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Numero do processo: 14751.002564/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
IRPF. VERBA DE GABINETE RECEBIDA POR PARLAMENTAR. RECONHECIMENTO DA NATUREZA JURIDICA DE INDENIZAÇÃO. NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DOS GASTOS SUBJACENTES. SÚMULA CARF Nº 87.
O caráter indenizatório da denominada verba de gabinete recebida por parlamentar não deriva automaticamente da vontade da respectiva casa legislativa, necessitando os gastos a ela subjacentes serem devidamente comprovados. Súmula CARF nº 87.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA.
Nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, presume-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito, mantidos em instituição financeira, por titular pessoa física, que, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
Numero da decisão: 2301-004.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior Presidente.
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amílcar Barca Teixeira Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Júlio de Souza, Júlio César Vieira Gomes.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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VERBA DE GABINETE RECEBIDA POR PARLAMENTAR. RECONHECIMENTO DA NATUREZA JURIDICA DE INDENIZAÇÃO. NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DOS GASTOS SUBJACENTES. SÚMULA CARF Nº 87. O caráter indenizatório da denominada verba de gabinete recebida por parlamentar não deriva automaticamente da vontade da respectiva casa legislativa, necessitando os gastos a ela subjacentes serem devidamente comprovados. Súmula CARF nº 87. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, presumese como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito, mantidos em instituição financeira, por titular pessoa física, que, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 25 64 /2 00 9- 45 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 João Bellini Júnior – Presidente. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amílcar Barca Teixeira Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Júlio de Souza, Júlio César Vieira Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, ora Recorrente (fls. 469483), em face do acórdão de primeira instância que lhe foi integralmente desfavorável, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) no Recife/PE (fls. 445459). Para a adequada compreensão dos fatos que giram em torno da controvérsia estabelecida no presente processo administrativo, faço o resumo a seguir. A ação fiscal teve origem na “Operação Taturana”, procedimento de investigação desencadeado em meados de 2007 e realizado conjuntamente pela Polícia Federal, Secretaria da Receita Federal, Banco Central do Brasil, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e Ministério Público Federal, sob a supervisão da Justiça Federal, com o intuito de verificar movimentações financeiras atípicas envolvendo parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE/AL), funcionários e terceiros. Mais especificamente, o procedimento fiscal foi realizado com o objetivo de averiguar o tratamento tributário conferido pelo Recorrente tanto a valores recebidos da ALE/AL, a título de verba de gabinete, quanto à movimentação financeira, relativamente aos anoscalendários de 2004 a 2007. Desse modo, foram confrontadas informações contidas em diversos documentos, tais como, laudos de exames contábeis e de movimentação financeira preparados por peritos criminais da Polícia Federal, declarações fiscais (DIRPF e DIRF), extratos bancários e documentos relativos a operações de crédito. Tudo isso para verificar a regularidade no pagamento e na prestação de contas da verba indenizatória de gabinete, bem como para esclarecer se houve destinação indevida da referida verba para pagamento de empréstimos bancários. Vale registrar que, ao longo de todo o procedimento, a fiscalização sempre tomou o cuidado de intimar o contribuinte, por diversas vezes, a fim de que lhe ofertar a oportunidade para prestar as informações e juntar a documentação que entendia conveniente para esclarecimento do tratamento tributário dado aos valores movimentados. Em suas respostas, o Recorrente deixava de fornecer a documentação comprobatória dos gastos que supostamente autorizariam o reembolso pela ALE/AL, a título Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14751.002564/200945 Acórdão n.º 2301004.675 S2C3T1 Fl. 486 3 de verba de gabinete. Argumentava que as vias originais dos comprovantes haviam sido todas entregues à ALE/AL, não possuindo qualquer cópia (fls. 204210; fls. 234240). As intimações fiscais não se restringiram ao Recorrente, alcançando também a ALE/AL e a própria Polícia Federal (esta última, para saber se havia algum documento retido, em razão do cumprimento de mandados de busca e apreensão na ALE/AL, que pudesse corroborar as afirmações do Recorrente, mas se comprovou, ao final, que não havia nenhum – fls. 272277). Concluídas as diligências, o procedimento fiscal culminou com a lavratura de auto de infração contra o Recorrente, em 25/11/2009, em razão da constatação das seguintes infrações à legislação do imposto de renda: (i) omissão de rendimento do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, relativa aos anoscalendários de 2004 a 2007, desdobrada em: a. verbas de gabinete recebidas em excesso; b. verbas de gabinete recebidas sem a prestação de contas; c. diferença entre os subsídios constantes na Declaração de Imposto sobre Renda Retido na Fonte (DIRF) da Assembleia Legislativa e os declarados pelo contribuinte; (ii) omissão de rendimento do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, relativa ao anocalendário de 2007; e (iii) omissão de rendimento caracterizada por depósitos de origem não comprovada, relativa aos anoscalendários de 2004 a 2007. Na data da lavratura, a composição do débito fiscal era a seguinte: Principal (IRPF ref. anoscalendários de 2004 a 2007) ........ R$ 532.992,87 Multa de Ofício (75%)........................................................... R$ 399.744,63 Juros de mora (até 30/10/2009).............................................. R$ 189.178,23 TOTAL ................................................................................. R$ 1.121.915,73 Inconformado, o Recorrente apresentou impugnação (fls. 368376) centrando sua defesa substancialmente nos itens (i.a) e (i.b), acima. Requereu o cancelamento da autuação, uma vez que, em síntese, a verba de gabinete teria sido recebida dentro dos limites estabelecidos pela Mesa Diretora da ALE/AL e seria decorrente de ação parlamentar, constituindo, portanto, indenização não submetida à incidência do imposto de renda, conforme jurisprudência administrativa citada. Relatou a impossibilidade de fornecer os documentos comprobatórios dos gastos em razão destes terem sido objeto de busca e apreensão pela Polícia Federal. Os depósitos bancários, conforme já explicitado no atendimento às diligências preliminares, seriam provenientes genericamente de seus salários e de outros proventos pagos pela ALE/AL, não possuindo o Recorrente os comprovantes individualizados das referidas transações. A DRJ no Recife/PE julgou insubsistente a impugnação, mantendo integralmente os valores lançados no auto de infração. Aquele colegiado reforçou a necessidade de prestação de contas das verbas de gabinete para caracterização como não Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 tributável pelo imposto de renda. Contestou a veracidade das informações prestadas pelo Recorrente, bem como aquelas contidas nas certidões expedidas pela Diretoria Financeira da ALE/AL, sem suporte em documentação comprobatória. Rebateu o caráter interpretativo da Resolução nº 482/08, da ALE/AL, para especificar o limite do valor da verba de gabinete passível de reembolso aos deputados. Afirmou não comprovada a origem das verbas lançadas em (i.c), (ii) e (iii). Irresignada, o Recorrente apresentou recurso voluntário a este CARF, repisando, em essência, as razões de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A questão principal discutida nos presentes autos decorre do encaminhamento feito pelo Recorrente, então deputado estadual nas Alagoas, em suas razões de impugnação e de recurso voluntário e diz respeito ao recebimento de valores a título de verba de gabinete, supostamente não sujeitos à tributação pelo IRPF. A orientação consagrada pela jurisprudência administrativa, inclusive com entendimento sumulado, é no sentido de somente atribuir a natureza de verba não sujeita à incidência do imposto de renda aos gastos devidamente comprovados, que sejam inerentes ao exercício do mandato e que não acarretem acréscimo patrimonial: Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. (grifamos) É lógico que tanto a efetivação do pagamento da denominada verba de gabinete pela casa legislativa ao parlamentar quanto a atribuição da respectiva natureza indenizatória dependem da comprovação dos gastos incorridos. Em se tratando de recursos públicos, tal exigência ganha ainda contornos constitucionais, fundados nos princípios de observância obrigatória pela Administração Pública, como a legalidade, a publicidade e a moralidade. Muito embora a fiscalização tenha assegurado diversas oportunidades ao Recorrente para detalhar a natureza dos gastos reembolsados pela ALE/AL, tal comprovação não ocorreu a contento. A alegação de que todos os comprovantes teriam sido entregues pelo Recorrente a ALE/AL mostrouse falaciosa, porque a própria ALE/AL, quando devidamente intimada, não forneceu qualquer elemento de prova, exceto certidões com informações sobre a suposta regularidade das prestações de contas, sem qualquer supedâneo probatório, com o seguinte teor: Fl. 488DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 14751.002564/200945 Acórdão n.º 2301004.675 S2C3T1 Fl. 487 5 “(...) revendo os arquivos desta DIRETORIA FINANCEIRA, verificamos que foram apresentadas as prestações de contas dos valores recebidos a título de Verba de Gabinete, durante os períodos de janeiro a dezembro de 2005, janeiro a dezembro de 2006 e janeiro a dezembro de 2007” (fls. 212). Também a justificativa apresentada pela ALE/AL de que ditos documentos estariam na posse da Polícia Federal (fls. 241242), em razão do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, não correspondeu à verdade dos fatos, conforme constatado pelas diligências realizadas entre o Fisco e a Polícia (fls. 272277). Não houve, portanto, qualquer prova que pudesse afastar as conclusões alcançadas pelos peritos criminais da Polícia Federal – contidas nos laudos de exames contábeis e de movimentação financeira –, no sentido de que as verbas de gabinete recebidas pelo Recorrente serviram substancialmente para pagamento de operações de crédito. Outro ponto que merece ser examinado diz respeito à fixação dos limites mensais para pagamento das verbas de gabinete, estabelecidos pela Mesa Diretora da ALE/AL. Ato da ALE/AL Período de Vigência Limite cf. Fisco Limite cf. Recorrente aplicação interpretativa da Resolução nº 482/08 Resolução n°392/95 06/1995 a 11/2001 R$ 10.000,00 R$ 10.000,00 Resolução n° 428/02 12/2001 a 18/12/2006 R$ 15.220,00 R$ 30.400,00 Resolução n° 462/06 19/12/2006 a 24/04/2007 R$ 20.000,00 R$ 30.400,00 Resolução n° 471/07 a partir de 25/04/2007 R$ 29.100,00 R$ 39.100,00 Mas, ao contrário do que alega a defesa, os valores adotados pela fiscalização como limite mensal para a verba de gabinete estão corretos. Correspondem, inclusive, aos limites calculados pelos peritos do Departamento de Policia Federal, expressos nos laudos já acima referidos. Aliás, o fato de a fiscalização ter considerado o limite mensal para calcular o valor do rendimento omitido já poderia ser considerado um alento pelo Recorrente, uma vez que sequer conseguiu comprovar adequadamente a natureza jurídica de verba de gabinete. A respeito da suposta retroatividade interpretativa da Resolução nº 482/08, invocada pela defesa, vale transcrever os seguintes enxertos do acórdão ora recorrido, dado o seu caráter elucidativo: 15.5 Já Resolução nº 482/08, autodenominada de interpretativa dos arts. 2º da Resolução nº 392/95 e 1º da Resolução nº 471/07, regulamenta a forma de calcular o limite, ordenando que o valor inicial fosse somado ao produto do multiplicador pela base de cálculo. Assim, tal limite seria de R$ 39.100,00, retroagindo à data de 24 de abril de 2007. 15.6 Não obstante, para que possa retroagir, a norma deve possuir teor exclusivamente interpretativo, sem causar inovações jurídicas. Observase que as normas objeto da dita interpretação são literalmente claras, não deixando margem para dúvida no tocante à aplicação do multiplicador de 2,91 sobre o limite mensal de R$ 10.000,00. Assim, a Resolução nº 482/08 traz Fl. 489DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 inovação na legislação em questão, estabelecendo um novo limite para a verba de gabinete, o que impede a sua aplicação retroativa. Considero, portanto, que as matérias constantes dos itens (i.a) e (i.b) da autuação fiscal devem ser mantidas, uma vez que a natureza indenizatória das verbas de gabinete recebidas não restou comprovada. Mais do que isso, no presente caso prevaleceram as conclusões das provas periciais produzidas pela Polícia Federal, no sentido de que as supostas verbas de gabinete recebidas pelo Recorrente serviram substancialmente para pagamento de operações de crédito. Além disso, os limites de pagamento desses valores, nos moldes em que defendido pelo Recorrente (aplicação retroativa da Resolução nº 482/08), não podem ser admitidos, pelas razões já expostas. Por fim, quanto às matérias constantes nos itens (i.c), (ii) e (iii), o Recorrente não trouxe qualquer elemento de prova que pudesse afastar a omissão de rendimento imputada pela fiscalização. Por esse motivo, os valores constantes do auto de infração devem ser mantidos. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo a cobrança dos valores constantes do auto de infração. É como voto. Fábio Piovesan Bozza Fl. 490DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por FABIO PIOVESAN BOZZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723032/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
TRANSAÇÃO PARA REDUÇÃO DE TRIBUTO. PREVISÃO LEGAL.
Somente a lei pode possibilitar transação visando à extinção do crédito tributário, nos termos do art. 171 do CTN.
DIRPF - IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO
Após efetuada a notificação de lançamento pela autoridade administrativa, não é possível a retificação da declaração de rendimentos. Recurso voluntário negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 TRANSAÇÃO PARA REDUÇÃO DE TRIBUTO. PREVISÃO LEGAL. Somente a lei pode possibilitar transação visando à extinção do crédito tributário, nos termos do art. 171 do CTN. DIRPF - IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Após efetuada a notificação de lançamento pela autoridade administrativa, não é possível a retificação da declaração de rendimentos. Recurso voluntário negado. Recurso Voluntário Negado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS Recorrente SEBASTIÃO DE OLIVEIRA GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 TRANSAÇÃO PARA REDUÇÃO DE TRIBUTO. PREVISÃO LEGAL. Somente a lei pode possibilitar transação visando à extinção do crédito tributário, nos termos do art. 171 do CTN. DIRPF IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Após efetuada a notificação de lançamento pela autoridade administrativa, não é possível a retificação da declaração de rendimentos. Recurso voluntário negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 30 32 /2 01 1- 78 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.723032/201178 Acórdão n.º 2402005.159 S2C4T2 Fl. 94 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração que integra o presente processo. Extraímos os principais aspectos do lançamento e da impugnação do seguinte excerto do relatório do acórdão recorrido: "Contra o Contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário de 2008 às fls. 8 a 11, tendo sido apurada a Omissão de Rendimentos de Ação Judicial Federal no valor de R$ 168.384,50 (fl. 9) conforme o Demonstrativo de Apuração do Imposto devido (fl. 10). O crédito tributário e o enquadramento legal constam na respectiva notificação. O contribuinte contesta o lançamento por meio da impugnação de fls. 02 a 04, alegando, em síntese, que os valores recebidos são provenientes de ação de cobrança de natureza alimentícia contra à União promovida pelo seu filho Sebastião de Oliveira Gomes Júnior em 1988 que veio a falecer em 21.10.2007. Por meio do Termo de Habilitação/Alvará o contribuinte e sua esposa foram beneficiados como herdeiros diretos conforme previsto no art.1.784 e seguintes do Código Civil. Informou os valores recebidos no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, discriminando a meação determinada judicialmente como herança. Sustenta a seguir que seu filho era incapaz e portanto isento de tributos de forma que não fez a declaração de espólio, até porque, com o termo de habilitação realizouse a partilha da quantia a ser recebida aos herdeiros diretos. Fundamenta a isenção do imposto de renda com base no Decreto 3.000 do RIR /99 artigo 39, XV e 40 e artigo 1º da Lei 8687/93 e 6º, inciso XVI, da Lei 7713/88 para as duas situações distintas : rendimentos recebidos por incapazes e valores inerentes a herança. Junta documentação." A DRJ julgou improcedente a impugnação. Acerca da isenção decorrente de moléstia grave, o órgão a quo encaminhou no sentido de que este é um benefício da pessoa que sofre da doença e finda com sua morte, não sendo transmitida aos sucessores. Quanto à isenção decorrente da natureza da verba, que no entender do recorrente seria herança, a DRJ afastou esta tese, alegando que tal vantagem pecuniária Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 somente poderia ser considerada herança para efeito de isenção tributária se previamente constante em inventário ou mediante efetivação de sobrepartilha. Cientificado da decisão em 13/08/2013, fl. 63, o representante do espólio do contribuinte interpôs tempestivamente recurso em 22/08/2013, fls. 70/72, no qual alegou que sobre as verbas decorrentes de ação judicial movida por seu filho incapaz, já falecido, houve a incidência de R$ 6.125,54, a título de imposto retido na fonte e mais R$ 2.143,05, este quando da declaração anual de ajuste. Argumenta que sempre agiu de boafé e não tinha como interferir na determinação do imposto a ser retido na fonte. Laborou em erro ao declarar as verbas no campo "indenizações isentas ou não tributáveis", contudo retificou a declaração, para que fosse exigido o valor devido de IRPF. Concorda em arcar com o imposto no montante de R$ 39.940,00, decorrente da retenção na fonte somada à quantia proveniente da retificação da declaração, mas não pode pagar a abusiva quantia de R$ 90.946,18. Requer a redução da multa nos termos do art. 171 do Código Tributário Nacional CTN. Ao final, pede a reforma da decisão recorrida de modo que se passe a exigir os valores devidos, mas sem a correção monetária e juros abusivos incidentes sobre o imposto de renda que deixou de ser retido na fonte. Pede também a suspensão da cobrança até que sejam revistos os valores lançados ou o cancelamento integral da notificação. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.723032/201178 Acórdão n.º 2402005.159 S2C4T2 Fl. 95 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme se viu do relatório acima o recurso é tempestivo. Por atender às demais exigências para admissibilidade, merece conhecimento Da exclusão da multa e dos juros Verificase que o sujeito passivo abriu mão dos argumentos que haviam sido lançados na impugnação, ao reconhecer que de fato equivocouse ao declarar como isentos ou não tributáveis os rendimentos em questão. Centra o recurso em tentar reduzir o valor da multa e dos juros, pelo fato de haver procedido à retificação da declaração e considerar os acréscimos de juros e multa como abusivos. Inicialmente cabe ponderar sobre o fundamento jurídico adotada pelo recorrente para redução dos acréscimos legais, o art. 171 do CTN. Vejamos a sua redação: "Art. 171. A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em determinação de litígio e conseqüente extinção de crédito tributário. Parágrafo único. A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso." Este dispositivo trata da transação que pode, mediante lei, estipular concessões mútuas de modo a por fim a um litígio tributário. Ocorre que esta forma de extinção do crédito está condicionada a existência de lei, o que não se verifica no caso concreto, motivo pelo qual não há como aplicálo à espécie. Acerca da retificação da declaração promovida posteriormente ao lançamento, vejo que não tem o condão de alterálo. É que é vedada ao contribuinte a retificação de declaração de rendimentos após iniciado o processo de lançamento de ofício, consoante disposições expressas no art. 147, § 1º do Código Tributário Nacional e no art. 832 do Decreto nº 3.000, de 1999 –RIR/1999. Dispositivos que valem a pena transcrever: CTN Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. RIR Art.832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único.A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. Assim, encaminho por negar provimento ao recurso. Conclusão Voto por conhecer do recurso para negarlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720196/2012-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado conhecer por unanimidade de votos do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negar provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto (Relator), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro André Mendes Moura.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO BARRETO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
LUÍS FLÁVIO NETO - Relator.
