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Numero do processo: 10680.901875/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA.
Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis.
Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-003.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins referese aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 75 /2 01 2- 14 Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação relativos a crédito da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo em parte o direito creditório e, por conseguinte, homologando parcialmente a compensação, em razão de glosas de créditos que não se encontravam em consonância com a legislação de regência. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente reconheceu o creditamento indevido em relação aos insumos adquiridos com alíquota zero, sendo alegado, em relação às demais matérias, que a fiscalização não detalhara os produtos e serviços glosados, nem motivara suas glosas, ferindo o seu direito de defesa, sendo ora destacados os seguintes argumentos: a) nulidade da ação fiscal em razão da ausência de diligência in loco, por falta de motivação e pela ausência de provas; b) a fiscalização demonstrou contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social1 da empresa, posto que diversos créditos glosados eram oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; c) a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; d) direito a crédito sobre os dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, e não apenas sobre a compra de energia, já que não se pode dissociar uma coisa da outra, havendo dispositivo expresso autorizando o creditamento sobre o custo de tal energia, por se tratar de insumo essencial ao seu processo produtivo; 1 pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 4 3 e) a sistemática da não cumulatividade autoriza o creditamento em relação a (i) insumos e serviços utilizados no mineroduto, (ii) aluguel de veículos, máquinas e equipamentos utilizados na produção, (iii) locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas, (vi) serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias e em obras de manutenção de barragens, (vii) gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na mina; f) falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado; g) necessidade de realização de perícia, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Posteriormente, o contribuinte trouxe novos documentos aos autos, solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente, repisando alguns dos argumentos encetados na manifestação de inconformidade e se insurgindo, especificamente, contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. A par da manifestação de inconformidade, a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados e a consequente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Na realização da diligência, a repartição de origem analisou a documentação então apresentada pelo contribuinte, concluindo o seguinte: a) as máquinas e equipamentos haviam sido adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados na produção de bens destinados à venda e/ou à prestação de serviços, em conformidade com a legislação de regência; b) ratificouse a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que haviam sido objeto de glosas, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Cientificado do Relatório Fiscal resultante da diligência, o contribuinte não apresentou, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. Nos termos do Acórdão nº 02046.027, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconhecido o direito a créditos em relação aos (i) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como a Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos relativos a (ii) despesas e custos relacionados à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros e a (iii) combustível consumido nos fornos no processo produtivo (excetuandose o combustível consumido nos veículos utilizados na mina). A DRJ não reconheceu como insumos geradores de créditos os demais produtos e serviços pleiteados pelo contribuinte, por ausência de prova de sua aplicação direta no processo produtivo. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisou os pedidos e os argumentos de defesa anteriormente apresentados, aqueles não acolhidos pela DRJ, e requereu o reconhecimento de conexão entre os 24 (vinte e quatro) recursos voluntários ali identificados, sendo arguido, ainda, o seguinte: a) necessidade de baixa dos autos à origem para que se comprovasse a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento; b) nulidade da recomposição dos créditos eis que não foi observado o acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados no processo produtivo; c) a decisão recorrida está em confronto com o consolidado entendimento do CARF quanto aos insumos geradores de créditos das contribuições e cita precedentes jurisprudenciais do Poder Judiciário e deste Colegiado Administrativo; d) indevida a glosa sobre serviços utilizados como insumos consistentes em: 1) serviços prestados no mineroduto; 2) aluguel de veículos; 3) locação de dragas, de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; 4) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; 5) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; 6) consórcio UHE GuilmanAmorim, operação, manutenção e conservação UHE Muniz Freire; 7) obras de construção civil. Por fim, pleiteou a produção de prova pericial, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência. O processo foi distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tendo sido deliberado pela conversão do feito em diligência para que a unidade de origem tomasse as seguintes providências: ● Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 6 5 produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: ○ demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; ○ esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. ● Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ●·Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ● Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Conforme consta do Relatório Fiscal produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a diligência foi devidamente cumprida, tendo a autoridade administrativa consignado que o contribuinte apresentara dois laudos técnicos, confeccionados por MiningMath Associates e Ernest & Young (EY), contendo o primeiro a descrição do processo produtivo da Samarco, com identificação dos insumos utilizados nas várias etapas da produção, e o segundo a descrição e função dos materiais e serviços empregados como insumos, laudos esses que embasaram os novos cálculos realizados pela fiscalização. Após, o recorrente manifestouse aduzindo: (i) a Fiscalização tão somente reafirma os pressupostos jurídicos que ensejaram a glosa fiscal; (ii) tece comentários sobre os dois laudos técnicos produzidos; (iii) que a Fiscalização não contestou a idoneidade ou materialidade do trabalho realizado, e (iv) reitera os fundamentos dos 24 recursos voluntários interpostos e reafirma a procedência dos seus créditos dada a essencialidade dos insumos glosados para o seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 7 6 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.316, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.316): Das preliminares arguidas Com relação as nulidades arguidas pela recorrente entendo que não procedem. O fato de o lançamento fiscal ter sido efetivado sem as diligências in loco conforme aduzido pela recorrente não conduzem à nulidade da autuação, pois teve a recorrente o amplo direito de defesa e contraditório respeitados, inclusive com a produção de provas e realização de diligência determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O conjunto probatório formado no caderno processual não conduz à nulidade do processo. No caso em apreço, não há que se cogitar de nulidade pelo fato de o lançamento fiscal preencher os requisitos legais, o processo administrativo fiscal proporcionar plenas condições à empresa de contestar o lançamento e inexistir qualquer indício de violação às determinações contidas no Código Tributário Nacional CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Desta forma, por inexistir o vício alegado pela recorrente, inacolho a preliminar. Com relação aos argumentos de que (i) os autos devem retornar à origem para que a DRF comprove junto a recorrente a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento e (ii) que há nulidade da recomposição dos créditos, por não observância ao acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados, entendo, também, que não são causas de nulidade do processo e que tais circunstâncias devem ser apreciadas após a decisão de mérito e definitiva do processo, quando do retorno dos autos à instância de origem para o cumprimento do julgado. Salientese que, em relação aos créditos sobre combustíveis em sua totalidade, conforme argumentado pela recorrente, tal circunstância será apreciada em tópico específico, no mérito da presente decisão. Diante do exposto, inacolho estas preliminares levantadas pela recorrente. Do mérito recursal Em relação ao mérito do recurso algumas considerações introdutórias se fazem necessárias. Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 8 7 Marco Aurélio Greco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matérias primas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Equivocadamente, a decisão recorrida utilizou para o caso concreto o conceito de insumos da legislação do IPI, conforme consignado no voto nos seguintes termos: "Em resumo, concluise que, para fins de apuração de créditos do IPI, somente podem ser considerados insumos os bens que se incorporem ao produto industrializado ou que nele se consumam, mediante contato físico direto, razão pela qual, neste arcabouço, não podem ser considerados insumos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, bem como outras despesas e custos que, embora necessárias à atividade da contribuinte, não se encaixem nos mencionados requisitos. Agora, analisase o que se extrai do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a noção do termo “insumos”, para comparála à concepção deste mesmo termo no âmbito do IPI e ao conceito de custos de produção e de despesas operacionais para o IRPJ. No texto do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, verificase que nem todos os bens e serviços podem, com vistas ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, ser considerados insumos, mas, apenas e tãosomente, aqueles “bens e serviços, utilizados (...) na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (grifo nosso). Como visto, de modo semelhante para o IPI, somente é possível, nos termos do Regulamento do imposto, a apuração de crédito “ ... do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização ...” (grifo nosso). E, igualmente, a noção de custos de produção e de despesas operacionais do imposto de renda se restringe às atividades da empresa." Ainda, adotou como fundamento decisório, as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme segue: "Nesta linha de pensamento, a Receita Federal, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003, expediu a IN nº 247, de 21.11.2002 (relativamente à contribuição para o PIS) e a IN SRF nº 404, de 12.03.2004 (no tocante à Cofins), que identicamente conceituam insumos, com adoção da mesma noção do IPI, em seus correspondentes art. 66 Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 9 8 (com as alterações da IN SRF nº 358, de 09.09.2003) e 8º, a seguir vazados:" E prossegue: "Portanto, em que pese todos os julgados, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, citados pela reclamante, em que se prima pelos critérios da essencialidade, especialmente do que diz respeito ao ICMS, destacase que o conceito de insumos dados pelas instruções normativas acima, além de se adequar aos contornos legais, não poderia, se assim não fosse, ser afastado pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, vinculada aos ditames legais e regulamentares (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990). É que as instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridade administrativa competente e que visam regulamentar ou implementar a lei – e, no caso analisado, as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004 foram editadas com fundamento no poder regulamentar expressamente conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003. Por decorrência, compõem a legislação tributária (art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN) e são de observância obrigatória pela autoridade administrativa." O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que embasaram a decisão recorrida, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 10 9 Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 11 10 produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Imperioso,também, nesta parte inicial, citar também, parte do laudo pericial produzido, em que se tem, em breve síntese, resumo do ciclo de operações de recorrente: Dentro do ciclo de operações podemos distinguir três principais: • Remoção de estéril Este processo envolve a movimentação de material para exposição do corpo mineralizado, bem como de material com teores abaixo do teor econômico (teor de corte). As operações unitárias envolvem perfuração e desmonte mecânico e por explosivos, escavação e carregamento. • Lavra do minério O ciclo desta operação é muito semelhante ao empregado na remoção de estéril. Quanto mais semelhante for a rocha estéril, da rocha hospedeira da mineralização, maior será a similaridade das operações de remoção de estéril e lavra de minério, de maneira que possa ser empregada a mesma frota de equipamentos e técnicas de desmonte, escavação e transporte para ambos. • Operações auxiliares Nestas estão envolvidas uma extensa gama de áreas, sendo: Saúde e segurança. Controle e monitoramento do meio ambiente. Abastecimento de energia e água. Gerenciamento de águas superficiais e subterrâneas. Disposição de estéril; Suprimento de material de operação. Manutenção e reparo. Iluminação. Sistema de comunicação e despacho. Construção e manutenção de acessos e estradas. Transporte de pessoal. O processo produtivo da recorrente, conforme alegado, se divide, portanto, nas seguintes etapas, a saber: (i) processo de tratamento do minério bruto (objeto da lavra); (ii) processo de concentração do teor do minério de ferro; (iii) processo de bombeamento do concentrado para a usina; (iv) processo de preparação do minério concentrado; (v) processo de adição de insumos e formação das pelotas; e (vi) processo de separação das pelotas e embarque para exportação. Como visto, pela complexidade da atividade produtiva da recorrente é de fácil percepção que são utilizadas diversas máquinas e equipamentos, tais como, tratores; carregadeiras; caminhões forade estrada; perfuratrizes; escavadeiras; motoniveladoras; lokotrack/lololink e transportador de correia. No laudo confeccionado pela empresa MiningMath Associates estão descritas as funções e atividades exercidas por cada máquina e equipamento. Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 12 11 Exemplificativamente, temse: (i) Escavadeira Utilizada, principalmente, na lavra, na escavação de rochas e carregamento de caminhões, alimentando lokotrackers (Figura 9) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) ou correias transportadoras de bancada. Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: (ii) Trator O trator é utilizado na lavra, no desmonte mecânico das rochas e, na pilha de estéril, na disposição do estéril (Figura 4) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: O laudo descreve, ainda, quais insumos e serviços são utilizados em cada máquina e equipamento, dispondo, de forma expressa, os serviços de manutenção. O conserto, manutenção e a reposição de peças são considerados como insumos indispensáveis ao processo produtivo, devido ao fato de que sem o maquinário e o ferramental adequado e em condições de uso e produtividade não há como se produzir um bem. Vejamos o que tem decidido o CARF sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 13 12 carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádiosamadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas." (grifo nosso) (Processo 10410.723727/201151; Acórdão 9303004.918; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. CRÉDITO. DESPESA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Atendidas as demais condições, as despesas realizadas com manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, geram direito a crédito do PIS nãocumulativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO." (Processo 13052.000441/200307; Acórdão 9303002.801; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 23/01/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 14 13 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10247.000002/2006 23; Acórdão 9303003.069; Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda; sessão de 13/08/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 15 14 produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens." (Processo 13656.721196/201259; Acórdão 3302004.156; Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho; sessão de 22/05/2017) (destaque nosso) Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias recursais, passasse a tratálas de modo individualizado e alegado em sede recursal, conforme a seguir: Serviços prestados no mineroduto Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados ao mineroduto, por se classificarem como insumos na produção de minério. A decisão recorrida adota como fundamento decisório para negar o direito ao crédito da recorrente o seguinte: "Ao contrário desse entendimento, podemos afirmar que o processo produtivo da recorrente possui duas etapas distintas: a extração do minério e a industrialização (no caso, a transformação em pelotas). Dentro desse entendimento, o mineroduto não se vincula a nenhuma das duas etapas, em que pese sua importância na atividade da empresa, mas apenas a uma etapa intermediária, que, nas palavras da contribuinte, se caracteriza como “ponto de ligação de sua peculiar planta industrial”. Nesse sentido, nenhum serviço nele empregado se enquadra no conceito de insumo, por não ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto." Com o devido respeito, mas tal assertiva é desprovida de embasamento técnico apto a lhe dar sustentabilidade. Do laudo produzido pela empresa MiningMath Associates temse que: Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais e o seu tratamento ou processamento para o seu mercado consumidor. Ainda: As operações estão nas minas da unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG), onde extrai o minério de ferro e o beneficia em Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 16 15 três usinas de tratamento de minérios, e em Ubu, na cidade de Anchieta (ES), onde possui quatro usinas de pelotização e um terminal marítimo próprio. Atualmente, tem capacidade para produzir 30 milhões de toneladas. As unidades são conectadas por três minerodutos de aproximadamente 400 quilômetros de extensão cada um, que transportam a polpa de minério de ferro ao longo de 25 municípios. Prossegue o laudo: A tecnologia do mineroduto, sistema de tubulações por onde se transporta minérios a longas distâncias, foi implantada no país pela Samarco, de forma pioneira, e evita o uso de outros modais viários, o que reduz o número de veículos nas estradas e minimiza as emissões de particulados e gases de efeito estufa. Além disso, por meio de sistemas de recirculação, cerca de 90% da água utilizada no sistema é reaproveitada nas operações. As tubulações passam por uma faixa de servidão uma pista com 35 metros de largura e atravessam 25 municípios. Em sua quase totalidade estão enterradas a uma profundidade média de l,30m, o que facilita a movimentação da fauna e dos seres humanos, causa pouca interferência no uso e ocupação do solo, diminui a exposição e suscetibilidade a acidentes. Somente em alguns pequenos trechos, não totalizando 200m, a tubulação se encontra elevada. A polpa de concentrado é inicialmente bombeada na unidade de Germano e no caminho estações de bombeamento e sistemas de válvulas (item 3, subitens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco)controlam o fluxo da polpa, que viaja a uma velocidade média de 6 km/h, levando em torno de 66 horas para percorrer todo o trajeto. Estas unidades possuem funções diferenciadas, sendo as estações de bombas utilizadas para impulsionar a polpa de concentrado no seu percurso ao longo da tubulação e vencer as elevações que chegam a 1.180 metros e as estações de válvulas a de minimizar os esforços bruscos ou permanentes, de pressão dinâmica e estática, a que a tubulação está submetida durante variações de fluxo, ou seja, alivia a pressão na tubulação causada pela diminuição de elevação até Ubu, que fica no nível do mar, garantindo total segurança à operação e as pessoas. Conclui o laudo técnico: Os minerodutos são essenciais no processo de produção das pelotas, assim, a Samarco realiza manutenção corretiva, preventiva e preditiva nos elementos que os compõem e desenvolve programas de monitoramento de processos erosivos. Essas manutenções podem ser próprias ou de empresas contratadas. Para o correto funcionamento e bom desempenho dos minerodutos são consumidos, ainda, insumos como elementos mecânicos, elétricos e hidráulicos, de instrumentação, cal, serviços de limpeza nas instalações e faixa de servidão, elementos das bombas como camisas, pistões, anéis, válvulas, etc. Por sua vez, no laudo produzido pela empresa EY consta que os minerodutos são utilizados no transporte da polpa do minério resultante do processo de concentração até a área de pelotização. É de se observar, ainda, que no laudo da empresa EY há descrição pormenorizada dos créditos relacionados aos serviços aplicados ao mineroduto que liga os complexos operacionais da recorrente e com a indicação se é ou não um dispêndio vinculado ao processo produtivo e à geração de receita. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 17 16 Não logrou êxito a Fiscalização em sua manifestação sobre os aludidos laudos técnicos (Relatório Fiscal) derruir a prova técnica produzida. Aduz a Fiscalização: Da análise dos laudos em questão, verificamos que os mesmos se fundamentaram em conceitos de insumos mais elásticos que aqueles definidos na legislação pertinente, ou seja no artigo 3o das leis n°s 10.637, de 30/12/2002 (PIS) e 10.833, de 29/12/2003 (Cofins), combinados com os artigos 66 e 8o das Instruções Normativas SRF n°s 247, de 21/11/2002 (PIS) e 404, de 12/03/2004 (Cofins). Sendo assim, fazse necessário esclarecermos mais uma vez que o termo "insumo", para fins de creditamento de PIS e Cofins, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera custo/despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados ã venda ou na prestação do serviço da atividade. Percebese, então, que a Fiscalização limitouse a reiterar que a glosa teve por base o conceito restritivo das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, as quais, como já dito, são consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. É clara, portanto, a essencialidade do mineroduto na atividade produtiva da recorrente, consistindo em instrumento necessário e indispensável para a produção do minério. Neste sentido, assim deliberou o CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa." (Processo 10280.003607/200608; Acórdão 3302002.308; Relator Conselheiro Walber José da Silva; sessão de 25/09/2013). Do voto do relator sobre o direito ao crédito pelos serviços prestados em mineroduto, destaco o seguinte excerto: "Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 18 17 Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma." Podese, também, por analogia, por ser o mineroduto um equipamento de transporte, adotar o entendimento de que o transporte (frete) de um produto não acabado como um insumo. Neste sentido, são os precedentes jurisprudenciais a seguir colacionados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. (...) (Processo 11080.722778/200993; Acórdão 9303005.939; Relator Conselheiro Demes Brito; Sessão de 28/11/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...)." (Processo 10925.002182/200921; Acórdão 3302 004.883; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; Sessão de 25/10/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/07/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais." (Processo 13116.000674/20073; Acórdão 3401003.434; Relator Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; sessão de 28/03/2017) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados aos insumos e serviços utilizados no mineroduto por ser este um elemento essencial na atividade produtiva da recorrente, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos. Com razão a recorrente. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, bem como, os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que são empregados na produção de minério. Anota a decisão recorrida para negar o direito ao crédito: "Assim, ratificando o entendimento da fiscalização, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos a aluguel de veículos. E, quanto ao argumento de que a locação em questão seria, em parte, de máquinas e equipamentos, e, portanto, não poderiam ser glosados os créditos relacionados às respectivas faturas, é preciso esclarecer que o simples fato de se tratarem de máquinas e equipamentos os objetos da locação não implica necessariamente no direito ao crédito relativo a essas despesas. (...) Sobre a utilização dos equipamentos locados, a reclamante apenas alega que se tratam de caminhões, tratores, etc, sem especificar exatamente qual a sua utilização. Do contrato apresentado, também não se extrai Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 20 19 elementos capazes de esclarecer acerca do emprego de tais equipamentos, e nem tampouco foi juntado aos autos qualquer outro elemento que pudesse fazer prova de que tais equipamentos são, de fato, empregados diretamente em seu processo de extração ou pelotização do minério, em contraponto ao entendimento firmado no procedimento fiscal. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas neste item, inclusive as relativas aos serviços de locação de máquina." Os veículos, máquinas e equipamentos locados mostramse como imprescindíveis na atividade produtiva da recorrente sendo utilizados em diversas etapas de seu processo produtivo. Novamente, para o correto deslinde da questão é importante se reportar ao laudo produzido pela empresa. Sirvome do laudo elaborado pela empresa MiningMath Associates: (i) Cava No processo de lavra em cava ou de encosta, praticada pela Samarco (Figura 13) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), a remoção do estéril e minério é conduzida na forma de bancadas (...) Pela sua própria natureza, a operação envolve o transporte de quantidades moderadas a grandes de material estéril e minério para fora da cava, à distâncias relativamente longas e à declividades elevadas. Para complementação das operações de lavra propriamente ditas, são necessárias operações auxiliares que envolvem uma extensa gama de atividades que interagem com diversas áreas da empresa. Essas operações auxiliares, apesar do nome, desempenham papéis fundamentais e são essenciais na lavra dos materiais. Algumas delas ocorrem paralelamente à lavra e outras são preliminares à lavra, ou seja, se algumas dessas operações auxiliares não ocorrerem, não é possível à lavra, por exemplo, a construção e manutenção dos acessos e estradas. Por consequência, sem eles não é possível se chegar à frente de lavra. Na Samarco, muitas dessas operações auxiliares são executadas por empresas contratadas, sendo os principais serviços prestados relacionados a: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.) para a mina. (ii) Pilha de estéril Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril (material que não é minério e nem possui qualquer interesse econômico, mas que cobre ou não permite a lavra direta do minério e, portanto, necessita ser removido). Entretanto, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente. O estéril é descartado em pilhas na sua condição natural. A disposição desse material se dá de forma contínua durante toda a etapa de extração do Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 21 20 minério, depende das áreas disponíveis nas proximidades do empreendimento e deve respeitar normas de segurança e proteção ambiental (Figura 14) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Na Samarco, as diversas atividades que envolvem a construção e operação da pilha de estéril são realizadas por empresas contratadas. Os principais serviços consumidos são: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.). (iii) Britador A fragmentação ou cominuição é a operação, ou conjunto de operações, que se caracteriza pela redução das dimensões físicas de um dado conjunto de blocos ou partículas. Os principais mecanismos para a quebra são compressão, impacto e cisalhamento. Genericamente, britagem pode ser definida como conjunto de operações que objetiva a fragmentação de blocos de minérios vindos da mina, levandoos a uma granulometria final ou compatível para posterior processamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (iv) Peneira e grelha O objetivo do peneiramento é a separação do material em duas ou mais frações, com partículas de tamanhos distintos, levandose em conta o tamanho geométrico das partículas em relação às aberturas geométricas existentes no equipamento. Na Samarco essa operação é realizada a seco. Na Figura 17 (item 2, subitem 2.1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é possível ver um conjunto de peneiras. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (v) Moinho A moagem é o último estágio da fragmentação. Opera, normalmente, na faixa do centímetro ao micrômetro. Constituise de cilindros rotativos onde a fragmentação dos materiais se dá através da movimentação da carga interna, minério e corpos moedores (bolas de aço). Em Germano são utilizados diversos tipos de moinhos de bolas (Figura 18) (item 2, subitem 2.3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) e em duas etapas. É na moagem que é adicionado água ao minério e a essa mistura, água mais minério, dáse o nome de polpa. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento) (vi) Flotação A flotação é um processo de separação aplicado a partículas minerais que explora diferenças nas características de superfície entre as várias espécies presentes numa suspensão aquosa (polpa). Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 22 21 A utilização de reagentes específicos, denominados coletores, depressores e modificadores, permite a recuperação seletiva dos minerais por adsorção em bolhas de ar. As operações de flotação da Samarco se dão em várias etapas e em equipamentos diferentes, mas o processo é o mesmo. As bolhas de ar sobem à superfície líquida carregando os minerais sem interesse, os quais são removidos numa espuma, enquanto os de interesse econômico são retirados pela parte inferior do equipamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (vii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte (Figura 22) (item 2, subitens 2.6 e 2.12, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (viii) Bombas, tanques e tubulações A partir do momento que é adicionado água ao processo, temse o que é chamado de polpa (minério mais água). A partir de então, todo o transporte de polpa e alimentação dos equipamentos seguintes são realizados por conjuntos de bombas, tanques e tubulações (item 2, subitens 2.10 e 2.13, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Assim, nos circuitos e processos de moagem, ciclonagem, flotação e espessamento temse conjuntos de bombas, tanques e tubulações necessários para que essas operações possam ocorrer. Os insumos consumidos nesses equipamentos são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (ix) Barragem de rejeito Inerente à atividade de mineração, está a geração de enorme quantidade de rejeitos, resíduos dos processos de beneficiamento e que apresentam na sua composição partículas de rocha, água e as substâncias químicas envolvidas no processo de beneficiamento. Realizar a disposição desses rejeitos de forma segura e econômica, levando em consideração as melhores técnicas e tecnologias disponíveis, é primordial para as mineradoras. Além disso, devido a sua importância e essencialidade no empreendimento mineiro, o plano para a disposição desses rejeitos (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é uma requisito legal, está previsto nas normas reguladoras de mineração (NRM19), deve fazer parte do plano de lavra junto aos requerimentos de registro de extração, licença e concessão de lavra, do plano de aproveitamento econômico (PAE), para obtenção de guia de utilização e quando exigido pelo DNPM. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 23 22 (x) Barragem captação de água As águas das minas, dos concentradores, de drenagem e das barragens de rejeito são direcionadas para uma barragem de água, conhecida como barragem Santarém (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), e dessa é feita a captação de água que retorna para o processo. A recirculação de águas dentro de um projeto mineiro é uma requisição legal e está prevista nas normas reguladoras de mineração (NRM19). Assim, essa barragem é de fundamental importância para as operações da empresa. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xi) Barragem No município de Matipó, na estação de bombas, existe uma barragem de segurança (item 3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) para atender emergência. Ela pode ser utilizada em casos de ruptura ou entupimento da tubulação, manutenção na tubulação ou estação de bombas ou quando necessário. Nesses casos a polpa pode ser direcionada para essa barragem para posterior recuperação e bombeamento. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiii) Preparação de matériasprimas Para que as pelotas adquiram características físicas, químicas e metalúrgicas específicas para utilização em reatores de redução, insumos essenciais são acrescentados, tais como calcário, bentonita ou aglomerante orgânico e carvão. Esses insumos são recebidos e passam por processos de preparação, específico para cada insumo (item 4, subitens 4.6, 4.11, 4.12 e 4.13, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiv) Píer É toda estrutura que avança sobre o mar (Figura 43) (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Essa estrutura suporta o transportador de correia, o carregador de navio e é onde ocorre toda a operação de carregamento de navios. Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 24 23 O píer faz parte do processo dinâmico e integrado de produção, tem capacidade para receber e atracar dois navios a mesmo tempo, visando dar flexibilidade às etapas de carregamento de navios, que podem ocorrer a qualquer momento fora do horário comercial, em finais de semana e feriados e está sujeito a condições do tempo, de maré e características próprias dos navios. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Contratação de serviços e aluguel de equipamentos Para algumas operações no píer, pode ocorrer que equipamentos da Samarco estejam indisponíveis ou sejam inadequados ou, ainda, que ela não possua os equipamentos necessários. Assim, para esses casos, se faz necessária à contratação de serviços e/ou aluguel de equipamentos, como exemplos, serviços de rebocador e portuários para atracagem de navios e/ou locação de rebocadores, locação de dragas para serviços de manutenção do píer, etc. Todos esses serviços são essenciais para as operações de carregamento, pois visam otimizar o tempo dos carregamentos e, por consequência, todo o processo produtivo da Samarco, garantindo a segurança das embarcações, tripulantes e trabalhadores, de toda estrutura e operação do píer e permitindo que a Samarco possa exportar seus produtos. Como visto, a locação de máquinas, equipamentos e veículos é imprescindível para a atividade produtiva de recorrente, sendo lícito o crédito. A própria legislação permite tal creditamento, conforme expressamente disposto nas Leis 10637/2002 e 10833/03): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, destaco os seguintes precedentes que vão ao encontro da tese da recorrente: "Asunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação, serviços de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), óleo diesel e o óleo combustível tipo ABPF. (Processo 13204.000114/200447; Acórdão Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 25 24 9303005.629; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 19/09/2017) (destaque nosso) Do voto condutor, ressalto: "Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial." (destaque do original) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS .Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03." (Processo 10680.724278/200964. Acórdão 9303005.288; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 22/06/2017) Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 26 25 Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados às locações de veículos, máquinas e equipamentos. Locação de Dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários Novamente, possui razão a recorrente em seu pleito. A decisão recorrida assim anota: "Como já explicitado no item anterior (sobre aluguel de veículos), os créditos relacionados a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser entendidos de forma ampla e irrestrita. Tais equipamentos precisam ser utilizados nas atividades da empresa, no caso, de mineração. Assim, no que diz respeito às despesas de locação ou afretamento aqui tratadas, tiveram como objeto embarcação, dragas, e reboques, o que, por si só, já implica em outro tipo de utilidade, que não a de servir à extração ou industrialização do minério, mas de seu transporte. Desta forma, não poderiam tais despesas terem seus créditos descontados, nos termos no referido dispositivo legal. (...) Somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as essas despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Desta forma, seria preciso ficar caracterizado que a contribuinte exerceu atividade de transporte e navegação, inclusive auferindo receitas na prestação desses serviços, de forma que pudesse aproveitar os créditos relativos aos serviços constantes nas planilhas 20, 21 e 22 , que fossem essenciais ao exercício dessa atividade. Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de atestar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou se nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa. Para tanto, necessário se faz que a interessada mantenha escrituração efetuada de forma individualizada, acompanhada dos documentos que lhe dêem suporte, que permitam a correta distinção entre as despesas vinculadas à exportação de minério e as despesas vinculadas aos serviços de transporte e navegação prestados a terceiros, inclusive com a comprovação das receitas auferidas em função da atividade portuária mencionada. Por fim, há ainda a alegação da empresa de que as dragas locadas não foram utilizadas somente nas atividades do porto, mas também na própria mineração, em Mariana/MG. Nas notas fiscais apontadas pela reclamante, os serviços discriminados se referem a drenagem e bombeamento de águas da barragem de Fundão. Ora, a barragem é o local onde são depositados e tratados os rejeitos industriais e, portanto, embora imprescindível para a atividade de produção do minério, não se confunde com a atividade de produção, não podendo os serviços nela empregados serem considerados como “insumos” para a produção de minério." Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 27 26 A decisão merece ser reformada. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações de dragas e reboques. Também, dão direito ao crédito os serviços relacionados ao porto, por serem essenciais a atividade da recorrente O laudo da empresa MiningMath Associates pontua a essencialidade de tais serviços para a consecução das atividades da recorrente. As dragas locadas foram utilizadas na atividade denominada no laudo como "bacias de polpa" assim descrita: Bacias de polpa (item 4, subitem 4.7, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) são bacias existentes, dentro da unidade de Ubu, para recebimento de polpa. Tem também a função de proteger a operação em casos de emergência, como exemplos, queda de energia elétrica, paradas nas usinas, quebra de equipamentos que causem parada de produção, etc. Em tal atividade é insumido o serviço de locação de dragas. Já em relação às locações de reboque, serviços portuários e de rebocador, também é de se prover o recurso. Consta do laudo referido: Dos pátios de estocagem as pelotas são retiradas por retomadoras de roda de caçambas e enviadas por transportadores de correia até o terminal marítimo próprio, para clientes em todo o mundo. No porto (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), localizado em Ponta Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco possui um píer com 313 metros de comprimento, dois berços de atracação e profundidade de até 18,7 metros, com capacidade para receber embarcações de até 308 metros de comprimento e cargas de até 210 mil toneladas. Denotase, então, preenchido o requisito da essencialidade para que faça jus a recorrente ao seu pleito. Desta forma, dou provimento ao recurso. Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. Os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos estão vinculados ao processo produtivo da recorrente e por isso lhe dão o direito ao creditamento. No caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pela recorrente, a necessidade de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos são indissociáveis do seu processo produtivo, ou seja, são intrínsecos à atividade produtiva, a limpeza, recolhimento e transporte de Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 28 27 rejeitos, pois sem isso, inclusive prejuízos de orcem ambiental podem ser gerados. Dos argumentos da recorrente, destaco: Como já foi visto, o minério de ferro passa por diversos subprocessos durante a sua produção. Tais mecanismos possuem sistemas de perdas indesejadas, contudo não são 100% eficazes ao ponto de evitar o escape de material. Estas perdas acabam ficando acumuladas no chão ou depositadas nos equipamentos e, com o passar do tempo, passam a atrapalhar o próprio funcionamento do maquinário. Dessa feira, a limpeza industrial ganha vital importância na medida em que evita o acúmulo desses resíduos e possibilita a sua reutilização no processo produtivo. Aqui é preciso deixar claro que o resíduo não é descartado após a limpeza, mas sim é reinserido no processo produtivo da Recorrente. Foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como indispensáveis ao processo produtivo os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais acolhe a tese da recorrente, conforme decisão a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado" (Processo 10280.722549/2011 74; Acórdão 9303004.657; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 15/02/2017) (destaque nosso) Em recente julgado proferido no processo 15504.724365/201271, que tratava da atividade de mineração, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vejamos: "Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor." Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 29 28 Outras decisões do CARF são favoráveis à recorrente: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...)" (Processo 10280.722549/201174; Acórdão 3403002.765; Relator Conselheiro IVAN ALLEGRETTI; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. (...)." (Processo 11065.001083/2009 62; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 30 29 Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na produção de minério. A decisão recorrida afirma: "Nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, constantes na(s) Nota(s) Fiscal(ais) apresentada(s), são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade. Portanto, estão corretos os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar esses créditos." O decisum merece reforma. Tais serviços são necessários e indispensáveis na atividade da recorrente, o que lhe garante o direito ao creditamento. Na atividade desenvolvida pela recorrente não há como se processar a extração de minério sem a realização dos serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Novamente, importante repisar os argumentos da recorrente: Novo engano: no processo integrado, as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estará comprometido. A nota fiscal em anexo expedida pela empresa PCM Processamento e Caracterização Mineral Ltda, localizada no município de Ouro Preto/MG, traz em seu corpo todos os serviços prestados, o que comprova a irregularidade da autuação (...). (...) Quanto ao tratamento de efluentes, temos exigência legal que não pode ser ignorada. De um lado, a legislação ambiental diz que isso é essencial e obrigatório e a legislação tributária diz que não é essencial e sim dispensável? Está claro que serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas são essenciais à atividade de recorrente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao tema e envolvendo empresa mineradora, assim tem decidido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 31 30 passivo. No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos. (...)" (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira TATIANA MIDORI MIGIYAMA; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) No mesmo sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados." (Processo 16682.720441/201281; Acórdão 3402002.669; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 24/02/2015) (nosso destaque) Assim, considerando a atividade da recorrente, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias Mais uma vez, com razão a recorrente. Para evitar o enfado, adoto como fundamento decisório, a jurisprudência do CARF que se amolda ao caso. Cito os seguintes precedentes: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros." (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302004.821; Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 32 31 Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; Sessão de 24/10/2017). "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 .NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. (...)" (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302 004.821; Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; sessão de 24/10/2017) Importante, também, o consignado pelo Conselheiro Valcir Gassen no processo 10972.000033/200962: "Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586 processo n° 13.646.000183/200451) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;' Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema." Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 33 32 Ora, se o entendimento perfilhado nos acórdãos referidos admitem os créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros, nada mais justo que, de igual modo, seja reconhecido o direito pelo serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias que geram a energia elétrica indispensável à recorrente. Assim, dou provimento ao recurso neste tópico. Serviços relacionados à manutenção civil Em relação a tal tópico comungo com o entendimento da recorrente. As barragens da recorrente são indissociáveis do seu processo produtivo de mineração, pois sem elas é impossível efetuar o beneficiamento do minério de ferro. O mesmo se aplica aos demais itens deste tópico, como por exemplo, desassoreamento, manutenção mecânica e paradas técnicas. Como alegado pela recorrente as benfeitorias foram realizadas em imóvel de sua propriedade e essencial à sua atividade produtiva. Não há como a empresa operar se não efetuar serviços de construção civil, como por exemplo, na barragem de rejeitos, barragem da captação de água, barragem, Assim, considerando a complexidade das atividades da empresa e por todo o exposto na presente decisão é de se prover o recurso neste tópico, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Combustíveis Mais uma vez, com razão a recorrente. A decisão recorrida, data venia, de modo equivocado, limitou a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, afirmando ser possível ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Considerando a atividade produtiva de recorrente os combustíveis consumidos nos veículos utilizados na mina geram crédito em seu favor. O CARF assim tem decidido de modo reiterado, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 34 33 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais." (Processo 11065.001083/200962; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (destaque nosso). "COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NOS SETORES PRODUTIVOS Constatado que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo fabril, eis que direcionados aos equipamentos de fabricação das rações balanceadas para as aves, ao sistema de comedouros, às campânulas de aquecimento ou às máquinas de aquecimento, aos motores de ventilação, dentre outros, é de se impor a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com os referidos combustíveis e lubrificantes. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, de aferição de balanças, de lavagem de veículos, de pá carregadeira, de retroescavadeira, mecânicos, de recapagem de pneus, de assistência técnica em veículos, de aferição elétrica de troca de rolamentos e de conserto de motor utilizados diretamente no processo produtivo devem ser considerados serviços essenciais à atividade do sujeito passivo, gerando direito a constituição de crédito das contribuições ao PIS e à Cofins." (Processo 10935.004861/201050; Acórdão 9303005.679; Relator Conselheiro Demes Brito, sessão de 19/09/2017) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo.No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos." (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 35 34 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO. COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação às aquisições de insumos como por exemplo óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina)." (Processo 10280.004605/200628; Acórdão 3301003.654; Relator Conselheiro Valcir Gassen; sessão de 24/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo 12893.000363/200882; Acórdão 3302004.628; Conselheiro Relator Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 27/07/2017) Assim, dou provimento ao recurso neste tópico, ressaltando, ainda, que deve a unidade de origem proceder à correta recomposição do crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Por fim, esclareço no que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10680.901875/201214 Acórdão n.º 3201003.331 S3C2T1 Fl. 36 35 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, a turma decidiu por dar provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. No que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos, devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1884DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.902592/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 25 92 /2 00 9- 83 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10835.902592/200983 Acórdão n.º 1401002.235 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10835.902592/200983 Acórdão n.º 1401002.235 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10835.902592/200983 Acórdão n.º 1401002.235 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10835.902592/200983 Acórdão n.º 1401002.235 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10835.902592/200983 Acórdão n.º 1401002.235 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10835.902592/200983 Acórdão n.º 1401002.235 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10835.902592/200983 Acórdão n.º 1401002.235 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 175DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.900035/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO. DÉBITO INFORMADO INDEVIDAMENTE. CANCELAMENTO.
Comprovado nos autos, inclusive por diligência realizada pela Autoridade Fiscal, que os débitos apurados pelo contribuinte em seus livros auxiliares e registros contábeis estão todos satisfeitos, com consequente extinção do crédito tributário, lícito presumir que o PER/DCOMP foi equivocadamente apresentado, impondo seu cancelamento, sob pena de eventual inscrição em dívida ativa e execução de valores indevidos.
Numero da decisão: 1402-002.807
