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Numero do processo: 19515.004803/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA.
A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS.
As contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitam-se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEITO PASSIVO. RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições sociais dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado conforme previsto no art. 30, I, a, da Lei 8.212/91 e art. 4º da Lei 10.666/03.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB.
Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, a, do RPS.
Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, g, do RPS.
Uma vez mantido o lançamento da obrigação principal (contribuições dos segurados), é de rigor a manutenção da multa.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS.
A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91)
Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de Outras Despesas Financeiras.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, a multa exigida com base no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, em razão da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deverá ser comparada com a nova penalidade trazida pela alteração legislativa promovida pela Lei nº 11.941/09, a fim de que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte
Neste sentido, a autoridade preparadora deve aplicar, no que for cabível, as disposições constantes dos artigos 476 e 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/09.
Numero da decisão: 2201-003.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento em maior extensão.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitam-se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEITO PASSIVO. RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições sociais dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado conforme previsto no art. 30, I, a, da Lei 8.212/91 e art. 4º da Lei 10.666/03. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, a, do RPS. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, g, do RPS. Uma vez mantido o lançamento da obrigação principal (contribuições dos segurados), é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS. A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91) Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de Outras Despesas Financeiras. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, a multa exigida com base no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, em razão da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deverá ser comparada com a nova penalidade trazida pela alteração legislativa promovida pela Lei nº 11.941/09, a fim de que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte Neste sentido, a autoridade preparadora deve aplicar, no que for cabível, as disposições constantes dos artigos 476 e 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/09.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 03 /2 00 9- 16 Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.129 2 A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEITO PASSIVO. RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições sociais dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado conforme previsto no art. 30, I, “a”, da Lei 8.212/91 e art. 4º da Lei 10.666/03. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, “a”, do RPS. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração à lei previdenciária passível de multa, nos termos do art. 283, I, “g”, do RPS. Uma vez mantido o lançamento da obrigação principal (contribuições dos segurados), é de rigor a manutenção da multa. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.130 3 Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS. A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91) Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de “Outras Despesas Financeiras”. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN, a multa exigida com base no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, em razão da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deverá ser comparada com a nova penalidade trazida pela alteração legislativa promovida pela Lei nº 11.941/09, a fim de que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte Neste sentido, a autoridade preparadora deve aplicar, no que for cabível, as disposições constantes dos artigos 476 e 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que davam provimento em maior extensão. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 09/08/2017 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.131 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 327/349, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 306/322, que julgou procedente o lançamento de contribuição patronal e dos benefícios em razão da incapacidade laborativa – RAT incidentes sobre as remunerações dos empregados, pois constatado que a RECORRENTE deixou de lançar em GFIP verbas salariais identificadas nas contas contábeis de “Despesas” e “Custos”, conforme auto de infração de fls. 2/15 dos autos (DEBCAD 37.214.8034), lavrado em 05/11/2009, relativo às competências de 01/2004 a 12/2004, com ciência da RECORRENTE em 11/11/2009 (fl. 02). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 725.050,63, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de mora no percentual de 24%, aplicada em todas as competências exceto nas de 09/2004 e 10/2004, em que a autoridade lançadora verificou ser mais benéfica a aplicação da multa de 75%, conforme será detalhado adiante. De acordo com o Relatório do Auto de Infração de fls. 72/81, quando da análise da documentação apresentada pela RECORRENTE, mais precisamente, nos arquivos digitais apresentados (balancetes e Livros Diário e Razão), a autoridade fiscal verificou que, durante o anocalendário 2004, parte dos valores pagos a empregados (constantes em contas de “despesas” e “custos” na contabilidade da RECORRENTE) não foi declarada nas Folhas de Pagamentos e nas GFIP mensais, deixando de integrar a base de cálculo das contribuições sociais. A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 133/154 em 09/12/2009. Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 306/322, julgou procedente o lançamento. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: “2. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 71/80), (...) a Autoridade Fiscal constatou que parte dos valores pagos a empregados não foi declarada nas Folhas de Pagamentos e nas GFIP mensais, deixando, por conseguinte, de integrar a base de cálculo das contribuições sociais. 2.1. O Anexo I (fls. 81) [fl. 82 após renumeração] discrimina as contas de despesas de pessoal apuradas na contabilidade da Impugnante, correspondendo às contas que contêm valores que deveriam integrar a base de cálculo das contribuições sociais. 2.1. O Anexo II (fls. 82/86) [fls. 83/87 após renumeração] discrimina os valores de remuneração de pessoal contabilizada Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.132 5 pela Impugnante em contas de custos diversos, valores estes que deveriam integrar a base de cálculo das contribuições sociais. 3. O citado relatório fiscal informa ainda: 3.1. O Contribuinte foi cientificado, por meio do Termo de Início da Ação Fiscal e 3 (três) Termos de Intimação Fiscal, a apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários à identificação das verbas registradas em diversas contas contábeis. A recusa em apresentar parte dos esclarecimentos solicitados motivou a lavratura do Termo de Constatação Fiscal 001, de 21/09/2009 (intimação por AR Aviso de Recebimento RK124347906BR). 3.2. A base de cálculo deste levantamento foi obtida através do somatório de todos os pagamentos contabilizados como Despesas e Custos com pessoal, com incidência de contribuições Previdenciárias, conforme relação de fls. 73 [fl. 74 após renumeração]. 3.3. O Anexo III (fls. 87) [fl. 88 após renumeração] discrimina as contas de "Despesas" e "Custos" que foram incluídas pela Empresa em suas Folhas de Pagamento e aquelas que não foram incluídas. Essas últimas foram consideradas salário de contribuição e base de cálculo das contribuições previdenciárias incluídas nos lançamentos efetivados nesta ação fiscal. 3.4. A Autoridade Fiscal confirma que a Autuada efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração declarada em GFIP, não tendo recolhido, no entanto, as contribuições incidentes sobre as verbas que não foram declaradas em GFIP e que integram este lançamento. 3.5. Foi efetuada a comparação entre as multas vigentes à época dos fatos geradores com a legislação atual para efeito da previsão de retroação benéfica da penalidade menos gravosa (art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN), conforme detalhado no Anexo IV (fls. 88) [fl. 89 após renumeração]. Como resultado, foram aplicadas as seguintes multas: 3.5.1. Para as competências 01/2004 a 08/2004 e 11/2004 a 12/2004, a multa de mora prevista no art. 35, inciso II, alínea "b" da Lei n° 8.212/91 (incluída nesta autuação [DEBCAD 37.214.8034]) e a multa punitiva prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, e nos artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91 (incluída na autuação n° 37.214.8026), conforme legislação vigente à época dos fatos geradores. As contribuições apuradas nessas competências foram incluídas nos Levantamentos CUS (Custos com Mão de Obra) e DES (Despesas de Pessoal). 3.5.2. Para as competências 09/2004 e 10/2004, a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da lei n° 9.430, de 27/12/1996, incluída nas autuações n° 37.214.8034 e 37.214.8042 devido à aplicação da retroação benigna da multa prevista no art. 35A da Lei 8.212/91 incluído pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09. As contribuições apuradas nessas competências Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.133 6 foram incluídas nos Levantamentos Zl (Custos com Mão de Obra) e Z2 (Despesas de Pessoal), devido à aplicação da multa mais benéfica diferenciada. 3.6. A não declaração em GFIP em conjunto com o não recolhimento da contribuição respectiva apurada neste lançamento fiscal, motivou a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais, pela prática, em tese, das condutas tipificadas no do art. 337A, inciso I, do Código Penal. (...) IMPUGNAÇÃO de 09/12/2009 (fls. 132/153) [fls. 133/154 após renumeração] 7. Dentro do prazo regulamentar (conforme fls. 301), o contribuinte impugnou a autuação por meio do instrumento de fls. 132/153, acompanhado dos documentos de fls. 154/299 (cópia de Alteração de Contrato Social e Consolidação; Folhas de Pagamentos; relação de Notas Fiscais e cópias), alegando, em síntese, o que segue: 7.1. Alega que j á havia informado em GFIP o salário de contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. 7.2. Ressalta que o Auditor Fiscal não esclareceu a natureza dos levantamentos com código Z l , Z2, CUS e DES. Também, afirma que a "Tabela 3" não esclarece quais as rubricas que estão sendo consideradas dentro ou fora do salário de contribuição. 7.3. Alega que não foi requerida a apresentação de todos os documentos, sendo que grande parte dos pagamentos foram realizados a pessoas jurídicas, informadas em DIRF e com retenção do Imposto de Renda na Fonte, inclusive com relação a comissões. 7.4. Afirma que foram incluídos na base de cálculo das contribuições lançadas valores referentes a verbas indenizatórias, perfeitamente identificadas na escrituração contábil, a exemplo das contas 67110206, 671120207, 65210206, 61120207, 64120207, 67110205, 61120205 e 64120205. 7.5. O Contribuinte repudia a inclusão de valores lançados como Provisão para Contingências, que foram objeto de adição no LALUR, e dos valores contabilizados nas contas 541001 e 541002 referentes a reembolso de despesas. 7.6. Enumera diversos pagamentos realizados a pessoas jurídicas e afirma terem sido incluídos na base de cálculo da presente Autuação. 7.7. Alega a ocorrência da decadência do Fisco para lançar contribuições sociais devidas nas competências 01/2004 a 09/2004, considerando a data de lançamento em 11/11/2009 e o teor do art. 150, § 4º, do CTN. Colaciona Acórdãos da DRJ/SP1 Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.134 7 e do CARF e alega, em complemento, que o teor do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008 indicaria a aplicação do citado art. 150, § 4º, nas hipóteses de pagamento antecipado e que o próprio Auditor Fiscal notificante teria reconhecido que o Contribuinte havia efetuado a declaração de débito em GFIP e seu respectivo pagamento. 7.8. Por fim, requer o Contribuinte a realização de diligência para a apuração dos reais beneficiários dos pagamentos em relação ao período não decadente.” Conforme já exposto, a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO D A EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF. INOCORRÊNCIA. A exigibilidade das obrigações acessórias decorre do interesse da fiscalização, razão pela qual, em face da inconstitucionalidade do artigo 45, da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF n° 08, aplicase às mesmas o disposto no Código Tributário Nacional. No caso de lançamento de ofício referente a obrigação principal, aplicase o prazo decadencial estipulado no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN). De acordo com a legislação vigente à época da autuação, a alíquota da multa moratória referente à obrigação principal será definida no momento do pagamento, ocasião em que deverá ser realizado o confronto entre as multas aplicáveis de acordo com a legislação vigente à época do lançamento e a atual, para a fixação daquela menos severa ao contribuinte. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.135 8 PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Indeferese o pedido de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da leitura da ementa acima, percebese que a autoridade julgadora ressaltou o dever da unidade preparadora novamente observar a multa mais benéfica a ser aplicada ao caso concreto quando do pagamento do crédito pela RECORRENTE. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 24/03/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 325, apresentou o recurso voluntário de fls. 327/349 em 25/04/2011. Em suas razões, praticamente reiterou os argumentos da Impugnação. Acrescentou apenas que o Acórdão recorrido é dúbio, na medida que o item 10.4 do voto aponta o seguinte: “pelos motivos expostos, a Autoridade Fiscal considerou os lançamentos realizados nas contas relacionadas no Anexo II (fls. 87) como parcelas integrantes do salário de contribuição, tendo em vista os nomes das contas (comissões, descanso semanal remunerado sobre comissões, remuneração diretoria, etc) e os históricos dos registros contábeis que, embora insuficientes para a perfeita identificação da origem dos lançamentos, apresentam relação com pagamentos de salários”. Defendeu que, no caso especifico, o auditor fiscal sequer solicitou, ainda que por amostragem, a apresentação dos documentos que nortearam os lançamentos. Assim, alegou que não houve a busca pela verdade material. Ademais, a RECORRENTE solicitou que o presente processo fosse julgado com outros 07 (sete) lançamentos, em razão da conexão entre eles: AI n° 37.214.8042; AI n° 37.214.8050; AI n° 37.214.8026; AI n° 37.214.8077; AI n° 37.214.8085; AI n° 37.214.806 9; e AI n° 37.214.8093. Contudo, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 72/81, além da presente autuação foram lavrados outros 06 (seis) autos de infração, a seguir especificados: 1. Auto de Infração AI n° 37.214.8042, referente ao não recolhimento de contribuição devida pelos segurados empregados em razão da remuneração levantada neste Auto (mesma base do presente auto); 2. Auto de Infração AI n° 37.214.8050, referente ao não recolhimento de contribuição destinada aos Terceiros (mesma base do presente auto); Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.136 9 3. Auto de Infração AI n° 37.214.8026 (CFL 68), lavrado em razão da elaboração e apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; 4. Auto de Infração AI n° 37.214.8077 (CFL 59), lavrado em razão da empresa ter deixado de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados; 5. Auto de Infração AI n° 37.214.8085 (CFL 34), lavrado em razão da não contabilização, em título próprio de sua contabilidade, de fatos geradores da Previdência Social; e 6. Auto de Infração AI n° 37.214.8069 (CFL 30), lavrado em razão da não preparação da folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Não há no Relatório Fiscal indicação de que o AI n° 37.214.8093 (citado pela RECORRENTE como conexo ao presente caso) tenha relação com o lançamento ora discutido (AI n° 37.214.8034). Por outro lado, a autoridade julgadora de origem informa no relatório do acórdão recorrido que, de fato, existiria o AI n° 37.214.8093, conforme abaixo transcrito (fl. 310): 5. Como resultado da ação fiscal realizada no Contribuinte, foram lavrados os seguintes documentos: (...) h) Auto de Infração AI n° 37.214.8093 (CFL 35), lavrado em virtude do descumprimento da obrigação acessória de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização. Ao verificar a questão, a unidade preparadora informou às fls. 1.128/1.129 que, em atendimento à Portaria RFB nº 2.324/2010, foram anexados ao presente processo os 06 (seis) processos a seguir: processo nº 19515.004802/200963 (AI n° 37.214.8042) [fls. 360/611]; processo nº 19515.004801/200919 (AI n° 37.214.8050) [fls. 612/861]; processo nº 19515.004796/200944 (AI n° 37.214.8085) [fls. 862/924]; processo nº 19515.004798/200933 (AI n° 37.214.8026) [fls. 925/1.020]; processo nº 19515.004799/200988 (AI n° 37.214.8077) [fls. 1.021/1.074]; processo nº 19515.004795/200908 (AI n° 37.214.8069) [fls. 1.075/1.127]. Haja vista o acima exposto, necessário fazer breve relato acerca dos processos acima identificados: Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.137 10 AUTOS DE INFRAÇÃO ANEXOS (i) Processo nº 19515.004802/200963 (AI n° 37.214.8042) Este processo referese ao não recolhimento de contribuição devida pelos segurados empregados em razão da mesma remuneração levantada no auto de infração principal (AI n° 37.214.8034). Ou seja, foi utilizada a mesma base de cálculo do processo principal (parcela de pagamentos a empregados, verificado em contas “Despesas” e “Custos” constantes da contabilidade da RECORRENTE, porém não incluída nas folhas de pagamento). Conforme auto de infração (fls. 360/373), o crédito tributário foi apurado no valor de R$ 263.654,82, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de mora no percentual de 24%, aplicada em todas as competências exceto nas de 09/2004 e 10/2004, em que a autoridade lançadora verificou ser mais benéfica a aplicação da multa de 75%. Sobre a diferença de valores apurada pela autoridade fiscal, foi aplicada a alíquota mínima de 8%, pois não houve a possibilidade de relacionar os beneficiários dos pagamentos ante a não apresentação da documentação e esclarecimentos por parte da RECORRENTE, mesmo após sua intimação para tanto. Neste sentido, esclarece o Relatório Fiscal de fls. 426/435: 9. Tendo em vista que nesta Ação Fiscal foi lavrado o Auto de Infração n. 37.214.8093, por não ter a Autuada prestado os esclarecimentos necessários à fiscalização quando, apesar de devidamente intimada a apresentar a documentação e os esclarecimentos contidos no Termo de Intimação Fiscal 003 TIF de 31/08/2009, não atendeu ao mesmo, sendo lavrado em 21/09/2009 o Termo de Constatação fiscal 001, recebido pelo contribuinte em 23/09/2009 através do AR Aviso de recebimento dos correios, não houve possibilidade de relacionar os beneficiários dos pagamentos, por competência, nem mesmo por valor, tendo sido apurados, os valores que serviram de base para este Auto, pelos totais das contas de despesas e custos, conforme já mencionado. Em conseqüência a Alíquota, aplicada para a parte que deveria ter sido descontada dos segurados, foi a mínima, ou seja: 8% (oito por cento). Em sua impugnação (fls. 486/508), a RECORRENTE praticamente reitera os argumentos de defesa expostos no processo principal. Acrescenta apenas o argumento de que não poderia ter ocorrido o lançamento de contribuição dos segurados empregados, posto que todos os trabalhadores já haviam contribuído em relação parcelas informadas em GFIP e, na sua grande maioria, com desconto do valor máximo permitido. Outrossim, afirma que não foi informada a fundamentação legal referente ao arbitramento da alíquota de 8%. Assim como no processo principal, a DRJ, pelas mesmas razões, julgou improcedente a impugnação (fls. 556/573). O acórdão proferido na ocasião é bastante similar ao caso principal, razão pela qual transcrevo abaixo apenas a parte da ementa que é peculiar: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.138 11 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEITO PASSIVO. RETENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições sociais dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na respectiva remuneração, e a recolher o produto arrecadado conforme previsto no art. 30, I, 'a' , da Lei 8.212/91 e art. 4º da Lei 10.666/03. (...) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 24/03/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 576, apresentou o recurso voluntário de fls. 580/602, em 25/04/2011, onde reitera os mesmos argumentos do recurso voluntário apresentado no processo principal. (ii) Processo nº 19515.004801/200919 (AI n° 37.214.8050) Este processo referese ao não recolhimento da contribuição destinada aos Terceiros (INCRA, Senac, SESC, SEBRAE e SalárioEducação) em razão da mesma remuneração levantada no auto de infração principal (AI n° 37.214.8034). Ou seja, foi utilizada a mesma base de cálculo do processo principal (parcela de pagamentos a empregados, verificado em contas “Despesas” e “Custos” constantes da contabilidade da RECORRENTE, porém não incluída nas folhas de pagamento). Conforme auto de infração (fls. 612/626), o crédito tributário foi apurado no valor de R$ 187.235,99, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de mora no percentual de 24%, aplicada em todas as competências. Não houve análise de eventual multa mais benéfica pois, conforme exposto pela autoridade fiscal, as contribuições destinadas às outras entidades ou fundos não são consideradas na aplicação da multa prevista no art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 649, §3º, da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 680/687, considerando a atividade principal da empresa (Comércio de Automóveis novos e usados), sobre a diferença de valores apurada pela autoridade fiscal foi aplicada a alíquota total de 5,8%, fixadas pela legislação vigente à época dos fatos geradores, como segue: FNDE 2,5% INCRA 0,2% SENAC 1,0% SESC 1,5% Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.139 12 SEBRAE 0,6% Em sua impugnação (fls. 736/758), a RECORRENTE praticamente reitera os argumentos de defesa expostos no processo principal. Acrescenta apenas o argumento de que não consta do processo administrativo a fundamentação legal para a cobrança das contribuições pela RFB, sendo que o valor da multa não pode ser estabelecido em 24%, posto que as contribuições destinadas aos Terceiros não estão entre aquelas de informação obrigatória em GFIP. Assim como no processo principal, a DRJ, pelas mesmas razões, julgou improcedente a impugnação (fls. 806/821). O acórdão proferido na ocasião é bastante similar ao caso principal, razão pela qual transcrevo abaixo apenas a parte da ementa que é peculiar: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS. As contribuições destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) possuem a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que lhe prestam serviços, e sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios. (...) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 24/03/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 824, apresentou o recurso voluntário de fls. 828/850, em 25/04/2011, onde reitera os mesmos argumentos do recurso voluntário apresentado no processo principal. (iii) Processo nº 19515.004796/200944 (AI n° 37.214.8085) Este processo referese a multa lavrada em razão da não contabilização, em título próprio de sua contabilidade, de fatos geradores da Previdência Social (CFL 34), nos termos do art. 283, II, “a”, do RPS Conforme auto de infração (fls. 862/866), o crédito tributário foi apurado no valor de R$ 26.583,32. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 867/870, a RECORRENTE “lançou como "Outras Despesas Financeiras" pagamentos efetuados a seus empregados por intermédio de pessoa Jurídica "Expertise" e, outros lançamentos como "Comissões" e "Ref. A.P.", também na referida conta”. Com essa pratica, acusou a RECORRENTE de ter infringido o art. 32, II, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do RPS. Afirmou que a multa para esta infração, atualizada pela Portaria Interministerial n° 48 de 11/02/2009, é de R$ 13.291,66. Por outro lado, ainda de acordo com o Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.140 13 Relatório Fiscal, em consulta aos Bancos de Dados da RFB, a autoridade fiscal constatou a existência de Auto de Infração (nº 37.014.7340 – CFL 35), lavrado em 16/02/2007 por descumprimento de obrigações acessórias vinculado ao CNPJ da RECORRENTE, tratandose de circunstância agravante prevista art. 292 do RPS (reincidência genérica), o que dobra o valor da presente multa. Portanto a multa lavrada neste Auto de Infração foi aplicada no valor de R$ 26.583,32. Em sua impugnação (fls. 883/889), a RECORRENTE reitera os argumentos de defesa expostos no processo principal e que são pertinentes ao presente caso. Acrescenta que não deixou de lançar as contribuições em títulos próprios, sendo o seu plano de contas e o modo de contabilização comuns a todas as distribuidoras da marca FORD, o qual é submetido a auditoria externa, tanto que a o auditor fiscal encontrou todos os lançamentos pesquisados. Assim como no processo principal, a DRJ julgou improcedente a impugnação (fls. 893/902). O acórdão proferido na ocasião é bastante similar ao caso principal, razão pela qual transcrevo abaixo apenas a parte da ementa que é peculiar: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INFRAÇÃO. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS. A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos (art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/91). (...) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No voto, a autoridade julgadora de primeira instância considerou a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.214.8034, “vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e incluídas nessa autuação”. Neste sentido, apontou ter sido julgado integralmente procedente o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD n° 37.214.8034. A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 24/03/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 905, apresentou o recurso voluntário de fls. 907/914, em 25/04/2011, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação. (iv) Processo nº 19515.004798/200933 (AI n° 37.214.8026) Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.141 14 Processo referente a multa lavrada em razão da elaboração e apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (CFL 68), nos termos do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91. Conforme auto de infração (fls. 925/929), o crédito tributário foi apurado no valor de R$ 89.055,06. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 930/934, a RECORRENTE não declarou em GFIP e não inseriu nas Folhas de Pagamento todos os valores com incidência de Contribuições Previdenciárias (contabilizados em contas de Despesas e Custos). Como não houve a possibilidade de identificar individualmente os segurados envolvidos no trabalho, com a respectiva remuneração (objeto dos autos AI 37.214.8093 e AI 37.214.8085), esta autuação foi formalizada pelo total mensal das verbas apuradas na contabilidade. Afirmou que a multa para esta infração corresponde a 100 % (cem por cento) do valor da contribuição previdenciária devida não declarada, limitada aos valores constantes da tabela prevista no artigo 32, IV, §4º da Lei n° 8.212/91, e no art. 8º, inciso V, da Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12/02/2009, em função do número total de segurados remunerados pela Fiscalizada. Conforme já exposto, esta multa tem como base os valores apurados nos AIs nº 37.214.8034 (empresa/RAT) e nº 37.214.8042 (segurados). No caso, a autoridade lançadora verificou ser mais benéfica a aplicação desta multa isolada junto com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (24% sobre a contribuição não recolhida e não declarada em GFIP) em relação às competências de 01/2004 a 08/2004 e 11/2004 a 12/2004. Já em relação às competências 09/2004 e 10/2004, verificou ser mais benéfica a aplicação da nova multa de 75%. A comparação das penalidades encontrase discriminada na planilha de fl. 942. Assim, calculou que a multa isolada objeto desta autuação corresponde a R$ 89.055,06, referente às competências de 01/2004 a 08/2004 e 11/2004 a 12/2004 (planilha de fl. 943). Frisese que tanto a multa de mora (24%) como a de ofício (75%) já estão computadas nas respectivas competências nos AIs nº 37.214.8034 (empresa/RAT) e nº 37.214.8042. Em sua impugnação (fls. 948/968), a RECORRENTE reitera os argumentos de defesa expostos no processo principal. Assim como no processo principal, a DRJ julgou improcedente a impugnação (fls. 972/983). O acórdão proferido na ocasião é bastante similar ao caso principal, razão pela qual transcrevo abaixo apenas a parte da ementa que é peculiar: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. (...) Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.142 15 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No voto, a autoridade julgadora de primeira instância considerou a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCADs n° 37.214.8034 e nº 37.214.804 2, “vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados incluídas nessa autuação”. Neste sentido, apontou ter sido julgado integralmente procedente mencionados Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP. Desta forma, consequentemente, resta confirmada a procedência da presente autuação. A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 24/03/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 986, apresentou o recurso voluntário de fls. 988/1.010, em 25/04/2011, onde reitera os mesmos argumentos do recurso apresentado no processo principal. (v) Processo nº 19515.004799/200988 (AI n° 37.214.8077) Este processo referese a multa lavrada em razão da empresa ter deixado de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados (CFL 59), nos termos do art. 283, I, “g”, do RPS Conforme auto de infração (fls. 1.021/1.025), o crédito tributário foi apurado no valor de R$ 2.658,36. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 1.026/1.029, a RECORRENTE “deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço”. Com essa pratica, acusou a RECORRENTE de ter infringido o art. 30, I, “a”, da Lei n° 8.212/91. Afirmou que a multa para esta infração, atualizada pela Portaria Interministerial n° 48 de 11/02/2009, é de R$ 1.329,18. Por outro lado, ainda de acordo com o Relatório Fiscal, em consulta aos Bancos de Dados da RFB, a autoridade fiscal constatou a existência de Auto de Infração (nº 37.014.7340 – CFL 35), lavrado em 16/02/2007 por descumprimento de obrigações acessórias vinculado ao CNPJ da RECORRENTE, tratandose de circunstância agravante prevista art. 292 do RPS (reincidência genérica), o que dobra o valor da presente multa. Portanto a multa lavrada neste Auto de Infração foi aplicada no valor de R$ 2.658,36. Em sua impugnação (fls. 1.035/1.040), a RECORRENTE reitera os argumentos de defesa expostos no processo principal e que são pertinentes ao presente caso. Alega haver necessidade de julgamento conjunto desta autuação com o Auto de Infração n° 37.214.8042, visto que inexistindo o lançamento das contribuições descontadas dos segurados empregados, este auto de obrigação acessória também deverá ser julgado nulo. Assim como no processo principal, a DRJ julgou improcedente a impugnação (fls. 1.044/1.052). O acórdão proferido na ocasião é bastante similar ao caso principal, razão pela qual transcrevo abaixo apenas a parte da ementa que é peculiar: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.143 16 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INFRAÇÃO. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração ao art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212/91. (...) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No voto, a autoridade julgadora de primeira instância considerou a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.214.8042, “vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados e incluídas nessa autuação”. Neste sentido, apontou ter sido julgado integralmente procedente o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD n° 37.214.8042. A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 24/03/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 1.055, apresentou o recurso voluntário de fls. 1.057/1.063, em 25/04/2011, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação. (vi) Processo nº 19515.004795/200908 (AI n° 37.214.8069) Este processo referese a multa lavrada em razão da não preparação da folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil (CFL 30), nos termos do art. 283, I, “a”, do RPS Conforme auto de infração (fls. 1.075/1.079), o crédito tributário foi apurado no valor de R$ 2.658,36. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 1.080/1.083, a RECORRENTE “Nas folhas de pagamento apresentadas apresentada pela autuada, em confronto com a contabilidade, verificase que nem todas as verbas salariais constantes nas contas de Despesas e Custos com pessoal, integram a referida folha de pagamento”. Com essa pratica, acusou a RECORRENTE de ter infringido o art. 32, I, “a” da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, I, e §§ 9º do RPS. Afirmou que a multa para esta infração, atualizada pela Portaria Interministerial n° 48 de 11/02/2009, é de R$ 1.329,18. Por outro lado, ainda de acordo com o Relatório Fiscal, em consulta aos Bancos de Dados da RFB, a autoridade fiscal constatou a existência de Auto de Infração (nº 37.014.7340 – CFL 35), lavrado em 16/02/2007 por descumprimento de obrigações acessórias vinculado ao CNPJ da RECORRENTE, tratandose de circunstância agravante prevista art. 292 do RPS (reincidência genérica), o que dobra o valor da presente multa. Portanto a multa lavrada neste Auto de Infração foi aplicada no valor de R$ 2.658,36. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.144 17 Em sua impugnação (fls. 1.089/1.094), a RECORRENTE reitera os argumentos de defesa expostos no processo principal e que são pertinentes ao presente caso. Alega haver necessidade de julgamento conjunto desta autuação com o Auto de Infração n° 37.214.8034, visto que inexistindo as contribuições impugnadas este auto de obrigação acessória também deverá ser julgado nulo. Assim como no processo principal, a DRJ julgou improcedente a impugnação (fls. 1.098/1.106). O acórdão proferido na ocasião é bastante similar ao caso principal, razão pela qual transcrevo abaixo apenas a parte da ementa que é peculiar: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei. (...) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No voto, a autoridade julgadora de primeira instância considerou a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.214.8034, “vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados e incluídas nessa autuação”. Neste sentido, apontou ter sido julgado integralmente procedente o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD n° 37.214.8034. A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 24/03/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 1.109, apresentou o recurso voluntário de fls. 1.111/1.117, em 25/04/2011, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.145 18 Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Da decadência parcial. Obrigações Principais (DEBCADs nº 37.214.8034, nº 37.214.8042 e nº 37.214.8050) A RECORRENTE defende a aplicação da decadência, com fulcro no artigo 150 §4º, do CTN, em relação a parte das competências do ano de 2004, já que houve o pagamento antecipado da contribuição previdenciária relativa ao mencionado período, restando extemporâneo o lançamento realizado em 11/2009. Neste ponto, entendo que assiste razão à RECORRENTE. É que para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.146 19 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão do STJ acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.147 20 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso concreto, não há no Relatório do Auto de Infração qualquer indicação de que a RECORRENTE teria agido com dolo, fraude ou simulação a ensejar a aplicação do art. 173, I, do CTN. No que diz respeito ao pagamento das contribuições patronais relativas a todo o período fiscalizado (anocalendário 2004), é notório que a RECORRENTE promoveu o recolhimento parcial de tal exação, pois o presente lançamento diz respeito às diferenças apuradas entre os valores declarados pela empresa em folhas de pagamento e “os pagamentos contabilizados como Despesas e Custos com pessoal, com incidência de contribuições Previdenciárias” (fl. 74). A própria autoridade lançadora reconhece o recolhimento, por parte da RECORRENTE, das contribuições previdenciárias declaradas em GFIP no período fiscalizado, conforme itens 7.1 e 7.2 do Relatório Fiscal. No entanto, efetuou o lançamento pois os valores declarado em GFIP não perfazem a totalidade do valor que deveria ter sido declarado (fl. 75): “7.1 No cotejo da Folha de Pagamento de Empregados com os respectivos recolhimentos GPS (código 2100) e valores declarados em GFIP, verificamos que a Autuada recolheu os valores declarados. 