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ MENDES MOREIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado conhecer por unanimidade de votos do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negar provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto (Relator), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro André Mendes Moura. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO BARRETO - Presidente. (Assinado digitalmente) LUÍS FLÁVIO NETO - Relator. (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES MOREIRA - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado conhecer por unanimidade de votos do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negar provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto (Relator), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro André Mendes Moura. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO BARRETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 96 /2 01 2- 89 Fl. 3830DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.831 2 (Assinado digitalmente) LUÍS FLÁVIO NETO Relator. (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES MOREIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto por FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA (doravante “FORD”, “contribuinte” ou “recorrente”), em que é recorrida a Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrida”), em face do Acórdão nº 1301001.782 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a legalidade da fórmula estabelecida pela IN 243/2002 para o cálculo do Método do Preço de Revenda menos Lucro com a margem de lucro de 60% (doravante “PRL60”), utilizado para o controle dos preços de transferência, sob a regência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. No caso, a autuação lavrada em face do contribuinte se refere ao período de 01.01.2008 a 31.12.2008, fundado em suposta insuficiência dos ajustes à base de cálculo do IRPJ que seriam determinados pela legislação de preços de transferência. Ao analisar a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, a 3ª DRJ, por meio do Acórdão nº 12.60.093, a julgou improcedente, rejeitando as alegações de nulidade levantadas, e mantendo os lançamentos de IRPJ e CSLL em sua integralidade, ambos acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. É válido o auto de infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação de regência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO. MÉTODO PIC. Verificados equívocos na apuração do preço de transferência por parte do contribuinte, a autoridade fiscal deve refazer o procedimento mediante um dos métodos determinados na legislação. Fl. 3831DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.832 3 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES PRODUTO A PRODUTO. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados para cada produto. Eventual ajuste a maior de um determinado produto não pode ser utilizado para compensar ajustes a menor relativos a outros produtos. MÉTODO PRL60%. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL. PREÇO PARÂMETRO. FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete e seguro cujos ônus tenham sido do importador. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. Nesse seguir, foi interposto pelo contribuinte recurso voluntário (fls. 3.621 e seg. do e processo). Ao julgar esse recurso, a Turma a quo proferiu o acórdão recorrido, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO. MÉTODO PIC. Verificados equívocos na apuração do preço de transferência por parte do contribuinte, a autoridade fiscal deve refazer o procedimento mediante um dos métodos determinados na legislação. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES PRODUTO A PRODUTO. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados para cada produto. Eventual ajuste a maior de um determinado produto não pode ser utilizado para compensar ajustes a menor relativos a outros produtos. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Em decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete e seguro cujo ônus tenha sido do importador. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2008 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Fl. 3832DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.833 4 Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. Intimada da referida, a contribuinte tempestivamente interpôs recurso especial (fls. 3.686 e seg. do eprocesso), arguindo a divergência em relação a duas outras decisões proferida por diferentes Turmas do CARF, quais sejam: ACORDÃO Nº 1202000.835 17/08/2012 2ª TO/2ª C/1ª SJ CARF Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. ACÓRDÃO Nº 10194.863 24/02/2005 1ª Câmara/1º CC. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA – MÉTODO PRL – De acordo com o art. 18 da Lei nr. 9.430/96, serão dedutíveis na determinação do lucro real, os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa ligada, até o valor que não exceda ao preço determinado dentre um dos seguintes métodos: Preços Independentes ComparadosPIC, Preço de Revenda menos LucroPRL e Custo de Produção mais LucroCPL. Desta forma, em não havendo na lei limitação ao uso do método PRL para os bens importados que sofrem alguma manipulação no país antes de serem revendidos, não pode, simples Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário, cuja normatividade está diretamente subordinada a lei, vedar o uso do referido método. Em seu recurso especial, a contribuinte defende a necessidade de reforma do acórdão, pelos argumentos a seguir apresentados de forma sintetizada: divergência entre o acórdão recorrido, que traz entendimento de que a proporcionalização do preço parâmetro, determinada pela IN 243 de 2001 está em consonância com o disposto na Lei 9.430/96, reconhecendo a legalidade da instrução normativa, e o v. acórdão paradigma de nº 1202 000.835 e de nº 10194.863, nos quais se decidiu pela ilegalidade da Instrução Normativa em debate, por ter trazido inovação na fórmula de Fl. 3833DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.834 5 quantificação do preço parâmetro determinados para fins de ajuste de preços de transferência pelo método PRL60 que a lei não previu. manifesto equivoco de interpretação por parte da autoridade fiscal em relação ao disposto no art. 18, inc. II, alínea ‘d’, item I da Lei nº 9.430/96; que o valor agregado no país foi totalmente desconsiderado quando da aplicação pela autoridade fiscal da forma de apuração do preço parâmetro prevista na IN nº 243/2001; que a IN nº 243/2001, em seu art. 12, parágrafo 11, inciso II, teria distorcido o disposto na Lei nº 9.430/96, ao definir de forma inovadora que a margem de lucro de 60% deveria ser calculada sobre a participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido (e não sobre o preço líquido de revenda do próprio bem produzido), resultando na diminuição do preçoparâmetro dos bens importados e o consequente aumento da tributação; Em 12/05/2015, foi proferido despacho de admissibilidade do recurso especial (fls. 3.815 e seg. do eprocesso), no qual foi dado seguimento ao recurso especial da contribuinte, sob as seguintes razões: “Examinando o primeiro acórdão apresentado como paradigma, na íntegra, verificase que trata da mesma situação analisada no acórdão recorrido, com conclusões distintas. O acórdão paradigma, traz entendimento de que as IN.SRF. nº 243/2001 trouxe inovação na fórmula de quantificação do preço parâmetro determinados para fins ajustes de preços de transferência pelo método PRL60 que a lei não previu, concluindo pela ilegalidade da referida IN. O acórdão recorrido, por sua vez, traz entendimento de que a proporcionalização do preço parâmetro, determinada pela IN. 243/02, está em consonância com o disposto na Lei 9.430/96, reconhecendo a legalidade da instrução normativa. O segundo acórdão paradigma trazido pela recorrente, todavia, trata de situação distinta da divergência apontada no recurso. Referido paradigma discute a legalidade da IN.SRF. 38/1997, que teria limitado a aplicação do método PRL às situações de aquisição e posterior revenda do mesmo bem, sem industrialização. Assim, entendo que, restando caracterizada a divergência jurisprudencial alegada em face do primeiro paradigma indicado, o recurso deve ser admitido. Após a sua regular intimação, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 3.819 e seg. do eprocesso), arguindo, em síntese, que: a metodologia de cálculo exposta na IN SRF nº 243/2002 simplesmente regulamenta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, em estrita conformidade à intenção do legislador; essa foi a orientação dada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 10/2/2011, por ocasião do julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP, no qual a Terceira Turma reviu seu entendimento anterior e decidiu pela legalidade da sistemática do PRL Fl. 3834DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.835 6 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, bem como da Sexta Turma do TRF3 ao julgar o processo nº 2003.61.00.0061258/SP. a metodologia defendida pela contribuinte (PRL60) não é adequada para a apuração do custo dedutível do insumo importado, na medida em que estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda do bem produzido, o que enseja a majoração indevida do preçoparâmetro, e que esse cálculo diverge da previsão do artigo 18 da Lei 9.430/96, uma vez que o legislador não teria estabelecido a incidência da margem de lucro de 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda do bem produzido, diminuído do valor agregado no país, mas, sim, uma margem mínima sobre o valor de revenda do bem importado, de modo que seria impossível fazer isso sem considerar a fração do produto final que corresponde ao bem importado, que foi nele incorporado. Concluise, com isso, o relatório Voto Vencido Conhecimento Em seu recurso especial, o contribuinte apresentou analiticamente argumentos para a demonstração da referida divergência jurisprudencial, cumprindo com o que requer o art. 67 do RICARF. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos de admissibilidade do recurso especial, concluindo corretamente quanto à legitimidade de seu integral conhecimento. Mérito 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. Assim, por exemplo, se em uma operação de importação entre partes vinculadas o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL, de forma a se adicionar a parcela excedente ($15,00) e, assim, acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O Fl. 3835DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.836 7 preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 3836DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.837 8 d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; Fl. 3837DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.838 9 II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Em 2002, embora não tenha sido realizada nenhuma reforma por meio de Lei, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Esse é o cerne do recurso especial em análise. Os enunciados da IN 243/2002 relativos à matéria seguem transcritos, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. Fl. 3838DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.839 10 § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; Fl. 3839DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.840 11 III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Em 2012, por sua vez, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações na Lei n. 9.430/96, contemplando todo o inciso II desse dispositivo e tornandoo mais apto a fundar a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e Fl. 3840DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.841 12 (…) É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000 FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. As diferenças textuais em questão são relevantes para a solução do recurso especial em análise, conforme tópicos abaixo. 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL 60. O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional Fl. 3841DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.842 13 L à lucro Considerando o conhecido valor líquido da operação de revenda (PR) e a margem de lucro (L) apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP), que será o valor limite para que o correspondente bem, serviço ou direito importado de parte vinculada seja dedutível da base de cálculo do IRPJ ou da CSL. Notese que cada um desses fatores possui uma função determinante na fórmula prescrita no art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, o que evidencia a decisão consciente do legislador ordinário ao enunciar a Lei n. 9.959/2000, sendo relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (relacionada) sem o controle da administração tributária dos preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcelas dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passam a ser indedutíveis. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal na IN 113/2000 e na IN 32/2001, (vide tópico “1”, acima) e encontrou justificativas por diferentes perspectivas, a saber: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro de elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil dessa base; Indução positiva. O legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento e de incentivo à produção nacional, de forma que: quanto maior for a agregação de valor no Brasil, maior será o preçoparâmetro e, consequentemente, menor será o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela da Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Como se evidenciou no tópico “1”, acima, Fl. 3842DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.843 14 o legislador ordinário apenas realizou uma reforma legal para incorporar essa “melhoria” em 2012, com a edição da Lei n. 12.715. Por sua vez, em 2002, a IN 243 indicou a necessidade da adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia a correta decorrência da Lei n. 9.959/2000. Analiticamente, o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”, abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Como se pode observar, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula, diversa daquela que até então seria de aceitação geral: PP = PR − L − VA L = 60% PR A fórmula da IN 243/2002, conforme alegado, expressaria com maior clareza e, ainda, imprimiria melhorias a essa segunda fórmula que supostamente seria possível abstrair do texto do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Conforme a fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente fundamentaria a IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% deveria incidir apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, Fl. 3843DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.844 15 serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço líquido de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR = 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60: ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 Fl. 3844DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.845 16 A função de tais fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, de forma as operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”, enquanto que, para a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “ R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI1, em obra de referência sobre o tema dos preços de transferência: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Do mesmo modo, as evidentes distinções em relação a essas fórmulas foram bem sintetizadas por LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD2, in verbis: “(i) enquanto a Lei n. 9.959/00 estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o valor do preço líquido de venda, diminuindose o valor agregado, a IN 243/02 determinou a incidência da margem de 60% sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem importado; e 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. 2 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 241. Fl. 3845DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.846 17 (ii) enquanto a Lei determina que o preçoparâmetro corresponde à diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de 60%, a IN 243/02 estabeleceu que corresponde à diferença entre o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido e a margem de lucro de 60%. Assim, o preço parâmetro calculado sob a sistemática da IN 243/02 será menor, resultando em maior risco de ajustes nos lucros tributáveis da empresa brasileira, tendo em vista o provável excesso de preço pago no exterior”. Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge a questão crucial do presente recurso especial: a referida Instrução Normativa possui legitimidade para tanto e agiu nos lindes de sua competência regulamentar? É o que será analisado no tópico seguinte do deste voto. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística3, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias4 e fontes secundárias5 do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. Notese que nenhuma das partes discorda da função limitada e secundária das Instruções Normativas: essa é uma questão de direito incontroversa nesse processo administrativo. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e restando despida de validade. 3 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 4 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 5 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 3846DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.847 18 De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, a segunda, que supostamente daria fundamento à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96 com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 3.1. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que todos e quaisquer elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária estejam expressa e exaustivamente previstos em lei ordinária. A adoção de cláusulas gerais ou conceitos indeterminados não representa uma ofensa a priori a esse princípio, pois não se pode exigir do legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos6. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. No entanto, não pode o Poder Legislativo delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). A indelegabilidade da competência tributária, 6 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 290 e seg. Fl. 3847DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.848 19 norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA7, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser resolvida com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre o matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF8 reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de outorgar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60. No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado no tópico “2”, acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. As normas da Lei n. 9.430/96 que prescrevem a fórmula para o cálculo do PRL60 são autoaplicáveis, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever observar a fórmula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 3.1.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. 7 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 425. “As competências tributárias são indelegáveis. Cada pessoa política recebeu da Constituição a sua, mas não a pode renunciar, nem delegar a terceiros. É livre, até, para deixar de exercitala; não lhe é dado, porém, permitir, mesmo que por meio de lei, que terceira pessoa a encampe.” 8 RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 3848DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.849 20 Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferiria à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação, pois o seu resultado corrobora com a conclusão do presente voto: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de fórmulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a restruturação do enunciado prescritivo, para “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: Fl. 3849DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.850 21 (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (…) e) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A referida tese não esconde a sua complexidade. Concluída essa restruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não chegaria à fórmula da IN 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. A IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresenta como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduz um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal, uma série de novos fatores nas fórmulas “traduzidas” pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tratarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Em teoria, no caso, o expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de determinada situação”9. Com isso, uma análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. Não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que 9 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 675 e seg. Fl. 3850DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.851 22 se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É relevante repetir que a referida construção argumentativa, que supostamente daria suporte à IN 243/2002, conduz a uma fórmula muito distinta, com resultados extremamente dispares. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI10 leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preço parâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Assim, ainda que se considere possível abstrair mais do que uma fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, as seguintes constatações são suficientes para a desconsideração da fórmula indicada pela IN 243/2002: não há decisão expressa ou mesmo implícita do legislador ordinário para que a SRF procurasse arquitetar uma fórmula “melhor” do aquela que se compreende imediatamente do texto legal; 10 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. Fl. 3851DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.852 23 a interpretação sustentada, que daria suporte à IN 243/2002, parte de uma construção argumentativa complexa, que por si só coloca em dúvida a sua correção; os limites da IN 243/2002 estão adstritos à regulamentação administrativa da aplicação do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para tornálo mais operacional, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais, esclarecer à sociedade interpretações específicas e, assim, dotar a norma legal de maior eficácia social. Qualquer previsão presente na IN 243/2002 que conduza ao incremento de ônus tributário, que não decorra da precedente decisão do legislador ordinário, devem ser desconsideradas. No subtópico seguinte, será analisada sob uma série de perspectivas a (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. 3.2. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/96 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 3.2.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Fl. 3852DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.853 24 É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a fórmula indicada pela IN 243/2002 é “diferente” daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que a Instrução Normativa deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais e dotar a norma legal de maior eficácia social. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano, reclamando desconsideração pelos aplicadores do Direito. Como se pôde observar no tópico “1”, acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Não obstante, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também estipulou qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos Fl. 3853DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.854 25 derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativa divergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Correta ou não, cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe tratar privativamente sobre a tema em discussão. Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéiaforça, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO Fl. 3854DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.855 26 DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES PROCEDENTES. Não é digna de reparo a decisão que, amparada por diligência fiscal efetuada pela própria autoridade autuante, acolhe argumento da contribuinte acerca da ocorrência de erro de fato no fornecimento de dados utilizados na determinação da matéria tributável, e, por meio de controles internos, apura que parte das exigências Fl. 3855DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.856 27 formalizadas já são objeto de outro feito administrativo, caracterizando, assim, duplicidade de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento. (CARF, Acórdão 1301001.235, sessão de 13.06.2013) Nesse mesmo sentido, há substancial consenso doutrinário quanto ao extravasamento da IN 243/2001 na regulamentação do PLR60. Citese, por exemplo, LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD11, que suscitam, in verbis: “As disposições trazidas pela IN 243/02 têm implicações significativas, provocando um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis (...). Uma alteração na sistemática de cálculo do PRL implica mudança na determinação da base de cálculo do tributo e, consequentemente, do próprio montante tributável. A nosso ver, uma alteração de tal natureza só poderia ser implementada por lei, e não por meio de instrução normativa, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. As instruções normativas são normas secundárias cuja única função é esclarecer as disposições contidas em lei, não podendo nunca inoválas ou contrariálas. A IN 243/02 não poderia validamente alterar o critério legal de apuração do PRL ou contrariar as disposições da Lei n. 9.959/00, mas assim o fez” No mesmo seguir, assim se posiciona GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.12, in verbis: “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 3.2.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. Com o reforma de 2012, empreendida pela Lei n. 12.715 (dez anos após a edição da IN 243/2002), o legislador ordinário finalmente adotou enunciados que claramente 11 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 237. 12 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo : Dialética, 2009, p. 105. Fl. 3856DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.857 28 prescrevem a adoção de uma fórmula diversa daquela adotada com a Lei n. 9.959/2000, mais apta a lidar com a proporção do insumo importado aplicado na produção nacional. Desse modo, somente após 10 anos da publicação da IN 243/2002 é possível identificar maior respaldo à fórmula então indicada pela SRF. Conforme dispõe a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, alterações legislativas: Como regra, devem respeitar o princípio da irretroatividade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “a”); Como regra, devem respeitar o princípio da anterioridade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “b”); Excepcionalmente, podem ter eficácia retroativa “quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados” ou, ainda, quando forem benéficas ao contribuinte (CTN, art. 106). A Lei n. 12.715/2012 inaugurou uma nova sistemática de cálculo do método PLR, com a decisão consciente do legislador de inovar o regime até então vigente e com o assumido potencial de aumento da carga tributária. Diante desse cenário, a fórmula para o cálculo do PRL que se obtém da norma enunciada pelo legislador ordinário na Lei n. 12.715/2012 deverá se submeter a dois corolários básicos do princípio da segurança jurídica: os princípios da anterioridade e da irretroatividade. O art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a vigência da novel fórmula de cálculo do PLR para o dia 01.01.2013, fazendo referência específica à alteração que introduzira por meio seu art. 48 ao art. 18 da Lei n. 9.430/1996. É o que se observa textualmente na Lei n. 12.715/2012: Art. 48. Os arts. 12, 18, 19 e 22 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (…) Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (…) § 1. Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1 de janeiro de 2013. Caso a Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse a norma introduzida pela Lei n. 9.959/2000, ratificando os método PLR60 até então vigente sem qualquer incrementar a obrigação tributária, então não seria necessário observar o princípio da anterioridade. Além disso, referida norma poderia ser considerada interpretativa, com efeitos retroativos. Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.858 29 Mas não é o caso: por tratarse de decisão consciente do legislador ordinário em alterar a metodologia do PLR com potencial de aumentar o ônus tributário imposto à sociedade, a referida deve respeitar a anterioridade e não pode ser aplicada retroatividade. A exposição de motivos da MP n. 563/2012, que foi convertida na aludida Lei n. 12.715/12, demonstra com nitidez a decisão do legislador em alterar a norma até então vigente para o cálculo do PLR e adotar vacatio legis em respeito ao princípio da anterioridade, de aplicação obrigatória na hipótese de majoração do ônus de IRPJ e CSL: “56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. (...) 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. (...) 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” Assim, se a Lei n. 12.715/2012 apresenta alguma eficácia interpretativa, seria a de esclarecer que a fórmula adotada pela IN 243/2002 não encontravam fundamento de validade na vigência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, devendo ser mantida a incontroversa fórmula indicada pela IN 32/2001. No caso concreto sob julgamento, o período de apuração relevante é 2008, não sendo de forma alguma aplicáveis as normas da Lei n. 12.715/2012, o que atentaria contra o princípio da irretroatividade da lei tributária. Para o período relevante, é preciso reconhecer que a IN 243/2002 extravasou os limites a que estaria adstrita. É necessário aplicar diretamente a norma prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, tal como interpretada pela IN 32/2001, que restou incontroversa. Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.859 30 3.2.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. Embora evidências matemáticas e demais constatações expostos nos subtópicos anteriores sejam suficientes para o afastamento da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60, há ainda outras evidências jurídicas que justificam a desconsideração do ato infralegal. Tais evidências defluem de seu conteúdo, representando incompatibilidades materiais da IN 243/02 em face da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. A administração fiscal deve agir nos estritos limites normativos atinentes à matéria dos preços de transferência, respeitando os princípios e regras consagrados pelo legislador ordinário. E há, no caso da legislação dos preços de transferência, princípios e regras que não podem ser ignorados, especialmente pertinente à igualdade tributária e à capacidade contributiva. Nesse ponto, é importante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI13, que bem sintetiza alguns dos elementos essenciais para a solução do recurso especial em análise, in verbis “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso 13 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.860 31 concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” (negrito acrescido ao original) É fundamental para a matéria em análise, então, compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Nos casos em que o método PLR60 seriam aplicáveis, a aludida norma se voltaria exclusivamente às operações de importação realizadas por empresas vinculadas e que, por meio de ajuste de preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. Se era esse o objetivo do legislador ordinário, é de difícil aceitação que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 teria prescrito critérios de eliminação de desigualdades tão voláteis e indeterminados que possibilitassem à administração fiscal exigir ajustes a partir preços parâmetros compreendidos em um intervalo de “ R$10,00” a “R$ 70,00”. Ocorre que o princípio da igualdade vivificado pelo padrão arm’s length, pressupõe a eleição consciente, pelo legislador ordinário, de critérios de distinção aptos a tratar semelhantes de forma equivalente, com os ajustes que se façam necessários na base de cálculo do IRPJ e CSL para a corrigir diferenciações injustificadas. A tese de que, dos enunciados do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, seria possível abstrair duas fórmulas capazes de conduzir a preços parâmetros tão dispares (“10,00” ou “70,00”, por exemplo), conflita por si só com o princípio da igualdade, pois torna insustentável a sua concretização. Na verdade, o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, efetivamente elegeu expressamente os critérios de distinção que, conforme a sua decisão, seriam aptos para vivificar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva. A “segunda fórmula” indicada pela IN 243/2002, então, enfraquece arbitrariamente o princípio da igualdade, pois nega eficácia jurídica ao critérios de distinção eleitos pelo legislador ordinário (art. 18, II, da Lei n. 9.430/96), a quem compete o monopólio da decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60. Nesse seguir, ao advogar que a Lei n. 9.430/96 teria concedido tamanha discricionariedade à administração, a PFN pode estar suscitando a ocorrência de delegação de competência tributária, o que é vedado pela Constituição Federal (art. 150) e pelo CTN (art. 97). Se a lei tivesse permitido a adoção de fórmulas que tão dispares, possivelmente a constitucionalidade de tal lei poderia inclusive vir a ser questionada perante o Poder Judiciário. 3.2.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.861 32 Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a fórmula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.862 33 como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o ônus fiscal sobre o contribuinte. Assim, se a IN 243/02 apresenta outros vícios, inclusive formais, que justificam a sua desconsideração para a apuração do PRL60, também é possível observar vícios materiais que a tornam imprópria para o controle dos preços de transferência. 4. Conclusões Por todo o exposto, há evidências mais do que suficientes para se afirmar que a fórmula indicada pela IN 243/2002 descumpre com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Se há uma “segunda fórmula” alternativa àquela da IN 32/2001, que se adeque à moldura prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, não se trata da fórmula indicada pela IN 243/2002. Voto, assim, para que seja dado PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir do voto apresentado. Isso porque a ilegalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, é assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.863 34 vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 14. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; 14 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.864 35 d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 15, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 16 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 17 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 15 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 16 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 17 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.865 36 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.866 37 não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 18. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir 18 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.867 38 com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total19. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart 19 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.868 39 Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.869 40 Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries20, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and 20 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.870 41 GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.871 42 As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.872 43 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.873 44 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO Processo nº 16561.720196/201289 Acórdão n.º 9101002.320 CSRFT1 Fl. 3.874 45 por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO
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Numero do processo: 10580.722436/2008-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória.
Precedentes do STF e do STJ.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência.
2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-004.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor, o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Redator designado.
EDITADO EM: 01/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429SP). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC (Resp. 1.118.429SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 36 /2 00 8- 99 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor, o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Redator designado. EDITADO EM: 01/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, decorrente do fato de, supostamente ter o contribuinte classificado erroneamente rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributados. Os rendimentos foram recebidos pela Ministério Público do Estado da Bahia a título de "Valores Indenizatórios de URV", conforme previsão da Lei Complementar estadual nº 20/03 e visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para URV em 1994. O lançamento abrange os anos calendários 2004, 2005 e 2006. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722436/200899 Acórdão n.º 9202004.232 CSRFT2 Fl. 3 3 Em impugnação, o Contribuinte argui serem as verbas indenizatórias nos exatos termos em que fixado pela Lei Estadual, cita como exemplo entendimento sedimentado pelo STF quando da promulgação da sua Resolução nº 245, a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possui natureza jurídica indenizatória. O auto de infração foi mantido em parte pela Delegacia de Julgamento. Segundo a decisão as diferenças recebidas pelo Contribuinte estão sujeitas à incidência do imposto de renda, pois visavam a manutenção do valor real dos salários e como tal possuem natureza eminentemente salarial. Afastou a aplicação da Resolução nº 245 do STF, destacou que a competência para tratar do imposto é da União e portanto o dispositivo da lei baiana não teria qualquer efeito, afirmou que a incidência do tributo independe da denominação dada ao rendimento. Foram exonerados do auto as parcelas referentes ao cálculo da diferença da URV incidente sobre os abonos de férias e 13º salários. Foi apresentado Recurso Voluntário o qual foi julgado parcialmente procedente apenas para excluir a multa de ofício, por erro escusável. Recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte reiterando os argumentos de defesa. Em exame e de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso, para que seja rediscutida a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos pelo Recorrente a título de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da magistratura federal e ao Ministério Público Federal. Segundo a Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação do estado da Bahia deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Pertinentes as considerações do Recorrente. Natureza Indenizatória da Verba: Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação do Estado da Bahia teve com pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). Fl. 427DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722436/200899 Acórdão n.º 9202004.232 CSRFT2 Fl. 4 5 A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros Fl. 428DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêIa naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSITn. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722436/200899 Acórdão n.º 9202004.232 CSRFT2 Fl. 5 7 indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012 MARCOAURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pela lei baiana deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor a atualização monetária dos salários do período considerado, reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada pela quando da conversação das moedas. Apuração do Imposto Regime de competência: Mesmo que superada a tese de que os valores recebidos pelo Recorrente não possuem natureza indenizatória, ainda assim o lançamento não pode prosperar haja vista ter ocorrido erro na realização da apuração do imposto. Inicialmente, apesar de toda a discussão, não tenho dúvidas de que o mérito dessa questão já foi decidido tanto pelo Superior Tribunal de Justiça quanto pelo Supremo Tribunal Federal, respectivamente sob os ritos do Recurso Repetitivo e da Repercussão Geral. Estamos falando do RESP 1.118.429/RS e do RE 614.406/RS, que receberam as seguintes ementas: RESP 1.118.429/RS TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. RE 614.406/RS IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Certa dúvida poderia ser suscitada em relação a aplicação do julgado do STJ pois a tese firmada traz o seguinte texto: O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios previdenciários atrasados pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado, não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Assim, pelo fato de constar no texto da ementa e também da tese firmada referência ao fato de se ter discutido o pagamento de benefícios previdenciários há quem defenda sua inaplicabilidade ao caso concreto. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722436/200899 Acórdão n.º 9202004.232 CSRFT2 Fl. 6 9 Entretanto, nenhuma dúvida subsiste em relação ao julgado do Supremo Tribunal Federal, afinal o tema fixado para a Repercussão Geral foi delimitado da seguinte forma: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Percebese que não foi feita qualquer ressalva quanto a origem dos rendimentos discutidos. Tal fato fica ainda mais cristalino quando nos debruçamos sobre a fundamentação utilizada pelo Ministro Marco Aurélio que levou em consideração o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. Em voto vista, a Ministra Carmem Lúcia citando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei n. 12.350/2010 que deu origem ao art. 12A da Lei 9.713/88) resume bem a questão: “52. Tratase da tributação de pessoa física que não recebeu o rendimento à época própria, recebendo em atraso o pagamento relativo a vários períodos. Nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, esses rendimentos seriam tributados no mês do recebimento mediante a aplicação da tabela mensal, o que muitas vezes resulta em um imposto de renda muito superior àquele que seria devido caso o rendimento fosse pago no tempo devido” Assim, resta indiscutível a aplicação do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos. Diante do entendimento dos nossos tribunais, vejamos a situação do lançamento: exigese do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que impacta diretamente na natureza jurídica do lançamento tributário. Estamos diante de vício que maculou o lançamento em sua essência, na própria aplicação da regra matriz, o que afasta qualquer possibilidade de recalculo do tributo ou da incidência do disposto no art. 173, inciso II do CTN. Pelo exposto dou provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Em que pesem os sempre bem articulados fundamentos da Sra. Conselheira Relatora, peço vênia para discordar de seu entendimento, tanto em relação à natureza, indenizatória, da verba, quanto com relação à tributação do valor recebido a título de juros moratórios. NATUREZA REMUNERATÓRIA DA VERBA Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Inicialmente, é de se analisar o RE do contribuinte, na matéria relativa à não incidência do imposto de renda sobre diferenças de URV, por terem estas natureza indenizatória reconhecida em lei estadual. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722436/200899 Acórdão n.º 9202004.232 CSRFT2 Fl. 7 11 diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, sendo verbas remuneratórias as diferenças de URV recebidas, sobre elas incide imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722436/200899 Acórdão n.º 9202004.232 CSRFT2 Fl. 8 13 que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. TRIBUTAÇÃO DOS JUROS MORATÓRIOS RECEBIDOS Entendo que somente ficam fora do campo de tributação os juros devidos (i) no âmbito da extinção da relação de emprego ou (ii) decorrentes de verbas não tributáveis. No caso, não há que se falar em extinção da relação de emprego. Adicionalmente, como entendo que as verbas em questão têm natureza remuneratória, os correspondentes juros devem ser tributados. Tal tema foi recentemente enfrentado nessa 2ª Turma, em 10/03/2016, em acórdão de nº 9202003.872, com voto da lavra do e. relator Dr. Heitor de Souza Lima Junior, por mim acompanhado, e por isso adoto os argumentos lá utilizados, os quais peço vênia para abaixo reproduzir: ...creio que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, , a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 (ambas, assim, posteriores às decisões colacionadas pela recorrente) estabelece: (Grifos do original) REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/ acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: a) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e b) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. No caso do presente processo, os pagamentos de diferenças não decorreram de ações trabalhistas no contexto de despedida ou rescisão, pois houve pagamento direto pela fonte e decorrência da citada Lei Ordinária do Estado da Bahia. Já quanto à natureza indenizatória dos juros, pelo posicionamento adotado frente ao RE do contribuinte, Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.722436/200899 Acórdão n.º 9202004.232 CSRFT2 Fl. 9 15 anteriormente analisado, não se está a tratar de verba principal isenta; logo, os juros que seguem ao principal pago também não o seriam. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do RE do contribuinte na matéria admitida, por darlhe provimento em parte, para determinar o cálculo do crédito tributário devido, de acordo com o regime de competência. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator Fl. 438DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13116.000762/2003-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE - SÚMULA CARF N° 11
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendo-lhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide.
PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA.
Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide.
SUJEITO PASSIVO DO ITR.
São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural o proprietário, o titular do domínio útil ou o possuidor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer um deles, nos termos do art. 31 do Código Tributário Nacional.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares alegadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES. Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide. PEDIDO DE PERÍCIA. JUÍZO DA AUTORIDADE JULGADORA. Cabe à autoridade julgadora indeferir o pedido de perícia quando entender que a sua realização seja prescindível para o julgamento da lide. SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural o proprietário, o titular do domínio útil ou o possuidor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer um deles, nos termos do art. 31 do Código Tributário Nacional. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares alegadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 07 62 /2 00 3- 10 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13116.000762/200310 Acórdão n.º 2201002.831 S2C2T1 Fl. 120 2 Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 97), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Pelo auto de infração/anexos de fls. 02/09, o contribuinte/interessado foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 33.189,00, referente ao lançamento do ITR/1999, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Ibicuí” (NIRF 5.184.6470), com área total declarada de 1.000,0 ha, situado no município de Cavalcanti –GO. A descrição dos fatos, o enquadramento legal e o demonstrativo de apuração do imposto devido e multa de ofício/juros de mora encontramse às fls. 03/07. A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/1999, iniciouse com o termo de intimação de fls. 15, para o contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos: certidão ou matrícula atualizada do registro imobiliário; laudo técnico, fornecido por profissional habilitado, com ART/CREA, contendo as áreas discriminadas de preservação permanente; notas fiscais de aquisição de vacinas ou certidão da Inspetoria Veterinária da SEA, referentes ao rebanho existente em 1998. Em atendimento, foram anexados os documentos de fls. 16/37. Após análise desses documentos e da DITR/1999, a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas declaradas de preservação permanente (500,0 ha) e com pastagens (500,0 ha), com o conseqüente aumento das áreas tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do grau de Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13116.000762/200310 Acórdão n.º 2201002.831 S2C2T1 Fl. 121 3 utilização, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 13.875,00, conforme demonstrativo de fls.03. Cientificado do lançamento em 21/07/2003 (fls. 38), o contribuinte, por meio de representante legal, apresentou em 05/08/2003 sua impugnação de fls. 43/47, exposta nesta sessão e lastreada no documento de fls. 48, alegando, em síntese: discorda do referido procedimento fiscal e respectivo enquadramento legal, por serem essas áreas inacessíveis e sem localização exata , bem como pelo aumento do VTN tributável e da alíquota de cálculo; cita e transcreve parcialmente a legislação de regência, para referendar seus argumentos, além de requerer perícia, relacionar os quesitos a serem respondidos e indicar o perito. Ao final, o interessado requer seja acolhida apresente impugnação e efetuada a perícia técnica requerida, para fundamentar a decisão de cancelar a exigência fiscal referente ao lançamento suplementar reclamado. Pela Resolução DRJ/BSA nº 115 de 26/11/2005 (fls. 52/56), o presente processo foi devolvido em diligência à DRF em Anápolis – GO, para intimar o contribuinte a apresentar certidão atualizada desse imóvel, desmembrado da antiga Fazenda Maquiné, além de outras informações referentes à respectiva matrícula nº 1.806. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não atendida a exigência da fiscalização, cabe manter a glosa da área declarada como de preservação permanente, para efeito de apuração do ITR/1999. DA ÁREA DE PASTAGENS. Não comprovada, por meio de documentos hábeis, a existência de rebanho no imóvel no respectivo anobase, deverá ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade fiscal, das áreas de pastagem declaradas para o ITR/1999, observada a legislação de regência. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitandose a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente. Cientificado em 14/02/2014 (Fls. 106), o Recorrente, depositou via correio, em 21/02/2014 (Fls. 107) o Recurso Voluntário (fls. 108 a 112), onde argumenta em síntese: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13116.000762/200310 Acórdão n.º 2201002.831 S2C2T1 Fl. 122 4 (...) DA DECADÊNCIA O recorrente foi cientificado do auto de lançamento em 21/07/2003 (fl. 38). Houve impugnação datada de 05/08/2003 (fls. 43/47), que só teve solução final em 22/01/2014 (fls. 101), dez anos após a impugnação. A União não tem prazo ilimitado e indefinido para decidir a impugnação. Se no prazo de cinco anos não houver decisão, entendese que houve decadência do direito de se constituir definitivamente o crédito. Assim, 05/08/2008 deveria ter havido a constituição definitiva do crédito. A decadência está estampada nos autos. Sobre a matéria existe copiosa jurisprudência do Col. TJRS na AC 595.038.166, anexandose cópia. (...) Também preliminarmente, requer a nulidade do processo e a desconstituição do acórdão recorrido por negativa de prestação jurisdicional e deficiência de fundamentação, eis que não levou em consideração no julgamento as alegações de que o recorrente nunca teve a posse do imóvel, por serem áreas inacessíveis e sem localização exata em condomínio com área maior sem confrontações, e o fato de que a propriedade foi perdida em razão do registro de ação discriminatória pelo Estado de Goiás, conforme prova a matricula atualizada do imóvel. (...) Outra matéria preliminar diz com a nulidade do processo por cerceamento de defesa, consistente no indeferimento da prova pericial, necessária e fundamental para provar que o recorrente nunca tomou posse do imóvel rural... (...) ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO O recorrente não pode ser responsabilizado pelo pagamento dos tributos (ITR) incidentes sobre o referido imóvel, porque o mesmo foi desapropriado conforme registro de cancelamento judicial da propriedade em ação discriminatória movida pelo Estado, comprovado pela matricula atualizada do imóvel. ... Assim, deve ser provido esse recurso para reconhecer o erro na identificação do sujeito passivo da obrigação, e julgar procedente a impugnação para cancelar em definitivo a exigência fiscal. É o Relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13116.000762/200310 Acórdão n.º 2201002.831 S2C2T1 Fl. 123 5 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em sede preliminar, pede o recorrente a aplicação da “Decadência”, em razão da demora do julgamento de sua impugnação. Entendo que o contribuinte, por seus argumentos, está se referindo a aplicação da prescrição intercorrente. Ocorre que tal matéria já foi objeto de Súmula pelo CARF, de aplicação obrigatória para os conselheiros, assim sintetizada: Súmula CARF n° 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Deste modo, rejeito a alegação preliminar de prescrição intercorrente. Ainda em suas alegações preliminares, pede o recorrente a nulidade do acórdão recorrido em razão de o mesmo não ter considerado os argumentos de ausência de posse e da existência da ação discriminatória, e em razão de cerceamento ao direito de defesa por indeferimento do pedido de perícia. Também não assiste razão à recorrente quanto à suscitada nulidade da decisão recorrida em função de ausência de fundamentação jurídica válida para as conclusões alcançadas pela autoridade julgadora; tampouco se verifica nos autos qualquer cerceamento do seu direito de defesa. E explico. No nosso sistema jurídico, em especial para o processo administrativo fiscal, prevalece o Principio da Livre Convicção, que se contrapõe ao sistema adotado em alguns países, onde a legislação processual estabelece uma hierarquia de provas, devendo a autoridade julgadora observála em suas decisões. No nosso ordenamento jurídico, o julgador é que valora as provas, decidindo com liberdade na sua apreciação. Tal é o que dispõe o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, que se constitui o norte de todo o Processo Administrativo Fiscal: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. No caso concreto, o entendimento do órgão de julgamento de primeira instância se pautou nos elementos de prova que foram trazidos aos autos, mediante a lavratura do auto de infração, bem como naqueles acostados pela contribuinte por ocasião da apresentação de sua impugnação, diante das infrações apuradas pela autoridade lançadora. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13116.000762/200310 Acórdão n.º 2201002.831 S2C2T1 Fl. 124 6 Ademais, ao contrário do alegado pelo Recorrente, a DRJ analisou os argumentos apresentados na impugnação do contribuinte; tanto que tratou de expedir diligência no seguinte sentido: "Assim, tendo em vista a complexidade do caso em questão, e no intuito de melhor instruir os autos, ajudando no convencimento quanto à extensão da responsabilidade tributária do requerente, em relação ao crédito tributário em questão, entendo que o presente processo deve retornar à DRF, em Anápolis GO, para intimar o contribuinte interessado a apresentar Certidão/ Matrícula atualizada do imóvel de sua propriedade, surgido do desmembramento da antiga "Fazenda Maquine" (Matrícula n° 1.806), além de fornecer quaisquer outras informações ou documentos judiciais relacionados com o possível cancelamento dessas matrículas, por força de Ação Discriminatória, requerida pelo antigo IDAGO, nos autos n° 0314/86 V. 42°. Considerandose a semelhança ,deste processo em relação ao processo n° 13116.000950/200330 que se encontra na DRF, em Anápolis GO, para realização de diligência, nos termos da Resolução DRJ/BSB N° 07872004 relativo ao auto de infração lavrado em nome de Paulo Afonso Westphalen de Oliveira Brito, também referente ao ITR/1999, já que ambos os processos se referem a imóveis rurais surgidos do desmembramento da antiga "Fazenda Maquine", cuja matrícula teria sido cancelada por força de Ação Discriminatória, requerida pelo IDAGO, nos autos n° 0314/86 V. 42°, acho oportuno e conveniente, que sejam adotadas naquele processo as mesmas providências ora determinadas, em caso de dificuldade ou demora no cumprimento daquela diligência." (doc. pág. 56 dos autos) Por oportuno, na qualidade de Relator do processo n 13116.000950/200330, do contribuinte Paulo Afonso Westphalen de Oliveira Brito, esclareço que estes foram os quesitos da diligência: "Assim sendo, tendo em vista a complexidade do caso em questão, e no intuito de melhor instruir os autos, ajudando no convencimento quanto à extensão da responsabilidade tributária do requerente, em relação ao crédito tributário em questão, entendo que o presente processo deve retornar à DRF, em Anápolis GO, para diligenciar junto ao CRI de Cavalcante GO, para que sejam fornecidos os seguintes documentos/esclarecimentos: 1º informar a existência ou não de imóvel rural registrado em nome de Paulo Afonso Westphalen de Oliveira Brito, CPF n° 217.140.02772, especialmente oriundo do desmembramento da antiga "Fazenda Maquine" (Matrícula n° 1.806); fornecendo cópia atualizada, de inteiro teor, da referida matrícula (1.806), bem como da matrícula surgida da área eventualmente desmembrada, adquirida pelo interessado; 2º manifestar sobre as divergências/omissões apontadas pelo requerente em relação à matrícula 1.806, no que diz respeito a existência ou não de averbação de hipoteca em favor do Banco Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13116.000762/200310 Acórdão n.º 2201002.831 S2C2T1 Fl. 125 7 Real S/A por débito contraído pela firma PASSO A FRENTE LTDA, CNPJ 38.029.641/000141 registro R51.806, de 16/05/95 3 (doc./cópia de fls. 74/75), bem como, da penhora efetivada pelo MM. Juízo da 36ª Vara Cível de São Paulo/SP, nos autos da ação de execução movida por Banco Real contra PASSO A FRENTE CALÇADOS ESPORTES LTDA registro R 51.806 (doc./cópia de fls. 71); 3º informar a respeito da possível desapropriação das áreas da antiga "Fazenda Maquine", incluindo aí a área de terras adquirida pelo interessado, em razão de estarem dentro da "RESERVA KALUNGA" (quilombo), e 4º fornecer quaisquer outras informações ou documentos judiciais relacionados com o possível cancelamento da matrícula 1.806, relativo à Fazenda Maquine, bem como, da matrícula surgida da área eventualmente desmembrada, adquirida pelo interessado, por força de Ação Discriminatória, requerida pelo antigo IDAGO, nos autos n° 0314/86 V. 42°. Diante do exposto, voto no sentido de devolverse, em diligência, o presente processo à DRF, em Anápolis GO, para a adoção das providências acima indicadas."(doc. pág. 103 dos autos) Após, a DRJ, levando em consideração o resultado da diligência, tratou de esclarecer em seu acórdão; in verbis: "Em atendimento à citada Resolução e à intimação de fls. 59/60, o interessado anexou os documentos de fls. 67/79, com a certidão de inteiro teor da referida matrícula (fls. 68/77), datada de 06/05/2013, que confirma a aquisição pelo contribuinte do imóvel declarado (R71.806); ao final dessa certidão, consta que ao encerrarse a ação discriminatória existente, poderá ocorrer o cancelamento ou retificação dessa matrícula, com alteração de titularidade ou limites." (doc. pág. 99 dos autos) Assim, a contrariedade do recorrente com a motivação esposada no acórdão guerreado não constitui qualquer vicio material capaz de incorrer em sua plena desconsideração, até porque, como já destacado, o livre convencimento do julgador administrativo encontrase resguardado pela norma processual (art. 29 do Decreto nº 70.235/72). Convém ressaltar que o pedido de diligência somente seria deferido se a autoridade julgadora entendesse ser necessária a realização desse procedimento, conforme dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Neste caso, aquela autoridade considerou desnecessário esse procedimento, tendo explicado as razões que a levaram a essa conclusão, as quais ratifico. Por conseguinte o não atendimento da solicitação do contribuinte, neste caso, não constitui cerceamento do direito de defesa. No mais, cabe também explicitar que não houve qualquer prejuízo ao contribuinte que o impedisse de apresentar suas razões de defesa, haja vista que o mesmo foi devidamente intimado da lavratura do lançamento que compõe a lide, tendo apresentado sua impugnação, e posteriormente o recurso, ora em análise, alegando tudo o que entendeu cabível, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13116.000762/200310 Acórdão n.º 2201002.831 S2C2T1 Fl. 126 8 tendo novamente a possibilidade de trazer à colação documentos que pudessem elidir a exigência fiscal. Diante do acima exposto, rejeito as preliminares suscitadas pelo recorrente. Passo então a analisar a matéria de mérito. No mérito, De início, o Recorrente afirma que nunca teve a posse do imóvel, que a propriedade foi perdida em razão do registro de ação discriminatória pelo Estado de Goiás, tendo a matrícula do imóvel sido cancelada, e que, portanto, não seria o sujeito passivo da obrigação. Destaco aqui o Voto da 1ª Turma da DRJ/BSB (Fls.97 a 101), que já assevera em suas considerações iniciais: Considerações Iniciais Em atendimento à citada Resolução e à intimação de fls. 59/60, o interessado anexou os documentos de fls. 67/79, com a certidão de inteiro teor da referida matrícula (fls. 68/77), datada de 06/05/2013, que confirma a aquisição pelo contribuinte do imóvel declarado (R71.806); ao final dessa certidão, consta que ao encerrarse a ação discriminatória existente, poderá ocorrer o cancelamento ou retificação dessa matrícula, com alteração de titularidade ou limites. O que se verifica na à fls 83 a 92, é que ocorreu a venda e divisão de uma grande área em glebas menores, divididas entre vários titulares dentre os quais o Recorrente; também se verifica que a matrícula atualizada não demonstra com certeza o cancelamento da matrícula da gleba adquirida pelo Recorrente, uma gleba de 1.000 (um mil) hectares (R71.806 (2D, fls. 83v°). Nos autos, fica demonstrado que o recorrente é o proprietário da gleba de 1.000 (um mil ) hectares. Destaco que a certidão de inteiro teor afirma que "ao encerrarse a ação discriminatória existente, poderá ocorrer o cancelamento ou retificação dessa matrícula, com alteração de titularidade ou limites"; contudo, não há elementos nos autos que permitam concluir que efetivamente houve o cancelamento da matrícula. Deste modo, entendo que o Recorrente permanece como proprietário do imóvel. Quanto a sujeição passiva, preceitua o caput do art. 5º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que dispôs sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR: Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Também preceitua o art. 31 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172/66), que o ITR incide sobre o imóvel rural, e o contribuinte do imposto é seu proprietário, titular de seu domínio útil ou possuidor a qualquer título, não havendo benefício de ordem. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13116.000762/200310 Acórdão n.º 2201002.831 S2C2T1 Fl. 127 9 Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou seu possuidor a qualquer título. O legislador, ao atribuir ao proprietário do imóvel rural a sujeição passiva do ITR, evidentemente, teve por objetivo alcançar quem efetivamente poderia exercer os direitos de proprietário. Não faz sentido, tampouco é justo, imputar a condição de contribuinte do ITR à pessoa que não pode de forma alguma usar, gozar ou dispor do imóvel rural. Foge ao princípio da razoabilidade. No presente caso, o recorrente, como proprietário, poderia usar gozar e dispor do seu bem, posto que não se mostra razoável entender que dificuldades de localização e acesso do imóvel são fatores determinantes para o impedimento do uso e gozo do imóvel. Assim, como proprietário, o configurase o Recorrente como sujeito passivo do ITR. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar as preliminares alegadas, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10980.725423/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação.
