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Numero do processo: 10805.000461/2007-55
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
Cooperativa de Transporte. Incidência As ingressos auferidos por sociedades cooperativas de transporte, ainda que decorrentes de atos cooperativos sujeitam-se à incidência da Cofins Dedução. Ato Cooperativo. Limites. Até a entrada em vigor da lei nº 11.196, de 2005, que só produziu efeitos a partir de 1º de dezembro de 2005, não havia previsão legal para que as sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas deduzissem, quando da apuração dos valores devidos a título de Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo. Constitucionalidade das Normas Legais que Dispõem sobre Infrações e Penalidades. Matéria Estranha à Competência do CARF A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, procedimento, regra geral, vedado a este órgão, segundo o art. 62 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admite-se exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, súmula da Advocacia-Geral da União ou parecer do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República. Não se admite, portanto, reconhecer a inconstitucionalidade de ato legal que não se insira dentre tais hipóteses sob a alegação de que dispositivo de conteúdo análogo teria sido declarado inconstitucional pelo Pretório Excelso. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento integral. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Repercussão Geral Na esteira da orientação assentada na Portaria CARF nº 01/2012, o sobrestamento dos processos administrativos é medida excepcional, só adotada nas hipóteses em que o Supremo Tribunal Federal expressamente se manifesta nesse sentido. Ausente tal determinação, cumpre prosseguir no julgamento do feito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Cooperativa de Transporte. Incidência As ingressos auferidos por sociedades cooperativas de transporte, ainda que decorrentes de atos cooperativos sujeitamse à incidência da Cofins Dedução. Ato Cooperativo. Limites. Até a entrada em vigor da lei nº 11.196, de 2005, que só produziu efeitos a partir de 1º de dezembro de 2005, não havia previsão legal para que as sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas deduzissem, quando da apuração dos valores devidos a título de Cofins, os ingressos decorrentes do ato cooperativo. Constitucionalidade das Normas Legais que Dispõem sobre Infrações e Penalidades. Matéria Estranha à Competência do CARF A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivo legal em vigor, procedimento, regra geral, vedado a este órgão, segundo o art. 62 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 04 61 /2 00 7- 55 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 482 2 do Regimento Interno do CARF. Excepcionalmente, admitese exclusivamente o afastamento de dispositivo declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ou que envolva .crédito tributário objeto de: dispensa legal de constituição, ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, súmula da AdvocaciaGeral da União ou parecer do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República. Não se admite, portanto, reconhecer a inconstitucionalidade de ato legal que não se insira dentre tais hipóteses sob a alegação de que dispositivo de conteúdo análogo teria sido declarado inconstitucional pelo Pretório Excelso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, que davam provimento integral. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, fls. 317/330, que constituiu o crédito tributário total de R$ 1.781.274,50, somados o principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 28/02/2007. No Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 313/314, a autoridade autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: Em 09/10/2006, demos ciência ao contribuinte por via postal (AR), de Termo de Intimação datado de 05/10/2006, encaminhandolhe 12 tabelas onde constou um levantamento que efetuamos através da DIRE, com os valores declarados como rendimentos mensais pagos pelos usuários de seus serviços, os quais eram sensivelmente superiores aos valores que o contribuinte informou nas suas DIPJs e nas planilhas que nos enviou. Foi intimado a esclarecer no prazo de 20 dias, os motivos das diferenças entre esses valores mensais e qual a base Fl. 508DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 483 3 legal que estava utilizando e também a apresentar cópia das DCTFs/DACON e os seus Livros Fiscais/Contábeis. Após analisar, dentre outros, os documentos e Livros contábeis/fiscais, apresentados pelo contribuinte (.), constatei que a base de cálculo utilizada pelo contribuinte para o COFINS e para o PIS estavam em desacordo com a Legislação vigente e que também o contribuinte efetuara os recolhimentos do PIS e da COFINS a menor no período abrangido pela fiscalização, de 2000 a 2003. Foram anexadas ao processo cópias autenticadas de folhas do Livro Razão referentes ao primeiro semestre de 2000, onde constam os valores do faturamento do contribuinte, as outras receitas operacionais e os descontos concedidos, sempre que ocorreram (.). Tal divergência ocorreu porque o contribuinte não efetuou o cálculo e os recolhimentos do PIS e do COFINS com base no Faturamento, conforme a Legislação vigente. Cientificado do lançamento em 23/03/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação em 24/04/2007, fls. 336/358, alegando, em síntese: a) decadência do direito de constituição do crédito; b) para realização do Auto de Infração da COFINS e do PIS, o Sr. Agente Fiscal simplesmente ignorou as atividades realizadas pela Impugnante, que por se tratar de Cooperativa de Transportes está dispensada do recolhimento das contribuições PIS e COFINS sobre totalidade de suas receitas, uma vez que não há incidência das mesmas sobre atos cooperados, como na situação em espécie, na qual os valores declarados pela Impugnante, que são diferentes dos constatados em DIRF's dos seus usuários, correspondem justamente a totalidade das receitas auferidas mês a mês, menos os valores repassados aos cooperados decorrente dos serviços de transportes rodoviário de carga prestados à cooperativa, que é justamente a receita do cooperado e o ato cooperado. Assim as receita obtidas pela Impugnante para sua manutenção (taxa de administração pelos serviços prestados aos cooperados) e as receitas não decorrentes de atos cooperados foram oferecidas a tributação para as contribuições PIS e COFINS, conforme previsão constante ao disposto na Lei n.5.764, de 1971 e IN SRF 635 de 24.03.2006, mormente o art. 174, parágrafo 2° da Lei Maior, mas não obstante toda essa argumentação e fundamentação prevista na legislação de regência aplicável as cooperativas, o Sr. AFRF lavrou o Auto de Infração contra a Impugnante pelo simples fato de que a Medida Provisória 2.15835, de 24.8.2001, na sua redação, deixou de prever a possibilidade das cooperativas de serviço excluírem da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS suas receitas decorrentes dos serviços. Para efeito da base de calculo, o Sr. Agente Fiscal elabora planilha de cálculo relativa a COFINS e ao PIS 20002003, Fl. 509DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 484 4 tomando por base os valores apurados em Livro Razão da Impugnante, considerando a totalidade das receitas sem subtração dos valores repassados aos cooperados, que alias foram devidamente segregados e apresentados a fiscalização como sendo pela legislação aplicável ato cooperado. A simples analise da não obrigação do pagamento da COFINS e do PIS outorgada para o caso especifico das sociedades cooperativas de serviços, nos leva a conclusão induvidosa de que a sua incidência sempre restou afastada pelos Conselhos de Contribuintes. Não pode a Impugnante ser penalizada na obrigação do recolhimento das contribuições pelo fato de seus cooperados realizarem transportes de cargas a sociedades empresariais e por tal previsão não constar da Medida Provisória 2.15835, haja visto que a realização de tais serviços caracterizamse na hipótese da Impugnante típico ato cooperativo, na qual os cooperados mutuamente se associamse para o fim de obterem melhores condições de serviços e trabalho. Não demais salientar que a Impugnante tem como objetivo social a realização de transportes rodoviários municipais e interestaduais, sendo por conta disso repassado pela cooperativa aos seus cooperados o fruto de tal trabalho, caracterizandose tais atividades em típicos atos cooperados, vindo desta maneira a se enquadrar na previsão normativa constante ao disposto no art. 79 da n. 5.764/71. Vale dizer, na situação perpetrada pelo objeto social da Impugnante, o negócio meio é a realização de serviços de transportes as pessoas jurídicas contratantes dos serviços da cooperativa e o negócio fim a associação dos cooperados em cooperativa para o fim comum que é a obtenção de melhores condições de trabalho e recursos, o que significa na afirmação de que o ato cooperado está presente na prestação de serviços dos cooperados às pessoas jurídicas, representando tais receitas para cooperativa em seu negóciomeio que é revertido para o cooperado, restando somente a cooperativa sua taxa de administração pelos serviços prestados aos seus cooperados. Portanto, não há falar em tributação das contribuições PIS e COFINS de atos cooperativos propriamente ditos; c) após referirse As hipóteses de exclusão elencadas no art. 15, da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, a impugnante afirma que a norma disposta no artigo 79, da Lei n° 5.764/71, ainda é a maior limitação a base de cálculo prevista no art. 3°, da Lei n° 9.718/98, porquanto ato cooperativo não implica em faturamento e nem muito menos em receita bruta para fins de incidência da contribuição da COFINS e do PIS, mas sim em atos que lhe são tipicamente próprios e tendentes ao rateio proporcional entre seus cooperados de todas as despesas e todos os resultados sejam eles positivos (sobras) ou negativos (prejuízos). Desta forma, a Impugnante apresenta a presente impugnação, planilha demonstrando a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no período compreendido entre janeiro de 2000 a dezembro de 2003, de maneira a permitir a incidência das contribuições somente sobre sua receita de taxa de administração auferida, excluída a dedução das sobras liquidas tal como previsto no art. 16, parágrafo 2° da IN SRF Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 485 5 635, de 24.03.2006. Não é demais afirmar que o parágrafo 2° do art. 16 da IN SRF n° 635, de 24.03.2006, especificamente para as atividades de transportes, veio somente a complementar uma situação sempre existente, qual seja, de que a parcela repassada aos cooperados é excluída da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, por se tratar de ato cooperado. Demais a mais, o parágrafo 2° do art. 16 da IN SRF n° 635, de 24.03.2006, aplicase a todo período constante ao Auto de Infração, posto que a teor do disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional, a lei aplicase a fatos pretéritos quando interpretativa, como no caso do referido ato administrativo expedido pela Secretaria da Receita Federal. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 CREDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas A Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem inicio na data de ocorrência do fato gerador. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência, sem o que configurase a redução indevida da contribuição. Lançamento Procedente em Parte Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, inovando exclusivamente seus argumentos acerca da violação de princípios constitucionais decorrente da imposição de multa de ofício. É o Relatório. Voto Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 486 6 Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche as condições de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. 1 Preliminarmente 1.1 Demarcação do Litígio De se ressaltar, inicialmente, que não foi suscitada questão preliminar e que os períodos de apuração que o sujeito passivo considerara atingidas pela prejudicial de decadência já foram afastadas pelo órgão julgador de primeira instância. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, tal julgamento não foi alvo de recurso de ofício. O cerne do litígio, portanto, é a definição da correta base de cálculo da Cofins, mais especificamente, no que se refere à incidência da contribuição sobre os serviços de transporte pagos à cooperativa e prestados por meio de seus cooperados. 1.2 Portaria CARF nº 001, de 3 de janeiro de 2012 Inobstante a matéria encontrarse submetida ao regime de repercussão geral, reconhecida nos autos do Recurso Extraordinário nº 598.0855/RJ, seguindo a orientação assentada no parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 001, de 3 de janeiro de 20121, não haveria motivo para sobrestar o julgamento do presente recurso. Com efeito, não há qualquer referência expressa ao sobrestamento de recursos que envolverem matéria idêntica no acórdão que reconhece a repercussão geral. 