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Numero do processo: 10480.720357/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.366
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente TAMBAÍ AUTOMOTORES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 57 /2 01 0- 96 Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10480.720357/201096 Acórdão n.º 3301003.366 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 0649.656. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10480.720357/201096 Acórdão n.º 3301003.366 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10480.720357/201096 Acórdão n.º 3301003.366 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10480.720357/201096 Acórdão n.º 3301003.366 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10480.720357/201096 Acórdão n.º 3301003.366 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 1273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901325/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 13 25 /2 01 2- 85 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10925.901325/201285 Acórdão n.º 3301003.478 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.876. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.901325/201285 Acórdão n.º 3301003.478 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.901325/201285 Acórdão n.º 3301003.478 S3C3T1 Fl. 5 4 Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729930/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO DEVIDA. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. DIREITO AO RECEBIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA.
Considerando a desistência da execução judicial, o contribuinte faz jus ao recebimento na via administrativa, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração.
Numero da decisão: 2201-003.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 27/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO DEVIDA. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. DIREITO AO RECEBIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. Considerando a desistência da execução judicial, o contribuinte faz jus ao recebimento na via administrativa, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 27/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. DIREITO AO RECEBIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. Considerando a desistência da execução judicial, o contribuinte faz jus ao recebimento na via administrativa, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 27/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 99 30 /2 01 5- 15 Fl. 212DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que não conheceu a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 07 a 08, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2012, que constatou a seguinte infração: compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 28.252,54. Fonte pagadora: Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul. Consta ainda da descrição dos fatos que o estado do Rio Grande do Sul foi condenado a restituição do indébito dos valores indevidamente descontados a título de imposto de renda. Cientificado do lançamento em 08/09/2015 (fl. 57), o interessado apresentou a impugnação de fls. 02 a 04, em 06/10/2015, alegando que é aposentado, portador de moléstia grave e que em decorrência de ação judicial obteve o reconhecimento da isenção do imposto de renda desde 2009. Transitado em julgado a ação judicial, buscou o auxílio da Receita Federal para orientálo quanto à declaração do imposto de renda do ano calendário 2014 e obteve conhecimento da possibilidade de receber a restituição pela via administrativa, mediante retificação das declarações de imposto de renda de cada ano. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) não conheceu da impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 CONCOMITÂNCIA ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação e sustentou, em síntese, que: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11080.729930/201515 Acórdão n.º 2201003.711 S2C2T1 Fl. 3 3 a) em abril de 2015, o recorrente buscou orientação na Receita Federal para a Declaração de imposto de renda do ano calendário 2014 exercício 2015, obtendo, nessa ocasião, a informação da possibilidade de restituição dos valores, na via administrativa, reconhecidos em sentença, desde que realizasse a retificação da declaração de imposto de renda de cada ano, nada sendo referido quanto à necessidade de requerimento de desistência de eventual ação de execução; b) o contribuinte seguiu as orientações fornecidas pela Receita, sendo surpreendido com a notificação de lançamento, recebida em 08/09/2015, informando a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 28.252,54. O recorrente impugnou a notificação de lançamento, mas a Delegacia de Origem não conheceu da impugnação pela concomitância; c) em razão do não conhecimento da impugnação, o recorrente retornou ao órgão, sendo orientado pelo auditor fiscal a pedir desistência da ação de execução, o que o fez (documento anexo). É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, o presente lançamento teve como objeto a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte pelo Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, fls. 7 a 10. O contribuinte demandou judicialmente por meio do processo n.º 001/1.11.03274237 a fim de obter a declaração de inexigibilidade do imposto de renda cumulado com pedido de repetição de indébito, sob a alegação de ser aposentado e portador de cardiopatia grave; e também apresentou impugnação, que não foi conhecida, em razão da concomitância de instâncias administrativa e judicial. Sobreveio a prolação de sentença, consoante Informação fiscal de fls. 146, nos seguintes termos: “Diante do exposto, JULGO PROCEDENTES os pedidos para declarar que o autor é isento do recolhimento de Imposto de Renda, condenando o réu à restituição do indébito dos valores indevidamente descontados a este título, a partir do diagnóstico da doença (01.01.2009). A apuração dos valores se dará na forma de liquidação de sentença, sendo que para o cálculo da repetição de indébito Fl. 214DF CARF MF 4 serão aplicados os mesmos índices utilizados pelo fisco, ou seja, juros moratórios desde o trânsito em julgado da presente sentença de 1% ao mês mais correção monetária UPF/RS, até 31/12/09, esta iniciandose na data do pagamento indevido. A partir de janeiro de 2010, utilizarseá apenas a taxa SELIC. Condeno o réu ao pagamento das custas processuais (reembolso) e aos honorários advocatícios do patrono do autor, que fixo em R$ 1.500,00, conforme os critérios de natureza e importância da causa, tempo nela empregado, trabalho do advogado e inexistência de dilação probatória, de acordo com as disposições do art. 20, § 4º, do CPC.” O Estado e a parte autora apelaram da sentença. O Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul decidiu negar seguimento às apelações interpostas, confirmando a sentença em reexame necessário (fls. 135/143). O trânsito em julgado ocorreu em 16/09/2014, de acordo com a consulta processual de fl. 134. Assim, o Auditor fiscal responsável, conforme Informação Fiscal anteriormente mencionada, reconheceu a extinção do crédito tributário, com base no art. 156, inciso X, do Código Tributário Nacional, e determinou o retorno do processo ao Grupo de Cobrança para prosseguimento. A fim de receber administrativamente o valor exigido, o recorrente, após orientação da Receita, apresentou desistência da execução, que foi homologada judicialmente, de acordo com as fls. 58 do PDF e 207 do arquivo digital. Nesse contexto, temse a extinção do crédito tributário com base em decisão judicial passada em julgado, bem como se vislumbra o direito à restituição, de acordo com o art. 165, inciso I, do mesmo diploma legal, abaixo transcrito: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;(...). Portanto, o recorrente faz jus à restituição declarada, pois, do contrário, haveria enriquecimento ilícito da Administração, devendo a autoridade responsável pela cumprimento do presente Acórdão apresentar informação aos autos do processo n.º 001/1.11.03274237 acerca da restituição efetuada na via administrativa. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11080.729930/201515 Acórdão n.º 2201003.711 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004243/2005-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 30/10/2001
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DE NOME COMERCIAL "DISPERSING AGENT 2774". CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
O produto de nome comercial "Dispersing Agent 2774", identificado como "Nonilfenol Etoxilado", um produto diverso das indústrias químicas não especificado nem compreendido em outras posições, classifica-se no código 3824.90.89 da NCM.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/10/2001
MULTA DE MORA. COBRANÇA A PARTIR DO VENCIMENTO TRIBUTO DEVIDO. LEGALIDADE.
A cobrança da multa de mora é devida a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento.
MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE.
O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa aduaneira ou regulamentar de 1% (um por cento) do valor da mercadoria.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE.
Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/10/2001
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA GRAU. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA.
Não é passível de nulidade por cerceamento de direito de defesa a decisão de primeiro grau que, fundamentadamente, indefere pedido de realização de diligência/perícia respaldada no entendimento de que era prescindível a produção de novas provas, porque eram suficientes para o deslinde da controvérsia as provas coligidas aos autos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/10/2001 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DE NOME COMERCIAL "DISPERSING AGENT 2774". CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto de nome comercial "Dispersing Agent 2774", identificado como "Nonilfenol Etoxilado", um produto diverso das indústrias químicas não especificado nem compreendido em outras posições, classifica-se no código 3824.90.89 da NCM. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/10/2001 MULTA DE MORA. COBRANÇA A PARTIR DO VENCIMENTO TRIBUTO DEVIDO. LEGALIDADE. A cobrança da multa de mora é devida a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento. MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa aduaneira ou regulamentar de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/10/2001 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA GRAU. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. Não é passível de nulidade por cerceamento de direito de defesa a decisão de primeiro grau que, fundamentadamente, indefere pedido de realização de diligência/perícia respaldada no entendimento de que era prescindível a produção de novas provas, porque eram suficientes para o deslinde da controvérsia as provas coligidas aos autos. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 30/10/2001 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DE NOME COMERCIAL "DISPERSING AGENT 2774". CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto de nome comercial "Dispersing Agent 2774", identificado como "Nonilfenol Etoxilado", um produto diverso das indústrias químicas não especificado nem compreendido em outras posições, classificase no código 3824.90.89 da NCM. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/10/2001 MULTA DE MORA. COBRANÇA A PARTIR DO VENCIMENTO TRIBUTO DEVIDO. LEGALIDADE. A cobrança da multa de mora é devida a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento. MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, descrita no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa aduaneira ou regulamentar de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS VENCIDOS. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 42 43 /2 00 5- 10 Fl. 230DF CARF MF 2 Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/10/2001 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA GRAU. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. Não é passível de nulidade por cerceamento de direito de defesa a decisão de primeiro grau que, fundamentadamente, indefere pedido de realização de diligência/perícia respaldada no entendimento de que era prescindível a produção de novas provas, porque eram suficientes para o deslinde da controvérsia as provas coligidas aos autos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 3/11 e 23), em que formalizada a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que acrescido de multa e juros de mora, resultou no valor total de R$ 2.477,40, e da multa por classificação fiscal incorreta da mercadoria, no valor de R$ 500,00. O motivo da autuação foi a alteração feita pela autoridade na classificação fiscal do produto descrito, na Declaração de Importação (DI) nº 01/10622116, registrada em 30/10/2001 (fls. 15/18), como “DISPERSING AGENT 2774/190 KG STDRUM, B. HOE S2774 (AGENTE DISPERSANTE PARA PIGMENTOS) BASE QUÍMICA: RESINA ALCOXIDADA IONOGENEIDADE: NÃO IÔNICO. ESTADO FÍSICO: LÍQUIDO VISCOSO MARROM. QUALIDADE:INDUSTRIAL”, do código NCM/TIPI 3402.13.00 para o código NCM/TIPI 3824.90.89, com alíquotas do IPI, respectivamente, de 5% e 10%. A nova classificação foi atribuída com base nas conclusões exaradas no Laudo Técnico do Labana nº 0200.01, de 29/1/2002 (fls. 21/22). Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.004243/200510 Acórdão n.º 3302004.110 S3C3T2 Fl. 231 3 Em sede de impugnação (fls. 33/56), em síntese, a autuada as seguintes razões de defesa: 1) em preliminar alegou a nulidade do lançamento, sob o argumento de que houve cerceamento do seu direito de defesa, pois quando da realização do exame laboratorial não lhe fora assegurado o direito de formular quesitos ao Labana/8ª RF, e tal procedimento contrariara frontalmente as disposições do artigo 18 do Decreto 70.235/1972; 2) no mérito alegou que: a) o produto classificava no código NCM/TIPI 3402.13.00, conforme conclusão do Laudo Técnico por ela colacionado aos autos (fls. 56/60), no qual o perito afirmara que o “Dispersing Agent 2774” tratavase de um agente orgânico de superfície, um tensoativo de caráter não iônico, solúvel em água, constituído de “Novolac Alkoxylate” (um alquilfenoletoxilado); b) o referido Laudo Técnico estava embasado em literatura técnica específica, a ele apensada; c) incabível a exigência do recolhimento da penalidade de multa de mora, vez que, na linha do entendimento firmada pela doutrina e jurisprudência predominante em nossos tribunais, a referida multa somente seria devida após o final do processo administrativo, conforme entendimento exarado no Parecer CST nº 477, de 1988; d) era improcedente a exigência da penalidade por erro de classificação fiscal, diante das disposições do Ato Declaratório Normativo CST nº 29, de 1980 e do Parecer CST nº 477, de 1988; e) a incidência de juros de mora revestiase de flagrante ilegalidade, na medida que computados com base na variação da Taxa SELIC, cuja inconstitucionalidade já fora reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça; f) indevida a incidência dos juros de mora, que somente podiam ser computados, após decisão final proferida no processo administrativo. No final, requereu a conversão do julgamento em diligência ao Labana/8ª RF e/ou ao Instituto Nacional de Tecnologia/RJ, para que este se manifestasse sobre as conclusões contidas no Laudo Técnico oficial, que embasou a lavratura do auto de infração, em comparação com o Laudo elaborado pelo seu assistente. Para essa finalidade, formulou quesitos e indicou o perito e o respectivo endereço. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 89/96), em que, por unanimidade de votos, as preliminares foram rejeitadas e, no mérito, o lançamento foi considerado procedente e o crédito tributário integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 30/10/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Mercadoria identificada como Nonilfenol Etoxilado, na forma líquida, não se tratando de preparação, nem de composto de constituição química definida, e que, nas condições estabelecidas na Regra 3 do Capítulo 34, não reduz a tensão da superficial da água a 4,5 x 102 N/m (45dyn/cm) ou menos, conforme laudo técnico oficial, classificase no código NCM 3824.90.89. Cabível a multa de mora, aplicada aos débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, conforme art. 61, parágrafo 2º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 232DF CARF MF 4 Cabível a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme prevê o inciso I do artigo 84 da MP 2.15835, de 24/08/2001. Juros de mora Taxa SELIC: Legítima a exigência de juros de mora com base na equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por força do disposto no artigo 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. Em 22/12/2009, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 102). Em 21/1/2010, apresentou o recurso voluntário de fls. 106/142, em que, no mérito, na essência, reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória e renovou o pedido de produção de provas/diligências formulado na fase impugnatória. Em aditamento, em preliminar, alegou nulidade da decisão de primeiro grau: a) por cerceamento do direito de defesa, porque não foram enfrentadas todas as questões preliminares e o pedido de produção de provas ou realização de diligência foram indeferidos em total discrepância com a norma jurídica em vigor; e b) inobservância do princípio do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Na Sessão de 30 de junho de 2010, por meio da Resolução nº 310200123, os integrantes da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem intimasse a recorrente, para a apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias, elementos que comprovassem que o signatário do recurso detinha poderes para representála. Em 22/9/2010, a recorrente foi intimada a apresentar a citada documentação (fls. 145/146). Em resposta, por meio da petição de fls. 147/150, a recorrente trouxe a colação dos autos os instrumentos de procuração e respectivos substabelecimentos (fls. 151/170) que comprovam que, na data da interposição do recurso, o patrono signatário da peça recursal detinha poderes regulares para defender a recorrente. Submetido a novo julgamento pelo citado Colegiado, em 25 de abril de 2012, por meio da Resolução nº 3102000.203, o julgamento foi, novamente, convertido em diligência, para que fosse esclarecida a razão da aparente divergência entre as conclusões do laudo oficial e do laudo acostado pelo sujeito passivo, por meio da realização de novos exames laboratoriais, a ser realizado por outro laboratório que preenchesse as condições elencadas no art. 30 do Decreto 70.235/1972. A referida divergência foi explicitada no voto condutor da referida Resolução, nos termos consignados nos excertos a seguir transcritos: Após analisar a documentação colacionada pelo Sujeito Passivo, em especial o Certificado de Análise n° 0505044603, à fl. 57, passei a ter dúvidas acerca de determinada premissa adotada pelo Fisco, qual seja, a de que o produto comercialmente denominada Emulsogen 2774 não seria capaz de reduzir a tensão superficial da água a 45 dynas/cm ou menos. De fato, segundo tal laudo, que acompanha a ficha de identificação do produto à fl. 56, quando misturado com água numa concentração de 0,5%, a 20°C, e deixado em repouso durante uma hora, o produto apresentaria aspecto homogêneo, sem separação de fases e reduziria a tensão superficial a 42 dynas/cm. Em 12/8/2013, a recorrente foi intimada a apresentar 3 (três) amostras de 300 ml de cada tipo do referido produto. Em atendimento à referida intimação, em 15/8/2013, por meio da petição de fl. 185, a recorrente apresentou as amostras solicitadas. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11128.004243/200510 Acórdão n.º 3302004.110 S3C3T2 Fl. 232 5 Por fim, em 2/9/2013, por meio do despacho de fl. 186, os autos foram devolvidos a este Conselho, para que fosse determinado, se a nova amostra deveria ser analisada pelo laboratório L.A Falcão Bauer, credenciado pela Alfândega do Porto de Santos, ou pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), ou por ambos, e quais os quesitos que deveriam ser respondidos na nova análise. Em 24 de abril de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.309 (fls. 193/197), o julgamento foi, novamente, convertido em diligência, desta feita para que as amostras fossem encaminhadas ao L.A Falcão Bauer para análise e apresentação de respostas aos seguintes quesitos, in verbis: 1) O referido produto tratase de “Nonilfenol Etoxilado, um Produto Diverso das Indústrias Químicas”, como informado no Laudo Técnico do Labana (fls. 21/22), ou tratase de “um agente orgânico de superfície, um tensoativo de caráter não iônico, solúvel em água, constituído de Novolac Alkoxylate (um alquilfenoletoxilado)”, como afirmado na Informação Técnica (fls. 58/60), da autoria do Engº Luiz Aurélio Alonso? 2) Qual a aplicação do produto e a sua constituição química, em percentual? 