Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.724200/2009-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
O artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicar-se-á o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35-A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da Lei 9430/96.
Recurso Especial Provido
Numero da decisão: 9202-003.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. O artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicar-se-á o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35-A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da Lei 9430/96. Recurso Especial Provido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10980.724200/2009-65
anomes_publicacao_s : 201604
conteudo_id_s : 5580688
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.719
nome_arquivo_s : Decisao_10980724200200965.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10980724200200965_5580688.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes - Relatora EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6345751
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423076200448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1999; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 8 1 7 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.724200/200965 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.719 – 2ª Turma Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria CP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TRANSPORTADORA CANCELA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. O artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da Lei 9430/96. Recurso Especial Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 42 00 /2 00 9- 65 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial referese a pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional, face ao Acórdão 2402004.056, proferido pela 2º Turma Ordinária/2ª Seção de Julgamento/CARF. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: “Tratase de crédito lançado referente à contribuição previdenciária de ônus dos segurados empregados e contribuintes individuais incidente sobre a remuneração que lhes fora paga e não declarada em GFIP. Nos termos do relatório fiscal, os valores das bases de cálculo foram extraídos das Folhas de Pagamento confrontados com aqueles constantes nas GFIPs entregues antes do início da ação fiscal (fls. 42/59). Ainda de acordo com o REFISC, houve comparação das multas aplicadas (fls. 60/62) concluindo que, com exceção das competências de 13/2005, 13/2006 e 13/2007, a multa mais benéfica foi aquela prevista na legislação anterior às alterações trazidas pela MP 449/08. Houve, ainda, aplicação de multa de ofício nas competências de 13/2005, 13/2006 e 13/2007, agravada nos termos do inciso II, § 2°, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, por ter a empresa deixado de apresentar os arquivos digitais solicitados. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 130/139, que restou improcedente sob os seguintes fundamentos: 1) Quanto à ilegalidade da cobrança dos juros SELIC, não cabe a autoridade administrativa verificar a ilegalidade dos juros aplicados, vez que pautado em legislação vigente; 2) Quanto ao valor das multas aplicadas, todas foram fundamentadas em dispositivos de lei vigentes, com aplicação da retroatividade benigna. Ademais, a majoração da multa de ofício nas competências de 13/2005, 13/2006 e 13/2007 foi devida, uma vez que verificada condição do art. 44, I e §2°, II, da Lei n° 9.430/96; Fl. 289DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724200/200965 Acórdão n.º 9202003.719 CSRFT2 Fl. 9 3 3) Sobre a análise de legalidade ou constitucionalidade do dispositivo vigente, não cabe à autoridade administrativa, sendo esta prerrogativa de competência restrita do judiciário. Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 170/179, no qual alegou, em síntese que: 1) O inconformismo da Recorrente se limita aos acréscimos legais (juros e multas) aplicados sobre o valor original do débito, vez que fixados em valores exorbitantes; 2) A taxa SELIC não foi instituída por lei mas sim por ato normativo de terceiro nível, sendo ilegal sua aplicação na forma de juros; 3) As multas aplicadas possuem caráter confiscatório e devem ser reduzidas. Ao final, requereu a procedência do recurso para afastar a penalidade imputada e, alternativamente, fossem aplicados juros simples e reduzida a penalidade de 112,50% para 30%.” Em análise do Recurso Voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF deu parcial provimento à insurgência do Recorrido para afastar a penalidade do § 2° do art. 44 da Lei 9.430/96 aos fatos geradores ocorridos antes de 01/01/1997, e, com relação aos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, ser aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%. Irresignada, a União (Fazenda Nacional) apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, arguindo que o Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, no que tange ao instituto da retroatividade benigna em relação à aplicação da multa, requerendo a aplicação dos arts. 35A a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Apresentadas contrarrazões, vieram os autos conclusos após exames de admissibilidade. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo administrativo fiscal Auto de Infração – AI – DEBCAD 37.257.2579, referente à contribuição previdenciária de ônus dos segurados empregados e contribuintes individuais incidente sobre a remuneração que lhes fora paga e não Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 declarada em GFIP, apuradas no período de 01/2005 a 12/2007, incluídos os respectivos 13º salário. O acórdão recorrido entendeu por afastar a penalidade do § 2° do art. 44 da Lei 9.430/96 aos fatos geradores ocorridos antes de 01/01/1997, e, com relação aos fatos geradores corridos antes da vigência da MP 449/2008, ser aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, vigente à época, limitada a 75%. Na decisão recorrida, foi determinado o recálculo da multa, a fim de que fosse aplicado retroativamente o art. 32A da Lei 8.212/91, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, caso seja mais benéfico ao contribuinte, tendo sido afastada a aplicação do art. 35A da Lei 8.212/91, também introduzido pela MP 449/2008. O caso em tela trata da aplicação da multa no Direito Tributário no transcurso do tempo, pugnando assim pela análise dos artigos que se aplicam ao tema em todas as suas redações legais. Para isso, segue abaixo o quadro sinótico, que demonstra um panorama da evolução legislativa que se aplica ao tema: MULTA PELO NÃO PAGAMENTO LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação Lei 9876/99 redação original – recolhimento em atraso lançamento de ofício alterada MP 449/2008 convertida Lei 11.941/2009 Art. 35 Multa 60% (máximo) Art. 35 Multa 50% Art. 35 Manda aplicar o art. 61 (débitos lançados mas recolhimento em atraso) Insere Art. 35A Manda aplicar art. 44 (lançamento de ofício) Art. 61 Lei 9430/96 Multa 20% a 75% Art. 44 Lei 9430/96 Multa 75% MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA LEI 8212/91 LEI 8212/91 LEI 8212/91 redação original redação Lei 9528/97 alterada MP 449/2008 Art. 32 sem Multa Art. 32, §5º Multa 100% Insere Art. 32A Multa 20% (limitada a) Deixo de transcrever aqui a redação original dos artigos legais utilizados no acórdão recorrido, uma vez que esta redação não estava vigente na época da constituição do crédito tributário. Ela consta no quadro sinótico apenas para contextualização dos percentuais de multa instituídos pelo legislador no transcurso do tempo. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, correspondem ao período em discussão nestes autos, vejamos seu texto: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724200/200965 Acórdão n.º 9202003.719 CSRFT2 Fl. 10 5 §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Em casos como este a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem firmando posicionamento de que ambos os artigos 32 e 35, Lei 8212/91 tem conteúdo material análogo, e que, portanto a aplicação de ambos, embora possível na interpretação literal, seria vedada na interpretação sistemática da doutrina do Direito Tributário. Isso por que se ambos os artigos prevêem penalidade para conduta materialmente análoga estaria configurado “ bis in idem”. Nesse sentido, excerto do voto da relatora Maria Helena Cotta: Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e de NFLD, não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. A norma transcrita anteriormente se encontra em sua redação vigente na data da constituição do crédito e de seu auto de infração, caso seguíssemos somente o princípio “tempus regit actum” esta seria a melhor aplicação da lei ao caso concreto (subsunção do fato a norma), contudo, o direito tributário abarca o instituto da Retroatividade Benigna, previsto no art. 106, CTN que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desse modo, respeitando o instituto da retroatividade benigna temos que observar se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, Em 2008 foi aprovada a Medida Provisória n. 449/2008, que insere o artigo 35 – A e 32 A ao texto legal, cuja redação no tocante aos artigos aqui discutidos permaneceu inalterada quando da sua conversão na Lei nº 11.941, de 2009. Assim os artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, uniformizaram os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, nos seguintes termos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) _______________________________________________________ Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) _______________________________________________________ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10980.724200/200965 Acórdão n.º 9202003.719 CSRFT2 Fl. 11 7 Desse modo, é possível afirmar que o artigo 35, da Lei 8212/91 na redação dada pela Lei 11.941/09 acima citada determina que nos casos em que se trate de tributo constituído (lançado e recolhido em atraso) aplicarseá o artigo 61 da Lei 9430/96. Enquanto que o artigo 35A esclarece que, nos casos de tributos cujo lançamento ocorreu de ofício, deve ser aplicado o comando legal do art. 44 da mesma Lei 9430/96. O caso em apreço não discute débitos de tributos lançados e não pagos, mas sim de lançamento de ofício realizado pela Receita Federal, desse modo o artigo 61 da Lei 9430/96, não guarda aplicabilidade com o presente processo, importando tão somente nesse caso o artigo 44 da já citada Lei 9430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Assim cito novamente decisão esclarecedora desta Câmara, no processo Nº 10935.006908/200714, que explicita a forma de interpretação e aplicação destes comandos legais ao longo do tempo: “ Resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.” Observese que, quando o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 dispõe expressamente “nos casos do lançamento de ofício” e inciso I utiliza a expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” percebese, claramente, que está embutido no mesmo artigo o lançamento de ofício e a falta de declaração. Diante do exposto, é necessária a reforma do acórdão recorrido, pois embora este tenha decidido no sentido de aplicar ao contribuinte a norma mais benéfica, esta não pode ser escolhida aleatoriamente, ela precisa ser aplicada dentro uma interpretação coerente do ordenamento jurídico no qual esta inserida. O que se consegue através da aplicação do artigo 44, inciso I da Lei 9.430/1996. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Desse modo dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 295DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721897/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
INOVAÇÃO NA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.
A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal.
Novas acusações trazidas somente na decisão de primeira instância, é motivo de nulidade na parte inovada, devido ao cerceamento de defesa.
ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL.
Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal.
MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE A SORTE DA PRINCIPAL. LEI 13.097/2015. EXCLUSIVAMENTE DA MULTA DE 75%. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir a mesma sorte o Auto de Infração da Obrigação Acessória. Desta forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa nos autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento.
A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN.
Com base nas alterações legislativas não mais cabe, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; (b) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, (c) no que tange aos Auto de Infração DEBCAD 51.014.012-2 e DEBCAD 51.014.013-0, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior entendiam ser o caso de vício material, e (d) no que diz respeito à multa do Auto de Infração Debcad 51.014.011-4, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário; acompanharem pelas conclusões os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INOVAÇÃO NA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal. Novas acusações trazidas somente na decisão de primeira instância, é motivo de nulidade na parte inovada, devido ao cerceamento de defesa. ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL. Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal. MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE A SORTE DA PRINCIPAL. LEI 13.097/2015. EXCLUSIVAMENTE DA MULTA DE 75%. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir a mesma sorte o Auto de Infração da Obrigação Acessória. Desta forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa nos autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento. A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Com base nas alterações legislativas não mais cabe, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.721897/2012-89
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5614920
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.707
nome_arquivo_s : Decisao_19515721897201289.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 19515721897201289_5614920.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; (b) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, (c) no que tange aos Auto de Infração DEBCAD 51.014.012-2 e DEBCAD 51.014.013-0, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior entendiam ser o caso de vício material, e (d) no que diz respeito à multa do Auto de Infração Debcad 51.014.011-4, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário; acompanharem pelas conclusões os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
id : 6454861
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423098220544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2397; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 935 1 934 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721897/201289 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2301004.707 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS IMUNIDADE Recorrentes SPDM ASSOCIACAO PAULISTA PARA O DESENVOLVIMENTO DA MEDICINA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INOVAÇÃO NA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal. Novas acusações trazidas somente na decisão de primeira instância, é motivo de nulidade na parte inovada, devido ao cerceamento de defesa. ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL. Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal. MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGUE A SORTE DA PRINCIPAL. LEI 13.097/2015. EXCLUSIVAMENTE DA MULTA DE 75%. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir a mesma sorte o Auto de Infração da Obrigação Acessória. Desta forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa nos autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento. A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 97 /2 01 2- 89 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Com base nas alterações legislativas não mais cabe, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; (b) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, (c) no que tange aos Auto de Infração DEBCAD 51.014.012 2 e DEBCAD 51.014.0130, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior entendiam ser o caso de vício material, e (d) no que diz respeito à multa do Auto de Infração Debcad 51.014.0114, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário; acompanharem pelas conclusões os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo e João Bellini Júnior. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira. Relatório Tratase de processo constituído por três Autos de Infração (AI), lavrados pela Fiscalização contra o contribuinte acima referida, relativos a contribuições sociais devidas no período de 01/01/2009 a 31/12/2009: * DEBCAD nº 51.014.0122 AIOP onde foram apurados valores referentes a contribuições devidas à Seguridade Social: parte da empresa e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), previstas no art. 22, incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes Fl. 936DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 936 3 individuais .O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 359.657.665,62 (trezentos e cinquenta e nove milhões seiscentos e cinqüenta e sete mil seiscentos e sessenta e cinco reais e sessenta e dois centavos), consolidado em 23/10/2012 * DEBCAD nº 51.014.0130 AIOP onde foram apurados valores referentes às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE)., incidentes sobre a remuneração paga aos empregados O crédito corresponde ao montante, incluindo juros e multa, de R$ 91.820.053,60 (noventa e um milhões oitocentos e vinte mil cinqüenta e três reais e sessenta centavos), consolidado em 23/10/2012. * DEBCAD nº 51.014.0114 –AIOA onde foi aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no Art.32, inciso IV, e § 5º, da Lei 8.212/91, redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009 (informações incorretas ou omissão nas GFIP). A multa aplicada corresponde ao montante de R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais) em 23/10/2012. No Relatório Fiscal (fls. 130/133) é informado que a autuada se considerada isenta das contribuições patronais apesar da sua isenção ter sido cancelada em 11/08/2006, por meio do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias nº 21.404/001/2006, emitido pela então Delegacia da Receita Previdenciária – São Paulo Sul, no Processo nº 35464.003247/200617, que se encontra com recurso pendente de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Segundo a autoridade fiscal, como a entidade não tem direito à isenção e não efetuou os recolhimentos das contribuições devidas, referentes à quota patronal e terceiros e, tampouco, declarou os valores devidos nas GFIP apresentadas, foi efetuado o lançamento ora em análise. Tendo o sujeito passivo se enquadrado, indevidamente, como entidade isenta, informando nas GFIP o código FPAS 639, deixou de informar como devidas as contribuições previdenciárias, o que configura, em tese, a conduta típica prevista no inciso III, do art. 337A, do Decreto Lei nº 2.848/40, razão pela qual foi emitida Representação Fiscal Para Fins Penais – Processo nº 19515.722269/201211, apensado ao presente processo. Cientificada do lançamento em 24/10/2012, conforme AR de fls. 140, a autuada interpôs tempestivamente, em 23/11/2012, as Impugnações de fls. 145/163, 228/253 e 320/344, onde após fazer um breve relato dos fatos e sustentar a tempestividade das mesmas, alega em síntese que: é clara a previsão legal contida no art. 83 da Lei nº 9.7430896, com a nova redação conferida pela Lei nº 12.350/10, impossibilitando o envio de representação fiscal para fins penais à autoridade competente antes do trânsito em julgado administrativo; é entidade sem fins lucrativos e beneficente de assistência social, voltada ao atendimento médico da população carente, sem objetivo de lucro, atendendo a todos os requisitos legais para fazer jus à imunidade tributária estampada no art. 195, parágrafo 7º da CF, especialmente em relação às contribuições previdenciárias, não havendo que se falar em falta ou ausência de seu recolhimento o lançamento está fundamentado na perda da isenção em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias nº 21.404/001/2006, de 11/08/2006, contra o qual interpôs recurso voluntário ao CARF e posteriormente Embargos de Declaração, Fl. 937DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 com efeito suspensivo, diante da inexistência de qualquer pendência fiscal, eis que o débitos que justificaram o cancelamento foram devidamente parcelados, o que descaracteriza qualquer hipótese ensejadora do cancelamento da referida isenção; o benefício fiscal previsto no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal tem natureza jurídica de imunidade e não de isenção, de modo que não há que se falar em cancelamento de isenção e, conseqüentemente, em atuação fiscal pelo não recolhimento de contribuições da empresa; de acordo com o art. 146, inciso II, da Constituição Federal, cabe exclusivamente à lei complementar regulamentar matéria relativa à imunidade tributária, razão pela qual, no caso em questão, o art. 14 do CTN, sendo vedada a imposição de quaisquer outros requisitos veiculados em leis ordinárias, medidas provisórias ou decretos, inclusive o art. 55 da lei 8.212/91; mesmo que as restrições impostas pelo art. 55 da Lei 8.212/91 fossem consideradas aceitáveis, ainda assim o cancelamento de isenção processado seria inválido, tendo em vista que, na data da lavratura do ato cancelatório, os supostos inadimplementos invocados pela fiscalização e estampados nas NFLD nº 35.566.5956, 35.230.8532, 35.230.8540 e 36.020.2900, encontravamse em discussão administrativa com a exigibilidade suspensa e, posteriormente, por força da MP 303, de 29/06/2006 e do Decreto nº 6.187/2007, os débitos correspondentes foram regularizados por meio de celebração de parcelamento, que vem sendo criteriosamente cumprido pela impugnante; o Ato Cancelatório de Isenção foi atacado por meio de Embargos de Declaração de acordo proferido em recurso voluntário, oposto tempestivamente, recebido com efeito suspensivo, não havendo que se falar em recolhimento das contribuições ao INSS, tampouco em indicação em GFIP de dados ou códigos identificadores de empresas que não estejam albergadas pela isenção, e, até mesmo, de atuações fiscais pelo não recolhimento das contribuições até então inexigíveis; como os efeitos do ato cancelatório estão suspensos em virtude do Embargos de Declaração, a impugnante utilizou, acertadamente, o código FPAS 639 nas GFIP das competências 01/2009 a 13/2009, razão pela qual não tem cabimento a aplicação de qualquer penalidade, seja multa de ofício ou de mora; mesmo prevalecendo as autuações e a incidência dos juros de mora, deverá ser afastada a aplicação da taxa SELIC, em conformidade com recente decisão do STJ; mesmo que o ato cancelatório seja mantido pelo CARF, os débitos que causaram o cancelamento estão circunscritos aos períodos constantes das NFLD nº 35.566.595 6, 35.230.8532, 35.230.8540 e 36.020.2900, que foram regularizados em 2006 pela formalização e homologação de parcelamento, que vem sendo quitado tempestivamente pela impugnante, não tendo fundamento legal persistirem os efeitos do ato cancelatório ilimitadamente, atingindo os exercícios seguintes à regularização, de modo que deve ser aplicado o previsto no art. 229, parágrafo 1º, inciso V e parágrafo 2º, da Instrução Normativa da RFB nº 1071/2010, que regulamentou a Lei nº 12.101/09. A recorrente solicita que sejam acolhidas as impugnações e decretadas as improcedências dos autos de infrações e a conseqüente não aplicação das multas de ofício e de mora, ou a relevação dos juros de mora a ela impostos. Após a análise dos autos foi constatado que as informações prestadas pela Fiscalização no Relatório Fiscal não foram suficientes para esclarecer o órgão julgador de todos os fatos que ensejaram a lavratura do lançamento. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 937 5 Assim, conforme Despacho nº 06 da 14º Turma – DRJ/SPO, de 21/05/2013 (fls.420/426), os autos foram devolvidos à Fiscalização para que fosse elaborado novo Relatório Fiscal, onde fossem apontados quais requisitos legais, cujo cumprimento é essencial ao gozo da isenção, que foram descumpridos pela autuada no período fiscalizado. Após a realização de diligência a Fiscalização elaborou Novo Relatório Fiscal (fls. 611/613), onde esclarece quais os requisitos legais descumpridos pela autuada que ensejaram a lavratura dos Autos de Infração. Abaixo, transcrição das conclusões do Relatório: [...] 3. Análise e conclusões 3.1 Art. 28 da MP 466/2008, para o período de 01/01/2009 a 12/02/2009: [...] 3.1.1. Concluímos através do exame dos documentos apresentados, que referente a este artigo em pauta e no período especificado, não foi identificado requisito descumprido pela autuada, sendo que o lançamento foi efetuado no intuito de prevenir a decadência. [...] Art. 55 da Lei 8 212/91, para o período de 13/02/2009 a 29/11/2009: [...] 3.2.1. Verificamos que a autuada deixou de atender apenas ao § 6o, haja vista estarem registrados débitos na época da fiscalização, conforme telas abaixo do sistema informatizado extraídas em 29/08/2012 sendo que o lançamento foi efetuado no intuito de prevenir a decadência. 3.3 Art. 29 da Lei 12.101/2009, para o período de 30/11/2009 a 31/12/2009: [...] Fl. 939DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 3.3.1. Concluímos através do exame dos documentos apresentados, que referente a este artigo em pauta e no período especificado, não foi identificado requisito descumprido pela autuada, sendo que o lançamento foi efetuado no intuito de prevenir a decadência Devidamente notificada em 26/02/2014 (fls. 615), a Impugnante manifestou, em 24/03/2014 (fls. 619/633) onde após sustentar a tempestividade das suas contrarrazões e narrar os fatos atinentes à diligência fiscal, alega em síntese que: o novo relatório fiscal emitido, a Fiscalização acabou por apontar o suposto descumprimento do requisito estampado no parágrafo 6º do artigo 55 da Lei 8.212/91, pelo fato de estarem registrados em seu nome débito na época dos fatos geradores, sem, observar, entretanto, que todos os débitos apontados já se encontravam com a exigibilidade suspensa na época da fiscalização; conforme se depreende da leitura dos art. 55, parágrafo 6º, da Lei 8.212/91 e do art. 195, parágrafo 3º, da Constituição Federal, para o gozo da isenção previdenciária, o contribuinte deve fazer prova da sua regularidade fiscal, especialmente em relação às contribuições previdenciárias,devendo ser enfatizado de tal prova poderá consistir na apresentação de Certidão Negativa de Débitos Fiscais (CND) ou de Certidão Positivo com Efeitos de Negativa (CPEN), neste caso, quando os débitos eventualmente apontados se encontram com a exigibilidade suspensa por garantia, discussão administrativa ou judicial com liminar deferida ou por parcelamento, conforme dispõem os arts. 151, 205 e 206 do CTN; o mero apontamento de débitos em nome do contribuinte, como fez a Fiscalização, não é suficiente para se afirmar que a mesmo descumpriu o disposto no parágrafo 6º, do artigo 55 da Lei 8.212/91, sendo necessária a análise das exigibilidades à época da apreciação da isenção; essa é a menus legis adotada pelo legislador ao editar o já revogado art. 55, parágrafo 6º da Lei 8.212/91 contemplando a possibilidade de se conceder a isenção fiscal às entidades beneficentes de assistência social que comprovem a regularidade fiscal por meio de certidões emitidas pela Administração Fiscal competente, e atualmente explicitada pela nova legislação que rege a matéria, conforme dispõem o art. 28 da MP 446/208 e o art. 29 da Lei 12.101/2009; diante do alcance do parágrafo 6º do art. 55 da Lei 8.212/91, verificase que as conclusões apresentadas pelo Auditor Fiscal, em razão da diligência solicitada, não poderão ser consideradas isoladamente, sendo imprescindível destacar que todos os requisitos dispostos no referido dispositivo legal foram cumpridos, no período de 01/01/2008 a 31/12/2009; na manifestação fiscal a autoridade fiscal afirma que a impugnante cumpriu todos os requisitos previstos para a concessão de isenção fiscal previstos na MP 446/2008 e na Lei 12.101/2009, ressaltando que, quanto à Lei 8.212/91, teria deixado de cumprir apenas o disposto no parágrafo 6º do art. 55, haja vista o registro de débitos na época da ação fiscal; entretanto, o Auditor Fiscal deixou de consignar que todos os débitos apontados se encontravam, na época da fiscalização, com a exigibilidade suspensa, seja pelo parcelamento, seja por discussão administrativa, a saber: a) os débitos referentes aos DEBCAD’s 35.230.8532 e 35.230.8540 foram incluídos em parcelamento, firmado em 27/09/2007 – Decreto nº 6.187/07, em cumprimento (exigibilidade suspensa); Fl. 940DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 938 7 b) os débitos referentes aos DEBCAD’s 37.239.7131, 37.239.7255, 37.239.7263 e 37.239.7271, aguardam julgamento de Recurso ordinário pelo CARF (exigibilidade suspensa). desta forma, teve expedidas em seu favor certidões de regularidade fiscal de tributos federais e contribuições sociais durante o período de 01/01/2009 a 31/12/2009, conforme documentos anexados aos autos, restando comprovado o requisito previsto no parágrafo 6º do art. 55 da Lei 8.212/91. Ao final, aduz que merece reparo as conclusões apresentadas pelo Sr. Auditor Fiscal, eis que se mostram equivocadas ao afirmarem que a associação impugnante deixou de atender o requisito previsto no § 6º do art. 55 da Lei 8.212/91, pois todos os débitos apontados se encontram com a exigibilidade suspensa, sendo de rigor o reconhecimento da isenção das contribuições previstas nos artigos 22 e 23 da Lei 8.212/91. Sobreveio decisão de Primeira Instância, dando parcial procedência das impugnações, mantendo em parte os créditos exigidos nos AI DEBCAD’s nº 51.014.0122, 51.014.0130 e 51.014.0114, restando assim ementada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE MORA. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial SELIC, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora equivalentes à taxa SELIC. INTIMAÇÃO NA PESSOA DO PATRONO. Não é permitido que intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante sejam encaminhadas a endereço diverso do domicílio fiscal do Contribuinte conforme art. 10, I a IV e §§ 1º a 4º do Decreto 7.574/2011. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A Representação Fiscal para Fins Penais é ato administrativo vinculado e deve ser realizada quando verificada, em tese, uma das situações ensejadoras, legalmente previstas, cabendo ao Ministério Público a análise da ocorrência ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI ORDINÁRIA. A lei complementar só é exigível quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada Fl. 941DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 matéria. Os requisitos para o gozo da “isenção” prevista no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos, conforme o período, no art. 55 da Lei 8.212/9, no art. 28 da MP 446/2008 ou no art. 29 da Lei 12.101/2010. Inaplicabilidade do art. 14 do CTN. Somente estaria isenta da quota patronal na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91 a empresa que requeresse e obtivesse o correspondente Ato Declaratório de Isenção. No período de 10 de novembro de 2008 a 12 de fevereiro de 2009, a entidade devidamente certificada, faz jus à isenção a contar da data de sua certificação, desde que atendidos, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 28 da Medida Provisória nº 446, de 7 de novembro de 2008, sem a necessidade de Ato Declaratório de Isenção. O mesmo ocorre para o período a partir de 30/11/2009, com a entrada em vigor da Lei 12.101/2009, onde os requisitos para o gozo da isenção estão previstos no seu art. 29. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. RETIFICAÇÃO. Cabe a retificação do crédito lançado referente ao período em que a empresa fez/faz jus à isenção da cota patronal, de acordo com a superveniente legislação de regência. RECURSO. EFEITO SUSPENSIVO. O recurso interposto perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) contra o Ato Cancelatório de Isenção suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não afasta a legitimidade do lançamento tributário, realizado de forma a prevenir a decadência. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. Tendo a empresa remunerado segurados empregados e contribuintes individuais com verbas integrantes do saláriode contribuição previdenciário, tornase obrigada ao recolhimento das contribuições patronais incidentes sobre tais valores, conforme determina o art. 22, I, II e III, da Lei 8.212/91. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CFL 78. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 939 9 Pratica infração, por descumprimento de obrigação acessória, a empresa que apresentar GFIP com incorreções ou omissões, conforme dispõe o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, introduzido pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A ciência do Acórdão nº 1663.765 14ª Turma da DRJ/SPO ocorreu em 06/02/15, conforme fl. 738. Sobreveio recurso voluntário em 06/03/2015 (fls. 739/760), acompanhado de documentos (fls. 761/776) comprovantes de parcelamento dos débitos que ensejaram a perda do benefício fiscal. Em suas razões, além de ratificar pontos da impugnação e contrarrazões, alegou: que pende de julgamento o recurso administrativo interposto pela recorrente em face da decisão que cancelou a isenção às contribuições previdenciárias, motivo pelo qual estas se encontram com exigibilidade suspensa; que os efeitos do cancelamento da isenção somente podem perdurar enquanto não foram sanadas as alegadas condições ensejadoras de sua expedição, conforme determina a Lei nº 12.101/09 e IN nº 1071/10; que a fiscalização, por um equívoco, entendeu que o contribuinte deixou de cumprir o disposto no § 6º do art. 55, da lei 8.212/91 eis que mantinha lançamentos fiscais contra si; que na verdade todos os lançamentos se encontravam com exigibilidade suspensa à época dos fatos e da realização da fiscalização; que comprovou a satisfação de todos os requisitos legais previstos para o gozo da isenção; que a representação fiscal para fins penais não encontra respaldo legal, por consistir em afronta ao disposto no art. 83, da lei nº 9.430/96, com redação conferida pela Lei nº 12.350/10. que não há plausibilidade na fundamentação lançada no acórdão recorrido pela manutenção dos lançamentos fiscais em face de descumprimento do §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, pois a contribuinte é e sempre foi detentora do Ato Declaratório de Isenção, que até á égide da Lei nº 12.101/09 manteve seus efeitos incólumes; que conforme verificado pela fiscalização, a recorrente atende a todos os requisitos impostos pela novel legislação, devendo retroagir para manter a "isenção" tributária concedida à recorrente, uma vez que confere tratamento mais benéfico ao contribuinte, bem como se trata de ato administrativo que ainda pende de julgamento, à luz do art. 106, II a" do CTN; Fl. 943DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 que não há que se falar em inexistência de Ato declaratório de isenção às contribuições previdenciárias valido à ora Recorrente, a comprar a satisfação do quanto disposto no § 1º do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, e diante da satisfação dos demais requisitos previstos no referido dispositivo legal pela ora recorrente, é de rigor a reforma do acórdão prolata na parte em que manteve as autuações combatidas. que as multas não poderão prevalecer, pois a exigibilidade das contribuições previdenciárias lançadas se encontravam suspensas em virtude do processo em tramite acerca do Ato Cancelatório de Isenção; que o recurso voluntário interposto no processo do Ato Cancelatório de Isenção tem efeito suspensivo e que utilizou acertadamente o código FPAS 639 em vez do FPAS 515. postulou a inaplicabilidade da taxa SELIC A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso interposto pela contribuinte (fls. 779/789), sustentando, em apertada síntese: Discorre sobre os requisitos para fruição da isenção, aduzindo que na época da autuação, não existia qualquer ato administrativo que abrigasse a suposta imunidade da recorrente; que durante a vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91 a concessão da imunidade (isenção) não era automática, ou seja, dependia de requerimento da interessada. Entende não caber a aplicabilidade retroativa da Lei 12.101/09 apoiada no art. 106, II "a" do CTN, por não se encaixar em nenhuma das hipóteses contidas nos incisos. De igual forma, entende não aplicável o art. 144, CTN, tampouco o § 1º do art. 144, CTN. Ao fim, postulando que lhe fosse negado provimento, mantendose a decisão recorrida. Em 10/05/2016 (fls. 793/806) a recorrente apresentou memoriais, juntou documentos (fls.807/853), a saber: paradigmas, comprovantes parcelamento do débito, certidões positivas com efeitos de negativas, certificado CEBAS da recorrente. Entende a recorrente que os memoriais se prestam a expor acerca da nova legislação que rege a matéria e por sua vez expõe: que o Ato Cancelatório de Isenção é de 11/08/2006 com efeitos retroagindo até 01/07/1998; que a lavratura do Auto de Infração ocorreu para prevenir a decadência; que na época dos lançamentos ainda não definitivamente julgados, A DRJ, em razão da lei nº 12.101/09, determinou realização de diligência Fiscal para que a fiscalização verificasse os fatos que demonstrariam o não atendimento dos requisitos para isenção, sob o crivo das novas normas legais, uma vez que a autuação foi realizada somente em decorrência da existência de Ato Cancelatório de Isenção. que restou reconhecido que a recorrente preenchia todos os requisitos previstos pela MP 446/2008, excluindo as competências de 01 a 12/02/2009 e também os requisitos do artigo 29, da lei nº 12.101/2009 para o período de 30/11/2009 a 31/12/2009 e 13º salário de 2009. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 940 11 que os lançamentos realizados para o período de vigência do art. 55, da Lei nº 8.212/91 (13/02 a 29.12.2009) foram mantidos por suposta violação ao § 1º do art. 55 e não mais pela § 6º do mesmo dispositivo. que a lavratura do Auto de Infração observou lei anterior, a qual foi revogada (Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/91) e isso acarreta em erro de procedimento vicio formal; que de acordo com o atual art. 32 da Lei 12.101/09, à época da lançamento, a recorrente preenchia todos os requisitos legais vigentes à época dos fatos geradores. que para créditos constituídos após edição da Lei nº 12.101/09 deve ser observado aquele rito formal, em consonância com o §1º do art. 144, CTN; que houve erro de procedimento ao lavrar o AI uma vez que a autoridade lançadora, mesmo sob a égide da Lei 12.101/09, adotou procedimento de legislação ultrapassada. que há época do lançamento, o § 6º, do art. 55, da Lei 8.212/91 já estava revogado e que a matéria em questão era regida pela Lei 12.101/09, especialmente o art. 31 que já era detentora do CEBAS, atendendo o disposto no art. 31, da Lei nº 12.101/09. que a multa de mora não poderá prevalecer pois a exigibilidade das contribuições previdenciárias se encontravam suspensas em virtude de pendência de decisão administrativa nos autos do processo em que se discutia o Ato Cancelatório de Isenção; que houve cerceamento de defesa quando alterada a capitulação do dispositivo infringido. Alega que nem nos autos de infração, nem a diligência fiscal realizada no curso do procedimento, indicaram que a autuada teria infringido, supostamente, o art. 55 § 1º, pela falta de Ato Declaratório de Isenção, para o exercício de 2009; que em razão da retroatividade benigna, desde a edição da Medida Provisória 446/2008 e o advento da Lei 12.101/09, dispensase o requerimento de reconhecimento de isenção; sobre a multa, invoca a Lei nº 13.097/15, art. 49, que anistiou as multas aplicadas com base no art. 32A, da Lei 8.212/91; Requer seja decretada nulidade da decisão recorrida e no mérito requer cancelamento dos lançamentos. Em 16/05/2016, a recorrente novamente apresenta manifestação com síntese dos fatos de fls. 851/869. Junta os documentos de fls. 870/933, os quais são acórdãos paradigmas, comprovantes parcelamento do débito, certidões positivas com efeitos de negativas, certificado CEBAS da recorrente. É o relatório. Voto Fl. 945DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Conselheira Relatora Alice Grecchi Os recursos preenchem os pressupostos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo serem conhecidos. Do Recurso de ofício A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela recorrente, excluindo os lançamentos efetuados para os períodos que entendeu que a autuada detinha a benesse da isenção, abaixo excetos dos fundamentos: [...] 5.17. Dessa forma, como o lançamento corresponde ao período de 01/01/2009 a 31/12/2009, no presente caso, temos três atos legais a disciplinar a matéria – requisitos para o gozo isenção da cota patronal , com vigência para períodos distintos, quais sejam, o art. 28 da MP 446/2008, para o período de 01/01/2009 a 12/02/2009; o art. 55 da Lei 8.212/91, para o período de 13/02/2009 a 29/11/2009 e, ainda, o art. 29 da Lei nº 12.101/2009, para o período de 30/11/2009 a 31/12/2009, devendo ser enfatizado que o lançamento, quanto ao aspecto material, reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos do art. 144 do CTN Código Tributário Nacional que dispõe: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (...) 5.18. Por outro lado, considerando que o lançamento foi efetuado em 23/10/2012, o procedimento que deve ser utilizado pela autoridade fiscal, no que diz respeito aos aspectos processuais, é aquele estipulado pela Lei nº 12.101, de 27/11/2009, tendo em vista que a regra no sistema processual brasileiro é a aplicação geral da norma genuinamente processual: tempus regit actum. 5.19. Assim, no que diz respeito aos aspectos processuais do lançamento a autoridade fiscal efetuou o procedimento previsto no art. 32 da Lei nº 12.101/2009, que dispõe: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 941 13 § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. (...) 5.20. O mesmo procedimento está previsto no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, e outros processos, dispõe: CAPÍTULO III DOS PROCESSOS DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE E DA ISENÇÃO (...) Art. 125. No caso da isenção das contribuições sociais previstas nos arts. 22 e 23 da Lei no 8.212, de 1991, constatado o descumprimento, pela entidade beneficiária, dos requisitos impostos pela legislação de regência, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção (Lei no 12.101, de 27 de novembro de 2009, arts. 29 e 32). [..] 5.55. Por sua vez, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento, ao se manifestar, no novo Relatório Fiscal (fls. 611/613), em relação ao período de 01/01/2009 a 12/02/2009, transcreve o art. 28 da MP 466/2008, com todos os seus incisos (no item 3.1) e conclui, no item 3.1.1, da seguinte forma: “3.2.1. Concluímos através do exame dos documentos apresentados, que referente a este período em pauta e no período especificado, não foi identificado requisito descumprido pela autuada, sendo que o lançamento foi efetuado no intuito de prevenir a decadência “ 5.56. Assim, no referido período, conforme foi constatado pela Fiscalização, a autuada encontravase certificada pela autoridade competente e cumpria todos os requisitos previsto o art. 28 da MP 446/2008, logo tinha direito à isenção prevista no art. 195, § 7º da CF, não havendo necessidade da isenção ser requerida, podendo a mesma ser exercida na forma do art. 30 da MP 446/2008 c/c art. 241, II, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. [...] 5.58. Assim, concluise que, no período de vigência da MP 446/2008, 01/01/2009 a 12/02/2009, a autuada tinha direito à isenção prevista no art. 195,§ 7º, da CF, de modo que os Autos de Infrações DEBCAD’s 51.014.0122 e 51.014.0130 devem ser retificados, excluindose a competência 01/2009, no seu valor Fl. 947DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 total e, parcialmente, a competência 02/2009, correspondente aos dias em que faz jus à isenção, ou seja. a 12/30 avos, do valor lançado, conforme abaixo demonstrado AIOP DEBCAD 51.014.0122 Referente à Contribuição Previdenciária Patronal (RECEITA CÓDIGO 2141) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 01/2009 11.550.739,77 11.550.739,77 0,00 02/2009 11.219.154,97 4.487.661,99 6.731.492,98 AIOP DEBCAD 51.014.0122 Referente à Contribuição GIRALT (RECEITA CÓDIGO 2158) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 01/2009 1.094.016,30 1.094.016,30 0,00 02/2009 1.065.459,25 426.183,70 639.275,55 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente ao Salário Educação (RECEITA CÓDIGO 2164) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 01/2009 1.367.520,40 1.367.520,40 0,00 02/2009 1.331.824,07 532.729,63. 799.094,44 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente Contribuição ao INCRA (RECEITA CÓDIGO 2249) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 01/2009 109.401,61 109.401,61 0,00 02/2009 106.545,92 42.618,37 63.927,55 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente à Contribuição ao SENAC (RECEITA CÓDIGO 2346) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 01/2009 547.008,16 547.008,16 0,00 02/2009 532.729,62 213.091,85 319.637,77 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente à Contribuição ao SESC (ÓDIGO 2352) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 01/2009 820.512,23 820.512,23 0,00 02/2009 799.094,42 319.637,68 479.456,74 Fl. 948DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 942 15 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente à Contribuição ao SEBRAE (RECEITA CÓDIGO 2369) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 01/2009 328.204,94 328.204,94 0,00 02/2009 319.637,80 127.855,12 191.782,68 [...] 5.63. Por sua vez, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento, no item 3.3.1 do novo Relatório Fiscal (fls. 611/613), manifestouse no sentido de que, no período de 30/11/2009 a 31/12/2009, com base nos documentos apresentados não foi identificado nenhum requisito previsto no art. 29 da Lei nº 12.101/2009 que tenha sido descumprido pela autuada e acrescenta que o lançamento foi efetuado no intuito de prevenir a decadência. Assim, também no referido período, a autuada encontravase certificada pela autoridade competente e cumpria todos os requisitos previstos no art. 29 da Lei 12.101/2009, logo tinha direito à isenção prevista no art. 195, § 7º da CF, não havendo necessidade da isenção ser requerida, podendo a mesma ser exercida na forma do art. 31 da Lei 12.101/2009. [...] 5.65.. Assim, no período a partir da vigência da Lei 12.101/2009, ou seja, de 30/11/2009 a 31/12/2009, a autuada tinha direito à isenção prevista no art. 195,§7º, da CF, de modo que o lançamento deve ser retificado, com a exclusão parcial, correspondente a 01/30 avos, na competência 11/2009 e exclusão total nas competências 12/2009 e 13/2009, conforme segue abaixo demonstrado: AIOP DEBCAD 51.014.0122 Referente à Contribuição Previdenciária Patronal (RECEITA CÓDIGO 2141) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 11/2009 13.370.454,46 445.681,81 12.924.772,64 12/2009 13.478.013,59 13.478.013,59 0,00 13/2009 10.393.098,37 10.393.098,37 0,00 AIOP DEBCAD 51.014.0122 Referente à Contribuição GIRALT (RECEITA CÓDIGO 2158) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 11/2009 1.290.323,52 43.010,78 1.247.312,74 12/2009 1.306.234,46 1.306.234,46 0,00 13/2009 1.039.309,82 1.039.309,82 0,00 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente ao Salário Educação (RECEITA CÓDIGO 2164) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 11/2009 1.612.904,41 53.763,48 1.559.140,93 12/2009 1.632.793,08 1.632.793,08 0,00 13/2009 1.299.137,28 1.299.137,28 0,00 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente Contribuição ao INCRA (RECEITA CÓDIGO 2249) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 11/2009 129.032,37 4.301,08 124.731,29 12/2009 130.623,43 130.623,43 0,00 13/2009 103.931,00 103.931,00 0,00 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente à Contribuição ao SENAC (RECEITA CÓDIGO 2346) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 11/2009 645.161,79 21.505,39 623.656,40 12/2009 653.117,25 653.117,25 0,00 13/2009 519.654,92 519.654,92 0,00 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente à Contribuição ao SESC (ÓDIGO 2352 COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 11/2009 967.742,61 32.258,09 935.484,52 12/2009 979.675,85 979.675,85 0,00 13/2009 779.482,39 775.482,39 0,00 AIOP DEBCAD 51.014.0130 Referente à Contribuição ao SEBRAE (RECEITA CÓDIGO 2369) COMP CP PATRONAL VALOR LANÇADO CP PATRONAL VALOR EXCLUÍDO CP PATRONAL VALOR MANTIDO 11/2009 387.097,05 12.903,23 374.193,82 12/2009 391.870,34 391.870,34 0,00 13/2009 311.792,94 311.792,94 0,00 Pelos fundamentos e razões expostas na Decisão a quo nego provimento ao recurso de ofício. Do Recurso Voluntário Com a finalidade de se amoldar à nova legislação, a Lei nº 12.101/09, que ditou novas regras procedimentais, a Turma de Primeira instância, como já mencionado no relatório, antes do julgamento, determinou diligência para que fosse elaborado Novo Relatório Fiscal. O despacho da diligência abaixo será transcrito (fls. 420/426). Do Despacho [...] Fl. 950DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 943 17 4. Conforme consta nos autos, a empresa autuada entende que tem direito à isenção prevista no art. 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, pois atende todos os requisitos legais para tanto, razão pela qual entregou as suas GFIP com o código FPAS 639 (entidades isentas) e somente efetuou os recolhimentos dos valores referentes à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, descontados da remuneração paga aos mesmos, sendo, portanto indevidas as contribuições previstas no art, 22 incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, além daquelas devidas a terceiras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB nos termos do art. 3º da lei 11.457/2007. 4.1. Por sua vez, a Fiscalização da RFB, conforme consta no relatório fiscal ( fls. 130/133) informa que a empresa teve a sua isenção cancelada em 11/08/2006, por meio do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias nº 21.404/001/2006, emitido pela então Delegacia da receita Previdenciária – São Paulo Sul, no Processo nº 35464.00324/200617, que se encontra com recurso (Embargos de Declaração, com efeito suspensivo) pendente de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais., razão pela qual lavrou os autos de infração, ora em análise, apurando o crédito correspondente às contribuições devidas pela empresa (quota patronal) incidentes sobre as remunerações pagas no período de 01/01/2009 a 31/12/2009 e não recolhidas pelo contribuinte. Assim, o processo de cancelamento de isenção, na data do lançamento, não se encontrava definitivamente julgado. 4.2. Portanto, tratase de lançamento de crédito previdenciário contra contribuinte que se diz beneficiado pela isenção prevista no art. 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, matéria esta que sofreu alterações, tanto de ordem procedimental quanto material, com a edição da MP nº 446/2008 e da Lei 12.101/2009. 4.3. A Lei n° 8.212, de 1991, atendendo ao comando constitucional (art.195, Parágrafo 7º, da CF), estipulou no seu artigo 55 os requisitos necessários para a obtenção da isenção de contribuições previdenciárias, possibilitando que a norma constitucional produzisse seus efeitos. Referido dispositivo legal foi revogado pela Medida Provisória nº 446, editada em 07/11/2008, que não foi apreciada pela Câmara dos Deputados no prazo previsto pela Constituição Federal, tendo vigência no período de 10/11/2008 a 12/02/2009, de modo que a partir de 13/02/2009, retornou ao campo jurídico o mesmo dispositivo legal (art. 55 da Lei 8.212/91) a disciplinar a isenção prevista no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal. Tal situação perdurou até a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, publicada em 30/11/2009, quando, mais uma vez foi revogado o art. 55 da Lei nº 8.212/1991. 4.4. Dessa forma, como o lançamento corresponde ao período de 01/01/2009 a 31/12/2009, no presente caso, temos três atos legais a disciplinar a matéria – requisitos para o gozo isenção da cota patronal , com vigência para períodos distintos, quais sejam, o art. 28 da MP 446/2008, o art. 55 da Lei 8.212/91 e, Fl. 951DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 ainda, o art. 29 da Lei nº 12.101/2009, devendo ser enfatizado que o lançamento, quanto ao aspecto material, reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos do art. 144 do CTN Código Tributário Nacional. 4.5. Quanto ao aspecto processual, a Lei nº 12.101/2009 extinguiu o procedimento previsto na Lei 8.212/91 (Ato Cancelatório de Isenção) e estabeleceu novas regras de ordem procedimental, quanto ao lançamento de crédito previdenciário contra contribuinte que se diz beneficiado pela isenção prevista no art. 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal. Lei nº 12.101/2009 (...) Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. (...) 4.6. Deve ser salientado que referido procedimento também está previsto no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, e outros processos. DECRETO 7.574/2011 CAPÍTULO III DOS PROCESSOS DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE E DA ISENÇÃO (...) Art. 125. No caso da isenção das contribuições sociais previstas nos arts. 22 e 23 da Lei no 8.212, de 1991, constatado o descumprimento, pela entidade beneficiária, dos requisitos impostos pela legislação de regência, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção (Lei no 12.101, de 27 de novembro de 2009, arts. 29 e 32). Fl. 952DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 944 19 4.7. Por outro lado, o Decreto nº 7.237/2010, que regulamenta a Lei nº 12.101/2009, determina que os processos de cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso, no âmbito do Ministério da Fazenda, deverão ser encaminhados à unidade competente da Receita Federal do Brasil para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador, na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101/09 Decreto nº 7.237/2010 Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. (...) 4.8. Ou seja, no caso em questão, o processo de cancelamento de isenção ainda não se encontra definitivamente julgado, conforme a própria autoridade fiscal informa no Relatório Fiscal (fls. 133/136) – tendo em vista que o Ato Cancelatório de Isenção emitido no Processo nº 35464.00324/200617, encontrase com seus efeitos suspensos em virtude dos Embargos de Declaração, recebidos com efeito suspensivo pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que estão aguardando julgamento. Para esta situação, o Decreto nº 7.237/2010 determina, expressamente, que o procedimento a ser adotado é aquele previsto no12.101/09 art. 32 da Lei 12.101/2009, qual seja: constatado o descumprimento pela entidade beneficiária, dos requisitos impostos pela legislação de regência, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. 4.9. Deve ser salientado que a ação fiscal que culminou com o presente lançamento teve início em 24/07/2012, com a ciência pelo contribuinte do TIPF, de modo que o rito a ser seguido já era o previsto na Lei 12.101/2009 e nos Decretos nº 7.327/2010 e nº 7574/2011. 4.10 .Entretanto, compulsando os autos, constatase, de pronto, que em nenhum momento a Fiscalização informa e demonstra quais seriam os requisitos legais para o gozo da isenção descumpridos pela autuada., no período do lançamento (01/01/2009 a 31/12/2009), limitandose a informa no Relatório Fiscal, no item 2.1, que: “A empresa informou mensalmente, por intermédio de GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, que é um documento Fl. 953DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 de informação, declaração e confissão de dívida, previsto pela legislação federal, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações, o período de 01/2008 a 12/2009, e 13º salário de 2009, com o código do FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social, que identifica a categoria econômica do Contribuinte sob nº 639, indicado para Entidade Filantrópica (Lei nº 3.577/59 e Decreto Leinº 1.572/77) e Entidade Beneficente de Assistência Social. Tal fato fez com que o sistema informatizado de cobrança da RFB não gerasse as contribuições sociais de responsabilidade da empresa, haja vista que a entidade se considera isenta das contribuições patronais, apesar de ter sua isenção cancelada em 11 de agosto de 2006 através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 21.404/001/2006 da então Delegacia da Recita previdenciária – S.Paulo –Sul, este ato está atualmente com recurso pendente de julgamento no CARF – com última movimentação em 17/01/2012 de embargos de declaração, com efeito suspensivo – Processo 35464.003247/200617. Portanto contou como valor devido à previdência Social nas GFIP(s entregue(s) com o código FPAS de nº 639, somente o total descontado dos segurados do qual foram deduzidos o salário família e o salário maternidade. Considerando que não houve a retificação das informações prestadas em GFIP até a presente data para o código de FPAS correto que é o 515 (Estabelecimentos de Serviços de Saúde), ficou caracterizada para o período fiscalizado, a falta de declaração e pagamento dos valores devidos.” 4.11. No presente caso, a falta de indicação e demonstração pela Fiscalização dos requisitos legais, para o gozo da isenção descumpridos pela autuada (os requisitos previstos no art. 28 da MP 466/2008, para o período de 01/01/2009 a 12/02/2009, os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91, para o período de 13/02/2009 a 29/11/2009 e os requisitos previstos no art. 29 da Lei 12.101/2009, para o período de 30/11/2009 a 31/12/2009), constitui não apenas cerceamento do direito de defesa do contribuinte, com também impossibilita a formação do convencimento dos julgadores, em todas as instâncias administrativas 4.12.. Assim, considerando o acima exposto e em observância ao inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, antes do julgamento são essenciais as seguintes providências por parte da Fiscalização, visando o saneamento do feito: A) Demonstrar nos autos (apontar, relatar, detalhar e comprovar) quais os requisitos legais, cujo cumprimento é essencial ao gozo da isenção, que foram descumpridos pela autuada, no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, observando a legislação da época dos fatos geradores (art. 28 da MP 466/2008 ou o art. 55 da Lei 8.212/91 ou, ainda, art. 29 da Lei 12.101/2009), com emissão de novo Relatório Fiscal. B) Finalizada a tarefa, deverão ser encaminhadas à autuada cópias dos documentos necessários à sua defesa (deste Fl. 954DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 945 21 Despacho, do novo Relatório Fiscal, de eventuais documentos, planilhas e anexos elaborados pela Fiscalização), com ciência de todo o processado, devendo ser concedido o prazo de 30 (trinta) dias para a autuada se manifestar e exercer o seu direito de defesa.. [...] O rito imposto pela Lei nº 12.101/09, determinada que a autoridade fiscal, ao realizar a lavratura de auto de lançamento, se atenha aos requisitos impostos para fruição da isenção na época do fato gerador. Isto é, deve o fiscal mencionar quais os dispositivos que foram infringidos e ensejaram a perda do benefício fiscal. Relativamente ao aspecto processual, a Lei nº 12.101/09, extinguiu o procedimento previsto na Lei nº 8.212/91 e estabeleceu novas regras de caráter procedimental que devem ser observadas quando do lançamento de crédito previdenciários contra contribuintes que entendem estarem amparados pela isenção. Essa nova orientação está prevista também no Decreto nº 7.574/2011, regulamentando o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União. De outra banda, o art. 50, da Lei nº 8.241/14, regulamenta que os processos que tratam de cancelamento de isenção, devem ser encaminhados à unidade competente da receita Federal do Brasil para verificação quanto ao atendimento dos requisitos da isenção, aplicandose a legislação vigente à época do fato gerador. Vale aqui destacar que no processo 35464.003247/200617, da mesma recorrente, que trata do cancelamento do Ato Declaratório de Isenção da recorrente, o I. Relator Lourenço Ferreira do Prado, editou Resolução 2402000.517, em 26.01.16, determinando retorno dos autos à unidade de origem para verificação do cumprimento dos requisitos legais, em observância à nova legislação que rege a matéria, do qual transcrevo excerto: Em se tratando de legislação que regula o trâmite de processos administrativos, deve ser aplicada imediatamente. Assim, conforme preconiza seja o art. 234 da IN 971/09, seja o art. 45 do Decreto 7.237/10 ou mesmo o art. 50 do Decreto 8.242/14, todos os processos que tratam do cancelamento de isenção e que não estejam definitivamente julgados, devem ser enviados para a unidade competente para verificação do cumprimento dos requisitos legais. Ora, e no caso dos autos, o que ensejou o anterior envio dos autos à unidade de origem, não foi a interposição dos Embargos de Declaração, como fez crer o fiscal que deixou de cumprir ordem expressa deste Eg. Conselho, mas sim a edição de nova legislação sobre o assunto, da qual não pode furtarse o julgador, considerando que o presente processo ainda não encontrase definitivamente julgado, pois, quando da vigência dos dispositivos de Lei e Instrução Normativa supra, ainda encontravase pendente a análise de recurso interpostos pelo contribuinte. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 Assim, ainda vigente disposição normativa que determina a necessidade da baixa dos autos, conforme já fora realizado por meio do Despacho n. 2402044, determino a devolução dos autos a unidade de origem, mesmo que tal procedimento enseje maior período no trâmite do presente processo, para o cumprimento das regras estabelecidas pelo Decreto 8.242/14.para observância daquilo o que disposto no art. 50 do Decreto 8.242/14. No caso em tela, verificase que a DRJ, procurou, efetivamente, observar a alteração da legislação quanto ao procedimento para apuração de créditos tributários, uma vez que foi determinada, como já mencionado, uma diligência requerendo a elaboração de novo Relatório Fiscal. Entretanto, a decisão recorrida indicou possível infração cometida pela autuada que não estava indicada nem no Auto de Infração, tampouco novo Relatório Fiscal (fls. 611/613). O não atendimento ao disposto no § 1º, do art. 55, da Lei nº 8.212/91 somente veio à tona quando da prolação da decisão "a quo". Retornando novo Relatório Fiscal (fls. 611/613), realizado com a finalidade de atender o que dispõe o art. 32 da Lei 12.101/09, quanto ao atendimento dos requisitos para isenção. Restou assim concluído. [...] 3. Análise e conclusões 3.1 Art. 28 da MP 466/2008, para o período de 01/01/2009 a 12/02/2009: [...] 3.1.1. Concluímos através do exame dos documentos apresentados, que referente a este artigo em pauta e no período especificado, não foi identificado requisito descumprido pela autuada, sendo que o lançamento foi efetuado no intuito de prevenir a decadência. [...] Art. 55 da Lei 8.212/91, para o período de 13/02/2009 a 29/11/2009: [...] 3.2.1. Verificamos que a autuada deixou de atender apenas ao § 6o, haja vista estarem registrados débitos na época da fiscalização, conforme telas abaixo do sistema informatizado extraídas em 29/08/2012 sendo que o lançamento foi efetuado no intuito de prevenir a decadência. 3.3 Art. 29 da Lei 12.101/2009, para o período de 30/11/2009 a 31/12/2009: [...] 3.3.1. Concluímos através do exame dos documentos apresentados, que referente a este artigo em pauta e no período especificado, não foi identificado requisito descumprido pela Fl. 956DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 946 23 autuada, sendo que o lançamento foi efetuado no intuito de prevenir a decadência A recorrente apresentou Contrarrazões ao Novo Relatório Fiscal e defendeu se quanto ao ponto que a fiscalização concluiu que a autuada não atendeu aos pressupostos usufruir da isenção, ou seja quanto ao § 6º da Lei 8.212/91. Novamente retornamos os autos à DRJ para julgamento do litígio, aquela Turma comprovou que o § 6º, do artigo 55, da Lei 8.212/9, efetivamente, havia sido atendido pela contribuinte, no entanto, segundo a Decisão ela deixou de cumprir o § 1º do mesmo diploma legal. Vejamos abaixo, excertos do voto. [...] 5.48. Desta forma, entendo que durante o período de 13/02/2009 a 29/11/2009, não houve, por parte da Impugnante, descumprimento do requisito previsto no parágrafo 6º do art. 55 da Lei 8.212/91, tendo em vista que os débitos apontados pela Fiscalização, no item no item 3.2.1. do Relatório Fiscal complementar (fls. 611/613), estavam com a exigibilidade suspensa, conforme consta na própria informação fiscal e nas Certidões juntadas aos autos pela Impugnante (fls. 680/688). 5.49. Entretanto, embora não tenha havido descumprimento, no período de 13/02/2009 a 19/11/2009, do requisito previsto no parágrafo 6º do art. 55 da Lei 8.212/91 (existência de débitos exigíveis), o crédito correspondente deve ser mantido, tendo em vista que houve o descumprimento do requisito previsto no parágrafo 1º do mesmo dispositivo legal, conforme foi demonstrado nos itens 5.36. a 5.42 deste voto. [...] A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões para manter a decisão recorrida e argumentou: [...] 26. De fato, a Lei nº 12.101/2009 dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social e regula, atualmente, os procedimentos de isenção das contribuições para a seguridade social. Além disso, revoga expressamente o art. 55 da Lei 8.212/91, que até então fixava os requisitos legais para a concessão da isenção pleiteada. 27. Ocorre que não se vislumbra nesse novo regramento qualquer das hipóteses previstas na legislação pátria capazes de ensejar a sua aplicação a fatos geradores pretéritos. [...] Neste sentido, o entendimento desta Relatora coaduna com o exposto pela PGFN no que tange à irretroatividade da Lei aos requisitos que devem ser atendidos na data do Fl. 957DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 fato gerador. No entanto, considerando que o lançamento foi efetuado em 23/10/2012, o procedimento que devia ser utilizado pela autoridade fiscal, no que diz respeito aos aspectos processuais, é aquele estipulado pela Lei nº 12.101, de 27/11/2009, tendo em vista que a regra no sistema processual brasileiro é a aplicação geral da norma genuinamente processual: tempus regit actum. Essa breve exposição do contexto fático serve para dizer que a tentativa da DRJ em suprimir as omissões dos Autos de Infração ao remeter o processo para unidade de origem para sanar defeitos procedimentais, caiu por terra quando proferida a decisão, uma vez que inovou ao julgar não atendido o disposto do § 1º do art. 55, da Lei nº 8.212/91, restando caracterizado o cerceamento de defesa. Segue essa linha de raciocínio, a decisão proferida no processo 15504.721586/201298, Acórdão 2402004.895, de 27.01.2016, Redator designado o Conselheiro Marcelo Oliveira, ementado como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS. INOVAÇÕES E AUSÊNCIAS NA DECISÃO. NULIDADE. A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal. A ausência de análise e a inovação nos fundamentos pela decisão de primeira instância acarreta o cerceamento de defesa e, segundo o que determina o Decreto 70.235/1972, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, houve a ausência de enfrentamento e a inovação de argumentos na decisão de primeira instância, motivo de nulidade da decisão, devido ao cerceamento de defesa. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. O requisito apontado pela fiscalização como não cumprido, foi o contido no § 6º, do art. 55, da Lei nº 8.212/91. Entretanto, quando prolata a decisão, restou comprovado que esse requisito estava preenchido, pois os débitos já se encontravam com exigibilidade suspensa. [...] entendo que durante o período de 13/02/2009 a 29/11/2009, não houve, por parte da Impugnante, descumprimento do requisito previsto no parágrafo 6º do art. 55 da Lei 8.212/91, tendo em vista que os débitos apontados pela Fiscalização, no item no item 3.2.1. do Relatório Fiscal complementar (fls. 611/613), estavam com a exigibilidade suspensa, conforme consta na própria informação fiscal e nas Certidões juntadas aos autos pela Impugnante[...] Não poderia a decisão "a quo" fazer inovação e atribuir à recorrente inobservância ao disposto no § 1º, do art. 55 da referida Lei, incorrendo em cerceamento de Fl. 958DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 947 25 defesa. A determinação de diligência à unidade de origem para que fosse demonstrado quais os dispositivos legais não foram atendidos ocorreu justamente para possibilitar o contraditório e ampla defesa, uma vez que o Auto de Lançamento foi lavrado tão somente com base no Ato Cancelatório de Isenção. No entanto, a diligência não supriu o vício formal no Auto de Infração, o que foi ratificado pela decisão "a quo" quando menciona descumprimento de requisito não constante do Relatório Fiscal e nem do Auto de Infração. O equívoco procedimental quando realizada a lavratura do Auto de Infração não foi suprido pelo Novo Relatório Fiscal, até porque este aponta requisito diverso da Decisão a quo, acarretando cerceamento de defesa, uma vez que parte dos créditos tributários lançados foram mantidos por não atendimento ao disposto no art. 55, § 1º, da Lei nº 8.212/91, sendo que esse requisito não foi mencionado no Auto de Infração, no Relatório Fiscal e tampouco no Novo Relatório Fiscal, caracterizando inovação por parte da Turma Julgadora de Primeira Instância. Portanto, tornase imperiosa a decretação de nulidade dos Autos de Infração DEBCAD nº 51.014.0122 e DEBCAD 51.014.0130, pois o novo Relatório Fiscal não apontou que a autuada não satisfazia o requisito imposto pelo art. 55, § 1º, da Lei nº 8.212/91. Resta claro que, nesse ponto, não houve observância ao disposto no art. 32, da Lei nº 12.101/09, posto que era dever da autoridade fiscal informar os dispositivos infringidos que deram causa à perda da isenção e culminaram com lavratura dos Autos de Infração. Assim, entendo que o lançamento, na parte mantida pela Decisão a quo merece ser anulado por ser tratar de equívoco quanto ao procedimento adotado pelo Fisco na sua atividade de formalização do Auto de Infração, considerando que houve vício formal. Da Multa Acessória Relativamente à penalidade imposta no Auto de Infração DEBCAD 51.014.0114, por ter a autuada informado incorretamente o código FPAS 639 em vez de FPAS 515, entendo que não merece prosperar, devendo também ser declarado nulo, por qualquer uma das três razões abaixo: À fl. 132 consta Relatório Fiscal da Multa Acessória Aplicada: 1. Capitulação da multa aplicada: Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso I e §§2º e 3º, incluídos pela MP n ] 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, respeitando o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", d Lei nº 5.172, de 25/10/1966 CTN. a) Entende essa Relatora que neste caso em concreto, o lançamento para aplicação por descumprimento de obrigação acessória relativa à GFIP deve ter o mesmo destino daquele lavrado para exigência das contribuições relativas aos mesmos fatos geradores. É que fora de dúvida se a obrigação principal não prospera não há de se exigir a multa por descumprimento de obrigação acessória. Dessa forma, em se tratando o presente lançamento de obrigação acessória, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa, tendo em vista a acessoriedade do lançamento efetuado. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 Nesse sentido, colaciono excertos das razões de decidir contidas no Acórdão 2402004.740, do processo 10805.722297/201206, de relatoria do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, julgado em 09.12.2015. [...] Esta lavratura referese apenas às competências 01 a 04/2008 e diz respeito à falta de declaração na GFIP das contribuições patronais sobre remuneração declarada, sobre a remuneração não declarada e sobre os pagamentos feitos a cooperativas de trabalho, estes não declarados. O entendimento prevalente no CARF é que o lançamento para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória relativa à GFIP deve ter o mesmo destino daquele lavrado para exigência das contribuições relativas aos mesmos fatos gerados. É que fora de dúvida se a obrigação principal não prospera não há de se exigir a multa por descumprimento da obrigação acessória. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições tem sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. [...] Não é outro entendimento esposado no julgamento do processo 16327.721796/201156, Acórdão 2401003.890, de 11.02.15, o qual transcreve partícula da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006 [...] OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. PREJUDICIALIDADE. JULGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Aplicandose a regra de decadência prevista no art. 150 §4º do CTN, estão decaídas as competências de março a maio de 2006. Em relação à competência remanescente, referente ao mês dezembro, excluo a multa aplicada diante da improcedência da autuação referente à obrigação principal.(grifos do original) Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido. No mesmo rumo, o já referido Acórdão 2402004.740, do processo 10805.722297/201206, de relatoria do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, julgado em 09.12.2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 [...] Fl. 960DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 948 27 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/04/2008 PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OB RIGAÇÃO PRINCIPAL NULIFICADA. NULIDADE DA OBRIGAÇÃO DE DECLARAR AS CONTRIBUI ÇÕES APURADAS Sendo declarada a nulidade do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração das contribuições na GFIP. (destaquei) [...] Não é diferente o entendimento de que a obrigação principal segue a acessória no âmbito do Poder Judiciário, vejamos: RECURSO ESPECIAL Nº 1.019.004 ES (2007/03084179) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FUNDACAO NOVO MILENIO ADVOGADO : JOSMAR DE SOUZA PAGOTTO E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DO ESPÍRITO SANTO PROCURADOR : RAFAEL INDUZZI DREWS E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. ICMS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. (LEASING ). NÃO INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO ICMS. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DO DOMÍNIO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO DO VALOR RESIDUAL GARANTIDO (VGR). NÃO DESCARACTERIZAÇÃO DO CONTRATO DE ARRENDAMENTO. SÚMULA 293 DO STJ. BOAFÉ NA CELEBRAÇÃO DE CONTRATO. ADMISSIBILIDADE. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULA N.º 284 DO STF. [...] 6. Deveras, permanecendo incólume a natureza da operação efetuada no caso sub judice como arrendamento mercantil, sujeita, portanto, à incidência do ISS, nos termos da Súmula n.º 138/STJ, não subsiste a multa imposta com fundamento em regulamento sobre o ICMS, consoante o princípio de que a obrigação acessória segue o destino da principal, restando ao erário a apenação a outro título, mercê de insindicável a afirmação da instância a quo de que houve infração fiscal (grifei) [...] Fl. 961DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 28 Dessa forma, em se tratando o presente Auto de Infração de obrigação acessória conexa a infração principal, outra conclusão não pode ser adotada, senão pela necessidade de que também seja julgado improcedente o lançamento da multa, tendo em vista sua acessoriedade. b) Todavia, ainda que não seja acolhido o entendimento desta Relatora quanto ao exposto acima, de que o acessório acompanha o principal, no caso em comento há regramento recente anistiando as infrações elencadas no art. 32A"caput", inciso II e §§ 2° e 3°, incluídos pela Lei 11.941/2009 Tratase da Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015. A nova legislação introduzida no ordenamento jurídico, em seu artigo 49, abaixo reproduzido, dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Sobre o assunto, há decisões nesse sentido. Abaixo, ementa colacionada referente ao Acórdão 2803004.218 3ª Turma Especial, de 12.03.2013, Redator Designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU COM OMISSÃO. LEI 13.097/2015. APLICAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso contrato, cominando a anistia ali prevista como remissão, extinguindo o crédito tributário da obrigação acessória, nos termos do art. 156, IV, do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Do acórdão supracitado, destaco excertos das razões de decidir contidas no voto vencedor. Desta feita, observase que a “anistia” trazida pela Lei 13.097/2015 atinge as infrações de não entrega de GFIP no prazo correto, desde que entregue no mês subsequente e a entrega de GFIP com incorreções ou omissões, não necessitando, neste segundo caso, qualquer entrega posterior, pois não há na lei em questão a exigência para a entrega com correções. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 949 29 Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devendo ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado Portanto, a multa aplicada no Auto de Infração Debcad 51.014.0114, que teve como fundamento a aplicação da multa prevista no art. 32A, "caput", inciso II e parágrafos 2º e 3º, da Lei n. 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se amolda à anistia prevista no art. 49 da Lei n º 13.097/2015. c) Após a vigência da multa de ofício prevista pela Lei 11.941/2009 admite se a imposição simultânea de multa de ofício e de multa acessória sobre o mesmo fato? Não haveria, na hipótese bis in idem? O bis in idem, conceitualmente, consiste na imposição de mais de uma punição pela prática de um mesmo fato por parte da pessoa punida. É vedada no sistema brasileiro, ainda que o fato afigurese enquadrável pelas normas prescritivas das duas punições. Diante disso, não há dúvida de que a hipótese dos autos, configura a ocorrência de bis in idem. A base fática para a imposição de ambas as multas é a mesma. Óbvio, no entanto, que ambas as infrações são resultado de um fato comum, que pode caracterizar, abstratamente, mais de uma infração, o que não descaracteriza o bis in idem. Cabe salientar, ainda, que além do bis in idem se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. Neste sentido cabe transcrever trecho do voto da Ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que no Acórdão 9202003.921 – 2ª Turma – Sessão de 13 de abril de 2016 que consignou “Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. ” Da Representação Fiscal para Fins Penais Sobre o tema, há entendimento sumulado neste Conselho. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Independentemente da súmula, mesmo assim, restaria prejudicada a análise quanto à Representação para Fins Penais pela desconstituição do crédito tributário que a embasa. Em conformidade com o art. 173, II, do CTN, ressalto que o Fisco deverá cientificar o sujeito passivo dessa decisão e tomar as providências constantes da regra retro Fl. 963DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 30 mencionada, que lhe concede prazo de 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o Auto de Infração, lavrar lançamento substitutivo, na parte que foi provido o recurso voluntário por vício formal, em relação ao período de 13/02/2009 a 29/11/2009, se for o caso, verificando quando e quais os requisitos que deixaram de ser atendidos, em cada período, que possam levar a Recorrente a deixar de fazer jus a Isenção (Imunidade), na forma da Lei: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: [...] II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO e DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para: a) declarar a nulidade dos Auto de Infração, DEBCAD nº 51.014.0122 e DEBCAD 51.014.0130, na parte mantida pela Decisão a quo, por vício formal. b) excluir a multa do Auto de Infração Debcad 51.014.0114, seja pela improcedência da autuação referente à obrigação principal, seja por força da anistia prevista no art. 49 da Lei n º 13.097/2015, ou seja pela impossibilidade de concomitância de multa de ofício e acessória sobre o mesmo fato prevalecendo exclusivamente a de 75%. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 964DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 950 31 Declaração de Voto É oportuno que sejam esclarecidos meus fundamentos para suscitar uma questão prejudicial ao exame de mérito do recurso voluntário, quando na sessão de julgamento fui vencido, conforme trecho a seguir transcrito: Acórdão 2301004.707 Informações Adicionais: Acordam os membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro Em pesquisa ao processo citado no relatório nº 35464.003247/200617, onde se discutem os fundamentos acerca do direito à imunidade de contribuições previdenciárias, constatei que em 10/06/2010 a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Seção havia julgado o recurso voluntário através do acórdão nº 240200.931, negandolhe provimento. O fundamento do cancelamento da imunidade é o mesmo adotado para o presente processo de lançamento tributário. Em julgamento dos embargos de declaração opostos, a turma entendeu que não sendo a decisão definitiva deveria, em cumprimento ao artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e ao artigo 234 da IN nº 971/2009, retornar o processo para que a origem o juntasse aos processos instaurados para a constituição dos créditos tributários. Um deles é o presente processo sob exame: Art. 234 (...) 2º Em caso de tramitação simultânea de processo de cancelamento de isenção e de lançamento constitutivo de crédito pendente de recurso, deverá aquele ser apensado a este e ambos retornarem à Fiscalização, para fins de aplicação, relativamente ao processo apensado, do disposto nos incisos I e II deste artigo. Como se vê, o acórdão nº 240200.931 foi proferido antes do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010; portanto, cumpriu o procedimento vigente à época. Assim, conforme artigo 6º, §6º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, existe conexão e prejudicialidade para que o presente processo de obrigação principal seja julgado por esta turma; sendo correto que todos sejam movimentados para a Segunda Turma da Quarta Câmara que além da prevenção por distribuição em momento anterior, lá se encontra o processo principal que, inclusive, já fora julgado no mérito: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados Fl. 965DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 32 em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. As disposições no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234 da IN nº 971/2009 têm por finalidade a reunião dos fundamentos a serem examinados para exame dos processos de lançamento da obrigação principal, já que fora extinto o procedimento anterior, onde antes era necessário um ato cancelatório. Com os processos apensos seria viável o exame do cumprimento ou não dos requisitos que estão consignados tanto no processo de ato cancelatório quanto os de lançamento tributário. Porém, uma vez entendendo a turma que não haveria vinculação ou conexão entre os processos, o presente processo teve que ser examinado apenas com os documentos que constavam em seus autos, daí resultando em vício formal, o que a meu ver seria superado com o cumprimento do disposto no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234 da IN nº 971/2009. Ressaltase que o mérito já havia sido julgado pela turma na qual tramita o processo de cancelamento da imunidade. Em síntese, independentemente do que se entenda quanto ao mérito, ou seja, quanto ao requisito que teria sido descumprido pelo recorrente, o atual procedimento não Fl. 966DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.721897/201289 Acórdão n.º 2301004.707 S2C3T1 Fl. 951 33 determinou que os processos de ato cancelatório de imunidade/isenção em tramitação sejam extintos, mas apenas que retornem à origem para que sejam juntados aos processos de lançamento tributário, o que propicia um maior conjunto probatório. E quanto ao RICARF, há norma expressa no sentido de que todos esses processos devem ser julgados pela turma onde tramita o processo principal ou à qual tenha sido distribuído o primeiro processo. Diante do exposto, declaro meu voto pela prejudicialidade e remessa do presente processo à Segunda Turma da Quarta Câmara. É como voto. Júlio César Vieira Gomes Fl. 967DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10314.009930/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 24/11/2004 a 15/03/2006
MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de mandado de segurança preventivo, antes do lançamento de ofício, que tenha o mesmo objeto de processo administrativo.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 24/11/2004 a 15/03/2006 MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de mandado de segurança preventivo, antes do lançamento de ofício, que tenha o mesmo objeto de processo administrativo. Recurso voluntário não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10314.009930/2009-95
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5595056
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.940
nome_arquivo_s : Decisao_10314009930200995.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 10314009930200995_5595056.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6399935
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423120240640
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-05-25T18:36:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-05-25T18:36:59Z; Last-Modified: 2016-05-25T18:36:59Z; dcterms:modified: 2016-05-25T18:36:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:2c58725b-b15f-4045-8797-9148b6efa6bb; Last-Save-Date: 2016-05-25T18:36:59Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-05-25T18:36:59Z; meta:save-date: 2016-05-25T18:36:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-05-25T18:36:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-05-25T18:36:59Z; created: 2016-05-25T18:36:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-05-25T18:36:59Z; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-05-25T18:36:59Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 10 1 9 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.009930/200995 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.940 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria Imposto sobre a Importação II Recorrente Hadco Importadora e Exportadora Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 24/11/2004 a 15/03/2006 MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de mandado de segurança preventivo, antes do lançamento de ofício, que tenha o mesmo objeto de processo administrativo. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 99 30 /2 00 9- 95 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10314.009930/200995 Acórdão n.º 3301002.940 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da DRJ/SP1: Trata o presente processo de auto de infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, por ocasião da conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida nos termos do art. 23, §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, regulamentado pelo art. 618, § 1ª, do Decreto nº 4.543/2002. O valor da multa lançada é de R$ 1.489.886.35 (um milhão, quatrocentos e oitenta e nove mil, oitocentos e oitenta e seis reais e trinta e cinco centavos). Isso porque, em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 08155002005007682, foi iniciado Procedimento Especial de Fiscalização disposto na IN/SRF n° 228/02 junto ao contribuinte. De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração a empresa HADCO IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA (doravante denominada HADCO), era importadora e comercial de itens, em sua maioria do segmento de modas e afins. A empresa BURBRASIL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA (doravante BURBRASIL), CNPJ 07.046.132/000110, detinha o direito exclusivo de operar a marca BURBERRY no Brasil. O Sócio da HADCO, Sr. ALAN FÉIS HADDAD, CPF 153.566.14888, era, também, sócio da BURBRASIL, e grande parte das importações da HADCO provinha da BURBERRY LIMITED. Em consulta ao sistema DW Aduaneiro, a fiscalização verificou que as Declarações de importação foram registradas tendo sempre como real adquirente a HADCO. Foi informado também que parte das mercadorias nacionalizadas eram encaminhadas a APB Comércio de Alimentos Ltda. CNPJ 06.152.015/000151. Os destinatários das notas fiscais de saída da HADCO eram sempre APB e Burbrasil, cujos valores totais não ensejavam a obtenção de lucro por aquela empresa. Houve ainda, diversos adiantamentos promovidos pela BURBRASIL a HADCO, referentes a mercadorias importadas. Foi possível, segundo conclusão do relatório fiscal, descaracterizar as importações como sendo por conta própria da HADCO. Foi proposta a inaptidão do CNPJ da autuada, desde 24/11/2004, data da primeira ocorrência de irregularidade no que tange IN 228/2002, com base no art. 11 parágrafo único da IN 228/2002, o que foi acolhido posteriormente. A interessada submeteu o caso a Justiça Federal, por meio de Mandado de Segurança, com deferimento de liminar, posteriormente cassada (processo 2005.61.00.0264841). Foram levantadas todas as operações de importação realizadas pelo sujeito passivo com data de registro desde 24/11/2004, data em que a inaptidão começou a surtir efeito, obtendose a listagem constante às fls. 16, perfazendo um total de 25 Declarações de importação no valor aduaneiro total de R$ 1.489.886,35 (um milhão Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10314.009930/200995 Acórdão n.º 3301002.940 S3C3T1 Fl. 12 3 quatrocentos e oitenta e nove mil oitocentos e oitenta e seis reais e trinta e cinco centavos). Foram intimados através dos Termos de Intimação nº 142/2009, a HADCO, fls. 89, termo nº 141/2009, o sócio ALAN FÉIS HADDAD CPF nº 153.566.14888, fls 86, e termo nº 143/2009, fls. 93, o também sócio ANDRÉ EMILE HADDAD – CPF 536.353.70100. O sócio ALAN FÉIS HADDAD compareceu à Inspetoria da Receita Federal do Brasil, em 26/08/2009, declarando não mais possuir as mercadorias constantes das Declarações de Importação discriminadas no Termo de Intimação nº 141/2009, fls. 86. Assim, comprovada a ocultação do real comprador dos bens estrangeiros (BURBRASIL), a fiscalização resolveu por aplicar sobre o contribuinte a multa prevista no art. 23, V, § lº e § 3º do DecretoLei 1455, com a nova redação dada pelo art.59 da Lei 10.637 de 2002; “Art. 59. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7/abr/1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V Estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § lº dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” Ciente do Auto de Infração em 13/10/2009, fls. 22, em 09/11/2009, a interessada apresentou a impugnação de fls. 124/144, onde alegou: o presente auto de infração é NULO DE PLENO DIREITO por não observar a legislação de vigência; fornecidas as cópias do Processo Administrativo Fiscal, o agente fiscal negouse peremptoriamente a fornecer as cópias do Dossiê do Contribuinte, alegando que tal fornecimento não encontra fundamento legal e que, nem mesmo sabia “se tal dossiê existia”; negouse ao Impugnante a ciência dos dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada que sobre ele se dispunha, não lhe dando chances de se manifestar; não nos esqueçamos, por óbvio, que, mesmo sendo secreto na forma legal, uma vez que o documento tenha informações a respeito de alguém, este alguém poderá ter ciência do conteúdo, como dispõe o artigo 13 do Decreto 2.134/97; na medida em que a publicidade dos atos é condição essencial de sua eficácia e existência, os atos administrativos decorrentes de decisões secretas ou implícitas, como ocorre no caso do auto de infração ora impugnado, SÃO NULOS DE PLENO DIREITO. Cita Acórdãos; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10314.009930/200995 Acórdão n.