Numero da decisão: 2202-003.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 88 1 87 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725423/201245 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.340 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2016 Matéria IRPF deduções Recorrente LINDA CHEQUER MONASSA (ESPÓLIO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 54 23 /2 01 2- 45 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.725423/201245 Acórdão n.º 2202003.340 S2C2T2 Fl. 89 2 Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que descreve os fatos ocorrido até a decisão de primeira instância. Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 56 a 60, exigem se da contribuinte os montantes de R$ 6.591,20 de imposto suplementar, R$ 4.943,40 de multa de ofício de 75% e encargos legais, relativos ao exercício 2010, anocalendário 2009. A autuação, originada da revisão da declaração de ajuste anual (fls. 45 a 51), constatou dedução indevida de despesas médicas, R$ 23.968,00, em face da falta de comprovação e da comprovação insuficiente dos pagamentos efetuados a Sandra Regina Nunes Medeiros (R$ 6.568,00) e Danielle Cristina Correa (R$ 17.400,00), respectivamente. Cientificado, em 12/06/2012 (fl. 61), o representante do espólio (fls. 67 e 68) apresentou, em 12/07/2012, a impugnação de fls. 02 a 05, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 69), alegando que, em atendimento à intimação apresentou os comprovantes das despesas informadas na declaração de ajuste anual, inclusive os referentes à profissional Sandra Regina Nunes Medeiros. Esclarece que a contribuinte, sua mãe, então com 90 anos de idade, falecida em 26/05/2011, era portadora de deficiência motora e psíquica, necessitando, assim, de fisioterapia quase que diariamente. Esclarece que as profissionais recebiam os honorários por sessão ou por semana, mas emitiam recibos com totais mensais, e teriam consignado esses rendimentos em suas declarações de ajuste anual. Aduz que efetuava os pagamentos em espécie, mediante retiradas bancárias da conta corrente da contribuinte, realizadas para cobrir todas as despesas necessárias e que desconhecia a necessidade de vinculação dos pagamentos de despesas médicas a cheques ou retiradas de igual valor. Instrui a petição com cópias de recibos e de extratos bancários (fls. 17 a 44), nos quais entende ser possível verificar que efetuava retiradas pontuais, com a finalidade manter em casa reserva financeira suficiente para pagamento das despesas incorridas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.725423/201245 Acórdão n.º 2202003.340 S2C2T2 Fl. 90 3 DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento, que não se considera suprida pela apresentação de recibos que não apresentam coincidência de datas e valores com as transações indicadas pelo contribuinte nos extratos bancários apresentados. Cientificado dessa decisão em 13/11/2012, por via postal (A.R. de fl. 77), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/12/2012 (fls. 78 a 82), no qual repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O presente recurso resumese à controvérsia acerca das deduções de despesas médicas sujeitas à comprovação por parte da contribuinte. A decisão sobre a dedutibilidade ou não das despesas médicas merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo Fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.725423/201245 Acórdão n.º 2202003.340 S2C2T2 Fl. 91 4 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaquei) Nada obsta que a autoridade lançadora, com base no art. 11, §§ 3º e 4º do DecretoLei nº 5.844, de 1943 (art. 73, caput e § 1º do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), solicite elementos adicionais de prova para uma melhor verificação do cumprimento da legislação tributária. Entretanto, não foi esse o caso. Durante o procedimento fiscal, não foram exigidos comprovantes da realização dos pagamentos, tais como extratos bancários ou cópias de cheques, ou da efetiva prestação de serviço, como exames ou fichas da paciente. A autuação baseouse única e exclusivamente na desconformidade dos recibos apresentados com a legislação de regência, conforme se depreende pela descrição dos fatos da notificação de lançamento (fl. 12), a seguir. COMPROVOU DESPESAS COM UNIMED CURITIBA, ACATADAS. NÃO COMPROVOU DESPESAS DECLARADAS PARA SANDRA REGINA NUNES MEDEIROS, GLOSADAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. APRESENTOU DOZE RECIBOS EMITIDOS POR DANIELLE C. CORREA, FISIOTERAPEUTA, NOM TOTAL DE R$ 17.500,00. EM NENHUM DOS RECIBOS CONSTA A DATA E ENDEREÇO DA EMITENTE, EM CINCO RECIBOS NÃO CONSTA NEM A CIDADE DA EMISSÃO. GLOSADOS POR SEREM DOCUMENTOS INCOMPLETOS, QUE IMPOSSIBILITAM A APURAÇÃO DA VERACIDADE DOS PAGAMENTOS. AJUSTADO. O julgamento da DRJ adotou como fundamento para a manutenção do lançamento a falta de comprovação dos pagamentos efetuados, uma vez que na impugnação o Contribuinte apresentou novos recibos, com preenchimento completo, suprindo as deficiências apontadas na autuação fiscal. Embora o contribuinte tenha informado em seu recurso que efetuou os pagamentos em espécie, tendo anexado os extratos bancários, tal fato não é objeto do presente Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.725423/201245 Acórdão n.º 2202003.340 S2C2T2 Fl. 92 5 litígio, pois a decisão a quo inovou, modificando a motivação do lançamento, posto que inexistente tal fato imponível no lançamento. As exigências constantes do lançamento foram devidamente comprovadas pelo contribuinte em sua impugnação. Não se pode admitir a inovação da fundamentação no julgamento de primeira instância por oposição de motivo não constante da autuação. Nesse sentido as seguintes decisões deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO Devem ser restabelecidas as despesas devidamente comprovadas, através de documentação idônea, que faz prova da efetividade dos serviços contratados e dos respectivos beneficiários dos serviços contratados. Vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. Recurso Provido (Acórdão nº 2102002.907, de 14/04/2014, Rel. Alice Grecchi) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO SUPERVENIENTE DE RECIBOS SEM VÍCIO FORMAIS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Autuação amparada exclusivamente na constatação de vícios formais no recibo médico trazido pela contribuinte, não pode subsistir caso sejam sanadas tais deficiências, mediante declaração do profissional emitente do recibo. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2802002.929, de 16/07/2014, Rel. Ronnie Soares Anderson) Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10980.725423/201245 Acórdão n.º 2202003.340 S2C2T2 Fl. 93 6 Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10120.721457/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RECOLHIMENTOS EXTEMPORÂNEOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL - RPPS. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. IMPOSSIBILIDADE.
Recolhimentos extemporâneos efetuados a RPPS, referentes a período atingido pela decadência, decorrem de faculdade exercida pelo contribuinte, faltando-lhes o atributo da compulsoriedade, essencial à caracterização de qualquer espécie tributária. Trata-se, na verdade, de indenização paga pelo segurado para cobrir o déficit existente nas contribuições previdenciárias de determinado período, porquanto o tempo laborado somente poderia ser computado para fins de aposentadoria caso houvesse a respectiva indenização. Ausente a característica da compulsoriedade e, por conseguinte, não podendo ser considerada como contribuição previdenciária oficial, afasta-se a possibilidade de dedução da parcela recolhida da base de cálculo do imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira que dava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.??
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. IMPOSSIBILIDADE. Recolhimentos extemporâneos efetuados a RPPS, referentes a período atingido pela decadência, decorrem de faculdade exercida pelo contribuinte, faltandolhes o atributo da compulsoriedade, essencial à caracterização de qualquer espécie tributária. Tratase, na verdade, de indenização paga pelo segurado para cobrir o déficit existente nas contribuições previdenciárias de determinado período, porquanto o tempo laborado somente poderia ser computado para fins de aposentadoria caso houvesse a respectiva indenização. Ausente a característica da compulsoriedade e, por conseguinte, não podendo ser considerada como contribuição previdenciária oficial, afastase a possibilidade de dedução da parcela recolhida da base de cálculo do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira que dava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 14 57 /2 01 4- 52 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.721457/201452 Acórdão n.º 2201003.184 S2C2T1 Fl. 80 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Física, exercício 2013, por meio da qual se retificou o imposto a restituir de R$ 11.143,54 (declarado) para R$ 432,79. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 6 deste processo digital, que houve a glosa de dedução indevida de previdência oficial, por falta de previsão legal para sua dedução. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 45/49, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 PAGAMENTOS EFETUADOS À PREVIDÊNCIA SEM NATUREZA JURÍDICA DE TRIBUTO. Recolhimentos referentes a período atingido pela decadência decorrem de faculdade exercida pelo contribuinte, faltandolhes o caráter de compulsoriedade, essencial para caracterização como tributo, como definido pelo CTN, não tendo natureza jurídica de tributo. Assim, por não se tratar de tributo, temse que tais recolhimentos não se equiparam à contribuição previdenciária prevista no art. 195, inciso II e § 8º da Constituição Federal de 1988 e no art. 8º, inciso II, “d”, da Lei nº 9.250, de 1995. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/03/2015 (fl. 54), a Interessada interpôs, em 10/04/2015, o recurso de fls. 56/64, acompanhado dos documentos de fls. 65/76. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Não há que se falar em decadência relativa ao período de 28/09/2001 e 26/12/2003, conforme Parecer nº 232/2014, do Ministério Público Federal (fls. 66/72). O Supremo Tribunal Federal STF e o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmaram jurisprudência no sentido de que a conversão de licençaprêmio em pecúnia tem caráter indenizatório, não incidindo imposto de renda. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.721457/201452 Acórdão n.º 2201003.184 S2C2T1 Fl. 81 3 A indenização por licençaprêmio é direito líquido e certo do servidor, em razão de sua natureza jurídica indenizatória, não sendo possível incidir, sobre esta verba, descontos tributários. A Declaração/MPF/SGP/SUBREP nº 015/2015, a título de retificação, fez constar que o recolhimento de Contribuição Previdenciária Oficial foi efetuado por meio de três DARF, cujo valor principal, em cada documento, foi informado erroneamente no item 8 (valor da multa), quando o correto deveria ser no item 7 (valor do principal). Ao final, requer o acolhimento do recurso para julgar procedente a impugnação apresentada. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Observo, inicialmente, que o objeto da presente Notificação de Lançamento é a glosa de dedução indevida de previdência oficial, matéria que não se entrelaça com o recebimento de rendimentos advindos de conversão de licençaprêmio em pecúnia. Esta observação é oportuna porque a Recorrente confunde, em parte da peça recursal, recolhimentos de contribuições previdenciárias destinados ao Regime Próprio de Previdência Social RPPS, dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa física, com recebimentos decorrentes de conversão de licençaprêmio em pecúnia, sobre os quais não incide imposto de renda, a teor da pacífica jurisprudência do STF e do STJ. Pois bem. A Interessada anexou à peça impugnatória ofício do Ministério Público Federal, por meio do qual foram prestados os seguintes esclarecimentos (fl. 4): No mês de dezembro de 2012 a servidora DULCINEA LUIZ ALVES, CPF 084.985.47172, recolheu por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, o montante de R$ 41.999,28 (quarenta e um mil novecentos e noventa e nove reais e vinte e oito centavos) a titulo de Contribuição para o Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores Públicos RPPS, compreendendo o período de 28/09/2001 a 26/12/2003, para liberação do período de LicençaPrêmio incluído para a concessão da isenção de RPPS, a fim de que fosse convertido em pecúnia quando da aposentadoria, ocorrida em 07/12/2012. Deste montante, o valor de R$ 38.948,18 foi informado no quadro 3 (Rendimentos Tributáveis, Deduções e Imposto Retido na Fonte), linha 2 (Contribuição Previdenciária Oficial) do comprovante de rendimentos anocalendário 2012; a diferença, no valor de R$ 3.051,10 foi deduzido da Gratificação Natalina, no quadro 5 (Rendimentos sujeitos à Tributação Exclusiva). Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.721457/201452 Acórdão n.º 2201003.184 S2C2T1 Fl. 82 4 O valor de R$ 38.948,18 foi glosado porque a Fiscalização entendeu que tal valor não é dedutível a título de previdência oficial. A decisão recorrida, por seu turno, manteve a glosa sob o fundamento de que tais recolhimentos não se enquadram no conceito de tributo, porquanto não revestidos do predicado da compulsoriedade, já que relativos a período alcançado pela decadência tributária. Nas palavras dos julgadores da instância de piso: “Ainda que à época do fato gerador (28/09/2001 a 26/12/2003) a contribuinte estivesse obrigada ao recolhimento de contribuição, em relação às prestações atingidas pela decadência não se observaria o caráter compulsório, sendo mera faculdade da contribuinte, exercida quando houve interesse em algum benefício extra. Mesmo que os institutos da prescrição e da decadência não se aplicassem nos casos de recolhimento a destempo de contribuições para fins de cômputo para se ter direito a algum benefício, estas não teriam caráter compulsório, mas sim indenizatório” (fl. 49). Na decisão recorrida ainda se acrescentou que “ainda que se concluísse que recolhimentos efetuados no anocalendário 2012, referentes ao período de 28/9/2001 a 26/12/2003, poderiam ser deduzidos da base de cálculo do imposto na DAA do exercício 2013, os acréscimos legais não poderiam ser considerados, por falta de previsão na legislação tributária. Ressaltese que, conforme consulta realizada nos bancos de dados da RFB (fls. 42/45), os recolhimentos foram lançados nos campos referentes a multa e juros. Os três Darfs (fls. 42/45) trazem o campo “Valor Principal” (código 1661, CPSS Servidor Civil Ativo) com a informação 0,00. Também por esse motivo (acréscimos legais) não poderiam ser deduzidos da base de cálculo do imposto na DAA”. Quanto a esse segundo ponto, a Recorrente fez juntar aos autos, por ocasião da apresentação do recurso voluntário, a declaração de fl. 74, por meio da qual o Ministério Público Federal esclarece: Declaro a pedido da interessada, Dulcinéa Luiz Alves, servidora aposentada do Quadro Permanente deste Ministério Público Federal, matrícula n° 45055, CPF n° 084.985.47172, para fins de comprovação junto à Receita Federai do Brasil, que foi recolhido em 20/11/2012, por meio do Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, a Contribuição Previdenciária Oficial relativa ao período de 28/09/2001 a 26/12/2003. Declaro, ainda, que o recolhimento foi efetuado por meio de três DARFs, cujo valor principal em cada documento foi informado erroneamente no item 8 Valor da Multa, quando o correto deveria ser no item 7 Valor Principal, conforme planilha abaixo: Feita essa breve resenha da situação fática, tenho para mim que a controvérsia jurídica aqui discutida se resolve com os seguintes excertos do Parecer nº 232/2014, da Assessoria Jurídica Administrativa do Ministério Publico Federal (fls. 66/72), adunado aos autos pela própria Interessada, os quais utilizo como razões de decidir, verbis: 11. A isenção previdenciária foi inicialmente prevista no art. 3o, §1°, da Emenda Constitucional n° 20°98, verbis: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.721457/201452 Acórdão n.º 2201003.184 S2C2T1 Fl. 83 5 Art. 3° É assegurada a concessão de aposentadoria e pensão, a qualquer tempo, aos servidores públicos e aos segurados do regime geral de previdência social, bem como aos seus dependentes, que, até a data da publicação desta Emenda, tenham cumprido os requisitos para a obtenção destes benefícios, com base nos critérios da legislação então vigente. § 1° O servidor de que trata este artigo, que tenha completado as exigências para aposentadoria integral e que opte por permanecer em atividade fará jus à isenção da contribuição previdenciária até completar as exigências para aposentadoria contidas no art. 40, § 1º, III, "a", da Constituição Federal. 12. Dessa forma, ao servidor que integrasse os requisitos para aposentadoria, mas decidisse permanecer em atividade, seria garantida a isenção da contribuição previdenciária oficial, como forma de estímulo à permanência do trabalhador. 13. Tal situação perdurou até o advento da Emenda Constitucional n° 41/2003 que estipulou o abono de permanência, parcela de valor equivalente à contribuição previdenciária e paga ao servidor que integrar os requisitos da aposentadoria, mantendose, todavia, o desconto referente ao PSS. 14. Portanto, estabeleço a premissa de que o valor recolhido pela interessada se refere ao pagamento extemporâneo de previdência social, porquanto, conforme informado, com a conversão em pecúnia da licençaprêmio, restou afastada a contagem em dobro do período, postergando a possibilidade de aposentadoria. 15. Superada a análise, importa verificar se os argumentos colacionados pela Receita Federal acerca da parcela deduzida estão corretas. 16. Sustenta a Autarquia Fazendária que as contribuições providenciarias pagas posteriormente somente são dedutíveis do IRPF dentro do prazo decadencial de cinco anos. (...) 17. É cediço que os tributos possuem como característica fundamental a compulsoriedade. Assim, o dever de recolher decorre diretamente da imposição legal, sendo irrelevante a manifestação de vontade do contribuinte. 18. Eduardo Sabbag, ao tratar do tema, informa que "a prestação pecuniária é dotada de compulsoriedade, não dando azo à autonomia de vontade. Traduzse o tributo em receita derivada, uma vez cobrada pelo Estado, no uso de seu poder de império, tendente a carrear recursos do patrimônio do particular para o do Estado." 19. Luciano Amaro, por sua vez, leciona que "o nascimento da obrigação de prestar (o tributo) é compulsório (ou forçado), no Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.721457/201452 Acórdão n.º 2201003.184 S2C2T1 Fl. 84 6 sentido de que esse dever se cria por força da lei (obrigação ex lege), e não da vontade dos sujeitos da relação jurídica (obrigação ex volúntate). (...) 21. Com efeito, consoante arts. 156 e 173 do Código Tributário Nacional, a Administração deve efetuar o lançamento do tributo não pago no prazo máximo de 5 (cinco) anos, sob pena de decadência e consequente extinção do crédito tributário. (...) 23. Assim, não efetuado o devido lançamento do tributo no prazo estipulado, decai o direito de a Administração fazêlo. Igualmente, operada a decadência, ao contribuinte também não é mais exigido efetuar o pagamento do tributo. 24. Impossibilitada de efetuar o lançamento do crédito tributário e não sendo mais exigido do contribuinte efetuar o pagamento, o montante recolhido perde sua característica fundamental, qual seja, a compulsoriedade. Por conseguinte, não pode mais ser considerado como tributo diante da ausência de subsunção entre a parcela e a conceituação estampada no art. 3o do Código Tributário Nacional. 25. Tratase, na verdade, de indenização paga pelo segurado para cobrir o déficit existente nas contribuições previdenciárias de determinado período, porquanto o tempo laborado somente poderia ser computado para fins de aposentadoria caso houvesse a respectiva indenização, consoante imposição do sistema contributivo atualmente existente, art. 40 da Constituição Federal de 1988. 26. Portanto, ausente a característica da compulsoriedade e, por conseguinte, não podendo ser considerada como contribuição previdenciária oficial, afastase a possibilidade de dedução da parcela recolhida da base de cálculo do imposto de renda. 27. Por sua vez, acerca da possibilidade de dedução do valor principal juntamente com os acréscimos legais, entendo, com esteio na fundamentação supra, que o pedido resta prejudicado, pois inviável a dedução dos valores percebidos. (...) 29. Ante o exposto, concluo correta a interpretação formulada pela Receita Federal, pois operada a decadência, a parcela não mais é considerada como tributo, afastandose a vinculação com a contribuição previdenciária oficial, revelando, na verdade, identidade de indenização, impossibilitando, assim, a dedução da base de cálculo do imposto de renda. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.721457/201452 Acórdão n.º 2201003.184 S2C2T1 Fl. 85 7 Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000674/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA.