2. Mérito 2.1 Incidência da Cofins Como já exposto, sustenta a recorrente, com base no art. 79, caput e § único da Lei nº 5.764, de 1971, que esses serviços não se sujeitam à incidência da contribuição litigiosa, na medida em que não representariam uma operação mercantil, consequentemente, não haveria que se falar em receita bruta ou faturamento, sabidamente a base de cálculo da Cofins. Dizem os dispositivos: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 1 Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 487 7 Por outro lado, a incidência da Cofins é regulada, regra geral, pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim redigidos: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Em uma primeira análise, poderseia até concluir que a Lei nº 5.674, específica para as sociedades cooperativas, prevaleceria sobre a regra geral, de modo a, na esteira do que foi defendido pelo sujeito passivo, excluir as receitas litigiosas do campo de incidência da Cofins. Ocorre, a meu ver, que tal dúvida é dirimida quando se leva em consideração os demais dispositivos legais que regem a matéria. Com efeito, como é cediço, a isenção da Cofins sobre os atos cooperativos próprios de suas finalidades, outrora gizada no art. 6º, I da Lei Complementar nº 70, de 19912, foi revogada pelo art. 23, II Medida Provisória nº 18586, de junho de 1999, que, após seguidas reedições e renumerações, atingiu sua versão final quando da edição da Medida Provisória nº 2.15835, em cujo art. 93, II se lê: Art.93.Ficam revogados: (...) II a partir de 30 de junho de 1999: a) os incisos I e III do art. 6o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; Evidentemente, só se isenta o que se insere no campo de incidência. Por outro lado, igualmente relevante é o tratamento diferenciado outorgado ao ato cooperativo pelo art. 15 da mesma medida provisória 1.858 de 1999, atualmente reproduzido no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835: Art.15.As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a 2 Art. 6° Selo isentas da contribuição: I — as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação especifica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 488 8 assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Ora, se o Ordenamento não previsse a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, ainda que parcialmente repassadas a seus associados, não haveria razão para que se previsse quais são as hipóteses em que esses repasses podem ser deduzidos e, por via indireta, quais seriam as hipóteses em que não se permite tal dedução. Só se pode falar em dedução se a base de cálculo estiver sujeita a incidência. Ademais, para que não hajam dúvidas, é imperioso que se analise a mensagem de veto nº 1.243, mais especificamente no que se refere aos artigos 9ª e 33 do projeto de lei de conversão da Medida Provisória nº 66, de 2002, na Lei nº 10.637, de 20023, por meio dos quais o Congresso Nacional pretendeu restabelecer tratamento diferenciado em termos análogos aos pleiteados pelo Recorrente. Confirase: "Art. 9º As sociedades cooperativas pagam a contribuição para o PIS/Pasep à alíquota de 1% (um por cento) sobre a folha de pagamento mensal, relativamente às operações praticadas com associados, e à alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o faturamento do mês, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados, conforme dispõe o § 1o do art. 2o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998." "Art. 33. São isentas da Cofins as sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, de acordo com o disposto no art. 6o, inciso I, da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991." (...) Razões do veto "Os arts. 9º e 33 restabelecem normas de incidência, respectivamente, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis às sociedades cooperativas, vigentes até meados de 1999, as quais foram alteradas por darem ensejo a graves distorções concorrenciais, principalmente por alcançar todas as atividades tidas como cooperativas, inclusive consumo e crédito. Ressaltese que as alterações objetivaram construir um modelo de tributação onde apenas às cooperativas de produção passou a ser dado justo privilégio. 3 Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/Mensagem_Veto/2002/Mv124302.htm Fl. 514DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 489 9 Assim, tais dispositivos, que retroagiriam aos fatos geradores ocorridos a partir de junho de 1999 (art. 67), produziriam uma perda de arrecadação, em 2003, da ordem de R$ 1,2 bilhão, sendo que, destes, R$ 445 milhões se referem a arrecadação corrente, que se reproduziria nos anos subseqüentes. Com efeito, a iniciativa do legislador buscava exatamente conferir ao ato cooperado o tratamento diferenciado almejado pelo recorrente e o Presidente da República, como é possível perceber, usou seu poder de veto para delimitar as cooperativas que sujeitariam a tratamento diferenciado e quais, em nome do equilíbrio da concorrência, não receberiam tal tratamento. Finalmente, penso que o comando do § 2º, do art. 174 da Constituição Federal de 19884 não teria o efeito almejado pelo Recorrente, na medida em que tal dispositivo só pode ser aplicado em conjunto com o art. 146, III, “c” da mesma Constituição5. De fato, como é possível perceber, o tratamento diferenciado almejado, genericamente previsto na Constituição, depende de lei para sua implementação. Cabe aqui destacar a manifestação do Supremo Tribunal Federal nos autos do Mandado de Injunção nº 701DF: "MANDADO DE INJUNÇÃO OBJETO. O mandado de injunção pressupõe a inexistência de normas regulamentadoras de direito assegurado na Carta da República.Isso não ocorre relativamente às sociedades cooperativas e ao adequado tratamento tributário previsto na alínea 'c' do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal." No intuito de dar mais clareza aos fundamentos que orientaram o aresto, registro as anotações consignadas no Informativo Semanal do Pretório Excelso nº 3636. O Tribunal não conheceu de mandado de injunção impetrado pela Unimed Paulistana Cooperativa de Trabalho Médico em que se alegava omissão legislativa caracterizada pela não edição de lei complementar estabelecendo "adequado tratamento tributário dos atos cooperativos", nos termos do art. 146, III, c, da CF, e se requeria a concessão da ordem para afastar a "exigibilidade da retenção das contribuições alcançadas pela Lei nº 10.833/83 COFINS, PIS e CSLL" (CF: "Art. 146. Cabe à lei complementar:... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:... c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas."). Entendeuse, com base na jurisprudência do STF, inadequado o manejo do writ injuncional, em face da inexistência de situação configuradora 4 § 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. 5 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. 6 http://www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo363.htm Fl. 515DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 490 10 de lacuna técnica que inviabilizasse o exercício de direitos e liberdades constitucionais (CF, art. 5º, LXXI), tendo em vista haver, no cenário jurídico, diversas leis ordinárias disciplinando sobre tributação das cooperativas (Lei 10.684/2003, art. 17; Lei 10.833/2003, art. 10, VI; Lei 10.865/2004, arts. 39 e 48; MP 9.718/98, art. 3º, §9º e art. 15). Ressaltouse que, apesar dessas normas não terem a envergadura complementar a que alude o art. 146, III, c, da CF, a discussão em torno da constitucionalidade das mesmas haveria de ser formulada em ação direta de inconstitucionalidade, sob pena de se conferir ao mandado de injunção contornos próprios de processo objetivo. MI 701/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 29.9.2004. (MI701) A transcrição do excerto demonstra que o Pretório Excelso partiu do pressuposto de que há, no ordenamento jurídico, dispositivos legais que disciplinam o tratamento diferenciado ao ato cooperativo. Assim, a ausência de previsão legal que contemple o tratamento almejado não configura omissão, mas de silêncio eloquente do legislador. Em outras palavras, o tratamento diferenciado previsto na Constituição é aquele que o legislador previu. Se não o fez, há que se aplicar o tratamento geral, dispensado a qualquer outra pessoa jurídica. 2.2 Deduções Definido que o universo das receitas auferidas pela cooperativa, ainda que repassadas aos cooperados, se sujeitam à incidência da Cofins, restaria avaliar se o Fisco deixou de considerar alguma das deduções. O sujeito passivo, recordese, pleiteia a aplicação retroativa do art. 16 da Instrução Normativa nº 635, de 2006: Art. 16º A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de transporte rodoviário de cargas, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; II exclusão das receitas de venda de bens a associados, vinculados às atividades destes; III exclusão das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados aplicáveis na atividade de transporte rodoviário de cargas, relativos a assistência técnica, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, para a aquisição de bens vinculados à atividade de transporte rodoviário de cargas, até o limite dos encargos devidos às instituições financeiras; e V dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 491 11 Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. §1º A sociedade cooperativa de transporte rodoviário de cargas, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a V do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. §2º Para efeito do inciso I do caput, entendese como ingresso decorrente de ato cooperativo a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa. Nesse ponto, faço coro com o órgão julgador de primeira instância: há, no próprio ato, esclarecimento acerca do momento a partir do qual tais deduções passarão a ser aplicadas. Confirase a redação do § 3º do mesmo art. 16: §3º As disposições dos incisos I a V do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2005. Inegável, ademais, que o dispositivo que respalda as deduções, a nova redação do art. 30 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, incluído pelo art. 46 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 20057, norma de cunho evidentemente material, só se tornou aplicável na data fixada no ato infralegal. Assim, ainda que se considere que a lei foi publicada no dia 22 de novembro, o cálculo sob a nova sistemática só poderia ser efetuado a partir do início do período de apuração seguinte; ou seja, 1º de dezembro de 20058. Finalmente, tratandose de norma de cunho material e que não envolve a aplicação de penalidade, não como aplicar, ao presente processo, o comando do art. 106 do CTN9: 2.3 Inaplicabilidade da Multa de Ofício Pleiteia ainda o recorrente que se reconheça a afronta aos princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco, sob o argumento de que, no caso restara configurada a 7 Art. 30. As sociedades cooperativas de crédito e de transporte rodoviário de cargas, na apuração dos valores devidos a título de Cofins e PISfaturamento, poderão excluir da base de cálculo os ingressos decorrentes do ato cooperativo, aplicandose, no que couber, o disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e demais normas relativas às cooperativas de produção agropecuária e de infraestrutura. 8 Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I – ao art. 7º, a partir de 1º de novembro de 2004; II – aos arts. 9º, 10 e 11, a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação. 9 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 492 12 exceção prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 200810. Sustenta, para tanto, que multa análoga a que foi aplicada teria sido alvo da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5511 RJ, onde restara assentado que, em hipótese alguma, dita penalidade poderia superar o patamar de 20%. Peço licença para discordar. De fato, demonstrado que os fatos se subsumem à previsão do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a única hipótese para deixar de aplicar a penalidade seria o afastamento da aplicação do dispositivo, mediante reconhecimento da sua inconstitucionalidade. Entretanto, em que pese a convicção do sujeito passivo, a ADI nº 5511/RJ não enfrentou o dispositivo legal que dá suporte à multa objeto do litígio, mas os §§ 2º e 3º do art. 57 da Constituição Fluminense. Lembrar do que diz o § 6º do art. 26A (original não destacado): § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Como e possível perceber, o dispositivo que autoriza o afastamento de determinado diploma legal, por inconstitucionalidade, restringe sua aplicação às hipóteses em que o ato (e não outro de conteúdo supostamente análogo) tenha sido declarado inconstitucional, pelo Plenário do Pretório Excelso. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 10 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10805.000461/200755 Acórdão n.º 3102001.432 S3C1T2 Fl. 493 13 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.008966/98-21
Data da sessão: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
ANO CALENDÁRIO: 1993
NORMAS PROCESSUAIS - PRECLUSÃO - Presumem-se verdadeiros os
fatos não impugnados.
AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO NA DECLARAÇA0 DE
RENDIMENTOS - IMPUGNAÇÃO SEM DOCUMENTOS
COMPROBATORIOS QUE A FUNDAMENTEM - Os valores exigidos
basearam-se em informações contidas na declaração de rendimentos,
apresentada pela contribuinte. A falta de comprovação das alegações contidas na impugnação implica na manutenção do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.063
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Rogério Garcia Peres
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AUTO DE INFRAÇÃO BASEADO NA DECLARAÇA0 DE RENDIMENTOS - IMPUGNAÇÃO SEM DOCUMENTOS COMPROBATORIOS QUE A FUNDAMENTEM - Os valores exigidos basearam-se em informações contidas na declaração de rendimentos, apresentada pela contribuinte. A falta de comprovação das alegações contidas na impugnação implica na manutenção do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE BARRO FERNANDES - Presidente. ROG RIO AR IA PERES — Relator. EDITADO EM: 2 6 0 U T 2011, - Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Pires (Suplente Convocado), Cheryl Bemo, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Rogério Garcia Peres, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório Com a finalidade de privilegiar o principio da celeridade processual adotamos o relatório proferido pela 5' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento ern Sao Paulo - SP: "1 Em decorrência de revisão sumária da declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 1993, exercício 1994, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário no valor de R$ 224.229,77, sendo R$ 92.061,45 a titulo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), e o restante a titulo de multa de oficio e juros de mora calculados até 28/02/1998. 2 As irregularidades verificadas estão descritas na folha de continuação do auto de infração (fl. 02), como sendo: 2.1 Transporte a menor do lucro liquido do período base para a demonstração do lucro real. Artigo 154, 155, 156 e 225, parágrafo 1°, do RIR/1980, aprovado pelo Decreto n°85.450/1980, artigo 18 da Lei n" 7.450/1985 e artigo 3" da Lei n°8.541/1992. 2,2. Valor do lucro inflacionário do período base (parcela diferivel) na demonstração do Lucro Real superior ao estabelecido pela legislação vigente. Artigos 20 e 21 da Lei n° 7.799/1989 e artigos 20 e 21 do Decreto n" 332/1992; 2.3. Lucro Real diferente da soma de suas parcelas. Artigo 154, do RIR/1980, aprovado pelo Decreto n°85.450/1980; e, 2.4 Prejuízo fiscal indevidamente compensado na demonstração do Lucro Real. Artigos 154, 382 e 388, inciso III do RIR/1980, aprovado pelo Decreto n°85.450/1980, artigo 14 da Lei n°8.023/1990, artigo 38, parágrafos 7 e 8 da Lei 8.383/1991 e artigo 12 da Lei n°8.541/1992. 3. Cientificada da autuação, a interessada, por meio de seu representante legal, apresenta a impugnação protocolizada em 24/04/1998 «is. 09), acompanhada dos documentos de fls. 10 a 21, alegando o seguinte: 3.1. 0 Imposto de Renda Suplementar cobrado no Auto de Infração, refere-se, de acordo com o fisco, a realização de parte do lucro inflacionário acumulado no ano calendário de 1993 e a compensação indevida de prejuízos acumulados. 3.2 Por outro lado esta Empresa havia recebido em agosto de 1996, lançamento suplementar Auto de Infração Notificação n" 01-5649, onde o fisco considerava realizado, parte ou total do lucro inflacionário acumulado. Aquela cobrança foi paga em duas parcelas conforme DARFs anexos (fls. 20 e 21). Quando do pagamento, nosso "Continuo" portava o auto de infração e o perdeu em seu trajeto. Processo n° 10880.008966/98-21 S1-TE01 Acercido n.° 1801-00.063 Fl. 2 3.3 Isto posto, a Empresa considera pago o Imposto ora cobrado no Auto de Infração n°21-05718. 4. Finaliza sua peça impugnató ria com solicitação de prorrogação do prazo para impugnação, em face de necessidade de cópia do Lançamento Suplementar n°01-5649, que solicita." A decisão da 5' Turma de Julgamento da DRJ em SAO PAULO/SP (fls. 53 a 57) julga procedente o lançamento pelas razões seguintes: "Cumpre assinalar, que a interessada não se pronuncia a respeito da matéria tributável apurada no mês de . fevereiro (compensação indevida de prejuízos), motivo pelo qual considera- se não impugnado o lançamento decorrente e, por conseguinte, não estabelecido o litígio, de acordo com o Art. 17 do Decreto n" 70.235, que determina "Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (redação dada pelo art. 67 da Lei n°, 9.532/97)." Ent relação ao crédito tributário apurado nos meses de janeiro, março, junho, setembro e novembro, decorrente do diferimento do lucro inflacionário do período base, superior ao estabelecido pela legislação vigente, a impugnante alega que considera pago o imposto ora cobrado, uma vez que em agosto de 1996, recebeu lançamento suplementar, onde o fisco considerava realizado, parte ou total do lucro inflacionário acumulado. Em consulta efetuada no sistema IRPJ/CONS (fls. 50 a 52), verifica-se que o lançamento suplementar a que se refere a impugnante decorre da revisão suntária da declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 1991, exercício 1992. Conforme extrato parcial da DIRPJ/92 (11s. 51 e 52), a fiscalização adicionou ao lucro real originariamente apurado pela interessada a importância de Cr$ 97.991.939,00. Não é possível afirmar que o valor adicionado pela fiscalização corresponde a lucro inflacionário acumulado conforme afirma a impugnante." Houve ciência da decisão em 20/08/2007, conforme "AR" afixado as fls. 62. Inconformado com a decisão referida acima, o Recorrente, interpôs, em 19/09/2007, recurso voluntário (fls. 63), sustentando que: Assim corno os valores exigidos basearam-se em informações contidas na declaração de rendimentos por nós apresentada, a defesa baseou-se também nas declarações de Imposto de renda, contendo todo o histórico do lucro inflacionário, lucro inflacionário realizado e lucro inflacionário diferido; Não há outros documentos comprobatórios a apresentar além dos anexados ao processo onde comprova a cobrança em duplicidade do Lucro inflacionário. Pede ao E. Conselho de Contribuintes, rever o processo. É o relatório. Processo n° 10880.008966/98-21 SI-TE01 Acórdão n.° 1801-00.063 Fl. 3 Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES, Relator Devidamente preenchidos os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do presente recurso. 0 Recorrente não contestou a parte do presente lançamento decorrente de erros aritméticos e de transporte cometidos no preenchimento da declaração de imposto de renda, tampouco contestou a exigência motivada por compensação indevida de prejuízos fiscais, de sorte que matérias abarcadas pela preclusdo. Quanto a alegação de cobrança em duplicidade de imposto de renda sobre o lucro inflacionário, nenhum documento probante foi juntado aos autos. De todo modo, não assiste razão ao Recorrente. Do simples exame da declaração de imposto de renda, verifica-se claramente incorreções na apuração do Lucro Inflacionário do Período -Base (parcela diferivel), que resultaram em exclusões de valores a maior, ou até inexistentes, na determinação do lucro real, a titulo de lucro inflacionário diferido. Os DARFs de recolhimento do imposto sobre lucro inflacionário anexados aos autos (fls. 20 e 21), como bem apontado na decisão recorrida referem-se ao ano-calendário 1991, sem qualquer conexão com o presente lançamento, que deve ser mantido em sua totalidade. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões — bF, em 24 de agosto de 2009. RO ,GA CIA PERES - Relator 5
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Numero do processo: 13840.000310/2007-69
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de declarar parcial procedência do lançamento, para apenas declarar a extinção dos créditos tributários constituídos com base em fatos geradores ocorridos anteriormente à 01.01.2002, em razão da ocorrência de decadência.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de declarar parcial procedência do lançamento, para apenas declarar a extinção dos créditos tributários constituídos com base em fatos geradores ocorridos anteriormente à 01.01.2002, em razão da ocorrência de decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 03 10 /2 00 7- 69 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13840.000310/200769 Acórdão n.º 2803001.734 S2TE03 Fl. 290 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13840.000310/200769 Acórdão n.º 2803001.734 S2TE03 Fl. 291 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.213 e seguintes dos autos digitais) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 189 e seguintesdo processo digital), que manteve os créditos tributários oriundos da incidência de contribuições previdenciárias, patronais, e destinadas a terceiras entidades, sobre valores de verbas apuradas em levantamento por aferição indireta, no período de 01/01/1999 a 31/05/2004 (períodos não contínuos). A ciência do NFLD inaugural foi em 24.07.2007 (fls. 68). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou logo recurso voluntário com os seguintes pontos aduzidos: dever de orientação, boa fé do contribuinte, inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições sobre 13o salários, ao SAT, ao Salário Educação, SEBRAE, SESC, SENAC, dos juros (taxa Selic) e multa aplicados. O presente processo esteve sobrestado, nos termos do art. 62A, §1º do RICARF/MF, em razão de espera de decisão do STF nos termos do art. 543B do CPC, no RExt n. 603624, mas que retornou à apreciação em razão da Portaria CARF/MF n. 01/2012. Esse é o relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13840.000310/200769 Acórdão n.º 2803001.734 S2TE03 Fl. 292 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II Em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atentase à extinção de parte dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Observese a NFLD é referente às fatos geradores são dos períodos de 01/01/1999 a 31/05/2004. Neste caso, apesar da natureza das contribuições tendentes ao lançamento por homologação (art. 150, do CTN), o lançamento deuse de ofício, tanto que fora realizado por aferição indireta(art. 149, do CTN c/c 33, par.6o, da Lei n. 8.212). Assim, dever seá aplicar a regra de incidência e decadência e extinção do direito da Fazenda Pública em constituir o crédito disposta no art. 173, I, do CTN, em que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contadosdo primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda, em razão do segundo caso de decadência (art. 173, I, do CTN), tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual (recurso repetitivo) e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13840.000310/200769 Acórdão n.º 2803001.734 S2TE03 Fl. 293 5 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Consoante a regra retro citada, faz reconhecer a decadência referente a todos os fatos geradores ocorridos anteriormente ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Atentase que que o fato gerador das contribuições previdenciárias ocorre no momento da prestação do serviço (art. 43, par. 2o., da Lei n. 8.212/1991), para todos os fins legais. Dessa forma, considerando que a data de ciência e perfectibilização do lançamento deuse em 24.07.2007 (fls. 68), resta por decretar a extinção dos créditos tributários (art. 156, do CTN) por ocorrência do lapso decadencial os créditos que tiveram a ocorrência de seus fatos geradores realizados antes da data de 01.01.2002 conforme a regra do art. 173,I, CTN. III Quanto às alegações de dever de orientação e boafé do contribuinte, devese atentar que os fiscais apenas exerceram suas funções e deveres legais, dispostos no art. 33, da Lei n. 8.212/1991: aos quais compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 da Lei n. 8.212/1991, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Ainda, a parte não trouxe qualquer elemento probante do alegado, logo, não merece razão. IV – Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre o 13o salário, o Supremo Tribunal Federal, em reiterada manifestação é claro em manter a natureza remuneratória de tais verbas, fazendose assim incidir o disposto no art. 22, I, da Lei n. 8.212/1991, que determina como fato gerador das contribuições os valores pagos/creditados ao empregado a título de retribuição pelo trabalho. Vide exemplo: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. GRATIFICAÇÃO NATALINA (DÉCIMOTERCEIRO SALÁRIO). CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. LEI Nº 8.212/91. LEGITIMIDADE. 1. A gratificação natalina tem natureza remuneratória e integra para todos os efeitos o salário do empregado (Súmula 688/STF). 2. Contribuição para a seguridade social. Incidência sobre o décimoterceiro salário. Legitimidade. Agravo regimental não provido.(REAgR 385884, EROS GRAU, STF) Assim, não há como acolher tal argumentação do Recorrente. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13840.000310/200769 Acórdão n.º 2803001.734 S2TE03 Fl. 294 6 V Por final, quanto às supostas inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições sobre 13o salários, ao SAT, ao Salário Educação, SEBRAE, SESC, SENAC, dos juros (taxa Selic) e multa aplicados em face do principio da equidade, legalidade, e outros princípios informados, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Isso posto, voto para conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido declarar e decretar parcial procedência do lançamento, para apenas declarar a extinção dos créditos tributários constituidos com base em fatos geradores ocorridos anteriormente à 01.01.2002, em razão da ocorrência de decadência. Sala de Sessões, 14 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 294DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10825.002200/2006-51
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica no montante de R$3.966,90.
