Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10073.002424/2007-93
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS.
Tendo sido formado o contencioso fiscal por conta da ausência de
comprovação de despesas médicas durante a fiscalização, deve o
Contribuinte instruir sua defesa com documentos que atendam aos requisitos da legislação de regência.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2802-001.417
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) Sidney Ferro Barros que dava provimento.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 17 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201203
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS. Tendo sido formado o contencioso fiscal por conta da ausência de comprovação de despesas médicas durante a fiscalização, deve o Contribuinte instruir sua defesa com documentos que atendam aos requisitos da legislação de regência. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10073.002424/2007-93
conteudo_id_s : 6723076
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-001.417
nome_arquivo_s : 280201417_10073002424200793_201203.pdf
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10073002424200793_6723076.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) Sidney Ferro Barros que dava provimento.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4567233
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:05 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045635952640
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-13T15:10:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-09-13T15:10:23Z; Last-Modified: 2019-09-13T15:10:23Z; dcterms:modified: 2019-09-13T15:10:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:8df2dfef-4fbf-49de-b636-0f6c279d99bc; Last-Save-Date: 2019-09-13T15:10:23Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-13T15:10:23Z; meta:save-date: 2019-09-13T15:10:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-13T15:10:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-09-13T15:10:23Z; created: 2019-09-13T15:10:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-09-13T15:10:23Z; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-09-13T15:10:23Z | Conteúdo => S2TE02 Fl. 91 1 90 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.002424/200793 Recurso nº 883.275 Voluntário Acórdão nº 2802001.417 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente GILMAR ZONZIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS. Tendo sido formado o contencioso fiscal por conta da ausência de comprovação de despesas médicas durante a fiscalização, deve o Contribuinte instruir sua defesa com documentos que atendam aos requisitos da legislação de regência. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) Sidney Ferro Barros que dava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 07), o qual apurou supostas irregularidades (fls. 0505v) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2004, anocalendário 2003, em virtude de dedução indevida de despesas médicas e de Previdência privada e FAPI. Resta consignado no auto de infração, a título de fundamentação que o contribuinte não atendeu a intimação para comprovar os fatos que dariam suporte às deduções em tela. O Contribuinte foi cientificado (fl.29). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 01, alegando que o mencionado desatendimento à intimação não ocorreu, de vez que teria apresentado toda a documentação comprobatória dos fatos que dão suporte às deduções em tela à SRF de Volta Redonda, anexando comprovantes de despesas médicas e de contribuições à previdência privada e FAPI. Em julgamento, a 3ª Turma da DRJ/BSB, em sessão realizada no dia 14/04/2010, decidiu à unanimidade, por meio do acórdão 0336.416 manter o lançamento em parte, cancelandose o lançamento quanto à dedução de Previdência Privada e quanto a parte das despesas médicas objeto de autuação, permanecendo apenas o lançamento quanto aos pagamentos efetuados a Maria Inês Maciel de A.Procaci (R$ 900,00), Silvia M.Jordão P.Siqueira (R$ 10.312,06), Mônica Montenor Bertazo (R$ 2.980,00), Adriano G.R.de Cunha (R$ 2.980,00), Evelyn Vinocur (R$ 3.000,00) e Barbara M.A.de Figueiredo (R$2.800,00), todos por falta de indicação do beneficiário dos serviços e, apenas quanto à última profissional mencionada, também por falta de indicação do endereço profissional. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 48, interpôs tempestivamente o recurso de fls.49, alegando ter sido o beneficiário dos serviços em questão e sua desinformação sobre as exigências legais quanto aos comprovantes despesas médicas dedutíveis, reapresentando os comprovantes já anteriormente juntados aos autos, quando da impugnação, e prontificandose a obter, se necessário, novos elementos de prova. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relatório. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, no particular em que impugna a exigência concernente, exclusivamente, à glosa da dedução de despesas médicas, eis que este é o objeto da irresignação do Contribuinte/Recorrente. De fato, o art. 80, §1º, II do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/99, exige que haja a indicação dos destinatários dos procedimento médicos objeto de dedução, ainda que não necessariamente nos recibos de pagamento, admitindose outros meios de prova. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10073.002424/200793 Acórdão n.º 2802001.417 S2TE02 Fl. 92 3 Entretanto, tais elementos de prova poderiam, ainda que extraordinariamente, em respeito ao princípio do formalismo moderado, ser trazidos aos autos por ocasião da interposição do presente recurso, mas não em momento posterior. O contribuinte não se desincumbiu de comprovar o destinatário dos serviços cujos respectivos pagamentos foram objeto de glosa. Isto posto, entendo que deve ser improvido o recurso, mantendose o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.003188/95-33
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.866
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: PAULO DE ASSIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 19 09:00:15 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200302
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2003
numero_processo_s : 10120.003188/95-33
anomes_publicacao_s : 200302
conteudo_id_s : 6701180
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 303-00.866
nome_arquivo_s : 30300866_101200031889533_022003.PDF
ano_publicacao_s : 2003
nome_relator_s : PAULO DE ASSIS
nome_arquivo_pdf_s : 101200031889533_6701180.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2003
id : 4622346
ano_sessao_s : 2003
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:19 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045655875584
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-16T10:33:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-08-16T10:33:49Z; Last-Modified: 2013-08-16T10:33:49Z; dcterms:modified: 2013-08-16T10:33:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:346288bd-01c7-43db-994d-484768f11dfb; Last-Save-Date: 2013-08-16T10:33:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-08-16T10:33:49Z; meta:save-date: 2013-08-16T10:33:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-08-16T10:33:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-08-16T10:33:49Z; created: 2013-08-16T10:33:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2013-08-16T10:33:49Z; pdf:charsPerPage: 875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-08-16T10:33:49Z | Conteúdo => Presi MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10120.003188/95-33 SESSÃO DE : 26 de fevereiro de 2003 RECURSO N° : 124.445 RECORRENTE : JOSÉ OTTO REUSING RECORRIDA : DRJ/BRASÍLIA/DF RESOLUÇÃO N° 303-00.866 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 26 de fevereiro de 2003 JOA NDA COSTA • • PAULO DE ASSI§. Relator 23 A9R2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente o Conselheiro HÉLIO GIL GRACINDO. [MC MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 124.445 303-00.866 JOSÉ OTTO REUSING DRJ/BRASÍLIA/DF PAULO DE ASSIS RELATÓRIO 0 presente processo, referente a um imóvel rural de 2550,0 ha, denominado Férias de Prata, situado em São Felix do Xingu/PA, retorna a este Conselho, onde já foi objeto do Acórdão 201-72.710, de 24 de abril de 1999, cuja ementa é a seguinte: ITR-COMPETÊNCIA PARA DECIDIR SOBRE IMPUGNAÇÃO A LANÇAMENTO A competência para decidir sobre impugnações a lançamento é do Delegado da Receita Federal de Julgamento que jurisdicione o domicilio fiscal do contribuinte. Assim, decisão de autoridade local, sequer com os requisitos de forma exigidos pelo Decreto 70.235/72, é nula. Deve o processo ser enviado ao Delegado de Julgamento competente para que se manifeste sobre a Impugnação de fl. 01. Recurso não conhecido. Processadas as tramitações e análises, a DRJ de Brasilia/DF, emitiu a Decisão de folhas 58 a 62, em que dá provimento parcial ao pleito, no sentido de acatar a distribuição das áreas do imóvel (Quadro 04, p. 60) e as informações sobre áreas de criação animal (Quadro 05, p. 60) que constam do Laudo Técnico de Avaliação apresentado pelo contribuinte as folhas 38 e 40, e negar o acatamento das demais informações que constam do mesmo Laudo, seja no que se refere ao Valor da Terra Nua, seja no que se refere 6. sua utilização. A DRJ recusou-se também a acatar o Contrato de Arrendamento de folhas 41 a 43. Da Fundamentação da Decisão recorrida, consta: 1. A Notificação de Lançamento foi efetuada com base no VTNm de 111,84 UFIR, fixado pela IN SRF 16/1995; 2. 0 Laudo Técnico de Avaliação anexado aos autos, além de não ser especifico para a data de referência, não cita as fontes de consulta e a metodologia utilizada, nos termos da NBR 8.799, da ABNT; 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.445 RESOLUÇÃO N° : 303-00.866 3. Com base no Laudo Técnico apresentado, e nos termos da NE/SRF/COSARJCOSIT 01/95, devem ser acatadas as alterações pretendidas nos Quadros 04 (distribuição de áreas) e 05 (áreas de criação animal); 4. Mantêm-se a informações sobre mão-de-obra e sobre animais da DITR/94, porque o Laudo Técnico de fls. 38/40 e o Contrato de Arrendamento de fls. 41/43, para rebanhos em nome de terceiros, não são considerados documentos suficientes para alterá-las, nos termos da NE/SRF/COSAR/COSIT n° 01/1995. Com isso, mandou alterar a DITR processada (fl. 51), da seguinte forma: a) animais de grande porte: de 280 para 03; e b) animais de médio porte: de 58 para 0; 5. Todas as informações sobre produção vegetal da declaração processada, h. fls. 52, devem ser desconsideradas; visto que nada foi informado no Quadro 09 da DITR 94, nem solicitado no Laudo Técnico. 6. As medidas dos itens 5 e 6 anteriores, restabelecem os dados da DITR/94; 7. 0 beneficio de redução de até 90% do valor do ITR/94, a titulo de FRU/FRE, pleiteado com base na Lei 84.658/80 é descabido, porque a Lei 8.847/94 não mais prevê tal beneficio. Em seu recurso a este Conselho, o Contribuinte pleiteia que seja aplicada ao seu imóvel aliquota de cálculo prevista no Anexo I da Lei 8.847/94, e que as contribuições ao CNA, CONTAG e SENAR sejam revistas, de acordo com o novo ii lançamento. 14' É o relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.445 RESOLUÇÃO N° : 303-00.866 VOTO 0 Recurso e tempestivo, trata de matéria de competência deste Conselho e está instruido com documento de garantia de Instância, por arrolamento de bens. Preliminarmente, cabe decidir sobre a Nulidade do Lançamento, por falta de identificação da autoridade autuante, na Notificação de Lançamento, conforme estabelece o item I do Ato Declaratório COSIT n° 02, de 03/02/1999, e IN SRF 094, de 24/12/94, art. 5° e art. 6°, instrumentos oficiais não revogados até o presente momento. Superada esta preliminar , vamos ao mérito. a) Do beneficio do ITR-FRU/FRE Diz a Decisão recorrida (p. 61) que a isenção de até 90% do valor do ITR 94, a titulo de FRU/FRE, pleiteada pelo Contribuinte com base no Decreto 84.865/80, carece de fundamento, porquanto o lançamento em tela baseou-se na Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994. 0 Decreto 84.685, de 06 de maio de 1980, que regulamenta a Lei 6.746, 10 de dezembro de 1979, estabelece: Art. 8° - 0 imposto, calculado na forma do art. 1°, poderá ser objeto de redução de até 90% (noventa por cento), a titulo de estimulo fiscal, observado quanto segue: a) redução de até 45% (quarenta e cinco por cento) do imposto, pelo grau de utilização da terra, medido pela relação entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável total do imóvel rural, quociente esse que, multiplicado por 0,45 (quarenta e cinco centésimos), definirá o Fator de Redução pela Utilização (FRU); b) redução de até 45% (quarenta e cinco por cento) do imposto, pelo grau de eficiência na exploração, medido pela relação entre o rendimento ou número de cabeças de animais por hectare, obtido para cada produto explorado, e os correspondentes indices de rendimentos fixados pelo INCRA, através de Instrução Especial, quociente esse que, multiplicado pelo FRU, referido na alínea a deste artigo, determinará o Fator de Redução pela Eficiência (FRE). A- 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.445 RESOLUÇÃO N° : 303-00.866 A Lei 8.847. de 28/01/94, é posterior ao fato gerador, e o Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei 5.172, de 25 de outubro de 1996, publicada no DOU de 27 de outubro de 1996, diz: art. 144 - 0 lançamento reporta-se h data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada. § 1°- Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente ocorrência do fato gerador, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste Ultimo caso, para o efeito de atribuir responsabilidade a terceiros. § 2°- 0 disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados em periodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. No que tange aos elementos constantes do Laudo de Avaliação, pode-se adotar a providência de baixar o processo em diligência, para que seja juntada a ART, ou por economia processual, acatar o laudo, como já o fez parcialmente a DRJ. Caso a decisão seja por sua aceitação, VOTO no sentido de acatá-lo integralmente. 0 Contrato de Arrendamento de folhas 41 a 43, registrado no Cartório de Registro Civil e de Notas do Município de Anápolis/GO, datado de 05/01/1992, é um elemento de apoio ao Laudo Técnico de Avaliação. E ele que justifica a quantidade de animais encontrados na propriedade. Não vejo porque rejeitá-lo, com base na NE/SRF/COSAR/COSIT n° 01/95, itens 12.7 e 12.8. b. Revisão das Contribuições No que tange à revisão dos valores das contribuições ao CNA, CONTAG E SENAR, são elas simples conseqüência da revisão do lançamento do ITR. No que tange ao Laudo Técnico de Avaliação, Voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que seja juntada a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2003 PAULO D ASSIS elator 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1.* TERCEIRA CÂMARA Processo n°: 10120.003188/95-33 Recurso n° 124.445 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar ciência da Resolução no 303.00.866 Brasilia- DF 15 de abril 2003 Jo ol nda Costa Presid nte da erceira Câmara 411 Ciente em: taNDP<D PFN
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005201/2009-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
Ementa: COFINS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL
ANIDRO CARBURANTE PARA ADIÇÃO À GASOLINA.
