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Numero do processo: 13587.000023/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Recorrente MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 87 .0 00 02 3/ 20 09 -6 9 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13587.000023/200969 Resolução nº 1102000.246 S1C1T2 Fl. 316 2 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase de recurso voluntário interposto por MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÕES LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela improcedência de 18 declarações de compensação de débitos de PIS, COFINS, CSLL e IOF com crédito de R$ 2.045.707,86 decorrente do saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário de 2004. A DRF/Campos dos GoytacazesRJ, mediante o Despacho Decisório nº 657/2009 (fls. 150), não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motiva da pela suposta existência de lançamentos de ofício de tributos referentes ao anocalendário de 2004 (incluindo o IRPJ) e pelo não atendimento à intimação para apresentação do livro diário com o respectivo balanço do ano de 2004. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade (fls. 162 a 171) na qual alegou que os aludidos lançamentos de ofício, na verdade, referiamse ao anocalendário de 2005 e que houve, sim, entrega do livro diário, o que poderia ser comprovado pelo protocolo de entrega de documentos, conforme carimbo contendo a data de 09/10/2009 no próprio termo de intimação. Protestou, ainda, pela realização de diligência para que se pudesse atestar o seu direito. A 1ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu, então, o Acórdão nº 1242.179, de 10 de novembro de 2011 (fls. 255 a 259), por meio do qual também não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada. Em sua decisão, a instância a quo confirmou que houve equívoco quanto ao anocalendário dos lançamentos de ofício alegados no Despacho Decisório da unidade de origem. Porém, ressaltou que, apesar de o interessado afirmar que cumpriu com o teor da intimação, o acesso ao livro diário se justifica pela necessidade de se atestar a liquidez e certeza do crédito alegado. Nada obstante, não concordou com a realização da diligência porque seu pedido teria sido pronunciado com caráter genérico e sem apresentação de prova documental. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13587.000023/200969 Resolução nº 1102000.246 S1C1T2 Fl. 317 3 Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 268 a 282) onde, essencialmente, repete os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade. Destaquese, entretanto, a afirmativa de que teria anexado com a manifestação de inconformidade os comprovantes anuais de retenção do IRPJ pela PETROBRÁS e o razão analítico da conta em que foi escriturada essa retenção. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Como se vê, a solução da controvérsia depende de se atestar ou não o direito creditório alegado pela recorrente. A princípio, a fiscalização detectou a existência de lançamento de ofício referente ao mesmo anocalendário em que a recorrente alega ter apurado saldo negativo. Talvez por isso, não tenha dado maior atenção ao seguimento do procedimento no sentido de obter maiores informações sobre a apuração daquele saldo negativo. A DRJ, por sua vez, detectou o equívoco sobre a existência daquele fato, mas negouse a aprofundar a pesquisa do direito creditório. Preferiu apegarse ao descumprimento de requisitos formais não observados pela empresa na solicitação da diligência. Sem embargo, quando existem dúvidas sobre a existência do direito investigado na lide, a diligência pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora. Nesse sentido, confirase o que diz o artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifei) No presente caso, constato que a empresa juntou o comprovante de retenção na fonte emitido pela PETROBRÁS (fls. 187), contendo o código 6190 (que corresponde a Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 13587.000023/200969 Resolução nº 1102000.246 S1C1T2 Fl. 318 4 “RETENÇÃO EM PAGAMENTO POR ÓRGÃO PÚBLICO”), e o razão analítico de uma conta em que foram escriturados valores de imposto de renda retido na fonte no exato montante declarado na apuração contida na DIPJ (fls. 197 e 200 a 216). Ademais, observo que há também no processo o extrato da DIRF correspondente ao mencionado comprovante de retenção (fls. 16). Portanto, há consistência nas alegações da recorrente sobre o seu direito creditório. Não há, entretanto, informações detalhadas que permitam reconhecêlo, tais como, por exemplo, o oferecimento da correspondente receita à tributação. Assim, entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência para que a unidade de origem promova a efetiva verificação do imposto retido e comprove, na escrituração contábil, oferecimento à tributação das correspondentes receitas. Ao final, devese promover a ciência à empresa dos elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10768.012307/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAIS PROCESUAIS. COMPETÊNCIA.
A Primeira Sessãio de Julgamento do CARF não é competente para apreciar recursos relativos a pedidos de restituição e/ou compensação de PIS/COFINS.
Numero da decisão: 1302-000.663
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da 3ª Seção de Julgamento.
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAIS PROCESUAIS. COMPETÊNCIA. A Primeira Sessãio de Julgamento do CARF não é competente para apreciar recursos relativos a pedidos de restituição e/ou compensação de PIS/COFINS.
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NORMAIS PROCESUAIS. COMPETÊNCIA. A Primeira Sessãio de Julgamento do CARF não é competente para apreciar recursos relativos a pedidos de restituição e/ou compensação de PIS/COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da 3ª Seção de Julgamento. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.012307/200396 Acórdão n.º 130200.663 S1C3T2 Fl. 2.764 2 DELTA CONSTRUÇÕES S/A, devidamente qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância, que lhe foi desfavorável, recorre a este Colegiado visando à reforma da mesma. Tratam os autos de Pedido de Restituição de PIS e COFINS, vinculados a Declaração de Compensação, com créditos da mesma natureza, no valor de R$ 737.149,52. O pleito restou indeferido através do Despacho Decisório de fls. 2454, do qual a interessada tomou ciência consoante o AR de fls. 2461. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso administrativo (sic) às fls. 2462 e segs., instaurando o contencioso administrativo. A Quinta Turma Julgadora da DRJ/RJ2 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1331.283 (fls. 2581/2587). Cientificada da decisão (fls. 2592), a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 2671/2681). É o Relatório. Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI Como se vê do relatório, tratam os autos de Pedido de Restituição de PIS/COFINS, matéria estranha à competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Com efeito, dispõe o Regimento Interno do CARF: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); (...) Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10768.012307/200396 Acórdão n.º 130200.663 S1C3T2 Fl. 2.765 3 matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Assim sendo, a matéria para análise não é da competência da Primeira Sessão de Julgamento do CARF. DIANTE DO EXPOSTO, oriento meu voto no sentido de declinar da competência para uma das Turmas da Terceira Seção de julgamento do CARF. Sala das Sessões, em IRINEU BIANCHI Relator “documento assinado digitalmente” Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001008/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2002
LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA RECEITA EXTRAÍDO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. POSSIBILIDADE.
Na ausência de prova em contrário, é válido o lançamento efetuado com base nos valores das receitas extraídos dos livros contábeis e fiscais do contribuinte e utilizados como base de cálculo de apuração dos débitos da Cofins.
RETENÇÃO NA FONTE. PARCELA DA RECEITA TRIBUTADA. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. POSSIBILIDADE.
1. Somente os valores da Contribuição retidos na fonte, vinculados às receitas tributadas pelo contribuinte, são passíveis de dedução.