º 3301002.940 S3C3T1 Fl. 13 4 além de ser impossível contraditar o auto de infração por absoluta falta de acesso aos documentos que instruem o lançamento, não se pode cotejálos à luz da legislação de vigência; temse, por consequência, que o auto está destituído de fundamentação legal; tal procedimento faz com que o contribuinte não tenha como se defender dada a inexistência do tipo legal a ser contraditado; por conta disso, atado em suas prerrogativas e direitos, mormente os conferidos pela Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso LV, o Impugnante clama pela declaração de absoluta nulidade do auto de infração. A 24ª Turma da DRJ/SP1, no Acórdão 16039.832, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação, face à concomitância entre este processo administrativo fiscal e o Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0264841, em trâmite na 10ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 24/11/2004 a 15/03/2006 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão foi interposto Recurso Voluntário, cujos fundamentos alegados para a declaração de nulidade, por violação ao art. 5º, LV da CF/88, são: 1. Cerceamento de Defesa I– Negativa no fornecimento de cópias do “Dossier do Contribuinte”; 2. Cerceamento de Defesa II – Negativa no fornecimento de cópia integral do Processo Administrativo Fiscal, sendo negado acesso aos documentos que instruem o lançamento; 3. Cerceamento de Defesa III – Ausência de tipificação legal decorrente de ausência de documentos de instrução do lançamento; e 4. Cerceamento de Defesa IV – Impossibilidade de defesa do lançamento por negativa de exibição dos documentos que serviramlhe de base. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10314.009930/200995 Acórdão n.º 3301002.940 S3C3T1 Fl. 14 5 Além das causas de nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, motivos I a IV supracitados, alega a Recorrente que: · O presente processo administrativo fiscal não tem a mesma matéria do Mandado de Segurança; · O Mandado de Segurança discute a inconstitucionalidade abstrata do próprio Procedimento Especial de Fiscalização e da pena de perdimento previstos na Instrução Normativa; · Essa discussão de inconstitucionalidade seria vedada na esfera administrativa, nos termos do art. 62 do RICARF; · O presente processo administrativo trata da aplicação de pena de multa, tema que não fora tratado no Mandado de Segurança; · O Mandado de Segurança foi interposto em 2005, ao passo que a ciência do auto de infração se deu em 13/10/2009. Assim, em suas palavras: “É IMPOSSÍVEL QUE NO MANDADO DE SEGURANÇA A RECORRENTE POSSA SE DEFENDER DE UM AUTO DE INFRAÇÃO QUE SÓ VEIO A SER LAVRADO ANOS DEPOIS!”; Por isso, requer seja o processo devolvido à DRJ/SP1 para que o mérito da Impugnação seja julgado ou que o auto de infração seja declarado nulo pelo CARF. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. DAS ALEGAÇÕES DE CERCEAMENTO DE DEFESA Como bem salientou a decisão da DRJ, a autuação está exaustivamente fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, minuciosa e precisa, não deixando qualquer dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à HADCO identificar o fundamento da exigência fiscal. Consta nos autos, que a HADCO foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, com a oferta da impugnação ao lançamento e apresentação do presente recurso voluntário. Ademais, o sócio Alan Féis Haddad compareceu à Inspetoria da Receita Federal do Brasil, em 26/08/2009, declarando não mais possuir as mercadorias constantes das Declarações de Importação discriminadas no Termo de Intimação (efl. 96). Portanto, não vislumbro nulidades do auto de infração, por não observar qualquer violação às prescrições dos artigos 142 do CTN, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10314.009930/200995 Acórdão n.º 3301002.940 S3C3T1 Fl. 15 6 Outrossim, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em cerceamento de defesa, razão pela qual deve ser rejeitada a preliminar arguida. DA CONCOMITÂNCIA ENTRE O PRESENTE PAF E O MANDADO DE SEGURANÇA Analisando as peças processais do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0264841 colacionadas a estes autos, podese inferir que toda a matéria fática, juridicamente interpretada pela fiscalização, que culminou com a formalização do lançamento para a imposição da pena de perdimento, foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, de forma preventiva. O objeto do referido mandamus quanto à questão meritória (aplicação da pena de perdimento) é o mesmo contra o qual se insurge o contribuinte em impugnação e recurso, conforme se demonstrará a seguir. O presente processo administrativo fiscal teve por escopo aplicar a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria não localizada ou consumida, relativamente às importações efetuadas de forma irregular (interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior). As conclusões apontadas pela fiscalização são (efl. 20): · O contribuinte foi selecionado para a aplicação do procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, nos moldes da IN SRF n° 228/02; · Durante esse procedimento especial, foi constatado que a empresa opera de forma a ocultar os reais adquirentes das mercadorias que importa; · Em decorrência disso, sua inscrição no CNPJ foi declarada inapta, e as mercadorias importadas desde a data da inaptidão ficaram sujeitas à pena de perdimento; · O objeto da presente ação fiscal foi localizar essas mercadorias para fins de aplicação da pena de perdimento, ou lavrar a multa equivalente ao seu valor aduaneiro, quando não localizada ou já consumida; · Foram enviadas intimações à empresa e aos sócios, sendo declarado por seu representante legal que a empresa não mais possui essas mercadorias. Conforme minuciosamente relatado no item 4 do auto de infração, a MOTIVAÇÃO da presente ação fiscal foi o anterior Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08155002005 007682, no qual a empresa HADCO foi selecionada para a aplicação do procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, nos moldes da Instrução Normativa SRF n° 228, de 21 de outubro de 2002. Desse procedimento anterior, resultou a formalização de outro processo administrativo fiscal n° 10314.010130/200593, no qual foi proposta a inaptidão do CNPJ da HADCO, desde 24/11/2004, com base no art. 11 parágrafo único da IN 228/2002, o que foi acolhido, por restar demonstrada a interposição fraudulenta na importação, mediante ocultação do real adquirente. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10314.009930/200995 Acórdão n.º 3301002.940 S3C3T1 Fl. 16 7 Consta no auto de infração que o anterior processo administrativo fiscal (PAF) n° 10314.010130/200593 foi submetido à Justiça Federal, por meio do Mandado de Segurança Preventivo em questão, com deferimento de liminar, que foi posteriormente cassada (MS nº 2005.61.00.0264841). Após a inaptidão do CNPJ e por restar comprovada a interposição fraudulenta na importação, o procedimento legal subsequente é a aplicação da pena de perdimento ou sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro. Foi exatamente o que foi executado neste presente Processo Administrativo Fiscal. Por isso, ao impetrar o Mandado de Segurança, a HADCO fez constar na petição inicial: Com isso, o que se constata é que a impetrante encontrase na iminência de sofrer graves sanções como a declaração de inaptidão de inscrição do seu CNPJ e a perda das mercadorias importadas a partir de 24.11.2004, antes mesmo da instauração do devido processo administrativo. (Os grifos são do original). E no pedido (efls. 206 e seguintes): A Seja deferido provimento LIMINAR inaudita altera parte, a fim de tutelar preventivamente a impetrante, determinando esse MM. Juízo à Autoridade impetrada que: A.1 SE ABSTENHA DE INSTAURAR O PROCEDIMENTO PARA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DA INSCRIÇÃO DA IMPETRANTE NO CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA (CNPJ) OU, JÁ O TENDO FEITO, QUE DETERMINE SUA SUSPENSÃO, até final julgamento da lide. A.2. SE ABSTENHA DE DECRETAR A PENA DE PERDIMENTO DOS BENS IMPORTADOS A PARTIR DE 24.11.2004 até julgamento final da presente ação. B AO FINAL, seja concedida a ordem para: B.1 Determinar, em definitivo, a ABSTENÇÃO DA IMPETRADA DE INSTAURAR O PROCEDIMENTO PARA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO DA INSCRIÇÃO DA IMPETRANTE NO CNPJ Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, ou, já o tendo feito, que DETERMINE o cancelamento do mesmo. B.2 Determinar em definitivo, a ABSTENÇÃO DA IMPETRADA EM DECRETAR A PENA DE PERDIMENTO DOS BENS IMPORTADOS A PARTIR DE 24.11.2004. (Os grifos são do original) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10314.009930/200995 Acórdão n.º 3301002.940 S3C3T1 Fl. 17 8 A liminar foi deferida nos seguintes termos: Ante o exposto, presentes os seus pressupostos, DEFIRO o pedido de medida liminar para o fim de determinar que a autoridade impetrada se abstenha de instaurar o procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da impetrante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou, já o tendo feito, que o suspenda, bem como se abstenha de decretar a pena de perdimento dos bens importados a partir de 24.11.2004, até ulterior deliberação deste Juízo. Observese que o comando da liminar estabelece o prazo para que a autoridade fiscal se abstenha de decretar a pena de perdimento dos bens importados: a partir de 24/11/2004. Por sua vez, o objeto do auto de infração ora em discussão referese ao prazo de 24/11/2004 a 15/03/2006. A sentença foi proferida em 28/11/2008 e descreveu o objeto do Mandado de Segurança dessa forma: Cuida a presente demanda de mandado de segurança preventivo em que a impetrante, em sede de medida liminar, pretende obter provimento jurisdicional para o fim de que seja determinado à autoridade impetrada que “se abstenha de instaurar o procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da impetrante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou, já o tendo feito, que determine sua suspensão, até final julgamento da lide”, bem como “se abstenha de decretar a pena de perdimento dos bens importados a partir de 24.11.2004, até julgamento final da presente ação” (fl. 18), tudo em face dos fatos e fundamentos narrados na exordial. Mais adiante a sentença esclarece (efl. 46): A controvérsia gira em torno da legalidade da instauração do procedimento de declaração de inaptidão da inscrição da impetrante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, bem como da consequente decretação da pena de perdimento dos bens importados a partir de 24 de novembro de 2004. Por derradeiro, o dispositivo da sentença do mandado de segurança (efl. 49) cassou a liminar e prescreveu: Outrossim, julgo improcedentes os pedidos formulados na petição inicial, DENEGANDO A SEGURANÇA, para declarar a validade dos atos praticados pelo Inspetor da Receita Federal em São Paulo, relativos à instauração procedimento administrativo para declaração de inaptidão da inscrição da impetrante perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas Fl. 243DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10314.009930/200995 Acórdão n.º 3301002.940 S3C3T1 Fl. 18 9 CNPJ e à declaração da perda de perdimento dos bens importados a partir de 24/11/2004. A partir dos excertos colacionados acima, é possível concluir que a tutela buscada no Mandado de Segurança preventivo era obstar exatamente a autuação do presente Processo Administrativo Fiscal, de localizar as mercadorias importadas para fins de aplicação da pena de perdimento, ou lavrar a multa equivalente ao seu valor aduaneiro, quando não localizadas ou já consumidas. Por conseguinte, é imperioso o reconhecimento da concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, nos termos da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, cabe à unidade de origem a observância do trânsito em julgado ainda pendente do Mandado de Segurança n. 2005.61.00.0264841 destacado no presente voto. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Sala de Sessões, em 28 de abril de 2016 (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 244DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/0 5/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001264/2010-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/01/2010
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.617
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/01/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11128.001264/2010-41
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5589662
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.617
nome_arquivo_s : Decisao_11128001264201041.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 11128001264201041_5589662.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
id : 6377655
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423126532096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 179 1 178 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.001264/201041 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.617 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/01/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 12 64 /2 01 0- 41 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 9303003.617 CSRF‐T3 Fl. 180 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.274, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 9303003.617 CSRF‐T3 Fl. 181 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 9303003.617 CSRF‐T3 Fl. 182 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 9303003.617 CSRF‐T3 Fl. 183 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 9303003.617 CSRF‐T3 Fl. 184 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 9303003.617 CSRF‐T3 Fl. 185 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 9303003.617 CSRF‐T3 Fl. 186 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.001264/201041 Acórdão n.º 9303003.617 CSRF‐T3 Fl. 187 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720762/2012-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO E LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA
Afigura-se simulação circunstâncias e evidências que indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, caso pratiquem a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados e meios de produção, o que implica confusão patrimonial e gestão empresarial atípica.
A exclusão do regime simplificado é devida quando comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição e no funcionamento de pessoa jurídica, de modo ocultar quem são os verdadeiros sócios administradores
Numero da decisão: 1302-001.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa - Presidente.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO E LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA Afigura-se simulação circunstâncias e evidências que indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, caso pratiquem a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados e meios de produção, o que implica confusão patrimonial e gestão empresarial atípica. A exclusão do regime simplificado é devida quando comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição e no funcionamento de pessoa jurídica, de modo ocultar quem são os verdadeiros sócios administradores
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13971.720762/2012-32
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5588238
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.810
nome_arquivo_s : Decisao_13971720762201232.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 13971720762201232_5588238.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa - Presidente.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6372643
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:48:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423146455040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720762/201232 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.810 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria Simples Recorrente Transportes e Logística Mandala Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO E LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA Afigurase simulação circunstâncias e evidências que indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, caso pratiquem a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados e meios de produção, o que implica confusão patrimonial e gestão empresarial atípica. A exclusão do regime simplificado é devida quando comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição e no funcionamento de pessoa jurídica, de modo ocultar quem são os verdadeiros sócios administradores Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 62 /2 01 2- 32 Fl. 868DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Edeli Pereira Bessa Presidente. Relatório A Recorrente foi excluída do Simples Federal, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 16, de 02 de abril de 2012 a seguir transcrito: Art. 1º Excluir do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte a pessoa jurídica TRANSPORTES E LOGISTICAMANDALA Ltda (CNPJ: 07.907.864/000130 e PROCESSO: 13971.720762/201232), pelas seguintes razões: I Formação de grupo econômico, de fato, com a empresa FRIGORÍFICO ELL' GOLLI Ltda (CNPJ:02.225.085/000131), consequentemente, incidindo na vedação imposta pelo artigo 9o (incisos II, IX e X) da Lei 9317/96 e artigo 20° (incisos II, IX e X) da IN SRF 608/06; II Realização de locação de mão de obra e, consequentemente, prática reiterada de infração à legislação tributária (artigos 9º (inciso XII, letra “f”) e 14° (inciso V) da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e artigos 20º (inciso XI, letra “e”) e 23° (inciso V) da IN SRF 608/06). A exclusão de que trata o ato citado produz efeitos retroativos ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007, nos termos do art. 15º (incisos II, IV e V) da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e do art. 24º (incisos II, VI e VII) da IN SRF 608/2006. Para tal conclusão, as empresas foram fiscalizadas em cujo relatório constou evidências que demonstram interligação e o entrelaçamento das empresas, verificadas com base no(a): a) cotejamento dos respectivos contratos sociais e alterações, ao longo do tempo; b) localização das sedes das empresas, no mesmo imóvel; a) faturamento, despesas com empregados e forma de tributação das empresas; b) transferência de empregados da empresa Ell’ Golli para a emrpesa Mandala; c) prestação de serviços entre as mesmas empresas; d) mesmos proprietários das instalações, máquinas e equipamentos; e) reclamações trabalhistas/acordos; f) procurações outorgadas pelas empresas com coincidência entre seus representantes (empresas administradas pelos mesmos membros de uma mesma família). Fl. 869DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.720762/201232 Acórdão n.º 1302001.810 S1C3T2 Fl. 3 3 Após a fiscalização, verificouse a existência de simulação envolvendo a empresa excluída do Simples Federal, Transportes e Logística Mandala Ltda., criada pela empresa Frigorífico Ell' Golli Ltda. (CNPJ 02.225.085/000131) para reduzir sua carga tributária, aproveitandose do regime mais benéfico do Simples Federal. Desde suas primeiras defesas, até o recurso voluntário em questão, a Recorrente alega a impossibilidade de o ato administrativo retroagir; inexistência de simulação; inexistência de grupo econômico; inexistência de vínculo laboral; arbitramento fiscal sem base ou por mera presunção; ausência de fundamento legal válido; impossibilidade de desconsideração de personalidade jurídica; inobservância à hierarquia das normas. Ao final, requereu a improcedência da exclusão da sistemática do Simples Federal e efeito suspensivo do ato de exclusão. Não requereu o acolhimento, nem mesmo o provimento do Recurso Voluntário. A recorrente foi intimada do acórdão recorrido, em 20/11/2013, conforme AR, fl. 802, o recurso voluntário foi interposto em 19/12/2013, fl. 803. A petição foi subscrita por Eduardo Alberto Ern. Juntouse cópia de sua CNH. A recorrente juntou contrato social da empresa, por meio do qual demonstrou a regularidade da representação processual. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Diante da regularização da representação processual e por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Com relação às alegações da Recorrente quanto aos prejuízos e efeitos suportados em decorrência da exclusão do Simples Federal, registrase que, somente serão considerados definitivos, em âmbito administrativo, após esgotados os recursos conferidos ao contribuinte, nessa esfera. Quanto aos fatos, fundamentos e provas para a exclusão da Recorrente do Simples Federal, a fiscalização realizada demonstrou que o Frigorífico Ell' Golli Ltda. se utilizava da empresa Transportes e Logística Mandala Ltda., optante do Simples Federal, com poder de direção unificado, mesmas instalações físicas, interligação logística, econômica e administrativa entre as mesmas e com faturamento total superior ao limite estabelecido para a opção pelo SIMPLES. A seguir, destacamse pontos relevantes contidos no relatório fiscal. Os documentos apresentados não permitem concluir que as duas empresas seriam distintas e independentes entre si, cada uma com seus próprios administradores. Além disso, verificouse que a direção das empresas é composta por integrantes de um só núcleo familiar. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 4 Dos contratos sociais e alterações, extraiuse informações que indicam o entrelaçamento familiar na sociedade das empresas Frigorífico Ell' Golli Ltda. e Transportes e Logística Mandala Ltda. Das procurações das duas empresas, extraiuse a informação de que há uma gestão unificada dos negócios, e consequente falta de autonomia e de independência gerencial, à vista dos poderes outorgados à Sra. Sandra Cristina Stein Andrioli. Das informações prestadas em GFIP pelas empresas ELL' GOLLI e Mandala, constatase a existência de inúmeros empregados dispensados em uma e admitidos na outra, o que pode indicar que a empresa MANDALA, optante do SIMPLES FEDERAL, estava sendo usada para reduzir os encargos trabalhistas da ELL’ GOLLI. Da planilha de fl.666 identificase a redução de empregados e queda no percentual de despesas com empregados/receita bruta, ocorrida com a empresa Ell’ Golli, ao tempo em que a empresa Mandala aumentava o número de empregados. Verificouse que as funções exercidas por esses empregados eram idênticas ou semelhantes, coerentes com o próprio objeto social das empresas citadas. Tal planilha permite analisar que ao transferir empregados para a empresa Mandala, a empresa Ell' Golli, que era tributada pelo Lucro Presumido, diminuía os encargos trabalhistas, visto que no regime de tributação da empresa Mandala, o Simples Federal, não sofria a incidência da contribuição previdenciária patronal. Conforme fotos contidas no relatório fiscal, constatouse que as empresas não possuíam sedes próprias. O local de funcionamento da empresa Mandala resumese a uma sala, localizada dentro das instalações da empresa Ell' Golli, sendo que seus empregados são alocados e prestam serviços nas dependências da empresa Ell' Golli. A fiscalização ressaltou que a tentativa de registrar o endereço da empresa Mandala em localidade diferente do centro de suas atividades, constatado pela fiscalização poderia ser considerada como mais uma das ações que levam à conclusão quanto à ocorrência de simulação no presente caso. Constatouse que as instalações, máquinas e equipamentos utilizados pelos empregados da empresa Mandala, nos vários setores: administrativo, financeiro, de embalagem, de expedição e de comercialização, bem como nas várias etapas do processo de industrialização, pertencem, na realidade, à empresa Ell' Golli. O contrato de comodato de equipamentos mencionado pela Recorrente inserese na sua tentativa de simulação, pois buscouse sobrepor a realidade fática. Com relação à prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas pela empresa Mandala, identificouse que, em sua maioria, estava relacionada com a empresa Ell' Golli. Uma pequena parcela dos serviços eram prestados para as empresas Vida Longa e Madvida (também com participação societária da família). A fiscalização identificou também que a empresa Mandala, constituída para prestar o serviço de Transporte Rodoviário de Cargas, não possuía nenhum caminhão. Na realidade, os caminhões que utilizava eram alugados das empresas para as quais prestava os serviços, sendo que por dois anos consecutivos, este aluguel não sofreu qualquer reajuste, permanecendo em R$500,00. Juntouse ao relatório de fiscalização, lançamentos contábeis e recibos de pagamento referentes aos aluguéis dos caminhões. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13971.720762/201232 Acórdão n.º 1302001.810 S1C3T2 Fl. 4 5 Constatouse que além da prestação de serviço de transportes quase que exclusiva da Mandala para a Ell’ Golli, a Mandala também prestava serviços de industrialização à Ell’ Golli. Isso também indicava a união administrativa. Os serviços de industrialização eram prestados, exclusivamente, para a empresa Ell' Golli, utilizandose das instalações, máquinas e equipamentos de propriedade dessa. Sobre esse ponto, o relatório de fiscalização analisou o faturamento da empresa Mandala, por seus serviços prestados às empresas Ell' Golli, Madvida e Vida Longa e verificou que 95% do faturamento da Mandala provinha de serviços prestados à empresa Ell' Golli, sendo que 100% de seus serviços prestados de industrialização, tinham como cliente a empresa Ell' Golli. Frisou que, nesse caso não se trata apenas de locação de mão de obra, mas de locação exclusiva de mão de obra. As cópias de notas fiscais/faturas simulando a remessa e retorno de mercadorias para industrialização entre as empresas foram destacadas como evidências que complementam as demais provas de ocorrência de simulação. A locação de mão de obra, vedada às empresas beneficiadas pelo Simples Federal, foi constatada mediante a verificação de que os empregados exerciam continuamente a prestação de serviços à empresa Ell' Golli, inclusive dentro de suas instalações, as quais correspondiam ao mesmo local para as duas empresas. O processo de industrialização contava com mão de obra conjunta dos trabalhadores da Mandala. E para a concretização dessas operações faziase necessária a existência de instalações físicas próprias, quais sejam, as da Ell’ Golli. Tal qual apontado pela fiscalização. Com relação às alegações da Recorrente quanto à desconsideração jurídica da empresa contratada, é correta a conclusão do acórdão recorrido no sentido de que não houve desconsideração, mas tão somente, para fins tributários, deuse a prevalência da essência sobre a forma, em razão da utilização dos trabalhadores da empresa Mandala de maneira interposta, visando a subdivisão contábil (fracionamento) dos respectivos faturamentos e redução da tributação previdenciária, em função da opção ao regime simplificado. Buscouse, no caso, a verdade material fundamentada em elementos concretos de prova, em detrimento dos aspectos aparentes e formais dos negócios jurídicos apresentados pela Recorrente. O conjunto probatório relatado pela fiscalização ancorado em elementos e evidências robustas, repitase, não de forma isolada, mas dentro de um contexto abrangente, atinente à disposição empresarial atípica, à unicidade dos meios produtivos, com centralização de gestão, de direção dos negócios, da localização física, do relacionamento com os empregados e com o público externo, leva à convicção de que a realidade fática essencial das atividades realizadas pelas empresas foi modificada artificialmente, com o intuito de usufruir indevidamente dos benefícios do sistema de tributação Simples. E, nesse propósito, a validade intrínseca da constituição formal da pessoa jurídica da empresa Mandala foi burlada, em sua essência, a partir do arranjo circunstancial concebido pela justaposição física e operacional com a empresa Ell’ Golli. A par das formalidades da constituição jurídica de cada uma das empresas envolvidas, de seu interrelacionamento e de quais as pessoas físicas estavam, de fato, à frente da direção e dos negócios empresariais, observase que foram descritas suficientemente pela Fl. 872DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 6 fiscalização as circunstâncias e provas de que não só a constituição da Mandala, como também seu funcionamento, representam, inequivocamente, um desmembramento das atividades operacionais desenvolvidas em conjunto com a Ell’ Golli (por esta liderada). A prestação de serviços (na verdade, a industrialização) exclusiva por parte da MANDALA à ELL GOLLI constitui forte elemento de convicção da interposição de pessoas presente neste caso. A situação encontrada não se enquadra no art. 112 do CTN, eis que, diante dos inúmeros elementos de prova trazidos, não pairam dúvidas sobre os antecedentes e conseqüentes tributários, isto é, sobre o grau de envolvimento e interdependência das empresas em tela. Portanto, lastreada nas circunstâncias fáticas apontadas e suporte jurídico pertinente, a auditoria fiscal logrou demonstrar que o artifício apontado teve como propósito oferecer validade jurídica e formal a uma disposição negocial exclusivamente concebida e destinada a obter vantagens fiscais indevidas (o regime simplificado). Por tudo que foi exposto, é forçoso reconhecer a improcedência das argumentações em contrário oferecidas pela interessada; e concluir pela sua correta exclusão do Simples Federal. No presente caso, está comprovado, e não apenas presumido, que a constituição da empresa Mandala teve o intuito de redução de carga tributária previdenciária patronal da empresa Ell’ Golli, ou seja, a prática já tornouse reiterada a partir do segundo mês de apuração do Simples Federal pela empresa Mandala, ora excluída. Como a empresa Mandala já declarava pelo Simples Federal desde o ano calendário 2006, a configuração da prática reiterada está condizente com o que diz o normativo legal acima apresentado. Considerando a análise acima exposta, e para a hipótese de ser superada a preliminar, mediante a regularização da representação processual, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o acórdão recorrido e, portanto, a exclusão do Simples Federal determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/Blumenau nr. 16, de 02/04/2012, (fls. 677). Rogério Aparecido Gil Relator Fl. 873DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721721/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
Ementa:
DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. GLOSA DE CRÉDITO. CANCELAMENTO.