As aquisições de álcool anidro realizada no período em apuração não geram direito ao crédito pleiteado tendo em vista que o permissivo legal somente surgiu em 01/10/2008 (primeiro dia do quarto mês subseqüente) com a produção dos efeitos do art. 7º da Lei nº 11.727/08.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.142
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 04 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201206
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Ementa: COFINS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL ANIDRO CARBURANTE PARA ADIÇÃO À GASOLINA. As aquisições de álcool anidro realizada no período em apuração não geram direito ao crédito pleiteado tendo em vista que o permissivo legal somente surgiu em 01/10/2008 (primeiro dia do quarto mês subseqüente) com a produção dos efeitos do art. 7º da Lei nº 11.727/08. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10950.005201/2009-64
conteudo_id_s : 6780675
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3803-003.142
nome_arquivo_s : 380303142_10950005201200964_201206.pdf
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10950005201200964_6780675.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
id : 4576172
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:09 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045661118464
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-14T16:16:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-14T16:16:20Z; Last-Modified: 2014-07-14T16:16:20Z; dcterms:modified: 2014-07-14T16:16:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:da4d4ac1-9a32-4d97-b7f6-71ea863ac41f; Last-Save-Date: 2014-07-14T16:16:20Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-14T16:16:20Z; meta:save-date: 2014-07-14T16:16:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-14T16:16:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-14T16:16:20Z; created: 2014-07-14T16:16:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2014-07-14T16:16:20Z; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-14T16:16:20Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 0 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.005201/200964 Recurso nº 946.292 Voluntário Acórdão nº 3803003.142 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de junho de 2012 Matéria DCOMP RESSARCIMENTO DE PIS/PASEP Recorrente CIAPETRO DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Ementa: COFINS. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL ANIDRO CARBURANTE PARA ADIÇÃO À GASOLINA. As aquisições de álcool anidro realizada no período em apuração não geram direito ao crédito pleiteado tendo em vista que o permissivo legal somente surgiu em 01/10/2008 (primeiro dia do quarto mês subseqüente) com a produção dos efeitos do art. 7º da Lei nº 11.727/08. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento da PIS, no valor de R$ 73.569,12, relativos ao 2º trimestre de 2005, vinculandose aos mesmos, Pedido de Compensação. A DRF/Maringá proferiu Despacho Decisório no qual foi parcialmente deferido o ressarcimento pleiteado, no montante de R$ 12.129,12, e homologadas as compensações apresentadas até o limite do crédito deferido. A fiscalização não considerou os valores referentes à aquisição de álcool anidro para fins de composição da base de cálculo da contribuição. Em Manifestação de Inconformidade a Interessada alegou que o álcool anidro é insumo em seu processo produtivo, posto que é adicionado a gasolina tipo “A”, para a obtenção da gasolina tipo “C”, e assim, em face da legislação do PIS e da Cofins não cumulativos, entende que tem direito ao abatimento do crédito relativo às aquisições do referido insumo, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, desde o advento da Lei nº 10.865/2004. Argumenta ainda que: a) o álcool hidratado adquirido pela recorrente é revendido ‘in natura’ aos postos revendedores, (consumidoresvarejistas) ; por sua vez, o álcool anidro é utilizado como insumo na produção da gasolina ‘c’, desta forma, não se poderia tratar ambos produtos como se fossem idênticos, de modo que possuem destinação e finalidades dispares, sobretudo porque não há autorização legal para revenda e distribuição de álcool anidro de acordo com determinações técnicas desde o antigo órgão CPN e ANP, Agência Nacional do Petróleo, sendo utilizado exclusivamente como insumo obrigatório na composição final da gasolina ‘c’; b) a vedação ao creditamento contida no art. 3º, I, “a” das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, referese única e exclusivamente ao álcool hidratado, e que as contribuições em debate, incidentes sobre o álcool anidro, não estão sujeitas ao regime de substituição tributária, como teria afirmado o fisco, mas, ao contrário, incidiriam em cada etapa do ciclo produtivo, conforme a situação do vendedor/adquirente, ou seja, se produtor, aplicarseia o disposto no art. 5º, I da Lei nº 9.718/1998, e se distribuidor, aplicarseia o contido no art. 5º, II da mesma lei. A DRJ em Curitiba indeferiu a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório da CIAPETRO, conforme ementa que transcrevemos a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DE PIS E COFINS. ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO À GASOLINA. Até 30 de setembro de 2008, não havia direito a crédito do PIS e da Cofins, no sistema de nãocumulatividade, para distribuidora de combustíveis sobre aquisição de álcool anidro para fins Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.005201/200964 Acórdão n.º 3803003.142 S3TE03 Fl. 2 3 carburantes adicionado à gasolina “A” para obtenção da gasolina “C”. DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos a inexistência do crédito informado como suporte, não se homologam as compensações vinculadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão retro em 20/04/2012, apresentou Recurso Voluntário para este Conselho Administrativo em 10/05/2012, no qual, em apertada síntese, repisou os mesmos argumentos aduzidos em sede de Manifestação de Inconformidade. Requereu, ao final, pelo reconhecimento do crédito oriundo das aquisições de álcool anidro, anteriores a agosto de 2008, e a homologação das compensações transmitidas pela empresa. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O presente recuso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. Compulsando os autos facilmente se observa que a lide encontrase delimitada quanto a existência ou não de direito pelo contribuinte ao creditamento do Pis e da COFINS sobre as aquisições de álcool anidro, em face da realização de sua mistura à gasolina “A” com o fito de obter a gasolina “C”. Por seu turno, a DRJ em Curitiba considerou que a ora Recorrente não fabrica ou produz bens, de forma que possa considerar, para efeitos tributários, o álcool anidro e a gasolina “A” como insumo do produto, a gasolina “C”, destinado à venda. Argumenta que, diferentemente de produzir, a distribuidora apenas realiza a mistura da gasolina “A” com o álcool etílico anidro, para obtenção da gasolina “C”, em atendimento às normas baixadas pela Agência Nacional do Petróleo e que a legislação tributária de regência determinou que a alíquota para aquele produto seria zero por ser considerado um produto vendido pela distribuidora, e não um insumo. Ademais disso, ressaltou que o aproveitamento de créditos sobre aquisição de álcool anidro para adição à gasolina, para contribuinte sujeito ao regime de apuração nãocumulativa da COFINS e do PIS/PASEP somente tem vigência a partir de 01/10/2008, com a previsão contida no § 13 do art.5º da Lei nº 9.718,de1998. A contribuinte, busca através do Recurso Voluntário emplacar o entendimento de que o álcool anidro é produto intermediário obrigatório, e portanto insumo, da gasolina “c”, enquadrando o direito ao creditamento no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02, que assim dispõem: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Contudo, em que pesem seus argumentos e toda a construção jurídica desenvolvida no Recurso Voluntário que ora se analisa com vistas ao creditamento, os mesmos não merecem prosperar. Isto porque os créditos decorrentes da aquisição de álcool anidro os quais busca o ressarcimento se referem ao 2º trimestre de 2005. Conforme se extrai dos autos, parte integrante do Despacho Decisório proferido pela DRF em Marigá, a contribuinte “considerou as receitas de revendas de gasolina adicionada de álcool anidro como pertencente ao regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins de que trata a Lei nº 10.833/2003, apropriando como custo, o total das aquisições de álcool anidro para fins carburantes do período”. Nas vendas de gasolina, com exceção da de aviação, óleo diesel e GLP, a contribuição para o Pis/Pasep e para a COFINS incide de forma concentrada, no inicio da etapa de comercialização, realizada pelos produtores ou importadores. Até o advento da Lei nº 10.637/02 e da 10.833/02, que instituíram a sistemática da nãocumulatividade para o Pis/Pasep e para a COFINS, respectivamente, essas receitas se mantiveram no regime da cumulatividade, se sujeitando ao art. 2º da Lei nº 9.718/98 se produtor, e arts. 5º e 6º do mesmo diploma legal se distribuidores ou importadores. O inciso IV do §3º do art. 1º da Lei nº 10.833/02, reproduzido de igual forma na Lei nº 10.637/02, determinava a não inclusão na base de cálculo das contribuições sociais das receitas de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, dentre esses produtos destacamos o álcool para fins carburantes: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.005201/200964 Acórdão n.º 3803003.142 S3TE03 Fl. 3 5 IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; Com o advento da Lei nº10.865, de 30 de abril de 2004, o artigo acima transcrito sofreu mudanças, de maneira que a vedação à inclusão na base de cálculo das contribuições sociais ficou restrita tão somente as operações de venda de álcool para fins carburantes, tal qual o caso: § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008)(Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) Desta forma, a venda de álcool para fins carburantes permaneceu na sistemática da cumulatividade, a qual não permite o creditamento do crédito oriundo das referidas aquisições, de modo que esta situação permaneceu até sua revogação pela Medida Provisória nº 413, de 3 de janeiro de 2008, convertida na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que assim dispôs em seu art. 42: 1 1 6 º TURMA. ACÓRDÃO Nº 1638910 de 17 de Maio de 2012. DRJ/SPO1. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO DE COFINS. A aquisição de álcool anidro para fins carburantes e de gasolina A com a intenção de obtenção de gasolina C não gera crédito de COFINS para distribuidora de combustíveis. Os pro cedimentos de reconhecimento de direito creditório exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Anocalendário: : 01/01/2005 a 31/12/2005 DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RIBEIRÃO PRETO. 1 º TURMA. ACÓRDÃO Nº 1425212 de 13 de Julho de 2009. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO DE COFINS. ÁLCOOL ANIDRO PARA ADIÇÃO À GASOLINA. Até 30 de setembro de 2008, não havia direito a créditos da Cofins para distribuidora de combustíveis, sobre aquisição de álcool anidro par a fins de adição à gasolina. Período de apuração: : 01/07/2004 a 30/09/2004 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Art. 42. Ficam revogados: III – a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da publicação desta Lei: a) o parágrafo único do art. 6º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; b) os incisos II e III do caput do art. 42 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001; c) o inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; d) o inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; e)os arts. 49, 50, 52, 55, 57 e 58 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não havendo, após essa data, outra forma de tributação além dos 2 (dois) regimes previstos nos arts. 58A a 58U da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e demais dispositivos contidos nesta Lei a eles relacionados;(Vide Medida Provisória nº 436, de 26/06/2008) f)o § 7º do art. 8º e os §§ 9º e 10 do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004.(Vide Medida Provisória nº 436, de 26/06/2008) Outrossim, o álcool anidro, composto que misturado a gasolina “A” origina a gasolina “C”, comercializada pelos postos revendedores e utilizada pela população em geral em seus veículos automotores, ao meu sentir, não foi tratado pela legislação tributária como insumo, mas sim um produto vendido pelo distribuidor. Tanto é que o inciso II do artigo 42 da MP nº 2.15835, de 2001, portanto vigente à época dos fatos, reduziu a zero a alíquota das contribuições sociais sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores, dispositivo que também foi revogado pela Lei nº 11.727/08, porquanto o recolhimento já haveria sido efetuado na etapa anterior pelos produtores (usinas): Art.42.Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; IIálcool para fins carburantes, quando adicionado à gasolina, auferida por distribuidores; (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO. 6 º TURMA. ACÓRDÃO Nº 1619305 de 05 de Novembro de 2008. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO DE COFINS. A aquisição de álcool anidro para fins carburantes e de gasolina A com a intenção de obtenção de gasolina C não gera crédito de COFINS para distribuidora de combustíveis. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os procedimentos de reconhecimento de direito creditório exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10950.005201/200964 Acórdão n.º 3803003.142 S3TE03 Fl. 4 7 IIIálcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) Nestes termos, as aquisições de álcool anidro realizada no período de 01/04/2004 a 30/06/2004 não geram direito ao ressarcimento da COFINS tendo em vista que o permissivo legal somente surgiu em 01/10/2008 (primeiro dia do quarto mês subseqüente) com o advento da Lei nº 11.727/08 e a produção dos efeitos do seu art. 7, a qual instituiu este regime diferenciado de tributação para os distribuidores de álcool anidro adicionado à gasolina. 