7.2. Por sua vez, os valores declarados pela Autuada em suas Folhas de Pagamento e GFIP, conforme todo o exposto acima, não perfazem a totalidade do valor que deveria ter sido declarado. Para melhor demonstrar a diferença apurada elaboramos a planilha com resumo constante do Anexo III.” A informação acima consta também no Relatório Fiscal das outras obrigações principais, objeto dos AIs nº 37.214.8042 e 37.214.8050 (segurados e terceiros, respectivamente), conforme fls. 428 e 682. Ou seja, houve o recolhimento das contribuições sobre os valores declarados em folhas de pagamento e em GFIP no período fiscalizado, o que atrai a regra do art. 150, §4º, do CTN para a aplicação do prazo decadencial. Neste sentido é o teor da Súmula nº 99 do CARF: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.148 21 recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Então, no presente caso, débitos referentes a fatos geradores ocorridos no período de 10/2004 poderiam ser lançados até 10/2009. Ocorre que a RECORRENTE tomou ciência do lançamento das obrigações principais em 11/11/2009 (fl. 02, 360 e 612). Portanto, ocorreu a decadência relativa ao lançamento das contribuições previdenciárias objeto dos DEBCADs nº 37.214.8034 (empresa/RAT), nº 37.214.8042 (segurados) e nº 37.214.8050 (terceiros) do período de 01/2004 a 10/2004. Da decadência em relação às Obrigações Acessórias (DEBCADs nº 37.214.8085, nº 37.214.8026, n° 37.214.8077 e n° 37.214.8069) Por outro lado, entendo que não estão decadentes os créditos tributários decorrentes das multas pelo descumprimento de obrigações acessórias lavradas. Explico. Conforme relatado, em decorrência do mesmo procedimento fiscal foram lavradas em desfavor da RECORRENTE quatro multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, a saber: 1. Auto de Infração AI n° 37.214.8085 (CFL 34), lavrado em razão da não contabilização, em título próprio de sua contabilidade, de fatos geradores da Previdência Social (fls. 862/924); 2. Auto de Infração AI n° 37.214.8026 (CFL 68), lavrado em razão da elaboração e apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (fls. 925/1.020); 3. Auto de Infração AI n° 37.214.8077 (CFL 59), lavrado em razão da empresa ter deixado de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados (fls. 1.021/1.074); e 4. Auto de Infração AI n° 37.214.8069 (CFL 30), lavrado em razão da não preparação da folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil (fls. 1.075/1.127). Neste sentido, importante esclarecer que os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias sujeitamse ao regime de decadência referido no art. 173 do CTN, pois tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta a incidência da contagem do prazo estabelecida no art. 150, § 4º, do CTN. Neste sentido, é a jurisprudência deste CARF, conforme ementa abaixo: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2008 Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.149 22 (...) MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO DO ART. 173, I DO CTN. O prazo aplicável para a verificação do decurso do prazo decadencial para lançamento de multas dado o descumprimento de obrigações acessórias regese pelo art. 173, I do CTN, por não comportarem elas pagamento antecipado. (...) (Acórdão nº 2402005.815; 2ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; julgado em 09/05/2017) Então, no presente caso, débitos de obrigações acessórias referentes a fatos geradores ocorridos ao longo de todo o anocalendário 2004 teriam o início da contagem do prazo decadencial a partir de 01/01/2005 e poderiam ser lançados até 31/12/2009. A RECORRENTE tomou ciência do lançamento das multas em 11/11/2009 (fl. 862, 925, 1.021 e 1.075), dentro, portanto, do prazo decadencial. Sendo assim, entendo que deve permanecer inalterado o lançamento das multas pelo descumprimento de obrigações acessórias objeto dos DEBCADs nº 37.214.8085, nº 37.214.8026, n° 37.214.8077 e n° 37.214.8069, uma vez que lançada dentro do prazo de 05 anos do art, 173, I, do CTN. Do procedimento de lançamento. A RECORRENTE afirma que a autoridade fiscal não esclareceu a natureza dos levantamentos com código Zl e Z2, além do que, no seu entendimento, a “Tabela 3” não esclarece quais as rubricas que estão sendo consideradas dentro ou fora do salário de contribuição. Não merece prosperar o inconformismo da contribuinte. Os levantamentos Z1 e Z2 fazem parte dos levantamentos relativos aos custos com mão de obra (levantamento CUSTOS) e com despesa de pessoal (levantamento DESPESAS), respectivamente, cujos valores foram extraídos da contabilidade da RECORRENTE, porém não foram declarados em GFIP. A única diferença é que os valores dos levantamentos Z1 e Z2 são relativos às competências em que a autoridade fiscal verificou ter sido mais benéfica a aplicação da nova multa fixada pela Lei nº 11.941/2009 (75% do valor apurado) em lugar da aplicação conjunta da: (i) multa isolada no caso de declaração inexata em GFIP (art. 32, § 5o da Lei nº 8.212/91) e multa de mora devida pelo pagamento do tributo (art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212/91). Portanto, não se tratam de levantamentos em duplicidade. No que diz respeito à mencionada “Tabela 3” (anexo III do Relatório Fiscal – fl. 88), referido documento deve ser analisado em conjunto com os anexos I (fl. 82) e II (fls. 83/87). Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.150 23 O anexo I trata dos valores verificados pela autoridade fiscal nas contas relativas às despesas com pessoal na contabilidade da RECORRENTE, cujo total foi de R$ 2.471.537,45. Por sua vez, o anexo II trata de todos os lançamentos contábeis relativos ao custo com pessoal, o que totalizou R$ 228.291,38. No anexo III, a autoridade fiscal demonstra todas as contas que foram declaradas em folha de pagamento pela RECORRENTE (e, consequentemente, declaradas em GFIP), no total de R$ 903.880,98. Fazendo a comparação do que foi apurado nas contas “despesas” e “custos” (anexos I e II) com os valores declarados em folha de pagamento, a autoridade fiscal elaborou duas outras tabelas no anexo III para demonstrar os valores constantes das contas “despesas” e “custos” que deveriam ter sido indicados na folha de pagamentos (R$ 1.427.498,71 e R$ 228.291,38, respectivamente). Assim, realizou o lançamento das contribuições previdenciárias sobre tais verbas, pois consideradas remuneração e, portanto, hipóteses de incidência do mencionado tributo. Importante esclarecer que a autoridade fiscal também teve o cuidado de analisar quais verbas nas contas “despesas” e “custos” correspondiam, realmente, a fatos geradores da contribuição previdenciária. Tanto que em resumo do cálculo constante do mesmo anexo III, subtrai da base de cálculo as “verbas não incidentes” em ambas as contas antes de apurar a diferença total não declarada em folha de pagamento. MÉRITO Contribuições Previdenciárias Principais (empresa, segurados e terceiros) A RECORRENTE alega também que teria sido considerado como remuneração dos segurados empregados “valores pagos a pessoas jurídicas, com discriminação clara na escrituração contábil, com histórico incluindo o número da nota fiscal de prestação de serviços de empresas de vigilância, limpeza, portaria. Para estes valores foi inclusive procedido à retenção de 11% do valor da fatura, conforme artigo 31 da Lei 8.212/91, redação da Lei 9711/98” No entanto, a RECORRENTE não apresentação nenhuma prova de suas alegações. As notas fiscais acostas às fls. 204/301 pela RECORRENTE não guardam relação com as datas e valores dos levantamentos realizados pela autoridade fiscal. Também não merece prosperar a alegação de que alguns valores apurados pela autoridade fiscal não compõem o salário de contribuição, e que os mesmos estariam “perfeitamente identificados na escrituração contábil como parcelas indenizatórias (multa, adicional FGTS, aviso prévio indenizado, férias indenizadas e outras parcelas inseridas no artigo 28, parágrafo 9º da Lei 8.212/91)”. Ora, o fato de a contribuinte identificar em sua escrita contábil que tal pagamento se refere à indenização não a exime de comprovar tal alegação, sendo certo que todos os lançamentos contábeis (sejam eles receitas, despesas ou variações patrimoniais) necessitam de comprovantes hábeis que lhes dê suporte. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.151 24 Sobre esse assunto, existe normatização específica da Norma Brasileira de Contabilidade (NBC): tratase da ITG 2000, que dispõe sobre escrituração contábil, cujo item 05 prevê o seguinte: 5. A escrituração contábil deve ser executada: a) em idioma e em moeda corrente nacionais; b) em forma contábil; c) em ordem cronológica de dia, mês e ano; d) com ausência de espaços em branco, entrelinhas, borrões, rasuras ou emendas; e e) com base em documentos de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos contábeis. Se a RECORRENTE indica em sua escrita contábil ter pago aviso prévio indenizado no período, referido lançamento deve estar respaldado em documentação comprobatória. A jurisprudência do CARF também possui o mesmo entendimento: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 (...) REGISTRO CONTÁBIL. REDUÇÃO DO RESULTADO DO PERÍODO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. OMISSÃO DE RECEITAS. É cabível o lançamento por omissão de receitas quando o contribuinte não consegue comprovar documentalmente os registros contábeis que afetam o resultado do período, seja diminuindo o lucro ou aumentando o prejuízo. (...) (acórdão nº 1301002.171; 1ª Seção / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; julgado em 24/01/2017) Neste sentido, caberia à RECORRENTE trazer aos autos provas a fim de demonstrar que as rubricas discriminadas pela fiscalização não seria remuneração dos segurados empregados. No entanto, não apresentou qualquer documentação comprobatória de suas alegações. Muito pelo contrário: quando foi intimada durante o procedimento fiscal, através do Termo de Intimação Fiscal 003 (fls. 66/67), para prestar os esclarecimentos necessários e apresentar a documentação solicitada, a RECORRENTE não atendeu ao pedido da fiscalização. Tanto que foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal nº 01 (fl. 68). Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.152 25 Portanto, pelas razões acima expostas, entendo que não merece prosperar o inconformismo da RECORRENTE a respeito do lançamento supostamente realizado sem a busca pela verdade material. Caberia à RECORRENTE ter demonstrado a “verdade material” por ela alegada; no entanto deixou de apresentar documentos tanto durante a fase de fiscalização como também durante o processo administrativo. Conforme bem observado pela autoridade fiscal e pela DRJ de origem, os registros contábeis nas contas “custos” e “despesas” apresentam grande relação com pagamento de salários. Sendo assim, representam fatos geradores das contribuições previdenciárias que deixaram de ser declaradas em GFIP, o que autoriza o lançamento do crédito tributário devido. Não só autoriza, como demanda que a autoridade fiscal realize o lançamento, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Por óbvio, munida dos valores de salários de contribuição dos segurados empregados da RECORRENTE, a autoridade fiscal tem o poder/dever de efetuar o lançamento quando constatar valores não informados em GFIP, desde que respeitado o prazo decadencial de 05 (cinco) anos. Especificamente no que diz respeito às contribuições devidas pelos segurados (DEBCAD nº 37.214.8042), a RECORRENTE argumenta que não poderia ter ocorrido o lançamento de contribuição dos segurados empregados, posto que todos os trabalhadores já haviam contribuído em relação parcelas informadas em GFIP e, na sua grande maioria, com desconto do valor máximo permitido. Contudo, nos termos das razões já amplamente expostas acima, era dever da RECORRENTE apresentar documentação comprobatória de que seus empregados recolheram os valores da contribuição pelo teto vigente à época. É que alguns trabalhadores podem, de fato, ter recolhido a respectiva contribuição pelo teto. Porém, outros podem ter recolhido pelo mínimo estabelecido na época. Conforme já exposto, a RECORRENTE foi intimada porém deixou de apresentar a documentação a fim de identificar os beneficiários dos pagamentos, por competência e valor. Em razão disso, a autoridade fiscal afirmou que “não houve possibilidade de relacionar os beneficiários dos pagamentos, por competência, nem mesmo por valor, tendo sido apurados, os valores que serviram de base para este Auto, pelos totais das contas de ‘despesas’ e ‘custos’” (fl. 430). Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.153 26 Até o momento, a RECORRENTE não apresentou tais documentos. Portanto, suas alegações não são suficientes para afastar o lançamento, sobretudo porque, conforme exposto, a atividade da autoridade fiscal é vinculada, devendo apurar o crédito tributário devido quando constatar a ocorrência do fato gerador. Por fim, a RECORRENTE também afirma que não consta do processo administrativo a fundamentação legal para a cobrança das contribuições destinadas a terceiros. No entanto, o enquadramento legal está expresso no próprio auto de infração às fls. 623/625. A fundamentação legal da multa é justamente o art. 35 da Lei nº 8.212/91, que, antes de sua alteração promovida pela Lei nº 11.941/2009, previa expressamente a aplicação de multa de mora da forma escalonada nos incisos I, II e III sobre as contribuições devidas a terceiros. Com a redação nova, passou a ser cobrada a multa de 75% do art. 44 da Lei nº 9.430/96 quando do lançamento de ofício das contribuições devidas a terceiros. Portanto, tendo em vista que a legislação anterior era mais benéfica ao contribuinte, foi mantida a multa prevista antes da Lei nº 11.941/2009, sem o prejuízo de ser aplicada a nova multa caso a antiga atinja patamar superior a 75%. Portanto, entendo que deve prevalecer o lançamento das contribuições previdenciárias objeto dos DEBCADs nº 37.214.8034 (empresa/RAT), DEBCAD nº 37.214.8042 (segurados) e nº 37.214.8050 (terceiros) no período não atingido pela decadência 11/2004 e 12/2004. Das multas isoladas As quatro multas lavradas em desfavor da RECORRENTE, pelo descumprimento de obrigações acessórias, foram as seguintes: 1. Auto de Infração AI n° 37.214.8085 (CFL 34), lavrado em razão da não contabilização, em título próprio de sua contabilidade, de fatos geradores da Previdência Social (fls. 862/924); 2. Auto de Infração AI n° 37.214.8026 (CFL 68), lavrado em razão da elaboração e apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (fls. 925/1.020); 3. Auto de Infração AI n° 37.214.8077 (CFL 59), lavrado em razão da empresa ter deixado de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados (fls. 1.021/1.074); e 4. Auto de Infração AI n° 37.214.8069 (CFL 30), lavrado em razão da não preparação da folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil (fls. 1.075/1.127). Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.154 27 Todas elas possuem relação com os Autos de Infração de Obrigação Principal relativos às contribuições da empresa/RAT e dos segurados (DEBCADs nº 37.214.8034 e 37.214.8042, respectivamente). Tendo em vista a procedência do lançamento das obrigações principais (ainda que parcial, em razão da decadência), entendo ser de rigor a manutenção das mencionadas multas. As razões pela não decadência das multas já foram expostas acima. A multa do AI n° 37.214.8085 (CFL 34) deve ser mantida pois, como amplamente demonstrado, a RECORRENTE deixou de contabilizar, em título próprio de sua contabilidade, diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados. A autoridade fiscal contatou o lançamento de alguns valores na conta "Outras Despesas Financeiras", o que autoriza a lavratura da multa. A multa do AI n° 37.214.8077 (CFL 59) deve também ser mantida pois, uma vez mantido parcialmente o lançamento da obrigação principal do DEBCAD 37.214.8042 (contribuições segurados), é de rigor a manutenção da multa por ter a empresa deixado de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados. Também deve ser mantida a multa do AI n° 37.214.8069 (CFL 30), pois foi constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento. Apenas no que se refere à multa do DEBCAD n° 37.214.8026 (CFL 68), entendo que o caso merece especial atenção em razão da possível retroatividade benigna em decorrência das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009. Conforme exposto no presente voto, o lançamento relativo às contribuições previdenciárias do período de 01/2004 a 10/2004 (obrigações principais – DEBCADs nº 37.214.8034, 37.214.8042 e nº 37.214.8050) deve ser extinto, pois atingido pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Por outro lado, conforme exposto no presente voto, entendo que a decadência relativa às obrigações principais não atinge o débito do mesmo período relativo às obrigações acessórias, o que inclui o DEBCAD n° 37.214.8026 (CFL 68), uma vez que os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias sujeitamse ao regime de decadência referido no art. 173 do CTN, pois tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta a incidência da contagem do prazo estabelecida no art. 150, § 4º, do CTN. Tal particularidade cria uma situação ímpar no presente caso, em que é preciso averiguar qual a multa mais benéfica à RECORRENTE: se a anterior ou a posterior à Lei nº 11.941/09. Para o período de 11/2004 e 12/2004, em que não houve decadência do crédito principal, a comparação é mais simples, pois basta observar o inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.155 28 inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. No entanto, o mesmo não ocorre em relação ao período de 01/2004 a 10/2004, pois o crédito principal foi atingido pela decadência. Neste caso, não há que se falar em multa sobre obrigação principal, visto que esta não existe. Sendo assim, entendo que a solução seria tratar o caso do período 01/2004 a 10/2004 como uma multa isolada aplicada sem a cobrança da obrigação principal, o que converge para a observância do art. 476A, §1º, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Portanto, no que diz respeito ao período 01/2004 a 10/2004, a escolha da multa mais benéfica deve resultar da comparação entre a multa prevista nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941/09 com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212/91, haja vista a extinção da obrigação principal pela decadência. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: (i) em relação às obrigações principais objeto dos DEBCADs nº 37.214.803 4 (empresa/RAT), nº 37.214.8042 (segurados) e nº 37.214.8050 (terceiros): (i.a) reconhecer a decadência relativa ao lançamento das contribuições previdenciárias do período de 01/2004 a 10/2004; (i.b) manter integralmente a cobrança das contribuições relativas ao período de 11/2004 e 12/2004; (ii) em relação às multas pelo descumprimento de Obrigações Acessórias (DEBCADs nº 37.214.8085, nº 37.214.8026, n° 37.214.8077 e n° 37.214.8069), manter integralmente os respectivos lançamentos, e Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 19515.004803/200916 Acórdão n.º 2201003.715 S2C2T1 Fl. 1.156 29 determinar que a autoridade preparadora aplique, no que for cabível, as disposições constantes dos artigos 476 e 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/09 em relação ao DEBCAD n° 37.214.8026 (CFL 68). Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000373/2005-55
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo.
