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Numero do processo: 10980.018375/99-42
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL
Exercício: 1995
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão recorrido nos termos em que reclamado.
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.088
Decisão: ACORDAM os Membros da PLENO do CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage,
Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não
conheciam do recurso extraordinário; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os
Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Femandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário.
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício: 1995 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão recorrido nos termos em que reclamado. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08/STF. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária e em análise de recurso em repercussão geral, declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, não se podendo reformar o acórdão recorrido nos termos em que reclamado. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PLENO do CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffinann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Femandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário. AN 10 Presidente Processo no 10980.018375/99-42 CSRF/100 Acórdão ft° 00-00.088 Fls. 3 tt JULIO C • A ' ' 't" IRA GOMES Relator .tO AGO2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffinann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filhoe Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, em face de Acórdão, através do qual, por maioria de votos, negou-se provimento, afastando-se a aplicação do art. 45 da Lei n2 8.212/91, assim ementado: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — DECADÊNCIA - A contribuição social sobre o lucro liquido e COFINS, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto no art. n° 146, III, , da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstaqno Código Tributário Nacional. Recurso especial negado 2 . . • Processo n°10980.018375/9942 CSRF/T00 Acórdão n." 00-00.088 Eis. 4 A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional alega divergência entre as Turmas da Câmara Superior. Através de despacho fundamenta, entendeu-se que foram cumpridos os pressupostos de admissibilidade. A recorrente alega que no acórdão recorrido deixou-se de aplicar dispositivo de lei específico para as contribuições da Seguridade Social, o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que estabelece prazo de dez anos contados do primeiro dia do exercício Seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Traz em sua peça recursal decisões de tribunais superiores no mesmo sentido. A interessada foi regularmente cientificada e apresentou contra-razões em tempo hábil, alegando que o acórdão juntado não serve como paradigma e que a recorrente não cumpriu aspectos formais para conhecimento do recurso. No mérito, mesmo que dele se conheça, seu entendimento está atualmente superado, inclusive pelos órgãos colegiados da Câmara Superior de Recursos Fiscais e Conselhos de Contribuintes. Pugna, assim, pela preservação do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo e comprovado o dissídio jurisprudencial, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao seu exame. Inicialmente, entendo que se presta como paradigma acórdão que se refere a um julgamento de processo relativo à outra contribuição que não a contribuição social sobre o lucro líquido. Sendo ambas as contribuições para a Seguridade Social e residindo a controvérsia justamente com relação ao prazo para lançamento por homologação dessas contribuições, a diferença entre as espécies é irrelevante para a comprovação ou não da divergência jurisprudencial. Assim, ratifico o despacho que deu seguimento ao extraordinário. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e 3 , Processo n°10980.018375/9942 CS RF/T00 Acórdão n.° 00-00.088 Fls. 5 regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CIN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego _ provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, HL b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § I" do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em let (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei o° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei te 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. --- Art. 2° O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por 4provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação naimprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãosdo Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § .1(2 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. 4 . . i Processo n°10980.018375/99-42 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.088 Fls. 6 Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Em havendo pagamento a ser homologado, aplica-se a regra do artigo 150, §4°; caso contrario, o disposto no artigo 173, I. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional para manter o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Sala d s, 15 de dezembro de 2008. JULI ES VIEIRA GOMES c...4........„ 5 Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10814.007352/2003-26
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 02/09/2003
ADMISSÃO TEMPORÁRIA. UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. DEPRECIAÇÃO. VIDA ÚTIL. PRAZO. INCERTEZA. LAUDO TÉCNICO. SOLICITAÇÃO. PREVISÃO LEGAL.
Conforme disposições normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de dúvidas sobre o prazo de vida útil do bem, fixado para efeito de cálculo da depreciação, poderá ser solicitada perícia do Instituto Nacional de Tecnologia, ou de outra entidade oficial de pesquisa científica ou tecnológica, prevalecendo os prazos de vida útil recomendados por essas instituições.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para determinar que o cálculo dos impostos leve em consideração o prazo de vida útil de dezesseis anos, indicado em Laudo Técnico.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 02/09/2003 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. DEPRECIAÇÃO. VIDA ÚTIL. PRAZO. INCERTEZA. LAUDO TÉCNICO. SOLICITAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. Conforme disposições normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de dúvidas sobre o prazo de vida útil do bem, fixado para efeito de cálculo da depreciação, poderá ser solicitada perícia do Instituto Nacional de Tecnologia, ou de outra entidade oficial de pesquisa científica ou tecnológica, prevalecendo os prazos de vida útil recomendados por essas instituições. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para determinar que o cálculo dos impostos leve em consideração o prazo de vida útil de dezesseis anos, indicado em Laudo Técnico. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru.
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UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. DEPRECIAÇÃO. VIDA ÚTIL. PRAZO. INCERTEZA. LAUDO TÉCNICO. SOLICITAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. Conforme disposições normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de dúvidas sobre o prazo de vida útil do bem, fixado para efeito de cálculo da depreciação, poderá ser solicitada perícia do Instituto Nacional de Tecnologia, ou de outra entidade oficial de pesquisa científica ou tecnológica, prevalecendo os prazos de vida útil recomendados por essas instituições. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para determinar que o cálculo dos impostos leve em consideração o prazo de vida útil de dezesseis anos, indicado em Laudo Técnico. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 73 52 /2 00 3- 26 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.007352/200326 Acórdão n.º 3102001.746 S3C1T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A interessada foi autuada em face da falta de recolhimento de imposto sobre produtos industrializados. A autoridade aduaneira aduz que mediante a declaração de importação 03/07055170 foi importada uma aeronave sob o regime de admissão temporária, sem o recolhimento de imposto previsto na Instrução Normativa SRF nº 285/03, artigo 6º. O auto de infração foi lavrado com exigibilidade suspensa em face de decisão proferida no processo 2003.61.19.0029082, 1ª Vara Cível Federal de Guarulhos e depósito. Intimada em 6/10/03, a interessada apresentou impugnação em 4/11/03, juntada às fls. 143 e ss. Alega, em síntese: Pendendo mandado de segurança a respeito da legalidade da tributação incidente sobre a aeronave, descabe reabrir a mesma discussão no processo administrativo. Questiona, entretanto, aspecto não abordado na ação judicial, relativo ao cálculo do imposto sobre produtos industrializados. O artigo 2º e parágrafo único da Lei nº 9.430/1996, os bens submetidos ao regime de admissão temporária sujeitamse ao pagamento dos impostos incidentes na importação, proporcionalmente ao tempo de permanência no território nacional e à vida útil. A estipulação da vida útil de uma aeronave em dez anos contraria a realidade, pois tais equipamentos são utilizados durante até vinte anos. Disso resulta majoração dos tributos. Conclui que o auto de infração deve ser revisto e cancelado. Requer a realização de perícia, formulando o seguinte quesito: “Qual o tempo de vida útil da aeronave a que se refere o auto de infração?” Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 02/09/2003 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. UTILIZAÇÃO ECONÔMICA. No âmbito do processo administrativo fiscal a autoridade julgadora está adstrita aos atos normativos exarados pela Receita Federal. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.007352/200326 Acórdão n.º 3102001.746 S3C1T2 Fl. 4 3 O cálculo dos tributos incidentes na importação sob o regime de admissão temporária previsto no artigo 79 da lei 9.430/1996 deve observar o prazo de vida útil previsto na IN SRF 162/1998. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, principalmente, que o prazo imposto pela Secretaria da Receita Federal contrariava a realidade, na medida em que os equipamentos objeto da lide costumam ser usados por até vinte anos. Tendo em vista que a regulamentação veiculada na Instrução Normativa nº.162/98, que disciplinava o processo de Admissão Temporária de bens, considerava o critério de depreciação utilizado no âmbito do Imposto de Renda para fins de contagem do prazo, contemplando a possibilidade de o prazo ser redefinido à luz de laudo pericial emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse atendida a requisição de perícia apresentada pela recorrente. As perguntas apresentadas à Perícia foram as seguintes. 1 Informar a descrição completa da aeronave nacionalizada por meio da Declaração de Importação nº. 03/07055170. 2 Qual o prazo de vida útil da aeronave contando da data de sua fabricação? 3 Informar a ocorrência de eventos que tenham resultado em diminuição da vida útil do bem citado. 4 Demais informações técnicas ou explicações que entenda serem úteis para esclarecimento. Realizada a perícia, foi dado ciência do resultado à Recorrente que sobre ela apresentou suas considerações a seguir sintetizadas. Que o Relatório Técnico nº. 060/2011, elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia indicou a vida útil da aeronave mediante a apresentação de várias metodologias, todas apontando para uma vida útil muito superior a determinada pela Instrução Normativa nº. 285/2003, de dez anos. A primeira, que leva em conta o número de ciclos de pressurização, fator considerado pelo Parecer como principal determinante, estabeleceu uma vida útil para aeronave periciada de 32 anos, 19 remanescentes. Utilizando a Metodologia baseada nas horas de vôo, o Parecer conclui pela indicação de uma vida útil de 35 anos, 22 remanescentes. Pela Metodologia baseada nas vidas úteis tabeladas e curva de sobrevivência, utilizando fontes que apresentam a média, moda, mediana e valor adotado, em cotejo com as Curvas de Sobrevivência de Iowa, o laudo apontou vida útil de 24 anos. Finalmente, baseandose na Instrução Normativa nº. 162/98, que fixa a vida útil de aeronaves em dez anos, associada às curvas de sobrevivência utilizadas na metodologia anterior, fixou a vida útil do equipamento em 16 anos. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.007352/200326 Acórdão n.º 3102001.746 S3C1T2 Fl. 5 4 A esse respeito, contesta a utilização do parâmetro ditado pela Instrução Normativa, “pois totalmente dissonantes da realidade e equivocados – como o próprio Parecer atesta – sendo as respectivas conclusões obtidas com tal metodologia, paradoxais às que apontam a vida útil da aeronave com base nas horas de vôo e ciclos de pressurização”. Acrescenta, Porém, não se sustentam as conclusões decorrentes da utilização dessas últimas metodologias comentadas – a da vida econômica e a baseada na Instrução Normativa nº. 162/1998 – posto que amparadas em critérios subjetivos e inseguros para a determinação da vida útil de um determinado bem. Tais metodologias utilizam dados e números hipotéticos e sem qualquer relação com a realidade, chegando à imponderável conclusão de que depois de determinado momento, seria mais interessante vender a aeronave e aplicar o dinheiro em um investimento livre de risco. Mas para o cálculo da vida útil de um bem, inclusive para fins de redução do imposto, não podem ser utilizados critérios subjetivos e opiniões pessoais do Expert, sendo imprescindível a determinação da vida útil com base em critérios objetivos e mais próximos possível da realidade. Acrescenta que, conforme demonstrado no Laudo Pericial, a aeronave sempre foi utilizada abaixo da média das aeronaves semelhantes. Que o Laudo Pericial foi além do que lhe cabia ao responder ao quesito nº. 2. Ao final, pugna que a tributação seja calculada com base na vida útil de 35 anos, especificada no Laudo quando o cálculo foi realizado com base nas horas de vôo, ou, alternativamente, de 32 anos, tempo calculado com base no número de ciclos de pressurização. Não sendo esse o entendimento, requer reconhecimento da vida útil em 24 anos, baseada na curva de sobrevivência, desconsiderandose, em qualquer hipótese, a Metodologia baseada na Instrução Normativa nº. 162/98. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Como já havia sido mencionado no Voto que converteu o julgamento em diligência, a lide cingise à forma de cálculo dos tributos constituídos em auto de infração com exigibilidade suspensa por decisão judicial, em mandado de segurança parcialmente provido, que determinou a liberação das mercadorias importadas, retidas sob a condição de recolhimento dos gravames aduaneiros, com o seguinte teor. Ante o exposto, DEFIRO PARCIALMENTE A LIMINAR pleiteada para que seja dada continuidade ao procedimento de importação da aeronave apreendida (licença de importação n. 03/07123836 – 03/04478820), independentemente do recolhimento do ICMS incidente sobre sua importação, sendo indevido o recolhimento do IPI e do II ao cabo de tal procedimento, pois tal exigência, da forma como vem sendo feita, viola princípios constitucionais. Tudo sob a condição de que Fl. 283DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.007352/200326 Acórdão n.º 3102001.746 S3C1T2 Fl. 6 5 a Impetrante assine termo de responsabilidade e preste garantia no montante de 100% (cem) por cento do valor dos tributos. Mais especificamente, a controvérsia encontrase na estipulação do período de dez anos como sendo o de vida útil da aeronave importada em regime de admissão temporária. A recorrente sustentou em sede de Recurso Voluntário que esse prazo “contraria a realidade, considerando que esses equipamentos costumam ser utilizados durante até vinte anos”. Também insurgiuse contra a razão de decidir do i. Julgador de primeira instância, justificada pela obrigatória observância das normas expedidas no âmbito da Secretaria da Receita Federal. Assim se expressou: “Dar preferência a normas inferiores é subverter o sistema do direito positivo embasado na Constituição, configurando opção decisória que não deve ser prestigiada”. Na ocasião da conversão do julgamento em diligência, consideraramse indevidas tais alegações, tendo em vista dever de ofício do julgador de primeira instância de observar as normas editadas pelo Órgão no qual desempenha suas funções. Posição que reitero no presente Voto. Também deve ser repisado que a Instrução Normativa SRF nº. 162/98 estabelece que a quota de depreciação a ser registrada na escrituração da pessoa jurídica como custo ou despesa operacional será determinada com base nos prazos de vida útil e nas taxas de depreciação constantes em seus anexos, alcançando, portanto, inúmeros eventos contábeis e não se caracterizando como uma regra casuísta ou oportunista, destinada a garantir o maior retorno fiscal para determinada operação, como alegava a Recorrente. Feitas tais considerações, o processo foi convertido em diligência, por conta das disposições legais a seguir transcritas. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 253, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994, resolve O comando contido no artigo 253 do Decreto nº 1.041/94 é o seguinte. Art. 253. A taxa anual de depreciação será fixada em função do prazo durante o qual se possa esperar utilização econômica do bem pelo contribuinte, na produção de seus rendimentos (Lei n° 4.506/64, art. 57, § 2°). § 1° A Secretaria da Receita Federal publicará periodicamente o prazo de vida útil admissível, em condições normais ou médias, para cada espécie de bem, ficando assegurado ao contribuinte o direito de computar a quota efetivamente adequada às condições de depreciação de seus bens, desde que faça a prova dessa adequação, quando adotar taxa diferente (Lei n° 4 .506/64, art. 57, § 3°) . (grifos meus) § 2° No caso de dúvida, o contribuinte ou a autoridade lançadora do imposto poderá pedir perícia do Instituto Nacional de Tecnologia, ou de outra entidade oficial de pesquisa científica ou tecnológica, prevalecendo os prazos de vida útil recomendados por essas instituições, enquanto os mesmos não forem alterados por Fl. 284DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.007352/200326 Acórdão n.º 3102001.746 S3C1T2 Fl. 7 6 decisão administrativa superior ou por sentença judicial, baseadas, igualmente, em laudo técnico idôneo (Lei n° 4.506/64, art. 57, § 4°). (grifos meus) § 3° Quando o registro do imobilizado for feito por conjunto de instalação ou equipamentos, sem especificação suficiente para permitir aplicar as diferentes taxas de depreciação de acordo com a natureza do bem, e o contribuinte não tiver elementos para justificar as taxas médias adotadas para o conjunto, será obrigado a utilizar as taxas aplicáveis aos bens de maior vida útil que integrem o conjunto (Lei n° 4.506/64, art. 57, § 12). Esclarecido as ocorrências que trouxeram a lide á situação atual, passo ao exame do resultado do Laudo Técnico e das considerações aduzidas pela Recorrente. Conforme assevera a Recorrente, o Laudo Pericial é bastante extenso e aborda o assunto sob exame a partir de diferentes ângulos, empregando quatro metodologias distintas para na apuração de vida útil do bem. O documento inicia por prestar os seguintes esclarecimentos. O estabelecimento de uma metodologia básica é fundamental para uma plena compreensão termos utilizados nessa atividade em análise, apresentamos as seguintes definições: Vida útil: Prazo de utilização funcional de um bem (ABNT NBR 14.653 1/01 – Avaliação de bens. Parte1: Procedimentos gerais). Vida útil: Período de tempo sobre o qual deve ser esperado, de forma razoável, que um bem desempenhe a função para a qual ele tenha sido projetado American Society of Appraisers – Normal Use Life Study. Vida útil: (a) o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar um ativo; ou (b) o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter pela utilização do ativo (Pronunciamento contábil CPC 27 – Ativo Imobilizado). Vida econômica: Prazo econômico operacional de um bem (ABNT NBR 14.6531/01 – Avaliação de bens. Parte 1: Procedimentos gerais). Vida útil econômica: Período de tempo estimado no qual o uso de um bem para sua atividade final seja lucrativo. Em outras palavras, a vida útil econômica é o número estimado de anos no qual em bem novo poder usado antes de pagar a seu proprietário sua reposição com o bem mais vantajoso do ponto de vista econômico que possa desempenhar a mesma função. Aspectos funcionais ou econômicos podem limitar a vida útil econômica. A mesma é usualmente menor do que a vida útil do bem (American Society of Appraiser – Norma Use Life Study). A partir destes postulados, o Laudo Pericial obtém quatro diferentes períodos de tempo como representativos da vida útil estimada para a aeronave Cessna: 35, 32, 24 e 16 anos. Os esclarecimentos prestados pela Perícia remetem ao entendimento de que, dependendo do critério empregado e da informação que se pretende obter, a vida útil pode estar Fl. 285DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.007352/200326 Acórdão n.º 3102001.746 S3C1T2 Fl. 8 7 representada por um período de tempo máximo para operação da aeronave, a partir do qual haveria grande margem de risco na sua utilização, ou por um juízo de utilidade econômica do bem. É assim que, ao utilizar a metodologia que leva em conta o número de ciclos de pressurização, a Perícia esclarece. Esta pressurização gera uma diferença de pressão entre o interior (maior) e o exterior (menor) da aeronave, o que resulta em tensões sobre a estrutura da mesma. Muito embora estas tensões estejam dentro do limite admissível da estrutura da aeronave, o número de ciclos pode resultar na fadiga do material e, consequentemente, na falha do mesmo. Como dito acima, esse é um critério focado exclusivamente nas condições de operação do equipamento, sem qualquer vínculo com normas de cunho legal que estabelecem padrões tendo em conta pressupostos de caráter econômicocontábeis, sem qualquer intenção de retratar a situação de esgotamento das condições de uso do bem. Apenas para ilustrar, poderseia exemplificar tendo por base os veículos automotores. Do ponto de vista legal, esse tipo de bem deve ser considerado depreciado com o transcurso de um número de anos bem inferior ao que lhes é permitido trafegar pelas ruas e estradas. Assim sendo, atendendo pedido consignado pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, o processo foi baixado em diligência para que fosse elaborado laudo pericial com vistas a dirimir dúvidas suscitadas quanto ao tempo de vida útil do bem em condições normais ou médias, mas, claro, a partir do modelo de depreciação escolhido pela norma legal e não por critérios outros que não atendem a esse fim. De fato, não se pode deixar de lembrar que o assunto de fundo aqui versa sobre a aplicação de um Regime Aduaneiro Especial de Admissão Temporária para Utilização Econômica. Quanto a isso, o Laudo Técnico, extenso no conteúdo e cauteloso em suas decisões, não deixou margem de dúvida sobre qual o critério adequado à solução do impasse. 2. Qual o prazo de vida útil da aeronave contando da data de sua fabricação? Resposta: Considerando a vida útil econômica conforme definido pela ABNT NBR 14.6531/01 – Avaliação de bens. Parte 1: Procedimentos gerais e pela American Society of Appraiser – Normal Use Life Study) como prazo econômico operacional de um bem e período de tempo estimado no qual o uso de um bem para sua atividade final seja lucrativo, respectivamente. Considerando que, baseados nos cálculos dos parágrafos 8.1 a 12.1 deste Laudo Técnico, foi adotado como vida útil física o intervalo de 16 anos a 24 anos, sendo limite inferior em acordo com a Instrução Normativa SRF nº 162/1998 e curva de sobrevivência Iowa S0 e o limite superior em acordo com as tabelas de vidas úteis usualmente adotadas e curva de sobrevivência Iowa S0. Considerando que, baseados nos cálculos dos parágrafos 13.1 a 15 deste Laudo Técnico, foi adotado que a aplicação da tabela oriunda da Instrução Normativa SRF nº 162/1998, Anexo 1, conjugada com a Curva de Sobrevivência de Iowa S0 coincide com a vida útil econômica calculada. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10814.007352/200326 Acórdão n.º 3102001.746 S3C1T2 Fl. 9 8 Considerando que quando se compara o número de ciclos por ano médio dos Cessnas 560 pesquisados no mercado (344 ciclos/ano) como da aeronave em análise (216,33 ciclos/ano). Se fizermos a comparação, teremos uma razão de 1,6. Caso multiplicarmos esta razão pela vida útil média apresentada pela Secretaria da Receita Federal, de 10 anos, chegaremos à vida útil para a aeronave em análise de 16 anos, o que ratifica que as análises efetuadas para a aeronave específica são válidas e condizentes com a realidade, tanto do ponto de vista físico quanto econômico. Este Instituto entende que vida útil econômica da aeronave Cessna 560 Citation Ultra, número de série 5600450, ano de fabricação 1998, objeto deste Laudo Técnico é de 16 anos. Os argumentos da defesa acusando subjetividade e falta de realismo na conclusão acima, como se vê, não podem ser acolhidos. O Laudo conclui com base em critérios objetivos e à luz de fatos reais. Também não há paradoxo entre a decisão tomada e os resultado obtido a partir dos demais critérios. Está claro que são todos válidos, devendo um deles ser escolhido como critério aplicável no caso concreto. Outrossim, como consta na transcrição acima, foi levado em conta o fato de que a aeronave operou em padrões inferiores às médias pesquisadas no mercado. Por fim, cumpre rememorar disposição legal contida no Decreto 70.235/72 e alterações posteriores, de observação obrigatória por esta Corte Administrativa. Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recuso Voluntário, para reconhecer a depreciação do bem no prazo de dezesseis anos da sua fabricação, conforme conclusão pericial. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2013. Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000924/2003-14
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IRPJ. Preços de transferência. PRL. IN SRF nº 38/97. O § 1˚ do art. 4˚ da IN 38/97 desbordou dos limites legais da norma regulamentada (art. 18 da Lei nº 9.430/96), ao vedar a aplicação do método PRL aos insumos importados, em verdadeira afronta ao princípio da legalidade.
Numero da decisão: 9101-001.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.000924/200314 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.429 – 1ª Turma Sessão de 19 de julho de 2012 Matéria IRPJ. Preços de Trasferência. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SCHERING DO BRASIL QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA. Assunto: IRPJ. Preços de transferência. PRL. IN SRF nº 38/97. O § 1˚ do art. 4˚ da IN 38/97 desbordou dos limites legais da norma regulamentada (art. 18 da Lei nº 9.430/96), ao vedar a aplicação do método PRL aos insumos importados, em verdadeira afronta ao princípio da legalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. ﴾documento assinado digitalmente﴿ HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente Substituto ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 12403 a 12419), em face do Acórdão n° 10196.678 (doc. a fls. 12382 a 12399), na parte que, por unanimidade, excluiu da tributação o valor dos ajustes apurados pelo método dos preços independentes comparados – PIC. Ciente do Acórdão recorrido em 08/09/2008 (doc. a fls. 12.401), a recorrente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 8/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR 2 apresentou recurso especial em 09/09/2008 (fls. 12.403), no qual sustenta que: a) o método PRL, como disposto pela Lei 9.430/96, não prevê a possibilidade de dedução dos custos de produção para fins de apuração dos preços de transferência e, também por essa razão, é inaplicável à hipótese de importação de princípios ativos que serão utilizados na produção de medicamentos; b) o PRL não permite isolar o custo do produto importado, quando esse bem é utilizado para a fabricação de outro produto, restando, o custo do produto importado, distorcido, sem corresponder portanto a finalidade legal; c) a IN 38/97 esclareceu algo que já se encontrava na Lei 9.430/96, que o Recorrido que importa matériaprima para produção de outro bem não pode utilizar o método PRL, pois ao não levar em consideração o custo de produção no País, o preço de transferência resta distorcido. d) não há dúvida que o método PRL, para fins de ajuste dos preços de transferência referentes a insumos adquiridos pelo Recorrido, é de utilização incompatível com a própria Lei 9.430/96, não havendo, portanto, nenhuma ilegalidade na IN 38/97; e) a fiscalização, ao lavrar o auto de infração, utilizou, corretamente, o método PIC (Método dos Preços Independentes Comparados), para calcular o preço de transferência dos princípios ativos importados pelo Recorrido a pessoa vinculada. Em despacho a fls. 12425, o Presidente da Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial da contribuinte. Cientificada em 01/03/2010 do despacho que deu seguimento parcial ao recurso especial da contribuinte (doc. a fls. 12438), a contribuinte apresentou, em 16/03/2012, as contrarrazões a fls. 12489 e segs., nas quais sustenta, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) conforme consignado na peça oferecida pelo D. Procurador da Fazenda, seu recurso especial foi interposto com fundamento no inciso II do artigo 32, do antigo Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes (Portaria MF n° 55/98), o qual no seu art. 33, § 3°, dispõe que não servirá de paradigma o acórdão que já tenha sido reformado pela CSRF e que o acórdão apontado como paradigma já foi reformado pelo CARF, logo o recurso especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido; b) de acordo com a Lei n° 9.430/96, o contribuinte não somente tem a opção de escolher qual método aplicará, mas também o beneficio de, no caso de eventual erro que o leve a indicar um método menos favorável, que este seja substituído, de oficio, pelo outro método menos gravoso; e c) o § 1 ˚ do art. 4˚ da IN 38/97 não encontra eco na Lei n° 9.430/96, o que nos conduz a inexorável conclusão de estarmos, in casu, diante de flagrante afronta ao principio da legalidade. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 8/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR Processo nº 16327.000924/200314 Acórdão n.º 9101001.429 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. Conheço do recurso especial da contribuinte, pois verifico que atende os pressupostos de admissibilidade. Vale observar que a condição de recorribilidade anteriormente prevista no art. 33, § 3°, da Portaria MF 55/98 e, posteriormente, no § 5˚ do art. 15 da Portaria MF 147/07 deixou de vigorar com a entrada em vigor da Portaria MF 256/09, a qual não mais impõe tal condição para fins de demonstração da divergência, sendo esta última a norma a ser aplicada para fins de análise da admissibilidade (sistema do isolamento dos atos processuais a nova norma aplicase aos processos pendentes). Ademais, à época do exame da admissibilidade do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, 29 de setembro de 2008, o acórdão paradigma ainda não havia sido reformado, o que só veio a ocorrer em 24 de agosto de 2009 (doc. a fls. 12589). A questão a ser analisada reside em saber se o § 1 ˚ do art. 4˚ da IN 38/97 encontra amparo na Lei n° 9.430/96, para tanto vejamos como dispõe a referida instrução: "Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. ................................................................................................................." Como se verifica, o § 1˚ do art. 4˚ da IN 38/97 vedou a adoção do método PRL quando o produto importado fosse utilizado na produção de outro bem, serviço ou direito, pois, nesse caso, a referida instrução obrigava a adoção do método PIC ou CPL. Cabe, então, saber se tal limitação encontra amparo na norma de regência da matéria art. 18 da Lei n˚ 9.430/96. De certa forma, tal questão, senão já pacificada por este Colegiado, está em vias de sêlo, pois a ilegalidade do § 1˚ do art. 4˚ da IN 38/97 é verificável ictu oculi do simples cotejo com o teor do art. 18 da Lei n˚ 9.430/96, se não vejamos como dispõe: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 8/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR 4 determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC:...; ............................................................................................... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: ....... ............................................................................................... III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL" O art. 18 da Lei n˚ 9.430/96, acima transcrito na sua redação original, faculta ao contribuinte que não esteja em procedimento de fiscalização a adoção de qualquer um dos métodos ali previsto, para realizar os ajustes de preços de transferência. Da mesma forma, caso o contribuinte não realize espontanemente os ajustes de preços de transferência, a autoridade fiscal poderá, em procedimento de fiscalização, adotar qualquer um dos métodos do art. 18. Destarte, o § 1˚ do art. 4˚ da IN 38/97 desbordou dos limites legais da norma regulamentada, ao criar a limitação para a adoção do método PRL, em verdadeira afronta ao princípio da legalidade. Ademais, as alegações da PFN de que haveria a impossibilidade de uso do PRL, por ele não isolar o custo do bem importado, resta baldada, quando verificamos que isso seria apenas uma questão de calibragem de percentual, o que viria a ser solucionado posteriormente com a introdução do PRL 60. Todavia, não havia a impossibilidade de aplicação do PRL para insumos importados, sendo que a eventual falta de calibragem do percentual legal não poderia justificar a vedação de tal método, pois que em total desalinho com o texto legal então vigente. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/0 8/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUN IOR
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001062/00-40
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUERIMENTO PARA RETIFICAÇÃO DE ERRO MATERIAL.