2 De se acrescentar, que conforme todo o apanhado, não contestado pela Recorrente, no período de agosto de 2001 a setembro de 2008, as saídas de álcool promovida pelas distribuidoras, ainda que misturados à gasolina, estavam sujeitas à alíquota zero, o que comprova a sua finalidade carburante. Por tal razão, não se pode opor à situação que ora se analisa, o permissivo legal contido no art. 17 da Lei nº 11.033/04 cujo conteúdo transcrevemos a seguir para fins de melhor interpretação: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Pelo que se percebe, o contribuinte não poderá se creditar de todas as aquisições de produtos cuja saída do estabelecimento esteja sujeita à alíquota zero, tendo em vista que em determinados casos, como o dos autos, existe expressa determinação legal que veda esse aproveitamento (inciso IV, do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833/03). Em julgado recente, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária desta 3ª seção posicionouse de forma semelhante, no acórdão de nº 340101.111, partilhando do mesmo entendimento que o refletido neste voto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. ÁLCOOL ANIDRO. VEDAÇÃO EXPRESSA. A possibilidade de manutenção de créditos a que se refere o art. 17 da 11.033, de 21 de dezembro de 2004, não é ampla e irrestrita, em face de vedação expressa contida na regra então vigente, qual seja, o artigo 3º, I, “a”, c/c o art. 2 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 52 de 29 de Junho de 2011 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: DISTRIBUIDOR DE GASOLINA. DIREITO A CRÉDITO. Até 30/09/2008, as aquisições, por distribuidor, de álcool anidro para fins carburantes para ser adicionado à gasolina não geravam direito a crédito, por força de vedação expressa contida na letra “a”, do inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003. A partir de 01/10/2008, com a produção dos efeitos do artigo 7º da Lei nº 11.727, de 2008 e do Decreto nº 6.573, de 19/09/2008, pode o distribuidor que adquire álcool anidro para mistura à gasolina de produtor, importador ou outro distribuidor, creditarse em relação ao produto adquirido, sendo o valor do crédito determinado por unidade de medida, conforme estabelecido na norma regulamentadora. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 8 1º, § 3º, IV, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário, mantendo incólume a decisão proferida pelo Órgão de Piso. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000146/2006-59
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-001.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
dt_index_tdt : Sat Dec 24 09:00:01 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201206
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10820.000146/2006-59
conteudo_id_s : 6728900
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 19 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-001.647
nome_arquivo_s : 280201647_10820000146200659_201206.pdf
nome_relator_s : SIDNEY FERRO BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 10820000146200659_6728900.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4557257
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:02 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045675798528
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-18T16:56:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-09-18T16:56:14Z; Last-Modified: 2019-09-18T16:56:14Z; dcterms:modified: 2019-09-18T16:56:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:27b5a411-a27c-4503-80bb-8b07fac0862c; Last-Save-Date: 2019-09-18T16:56:14Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-18T16:56:14Z; meta:save-date: 2019-09-18T16:56:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-18T16:56:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-09-18T16:56:14Z; created: 2019-09-18T16:56:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-09-18T16:56:14Z; pdf:charsPerPage: 1566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-09-18T16:56:14Z | Conteúdo => S2TE02 Fl. 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.000146/200659 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.647 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente CONCEIÇÃO TORRES LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Relator. EDITADO EM: 19/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Peço vênia para iniciar o presente com a transcrição do quanto relatado no acórdão recorrido, in verbis: “Contra a contribuinte acima identificada foi emitida notificação de lançamento de fl. 05, referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, por meio do qual foi exigida multa por atraso na entrega da declaração no valor de R$ 1.053,49. A contribuinte apresentou, em 24/01/2006, a impugnação de fls. 01/03, na qual, alega, em síntese, que: apresentou no prazo a declaração de isento, entendendo que não tinha rendimentos tributáveis uma vez que recebia pensão alimentícia através do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia que, segundo orientação recebida, seria o responsável pelo pagamento do imposto de renda na fonte; assim, não se trata de entrega de declaração com atraso e sim de declaração retificadora, cujo imposto foi pago com as penalidades decorrentes, inclusive multa incidente sobre o não recolhimento à época, o que nos induz a conclusão de dupla penalidade sobre o mesmo fato; ademais, como a entrega da declaração retificadora foi espontânea, aplicase ao caso o artigo 138 do Código Tributário Nacional.” A decisão de primeira instância salientou que: “Declaração de ajuste anual não se confunde com a declaração de isento, que deve ser apresentada pelo contribuinte que não se enquadre nas condições de obrigatoriedade da declaração de ajuste, o que, como se demonstrou, não é o caso dos autos. Não se trata, portanto, de declaração retificadora pois não houve entrega de outra DIRPF/2002 anterior aquela que resultou na aplicação da multa ora questionada”. Concluiu, o decisum a quo, que “a entrega da declaração de ajuste anual após o prazo fixado, estando o contribuinte obrigado à sua apresentação, enseja a aplicação da multa por atraso, não se aplicando ao descumprimento dessa obrigação acessória, o instituto da denúncia espontânea”. Às fls. 23 se encontra o recurso voluntário, por meio do qual a interessada reafirma seu entendimento de que verificouse a denúncia espontânea e, assim, por aplicação do art. 138 do CTN, deve a multa ser excluída. É o relatório. Voto Conselheiro Sidney Ferro Barros, Relator. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10820.000146/200659 Acórdão n.º 2802001.647 S2TE02 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A matéria é bastante conhecida, sendo certo que não se discute, no caso em pauta, o fato de ter sido a declaração entregue após o prazo, mas, apenas, o fato de a entrega extemporânea ficar sujeita à multa regulamentar. Na esfera judicial, cabe registrar Acórdão unânime da 1ª Sessão do STJ, em 18.06.2001 (EREsp 246.295/RS), que decidiu que: “APRESENTAÇÃO COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DENÚNCIA ESPONTÂNEA 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN.” Várias decisões desta Corte Administrativa sedimentaram idêntica conclusão, como no Acórdão CSRF/013.086/00 (entre outros), em que a Câmara Superior de Recursos Fiscais concluiu que “o instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN”. O tema foi objeto da Súmula CARF nº 49, que pacificou o entendimento no âmbito do CARF nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Por todo o exposto, afasto a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. É como voto. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 19 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Fl. 32DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903819/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.201
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Thu Mar 23 12:45:00 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10865.903819/2009-51
conteudo_id_s : 6784200
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3803-003.201
nome_arquivo_s : 380303201_10865903819200951_201207.pdf
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 10865903819200951_6784200.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4557219
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:01 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045700964352
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-18T14:48:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-18T14:48:37Z; Last-Modified: 2014-07-18T14:48:37Z; dcterms:modified: 2014-07-18T14:48:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:b38de1ea-06ea-4349-a0a9-4a08458eb16a; Last-Save-Date: 2014-07-18T14:48:37Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-18T14:48:37Z; meta:save-date: 2014-07-18T14:48:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-18T14:48:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-18T14:48:37Z; created: 2014-07-18T14:48:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2014-07-18T14:48:37Z; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-18T14:48:37Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 103 1 102 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.903819/200951 Recurso nº 922.720 Voluntário Acórdão nº 3803003.201 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDÊNCIA MONOFÁSICA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente J.C.R. BENEFICIAMENTO DE MATERIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Redator designado [assinado digitalmente] Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresenta Recurso Voluntário contra decisão denegatória de PER/DCOMP eletrônico referente ao recolhimento a maior de PIS/Pasep referente ao PA de 30.04.2003. O despacho eletrônico anexo fls. 06 indeferiu o pedido de homologação da compensação com fundamento no fato de que o “suposto” pagamento a maior não foi comprovado pelo contribuinte. Na manifestação de inconformidade anexa fls. 11/14 o contribuinte sustentou que a partir de 1º de novembro de 2002 a Lei n.º 10.485/2002 reduziu para zero a alíquota da COFINS e PIS/Pasep incidentes sobre as receitas auferidas com a venda e industrialização por encomenda de autopeças. Afirmou ainda que com a edição da Lei n.º 10.865/2004 foi afastado o regime monofásico do setor automotivo, retornando a incidência do PIS e da Cofíns a todos os componentes da cadeia, a partir de 1º de agosto de 2004. Alegou ainda ter recolhido indevidamente PIS e COFINS durante o período de dezembro de 2002 ao final de julho de 2004, incidente sobre suas receitas de venda e industrialização sob encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e por essa razão tem direito a homologação da compensação desses créditos, embora não tenha retificado a DCTF para informar a alteração do valor correto devido. Por fim, o contribuinte alegou na Manifestação de Inconformidade que não informou o número do recibo da DCOMP na correspondente DCTF, sendo que, por outro equívoco, pagou o tributo informado nesta DCOMP por meio de DARF, ocasionando um pagamento em duplicidade (Darf e Dcomp). As fls. 26/28 sobreveio a Decisão n.º 1428.869 4 º Turma da DRJ/POR, cuja ementa foi lavrada com o seguinte teor: A s s u n t o : C o n t r i b u i ç ã o p a r a o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise da decisão atacada que os julgadores de primeiro grau têm ciência de que a alíquota do PIS e COFINS foi reduzida a zero relativamente à receita bruta de venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei n.º 10.485/2002 dos produtos classificados nos códigos da TIPI mencionados no art. 1º desta Lei. Entretanto, a decisão recorrida concluiu que o direito creditório pleiteado não restou comprovado por meio de documentação idônea, uma vez que o contribuinte não demonstrou que toda ou parte das receitas auferidas foram provenientes de venda de produtos classificados nos códigos da TIPI, conforme definido no art. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903819/200951 Acórdão n.º 3803003.201 S3TE03 Fl. 104 3 1º da Lei n.º 10.485/2002, logo o motivo do indeferimento decorreu da ausência de provas, segundo a decisão recorrida. Em Recurso Voluntário, anexo fls. 30/40 o contribuinte alega nulidade da decisão de primeiro grau, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.º 70.235/72 tendo em vista que a mesma desconsiderou o direito a ampla defesa e contraditório, pois o Fisco não o intimou a apresentar documentos e deixou de reconhecer o direito creditório sob o argumento de que não foram apresentada prova contábil que fizesse lastro com o direito pretendido, quando na realidade é obrigação da Fazenda Nacional realizar diligência e buscar informações no sentido de apurar a existência do crédito. Afirmou que o cerne da questão neste processo se refere a discussão da alíquota zero da contribuição incidente sobre as receitas auferidas com a venda e com a industrialização por encomenda relacionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.845/02, durante o período compreendido entre dezembro de 2002 a julho de 2004. Argumenta ter acontecido equívoco da não retificação da DCTF informando sobre a alteração do valor efetivamente devido de PIS e COFINS, isto é, deveria ter informado na DCTF que sobre estas contribuições incidia alíquota zero, razão pela qual houve o pagamento a maior do tributo no período de apuração em tela. Neste sentido, ressalta o contribuinte que por não ter acontecido a retificação da DCTF, o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito para fazer frente aos débitos apontados no PER/DCOMP. Assim, com fulcro no princípio da verdade material o contribuinte solicita que seja homologada a Dcomp apresentada e que seja cancelado o saldo devedor constante no despacho decisório, principalmente porque agora trás em seu recurso voluntário planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais por amostragem, conforme se observa dos DOCUMENTOS 2 e 3, respectivamente. Por fim, requer que seja homologada a Dcomp e seja cancelado o saldo devedor apurado. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso é tempestivo e por isso merece ser analisado. Conforme relatado, tratase de decisão denegatória de pedido de compensação em razão de pagamento a maior de PIS/Pasep, sob o argumento de que o pagamento indevido não foi comprovado pelo contribuinte. Retirase da decisão recorrida, que os julgadores de primeiro grau concluíram não ter trazido o contribuinte “quaisquer” elementos de prova por meio das quais a Fazenda Nacional pudesse verificar quais receitas do período apontado se referem efetivamente a Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 industrialização por encomenda, principalmente se os produtos estariam relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002. Já compulsando os autos, constatase que o despacho decisório foi emitido de forma eletrônica e se limitou a indeferir o pedido por falta de comprovação do crédito apontado para realizar a compensação pleiteada. Acontece que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte teceu comentários a respeito da incidência da alíquota zero da COFINS para as operações de industrialização por encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e informou também ter recolhido indevidamente o tributo, pois indicou valores equivocados em DCTF. É verdade que em sua Manifestação de Inconformidade não trouxe elementos probatórios capazes de derruir a premissa fazendária de ausência de crédito e por conta disso a DRJ concluiu pelo indeferimento do pedido. Entretanto, agora em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe importantes provas da existência do crédito, ou seja, planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais, ainda que por amostragem. Com efeito, “data vênia”, entendimento contrário, manifesto posicionamento de que os autos devem ser encaminhados à repartição de origem, com o propósito de que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais relacionadas na referida planilha, bem como lançamentos contábeis, relatório do seu processo produtivo e demais documentos que entenda necessários para a apuração do direito creditório. Alertase ainda para o fato de que em momento algum ocorreu a intimação, por parte da Fazenda Nacional, para que o contribuinte apresentasse qualquer documento fiscal. Assim, ainda que seja ônus do sujeito passivo colacionar aos autos provas constitutivas do seu direito, por outro lado também é verdade que uma vez trazidos pelo contribuinte elementos de provas do seu direito, ainda que posteriormente a decisão da DRJ, não deve ser criado óbice a apuração da verdade material. Ante o exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda à verificação se os produtos sob os quais ocorreu a industrialização por encomenda estão relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002, pois tal constatação é fundamental para a apuração do direito crédito. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado A compensação declarada não foi homologada porque o pagamento apontado como indevido estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A decisão recorrida, por sua vez, não reconheceu o direito creditório reivindicado, no valor de R$ Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903819/200951 Acórdão n.º 3803003.201 S3TE03 Fl. 105 5 28,96, mantendo o Despacho Decisório atacado, porque o interessado não trouxe quaisquer elementos de prova que permitisse a verificação de se toda ou parte das receitas daquele período referemse à industrialização por encomenda especificamente daqueles produtos classificados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Fazendo tabola rasa das regras processuais de preclusão e apoiandose em noção arrevesada do princípio da verdade material, o redator, equivocadamente, propôs a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte produzisse a prova que toca ao interessado produzir, nos momentos processuais adequados. Evidentemente, a 3ª Turma Especial, à exceção do Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, jamais respaldaria tal proposição. A natureza extintiva –ainda que condicionada a ulterior homologação – da Declaração de Compensação, impõe que o interessado assegurese que crédito oposto no encontro de contas seja líquido e certo, já no momento da transmissão da Dcomp, sob pena de não têlo homologado. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, apresentando, não apenas as alegações que fez, vazias, pois desacompanhadas de qualquer embasamento documental, mas de documentação contábilfiscal idônea e hábil para demonstrar o erro cometido e afastar o atributo de irretratabilidade da confissão feita na DCTF. O que o recorrente – e o relator também não pode esperar é que a autoridade fiscal suplemente a sua vontade e o intime a tanto. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903819/200951 Acórdão n.º 3803003.201 S3TE03 Fl. 106 7 Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 8 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903819/200951 Acórdão n.º 3803003.201 S3TE03 Fl. 107 9 No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 10 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Alexandre Kern Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725909/2009-91
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JUGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não
incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membro s deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.149
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$30.713,85 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 03 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JUGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membro s deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
numero_processo_s : 10580.725909/2009-91
conteudo_id_s : 6712324
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-001.149
nome_arquivo_s : 280201149_10580725909200991_201110.pdf
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10580725909200991_6712324.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$30.713,85 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
id : 4879183
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:31:04 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045706207232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1752; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 129 1 128 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725909/200991 Recurso nº 884.027 Voluntário Acórdão nº 280201.149 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de outubro de 2011 Matéria IRPF Recorrente JOAQUIM VIEIRA DE AZEVEDO COUTINHO NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JUGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membro s deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da tributação os valores de R$30.713,85 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. Vencidas, exclusivamente quanto à cobrança de multa de mora em substituição à multa de ofício, as Conselheiras Dayse Fernandes Leite e Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas De Mello Relator. EDITADO EM: 21/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello, Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (presidente). Relatório Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725909/200991 Acórdão n.º 280201.149 S2TE02 Fl. 130 3 Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 81 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 112.214,41, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia.” Ato contínuo, em sessão de 17/03/2010, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1523.012, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725909/200991 Acórdão n.º 280201.149 S2TE02 Fl. 131 5 (a) as diferenças reconhecidas através da Lei n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b) o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c) independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d) a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e) o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f) a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g) é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h) é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i) os pareceres, notas e demais consultas realizadas para verificação de multa ou de outro consectário não vinculam a Autoridade Fiscal, tendo mero caráter informativo ou restritivo, seja pela inobservância de requisitos formais ou pelo não atendimento do Artigo 100 do CTN. Regularmente intimado (fl. 86), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 88/124), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal para julgar nulo o auto de infração, alegando (i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa; (ii) efeito vinculante da consulta efetuada; (iii) nulidade do lançamento por forma inadequada de apuração da base de cálculo; (iv) não incidência de IR sobre juros moratórios; (v) a URV tem natureza indenizatória; (vi) ilegitimidade da União; e (vii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária. É o relatório. Voto Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No que se refere às alegações de que era da fonte pagadora a responsabilidade de retenção, além de o Acórdão ter enfrentado esta questão, o entendimento sustentado pelo Recorrente está superado pela jurisprudência desse Conselho. Aplicase a Súmula CARF nº 12 de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 259, de 23 de junho de 2009). Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725909/200991 Acórdão n.º 280201.149 S2TE02 Fl. 132 7 Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Entretanto, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS que, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores de R$30.713,85 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.725909/200991 Acórdão n.º 280201.149 S2TE02 Fl. 133 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 21 de junho de 2012. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722567/2008-76
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE.
O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência
dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies
de cardiopatias. Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-000.869
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 19 09:00:15 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201106
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10580.722567/2008-76
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4851332
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-000.869
nome_arquivo_s : 280200869_10580722567200876_201106.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10580722567200876_4851332.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
id : 4741966
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:47 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045711450112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 156 1 155 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722567/200876 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 280200.869 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de junho de 2011 Matéria IRPF Recorrente LAÉRCIO BUSTAMANTE AUGE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para ter direito isenção do imposto de renda sobre os rendimentos de aposentadoria, pensão ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que especifique a existência da patologia prevista no texto legal. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. O conceito de cardiopatia grave não é exclusivo da medicina, tem origem legal e seu reconhecimento visa à aplicação da lei. É um conceito definido a partir das diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, de forma que para ter direito à isenção dos proventos de portador de cardiopatia grave é necessário que o laudo médico oficial expressamente reconheça a existência dessa patologia, que não é mero gênero que abrange as mais diversas espécies de cardiopatias. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/07/2011 Fl. 156DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física do exercício 2007, anocalendário 2006, com multa de 75% e juros de mora, em virtude de apuração de omissão de rendimentos no valor de R$23.970,40 recebido pelo titular, sendo R$18.803,16 do INSS e R$5.167,24 de PREVUNIÃO Sociedade de Previdência Privada, e da não comprovação por laudo médico oficial da condição de portador de moléstia grave que autorize o gozo de isenção ou a comprovação de que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Houve impugnação ao lançamento com argumentação de que não houve omissão de rendimentos, uma vez que os rendimentos foram informados como isentos e não tributáveis na declaração retificadora e que não procede a exigência de laudo oficial para comprovação moléstia grave, pois que esse já teria sido apresentado, mais especificamente a declaração emitida pelo Hospital Publico Municipal Dr. Mario Gatti. A impugnação foi indeferida sob o fundamento de que um requisito para gozo da isenção dos portadores de moléstia grave é a comprovação da doença prevista no texto legal por meio de laudo expedido por serviço médico oficial e que o documento apresentado não atende ao exigido na lei. Ciente da decisão de primeira instância em 22062010, o recorrente apresentou recurso voluntário em 16072010, no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. os documentos apresentados comprovam que é portador de moléstia (CID I21 – Infarto agudo do miocárdio) e que faz juz à isenção, a qual se aplica tanto aos que se aposentam em razão da doença quanto àqueles que contraem a doença após a aposentadoria; 2. a decisão recorrida não demonstrou as razões pelas quais foi concluído que os documentos apresentados não são laudos do serviço médico oficial do município e que quem os assinou não é pessoa hábil a assinar em nome do serviço médico municipal; 3. os documentos apresentados não foram admitidos por faltar o título “laudo”; 4. em 14 de fevereiro de 2000, já aposentado, e como alegado e comprovado foi acometido de infarto do miocárdio, atendido no Hospital Municipal Dr. Mario Gatti e posteriormente tratado no Hospital Dante Pazzianese de Cardiologia, mantendo o histórico de cardiopatia grave até hoje; 5. declaração do primeiro hospital que o atendeu em 22 de fevereiro de 2002 atesta a presença da doença grave Fl. 157DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722567/200876 Acórdão n.