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Numero do processo: 10120.008793/2002-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000
MULTA QUALIFICADA. RESTABELECIMENTO.
1- Se restou demonstrado que o sujeito passivo tentou impedir que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores e das condições pessoais do contribuinte, e que também tentou excluir ou modificar as características essenciais dos fatos geradores (no aspecto pessoal, por meio de fraude na pessoa jurídica), o fato de o auto de infração não individualizar, não identificar precisamente uma das hipóteses da Lei 4.502/1964, em nada prejudica a aplicação da qualificadora. O que importa, para isso, é que a conduta esteja muito bem descrita, e que ela se enquadre nas hipóteses da Lei 4.502/1964 (isolada e/ou cumulativamente, como é mais comum), o que restou claramente evidenciado nestes autos.
2- Se o artifício fraudulento da interposição de pessoas era contemporâneo da ocorrência dos fatos geradores; se os fatos geradores eram realizados por uma pessoa jurídica que estava constituída mediante fraude; e se a obrigação tributária já nascia maculada por esse vício, no seu aspecto pessoal, não há como sustentar que esse tipo de fraude é apenas uma fraude à execução do crédito. O artifício da interposição de pessoas e as outras ações/omissões do sujeito passivo, neste caso, nitidamente serviam ao propósito de ocultar a ocorrência dos fatos geradores, modificar suas características essenciais, etc., desde a sua origem.
3- Se a presunção legal de omissão de receita estiver acompanhada de circunstâncias que agravam a conduta do sujeito passivo, a qualificadora é perfeitamente cabível. No presente caso, essas circunstâncias agravantes estão bem comprovadas. O sujeito passivo utilizava o artifício da interposição de pessoas concomitantemente à ocorrência dos fatos geradores, não apresentava declarações ou as apresentava com informações totalmente distorcidas da realidade, e omitia receitas de forma reiterada.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-002.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 MULTA QUALIFICADA. RESTABELECIMENTO. 1 Se restou demonstrado que o sujeito passivo tentou impedir que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores e das condições pessoais do contribuinte, e que também tentou excluir ou modificar as características essenciais dos fatos geradores (no aspecto pessoal, por meio de fraude na pessoa jurídica), o fato de o auto de infração não individualizar, não identificar precisamente uma das hipóteses da Lei 4.502/1964, em nada prejudica a aplicação da qualificadora. O que importa, para isso, é que a conduta esteja muito bem descrita, e que ela se enquadre nas hipóteses da Lei 4.502/1964 (isolada e/ou cumulativamente, como é mais comum), o que restou claramente evidenciado nestes autos. 2 Se o artifício fraudulento da interposição de pessoas era contemporâneo da ocorrência dos fatos geradores; se os fatos geradores eram realizados por uma pessoa jurídica que estava constituída mediante fraude; e se a obrigação tributária já nascia maculada por esse vício, no seu aspecto pessoal, não há como sustentar que esse tipo de fraude é apenas uma fraude à execução do crédito. O artifício da interposição de pessoas e as outras ações/omissões do sujeito passivo, neste caso, nitidamente serviam ao propósito de ocultar a ocorrência dos fatos geradores, modificar suas características essenciais, etc., desde a sua origem. 3 Se a presunção legal de omissão de receita estiver acompanhada de circunstâncias que agravam a conduta do sujeito passivo, a qualificadora é perfeitamente cabível. No presente caso, essas circunstâncias agravantes estão bem comprovadas. O sujeito passivo utilizava o artifício da interposição de pessoas concomitantemente à ocorrência dos fatos geradores, não apresentava declarações ou as apresentava com informações totalmente distorcidas da realidade, e omitia receitas de forma reiterada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 87 93 /2 00 2- 72 Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.260 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ, calculado sobre o lucro arbitrado diante de depósitos bancários de origem não comprovada quanto ao período de 30/09/1997 a 30/09/2000, impondose multa de 225% (fls. 1.482/1.499). Houve lançamento reflexo de CSLL, PIS e COFINS, com imposição de multa também de 225%. Consta no Auto de Infração como fundamentação da imposição de multa qualificada e agravada: (...) Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.261 3 sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo (s) de intimação em anexo, deixou de apresentálo. (...) Após diversas tentativas, em 16/11/2001, conseguimos entrar em contato com o Sr. Clayton Silva Fonseca que, após solicitado, compareceu nesta Delegacia da Receita Federal, sala 807. e após tomar ciência do Termo de Início de Fiscalização, fls. 38/39, e do Mandado de Procedimento Fiscal, fl. 02, esclareceu que ele e seu irmão Clelson nunca foram proprietários ou sócios da empresa ACF Independência Ltda., que assinaram a alteração contratual a pedido do Sr. Cláudio Fernandes de Oliveira. Afirma que teria assinado o documento para prestar um favor já que o Sr. Cláudio teria lhe garantido não haver nenhum problema de ordem legal. Em decorrência deste fato informou ser impossível atender o solicitado no Termo de Início da Ação Fiscal, pois nunca teve nenhum contato com a documentação da empresa. (...) O pedido do Ministério Público foi deferido pela Justiça Federal (....). A Justiça Federal determinou às Instituições Financeiras o encaminhamento, em meio magnético, dos extratos de toda a movimentação financeira da empresa fiscalizada, relativas ao anocalendário de 1998, bem como cópias dos dados constantes na ficha cadastral, cartões de assinaturas, procurações e deocumentos pessoas daqueles que estavam habilitados a movimentar as contascorrentes. (...). Assim, tendo em vista todos os elementos já trazidos ao processo, verificase que efetivamente o verdadeiro responsável pela movimentação econômicofinanceira da empresa fiscalizada é o Sr. Cláudio Fernandes de Oliveira (...) Em 29/08/2002, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 002, intimando o contribuinte, na pessoa do Sr. Cláudio Fernandes de Oliveira, a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, sendo lhe encaminhado o relatório de Extrato de Crédito a Examinar / Comprovar (...) Em 24/09/2002, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal nº 003 (...). Mais uma vez o Sr. Cláudio não atendeu à intimação. O envelope, fl. 1262, no qual constava o Termo de Intimação Fiscal nº 002 (...) foi devolvido (...) constando carimbo do correio no verso, com a informação que o destinatário seria desconhecido. No entanto, tal informação é inverídica conforme Termo de Constatação Fiscal nº 006, fls. 1264. Esta fiscalização decidiu, para garantir ao sujeito passivo amplo conhecimento dos fatos, possibilitando, por conseguinte, ampla oportunidade de defesa, reenviar o Termo de Intimação Fiscal nº 2 (...), bem como cópia do Termo de Constatação Fiscal nº 5 (...) e 6, fls. 1264, para ambos os endereços do Sr. Claudio Fernandes de Oliveira, bem como optou por fazer a mesma intimação por meio do Edital nº 51/2002, fls. 1270. Fl. 2261DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.262 4 Observese também que pela pesquisa do extrato de declarações da pessoa jurídica, fl. 1301, no período fiscalizado (...) o sujeito passivo somente apresentou a Declaração Anual Simplificada, fls. 1302/1304, relativa ao anocalendário de 2000, porém sem informar qualquer valor de receitas ou e quem tenha havido qualquer atividade comercial ou movimentação bancária referente a este período. Pelas pesquisas ao sistema DCTFOL, fls. 1319/1323, verificase também a completa ausência de apresentação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais. Conforme extrato CNPJ, fl. 1305, a empresa já está excluída do SIMPLES desde 01/03/1999. Assim, não restou nenhuma alternativa a esta fiscalização, senão proceder ao arbitramento do lucro da empresa, utilizando como base de cálculo o valor dos depósitos bancários do período (...). A presunção legal de omissão de receita dos depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi comprovada está prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em face destes fatos foi efetuada a Representação Fiscal para Fins penais (...) Em razão deste fato a multa de lançamento de ofício foi qualificada em 150% em conformidade com o art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96. Esta mesma multa foi agravada para 225% em face da falta de atendimento, por parte do contribuinte, das diversas intimações efetuadas para prestar esclarecimentos, conforme art. 44, §2º, alínea 'a' da Lei nº 9.430/96. A contribuinte apresentou Impugnações Administrativas (fls 1.520/1.543, 1.599/1.622, 1676/1.699 volume 7), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília pela manutenção integral dos lançamentos, conforme acórdão ementado da forma seguinte (1.748/1.754): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 30/09/1997 a 30/09/2000 O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar á autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Base de Cálculo do Imposto Omissão de Receita Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. O conceito de receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do imposto, quer incidente sobre o lucro real, quer lucro presumido ou arbitrado, é o que está definido no art. 31 da Lei nº 8.981/1995. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.263 5 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizam também omissão de receita; Assim, verificada a omissão de receita, o montante omitido será computado na base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente. Ilegalidade e/ou Inconstitucionalidade. A discussão sobre legalidade ou constitucionalidade das leis é matéria reservada ao Poder Judiciário. À autoridade administrativa compete constituir o crédito tributário pelo lançamento, sendo este vinculado e obrigatório sob pena de responsabilidade funcional. Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social O decidido em relação ao lançamento do imposto sobre a renda da pessoa jurídica, em consequencia da relação de causa e efeito existente entre as matéria litigadas, aplicase, por inteiro, aos procedimentos que lhe sejam decorrentes. Lançamento procedente. O voto do relator, acompanhado pela Turma da DRJ à unanimidade, decidiu a respeito da multa: Por fim, observese que a autuada ao oferecer seus argumentos contra os autos de infração se limita a defender a tese da ocorrência do fato gerador, deixando de se manifestar quanto aos valores apurados, aos demonstrativos de apuração, ao enquadramento legal, aos percentuais de multa e juros, etc., então considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997. Como houve intimação de exsócio da contribuinte, esta alegou nulidade da intimação (fls. 1.798/1.803), acolhida pela Delegacia da Receita Federal em Goiânia: "não se pode reputar válida intimação efetuada na pessoa de exsócio, posto que não está prevista na sua norma de regência.... Diante do exposto, declaramos inexistênjcia a ciência pessoa da decisão proferida pela DRJ, dada ao senhor Germano Roriz Neto (1.733), e, por consequencia, declaramos nultos todos os atos praticados a partir de fls. 1.734." Posteriormente, sendo regularmente intimada (fls. 1.882), a contribuinte apresentou recurso voluntário, novamente sem tratar da multa (fls. 1.884/1.912), que foi parcialmente provido pela 8ª Câmara do 1ª Conselho de Contribuintes, apenas para reduzir a multa ao percentual de 112,5% e, assim, reconhecer a decadência quanto aos fatos geradores até 30/11/1997 (fls. 1929/1948): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.264 6 Anocalendário: 1997 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. IRPJ LUCRO ARBITRADO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁVEIS E FISCAIS A falta de apresentação pela fiscalizada de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real ou do Lucro Presumido, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula nº 2 do 1º Conselho de Contribuintes. PIS COFINS E CSL LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos dele decorrentes, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. MULTA QUALIFICADA FRAUDE DESCABIMENTO A multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, aplicável em casos em que haja evidente intuito de fraude, somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. A aplicação não pode ser feita por presunção ou alicerçada em indícios. DECADÊNCIA IRPJ, CSLL, COFINS E PIS Afastada a hipótese de intuito de fraude ou dolo pelo contriubinte, aplicase a regra contida no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional que determina que em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador. Recurso Parcialmente Provido. Consta do voto vencedor, de lavra da Conselheira Karem Jureidini Dias: (...) No tocante à inaplicabilidade da multa qualificada, no presente caso, é de se notar que a hipótese prevista no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96 deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. (...) Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.265 7 É bem verdade que houve interposta pessoa como sócio quotista. Ocorre que este tipo de fraude relacionase à execução do crédito tributário e não ao fato gerador. A existência de interposta pessoa como sócio quotista da pessoa jurídica dificulta o redirecionamento da execução fiscal e, portanto, a eficaz cobrança do crédito tributário. Tratase, portanto, de procedimento fraudulento, mas não daquela espécie autorizadora da imposição de multa qualificada, já que não relacionado à constituição do crédito tributário. De mais, o lançamento está suportado em presunção legal, não sendo possível aplicação de presunção para presumir a fraude fiscal. Assim, entendo que a apuração de omissão de receitas, por si só, impossibilita a aplicação da multa qualificada, tendo em vista que o dolo, fraude ou simulação devem ser comprovados de maneira inequívoca, o que não ocorreu in casu, mormente porque não se verifica conta de interposta pessoa. Dessa maneira, a multa deve ser desqualificada e, por conseguinte, reduzida ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Todavia, em razão do embaraço à fiscalização, permanece o agravamento da multa, a qual, com a desqualificação. fica reduzida para o percentual de 112,5%. Uma vez desqualificada a penalidade, o prazo decadencial deve ser contado conforme disposição do artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. (...) Em 26/06/2008, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada quanto ao acórdão (fls. 1950), interpondo recurso especial em 27/06/2008 (fls. 1953/1959) no qual sustenta divergência com o acórdão nº 10196446 (processo nº 10909.002969/200568, recurso 150.429), no qual se decidiu que "É aplicável a multa de ofício qualificada de 150%, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude". Indica acórdãos no mesmo sentido (10709207 e 107 09213) sem identificálos como paradigmas. A Recorrente sustenta que diante da comprovação da conduta fraudulenta, a decadência estaria sujeita ao artigo 173, §1º, do CTN. Requer, assim, seja restabelecida a multa qualificada e afastada a decadência. O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 1.963): A FAZENDA NACIONAL, em face da decisão consubstanciada no Acórdão n° 10808.954, fl. 1.885/1904, interpõe, tempestivamente, RECURSO ESPECIAL. A PFN se insurge quanto à multa qualificada e anexa o paradigma n° 150.429, que trata de conduta reiterada, mesmo assunto do acórdão guerreado. No paradigma, diferente do acórdão guerreado, foi mantida a multa qualificada. Assim, resta clara a divergência. Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.266 8 A contribuinte foi intimada em 20/04/2011, apresentando suas contrarrazões em 09/05/2011 (fls. 2.219/2.227), requerendo seja negado provimento ao recurso especial, pelas seguintes razões: (i) a Recorrente não indica qual seria a "conduta reiterada" da Recorrida para identificação do intuito fraudulento, também não indicando documentos nesse sentido; (ii) o artigo 42, da Lei nº 9.430/1996 não autorizaria a presunção de conduta fraudulenta, sendo necessária a prova, pelo agente autuante, do elemento subjetivo da fraude; (iii) não teria sido comprovado no caso dos autos o dolo da Recorrida; (iv) considerando a desqualificação da penalidade, o prazo de decadencial seria contado na forma do artigo 150, §4º, do CTN, sendo aplicável tal dispositivo também quanto às contribuições sociais; É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo, razão pela qual passo à análise da divergência na interpretação da lei tributária, para juízo sobre o seu conhecimento. Inicialmente, não tomo conhecimento dos acórdãos mencionados pela Recorrente, sem que tenham sido indicados como paradigmas, e, ainda, efetuada a demonstração analítica da divergência (acórdãos 10709207 e 10709213). Passo a analisar a divergência na interpretação da lei tributária com relação ao único acórdão apontado como paradigma (10196446). O acórdão recorrido desqualificou a multa de ofício por entender que deveria ser comprovada a ocorrência de fraude, não sendo possível a qualificação na hipótese de presunção de omissão de receita, como se extrai do voto vencedor: (...) No tocante à inaplicabilidade da multa qualificada, no presente caso, é de se notar que a hipótese prevista no art. 44, inciso II, da Lei 9.430/96 deve ser interpretada restritivamente, e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o contribuinte agiu dolosamente. (...) É bem verdade que houve interposta pessoa como sócio quotista. Ocorre que este tipo de fraude relacionase à execução do crédito tributário e não ao fato gerador. A existência de interposta pessoa como sócio quotista da pessoa jurídica dificulta o redirecionamento da execução fiscal e, portanto, a Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.267 9 eficaz cobrança do crédito tributário. Tratase, portanto, de procedimento fraudulento, mas não daquela espécie autorizadora da imposição de multa qualificada, já que não relacionado à constituição do crédito tributário. De mais, o lançamento está suportado em presunção legal, não sendo possível aplicação de presunção para presumir a fraude fiscal. Assim, entendo que a apuração de omissão de receitas, por si só, impossibilita a aplicação da multa qualificada, tendo em vista que o dolo, fraude ou simulação devem ser comprovados de maneira inequívoca, o que não ocorreu in casu, mormente porque não se verifica conta de interposta pessoa. Dessa maneira, a multa deve ser desqualificada e, por conseguinte, reduzida ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Todavia, em razão do embaraço à fiscalização, permanece o agravamento da multa, a qual, com a desqualificação. fica reduzida para o percentual de 112,5%. Uma vez desqualificada a penalidade, o prazo decadencial deve ser contado conforme disposição do artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional. (...) Não obstante isso, o mesmo acórdão reconhece a existência de interposta pessoa, conforme trecho acima reproduzido. Tal fato se confirma pelo trecho do lançamento acima reproduzido do lançamento tributário: Após diversas tentativas, em 16/11/2001, conseguimos entrar em contato com o Sr. Clayton Silva Fonseca que, após solicitado, compareceu nesta Delegacia da Receita Federal, sala 807. e após tomar ciência do Termo de Início de Fiscalização, fls. 38/39, e do Mandado de Procedimento Fiscal, fl. 02, esclareceu que ele e seu irmão Clelson nunca foram proprietários ou sócios da empresa ACF Independência Ltda., que assinaram a alteração contratual a pedido do Sr. Cláudio Fernandes de Oliveira. Afirma que teria assinado o documento para prestar um favor já que o Sr. Cláudio teria lhe garantido não haver nenhum problema de ordem legal. Em decorrência deste fato informou ser impossível atender o solicitado no Termo de Início da Ação Fiscal, pois nunca teve nenhum contato com a documentação da empresa. (...) Passo assim a analisar a questão de fato tratada pelo acórdão paradigma (101 96446), extraindose do voto da Relatora Sandra Faroni: De acordo com a Descrição dos Fatos contida no auto de infração do IRPJ, a empresa é acusada de ter cometido as seguintes irregularidades: (1) Omissão de Receita — Depósitos Bancários de Origem não Comprovada e (2) Receita da Atividade, Escriturada e não Declarada — Falta de Recolhimento. Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.268 10 Quanto à qualificação da multa, referendo as razões de decidir do ilustre relator do voto vencedor, a seguir transcritas, que adoto como minhas: (...) Ou seja, há um quadro de reiteramento de conduta e de significância de valores, que torna absolutamente implausível a idéia de que se estaria diante de uma conduta involuntária, de um fato isolado, de um mero erro material. Não é razoável imaginar que uma pessoa jurídica, que opere sem intuito de se furtar às suas obrigações tributárias, não possa justificar nenhum dos ingressos significativos encontrados em sua conta corrente bancária ou tenha se equivocado em não declarar receitas da atividade, escrituradas, ao longo de dois períodos de apuração seguidos. Entendo presente a similitude fática, considerando que tanto o acórdão recorrido, quanto o acórdão paradigma tratam de presunção de receita pela identificação de depósitos bancários sem origem comprovada. As minúcias do lançamento procedido no presente processo devem ser analisadas pela Turma para interpretação da manutenção ou não da multa ao caso concreto. Portanto, conheço o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Passo a analisar o mérito do recurso. A qualificação da multa no caso teve fundamento no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996, que tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos em discussão (anoscalendário de 1997 a 2000): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) O Auto de Infração, em que pese mencione o artigo 44, II, para qualificação da multa, não identifica se a hipótese é de sonegação, fraude ou conluio, falta de fundamentação que impede se mantenha a multa qualificada. Sobre a necessária identificação destas situações no Auto de Infração, decidiu esta Turma da CSRF, por maioria de votos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 MULTA QUALIFICADA. Para que se possa preencher a definição do evidente intuito de fraude que autoriza a qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, é imprescindível identificar a Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.269 11 conduta praticada: se sonegação, fraude ou conluio respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. A mera imputação de simulação não é suficiente para a aplicação da multa de 150%, sendo necessário comprovar o dolo, em seus aspectos subjetivo (intenção) e objetivo (prática de um ilícito). Destaco trecho do voto vencedor naquele acórdão, de lavra da Conselheira Livia De Carli Germano adotando suas razões de decidir: Ora, para que se pudesse completar a definição de "evidente intuito de fraude", que autorizaria a qualificação da multa de ofício, seria imprescindível a identificação da conduta praticada pelo contribuinte: se sonegação, fraude ou conluio respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. No caso, porém, não houve qualquer fundamentação neste sentido, do que se conclui que o agravamento da penalidade carece de suporte material e, por isso, não pode subsistir. (...) Esse, inclusive, é o sentido que se extrai do teor da Súmula CARF nº 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo", assim como da Súmula Vinculante CARF nº 25: "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64". Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial, mantendo a decisão recorrida e a multa de ofício no percentual de 75%. (Assinado Digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo Redator Designado Em que pesem as razões de decidir da eminente relatora, peço vênia para dela divergir quanto ao afastamento da multa qualificada. De acordo com a relatora, a multa qualificada deveria ser mesmo afastada, conforme havia decidido o acórdão recorrido, mas a razão apontada por ela foi que o Auto de Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.270 12 Infração, em que pese ter mencionado o artigo 44, II, da Lei 9.430/1996 para a qualificação da multa, não identificou em qual das hipóteses da Lei 4.502/1964 foi enquadrada a conduta da contribuinte (sonegação, fraude ou conluio): Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do Imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 7l e 72. Segundo a relatora, esse problema caracterizaria falta de fundamentação, e impediria a manutenção da multa qualificada. Já faço o registro de que o acórdão recorrido afastou a qualificadora por outros motivos. Entendeuse, naquela decisão, que a interposição de pessoas caracterizava fraude à execução, à cobrança do crédito, mas não fraude relacionada à constituição do crédito tributário. Além disso, também foi registrado que o lançamento estava suportado em presunção legal, e que não era possível a aplicação de presunção para presumir fraude fiscal. São esses três aspectos que passo a examinar. Embora tenha acompanhado a decisão da CSRF que a Relatora cita em reforço de seus argumentos, faço uma revisão da linha de interpretação que adotei naquele julgamento. O ponto principal de minha divergência com a Relatora é que ela trata das hipóteses previstas na Lei 4.502/1964 (sonegação, fraude e conluio) como se fossem tipos muito distintos entre si, até mesmo excludentes uns dos outros, e não é esse o caso. O próprio texto do referido art. 44, II, da Lei 9.430/1996, ao prever a qualificação da multa "nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964", é revelador disso, já que relaciona o "evidente intuito de fraude" não só com a figura da fraude, mas também com a sonegação e o conluio. Nos termos da própria lei, seria possível identificar o "evidente intuito de fraude" na sonegação, na fraude e também no conluio. Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.271 13 Outro aspecto que revela o erro dessa exigência para que a Fiscalização faça a individualização correta e a identificação precisa de uma das hipóteses da Lei 4.502/1964, está na própria descrição destas hipóteses, no próprio texto legal que as prevê. A hipótese de conluio (art. 73 da Lei 4.502/1964) está textualmente vinculada às duas hipóteses anteriores. E também não é difícil perceber que há uma evidente sobreposição entre as figuras dos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/1964 (sonegação e fraude). A questão é simples. Ou o fato gerador ocorre, ou ele não ocorre. E se a conclusão é de que houve uma fraude para impedir a ocorrência do fato gerador, ou para excluir ou modificar as suas características essenciais [...], o que se está dizendo é que o fato gerador na verdade ocorreu. E o artifício empregado nessa fraude certamente também vai caracterizar uma ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: da ocorrência do fato gerador [...]; das condições pessoais do contribuinte [...], ou seja, vai caracterizar sonegação. Uma ação/omissão que tenta impedir que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador (sonegação) normalmente vai caracterizar uma ação/omissão que tenta impedir a "ocorrência" do fato gerador (fraude); assim como uma ação/omissão que tenta impedir a "ocorrência" do fato gerador (fraude) normalmente vai caracterizar uma ação/omissão que tenta impedir que a autoridade fazendária tome conhecimento da ocorrência do fato gerador (sonegação). Com efeito, há uma evidente sobreposição entre essas figuras. No próprio caso sob exame, em que o sujeito passivo utiliza o artifício da interposição de pessoas concomitantemente à ocorrência dos fatos geradores, não apresenta declarações ou as apresenta com informações totalmente distorcidas da realidade, e reiteradamente omite receitas, fica bastante claro que ele, com suas ações/omissões, incorreu, a um só tempo, nas hipóteses de sonegação e de fraude. Não há dúvida alguma de que houve tentativa de impedir que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, e também das condições pessoais do contribuinte. E também não há nenhuma dúvida de que o sujeito passivo tentou excluir ou modificar as características essenciais dos fatos geradores (no aspecto pessoal, por meio de fraude na pessoa jurídica), de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, valendo novamente destacar que o artifício fraudulento da interposição de pessoas era contemporâneo da ocorrência dos fatos geradores. Portanto, o fato de o auto de infração não individualizar, não identificar precisamente uma das hipóteses da Lei 4.502/1964, em nada prejudica a aplicação da qualificadora. O que importa, para isso, é que a conduta esteja muito bem descrita, e que ela se enquadre nas hipóteses acima referidas (isolada e/ou cumulativamente, como é mais comum), o que, conforme mencionado acima, restou claramente evidenciado nestes autos. Já adentrando nos outros dois pontos mencionados no início deste voto, registro que os comentários acima também afastam o argumento de que a interposição de Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.272 14 pessoas caracterizava apenas fraude à execução (à cobrança), e não fraude relacionada à constituição do crédito tributário (ao nascimento da obrigação tributária). Como mencionado, o artifício fraudulento da interposição de pessoas era contemporâneo da ocorrência dos fatos geradores. Os fatos geradores eram realizados por uma pessoa jurídica que estava constituída mediante fraude, e a obrigação tributária, portanto, já nascia maculada por esse vício, no seu aspecto pessoal. Não há, portanto, como sustentar que esse tipo de fraude é apenas uma fraude à execução do crédito. O artifício da interposição de pessoas e as outras ações/omissões do sujeito passivo, neste caso, nitidamente serviam ao propósito de ocultar a ocorrência dos fatos geradores, modificar suas características essenciais, etc., desde a sua origem. Basta ver que as pessoas formalmente indicadas para responder pela pessoa jurídica simplesmente não tinham informação a prestar sobre a ocorrência dos fatos geradores. No que dependesse da PJ constituída mediante fraude, e de seus falsos sócios, os fatos geradores continuariam desconhecidos pela autoridade fazendária. Em relação ao terceiro e último ponto, que trata da questão de que a qualificadora não é compatível com lançamento baseado em presunção legal, registro que a jurisprudência do CARF não mais endossa esse tipo de entendimento. Há, inclusive, súmulas do CARF que defendem justamente o contrário: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. O que estas súmulas dizem, em síntese, é que se a presunção legal de omissão de receita estiver acompanhada de circunstâncias que agravam a conduta do sujeito passivo, a qualificadora é perfeitamente cabível. No presente caso, essas circunstâncias agravantes estão bem comprovadas. Conforme já mencionado, o sujeito passivo utilizava o artifício da interposição de pessoas concomitantemente à ocorrência dos fatos geradores, não apresentava declarações ou as apresentava com informações totalmente distorcidas da realidade, e omitia receitas de forma reiterada. Também é importante perceber que os depósitos bancários que deram suporte à autuação fiscal eram feitos em conta bancária de uma pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas, situação bem próxima da descrita na Súmula CARF nº 34. Se os depósitos tivessem sido feitos diretamente em contas bancárias de interpostas pessoas, a situação seria exatamente a descrita na referida súmula, e ela bastaria para o restabelecimento da multa qualificada. Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 10120.008793/200272 Acórdão n.º 9101002.826 CSRFT1 Fl. 2.273 15 Mesmo assim, apesar de a situação dos presentes autos não ser idêntica à da citada súmula, o entendimento que ela defende também colabora para o restabelecimento da multa qualificada neste processo. É que a dificuldade para se obter esclarecimentos sobre a movimentação bancária é a mesma nos dois tipos de situação, porque a interposta pessoa, seja na condição de falso sócio de uma PJ, seja na condição de falso titular de conta bancária, normalmente não tem informações a esse respeito, e serve como um escudo de proteção do mal contribuinte contra os trabalhos da fiscalização tributária. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer a multa qualificada. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003660/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 17/08/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RELEVAÇÃO DA MULTA IMPOSSIBILIDADE. EMPRESA INCORPORADORA. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR.
APLICAÇÃO DA SUMULA CARF 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.
Numero da decisão: 9202-005.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci .
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 17/08/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RELEVAÇÃO DA MULTA IMPOSSIBILIDADE. EMPRESA INCORPORADORA. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1385; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.003660/200812 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202005.366 – 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente HOSPITAL SOCOR S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/08/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RELEVAÇÃO DA MULTA IMPOSSIBILIDADE. EMPRESA INCORPORADORA. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 36 60 /2 00 8- 12 Fl. 140DF CARF MF 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci . Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 230201.585, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente auto de infração, lavrado em desfavor do Contribuinte, originado em virtude do descumprimento do art. 17 da Lei n° 8.213/1991 c/c art. 18, I e § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o Contribuinte deixou de inscrever segurados empregados na previdência social, fls. 31/32. O Contribuinte apresentou impugnação às fls. 45/52. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte emitiu a Decisão, fls. 64/71, mantendo a autuação em sua integralidade. O Contribuinte interpôs recurso, fls. 76/83, alegando, em síntese, ter decaído o direito de lançar a multa; não ser possível atribuir responsabilidade tributária à sucessora por multas; dever de conferir oportunidade para o infrator corrigir os erros antes da autuação; não houve prejuízo à fiscalização; possui direito à relevação da multa; a multa aplicada possui natureza confiscatória; as pessoas prestaram serviços a título de voluntariado; requereu, ao final, reabertura da fase probatória. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 91/98, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/08/2007 PENALIDADE PECUNIÁRIA VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 15504.003660/200812 Acórdão n.º 9202005.366 CSRFT2 Fl. 10 3 RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CORREÇÃO DA FALTA ATÉ A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; Sem ocorrência de circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Às fls. 103/106, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: não cabimento da multa por descumprimento de obrigação acessória à sucessora por infração cometida pela sucedida. O Contribuinte afirma que o Acórdão recorrido diverge do paradigma, em síntese, no que diz respeito à possibilidade de responsabilização da sucessora por multas punitivas impostas à empresa sucedida. Alega que o auto de infração fora lavrado em 17/08/2007; entretanto, o Contribuinte assumiu as obrigações do sucedido por escritura pública lavrada em 31/08/2005, ou seja, anteriormente à lavratura do AI, e depois de praticadas as infrações que deram ensejo à autuação. O acórdão paradigma (n° 10194.950), por sua vez, “uma vez comprovado que a empresa sucedida foi incorporada anteriormente ao lançamento de ofício, sendo que os atos que conduziram a aplicação da multa foram apurados na gestão da empresa sucedida, não se pode responsabilizar a empresa sucessora, com a multa isolada, uma vez patente, tanto na doutrina, como na jurisprudência administrativa e judiciária, a responsabilidade pessoal do agente em matéria penal, como é o presente caso. Portanto, inaplicável a multa conforme lançada contra a empresa sucessora”. Às fls. 129/132, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso. A União apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial, às fls. 134/137, rebatendo, no mérito, os argumentos defendidos pelo Contribuinte, pugnando pela manutenção do Acórdão. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora PRELIMINAR DE CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme passo a expor: Cumpre ressaltar que o acordão 10808.880 utilizado como um dos paradigmas, proferido na data de 26/05/2006 foi reformado em Câmara Superior na data de 04/11/2009, observese a ementa: MULTA DE OFICIO. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM. A interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, não pode ser feita isoladamente, de sorte a afastar a responsabilidade do sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pelas sociedades incorporadas, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadoras e incorporadas, sempre estiveram sob controle comum de sócio pessoa física e de controladora informal. Sendo assim, o segundo paradigma, acórdão 10194950 restou aceito como suficiente para preencher os requisitos regimentais, cuja ementa segue: MULTA – EMPRESA SUCESSORA – RESPONSABILIDADE PESSOAL DA IMPUTAÇÃO – INAPLICABILIDADE Uma vez comprovado que a empresa sucedida foi incorporada anteriormente ao lançamento de ofício, sendo que os atos que conduziram a aplicação da multa foram apurados na gestão da empresa sucedida, não se pode responsabilizar a empresa sucessora, com a multa isolada, uma vez patente, tanto na doutrina, como na jurisprudência administrativa e judiciária, a responsabilidade pessoal do agente em matéria penal, como é o presente caso. Portanto, inaplicável a multa conforme lançada contra a empresa sucessora. Lançamento improcedente. O qual cumpre com os requisitos necessários pelo Regimento Interno deste Conselho para recebimento do presente recurso. Diante do exposto conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e passo a análise do mérito. DO MÉRITO Tratase o presente auto de infração, lavrado em desfavor do Contribuinte, originado em virtude do descumprimento do art. 17 da Lei n° 8.213/1991 c/c art. 18, I e § 1º do Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15504.003660/200812 Acórdão n.º 9202005.366 CSRFT2 Fl. 11 5 RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o Contribuinte deixou de inscrever segurados empregados na previdência social. O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a não cabimento da multa por descumprimento de obrigação acessória à sucessora por infração cometida pela sucedida. A questão controvertida cingese a responsabilidade da sucessora nas infrações cometidas pela sucedida. O acórdão recorrido foi pontual ao afirmar que: “O próprio artigo 129 do CTN que inaugura a seção de responsabilidade dos sucessores é expresso ao dispor que a responsabilidade é sobre a obrigação tributária e não apenas sobre o valor principal que não fora recolhido. Caso fosse adotada a interpretação de que somente poderia ser cobrado o valor principal. As empresas infratoras poderiam iniciar um processo de sucessão o que resultaria necessariamente a exclusão dos acréscimos legais, reduzindo assim o crédito tributário devido. Estimulando tal comportamento pelas empresas, violarseia os princípios da isonomia tributária, da razoabilidade, da boafé, comprometendo o orçamento fiscal (...) Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Importante frisar que a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária, conforme art. 113 § 2 e quando não adimplida convertese em obrigação principal conforme a disposição do mesmo artigo, § 3, do CTN. Observo que o entendimento do acórdão recorrido não é solitário, ao contrário, sua razão de decidir encontra guarida no Repetitivo de Controvérsia no REsp Nº 923.012/MG, do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. Fl. 144DF CARF MF 6 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) A doutrina também se manifesta neste sentido, sendo que o próprio Tribunal Superior – STJ, cita trecho dela neste sentido: A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) Compulsando o acórdão paradigma, observo que este não possui esteio em jurisprudência atual, muito menos dominante ou disposta em repetitivo de controvérsia não vinculando este Conselho Administrativo, ao contrário o paradigma se refere a decisões administrativas e judiciais antigas e já reformadas. Em havendo jurisprudência do STJ que vincula a administração pública, este há que ser adotado, respeitando assim o art. 66, do RICARF Regimento Interno Carf. Para além disso é importante citar a existência da súmula 47 CARF A Fazenda Nacional, acertadamente em sede de contrarrazões ressalta que o Tribunal Administrativo Carf aprovou em 29/11/2010 a sumula 47, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico No caso dos autos observase que a sucedida Fundação Socor possui o mesmo quadro societário de sua sucessora Hospital Socor, o que foi apontado Fl. 145DF CARF MF Processo nº 15504.003660/200812 Acórdão n.º 9202005.366 CSRFT2 Fl. 12 7 pormenorizadamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional em sede de contrarrazões nestes autos, vejamos: Da análise da composição da diretoria no HOSPITAL SOCOR, hoje organizado como SA, verificase que todos os diretores do hospital eram sócios da antiga FUNDAÇÃO SOCOR. Assim temos que: Jose Alberto da Silveira, Jacob Lansky, Castisnaldo Bastos Santos, Antônio Afonso de Moraes Moretzsohn, Fernando Augusto de Lima Caldeira Brant, Jose Henrique de Alencar Fontes e Ulysses França Filho, que compõe a diretoria do Hospital Socor (doc. Fls. 34 a 36), integravam o quadro societário da FUNDAÇÃO SOCOR (doc. Fls. 37 a 38). Todos os sócios da antiga Fundação SOCOR, compõe a diretoria do Hospital SOCOR. Fica assim caracterizado que se trata de grupo econômico sob controle comum. O voto condutor do acórdão recorrido está no sentido de afastar a possibilidade de que grupos econômicos se utilizem do Instituto da sucessão de empresas para a afastar a penalidade imposta pelo descumprimento da obrigação tributária, em harmonia com o disposto na Súmula Carf n. 47. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial do Contribuinte para no mérito negarlhe provimento, devendo ser mantido o acórdão recorrido É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003094/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação.
Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Devese anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 30 94 /2 00 5- 71 Fl. 2817DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório do PIS decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/01/05 a 31/03/05, no valor de R$660.802,64 (fl. 2), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fl. 171) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$443.321,19, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.976/09 (fls. 152 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2004, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos; 4. as vendas de mercadorias realizadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento não são tributadas, portanto, não fazem jus ao crédito; 5. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém, uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 55 maiores fornecedores, 15 são cooperativas, 1 é empresa do poder público, restando 39 fornecedores; 6. aproximadamente, 72% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 7. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 8. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência do PIS/Pasep na etapa anterior é de impressionantes 28,69%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 9. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 11543.003094/200571 Acórdão n.º 3201003.028 S3C2T1 Fl. 3 3 meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 31% (trinta e um inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 10. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 11. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 12. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 13. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 14. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 15. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 16. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 17. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 191/192; 18. verifica se, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 19. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de Fl. 2819DF CARF MF 4 aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 20. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito do PIS apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiram se, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 1º Trimestre de 2005 no montante de R$443.321,19. Cientificada da Decisão (fl. 184), em 06/09/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 188 e seguintes), em 30/09/10, onde alegou, em resumo, que: 1. teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 2. o Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.976/2009 ora guerreado tem razões conexas aos Pareceres DRF/VIT/SEORT n.° 2.983/2009 e 1.672/2010, mister se faz o apensamento destes autos àqueles, tudo com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitando se, destarte, decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 3. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 4. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 5. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão; 6. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.637/02 não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 7. de fato, o art. 3º, §2°, II da Lei n.° 10.637/02 (com a redação dada pelo art. 37 da Lei n.° 10.865/04), veda o direito ao crédito calculado em relação às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção; 8. no entanto, é imperioso atentar para o fato de que nos tributos em que o ônus financeiro é transferido ao adquirente (tributos indiretos) há a obediência ao chamado Princípio Constitucional da NãoCumulatividade, pelo qual o contribuinte possui o direito de abater o tributo cobrado em etapas anteriores do que for devido em decorrência de suas próprias operações; 9. a ideia materializada nesse princípio é a de evitar o chamado efeito cascata, isto é, a incidência de tributo sobre tributo; 10. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 11. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002 não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 12. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 11543.003094/200571 Acórdão n.º 3201003.028 S3C2T1 Fl. 4 5 com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 13. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratar seia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 14. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 15. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 16. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 17. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 18. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 1.763) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 2.092 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contibuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os Fl. 2821DF CARF MF 6 documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos, além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência, a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 2258 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 11543.003094/200571 Acórdão n.º 3201003.028 S3C2T1 Fl. 5 7 ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." Fl. 2823DF CARF MF 8 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Aquisições. Nãosujeitas ao PIS. Crédito Vedado. A Partir de 01/08/04. A alteração promovida pela Lei nº 10.865, de 30 de abril 2004, na Lei nº 10.637, no sentido de vedar o direito ao crédito da não cumulatividade do PIS, nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, passou a produzir efeitos a partir de 01/08/04. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, alegando em sede preliminar que a decisão da primeira instância inovou a matéria discutida nos presentes autos, ao trazer argumentos para manutenção do lançamento resultante de diligência realizada, que trariam afirmações que a Recorrente teria participado de suposto esquema visando gerar, fraudulentamente, créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. No restante do recurso são repisadas as alegações já apresentadas na impugnação. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 11543.003094/200571 Acórdão n.º 3201003.028 S3C2T1 Fl. 6 9 definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência determinada pelo CARF, elaborando relatório fiscal. Informando que a Recorrente apresentou documentos referentes à glosa de despesas de manutenção e reparos e de aquisição de embalagens. A auditoria fiscal concluiu por manter a glosa referente a despesas com manutenção e reparo, por entender, que não estariam ligados a atividade de produção da Recorrente. Quanto as aquisições de embalagem, entendeu por acatar as alegações da Recorrente e afastar a glosa referente a este item. Cientificada da diligência, a Recorrente apresentou manifestação ,concordando com o afastamento da glosa sobre as aquisições de embalagem e afirmando que as despesas de manutenção e reparo estariam vinculados a atividade da empresa e portanto, também estariam aptas a serem utilizadas como créditos na apuração das contribuições. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 2825DF CARF MF 10 Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Nos termos detalhados no relatório, em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega a nulidade da decisão da primeira instância, sob o arrimo que o acórdão teria inovado nos fundamentos inicialmente citados no despacho negatório do pedido de compensação. Consultando a decisão da primeira instância é possível identificar o enfrentamento de matérias referentes a glosa de créditos, por entender que tais operação não estariam incluídas no conceito de insumo e outra discussão quanto a possibilidade de creditamento sobre operações realizadas com empresas que foram identificadas como inaptas ou inexistentes de fato. Para a segundo grupo de créditos glosados, a decisão recorrida trata de dois fundamentos para negar os créditos. O primeiro seria a inexistência de recolhimento das contribuições na etapa anterior e o segundo a existência de fraude na criação e operação de empresas declaradas inexistentes de fato ou declaradas inaptas pela receita federal. O acórdão da primeira instância adotou como fundamento da decisão, a fraude nas operações realizadas com empresas, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído no voto condutor do Acórdão da DRJ. Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as ‘compras’ efetuadas pelo contribuinte, ora recorrente, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e o contribuinte, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. A análise exposta acima leva à rejeição peremptória de eventual alegação de planejamento tributário, pois demonstra que o autuado participou da criação ou utilizou de pessoas jurídicas de existência fantasmagórica, a fim de interpor elo fictício na cadeia produtiva e, assim, escapar do pagamento de tributo de sua responsabilidade, por meio de compensação de créditos inexistentes de fato, e ainda com vultosos valores de ressarcimento em dinheiro. O trabalho fiscal, por ocasião da diligência realizada, fundouse em amplo material probatório, permitindo o exercício do direito de defesa e ao contraditório. No Relatório é comprovado detalhadamente o acerto das glosas efetuadas. Neste contexto, perderam relevância as notas fiscais e comprovantes de pagamento. Na decisão recorrida é possível identificar claramente que o enfrentamento da matéria, que nega o direito creditório da recorrente, possui como fundamento a aquisição de produtos de pessoas jurídicas, quando na verdade tratariamse de pessoas físicas. A decisão da primeira instância considerou que os dois fundamentos teriam sido enfrentados no despacho decisório, tanto a questão da ausência de recolhimento das Fl. 2826DF CARF MF Processo nº 11543.003094/200571 Acórdão n.º 3201003.028 S3C2T1 Fl. 7 11 contribuições nas etapas anteriores, bem como, a existência de aquisições de "pseudoatacadistas". Quanto ao primeiro fundamento discutido na decisão da DRJ é inequívoco a sua utilização pelo despacho decisório, que consta de forma explicita na sua conclusão, conforme se depreende do trecho abaixo do despacho decisório, exarado pela Unidade de Origem. Em resumo: . Restou demonstrado que não houve incidência econômica dos tributos na maior parte das aquisições realizadas; . A ocorrência da incidência jurídica é duvidosa, uma vez que as pessoas jurídicas que poderiam realizar o aspecto material da hipótese de incidência (faturamento), aparentam ser meros instrumentos para realização de práticas ilegais; . Sob o ponto de vista econômica, não houve qualquer oneração da cadeia produtiva em relação a tais operações; . Em não havendo tal oneração perde o sentido o dualismo cumulatividade x nãocumulatividade que justificou o escopo da alteração da legislação; . Em conclusão, não ocorrendo a indesejada cumulutividade que ensejou a mudança da sistemática da apuração das contribuições em apreço não há que se falar em saldo credor possível de ressarcimento. Quanto ao segundo fundamento, a decisão da Delegacia de Julgamento da RFB afirma existir no despacho decisório menção ao fato de existir fraude na criação e operação dos atacadistas revendedores de café, cito trecho abaixo constante da decisão da DRJ, que detalha estes argumentos. 2º argumento: Compras de “pseudoatacadistas” Se a instrução processual se encerrasse neste ponto, dificilmente poderia prosperar a glosa procedida sub examen. Porém, com a diligência veio o relatório, onde se concluiu que parte dos créditos de PIS/Cofins reivindicados nos pedidos de ressarcimento e utilizados nas declarações de compensação foi gerada através de simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente o foi de aquisições de produtores rurais pessoas físicas. Tratase agora da hipótese já contida Parecer DRF/VIT/SEORT (fls. 247 e ss) de considerar as compras, correspondentes aos fornecedores irregulares, transações fictícias: No caso em questão, aparentemente existiria a intermediação comercial por pessoa jurídica. Entretanto, se ditas "pessoas jurídicas" forem apenas instrumentos para práticas fraudulentas, acobertando vendas realizadas por outros sujeitos, muito provavelmente pessoas físicas, não haveria que se falar em hipótese de incidência de PIS/Pasep e Cofins não Fl. 2827DF CARF MF 12 cumulativos e, muito menos, em créditos da não cumulatividade como ora pretendido. Entendese que a prova colacionada aos autos no âmbito da diligência lançou nova luz sobre os créditos relativos às compras de café pela contribuinte, que foram glosados pela Autoridade Fiscal. O quadro amplo traçado a partir das Operações Broca e Tempo de Colheita milita desfavoravelmente à contribuinte no que concerne a seu alegado direito de crédito. Além disso, há elementos nos autos que não permitem simplesmente entender pela completa “isenção” do contribuinte na frustração da Receita Federal em sua legítima pretensão de caráter constitucional de amealhar recursos ao Erário. Quanto a este segundo fundamento para afastar os créditos referentes a aquisição das empresas atacadistas consideradas inidôneas, divirjo do entendimento da decisão da primeira instância. Apesar de existir a citação da existência de operações realizadas com empresas inidôneas, o despacho decisório é claro ao afirmar que matéria não esta sendo objeto de enfrentamento e discussão, conforme consta do trecho abaixo extraído do despacho decisório. 52. No caso examinado há uma presunção que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 210;219), quando foi publicada a Medida Provisória nº 66/2002 que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas. 53. Assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da não cumulatividade para as contribuições em comento. 54. Deixese claro, neste interim, que não se está com isto afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve nenhuma investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho. De forma alguma. Até porque, se isto ocorreu ou vem ocorrendo, estar seia diante de um crime contra a ordem tributária. 55. Nesse contexto, a ausência de provas que una a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor. Todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal. Demais disso, não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual. 56. Frisese: nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em um debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a Fl. 2828DF CARF MF Processo nº 11543.003094/200571 Acórdão n.º 3201003.028 S3C2T1 Fl. 8 13 título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé. Neste pormenor aplicase o princípio da prevalência dos interesses públicos sobre os particulares. 57. Como se pode extrair, a situação é paradoxal porquanto a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um direito creditório que, como contrapartida, não possui o competente recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior. 58. Diante do que descortinado, a plausível conclusão conduz à inadmissibilidade do pleito formulado integralmente, no que toca às ditas compras de PJ, sob pena de gerar um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representaria uma cessão de interesses públicos.(grifo nosso) A leitura do despacho decisório deixa evidente que não existiu o aprofundamento da matéria referente a aquisição de empresas inidôneas, tampouco tal fato foi utilizado como fundamento para negar o creditamento das operações da Recorrente. O Processo Administrativo Fiscal tem seu desenvolvimento a partir da existência de um lançamento ou decisão fiscal, que é objeto de questionamento por parte do contribuinte, que utilizando dos instrumentos da impugnação ou da manifestação de inconformidade, define as matérias sobre a qual discorda da decisão da autoridade fiscal. A delimitação da lide, submetida a apreciação dos julgamentos administrativos, está restrita aos fundamentos e fatos arrolados no despacho decisório, delimitado pelos argumentos trazidos pelo contribuinte nos seus recursos. No caso em tela, ao meu sentir, restou claramente identificado como fundamento utilizado no despacho decisório para negar os créditos referentes a aquisição de empresas atacadistas consideradas inidôneas, o fato de não existir o recolhimento das contribuições nas etapas anteriores. Assim, entendo que existiu na decisão da primeira instância, a utilização de fundamentos que não constariam do despacho decisório, determinando que tal decisão seja cancelada para realização de um novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes do despacho decisório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de um novo julgamento considerando unicamente os fundamentos constantes do despacho decisório. Winderley Morais Pereira Fl. 2829DF CARF MF 14 Fl. 2830DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722455/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO ARBITRADO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS.
A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE.
Demonstrado que parte dos valores tributados como depósitos bancários sem comprovação de origem correspondem a transferência entre contas de mesma titularidade, exclui-se o montante correspondente da base tributável.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA PESSOA JURÍDICA. SUJEIÇÃO PASSIVA.
Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2008
CSLL.PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Tendo em vista que os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins têm natureza reflexa em relação ao IRPJ, aplicam-se a elas o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
Numero da decisão: 1402-002.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do coobrigado e dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para excluir da base tributável os valores de R$ 54.207.768,00; no 1º trimestre de 2008, R$ 58.886.955,00; no 2º trimestre de 2008, R$ 54.473.819,73; no 3º trimestre de 2008; e R$ 59.271.487,43; no 4º trimestre de 2008.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Demonstrado que parte dos valores tributados como depósitos bancários sem comprovação de origem correspondem a transferência entre contas de mesma titularidade, exclui-se o montante correspondente da base tributável. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA PESSOA JURÍDICA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2008 CSLL.PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Tendo em vista que os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins têm natureza reflexa em relação ao IRPJ, aplicam-se a elas o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do coobrigado e dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para excluir da base tributável os valores de R$ 54.207.768,00; no 1º trimestre de 2008, R$ 58.886.955,00; no 2º trimestre de 2008, R$ 54.473.819,73; no 3º trimestre de 2008; e R$ 59.271.487,43; no 4º trimestre de 2008. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. (Súmula CARF nº 59). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Demonstrado que parte dos valores tributados como depósitos bancários sem comprovação de origem correspondem a transferência entre contas de mesma titularidade, excluise o montante correspondente da base tributável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA PESSOA JURÍDICA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 CSLL.PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 55 /2 01 2- 50 Fl. 9723DF CARF MF 2 Tendo em vista que os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins têm natureza reflexa em relação ao IRPJ, aplicamse a elas o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do coobrigado e dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para excluir da base tributável os valores de R$ 54.207.768,00; no 1º trimestre de 2008, R$ 58.886.955,00; no 2º trimestre de 2008, R$ 54.473.819,73; no 3º trimestre de 2008; e R$ 59.271.487,43; no 4º trimestre de 2008. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 9724DF CARF MF Processo nº 19515.722455/201250 Acórdão n.º 1402002.606 S1C4T2 Fl. 9.724 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ (R$ 33.624.699,85); CSLL (R$ 15.158.568,54); Cofins (R$ 42.282.689,26) e PIS (R$ 9.161.244,98), aí incluídos juros de mora e multa de ofício aplicada no percentual de 112,50%. Durante o procedimento fiscal o sujeito passivo não atendeu a nenhuma das intimações para apresentação de Livros Fiscais e outros elementos da escrituração. A Fiscalização obteve informações da movimentação financeira da interessada junto a diversos Bancos e formalizou intimação para que fosse justificada a origem dos valores depositados. Foi apresentado ao Fisco um arquivo sem validação e fora das especificações ao qual, mesmo após inúmeras tentativas, não foi possível ter acesso. A Fiscalização formalizou exigência com base nos depósitos não comprovados usando a sistemática do lucro arbitrado, em função da não apresentação dos elementos da escrituração. Considerando que o contribuinte não foi localizado no endereço informado nos documentos arquivados na JUCESP e nos sistemas da RFB; que o sócio administrador, reiteradamente cientificado das intimações à empresa, não apresentou livros, arquivos digitais e demais documentos solicitados e não regularizou a situação cadastral, o que determinou a inaptidão do CNPJ, ficou caracterizada a dissolução irregular da empresa, em consonância com o entendimento pacificado pela Súmula 435 do STJ o que implicou na responsabilização do sócio administrador Marcio Brito Estevan. A pessoa jurídica alegou em impugnação (uma para cada tributo, mas de idêntico conteúdo) : pelo fato do CD enviado à fiscalização não ter funcionado, o Fisco,mera presunção, no caso, presunção relativa (ou suposição, que é a opinião formada sem provas), efetuou o arbitramento (o julgamento hipotético, duvidoso, incerto) do lucro que a impugnante teria auferido no exercício de 2008, sem levar em conta a declaração para efeito de Imposto de Renda por ela apresentada, que tem esclarecimentos suficientes; a recorrente mantém seus livros contábeis devidamente escriturados, inclusive o livro Razão, sendo que deste último está em anexo a impugnação, por cópia de inteiro teor, todos os lançamentos do exercício de 2008, onde consta, também, a declaração para efeito de imposto de renda do anobase de 2008; também em anexo, encontramse os demonstrativos, mês a mês, do exercício de 2008, de todos os lançamentos relacionados com sua movimentação bancária, onde podem ser vistas as transferências de um banco para outro, da mesma titularidade, e os pagamentos a fornecedores e outros encargos, que estão relacionados nominalmente na cópia anexa do livro Razão, o que desmerece o auto de infração aqui combatido, porque não existem as diferenças aleatoriamente encontradas pelo Fisco; Fl. 9725DF CARF MF 4 os documentos anexos mostram que o auto de infração aqui combatido carece de fomento jurídico e legal, e sua lavratura foi feita aleatoriamente e, portanto, sem respaldo na realidade das operações da impugnante. O coobrigado defendeuse da responsabilização: pelo fato de o recorrente ter dado como endereço da empresa Amazon Meat, tão somente para efeito de correspondência, o seu endereço na cidade de Presidente Prudente, a fiscalização o enquadrou como sujeito passivo solidário da referida empresa, entretanto, não existe suporte legal para tanto, eis que ao recorrente não se aplicam as disposições do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional; não praticou atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; o Superior Tribunal de Justiça está revendo a Súmula 435, porque deixar de funcionar no seu domicílio fiscal e ter sido irregularmente dissolvida (dissolução, apenas, de fato), não constituem obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, e nem fatos geradores de qualquer tributo; a referida Súmula não tem respaldo legal, e, por isso, não pode subsistir; é a própria União quem impede, ilegalmente, que sejam encerradas empresas que tenham débito fiscal em aberto, o que faz com que elas se mantenham inativas, sem dissolução regular; dessa forma, é manifestamente ilegal a inclusão do impugnante como sujeito do pretenso crédito fiscal aqui combatido, situação que deve ser corrigida com a sua exclusão como sujeito passivo solidário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP prolatou o Acórdão 1648.334 considerando totalmente improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO. A existência de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada caracteriza omissão de receita, que servirá de base para o arbitramento do lucro, quando o contribuinte deixar de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pelo posterior oferecimento da documentação cuja falta de apresentação foi a causa do arbitramento. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Fl. 9726DF CARF MF Processo nº 19515.722455/201250 Acórdão n.º 1402002.606 S1C4T2 Fl. 9.725 5 A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DISSOLUÇÃO IRREGULAR DE SOCIEDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, seus dirigentes responderão solidariamente pelos débitos tributários não adimplidos Cientificados, o sujeito passivo e o coobrigado recorrem a esse colegiado reiterando em essência os termos da impugnação. A pessoa jurídica autuada acrescenta uma arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que não teriam sido apreciados os argumentos da impugnação. Em primeira apreciação, este colegiado prolatou a Resolução 1402000.311 pela qual o julgamento foi convertido em diligência a fim de que os extratos bancários fossem reexaminados com base na planilha apresentada pelo sujeito passivo na impugnação. A diligência foi realizada com emissão do relatório pertinente e proposta de aceitação parcial dos argumentos de defesa. É o Relatório. Fl. 9727DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Os recursos foram tempestivos e interpostos por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual deles conheço. Em preliminar, a interessada suscita a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa , tendo em vista que não teriam sido apreciados argumentos trazidos na impugnação. A reclamação dirigese ao pleito segundo o qual os depósitos em conta corrente que integraram a base tributável seriam transferências entre contas de mesma titularidade. O argumento não é aceitável por dois motivos. Em primeiro lugar, a decisão recorrida não deixou de apreciar os argumentos de defesa, apenas entendeu que não foram suficientes para elidir as conclusões do Fisco, conforme abaixo transcrito (destaques acrescidos): [...] Entretanto: (i) para comprovar os depósitos bancários os documentos juntados à impugnação não se prestam, pois desacompanhados de documentação hábil e idônea que lhes de suporte; e (ii) para evitar o arbitramento também não servem, pois, como explanado a seguir, não existe arbitramento condicional. [...] Além disso, a conversão do julgamento em diligência por este colegiado, o quie implicou em nova apreciação dos extratos bancários, supriu a alegação da defesa. No mérito, quanto à apuração do resultado por arbitramento é incorreto a afirmativa de que derivou exclusivamente do não funcionamento do CD. Na verdade, a impossibilidade de acesso aos dados do CD implicou na ausência de comprovação de origem dos valores depositados e inclusão na base tributável. Entretanto, a apuração do resultado por arbitramento derivou da não apresentação dos Livros e demais elementos da escrituração, conforme explicitado no Termo de Verificação: Esclareçase também que a apresentação do Livro Razão apenas na impugnação não elide o arbitramento efetuado, conforme Súmula CARF nº 59, de Enunciado; A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito Fl. 9728DF CARF MF Processo nº 19515.722455/201250 Acórdão n.º 1402002.606 S1C4T2 Fl. 9.726 7 tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Em relação aos depósitos bancários, as alegações do sujeito passivo geraram um procedimento de diligência e o correspondente relatório com proposta de aceitação parcial das alegações, que ora endosso. Sendo assim, com base no Relatório de fls. 9049/9184 dou provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para excluir da base tributável os valores de R$ 54.207.768,00; no 1º trimestre de 2008, R$ 58.886.955,00; no 2º trimestre de 2008, R$ 54.473.819,73; no 3º trimestre de 2008; e R$ 59.271.487,43; no 4º trimestre de 2008. Em relação ao recurso voluntário do coobrigado, entendo que a questão foi bem colocada pela Fiscalização. Registrese que o próprio sócio sustenta que a empresa não mais funcionava em função de problemas de mercado. Ainda assim, não adotou qualquer prática seja para regularização cadastral seja para cancelamento formal. O fisco assim se manifestou: A jurisprudência do STJ é remansosa quanto à responsabilização do sócio gerente nos casos de dissolução irregular da empresa, inclusive sob a égide do art. 135, do CTN (destaques acrescidos): [...] 1. O STJ permite o redirecionamento da execução fiscal contra o sóciogerente, desde que ele tenha agido com excesso de poderes, infração à lei ou estatuto, contrato social, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa (art. 135 do CTN). Aplicação ao caso da Súmula 435 do STJ. (Resp 1654269) [...] 1. É firme a orientação no sentido de que a dissolução irregular da empresa sem deixar bens para garantir os débitos, ao contrário do simples inadimplemento do tributo, enseja o redirecionamento da execução fiscal contra os sóciosgerentes, independentemente de estar caracterizada a existência de culpa ou dolo por parte destes.(Resp 1654964/SP) A Súmula 435 do STJ é cristalina: Fl. 9729DF CARF MF 8 Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. No Resp 1233406/SC (2011/00204750, sessão de 16/08/2001, Ministro Cambell Marques) a questão é chapada: [...] 2. O entendimento pacífico desta Corte é no sentido de que, nos termos da Súmula n. 435, "presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente". Nos casos em que houver indício de dissolução irregular, como certidões oficiais que comprovem que a empresa não mais funciona no endereço indicado ao Fisco, invertese o ônus da prova para que o sóciogerente alvo do redirecionamento da execução comprove a inexistência dos requisitos do art. 135, III, do CTN. [...] A afirmativa de que a referida Súmula não tem respaldo legal chega ao nível do absurdo e não merece qualquer guarida. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso do coobrigado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 9730DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000250/2006-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a recorrente seja intimada a apresentar documentação comprobatória da natureza das verbas recebidas decorrente da ação judicial e da composição desses valores, demonstrando também o período a que se referem as verbas recebidas acumuladamente.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13433.000250/200603 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.658 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 07 de junho de 2017 Assunto Rendimentos Recebidos Acumuladamente Recorrente ROSINEIDE ROCHA SOARES Recorrida União Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a recorrente seja intimada a apresentar documentação comprobatória da natureza das verbas recebidas decorrente da ação judicial e da composição desses valores, demonstrando também o período a que se referem as verbas recebidas acumuladamente. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1041.911, de 14/05/2009, (fls. 100 a 114). Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Auto de Infração, relativamente ao anocalendário de 2001, decorrente de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, uma vez que rendimentos decorrentes de ação trabalhista foram declarados indevidamente como isentos e não tributáveis, em face da decisão da Juíza do Trabalho, nos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 34 33 .0 00 25 0/ 20 06 -0 3 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13433.000250/200603 Resolução nº 2301000.658 S2C3T1 Fl. 3 2 termos do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 29 a 30), onde consta no item 01 "a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de valores eventualmente devidos pelos autores das reclamações trabalhistas ao Imposto de Renda, em virtude da liquidação de sentenças condenatórias". Diante de tal contraditório, foi encaminhado relatório para a Procuradoria da Fazenda Nacional (14 a 18), para que fosse emitido parecer jurídico. De acordo com o Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006, a decisão acerca da não incidência do imposto de Renda não tem fundamento jurídico, assim sendo, caberá lançamento dos rendimentos classificados indevidamente com os devidos acréscimos legais, conforme Parecer da Fazenda Nacional (fls. 31 a 33). Na sua impugnação (fls. 40 a 61), a recorrente informa que: (i) a impugnante, juntamente com mais 70 empregados da Caixa Econômica Federal recebeu desta o valor mencionado pela Receita Federal, por força de acordo judicial homologado pela Juíza da 1a Vara do Trabalho de Mossoró/RN, mencionando expressamente que não havia incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida e a Caixa Econômica Federal informou, para fins de declaração de ajuste anual, que o valor pago ao impugnante era isento e não tributável; (ii) em abril de 2002, a DRF/Mossoró instou a Caixa Econômica Federal a apresentar cópia do DARF referente ao recolhimento do IRPF, alertando que os comprovantes emitidos estavam errados, em vista disso, diversos empregados da Caixa solicitaram a emissão dos comprovantes de rendimentos de forma correta, tendo recebido a resposta de que os comprovantes estavam corretos e de que "não existe imposto de renda sobre conciliação, nos termos do Provimentos CGÍTST 01/96", com a orientação para, caso fossem notificados, apresentarem os documentos recebidos no momento da liquidação da causa trabalhista; (iii) a Caixa Econômica Federal encaminhou à Receita Federal o ofício 63/2002, informando que ficou desobrigada de recolher o imposto de renda na fonte em virtude da decisão judicial homologatória estabelecer que não havia incidência de imposto de renda, tendo a Receita Federal resolvido efetuar o lançamento do crédito tributário em desfavor do impugnante e demais empregados da Caixa favorecidos com o acordo. Ainda na impugnação, a impugnante alega, preliminarmente, que a Caixa Econômica Federal deveria ser a substituta tributária do contribuinte, de forma que o procedimento fiscal não poderia jamais ter sido voltado contra a pessoa do impugnante e sim contra aquela instituição financeira e que a impugnante cumpriu o disposto na decisão judicial, preenchendo a declaração de ajuste anual com base no comprovante de rendimentos fornecido pela Caixa Econômica Federal, onde a verba relativa ao fato gerador foi indicada como rendimento isento e não tributável, conforme orientação do Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual. No que tange ao mérito, a impugnante informa que ajuizou reclamação trabalhista contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 empregados, pleiteando o recebimento do índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989, e a integração destes valores às verbas salariais vencidas e vincendas e ao FGTS, férias, gratificação natalina e anuênios, sendo que após a condenação judicial da Caixa Econômica Federal, esta propôs um acordo, no qual ela pagaria os valores depositados em juízo, desde que os reclamantes renunciassem expressamente à incorporação inicialmente pleiteada, tendo sido aceito pelos reclamantes. Como decorrência de tal fato, a quantia recebida pela impugnante teria o escopo de compensála pela renúncia ao direito subjetivo de incorporação, tendo a natureza de indenização, não se configurando como renda na definição legal, mas um simples ressarcimento de um dano. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13433.000250/200603 Resolução nº 2301000.658 S2C3T1 Fl. 4 3 Ademais, na sentença homologatória do acordo, restou consignado que não incide imposto de renda sobre a conciliação, nos termos do Provimento CG/TST 01/96, porém a DRF/Natal enviou relatório à PFN/RN, solicitando orientação sobre a possibilidade de efetuar o lançamento com ou sem multa de ofício, tendo em vista a incongruência no Provimento CG/TST 01/96, no qual o item 01 afirma a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de imposto de renda incidente em reclamações trabalhistas em virtude de sentenças condenatórias enquanto o item 03 afirma não incidir imposto de renda sobre quantias pagas a título de acordo na Justiça do Trabalho. Como resposta, foi emitido o Parecer n° 001/2005, concluindo que apenas as verbas de natureza salarial podem sofrer incidência de IRPF, ficando a base de cálculo do imposto, portanto, a depender da discriminação das verbas, porém, o procurador não endossou a aplicação da multa de ofício, tendo em vista que a culpa da retenção do imposto não poderia ser atribuída aos reclamantes beneficiados pela decisão. Por fim, a impugnante assinala que nenhum centavo do valor recebido teria natureza salarial, requerendo uma perícia contábil, sendo certo que, se não conseguir discriminar as verbas de natureza salarial, a Receita Federal não poderá, por mera presunção, submeter todo o valor recebido à tributação, contrariando o disposto pela PFN/RN; Em suma, a impugnante faz os seguintes pedidos: (i) que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do impugnante, e, portanto, a nulidade do procedimento fiscal; (ii) caso a preliminar não seja acolhida, que se reconheça a não incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida, seja por sua natureza indenizatória, seja por tratarse de valor recebido a título de acordo homologado pela Justiça do Trabalho; (iii) se nenhuma das hipóteses anteriores for acolhida, que seja determinada a realização de perícia contábil, a fim de apurar o montante das verbas de natureza salarial, para servir como base de cálculo do imposto de renda; e (iv) que seja afastada a incidência de juros de mora e multa, uma vez que a culpa pela não retenção do imposto não pode ser atribuída ao impugnante. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido (fls. 100 a ) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACORDO. São tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença condenatória ou acordo, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO PELA FONTE PAGADORA. A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de oferecêlos à tributação na declaração de ajuste, quando se tratar de rendimentos tributáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2001 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13433.000250/200603 Resolução nº 2301000.658 S2C3T1 Fl. 5 4 A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas; proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFICIO. É cabível a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Não pode a autoridade administrativa negarse a aplicar multa de ofício prevista em lei vigente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA DE TAXA SELIC. É cabível a incidência da taxa Selic sobre o valor do crédito, quando este não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 120 a 160) alegando, em síntese, que: (i) inexigibilidade de depósito prévio ou de arrolamento de bens para interposição de recursos ao Conselho de Contribuintes; (ii) ofensa ao princípio da capacidade contributiva; (iii) ilegitimidade passiva da recorrente; (iv) a vigência do Parecer Normativo SRF nº 1/02 não alcança o período de recebimento dos rendimentos; (v) a recorrente apenas observou o disposto no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora; (vi) a Súmula 12 do1º Conselho de Contribuintes não é aplicável ao caso, uma vez que se aplica somente à omissão de rendimentos e não se aplicaria a rendimentos declarados; (vii) a decisão judicial foi obedecida tanto pela recorrente quanto pela Caixa Econômica Federal; (viii) os rendimentos recebidos pela recorrente possuem caráter indenizatório, visto que se referem a diferenças de correção monetária e a integração desses valores a verbas Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13433.000250/200603 Resolução nº 2301000.658 S2C3T1 Fl. 6 5 vencidas e vincendas e seus consectários: FGTS, férias, gratificação de natal e anuênios; (ix) incoerência do julgamento da DRJ em relação ao Provimento CG/TST 01/96; (x) falta de harmonia entre o Poder Judiciário e a Receita Federal; (xi) falta de resposta da PGFN com relação a discriminação das parcelas do crédito tributário recebido pela recorrente; (xii) erro na aplicação da tabela progressiva do IRPF com relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; (xiii) erro com relação à multa de ofício; (xiv) como não houve retenção do imposto de renda na fonte pela fonte pagadora, esta irá recolher o imposto reajustando a base, de forma que é como se ela assumisse o imposto devido pelo beneficiário. Em resumo, a recorrente faz os seguintes pedidos: (i) que seja acolhida a preliminar na impugnação inicial de ilegitimidade passiva da recorrente, e por conseguinte, a nulidade "ab initio" do procedimento fiscal contra o mesmo instaurado, consoante elementos jurídicos e jurisprudenciais dissertados na impugnação inicial de primeira instância, determinando o imediato arquivamento do dito procedimento; (ii) que sejam acolhidas, da mesma forma, as preliminares neste recurso ordinário, levandose em consideração os argumentos da impugnação de 1ª instância e a análise acerca do princípio da capacidade contributiva da contribuinte e a progressividade tributária atingindo níveis de confisco ou de cerceamento de outros direito constitucionais, já que dentro desse raciocínio lógico e usando O bom senso em termos de capacidade contributiva a Caixa Econômica Federal é quem deveria se responsabilizar pelo recolhimento desse imposto, considerando o que determina o art. 725 do RIR/99 que declara que, quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue será considerada como liquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o tributo; (iii) caso as preliminares não sejam acolhidas, que se reconheça a não incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida, quer seja por sua natureza indenizatória, quer seja por se tratar de valor recebido em virtude de acordo homologado na Justiça do Trabalho, tendo em vista que a recorrente apenas informou em sua declaração anual de ajuste as informações prestadas pelo Poder Judiciário e confirmadas pela Fonte Pagadora, no caso a Caixa Econômica Federal; (iv) por fim, na remota hipótese do não acolhimento de uma das alternativas acima, tendo em vista que ficou demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. A partir da análise dos documentos constante no presente processo, é possível inferir que os recursos recebidos da Caixa Econômica Federal foram recebidos de forma acumulada em virtude de ação trabalhista, no entanto, não é possível ter certeza quanto à natureza das verbas e tampouco qual o período abrangido pela ação trabalhista. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimação do contribuinte para apresentação da petição inicial da ação trabalhista e das principais decisões do referido processo, assim como para apresentação de informação relativa à natureza detalhada das verbas Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13433.000250/200603 Resolução nº 2301000.658 S2C3T1 Fl. 7 6 recebidas (a fim de se verificar se parte das verbas possui natureza de rendimento isento) e de informação da quantidade de meses em que tais rendimentos deveriam ter sido recebidos de acordo com o regime de competência. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 13016.000431/2004-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.388
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 04 31 /2 00 4- 81 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13016.000431/200481 Acórdão n.º 9303005.388 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.859. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13016.000431/200481 Acórdão n.º 9303005.388 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13016.000431/200481 Acórdão n.º 9303005.388 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13016.000431/200481 Acórdão n.º 9303005.388 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.004606/2006-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO.
1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadram-se na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado.
2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição.
ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Cofins, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003).
ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
É passível de apropriação de crédito da Cofins a aquisição do Óleo Combustível BPF utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção.
INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Cofins.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
1. A opção pela apropriação de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
2. O desconto de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam.
3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Cofins calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o creditamento sobre óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Cofins, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003). ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. É passível de apropriação de crédito da Cofins a aquisição do “Óleo Combustível BPF” utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção. INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 46 06 /2 00 6- 72 Fl. 645DF CARF MF 2 INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Cofins calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A opção pela apropriação de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 2. O desconto de créditos da Cofins sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. 3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Cofins calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o creditamento sobre óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 646 3 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação de débitos da CSLL do mês de maio de 2006, no valor de R$ 4.110.000,00, com saldo crédito de mesmo valor da Cofins não cumulativa, vinculado a operação de exportação, apurado no mês de maio de 2006, conforme discriminado na Declaração de Compensação (DComp) de fls. 3/8. Na referida DComp ainda foi informado crédito disponível para compensação no valor de R$ 7.241.575,50. Com base nas conclusões apresentadas no relatório fiscal e no auto de infração de fls. 289/295, por meio do despacho decisório de fl. 298, foi parcialmente reconhecido o direito creditório, no valor de R$ 1.794.945,62. Em seguida, por intermédio do parecer e despacho decisório de fls. 299/300 a compensação do débito foi homologada até o limite do valor crédito reconhecido. De acordo com o citado relatório fiscal, o reconhecimento parcial do crédito da Cofins do mês de maio de 2006 foi motivado pelas glosas dos créditos a seguir mencionadas: 1) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA (Ficha 06A/06B/02): Os bens glosados foram os seguintes: a) combustíveis e carvão energético utilizados nas caldeiras, para geração de energia térmica, sob a forma de vapor, uma vez que a Lei 11.488/2007, só admitiu créditos na aquisição de energia térmica, a partir de 15/06/2007; b) produtos/bens por não aplicados diretamente no processo produtivo; c) produtos/bens considerados como ativo imobilizado; d) produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; e e) fretes referentes aos produtos/bens glosados. Nas planilhas 10 e 11 (fls. 271/284) encontramse relacionados os tipos de bens e os valores glosados, respectivamente; 2) CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 06A/03): existência de serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento das glosas relacionadas nas planilhas 08 e 09, anexas a informação fiscal. Nas planilhas 08 e 09 (fls. 266/270) encontramse relacionados os tipos de serviços e os valores glosados, respectivamente; 3) BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO (Ficha 06A/06B/10): A empresa utilizou créditos decorrentes da aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado em duas modalidades: a) por aproveitamento do crédito no prazo de 4 (quatro) anos, correspondente a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem (Lei n° 10.833/2003, art 3º, § 14, introduzido pela Lei n° 10.865/2004, art. 21 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004, art. 1º, inciso I do § 2º e art. 2º, § 2º, inciso II do caput). Através dos arquivos magnéticos referentes às aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de Fl. 647DF CARF MF 4 bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias: a.1)Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados a venda. a.2) Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo; b) por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam [...]. Nas planilhas 07C e 07D (fls. 217/255), encontram se discriminados as referidas glosas. Enfim, nas planilhas 12 e 13 (fls. 284/288) foram apresentados os demonstrativos de apuração da Contribuição para o PIS/Cofins do mês de maio de 2006, elaborados pelo contribuinte e pela fiscalização, respectivamente. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada apresentou as razões de defesa, que foram assim resumidas no relatório encartado na acórdão recorrido: a) Foram glosados créditos gerados por bens e serviços empregados como insumos, mais especificamente: Transporte de Rejeitos Industriais, Óleo BPF, Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. Por derradeiro, foram glosados créditos relacionados a despesas ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. b) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e que seriam os bens e serviços que seriam utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, abrangendo mas não se restringindo ao universo das matériasprimas produtos intermediários e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produtos em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também se reputam como insumos empregados na prestação de serviços os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte de rejeitos industriais, óleo BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 647 5 Naturalmente que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril do alumínio produzido e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O óleo BPF, considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, destinase à queima em fornos adequados para a calcinação do hidrato e na geração de vapor nas caldeiras. A fiscalização glosou toda a utilização do BPF, tanto nas caldeiras como para calcinação. Em relação ao Ácido Sulfúrico, descabe glosa já que a fiscalização o está considerando como material de limpeza. O ácido sulfúrico é utilizado para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, limpeza esta fundamental para manter a eficiência de troca térmica e a estabilidade do licor para garantir a produtividade da planta. O ácido usado é utilizado na neutralização de afluentes cáusticos. A fiscalização glosou toda a aquisição deste insumo e frete, inclusive glosando fretes e duplicidade. Já a respeito do Inibidor de Corrosão, utilizado para formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento, insta mencionar que sua ausência no rol das especificações compromete substancialmente a qualidade e quantidade da alumina produzida. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. Transcreve decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos com Ativo Imobilizado, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da Contribuição, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado. Refere solução de consulta. d) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do Fl. 649DF CARF MF 6 outrora denominado Conselho de Contribuintes não tergiversa em rever glosas como as que foram equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos, concluindo que as despesas com remoção de resíduos industriais correspondem a serviços aplicados/consumidos no processo produtivo, os quais também geram créditos dedutíveis das bases de apuração da contribuição, haja vista que representam custos, gastos ou despesas vinculados ao produto ou serviço vendido. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º do art. 6º em questão não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade legal. Refere julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. e) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. A IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na lei ordinária, observada a periodicidade de quatro anos. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, glosou não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 648 7 adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Mandado de Procedimento que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. Logo, não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/20087 (REIDI). f) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçando lhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas Fl. 651DF CARF MF 8 despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o AuditorFiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. g) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 470/487), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a realização de Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 649 9 perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 16/4/2012 (fls. 489/490), a interessada foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 15/5/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 491/546, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Na Sessão de 27 de fevereiro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.394 (fls. 594/603), os então componentes deste Colegiado, converteram o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal, in verbis: a) informe se, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação incentivada (art. 31 lei 11.196 1/ 48 e 1/12), foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03; a.1) em caso negativo, elaborar planilha demonstrando o valor dos créditos a que faria jus a Recorrente, considerandose a Lei 10.833/03, em relação aos bens do ativo imobilizado que entende passíveis de creditamento; b) intime a Recorrente para que esta apresente: Fl. 653DF CARF MF 10 b.1) informações sobre a utilização do produto “inibidor de corrosão”, declarando onde ele é utilizado e qual função desempenha no processo produtivo; b.2) descritivo detalhado dos bens (art. 3º VI da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; c.3) em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entende se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”(art. 3º VII); Reunidas as informações acima requeridas deve a autoridade tecer as considerações que entender pertinentes ao bom deslinde do presente processo, intimando a Recorrente para manifestarse sobre o resultado da diligencia. Em 26/11/2014, por meio do Termo de Início de Diligência de fls. 610/611, a recorrente foi intimada a: 1. Apresentar informações detalhadas sobre a forma de utilização do produto “inibidor de corrosão” dentro do processo produtivo da empresa; 2. Apresentar descritivo detalhado dos bens (art. 3o VI da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; 3. Apresentar, em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entenda se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa (art. 3o VII); Em resposta, a intimada apresentou os seguintes esclarecimentos (fls. 613/617): a) em relação ao produto “inibidor de corrosão”, informou que se tratava “de um produto químico apresentado em forma líquida e utilizado no processo de limpeza química ácida, com objetivo de se evitar desgastes das paredes dos trocadores de calor da área de digestão; b) em relação à descrição detalhada dos bens, após apresentar um breve histórico do processo de expansão das suas atividades industriais e um resumo do seu processo produtivo, a recorrente passou a descrever os investimentos realizados nas 2ª e 3ª expansões do parque fabril e respectivos valores aplicados nas atividades de investimentos indiretos, serviços de obras civis, serviços de montagem de equipamentos e instalações, equipamentos e instalações; e c) em relação aos serviços de manutenção glosados, informou que eles não enquadravam “no conceito de Benfeitorias em Imóveis Próprios ou de Terceiros.” Com base nas informações prestadas pela recorrente, por meio do relatório fiscal de fls. 620/624, a autoridade fiscal opinou pela manutenção integral das glosas, baseadas nos seguintes argumentos relevantes, que seguem transcritos: Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 650 11 1) O produto “Inibidor de Corrosão” era usado somente para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor, em nenhum momento ele é utilizado como “insumo” na produção da alumina, nunca é usado, em qualquer fase do processo produtivo, na mistura que gera o “licor” da bauxita até sua transformação em alumina. Fazendo uma comparação com o cotidiano, seria similar ao “aditivo” usado no radiador do carro para diminuir o efeito corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um mero produto para “limpeza”, não participando efetivamente do processo químico de transformação da bauxita em alumina é que efetuamos a glosa dos créditos para o PIS/COFINS NãoCumulativo desses produtos. 2) Relativamente aos bens do art. 3 VI da Lei 10.833 “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”, que foram glosados pela fiscalização, o sujeito passivo somente transcreveu, de uma forma geral, os aspectos do funcionamento operacional da empresa. Não houve, em relação aos itens glosados, informações específicas sobre a aplicação/destinação de cada item dentro do processo produtivo. Considerando que só foram prestadas informações de forma genérica, é de se manter a glosa efetuada pela fiscalização. 3) Quanto as glosas realizadas nos serviços de manutenção, o sujeito passivo não apresentou elementos que possibilitem sua alteração. Somente foi informado que as mesmas não se enquadram no art. 3o, VII da Lei 10.833. 4) No item "a" das Resoluções citadas, foi levantada a possibilidade, em tese, de aceitarse os créditos oriundos da depreciação normal incidente sobre os Itens que tiveram os encargos da depreciação incentivada (art. 21 da lei 10.865/2004, art. 31 da lei 11.196/05, 1/48 e 1/12) glosados pela fiscalização. Em atendimento ao requerido pelo CARF e considerando que não foram reconhecidos os encargos de depreciação normal quando das glosas, elaboramos diversas planilhas contendo os encargos de depreciação normal incidentes sobre os bens anteriormente glosados. As planilhas geradas com as respectivas taxas de depreciação e data de vigência estão contidas no CD anexo ao presente relatório. Está incluído no CD uma planilha com os bens que consideramos não passíveis de gerarem créditos relativos a encargos de depreciação normal, segue abaixo dados das planilhas: [...] Fl. 655DF CARF MF 12 Embora tenhamos efetuado os cálculos dos encargos de depreciação normal incidentes sobre os itens anteriormente glosados, seguindo as resoluções do CARF, não concordamos com o reconhecimento dos créditos incidentes sobre os citados encargos, conforme colocações abaixo: a) Em todos Demonstrativos de Apurações das Contribuições Sociais (DACONs), entregues pelo sujeito passivo só foram preenchidos os itens referentes a créditos sobre encargos de depreciação com base no “Valor de Aquisição” (leis 10.865/2004, 11.196/2005), Ficha 16 A/10, Ficha 16 B/07, Ficha 06 A/10 e Ficha 06 B/07; b) Os itens referentes às depreciações normais flei 10.833/2003) das referidas fichas, ficaram “em branco”; c) O contribuinte, espertamente, alocou todas aquisições do ativo imobilizado (veículos, maquinas, moveis, ferramentas, edificações...) na lei que lhe seria mais benéfica (dep. incentivada) não tendo qualquer cuidado em separar os bens que estariam beneficiados pelo incentivo dos demais bens sujeitos à depreciação normal; d) Como as leis são bem claras em relação aos bens incentivados, a conduta do sujeito passivo não pode ser considerada “erro de fato” no preenchimento das DACONs; Notas: Não foi concedido o benefício da depreciação incentivada para os outros bens, senão máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado e utilizados na fabricação de produtos destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. A partir de 1°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de: móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12(um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em mícroregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (Lei 11.196/2005, art 31, e Decreto n° 5.988/2006). Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 651 13 e) Como são atos legais distintos e com campos próprios para serem declarados nos DACOIMs, é de se aplicar o art. 832 do RIR/99 que veda a retificação de declaração após iniciado e concluído o processo fiscal de lançamento de ofício; As planilhas referenciadas no presente relatório estão contidas no CD/DVD anexo e foram autenticados e validados através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) que pode ser acessado no site da Receita Federal. (grifos do original) Em 10/3/2015 (fls. 631/633), a recorrente foi regularmente cientificada do citado relatório fiscal, CD com as planilhas e recibo de entrega de arquivos digitais e lhe facultado, no prazo de 20 (vinte) dias, a apresentar manifestação, o que não ocorreu. Na Sessão de 9 de dezembro de 2015, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à glosa de créditos da Cofins do mês de maio de 2006, que resultou no deferimento parcial do valor do crédito informado e, por conseguinte, na homologação parcial do débito compensado. De acordo com relatório fiscal de fls. 289/293, as glosas limitaramse a parte dos créditos apropriados sobre (i) os custos de aquisição de bens e de serviços utilizados como insumos e (ii) os encargos de depreciação acelerada incentivada de bens registrados no ativo imobilizado. 1) Da Definição de Insumos. Em relação as glosas dos créditos calculados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação, as razões jurídicas, de caráter geral, apresentadas pela autoridade fiscal foram as que seguem transcritas: A pessoa jurídica poderá se creditar de aquisições de insumos (bens ou serviços), inclusive combustíveis e lubrificantes efetuadas no mês. Considerase como insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda da propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. De outra parte, para a recorrente, insumo seria não apenas o que incorporado ao produto final a ser comercializado, mas tudo aquilo que concorresse na composição do Fl. 657DF CARF MF 14 processo produtivo desse produto, ou seja, cada um dos elementos imprescindíveis para a produção das mercadorias ou para a prestação dos serviços. Com base nos entendimentos apresentados pela autoridade fiscal e pela recorrente, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance do termo insumo, utilizado no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, que permite a dedução de créditos calculados sobre a aquisição de insumos, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] (grifos não originais) Como o referido diploma legal não há definição de insumo, duas correntes definemno de forma diferente. A primeira, capitaneada pelos integrantes da Administração tributária, considera insumo os bens que se integram ao produto final (matériasprimas e Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 652 15 produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem) e quaisquer outros que sofram alterações, tais como desgaste, desbaste, dano e perda de propriedades físicas ou químicas, em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou viceversa. Essa corresponde, em termos gerais, a definição de insumo prevista na legislação do IPI, especificamente, no veiculada no Parecer Normativo CST 65/1979. A segunda, representada por parte relevante da doutrina, considera insumo de produção os bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento do processo de produção/fabricação da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação (custos), assim como aqueles necessários a manutenção da atividade da pessoa jurídica (despesas), que corresponde a definição custos e despesas da legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo (i) tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, (ii) quanto os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação dos bens aplicados diretamente na produção. Com a ressalva de que insumos e custos são termos que representam a mesma realidade de forma diferente, isto é, enquanto insumos representam os bens materiais ou imateriais (ou serviço), os custos representam a expressão financeira (o valor monetário) despendida na aquisição do respectivo bens. Ambos representam mesma realidade de forma distinta, ou seja, os insumos representam o fluxo físico dos bens, enquanto os custos representam o fluxo financeiro dos mesmos bens. E, no âmbito pessoa jurídica, enquanto o fluxo financeiro é relevante para a contabilidade, o fluxo físico interessa à administração e auditoria do estoque. No entendimento deste Relator, com a devida vênia aos que entendem de forma diferente, essa é a definição que melhor reflete o significado e alcance jurídico do termo insumo, contido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003. E com base nesse entendimento, podese asseverar que, no âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação, que compreendem os insumos diretos de produção. Também são considerados insumos os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo produtivo, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. Por outro lado, não integram a definição de insumo de produção ou fabricação os bens e serviços não aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação. Em outras palavras, todos os bens ou serviços utilizados antes do início ou após a conclusão do processo de produção ou fabricação, que incluem os bens e serviços utilizados (i) na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, compreende às despesas préindustriais, ou (ii) na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, equivalem às despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica (as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc.). Fl. 659DF CARF MF 16 Com base nesse entendimento, passase a analisar as glosas dos créditos apropriados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação pela recorrente, especificamente, aqueles cujos créditos glosados foram objeto de contestação pela recorrente. E para facilitar a abordagem e a sua compreensão, analisarseá os pontos controversos, seguindo a mesma ordem dos tópicos apresentados no referido relatório fiscal. 2) Da Glosa dos Créditos Vinculados aos Bens Utilizados Como Insumos (Ficha 16A/16B/02 do Dacon). Na planilha de nº 10 (fls. 271/281), encontramse relacionados os tipos de bens, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção da alumina, o produto fabricado pela recorrente, cujos créditos foram glosados, a saber: a) Óleo Combustível BPF, utilizado como fonte de energia térmica, na queima em fornos de calcinação e geração de vapor nas caldeiras; b) Ácido Sulfúrico, utilizado na limpeza ácida dos trocadores de calor e neutralização de afluentes líquidos; e c) Inibidor de Corrosão, utilizado no tratamento de água potável e nas tubulações de resfriamento de água, e todos os bens com aplicações similares (antiespumante NALCO, v.g.). No recurso em apreço, de forma genérica, a recorrente alegou que os insumos glosados participavam “efetivamente do processo de industrialização da alumina, passíveis, por conseguinte, de restituição no esteio da não cumulatividade da COFINS”. Para facilitar a análise da controvérsia, revelase de todo oportuno que se tenha uma visão geral do complexo processo de fabricação da alumina, o produto industrializado no estabelecimento fabril da recorrente e destinado à venda parte no mercado interno e o restante no mercado externo. No documento de fls. 70/102, a recorrente assim descreveu o processo de fabricação da alumina, in verbis: Para se extrair a Alumina da Bauxita utilizamos o Processo Bayer desenvolvido, há cerca de 100 anos, pelo Austríaco KARL JOSEPH BAYER. Inicialmente, a Bauxita, misturada com uma solução de Soda Cáustica e Cal é moída formando uma polpa de Bauxita que é préaquecida antes de receber uma nova adição de Soda na qual a Alumina se dissolverá sob certas condições separandose das impurezas. Seguemse as etapas de Decantação, Separação de Lama e Filtração que eliminarão as impurezas remanescentes da Alumina dissolvida, obtemos a solução de Licor Rico em Alumina dissolvida de alta pureza. Em equipamentos chamados Precipitadores, a Alumina da solução de Licor Rico se precipitará através de um processo chamado "Cristalização por Semente", obtendose o Hidrato de Alumina. O Hidrato é, então, classificado, lavado e calcinado, obtendose assim um pó fino branco denominado Alumina, sendo necessário 5 t de bauxita para uma de alumina, em média. Os fluxogramas geral e parcial do processo de produção do referido produto encontramse reproduzido na primeira página do citado documento. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 653 17 De forma específica, a recorrente contestou a glosa dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição do Óleo Combustível BPF, que segundo a fiscalização era utilizado na geração de vapor das caldeiras para o processo e calcinação do hidrato. Não há controvérsia quanto ao fato de que a queima do óleo combustível BPF em fornos de calcinação destinase a produção de energia térmica sob a forma de vapor a ser consumido no processo industrial de produção da alumina, que é produto fabricado pela recorrente, conforme se extrai do excerto extraído do recurso voluntário em apreço, que segue transcrito: Não é admissível glosar a aquisição de um insumo no caso, o óleo combustível/BPF que é diretamente empregado na produção da alumina, com previsão serena e sem restrições na norma regente, pelo só fato de que sua aplicação no processo produtivo específico da alumina ocorre mediante processo havido no interior das caldeiras que resulta em energia a vapor. O fato é que a energia não foi adquirida pela postulante, e sim produzida a partir do insumo verdadeiro óleo combustível/BPF dentro dos equipamentos da refinaria. (grifos não originais) Essa afirmação esclarece que o referido produto não é insumo aplicado direta e imediatamente no processo produtivo da alumina. Ora, se o referido combustível era utilizado para produzir energia térmica, sob a forma de vapor, logo, o insumo diretamente utilizado no processo produtivo era a energia térmica resultante da queima do combustível e não o próprio combustível. De fato, o citado combustível era submetido a processo de combustão nas caldeiras, para fim de geração de energia térmica, sob a forma de valor, que era utilizado no processo produtivo da alumina, conforme demonstrado fluxograma geral do processo de produção colacionado aos autos. Assim, resta demonstrado que não o referido combustível não era utilizado como insumo de produção da alumina, mas do vapor gerado por sua queima nas respectivas caldeiras, que gera a energia térmica utilizada pela recorrente como insumo de produção. Cabe ressaltar, por oportuno, que no período de apuração dos créditos objeto da presente lide, só havia previsão de apropriação de créditos sobre custos na aquisição de energia elétrica. A extensão para a energia térmica somente ocorreu a partir de 15/6/2007, data da vigência da Lei 11.488/2007, que deu nova redação ao art. 3º, III, da Lei 10.833/2003. Acontece que a interpretação da anterior e nova redação do citado preceito legal, leva a conclusão que ele institui o direito de crédito sobre aquisição de energia elétrica, quando ela não é utilizada como insumo produção, ou seja, quando utilizada nas demais atividades do contribuinte. Se caracterizada como insumo de produção, o fundamento do direito de apropriação de crédito encontrase estabelecido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, vigente desde a instituição do regime não cumulativo. Esse é, inclusive, o entendimento da própria administração tributária, que se encontra explicitado Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº 2/2003, cujos excertos pertinentes seguem transcritos: Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep poderão descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, Fl. 661DF CARF MF 18 inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à: I venda; e II prestação de serviços. [...] Art. 3º Para os fatos geradores da contribuição para o PIS/Pasep, na modalidade nãocumulativa, ocorridos em dezembro de 2002 e janeiro de 2003: I a receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica integra a respectiva base de cálculo; II não poderá ser descontado: a) o crédito do PIS/Pasep calculado em relação ao valor da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, exceto quando se tratar de insumo utilizado na forma prevista no art. 1º; e [...] (grifos não originais). Assim, de acordo com a definição de insumo aqui adotado, inequivocamente, o custo de aquisição do referido combustível gera direito a crédito da Cofins. Cabe ainda ressaltar que, embora a recorrente não houvesse contestado, de forma específica, a glosa dos créditos apropriados sobre o custo de aquisição do produto “Inibidor de Corrosão”, por meio referida Resolução, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, para que a recorrente, apresentasse informações detalhadas sobre a forma de utilização do citado produto dentro do processo produtivo da empresa. Em resposta, a recorrente prestou a seguinte informação: “Tratase de um produto químico apresentado em forma líquida e utilizado no processo de limpeza química ácida, com objetivo de se evitar desgastes das paredes dos trocadores de calor da área de digestão.” No item 1 do citado relatório de diligência fiscal, a fiscalização assim descreveu o referido produto, in verbis: 1) O produto "Inibidor de Corrosão" é usado somente para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor, em nenhum momento ele é utilizado como "insumo" na produção da alumina, nunca é usado, em qualquer fase do processo produtivo, na mistura que gera o "licor" da bauxita até sua transformação em alumina. Fazendo uma comparação com o cotidiano, seria similar ao "aditivo" usado no radiador do carro para diminuir o efeito corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um mero produto para "limpeza", não participando efetivamente do processo químico de transformação da bauxita em alumina é que efetuamos a glosa dos créditos para o PIS/COFINS NãoCumulativo desses produtos. (grifos não originais) Como o referido produto é utilizado para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor utilizados no âmbito do processo industrial, diferentemente do que Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 654 19 entendeu a fiscalização, tratase de insumo de produção, portanto, a recorrente faz jus à apropriação dos créditos da contribuição. A mesma conclusão aplicase ao “Ácido Sulfúrico”, utilizado na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes. Com base nessas considerações, por atender ao conceito de insumos, deve ser restabelecidos os valores dos créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. 3) Da Glosa dos Créditos Vinculados aos Serviços Utilizados como Insumos (Ficha 06A/03 do Dacon). Na planilha de nº 08 (fls. 266/268), encontramse relacionados os tipos de serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção da alumina, o produto fabricado pela recorrente, cujos créditos foram glosados. No recurso em apreço, a recorrente limitouse a contestar a glosa dos créditos calculados sobre os serviços de transportes de rejeitos industriais, sob o argumento de que os dispêndios realizados com tais serviços, enquanto vinculados à receita de exportação, gerariam créditos, nos termos do art. 6º, §§ 1º e 3º, da Lei 10.833/2003. Sem razão a recorrente. Os referidos preceitos legais tratam da forma de apuração e utilização dos créditos vinculados às operações de exportação. As situações que a asseguram a apropriação de crédito da Cofins estão especificadas nos incisos I a XI da Lei 10.833/2003. Em julgamentos anteriores, tive a oportunidade de analisar os referidos preceitos legais e chequei ao entendimento de que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são assegurados somente em ralação aos serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo Fl. 663DF CARF MF 20 do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os gastos com os serviços de transporte de rejeitos industriais, inequivocamente, não se enquadram em nenhuma das referidas condições. A uma, porque não são insumos aplicados no processo de produção ou fabricação. A duas, porque não representa serviço de transporte (frete) na operação de venda. Relativamente aos demais serviços, embora não tenha havido contestação, a descrição apresentada na planilha nº 8 revela que tais serviços não estavam relacionados com o processo produtivo da recorrente. Certamente, não foram aplicados na produção da alumina, dentre outros, os serviços de fornecimento de concreto usinado, palestras, manutenção de bicicletas, revisões efetuadas em veículos de passeio e assessoria técnico comercial nas compras de energia elétrica, serviços topográficos diversas áreas da Alunorte, chave de impacto 1, manutenção de elevadores e manutenção de pequenas obras civis. Em atenção ao pedido de informação sobre os serviços de manutenção glosados pela fiscalização feito pelo Colegiado, por meio da Resolução, que converteu o julgamento em diligência, a recorrente informou que os mesmos não se enquadravam no conceito de benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros. Por conseguinte, se tais serviços não atendem os requisitos do art. 3º, VII, da Lei 10.833/2003, não merece reparo a glosa dos referidos serviços realizada pela fiscalização. Com base nessas considerações, deve ser mantida a totalidade das glosas realizadas pela fiscalização. 4) Da Glosa dos Créditos Calculados Sobre Encargos de Depreciação Incentivada de Bens do Ativo Imobilizado (Ficha 06A/06B/10 do Dacon). A fiscalização procedeu a glosa dos créditos calculados sobre os encargos de depreciação incentivada acelerada, previstos no art. 3º, § 14, da Lei 10.833/2003 (4 anos ou 1/48 mensal) e no art. 31, II, da Lei 11.196/2005 (1 ano ou 1/12 mensal). Da glosa dos créditos calculados sobre encargos de depreciação incentivada a taxa 1/48 por mês. O primeiro tipo de glosa referese às aquisições dos bens do Ativo Imobilizado, realizadas no período de maio/2004 a dezembro/2005, por não serem máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B (fls. 103/214). Essa glosa foi dividida em duas categorias: a) máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados à venda; e b) máquinas, equipamentos e outros bens considerados como edificações. Segundo a autoridade fiscal, até 30/11/2005, o referido benefício da depreciação incentivada foi concedido apenas para às máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado, utilizados na fabricação do bem destinado a venda, ficando de fora do benefício a aquisição os móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. E a partir de 1/12/2005, foram também admitidos os créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado, desde que fossem utilizados na produção do bem destinado à venda, continuando fora do benefício a aquisição de móveis, veículos, construção civil e outros bens que não fossem utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 655 21 Os valores dos produtos relacionados na planilha 1 foram glosados porque os bens ali descritos não foram aplicados na produção dos bens destinados à venda, como exige o art. 3º, VI, § 1º, III, combinado com o § 14 da Lei nº 10.833/04. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota materiais elétricos diversos, entre outros. É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. O entendimento da autoridade fiscal está em consonância com disposto no art. 3º, § 14, da Lei 10.833/2003, vigente na data dos fatos, a seguir transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...] § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o Fl. 665DF CARF MF 22 valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Em relação a essa modalidade de glosa, a recorrente se limitou em alegar, de forma genérica, que “os itens qualificados como máquinas foram efetivamente incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção da alumina destinada à venda”. Porém, em relação máquinas incorporadas ao ativo imobilizado e utilizadas na produção do bem destinado à venda, a fiscalização manteve o crédito apropriado pela recorrente. A glosa limitouse aos bens registrados no ativo imobilizado que não foram aplicados na produção do bem destinado à venda, porém, em relação aos referidos bens, discriminados nas citadas planilhas, a recorrente não apresentou qualquer elemento que comprovasse que eles foram utilizados na produção do bem destinado à venda. E a leitura das referidas planilhas revela que assiste razão a fiscalização, pois, na planilha nº 1 estão relacionados equipamentos de informática, móveis e utensílios, ferramentas elétricas, ferramentas diversas, sobressalentes nacionais, instalações provisórias para construção de canteiros, sistema monitor de câmeras da fábrica, equipamentos para restaurante, melhorias para tratamento de efluentes etc. Os valores dos encargos relacionados nas planilhas 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos são edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mão de obra, “diversos materiais para construção civil” etc. E os bens relacionados na planilha 4, constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota materiais elétricos diversos, entre outros. No recurso em apreço, a recorrente apresentou apenas alegações genéricas, sem amparo em qualquer elemento de prova adequado. Em relação a esse ponto, a defesa da recorrente limitouse em transcrever e comentar a legislação sobre apropriação de créditos normais de depreciação, bem como transcrever textos de jurisprudência e de doutrina sem relação com o motivo da glosa dos créditos em apreço, ou seja, o não atendimento dos requisitos para exercer a indevida opção pela apropriação de créditos, calculados sobre os encargos de depreciação incentivada no prazo de 48 meses. Assim, com base nos tipos de bens descritos nas referidas planilhas fica demonstrado que eles não foram aplicados no processo de fabricação da alumina, portanto, deve ser integralmente mantida a glosa realizada. Da glosa dos créditos calculados sobre encargos de depreciação incentivada a taxa 1/12 por mês. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 656 23 O segundo tipo de glosa referese às aquisições dos bens do Ativo Imobilizado, realizadas no período de janeiro a dezembro de 2006. O valor, a descrição dos bens e o motivo da glosa encontramse detalhados na planilha nº 07D (fls. 217/255). O direito ao crédito calculado sobre o valor do encargo de depreciação acelerada (1/12 do custo de aquisição do bem), tratase de benefício fiscal previsto no âmbito do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), destinado às pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras, que somente se aplica às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam, conforme estabelecido art. 31, II, da Lei 11.196/2005 (vigente na época dos fatos), a seguir transcrito: Art. 31. Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos a partir do anocalendário de 2006 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam, terão direito: [...] II ao desconto, no prazo de 12 (doze) meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam o inciso III do § 1odo art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1odo art. 3oda Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado. [...] (grifos não originais). O referido preceito legal foi regulamentado pelo Decreto 5.988/2006, do qual merece destaque o art. 3º, a seguir reproduzido: Art. 3º O direito ao desconto dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS mencionado no inciso II do art. 1º aplicase às máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto nº 5.789, de 25 de maio de 2006, destinados aos projetos de que trata o caput do art. 1o. [...] (grifos não originais). Em conformidade com o citado preceito regulamentar, somente o custo de aquisição das máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Fl. 667DF CARF MF 24 Decreto 5.789/2006, podem ser apropriados como créditos das referidas contribuições, no prazo de 12 (doze) meses contado da aquisição. De acordo com a citada planilha 07D, os motivos da glosa dos créditos em apreço foram os seguintes: a) bens com data de aquisição (emissão nota fiscal) anterior a janeiro de 2006, ou seja, antes do início da vigência do benefício; b) edificações construídas no ano de 2006 e 2007; c) bens do ativo imobilizado e/ou não empregados no processo produtivo; d) bens não relacionados no Decreto 5.789/2006, conforme exige o art. 3º do Decreto 5.988/2006; e) vendas equiparadas a exportação, que não geram direito a crédito. Da análise do conteúdo da referida planilha e com base nos esclarecimentos apresentados no citado relatório fiscal, verificase que, diferentemente do alegado pela recorrente, a autoridade fiscal não só relacionou todos os bens que não atendiam os requisitos legais para gozo do referido beneficio fiscal, como apresentou os motivos das respectivas glosas. Assim, para contraditar os fundamentos da questionada glosa, cabia a recorrente manifestarse, especificamente, em relação aos itens objeto da glosa, bem como apresentar as razões e/ou os elementos probatórios adequados que infirmassem os motivos apresentados pela fiscalização. Porém, não foi o que ocorreu nas duas oportunidades em que a recorrente compareceu aos autos para se defender. Com efeito, da leitura das referidas peças defensivas, especialmente do recurso em apreço, extraise que a recorrente restringiuse em apresentar alegações genéricas, sem amparo em qualquer elemento de prova adequado, assim como em transcrever a legislação instituidora e regulamentadora do citado benefício fiscal, bem como textos de jurisprudência e de doutrina sem relação com a questão objeto da lide. No caso, se a recorrente alegou que os motivos da glosa não tinham procedência, cabialhe o ônus de apresentar e comprovar o alegado equívoco da fiscalização. Ao se limitar a apresentar argumentos meramente teóricos, para contraditar elementos de natureza fática, inequivocamente, a defesa apresentada deixa de ter relevância, por se tratar de uma peça de cunho meramente retórico. Do resultado da diligência fiscal. Em relação a esse tópico, cabe destacar ainda a resposta da autoridade fiscal à indagação formulada na referida Resolução, que determinou a conversão do julgamento em diligência, no sentido de que, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação acelerada incentivada de 1/48 (art. 21 da Lei 10.865/2004) e 1/12 (art. 31 Lei 11.196) do valor de aquisição, não foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03. Mas, atendendo solicitação pelo Colegiado, a autoridade fiscal elaborou as planilhas com os respectivos valores da depreciação normal, que integram o arquivo não paginável anexado ao documento de fl. 662. Embora tenha apurados os valores da depreciação normal, calculados sobre os itens das referidas depreciações incentivadas que foram glosados, em cumprimento a determinação deste Colegiado, a autoridade fiscal manifestou a sua discordância quanto ao reconhecimento dos créditos incidentes sobre os citados encargos depreciação normal, com base nas razões a seguir reproduzidas: a) Em todos Demonstrativos de Apurações das Contribuições Sociais (DACONs), entregues pelo sujeito passivo só foram preenchidos os itens referentes a créditos sobre encargos de Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10280.004606/200672 Acórdão n.º 3302004.595 S3C3T2 Fl. 657 25 depreciação com base no "Valor de Aquisição" (leis 10.865/2004, 11.196/2005), Ficha 16 A/10, Ficha 16 B/07, Ficha 06 A/10 e Ficha 06 B/07; b) Os itens referentes às depreciações normais (lei 10.833/2003) das referidas fichas, ficaram "em branco"; c) O contribuinte, espertamente, alocou todas aquisições do ativo imobilizado (veículos, maquinas, moveis, ferramentas, edificações...) na lei que lhe seria mais benéfica (dep. incentivada) não tendo qualquer cuidado em separar os bens que estariam beneficiados pelo incentivo dos demais bens sujeitos à depreciação normal; d) Como as leis são bem claras em relação aos bens incentivados, a conduta do sujeito passivo não pode ser considerada "erro de fato" no preenchimento das DACONs; Além das pertinentes ponderações apresentadas pela autoridade fiscal, no recurso voluntário em apreço não existe nenhum pedido ou manifestação da recorrente, sequer em caráter alternativo, a respeito do direito de apropriação dos créditos sobre o valor dos encargos de depreciação normal. Diante desta constatação, cabe decidir sobre a seguinte questão: pode este Colegiado conceder, de ofício, parcela de crédito que não foi pleiteada pela recorrente, ainda que houvesse amparo legal para apropriação em momento oportuno? Este Relator entende que não. Não se pode olvidar que a função deste Colegiado limitase a julgar as questões objeto do recurso de ofício e voluntário. Com a ressalva de que apenas as matérias de ordem pública podem ser apreciadas e resolvidas pelo Colegiado, o que não é o caso em tela. Cabe ainda ressaltar que, embora devidamente intimada a apresentar descrição detalhada das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, cujos créditos da depreciação incentivada foram glosados, inclusive, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo, a recorrente limitouse apenas em transcrever, de forma genérica, determinados aspectos do funcionamento operacional da empresa, com destaque para a implantação/ampliação do parque fabril. Com base nessas considerações, propugnase pela manutenção integral das glosas dos créditos apropriados sobre os encargos de depreciação acelerada incentivada, conforme procedeu a fiscalização. 5) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para restabelecer os créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 669DF CARF MF 26 Fl. 670DF CARF MF
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Numero do processo: 12259.000041/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/08/2009
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO PARA AUTUAÇÃO.
O direito da Fazenda Pública de aplicar auto de infração por descumprimento de obrigação acessória tributária se extingue após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autuação poderia ter sido efetuada.
GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. MULTA
Constitui infração por descumprimento de obrigação acessória a omissão, em GFIP, de fatos geradores de contribuições previdenciárias, mesmo que as contribuições tenham sido recolhidas, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa.
Numero da decisão: 2401-004.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arraes Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arraes Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO PARA AUTUAÇÃO. O direito da Fazenda Pública de aplicar auto de infração por descumprimento de obrigação acessória tributária se extingue após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autuação poderia ter sido efetuada. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. MULTA Constitui infração por descumprimento de obrigação acessória a omissão, em GFIP, de fatos geradores de contribuições previdenciárias, mesmo que as contribuições tenham sido recolhidas, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 00 41 /2 00 8- 19 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 12259.000041/200819 Acórdão n.º 2401004.863 S2C4T1 Fl. 249 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arraes Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 12259.000041/200819 Acórdão n.º 2401004.863 S2C4T1 Fl. 250 3 Relatório Tratase de recurso de voluntário interposto por SOENERGY SISTEMAS INTERNACIONAIS DE ENERGIA SA, em face do acórdão de fls. 98, por meio do qual foi mantida a integralidade da multa lançada no Auto de Infração n. 37.111.6368, por ter a recorrente apresentado GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estava sujeita, com fulcro no art. 32, IV, § 5º da Lei nº. 8.212/91. Foram omitidos das guias os seguintes fatos geradores: (i) os valores referentes ao "Programa de Participação", que se refere à Participação nos Lucros do ano de 2001, pagos aos segurados na competência 04/2002, em desacordo com as disposições da Lei 10.101/00. (ii) Pagamento de "Plano de Previdência Privada", creditados aos segurados conforme lançamentos contábeis a débito da conta de despesas "4.2.2.2.012 Plano de Previdência Privada" em desacordo com a legislação; (iii) Pagamentos de contratos de locação de imóveis, contratos de leasing de veículos, despesas de moradia e veículos dos segurados empregados e segurados considerados pela empresa como contribuintes individuais, chamados de Diretores O lançamento compreende as competências de 01/2002 a 07/2002, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 30/11/2007 (fls. 95). Do acórdão de primeira instância depreendese que a multa aplicada foi relevada parcialmente no período de 01/2005 a 03/2007. Em seu recurso sustenta a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento. Acrescenta que o auto de infração deve ser tornado nulo em razão de que os lançamentos referentes às obrigações principais foram julgados integralmente improcedentes pela mesma delegacia que contraditoriamente manteve o presente lançamento. Primeiramente, esta e. turma determinou a conversão do presente processo em diligência para que fosse identificado qual o processo administrativo que continha o lançamento principal. Todavia, tal diligência não veio a ser cumprida. Posteriormente, esta mesma turma, em 10 de março ed 2015, novamente converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº. 2401000.453 (fls. 213/215), com a seguinte determinação: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 12259.000041/200819 Acórdão n.º 2401004.863 S2C4T1 Fl. 251 4 No cumprimento da referida diligência, vemos que foi proferido o despacho de fls. 243, nos seguintes termos: E às fls. 217/242 foram juntadas as informações referentes às NFLDs 371116333, 371116341 e 371116350, julgadas improcedentes pela DRJ e posteriormente arquivadas, e a NFLD 371116376, baixada por liquidação. Retornaram os autos a este. e. Conselho e foram distribuídos a este relator. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 12259.000041/200819 Acórdão n.º 2401004.863 S2C4T1 Fl. 252 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Primeiramente, destaquese não estarmos diante do julgamento de lançamento de um crédito tributário decorrente de obrigação acessória que é julgado conjuntamente com a obrigação principal e que terá seu resultado diretamente vinculado ao decidido quanto às obrigações principais. Dessa forma, no presente caso, a situação é distinta. Julgados anteriormentes, os AI de obrigação principal foram julgados improcedentes, posto que os lançamentos foram afastado pela decadência e, uma das NFLDs, foi extinta por pagamento. Resta inconteste que a obrigação principal não mais subsiste, parte pela decadência, parte pelo pagamento. Neste cenário, deve ainda subsistir o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória que não fora atingida pela decadência? Para isso, analisemos o que dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifamos) Nos termos do referido § 2º, a regra do Código Tributário Nacional é a de que as obrigações acessórias tem por objeto prestações positivas ou negativas "no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos". Não há dúvidas de que no presente momento, do julgamento, não subsiste interesse da administração tributária na arrecadação tributária daquelas competências acima mencionadas, bem como da fiscalização das mesmas. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 12259.000041/200819 Acórdão n.º 2401004.863 S2C4T1 Fl. 253 6 Importante observar que o próprio CTN disciplina as exceções a regra acima exposta, quando delimita os casos em que a extinção ou suspensão da exigibilidade do crédito tributário não afetam o cumprimento das obrigações acessórias: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Ora, é nítido o caráter de instrumentalidade das obrigações acessórias, a fim de atingir o objetivo principal da administração tributária, ou melhor, os objetivos, quais sejam: a arrecadação e a fiscalização. No presente caso, não se trata de nenhuma das hipóteses de exceção acima mencionadas (suspensão de exigibilidade ou exclusão por isenção e/ou anistia), razão pela qual a obrigação acessória deve ser tratada pela regra geral prevista no § 2º do art. 113 já reproduzido. Isto posto, entendo que não mais subsistindo a exigência da obrigação principal, deve ser afastada a aplicação da multa por descumprimento da obrigação acessória relacionada a ausência de informações nos documentos transmitidos às autoridades fiscais. Ademais, ressaltese que tal entendimento não afronta a legislação que consubstancia o Auto de Infração: Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em Fl. 253DF CARF MF Processo nº 12259.000041/200819 Acórdão n.º 2401004.863 S2C4T1 Fl. 254 7 regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Assim, não subsistindo obrigação principal, não há interesse da administração tributária, tampouco há crédito tributário ou interesse em fiscalização, razão pela qual, nos termos do § 2º do art. 113 do CTN. CONCLUSÃO Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 254DF CARF MF Processo nº 12259.000041/200819 Acórdão n.º 2401004.863 S2C4T1 Fl. 255 8 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto ao afastamento da multa em razão da não subsistência da obrigação principal. A multa consignada no presente Auto de Infração (DEBCAD 37.111.6368), fl. 3, foi lavrada em razão da empresa ter deixado de informar em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) bases de cálculo de contribuição previdenciária, as quais foram lançadas nas seguintes Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLDs): NFLD 37.111.6341 Previdência Privada paga em desacordo com o disposto na Lei 8212/91, art. 28, § 9ª, alínea "p", haja vista não ter sido disponibilizada à totalidade dos empregados e dirigentes. Período: 01/2002 a 04/2002 NFLD 37.111.6350 Pagamento de despesas de empregados e contribuintes individuais com veículos e imóveis, não enquadráveis nas isenções previstas na Lei 8.212/91. Período: 01/2002 a 07/2002 NFLD 37.111.6333 Pagamento de PLR em desacordo com a Lei 10.101/00, uma vez que não foi objeto de negociação entre a empresa e seus empregados mediante comissão escolhida pelas partes ou por meio de convenção ou acordo coletivo fixando regras claras e objetivas quanto aos direitos substantivos da participação. Período: 04/2002 a 04/2002 Em julgamento das impugnações apresentadas em face dessas NFLDs, o qual foi realizado em 13/11/08, concluiuse pela decadência dos créditos lançados, tendo em vista a existência de pagamento antecipado e a regra prevista no Código Tributário Nacional (CTN), art. 150, § 4º, pois o prazo de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador, se encerrou em 30/04/02 e 31/07/02, porém, o lançamento ocorreu somente em 22/11/07. O DEBCAD 37.111.6376, por sua vez, ao contrário do que consta no Voto do Relator, não corresponde a uma NFLD, mas sim a um Auto de Infração (AI), lavrado por descumprimento de obrigação acessória, o qual foi baixado por liquidação (pagamento), conforme tela do SICOB de fl. 241. Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente não rebate as razões de decidir adotadas pela decisão de primeira instância ao manter a presente autuação, mas se limita a alegar decadência com base no CTN, art. 150, § 4º, e o fato das NFLDs terem sido julgadas improcedentes, o que teria tornado a presente autuação improcedente também, por incidir sobre crédito extinto. Pois bem, vejamos, primeiramente, se o Auto de Infração, em análise, encontrase atingido pela decadência. Antes de considerações outras, cabe observar que a regra do CTN, art. 150, § 4º, aplicada ao lançamento das obrigações principais, diz respeito a lançamento por Fl. 255DF CARF MF Processo nº 12259.000041/200819 Acórdão n.º 2401004.863 S2C4T1 Fl. 256 9 homologação, sendo que, no caso de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, o lançamento é de ofício, motivo pelo qual deve ser aplicada a regra do CTN, art. 173, inciso I, contandose o prazo de 5 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, considerando que o descumprimento da obrigação acessória, em comento, ocorreu nas competências de 01/2002 a 07/2002, temse que o lustro decadencial, iniciado em 1º/1/03, se consumaria em 1º/1/08. Sendo assim, como a lavratura do Auto de Infração ocorreu em 22/11/07, não restou atingido pela decadência. Agora, quanto à alegação do Recorrente de que o presente Auto de Infração deveria ser julgado improcedente, haja vista a extinção do crédito das obrigações principais, posição essa, inclusive, acatada pelo Relator, não vemos como manter tal entendimento. Se as NFLDs tivessem sido canceladas, no julgamento de primeira instância, sob o fundamento de que os valores omitidos em GFIP não estavam sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias, obviamente, não faria sentido manter a autuação pela omissão de tais valores em GFIP, porém, não é o que ocorre no presente caso. Conforme consignado na decisão a quo, fls. 110 a 117, as bases de cálculo omitidas deveriam, sim, ter sido informadas em GFIP, visto não atenderem às regras de isenção previstas na legislação de regência. Vejamos, então, a regra contida na Lei 8.212/91, a respeito da obrigação acessória sob foco, em sua redação vigente ao tempo dos fatos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; [...] § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo Fl. 256DF CARF MF Processo nº 12259.000041/200819 Acórdão n.º 2401004.863 S2C4T1 Fl. 257 10 § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Ora, tendo o contribuinte descumprido a regra prevista no inciso IV, a consequência é a pena administrativa de multa prevista no § 5º, a qual deve ser aplicada pela fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do CTN, art. 142, parágrafo único. Insta destacar que a GFIP não é um documento de interesse somente da Administração Tributária, mas também da Administração Previdenciária, pois são as informações prestadas por meio desse documento que irão alimentar a base de dados da Previdência Social com relação aos seus segurados. Portanto, não estando extinto o direito da Fazenda Pública de aplicar a penalidade administrativa, em razão da decadência, e tendo o contribuinte descumprido a Lei 8.212/91, art. 32, inciso IV, não resta outra alternativa senão manter a multa aplicada. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904402/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa:
EMBARGOS. VÍCIOS ENTRE A DECISÃO E SEUS FUNDAMENTOS. Embargos acolhidos para sanar os vícios apontados no voto condutor, de modo a retificar o quanto decidido no acórdão proferido.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. JUROS DE MORA. Para se valer do benefício da denúncia espontânea é necessário o adimplemento do débito, acompanhado do pagamento dos juros de mora quando o referido débito estiver vencido, conforme preceitua o artigo 138 do CTN.