O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-005.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Kleber Ferreira de Araújo
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO DA PROCEDÊNCIA. O reconhecimento pela autoridade fiscal da procedência do pedido de restituição põe fim a lide tributária em benefício do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Theodoro Vicente Agostinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 74 /2 01 0- 11 Fl. 930DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias decorrente de supostas sobras de recolhimento relativas à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998. O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido mediante despacho decisório, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços. O contribuinte apresentou inconformismo contra o referido despacho, todavia, a DRJ manteve o indeferimento sob os mesmos fundamentos. Cientificada da decisão em 14/04/2011(fl. 636), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 594 a 632) em 13/05/2011. O julgamento no CARF foi convertido em diligência em duas ocasiões, conforme Resolução nº 2803000.191, da 3ª Turma Especial de 17 de julho de 2013 (fls. 664 a 670), e Resolução CARF nº 2803000.269, da 3ª Turma Especial, de 10 de março de 2015 (fls.897 a 899), para as seguintes providências a serem adotadas pela autoridade fiscal : "(1) indiferentemente da relação massa salarial e faturamento, analise se a contribuinte apresentou pedido de restituição que cumpre todos os requisitos para o reconhecimento do direito, condições para a restituição e o valor de restituição, conforme a legislação de regência; (2) havendo qualquer carência de requisitos ou documentos, que seja informada a requerente, instruindoa de como retificar, e concedido prazo para realizar a retificação; (3) responda todos os questionamentos complementares trazidos pela petição protocolizada antes da presente resolução, bem como analise as demonstrações unificadas dos pedidos(processos) de restituição conexo caso sejam efetivamente apresentadas pela parte; (4) após, emita informação fiscal analítica e motivada, observando os itens anteriores, inclusive sobre o valor a ser restituído, sendo a contribuinte intimada para manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias". Às fls. 914/916 veio aos autos informação fiscal, reconhecendo o direito à restituição integral do montante pleiteado. Eis os termos do pronunciamento da autoridade fiscal: "8. A empresa declarou em campo próprio da GFIP, as retenções sofridas em Nota Fiscal de Serviço, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, e conforme consta nas telas do sistema CCORGFIP (fls.904 a 911), nas matrículas CEI nº 38.720.05895/70 e 38.720.05896/72, bem como nos dados da Base Central do sistema RestWeb (fl.913). 9. Deduzindo os valores devidos pela empresa título de contribuição previdenciária cota parte patronal, empregado e SAT/RAT, também declarados em GFIP, dos valores retidos a Fl. 931DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14033.000674/201011 Acórdão n.º 2402005.393 S2C4T2 Fl. 930 3 título de retenção 11%, restou saldo a ser restituído em relação ao pedido de restituição eletrônico PER nº 16464.61674.181209.1.2.150811, referente a competência 07/2005, conforme quadro abaixo e planilha de restituição, anexa ao processo(fl.912): (...) 10. Diante do acima exposto, informo que de acordo com quadro do item 09 da presente Informação Fiscal, o contribuinte tem o direito creditório reconhecido no PER nº 16464.61674.181209.1.2.150811, referente a competência 07/2005, no valor originário de R$ 7.411,29 (sete mil quatrocentos e onze reais e vinte e nove centavos)." É o relatório. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos legais, devendo ser conhecido. Direito à restituição O reconhecimento pelo órgão da RFB da procedência integral do pedido de restituição, expresso na informação fiscal supra, põe fim a lide tributária, conduzindome obrigatoriamente a encaminhar pelo provimento do recurso voluntário. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/07 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002194/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
RECURSO VOLUNTÁRIO CONTRA PROVIMENTO DE RECURSO DE OFÍCIO.
INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A Lei que regula o Processo Administrativo Fiscal não mais permite a interposição de recurso voluntário contra o provimento de recurso de ofício. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. REVISÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. As Turma Julgadoras das Seções do CARF somente são competentes para apreciar recursos voluntário e de ofício interpostos contra decisões da 1ª instância administrativa de julgamento.
Numero da decisão: 1302-001.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 RECURSO VOLUNTÁRIO CONTRA PROVIMENTO DE RECURSO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A Lei que regula o Processo Administrativo Fiscal não mais permite a interposição de recurso voluntário contra o provimento de recurso de ofício. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. REVISÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. As Turma Julgadoras das Seções do CARF somente são competentes para apreciar recursos voluntário e de ofício interpostos contra decisões da 1ª instância administrativa de julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A Lei que regula o Processo Administrativo Fiscal não mais permite a interposição de recurso voluntário contra o provimento de recurso de ofício. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. REVISÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. As Turma Julgadoras das Seções do CARF somente são competentes para apreciar recursos voluntário e de ofício interpostos contra decisões da 1ª instância administrativa de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 94 /2 00 7- 81 Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.002194/200781 Acórdão n.º 1302001.873 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório NOKIA SIEMENS NETWORKS DO BRASIL SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO S/A, já qualificada nos autos, recorre do Acórdão nº 1302001.005 proferido por esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara que, por unanimidade de votos, deu PARCIAL PROVIMENTO ao recurso de ofício interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I que julgara PROCEDENTE a impugnação interposta contra parte do lançamento formalizado em 27/11/2007, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 58.027.420,75. Consoante relatado na decisão de 1ª instância, o lançamento apontou as seguintes infrações: 2.1.1. OMISSÃO DE RECEITA: falta/insuficiência de contabilização de juros ativos na conta 5622 da pessoa jurídica, nos meses de ano calendário de 2002, apropriados em doze Notas Promissórias, emitidas em decorrência de Notas Fiscais não quitadas nos vencimentos, conforme Termo de Verificação fiscal, fls .592/603, R$ 3.909.712,09; 2.1.2. OMISSÃO DE RECEITA, por cancelamento de Notas Fiscais, sem apresentação de todas as vias das NFs canceladas, relativamente aos anos calendário de 2001 e 2002, R$ 27.076.490,70 e R$ 3.871.468,84, respectivamente; 2.1.3. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS NÃO COMPROVADAS; R$ 145.799,83, no ano calendário de 2002; 2.1.4. BENS DE NATUREZA PERMANENTE, deduzidos como custo/despesa, R$ 191,682,89, no ano calendário de 2002; 2.1.5. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NO LUCRO REAL, correspondentes a despesas de pesquisa e desenvolvimento, em acordo de cooperação Técnico/Científico com a Universidade de Brasília, R$2.333.988,86; apesar de receber toda a documentação solicitada relativa ao referido acordo, fls. 326/370, a fiscalização efetuou a glosa ao argumento de não apresentação de documentação hábil que comprove a eficácia do citado acordo ainda no ano de 2002, na forma de sua cláusula 15ª, fls. 605 – publicação no DOU; 2.1.6. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NO LUCRO LÍQUIDO variações cambiais ativas, operações liquidadas, R$ 1.947.839,79, fls .614;. 2.1.7. EXCESSO DE EXCLUSÕES DO LUCRO LÍQUIDO, por NFs canceladas, não apresentadas as 1as. 3as. e 4as .vias, e por variações cambiais passivas relativas a operações liquidadas no ano calendário de 2001, R$ 14.840.307,02. A contribuinte não impugnou a glosa de custos/despesas não comprovados e de bens de natureza permanente. Quanto às demais infrações questionadas, a Turma Julgadora de 1ª instância reconheceu a decadência das exigências de IRPJ e CSLL referentes ao ano calendário 2001, bem como de Contribuição ao PIS e COFINS referentes aos fatos geradores até 30/11/2002, ainda assim remanescendo parcelas de todas as exigências impugnadas, exceto as exclusões indevidas do lucro líquido, pertinentes apenas ao anocalendário 2001. E, apreciandoas, o voto condutor da decisão de 1ª instância apresentou argumentos para desconstituir a acusação fiscal. A decisão foi assim ementada: Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.002194/200781 Acórdão n.º 1302001.873 S1C3T2 Fl. 4 3 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001, 2002 Decadência. Presente o conceito decadencial prescrito no artigo 150, § 4◦, do CTN, insustentável manutenção de exação tributária. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Base de Calculo. Erros e lapsos materiais não substratam exigência tributária. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2001, 2002 PIS, COFINS e CSLL. Reflexividade. Em lançamentos tributários tomados por reflexividade, à falta de elemento relevante, a eles aplicase o mesmo decisório daquele que lhes deu origem. A contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª instância em 27/10/2008 (fl. 898). Os autos foram remetidos a este Conselho para reexame necessário do crédito tributário exonerado, e a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou razões ao recurso de ofício assim resumidas no relatório do Acórdão nº 1302001.005: Insurgese a PGFN, no recurso de ofício, contra acórdão nº 1220.683 da 2ª Turma da DRJ/RJOI, alegando no processo administrativo, quatro itens, a saber: i) em sede preliminar, nulidade do acórdão proferido em primeira instância administrativa, por ausência por parte da DRJ de análise expressa do item da variação cambial passiva, objeto de fiscalização; ii) no mérito, com relação à exclusão indevida do lucro de variações cambiais passivas; iii) ainda no mérito, contesta que o lançamento de uma única provisão no valor de R$ 4.343.200,08 não supre os lançamentos de provisões de juros ativos recebidos ao longo do todo o anocalendário de 2002. Na verdade, tal provisão pode se referir a outra receita de juros, que deve também ser tributada; e, por fim, iv) no mérito da tributação reflexa das contribuições PIS e COFINS, que as receitas financeiras consubstanciamse em receitas oriundas da exploração do objeto social da empresa, autorizando sua inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS. Este Colegiado, nos termos do voto condutor do Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo, manteve o reconhecimento da decadência consoante decidido pela autoridade julgadora de 1ª instância; negou a classificação pretendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional acerca de variação cambial passiva do anocalendário 2001 para o anocalendário 2002; e restabeleceu a omissão de juros ativos por falta de prova dos estornos alegados, mas manteve a exoneração de Contribuição ao PIS e de COFINS sobre ela calculados. O Acórdão nº 1302001.005 está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.002194/200781 Acórdão n.º 1302001.873 S1C3T2 Fl. 5 4 NULIDADE DE DECISÃO. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DEVIDAMENTE ANALISADA. É incabível a anulação do acórdão da DRJ por falta de análise no mérito, quando a matéria já foi superada na preliminar. JUROS ATIVOS. PROVISÃO E ESTORNO. FATO GERADOR. Os estornos de provisões de juros ativos efetuados em conta de resultado, seguidos de novas provisões oferecidas à tributação em “substituição”. Deve o contribuinte provar a ligação entre uma e outra, sob pena de não sendo vinculadas serem consideradas novas receitas. PIS COFINS. RECEITA FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA Após o advento da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei 9.718/98, não incide PIS e COFINS sobre receitas financeiras. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional informou que não haveria interposição de recuso especial (fl. 940). Promovida a liquidação do julgado (fl. 1655/1656), a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1302001.005 e a pagar o crédito tributário restabelecido, com a ressalva de que seria cabível recurso especial de divergência, no prazo de 15 (quinze) dias (fl. 1657). Em 16/04/2014 a contribuinte tomou conhecimento da intimação postada em sua caixa eletrônica, mas foi declarada sua ciência ficta apenas em 30/04/2014, depois de transcorrido o prazo de 15 (quinze) dias contados da postagem dos documentos em 15/04/2014 (fl. 1664). Em 16/05/2014 a contribuinte apresentou a petição de fls. 1666/1749 denominada recurso voluntário contra o provimento parcial do recurso de ofício da Fazenda Nacional, com fundamento no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 e no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256/2009). Defende o cabimento do recurso porque, apesar de o Regimento Interno do CARF prever, apenas, o cabimento de embargos ou de recurso especial contra acórdão que dá provimento a recurso de ofício, frente à decisão de 1ª instância que acolheu sua impugnação, não lhe foi permitida a interposição de recurso, e somente com o acolhimento parcial do recurso de ofício surgiu a absoluta necessidade de, em observância aos princípios do contraditório e ampla defesa, pela primeira vez trazer em caráter recursal a este E. CARF as razões de fato e de direito que, em seu entender, justificam o cancelamento integral da autuação. Observa que em recurso especial não seria possível levar ao conhecimento deste Conselho as questões de fato do presente processo, agretando às suas alegações a vioalção aos princípios da eficiência, da verdade material e da garantia à interposição de recursos assegurada no inciso X do art. 2º da Lei nº 9.784/99. Reportase, ainda, a laudo pericial contábil agora apresentado como prova cabal da insubsistência da parcela remanescente do lançamento. Acrescenta que o lançamento somente estará aperfeiçoado com o encerramento da discussão administrativa nestes autos, com a apreciação dos documentos ora apresentados, sob pena de nulidade da exigência. Até porque, ainda que se considere aperfeiçoado o lançamento, as autoridades administrativas têm o dever de revisar de ofício a constituição dos créditos tributários, mormente ante as evidências de que não houve acurado exame de sua escrituração por parte da autoridade lançadora. Antecipase em negar culpa por não ter colacionado anteriormente os documentos, dado que foi vencedora na decisão de 1ª instância e somente com o julgamento do recurso de ofício foi instada a refutar a manutenção do item 001 do Auto de Infração, e isto após passados 12 (doze) anos dos supostos fatos geradores. Novamente invoca o princípio da Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.002194/200781 Acórdão n.º 1302001.873 S1C3T2 Fl. 6 5 eficiência para que seja promovida a revisão do lançamento sem que seja necessária a provocação do Poder Judiciário para tanto, e cita o art. 63, §2º da Lei nº 9,784/99 em reforço à sua argumentação. Discorre sobre a exigência remanescente, explicitando os motivos pelos quais, com base em laudo pericial contábil, a imputação de omissão de receitas não deve subsistir. Ao final, aborda os princípios da legalidade e da verdade material, cita jurisprudência e pede o cancelamento item 01 do auto de infração. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.002194/200781 Acórdão n.º 1302001.873 S1C3T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Nos termos do invocado art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Todavia, a lei que regula o processo administrativo fiscal não mais prevê a interposição de recurso voluntário contra acórdão que dá provimento a recurso de ofício. De fato, o Decreto nº 70.235/72 permitia questionamentos em face do provimento de recurso de ofício e atribuía à Câmara Superior de Recursos Fiscais o seu julgamento: Art.25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] II Em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com a ressalva prevista no inciso III do § 1º. [...] § 4º O recurso voluntário interposto de decisão das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes no julgamento de recurso de ofício será decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. § 1o No caso de provimento a recurso de ofício, o prazo para interposição de recurso voluntário começará a fluir da ciência, pelo sujeito passivo, da decisão proferida no julgamento do recurso de ofício. (Redação dada pela Lei nº 10.522, de 2002) [...] As alterações promovidas no referido Decreto pelas Leis nº 11.941/2009 e 12.096/2009, porém, excluíram tal modalidade recursal, restando previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 o recurso voluntário contra decisão de 1ª instância, bem como o recurso especial à Câmara Superior de Recursos fiscais em face de decisão das Turmas do CARF que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, resta evidente que no momento da interposição do recurso voluntário, a Lei de regência do Processo Administrativo Fiscal não mais permitia ao sujeito passivo manifestar sua irresignação perante o contencioso administrativo especializado. Frente a tal contexto, os princípios invocados pela recorrente prestamse, apenas, a suscitar a inconstitucionalidade da lei processual frente à garantia que entende expressa no art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, sendo certo que nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.002194/200781 Acórdão n.º 1302001.873 S1C3T2 Fl. 8 7 Ainda, no que se refere às disposições da Lei nº 9.784/99, basta dizer que, consoante disposto em seu art. 69, os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Quanto à revisão de ofício de ato ilegal, citada no art. 63, §2º da referida Lei, releva notar que tal atividade não integra a competência desta Turma Julgadoras das Seções do CARF, a qual está restrita a recursos voluntário e de ofício interpostos contra decisões da 1ª instância administrativa de julgamento. Na ausência de tais recursos regularmente revestidos dos requisitos legais de admissibilidade, o litígio não se instaura e este órgão julgador é incompetente para apreciar o mérito das alegações veiculadas na petição apresentada. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 12466.002156/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/11/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nem irregularidades ou equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro nem o fato de ele não ter sido emitido acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto.