º 280200.869 S2TE02 Fl. 157 3 (CID I21), atendendo ao que prescreve o parágrafo único do art. 30 da lei 9.250/95, o que está em consonância com decisões desse Conselho (recurso 154971 e acórdão 10616.612, ambos da 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) autorizam a isenção independente do nome do documento; 6. não omitiu receita, pois as declarou como rendimentos isentos, devendo ser distinguida a isenção da obrigação de declarar, essa última satisfeita com a declaração dos rendimentos como isentos; 7. o acórdão recorrido está incorreto ao confundir documento oficial com documento público; 8. discorre sobre a validade dos atestados médicos com base no CPC, no Código de Ética Médica e doutrina jurídica; e 9. em março de 2005 foi realizado cateterismo cardíaco chegando ao diagnóstico apontado nos documentos anexos, o mesmo ocorrendo com o tratamento realizado em anos posteriores, e o quadro clínico corresponde a cardiopatia grave. 10. requer encaminhamento a perícia médica a fim de ratificar as informações e laudos apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso Relator, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O cerne do litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O artigo 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Fl. 158DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Na decisão de primeira instância a impugnação foi indeferida sob o fundamento de que: a) “o Interessado não apresenta documento compatível com essa exigência. O que junta à fl.64 e pleiteia seja acolhido para esse fim não tem característica de laudo, não indica expressamente qualquer moléstia grave prevista em lei e nele também não há referência de que a profissional emitente esteja no exercício de cargo que a autorize a se manifestar em caráter oficial em nome do serviço médico municipal.” b) “Quando afirma em sua impugnação que a declaração emitida pelo Serviço Médico Municipal de Campinas faz as vezes de Laudo, ou quando o endereça para vários documentos (fls.60/64), o Contribuinte reconhece a inexistência de um documento único que a ele corresponda. Os exames que junta às fls.52/58 também não têm qualquer valor probatório para esse fim. Não cabe à autoridade autuante ou julgadora fazer inferências em tais documentos e concluir por qualquer diagnóstico. Primeiro por não disporem de competência para tal e segundo porque a literalidade imposta pelo CTN para a concessão da isenção lhe exige que apenas a atestação médica em laudo oficial, com a denominação da doença tal como expressa no dispositivo legal é hábil à comprovação. O apêndice que junta às fls.42/49 demonstra exatamente que as exigências da medicina clínica são diferentes da pericial, que se envolve com a legislação para dar sustentação ao parecer emitido. Passo a analisar os documentos apresentados: Às fls. 141 um encaminhamento à perícia médica do INSS atestando que no período de 14 a 22 de fevereiro de 2000 o recorrente esteve internado no Hospital Municipal DR. Mario Gatti devido a IAM Antero ceptal (CID I21), necessitando de acompanhamento ambulatorial e afastamento das atividades por cerca de30 dias até resultado do cateterismo cardíaco. Esse documento foi assinado pela Drª Vivian P. Zulian. Às fls. 142 um registro de internação no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, referente à internação em 14 de fevereiro de 2000. Às fls. 143 o formulário de Resumo de Alta narrando a histórica (sintomas e resultados de exames realizados) do paciente, cujo diagnostico de entrada e diagnósitco definitivo registrados foi IAM Antero ceptal, sem que conste em qualquer local a anotação de cardiopatia grave. Esse documento não foi assinado. Às fls. 144/145 uma solicitação para exame de alta complexidade em virtude de IAM Antero ceptal. Não consta anotação de cardiopatia grave. Às fls. 146/147 consta ficha de marcação de consultas no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.. Às fls. 148/149 relatório médico acerca do cateterismo realizado. Não há qualquer anotação de cardiopatia grave. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722567/200876 Acórdão n.º 280200.869 S2TE02 Fl. 158 5 Às fls. 150 resultado da ecocardiopafia com Dopller a cores, apontando como resultado “regurgitação mitral discreta, ventrículo esquerdo hipertófico, com disfunção moderada e disfunção ventricular direita moderada à severa”. Assim como foi consignado no acórdão recorrido, não há um laudo médico oficial que contenha a indicação de que o recorrente é portador de cardiopatia grave como alega, requisito legal para gozo da isenção em comento. Ademais, tratase litígio que transcende a questões meramente tributárias, pois requer fundamentação em conhecimentos muito específicos da medicina, tanto que a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, veio exigir que a comprovação da isenção nesses casos fosse feita com base em Laudo Médico emitido por serviço médico oficial. Ainda que apresentado um laudo médico oficial deveria nele constar que o paciente é portador de cardiopatia grave, não cabendo ao julgador fazer equiparação a partir de um conjunto de sintomas descritos em documentos médicos elaborados para outros fins que não o pericial. O deslinde de litígios dessa natureza requer que seja esclarecido o que é uma cardiopatia grave para efeitos legais. É um gênero do qual são espécies diversas patologias descritas? A partir desse ponto, buscando responder o quesito acima, o voto fundamentarseá na II Diretriz Brasileira de Cardiopatia Grave publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (Arquivos Brasileiros de Cardiologia Volume 87, Nº 2, Agosto 2006, Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/abc/v87n2/a24v87n2.pdf> Acesso em 07 Out. 2010.) Destaco que essas diretrizes não foram ignoradas pelo recorrente (fls. 42/49), o qual chegou a conclusões equivocadas ao fundamentar sua impugnação e recurso voluntário acerca do conceito de cardiopatia grave. Segundo a referida diretriz, o termo Cardiopatia Grave aparece pela primeira vez na legislação brasileira com a Lei n.º 1.711 (item III, do Artigo 178), sancionada em 28 de outubro de 1952 (Estatuto dos Funcionários Civis da União). Essa lei foi reeditada em outras ocasiões, sem modificações significativas. A partir de 1.º de janeiro de 1989, passou a vigorar a Lei 7.713/88, diploma matriz da isenção em comento, o qual foi modificado mais de uma vez, sendo a última pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, com a inclusão de novas patologias, e continuando a beneficiar os pacientes acometidos pelas mesmas doenças listadas na Lei 7.713/88, entre elas a cardiopatia grave, mesmo que tenham sido contraídas depois da aposentadoria ou reforma (Artigos 6.º, XIV). Registrase que em 1952, uma comissão multidisciplinar de médicos enunciou o conceito de Cardiopatia Grave como doença que leva, em caráter temporário ou permanente, à redução da capacidade funcional do coração, a ponto de acarretar risco à vida ou impedir o servidor de exercer as suas atividades. A incapacitação laboral deve ser avaliada por perícia médica, em procedimento no qual, o segurado ou paciente, vítima de uma doença ou acidente de trabalho, é Fl. 160DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 examinado por um profissional especializado (médicoperito), que avalia as condições de saúde e a capacidade laborativa, decidindo sobre a conveniência do afastamento ou o retorno às atividades laborativas habituais, de acordo com as normatizações contidas nos Estatutos do Funcionalismo Público (Manual do Médico Perito, 1980; Perícia Médica, 1990). É importante ressaltar que o médicoperito, diferentemente do médico cardiologistaclínico, não exerce a medicina clínica, pois não cuida de enfermos. Utiliza os conhecimentos médicos apenas para estabelecer o diagnóstico e o prognóstico clínico, para julgar a capacidade laborativa e sua imputabilidade. Assim, a atividade e o conhecimento pericial sugerem uma especialidade de cunho médicojudicial, na qual, além dos conhecimentos profundos de clínica, existe a necessidade de uma postura, raciocínio e julgamento, como fim. Frisese que a adaptação do conhecimento médico às exigências das normas legais realizase com critérios e princípios diferentes dos que regem a apreciação dos problemas clínicos. As exigências da medicina clínica são diferentes da pericial, que se vê envolvida com a legislação, que deve sustentar o parecer pericial. A medicina pericial exercida atualmente, mais do que nunca, exige a comprovação diagnóstica por meio de uma rigorosa avaliação clínica e comprovação laboratorial (métodos complementares nãoinvasivos e invasivos), evitandose as conclusões baseadas em impressões subjetivas ou alegações emanadas dos pacientes, sem o corroborativo laboratorial, tão sujeitas a erros ou interpretações enganosas. O conceito de cardiopatia grave engloba tanto doenças cardíacas crônicas, como agudas. São consideradas cardiopatias graves: a) cardiopatias agudas, habitualmente rápidas em sua evolução, que se tornam crônicas, caracterizadas por perda da capacidade física e funcional do coração; b) as cardiopatias crônicas, quando limitam, progressivamente, a capacidade física e funcional do coração (ultrapassando os limites de eficiência dos mecanismos de compensação), não obstante o tratamento clínico e/ou cirúrgico adequado; c) cardiopatias crônicas ou agudas que apresentam dependência total de suporte inotrópico farmacológico ou mecânico ; d) cardiopatia terminal: forma de cardiopatia grave em que a expectativa de vida se encontra extremamente reduzida, geralmente não responsiva à terapia farmacológica máxima ou ao suporte hemodinâmico externo. Esses pacientes não são candidatos à terapia cirúrgica, para correção do distúrbio de base ou transplante cardíaco, devido à severidade do quadro clínico ou comorbidades associadas. A limitação da capacidade física e funcional é definida, habitualmente, pela presença de uma ou mais das seguintes síndromes: insuficiência cardíaca, insuficiência coronariana, arritmias complexas, bem como hipoxemia e manifestações de baixo débito cerebral, secundárias a uma cardiopatia. A gravidade dessas síndromes será definida conforme as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Após a avaliação da capacidade funcional do coração os pacientes são classificados em Graus que variam de I (pacientes portadores de doença cardíaca sem limitação da atividade física) a IV (pacientes portadores de doença cardíaca que os impossibilita de qualquer atividade física). Diversos meios de diagnóstico são empregados na avaliação da capacidade funcional do coração, porém os achados fortuitos em exames complementares especializados não são, por si só, suficientes para o enquadramento legal de cardiopatia grave. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722567/200876 Acórdão n.º 280200.869 S2TE02 Fl. 159 7 O quadro clínico bem como os recursos complementares, com os sinais e sintomas que permitem estabelecer o diagnóstico de cardiopatia grave, estão relacionados às seguintes cardiopatias: cardiopatia isquêmica, cardiopatia hipertensiva, miocardiopatias, valvopatias, cardiopatias congênitas, arritmias, pericardiopatias, aortopatias e cor pulmonale crônico. Ressaltese que em algumas condições, um determinado item coletado pelos meios de diagnóstico pode, isoladamente, configurar cardiopatia grave (por exemplo, fração de ejeção < 0,35), porém, na grande maioria dos casos, é necessária uma avaliação conjunta dos diversos dados do exame clínico e dos achados complementares para melhor conceituála. Vejamos a aplicação desse referencial teórico ao caso dos autos, tomando como exemplo a patologia infarto agudo do miocárdio que consta nos documento apresentados como tendo acometido o recorrente. Estou convencido que para o leigo e para o paciente o infarto agudo do miocárdio é uma doença do coração grave, o que permitiria considerála uma cardiopatia grave. Possivelmente, um cardiologista clínico também a considere uma doença do coração grave, portanto uma cardiopatia grave sob um critério estritamente médico. Mas isso não é suficiente para efeitos tributários. A II Diretriz Brasileira de Cardiopatia Grave descreve os tópicos importantes que precisam ser valorados para que um infarto agudo do miocárdio forma aguda da cardiopatia isquêmica – seja considerado uma cardiopatia grave. Isso evidencia que nem todo infarto agudo do miocárdio é uma cardiopatia grave. No mesmo sentido é a lição extraída do Consenso Nacional Sobre Cardiopatia Grave, com a participação de 40 cardiologistas, em Angra dos Reis, de 02 a 04 de Abril de 1993, no sentido de que as cardiopatias agudas, habitualmente rápidas em sua evolução, podem tornarse crônicas, passando ou não, a caracterizar uma cardiopatia grave, ou evoluir para o óbito, situação que, desde logo, deve ser considerada como Cardiopatia Grave, com todas as injunções legais. (Disponível em <http://publicacoes.cardiol.br/consenso/1993/61/cardiopatiaGrave.pdf> Acesso em 07 Out. 2010.) Ainda que considerada uma cardiopatia grave, quando