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que a prova requerida é parcialmente apresentada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica no montante de R$3.966,90. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 22 00 /2 00 6- 51 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0326.824 (fl. 39), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 22/26, em razão da glosa integral da dedução com despesas médicas, no montante de R$ 29.895,23, pleiteada pela contribuinte em sua DIRPF do exercício de 2003, por falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas medicas. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02 e documentos relativos às despesas glosadas, alegando que estavam extraviados, deixando de anexar o recibo fornecido por Hid Miguel Junior, CPF nº 259.586.12808, no valor de RS 410,00, que continua extraviado. Ao apreciar o litígio, o órgão julgador de primeiro grau restabeleceu a dedução no valor de R$50,00 e, conseqüentemente, reduziu o imposto suplementar apurado para R$ 4.092,90. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 PRINCIPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legitimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licito à autoridade lançadora exigir a comprovação do efetivo desembolso de despesas médicas. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Somente se restabelece na Declaração do Imposto de Renda a parte das despesas medicas glosadas objeto de comprovação por documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 52/62, a recorrente argumenta que a credibilidade dos recibos e declarações firmadas não pode ser espancada apenas porque o administrador tributário resolveu subverter o comando legal para priorizar as cópias de cheques e/ou extratos, elementos estranhos às condições impostas pelo artigo 80, § 1º, incisos I e II do RIR/99. Cabe à fiscalização detectar e provar, por meios e elementos precisos, a efetiva ocorrência do ilícito fiscal, não sendo indícios, ilações, deduções ou fatos imaginários não materializados, circunstâncias capazes de ensejar a pretendida exigência tributaria. O dever poder inerente a atividade fiscalizadora reclama e permite esclarecimentos através de diligencias junto aos profissionais emitentes dos documentos, sob pena da dúvida beneficiar o sujeito passivo. Colaciona jurisprudência para robustecer a sua tese. Aduz que a possibilidade de glosas sumárias de deduções não cabíveis, ou de valores exagerados, em relação aos rendimentos declarados não pressupõe o desprezo a comprovantes que venham a ser oferecidos. Além disso, no caso vertente, o percentual de Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.002200/200651 Acórdão n.º 2101001.932 S2C1T1 Fl. 78 3 deduções postuladas a titulo de despesas medicas no ano calendário fiscalizado situase abaixo de 10% (dez por cento) do total de rendimentos declarados pelo contribuinte. Em reforço ao valor probante dos recibos, afirma que trará aos autos, assim que disponibilizados, cópias de cheques em relação as quitações que foram levadas a cabo mediante tal forma de pagamento, bem como declarações dos respectivos profissionais, confirmando a prestação do serviços médico que se pretende deduzir. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme já assentado neste Colegiado, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados. Sobre a dedução de despesas médicas, vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a têm interpretado. Confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Diferentemente do que afirma a recorrente, a glosa efetuado foi bastante criteriosa, pois esta foi duas vezes intimada para comprovar a regularidade das despesas médicas, conforme relatado na descrição dos fatos no Auto de Infração, à fl. 23, que contém a seguinte redação: Dedução indevida a titulo de despesas médicas, em decorrência do não atendimento a pedido de esclarecimentos de 08/02/2006 e 22/09/2006, tendo em vista ainda, a falta de comprovação através de documentos hábeis e idôneos no tocante ao efetivo pagamento das referidas despesas (tais como, cópias de cheques nominais, boletos de pagamentos bancários e/ou ordens de pagamentos). Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou elementos de prova abundantes da necessidade da realização das despesas (os serviços demandados, exames, laudos circunstanciados, etc), quando não o faziam em relação ao efetivo pagamento. A autuado é funcionária da Prefeitura do Município de São Paulo e do Governo do Estado de São Paulo, recebe a integralidade dos proventos declarados através de conta bancária, mas não consegue comprovar o efetivo pagamento de despesas médicas questionadas pela fiscalização (R$ 29.895,23), que realmente são elevadas quando comparadas ao rendimento bruto auferido no ano de 2002, no montante de R$ 84.318,57 (DIRPF à fl. 32), sem contar que esta dedução somada às demais alcançam o total de R$44.657,45. O ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários deve aceitálos. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocorreriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores aos indicados no recibo, especialmente em relação aos pagamentos de maior valor, como os efetuados aos profissionais Rodrigo B Andreo (R$2.000,00 – fl. 11), Luis Henrique Milan Novaes (R$15.000,00 – fl. 13), Maria Cristina Natel (R$2.750,00 – fl. 14). A decisão de primeiro grau expressamente manifestou o mesmo entendimento da fiscalização, conforme descrição dos fatos na Notificação de Lançamento, quanto a necessidade de comprovação do efetivo pagamento, conforme se constata pela leitura Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.002200/200651 Acórdão n.º 2101001.932 S2C1T1 Fl. 79 5 do voto conduto do acórdão recorrido (fls. 41/44), cujos fundamentos estão em consonância com reiterados julgamentos deste Colegiado. É dever da contribuinte, e não ônus da fiscalização, apresentar os elementos de prova que comprovem o efetivo pagamento indicado como despesa dedutível na Declaração de Ajuste Anual. Com efeito, quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresentar recibos ou declarações que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça já teve oportunidade de afirmar que "a presunção juris tantun de veracidade do conteúdo do instrumento particular é invocável tãosomente em relação aos seus subscritores (STJ, Ac. Unân. 4a T. Resp. 33.2003/SP, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, in RSTJ 78:269). E também o entendimento da doutrina abalizada de Washington de Barros Monteiro: "Salientese, entretanto, que a presunção de veracidade só prevalece contra os próprios signatários, não contra terceiros, estranhos ao ato". (Curso de Direito Civil", 10 vol., 34a Edição, p. 257 e 258). É certo que o sistema protege o documento que se reveste de presunção de veracidade, permitindo redução do seu valor probatório somente diante de prova em contrário. Contudo, o documento que não se reveste de presunção de veracidade, como recibos e declarações particulares, são passíveis de serem rejeitados como prova, desde que haja outros motivos, pois a estes documentos atribuise valor probatório ordinário. Assim, o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte interessado na prova da sua veracidade, sendo legitima a exigência pelo fisco de elementos complementares a estes documentos, com a finalidade de formar juízo de verossimilhança dos fatos declarados. Tais considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou de atribuição indevida de ônus à contribuinte, já que a legislação que rege a matéria (artigo 73 do RIR/99) dispõe que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação. Diante da clareza da descrição dos fatos na Notificação de Lançamento do auto de infração e do voto condutor da decisão recorrida, esperavase que a contribuinte fosse mais diligente com a prova requerida, especialmente quando muitos documentos apresentados informam pagamento pelo seu montante anual, sem especificação das datas em que os valores foram efetivamente pagos. Sabemos que os recibos devem ser emitidos à medida que os pagamentos são recebidos, tendo em vista que o profissional liberal escritura o livro caixa, que tem base mensal, e os rendimentos auferidos de pessoa física estão sujeitos ao carnêleão. No caso vertente, a recorrente não se preocupou em apresentar quaisquer documentos/provas subsidiários que comprovassem o efetivo pagamento das despesas médicas glosadas, com exceção dos depósitos realizados em contas bancárias dos profissionais Luis Henrique M Novaes e Rodrigo B Andreo, nos valores de R$500,00 e R$400,00 (fl. 73), respectivamente. Por outro lado, entendo que também devem ser restabelecidas as deduções com o plano de Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 saúde informado pela contribuinte em sua DIRPF do exercício de 2002, no valor de R$2.976,90, em face do comprovante dos pagamentos mensais discriminados à fl. 74, bem assim do pagamento de R$90,00, indicado no recibo à fl. 12, efetuado à profissional Ângela Maggio da Fonseca. Para a situação revelada no caso em exame, há que se comungar com o entendimento manifestado pela fiscalização, que encontra suporte na jurisprudência majoritária deste Conselho, expresso nas ementas abaixo colacionadas, dentre muitas outras, no mesmo diapasão: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. (Acórdão 10422781, Sessão de 18/10/2007) DESPESAS MÉDICAS GLOSA Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 10248922, Sessão de 25/01/2008). Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica no montante de R$3.966,90. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/1 1/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10830.002280/2002-41
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
Ementa
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2802-002.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso- Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 29/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso- Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 29/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 22 80 /2 00 2- 41 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 29/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: 0 contribuinte acima identificado, inconformado com o Auto de Infração de fls. 113 a 119, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1.999 (anocalendário 1.998), apresentou, por intermédio de seu representante legal (fl. 137),a impugnação de fls. 123 a 136. 2. 0 lançamento em foco originouse da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados, no anocalendário 1.998, em contas de depósito ou de investimentos, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No referido lançamento apurouse, ao final, imposto suplementar de R$ 508.659,60, multa de oficio de R$ 381.494,70 e juros de mora de R$ 236.933,64, calculados até 31/01/2.002. 3. Na impugnação interposta em 25/03/2.002 (fls. 123 a 136), o recorrente propugna pela nulidade do Auto de Infração, alegando que, quando da autuação, estava em vigor o § 3°, do art. 11, da Lei n° 9.311/1.996, que vedava a utilização dos dados da CPMF para constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos e que o seu sigilo bancário somente poderia ter sido violado mediante ordem judicial, o que não ocorreu no caso em tela. Consoante documentos de fls. 161 a 176 e 235, a mesma matéria já tinha sido levada à apreciação do Poder Judiciário, por intermédio do Mandado de Segurança impetrado, pelo contribuinte, contra o Delegado da Receita Federal em CampinasSP (autos n° 2001.61.05.005436 8, 2 Vara Federal em Campinas , 5a Subseção Judiciária do Estado de São Paulo) 4. Em função da interposição do supracitado Mandado de Segurança, foi deferida a liminar em 13/06/2.001, determinando que a Autoridade Fiscal impetrada se abstivesse da prática de exigência de obtenção de informações da movimentação financeira do impetrante e da quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial (fls. 30 a 33 e 237 a 239). 5. Em 15/02/2.002, foi prolatada a sentença de fls. 143 a 151, julgando procedente a ação e concedendo a segurança, no sentido de determinar que a autoridade administrativa ficasse adstrita à autorização judicial quanto à Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.002280/200241 Acórdão n.º 2802002.058 S2TE02 Fl. 3 3 quebra do sigilo bancário para obtenção dos dados bancários e cadastrais do contribuinte, concedendo, também, a segurança, para declarar que o procedimento administrativo, objeto da presente impugnação, so produziria efeitos a partir da data de edição da Lei n° 10.174/2.001, que modificou a redação original do art. 11, § 3°, da Lei n°9.311/1.996. 6. 0 processo encontrase em grau de recurso no Tribunal Regional Federal 35 Região (fls. 241 a 243). A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1719.381, de 1 de agosto de 2007, que se encontra às fls. 247/249(eproc), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINARES DE ILEGALIDADE NA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO E DE IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.74/2.001.PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial implica renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso, acaso interposto. Impugnação não Conhecida Cientificado em 31/08/2007 (fls. .255), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/10/2007 (fls. 259/271) argumentando, o seguinte: “Ao se analisar a presente impugnação notase que esta além de discutir a quebra do sigilo bancário e a irretroatvidade de lei, impugna o auto de infração no que se refere à aplicação da taxa Selic com relação à multa de oficio; no que se refere ao cumprimento das obrigações pelo contribuinte; e ainda com relação a arbitrariedade da tributação sobre os depósitos bancários. Logo, verificase que se há alguma renúncia esta deverá operarse apenas e tão somente nos limites da Ação Judicial, seguindo o procedimento administrativo, com relação às matérias não discutidas judicialmente, merecendo reforma a r. decisão recorrida. É o relatório Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Voto Conselheira, Dayse Fernandes Leite Inicialmente, cumpre ressaltar que as questões preliminares, suscitadas pela recorrente, da ilegalidade na quebra do sigilo bancário e da irretroatividade do Decreto N° 3.724/2.001 foram previamente submetidas ao poder Judiciário (fls. 29 a 33), consoante Termo de Verificação Fiscal à fl. 109. Nos termos da Súmula nº.01 CARF, importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo principio da unicidade da jurisdição sempre irá prevalecer a decisão judicial. Entendese, portanto, que este Colegiado não deve se manifestar acerca da nulidade do lançamento por ilegalidade na quebra do sigilo bancário e da irretroatividade do Decreto N° 3.724/2.001. Esclareçase, apenas, que este órgão administrativo de julgamento está impedido de se manifestar apenas em relação à matéria submetida à apreciação judicial, cabendolhe avaliar os demais argumentos de mérito trazidos pela recorrente. Ressaltese que a recorrente aborda arbitrariedade da tributação sobre depósitos bancários e aplicação da selic com relaçao à multa de ofício finaceiras. Destarde, entendese que quanto ao tema arbitrariedade da tributação, consiste em argumento semelhante àqueles expresso no mandado de segurança por ela impetrado, fls. 29 a 33, os quais não são passíveis de apreciação no âmbito administrativo, como já dito. Relativamente à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora não ensejaria maiores discussões por ser objeto da Súmula CARF nº 4, que diz: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais) Pelo exposto, conheço parcialmente do recurso, e, na parte conhecida, nego lhe provimento. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 365DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.002280/200241 Acórdão n.º 2802002.058 S2TE02 Fl. 4 5 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/01/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10209.000668/00-57
Data da sessão: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 22/10/1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA
NO ÂMBITO DA ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM
Para fins de comprovação da origem das mercadorias importadas,
é inidôneo o certificado emitido em data anterior a da fatura
comercial, não se prestando para o fim que lhe é próprio. Neste
caso, inadmissível o tratamento tarifário preferencial.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.065
