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Numero do processo: 10845.002534/99-60
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1989 a 30/08/1989
COTA DE CONTRIBUIÇÃO DE CAFÉ. PEDIDO DE
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.497
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Leonardo Siade Manzan, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o
Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 30/08/1989 COTA DE CONTRIBUIÇÃO DE CAFÉ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López e Leonardo Siade Manzan, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Susy Gomes Hoffmann Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Fl. 644DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo Cardozo Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a fim de que seja cassado o acórdão recorrido, com a restauração da decisão de primeira instância. O presente processo administrativo tem como objeto o pedido de restituição (fls. 02/23), por parte do contribuinte, dos valores recolhidos indevidamente, a título de cota de contribuição ao Instituto Brasileiro de Café IBC, nos períodos de janeiro, março a abril e agosto de 1989. Tal tributo veio a ser declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle difuso de constitucionalidade, mais especificamente no RE n° 191.0445/SP. O contribuinte afastou eventual alegação de decadência do seu pleito com fundamento no Parecer COSIT n° 58/98, no sentido de que o prazo decadencial, na hipótese, somente começa a correr quando a decisão tiver efeito “erga omnes”, ou seja, após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição de ato específico do Secretário da Receita Federal. Por outro lado, discorreu sobre o direito à atualização monetária plena dos valores a serem restituídos, com a adoção, para tanto, do IPC, até fevereiro de 1991 (quando deixou de ser divulgado), e do INPC a partir de então. A Delegacia da Receita Federal em Santos (fls. 156/159), norteada pelo Ato Declaratório n° 96/99 do Secretário da Receita Federal, que se baseou no Parecer PGF/CAT/NR 1538/99, no sentido de que o prazo decadencial para o pedido de restituição de tributo pago indevidamente em virtude da posterior declaração de inconstitucionalidade pelo STF extinguese após cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, indeferiu o pedido de restituição. Ofereceuse impugnação (fls. 165/178), reiterandose os argumentos expendidos na peça inicial, agregandolhe repertório jurisprudencial e doutrinário em reforço à sua tese. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (fls. 345/349) manteve a decisão recorrida, sob os mesmos fundamentos naquela ocasião apresentados. Em recurso voluntário (fls. 356/368), o contribuinte, além das alegações já traçadas nos autos, sustentou a sua postulação sob os seguintes argumentos: que, em razão da presunção de legalidade, o prazo decadencial somente poderia terse iniciado quando reconhecido a sua inconstitucionalidade por parte do STF, pois que, até então, o tributo era legitimamente devido; que o entendimento formulado no A.D n° 96/99, que embasou o indeferimento do seu pedido, não é aplicável ao seu caso, tendo em vista que o pedido foi apresentado antes do seu advento, quando a Administração tributária pautavase pelo parecer COSIT n° 58/98; que o tributo em questão era sujeito a lançamento por homologação, de modo que a extinção do crédito somente ocorre após a homologação, expressa ou tácita, do lançamento, operandose, esta, após cinco anos do fato gerador, pelo que a prescrição do Fl. 645DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 642 3 direito de restituição somente teria início, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, cinco anos após a ocorrência do fato gerador; alegou, finalmente, que, tendo em vista que a matéria já se encontra definitivamente solucionada pelo STF, a autoridade administrativa pode e deve dar cumprimento ao entendimento emanado daquela corte. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em acórdão constante de fls. 479/504, reconheceu que, em razão da ausência de manifestação do Secretário da Receita Federal sobre a declaração de inconstitucionalidade por parte do STF, o prazo de cinco anos para o contribuinte pleitear a restituição nem sequer começou a fluir. Deu se provimento, nessa parte, ao recurso interposto pelo contribuinte, ordenandose o retorno dos autos à DRJ de São Paulo para a análise das demais matérias. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, reputando omissa a decisão embargada no que tange à competência do respectivo órgão julgador para analisar o caso, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF, por ter ocorrido em sede de controle difuso, somente teria efeito “inter partes”. Os embargos foram rejeitados por ausência de omissão, repelindose o fundamento da incompetência do Conselho de Contribuintes para a análise do caso (fls. 515/519 dos autos). O recorrente (fls. 520/530), no presente recurso especial, alegou que a decadência é instituto que privilegia a segurança jurídica, não permitindo que situações já consolidadas em razão do grande lapso de tempo decorrido sejam atingidas até mesmo pela declaração de inconstitucionalidade da norma que a embasou. Em contrarazões (fls. 568/587), o contribuinte, além de reiterar os argumentos já feitos nos autos, suscitou a publicação da Resolução do Senado Federal, suspendendo a execução dos art. 2° e 4° do Decreto lei n° 2.295/86, que instituiu o tributo declarado inconstitucional pelo STF; bem como a edição da lei n° 11.051/04, dispensando a constituição de créditos, a inscrição como dívida ativa da União, o ajuizamento da execução fiscal e determinandose o cancelamento do lançamento e da inscrição da cota de contribuição. Defendeu que, segundo o entendimento das turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não obstante a AD SRF n° 96/99, somente a partir da publicação da decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei instituidora de tributo, ou da resolução do Senado, ou ainda do ato administrativo que reconhece o caráter indevido da exação, é que começa a correr o prazo prescricional para se postular a sua restituição. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente Recurso Especial sobre o tema do prazo para repetição do indébito dos tributos julgados inconstitucionais. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 No caso tratase de pedido de restituição de valores que teriam sido indevidamente recolhidos, nos períodos de janeiro, março a abril e agosto de 1989, a título de “quotas de contribuição sobre operações de exportação de café”, em razão de o STF no julgamento do RE nº. 191.0445/SP ter reconhecido a inconstitucionalidade da exigência reinstituída pelo Decretolei nº. 2.295, de 21/12/1986. Pelo que se depreende dos autos, o processo protocolizado em 21/07/1999, fundamentouse em decisão do STF, no julgamento do RE nº. 191.0445SP, que, em controle incidental, decidiu pela inconstitucionalidade1 da exigência reinstituída pelo Decretolei n 2.295, de 21/12/1986. Razão pela qual, devese fixar, de plano, um cronograma do ocorrido, para se ter a correta disposição dos preceitos jurídicos a serem aplicados, em seu devido tempo: 1) janeiro, março, abril e agosto de 1989 – Fatos jurídicos relatados em lançamento por homologação; 2) 21/07/1999 Protocolização do processo administrativo fiscal; 3) 22/06/2005 Resolução publicada pelo Senado Federal revogando os dispositivos legais declarados, via difusa, inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Primeiras colocações A questão em julgamento é simples na colocação e seria simples na resposta se fosse analisada à luz da jurisprudência que já se encontrava pacificada no Superior Tribunal de Justiça e nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais; entretanto, tal tema, tornouse motivo de alteração jurisprudencial do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. E o tema do julgamento está em saber quando termina – e também e por conseqüência – quando se inicia o prazo para a interposição do pedido de restituição de tributos pagos indevidamente, quando a caracterização do pagamento indevido se dá apenas no momento em que o Supremo Tribunal Federal declara, via difusa ou concentrada, a inconstitucionalidade do dispositivo legal que determina a exigência de tal tributo. O fato é que o entendimento deste Tribunal Administrativo, em sede de CSRF, até a presente data, em todas as suas Turmas, que o prazo para o pedido de restituição nos casos de declaração de inconstitucionalidade começaria a fluir da edição da Resolução do Senado nos casos da declaração de inconstitucionalidade na via difusa, ou na data da publicação do Acórdão do Supremo Tribunal Federal nos casos da declaração de inconstitucionalidade pela via concentrada. Porém, em vista da alteração de entendimento trazida pela 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça foi trazido à discussão o tema que está sedimentado neste Tribunal, como se demonstrará nas próximas linhas. Apenas para ilustrar a posição deste Tribunal que, em sede de Câmara Superior de Recursos Fiscais, não alterou o seu entendimento, cito posicionamentos: 1ª. Turma: PIS – BASE DE CÁLCULO – CORREÇÃO MONETÁRIA. Resta pacificado no âmbito do colendo Superior Tribunal de Justiça, assim como neste egrégio Colegiado, tratar 1 Leiase ainda “não recepção”, eis que há fato gerador anterior a CF/88. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 643 5 o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar n. 7/70, de base de cálculo da contribuição ao PIS, não sujeita à correção monetária. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retirou a eficácia da lei declarada inconstitucional (Resolução SF nº 49, publicada em 10/10/95).RECURSO 103128396 julgado em 21/09/2005. 2ª. Turma: PIS – BASE DE CÁLCULO – CORREÇÃO MONETÁRIA. Resta pacificado no âmbito do colendo Superior Tribunal de Justiça, assim como neste egrégio Colegiado, tratar o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar n. 7/70, de base de cálculo da contribuição ao PIS, não sujeita à correção monetária. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição tem como prazo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retirou a eficácia da lei declarada inconstitucional (Resolução SF nº 49, publicada em 10/10/95). RECURSO 201119899 julgado em 24/01/2005. 3ª. Turma:) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Prevaleceu o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interpor o pedido de restituição do Finsocial iniciouse em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995. Os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza que negaram provimento integral ao recurso, sob o entendimento que esse prazo tem como marco final a publicação do Ato Declaratório SRF nº 96, em 30/11/1999. Os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Valmir Sandri negaram provimento ao recurso, entendendo que esse prazo é de 10 (anos), contados da ocorrência de cada fato gerador (tese dos "cinco + cinco"). 2) Pelo voto de qualidade, foi determinado o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal (DRF) de origem, para enfrentamento do mérito, podendo o Contribuinte, se discordar da nova decisão, interpor manifestação de inconformidade dirigida à DRJ, vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marciel Eder Costa, Anelise Daudt Prieto e Valmir Sandri que determinavam o retorno dos autos à DRJ. RECURSO 303127.279 julgado em 12 de novembro de 2007. 4ª. Turma: IRF RESTITUIÇÃO TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PRAZO DE DECADÊNCIA PARA PLEITEAR O INDÉBITO O prazo para o contribuinte pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de Imposto sobre a Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido ILL, instituído pelo artigo 35 da Lei nº 7.713, de 22/12/1988 deve ser contado a partir da data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 82, de 22/11/1996, para as sociedades anônimas, e da IN SRF nº 63, de 24/07/97 (D0U de 25/07/1997), para as demais sociedades, Fl. 648DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 exceto para as empresas individuais. RECURSO 104136954 julgado em 20.03.2007. Entendo apenas que algumas colocações precisam ser trabalhadas E aqui há uma discussão principal anterior ao mérito da questão: i) cabe a este Tribunal Administrativo repetir e seguir todos os entendimentos do Superior Tribunal de Justiça? Registrese que o Tribunal Administrativo não está vinculado às decisões dos Tribunais Judiciais a não ser nos casos em que estes julgam a constitucionalidade das leis. Nos demais casos é prudente que se busque uma harmonização de julgamentos, mas nem sempre isto é possível e, em recentes casos, este Tribunal não seguiu o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, quando, apenas a título de exemplo a 2ª. Turma da Câmara de Recursos Fiscais deixou de aplicar a SELIC para os valores pagos pela SRF nos pedidos de ressarcimento de IPI, caminhando em decisão oposta ao entendimento do STJ que aplica a SELIC nos casos em que há resistência pelo órgão administrativo em reconhecer o direito ao crédito do contribuinte. Portanto, entendo totalmente superada esta discussão e, apesar de, particularmente, em muitos votos buscar harmonizar o meu entendimento ao entendimento dos julgamentos do Superior Tribunal de Justiça, sei que o faço sem estar vinculada, mas, por buscar a harmonização dos julgados, nos casos em que tal harmonização é possível. No presente caso não vejo como seja possível tal harmonização, até porque entendo que devo buscar obedecer a Constituição Federal e no texto constitucional encontro, sem qualquer possibilidade de divergência, que o órgão competente para julgar a inconstitucionalidade dos atos normativos é o Supremo Tribunal Federal. No meu posicionamento, pautado na Constituição e na Lei, cabe ao STF indicar os efeitos da declaração de inconstitucionalidade: se ex nunc ou se ex tunc, portanto qualquer tentativa de outro órgão em fazêlo é nula em face de sua incompetência material para tanto. Os pagamentos dos tributos foram realizados até 1989 e o julgamento pelo Supremo ocorreu apenas em 2001, a legislação que aceitou a inconstitucionalidade é de 2004 e a Resolução do Senado de número 28 foi publicada em 22/06/2005. Há que se registrar que é indiscutível que houve uma declaração de inconstitucionalidade seguida pela competente e necessária edição de Resolução pelo Senado Federal, isto é, estamos frente a tributos cobrados de forma inconstitucional porque ilegal. A minha surpresa e consequente não aceitação do posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e em alguns casos do Terceiro Conselho de Contribuintes está que para se impedir uma devolução de valores que, efetivamente, é grande, as soluções inseremse no princípio da utilidade, que sequer, consta de nossa ordem constitucional. O nosso fim sempre será o respeito à Constituição, ainda que o meio para alcançálo passe por situações que não gostamos, pode até ser que devoluções bilionárias retirem dinheiro destinado a programas sociais ou educacionais. Mas, repito, este tema não nos diz respeito, porque num Estado de Direito os fins nunca justificarão os meios. Assim, esclareço que o meu norte é o respeito à Constituição, pilar do Estado de Direito. A Constituição Federal do Brasil, com as suas inúmeras emendas, com todas as discussões que proporciona elegeu o STF o guardião da CF. Cabe ao STF dizer, em última Fl. 649DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 644 7 instância e de maneira definitiva se uma norma é inconstitucional e para declarar os efeitos desta declaração de inconstitucionalidade. A nenhum órgão cabe fazêlo, somente ao STF. E, na Constituição, em seu artigo 102 está indicado que: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. E, a Constituição Federal também atribui ao Senado Federal o poder de editar Resoluções para dar o efeito ergaomnes para as declarações de inconstitucionalidade proferidas em sede de controle difuso de inconstitucionalidade. (art. 52, X X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal). Assim, temos a declaração de inconstitucionalidade, na via difusa, pelo STF, sem que se tenha indicado que os efeitos eram ex nunc, e a resolução do Senado. Daí defluise que se o STF julgou inconstitucional a lei, entendeu que desde a sua origem ela não encontrava fundamento de validade e desta forma e com este julgamento, surge o indébito, que não existia até então. A Decisão do STF que na via difusa passa a ter efeito ergaomnes com a Resolução do Senado Federal, retira, porque invalida, porque sem fundamento de validade na CF, a norma inconstitucional do sistema positivo. Porém, até tal retirada do sistema, a norma era considerada válida e não havia indébito a ser repetido. O indébito só surge porque a declaração de inconstitucionalidade produz efeitos desde a edição da lei ou ato normativo, porém só é possível pleitear judicialmente ou administrativamente algo em função desta declaração de inconstitucionalidade, a partir da proclamaçao do resultado, no caso da declaração na via concentrada, ou na publicação da Resolução na via difusa (ou da publicação do ato do órgão competente reconhecendo a inconstitucionalidade). E, em casos excepcionais, o STF pode restringir os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, mas somente ele, com base no artigo 27 da Lei 9.868/99, que, ainda é bom que se registre, tal artigo é matéria de ADI, posto que há controvérsias doutrinárias sobre a possibilidade de tal restrição. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Eu, particularmente, entendo constitucional a possibilidade de tal restrição, mas somente cabe ao prório STF fazêlo, não como neste caso, que tal restrição foi feita impropriamente pelo STJ. Passo a trazer os comentários com julgado do STF que estão em seu site, no link sobre a Lei 9.868/99, em, especial nos comentários do artigo 27. LEI Nº 9.868, DE 10 DE NOVEMBRO DE 1999. Dispõe sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE E DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE Art. 1º Esta Lei dispõe sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal. Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Nota: Dispositivo objeto das ADI's 2.154 e 2.258, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, pendente de julgamento. Ação direta de inconstitucionalidade. Embargos de declaração. Acolhimento parcial dos embargos manejados pela mesa da Câmara do Distrito Federal. No julgamento da ADI 3.756, o Supremo Tribunal Federal deu pela improcedência do pedido. Decisão que, no campo teórico, somente comporta eficácia ex tunc ou retroativa. No plano dos fatos, porém, não há como se exigir que o Poder Legislativo do Distrito Federal se amolde, de modo retroativo, ao julgado da ADI 3.756, porquanto as despesas com pessoal já foram efetivamente realizadas, tudo com base na Decisão n. 9.475/00, do TCDF, e em sucessivas leis de diretrizes orçamentárias. Embargos de declaração parcialmente acolhidos para esclarecer que o fiel cumprimento da decisão plenária na ADI 3.756 se dará na forma do art. 23 da LC n. 101/2000, a partir da data de publicação da ata de julgamento de mérito da ADI 3.756, e com estrita observância das demais diretrizes da própria Lei de Responsabilidade Fiscal." (ADI 3.756ED, Rel. Min. Carlos Britto, julgamento em 241007, DJ de 231107) Ação direta de inconstitucionalidade. Embargos de declaração. Acolhimento parcial dos embargos manejados pela mesa da Câmara do Distrito Federal. No julgamento da ADI 3.756, o Supremo Tribunal Federal deu pela improcedência do pedido. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 645 9 Decisão que, no campo teórico, somente comporta eficácia ex tunc ou retroativa. No plano dos fatos, porém, não há como se exigir que o Poder Legislativo do Distrito Federal se amolde, de modo retroativo, ao julgado da ADI 3.756, porquanto as despesas com pessoal já foram efetivamente realizadas, tudo com base na Decisão n. 9.475/00, do TCDF, e em sucessivas leis de diretrizes orçamentárias. Embargos de declaração parcialmente acolhidos para esclarecer que o fiel cumprimento da decisão plenária na ADI 3.756 se dará na forma do art. 23 da LC n. 101/2000, a partir da data de publicação da ata de julgamento de mérito da ADI 3.756, e com estrita observância das demais diretrizes da própria Lei de Responsabilidade Fiscal." (ADI 3.756ED, Rel. Min. Carlos Britto, julgamento em 241007, DJ de 231107) "Controle concentrado de constitucionalidade — Procedência da pecha de inconstitucional — Efeito — Termo inicial — Regra x exceção. A ordem natural das coisas direciona no sentido de terse como regra a retroação da eficácia do acórdão declaratório constitutivo negativo à data da integração da lei proclamada inconstitucional, no arcabouço normativo, correndo à conta da exceção a fixação de termo inicial distinto. Embargos declaratórios — Omissão — Fixação do termo inicial dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade — Retroatividade total. Inexistindo pleito de fixação de termo inicial diverso, não se pode alegar omissão relativamente ao acórdão por meio do qual se concluiu pelo conflito do ato normativo autônomo abstrato com a Carta da República, fulminandoo desde a vigência." (ADI 2.728ED, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 191006, DJ de 51007) “O Agravante alega que os efeitos da declaração de inconstitucionalidade da lei municipal somente poderiam operarse ex nunc, em virtude de razões de segurança jurídica e de prevalência do interesse social. Todavia, este Supremo Tribunal decidiu que a norma apontada como de regência para a modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade — art. 27 da Lei n. 9.868, de 10 de novembro de 1999 — não se aplica ao caso, pois se impõe no controle abstrato de constitucionalidade (RE 395.654AgR, Rel. Min. Carlos Britto, Primeira Turma, DJ 332006; AI 428.886AgR, Rel. Min. Eros Grau, Primeira Turma, DJ 2522005; e RE 430.421AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, Primeira Turma, DJ 422005).” (AI 666.455, Rel. Min. Cármen Lúcia, decisão monocrática, julgamento em 20607, DJ de 8807) “Embora a Lei n. 9.868, de 10 de novembro de 1999, tenha autorizado o Supremo Tribunal Federal a declarar a inconstitucionalidade com efeitos limitados, é lícito indagar sobre a admissibilidade do uso dessa técnica de decisão no âmbito do controle difuso. Ressaltese que não se está a discutir a constitucionalidade do art. 27 da Lei n. 9.868, de 1999. Cuida se aqui, tãosomente, de examinar a possibilidade de aplicação da orientação nele contida no controle incidental de constitucionalidade. (...) assinalese que, antes do advento da Lei Fl. 652DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 n. 9.868, de 1999, talvez fosse o STF, muito provavelmente, o único órgão importante de jurisdição constitucional a não fazer uso, de modo expresso, da limitação de efeitos na declaração de inconstitucionalidade. (...) No que interessa para a discussão da questão em apreço, ressaltese que o modelo difuso não se mostra incompatível com a doutrina da limitação dos efeitos." (AC 189MCQO, voto do Min. Gilmar Mendes, julgamento em 9604, DJ de 27804) "A atribuição de efeitos prospectivos à declaração de inconstitucionalidade, dado o seu caráter excepcional, somente tem cabimento quando o tribunal manifestase expressamente sobre o tema, observandose a exigência de quorum qualificado previsto em lei." (AI 457.766AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 3407, DJ de 11507) “No AgRRE 395.902, relatado por Celso de Mello, em decisão prolatada junto à 2ª Turma, decidiuse que o caso seria de não recepção de norma préconstitucional, e que conseqüentemente não se aplicaria a regra do art. 27 da Lei n. 9.868/99. Naquela ocasião, determinouse que ‘(...) Inaplicabilidade, ao caso em exame, da técnica de modulação dos efeitos, por tratarse de diploma legislativo, que editado em 1984, não foi recepcionado, no ponto concernente à norma questionada, pelo vigente ordenamento constitucional’. Acompanho Celso de Mello, porém quero deixar consignado que, no meu entender, a técnica de modulação dos efeitos pode ser aplicada em âmbito de não recepção. O dogma da nulidade da lei inconstitucional pertence à tradição do direito brasileiro. A teoria da nulidade tem sido sustentada por importantes constitucionalistas. Fundada na antiga doutrina americana, segundo a qual the inconstitutional statute is not law at all, significativa parcela da doutrina brasileira posicionouse pela equiparação entre inconstitucionalidade e nulidade. Afirmavase, em favor dessa tese, que o reconhecimento de qualquer efeito a uma lei inconstitucional importaria na suspensão provisória ou parcial da Constituição. Razões de segurança jurídica podem revelarse, no entanto, aptas a justificar a nãoaplicação do princípio da nulidade da lei inconstitucional. (...) Configurado eventual conflito entre os princípios da nulidade e da segurança jurídica, que, entre nós, tem status constitucional, a solução da questão há de ser, igualmente, levada a efeito em processo de complexa ponderação. O princípio da nulidade continua a ser a regra também. O afastamento de sua incidência dependerá de severo juízo de ponderação que, tendo em vista análise fundada no princípio da proporcionalidade, faça prevalecer a idéia de segurança jurídica ou outro princípio constitucionalmente relevante manifestado sob a forma de interesse social preponderante. Assim, aqui, a nãoaplicação do princípio da nulidade não se há de basear em consideração de política judiciária, mas em fundamento constitucional próprio. No caso presente, não se cuida de inconstitucionalidade originária decorrente do confronto entre a Constituição e norma superveniente, mas de contraste entre lei anterior e norma constitucional posterior, circunstância que a jurisprudência do STF classifica como de não recepção. É o que possibilita que se indague se poderia haver modulação de efeitos também na declaração de não recepção, por parte do STF. Transitase no Fl. 653DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 646 11 terreno de situações imperfeitas e da ‘lei ainda constitucional’, com fundamento na segurança jurídica. (...) Entendo que o alcance no tempo de decisão judicial determinante de não recepção de direito préconstitucional pode ser objeto de discussão. E os precedentes citados comprovam a assertiva. Como demonstrado, há possibilidade de se modularem os efeitos da nãorecepção de norma pela Constituição de 1988, conquanto que juízo de ponderação justifique o uso de tal recurso de hermenêutica constitucional. Não obstante, não vislumbro justificativa que ampare a pretensão do recorrente, do ponto de vista substancial, e no caso presente, bem entendido.” (AI 631.533, Rel. Min. Gilmar Mendes, decisão monocrática, julgamento em 12307, DJ de 18407) “No REAgR 395.902, relatado por Celso de Mello, em decisão da 2ª Turma, assentouse que o caso seria de nãorecepção de norma préconstitucional, e que, conseqüentemente, não se aplicaria a regra do art. 27 da Lei n. 9.868, de 1999. Naquela ocasião, determinouse a ‘[...] inaplicabilidade, ao caso em exame, da técnica de modulação dos efeitos, por tratarse de diploma legislativo, que editado em 1984, não foi recepcionado, no ponto concernente à norma questionada, pelo vigente ordenamento constitucional’. No que se refere à aplicação da técnica de modulação dos efeitos, divirjo do entendimento adotado no referido REAgR 395.902, por considerar a referida técnica passível de adoção no âmbito de nãorecepção da lei préconstitucional (Precedente: RE 147.776, 1ª T., Rel. Sepúlveda Pertence, DJ 1961998). Razões de segurança jurídica podem revelarse, igualmente, aptas a justificar a aplicação da modulação de efeitos em sede de declaração de nãorecepção da lei préconstitucional pela norma constitucional superveniente. Entretanto, tendo em vista que o Município do Rio de Janeiro não comprovou a repercussão econômica e as possíveis lesões à ordem pública e à segurança jurídica, não entendo cabível, no presente caso, a modulação de efeitos que seria, em tese, aceitável em casos de nãorecepção.” (AI 636.023, Rel. Min. Gilmar Mendes, decisão monocrática, julgamento em 261107, DJE de 13208) Tributário. Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU). Município do Rio de Janeiro. Progressividade. Constitucional. Controle difuso de constitucionalidade. modulação temporal da declaração incidental de inconstitucionalidade. A orientação do Supremo Tribunal Federal admite, em situações extremas, o reconhecimento de efeitos meramente prospectivos à declaração incidental de inconstitucionalidade. Requisitos ausentes na hipótese. Precedentes da Segunda Turma. Agravo regimental conhecido, mas ao qual se nega provimento." (AI 472.768AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 211106, DJ de 16207) “(...) A declaração de inconstitucionalidade revestese, ordinariamente, de eficácia ex tunc (RTJ 146/461462 RTJ 164/506509), retroagindo ao momento em que editado o ato estatal reconhecido inconstitucional pelo Supremo Tribunal Fl. 654DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Federal. O Supremo Tribunal Federal tem reconhecido, excepcionalmente, a possibilidade de proceder à modulação ou limitação temporal dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, mesmo quando proferida, por esta Corte, em sede de controle difuso. Precedente: RE 197.917/SP, Rel. Min. Maurício Corrêa (Pleno). Revelase inaplicável, no entanto, a teoria da limitação temporal dos efeitos, se e quando o Supremo Tribunal Federal, ao julgar determinada causa, nesta formular juízo negativo de recepção, por entender que certa lei préconstitucional mostrase materialmente incompatível com normas constitucionais a ela supervenientes. A nãorecepção de ato estatal préconstitucional, por não implicar a declaração de sua inconstitucionalidade mas o reconhecimento de sua pura e simples revogação (RTJ 143/355 — RTJ 145/339) —, descaracteriza um dos pressupostos indispensáveis à utilização da técnica da modulação temporal, que supõe, para incidir, dentre outros elementos, a necessária existência de um juízo de inconstitucionalidade (...). (RE 395.902AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Julgamento em 7306, DJ 25806). No mesmo sentido: RE 438.025AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 73 06, DJ 250806. AI 421.354AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 7306, DJ 15906, AI 463.026AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 21206, DJ 15906) "IPTU — Progressividade — Taxas — Pretendida modulação, no tempo, dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade — Nãoincidência, no caso em exame — Utilização dessa técnica no plano da fiscalização incidental — Necessária observância do postulado da reserva de Plenário — Conseqüente incompetência dos órgãos fracionários do Tribunal (Turmas) — Embargos de declaração rejeitados." (AI 417.014AgRED, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 181206, DJ de 16207). No mesmo sentido: AI 651.214AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 26607, DJ de 24807. “A teoria da nulidade tem sido sustentada por importantes constitucionalistas. Fundada na antiga doutrina americana, segundo a qual ‘the inconstitutional statute is not law at all’, significativa parcela da doutrina brasileira posicionouse pela equiparação entre inconstitucionalidade e nulidade. Afirmava se, em favor dessa tese, que o reconhecimento de qualquer efeito a uma lei inconstitucional importaria na suspensão provisória ou parcial da Constituição. Razões de segurança jurídica podem revelarse, no entanto, aptas a justificar a não aplicação do princípio da nulidade da lei inconstitucional. Não há negar, ademais, que aceita a idéia da situação ‘ainda constitucional’, deverá o Tribunal, se tiver que declarar a inconstitucionalidade da norma, em outro momento fazêlo com eficácia restritiva ou limitada. Em outros termos, o ‘apelo ao legislador’ e a declaração de inconstitucionalidade com efeitos limitados ou restritos estão intimamente ligados. Afinal, como admitir, para ficarmos no exemplo de Walter Jellinek, a declaração de inconstitucionalidade total com efeitos retroativos de uma lei eleitoral tempos depois da posse dos novos eleitos em um dado Estado? Nesse caso, adotase a teoria da nulidade e declarase inconstitucional e ipso jure a lei, com todas as conseqüências, ainda que dentre elas esteja a eventual acefalia do Estado? Questões semelhantes podem ser Fl. 655DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 647 13 suscitadas em torno da inconstitucionalidade de normas orçamentárias. Há de se admitir, também aqui, a aplicação da teoria da nulidade tout court? Dúvida semelhante poderia suscitar o pedido de inconstitucionalidade, formulado anos após a promulgação da lei de organização judiciária que instituiu um número elevado de comarcas, como já se verificou entre nós. Ou, ainda, o caso de declaração de inconstitucionalidade de regime de servidores aplicado por anos sem contestação. Essas questões — e haveria outras igualmente relevantes — parecem suficientes para demonstrar que, sem abandonar a doutrina tradicional da nulidade da lei inconstitucional, é possível e, muitas vezes, inevitável, com base no princípio da segurança jurídica, afastar a incidência do princípio da nulidade em determinadas situações. Não se nega o caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entendese, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão ou de exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica).” (RE 364.304AgR, voto do Min. Gilmar Mendes, julgamento em 3 1006, DJ de 61106). "Embargos de declaração. Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 187 da Lei Complementar n. 75/93. Constitucionalidade. Embargos que traduzem, na verdade, pretensão de declaração de constitucionalidade da norma com efeitos ex nunc. Impossibilidade. Inversão do princípio da presunção de constitucionalidade das leis." (ADI 1.040ED, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ 01/09/06) “Com essas considerações, julgo procedente o pedido formulado na presente ação direta e declaro a inconstitucionalidade do artigo 51 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias do Estado da Paraíba. Nos termos do art. 27 da Lei 9.868/99, proponho, porém, a aplicação ex nunc dos efeitos dessa decisão. Justifico. Nas mais recentes ações diretas que trataram desse tema, normalmente propostas logo após a edição da lei impugnada, se tem aplicado o rito célere do art. 12 da Lei 9.868/99. Assim, o tempo necessário para o surgimento da decisão pela inconstitucionalidade do Diploma dificilmente é desarrazoado, possibilitando a regular aplicação dos efeitos ex tunc. Nas ações diretas mais antigas, por sua vez, era praxe do Tribunal a quase imediata suspensão cautelar do ato normativo atacado. Assim, mesmo que o julgamento definitivo demorasse a acontecer, a aplicação dos efeitos ex tunc não gerava maiores problemas, pois a norma permanecera durante todo o tempo com sua vigência suspensa. Aqui, a situação é diferente. Contestase, em novembro de 2005, norma promulgada em outubro de 1989. Durante esses dezesseis anos, foram consolidadas diversas situações jurídicas, principalmente no campo financeiro, tributário e administrativo, que não podem, sob pena de ofensa à Fl. 656DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 segurança jurídica, ser desconstituídas desde a sua origem. Por essa razão, considero presente legítima hipótese de aplicação de efeitos ex nunc da declaração de inconstitucionalidade.” (ADI 3.615, voto da Min. Ellen Gracie, julgamento em 30806, DJ de 9307) "Aplicação, no acórdão impugnado — tal como ocorrido em vários outros julgados que trataram sobre as tentativas de desmembramento de municípios sem a consulta popular exigida pelo art. 18, § 4º, da Constituição Federal —, da regra segundo a qual as decisões do Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade possuem eficácia ex tunc, tendo em vista a nulidade do ato normativo atacado desde a sua edição. Os embargos declaratórios e a excepcional fixação de eficácia ex nunc nas decisões proferidas em ação direta de inconstitucionalidade não se prestam para o alcance de pretensões políticoeleitorais." (ADI 2.994ED, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 31506, DJ de 4806) “Servidor público: provimento derivado. Inconstitucionalidade: efeito ex nunc. Princípios da boafé e da segurança jurídica. A Constituição de 1988 instituiu o concurso público como forma de acesso aos cargos públicos. CF, art. 37, II. Pedido de desconstituição de ato administrativo que deferiu, mediante concurso interno, a progressão de servidores públicos. Acontece que, à época dos fatos, 1987 a 1992, o entendimento a respeito do tema não era pacífico, certo que, apenas em 1721993, é que o Supremo Tribunal Federal suspendeu, com efeito ex nunc, a eficácia do art. 8º, III; art. 10, parágrafo único; art. 13, § 4º; art. 17 e art. 33, IV, da Lei 8.112, de 1990, dispositivos esses que foram declarados inconstitucionais em 2781998: ADI 837/DF, Relator o Ministro Moreira Alves, DJ de 2561999. Os princípios da boafé e da segurança jurídica autorizam a adoção do efeito ex nunc para a decisão que decreta a inconstitucionalidade. Ademais, os prejuízos que adviriam para a Administração seriam maiores que eventuais vantagens do desfazimento dos atos administrativos.” ( RE 442.683, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 131205, DJ de 24306) "A possibilidade de atribuirse efeitos prospectivos à declaração de inconstitucionalidade, dado o seu caráter excepcional, somente tem cabimento quando o tribunal manifestase expressamente sobre o tema, observandose a exigência de quorum qualificado previsto em lei específica. Em diversas oportunidades, anteriormente ao advento da Emenda Constitucional n. 29/00, o Tribunal, inclusive em sua composição plenária, declarou a inconstitucionalidade de textos normativos editados por diversos municípios em que se previa a cobrança do IPTU com base em alíquotas progressivas. Em nenhuma delas, entretanto, reconheceuse a existência das razões de segurança jurídica, boafé e excepcional interesse social, ora invocadas pelo agravante, para atribuir eficácia prospectiva àquelas decisões. Pelo contrário, a jurisprudência da corte é firme em reconhecer a inconstitucionalidade retroativa dos preceitos atacados, impondose, conseqüentemente, a repetição dos valores pagos indevidamente. Agravo regimental a que se nega provimento." (RE 392.139AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 264 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 648 15 05, DJ de 13505). No mesmo sentido: AI 584.908AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, decisão monocrática, julgamento em 1712 07, DJE de 13208; RE 407.813, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, decisão monocrática, julgamento em 7807, DJ de 17807. “Ação cautelar inominada. Recurso extraordinário. Efeito suspensivo. Decisão monocrática concessiva. Referendum do Plenário. Operação Urbana Centro. Acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que, em ADI estadual, declarou a inconstitucionalidade de lei do Município de São Paulo. Eficácia dos efeitos dessa declaração para momento futuro — pro futuro. Art. 27 da Lei n. 9.868, de 101199. Existência de plausibilidade jurídica do pedido de declaração de inconstitucionalidade com eficácia ex nunc e ocorrência do periculum in mora.” (Pet 2.859MCsegunda, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 3205, DJ de 20505) “Efetivamente, em relação aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade dessas normas, verifico que a gravidade dos prejuízos eventuais decorrentes da nulidade ex tunc da norma é imprevisível, mas avaliável. Basta notar que, com base nas normas ora impugnadas, já foi efetuada a defesa de servidores estaduais. Lembrando que converti o rito da presente ação para o do art. 12 da Lei 9.868, e considerando essa peculiaridade do caso, entendo que no presente julgamento de mérito é necessário limitar os efeitos da declaração de inconstitucionalidade das normas, com base no art. 27 da Lei 9.868. Com essas considerações, Sr. Presidente, voto pela procedência da presente ação, para declarar a inconstitucionalidade da expressão ‘bem como assistir, judicialmente, aos servidores estaduais processados por ato praticado em razão do exercício de suas atribuições funcionais’, contida na alínea a, do Anexo II da Lei Complementar estadual 10.194/1994, também do Estado do Rio Grande do Sul. Nos termos do art. 27 da Lei 9.868, proponho aos colegas a restrição dos efeitos desta decisão, para não causar