o tratamento adequado clínico, intervencionista ou cirúrgico melhorar ou abolir as alterações acima descritas, o conceito de gravidade deve ser reconsiderado e reavaliado. Embora, sob o aspecto estritamente médico, cardiopatia grave implique tão somente em prognóstico reservado em relação à morbidade, à história natural da cardiopatia, à qualidade de vida e à mortalidade. Do ponto de vista sócioeconômico e, principalmente, legal, implica na impossibilidade de o paciente desempenhar uma atividade profissional em sua plenitude, comprometendo o seu padrão de vida e de sua família, podendo mesmo, levála ao desamparo, na eventualidade de morte prematura. No mesmo caminho é a orientação do cardiologista Dr. Reinaldo Mano, ao explicar que possuir uma doença cardíaca não significa obrigatoriamente que o paciente tenha uma cardiopatia grave na forma da lei, especialmente porque com o avanço da tecnologia, dos métodos diagnósticos e dos tratamentos, diversas condições cardiológicas antes reconhecidamente causadoras de morte e invalidez, hoje são passíveis de cura, assim, depende Fl. 162DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 do cardiologista a emissão de laudos baseados em escalas objetivas, atualmente constantes de Diretrizes da SBC, tanto para evitar excessos em relação a aposentadorias e benefícios de portadores de cardiopatia, que já se encontram potencialmente tratadas e controladas, quanto para dar amparo a caracterização da cardiopatia grave (Anamnese Cardiológica Situação Laborativa do Paciente, de 13/11/2004, Disponível em < http://www.manuaisdecardiologia.med.br/Semiologia/Anamnese/anamnese_Page775.htm> Acesso em 07Out. 2010). Em síntese, conceituar cardiopatia grave é tarefa complexa, esse termo não pertence à medicina exclusivamente, pelo contrário advém da lei e compreende reflexos na área trabalhista, previdenciária e tributária. Tratase de expressão legal que inclui, dentre diversas doenças graves do coração, somente aquelas em que o profissional médico atestar ser uma cardiopatia grave, o que será feito segundo Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, após aplicar os mais diversos meios de diagnóstico e de avaliação da capacidade funcional do coração e do respectivo impacto sobre a capacidade laborativa. Não é correto reduzir o termo cardiopatia grave a um gênero do qual todas as doenças graves do coração são espécies, como sustenta o recorrente. O termo cardiopatia grave empregado na Lei nº 7.713/1988 não é mera técnica legislativa de mencionar o gênero ao invés de todas as espécies. Destarte, no caso dos autos, para ter direito à isenção é fundamental que o laudo médico expedido por serviço médico oficial especifique que o paciente é portador de cardiopatia grave. Não tendo isso ocorrido, não foi preenchido o requisito legal da isenção. Por fim, é ônus do recorrente fazer prova de suas alegações e trazêlas aos autos, não se desincumbindo desse ônus não cabe a realização de perícia como requerido. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Relator Fl. 163DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001151/99-14
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.252
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência ao
Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 11 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200612
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
numero_processo_s : 10920.001151/99-14
anomes_publicacao_s : 200612
conteudo_id_s : 6758861
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 303-01.252
nome_arquivo_s : 30301252_109200011519914_122006.PDF
ano_publicacao_s : 2006
nome_relator_s : NILTON LUIZ BARTOLI
nome_arquivo_pdf_s : 109200011519914_6758861.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
id : 4625851
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:24 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045715644416
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-19T14:18:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 1; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-08-19T14:18:05Z; Last-Modified: 2013-08-19T14:18:05Z; dcterms:modified: 2013-08-19T14:18:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d16bdff7-bf08-4e8d-b4be-92c4b133a98a; Last-Save-Date: 2013-08-19T14:18:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-08-19T14:18:05Z; meta:save-date: 2013-08-19T14:18:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-08-19T14:18:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-08-19T14:18:05Z; created: 2013-08-19T14:18:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2013-08-19T14:18:05Z; pdf:charsPerPage: 784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-08-19T14:18:05Z | Conteúdo => ;..\-I TON LOT BARTOLI 2 - Relator /--/ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ier TERCEIRA CÂMARA Processo n° Recurso n° Sessão de Recorrente Reco rrid a : 10920.001151/99-14 : 133.105 : 06 de dezembro de 2006 : WIEST S/A : DRJ/PORTO ALEGRE/RS RESOLUÇÃO 1\1'303-01.252 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator. ANEL E DAUDT PRIETO Presidente Formalizado em: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Zenaldo Loibman, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Tardsio Campelo Borges e Sergio de Castro Neves. DM Processo n° : 10920.001151/99-14 Resolução n° : 303-01.257 RELATÓRIO Tern por objeto os presentes autos, lançamento de oficio para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados, diante de constatação, em verificação fiscal, de que o contribuinte, durante o período analisado, efetuou a venda de produtos, classificados na Tabela de Incidência de IPI, aprovada pelos Decretos n's 97.410/88 e 2.092/96, sob o código 8708.9200 — silenciosos e tubos de escape, utilizando urna aliquota menor do que a estabelecida legalmente, que é de 16%, diante da utilização indiscriminada de aliquota prevista em "ex". O lançamento do IPI restou enquadrado nos artigos 55, I, b e II, c; 107, II, c/c 15; 16; 17; 62; 112, IV e 59, todos do RIPI, aprovado pelo Decreto n°. 87.981/82, e artigos 110 e 185,11 e III, c/c 15; 6; 17; 117; 83, III e IV e 114, todos do RIPI aprovado pelo Decreto n°. 2.637/98. A exigência de multa se enquadrou no artigo 80, inciso II, da Lei n°. 4.502/64, com redação dada pelo Decreto-lei n°. 34/66, artigo 2' e 45, inciso I, da Lei n°. 9.430/96, c/c artigo 106, inciso II, alínea c, da Lei n°. 5.172/66. Ao impugnar o lançamento, manifesta-se o contribuinte as [Is. 3.272/3.279, alegando, em suma, que: dedica-se à industrialização de partes e peps para uma grande variedade de veículos automotores, que podem ser, veículos de passeio, de carga, utilitários, ou ainda veículos de transporte de pessoas, sendo seus principais produtos os escapamentos e silenciadores; somente efetua vendas por atacado, de maneira que não poderiam os fiscais concluírem que, por exemplo, escapamentos que tanto servem para um Fiat 147 (passeio), como para um Fiorino (utilitário), foram utilizados no veiculo de passeio, e com essa conclusão impor a autuação; a vaga alusão ao fato de que houve a venda de produtos destinados a veículos de passeio, como se para os "ex -- tarifários, não informa adequadamente ao autuado qual ato ou fato, a ele imputável, estaria caracterizando a infração; iv. não há nenhuma alusão, no auto de infração, quanto quantidade de partes e peças que teriam sido erroneamente tributadas pelo IPI, limitando-se à autuação a relacionar notas fiscais e aplicar a alíquota de 16%, sobre o total das vendas, deixando de verificar que veículos Saveiro, Kombi e Processo n° : 10920.001151/99-14 Resolução n° 303-01.252 v. Fiorino, são tributados corn aliquota de 4%, além dos tubos intermediários do cargo VW (veiculo de carga, uma caminhão); vi. entende que o auto de infração foi lavrado sob a presunção de que em todas as suas vendas deveria ter utilizado aliquota de 16% de IPI, contudo, nem todos os produtos que fabrica são passíveis da aplicação de tal aliquota; vii. sendo clara a ocorrência de equívocos na autuação, pleiteia pela realização de perícia nas Notas Fiscais, para que se confronte a tributação de IPI que a empresa tenha se utilizado, de acordo corn a destinação do produto, como àquela considerada pela fiscalização como correta. Requer pelo julgamento da improcedência da autuação. Realizada diligência a pedido da Delegacia da Receita Federal dc Julgamento em Porto Alegre/RS, para verificação do valor correspondente ao IPI do produto "tubos intermediários do Cargo VW", que se destinam a caminhões da posição 8704, e que estariam amparados pela redução, foram emitidos os relatórios de fls. 3.320/3.322. Referida DRJ concluiu pela procedência parcial do lançamento, conforme decisão de fls. 3.324/3.330, consubstanciada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Período de apuração: 11/07/1994 a 31/12/1998 Ementa: REDUÇÃO DE TRIBUTO: Para fruir de redução de 'PI estabelecida por "Ex" tarifário condicionado à destinação do produto, o contribuinte deve comprovar que este se destina finalidade estabelecida no referido "Ex". Lançamento Procedente em Parte." Não resignado corn a r. decisão de primeira instancia, o contribuinte apresenta tempestivo Recurso Voluntário (fls. 3.335/3.341), no qual reitera os argumentos apresentados em sua peça impugnatória, requerendo pelo julgamento da insubsistência do Auto de Infração. Em garantia ao seguimento de seu recurso apresenta arrolamento de bens, conforme documentos de fls. 3.354. 3 Processo : 10920.001151/99-14 Resolução n° : 303-01.252 Inicialmente distribuídos por competência ao Eg,. Segundo Conselho de Contribuintes, chegam os autos ao Terceiro Conselho de Contribuintes, nos termos da Resolução n°. 202-00.743 (fls. 3.374/3.376). Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até As fls. 3.376, última, em onze volumes. Desnecessário encaminhar o processo A Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. o relatório. • 4 Processo n° : 10920.001151/99-14 Resolução n° : 303-01.252 VOTO Conselheiro Nilton Luiz Bart°li, Relator Pelo compulsar dos autos, observo que o contribuinte foi autuado por se utilizar indiscriminadamente de uma aliquota de 11'1 prevista como -ex - (4%). nas vendas de produtos, cuja classificação fiscal adotada pelo próprio contribuinte exigia a aplicação da aliquota 16%. Com efeito, a recorrente efetuou a venda de produtos classi fi cados na TIPI (aprovada pelos Decretos 97.410/88 e 2.092/96), sob o código 8708.9200 — silenciosos e tubos de escape. Para tal posição, a Tabela estabelecia a aliquota de 16%, e um "ex" para os produtos fabricados especificamente para uso em veículos das posições 8701 (tratores), 8702 (transporte de 10 pessoas ou mais), 8704 (transporte de mercadorias) e 8705 (usos especiais), onde a aliquota ficou reduzida a 4%. Sucede que a recorrente, sem que classificasse seus produtos em qualquer uma das posições abrangidas pelo "EX", aplicou indistintamente a aliquota reduzida de 4%. Através da Resolução n° 202-00.743, o E. Segundo Conselho de Contribuintes, declinou da competência para apreciar a matéria, sob o argumento de que: "Com efeito, como o presente litígio decorre de erro na classi fi cação tarifária e erro na aplicação da aliquota do 1P1, tal questão deve, por força legal, ser objeto de apreciação pelo Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, razão pela qual votamos no sentido de que o processo seja remetido ao rerc rid, julgamento." (fis. 3376) Com a devida vênia, a lide debatida nos autos não versa sobre erro na classificação fiscal, mas sobre pagamento de tributo a menor em razão de erro na aplicação de aliquota. Como mencionado, não há divergência sobre a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. A questão a ser dirimida 6 se as mercadorias produzidas pelo contribuinte, mesmo classificadas em posição que não contempla o poderiam também gozar da aliquota reduzida, em razão de eventual e possível emprego nos veículos das posições 8701 (tratores), 8702 (transporte de 10 pessoas ot mais), 8704 (transporte de mercadorias) e 8705 (usos especiais). Processo n° : 10920.001151/99-14 Resolução n° : 303-01.252 0 Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. apro\ado pela Portaria MF n° 55, de 16.3.1998, dispõe, em seu artigo 9', sobre a competencia do Terceiro Conselho de Contribuintes: Art. 9° Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente a: XVI - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o incidente sobre produtos saídos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados; (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF n° 1.132, de 30/09/2002) 41 (destaques acrescentados) .1á seu artigo 8° cuida da competência do Segundo Conselho de Contribuintes: Art. 8° Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes juh2,ar os recursos de oficio e voluntários de decisões de primeira instaneia sobre a aplicação da legislação referente I - Imposto sobre Produtos Industrializados (IN), inclusive adicionais e empréstimos compulsórios a ele vinculados, exceto o lPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e o IPI incidente sobre produtos saídos da Zona Franca de Manaus ou a ela destinados; (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF IV 1.132, de 30/09/2002) (destaques acrescentados) Ora, não sendo o presente lançamento oriundo de discrepâncias na classificação fiscal, mas de erro na aplicação de aliquota, o caso deve ser examinado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, salvo melhor juizo. Diante do exposto » remetam-se os autos ao F. Segundo Conselho de Contribuintes. É como voto. Sala das Sessões, en 6—de dezembro de 2006. , x,11LTON L BARTO - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 13530.000057/98-11
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005
Ementa: ITR/1995.
PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO.
Em face do disposto no art.59,§3°, do Decreto 70.235/72, deixa-se
de considerar a preliminar de nulidade
IMPRESTABILIDADE DA ÁREA RURAL.