2. Não é passível a dedução do valor da Contribuição devida a parcela da Contribuição retida na fonte correspondente ao valor da receita repassada a outro contribuinte e por este submetida a tributação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2002 LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA RECEITA EXTRAÍDO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. POSSIBILIDADE. Na ausência de prova em contrário, é válido o lançamento efetuado com base nos valores das receitas extraídos dos livros contábeis e fiscais do contribuinte e utilizados como base de cálculo de apuração dos débitos da Cofins. RETENÇÃO NA FONTE. PARCELA DA RECEITA TRIBUTADA. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. POSSIBILIDADE. 1. Somente os valores da Contribuição retidos na fonte, vinculados às receitas tributadas pelo contribuinte, são passíveis de dedução. 2. Não é passível a dedução do valor da Contribuição devida a parcela da Contribuição retida na fonte correspondente ao valor da receita repassada a outro contribuinte e por este submetida a tributação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 10 08 /2 00 3- 13 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 9/19), em formalizada a exigência da Cofins dos meses de janeiro de 1999 a outubro de 2002, no valor total de R$ 711.136,34, computados os juros de mora e a multa proporcional, decorrente de diferenças apuradas entre os valores declarados/pagos e os escriturados nos livros Razão e de Registro de Serviços Prestados. Em sede de impugnação (fls. 231/232), a autuada alegou que: a) os valores lançados já foram pagos, mediante retenção na fonte, sendo que a fiscalização não considerou as retenções, porque não houve fechamento entre as retenções apresentadas e os dados da contabilidade; e b) houve divergência de valores a pagar, impondo o cancelamento do débito fiscal reclamado, em cumprimento aos arts. 64 da Lei 9.430/96 e 7º da Lei 9.718/1998, com base nas Planilhas e Demonstrações apresentadas. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 507/509), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi julgado procedente, com base nos fundamentos resumido no enunciado da ementa que segue transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 31/01/1999 a 31/10/2002 Ementa: Dedução de Tributos e Contribuições Retidos na Fonte Incabível a dedução da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins retida na fonte se consta nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ que a contribuinte utilizou aqueles valores na apuração da contribuição devida. Em 19/5/2003, a autuada foi Cientificada dessa decisão (fl. 513). Inconformada, em 18/6/2003 protocolizou o recurso voluntário de fls. 519/529, em que, em síntese, apresentou as seguintes razões de defesa que: a) as receitas contabilizadas eram originadas das comissões percebidas da prestação de serviços de intermediação de transporte de carga; b) a quase totalidade dos seus clientes era composta por órgãos públicos, motivo pelo qual os valores recebidos eram líquidos dos valores do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins retidos na fonte; c) parte desses valores recebidos são repassados às empresas que transportavam as cargas para outros estados do país, principalmente por via aérea; Fl. 728DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10166.001008/200313 Acórdão n.º 3102002.172 S3C1T2 Fl. 101 3 d) ao apropriar as receitas originadas das comissões percebidas, efetuava compensação dos tributos devidos com os valores retidos na fonte, proporcionalmente às receitas declaradas, “ficando evidentemente com crédito de imposto”, trazendo aos autos “Demonstrativo Impostos Retidos X Valor Compensado DIPJ”, em que poderseia verificar que a utilização dos tributos retidos na fonte foram parciais, para efeito de compensação; e) de conformidade com a descrição dos fatos constante do auto de infração, a autoridade fiscal teria ignorado o demonstrativo que apresentara no curso da ação fiscal, contendo a base de cálculo e os valores retidos na fonte; f) as receitas auferidas foram oferecidas à tributação nas pertinentes DIPJ, todavia tais montantes foram desconsiderados pelo Fisco e lançados de ofício outros valores sobre os quais não conhecia a origem; g) na determinação da base de cálculo tributada de oficio não foram consideradas a receitas declaradas, como, aliás, fora dito pelo autuante; h) o autor do procedimento teve plenas condições de verificar qual fora a receita que de fato fora auferida pela fiscalizada, evitando que supostas receitas tributadas de oficio nestes autos fossem atribuídas indevidamente à ora recorrente; i) foram desprezadas na apuração da base de cálculo as receitas reconhecidas pela ora recorrente, sem que fossem infirmadas pelo Fisco, e rejeitadas as retenções incidentes sobre os pagamentos feitos pelos órgãos públicos; j) o lançamento de oficio não considerara as receitas declaradas, calculou imposto sobre nova base de cálculo, e esquecera das retenções havidas, já que tributou pelo total das receitas e não pela difèrença, como erradamente afirmara; l) as informações relativas aos pagamentos efetuados pelos órgãos públicos e as retenções havidas estavam disponíveis no Sistema SIAFI/STN, de pleno acesso para a fiscalização federal, de forma a possibilitar a confirmação das informações prestadas pela contribuinte, ou mesmo, apurar os valores pagos e as competentes retenções; m) fora lançado tributo sobre base de cálculo já oferecida à tributação na DIPJ, uma vez que não fora identificada a diferença entre a base de cálculo apurada e a base de cálculo declarada, como também não foram reconhecidas as compensações dos tributos retidospelos órgãos públicos a que fazia jus a ora recorrente; e n) a decisão recorrida se contradisse nas diversas afirmações relativas às retenções efetuadas pelos órgãos públicos e à sua utilização na compensação com os tributos devidos. Na Sessão de 16/8/2006, o julgamento foi convertido em diligência pelos os membros da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, para que fossem avaliadas a real procedência das alegações suscitadas no recurso voluntário que foram especificadas no voto condutor da referida resolução. Ao final, fosse apresentado relatório conclusivo sobre as verificações realizadas e dado ciência à diligenciada. Em 20/11/2008, autoridade fiscal diligenciante apresentou o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 663/673, acompanhado dos Quadro Demonstrativo das Receitas Fl. 729DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Escrituradas e das Receitas Informadas na DIPJ (fls. 591/594), Quadro Demonstrativo da Cofins Apurada de Ofício e Cofins Retida na Fonte (fls. 595/598), Quadro Demonstrativo das Retenções e Pagamentos Efetudados por Órgãos Públicos (fls. 599/619), Dossiê Integrado da Autuada (fls. 620/640), Quadro Demonstrativo dos Pagamentos e Retenções Efetuados por Órgãos Públicos – Dirf Beneficiário 2002 (fls. 641/658), Quadro Comparativo da Cofins Retida e Declarada na DIPJ e DCTF (fls. 659/662). Após prestar os esclarecimentos sobre todas as alegações suscitadas pela recorrente e objeto dos questionamentos apresentados na diligência, a autoridade fiscal chegou a seguinte conclusão, in verbis: Por tudo o que foi dito neste relatório, e considerando as distorções existentes, entre os valores das retenções informadas nas DIPJ, das retenções apresentadas na peça impugnatória e das apresentadas na fase recursal; 2. Considerando ainda, que a contribuinte afirma que os débitos declarados só se referem a vendas a varejo (fl. 27); 3. Considerando ainda, que os valores das retenções, apresentadas nas fases impugnatória e de recurso voluntário, são relativas a pagamentos efetuados por órgãos públicos; 4. Considerando ainda, que as receitas escrituradas se referem a vendas a varejo e a receitas de comissões; 5. considerando ainda, que não se conhece o percentual das receitas de comissões, que se possa fazer uma proporcionalidade dos valores retidos; 6. Considerando ainda, que a fiscalização não conseguiu identificar os créditos da COFINS, retidos por órgãos públicos, porque nas receitas declaradas, a contribuinte informa que existem receitas originárias de órgãos públicos e de vendas a varejo (fl. 27), e não destacou essas receitas; 7. Considerando ainda, que não há correlação entre as retenções da COFINS efetuadas por órgãos públicos e os créditos apurados na ação fiscal; 8. Considerando ainda, que a fiscalização não conseguiu identificar os créditos da autuada, além daqueles que constam nas DCTF; 9. Considerando ainda, que a fiscalização ao efetuar o lançamento de ofício, considerou as receitas declaradas, nas proporções em que os débitos foram confessados em DCTF; 10. Considerando, finalmente, que as planilhas de fls. 653/656, contém todas as informações que possam auxiliar a esse Colegiado na tomada da decisão, encerrase o presente relatório, sem apontar, efetivamente, os valores a serem compensados, pois não identificados nesta diligência, além dos já considerados nas DCTF. Certo de ter contribuído, para que esse Colegiado forme a sua convicção, dáse ciência à contribuinte, da Solicitação de Diligência, juntamente com este relatório e planilhas. Em 21/11/2008, a autuada foi cientificada do referido Relatório de Diligência Fiscal. No dia 2/12/2008, apresentou a manifestação de fls. 677/686, em que, em síntese, alegou que: a) a diligência realizada não atingira os objetivos propostos, pois se limitara a revolver dados e informações que já integravam os autos, a responsabilizar a diligenciada pela autuação em razão de supostos erros cometidos no preenchimento das declarações apresentadas e a esboçar raciocínios presuntivos para justificar o lançamento; b) a preocupação da autoridade fiscal foi, de forma confusa e contraditória, tentar justificar o lançamento, sem se preocupar em esclarecer os fatos e apurar a verdadeira base de cálculo da Contribuição, como fizera em relação ao IRPJ e à CSLL objeto dos Fl. 730DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10166.001008/200313 Acórdão n.º 3102002.172 S3C1T2 Fl. 102 5 processos nºs 10166.001007/200361 e 10166.001010/200384, respectivamente, de forma a possibilitar o justo julgamento a ser realizado por este Colegiado; c) a base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal estava fora da realidade, porque usou como receita omitida o montante escriturado, sem considerar a receita já oferecida à tributação na DIPJ, as retenções sofridas pela contribuinte e o imposto já recolhido, apurado na DIPJ; d) o vício que permeia o lançamento ficava também evidente nas observações constantes do referido Quadro Demonstrativo das Receitas Escrituradas (objeto de autuação) e das Receitas Informadas na DIPJ (fls. 591/594), referentes aos anos de 1999 e 2001, quando a autoridade fiscal afirmou que no “ano de 1999, a contribuinte deixou de oferecer à tributação, 15% das receitas escrituradas”, e no “ano de 2001, apenas 40% das receitas escrituradas foram oferecidas à tributação”. O absurdo prosseguia no ano de 2000, quando toda a receita escriturada fora oferecida à tributação e novamente lançada de ofício, sem considerar as retenções sofridas. Igualmente, em 2002, ano em que fora realizada a ação fiscal, foram tributadas as receitas escrituradas sem qualquer menção às retenções havidas; e) a não consideração das retenções sofridas propiciava enriquecimento sem causa do erário, pois o sujeito passivo estava pagando em duplicidade a Contribuição. Tal procedimento afrontava princípios constitucionais como o da legalidade e o da moralidade administrativa; f) não podia prevalecer o lançamento viciado em que o Fisco elegera determinada base de cálculo, não considerara as receitas declaradas e as retenções sofridas, sob o argumento presuntivo de que o sujeito passivo omitiu receitas, sem quantificar a suposta omisso havida; g) autoridade fiscal juntara ao referido Relatório de Diligência Fiscal o “Quadro Demonstrativo das Retenções e Pagamentos por Órgãos Públicos, Comprovados através das Cartas de Retenções ...”, o que convalidava as retenções comprovadas nas fases de defesa, detalhadas por mês e por ano. Mas nada disso foi considerado, o que contrariava os princípios basilares do processo administrativo fiscal, como o da verdade material, da moralidade administrativa e do enriquecimento sem causa por parte da União; e h) a autoridade fiscal afirmara que encerrava a diligência “sem apontar, efetivamente, os valores a serem compensados, pois não identificados nesta diligência, além dos já considerados nas DCTF”, deixando patente que o procedimento fora infrutífero, e, mais uma vez mencionando as retenções constantes da DCTF que não se sabe como, e quando, foram consideradas, o que contrariava, as conclusões da diligência realizada nos autos principais do IRPJ e da CSLL, quando a mesma autoridade fiscal chegou a conclusões diferentes, o que demonstrava a fragilidade da diligência realizada nestes autos. Em 1/3/2010, em razão da falta de competência da Primeira Seção deste Conselho, por meio do Despacho de fl. 712, o Relator originário do Processo declinou competência à esta Terceira Seção. Em seguida, na Sessão de 30/1/2014, os presentes autos foram distribuídos, mediante sorteio, a este Relalor. É o relatório. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O cerne da controvérsia cingese a duas questões de natureza fática, relativas à apuração da base de cálculo dos valores da Cofins lançados e à não dedução dos respectivos valores da Contribuição retidos na fonte. Da apuração da base cálculo. No recurso, a recorrente alegou que as receitas auferidas foram oferecidas à tributação nas pertinentes DIPJ, todavia tais montantes foram desconsiderados pelo Fisco e lançados de ofício outros valores sobre os quais não conhecia a origem. Ademais, não havia provas nos autos demonstrando que as receitas tributadas de oficio eram acréscimos àquelas já tributadas na declaração. É pertinente esclarecer que, diferentemente do entendimento da recorrente, a receita tributada não foi aquela declarada na DIPJ, que tem caráter meramente informativo, mas que fora informada na DCTF, que tem natureza de confissão de dívida e constitui instrumento suficiente de constituição do crédito tributário pelo contribuinte, conforme jurisprudência consolidada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), inclusive por meio de decisão definitiva de mérito, proferida no âmbito do regime de recurso repetitivo, previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), sabidamente, de adoção obrigatória por parte deste Colegiado, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno deste Conselho. Com nesse breve esclarecimento, fica demonstrado que não procede a alegação da autuada. A uma, porque os valores das receitas tributados pela fiscalização foram extraídos dos livros Razão (Balancetes Analíticos mensais dos meses de janeiro a julho e setembro de 1999) e de Registro de Serviços Prestados (os demais meses) escriturados e apresentados pela própria autuada, cujas cópias encontramse colacionados aos autos (fls. 115/206). No Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada (fls. 221/224), encontramse consolidados os valores das receitas apurados pela fiscalização (extraídos dos referidos livros), os débitos declarados, os créditos apurados e as diferenças da base de cálculo e contribuição apuradas. A duas, porque os valores das receitas declarados nas DIPJ, diferentemente do alegado pela recorrente, não foram tributadas, mas apenas informadas, pois, conforme já explicitado, tal declaração não tem natureza de confissão de dívida, mas natureza meramente informativa. Além disso, com base no Demonstrativo das Receitas Escrituradas e das Receitas Informadas na DIPJ (fls. 591/594), verificase que as receitas informadas pela fiscalizada nas DIPJ dos anos de 1999 a 2002, exceto no ano 2000, divergem das receitas apuradas pela autoridade fiscal, o que evidencia que a contribuinte sequer informou, integralmente, nas respectivas DIPJ, as receitas que ela registrou na sua escrituração contábil e fiscal. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10166.001008/200313 Acórdão n.º 3102002.172 S3C1T2 Fl. 103 7 Assim, havendo divergência entre os valores da escrituração contábil e fiscal e os declarados na DIPJ, até prova em contrário, deve prevalecer os valores registrados na escrituração contábil e fiscal. No caso, como a fiscalizada não trouxe aos autos qualquer prova que infirmassem os valores por ela própria registrados nos referidos livros contábil e fiscal, consequentemente, deve ser mantido os valores da base cálculo apurados pela fiscalização, os quais, ressaltase mais uma vez, foram extraídos dos referidos livros. Da não dedução dos valores da Cofins retidos na fonte. Do cotejo dos valores apresentados no Demonstrativo de Apuração da Cofins dos meses de janeiro de 1999 a outubro de 2002 (fls. 13/16) com os consignados no Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada (fls. 221/224), que integram o questionado auto de infração, verificase que a fiscalização deduziu do valor devido da Cofins, dos respectivos meses, apenas o valor da Contribuição recolhido ou declarado na DCTF. Em outras palavras, a fiscalização não excluiu da cobrança os valores da Contribuição retidos na fonte nos correspondentes períodos de apuração. Esclareceu a autoridade fiscal no citado Relatório de Diligência Fiscal que, se houve equívoco na apuração dos débitos cobrados, eles foram decorrentes dos erros cometidos pela autuada, por não ter informado corretamente os valores devidos da Contribuição e das respectivas retenções nos campos próprios da DCTF. Esclareceu ainda que não comparou os débitos apurados com os informados nas DIPJ, por ser esta uma declaração meramente informativa, mas com os débitos declarados nas DCTF, por ser esta uma declaração de confissão de dívida, conforme anteriormente explicitado. O procedimento da fiscalização estaria correto se autuada auferisse receita apenas de atividade não submetida ao regime de retenção na fonte. No entanto, com base nos fartos elementos probatórios coligidos aos autos, confirmase que, no período da autuação, a recorrente auferiu receitas de vendas de balcão (não sujeitas a retenção na fonte) e vendas a órgãos públicos (sujeitas a retenção fonte). Dessa forma, para uma correta apuração dos valores exigidos, certamente, seria necessário que a recorrente tivesse informado a fiscalização, separadamente, os valores das receitas de vendas de balcão e de vendas a órgãos públicos, o que não fez, embora tenha sido intimada para tanto. Por conseguinte, na ausência dessa informação, era impossível saber qual o valor da receita que sofrera retenção na fonte. Ademais, ao informar na petição de fl. 28, que os “débitos declarados dizem respeito ao faturamento apurado nas vendas varejo, ou seja, a clientes balcão”, a recorrente também contribuiu para que o lançamento não levasse em consideração os valores da Contribuição retida na fonte. No entanto, apesar dos grosseiros equívocos cometidos pela recorrente e da falta de colaboração para com a fiscalização, por força do princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, entendese que à recorrente deve ser reconhecido o direito de deduzir os respectivos valores da Cofins retidos na fonte no período da autuação. Assim, remanesce a seguinte questão: quais os valores da Cofins retidos na fonte podem ser deduzidos do valor devido apurado pela fiscalização? Fl. 733DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 A resposta a essa indagação é de vital importância para o deslinde da controvérsia, uma vez que, em conformidade com os dados contidos no Quadro Demonstrativo da Cofins Apurada de Ofício e Cofins Retida na Fonte de fls. 595/598, existem três valores distintos: (i) os declarados na DIPJ, (ii) os informados pela recorrente na fase de impugnação e (iii) os informados pela recorrente na fase de recurso. Segundo o referido Demonstrativo, os valores retidos informados pela recorrente nas DIPJ são uns, os informados na peça impugnatória são outros e os informados na fase recursal são completamente diferentes dos anteriores. Ou seja, não há uniformidade e consistência nos valores informados. Ademais, a falta da informação da parcela da receita de comissão, decorrentes das vendas feitas a órgãos públicos, certamente, impossibilita qualquer confirmação, por parte deste Relator, do valor correto a ser deduzido da Contribuição devida. No recurso, alegou a recorrente que ao apropriar as receitas originadas das comissões percebidas, efetuava compensação dos tributos devidos com os valores retidos na fonte, proporcionalmente, às receitas declaradas, “ficando evidentemente com crédito de imposto”. Segundo a recorrente, com base no “Demonstrativo Impostos Retidos X Valor Compensado DIPJ” de fls. 536/538, poderseia verificar que a utilização dos tributos retidos na fonte foram parciais, para efeito de compensação (dedução). No entanto, Analisando os referidos Demonstrativos, verificase que ele contém apenas os valores da Contribuição retidos na fonte e correspondem a totalidade dos pagamentos efetuados pelos órgãos públicos. Isto é, tais valores compreendem a receita de comissão da recorrente e, certamente, a parcela maior das receitas das empresas de transporte contratadas. Portanto, tais valores, induvidosamente, não tem qualquer relação com o valor da receita de comissão não conhecida, supostamente declarada e tributada pela recorrente, haja vista que os valores de referida receita não foi informada pela recorrente, embora devidamente intimada para prestar tal informação. Da mesma forma, a recorrente procedera na fase de impugnação, e apenas em relação aos anos de 1999 e 2001, conforme Tabela de Impostos Retidos por Órgãos Públicos de fls. 467/502 e Planilha de Cálculo de fls. 503/505. Tais valores, inequivocamente, não podem ser utilizados integralmente na dedução dos respectivos valores apurados pela fiscalização, porque a maior parte deles refere se a receitas repassadas às empresas de transporte intermediadas pela recorrente, que, certamente, ofereceram a tributação essas receitas. Dessa forma, fica demonstrado que a informação dos valores da receita de comissão auferida e tributada no período era e continua sendo imprescindível, para apuração dos respectivos valores retidos na fonte. Nesse sentido, é pertinente ressaltar que, além de intimada a demonstrar e comprovar os valores da referida receita de comissão, durante o procedimento de fiscalização, a recorrente teve três oportunidades de trazer aos autos essa informação (na impugnação, no recurso e na resposta às conclusões da diligência), porém, deliberada e injustificadamente, não adotou tal providência. Em decorrência, a recorrente deve arcar com ônus dessa sua intencional omissão. De toda sorte, compulsando o referido Demonstrativo, constatase que os valores da Cofins retidos na fonte, informados nas DIPJ dos anos de 1999 e 2000, são proporcionais aos valores das receitas informadas na referida Declaração e não foram contestados pela fiscalização, o que possibilita a dedução deles dos valores da Contribuição devida. O mesmo procedimento, evidentemente, não pode ser adotado em relação aos meses Fl. 734DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10166.001008/200313 Acórdão n.