Inexistindo os pressupostos de admissibilidade dos recursos manejados pelo contribuinte, indefere-se o pedido de retificação de erro material e rejeitam-se os embargos de declaração.
Recursos negados.
Numero da decisão: 3403-001.741
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e o pedido de retificação de erro material.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REQUERIMENTO PARA RETIFICAÇÃO DE ERRO MATERIAL. Inexistindo os pressupostos de admissibilidade dos recursos manejados pelo contribuinte, indeferese o pedido de retificação de erro material e rejeitamse os embargos de declaração. Recursos negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e o pedido de retificação de erro material. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por meio do Acórdão nº 20311.806 foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer: 1) o direito à inclusão no cálculo do crédito presumido das Fl. 388DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 aquisições de pessoas físicas e cooperativas; 2) o direito de inclusão no cálculo do crédito presumido do valor da industrialização por encomenda, apenas quanto às latas; 3) o direito de excluir a receita de exportação de produto NT da apuração do coeficiente de exportação (excluir a receita de exportação de produto NT tanto da receita de exportação, quanto na receita operacional bruta); e 4) o direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional embargou o referido Acórdão, alegando que houve omissão de ponto sobre o qual deveria ter se pronunciado a Câmara. A omissão residiria no fato de que o colegiado concedeu o direito ao crédito presumido sobre aquisições de cooperativas, mas o contribuinte não trouxe aos autos as respectivas notas fiscais para comprovar as aquisições. Por meio do Acórdão nº 220100.044, os embargos de declaração foram acolhidos com efeitos infringentes para rerratificar o Acórdão nº 20311.806 e negar provimento quanto às aquisições de não contribuintes, em razão da falta de comprovação do direito alegado. Regularmente notificada do resultado do julgamento dos embargos de declaração a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial com base no art. 4º da Portaria MF nº 256/2009. O recurso especial foi admitido pelo despacho 34001116 (fl.335/336). Notificado do Acórdão 220100.044 em 25/11/2010 (AR de fl. 338), o contribuinte apresentou em 06/12/2010 o requerimento para solução de erro material e, caso assim não se entenda, embargos de declaração (fls. 342/346). Alegou que o vício consistente em erro material, ou omissão ou obscuridade consiste no fato de que o Acórdão 220100.044 está fora do contexto fático dos autos. Isto porque as notas fiscais foram apresentadas, conforme deflui do despacho decisório de fls. 135 e 136, posto que não há nenhum questionamento por parte da fiscalização sobre a ausência ou falta de apresentação de notas de aquisição de não contribuintes. A glosa foi fundamentada apenas em interpretação jurídica dos dispositivos legais pertinentes à espécie. E tanto o Acórdão da DRJ, quanto o Acórdão nº 203 11.806 se limitaram a discutir argumentos jurídicos e não as provas. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O art. 65 do Regimento Interno do CARF estabelece que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso dos autos, o fato da fiscalização não ter questionado a ausência das notasfiscais e as decisões de primeira e de segunda instância terem discutido apenas a interpretação dos dispositivos legais aplicáveis à espécie, não constitui por si nenhum dos pressupostos ensejadores dos embargos de declaração. Não se trata de obscuridade, pois o Acórdão que julgou os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional foi claro ao decidir no sentido de que o contribuinte não apresentou as notas fiscais para comprovar as aquisições. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.001062/0040 Acórdão n.º 3403001.741 S3C4T3 Fl. 11 3 Não se trata de omissão e nem de omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, pois o entendimento está expresso no voto condutor do Acórdão. Tanto está expresso, que o contribuinte dele recorreu apresentando embargos de declaração e requerimento para saneamento de erro material. Não se trata de contradição, pois da premissa (falta de apresentação das notas fiscais), decorre logicamente a conclusão no sentido de que o direito não pode ser reconhecido. Também não se trata de erro ou inexatidão material. A inexatidão material a que alude o art. 66 do Regimento Interno se refere a qualquer equívoco manifesto existente na forma de expressão do julgamento e não no seu conteúdo. A correção de uma inexatidão material é insuscetível de alterar o conteúdo do julgado. O mesmo se diga dos erros de escrita ou de cálculo. As alegações apresentadas pelo contribuinte em sede de embargos aparentam ser procedentes, pois do exame dos autos verificase que realmente a fiscalização glosou as aquisições de pessoas físicas não com base na falta de apresentação de notas fiscais, mas sim com base na inexistência do direito, em razão das pessoas físicas e cooperativas não serem contribuintes do PIS/COFINS. Se o motivo ensejador da glosa tivesse sido a falta de comprovação das aquisições, não haveria necessidade de fundamentar a glosa com base na inexistência do direito. O fundamento teria sido inexistência de prova das operações. Assim, tendo o Acórdão 220100.044 negado o direito do contribuinte em razão da suposta inexistência das provas, incorreu em erro de julgamento, o qual só poderá ser corrigido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sede de recurso especial. Com essas considerações, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração e de indeferir o pedido de retificação de erro material. Antonio Carlos Atulim . Fl. 390DF CARF MF Impresso em 30/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13836.000121/2005-93
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Simples Exclusão
.Ano-calendário 2001
Ementa:
Alterado o contrato social e apresentadas provas do real objeto social do contribuinte e sendo a atividade prevista naquele admitida pelo simples, deve ser cancelado o ato de exclusão do simples.
Numero da decisão: 1302-000.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: DANIEL SALGUEIRO DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Simples Exclusão .Anocalendário 2001 Ementa: Alterado o contrato social e apresentadas provas do real objeto social do contribuinte e sendo a atividade prevista naquele admitida pelo simples, deve ser cancelado o ato de exclusão do simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório Fl. 248DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13836.000121/200593 Acórdão n.º 130200.647 S1C3T2 Fl. 249 2 Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 465.253 (fl. 43), de 7 de agosto de 2003, fundamentado no fato de que a contribuinte exerceria atividade econômica não permitida (industrialização de bebida classificada no Capítulo 22 da TIPI). Cientificada do indeferimento de sua Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, em 28/03/2005 (fl. 47), a interessada apresentou manifestação de inconformidade, em 26/04/2005 (fls. 1/2), na qual alega que: • não industrializa bebida alguma. Apenas vende água in natura, em galões retornáveis, diretamente a partir da fonte. Na verdade, sequer vende água gaseificada. Não transforma nem altera em momento algum a matéria prima que envasa; • para espancar de vez qualquer dúvida na caracterização de sua atividade, modificou o objeto social, como se pode conferir na alteração contratual anexada aos autos, devidamente encaminhada à Jucesp, adequandoo às atividades efetivamente desempenhadas até hoje: o engarrafamento de água mineral natural, não gaseificada; • é efetivamente uma microempresa, a quem o ônus do desenquadramento do Simples importará no seu fechamento; • não é justo que se tratem situações distintas com o mesmo enquadramento. Não se pode enquadrar na mesma situação empresas familiares, como a interessada, com empresas de grande porte. Em uma visita de inspeção apurarseia imediatamente a nãoindustrialização de bebida sujeita à incidência de IPI. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 PRODUTOS CLASSIFICADOS NOS CAPÍTULOS 22 E 24 DA TIPI. OPÇÃO. VEDAÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.99029, de 2000, a empresa que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, de produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei no 7.798, de 10 de julho de 1989, está vedada de optar pelo Simples, mantendose, porém, até 31 de dezembro de 2000 as opções que já haviam sido exercidas. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 20/07/2007. Em seu recurso argumenta : Fl. 249DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13836.000121/200593 Acórdão n.º 130200.647 S1C3T2 Fl. 250 3 Conforme disposto na Tipi, Decreto 4542 de 26/12/2002, nota complementar 222, as águas minerais naturais do regime da Lei 7798 de 1989 permitem a inclusão na sistemática do SIMPLES. • Para que não restem dúvidas quanto a atividade efetivamente por nós desenvolvida, desde o Início de nossas operações; qual seja, o envase de água mineral natural,anexamos a este pedido de reconsideração todas as notas fiscais emitidas desde então. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13836.000121/200593 Acórdão n.º 130200.647 S1C3T2 Fl. 251 4 Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Entendo merecer acolhimento a argumentação da recorrente. Em seu recurso, traz cópias de todas as notas fiscais emitidas a partir de novembro de 2001, onde consta a venda de água mineral natural e alteração contratual, data de 26 de março de 2005, onde foi alterado o objeto social para Cláusula 03 A sociedade tem por objetivo social: Engarrafamento de água mineral natural, não gaseificada.. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator designado ad hoc Fl. 251DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 02/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10768.001442/2002-25
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
Ementa: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA
ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, quando em ambas trata do mesmo objeto.
AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A certeza
e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o comando inserto nos artigos 170 e 170-A do CTN. Créditos que não se apresentam líquidos e/ou certeza, não podem, portanto, ser objeto de autorização de compensação.
Numero da decisão: 1401-000.197
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antônio Bezerra Neto
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PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10768.001442/2002-25 Recurso n° 167.302 Voluntário Acórdão n° 1401-00.197 — 4' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 07 de abril de 2010 Matéria IRPJ e OUTRO - ANO-CALENDÁRIO: 2000 Recorrente ELETRONET S.A. Recorrida 9TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 Ementa: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, quando em ambas trata do mesmo objeto. AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o comando inserto nos artigos 170 e 170-A do CTN. Créditos que não se apresentam líquidos e/ou certeza, não podem, portanto, ser objeto de autorização de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. _ VIVIANE VIDAL AGNER— Presidente 4,jc- c;)9#2é, A TONI ZERRA NETO - Relator EDITADO EM: r) í: 1 A ntr-ir n u Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luís Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Alexei Marcorin Vivan. Processo n° 10768.001442/2002-25 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.197 Fl. 2 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n° 16-14.787, da 9' Turma da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro I-RJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "O presente processo versa sobre os pedidos de compensação e declarações de compensação (Dcomp) listados a seguir, apresentados nos autos do presente processo ou em processos apensos, em que a interessada pretende compensar débitos diversos com crédito que entende ter de imposto de renda na fonte — IW de R$ 2.841.022,39, do ano-calendário de 2000, objeto do pedido de restituição de fls. 03. Os pedidos de compensação foram convertidos em Dcomp por força do disposto no art. 74, § 4°, da Lei n° 9.430/1996 c/c art. 49 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002. Com base no Parecer Conclusivo n° 03/2007 de fls. 591/596, o Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração no Rio de Janeiro — Derat/RJ proferiu Despacho Decisório n° 03/2007 (fls.597) e Despacho de Homologação de fls. 737, em que deferiu parcialmente o pleito, para homologar integralmente (S), parcialmente (P) ou não homologar (N) as Dcomps apresentadas, como consta dos esquemas a seguir. Quanto às Dcomp de fls. 143 e 333, informou que os débitos relativos a carnê-leão não são passíveis de compensação. Fls 01 64 65 67 80 85 89 95 100 107 108 115 123 130 136 143 s/n S Fls 151 159 169 188 202 211 223 225 233 247 248 254 258 266 274 282 s/n S Fls 289 300 313 331 333 334 346 350 351 366 370 379 382 436 439 s/n N Com relação às Dcomps apresentadas nos processos apensos, a Derat/R-10 não homologou as compensações efetuadas naqueles indicados com a letra "N" no demonstrativo acima. Os débitos objeto de Dcomps apresentadas nos processos marcados com 2 Processo n° 10768.001442/2002-25 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.197 Fl. 3 asterisco (*) foram considerados pela Derat/RJO como não confessados, com relação aos quais teriam sido tomadas as providências de que trata o art. 68 da IN SRF n°600/2005. 1 10768. 000021/2003-68 N 17 10768. 002997/2003-75 2 10768. 000176/2003-02 (*) N 18 10768. 003237/2003-85 3 10768. 000388/2003-81 N 19 10768. 003305/2003-14 4 10768. 000532/2003-80 N 20 10768. 003307/2003-03 (*) N 5 10768. 000746/2003-56 N 21 10768. 003585/2003-52 6 10768. 000866/2003-53 N 22 10768. 003587/2003-41 7 10768. 001060/2003-82 N 23 10768. 003588/2003-96 8 10768. 001303/2003-82 N 24 10768. 003 794/2003-04 9 10768. 001304/2003-27 N 25 10768. 004192/2003-66 10 10768. 001549/2003-54 N 26 10768. 004194/2003-55 11 10768. 001645/2003-01 N 27 10768. 017723/2002-08 12 10768. 001886/2003-41 N 28 10768. 017963/2002-02 13 10768. 002448/2003-09 N 29 10768. 017964/2002-49 (*) N 14 10768. 002449/2003-45 N 30 10768. 018334/2002-91 15 10768. 002734/2003-66 N 31 10768. 100263/2002-70 16 10768.002996/2003-21N 32 10768. 