prejuízos desproporcionais. Como marco dessa limitação, sugiro que a declaração de inconstitucionalidade tenha efeito a partir de 31 122004." (ADI 3.022, voto do Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 2804, DJ de 4305) "Limitação de efeitos no sistema difuso. Embora a Lei n. 9.868, de 10 de novembro de 1999, tenha autorizado o Supremo Tribunal Federal a declarar a inconstitucionalidade com efeitos limitados, é lícito indagar sobre a admissibilidade do uso dessa técnica de decisão no âmbito do controle difuso. Ressalte se que não se está a discutir a constitucionalidade do art. 27 da Lei n. 9.868, de 1999. Cuidase aqui, tãosomente, de examinar a possibilidade de aplicação da orientação nele contida no controle incidental de constitucionalidade. (...) ‘É preciso acrescentar que o Tribunal Constitucional deve declarar a inconstitucionalidade com força obrigatória geral e eficácia retroativa e repristinatória, a menos que uma tal solução envolva o sacrifício excessivo da segurança jurídica, da Fl. 658DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 eqüidade ou de interesse público de excepcional relevo’ (Medeiros, A Decisão de Inconstitucionalidade, cit., p. 703/704). Na espécie, não parece haver dúvida de que o deferimento do efeito suspensivo justificase plenamente. A aplicação da decisão impugnada poderá criar quadro de grave insegurança jurídica. É certo, ademais, que, mantida a declaração de inconstitucionalidade, afigurase plausível pedido manifestado no sentido de sua prolação com eficácia ex nunc. Concedo, portanto, o efeito suspensivo ao recurso extraordinário, ad referendum do Pleno, até o final julgamento da questão." (Pet 2.859MC, Rel. Min. Gilmar Mendes, decisão monocrática, julgamento em 6404, DJ de 16 404) “Sabemos que a supremacia da ordem constitucional traduz princípio essencial que deriva, em nosso sistema de direito positivo, do caráter eminentemente rígido de que se revestem as normas inscritas no estatuto fundamental. Nesse contexto, em que a autoridade normativa da Constituição assume decisivo poder de ordenação e de conformação da atividade estatal — que nela passa a ter o fundamento de sua própria existência, validade e eficácia —, nenhum ato de Governo (Legislativo, Executivo e Judiciário) poderá contrariarlhe os princípios ou transgredirlhe os preceitos, sob pena de o comportamento dos órgãos do Estado incidir em absoluta desvalia jurídica. Essa posição de eminência da Lei Fundamental — que tem o condão de desqualificar, no plano jurídico, o ato em situação de conflito hierárquico com o texto da Constituição — estimula reflexões teóricas em torno da natureza do ato inconstitucional, daí decorrendo a possibilidade de reconhecimento, ou da inexistência, ou da nulidade, ou da anulabilidade (com eficácia ex nunc ou eficácia ex tunc), ou, ainda, da ineficácia do comportamento estatal incompatível com a Constituição. Tal diversidade de opiniões nada mais reflete senão visões doutrinárias que identificam, no desvalor do ato inconstitucional, ‘vários graus de invalidade’ (Marcelo Rebelo de Sousa, O Valor Jurídico do Acto Inconstitucional, vol. I/77, 1988, Lisboa). (...) Cumpre enfatizar, por necessário, que, não obstante essa pluralidade de visões teóricas, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal — apoiandose na doutrina clássica (Alfredo Buzaid, Da Ação Direta de Declaração de Inconstitucionalidade no Direito Brasileiro, p. 132, item n. 60, 1958, Saraiva; Ruy Barbosa, Comentários à Constituição Federal Brasileira, vol. IV/135 e 159, coligidos por Homero Pires, 1933, Saraiva; Alexandre de Moraes, Jurisdição Constitucional e Tribunais Constitucionais, p. 270, item n. 6.2.1, 2000, Atlas; Elival da Silva Ramos, A Inconstitucionalidade das Leis, p. 119 e 245, itens ns. 28 e 56, 1994, Saraiva; Oswaldo Aranha Bandeira de Mello, A Teoria das Constituições Rígidas, p. 204/205, 2ª ed., 1980, Bushatsky) — ainda considera revestirse de nulidade a manifestação do Poder Público em situação de conflito com a Carta Política (RTJ 87/758 — RTJ 89/367 — RTJ 146/461 — RTJ 164/506, 509). Impõese reconhecer, no entanto, que se registra, no magistério jurisprudencial desta Corte, e no que concerne a determinadas situações (como aquelas fundadas na autoridade da coisa julgada ou apoiadas na necessidade de fazer preservar a segurança jurídica, em atenção ao princípio da boa Fl. 659DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 649 17 fé), uma tendência claramente perceptível no sentido de abrandar a rigidez dogmática da tese que proclama a nulidade radical dos atos estatais incompatíveis com o texto da Constituição da República (RTJ 55/744 — RTJ 71/570 — RTJ 82/791, 795): ‘Recurso extraordinário. Efeitos da declaração de inconstitucionalidade em tese pelo Supremo Tribunal Federal. Alegação de direito adquirido. Acórdão que prestigiou lei estadual à revelia da declaração de inconstitucionalidade desta última pelo Supremo. Subsistência de pagamento de gratificação mesmo após a decisão erga omnes da Corte. Jurisprudência do STF no sentido de que a retribuição declarada inconstitucional não é de ser devolvida no período de validade inquestionada da lei de origem — mas tampouco paga após a declaração de inconstitucionalidade. Recurso extraordinário provido em parte.’ (RE 122.202MG, Rel. Min. Francisco Rezek, DJU de 8 494) Mostrase inquestionável, no entanto, a despeito das críticas doutrinárias que lhe têm sido feitas (Celso Ribeiro Bastos, Comentários à Constituição do Brasil, 4º vol., tomo III/8789, 1997, Saraiva; Carlos Alberto Lúcio Bittencourt, O Controle Jurisdicional da Constitucionalidade das Leis, p. 147, 2ª ed., Ministério da Justiça, 1997, reimpressão facsimilar, v.g.), que o Supremo Tribunal Federal vem adotando posição jurisprudencial, que, ao estender a teoria da nulidade aos atos inconstitucionais, culmina por recusarlhes qualquer carga de eficácia jurídica. Embora o status quaestionis esteja assim delineado no Supremo Tribunal Federal, não há dúvida de que o relevo dessa matéria impõe novas reflexões sobre o tema (Márcio Augusto de Vasconcelos Diniz, Controle de Constitucionalidade e Teoria da Recepção, p. 43, 1995, Malheiros; Inocêncio Mártires Coelho, Constitucionalidade/Inconstitucionalidade: Uma Questão Política?, in RDA 221/4769, 6466, item n. 4), especialmente se se tiver em consideração a experiência constitucional de outros países, cujas Leis Fundamentais — como ocorre em Portugal (art. 282, n. 4, na redação dada pela 4ª Revisão/1997), na Espanha (art. 164) e na Itália (art. 136), p. ex. — dispõem sobre a amplitude e o regime jurídico inerentes aos efeitos que resultam da declaração de inconstitucionalidade. Essa nova percepção do tema reflete, de certa maneira, nítida influência decorrente da prática jurisprudencial do Tribunal Constitucional Federal germânico, como ressalta Paulo Bonavides (Curso de Direito Constitucional, p. 308, item n. 9, 10ª ed., 2000, Malheiros), cujo autorizado magistério sustenta a necessidade de criarse, no plano do controle de constitucionalidade dos atos estatais, ‘um espaço de tempo, intermediário, que assegure a sobrevivência provisória da lei declarada incompatível com a Constituição’. É certo que, no sistema normativo brasileiro, com a edição da Lei n. 9.868/99 (art. 27), introduziuse inovação claramente inspirada nos modelos constitucionais positivados no direito português e no direito alemão. Impõese registrar, no entanto, que o art. 27 da Lei n. 9.868/99 é objeto de impugnação em sede de ação direta de inconstitucionalidade, promovida, respectivamente, perante o Supremo Tribunal Federal, pela Confederação Nacional das Profissões Liberais e pelo Conselho Fl. 660DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (ADI 2.154DF e ADI 2.258DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence), sob a alegação de que a matéria nele versada está sujeita à reserva de Constituição, não podendo, por isso mesmo, ser disciplinada pelo legislador comum. Essa controvérsia, contudo, será oportunamente dirimida pelo Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento das mencionadas ações diretas de inconstitucionalidade.” (ADI 2.215MC, Rel. Min. Celso de Mello, decisão monocrática, julgamento em 17401, DJ de 264 01 "Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do poder público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe — ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos — a possibilidade de invocação de qualquer direito." (ADI 652QO, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 2492, DJ de 2493). No mesmo sentido: ADI 1.434–MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 29896, DJ de 22111996. Feitas estas considerações, entendo que a questão ora posta deve ficar restrita à decisão do STF que julgou inconstitucional a exigência tributária da contribuição da cota do café. Ora, há decisão judicial pelo STF declarando a inconstitucionalidade da exigência tributária cota café. Há resolução do Senado. O contribuinte apresentou o seu pedido antes mesmo da publicação da Resolução, e anotese que outros pedidos administrativos foram indeferidos por ausência da Resolução que veio em 22/06/2005. No entanto, discutiuse nestes autos manifestação do Senado Federal, que suspendeu a eficácia da norma originária do recolhimento de contribuição preceituada pelo Decretolei 2.295/1986, por razões de inconstitucionalidade, nos termos do inciso X, do artigo 52, da Constituição Federal. Razão pela qual se deve analisar os efeitos desta decisão. Frisase que a Resolução do Senado Federal vem confirmar a decisão de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em julgamento de Recurso Extraordinário nº. 408.8304, sendo reconhecido pelos Poderes Judiciário e Legislativo a inaplicabilidade da contribuição criada pelo aludido Decretolei. Isto importa afirmar que desde sua publicação e vigência a norma não encontrava suporte de validade no ordenamento jurídico, eis que incompatível com Texto Constitucional. Fundamento pelo qual a declaração de inconstitucionalidade possui eficácia contra todos, e não somente em favor daqueles que integraram a ação que deu embasamento ao Recurso Extraordinário. Tomase por base então, que a Resolução do Senado Federal é marco elementar do transcurso do prazo prescricional. Somente assim, é possível reger aquele Fl. 661DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 650 19 momento passado considerado inconstitucional, a ponto de repetir o tributo recolhido indevidamente. Notadamente, no momento em que se reconheceu a ocorrência de prescrição sobre o direito de repetição postulado nestes autos, tolheuse o direito do contribuinte com fulcro em norma inconstitucional. Assim, é relevante em absoluto analisar a causa do indébito, ademais, quando originada em decisão de controle constitucional, independentemente da norma infraconstitucional discutida em juízo, administrativo ou judicial, que neste caso se resume na ocorrência de prescrição. Os efeitos da decisão de inconstitucionalidade são delimitados pela manifestação do Supremo Tribunal Federal ou, por via indireta, pela Resolução do Senado Federal, mas jamais por manifestação de Tribunal ou órgão “inferior”. Não é dado ao STJ delimitar a eficácia da decisão de inconstitucionalidade, pois, assim, estarseia negando vigência aos comandos interpretativos ditados exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal. E, há, atualmente no próprio STJ o reconhecimento deste fato, para tanto, verifiquese a decisão do Ministro Peçanha Martins proferida no EDCl no RE nos EDCl no AgRg no Recurso Especial n. 929.807 RJ (2207/00425677), que teve como Embargante Café Pinal Comércio e Exportação Ltda e Embargada a Fazenda Nacional, nos seguintes termos: “Tratase de embargos de declaração opostos por CAFÉ PINHAL COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA contra decisão por mim proferida determinando o sobrestamento do recurso extraodinário interposto pela Fazenda Nacional até o pronunciamento definitivo da Corte Suprema no RE no RESP 932.459/SP, recurso representativo da controvérsia encaminhado ao Pretório Excelso, conforme decisão de minha lavra publicada no DJ de 23.10.2007. Alega a embargante que a decisão ora embargada foi omissa ao deixar de analisar as contrarazões em que sustentou não ter o v. Acórdão recorrido declarado a inconstitucionalidade do art. 4º. Da Lei Complementar 118/2005. Não assiste razão à embargante. Ausentes os requisitos essenciais previstos no art. 535 do CPC. Inviável o trânsito do recurso, pois inexiste na decisão embargada qualquer dos pressupostos legais de cabimento dos embargos declaratórios, quais sejam, omissão, contradição ou obscuridade, tampouco, erro material a ser corrigido. Demais disso, em decisão datada de 3 de dezembro de 2007 (DJE n. 20, divulgado em 06.02.2008), a Min. Carmem Lúcia, do STF, reconheceu a existência da repercussão geral da questão constitucional suscitada no extraordinário (RE 572.2228), na esteira do entendimento esposado pelo Min. Marco Aurélio, no RE 561.908, em sessão eletrônica, determinando, ainda, a devolução dos autos à origem para aguardar o julgamento de Fl. 662DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 mérito e, após a decisão, a observação ao disposto no art. 543B e seus parágrafos, do Código de Prcoesso Civil. Diante do exposto, rejeito os embargos de declaração e mantenho o sobrestamento deste recurso extraodinário, no aguardo da decisão de mérito a ser proferida pelo STF. Para registrar, importante citar a decisão do STF que tratou da repercussão geral ao tema dao prazo prescrional para repetição do indébito tributário no RE 561.908, como relator o Min. Marco Aurélio: TRIBUTO REPETIÇÃO DE INDÉBITO LEI COMPLEMENTAR 118/2005 REPERCUSSÃO GERAL ADMISSÃO. Surge com repercussão geral controvérsia sobre a inconstitucionalidade, declarada de origem, da expressão, observado, quanto ao artigo 3º.,o disposto no art. 106, I, da Lei 5.172 de 25/10/1966, Código Tributário Nacional, constante do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar n. 118/2005. Enfim, para a conclusão do presente caso, se há julgamento com eficácia “ex tunc”, tornase questionável reconhecer o transcurso de direito inconstitucional, já julgado pelo STF e acolhido pelo Senado. Neste caso, não há que se falar em prescrição para o pedido de repetição do indébito, antes do reconhecimento do “ïndébito”. Ora, somente com o reconhecimento da inconstitucionalidade surge para o contribuinte o direito de repetir e este será o marco temporal. Temse que essa é a verdadeira função da eficácia “ex tunc”, de expulsar do ordenamento jurídico toda ocorrência inconstitucional, bem como os efeitos daí originados. O renomado professor Alexandre de Moraes discorre sobre os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, no seguinte sentido: “Declarada a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual, a decisão terá efeito retroativo (ex tunc) e para todos (erga omnes), desfazendo, desde sua origem, o ato declaratório inconstitucional, juntamente com todas as conseqüências dele derivadas, uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e, portanto, destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica, alcançando a declaração de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados (efeitos ex tunc). Assim a declaração de inconstitucionalidade “decreta a total nulidade dos atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob a égide e inibe – antes a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito”.2 Esse entendimento mostrase compatível com a Constituição Federal e o STF, e que era o entendimento do STJ, antes de ser contaminado por tamanho retrocesso jurídico que tenta se firmar nos tempos de hoje. Citase, por exemplo, o Processo Resp 250340/MG, Relatado pelo Ministro Francisco Peçanha Martins, da T2 – Segunda Turma, julgado em 18/11/2003 e publicado em 01/03/2004: 2 Livro Direito Constitucional. Edição de 2001. Página 599. Editora Atlas. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 651 21 EMENTA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – ADMINISTRADORES, AUTÔNOMOS E AVULSOS – LEIS 7.787/89 (ART. 3º, I) E 8.212/91 (ART. 22, I) – INCONSTITUCIONALIDADE (RE 177.296/RS) – COMPENSAÇÃO – FOLHA DE SALÁRIOS – POSSIBILIDADE PRESCRIÇÃO – TERMO INICIAL – PUBLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO DO SENADO Nº. 14/95 (DOU 28.4.95) TRANSFERÊNCIA DO ENCARGO – INOCORRÊNCIA – ART. 89 DA LEI 8.212/91, ALTERADO PELA LEI 9.032/95, E 166 CTN – INAPLICABILIDADE – LIMITAÇÃO PERCENTUAL – AFASTAMENTO – LEIS 8.212/91, 9.032/95 E 9.129/95 – LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS E DÉBITOS – VERIFICAÇÃO – COMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA JUROS INCIDÊNCIA – MATÉRIA NÃO APRECIADA NO TRIBUNAL "A QUO" MULTA INEXISTÊNCIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REFERIDOS NO RECURSO ESPECIAL – COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE PERÍODO ANTERIOR À LEI 8.383/91 INEXISTÊNCIA DE DECISÃO DO JUÍZO DE APELAÇÃO PRECLUSÃO PRECEDENTES. Declarada a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre os pagamentos a administradores, autônomos e empregados avulsos, os valores recolhidos a esse título são compensáveis com a contribuição da mesma espécie incidente sobre a folha de salários, independentemente do cumprimento da exigência contida na Lei 9.032/95 e no art. 166 do CTN, por isso que não se trata de tributo indireto, inocorrendo o fenômeno da repercussão ou repasse. Consolidado o entendimento desta Corte sobre o prazo prescricional para haver a restituição/compensação dos tributos lançados por homologação, o sujeito passivo da obrigação tributária, em vez de antecipar o pagamento, efetua o registro do seu crédito oponível submetendo suas contas à autoridade fiscal que terá cinco anos, contados do fato gerador, para homologá las; expirado este prazo sem que tal ocorra, dáse a homologação tácita e daí começa a fluir o prazo do contribuinte para pleitear judicialmente a restituição/compensação. No caso da contribuição dos autônomos, tributo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, o prazo prescricional qüinqüenal das ações de repetição/compensação flui a partir da data de publicação da Resolução do Senado nº. 14/95, que suspendeu a execução da expressão avulsos, autônomos e administradores, contida no inciso I do art. 3º da Lei nº 7.787/89. grifo nosso Ajuizada a ação em 24.04.96 inocorre a prescrição alegada. Os valores recolhidos indevidamente, anteriormente à edição das Leis 9.032/95 e 9.129/95, ao serem compensados não estão sujeitos às limitações percentuais por elas impostas, em Fl. 664DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 22 obediência ao princípio legal e constitucional do direito adquirido. O exame da liquidez e certeza dos créditos e débitos a serem compensados é da competência exclusiva da Administração Pública, que providenciará a cobrança de eventual saldo devedor, independente de lançamento fiscal. Houve equívoco do recorrente ao referirse aos embargos de declaração que teriam sido opostos, mas inexistentes nos autos, bem como quanto à multa que pretende ver afastada, razão porque fica prejudicada a análise do tema. A compensação dos tributos cujos fatos geradores ocorreram em período anterior à Lei 8.383/91, não foi enfrentada pelo aresto recorrido e sequer prequestionada via aclaratórios, incidindo os óbices das Súmulas 282 e 356 do STF. Demais disso, impossível apreciar em recurso especial questão não enfrentada na instância "a quo", ocorrendo a preclusão da matéria (C.F., art. 105, III). Recurso especial não conhecido. Registro, ainda, que a atual jurisprudência do STJ é objeto de 4 reclamações perante o STF que deverá expressamente se pronunciar a respeito. Enquanto isto restanos optar por seguir a decisão do STF e a Resolução do Senado ou a decisão do STJ que, inclusive, está sendo revista pelo próprio órgão como anteriormente indicado. Devese entender que, com a Resolução do Senado, e sendo a norma declarada inconstitucional, obviamente, o transcurso do prazo prescricional volta a correr sobre direito “constitucionalizado”, ou seja, direito hábil a possibilitar o transcurso do prazo prescricional, que não mais está “se esgotando em decorrência de matéria inconstitucional”. Eis que, matéria inconstitucional não dá suporte de validade a ocorrência de prescrição. Tal entendimento vem ressaltar a segurança do ordenamento jurídico, a obediência rígida aos comandos Constitucionais, a fim de conferir real aplicabilidade às normas Mestras do Direito. Em conclusão, entendo que a data que inaugura o cômputo do prazo prescricional é a data da publicação da Resolução do Senado, neste caso, 22 de junho de 2005, e, portanto, não esta atingida pela prescrição o pedido de restituição pleiteado pelo contribuinte. Diante do exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo PROCURADOR, mantendose a decisão combatida. Susy Gomes Hoffmann Fl. 665DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 652 23 Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Como consignado no voto da relatora, a questão primeira que se apresenta a debate versa sobre o prazo prescricional para repetição dos valores pagos, supostamente, indevidos, a título de cota café. Essa questão foi objeto de julgamento, na sessão de julgamento de julho próximo passado, quando se examinou o prazo para repetição de indébito de Finsocial. Tanto na questão da repetição dessa contribuição quanto na da cota café, havia uma profusão de termo de início da prescrição para repetir o indébito. Este Colegiado, então, decidiu, naquela sentada, unificar o termo inicial como sendo a data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. Assim, reedito o voto que proferi naquela sessão de julgamento e o adoto aqui, integralmente. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorrime dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para, mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito – se decadencial ou prescricional – para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar nº 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos “cinco mais cinco anos”. Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar nº 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168 do CTN. Para tanto, em seu art. 3º, assim dispôs: Fl. 666DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 24 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituirse às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3º. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operavase a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4º da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4º. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplicase ao ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) De outro lado, os críticos da Lei Complementar nº 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas Fl. 667DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 653 25 características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a “interpretação” dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3º da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificandoa ou adicionandolhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4º dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1º Seção, que a Lei Complementar nº 118/2005, no tocante ao art. 3º, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiuse a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.0901 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4º dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3o E 4o. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTOINTITULADA INTERPRETATIVA. “Reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição” (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 26 Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. ......................................................................................................... Brasília, 18 de junho de 2008. R E L A T Ó R I O Tratase de recurso extraordinário interposto pela União de acórdão prolatado pelo Superior Tribunal de Justiça em que se afastou a aplicação da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar 118/2005. Tal dispositivo estabelece que a interpretação dada pelo art. 3º da mesma lei acerca do marco inicial para contagem do prazo prescricional para restituição do indébito tributário deve se submeter ao art. 106, I, do Código Tributário Nacional, isto é, que deve ser retroativa. Transcrevo, para fins de registro, a ementa do acórdão prolatado por ocasião do julgamento de Embargos de Declaração, com os quais a União alegou que a decisão fora omissa quanto à aplicabilidade do art. 97 da Constituição ao julgamento: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. (RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. LEI COMPLEMENTAR 118, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2005. JURISPRUDÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO.). Acórdão embargado que assentou que “a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a título de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto vista desta relatoria: ‘a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplicase, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda 1ei interpretativa, como toda 1ei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada ‘surpresa fiscal’. Na 1úcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a Fl. 669DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 654 27 Constituição Federal dá uma nota de previsibi1idade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.’ (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2004, pág. 295 a 300). (...) À míngua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrálo, e considerando que não há inconstitucional idade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permita o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucional idade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios.” Deveras, é cediço que inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, não há como prosperar o inconformismo, cujo real objetivo é a pretensão de reformar o decisum, o que é inviável de ser revisado em sede de embargos de declaração, dentro dos estreitos limites previstos no artigo 535 do CPC. Ademais, impõese a rejeição de embargos declaratórios que, à guisa de omissão, têm o único propósito de prequestionar a matéria objeto de recurso extraordinário a ser interposto. 5. Embargos de declaração rejeitados."(REsp 709.805EDcl, rel. min. Luiz Fux, PrimeiraTurma). Sustentase nas razões do recurso extraordinário que o acórdão prolatado pelo e. STJ afastou a aplicação da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar 118/2005, por ofender o princípio constitucional da autonomia e independência entre as Funções do Estado {art. 2º da Constituição) e a garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (art. 5e, XXXVI, da Constituição), A norma afastada estabelece que a interpretação fixada no art. 32 da Lei Complementar 118/2005, segundo a qual a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado", deverá observar o disposto no art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Tratarseia de norma meramente interpretativa e, portanto, de efeitos retroativos na contagem do prazo prescricional para restituição do indébito tributário. Segundo a União, o referido dispositivo legal somente poderia ter sua aplicação afastada pelo C. Superior Tribunal de Justiça mediante sua declaração de inconstitucional idade, o que exige Fl. 670DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 28 a observância do princípio da reserva de plenário previsto no art. 97 da Constituição Federal’ (Fls. 267 grifos originais). Opina o Ministério Público Federal, em parecer subscrito pelo subprocuradorgeral da República Dr. Paulo da Rocha Campos, pelo provimento do recurso extraordinário (Fls. 281288). O recurso extraordinário foi afetado ao Pleno por decisão da Segunda Turma em 26.06.2007, É o relatório. V O T O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4o, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBI TO, NOS TRIBUTOS S UJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 655 29 Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida.” Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3º e 4o da Lei Complementar 118/2005: “Art. 3 Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Discutese no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida Fl. 672DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 30 em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3º da LC 118/2005, como determinam o art. 4º da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3º da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3º e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3º da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3º e 4º da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). 0 mencionado precedente, ainda não publicado, apoiase no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: “O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 656 31 A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto vista desta relatoria: “a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplicase, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada “surpresa fiscal”. Na lúcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.” (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 0 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrálo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios”. Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declaroulhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), “reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição”. Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por Fl. 674DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 32 ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): “A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3º e 4º da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo – com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da “reserva de plenário”, do art. 97 da Lei Fundamental.” É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3º da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4º, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3º, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 657 33 O mundo conhece hoje, no dizer 3Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O “sistema difuso”, isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O “sistema concentrado”, em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 1º de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretálas, suspendêlas e revogálas, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8º e 9º). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagravase, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 4jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo ProcuradorGeral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional nº 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às 3 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2ª ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. 4 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 34 pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poderdever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudála por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obraprima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá las ao caso concreto submetido a seu julgamento; a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, devese valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dáse entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 658 35 De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrandose no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo: o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendêla inconstitucional, nos termos do art. 66, § 1º, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2º da Lei nº 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2º. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea “a” do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo darse de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aqui foi dito, perguntase: podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? Fl. 678DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 36 A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus artigos: 97; 102, III, “a” e “c”; e 105, II, “a” e “b”), temse que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do exProcuradorGeral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (nº 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio que ousaríamos chamar fática, livre e realista e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, podese dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferirlhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputarse inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada e nos limites em que o seja toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, podese concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt5 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendose presumir boa e válida a resolução adotada. (...) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercêla 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa 5 Bittencourt, Lúcio O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2º edição, págs.91 a 96. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 659 37 Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damolhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerála inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parecenos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei não se presume lei é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtarse a obedecerlhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso6: 6 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3º edição, pp 170 e 171. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 38 A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou nãoaplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrairse à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspendese o julgamento do processo e remetese a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III Do Poder Judiciário do Título IV Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Vejase ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Fl. 681DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 660 39 Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei complementar nº 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei complementar 118/2005, passase à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1657do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: 7 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 682DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 40 I...................................................................................................... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) .................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1688 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário – aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. 8 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 661 41 A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformarse em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro9: Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 198810, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5o, II da CF de 198811, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. 9 julgamento do recurso voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 10 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” 11 “II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” Fl. 684DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 42 Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho12, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: “O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democráticoconstitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídicoconstitucional do poder executivo (cfr., infra. fontes de direito e estruturas normativas)”. (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores que, baseado na doutrina alemã13, pontifica: “O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bemestar público, será preciso decidirse pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado ‘princípio da proporcionalidade’...” (grifei). Poderseia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da “força” do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. 12 Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7ª Edição, p. 256 13 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3º da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a BoaFé como Valores Constitucionais. As Leis Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.br/admin/arq_publica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf Fl. 685DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 662 43 Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho14, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto “mandatos de otimização”15, assim se distinguem das últimas: “El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y reglas opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regla es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las reglas contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y jurídicamente posible. Esto significa que la diferencia entre reglas y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regla o un principio” (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva16, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, faltalhes o que Alexy definiu como “possibilidade jurídica”. Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: “Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmarse que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia”. Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero17 que as regras: 14 Curso de direito tributário. 3ª edição, p.72 15 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. 16Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3ª. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 17 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 44 “constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado” Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembrese, o Decreto nº 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides18, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos19 e Jorge Miranda20. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação 18 Curso de direito constitucional, p. 518. 19 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 20 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 663 45 Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF no 54: “38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídicopositivo posto em cotejo com a Magna Carta.” Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da préfalada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho21, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: “...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na ‘letra e na clara vontade do legislador’, devendo ‘respeitar a economia da lei’ e não podendo traduzirse na ‘reconstrução’ de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto”.(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP22: “III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no 21Op. cit., p. 1265/1266 22 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 46 raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição.” Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação no 1.417723: “O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF em sua função de Corte Constitucional atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (...) No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica.” (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o “remédio” contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do art. 5º, caput, inciso VXXI e §1º24. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2o do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem 23 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. 24 LXXI concederseá mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 664 47 desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal25, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. 