INEXATIDÕES MATERIAIS.
As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-00.622
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal de IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 149 1 148 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13433.000373/200555 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.622 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente MARANATA COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 156DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13433.000373/200555 Acórdão n.º 180100.622 S1TE01 Fl. 150 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 04/09, com a exigência do crédito tributário no valor de R$6.458,76, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido do anocalendário de 2003. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas constatada em razão do cotejo das informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 22/27, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fl. 18 e no Livro de Registro de Entrada e Saída de Apuração de ICMS, fls. 35/59. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 224 e art. 518 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 10/15 a exigência do crédito tributário no valor de R$5.847,48 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 13/05/2005, fls. 04 e 11, a Recorrente apresentou a impugnação em 13/06/2005, fls. 86/115, com as alegações abaixo sintetizadas. Faz um breve relato do procedimento fiscal. Discorda dos lançamentos referentes aos anoscalendário 2003 e 2004. Suscita que o lançamento é nulo, tendo em vista a inexistência de matéria tributável pelas incongruências nas informações prestadas nos documentos fiscais estaduais. Estabelece que não restou comprovada a aquisição ou a disponibilidade da renda e assim não há que se falar em ocorrência do fato gerador. Aduz que os valores registrados no Livro de Apuração de ICMS podem ser retificados no caso de incorreções. Defende que cabe à autoridade tributária o ônus de provar a ocorrência do fato gerador do tributo lançado de ofício. Tece esclarecimentos sobre os requisitos do ato administrativo e sobre os princípios que regem a administração pública. Argúi a ausência de opção pelo lucro presumido no anocalendário de 2003 e que não lhe foi dada oportunidade de optar pelo lucro real. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13433.000373/200555 Acórdão n.º 180100.622 S1TE01 Fl. 151 3 Discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, e confiando na sábia decisão que esta Delegacia tomará, pugna a autuada pelo DEFERIMENTO DESTA IMPUGNAÇÃO para ANULAR A AUTUAÇÃO, em razão desta não ter se embasado em documentação probatória suficiente para provar a omissão do recolhimento, carecendo o lançamento, portanto, de motivação. E ainda, caso exista a manutenção do auto lavrado, que seja afastada a aplicação de multa moratória a base de 75% (setenta e cinco por cento), em virtude da inconstitucionalidade da mesma, reduzindo, assim, a um patamar de 20% (vinte por cento), com fulcro no que acima foi exposto. Por fim, que seja concedido prazo razoável à impugnante para que ela apresente seu lucro real e, só depois, ocorra o cômputo dos tributos referente ao período base 2003, ocorrendo inclusive à apuração mensal, e não trimestral, já que igual prazo não foi concedido pela fiscalização. Em qualquer das hipóteses, que seja aplicada aos lançamentos reflexos, qualquer anulação, revogação ou modificação que decorra do auto de infração referente ao Imposto de Renda IR, em razão daqueles serem consecutivos deste. Pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 1121.474, de 25/01/2008, fls. 123/127: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS E ESCRITURADOS. Procede a tributação do IRPJ e da CSLL sobre diferenças encontradas pela comparação entre valores de receitas declarados ou pagos e valores escriturados no Registro de Apuração do ICMS. Os valores informados e atestados como verídicos ao fisco estadual, pelo contribuinte presumemse verdadeiros, cabendo prova em contrário, com elementos objetivos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL O entendimento adotado com relação ao auto de infração reflexo acompanha o do auto matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito entre eles. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE Fl. 158DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13433.000373/200555 Acórdão n.º 180100.622 S1TE01 Fl. 152 4 O lançamento deve ser efetuado respeitandose o regime de tributação adotado por opção do contribuinte. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE. Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. Notificada em 06/03/2008, fl. 131, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 07/04/2008, fls. 132/142, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da Decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente RECURSO. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Vale ressaltar que a parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento, referese aos lançamentos de IRPJ e CSLL referentes ao ano calendário de 2003. As demais questões atinentes aos lançamentos do anocalendário de 2004 devem ser tratadas em autos próprios, uma vez que não são objeto do presente processo. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, a Recorrente que fez opção pela tributação com base no lucro presumido devendo determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração (art. 519 e seguintes do RIR, de 1999). A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de Fl. 159DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13433.000373/200555 Acórdão n.º 180100.622 S1TE01 Fl. 153 5 conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), fls. 01/02, do Termo de Início de Fiscalização, fls. 28/29, do Termo de Reitimação Fiscal, fls. 30/31, do Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 32/33, e da Consulta ao Movimento Econômico Tributário da Secretaria do Estado do Rio Grande do Norte, fl. 34/35 e finalizou em 13/05/2005 com a ciência válida dos Autos de Infração, fls. 04 e 11. Nestes termos, mostrase infundada a alegação da Recorrente de a autoridade fiscal não havia apreciado a documentação apresentada. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). No exercício da função pública, a autoridade administrativa corretamente lavrou os Autos de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas e os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Ademais, é aceitável a apuração da omissão de receitas mediante o cotejo das informações constantes na escrituração e os valores registrados na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 22/27, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fl. 18 e no Livro de Registro de Entrada e Saída de Apuração de ICMS, fls. 35/59. A metodologia descrita é coerente com a legislação como um instrumento para demonstrar a existência do fato econômico que se encontra no campo de incidência tributária. Assim, a solicitação deve ser indeferida. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13433.000373/200555 Acórdão n.º 180100.622 S1TE01 Fl. 154 6 Sobre o lucro presumido, o RIR, de 1999, determina: Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). [...] Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. [...] Art.516.A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). §1ºA opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §1º ). §2ºRelativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §2º ). Fl. 161DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13433.000373/200555 Acórdão n.º 180100.622 S1TE01 Fl. 155 7 §3ºA pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. §4ºA opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, §1º). §5ºO imposto com base no lucro presumido será determinado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observado o disposto neste Subtítulo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). A Recorrente fez opção pela tributação com base no lucro presumido com a apresentação da DIPJ, fls. fls. 22/27 e com os pagamentos efetuados, fl. 19, fixando sua opção irretratável para todo anocalendário de 2003 Deve determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Este foi o regime de tributação adotado pela Recorrente e que foi regularmente observado pelas autoridades fiscais, não sendo cabível no curso da ação fiscal a sua alteração. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. Com base nos elementos disponíveis então por ela apresentados, a autoridade fiscal apurou o ilícito tributário da omissão de receitas mediante o cotejo das informações constantes na escrituração e os valores registrados na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 22/27, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fl. 18 e no Livro de Registro de Entrada e Saída de Apuração de ICMS, fls. 35/59: Trimestres do Ano Calendário Valor da Receita – Livro de Apuração de ICMS – Auto de Valor da Receita – DIPJ Valores de Tributos DCTF – R$ Pagamento Efetuado IRPJ Pagamento Efetuado CSLL Fl. 162DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13433.000373/200555 Acórdão n.º 180100.622 S1TE01 Fl. 156 8 de 2003 Infração R$ R$ R$ R$ 1º 78.898,50 0,00 0,00 0,00 0,00 2º 78.146,12 0,00 0,00 170,20 136,16 3º 25.656,40 0,00 0,00 0,00 0,00 4º 98.749,65 0,00 0,00 0,00 0,00 Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar do alegado erro. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem suas afirmativas de que há incorreções no lançamento. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto nesta parte. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, fixa: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 163DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13433.000373/200555 Acórdão n.º 180100.622 S1TE01 Fl. 157 9 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Diferentemente do entendimento da Recorrente, a aplicação da multa de mora é aplicável somente nos casos de pagamento espontâneo de tributo fora dos prazos de vencimento e antes do início do procedimento fiscal. De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) e depois de excluída a espontaneidade da Recorrente com a ciência do Termo de Início de Fiscalização, fls. 28/29, prevalece a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Portanto, não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente à CSLL, tratandose de lançamento decorrente, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 164DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13433.000373/200555 Acórdão n.º 180100.622 S1TE01 Fl. 158 10 Fl. 165DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 02/07/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 04/07/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002348/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado.
A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3402-004.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 48 /2 00 9- 71 Fl. 541DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) em 10/05/2017, em face do Acórdão nº 3402003.975, de 29/03/2017, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário (...) RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei n 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei n 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1 do art. 8º da Lei n 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário parcialmente provido Fl. 542DF CARF MF Processo nº 11070.002348/200971 Acórdão n.º 3402004.327 S3C4T2 Fl. 542 3 Nos termos do art. 7º, §5º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, na redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, o Procurador da Fazenda Nacional é considerado cientificado pessoalmente 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda, que se deu no caso em 06/04/2017. A embargante sustenta ter havido omissão no acórdão recorrido, nos termos seguintes: (...) Contudo, ao compulsar o teor do voto condutor do aresto ora embargado, não restou claro por qual razão o Colegiado considerou incorreta a forma de cálculo adotada pela autoridade fiscal. Ao que se observa, a ilustre relatora tratou basicamente da possibilidade de utilização do método de rateio proporcional para uso dos créditos e da impossibilidade de se utilizar os dois métodos previstos na legislação (apropriação direta e rateio proporcional) ao mesmo tempo. Ao final, concluiu pela aplicação do método do rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados aos três tipos de receita (exportação, mercado interno e mercado interno nãotributado) sem, contudo, manifestarse sobre os reais motivos utilizados pela fiscalização para glosar os créditos, acima enumerados. O colegiado não se utilizou de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. É dizer, concluiuse que o contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Revelase, portanto, evidente a omissão do acórdão embargado, na medida em que não se manifestou sobre as irregularidades apontadas pela fiscalização na apuração do crédito de PIS não cumulativo pleiteado em ressarcimento pelo contribuinte. (...) Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste Colegiado, na seguinte forma: (...) Compulsando a decisão embargada, constatase que o Colegiado, apoiandose nos acórdãos nº 3202001.618 e nº 330201.339, bem como na orientação constante no Dacon, decidiu reformar parcialmente a decisão de julgamento de 1ª instância, para que fosse “...recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pelo contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno.” (sublinhei). Contudo, a decisão deixou de esclarecer em que medida os critérios adotados pela Fiscalização e pelo recorrente, respectivamente, dissentiam e concordavam com 1 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (NR) Fl. 543DF CARF MF 4 os fundamentos dos acórdãos adotados como fundamentação e com a orientação do Ajuda do DACON. Ao omitir esses fundamentos, a decisão cerceia o direito de defesa da Fazenda Nacional e obstaculiza eventual recurso contra ela. O vício reclama saneamento. Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RI CARF, acolho os embargos interpostos, para que o Colegiado 3402 colmate a lacuna de fundamentação, esclarecendo em que medida os cálculos do contribuinte estão corretos. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Tomase conhecimento dos embargos admitidos pelo Presidente do Colegiado. No presente caso, no que concerne ao método de rateio proporcional dos créditos, o Colegiado assim se pronunciou no acórdão embargado: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: (...) Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, Fl. 544DF CARF MF Processo nº 11070.002348/200971 Acórdão n.º 3402004.327 S3C4T2 Fl. 543 5 despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. (...) Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) Fl. 545DF CARF MF 6 No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon MensalSemestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa das contribuições, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. I) no caso do Regime NãoCumulativo: a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11070.002348/200971 Acórdão n.º 3402004.327 S3C4T2 Fl. 544 7 Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. (...) Na leitura dos trechos acima do acórdão embargado, restou evidenciada a delimitação da lide no seguinte sentido: A fiscalização rejeitou o método de rateio utilizado pela contribuinte, pois entendia que: i) não caberia a alocação dos créditos pelo método da proporcionalidade no caso de contribuinte com a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da Cofins como a contribuinte; e ii) o rateio proporcional dos créditos só se aplicaria aos custos, despesas e encargos comuns, mas não aos custos, despesas e encargos específicos, para os quais seria cabível a apropriação direta De outra parte, entendia a recorrente que a legislação vedaria a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela Fl. 547DF CARF MF 8 fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos. Também se depreende dos trechos transcritos acima que, entre os dois posicionamentos, o Colegiado optou pelo da contribuinte, adotando, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os mesmos fundamentos dos Acórdãos nºs 3202001.618 e 330201.339 e da orientação constante no Dacon, todos devidamente transcritos no acórdão embargado, os quais traziam, em síntese, os seguintes ensinamentos: A interpretação do art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003 em conjunto com o art. 3º , §§ 8º e 9º dessa Lei é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação. A apuração do crédito vinculado à receita de exportação por um sistema híbrido parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional não encontra respaldo legal, pois são claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Método de Determinação dos Créditos2 "I) no caso do Regime NãoCumulativo" > b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação: Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida. Conforme também consta ao final da orientação do Dacon, deve selecionar também a opção b.2) "a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação". Dessa forma, o Colegiado refutou motivadamente a decisão da fiscalização que rejeitou o método de rateio da contribuinte, não assistindo razão à embargante na alegação de que o Colegiado não teria utilizado de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. Muito menos ainda poderia prosperar a assertiva da embargante de que o Colegiado teria concluído que a contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Nesse ponto, há que se esclarecer à embargante que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne na aceitação do método do rateio proporcional para a apropriação dos créditos, tendo sido as glosas expressamente contestadas objeto de análise na parte restante do acórdão embargado. Também não se observa nesta parte do Acórdão recorrido cerceamento no direito de defesa da Fazenda Nacional, vez que o posicionamento do Colegiado restou devidamente fundamentado dentro da delimitação da lide posta no recurso voluntário, mormente quando a fiscalização pouco havia discorrido sobre a razão de seu entendimento para não aceitar o rateio proposto pela contribuinte. Conforme assentado na jurisprudência, a omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Assim, entendo que não restou caracterizada a omissão apontada pela embargante e voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. (assinatura digital) 2 Ajuda do programa Dacon MensalSemestral 2.6 Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11070.002348/200971 Acórdão n.º 3402004.327 S3C4T2 Fl. 545 9 Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720488/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO.
Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetem-se à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo.
Numero da decisão: 2401-005.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o imposto apurado sobre os juros. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO. Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetemse à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 04 88 /2 00 9- 10 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 368 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial, para excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o imposto apurado sobre os juros. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 369 3 Relatório IVAN NOGUEIRA BRANDAO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1526.063/2011, às efls. 138/144, que julgou procedente em parte o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da classificação indevida de rendimentos na DIRPF, em relação aos exercícios 2005, 2006 e 2007, conforme peça inaugural do feito, às efls. 02/12, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 05/03/2009 (AR. efl. 36), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes do seguinte fato gerador: a) CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS DA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF. O Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Ordinária do Estado da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/N 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Inconformado com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 148/186, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, preliminarmente pugnando pela nulidade do lançamento pois a União não detém legitimidade para cobrar imposto de renda incidente sobre valores pagos por ente público estadual, o qual deve ser recolhido aos cofres dos Estados, na forma do art. 157, I, da Constituição da República. Alega que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 370 4 indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração. Afirma que o lançamento deveria utilizar as tabelas e alíquotas da época da percepção dos rendimentos, considerando os valores outrora recebidos, para daí calcular o imposto devido, procedimento que não foi observado pela autoridade fiscal. Aduz ter a fiscalização utilizado como base de cálculo todo o valor percebido a título de diferença de URV (principal, correção monetária e juros de mora), quando é cediço na jurisprudência pátria que os juros de mora não estão submetidos ao campo de incidência do imposto de renda, por terem caráter indenizatório. Explicita ser incabível a aplicação da multa de ofício sobre o imposto lançado, pois o contribuinte agiu de boafé, de acordo com a Lei do Estado da Bahia nº 8.730/2003, que asseverou que os rendimentos controvertidos eram isentos do imposto de renda. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Em 16 de abril de 2012, a 2° Turma Ordinária da 1° Câmara, entendeu por bem julgar procedente o recurso, exonerando o crédito tributário, por entender não tratar de verba de natureza salarial, estando afastada a incidência do imposto de renda, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 210201.931/2012, de efls. 189/197, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos membros da magistratura local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 371 5 STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros da magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão acima, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, os quais não foram admitidos, e posteriormente Recurso Especial, às efls. 254/293, pleiteando a manutenção do lançamento, e conseguinte reforma da Decisão. Por sua vez, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu por bem julgar procedente o recurso especial da fazenda para considerar as verbas recebidas a título de "Valores Indenizatórios da URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de imposto de renda, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 9202004.194/2016, de efls. 342/356. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o Relatório. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 372 6 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Tratase de retorno dos autos da Câmara Superior para análise das demais questões constantes do Recurso Voluntário não apreciadas na primeira oportunidade, tais como: ilegitimidade ativa da União, ilegitimidade passiva e exclusão da multa de ofício por erro escusável. Vale salientar que já houve despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil no sentindo de recalcular o imposto de acordo com Parecer PGFN/CRJ/N 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009 (regime de competência), no Também é imprescindível mencionar que não iremos adentrar ao mérito quanto a natureza da verba, e conseqüente, incidência do Imposto de Renda, pois esta matéria já fora tratada em oportunidade pretérita, bem como no Acórdão do Recurso Especial. PRELIMINARES ILEGITIMIDADE DA UNIÃO A competência tributária é o poder constitucionalmente atribuído aos entes federados para editar leis que instituam tributos. Compreende dois poderes: o poder de instituição de tributo e o poder de cobrança do mesmo. Para o imposto de renda, a competência tributária é estabelecida pela Constituição Federal/1988 no seu art. 153: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; [...] (grifamos) Assim, é da União a competência tributária plena para instituir, arrecadar, fiscalizar e executar o imposto de renda. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 373 7 Por sua vez, o art. 157, inciso I, da Constituição Federal de 1988, promove a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, determinando, no caso, que aos estados membros pertence o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. Nesta seara, destacase o parágrafo único, do art. 6° do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 6º A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Assim, a repartição da receita em nada afeta a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, inciso III, da Constituição Federal. Por esta razão, rejeitase a alegação de ilegitimidade ativa da União reclamada pelo contribuinte MÉRITO Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo nos artigos 1o a 3°, e §§, da Lei n° 7.713/1988, dentre outros, os quais contemplam a presunção de omissão de rendimentos caracterizada, in casu, pela classificação indevida de rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia como isentos e não tributáveis na DIRPF, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em relação aos exercícios 2005, 2006 e 2007. Com mais especificidade, relata a autoridade lançadora no Auto de Infração, às efls 03/12, que o Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Ordinária do Estado da Bahia (enfatizase: uma Lei Estadual) n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são considerados isentos os valores recebidos a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 374 8 previstos no art. 43 do CTN, bem como a não incidência sobre os juros e a exclusão da multa de ofício. Como já dito anteriormente, encontrase em discussão apenas a manutenção ou exclusão da multa de ofício, bem como a incidência do imposto sobre os juros, o que faremos a seguir: MULTA DE OFÍCIO Refere à incidência da multa de ofício, impõese reconhecer que o autuado incorreu em erro escusável ao classificar os rendimentos em questão como isentos e não tributáveis, dado o teor das informações que lhe foram disponibilizadas pela fonte pagadora. Desse modo, afasto a penalidade aplicada, conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, também já enunciada em súmula, de observância obrigatória, conforme art. 72 do Regimento Interno do CARF: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. INCIDÊNCIA DO IR SOBRE OS JUROS RECEBIDOS O Recorrente ainda, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 375 9 Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Ainda em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios é importante destacar que o STJ, no RESP 1.227.133, fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil, já se manifestou no seguinte sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente Nesse contexto, tendo em vista a determinação contida no artigo 62, § 2º do RICARF, essa decisão deve ser aqui reproduzida, tendo em vista que, a meu ver, como a verba principal não é tributada pelo IRPF os juros sobre ela incidente também não o são. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, inclusive a nulidade do lançamento, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, no mérito, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância e pelo Colegiado deste Tribunal na primeira oportunidade. Reitero que deva ser observada o calculo por competência conforme diligência fiscal e decisão em recurso Repetitivo do STJ. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 376 10 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar as preliminares, e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir a multa de ofício e a incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 377 11 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do ilustre Conselheiro Relator somente no tocante a incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios. Sobre a tributação dos juros de mora incidentes sobre verbas trabalhistas, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, trata da matéria nos artigos 43, §3°, art. 55, XIV, art. 56 e art. 640, conforme transcrição abaixo: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) §3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).(grifei) Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIVos juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;(grifei) Art.56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Art.640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 378 12 mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 3º). Entretanto, é forçoso observar que a questão foi levada ao judiciário. Em 28/09/2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou o Recurso Especial (REsp) nº 1.227.133/RS, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), o qual restou assim ementado: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CP, improvido”. Devido à identificação de erro material na ementa do acórdão, os embargos declaratórios apresentados pela Fazenda Nacional foram parcialmente acolhidos, retificandose a ementa para: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CP, improvido." A teor do disposto no artigo 62, §1º do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, tratase de decisão de aplicação obrigatória por este Colegiado. Posteriormente, em 10 de outubro de 2012, a 1ª Seção do STJ julgou o REsp nº 1.089.720/RS, oportunidade em que sedimentou e esclareceu a correta forma de aplicação da matéria decidida no REsp nº 1.227.133/RS. A decisão caminhou no sentido da incidência do IRPF sobre os juros moratórios como regra geral, apesar de sua natureza indenizatória e mesmo quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, pontuandose apenas duas exceções: 1) os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR; e 2) os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. A ementa do citado Recurso Especial trouxe a seguinte redação: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N.1.227.133 – RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 379 13 ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR”. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel.p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Portanto, como regra, incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506, de 1964, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas. Entretanto, segundo a jurisprudência do STJ, ocorre a isenção do art. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10580.720488/200910 Acórdão n.º 2401005.034 S2C4T1 Fl. 380 14 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 1988, quando houver a perda de emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quando os juros incidentes sobre as verbas não isentas. No caso, como já apontado, tratase de verbas decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente e que estão sujeitos à incidência de IR. Assim, os juros vinculamse à regra de tributação incidente sobre o rendimento do qual são consectários, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64. Portanto, correta a exigência de IR sobre os juros moratórios vinculados aos rendimentos acumulados recebidos pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912117/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.831
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 17 /2 01 2- 61 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912117/201261 Acórdão n.º 3301003.831 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.858, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912117/201261 Acórdão n.º 3301003.831 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912117/201261 Acórdão n.º 3301003.831 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912117/201261 Acórdão n.º 3301003.831 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912117/201261 Acórdão n.º 3301003.831 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912117/201261 Acórdão n.º 3301003.831 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912117/201261 Acórdão n.º 3301003.831 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912117/201261 Acórdão n.º 3301003.831 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13606.000060/95-17
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - CONTRADIÇÃO - Havendo contradição entre o fundamento de decidir e o dispositivo da decisão, cabem embargos de declaração para retificar o Acórdão, inclusive, com efeitos infringentes.
ITR - BASE DE CÁLCULO - Havendo retificação da área
aproveitada, por conta de serem consideradas as provas apresentadas no curso do processo, deve ser retificado o Grau de Utilização, na forma prevista no parágrafo único do art. 4° da Lei 8.847/94.
ITR - NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO - DATA DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO - Nos lançamentos por declaração, o prazo para pagamento será de 30 (trinta) dias a contar da data em que se considerar o sujeito passivo regularmente notificado do lançamento, não podendo a autoridade exatora, ao retificar a notificação de lançamento, eleger data de vencimento retroativa.
Embargos de Declaração acolhidos e providos
Numero da decisão: 301-31.131
Decisão: DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes declarou-se impedido.