100573/2003-75 No mérito, o parecerista concluiu que o direito creditó rio pleiteado de R$ 2.841.022,39, era relativo ao saldo negativo do /3 Processo n° 10768.001442/2002-25 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.197 Fl. 4 IRPJ a pagar do ano-calendário de 2000 e deveria ser reconhecido até o valor de R$ 900.835,26, pelos motivos que expôs, relatados a seguir. Disse que, do exame da DIPJ/2001, verificou que o IRPJ apurado se baseou em lucro real obtido exclusivamente de "outras adições" (ficha 09-A, linha 22 — fls. 450) e que a interessada esclareceu (fls. 490) que até 31/03/2001 estava em fase pré-operacional e o saldo líquido das despesas e receitas era registrado na conta resultado de exercícios futuros. Porém, tal esclarecimento não foi acatado pelo parecerista, que entendeu que não teria mais amparo legal o procedimento adotado pela interessada, previsto na IN SRF n° 54/1988, a saber, o confronto entre receitas e despesas financeiras, variações monetárias ativas e passivas (lucro inflacionário) e, se apurado saldo credor, este seria diminuído das despesas operacionais. Disse o parecerista que, em razão da revogação da IN n° 54/1988 pelo art. 4° da Lei n° 9.249/1995, que extinguiu a correção monetária de balanço, não existiria mais possibilidade de diferimento das receitas financeiras, devendo então ser aplicada a regra geral prevista no art. 218 do RIR/1999, que determina que o IRPJ será devido à medida que os rendimentos, ganhos e lucros forem auferidos. No caso das despesas operacionais, concluiu o parecerista, estas continuam a ser levadas ao ativo diferido para posterior amortização, conforme art. 325 do RIR/1999 e Solução de Consulta SRRF/7 aRF/Disit n° 86, de 26/03/2001 (obs: fls. 889/894), em que aquele órgão responde a questionamento da própria interessada sobre o correto tratamento a ser dado às despesas pré-operacionais e às despesas e receitas financeiras, com a revogação da IN SRF n° 54/1988. Disse o parecerista que, apesar da resposta obtida na SC n° 86/2001, a interessada adotou posicionamento contrário, conforme demonstrativo que esta juntou às fls. 489, e levou a resultado de exercícios futuros (conta de passivo no balanço patrimonial) o valor das receitas financeiras diminuído do valor das despesas pré-operacionais, quando o correto seria levar ao resultado do exercício o valor das receitas financeiras diminuído das despesas financeiras; e levar ao ativo diferido o valor das despesas pré-operacionais. Desse modo, considerando as receitas financeiras de R$ 26.326.656,48, o parecerista apurou que a interessada faria jus ao saldo credor de IRPJ de R$ 900.835,26, como demonstra às fls. 594. O parecerista ressaltou que verificou em extratos de DCTF (fh. 575/581) que a interessada veiculou compensações vinculadas ao crédito ora pleiteado, sem, contudo, apresentar Dcomp. Por essa razão, do crédito reconhecido de R$ 900.835,26 foram k\deduzidas as compensações indicadas nas DCTF, conforme 4 Processo n° 10768.001442/2002-25 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.197 Fl. 5 cálculos de fls. 582/585, resultando um saldo credor de R$ 805.690,92 para fazer frente às Dcomps apresentadas. Por fim, o parecerista informou que, a partir de auditoria sumária feita nas DIPJ, DCTF, Comprot e consultas de Per/Dcomps, constatou que o saldo negativo do IRPJ ora analisado somente foi utilizado, até então, como crédito para as compensações descritas. Cientificada da decisão da Derat/RIO em 04/04/2007 (AR de fls. 749), a interessada apresentou em 03/05/2007, na pessoa de seu representante legal ((ls. 767), manifestação de inconformidade de fls. 750/764, na qual reitera seu direito ao saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2000 de R$ 2.841.022,39, pelas razões expostas. Disse que o crédito tem origem no reconhecimento do saldo credor de suas aplicações financeiras, assim entendidas como a receita financeira excedente à despesa financeira como resultado de exercícios futuros e não do exercício corrente como entende a autoridade fiscal. Alegou que a IN SRF n° 54, de 05/04/1988, só foi revogada pela IN SRF n° 79, de 09/08/2000 e que, portanto, apesar de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/1995, a primeira IN só foi revogada com a publicação da segunda. Além disso, reiterou os argumentos expendidos na inicial do Mandado de Segurança n° 2001.5101013819-7, impetrado em 25/07/2001 contra ato do Delegado da Derat/RJO, com pedido de ordem liminar, para que fosse suspensa a exigibilidade do crédito tributário de IRPJ sobre o saldo credor apurado na fase pré-operacional. A esse respeito, a interessada informa que o referido MS objetivou afastar a decisão da SC SRRF/7 a RJ n° 86, de 23/03/2001, no que lhe foi concedida a medida liminar (fls. 798/799), posteriormente confirmada pela sentença de fls. 802/806. Tal sentença foi objeto de recurso de apelação por parte da Fazenda Nacional (fls. 807/814), recebido apenas no efeito devolutivo (fls. 815). Concluiu a interessada que isso significa que a exigibilidade do crédito tributário objeto do MS, em que se discute o direito ao reconhecimento do saldo credor verificado na fase pré- operacional como resultado de exercícios futuros, encontra-se suspensa, não podendo o fisco rejeitar as compensações efetuadas, sob pena de violar ordem judicial. Por fim, pede a reforma da decisão da Derat/RJO para que seja reconhecido o direito creditório de R$ 2.841.022,39, relativo ao saldo negativo do IRPJ do ano-calendário de 2000 e, conseqüentemente, homologadas as Dcomps de fls. 223, 225, 226, 233, 247, 248, 254, 258, 266, 274, 282, 289, 300, 350, 351, 366, 370, 379, 382, 436, 439 e aquelas constantes dos processos apensas. 5 Processo n° 10768.001442/2002-25 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.197 Fl. 6 É o relatório." A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2000 Ementa: AÇÃO JUDICL4L. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MESMA CAUSA DE PEDIR. RENÚNCIA AO PLEITO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente a qualquer pedido ou autuação, com o mesmo objeto ou causa de pedir, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. DIREITO CREDITÓRIO DEPENDENTE DE DECISÃO JUDICIAL. CONSEQÜÊNCIA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de crédito decorrente ou dependente de decisão judicial só pode ser efetuada após o trânsito em julgado da sentença, na forma do art. 170-A do CIN." No caso, a Derat/RJO deferiu em parte o pedido, para reconhecer o crédito de R$ 900.835,26, dos quais foram deduzidas compensações indicadas em DCTF, no que resultou em saldo credor de R$ 805.690,92 para fazer frente às Dcomps apresentadas, das quais apenas parte foi homologada. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento que: - Discorda da decisão de piso no que concerne a identidade dos objetos em discussão. Assinala que "o objeto da demanda deve ser compreendido como o pedido das partes. No caso do processo administrativo, o pedido da Recorrente se limita ao deferimento das compensações formuladas por meio de DCOMP's, com a conseqüente extinção dos créditos correlatos. Já na hipótese do Mandado de Segurança n° 2001.5101013819-7, o pedido envolve o reconhecimento do direito ao não recolhimento do IRPJ sobre o saldo credor (receita financeira excedente à despesa financeira) na constância da fase pré-operacional; - Traz doutrina in abstrato de Vicente Greco Filho para amparar o seu entendimento, in concreto: "o pedido deve ser entendido em dois planos ou aspectos: sob um aspecto genérico consiste no tipo de provimento jurisdicional solicitado, ou seja, de condenação ou constituição, cautelar ou de execução; ou sob um aspecto especifico consiste no bem jurídico pretendido. Ambos identificam o pedido e, conseqüentemente, a ação. É possível que apenas um dos aspectos seja diferente, o que já é suficiente para diferenciar as demandas."; Processo n° 10768.001442/2002-25 Sl-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.197 Fl. 7 - Insurge-se, também, em relação à vedação trazida pelo art. 170-A do CTN. Segundo suas palavras: "Isto porque no processo administrativo se parte da premissa de que a Recorrente possui um crédito de IRPJ contra os cofres públicos que pode ser utilizado, por meio de compensação, para extinção de outros créditos tributários. Já no mandado de segurança se parte da premissa de a Recorrente não possuir um débito de IRPJ para com a fazenda nacional. Ora, Ilustríssimo julgador, o suposto fato de a Recorrente não ter o crédito de IRPJ perante a Fazenda Nacional, pleiteado nas DCOMP is, não significa dizer que a Recorrente tem débitos de IRPJ perante a mesma Fazenda Pública. Desse modo, fica evidente a razão pela qual não é aplicável ao presente caso o disposto no art. 170-A do CTN". É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, não se reconheceu integralmente o direito creditório porque fora oferecido à tributação apenas a parcela das receitas financeiras do período que excedeu às despesas pré-operacionais, quando, segundo a DRF, dever-se-ia ter oferecido toda a receita financeira do período e diferido as despesas pré-operacionais. Fundamentou motivo dessa glosa com base no fato de que a IN SRF n° 54/1988, que dava amparo ao pleito da interessada, já havia sido revogada pela Lei n° 9.249/1995. Na fase impugnatória e recursal, entre outros motivos, alega ter direito ao reconhecimento do saldo credor de suas aplicações financeiras, daquela forma proposta, pois teria amparo em decisão judicial proferida nos autos do MS impetrado visando a suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo à diferença da receita financeira questionada, razão pela qual o fisco não pode rejeitar as compensações efetuadas. Na análise dos autos (docs. de fls. 784 a 799) verifico que a matéria do recurso administrativo atinente diferimento ou não da tributação da receita financeira para compor o saldo credor do lucro inflacionário apurado em fase pré-operacional na forma acima proposta é matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. Para melhor elucidação, transcreve-se a parte dispositiva do Mandado de Segurança (25/07/2001), bem assim a decisão deferindo a liminar em 26/07/2001: MS n° 2001.6101013819-7-RJ (Petição inicial) CONCLUSÃO:PEDIDO 43. Em síntese, restou demonstrado que o saldo credor das aplicações financeiras efetuadas para a manutenção do valor do capital social na fase pré-operacional da impetrante deve ser reconhecido como resultado de exercícios futuros e jamais automático pressuposto material do IRPJ, tendo em vista a Processo n° 10768.001442/2002-25 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.197 Fl. 8 inexistência de renda e lucros apurados pela impetrante, diante da inexistência de atividades operacionais que os justifiquem. 44. Dessa forma, requer a impetrante a concessão liminar da ordem, com fundamento no artigo 7 0, inciso II, da Lei n° 1.533/51, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário do IRPJ sobre o saldo credor apurado na fase pré-operacional, até decisão final, quando o pedido efetuado na presente ação mandamental deverá ser julgado totalmente procedente, com a concessão da ordem em caráter definitivo, ressalvado o direito da Fiscalização Federal. 45. Concedida a ordem liminar, a Impetrante requer a concessão em definitivo da segurança, nos termos do art. 5°, inciso LXIX, da Constituição Federal de 1988, e artigos 1° e seguintes da Lei n°1.533, de 31.12.951, reconhecendo-se o direito líquido e certo de não ser compelida a recolher Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas sobre o saldo credor (receita financeira excedente à despesas financeira) na constância da fase pré-operacional, na forma da resposta à consulta formal, em decorrência da ausência do pressuposto material da incidência do Imposto de Renda. (-)" Decisão em Liminar (f1.798) "Isto posto, DEFIRO a liminar postulada determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário do imposto de Renda da Pessoa Jurídica sobre o saldo credor apurado na fase pré-operacional até decisão final no presente processo." Constata-se, assim, que há coincidência entre o objeto do pedido da solicitação administrativa e a causa de pedir judicial. Diferentemente do alegado pela recorrente, releva ressaltar que, embora o pedido de restituição/compensação propriamente ditos não tenham sidos objetos da ação judicial, o que importa é que a matéria relevante de fundo (tributação integral ou não da receita financeira) e prejudicial ao presente pedido está sendo discutida na esfera judicial. É óbvio que a matéria relevante principal que se está discutindo é a mesma, tanto é assim que a recorrente repete todo o discurso feito no poder judiciário em sede recursal (fls. 922 a 931). Caso o poder judiciário lhe garanta que o saldo credor de suas aplicações financeiras seja tributado como resultado de exercícios futuros e não como resultado do exercício corrente, o seu pedido de restituição lhe será deferido após a apuração da liquidez do crédito e acaso não ocorra nenhum outro óbice lá não discutido. Dessa forma, em relação à matéria discutida em ação judicial dispõe o § único, do art. 38, da Lei n° 6.830/80, in verbis: "Art. 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda pública só é admissivel em execução, na forma da Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória do ato declaratório da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e r) demais encargos. 141 8 Processo n° 10768.001442/2002-25 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.197 Fl. 9 Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da açulo prevista neste artizo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." (grifei) A interposição de ação judicial produz um efeito capital que é a perda do poder de continuar a parte a litigar na esfera administrativa, ou seja, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência de recurso por acaso interposto, como preceitua o citado dispositivo legal. A desistência da via administrativa não é um ato unilateral de vontade do contribuinte, mas uma imposição de lei em sentido estrito. O assunto é bastante pacífico não comportando maiores digressões, tendo sido inclusive sumulado em todos os Conselhos (Súmula 1° CC n°1), in verbis: Súmula 1°CC n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) . Outrossim, a IN 210/2002 que veda a restituição, o ressarcimento ou compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo, assenta-se em base legal válida e vigente: art. 74 da Lei n° 9.430/96 c/c art, 170-A do CTN, de 10/01/2001. Reforçando esse entendimento, em boa hora veio o art. 170-A do Código Tributário Nacional - CTN, acrescentado pela Lei Complementar n° 104/2001, que tratou de vedar a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão, como é o caso em comento: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Os artigos 170 e 170-A do CTN estabelecem certas condições à compensação de tributos, as quais não se acha presente no caso em apreço. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, segundo o texto legal referenciado. Créditos que não se apresentam líquidos, não podem ser objeto de autorização de compensação. A esse respeito assim se insurgiu a recorrente contra a decisão de piso: "Ora, Ilustríssimo julgador, o suposto fato de a Recorrente não ter o crédito de IRPJ perante a Fazenda Nacional, pleiteado nas DCOMP's, não significa dizer que a Recorrente tem débitos de IRPJ perante a mesma Fazenda Pública. Desse modo, fica evidente a razão pela qual não é aplicável ao presente caso o disposto no art. 170-A do C7N". Seu argumento não procede, uma vez que foi identificado o fato relevante de fundo na presente solicitação, no escopo da restituição, está também "espelhado" no pedido judicial, por óbvio que a inexistência do crédito nesse último repercute no primeiro. A existência ou não dos débitos é afetada pela falta de cobertura de crédito suficiente e se dá no âmbito não do pedido de restituição, mas sim de compensação. Nesse caso, o fato de não "), 9 Processo n° 10768.001442/2002-25 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.197 Fl. 10 possuir os créditos implica, sim, na existência dos débitos, em sede de Dcomp, uma vez que os débitos estão lá declarados e confessados. Portanto, enquanto pendente de decisão definitiva a influir no reconhecimento do alegado crédito, o fisco está impedido de reconhecê-lo e/ou aproveitá-lo mediante homologação das compensações efetuadas pela interessada. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. ANTONIO' EZERRA NETO 10
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000482/2005-31
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO.
A não apreciação, pelo órgão julgador "a quo", de todos os argumentos e documentos apresentados na fase impugnatória constitui preterição do direito de defesa e determina a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, a teor do disposto no artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972.
Numero da decisão: 1301-001.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos proferidos pelo Relator.
(Documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(Documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. A não apreciação, pelo órgão julgador "a quo", de todos os argumentos e documentos apresentados na fase impugnatória constitui preterição do direito de defesa e determina a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, a teor do disposto no artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos proferidos pelo Relator. (Documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (Documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 04 82 /2 00 5- 31 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 2 Relatório Foi lavrado em 24/02/2005, pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG, auto de Infração para exigir da empresa supra qualificada o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor de 389,72, que acrescido de multa e juros de mora totalizou o crédito tributário no valor de R$ 925,18. O Fisco constatou a não adição ao lucro líquido da parcela de realização mínima do lucro inflacionário acumulado. Intimado em 24/11/2004 a esclarecer as divergências a empresa apresentou as DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001 adicionando as realizações mínimas do lucro inflacionário ao lucro líquido. O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento argüindo que apresentou Declaração onde foi retificado o 1o. trimestre de 2001 e juntando cópia do livro Diário que "comprova o valor do saldo a compensar, valor este que foi usado para compensar a diferença apurada pela fiscalização...". Anexa cópia de DARF referente à diferença apurada relativa ao 4° trimestre. Requer o cancelamento do auto de infração face aos erros materiais cometidos. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/JUIZ DE FORA/MG), decidiu a matéria por meio do acórdão 0920.358, de 21/08/2008 (fls.362), não conhecendo da impugnação por ausência de contraditório, tendo sido lavrada a seguinte ementa: AUSÊNCIA DO CONTRADITÓRI0. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. Nos termos do disposto no artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10675.000482/200531 Acórdão n.º 1301001.123 S1C3T1 Fl. 11 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Do relatório constatase que a presente lide resumese na irresignação da contribuinte face a decisão da DRJ/JFA em não conhecer da sua impugnação sob o argumento de ausência do contraditório. Nesta fase recursal aduz a interessada: Apesar disso valendose do disposto na letra "c" do parágrafo 42 do Art. 16 do diploma referido, acrescido pela Lei 9.532 de 10/12/1997 — e do disposto no parágrafo 62 do mesmo artigo (acrescentado pela Lei 9.532 de 10/12/1997) a requerente invoca a necessidade de interpretar corretamente a sua peça impugnatória para orientar o presente Recurso. A essência do termo "impugnar" significa: CONTESTAR, CONTRARIAR, RESISTIR, OPORSE A PUGNAR CONTRA. Ora, a partir do momento que o próprio órgão julgador classifica a peça como uma IMPUGNAÇÃO significa a instalação do CONTRADITÓRIO. Aliás, a requerente ao enviar as Declarações Retificadoras e o documento comprovando o pagamento da parte NÃO IMPUGNADA estava claramente manifestando que IMPUGNAVA — NÃO CONCORDAVA — com o restante, ou seja, com a parte do levantamento feito pelo fisco cuja incidência FOI CONTESTADA. Caso contrário estaria pagando o imposto sobre aquela parte porque pela própria filosofia e em defesa da honradez da empresa não teria sentido não pagar aquilo que fosse devido. Sobretudo, diz a peça impugnatória: ...."E sem mais delongas requerer o incontinente (sic) CANCELAMENTO do Auto de Infração Termos em que espera deferimento". A despeito do erro gráfico "incontinenti" significa (imediatamente; sem demora; sem intervalo; sem interrupção). Ora, a requerente EXPRESSOU claramente o pedido de CANCELAR (tornar sem efeito; concluir; fechar um processo; excluir; eliminar) o AUTO DE INFRAÇÃO. O que isso significa? — Claramente, significa que diante dos fatos, providências, documentos e justificativas ela NÃO CONCORDAVA com aquele Auto de Infração e pedia a sua EXTINÇÃO. Será que tudo isso implica em concordância. Nada, reflete o CONTRADITÓRIO de TUDO que continha naquele AUTO, exceto, a parte que recolheu. (...) Finalmente, está claro que no lançamento de cobrança derivado do julgamento, a autoridade cometeu falta funcional ao desconsiderar um documento que pela essência é uma CONTESTAÇÃO, como não sendo. Simplesmente houve a Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA 4 omissão ao interpretar o texto do documento dandolhe outra característica senão como deveria, de UMA CONTESTAÇÃO. Diante dos fatos, considerações e análises, a suplicante vem respeitosa e expressamente: 1. Contestar o lançamento e a cobrança oriunda do Auto de infração objeto; 2. Em RECURSO pedir revisão DA DECISÃO para atender o disposto no Art. 112 do CTN, cancelando a COBRANÇA de um tributo INDEVIDO; 3. Pedir o conseqüente CANCELAMENTO do Auto de Infração e o arquivamento do processo. Para melhor elucidação da matéria transcrevo excertos do Auto de Infração ora combatido: “Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. Intimado o contribuinte em 17/11/2004, ciência em 24/11/2004, para esclarecer sobre as divergências apuradas, no prazo de 05 (cinco) dias úteis, este apresentou em 30/11/2004 retificações das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, referente aos anoscalendário de 1999, 2000, e 2001, adicionando ao Lucro Real os valores de realizações do Lucro Inflacionário constantes no Termo de Intimação. Em consulta ao Sistema de Pagamento da Secretaria da Receita Federal, verificouse que não houveram recolhimentos com as devidas multas de ofício e nem mesmo com multa de mora, incidentes sobre os impostos de renda pessoa jurídica apurados após as adições do lucro inflacionário, sendo assim lavrase o presente auto de infração.” Como visto, a autuação ora sob discussão decorre da revisão de DIPJ, em que a ora recorrente intimado em 24/11/2004 a esclarecer a ausência de adição ao lucro líquido do período do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima, apresenta DIPJ retificadoras dos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001 adicionando os valores e, DARF relativo ao recolhimento da diferença apurada após as retificações. Ao final, lavrouse o auto de infração em 24/02/2005 para constituição do crédito tributário correspondente ao IRPJ no valor de R$ 389,72, que acrescido de multa e juros de mora totalizou o valor de R$ 925,18. Compulsando os autos, constato que assiste razão à recorrente no que toca à sua reclamação (contraditório não apreciado), mas não quanto à conclusão que daí extrai (nulidade do auto de infração). Ao impugnar a exigência e aduzir as razões pelas quais entende que seu procedimento estaria correto ao retificar as DIPJs, mesmo após intimada, a contribuinte tem direito a que seus argumentos sejam apreciados. A Turma Julgadora a quo assim não entendeu e, ao deixar de conhecer os argumentos da interessada, quanto a esta matéria, cerceou seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Tratase de vício que não pode ser suprido por este colegiado, sob pena de supressão de instância e, mais uma vez, embora por outra via, cerceamento do mesmo direito. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10675.000482/200531 Acórdão n.º 1301001.123 S1C3T1 Fl. 12 5 Porém, ao contrário do que pretende a recorrente, não vislumbro aqui motivo de nulidade do lançamento, visto que os fatos aqui reportados ocorreram por ocasião da decisão de primeira instância. Há, sim, causa de nulidade do acórdão recorrido, posto que um argumento tempestivamente apresentado pela então impugnante deixou de ser apreciado pela autoridade competente, caracterizando cerceamento de seu direito à ampla defesa, a teor do disposto no artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972. Por todo o exposto, voto pelo acolhimento da nulidade da decisão recorrida, ou seja, para declarar nulo o Acórdão/DRJ/JFA) nº 0920.358, de 21/08/2008, devendo nova decisão ser prolatada, com a indispensável apreciação dos argumentos de mérito que deixaram de ser conhecidos na decisão anterior, acerca das retificações das DIPJ’s e, recolhimento da diferença apurada pela ora recorrente. (Documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 04/ 01/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 37317.004728/2006-51
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999, 01/09/1999 a 30/09/1999, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/08/2000 a 31/08/2000, 01/02/2001 a 28/02/2001, 01/08/2001 a 31/08/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/08/2002 a 31/08/2002, 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/08/2003 a 31/08/2003, 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005
Ementa:
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
DECADÊNCIA
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro.
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Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999, 01/09/1999 a 30/09/1999, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/08/2000 a 31/08/2000, 01/02/2001 a 28/02/2001, 01/08/2001 a 31/08/2001, 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/08/2002 a 31/08/2002, 01/02/2003 a 28/02/2003, 01/08/2003 a 31/08/2003, 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 7. 00 47 28 /2 00 6- 51 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37317.004728/200651 Acórdão n.º 2302002.363 S2C3T2 Fl. 101 3 . Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências de 01/1999 a 07/2006, todas as remunerações pagas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados em desconformidade com a legislação vigente, conforme demonstrativo de fls.06. A obrigação principal está lançada na NFLD n.º 35.831.7371. O auto de infração foi lavrado em 14/11/2005, com ciência do contribuinte em 18/11/2005 e compreende as competências de 02/1999, 09/1999, 03/2000, 08/2000, 02/2001, 08/2001, 02/2002, 08/2002, 02/2003, 08/2003, 02/2004, 08/2004 e 02/2005. Após a apresentação da defesa, DecisãoNotificação julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte interpôs recurso alegando em síntese: a) a nulidade da autuação porque foram utilizados critérios subjetivos; b) que não houve um elemento objetivo a respaldar a notificação; c) que os valores pagos não tem natureza salarial; d) que a PLR foi objeto de ampla negociação coletiva e) que as disposições contidas nos planos de metas são claras e objetivas; f) há periodicidade no pagamento; g) as convenções coletivas e planos de metas possuem aquiescência dos sindicatos h) a concessão do benefício esteve sempre atrelada ao resultado obtido pela empresa; i) há expresso ajuste entre as partes de que o PLR não substitui ou complementa a remuneração; j) que o abono único não constitui base de incidência para a contribuição previdenciária; k) que é inconstitucional a multa. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Requer que primeiramente seja analisada a notificação para depois se verificar a pertinência da multa que se discute; que seja afastada integralmente a aplicação da multa, por ser de caráter confiscatório; que sejam excluídas as multas referentes aos créditos decadentes. A DRP ofereceu as contrarrazões pela manutenção da decisão recorrida. Resolução da Quinta Câmara do Segundo Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, fls. 289/291, pugnou pela baixa do processo em diligência, para acompanhar a NFLD que contém a obrigação principal, que por sua vez, teve a decisão de primeira instância anulada por cerceamento de defesa. Acordão proferido pela DRJ de Campinas/SP, relativo à NFLD julgou o lançamento procedente em parte, face à decadência qüinqüenal. Cópia do mesmo encontrase acostada às fls. 293/305. Os autos retornaram a este colegiado para julgamento e em 21/10/2010, foi proferido o Acórdão n.º 2302.00712, pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que julgou o lançamento procedente em parte, para excluir o período fulminado pela decadência, até 08/2000, inclusive. É de se salientar que na mesma sessãode julgamento foi proferido oAcórdão n.º 230200.711, para o processo 37317.004727/200614, relativo à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que trata da obrigação principal, negando provimento ao recurso, por unanimidade. Todavia, a Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, embargos de declaração contra o Acórdão n.º 230200.712, alegando erro material na decisão, uma vez que há equivoco no período considerado decaído. Com efeito compulsando os autos é de se notar que sendo a autuação datada de 14/11/2005, com ciência pelo contribuinte em 18/11/2005 e compreendendo as competências de 02/1999, 09/1999, 03/2000, 08/2000, 02/2001, 08/2001, 02/2002, 08/2002, 02/2003, 08/2003, 02/2004, 08/2004 e 02/2005, de fato estariam decadentes as competências de 02/1999 e 09/1999 e não até 08/2000, conforme constou no acórdão embargado. Assim, os embargos foram acolhidos e os autos retornaram a este colegiado para correção do erro material apontado, através da emissão de novo Acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. O auto de infração lavrado referese a falta de informação em GFIP dos fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes a valores pagos aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados em desconformidade com a legislação vigente, nas competências de 02/1999 a 02/2005. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37317.004728/200651 Acórdão n.º 2302002.363 S2C3T2 Fl. 102 5 A autuação se deu em 14/11/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 18/11/2005. A recorrente em suas razões alega a decadência qüinqüenal e , com efeito, é de se notar que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Desta forma, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I, devendo ser excluídas da autuação as competências de 02/1999, 09/1999: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trouxeram fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 41DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37317.004728/200651 Acórdão n.º 2302002.363 S2C3T2 Fl. 103 7 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, também, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Também é improcedente a assertiva da inexistência do fato gerador, ou que o lançamento se baseou em presunções, eis que o lançamento do crédito na NFLD não foi presumido, mas se baseou na contabilidade da empresa, nas suas folhas de pagamento e em outros documentos por ela elaborados que não comprovaram ser o pagamento de valores aos empregados, participação nos lucros e resultados. E este processo trata de Auto de Infração pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, no caso, os pagamentos efetuados aos segurados empregados. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito Quanto ao mérito, a motivação para a autuação ocorreu devido a fiscalização entender que as parcelas pagas a título de PLR devem integrar o salário de contribuição, pois não respeitaram a legislação vigente quanto aos aspectos necessários para serem parcelas excludentes do salário de contribuição, em especial quanto: à falta de negociação clara entre a empresa e os empregados; os pagamentos foram efetuados por determinação expressa dos Acordos Coletivos e Aditivos à Convenções Coletivas, sem nenhum critério sustentado nos lucros ou nos resultados da empresa; os pagamentos eram dissociados de qualquer plano de metas; não há comprovação de que os empregados sabiam da existência de metas a serem cumpridas; as regras definem pagamentos independentemente de qualquer resultado; os Acordos foram firmados em data posterior ao período para o qual deviam estabelecer metas; os valores eram definidos pelo sindicato e pagos a título de PLR. A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. A PLR é um direito constitucional do trabalhador: CF/88: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de Fl. 43DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37317.004728/200651 Acórdão n.º 2302002.363 S2C3T2 Fl. 104 9 um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. Em 1991, a Lei n.º 8.212 institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fique fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/1994. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Essa legislação surge como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de que essas parcelas fiquem excluídas da incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permitindo que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentivando a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 A Lei 10.101/200 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: Fl. 45DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37317.004728/200651 Acórdão n.º 2302002.363 S2C3T2 Fl. 105 11 a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa: Como se vê, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros seja justa. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Afora os parâmetros estabelecidos pela lei, não foi intenção do legislador ou mesmo do Poder Executivo regulamentar com maior detalhamento e precisão as normas da participação nos lucros ou resultados. Toda a regulamentação se esgota com os três artigos da Lei nº 10.101/2000 acima transcritos. Além das regras claras e objetivas do acordo, o legislador impediu a substituição da remuneração pela distribuição do lucro e o seu pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil. A preocupação é justificável, as empresas poderiam reduzir os salários na proporção dos ganhos obtidos pelo trabalhador com sua participação nos Fl. 46DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 lucros ou resultados. Com isto, além de obstar o benefício, as empresas se evadiriam das contribuições previdenciárias e ao FGTS, lesando outros direitos do trabalhador. O artigo 2º, §1º, I da lei possibilita que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas a lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que estão sendo distribuídos lucros aos trabalhadores, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. E quanto ao mecanismo adotado para a repartição individual da parcela do lucro líquido destinada aos trabalhadores, a lei não fixou regras. Cuidou a lei de estabelecer parâmetros para que a empresa, após se comprometer, não venha se esquivar de distribuir lucros aos seus trabalhadores. Apurandose o total a ser distribuído, ao final o montante é repartido de acordo com mecanismos eleitos pela empresa. Frente a todo o exposto, é de se notar que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Real para considerar os valores integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. No caso em tela, a fiscalização apurou que a legislação relativa a PLR não foi integralmente cumprida o que levou a consideração dos valores como base de incidência contributiva para a Previdência Social. O fisco informa, tanto no relatório fiscal que sustenta a notificação (onde está lançada a obrigação principal), quanto na diligência efetuada após a apresentação de defesa e frente aos documentos juntados pela recorrente,naquele processo, que não existem regras claras e objetivas quanto aos direitos da participação nos lucros, tampouco os mecanismos de aferição para o cumprimento do acordado. Não existe nos documentos acostados data ou assinatura dos representantes da empresa, dos representantes dos empregados, dos representantes dos sindicatos, não há provas de que tais documentos estejam arquivados no sindicato como exige a legislação, não há metas elaboradas com antecedência, enfim, não há provas de que o pagamento efetuado se configure em PLR. A recorrente apenas traz alegações, mas não logrou comproválas com documentos hábeis. Ademais, nos acordos firmados se observa que são elaborados em agosto do ano corrente para o qual estabelecem as quantias a serem pagas. Ora como é possível a empresa e os empregados acordarem regras e metas a serem cumpridas para o período passado? A legislação exige que conste dos acordos promovidos as regras claras e objetivas de quais são as metas, de como vão ser atingidas, e quanto se vai pagar de participação nos lucros e isto não pode ser feito extemporaneamente como comprovam os documentos trazidos aos autos. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37317.004728/200651 Acórdão n.º 2302002.363 S2C3T2 Fl. 106 13 Frente ao exposto, por serem os acordos celebrados no meio do exercício a que se referem, por não restarem demonstradas regras claras para participação do empregados nos programas, nem metas a serem atingidas, tampouco mecanismos de aferição das mesmas, entendo que os pagamentos não podem ser considerados como participação nos lucros, por se mostrarem em discordância com as exigências legais. E, por isso passíveis, os valores, de serem informados em GFIP, eis que se consubstanciam em fatos geradores de contribuição previdenciária. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Ao não informar os valores relativos a toda remuneração dos segurados empregados, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia Fl. 49DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37317.004728/200651 Acórdão n.º 2302002.363 S2C3T2 Fl. 107 15 do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 50DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto por rescindir o Acórdão 230200.712, proferido em 21/10/2010 e pelo provimento parcial do recurso, para acatar a decadência prevista no Código Tributário Nacional, excluindo da autuação as competências até 09/1999,devendo a multa ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 51DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13603.001655/00-02
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995
Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução.