Numero da decisão: 1301-002.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar os vícios apontados, com efeitos infringentes, e retificar o decidido no acórdão 1802-002.141, negando-se provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Ementa: EMBARGOS. VÍCIOS ENTRE A DECISÃO E SEUS FUNDAMENTOS. Embargos acolhidos para sanar os vícios apontados no voto condutor, de modo a retificar o quanto decidido no acórdão proferido. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. JUROS DE MORA. Para se valer do benefício da denúncia espontânea é necessário o adimplemento do débito, acompanhado do pagamento dos juros de mora quando o referido débito estiver vencido, conforme preceitua o artigo 138 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar os vícios apontados, com efeitos infringentes, e retificar o decidido no acórdão 1802-002.141, negando-se provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: EMBARGOS. VÍCIOS ENTRE A DECISÃO E SEUS FUNDAMENTOS. Embargos acolhidos para sanar os vícios apontados no voto condutor, de modo a retificar o quanto decidido no acórdão proferido. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. JUROS DE MORA. Para se valer do benefício da denúncia espontânea é necessário o adimplemento do débito, acompanhado do pagamento dos juros de mora quando o referido débito estiver vencido, conforme preceitua o artigo 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para sanar os vícios apontados, com efeitos infringentes, e retificar o decidido no acórdão 1802002.141, negandose provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 44 02 /2 00 9- 46 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1301002.597 S1C3T1 Fl. 82 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação DCOMP retificadora nº 33541.43600.101007.1.7.030577 (fls. 10/17), e DCOMP originais nº 14967.41556.101104.1.3.037032 (fls. 18/21) e nº 21614.49514.040205.1.3.038801 (fls. 22/25), nas quais são informadas compensação de débitos 248401 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ e CSLL com base em estimativa mensal, de 01, 02, 03, 07, 08, 09, 10/2004, com direito creditório de saldo negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 2004, nos valores originais requeridos de R$ 3.760,81 e R$ 3.281,85 e R$ 772,48, respectivamente. A DRF, por meio de Despacho Decisório nº 834761263 (fls. 23/30) ao analisar as informações prestadas nas três DCOMPs mencionadas e ainda uma quarta de nº 25282.94488.130804.1.3.038500, na qual o contribuinte pleiteou o mesmo direito creditório, e reconheceu como existente o total dos créditos pleiteados de R$ 12.129,23, acabou por homologar as compensações declaradas nas DCOMPs de nº 25282.94488.130804.1.3.038500 e nº 33541.43600.101007.1.7.030577, bem como homologar em parte a DCOMP de nº 14967.41556.101104.1.3.037032 e não homologar a DCOMP de nº 21614.49514.040205.1.3.038801, vez que entendeu ser insuficiente o crédito pleiteado. Isso porque, a insuficiência se deu em razão do contribuinte apurar saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/05/2009, no valor do principal de R$ 1.143,39 (R$ 256,04 do período de apuração 09/2004 e R$ 887,35 de 10/2004), acrescido de multa e juros de mora. Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/5), rebatendo os motivos que levaram à homologação parcial e a não homologação do crédito pleiteado, conforme se depreende à fl. 43 do relatório proferido pela 2ª Turma da DRJ/CTA: "4. Descreve como apurou SN CSLL em 31/12/2003, no montante de R$ 12.129,23, resultante e que, à medida que venciam as datas de recolhimento das estimativas mensais de CSLL de 2004, aquele SN CSLL, devidamente utilizado, foi sendo utilizado nas compensações conforme a tabela à pág. 4, onde demonstra que as estimativas mensais de CSLL no total de R$ 15.868,38 devidas no anocalendário 2004, foram compensadas, no total de R$ 12.953,12, com aquele crédito de R$ 12.129,23 e R$ 3.181,58 foram recolhidas via Darf, restando dessa maneira saldo credor de R$ 266,62, cuja devolução não pleiteia no momento. 5. Com isso demonstra que não mais remanescem quaisquer débitos de estimativas do anocalendário 2004 a serem exigidos, descabendo a cobrança constante do Despacho Decisório." A 2ª Turma da DRJ/CTA, por meio do acórdão nº 0637.011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o entendimento exarado no despacho decisório, conforme sintetiza a Ementa da decisão, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004, 31/10/2004 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1301002.597 S1C3T1 Fl. 83 3 PER/DCOMP ELETRÔNICO HOMOLOGADO EM PARTE. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL RECONHECIDO. CRÉDITO INSUFICIENTE. Correta a homologação em parte da compensação se o crédito pleiteado, embora reconhecido, não foi suficiente para extinguir todos os débitos. DÉBITOS. MULTA E JUROS DE MORA. DATA DA EXTINÇÃO. DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação, que corresponde à data da extinção do débito pela compensação, se homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Contra esta decisão, foi interposto Recurso Voluntário, ao qual foi dado, por unanimidade de votos, parcial provimento ao recurso voluntário, por meio do acórdão n° 1802 002.141, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. REQUISITOS. O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, preenchendo assim os requisitos de liquidez e certeza do crédito tributário, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dandose conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, abrangendose também a compensação, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ. Contra decisão, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (69/72), em que se alega omissão e contradição no acórdão embargado, nos seguintes termos: Nessa esteira, cumpre voltar a atenção para o disposto no art. 138 do CTN. Segundo esse dispositivo, inclusive transcrito pela decisão recorrida, “A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração”. Pelo teor dos documentos acostados aos autos (Dcomp) e pelo próprio teor da decisão ora embargada fica claro que, em que pese tenha sido invocado o disposto Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1301002.597 S1C3T1 Fl. 84 4 no art. 138 do CTN pela r. decisão, o contribuinte interessado não efetuou o recolhimento dos tributos devidos com os juros moratórios. Claro está que todos os débitos cuja quitação pretendia o contribuinte interessado o encontro de contas por meio da DCOMP já se encontravam em atraso na data do envio desse instrumento. Logo, ainda que admitida a tese da decisão embargada, o que se admite apenas para argumentar, no sentido de que “sobre os débitos constituídos no 3° trimestre de 2004, objetos da DCOMP em análise de n° 14967.41556.101104.1.3.037032, não deve incidir a multa, eis que estão alcançados pela benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, por ter o contribuinte “quitado” o débito assim que supostamente soube de sua existência, antes mesmo de declarálo em obrigação acessória pertinente”, cabe observar que não se demonstrou a realização do pressuposto para a incidência do instituto da denúncia espontânea conforme previsto pelo CTN em seu art. 138, pois não se verificou o “pagamento do tributo devido e dos juros de mora”. O artigo 138 do CTN, como visto, exige para os efeitos ali previstos, que o contribuinte proceda ao recolhimento do tributo e dos juros de mora. A decisão embargada cita essa norma em sua fundamentação. Nada obstante, entendeu que caberia no caso a denúncia espontânea para exonerar a multa moratória sobre os débitos constantes da DCOMP relativos ao 3° trimestre de 2004. Daí a contradição apontada. Assim, em que pese fundamentar sua conclusão no art. 138 do CTN, o Colegiado a quo contraria essa norma que exige, para sua incidência que tenha ocorrido o recolhimento dos juros devidos, sem o quê não se verifica a denúncia espontânea ali prevista. E mais, resta evidenciado também o vício da omissão, pois o Colegiado nada arguiu a respeito dos juros de mora. Se seriam devidos ou não e, nesse último caso, sob qual fundamento. Portanto, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Outrossim, prequestionamse as matérias aqui tratadas, uma vez que não foram objeto de análise expressa pelo Colegiado, a fim de que a Fazenda Nacional possa interpor recurso, se cabível. Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que os presentes embargos de declaração sejam recebidos e providos, sanandose os vícios acima apontados, bem como prequestionar as matérias que não foram objeto de análise expressa no acórdão embargado. Em despacho às fls. 77/80, os embargos foram admitidos com amparo nas disposições do no artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1301002.597 S1C3T1 Fl. 85 5 Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Primeiramente, impende destacar que os embargos de declaração são cabíveis quando for constatada obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou caso seja omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, nos termos do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno. Os embargos de declaração são tempestivos, portanto, deles conheço. Feitas essas considerações iniciais, passase à análise dos argumentos aduzidos pela Embargante. A obscuridade/contradição/omissão aduzida pela Embargante foi posta de forma objetiva. A omissão reside no fato que não houve menção na decisão embargada sobre a incidência ou não dos juros de mora em razão da denúncia espontânea realizada pelo contribuinte. Isso porque, conforme o art. 138 do CTN, para o contribuinte se aproveitar das benesses da denúncia espontânea, isto é, afastar a incidência da multa, é necessária, contudo, a verificação do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Disto decorre a contradição na decisão embargada à medida que houve a exoneração da multa moratório sobre os débitos relativos ao 3º trimestre de 2004, sem o devido apontamento do recolhimento do tributo e dos juros de mora para fundamentar seu entendimento na aplicação da denúncia espontânea, com base no art. 138 do CTN. A obscuridade, por sua vez, se revela na falta de clareza na redação do julgado, não sendo possível a exata compreensão do fundamento de direito que afastasse os juros de mora quando da aplicação da denúncia espontânea. Pois bem, o cerne da questão se baseia no fato de que a decisão embargada se limitou a concluir que os débitos constituídos no 3° trimestre de 2004, objetos da DCOMP em análise de n° 14967.41556.101104.1.3.037032, não deve incidir a multa, em virtude da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN,"por ter o contribuinte “quitado” o débito assim que supostamente soube de sua existência, antes mesmo de declarálo em obrigação acessória pertinente". Todavia, em oposição à decisão, a Embargante pontua que, para que se faça jus à denúncia espontânea, é necessário que haja o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, constatando que, no caso concreto, o contribuinte não efetuou o recolhimento do tributos devido com os juros moratórios. Isso pois, o débito cuja quitação pretendia o contribuinte com o encontro de contas por meio da DCOMP já se encontrava em atraso na data do envio da referida DCOMP, em 10/11/2004 (fls. 10/25), conforme tabela a seguir: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1301002.597 S1C3T1 Fl. 86 6 Adiante, argumenta que ainda que seja considerada a DCOMP como fator de quitação do referido débito, o pagamento dos juros de mora ainda restaria pendente, o que inviabilizaria a aplicação da denúncia espontânea no caso concreto. Vejamos. A denúncia espontânea de infrações é um instituto que afasta a aplicação de multas quando o contribuinte paga e confessa sua dívida antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Com efeito, verificase que a denúncia espontânea se constitui na declaração prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária de que havia cometido um ilícito tributário, mas que, em razão de seu arrependimento, procedese, de forma espontânea, a realização da referida obrigação, com os encargos que lhes são devidos, situação na qual o Fisco restará impedido de lhe aplicar tais sanções. Nesse sentido, a denúncia espontânea evita que o fato moratório seja constituído pela autoridade administrativa, ou seja, impede a constituição, de norma individual e concreta, do descumprimento de um dever, o que ocasionaria a implicação das multas. Para, no entanto, gozar de tal benesse, o sujeito passivo deve pagar o tributo devido e os juros de mora. Nesse ponto, como o débito já constava vencido quando da emissão da DCOMP, é devido o juros de mora, conforme determina o art. 161 do CTN, in verbis: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." Desse modo, considerando que a época em que a Embargante apresentou a DCOMP os seus débitos estavam vencidos, os juros de mora são devidos. Assim, constatando o não pagamento dos mesmos, não há de se falar em denúncia espontânea, no presente caso, conforme preceitua o artigo 138 do CTN, como entendeu a decisão embargada. Ante todo o exposto, acolho os embargos e, no mérito, doulhes provimento para sanar a obscuridade apontada, com efeitos infringentes, a fim de afastar a denúncia espontânea sobre os débitos constituídos no 3º trimestre de 2004, objetos da DCOMP nº 14967.41556.101104.1.3.037032, negandose provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10950.904402/200946 Acórdão n.º 1301002.597 S1C3T1 Fl. 87 7 Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.905770/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 70 /2 01 2- 45 Fl. 285DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 24.720,34. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.482, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13603.905770/201245 Acórdão n.º 3401003.931 S3C4T1 Fl. 274 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 287DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13603.905770/201245 Acórdão n.º 3401003.931 S3C4T1 Fl. 275 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 289DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13603.905770/201245 Acórdão n.º 3401003.931 S3C4T1 Fl. 276 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 291DF CARF MF
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