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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MINISTÉRIO DA FAZENDA Nc, i rjr, ; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS af.4 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10209.000668/00-57 Recurso n° 303-128.705 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-00.065 — 3 Turma Sessão de 27 de maio de 2009 Matéria Imposto de Importação - Redução Tarifária - Certificado de origem emitido a destempo Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRÁS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 22/10/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM Para fins de comprovação da origem das mercadorias importadas, é inidôneo o certificado emitido em data anterior a da fatura comercial, não se prestando para o fim que lhe é próprio. Neste caso, inadmissível o tratamento tarifário preferencial. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presente autos. 1ACORDAM os membro - da 3' Turma a n Câmara Superior de Recursos Fiscais,por unanimidade de votos, DAR provi nto ao recu i especial da Fazenda Nacional. CARLOS ALBERTO I I, FREITAS : ARRETO Presidente • Itillítára P Igisi-iriart 0-• • ES Relator I FORMALIZADO EM: 22 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando (Substituta convocado), Luciano Lopes de i • Processo n° 10209.000668/00-57 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.065 Fl. 187• Almeida Moraes (Substituto convocado) e Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), Luis Marcelo Guerra de Castro e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido. Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e respectivos acréscimos legais, no valor total de R$ 201.881,27 ,conforme requerimento de fl. 01, relativamente à Declaração de Importação n°96/0001591, registrada em 22/10/1996. O pedido se baseia na não observância do Acordo de Complementação Económica (ACE-27) assinado pelos membros da comunidade andina, o qual reduz a aliquota do imposto de importação em 80%0 pedido foi instruido com os documentos solicitados. O processo foi encaminhado ao setor de revisão aduaneira que após análise constatou irregularidade, ou seja, o Certificado de Origem só foi emitido depois de sessenta dias da emissão da Fatura Comercial, devendo ser desqualificado. O Certificado de Origem foi emitido em 08/01/97 e a Fatura Comercial, em 05/09/96. Assim a Seção de Fiscalização Aduaneira indeferiu o pleito de restituição. O interessado apresentou sua irresignação perante a Alfândega do Porto de Belém. O Despacho decisório de fls. 66 manteve o indeferimento da restituição Ciente da referida decisão a autuada apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade perante a DRJ competente. As razões de defesa constantes às fls. 67/69 são em resumo: 1. Não existem dúvidas de ser a Venezuela a origem da mercadoria importada, o certificado de origem e outros documentos nos autos o atestam; 2. Dado o caráter instrumental regulató rio do imposto de importação, deve o fisco se abster de exigir formalidade excessiva na sua cobrança; 3. Tanto o Acordo 91 como a Resolução 78/87 visam a assegurar a procedência do produto, para segurança e efetividade dos acordos comerciais entre os membros da ALADL Por isso requer a reforma do despacho decisório para que seja deferido o pedido de restituição do indébito. A 2" Turma de Julgamento da DRJ/Fortaleza, por unanimidade, decidiu indeferir o pedido de restituição e ,em resumo, assim fundamentou: 1. Em que pesem os respeitáveis acórdãos do Conselho de Contribuintes, esses não vinculam o julgamento na primeira instância. r 2 e Processo n°10209.000668/00-57 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.065 Fl. 188 2. O artigo sétimo da Resolução 78/87 serve de base à exigência de apresentação do certificado de origem como pressuposto de validade do regime de tratamento tributário beneficiado em razão da origem; 3. Os acordos internacionais estabelecem uma forma solene para o documento que atesta a origem e por outro lado, se tal documento é imprescindível à fruição do beneficio reveste-se também de caráter material. 4. Os acordos no ámbito da ALADI visam, em longo prazo, de maneira gradual e progressiva o estabelecimento de um mercado comum.Assim evidencia-se como de suma importáncia as normas acerca do Regime Geral de Origem, conforme Resolução 78/1987 que estabelece que a caracterização da origem deve ser inequívoca, sob pena de invalidar os benefícios da redução tarifária; 5. Destaca-se a regra do art. 7° da Resolução 78 da ALADI; 6.Ressalta-se que o art. 1° do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI vincula expressamente a mercadoria ao emissor da fatura, e no presente caso o emissor da fatura comercial não é o pais signatário do ACE-39. A norma internacional vincula expressamente o certificado de origem da mercadoria à fatura comercial correspondente; 7.No caso concreto o certificado de origem foi emitido após sessenta dias da emissão da fatura comercial em desconformidade com a norma prevista no Acordo. O C:0 foi expedido em 08/01/97, ao passo em que a fatura comercial é datada de 05/09/96, 8. A redução tarifária por ser exceção à regra geral deve comportar interpretação estrita, e não havendo na lei palavras inúteis, a cláusula que determina a expedição do C.0 é relevante para os objetivos do pacto internacional 9. Não se trata de declarar a nulidade do Certificado de Origem, prerrogativa da entidade emitente, mas sim de reconhecer ou não a sua eficácia para a redução tarifária. Afora o C.0 emitido em conformidade com as normas da ÁLADI inexiste outro meio idóneo a suprir essa prova, sem a qual não se pode identificar a origem e reconhecer a redução tarifária; 10.Assim considerando as Regras do Regime de Origem, não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade de qualquer requisito sob o argumento de ser mera formalidade, sob pena de atentar contra o Acordo internacional, que no caso dispõe claramente sobre o prazo para emissão do C.0; é mister não se desviar docerne da questão afim de deslocar a responsabilidade para o órgão emitente do certificado, e por isso caberia o previsto no art.10 da Resolução 78/87. A relação jurídica em análise se dá entre o importador e a União, é do importador a obrigação de providenciar a expedição do documento dentro do prazo previsto, porque para se beneficiar da redução deve preencher os requisitos da legislação conforme dispõe o art.134 do RA; 11. Os argumentos de cunho económico aduzidos, não têm o condão de elidir as conseqüências pelo descumprimento das normas contidas no acordo internacional para gozo de beneficio tarifário. i3 * . • • Processo n° 10209.000668100-57 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.065 Fl. 189 Desta forma considerando que o pleiteante não faz jus aos beneficios fiscais do ACE-27, não há valor a ser restituído, mantendo-se o indeferimento do pedido de restituição. Inconformada a interessada impetrou dentro do prazo legal, conforme documentos de fls. 86, seu recurso voluntário (fls. 87/92) contra a decisão da DR.!, com a reprodução das razões antes alegadas e reforçando os seguintes aspectos: I. Conforme os autos é incontroverso que a origem do produto é a Venezuela, no mais as datas apontadas como de expedição do CO e da Fatura Comercial são muito semelhantes e sugerem a existência de mero equívoco de preenchimento. Nesse sentido já decidiu o TREE° Região de que tal tipo de equívoco não implica impossibilidade de usufruir o incentivo fiscal vigente à época da importação (AI n° 1999.01.00.120670-7/GO, Rel. Marcus Vinicius Bastos, 3" Turma, em 30.04.2002); 2. Os julgadores reconheceram que a norma contida no Acordo 91 tem como razão de ser assegurar os objetivos do pacto intemacionaLOra este foi alcançado posto que juntamente com o C.0 os demais documentos que instruíram o despacho aduaneiro comprovam a origem da mercadoria, não havendo motivo plausível para a rigidez do fisco em negar o fato, mormente tratando-se de imposto que serve à regulação do comércio internacional e não propriamente à arrecadação fazendária.Neste sentido já decidiu o TRF/2° Região para afastar a recusa da autoridade alfandegária em aceitar a substituição de certificado de origem que não trazia a numeração, por considerar ato abusivo e dasarrazoado da autoridade impetrado (REOMS 96.02.18964-9, 50 Turma, em 18.09.2002, Rei Guilherme Calmon Nogueira da Gama). Face ao exposto requer o provimento ao recurso,para que se reforme o r. Acórdão DRJ e seja deferido o pedido de restituição." A Câmara a quo deu provimento ao recurso. O acórdão foi assim ementado: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERENCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL CERTIFICADO DE ORIGEM. Não contestada a autenticidade do certificado de origem. Produto exportado pela Venezuela. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas, supre as informações que deveriam constar para serem apresentadas à autoridade aduaneira, como previsto no Regime Geral de origem da ALADL Não seria aceitável que não havendo nenhuma dúvida quanto ao teor do certificado emitido, nem quanto ao seu emitente, nem quanto ao país de origem da mercadoria importada, fosse imposta a perda do beneficio da redução do II ao importador; o que se ocorresse se constituiria, na prática, numa penalidade desproporcional à falha formal havida inicialmente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. 14 ti• .. Processo n° 10209.000668/00-57 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.065 Fl. 190 A Procuradoria da Fazenda Nacional dissentiu da decisão que lhe foi desfavorável e apresentou recurso especial de divergência, fls. 110/145, por meio do qual requereu a reforma do acórdão vergastado para que se restabelecesse a decisão da Primeira Instância Administrativa. O recurso foi admitido pela Presidente da 3' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, despacho às fls. 147/149, quanto ao argumento da Procuradoria, de que a constatação de divergência entre certificado de origem e fatura comercial impede o Estado importador de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação, previsto para as importações de terceiros países. A contribuinte apresentou contra-razões às fls. 160/177. É o Relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRE, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão que se apresenta a debate cinge-se a saber se o certificado de origem, exigível para o gozo do beneficio fiscal de preferência tarifária, emitido a destempo, continua a produzir os efeitos que lhes são próprios, quais sejam demonstrar, inequivocamente, a origem das mercadorias importadas ao abrigo do beneficio fiscal em comento. Segundo noticiado nos autos, a recorrida pleiteou desembaraçar mercadoria com a preferência tarifária prevista no ACE 27. Todavia, tal pretensão foi indeferida pela autoridade fiscal sob o fundamento de que o sujeito passivo nessa operação, não preencheria os requisitos para usufruir da pretendida redução tarifária, vez que o documento apresentado para comprovar a origem das mercadorias não se prestava para tal fim, porquanto emitido em desacordo com as exigências estabelecidas no acordo internacional que trata do beneficio em questão. A execução desse acordo foi determinada pelo Decreto n° 1.381, de 31 de janeiro de 1995. O art. 10 do ACE 27 prevê a utilização do Regime de Origem da ALADI, consubstanciado, à época da importação, na Resolução n°78 e no Acordo 91. O Acordo 91, aprovado pelo Decreto n°98.836/90, ao tratar dos certificados de origem, assim dispôs em seus artigos segundo e quarto. SEGUNDO — Sem prejuízo do prazo de validez a que se refere o Regime geral de Origem em seu art. 7, Parágrafo 3°, os certificados de origem não poderão ser emitidos com antecipação à data de emissão da fatura comercial correspondente à operação de que se trate, mas na mesma data ou dentro dos sessentas dias seguintes. (.) /5 Ç. , Processo no 10209.000668/00-57 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.065 Fl. 191 QUARTO — Os certificados de origem deverão ser emitidos de conformidade com as normas estabelecidos no Regime Geral de Origem e na presente regulamentação. Esses dois dispositivos não deixam margem à dúvida de que a emissão do certificado não pode ser em data posterior a sessenta dias da emissão da fatura comercial. De outro lado, compulsando os autos, verifica-se que, no caso sob exame, o Certificado de Origem apresentado pela autuada foi emitido em 08/01/1997 ao passo que a fatura comercial é datada de 05/09/1996, ou seja, a certificação deu-se a destempo, mais precisamente, 4 meses e 3 dias após a emissão da fatura comercial, quando o prazo limite estabelecido no acordo internacional era de apenas 60 dias. Cotejando-se a documentação acostada aos autos com a pertinente legislação de regência do mencionado certificado de origem, conclui-se, indubitavelmente, que no âmbito da ALADI predita certificação encontra-se eivada de vício, o que a toma imprestável para os fins a que se destina. Em outro giro, o caput art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°91.030/1985 prevê que a comprovação de origem pode ser feita por qualquer outro meio, desde que idôneo. Todavia, quando se tratar de mercadorias importadas de países membros da Associação Latino-Americana de Integração a origem só pode ser comprovada por meio de certificado de origem emitido por entidade competente, nos termos estabelecidos pela ALADI. Art. 434 — No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idóneo. Parágrafo único — Tratando-se de mercadoria importada de pais membro da Associação Latino-Americana de Integração (ALADO, quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprbvado pela citada Associação. É de notar-se que o dispositivo acima transcrito, para efeito de concessão de favor fiscal, faz clara diferenciação entre o tratamento a ser dispensado às importações oriundas de países membros da ALADI e das provenientes dos demais países, pois enquanto a origem das mercadorias importadas de países não membro da ALADI pode ser comprovada por qualquer meio idôneo, a dos produtos importados dos países membros dessa Associação só pode ser demonstrada por intermédio de certificado de origem emitido por entidade competente, na forma estabelecida pela associação. Isto é, não basta ter certificado de origem, este só vale para os fins a que se destina, se for emitido de acordo com as normas estabelecidas pela ALADI. In casu, as do artigo segundo do Acordo 91 dessa associação. O escopo do Certificado de Origem é assegurar, perante os países envolvidos na transação, que a mercadoria objeto de intercâmbio é efetivamente originária do pais declarante. Nessa hipótese, merecedora da utilização do beneficio tarifário pleiteado. Ao contrário, se houver vicio na certificação da origem, não há possibilidade de se conceder o beneficio, o qual está condicionado ao cumprimento dos requisitos avençados no acordo comercial. 6 Processo n°10209.000668/00-57 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.065 Fl. 192 De outro lado, como bem ressaltou a decisão de primeira instância, a questão dos autos (...) não se trata de declarar a nulidade dos Certificados de Origem, prerrogativa da própria entidade emitente, mas sim de reconhecer ou não sua eficácia, consistente na redução tributária, isto é, considerar ou não um documento como hábil, na forma da lei, para produzir determinado efeito fiscal, tarefa inerente aos poderes do Fisco, nos termos do art. 134 do Regulamento Aduaneiro: Art. 134 - A isenção ou redução do imposto será efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade fiscal, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão (Lei n°5.172/66, artigo 179). 26. Dada a importância do documento em análise como instrumento de certcação da origem da mercadoria, infere-se que, ante a ausência de qualquer dos requisitos exigidos pelos acordos internacionais, o Estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicada à mercadoria o regime normal de tributação, previsto para as importações de terceiros países. 27. Com efeito, se os países participantes estipularam regras obrigatórias para o reconhecimento da origem da mercadoria e, por conseguinte, do beneficio tarifário, tem-se como inadmissível substituir a vontade dos referidos países, manifestada no acordo, com a pretensão de tentar demonstrar a origem por outros meios, sob pena de negar vigência ao acordo internacional. Assim, afora o Certificado de Origem emitido em conformidade com as normas da ALAD1, inexiste qualquer outro meio idóneo que possa suprir essa prova, sem a qual não se pode identificar a origem da mercadoria e reconhecer a redução tarifiiria. 