º 3102002.172 S3C1T2 Fl. 104 9 dos anos de 2001 e 2002, uma vez que a recorrente não informou os correspondentes valores retidos nas respectivas DIPJ, onde tais valores aparecem zerados. É oportuno esclarecer que, o entendimento aqui esposado, está em consonância com a conclusão da fiscalização consignada no Relatóro de Diligência de fls. 704/710, extraído dos autos do processo nº 10166.001011/200329 (colacionado aos autos pela recorrente), referente à autuação do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), relativa ao ano base de 1998, de onde extraise o seguinte relevante excerto (fl. 709), in verbis: É oportuno lembrar, que os valores retidos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, constantes nas planilhas acima mencionadas, são proporcionais aos valores das faturas (R$ 7.541.408,75). Dessa forma, para o cálculo do crédito tributário remanescente, deve se excluir os valores retidos por órgãos públicos, declarados na DIPJ/99AC/98, partindose do princípio que esses valores são proporcionais às receitas declaradas na DIPJ, do ano fiscalizado (1998). Das demais alegações da recorrente. A recorrente alegou que a diligência fora infrutífera e contrariava as conclusões da diligência realizada nos processos objeto das autuações relativas ao IRPJ e à CSLL, em que a mesma autoridade fiscal apurou corretamente a base cálculo dos referidos tributos. Não procede a alegação da recorrente, pois, não se pode aplicar ao caso em tela as mesmas conclusões exaradas nos referidos processos. A uma, porque os questionamentos formulados nas respectivas diligências foram distintos. A duas, porque os questionamentos formulados na diligência aqui realizada foram devidamente esclarecidos pela fiscalização, inclusive com a apresentação de novos demonstrativos e documentos que corroboram o entendimento da fiscalização no sentido de apurar os valores retidos na fonte corretos, ou seja, os valores proporcionais aos valores da receita de comissão de vendas submetida ao regime de retenção na fonte, não informados pela recorrente. A três, porque em relação ao IRPJ e CSLL (processos nºs 10166.001007/200361 e 10166.001010/200384), a recorrente prestou as informações necessárias a apuração do valor da retenção devida, conforme consignado no correspondente Relatório de Diligência Fiscal de fls. 688/696, colacionado aos autos pela recorrente na fase de contestação das conclusões da diligência, de onde extraise o seguinte excerto (fl. 694), in verbis: Como última tentativa de obtenção da informação relativa à proporcionalidade das retenções com as receitas escrituradas e disponibilizadas à fiscalização, à época da autuação, intimouse o contribuinte novamente em 25/08/2004, tendo o mesmo apresentado a planilha de fls. 812/814 , cujos valores retidos, atendem à solicitação da fiscalização, conforme abaixo demonstrados: [...]. (grifos não originais) A recorrente alegou ainda que autoridade fiscal juntara ao referido Relatório de Diligência Fiscal o “Quadro Demonstrativo das Retenções e Pagamentos por Órgãos Públicos, Comprovados através das Cartas de Retenções ...” de fls. 599/619, que convalidava as retenções comprovadas nas fases de defesa, detalhadas por mês e por ano. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 Não procede a alegação da recorrente, pois, confrontando os valores do Quadro Comparativo da Cofins Retida e Declarada na DIPJ e DCTF de fls. 659/662, verifica se que há diferenças significativas entre os valores apurados pela fiscalização, com base nas Cartas/Retenções (1999 a 2001) e Dirf Beneficiário (2002), e aqueles informados pela recorrente na fase impugnatória e recursal. Ademais, os valores apurados pela fiscalização, com respaldo nos dados extraídos das respectivas Cartas/Retenções e Dirf, referemse aos valores totais pagos pelos órgãos públicos à recorrente, portanto, sem a exclusão dos valores relativos às repassadas a empresas de transporte intermediadas. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reconhecer o direito da recorrente de deduzir os valores da Cofins retidos na fonte, informados nas DIPJ dos anos de 1999 e 2000, discriminados no Quadro Demonstrativo da Cofins Apurada de Ofício e Cofins Retida na Fonte de fls. 595/598. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 736DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 22 /04/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 37170.001522/99-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ILEGITIMIDADE. RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
Na hipótese de a empresa contratante efetuar recolhimento de valor retido em duplicidade, o pedido de restituição será apresentado obrigatoriamente pela empresa contratada, não se aplicando, para liberação da restituição, a restrição quanto ao repasse ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade.
O direito de pleitear a restituição de contribuição retida recai, obrigatoriamente, sobre a empresa contratada, sendo, no presente caso, a Timbira Serviços Gerais Ltda. e a Timbira Serviços de Vigilância Ltda
Numero da decisão: 2301-003.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, :I)Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso,nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 12/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ILEGITIMIDADE. RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃODEOBRA. Na hipótese de a empresa contratante efetuar recolhimento de valor retido em duplicidade, o pedido de restituição será apresentado obrigatoriamente pela empresa contratada, não se aplicando, para liberação da restituição, a restrição quanto ao repasse ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. O direito de pleitear a restituição de contribuição retida recai, obrigatoriamente, sobre a empresa contratada, sendo, no presente caso, a Timbira Serviços Gerais Ltda. e a Timbira Serviços de Vigilância Ltda Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, :I)Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso,nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 12/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 17 0. 00 15 22 /9 9- 81 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 06/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de pedido de restituição apresentado pela empresa PARAGÁS DISTRIBUIDORA LTDA. referente ao valor da retenção sobre notas fiscais de prestação de serviços, na competência 03/99 [fls. 01 e 02]. Intimada a se manifestar [fl. 15], a sociedade empresária PARAGÁS, na qualidade de contratante da empresa TIMBIRA, apresentou impugnação alegando, em síntese, que as contribuições previdenciárias foram equivocadamente efetuadas em dobro. Para tanto, anexou à defesa as notas fiscais de serviço de no 1.752, no 1.753, no 1.772, no 3.754 e no 3.758 [fls. 22 a 29]. Em 29 de janeiro de 2002, o Serviço de Fiscalização da Previdência Social julgou improcedente o pedido de restituição, por meio de decisão [fl. 32], após recurso da empresa [fls. 17 a 19]. A empresa interpôs nova defesa em 11 de outubro de 2001 [fl. 17]. Nas razões do recurso, a PARAGÁS alega que a base do indeferimento por parte do Serviço de Fiscalização da Previdência Social decorreu do emprego indevido do artigo 31, §1o e §2o, da Lei 8.212/91. A norma jurídica citada pela Fiscalização não se adequa ao fato, uma vez que o artigo citado trata da obrigatoriedade do reconhecimento à Previdência e não da restituição da contribuição quando efetuada em duplicidade. Eis o teor: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. §2oNa impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. Outro argumento exposto pela empresa é de que a juntada das guias de recolhimento, de mesmo valor, competência e incidentes sobre as mesmas notas fiscais seriam suficientes para comprovar o recolhimento em duplicidade. Os autos foram remetidos para a Câmara de Julgamento do CRPS. [fl. 36]. Em 22 de janeiro de 2003, a então 2a Câmara de Julgamento do CRPS resolveu, por unanimidade, converter o feito em diligência para que fosse verificado se os valores retidos nas notas fiscais eram os mesmos recolhidos nas guias de igual valor, sendo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 06/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37170.001522/9981 Acórdão n.º 2301003.830 S2C3T1 Fl. 64 3 imprescindível a apresentação dos demonstrativos relacionando os valores das notas e recolhimentos efetuados nas guias relativos à competência 03/99 [fls. 37 e 38]. Efetuadas as devidas diligências, a autoridade fiscal apresentou planilhas bem como esclareceu que a PARAGÁS não apresentou autorização das empresas Timbira Serviços Gerais Ltda. e Timbira Serviços de Vigilância Ltda., ora contratadas, para pleitear a restituição da retenção dos valores supostamente realizados em dobro em seu próprio nome [fls. 44 a 49]. Em 02 de dezembro de 2008, os autos foram encaminhados para o Segundo Conselho de Contribuintes para julgamento [fls. 52 a 54]. Todavia, notouse que a recorrente não havia sido cientificada para apresentar defesa após o feito da autoridade fiscal. Com o intuito de assegurar o princípio da ampla defesa, a análise do processo foi convertida em diligência para que a empresa, de acordo com seu interesse, manifestase acerca do resultado [fls. 44 a 49]. A empresa PARAGÁS, apesar de ter sido devidamente intimada para apresentar defesa [fl. 59], quedouse inerte. O processo foi devolvido ao Conselho de Contribuintes para julgamento [fl. 60]. É o que tenho a relatar. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. A empresa PARAGÁS DISITRIBUIDORA LTDA. juntou em sua defesa as notas fiscais referentes à prestação de serviço no qual solicitava a restituição do recolhimento que, segundo a recorrente, foi realizada em duplicidade. Notase que à empresa não assiste razão quanto ao seu inconformismo. Inicialmente, não há como afirmar que as guias de recolhimento e as notas fiscais incidem sobre o mesmo fato. Assim, não é possível afirmar que as guias, recolhidas em competências distintas, embora sejam de mesmo valor, referemse às mesmas notas fiscais. Além disso, há um equívoco. As notas fiscais emitidas na data de 31/03/99 deveriam ter como competência para recolhimento do valor retido 03/99 e não 04/99. Não há legitimidade por parte da empresa PARAGÁS para requerer a restituição dos valores supostamente efetuados em dobro. Conforme dispõe o artigo 19 da Instrução Normativa no 13, de 28/04/2000, o direito de pleitear a restituição de contribuição retida recai, obrigatoriamente, sobre a empresa contratada, sendo, no presente caso, a Timbira Serviços Gerais Ltda. e a Timbira Serviços de Vigilância Ltda. Eis o teor da norma: Art. 19. Na hipótese de a empresa contratante efetuar recolhimento de valor retido em duplicidade, o pedido de restituição será apresentado obrigatoriamente pela empresa contratada, não se aplicando, para liberação da restituição, a Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 06/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 restrição quanto ao repasse ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. Como verificado nos autos, a recorrente PARAGÁS não possui qualquer autorização por parte da contratada para requerer a restituição de contribuição retida devida ao pagamento efetuado em dobro. Assim sendo, diante da impossibilidade de verificação acertada quanto à duplicidade do recolhimento das contribuições e da ausência de autorização por parte da recorrente para pleitear a restituição, não há como acolher a pretensão da Recorrente. Portanto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 06/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000654/2009-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2008
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
ART. 55 DA LEI 8.212/91. CUMPRIMENTO DE SEUS REQUISITOS. VERIFICAÇÃO Á ÉPOCA DOS FATOS GERADORES.
