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Numero do processo: 10665.901154/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SEM COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, para compensação é essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo, requisito sem o qual a compensação deve ser não homologada.
Numero da decisão: 3201-008.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.769, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10665.901145/2011-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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CRÉDITO SEM COMPROVAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, para compensação é essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo, requisito sem o qual a compensação deve ser não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.769, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10665.901145/2011-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Despacho Decisório Eletrônico que homologou parcialmente compensações declaradas em DCOMP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 11 54 /2 01 1- 11 Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.777 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.901154/2011-11 O Termo de Verificação Fiscal – TVF que embasou a decisão supracitada. Em resumo, descreve que houve glosa de créditos da contribuição relativos a compras de: 1- carvão vegetal, em virtude de divergências entre NF de entrada da interessada e NF de venda de fornecedor; 2 - minério de ferro, em virtude de créditos informados em Dacon com valores superiores aos contabilizados. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, pedindo o cancelamento do débito exigido, em virtude de sua extinção por meio de nova compensação, e o reconhecimento integral do crédito pleiteado, homologando-se todas as compensações. Para tanto, em síntese, assim se manifestou: O Pagamento dos Valores Cobrados no Despacho Decisório Antes da análise das glosas realizadas pelo Fisco, é importante esclarecer que o débito cobrado no despacho decisório impugnado foi extinto por meio de nova Dcomp [...]. Como se pode ver da mencionada declaração de compensação, o valor principal cobrado pelo Fisco no despacho decisório, bem como seus acréscimos legais (multa e juros até a data da compensação), foram devidamente quitados com crédito de Cofíns pago a maior [...], crédito que, diga-se de passagem, nada tem a ver com o MPF que originou o despacho decisório. [...] Portanto, o débito cobrado no despacho decisório deve ser imediatamente cancelado, tendo em vista ter havido sua extinção por meio de uma nova compensação. Cancelando-o ou não (esta hipótese admitida tão-somente para efeitos de argumentação), a presente manifestação deve ser analisada na parte referente às glosas realizadas pelo Fisco, para assim se saber se tal pagamento foi indevido, e, consequentemente, se a manifestante terá direito à sua restituição. Desconsideração de Parte das Notas Fiscais de Entrada de Carvão Vegetal [...] O Fisco, para decidir qual nota considerar, adotou critério sem qualquer fundamento lógico, simplesmente considerando as notas fiscais com valor menor, ou seja, que geram créditos menores de PIS e de Cofíns. [...] Assim, no presente caso, é irrelevante saber sobre que valor o fornecedor do carvão vegetal recolheu PIS e Cofíns, para se saber o valor sobre o qual a manifestante determinará o valor do seu crédito de PIS e Cofíns. O que interessa no presente caso é saber o valor real da aquisição do carvão vegetal, que está consignado na nota fiscal de entrada com a metragem e valor real do produto, estando o valor real lançado na escrituração fiscal e contábil da manifestante à disposição do Fisco com total transparência. [...] No presente caso, o valor do carvão vegetal (bem utilizado como insumo na fabricação de outro produto, o ferro-gusa) adquirido é retratado fielmente apenas pelas notas fiscais de entrada da manifestante. Prova cabal de tal fato é que, como se pode observar do próprio TVF, especificamente da planilha "Apuração da Base de Cálculo de Créditos de Carvão", coluna "Pagamentos Contabilizados do Carvão", todo o carvão vegetal adquirido foi pago com base nas notas fiscais de entrada. [...] Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.777 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.901154/2011-11 É no estabelecimento do adquirente, ou seja, no estabelecimento da manifestante, que é apurada uma metragem correta, exata do carvão, tanto que se paga a carga ao motorista com base na metragem obtida na empresa, pois repetindo, a metragem feita pelo fornecedor quando da saída do carvão é apenas referencial. [...] No presente caso, o Fisco, ao considerar a nota fiscal do fornecedor [...] cometeu um grande equívoco, pois, como já mencionado, tal fornecedor está localizado no município de Cláudia, MT, em vez de Divinópolis. E tais operações de carvão são submetidas a pauta fiscal. Ou seja, o preço do carvão é fixado pela Fazenda Estadual, razão pela qual o valor do ICMS é o mesmo nas duas notas fiscais (entrada e fornecedor). [...] A Glosa de Parte dos Créditos Referentes às Aquisições de Minério de Ferro [...] O que houve foi um erro material por parte do Fisco, ao desconsiderar as duas contas relativas ao minério de ferro, uma referente à mercadoria e outra ao respectivo frete. Tais contas, obviamente, devem ser somadas, não havendo nenhuma duplicidade. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, em resumo por insuficiência de provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado e no que se refere a extinção do débito a DRJ destacou que: Tal circunstância não afeta a constituição do crédito tributário, via confissão de dívida em DCOMP, tampouco o julgamento da manifestação de inconformidade ora sob análise, que é apresentada contra a "não homologação de compensação", conforme estabelecido na legislação de regência, como, por exemplo, o art. 66 da IN RFB n° 900/2008. Destaco que, caso venha surgir litígio quanto à nova DCOMP, a controvérsia deve ser resolvida em processo próprio, distinto do presente. Não obstante, a Unidade de preparo deve acautelar-se para que não haja duplicidade de cobrança. 4. Conclusão Isso posto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. A Unidade de preparo deve acautelar-se para que não haja duplicidade de cobrança, tendo em vista o exposto no tópico anterior. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo a reforma do julgado, alegando em síntese, meros erros materiais em relação às informações lançadas nas declarações, ônus da prova, jurisprudência do CARF e busca da verdade material. Assim como ocorreu na apresentação da Manifestação de Inconformidade, ao Recurso Voluntário não houve juntada de documentos probatórios. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.777 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.901154/2011-11 O processo trata de pedido de compensação, utilizando como crédito valores de PIS que o contribuinte alega ter direito ao ressarcimento. O pedido foi glosado pela autoridade fiscal nos seguintes tópicos: 1- carvão vegetal, em virtude de divergências entre NF de entrada da interessada e NF de venda de fornecedor; 2 - minério de ferro, em virtude de créditos informados em Dacon com valores superiores aos contabilizados. Sobre o item 2 não há impugnação específica no Recurso Voluntário, restando preclusa qualquer alegação posterior acerca da matéria. Conforme adiante será melhor detalhado o recorrente limitou-se em impugnar as divergências entre as notas fiscais, deixando de trazer à baila as razões do minério de ferro ter créditos informados em Dacon com valores superiores aos contabilizados. Sendo assim, a referida glosa não será abordada neste voto. Passando então a análise do item 1 que trata do carvão vegetal, em sua defesa o Recorrente discorre acerca de meros erros materiais em relação às informações lançadas nas declarações eletrônicas de compensação, sem apresentar provas de suas alegações. Ora, percebe-se, da leitura dos trechos destacados, que a glosa de créditos decorreu da existência de meros erros materiais em relação às informações utilizadas para o preenchimento e posterior transmissão das DCOMPs, tanto que o acórdão utiliza a expressão "divergências entre as NF” como fundamento apto a justificar a decisão. Além disso, se, de um lado, o acórdão pretende atribuir à Recorrente, em caráter absoluto, o ônus da prova quanto à extensão do direito creditório, citando para tanto até mesmo a legislação processual civil, de outro lado o mesmo acórdão, de forma contraditória, diz que documentos produzidos unilateralmente não teriam o condão de provar, "por si sós, os valores escriturados". Por fim, o acórdão ignora o princípio da busca pela verdade real no processo administrativo ao invocar a suposta preclusão do "direito de apresentar a prova documental em outro momento processual". O fato é que, da maneira como foi proferida, a decisão da DRJ/JFA impede, de modo equivocado, que a Recorrente possa demonstrar que possuía direito creditório suficiente para fazer frente às compensações pleiteadas. A negativa do crédito se deu após procedimento fiscal sendo as glosas justificadas e motivadas conforme destaques que abaixo transcrevo: 1- carvão vegetal, em virtude de divergências entre NF de entrada da interessada e NF de venda de fornecedor; O contribuinte, na aquisição de carvão vegetal, emite nota fiscal de entrada com valores diferentes dos valores constante da Nota fiscal de saída, emitida pelo fornecedor. O documento fiscal hábil e idôneo para comprovar as operações de compra e venda de mercadorias é a nota fiscal. A nota fiscal de entrada emitida na data da aquisição pelo comprador é documento hábil a comprovar a operação de compra de mercadorias, desde que relatem a realidade da operação e, também, fique comprovado o seu efetivo pagamento. Não pode haver discrepância ou diferença entre o valor da mercadoria constante na nota fiscal de venda do produtor e a nota fiscal de entrada emitida pelo próprio contribuinte. A ausência de qualquer uma das condições, não dará ao contribuinte o direito ao crédito. Ocorre que o contribuinte na aquisição de carvão, durante todo o período abrangido pela ação fiscal, emitiu notas fiscais de entrada com valores sempre diferentes das notas fiscais emitidas pelos fornecedores, ora maior, ora menor que estas. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.777 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.901154/2011-11 Ocorre que ao apresentar o Recurso Voluntário a Recorrente não juntou documentos, com a finalidade de comprovar acertos nas emissões das notas fiscais que encontravam- se em divergência de valores nas entradas e saídas. Sabendo que as Dcomp’s não foram homologadas em razão das declarações acessórias estarem equivocadas, bem como a divergência apontada acerca dos valores das notas fiscais, caberia ao recorrente proceder com a retificação, ou, na impossibilidade, apresentar provas que seriam capazes de embasar o seu pedido, sendo certo que a ela, recorrente, foi dada essa oportunidade no momento em que apresentou o Manifesto de Inconformidade. Compulsando os autos o Recorrente não se desincumbiu em contextualizar as divergências entre as notas fiscais de entrada, a seu cargo com as notas fiscais de venda, a cargo do fornecedor, trazendo a legalidade deste procedimento de emissão de documento fiscal na aquisição de carvão vegetal, evidenciando o regramento quanto ao ajuste de preço e quantidade – em cumprimento ao RICMS, ou mesmo orientações da SEFAZ do estabelecimento em que esta sediada. Digo isso, pois o melhor argumento para corroborar as quantidades (m3) do carvão vegetal, mas também quanto ao seu valor unitário adotado nas notas de entradas, emitidas pela Recorrente, requer observância a critérios e procedimentos subsidiado pela norma legal, ou seja, uma metodologia pré-determinada e específica ao presente caso. A legalidade destas operações também traria luz quanto à possibilidade e consentimento, dos fornecedores do carvão vegetal adquirido pela fiscalizada vir a poder optar pela emissão de notas fiscais complementares, o que de certo seria capaz de sanar dúvidas em relação a base de cálculo do ICMS, fato que norteou a fiscalização em sua verificação, que entendeu ser um dos fatores para aferir a veracidade da operação, ora detectando ser a nota fiscal de saída na formação da base de cálculo para o ICMS, ora a nota fiscal de entrada. Uma vez que o Fisco detectou divergência no procedimento adotado, ainda que a Recorrente afirme que todo o carvão vegetal adquirido foi pago com base nas notas fiscais de entrada e que a partir dessas entradas forma a base para efeito do que dispõe Leis n's 10.637/2002 e 10.833/2003, para formação dos créditos (insumos) de PIS e Cofins, o que espera este julgador, é que a Recorrente fosse mais diligente na instrução processual. Nesse passo, podemos cotejar o próprio exemplo trazido pela Recorrente, vejamos: Tal nota fiscal de entrada retrata o valor de R$ 23.043,54, que foi exatamente o valor pago ao fornecedor, conforme se pode ver da própria planilha "Apuração da Base de Cálculo de Créditos de Carvão" que está anexa ao TVF. Ou seja, a nota fiscal do fornecedor, no valor de R$ 5.900,00, em nenhum momento reflete a realidade dos fatos, e, consequentemente, dos créditos de PIS e Cofins. (vide e-fl.80 - Apuração da Base de Cálculo de Créditos de Carvão). Oras, ao analisar o exemplo, é inegável a discrepância entre o valor da mercadoria constante na nota fiscal de venda do produtor e a nota fiscal de entrada emitida pelo próprio contribuinte. Fato que foi demonstrado no TVF: Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.777 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.901154/2011-11 Diante o contexto apresentado, importante frisar, que não se esta a dizer que não seria a nota fiscal de entrada emitida na data da aquisição pelo comprador, o documento hábil a comprovar a operação de compra de mercadorias, e que este não seria o documento a embasar a sua apuração, o que se busca aferir é a exatidão da operação, o que perpassa pela comprovação dos seus efetivos pagamentos, cujo efeito prático é munir o julgador de que a Recorrente goza do direito líquido e certo dos créditos pleiteados. De tudo que foi analisado nos autos é evidente a falta de documento legal ratificando que as diferenças, apuradas pelo confronto da nota fiscal de entrada com a nota fiscal do fornecedor, existiram de forma a endossar o registro do custo efetivo da operação. A questão posta pelo Fisco restou clara acerca da glosa de créditos relativos a compras de carvão vegetal, justamente por conta de divergências entre as NFs (entrada x saída), nesse sentido, restou consignado na decisão recorrida os requisitos estabelecidos para fins do ônus da prova que incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Por fim, entendo que a Recorrente não logrou êxito em retratar “fielmente” a consistência nos dados constantes nas notas fiscais de entrada, seja à luz do que determina a lei que dispõe sobre o assunto, seja demonstrando os efetivos pagamentos aos fornecedores, a partir do valor informado na NF de entrada, seja trazendo rastreabilidade com a escrituração contábil, partindo do princípio que “documentos hábeis”, são aqueles que gozam de integridade com a operação realizada. Nesse cenário, importa lembrar, antes de tudo, que é inerente à análise dos PER- DCOMPs, a demonstração pelo sujeito passivo do direito creditório pleiteado por meio da apresentação de documentação hábil e idônea. No que se refere ao ônus do contribuinte em instruir o processo com todas as provas necessárias ao julgamento, colaciono o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303-005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.777 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.901154/2011-11 pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus da prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos (hábeis e idôneos) com as matérias impugnadas e a reunião de suas declarações, pertinentes ao tributo em análise, seria indispensável para um convencimento. Modernamente defende-se a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito 1 , assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda 2 : São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, após, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Diante do exposto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. É o meu entendimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator 1 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) 2 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.777 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10665.901154/2011-11 Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10840.000944/2003-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/2007 (Súmula CARF nº 154). (Ac. Nº 9303-010.600)
Numero da decisão: 9303-011.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocado(a)), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente(s) o(a) conselheiro(a) Érika Costa Camargos Autran, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Semiramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/2007 (Súmula CARF nº 154). (Ac. Nº 9303-010.600) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocado(a)), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente(s) o(a) conselheiro(a) Érika Costa Camargos Autran, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Semiramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 09 44 /2 00 3- 08 Fl. 741DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.596 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.000944/2003-08 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro no art. 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3201-005.507, de 23 de julho de 2019, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, conclui-se que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decreto-lei n° 1.248, de 1972. A inovação trazida em pela DRJ quanto a eventual ausência de documento não se presta a afastar o direito reconhecido. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. VARIAÇÕES CAMBIAIS. As variações cambiais complementares, objeto de emissão de nota fiscal conforme determinado pela legislação aduaneira, integram a receitas de exportação para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. CORREÇÃO TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG E RESP Nº 1.035.847/RS Nos termos dos Recursos Especiais julgados sob a sistemática repetitiva (RESP Nº 993.164/MG E RESP Nº 1.035.847/RS), o crédito presumido de IPI sobre as aquisições realizadas de Pessoas Físicas e Cooperativas deverá ser corrigido pela Taxa Selic desde a data do seu pedido, uma vez que se tem como ato estatal normativo impeditivo à utilização do direito de crédito de IPI, a própria Instrução Normativa SRF nº 23 de 1997. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos, (i) legitimar o crédito decorrente das Notas Fiscais de venda com fim específico de exportação, cuja exportação foi comprovada em sede de diligência. Os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Hélcio Lafetá Reis e Charles Mayer de Castro Souza acompanharam, no ponto, a relatora pelas conclusões; e (ii) assegurar o direito de cômputo, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores correspondentes às notas fiscais complementares, quando correspondentes à variação cambial existente entre a data de emissão da nota fiscal de venda e o efetivo embarque das mercadorias; II - Por maioria de votos, (iii) autorizar a Fl. 742DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.596 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.000944/2003-08 correção monetária dos créditos indevidamente glosados, pela Taxa SELIC, desde o protocolo do pedido. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Hélcio Lafetá Reis, que entendiam que a correção monetária deveria incidir a partir de 360 dias do protocolo do pedido. Não resignada em parte com o acórdão, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação ao termo inicial para a incidência da taxa Selic em pedido de ressarcimento de créditos de IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96. Para demonstrar o necessário dissídio jurisprudencial, trouxe como paradigma o acórdão nº 3302-007.418. Nos termos do despacho S/Nº – 2ª Câmara, de 06 de novembro de 2019, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial, admitindo a rediscussão quanto ao termo inicial para a incidência da Taxa Selic em pedido de ressarcimento de créditos de IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96.: [...] O acórdão recorrido decidiu que é legítima a incidência de correção monetária dos créditos indevidamente glosados, pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, conforme pode ser constatado com a simples leitura da ementa do julgado retro transcrita. Por sua vez, no acórdão paradigma trazido pela Recorrente, em discrepância ao recorrido, entendeu-se que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco, incidindo somente a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido. [...] Devidamente cientificado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o relatório. Fl. 743DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-011.596 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.000944/2003-08 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. 1 Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. 2 Mérito No que tange à divergência jurisprudencial, centra-se a controvérsia na definição do termo inicial para a incidência da taxa Selic em pedido de ressarcimento de créditos de IPI, com fundamento na Lei nº 9.363/96. A matéria encontra-se pacificada no âmbito do CARF por meio da Súmula nº 154, dispondo como termo inicial o 361º dia a partir do protocolo do pedido: Súmula CARF nº 154 Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07. Acórdãos Precedentes: 9303-007.425, 9303-006.389, 3201-001.765, 9303-005.423, 9303-007.747, 9303- 007.011 e 3401-005.709 (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Na análise destes casos, deve-se verificar, ainda, se efetivamente ficou caracterizada a oposição estatal ilegítima, ou seja, se houve reversão de decisão denegatória do crédito nas instâncias administrativas de julgamento. A incidência da Taxa Selic é admitida somente sobre esta parcela – e não sobre o valor total do direito creditório a ser ressarcido, que contempla também o montante eventualmente já reconhecido pela Unidade de Origem. É claro no dispositivo do acórdão recorrido que houve a delimitação da incidência da Taxa Selic somente sobre os créditos indevidamente glosados, e que foram revertidos nas instâncias administrativas: [...] Fl. 744DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-011.596 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10840.000944/2003-08 Assim, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte para (i) legitimar o crédito decorrente das Notas Fiscais de venda com fim específico de exportação, CUJA EXPORTAÇÃO FOI COMPROVADA EM SEDE DE DILIGÊNCIA; (ii) assegurar o direito de cômputo, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores correspondentes às notas fiscais complementares, quando correspondentes à variação cambial existente entre a data de emissão da nota fiscal de venda e o efetivo embarque das mercadorias; e (iii) autorizar a correção monetária dos créditos indevidamente glosados, pela Taxa SELIC, desde o protocolo do pedido. [...] Portanto, a pretensão da Fazenda Nacional merece prosperar, devendo ser dado provimento ao seu recurso especial. 3 Dispositivo Diante do exposto, deve ser dado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 745DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.720695/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/04/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 30/09/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/06/2006 a 31/10/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007, 01/05/2007 a 31/08/2007, 01/10/2007 a 31/10/2007, 01/01/2008 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 30/04/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL POR ADVOGADO. EXIGÊNCIA DE PROCURAÇÃO COM FIRMA RECONHECIDA. NECESSIDADE DE DÚVIDA FUNDAMENTADA QUANTO À AUTENTICIDADE DO DOCUMENTO.
Na ausência de dúvida fundamentada quanto à autenticidade do documento, é dispensável o reconhecimento de firma da assinatura do outorgante no instrumento de procuração que confere poderes de representação ao advogado que assina a impugnação.