28. Repita-se que a fruição do beneficio de redução tarifária importa a observância estrita das condições e requisitos estabelecidos nos acordos internacionais de regência. O reconhecimento, pelo Fisco, do beneficio tributário pactuado entre os países integrantes da ALADI depende da constatação de que a importação ocorreu pelos exatos termos acordados, cuja prova documental de cumprimento de tais requisitos deve necessariamente ser inquestionáveL Nesse sentido, além da apresentação de Certificado de Origem e fatura comercial, deve a operação de importação estar em conformidade com as demais regras estabelecidos nos acordos de regência. 29. Uma leitura acurada dos dispositivos legais que disciplinam o Regime de Origem torna evidente e imperativa a vedação ao gozo do beneficio na situação em exame, na medida em que há norma dispondo de forma inequívoca sobre o prazo para emissão do Certificado de Origem. Assegura-se, dessa forma, que a operação comercial que deu ensejo à importação se amolda aos princípios pactuados nos acordos, atendendo, assim, a seus objetivos. 30. É oportuno esclarecer que em matéria tributária, qualquer situação excepcional, como a redução de imposto, só pode ser reconhecida se expressamente prevista na legislação. Assim, considerando as regras do Regime Geral de Origem, não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade deste ou daquele requisito, ao argumento de que se 7 , Processo n° 10209.000668/00-57 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.065 A. 193 trata de mera formalidade, sob pena de atentar contra o próprio acordo internacional, haja vista que tais regras são claras quanto ao prazo para emissão do Certificado de Origem. Observe-se, então, que a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria. Desse modo, a norma internacional vincula expressamente o Certificado de Origem à fatura comercial correspondente. No caso concreto, é incontroverso o fato de que o certificado de origem apresentado pelo importador foi emitido após sessenta dias da emissão da fatura comercial correspondente, em desconformidade com a norma acima transcrita. O Certificado de Origem foi expedido em 08/01/1997 ao passo que a fatura comercial está datada de 05/09/1996 (fls. 50-51). Diante disso, o certificado apresentado pela autuada não se presta a provar a origem das mercadorias por ela importada, posto que esse padece de vicio insanável desde a origem. Demonstrado que a origem das mercadorias não foi comprovada por meio idôneo, já que o certificado apresentado padece de vicio insanável, resta perquirir qual os efeitos da não comprovação legal da origem das mencionadas mercadorias. A resposta é dada pelo art. 8° do Decreto-Lei n°37/1966, nos termos seguintes. Art. 8°0 tratamento aduaneiro decorrente de ato internacional, aplica- se, exclusivamente, a mercadoria originária do Pais beneficiário. Ora, a norma trazida por esse artigo chega a ser acassiana, por tão óbvia que é, pois não faria o menor sentido conceder o beneficio previsto em determinado ato internacional as importações oriundas de países não mencionados no acordo ou tratado. No caso dos autos, a autuada não demonstrou, com documento idôneo, a origem das mercadorias importadas. Desta feita, não faz jus à redução tarifária pretendida. Por último, deve-se esclarecer que o direito pleiteado não está sendo negado com fundamento em mero descumprimento de obrigação acessória, mas sim pelo descumprimento de uma das condições essenciais para a concessão da redução tarifária — certificado de origem —, previstas em acordo internacional (Artigo Segundo do Acordo 91) e, também, no Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°91.030, de 5 de março de 1985, parágrafo único do art. 434. O entendimento esposado neste voto não discrepa do emanado pela Segunda Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, no julgamento do Recurso n° 120.100 que gerou o Acórdão n° 302-34.120, cujo voto vencedor foi redigido pelo eminente Conselheiro Paulo Roberto Cuco Antunes. Com as devidas homenagens, transcrevo excerto desse voto para arrimar minha decisão. Em que pese o brilhantismo nas fundamentações desenvolvidas pelo Nobre Conselheiro Relator ao defender sua tese, com a mesma não posso pactuar, "data máxima vênia", pelos motivos que tento explicitar. Segundo a Autuação: "(..) O parágrafo segundo do Acordo 091, que trata da Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação de Origem, Ir 8 Processo n° 10209.000668/00-57 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.065 Fl. 194 Instituído pelo Decreto 98.936/90, em vigor a partir da data da sua publicação no D.OJJ. (18/01/9G), estabelece que os certificados de origem não podem "ser emitidos com antecipação á data de emissão da fatura comercial correspondente à operação de que se trate, mas na mesma data ou dentro dos sessenta dias seguintes" (grifi nosso). De acordo com a documentação anexa ás Declarações de Importação objeto desta Notificação, os Certificados de Origem foram emitidos com antecipação à data das respectivas faturas, conforme abaixo se relaciona, contrariando a norma contida no acordo supra citado." Com tais afirmações não discrepa o Ilustre Relator, o qual entende, todavia, que a Infração supramencionada relaciona-se exclusivamente com o descumprimento de "obrigação acessória", a qual não tem o condão de invalidar o Certificado de Origem, se nele restam elementos que permitem atestar a origem da mercadoria negociada. Argumenta ainda o Nobre Relatar que "o descumprimento de obrigação acessória não dá causa ao lançamento der tributo, mas: de multa"; e que o Acordo só exige o estabelecimento de sanções para casos de falsidade ideológica". Esses, me parecem, são os pontos nevrálgicos da questão aqui em discussão,. É preciso, antes de tudo, que nos aprofundemos um pouco mais na situação que envolve o presente litígio, para demonstrarmos, corretamente, a linha de raciocínio que pretendemos expor. A empresa submeteu a despachos aduaneiros de Importação mercadorias que se dizem originárias da Argentina, pleiteando a aplicação da alíquota preferencial de 0% (zero por cento), ao amparo do Acordo de Complementaçã o Econômica (ACE) n° 14 - artigos 2° e 7" do Decreto 60/91, em substituição às alíquotas normais estabelecidas na preferência tarifária. À época das referidas importações era condição indispensável e primordial à utilização de tal beneficio que fosse feita a comprovação da origem das mercadorias (origem e não apenas a procedência), o que se dava através do competente Certificado de Origem, regulamentado, à época, pelas disposições do Decreto n° 98.936/90. O art 15, do referido Acordo, estabelece, expressamente: "Art. 15 - As preferências negociadas ao amparo do programa de liberação do presente Acordo beneficiarão exclusivamente os produtos originários de ambos os países, de conformidade com as normas estabelecidas no Anexo V". (grifas meus). Como diz, com muita propriedade, o próprio I. Relatar em seu R Voto, ora produzido, "verbis": I T..) Percebe-se, pelo que se leu, que as ações decorrentes do ACE-14 objetivaram lmpactar fortemente o ambiente só cio-econômico dos países-membros, visando, principalmente, através da facilitação do intercámbio comercial, reforçar a economia dos mesmos e, consequentemente, promover a melhora de seus ambientes sociais. /9 e. Processo n° 10209.000668/00-57 CSRF-T3 • Acórdão n." 9303-00.065 Fl. 195 A facilitação do intercâmbio comercial, no contato acima, deveria privilegiar, essencialmente, as. mercadorias produzidas nos poises- membros. o que fez com que se previsse no Acordo regras quanto ao regime de .origem isto e, requisitos .min i mos que as mercadorias deveriam atender para que fossem tomadas como produtos dos Estados signatários. do Acordo.. A conformidade com esses requisitos seria atestada por um Certificado de Origem, a ser emitido conforme xegtas pcé determinadas por instituições credenciadas no pais do exportador. Em resumo, evidencia-se que o Certificado de Origem é, desta forma, no contexto que se examina, instrumento cuja função principal é permitir o 03.20 de beneficio fiscal vinculado à comprovação, da. origem da:mercadoria." O 1. Relator concorda com o nosso pensamento de que o referido "Certificado de Origem" é a peça fundamental na apreciação do pleito da Recorrente e, conseqüentemente, no atendimento ou não das circunstâncias que ensejariam a utilização do beneficio pleiteado - aplicação da alíquota preferencial prevista no Acordo que, no caso, era de 0% (ZERO POR CENTO). Evidentemente que diante do envolvimento de tão relevantes aspectos inseridos no bojo do Tratado, com fortes impactos e reflexos em seus "ambientes sócio-econômicos", os países signatários do referido Acordo, na pessoa de seus lídimos representantes, não poderiam abrir mão da garantia e segurança necessárias á comprovação de que os produtos negociados entre si estariam sendo produzidos, efetivamente, por esses respectivos países. Daí a relevância dos Certificados de Origem e da sua confecção dentro das regras previamente estabelecidos. Ora, a partir do momento em que tais regras de confecção desses documentos não são respeitadas, coloca-se em dúvida, evidentemente, a sua validade e conseqüentemente, a própria "origem" da mercadoria. Com efeito, se a regra diz que os Certificados de Origem "não podem ser emitidos com antecipação à data de emissão das Faturas Comerciais", cabe a indagação: Que motivos teriam levado a acontecer tal fato com relação ás Dls. que envolvem o presente processo ? É evidente que se o documento, no caso primordial ao reconhecimento do beneficio fiscal, está viciado, à luz da suas normas de emissão, não e de se considerá-lo válido para os efeitos pretendidos, em função da relevância das conseqüências desse ato. Assim sendo, inválido o Certificado de Origem, caracteriza —se a não comprovação, necessária e adequada, da origem das mercadorias envolvidas. De outro modo, não me parece adequado considerar a apresentação dos Certificados de Origem, em tais situações, como "obrigações acessórias", da forma como definida pelo C.T.N. O Parágrafo 2°, do artigo 113, do nosso Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), ao definir o que seja obrigação tributária "acessória", assim estabelece: _ 7: • Processo n° 10209.000668100-57 CSRF-T3 • Acórdão n.• 9303-00.065 Fl. 196 Art. 113 -... § 2° - A obrigação acessória decorre da lei tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização." (grifei) Vê-se, portanto, que a exigência relacionada à apresentação do Certificado de Origem, na forma estabelecida, não se enquadra na referida definição, pois que não decorre de "lei tributária", mas sim de Acordo Internacional que, inclusive, se sobrepõe á legislação tributária, na forma como estabelece o art. 98 do mesmo C. TN. Somente por estes aspectos já veríamos, claramente, que a importadora (Recorrente) não poderia fazer jus ao beneficio fiscal pretendido, uma vez que não comprovou, inequivocamente, a origem das mercadorias importadas e objeto do presente litígio. Por outro lado é preciso deixar claro que a obrigacáo tributária principal cujo objeto é de natureza patrimonial, ou seja, o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, já nasceu desde o momento da ocorrência do fato gerador do imposto, que se concretizou com a entrada das mercadorias no território nacional, conforme estabelecido no art. 19 do C.T.N. O art. 113, parágrafo I°, do mesmo C.T.N., estabelece: "Art. 113-... § I° - A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se com o crédito dela decorrente" Assim, em uma importação regular, independentemente dos beneficios fiscais estabelecidos no Acordo supracitado, tais mercadorias estavam sujeitas ao pagamento do tributo, pela aplicação das alíquotas vigorantes na TAB. A partir do momento em que o importador pleiteia a utilização de um beneficio fiscal, no caso o estatuído pelo ACE-I 4, está ele tentando satisfazer a tal obrigação principal, ou seja, extinguindo-a. O beneficio da preferência tarifária questionado não é de aplicação automática e imediata, havendo que ser pleiteado pelo interessado, examinado e reconhecido pela repartição fiscal, o que se dá após a ocorrência do fato gerador do imposto e, conseqüentemente, do surgimento da obrigação tributária principal, na forma da legislação de regência. Tanto é assim que o pleito da interessada à aplicação do referido beneficio foi formulado no corpo das próprias Declarações de Importação, as quais deveriam se fazer acompanhar da comprovação adequada e inequívoca do atendimento aos requisitos indispensáveis á sua concessão, para exame peia autoridade competente. Assente-se que dentre os requisitos fundamentais que contemplam a utilização de tal beneficio estão, além da inclusão das mercadorias nas listas negociadas, também a comprovação da sua origem, o que se dá f • -- • ' Processo n° 10209.000668100-57 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.065 Fl. 197 pelo Certificado de Origem, emitido em conformidade com as regras previamente estabelecidas. Portanto, toma-se óbvio que a apresentação do Certificado de Origem não se encaixa como uma simples obrigação tributária "acessória", conforme definida no art. 113, sç 2" do C.T.IV., mas sim de um requisito essencial para que o interessado (importador) possa fazer jia ao beneficio pretendido, conforme estabelecido no Acordo, livrando-se, no caso, do pagamento da obrigação principal já existente. Fica, deste modo, devidamente afastada a hipótese de transformação da "obrigação acessória" em "obrigação principal", uma vez que, no caso, a segunda precede a primeira. Parece-me claro, portanto, que o lançamento do tributo decorreu, efetivamente, do descumprimento da obrigação 'principal", haja vista que a Recorrente não logrou comprovar, por meios hábeis, que as mercadorias importadas faziam jus ao beneficio fiscal pleiteado, tratando-se, assim, de uma exigência legal, ao contrário do que entendeu, "data vênia", o Nobre Relator. E não se cogita aqui de qualquer sanção em virtude da irregularidade detectada nos Certificados de Origem apresentados, mormente porque a sanção mencionada no Acordo, para os casos de falsidade ideológica, até onde se sabe, não havia sido ainda definida, qualificada e tipificada pela norma correlata. Nessa linha de raciocínio, entendo acertada a exigência tributária formulada pela repartição de origem. Esclareça-se, por oportuno, que não se está aqui negando o direito pleiteado, com fundamento em mero descumprimento de obrigação acessória, mas sim pelo descumprimento de uma das condições essenciais para a concessão da redução tarifária — certificado de origem —, previstas em acordo internacional (Artigo Segundo do Acordo 91) e, também, no Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985, parágrafo único do art. 434. Por último, deve-se ter presente que a legislação do comércio exterior envolve uma série de controles a serem implementados pelos países participantes, sendo os ritos e formas previstos nos acordos internacionais imprescindíveis para uniformizar os procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras estabelecidas no respectivo acordo Em razão disso, torna-se bastante restrito o campo de aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, para manter o indeferimento da restituição pleiteada. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2009. ,_c_,.. OrP-,.4t —; PINHEIRO TORRES 12 Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017200.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0017900.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10920.001268/2007-15
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
IRPF. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. DEDUÇÃO EM DUPLICIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não existe autorização legal para deduzir, em duplicidade, da base de cálculo do imposto de renda, os rendimentos isentos de aposentadoria, percebidos por pessoas com mais de 65 anos de idade.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE.