3) Quando misturados com água numa concentração de 0,5%, a 20°C, e deixados em repouso durante uma hora à mesma temperatura, o produto: a) origina um líquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel; e b) reduz a tensão superficial da água a 4,5x102 N/m (45 dyn/cm), ou menos? Informar a tensão medida. Também foi consignado na referida Resolução, que após a apresentação do novo laudo técnico, se desejasse, a autoridade fiscal apresentasse as considerações que entendesse pertinentes acerca dos resultados dos novos exames e conclusões apresentadas. Em seguida, a recorrente fosse cientificada dos novos elementos coligidos aos autos e lhe franqueado o prazo de 30 dias, para se manifestar sobre os novos elementos coligidos aos autos. Findo o referido prazo, com ou sem manifestação, os autos fosse enviados a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. Por meio da Notificação de fl. 202, em 11 de julho de 2014, a autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem notificou o L.A Falcão Bauer a emitir parecer/aditamento, mediante apresentação de resposta aos referidos quesitos. Em atendimento a referida notificação, por meio do Parecer Técnico 06/2014 (fls. 203/204), após tecer alguns comentários sobre as características físicoquímicas do produto Nonilfenol Etoxilado, a Farmacêutica Bioquímica, representante do Laboratório notificado, esclareceu que, até a expedição do referido Parecer, o produto com a denominação comercial "DISPERSING AGENT 2774" ainda não tinha sido objeto de análise naqueles laboratórios, logo não dispunha de amostra da mercadoria acima referenciada para poder confirmar a Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0,5% a 20°C. Em seguida apresentou as respostas aos quesitos formulados, in verbis: 1) Considerandose os Resultados das Análises constantes no Laudo de Análises n° 0200/2002Funcamp, parte integrante deste processo e as informações constantes na Literatura Fl. 234DF CARF MF 6 Técnica também parte integrante deste processo, podemos afirmar que tratase de Nonilfenol Etoxilado. No entanto, não dispomos de amostra da mercadoria objeto do Laudo de Análises 0200/2002Funcamp, para podermos afirmar se a Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0,5% a 20°C é menor ou igual a 45dinas/cm. 2) De acordo com Referências Bibliográficas, Nonilfenol Etoxilado é utilizado como surfactantes nas indústria de detergentes, dispersantes, emulsificantes, nas indústrias farmacêuticas e de cosméticos. Não dispomos de amostra da mercadoria objeto do Laudo de Análises 0200/2002Funcamp. para podermos informar a sua composição química e teores. 3) Não dispomos de amostra da mercadoria objeto do Laudo de Análises 0200/2002 Funcamp, para podermos informar a Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0.5% a 20°C. (grifos originais) Em 16/9/2014, ao perceber que, por equívoco, as amostras do referido produto entregues pela autuada não foram enviadas ao L.A Falcão Bauer, por meio da Notificação de fl. 209, a autoridade fiscal solicitou a expedição de novo Parecer, tendo em conta as amostras entregues e enviadas para análise. Desta feita, por intermédio do Parecer Técnico 09/2014 (fls. 210/213), a representante do Laboratório notificado, após esclarecer que a amostra recebida e analisada referiase ao produto identificado como "'DISPERSOGEN 2774/190Kg Steel Drum' CLARIANT Código 10654810620 Lote DEG4265091 data de fabricação 01.04.2013 e data de validade 23.03.2015", enquanto que a mercadoria objeto do Laudo 0200/2002 Funcamp tinha "como identificação a denominação 'DISPERSING AGENT 2774', conforme item Embalagem dos Resultados das Análises", afirmou que: Com base nos resultados das análises realizadas no produto estão de acordo com dados tabelados em Referências Bibliográficas para Nonilfenol Etoxilado, na forma líquida, solúvel em Água e com Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0,5% a 20°C de 48 dinas/cm. Considerandose todas as informações acima, podemos concluir que a mercadoria analisada "DISPERSOGEN 2774/190Kg Steel Drum" não se trata de um não iônico, um Agente Orgânico de Superfície. Tratase de Alquilfenol Etoxilado (Nonilfenol Etoxilado), um Produto à base de Compostos Orgânicos, um Produto Diverso das Indústrias Químicas. Em seguida, apresentou as seguintes respostas aos quesitos formulados no citado pedido de diligência, ipsis litteris: 1) Os Resultados das Análises realizados na amostra DISPERSOGEN 2774/190Kg Steel Drum, indicam que a mesma tratase de Alquilfenol Etoxilado (Nonilfenol Etoxilado), solúvel em Água, um Produto à base de Compostos Orgânicos, um Produto Diverso das Indústrias Químicas. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11128.004243/200510 Acórdão n.º 3302004.110 S3C3T2 Fl. 233 7 Alquilfenol Etoxilado é a denominação genérica de produtos constituídos de compostos contendo Fenol Etoxilado ligado a uma cadeia alquidica, que neste caso contém 9 carbonos (Nonil). De acordo com os resultados das análises a Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0,5% a 20°C encontrada é 48 dinas/cm. 2) De acordo com Referências Bibliográficas, Nonilfenol Etoxilado é utilizado como surfactantes nas indústrias de detergentes, dispersantes, emulsificantes, nas indústrias farmacêuticas e de cosméticos. Os resultados das análises realizadas na amostra DISPERSOGEN 2774/190Kg Steel Drum, indicam que a mesma é constituída de Nonilfenol Etoxilado. 3) A Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0,5% a 20°C, da amostra DISPERSOGEN 2774/190Kg Steel Drum, encontrada é de 48 dinas/cm. A amostra quando misturada com Água numa concentração de 0,5% a 20°C, e em seguida, deixada em repouso por uma hora à mesma temperatura, produz liquido incolor com espuma, mas não reduz a Tensão Superficial da Água a 45 dinas/cm ou menos (48 dinas/cm) Salientamos que não dispomos de contraprova da mercadoria objeto do Laudo de Análises 0200/2002Funcamp, para confirmar a Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0,5% a 20°C. Com respaldo na faculdade que lhe fora conferida no âmbito da referida Resolução, que convertera o julgamento em diligência, a autoridade fiscal apresentou as seguintes considerações, in verbis: Analisando o Parecer Técnico nº 009/2014, da L.A. Falcão Bauer, em confronto com o Laudo nº 0200 (fls. 20 e 21 – Volume V1), de 29/01/2002, emitido pelo LABANA – Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, o qual amparou o Auto de Infração objeto deste Processo, observo que ambos apresentam resultados semelhantes. Entendo que o resultado relevante no Laudo nº 0200 e no Parecer Técnico nº 009/2014 foi a redução da Tensão Superficial, pois, no primeiro foi encontrado o valor de “[(47,5 +/ 0,3)] dinas/cm” (fls. 20 e 21 do Volume V1) e no segundo “48 dinas/cm” (fls. 211 e 212). Como ambos os Laudos (Laudo nº 0200 e o Parecer Técnico nº 009/2014) informam que não ocorreu redução da tensão superficial da água a 45 dinas/cm ou menos, considero que a mercadoria em estudo não atende uma das condições necessárias para qualificar como correta a classificação NCM 3402.13.00 empregada pelo importador, ou seja, a condição determinada na Nota 3 b) do Capitulo 34 da Nomenclatura Fl. 236DF CARF MF 8 Comum do Mercosul (NCM), que é a de encontrar o citado valor de redução de tensão superficial ou menos. Diante das informações de ambos os Laudos (Resposta ao Quesito 1 de ambos– fls. 21 do Volume V1 e fls. 212) de que, em suma, a mercadoria em análise é Nonilfenol Etoxilado, um produto diverso das indústrias químicas à base de compostos orgânicos e como não encontro outra posição na Nomenclatura Comum do Mercosul que compreenderia o produto analisado, considero a NCM 3824.90.89 como sendo a correta classificação tarifária para a mercadoria importada. Na data de 6/1/2015, a recorrente foi cientificada da Resolução nº 3102 000.309 e do Parecer de fls. 210/213. Em 5/2/2015, apresentou a petição de fls. 221/225, em que apresentou as seguintes alegações: a) as análises posteriores do produto importado de "nome comercial DISPERSING AGENTE 2774" somente poderiam ser realizados em contraprova do mesmo produto, cuja amostra fora colhida em 2001; b) o produto em que realizada as novas análises ("DISPERSOGEN 2774/190 KG. KG. STEELDRUM") era outro, cuja amostra fora disponibilizada pela próprio importadora; c) a ausência de amostra do produto importado para nova análise, resultava em decisão favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 112 do CTN e conforme jurisprudência do CARF; d) não lhe fora assegurado o direito de manifestarse sobre as conclusões apresentadas no Parecer Técnico de fls. 203/204, restando plenamente caracterizado o cerceamento ao seu direito de defesa; e) o Parecer Técnico de fls. 210/213 não fornecia ao julgador subsídios técnicos suficientes para sustentar a reclassificação tarifária pretendida pela fiscalização; e f) o entendimento apresentado no Laudo Técnico 002/15 (fls. 226/227), emitido em janeiro de 2015 pelo Químico Raphael Alcantara da Costa e pela Química Fabiana Guerra, comprovava que o produto importado tratavase efetivamente de um agente orgânico de superfície, cuja correta classificação tarifária era no Código TECNCM 3402.13.00, consignado na Declaração de Importação (DI). No final, a recorrente ratificou as razoes de defesa apresentadas no recurso voluntário e o pedido de provimento do recurso. Em 9/2/2015 (fls. 228/229), foi determinado o retorno dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11128.004243/200510 Acórdão n.º 3302004.110 S3C3T2 Fl. 234 9 O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, deve ser conhecido. No recurso em apreço, a recorrente alegou: a) em preliminar, a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa; e b) no mérito, contesta (i) a classificação fiscal do produto determinada pela fiscalização no código NCM 3824.90.89, (ii) a cobrança da multa de mora e regulamentar por classificação fiscal incorreta, a (iii) incidência de juros moratórios calculados com base na variação da taxa Selic. No final, reafirmou o pleito de produção de provas/diligências suscitado na peça impugnatória. Da preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau. Em preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida por cerceamento do seu direito de defesa e contrariar a legislação vigente, sob argumento de que no questionado julgamento (i) não foi observado os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa e (ii) não foram enfrentadas todas as questões preliminares e o pedido de provas/diligências indeferido em total discrepância com a norma jurídica em vigor Em relação à inobservância dos citados princípios, após longa dissertação e citações doutrinárias e jurisprudencial, quase na totalidade fora do contexto da presente lide, a recorrente alegou que houve cerceamento do seu direito de defesa porque, embora tenha requerido produção de provas/diligências de forma justificada e, ainda, indicado quesitos, mesmo assim, tal pleito fora indeferido. Tratase de alegação que, sabidamente, não se aplica ao processo administrativo fiscal federal, regido pelo Decreto 70.235/1972. Nessa seara, é consabido que a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de nova prova pericial constituise em prerrogativa da autoridade julgadora, ou seja, está na alçada do seu poder discricionário. Logo, somente se esta entender necessário obter informações adicionais para o deslinde da controvérsia baixará os autos do processo em diligência, caso contrário, indeferirá o pedido, sendo exigido apenas que essa decisão tenha fundamentação adequada. Esse é o entendimento que se extrai da leitura combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972 e alterações posteriores, que seguem transcritos. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 238DF CARF MF 10 No caso, da simples leitura do voto condutor da decisão recorrida, verificase que foram apresentadas, de forma expressa e devidamente fundamentadas, as razões pelas quais a Turma de Julgamento de primeiro grau, com respaldo nos arts. 28 e 29 do Decreto 70.235/1972, indeferiu o pedido de diligência da autuada, ou seja, o referido Colegiado considerou desnecessária a realização da diligência requerida pela autuada, porque já existia nos autos informação suficiente para a correta classificação fiscal do produto em tela na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conforme explicitado nas razões de mérito, logo as respostas aos quesitos formulados pela autuada nada acrescentariam para a solução do litígio. Assim, uma vez devidamente fundamentado o indeferimento da realização da referida diligência, não procede o alegado cerceamento do direito de defesa suscitado pela recorrente. Todavia, na atual fase processual, este Colegiado, no exercício do seu poder discricionário, o que ratifica o entendimento anteriormente explicitado, entendeu por conveniente converter o julgamento em diligência, para fim de produção de nova prova pericial pelo laboratório L.A Falcão Bauer, o que resultou na emissão do Parecer Técnico 09/2014 (fls. 210/213), a ser analisado na apreciação da questão de mérito a seguir abordada. Assim, além de não ter se configurado o alegado cerceamento do direito de defesa, com a realização dessa nova diligência, induvidosamente, tal questão encontrase superada. Também não procede a alegado de cerceamento do direito de defesa suscitado pela recorrente em razão do fato de não ter sido cientificada do Parecer Técnico 06/214 (fls. 203/204), por uma razão óbvia: o referido documento foi desconsiderado e suas conclusões não serão levadas em consideração no deslinde da presente controvérsia, uma vez que fora proferido por equívoco, sem respaldo na análise das amostras do produto entregues para análise pela recorrente, conforme explicitado no relatório precedente. Também não assiste razão à recorrente em relação à alegação de que cerceamento do direito de defesa, sob argumento de que não foram enfrentadas todas as questões preliminares suscitadas na peça impugnatória, pois, sabidamente, não é exigível que o julgador enfrente, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Nesse sentido, tem se posicionado a jurisprudência mansa e pacífica do e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo do entendimento exarado no julgamento do AgRg no RE nos EDcl no AgRg no AREsp 268.238/SP, cujo enunciado da ementa segue transcrito: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INCIDÊNCIA DO ISSQN. REGISTRO PÚBLICOS, CARTORÁRIOS E NOTARIAIS. ADI 3.089/DF. POSSIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DO ISSQN DEVIDO PELOS TABELIÃES. PREÇO FIXO OU PREÇO DO SERVIÇO. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. INDEFERIMENTO LIMINAR. ART. 543A, § 5º, DO CPC. ART 5º, XXXV E ART. 93, IX, AMBOS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. RECURSO PREJUDICADO. AGRAVO DESPROVIDO. [...] III. A Corte Suprema, nos autos do AIRGQO 791.292/PE, julgado sob o regime da repercussão geral, reafirmou a sua jurisprudência no sentido de que o art. 93, IX, da Constituição Federal exigem que o acórdão ou decisão sejam Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11128.004243/200510 Acórdão n.º 3302004.110 S3C3T2 Fl. 235 11 fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. IV Agravo regimental desprovido. (AgRg no RE nos EDcl no AgRg no AREsp 268.238/SP, Rel. Ministro GILSON DIPP, CORTE ESPECIAL, julgado em 18/12/2013, DJe 03/02/2014) grifos não originais. A jurisprudência consolidada do c. Supremo Tribunal Federal (STF) também segue o mesmo entendimento, conforme julgamento realizado sob regime de repercussão geral, cujo enunciado da ementa segue transcrito: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral.(AI 791292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13 082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) grifos não originais. Assim, em conformidade com a referida jurisprudência, ainda que o relator do voto de primeira instância não tenha apreciado todos os argumentos aduzidos pela interessada, não se configura, necessariamente, motivo de nulidade da decisão recorrida, pois, o órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela recorrente, se por outros motivos tiver firmado seu convencimento acerca da questão. Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar suscitada e, em decorrência, passase a análise das questões de mérito. Do pedido de realização de diligência. Como o pedido de realização de diligência foi deferido, conforme proposto pela recorrente, nos termos da Resolução nº 3102000.309 (fls. 193/197), e em decorrência do trabalho pericial realizado pelo L. A. Falcão Bauer, órgão técnico credenciado perante a unidade da Receita Federal de origem, foi apresentado o Parecer Técnico 09/2014 (fls. 210/213) com os esclarecimentos solicitados por este Conselho, chegase a conclusão que os autos estão prontos para julgamento, o que torna dispensável a produção de novas provas, seja por meio de diligência ou perícia adicional. Do mérito: classificação fiscal do produto. No mérito, o cerne da controvérsia reside na divergência quanto ao enquadramento na NCM do produto descrito na DI como “DISPERSING AGENT 2774” e Fl. 240DF CARF MF 12 identificado no Laudo Técnico nº 0200.01 do Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (fls. 25/26) como “Nonilfenol Etoxilado, na forma liquida”. Com base nas respectivas descrições, a recorrente defendeu a manutenção da classificação do produto no código NCM 3402.13.00, enquanto que a autoridade fiscal entendeu que a classificação correta do referido produto era no código NCM 3824.90.89. No caso, há divergência quanto ao aspecto técnico, atinente à identificação do produto e, em decorrência, quanto a classificação na NCM. Dada essa circunstância, antes da análise da classificação fiscal, deve ser dirimida a questão atinente a correta identificação do produto. Com base nas conclusões apresentadas na Informação Técnica de fls. 62/64 e no Laudo Técnico 002/15 (fls. 226/227), colacionadas aos autos pela recorrente, ela manifestou o entendimento de que o produto era “um agente orgânico de superfície, um tensoativo de caráter não iônico, constituído de Novolac Alkoxylate (um alquilfenoletoxilado)”, uma vez que apresentava tensão superficial a 0,5% em água a 20ºC abaixo do valor mínimo de 45 dynas/cm. Por sua vez, respaldado nas conclusões exaradas no Laudo Técnico do Labana Luiz Angerami (fls. 25/26), para a fiscalização o referido produto tratavase de “Nonifenol Etoxilado, que quando misturado com Água na concentração de 0,5%, a temperatura de 20% C, deixado em repouso durante uma hora á mesma temperatura, produz liquido transparente que não reduz a tensão superficial da água a 45 dinas/cm ou menos”. Da mesma forma, no Parecer Técnico 09/2014 (fls. 210/213), emitido pelo L. A. Falcão Bauer, com base na análise da amostra do produto “DISPERSOGEN 2774/190Kg Steel Drum”, a Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0,5% a 20°C encontrada foi de 48 dinas/cm, portanto, superior a 45 dinas/cm, conforme conclusão apresentada Laudo Técnico do Labana Luiz Angerami. A diferença entre a conclusão apresentada nos laudos apresentados pela recorrente com os laudos/pareceres oficiais é a “Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0,5% a 20°C”, que para o primeiro seria menor do que 45 dinas/cm, enquanto os segundos seria superior a 45 dinas/cm, ou seja, de 48 dinas/cm. A recorrente aceitou a conclusão apresentada no Laudo Técnico 002/15 (fls. 226/227), produzida a seu pedido, com base na análise do produto ("DISPERSOGEN 2774/190Kg Steel Drum"), porém, contraditoriamente, não acatou a conclusão apresentada pelo L. A. Falcão Bauer, por meio do Parecer Técnico 09/2014 (fls. 210/213), que analisou o mesmo produto, com base no argumento de que produto analisado não era o produto que fora analisado no Laudo Técnico do Labana Luiz Angerami. Cabe enfatizar que, a diligência foi feita, atendendo a pedido da própria recorrente, que solicitou que fosse ouvido um novo órgão técnico credenciado e, para esse fim, ela própria foi quem forneceu as amostras do produto ("DISPERSOGEN 2774/190Kg Steel Drum"), que, embora não fosse do mesmo lote do produto importado, pela descrição e composição físicoquímica, verificase que se trata do mesmo produto, o que, inclusive, foi confirmado pelo resultado da análise feita pelo L. A. Falcão Bauer, que chegou a resultado obtido pelo Labana Luiz Angerami. Assim, além de não ser verdade o alegado, a recorrente age de forma contraditória, quando aceitou a conclusão apresentado no laudo técnico elaborado a seu pedido, Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11128.004243/200510 Acórdão n.