Os laudos elaborados por engenheiro agrônomo credenciado e pela (
Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola — EBDA - vinculada
à Secretaria de Agricultura da Bahia, concluem pela
imprestabilidade da terra para a exploração agrícola, pecuária,
aqüícola, granjeira e florestal. Os laudos técnicos apresentados, com suporte em dados da região e fotografias específicas do imóvel são idôneos para atestar a impossibilidade de aproveitamento produtivo do imóvel, bem como para confirmar a utilização da Fazenda Pilar como suporte de infra-estrutura à atividade de mineração, servindo de residência para os administradores e empregados na atividade de mineração desenvolvida pelo mesmo proprietário na Fazenda vizinha, cujo registro e autorização de lavra para o período examinado foram confirmados pelo DNPM vinculado ao Ministério das Minas e Energia. A notificação de lançamento que aponta 0% de
utilização é improcedente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 303-31.811
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
dt_index_tdt : Sat Dec 03 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200501
ementa_s : ITR/1995. PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO. Em face do disposto no art.59,§3°, do Decreto 70.235/72, deixa-se de considerar a preliminar de nulidade IMPRESTABILIDADE DA ÁREA RURAL. Os laudos elaborados por engenheiro agrônomo credenciado e pela ( Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola — EBDA - vinculada à Secretaria de Agricultura da Bahia, concluem pela imprestabilidade da terra para a exploração agrícola, pecuária, aqüícola, granjeira e florestal. Os laudos técnicos apresentados, com suporte em dados da região e fotografias específicas do imóvel são idôneos para atestar a impossibilidade de aproveitamento produtivo do imóvel, bem como para confirmar a utilização da Fazenda Pilar como suporte de infra-estrutura à atividade de mineração, servindo de residência para os administradores e empregados na atividade de mineração desenvolvida pelo mesmo proprietário na Fazenda vizinha, cujo registro e autorização de lavra para o período examinado foram confirmados pelo DNPM vinculado ao Ministério das Minas e Energia. A notificação de lançamento que aponta 0% de utilização é improcedente. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005
numero_processo_s : 13530.000057/98-11
anomes_publicacao_s : 200501
conteudo_id_s : 4400923
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 303-31.811
nome_arquivo_s : 30331811_127192_135300000579811_009.PDF
ano_publicacao_s : 2005
nome_relator_s : ZENALDO LOIBMAN
nome_arquivo_pdf_s : 135300000579811_4400923.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005
id : 4706233
ano_sessao_s : 2005
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:37 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045722984448
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T13:01:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T13:01:46Z; Last-Modified: 2009-08-07T13:01:46Z; dcterms:modified: 2009-08-07T13:01:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T13:01:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T13:01:46Z; meta:save-date: 2009-08-07T13:01:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T13:01:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T13:01:46Z; created: 2009-08-07T13:01:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-08-07T13:01:46Z; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T13:01:46Z | Conteúdo => • flOg!, • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 13530.000057/98-11 - SESSÃO DE : 27 de janeiro de 2005 ACÓRDÃO N° : 303-31.811 RECURSO N° : 127.192 RECORRENTE : MINERAÇÃO CARAíBA LTDA. RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE ITR/1995. PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO. Em face do disposto no art.59,§3°, do Decreto 70.235/72, deixa-se de considerar a preliminar de nulidade ,40 IMPRESTABILIDADE DA ÁREA RURAL. (Os laudos elaborados por engenheiro agrônomo credenciado e pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola — EBDA - vinculada à Secretaria de Agricultura da Bahia, concluem pela imprestabilidade da terra para a exploração agrícola, pecuária, aqüícola, granjeira e florestal. Os laudos técnicos apresentados, com suporte em dados da região e fotografias específicas do imóvel são idôneos para atestar a impossibilidade de aproveitamento produtivo do imóvel, bem como para confirmar a utilização da Fazenda Pilar como suporte de infra-estrutura à atividade de mineração, servindo de residência para os administradores e empregados na atividade de mineração desenvolvida pelo mesmo proprietário na Fazenda vizinha, cujo registro e autorização de lavra para o período examinado foram confirmados pelo DNPM vinculado ao Ministério das Minas e Energia. A notificação de lançamento que aponta 0% de utilização é improcedente. 111 Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. miv3 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.192 ACÓRDÃO N° : 303-31.811 Brasília-DF, em 27 de janeiro de 2005 02.-4)-gP ANELISE DAUDT P O Presidente •, DO LOIBMAN Ri. r Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NILTON LUIZ BARTOLI, NANCI GAMA, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS (Suplente) e MARCIEL EDER COSTA. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional • MARIA CECILIA BARBOSA. • 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA - RECURSO N° : 127.192 ACÓRDÃO N° : 303-31.811 RECORRENTE : MINERAÇÃO CARAÍBA LTDA. RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE RELATOR(A) : ZENALDO LOIBMAN RELATÓRIO E VOTO O processo retorna a esta Câmara após cumprimento de diligência determinada pela Resolução n°303-00.937. O relatório completo encontra-se às fls.172/175. O ilustre relator João Holanda observou que no recurso o interessado dava a entender que havia anexado certos documentos à impugnação, estranhando que o julgador de primeira instância tenha afirmado que as alegações do impugnante deveriam ter sido confirmadas com registro do DNPM e o ato de concessão da lavra. Assinala que houve imprecisão na informação do recorrente posto que à impugnação de fls.31/35 não foi juntado nenhum documento e antes na manifestação de inconformidade, de fl.01, fora anexado apenas o Memorial Descritivo (fls.05/18) a que se seguiu o Parecer de fls.22/25, e o Despacho Decisório de fl.26. A decisão recorrida expressamente acusou que há a necessidade de serem carreados aos autos o registro do DNPM e o ato concessório da lavra. Por ocasião do recurso voluntário foram juntados especificamente os seguintes documentos: Carta do Eng.Agrônomo Reginaldo Sá Medrado, CREA 24.7331D-BA, que subscreveu o Memorial Descritivo, cópia do alvará 7.171, de • 24.05.1989, emitido pelo Ministério das Minas e Energia, em que autoriza a mineração Caraiba Ltda. a se transformar na Mineração Carbrasa Ltda., autorizada a continuar funcionando como empresa de mineração desde que se observe que a titularidade se restringe a empresa brasileira de capital nacional sob pena de invalidade da autorização. Houve, então, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para que o processo fosse instruido com elementos de prova no sentido de bem definir: 1. A atividade minerária da recorrente, se devidamente autorizada pelo DNPM; 2. Se o alvará do DNPM se estende à Fazenda Pilar e sobre que área da fazenda; 3 _ _ • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.192 ACÓRDÃO N° : 303-31.811 3. Em sendo afirmativa a resposta ao item 2 se se' pode dizer que a mesma área, em toda a sua extensão, há de ser igualmente considerada como imprestável para a exploração agropecuária; 4. Se está em vigor o alvará juntado,por cópia,à fl.104, ou existe outro que haja sido expedido alcançando a Fazenda Pilar; 5. Prestar informação precisa sobre a eventual atividade minerária da recorrente em função do cumprimento das exigências legais que a regulam, sob o controle das autoridades governamentais competentes; 6. Feita toda esta análise por parte da autoridade administrativa, à vista da documentação juntada aos autos, determinar também o grau de utilização da propriedade para fins de determinação da aliquota do ITR/95. Aos esclarecimentos solicitados à repartição fiscal somou-se a determinação de intimar o interessado a respeito dos esclarecimentos pretendidos, abrindo-lhe prazo de 30 dias para, querendo, formular suas indagações e juntar documentos de que disponha para a comprovação das afirmações feitas no seu recurso, e outros que entender que sejam necessários. A DRF/Feira de Santana expediu a Intimação de fls.180 para dar ciência ao contribuinte das informações solicitadas pelo Conselho de Contribuintes, cientificada ao contribuinte em 02.08.2004 conforme AR de fl.193. A interessada tempestivamente, em 30.08.2004 compareceu ao processo nos termos constantes às fls.194/225, para inicialmente argüir a nulidade da notificação de lançamento. Acusa vício de forma pela falta de identificação da • autoridade que a expediu, havendo infração ao art.11 do Decreto 70.235/72. Tal nulidade pode ser declarada até mesmo de oficio, e ainda que a interessada não tenha alegado anteriormente tal nulidade pode ser levada ao conhecimento do egrégio Conselho a qualquer tempo , sendo de se esclarecer que o ora recorrente somente atentou para essa nulidade absoluta por ocasião do julgamento do Recurso 127.913, que cuidou da impugnação ao lançamento do ITR/1994 do mesmo imóvel, ocorrido em abril de 2004, no qual foi decretada a nulidade da notificação por ausência de requisito formal essencial. Ora, in casu a situação é rigorosamente a mesma ,agora referente ao ITR/1995.Neste sentido vem decidindo reiteradamente esta Câmara, merecendo ser aqui invocado o entendimento manifestado pelo ilustre Conselheiro Nilton L. Bártoli ,conselheiro desta Câmara e também da CSRF, cita o acórdão RD- 301-123.880. Quanto ao mérito, na hipótese de ser superada a preliminar de nulidade,cumpre suscitar um outro ponto de importância fundamental. 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.192 ACÓRDÃO N° : 303-31.811 Conforme se constata no Laudo técnico em anexo, a empresa em causa possui duas fazendas: A Caraíba e a Pilar. O lançamento ora impugnado refere- se à Pilar. Ocorre que a atividade de exploração mineral é desenvolvida na Fazenda Caraíba, a Fazenda Pilar não é destinada diretamente à exploração mineral, mas se pretendeu demonstrar com a juntada de documentos que sendo sua área totalmente imprestável a qualquer fim produtivo, inclusive à mineração,por suas características geológicas, foi destinada a servir de apoio à exploração mineral que se desenvolve na área da Fazenda vizinha, a Caraíba, esta sim totalmente destinada a tal atividade.Foram juntados à presente os documentos referentes ao direito de lavra e de pesquisas do minério de cobre emitidos pelo DNPM específicos para a Fazenda Caraíba. Conforme vem sendo alegado desde o início as áreas das duas Fazendas são vizinhas e nelas se localizam as atividades industriais da recorrente, incluindo seu núcleo residencial , ambas concorrem para a consecução de uma única atividade, qual seja, a retirada, beneficiamento e venda de minério de cobre, inexistindo nas mesmas qualquer atividade agrícola, mesmo porque as condições geográficas do local não permitem nenhuma atividade do gênero. Na Fazenda Pilar concentram-se as atividades de apoio e o núcleo residencial da Mineração Caraíba, onde residem os seus funcionários, bem como lá está toda a infra-estrutura de apoio cuja indispensabilidade às atividades operacionais da mina é inequívoca.A região de localização é das mais inóspitas do País, onde não há qualquer recurso natural ou humano, a não ser a própria Vila Pilar criada pela Mineração Caraíba ,sendo desse modo inafastável o vínculo da Fazenda Pilar com as atividades fins da mineração. Porém o que mais se quis demonstrar durante todo o processo é que a área em questão é totalmente imprestável ,sendo absolutamente inóspitafonnada basicamente pela caatinga,conforme fotos em anexo.A fim de comprovar estas alegações foi juntado aos autos o Laudo técnico elaborado pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola — EBDA- vinculada à Secretaria de Agricultura da Bahia, que concluiu pela "imprestabilidade da terra para a exploração agrícola, pecuária, aqüícola, granjeira e florestal". O mencionado laudo, elaborado por engenheiros agrônomos com notória capacidade técnica, de empresa vinculada ao Governo da Bahia, atende aos requisitos da ABNT e aponta o VTN de R$22,17/ha para o período de 01.01.1994 a 31.03.2004, contestando o valor atribuído pela IN 42/96 que pretendeu atribuir ao município de Jaguarari (BA), paupérrimo sob todos os aspectos, um VTN mínimo de R$ 83,28/ha. • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.192 ACÓRDÃO N° : 303-31.811 Conforme já se disse a fazenda está em pleno Polígono da Seca, sendo localidade das mais inóspitas dentro do próprio Polígono da Seca, e que afora a atividade de mineração nada mais existe a título de atividade econômica, sendo possível encontrar posseiros fora da Vila Pilar em condição de profunda pobreza e alvo de campanhas assistencialistas da Mineração Caraíba, o que se registra também em fotos anexas. Nestas condições são raríssimas as operações de compra e venda de terras,ainda mais quando se considere o único cartório localizado em Jaguarari. Assim após exaustivas diligências no afã' de identificar negócios de compra e venda de terras na região,foram encontradas raras transferências,cujos comprovantes existentes estão anexados.Entende a recorrente que tais documentos se constituem em provas no • mesmo sentido das informações prestadas no Laudo, demonstrando o equívoco cometido na IN SRF ao arbitrar para toda a região, muito além dos limites territoriais das Fazendas Caraíba e Pilar, o valor excessivo e irreal do VTN/ha utilizado para base de cálculo do ITR. Acrescenta que as condições da região permanecem inalteradas há décadas, conforme assinalam os engenheiros autores do laudo técnico,pelo que também merece ser reformada a decisão recorrida que negou acolhimento ao laudo simplesmente porque fora elaborado em 1998 e o lançamento se reportara ao 1Tt11995. No entanto a região manteve as mesmas características entre 1994 e 1998. Tendo em vista a comprovação de que houve erro no preenchimento da declaração, agravado pela arbitrariedade da SRF na atribuição do VTNm, fica patente a necessidade de reforma da decisão de primeira instância. Requer que seja declarada a nulidade da notificação,e caso não seja • acatada a preliminar, que lhe seja julgado favoravelmente o mérito, reconhecendo ser a área da Fazenda Pilar imprestável para qualquer atividade para exploração agrícola, pecuária, aquícola, granjeira e florestal, ou ainda que se conceda a revisão do lançamento considerando como base de cálculo o valor apontado no laudo técnico. Há, pois, uma preliminar levantada que diz respeito a uma argüição de nulidade da notificação de lançamento , pois que dela não constam a identificação do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, nem sua assinatura e cargo e n° de matrícula, nos termos do inciso IV do art.11 do Decreto 70235/72. Submetida a questão ao plenário, ainda que reconhecida, por maioria, causa de nulidade processual, foi superada a argüição por se poder resolver o litígio em favor do recorrente, segundo os termos previstos no art.59,§3°, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art.1° da Lei 8.748/93. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.192 ACÓRDÃO N° : 303-31.811 Então vejamos as razões de mérito que levam a recomendar o provimento do recurso voluntário. Quanto ao mérito, deve-se observar que constam às fls.228/229 certidões n° 11/2003 e 12/2003, do DNPM-7° Distrito/BA, que atestam a existência de direitos minerários no período entre 1993 e 1996 por parte da Mineração Caraíbas S/A referentes a pesquisas e lavra desenvolvidas no município de Jaguarari/BA. Os referidos laudos atestam as condições geológicas e climáticas da região de situação da propriedade.. Demonstram que as áreas referentes às Fazendas Pilar e Caraíba constituem glebas sem qualquer aptidão agropastoril, com uso recomendado em preservação ambiental, quanto à preservação de espécies vegetais e animais, são localizadas em região de máxima aridez no país com fortíssimas restrições hídricas e pedológicas.A sua exploração à luz das técnicas agronômicas conhecidas é contra- indicada e antieconômica. Embora o laudo do engenheiro agrônomo tenha sido apresentado em 1998, data posterior ao do fato gerador do ITR/95, ele se concentra em aspectos que traduzem uma região da caatinga nordestina que não se modificou substancialmente ao longo dos últimos séculos , e conforme afirmou o técnico credenciado pelo CREA o diagnóstico produzido apontou um imóvel ainda em condições originais que eram as mesmas em 1994. É válida a observação de que o trabalho conduzido pela EMBRAPA/CPATSA de "Zoneamento Agroecológico do Nordeste" aponta a diversidade de unidades geoambientais no município de Jaguarari. As propriedades situadas na região chamada "ES", mais meridional, no entorno da sede municipal, apresenta condições mais favoráveis à atividade agropastoril, com solos de melhor qualidade, precipitações de 1000 mm anuais, melhor distribuídas e altitudes mais elevadas, de 500 a 800 metros. Já a área da Fazenda Pilar, ao contrário, a exemplo das outras áreas identificadas pela EMBRAPA como F23 ,F27 e F29, localizadas no norte do município, que apresentam precaríssimas condições geoambientais, precipitações erráticas e inferiores a 500 mm/ano ,solos pedregosos e rasos, resultando numa das zonas mais miseráveis do País, situação minimizada apenas no período de maior atividade da mineração de cobre. O laudo de fls.88/96, com os anexos de fls.97/164, demonstra a natureza inóspita da região, cuja possibilidade de exploração mediante irrigação resulta inviabilizada pelo alto custo. Atesta que a utilização da Fazenda Pilar é fundamentalmente de estrutura de apoio e serviços necessários à indústria de mineração desenvolvida em propriedade vizinha, está descrita à fl.94 a ocupação da área de 4.908,66 hectares, do total de 5.066,8 hectares, a saber: 7 ()-ça MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.192 ACÓRDÃO N° : 303-31.811 1. Núcleo residencial Pilar: Ruas, casas residenciais, mercados, praças, escolas, Hospital, Estação Rodoviária, correios,etc. — 682,0 ha; 2. Estação de tratamento de Água - 200,0 ha; 3. Estradas secundárias e acessos - 27,46 ha; 4. Área Proj. Caroás(Assoc.Comun.) — 100,00 ha; 5. Tratamento de esgotos - 20,00 ha; 6. Adutora - 21,20 ha; 7. Área ocupada pela EBDA - 729,00 ha; 8. Cascalheira -1.171,00 ha; 9. Áreas com solicitação de lavra ao DNPM -1.543,00 ha; • 10. Área em declive de 18 a 50% imprópria para a exploração econômica - 415,00 ha. As áreas indicadas perfazem um total de 4.908,66 hectares, o que representa 96,9% da área total da Fazenda Pilar.. Por sua vez o laudo técnico de avaliação referente ao imóvel em causa, preparado pela EBDA, empresa de desenvolvimento agrícola vinculada à Secretaria de Agricultura da Bahia confirma a situação do imóvel em pleno semi- árido nordestino, com predominância da caatinga e demais condições geológicas acima descritas. Acrescenta que o distrito urbano criado pela Mineração Caraíba S.A para possibilitar a residência dos funcionários provindos de vários estados do Brasil, situa-se dentro da Fazenda Pilar, com 1.296 casas,100 lotes urbanizados, 06 edificios centrais, 10 escolas (conveniadas com o Estado), 01 hospital com 50 leitos, 02 clubes sociais com piscina ,quadras de esporte, e outras instalações esportivas, 10 igrejas, 02 bancos (Banco do Brasil e Bradesco), 01 parque de exposição de animais,etc. Além desse distrito urbano, cuja área se situa no município de Jaguarari, e é sujeita ao IPTU, tem ainda o restante de sua área voltada à preservação permanente de vegetação nativa composta de calumbi, pau de colher, umburana, quixabeira, pau de rato, quebra facão, mulungu, macambira,xiquexique, e outras espécies A EBDA confirma a baixa produtividade e o sofrimento de pequenos criadores domésticos na região, devido à imprestabilidade da terra para a exploração agrícola, pecuária, aqüícola, granjeira e florestal. Noticia que a empresa em causa promove ações sociais para os habitantes da região que se encontram em dificuldades diante da intempérie, relatando que o PRONAF-Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar- liberou por meio do Banco do Nordeste para suporte alimentar de moradores do município onde se situa a Fazenda Pilar. Faz também um esforço de avaliação do VTN do imóvel, apontando a impropriedade de se utilizar o mesmo valor da IN 42/96 para toda a região de 8 .. .-- MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.192 ACÓRDÃO N° : 303-31.811 Jaguarari, que o valor que a EBDA apresenta segue os critérios defendidos no Curso de Avaliação de Imóveis Rurais promovido pelo Banco do Nordeste do Brasil-BNB- em Salvador/BA entre os dias 26 a 29/05/1997 com participação da EBDA,CEPLAC,ABEPA e CREA-BA revelando valores e critérios condizentes com a realidade da região e que se contrapõem aos valores estipulados na referida IN SRF. Conclui por um valor de terra nua entre 01.01.1994 a 31.03.1994 em torno de R$ 112.000,00. No entanto o aspecto mais significativo nos laudos apresentados refere-se à descrição das terras e da região de forma a proporcionar a convicção de que as terras da Fazenda Pilar não poderiam encontrar melhor destinação do que a de ser sede das instalações de infra-estrutura à atividade mineradora regularmente • desenvolvida na época considerada na Fazenda Caraíba, vizinha da Pilar, e onde efetivamente se desenvolve a extração de minério de cobre. Assim sendo não se pode concordar com a notificação de lançamento que apontou 0,00% de utilização da propriedade, e ainda agravou a tributação por dobrar a alíquota base de 2,90% para 5,80% de modo indevido, sob a alegação de que a não utilização (inferior a 30%) se estendera por mais de um exercício. Conforme visto a Fazenda Pilar tem mais de 90% de sua área ocupada com equipamentos urbanos para acomodar a residência de trabalhadores e administradores da Mineração Caraíba na sua atividade de pesquisa e extração de minério de cobre desenvolvida na região, mais especificamente na Fazenda Caraíba, vizinha e também de sua propriedade. Ademais essa área da Fazenda Pilar por formar o distrito urbano se sujeita à tributação do IPTU devido ao município de Jaguarari. 11 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para determinar a improcedência do lançamento. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2005 5, , ZE .1 I LOIBMAN - Relator 9 .. Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002291/00-66
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.860
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 19 09:00:15 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200302
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2003
numero_processo_s : 10935.002291/00-66
anomes_publicacao_s : 200302
conteudo_id_s : 6700732
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 303-00.860
nome_arquivo_s : 30300860_109350022910066_200302.PDF
ano_publicacao_s : 2003
nome_relator_s : JOÃO HOLANDA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 109350022910066_6700732.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2003
id : 4625999
ano_sessao_s : 2003
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:24 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045731373056
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-08-16T10:21:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-08-16T10:21:14Z; Last-Modified: 2013-08-16T10:21:14Z; dcterms:modified: 2013-08-16T10:21:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:194def71-9172-4d3f-810d-30e974581293; Last-Save-Date: 2013-08-16T10:21:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-08-16T10:21:14Z; meta:save-date: 2013-08-16T10:21:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-08-16T10:21:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-08-16T10:21:14Z; created: 2013-08-16T10:21:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2013-08-16T10:21:14Z; pdf:charsPerPage: 903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-08-16T10:21:14Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA PROCESSO N° SESSÃO DE RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA : 10935.002291/00-66 : 25 de fevereiro de 2003 : 124.495 : ARTEFATOS DE CIMENTO LINDNER LTDA. : DRJ/CURITIBA/PR • • RESOLUÇA0 N°303-0.860 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF, em 25 de fevereiro de 2003 JO HOLANDA COSTA Pre dente e Relator 2 5 RA A R 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente o Conselheiro HÉLIO GIL GRACINDO. tMC MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.495 RESOLUÇÃO N° : 303-0.860 RECORRENTE : ARTEFATOS DE CIMENTO LINDNER LTDA. RECORRIDA : DRJ/CURITIBA/PR RELATOR(A) : JOÃO HOLANDA COSTA RELATÓRIO Por não haver comprovado com documento hábil a regularidade fiscal junto A PGFN, foi Artefatos de Cimento Lindner Ltda. excluída do SIMPLES e, em conseqüência, deu entrada à Solicitação de Revisão - SRS, mas a exclusão foi mantida. Na impugnação, o contribuinte diz que fora orientado pela Receita Federal em Toledo no sentido de em lugar da certidão negativa enviar o Termo de Opção do REFIS, uma vez que à. época da defesa não era emitida a certidão negativa da PGFN já que o processo REFIS não havia sido processado mas que, junto com a impugnação, estava juntando a certidão negativa exigida. 0 julgador de Primeira Instância indeferiu a solicitação de revisão da exclusão do SIMPLES. Com efeito, a decisão da DRF em Cascavel, de 11/04/01, teve por fundamento o fato de o contribuinte não haver apresentado a certidão da PGFN para comprovar sua regularidade fiscal. De sua parte o contribuinte tinha pendências junto 6. PGFN, como consta do Termo de Opção pelo REFIS; assim, a questão que se coloca é saber se a regularização posterior tem o poder de invalidar o ato declaratório por meio do qual a DRF em Cascavel excluiu a contribuinte do SIMPLES. Entende que não há como anular o ato uma vez que ele está perfeito já que existiam pendências da interessada com a PGFN; e de outro modo não há possibilidade de sua revogação. Com efeito, o caso não é de nova adesão do contribuinte ao sistema, mas de sua permanência o que implica a invalidação do ato que produziu a exclusão do contribuinte. Ora, a posterior regularização de pendência não pode afetar o ato declaratório excludente. A este respeito, o comando do art. 90 , incisos XV e XVI da Lei 9.317/96 é peremptório vedando o contribuinte de participar do SIMPLES. Há, por conseguinte, um obstáculo legal para atender a pretensão do contribuinte. No recurso voluntário, consta que: "a entidade não enviou a Certidão quanto A. divida ativa da Unido, emitida pela PGFN, em razão de a sistemática operacional do REFIS não estar apta a fornecer as informações necessárias, o Comitê Gestor não processou os dados do optante em tempo hábil a fim de emitir a Negativa". Acrescenta que no momento da primeira exclusão do Simples, em 09/01/99, foi contrariada a legislação pois seus débitos foram regularizados em 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.495 RESOLUÇÃO N° : 303-0.860 consonância com a Lei 9.317/96 (art. 26, parágrafos 1° e 2°), parcelados todos os débitos. Por fim, diz que a emissão do AD de exclusão deu-se, não em virtude de interpretação extensiva da lei, mas em razão de falhas no sistema de processamento de dados da Receita Federal. É o relatório. • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.495 RESOLUÇÃO N° : 303-0.860 VOTO Entendo que para melhor esclarecimento dos fatos e para permitir seja formulada a decisão deste Colegiado, necessário se faz ter em mãos o inteiro teor do Ato Declaratório de exclusão mencionado na Decisão de primeira instância (fl. 23), que por sua vez se reporta A. fl. 12, documento de número 264.976 de 2.000. Voto, por conseguinte, para converter o julgamento em diligencia A Repartição de Origem para que se digne providenciar a juntada do documento aos autos. Sala das sessões, em 25 de fevereiro de 2003 / 1 JOÃO • NDA COSTA - Relator • gL5- 1 c (:toop,.0 g,) E. 6\JND _p_FN i9 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES cx TERCEIRA CÂMARA Processo n°: 10935.002291/00-66 Recurso n.°:. 124.495 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Camara, intimado a tomar ciência da Resolução n° 303.0.860 Brasilia- DF 19 de março de 2003 Jokub. olanda Costa Presidente da Terceira Camara O
score : 1.0