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/11/2008
VALOR ADUANEIRO. FRAUDE. SUBFATURAMENTO. PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. POSSIBILIDADE.
Comprovado que o importador declarou nas declarações de importação valor aduaneiro reduzido intencionalmente, passível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, pela conversão da pena de perdimento dos bens não localizados.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e o pedido de diligência e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 27/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/02/2005 a 30/11/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nem irregularidades ou equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro nem o fato de ele não ter sido emitido acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/02/2005 a 30/11/2008 VALOR ADUANEIRO. FRAUDE. SUBFATURAMENTO. PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. POSSIBILIDADE. Comprovado que o importador declarou nas declarações de importação valor aduaneiro reduzido intencionalmente, passível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, pela conversão da pena de perdimento dos bens não localizados. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.002156/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.139 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Auto de Infração Aduana Recorrente BRASPONTEX COMÉRCIO EXTERIOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2005 a 30/11/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nem irregularidades ou equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro nem o fato de ele não ter sido emitido acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/02/2005 a 30/11/2008 VALOR ADUANEIRO. FRAUDE. SUBFATURAMENTO. PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. POSSIBILIDADE. Comprovado que o importador declarou nas declarações de importação valor aduaneiro reduzido intencionalmente, passível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, pela conversão da pena de perdimento dos bens não localizados. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e o pedido de diligência e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 21 56 /2 00 8- 01 Fl. 819DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 27/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Reproduzo uma vez mais o Relatório que serviu de base à decisão de primeira instância, com os acréscimos feitos por estes Relator no Voto que converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 3102000.221, de 21 de agosto de 2012. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 10.780.563,59, referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração: Que a interessada promoveu importações de mercadorias, nos anos de 2004 e 2005, amparadas por Declarações de Importação nas quais se declarava como importadora e adquirente das mercadorias. Submetida a procedimento especial de fiscalização, previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, se constatou que a interessada foi interposta pessoa nas operações de importação, ocultando as reais adquirentes das mercadorias, as quais repassavam recursos para o pagamento dos custos das importações e figuravam como destinatárias das mercadorias nas Licenças de Importação. As mercadorias importadas se tratavam de “naftas”, classificadas na NCM 2710.11.49, sujeitas a licenciamento nãoautomático, consideradas como “solventes” pela ANP. Da análise dos documentos da interessada se concluiu que essa não possuía capacidade financeira para realizar as operações de comércio exterior, cujas importações no período remontaram a U$ 10.449.759,00, declaradas como “em nome próprio”, ou seja, como se fosse a real adquirente das mercadorias. Alterações do capital social declaradas pela interessada, nunca foram comprovadas e sua sede foi transferida de Vitória/ES para São Paulo/SP, no curso da ação fiscal. Correspondências entre a interessada e a exportadora estrangeira deixam clara a ocultação das reais adquirentes das mercadorias. Nessas correspondências a interessada orienta a exportadora estrangeira em relação à emissão de documentos fiscais e de transporte, de forma a burlar os controles da Aduana, seja no aspecto relativo à identificação da adquirente das mercadorias, seja relativo aos preços declarados. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002156/200801 Acórdão n.º 3302003.139 S3C3T2 Fl. 3 3 Com relação aos preços declarados ficou comprovada a prática de subfaturamento, com a emissão de faturas com valores aproximados de 50% do valor efetivamente pago. As faturas eram emitidas por empresa situada nas Ilhas Virgens, considerada paraíso fiscal. Em diversas Declarações de Importação o modus operandi era o de declarar a diferença de valores como “frete no mercado interno”, fato que distorcia os valores pagos de tal modo que o frete interno chegava ao absurdo de ser equivalente ao valor das mercadorias mais o frete internacional. Essa prática reduziu substancialmente a base de cálculo e conseqüente recolhimento dos tributos devidos nas importações. Configurouse, assim, a utilização, na importação, de documentos ideologicamente falsos. A comparação dos preços declarados com os preços praticados nas bolsas internacionais de mercadorias, considerando que se tratava de mercadoria dita “comodity”, ou seja, negociada com base em cotações diárias de preços, revelou diferenças substanciais entre os mesmos. Da mesma forma, o confronto dos valores declarados nas importações pela interessada com os declarados nas exportações da Argentina, país exportador, evidenciaram a prática de fraude no valor aduaneiro. Também a comparação com outras importações realizadas por outros importadores nacionais, do mesmo produto e exportador estrangeiros, demonstra as diferenças entre os preços declarados. Assim, com base no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.158/35/2001, os valores praticados nas importações foram arbitrados. Em razão da caracterização de dano ao Erário, prevista nos incisos IV e V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002, e considerando a não localização ou consumo das mercadorias, foi lavrado o auto de infração do presente processo para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme previsto nos parágrafos 1º e 3º do mesmo artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002. Registra ainda o auto de infração, a constatação das seguintes irregularidades: Triangulação comercial ilícita, com o fim de fraudar o valor praticado ou declarado, refaturando indevidamente as mercadorias por preço inferior ao real. Não apresentação de documentação comprobatória da regularidade das operações realizadas. Não comprovação da origem lícita dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Envolvimento da empresa “Ferchimika – Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda”, identificada nas licenças de importação como distribuidora da nafta, que deveria ser utilizada para fins não energéticos, em denúncias de adulteração de combustíveis. A empresa “Braspontex Comércio Exterior Ltda” foi autuada na condição de “contribuinte” e a empresa “Ferchimika – Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda” na condição de “responsável solidário”, com base no artigo 124 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/1966, e nos artigos 32 e 95 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 A Braspontex foi cientificada pela via pessoal (ciência fl. 01) e apresentou a impugnação tempestiva de folhas 341 a 363, com os documentos de folhas 364 a 396, 399 a 596 e 599 a 684, anexados. A impugnante alega preliminar de nulidade, por entender que no auto de infração não se cumpriu formalidade essencial, “eis que não apresenta em seu corpo a descrição dos fatos que pretendeu alcançar” e que “no campo reservado à descrição dos fatos, não há qualquer informação dos fatos alcançados, remetendo sempre aos famigerados ‘anexos’ para fugir da narrativa minuciosa dos eventos.” (sic) Alega que houve cerceamento de seu direito de defesa, pois, na forma como procedido, não sabe exatamente do que é acusada. Defende a nulidade do auto de infração pois a fiscalização foi realizada no prazo superior a 3 anos, quando a norma, Instrução Normativa SRF nº 228/2002, determina que o procedimento deve ser encerrado em, no máximo, 180 dias do seu início. Alega irregularidades nas intimações pelo fato de a pessoa cientificada não possuir poderes de representação e porque a mudança de endereço da sede para São Paulo ocorreu em 03/11/2005, conforme cópia cartão do CNPJ anexada, e não em janeiro de 2007 como alega a fiscalização, não podendo ser responsabilizada por falta de atendimento a intimação. Discorda da conclusão da fiscalização sobre ausência de capacidade financeira baseada nas Declarações de Imposto de Renda – DIPJ, anos 2002, 2003 e 2004, com movimentação financeira igual a zero. Argumenta que o simples fato de uma empresa declarar receita zero, não quer dizer que a mesma não tenha capacidade econômica e financeira para o comércio, pois essa deve ser analisada em relação a sua movimentação bancária. Defende que utilizou recursos próprios e de financeiras, nas operações de importação, e que durante muito tempo foi considerada um dos maiores contribuintes do ICMS do Estado do Espírito Santo. Alega que, em 09/06/2005, antes do encerramento do MPF, retificou as DIPJ dos exercícios de 2003 e 2004. Alega que não há legislação que obrigue a utilização de preços cotados em bolsa de mercadoria e que os preços praticados são condizentes com os levantados pela fiscalização. Com relação a essas inconformidades de preço de que é acusada, alega que as Declarações de Importação foram desembaraçadas, inclusive no canal amarelo, e, portanto, foram verificadas e consideradas corretas, não se podendo alegar, posteriormente, que os preços estavam subfaturados. Requer a produção de provas periciais para fins de prova dos fatos impugnados. Anexa cópias de Resoluções Ministeriais do Governo da Bolívia que autorizam a exportação de nafta ao preço de U$ 180,00 o metro cúbico, ou U$ 0,18/l ou kg. Requer diligência ao Governo da Bolívia a fim de se confirmar a veracidade de referidas Resoluções. Anexa cópia de contrato no qual o preço da nafta foi negociado ao preço de U$ 0,18/litro. Contesta a alegação da fiscalização de falta de “marcador” na mercadoria importada, argumentando que sua presença é obrigatória na nafta solvente, condição para o desembaraço ou liberação na alfândega. Alega que a fiscalização a acusa de falsificação e adulteração de documentos, baseandose em indícios e presunções. Requer a produção de prova pericial e documental. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002156/200801 Acórdão n.º 3302003.139 S3C3T2 Fl. 4 5 Em razão da alteração de endereço de sua sede, entende que deveria ser fiscalizada pela unidade da Receita Federal de sua jurisdição. Assim, requer que o julgamento de sua defesa seja realizado por aquela unidade. Requer a anulação do auto de infração. Em caso contrário, requer a produção de prova pericial, documental e diligencial. Requer seja declarado insubsistente o auto de infração e improcedente a ação fiscal. Requer sejam remetidos os autos para julgamento na jurisdição fiscal da impugnante. Requer ainda sejam as intimações e/ou informações de estilo realizadas em nome do patrono, que denomina e registra o endereço. A responsável solidária, Ferchimika – Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda, foi cientificada por via postal em 08/08/2008 (AR fls. 340v). Decorrido o prazo legal sem apresentação de impugnação foi lavrado o termo de revelia de folhas686. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/10/2003 a 09/06/2004 OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA OU CONSUMIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo ou do responsável pela importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. USO DE DOCUMENTO FALSIFICADO NECESSÁRIO AO DESEMBARAÇO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. O uso de documentos falsificado ou adulterado, necessário ao desembaraço, é considerado dano ao Erário, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias. FRAUDE. SONEGAÇÃO. CONLUIO. TRIBUTOS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Impugnação ao Lançamento. Mais uma vez, referese à ausência de requisitos essenciais ao auto de infração. “Conforme se pode observar no campo reservado à descrição dos fatos, não há qualquer informação minuciosa dos fatos alcançados, nem das penalidades aplicadas, remetendo sempre aos famigerados "anexos"”. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Ainda a esse respeito, “Desta forma, basta uma simples olhadela nessa hercúlea generalidade e imprecisão descrita pelos cultos Auditores Fiscais, para verificarse a patente nulidade acarretada à peça administrativa ora combatida”. Noutra linha de sustentação da improcedência da autuação, que a fiscalização foi iniciada em 23/03/2005 e, portanto, como determina a Portaria RFB 4.328/05, o Mandado de Procedimento Fiscal extinguiuse em 21/07/2005. Como a primeira prorrogação aconteceu em 19/09/2005, o MPF já tinha perdido sua validade. Que não houve subfaturamento do preço praticado. Que “os preços divulgados pelo PLATT'S servem apenas como referência, isto é, não existe nenhuma legislação ou norma de comércio exterior que obrigue a aplicação dos preços divulgados pela PLATT'S”. E acrescenta. Por outro lado, podemos observar que o preço da nafta importada através das DI's listadas às fls. 18/26 do MPF, foi de US$ 0,28 o quilo, com embarque entre os dias 03/10/2003 e 09/06/2004. Portanto, se compararmos o preço cotado no mercado internacional no dia 14 de fevereiro de 2004 (US$ 0,30) com preço (US$ 0,28) praticado pela empresa Recorrente, praticamente no mesmo período, a diferença é insignificante, pois apresenta uma margem de apenas US$ 0,02. Reafirma necessidade de realização de diligência para que seja oficiado o “Governo da Bolívia, "Ministério de Mineria e Hidrocarburos", para confirmar a veracidade das Resoluções Ministeriais nºs 227/2004, de 14/ 12/2004 e 017/2005, de 25/02/2005, emitidas pelo Governo da Bolívia, que autorizam a exportação de NAFTA ao preço de US$ 180,00 o metro cúbico, que em litros/quilos corresponde a US$ 0,18”. A primeira análise do Processo revelou a necessidade de conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização fizesse os esclarecimentos a seguir reproduzidos e, ao final, abrisse prazo para manifestação do contribuinte. Confirmar se, como informado no vertente voto, não há, para as importações objeto deste auto de infração, acusação de interposição fraudulenta; Comentar as imprecisões acima identificadas e apresentar dados compatíveis com as constatações relatadas no Auto de Infração; Apresentar documentos que evidenciem os valores habituais praticados no mercado para o transporte de mercadorias dentro do território nacional no trajeto identificado nas importações (frete interno); Outras considerações que julgar pertinentes. Após, dêse prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte. Às folhas 805 e seguintes encontrase a Informação Fiscal com os esclarecimentos requeridos. Por sua vez, a autuada não respondeu à intimação para apresentar suas considerações a respeito dos esclarecimentos prestados pelo Fisco. É o Relatório. Voto Fl. 824DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002156/200801 Acórdão n.º 3302003.139 S3C3T2 Fl. 5 7 Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preliminarmente, a Recorrente suscita a nulidade do Auto de Infração que, segundo entende, não contém requisitos essenciais, pois “conforme se pode observar no campo reservado à descrição dos fatos, não há qualquer informação minuciosa dos fatos alcançados, nem das penalidades aplicadas, remetendo sempre aos famigerados 'anexos'”. Quanto a isso, basta observar as detalhadas ponderações presentes na Resolução nº 3102000.221 para perceber que, se por um lado alguns esclarecimentos se faziam necessários, fato que determinou a realização da diligência, por outro, é perfeitamente possível compreender a acusação que à autuada é dirigida em seus mínimos detalhes. Por esse motivo, de maneira nenhuma pode prosperar a decretação de nulidade da autuação pretendida pela Parte. A Recorrente também alega que a fiscalização foi iniciada em 23/03/2005 e, portanto, como determina a Portaria RFB 4.328/05, o Mandado de Procedimento Fiscal extinguiuse em 21/07/2005 e, como a primeira prorrogação aconteceu em 19/09/2005, o MPF já tinha perdido sua validade Pertinente reproduzir excerto do voto condutor da decisão recorrida. Em relação aos prazos de validade e da extinção do MPF, cabe observar o disposto nos artigos 12 e 13 da Portaria RFB n.º 4.328, de 05/06/2005, reproduzidos com pequenas alterações pela portarias subseqüentes, e os artigos 9º, 11 e 12 da Portaria RFB nº 11.371/2007, atualmente em vigor, a seguir transcritos, in verbis: Portaria RFB nº 4.328/2005 Dos prazos Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas forem necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo XIV. Portaria RFB nº 11.371/2007 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. (...) Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Do acima transcrito, inferese que a prorrogação do prazo do MPF pode ser realizada tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias para o caso de fiscalizações. A prorrogação deverá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação está disponível na Internet e pode ser consultada pelo sujeito passivo. Verificase do extrato de consulta do MPF na internet, trazido pela própria impugnante (fls. 374/375), que esse foi prorrogado até 03/09/2008. Portanto, a ciência do auto de infração, em 31/07/2008, foi realizada dentro do prazo determinado pela Administração para o feito, não havendo que se falar em excesso de prazo para a conclusão do procedimento. Ainda mais, como já tive oportunidade de afirmar por inúmeras vezes, tal como dispõe o artigo 59 do Decreto, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou praticados com preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Há induvidosa restrição normativa em relação ao universo dos acontecimentos atingidos pela nulidade. De fato, logo a seguir essa restrição é confirmada pela recomendação de que as demais irregularidades, incorreções e omissões sejam sanadas. Decreto 70.235/72 “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002156/200801 Acórdão n.