25 Pacificouse, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considerase como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 48 Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,devese reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpretao de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 26: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ 27: 26 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 665 49 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 28: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontra se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. 27 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 28 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 50 Regina Maria Macedo Nery Ferrari29, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo30, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parecenos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. José Afonso da Silva31, apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themístocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerandose dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. 29 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 30 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. 31 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10ª ed., p. 57. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 666 51 O Ministro Teori Albino Zavascki32, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça33, sobre o tema, firmouse no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG34: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle 32 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81101 33 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 34 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 52 direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG35, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes36, sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entendese, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentuese, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. 35 Publicado no DJ de 05/04/2004. 36 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5ª edição, pp. 333 e 334. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 667 53 Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concedese proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendose à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho37: “Pode também entenderse que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas.” Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (...) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do Resp nº 686.05838 MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. 37 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5ª edição, p. 388. 38 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 54 (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, temse ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3º, I, da Lei 7.787∕89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornouse pacífico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05639: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direitodever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigurase difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poderseia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissível o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG40: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos 39 DJ 01/07/1977. 40 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 668 55 que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Eurico de Santi41 arremata o tema com seu magistério: “Decadência e prescrição são regras que objetivam o princípio da segurança jurídica, como regras têm a função precípua de objetivar condutas: retratam a opção do legislador em prestigiar a justiça mediante a função segurança jurídica em detrimento da função legalidade, igualdade ou proporcionalidade. Aliás, “decadência” e “prescrição” são mecanismos que justamente restringem a realização concreta da legalidade da regra tributária, impedindo que a norma seja aplicada ao caso concreto.” Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e 41 Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 56 contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tomese, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poderseia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda42, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os 42 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10845.002534/9960 Acórdão n.º 930300.497 CSRFT3 Fl. 669 57 interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei nº 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia43 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo44. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória nº 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 1845. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial no 747.09146 “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é “incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazerse por lei” (RE 80.153∕SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posicionase em igual sentido: “O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público” (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345∕35). “A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei” (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.522∕2002 simplesmente dispensou “a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da 43Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente. 44Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 45§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 46 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 58 respectiva execução fiscal” relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecerse que o direito à repetição pleiteado nestes autos foi alcançado pela prescrição. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento e declarar extinto o direito à repetição do indébito objeto destes autos. Henrique Pinheiro Torres Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digi talmente em 02/03/2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Recorrida : DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO (SP). CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS - As im- portâncias deduzidas do lucro operacio- nal, a título de custos ou despesas da sociedadeocom o emprego de documentação inidOnea que não corresponde a uma efe- tiva prestação de serviços, são passí- veis de glosa pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MACAN IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presen te julgado. Sala das SessOes (DF), em 12 de março de 1991. a /URGE • I"' LOPB. - PRESIDENTE CARLOS ALBER 1 ONCALVES NUNES RELATOR VISTO EM AFONS. FERREIRA DE P ILPOS - PROCURADOR DA FA SESSÃO DE: NA ZENDA NACIONAL 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CELSO ALVES FEITOSA, CRISTÓVÃO ANCHIE TA DE PAIVA, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, RAUL PIMENTEL e JOSE EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. , , 0?=;..:à,-...., . \wF1-1.-:, •-•;_;t:,.1, , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO Nig 10880/012.681/89-02 2. , ,, RECURSO N9: 97.633 ACÓRDÃO N9: 101-81.277 , , RECORRENTE : MACAN IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. RELATÓRIO MArAN IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., qualificada nos 1 autos, recorre a este Colegiado (fls.141/3) contra a decisão do Senhor Chefe Substituto da SECPPJ/DIVITRI, da Delegacia da Receita Federal em São Paulo,SP (fls.1341137) que manteve o auto de infra- ção contra ela lavrado às fls.95. , Segundo a peça básica, o contribuinte apropriara como custos e despesas operacionais as importâncias de Cr$ 24.267.250, Cr$ 615.136.700 e Cz$ 1.505.340,00, nos exercícios de 1985 a 1987, comprovadas mediante notas-fiscais irregulares,conforme apurado em diligências realizadas pela fiscalização, em dados cadastrais e em declaraçaes prestadas ao fisco, não logrando, outrossim, a fiscali- zada comprovar o efetivo pagamento desses custos e despesas. Na impugnação (fls,1001103), a autuada alega que, no comércio, prevalece a aparência do bom direito, importando nas tran saçOes efetuadas definir apenas o preço, o produto e a entrega. Se a documentação ê regular, com indicação de inscrição estadual e do Ministério da Fazenda, nada mais se pode exigir do adquirente, pois a função fiscalizadora cabe ao fisco e não ao contribuinte. Cita ju iibprud;hç.ia que enLende dar suporte à sua afirmação. As firmas têm existência regular, como certifica a Junta Comercal de SÃO PP,U1O, não podendo arcar com obrigação que não é sua, pouco importando se ' ? , DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/012.681/89-02 3. Acórdão n9 101-81.277 a fiscalização não consegue localizar as firmas vendedoras. É irrelevante a declaração da firma Coulter Electronics Ind. Com . Ltda. de que não efetuara qualquer transação comercial com a im- pugnante, cumprindo â fiscalização comprovar que as notas-iscais eram falsas. Informação fiscal âs fls,132/133, sustentando a procedência da autuação. A autoridade julgadora de primeira instância mante ve o lançamento sob os seguintes fundamentos de fato e de direi— to: a) a impugnante, não podendo apresentar prova da regularida de das notas fiscais em questão, tenta comodamente inverter o ónus da prova; b) ignora convenientemente as provas produzidas pelo fisco de que as referidas empresas eram de fato inexisten- tes e constituídas com o único propósito de lesar a Fazenda Pri- blica, havendo, inclusive interliga0es dessas empresas, atravs de sócios comuns; c) diante dessas provas, cabia â impugnante apresentar comprovantes da efetividade das transaçOes, como Oefe tivo ingresso das mercadorias e pagamentos das mesmas. Na fase recursal (fls.141/143), a empresa perseve- ra nos argumentos apresentados em primeira instãncia, Seu recurso é lido na integra para melhor conhe- cimento do Plenãrio. g o(rlatório ;) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/012.681/89-02 4. AcOrdão n9 101-81.277 VOTO Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES / Relator; Recurso tempestivo e assente em lei, dele tomo co- nhecimento. Compete ao contribuinte comprovar o seu lucro real perante o fisco com base nos livros e documentos de sua escritu- ração (Dec.lei n9 1.598177, art.99). A escrituração somente faz prova em favor do con- tribuinte, obrigando ao fisco produzir a contraprova, quando man tida com observância das disposiOes legais (art.cit. §§ 19 e 29). Dentre essas exigências esta a de que a escritura- ção tenha suporte em documentação habil e idônea a comprovar as operaçOes registradas. A dedutibilidade de custos e despesas operacio- nais e dos encargos está condicionada ã prova de suas reais exis tências e da natureza desses gastos. O litígio versa exatamente sobre a qualidade da comprovação desses dispêndios que foram realizados com base em documentação inidOnea e com o propOsito inequívoco de reduzir a base de calculo de imposto. O exame dos autos, revela que a fiscalização inves tigou com profundidade a matéria, consultando o cadastro da Se- cretaria da Fazenda de São Paulo, comparecendo aos locais indica dos nas notas-fiscais e'omo endereço das fornecedoras,colhendo in formaçOes com os atuais ocupantes dosim6veis f Seus proprietarios (7)--/) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/012.681/89-02 5, Acórdão n9 101-81.277 e administradores dos edifícios e atê mesmo em outros locais on- de poderiam estar funcionando aquelas empresas, tomando a termo o resultado dessas buscasefls,70 a 86). E esses resultados realmente comprovam que a do- cumentação que dava suporte aos lançamentos dos custos e despe- sas era mesmo inidõnea, como se verifica dos relatórios e documentos acostados aos autos pela fiscalização. Tem toda razão o julgador quando afirma que diante dessas provas caberia ã impugnante comprovar a efetiva entrada das mercadorias e de forma convincente os respectivos pagamen- tos, pois isso seria um modo de pelos menos demonstrar que de fato as transações foram realizadas, apesar de lastreadas em do- cumentação inidOnea. A exigência de comprovação da efetividade dos pa- gamentos foi reclamada pelo autuante, desde a fase de fiscaliza- ção, omitindo-se a empresa a respeito. Pois bem, apesar da observação do julgador sobre a necessidade dessas provas, a pessoa jurídica não as apresentou também na fase recursal. Não comprovou a despesa com documentos hÃheis e idôneos e nem o faz com provas indiciãrias da efetividade da tran sação. Prefere agarrar-se à existência formal das "pseu- do-fornecedoras", com base em certidões da Junta Comercial de que as empresas registraram ali os, seus atos constitutivos e de que as notas-fiscais tinham aparência de regular. Isso só não basta e preciso comprovar a efetivida de das transações. Ci\( SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/012.681/89-02 6. Acórdão n9 101-81.277 A sua alegação de que o fisco teria de comprovar a falsidade das notas-fiscais, apesar da declaração prestada pela Coulter Electronics Ind. Com . Ltda não tem sentido porque a inveracidade das transaçOes apontadas resulta até mesmo dos pro dutos arrolados nas notas-fiscais (rolamentos, mãquinas, polias, ferramentas, bombas e etc), totalmente estranhos ao objeto so- cial daquela empresa que são produtos eletrônicos. Se a recorrente pretende gerar dúvida para dela tirar proveito, não tem êxito, porque não se faz merecedora do benefício da dúvida quem utiliza documentos inidOneos em nome de diversas empresas (seis), comprovadamente irregulares, para comprovar seus custos e despesas operacionais com o objetivo de elidir ou reduzir os efeitos do fato gerador do imposto. E ,c,sen pr-51-ir,A justifica a aplicação da mult_a_ lançamento de oficio prevista no artigo 728, inciso III,do RIR/ 80. Nesta ordem de juizos, nego provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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LSA. Sessão de 27de. de 19 81 ACORDÃON° 101-72.580 Recurso n o 35.826 - IRPF - EX: DE 1977 Recorrente PIERRE ALEXIS FONTEYNE Recorrido DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM CAMPINAS (SP) IRPF - DECORRÊNCIA - SUPRIMENTO DE CAIXA NA PESSOA JURÍDICA - Credito feito, sob o tf tu lo de suprimento, a dirigente de empresa, traduz a ocorrencia de omissão de receita na pessoa jurídica correspondente, se não for comprovada, mediante documentação hãpil, idOnea e coincidente em data e valor, a pro cedência da importância creditada. A falta dessa comprovação importa em considerar a importância do suprimento como lucro distri buído pela pessoa jurídica ã pessoa fisic -ã- em nome da qual se fez o credito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autosde recurso interposto por PIERRE ALEXIS FONTEYNE: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contr ir :ntes, por unanimidade de votos, negar provi-_ mento ao recurso ' ") /u . . 7//4 flik . Sala-. / s Se: E):: D ), el 27 de agosto de 1981. WieMrAl" / 44• • DeR OU"W Mt' I DEZ , , PRESIDENTE / / drepr ' ''(( /• Rb DR/-74-,,j0,..,- si RELATOR k 'Y r / VISTO EM ADHEM SON BASTó DE CA'V 1 0 PROCURADOR DA FA- : SESSÃO DE: 27 AN 981 ZENDA NACIONAL , V. V. Participara, ainda, do presente julgamento os seguintes Conse- lheiros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILHO, RAUL PIMENTEL, LUIZ ANDRÉ NETO (suplente) e OLAVO JOÃO GALVÃO (suplente). • ." f-n# r e 1:JM ...---..../ _ ~ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NP O 8 30 /O 51. 3 76 /80 RECURSO N.° : 35.826 ACÓRDÃO N.° : 101-72.580 RECORRENTE: PIERRE ALEXIS FONTEYNE RELATÓRIO PIERRE ALEXIS FONTEYNE, com endereço na cidade de Campinas, Estado de São Paulo, inconformado com a decisão do Delegado da Receita Federal naquela cidade, que julgou proceden te a ação fiscal ao negar-lhe deferimento ã reclamação com que contestara a cobrança do credito tributário, constante do Auto de Infração de fls. 14, proveniente de lançamento de oficio por classificação compulsória, na cédula F da sua declaração de ren dimentos de pessoa física do exercício de 1977, da importância de Cr$ 100.000,00, recorre tempestivamente daquela decisãoplei teando-lhe reforma. A citada importância foi-lhe creditada a titulo de suprimentos de caixa pela empresa Cortidora Campineira e Cal çados S.A., da qual o recorrente é diretor, a qual foi acresci- da ao lucro real tributável dessa pessoa jurídica, em virtude de não haver sido comprovada a origem de onde ela proveio. Esta Câmara confirmou a tributação dessa impor- tância, por não haver sido comprovada de forma cabal, hábil, i- dónea e coincidente em data e valor, com documentação que não só provasse a origem de onde ela proveio, senão também como o in_ teressado a transferiu do seu património para o da pessoa juri — - dica, quando julgou o recurso n9 83.575 da Cor Gora Campineira e Calçados S.A. pelo Acórdão n9 101-72.525,5 dor 14 - n o relatório. - D 1 F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇOPUBLICOFEDERAL PROCESSO N9 0830/051.376/80 Acórdão n9 101-72.580 VOTO_ Conselheiro SYLVIO RODRIGUES, Relator: Trata-se,como se depreende da leitura dos autos, 1-) que o relatório acaba de retratar, de cobrança fiscal reflexa, por decorrência da tributação de verba objeto da autuação sob o tópico de omissão de receita por suprimento de importância à cai xa da empresa Cortidora Campineira e Calçados S. A., do qual o presente processo deriva, uma vez que não houve comprovação atra vés de documentação hábil,idOnea e coincidente em data e valor í) de onde a citada importância se originou embora conste no pro- cesso matriz outras verbas submetidas â incidência tributária,po rém sem trazer conáeqfiência à pessoa física do interessado. A situação fiscal da pessoa física do recorrente implica, portanto, na espécie dos autos, numa tributação por me- ra decorrência do que foi apurado na pessoa jurídica da qual Pierre Alexis Fonteyne participa como diretor. O principio da isonomia dã a entender que às si- tuações semelhantes o remédio aplicável é o das soluções indênti cas, principalmente quando uma das situações, como acessório, de corre da outra, tida por principal. Nos autos da pessoa jurídica, após o julgamento do recurso n9 83.575 pelo Acórdão n9 101-72.525 , ficou positi- vada a omissão de receita apurada através de suprimento de impor tância â caixa, que não foi convenientemente comprovada quanto à origem de onde proveio nem a maneira, mediante documento hábil e idôneo, como o recorrente a transferiu do seu patrimônio para o da pessoa jurídica, de forma a provar a efetiva entrega dela. Não tendo sido oferecida tal prova a importância do suprimento é considerada como produzida nas fontes internas dos negócios -- mercantis realizados p ,- . a própria pessoa jurídica, na qual o re- corrente é diretor.9 v.v. O julgamento do recurso da pessoa juridica cons- titui, na hipótese, um prejulgado aplicável à pessoa fisica do recorrente e dada a Intima relação d causa - e - ito, voto pela negativa do provime, • •:#• present ecurso.e7 wro RORRIG S - RELATOR ... — Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 37336.001322/2006-98
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/1999
PREVIDENCIÁRIO. RECURSO INTEMPESTIVO.
NÃO CONHECIMENTO.
O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2401-000.710