Os requisitos estabelecidos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, devem ser observados, á época dos fatos geradores de sua vigência, para o gozo da imunidade constante no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para preliminarmente, reconhecer a decadência do período de 01/2004 a 11/2004, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. E, no mérito, por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96), vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2008 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. ART. 55 DA LEI 8.212/91. CUMPRIMENTO DE SEUS REQUISITOS. VERIFICAÇÃO Á ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. Os requisitos estabelecidos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, devem ser observados, á época dos fatos geradores de sua vigência, para o gozo da imunidade constante no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. ART. 55 DA LEI 8.212/91. CUMPRIMENTO DE SEUS REQUISITOS. VERIFICAÇÃO Á ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. Os requisitos estabelecidos nos incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, devem ser observados, á época dos fatos geradores de sua vigência, para o gozo da imunidade constante no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 06 54 /2 00 9- 37 Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para preliminarmente, reconhecer a decadência do período de 01/2004 a 11/2004, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. E, no mérito, por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96), vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15940.000654/200937 Acórdão n.º 2403002.430 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face de acórdão de impugnação, referente ao Auto de Infração – AI DEBCAD nº 37.068.2750 (TERCEIROS) no valor original de R$ 24.452.128,59 (vinte e quatro milhões, quatrocentos e cinqüenta e dois mil, cento e vinte e oito reais e cinqüenta e nove centavos), lavrados em face de Associação Prudentina de Educação e Cultura – APEC. O Auto de Infração foi lavrado em 09 de dezembro de 2009 e cientificado o contribuinte em 12 de dezembro do mesmo ano, abarcando a autuação os períodos de 01/01/2004 a 31/10/2008. O auto de infração foi lavrado tendo como fundamento uma decisão expedida em sede de tutela antecipada, pela Subseção judiciária de São Paulo – 1ª Vara Federal de Presidente Prudente, na Ação Civil Pública n. 2007.61.12.012319, movida pelo Ministério Público Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS em face da Associação Prudentina de Educação e Cultura – APEC, que determinou que a União suspendesse o Certificado de Entidade Filantrópica concedido ao contribuinte, com efeito retroativo a 01/01/1995. A referida decisão judicial está acostada aos autos no Anexo II do Auto de Infração, constante nas fls. 165/226. Em cumprimento a essa decisão judicial, o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, através das Resoluções n. 4 de 27 de janeiro de 2009, publicada no DOU de 28/01/2009 e n. 6 de 27 de janeiro de 2009, publicada no DOU de 28/01/2009, não renovou o Certificado de Entidade Filantrópica – CEAS, referente ao período de 01/01/1995 até a data da lavratura do auto de infração. Os atos foram documentados no auto de infração, constando no seu Anexo III, fls. 227/236. Em razão disso, o fiscal lavrou o auto, calculando as contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre a totalidade de remunerações pagas, devidas ou creditadas, aos segurados Empregados, resultando nos seguintes levantamentos: L06 – REM EMPREGADOS ESCOLA L04 – REM EMPREGADOS HOSPITAL L06 – REM EMPREGADOS PLANO DE SAÚDE L08 – REM EMPREGADOS GRAFICA L09 – REM EMPREGADOS CONST CIVIL L17 REM EMPREG ESCOLA PROC TRAB Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 L18 – REM EMPREG HOSPITAL PROC TRAB DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 1603/1625. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 09ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 14 29.043, de fls. 1734/1739, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2008 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. IMUNIDADE. REQUISITOS. PREVISÃO LEGAL. As entidades beneficentes de assistência social para fazerem jus ao benefício do parágrafo 7º do artigo 195 devem atender, até 06/11/2008, aos requisitos previstos no artigo 55 da Lei n. 8.212/91. Apesar de revogado pela Lei n. 12.101/2009, referido o artigo continua aplicável aos fatos geradores ocorridos no período de sua vigência, ressalvados os efeitos produzidos pela MP n. 446/2008. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÓRGÃO JULGADOR. COMPETÊNCIA. No processo administrativo fiscal, o órgão de julgamento não possui competência para analisar e julgar pedido de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. DESNECESSIDADE. Quando presentes nos autos todos os elementos necessários ao julgamento, deve ser indeferido o requerimento de produção de novas provas. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. É vedado a autoridade julgadora afastar a aplicação de leis, decretos e atos normativos por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15940.000654/200937 Acórdão n.º 2403002.430 S2C4T3 Fl. 4 5 Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 1749/1776, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, alegando em suma que possui imunidade, independentemente dos fatos processuais ocorridos no judiciário. É o relatório. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls. 1779, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15940.000654/200937 Acórdão n.º 2403002.430 S2C4T3 Fl. 5 7 órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Analisando os autos, percebese no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF, fl. 135, consta que foram examinados Comprovantes de Recolhimento, razão pela qual, se deduz que houve antecipação de pagamento de contribuições, razão pela qual aplicase o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O lançamento referese ao período de 01/2004 a 10/2008, tendo sido lavrado em 09 de dezembro de 2009 e cientificado o contribuinte três dias depois, fl. 1593, deve ser reconhecida a decadência do período de 01/2004 a 11/2004, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. DO MÉRITO DA IMUNIDADE A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (sem destaques no original) Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (sem destaques no original) Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15940.000654/200937 Acórdão n.º 2403002.430 S2C4T3 Fl. 6 9 Para que seja concedida a imunidade regulamentada pela supracitada norma, a entidade precisa atender às exigências contidas nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei n. 8.212/91. Apesar de se tratar de imunidade, constante no art. 195, parágrafo 7º da CF, destacado alhures, percebese que ela é condicionada, e que os requisitos impostos na legislação são válidos e não podem ser excluídos da apreciação deste conselheiro. Nesse sentido, vejase o precedente do Supremo Tribunal Federal, in verbis: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150 153) **************************************************** CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE DE ENTIDADE BENEFICENTE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE CEBAS EMITIDO E PRETENSAMENTE RECEPCIONADO PELO DECRETOLEI 1.752/1977. DIREITO ADQUIRIDO. ART. 195, § 7º DA CONSTITUIÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE O QUADRO FÁTICO. ATENDIMENTO OU NÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. 1. Nenhuma imunidade tributária é absoluta, e o reconhecimento da observância aos requisitos legais que ensejam a proteção constitucional dependem da incidência da norma aplicável no momento em que o controle da regularidade é executado, na periodicidade indicada pelo regime de regência. 2. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à imunidade tributária. A concessão de Certificado de Entidade Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Beneficente Cebas não imuniza a instituição contra novas verificações ou exigências, nos termos do regime jurídico aplicável no momento em que o controle é efetuado. Relação jurídica de trato sucessivo. 3. O art. 1º, § 1º do Decretolei 1.752/1977 não afasta a obrigação de a entidade se adequar a novos regimes jurídicos pertinentes ao reconhecimento dos requisitos que levam à proteção pela imunidade tributária. 4. Não cabe mandado de segurança para discutir a regularidade da entidade beneficente se for necessária dilação probatória. Recurso ordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (RMS 26932, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009, DJe022 DIVULG 04022010 PUBLIC 05022010 EMENT VOL0238801 PP00015 LEXSTF v. 32, n. 374, 2010, p. 178183) Portanto, necessário é que a pessoa jurídica possua todos os requisitos elencados na supracitada legislação, e não apenas com base no art. 14 do CTN. No caso concreto, o próprio poder judiciário determinou que a União suspenda o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, em sede de Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público Federal, distribuída à 1ª Vara Federal de Presidente Prudente – SP, nos autos do processo n. 2007.61.12.0124319, vedando sua renovação até ulterior deliberação judicial. O artigo 14, inciso V e parágrafo único do Código de Processo Civil dispõe que são deveres das partes ou de qualquer daqueles que participe do processo cumprir com exatidão os provimentos mandamentais, de natureza antecipatória ou final, cuja violação constitui ato atentatório ao exercício da jurisdição, portanto, é obrigatório o cumprimento da decisão até ulterior mudança do posicionamento. Tais razões também prejudicam a alegação de cerceamento do direito de defesa por ter sido indeferido o pedido de produção de prova pericial para que se ateste que a recorrente realiza atividade filantrópica. Tal prova deve ser produzida judicialmente, uma vez que a matéria está afeta à ação judicial sob judice. Portanto, por faltar um dos requisitos para gozo da imunidade em questão, há de ser indeferido o pleito do recorrente. DO RECÁLCULO DA MULTA A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15940.000654/200937 Acórdão n.º 2403002.430 S2C4T3 Fl. 7 11 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário para, preliminarmente, reconhecer a decadência do período de 01/2004 a 11/2004, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN e, no mérito, determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96). Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/05 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10680.918208/2009-75
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
DESPACHO DECISÓRIO. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. IDENTIDADE COM DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO.