º 3302003.139 S3C3T2 Fl. 6 9 Importante destacar, também, que a fase litigiosa do procedimento, como ninguém desconhece, iniciase com a impugnação ao auto de infração, nos termos do Decreto 70.235/72. “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. Haverão de ser menos prováveis as falhas acontecidas ainda no curso da formalização da exigência que tragam prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Uma vez que o auto de infração seja impugnado, terá, aí sim, início a fase litigiosa do procedimento, ocasião em que serão contestadas e debatidas as acusações contidas no processo, evento que é, justamente, o elemento garantidor do direito que a parte tem de defenderse das acusações que lhe são dirigidas. Feita essa necessária ressalva quanto a possível impertinência da discussão em sentido amplo, passo ao exame focado especificamente no Mandado de Procedimento Fiscal. A origem do Mandado remonta à Portaria 1.265, de 22 de novembro de 1999. Como se depreende do texto normativo, o Mandado estava inserido em um conjunto de regras que tinham o propósito de consolidar critérios de planejamento e normas para execução do procedimento fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal. A Portaria tinha o seguinte enunciado. “Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste desiderato, estabeleceuse que os procedimentos fiscais seriam instaurados mediante ordem específica. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) (...) Como se vê, tratase, portanto, de uma medida inserida dentro de programa de implementação de uma nova metodologia para o planejamento e controle da atividade fiscal, jamais pensado como instrumento de garantia ao direito de ampla defesa. É fato que a instituição do MPF pretendeu atribuir moralidade ao exercício da atividade fiscal e maior segurança nas relações fiscocontribuinte, mas daí até afirmarse que aspectos relacionados aos poderes nele outorgados possam acarretar preterição do direito de defesa há uma distância abissal. Noutro giro, temse que a competência para constituir o crédito tributário decorre de determinação expressa na Lei 5.172/66, o Código Tributário Nacional, que, como se sabe, tem status de Lei Complementar. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, Fl. 827DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Lei nº. 10.593/2002, com alterações posteriores, disciplina atualmente a investidura no cargo e especifica as competências dentro da Carreira1. A inevitável conclusão a que se chega é a de que não há no Mandado de Procedimento Fiscal nada que lhe atribua a conseqüência pretendida, nem por preterição ao direito de defesa, nem por falta de competência do agente responsável pelo procedimento. Também deve ser rejeitado o pedido de realização de diligência para que seja oficiado Ministério de Mineria e Hidrocarburos, da Bolívia, para confirmar a veracidade das Resoluções Ministeriais nºs 227/2004 e 017/2005, emitidas pelo Governo da boliviando, que autorizariam a exportação de NAFTA ao preço de US$ 180,00 o metro cúbico, que em litros/quilos corresponde a US$ 0,18. Existem inúmeras formas de comprovação das acusações veiculadas pela Fiscalização Federal no procedimento de exigência do crédito tributário. Isso significa que não há razão para que se prestigie determinado meio de prova, se existem outros caminhos menos onerosos e mais céleres para obtenção dos esclarecimentos que se fazem necessários. No caso concreto, tal como consta no corpo do Voto que converteu o julgamento em diligência, as explicações que se fizeram necessárias foram solicitadas ao Fisco, sendo absolutamente despiciendo buscar esclarecimentos com o Governo Boliviano, quando possível obtêlos com base nos elementos de prova já carreados aos autos. Superadas as preliminares, passo ao mérito. Conforme descrito no Voto da Resolução nº 3102000.221, para as importações objeto do presente litígio, em todos os casos a Fiscalização Aduaneira identificou uma mesma conduta suspeita. O valor da transação, declarado quase sempre em US$ 0,20 o litro/US$ 0,28 o quilo – Free On Board, era bem inferior ao valor da mercadoria na condição de venda VMCV, identificado na adição a US$ 0,40 o litro ou 0,57 o quilo – Incoterm CPT Carriage Paid To. 1 “Art.” 3o O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindo se curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. “Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil”. Art. 5o Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. “Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil”: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (grifos meus). b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; Fl. 828DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002156/200801 Acórdão n.º 3302003.139 S3C3T2 Fl. 7 11 A Fiscalização explicou a razão por que os valores foram assim informados nas Declarações de Importação. 1) O frete internacional, terrestre, declarado na DI 04/05543322 pago entre Santa Cruz e a fronteira do Brasil foi de U$ 1.500,00. A distância compreendida entre Santa Cruz e Corumbá, é de aproximadamente de 600 km, ou seja, uma média de U$ 2,50 por km rodado. Esse frete faz parte do valor aduaneiro da mercadoria e incide sobre esse valor todos os tributos de importação, assim como o ICMS. 2) O frete informado na DI como Frete Interno, ou seja , frete referente a fronteira do Brasil, Corumbá até domicílio do importador, Piracicaba – SP, que corresponde à uma distancia de 1.280 Km, conforme mapa (folha 247) foi de US$ 100.000,00, ou seja, US 78,00 POR KM RODADO. Esse frete é deduzido do valor aduaneiro, por se tratar teoricamente de uma despesa nacional. Considerando o valor absurdamente elevado do frete interno, correspondendo teoricamente a 100% do valor da mercadoria, é claramente um subterfúgio tosco, da parte do importador, para sonegação dos tributos PIS, Cofins e ICMS. Vale informar que os valores informados na ficha Deduções, da adição, no SISCOMEX, são redutores da base de cálculo do II, IPI, Pis, Cofins e ICMS, já que não compõem o valor aduaneiro (as despesas pagas no Brasil não são incluídas na base de cálculos dos impostos no registro da DI), neste caso por se tratar teoricamente de uma despesa dentro da território nacional. E, de fato, como já se disse, o Anexo I das Notas Interpretativas ao Acordo de Valoração Aduaneira, assim especifica. 3. O valor aduaneiro não incluirá os seguintes encargos ou custos, desde que estes sejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) encargos relativos à construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica, executados após a importação, relacionados com as mercadorias importadas, tais como instalações, máquinas ou equipamentos industriais; (b) o custo de transporte após a importação; (grifos meus) (c) direitos aduaneiros e impostos incidentes no país de importação. Uma vez que a Informação Fiscal tenha esclarecido em definitivo que, no caso das importações objeto do presente processo, não houve interposição fraudulenta, pesam sobre a autuada dois fatos a evidenciar a ocorrência infração de que é acusada, qual seja, a de subfaturamento do preço praticado nas operações. O primeiro diz respeito ao seus antecedentes. Como afirmado na Resolução nº 3102000.221, o relato contido no Auto de Infração dá conta de uma operação realizada com base na fatura 04/038 e triangulação entre as empresas Petróleos Del Sur, PetroOil Trading Company, das Ilhas Virgens e a autuada, envolvendo a venda de solvente B (nafta) pelo valor médio de US$ 0,43/kg, mas declarada na importação ao valor médio de US$ 0,25 kg. Relata também a existência de correspondências eletrônicas trocadas com a Petroex, acertando os termos em que o negócio seria realizado e, Fl. 829DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 12 por fim, confirmação de preços obtida na Declaração de Exportação Argentina registrada no SISCOMEX MERCOSUL. Como também se disse, não se pode perder de vista a finalidade para qual tais mercadorias foram importadas. A Fiscalização informa que o produto se enquadra na definição de SOLVENTE, nos termos do Art. 10 da Portaria ANP n° 274 de 01/11/2001, com marcação obrigatória e que não foi encontrada comprovação da compra de marcadores. O segundo referese ao valor declarado nas operações objeto do presente litígio, segundo a Fiscalização Federal muito abaixo das cotações informadas nas bolsas internacionais de comercialização de comoditys. Ainda mais, o Auto de Infração aponta irregularidade no valor de frete interno, incompatível com as práticas habituais de mercado e, mesmo, em valor próximo ao valor FOB da mercadoria. Foi com base nessas fortes evidências, em contraste com determinadas informações presentes nos autos, que revelavam certas inconsistências, que o julgamento foi convertido em diligência. Rememorando, apontouse que, entre outras imprecisões que, segundo Descrição dos Fatos, as importações revistas pela Fiscalização no procedimento em exame foram processadas no período de 03/10/2003 a 21/06/2004 folha 61. Contudo, ao demonstrar que o preço dos comoditys esteve na faixa de a 0,43 US$/kg, o relatório fiscal apresenta informação sobre o preço praticado nos dias 16/08/2004 e 14/10/2004, e, ainda mais, para Argentina folha 402. Também que, para comprovação destes preços, foi apresentada uma lista do período entre 03/02/2004 e 30/06/2004, ao longo do qual os valores oscilaram entre máximos e mínimos de 0,38 US$/Kg e 0,28 US$/Kg, problema que repetiase nas tabelas seguintes, às folhas 44 e 46, retratando importações de nafta realizadas por empresas brasileiras, nas quais encontrase apenas um embarque dentro do período em exame e ao preço de 0,30 US$/Kg, esse mais próximo dos 0,25 US$/Kg declarados do que dos 0,41 US$/Kg identificados em outro procedimento fiscal como sendo o efetivamente praticado na operação. A Informação Fiscal carreada aos autos busca esclarecer as lacunas acima descritas. Reproduzo alguns dos apontamentos feitos pela Autoridade Atuante. Sem alternativas [referindose ao fato de a Fiscalizada não atender às intimações do Fisco], a ação fiscal foi continuada, com o cotejo dos documentos apresentados, informações e documentos obtidos através dos sistemas administrados pela SRFB, sistema informatizado de intercâmbio de dados entre as Aduanas do Mercosul, cotações do PLATT'S www.platts.comPLATT S EUROPEAN MARKETSCAN) e do NYMEXWTI (www.nymex.comsite da Bolsa de Mercadorias de Nova York), buscas na internet através de sites livres, pesquisas diversas referentes aos trabalhos da CPI dos combustíveis, atuação da "Máfia dos Combustíveis" e outros sites de consulta livre. (...) No curso da fiscalização, foram identificadas 19 (dezenove) Declarações de Importação, tendo com importador a BRASPONTEX e adquirente a FERCHIMIKA, 2 Segundo as cotações do PLATTS (www. platts . com PLATT'S EUROPEAN MARKETSCAN) , bem como do NYMEXWTI (www. nymex . com site da Bolsa de Mercadorias de Nova York) , em 16 de agosto de 2004, na Argentina, o preço da nafta estava cotado a US$ 303,150/m3 (FOB) ou US$ 0,43 o kg, e citando outra cotação: em 14 de outubro de 2004 o preço foi cotado a US$ 340,515/m3 (FOR) ou US$ 0,48 o kg conforme pode ser visto na tabela abaixo. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002156/200801 Acórdão n.º 3302003.139 S3C3T2 Fl. 8 13 sendo 13 (treze) DI tendo como exportador a PETROEX, onde 11 (onze) Declarações de Importação, registradas no período de 03/10/2003 à 21/06/2004, foram declarados os valores unitários das mercadorias, de US 0,40 por litro (quarenta centavos de dólar americano) que corresponde à US 0,57 por quilo, valor esse, bem próximo dos valores da cotação internacional apresentada pela fiscalização. Ocorre que, em TODAS essas onze Declarações de Importação, foi também declarado um frete interno, no valor de aproximadamente a 50% (cinquenta por cento), do valor total das mercadorias. Lembrando, sempre que, esse frete é redutor da base de cálculo, ou seja, valor supostamente pago pelas mercadorias, cai para aproximadamente US 0,20 (vinte centavos de dólar americano) por litro – nas demais Declarações de Importação, somando 08 (oito), NÃO foi declarado frete interno, e o valor unitário por litro de mercadoria importada, foi declarado em US 0,20 (vinte centavos de dólar americano), valores estes subfaturados. (...) Como já demonstramos anteriormente, esse frete interno, onde no inconterm CPT, deveria ter sido pago pelo exportador e descontado no valor aduaneiro, nunca existiu, e foi efetivamente pago pela BRASPOMTEX, conforme Conhecimentos de Transportes Rodoviários, anexados ao processo pela autuada em sua impugnação. Ficou comprovado que o valor da operação sempre foi o da totalidade declarado nos Despachos de Importação,sem considerar o frete interno, ou seja, de US 0,57 por quilo, valor esse utilizado no arbitramento do preço, pela fiscalização. Como citamos anteriormente, a NAFTA, por ser um commodity é negociada no mercado internacional com base em cotações diárias, tendo seus preços variando constantemente. Anexamos ao processo a planilha de cotação PLATT'S, diária, do período de 2003 à 2004 (folhas 795 à 804),onde é relevante informar que a PLATT’S EUROPEAN MARKETSCAN divulga os índices internacionais de preço da nafta, sendo sua metodologia para referência aceita internacionalmente para levantamento e fixação. A análise dos preços declarados nas DI´s de Nafta da BRASPONTEX apontou fortes indícios de fraude no tocante ao valor. A planilha anexada, com os preços praticados no mercado internacional, demonstra que os preços de Nafta, nos outros períodos de 2004, não diferem dos preços informados no processo com base na data de 16/08/2004, ou seja, de US 303,15 m3 ou US 0,43 kg, como citamos abaixo: Em 28/05/2004, o preço negociado (PLATT'S) foi de US 258,735 m3 ou US 0,36 por kg; Em 14/05/2004, o preço negociado (PLATT'S) foi de US 271,073 m3 ou US 0,38 por kg. A BRASPONTEX vem declarando nas suas importações de Nafta o valor que varia entre US$0,21 à US$0,28 por Kg. Contudo, outras empresas brasileiras importaram o mesmo produto, no período próximo, e do mesmo país de origem, em uma faixa de preço que varia de US$ 0,40 à US$0,46 por Kg ou de US$290,00 à US$320,00 por m3 (todos valores FOB), conforme pode ser verificado no sistema informatizado da SRF . Quanto a incorreção da referência da folha 575 informamos e corrigimos: Segundo me parece, os esclarecimentos prestados e retificações procedidas na Informação Fiscal que responde aos questionamentos apresentados na Resolução que converteu o julgamento em diligência são mais do que suficientes para demonstrar a efetiva Fl. 831DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 14 prática de subfaturamento do preço praticado nas importações objeto do processo e sanear as incorreções verificadas. Conforme aclarado pela AuditorFiscal responsável pelo procedimento, o valor de US$ 0,57 por quilo informado nas declarações de importação é um valor próximo aos valores da cotação internacional do produto encontrados nos sites especializados, fato comprovado, dentre outros, por meio das planilhas de cotação PLATT'S, diária, do período de 2003 à 2004, às folhas 795 à 804. Contudo, em onze Declarações de Importação o importador informou um frete interno no valor equivalente a, aproximadamente, 50% do valor total das mercadorias. Sendo esse redutor da base de cálculo, esta restou reduzida a ínfimos US$ 0,20 (vinte centavos de dólar americano) por litro. E mais, nas demais Declarações de Importação (em número de 08), nas quais não foi declarado frete interno, o valor unitário por litro de mercadoria importada foi declarado em US 0,20 (vinte centavos de dólar americano), exatamente o mesmo valor obtido por meio do subterfúgio utilizado nas demais. Houvesse qualquer dúvida a respeito dos fatos descritos pelo Fisco, e ela seria definitivamente fulminada à luz dos Conhecimentos de Transportes Rodoviários anexados ao processo pela própria autuada em sua impugnação, que demonstram que esse exorbitante frete interno, que, conforme inconterm CPT informado nas DIs, deveria ter sido pago pelo exportador e descontado no valor aduaneiro, nunca existiu e foi efetivamente pago pela Recorrente. E há ainda a demonstração, com base nas informações extraídas dos Sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, de que a empresa vem declarando nas suas importações de Nafta o valor que varia entre US$0,21 à US$0,28 por Kg, enquanto outras empresas brasileiras importaram o mesmo produto, no período próximo, e do mesmo país de origem, em uma faixa de preço que varia de US$ 0,40 à US$0,46 por Kg ou de US$290,00 à US$320,00 por m3. Em respeito ao inalienável direito ao contraditório e à ampla defesa, concedeuse prazo de trinta dias para que a Recorrente contraditasse as contundentes acusação que lhe são feitas, ocasião em que poderia esclarecer os fatos apurados pelo Fisco, demonstrando eventuais equívocos ou improcedência nos dados apurados e informações prestadas. A empresa ou seus representantes legais, contudo, preferiram não se manifestar. Até pela falta de uma contestação ao que foi informado pelo Fisco, VOTO por rejeitar as preliminares arguídas, negar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 832DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.002156/200801 Acórdão n.º 3302003.139 S3C3T2 Fl. 9 15 Fl. 833DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 27/05/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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