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.° recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, rela s e discutidos os presentes autos. ACORD • o- membros da 4 a Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por inani' idade de votos, em não conhecer do recurso. 4111N, ELIAS SAM • * F • IRE - Presidente \\kVA KLEBER FERREIRA DE A lb° — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Cleusa Vieira de Souza, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório Trata o presente processo administrativo fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD n.° 35.909.359-0, posteriormente cadastrada na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A notificação, lavrada em nome da contribuinte já qualificada nos autos, traz em seu bojo contribuições dos segurados empregados e as seguintes contribuições patronais: para a Seguridade Social, para financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT). O crédito em questão reporta-se às competências de 02 a 10/1999 e assume o montante, consolidado em 20/03/2006, de R$ 22.487,32 (vinte e dois mil, quatrocentos e oitenta e sete reais e trinta e dois centavos ). De acordo com o relato do fisco, fls. 50/57, os fatos geradores de contribuições previdenciárias foram as remunerações pagas aos segurados que laboraram na obra de construção civil denominada ESCOLA ESTADUAL NO DISTRITO DE OITEIRO, cuja matrícula no INSS recebeu o n.° 12014.08180/71. Continuando, a auditoria afirma que a empresa VÍNCULO ENGENHARIA LTDA foi contratada pelo GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ, sob o regime de empreitada global, para execução da obra sob enfoque. Assim, são as empresas responsáveis solidárias pelo crédito lançado, conforme preconiza a legislação previdenciária. Informa-se que os valores foram apurados por arbitramento, pelo fato da empresa fiscalizada não manter escrituração contábil regular, além de não elaborar folhas de pagamento e Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP específicas por obra de construção civil. A remuneração foi aferida, afirma a auditoria, com base no valor previsto no contrato. Contratada e contratante, apresentaram impugnação, fls. 65/94 e 100/108, as quais não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que decidiu, fls. 132/144, pela procedência do crédito. Apenas a empresa construtora apresentou recurso voluntário, fls. 134/159, alegando em síntese que: a) a NFLD é nula, posto que não consta nos autos a fundamentação legal para aplicação do arbitramento e nem para justificar o vínculo de solidariedade; b) é ilegal o abandono da escrituração contábil da empresa, nem mesmo se verificando se o crédito efetivamente existe; c) em homenagem ao princípio da verdade material dever-se-ia ter feito verificação junta à empresa contratada, além de que o julgador deve exaustivamente verificar se o fato gerador ocorreu; d) há dúvidas quanto a certeza e liquidez do crédito tributário sob enfoque; 2 Processo n° 37336.001322/2006-98 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.710 Fl. 163 e) no caso em tela não há elementos que autorizem o arbitramento dos tributos, posto que já foram verificados na contabilidade do devedor direto a regularidade fiscal da obra em questão; f) por não estarem presentes na notificação os elementos caracterizadores da cessão de mão-de-obra, o lançamento padece de vicio formal; g) é patente a decadência do crédito lançado, posto que inconstitucional o art. 45 da Lei n.° 8.212/1991; h) o fisco tem o dever de demonstrar a ocorrência do fato tributável, não podendo efetua lançamento com base em meras presunções. Por fim, pede o provimento do recurso e, consequente, reforma da decisão da DRJ. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso foi apresentado a destempo, conforme data da ciência do acórdão da DRJ em 28/05/2008 pelas duas devedoras, fls. 130/131, e data de protocolização da peça recursal em 30/06/2008, fl. 134. Portanto não deve ser conhecido. Eis que o prazo fixado na Portaria Decreto n.° 70.235/1972 fixa em trinta dias, contados da ciência da decisão original, o prazo para interposição de recurso, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (..) Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, em face de sua intempestividade. Sala das Sessões, em 29 de outubro de 2009 \\kálti\J &),k, KLEBER FERREIRA DE ÚJO - Relator 4
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Reco~ DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM ARAÇATUBA (SP). "IRPJ -PEREMPÇÃO - Comprovado, de for ma inequívoca, que a petição recursar foi concretizada após esgotado o prazo de 30 (trinta) dias estabelecido no art. 33, do Decreto n9 70.235/72, que regula o processo administrativo fis cal, impõe-se sua caracterização como perempta. Recurso que não se conhece." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BEBIDAS VENCEDORA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, em face de sua intempestividade, no/termos do relatório e vo to que passam a integrar o presente julgado , Sala das .74ódi(DF), em/0, de agosto de 1986 AMADOR O ''- i írpo FRNÃNDEZ - PRESIDENTE = ------ 1101/ -roo LATOR - VISTO EM AGOSTINHO FLORES - PROCURADOR DA FAZEN - 1986SESSA6 DE: DA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- • ros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GON- ÇALVES NUNES, JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN e ALCEU DE AZEVEDO FONSE- CA PINTO. Ausente o Conselheiro AGOSTINHO SERRANO FILHO. 2 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO NI9 10820-000.718/85-87 RECURSO N9: 47.292 ACÓRDÃO N9: 101-76.763 RECORRENTE: BEBIDAS VENCEDORA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRI O_ BEBIDAS VENCEDORA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., com sede em Guararapes-SP, recorre de decisão prolatada pelo Delegado da Receita Federal em Araçatuba-SP nos autos do Processo Fiscal n9 10820-000.718/85, através da qual foi confirmada a cobrança da Con- tribuição Social instituída pelo artigo 19 do Decreto-lei n9 1.940/82 (FINSOCIAL), corrigida monetatiamente e acrescida de multa e juros moratórios, de acordo com o artigo 19, inciso I, do Decreto-lei n9 2.049/82; art. 29 do Decreto-lei 1.736/79 e 19, inciso II do Decre- to n9 2.049/83 e art. 16 do Decretolei n9 1.967/82 e o art. 19, in ciso III, c/c art. 49 do Decreto-lei n9 2.049/83, em decorrência de procedimento fiscal paralelor Processo n9 10820-000.712/85, através do qual apurouseque a.empresaacima identificada omitira receita de sua escrituração, conforme descrito no Auto de Infração de fls. 01/ 01-v: Exercício de 1983 ano,base de 1982,: - Omissão de receita caracterizada por suprimentos de Caixa não comprovados.- Cr$, 428.225 - Omissão de receita caracterizada pe- lo maior saldo credor da conta Caixa, ocorrido em 30/12/82,- Cr$ 5.671.293 Exercício de 1984, ano,base de 1983:, - . Omissão de receita caracterizada por suptiàentos de Caixa,mão - comprovados.- Cr$ 673.1 0 DMF - DF/19 C-C - Secgraf - On5 , PROCESSO N9 10820-000.718/85-87 3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 101-76.763 - Omissão de receita caracte rizada pela existência de Passivo Fictício no balan- ço de 31.12.83, na conta Fornecedores.- Cr$ 3.198.800 - Omissão de receita caracte rizada pela aquisição cl. 10.000 conta-gotas sem do_ cumentação hábil.- Cr$ 1.700.000 Exercício de 1985, ano-base de 1984: - Omissão de receita caracte rizada pela aquisição de 40.400 conta-gotas sem do _ men-tação hábil.- Cr$ 31.673.600 , 2. A exigência foi impugnada às fls. 09/15, tendo' o interessado contestado quanto a inexistência de relação jurídi- ca entre as parcelas arroladas no auto de infração que originou o Processo Fiscal n9 10820-000.712/85 e a contribuição ao FINSOCIAL e reiterando as razões apresentadas quando da impugnação daquele lançamento, juntando cópia, às fls. 16/26, daquele petitório. 3. Pela Decisão de fls. 62/65 a exigência foi inte- gralmente mantida pela autoridade julgadora, singular que assim se manifes- ta em seus Consideranda: 1 "Considerando que o Decreto-lei n9 1.940/82 ' instituiu a contribuição social e criou o Fundo de Investimento Social, destinado a custear investimentos de caráter assistencial em ali- mentação habitação popular, saúde, educação e amparo ao pequeno agricultor (artigo 19); Considerando que a contribuição social referi- da é de 0,5% e incide sobre a receita bruta das empresas públicas e privadas que realizam ven- das de mercadorias, bem como das instituições financeiras e das sociedades seguradoras (art. 19, .§ 19, do Decreto-lei n9 1.940/82); Considerando que, nos termos da decisão número 10820-258/85 (cópia às fls. 48/61), proferida no processo n9 10820-000.712/85-09, a tributa- ção das receitas omitidas foi mantida em parte, em relação ao exercício de 1984, período-base de 1983, sendo excluídas da tributação as ' - I SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N910820-000.718/85-87 4 Acórdão n9 101-76.763 portãncias de Cr$ 673.100, referente a su- primentos de caixa não comprovados, e Cr$ 3.198.800, referente a passivo fictício; Considerando que, conforme a mesma decisão administrativa, foi integralmente mantida' a tributação relativa às omissões de recei tas nos períodos-base encerrados em 1982 1984, correspondente aos exercícios de 1983 e 1985, respectivamente; Considerando que por tratar-se de tributa- ção decorrente, é aplicável à exigência ora discutida a mesma decisão proferida no Pro cesso n9 10820-000.712/85-09; Considerando o disposto nos artigos 19, § 19, 39 e 49 do Decreto-lei n9 2.284/86; Considerando tudo mais que do processo caris ta, conheço da impugnação, por tempestiva,- para, no mérito, indeferi-1a, determinando a manutenção do lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 01, excluindo- se, poreít, da exigência, o valor da contri buição ao FINSOCIAL relativa às parcelas T de Cr$ 673.100 e Cr$ 3.198.800, no período de apuração de 1983, com os acréscimos le- gais correspondentes." 4. Notificada dessa decisão em 29/04/86, em 30/05/86 a in- teressada protocolizou o recurso de fls. 68/69, reiterando as ra- zões apresentadas no apelo interposto com relação ao processo ptin cipal.pu ' É o relatório. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10820-000.718/85-87 5. AcOrdão n9 101-76.763 VOTO Conselheiro RAUL PIMENTEL, Relator: Na forma prevista no artigo 33 do Decreto n9 70.235/72, os contribuintes têm o prazo de 30 dias para interpor recurso vo_ luntário contra decisão de autoridade julgadora de primeira ins táncia. No presente caso a interessada teve ciência da decisão do Delegado da Receita Federal em Araçatuba-SP em 29.04.86 (ter- ça-feira), conforme A.R. de fls. 67, manifestando recurso para es_ te Colegiado em 30.05.86, conforme se observa pelo carimbo da re partição fiscal aposto às fls. 68, quando o prazo previsto no ci tado dispositivo vencera-se a 29.05.86, dia santificado (Corpus Cristi), porém, considerado dia útil normal, tendo em vista o que dispõe o artigo 19 da Lei n9 7.320, de 11.06.85, verbis: "Art. 19 - Serão comemorados por antecipação, nas segundas-feiras, os feriados que caírem nos de mais dias da semana, com exceção dos que oco-i rerem nos sábados e domingos e dos dias 19 d-e- janeiro (Confraternização Universal), 07 de se tembro (Independência), 25 de dezembro (Natal -e-- Sexta-Feira Santa)." O feriado correspondente aquele dia santo foi comemora do no dia 26 de maio de 1986, segunda-feira, por força do que es tabelece o retrocitado dispositivo. Pelo exposto, deixo d- tomar conhecimento do recurso , em face de sua intempestividade lle 11101" 4a1110_ Illeillille ei.~..-,- '' Ilir" "7,,, ~ n1110- I- 1---111 IIMIP - A ulliiir~ N -_ — R vi si-. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Provado que o acionista fora afastado da administração da sociedade e nela proibido de entrar,bem h como as ações da companhia eram ao porta- dor: a incidência sobre o rendimento con- siderado distribuído ocorre na fonte e não na declaração da pessoa física do acionis- ta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por FERRUCIO BOCCIARELLI: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse 1_ lho e Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recur 1 sc).P II _ , 1 ,, 2 Sala da. / -s4es nF), em 21 de julho de 1981. ' f I AMAD0- oi- -4 Ou ;RN A ' I DEZ PRESIDENTE E RELATOR I PI I ,( / I, ft VISTO EM ADH; -ebl : ft , •S DE CARVALHO PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: 23 RI lop /i, NACIONAL wiut / / Participaram, ainda, do pre.efte julgamento os seguintes Conselheiros SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO Di ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FI HO, RAUL PIMENTEL, LUIZ ANDRÉ NETO (suplen te) e FERNANDO CÍCERO VELLOSO. MNW, -"g- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 20810/048.230/80 RECURSO re,- 35.485 ACÓRDÃO N.°: 101-72.471 RECORRENTE: FERRUCIO BOCCIARELLI RELATÓRIO Na peça básica, se declara ser a presente exigência fiscal "reflexo do auto de infração lavrado contra a pessoa juridi_ ca FERNOX S.A. - INDOSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS FERROSOS, sedia- da em Jundial, SP, conforme discriminação abaixo: Ex. 1976 (ano-base 1975): Lucro arbitrado Cr$ 4.010.147,00 Participação acionária - 35,25% Cr$ 1.413.576,00 Ex. 1977 (ano-base 1976): Lucro arbitrado Cr$ 7.581.913,00 Participação acionária - 37,77% Cr$ 2.863.688,00 Ex. 1978 (ano-base 1977): Lucro arbitrado Cr$ 1.811.851,00 Participação acionária - 37,77% Cr$ 684.336,00 Enquadramento legal: Art. 34, letra c do Decreto n9 76.186/75". Embora impugnado o crédito lançado com a peça de fls. 12/21 e instruindo-a cum os documentos - prova de fls. 23/52, a petição foi indeferida, com a decisão de fls. 62 cuja fundamenta- 4(-ção passo a transcrever, na Integra, in verbis: , D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0810/048.230/80 3. Acórdão n9- 101-72.471 "2 Este processo, conforme documentos de fls.6/8, é o reflexo ou decorrência da tributação , procedida contra FERNOX S/A - INDOSTRIA E COMÉRCIO DE PRODU TOS FERROSOS, estabelecida à Rua Anibal Lopes Fonsj- ca s/n9 em Campo Limpo Paulista -SP, consubstanciada no processo n9 0830/01617/78. 3õ CONSIDERANDO, assim, que o crédito tributáriode que tratamos presentes autos é reflexo ou decorren- cia do procedimento impetrado contra a Pessoa Juridi - ca; CONSIDERANDO que o lançamento contra a empresa FERNOX S/A - INDO-STRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS FER- ROSOS foi integralmente mantido, conforme decisão n9 0830-GD-322/79, de fls. 54/58, prolatada no referido Processo n9 0830/01-617/79 pelo Sr. Delegado da Re- ceita Federal em Campinas-SP; RESOLVO manter a tributação das importâncias de Cr$ 1.413.576,00, Cr$ 2.863.688,00 e Cr$ 684.336,00, relativamente aos anos de 1975 a 1977, bases dos exercícios financeiros de 1976/1978. 4 Isto posto, DECIDO tomar conhecimento da impu2 nação interposta, por tempestiva, para, no mérito,IN DEFERI-LA, mantendo o lançamento impugnado pelos seus legais fundamentos". Cientificado dessa decisão em 11/2/81, conforme AR de fls. 64-v e 65-v, o autuado, com guarda do prazo legal, apelou para este Conselho, conforme petição de fls. 68, protocolada em í 12/3/81, com as razOes de fls. 69/77, lidas por inteiro em sessão , e, em cujos itens 11 a 19, consignou: "11. O Recorrente é acionista minoritório possuidor í de açOes ao portador da FERNOX S/A - INDOSTRIA E CO- MÉRCIO DE PRODUTOS FERROSOS, empresa da qual foi seu fundador e diretor ate meados do ano de 1975,quando, .. em virtude de desentendimentos havidos com os demais companheiros de diretoria, foi afastado-da referida sociedade, sendo inclusive, impedido de.entrarnasua sede, razão pela qual, daquela data em diante, nao mais praticou qualquer ato administrativo e nem rece beu qualquer importância seja a que titulo for - ho- norários ou dividendos - da mesma sociedade, fato a í testado com a declaração anexa fornecida pelo atuar Fiscal de Tributos Federais, JOLIO ARITON PETER LE- VITZ, na época, então contador da empresa (fls. 23). 12. No afã de impedir a ocorrência de irregularidades que haviam sido praticadas pelos diretores rema- . nescentes, e porque, formalmente, não havia se cara , terizado a sua demissão da diretoria, fato este so - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0810/048.230/80 4• Acórdão n9 101-72.471 mente verificado em 06 de novembro de 1976, pela assembleia ger-ai extraordinária realizada naque- la data (f is. 24), o Recorrente adotou ingentes esforços no sentido de sanar as irregularidades verificadas, inclusive, recorrendo ao Poder Judi- ciário com diversas medidas acauteladoras de seus interesses. 13. Assim e, que, notificou a todos os demais di- retores e aos membros do Conselho Fiscal (f is. 25 a 29) denunciando as irregularidades havidas re- lativamente ao exercício de 1975 pelo que discor- dava do balanço geral e conta de lucros e perdas que havia sido objeto de publicação pela Impren- sa, sem sua autorização ou assinatura. 14. Desatendido em suas pretensões, aliás pelo contrário, com o intuito de alijá-lo de vez da sociedade, os demais membros da diretoria e acio- nistas majoritários, de forma irregular como de costume, envidaram esforços no sentido de alte- rar os estatutos sociais no que concerne ao capi- tal e ál forma de administração da sociedade, o que ensejou novos protestos do Recorrente, agora já por via judicial e com a publicação de editais para conhecimento de terceiros (f is. 30 a 41). 15. Ainda, incontinenti, ajuizou medida cautelar de exibição de livros e documentos da sociedade, no intuito de propor a competente responsabiliza- ção dos demais administradores da sociedade pelas irregularidades, e que se processou perante o Juí zo da Comarca de Jundiaí (fls. 42 a 44). 16. Todavia, inúteis foram os seus esforços, vis- to que, depois de incessantes diligências para e- xame dos livros (fls. 45 a 47) e após determina- ção judicial para sua busca e apreensão (fls.48), foram, apenas, alguns poucos apreendidos na Co- marca da Capital (fls. 49 a 51) oportunidade em que se teve conhecimento do extravio dos demais conforme edital publicado em jornal que fora en- tregue ao Snr. Oficial de Justiça. (fls. 52). 17. Em consequência, denota-se a total ausência de qualquer responsabilidade do Recorrente não só nos autos de administração praticados após ju- lho de 1975 e muito menos a obtenção de qualquer rendimento da sociedade, sejam eles lícitos ou i- lícitos, contabilizados ou não de forma a ensejar a tributação por presunção que fica •afastada dian te das provas em contrario.-- 18. Por outro lado, o agente fisca fundamentou a sua pretensão no artigo 34, let 7 "C" do Decre- to n9 76.186/75 que assim dispõe , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0810/048.230/80 5• Acórdão n9 101-72.471 "Art. 34. Na cédula "F", serão classificados os seguintes rendimentos distribuídos pelas pessoas jurídicas ou pelas empresas indivi- duais: c) os dividendos e quaisquer bonificaçOes a tribuidas a açOes nominativas, nominativas= endossáveis e ao portador, quando este se i dentificar, nos casos de não opçãopelatributa- ção exclusiva na fonte, observado o dispos- to no § 39 deste artigo e no, art. 35 - ( De creto-lei n9 5.844/43, art. 89, "C", ler 4.154/62, art. 39, § 49, Lei-4,..728/65, art. 32 e Dec. Lei 427/68, art. 19);" 19. Ora, a distribuição de resultados de socieda de anônima prevista no texto legal supra nad, tem a ver com lucro arbitrado, capitulado na le tra "A" do mesmo dispositivo legal, de cujo teor reproduzimos: - , "a) os lucros, computando-se"ó- Idcro presumi do ou o arbitrado, quando não for apuradDrj al, inclusive no i casos previstos nos arti= gos 108 e 109". 40 / Ë o relatório. , /:-/-/ , _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0810/048.23n/80 6. Acórdão n9 101-72.471 VOTO_ Conselheiro AMADOR OUTERELO FERNÂNDEZ, Relator: Sempre entendi que quando o arbitramento ocorre nas so ciedades anónimas com ações ao portador, dado ser inviável proceder ao rateio dos lucros entre os seus ocionistas (pois ora são desco- nhecidos, ora torna-se impraticável afirmar qual o montante de sua participação no capital social), a tributação em vez de recair di- retamente sobre os acionistas, como prevê o art. 51, alínea "a" do RIR, aprovado pelo Decreto n958.400, de 1966, renroduzido noart. 34, alínea "a", do RIR/75,baixado com o Decreto n9 76.186/75, passa a recair indiretamente sobre os acionistas, atráves da tributação na fonte, como estabelece o art. 301, inciso 29, alínea "a" combi- nado com o art. 302, § 29, alínea "b", do primeiro mesmo diploma, objeto de consolidação no RIR/75,anexo no Decreto n9 76.186/75, no art. 335, § 19,incisos I e II, visto que, quando os portadores de ações ao portador são beneficiados com importâncias, seja a título de dividendos, seja a qualquer outro titulo (note-se que a lei fa- la em dividendos ou quaisquer bonificações a elas atribuídas, art. 301, inciso 19, alínea "a"), não se podendo quantificar quanto ca- da um recebeu, o próprio fato demonstra que o acionista optou, quan do do recolhimento da vantagem, pela não identificação. 2. Tal entendimento foi acolhido pela Colenda Câmara Supe rior de Recursos Fiscais, no Acórdão n9 - CSRF/01-0.115, prolatado em 24/10/80. 3. Também reiteradamente defendi que a incidência do I.R. nos casos de reflexo do arbitramento nas S/A, quando fossem de ca- pital fechado ou a elas equiparadas, decorria do estabelecido na alína "a" do art. 34 do RIR/75 e não do previsto na alínea "c" do mesmo despositivo. 4. Essa conclusão também foi aceita pela Egrégia Câmara Superior, conforme faz certo o aresto consubstanciado no Acórdão n9 CSRF/01-0.019, de 13/06/80, entre outros. 5. Por outro lado, entendo que, embora seja muito difícil, aquele que foi lançado por reflexo de arbitramento poderá prova d-N , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCWS0 N9 G810/048.230/80 7. AcEirdão n9 101-72.471 não ter sido ele o beneficiário do rendimento, no caso de desman_ dos administrativos ou dissensões: da magnitude que nos dão conta estes autos, em que o acionista e Diretor foi afastado à força da 1 administração, privado de seus honorários e impedido de entrar na sociedade; daí a via crucis que teve de percorrer, ate ver seuno me fora do rol daqueles que administravam a empresa. 6. Do exposto, entendo não ser cabível o reflexo sobre o recorrente,cabendo aincidencia na/fonte, em face dos fatos nar- rados e comprovados nestes autos.2d? 4 , /É o meu voto / - ^ / i AMADOR OUTEr,' ti i ' IRN DEZ, Presidente e Relator. 1 7771 1 I I, II I I 1[ 1 I Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13851.000227/99-07