Nome do relator: Luiz Roberto Domingo
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NORMAS PROCESSUAIS - CONTRADIÇÃO - Havendo contradição entre o fundamento de decidir e o dispositivo da decisão, cabem embargos de declaração para retificar o Acórdão, inclusive, com efeitos infringentes. ITR - BASE DE CÁLCULO - Havendo retificação da área aproveitada, por conta de serem consideradas as provas apresentadas no curso do processo, deve ser retificado o Grau de Utilização, na forma prevista no parágrafo único do art. 4° da Lei 8.847/94. ITR - NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO - DATA DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO - Nos lançamentos por declaração, o prazo para pagamento será de 30 (trinta) dias a contar da data em que se considerar o sujeito passivo regularmente notificado do lançamento, não podendo a autoridade exatora, ao retificar a notificação de lançamento, eleger data de vencimento retroativa. Embargos de Declaração acolhidos e providos Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: VALMAR FONSÊCA DE MENEZES. DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes declarou-se impedido. LUIZ ROBERTO DOMINGO Relator Formalizado em: r15 JUL tÕ05 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Carlos Henrique Klaser Filho, Atalina Rodrigues Alves, José Luiz Novo Rossari e Helenilson Cunha Pontes (suplente). hf EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.131 Processo N° 13606.000060/95-17 Recurso N° 122.151 Embargante VALMAR FONSÊCA DE MENEZES RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo Eminente Conselheiro Va1mar Fonsêca de Menezes, no qual alega ter havido contradição no Acórdão nO.301-31.131, de 16 de abril de 2004, que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte (Interessada), mas cujo fundamento do decisum implicaria a decisão favorável ao Recurso. Alega o Embargante que: "Trata-se de acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário, veiculando a seguinte ementa: 'ITR. - BASE DE CÁLCULO - A base de cálculo do ITR é a área aproveitáve1, assim considerada a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas de preservação permanente, área de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas e as reflorestadas com essências nativas ou exóticas, ex vi, art. 4° da Lei n° 8.847/94. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO.' Pois bem, apesar do douto entendimento do Conselheiro Relator, acompanhado pela Câmara, o acórdão cuidou de apreciar a aplicação da alíquota devida a partir da interpretação dos artigos 4° e 5° da Lei n° 8.847/94, em face da consideração ou não das áreas consideradas como de preservação permanente, de reserva legal. A parte final do acórdão está assim colocada: 'Portanto, excluída a área de reserva legal, a área aproveitável deve ser levada em consideração para o cálculo da alíquota, na forma requerida pela Recorrente, implicando a utilização da alíquota de 1% da Tabela anexa à Lei n°. 8.847/94. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. ", Entende que por conta da admissão da área de reserva leg271l,seria necessário fazer re~ercutir tal exclusão no Grau de Utilização. E o relatório. 2 • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.131 Processo N° 13606.000060/95-17 Recurso N° 122.151 VOTO Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator . Por entender que o v. Acórdão realmente apresenta contradição, acolho os embargos de declaração e passo a apreciar a questão levantada. Revisando todo o processo administrativo, verifico que houve retificação da declaração apresentada pela Contribuinte, em 23/08/95, sendo que a Notificação de Lançamento expedida em 22/09/95 não a considerou. Tal fato foi reconhecido pela DRJ - Belo Horizonte/MG, a qual mandou expedir nova Notificação sem considerar que a Declaração Retificadora menciona área de reserva legal que deveria ter sido excluída da base de cálculo do ITR. Analisei a questão no Acórdão recorrido, da seguinte forma: "O ITR incide sobre toda a área da propriedade, excluída as isentas, previstas no art. 11 da Lei 8.847/94, que dispõe: 'Art. 11 São isentas do imposto as áreas: I- de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989; H - de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarados por ato do órgão competente - federal ou estadual - e que ampliam as restrições de uso previstas no inciso anterior; IH - reflorestadas com essências nativas. (destaque nosso)' Além disso, ainda nesse contexto, a IN SRF n° 256/02, traz em seu art. 9°, inciso H o seguinte: 'Art. 9° Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: H - de reserva legal; d .- 3 .' EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.131 Processo N° 13606.000060/95-17 Recurso N° 122.151 E mais, a área de reserva legal vem assim definida na mesma Instrução Normativa: Art. 11. São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. É de rigor, que as áreas consideradas não-tributáveis, cuja área de reserva legal a ela esta compreendida, para que sejam excluídas do valor a ser tributado, devem ser obrigatoriamente averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, na época de ocorrência do fato imponível. Apresenta-se evidente que, excluída a área de reserva legal da base de cálculo do ITR, o cálculo do índice de utilização cumpre a mesma metodologia, ou seja, "a alíquota correspondente ao percentual de utilização efetiva da área aproveitável do imóvel rural, nos termos do art. 5°. da Lei n°. 8.847/94: "Art. 5° Para a apuração do valor do ITR, aplicar-se-á sobre a base de cálculo a alíquota correspondente ao percentual de utilização efetiva da área aproveitável do imóvel rural considerado o tamanho da propriedade medido em hectare e as desigualdades regionais, de acordo com as Tabelas I, II e III, constantes do Anexo L" Para efeitos de ITR, área aproveitável é, nos termos do art. 4°, Conforme segue: Art. 4° Para os efeitos desta Lei considera-se: I - área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ... b) de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas e as reflorestadas com essências nativas ou exóticas; c) ... II - área efetivamente utilizada: a) plantada com produtos vegetais e a de pastagens Planta~ 4 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.131 Processo N° 13606.000060/95-17 Recurso N° : 122.151 b) a de pastagens naturais, observado o índice de lotação por zona de pecuária fixado pelo Poder Executivo; c) a de exploração extrativa, observados o índice de rendimento por produto, fixado pelo Poder Executivo, e a legislação ambiental; d) a de exploração de atividade granjeira e aqüícola;< p> e) sob . processos técnicos de formação ou recuperação de pastagens. Parágrafo único. O percentual de utilização efetiva da área aproveitável é calculado pela relação entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável total do imóvel." Portanto, excluída a área de reserva legal, a área aproveitável deve ser levada em consideração para o cálculo da alíquota, na forma requerida pela Recorrente, implicando a utilização da alíquota de 1% da Tabela anexa à Lei n°. 8.847/94. Diante disso, está correta a colocação do Embargante, haja vista que, para apuração da alíquota do ITR deve-se confrontar as "área aproveitável" (que não inclui as áreas de preservação permanente e de reserva legal) com a área "efetivamente utilizada", o que implica no Provimento do Recurso. Outra questão que se avizinha e que apresento de oficio é em relação à irregularidade da Notificação de Lançamento de fls, 37, expedida em 03/03/2000, por conta da Diligência n°. 201-04.818. Ocorre que a notificação de lançamento foi expedida em 03/03/2000, mas com data de vencimento em 20/11/1995. Inicialmente, é importante salientar que, tendo a Delegado de Julgamento da receita Federal em Belo Horizonte decidido pela irregularidade da Notificação de Lançamento inicial (fls. 08), por não ter considerado a Declaração Retificadora apresentada (fls. 06) antes daquele, e a determinação para que fosse expedida nova notificação correta, houve o "cancelamento da Notificação" de fls. 06. Tal fato impõe reconhecer que aquele ato administrativo não continha os requisitos essenciais de validade, não estando habilitado a produzir quaisquer efeitos, em face do apresentar vício insanável. . Quanto à nova Notificação de Lançamento, fls. 37, a autoridade lançadora não faz repercutir o cancelamento da notificação anterior e considera-a para os efeitos do prazo para adimplemento da obrigação, ou seja, mantém no novo lançamento o mesmo vencimento anterior (20/11/1995). O que significa dizer que a 5 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.131 . I Processo N° 13606.000060/95-17 Recurso N° 122.151 notificação de lançamento por declaração foi feita com data de vencimento retroativa. o lançamento por declaração nos termos do Código Tributário Nacional, tem por procedimento duas fases: a primeira, na qual o contribuinte ou terceiro envolvido com a materialidade do tributo presta informações acerca do fato gerador; a segunda, na qual o órgão exator, por seu representante legal, verifica o fato ocorrido, realiza a subsunção à norma jurídica tributária, apura a base de cálculo e sobre ela aplica a alíquota cabível, obtendo o núcleo obrigacional da relação jurídica tributária, constituindo-a por meio da Notificação de Lançamento. Dispõem os artigos 147 e 148 do CTN: "Art. 147 - O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. 9 1° - A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 9 2° - Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Art. 148 - Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos . jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." É importante ressaltar que os lançamentos por declaração podem ser realizados pela autoridade lançadora no prazo de 05 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, CTN), ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte à apresentação da declaração do ITR, mas o dever de pagar somente decorre após a regular notificação do contribuinte (art. 145 do CTN). O art. 14 da Lei nO. 8.847/94, determina que o valor do ITR, "apurado em UFIR, poderá ser pago em até seis quotas iguais, mensais e ~suceSSivas, em datas de vencimento a serem fixadas pela Secretaria da Receita Federal." 6 - _-.J EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.131 Processo N° 13606.000060/95-17 Recurso N° 122.151 É certo que a Secretaria da Receita Federal fixou a data para vencimento do ITR o dia 30/06/1995, conforme Instrução Normativa SRF n°. 27, de 22 de maio de 1995, contudo, tal fixação não pode ser aplicável para as Notificações de Lançamento que ocorreram após essa data, pois o contribuinte não estava obrigado a recolher o ITR senão quando regularmente notificado. Ora, a fixação da data do vencimento da obrigação para momento anterior à própria data da emissão da Notificação, cria uma situação teratológica, pela qual o contribuinte já se encontrava em mora, antes mesmo de ser notificado. • • Portanto, ao caso em apreço seria aplicável, desde o início, o prazo mínimo fixado no art. 160 do CTN: "Art. 160 - Quando a legislação tributária não fixar o tempo do . pagamento, o vencimento do crédito ocorre 30 (trinta) dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento." É imprescindível dizer que os juros computados para cálculo do suposto débito constituído, certamente, têm como termo inicial a data do vencimento fixada na notificação. Somente a notificação válida estabelece o liame jurídico obrigacional, antes disso, o contribuinte não terá qualquer outra obrigação tributária. Tendo cumprido a obrigação acessória de prestar as informações requeridas, deve o contribuinte aguardar que a Exatoria notifique-o do quanturn debeetur. Diante do Exposto, DOU PROVIMENTO aos Embargos de Declaração para RETIFICAR o Acórdão nO. 301-31.131, para anular o lançamento por vício formal. 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 13887.000582/2002-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário: 2001
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez.
Numero da decisão: 1802-000.803
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unaminidade votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Nelso Kichel
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COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unaminidade votos, DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Este Marques Lins de Sousa Presidente. (documento asssinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 595DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Gilberto Baptista e Leonardo Henrique Magalhães em substituição ao Conselheiro Alfredo Henrique Rebello Brandão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 460/479 interposto pela contribuinte em face da decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 449/456) que indeferiu solicitação de revisão de despacho decisório que homologara parcialmente compensação até o limite do direito creditório reconhecido (fls.408/423). Quantos fatos, consta dos autos que, em 11/11/2002, a contribuinte protocolou Declaração de Compensação na ARF/Araras/SP (fls.01/02). No caso, foram informados débitos do IRPJ e da CSLL no valor total de R$ 3.596,02, assim especificados: Tributo código 5993 (IRPJ) – PA 30/09/2002 – vencimento 31/10/2002 – valor original do tributo R$ 1.167,34. Tributo código 2484 (CSLL) – PA 30/09/2002 – vencimento 31/10/2002 – valor original do tributo R$ 2.428,68. Origem dos créditos informados na Declaração de Compensação: Saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2001 = R$ 23.831,84; Saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001 = R$ 22.807,33. Ainda quanto aos fatos, consta do Despacho Decisório da DRF/Limeira/SP, de 23/10/2007, que homologou parcialmente a Compensação, o seguinte (fls. 408/423): (...) EMENTA: COMPENSAÇÃO — Comprovada a existência de crédito em favor do contribuinte, é possível a homologação da compensação por ele declarada, até o limite do crédito reconhecido. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO RELATÓRIO Trata o presente processo de declarações de compensação (fls.1 e 18), mediante aproveitamento de R$ 3.596,02 (três mil, quinhentos e noventa e seis reais e dois centavos) oriundo dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 2001 (fls. 2 e 19), no montante de R$ 23.831,84 (vinte e três mil, oitocentos e trinta e um reais e oitenta e quatro centavos) e 22.807,33 (vinte e dois mil, oitocentos e sete reais e trinta e três centavos), respectivamente, assinadas pelo representante legal do contribuinte acima identificado (fl. 34) e protocoladas em 31.10.2002 (fl. 1) e 28.11.2002 (fl. 18). Fl. 596DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000582/200218 Acórdão n.º 1802000.803 S1TE02 Fl. 2 3 (...) Verificado que a compensação declarada no processo 13887.000624/200211 também utilizava este mesmo crédito (fl. 16), aquele processo foi anexado a este (fls. 17 e 33). Os débitos que o contribuinte pretende compensar encontramse cadastrados no Profisc (fl. 36), inclusive o transferido do processo 13887.000624/200211(fl. 35), e estão de acordo com a informação declarada na DCTF (fls. 37 a 39). Não foram encontradas declarações de compensação eletrônicas com a indicação destes processos (fl. 40). FUNDAMENTAÇÃO O contribuinte pretende utilizar parte do saldo negativo de IRPJ e de CSLL apurados no anocalendário de 2001 para compensar débitos próprios. No entanto, foi verificado o aproveitamento de saldos negativos de períodos anteriores para a compensação tanto do IRPJ como da CSLL devida por estimativa nesse anocalendário havendo necessidade de que a análise retroaja ao anocalendário de 1996, primeiro ano em que não houve compensação com saldo negativo de períodos anteriores. SALDO NEGATIVO DE IRPJ (...) Logo o saldo negativo de IRPJ confirmado para o ano calendário de 2001 é de R$ 23.830,65: (...) Porém, este saldo negativo já foi utilizado para compensar parte das estimativas de IRPJ apuradas no período de janeiro a agosto do anocalendário de 2002 (fls. 361 a 368) e o crédito remanescente, passível de ser utilizado para compensação neste processo é de R$ 1.386,61 (fls. 373 a 376). SALDO NEGATIVO DE CSLL Da mesma forma que a apuração do saldo negativo de IRPJ, para se confirmar a existência de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2001 há a necessidade de se retornar ao ano calendário de 1996, primeiro ano em que não houve aproveitamento de saldo negativo de períodos anteriores. (...) Analisandose por fim o anocalendário de 2001, objeto da declaração de compensação tratada neste processo, verificouse a apuração na DIPJ/2002 de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 22.807,33 (fls. 317 a 319): (...) Fl. 597DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Os recolhimentos foram todos confirmados (fl. 337), porém não foi apurado saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2000 para corroborar as compensações indicadas pelo contribuinte e o saldo negativo apurado nos anoscalendário de 1996 a 1999 já foram totalmente consumidos por compensação: (...) É possível a compensação do valor de R$ 0,22 recolhido a maior em fevereiro com parte da estimativa apurada no mês de abril bem como sua dedução, juntamente com os valores efetivamente recolhidos, a título de CSLL mensal paga por estimativa na apuração anual, o que gera saldo negativo de CSLL para o mo calendário de 2001 no valor de R$ 1.592,77: (...) Este saldo negativo de CSLL já foi utilizado pelo contribuinte para compensações durante o anocalendário de 2002 (fls. 401 a 408) e, portanto não há saldo remanescente que permita homologar as compensações declaradas com utilização desse crédito. (...) (...) RECONHEÇO o crédito no valor de R$1.386,61 (um mil, trezentos e oitenta e seis reais e sessenta e um centavos), referente ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001 e HOMOLOGO as compensações declaradas neste processo, até o limite do crédito aqui reconhecido. (...) Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tãosomente quanto ao direito creditório da CSLL, junto à DRJ/Ribeirão Preto (fls. 432/439), aduzindo: (...) 1) O contribuinte e ora recorrente pleiteou através dos processos administrativos ns 13887.000582/200218 e 13887.000624/200211 a compensação de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social s/ o Lucro Líquido CSLL apurados no exercício de 2.002, ano calendário 2.001. 2) — Em relação aos saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e sua utilização para compensação, restaram confirmados pelo R. Despacho Decisório. Entretanto, no caso da Contribuição Social s/ o Lucro Líquido CSLL, embora tenha havido concordância quanto ao saldo negativo apurado, persiste divergência em relação ao entendimento exarado pela Autoridade Administrativa no seu Despacho Decisório quanto ao seu procedimento ao compensar com o saldo apresentado, parcelas que entendeu eram devidas a título de estimativa da CSLL referente ao ano de 1.999, concluindo com isso nada mais restara de saldo para utilização nos anos seguintes. Fl. 598DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000582/200218 Acórdão n.º 1802000.803 S1TE02 Fl. 3 5 (...) que discorda da redução do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001, que implicou inexistência de saldo a compensar com o débito da CSLL informado na Declaração de Compensação, em face da recomposição do saldo negativo da CSLL a partir de 1996; que a divergência reside, em suma, quanto ao anocalendário 1999; que – nesse ano compensou, no período de fevereiro a novembro, um terço da Cofins efetivamente recolhida com débitos de CSLL estimativa, com base no disposto no art. 8°, § 2°, da Lei n.° 9.718, de 1998 e nos arts. 8º e 9º da IN SRF n.° 06, de 1999; que seria descabida a compensação de oficio efetuada pelo Fisco, que utilizou os saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1997 e 1998 para compensação de débitos da CSLL (estimativa) apurados em 1999. Não obstante os argumentos da interessada, a DRJ/Ribeirão Preto indeferiu a solicitação de revisão do despacho decisório, cuja ementa do Acordão transcrevo a seguir (fl. 449): (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos suplementares, sob pena de negativa do pleito. Solicitação Indeferida (...) Ciente dessa dessa decisão em 29/06/2009 (fl.459), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27/07/2009 de fls. 460/479, reproduzindo as razões já aduzidas na instância a quo, adicionando, porém, o seguinte: A questão que subsiste neste tópico, diz respeito saber se por ocasião do encerramento do balanço em 31/12/99, deveria ser considerado como despesa não dedutível, e portanto adicionado à base de cálculo do lucro real, o montante compensado ao longo do ano a título de 1/3 da Cofins sobre as parcelas de estimativa da CSLL (R$ 21.143,26), ou somente 1/3 sobre a CSLL efetivamente devida no período, ou seja, aquela apurada por ocasião do balanço (R$ 206,71). A contribuinte, no caso, defende a segunda a situação. Quanto à revisão da DIPJ 2000, anocalendário 1999, a recorrente alegou decadência do direito do fisco glosar dedução de despesa a título de Cofins que implicou Fl. 599DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 redução da base de cálculo negativa da CSLL (homologação tácita), com base no art. 150, § 4º, do CTN. Ademais, alega a recorrente que todas as provas dos anoscalendário 1999 a 2001 constam dos autos, quanto à base de cálculo negativa da CSLL. É o relatório. Fl. 600DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000582/200218 Acórdão n.º 1802000.803 S1TE02 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ter sido apresentado tempestivamente e por preencher as demais condicões de admissibilidade. A matéria controvertida diz respeito a direito creditório pleiteado a título de CSLL na Declaração de Compensação, protocolada em 11/11/2002 (fls. 01 e 02). A recorrente informou na citada Declaração de Compensação o débito de CSLL no valor de R$ 2.428,68 atinente ao período de apuração 30/09/02, e utilização de crédito, no mesmo valor, cuja origem do direito creditório seria suposto saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001 no valor de R$ 22.807,33; que, na versão da recorrente, o referido saldo negativo existente seria suficiente para extinguir o débito, por compensação. Entretanto, o direito creditório utilizado – para extinguir esse débito da CSLL por compensação não foi reconhecido pela instâncias anteriores de julgamento. O saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001 foi reduzido, de ofício, pela unidade de origem da RFB de R$ 22.807,33 para R$ 1.592,77, conforme Despacho Decisório (fls. 408/423); que, além disso, esse valor remanescente já havia sido, anteriormente, utilizado pela recorrente em compensação informada em DCTF atinente a outro débito (fl. 401); que a razão da redução do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001, pela DRF de origem, deuse pela recomposição desse saldo a partir do anocalendário 1996. Anocalendário 2001 (saldo negativo de CSLL pleiteado no valor de R$ 2.428,68): Nesse particular, consta da Ficha 17 da DIPJ 2002 que a contribuinte teria adimplido débito de CSLL por estimativa no valor de R$ 34.215,24; que – desse valor apenas R$ 13.000,68 foi recolhido em DARF; que a diferença teria sido liquidada mediante compensação pela utilização de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000; que, entretanto, conforme consta do Despacho Decisório, não havia saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000 para ser aproveitado no anocalendário 2001. Então, a compensação de débito de CSLL estimativa do anocalendário 2001 com aproveitamento de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000 não foi acatada pela fiscalização. Logo, tendo a recorrente apurado CSLL no valor de R$ 11.407,91 (na declaração de ajuste anual), e tendo ocorrido recolhimento de CSLL estimativa – em DARF – somente no valor de R$ 13.000,68, restou, por conseguinte, reconhecido apenas saldo negativo da CSLL do próprio anocalendário 2001 de R$ 1.592,77 e que, por sua vez, já havia sido utilizado em outra compensação – cópia de DCTF (fl.401). A propósito, transcrevo, nessa parte, as constatações narradas no Despacho Decisório (fls. 421/422): (...) Fl. 601DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Os recolhimentos foram todos confirmados (fl. 337), porém não foi apurado saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2000 para corroborar as compensações indicadas pelo contribuinte e o saldo negativo apurado nos anoscalendário de 1996 a 1999 já foram totalmente consumidos por compensação: (...) (...) É possível a compensação do valor de R$ 0,22 recolhido a maior em fevereiro com parte da estimativa apurada no mês de abril bem como sua dedução, juntamente com os valores efetivamente recolhidos, a título de CSLL mensal paga por estimativa na apuração anual, o que gera saldo negativo de CSLL para o mo calendário de 2001 no valor de R$ 1.592,77: (...) (...) Este saldo negativo de CSLL já foi utilizado pelo contribuinte para compensações durante o anocalendário de 2002 (fls. 401 a 408) e, portanto não há saldo remanescente que permita homologar as compensações declaradas com utilização desse crédito. (...) Quanto à utilização do saldo negativo de CSLL de R$ 1.592,77 do ano calendário 2001, consta da DCTF (fl. 401) débito da CSLL estimativa de fevereiro 2002 no valor de R$ 2.616,91, o qual foi compensado com esse saldo negativo da CSLL do ano calendário 2001. Crédito utilizado R$ 2.606,91 e, ainda, para completar a liquidação do débito informado, houve recolhimento de R$ 10,00 (DARF). Como demonstrado, o saldo negativo – além de totalmente utilizado – seria ainda insuficiente para quitação do débito informado na DCTF (fl. 401). Anocalendário 2000: Já, com relação ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, rebatendo o fisco, a recorrente alega que seria no valor de R$ 19.882,57, conforme Ficha 17 da DIPJ anocalendário 2000 (fls. 288/290), e que transportara para o anocalendário 2001; que, ainda, esse saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, em parte, teria origem no aproveitamento de saldo negativo de CSLL dos anoscalendário anteriores a 1999 – utilizado para compensação de débitos da CSLL estimativa de 2000 – demonstrativo fl. 420. Anocalendário 1999: Alegou a recorrente que autoridade fiscal, indevidamente, desfez o saldo negativo de CSLL que havia sido transportado dos anoscalendário anteriores a 1999, para 2000 e 2001; que, nesse sentido, o fisco utilizou, de ofício, o referido saldo negativo da CSLL dos períodos anteriores a 1999 para compensar débitos de CSLL estimativa de 1999, em aberto, impactando os anoscalendário 2000 e 2001; que, entretanto, esses débitos de 1999 já haviam sido quitados pela utilização de 1/3 da Cofins efetivamente paga nesse ano; que em relação a tais estimativas de CSLL teria ocorrido duplicidade de quitação. Por isso, da inexistência, nessa parte, de saldo negativo de CSLL dos anos caléndário anteriores a 1999 para ser transportado para os anos seguintes. Quanto ao mérito, compulsando autos, observase que o fisco, consoante Despacho Decisório de 23/10/2007 (fls. 408/423), realmente efetuou a análise do saldo Fl. 602DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000582/200218 Acórdão n.º 1802000.803 S1TE02 Fl. 5 9 negativo da CSLL do anocalendário 2001, retroagindo até o ano de 1996 (ano em que começou a ser gerado o saldo negativo de CSLL). Entretanto, informa o Despacho Decisório que houve ajustes, de ofício, tão somente partir do anocalendário 1999, os quais consumiram todo o saldo negativo de CSLL de anoscalendários anteriores, impactando, por conseguinte, os anoscalendários posteriores. A decadência suscitada não restou configurada, pois o controle do crédito (saldo negativo de CSLL), que vinha sendo transportado de um anocalendário para outro, de forma suscessiva por diversos anos, configura espécie de conta corrente e, nesse caso, incabível objetar data limite para análise da certeza e liquidez do crédito pleiteado contra o fisco. O tempo, em suma, não tem o condão de converter falta pagamento em recolhimento, para efeito de repetição do indébito. De modo que, para resolução da lide, tornase necessário enfrentar a questão dos débitos da CSLL estimativa do anocalendário 1999 e suas implicações. A recorrente alega que débitos de CSLL estimativa, parte deles, foram adimplidos, mediante aproveitamento de crédito, em valor equivalente a 1/3 da Cofins efetivamente recolhida no anocalendário 1999. Por sua vez, a autoridade fiscal entendeu que os débitos de CSLL estimativa compensados com créditos da Cofins não foram adimplidos validamente, uma vez que a contribuinte não poderia ter utilizado 1/3 da Cofins, e que tais débitos, por conseguinte, estariam em aberto. Nesse sentido, a autoridade fiscal utilizou, de ofício, do saldo negativo de CSLL disponível de períodos anteriores a 1999 para extinção dos débitos em aberto da CSLL estimativa de 1999 (compensação de ofício). Nessa parte, transcrevo as constatações narradas no Despacho Decisório (fls. 417/419): (...) Para o anocalendário de 1998, houve a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 23.537,23 após a dedução dos valores devidos por estimativa (fls. 242 e 243): (...) (...) O saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 1997 corrobora as compensações informadas pelo contribuinte (fls. 381 a 384), mas em relação à compensação com pagamento indevido/a maior o recolhimento de R$ 28,04 não foi indevido, tanto que foi deduzido na apuração anual do anocalendário de 1997. Assim, o saldo negativo de CSLL confirmado será inferior ao apurado pelo contribuinte na DIPJ/1999 exatamente em R$ 28,04: (...) Fl. 603DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 No anocalendário de 1999, houve a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 11.273,98 (fls. 262 e 263): (...) O valor da estimativa apurada foi paga ou compensada com saldo negativo de períodos anteriores, de acordo com a informação declarada em DCTF (fls. 275 a 286), sendo que os pagamentos foram todos confirmados (fl. 286): (...) Tanto na apuração anual como no cálculo do valor devido mensalmente por estimativa, foi deduzido um terço da Cofins, conforme disposto na Lei n.° 9.718/98 (fl 274). Considerando que o valor total de Cofins recolhido referente ao ano calendário é de R$ 74.603,40 (fl. 385) e que na DIPJ/2000 foram deduzidos R$ 73.509,79 na apuração do lucro líquido do período (fl. 107), somente R$ 1.093,61 poderiam ser deduzidos dentro da permissão contida na Lei n.° 9.718/98. Assim, todo o saldo negativo de períodos anteriores foi utilizado para a compensação dos valores devidos por estimativa neste ano (fls. 386 a 392), sendo que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 também já foi totalmente consumido para compensação no processo administrativo n.° 13887.000100/0060 (fls. 393 a 398). No anocalendário de 2000, o saldo negativo de CSLL apurado foi de R$ 19.882,57 (fls. 288 a 290): (...) Do valor da CSLL mensal devida por estimativa apurada na DIPJ/2001 (fls.292 a 303) foi declarado na DCTF que uma parcela foi compensada com saldo negativo de períodos anteriores (fls. 291 e 304 a 314) quando não há mais crédito remanescente, conforme demonstrado anteriormente. Em relação à parcela indicada como tendo sido quitada por pagamento, todos eles foram confirmados (fl. 315): (...) Como não há crédito que corrobore as compensações informadas pelo contribuinte, já que os saldos negativos remanescentes dos anoscalendário de 1996,1997 e todo o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998 foram utilizados para a compensação das estimativas efetivamente devidas no anocalendário de 1999 e o saldo negativo de CSLL desse último período foi totalmente consumido no processo administrativo n.° 13887.000100/0060 a única parcela que o contribuinte poderia ter deduzido seria a referente aos recolhimentos, que totalizaram R$ 15.280,06. Como o valor da CSLL devida no ano é superior aos recolhimentos, não há saldo negativo de CSLL para o ano calendário de 2000: (...) Por sua vez, a contribuinte reitera que a CSLL devida por estimativa do ano calendário 1999 foi extinta, em parte, pela compensação com 1/3 (um terço) da Cofins, e que, nessa parte, o fisco no Despacho Decisório não acatou tal compensação, objetando que os débitos da CSLL estimativa estariam em aberto, utilizando, por conseguinte, de ofício, todo o saldo negativo de CSLL de períodos anteriores para quitação desses débitos de CSLL estimativa do anocalendário 1999; que, no caso, tal procedimento do fisco teria gerado duplicidade de quitação desses débitos. Fato que impactou, indevidamente, o anocalendário 2000 e os anoscalendário seguintes, no que concerne ao saldo negativo de CSLL Fl. 604DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000582/200218 Acórdão n.