É correta a decisão de primeira instância que exonerou do lançamento os valores das glosas relativas aos créditos da não cumulatividade que já haviam sido consideradas no lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. EMPRESAS SÓCIAS.
Nos termos do art. 124, I e do art. 135, III do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhada de provas idôneas que vinculem a atuação pessoal do sujeito responsabilizado ao referido ato.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3402-003.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento aos recursos voluntários para afastar a responsabilidade que recaía sobre ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, WILLIAM SIDI e a empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Sustentou pela recorrente o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35.220.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. GLOSA DE CRÉDITO. CANCELAMENTO. É correta a decisão de primeira instância que exonerou do lançamento os valores das glosas relativas aos créditos da não cumulatividade que já haviam sido consideradas no lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. EMPRESAS SÓCIAS. Nos termos do art. 124, I e do art. 135, III do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhada de provas idôneas que vinculem a atuação pessoal do sujeito responsabilizado ao referido ato. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.721721/2013-16
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5604876
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-003.107
nome_arquivo_s : Decisao_19515721721201316.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 19515721721201316_5604876.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento aos recursos voluntários para afastar a responsabilidade que recaía sobre ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, WILLIAM SIDI e a empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Sustentou pela recorrente o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35.220. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
id : 6422675
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423149600768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2019; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.046 1 1.045 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721721/201316 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402003.107 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria PIS/Cofins Recorrentes UNIVEN REFINARIA DE PETRÓLEO LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa: DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. GLOSA DE CRÉDITO. CANCELAMENTO. É correta a decisão de primeira instância que exonerou do lançamento os valores das glosas relativas aos créditos da não cumulatividade que já haviam sido consideradas no lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. EMPRESAS SÓCIAS. Nos termos do art. 124, I e do art. 135, III do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhada de provas idôneas que vinculem a atuação pessoal do sujeito responsabilizado ao referido ato. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento aos recursos voluntários para afastar a responsabilidade que recaía sobre ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, WILLIAM SIDI e a empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Sustentou pela recorrente o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35.220. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 17 21 /2 01 3- 16 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício contra decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba, que decidiu por exonerar parcialmente o crédito tributário: Trata o processo de autos de infração, lavrados em 06/08/2013, no valor total de R$ 24.278.851,75, para a exigência de PIS e Cofins, em face de a) ausência de declaração em DCTF e/ou de recolhimento de parcelas das contribuições e b) glosas nos créditos da não cumulatividade, na seguinte forma: Cofins: no total de R$ 18.996.858,15, calculado até agosto de 2013, sendo R$ 7.597.515,00 da contribuição, R$ 8.547.204,37 de multa de ofício de 112,50% (art. 44, I e §2º da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007), e R$ 2.852.138,78 de juros de mora, relativo aos períodos de apuração de janeiro a abril, junho a outubro e dezembro de 2009; Contribuição para o PIS/PASEP: no total de R$ 5.281.993,60, calculado até agosto de 2013, sendo R$ 2.115.929,27 de contribuição, R$ 2.380.420,43 de multa de ofício de 112,50%, e R$ 785.643,90 de juros de mora, relativo aos mesmos períodos de apuração. Em decorrência do não atendimento às intimações fiscais (Termo de Embaraço à Fiscalização nº 005 fls. 473 a 479), para apurar os montantes das contribuições devidas e dos créditos da não cumulatividade a serem descontados, a fiscalização utilizou: a Escrituração Contábil Digital – ECD; as Notas Fiscais Eletrônicas emitidas pela empresa; os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon; e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Também foram realizadas diligências fiscais junto aos principais clientes da empresa visando confrontar os dados de venda contabilizados na ECD, bem como validálos. Como a contribuinte não foi localizada em seu endereço cadastral, informado no cadastro do CNPJ, na Alameda Vicente Pinzon, 173, Vila Olímpia, São Paulo/SP, conforme Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 006 (fls. 481 a 482), foi formulada Representação Fiscal para Alteração Cadastral, nos autos do processo nº 19515.720406/201363, para que o domicílio fiscal fosse transferido para o endereço da filial situada em Itupeva/SP. Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 543 a 553) em nome de João Deguirmendjian, CPF nº 529.470.25849, Alexandre Argoud Malavazzi, CPF nº 016.330.379750 e Willian Sidi, CPF nº 040.767.77808; bem como o segundo Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 560 a 571) caracterizando, a sujeição passiva solidária das Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.721721/201316 Acórdão n.º 3402003.107 S3C4T2 Fl. 1.047 3 empresas Vibrapar Participações Ltda, CNPJ nº 04.211.528/000160 e Quasar Administrações e Participações Ltda, CNPJ nº 04.208.316/000124. Devidamente cientificados, os responsáveis apresentaram suas impugnações, alegando, em síntese: Alexandre Argoud Malavazzi: (i) a inexistência de hipótese autorizadora da responsabilidade pessoal do Impugnante, vez que, no ano de 1999 teve participação indireta na empresa Univen, posto que era sócio quotista da empresa Quasar Administrações e Participações Ltda. (ii) a insubsistência dos valores autuados por majoração indevida do débito de PIS, no montante de R$ 800.233,53, e do de Cofins, no montante de R$ 1.523.141,66. (iii) a inaplicabilidade do agravamento da multa em face do impugnante, porquanto não pode responder pelo embaraço à fiscalização perpetrado por outrem, haja vista ter se desligado da empresa autuada antes do início da fiscalização. Quasar Administrações e Participações Ltda. Além dos mesmos argumentos dos itens (ii) e (iii) acima, acrescenta em relação ao item (i) que: para a configuração da responsabilidade tratada no inciso I, art. 124 do CTN, é preciso que esteja configurado o interesse comum na situação que configure o fato gerador do tributo, não bastando o interesse comum no resultado financeiro da atividade empresarial, não sendo possível também a atribuição de responsabilidade simplesmente por estar caracterizada a existência de grupo econômico. William Sidi (i) Da imprópria responsabilização solidária do ora impugnante: defende o seu afastamento da sujeição passiva, vez que, não comprovada a prática de atos ofensivos à lei ou ao contrato social, bem como não exercia a função de administrador, pois era completamente subordinado a João Deguirmendjian e Alexandre Argoud Malavazzi (cláusulas sétima e oitava do Contrato Social da Univen), sendo certo que a responsabilidade solidária, prevista no art. 135 do CTN, não pode lhe ser estendida. (ii) Contesta a multa agravada de 112,50%, porquanto nunca tenha sido intimado apresentar qualquer documento, ou prestar qualquer informação ou esclarecimento, não podendo, portanto, ser punido por inércia a que não deu causa. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, mediante o Acórdão nº 0646.379, de 9 de abril de 2014, decidiu por: a) julgar procedente a atribuição de responsabilidade tributária solidária aos administradores João Deguirmendjian, Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi e às controladoras Vibrapar Participações Ltda. e Quasar Administrações e Participações Ltda.; b) manter os lançamentos das contribuições do PIS e da Cofins, relativos às insuficiências de recolhimento, nos valores totais de Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 R$ 1.315.695,75 e R$ 6.074.373,35, respectivamente, bem como o lançamento dos respectivos valores de multa de ofício de 112,5% e encargos legais decorrentes; c) cancelar os lançamentos das contribuições do PIS e da Cofins, relativos às glosas efetuadas, nos valores totais de R$ 800.233,52 e R$ 1.523.141,65, respectivamente, bem como o lançamento dos respectivos valores de multa de ofício de 112,5% e encargos legais decorrentes; d) manter o agravamento da multa de ofício, no percentual de 112,5%, afastandoo para os responsáveis solidários Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi e para a controladora Quasar Administrações e Participações Ltda. A decisão recorrida foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Períodos de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2009, 01/06/2009 a 31/10/2009 e 01/12/2009 a 31/12/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, assim como as detentoras de poder de administração pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício quando restar caracterizada a recusa e/ou resistência por parte da contribuinte no atendimento às intimações fiscais para prestação de esclarecimentos e apresentação de livros e documentos societários, comerciais e fiscais, afastandose o agravamento da multa de ofício para os responsáveis solidários que não eram mais administradores por ocasião do início do procedimento fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Períodos de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009, 01/08/2009 a 31/10/2009 e 01/12/2009 a 31/12/2009 DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. GLOSA DE CRÉDITO. CANCELAMENTO. Por configurar duplicidade, devese cancelar o lançamento das glosas relativas aos créditos da não cumulatividade que foram consideradas no lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Períodos de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2009, 01/07/2009 a 31/10/2009 e 01/12/2009 a 31/12/2009 DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. GLOSA DE CRÉDITO. CANCELAMENTO. Por configurar duplicidade, devese cancelar o lançamento das glosas relativas aos créditos da não cumulatividade que foram Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.721721/201316 Acórdão n.º 3402003.107 S3C4T2 Fl. 1.048 5 consideradas no lançamento das contribuições por insuficiência de recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Essa decisão foi encaminhada à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força do recurso necessário. Tendo sido Alexandre Argoud Malavazzi cientificado, por via postal, em 29/08/2014, apresentou recurso voluntário em 26/09/2014, alegando, em síntese: Todos os fundamentos invocados no acórdão recorrido são de caráter manifestamente generalista e confirmam a versão do Recorrente de que não existe prova de qualquer prática dele que possa ser levado à suposta sonegação fiscal. O interesse comum a que alude o artigo 124, inciso I, do Código Tributário é voltado à relação entre partes distintas em uma operação comercial ou de prestação de serviços e não à relação sóciosociedade, esta que é tratada no artigo 135 do Código Tributário Nacional. Se o Recorrente não mais possuía poderes administrativos frente à sociedade quando do início da fiscalização e, não poderia, inclusive, ser apenado com o agravamento da multa, então não se pode aceitar que venha ele a ser confirmado como partícipe de uma sonegação considerada a partir do fato de que a empresa autuada não atendeu à fiscalização. Não se verifica qualquer elemento concreto da existência de fraude. O que existe é somente a dúvida, que seguramente não poderá autorizar a responsabilização pessoal do Recorrente pelo fato exclusivo de que ele era administrador da autuada à época dos fatos em fiscalização. A jurisprudência dos tribunais superiores há tempos estabeleceu que a inclusão do sócio/diretor/administrador no polo passivo da demanda tributária somente pode ocorrer quando verificada uma das seguintes hipóteses: (i) a infração à lei, estatuto ou contrato social ou (ii) a dissolução irregular da sociedade. Inclusive tal posicionamento foi devidamente firmado através da Súmula 430 do E. Superior Tribunal de Justiça, o qual deve ser seguido nos termos do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A empresa Quasar Administrações e Participações Ltda. apresentou seu recurso voluntário em 26/09/2014, com argumentos idênticos aos utilizados acima. Cientificado em 27/08/2014, William Sidi apresentou seu recurso voluntário em 25/09/2013, alegando, em essência: i) A ausência de recolhimento de tributo não implica a aplicação do art. 135 do CTN, nos termos do Recurso repetitivo (REsp 1.101.728), de aplicação obrigatória pelo Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 CARF. No caso, não lhe foram imputados quaisquer atos que representassem ofensa à lei ou ao contrato social, circunstância essa que é condição sine qua non para a aplicação do preceito. ii) A despeito de incisivas considerações no sentido de que os Srs. João Deguirmendjian e Alexandre Argoud Malavazzi eram os únicos REAIS ADMINISTRADORES da pessoa jurídica autuada, o ora Recorrente também foi responsabilizado solidariamente. O ora Recorrente, além de jamais ter ofendido a lei ou o contrato social, não exercia a efetiva administração da UNIVEN, sendo completamente subordinado aos Srs. João Deguirmendjian e Alexandre Argoud Malavazzi, o que se constata a partir dos LIMITADOS PODERES que lhe foram conferidos pelo respectivo Contrato Social (Cláusulas Sétima e Oitava do Contrato Social da UNIVEN). Em 25/02/2016, William Sidi apresentou petição requerendo a redistribuição do presente feito à 1a Turma, da 2a Câmara, da 1a Seção deste Egrégio Conselho e o seu apensamento ao Processo Administrativo n° 19515.721720/201363. Isso porque se discute nesse outro processo o cancelamento das autuações lá tratadas, já que o caso reclamava a aferição das bases de cálculo dos tributos através do ARBITRAMENTO, à luz do art. 530 do RIR/99, o que foi arbitrariamente ignorado pela autoridade fiscalizadora. Aduz esse recorrente que, com o descumprimento das intimações fiscais pela UNIVEN, a fiscalização não dispunha de quaisquer registros fiscais/contábeis dignos de fé para que pudesse proceder ao cálculo do Lucro Real e da base de cálculo do CLSS, o que a obriga ao arbitramento do resultado tributável. Assim, acredita que, caso se determine o cancelamento desses outros autos de infração sob o referido argumento, a discussão objeto do presente processo restaria prejudicada, em virtude do regime do PIS e da COFINS aplicável às empresas que tem seu lucro arbitrado, com base no regime cumulativo da Lei n° 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos voluntários. É matéria controversa nos presentes autos no âmbito deste CARF apenas a questão da responsabilidade tributária dos recorrentes relativamente ao PIS/Pasep e Cofins e multa de ofício em face de insuficiência de declarações e/ou recolhimento e de glosas de créditos da não cumulatividade descontados indevidamente pelo contribuinte na apuração dessas contribuições. Sobre a prejudicialidade suscitada pelo recorrente William Sidi, observase que o processo nº 19515.721720/201363 trata das exigências de IRPJ e CSLL, no ano calendário de 2009, decorrente da exclusão indevida, na apuração do lucro real do período de apuração encerrado em 31/12/2009, de R$ 204.829.084,15 a título de Outras Exclusões (Linha 69 da Ficha 09A da DIPJ 2010). Relativamente a essa questão, mediante o Acórdão nº 0645.144 1 ª Turma da DRJ/CTA, de 14 de janeiro de 2014, no processo nº 19515.721720/201363, decidiu o julgador de primeira instância que: Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.721721/201316 Acórdão n.º 3402003.107 S3C4T2 Fl. 1.049 7 (...) 20. Contudo, cumpre destacar que o arbitramento do lucro é medida extrema que só deve ser utilizada como último recurso, quando verificado que a escrituração mantida pela contribuinte não merece fé e está em desacordo com a forma estabelecida pelas leis comerciais e fiscais, além de ausência absoluta de outro elemento que tenha condições de aproximarse do efetivo lucro líquido do período, sendo imprescindível que o sujeito passivo tenha sido previamente intimado, de forma clara e objetiva, em prazo razoável para seu atendimento, a providenciar o saneamento das falhas e inconsistências que justificam a desclassificação da escrita comercial. 21. Considerando que o arbitramento do lucro constitui salvaguarda do crédito tributário posta a serviço da Fazenda Pública, não pode tal forma de tributação ser utilizada como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir a diferença de imposto apurada com base na sua escrituração comercial, porquanto a autoridade fiscal, após exame da escrituração contábil digital obtida junto ao Sistema Público de Escrituração DigitalSPED (fl. 125), já havia feito prevalecer a tributação com base no lucro real anual. 22. Acatar a pretensão de arbitrar o lucro com base na alegação de que a glosa efetuada pela autoridade fiscal corresponde a 73% do resultado tributável, o que revelaria a imprestabilidade da escrituração da contribuinte e a necessidade de arbitramento do lucro, com o firme propósito de abalar a credibilidade das informações nela registradas, denotaria admitir a possibilidade da inexistência de falhas sanáveis, o que seria um contrasenso, revestido, no mínimo, de medida com nítido caráter arbitrário, contrária aos princípios constitucionais da legalidade, da razoabilidade, da verdade material, entre outros. 23. Ademais, a infração apurada pela autoridade fiscal decorre de ajuste extracontábil efetuado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ou seja, irregularidade alguma na escrituração comercial foi apontada pela autoridade fiscal. 24. Dessa forma, não se acata o pedido de aplicação do arbitramento do lucro. Ainda inconformados a contribuinte UNIVEN e os responsáveis William Sidi e João Deguirmendjian alegaram nos seus recursos voluntários no processo nº 19515.721720/201363 a necessidade de arbitramento do lucro. De forma que, realmente, a possibilidade de arbitramento do lucro é matéria discutida no processo administrativo nº 19515.721720/201363. No entanto, como é objeto da presente lide neste CARF somente os vínculos de responsabilidade da empresa Quasar Administrações e Participações Ltda. e das pessoas físicas Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi, estando o mérito do crédito tributário mantido já decidido, em caráter definitivo, pelo julgador de primeira instância, nos termos do art. 42, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72, entendo que não prejudica o andamento do presente julgamento a questão do arbitramento do lucro levantada como matéria de defesa no processo nº 19515.721720/201363, expressamente rejeitada pela autoridade fiscal no presente auto de infração, conforme trecho abaixo: Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 Não obstante isso, o processo de IRPJ foi recentemente julgado pela 1ª Seção deste CARF, tendo a análise da possibilidade de arbitramento do lucro restado prejudicada em face da exclusão da responsabilidade de alguns recorrentes no julgamento. No presente processo a responsabilização dos recorrentes Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi foi assim efetuada no Termo de Sujeição Passiva (fls. 543/553): (...) 15. A despeito da composição societária supra descrita aparentemente evidenciar que, à época dos fatos (ano calendário de 2009), João Deguirmendjian, CPF 529.470.25849, e Alexandre Argoud Malavazzi, CPF 132.367.87864, formalmente não exerciam funções de administração na empresa fiscalizada, mas, tãosomente nas empresas Vibrapar e Quasar, estas últimas meras quotistas da Univen, a evolução da composição societária da Univen, a seguir descrita e igualmente apurada a partir das alterações estatutárias registradas na JUCESP, demonstra cabalmente que desde 15/09/1997 até 03/05/2012, tanto João Deguirmendjian como Alexandre Argoud Malavazzi foram os gestores de fato da empresa, sendo que até os dias de hoje João Deguirmendjian ainda o é, e que as citadas empresas Vibrapar e Quasar representam tãosomente pessoas jurídicas interpostas, precisamente com o fim de acobertar os gestores de fato, deles afastando eventuais responsabilidades. (...) 17. Da cronologia de eventos demonstrada no item 14 supra, resta caracterizada a existência do interesse comum de que trata o art. 124, I, do CTN, dado que, em face da vinculação gerencial e da coincidência de sócios e administradores, as empresas relacionadas têm apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, são sócias de fato de sociedade formalmente constituída, porquanto configuram um grupo econômico de fato. Relevante assinalar que o interesse comum ora assinalado é revelado pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização conjunta da situação que constitui o fato gerador. (...) 20. A estrutura do quadro societário da fiscalizada à época dos fatos, demonstrada no item 12 supra, evidencia a constituição da empresa por meio de interpostas pessoas – no caso, Vibrapar Participações Ltda, CNPJ 04.211.528/000160, e Quasar Administrações e Participações Ltda, CNPJ 04.208.316/000124– daí decorrendo a responsabilidade solidária de que tratam os supracitados art. 135 do CTN e 210 do RIR/1999, devendo os reais administradores responder pelo lançamento solidariamente com a pessoa jurídica. Com efeito, a Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.721721/201316 Acórdão n.º 3402003.107 S3C4T2 Fl. 1.050 9 retirada da sociedade dos sócios João Deguirmendjian, CPF 529.470.25849, e Alexandre Argoud Malavazzi, CPF 132.367.87864, não teve outro fim senão o de constituir artificialmente suporte jurídico para excluílos de qualquer responsabilidade, notadamente a tributária. Prova irrefutável de tal interposição encontrase na estrutura societária vigente na Univen no período de 19/05/2010 e 03/05/2012, no qual figuraram como sócias apenas as quotistas Vibrapar e Quasar, inexistindo sócio administrador ou gerente formalmente constituído, fato que leva à incontornável constatação de que os gestores de fato da fiscalizada só poderiam ter sido os supracitados João Deguirmendjian e Alexandre Argoud Malavazzi. 21. EQUIVALENTE ENTENDIMENTO expressa o Poder Judiciário, na forma do acórdão proferido pela 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo, nos autos do Agravo de Instrumento n.014711341.2012.8.26.0000– com cópias do acórdão juntadas à presente representação, em que é agravante REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A e são agravados UNIVEN REFINARIA DE PETRÓLEO LTDA (FALIDA), JOÃO DEGUIMENDJIAN, VIBRAPAR PARTICIPAÇÕES LTDA, QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA E PRIME ADMINISTRAÇÃO DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA, a seguir em parte reproduzidos: (...) 'Com razão a agravante. Compulsandose os autos, verificase que os documentos colacionados dão conta de que a UNIVEN apresenta em seu quadro societário a empresa VIBRAPAR PARTICIPAÇÕES LTDA e a pessoa física de JOÃO DEGUIRMENDJIAN como sócio e administrador (fls. 73/77). Consta, também, a retirada da sócia QUASAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA, bem como a destituição/renúncia do administrador Alexandre Argoud Malavazzi (fls. 76). (...) Os documentos carreados às fls. 147; 157/158; 166; 177; 187; 194 e 200 demonstram a ocorrência de alienação de imóveis de propriedade da VIBRAPAR à PRIME. Vale lembrar que a empresa VIBRAPAR é uma das sócias da UNIVEN. Em análise perfunctória é possível vislumbrar a verossimilhança das alegações da recorrente, uma vez que há suspeita da retirada com propósito fraudulento de sócios da UNIVEN. Além disso, há prova da transmissão de propriedade imobiliária da VIBRAPAR para a PRIME por valor irrisório, em outras palavras, sem qualquer valorização financeira, uma vez que os imóveis foram alienados para a PRIME pelo mesmo preço pago na aquisição pela VIBRAPAR ocorrida anos atrás.’ (...) 22. Com efeito, a forma de atuação fraudulenta dos sócios da empresa UNIVEN adquiriu notoriedade pública, conforme evidencia artigo localizado na página eletrônica do jornal ‘O Estado de São Paulo’– na íntegra juntado à presente representação, e com fragmento a seguir reproduzido: Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 10 'A refinaria da Univen, na região metropolitana de São Paulo, mais do que triplicou sua produção de combustíveis no ano passado, passando a abastecer fatia de até 15% do mercado de gasolina da região metropolitana da capital. O crescimento, no entanto, vem sendo contestado no setor de combustíveis, por ter sido obtido com base em suposta fraude fiscal. Sem pagar ICMS desde que iniciou as operações, a Univen deve R$ 410 milhões à Fazenda Estadual e seus sócios foram denunciados pelo Ministério Público por crimes tributários.’ (...) Com base no conjunto de informações ora relatadas, fica caracterizada a SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, nos termos dos art. 124 e 135 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e artigo 210 do Decreto 300, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda, de William Sidi, CPF 040.767.77808, João Deguirmendjian, CPF 529.470.25849, e Alexandre Argoud Malavazzi, CPF 132.367.87864, relativamente à exigência tributária formalizada no curso do presente procedimento fiscal em face do sujeito passivo UNIVEN REFINARIA DE PETRÓLEO LTDA, CNPJ 67.276.923/000141.” Esses mesmos fatos e fundamentos conduziram à responsabilização da empresa recorrente Quasar, com base no art. 124, I do CTN: (...) Com base no conjunto de informações ora relatadas, fica caracterizada a SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, nos termos dos art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), de VIBRAPAR PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 04.211.528/000160 e QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 04.208.316/000124, assim como de William Sidi, CPF 040.767.77808, João Deguirmendjian, CPF 529.470.25849 e Alexandre Argoud Malavazzi, CPF 132.367.87864, relativamente à exigência tributária formalizada no curso do presente procedimento fiscal em face do sujeito passivo UNIVEN REFINARIA DE PETRÓLEO LTDA, CNPJ 67.276.923/000141. (...) Observase que, no que concerne a responsabilidade tributária dos recorrentes, a controvérsia posta no processo nº 19515.721720/201363 é exatamente a mesma do presente processo, razão pela qual, não faria qualquer sentido aqui efetuar julgamento em sentido contrário. Assim, adoto como fundamentos de decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os argumentos apresentados no Voto condutor do Acórdão do processo de IRPJ, abaixo transcrito: Processo nº 19515.721720/201363 Recurso De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201001.432– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de maio de 2016 Matéria IRPJ e CSLL Recorrentes UNIVEN REFINARIA DE PETRÓLEO LTDA; JOÃO DEGUIRMENDJIAN; ALEXANDRE ARGOUD Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.721721/201316 Acórdão n.º 3402003.107 S3C4T2 Fl. 1.051 11 MALAVAZZI; WILLIAN SIDI e QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA FAZENDA NACIONAL (...) Relator: João Carlos de Figueiredo Neto VOTO (...) Estabelecem os arts. 124 e 135 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nestes termos, é responsável solidária a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador (art. 124, I). A noção de “interesse comum”, entretanto, não pode ser observada de maneira absolutamente abrangente, incluindose qualquer pessoa que possa vir a auferir benefícios da situação. Exemplo claro de responsabilidade solidária por interesse comum é o do sócio de fato, que administra a empresa através de “laranja”. Diversos são os precedentes deste e. CARF nesse sentido. A título exemplificativo, colacionase o acórdão CARF nº 1301001.525, de 08/05/2014: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem". Em relação à responsabilização solidária dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas (art. 135, III), é necessária a clara e comprovada prática de atos com excesso de poderes ou de infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto. Não basta a indicação do artigo e a suposição de ato infracional: é necessário individualizar a atuação, lastreandose sempre em provas. Precedentes do CARF: Acórdão CARF nº 1101001.239, de 04/02/2015: Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 12 "RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. A autoridade fiscal jamais apontou qualquer ato em afronta à lei ou aos estatutos das companhias em causa que tenha sido praticado pelas pessoas físicas em análise, o que não autoriza a responsabilidade solidária prevista no art. 135, inc. III, do CTN." Não é incomum a responsabilização de pessoas físicas (ou jurídicas) pela cumulação dos artigos 124 e 135 do CTN. A utilização de interposta pessoa (“laranja”) é clara infração à lei, bem como – uma vez demonstrada a ocorrência fática – impõe o registro do interesse comum no fato gerador. Assim, precedentes do CARF: Acórdão CARF nº 1102001.330, de 25/03/2015: "SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA.SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado.” Tendo expostas as premissas, voltamos ao caso concreto. Nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, consta a acusação de utilização de interpostas pessoas na administração da empresa autuada. Isso porque, explica, os Sócios João Deguirmendjian e Alexandre Argoud Malavazzi, que antes apareciam diretamente na composição societária da UNIVEN, foram substituídos por duas empresas, das quais faziam parte (VIBRAPAR e QUASAR, respectivamente), mas que, apesar dessa substituição, continuavam atuando diretamente na Contribuinte como representantes das respectivas empresas. Não se observa nenhuma ilegalidade, infração ou mesmo estranheza nessa composição. Uma vez que a empresa autuada crescia, se tornava robusta tanto em capital social, quanto em faturamento, é natural que os sócios constituam empresas patrimoniais, facilitando assim a capitação de recursos ou a sucessão de seu patrimônio, por exemplo. Observamos, ademais, que jamais esconderam, ocultaram ou, de qualquer forma, dificultaram o conhecimento público de que continuavam compondo o capital social (através de empresas controladoras) e a administração da empresa Contribuinte. Notese que, como indicou um dos recorrentes, os Contratos Sociais atribuem a gestão da empresa aos Srs. Alexandre Argoud Malavazzi, João Deguirmendjian e William Sidi, mesmo após a substituição dos dois primeiros pela empresa Vibrapar (fl. 421). Portanto, não existe essa infração. Com relação à suposta existência de fraude, a transcrição de notícia jornalística e de decisão judicial proferida com partes Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.721721/201316 Acórdão n.º 3402003.107 S3C4T2 Fl. 1.052 13 distintas não se constitui em prova; no máximo, serve como indício. Nesse caminho, isoladamente, não tem o condão de responsabilizar os diretores da Contribuinte nos termos do art. 135, III do CTN e do art. 210, VI do RIR/99. Por fim, também não pode prevalecer o fundamento exposto pela autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que as pessoas físicas têm interesse comum no fato gerador (art. 124, I), o que também caracterizaria infração à lei, mais especificamente ao art. 250 do RIR/99. O fato de que administravam a empresa não significa que as pessoas físicas expressamente determinaram a exclusão de valor indevido do lucro líquido, ou mesmo que tinham conhecimento desse fato. Mais provável que tenha se tratado de mero erro, uma vez que a Contribuinte tinha prejuízos fiscais de anos anteriores (como já apontado acima), os quais não foram lançados na DIPJ 2010, conforme constatase das linhas 74 a 78 da Ficha 09A (fl. 37). Nesse caminho, a noção de que qualquer erro na escrituração contábil possa gerar responsabilização dos diretores é abranger em excesso o comando normativo e retirar, da fiscalização, o ônus de provar a ocorrência da infração à lei, i.e., da atuação dolosa da pessoa física no sentido de fraudar ou sonegar tributos. Por essas razões, afasto a responsabilização solidária deALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, WILLIAM SIDI e da empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA., por absoluta falta de comprovação da ocorrência de atuação com excesso de poderes ou de infração à lei ou ao contrato social, bem como por inexistência de situação que configure interesse comum na ocorrência de fato gerador. (...) Também no presente processo, não obstante os argumentos da decisão recorrida de que a contribuinte "utilizouse de artifícios para diminuir indevidamente os valores das contribuições, através da redução dos valores das bases de cálculo e/ou da apropriação indevida de créditos da não cumulatividade", em que pesem as alegações de irregularidades na gestão da empresa UNIVEN, não há elementos nos autos que comprovem que os próprios recorrentes (pessoas físicas e empresa sócia) autorizaram ou tinham conhecimento de tais artifícios. Assim, seguindo a mesma orientação acima, no presente processo devem ser excluídas as responsabilidades de ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, WILLIAM SIDI e da empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recurso de Ofício Por ser a exoneração parcial do lançamento superior ao limite de alçada, tomo conhecimento do recurso de ofício. No que concerne ao recurso de ofício, incumbe analisar as seguintes exonerações parciais da DRJ: Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 14 i) cancelamento das parcelas das contribuições do PIS e da Cofins, relativos às glosas efetuadas, nos valores totais de R$ 800.233,52 e R$ 1.523.141,65, respectivamente, bem como a multa de ofício de 112,5% e encargos legais correspondentes; e ii) afastamento do agravamento da multa de ofício no percentual de 112,5%, para os responsáveis solidários Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi e para a controladora Quasar Administrações e Participações Ltda. O julgador a quo, acatando o argumento dos impugnantes Alexandre Argoud Malavazzi e Quasar Administrações e Participações Ltda, entendeu pela exoneração das glosas exigidas isoladamente, vez que elas já estariam computadas nos valores das contribuições lançadas por falta de pagamento e/ou declaração, caracterizando exigência em duplicidade. Conforme tabelas que constam na decisão recorrida, como a que consta abaixo para a Cofins, apurou o julgador a duplicidade de exigência dos valores glosados das contribuições do PIS e da Cofins, vez que "os valores apurados das contribuições (linhas 5) foram determinados através das diferenças algébricas entre os valores totais das contribuições apurados antes dos descontos (linhas 1) e os valores dos créditos passíveis de serem descontados (linhas 4), sendo, esses últimos, obtidos através das diferenças algébricas entre os créditos das contribuições descontados no mês pela contribuinte (linhas 2) e os créditos glosados da contribuição (linhas 3), demonstrandose, claramente, que os valores glosados (linhas 3) diminuíram os valores dos créditos passiveis de desconto após as glosas (linhas 4) e aumentaram, em mesmos montantes, os valores das contribuições lançadas por insuficiência de pagamento ou declaração". Assim, correta a decisão pelos seus próprios fundamentos, que, demonstrando a exigência de valores em duplicidade das contribuições, saneou devidamente a autuação, exonerando tais parcelas e as correspondentes multas de ofício e acréscimos legais. Também nada há a reparar na parte dessa decisão que afastou o agravamento da multa de ofício no percentual de 112,5%, por não atendimento à intimação (art. 44, §2º da Lei nº 9430/96), para os responsáveis solidários Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi e para a controladora Quasar Administrações e Participações Ltda, tendo em vista que, comprovadamente, já haviam se desligado da contribuinte antes do início da fiscalização (10/08/2012) e que nunca foram intimados pessoalmente a prestar esclarecimentos ou apresentar qualquer documento. William Sidi retirouse do quadro societário da Univen na alteração contratual arquivada na JUCESP em sessão realizada em 19/05/2010. Na sessão realizada em 03/05/2012, a Quasar também se retirou, daí a consequente retirada de Alexandre Argoud Malavazzi. Ademais, com a exclusão da responsabilidade dessas pessoas no recurso voluntário, não prosperaria qualquer exigência tributária em face delas. Assim, pelo exposto voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários para afastar a responsabilidade que recaía sobre ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 19515.721721/201316 Acórdão n.º 3402003.107 S3C4T2 Fl. 1.053 15 WILLIAM SIDI e a empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. e negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720025/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012
AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE.