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício. 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO, ACÓRDÃO EMBARGADO. RATIFICAÇÃO. Embargos declaratórios que se acolhe, PARCIALMENTE, para suprir omissão apontada, mantendo-se, contudo, a decisão embargada nos termos em que foi prolatada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 1302-000.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, suprindo a omissão e mantendo a decisão em que foi prolatada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Interessado 5' TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício. 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO, ACÓRDÃO EMBARGADO. RATIFICAÇÃO. Embargos declaratórios que se acolhe, PARCIALMENTE, para suprir omissão apontada, mantendo-se, contudo, a decisão embargada nos termos em que foi prolatada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, suprindo a omissão e mantendo a decisão em que foi prolatada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente 1 WIL ON FERNA4:Pi . GUIMA • 7 s - Relator n EDITADO EM: ? 6 Bn u Particip. is • - ente julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Albertina Silva Santos de Lima Benedicto Celso Deflicto Júnior Natanael Vieira dos Santos Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório BRASIL WARRANT ADMINISTRAÇÃO DE BENS E EMPRESAS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorreu a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Araraquara, São Paulo. Trata o processo de pedido de restituição de Imposto de Renda relativo ao ano-calendário de 1996, cumulado com pedidos de compensação. • A Delegacia da Receita Federal em Araraquara, unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos, proferiu despacho decisório (fls. 328/331), por meio do qual, não obstante ter indeferido o pedido da contribuinte, declarou a homologação tácita das compensações que envolviam débitos próprios. A unidade administrativa acima mencionada (Delegacia da Receita Federal em Araraquara) sustentou o citado indeferimento nos seguintes elementos: a) as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (D1RF) de fl. 327, prestadas por Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A e Banco Pactuai S/A, indicam receitas financeiras auferidas pela contribuinte na ordem de R$ 4.881.559,88 e imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 672.645,88, divergentes dos valores consignados na declaração apresentada (DIRPI/97), nos valores de R$ 4.368.279,13 e R$ 673.650,15, respectivamente; b) a contribuinte não comprovou que as receitas financeiras correspondentes ao imposto retido foram oferecidas à tributação, restando prejudicada, assim, a liquidez e certeza do crédito. Diante de tal decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 347/352), momento em que ofereceu, em apertada síntese, os seguintes argumentos: - que os rendimentos produzidos pelas aplicações financeiras realizadas em determinado ano-calendário e resgatadas em anos seguintes não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto na fonte em face do regime de competência e do estatuído no artigo 317 do Regulamento do Imposto de Renda (R1R/94), motivo pelo qual os valores constantes na DIRPJ não conferem com aqueles existentes nas DIRF' s; - que realizara minucioso levantamento em seus registros contábeis e fiscais, notadamente no Livro Razão, do qual resultou um quadro demonstrativo (doc. 05) evidenciando que os rendimentos produzidos pelas aplicações financeiras junto ao Unibanco — União de Bancos Brasileiros S/A, foram apropriados nos meses de outubro de 1995 a dezembro de 1996, pela cifra de R$ 4.652.987,75 e compuseram os resultados desses anos- calendários. A 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão n° 2 Processo n° 13851.000227199-07 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.151 Fl. 2 10.063, de 02 de dezembro de 2005, pela improdecedência do pedido, conforme ementa a seguir transcrita. Reclama contabilidade regular a restituição do saldo negativo de imposto de renda constante na declaração de rendimentos da pessoa jurídica submetida ao regime do lucro real, cuja origem repousa em ganhos advindos de aplicações financeiras com retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, de sorte a restar sobejamente comprovado que ditas receitas compuseram a base de cálculo do IR.PJ e que possa, como efeito, transmudar a receita pública na situação de indébito fiscal. Inconformada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 500/509, por meio do qual sustentou: - que as diferenças apuradas entre os valores reconhecidos como receitas financeiras durante o ano de 1996 e os indicados nos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras não poderiam justificar a glosa, vez que as referidas receitas financeiras, decorrentes de aplicações de renda fixa, devem ser reconhecidas pelo regime de competência, enquanto que o IRF incide no momento do resgate das aplicações; - que, assim, as divergências decorreriam da própria legislação tributária; - que a decisão recorrida reconheceu que as receitas financeiras deveriam ser contabilizadas pelo regime de competência, independentemente da retenção na fonte, não havendo, em razão disso, qualquer controvérsia quanto ao mérito das divergências apontadas; - que juntara aos autos diversos demonstrativos, mencionando o número de folhas do Livro Razão onde foram contabilizadas as receitas, restando evidenciado o efetivo oferecimento à tributação dos valores questionados; - que a decisão recorrida poderia ter determinado realização de diligências, de modo que fossem eliminadas eventuais questões acerca da efetiva tributação das receitas; - que, ainda que não restasse comprovado o oferecimento à tributação da totalidade dos rendimentos, deveria ter sido reconhecido o crédito correspondente à parcela comprovada; - que não poderia prosperar a glosa da totalidade do crédito, com base na suposta existência de dúvida quanto ao oferecimento à tributação de uma pequena parcela dos rendimentos que originaram o direito creditório; - que o art. 112 do Código Tributário Nacional determina que a interpretação seja feita de forma mais favorável o acusado nos casos em que ocorrerem dúvida quanto aos fatos apurados. A Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando a peça recursal, decidiu, por meio do acórdão n° 105-16.536, de 13 de junho de 2007, manter a decisão exarada em primeira instância nos termos em que foi prolatada, isto é, negou provimento ao recurso voluntio interposto. Nessa linha, restou ementado no citado acórdão: air 3 RESTITUIÇÃO IRPJ. SALDO NEGATIVO. REQUISITOS — A restituição do saldo negativo de imposto de renda constante na declaração de rendimentos da pessoa jurídica submetida ao regime do lucro real, com origem em ganhos de aplicações financeiras, com retenções levadas a efeito por fontes pagadoras, depende de comprovação de que tais receitas integram a base de cálculo do IRPJ, de modo a evidenciar situação de indébito fiscal. Irresignada com tal decisão, a contribuinte apresenta EMBARGOS DECLARATORIOS (fls. 616(621), alegando: - que, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, não houve análise das "novas" provas colacionadas aos autos, bem como exame acerca das questões relacionadas à aplicação, no caso vertente, das disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional; - que o acórdão embargado apenas repetiu os fundamentos que levaram a Delegacia da Receita Federal de Julgamento a manter o indeferimento do direito creditório. É o Relatório. ek—;) 4 Processo n° 13851.000227/99-07 SI-C3T2 Acórclao n.° 1302-00.151 Fl. 3 Voto Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de EMBARGOS DECLARATORIOS, interpostos contra a decisão exarada por meio do acórdão n° 105-16.536, de 13 de junho de 2007. Sustenta a embargante que por ocasião do julgamento do recurso voluntário não houve análise das "novas" provas colacionadas aos autos, bem como exame acerca das questões relacionadas à aplicação, no caso vertente, das disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional. Adita que o acórdão embargado apenas repetiu os fundamentos que levaram a Delegacia da Receita Federal de Julgamento a manter o indeferimento do direito creditório. Acolho os presentes embargos apenas para sanear a omissão no que tange aos argumentos da contribuinte acerca da possibilidade de aplicação das disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional, vez que, no que diz respeito à suposta ausência de análise de provas carreadas aos autos, trata-se, na verdade, de pedido de reexame de documentos, que não pode ser recepcionado pela via recursal em apreço. O art. 112 do Código Tributário Nacional trata de interpretação mais favorável ao acusado de LEI TRIBUTÁRIA QUE DEFINE INFRAÇÕES OU LHE COMINA PENALIDADES Revela-se, pois, despropositada a argumentação expendida pela embargante, eis que inexistente, no caso vertente, o elemento nuclear propulsor da aplicação da norma em comento, qual seja, DÚVIDA na interpretação da lei tributária que define as infrações apuradas, ou lhe comina penalidades. No presente caso, à evidência, inexiste dúvida quanto: a) à capitulação legal; b) à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; c) à autoria, imputabilidade ou punibilidade; d) à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Relativamente às provas trazidas ao processo pela contribuinte, revela-se importante destacar: 1. os fundamentos utilizados pela Delegacia da Receita Federal em Araraquara para indeferir os pedidos formulados (fls. 328/331), quais sejam: a) divergência entre os valores correspondentes aos rendimentos de aplicações financeiras e respectivo imposto de renda na fonte declarados (R$ 4.368.279,13 e R$ 673.650,15) e os apurados (R$ 4.888.559,88 e R$ 672.645,88); e b) ausência de comprovação das alegações em razão das intimações realizadas no curso da apreciação dos pedidos; 5 2. os fundamentos utilizados no voto condutor da decisão exarada em primeira instância para não acolher os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade apresentada (fls. 487/493): Perante a autoridade fiscal a recorrente não apresentou provas contábeis do alegado, embora tenha elaborado o demonstrativo de fls. 273/275, reprisado às fis. 419/421, exteriorizando que nos meses de outubro a dezembro de 1995 teria ocorrido reconhecimentos dessas receitas. Com o recurso, diferentemente, trouxe os documentos de fis. 422/424, pretensas cópias de livro razão analítico, atinente aos meses de outubro a dezembro de 1995, mostrando lançamentos a crédito em conta intitulará "rendimento s/ aplic. Financeira- CDB", com a discriminação de "rendimento s/ aplicação finac. conf mapa", nos valores de R$ 51.476,16; RS408.894,67 e RS 850.339,63, respectivamente. Independentemente do fato destas cópias não se encontrarem acompanhadas das páginas iniciais e finais do pretenso livro, mostrando os competentes termos de abertura e encerramento, ou autenticadas, a exemplo daquelas referentes aos meses do ano de 1996 apresentadas anteriormente, de verificar que não se prestam ao intento. A uma porque, uma vez mais, não há identidade de valores, já que a somatória dessas parcelas não condiz com a cifra reclamada, sem contar, ainda, que o valor do mês de outubro constante no demonstrativo de fis. 273/275 e 4191421 é bem outro e, a duas, principalmente, porque lançamentos contábeis com o titulo de "RENDIMENTO S/APLIC. FINAN. CONF. MAPA" requisitam pormenorizações como, entre outras, a(s) instituição(ões) financeira(s) que possibilitou (aram) esses rendimentos, os títulos envolvidos, etc. Não há nos autos nenhum outro elemento que possa atestar que tais lançamentos se refiram, efetivamente, aos rendimentos financeiros que propiciaram as retenções do imposto cuja repetição se almeja. Nem tampouco as cópias do livro 'diário às fls. 309/326, contribuem para esse especifico fim, eis que repetem idêntico histórico. Em suma, pois, a contabilidade até o momento mostrada pela recorrente exterioriza lançamentos contábeis de apropriações de receitas financeiras, porém, não se encontra provado que estas dizem respeito aos ganhos junto ao Unibanco - União de Bancos Brasileiros S/A e Banco Pactuai' S/A e que ensejaram as retenções. Ao optar pela contabilização de forma consolidada, sem livros auxiliares ou arquivos analíticos que demonstrem a exatidão dos objetivos pretendidos, estes reputam-se inviabilizados. Em sede de recurso voluntário, apesar de a embargante aportar aos autos • novos demonstrativos, as cópias do Livro Razão anexadas são exatamente as mesmas que foram colacionadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, motivo 6 Processo n° 13851.000227199-07 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.151Fl. 4, , pelo qual restou repisado na decisão embargaria os argumentos expendidos pela autoridade julgadora de primeiro grau para não acolher os pedidos formulados (ausência de apresentação das páginas iniciais e finais, com apresentação dos termos de abertura e encerramento; ausência de identidade de valores, visto que a soma das parcelas não correspondia ao valor reclamado; insuficiência dos históricos dos registros contábeis, o que impossibilitou a identificação das instituições financeiras e da natureza dos rendimentos envolvidos). Diante de tais circunstâncias, restou assinalado no voto condutor do acórdão embargado: ... Nos autos não há nenhum outro elemento que possa atestar que tais lançamentos se refiram, efetivamente, aos rendimentos financeiros que propiciaram as retenções de imposto de renda cuja repetição se almeja. Nem tampouco as cópias do livro "diário" (fls. 309/326), contribuem para esse especifico fim, eis que repetem idêntico histórico. Constato, pois, que o que a contribuinte pretende por meio dos embargos ora sob exame é uma efetiva reapreciação das provas colacionadas ao processo, pleito que não pode ser acolhido pela via recursal em referência. Por fim, merece reparo a afirmação da embargante de que a discussão nos presentes autos tomou novos rumos a partir da decisão de primeira instância, isto é, foi direcionada em sentido diferente do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Araraquara. Com efeito, cuidou a autoridade julgadora de primeiro grau, apenas e tão-somente, de apresentar juízo acerca da documentação aportada por meio da manifestação de inconformidade, que, em última análise, foi trazida ao processo objetivando suprir a falta de comprovação argüida no citado despacho decisório. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de acolher os embargos declaratórios para suprir a omissão relacionada aos preceitos do art. 112 do Código Tributário Nacional, ratificando, contudo, a decisão exarada por meio do acórdão n° 105-16.536, de 13 de junho de 2007. kWILSON/1011 n 4-11.r - MARÃ' S - Relator ./.......... k-CL.,......„ 7 .
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Numero do processo: 00725.050882/81-18
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Recorrido - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM CAMPOS - (RJ) IRPJ - PASSIVO FICTÍCIO: A sua ocorrência sem qualquer contestação por parte do con tribuinte induz a sonegação de receita. -5 total apurado corresponde a receita omi- tida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CASA DO CICLISTA LTDA.: Aselho d ontribui , " ACORDAM ::::: g unanimidade Sala das e/-47 (DF), em 18 de Agosto de 1982 Prdiemevio::srdoprPorv2n2 recurso (1, , /,/ DOR *1-10 • RN_NDEZ 1 ,- PRESIDENTE 1.4.._, F ,RNAND o CERO VEL kOSO - RELATOR f d à VISTO EM AGO.TINHO LO' -- - PROCURADOR DA FA- , SESSÃO DE: 2 g AN 1 ' ZENDA NACIONAL Participaram, ainda do presente julgamefito, os seguintes Conselhei- ros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GON ÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILHO, RAUL PIMENTEL, e LUIZ ANDRÉ NETO (Suplente). , --ze; SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0725/050.882/81-18 RECURSO 85.260 ACÓRDÃO N.°: 101-73.524 RECORRENTE: CASA DO CICLISTA LTDA. RELATÓRIO CASA DO CICLISTA LTDA., com domicilio fiscal em Cam pós, RJ, recorre da decisão singular que manteve a exigência de im- posto de renda, multa e acrescimos dos Exercícios de 1977 a 1980. 1. Com base no demonstrativo do "Passivo Circulante" dos balançOs de 76 a 1980 apresentado pelo contribuinte (fls. 03/ 1181, considerando os totais contabilizados na conta "fornecedores" (fls. 02), foi apurado o total inicialmente tributado "à titulo de omissão de receita. 2. Apôs obter prorrogação de prazo apresenta a sua impugnação de fls. 23/25 onde alega: (a) estar sendo tributado em função de não ter "comprovado a inexistência de pagamento"4 (h) tra ta-se de mera presunção, e mais, "presunção para punir"; (c) não fi cou caracterizado o fato violador do preceito legal; e (d) não fo ram esclarecidos quais os documentos que comprovam a sonegação do pagamento do tributo. 3. Precedendo a apreciação da impugnação, o con- tribuinte, e intimado a apresentar os originais das duplicatas que Salt.ecguvwna relação da conta "fornecedores" que elaborou. Em função de não ter apresentado os documentos em questão, os valores dos passivos fictícios são reajustados em decorrência da inclusão de valores pagos no decorrer do ano e que mesmo assim co ti //%3 D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 PROCESSO N9 0725/050.882181-18 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acorda() n9 101-73.524 tavam da relação do passivo existente no final de cada ano. É. rea- berto o prazo para impugnação. Os valores finais tributados são os seguintes: Ex. 77: 1.378.730 - Ex. 1.897.863 - Ex. 79: 335.074 - Ex. 80: 6.166.225. 4. Nova petição e apresentada solicitando nova prorrogação e, finalmente, apresenta aditamento por onde ratifi- ca as razOes anteriores. A decisão singular de fls. 45/47 mantem a tributação considerando para tanto a absoluta falta de provas.No recurso de fls. 51/52 o recorrente se limita a tecer comentârios sobre a sua situação especifica e particular. É o relatório. VOTO Conselheiro FERNANDO CTCERO VELLOSO, Relator: 1. Mantinha em seu passivo como obrigação a pa- gar em dezembro de cada um dos anos fiscalizados importâncias con- siderávéis jã pagas no decorrer de cada ano-base. 2. É o que se chama de "passivo ficticio", uma das vãrias formas de apurar omissão de receita. Ora, se pagou a obrigação e ainda assim mantem o titulo correspondente como obri- gação ã pagar e porque quitou-o como numerário da empresa não con tabilizado, ou seja, receita omitida. 3. No caso foram dadas todas as oportunidades para o contribuinte, podendo, provar que a existência do passi- vo não objetiva encobrir a omissão de receita. Nenhuma foi aprovei tada. 4. As informações, como vimos, foram prestadaspe lo prOprio contribuinte quer apeaar disto, e intimado a tanto, na da prova ou alega em --u favor para acabar ou reduzir o total que estã sendo tributado!" v.v Iso posto e cons 'clerando tudo mais que os au- tos constam, voto pea negativa de rovimento ao recursoli , í ,,,,;(1-::-) FERNANDO f"-E---R--'C 0: VEL OãO - RELATOR _ ,.. ,, 1 1 ,,, , : 1 , , , 1 1.. , 1 , I, I i 1. , 1 , , , I I 1 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13983.000009/99-31
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CALCULO. DESPESAS
HAVIDAS COM COMBUSTÍVEIS.