A multa de oficio qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.267
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio aplicada, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 IRPF. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. DEDUÇÃO EM DUPLICIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não existe autorização legal para deduzir, em duplicidade, da base de cálculo do imposto de renda, os rendimentos isentos de aposentadoria, percebidos por pessoas com mais de 65 anos de idade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE. A multa de oficio qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-01T11:27:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-01T11:27:31Z; Last-Modified: 2009-10-01T11:27:31Z; dcterms:modified: 2009-10-01T11:27:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-01T11:27:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-01T11:27:31Z; meta:save-date: 2009-10-01T11:27:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-01T11:27:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-01T11:27:31Z; created: 2009-10-01T11:27:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-10-01T11:27:31Z; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-01T11:27:31Z | Conteúdo => S2-C1T1 Fl. 123 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 7 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10920,001268/2007-15 Recurso n° 165.844 Voluntário Acórdão n° 2101-00.267 — P Câmara IV Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2009 Matéria IRPF Recorrente EVI ALEXANDRE VARELA Recorrida 4'. TURMA/DRJ-FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 IRPF. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. DEDUÇÃO EM DUPLICIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não existe autorização legal para deduzir, em duplicidade, da base de cálculo do imposto de renda, os rendimentos isentos de aposentadoria, percebidos por pessoas com mais de 65 anos de idade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE. A multa de oficio qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio apite-à-da, os termos do voto do Relator. 411P' at" CA O MARCOS CÂNDI ri O P esidente J7."' 4 or (****!"".."--- Processo n° 10920.001268/2007-15 S2-CIT1 Acórdão ti.° 2101-00.267 Fl. 124 ALEXAUE j(5121''C úl-14I0KA Relator FORMALIZADO EM: 25 SET 2009 Participaram, ainda, do julgamento, os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda, Silvana Mancini Karam, José Raimundo Tosta Santos e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 115/121) interposto, em 20 de março de 2008, contra o acórdão de fls. 108/111, do qual o Recorrente teve ciência em 27 de fevereiro de 2008 (fls. 114), proferido pela 4' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 81/83, lavrado em 12 de abril de 2007 (ciência em 26 de abril, fls. 87), em decorrência de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas' jurídicas, dedução indevida de pensão judicial e dedução indevida de previdência privada/FAPI, verificadas nos anos-calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Em seu recurso voluntário de fls. 115/121, o Recorrente reitera os argumentos apresentados na impugnação, no sentido de que os rendimentos de aposentadoria do contribuinte são ao mesmo tempo isentos e dedutíveis. É o Relatório. 4ç. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que tanto a impugnação como o recurso limitaram -se a questionar o item 002 do auto de infração (dedução indevida de pensão judicial) e parte do item 003 (dedução indevida de previdência privada/FAPI). Toda a argumentação do Recorrente centra-se no fato de que, segundo seu entendimento, teria direito a dois benefícios simultâneos, quais sejam, a dedução prevista no artigo 79 do RIR199 e a isenção a que se refere o artigo 39, XXIV, do mesmo RIR/99. No tocante às deduções pleiteadas indevidamente em suas declarações de ajuste anual, depreende-se que o Recorrente interpretou incorretamente o RIR/99 (Decreto n° 2 Processo n° 10920.001268/2007-15 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.267 Fl. 125 3.000, de 26 de março de 1999), ao mencionar que o regulamento "(...) acolhe os dois benefícios, isto é, tanto a isenção da receita de aposentadoria (até o limite) quanto à dedução do mesmo valor, de outras receitas, que o mesmo contribuinte perceba" (fls. 117). Assim, de acordo com a interpretação dada pelo Recorrente aos artigos 79 e 83 do RIR199, existiriam 2 (dois) beneficios cumulativos aos aposentados com mais de 65 anos de idade: i) a isenção até o limite legal; e ii) a dedução desse mesmo limite, na declaração de ajuste anual, dos outros rendimentos percebidos. Data venia, esse não é o melhor entendimento. De fato, a Lei n° 9250/95, na linha do que já previa a Lei n° 7713/88, dispôs que os rendimentos provenientes de aposentadoria estariam isentos do imposto de renda, nos seguintes termos: "Art. 6°. Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas fisicas: "XV - os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de R$ 900,00 (novecentos reais), por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto." Todavia, se a legislação se limitasse ao dispositivo transcrito, fatalmente os contribuintes teriam de antecipar, mensalmente, o imposto de renda sobre o rendimento de aposentadoria, informando o beneficio apenas no momento da entrega da declaração de ajuste anual. Justamente para evitar tal antecipação, constou da mesma lei permissão para dedução, da base de cálculo mensal, da parcela isenta, nos seguintes termos: "Art. 4°. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: "VI - a quantia de R$ 900,00 (novecentos reais), correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade". No mesmo sentido, essa disposição foi incorporada no artigo 79 do RIR/99, da seguinte forma: "Art. 79. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal d imposto poderá ser deduzida a quantia de novecentos reais, correspondente à parcela I isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de 3 Processo n° 10920.001268/2007-15 S2-CIT1 Acórdão ri.° 2101-00.267 Fl. 126 direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade" (grifamos). Dessa forma, diferentemente do defendido pelo Recorrente, não se trata de beneficio concedido em duplicidade, mas sim do reconhecimento da mesma rega de isenção em dois momentos distintos, uma na antecipação mensal do imposto e outra no momento da declaração de ajuste anual. Conseqüentemente, o recurso deve ser improvido quanto a este aspecto. Não obstante, no que se refere à multa qualificada, as razões apresentadas pelo Recorrente devem ser acolhidas. Nesse ponto, importante notar que o Recorrente atendeu às intimações realizadas pela fiscalização e apresentou as informações solicitadas. Como é cediço, a multa qualificada só incide nas hipóteses em que a fiscalização comprove o evidente intuito de fraude, o que não restou demonstrado no presente caso. De fato, consoante se extrai das declarações de ajuste anual colacionadas aos autos, o Recorrente, por entender corretas as deduções pleiteadas, deixou expressamente consignado o procedimento adotado e as razões que o justificaram, não tentando ocultar em nenhum momento o ocorrido (fl. 8, item 46, fl. 12, item 44, fl. 18, item 38, fl. 24, item 37). Dessa forma, verifica-se não ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude (qualificada, ainda, pelo dolo e simulação), conluio ou sonegação no caso vertente, pressupostos estes indispensáveis para a qualificação da multa de oficio, a teor do que consta do art. 44, II, da Lei 9.430/96, na redação anterior à promulgação da Lei 11.488/07, vigente à época dos fatos narrados. Não restando, pois, comprovada pela fiscalização quaisquer condutas do - Recorrente que pudessem ser entendidas como dolosas, visando à ocultação do fato gerador do imposto de renda, entendo que igualmente não se poderia utilizar a "omissão" como # pressuposto necessário à configuração da hipótese de incidência da multa qualificada. A corroborar o quanto exposto, visando a impedir a aplicação indiscriminada de multas qualificadas, sem a necessária comprovação de seu suposto normativo, o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes consolidou o entendimento consubstanciado na Súmula 1°CC n° 14, in verbis: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Dessa forma, necessária se faz a desqualificação da multa, a fim de reduzi-la para 75%. 4 Processo n° 10920.001268/2007-15 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.267 Fl. 127 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso; para desqualificar a multa aplicada, tão-somente em relação à matéria objeto do recurso! 2f. Sala das Sessões - DF, em 19 de agosto 2009 ALE NDRE AOKI SHIOKA 5
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Numero do processo: 13841.000382/99-52
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1989 a 30/09/1995
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1989 a 30/09/1995 PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 03 82 /9 9- 52 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 276 a 284), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 267 a 272) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial, reconhecendo, em síntese, como termo a quo para a repetição de indébito do PIS a data de 10 de outubro de 1995, data em que foi publicada a Resolução do Senado n° 49. Verificase que os pagamentos objeto do pedido de compensação ocorreram entre setembro de 1989 e outubro de 1995 (fls.02 a 23). Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao extraordinário, é o seguinte, verbis: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13841.000382/9952 Acórdão n.º 9900000.636 CSRFPL Fl. 297 3 “Tratase de recurso interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão n. 204 01.046, que reconheceu o direito da interessada à restituição do PIS, originário dos inconstitucionais Decretosleis 2445/88 e 2449/88, nos moldes em que pleiteado. Com contrarazões, seguiram os autos para minha análise. É o relatório.” A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994 PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA Cabível o pleito de restituição/compensação, de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução nº 49/Senado Federal. Recurso especial negado” Irresignada, insurgese a Recorrente contra o acórdão a quo por meio do presente recurso extraordinário. Junta a Recorrente julgados deste Colegiado, satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar seu apelo. Aponta, em síntese, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos, contandose o referido prazo a partir da data do pagamento indevido. A Recorrida não apresentou contrarrazões, conforme noticiado às fl. 295. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao termo inicial do prazo decadencial para a repetição de indébito tributário. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 289/290. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des Fl. 302DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13841.000382/9952 Acórdão n.º 9900000.636 CSRFPL Fl. 298 5 deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada Fl. 303DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13841.000382/9952 Acórdão n.º 9900000.636 CSRFPL Fl. 299 7 (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, Fl. 305DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13841.000382/9952 Acórdão n.º 9900000.636 CSRFPL Fl. 300 9 Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição/compensação formulado em 13/08/1999 (fls. 1/23), de parcelas de PIS indevidamente pagas entre de setembro de 1989 e outubro de 1995. De acordo com o exposto acima, para as ações propostas após a publicação e vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, após 09/06/2005, o prazo para repetição de indébito é de 5 anos, no entanto, para as ações propostas antes, o prazo é de 10 anos. Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do direito de compensação seria em setembro de 1999 e outubro de 2005, respectivamente. Como o pedido de restituição/compensação em apreço foi apresentado em 13/08/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido de restituição/compensação tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 307DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10283.002549/2002-33
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1996
RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o
desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do
Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o
julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte.
LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no
recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda
Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo
decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade
social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n°
8.212/91, onde 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário
Nacional (artigos 150 § 4°, e 173).