O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência.
ÁGIO. SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. OPERAÇÕES SEM PROPÓSITO NEGOCIAL.
Nas operações estruturadas em seqüência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial, vez que não houve no presente caso a incorporação da real investidora, afastando a possibilidade da amortização do ágio pago na aquisição.
MULTA QUALIFICADA.
Não há que se falar em multa qualificada, pois à época da realização dos atos societários com vistas ao aproveitamento do ágio, não havia entendimento consolidado neste Conselho sobre a abusividade dos planejamentos tributários e, portanto, injusto tratar a operação realizada como sendo fraudulenta, dolosa ou simulada.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Sobre a multa de ofício que não tenha sido paga no vencimento, incidem juros de mora.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS.
Em se tratando de exigências reflexas de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
Numero da decisão: 1402-002.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone acompanhou pelas conclusões. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%. Por maioria de votos, acolher a decadência em relação ao ano-calendário de 2007 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento integralmente ao recurso e os Conselheiros Gilberto Baptista e Roberto Silva Junior que votaram por dar provimento integralmente ao recurso.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone, Roberto Silva Junior, Gilberto Baptista, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. ÁGIO. SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. OPERAÇÕES SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. Nas operações estruturadas em seqüência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial, vez que não houve no presente caso a incorporação da real investidora, afastando a possibilidade da amortização do ágio pago na aquisição. MULTA QUALIFICADA. Não há que se falar em multa qualificada, pois à época da realização dos atos societários com vistas ao aproveitamento do ágio, não havia entendimento consolidado neste Conselho sobre a abusividade dos planejamentos tributários e, portanto, injusto tratar a operação realizada como sendo fraudulenta, dolosa ou simulada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sobre a multa de ofício que não tenha sido paga no vencimento, incidem juros de mora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16561.720025/2014-11
anomes_publicacao_s : 201607
conteudo_id_s : 5613454
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.215
nome_arquivo_s : Decisao_16561720025201411.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : DEMETRIUS NICHELE MACEI
nome_arquivo_pdf_s : 16561720025201411_5613454.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone acompanhou pelas conclusões. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%. Por maioria de votos, acolher a decadência em relação ao ano-calendário de 2007 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento integralmente ao recurso e os Conselheiros Gilberto Baptista e Roberto Silva Junior que votaram por dar provimento integralmente ao recurso. Leonardo de Andrade Couto - Presidente. Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone, Roberto Silva Junior, Gilberto Baptista, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
id : 6449183
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:50:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423193640960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2401; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.183 1 1.182 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720025/201411 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402002.215 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2016 Matéria IRPJ AMORTIZAÇÃO DE AGIO Recorrentes HYPERMARCAS S/A e FAZENDA NACIONAL Ambos ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. ÁGIO. SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. OPERAÇÕES SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. Nas operações estruturadas em seqüência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial, vez que não houve no presente caso a incorporação da real investidora, afastando a possibilidade da amortização do ágio pago na aquisição. MULTA QUALIFICADA. Não há que se falar em multa qualificada, pois à época da realização dos atos societários com vistas ao aproveitamento do ágio, não havia entendimento consolidado neste Conselho sobre a abusividade dos planejamentos tributários e, portanto, injusto tratar a operação realizada como sendo fraudulenta, dolosa ou simulada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sobre a multa de ofício que não tenha sido paga no vencimento, incidem juros de mora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 25 /2 01 4- 11 Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Em se tratando de exigências reflexas de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Paulo Mateus Ciccone acompanhou pelas conclusões. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%. Por maioria de votos, acolher a decadência em relação ao anocalendário de 2007 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone que votou por negar provimento integralmente ao recurso e os Conselheiros Gilberto Baptista e Roberto Silva Junior que votaram por dar provimento integralmente ao recurso. Leonardo de Andrade Couto Presidente. Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone, Roberto Silva Junior, Gilberto Baptista, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.184 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte em referência por meio dos quais se exigem IRPJ e CSLL, Pis e Cofins no valor total de R$ 4.971.350,31, incluídos a multa de ofício e juros de mora consolidados em 06/03/2014. Insta informar que, nos anoscalendário 2009 e 2010 bem como nos períodos 01/01/2011 a 30/04/2011 e 01/01/2012 a 30/06/2012, foi apurada matéria tributável cujo montante foi insuficiente para reverter o resultado negativo declarado pela contribuinte, o que levou a Fiscalização a compensar o prejuízo (IRPJ) e a base de cálculo negativa (CSLL) do período, conforme se depreende dos demonstrativos de fls. 450/454, 457, 477/481 e 483. Da Acusação Fiscal Os fatos que motivaram as autuações foram contextualizados no Termo de Verificação Fiscal Parcial (TVF) de fls. 428/445, cujo teor é relatado a seguir. Antes de descrever os fundamentos da exação fiscal, os AuditoresFiscais informam que o TVF "é continuação daquele cuja ciência, juntamente com o auto de infração, também parcial, se deu por via postal em 13/12/2013", o qual foi objeto do processo n° 16561.720182/201346 indicado na pauta para julgamento na presente sessão. Lembra que na aludida ação fiscal anterior foram abordadas irregularidades atinentes ao programa Fomentar e ao ágio relativo à incorporada Erches Participações Ltda., amortizado nos anoscalendário 2007 e 2008, e de destaca que o presente processo versa sobre o mesmo ágio, mas referente aos anoscalendário de 2009, 2010, 2011 e parte de 2012. Irregularidades relativas ao Ágio Erches Informa a Autoridade Fiscal que efetuou verificações "relativas às sucessivas operações de reorganizações societárias, as quais geraram valores relevantes de ágio, por expectativa de rentabilidade futura, deduzidos no cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL ". Destas, merece destaque o caso da Erches Participações Ltda., assim apresentado pela Fiscalização: A Maiorem Sociedad Anônima de Capital Variable, uma empresa mexicana, tinha como objetivo adquirir ações da Hypermarcas. Para tanto constituiu uma empresa veículo no Brasil (Erches), destinando a ela os recursos a serem utilizados na aquisição de ações da Hypermarcas. Ao subscrever capital na Hypermarcas, a Erches o fez com ágio no valor de R$ 278.519.664,62. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Logo em seguida, por meio do instituto da incorporação reversa, a Hypermarcas incorporou a sua investidora (Erches), passando a deduzir tributariamente o ágio gerado por ela mesma. Toda essa reorganização societária ocorreu no período de 01/06 a 04/06/2007. Esse procedimento redundou numa sangria aos cofres públicos da ordem de R$ 94,7 milhões, por meio da dedução paulatina, desse valor, da base tributável do IRPJ e CSLL num período de 5 anos. A empresa Erches Participações Ltda., CNPJ 08.568.106/000106, foi constituída em 08/12/2006 com capital de R$ 100,00 dividido em 100 quotas, sendo 99 delas pertencentes a Gyedre Palma Carneiro de Oliveira e quota restante, a Roberto Mario Amaral Lima Neto. Em 03/05/2007, conforme 1a alteração contratual, Gyedre transferiu suas quotas para Maiorem Sociedad Anônima de Capital Variable (empresa mexicana) e Roberto, para João Alves de Queiroz Filho. Em 01/06/2007, a Erches aumenta seu capital de R$ 100,00 para R$ 482.225.100,00, mediante a emissão de 482.225.000 quotas, cuja integralização foi efetuada pela Maiorem Sociedad Anônima de Capital Variable por meio de recursos advindos do exterior (México), conforme contrato de câmbio de 31/05/2007. Ainda em 01/06/2007, a "Erches subscreve capital na Hipermarcas no valor de R$ 482.225.100,00, sendo R$ 241.112.500,00 destinados ao capital e R$ 241.112.500,00 destinados à reserva de capital, a título de ágio na subscrição de ações, ficando com 38% de participação acionária ". Em 04/06/2007, a Hypermarcas incorporou a Erches, procedimento conhecido como incorporação reversa, e deu início às deduções do ágio. Considera que o próprio lapso temporal entre a criação e a extinção da empresa Erches já revelaria a ausência de propósito comercial da sua presença na operação. Esta empresa, constituída por dois advogados, foi adquirida pela empresa Maiorem e pelo Sr. João Alves de Queiroz Filho (mandatário da Hypermarcas). Ato contínuo, foi providenciado a seu aumento de capital e sua incorporação pela Hypermarcas. A Erches, consoante o argumentado pela Fiscalização, "foi apenas uma empresa 'no papel', economicamente inativa", não se vislumbrando qualquer "causa econômica para a existência dessa empresa e nem ânimo do exercício da atividade econômica. A sua existência se deveu apenas para propósito fiscal". Enfatiza a AuditoriaFiscal: Frisese que sem a presença da Erches, não seria possível aproveitar tributariamente o ágio no Brasil, pois ele estaria registrado na Maiorem, empresa domiciliada no exterior. Depois, relata a Fiscalização que intimou a fiscalizada a esclarecer os motivos que levaram a empresa Maiorem a se utilizar da empresa Erches como condutora dos recursos. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.185 5 Mesmo tendo salientado que somente a empresa Maiorem poderia responder a tal questionamento, a fiscalizada explicou: (...) Inicialmente, destaca que, no ano de 2007, frente ao grande potencial de crescimento apresentado pela economia brasileira, a Investidora iniciou a prospecção de negócios no território nacional que fossem aderentes à sua estratégia de crescimento. Também era requisito da Investidora que os titulares dos negócios prospectados buscassem novos sócios investidores, não desejando simplesmente alienar o controle das empresas prospectadas. Na media em que a prospecção de potenciais negócios avançava, a Investidora achou por bem verter o capital destinado a investimentos em empresas brasileiras para a Erches, a qual, agindo como Holding estabelecida no Brasil, concentraria todos os investimentos nas empresas operacionais brasileiras. Como já exposto em esclarecimentos anteriores, o capital vertido da Investidora para a Erches foi integralmente investido na Contribuinte em 01 de junho de 2007. Desta forma, os planos de investimentos em empresas brasileiras mediante aporte de capital desenvolvido pela Investidora se concretizaram e se concentraram em uma única empresa, a Contribuinte. Após a integralização dos investimentos, observando a indução da legislação tributária pátria, bem como a racionalização da administração das empresas, a Erches foi incorporada pela Contribuinte. A Contribuinte entende que desta forma o objetivo da Investidora foi atingido da forma mais direta possível e de maneira a preservar todos os seus direitos e incentivos a luz da legislação brasileira. Contudo, por não ter sido a motivadora da estrutura questionada, e por não ser representante constituído da Investidora, a Contribuinte não pode garantir que todos os motivos foram abordados e que novos fatos não surgirão na hipótese de notificação direta à Investidora. A esta explicação, a AuditoraFiscal se contrapõe, lembrando que "o mandatário da mesma [Hypermarcas], o Sr. João Alves de Queiroz Filho também era sócio da Erches e procurador da Maiorem no Brasil" e conclui: Pelos esclarecimentos apresentados verificase que nada justificaria a utilização de uma empresa veículo como condutor dos recursos da empresa mexicana, a não ser o fato de obter vantagens tributárias. Prossegue sustentando que o planejamento tributário pretendido seria abusivo. Depois de lembrar que a própria contribuinte reconheceu que o procedimento teria sido induzido pela legislação tributária, assevera que não é autorizado ao contribuinte "criar uma pseudosituação para que se enquadre num determinado dispositivo Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 legal a fim de reduzir ou suprimir a base tributária ". Ao agir desta forma, o planejamento tributário tornase abusivo, ilícito. As deduções promovidas a título de ágio por rentabilidade futura, neste contexto, são indevidas. Expõe a Autoridade Fiscal: A investidora original foi a Maiorem e, portanto, para que o ágio fosse aproveitado tributariamente de acordo com a legislação tributaria, a Hypermarcas teria que incorporála (caso de incorporação reversa), conforme preceitua o artigo o artigo 386, § 6°, II, do RIR/99. Na verdade, houve uma tentativa ilícita de internalizar o ágio, o qual pertence de fato à investidora original, no caso, a empresa mexicana Maiorem. Ante o exposto, concluiu a Fiscalização que o procedimento adotado pela contribuinte subsumese ao disposto no § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, o qual remete ao artigo 72 da Lei n° 4.502, de 1964: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A recorrente, por sua vez, articula os seguintes argumentos de defesa: III. 1 Da Efetiva Operação Realizada Ao defender a validade da amortização do ágio, argumenta que "as alterações societárias adotadas pela Impugnante deramse de forma lícita e adequada para atingir tanto o objetivo final do Grupo Hypermarcas captar recursos que permitiriam alavancar as suas operações por meio da compra da DM quanto da Maiorem (...) mitigando ao máximo o risco do referido investidor estrangeiro " e enfatiza que as operações "foram praticadas de forma legal e com o conhecimento dos órgãos competentes envolvidos" . Das Preliminares III.2 "Preclusão" da Possibilidade do Fisco Questionar a Legalidade dos Atos Societários que Deram Origem ao Ágio Amortizado (2007) O ágio em questão foi registrado no momento em que as novas ações da Hypermarcas foram adquiridas pela Erches (01/06/2007) e o direito à amortização teria nascido em 04/06/2007, quando a impugnante incorporou a Erches, repercutindo de 2007 em diante em razão das deduções promovidas. No entender da impugnante, não obstante as amortizações terem sido providenciadas depois de 2007, no momento em que foram lavradas as autuações, não seria mais possível se questionar a legalidade e eficácia tributária dos atos societários praticados 111.4 Do Equívoco Cometido pela Autoridade Fiscal com Relação às Normas Aplicáveis à Dedutibilidade de Despesas Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.186 7 111.4.1 Da Sobreposição da Norma Específica Sobre a Norma Geral Princípio da Especificidade 111.4.2 Regra Geral de Dedutibilidade das Despesas (artigo 299 do RIR/99) X Regra Específica para a Dedutibilidade da Despesa com Amortização do Ágio (artigo 386, inciso III, § 2° do RIR/99) 111.4.3 Outro Equívoco quanto à Fundamentação referente à Dedutibilidade do Ágio Nos tópicos acima descritos, argui a defendente que a Fiscalização fundamentou a glosa das despesas relativas à amortização no disposto no artigo 299 do RIR/99, norma esta que estabelece os pressupostos de necessidade, normalidade e usualidade para a dedutibilidade da despesa. Todavia, existe norma legal específica que trata da dedutibilidade do ágio, o que tornaria nulas as autuações impugnadas. Discorre, na continuação, acerca do conflito entre normas jurídicas e do princípio da especialidade, o qual faz prevalecer a regra especial sobre a geral. Apresenta julgado do CARF (Acórdão n° 20500.019) que aplicou o mesmo princípio ao se deparar com o conflito entre o artigo 71, § 1° da Lei n° 8.666, 1993, (Lei das Licitações) e o artigo 30, VI da Lei n° 8.212, de 1991, (Lei de Custeio da Previdência Social). Segundo a ementa transcrita pela interessada, a decisão do CARF está consubstanciada no Parecer AGU/MS n° 008/2006, aprovado pelo Exm° Senhor Presidente da República. Depois destas considerações, passa a sustentar que a regra aplicável à indedutibilidade de despesas com ágio é a norma especial prevista no artigo 386, inciso III, § 2°, do RIR/99, não a de caráter geral estabelecida no artigo 299 do RIR/99, esta invocada pela Fiscalização. Do Direito III.5 Da Validade das Operações III.5.1 Da Legitimidade das Operações Realizadas e Posterior Aproveitamento Fiscal do Ágio pela Impugnante Análise das Normas Contábil, Societária e Fiscal Antes de iniciar a exposição a respeito da legitimidade dos procedimentos realizados, a impugnante ressalva que, não obstante a Erches fosse uma sociedade limitada, a Lei n° 6.404, de 1976, (Lei das S.A) seria aplicável supletivamente ao caso por força do disposto no artigo 1.053 do Código Civil e por expressa previsão na cláusula quinze do contrato social, esta reproduzida abaixo (fl. 1318): III.5.2 Da Demonstração do Propósito Negocial e da Necessidade da Sociedade "Erches" Repisa sua argumentação já exposta de que a Erches foi adquirida para resguardar a investidora Maiorem contra entraves burocráticos que resultariam do fracasso das negociações de compra da empresa DM pela Hypermarcas. A realização deste negócio era importante, pois a empresa mexicana desejava investir no conjunto formado por ambas as empresas. Caso a obtenção da DM pela Hypermarcas "não se concretizasse a Maiorem desistiria de participar daquela transação e destinaria seus recursos, que já se encontravam na Erches, para outras oportunidades" . Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 III.5.3 Da Impossibilidade de Ingerência pela Autoridade Fiscal na Atividade Desenvolvida pela Impugnante Passa a defender que a Fiscalização, não obstante tenha reconhecido a "possibilidade de escolher o caminho tributário que melhor lhe convier" , pretendeu "impor a utilização de uma determinada estrutura societária à Impugnante" . III.5.4 Da Jurisprudência do CARF III.5.4.1 Caso Multiplan Traz a colação, decisão proferida pelo CARF nos autos do processo n° 16682.720880/201111, no qual o Tribunal Administrativo teria se deparado com uma situação bem semelhante à tratada nos presentes autos. Destaca que, contra a decisão proferida, não foi oferecido qualquer recurso pela PGFN. III.5.4.2 Caso Santander Alternativa para a Operação III.5.4.3 Ad argumentandum Da Validade da "Sociedade Veículo" Repisa os argumentos de que a Erches não poderia ser considerada empresa veículo, posto que havia propósitos extratributários para a sua criação e aquisição, "relacionados com os procedimentos adotados pela Maiorem para investir no Brasil mitigando ao máximo incorrer em eventuais riscos e custos desnecessários" . III.6 Da Inexistência de Fraude Impossibilidade de Aplicação da Multa Agravada Destaca, inicialmente, que, as autuações impugnadas tratam de glosa de amortizações fiscais realizadas nos anoscalendário 2007 e 2008, com base nos mesmos fundamentos fáticos. Não obstante, a multa de ofício atinente ao ano de 2007 foi qualificada em 150%, ao passo que a concernente e 2008 foi exigida em 75%. III.7 Ad argumentandum Da Inexistência de Previsão Legal Para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização Aduz que, no TVF, não foi apresentada qualquer fundamentação que levasse à adição da despesa com ágio na base de cálculo da CSLL, o que macularia o lançamento fiscal III.8 Da Compensação "de Ofício" de Prejuízos Fiscais e da Base de Cálculo Negativa da CSLL Neste tópico, apenas argumenta que, em sendo canceladas as autuações impugnadas, deverão ser restabelecidos os saldos de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL. III.9 Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa Nesta parte de sua impugnação, a interessada contesta a incidência de juros sobre a multa de ofício. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.187 9 A impugnação foi julgada parcialmente procedente, cuja ementa restou assim consignada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. O Fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. OPERAÇÕES SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. Nas operações estruturadas em sequência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial. ÁGIO. SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Constatada a simulação na criação de ágio, é cabível a glosa da sua dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. MULTA QUALIFICADA. Não há como afastar a imputação fiscal de sonegação e simulação e a consequente aplicação da multa qualificada se descritas pela Fiscalização circunstâncias que demonstram a ocorrência de reestruturação societária para criar, formalmente, por meio da constituição e posterior incorporação de "empresa veículo", uma situação que se enquadrasse na exceção legal que possibilita deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a Lei n° 9.532/97, o que justifica, além da glosa das correspondentes deduções, a multa no percentual de 150%. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sobre a multa de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 A amortização do ágio é indedutível da base de cálculo da CSLL se não forem satisfeitas as condições de sua dedutibilidade na apuração do lucro real previstas na legislação tributária. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados" Em virtude da decisão acima, tanto a Delegacia de Julgamento quanto o contribuinte recorreram a este Conselho. É o relatório. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.188 11 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de representação, portanto, dele conheço. Como se viu, informa a Autoridade Fiscal que efetuou verificações "relativas às sucessivas operações de reorganizações societárias, as quais geraram valores relevantes de ágio (AGIO ERCHES), por expectativa de rentabilidade futura, deduzidos no cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL". I GLOSA DE ÁGIO ERCHES A controvérsia reside na análise da legitimidade com que a sociedade ERCHES se inseriu no processo de aquisição da HYPERMARCAS pelo grupo mexicano da MAIOREM. A recorrente argumenta que a ERCHES foi constituída e utilizada, não para ser incorporada e possibilitar o aproveitamento fiscal do ágio, mas por razões negociais extratributárias independentes e autônomas. A finalidade de sua constituição seria, em síntese, mitigar o risco do investidor estrangeiro, pois ele só estaria interessado em adquirir a recorrente se esta conseguisse adquirir a DM. Assim, a função da ERCHES seria resguardar a 22 investidora MAIOREM contra entraves burocráticos que resultariam do fracasso das negociações de compra da empresa DM pela HYPERMARCAS. A realização deste negócio era importante, pois a empresa mexicana desejava investir no conjunto formado por ambas as empresas. Caso a obtenção da DM pela HYPERMARCAS "não se concretizasse a MAIOREM desistiria de participar daquela transação e destinaria seus recursos, que já se encontravam na ERCHES, para outras oportunidades". Alegase também que diante dessa complexidade, o investimento prévio na ERCHES preveniria a investidora mexicana contra riscos cambiais. Entendese por ágio ou deságio a diferença entre o valor de patrimônio líquido de uma participação societária (proporcional à participação do sócio no capital social da empresa) e o seu custo de aquisição (montante pelo qual ela é negociada entre as partes contratantes). Se o valor de aquisição for maior que o patrimonial, terseá ágio, se for menor, deságio. No que tange aos investimentos realizados em sociedade coligada ou controlada, de acordo com o artigo 385 do RIR/99, em função do método de avaliação com base na equivalência patrimonial, o correspondente preço do ágio ou deságio deverá ser registrado pela parte que o suporta em conta distinta daquela onde é escriturado o valor patrimonial do investimento (desdobramento do custo de aquisição). Na apuração do lucro real e do resultado do exercício ajustado para fins de incidência da CSLL, usualmente, a amortização do ágio ou deságio não é deduzida ou Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 tributada. Via de regra, a dedução ou tributação dessa amortização no âmbito do IRPJ e da CSLL somente ocorrerá quando o investimento que lhe deu origem for alienado ou liquidado (arts. 391 e 426 do RIR/99), quando então o ágio ou deságio é incluído no preço de aquisição do investimento que está sendo extinto. Tal regra, todavia, não se aplica a certas hipóteses de incorporação, fusão ou cisão, quando a inclusão da amortização do ágio ou deságio na base de cálculo do IRPJ e da CSLL será admitida independentemente da alienação ou liquidação do investimento. De acordo com o artigo 386 do RIR/99, o qual repete os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, quando uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em conseqüência de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o artigo 385 do RIR/99, e o valor de mercado utilizado for embasado na previsão dos resultados de exercícios futuros, é possível desde já a dedução ou tributação da amortização do correspondente ágio ou deságio na apuração do IRPJ e da CSLL. Por meio dessa exceção, a legislação tributária considera que o investimento foi extinto com a incorporação, fusão ou cisão patrimonial. Tal dedução ou tributação, contudo, observará certas condições estipuladas na legislação (por exemplo, amortização de no mínimo 1/60 para cada mês do período de apuração, etc). Em verdade, desde o DecretoLei 1.598/77, é bastante claro que o ágio não seria amortizável da base de cálculo do IRPJ, mas comporia o custo do investimento na sua alienação. Ocorre que na extinção do investimento com a incorporação, o efeito de reduzir a base de cálculo do IRPJ na alienação desse investimento (mediante a agregação do ágio ao seu custo art. 33 do DL 1598/77) restaria inviabilizado. Por esse motivo, os arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97 permitiram que na incorporação do investimento fosse possível amortizar o ágio. Portanto, a finalidade do disposto nos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97 é regular o efeito fiscal da recuperação do ágio na aquisição do investimento, quando este é extinto mediante a incorporação. Se é essa a finalidade do dispositivo legal, não faz sentido permitir a amortização quando não há extinção nem do investidor e nem da sociedade investida. Esta é a questão que impõe seja solucionada no presente caso. Assevera a Fazenda Nacional em suas contra razões que, tal como destacado pelo Auditor responsável pelo lançamento, o principal aspecto que impede a dedutibilidade do ágio registrado pela empresaveículo ERCHES quando da subscrição de ações da HYPERMARCAS é o fato de que, na verdade, não foi essa empresa que adquiriu a participação, mas sim a sua controladora MAIOREM. Com isso, temse que a incorporação que envolveu a ERCHES não autoriza o aproveitamento fiscal do ágio pago. De acordo com a legislação aplicável, a única operação societária que possibilitaria a dedutibilidade dessa "mais valia" seria aquela que proporcionasse a união do patrimônio da autuada com o patrimônio da MAIOREM, que se mostra como a verdadeira adquirente da participação societária com ágio. Por certo, da leitura do artigo 386 do RIR/99, observase que a dedutibilidade da amortização de um ágio decorre do encontro num mesmo patrimônio do investidor com o investimento. Em face dessa confusão patrimonial, a legislação admite que o contribuinte considere perdido o investimento adquirido com o ágio e, assim, deduza a despesa que teve com essa "mais valia". Todavia, para que haja essa perda do investimento adquirido (encontro num mesmo patrimônio do investidor com o investimento), é imprescindível que a "mais valia" contabilizada tenha sido EFETIVAMENTE suportada por alguma das pessoas que participa da confusão patrimonial. Ou seja, o real investidor deve se confundir com o seu investimento. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.189 13 Caso o real investidor não participe da confusão patrimonial, não haverá como reconhecer que o investimento foi perdido. De acordo com a previsão legal, qualquer situação diferente da hipótese aqui ventilada não admite a dedução da despesa com amortização do ágio. Uma incorporação, fusão ou cisão societária que envolva, por exemplo, uma interposta pessoa como investidor (empresa veículo) não permitirá a aplicação do benefício fiscal instituído pelo artigo 386 do RIR/99. O ágio pode até existir contabilmente, mas não será dedutível na apuração do lucro real. A aquisição de participação societária na HYPERMARCAS pelo Grupo MAIOREM, se deu segundo a seguinte cronologia: • Em 01/06/2007, a ERCHES aumenta seu capital de R$ 100,00 para R$ 482.225.100,00, mediante a emissão de 482.225.000 quotas, cuja integralização foi efetuada pela MAIOREM Sociedad Anônima de Capital Variable por meio de recursos advindos do exterior (México), conforme contrato de câmbio de 31/05/2007. • Ainda em 01/06/2007, a "ERCHES subscreve capital na Hipermarcas no valor de R$ 482.225.100,00, sendo R$ 241.112.500,00 destinados ao capital e R$ 241.112.500,00 destinados à reserva de capital, a título de ágio na subscrição de ações, ficando com 38% de participação acionária". • Em 04/06/2007, a HYPERMARCAS incorporou a ERCHES, procedimento conhecido como incorporação reversa, e deu início às deduções do ágio. A Procuradoria, com acerto, observa que no brevíssimo período em que existiu, ERCHES não apresentou quaisquer movimentações negociais, a única exceção é o negócio jurídico de aquisição das ações da HYPERMARCAS, e, em seguida, ocorreu sua incorporação. Diante de tal constatação, incontroversa nos autos, não há como admitir que foi a ERCHES quem adquiriu as ações representativas da HYPERMARCAS, com recursos próprios. Quem adquiriu a participação foi, à toda evidência, a própria MAIOREM, cujos recursos financiaram a compra e para quem o recebimento das ações da HYPERMARCAS se deu mediante o artifício da incorporação IMEDIATA da ERCHES por esta sociedade, já previsto desde o início das operações (vide acordo de acionistas). Ou seja, em decorrência dessa operação societária, a MAIOREM passou a deter diretamente a participação acionária pela qual ela efetivamente pagou. Vêse, assim, o real investidor, que adquiriu a participação na HYPERMARCAS. Em que pese a participação da ERCHES como mera intermediária, mero instrumento de pagamento (interposta pessoa), ao final, o verdadeiro investidor acabou detendo o investimento por que pagou, tornandose seu controlador direto. Os argumentos da recorrente para justificar um propósito negocial legítimo à intervenção da ERCHES no processo de aquisição não se coadunam com o exíguo intervalo de tempo verificados entre os atos societários. Como bem asseverou a DRJ em sua decisão, a recorrente alegou que a empresa ERCHES havia sido criada e utilizada a fim de que o capital investido no Brasil ficasse em seu poder tendo em vista um possível fracasso nas tratativas de aquisição da empresa DM. Ora, a ERCHES foi capitalizada no dia 01/06/2007, e o contrato de câmbio referente ao ingresso de recursos do controlador MAIOREM no país data de 31/05/2007. Neste mesmo dia, 01/06/2007, uma sextafeira, a ERCHES subscreveu capital na HYPERMARCAS, Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 ficando com 38% de participação acionária. Em 04/06/2007, na segundafeira seguinte, a HYPERMARCAS incorporou a ERCHES. Conforme asseverou o relator da decisão recorrida, "estes fatos revelam que, entre o ingresso do capital mexicano no Brasil e a extinção da empresa ERCHES passaramse apenas 5 dias, mais precisamente 3 dias úteis. Se, em apenas três dias úteis, todas estas operações ocorreram, não é possível se aceitar que a empresa ERCHES foi utilizada a fim de se resguardar a investidora mexicana contra o insucesso da aquisição da DM ou eventuais riscos cambiais". Se, em 01/06/2007, data do aumento de capital, havia algum risco de não concretização dos negócios da HYPERMARCAS com a empresa DM, e se a investidora MAIOREM realmente quisesse evitar eventuais transtornos, não é de se acreditar que tivesse adquirido as ações da HYPERMARCAS já nesta data. Nem seria provável que, no dia útil seguinte, fosse realizada a incorporação da empresa ERCHES. Antes que a HYPERMARCAS tivesse efetivamente ingressado no quadro societário da DM, todo o procedimento relativo à aquisição da recorrente e incorporação da ERCHES já havia sido concretizada, deixando evidente que a finalidade da tal empresa veículo era mesmo, e tão somente, figurar como intermediária na aquisição da recorrente. Diferentemente do alegado pela recorrente, não consta que a MAIOREM só investiria na recorrente (por intermédio da ERCHES) se esta conseguisse adquirir a DM, mas que ela investiria na recorrente a fim de possibilitar que esta comprasse aquela. Ainda que a MAIOREM realmente tivesse interesse na HYPERMARCAS apenas se esta adquirisse a DM, fato é que antes dessa aquisição a ERCHES já havia sido incorporada e a MAIOREM já constava como acionista direta da HYPERMARCAS, situação que supostamente ela queria evitar com a constituição da ERCHES. Quanto à arguição de risco cambial, também estou de acordo com a Fazenda Nacional em suas contra razões, considerando que, poucos dias depois do ingresso do capital no Brasil, as ações da HYPERMARCAS já estavam em seu poder em virtude da incorporação da ERCHES, esta justificativa tampouco é crível como fundamento para constituição da ERCHES, até porque manter o capital investido na sociedade veículo lhe traria a mesma segurança cambial de simplesmente a MAIOREM manter o dinheiro em uma contacorrente para não residentes em instituição financeira nacional. Enfim, dado o curto espaço de tempo em que tudo ocorreu, não se vislumbra qualquer propósito negocial na utilização da empresa veículo ERCHES. A recorrente não logrou convencer que o procedimento realizado teria outro propósito senão a possibilidade de se criar uma estrutura transacional que pudesse resultar em benefício fiscal Ora, se a ERCHES, como visto acima, não teve propósito negocial outro que não servir de passagem do dinheiro da MAIOREM para aumentar o capital da HYPERMARCAS, data maxima venia, outra conclusão não se pode tirar senão que, no plano fáticomaterial, quem protagonizou a aquisição foi a MAIOREM, e jamais a empresa interposta cuja vida durou 03 dias úteis. E sendo assim, a incorporação da ERCHES pela MAIOREM não deu ensejo à união do investimento com o investidor, única hipótese que autorizaria a amortização do ágio. Entendo aplicável ao caso o precedente cuja ementa reproduzo a seguir, relativo ao Acórdão 1402.002.090, em que foi parte COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S/A, na relatoria do Cons. Frederico Augusto Gomes de Alencar in verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.190 15 Anocalendário: 2009, 2010, 2011 ÁGIO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA SEM MUDANÇA DE CONTROLE ACIONÁRIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA. O ágio na aquisição de participação da sociedade realizada por empresa do mesmo grupo empresarial e posteriormente incorporada pela autuada, sem alteração da composição do controle acionário da mesma, e sem o trânsito de recursos financeiros entre as empresas envolvidas não tem fundamento econômico. MULTA DE OFÍCIO. CONDUTA ACATADA PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE. Constatado que o procedimento adotado pelo contribuinte, à época dos fatos geradores, era referendado pelas decisões do CARF, não se pode falar em dolo, e, consequentemente, em fraude, sonegação ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), elementos necessários à qualificação da multa de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas." Aplico o mesmo precedente, inclusive, para a questão da multa, cujos fundamentos do voto desenvolvo oportunamente em tópico subseqüente. É realmente lamentável constatar que a legislação tributária brasileira não contém critérios objetivos para permitir ou proibir expressamente operações dessa natureza (comumente denominadas como Elisão Fiscal), gerando evidente insegurança jurídica no contribuinte. Mas o fato é que a teoria do abuso de direito e dos negócios jurídicos indiretos não é apenas uma forte e a meu ver irreversível tendência na aplicação do direito tributário no Brasil, mas em boa parte do mundo. A inclusão do parágrafo único do artigo 116 do CTN em 2001, por exemplo, mesmo inaplicável por aguardar até hoje regulamentação, causou evidente ruptura no sistema tributário brasileiro. A partir das discussões surgidas em torno de seu sentido e alcance, a aplicação da lei em relação aos planejamentos tributários sofreu mudança radical. Diante desse cenário preocupante é preciso, na medida do possível, ordenar situações semelhantes e decidir de maneira mais uniforme possível, justamente para por outro caminho voltar a proporcionar segurança jurídica aos contribuintes por meio da transparência Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 na interpretação e coerência nas decisões envolvendo planejamentos tributários complexos. Tratando as situações iguais de forma igual, obviamente observando as desigualdades peculiares a cada caso, além de segurança e previsibilidade, garantimos justiça fiscal. Feita esta ressalva de cunho eminentemente pessoal, na esteira dos precedentes deste colegiado, portanto, entender que a simples aquisição de participação com ágio é motivo suficiente para autorizar o uso de sociedades sem substância econômica nem propósito negocial com vistas a obter a amortização do ágio, significa, desconsiderar o requisito previsto no art. 7° da Lei 9.532/97, de que haja a legítima absorção do patrimônio. Portanto, uma vez que não houve no presente caso a incorporação da real investidora, não há que se falar na amortização do ágio pago na aquisição da recorrente. II MULTA QUALIFICADA Analisando o caso, entendo não restar caracterizado o dolo a justificar a qualificação da penalidade. Aliás, este colegiado recentemente (Acórdão 1402.002.183) decidiu caso semelhante, na lavra do Cons. Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto, que consignou em seu voto o seguinte: "À época em que os atos contestados foram praticados a jurisprudência do CARF agasalhava o procedimento adotado pela RECORRENTE. A própria decisão recorrida cita o acórdão 1301000.711, julgado na sessão de 20 de novembro de 2011, que deu provimento a recurso voluntário, por unanimidade, em situação muito similar à tratada nos presentes autos. O próprio fato de estarmos analisando um recurso de ofício em razão do provimento integral à impugnação já na primeira instância de julgamento, denota que há forte corrente que entende que sequer há infração no caso concreto. Esta própria turma julgadora, ainda que em composição bem distinta da atual, em situações idênticas ao presente caso, não só não mantinha a multa qualificada como considerava legitimas operações como as perpetradas pela RECORRENTE, cancelando integralmente os respectivos créditos tributários (por exemplo, Acórdão 140200.802 – Caso Santander). Somente no julgamento do Caso Bunge – Acórdão 1402001.460, realizado na sessão de 08/10/2013, esta turma passou a incluir nova premissa para amortização do ágio (necessidade de extinção do investimento), não aceitando a interposição de “empresa veículo” para aquisição do investimento e posterior incorporação reversa a fim, de que, de modo artificial, se pudesse deduzir das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL o ágio efetivamente pago em razão de rentabilidade futura. Saliento que não se trata da hipótese de ágio inexistente, como nos casos de “ágio interno”, mas sim de ágio efetivamente pago e de uma interpretação da legislação, ainda que equivocada, aceita, inclusive, por boa parte da doutrina. Nesse cenário, considero não restar caracterizada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), elementos Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.191 17 necessários à qualificação da multa de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. O mesmo ocorre em relação a não ocorrência de fraude, dolo ou simulação o que torna descabida no presente caso. Isto porque o contribuinte valeuse da legislação vigente, bem como registrou todas as operações e valores nos seus documentos contábeis e fiscais. Tratouse portanto tão somente de divergência de interpretação da legislação em vigor. Assim sendo, voto por reduzir a penalidade aplicada para 75%, correspondente apenas à aplicação da multa de ofício. III "PRECLUSÃO" Em preliminar de defesa a recorrente menciona que teria havido "preclusão" para que o fisco pudesse discutir os atos societários praticados nas duas operações de incorporação que deram origem ao ágio aqui discutido. Entendo que não se trata aqui de preclusão, enquanto perda de prazo para a prática de atos processuais. Na fase fiscalizatória não há processo, há procedimento de lançamento de cunho inquisitório. Portanto, o que a recorrente denomina de "preclusão" confundese com o instituto da decadência (em sentido estrito). Seja como for, considerando ambos institutos como perda de qualquer direito pelo decurso do tempo (decadência em sentido amplo), não vislumbro que tal fato tenha ocorrido. Isto porque o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento se dá com referencia à hipótese de incidência no caso, o não pagamento do IRPJ em decorrência da amortização do ágio e não com referência aos atos societários praticados. Em outras palavras, não se questiona aqui a existência e validade dos atos societários em si, mas a hipótese de incidência (lucro), e é esta hipótese a referência para a prazo inicial da decadência. Desta forma, correto o entendimento da decisão de primeira instância no sentido de que o Fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Assim, afasto a preliminar de "preclusão" relativamente aos atos societários praticados. IV JUROS SOBRE MULTA SE OFÍCIO A respeito do tema, curvome ao entendimento mais recente, consagrado pela Câmara Superior de Recursos Ficais deste Conselho, e refletido no acórdão n° 9101 00539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner, in verbis: Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.192 19 A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.193 21 Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Por esta razão, afasto a alegação da recorrente de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, ressaltando que tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. RECURSO DE OFICIO Da Compensação ‘de Ofício’ de Prejuízos Fiscais e da Base de Cálculo Negativa da CSLL Neste tópico, a interessada levantou o problema da influência que a base de cálculo apurada nas autuações objeto do processo 16561.720182/201346 tem sobre a base de cálculo apurada nos autos de infração que integram o presente processo. Realmente, o presente processo trata da apuração das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL concernentes ao período de 2009 a 2012. O processo 16561.720182/201346, a seu passo, também, versou sobre as aludidas bases de cálculo para o período de 2007 a 2011. A conexão e a interdependência entre os dois processos evidenciam que não é possível se concluir qual a base de cálculo apurada no período em comum sem que os dois processos se encerrem. Não é por outro motivo que, no TVF de fl. 428, a Fiscalização deixou muito claro que as autuações lançadas representam uma complementação das anteriormente formalizadas: O presente Termo de Verificação Parcial é continuação daquele cuja ciência, juntamente com o auto de infração, também parcial, se deu por via postal em 13/12/2013. Vale lembrar que aqueles abordaram duas irregularidades: a primeira, referente ao ágio relativo à incorporada Erches Participações Ltda. e, a segunda, às irregularidades relativas ao Fomentar. Este Termo (e o Auto de Infração) abordará somente as irregularidades relativas ao ágio referente à incorporada Erches, contemplando os períodos de 2009, 2010, 2011 e 2012(parte), haja vista que, as irregularidades em 2007 e 2008, bem como, Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 aquelas referentes ao Fomentar, dos períodos de 2009, 2010 e 2011, já foram contempladas no Auto de Infração anterior(Processo n° 16.561 720182/201346). Uma vez que a impugnação oferecida nos autos do processo nº 16561.720182/201346 foi julgada parcialmente procedente na primeira instância, e mantida neste Conselho, é imperioso que sejam analisadas as consequências das retificações das autuações lavradas em 2013, de modo a se consolidar as bases de cálculo apuradas no período de 2009 a 2011. As tabelas, elaboradas pela Fiscalização foram reformuladas, alterandose o valor indicado nas linhas “resultado apurado – fiscalização ant.” para que prevaleçam os valores resultantes do julgamento proferido no Acórdão nº 14054.757 da DRJ, e ora mantido. Registrese, ao final, que o crédito tributário exigido nas autuações em julgamento decorre da base tributável apurada pela Fiscalização no período de 01/05/2011 a 31/12/2011, conforme tabela abaixo: Tendo em vista que, no julgamento proferido nos autos do processo nº 16561.720182/201346, a exação atinente ao programa Fomentar foi cancelada, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL foi recomposta pela DRJ conforme tabela abaixo: Com isso, o crédito tributário exigido no montante de R$ 4.971.350,31, decorrente da base tributável de R$ 5.506.145,80 deixa de existir, ficando em seu lugar o reconhecimento de um resultado negativo de R$ 17.779.178,92. Salientese, por fim, que a decisão prolatada por este colegiado nos autos do processo nº 16561.720182/201346, que cancelou a glosa relativa ao FOMENTAR, bem como julgou IMPROCEDENTE o recurso de ofício, faz com que a liquidez do presente Acórdão dependa desta última decisão, no processo conexo. Ante o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA do presente recurso de ofício, visto que alteradas as bases de cálculo apuradas tendo em vista a repercussão sobre elas da decisão proferida no processo nº 16561.720182/201357. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.194 23 Em cumprimento às determinações das Normas de Execução SRF/Cofis/Cosit/Cotec nº 3 e 4, ambas de 1998, devem ser procedidas as alterações cabíveis no Sistema de Acompanhamento do Prejuízo Fiscal e da Base Negativa da Contribuição Social – SAPLI, conforme demonstrativos juntados aos autos. Em função das retificações das autuações realizadas nos autos do processo 16561.720182/201346, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL passam a ser as que se seguem: Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 24 Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.720025/201411 Acórdão n.º 1402002.215 S1C4T2 Fl. 1.195 25 Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 26 Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000178/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2007
ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. SUPERVENIENTE PERDA DO FUNDAMENTO DE FATO E DE DIREITO DA DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE REVER OS SEUS PRÓPRIOS ATOS.
A coisa julgada é apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006
Os efeitos do ato administrativo definitivo podem ser revistos integral ou parcialmente quando há perda dos fundamentos de fato e de direito de sua emissão. Art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (inspirado na antiga Súmula 473 do STF).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.292
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento o período de concessão do CEBAS (competências até 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007).