Não cabe recurso especial de decisão que verse sobre matéria sumulada pelo CARF.
AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os
valores correspondentes As aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei ri° 9.363/96. Não cabe ao interprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-000.803
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidades de votos, em não conhecer do recurso no tocante A inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das despesas havidas com combustíveis; e Ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar
provimento ao recurso especial para reconhecer o direito A. inclusão na base de calculo desse incentivo do valor das aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento.
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CALCULO. DESPESAS HAVIDAS COM COMBUSTÍVEIS. Não cabe recurso especial de decisão que verse sobre matéria sumulada pelo CARF. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes As aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei ri° 9.363/96. Não cabe ao interprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-05T16:38:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-05T16:38:33Z; Last-Modified: 2011-08-05T16:38:33Z; dcterms:modified: 2011-08-05T16:38:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:9cc7fe67-e142-4ac0-b71e-6c478f3038b0; Last-Save-Date: 2011-08-05T16:38:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-05T16:38:33Z; meta:save-date: 2011-08-05T16:38:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-05T16:38:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-05T16:38:33Z; created: 2011-08-05T16:38:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-08-05T16:38:33Z; pdf:charsPerPage: 1998; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-05T16:38:33Z | Conteúdo => CSRF-T3 Fl. 1.243 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13983.000009/99-31 Recurso n° 2 22.389 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9303 -00.803 — 3' Turma Sessão de 02 de fevereiro de 2010 Matéria IPI - Crédito Presumido - Aquisições de não contribuintes, e despesas com combustiveisc Recorrente SADIA CONCÓRDIA S/A IND. E COM. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CALCULO. DESPESAS HAVIDAS COM COMBUSTÍVEIS. Não cabe recurso especial de decisão que verse sobre matéria sumulada pelo CARF. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a urn crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes As aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas tisicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei ri° 9.363/96. Não cabe ao interprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidades de votos, em não conhecer do recurso no tocante A inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI das despesas havidas com combustíveis; e Ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento ao recurso especial para reconhecer o direito A. inclusão na base de calculo desse incentivo do valor das aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Põssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freit arreto - Preside te e Relator , EDITADO EM: 15/07/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Põssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI a que se refere a Lei n° 9.363/1996. Duas são as matérias devolvidas a este Colegiado: aquisições de não contribuintes e despesas havidas corn combustíveis. 0 julgamento deste recurso tem corno paradigmas os Recursos n"s 232.380 (despesas havidas corn combustíveis) e n° 222.766 (aquisições de não cOntribnintes), julgados na sessão imediatamente anterior a esta, sendo-lhe aplicadas as mesmas teses daqueles julgados, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF IV 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator 0 recurso é tempestivo e, na parte que versa sobre as aquisições de não contribuintes merece ser conhecido, por atender aos demais requisitos de admissibilidade. Já no tocante às despesas corn combustíveis, não se deve conhecer do apelo pelas razões alinhavadas a seguir. Este voto segue as disposições do § 2°, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, ressalvado o entendimento pessoal, adoto as teses prevalentes no julgamento dos Recursos n's 232.380 (despesas havidas com combustíveis) e n° 222.766 (aquisições de não contribuintes). Das despesas havidas com combustíveis Quanto aos denials requisitos de admissibilidade, ressalto que a única questão a ser analisada na presente lide é a possibilidade 2 Processo n° 13983.000009/99-31 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.803 Fl. 1.244 de incluir na base de cálculo do crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n" 9.363/96, os custos com combustíveis e energia elétrica. Esta matéria já foi pacificada coin a aprovação da Súmula CARF n" 19, publicada no DOU de 22/12/2009, verbis: Ndo integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n" 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vex que não são consumidos em contato direto C0171 o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário ImPencle bservar que não cabe recurso especial de decisdo que aplique súmula do CARE, vedação plasmada no art. 67 do Regimento Interno do CARE. Do exposto, não conheço do recurso Das aquisições de não contribuintes Trata-se c/c análise de recurso especial de divergência, interposto pela contribuinte, no qual foi dado seguimento para análise da glosa de illS117110S que supostamente não tiveram incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Co fins (pessoas físicas e cooperativas). A controvérsia limita-se à incidência do art. 1" da Lei n° 9.363, de 16/12/96 imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, ° Andamento é o mesmo: o beneficio cio créclito presumido do IPI, para ressarcimento c/c PIS/PASEP e COFINS, somente sera cabível quando nas aquisições c/c matérias-primas, produtas'intermediários e material de embalagem pelo produtor- exportador houver incidência dessas contribuições sociais. Seguem transcrições: IN SRF no 23/97: Art. 2" (..) ,sç 2" 0 crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2" da Lei n" 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermedicirio ou embalagem, na produção bens exportados, sera calculado, exclusivamente, em relação as aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas as contribuições PIS/PASEP e COFINS. IN SRF n° 103/97: Art. 2° as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. 3 Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta Eg. Câmara Superior, conforme jurisprudência trazida pela interessada, não pela unanimidade de votos, • pOrtine.n. te são as conclusões do respeitável doutrinador,. Ricardo Mariz, de. Oliveira em trabalho divulgado em 2000, quando o "assunto era outdo polêmico. 1 Para melhor clareza, peço vênia para reproduzir as suas conclusões como se minhas 'assent: VII - CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES N/10 TRIBUTADAS INTEGRAM 0 CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRA . RIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e el71 sintese: - a expressão legal "contribuições incidentes" não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vincula ção não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição - a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada - de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a iespectiva formula legal; - seja pela literalidade da norma do art. I° da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a formula de cálculo do crédito presumido, verifica-se que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; - o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de formula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar. de presunção "juri.s et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo .fisco, seja pelo contribuinte; - a formula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de inS111710S, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; - o crédito presumido é uma subvenção que Visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confimde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; • Em 20/06/200, sob o titulo: Credito presumido de ipi para ressarcimento de PIS e CORNS - direito ao eúlculo sobre aquisições de insumos não tributadas. 4 Processo n° 13983.000009/99-31 CSRF-T3 Acórchlo n.° 9303-00.803 Fl. 1.245 - o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de instnnos, isoladamente considerada; - a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de illS111170S era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogado, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; - o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos illS117120S e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; - tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das dentais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente co/it os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impassive', e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; - não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindo-se, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos inswnos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, conclui-se de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2° do art. 2° da Instrução Normativa SRF n". 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2° cia. Instrução Normativa SRF n". 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas,). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a titulo daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto VendiC10. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/Pasep e Co/Ins em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer ct base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva irrelevante para o cálculo cio beneficio. Por .fim, noticia-se que a jurisprudência cio Egrégio Superior Tribunal de Justiça, consolidada em suas duos turmas de direito público, reconhece o direito do interessado. Confira-se; RECURSO ESPECIAL N" 529.758 - SC (2003/0072619-9) 5 RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON RECORRENTE. CHAPECÓ COMPANHIA INDUSTRIAL DE ALIMENTOS ADVOGADO: RUBIO EDUARDO GEISSMANN E OUTROS RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : ARTUR ALVES DA MOTA E OUTROS Depois de todas essas avaliações, conclui da seguinte maneira: 1") o produtor-exportador adquire como inSU1710, por exemplo, tecidos, linhas, agulhas, botões, etc, e em todas essas aquisições ele contribuinte de fato da PIS/COFINS, paga pelo vendedor que, no preço, já embutiu a PIS/COFINS paga pelos seus insumos. Na hipótese, a lei permite o ressarcimento sobre o prego final da aquisição, o que leva a também deduzir as antecedentes incidências da PIS/COFINS; mesmo quando o produtor-exportador adquire matéria-prima ou inS111170 agrícola diretamente do produtor rural Pessoa fisica, paga, embutido no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/CORNS) indiretamente em outros illS117710S ou produtos, tais como ferramentas, maquinários, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Parece-me, portanto, que razão assiste aos que entendem ter a instrução normativa aqui questionada extrapolado o conteúdo da lei. Assim, verifica-se que a Instrução Normativa 23/97 pretendeu resgatar da MP 674/94 aquilo que não mais veio a ser desejado politicamente pelo legislador. Por todas essas razões, dou parcial provimento ao recurso especial. É o voto. Seguem ementas de votos dos demais Eminentes Ministros: RECURSO ESPECIAL N" 719.433 - CE (2005/0012921-9) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS RECORRENTE. FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : RAQUEL TERESA MARTINS PER UCH BORGES EOUTRO(S) RECORRIDO : J RECAMONDE E COMPANHIA LTDA ADVOGADO : MANUELA SANTANA E OUTRO(S) EMENTA 6 Processo n° 13983.000009/99-31 CSRF-T3 Acórdão n. 0 9303-00.803 Fl. 1.246 TRIBUTÁRIO — CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI — RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS — INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO JULGADO A QUO — ART. I" DA LEI N. 9.363/96 — RESTRIÇÃO PELA IN 23/97 DA SECRETARA DA RECEITA FEDERAL — ILEGALIDADE. 1. A controvérsia restringe-se ci limitação da incidência do art. 1" da Lei n. 9.363/96, imposta pelo art. 2", ,ss' 2" da IN 23/97, da Secretaria da Receita Federal, que determina que o beneficio do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relação as aquisições de pessoa jurídicas. 2. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do julgado a quo. 3. Ora, uma norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem a faculdade de limitar o alcance de um texto de lei. A jurisprudência do STJ posiciona-se no sentido da ilegalidade do art. 2", §2" da IN 23/97. Recurso especial improvido. RECURSO ESPECIAL N°921.397 - CE (2007/0020577-0) RECORRENTE.' FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : MARCOS ALEXANDRE TAVARES MARQUES MENDES E OUTRO(S) RECORRIDO.' CVC CERA VEGETAL DO CEARÁ ADVOGADO.' MANUELA SANTANA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. LEI N° 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIAL-EXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. POSSIBILIDADE. DESCABIMENTO DE DISTINÇÃO ENTRE FORNECEDOR DE INS UMOS PESSOA JURÍDICA OU PESSOA FÍSICA. ILEGALIDADE DE IN —SRF 23/97. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NA-0-PROVIDO. I. O apelo especial da Fazenda Nacional prende-se à alegativa de que a utilização do incentivo fiscal do art. 1" da Lei 9.363/96 deve observar as limitações impostas pela IN - SRF 23/97, tese rechaçada pelo acórdão recorrido, que negou provimento apelação movida pelo órgão.fazendário. 2. Contudo, o inconformismo não merece acolhida, na niedida em que o entendimento aplicado pelo julgado atacado está em sintonia coin a jurisprudência deste Superior Tribunal de 7 Justiça, segundo a qual, não havendo a Lei 9.363/96 feito distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas (ndo contribuintes do PIS/PASEP) e fornecedores pessoas jurídicas, não poderia tê-lo feita a IN - SRF 23/97, que é de todo ilegal e descaracteriza o favor ,fiscal em tela. Nesse sentido ojulgado; De acordo com o disposto no art. 1" da Lei 9.363/96, o beneficio fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado a exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, 11101711Cilte em tal operação ter havido a incidência cio PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI " (REsp 77" 576857/RS ; Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 3. 0 crédito presumido previsto na Lei n" 9.363/96 não representa receita nova. E. uma importância para corrigir o custo. 0 motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais (Leve m ? ser devolvidos ao industrial-exportador. 4. Precedentes: Resp 627.94I/CE, DJ 07/03/2007, Rel. Mill. João Otávio de Noronha; Resp 644.789/CE, DJ 04/12/2006, Rel. Min. Denise Arrucla; Resp 617.733/CE, DJ 24/08/2006, Rel. Min. Teori Albino Zavascki; REsp. n" 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005; Rasp 813.280,/SC, DJ 02/05/2006, de minha relatoria; Re.sp 529.758/SC, DJ 20/02/2006, Rel. Mill. Eliana Calmon; Resp 586.392/RN, DJ 06/12/2004, Rel. Mill. Eliana Calmon. 5. Recurso especial não-provido. CONCLUSÃO: Atendidos todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtor-exportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na âltima etapa não tenha incidido PIS/Pasep e Cofins. Nos tennos dos votos paradigmas transcritos linhas acima, não se conhece do recurso no tocante às despesas com combustíveis, e, na parte conhecida, dá-se provimento ao recurso para reconhecer o direito à inclusão na base de calculo do crédito presumido do IPI do valor das aquisições de não contribuintes do PIS e da Cofins. Carlos Alberto Frita Barreto 8
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Numero do processo: 10120.001799/91-22
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Numero da decisão: 101-87021
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Recorrida : DRF EM SOIANIA(Sn) PIRIDFDUÇAO - DECORRPWIA - Tratan- do-se de lançamento reflexivo, ,; decisão proferida no processo ma- triz é aplicável ..ço julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa E efeito que vincula Uffs ao outro. Vistos, relatados e discutidos os pr esentes autos de recurso voluntário interposto por BRASILIA DIESEL S.A. ACORDAM rw, Membros da Primeira C-ara do Primeiro Con selho de Contribuintes, por Unanimidade de votos, dar provimento RO recurso vdiuntário, nos termos do voto do relator. F;a17.-, ..-,--, czzaz-_,==.., effl 19 de zrtdd. :1-0 de 1994 - -- . ...,;°0 maot--- 1-- , ( - Presidente , KA.iUKI ---; -= -2A- ' - Relator 7, 1\,,// -: LUIZ FERNANDO OLIVE/IRA DE MORAES - Procurador da Fazen- ,,,----\_,/ da Nacional VISTO EM , i,., -- - SESSA0 uE-:-- 'i 6 SET 1994 // i ,,.- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10120-001.799/91-22 1-A Ac6rdÃo n9 101-87.021 Participaram, ainda, do presente julgamento, os segUintes Conse- . lheiros: JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CEL SO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL , ROBERTO WILLIAM GONÇALVES e SET3AS- IL TIRO RODRIGUES CABRAL. 1,;', i1N ., 4 ,i 0 +1) rg 0 O 01 O 1.11 h. "O o L ar w .1- 1 ,- .1 ',I- rj O iti In .1-1 et , I • ,-1 !,.. 1::1 In 11) 1,11 e; «. In E. 13,1 o '',.. C1 O L. C3 rd 5,,, Li e cri 1:1 m- rj, rd o O olT, 1,3 0 13.1 ri O 1-1 e iti mxi o --, 111 4-1 Lb O 9-- Ce L .i113 CL ,,-i L L L1 O if I O C.) C CL. O Cd o ft O ai 4-- ai O O ,-,1 13,1 .411 0. III O L1 Lu LI Ti C) U TI C) L. "O O Cl L, a) C) i: O o O 13.1 r..4 1:". .I.J h. 111 e: ,•,=I Cl "a ID 111 11 ,,-1 ai , n-I a ::i ffl 13 0 . ri L 2 VI N L1 r.r t---1 O rd • P-1 11:1 L. .0 . O 13 O , ri Cl ,-4 CL 1:111 1... 11 ,rg O ::: = L. L.L., ,,,,,t 11) . ri 03 al mti ikil IA ai CS) O Cl 331 113 C ,1 L C',1 n-•1 4.) O .„J r.: e Ti O "Cl CT N L1 1 al C E ..C3 O 111 C) °C3 rd 13 1 UI .."I Cl :1 L., •,-1 u-1 (g 4-1 "C3 O 1:31 L. >„„.4 C, C, ,,-4 O L., U L ^ ri C) 4..1 ,..-1 Ti , -1 0, ,-,i CD O i"J M... .1.`1 C: 4.1 mi L C. ;:i 4-1 4.1 O •-.4 >, O 1:1,1 13.1 O 04. --.1 . r-i C ;Ti C), L O "O -'11.„ O 111 ..-1 cr, cp a N. 0.. o e 4-, , , , i zi riu oi e'l O O .r.4 U .. C) C C , wl ' 01 dl L •,,4 1-1 O') Cl, 113 L "O 00! LI CU ,-'1 L o ai 0 , ”r„1 1.1 O O.1 ,1 V) 0 31r. 4..1 UI L. 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AO recursl, interposto 1 .0„J protu matriz, julgado no 17.08.94,LIA,A A,g1r~ no 101-86.909, foi dado provi manto n==dR Primeira r2marA do Primeiro Conselho de Contribuintes. Assim, de acordo Com o principio adotado neste Conselho da Contribuintes- de que o decidido no pro matriz constitui prejulgado aplicável ao julgamento do prul...0 LiLorrente, dada a r.,, lar-to de cause e efeito que vincula um ao outro, voto no senti do de dar provimento-ao recurso voluntário interposto. Brasilia(DF 19 de aqosto ot2 r KA7UKI . PEIOBARA- Relator 1lb Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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