º 3302004.110 S3C3T2 Fl. 236 13 mas não acatou a conclusão do laudo oficial, com resultado da análise do produto do mesmo lote. Ressaltase ainda que, não há nos autos, nenhuma prova idônea no sentido de infirmar a conclusão apresentada no laudo técnico oficial originário, elaborado pelo Labana Luiz Angerami. Ademais, a conclusão apresentada no novo laudo oficial, elaborado pelo L. A. Falcão Bauer, confirma a conclusão do primeiro, o que robustece ainda mais idoneidade da referida prova. Por essas razões, chegase a conclusão que a decisão aqui adotada deverá ser feita com base nas conclusões das provas técnicas apresentadas, especialmente, quais as conclusões técnicas que deverão prevalecer, ou seja, as contidas nos laudos apresentados pela recorrente ou nos laudos oficiais. E a resposta para essa questão encontrase é dada pelo caput do art. 30 do Decreto 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. [...] (grifos não originais) Assim, por força do referido preceito normativo, as conclusões apresentadas nos laudos ou pareceres do Labana, INT e demais órgão federais congêneres somente não serão adotados nos aspectos técnicos se, inequivocamente, comprova a improcedência dos correspondentes laudos ou pareceres. No caso tela, não há elementos nos autos que comprovem a improcedência do Laudo Técnico 0200.01 do Labana Luiz Angerami (fls. 25/26) nem do Parecer Técnico 09/2014 do Labana Falcão Bauer (fls. 210/213). Este último, embora refirase a um outro produto, ele ratifica o entendimento consignado no citado Laudo Técnico, ou seja, de que o produto “DISPERSOGEN 2774/190Kg Steel Drum”, apresenta a Tensão Superficial da Solução Aquosa a 0,5% a 20°C acima de 45 dinas/cm (no caso, 48 dinas/cm). De qualquer modo, com base apenas nas conclusões exaradas no referido Laudo Técnico do Labana, este Relator está convencido de que o produto importado pela recorrente tratase de “Nonifenol Etoxilado, que quando misturado com Água na concentração de 0,5%, á temperatura de 20% C, deixado em repouso durante uma hora a mesma temperatura, produz liquido transparente que não reduz a tensão superficial da água a 45 dinas/cm ou menos”. Dessa forma, uma vez superada a questão de natureza técnica, relativa identificação do produto importado pela recorrente, passo a análise do seu enquadramento tarifário, partindo da premissa de que cada produto pertence a apenas um único código da TECNCM. Nesse sentido, como existe dois códigos em discussão, apenas um deles poderá ser o verdadeiro código atribuído ao citados produto. E para o enquadramento do produto na NCM serão utilizados os critérios claros e objetivos estabelecidos nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado Fl. 242DF CARF MF 14 (RGI/SH), Regras Gerais Complementares (RGC) da NCM e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH1). De acordo com a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RGI1), para os efeitos legais, a classificação de um produto na NCM é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Com base na referida Regra, veja o dispõe a Nota 3 do Capítulo 34 da NCM, a seguir transcrita: 3. Na acepção da posição 34.02, os agentes orgânicos de superfície são produtos que quando misturados com água em uma concentração de 0,5 %, a 20 °C, e deixados em repouso durante uma hora à mesma temperatura: a) originam um líquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel; e b) reduzem a tensão superficial da água a 4,5x102 N/m (45dinas/cm) ou menos. [...] (grifos não originais) Assim, fica demonstrado que o produto importado pela recorrente não se enquadra no código NCM 3402.13.00, por expressa exclusão determinada na referida Nota. Por sua vez, sendo produto importado pela recorrente um composto orgânico não especificado nem compreendido em qualquer das outras posições da NCM, induvidosamente, ele enquadrase na posição 3824, posição residual do Capitulo 38, que compreende os "Produto Diversos das Indústrias Químicas", e no âmbito desta posição, inexistindo subposição especifica para seu enquadramento, certamente ele classificase na subposição residual 3824.90 ("outros"). E no âmbito desta suposição, classificase no item 3824.90.8, que compreende os "Produtos e preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições", e, finalmente, no código NCM 3824.90.89 ("outros"), por inexistir subitem especifico para o produto. Assim, uma vez definida a correção da classificação fiscal atribuída ao produto pela fiscalização, passase analisar dos demais argumentos de mérito apresentados pela recorrente. Da multa de mora. A recorrente alegou que era incabível, na hipótese dos autos, a exigência da multa mora, vez que, na linha do entendimento firmada pela doutrina e jurisprudência predominante em nos tribunais, referida multa somente seria devida após o final do processo administrativo. Sem razão a recorrente, pois, nos termos do que determina art. 61, § 1º, da Lei 9.430/1996, a referida multa será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento. 1 As NESH foram incorporadas à legislação aduaneira pelo Decreto nº 435, de 1992, definindoas no § único do art. 1º como "elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado". Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11128.004243/200510 Acórdão n.º 3302004.110 S3C3T2 Fl. 237 15 Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, tem amparo legal a cobrança da referida conforme proposto no questionado auto de infração. Da multa por classificação fiscal incorreta. A recorrente alegou que não procedia a cobrança da multa por erro de classificação fiscal da mercadoria, porque o produto encontravase classificado corretamente na DI. A previsão legal de aplicação da referida penalidade encontrase estabelecida no inciso I do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir trasncrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; [...] De acordo com o disposto no referido preceito legal, a materialização da referida infração ocorre com o simples cometimento de erro de classificação do produto em pelo menos uma das referidas nomenclaturas ou catálogos de detalhamento da mercadoria. No caso em tela, ante às conclusões anteriormente apresentadas, induvidosamente, a referida infração encontrase devidamente caracterizada, haja vista que a autuada atribuiu ao produto importado o código NCM 3402.13.00, quando o correto seria o código NCM 3824.90.89. Dessa forma, deve ser mantida a cobrança da referida multa, conforme proposto no auto de infração em apreço. Da ilegalidade da cobrança dos juros com base na taxa Selic. A recorrente alegou que, por ofender os preceitos constitucionais, a taxa Selic não podia aplicada aos tributos, seja a título de juros moratórios ou de correção monetária. Não procede a alegação da recorrente. A cobrança dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, está em perfeita consonância com o disposto no § 1º do art. 161 do CTN, que estabelece o seguinte, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...). (grifos não originais) Fl. 244DF CARF MF 16 Assim, em conformidade com o transcrito preceito legal, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu o seguinte regramento, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A matéria foi objeto de julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.111.175 SP2, submetido ao regime do recurso repetitivo, estabelecido no 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade da cobrança dos juros moratórios, calculados com base na variação da taxa Selic, nos termos do enunciado da ementa a seguir transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250∕95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250∕95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257∕SC, 399.497∕SC e 425.709∕SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c∕c a Resolução 8∕2008 Presidência∕STJ. 2 STJ, Primeira Seção, Relatora Ministra Denise Arruda, julgado em 01/09/2009, DJe 18/09/2009. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11128.004243/200510 Acórdão n.º 3302004.110 S3C3T2 Fl. 238 17 Dessa forma, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º3, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, aqui se adota as mesmas razões de decidir consignadas no referido julgamento como fundamento da presente decisão. No mesmo sentido, também se firmou a jurisprudência deste Conselho, nos termos da Súmula Carf nº 4, a seguir transcrita: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todas essas considerações, sou pela manutenção do cálculo dos juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, conforme determinado no referido auto de infração. Da conclusão. Por todo o exposto, votase pela rejeição da preliminar de nulidade da decisão primeira instância e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 246DF CARF MF 18 Fl. 247DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.911990/2009-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9303-004.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente INTERSMART COM. IM. EXP. EQUIP. ELETRÔNICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 19 90 /2 00 9- 47 Fl. 199DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802002.345, de 29/01/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/10/2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à possibilidade de retificação de DCTF após despacho homologatório. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.365 e 3302002.384. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 186/189. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 191/197). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame de admissibilidade, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de IPI, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10120.911990/200947 Acórdão n.º 9303004.939 CSRFT3 Fl. 200 3 interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: (...) Todavia, no presente caso, não há prova do existência do crédito compensado. O Recorrente, notadamente por se tratar de IPI, deveria ter apresentado, ao menos, as cópias dos livros fiscais comprovando a totalidade das saídas tributadas, cópias estas acompanhadas da respectiva documentação de suporte. Isso porque, de acordo com o art. 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598/1977, a escrituração fiscal apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, entendese que o sujeito passivo – a quem compete o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição – não demonstrou a liquidez e a certeza do direito de crédito. (g.n.) Portanto, a retificação da DCTF não foi acompanhada da comprovação da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.365: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acórdão nº 3302002.384: Fl. 201DF CARF MF 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. No primeiro paradigma, dizse que o direito à compensação não está limitada à retificação da DCTF, de modo que, embora retificada, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera, mediante a apresentação oportuna de provas, o mesmo que, aliás, está decidido no segundo paradigma. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904358/2012-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.752
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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CONCEITO DE INSUMO. DCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 58 /2 01 2- 18 Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10280.904358/201218 Acórdão n.º 9303004.752 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.654, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: (...) ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúric e calcário AL 200 Carbomil, nos termos do voto do Relator. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10280.904358/201218 Acórdão n.º 9303004.752 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.731, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.731): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10280.904358/201218 Acórdão n.º 9303004.752 CSRFT3 Fl. 5 4 produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10280.904358/201218 Acórdão n.º 9303004.752 CSRFT3 Fl. 6 5 Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." No caso deste processo o litígio abrange, tão somente, o direito de crédito sobre as aquisições de ácido sulfúrico e calcário AL 200 Carbomil. Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses dois insumos foi reconhecido, no presente processo também deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 669DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000086/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005, 2006
CIDE-ROYALTIES. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES.
A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide sobre o valor de royalties, a qualquer título - assim entendido como aqueles decorrentes de qualquer exploração de direito autoral, de propriedade industrial ou intelectual - que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter, a residente ou domiciliado no exterior.
CIDE-ROYALTIES. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS.
A remuneração paga, creditada, entregue ou remetida, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, decorrente de contrato de natureza técnica, independentemente de haver transferência de tecnologia, está sujeita à incidência da CIDE.
CIDE-ROYALTIES. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA ADMINISTRATIVA.
A remuneração paga, creditada, entregue ou remetida, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, decorrente de contrato de natureza administrativa, independentemente de haver transferência de tecnologia, está sujeita à incidência da CIDE.
CIDE-REMESSA. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA REMESSA AO EXTERIOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA INCLUSÃO DE OUTROS TRIBUTOS
A base de cálculo da contribuição deve entendida como o valor utilizado nos contratos de câmbio que possibilitaram o adimplemento da obrigação contratual pela fonte pagadora, sem a inclusão de quaisquer tributos por ausência de previsão legal. O artigo 725, do RIR/99, não se aplica à contribuição em comento, tendo em vista não haver aplicação subsidiária entre as normas atinentes aos dois tributos. Tampouco deve ser incluído o Imposto sobre Serviço que eventualmente tenha incidido na operação, por ausência de dispositivo normativo.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
O artigo 61, da Lei Federal 9.430/1996 somente se refere à parcela do tributo lançado no auto de infração, de modo que a aplicação da Taxa SELIC somente alcança o tributo. A respectiva multa de ofício, que encontra respaldo em outro artigo da mesma lei, não é atingida por tal aplicação, uma vez que inexiste conexão normativa expressa nesse sentido.
Numero da decisão: 3401-003.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) rejeitar as preliminares; e (a2) manter o lançamento no que se refere a remessas relacionadas aos serviços de administração, assessoria, coordenação para exibição do espetáculo "Cirque du Soleil" (item 3, do auto de infração), tendo os Conselheiros Rosbon Josè Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila, e Rosaldo Trevisan votado pelas conclusões, por entenderem não aplicável ao caso a argumentação a respeito da referibilidade, devendo o relator integrar a seu voto e à ementa do acórdão, na forma do artigo 63, § 8o do RICARF, os fundamentos externados pela maioria dos conselheiros; (b) por maioria de votos, para (b1) excluir da base de cálculo da contribuição os valores referentes a IRRF, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida; e (c) por voto de qualidade, para (c1) manter o lançamento no que se refere a remessas relacionadas à cessão de direitos de uso dos direitos autorais sobre obra literária e artística (item 1, do auto de infração), vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e André Henrique Lemos, que davam provimento em função de ausência de referibilidade, e o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento por entender que o Decreto no 4.195/2002, com relação exaustiva, limita a hipótese de incidência da contribuição, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (c2) manter o lançamento no que se refere a remessas relacionadas aos ¿serviços técnicos¿ (item 2, do auto de infração), vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado (relator), que dava provimento em função de ausência de referibilidade, e os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, e André Henrique Lemos, que davam provimento exclusivamente para serviços de coreógrafo, de diretor, de diretor assistente, e de supervisor musical, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Renato Vieira de Ávila
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide sobre o valor de royalties, a qualquer título assim entendido como aqueles decorrentes de qualquer exploração de direito autoral, de propriedade industrial ou intelectual que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter, a residente ou domiciliado no exterior. CIDEROYALTIES. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. A remuneração paga, creditada, entregue ou remetida, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, decorrente de contrato de natureza técnica, independentemente de haver transferência de tecnologia, está sujeita à incidência da CIDE. CIDEROYALTIES. REMESSAS AO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. A remuneração paga, creditada, entregue ou remetida, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, decorrente de contrato de natureza administrativa, independentemente de haver transferência de tecnologia, está sujeita à incidência da CIDE. CIDEREMESSA. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA REMESSA AO EXTERIOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA INCLUSÃO DE OUTROS TRIBUTOS A base de cálculo da contribuição deve entendida como o valor utilizado nos contratos de câmbio que possibilitaram o adimplemento da obrigação contratual pela fonte pagadora, sem a inclusão de quaisquer tributos por ausência de previsão legal. O artigo 725, do RIR/99, não se aplica à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 86 /2 01 0- 25 Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.581 2 contribuição em comento, tendo em vista não haver aplicação subsidiária entre as normas atinentes aos dois tributos. Tampouco deve ser incluído o Imposto sobre Serviço que eventualmente tenha incidido na operação, por ausência de dispositivo normativo. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 61, da Lei Federal 9.430/1996 somente se refere à parcela do tributo lançado no auto de infração, de modo que a aplicação da Taxa SELIC somente alcança o tributo. A respectiva multa de ofício, que encontra respaldo em outro artigo da mesma lei, não é atingida por tal aplicação, uma vez que inexiste conexão normativa expressa nesse sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para (a1) rejeitar as preliminares; e (a2) manter o lançamento no que se refere a remessas relacionadas aos serviços de administração, assessoria, coordenação para exibição do espetáculo "Cirque du Soleil" (item 3, do auto de infração), tendo os Conselheiros Rosbon Josè Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila, e Rosaldo Trevisan votado pelas conclusões, por entenderem não aplicável ao caso a argumentação a respeito da referibilidade, devendo o relator integrar a seu voto e à ementa do acórdão, na forma do artigo 63, § 8o do RICARF, os fundamentos externados pela maioria dos conselheiros; (b) por maioria de votos, para (b1) excluir da base de cálculo da contribuição os valores referentes a IRRF, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida; e (b2) afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida; e (c) por voto de qualidade, para (c1) manter o lançamento no que se refere a remessas relacionadas à cessão de direitos de uso dos direitos autorais sobre obra literária e artística (item 1, do auto de infração), vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e André Henrique Lemos, que davam provimento em função de ausência de referibilidade, e o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento por entender que o Decreto no 4.195/2002, com relação exaustiva, limita a hipótese de incidência da contribuição, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (c2) manter o lançamento no que se refere a remessas relacionadas aos ¿serviços técnicos¿ (item 2, do auto de infração), vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado (relator), que dava provimento em função de ausência de referibilidade, e os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, e André Henrique Lemos, que davam provimento exclusivamente para serviços de coreógrafo, de diretor, de diretor assistente, e de supervisor musical, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. ROSALDO TREVISAN Presidente. RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator designado. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.582 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Renato Vieira de Ávila Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto por T4F Entretenimento SA (fls 1527 e seguintes), contra decisão, da 6ª Turma, DRJ/SP, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DEMAC/SP, em 14.07.2010, com ciência pela Contribuinte na mesma data, referente aos valores não declarados e não recolhidos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre Remessas ao Exterior ("CIDERoyalties"), referente a fatos geradores ocorridos no período de 07/2005 a 12/2006. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 60 e seguintes) de R$ 1.039.392,07 (um milhão, trinta e nove mil, trezentos e noventa e dois reais e sete centavos), mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$ 2.279.346,34 (dois milhões, duzentos e setenta e nove mil, trezentos e quarenta e seis reais e trinta e quatro centavos) Os motivos esposados pela fiscalização foram os seguintes: (a) A Recorrente teria deixado de recolher a CIDERoyalties em remessas para o exterior decorrente de 13 (treze) contratos teriam ensejado pagamento, dos quais seis de “Royalties”, outros seis de “Serviços Técnicos” e mais um de “Assistência Administrativa e assemelhados”. Os contratos tinham os seguintes objetos, trazidos no Termo de Verificação Fiscal: 1. Contratos de cessão de direitos de uso dos direitos autorais sobre obra literária, artística ou cientifica, mediante pagamento de royalties Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.583 4 2. Contratos de Serviços Técnicos, tais como: coreógrafo assistente, direção e assistência de direção de produção de peça teatral, montagem de cenários, design de iluminação, supervisão musical e montagem de exposição de quadros. Contratos de assistência administrativa e assemelhados, no caso, “administração, assessoria, coordenação para exibição do espetáculo “Cirque du Soleil”. (b) Quando do cálculo do tributo supostamente devido, a autoridade fazendária limitouse a somar o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) ao valor das remessas efetuadas, sem maiores comentários, apenas fazendo menção à legislação da taxa de câmbio aplicável para conversão em reais brasileiros, nas situações que guardam relação com transferências para o exterior (Lei Federal 9.816/1999, e Instrução Normativa SRF 41/99, artigos 1° e 2°). Da Impugnação Irresignado, o Contribuinte apresentou, à época, Impugnação (fls. 111 e seguintes) alegando, em síntese, o seguinte: 1. As remessas atinentes a royalties (item 3.1.1. do Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, doravante referido como "TVF") relacionamse a pagamentos de direitos autorais, notadamente contraprestações devidas pela concessão de autorização para a reprodução de criações artísticas. A Autoridade Fiscal buscou demonstrar, quanto a tais remessas, que elas se enquadrariam no conceito legal de royalties (artigo 22 da Lei n° 4.506/64), e, portanto, estariam sujeitas à CIDE, nos termos do artigo 2°, § 2°, da Lei n° 10.168/00; 2. A Autoridade Fiscal sustentou que 6 contratos firmados pela Impugnante envolveriam a prestação de serviços técnicos, dos quais teriam decorrido pagamentos sujeitos à CIDETecnologia (item 3.1.2. do TVF). Tais contratos, resumidamente, dizem respeito a serviços relacionados aos espetáculos promovidos pela Impugnante, a saber: (i) coreografia; (ii) direção teatral; (iii) cenografia; (iv) desenho de Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.584 5 iluminação; (v) supervisão musical; e (vi) montagem • de exposição. (Grifos nossos) 3. Postula o TVF que os serviços artísticos, como os acima enumerados, requereriam, "de um lado, o conhecimento técnico ou cientifico", e, do outro, "capacidade artística". A Autoridade Fiscal busca amparo na Doutrina de Marçal Justen Filho, em comentário ao artigo 13 da Lei n° 8.666/93 ("Dos Serviços Técnicos Profissionais Especializados"), o qual será oportunamente transcrito. Conclui, então, que os serviços técnicos seriam aqueles trabalhos dependentes de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios.(...) 4. a Autoridade Fiscal identificou contrato, celebrado com a CIE Internacional, que, tendo por objeto a prestação de serviços de administração, assessoria e coordenação para a realização de espetáculos do "Cirque Du Soleil", daria azo à exigência da CIDE Tecnologia (item 3.1.3 do TVF). 5. Que (...) não discorda da qualificação, como royalties, dos pagamentos de direitos autorais descritos no TVF. Nada obstante, assinala que royalties dessa natureza, direitos autorais, não se encontram sujeitos à incidência da CIDETecnologia; 6. Neste sentido, defende que o artigo 10, do Decreto n° 4.195/02, que regulamentou a Lei n° 10.332/2001, conferiulhe alcance mais restrito, redefinindo o fato gerador da CIDETecnologia, restringindo o aos royalties relativos à transferência de tecnologia, uso de marcas e exploração de patentes. Portanto, não haveria neste dispositivo legal menção a direitos autorais, como ocorre com o artigo 22 da Lei n° 4.506/64; 7. Argumenta sobre a impossibilidade da Autoridade Fiscal contrariar Decreto Presidencial. Para tanto, cita decisões do CARF sobre o assunto: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário ANOCALENDÁRIO : 2002 CIDE. Royalties. Direito autoral. Não incidência. A CIDE/ Royalties, instituída pela Lei n.° 10.168/2000, não incide sobre a remessa ao exterior de pagamentos relativos a exploração de direitos autorais, mesmo que sobre a denominação de royalties, por foge do comando interpretativo do artigo 10 do Decreto n.° 4.195/2002. (..)" (Acórdão n° 30134.753, de 12/11/2008). "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador : 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDE/ ROYALTIES DIREITO AUTORAL NÃO INCIDÊNCIA. A CIDE/ royalties, instituída pela Lei n° 10.168/2000, não incide sobre a remessa ao exterior de pagamentos relativos a exploração de direitos autorais, mesmo que sobre a denominação de royalties, por forçado comando interpretativo do artigo 10 do Decreto n°4.195/02 (..)" (Acórdão n° 30238.763, de 05/10/2007).” Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.585 6 8. Ressalta ainda: a. Que o entendimento exarado no Auto de Infração para os serviços de coreógrafo, montagem, direção etc, como serviços técnicos não deve prevalecer, pois, conforme art. 2º, da Lei Federal n° 6.533/1978 e, também, o anexo ao Decreto Federal n° 82.385/1979, os serviços contratados pela Impugnante apresentam natureza artística, inclusive, por definição legal, não técnica. A mesma distinção entre serviço artístico e serviço técnico é feita pela Lei Federal n° 8.666/1993 (artigo 22, § 4º) faz distinção entre serviços técnicos e artísticos; b. Que a linha argumentativa de que se valeu a Autoridade Fiscal para motivar o Lançamento é insubsistente. Tanto a Doutrina citada, quanto a legislação a que ela se refere deixam muito claro que não há que se confundir serviços técnicos com serviços artísticos; c. Que inexiste um conceito de serviços técnicos exclusivo para a CIDETecnologia. Por isso, o exame sistemático do arcabouço jurídico tributário é tarefa necessária à adequada aplicação da Lei n° 10.168/00. Para tanto, citou RESP 51.7577/SP, exemplificando que o STJ já decidiu no sentido de que que inexistindo vínculo com a tecnologia o serviço não é técnico para fins tributários. A notícia, o artigo, a crônica, o editorial e a sua transmissão não podem ser qualificados como serviços técnicos especializados. Na verdade, constituem obra jornalística, incluída, pois, na órbita do direito autoral e não no campo da propriedade tecnológica. A noticia, é certo, não está ao abrigo da proteção do direito autoral (Lei n° 5.988, de 1973, art. 49); todavia, segundo argumenta com razão a recorrente, isso não a exclui do campo da ciência do direito que versa sobre o direito autoral, nem a afasta das matérias que se inserem no domínio da obra jornalística gráfica. d. Que o artigo 355, § 3°, do RIR/99 não deixa dúvidas de que a norma é incondicional: aplicase a todos os contratos registrados perante o INPI. Não se cogita de contratos "registráveis" ou "nãoregistráveis". Se assim fosse, o texto legal diria "somente será admitida caso o contrato seja passível de registro perante o INPI, e, neste caso, seja efetivamente registrado". 0 registro no INPI é indicado na norma não como um fator de discriminação entre contratos de serviço técnico, mas um limite temporal ("a partir da...") aplicável à dedutibilidade das despesas derivadas de todos os contratos de serviços técnicos. Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.586 7 e. Que os contratos abrangidos por esta parte do Auto de Infração não possuem nada de serviços técnicos, pois têm por objeto serviços artísticos, não tecnológicos. Para reforçar esse entendimento cita Decisões da 7ª RF n°274/98 e 124/99, Dec. 7ª RF 252/98: Serviços técnicos Somente estão sujeitas às restrições estabelecidas pelos artigos 354 e 355 do RIR199 as somas das quantias devidas a titulo de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhante). Em se tratando de contratação de empresa domiciliada no Canadá, que colocará à disposição da consulente técnicos especializados em sondagem, para que esta última execute serviços junto à mineradora brasileira, aplicase o disposto no artigo 299 do mesmo Regulamento, que trata, de forma genérica, da dedutibilidade das despesas operacionais, respeitados os requisitos da necessidade e da usualidade f. Que, ainda que se cogitasse a existência de serviços técnicos que não envolvam transferência de tecnologia, eles não incluiriam os serviços artísticos por ela contratados, conforme define Ato Declaratório Normativo COSIT n° 1/00: "I As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitamse tributação de acordo com o art. 685, inciso li, alínea "a", do Decreto n° 3.000, de 1999. (..) III Para fins do disposto no item I deste ato, consideramse contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia aqueles não sujeitos à averbação ou registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e Banco Central do Brasil'. De acordo com esse pronunciamento do Fisco, os serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitarseiam, para fins de imposição do IRRF, ao disposto no artigo 685 do RIR199. g. Que, “ausente regra específica para a conceituação dos serviços técnicos no âmbito da CIDETecnologia, devese concluir que os serviços "técnicos sem transferência de tecnologia", que, na essência, não são juridicamente "técnicos", não dão ensejo à incidência daquele tributo. A CIDETecnologia incide sobre os serviços técnicos legalmente qualificados; os mesmos que se submetem, para fins de IRRF, ao artigo 708 do RIR/99, que em nada se confundem com aqueles enquadrados no artigo 685 do RIR199, mencionado no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 1/00; 9. A Recorrente, ainda na Impugnação, argui : Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.587 8 · A ilegalidade das Instruções Normativas n° 208/02 e 252/02, mencionadas no Termo de Verificação Fiscal diante da previsão do Decreto Federal 4.195/2002; · Que ambos os serviços técnicos e serviços administrativos, para sofrerem incidência da contribuição, devem, necessariamente, vincularemse com a tecnologia, o que não seria o caso; · Que, de acordo com o §3º do artigo 2° da Lei n° 10.168/00, a CIDE Tecnologia incidiria sobre as importâncias pagas ou remetidas aos residentes no exterior, não podendo a base de cálculo ser o valor bruto, mas o montante efetivamente remetido, líquido, por meio do competente contrato de câmbio. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1663.674, exarado pela 6ª Turma, da DRJ/SPO, em 27.11.2014, mantendo integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO. O julgador da esfera administrativa deve observar as normas legais e regulamentares, não podendo desrespeitar textos legais vigentes sob pena de responsabilidade funcional (§ único do art. 142 do CTN; artigo 7º, inciso V, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 341/2011; e artigo 116, inciso III, da Lei nº 8.112/1990. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de endereçamento de intimações por via postal em nome dos procuradores, em razão de inexistência de previsão legal de intimação em endereço diverso do domicílio tributário do sujeito passivo. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Consideramse não formulados os pedidos de diligência e perícia que deixam de atender aos requisitos previstos em lei. IMPUGNAÇÃO. PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.588 9 previstos no § 4º do artigo 57 do Decreto nº 7.574 de 29/09/2011. A alegação sem produção de provas impossibilita a revisão do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Constatada a falta de declaração e de recolhimento de débitos pelo sujeito passivo, deve ser formalizado o crédito tributário pelo lançamento. CIDE. BASE DE CÁLCULO. O valor do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. CIDE. INCIDÊNCIA. REMESSAS AO EXTERIOR. ROYALTIES DIREITO AUTORAL. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior (§ 2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, alterada pela Lei nº 10.332/2001). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos (fls. 1486 e seguintes): Dos contratos de Remessa de Royalties: “14. Cumpre esclarecer ainda, que as decisões judiciais mencionadas pela defesa, proferidas em processos dos quais a interessada não tenha participado, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal, bem como os julgados administrativos, por falta de lei que lhes atribua eficácia normativa (art. 100, II, CTN). Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente aplicandose à questão em análise. Também não vincula esta decisão, doutrina pela defesa mencionada, visto que teses doutrinárias não constituem normas complementares à legislação tributária (arts. 96 e 100, CTN).; (...) Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.589 10 24. Em assim sendo, o Decreto nº 4.195/2002 não poderia restringir a aplicação do termo royalties tendo em vista que esta não foi a intenção do legislador ordinário, do que se conclui, sem muito esforço, que os contratos citados no artigo 10 do Decreto, nada mais são do que exemplificativos.; 25. Ademais, é certo que os decretos são vinculantes para a administração pública. No entanto, ao contrário do que entende a defesa, o Decreto não pode restringir a aplicação da lei que regulamenta, quando a norma legal não previu tal restrição. Se a hipótese de incidência da CIDE sobre remessa de royalties ao exterior, a qualquer título, decorrente de obrigação contratual da pessoa jurídica, está prevista no artigo 2º da Lei nº 10.168/2000 (com redação dada pela Lei nº 10.332/2001), tal lei deve ser observada, seja qual for o objeto do contrato, inclusive em obediência ao princípio da hierarquia das normas.; 26. E não é o caso de contrariar o Decreto ou fazer juízo sobre sua constitucionalidade, como mencionou a impugnante. É justamente pela atividade vinculada da administração pública, como citado acima, que não pode a autoridade julgadora deixar de aplicar textos legais vigentes, sob pena de responsabilidade funcional,; 27. Para arrematar a questão, foi editada a IN SRF nº 252/2002, publicada no D.O.U. de 04/12/2002, que determina de forma clara que incide a CIDE sobre remessas decorrentes do pagamento a título de royalties vinculado à exploração de direitos autorais: 28. Assim, tendo em vista que rendimentos por exploração de direitos autorais são royalties, conforme estabelecido na alínea “d” do artigo 22 da Lei nº 4.506/1664, e que conforme determina o artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, com redação dada pela Lei nº 10.332/2001, é devida a CIDE pelas pessoas jurídicas que remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, os valores remetidos pela interessado ao exterior a título de pagamentos de royalties referentes a direitos autorais estão sujeitos à incidência da CIDE.;” Dos Contratos de Remessa de Valores para Pagamento de Serviços Técnicos: “51. Assim, o objeto dos referidos contratos da interessada, realizados por profissionais de artes residentes ou domiciliados no exterior, são serviços técnicos e, desta forma, os valores para pagamentos de tais serviços estão sujeitos à incidência da CIDE a partir de 1º de janeiro de 2002, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, com redação dada pela Lei nº 10.332/2001. 52. Quanto à solicitação da defesa, a fim de reconhecer a ilegalidade do artigo 37, da IN SRF n° 208/02, e do artigo 17, da IN SRF n° 252/02, os quais conceituam serviços técnicos como "obra ou empreendimento cuja execução dependa de Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.590 11 conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios", esclareçase que a mesma não pode ser acolhida, tendo em vista os estreitos limites à que se encontra adstrito o julgador administrativo na análise da matéria. (...) 57. No entanto, o parágrafo segundo do artigo 2º com a nova redação dada pela da Lei nº 10.332/2001, a CIDE instituída pela Lei nº 10.168/2000 sofreu um alargamento de seu campo de incidência. Neste passo, seu artigo 2º, parágrafo 2º, determinou que a contribuição, a partir de 1º de janeiro de 2002, passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos. 58. Devese ressaltar que a contribuição, em relação aos serviços técnicos, é devida independentemente de transferência de tecnologia, tendo em vista que não consta na lei a exigência que tais serviços envolvam ou não a transferência de tecnologia (...) 60. Este dispositivo regulamentar, em nenhuma passagem, determinou que o “serviço técnico” seria apenas aquele passível de registro no INPI e que implique em transferência de tecnologia. O parágrafo 3º simplesmente determinou que, para fins de dedução do imposto de renda, somente este tipo específico de serviço técnico seria aceito, ou seja, os demais serviços técnicos sem transferência de tecnologia e registro no INPI não seriam dedutíveis do IR. 61. Também não se fundamenta a conclusão feita pela impugnante na leitura do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 1/2000, abaixo citado, quando diz que o Fisco afirmou, por meio desse ato, que os serviços técnicos sem transferência de tecnologia não passam de meros serviços, não sendo qualificáveis, juridicamente, como serviços técnicos. Dizia o citado Ato Declaratório: 62. Tal Ato dispunha, sobre “o tratamento tributário a ser dispensado às remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e serviços técnicos sem transferência de tecnologia”. Tratavase, justamente, dos serviços técnicos sem transferência de tecnologia, de forma alguma afirmava que seriam meros serviços e, portanto, não fundamenta o entendimento da interessada. 63. Observese apenas que o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 1/2000 foi revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 5/2014, abaixo citado: (...) 65. Vale destacar, que o próprio trecho citado pela defesa, referente à relação de serviços técnicos não averbáveis no INPI, extraído de seu sítio na internet, já traz a possibilidade de haver serviços técnicos que não caracterizam transferência de tecnologia, contrariando a tese por ela defendida anteriormente, pois diz que "Por Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.591 12 não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei n° 9.279/96, alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços:...”. (...) 67. Por fim, a Lei nº 8.666/1993, citada na impugnação, estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos, e os conceitos nela contidos devem ser examinados nesta seara. Porém, convém destacar que o artigo 13 desta lei pretendeu definir “serviço técnico profissional especializado” ou seja, espécie do gênero “serviço técnico”.” Dos Contratos de Remessa de Valores para Pagamento de Assistência Administrativa e assemelhados: “71. A incidência da CIDE sobre contratos firmados por pessoas jurídicas, que tenham por objeto serviços de assistência administrativa a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior está prevista no parágrafo 2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, com redação dada pela Lei nº 10.332/2001, e também no inciso III, do artigo 10 do Decreto nº 4.195/2002, supra citado. 72. Tendo em vista que a impugnante remete aos argumentos sobre serviços técnicos, já abordados anteriormente, e por tratarse de hipótese de incidência prevista na mesma legislação, cabe, neste ponto, também utilizar todo o entendimento acima demonstrado, para concluir que o contrato firmado pela interessa referese a serviço de assistência administrativa e, portanto, está sujeito à incidência da CIDE, devendo ser mantido o lançamento efetuado.” · Da base de cálculo da CIDE: “75. A base de cálculo, tal como apurada pela autoridade fiscal, tem por base legal as disposições contidas na legislação acima citada. O valor do IRRF integra o rendimento auferido pelo beneficiário no exterior e, como não há nenhum dispositivo legal que autorize a sua retirada da base de cálculo da CIDE, este valor, independentemente de a fonte pagadora brasileira ter assumido ou não o seu ônus, deve compor a base de cálculo da contribuição. 76. Este entendimento é o adotado pela Solução de Divergência Cosit nº 17, de 29/06/2011. Tendo em vista que a IN RFB nº 1.434/2013, que alterou a IN RFB nº 1.396/2013, estabeleceu em seu artigo 9º que a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, e por tratarse do mesmo tema, (...)” Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.592 13 Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em 26.05.2015 (fls. 1527 e seguintes), que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação e apresentar, ainda, os seguintes: Como preliminar, argumenta ter havido cerceamento de defesa, porque a autoridade fiscal teria cometido erro em efetuar o lançamento do crédito tributário tomandose por base valores de pagamentos estipulados pela Recorrente com as suas partes contratadas sem a correta individualização dos valores autuados. Requer, por conta, a nulidade do lançamento com fulcro no art. 59, inciso II, do Decreto Federal 70.235/19721. Vejamos esse trecho: Por ora, é importante apontar para o fato de que a confusão entre a natireza de dois (ou mais) valores e a ausencia de qualquer demosntração do critério de separação de valores adotado pela Autoridade Fiscalizadora implica evidente cerceamento do direito de defesa da Impugnante que, sem saber qual foi o critério adotado pela fiscalização, é obrigada a se virar para “adivinhar” qual teria sido este critério. Quanto ao mérito referente à incidência da contribuição, acrescenta a tese que a DRJ cometera equívoco ao arguir que o Decreto 4.195/2002 não impõe qualquer restrição ao conceito de royalties previsto no parágrafo 2º do artigo 2º, da Lei Federal 10.168/2000. Nessa linha, a aludida Lei Federal traz para ordenamento jurídico o conceito amplo de royalties. Em seguida, o Decreto Presidencial 4.195/2002 o restringe para fins tributários, criando, com isso, um novo conceito de royalties, relevante exclusivamente para fins tributários, distinto daquele usado pelo Direito Privado. 