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201604
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2007 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. SUPERVENIENTE PERDA DO FUNDAMENTO DE FATO E DE DIREITO DA DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE REVER OS SEUS PRÓPRIOS ATOS. A coisa julgada é apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006 Os efeitos do ato administrativo definitivo podem ser revistos integral ou parcialmente quando há perda dos fundamentos de fato e de direito de sua emissão. Art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (inspirado na antiga Súmula 473 do STF). Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15956.000178/2008-02
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5586185
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.292
nome_arquivo_s : Decisao_15956000178200802.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
nome_arquivo_pdf_s : 15956000178200802_5586185.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento o período de concessão do CEBAS (competências até 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007). (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6363774
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:47:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423226146816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2.621 1 2.620 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000178/200802 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.292 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2016 Matéria CONT. PREV. ISENÇÃO/IMUNIDADE Recorrente ASSOCIAÇÃO DAS URSULINAS DE RIBEIRÃO PRETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2007 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. SUPERVENIENTE PERDA DO FUNDAMENTO DE FATO E DE DIREITO DA DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE REVER OS SEUS PRÓPRIOS ATOS. A coisa julgada é “apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006 Os efeitos do ato administrativo definitivo podem ser revistos integral ou parcialmente quando há perda dos fundamentos de fato e de direito de sua emissão. Art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (inspirado na antiga Súmula 473 do STF). Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento o período de concessão do CEBAS (competências até 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007). (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 78 /2 00 8- 02 Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15956.000178/200802 Acórdão n.º 2401004.292 S2C4T1 Fl. 2.622 3 Relatório Tratase de lançamento nº 37.131.9889, lavrado em 23/06/2008, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à parte da empresa e à parte destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados constante de folha de pagamento e parte da empresa incidente sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, no período de 06/2003 a 07/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 5.506.362,85, fls. 01. Em procedimento fiscal anterior àquele que culminou na lavratura do Auto de Infração em comento, constatouse que a entidade não atendia aos requisitos para a concessão do CEBAS, tendo sido emitida Representação Administrativa e Informação Fiscal em 30/06/2004. Posteriormente, conforme Informação Fiscal de 05/04/2007, que deu origem ao Ato Cancelatório n° 002/2007 (09/08/2007), retroativo a 01/01/1998, constatouse que a recorrente não atendia ao art. 55, II, da Lei n° 8.212/91 ausência de CEBAS (processo 17460.000192/200714). Resolvida a questão relativa ao cancelamento de sua isenção, foi iniciado o procedimento fiscal relativo ao lançamento em destaque. Lavrado o Auto de Infração, a recorrente tomou ciência pessoal da autuação em 27/06/2008, fls. 01, e apresentou a impugnação de fls. 508/530, na qual sustentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Ribeirão Preto, em despacho de fls. 582/583, solicitou fossem os documentos relacionados com o cancelamento da isenção juntados ao presente. A fiscalização juntou os documentos solicitados e informou, fls. 584/585, o seguinte: Foi elaborada Informação Fiscal para cancelamento da Isenção, em 05/04/2007, constante do Processo n° 17460.000192/200714 (n° este, recebido no Ministério da Fazenda DRJ RPO PROT SP, quando da fusão ocorrida na forma da Lei n° 11.457/2007), pelo não cumprimento pela Associação do contido no inciso II, do art. 55, da Lei n° 8.212/91. Foi encaminhada via da Informação Fiscal à Empresa através do Ofício n° 229/2007/DRPRIB/ SRP/MPS, de 05/04/2007, com AR Aviso de Recebimento n° 354926303, cientificada em 17/04/2007, com abertura de prazo para apresentação de defesa no prazo de 15 (quinze) dias. A Associação apresentou defesa tempestiva e a decisão culminou no Acórdão de n° 1416.133 9ª Turma da DRJ/RPO (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP), de 22/06/2007, onde seus membros acordaram por unanimidade de votos, considerar procedente a Informação Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 fiscal, com trânsito em julgado administrativamente e determinou a emissão do Ato Cancelatório. Assim, foi emitido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 002/2007, de 09/08/2007, encaminhado à empresa através do Ofício n° 668/2007/DRF/RPO/GAB, de 09/08/2007(fls. 377 a 379) do presente Auto de Infração, recebido pela Empresa em 15/08/2007 AR n° 613319001. Da decisão que cancelou a isenção não coube interposição de recurso administrativo, de conformidade com o estabelecido no § 9o do art. 206 do Decreto n° 3.048/99. Cientificada da informação fiscal em 06/03/2009, a recorrente aditou sua impugnação em fls. 613/616, insistindo nos fatos narrados em sua peça inicial. A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 619/628, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 19/10/2009, fls. 631. Especificamente quanto ao resultado do processo no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) publicado em 28/02/2008, o Acórdão a quo entendeu que a recorrente somente a partir daquela data teria passado a atender o requisito do inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91. Ficou consignada a conclusão de que o certificado anterior não teve seus efeitos estendidos, pois o CNAS não teria feito qualquer ressalva no novo CEBAS, fls. 625. Em seguida, a DRJ consignou que a discussão sobre a existência de isenção não poderia ser objeto de discussão no presente processo. Como a então impugnante não havia discutido os aspectos fáticos dos fatos geradores, estes foram considerados matéria não impugnada. No recurso voluntário, apresentado em 17/11/2009, fls. 635/645, a recorrente argumenta que: o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) deferiu seu CEBAS conforme anexo 2 da defesa inicial, fls. 555. Em decisão publicada em 28/02/2008, a recorrente teve reconhecida a validade de seu Certificado nos períodos 01/2001 a 12/2003 e 17/02/2005 a 16/02/2008. Diante disso, o Ato Cancelatório 002/2007 teria perdido a validade; o Ato Cancelatório referente ao Acórdão 1674/2006 também foi reformado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) conforme consta do Anexo 3 da defesa inicial; insiste que preenche todos os requisitos para a imunidade/isenção Suscita a aplicação da Nota DECOR/CGU/AGU 180/2009 ao caso. A recorrente apresentou pedido de desistência em relação aos fatos geradores de 01 a 13/2004 e 01 e 02/2005, fls. 666/669. Encaminhados os autos ao CARF e distribuídos à 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, os Conselheiros decidiram por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para: 1. Que seja solicitado ao Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) cópia integral dos processos 71010.002063/2004 61, 71010.002064/200414, 44006.005179/200062 e 71010.000199/199/200518, citados no item 2 da Resolução 35 de fevereiro de 2008 daquele órgão; Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15956.000178/200802 Acórdão n.º 2401004.292 S2C4T1 Fl. 2.623 5 2. Após a juntada dos documentos, que seja o presente processo enviado ao titular da DRF/Ribeirão Preto para que este se pronuncie sobre a legalidade integral do Ato Cancelatório 002/2007 e, caso conclua pela ilegalidade parcial, realize, se entender cabível, a revisão de ofício do referido Ato, juntando o eventual novo documento aos autos. Entendeu a Turma que, especificamente quanto ao resultado do processo no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) publicado em 28/02/2008, remanesce produzindo efeitos o Ato Cancelatório 002/2007 até que seja retirado do mundo jurídico por autoridade competente para tanto. Todavia, como o único fundamento do Ato Cancelatório 002/2007 restou afastado em relação aos períodos para os quais foi reconhecida a existência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), caberia a sua revisão. Ficou consignada a discordância em relação ao posicionamento adotado no Acórdão a quo que apontou que a decisão do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) de 28/02/2008 teria efeitos apenas ex nunc em relação à isenção. O Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), de fato, não decidiria sobre isenção, mas decidiria sobre o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Quem decide se a recorrente possuía ou não CEBAS válido em determinado período não é a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) e sim o CNAS. Sendo o CEBAS requisito para a isenção, a decisão definitiva sobre esta deveria ter aguardado o pronunciamento final do CNAS sobre o certificado por se tratar de questão prejudicial, o que não foi feito (em que pese não impediria o respectivo lançamento fosse realizado para evitar a decadência dos fatos geradores relativos a períodos nos quais a isenção estava sendo questionada). Consignouse ainda na Resolução que, com a decisão definitiva posterior do CNAS com efeitos ex tunc, o Ato Cancelatório 002/2007 restaria desprovido de fundamentos em relação ao período de 01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/02/2005 a 16/02/2008. Porém, como a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no processo 17460.000192/200714 alcançou a definitividade na esfera administrativa, caberia diligenciar para se apurar se a decisão do CNAS noticiada em fls. 555 já alcançou a definitividade na esfera administrativa para, em momento posterior, avaliarse os rumos do lançamento. No Despacho de Diligência de fls. 2.579, a DRF explica que a Resolução 35/2008 (publicada em 28/02/2008) CNAS deferiu pedidos de renovação do CEBAS: processo/CNAS n.º 44006.005179/200062, com validade assegurada de 01/01/2001 a 31/12/2003; e processo nº. 71010.000199/200518, com validade assegurada de 17/2/2005 a 16/02/2008. Sobre o Ato Cancelatório, entendeu a DRF que não tem competência para julgar matéria transitada em julgado com decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento/Ribeirão Preto (após ampla defesa concedida a Entidade) e que culminou no Acórdão n.º 1416.133 datado de 22/06/2007. A recorrente se manifestou a partir das fls. 2.587. Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 É o relatório. Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15956.000178/200802 Acórdão n.º 2401004.292 S2C4T1 Fl. 2.624 7 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Ato Cancelatório. Trânsito em julgado Administrativo. Superveniente Perda do Fundamento de Fato e de Direito. Conforme Despacho de Diligência de fls. 2.579, a Resolução 35/2008 (publicada em 28/02/2008) CNAS deferiu pedidos de renovação do CEBAS: processo/CNAS n.º 44006.005179/200062, com validada assegurada de 01/01/2001 a 31/12/2003; e processo nº. 71010.000199/200518, com validade assegurada de 17/2/2005 a 16/02/2008. Estes períodos cobrem todas as competências que remanescem em discussão, tendo em vista que a recorrente apresentou pedido de desistência em relação aos fatos geradores de 01 a 13/2004 e 01 e 02/2005, fls. 666/669. Os fundamentos do presente lançamento são a ausência de CEBAS (fático) e, consequentemente, o não cumprimento do artigo 55, II, da Lei n° 8.212/91 (de direito). Respeitando o procedimento então vigente, a fiscalização emitiu Ato Cancelatório de Isenção, que era condição sine qua non para o lançamento das contribuições. Este Ato Cancelatório de Isenção transitou em julgado administrativamente. A partir de tal cancelamento, o gozo da isenção somente voltaria a ocorrer após novo pedido de isenção (artigo 55, § 1°, da Lei n° 8.212/91). O Ato Cancelatório de Isenção transitou em julgado administrativamente, mas, para parte do período analisado, sobreveio a concessão retroativa do CEBAS (01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/2/2005 a 16/02/2008). Parecenos que o trânsito em julgado administrativo não é óbice para o reconhecimento da superveniente perda do fundamento fático e de direito para a sua emissão. Com efeito, para o período de 01/01/2001 a 31/12/2003 e de 17/2/2005 a 16/02/2008, o Ato Cancelatório não merece prosperar, visto que a entidade passou a ostentar o CEBAS e, consequentemente, a cumprir o artigo 55, II, da Lei n° 8.212/91. Com relação aos argumentos relativos à definitividade do ato cancelatório, consigno que a própria utilização da expressão “coisa julgada” para a matéria administrativa é criticada pela doutrina. Maria Sylvia Zanella Di Pietro afirma que “não se pode simplesmente transpor uma noção, como a coisa julgada, de um ramo, onde tem pleno fundamento, para outro, em que não se justifica” (Direito administrativo. 19a ed. São Paulo: Atlas, 2006). Hely Lopes Meirelles ressalta que a coisa julgada administrativa seria “apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário” (Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006). Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Portanto, entendemos que os efeitos do ato administrativo definitivo podem ser revistos integral ou parcialmente, até porque é isso que determina o art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (inspirado na antiga Súmula 473 do STF): Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Assim, embora para o período posterior 31/12/2003 e anterior a 17/2/2005 (competências 01/2004 a 01/2005) a entidade continue a não fazer jus à isenção, no período de concessão do CEBAS (01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/2/2005 a 16/02/2008), não subsiste o fundamento fático e jurídico do lançamento. Como o lançamento abrangeu as competências 06/2003 a 31/07/2007, devem ser excluídas as competências de 06/2003 a 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007, mantidas, portanto, as competências de 01/2004 a 01/2005 (período sem ulterior concessão do CEBAS). Pelo exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, excluindo do lançamento as competências de 06/2003 a 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15956.000178/200802 Acórdão n.º 2401004.292 S2C4T1 Fl. 2.625 9 Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 10735.724287/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
Ementa:
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos a moléstia grave por laudo pericial oficial, além de que os proventos recebidos são provenientes de aposentadoria ou reforma, o contribuinte faz jus à isenção prevista no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto n° 3000/1999.
Numero da decisão: 2201-003.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201605
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 Ementa: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos a moléstia grave por laudo pericial oficial, além de que os proventos recebidos são provenientes de aposentadoria ou reforma, o contribuinte faz jus à isenção prevista no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto n° 3000/1999.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10735.724287/2012-78
anomes_publicacao_s : 201605
conteudo_id_s : 5593339
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-003.199
nome_arquivo_s : Decisao_10735724287201278.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 10735724287201278_5593339.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6393857
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423230341120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.724287/201278 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.199 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2016 Matéria IRPF Recorrente PEDRO VICENTE DE FREITAS NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Ementa: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos a moléstia grave por laudo pericial oficial, além de que os proventos recebidos são provenientes de aposentadoria ou reforma, o contribuinte faz jus à isenção prevista no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto n° 3000/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 42 87 /2 01 2- 78 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2010, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 26/32, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.483,05. A fiscalização apurou Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício; Dedução Indevida de Despesas Médicas e Compensação Indevida de Imposto Complementar. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: à Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Que os rendimentos seriam isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave, conforme laudo que anexa (fls. 04/05). à Dedução Indevida de Despesas Médicas Que concorda com essa infração. à Compensação Indevida de Imposto Complementar Que o valor foi lançado erroneamente em sua declaração retificadora, na coluna imposto complementar. Que o valor se refere a “saldo de imposto a pagar” da declaração original, cujo valor pagou em 8 parcelas de R$ 87,19, conforme comprovante que junta aos autos (fls. 09/14). Por ocasião da protocolização da peça impugnatória sob análise, o contribuinte juntou os documentos de fls. 09/15 e 28/29. A 3ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: Matéria não Impugnada. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Omissão de Rendimentos. Moléstia Grave. Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia grave, a partir do mês da concessão da aposentadoria , reforma ou pensão, quando a doença for preexistente. Impugnação Procedente em Parte A conclusão do julgado foi no seguinte sentido: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10735.724287/201278 Acórdão n.º 2201003.199 S2C2T1 Fl. 3 3 Conclusão Diante do exposto, e considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, para manter em parte o crédito tributário exigido, com a manutenção do principal, a alocação do pagamento efetuado antes do lançamento, a exclusão da multa de ofício referente ao valor de R$ 697,58 e a manutenção da multa de ofício em relação ao saldo. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 08/04/2014 (fl. 56) e, em 29/04/2014, interpôs o recurso de fls. 60/68, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia, nesta Segunda Instância, à comprovação da condição de aposentado, para fins de isenção do imposto de renda por moléstia grave, conforme consignou a autoridade recorrida no julgamento singular: Cabe destacar que, de acordo com a cópia do Laudo Médico Pericial do INSS (fls.04/05), datado de 06/04/2011, o contribuinte foi considerado portador de moléstia que o isenta do imposto de renda, com início dos sintomas comprovados da doença em 01/12/2009 (CID C61 – Neoplasia Maligna da Próstata), cumprindo assim a legislação acima, com relação à comprovação da moléstia, a partir de dezembro de 2009. (...) Como o contribuinte não juntou aos autos prova da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, referente aos rendimentos no valor de R$ 115.122,32, e considerando que o reconhecimento da isenção pleiteada condicionase também ao cumprimento desse requisito, não como acatar as alegações do sujeito passivo no tocante a essa matéria. (grifei) Em seu apelo, o recorrente juntou aos autos Declaração da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de fl. 62; Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte de fls. 63/65 e Laudo Pericial de fls. 66/67, alegando que os documentos carreados comprovam a molestia grave e a condição de aposentado. De fato, analisando detidamente à Declaração da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de fl. 62 e os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte de fls. 63/65, verificase que o contribuinte, no anocalendário Fl. 78DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 2010, encontravase aposentado, portanto, faz jus à isenção prevista no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto n° 3000/1999: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII — os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de molestia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6o, inciso XIV, Lei n° 8.541, de 1992, art. 47, e Lei n° 9.250, de 1995, art. 30, §2°); (grifei) Solucionada a controvérsia, devese dar provimento ao recurso. Ante a todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 79DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13306.000016/00-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
O ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplica-se a ressarcimento, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo constante e indevido, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade.
Numero da decisão: 9303-003.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. O ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplica-se a ressarcimento, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo constante e indevido, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13306.000016/00-94
anomes_publicacao_s : 201606
conteudo_id_s : 5596892
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.510
nome_arquivo_s : Decisao_133060000160094.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 133060000160094_5596892.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6403651
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:49:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048423232438272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1963; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 204 1 203 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13306.000016/0094 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.510 – 3ª Turma Sessão de 15 de março de 2016 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PAQUETÁ NORDESTE LTDA. (Sucedida por DISPORT NORDESTE LTDA.) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. O ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplicase a ressarcimento, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo constante e indevido, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 6. 00 00 16 /0 0- 94 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000016/0094 Acórdão n.º 9303003.510 CSRFT3 Fl. 205 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que dera provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do contribuinte ao ressarcimento de créditos decorrentes de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos exportados (calçados), seja pela aplicação da Lei nº 8.402/92 (vigente na data do crédito), seja pela Lei nº 9.779/99 (vigente na data do pedido), visto que o crédito pleiteado não encontrava resistência em qualquer delas, sendo em qualquer delas contemplado, somente em lapso temporal diferenciado. Decidiu, ainda, a turma julgadora, reconhecer o direito à aplicação da taxa Selic ao direito creditório reclamado, desde a data do protocolo (original) do pedido de ressarcimento de IPI. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no recurso especial ao qual o Presidente da Câmara deu seguimento, pleiteou a reforma do acórdão recorrido, por afronta ao art. 39, § 40, da Lei n.° 9.250/95, no sentido de reconhecer que a taxa Selic não incide sobre os valores recebidos a titulo de ressarcimento de crédito de IPI, ou, subsidiariamente, caso assim não se decida, a determinação da incidência da taxa Selic em momento posterior à protocolização do pedido originário de ressarcimento. Cientificado do recurso especial da PGFN, o contribuinte apresentou contrarrazões e alegou que, na interposição do recurso especial, a PGFN não demonstrara a divergência jurisprudencial exigida pelo art. 37, § 2º, inciso II, do Decretolei nº 70.235, de 1972. No mérito, alegou o contribuinte que o recurso especial era manifestamente improcedente, por contrariar entendimento pacífico do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Controvertese, nesta instância, sobre a possibilidade de se aplicar ou não a taxa Selic ao ressarcimento de IPI. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000016/0094 Acórdão n.º 9303003.510 CSRFT3 Fl. 206 3 De início, registrese que não merece guarida a alegação do contribuinte, em contrarrazões, de falta de demonstração por parte da PGFN da divergência jurisprudencial exigida pelo art. 37, § 2º, inciso II, do Decretolei nº 70.235, de 1972, pois, conforme se verifica do despacho que dera seguimento ao recurso, o Presidente da Câmara se pronunciou nos seguintes termos: O recurso manejado é tempestivo e se assenta na possibilidade de questionar decisão não unânime de turma julgadora, quando contrária à lei ou evidência de prova, e, muito embora não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, foi recepcionado, por assim dizer, em norma de caráter transitório, como aplicável às decisões prolatadas em sessões de julgamento ocorridas até 30/06/2009, de modo que, em tais hipóteses, nos termos do artigo 4° daquele ato administrativo, seriam processados de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF). Nesta senda, verifico que o aresto em destaque, quanto á matéria recorrida, foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal, e, quanto à violação de disposições legais, a peça manejada arrola os legais, em tese, inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto da contrariedade à lei exigido para seu cabimento. No mérito, tratase de matéria similar à submetida à apreciação da 3ª Turma da CSRF, que decidiu, no processo nº 13054.000041/200110, julgado em 23 de janeiro de 2014, acórdão nº 9303002.838, da relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos seguintes termos: Processo nº 13054.000041/200110 Recurso nº 232.184 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.838 – 3ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2014 Matéria IPI RESSARCIMENTO CRÉDITO BÁSICO TAXA SELIC Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HB COUROS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica a atualização monetária taxa Selic autorizada legalmente, apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito. A atualização aplicase a ressarcimento, nos termos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, nos casos em que houver obstáculo indevido, por parte da Administração Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000016/0094 Acórdão n.º 9303003.510 CSRFT3 Fl. 207 4 Tributária, a ressarcimento postulado, tempestivamente, pelo sujeito passivo. o que não é o caso aqui tratado. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto. Marcos Aurélio Pereira Valadão PresidenteSubstituto Henrique Pinheiro Torres Relator (...) A teor do relatado, a matéria trazida a debate cingese à questão da atualização monetária dos créditos escriturais de IPI ressarcidos ao sujeito passivo. Preliminarmente, merece ser aqui enfatizado que o ressarcimento do crédito objeto destes autos não estava sujeito a qualquer oposição legislativa ou administrativa por parte da Fazenda Pública. Na verdade, como dito linhas acima, tratase de crédito básico (escritural de IPI) que o art. 11 da Lei 9.779/1999 veio a permitir o seu ressarcimento (em espécie ou por meio de compensação com débitos de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal). Desta feita, ao caso não se aplica a jurisprudência do STJ, que determina a incidência de atualização monetária sobre o valor a ressarcir, quando há oposição por parte do Fisco ao legítimo creditamento por parte do sujeito passivo, como é o caso do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996. Ainda merece ser esclarecido que, no caso presente, não houve demora no ressarcimento desmedida no ressarcimento, apenas a necessária para as verificações protocolares, visto que o pedido foi protocolado em 23/01/2001 e a ordem bancária do crédito (nº 2001OB500192) foi enviada ao banco em 25/04/2001, no valor total pleiteado. Feito esses esclarecimentos, passemos, de imediato, à questão da incidência de atualização Selic sobre o ressarcimento de créditos escriturais de IPI. O tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. A meu sentir, a posição mais consentânea com o bom direito é a da não incidência de correção monetária desses créditos, visto que, contra tal pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que autorize a atualização. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000016/0094 Acórdão n.º 9303003.510 CSRFT3 Fl. 208 5 O RIPI/98, que reproduz a legislação do IPI não traz qualquer autorização para que se corrijam valores a ressarcir. A lei 9.779/1999 que modificou a sistemática de utilização de créditos de IPI não deu qualquer abertura para que se corrigissem eventuais ressarcimentos. A IN SRF nº 33/1999, que cuidou, dentre outros temas, do direito a ressarcimento trimestral do saldo credor de IPI, não previu qualquer hipótese de atualização desses créditos. Confirmase, assim, não haver previsão legal para proceder a correção monetária do crédito de IPI, e de outra forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito criada pelo legislador ordinário, para atender o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do IPI devido na operação seguinte, não há lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissível a correção do crédito utilizado para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a ser ressarcido. Também a Lei 8.383/91, que instituiu a UFIR como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos, multas e penalidades de qualquer natureza, previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, § 3º dessa Lei, ao contrário do alegado, não é o suporte legal para a correção monetária dos créditos a lhe serem restituídos. Tal dispositivo trata dos casos de repetição do pagamento indevido ou da parcela paga a maior. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Destaque não presente no original). Decorre dos princípios da hermenêutica que na interpretação das normas jurídicas não se pode dissociar o parágrafo do caput do artigo, a interpretação deve ser integrada, sistêmica e não isoladamente, de tal forma que o parágrafo complete o sentido do artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado. Assim, o § 3º supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da restituição serão corrigidos, está completando o sentido do caput do art. 66 que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000016/0094 Acórdão n.º 9303003.510 CSRFT3 Fl. 209 6 Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Ora, ao reportarse ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; portanto, não é lícito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000016/0094 Acórdão n.º 9303003.510 CSRFT3 Fl. 210 7 Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. (Grifouse). Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Ressaltese que o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento em espécie, o qual tem como fundamento a sistemática da não cumulatividade do imposto, baseada em créditos escriturais, não tem a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tem como origem um pagamento indevido ou maior que o devido pelo sujeito passivo. Donde concluise que o ressarcimento desse crédito não se confunde com a devolução de pagamento indevido. Dessa forma, não é lícito valerse da analogia para estender ao ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, § 4º da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de pagamento de tributos e contribuições indevidos ou pagos a maior que o devido. Ora, é evidente que se o legislador quisesse conceder a correção monetária também para o ressarcimento em questão, têloia incluído nos diplomas legais citados ou no que instituiu o incentivo fiscal. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Merecem destaque as seguintes conclusões presentes no voto condutor do acórdão nº 9303002.838 acima transcrito, aplicáveis ao presente caso: a) o ressarcimento de crédito tem natureza jurídica distinta da de restituição de indébito, e, por conseguinte, a ele não se aplica, em regra, a atualização monetária pela taxa Selic, autorizada legalmente apenas para as hipóteses de constituição de crédito ou repetição de indébito; b) a utilização do direito ao crédito não estava sujeito à oposição legislativa ou administrativa por parte da Fazenda Pública, pois se trata de crédito básico (escritural de IPI), não se lhe aplicando a jurisprudência do STJ, que determina a incidência de atualização monetária sobre o valor a ressarcir, quando há oposição por parte do Fisco ao legítimo creditamento por parte do sujeito passivo, como é o caso do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/1996; c) inexistência de previsão legal que autorize a atualização do crédito a ser ressarcido; d) a lei restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000016/0094 Acórdão n.º 9303003.510 CSRFT3 Fl. 211 8 contribuições federais, hipóteses essas que se referem à repetição do indébito, em nada se assemelhando ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; e) o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Destaquese que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que autoriza a atualização monetária do ressarcimento (decisão submetida à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por parte deste Colegiado) se refere aos casos em que houver oposição constante e indevida, por parte da Administração Tributária, à utilização do direito a creditamento oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade. Eis a ementa da referida decisão do STJ: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547?PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977?RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953?PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796?PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498?RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921?RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000016/0094 Acórdão n.º 9303003.510 CSRFT3 Fl. 212 9 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08?2008. De acordo com a decisão supra, para que se aplique a correção monetária ao ressarcimento de créditos escriturais de IPI, exigemse os seguintes pressupostos: a) oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade; b) vedação ao aproveitamento dos créditos, com o consequente ingresso no Poder Judiciário, que posterga o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. No presente caso, têmse créditos básicos de IPI devidamente escriturados pelo contribuinte, cujo ressarcimento havia sido inicialmente denegado pela Administração tributária em decorrência da informação prestada pelo próprio interessado de que se tratava do ressarcimento previsto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, cuja disciplina se aplica apenas a insumos recebidos no estabelecimento a partir de 1º de janeiro de 1999, enquanto que aqui se trata do período de apuração correspondente ao 4º trimestre de 1998. Somente em sua impugnação, apresentada em maio de 2002, foi que o contribuinte informou que cometera um equívoco no seu pedido de ressarcimento, indicando então o verdadeiro fundamento legal do pleito, argumento esse não acolhido pela Delegacia de Julgamento, por considerar que a retificação do pedido não podia se dar em sede de impugnação, mas na repartição de origem, a quem competia o conhecimento inicial do pedido de ressarcimento. Em março de 2003, a turma julgadora do então 2º Conselho de Contribuintes converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem, quando então se iniciou o procedimento de apuração do direito creditório pleiteado. Notese que não se tem por configurado, neste caso, a oposição constante da Administração tributária ao reconhecimento do crédito, pois a sua postergação decorreu de equívoco do próprio interessado, o qual não precisou se valer do Poder Judiciário, conforme exige a jurisprudência do STJ, para obter o reconhecimento do direito. Dessa forma, por não se subsumir à hipótese de que trata a decisão do STJ, submetida à sistemática dos recursos repetitivos, o entendimento ali adotado não se aplica ao presente caso. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, no sentido de reconhecer que a taxa Selic não incide sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de crédito escritural de IPI. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS Processo nº 13306.000016/0094 Acórdão n.º 9303003.510 CSRFT3 Fl. 213 10 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POS SAS
score : 1.0