Numero da decisão: 2202-008.474
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto as alegações de admissibilidade da impugnação, e, na parte conhecida, dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos à DRJ para que sejam apreciadas as demais alegações naquela constantes.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/04/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 30/09/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/06/2006 a 31/10/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007, 01/05/2007 a 31/08/2007, 01/10/2007 a 31/10/2007, 01/01/2008 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 30/04/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL POR ADVOGADO. EXIGÊNCIA DE PROCURAÇÃO COM FIRMA RECONHECIDA. NECESSIDADE DE DÚVIDA FUNDAMENTADA QUANTO À AUTENTICIDADE DO DOCUMENTO. Na ausência de dúvida fundamentada quanto à autenticidade do documento, é dispensável o reconhecimento de firma da assinatura do outorgante no instrumento de procuração que confere poderes de representação ao advogado que assina a impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto as alegações de admissibilidade da impugnação, e, na parte conhecida, dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos à DRJ para que sejam apreciadas as demais alegações naquela constantes. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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EXIGÊNCIA DE PROCURAÇÃO COM FIRMA RECONHECIDA. NECESSIDADE DE DÚVIDA FUNDAMENTADA QUANTO À AUTENTICIDADE DO DOCUMENTO. Na ausência de dúvida fundamentada quanto à autenticidade do documento, é dispensável o reconhecimento de firma da assinatura do outorgante no instrumento de procuração que confere poderes de representação ao advogado que assina a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto as alegações de admissibilidade da impugnação, e, na parte conhecida, dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos à DRJ para que sejam apreciadas as demais alegações naquela constantes. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 95 /2 01 0- 08 Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.474 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720695/2010-08 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.720695/2010-08, em face do acórdão nº 12-59.741, julgado pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJI), em sessão realizada em 18 de setembro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata-se de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.201.924-2, consolidado em 29/01/2010), no valor de R$ 70.336,90, acrescidos de juros e multa de mora, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 46/54), refere- se às contribuições a cargo da empresa, referente aos terceiros, sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR, pagas em desacordo com a legislação. 2. Informa a Auditoria Fiscal que: 2.1. O contribuinte apresentou Acordo Coletivo de Trabalho realizado com o SINJORBA – Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia, relativos aos exercícios de 2005 a 2008, onde não foi verificada a previsão de pagamento a título de PLR; 2.2. Nos Acordos Coletivos de Trabalho relativos a 2005, 2007 e 2008, firmados com o Sindicato dos Empregados da Administração das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Estado da Bahia (SADEJORBA) e com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas do Estado da Bahia (SINDIGRAFICOS), não foram estabelecidas regras para o pagamento de PLR; 2.3. Os acordos para o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos aos anos de 2005, 2007 e 2008 (2006 não foi apresentado) não estabeleceram nenhuma regra quanto às metas a serem atingidas, nem as regras de aferição, levando a considerar que o referido pagamento, embora intitulado PLR, passou a condição de parcela de natureza remuneratória; DA IMPUGNAÇÃO 3. A impugnação interposta, às fls. 192/207, trouxe as alegações a seguir reproduzidas em síntese: 3.1. a nulidade material do Auto de Infração ou subsidiariamente, vício formal pela inobservância do requisito essencial da descrição pormenorizada do fato imponível; 3.2. que existe regra de imunidade da PLR prevista na Constituição Federal; 3.3. que a PLR não se enquadra no conceito de remuneração, previsto nos incisos I e II do art. 22, da Lei 8.212/1991, sendo, portanto hipótese de não incidência tributária; 3.4. que o art. 28, § 9º, da Lei 8.212/1991 elencou como hipóteses de isenção tanto o pagamento de PLR como o pagamento de ganhos eventuais; 3.5. que o PPR pago nos anos de 2005 a 2008 cumpriram todos os aspectos exigidos pela Lei 10.101/2000; 3.6. que o fato de terem sido arquivados no Sindicato em exercício posterior não descaracteriza a legalidade dos PPR’s; Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.474 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720695/2010-08 3.7. que o arquivamento é mera obrigação de publicidade e não condição de existência; 3.8. que antes mesmo da constituição dos PPR’s, o Sindicato por meio do art. 9º da Convenção Coletiva de Trabalho já conhecia do interesse das partes, inclusive ratificando a legitimidade da comissão interna na constituição do programa; 3.9. que o requisito da periodicidade do pagamento foi observado; 3.10. que as exigências materiais também foram atendidas; além de preverem regras claras e objetivas, os PPR’s primaram pela simplicidade; 3.11. que os PPR’S de 2008 e 2007 elegeram como resultado as metas do EBITIDA (Earnings Before Interest Taxes, Depreciation and Amortization), ou seja, o resultado obtido pela Impugnante antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (Cláusula 1ª); 3.12. que os PPR’s de 2005 e 2007 condicionaram a participação aos resultados operacionais da impugnante (Cláusula 2ª); 3.13. que os dois métodos, além de legais, são claros e objetivos, podendo ser identificados a partir do balanço da Impugnante, disponibilizado quando do pagamento da participação aos empregados participantes do PPR; 3.14. que a Auditora-Fiscal critica os métodos eleitos pelas partes, propondo questionamentos em seu Relatório Fiscal, cujas respostas se encontram nos PPR’s desclassificados; 3.15. que os métodos escolhidos pela Impugnante para os PPR’s de 2005 a 2008 atendem aos requisitos da Lei 10.101/2000 e aos interesses constitucionais; 3.16. que contesta a aplicação da multa de ofício, protestando pela aplicação da multa do art. 32-A, da Lei 8.212/1991, por ser mais benéfica. 4. Consoante Termo de Juntada de Processo (fls. 190), o presente processo foi apensado ao de nº 10580.720693/2010-19. DO PEDIDO DE REGULARIZAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL 5. Tendo em vista que a impugnação apresentada, em nome da interessada, às fls. 192/207, subscrita pelo Sr. Thiago Teixeira Rabello Mesquita, veio desacompanhada de instrumento de mandato, com firma reconhecida, foi a interessada intimada, às fls. 357, para regularizar a sua representação processual, mediante a apresentação de cópia autenticada ou acompanhada do original de procuração particular com firma reconhecida ou de procuração pública. 5.1. No entanto, ultrapassado o prazo concedido, a interessada deixou de encaminhar quaisquer dos documentos solicitados, permanecendo, portanto o vício de representação processual anteriormente constatado, conforme despacho de fls. 364 do processo principal nº 10580.720693/2010-19. 6. É o Relatório.” Transcreve-se abaixo a ementa do referido acórdão, o qual consta às fls. 359/363 dos autos: “OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/04/2005 a 31/07/2005, 01/09/2005 a 30/09/2005, 01/02/2006 a 28/02/2006, 01/06/2006 a 31/10/2006, 01/12/2006 a 31/12/2006, 01/02/2007 a 28/02/2007, 01/05/2007 a 31/08/2007, 01/10/2007 a Fl. 422DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.474 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720695/2010-08 31/10/2007, 01/01/2008 a 31/01/2008, 01/03/2008 a 30/04/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008 REPRESENTAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE. Não se conhece da impugnação impetrada por terceira pessoa não legitimada para representar a interessada. Impugnação Não Conhecida. Crédito Tributário Mantido.” A parte dispositiva do voto do relator do acórdão recorrido possui o seguinte teor: “16. Diante de todo o exposto, voto por declarar NÃO CONHECIDA a impugnação. É o meu VOTO.” Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 374/405, reiterando as alegações expostas em impugnação, bem como alegando preliminar de conhecimento da impugnação e de nulidade do acórdão da DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. O conhecimento do recurso é de forma parcial, pois são apenas conhecidas as alegações quanto a admissibilidade da impugnação. Conforme relatado, tendo em vista que a impugnação apresentada, em nome da interessada, às fls. 192/207, subscrita pelo Sr. Thiago Teixeira Rabello Mesquita, veio desacompanhada de instrumento de mandato, com firma reconhecida, foi a interessada intimada, às fls. 357/358, para regularizar a sua representação processual, mediante a apresentação de cópia autenticada ou acompanhada do original de procuração particular com firma reconhecida ou de procuração pública. No entanto, ultrapassado o prazo concedido, a interessada deixou de encaminhar quaisquer dos documentos solicitados, permanecendo, para a DRJ de origem, o vício de representação processual constatado. Diante disso, a impugnação não foi conhecida pela DRJ sob o fundamento de que não se conhece da impugnação impetrada por terceira pessoa não legitimada para representar a interessada. Fl. 423DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.474 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720695/2010-08 Sustenta a recorrente a nulidade da intimação para regularização da representação processual, sob o argumento de que a intimação não foi realizada nos moldes previstos no Decreto nº 7.574/11, no qual estabelece em seu art. 10 as formas de intimação. De início, importa referir que a forma de intimação deve se dar na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Contudo, tal questão não possui relevância prática no presente caso, pois em ambas as normas estabelecem que a intimação será realizada pela via postal (art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72 e art. 10, II, do Decreto nº 7.574/11). No caso, verifica-se que a contribuinte foi intimada, pela via postal, no endereço de seu domicílio fiscal, conforme fl. 357, para regularizar sua representação processual, recebida pela contribuinte em 13/11/2012 (fl. 358), tendo permanecido silente. Portanto, não há nulidade da intimação, razão pela qual é rejeitada a preliminar. Ainda, alega a recorrente que o art. 654, §2º do Código Civil estabelece uma possibilidade de terceiro exigir que a procuração traga a firma reconhecida. Assim consta a redação do referido dispositivo: Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1 o O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 2 o O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. (grifou-se) Defende a recorrente que esta possibilidade de exigência foi refutada pela Portaria RFB nº 1880, de 24 de dezembro de 2013, que possui a seguinte redação: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, resolve: Art. 1º Fica dispensada a exigência de firma reconhecida nos documentos apresentados à Secretaria da Receita Federal do Brasil, exceto quando: I - houver dúvida fundada quanto à autenticidade da assinatura aposta no documento apresentado; e II - existir imposição legal. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica ao § 1º do art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 944, de 29 de maio de 2009. Art. 2º Verificada, em qualquer tempo, falsificação de assinatura em documento público ou particular, a repartição considerará não satisfeita a exigência documental e dará conhecimento do fato à autoridade competente, dentro do prazo improrrogável de 5 (cinco) dias, para instauração do processo criminal. Fl. 424DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.474 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720695/2010-08 Art. 3º No prazo de 60 (sessenta) dias deverão ser revogados expressamente todos os dispositivos normativos contrários ao disposto nesta Portaria. Art. 4º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 5º Fica revogada a Portaria RFB nº 1.844 de 19 de dezembro de 2013. Assim, com base nos argumentos de que se trata de mera possibilidade legal tal exigência, e não uma obrigatoriedade, e de que a Portaria RFB nº 1.880/13 teria refutado tal exigência, entende a recorrente que seria nulo o acórdão recorrido. Sem razão a recorrente quanto a tal alegação. Primeiro, importa referir que o art. 654, §2º do Código Civil segue em vigor, de modo que o terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. Logo, pela redação do art. o art. 654, §2º do Código Civil, seria válida a exigência da procuração com firma reconhecida. Segundo, pois a Portaria RFB nº 1.880/13 é de 24 de dezembro de 2013, que somente entrou em vigo na data de sua publicação no Diário Oficial (D.O.U. de 26/12/2013, seção 1, página 37), sendo que a intimação de fl. 357 é datada de 08/11/2012, tendo sido recebida pela contribuinte em 13/11/2012 (fl. 358) e o acórdão da DRJ é da sessão de 18.09.2013. Ou seja, seja quando do encaminhamento da intimação, seja quando do recebimento do AR, seja quando julgado o processo pela DRJ, ainda não havia sido publicada a Portaria RFB nº 1.880/13, que é de alguns meses após a ocorrência da decisão recorrida. Logo, não há como haver nulidade no acórdão sob argumento de eventual desrespeito a Portaria que sequer estava editada ou publicada naquela data. Terceiro, a Portaria RFB nº 1880, de 24 de dezembro de 2013 não possui efeitos retroativos a ponto de invalidar intimações já realizadas e de anular decisões já proferidas. Por tais fundamentos, entendo que carece razão a recorrente quanto a tais alegações, rejeitando-se a preliminar de nulidade do acórdão. Por fim, defende a recorrente que houve “violação ao princípio da verdade material e do informalismo moderado” e que a decisão recorrida não lhe assegurou o contraditório e a ampla defesa. Quanto a tais alegações, entendo que assiste razão à recorrente. Em sessão de 16.04.2013, a 1ª. Turma Ordinária da 2ª. Câmara dessa Seção de Julgamento proferiu decisão unânime, sob relatoria do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, em caso muito similar ao ora em análise, cuja decisão abaixo reproduzo e adoto seus fundamentos como razões de decidir: “Como se colhe do relatório, o que se discute neste processo é apenas a regularidade ou não da representação do advogado que assinou a peça de impugnação. A autoridade julgadora de primeira instância recusou a representação, por ausência de reconhecimento de firma do instrumento de procuração. Fl. 425DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.474 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720695/2010-08 A matéria não está disciplinada expressamente no Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal. Aplica-se, portanto, subsidiariamente, a Lei nº 9.784, de 1999, por força do artigo 69 desta Lei, segundo o qual: Art. 68. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta lei. (grifei) Pois bem, a Lei nº 9.784, de 1999, no seu artigo 3º, inciso IV garante, como direito dos administrados, fazer-se assistir por advogado. Vejamos: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: [...] IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Mais adiante, no artigo 22, § 2º, a mesma lei disciplina, nos seguintes termos, a questão da necessidade ou não do reconhecimento de firma: § 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. Ora, neste caso, não se arguiu dúvida quanto à autenticidade da procuração apresentada, pelo menos nada foi dito neste sentido, apenas se invocou a ausência de reconhecimento de firma, como se esta fosse requisito essencial ao exercício da representação. Por outro lado, posteriormente, com o recurso, foi apresentado novo instrumento de procuração (fls. 257), agora com firma reconhecida do outorgante, conferindo poderes de representação ao mesmo advogado, o que confirma a representação anterior. Registre-se que esta procuração veio assinada por Rafael Lima Moreira Borges, que vem a ser administrador da empresa autuada, com amplos poderes de representação, conforme cláusulas sexta e sétima do Contrato Social da sociedade (fls. 263/264). Portanto, salvo comprovação de falsidade, é inequívoco o poder de representação do advogado Francisco Evandro Vaz. Por tudo isto, e, ainda, em homenagem ao consagrado direito ao contraditório e ampla defesa, entendo que a decisão de primeira instância deve ser reformada para que seja conhecida a impugnação, devolvendo-se os autos à primeira instância para exame das razões de defesa articuladas na impugnação. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso, determinando a devolução do processo para exame da impugnação pela autoridade julgadora de primeira instância.” (grifou-se) A decisão conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 Fl. 426DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.474 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720695/2010-08 PAF. IMPUGNAÇÃO. REPRESENTAÇÃO DE ADVOGADO. Na ausência de dúvida fundamentada quanto à autenticidade do documento, é dispensável o reconhecimento de firma da assinatura do outorgante no instrumento de procuração que confere poderes de representação ao advogado que assina a impugnação. Recurso provido. Registre-se que no presente caso a não foram arguidas dúvidas quanto à autenticidade da procuração apresentada, nada sendo mencionado neste sentido. Tão somente se invocou a ausência de reconhecimento de firma, como se esta fosse requisito essencial ao exercício da representação. Assim, na ausência de dúvida fundamentada quanto à autenticidade do documento, na forma exigida pelo art. 22, §2º da Lei nº 9.784/99, entendo dispensável o reconhecimento de firma da assinatura do outorgante no instrumento de procuração que confere poderes de representação ao advogado que assina a impugnação, garantindo-se a recorrente o direito ao contraditório e ampla defesa. Em igual sentido, cito o acórdão nº 2001-004.147, de 24/03/2021, de relatoria do Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, também se tratando de decisão unânime: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 IMPUGNAÇÃO SEM FIRMA RECONHECIDA. Mesmo que não conste da petição o reconhecimento da assinatura aposta e que o Contribuinte não tenha adotado a cautela apresentar documentos de identificação, a impugnação deve ser conhecida caso estejam presentes elementos suficientes para identificação do contribuinte como signatário da petição de impugnação. Desse modo, entendo que possui razão a recorrente quanto a alegação de que deve ser conhecida a impugnação apresentada, de modo que deve dado dar provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à DRJ para que sejam apreciadas as demais alegações naquela constantes. Conclusão. Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto as alegações de admissibilidade da impugnação, e, na parte conhecida, dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos à DRJ para que sejam apreciadas as demais alegações naquela constantes. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Fl. 427DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.474 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720695/2010-08 Fl. 428DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10935.903898/2013-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.649
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.903898/201313 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.649 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de dezembro de 2018 Assunto EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DILIGÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida UNIMED PATO BRANCO COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 03 89 8/ 20 13 -1 3 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10935.903898/201313 Resolução nº 3402001.649 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ em Belém PR, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente contra o indeferimento do Pedido de Restituição de credito decorrente de pagamento a maior relativo ao Programa de Integração Social PIS sobre Folha de pagamento. No Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Cascavel (PR), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para o Pedido de Restituição solicitado. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Cientificada da referida decisão, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, descrevendo, em síntese, as seguintes razões: a) que a retificação da DCTF, mesmo que após a primeira notificação de indeferimento, bem como o Pedido de Restituição, foram efetivados com base nos termos da IN nº 635/2006, mormente quanto ao artigo 28, que constitui aos contribuintes do PIS Folha a que se refere o inciso III do artigo 1º, e não incluiu as Sociedades Cooperativa de Médicos e, portanto, não foram declaradas contribuintes do PIS folha, fato este, ratificado no artigo 29 da referida IN em que, não relacionadas no artigo 29, sequer a Cooperativa de Médico constitui fato gerador do PIS folha; b) diante das razões expostas, requer a revisão do Despacho Decisório, seu respectivo cancelamento com a consequente ratificação e homologação, dos Pedidos de Restituição dos valores recolhidos pela Recorrente a título de PIS sobre Folha de Pagamento, referente ao período de Agosto de 2008 a Dezembro de 2012. Ao final, clama pela acolhida do recurso para o fim de assim ser decidido pela procedência da retificação da DCTF e da homologação do Pedido de Restituição. Na sequência, o processo foi distribuído para seu julgamento, que seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicouse o decidido no Acórdão nº 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do PAF nº 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No entanto, na condição de Conselheiro Relator deste processo, conforme previsão dos artigo 66 c/c artigo 65, § 1º, I, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, este Conselheiro apresentou Embargos Inominados por ter constatado, quando da formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão que integra os autos, que desta forma conclui em sua parte dispositiva: Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10935.903898/201313 Resolução nº 3402001.649 S3C4T2 Fl. 4 3 "(...) 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo". (Grifei) No entanto, verificase que os documentos constantes dos presentes autos atestam a tempestividade da interposição do Recurso Voluntário. Posto isto, os Embargos opostos foram admitidos pelo Presidente da Turma, por estar comprovado a inexatidão material da decisão embargada, para que seja analisado o Recurso Voluntário e haja a prolação de um novo Acórdão pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.631 13 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903880/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.631) 1: "Com os mesmos fundamentos do despacho de admissibilidade (fls. 158/159), conheço e acolho os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário para analisar as razões recursais. Com efeito, como indicado no relatório, os presentes Embargos foram interpostos por este Conselheiro por ter constatado, quando da formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão nº 3402 005.627, de 27/09/2018 (fls. 153/155), que concluiu pela intempestividade do recurso interposto em sua parte dispositiva. No entanto, verificase que atestam os documentos constantes dos presentes autos que a ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 30/03/2017, conforme Termo de Ciência Eletrônica (Portal eCAC), enquanto o recurso voluntário foi apresentado em 12/04/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada de fl. 144. Portanto, encontrase tempestivo a apresentação do Recurso Voluntário, devendo ser conhecido. Assim, cabe ser acolhidos os Embargos de Declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário, para adentrar em seu mérito. (...) 1 Foram transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento do paradigma. Íntegra da Resolução paradigma pode ser consultada no processo 10935.903880/201311. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10935.903898/201313 Resolução nº 3402001.649 S3C4T2 Fl. 5 4 Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON retificador e DCTF retificadora), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem: 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10935.903898/201313 Resolução nº 3402001.649 S3C4T2 Fl. 6 5 (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.972171/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1402-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador - BA, através do acórdão 15-43.839, que julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. Do litígio fiscal: Por bem descrever os termos do litígio fiscal, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 72 17 1/ 20 09 -1 6 Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1402-001.444 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972171/2009-16 Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta pelo interessado referenciado contra Despacho Decisório emitido em 07/10/2009 pela DERAT Rio de Janeiro, com número de rastreamento 848618134, inserto no bojo do processo à fl. 4, que homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP n° 40926.56123.06029.1.3.04-6100. Foi apontado no PER/DCOMP crédito original no montante de R$ 2.058.998,00, referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido no código 2430 em 31/03/2004, no valor de R$ 7.376.818,40, referente ao período de apuração 31/12/2003 (ano-calendário 2003). Após a análise eletrônica do pleito, a autoridade administrativa homologou parcialmente a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento apontado como origem do crédito foi parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Foi reconhecido crédito original no valor de R$ 121.781,42. Abaixo, segue a transcrição da fundamentação, decisão e enquadramento legal do Despacho Decisório: A ciência do despacho decisório se deu em 20/10/2009, conforme aviso de recebimento - AR de fl. 23. Da manifestação de inconformidade: Por bem descrever os termos da manifestação de inconformidade, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Em 19/11/2009, a parte interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório citado acima. Solicita que seja homologada a compensação declarada, sob, em suma, os seguintes argumentos: - Em dezembro do ano de 2008, em razão de erro na apuração anual do IRPJ, retificou a DIPJ do exercício 2004, ano-calendário 2003, alterando o valor do IRPJ anual a pagar para R$ 5.048.209,11; - na DCTF referente ao Io trimestre de 2014 foi declarado, para o mesmo tributo, o valor de R$ 7.107.207,08, superior em R$ 2.058.997,97 ao informado na DIPJ/2004 retificadora; - "A razão para a diferença identificada foi o fato de que a contribuinte apesar de proceder a retificação da DIPJ, não fez refletir esta retificação na respectiva DCTF, dando margem a erro de avaliação do crédito pela RFB."; Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1402-001.444 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972171/2009-16 - "Este erro formal, só foi detectado com o recebimento do Despacho decisório objeto desta manifestação, tendo a Contribuinte procedido a retificação da referida DCTF que foi protocolada na RFB via internet em 17 de novembro de 2009 (Doe. 3).". Em atenção ao Despacho 76 - Ia Turma da DRJ/SDR (fls. 32/33), o processo retornou à repartição de origem em diligência, nos seguintes termos: 4. Em sua manifestação, o interessado solicita a homologação da compensação sob a alegação de que retificou sua DIPJ/2004, alterando o Imposto de Renda a pagar de R$ 7.107.207,08 para R$ 5.048.209,11; deixando de refletir essa retificação na DCTF. 5. Após a ciência do despacho decisório, mas especificamente em 17/11/2009, efetuou a retificação da DCTF, adequando o IRPJ a pagar ao valor apurado na DIPJ/2004 retificadora. 6. Confrontando as DIPJ original e retificadora, verifica-se que a diminuição do valor do IRPJ a pagar decorre da alteração do valor informado de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF de R$ 600.618,65para R$ 2.659.616,02. 