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do PER/Dcomp 25159.98558.311003.1.3.04-0517; bem como de seus efeitos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se suspeito o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO. DÉBITO INFORMADO INDEVIDAMENTE. CANCELAMENTO. Comprovado nos autos, inclusive por diligência realizada pela Autoridade Fiscal, que os débitos apurados pelo contribuinte em seus livros auxiliares e registros contábeis estão todos satisfeitos, com consequente extinção do crédito tributário, lícito presumir que o PER/DCOMP foi equivocadamente apresentado, impondo seu cancelamento, sob pena de eventual inscrição em dívida ativa e execução de valores indevidos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO. DÉBITO INFORMADO INDEVIDAMENTE. CANCELAMENTO. Comprovado nos autos, inclusive por diligência realizada pela Autoridade Fiscal, que os débitos apurados pelo contribuinte em seus livros auxiliares e registros contábeis estão todos satisfeitos, com consequente extinção do crédito tributário, lícito presumir que o PER/DCOMP foi equivocadamente apresentado, impondo seu cancelamento, sob pena de eventual inscrição em dívida ativa e execução de valores indevidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do PER/Dcomp 25159.98558.311003.1.3.040517; bem como de seus efeitos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse suspeito o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 35 /2 00 8- 17 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 322 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 323 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 03 de abril de 2009 (fls. 101/103)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta e manteve o Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação pleiteada (nº de rastreamento 745564765 – 14/02/2008 fls. 6) e PER/DCOMP nº 25159.98558.311003.1.3.04 0517 (fls. 5), referente estimativa de CSLL – competência junho/2003: Irresignado, o sujeito passivo interpôs manifestação de inconformidade (fls. 8/9) onde pontuou ser “tributada pelo Lucro Real, com base no Balanço Geral Anual”; que, “levanta mensalmente balanço de redução ou suspensão de imposto à pagar, tendo recolhido todos os meses que 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 324 4 acusaram valor à pagar”; que, “tratase de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP”; e que, “como recolhe por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado”. E segue assentando que “só está obrigado a apresentar o PER/DCOMP o contribuinte que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão”; e que, “no caso deste contribuinte tratase simplesmente de dedução e não crédito contra a SRF a ser restituído, ressarcido ou compensado”. E conclui aduzindo que se está diante de “PER/DCOMP vazio” e que, “todo imposto devido em cada período de apuração foi pago conforme comprovam as guias de pagamento e documentos anexos”. Apreciando a MI, a 5ª Turma da DRJ/RPO negou o pedido, pontuando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Textualmente: “Nesse contexto, portanto, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo de CSLL, são indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte. Registrese que a contribuinte deve vincular, em sua escrita contábil/fiscal, o recolhimento visando quitar obrigação tributária a uma certa apuração, que constitua sua causa (fato gerador), demonstrando a regular composição da respectiva base de cálculo tributável. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com essa intenção, limitandose tão somente a apresentar cópias de documentos de arrecadação, os quais se mostram, por si só, insuficientes a dar respaldo a suas alegações”. O Acórdão combatido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Solicitação Indeferida Cientificada em 30/07/2009 (fls. 106), a contribuinte acostou recurso voluntário em 28/08/2009 (fls. 107) no qual basicamente repetiu os argumentos expostos na impugnação Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 325 5 inaugural, acrescentando que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Além disso, anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos e, ao final, tornou a pedir que se constate a inexistência do débito. Subindo os autos ao Colegiado de 2º Piso, a então 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1102000.055, de 04/08/2011 – fls. 177/178) em manifestação vazada nos seguintes termos: “Considerando que a Recorrente reconhece, em suas razões, a inexistência de crédito passível de compensação, resta definir se deve ser ou não cancelada a cobrança do débito declarado sob o código 2484 relativo à CSLL, com vencimento em 31 de julho de 2003. A identidade das informações prestadas na DIPJ e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, cujas cópias foram trazidas à colação, constituem forte indício de que inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício”. Cumprida a diligência, com a Informação Fiscal de 04/05/2016 (fls. 305/306), os autos retornaram para julgamento e foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da Turma original (2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul). É o relatório do essencial. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 326 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 30/07/2009 – fls. 106 e protocolização da peça recursal em 28/08/2009 fls. 107), a representação do contribuinte está corretamente formalizada (fls. 108/109) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares a enfrentar. Passo ao mérito. Na verdade, diante do que foi relatado, o que se discute nestes autos não é o improvimento do pedido de compensação, já que o próprio recorrente reconhece, explicitamente, ter cometido equívoco na transmissão do PER/DCOMP nº 25159.98558.311003.1.3.040517 (fls. 5), referente estimativa de CSLL – competência junho/2003, MAS se o DÉBITO informado na compensação pode ser cancelado nesta fase processual. Em outro dizer, não há compensação em litígio, resumindose a lide em discutir o pedido de cancelamento do débito informado na compensação. Foi neste contexto que a então 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul analisou e converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1102000.055, de 04/08/2011 – fls. 177/178), tendo a Relatoria original já se manifestado, previamente, no sentido de que “a identidade das informações prestadas na DIPJ e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, cujas cópias foram trazidas à colação, constituem forte indício de que inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício”. Na Informação Fiscal (fls. 305/306), o autor do procedimento de diligência, conclusivamente, assentou que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no ano calendário de 2003 foram efetivamente pagos, de modo que seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados, constatação que se fez à vista da escrita contábil e fiscal e demais documentos apresentados pelo sujeito passivo. A Informação Fiscal supra mostra o cenário: “Os resultados contábeis dispostos no LALUR foram confrontados com a contabilidade, notadamente com os balancetes mensais que integram o Livro Diário, e as exclusões ao Lucro Real foram verificadas neste mesmo livro (foram incluídas no processo as contas de resultado dos balancetes). Deste procedimento, foi possível concluir que os valores do IRPJ e da CSLL por estimativa devidos no decorrer do anocalendário 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal, são os seguintes: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 327 7 Estes valores, por sinal, estão grafados nas contas “I.R.P.J S/ LUCRO REAL” e “CONTR. SOCIAL S/ LUCRO REAL” do Livro Razão. Há pagamentos correspondentes, conforme atestam telas extraídas dos sistemas da RFB. Os montantes informados em DCTF são incongruentes com a escrita contábil e fiscal, em sintonia com os equívocos cometidos como informa, aliás, o próprio contribuinte na sua manifestação de inconformidade e em seu recurso voluntário ao CARF. Assim, pelo exposto, em atendimento à demanda do CARF, concluo que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, são aqueles dispostos na “Tabela 2” acima, para os quais existem pagamentos correspondentes. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP que geraram os processos administrativos de nos. 10855.900002/200869, 10855.900005/200801, 10855.900006/200847, 10855.900008/200836, 10855.900015/200838, 10855.900017/200827, 10855.900019/200816, 10855.900025/200873, 10855.900029/200851, 10855.900030/200886, 10855.900035/200817, 10855.900040/200811 e 10855.900041/200866”. (negritado). Em suma, a diligência determinada confirmou e atestou, à vista da escrituração e documentos acostados pelo recorrente, que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo os do presente. Nesse eito, considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa, o que se revela absolutamente desconexo e inoportuno. Demais disso e adicionalmente este Relator compulsou o processo e confirmou que em junho/2003 sequer havia valor a recolher a título de estimativa de CSLL (o montante apurado foi “negativo”). Vejase: Ø DIPJ Ficha 16 – linha 10 (fls. 51): Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 328 8 Ø Lalur (fls. 142): Nesse patamar, a posição defendida pelo recorrente se robustece. Entretanto, antes de finalizar este voto é preciso enfrentar posicionamento dos que entendem que o cancelamento ou retificação de PER/DCOMP por iniciativa do contribuinte exige a apresentação desse pedido [de cancelamento] antes da decisão administrativa sobre a homologação. Essa a linha defendida inclusive pela D. PGFN em alguns dos vários processos2 anteriores envolvendo o próprio recorrente, tratando da mesma matéria, e que, após procedimento de diligência semelhante ao aqui estampado, foram decididos favoravelmente ao sujeito passivo. Esse cenário se mostra presente, por exemplo, no PA nº 10855.900742/200803, tendo a Fazenda Nacional se insurgido contra a decisão do Colegiado (especificamente a 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul) interpondo Recurso Especial (admitido e ainda aguardando apreciação pela E. CSRF) e no qual a PGFN sustentou, depois de acostar decisões divergentes, que a Lei nº 9.430/1996 e a IN RFB nº 900, de 2008, definem haver previsão legal para o cancelamento da PER/DCOMP por iniciativa do contribuinte, porém desde que o procedimento ocorra antes do Despacho Decisório. Literalmente, a manifestação da PGFN em RE manejado no mencionado processo (fls. 507, daqueles autos): “Esta lógica do sistema também vem disposta no art. 77 da Instrução Normativa n° 900, de 30 de dezembro de 2008: “o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador”. (g.n) No presente caso, o contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 24/04/2008 e apresentou manifestação de inconformidade pretendendo o cancelamento da compensação do débito de IRPJ em 20/05/2008. Dessa forma, se for cancelada a declaração de compensação na forma como está nos autos, haverá flagrante violação ao princípio da isonomia, pois de todos os demais contribuintes é exigida obediência ao procedimento constante da legislação, não existindo qualquer justificativa que autorize abrir exceção para a recorrida”. De fato, a leitura literal e formalista dos textos citados pode levar à posição assumida pela PGFN. 2 Processos nºs 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/200815, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 329 9 Entretanto, no caso concreto, TODOS os documentos e a situação fática estampada revelam tratarse de evidente erro do contribuinte na elaboração e transmissão do PER/DCOMP, gerando, a princípio, uma compensação que, por falta de crédito correspondente que a suportasse, acabou por ser não homologada, levando ao nascimento de uma obrigação tributária contra o sujeito passivo em face da natureza de “confissão de dívida” de que se reveste a DCOMP. Pois bem, é evidente que quaisquer trabalhos, manuais, científicos, técnicos, burocráticos, etc., exercidos por seres humanos, sujeitamse a “erros”, consequência natural da falibilidade que é inerente à espécie, de modo que, não aceitar que possam ser corrigidos significaria absoluto despropósito, desde que obedecidas as regras e normas que definam como estas correções se processem. No âmbito do direito administrativofiscal federal envolvendo as “declarações de compensações”, matéria ainda muito longe de ter seu procedimento devidamente pacificado e consolidado, bastando ver as inúmeras decisões e regramentos que tratam do tema, temse que, por ser confissão de dívida, as DCOMP não homologadas devem ser retificadas, alteradas, corrigidas até o momento em que exarado o Despacho Decisório (DD) pela autoridade competente para apreciar o pedido, no caso, o titular da Unidade de origem (DRF), havendo, inclusive, a possibilidade de que o contribuinte, ANTES do DD, regularize eventuais pendências na DCOMP, na forma prevista pela Nota Corec nº 30, de 2013. Porém, no caso concreto, NÃO ESTÁ em julgamento um eventual direito creditório do contribuinte que tenha sido indeferido, MAS, um débito tributário surgido pela não homologação da compensação, PORÉM JÁ SATISFEITO, digase, extinto. Dizendo de forma diversa e como bem apontado pelo Acórdão nº 1102 001.270, da então 2ª Turma, 4ª Câmara, 1ª Sejul, sessão de 27/11/2014 – Processo nº 10855.900742/200803 em face do mesmo contribuinte, com voto condutor do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio: “Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. (...) Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação”. Acórdão com a seguinte ementa: Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 330 10 Em suma, naquele processo, como neste, NÃO HÁ DÉBITO ORIUNDO DE COMPENSAÇÃO em litígio, mas mera informação equivocada do recorrente que, mesmo não tendo seguido a rigidez formal de requerer a retificação ou mesmo o cancelamento da DCOMP antes do Despacho Decisório, só o fazendo a posterior, não pode ser penalizado com o prosseguimento de um feito que poderá levar ao extremo de uma execução fiscal, SEM QUE HAJA DÉBITO DE TRIBUTO, posto que já recolhido.. A propósito, a própria Administração Tributária Federal, mediante Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, enfrentou o tema com a seguinte posição conclusiva (destaques acrescidos): 46. Tratase, neste ponto, de analisar a possibilidade de rever de ofício despacho decisório anteriormente proferido que não homologou compensação efetuada via Dcomp quando, ultrapassada a possibilidade de discussão administrativa via manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresenta petição para apontar ocorrência de erro de fato. 47. Para que o débito em cobrança amigável, ou enviado para inscrição, possa ser revisto, tornase necessário que o despacho decisório anteriormente proferido seja revisto. Aplicável, aqui, por analogia (uma vez que inexiste, no caso, ato de lançamento da autoridade fiscal) o inciso VIII do art. 149 do CTN, limitada à hipótese de comprovação pelo contribuinte de erro de fato no preenchimento da declaração, haja vista o disposto na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 12 de maio de 1999. 48. Consoante a citada portaria, qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato. 49. No caso da Dcomp, o encaminhamento de débito para inscrição em dívida ativa dáse quando a compensação efetuada não é homologada por despacho decisório da autoridade administrativa (em função de análise manual ou eletrônica), e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter instaurado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele. 50. A declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e tem caráter de confissão de dívida (§§2º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Ocorre, porém, que o débito ali declarado, em regra, teve sua constituição operada por outro meio (lançamento de ofício ou declaração do contribuinte, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, p. ex.). Dessa forma, na hipótese de regular alteração no meio originário que constituiu o crédito tributário – como, p.ex., uma retificação da DCTF –, a redução do valor do débito implicará a necessidade de correção deste valor na Dcomp (já extinto pela própria declaração), que pode se dar tanto por meio de retificação da Dcomp por parte do contribuinte, quando cabível, como por revisão de ofício, caso a matéria já não esteja sob a alçada da DRJ, em virtude de manifestação de inconformidade interposta. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 331 11 51. Extraise do exposto que, se o contribuinte apresentar petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado, ainda que o débito já se encontre inscrito na dívida ativa e em execução fiscal, a autoridade administrativa deve analisar o pleito e, se pertinente, proferir nova decisão, de ofício, para revisar o despacho decisório anterior que não homologou a compensação e retificar a Dcomp. Contudo, deverão ser observados os trâmites da referida portaria conjunta se o débito já tiver sido encaminhado para inscrição na dívida ativa. Ora, se é admitida “petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado”, quanto mais lógico que isso seja possível, enquanto AINDA NÃO CONCLUÍDO o contencioso administrativo (caso dos autos). Mais a mais, não se perca o foco, o contribuinte – inequivocamente – comprovou o erro de fato havido no preenchimento da DCOMP, comprovação feita mediante os livros, registros e documentos por ele apresentados e devidamente conferidos e atestados pela autoridade fiscal que presidiu a diligência determinada pelo CARF. Assim, por tudo o que se expôs, respeitando a posição divergente assumida pelos que, como a PGFN no processo antes referido (nº 10855.900742/200803), defendem que retificações em DCOMP devem ser feitas preteritamente à edição do Despacho Decisório, penso que, neste caso específico, por se tratar de mero – e comprovado –erro de fato e, principalmente, por ter sido devidamente satisfeito o débito tributário surgido pela não homologação da compensação, ou seja, NÃO HÁ CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM DISCUSSÃO OU COBRANÇA, a restrição invocada não se aplica, até em face do informalismo e verdade material que devem nortear o processo administrativofiscal. Mais ainda, o improvimento do recurso aqui analisado, comprovada a inexistência de valor em litígio, além de pelejar contra o princípio da celeridade processual prevista na Carta Constitucional (art. 5º, LXXVIII), poderá levar ao absurdo de ser emitida CDA e consequente execução fiscal contra débito não existente. Mais a mais, é imperioso destacar que o recorrente transmitiu DCTF que aponta a inexistência de valores devidos a título de estimativa mensal de CSLL no mês de junho de 2003 (extrato da DCTF juntado na diligência – fls. 279, abaixo reproduzida), o que ratifica ainda mais seus argumentos. Vejase: Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 332 12 Nestas condições, por tudo o que consta nos autos e com suporte na conclusão da diligência, fonte de que deve se fiar o julgador (conforme pacificado no CARF)3 e nos documentos com ela juntados, mostrase impraticável e despropositado dar prosseguimento à cobrança do referido débito, pelo que encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e determinar o CANCELAMENTO do PER/DCOMP nº 25159.98558.311003.1.3.040517 – fls. 5 dos autos , referente estimativa de CSLL – competência junho/2003, bem como TODOS OS SEUS EFEITOS. É como voto. Brasília (DF), em 19 de outubro de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone 3 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10855.900035/200817 Acórdão n.º 1402002.807 S1C4T2 Fl. 333 13 Fl. 333DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.005229/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a
contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1402-000.887
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório CIRCULO S/A. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: A pessoa jurídica acima qualificada, doravante denominada CÍRCULO, foi submetida a procedimento fiscal do qual resultou formalizada exigência a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 866 a 894), relativa a fatos geradores ocorridos nos anos de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 2.952.983,09. O imposto, apurado segundo as regras do Lucro Real anual, é exigido em decorrência da glosa de despesas com juros do REFIS e com a contratação de serviços. Ao imposto foram acrescidos juros devidos à época do pagamento, e multa de ofício ordinária de 75%. Do referido Auto de Infração consta, ainda, a exigência de juros isolados (R$ 153.476,04) e multa de ofício isolada de 50% (R$ 1.208.461,73), em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ. A demonstração do cálculo da multa isolada encontrase às fls. 858 a 860, e a demonstração do cálculo dos juros isolados encontrase à fl. 864. Ainda em consequência da referida glosa de despesas, foram lavrados Autos de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 1.100.629,03, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls. 895 a 915), e a título de juros isolados (R$ 56.032,47) e de multa de ofício isolada de 50% (R$ 444.046,22), em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais da CSLL (fls. 938 a 948). No presente processo também se encontra acostado, às fls. 916 a 934, Auto de Infração que formaliza exigência a título de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$ 3.738.988,50, acrescido de juros de mora e multa de ofício ordinária de 75%, em razão de não ter sido comprovada a operação ou a causa de pagamentos efetuados pela autuada, segundo entendimento da fiscalização, adiante relatado. O crédito tributário lançado alcançou o montante de R$ 18.626.263,98, e se encontra abaixo discriminado: EXAÇÃO PRINCIPAL (R$) MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL (R$) JUROS DE MORA (R$) TOTAL (R$) Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ 2.952.983,09 2.214.737,31 1.170.896,18 6.338.616,58 Multa Isolada (50%) Falta de recolhimento de estimativas IRPJ 1.208.461,73 1.208.461,73 Juros Isolados Falta de recolhimento de estimativas IRPJ 153.476,04 153.476,04 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL 1.100.629,03 825.471,76 438.353,25 2.364.454,04 Multa Isolada (50%) Falta de recolhimento de estimativas CSLL 444.046,22 444.046,22 Juros Isolados Falta de recolhimento de estimativas CSLL 56.032,47 56.032,47 Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF 3.738.988,50 2.804.241,12 1.517.947,28 8.061.176,90 Crédito Tributário Total (R$) 9.654.617,08 5.844.450,19 3.127.196,71 18.626.263,98 Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 3 DO LANÇAMENTO FISCAL A autoridade autuante expõe as razões do lançamento no Termo de Verificação de Infração, às fls. 826 a 864. DA QUALIFICAÇÃO DA CONTRIBUINTE Inicialmente, no item destinado à identificação da contribuinte, a fiscalização faz referência à composição do quadro de acionistas da CÍRCULO e de algumas empresas do que denominou ser o grupo LINCE: O controle societário da CÍRCULO é exercido pela empresa Lince Participações, CNPJ 75.278.085/000173, que possui 48,77% das ações. As duas empresas fazem parte do grupo econômico LINCE, com sede em Gaspar/SC, o qual detém participações em diversas empresas, dentre as quais podemos citar: Lince Prestações de Serviços, Indústria de Plásticos Plasvale, Lancaster, Duna Comercial e Círculo Comércio Exterior. A tabela abaixo contém a relação dos sócios da empresa CÍRCULO no final de 2007: Tabela 1: Quadro Societário Sócio Participação Lince Participações 48,77% Grarion do Brasil 21,40% Plasvale 17,15% Leopoldo Schmalz 4,05% Osni de Oliveira 2,40% Duna Comercial 1,61% Outros 4,02% A tabela abaixo revela o controle acionário de algumas empresas do grupo LINCE: Tabela 2: Organograma Societário Empresa Sócio 1 % Sócio 2 % Plasvale Duna Comercial 99,59 Lince Participações 0,01 Duna Comercial Lince Participações 75,71 Lince Serviços 24,29 Lince Serviços Leopoldo Schmalz 99,91 Osni de Oliveira 0,09 Lince Participações Leopoldo Schmalz 99,99 Osni de Oliveira 0,01 Lancaster Lince Participações 28,57 Duna Comercial 71,43 Assim, verificamos que Leopoldo Schmalz detém, por meio de participações em outras empresas, o controle da CÍRCULO com mais de 70% das quotas, enquanto que Osni de Oliveira detém algo em tomo de 5% das quotas. LANÇAMENTO DE IRPJ E DA CSLL DECORRENTE Em relação ao Imposto de Renda e à Contribuição Social, a fiscalização identificou irregularidades no que se refere à dedução de despesas com juros do Refis, e à falta de comprovação de despesas com serviços de consultoria que teriam sido prestados pelas empresas LANCASTER, CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR e LINCE SERVIÇOS. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 4 O valor total das despesas glosadas alcançou o montante de R$ 18.020.003,95, e encontrase abaixo discriminado: Valores em Reais Despesas Glosadas 2005 2006 2007 Total Juros do Refis Refis Federal 1.823.097,68 2.455.804,22 1.944.077,17 6.222.979,07 Refis Estadual 3.279.633,00 3.279.633,00 Prestação de Serviços Lancaster 523.200,00 523.200,00 523.200,00 1.569.600,00 Círculo Com. Exterior 45.000,00 232.500,00 75.000,00 352.500,00 Lince Serviços 1.463.628,61 2.598.585,27 2.533.078,00 6.595.291,88 Total 3.854.926,29 9.089.722,49 5.075.355,17 18.020.003,95 Glosa de despesas com juros do Refis No Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 5 a 7) foram solicitados “os livros contábeis e fiscais, os contratos de prestação de serviços firmados com empresas do Grupo LINCE e as respectivas Notas Fiscais de prestação de serviços”. Em resposta ao Termo de Início, a CÍRCULO disponibilizou os livros e documentos solicitados. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 02 (fls. 221 a 225), à contribuinte foram solicitados esclarecimentos acerca dos juros escriturados em relação ao Refis. Em resposta, a fiscalizada apresentou planilhas (fls. 343 a 361) demonstrando a apuração dos juros do Refis Federal e Estadual. Após analisar as referidas planilhas, a fiscalização constatou a existência de divergências que motivaram a solicitação de esclarecimentos. Nesse sentido, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 04 (fls. 511 a 515), a fiscalizada foi intimada a: 1. em relação do ano de 2005, justificar as diferenças entre os valores escriturados na contabilidade e os valores dos juros apurados de acordo com a planilha apresentada; 2. em relação do ano de 2006, considerando que alguns valores relacionados no anexo ao Termo nº 02 não foram mencionados na resposta apresentada, apresentar toda a documentação que comprove as despesas com juros; 3. em relação do ano de 2007, justificar as diferenças entre os valores escriturados na contabilidade e os valores dos juros apurados de acordo com a planilha apresentada. Em atendimento ao Termo de Intimação nº 04, a empresa apresentou novas planilhas: REFIS Federal (fls. 518 a 523) e REFIS Estadual (fls. 524 a 526). Além das planilhas, referindose aos itens do Termo de Intimação nº 04, a fiscalizada apresentou os seguintes esclarecimentos (fls. 516 e 517): No item 1, [...] a base utilizada como parâmetro para contabilização dos juros não reflete a realidade do extrato da conta REFIS, consoante o anexoI, que segue incluso. Assim, a empresa Intimada iniciou a partir daquele exercício os ajustes de juros com intuito de aproximar o saldo da conta contábil com aquela apresentada na conta refis, disponibilizada pelo Fisco. Neste passo, para demonstrar referida divergência apresentamos recálculo conforme planilha indicada no anexoII. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 5 Quanto ao item 2, havia uma divergência de juros da posição do fisco Estadual com o saldo contábil, conforme demonstra o anexoIII e anexoIV, incluso. Quanto ao item 3 a justificativa é aquela já mencionada acima para o item 1. Em análise aos esclarecimentos acima transcritos, a fiscalização concluiu que a contribuinte infringiu a legislação tributária, razão pela qual efetuou a glosa da diferença entre os juros Refis escriturados e os devidos, nos seguintes termos: 3) DAS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 3.1 GLOSA DOS JUROS DO REFIS [...] a CÍRCULO escriturou juros relativos aos programas REFIS Federal e REFIS Estadual. As tabelas abaixo demonstram os valores escriturados nos anos 2005, 2006 e 2007.[...] A CÍRCULO esclareceu que as divergências apontadas entre os valores escriturados e os valores devidos foram ocasionadas por ajustes realizados com o intuito de aproximar o saldo contábil com o saldo da conta do REFIS. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, conforme previsto no artigo 41 da Lei n° 8.981. Assim sendo, não são dedutíveis os ajustes efetuados pela CÍRCULO no intuito de aproximar o saldo contábil com o saldo da conta do REFIS. Tabela 08: Glosa dos juros escriturados a maior REFIS FEDERAL 2005 Mês Principal TJLP Juros REFIS Juros Escriturados Glosa Janeiro 51.276.530,31 0,8125% 416.621,81 641.673,45 225.051,64 Fevereiro 51.276.530,31 0,8125% 416.621,81 642.363,78 225.741,97 Março 51.276.530,31 0,8125% 416.621,81 643.140,58 226.518,77 Abril 51.276.530,31 0,8125% 416.621,81 643.953,47 227.331,66 Maio 51.276.530,31 0,8125% 416.621,81 644.807,55 228.185,74 Junho 51.276.530,31 0,8125% 416.621,81 645.721,20 229.099,39 Julho 51.276.530,31 0,8125% 416.621,81 646.692,30 230.070,49 Agosto 51.276.530,31 0,8125% 416.621,81 647.719,83 231.098,02 Tabela 09: Glosa dos Juros escriturados a maior REFIS FEDERAL 2006 Mês Principal TJLP Juros REFIS Juros Escriturados Glosa Janeiro 51.276.530,31 0,7500% 384.573,98 1.253.953,50 869.379,52 Maio 51.276.530,31 0,6792% 348.270,19 444.579,67 96.309,48 Junho 51.276.530,31 0,6792% 348.270,19 771.913,03 423.642,84 Julho 51.276.530,31 0,6250% 320.478,31 505.685,26 185.206,95 Agosto 51.276.530,31 0,6250% 320.478,31 435.685,26 115.206,95 Setembro 51.276.530,31 0,6250% 320.478,31 430.000,00 109.521,69 Outubro 51.276.530,31 0,5708% 292.686,44 534.859,22 242.172,78 Novembro 51.276.530,31 0,5708% 292.686,44 707.050,45 414.364,01 Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 6 Tabela 10: Glosa dos juros escriturados a maior REFIS ESTADUAL 2006 Mês Principal TJLP Juros REFIS Juros Escriturados Glosa Fevereiro 10.390.465,09 1,0000% 103.904,65 1.083.904,65 980.000,00 Março 10.390.465,09 1,0000% 103.904,65 1.083.904,65 980.000,00 Abril 10.390.465,09 1,0000% 103.904,65 1.083.904,65 980.000,00 Maio 10.390.465,09 1,0000% 103.904,65 443.537,65 339.633,00 Tabela 11: Glosa dos Juros escriturados a maior REFIS FEDERAL 2007 Mês Principal TJLP Juros REFIS Juros Escriturados Glosa Janeiro 51.276.530,31 0,5417% 277.764,96 899.130,28 621.365,32 Fevereiro 51.276.530,31 0,5417% 277.764,96 899.130,28 621.365,32 Março 51.276.530,31 0,5417% 277.764,96 899.130,28 621.365,32 Dezembro 51.276.530,31 0,5208% 267.048,17 347.029,38 79.981,21 Glosa de despesas não comprovadas Termo de Início da Ação Fiscal Por meio do Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 5 a 7), foram solicitados “os livros contábeis e fiscais, os contratos de prestação de serviços firmados com empresas do Grupo LINCE e as respectivas Notas Fiscais de prestação de serviços”. Em resposta ao Termo de Início, a CÍRCULO disponibilizou os livros e documentos solicitados, entre eles as Notas Fiscais de prestação de serviços (fls. 11 a 142) e os contratos de prestação de serviços firmados com as seguintes empresas: Lince Prestação de Serviços (fls. 143 a 151); Círculo Comércio Exterior (fls. 152 a 155), Lancaster (fls. 156 a 159) e Lince Participações (fls. 160 a 163). Acerca dos contratos acima referidos, a fiscalização observa que: O contrato firmado com LINCE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, doravante LINCE Serviços, tem como objeto a prestação de serviços de consultoria e assessoria de negócios, especialmente no que se refere ao planejamento estratégico, econômico, financeiro e administrativo, e ainda, consultoria na área de processamento eletrônico de dados. O valor mensal inicial da remuneração era R$ 84.539,00, em janeiro de 2005, e foi sendo reajustado até o valor de R$ 194.397,00, em dezembro de 2007. O contrato também previa que a contratada. Lince Serviços, deveria colocar à disposição da CÍRCULO, seus assessores e consultores para a execução dos serviços contratados. [...] Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 7 Os contratos firmados com Círculo Comércio Exterior, Lancaster e Lince Participações, Doc's 07, 08, 09, respectivamente, têm como objeto a prestação de serviços profissionais envolvendo a área de processamento eletrônico de dados, tais como: desenvolvimento e manutenção de sistemas e processamento de sistemas já em operação. Esses contratos estipularam que os honorários das contratadas seriam calculados com base nas horas despendidas pelo uso do equipamento, dos assistentes técnicos e o desenvolvimento e manutenção de sistemas. Termo de Intimação Fiscal nº 02 Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 02 (fls. 221 a 225), à contribuinte foram solicitados os comprovantes de pagamento referentes aos serviços prestados. Em resposta, a CÍRCULO apresentou os relatórios acostados às fls. 245 a 342. Quanto aos comprovantes dos pagamentos, no Termo de Verificação de Infração a fiscalização observa o seguinte (fl. 831): Foram apresentados relatórios emitidos pelo banco, onde constam informações a respeito de débitos da sua conta corrente, relacionando as datas, os beneficiários, os valores, as contas de destino e a modalidade de pagamento. Analisando todos estes débitos, verificamos que em todos os meses os pagamentos efetuados para a empresa LANCASTER eram inferiores aos valores escriturados na contabilidade e nas notas fiscais. Por outro lado, verificamos também que os pagamentos efetuados para a empresa LINCE PARTICIPAÇÕES eram superiores aos devidos pela prestação de serviços. Diligências Para fins de aprofundamento da análise, a fiscalização efetuou diligências junto às empresas LANCASTER (fls. 362 a 369), LINCE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (fls. 370 a 486), CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR (fls. 487 a 494) e LINCE PARTICIPAÇÕES (fls. 495 a 503). À empresa LANCASTER a fiscalização solicitou a apresentação de livros contábeis e informações pertinentes à prestação de serviços à fiscalizada. Segundo informa a fiscalização, em resposta, “a LANCASTER apresentou somente os livros contábeis, não fazendo qualquer menção aos demais itens”. À empresa LINCE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS a fiscalização solicitou a apresentação de livros contábeis, relação de funcionários e sócios nos anos de 2005 a 2007, e informações pertinentes à prestação de serviços à fiscalizada. Em resposta, a empresa “apresentou um resumo das informações à Previdência Social onde consta que a empresa possuía somente um funcionário cadastrado: Osni de Oliveira, sócio da empresa”. Quanto à prestação de serviços à fiscalizada, foram entregues relatórios mensais em relação ao período fiscalizado. Sobre esses relatórios, a fiscalização observa o seguinte (fl. 834): DOC. 19 RELATÓRIOS Foram entregues relatórios mensais, um para cada mês do período entre 2005 e 2007. Foram apresentados os seguintes relatórios: acompanhamento do resultado, balanço patrimonial, demonstração do resultado, margem de contribuição, ponto de equilíbrio financeiro, além de gráficos sobre resultado, custos, patrimônio, contas a receber, giros de estoques e folha de pagamento. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 8 Os relatórios apresentados são basicamente planilhas, que contêm colunas com valores orçados e valores realizados. Tais relatórios não fazem menção a problemas encontrados, não apresentam soluções, não propõem ações e tampouco fazem algum tipo de análise sobre a situação da empresa. Muito embora os serviços contratados junto a Lince Serviços tenham relação direta com o planejamento estratégico, econômico, financeiro e administrativo, nada consta nos relatórios apresentados que comprove que tais serviços foram realmente prestados. À empresa CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR a fiscalização solicitou a apresentação de livros contábeis e informações pertinentes à prestação de serviços à fiscalizada. Segundo informa a fiscalização, em resposta, “a CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR apresentou somente os livros contábeis, não fazendo qualquer menção aos demais itens”. À empresa LINCE PARTICIPAÇÕES a fiscalização solicitou a apresentação de livros contábeis e informações pertinentes à prestação de serviços à fiscalizada. Segundo informa a fiscalização, em resposta: A LINCE PARTICIPAÇÕES apresentou os livros contábeis, a relação dos funcionários, a relação dos sistemas desenvolvidos e o custo mensal da hora técnica. Dentre os sistemas desenvolvidos e mantidos pela Lince Participações, e utilizados pela CÍRCULO, podemos citar sistemas de planejamento e controle de produção, informações financeiras e gerenciais, planejamento operacional, contabilidade, custos, etc. Termo de Intimação Fiscal nº 03 Considerando a falta de respostas das empresas LANCASTER e CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR acerca da prestação dos serviços de processamento de dados, a fiscalizada foi intimada (Termo de Intimação Fiscal nº 03 – fls. 504 a 507) a apresentar a relação dos sistemas desenvolvidos por estas empresas, e também a relação dos gerentes e técnicos responsáveis pelo atendimento e assistência técnica. Em resposta (fls. 508 a 510), quanto à solicitação de informações sobre sistemas e assistência técnica oferecidos pelas empresas LANCASTER e CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR, a fiscalizada nada apresentou. Também no Termo de Intimação Fiscal nº 03, a fiscalizada foi intimada a apresentar: • a relação dos diretores e membros do Conselho de Administração e sua respectiva remuneração; • a relação de assessores e consultores responsáveis pela execução dos serviços prestados pela empresa LINCE SERVIÇOS, bem assim todos os relatórios emitidos e a documentação que comprovem efetivamente a prestação dos serviços relativos aos meses de 12/2005, 12/2006 e 12/2007. Em atendimento à referida intimação, a fiscalizada apresentou a planilha de fl. 510 (DOC 23 Relação de diretores). Sobre a citada planilha, a autoridade fiscal assim se manifestou no Termo de Verificação de Infração (fl. 836): Em atendimento a esta intimação, a CONTRIBUINTE apresentou planilha (DOC. 23) contendo a relação dos diretores e membros do conselho de Administração. Podese constatar que Leopoldo Adolfo Schmalz e Osni de Oliveira fizeram parte do Conselho de Administração e que Osni de Oliveira também exerceu o cargo de Diretor Presidente. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 9 Com relação aos itens 2 e 3 do referido termo, relativos aos esclarecimentos dos serviços prestados por LANCASTER e CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR, não foram apresentados quaisquer documentos ou respostas. Ainda em relação à resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 03, notase no corpo do posterior Termo de Intimação Fiscal nº 07 (fl. 528), que a fiscalizada também apresentou informações relativas aos serviços prestados pela empresa LINCE SERVIÇOS: Em atendimento à intimação anterior, a empresa apresentou relatórios emitidos pela Lince Prestação de Serviços relativos aos meses 12/2005, 12/2006 e 12/2007. Foram apresentados, dentre outros, relatórios de acompanhamento do resultado, acompanhamento mensal orçado, Balanço patrimonial, demonstração do resultado, margem de contribuição, ponto de equilíbrio financeiro e também alguns gráficos. Os relatórios possuem colunas de valores orçados, valores realizados e a relação percentual entre tais valores. Termo de Intimação Fiscal nº 07 Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 07 (fls. 528 a 530), a fiscalizada foi questionada acerca dos serviços prestados pela empresa LINCE SERVIÇOS. No referido termo, à fiscalizada foram solicitados os planejamentos executados pela LINCE SERVIÇOS, a relação dos assessores e consultores da LINCE SERVIÇOS responsáveis pela execução dos serviços, e a informação sobre quem estipulou os valores orçados que serviram de base para elaboração dos relatórios. Em atendimento a esta intimação (fls. 531 a 534), foi apresentada resposta informando que mensalmente era realizada reunião entre a Diretoria da CÍRCULO e os assessores da LINCE SERVIÇOS para avaliação dos resultados do mês. Nessa avaliação eram analisados os relatórios comparativos entre os valores orçados e os realizados, e caso necessário, sugeridas medidas corretivas. A fiscalizada informou, ainda, que os assessores responsáveis pela execução dos serviços foram Leopoldo Schmalz e Osni de Oliveira, bem assim que os valores contidos nos relatórios como orçados foram elaborados pela própria fiscalizada. Conclusões da fiscalização