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.057
Decisão: ACORDAM os Membros do PLENO DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotia Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho (relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o Presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1996 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, onde 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros do PLENO DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotia Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho (relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o Presente julgado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1996 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, onde 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do PLENO DA CÁMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffrnann, Maria Helena Cotia Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, kee- • nocesso n° 10283.002549/2002-33 CSRF/1"00 Acórdão n.° 00-00.057 Fls. 3 Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho (relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Karem Jureidini Dias, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gutjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso e traordinário; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o Presente julgado. N ONIO PRAGA -Presidente 16.944-1,24 CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES Redator Designado FORMALIZADO EM: 22 JUN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filhoe Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório Com base no permissivo do art. 90 c.c art. 43 do Regimento Interno da dmara Superior de Recursos Fiscais, a Fazenda Nacional interpõe recurso extraordinário em face de acórdão proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, assim ementado:t 24 Muss° n0 10283.002549/2002-33 CSRF/1-00 . Acórdão o.° 00-00.057 Fls. 4 "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. CSLL. SUA NATUREZA TRIBUTA' RIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN. A contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n. 7.689/88, em conformidade com os artigos 149 e 195, § 4", da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, por unanimidade de votos, no RE 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, inciso III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência,mais precisamente no art. 150, § 4"." No que interessa a esta instância recursal, o acórdão mencionado reconheceu a decadência do direito do Fisco de constituir créditos de CSLL relativos a fato gerador ocorrido em 31.12.1996, em vista do fato de a ciência do lançamento pela Recorrida ter se dado em 04.09.2002. Argüi a Fazenda Nacional divergência entre o acórdão recorrido e aresto e aresto da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o qual assenta o entendimento de que o prazo decadencial para constituição de créditos de Cofins seria decenal, em decorrência do disposto no art. 45 da Lei n. 8.212, de 1991. Sustenta a Fazenda Nacional, ainda: (i) que não caberia ao Conselho de Contribuintes negar vigência ao art. 45 da Lei n. 8.212, de 1991, ante os limites de competência deste órgão administrativo para conhecer de questões de índole constitucional; e (ii) que o citado dispositivo seria constitucional e legal, conforme doutrina e precedentes jurisprudenciais que colaciona. Pede, ao final, a reforma do acórdão recorrido para que seja afastada a decadência sobre o lançamento objeto do processo. O recurso extraordinário foi admitido pelo Ilmo. Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Despacho CSRF n. 107/2007 (fls. 365/368)), ante a configuração da alegada divergência jurisprudencial. Foram apresentadas contra-razões pela Recorrida (fls. 371/379), pelas quais se sustentou preliminarmente que não restaria caracterizada a indispensável divergência no caso, pois o aresto paradigma trata exclusivamente de Cotins enquanto o acórdão recorrido versa apenas sobre CSLL. No mérito, asseverou a Recorrida que o acórdão impugnado estaria em harmonia com a jurisprudência administrativa. 47É o relatório. g... . 3 447 Processo n° 10283.002549/2002-33 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.057 As. 5 • Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator O recurso extraordinário atende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação processual, pelo que dele tomo conhecimento. No particular, e em vista da preliminar argüida pela Recorrida em suas contra- razões de recurso, é de se relevar que a divergência jurisprudencial encontra-se devidamente caracterizada nos autos. Tal assertiva decorre do fato de que ambos os acórdãos referidos no recurso tratam de forma diversa o mesmo tema, qual seja: o prazo decadencial para constituição de créditos de contribuições previdenciárias, entre elas a CSLL (no acórdão recorrido) e a Cofins (no aresto paradigma). Para que este voto não se alongue nesse aspecto, este Relator pede vênia para se reportar às razões aduzidas pelo limo. Sr. Presidente deste Colegiado no Despacho CSRF n. 197/2007, pelas quais demonstra de forma incontestável a configuração da divergência jurisprudencial nesses autos. No mérito, contudo, o recurso não merece acolhida. Encontra-se superada a divergência Pretoriana relativa à definição do diploma legal a ser aplicado para a aferição do prazo de decadência para lançamento de contribuições previdenciárias (CTN versus Lei n. 8.212/91, art. 45). Tal assertiva decorre da edição da Súmula Vinculante de n. 08 pelo C. Supremo Tribunal Federal [que reconhece, com efeitos erga omnes, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91]. Verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, ,o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4° do art. 2° da Lei n°11.4/7/2006: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. 7"" Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; 1W 559.882, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, reL Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; 1W 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. erb . . . Processo n° 10283.002549/2002-33 CSRF/T00 • Acórdão n.° 00-00.057 Fls. 6 Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n° 8.212/1991, . artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Esvaziado o dissenso jurisprudencial que embasa a insurgência da Recorrente, é de rigor a rejeição do recurso. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto para, no mérito, negar- he pre imento. Sala das Sessõe4" iezembro de 2008; jr ANTONIO CAR o'. G DONI FILHO A.------- . - • 5 lp Processo n°10283.002549/2002-33 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.057 Fls. 7 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Redator Designado. Peço vênia para discordar da proposição de não conhecimento do recurso da Douta procuradoria da Fazenda Nacional por perda do objeto, em face da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal (STF). E o faço baseado nas seguintes razões: Inicialmente, cabe registrar que o Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais está previsto nos artigos 9° e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, segundo pressupostos constantes deste último artigo. Confira-se: "Art. 9" Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. "omissis" Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 9" deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1° O recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2° A cópia de publicação de ementa referida no § 2°, quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 30 0 recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. ..-- • "omissis" Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte trâmite: 64 Processo n°10283.002549/2002-33 CSRF/T00 • Acórdão o.° 00-00.057 Fls. 8 I - quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados, à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurando- se-lhe o prazo de quinze dias para oferecer contra-razões; O recurso da douta Procuradoria atende todos pressupostos processuais constantes do RICSRF, tendo inclusive demonstrado a divergência entre os dois arestos dissidentes, no prazo para a interposição de seu apelo, como bem demonstrou o ilustre Presidente da CSRF. Isto posto, tenho que a Lei n° 11.417, "de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Muito pelo contrário. Infere-se da referida lei que a autoridade julgadora deve conhecer a impugnação ou recurso para verificar se os fatos se enquadram no trato que lhe der a Suprema Corte, nesse instrumento. Observe-se que a referida lei até 'prevê no artigo 7° a possibilidade de descumprimento da súmula vinculante e estabelece o remédio para a prevalência da súmula, em tal caso. Ou seja, há lugar para reclamação ao STF sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. O Supremo Tribunal Federal diante da reclamação poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial impugna -da, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Com efeito, dizem os artigos 6° a 9° da mencionada lei, "in verbis": "Art. 6° A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão. Art. 7" Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. § 1° Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. • § 2' Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Art. 800 art. 56 da Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3°: "Artigo56. (.) - • 'Processo n° 10283.002549/2002-33 CSRFADO . •- Acórdão n.° 00-00.057 Fls. 9 (.) ,f 3° Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." (NR) Art. 9° A Lei n" 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 64-A e 64-B: "Artigo 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." "Artigo 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" Entendo que a Fazenda Nacional ten . o direito de ter o seu recurso conhecido para apreciação do mérito que poderá ser decidido com aplicação da orientação contida na referida súmula. Isto posto, rejeito a preliminar em questão. Outrossim, também entendo que a preliminar levantada pela ilustre Conselheira Conselheira Karen Jureidini Dias, "data venia", não pode prosperar. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). É este o litígio a ser composto no Recurso Extraordinário sob exame, a que me atenho. Não há razão para estender-se o litígio assim formado para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN). E, assim, também rejeito esta preliminar. Assim, rejeito as preliminares em questão, e tomo conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. • Sala das SesOys, em 15 de dezembro de 2008. CARLOS A RTOLBE GONÇALVES NUNES p 8 Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032800.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033000.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033200.PDF Page 1 _0033300.PDF Page 1
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Numero do processo: 15889.000181/2007-88
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-002.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, reconhecer a decadência para o período de 01/1999 a 11/2001 II) pelo voto de qualidade, dar .provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na NFLD n.º 37.075.333-0. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam o art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, reconhecer a decadência para o período de 01/1999 a 11/2001 II) pelo voto de qualidade, dar .provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na NFLD n.º 37.075.333-0. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 2; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 124 1 123 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000181/200788 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.658 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS FERNANDES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 MULTA FIXADA COM BASE NOS REVOGADOS § 5.º COMBINADO E § 4.º DO ART. 32 DA LEI N.º 8.212/1991. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. Nos revogados § 5.º e 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 estavam contidos todos os parâmetros necessários à fixação da multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias na GFIP. Não há, portanto, de se acatar alegação de ofensa ao princípio da estrita legalidade, quanto à aplicação dos mencionados dispositivos. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 81 /2 00 7- 88 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, reconhecer a decadência para o período de 01/1999 a 11/2001 II) pelo voto de qualidade, dar .provimento parcial ao recurso, para que a multa seja calculada conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na NFLD n.º 37.075.3330. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000181/200788 Acórdão n.º 2401002.658 S2C4T1 Fl. 125 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.075.3364, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado para imposição de multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. De acordo com o relatório fiscal da infração, fls. 21/23, a autuada apresentou GFIP deixando de informar remunerações pagas a alguns segurados contribuintes individuais. As remunerações pagas e não informadas estão relacionadas nos levantamentos Cl e FT3, cujas contribuições não recolhidas foram exigidas na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n°. 37.075.3330, cuja cópia foi anexada aos presentes autos. Cientificado do lançamento em 22/06/2007, o sujeito passivo ofertou impugnação, fls. 27/45, cujas razões não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (MS), que declarou procedente o lançamento (ver fls. 67/77), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE Não é competência desta instancia administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. CONCEITO DE EXERCÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O conceito de exercício para contagem do prazo de decadência corresponde ao ano civil, de 01/01 a 31/12. Não se confunde com o período de apuração do tributo. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos, conforme artigo 45 da lei 8.212/91. DA FIXAÇÃO DA MULTA P0R DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA POR DECRETO Conforme o artigo 113, §2° do Código Tributário Nacional, a obrigação acessória decorre da legislação e seu descumprimento convertese automaticamente em penalidade pecuniária. Não há ilegalidade nem inconstitucionalidade na fixação por decreto. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA O principio da isonomia obriga o legislador a tratar contribuintes com diferentes capacidades contributivas de forma desigual. Tratar contribuintes que se encontram em situação desigual de forma igual feriria o principio da isonomia. Lançamento Procedente Inconformado, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 85/107, no qual alegou que se operou a decadência para a maior parte das competências lançadas na NFLD, devendo a caducidade ser reconhecida também para o AI. Defende ainda que a multa aplicada não foi prevista na Lei, mas no Decreto n.º 3.048/99, o que não é acolhido pela Constituição Federal, em face do princípio da legalidade. Deveria ser dada ao sujeito passivo a oportunidade de se contrapor ao fisco, quanto à existência de conduta dolosa. A imposição de multa proporcionalmente ao número de segurados a serviço da empresa fere o princípio da isonomia. Ao final, pede a reforma da decisão da DRJ, com acolhida de todas as razões suscitadas no recurso. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000181/200788 Acórdão n.º 2401002.658 S2C4T1 Fl. 126 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, estamos diante de multa por descumprimento de obrigação acessória, que é o típico lançamento de ofício, não cabendo assim a aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN, este reservado para os lançamentos por homologação. Devese, nesse sentido, lançar mão, para contagem do prazo decadencial, do art. 173, I, do Códex Tributário. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências de 01/1999 até 11/2001, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 22/06/2007. Aplicação da Multa A penalidade foi aplicada nos exatos termos do que determina a Lei n.º 8.212/1991. O hoje revogado § 5.º do art. 32 desse diploma legal previa: Art. 32(...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Quanto ao limite estabelecido no § 4.º do mesmo artigo este tem exatamente o desiderato de prestigiar o princípio da isonomia na medida em que trata desigualmente os contribuintes que se encontram em situações distintas. Quanto mais empregados tinha a empresa, mais pesadas eram as penalidades que lhe seriam aplicadas. Eis do dispositivo: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000181/200788 Acórdão n.º 2401002.658 S2C4T1 Fl. 127 7 Nesse sentido, não vejo como atropelo ao princípio da isonomia a imposição de penalidades mais gravosas para empresas com maior número de segurados, as quais, em tese, teriam uma maior capacidade contributiva. Por outro lado, há de se ter em conta que não cabe nesse colegiado apreciação quanto à constitucionalidade dessa previsão normativa, é que não é dado a órgão de julgamento administrativo lançar pronunciamento sobre inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago à colação súmula deste Conselho: SÚMULA CARF N.º 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Quanto à alegação de que a multa seria ilegal em razão da sua fixação por Decreto não há como acolhêla. É que os §§ 4.º e 5.º acima tratavam integralmente da fixação da multa, inclusive quanto ao valor mínimo a ser observado. A Lei deixou apenas à legislação menor a tarefa de efetuar o reajustamento dos valores nela previstos, assim dispondo: Art.92.A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5º e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. Diante do exposto, não há o que se falar em afronta ao princípio da estrita legalidade tributária, haja vista que a lei fixava todos os contornos necessários à aplicação da multa por descumprimento do dever de declarar a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias na GFIP. Aplicação da multa mais benéfica Embora não alegada, devo reconhecer do ofício a necessidade de adequação da multa à legislação atualmente em vigor. Para tal, devo fazer uma retrospectiva dos dispositivos legais que tratam da questão. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, quando havia falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória, esta punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 um teto calculado em função do número de segurados da empresa (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991). A multa aplicada sobre as contribuições lançadas variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Atualmente, de acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de pena administrativa com a multa pela falta de pagamento do tributo , condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Na situação sob enfoque, somandose a multa por falta de declaração dos fatos geradores em GFIP (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 – 100% da contribuição não declarada, limitada ao teto legal) com a multa decorrente do não recolhimento da contribuição (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 – 24% do tributo devido) obtémse, para todas as competências, um valor superior a multa aplicada com esteio na nova legislação (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991 – 75% do tributo não recolhido). Assim, deve o fisco impor ao sujeito passivo a multa menos gravosa, aplicandose a legislação atual (75% do tributo devido) para os fatos geradores ocorridos anteriormente a sua vigência, em obediência ao que prescreve o art. 106, II,”c”, do CTN. Decorre dessa conclusão que não devem ser acolhidos os argumentos recursais de que seria ilegal a aplicação de multa fixada por Decreto e da impossibilidade da pena variar em função do número de segurados a serviço da empresa. É que essas alegações perdem o objeto na medida em que a multa deverá ser aplicada em valor fixo no patamar de 75% das contribuições devidas, conforme determina o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996. Conclusão Diante do exposto, voto por reconhecer a decadência para o período de 01/1999 a 11/2001 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que a multa seja 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15889.000181/200788 Acórdão n.º 2401002.658 S2C4T1 Fl. 128 9 calculada conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, deduzida a multa aplicada na NFLD n.º 37.075.3330. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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