Correspondendo, no Despacho Decisório, a utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/DComp justamente a um dos débitos objeto da referida compensação, tem-se, implicitamente, por reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1803-002.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. IDENTIDADE COM DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Correspondendo, no Despacho Decisório, a “utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/DComp” justamente a um dos débitos objeto da referida compensação, temse, implicitamente, por reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 82 08 /2 00 9- 75 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.918208/200975 Acórdão n.º 1803002.162 S1TE03 Fl. 136 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.918208/200975 Acórdão n.º 1803002.162 S1TE03 Fl. 137 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 62 e 63): O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 835689809, emitido eletronicamente em 25/05/2009 (fl. 04), referente ao PER/DCOMP nº 25340.79487.150206.1.3.042371 (doc. de fls. 07/11). A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 30/11/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP (folha 10). Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação declarada FOI HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 01/06/2009 (doc. de fl. 59), o interessado apresenta manifestação de inconformidade de fls. 02/03, protocolada em 15 de junho de 2009, argumentando que: apurou IRPJ, COD 0220, a pagar, referente ao 3º trimestre de 2004, no valor total de R$ 9.205,10, e informou em DCTF que iria parcelar em 03 vezes. em 30/10/2004, recolheu a primeira quota, no valor de R$ 3.068,37. em 30/11/2004, a empresa decidiu antecipar o pagamento da 3º quota e a recolheu juntamente com a 2ª quota (2 x R$ 3.068,37), totalizando = R$ 6.136,74 em um único DARF, acrescido dos juros. recebeu orientação presencial da SRFB para informar tal compensação via PerDcomp. transmitiu, então, em 15/02/2005 o PER/DCOMP nº 25340.79487.150205.1.3.042371, onde solicitou a compensação do IRPJ. foi intimada pela RFB (Rastreamento 835689809) a recolher um resíduo de R$ 495,69 (sic) referente a 2ª quota e a 3ª quota. a RFB reconhece, por seus Termos de Intimação, existir um pagamento de IRPJ de R$ 3.068,37 e mais R$ 6.136,74, mas não reconhece a compensação. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.918208/200975 Acórdão n.º 1803002.162 S1TE03 Fl. 138 4 pagou totalmente o IRPJ devido, via Darf, e antecipando a 3ª parcela. Face ao exposto, pede seja homologada sua compensação, reconhecendose o pagamento total do IRPJ, se necessário, solicita o cancelamento deste Per/Dcomp. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 61): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 Declaração de Compensação. Cancelamento após Despacho Decisório. Vedação. É vedado o cancelamento de declaração de compensação após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade a quo competente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 29/12/2011 (fls. 69 numeração digital ND), a tempo, em 30/01/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 70 a 86 (ND), instruído com os documentos de fls. 87 a 129 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.918208/200975 Acórdão n.º 1803002.162 S1TE03 Fl. 139 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Basta uma ligeira análise do Despacho Decisório de fls. 3, para se constatar que referido Despacho, implicitamente, reconhece integralmente, à ora Recorrente, o direito creditório total de R$ 6.198,11, indicado em seu Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) (somatório do “Valor Original Utilizado” e do “Valor Original Disponível”): 5. É que a “utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/DComp” nele indicada (R$ 3.099,05) é justamente um dos dois débitos, de mesmo valor, que foram objeto do correspondente Per/DComp (fls. 8): Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.918208/200975 Acórdão n.º 1803002.162 S1TE03 Fl. 140 6 6. Isto porque, para o débito de mesmo valor (R$ 3.068,37), correspondente ao mesmo período (30/09/2004) e à data de vencimento de 29/10/2004, a sua quitação se deu mediante o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) juntado de fls. 4. 7. Dessa forma, correspondendo, no Despacho Decisório, a “utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/DComp” justamente a um dos débitos objeto da referida compensação, temse, implicitamente, por reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado. 8. Em assim sendo, procede a insurgência da Recorrente. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.918208/200975 Acórdão n.º 1803002.162 S1TE03 Fl. 141 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para cancelar o “valor devedor consolidado”, constante do Despacho Decisório de fls. 3. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13805.010044/95-69
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IMPOSTO DE RENDA - PESSOA JURÍDICA DESPESAS COMUNS A EMPRESAS DE UM MESMO GRUPO - As despesas comuns a diversas empresas de um
conglomerado financeiro, lançadas na contabilidade da empresa controladora, devem ser rateadas para efeito de apropriação aos resultados de cada uma delas, podendo-se, para tanto, adotar-se com base de rateio a receita líquida.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 101-93.013
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Jezer de Oliveira Candido
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Interessado : BANCO DE INVESTIMENTO GARANTIA S/A. Sessão de : 16 de março de 2000 Acórdão n.°. : 101-93.013 IMPOSTO DE RENDA - PESSOA JURÍDICA DESPESAS COMUNS A EMPRESAS DE UM MESMO GRUPO - As despesas comuns a diversas empresas de um conglomerado financeiro, lançadas na contabilidade da empresa controladora, devem ser rateadas para efeito de apropriação aos resultados de cada uma delas, podendo-se, para tanto, adotar-se com base de rateio a receita líquida. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em SÃO PAULO/SP . ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. E' •N PE 2" Á 'ODRIGUES RES1DEN JE itz DE OLIVEIRA CANDIDO REÁ OR FORMALIZADO EM: 1 7 MAR 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: KAZUKI SHIOBARA, SANDRA MARIA FARONI, CELSO ALVES FEITOSA, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL e RUBENS MALTA DE SOUZA CAMPOS (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente os Conselheiros FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA e RAUL PIMENTEL. Processo n°. : 13805.010044/95-69 2 Acórdão n°. : 101-93.013 Recurso n°. : 118.045 Recorrente : DRJ em São Paulo-SP. RELATÓRIO O Sr. Delegado de Julgamento da Receita Federal em São Paulo- SP, recorre de ofício para este Conselho, de decisão proferida às fls. 729/742, na qual exonerou o BANCO DE INVESTIMENTOS GARANTIA S/A de crédito tributário superior a R$ 500.000,00. Segundo o Termo de Verificação de fls. 09/22, nos anos-calendário de 1990 a 1992 foram glosadas as despesas do quadro 12 do Formulário I das Declarações de Rendimentos, relativas a Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados", "Remuneração de Dirigentes e Conselho de Administração"e õutras Despesas de Aluguéis", enquanto que, nos anos-calendário de 1993 e 1994, a glosa alcançou as despesas operacionais do Quadro 4, linhas 29 e 32, referentes a "Remuneração, Ordenados, Salários, Gratificações e Encargos", ao argumento de que tais despesas constituiriam despesas de outras pessoas jurídicas, pertencentes ao grupo empresarial do Banco. Na impugnação apresentada, a instituição financeira argumentou, em síntese, que: - apresentou prejuízos fiscais no período fiscalizado, o que deveria absorver a matéria tributável; - caso repasse parte de suas despesas às suas controladas, utilizando o critério de custo médio por funcionário, estas não representariam senão uma parcela insignificante do total do AI nos exercícios de 1991 e 1992 e, nos demais, em 'função dos prejuízos fiscais a compensar, apenas em dois meses do ano de 1993 algum imposto seria devido(Demonstrativo em anexo); , Processo n°. . 13805.010044/95-69 3 Acórdão n°. : 101-93.013 - as despesas glosadas são operacionais e necessárias, sendo de valores razoáveis, além de estarem devidamente comprovadas; - a utilização de sua estrutura pelas controladas não aumentou seus custos operacionais; - somente por ficção a totalidade das despesas glosadas poderia vincular-se aos resultados das controladas, o que não se admite para fins de exigência fiscal; - a GARANTIA CORRETORA tem estrutura de custos perfeitamente definida e incorreu em encargos elevados com pagamento de administradores e empregados, além de ter cedido, no período autuado, um imóvel de sua propriedade no Rio de Janeiro para uso da impugnante em contrapartida da utilização da sede da mesma em São Paulo; - inexiste normal legal que obrigue a cobrar de suas subsidiárias remuneração pelo uso de sua infra-estrutura e tampouco tal fato pode ser tipificado como planejamento fiscal; - o Banco e a Distribuidora incorreram em despesas com administradores em montantes elevados, sendo desprovida de fundamento a suposição de que a impugnante suportava o ônus do pagamento da remuneração dos administradores daquelas empresas, sendo certo que, em alguns anos, houve tributação de VAL:ebbt.J de temLinetayclu de eautuinbuctuures, - O fisco, no período-base de 1989, tratou como indedutíveis 20% do valor de determinadas despesas da impugnante, entre elas as que foram integralmente glosadas no presente AI, demonstrando total inconsistência O processo foi baixado em diligência(fis. 637), tendo o fisco elaborado o parecer de fls. 676 a 678, que passo a ler em Plenário. A autoridade julgadora de primeira instância acolheu parcialmente à ii impugnação apresentada, excluindo parte do excesso de retiradas oferecido à tributação(demonstrativo às fls. 732/733 - lido em Plenário), argumentando que ficou Processo n°. : 13805.010044/95-69 4 Acórdão n°. : 101-93.013 amplamente demonstrado nos autos que parte das despesas incorridas pela autuada pertence às suas controladas, entendo mais adequado o rateio com base na receita líquida de vendas de cada empresa do conglomerado, refazendo os cálculos(Quadros 1 a IV - fls. 738/741) para obtenção da matéria tributável, dela compensando os prejuízos fiscais apresentados pela interessada. Recorreu de ofício para este Colegiado. A Procuradoria da Fazenda Nacional em São Paulo informou às fls. 749: "Venho, ao ensejo, informar a propositura de ação anulatória do débito fiscal exigido neste procedimento em ação de no. 98.35405-0, em curso perante a 78 Vara Federal em São Paulo, na qual foi pleiteada tutela antecipada, para o fim de suspender a exigibilidade do crédito aqui constituído, pedido esse ainda não apreciado pelo Juiz Federal que responde pela Vara. Tendo colhido os elementos necessários para a oferta da contestação, restituo o presente procedimento ao órgão de origem(fls. 745) para que cumpra o determinado pelo 1° Conselho de Contribuintes. ..,1 4 ' • À e. o rwatono. Iy Processo n°. : 13805.010044/95-69 5 Acórdão n°. : 101-93.013 VOTO Conselheiro JEZER DE OLIVEIRA CANDIDO, Relator Como ficou explicitado na leitura do relatório, o Banco de Investimentos Garantia S/A buscou solução do litígio junto ao Poder Judiciário(Ação anulatória de débito fiscal número 98.35405-0 - 7a Vara Federai em São Paulo) e, assim, poder-se-ia entender que: a) não tem o menor sentido a concomitância de dois procedimentos(um administrativo e outro judicial) com o mesmo objeto; b) a decisão do Poder Judiciário sempre deverá prevalecer, eis que somente ela é definitiva e estabelece coisa julgada; c) portanto, sejam as decisões coincidentes ou não, o destino do feito será aquele decidido pelo Poder Judiciário; d) logo, o procedimento administrativo deveria aguardar a decisão judicial para, somente após, tomar a direção determinada pelo Poder Judiciário. Entretanto, a impetração da medida judicial foi feita posteriormente à data em que proferida a decisão de primeira instância, razão pela qual, segundo penso, o recurso de ofício deva ser conhecido. Na realidade, com bem acentuou o julgador monocrático, ficou inequivocamente demonstrado nos autos que parte das despesas glosadas pertencem efetivamente à autuada, correspondendo a gastos necessários para a percepção de suas receitas, não tendo qualquer sentido a manutenção da glosa como efetivada no lançamento fiscal. Processo n°. : 13805.010044/95-69 6 Acórdão n°. : 101-93.013 Por sua vez, o critério adotado na decisão de primeira instância, tendo por base a receita líquida de vendas de cada empresa do conglomerado — como ficou demonstrado no Quadro anexo à decisão — se mostra adequado, pois, como acentuou o julgador singular "este é o procedimento mais utilizado, na Contabilidade de Custos, para a distribuição dos chamados custos conjuntos, ou seja, daqueles custos para os quais não se dispõe de parâmetros fidedignos ou adequados para o rateio aos diversos tipos de produtos fabricados pela companhia." Entendo, pois, que a decisão monocrática não mereça reparos. NEGO provimento ao recurso de ofício. É o meu voto. \. Sala das Sessões - DF, em 16 de março de 2000 s :'"r----------,------- JE DE OLIVEIRA CANDIDO Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13707.003510/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL.