º 1802000.803 S1TE02 Fl. 6 11 A decisão recorrida, também, não reconheceu o direito creditório pleiteado, porém por outra razão; reconheceu que a autoridade fiscal não poderia olvidar ou obliterar a compensação com 1/3 da Cofins; entretanto, não concedeu o crédito pleiteado por inexistir prova nos autos de liquidez e certeza dos saldos negativos de 1999 a 2001. Nesse sentido, trancrevo excerto do voto condutor da decisão recorrida, in verbis (fl. 455/456): (...) A recorrente sustenta que, na apuração do saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1999, a autoridade fiscal teria se equivocado ao glosar as compensações efetuadas pelo contribuinte, que se utilizou de créditos decorrentes do disposto nos arts. 7º e 9° da Lei n° 9.718, de 1998 (um terço da Cofins recolhida), para compensação com débitos de CSLL calculada por estimativa (a/c 1999). No despacho decisório recorrido, à fl. 411, a autoridade fiscal assim informa: "Tanto na apuração anual como no cálculo do valor devido mensalmente por estimativa, foi deduzido um terço da Cofins, conforme disposto na Lei n° 9.718/98 (fls. 264 a 274). Considerando que o valor total de Cofins recolhido referente ao anocalendário de 1999 é de R$ 74.603,40 (fl. 385) e que na DIPJ/2000 foram deduzidos R$ 73.509,79 na apuração do lucro líquido do período (fl. 107), somente R$ 1.093,61 poderiam ser deduzidos dentro da permissão contida na Lei n° 9.718/98. Assim, todo o saldo negativo de períodos anteriores foi utilizado para a compensação dos valores devidos por estimativa neste ano (fls. 386 a 392), sendo que o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 também já foi totalmente consumido para compensação no processo administrativo n° 13887.000100/0060 (fih. 393 a 398)." Nesse particular, parcial razão assiste ao contribuinte. A legislação de regência referenciada contempla um permissivo (compensação de 1/3 da Cofins recolhida com débitos de CSLL) e uma vedação (utilização de valores assim compensados para dedução na determinação do lucro real). No caso, a interessada fez uso dessa faculdade legal ao longo do ano de 1999, em aparente regularidade, tendo posteriormente deduzido valores indevidos na determinação do lucro real. E que, tendo recolhido R$ 74.603,40 (fl. 385) a título de Cofins, poderia utilizar até R$ 24.867,80 para compensação com a CSLL devida, nos termos dos arts. 7º e 9° da Lei n° 9.718, de 1998. Tendo efetivamente utilizado R$ 20.936,55, de fevereiro a novembro de 1999, e R$ 206,71 no encerramento do balanço, como constatado pela autoridade fiscal (fl. 419), poderia deduzir até R$ 53.460,14 na apuração do lucro real, conforme cálculo abaixo, tendo, entretanto, declarado valor superior, de R$ 73.509,79 (fl. 106). Fl. 605DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Cofins recolhida R$ 74.603,40 ( ) Cofins compensada (1/3) R$ 21.143,26 (=) Cofins dedutivel (lucro real) R$ 53.460,14 Cofins deduzida (DIPJ/2000) R$ 73.509,79 Resta assim evidenciada inconsistência quanto ao valor da Cofins apropriado na determinação do lucro real (DIPJ/2000, Ficha 07A, Linha 13), mas não quanto à compensação das estimativas mensais de CSLL, como apontado pela autoridade fiscal. Tal constatação, entretanto, não favorece a impugnante, já que, como demonstrado, persiste a ausência de provas quanto à efetividade dos alegados saldos negativos de CSLL, nos anos calendário de 1999 a 2001, o que compromete a demonstração de liquidez e certeza dos supostos indébitos. Por fim, a interessada sustenta que, mesmo prevalecendo o entendimento da autoridade fiscal, os valores compensados a título de estimativas de CSLL aumentariam o saldo negativo da CSLL (a/c 1999) em R$ 19.842,94, resultando em total de R$ 31.116,92. Tal alegação não prospera, já que as estimativas de CSLL declaradas em DIPJ e DCTF foram consideradas pela autoridade fiscal na apuração do saldo negativo da contribuição, no a/c 1999, como evidencia a apuração de fl. 419. (...) No caso, como demonstrado, a recorrente somente poderia deduzir como despesa de Cofins na apuração do Lucro Real a diferença entre a Cofins efetivamente recolhida e a Cofins utilizada na compensação da CSLL devida por estimativa, ou seja, R$ 53.460,14 (R$ 74.603,40 – R$ 21.143,26). Entretanto, a recorrente deduziu, praticamente, toda a COFINS paga, ou seja, R$ 73.509,79, fato que implicou, por parte da autoridade fiscal, a não aceitação dessa pretensa compensação, na parte relativa à utilização de 1/3 da Cofins para quitação de débitos da CSLL devida por estimativa. A glosa do crédito de 1/3 da Cofins foi para evitar utilização em duplicidade pelo contribuinte do mesmo crédito nos âmbitos da CSLL e do IRPJ. A propósito, no anocalendário 1999 a contribuinte informou débitos da CSLL estimativa no valor de R$ 32.210,53; houve pagamento por DARF de apenas R$ 110,00; houve compensação R$ 20.936,55 (aproveitamento de 1/3 da Cofins), e a diferença de R$ 11.163,98 foi compensada com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores (fls. 419/420). Porém, a contribuinte abandonou a compensação com 1/3 da Cofins, fazendo a dedução, na base de cálculo do IRPJ (Lucro Real), de toda a Cofins paga, inclusive, da que utilizara para compensar débitos da CSLL estimativa, descumprindo a legislação de regência. Em face disso, a autoridade fiscal não considerou válida a pretensa compensação de débitos da CSLL estimativa de 1999 no valor de R$ 20.936,55 com 1/3 da Cofins. Fl. 606DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000582/200218 Acórdão n.º 1802000.803 S1TE02 Fl. 7 13 De modo que – para não permanecer em aberto o débito da CSLL estimativa de 1999 – a fiscalização, de ofício, utilizou – para tal quitação – o saldo negativo da CSLL de períodos anteriores, fato que impactou, por conseguinte, os anoscalendários seguintes, culminando na redução do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001 de R$ 22.807,33 para R$ 1.592,77. Como demonstrado, diversamente do alegado pela recorrente, não houve quitação em duplicidade da CSLL estimativa do anocalendário 1999. Muito pelo contrário, o débito persiste em aberto, pois a indigitada compensação – utilização de 1/3 da Cofins foi abandonada pela própria recorrente antes do procedimento da fiscalização. Nesse sentido, a contribuinte no final do anocalendário 1999, ao abandonar a compensação dos débitos da CSLL estimativa com 1/3 da Cofins, deduziu, integralmente, tal crédito ou despesa de Cofins na base de cálculo do IRPJ (Lucro Real). Para ser mais preciso, a contribuinte só não apropriou como despesa do IRPJ o valor da Cofins de R$ 1.093,61. É vedado utilizar, em duplicidade, o mésmo crédito da COFINS. Por conseguinte, os débitos da CSLL estimativa, relativos à malograda compensação com 1/3 da Cofins, ficaram em aberto. Menos mal, não foi gerado saldo negativo de CSLL nessa parte, pois, apenas para argumentar, mesmo que tal compensação fosse aceita não poderia gerar saldo negativo de CSLL, por vedação legal. Aliás, a própria contribuinte, ciente disso tudo, sequer levou tal malograda compensação à declaração de ajuste anual. Na verdade, a contribuinte no final do anocalendário 1999, quando constatou que o valor apurado da CSLL (ajuste anual) foi irrisório, muito inferior ao valor da CSLL apurado por estimativa, e que tal compensação com 1/3 da Cofins geraria, integralmente, saldo negativo, o qual – nessa parte relativa a 1/3 da Cofins – é vedado o seu aproveitamento nos períodos de apuração posteriores, caso fosse levado à declaração de ajuste, decidiu, então, deduzir integralmente o valor correspondente a 1/3 da Cofins como despesa na apuração da base de cálculo do IRPJ reduzindo o imposto a pagar, e evitando a geração de saldo negativo da CSLL que seria inaproveitável, nessa parte relativa à Cofins (abandono da compensação). A propósito, estatuem os §§ 3º e 4º do art. 8º da Lei nº 9.718/98: Art. 8º Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. § 1º A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º A compensação referida no § 1º: (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 607DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüente. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (grifo meu) Então, não foi só a fiscalização que não acatou a alegada compensação que teria utilizado 1/3 da Cofins para pagamento da CSLL devida por estimativa de 1999, pois a própria contribuinte, muito antes, já havia abandonado a compensação, se subtraído ou se desvinculado do disposto nos §§ 3º e 4º do art. 8º da Lei nº 9718/98 e deduzido o respectivo valor da Cofins – que teria sido utilizado para compensação com a CSLL devida por estimativa como despesa na apuração do Lucro Real. Logo, essa situação implicou existência de débitos em aberto da CSLL estimativa do anocalendário 1999. No caso, poderia ser questionado se foi legal, ou não, a conduta da contribuinte de abandonar a compensação de 1/3 da Cofins, ao subtrairse do disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 8º da Lei nº 9.718/98, uma vez que optara pela dedução de 1/3 da Cofins na quitação de débitos de CSLL devida por estimativa, porém, no final do exercício, desistiu dessa dessa compensação que efetuara, promovendo a dedução desse valor como despesa na apuração do IRPJ. Entendo que, sem delongas, essa questão restou superada, na medida em que o próprio fisco aceitou a dedução da respectiva Cofins como despesa no IRPJ, objetando, em contrapartida, a existência de débitos em aberto do período, a título de CSLL estimativa. Apropósito, a própria autoridade fiscal compensou, de ofício, tais débitos em aberto de CSLL estimativa de 1999 com créditos da contribuinte, utilizando o saldo negativo de CSLL de anoscalendário anteriores. Porém, o procedimento da autoridade fiscal merece reparo. Após encerrado o anocalendário de 1999, não há como exigir débito em aberto de CSLL estimativa desse anocalendário; deve prevalecer a CSLL apurada na declaração de ajuste do anocalendário 1999. Assim, o fisco já não poderia exigir os débitos de CSLL devidos por estimativa em aberto. No caso, seria cabível, apenas, a exigência de multa isolada por descumprimento do dever legal de antecipar CSLL devida por estimativa. Porém, tal multa não foi aplicada. Por conseguinte, não tem efeito a compensação de ofício efetuada pela autoridade fiscal. O crédito utilizado pela recorrente, objeto da Declaração de Compensação, suficiente para quitação do débito da CSLL, é R$ 2.428,68. Logo, o direito creditório objeto da lide é R$ 2.428,68, quanto ao anocalendário 2001. Fl. 608DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13887.000582/200218 Acórdão n.º 1802000.803 S1TE02 Fl. 8 15 Discordo da decisão recorrida que inexiste nos autos documentos contábeis, de suporte, que pudessem comprovar esse direito creditório utilizado, atinente ao saldo negativo da CSLL que vinha sendo transportado dos anoscalendário 1999 a 2001 nas DIPJ respectivas. Desnecessária tal exigência comprobatória. Entendo que não há que se objetar falta de certeza e liquidez do crédito da CSLL utilizado na Declaração de Compensação objeto dos autos, pois o próprio fisco, pelo menos nessa parte, atestou a certeza e liquidez do crédito, quando procedeu a compensação de ofício do débito de CSLL estimativa que, como demonstrado nos autos, já era inexigível naquela momento, pois já havia transcorrido o anocalendário de 1999 quando da indigitada compensação de ofício, prevalecendo a CSLL apurada na declaração de ajuste de 1999. Na verdade, como a malograda compensação de débitos de CSLL estimativa com 1/3 da Cofins sequer foi levada à DIPJ 2000, anocalendário 1999, não gerou saldo negativo de CSLL nessa parte (vedação legal). Logo, os débitos de CSLL estimativa, em aberto, não foram utilizados como crédito, nem geram saldo negativo na DIPJ. Ademais, como a compensação de ofício, utilizando crédito de saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, restou indevida, sem efeito, então, toda essa situação é completamente neutra, não afetou o saldo negativo da CSLL do anocalendário 1999 (consumido para compensação no processo administrativo n.° 13887.000100/0060 fls. 393 a 398) e os resultados nas DIPJ dos anos seguintes (o saldo negativo da CSLL de anos anteriores ao anocalendário 1999 restou restabelecido pelo cancelamento da compensação de ofício dos débitos em aberto da CSLL estimativa mensal de 1999, ficando, por conseguinte, não afetado o saldo negativo da CSLL dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 que haviam incorporado tal saldo pelas compensações, em parte, da CSLL estimativa desses respectivos anos, conforme informado nas DIPJ respectivas). Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso, reconhecendo o direito creditório da CSLL de R$ 2.428,68 do anocalendário 2001, utilizado pela recorrente na compensação de débito dessa exação fiscal na Declaração de Compensação objeto dos autos. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 609DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.007183/2006-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/10/2006
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.204
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/10/2006 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 13116.901303/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2005
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.913
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2005 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 13 03 /2 01 2- 38 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901303/201238 Acórdão n.º 3201002.913 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.545, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901303/201238 Acórdão n.º 3201002.913 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901303/201238 Acórdão n.º 3201002.913 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901303/201238 Acórdão n.º 3201002.913 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901303/201238 Acórdão n.º 3201002.913 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901303/201238 Acórdão n.º 3201002.913 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901303/201238 Acórdão n.º 3201002.913 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901303/201238 Acórdão n.º 3201002.913 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901303/201238 Acórdão n.º 3201002.913 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720975/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório e Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 97 5/ 20 12 -8 1 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10830.720975/201281 Resolução nº 2301000.662 S2C3T1 Fl. 350 2 Tratase de recurso voluntário interposto pela Companhia Paulista de Força e Luz interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/Campinas), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A fiscalização lavrou diversos autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiro, além de multas e de juros de mora, sobre as seguintes verbas relativas aos anos de 2007 e 2008: (i) pagamento de participações nos lucros ou resultados (PLR) a dirigentes empregados, por meio de instrumento de acordo individual, sem a participação e o arquivamento no sindicato; (ii) pagamento de gratificação de férias gozadas (“grat. férias ac. coletivo" e “dif. grat. férias ac. coletivo”); (iii) pagamento por serviços prestados por cooperativa de trabalho; (iv) pagamento de licença prêmio a empregados durante a vigência do contrato de trabalho; (v) pagamento a empresário individual – pessoa jurídica, com inscrito no CNPJ, considerado como contribuinte individual pela fiscalização; (vi) pagamento de remuneração indireta a diretores não empregados (aluguel, condomínio e IPTU de imóveis residenciais); (vii) glosa de compensação indevida, por falta de apresentação de documentos comprobatórios, relativa ao processo judicial nº 2000.61.05.0066240; (viii) falta de retenção de contribuição previdenciária sobre serviços prestados por empresa prestadora, os quais foram considerados pela fiscalização como sendo de cessão de mão de obra. A ciência das autuações ocorreu em 05/03/2012 e as exigências fiscais atinentes ao presente processo administrativo são as seguintes: 1) DEBCAD nº 51.011.9514: multa por elaboração de folha de pagamento fora dos padrões exigidos pela legislação previdenciária (CFL 30); 2) DEBCAD nº 51.011.9522: não lançamento de fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios da contabilidade (CFL 34). A Recorrente apresentou impugnação, a qual foi julgada improcedente pela DRJ/Campinas. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Em 16/10/2003, sob a relatoria do Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, o julgamento dos recursos voluntário e de ofício foi convertido em diligência para que se providenciasse certidão judicial e cópia integral do processo judicial nº 2000.61.05.0066240. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10830.720975/201281 Resolução nº 2301000.662 S2C3T1 Fl. 351 3 Em 22/10/2016, agora sob a relatoria do Conselheiro Fábio Piovesan Bozza, o julgamento dos recursos voluntário e de ofício foi convertido em diligência para saneamento das peças dos processos nº 10830.720976/201225, 10830.721197/201247 e 10830.720975/201281, uma vez que documentos de um haviam sido juntados em outro. Pois bem. Tendo agora condições de analisar a acusação fiscal e confrontála com os argumentos de defesa e com as provas produzidas, percebo que os recursos ainda não se encontram em condições de julgamento, havendo questões fáticas que deverão ser previamente dirimidas no processo nº 10830.720976/201225 e que poderão impactar no presente processo, conforme segue. Com relação à glosa de compensação, com a juntada de cópia integral do processo judicial nº 2000.61.05.0066240, é possível verificar que transitou em julgado a decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade da exigência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de autônomos e administradores (art. 3º, I da Lei nº 7.787/89) e considerou indevidos os recolhimentos efetuados a tal título. Eventual compensação do indébito seria efetuada pela Recorrente no âmbito administrativo, mediante controle das autoridades fiscais. A decisão final afastou a prescrição para os recolhimentos devidamente comprovados nos autos. Nesse sentido, há guias de recolhimentos juntadas desde a competência 07/1990. Nos autos dessa ação judicial, foram apresentados cálculos para liquidação da execução dos honorários advocatícios, bem como planilha informando os valores compensados pela Recorrente até 06/2003. Enfim, segundo tal documento – e pelos critérios de atualização utilizados pela Recorrente – em 04/2008 haveria ainda saldo credor no montante de R$ 509.451,91. Tal saldo credor seria próximo aos valores dos débitos compensados em 06/2008 (R$ 429.000,00) e 07/2008 (R$ 99.505,61), exigidos na presente autuação. Todavia, a fiscalização não se pronunciou sobre tais documentos, nem sobre eventuais fatos impeditivos à efetivação da compensação realizada pela Recorrente (por exemplo, a inexistência de saldo credor ou a realização de compensação em outros períodos capaz que esgotar o suposto crédito). Com relação à retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviços, seria também conveniente a manifestação da fiscalização sobre os motivos que levaram a formular exigência fiscal envolvendo o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, considerando apenas os documentos acostados às fls. 40914092. Para os demais prestadores há cópia de contratos e/ou notas fiscais com a descrição dos serviços prestados. Após, abrase vista à Recorrente para se manifestar sobre a informação fiscal, no prazo de 30 dias. É como voto. Fábio Piovesan Bozza –Relator Fl. 351DF CARF MF
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