PIS. SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95 a base de cálculo da contribuição era o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, não caracterizando decisão “ultra petita” sua concessão sem pedido expresso do contribuinte.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.678
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência, e Mário Junqueira Franco Júnior que afastava apenas em parte a decadência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. PIS. SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Até o advento da Medida Provisória nº 1.212/95 a base de cálculo da contribuição era o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, não caracterizando decisão “ultra petita” sua concessão sem pedido expresso do contribuinte. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-28T13:34:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-28T13:34:15Z; Last-Modified: 2011-10-28T13:34:16Z; dcterms:modified: 2011-10-28T13:34:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:85217bd8-27e2-4f34-a0b3-b578977dc7aa; Last-Save-Date: 2011-10-28T13:34:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-28T13:34:16Z; meta:save-date: 2011-10-28T13:34:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-28T13:34:16Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-28T13:34:15Z; created: 2011-10-28T13:34:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2011-10-28T13:34:15Z; pdf:charsPerPage: 1867; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-28T13:34:15Z | Conteúdo => CSRF/T02 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Interessado 13603.001655/00-02 202-120889 Especial do Procurador RESTITUIÇÃO/COMP PIS CSRF/02-02.678 24 de abril de 2007 FAZENDA NACIONAL ABC-EMEP ELETRÔNICA E MECÂNICA DE PRECISÃO S/A Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1988 a 30/09/1995 Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo 'de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sób a vigência da lc i inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. PIS. SEMESTRALIDADE. BASE DE CALCULO. Até o advento da Medida Provisória ri9- 1.212/95 a base de cálculo da contribuição era o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, não caracterizando decisão "ultra petita" sua concessão sem pedido expresso do contribuinte. Recurso especial negado. Decisão retificada — DOU n°: 216, de 09 de novembro de 2007, fis.13. ... Vencidos os Conselheiros ... que deram provimento ao recurso especial, para reconhecer a decadência, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (Relator), Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres que deram provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência, e Mário Junqueira Franco Júnior que afastava apenas em parte a decadência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. ( Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRFTCO2 Fls. 2 MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS Presidente MARIA TERÁA MARTÍNEZ LOPEZ. Redator desig do FORMALIZADO EM: ? 9 AGO 2007 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJA- 0 BARRETO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA e FLAVIO DE SA MUNHOZ. Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls. 3 Relatório Em 04/10/2000 o contribuinte formulou pedido de restituição por ter recolhido, no período de outubro de 1988 a setembro de 1995, o PIS com base nos DL n2 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Por meio do Acórdão 202-16.498 que retificou o Acórdão n2 202-14.606 a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer que a decadência do direito â. restituição do PIS recolhido com base nos DL n2 2.445/88 e 2.449/88 deve ser contada a partir da Resolução do Senado n2 49/95 e que o contribuinte tem direito de apurar o indébito com base na semestralidade da base de cálculo. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial com base no art. 32, I e II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, alegando que tal decisão violou os artigos 165 e 168 do CTN, pois o prazo para o pedido de restituição é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. Quanto à questão da semestralidade, alegou que não tendo ocorrido nenhum fato novo daqueles previstos no art. 462 do CPC, a concessão da semestralidade de oficio violou o art. 460 do estatuto processual civil, por configurar decisão "ultra petita". Acrescentou que o art. 62, parágrafo único, da LC n2 7/70 tratou do prazo de recolhimento que foi alterado pela legislação superveniente e não da base de cálculo do PIS. Requereu a reforma do acórdão recorrido para que seja restabelecida a decisão de primeira instância, que bem teria aplicado o direito ao caso concreto. Por meio do despacho 202-005 (fls. 227/230) foi dado seguimento ao recurso especial. Cientificado dos Acórdãos n' 202-14.606 e202-16.498; do recurso especial do Procurador e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou em tempo hábil as contra-razões de fls. 235/247, pugnando pela mantença do acórdão recorrido. o Relatório. Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls, 4 Voto Vencido Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator. 0 recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica nos autos o motivo alegado para a inexistência do indébito foi a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis n 2 2445 e 2.449/88. No tocante ao prazo de decadência par pedir restituição de tributos declarados inconstitucionais, filio-me ao entendimento lançado pelo Ministro Luis Fux no voto proferido no julgamento do RESP N2 511.279, que transcrevo a seguir: VOTO Todavia, mister enfrentar a questão a luz da eficácia da declaração de inconstitucionalidade num e noutro caso. No sistema adotado pelo Brasil, apenas as decisões proferidas pelo STF no controle concentrado têm efeitos erga omnes. Neste sentido, a lição do ilustre constitucionalista José Afonso da Silva: "A declaração de inconstitucionalidade, na via indireta, não anula a lei nem a revoga; teoricamente, a lei continua em vigor, eficaz e aplicável, ate que o Senado Federal suspenda sua executoriedade nos termos do art. 52, X; a declaração na via direta tem efeito diverso, importa emit suprimir a eficácia e aplicabilidade da lei ou ato, como veremos nas distinções feitas em seguida. Em primeiro lugar, temos que discutir a eficácia da sentença que decide a inconstitucionalidade na via da exceção, e que se resolve pelos princípios processuais. Nesse caso, a argüição da inconstitucionalidade é questão prejudicial e gera um procedimento incidenter tantum, que busca a simples verificação da existência ou não do vicio alegado. E a sentença é declaratória. Faz coisa julgada no caso e entre as partes. Mas, no sistema brasileiro, qualquer que seja o tribunal que a proferiu, não faz ela coisa julgada em relação a lei declarada inconstitucional, porque qualquer tribunal ou juiz, em principio, poderá aplicá-la por entendê-la constitucional, enquanto o Senado Federal, por resolução, não suspender sua executo riedade, como já vimos." (Curso de Direito Constitucional. Selo Paulo, Malheiros, 2001, p. 53/54) Ora, se a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso apenas tem efeitos inter partes, forçoso concluir que o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo pelo STF s6 pode ser considerado como tenno inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito, quando efetuado no controle concentrado de constitucionalidade, ou, mesmo no controle difuso, quando da edir Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 de resolução do Senado Federal, conferindo efeitos erga ornes aquela declaração (CF, art. 52, X). Nesse mesmo sentido, o entendimento de Marco Aurelio Greco e Helenilson Cunha Pontes: "A declaração de inconstitucionalidade pode advir de um julgamento incidenter tanturn proferido em processo de outro contribuinte. Ou seja, um contribuinte, por discordar da exigência, ingressa corn algum tipo de processo judicial (suponhamos que antes do prazo de cinco anos do pagamento efetuado) e obtém êxito, a ponto de, naquele processo, ser declarada a inconstitucionalidade da lei. Olhemos da perspectiva dos demais contribuintes. Em relação a estes, esta declaração de inconstitucionalidade tem o efeito de deflagrar a fluência do prazo prescricional? A rigor, a pergunta não é exatamente esta, mas sim sobre uni dado anterior, qual seja, saber se essa decisão tem o efeito de alterar a situação jurídica subjetiva de quern não foi parte naquele processo. Uma resposta possível é a de que a decisão incidenter tantum não produz efeitos em relação a terceiros. Portanto, numa primeira interpretação, pode-se sustentar que a declaração incidenter tan turn não altera a situação jurídica subjetiva do contribuinte que pagou aquele tributo, mas não participou do processo em que houve a respectiva declaração de inconstitucionalidade. A situação dos demais contribuintes somente sera alterada se vier a ser editado um dentre outros dois tipos de atos jurídicos que apresenta/li eficácia geral e, portanto, atinjam todos os contribuintes, mesmo os que não participaram do processo espec(fico. No ambit° federal, pode haver: a) uma Resolução do Senado suspendendo a execução da lei, nos termos do inciso X do artigo 52 da CF/88; ou b) um ato de caráter geral que reconheça a inconstitucionalidade e estenda, a todos os contribuintes que se encontrem na mesma situação, os efeitos do julgamento que a declarou. É o caso de Decreto do Presidente da República, de Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e de Sumula da Advocacia Geral da Unido." (Inconstitucionalidade da Lei Tributária - Repetição do Indébito. São Paulo, Dialética, 2002, p. 71/72) Definidos os limites do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal no controle difuso e no concentrado, subjaz ainda unia questão a ser analisada: tendo em vista que a Ação Direta de Inconstitucionalidade é imprescritível (Súmula 360 do STF), e em face da discricionariedade do Senado Federal em editar a resolução prevista no art. 52, X, da CF/88, ficariam as ações de repetição do indébito tributário sujeitas a reabertura do prazo prescricional por tempo indefinido? Os que defendem esta tese sustentam: a) não haver a lei regulando a prescrição da ação para pleitear a restituição de tributo inconstitucional, uma vez que os arts. 168 e 169 do CTN não se refeririam ci ação com fundamento na inconstitucionalidade da lei; b) a presunção de constitucionalidade das leis impediria a afirmação da CSRF/T02 Fls. 5 Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 existência do direito et restituição do indébito antes da declaração da inconstitucionalidade da lei em que se funda a cobrança do tributo. Ora, a inconstitucionalidade da lei, no controle difuso, é causa petendi, e por isso o CTIV a ela não se refere, mas tão-somente a ação de repetição, qualquer que seja a sua razão de ser. Por outro lado, a presunção de constitucionalidade das leis não absoluta. Deveras, num sistema como o brasileiro, em que se admite o controle difuso, inúmeras são as ações em que os contribuintes pleiteiam a repetição sob a invocação incidenter tannin' da inconstitucionalidade. Aliás, na hipótese vertente a declaração foi objeto de controle difuso em Recurso Extraordinário, consequentemente, no nosso sistema, não é necessário aguardar ulna ação direta de inconstitucionalidade para repetir-se o tributo indevido. Em sendo possível discutir no controle difuso a legalidade do tributo, a declaração de inconstitucionalidade posterior e em controle concentrado não tem o condão de reabrir prazos superados. A seguir esse raciocínio, vinte anos depois de incorporado o tributo ao erário, e satisfeitas necessidades coletivas com esses fundos, o Estado ver-se-ia instado a devolver as quantias sem que a contraprestacdo também ocorresse, gerando situação de enriquecimento por parte do cidadão em detrimento do Estado. Não é demais lembrar que a segurança jurídica opera-se pro et contra o cidadão e a Administra ção Pública. Esposando o entendimento acima delineado, afirmou Eurico Marcos Diniz de Santi que: "A má quina do tempo instalada no interior do direito não permite que seu operador navegue para o passado que quiser, o passado do direito é repleto de cavidades obstruidas' pelo fluir do tempo que se tornam inacessíveis pelo próprio direito. Quando tomado como fato jurídico, o tempo cristaliza a trajetória de positiva ção no presente e consolida juridicamente o passado. No direito tributário, a segurança jurídica garante a consolidação do passado impondo ao Legislativo, que produz as leis, o limite da irretroatividade da lei; ao Executivo, que produz atos administrativos, o limite da decadência e ao Judiciário, que produz senten ças e acórdãos, o limite da prescrição. A segurança jurídica, portanto, promove a legalidade, garantindo o passado da lei, sem deixar de assumir a trajetória da lei no presente e os seus efeitos, ainda que no futuro essa lei deixe de ser lei. Como ensina GERALDO ATALIBA, os efeitos garantidos pela segurança jurídica são a coisa julgada não sujeita a recurso ou ação rescisória; o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. Assim também entende RICARDO LOBO TORRES, quando diz que: 'a invalidade da lei declarada genericamente opera de imediato, anulando o presente os efeitos dos atos praticados no passado, salvo com relação a coisa julgada, ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido ou, o que é a mesma coisa, opera ex tune relativamente a certos atos como, por exemplo, a sentença penal; no campo tributário, especificamente, isso significa que a declaração de inconstitucionalidade não atingirá a coisa julgada, o lançamento definitivo, os créditos prescritos (...)' CSRF/T02 Fls. 6 Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls. 7 Por isso, o controle da legalidade não e absoluto, exige o respeito do presente em que a lei foi vigente. Dai surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. (...) Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas et reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positiva cão do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do principio da actio nata. Trata-se de repetição de principio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. 0 acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituido pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. Silo Paulo, Editora Max Litnonad, 2000, p. 271/277) . A luz destes argumentos, conclui-se que nem a declaração de inconstitucionalidade no controle concentrado, nem a Resolução do Senado no controle difuso, e tampouco um ato de caráter geral do Executivo que reconheça a inconstitucionalidade, têm o condão de ressuscitar direitos patrimoniais prescritos segundo as regras do CTN. Entendimento em sentido contrário, conduziria à iniqüidade de conferir privilégio aos contribuintes que permaneceram inertes em relação àqueles que ingressaram em juizo atacando a lei inconstitucional, uma vez que os primeiros poderiam recuperar tudo o que pagaram sob o império da lei inconstitucional, enquanto que os segundos somente recuperariam o que recolheram no qüinqüênio imediatamente anterior à. propositura das respectivas ações. Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls. 8 Portanto, o advento da Resolução n2 49/95 quando muito serve de fundamento para justificar a existência de um indébito, mas não interrompe prazos e nem faz ressurgir direitos patrimoniais atingidos pela decadência ou prescrição. Em virtude destas razões o Secretário da Receita Federal revogou o Parecer Normativo Cosit n2 58/1998, editando o Ato Declaratório SRF n 2 96/1999 que fixou a interpretação de que a decadência do direito à repetição de indébito ocorre em 5 anos contados da extinção do crédito tributário. Estabelecido que a declaração de inconstitucionalidade não faz renascer direitos patrimoniais atingidos pela decadência ou pela prescrição, resta verificar quando ocorre a extinção do crédito tributário referida no art. 168, I do CTN. 0 STJ acolheu a tese do Professor Hugo de Brito Machado, no sentido de que no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário, referida no art. 168, I do CTN, ocorre com a combinação do pagamento antecipado e a homologação do lançamento, referidas no art. 156, VII CTN. Segundo este entendimento, caso o contribuinte tenha efetuado algum pagamento, o prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4 2 do CTN começa a fluir a partir da data da homologação do lançamento. Se a homologação for expressa, os cinco anos do prazo de decadência, contam-se a partir desta data. Se for tácita, contam-se os cinco anos a partir do exaurimento do qüinqüênio previsto no art. 150, § 42 do CTN. Com o devido respeito ao Professor Hugo de Brito Machado e ao tribunal, com esta tese não posso concordar. 0 art. 156, VII do CTN estabelece que: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (--) VII- o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1° e 4°. (grifei) 0 dispositivo realmente exige a conjugação de dois fatos que são a ocorrência de um pagamento antecipado, ainda que parcial, e a homologação do lançamento, que pode ser tácita ou expressa. Entretanto, esta interpretação não levou em conta que o art. 150, § 1 2 consigna que (...) 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.(grifei) Por sua vez, o art. 127 do Novo Código Civil deixou claro que quando a condição é resolutiva o ato jurídico tem eficácia deste o momento de sua constituição, ao estabelecer que (...) Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o nevicio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.(...) (grifei). Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CS RF/T02 Fl s. 9 Por outro lado, o disposto nos §§ 22 e 32 do art. 150 do CTN permite concluir que mesmo no caso do pagamento antecipado ser parcial, o valor pago será descontado do que for apurado posteriormente pelo fisco. Em outras palavras, isto significa que o pagamento antecipado, ainda que em montante menor do que o devido, gera efeitos jurídicos a partir do momento em que é efetuado, uma vez que o sujeito passivo passa a ser titular de direitos mesmo antes da homologação tácita ou expressa. Com efeito, uma vez efetuado o pagamento antecipado, o contribuinte não precisa aguardar que sobrevenha a homologação tácita ou expressa para requerer certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN, pois este direito surge no momento do pagamento que extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação. Reforça este argumento o fato de a homologação não ter sido incluída no art. 206 do CTN entre as hipóteses em que a certidão positiva tem efeitos de negativa. Além disso, a teor dos §§ 22 e 32 do art. 150 do CTN o valor antecipado parcialmente não gera efeito sobre a obrigação tributária, mas gera efeito em relação ao crédito tributário, uma vez que deverá ser descontado do que porventura for apurado em momento posterior pelo fisco. Isto demonstra que pelo menos uma parte do crédito tributdrio foi extinto na data em que ocorreu a antecipação do pagamento. Ora, se o pagamento antecipado efetuado a menor gera efeitos até em relação obtenção de certidão negativa, como se pode dizer que não ocorreu a extinção, ainda que parcial, do crédito tributário? Portanto, não tenho a menor dúvida de que a homologação do lançamento, seja ela tácita ou expressa, tem efeitos ex tune, retroagindo à data em que foi feito o pagamento antecipado. A tese do Professor Hugo de Brito Machado seria válida se o art. 150 § 1 2 do CTN extinguisse o crédito sob condição suspensiva da ulterior homologação do lançamento, mas como o legislador estabeleceu que a condição é resolutória, a extinção definitiva do crédito tributário ocorre no momento da antecipação do pagamento e somente em relação ao montante antecipado. Os efeitos da homologação ou da não-homologação para o fim de exigir- se eventuais diferenças, retroagem à data do pagamento. Desse modo, como o art. 168, I do CTN fixa como dies a quo do prazo de decadência a data da extinção do credito tributário, considero que o prazo para pleitear restituição ou compensação, em relação a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extingue-se com o decurso de cinco anos, contados da data do pagamento indevido e não da data da homologação. Este entendimento foi chancelado pelo legislador por meio de interpretação autentica no art. 3 2 da Lei Complementar n2 118, de 09/02/2005, no qual ficou estabelecido que para os efeitos do disposto no art. 168, I do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagame to antecipado de que trata o art. 150, § 1 2 da referida lei. Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls. 10 Tratando-se de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN, que tem caráter imperativo. Considerando que no caso dos autos o pedido foi formulado em 04/10/2000, encontram-se prescritos os pagamentos indevidos efetuados até 04/10/1995, o que significa que a recorrente não tem mais direito de reaver o indébito pleiteado neste processo. No mérito, trata-se de verificar se a concessão da semestralidade do PIS pela Câmara recorrida, independentemente de pedido expresso no recurso voluntário, configura a prolação de decisão "ultra petita". No caso da semestralidade da base de cálculo do PIS existe jurisprudência firme no sentido de que o art. 62, parágrafo único, da LC n2 7/70, veicula norma relativa a base de cálculo e não a prazo de recolhimento. Desse modo, pode-se argumentar que a Camara, ao concedê-la de oficio, agiu no sentido de garantir tratamento uniforme aos administrados, fixando corretamente a base de cálculo segundo a interpretação predominante, com vista a atender aos princípios da legalidade, da moralidade e da eficiência, todos com assento no art. 2 2 da Lei n2 9.794/99. Tal questão foi deslindada com maestria no voto vencedor proferido pelo Conselheiro Rogério Dreyer ao ensejo do julgamento do Recurso n 2 203-119.584, cujos fundamentos, mutatis mutandis, aplicam-se ao presente caso concreto, verbis: "Como deflui do relatório, a questão sob análise resume-se a semestralidade do PIS. De novidade, a argumentação voltada a defeito na decisão recorrida, por conta do atendimento ultra petita ao pretendido pelo contribuinte. Entende a representação da Fazenda Pública que, em tendo silenciado o contribuinte quanto a tal argumento, excedeu-se o julgador ao dar guarida a este quanto questão da semestralidade. Ainda que aparentemente sustentável o evento, não reconheço a sua existência. Em primeiro lugar, incumbe trazer a lume o contido no mesmo Código de Processo Civil citado pelo representante da Fazenda Pública, no artigo 131, cuja redação comanda: Art. 131. 0 juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos faros e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe firmaram o convencimento. (grifo não constante da norma) Como se vê, aos eventos suscitados, aplica-se a regra acima transcrita e nao a alegada pela representação da Fazenda Pública. Dentro desta linha de raciocínio nada mais fez o órgão julgador a quo do que decidir com base no contido no processo, relativamente ao lançamento perpetrado, inexistindo qualquer concessão ultra petita. Aliás, a bem da verdade, tendo o co 'buinte, por outras Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls. 11 razões que não a que pautou a decisão, requerido a nulidade do lançamento, e tendo a decisão apenas adequado o mesmo a sua real dimensão, poder-se-ia falar em decisão citra petita, ainda que, data venha, não vislumbre igualmente o fenômeno. Devo, por aspecto de caráter isonômico, referir que, dentro da linha de raciocínio do representante da Fazenda Nacional, seria vedado ao julgador decretar, por exemplo, a decadência do direito de pedir em matéria de restituição ou ressarcimento de créditos — matéria de iniciativa do contribuinte - caso a Fazenda Pública ou o órgão julgador de primeiro grau não tivesse se manifestado quanto ao fenômeno, desde que incontroverso. Ainda, no silêncio do contribuinte, não decretar a anulabilidade ou nulidade de auto de infração, por ter ocorrido a decadência do direito de lançar, ou pela existência de defeito material ou formal no ato perpetrado, ou mesmo por erro na edificação do sujeito passivo. Tais constatações, quando inequívocas, devem ser suscitadas de oficio, com as suas conseqüências. Todos estes comportamentos são insitos ao julgamento e não se constituem, absolutamente, em decisão extra ou ultra petita. Inserem-se nos limites dos anseios das partes, por se adstringir 'as divisas do litígio. Aduzo ainda que o contribuinte, à época da sua impugnação, não tinha motivação para suscitar a matéria, visto que a matéria é de decisão recente. Ultrapassada esta questão, passo ao mérito, o qual não comporta maiores discussões, a luz do entendimento já pacificado por esta Egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais e do próprio Superior Tribunal de Justiça. Como tenho referido em meus votos, proferidos na la Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, meu entendimento está fulcrado nas razões expendidas pelo eminente Conselheiro Jorge Freire, muito porque, na espécie, vinha, pari passu, partilhando do mesmo entendimento do ilustre Conselheiro. Inicialmente no sentido de entender ser o fenômeno jurídico do parágrafo único do artigo 6° da LC 07/70 prazo de pagamento e, posteriormente, ser o momento do nascimento da obrigação tributária. Mantendo o diapasão, peço vênia aos meus pares, para reproduzir o voto alentado, proferido no recurso n° 112.172, acórdão n° 201-73.954: "No que pertine a questão, deveras debatida, quanto à base de cálculo do PIS ser a correspondente ao faturamento do sexto mês anterior aquele da ocorrência do fato gerador, em variadas oportunidade manifestei-me em sentido contrário, entendendo, em ultima ratio, ser impossível dissociar-se base de cálculo e fato gerador. Todavia, embora através de órgão fracionário, veio agora o Superior Tribunal de Justiça, que detém a competência constitucional de uniformizar a jurisprudência infraconstitucional (CF, artigo 105, III), em voto relatado pelo Ministro José Delgado, exarar o entendimento de que a base de cálculo do PIS é o sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. A Ementa do citado julgado assim dispõe: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO INEXISTENTA. VIOLAÇÃO AO ART 535, II, DO CPC, QUE SE REPELE. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL-PIS.BASE DE CA'LCULO. SEMESTRALIDADE. PARÁGRAFO ÚNICO, DO ART 6°, DA LC 07/70. MENSALIDADE: MP 1.212/95. Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls. 12 I — Se, em sede de embargos de declaração, o tribunal aprecia todos os fundamentos que se apresentam nucleares para a decisão da causa e tempestivamente interpostos, não comete ato de entrega de prestação jurisdicional impetfeito, devendo ser mantido. In casu, não se omitiu o julgado, eis que emitiu pronunciamento sobre a aplicação das Leis n's 8.218/91 e 9.383/91, asseverando que as mesmas dizem respeito ao prazo de recolhimento da contribuição, e não a sua base de cálculo. Por ocasião do julgamento dos embargos, apenas se frisou que era prescindível a apreciação da legislação integral, reguladora do PIS, para o deslinde da controvérsia. 2 — Não há possibilidade de se reconhecer, por conseguinte, que o acórdão proferido pelo tribunal de origem contrariou o preceito legal inscrito no artigo 535, IL do CPC, devendo tal ale gativa ser repelida. 3 — A base de cálculo da contribuição em comento, eleita pela LC 07/70, art. 6°, parágrafo único (a contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente"), permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP 1.212/95, quando, a partir desta, a base de cálculo do PIS passou a ser considerado 15 faturamento do mês anterior"(art. 2°). 4— Recurso especial parcialmente provido." Na fundamentação de seu voto, o eminente Ministro, em síntese, conclui que até a edição da MP 1.212/95, a base de cálculo das contribuições PIS/PASEP correspondia ao faturamento do sexto inês anterior ao da ocorrência do fato gerador, em interpretação literal da Lei Complementar 7/70. E, que, portanto, as alterações na legislação de tais contribuições pelas Leis 7.691/88, 8.019/90, 8.218/91, 8.383/91, 8.850/94, 9.069/95 e MP 812/94, referiam-se exclusivamente a prazos de recolhimento e não na própria base de cálculo do PIS. De igual sorte, também a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), a sua maioria, em 05/06/2000, também firmou o mesmo entendimento esposado inicialmente pelo STJ. Tendo aquela Egrégia Corte Administrativa a função precipua de uniformizar a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, nada me resta, em nome da sistematização jurídica, sendo acatar tal tese, embora, como afirmei, em relação a tal entendimento, mantenha reserva pessoal." Com essas considerações, voto no sentido dar provimento ao recurso por considerar caduco o direito A restituição do indébito solicitado nestes autos. Sala das essões - DF, em 24 de abril de 2007 ANTgIO CARLOS ATULIM Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls. 13 Voto Vencedor Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ, Redatora. Ouso divergir do Ilustre Conselheiro relator apenas acerca da discussão da forma de contagem do prazo, para solicitar a restituição/compensação de tributo pago indevidamente. No caso dos autos, o pedido de restituição/compensação, foi protocolado em 04/10/2000 e se reporta a pagamentos efetuados sob a égide dos Decretos Lei 2445 e 2449, ambos de 1988. Em primeiro lugar, registrando a controvérsia que o tema envolve, ressalvo a minha opinião particular de reconhecer, na linha de interpretação atual do STJ, que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3 2 da Lei Complementar n2 118/2005 1 devam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 2 . No entanto, no caso dos autos, entre as duas interpretações apresentadas — uma pela Fazenda Nacional (5 anos contados do pagamento) e outra a do acórdão recorrido (5 anos, indicando como termo inicial a Resolução do Senado, ao invés da data do pagamento) curvo-me a esta segunda, por ser particularmente a tese defendida por esta Eg. Câmara. 1 "Art. 6 ',CI Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n .9 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 2 do art. 150 da referida Lei 2 0 prazo para ao pedido de restituição/compensação de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ - Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 435.835-SC). Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls, 14 Invoco, na linha do acórdão recorrido, a interpretação expressa no Acórdão abaixo do STJ, embora atualmente esse tribunal já tenha alterado sua jurisprudência 3 Observe-se: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS. DECRETOS-LEI 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LC NP 7/70. BASE DE CALCULO. SEMESTRALIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não cabe a este Tribunal proceder ao exame de violações à Constituição pela via estreita do recurso especial. 2. Esta Corte já pacificou o entendimento no sentido de que o termo a quo do lapso prescricional para pleitear a restituição dos valores recolhidos indevidamente a titulo de PIS 6 o da Resolução do Senado que suspendeu a execução dos Decretos-Lei n2 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal através do controle difuso. 3. Enquanto não ocorrido o respectivo fato gerador do tributo, não estará sujeita à correção monetária a base de cálculo do PIS apurada na forma da LC 07/70. Entendimento consagrado pela P- Seção do STJ. 4. Agravo regimental improvido. (Negrito ausente no original). (STJ, 2 Turma, Ag Rg no REsp. n 2 449.019/PR, Rel. Min. João Otávio Noronha, J. à unanimidade em 20.05.03, DJU de 09.06.03); Penso equivocado o entendimento de que nos casos de inconstitucionalidade, a data deve ser contada a partir do pagamento. Cabe lembrar 3 posteriormente o STJ passou a interpretar que o prazo para repetição do indébito, na hipótese de lançamento por homologação, é de dez anos a contar do pagamento indevido, independentemente do indébito ser decorrente de inconstitucionalidade de lei Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls. 15 que, administrativamente antes da Resolução, indevida era a restituição. Com a publicação da MP n 2 1.110, de 31/08/95 - cujo art. 17, VIII, dispensou a constituição de créditos, bem como a inscrição na divida, no caso do PIS em questão, o próprio parágrafo 2 2 do art. 17 da MP n2 1.110/95 ressalvou que tal dispensa não implicava em restituição de quantias pagas. Assim, embora anterior à Resolução do Senado n 2 49/95, referida MP não permitia a restituição. Dai o direito à repetição de indébito não ter nascido, ainda, na data da MP n 2 1.110, que depois de reedições foi convertida na Lei n2 10.522, de 19/07/2002. Somente na reedição sob o n°1.621-36, de 10.06.98, é que o § 22 do dispositivo legal referido, agora renumerado como art. 18 teve sua redação alterada para informar que a dispensa da constituição do crédito ou da inscrição na divida ativa não implicava em restituição ex officio, apenas. Ou seja, a partir da MP n 2 1.621-36, quando solicitada a restituição deveria ser deferida. A respeitável Procuradoria comumente traz em seus argumentos, o art. 3 2 da Lei Complementar n 2 118/2005 4 . Alega que com a edição da norma sepultou-se definitivamente a controvérsia envolvendo o termo inicial da prescrição em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Entende ser a norma interpretativa, tendo, pois, aplicação retroativa. Penso estar equivocado a interpretação nesse sentido tendo em vista que sobre a matéria, o STJ, segundo noticiam os Embargos de Declaração 327.043/DF, a nova regra - de cinco anos contados a partir do pagamento indevido, introduzida pela Lei Complementar, aplica- se somente aos pedidos administrativos ou ações judiciais protocoladas ou ajuizadas a partir de 09 de junho de 2005. Antes do pedido, vale a interpretação firmada do Superior Tribunal de Justiça, geral de 10 anos. Esclarecido porque entendo razoável a interpretação de que o prazo para a restituição ou compensação dos indébitos oriundos dos malsinados Decretos- Leis começa a contar da publicação da Resolução do Senado n 2 49/95. 4 "Art. 32 Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1 2 do art. 150 da referida Lei Processo n.° 13603.001655/00-02 Acórdão n.° CSRF/02-02.678 CSRF/T02 Fls. 16 Portanto, considerando que a interessada formulou pedido de restituição em 04/10/2000, quando ainda não tinha transcorrido o prazo de cinco anos da data da publicação Resolução do Senado, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial. Sala das Sessões — DF, em 24 de abril de 2007. MARIA TERES ARTiNEZ LÓPEZ
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Numero do processo: 13807.005085/2001-78
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ e Outros
Ano-calendário: 1996
DECADÊNCIA TERMO A QUO. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IRPJ o prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, rege-se pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou seja, será de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Súmula Vinculante nº 8. O
Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição para financiamento da Seguridade Social. Cofms e a Contribuição Social sobre o Lucro CSLL , prevalece aqueles estabelecidos no Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-000.247
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IRPJ o prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, na hipótese dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, rege-se pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou seja, será de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Súmula Vinculante n2, 8,. O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição para financiamento da Seguridade Social. Cofms e a Contribuição Social sobre o Lucro CSLL , prevalece aqueles estabelecidos no Código Tributário Nacional. Acordam os membros do Colegiada animidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do re atório e voto que passam a integrar o presente julgado. 4 ti é j0CARLO • BERTO F '1 ITAS B • •• • TO - Presidente i / e 1.4.a4~v n/ -7:"Maale...,e IAS 1 ESSOA MONTEIRO — Relatora IP"- EDITADO EM: 01 SE T 2009 1 • Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (substituto do vice- presidente), Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rego, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Valmir Sandri, Marcos Rodrigues de Mello ( substituto convocado) e Irineu Bianchi ( substituto convocado). Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado em 31/07/2006 pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 32., inciso I, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes , aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, vigente à época, contra Acórdão n° 105-14.275, fls. 999/1023 - vol IV, proferido pela então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em 04/12/2003, assim ementado: "IRPJ ri- OUTROS- (CSLL, IRRF, PIS e COFINS) - RECURSO DE OFÍCIO - OMISSÃO DE RECEITAS - VENDAS PARA EXPORTAÇÃO - É incabível o crédito tributário, com fulcro em omissão de receita de vendas para o exterior, quando, sem configurar-se a hipótese de presunção legalmente estabelecida, o fisco estriba-se apenas em prova indiciária, que não confere certeza ao montante da receita supostamente omitida, nem sequer comprova a ocorrência do efetivo embarque da mercadoria com destino ao exterior. O momento em que se deve 4"-"ãpur-ar a receita das exportações, é o momento do embarque da mercadoria para o exterior (Art. 21, IN SRF n° 23/2001). RECURSO VOLUNTÁRIO DECADÊNCIA - HOMOLOGAÇÃO - PRAZO DE CINCO ANOS - Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito Passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa amolda-se à sistemática de homologação definida no artigo 150 do CTN e, nesses casos, o prazo para que a Fazenda Pública operacionalize o lançamento decai em cinco anos a contar do fato gerador. Tal prazo aplica-se inclusive às contribuições, cuja natureza tributária já foi reconhecida pelo STF. Recurso de oficio conhecido com provimento negado. Recurso voluntário conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos interpostos pela 5" TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em SÃO PAULO/SP-1 e TAPIRAPUAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos: 1- NEGAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega, Álvaro Barros Barbosa Lima e Verinaldo Henrique da Silva, que davam provimento integral ao recurso de oficio. II - DAR provimento ao recurso voluntário, 2 (11), 51ffir Processo n° 13807.00508520/01-78 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.247 Fl. 2 para acolher a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega, Álvaro Barros Barbosa Lima e Verinaldo Henrique da Silva, que rejeitavam a preliminar de decadência". No especial a insurgência diz respeito ao acolhimento da preliminar de decadência, dos lançamentos realizados em 27/04/2001, para exigência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ (fls.251); Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls.260); Contribuição Social — CSLL(fls.269), Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF (fls.269); COFINS (fls.264) referentes aos fatos geradores ocorridos durante o ano calendário de 1995. A Câmara recorrida reconhece a decadência para todo período, fundamentando-se no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, nos termos do voto condutor do aresto guerreado, conforme fls.1019/1020 — vol.IV, a saber: "Nessa linha de raciocínio, tendo o lançamento se concretizado em 27.04.2001 (fis. 251 - IRPJ, 256 - PIS, 260 - COFINS, 264 - CSLL e 269 — IRRF), sendo toda matéria tributada pela Fazenda Nacional correspondente ao ano civil de 1995, com fato gerador definido como sendo 31.12.1995, é claro que os lançamentos ocorreram após o transcurso do qüinqüênio leal, que venceu em 31.12.2000, anteriormente, portanto, ao lançamento regularmente notificado à recorrente. Assim, voto por acolher a preliminar de decadência, cujos efeitos passo a descrever. O acolhimento da preliminar de decadência, considerando-se que a totalidade do crédito tributário foi constituído relativamente ao fato gerador de 31.12.1995, corresponderia a cancelar integralmente a exigência." A Fazenda Nacional oferece recurso especial , fls. 1046/1082 — vol IV ,onde, em síntese, argumenta que na hipótese de lançamento ex-officio de tributo não recolhido pelo contribuinte, o prazo decadencial não é aquele previsto no art. 150,§ 4°., e sim o artigo 173 do Código Tributário Nacional. Em vasto arrazoado, no tocante às Contribuições Sociais, afirma a decisão violou a regra estabelecida no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional e o artigo 45 da Lei 8212/1991, motivos bastantes para a restauração do lançamento. Contra-razões às fls.1091/1114 — vol.IV, onde, em síntese, a Contribuinte pede a manutenção do acórdão recorrido. Em 08 /07/2008 os autos foram a esta Relatora distribuídos, para análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relatora Recurso tempestivo e assente em lei. A matéria versa sobre decadência, mais especificamente sobre o prazo aplicável nos casos de lançamento de oficio para exigência do IRPJ e Contribuições daí decorrentes, referentes ao ano calendário de1995, com ciência do auto de infração em 27/04/2001,conforme antes relatado. O acórdão recorrido aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional. O i.Representante da Fazenda Nacional destaca que na ausência de pagamento não há como se falar em homologação, regendo-se a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. Ainda, o prazo decadencial das contribuições sociais é de dez anos, a teor do art. 45 da Lei n°8.212/91. A primeira questão posta é a definição do dispositivo legal aplicável : se o § 4°.do 150 ou inciso I do artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional. No Especial o i.Representante da Fazenda nacional pede a aplicação do comando normativo do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, sob argumento de que, em nenhuma hipótese de exigência de ofício cabe-se falar em "lançamento por homologação ". Afirma, ainda, que nos casos de ausência de pagamento antecipado do tributo, o prazo decadencial deixa de ser aquele previsto pelo artigo 150 § 4°. do Código Tributário Nacional , passando a ser regido pela regra geral prevista no artigo 173,1 do mesmo diploma. Por tal comando normativo o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após 5 anos , contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Registra a ausência de pagamentos no período, realização de compensações, informe de base de cálculo positiva na DIPJ e nenhum recolhimento para este tributo. A questão posta é a definição do dispositivo legal aplicável : se o § 4°.do 150 ou inciso I do artigo 173, ambos do Código Tributário Nacional. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a partir da Lei n° 8.383/91, passaram a ser pagos mensalmente e, mais tarde trimestralmente. Assim, a partir do dia seguinte à ocorrência do fato gerador, inicia-se a contagem do prazo decadencial. A necessidade de lançar o crédito tributário e a conseqüência de sua inobservância foram objeto do Resp n° 332.693 (2001-0096668), relatora Ministra Eliana Calmon, da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, unânime, cuja ementa está assim redigida: "TRIBUTÁRIO — CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA. 1) O fato gerador faz nascer a 4 Processo n° 13807.00508520/01-78 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.247 Fl. 3 obrigação tributária, que se aperfeiçoa com o lançamento, ato pelo qual se constitui o crédito correspondente à obrigação (arts. 113e 142 do Gni). 2. Dispõe a FAZENDA do prazo de cinco anos para exercer o direito de lançar, ou seja, constituir o seu crédito tributário. 3. O prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, nem por ordem judicial nem por depósito do devido. (grifei) 4) Com depósito ou sem depósito, após cinco anos do fato gerador, sem lançamento, ocorre a decadência. 5. Recurso especial provido". Estes fundamentos já respondem ao i. recorrente porque não prevalece deslocamento do prazo decadencial, no caso de ausência de pagamento,para regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, ante a sistemática de apuração vigente a partir do ano calendário de 1992. Nesse ano, a atividade que era do fisco, passa para o Conizibuinte.0 dever de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se resultar tributo a ser pago, procedimento que se amolda à hipótese do § 4° do art. 150 do CTN, cuja redação é a seguinte: "§ 4° - Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (negritei)" O Código Tributário Nacional determina homologar o lançamento e não o pagamento. (Procedimento que tanto pode apontar lucro, resultado nulo, ou prejuízo). E este Colegiado consolida que o prazo aplicável é aquele do artigo 150 § 40 • do Código Tributário Nacional. Quanto à pretensão da contagem do prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", pela regra prevista no art. 45 da Lei n° 8.212/91, já não prospera. O Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vinculante n2 8, verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4° do art. 2° da Lei n° 11.417/2006: Súmula vinculante n°8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. MM. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° I 1 7, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1)" No caso concreto, já atingidos pela decadência, os lançamentos realizados em 27/04/2001, para exigência do IRPJ, IRRF e contribuições sociais para o PIS,COFISN e CSLL, referentes ao ano calendário de1995, como decidiu o julgado recorrido. Nesta ordem de juízos, nego provimento ao recurso interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. fr Ivetfir alaquia .. Pessoa ', ..nteiro - Relatora 6
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