As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente.
Numero da decisão: 3401-002.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mérito relativa à matéria de prescrição, aventada pelo Conselheiro Eloy Nogueira, que ficou vencido. No mérito, também por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Votaram pelas conclusões os Conselheiro Robson Bayerl e Eloy Nogueira.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL. As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mérito relativa à matéria de prescrição, aventada pelo Conselheiro Eloy Nogueira, que ficou vencido. No mérito, também por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Votaram pelas conclusões os Conselheiro Robson Bayerl e Eloy Nogueira. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
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IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL. As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mérito relativa à matéria de prescrição, aventada pelo Conselheiro Eloy Nogueira, que ficou vencido. No mérito, também por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Votaram pelas conclusões os Conselheiro Robson Bayerl e Eloy Nogueira. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 35 10 /2 00 7- 16 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação da COFINS não cumulativo, de julho de 2007, de débitos da empresa Globex Utilidades S/A (ora Recorrente) com créditos da empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio (terceiro). O crédito tem origem em decisão judicial no Mandado de Segurança nº 98.00166580, que tramitou junto à 4ª Vara Federal da Seção Judiciário de São João do Meriti – RJ e transitou em julgado em 18/04/2001. O direito ao ressarcimento foi reconhecido administrativamente no Processo nº 10735.000001/9918 Contudo, a PFN entrou com ação rescisória para desconstituir a decisão judicial do MS nº 98.00166580, questionando o prazo decadencial para o reconhecimento do crédito. Além disso, a declaração de compensação foi protocolada após a alteração do texto do caput do art. 74, da Lei nº 9.430/96, que impede a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Por essas razões, a autoridade fiscal entendeu que o reconhecimento administrativo do crédito deixou de ser válido e considerou as compensações como não declaradas. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mas a DRJ em Juiz de Fora/MG a julgou improcedente ao prolatar acórdão (fls. 610/626) com a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívocas disposições legais MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002 e na Lei nº 11.041, de 2004 impeditivas de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos da requerente com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. (...) PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13707.003510/200716 Acórdão n.º 3401002.596 S3C4T1 Fl. 1.079 3 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 26/03/2013 (fls. 632) e interpôs recurso voluntário em 25/04/2013 (fls.633/649), com as alegações resumidas abaixo: 1 A Nitriflex impetrou o MS preventivo nº 2001.51.10.0010250, visando assegurar o direito de compensação de seus créditos com o débito de terceiros. A segurança foi concedida e o MS transitou em julgado em 26/08/2003. 2 O TRF da 2ª Região reconheceu que o crédito da Nitriflex é passível de compensação com débitos de terceiros, em conformidade com o art. 170, do CTN, e arts. 73 e 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação original e com expressa aplicação do princípio da irretroatividade das leis, pelo qual a legislação posterior que viesse a limitar o pleno direito à compensação não poderia retroagir; 3 Em 25/02/2010, a Ministra Cármen Lúcia, do STF, proferiu decisão nos autos da Reclamação Constitucional nº 9.790, suspendendo a Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758; 4 Com a suspensão da ação rescisória, caiu por terra a fundamentação do despacho decisório de que faltam liquidez e certeza no crédito. Ao fim, a Recorrente pediu que fosse dado provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer a extinção dos créditos pela homologação das compensações. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende compensar seus débitos com créditos de terceiros, todavia a Fazenda entende ser impossível o aproveitamento desses créditos em razão de vedação legal e a falta de liquidez e certeza do crédito. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 O cerne da questão consiste em saber se há possibilidade de compensação de débito próprio com crédito de terceiro e se a ação rescisória manejada pela Fazenda afastou a liquidez e certeza do crédito. 1. Da possibilidade de compensação com crédito de terceiro Até o dia 30 de setembro de 2002, o art. 74, da Lei nº 9.430/96, tinha o seguinte texto: “ Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração”. A partir de 1º de outubro de 2002, passou a vigorar o novo texto do art. 74, da Lei nº 9.430/96, o qual foi alterado pela Lei nº 10.637/02, com o seguinte teor: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(grifo nosso) A partir da nova redação, os contribuintes passaram a poder compensar seus débitos somente com crédito próprio. Ocorre que, no presente caso, a declaração de compensação foi protocolada em 17/04/2007, depois da modificação do texto legal. Mas antes mesmo do novo texto da lei, a instrução normativa nº 41, de 2000, vedava a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Vejamos: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Ocorre que a empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio, originariamente proprietária dos créditos, tinha garantido, via Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326, o direito ao aproveitamento dos seus créditos para compensar débitos de terceiros. O acórdão encontrase na fl. 644 dos autos da seguinte forma: Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13707.003510/200716 Acórdão n.º 3401002.596 S3C4T1 Fl. 1.080 5 “(...) acordam os Membros da Quarta Turma do Egrégio Tribunal Regional da 2ª Região, por unanimidade, nos termos do voto do Relator, acompanhado pelo Eminente Desembargador Federal DR. BENEDITO GONÇALVES e pelo Eminente Desembargador Federal DR. FRANCISCO PIZZOLANTE, em dar provimento ao recurso, para, sanando a omissão do v. acórdão de fls. 189, declarar que o efetivo aprimoramento da prestação jurisdicional, no caso, implica em aplicação da regra, de conteúdo interpretativo, constante do parágrafo 3º do art. 515 do CPC, e, em consequência, atribuindo efeitos modificativos ao v. acórdão de fls. 154, dar integral provimento ao apela invalidando a limitação prevista na IN SRF 41/00, à compensação de créditos da Impetrante, reconhecido às fls. 63, com débitos de terceiros”. (grifo nosso) Dessa decisão, a União interpôs Recurso Especial, o qual não foi conhecido, tendo o processo transitado em julgado em 12/09/2003. Portanto, apesar da alteração legislava, que passou a vedar a compensação de débitos com crédito de terceiro, existia uma decisão judicial que embasava o direito de compensação pleiteado pela Recorrente. Nesse caso, deve a administração se submeter à decisão judicial e reconhecer o direito à compensação. 2. Da liquidez e certeza do crédito Conforme consignado no relatório, o crédito tem origem em decisão judicial de Mandado de Segurança, o qual transitou em julgado. Posteriormente, a Fazenda ingressou com uma ação rescisória a fim de desconstituir a decisão da ação mandamental. Todavia, a ação rescisória foi extinta sem julgamento do mérito. Sobreveio outra decisão judicial, nos autos da Reclamação Constitucional nº 9.790, suspendendo a Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758. A Reclamação Constitucional foi julgada procedente e a ação rescisória transitou em julgado sem resolução do mérito. Diante desse contexto, não há dúvida da validade da decisão judicial do Mandado de Segurança nº 98.00166580, o qual tramitou junto à 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de São João do Meriti – RJ e transitou em julgado em 18/04/2001 e, portanto, também não resta dúvida da liquidez e certeza do crédito. Levando em consideração que as esferas administrativas são submetidas às decisões judiciais, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que, em cumprimento à decisão judicial que reconheceu a existência do crédito, seja apurado o quantum do crédito existente e sejam efetuadas as compensações até o valor apurado. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ, de modo que os autos devem retornar à delegacia de origem para que seja cumprida a decisão judicial. É como voto. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10880.915836/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/08/1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 36 /2 00 8- 61 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915836/200861 Acórdão n.º 3302002.605 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 12/02/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 049620), pleiteando a restituição/compensação de R$ 1.449.867,57, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 13/08/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA de 07/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 31/08/2006 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 621799097. No dia 16/09/2006, após receber o Termo de Intimação nº 621799097, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 040978), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 1.449.867,57 para R$ 10.689.660,56, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação (R$ 1.449.867,57). Na DCTF Original entregue no ano de 1999, a Empresa Recorrente vinculou referido DARF de pagamento, no valor de R$ 10.689.660,56, ao débito declarado de COFINS do PA de 07/99, de mesmo valor. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 14/06/2004, após transmitir o PER/DCOMP Original, a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 3º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 07/99, no valor de R$ 10.689.660,56. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 6.613.757,11 por compensação com parte do pagamento da COFINS do PA 09/94, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 4.075.903,45 com a utilização parcial do referido pagamento de R$ 10.689.660,56, efetuado no dia 13/08/99. Com a utilização parcial do pagamento feito no dia 13/08/99, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 6.613.757,11 passível de restituição ou compensação e é exatamente esta a origem do crédito pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 783792335, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915836/200861 Acórdão n.º 3302002.605 S3C3T2 Fl. 4 3 débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Inconformada com o despacho decisório, a empresa apresentou, em 26/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 15, com documentos anexos às fls. 16 a 43 (cópias de Procurações, Atas de Assembléia Geral Extraordinária e Reunião de Conselho de Administração de 22/06/2005, documento de identificação do subscritor da manifestação de inconformidade, e Despacho Decisório, planilha, DCTF, DARF, PER/DCOMP, Termo de Intimação), deduzindo as alegações a seguir sintetizadas. Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 2.298.452,66, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 31/07/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em julho de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 4.075.903,45, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 10.689.660,56, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega da PER/DCOMP 30770.45518.120204.1.3.049620, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou PER/DCOMP retificadora. Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915836/200861 Acórdão n.º 3302002.605 S3C3T2 Fl. 5 4 de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.067, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/08/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915836/200861 Acórdão n.º 3302002.605 S3C3T2 Fl. 6 5 REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos estabelecidos na legislação então vigente à época formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico Instruções Normativas SRF nº 210/2002 e nº 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/06/2013, com recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de que a DCTF retificadora prova que ocorreu pagamento a maior da Cofins de 07/99, restando legítimo seu direito ao crédito no valor original de R$ 6.613.757,11. Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação da Cofins de julho/1999, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 14/06/2004” passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins de 1994, informado na DCTF Retificadora de 14/06/2004, que entende contarse após a homologação (tácita ou expressa) e as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de julho de 1999. O pagamento ocorreu no dia 13/08/1999. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915836/200861 Acórdão n.º 3302002.605 S3C3T2 Fl. 7 6 O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 14/06/2004 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamento feito no dia 13/08/1999. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referido pagamento estava integralmente declarado e alocado ao débito, de mesmo valor, da COFINS do PA 07/99. Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 07/99 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para retificar o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a COFINS Db: cód 2172 PA 31/07/1999. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 31/07/1999, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 10.689.660,56, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 14/06/2004, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915836/200861 Acórdão n.º 3302002.605 S3C3T2 Fl. 8 7 entrega à RFB, ou seja, em 14/06/2004, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. [...] Ademais, cabe destacar que a simples apresentação de DCTF retificadora não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, no presente processo administrativo, perante esta autoridade julgadora, sendo imprescindível a sua comprovação por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Ou seja, nesta fase do processo, tal declaração – a DCTF retificadora – deveria estar acompanhada de documentos comprobatórios de erro no preenchimento da DCTF que já havia sido entregue antes dela, a fim de conferir liquidez e certeza ao crédito. E, no caso, a empresa não acostou aos autos documentos, como cópias da sua escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada em sua DCTF. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915836/200861 Acórdão n.º 3302002.605 S3C3T2 Fl. 9 8 Federal a compensação que diz ter realizado 14/06/2004 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em agosto de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 13/08/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 07/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática, o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS do PA 09/94 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 07/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de agosto de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. O mesmo vale para o aproveitamento parcial do pagamento de COFINS realizado no dia 13/08/1999. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS do PA de 09/94, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 07/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 07/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915836/200861 Acórdão n.º 3302002.605 S3C3T2 Fl. 10 9 LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915836/200861 Acórdão n.º 3302002.605 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10680.721763/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
RELATÓRIO
Trata-se de recurso voluntário interposto por TRANSPORTADORA JÚPITER LTDA em face do acórdão que manteve em sua integralidade o crédito tributário discutido no Auto de Infração n° 37.260.022-0, lavrado para a cobrança de contribuições devidas à seguridade social e não recolhidas em época própria referente aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais (carreteiros autônomos) por fretes realizados e sobre os valores pagos em espécie a segurados empregados, a titulo de auxilio-alimentação.
O lançamento compreende as competências de 01/2005 a 12/2006.
Foi apresentada impugnação sustentando que o auto de infração ora impugnado não merece ser mantido, argüindo em síntese que não foi observado pelo fisco o princípio da retroatividade benigna, que foi usada base de cálculo incorreta para aferição da obrigação principal, que seria necessária a devida adequação da multa a legislação vigente à época dos fatos geradores e a impossibilidade da multa corresponder ao próprio valor da obrigação principal.
Quando do julgamento em primeira instância a impugnação apresentada não foi conhecida em razão de sua intempestividade, e ,por conseguinte, o crédito tributário lançado restou incólume em sua integralidade.
Em seu recurso, a recorrente argumenta que foi cientificada do lançamento em 08/07/2010 e apresentou defesa tempestiva na data de 09/08/2010, o que, segundo sua tese, estaria dentro dos 30 (trinta) dias após a ciência da autuação.
Acrescenta que em razão da data da impugnação apresentada o acórdão recorrido deve ser reformado e conseqüentemente ser considerada tempestiva a impugnação em tela.
Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, novamente vieram os autos a este Eg. Conselho.
É o relatório.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por TRANSPORTADORA JÚPITER LTDA em face do acórdão que manteve em sua integralidade o crédito tributário discutido no Auto de Infração n° 37.260.022-0, lavrado para a cobrança de contribuições devidas à seguridade social e não recolhidas em época própria referente aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais (carreteiros autônomos) por fretes realizados e sobre os valores pagos em espécie a segurados empregados, a titulo de auxilio-alimentação. O lançamento compreende as competências de 01/2005 a 12/2006. Foi apresentada impugnação sustentando que o auto de infração ora impugnado não merece ser mantido, argüindo em síntese que não foi observado pelo fisco o princípio da retroatividade benigna, que foi usada base de cálculo incorreta para aferição da obrigação principal, que seria necessária a devida adequação da multa a legislação vigente à época dos fatos geradores e a impossibilidade da multa corresponder ao próprio valor da obrigação principal. Quando do julgamento em primeira instância a impugnação apresentada não foi conhecida em razão de sua intempestividade, e ,por conseguinte, o crédito tributário lançado restou incólume em sua integralidade. Em seu recurso, a recorrente argumenta que foi cientificada do lançamento em 08/07/2010 e apresentou defesa tempestiva na data de 09/08/2010, o que, segundo sua tese, estaria dentro dos 30 (trinta) dias após a ciência da autuação. Acrescenta que em razão da data da impugnação apresentada o acórdão recorrido deve ser reformado e conseqüentemente ser considerada tempestiva a impugnação em tela. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, novamente vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 21 76 3/ 20 10 -1 0 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.721763/201010 Resolução nº 2401000.384 S2C4T1 Fl. 359 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por TRANSPORTADORA JÚPITER LTDA em face do acórdão que manteve em sua integralidade o crédito tributário discutido no Auto de Infração n° 37.260.0220, lavrado para a cobrança de contribuições devidas à seguridade social e não recolhidas em época própria referente aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais (carreteiros autônomos) por fretes realizados e sobre os valores pagos em espécie a segurados empregados, a titulo de auxilioalimentação. O lançamento compreende as competências de 01/2005 a 12/2006. Foi apresentada impugnação sustentando que o auto de infração ora impugnado não merece ser mantido, argüindo em síntese que não foi observado pelo fisco o princípio da retroatividade benigna, que foi usada base de cálculo incorreta para aferição da obrigação principal, que seria necessária a devida adequação da multa a legislação vigente à época dos fatos geradores e a impossibilidade da multa corresponder ao próprio valor da obrigação principal. Quando do julgamento em primeira instância a impugnação apresentada não foi conhecida em razão de sua intempestividade, e ,por conseguinte, o crédito tributário lançado restou incólume em sua integralidade. Em seu recurso, a recorrente argumenta que foi cientificada do lançamento em 08/07/2010 e apresentou defesa tempestiva na data de 09/08/2010, o que, segundo sua tese, estaria dentro dos 30 (trinta) dias após a ciência da autuação. Acrescenta que em razão da data da impugnação apresentada o acórdão recorrido deve ser reformado e conseqüentemente ser considerada tempestiva a impugnação em tela. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, novamente vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10680.721763/201010 Resolução nº 2401000.384 S2C4T1 Fl. 360 3 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator O recurso voluntário traz como tese única a necessidade de conhecimento da impugnação apresentada por ocasião da cientificação do lançamento, eis que interposta tempestivamente, inobstante a conclusão do v. acórdão de primeira instância sobre o assunto. Assim, para que se acate ou não a tese recursal, cabe a este Colegiado analisar quais foram as efetivas datas em que ocorreram a cientificação do lançamento e o protocolo da peça impugnatória. No entanto, ao buscar tal informação nos autos do presente processo, verifiquei que o Aviso de Recebimento que comprova a efetiva data de cientificação da contribuinte encontrase ilegível (fls. 70) no campo relativo à data de seu recebimento, o que impede, portanto, seja a matéria objeto do recurso analisada de forma inequívoca. Ante todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que baixem os autos a origem e a fiscalização oficie a Agência de Correios respectiva a apresentar o documento em questão (AR), confirmando a data da efetiva entrega do Auto de Infração ao contribuinte, oportunizando o mesmo se manifestar a propósito do resultado da diligência no prazo legal. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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