitos bancários efetuados em sua conta corrente durante os anoscalendários de 2002 e 2003 tiveram como depositante a empresa MADENORTE, não estabelecendo nexo necessário entre os contratos entre as empresas, as notas fiscais emitidas e os valores depositados em conta corrente. Nesse sentido, adoto como razão do meu voto o seguinte trecho da decisão de primeira instância (fls. 205 209): Das provas constantes dos autos Os extratos dos depósitos bancários constam dos autos às fls.17/30 (2002) e 31/43 (2003). O contribuinte apresenta a alegação de que cedeu o uso de sua conta corrente (pessoa física) para recebimento de depósitos a favor da pessoa jurídica LAMITEL da qual é sócio. Além disso, afirma que os depósitos teriam sido feitos pela empresa MADENORTE pelo pagamento de serviços de serragem, preparação e embarque de madeiras, tudo conforme os contratos feitos entre as duas empresas (fls.89/96). Ocorre que os documentos apresentados pelo contribuinte em nada comprovam a origem dos depósitos realizados em sua conta corrente, senão vejamos: Os contratos particulares entre as empresas MADENORTE c LAMITEL (fls.89/96) mostram que esta prestava serviços de serragem. preparação e embarque de madeiras. As ordens de serragem (fls.98/99) apenas ratificam os contratos particulares entre as empresas. Documento de alteração contratual da empresa LAMITEL (fls.101/102) revela que o impugnante era sócio em 2002. As notas fiscais e ATPF's (fls.103/115) mostram a venda de madeira serrada da LAMITEL para a MADENORTE. No que se refere às notas fiscais, inexiste relação entre os valores delas constantes e os depósitos efetuados em conta do impugnante. Assim, o contribuinte não logrou comprovar que os depósitos efetuados nos meses em que foram emitidas as notas fiscais tiveram como depositante a empresa MADENORTE, o que estabeleceria um nexo entre os depósitos, as notas c os contratos, nem apresentou escrituração que informasse o recebimento dos valores. Por isso, entendo inexistir qualquer motivo válido para afastar o lançamento de ofício realizado pela fiscalização. Conclusão Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo a cobrança dos valores constantes do auto de infração. É como voto. Fábio Piovesan Bozza Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724631/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado, através de laudo oficial, que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que seus proventos são decorrentes de benefício de aposentadoria, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 46 31 /2 01 3- 14 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Contra o contribuinte acima qualificado, foi lavrada Notificação de Lançamento, de fls. 04/09, em que exigese o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de ofício e juros de mora no valor total de R$ 4.761,83, calculados até 30/04/2013, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2010, anocalendário de 2009. A descrição dos fatos e enquadramento legal, constam à fl. 05. Segundo o Fisco houve omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor total de R$ 73.351,28, sendo R$ 63.643,98 percebidos da Fonte Pagadora Comando do Exército, CNPJ 00.394.452/053304 e R$ 9.707,30 da Fonte Pagadora Instituto Nacional do Seguro Social, CNPJ 29.979.036/000140. Às fls. 06/07, a autoridade lançadora informa ter procedido a glosa de despesas médicas, no valor de R$ 17.139,86, por falta de apresentação de comprovantes solicitados no Termo de Intimação Fiscal nº2010/705895124212313. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 02, alegando, em resumo, os rendimentos são isentos por corresponderem a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por “portador de moléstia grave”. Em relação às despesas médicas, informou tratarse de “despesas do próprio contribuinte”. Juntou documentos para comprovar suas alegações (fls. 11 a 33). A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação procedente em parte (fls. 65/68), a qual restou abaixo ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 PROVENTOS DE APOSENTADORIA/PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. INÍCIO DA VIGÊNCIA. São isentos os rendimentos recebidos por portador de moléstia grave, reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, a partir da data fixada no referido laudo. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. A apresentação dos comprovantes das despesas médicas informadas na declaração de ajuste anual determina a retificação do lançamento, mantida a glosa apenas das despesas não comprovadas e as não previstas legalmente. Impugnação Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A ciência do Acórdão 1043.8708ª Turma da DRJ/POA, ocorreu em 21/05/2013 (fl.71). A ciência do Acórdão 1043.870 8 ª Turma da DRJ/POA ocorreu em 21/05/2013, conforme fl. 71, mediante Aviso de Recebimento AR. Sobreveio recurso voluntário em 13/06/2011 (fls. 73 a 77), acompanhada de documentos (fls. 79/87). Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.724631/201314 Acórdão n.º 2301004.676 S2C3T1 Fl. 93 3 É o relatório. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Primeiramente, cumpre referir que cabe analisar a alegação da existência de moléstia grave suportada pelo contribuinte, uma vez que estando preenchidos os requisitos para isenção de imposto de renda, perdese o objeto da infração por dedução indevida de despesas médicas. O contribuinte alega ser acometido de doença tipificada na legislação fiscal, fazendo jus ao benefício da isenção tributária, carreando documentos que entende ser hábeis a dar guarida às suas alegações. Para o deferimento do benefício pleiteado, o artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, condicionou a concessão da isenção do IRPF nos seguintes casos: a) os valores recebidos serem de proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço; e b) ser portador de moléstia prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda a seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No tocante ao segundo requisito, a lei faz duas exigências: (i) que a moléstia da qual o contribuinte sofre seja uma daquelas previstas e (ii) que a comprovação seja feita por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle Assim sendo, cabe analisar se os documentos constantes dos autos são hábeis à comprovarem a condição do contribuinte, ou seja, se efetivamente os rendimentos percebidos são de aposentadoria, bem como a existência da moléstia alegada. No tocante ao primeiro requisito, verificase que a decisão "a quo" não se insurgiu quanto a comprovação da condição de aposentado do contribuinte, passando diretamente para análise acerca da existência de moléstia grave. Nesse ponto, cabe averiguar se o contribuinte é portador de doença grave, atestada através de Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para melhor compreensão, subtraio excerto da decisão recorrida acerca da infração de Omissão de Rendimentos: [...] O notificado apresentou Laudo Médico expedido pela Policlínica Militar de Porto Alegre, expedido em 03 de setembro de 2012. Conforme já referido pela fiscalização às fls. 05, o referido documento não é laudo oficial do Exército Brasileiro. Portanto, não atende as condições previstas pelo artigo 39, inciso XXXIII e parágrafo 4º, do Regulamento do Imposto de Renda. Além disso, o documento foi emitido em 03 de setembro de 2012, sendo que o anocalendário em exame é relativo a 2009. O documento de fls. 45, expedido pela 3ª Região Militar, informa que o senhor Dinarte José “é portador de doença especificada em lei”, tendo fixado a data do início do benefício da isenção a partir de 28 de abril de 2011. Desta forma, os rendimentos recebidos no anocalendário de 2009 estão sujeitos à tributação do imposto de renda pessoa física. O documento carreado pelo contribuinte à fls. 40/42 é hábil e suficiente a comprovar a existência de doença grave suportada pelo recorrente. Em que pese o entendimento da Turma de Primeira Instância, verificase que à fl. 42 o médico informa que o paciente é portador de nefrologia grave há pelo menos 03 anos, pela história clínica, tendo sido datado em 03 de setembro de 2012. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.724631/201314 Acórdão n.º 2301004.676 S2C3T1 Fl. 94 5 O Laudo Médico fora expedido pela 3ª Região Militar Policlínica Militar de Porto Alegre, assinado pelo médico nefrologista José Alberto Marques, CREMERS 8913, sendo Laudo Médico Oficial. Assim, vislumbrase que à época do fato gerador, o recorrente já preenchia os requisitos para isenção do imposto de renda, sendo desnecessária a análise quanto à infração por dedução indevida por despesas médicas, uma vez que os rendimentos auferidos pelo contribuinte são isentos. Isto posto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a isenção do imposto de renda relativo ao período pleiteado. Alice Grecchi Relatora (Assinado Digitalmente) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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