7. Tendo em vista que a DCTF, instrumento de confissão de dívida, somente foi retificada após o advento do despacho decisório e o valor informado de Imposto Retida na Fonte na DIPJ/2004 retificadora não encontra correspondência nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras, é necessário que o processo retorne à unidade preparadora para que seja verificado o correto valor do imposto de renda recolhido a maior no exercício 2004, oportunizado ao contribuinte comprovar os valores de IRRF. 8. Considerando a necessidade de apurar a certeza e liquidez do direito creditório em litígio, inclusive oportunizando ao interessado o direito de se manifestar, e em atenção ao princípio da verdade material, o processo deve retornar à unidade de origem, para o seu saneamento, com a adoção das seguintes providências: a) Intimar a parte interessada para apresentar os comprovantes anuais de retenção na fonte fornecidos pelas fontes pagadoras, aptos a comprovar o valor de R$ 2.659.616,02 informado na DIPJ/2004 retificadora; b) verificar se o correspondente rendimento foi levado à tributação pelo contribuinte; c) elaborar relatório conclusivo sobre o resultado da diligência, apontando, inclusive, o valor de Imposto de Renda Retido na Fonte que deve ser considerado no cálculo do Imposto de Renda do exercício 2004; d) cientificar a parte interessada do resultado da diligência, dando-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar sobre a matéria. Dando andamento à diligência demandada pela Ia Turma da DRJ/SDR, a Diort/DRFl/RJO emitiu o Termo de Intimação n° 894/2017 (fls. 35/36), no qual solicita que a interessada apresente documentos e preste os devidos esclarecimentos, a seguir listados: 1) Apresentar os Comprovantes de Retenção do Imposto de Renda relativos às fontes declaradas em ficha 53 da DIPJ/2004, retificadora ativa de n° 1317913, que comprovem o valor total de R$ 2.659.616,02 deduzido, como abaixo copiado: Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1402-001.444 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972171/2009-16 2) Esclarecer a diferença abaixo demonstrada entre o valor da receita financeira declarada pela interessada em DIPJ/2004 retificadora ativa de n° 1317913 -94 e o valor da receita financeira declarada em DIRF pelas fontes pagadoras; 3) Demonstrativo/planilha com as contas que compuseram a Receita Financeira relativa às retenções que totalizaram o valor de R$ 2.659.616,62 deduzido na DIPJ/2004 retificadora, listadas no demonstrativo acima, mediante a apresentação de planilha onde estejam detalhadas, por fonte pagadora e por mês, as rubricas (códigos de escrituração) e valores que compuseram o montante declarado na referida linha; 4) Razão Analítico das contas de Receita cujos valores compuseram o valor total de R$ 12.718.664,82 (receita sobre a qual teriam sido sofridas as retenções deduzidas na DIPJ/2004 retificadora), correlacionando de forma inequívoca (através de grifo ou sublinhado) os lançamentos escriturados no aludido Razão com os valores apresentados na planilha solicitada no item 3 desta intimação, de modo a possibilitar a identificação, no respectivo razão, dos valores detalhados nas referidas planilhas; 5) Cópia autenticada das folhas do Livro Diário onde estejam registrados os lançamentos contábeis dos valores das contas de receita citadas nos itens anteriores. Os lançamentos deverão ser destacados de modo a facilitar a identificação dos valores dos rendimentos escriturados no Razão; Ciente do Termo de Intimação n° 894/2017 em 02/10/2017, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 38, o contribuinte não cumpriu o solicitado. Da decisão da DRJ: Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu por NEGAR PROVIMENTO TOTAL à mesma, por unanimidade. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, transcreve-se os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para fundamentar a sua decisão final: O cerne do litígio reside na comprovação dos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF informados na DIPJ/2004 retificadora. Ressalte-se que esta declaração retificadora foi entregue após o advento do despacho decisório, alterando o valor do IRPJ a pagar de R$ 7.107.207,08 para R$ 5.048.209,11 e o montante do IRRF de R$ 600.618,65 para R$ 2.659.616,02. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1402-001.444 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972171/2009-16 situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e compará- lo ao pagamento efetuado. Com o fito de verificar a liquidez e certeza do suposto indébito tributário, e, em especial, pelo fato dos valores de IRRF acrescidos na DIPJ retificadora não estarem informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte - DIRF, a Impugnante foi intimada a apresentar os comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras e prestar os devidos esclarecimentos quanto à tributação das receitas financeiras relacionadas aos valores de IRRF. A parte interessada não atendeu à intimação. Ressalte-se que os comprovantes de retenção fornecidos pela fonte pagadora, não trazidos aos autos pelo contribuinte, são os documentos aptos a comprovar os valores retidos na fonte a título de imposto de renda, nos termos do art. 55 da Lei n° 7.450/85: Art 55- 0 imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Importa deixar consignado que somente pode ser deduzido do imposto de renda devido o imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, nos termos do art. 2o, §4°, inciso III, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 12.973/2014. Convém ressaltar que é princípio basilar no direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito conforme se depreende do artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal e do artigo 333 da Lei 5.869/73 - Código de Processo Civil (CPC), vigente à época do protocolo da manifestação. No mesmo sentido dispõe a Lei n° 13.105/2015, atual CPC, em seu artigo 336. Dessa forma, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação em litígio neste processo. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 28/02/2018, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 09/02/2018 (fls. 57 e ss), ou seja, tempestivamente. No mesmo, em essência alega o seguinte: - retificara a DIPJ em 21/01/2008 – na original apurou e pagou um IR de R$ 7.107.207,08, e na retificadora, apurou um IR a pagar de R$ 5.048.209,11 (que geraria o crédito alegado de R$ 2.058.997,97); - alega que atendou às intimações, principalmente apresentando os comprovantes das retenções do IRRF lançados na DIPJ/2004; - foi com surpresa que tomou ciência da decisão da DRJ, negando o reconhecimento do direito creditório; - pleiteia que sejam apreciados os documentos apresentados; - pleiteia diligência para comprovar o seu direito. Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1402-001.444 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972171/2009-16 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. Conforme relatório que precede o presente voto, o recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos regimentais para a sua admissibilidade, pelo que o conheço. Do recurso voluntário: O presente versa sobre um direito creditório alegado de R$ 2.058.998,00, referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido no código 2430 em 31/03/2004, no valor de R$ 7.376.818,40, referente ao período de apuração 31/12/2003 (ano-calendário 2003). O contribuinte alega que em dezembro/2008 (antes da ciência do despacho decisório (ocorrido em 20/10/2009)), apresentou DIPJ retificadora, no qual reduziu o valor do IRPJ a pagar de R$ 7.107.207,08 para R$ 5.048.209,11. Contudo, não retificou na DCTF o débito correspondente, só o fazendo após a ciência do despacho decisório. O cerne da retificação foi por conta do acréscimo do IRRF de R$ 600.618,65 para R$ 2.659.616,02. Apresentada a manifestação de inconformidade, a DRJ procedeu a um pedido de diligência, para verificar as informações alegadas (principalmente, comprovar as retenções sofridas, que não estavam informadas em DIRF), contudo, conforme a decisão a quo, não atendeu ao solicitado via intimação fiscal. Assim, a DRJ, segunda instância administrativa, denegou o pedido, pois os valores de IRRF não estavam informados em DIRF, e não foram trazidos aos autos os comprovantes de retenção. Em recurso voluntário, o contribuinte alega que: - alega que atendeu às intimações, principalmente apresentando os comprovantes das retenções do IRRF lançados na DIPJ/2004; - pleiteia que sejam apreciados os documentos apresentados; - pleiteia diligência para comprovar o seu direito. Compulsando os autos, verifico que: a) Houve a diligência proposta pela DRJ (efl. 32/33~- datado de 19/07/2017), em que acusou a existência da DIPJ e DCTF retificadoras (aquela antes, esta depois, do despacho decisório). Acusa também que os valores do IRRF da DIPJ/2004 retificadora não encontra correspondência nas DIRFs entregues pelas fontes pagadoras, pelo que pleiteia que seja intimado o contribuinte a apresentar os comprovantes anuais de retenção, e verificar se o correspondente rendimento foi levado à tributação; b) Houve a intimação fiscal, lavrada em 15/09/2017, com o teor especificado acima, cientificado no mesmo dia via DTE; c) As efls. 40/42, consta informação da unidade de origem, datado de 08/11/2017, informando que o contribuinte não apresentou a resposta da intimação, pelo que retornava o processo à DRJ para julgamento; d) Em 15/12/2017, houve o julgamento da DRJ, com o teor da decisão, não reconhecendo o direito creditório, conforme já relatado; Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1402-001.444 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972171/2009-16 e) Em recurso voluntário, apresentado em 09/02/2018, o contribuinte alega que apresentara a resposta à intimação fiscal, e que por algum problema de sistema ou de processamento, não foram acostados aos autos. Verifica-se na sua peça recursal vários elementos que procuram demonstrar o seu alegado direito creditório. Pelos autos, há a informação de que apresentara resposta à intimação fiscal em 07/12/2017 (efl. 107), como alega. Contudo, independente da extemporaneidade da resposta da intimação fiscal, entendo necessário ser verificado o seu conteúdo material, nos termos já propostos anteriormente pela DRJ. Considerando a situação apresentada nos autos, não consigo, neste estágio processual, chegar uma conclusão para responder às questões então suscitadas, sem contar que a melhor análise a ser feita é na unidade de origem, consultando todas as informações nos sistemas da Receita Federal, e eventuais intimações ao contribuinte para maiores esclarecimentos. Assim, nos termos identificados nos autos, entendo necessário verificar os elementos apresentados na peça recursal, e informados pelo contribuinte que foram apresentadas anteriormente, se: - confirmam o direito creditório pleiteado, principalmente no que tange às retenções sofridas e não informadas nas DIRFs das fontes pagadoras; - se o correspondente valor da receita foi oferecido à tributação. Se houver necessidade, intimar o contribuinte para maiores esclarecimentos a respeito e/ou complementação da comprovação necessária. Destaco que a retenção sofrida pode ser comprovada por outros meios (notas fiscais emitidas, com destaque, etc), e não apenas pelo comprovante de rendimentos, conforme já se encontra disciplinado no âmbito administrativo com o advento da súmula Carf nº 143, que assim disciplina: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Após concluída a diligência, deve ser elaborado relatório conclusivo circunscrito à questão inerente à diligência, e dado ciência ao contribuinte para se manifestar a respeito no prazo de 30 (trinta) dias, e após, retornar os autos para este CARF. Conclusão: Assim, considerando o exposto acima, VOTO no sentido de PROPOR CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA do presente processo. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720118/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo Conselheiro Suplente convocado Vinícius Guimarães (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Conselheiro Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 1242/1276, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 11 8/ 20 15 -7 1 Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Resolução nº 3402001.344 S3C4T2 Fl. 3.174 2 Produtos Industrializados, IPI. O crédito tributário total importou em R$ 20.785.768,78, fl. 1.242. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 1216/1241, o lançamento, que se refere aos anos calendário 2010, 2011 e 2012, decorreu da glosa de créditos básicos do IPI com lastro em documentos inidôneos, tendo enquadramento legal à fls. 1251/1253 e da falta de declaração/recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado no RAIPI e declarado a menor em DCTF, enquadramento legal à fl.1249 . Foram glosadas todas as aquisições de matériasprimas que a Metallica informou como tendo sido efetuadas às empresas NEO, LINGUES E MAVERIC e, consequentemente, todos os créditos do IPI destacados nas notas fiscais emitidas pelas respectivas empresas, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 1216/1241. O auto de infração indica como responsáveis solidários pelo crédito tributário o Sr. Roberto Costilas Júnior (CPF nº 056.931.13817), Sra. Nívea dos Santos Costilas (CPF nº 087.883.48857), Empresa Europarts Administração de Bens Ltda. (CNPJ nº 03.920.391/000150) e Empresa Eurocon Consultoria e Negócios Ltda. (CNPJ nº 03.430.508/000118). A responsabilidade solidária foi imputada com base no disposto no artigo 124 c/c art. 135, inciso III e art. 17 do Código Tributário Nacional, CTN. e art. 210, inciso VI e parágrafos do RIR/1999. Apresentaram impugnação a empresa autuada às fls. 2035/2053, a Sra. Nívea dos Santos Costila, CPF n° 087.883.48857, fls. 1306/1314, as empresa Eurocon Brasil Consultoria e Negócios LTDA., CNPJ n° 03.430.508/000118 e Europarts Administração de Bens LTDA., CNPJ n° 03.920.391/000150, fls. 1452/1473 e o Sr. Roberto Costilas Júnior, CPF n° 056.931.13817, fls. 1351/1361. Nas peças impugnatórias apresentadas pela Empresa Metallica e pelos coobrigados, basicamente são repetidas as alegações feitas aos lançamentos relativos ao IRPJ e reflexos e à atribuição de responsabilidade solidária nos autos do processo nº 16095.720117/201526. Ressaltese os impugnantes fazem referência e pedem sejam consideradas as alegações e provas acostadas por ocasião das impugnações aos autos do IRPJ e reflexos. Em síntese, o núcleo dos questionamentos se concentra na afirmação de que as transações entre a Metallica e seus fornecedores existiram e foram devidamente documentadas à época dos fatos. Prejuízo causado pela retroatividade dos efeitos de atos administrativos atingindo negócios jurídicos consumados. Falta de provas da infração que se valeu de procedimento fiscal anterior. Seus sócios têm capacidade econômica embora não corresponda a expectativa do fisco. O procedimento fiscal se ateve apenas a não localização das empresas fornecedoras nos endereços declarados e não se aprofundou na investigação das transações comerciais. Não concorda com a imputação de responsabilidade solidária. Discorda da constatação de interposição fraudulenta. Pede amparo da Súmula 509 do STJ. Multa confiscatória e sem cabimento em função da glosa indevida de custos. Pede anulação do Auto de Infração. Fl. 3180DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Resolução nº 3402001.344 S3C4T2 Fl. 3.175 3 Os coobrigados alegam falta de demonstração de vínculo entre eles e o fato gerador do imposto. Utilização de provas emprestadas de outro processo que foram desqualificadas na contestação lá apresentada. Pedem anulação dos Termos de Sujeição Passiva porque o enquadramento legal não ampara a pretensão de imputação da responsabilidade solidária. Inadequada concomitância do art. 135 com o art. 124 do CTN. Ato contínuo, a DRJRECIFE (PE) julgou a Impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE.CERCEAMENTO. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamentos ou se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deslocase a tipificação legal do artigo 150, § 4º, para o artigo 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE. O sujeito passivo contribuinte não tem legitimidade para apresentar impugnação em nome do responsável solidário. Fl. 3181DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Resolução nº 3402001.344 S3C4T2 Fl. 3.176 4 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL. ADMINISTRADOR DE FATO. Constatado que terceira pessoa não mandatária representa e administra de fato a sociedade, cabível a sua responsabilização pelo crédito tributário, em razão de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, nos termos do art. 135, III, do CTN. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2010, 2011, 2012 COMPROVAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NA APURAÇÃO DO IPI NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE. Os documentos emitidos por pessoa jurídica que não existe de fato, apesar de constituída formalmente, consideramse inidôneos, não se prestam para comprovar a realização das compras de matérias primas neles discriminadas nem para aproveitamento de crédito na apuração de tributo, como também não produzem efeitos tributários em favor de terceiros. IPI. GLOSA DE CRÉDITO. LANÇAMENTO. Uma vez confirmada a inidoneidade das notas fiscais, mantémse a exigência do IPI calcada na glosa dos créditos utilizados na apuração do imposto. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. Em seguida, devidamente notificados, os interessados apresentaram o presente Recurso a este colegiado. Consta nos autos a apresentação de três peças de Recurso Voluntário:o primeiro referente a autuada, outro com relação aos sócios da autuada e responsáveis solidários, a Sra. Nívea dos Santos Costila, CPF n° 087.883.48857, o Sr. Roberto Costilas Júnior, CPF n° 056.931.13817, fls. 1306/1314, e o a última referente as empresa Eurocon Brasil Consultoria e Negócios LTDA., CNPJ n° 03.430.508/000118 e Europarts Administração de Bens LTDA., CNPJ n° 03.920.391/000150. Neste Recurso, os interessados repisaram os mesmos argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório. Fl. 3182DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Resolução nº 3402001.344 S3C4T2 Fl. 3.177 5 Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. Trata a lide de lançamento fiscal decorrente de procedimento fiscal levado a efeito pela Fiscalização da DRFGuarulhos no qual foi glosado grande parte dos custos (IRPJ/CSLL) e créditos (PIS/COFINS/IPI) relativos as compras de matériasprimas que a Metállica contabilizou como tendo sido adquiridas das empresas Neo Comércio de Distribuidora de Metais e Eletro Eletrônica Ltda, Lingues Negócios LtdaME e Maverick Comércio de Metais Ltda. CNPJ n° 14.448.118/000191, declaradas como inaptas por inexistente de fato, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. Tendo em vista que a matéria objeto do lançamento se constitui na mesma referente ao IRPJ, fundada nos mesmos fatos e elementos de provas, restou configurada a situação de prejudicialidade (infração reflexa) nos termos do art.6º, §1º, III do RICARF, devendose sobrestar o julgamento do presente processo de IPI até decisão final no processo nº16095.720117/201526 referente ao IRPJ, a fim de se evitar julgamentos conflitantes, conforme determina o art.6º, §5º, II do RICARF, in verbis: § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Semelhante procedimento foi adotado neste Colegiado por ocasião do julgamento do processo nº19515.720867/201336 de relatoria do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto envolvendo a mesma empresa e matéria, mas em período de apuração anterior (2008). Desse modo, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento a Primeira Seção do CARF. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 3183DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720267/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Glauco Heleno Rubick, OAB/SC nº 6.315.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Glauco Heleno Rubick, OAB/SC nº 6.315. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 26 7/ 20 10 -6 1 Fl. 433DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 434 2 Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep de regime nãocumulativo, referente ao 3º trimestre de 2005, no valor de R$37.775,39. Encontramse apensados aos autos os seguintes processos de ressarcimento, juntamente com o Auto de Infração nº. 13971.001090/201181: Processo Per/Dcomp Trimestre Valor Crédito 13971.720265/201072 06576.79477.310709.1.1.109843 3º trim./2004 15.787,84 13971.720272/201074 24328.57388.310709.1.1.106370 4º trim./2004 26.198,38 13971.720252/201001 24812.98680.310709.1.1.108007 1º trim ./2005 39.604,99 13971.720260/201040 31320.55504.310709.1.1.100994 2º trim ./2005 34.114,16 13971.720267/201061 07324.03947.310709.1.1.108117 3º trim ./2005 37.775,39 13971.720273/201019 00572.69318.310709.1.1.109399 4º trim./2005 37.589,67 13971.720253/201048 15705.14977.310809.1.1.106688 1º trim./2006 26.373,43 13971.720262/201039 36725.22280.310809.1.1.103765 2º trim./2006 30.109,42 13971.720286/201098 03799.29884.310809.1.1.100976 3º trim./2006 33.263,61 13971.720275/201016 01971.40634.310809.1.1.103375 4º trim./2006 42.588,81 13971.720256/201081 30113.46527.310809.1.1.107412 1º trim ./2007 44.139,55 13971.720264/201028 38374.96235.310809.1.1.100918 2º trim./2007 51.447,01 13971.720289/201021 42000.39885.310809.1.1.103401 3º trim./2007 48.300,24 13971.720280/201011 17757.71547.310809.1.1.107030 4º trim./2007 55.594,38 13971.720258/201071 20096.94553.310809.1.1.101251 1º trim ./2008 57.293,68 13971.720284/201007 38786.70137.310809.1.1.106205 2º trim ./2008 60.586,64 13971.720270/201085 39705.68839.310809.1.1.109222 3º trim ./2008 64.870,25 13971.720283/201054 41978.34203.310809.1.1.100092 4º trim ./2008 62.232,98 A análise fiscal relativa ao período em questão (3º. trimestre de 2004 até o 4º. trimestre de 2008), se encontra descrita nos Relatórios de Auditoria Fiscal (fls. 135/258 do processo 13971.001090/201181 AI), referentes à análise dos pedidos de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período compreendido entre o 3º. trimestre de 2004 ao 4º. trimestre de 2008. A ação fiscal resultou em despachos decisórios que indeferiram os pedidos de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins referentes ao período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2008, bem como no Auto de Infração AI nº. 13971.001090/201181, sendo que cada PER foi tratado em um processo, totalizando 36 processos administrativos apensados ao referido AI, os quais foram objeto de manifestação de inconformidade por parte da contribuinte. Em decorrência da análise fiscal, procederamse às glosas sobre os valores das seguintes aquisições, conforme as fichas e linhas do Dacon, conjugado com as diferentes versões do demonstrativo vigentes ao longo do tempo: Glosa nº. 1 – Falta de Comprovação, com fundamento no art. 65 da IN RFB n° 900 de 30/12/2008, relativa aos créditos e às exclusões da base de cálculo para os quais não houve apresentação de demonstrativo e/ou para os quais Fl. 434DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 435 3 os valores demonstrados eram inferiores aos declarados em Dacon. Ocorreram as glosas nas seguintes linhas do Dacon: Aquisições de Bens para Revenda, em vista da não apresentação de demonstrativo para o ano de 2004 e do valor a menor no demonstrativo em 10/2005; Aquisições de Bens utilizados como Insumos, em virtude da não apresentação de demonstrativo para o ano 2005 e do valor a menor no demonstrativo em 04 e 08/2007; Despesas de Energia Elétrica, vinculadas à receita não tributada; Fretes na operação de Venda, em virtude da não apresentação de demonstrativo dos anos de 2004 e 2005; Fretes nas Aquisições de Bens para Revenda e utilizados como Insumos, relativa à diferença entre os valores constantes do demonstrativo apresentado pela empresa (arquivo fretes intimação 5.xls) e os valores lançados no Dacon; Crédito Presumido na Atividade Agroindustrial, em vista de não ter sido entregue demonstrativo do ano de 2004 e diferenças entre o Dacon e os demonstrativos apresentados no ano de 2005. Glosa nº. 1. – Falta de Comprovação Exclusões da Base de Cálculo: Vendas Tributadas com Alíquota Zero: foram objeto de exclusão em todos os períodos analisados, variando apenas o modo de informálas no Dacon. A falta de comprovação ocorreu no ano de 2004 (08/2004 a 12/2004), para o qual não houve entrega do demonstrativo. Exclusões especificas das cooperativas de produção agropecuária (“Outras Exclusões”), foram consideradas ao longo do período objeto da análise. Foram efetuadas glosas por falta de comprovação relativamente a dois tipos de exclusões específicas a cooperativas de produção agropecuária: Valores repassados aos associados, por falta do demonstrativo no período 08/2004 a 12/2004, 02/2005 a 07/2005, 10/2005 a 12/2005, 02/2006, 01/2007, 07/2007 a 09/2007, 11/2007 a 01/2008, 11/2008 a 12/2008; e Custos Agregados, especificamente em relação a despesas de energia elétrica (12/2004, 10/2005, 02/2006, 08/2006, 07/2008 a 11/2008) e de fretes correspondentes às entregas de produtos recebidos de cooperados (08/2004 a 10/2006). Glosa nº. 2 – Falta de comprovação na escrituração fiscal, fundamentada no art. 65 da IN RFB nº. 900/2008: relativa aos casos em que a informação deficiente nos demonstrativos impediu a correlação do item do demonstrativo com a escrituração fiscal. A glosa por este motivo atinge registros em várias linhas do Dacon, conforme relacionado no item 69 do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 436 4 Glosa nº. 3 – Aquisições de Associados: em relação às aquisições de bens para revenda e às aquisições de bens utilizados como insumos, onde foram identificadas situações em que as aquisições foram feitas junto a associados da cooperativa (produtores rurais pessoa física ou jurídica). Esta análise foi feita a partir do confronto entre esses dois demonstrativos de créditos e a relação de associados, apresentada pela contribuinte no arquivo texto "RFB491Associados.txt". A operação é vedada para fins de crédito, de acordo com o art. 23, incisos I e II, da Instrução Normativa SRF nº. 635/2006. O item 76 do TVF especifica a geração do demonstrativo de glosa. Glosa nº.4 – Aquisições de Pessoa Física. Glosa nº.5 – Crédito Presumido em Vendas, as quais alcançam tanto os créditos presumidos quanto as exclusões relativas a valores repassados a associados. Glosa nº.6 – Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (COSIP). Glosa nº.7 – Glosa sobre aquisições do Ativo Imobilizado, relativa a: a) aquisições anteriores a 01/05/2004 (vedação conforme art. 1º. da IN SRF nº. 457); b) diferença entre o valor do crédito tomado (campo "valor original" do demonstrativo de glosa) e o valor da aquisição (campo "valor total" do demonstrativo de glosa) identificada no documento fiscal do demonstrativo entregue. Glosa nº.8 – Exclusão Indevida: Participante não associado, conforme identificado por meio da análise do cadastro de associados (RFB491Associados.txt), em desacordo com o art. 11 da IN SRF nº. 635/2006. Glosa nº. 9 – Exclusão Indevida: Vendas tributadas com alíquota zero, cuja relação, bem como as razões, se encontramse discriminados nos itens 109 e 110 do TVF. Glosa nº.10 – Exclusão Indevida: custos agregados vinculados a compras de nãoassociados, relativos a produtos recebidos de terceiros não cooperados. Foi considerada para esse efeito a relação de cooperados apresentada pela contribuinte (arquivo texto "RFB491Associados.txt"), na qual consta a data de inclusão e de saída do cooperado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A contribuinte se manifesta quanto às glosas de todo período, conforme consta dos autos do processo 13971.720287/201032 (fls. 165/213) apensado aos demais processos. Em sede de preliminar, em síntese, a contribuinte alega a nulidade do ato fiscal, em razão das glosas realizadas por “falta de comprovação”, onde alega que o art. 65 da IN RFB nº. 900/2008, suscitado pela autoridade fiscal, não autoriza a glosa fictícia, ou seja, a glosa integral dos valores não comprovados ou inferiores/diferentes dos declarados em Dacon e demonstrativos. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 437 5 Ainda segundo a contribuinte, nos termos do art. 40 da Lei nº. 8.784/99, quando da apreciação de determinado pedido for necessária a apresentação de documentos, a inércia do interessado implicará tãosomente no arquivamento do processo. Alega que a autoridade fiscal determinou que apresentasse arquivos digitais complementares nos leiautes previstos no item 4.10 do ADE Cofins nº. 25/2010, quando da elaboração dos documentos fiscais vigia a ADE Cofins nº. 15/2001, que estabelecia outra forma de leiaute, razão pela qual não pode o fisco desconsiderar os dados apresentados, considerar os arquivos inconsistentes, e gerar a apuração da insuficiência do recolhimento. Ainda, que problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais não poderiam servir de fundamento à glosa dos valores tidos por não comprovados, especialmente porque dispõe de escrita fiscal e contábil e todo os documentos físicos para a verificação dos créditos ou exclusões. Suscita, em suma, a falta de aprofundamento da auditoria fiscal, o que teria violado o princípio da verdade real. 2. Do Mérito do Relatório de Auditoria Fiscal, onde requer a realização de perícia ou diligência para a verificação efetiva dos créditos e exclusões da base de cálculo através de outros documentos e novos arquivos, sobretudo pela análise da escrita fiscal e contábil dos documentos fiscais da contribuinte, ente eles os arquivos digitais e demais documentos que instruem a manifestação. Segundo a contribuinte, as glosas realizadas pela autoridade fiscal foram levadas a efeito tão somente porque os dados necessários para a sua aferição não foram confrontados adequada e corretamente. Assim, encaminha mídias que seguem anexas, conforme relacionadas na manifestação, onde, segundo a manifestante, são apresentados novos elementos que comprovam a insubsistência do auto de infração, conforme se descreve abaixo, em breve síntese. 2.1.Das Glosas por falta de comprovação: 2.1.1.Dos créditos pleiteados: a)Aquisições de Bens para Revenda: (glosas em virtude da não apresentação de demonstrativo em 2004 e valor a menor em 10/2005) traz arquivos contendo novos relatórios demonstrativos para os anos de 2004/2005, com as informações completas que não haviam sido apresentadas à autoridade fiscal; e que foram corrigidas parcialmente as informações relativas a 10/2005. b)Aquisições de Bens utilizados como Insumos: (glosas pela não apresentação de demonstrativo para 2004 e valor a menor em 04 e 08/2007) os novos relatórios contêm as informações que não haviam sido apresentadas à autoridade fiscal para o ano de 2004 e as informações corretas relativas ao período de 04/2007 e 08/2007. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 438 6 c)Despesas de Energia Elétrica: reconhece a glosa levada a efeito nesta linha já que os demonstrativos, de fato, apresentam valores inferiores aos constantes do Dacon. d)Fretes nas operações de Venda: (não entregou demonstrativo de 2004 e 2005) os novos relatórios contém os esclarecimentos sobre as glosas e as informações que não haviam sido apresentadas ao fisco relativamente aos anos de 2004 e 2005. e)Fretes nas aquisições de Bens para Revenda e utilizados como insumos: (glosa é a diferença entre os valores do Dacon e os do demonstrativo) explica a contribuinte que a diferença apontada se refere a fretes em transferências de mercadorias, os quais foram excluídos dos arquivos apresentados relativos aos fretes nas aquisições de bens para revenda; que foram gerados novos arquivos que demonstram e comprovam os valores de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos informados no Dacon e os demonstrativos referentes aos fretes em transferência de mercadorias; que os valores contidos no Dacon decorrem dos valores de fretes em transferência de mercadorias e dos valores de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos; e que os custos com fretes em transferência de mercadorias integram o conceito de insumo, nos termos do art. 3º. II, das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. f)Crédito presumido na Atividade Agroindustrial: (não entregue demonstrativo 2004 e valores não comprovados em relação 2005) foram gerados novos relatórios demonstrativos para os anos de 2004 e 2005, com informações que não haviam sido apresentadas ao fisco, comprovandose os créditos tal qual informados no Dacon. 3.1.2. Das exclusões da base de cálculo: a) Vendas Tributadas com Alíquota Zero: (glosadas no ano de 2004 pela não entrega do demonstrativo) foram gerados arquivos contendo novos relatórios demonstrativos para o ano de 2004, os quais compõem a linha do Dacon com as informações faltantes. Acrescenta que, supridas as informações relativas ao ano de 2004, fica demonstrado que, neste período, de fato, foram realizadas as vendas informadas no Dacon, porém, em valores um pouco menores aos nela informados. b) Exclusões específicas das cooperativas agropecuárias (“Outras exclusões”): foram gerados novos arquivos contendo novos relatórios demonstrativos os quais, relativamente ao ano de 2004, compõem a linha do Dacon com as informações faltantes; esses novos relatórios possuem informações suficientes para corrigir as informações relativas ao período de 02/2005 a 06/2005, 07/2005, 10/2005 a 12/2005, 02/2006, 07/2007 a 09/2007, 11/2007 a 01/2008, 11/2008 a 12/2008; em relação aos custos agregados (energia elétrica), onde os demonstrativos apresentam valores inferiores aos constantes do Dacon, devem prevalecer estes valores; em relação aos custos agregados (fretes nas aquisições) que foram gerados novos arquivos com os demonstrativos referentes aos fretes em transferência de mercadorias; que os valores contidos no Dacon decorrem dos valores de Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 439 7 fretes em transferência de mercadorias e dos valores de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos; e que os custos com fretes em transferência de mercadorias integram o conceito de insumo, nos termos do art. 3º. II, das Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. 2.2. Glosa nº. 02 – Falta de comprovação na escrituração fiscal: em relação às glosas relativas a informações deficientes, onde não foi possível confrontar os dados constates dos demonstrativos e daqueles inseridos na escrituração fiscal, a contribuinte remete aos arquivos ora apresentados para alegar que foram corrigidas as deficiências apontadas no relatório fiscal. 2.3. Glosa nº 03 – Aquisições de associados (glosa pelas aquisições do associado ocorridas entre o inicio e o fim do vinculo associativo): onde alega que foram gerados novos relatórios, nos quais não constam quaisquer aquisições de bens utilizados como insumos feitas junto a associados da cooperativa; e que foi gerado novo relatório de associados, o qual demonstra quais pessoas, de fato, ostentavam a condição de associados à época das aquisições de bens para revenda e bens utilizados como insumos, já que o relatório anterior apresentava alguns equívocos, indicando como associados pessoas que não o eram. 2.4. Glosa nº. 04 – Aquisições de pessoa física: foram gerados novos relatórios nos quais não constam aquisições de bens utilizados como insumos feitas junto a pessoas físicas. 2.5. Glosa nº. 5 – Crédito Presumido em Vendas: os novos relatórios gerados demonstram que não houve tomada de créditos relativos às notas de vendas, mas, tãosomente, em notas de compras. 2.6. Glosa nº. 06 – Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública: verificou que incluiu na base de cálculo do crédito o total da fatura da concessionária de energia elétrica, nela inclusos o valor da COSIP, de modo que assiste razão ao fisco. 2.7. Glosa nº. 07 – Crédito Imobilizado (aquisições anteriores a 05/2004 e valor inferior ao do crédito): foram gerados relatórios contendo novos arquivos, através dos quais se detalha com mais precisão as informações das notas fiscais de aquisição desses bens, bem como corrige e compõe as informações anteriormente prestadas ao fisco. 2.8. Glosa nº. 08 – Exclusão Indevida Participante não associado: foram emitidos novos relatórios, onde são identificados os associados da manifestante à época de cada operação – inclusive com a indicação do seu capital dentro do capital social da cooperativa – bem como demonstram que as exclusões se devem aos valores repassados e às vendas feitas a associados, não tendo sido consideradas operações semelhantes realizadas com terceiros. 2.9. Glosa nº. 09 Exclusão indevida Vendas tributadas com alíquota zero: foi gerado novo arquivo com relatório demonstrativo, o qual compõe a Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 440 8 respectiva linha do Dacon com notas fiscais conciliadas com o relatório de auditoria fiscal. Ressalta que a glosa do leite in natura se afigurou indevida, em vista de que, embora não se trate de operação não tributada, a incidência é suspensa, nos termos do que estabelece o art. 9º. da Lei nº. 10.925, com a redação dada pela Lei nº. 11.051/2004, bem como da IN 636/2006, art. 2º., e, na seqüência, pela IN 660, art. 2º., inciso II. 2.10. Glosa nº.10 – Exclusão Indevida Custos agregados vinculados a compras de nãoassociados: reconhece que o demonstrativo apresentado foi elaborado com base de dados que, posteriormente, verificouse contemplar, por equívoco, o total das operações. Ressalta, entretanto, que a glosa operouse parcialmente em duplicidade (linha do Dacon “24. Outras Exclusões”), porque a autoridade fiscal teria utilizado dois critérios para a apuração da glosa: Glosa dos “Custos Agregados” pelo critério do rateio proporcional (entradas de sócios e não sócios), e glosa de “Fretes” e “Embalagens”, pelo montante não comprovado com relatórios apresentados. Segundo a contribuinte, considerando que na composição dos “Custos Agregados” incluemse também os custos com “fretes e embalagens”, estes valores não poderiam integrar a base de cálculo para apurar glosa na proporção de compras de sócios/não sócios. Aponta que este fato ocorreu em todos os meses, de agosto de 2004 a dezembro de 2008, gerando um montante de R$ 7.339.900,88 de glosas em duplicidade, pelos quais apresenta alguns resumos das referidas glosas como exemplo. Por fim, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a documental e digital inclusa, a realização de prova pericial, cujo assistente técnico e quesitos a manifestante indica, ou, sucessivamente, da diligencia, sem prejuízo das demais que se fizerem necessárias. DILIGÊNCIA O processo Processo 13971.001090/201181, processo do Auto de Infração apensado ao presente, foi baixado em diligência para que a unidade de origem verificasse os créditos e as exclusões da base de calculo da Contribuição ao PIS e da Cofins de período de apuração entre 01/07/2004 e 31/12/2008, conforme os novos arquivos anexados aos autos pela contribuinte, salientando possíveis alterações nos valores glosados, objeto dos despachos decisórios. A referida diligência atinge o presente processo, posto que o lançamento das contribuições naquele processo (AI nº. 13971.001090/201181) é decorrente das glosas dos créditos verificados no mesmo procedimento fiscal. Conforme Informação Fiscal resultante da diligência (fls. 645/ss dos autos do Processo 13971.001090/201181 – AI), em síntese, a autoridade fiscal ressalta que, em momento algum deixou de analisar arquivos digitais por estarem em desacordo com o leiaute previsto pelo ADE Cofins nº. 25/2010 ou com qualquer outro leiaute oficial, tendo flexibilizado a apresentação das informações em arquivos digitais. A autoridade fiscalizadora remete aos Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 441 9 diversos termos de intimação em que autorizou a flexibilização de leiaute livre, e explica que, após, exaustivamente oportunizar à contribuinte que saneasse as informações apresentadas, tornandoas possíveis de serem analisadas, ainda houve apresentação deficiente. Especificamente em relação à “falta de comprovação” das operações/aquisições, cujos valores constavam apenas da memória de cálculo apresentadas, a qual não detalha cada uma das operações realizadas, a glosa incidiu sobre operações para as quais a contribuinte não apresentou qualquer demonstrativo. Atendendo ao que foi solicitado pela diligência fiscal, a autoridade fiscalizadora analisou todos os novos arquivos apresentados. Em decorrência, entendeu que cabem alterações em parte dos valores glosados e, conseqüentemente, nos valores objeto dos despachos decisórios dos pedidos de ressarcimento, bem como nos valores do presente Auto de Infração. Para a maior parte dos casos que haviam sido objeto da glosa por falta de comprovação, foram aceitos os novos demonstrativos como comprobatórios dos valores levados ao Dacon. Como regra geral, para os casos em que não havia ocorrido glosa por falta de comprovação, salvo algumas exceções, não foram levados em consideração os novos demonstrativos. Quando os valores contidos nos novos demonstrativos são maiores que os do Dacon, fica mantido o crédito integral do Dacon; quando menores, é glosada a diferença. Os novos demonstrativos geraram efeitos nas seguintes glosas por “falta de comprovação”, linha a linha do Dacon: Aquisições de Bens para Revenda: foram considerados os valores totais das operações do arquivo “Linha_01_Bens_Para_Revenda.xlsx”, sendo considerados os valores totais das operações nele relacionadas, sendo corrigida a falta de comprovação (item 37 do TVF) das competências 08 e 12/2004 e 10/2005; são mantidas, porém com valores reduzidos, as glosas das competências 09,10 e 11/2004. Aquisições de Bens utilizados como insumos: conforme os arquivos apresentados, restou corrigida a glosa por “falta de comprovação” (tabela item 38 do TVF) das competências 08 a 09 e 12/2004 e 08/2007; são mantidas, porém com valores reduzidos, as glosas das competências 11/2004 e 04/2007. Despesas de Energia Elétrica: mantida integralmente, permanecendo válida a tabela contida no item 40 dos relatórios fiscais; Fretes na Operação de Venda: conforme os arquivos apresentados, fica corrigida a glosa por “falta de comprovação” (tabela item 41 do TVF) das competências 09/2004, 01, 04, e 06 a 08/2005; são mantidas, porém com seus valores reduzidos, as glosas das competências 08 e 10 a 12/2004, 02, 03, 05 e 09 a 12/2005. Fretes nas Aquisições de Bens para Revenda e utilizados como insumos (fretes em transferência): explica o fisco que os valores aos quais a Fl. 441DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 442 10 manifestante se refere como relativos às aquisições de fretes em transferência encontravamse originalmente incluídas na base de cálculo dos créditos do Dacon, os quais foram excluídos pelo próprio contribuinte através de um novo demonstrativo, quando da intimação fiscal para demonstrar as respectivas operações, (arquivo fretes intimação 5.xlx, apresentado em 03/02/2011. Reafirma o fisco que, ao excluir da base de cálculo de seus créditos durante o procedimento fiscal, a contribuinte optou por excluílas dos demonstrativos, dando azo à glosa por falta de comprovação, para fins de glosa. Assim, embora a contribuinte ora afirme se tratarem de “fretes em transferência” mantémse a glosa, posto que, de qualquer forma, não há previsão legal para o aporte de créditos em relação a estas aquisições. Crédito Presumido na Atividade Agroindustrial (glosa por falta de comprovação, conforme tabela do item 46 do TVF) – considerando o novo demonstrativo, restou corrigida a falta de comprovação das competências 02 a 04, 06 e 07/2005; ficam mantidas, porém, com valores reduzidos, as glosas das competências 08 a 12/2004, 05 e 10 a 12/2005. Exclusões da Base de Cálculo – Vendas Tributadas com Alíquota Zero: considerando os novos demonstrativos para o anos de 2004, correspondentes aos meses para os quais havia sido feita a glosa por falta de comprovação (conforme tabela do item 51 dos relatórios fiscais); são mantidas, porém, com seus valores reduzidos, as glosas das competências 08 a 12/2004. Exclusões da Base de Cálculo – Exclusões especificas das cooperativas agropecuárias (“outras exclusões”) – Valor repassado aos associados (glosas constantes da tabela do item 57 do TVF): considerandose os novos demonstrativos, restou corrigida a falta de comprovação das competências 02 a 04, 06 e 07/2005, 07 a 09, 11 e 12/2007, 01 e 11/2008; ficam mantidas as glosas das competências das demais competências. Exclusões da Base de Cálculo – Exclusões específicas das cooperativas agropecuárias (“Outras Exclusões”) – Custos Agregados (Energia Elétrica): Glosa não contestada. Exclusões da Base de Cálculo – Exclusões específicas das cooperativas agropecuárias (“Outras Exclusões”) – Custos Agregados (Fretes nas Aquisições): a glosa foi integralmente mantida, pois seu fundamento e valoração são idênticos aos da glosa por falta de comprovação dos créditos decorrentes de fretes nas aquisições de bens para revenda e utilizados como insumos (itens 35 a 43 da informação fiscal) Quanto à Glosa nº. 2 – Falta de comprovação na escrituração fiscal – para os casos em que a informação deficiente impediu a correlação do item do demonstrativo com a escrituração fiscal. A IF explica que foram confrontados os registros alcançados pela glosa (registros identificados na coluna ´FE`) com a nova escrituração fiscal apresentada (arquivos digitais do ADE 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.3.10, contidos no CD 03). Segundo o fisco, alguns dos novos demonstrativos Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 443 11 excluem algumas das operações que haviam sido alcançadas pelas glosas ‘FE’, de modo que, no item 62 da informação fiscal, são trazidos exemplos deste procedimento. Reconsiderou as glosas em relação aos registros que foram localizados no confronto com os novos arquivos correspondentes à escrituração fiscal (CD 03), considerando os campos para vinculação: filial, nota fiscal, item da nota fiscal, data, código do item e participante. Para os registros (operações) para os quais essa vinculação não foi possível, foi mantida a glosa. Glosa nº. 3 – Aquisições de associados: considerou o fisco o novo relatório de associados (arquivos RFB491_Associados.txt), e foram reavaliados os registros dos demonstrativos de glosas de Aquisições de bens para Revenda e de Aquisições de bens utilizados como insumos em que a glosa ‘AS’ havia sido aplicada. Nos casos em que o participante não consta da nova tabela, ou quando consta em períodos diversos da emissão das notas fiscais, a glosa foi cancelada; já para os casos em que o participante consta da nova tabela, mas não consta a data de inicio e fim de associação, ou quando consta apenas a data de início anterior às operações sem constar dados sobre o fim da associação, a glosa foi mantida. Glosa nº. 4 – Aquisições de pessoa física: os novos relatórios gerados excluem as aquisições antes contidas nos demonstrativos apresentados ao fisco, os quais compunham os valores declarados em Dacon. A glosa é mantida integralmente. Glosa nº. 5 – Crédito Presumido em vendas de mercadorias adquiridas de terceiros (revenda) e exclusões da base de cálculo de valores repassados a (não) associados: em relação às aquisições de insumos agroindustriais, foi cancelada a glosa, o que não produziu efeitos de redução efetiva nos valores das glosas, posto que só houve aproveitamento de crédito presumido pelo contribuinte até 12/2005. Glosa nº. 6 – Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública: glosa não contestada e mantida pelo fisco, conforme a tabela contida no item 91 do TVF. Glosa nº. 7 – Glosa sobre aquisições do Ativo Imobilizado: em vista dos novos demonstrativos apresentados, foram reconsideradas as glosas correspondentes a diversos bens, conforme planilha elaborada no item 85 da IF. Restaram mantidas as glosas em relação aos demais bens, em razão de que não houve a comprovação necessária sobre o valor da aquisição e/ou sobre a data da aquisição dos referidos bens, bem como em relação a registros não correspondentes às glosas efetuadas, constantes dos novos demonstrativos. Glosa nº. 8 – Exclusão indevida Participante não associado (glosa relacionada às exclusões dos valores repassados aos associados e às vendas a associados que não eram associados no dia do registro da operação): Verificados os novos relatórios apresentados, nenhuma das glosas resta alterada. Na quase totalidade dos registros, o participante ou não constava da tabela de associados ou constava com data de ingresso posterior. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 444 12 Glosa nº. 9 – Exclusão indevida – Vendas tributadas com aliquota zero: em razão de falta de fundamentação legal para aplicação de alíquota zero nas operações atingidas, conforme identificadas no relatório de glosas (item 111 do TVF). Houve reconsideração das glosas em relação às vendas dos produtos Leite Cru Resfriado Tipo C e Leite in Natura, ambos com código NCM 0401.20.90, posto que, apesar de não estar sujeito à aliquota zero, estava com a incidência das contribuições suspensa, com fundamento no art. 9º. da Lei nº. 11.051/2004. Glosa nº. 10 – Exclusão indevida custos agregados vinculados a compras de nãoassociados: a glosa é reconsiderada em parte, tendo o fisco excluído dos custos agregados, para fins de cálculo da glosa, os valores correspondentes às glosas efetuadas por falta de comprovação (nos custos agregados à energia elétrica ou aos fretes nas aquisições) ou por falta de comprovação com a escrituração fiscal (os custos agregados relativos aos fretes nas aquisições ou aos custos de embalagem). Desta forma, a diferença entre o valor total original e o valor da presente revisão resulta em R$ 5.473.906,08, e não no valor de R$ 7.339.900,88, ao qual chegou o sujeito passivo em sua manifestação. MANIFESTAÇÃO DA MANIFESTANTE (fls. 737/ss do Processo nº. 10371.001090/201181 – AI) Parcialmente inconformada com a reavaliação fiscal na apuração de seus créditos e débitos, a contribuinte alega que as informações e dados apresentados oportunamente contêm todas as informações necessárias e aptas a comprovar a existência de crédito ressarcível, bem como a inexistência de débito fiscal. Inicialmente, faz alusões às justificativas prestadas pelo fisco na Informação Fiscal que precedeu à diligência, no sentido de reiterar que as glosas realizadas foram levadas a efeito tão somente porque os dados necessários para a sua aferição não foram confrontados adequada e corretamente, e que todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos sempre estiveram à disposição do agente fiscalizador. Segue em sua defesa alegando sobre a incorreção das conclusões contidas na informação fiscal, e traz um resumo do método utilizado pela empresa na verificação de seus dados, na busca de comprovar a existência dos registros tidos como inexistentes nos arquivos finais de movimento entregues (4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.3.10). Remete aos softwares para realizar o trabalho do confronto de informações e sobre os parâmetros de pesquisa utizados e traz explicações detalhadas sobre a utilização dos arquivos, os leiautes dos mesmos, a relação entre estes, os critérios de pesquisa, os registros individualizados e agrupados, as confrontações entre os valores, a descrição dos cabeçalhos, dentre outros. Segundo a contribuinte, foram colhidos diversos exemplos da conciliação efetuada, demonstrando em forma de figura a localização dos itens glosados com sua respectiva informação no Arquivo Fiscal (4.3.2, 4.3.4 e 4.3.10, conforme o caso), os quais se encontram descritos no Anexo I da Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 445 13 manifestação. Reitera que a localização das informações é possível independentemente do programa utilizado na leitura dos dados e que se afiguram, na quase totalidade, incorretas as conclusões materializadas na informação fiscal. Especificamente em relação às glosas, traz as seguintes alegações, em breve síntese: Glosa nº. 01 – Falta de Comprovação – Fretes na aquisição de “Bens para Revenda” e utilizados como insumos, a contribuinte não acrescenta novos argumentos, argumensta apenas glosa que os fretes se referiam, de fato, a fretes na transferência, tanto que foram excluídos da nova memória de cálculo apresentada; e que para todos os casos de glosas por falta de comprovação, reconhece a legitimidade, conforme a nova memória de cálculo apresentada. Glosa nº. 02 – Falta de Comprovação na Escrituração Fiscal: Sob este item, alega que o fisco considerou, a teor da justificativa apresentada no item 62, fls. 21, a nova escrituração fiscal apresentada (arquivos digitais 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, contidos no CD 03), mas a confrontação que fez partiu das operações que já haviam sido alcançadas pela glosa antiga, utilizando as composições antigas. Aduz que os novos relatórios/arquivos digitais apresentados, de fato, não fazem menção aos produtos inicialmente glosados pelo fisco; o intuito é de corrigir algumas distorções contidas nas informações apresentadas à época pela contribuinte, atendendose ao princípio da verdade material. Reitera, ainda, que foi determinado pela autoridade julgadora (DRJ) para que realizasse a análise dos novos arquivos apresentados pela contribuinte e não dos anteriores. Em síntese, alega que a grande maioria dos itens está comprovada na escrita fiscal da contribuinte que, em relação às glosas relacionadas às aquisições de bens para revenda, de bens utilizados como insumos, de fretes nas vendas, de fretes na aquisição e custos agregados, e de crédito presumido na agroindústria e repasse a associados, que efetuou a confrontação entre o relatório de glosas e os arquivos digitais de sua escrita fiscal, gerando um relatório de conciliação (em mídia anexa – CD 01 – “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, pasta “Conciliação FE x Escrita Fiscal”, conforme os respectivos relatórios), pelo que alega comprovar que há informação e comprovação na Escrita Fiscal (EF). Quanto às “Exclusões – vendas com alíquota zero”, alega que forneceu a fisco as informações pertinentes, inclusive com o leiaute especificado na IN 025/2010, estando integralmente contidas nos arquivos 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, a teor do que resta comprovado no relatório de conciliação, cuja mídia segue anexa (CD 01: “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, Pasta: Conciliação FE x Escrita Fiscal, Pasta: “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008, em formato txt, gerados por mês). Constam exemplos no Anexo I, letra “E”, acostados à presente manifestação, para os Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 446 14 anos de 2005 a 2008, comprovando, por amostragem, segundo a manifestante, a localização dos produtos que a autoridade fiscal afirma não ter encontrado. Glosa nº. 03 – Aquisições de associados: deixa de impugnar, posto que a autoridade fiscal aceitou o novo demonstrativo, tendo sido reavaliadas as glosas, onde foram mantidas apenas 18 glosas das 294 realizadas sobre aquisições de bens para revenda. Glosa nº. 04 – Aquisições de Pessoas Físicas: alega que apresentou novo relatório para corrigir informação equivocada prestada quando do preenchimento da linha do Dacon, posto que a base da informação não estaria correta. Apela para o princípio da verdade material, para que não seja admitida a manutenção da glosas a este título. Glosa nº. 05 – Crédito Presumido em Vendas: deixa de impugnar, posto que a glosa foi cancelada. Glosa nº.06 – Contribuição para Custeio da Iluminação Pública: foi mantida e não contestada. Glosa nº. 07 – Aquisições do Ativo Imobilizado: deixa de impugnar, posto que os novos relatórios apresentados corrigiram as informações anteriormente apresentadas, o que veio a comprovar a insubsistência da glosa, conforme o quadro colacionado às fls. 26/27 da IF. Glosa nº 08 – Exclusão Indevida – Participante não associado: alega que a autoridade fiscal utilizouse do relatório antigo para proceder à confrontação das informações, sendo que os relatórios emitidos pela contribuinte (relativos ao período de 2004 a 2008) apresentam os dados de forma correta e que confere com as vendas e repasses. Glosa nº. 09 – Exclusão Indevida – Vendas Tributadas com Alíquota Zero: alega que, conforme a tabela contida no item 122, fl. 39, da IF, a autoridade fiscal levou em consideração também a “falta de comprovação” da operação apontada como geradora do direito à exclusão da base de cálculo na escrita fiscal (FE), limitandose a deduzir apenas as operações que tiveram por objeto o leite cru resfriado tipo C e o leite in natura. Sustenta que as operações de vendas não sujeitas à alíquota zero já haviam sido excluídas dos arquivos fiscais encaminhados pela contribuinte. A prova, segundo a contribuinte, pode ser colhida do relatório de conciliação, cujo arquivo respectivo segue anexo em mídia (CD 01“Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14, Pasta Conciliação FE x Escrita Fiscal, Subpasta “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008 em formato txt, gerados por mês. Glosa nº. 10 – Exclusão Indevida – Custos Agregados vinculados à compras de nãoassociados: deixa de impugnar, uma vez que foi admitida pela autoridade fiscal a existência de glosa parcialmente em duplicidade, tendo sido gerado novo demonstrativo de glosas. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 447 15 Por fim, reitera que são improcedentes as glosas fiscais nos pontos indicados na manifestação, que restam insubsistentes os demonstrativos de acompanhamento de créditos e as conclusões fiscais, e que há necessidade de produção de provas, notadamente perícia e diligência, as quais se justificam pelas mesmas razões já apontadas nas manifestações de inconformidade e nas impugnações aos autos de infração apresentadas pela contribuinte. Pede deferimento. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0735.277 de 30/07/2014, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos validados/autenticados e demais esclarecimentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento de primeira instância não considerou direito creditório, após o processo ter sido baixado em diligência, como relatado acima; para que a unidade de origem verificasse os créditos e as exclusões da base de calculo da Contribuição ao PIS e da Cofins de período de apuração entre 01/07/2004 e 31/12/2008, conforme os novos arquivos anexados aos autos pela contribuinte, salientando possíveis alterações nos valores glosados, objeto dos despachos decisórios e do auto de infração. Concluindo o seguinte: Diante do que foi exposto, manifestome pela procedência parcial da manifestação de inconformidade. Para fins de retificação dos processos de ressarcimento apensados, bem como para o Auto de Infração, devem prevalecer os novos cálculos efetuados, conforme a Informação Fiscal de fls. 645/732 dos autos do Processo 13971.001090/201181: os valores das glosas fiscais revistos passam a ser aqueles das tabelas dos itens 128, 129 e 132 da Informação Fiscal (fls. 687/693 dos autos do Processo 13971.001090/201181); Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 448 16 os valores dos créditos ressarcíveis remanescentes (após as glosas fiscais revistas e a utilização em descontos) constam da tabela do item 171, “b”, da IF (fl. 731 dos autos do Processo nº. 13971.001090/201181); Conforme item 155 da IF (fl. 715 dos autos do Processo nº. 13971.001090/201181), não resta saldo de crédito passível de ressarcimento de Cofins nãocumulativa, referente ao 1º. trimestre de 2005. Registrese que a decisão a quo observa: Dos Limites do Litígio: Conforme os termos da impugnação da contribuinte e da manifestação após a diligência fiscal, em vista da revisão parcial de valores glosados e de parte do lançamento fiscal, temse como matéria não impugnada no presente processo: Glosa nº. 03 – Aquisições de associados: deixa de impugnar, posto que a autoridade fiscal aceitou o novo demonstrativo, tendo sido reavaliadas as glosas, onde foram mantidas apenas 18 glosas das 294 realizadas sobre aquisições de bens para revenda. Glosa nº. 05 – Crédito Presumido em Vendas: deixa de impugnar, posto que a glosa foi cancelada; Glosa nº.06 – Contribuição para Custeio da Iluminação Pública: foi mantida e não impugnada; Glosa nº. 07 – Aquisições do Ativo Imobilizado: deixa de impugnar, posto que os novos relatórios apresentados corrigiram as informações anteriormente apresentadas, conforme o quadro colacionado às fls. 26/27 da IF; Glosa nº. 10 – Exclusão Indevida – Custos Agregados vinculados a compras de nãoassociados: deixa de impugnar, uma vez que foi admitida pela autoridade fiscal a existência de glosa parcialmente em duplicidade, tendo sido gerado novo demonstrativo de glosas. Desta forma, a análise que se fará neste voto se restringirá à matéria que permaneceu impugnada pela contribuinte após a Informação Fiscal. Então, concluise que restam as glosas 01, 02, 04, 08 e 09. Inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde basicamente repisa os argumentos anteriormente apresentados quanto às preliminares e rebate com relação às glosas 02, 08 e 09, portanto não argumentando sobre as glosas 01 e 04. Aduz que com a diligência, a autoridade fiscal concluiu no item 171 e donde se colhe que remanesce a inexistência de crédito ressarcível, logo, existência de débito fiscal, na medida que a reanálise considerou correta a grande maioria das glosas que levou a efeito, mas insiste numa complementar DILIGÊNCIA, tendo em vista: Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 449 17 E, diversamente do que aponta a autoridade fiscal, não seria necessária, nessa hipótese, a análise de todas as operações realizadas pela contribuinte no período analisado (2004 a 2008), mas, a rigor, apenas daquelas em que, em tese, não lhe tenha sido possível a visualização dos arquivos contendo as informações ou, cujo próprio arquivo apresentasse incompatibilidade com o leiaute padrão adotado pelo fisco. ....... Consoante já apontando, a autoridade julgadora competente determinou que o presente processo fosse baixado em diligência, a fim de que, com base nos arquivos digitais que instruíram as impugnações e a manifestação de inconformidade oportunamente apresentadas pela contribuinte, fosse procedida nova verificação dos créditos e das exclusões da base de cálculo para o período 01/07/2004 a 31/12/2008. Concluída a análise pela autoridade fiscal, constatase, porém, que em alguns casos a determinação não foi atendida com rigor, pois as glosas mantidas foram baseadas nas informações dos arquivos enviados por ocasião do procedimento fiscal, desconsiderandose, assim, os últimos arquivos anexados ao processo, conforme será bem demonstrado a seguir. Ainda que se parta do mesmo pressuposto, porém a teor do que se infere do arquivo "Conciliação FE x Escrita Fiscal" elaborado, constante da mídia que segue anexa , foi possível localizar todos os itens glosados, salvo algumas raras exceções de não localização. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep de regime nãocumulativo, referente ao 3º trimestre de 2005, no valor de R$ 37.775,39. . Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 450 18 Registrese que os processos foram apensados, tendo em vista a Portaria RFB n° 354, de 11/03/2016, art. 3°, inc. III, § 1°, I, cuja portaria dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A análise fiscal relativa ao período em questão (3º. trimestre de 2004 até o 4º. trimestre de 2008), se encontra descrita nos Relatórios de Auditoria Fiscal (fls. 135/258 do processo 13971.001090/201181 AI), referentes à análise dos pedidos de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do período compreendido entre o 3º trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2008. O Auto de Infração referese à insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, dos períodos de apuração de janeiro/2006 a dezembro/2008, sendo decorrente de glosas fiscais aplicadas aos créditos e às exclusões no cálculo das contribuições informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon do período em referência. A ação fiscal resultou em despachos decisórios que indeferiram os pedidos de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins referentes ao período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2008, bem como no Auto de Infração AI nº. 13971.001090/201181, sendo que cada PER foi tratado em um processo, totalizando 36 processos administrativos apensados ao referido AI. A constatação da infração deuse durante a análise fiscal dos processos de análise de pedidos de ressarcimento PER, conforme relacionados no item 3 do Termo de Verificação da Infração (fl. 105). Da análise do direito creditório foram elaborados os Relatórios de Auditoria Fiscal, nos quais constam discriminadas as diversas glosas, as quais implicaram em insuficiências nos descontos de créditos informados no Dacon e, por conseqüência, na apuração dos débitos constantes do presente Auto de Infração. A apuração das insuficiências apontadas nas competências 01/2006 a 03/2007 e 05/2007 a 12/2008 encontramse demonstradas nos itens 07 a 80 do Termo de Verificação da Infração (TVI). Esclareçase, portanto, que houve apensação de todos os processos (PER) que dizem respeito às glosas efetuadas no período de abrangência. A ação fiscal resultou ainda em despachos decisórios que indeferiram os pedidos de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins referentes ao período compreendido entre 01/07/2004 e 31/12/2008, sendo para cada PER (períodos distintos) foi tratado em um processo, totalizando 36 processos administrativos apensados ao presente, os quais serão, portanto, analisados conjuntamente a este, haja vista a clara conexão entre eles e o Auto de Infração, logo o que for decidido neste será estendido aos demais, guardadas as peculiaridades para cada PER e período abrangido. Quanto às preliminares apresentadas no recurso voluntário, tais questões serão abordadas com maiores detalhes quando do julgamento do feito. Não obstante a diligência anterior, demandada pela decisão de piso, para proceder a análise à vista dos novos documentos, entendo, smj, que o processo deve ser convertido de novo em diligência (complementar), em nome do princípio da verdade material, apesar da fiscalização já ter informado que tudo já foi confrontado à vista da documentação apta, mas seria prudente uma apreciação dos argumentos da Recorrente, nas glosas 2 (item Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 451 19 3.1), 8 (item 3.2), 09 (item 3.3) todos do recurso voluntário, bem como os anexos ora apresentados (ler aos meus pares em sessão, sobre essas ponderações do recurso voluntário), assim como os memoriais juntados aos autos e razões lá expostas. Então, como a Recorrente reitera, que foi determinado pela autoridade julgadora (DRJ) para que realizasse a análise dos novos arquivos apresentados pela mesma e não dos anteriores arquivos e insiste em que ainda existem várias inconsistências, no tocante às exclusões da base de cálculo pela falta de comprovação, aduz que não consegue a fiscalização fazer a vinculação, cruzamento dos dados por ele, informados; sugiro, portanto, que os processos sejam convertidos em diligência, para que a fiscalização, aprecie; tendo em vista, inclusive documentos anexados e os motivos expostos para: Glosa nº 2 Sob este item, alega que o fisco considerou, a teor da justificativa apresentada no item 62, fls. 21, a nova escrituração fiscal apresentada (arquivos digitais 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, contidos no CD 03), mas a confrontação que fez partiu das operações que já haviam sido alcançadas pela glosa antiga, utilizando as composições antigas. Aduz que os novos relatórios/arquivos digitais apresentados, de fato, não fazem menção aos produtos inicialmente glosados pelo fisco; o intuito é de corrigir algumas distorções contidas nas informações apresentadas à época pela contribuinte, atendendose ao princípio da verdade material. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar pontualmente a omissão quanto à análise das operações/composições. Providência (RFB): Evidenciar que a análise do confronto das informações dos demonstrativos apresentados realizouse segundo a nova escrituração apresentada Reitera, ainda, que foi determinado pela autoridade julgadora (DRJ) para que realizasse a análise dos novos arquivos apresentados pela contribuinte e não dos anteriores. Em síntese, alega que a grande maioria dos itens está comprovada na escrita fiscal da contribuinte que, em relação às glosas relacionadas às aquisições de bens para revenda, de bens utilizados como insumos, de fretes nas vendas, de fretes na aquisição e custos agregados, e de crédito presumido na agroindústria e repasse a associados, que efetuou a confrontação entre o relatório de glosas e os arquivos digitais de sua escrita fiscal, gerando um relatório de conciliação (em mídia anexa – CD 01 – “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, pasta “Conciliação FE x Escrita Fiscal”, conforme os respectivos relatórios), pelo que alega comprovar que há informação e comprovação na Escrita Fiscal (EF). Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar quais itens estão comprovados na escrita fiscal Quanto às “Exclusões – vendas com alíquota zero”, alega que forneceu a fisco as informações pertinentes, inclusive com o leiaute especificado na IN 025/2010, estando integralmente contidas nos arquivos 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4 e 4.3.10, a teor do que resta comprovado no relatório de conciliação, cuja mídia segue anexa (CD 01: “Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14”, Pasta: Conciliação FE x Escrita Fiscal, Pasta: “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008, em formato txt, gerados por mês). Constam exemplos no Anexo I, letra “E”, acostados à presente manifestação, para os anos de 2005 a 2008, comprovando, por amostragem, segundo a manifestante, a localização dos produtos que a autoridade fiscal afirma não ter encontrado. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar (relatório?) a localização dos produtos (todos) que a autoridade fiscal afirma não ter encontrado. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 452 20 Glosa nº 08 – Exclusão Indevida – Participante não associado: alega que a autoridade fiscal utilizouse do relatório antigo para proceder à confrontação das informações, sendo que os relatórios emitidos pela contribuinte (relativos ao período de 2004 a 2008) apresentam os dados de forma correta e que confere com as vendas e repasses. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar pontualmente (relatório?) as inconsistências na confrontação entre os relatórios novo x antigo. Providência (RFB): Evidenciar que a análise do confronto das informações dos demonstrativos apresentados realizouse segundo o novo relatório apresentado. Glosa nº 09 – Exclusão Indevida – Vendas Tributadas com Alíquota Zero: alega que, conforme a tabela contida no item 122, fl. 39, da IF, a autoridade fiscal levou em consideração também a “falta de comprovação” da operação apontada como geradora do direito à exclusão da base de cálculo na escrita fiscal (FE), limitandose a deduzir apenas as operações que tiveram por objeto o leite cru resfriado tipo C e o leite in natura. Sustenta que as operações de vendas não sujeitas à alíquota zero já haviam sido excluídas dos arquivos fiscais encaminhados pela contribuinte. A prova, segundo a contribuinte, pode ser colhida do relatório de conciliação, cujo arquivo respectivo segue anexo em mídia (CD 01“Arquivos a encaminhar RFB 12_05_14, Pasta Conciliação FE x Escrita Fiscal, Subpasta “glosas Alíquota Zero”, Relatórios 2005 a 2008 em formato txt, gerados por mes. Providência (contribuinte): intimar a contribuinte para indicar pontualmente (relatório?) todas as inconsistências na confrontação realizada pela fiscalização. Em sendo assim, ante todo o exposto voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem, atenda ao solicitado acima e: analise os dados apresentados em meios/arquivos magnéticos no presente processo, inclusive na fase recursal, manifestandose sobre a permanência ou não das inconsistências apontadas (em relação às glosas remanescentes); permanecendo as inconsistências, relacionar as que considera impeditivas do ressarcimento pleiteado, bem como intimar o Recorrente para sanálas, no prazo de trinta dias, se assim o entender; após essa intimação, ainda que permaneçam as inconsistências, elabore relatório fiscal sintético e conclusivo e por fim, dar ciência do resultado da diligência para a Recorrente, se manifestar, dandolhe prazo de 30 dias, prorrogável pelo mesmo prazo, num único período. Ressaltese, por fim, que esta diligência é uma demanda para os AI da Cofins, PIS, e os 36 processos de PER, que foram apensados, no período a ser analisado de 07/2004 a 31/12/2008. Por fim, devem os autos retornar a esta Turma do CARF para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13971.720267/201061 Resolução nº 3201000.733 S3C2T1 Fl. 453 21 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 453DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.000095/2004-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999, 2000
RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar, para cada matéria, a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e o(s) paradigma(s).
Uma vez verificada a ausência de similitude fático-jurídica entre as decisões comparadas, não há que se falar em dissídio jurisprudencial, fato este que enseja o não conhecimento recursal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2000
CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. REGIME CUMULATIVO. RECEITA FINANCEIRA. EXCLUSÃO.
As receitas financeiras não estão sujeitas à incidência das contribuições ao PIS e COFINS no regime cumulativo, em razão da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF no RE nº 585.235/RG, em regime de repercussão geral que vincula os Julgadores do CARF.
Numero da decisão: 9101-005.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação à matéria exclusão de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar, para cada matéria, a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e o(s) paradigma(s). Uma vez verificada a ausência de similitude fático-jurídica entre as decisões comparadas, não há que se falar em dissídio jurisprudencial, fato este que enseja o não conhecimento recursal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2000 CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. REGIME CUMULATIVO. RECEITA FINANCEIRA. EXCLUSÃO. As receitas financeiras não estão sujeitas à incidência das contribuições ao PIS e COFINS no regime cumulativo, em razão da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF no RE nº 585.235/RG, em regime de repercussão geral que vincula os Julgadores do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação à matéria “exclusão de PIS/COFINS sobre receitas financeiras”, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 00 95 /2 00 4- 18 Fl. 2957DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Tratam-se de recursos especiais interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (“PGFN”) e pelo contribuinte (fls. 2.006/2.013 e 2.254/2.279, respectivamente) em face do Acórdão nº 103-22.974 (fls. 1.979/2.003). Transcreve-se a seguir a ementa do julgado: REQUERIMENTO DO SUJEITO PASSIVO PARA RETIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRO GRAU. O requerimento do sujeito passivo para correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo, existentes na decisão, será rejeitado por despacho irrecorrível do presidente da turma que proferiu o acórdão quando não restar demonstrada, precisamente, a inexatidão ou o erro (art. 27 da Portaria MF 58/2006). ACÓRDÃO. VOTO DISCORDANTE DO VOTO DO RELATOR (VENCEDOR). OBRIGATORIEDADE DE CONSTAR DO ACÓRDÃO. De acordo com as determinações contidas nos art. 15 e 22 da Portaria MF 58/2006, a decisão colegiada de primeiro grau prescinde dos fundamentos de voto discordante quando o voto vencedor é de autoria do relator. RECEITA BRUTA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXCLUSÃO DE SALÁRIOS DE EMPREGADOS. Em regra, a receita bruta própria da prestadora de serviços corresponde ao preço contratado, incluindo-se ai todos os custos e despesas necessários à realização do serviço. Descabe excluir os salários dos empregados para fins de determinação da receita bruta. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A existência de saldo credor na conta caixa autoriza a presunção de omissão de receitas. PERMUTA DE IMÓVEIS COM PAGAMENTO DE TORNA. CARACTERIZAÇÃO. Para que fique caracterizado o contrato de permuta com pagamento de torna, em vez de compra e venda, faz-se necessário que coisa seja o objeto predominante do contrato e não o montante em dinheiro. DESPESAS. COMPROVAÇÃO DA REALIZAÇÃO DO SERVIÇO. Despesa dedutível é aquela necessária à atividade da pessoa jurídica, relativa à efetiva contraprestação de algo recebido e corroborada por documentação própria. Fl. 2958DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS EM RAZÃO DE ALAGAMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. A adoção dos procedimentos previstos no art. 264, § 1º, do RIR199, para comunicação de extravio de documentos relativos escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo da sua contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter à disposição do fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPJ. PIS E COFINS. BASE DE CALCULO AMPLIADA SEGUNDO 0 ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. O STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de calculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. MULTA QUALIFICADA. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. A utilização de notas fiscais inidôneas como suporte para o lançamento de custos e despesas, sem correspondência real com a operação nelas indicadas, caracteriza o contexto de intuito de fraude, pressuposto para aplicação da multa qualificada (150%) prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora cm percentual equivalente à taxa Selic. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Por bem resumir a controvérsia, reproduzo o relato constante do despacho de fls. 2.892/2.894: Trata-se de autuação fiscal de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (e-fls. 1012/1102), no qual foram tipificadas as infrações tributárias : (1) receitas não contabilizadas – tópico 1.4.2 do TVF.; (2) saldo credor de caixa – tópico 1.4.3 do TVF; (3) glosa de despesas com efetividade não comprovada – tópico 1.5 do TVF; (4) omissão de receitas financeiras – tópico 1.4.1 do TVF; (5) ganho de capital – tópico 1.7 do TVF; (6) receitas não operacionais omitidas – tópico 1.4.1 do TVF; (7) prestação de serviços gerais – tópico 1.2.1 do TVF; (8) rendimentos de aplicação financeira – tópico 1.2.1 do TVF. As infrações (1) a (5) referem-se ao ano-calendário de 2000, com regime de tributação do lucro real. As infrações (6) a (8) referem-se ao ano-calendário de 1999, no qual o lucro foi arbitrado pela autoridade fiscal. Para a infração (3), a multa foi agravada (112,5%) e qualificada, perfazendo o total de 225%. Foi apresentada impugnação (e-fls. 1115/1131). A 3ª Turma da DRJ/Florianópolis, no Acórdão nº 4.163 (e-fls. 1196/1219), julgou o lançamento procedente em parte para afastar o agravamento da multa. Foi mantido o principal do crédito tributário e a multa qualificada (150%). Foi interposto recurso voluntário (e-fls. 1484/1518). A Terceira Câmara do Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 103-22.241, acolheu preliminar arguida de cerceamento do direito de defesa de preclusão na apresentação de provas e declarou nula a decisão da DRJ e determinou o retorno dos autos para novo julgamento. Em nova apreciação, a 3ª Turma da DRJ/Florianópolis, no Acórdão nº 07-8.646 (e-fls. 1880/1915), julgou o lançamento procedente em parte para afastar o agravamento da multa. Foi mantido o principal do crédito tributário e a multa qualificada (150%). Fl. 2959DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte (e-fls. 1928/1958). A Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 103-22.974, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para: (...) excluir da tributação as verbas autuadas a titulo de "receitas não contabilizadas", item 01 do auto de infração; ajustar o demonstrativo de "saldo credor de caixa" pela exclusão das "saídas de caixa" nos valores de R$ 412.737,07 e R$ 105.907,00; excluir da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS as receitas financeiras (...) Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte (e-fls. 2171/2179), que foram rejeitados pelo Acórdão de Embargos nº 1103-000.816 (e-fls. 2213/2220). Foi interposto recurso especial pela PGFN (e-fls. 2006/2013), com base no art. 7º, incisos I e II do RICSRF (Portaria MF nº 147, de 2007) Despacho de exame de admissibilidade (e-fls. 2040/2042) deu seguimento parcial ao recurso especial. Foi apresentado agravo (e-fls. 2046/2050), que foi rejeitado por despacho de agravo (e-fls. 2052/2053). Assim, foi dado seguimento a duas matérias do recurso especial da PGFN: (1) receitas não contabilizadas, item 001 do auto de infração, tópico 1.4.2 do TVF; e (2) exclusão das receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da Cofins. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte (e-fls. 2182/2199). Foi interposto recurso especial (e-fls. 2254/2279) pela Contribuinte. A PGFN apresentou contrarrazões (e-fls. 2820/2827). Na sequência, foi apresentada petição de desistência parcial (e-fls. 2380/2381) pela Contribuinte, aduzindo: (...) Despacho de saneamento (e-fls. 2831/2832) da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais solicitou diligência à unidade preparadora para se esclarecer a abrangência da desistência. Despacho da unidade preparadora (e-fls. 2844/2852) confirmou a adesão da Contribuinte ao parcelamento relativa à renúncia parcial dos créditos tributários lançados de ofício dos presentes autos, e a permanência em litígio das matérias relacionadas na petição de desistência parcial (e-fls. 2380/2381). Ocorre que o despacho de exame de admissibilidade do recurso especial da Contribuinte (e-fls. 2816/2818) não apreciou todas as matérias que remanesceram em litígio. O recurso especial da Contribuinte pretende devolver as seguintes matérias, relacionadas por tópico da peça de defesa: III.1 - Arbitramento do lucro; III.2 - Da tributação decorrente; III.3 – Da Base de cálculo dos tributos; III.4 – Adicional de 4% da CSLL; III.5 – Glosa de Despesas; III.6 – Multa Qualificada. Por sua vez, o despacho de exame de admissibilidade entendeu que a Contribuinte teria desistido das matérias de III.2 a III.6, e teria remanescido litígio apenas para a matéria III.1: Em 27/12/2013, a recorrente protocolou pedido de desistência parcial do recurso (e-fls. 2380/2381), com relação à todas as matérias objeto de seu recurso especial, exceto quanto à discussão relativa ao arbitramento de lucros (subitem III.1 do RE), cuja exigência, em relação ao IRPJ e CSLL, foi mantida pelo acórdão recorrido. Assim, o despacho de exame de admissibilidade manifestou-se apenas sobre a matéria III.1 - Arbitramento do lucro, dando-lhe seguimento. Fl. 2960DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 (...) Diante das informações prestadas pelo despacho da unidade preparadora (e-fls. 2844/2852), restou demonstrado que a desistência parcial da Contribuinte não teve a amplitude considerada pelo despacho de exame de admissibilidade. (...) E, verificando o recurso especial da Contribuinte, constata-se que, além da matéria III.1 - Arbitramento do lucro (já apreciada no despacho de exame de admissibilidade primitivo), cabe manifestação em sede de despacho de exame de admissibilidade das matérias III.2 - Da tributação decorrente; III.3 – Da Base de cálculo dos tributos e III.6 – Multa Qualificada. (...) Assim, cabe a elaboração de novo despacho de exame da admissibilidade, de natureza complementar. (...) Em seguida o exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte foi complementado e teve seu seguimento negado para as demais matérias (cf. despacho de fls. 2.892/2.894). Tramitado o feito, os autos foram a mim distribuídos para julgamento: (i) do recurso especial da PGFN – que aborda as matérias receitas não contabilizadas (item 001 do auto de infração, tópico 1.4.2 do TVF); e exclusão das receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da Cofins (AC 2000); e (ii) do recurso especial da contribuinte – que envolve a matéria arbitramento de lucros (AC 1999). É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conhecimento Recurso Especial da Fazenda Nacional O recurso especial da PGFN é tempestivo e foi interposto sob a vigência do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, do qual merecem atenção os artigos 7º, I e II e 15, §§ 1º e 6º, in verbis: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: Fl. 2961DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 I - decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II - decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. (...) § 6º Interposto o recurso especial, compete ao Presidente da Câmara recorrida, em despacho fundamentado, admiti-lo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negar-lhe seguimento. De acordo com o que foi alegado no apelo fazendário (fls. 2.006/2.013): II – DA OMISSÃO DE RECEITAS – NOTAS FISCAIS NÃO CONTABILIZADAS – ANO-CALENDÁRIO 2000 (...) 14 - Ora, se a própria contadora da contribuinte informou que as páginas do livro diário e razão onde figuram os lançamentos relativos a tais faturas não constam da escrituração contábil, significa dizer que elas não foram contabilizadas. Com efeito, pelo único documento contábil que consta nos autos, o Razão (fls. 361 a 364), torna-se inaceitável a afirmação do contribuinte, acatada pelo acórdão recorrido, no sentido de que as receitas provenientes das aludidas notas estariam incluídas em sua DIPJ correspondente ao ano calendário de 2000. 15 - No que tange à diferença entre os valores contidos no quadro demonstrativo de fls. 490 e a DIPJ, que resultou na diferença não declarada de R$ 217.126,31, convém ressaltar que tal fato não dá azo à alegação de erro de transporte dos dados para a declaração. Isto porque tal alegação não interfere na infração apurada concernente à falta de contabilização de determinadas notas fiscais de vendas. 16 - Deveras, a contribuinte deveria ter demonstrado que as referidas notas fiscais estariam contabilizadas e declaradas na DIPJ/exercicio 2001 – ano calendário 2000, mas tal não o fez. Não há qualquer prova nos autos nesse sentido, o que enseja a manutenção do lançamento no particular. 17 - Digno que há divergência em relação a outros julgados desse e. Conselho de Contribuintes. Tem-se como paradigmas os julgados da e. Primeira Câmara, para quem "Os valores pagos referentes a notas fiscais não contabilizados presumem-se oriundos de receitas omitidas" (Acórdão 101-9.3641), assim como da Sétima Câmara, no sentido de que "Tributa-se como omissão de receita a diferença apurada no confronto entre as receitas contabilizadas e as notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa" (Acórdão 107-04.530), que reforçam a manutenção do lançamento no particular. As ementas são auto-explicativas, cujo conteúdo é suficiente para demonstrar Fl. 2962DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 a divergência, eis que, no acórdão recorrido, afastou-se totalmente a presunção de omissão de receitas, em que pese ter sido encontrada diferença de saldo credor. Nos paradigmas, tributou-se como omissão de receitas os valores de notas fiscais não contabilizadas e, em último caso, tributou-se a diferença apurada entre receitas contabilizadas e as notas fiscais. 18- Portanto, restando comprovado na escrituração contábil o registro de tais receitas, o que foi corroborado pela contadora da contribuinte (fls.195/196), requer a reforma do acórdão a quo para manter o lançamento nos termos do item 001 do Auto de Infração ou, subsidiariamente, para manter o lançamento referente à diferença apurada de R$ 217.126,31. (...) IV – BASES DE CÁLCULO DE PIS E COFINS 33 - No presente caso, não existe noticia de que o Supremo Tribunal Federal tenha declarado a inconstitucionalidade do art. 3º, §1° da Lei 9.718/98 em controle abstrato de normas. 34 - Desse modo, resta evidente que a e. Terceira Câmara desbordou de sua competência ao declarar inaplicável o referido artigo, tomando por empréstimo julgado que produz efeitos inter partes do Supremo Tribunal Federal. O r. acórdão proferido é, portanto, absolutamente nulo porquanto infringiu as regras de procedimento previsto no Regimento Interno da CSRF. Submetido à análise de admissibilidade, despacho de fls. 2.040/2.042 deu seguimento ao recurso (fls. 2.040/2.042) nos seguintes termos: 1) recurso com base no inciso I - De inicio cabe considerar cumprido o primeiro requisito necessário para a interposição de recurso especial com base no inciso I, do art. 7º do RICSRF, qual seja, que a decisão tenha sido prolatada por maioria de votos exclusivamente em relação à matéria relativa à exclusão das receitas financeiras das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Para as outras matérias, o julgamento foi unânime. Quanto à matéria que atendeu o requisito acima, entendo que restou demonstrado, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei no entendimento da Fazenda Nacional. Então, dou seguimento o recurso relativamente à matéria "exclusão das receitas financeiras das bases de cálculo do PIS e da Cofins". 