1 Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.593 14 Assim, a Recorrente afirma que a decisão de primeira instância, sob o pretexto de aplicar a IN SRF 252/2002, se esquivou de aplicar um Decreto Presidencial sobre o tema, norma hierarquicamente superior, a qual ela esta também vinculada, nos termos do art. 96 do CTN. Por fim, discorre pela impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, baseado nos arts 161 do CTN e 61, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, que os restringe ao valor do principal lançado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acordão ocorreu em 13.01.2016, com Recurso Voluntário protocolado em 12.02.2016, reunindo os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Das Preliminares Sobre o cerceamento de defesa, não entendo haver vício capaz de ser enquadrado no artigo. O lançamento foi fundamentado e relatado à exaustão pela autoridade conforme pode ser atestado pelo extenso Termo de Verificação Fiscal. De toda sorte, ainda que ficasse constatado equívoco na apuração da base das contribuições, a Recorrente poderia apresentar seu próprio cálculo ou ainda solicitar diligencia com esse propósito, mesmo porque, durante todo o processo até o presente, notase que se trata de discussão de direito e interpretação dos fatos, sem conexão com os cálculos apresentados pela Fazenda Pública. Diante disso, se a Recorrente entende que houve equívocos de natureza jurídica e material, que sejam expostos da discussão do mérito; bem como, causame estranheza que somente em sede de Recurso tal preliminar seja levantada, mesmo após apresentar sua retórica na impugnação. Pelo exposto, não dou provimento à preliminar de nulidade apresentada. Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.594 15 Do Mérito Entendo que o cerne do presente Recurso se divide em três partes distintas: (a) A amplitude do fato gerador da contribuição de intervenção no domínio econômico (b) A metodologia de cálculo mais adequada a ser utilizada para apuração da base imponível (c) A validade da incidência de Taxa SELIC sobre a multa de ofício Assim, passarei a examinálas individualmente a seguir. (a) Sobre a amplitude da incidência da CIDERoyalties A Contribuição Social de Intervenção de Domínio econômico para custear o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (CIDE Royalties) foi criada pela Lei Federal 10.168/2000, posteriormente alterada pela Lei Federal 10.332/2001. Nos termos do artigo 2º2 da Lei, a incidência da dita contribuição recai sobre as seguintes remessas ao exterior referentes às seguintes transações: (a) Contratos de licença de uso de conhecimentos tecnológicos (art. 2º, caput); (b) Contratos que: i. Impliquem transferência de tecnologia (art. 2º, caput), entendidos como tais aqueles contratos relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica (art. 2º, § 1º); ou 2 Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2odeste artigo (...) Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.595 16 ii. Tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa prestados por residentes ou domiciliados no exterior (art. 2º, § 2º); (c) Contratos que impliquem pagamento de royalties a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior (art. 2º, § 2º) Por outro lado, na regulamentação do Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação e da incidência da respectiva contribuição de custeio, assim ficaram definidas as hipóteses de incidência: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Conforme se nota, há diferenças entre o texto da Lei e o texto do Decreto, de modo que foi inferida, em dado momento, que haveria uma incompatibilidade semântica entre ambos, o que representaria um conflito aparente de normas, antinomia essa facilmente desatada mediante aplicação do critério hierárquico. Entendo que não há qualquer conflito. Na verdade, a única questão dissonante acaba por ser a inclusão, na descrição do fato gerador no texto legal, de “royalties a qualquer título”, e sua ausência na lista do artigo 10, do Decreto presidencial. Proposital ou não, essa ausência, a meu entender, confere mais clareza ao fato gerador descrito na Lei Federal 10.168/2000 com a alteração trazida pela Lei Federal 10.332/2001, de forma que não são quaisquer royalties que são objeto da fadada contribuição. E direi o porquê. Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.596 17 (i) Da interpretação conforme a Constituição Antes, de forma breve, disponho sobre a obrigação de se interpretar qualquer norma partindose do ordenamento constitucional. A teoria da “interpretação conforme a Constituição” é admitir um método de interpretação passível de adoção na atividade jurisdicional em que a premissa é atender aos requisitos constitucionais de validade da regra ali a ser interpretada. Não se trata, de forma alguma, de controle de constitucionalidade. Na verdade, seu uso vai ao extremo oposto, que é, em última análise, extrair via interpretativa o conteúdo constitucionalmente aceitável de uma norma que possa ter vícios de inconstitucionalidade a depender de como se interprete o texto legal, de modo a permitir sua permanência possível no ordenamento jurídico. Sobre esse tema, permitome citar o trabalho de FERNANDO OSÓRIO DE ALMEIDA JÚNIOR: “A interpretação conforme a Constituição aproximase dos métodos clássicos de solução de antinomias na medida em que busca também a realização do princípio da unidade do ordenamento jurídico e da supremacia da Constituição, este último em comparação com o método hierárquico. Entretanto, estremase deles quanto ao resultado: nos critérios clássicos, a antinomia resulta sempre na expulsão de uma das leis, enquanto no critério da intrepretação conforme a Constituição a antinomia não se estabelece entre duas leis, mas sim entre duas interpretações possíveis de uma mesma lei, uma que resulta em constitucionalidade e outra em inconstitucionalidade, pelo que deve prevalecer a primeira. Nesse sentido a interpretação conforme não é um critério de aplicação de determinada lei em detrimento de outra, mas de aplicação de determinada interpretação (‘critério de interpretação’) em detrimento de outra. (...) Pelo exposto, podemos conceituar: a interpretação conforme a Constituição é um critério de solução de antinomias entre interpretações possíveis de uma mesma lei, pelo qual deverá prevalecer aquela que lhe revela a conformidade com a Constituição, excluindose, assim, todas as demais formas de interpretação.”3 3 Almeida Junior, Fernando Osorio de. Interpretação conforme a Constituição e Direito Tributário. Dialética, São Paulo 2002, páginas 18 e 19. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.597 18 Seguindo essa estratégia, é importante enfatizar o entendimento de que a “interpretação conforme” revelase mais uma obrigação do que meramente uma opção. É o que defende EDUARDO GARCIA DE ENTERRÍA: “(...) antes de que uma Ley sea declarada inconstitucional, el juez que efectua el examen tiene el deber de buscar en vía interpretativa una concordancia de dicha Ley con la Constituición.”4 Ainda que esse colegiado não possa estar imbuído do poder de exercer o controle de constitucionalidade, pelos limitadores legais e regimentais impostos, nada obsta de exercer o livre direitodever da interpretação conforme, em obediência ao princípio da unidade do ordenamento jurídico. Não há, como possa aparentar, violação à legalidade tributária, quando se utiliza o método da interpretação conforme, desde que o intérprete adote alguns autolimites.5 O primeiro deles é que o resultado da interpretação conforme não pode atravessar o limite do sentido possível partindose da literalidade do texto normativo; denominado por LARENZ como “contexto significativo da lei”6. O outro é que a interpretação conforme não pode ignorar ou modificar o conteúdo da lei, violando a sua finalidade; do contrário, a norma perde seu valor, o que, consequentemente, violaria a separação dos poderes na medida em que a entidade julgadora exerceria papel exclusivo do legislativo. O cuidado em sua utilização é asseverado por LARENZ: “A interpretação conforme à Constituição, se quer continuar a ser interpretação, não pode ultrapassar os limites que resultam do sentido literal possível e do contexto significativo da lei.”7 É o que buscaremos nesse julgado. Passemos a analisar o conteúdo constitucional a ser examinado como critério de interpretação. (ii) Fundamentos de criação e validade dessa espécie tributária A CIDERoyalties, textualmente, é uma contribuição de caráter especial e como tal apresenta algumas peculiaridades em relação às demais espécies tributárias; não só 4 García de Enterría, Eduardo . La Constituición Como Norma y El Tribunal Constitucional. Civitas, Madri, 1994. Página 95. 5 Daí porque, alguns autores entendem a interpretação conforme não como um método interpretativo singular, mas um “critério de interpretação” (LARENZ) prioritário. 6 Larenz, Karl. Metodologia da Ciência do Direito. Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1997. Página 454 7 Idem, página 480. Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.598 19 isso, submeteas a um regime jurídico próprio, nitidamente distinto daquele a que estão sujeitos os demais tributos, sobretudo no que diz respeito à competência para a sua instituição e aos requisitos exigidos para tanto. As "CIDE ’s" possuem fundamento constitucional nos artigos 149 e 170, da Constituição Federal de 1988 (CF/88) que, ao mesmo tempo, devem respeitar a finalidade sobre a qual foram constituídas ("validação finalística") e cuja receita de arrecadação, atingida pela finalidade tenha um âmbito específico da aplicação ("finalidade específica"). É claro que não cabe a esse Tribunal, por força de seu Regimento8 e diante do disposto na Súmula CARF nº 2, examinar os requisitos de validade e existência das normas que instituíram a CIDERoyalties para fins de controle de constitucionalidade concreto não é, nem de longe, minha pretensão em meu voto porém, como se verá a seguir, é importante entendê los, ainda que superficialmente. Dito isso, enumerase abaixo os requisitos basilares para existência jurídico constitucional das contribuições especiais e, por consequência, das contribuições de intervenção no domínio econômico, tirados de LEANDRO PAULSEN e ANDREI PITTEN VELLOSO9: (a) Observância das limitações constitucionais gerais ao poder de tributar; (b) Existência de competência impositiva; (c) Busca da finalidade especificada pela norma atributiva de competência, (d) Necessidade; (e) Referibilidade. Dentre os aspectos acima, o que merece maior apreço para análise do presente Recurso é a referibilidade. A referibilidade é “assim entendida como o liame entre a finalidade a ser realizada com a contribuição e as atividades e interesses de certo grupo.”10 Na prática, isso significa que qualquer CIDE deve espelhar, em seu fato gerador, e no grupo de contribuintes que serão afetados pela sua imposição, a finalidade que pretende atingir com os recursos oriundos de sua arrecadação, sem o qual não haveria como prosperar sua permanência no ordenamento jurídico. Nesse mesma linha, volto a citar VELLOSO e PAULSEN: “Nessa acepção, a referibilidade é requisito de validade de todas as contribuições especiais. A sua cobrança carece invariavelmente de um liame claro entre a finalidade perseguida pela exação e as atividades ou interesses dos sujeitos passivos. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 9 Velloso, Andrei Pitten; Paulsen, Leandro. Contribuições Teoria Geral Contribuições Em Espécie. Kindle Edition (Locations 88978903). 10 Idem (Locations 89658968). Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.599 20 Sem que haja tal liame, não há como se cogitar da cobrança de contribuições especiais.”11 Em nosso caso, o que vemos é que a CIDERoyalties, destinada sua arrecadação aos seguintes propósitos de intervenção no domínio econômico, não poderia ter como fato gerador evento que ultrapasse tal liame ou pertinência como bem adotam os juristas acima. Vejamos o artigo 1º, da citada Lei Federal 10.332/2001: Art. 1º Do total da arrecadação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, serão destinados, a partir de 1º de janeiro de 2002: I 17,5% (dezessete inteiros e cinco décimos por cento) ao Programa de Ciência e Tecnologia para o Agronegócio; I 17,5% (dezessete inteiros e cinco décimos por cento) ao Programa de Fomento à Pesquisa em Saúde; III 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento) ao Programa Biotecnologia e Recursos Genéticos – Genoma; IV 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento) ao Programa de Ciência e Tecnologia para o Setor Aeronáutico; V 10% (dez por cento) ao Programa de Inovação para Competitividade. O Decreto presidencial regulamentar, por sua vez, estabeleceu o escopo do Programa de incentivo setorial, demonstrando, mais uma vez qual é a razão finalística da contribuição. Vejamos: I projetos de pesquisa científica e tecnológica; II desenvolvimento tecnológico experimental; III desenvolvimento de tecnologia industrial básica; IV implantação de infraestrutura para atividades de pesquisa e inovação; V capacitação de recursos humanos para a pesquisa e inovação; VI difusão do conhecimento científico e tecnológico; VII educação para a inovação; VIII capacitação em gestão tecnológica e em propriedade intelectual; IX ações de estímulo a novas iniciativas; 11 Idem (Locations 11431145). Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.600 21 X ações de estímulo ao desenvolvimento de empresas de base tecnológica; XI promoção da inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas; XII apoio ao surgimento e consolidação de incubadoras e parques tecnológicos; XIII apoio à organização e consolidação de aglomerados produtivos locais; e XIV processos de inovação, agregação de valor e aumento da competitividade do setor empresarial. Diante desse cenário, para que a CIDERoyalties possa subsistir no ordenamento jurídico pátrio, ela deve guardar pertinência entre os fins a que se destina, materializada no artigo acima subscrito, e o fato gerador da obrigação tributária afete tão somente os contribuintes componentes do setor econômico sob intervenção. De novo, emprestome das palavras de PAULSEN e VELLOSO: Os sujeitos passivos têm de ser escolhidos dentre os agentes que atuam no segmento econômico objeto da intervenção. Se o legislador decide, v.g., incentivar a indústria cinematográfica, somente poderá tributar os produtores, comerciantes ou consumidores de produtos ou serviços cinematográficos, jamais de outros setores, como o energético, o marítimo, o aeroportuário.12 Resumindo, a CIDERoyalties não poderia incidir sobre fatos geradores e contribuintes que sejam alheios ao objeto da intervenção estatal, qual seja, todo o setor de tecnologia, pesquisa e atividades naturalmente técnicas por assim dizer. Com isso em mente, a interpretação da amplitude do conceito de royalties para fins de aplicação da contribuição, deve obedecer a esse limite, do contrário, a norma restaria inconstitucional. Assim, atribuindo como critério de interpretação da norma a manutenção da validade constitucional da CIDERoyalties, o único meio possível de se interpretar o alcance da sua incidência é restringir os eventos imponíveis àqueles que tenham, em algum grau, relação com a atividade econômica sob intervenção. Não cabe a nós, porém, deixar de aplicar a lei naquilo que ela possui claro e cristalino em sua literalidade – o que é especialmente o caso dos fatos geradores da CIDE Royalties – reduzindo elementos nucleares da hipótese de incidência. LARENZ, mais uma vez, pondera: “O transcender da franja marginal, concebida de modo tão amplo quanto possível, já não seria interpretação, tal como não seria a exclusão daqueles fenômenos que indubitavelmente se situam no 12 Idem (Locations 89718973). Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.601 22 âmbito nuclear. No primeiro caso só se poderia tratar de analogia, no segundo, de uma redução teleológica da lei.”13 No caso em lide, diante do não é possível afastar a aplicação do texto legal em maior grau que sua literalidade permite, de maneira que os fatos geradores previstos na Lei Federal 10.168/2000 são, na sua maior parte, precisos e específicos o suficiente para que a lei seja aplicada sem maiores desafios e sem qualquer ruptura. Contudo, há uma expressão que causa estranheza se tomada sem cuidadosa consideração: “royalties de qualquer natureza”. (iii) O único conceito de royalties possível para aplicação da CIDE O conceito de royalties, eis que aberto na redação da lei, – no âmbito de aplicação do tributo em comento – deve ser entendido como aquele que efetivamente, e independentemente de designação, decorra de contratação de tecnologia – para mim, não há relevância se ou não “transferência de tecnologia”, bastando que o uso instrumental dela no escopo do contrato – ou de contratação de conhecimento técnico especializado de qualquer natureza que tenha correlação às atividades incentivadas pela sua arrecadação, de modo que o tipo de conteúdo que enseja tal pagamento em nada se relaciona com a atividade setorial incentivada. Tratase, enfim, de uma conclusão decorrente da redução interpretativa do alcance possível da norma tributante pela interpretação conforme14. Não à toa, o Decreto regulamentar não incluiu a remuneração por mera cessão de direitos autorais – diferentes, portanto, dos “royalties” sobre cessão de marca e patente – das hipóteses elencadas no seu artigo 10. O Decreto, nesse aspecto, veio a sedimentar a interpretação mais adequada considerando a natureza da contribuição. (iv) Aplicação de "interpretação conforme" ao presente caso Passadas minhas considerações teóricas sobre o uso da interpretação conforme a Constituição e a necessidade de se interpretar a legislação da CIDERoyalties dentro da amplitude possível de ser aceita em nossa ordem constitucional, passemos ao caso concreto. 13 Idem. Página 501. 14 Sobre isso, mais uma vez a lição de Fernando Osório: “A redução do alcance não enfrenta de forma tão severa os riscos que a ampliação ou a retipificação das normas à Constituição trazem ao principio da separação funcional do Poder, na medida em que se tem o julgador legislando positivamente ou se desviando do objetivo perseguido. Tem a ver, a nosso sentir, mais com a técnica legislativa utilizada na lei. Da forma como foi redigido, muitas vezes o texto legal não discrimina certos tipos de pessoas ou situações, colocandoas todas dentro do alcance semântico de certa ‘expressãogênero’. Se cada um desses tipos estivesse explicitado separadamente, tal como ‘expressõesespécie’, poderseia, com maior tranquilidade, invalidar aqueles inconstitucionais. Todavia, se opta o legislador por usar uma única expressão, genérica o suficiente para conter todas aquelas pessoas ou situações, estaremos diante de um caso em que a invalidação da norma tornaria carecedores de regulação aquelas outras pessoas ou situações sobre as quais permite ou determina a Constituição fossem alcançadas. Seria como, sem eliminação do seu texto, pela necessidade de subsistência da expressão‘espécie’ constitucional nele contida, se impusesse a exclusão do sentido da expressão‘espécie’ inconstitucional no bojo da expressão genérica usada pela lei. Aqui, a interpretação conforme a Constituição trabalha como uma espécie de ‘aparador de arestas’ das leis que resvalam nos preceitos constitucionais.” Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.602 23 Conforme resumido no Relatório, tratase de discussão sobre a incidência da contribuição sobre as remessas decorrentes de: i. Contratos de cessão de direitos de uso dos direitos autorais sobre obra literária e artística; ii. Contratos de “serviços técnicos” de coreógrafo assistente, direção e assistência de direção de produção de peça teatral, montagem de cenários, design de iluminação, supervisão musical e montagem de exposições; iii. Contratos de administração, assessoria, coordenação para exibição do espetáculo “Cirque du Soleil”. Pelo exposto nos pontos anteriores e diante toda a análise do caso concreto, esse é o meu entendimento sobre a incidência da contribuição: (i) Quanto às remessas relacionadas à cessão de direitos de uso dos direitos autorais sobre obra literária e artística (item 1, do auto de infração) Independentemente da denominação royalties, sendo apropriado ou não tal insígnia, não há de se falar em incidência da contribuição nesse caso específico, haja vista que não resiste qualquer referibilidade entre a CIDERoyalties a tais rubricas e os respectivos pagamentos ao exterior. (ii) Quanto às remessas relacionadas aos “serviços técnicos” (item 2, do auto de infração): Do mesmo modo, ainda que a Lei Federal 10,168/2000 e o Decreto Federal 4.195/2002 sejam claros prever a incidência da contribuição sobre os serviços técnicos, não houve qualquer esclarecimento naquela norma sobre o alcance desse termo15. Na verdade, não há qualquer norma tributária que o conceitue efetivamente. Porém independentemente de se estabelecer juridicamente se os serviços ora em análise são “técnicos” ou “artísticos” por subsunção a determinada definição legal fora do âmbito na norma que assim criou o fato gerador, é evidente que, diante da exigência ao atendimento dos pressupostos constitucionais de validade da CIDERoyalties, não resta dúvidas que o alcance interpretativo de “serviços técnicos” deve estar alinhado com alcance da intervenção buscada pela contribuição, o que, evidentemente nesse caso, não guarda qualquer correlação (referibilidade...), eis que se tratam de serviços técnicos de cunho artístico, cultural e entretenimento, fora do âmbito de aplicação do Programa custeado pela CIDERoyalties. Diante disso, entendo merece igual acolhida o pleito da Recorrente nesse particular. (iii) Quanto às remessas relacionadas aos serviços de administração, assessoria, coordenação para exibição do espetáculo “Cirque du Soleil” (item 3, do auto de infração): 15 O artigo 647, do RIR/99 veio a conceituar e listar serviços de natureza profissional, incluindo ali alguns serviços “técnicos”, a bem dizer, análises técnicas, desenho técnico, etc. Sobre esse artigo, o Parecer Normativo CST 8/1986 afirmou que a abrangência daquela norma não se restringia as remunerações auferidas por serviços que, por sua natureza, se revelem inerentes ao exercício de qualquer profissão, irrelevante que se trate de profissão regulamentada ou não. São casos distintos, porque são normas distintas e conceitos distintos (“serviços profissionais” vs “serviços técnicos”). Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.603 24 De forma contrária apresentase a análise dessas operações. Isso porque, diante do próprio texto legal, expresso em afirmar a incidência da contribuição sobre transações de natureza absolutamente alheias às atividades incentivadas, não é possível superar pela via interpretativa o vício de referibilidade sobre tais rubricas. Como dito acima, a atividade interpretativa está limitada ao dispositivo literal da norma, que é absolutamente expresso e abrangente quanto trata dos serviços de “assistência administrativa e semelhantes”. Não cabendo a esse tribunal administrativo efetuar controle de constitucionalidade16, restrinjome a admitir que tais serviços estão expressamente descritos na hipótese do fato gerador da norma ora impugnada, não havendo espaço na seara administrativa para desconstituir o crédito tributário em especial; portanto, inadmissível o recurso nesse tópico. Esse é meu entendimento, exposto durante a sessão de julgamento. Contudo, a Turma, no voto de qualidade, adotou entendimento diverso, quanto aos itens (i) e (ii) acima mencionados, pelas razões expostas pelo voto vencedor, ao final inserido. (b) Da base de cálculo da CIDERoyalties Ao se observar a Lei Complementar nº 95/1998 – que dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis – especialmente seu artigo 11, III17, notase que a ordem e disposição de artigos e parágrafos em um texto legal devem observar regras objetivas de forma a nortear a atividade do intérprete. De fato, os artigos são núcleos dispositivos de maneira que não é permitido tratar de dois assuntos em um único; ao passo que cabem aos parágrafos trazer complementaridade e regras de exceção ao previsto no caput do mesmo artigo. Pois bem. Tais premissas permitem inferir que a inclusão do parágrafo único ao caput do artigo 3º, da Lei Federal 10.168/2002 teve o objetivo de complementar a afirmação do caput sobre a responsabilidade da RFB na administração e fiscalização do tributo – diferentemente do que acontecia com outras CIDE´s como AFRMM – apenas quer deixar claro que a contribuição social estará sujeita às mesmas regras e ritos atinentes ao processo administrativo fiscal como também sujeitarseá aos acréscimos previstos na legislação do 16 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 17 Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) III para a obtenção de ordem lógica: a) reunir sob as categorias de agregação subseção, seção, capítulo, título e livro apenas as disposições relacionadas com o objeto da lei; b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único assunto ou princípio; c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.604 25 Imposto de Renda18, como a aplicação da Taxa SELIC e às multas de ofício previstas na Lei Federal 9.430/1996. Do contrário, estaríamos admitindo que um artigo que trata da administração tributária no caput, trata, no seu parágrafo único, de base de cálculo do tributo. Seria uma irracionalidade admitir que o legislador pretendesse, a despeito de norma orientadora sobre redação legislativa, afastarse tanto dos seus ditames e da própria sintaxe. Em suma, não há aplicação subsidiária plena da legislação do IRPJ em relação à CIDERoyalties, mas tãosomente no que tange à matéria prevista no caput do artigo 3º, qual seja, a administração e fiscalização do tributo. Superada essa questão, e sendo certo que o parágrafo único, do artigo 3º, da Lei Federal 10.168/2000, não trata do fato gerador da CIDERoyalties mas somente da administração do tributo, a utilização dos ditames do artigo 725 do RIR/99 para fins de apuração da base de cálculo da contribuição é uso indevido de analogia pela autoridade que lançou o tributo. Ressaltese que a base de cálculo de tributo é, notadamente, tratada como o aspecto quantitativo do fato gerador, portanto dele se integra. Sendo lhe parte integrante, aplicase restrição expressa ao uso da analogia de que trata o parágrafo 1º, do artigo 108, do CTN. Dito isso, repilo a aplicação da legislação do imposto de renda para fins de determinação da base de cálculo da contribuição, devendome ater meramente à análise dos marcos normativos da CIDERoyalties quanto à base imponível. A Lei Federal 10.168/2000 previu que: Art. 2º (...) §3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no §2º deste artigo Não deveria haver muitas dúvidas sobre o que significam os verbos “pagar”, “creditar”, “entregar”, “empregar” ou “remeter”. Todos eles se encontram em um único núcleo semânticojurídico: uma obrigação de dar. Porém, a incidência se constituirá por qual valor? (i) O valor dispendido pelo contribuinte para viabilizar o pagamento; ou (ii) o valor recebido pelo beneficiário no exterior? 18 Até mesmo porque, em uma análise mais detida, verificase o cuidado do legislador ordinário, até então, de, a cada tributo federal, deixar claro o fator de ajuste moratório do crédito tributário recolhido a destempo. É o que se denota, por exemplo, do Regulamento do IPI de 1998, que se preocupou em deixar clara a atualização pela SELIC, no seu artigo 444. Mesma observação quanto às multas de ofício, que, criadas pela Lei Federal 9.430/1996, Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.605 26 Creio que seja a segunda alternativa. A legislação, ao consolidar no mesmo campo semântico “valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos”, reconheceu que o valor a ser usado como base da contribuição deve ser aquele atinente ao fim do processo do adimplemento da obrigação de dar, ou seja, o valor adimplido é aquele que foi “entregue” ou “remetido” ao beneficiário. Daí não assistir razão à tese de que o “valor bruto da remessa”, com a inclusão de IRRF ou quaisquer outros valores, deve ser utilizado para apuração do tributo. Por quê? Porque, não bastasse à sinonímia dada aos termos pago/entregue/remetido, em nenhum momento, a legislação foi expressa ou ao menos permitiu essa interpretação. Se essa fosse a vontade do legislador, que exprimisse tal dispositivo de forma clara e inequívoca. Como visto antes, a única forma de se atingir tal entendimento foi através da aplicação subsidiária, ora reputada, e análoga e, por isso, vedada , do artigo 725, do RIR/1999. Diante disso, entendo que a base de cálculo da CIDERoyalties a ser considerada nas operações em análise deve ser aquela representada pelos contratos de câmbio utilizados para viabilizar a efetiva entrega, remessa, pagamento aos beneficiários domiciliados no exterior. (c) Da aplicação da Taxa SELIC sobre Multa de Ofício A despeito da prática da D. Fiscalização e da jurisprudência dessa Corte administrativa, abrigome ao entendimento majoritário dessa Turma, no sentido de que a Taxa SELIC não deve incidir sobre a multa de ofício lançada pela autoridade fazendária. Explico. O artigo 61, da Lei Federal 9.430/1996 assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.606 27 As penalidades pecuniárias, por outro lado, são tratadas em outro artigo (art. 44), da mesma Lei, não restando por que incluir as multas dentro do alcance normativo do artigo 61. Mais uma vez, o entendimento fazendário foi além, muito além do que poderia ser possível seja qual for o método de interpretação adotado. Não há, em qualquer método, possibilidade de extrair a atualização pela Taxa SELIC das penalidades pecuniárias a partir da literalidade do texto. Sobre isso, repisese que a atividade de interpretação não pode romper com os limites que a própria redação da norma criou. Diante de tal evidência, a atualização, prevista no instrumento legal acima mencionado, trata apenas de débitos tributários e previdenciários, não podendo ser confundido com a penalidade por descumprimento da obrigação principal em si, sob risco, de mais uma vez, tal interpretação extensiva acabar por tornarse analogia, vedada em homenagem à estrita legalidade tributária. Relator Tiago Guerra Machado Relator CONCLUSÕES Em síntese, conheço do recurso e dáse provimento parcial para: (a) por unanimidade de votos: (a.1) rejeitar as preliminares; e (a.2) manter o lançamento no que se refere a remessas relacionadas aos serviços de administração, assessoria, coordenação para exibição do espetáculo "Cirque du Soleil" (item 3, do auto de infração), tendo os Conselheiros Rosbon Josè Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila, e Rosaldo Trevisan votado pelas conclusões, por entenderem não aplicável ao caso a argumentação a respeito da referibilidade, devendo o relator integrar a seu voto e à ementa do acórdão, na forma do artigo 63, § 8o do RICARF, os fundamentos externados pela maioria dos conselheiros; (b) por maioria de votos: (b.1) excluir da base de cálculo da contribuição os valores referentes a IRRF, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida; e (b.2) afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida; e Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.607 28 (c) por voto de qualidade: (c.1) manter o lançamento no que se refere a remessas relacionadas à cessão de direitos de uso dos direitos autorais sobre obra literária e artística (item 1, do auto de infração), vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado (relator), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e André Henrique Lemos, que davam provimento em função de ausência de referibilidade, e o Conselheiro Robson José Bayerl, que dava provimento por entender que o Decreto no 4.195/2002, com relação exaustiva, limita a hipótese de incidência da contribuição, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida; e (c.2) manter o lançamento no que se refere a remessas relacionadas aos "serviços técnicos" (item 2, do auto de infração), vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado (relator), que dava provimento em função de ausência de referibilidade, e os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, e André Henrique Lemos, que davam provimento exclusivamente para serviços de coreógrafo, de diretor, de diretor assistente, e de supervisor musical, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.608 29 Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Com as vênias de praxe, a maioria do Colegiado não acompanhou o entendimento do eminente Relator, divergindo para decidir ser absolutamente irrelevante a 'referibilidade', para o fato gerador da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, sobre os serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, e sobre os royalties, a qualquer título (§2º, do artigo 2º., da Lei nº 10.168/00), sendo, por sua vez, apenas, exemplificativo o artigo 10, do Decreto n° 4.195/02. A contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) incidente sobre “royalties” pagos ao exterior tem previsão constitucional: “Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. A Lei Federal nº 10.168/00 estabelece: Art. 2° Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...) § 2° A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3° A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (grifei) Expresso na Lei Federal nº 10.168/00, a incidência sobre contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, bem assim sobre os pagamentos, creditamentos, entregas, empregos ou remessas de royalties, a qualquer título. Também, por expressa definição da Lei Federal nº 4.506/64, a exploração de direitos autorais é equiparada a “royalties”: Art. 22. São classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...) d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra” Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.609 30 Não se pode negar vigência à tudo isso, em razão de suposta falta de 'referibilidade', sob a alegação de que a CIDE deveria espelhar, em seu fato gerador, e no grupo de contribuintes que são afetados pela sua imposição, a finalidade que pretende atingir com os recursos oriundos de sua arrecadação. Um deveria que, inevitavelmente, passa por afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/15). Também o 'silêncio eloqüente'19 do decreto ou, ainda, o seu pouco ou nenhum detalhamento do fato gerador, não têm a eficácia de restringir o campo de incidência das leis. Nesse sentido, ementas abaixo reproduzidas, na parte pertinente a matéria, extraise de precedentes do CARF, razões de decidir que ora adoto, entendendo que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal, devendo o decreto, editado com a finalidade de regulamentála, ser interpretado em conformidade com suas disposições. Acórdão nº 3102002.306, de 16 de outubro de 2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006 [...] FATO GERADOR. DEFINIÇÃO. LEGISLAÇÃO REGULAMENTAR. DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. Dispõe o Código Tributário Nacional, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto editado com a finalidade de regulamentála deve ser interpretado em conformidade com suas disposições. Harmonizase com esse entendimento, a ausência, no Decreto nº 4.195/02, de comando que lhe atribua o pretenso caráter taxativo, e que, assim, delimitasse, ainda que no fito de interpretar, o universo das hipóteses de incidência da Contribuição previstas na Lei. Fragmento do voto vencedor: "Prosseguindo, necessário que se examinem as disposições normativas introduzidas pelo Decreto nº 4.195/02. No intento de regulamentar as Leis sob escrutínio, o Decreto deu margem a diferentes interpretações ao não reproduzir com fidedignidade as hipóteses de incidência da Contribuição especificadas nas normas hierarquicamente superiores. Quanto a isso, de início, trago à consideração o comando insculpido no Código Tributário Nacional, artigo 97, no que se refere à definição dos elementos constitutivos da obrigação tributária e o expediente legal que lhes são próprios. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; 19 Da hermenêutica jurídica, diferenciando omissão, lacuna e silêncio eloquente, do alemão 'beredtes Schweigen' : à norma proibitiva, obtida, a contrario sensu, de interpretações segundo as quais a simples ausência de disposição expressa permissiva significa a proibição de determinada prática por parte dos órgãos constituídos. Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.610 31 II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Necessariamente, ao examinar a questão colocada a apreciação, devese ter a clareza de que somente a lei pode estabelecer o fato gerador, a majoração ou redução de tributos, sua base de cálculo e as hipóteses de exclusão de crédito tributário. À luz desse preceito, outra possibilidade não há que não a de atribuir ao Decreto uma interpretação conforme a Lei que pretendeu regulamentar. De fato, não sendo ele instrumento hábil à definição das hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico – CIDE, por certo há que se fixar o insofismável entendimento de que o Decreto é enumerativo, exemplificativo, ou qualquer outro qualificativo que lhe possa ser atribuído, desde que não se lhe considere, em hipótese nenhuma, norma legal de caráter taxativo, pois, se assim fosse, terminaria ele modificando a Lei em uma definição que não lhe é dado estabelecer. Outrossim, não há no texto legal correspondente nenhuma menção taxativa, restritiva, tal como o seria a expressão exclusivamente, o que corrobora a interpretação aqui defendida." (grifei) Acórdão nº 3102002.020, de 25 de setembro de 2013: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 [...] FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO REGULAMENTAR. DECRETO. DEFINIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. Dispõe o Código Tributário Nacional, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto editado com a finalidade de regulamentála deve ser interpretado em conformidade suas disposições. Harmonizase com esse pressuposto, a ausência, no Decreto, de expressões taxativas, que delimitem, ainda que no fito de interpretar, o universo das hipóteses de incidência previstas na Lei. Alguns outros precedentes do CARF, cujas ementas foram abaixo reproduzidas, pela incidência da CIDE sobre os pagamentos efetuados ao exterior em contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, afirmandose devida, independentemente da existência ou não de transferência de tecnologia; e, aduzo eu, independente de 'referibilidade' ou de detalhamento do fato gerador em decreto regulamentar: Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.611 32 Acórdão nº 3201002.853, de 24 de maio de 2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 [...] CIDEREMESSAS. INCIDÊNCIA SOBRE SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A CIDERemessas incide sobre serviços técnicos e de assistência administrativa, independentemente da existência ou não de transferência de tecnologia. Acórdão nº 3403003.029, de 29 de maio de 2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 31/01/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. Diversos precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais 20, dos mais recentes aos mais antigos, abaixo reproduzidos, pela incidência da CIDE sobre os pagamentos efetuados ao exterior em contrapartida pelo uso ou exploração de direitos autorais, afirmando se devida a contribuição sobre o valor de royalties, a qualquer título, na mesma amplitude de incidência ora adotada pela maioria divergente vencedora, ora aduzindo, independência à 'referibilidade' ou ao pouco ou nenhum detalhamento do fato gerador em decreto regulamentar. A questão não é nova, encontrandose manifestações do antigo 3º Conselho de Contribuintes, v.g., o Acórdão n° 30238.763, de 13 de junho de 2007, pela não incidência da CIDE, por força do comando interpretativo do artigo 10, do Decreto nº 4.195/02: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 Ementa: CIDE/ROYALTIES — DIREITO AUTORAL — NÃO INCIDÊNCIA. A CIDE/royalties, instituída pela Lei n° 10.168/2000, não incide sobre a remessa ao exterior de pagamentos relativos a exploração de direitos autorais, mesmo que sobre a denominação de royalties, por força do comando interpretativo do artigo 10 do Decreto n° 4.195/02. 20 Acórdãos 9303005.195, de 18/05/17 (NEXTEL TELECOMUNICACOES LTDA); 9303004.899, de 23/03/17 (G2C GLOBOSAT COMERCIALIZACAO DE CONTEUDOS S.A); 9303004.149, de 09/06/16 (SKY BRASIL SERVICOS LTDA); 9303003.854, de 17/05/16 (G2C GLOBOSAT COMERCIALIZACAO DE CONTEUDOS S.A); 9303001.926, de 10/04/12 (COLUMBIA TRISTAR HOME ENTERTAINMENT DO BRASIL LTDA); 9303001.864, de 06/03/12 (SONY PICTURES HOME ENTERTAINMENT DO BRASIL LTDA). Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.612 33 Contudo, submetida a questão à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em sessão realizada em março de 2012, a decisão foi derrubada, com o provimento do recurso da Fazenda Nacional, predominando a jurisprudência do CARF no sentido da incidência sobre o valor de royalties, a qualquer título. Acórdão nº 930301.864, de 06 de março de 2012: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgira obrigação tributária referente a essa CIDE. Recurso Especial do Procurador Provido. Fragmento do voto condutor: "O artigo 1º da Lei 10.168/2000 delimitou a área de domínio econômico em que a União intervirá, e o artigo 2º detalhou a fonte de custeio dessa intervenção, nos termos seguintes: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. ............................................................................................................. § 2o A partir de 1ode janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 16643.000086/201025 Acórdão n.º 3401003.801 S3C4T1 Fl. 1.613 34 domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) É de se notar que a redação dada ao § 2º suso transcrito pela Lei 10.332/2001, é peremptória no sentido de que a contribuição incide sobre os royalties que as pessoas jurídicas pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Anotese, por oportuno, que redação dada pela Lei 10332/2001 amplia o campo de incidência da contribuição, fazendoa incidir sobre o pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, para tanto, não faz qualquer restrição ou vinculação desses royalties, podendo estes ser relativo a qualquer tipo de obrigação. Registrese que antes da alteração legislativa, a contribuição só incidia sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações referente à concessão de licença de uso ou à aquisição de conhecimentos tecnológicos, bem como à transferência de tecnologia, não deixando margem à interpretação, com a alteração legislativa a incidência ocorrerá na transferência de royalties a qualquer título. Diante do exposto, não se pode negar que o pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da CIDE criada pela Lei 10.168/2000. Por conseguinte, para que seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico, como ocorreu no caso dos autos, em que a recorrida pagou royalties a residentes ou domiciliados no exterior. Aliás, esse fato é incontroverso, haja vista que não é negado pelas partes." Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário, no presente caso, mantendo o lançamento no que se refere a remessas relacionadas à cessão de direitos de uso dos direitos autorais sobre obra literária e artística (item 1, do auto de infração), reconhecendose legítima a incidência da CIDE devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior; também, mantendo o lançamento no que se refere a remessas relacionadas aos serviços técnicos (item 2, do auto de infração), da mesma forma, reconhecendose legítima a incidência da CIDE devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, prestados por residentes ou domiciliados no exterior. Fenelon Moscoso de Almeida Redator designado. Fl. 1613DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.720276/2008-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-005.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 02 76 /2 00 8- 67 Fl. 243DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 21/11/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2801002.797 (fls. 190 a 200), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido." O processo foi encaminhado à PGFN em 07/01/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 201). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 21/02/2013, o que foi feito em 25/01/2013 (fls. 202 a 209), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 218. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 14/03/2014 (fls. 219/220). Cientificado do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho acima em 15/09/2014 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 224), o Contribuinte ofereceu, em 30/09/2014 (fls. 231), as Contrarrazões de fls. 231 a 238, por meio das quais pede a manutenção da decisão recorrida. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10783.720276/200867 Acórdão n.º 9202005.329 CSRFT2 Fl. 244 3 Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe similitude fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, a motivação do restabelecimento do VTN declarado pelo Contribuinte foi o fato de a autoridade lançadora ter arbitrado aquele valor com base no VTN médio das DITRs entregues no município, e não na aptidão agrícola. Assim, tal arbitramento não foi aceito, por não ter cumprido as exigências determinadas pela legislação de regência. Confirase a respectiva ementa: “O lançamento de oficio deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.” Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 210200.609 – a Fazenda Nacional colaciona o seguinte trecho, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial: “No caso aqui em debate, para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente.’ (fl. 8)” (destaques da Recorrente) A leitura dos trechos em negrito, pinçados do voto condutor do aresto, levaria à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, o exame do paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que ele foi proferido. Nesse passo, verificase que, além de retratar uma situação distinta daquela analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estarseia defendendo a tese de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confirase os principais trechos da ementa e do voto vencedor desse paradigma: “ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT Fl. 245DF CARF MF 4 VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido (...) Agora, passase a apreciar a defesa do item II (no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas " (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT referese ao preço de terras comercializadas e não da terra nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela EmaterMG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a Emater MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT). Como se pode constatar, no caso do paradigma o Contribuinte se insurge contra o arbitramento pelo SIPT, alegando falta de publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001 seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT: “No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10783.720276/200867 Acórdão n.º 9202005.329 CSRFT2 Fl. 245 5 A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. (...) Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela EmaterMG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.6533, vigente desde 30106/2004, data esta anterior à produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. Fl. 247DF CARF MF 6 É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utilizase a modalidade que mais favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: (...) No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (grifei) Destarte, verificase que em momento algum o paradigma defende, de forma genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão presentes os dois critérios de arbitramento – pela média das DITR e pela aptidão agrícola – não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizarse o VTN de menor valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR. Assim, as situações fáticas são distintas, a saber: no acórdão recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base apenas no valor médio das DITR, sem levar em conta a aptidão agrícola, e é esta a motivação que levou à sua desqualificação; no paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base nas duas modalidades – média das DITR e aptidão agrícola – e em nenhum momento o Relator defende que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR; o que ocorre é que existe um pedido do Contribuinte para que se adote, dentre os diversos valores constantes do SIPT, o menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o Relator tão somente fundamenta o atendimento a esse pleito. Destarte, o paradigma indicado não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento não se limitou ao VTN médio das DITR. Tampouco no caso do julgado guerreado houve pedido do Contribuinte, no sentido da adoção de valor específico, até porque, repitase, só havia um valor, qual seja, o da média das DITR. No presente caso, o dissídio interpretativo somente restaria demonstrado, com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola, dito arbitramento fosse mantido. Com efeito, o paradigma indicado não retrata tal situação fática, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por não atender aos pressupostos de admissibilidade. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10783.720276/200867 Acórdão n.º 9202005.329 CSRFT2 Fl. 246 7 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 249DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001202/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
VICIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-005.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para dar-lhe provimento declarando a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a razoável segurança de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente incerto. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para darlhe provimento declarando a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 02 /2 00 9- 43 Fl. 93DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 08/04/2009 para constituição da contribuição devida às entidades e fundos SESC, SENAC, SEBRAE, FNDE e INCRA. Segue transcrição de trecho da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS TERCEIROS. AJUDA DE CUSTO. GRATIFICAÇÃO SOB A FORMA DE INDENIZAÇÃO. INDENIZAÇÃO E DEVOLUÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA SEMANAL. Incide contribuições sociais destinadas aos terceiros sobre a remuneração auferila em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas aos Terceiros devem ser recolhidas juntamente com as contribuições previdenciárias, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil efetuar sua cobrança. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Relatório Fiscal e os Anexos do . Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o. contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, e Guias da Previdência Social (GPS), de sua própria elaboração. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 19515.001202/200943 Acórdão n.º 2301005.022 S2C3T1 Fl. 93 3 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instancia determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Tributária DERAT jurisdicionante do contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... O Relatório Fiscal, de fls.08 a 14, informa que constituem fatos geradores do presente lançamento rubricas de folha de pagamento pagas sem incidência de contribuição previdenciária, no período de 01/2004 a 12/2004, identificados nos autos pelos Levantamentos códigos AJU, DIR, IND e LEI. ... Os valores pagos a título das rubricas de folha de pagamento a seguir relacionadas, não foram incluídos na base de cálculo mensal para apuração do valor devido da contribuição previdenciária respectiva: Ajuda de Custo Levantamento código AJU; Devolução do IR semanal Levantamento código DIR; Indenização Especial Levantamento código IND; Indenização Lei n° 7.238 levantamento código LEI. Não conformada com a autuação a recorrente interpôs recurso voluntário alegando em síntese que: PRELIMINARES DE DIREITO Apresentamse uma preliminar de direito e um protesto: a) houve cerceamento de defesa na medida em que se constata a ausência de um Discriminativo do Débito escrito em que apresenta os beneficiados pelos pagamentos e os valores mensais de cada um deles, o que configura um constrangimento ao direito constitucional de ampla defesa (CF, art. 5 0, LV). b) protesta pela juntada de documentos, provas, perícias e pareceres favoráveis ao procedimento da defendente e também, quando for o caso, pela apresentação das GPS relativas a contribuições recolhidas como devidas pelo contribuinte. Fl. 95DF CARF MF 4 DO DIREITO De acordo com o Relatório Fiscal é questionada a incidência de contribuições em relação a quatro rubricas: a) Ajuda de custo; b) Indenização da Lei n° 7.238/84; c) Indenização Especial. e d) Devolução IR semanal. AJUDA DE CUSTO A ajuda de custo está prevista no artigo 470 da CLT, bem como no artigo 28, 9° da Lei 8.212/91. Não possui qualquer caráter remuneratório, não se refere aos serviços prestados e apresenta a característica fundamental do art. 201, §11, da Constituição Federal: é ganho eventual. É descabida a exigência constante do AIOP, a norma previdenciária é claríssima ao dispensar a contribuição e isso se deve às seguintes razões: i) não acresce o patrimônio; ii) é ocasional; e iii) não enseja o caráter substitutivo da prestação previdenciária. INDENIZAÇÃO DA LEI 7.238/84 Nos termos da Lei n° 6.708/79 o empregado dispensado sem justa causa, no período de trinta dias a que antecede a data da correção salarial, tem o direito da indenização adicional equivalente a um salário mensal, seja ele optante ou não do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS. Dessa forma é descabida a exigência fiscal. INDENIZAÇÃO ESPECIAL Da leitura do art. 28, §9º letra e, fica bastante evidente que o legislador não deseja a incidência de contribuições sobre valores indenizatórios. O valor constante do Relatório Fiscal e do AIOP é nitidamente uma gratificação esporádica paga quando do afastamento da empresa por parte do empregado, enquadrado como estímulo ao afastamento ou aposentadoria, logo sem qualquer caráter salarial. Não se constitui em salário porque não há contrapartida por parte do trabalhador e não é remuneração porque é eventualíssimo. DEVOLUÇÃO IR SEMANAL Não tem a referida parcela qualquer natureza salarial, consistindo na devolução do Imposto de Renda indevidamente retido dos empregados não residentes no Brasil que optou pela tributação exclusiva em seu País de residência atual — Itália. Como na época o IR era apurado por semana, houve a retenção na fonte de pagamento no Brasil, que posteriormente foi devolvida aos empregados. É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19515.001202/200943 Acórdão n.º 2301005.022 S2C3T1 Fl. 94 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares Procedimentos formais Quanto a preliminar de nulidade do lançamento quanto a ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento, entendo que no presente caso a motivação apresentada no lançamento é suficiente para o pleno conhecimento por parte da recorrente desses beneficiários, bastando para tanto examinar suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. Não há prejuízo à defesa quando o lançamento alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Ainda assim, está consignado no relatório fiscal que o recorrente recebeu em meio magnético uma planilha nominal. Mérito Com exceção da restituição do IRPF dos segurados não residentes, as parcelas objeto do lançamento são previstas na Lei nº 8.212/91 como isentas ou fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 97DF CARF MF 6 ... e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; ... 5. recebidas a título de incentivo à demissão; ... 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). ... g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Embora previstas no artigo 28, §9º da Lei nº 8.212/91 como parcelas sobre as quais não há incidência da contribuição previdenciária, a fiscalização, sem apresentar como fundamento quaisquer dos requisitos que deixaram de ser cumpridos pela recorrente, considerou, a contrário senso, como parcelas sujeitas à incidência. A decisão recorrida manteve o lançamento sob fundamento de inversão do ônus da prova em desfavor do contribuinte: Alega a Impugnante que não integra o salário de contribuição a ajuda de custo recebida pelo empregado na forma do art. 470 da Consolidação das Leis do Trabalho, entendendo, assim, ser descabida a exigência a este título nos presentes autos, vez que tal pagamento não acresce o patrimônio do trabalho, é ocasional e não enseja o caráter substitutivo da prestação previdenciária. No entanto, a Impugnante alega, mas não junta aos autos um documento que comprove que os pagamentos por ela efetuados ocorreram na forma da Lei. Por sua vez, a fiscalização afirma que da análise dos arquivos de folhas de pagamento e da contabilidade da empresa para o período de 2004, constatou que TODOS os pagamentos efetuados pela empresa a título, não só de ajuda de custo, como das demais rubricas constantes do Auto de Infração (Indenização da Lei n° 7.238/84; Indenização Especial e Devolução IR semanal) constituem salário de contribuição da previdência social, sendo que os valores devidos estão sendo aqui cobrados. Efetuando pagamentos a título de ajuda de custo em desconformidade com a lei, a Impugnante enfrentou as disposições do art. 28, § 9º letra "g", da Lei 8.212/91, acima transcrito, e a inversão do ônus de comprovar a natureza indenizatória dos valores pagos sob esta rubrica, sem lograr êxito por ter apenas aventado hipóteses. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 19515.001202/200943 Acórdão n.º 2301005.022 S2C3T1 Fl. 95 7 Entendo que o lançamento contém vício insanável por atingir o núcleo central do crédito tributário, o fato gerador da obrigação. Vício material Quanto à natureza do vício insanável, no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 99DF CARF MF 8 materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Fl. 100DF CARF MF Processo nº 19515.001202/200943 Acórdão n.º 2301005.022 S2C3T1 Fl. 96 9 Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Códex Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Fl. 101DF CARF MF 10 Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.000100/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AÇÚCAR.
Açúcares derivados de cana-de-açúcar, com grau de polarização superior a 99,5%, sem adição de aromatizantes ou corantes e não sendo provado tratarem-se de sacarose quimicamente pura, classificam-se no código 1701.99.00 - Outros, aliquota de 5%.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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AÇÚCAR. Açúcares derivados de canadeaçúcar, com grau de polarização superior a 99,5%, sem adição de aromatizantes ou corantes e não sendo provado trataremse de sacarose quimicamente pura, classificamse no código 1701.99.00 Outros, aliquota de 5%. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Transcrevese o relatório elaborado na resolução nº 330200.232, por bem retratar a realidade dos fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 01 00 /2 00 8- 92 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 270 2 "Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 02/07, lavrado em 16/01/2008, com ciência da contribuinte em 17/01/2008, totalizando o crédito tributário de R$ 8.419.921,92. De acordo com a descrição dos fatos, houve falta de lançamento de IPI na saída de produtos tributados, no período de janeiro de 2003 a maio de 2006. A contribuinte deu saída a açúcar cristal de cana sem adição de aromatizantes ou corantes e com polarização superior a 99,5%, conforme constatado em exame laboratorial, enquadrável no código 1701.9900 com alíquota de 5%. Entretanto, a empresa enquadrou o produto no Ex 01 do código 1701.9900, relativa à sacarose quimicamente pura, com alíquota de 0%. Segundo consta, o produto não poderia ter sido enquadrado como sacarose quimicamente pura porque não bastaria o grau de polarização superior a 99,5%, e o grau de impureza encontrado fora superior ao admitido para a sacarose pura, a qual somente poderia ser produzida em laboratório, e não em escala industrial. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 121/131, alegando, em síntese, que: 1. A classificação fiscal adotada pela contribuinte é correta, conta com o apoio de diversos laudos e já foi confirmada pelo Conselho de Contribuintes; 2. Classificou o produto de acordo com a Nota de Subposição do Capitulo 17 da TIPI; 3. O açúcar produzido pela empresa tem leitura no polarímetro igual ou superior a 99,5%; 4. A Nota de Subposição 1 aponta somente o teor de sacarose para diferenciar a "sacarose quimicamente pura" do "açúcar em bruto"; 5. Vejase que o exame oficial do Laboratório Nacional de Análises Luis Angerami detectou todos os elementos da sacarose pura, inclusive o eleito pela NCM, inovando e se equivocando ao colocar o "resíduo de ignição" como fator de deslocamento do enquadramento tarifário; 6. Acompanha a defesa Nota Técnica na qual o perito contesta o Laudo Oficial; 7. Ainda que se aceite o "resíduo de ignição" como fator de definição do enquadramento tarifário, não há como acolher o Laudo Oficial, pois foi realizado fora dos padrões da ''American Chemical Society" (ACS); 8. Os parâmetros utilizados deveriam se basear na ICUMSA e não na ACS; Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 271 3 9. Em face da dúvida do Laudo Oficial, devese aplicar o artigo 112 do CTN em favor da contribuinte; 10. O açúcar produzido é o destinado ao consumidor final, para consumo alimentício, devendo ser aplicado o principio constitucional da seletividade. Por fim, requereu a improcedência do lançamento. A Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 30.064, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AÇÚCAR. Açucares derivados de canadeaçúcar, com grau de polarização superior a 99,5%, sem adição de aromatizantes ou corantes, classificamse no código 1701.99.00 Outros, aliquota de 5%. CLASSIFICAÇÃO FISCAL E 0 PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE. O principio da seletividade, em função da essencialidade, é levado em consideração pelos Poderes Politicos do Estado, e nada tem a ver com classificação fiscal de mercadorias, tarefa eminentemente técnica, na qual uma vez identificado o produto, classificase na devida posição, subposição, item e subitem, sem atentar para a tarifação do produto, que é a última fase do procedimento fiscal classificatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando as alegações aduzidas na impugnação. Na sessão de 17/07/2012, esta turma, em outra composição, converteu o julgamento em diligência para que um instituição pública, com notório conhecimento, diga qual laudo técnico apresentado está tecnicamente correto, sem que houvesse novos ensaios laboratoriais. O relator designado apresentou dez quesitos a serem respondidos e determinou que a escolha da instituição fosse consensual, e caso tal consenso não ocorresse, os autos deveriam retornar para julgamento. A autoridade fiscal responsável pela diligência intimou a recorrente a manifestarse sobre a questão, não obtivendo resposta. Então, propôs a indicação de perita professora Titular do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, a qual não foi aceita pela recorrente, por não se tratar de instituição pública e por pertencer à Universidade de São Paulo, instituição que já fora utilizada na produção do Laudo da ESALQ/USP. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 272 4 Em razão da falta de consenso, o relatório fiscal encerrou a diligência, com as seguintes considerações: "Apenas um juízo merece ser feito. A diligenciada teria duas opções ao acatar um juízo isento arbitral, qual seja: a) aceitar a proposta do julgador, e discutir a questão a partir da elucidação do que seja sacarose quimicamente pura; b ) manter a penumbra no conceito do que seja sacarose quimicamente pura, aproveitandose desta escuridão para classificar erroneamente o açúcar que produziu. Isto porque há tempos a classificação fiscal do açúcar produzido pela Usina Guairá foi alterada para a que foi apontada pela auditoria. Preferiu o caminho menos transparente, no qual a obscuridade da classificação fiscal das toneladas de açúcar cristal produzido são tratados como se quimicamente puro fossem. Ao invés de depararse com a igualdade comercial com seus concorrentes, que também produzem açúcar cristal, mas não os classificam como quimicamente puro." Em resposta, a recorrente reiterou que sofreu duas autuações decorrentes de um único laudo defeituoso, sendo que a relativa ao processo 13852.000201/200206 foi julgada favoravelmente à recorrente, neste Conselho. Reafirmou a inadequação da proposta de novo laudo a ser emitido por uma perita que não corresponde a uma instituição pública e nem pode ser considerada como terceira, uma vez que houve laudo emitido por departamento da USP juntado aos autos, confirmando a classificação adotada pela recorrente. A recorrente refutou como impróprias as assertivas firmadas no relatório fiscal e que a autoridade fiscal deveria efetuar nova indicação, atendendo às determinações da resolução. Os autos retornaram para prosseguimento, tendo sido o processo, na forma regimental, distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Tratase de lide para determinar a classificação fiscal do produto elaborado pela recorrente, se no Extarifário 01 do código 1701.99.00 como pleiteia a recorrente, ou simplesmente na posição residual 1701.99.00 Outros, como defende a fiscalização. Houve apresentação de laudos pela fiscalização e pela recorrente. A resolução proposta pelo antigo relator se destinava a definir qual laudo estaria correto. Porém, como já informado, não houve consenso entre as partes para definição de uma terceira instituição pública para dirimir o conflito, retornando os autos para julgamento. Destarte, passase à análise do recurso voluntário. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 273 5 Preliminarmente, a recorrente alega defeito no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, eivando de nulidade o Auto de Infração por incompetência do auditor responsável, uma vez que o MPF se referia à fiscalização de Cofins para o ano de 2004 e a autuação referiuse a IPI dos anos de 2003 a 2006. Salientase que não localizei nos autos, o MPF mencionado, ou seja, a alegação não veio acompanhada das provas, não se desincumbindo a recorrente do ônus que lhe cabe. Ademais, ainda que se admitisse a alegação como verdadeira, entendo que o MPF é um instrumento administrativo, cujo descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º1 dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc. Já a Portaria RFB nº 11.371/2007, que instituiu o MPF, disciplinou apenas a forma como seriam emitidos os procedimentos fiscais, não se imiscuindo na competência legal conferida ao auditor fiscal, nem configurando requisito essencial do lançamento, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.935/1972. Neste sentido, citase Acórdão nº 9101001.798, proferido em 19/11/2013, pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, cuja ementa, parcialmente, transcrevese: NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Rejeitase, portanto, a preliminar argüida e passase ao mérito. A classificação de mercadorias é efetuada a partir das regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, da regra geral complementar relativa à classificação 1 Art. 2o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 274 6 em âmbito regional (Mercosul) e ainda da regra geral complementar da TIPI, abaixo transcritas: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesmo forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente dessa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 275 7 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5"a", as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, "mutatis mutandis", pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1 (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1 (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendose que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Destacamse, ainda, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH – que representam a interpretação oficial do Sistema Hamonizado, oriunda da Organização Mundial das Alfândegas – OMA. O parágrafo único do art. 1º do Decreto nº 435, de 1992 dispôs que as NESH “constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 276 8 A celeuma se restringe à classificação código 1701.99.00 ou em seu Ex tarifário 01. A TIPI vigente à época apresentava as seguintes posições: CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 17.01 AÇÚCARES DE CANA OU DE BETERRABA E SACAROSE QUIMICAMENTE PURA, NO ESTADO SÓLIDO 1701.1 Açúcares em bruto, sem adição de aromatizantes ou de corantes 1701.11.00 de cana 5 1701.12.00 de beterraba 5 1701.9 Outros 1701.91.00 Adicionados de aromatizantes ou de corantes 5 1701.99.00 Outros 5 Ex 01 Sacarose quimicamente pura 0 As notas do Capítulo 17 e das subposições 1701.11 e 1701.12, vigentes à época, são as seguintes: Nota 1. O presente Capítulo não compreende: a) os produtos de confeitaria contendo cacau (posição 18.06); b) os açúcares quimicamente puros (exceto a sacarose, lactose, maltose, glicose e frutose (levulose)) e os outros produtos da posição 29.40; c) os medicamentos e outros produtos do Capítulo 30. Nota de Subposições 1. Na acepção das subposições 1701.11 e 1701.12, considerase açúcar em bruto o açúcar contendo, em peso, no estado seco, uma percentagem de sacarose que corresponda a uma leitura no polarímetro inferior a 99,5°. Frisese que não houve controvérsia quanto ao grau de polarização ser superior a 99,5º, nem quanto a inexistência de adição de aromatizantes ou de corantes, ou seja, mas apenas à definição do que seja “sacarose quimicamente pura” . Nestes aspecto, frisese que a recorrente, em resposta à intimação fiscal, justificou ter classificado o produto no Ex tarifário 01 em razão da percentagem de sacarose ser superior a 99,5º, efl. 26. Entendo que a recorrente cometeu um equívoco ao interpretar que o teor de sacarose superior a 99,5º indica ser o produto sacarose quimicamente pura. A nota de subposição 1 apenas estabelece que o açúcar em bruto possui teor de sacarose inferior a 99,5º, delimitando a abrangência da subposição 1701.1 e levando para a subposição residual 1701.9 todos os demais açúcares de cana ou beterraba e a sacarose quimicamente pura. Ora, a própria existência do código 1701.99.00 Outros e do Ex tarifário 01 indica que existem açúcares com Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 277 9 teor de sacarose superior a 99,5º, mas que não são sacarose quimicamente pura. Em resumo, nem todo açúcar com teor de sacarose superior a 99,5º é sacarose quimicamente pura. Os laudos juntados ao processo trouxeram as seguintes conclusões: 1. Instituto Adolfo Lutz, de 10/10/1997: indicou que o produto era açúcar cristal, com grau de polarização de 99,9º, não havendo qualquer definição do que seja sacarose quimicamente pura, nem identificando o produto como tal; 2. ESALQ/USP, de 19/08/1998: indica um pol de 99,8º e conclui que se trata de amostra de açúcar praticamente pura, sem qualquer definição do que seja sacarose quimicamente pura; 3. Universidade Federal de São Carlos UFSCAR, de 28/08/1998: indica pol de 99,8º e que se trata de açúcar cristal; 4. Universidade Federal de São Carlos, de 30/09/1999: indica pol de 99,7º e que se trata de açúcar cristal; 5. Universidade Federal de São Carlos, de 14/09/2000: indica pol de 99,8º e que se trata de açúcar cristal; 6. Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami nº 0958.01, de 23/04/2001: indica amostra de açúcar cristalizado, com teor de sacarose de 99,5º, com conclusão de tratarse de açúcar cristal de cana, em bruto; 7. Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami nº 0958.02, de 23/04/2001: indica amostra de açúcar especial extra, com teor de sacarose de 99,8º, com conclusão de tratarse de açúcar de cana, mas que não se trata de sacarose quimicamente pura, segundo especificações da ACS (American Chemical Society), em razão do teor de resíduo de ignição estar fora das especificações desta entidade; 8. Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami nº 0958.03, de 23/04/2001: indica amostra de açúcar especial, com teor de sacarose de 99,9º, com conclusão de tratarse de açúcar de cana, mas que não se trata de sacarose quimicamente pura, segundo especificações da ACS (American Chemical Society), em razão do teor de resíduo de ignição estar fora das especificações desta entidade; 9. Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami nº 0958.04, de 23/04/2001: indica amostra de açúcar exportação, com teor de sacarose de 99,9º, com conclusão de tratarse de açúcar de cana, mas que não se trata de sacarose quimicamente pura, segundo especificações da ACS (American Chemical Society), em razão do teor de resíduo de ignição estar fora das especificações desta entidade; 10. Universidade Federal de São Carlos, LAST nº 030103, de 15/10/2003: indicou amostra de açúcar cristal especial, com grau de polarização de 99,7º e concluindo tratarse de sacarose quimicamente pura; 11. Universidade Federal de São Carlos, LAST nº 96905, de 17/10/2005: indicou amostra de açúcar cristal, com grau de polarização de 99,81º e concluindo tratarse de sacarose de canadeaçúcar cristalizada, com características de sacarose quimicamente pura. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 278 10 Destacase, ainda, a nota técnica elaborada pelo químico Adalberto dos Santos Magalhães e juntada pela recorrente em recurso voluntário, efl. 209, identificando que o teste efetuado para identificar o teor de resíduo de ignição no Laudo do Laboratório Luiz Angerami não ocorreu conforme as especificações da ACS, a qual fora utilizada para concluir que o açúcar não era sacarose quimicamente pura e que o órgão aceito no exterior não é a ACS, mas a ICUMSA. A recorrente também apresentou resposta a quesitos elaborada pela Universidade Federal de São Carlos, efls. 211 em diante, na qual concluiuse que, segundo a nota da subposição 1701, todo açúcar com grau de polarização superior a 99,5º e que não fosse refinado seria sacarose quimicamente pura. Analisando as conclusões dos laudos, verificase que nenhum dos apresentados contém uma definição do que seja sacarose quimicamente pura, nem quais são suas características físicoquímicas, o que levou, inclusive, à elaboração dos quesitos 1 e 2 da resolução proposta. Verificase também que dos laudos apresentados pela recorrente, apenas o elaborado pela Universidade Federal de São Carlos, LAST nº 030103, conclui expressamente que a amostra se tratava de sacarose quimicamente pura, sem, entretanto, apresentar qualquer definição do que seja sacarose quimicamente pura. Ressaltase, também, que a resposta aos quesitos apresentados pela UFSCAR contém o mesmo equívoco cometido pela recorrente ao interpretar a nota 1 da subposição 1701.1, pois, como já visto, desta nota apenas depreendese que os açúcares em bruto das subposições 1701.11 e 1701.12 contém uma percentagem de sacarose correspondente a uma leitura no polarímetro inferior a 99,5º, ou seja, todos os demais açúcares de cana ou beterraba adicionados de aromatizantes ou de corantes se enquadram no código 1701.91.00, restanto, de forma residual, o código 1701.99.00 Outros, para os demais açúcares de cana ou beterraba não adicionados de aromatizantes ou de corantes, com exceção do ex tarifário 01, destinado à sacarose quimicamente pura. Não há a conclusão de que todo açúcar com grau de polarização superior a 99,5º e que não seja refinado seja classificado como sacarose quimicamente pura. Por outro lado, o laudo do Laboratório Luiz Angerami vinculou a definição de sacarose quimicamente pura às especificações da ACS, concluindo que o teor de resíduo de ignição encontrado seria superior ao máximo indicado naquelas especificações. Porém, reconhecese que o teste efetuado não seguiu as próprias recomendações da ACS, como relatado na nota técnica, o que torna a conclusão do laudo inadequada. Voltando à TIPI, embora não haja uma definição clara e expressa do que seja sacarose quimicamente pura, existem algumas notas explicativas que tratam de açúcares quimicamente puros, distinguindoos do comercial: NOTA A.1, A.4 da posição 1702: 1)A lactose, chamada também açúcar do leite (C12H22O11), que se encontra no leite e é extraída industrialmente do soro de leite. Esta posição abrange tanto a lactose comercial como a quimicamente pura.[...] [...] 4) A frutose ou levulose (C6H12O6), que se encontra em grande quantidade nas frutas sacarinas e no mel, misturada com a Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 279 11 glicose; fabricase industrialmente a partir da glicose comercial (xarope de milho, por exemplo), da sacarose ou por hidrólise da inulina extraída das raízes tuberosas da dália e do tupinambo. Apresentase em pó branco, cristalino, ou sob a forma de xarope muito denso (ver parte B seguinte); é mais doce que o açúcar comum (sacarose) e adequado especialmente para diabéticos. Esta posição abrange quer a frutose comercial quer a frutose químicamente pura. [...] 7) A maltose (C12H22O11), produzida industrialmente por hidrólise do amido em presença da diástase de malte. Apresenta se sob a forma de um pó branco, cristalino, que se emprega principalmente na indústria da cerveja. A presente posição abrange quer a maltose comercial, quer a quimicamente pura. Já as considerações gerais do Capitulo 29 traz as seguintes notas: CONSIDERAÇÕES GERAIS O Capítulo 29, em princípio, inclui apenas os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, ressalvadas as disposições da Nota 1 do Capítulo. A) Compostos de constituíção química definida (Nota 1 do Capítulo) Um composto de constituíção química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo. [...] Estes compostos podem conter impurezas (Nota 1 a)). O texto da posição 29.40 cria uma exceção a esta regra porque, relativamente aos açúcares, restringe o âmbito da posição aos açúcares quimicamente puros. O termo “impurezas” aplicase exclusivamente às substâncias cuja presença no composto químico distinto resulta, exclusiva e diretamente, do processo de fabricação (incluída a purificação). Essas substâncias podem provir de qualquer dos elementos que intervêm no curso da fabricação, e que são essencialmente os seguintes: a) matérias iniciais não convertidas, b) impurezas contidas nas matérias iniciais, c) reagentes utilizados no processo de fabricação (incluída a purificação), Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 280 12 d) subprodutos. No entanto, convém referir que essas substâncias não são sempre consideradas “impurezas” autorizadas pela Nota 1 a). Quando essas substâncias são deliberadamente deixadas no produto para tornálo particularmente apto para usos específicos de preferência a sua aplicação geral, não são consideradas impurezas admissíveis. Depreendese que as notas explicativas fazem diferenciação entre açúcares comerciais e quimicamente puros, como também defluise que o açúcares quimicamente puros não podem conter impurezas resultantes do processo de fabricação, admissíveis nos compostos com constituição química definida (nota A das Considerações Gerais do Capítulo 29). A par da nota 1 da subposição 1701.1 e das notas explicativas acima transcritas, a Coana emitiu a Solução de Consulta nº 49/2014, classificando o produto Açúcar de cana no estado sólido, do tipo cristal, sem adição de aromatizantes ou de corantes, que contém, em peso, no estado seco, uma percentagem de sacarose que corresponde a uma leitura no polarímetro entre 99,84° e 99,85°, apresentado em embalagens de 1 kg, 2 kg e 5 k, a partir do laudo elaborado pela ESALQ/USP, cujas conclusões transcrevemse: Fundamentos 2. O produto objeto da presente consulta tratase de açúcar de cana no estado sólido, tipo cristal, sem adição de aromatizantes e corantes. O consulente apresentou laudo técnico de duas amostras realizado por laboratório do Setor de Açúcar e Álcool, da ESALQ – USP. Para uma das amostras, o resultado foi leitura no polarímetro (Pol NBR 8869) de 99,84°S e percentagem de açúcares redutores de 1,82%, pelo método de Lane e Eynon. Para a segunda amostra, o resultado foi leitura no polarímetro (Pol NBR 8869) de 99,85°S e percentagem de açúcares redutores de 1,86%, pelo método de Lane e Eynon. 3. A classificação fiscal de mercadorias fundamentase, conforme o caso, nas Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, nas Regras Gerais Complementares do Mercosul (RGC/NCM), nas Regras Gerais Complementares da Tipi (RGC/Tipi), nos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA) e nos ditames do Mercosul, e, subsidiariamente, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh). 4. A RGI 1, aplicável em todos os casos, dispõe que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo: para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas RGI 2 a 6. 5. A mercadoria sob consulta incluise na posição 17.01 (“Açúcares de cana ou de beterraba e sacarose quimicamente pura, no estado sólido”), por aplicação da RGI 1. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 281 13 6. A RGI 6 estabelece que a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para os efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas e que as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. 7. Estes são os desdobramentos da posição 17.01: 17.01 Açúcares de cana ou de beterraba e sacarose quimicamente pura, no estado sólido. 1701.1 Açúcares brutos sem adição de aromatizantes ou de corantes: 1701.12.00 De beterraba 1701.13.00 Açúcar de cana mencionado na Nota 2 de subposição do presente Capítulo 1701.14.00 Outros açúcares de cana 1701.9 Outros: 1701.91.00 Adicionados de aromatizantes ou de corantes 1701.99.00 Outros 8. A Nota de Subposição 1 do Capítulo 17 define que o termo “açúcar bruto” se refere ao açúcar que contém, em peso, no estado seco, uma percentagem de sacarose correspondente a uma leitura no polarímetro inferior a 99,5º. 9. Destarte, o açúcar sob consulta, pelo laudo técnico apresentado, não se enquadra na definição de “açúcar bruto” da Nomenclatura e se inclui na subposição de primeiro nível 1701.9 e na subposição de segundo nível 1701.99.00, uma vez que não é adicionado de aromatizantes ou corantes. 10. O consulente pleiteia o enquadramento de seu produto no “Ex” 01 da Tipi: “Sacarose quimicamente pura”. 11. É mister determinar o alcance do termo “açúcar quimicamente puro” para a Nomenclatura, uma vez que a sacarose tratase de açúcar. As Nesh do Capítulo 29 – cuja posição 29.40 abrange os açúcares quimicamente puros, com exceção da sacarose, lactose, maltose, glicose e frutose – explicam que os compostos de constituição química definida podem conter impurezas e que o texto da posição 29.40 cria uma exceção a esta regra porque, relativamente aos açúcares, restringe o âmbito da posição aos açúcares quimicamente puros. Depreendese das Nesh que os compostos de constituição química definida admitem impurezas, enquanto os açúcares quimicamente puros o são no sentido estrito. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 282 14 12. Os resultados analíticos apresentados pelo consulente mostram 1,82% e 1,86% de açúcares redutores nas amostras. Como a sacarose não é um açúcar redutor, as amostras apresentadas à ESALQ/USP possuem, respectivamente, 1,82% e 1,86% de açúcares que não são a sacarose. Tanto o método da polarimetria quanto o da medida de açúcares redutores mostram que não se trata de sacarose quimicamente pura, pois, mesmo que as concentrações dos açúcares redutores não tivessem sido informadas, as leituras de 99,84°S e 99,85°S no polarímetro mostram que não se trata de sacarose 100% (ou 99,99%). Ademais, o consulente embala e comercializa seu produto como açúcar cristal, e não como sacarose quimicamente pura. 13. Pelo exposto, concluise que o produto sob consulta não se enquadra no “Ex” Tipi pleiteado. Conclusão 14. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI 1 (texto da posição 17.01) e RGI 6 (textos da Nota de Subposição 1 do Capítulo 17, da subposição de primeiro nível 1701.9 e da subposição de segundo nível 1701.99.00) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 2011, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 2011, e em subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Decreto no 435, de 1992, e atualizadas pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 2008, e alterações posteriores, a mercadoria sob consulta classificase no código NCM 1701.99.00. Comungo com as conclusões da solução de consulta, ou seja, de que a sacarose quimicamente pura não admite impurezas e seu grau de polarização deveria ser de 100% (ou 99,99%) como dispôs a solução, o que não foi encontrado em nenhum laudo. Ademais, isto explicase em razão da premissa, repitase equivocada, adotada tanto pela recorrente quanto pela Universidade Federal de São Carlos de que o grau de polarização acima de 99,5º seria suficiente para a identificação do produto como sacarose quimicamente pura (e não sendo açúcar refinado, segundo a UFSCAR), não abordando a consideração das NESH de que o açúcar quimicamente puro não admite impurezas e se distingue do açúcar comercial. Comparativamente, verificase que o único laudo que concluiu, efetivamente, que se tratava de sacarose quimicamente pura, foi o emitido pela UFSCAR de certificado LAST nº 030103, o qual identificou percentual de açúcar redutor e grau de polarização de 99,7º, o que, de acordo a Solução de Consulta Coana nº 49/2014, não pode ser considerado sacarose quimicamente pura. Concluise, assim, pelo teor de sacarose não ser de 100,00%, confirmado pela presença de açúcares redutores, o produto deve ser classificado no código residual 1701.99.00 Outros e não em seu Ex tarifário 01. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13855.000100/200892 Acórdão n.º 3302004.438 S3C3T2 Fl. 283 15 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 283DF CARF MF
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