2) recurso com base no inciso II - Aqui, a única matéria para qual foram apontados acórdãos paradigmas foi a relativa à omissão de receitas por notas fiscais não contabilizadas. Restaram cumpridos os requisitos formais estabelecidos no art. 15, §§ 2°, 3° e 5°, do RICSRF, bem como o disposto no art. 7°, II, pois os acórdãos paradigmas foram prolatados por câmaras distintas da recorrida, não foram reformados (vide extratos às fl. 1005/1007), além do que foram juntadas aos autos cópias de seu inteiro teor às fl 982/1002. Logo, estes acórdãos podem ser utilizados como paradigmas. Quanto ao dissídio, entendo que o mesmo está presente. Fl. 2963DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 Se analisarmos o voto condutor do acórdão, à fl. 959, verificaremos que o relator argumentou que a diferença não declarada, correspondente à subtração entre a receita total apurada pelo fiscal, incluindo a omissão das notas não contabilizadas, e a declarada na DIPJ era inferior ao montantes dessas notas, o que reforçaria a alegação da recorrente quanto à ocorrência de erro de transporte dos dados para a declaração. Ora, de qualquer forma restou patente que ao menos parte das notas não contabilizadas foram omitidas, o que, a principio, não justificaria derrubar todo o lançamento nesta parte, considerando o entendimento dos acórdãos paradigmas que notas não contabilizadas autorizam considerar omissão de receitas. Contudo, literalmente o relator afirmou que a falta de registro contábil das notas não é suficiente para caracterizar a omissão. Em vista disso, entendo que tal posicionamento divergiu dos acórdãos paradigmas, razão pela qual entendo devido o seguimento do recurso nesta parte. Nesse contexto, concordo que, no tocante ao item I, a PGFN cumpriu seu ônus de demonstrar que a decisão recorrida, no seu entendimento, contrariaria à lei, fato este suficiente para conhecer da matéria “exclusão de PIS/COFINS sobre receitas financeiras”. Já com relação à matéria receitas de serviços não contabilizadas, vislumbro que não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fático-jurídica entre a decisão recorrida e os ditos paradigmas. Senão, vejamos: De acordo com o TVF (fls. 1.024): 1.4.2 - Receitas de Serviços não contabilizadas O contribuinte emitiu as notas fiscais de prestação de serviços n° 003440 em 02/10/2000, no valor de R$ 153.426,66 (fls. 167), n° 003450 em 02/10/2000 no valor de R$ 149.696,74 (fl. 168), n° 783 em 26/10/2000, no valor de R$1.000.000,00 (fls. 169), e n° 003487 em 01/11/2000, no valor de R$ 78.455,11 (fls. 166), recebeu os valores nelas declarados (fls. 162), fez o registro nos livros de Apuração de Prestação de Serviços (fls. 171 a 194), porém não contabilizou essas notas fiscais, conforme Termo de Constatação n° 002 (fls. 195 e 196) e não incluiu os valores a elas correspondentes na base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica; Contribuição Social sobre o Lucro; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; e Programa de Integração Social. Sobre a infração já decidiu o Conselho de Contribuintes: OMISSÃO DE RECEITAS (PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS) - A circunstancia de a pessoa jurídica não escriturar as receitas de prestação de serviços, conforme notas fiscais por ela mesma fornecidas ao beneficiário, configura hipótese de omissão de receitas (Ac. 1° CC 103-8.964/89 – Resenha Tributária, TR - Jurisprudência Administrativa 12.2, pig. 271). Os valores referentes a esta infração podem ser assim resumidos: O acórdão recorrido, porém, afastou essa parte do lançamento sob a premissa de que, não obstante a ausências de escrituração das 4 (quatro) notas fiscais em questão, a contribuinte teria comprovado que as receitas oriundas do faturamento destas notas foram sim tributadas. Veja-se, a propósito, o seguinte trecho da decisão ora recorrida (fls. 1.991): (...) Fl. 2964DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 Item 001 — Omissão de receitas (notas fiscais não contabilizadas) A turma julgadora considerou procedente o lançamento. Assim concluiu: "A questão central prende-se ao fato de que se estavam ou não contabilizadas as notas fiscais de venda de prestação de serviços (notas fiscais As tls.166/169), apontadas pela fiscalização e mencionadas a fl.395 do Termo Fiscal. Para estas notas fiscais (identificadas a fl.159 em Intimação Fiscal, item "b") foi perguntado A. interessada o seguinte: Justificar por escrito as razões pelas quais lido figuram em sua escrituração contábil; Esta pergunta ficou sem resposta, pois, conforme Termo de Constatação Fiscal de n° 002 As fl.195/196, informam os autuantes que; (..-) Contrariamente, o contribuinte informa que consta em seus registros contábeis e que tais receitas estariam incluídas em sua DIPJ correspondente ao ano calendário de 2000. Entretanto, pelo único documento contábil que consta nos autos, o Razão de fls.361 a 364 não corrobora suas afirmações. Sua afirmação acerca da existência de uma diferença entre as receitas declaradas em sua DIPJ/2001, 4º trimestre, em relação As registradas em livros fiscais, em nada interfere na infração apurada: a falta de contabilização de determinadas notas fiscais de vendas. O que a contribuinte deveria era se preocupar em tratar de demonstrar que aquelas notas fiscais estavam contabilizadas e declaradas na D1PJ/exercicio 2001- ano calendário 2000, mas tal não o fez. Quanto a alegação, de que, por estar submetido às regras de tributação pelo Lucro real, os custos inerentes a estas receitas deveriam ser considerados na apuração do imposto lançado pela autoridade autuante, de se dizer que, no caso sob exame, a receita omitida é considerada matéria tributável (lucro real), não sendo o caso de se considerar parcelas de despesas/custos correspondentes, em face de sua atividade econômica, corno afirma a contribuinte, pois inexistem comprovações da existência de custos não escriturados associados a receita omitida. Penso de modo contrário. A falta de registro contábil das notas fiscais não é suficiente para caracterizar a omissão na apuração da base de cálculo informada na DIPJ. Na cópia dos livros fiscais trazida aos autos pela autoridade fiscal (fls. 173, 185 e 189), constata-se o registro das quatro notas fiscais não contabilizadas, cujas cópias estão às fls. 166/169 e somam RS 1.381.578,51. Por outro lado, o quadro demonstrativo das receitas elaborado pela recorrente com base nos livros fiscais, fls. 490, por ocasião da impugnação, indica o valor de R$ 5.445.915,52 como total do 4° trimestre de 2000, enquanto a DIPJ tem anotado o montante de RS 5.228.789,21 como receita de prestação de serviços para o mesmo período (fls. 276), resultando numa diferença não declarada de R$ 217.126,31. Bem se vê que o valor maior, relativo à soma das referidas notas fiscais, não poderia estar contido no menor, correspondente a diferença entre os livros fiscais e a DIPJ, o que reforça a alegação da recorrente quanto à ocorrência de erro de transporte dos dados para a declaração. Em suma, restou comprovada a inclusão das notas fiscais nº 783, 3.440, 3.450 e 3.487 na base de cálculo tributável declarada. Este item de autuação deve ser excluído das exigências de IRPJ, CSL, PIS e Cofins. Fl. 2965DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 Como se percebe a infração relativa à omissão de receitas não escrituradas foi afastada, uma vez que a decisão considerou que restou comprovada a inclusão das notas fiscais nº 783, 3.440, 3.450 e 3.487 na base de cálculo tributável declarada. Ou seja, o silogismo empregado pelo Colegiado a quo foi o seguinte: a fiscalização caracterizou a infração pela falta de contabilização e inclusão da base de cálculo de 4 (quatro) notas fiscais específicas. A contribuinte, porém, demonstrou que estas notas fiscais foram incluídas na sua apuração. Assim, não obstante a ausência de contabilização, o lançamento não se sustenta justamente em face da comprovação de que as referidas notas fiscais foram tributadas. Especificamente quanto à diferença não declarada de R$217.126,31, que foi constatada pelo Colegiado a quo, esta não produziu nenhum efeito no resultado do julgamento, afinal os Julgadores provavelmente acabaram se pautando nos exatos termos da motivação da matéria tributável, qual seja, a inclusão ou não daquelas notas fiscais específicas na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. De qualquer forma, não houve prequestionamento quanto à necessidade ou não de manutenção da diferença por parte da PGFN, o que a meu prejudica iniciar uma discussão nesse sentido nesse momento processual. Feitas essas considerações, passaremos a analisar a alegada divergência em relação aos paradigmas que foram invocados. O Acórdão nº 107-04.530 (fls. 2.014/2.021), trazido como primeiro paradigma, revela circunstância fática distinta da presente, tendo em vista que aquele caso envolveu autuação por omissão de receita aí sim fundamentada na diferença entre o total do faturamento do contribuinte apurado de ofício com base nas notas fiscais de serviços emitidas no período e o valor a menor declarado em DIPJ. Diante dessa infração, os Julgadores assim mantiveram o lançamento: Dos autos do processo, como acentuado pela autoridade julgadora, não há dúvida quanto ao montante tributável. O demonstrativo de fls. 41/42, acompanhado de todas as notas fiscais que o consubstanciou, prova a receita omitida. A recorrente, em seu recurso, fala na ocorrência de erros na contabilidade, sem no entanto os provar, não obstante todas as oportunidades que teve. Nessa ordem de juízos, tendo restado absolutamente manifesta a ocorrência de omissão de receitas, nego provimento ao recurso. Nota-se, assim, que a situação fática analisada não corresponde à tributação de notas fiscais pontuais, afinal a fiscalização efetuou o lançamento com base nos valores globais (faturamento - DIPJ), e não por operações determinadas. Aqui, porém, a tributação foi feita de forma individualizada, sob uma “presunção” de que elas não teriam sido tributadas ante a ausência de escrituração. O segundo paradigma (Acórdão nº 101-93.641 – fls. 2.022/2.034), por sua vez, tratou de Autos de Infração decorrentes de determinadas infrações, dentre elas a de omissão de Fl. 2966DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 receita operacional caracterizada pela insuficiência de contabilização do resultado (lucro) auferido nas vendas de veículos usados. A fiscalização, após comparar as notas de vendas com a contabilidade, identificou que o contribuinte autuado não escriturava (e não tributava) o lucro obtido nas operações de vendas, registrando como receita própria o mesmo valor de compra. Do relato do TVF reproduzido no voto condutor extrai-se que: (...) b. A empresa comprou e vendeu veículos usados, sem efetuar os registros contábeis correspondentes a essas transações, gerando receitas mantidas à margem da escrituração e que não foram oferecidas à tributação. Entretanto, tendo a fiscalizada comprovado a contabilização de parte das receitas obtidas com essas transações, conforme demonstrado no item 2.2 acima, consideramos a ocorrência da omissão de receita na parte correspondente ao resultado dessas vendas, visto que, somente a diferença entre o valor de aquisição e o valor de venda, deixou de ser contabilizado e conseqüentemente oferecido à tributação. E do voto verifica-se que: (...) No que diz respeito às operações com carros usados, a argumentação da Recorrente não a socorre. É inquestionável que a venda dos veículos usados integrou a receita contabilizada apenas pelo valor igual ao correspondente respectiva compra. Por outro lado, não ocorreu, como alega a recorrente, a tributação "nas duas pontas". Conforme esclarecido pelo autuante e evidenciado nos demonstrativos de (fls 128 a 157 do processo original), foi considerada omissão de receita apenas a diferença entre o valor de aquisição e o valor de venda, posto que apenas essa diferença deixou de ser contabilizada. Como se percebe, a manutenção do lançamento pelo Colegiado que proferiu o segundo paradigma partiu da premissa de que a contribuinte realmente não contabilizava e não tributava o lucro obtido nas suas operações de vendas de veículos usados, registrando como receitas o mesmo valor de compra. Ou seja, a premissa dos julgadores, além do equívoco contábil no registro de determinadas operações, foi a de que não houve a inclusão do lucro obtido nem na contabilidade e nem na base de cálculo dos tributos federais. Posto isso, forçoso concluir que as diferentes soluções jurídicas adotadas nos acórdãos ora comparados (recorrido e paradigmas) são diversas não em função de divergência de interpretação da legislação tributária, mas sim em razão das dessemelhanças entre os suportes fáticos dos casos. Reitera-se, aqui, que o Colegiado a quo afastou a cobrança por considerar que as notas fiscais indicadas pelo fisco como não integrantes da base de cálculo, ainda que não contabilizadas, teriam sido tributadas. Os paradigmas, porém, mantiveram os lançamentos justamente por adotar premissa oposta, qual seja, a de que as diferenças apuradas, além de não escrituradas, não foram tributadas. Fl. 2967DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 Diante, então, da ausência de similitude fático-jurídica ora apontada, não conheço do recurso especial quanto à matéria omissão de receitas (notas fiscais não contabilizadas). Recurso Especial da contribuinte O juízo prévio de admissibilidade (fls. 2.816/2.818) reconheceu a existência de divergência jurisprudencial quanto à matéria “aplicação do arbitramento (AC 1999)” sob a seguintes motivação: (...) Com vistas à análise, transcrevo a ementa dos acórdãos indicados como paradigmas, no que interessa ao exame da matéria: Acórdão nº 101-95.683 - 1ª C/1ª CC - 16/08/2006 IRPJ — LUCRO ARBITRADO — DETERIORAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS — CASO FORTUITO — Se por ocasião da elaboração das declarações de rendimentos e sua apresentação nos respectivos prazos, o sujeito passivo tinha a escrituração contábil e a documentação em ordem, a deterioração posterior em virtude de inundação, não pode dar causa a arbitramento de lucro fundada na recusa de apresentação dos mesmos livros e documentos, já que não há indícios de que o sujeito passivo tenha deixado de tomar as cautelas necessárias para evitar o caso fortuito ou de força maior. Acórdão nº CSRF/01-03.072, de 11/09/2000 - 1ª Turma/CSRF IRPJ — ARBITRAMENTO DO LUCRO — INCÊNDIO — Comprovado que ocorreu incêndio nas dependências da sede da empresa, com destruição da documentação que embasava a escrituração comercial, improcede a tributação com base no lucro arbitrado sem que a Fiscalização prove que os elementos constantes das declarações de rendimentos apresentadas, nas épocas próprias, anteriores ao sinistro, não são confiáveis ou inexatas. Por outro lado, o acórdão recorrido traz a seguinte ementa sobre a matéria: IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS EM RAZÃO DE ALAGAMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. A adoção dos procedimentos previstos no art. 264, § 1", do RIR/99, para comunicação de extravio de documentos relativos escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo da sua contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter á disposição do fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPJ. Examinando os acórdãos apresentados como paradigmas, na íntegra, verifica-se que tratam de situações similares à analisada no acórdão recorrido, com conclusões distintas. Os acórdãos paradigmas, ao analisarem o arbitramento do lucro em face da não apresentação de livros e documentos pelo seu extravio ou perda devido a evento superveniente fortuito ou de força maior (incêndio/inundação), realizado pelo Fisco a despeito do contribuinte ter procedido às devidas comunicações aos órgãos competentes, exigidas no Regulamento do Imposto de Renda, entenderam que incumbe ao Fisco "demonstrar de forma cabal que a escrituração fiscal e contábil não eram confiáveis para a apresentação da declaração de rendimentos", para poder arbitrar o lucro. O acórdão recorrido, por sua vez, ao analisar situação similar, entendeu que a adoção dos procedimentos previstos no RIR/99, para comunicação de extravio de documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo Fl. 2968DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 da sua contabilidade comercial e fiscal e não pressupõe a homologação dos valores informados em DIPJ. Assim, entendo que restou caracterizada a divergência jurisprudencial alegada. Com a devida vênia, entendo em sentido contrário, ou seja, que não houve comprovação da alegada divergência. Vejamos: O primeiro paradigma (Acórdão 101-95.683 – fls. 2.296/2.308) afastou o arbitramento em razão da comprovação cabal de que a sede da empresa lá autuada de fato teria sido inundada, fato este que destruiu seus livros fiscais e comerciais dos anos de 1993, 1994 e 1995. De acordo com o voto condutor desse precedente: (...) Na peça recursal, a interessada junta aos autos os seguintes documentos: a) Decreto Municipal n s 487, de 26/12/1996 (fls. 213/214), no qual é declarada a situação anormal provocada por desastre, caracterizada como situação de emergência, por parte do Sr. Prefeito Municipal de Nova Friburgo - RJ, confirmando a mobilização do Sistema Nacional de Defesa Civil, no âmbito do Município, sob a coordenação da Comissão Municipal de Defesa Civil - COMDEC, autorizando o desencadeamento do Plano de Resposta ao Desastre; b) laudo de perdas emitidos pela empresa Garante Assessoria e Consultoria Técnica Ltda (fls. 231); c) correspondência dirigida à Agência da SRF em Nova Friburgo (fls. 254), comunicando que teve perdas totais de máquinas computadorizadas de precisão, de estoque de matérias-primas e produtos, e que os arquivos de aço que se encontravam na sala do arquivo geral de documentos da recorrente foram inundados pelas frestas das portas, molhando e inutilizando papéis e livros neles guardados. d) cópia do Jornal *A voz da Serra" de 02/01/1997 (fls. 255), correspondente ao edital em que comunica a paralisação das suas operações em decorrência das fortes chuvas e inundações, os danos sofridos em seus maquinários e equipamentos, bem como o modo como foi afetado o sistema de administração inclusive com a inutilização de documentos e livros fiscais; e) cópia do jornal "O Globo", de 27/12/1996 (fls. 256) e o jornal "A Voz da Serra", de 02/01/1997 (fls. 256), os quais noticiam o temporal ocorrido no município de Nova Friburgo. Como visto acima, a recorrente tomou todas as providências legais exigidas em vista do infortúnio ocorrido, denotando que não houve recusa na apresentação dos livros fiscais e comerciais e respectivos documentos. Também não seria cabível argumentar no sentido de que teria ocorrido a falta de adoção de medidas mínimas para preservar seus livros e documentos contábeis e fiscais, pois a inundação, conforme comprovam os documentos juntados aos autos, abrangeu todo o município de Nova Friburgo/RJ, tendo motivado a decretação de situação de emergência por parte do Executivo Municipal. Consoante jurisprudência assentada se a fiscalização demonstrar de forma cabal que a escrituração fiscal e contábil não eram confiáveis para a apresentação da declaração de rendimentos, poder-se-ia arbitrar o lucro da pessoa jurídica. Fl. 2969DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 (...) No caso, deve-se registrar que, diante dos fatos em análise, não houve recusa, mas sim impossibilidade de apresentação ao fisco dos documentos destruídos pela inundação. (...) Nesse sentido, o segundo paradigma (Acórdão CSRF/01-03.072) também afastou a tributação pelo arbitramento no caso lá apreciado, sob o fundamento de que restou “comprovado que ocorreu incêndio nas dependências da sede da empresa, com destruição da documentação que embasava a escrituração comercial”, fato este que “improcede a tributação com base no lucro arbitrado sem que a Fiscalização prove que os elementos constantes das declarações de rendimentos apresentadas, nas épocas próprias, anteriores ao sinistro, não são confiáveis ou inexatas”. Verifica-se, contudo, que ambos os paradigmas se referem à situação fática na qual não se questiona nem o evento de força maior (representado, respectivamente, por inundação e incêndio) e nem que este evento de fato tenha causado a destruição dos documentos contábeis e fiscais do contribuinte. Isso, porém, não ocorre no presente caso, onde a fiscalização e a decisão recorrida colocam em xeque o alegado sinistro, bem como discordam do cumprimento das regras fiscais aplicáveis quando esse tipo de evento ocorre. Veja-se, pois, a seguinte passagem do TVF: (...) Em decorrência das verificações obrigatórias estabelecidas nos art. 15 e 18 da Portaria COFIS 28/02, o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão (fls. 06), relativos ao período de maio de 1998 a março de 2003, para que fossem verificados, também, os impostos e contribuições ( IRPJ/CSSL/PIS/COFINS ), a que se sujeitava o contribuinte. O contribuinte apresentou cópia do Registro de Boletim de Ocorrência no 5° Distrito Policial de Florianópolis-SC (fls. 09 a 12), no qual sua contadora Adriana Bevilaqua relatou que em decorrência das chuvas ocorridas em 03/02/2001 na então filial da empresa, sita à Rua Joaquim Costa, 270, Agronômica, Florianópolis-SC, foram danificados os Livros Diário e Razão e notas fiscais referentes a 1997, 1998 e 1999, inclusive outras referentes ao registro de pessoal, Backup, e alguns equipamentos de informática: "Relata-nos a comunicante o seguinte fato: Que motivo das chuvas de ocorreu nesta data foram danificados o livros fiscais (diário e razão): 97/98/99. Notas fiscais: 97/ 98/ 99, BACKUP, Documentos relativos ao setor de segurança do trabalho, Documentos diversos da empresa (Carteiras de trabalho, Documentos de funcionários, rescisões,...) Equipamento eletrônico danificados." O contribuinte tomou, parcialmente, as providências determinadas pelo § 1° do Art. 264, abaixo transcrito, fez publicar em jornais locais a inundação ocorrida em suas dependências (fls. 11 e 12), comunicou ao Registro de Comércio e, posteriormente, o órgão jurisdicionante da SRF, D.R.F. Florianópolis (fls. 09), ressalte-se que os "documentos diversos da empresa", sic, perdidos/extraviados/deteriorados não foram devidamente identificados. Fl. 2970DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. ( Decreto-Lei n° 486, de 1969, art. 4° ). § 1°Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. ( Decreto-Lei n°486, de 1969, art. 10). (...) Em 05 de dezembro de 2003 foi realizado um reconhecimento no local, conforme fotos de fls. 209 a 214, onde o contribuinte alega que estavam depositados os livros, arquivos magnéticos e documentos destruídos, acompanhado pela contabilista, Sra. Adriana Bevilaqua, que foi a pessoa que comunicou as autoridades policiais a ocorrência do sinistro, e foram tomadas a termo suas declarações (fls. 206 a 209). Relevante frisar a negligencia do contribuinte na guarda da documentação, dos arquivos magnéticos e da escrita contábil, pois não as armazenou corretamente em armários, deixando-as no chão, conforme relata a contabilista em resposta a pergunta n° 2 do Termo (fls. 207), no local menos seguro do prédio. Como declarou a contabilista em resposta a pergunta n° 12 os equipamentos que estavam sobre mesas não foram atingidos (fls. 208). Também não cuidou em armazenar uma cópia de segurança dos arquivos magnéticos em local totalmente seguro e diferente do restante da documentação. Convém observar a resposta da pergunta 4 (fls. 207) que a documentação referente ao ano 2000 e 2001 estavam em outro local. "Da análise da vistoria no local e do Termo de Declarações (fls. 206 a 214) concluímos: 1 — A sede do contribuinte está instalada em terreno de acentuado acentuado aclive, dezenas de metros acima do nível do mar. A inundação que alega ter ocorrido, aconteceu apenas em suas instalações: 11, 2 — Apesar da gravidade do fato, inundação em suas dependências, o contribuinte não acionou o Corpo de Bombeiros; 3 — O contribuinte não demonstrou interesse em recuperar a documentação - danificada, nem buscou auxilio de perito; 4 — Na escrita contábil referente aos dias imediatamente posteriores ao sinistro, não consta qualquer despesa com manutenção ou reparo de instalações ou equipamentos (No registro policial consta que houve danos em equipamentos eletrônicos). Com relação à resposta à pergunta 9 (fls. 208) não constava nenhum equipamento para bombeamento de água em seu ativo imobilizado nem foi registrada qualquer despesa com serviços de terceiros; 5 — Nenhum equipamento foi baixado do Ativo Imobilizado nos dias que se seguiram ao sinistro, ao contrário da resposta da contabilista à pergunta 12, nem havia qualquer equipamento de informática com mais de cinco anos de uso, em 05/02/2001, conforme relação de bens de informática que estavam registrados na contabilidade em 31/12/2000 (fls. 46); (...) E do Acórdão recorrido (fls. 1.999/2.000) extrai-se que:: (...) Fl. 2971DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 O arbitramento do lucro ex officio com base na receita bruta conhecida previsto em lei, pelo art. 532 do RIR/99 4. Ao contrário do pensamento da recorrente, a utilização da sua receita declarada não significa ratificação da sua apuração, uma vez que diversos outros elementos são computados na determinação do lucro real, e não apenas a receita bruta. Descabido falar-se em determinação do lucro real apenas com base na receita. A legislação tributária impõe às pessoas jurídicas o dever de guarda da sua documentação e, igualmente, da sua reconstituição na ocorrência de extravio, é o que se depreende da interpretação do art. 264, caput e § 2°, do RIR1995 . Por outro lado, a determinação do lucro real pressupõe escrituração contábil regular, observadas as disposições da lei comercial, é o que prescreve o art 247, eaput e §1°, do RIR/996 . Inexistência de documentação comprobatória dos lançamentos contábeis e fiscais é fator impeditivo para o fisco verificar a precisão da apuração realizada pelo contribuinte e caracteriza situação de determinação da base tributável sob as normas do regime de lucro arbitrado. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter a disposição do fisco os documentos que dão respaldo a apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPJ, transferindo ao fisco o dever de provar a inexatidão da declaração apresentada. Ademais, percebe-se que a recorrente não foi zelosa na guarda da sua documentação, conforme detalhadamente relatado pela autoridade fiscal, além de não envidar esforços para recompor a sua escrita contábil e fiscal, descumprindo assim o seu dever tributário acessório. Destaque-se que houve tempo para tal, como bem observado na decisão recorrida, tanto antes quanto após o inicio do procedimento fiscal. A comunicação de extravio dos documentos se reporta a alagamento ocorrido nos dias 3 e 4/02/2001. Por sua vez, a intimação inicial para apresentação da documentação contábil e fiscal, contida no termo de inicio de fiscalização as fls. 6, foi datada de 10/04/2003, enquanto o auto de infração foi cientificado à interessada quase 10 meses após, em 30/01/2004, fls. 439. Em 29/04/2003, nova intimação foi expedida, por intermédio do termo de constatação as fls. 16, desta feita para reconstituição da escrita contábil e do livro de apuração do lucro real. Por outro lado, nem mesmo o alagamento das dependências da empresa restou comprovado, como se percebe pelo relato da autoridade fiscal, fls. 386: (...) Tratam-se, a toda evidência, de situações fáticas incomparáveis, afinal a decisão recorrida, com apoio nos indícios trazidos pela fiscalização, afastou o fundamento de destruição dos documentos em face da alegada inundação, ao passo que os paradigmas reconheceram a destruição de documentos em face de eventos que, ao contrário daqui, lá foram comprovados. Diante, então, da ausência de similitude fático-jurídica entre os acórdãos ora cotejados, não há que se falar em dissídio jurisprudencial a ser solucionado. Dessa forma, não conheço do recurso especial da contribuinte. Fl. 2972DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 Mérito Da exclusão das receitas financeiras das bases de cálculo do PIS e COFINS Segundo o acórdão recorrido: Quanto ao PIS e Cofins exigidos com fundamento no art. 3°, § 1", da Lei 9.718/98, devem ser excluídas as receitas financeiras das respectivas bases de cálculo em função da pacificada jurisprudência do STF - Supremo Tribunal Federal, adiante exemplificada: "EMENTA: I. PIS/COFINS: base de cálculo: L. 9.718/98, art. 3', § 1º: inconstitucionalidade. Ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3', § 1°, da L. 9.718/98, por entender que a ampliação da base de calculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. II. PIS/COFINS: aumento de alíquota por lei ordinária (L. 9.718/98, art. 8"): ausência de violação ao principio da hierarquia das leis, cujo respeito exige seja observado o âmbito material reservado As espécies normativas previstas na Constituição Federal. Precedentes: ADC 1, Moreira Alves, RTJ 156/721; RE 419.629, 1" T., DJ 30.6.06 e RE 451.988-AgR l a T., DJ 17.3.06, Pertence. III. PIS/COFINS: atualização monetária, juros e possibilidade de compensação dos valores recolhidos a maior: questões restritas ao plano infraconstitucional, insuscetíveis de reexame no recurso extraordinário: incidência, mutatis mutandis, da Súmula 636." (RE-AgR 515002/RS - Rio Grande do Sul) Ressalve-se que, neste voto, o que se faz é interpretar o comando normativo ordinário em função do principio da supremacia das normas constitucionais, com o seguro respaldo da reiterada jurisprudência da Suprema Corte, órgão detentor da competência exclusiva para declarar a inconstitucionalidade de dispositivo legal. Com efeito, em Sessão de 10/09/2008 (em momento, portanto, posterior ao do julgado), o Tribunal Pleno do STF ratificou o entendimento em comento em sede de repercussão geral, no Recurso Extraordinário nº 585.235, cuja ementa foi assim redigida: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isso significa dizer que a pretensão de tributar receitas financeiras com base em norma que pretendeu majorar a base de cálculo de forma inconstitucional, qual seja, o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, realmente não se sustenta, lembrando, aqui, que a decisão do STF, por ter sido veiculada em regime de repercussão geral, vincula o presente Julgador por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF 1 . 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2973DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-005.760 - CSRF/1ª Turma Processo nº 11516.000095/2004-18 Nenhum reparo, contudo, cabe à decisão recorrida nesse ponto. Conclusão Pelo exposto, oriento meu voto para: (i) conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação à matéria “exclusão de PIS/COFINS sobre receitas financeiras”, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento; e (ii) não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2974DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.723519/2009-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para elidir a omissão de rendimentos, é necessário a apresentação de documentos hábeis, ônus único e exclusivo do recorrente.
INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Súmula CARF nº 110.
Numero da decisão: 2002-006.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Diogo Cristian Denny.
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para elidir a omissão de rendimentos, é necessário a apresentação de documentos hábeis, ônus único e exclusivo do recorrente. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Súmula CARF nº 110.
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Para elidir a omissão de rendimentos, é necessário a apresentação de documentos hábeis, ônus único e exclusivo do recorrente. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Súmula CARF nº 110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Diogo Cristian Denny. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 36/39) contra decisão de primeira instância (e-fls. 29/31), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 35 19 /2 00 9- 73 Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-006.477 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.723519/2009-73 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 06 a 10, referente ao exercício de 2008, que exige R$ 3.329,26 de imposto suplementar, com multa de ofício de 75% e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos pagos pela empresa Masif Artigos Médicos e Hospitalares Ltda, no valor de R$ 15.537,29, com R$ 171,51 de IRRF. Cientificada do lançamento por via postal, fl. 24, a contribuinte apresentou, por intermédio de procurador – fl. 04, em 28/10/2009, a impugnação de fls. 02 e 03, acompanhada dos documentos de fls. 04 a 11, acatada como tempestiva pelo órgão de origem – fl. 27. Alega que declarou os rendimentos efetivamente recebidos. Admite que, até o ano-calendário de 2006, recebia aluguéis da empresa Masif Artigos Médicos e Hospitalares Ltda., mas que “por aspectos negociais, o IMÓVEL, objeto desta Locação, passou em 2007, para LUIZ ROBERTO PORTES DA CUNHA CPF 353.790.65953”. Afirma que o comprovante emitido pela imobiliária atestaria a transferência e suscita “mero erro ou desencontro de informações entre a Imobiliária e o locatário, já que a dimob tem força de informações para a DIRF”. Finaliza solicitando o cancelamento do débito fiscal reclamado. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: RENDIMENTOS DE ALUGUEL. PROPRIEDADE DE TERCEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo escritura pública confirmando o direito real sobre bem imóvel, impossível acatar-se a aludida transferência de condição de sujeito passivo da obrigação tributária decorrente dos rendimentos de aluguel. A 4ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação, assim se manifestando: (...) Assim, como não foi acostado aos autos registro de imóvel atestando a transferência de propriedade ou, no mínimo, de seu usufruto, não restou comprovado que o terceiro suscitado na impugnação seria o proprietário e nem o detentor de direito real do móvel e/ou de seus frutos. Por conseguinte, ele é estranho à obrigação tributária advinda dos rendimentos de aluguel gerados pelo imóvel, não podendo ser responsável pelos tributos devidos. Por outro lado, para fins tributários, o efetivo repasse do produto do aluguel para terceiros não tem relação jurídica com a locação em si. Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-006.477 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.723519/2009-73 Desse modo, em decorrência da não comprovação da titularidade de terceiros, é de ser manter a tributação dos rendimentos de aluguel no ajuste anual da impugnante. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância, juntando documentos, requerendo o que segue: 1. O acolhimento das razões supra, aplicando-se o princípio da verdade real, e baseado nos documentos anexados, reconhecer a inexigibilidade do crédito tributário lançado, por impossibilidade material, na medida em que resta comprovada a transferência do imóvel para o Sr. Luiz Roberto Portes da Cunha – CPF/MF 353.790.659-53, a qual era de conhecimento da Fazenda ante a competente apresentação da DOI. 2. Ante o princípio da eventualidade, ainda que mantida a cobrança, deve ser expurgada a multa de ofício, pois inexistente os requisitos legais exigidos para tal. 3. Requer ainda, se necessário, a juntada de documentos para a complementação de defesa no curso do processo; 4. Requer, finalmente, que a intimação, quanto aos atos processuais, sejam encaminhadas ao procurador do sujeito passivo, no endereço abaixo impresso; 5. Prossiga-se, ex vi legis, até decisão final. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi cientificada em 01/02/2012 (e-fl. 35); Recurso Voluntário protocolado em 01/03/2012 (e-fl. 36), assinado por procurador legalmente constituído (e-fl. 40). Irresignada, com a r. decisão que manteve o lançamento, a contribuinte maneja recurso próprio. Constato que na DAA, da recorrente ano-calendário 2007, exercício 2008, a recorrente lançou como sendo seu o imóvel assim descrito: “Um imóvel comercial constituído dos lotes n° 10,12 e 14 quadra 1 Jardim Urano Curitiba PR REG imóveis n/ 3304501, com barracão de alvenaria de 480m², na Rod. BR. 116, KM 105, n°17.619”. O doc. de fls.11, apresentado pela recorrente como sendo do Sr. Luiz Roberto, tem como endereço a ROD. BR. 116 N° 17.651. Verifico que a escritura de compra e venda, às fls. 45/47, são referentes ao imóvel dos lotes de números 13,15, 16,17,18e19. Deste conteúdo, verifica-se não se tratar do mesmo imóvel, portanto correto o lançamento. Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-006.477 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.723519/2009-73 - Da multa de ofício. É corolário lógico da ação perpetrada pelo contribuinte, tendo previsão expressa na lei, que está no enquadramento legal, é bem de ver que a multa não foi de aplicação qualificada. Impossibilidade de intimar o patrono da recorrente, tendo em vista a Súmula n°110 deste Colendo CARF: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Assim nesta quadra de entendimento, correta a ação fiscal. Ressalte-se o entendimento da Turma de que, consoante as provas dos autos, o contribuinte vendeu um imóvel (lotes 13,15, 16, 17, 18 e 19) e continuou sendo proprietário de outro (lotes 10, 12 e 14, como consta da DIRPF). Não houve a apresentação do contrato de locação e nem outros documentos e informações, hábeis a esclarecer que os valores declarados pela locadora em DIRF são referentes ao imóvel vendido. Ademais, o Informe de Rendimentos em nome do Sr. Luiz apresenta outros valores de locação. Diante dessas constatações, entendeu- se que o contribuinte não logrou êxito em comprovar o que foi por ele alegado, não merecendo o Recurso ser provido. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do recurso voluntário e, no mérito, nega-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12466.722123/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.340
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcos Roberto da Silva, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos Cavalcanti da Costa Filho e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcos Roberto da Silva, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos Cavalcanti da Costa Filho e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, em virtude dos fatos a seguir escritos. A empresa em epígrafe não apresentou documentação que possibilite comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos que demonstre o financiamento de suas importações, o que configura a presunção legal tipificada no § 2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76 e por consequência a incidência da pena de perdimento. Devido a impossibilidade de apreensão das mercadorias passiveis de perdimento, incidiu o disposto no § 3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976. Assim, foi lavrado o presente Auto de Infração para a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .7 22 12 3/ 20 14 -1 1 Fl. 7258DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a empresa MULTIMEX protocolizou tempestivamente impugnação, conforme relatado na decisão recorrida, com as seguintes alegações: DO AUTO DE INFRAÇÃO O presente Auto de Infração compreende lançamento de ofício para fins de aplicação da pena de perdimento em virtude da presunção do cometimento da infração de interposição fraudulenta, de forma presumida, pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos para as operações de comércio exterior que realizou, por conta própria, utilização de documentos falsos necessários ao embarque ou para fins de instrução do despacho aduaneiro de importação de mercadorias estrangeiras. Devido a esse entendimento equivocado da fiscalização, a ora Impugnante, doravante denominada MULTIMEX SA, consta como SUJEITO PASSIVO no Auto de Infração por estar em tese envolvida nos procedimentos tidos como irregulares pela fiscalização aduaneira. A suposta interposição fraudulenta de terceiros teria se materializado em razão da não comprovação de origem, transferência e disponibilidade de recursos empregados nas operações de comércio exterior realizadas pela impugnante, haveria então interposição fraudulenta presumida. Uma vez ocorrida, por presunção, a interposição fraudulenta de terceiros, a douta Fiscalização Aduaneira entende que os documentos necessários ao embarque ou desembaraço de mercadorias importadas são ideologicamente falsos, o que enquadraria a conduta da contribuinte em mais um tipo infracional cuja consequência é a pena de perdimento, qual seja a falsificação e utilização de documentos ideologicamente falsos necessários ao embarque ou desembaraço de mercadorias importadas. Sendo assim, as infrações apuradas pela fiscalização, segundo o termo de autuação ora impugnado foram identificadas como: 1. ocultação do sujeito passivo, do comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, na importação de mercadorias estrangeiras, por presunção, em razão da não comprovação da origem, transferência e disponibilidade de recursos empregados tais operações de comércio exterior; 2. uso de documento falso ou adulterado necessário ao embarque ou desembaraço das mercadorias; No Auto de Infração, essa Fiscalização sustenta que, da análise dos documentos apresentados pela contribuinte em atendimento às diversas intimações fiscais, teria sido apurado que a contabilidade da mesma seria imprestável para o registro de suas operações. Por essa singela razão, a douta Fiscalização entende que todos os processos de importação por conta própria foram declarados de forma simulada, mediante a prática da infração nominada de interposição fraudulenta de terceiros, ocultando assim de forma dolosa o real adquirente ou responsável pela importação. Fl. 7259DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 4 3 DAS PRELIMINARES DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Conforme se depreende do Termo de Início de Fiscalização 0727600 201400040, este datado nas assinaturas dos respectivos Auditores Fiscais signatários em 05/02/2014. A intimação decorrente do Procedimento Fiscal mencionado foi enviada à Impugnante em 10 de fevereiro de 2014 no seu endereço anterior, ou seja, no endereço onde a Impugnante não mais se localizava. A Impugnante teve conhecimento, apenas, porque teve a diligência de verificar por correspondências extemporâneas eventualmente recebidas no prédio de seu antigo estabelecimento, haja vista ter transferido seu estabelecimento de Vila Velha/ES para o Rio de Janeiro/RJ. Todavia, já naquela data (10/02/2014) a Impugnante havia alterado sua matriz/sede e domicílio fiscal para a cidade do Rio de Janeiro/RJ, conforme a ata da Assembléia Geral Extraordinária ocorrida no dia 30 de janeiro de 2014. Salientese que foi preciso em primeiro lugar promover o registro do ato na Junta do Estado do Espírito Santo (Estadolocal de sua sede anterior) para apenas em ato subsequente dar entrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro (Estadolocal de sua sede atual). Esse é o procedimento legal adotado pelas Juntas Comerciais e a Impugnante não tem o poder de alterar a burocracia legal e muito menos de ter atitude diversa. É sabido que o ato do registro do DBE (que é ato vinculado ao registro da ata na Junta Comercial) e que informa para a Receita Federal o ato em andamento na Junta Comercial somente é admitido para protocolo no caso de transferência de sede de um Estado paia outro na Junta de destino, qual seja, na Junta Comercial do RJ. Novamente, esse não é um procedimento estipulado pela Impugnante, mas pela própria Receita Federal em conjunto com a Junta Comercial. O Auditor não pode fazer de conta que nada aconteceu, que a ata de alteração de endereço e da sede da sociedade não valem nada para o fisco porque no cadastro fiscal "ainda constava" seu endereço anterior, como se não existisse um procedimento estabelecido pela própria RFB com a Junta Comercial para sua atualização cadastral que ele próprio, como auditor, deve respeitar e fazer cumprir (e não imputar tal ato estabelecido pela Receita como uma pretensa falta ou penalidade ao contribuinte). Ora, quem define o momento, o prazo e a forma de protocolar e de apresentar a mudança de endereço no cadastro fiscal da Receita Federal é a própria Receita Federal. Se o contribuinte cumpre com os prazos, a forma e as condições impostas pela Receita Federal, não pode ser considerado irregular ou em falta, nem pode ser submetido a uma fiscalização irregular e nesse sentido arbitrária, ilegal e abusiva por conta disso. E é a DBE o meio e forma legal da Impugnante informar para a Receita Federal a sua mudança de sede. Fl. 7260DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 5 4 Dessa forma, temse que, quando da primeira intimação, a empresa já não mais estava na circunscrição da Alfândega de Vitória/ES, uma vez que a transferência da sede produziu efeitos desde o dia 30 de janeiro passado. A primeira intimação consistiu, assim, em ato praticado por autoridade administrativa incompetente. Na defesa de sua competência, o digno AFRFB frisa que: "Cumpre destacai que os trabalhos fiscais foram iniciados em 04/02/2014, com diligênda ao estabelecimento matriz da empresa [RELATÓRIO DILIGÊNCIA 2014 0040 001]. Na diligência, constatamos que a sala estava fechada, sem ninguém no local para atender a fiscalização e, conforme informações obtidas na portaria do prédio, a empresa ainda não havia mudado para o local. Assim, o relatório de diligência foi lavrado na sede da alfândega. Por todo o exposto, o procedimento fiscal é nulo. A initio em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade, quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização a ser desenvolvida, dentre outros princípios. Além do vício formal consistente na ansiada de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial, há vícios materiais em razão da imposição de restrições e exigências à contribuinte ao arrepio da lei. Ademais, as normas que regem a seleção para ação fiscal e competência e jurisdição para desenvolvimento das atividades de fiscalização foram todas descumpridas pela douta Fiscalização da Alfândega da Receita Federal de Vitória/ES. A referida Fiscalização, caso se deparasse com indícios concernentes à não comprovação de origem de recursos empregados em atividades do comércio exterior, deveria representar os fatos à unidade competente e aos AFRFBs competentes para proceder à ação fiscal competente. DO LANÇAMENTO IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO TIPICIDADE INFRAÇÃO PRESUMIDA ÔNUS DA PROVA DE FATOS ANTECEDENTES Transcreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Junta textos da doutrina de Sacha Calmon Navarro Coelho: Curso de Direito Tributário Brasileiro Rio de Janeiro: Florense,6.ed.,2003(p.65l). Sabemos que na instância administrativa, diversamente da judicial, é pressuposto lógico a instrução e motivação do lançamento sob pena da nulidade absoluta. O Auto de Infração ora impugnado está sedimentado em presunções. Se são basicamente as presunções, carregadas de subjetividade, associadas aos indícios que sustentam a penalidade aplicada à MULTIMEX passamos para o campo do provável e nesse campo também devem ser usados os argumentos da Impugnante lançados nessa impugnação, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitida em direito. Tudo com o intuito de buscar a "certeza" imprescindível nas cobranças tributárias. Fl. 7261DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 6 5 Mas o mínimo que se deve exigir de uma presunção é que o Fisco comprove o fato originário, que parta de fatos que guardem relação com a verdade que se pretende demonstrar. O que não se pode admitir é que a Fiscalização firme premissas sem mostrar o caminho percorrido para nelas chegar. Nesse contexto, o ato de presumir que a MULTIMEX possuía contabilidade imprestável, presumir que não possuía recursos próprios e financiamentos bancários, presumir que todas as importações da contribuinte não passam de supostas fraude, simulação e interposição fraudulenta, deveria estar estribado, de forma primordial, em indícios veementes. Ora, quem não importou, não adquiriu e não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento, pois nem sequer teria adquirido a propriedade das mercadorias estrangeiras para que a perdesse. Junta textos da doutrina de Ives Gandra da silva Martins. É de se analisar que há uma situação estabelecida no campo jurídico. Temse uma contribuinte, importadora, com capacidade econômica e financeira, que promoveu a importação de mercadorias estrangeiras por conta própria. Essa foi a situação encontrada pela Fiscalização, desconstituíla só é possível mediante prova, ainda assim com plena observância do princípio da verdade material. Mas a Fiscalização, como se verá, alega que a única forma de se provar que a contribuinte possuía condições de suportar os encargos e despesas decorrentes das importações que realizou são os demonstrativos contábeis. Por essa razão, e por considerar que a contabilidade da contribuinte é imprestável para comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior, concluiu que ocorreu a interposição fraudulenta presumida. Nada disso é verdadeiro. A única verdade que existe é que a douta Fiscalização, apenas por considerar que a contribuinte não possuía, na sua visão, demonstrativos contábeis aptos a prova, a origem e emprego dos recursos nas operações de comércio exterior, DECLAROU que a contribuinte não comprovou a origem, transferência e disponibilidade de recursos empregados nas suas atividades de comércio exterior. Mera presunção não estribada em quaisquer provas, pois na verdade a contribuinte apresentou os documentos, apenas não os apresentou na forma requerida, nos formatos digitais requeridos. Releva considerar que não apresentar na forma requerida a douta Fiscalização antecipadamente, e sem provas, a concluir, primeiro, pela não aceitação das provas, segundo, que o único meio de prova seria a demonstração contábil e, terceiro, pela interposição fraudulenta presumida. Ao assim fazer, não impõe, nem demonstra ou aponta os indícios que minimamente autorizariam presumir da prática de interposição fraudulenta, ou Simulação em operações de comércio exterior. Fl. 7262DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 7 6 Não há a mínima demonstração do iter procedimental do(s) ato(s) infrativo(s), sequer qual a economia fiscal que a MULT1MEX feria tido como IMPORTADORA POR CONTA PRÓPRIA. Na verdade, a douta Fiscalização apenas presumiu despretensiosamente, e irresponsavelmente (digase), sem sequer verificar se incidiria IPI sobre a importação das mercadorias nacionalizadas pela contribuinte, ou qual o eventual lucro auferido de forma irregular, ou qual o eventual prejuízo causado (minimamente estimado, claro). Na verdade, a Impugnante importa mercadorias isentas de IPI na sua quase totalidade. Diante do exposto, quadra destacar que tratar como verdadeiras as presunções apresentadas pela Fiscalização no Auto de Infração deveria requerer exaustiva demonstração dos fatos provados em efetiva correlação com os fatos presumidos, o que não ocorreu. Frisese, a presunção legal tem como pressuposto a PROVA do fato antecedente, qual seja "não comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência de recursos". Isso porque a conduta infracional é a interposição fraudulenta de terceiros, que não necessita ser provada, pois provandose o fato antecedente (fato presuntivo), a norma legal autoriza presumir que ocorreu a interposição fraudulenta de terceiros (fato presumido). Todavia, o ônus da prova passou, por expressa disposição legal, para a contribuinte. Então a contribuinte deve provar que detinha recursos e os empregou em suas operações de comércio exterior, demonstrando assim a inexistência do fato presuntivo. Caso não prove, está configurada a interposição fraudulenta presumida. Em outras palavras, a comprovação da origem e emprego dos recursos nas operações de comércio exterior é ônus da contribuinte, mas a constatação da não comprovação da origem é ônus da Fiscalização, o veredicto consistente no julgamento favorável à comprovação da origem, ou não e da Autoridade Administrativa, que deve estribarse em lei para concluir pela aceitação ou não das provas apresentadas pela Impugnante. Na verdade, a norma administrativa admite a utilização de todos os meios de prova aptos a demonstrar a origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Transcreve o artigo 512, do Decreto n° 7.212, de 15 de junho de 2010. Conforme o artigo 300 do CPC, compete ao réu alegar na contestação, toda matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. Portanto, não compete ã Fiscalização impor limitações aos meios de prova onde a lei não o fez, sob pena de incorrer em flagrante ilegalidade. Ao exigir como única forma de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos os demonstrativos contábeis, a Fiscalização desborda do trilho legal, Fica comprometida a descrição dos fatos e a indicação da disposição legal infringida, há ofensa ao princípio da legalidade. Fl. 7263DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 8 7 Transcreve o artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Postos em relevo os incisos m e IV, verificase que a douta Fiscalização não descreve qualquer conduta típica, pois a não comprovação de origem nos moldes determinados pela douta Fiscalização não encontra supedâneo em norma legal. Não há, pois, materialidade e tampouco autora. Inexiste concretude, fatos concretos que se amoldem à hipótese de interposição fraudulenta em quaisquer dos processos de importação relacionados nesses autos. Prosseguindo, tratase a autuado de conclusões não alicerçadas em provas, não havendo demonstração dos fatos que ensejariam a aplicação das penalidades propostas. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Acórdão n° 240101.358). Junta textos da doutrina de Alberto Xavier. Por todo o exposto, a impugnante requer o cancelamento do Auto de infração por não restar caracterizada a tipicidade da conduta necessária à aplicação de tão gravosa penalidade, por ofensa ao princípio da legalidade e por cerceamento do direito de defesa. DO MÉRITO REGULARIDADE DA EMPRESA COMO IMPORTADORA LICITUDE E LEGALIDADE DAS IMPORTAÇÕES COMO REALIZADAS O princípio da liberdade fiscal possui dupla face: é ao mesmo tempo um direito fundamental e um dever fundamental4. Como dever fundamental, submetese à uma ética de conduta que norteia o cidadãocontribuinte em direção ao dever fundamental de pagar tributos segundo sua capacidade contributiva. Por outro lado, como direito fundamental, o princípio da liberdade fiscal subordina constitucionalmente o Estado a reconhecêlo, aceitando mediante o devido processo legal a opção fiscal adotada pelo contribuinte quando no limite de sua capacidade contributiva e negocial. Junta textos da doutrina de Heleno Taveira Torres: (Direito Tributário e Direito Privado. São o Paulo: Revista dos Tribunais, 2003). Com relação à origem lícita de recursos, convém registrar que o balanço patrimonial de 2009 já foi devidamente auditado e analisado pela própria Receita Federal, sendo considerado perfeitamente hábil em relação às regras e normas contábeis. Esses dados constam do Processo Administrativo na 15586.720288/201307. da Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, citado no relatório que acompanha o auto de infração, peça inidal deste processo. Portanto, a Fiscalização sabia, ou deveria saber, que a Impugnante dispunha de recursos e origem lícita. Mais, a MULTIMEX possuía cerca de R$ 1.303.439,75 em disponibilidades no final do ano de 2009, e cerca de R$ 59.966.013,64 de saldo devedor na conta clientes, valores suficientes paia suportar o volume de operações para o ano de 2010. Fl. 7264DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 9 8 Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ainda com relação à origem lícita de recursos, salientese que recentemente a contribuinte logrou êxito na defesa do processo administrativo fiscal n° 11128.001870/201066, demonstrando que valese da legislação vigente e das normas e procedimentos comerciais consuetudinários para concretizar o objeto social e suas finalidades. Transcreve trechos do Parecer Conclusivo do processo administrativo fiscal n° 11128.001870/201066. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e fundamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Acórdão 403003.188). Elucidando em outras palavras, a presunção legal admite um fato por outro, como se fossem um só ou o mesmo. Assim o fato presuntivo pode não ser infrativo, mas será tido, para o universo do direito, como se fosse. Todavia, o fato presuntivo DEVE SER PROVADO, pois do contrário não vale a presunção legal e nada se pode afirmar do fato presumido. Como o ônus da prova pertence à Impugnante, cabe a ela demonstrar a origem lícita e emprego dos recursos, pois a não comprovação vem a ser o fato presuntivo, QUE UMA VEZ EXISTENTE DETERMINA A EXISTÊNCIA DO FATO PRESUMIDO. Mas à Fiscalização cabe verificar, com base nas normas legais de regência, que as provas são ou não aptas a comprovar a origem e emprego dos recursos. Convém ressaltar que nessa parte estão os maiores problemas para o seguimento da ação fiscal, pois a Fiscalização em verdade construiu uma tese, não restando ao final fatos provados que demonstrem a existência possível do fato presumido, isto é, a interposição fraudulenta presumida. Em outras palavras, A NÃO COMPROVAÇÃO DE ORIGEM, transferência e disponibilidade de recursos empregados nas atividades de comércio exterior, que dá azo à presunção de interposição fraudulenta de terceiros, DEVE ESTAR DEMONSTRADA, SOB PENA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Até aqui nenhuma prova de fato presuntivo, apenas a declaração da douta Fiscalização, que não goza de presunção de veracidade alguma quando a lei não lhe atribui essa qualificação. Assim, o Inspetor não autorizou o início do procedimento especial da IN RFB n° 228/2002, e Fl. 7265DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 10 9 se o tivesse feito seria ato administrativo nulo, praticado por autoridade incompetente. Na resposta apresentada, a MULTIMEX se limitou a: solicitar o mesmo prazo solicitado anteriormente para entrega dos arquivos digitais; solicitar, para o período de 2014, o mesmo prazo concedido para entrega da contabilidade de 2011 a 2013; solicitou 5 dias para entrega dos arquivos xml das notas fiscais; apresentou contratos de câmbio de 2014, e contratos de câmbio de períodos anteriores (2011 e 2012); informou que não apresentaria planilhas de formação de preço e nem os extratos bancários; requereu prazo até 6 de julho para apresentar dados sobre as operações de importação; e informou que os documentos estão disponíveis juntamente aos anos anteriores no escritório dos procuradores. Assim, resta demonstrada a indevida inclusão em procedimento especial. Porém, a Fiscalização atesta que a contribuinte apresentou os contratos de câmbio referentes aos anos de 2011 e 2012 e parte de 2014. A Impugnante apresentou notas fiscais de entrada e de saída, contratos de câmbio, arquivos de Importação e exportação, tabela de mercadorias/serviços, documentação técnica dos sistemas de processamento de dados utilizados, livros fiscais digitais e outros dados. Tais documentos gozam de presunção de veracidade, competindo ao Auditor Fiscal desconstituílos, comprovando que a Impugnante agiu de forma simulada, o que não correu no caso concreto, até mesmo por impossibilidade material, eis que fraude não há. Transcreve trecho do Acórdão 0735.070. Em relação às Declarações de Importação autuadas registradas a partir de dezembro de 2008 como já dito, a fiscalização parte da premissa de que os recursos registrados na contabilidade da interessada como sendo provenientes de pagamentos de vendas anteriores seriam em verdade, adiantamentos de recursos que seriam utilizados nas importações. Ocorre que não há nos autos demonstração de que ditos lançamentos contábeis não correspondam aos fatos a que se referem. Nesse sentido, os lançamentos que se referem ao pagamento de antas fiscais de venda são presumidamente corretos cabendo ã fiscalização demonstrar sua acusada utilização simulada. Ao que consta dos autos, as notas fiscais se referem a vendas anteriores de mercadorias, cuja entrega foi realizada ou, ao menos, não foi contestada pela fiscalização. Assim, não se pode afastar os efeitos financeiras que referidos lançamentos contábeis demonstram. Todavia, para concluir pela imprestabilidade da contabilidade, a Fiscalização recorreu a informações que possuía acesso, registradas no SPED. A Fiscalização sabia que a MULTIMEX não tinha apresentado os demonstrativos contábeis de forma adequada no referido sistema, mas mesmo assim valese desse sistema para concluir pela imprestabilidade da contabilidade, quando poderia concluir pela existência de indícios de atividade lícita. Mais, desconsidera todas as Fl. 7266DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 11 10 informações prestadas pela contribuinte e, na conclusão pela imprestabilidade da contabilidade, considera as informações constantes do SPED desfavoráveis à contribuinte, desconsiderando aquelas que sabia fazerem prova a favor da contribuinte. Transcreve trecho do auto de infração. Por fim, estabelece, de forma arbitrária e ilegal como já demonstrado, como único meio de prova para comprovar a origem lícita, disponibilidade e uso de recursos no comércio exterior os demonstrativos contábeis. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem,disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente ás suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Transcreve o artigo 923 do Decreto 3000/1999. A Fiscalização também poderia ter tido acesso à sentença prolatada pela Alfândega de Santos/SP no processo administrativo nº 11128.001870/2010 66, onde consta que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capazes de permitir as operações de comércio exterior que praticava. Assim, na verdade a Fiscalização Aduaneira, muito embora pudesse considerar imprestável a contabilidade da Impugnante, não poderia jamais afirmar que a mesma não tinha capacidade econômica e financeira, origem lícita de recursos, que justificassem as transações comerciais internacionais e importadas. Admitindose, porém, que na fase litigiosa do processo administrativo fiscal a Impugnante pode juntar provas que instruem o lançamento de ofício, tais provas, se apresentadas, devem ser consideradas peia autoridade julgadora, vinculada principalmente aos princípios da legalidade, busca da verdade material e do devido processo legal. E por essa ótica resta provado que a Impugnante possuía recursos suficientes para lastrear suas operações comerciais, devendo ser julgada improcedente, no mérito, a pretensão da fiscalização. Fl. 7267DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 12 11 A OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. IMPROPRIEDADE DA ALEGAÇÃO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA Em apertada síntese, por meio do presente Auto de Infração o AFRFB imputa a prática da infração de interposição fraudulenta, sob a alegação de que a Impugnante não teria comprovado a origem dos recursos empregado, em seu processos de importação. Transcreve trecho do auto de infração. Verificase, com a devida vênia, que, sem qualquer base legal o AFRFB concluiu que inconsistências na escrituração contábil de uma empresa seriam sinônimo de ausência de comprovação de recursos utilizados nas operações de importação. Portanto, a tese fiscal de que haveria interposição fraudulenta no caso concreto está calcada na indevida extensão dos efeitos decorrentes de inconsistências na escrituração fiscal de uma empresa. Transcreve trecho do auto de infração. Ocorre que, data máxima vênia, o descumprimento de obrigação acessória não se confunde, ou não deveria se confundir, por ausência de previsão legal, com a infração de interposição fraudulenta. Tampouco o fato de a contabilidade de uma empresa se mostrar imprestável evidencia que ela não possui capacidade econômica e financeira, conforme pretende levar a crer o Fisco em sua autuação. Todavia, as informações e os documentos apresentados pela Impugnante não foram considerados pela Fiscalização, pois o AFRFB insistiu que os lançamentos contábeis da empresa deveriam ser corrigidos para que fosse possível verificar a origem de seus recursos. Esclarecese que durante a fiscalização a Impugnante foi surpreendida pelo fato de o escritório de contabilidade contratado pela empresa não estar escriturando devidamente seus livros fiscais. Como prova de sua boafé, a Contribuinte informou tal fato ao AFRFB autuante, solicitando prazo para regularizar sua escrituração. Transcreve trecho do Auto de Infração. Em momento algum, a Impugnante visou se eximir de sua responsabilidade, sendo pertinente destacar que a documentação solicitada pela Fiscalização diz respeito a milhares de Declarações de Importação, devendo ter sido concedido prazo compatível com o volume de informações solicitadas. No caso concreto, diante das inconsistências verificadas na escrituração contábil da empresa (e que estavam sendo solucionadas),o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil encerrou a fiscalização e presumiu que a importadora não teria capacidade econômica e financeira para honrar com seus compromissos. Fl. 7268DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 13 12 Junta textos da jurisprudência administrativa: (acórdão n° 0814655 de 14 de Janeiro de 2009). Transcreve o inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Tendo em vista que estamos diante de uma presunção relativa, o contribuinte pode provar sua condição de real adquirente de outras formas, e não apenas pela via extenuante e exaustiva da escrituração contábil traçada pelo ARFRB, como se fosse aquela a única forma de refutai a presunção. Com a devida vária, as inconsistências na escrituração contábil de uma empresa não implicam necessariamente na conclusão de que existe uma interposta pessoa, se circunstância demonstrarem de forma inequívoca que a empresa Importadora á, de fato, a real adquirente. A delimitação do entendimento de que o artigo 23, §2, do Decretolei 1,455/76 prevê uma presunção relativa é extremamente relevante, pois demonstra que uma empresa que tenha falhas na sua contabilidade não é necessariamente "laranja", nem interposta pessoa, de ninguém. Em que pese as falhas destacadas pela Fiscalização, a Impugnante possui origem lícita para seus recursos que decorrem da receita operacional bruta resultante de vendas de mercadorias, além de empréstimos bancários e até mesmo créditos concedidos por seus exportadores, conforme os anexos documentos no item 73 desta Impugnação. Tal fato já foi reconhecido pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Alfândega do Porto de Santos, nos autos do processo n° 11128.001870/201066, ao analisar a operação de importação por encomenda registrada por meio da Dl n° 09/1203940 4. Transcreve trecho do processo n° 11128.001870/201066. Ademais, os números declarados à RFB denotem uma robustez financeira suficiente para suportar com folga uma operação de importação da ordem de cento e cinquenta mil reais, como é o caso presente. Assim posto, não vemos como prosperar a pena de perdimento proposta pela fiscalização. Considerando os livros da Impugnante imprestáveis, era dever do Auditor Fiscal aprofundar sua fiscalização por meio de outros elementos de provas e diligências complementares em nome da verdade material. Transcreve o artigo 512, do Decreto n.a 7.212, de 15 de junho de 2010. Competiria ao Auditor Fiscal, portanto, buscar e analisar os elementos que se encontravam à sua disposição, a fim de apurar se a importadora possuía ou não capacidade econômica e não concluir pela prática de uma infração, sem qualquer indído da prática de fraude. Transcreve o artigo 149 do Código Tributário Nacional. Fl. 7269DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 14 13 Junta textos da doutrina de Aurélio Pitanga Seixas Filho: (Princípios Fundamentais do direito administrativo tributário: a função fiscal Rio de Janeiro: Forense, 2001 Páginas 4546). Destacase que, para o AFRFB, bastaria a verificação de problemas na escrituração contábil da empresa para restar caracterizada a suposta interposição fraudulenta presumida. Ocorre que o CARF já decidiu que a não apresentação dos livros fiscais configura descumprimento de obrigação acessória e não a caracterização, por si só, de interposição fraudulenta: (Acórdão n° 240101.864). Comenta o Acórdão 0735.071, proferido, por unanimidade pela 1ª Turma, da DRJ/FNS. Afastando o entendimento de que apenas a escrituração contábil de uma empresa é elemento hábil a demonstrar a origem de seus recursos, a DRJ/FNS destaca que,a origem dos recursos deve ser considerada licita, ainda que tenham divergências em sua escrituração fiscal. Os recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita. Transcreve os Acórdãos n° 1221389 e n° 0723981. Os recursos utilizados para as despesas aduaneiras também possuem origem em empréstimos bancários, conforme se verifica dos contratos anexos no item 73 desta Impugnação. Demonstrado que o contribuinte possui capacidade econômica e financeira própria para arcar com as despesas dos processos de importação, deve ser afastada qualquer presunção de interposição fraudulenta, em homenagem ao princípio da verdade material. INEXISTÊNCIA DE FALSIDADE IDEOLÓGICA, INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO Utilizando o recurso da integração das normas e da analogia, é de se verificar se a falsidade ideológica está abarcada pelo tipo legal aduaneiro acima, e se deve ser (deverser) aplicada, in casu, a pena de perdimento. Nesse Ser, por diversas razões é possível afirmar que a falsidade ideológica na fatura comercial está presente no subfaturamento, na fraude de valor, nas divisas fraudes relacionadas a infrações qualificadas, todas punidas com multas e não com a pena de perdimento. Sempre que há dolo em alguma infração administrativa decorrente de falsa declaração ou documento com conteúdo falso, a falsidade é ideológica, e as penalidades erigidas pelas diversas normas legais sempre referemse a multas, administrativas ou tributárias. Ou seja, numa análise sistemática do ordenamento jurídico pátrio, impõese, em casos de falsidade ideológica com reflexos na seara tributária e/ou aduaneira, apenas aplicação de pena de multa, seja sobre o valor da mercadoria, seja tributária, como comumente é efetuado pela aduana Fl. 7270DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 15 14 nacional. Reprisese, falsidade ideológica, mesmo que pela via da simulação, não enseja a aplicação da pena de perdimento nos termos do artigo 105, VI, do DL 37/66 (art. 689, VI, do RA). Com efeito, falsidade ideológica seria a dolosa inserção (ou omissão) de informação falsa em documento necessário ao desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. No caso em tela, a informação falsa possível seria a omissão do real comprador no exterior, e isso não ocorreu porque o real importador foi a MULTIMEX, utilizando recursos próprios. Finalizando, para se constatar um negócio aparente (simulado ou fraudulento) fazse necessário a comprovação da dolosa intenção que tenha resultado em vantagem. A Impugnante em nenhum momento abusou dos meios jurídicos para sofrer carga tributária inferior à sua capacidade econômica, não podendo ser desconsiderado, na forma da lei, o revestimento dado ao seu negócio. Fica claro que no caso em análise houve precipitada e descuidada alegação de simulação e de falsidade de documentos pela fiscalização. O artigo 9° do Decreto n. 70.235/1972 determina que a autoridade fiscal produza provas para exigir crédito tributário ou para penalizá lo. Junta textos da jurisprudência administrativa: (Acórdão n° 0712919). AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO DOLO ESPECÍFICO DE FRAUDAR IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A Fiscalização acusa a Impugnante de ter supostamente cedido seu nome para ocultar o real importador das mercadorias e lavrou Auto de Infração exigindo multa equivalente ao valor aduaneiro dos bens. Transcreve trecho do voto do Cons. João Carlos Cassuli: (Acórdão n° 3402002.2275). Não há qualquer demonstração de fraude ou simulação pela Impugnante, até mesmo por impossibilidade material. Considerando ser dementar do tipo o doto de fraudar, inexistente no objeto dos autos, é de se concluir que tal infração não foi praticada. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (Acórdão n° 30239.026). Consoante já reconhecido pelo CARF, se não há prova da existência de ato dissimulado, não há simulação e deverá ser cancelado o lançamento fiscal, pois não havendo prova de simulação ou fraude, a hipótese legal prevista no artigo 23, V, do DecretoLei n.s 1.455/76 não se realiza: (Acórdão 3402002.277 4a Câmara/2 Turma Ordinária). Frisese que as declarações da autoridade fiscal não gozam de presunção de legalidade, só possuindo fé pública aqueles atos em que a Fl. 7271DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 16 15 lei não determinar que ele produza provas do que declarou ou naqueles em que a lei declare expressamente a existência dessa fé pública. Junta textos da jurisprudência administrativa: (Acórdão n° 0712.597). AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO EM RAZÃO DO NÃO COMETIMENTO DAS ALEGADAS INFRAÇÕES. PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA. O entendimento exposto é consequência da observância do Princípio da presunção de inocência princípio que se irradia por todo o ordenamento, inclusive na ordem tributária por fazermos parte de um Estado Democrático de Direito, onde são garantidas a liberdade e a propriedade. Esse princípio fundamental encontrase expresso no art. 5º , LVII, da Constituição Federal e determina que os cidadãos desse a qual pertencem os contribuintes só podem ser considerados violadores do ordenamento Jurídico em que estão inseridos o sistema constitucional tributário se contra eles existirem fatos consistentes que demonstrem, de forma incontroversa, a ofensa praticada. Resta evidenciado que na descrição detalhada constante da autuação não restou demonstrada a participação da Impugnante na prática de qualquer ilícito administrativo ou tributário. Assim como não ficou demonstrado que a Impugnante intencionalmente simulou operações de comércio exterior, ocultou o real importador ou adquirente, ou incorreu em falsidade ideológica. Nada disso restou provado. Também não está demonstrada a vantagem em atuar da maneira como descrita pela fiscalização ou de simular qualquer operação, já que constava dos documentos de importação e efetuou o pagamento pelas mercadorias importadas, como demonstram os contratos de fechamento de câmbio em seu nome no Banco Central. Para que seja caracterizado o dano ao erário e, por consequência, seja aplicada a pena de perdimento, pressupõese , que seja comprovada a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor. comprador ou responsável pela operação e que esta ocultação tenha ocorrido mediante fraude ou simulação, que autorizam concluir que ha falsidade ideológica em documento necessário ao embarque ou desembaraço e mercadoria importada. O legislador faz uma única exceção ao ônus da prova da Fiscalização na hipótese de interposição fraudulenta de terceiros presumida caso não comprovada a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados (§ 2", inc. V, do art 23 do Dec. Lei 1.435/76). Ocorre que demonstram não ser o caso de não comprovação de origem disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior, haja vista que a Impugnante demonstrou ter utilizado recursos próprios frente às importações que realizou. Ademais, para que haja a fraude há que existir dolo, o elemento subjetivo do tipo que não restou identificado. Outrossim. é imperioso que se,a demonstrada cabalmente e que houve simulação, a qual Fl. 7272DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 17 16 redunda em falsidade ideológica e uso de documentos falsos no despacho aduaneiro de importação. Se todos os tributos foram pagos na importação e na revenda, não ao ha irregularidades dementais nos processos de importação e as mercadorias conferem com as que foram declaradas, onde poderia estar a possibilidade e fraudar e lesar os cofres públicos por parte da Impugnante? Convém ressaltar que não basta alegar, é preciso provar, e prova contra a Impugnante é tudo o que não existe nesses autos. A Impugnante jamais agiu com dolo ou intenção de ocultar qualquer documento ou operação comercial da qual tenha feito parte. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO EM FACE DO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS INCIDENTES. A autoridade fiscal não se atentou para o fato de que não há incidência do imposto sobre produtos industrializados para as mercadorias em questão. Deveras, a mercadoria importada situase fora do campo de incidência do IPI (ou alíquota zero), de forma que a suposta fraude narrada nos autos não possui qualquer potencialidade lesiva ao erário. Com a devida vênia, afigurase impossível imaginar uma conduta dolosa por parte da Impugnante visando ao cometimento de alguma fraude para reduzir a carga tributária, pois as mercadorias não sofrem a incidência do IPI. Portanto, ainda que se admita exclusivamente para fins de argumentação, a prática da suposta fraude imputada pela Impugnante não gera qualquer lesão aos cofres públicos. Junta textos da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4a Região. Demonstrado que as mercadorias objeto dos autos não sofrem a indigência do IPI e, consequentemente, não há qualquer conduta dolosa visando a sua supressão, manifestamente improcedente o presente Auto de Infração, pois a conduta não se coaduna com a hipótese de dano ao erário prevista no artigo 23 do Decreto 1.455/76. A LEI N° 11.488/2007 E A MULTA DE 10% Na remota hipótese de restarem afastados os argumentos esposados e se considerar correta a imputação da prática de interposição fraudulenta, ainda assim o lançamento deve ser julgado improcedente, haja vista a inobservância do disposto na Lei 11.488/2007. Com efeito, o Fisco jamais deveria ter aplicado à importadora a sanção de perdimento das mercadorias e muito menos a conversão do perdimento em pecúnia, pois a Lei 11.448/07 é clara ao determinar que as pessoas jurídicas que praticam interposição fraudulenta devem ser sancionadas com multe de 10% do valor da operação acobertada. Transcreve o artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Fl. 7273DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 18 17 Portanto, afigurase incongruente aduzir que a Impugnante não seria a real adquirente das mercadorias e, ao mesmo tempo, exigir dela crédito relativo à conversão da penalidade de perdimento em multa (pena aplicável ao adquirente dos bens), sob pena de bis in idem. Se a Impugnante é interposta pessoa, se não adquiriu as mercadorias, como cobrarlhe a devolução das mesmas (perdimento) ou impor lhe muita de 100% do valor dos bens? Data máxima vênia, tanto o artigo 33, da Lei 11.488/07 quanto o inciso V, do artigo 23, do Decretolei n° 1.475/76 tratem de uma única conduta ("ocultação dos reais intervenientes da operação de importação") e, desta forma, dever ser aplicada a norma mais específica para o caso (princípio da especialidade). A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um bis in idem. Junta textos da jurisprudência administrativa: (Acórdão 3402002.362). Dessa forma, mesmo que se admitisse a prática de "interposição fraudulenta" (o que não ocorreu no presente caso), o lançamento deve ser julgado improcedente, haja vista que, nesta hipótese, aplicarseia o disposto na Lei 11.488/2007 com a incidência de multa de 10% àquele que supostamente teria "cedido seu nome" para ocultar o real sujeito passivo da obrigação tributária. DO PEDIDO Diante das razões exaustivamente demonstradas nessa impugnação, requer a Impugnante que seja cancelado o presente Auto de infração ora impugnado e declarada sua nulidade, ou, alternativamente, no mérito seja julgada improcedente a ação fiscal em face da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento que lhe foi imposta, extinguindose assim o respectivo processo administrativo." A DRJ considerou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão 16 069.588. A recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo onde basicamente repete os argumentos da sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Fl. 7274DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 19 18 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.324, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.324): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Antes da análise do recurso voluntário há a necessidade de ser apreciada uma alegação preliminar do contribuinte. O presente processo faz parte de um grupo de 37 processos que correspondem a 37 Declarações de Importação que geraram autos de infração semelhantes. Em um desses processos a recorrente solicita que o presente processo seja transferido para que seja julgado em conjunto com o processo de Nº 12466.722113/201485. Alega que esses 37 autos de infração são conexos ao auto de infração lavrado no processo de Nº 12466.722113/201485, onde inclusive, está a maior parte do conteúdo probatório necessário para o deslinde da controvérsia. Analisando as provas do processo de Nº 12466.722113/201485, entendo que assiste razão à recorrente, pois no caso de julgamentos apartados haveria claro risco de decisões conflitantes para a mesma situação fática e de direito. Tenho como fundamento o inciso I do § 1° c/c o § 2° do art. 6° do Anexo II da Portaria do Ministério da Fazenda n° 343/2015 (RICARF), a saber: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Fl. 7275DF CARF MF Processo nº 12466.722123/201411 Resolução nº 3301000.340 S3C3T1 Fl. 20 19 (. . .) Portanto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja estabelecida a conexão do presente processo com o processo de Nº 12466.722113/201485 de relatoria da Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, com a sua consequente transferência para a 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que seja estabelecida a conexão do presente processo com o processo de Nº 12466.722113/201485 de relatoria da Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, com a sua conseqüente transferência para a 1ª Turma, da 2ª Câmara, da 3ª Seção. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 7276DF CARF MF
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