Diante dos fatos acima descritos, a fiscalização concluiu que são inexistentes os serviços prestados à CÍRCULO pelas empresas LINCE SERVIÇOS, LANCASTER e CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR, razão pela qual efetuou a glosa dos valores registrados como despesas referentes a tais serviços. Segundo a autoridade autuante, referindose aos arts. 276, 923 e 924 do RIR/99: 3) DAS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA 3.2 DESPESAS NÃO COMPROVADAS [...] a admissão dos valores levados à conta de custos ou despesas está subordinada ao atendimento de requisitos legais, ou seja, devem ser comprovados mediante documentação hábil e devem preencher os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade para o tipo de atividade desenvolvida pelo sujeito passivo. [...] Desta forma, tendo a contribuinte registrado em sua contabilidade lançamentos relativos a despesas com a prestação de serviços de terceiros, cabe a ela comprovar Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 10 que tais serviços de fato ocorreram, não apenas pela existência de notas fiscais e de contratos, mas, pela efetiva comprovação da realização dos mesmos. [...] Como visto, exige a legislação seja a despesa operacional comprovada por documentos de idoneidade indiscutível, quer quanto à forma, quer quanto à origem, que permitam concluir, insofismavelmente, pela sua estrita pertinência e conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, e pela efetividade e certeza dos dispêndios, amparando operações comerciais autênticas. No caso específico de despesas lançadas a título de assessoria ou consultoria, ou outra forma semelhante de prestação de serviços, impõese, além da demonstração do pagamento efetuado, a comprovação da imprescindibilidade da contratação, e a efetiva realização dos trabalhos, que devem ter nexo causal com a atividadefim da contratante. (destaques acrescidos) Sobre as despesas com serviços prestados por LINCE SERVIÇOS, a fiscalização observa o seguinte: Conforme visto nos itens 2.2 e 2.8 acima, a CÍRCULO firmou um contrato de prestação de serviços com a LINCE SERVIÇOS, referente à consultoria na área de planejamento. De forma a clarificar a questão, impõese recapitularmos algumas das irregularidades e estranhezas deste contrato, já relatadas anteriormente: • Foi informado que os “assessores” da LINCE SERVIÇOS que executaram os serviços de consultoria foram Leopoldo Schmalz e Osni de Oliveira. Ocorre que eles também são sócios controladores, por meio indireto, da CÍRCULO. • Leopoldo Schmalz e Osni de Oliveira, além de sócios controladores indiretos, fizeram parte do Conselho de Administração da CÍRCULO. De acordo com o estatuto social, a administração da sociedade competirá ao Conselho de Administração e à Diretoria. O Conselho de Administração é o responsável, dentre outras competências, por fixar a orientação geral dos negócios e aprovar a estrutura da organização. • Foi informado que os valores do orçamento, e que serviram de base para comparação com os valores realizados, foram elaborados pela própria CÍRCULO. • Foi informado que mensalmente era realizada reunião entre a Diretoria da CÍRCULO e os "assessores" da Lince Serviços para avaliação dos resultados do mês. • Ou seja, se isto tudo fosse verdade, Leopoldo Schmalz e Osni de Oliveira, na condição de sócios da CÍRCULO e também como membros do Conselho de Administração, participando diariamente da gerência e administração da empresa, participariam da elaboração do orçamento. Depois, já na condição de "assessores" da LINCE Serviços, e não mais como sócios e membros do Conselho de Administração da CÍRCULO, participariam de reuniões mensais para avaliar a situação da empresa. É óbvio que tal situação é inverossímil. • A CÍRCULO pagou um total de R$ 1.463.628,00 em 2005, R$ 2.598.585,00 em 2006 e R$ 2.921.872,00 em 2007 para a LINCE SERVIÇOS. Neste mesmo período pagou uma média anual de R$ 350.000,00 para seu Diretor Presidente. Ou seja, a Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 11 CÍRCULO gastou quase dez vezes mais com a "consultoria" da LINCE Serviços do que com os salários do seu Diretor Presidente. • A CÍRCULO pagou uma média anual de R$ 3.500.000,00 para a. empresa LINCE Participações a título de prestação de serviços na área de processamento de dados. A CÍRCULO utilizou, dentre outros, sistemas de planejamento e controle de produção, informações financeiras e gerenciais, planejamento operacional, contabilidade e custos. Assim sendo, de se questionar se realmente eram necessários os serviços que teriam sido prestados pela LINCE Serviços, que envolviam justamente a área de planejamento financeiro e econômico. • Existem duas notas de serviços emitidas em dezembro de cada ano, o que demonstra um pagamento de “13º salário” para os sócios. O contrato não prevê este pagamento duplicado em dezembro. • E por fim, qual foi o resultado apresentado pela empresa LINCE SERVIÇOS? Ninguém faz um trabalho de consultoria sem apresentar um dossiê final com a indicação dos problemas, apresentação de sugestões e conclusões. A documentação apresentada, além de não identificar quem a elaborou por não estar assinada, não apresenta a conclusão do serviço prestado. [...] Por tudo o acima exposto, impossível considerar como usual e necessária à atividade da empresa as despesas afetas ao contrato firmado com a LINCE SERVIÇOS. Na verdade, é possível afirmar que esta prestação de serviços inexistiu de fato, servindo apenas para distribuir recursos para os sócios controladores. Assim, efetuouse a glosa dos valores abaixo relacionados, relativos às Notas Fiscais de serviços da Lince Serviços: [...](destaques acrescidos) A glosa de despesas com serviços prestados por LINCE SERVIÇOS atingiu R$ 1.463.628,61 em 2005, R$ 2.598.585,27 em 2006 e R$ 2.533.078,00 em 2007. Sobre as despesas com serviços prestados por LANCASTER e CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR, a fiscalização observa o seguinte: A CÍRCULO escriturou despesas relativas à prestação de serviços de processamento de dados, os quais teriam sido executados pela LANCASTER e pela CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR. A CÍRCULO, a LANCASTER e a CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR foram intimadas a fornecer a relação dos sistemas desenvolvidos, do valor do custo mensal da hora técnica e a relação e qualificação dos funcionários envolvidos na elaboração dos sistemas. Conforme visto nos itens 2.7, 2.9 e 2.11, não foram apresentadas respostas ou documentos comprobatórios destes serviços prestados. Além disso, como visto no item 2.6, parte dos pagamentos referente a estes serviços sequer foi creditado para a LANCASTER, sendo pago para a LINCE PARTICIPAÇÕES. Além da redução indevida do lucro líquido da Círculo, tais despesas com prestação de serviços permitiram que os valores pagos à Lancaster e à Círculo Comércio Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 12 Exterior não fossem tributados, uma vez que essas empresas apuraram prejuízos em todos os anos, em decorrência de elevadas despesas financeiras. Além da obrigatoriedade do preenchimento dos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade das despesas, existe a indissociável obrigatoriedade da apresentação de documentação hábil para comproválas. Assim sendo, uma vez que a CÍRCULO não apresentou qualquer elemento que comprovasse a efetiva prestação dos serviços, e efetuou parte dos pagamentos para outra empresa, estas despesas serão glosadas. (destaques acrescidos) A glosa de despesas com serviços prestados por LANCASTER atingiu R$ 523.200,00 em cada um dos anos de 2005, 2006 e 2007. Já a glosa de despesas com serviços prestados por CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR atingiu R$ 45.000,00 em 2005, R$ 232.500,00 em 2006 e R$ 75.000,00 em 2007. A partir das glosas acima discriminadas, a fiscalização apurou e lançou de ofício o IRPJ e a CSLL, referentes aos anos de 2005, 2006 e 2007: EXAÇÃO ANO VALOR DO PRINCIPAL (R$) IRPJ 2005 616.219,43 2006 1.497.458,30 2007 839.233,36 TOTAL 2.952.983,09 CSLL 2005 242.140,04 2006 547.724,98 2007 310.764,01 TOTAL 1.100.629,03 Ao imposto e à contribuição acima discriminados foram acrescidos juros de mora devidos à época do pagamento, e multa de ofício ordinária de 75%. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA E JUROS ISOLADOS Para os anos de 2005, 2006 e 2007, a CÍRCULO optou pela apuração do IRPJ e da CSLL segundo as regras do Lucro Real anual, com estimativas determinadas com base em balanços de suspensão/redução (DIPJ fls. 774 a 824). Em vista da já relatada glosa de despesas, a autoridade fiscal recalculou as estimativas mensais devidas pela contribuinte, e as comparou com aquelas apuradas nas DIPJ. Segundo a fiscalização, as diferenças encontradas a cada mês constituem estimativas não recolhidas, o que enseja a aplicação da multa isolada de que trata a alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme as planilhas anexadas ao Termo de Verificação de Infração (fls. 858 e 863). Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 13 Também em função das diferenças de estimativas mensais não recolhidas, a autoridade fiscal lançou de ofício juros isolados, demonstrados na planilha de fl. 864. A fundamentação do lançamento dos juros isolados encontrase abaixo reproduzida: As diferenças mensais relativas às antecipações das estimativas mensais com base nos balancetes mensais ajustados por esta autoridade tributária geram infrações passíveis de cobrança de multa e juros isolados sobre a diferença da Estimativa mensal não recolhida, conforme determina o artigo 43, § único c/c artigo 61, e §§, e artigo 44, inciso II, alínea "b", todos da Lei n° 9.430/96. [...] Quanto aos juros isolados, estes são calculados à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo para recolhimento da estimativa mensal até o mês anterior ao do pagamento. LANÇAMENTO DE IRRF Segundo a autoridade autuante, considerando que “não ficou comprovada a operação ou causa dos pagamentos realizados a título de prestação de serviços”, foi constituído de ofício o IRRF, nos termos do art. 674 do RIR/99, calculado à alíquota de 35% sobre base reajustada na forma do § 3º do referido artigo. Da fundamentação encontrada no Termo de Verificação de Infração, destacase o seguinte: Diante dos pagamentos efetuados pela CÍRCULO a LANCASTER, CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR e LINCE SERVIÇOS, sendo que estes pagamentos foram fundados em prestação de serviços não comprovados, de se aplicar o disposto no art. 674 do RIR/99, abaixo reproduzido: [...] É de se esclarecer, que é cristalino que os pressupostos de incidência são diversos, ou seja, "quando não for indicada a operação", "quando não for indicada a causa", e "quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário". Como também é evidente que os pressupostos de incidência previstos neste artigo não são cumulativos, ou seja, basta ocorrer um deles para que ocorra o fato gerador do imposto de renda na fonte. [...] Cumpre observar que os pagamentos que servem de base para o Imposto de Renda na Fonte são materializados pelas notas fiscais emitidas pela LANCASTER, CÍRCULO COMÉRCIO EXTERIOR e LINCE SERVIÇOS. [...] DA IMPUGNAÇÃO Do lançamento fiscal a pessoa jurídica foi cientificada em 3 de dezembro de 2010. Irresignada, em 3 de janeiro de 2011, a contribuinte apresentou as quatro impugnações abaixo especificadas: Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 14 a) na primeira petição (fls. 963 a 984, mais anexos de fls. 985 a 1102), a impugnante se insurge contra a exigência de IRPJ e seus acréscimos, e contra a imposição de multa e juros isolados exigidos em razão da falta de pagamento de estimativas do IRPJ; b) na segunda petição (fls. 1103 a 1121, mais anexos de fls. 1122 a 1228), a impugnante se insurge contra a exigência de CSLL e seus acréscimos; c) na terceira petição (fls. 1231 a 1253, mais anexos de fls. 1254 a 1358), a impugnante se insurge contra a exigência de IRRF e seus acréscimos; d) na quarta petição (fls. 1359 a 1366, mais anexos de fls. 1367 a 1464), a impugnante se insurge contra a exigência de multa e juros isolados exigidos em razão da falta de pagamento de estimativas da CSLL. DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO DE IRPJ Por meio da petição de fls. 963 a 984, mais anexos de fls. 985 a 1102, a autuada impugna o lançamento de IRPJ, e também o lançamento de multa e juros isolados exigidos em razão da falta de pagamento de estimativas do IRPJ. Contra a exigência do IRPJ, a impugnante alega que não procedem as glosas de juros do programa REFIS Federal e REFIS Estadual, e das despesas afetas aos contratos de prestação de serviços firmados com as empresas Lince Prestação de Serviços, Lancaster Ltda e Círculo Comércio Exterior. Alega que também não procede a imposição de multa e juros aplicados de forma isolada. Logo após narrar os fatos, valendose de diversos dispositivos da Lei nº 6.404, de 1976, a impugnante refuta a afirmação de que faz parte de um grupo econômico. Em seguida, no item 1 (Da Glosa dos juros do programa REFIS Federal e REFIS Estadual, escriturados a maior), a impugnante afirma que “os ajustes patrocinados [...] com intuito de aproximar o saldo contábil com o saldo da conta REFIS, foi feito [sic] de acordo com o que rege as normas contábeis”. Ainda tratando da glosa dos juros do REFIS, no item 1.1 (Da correção do Refis Federal/Estadual), a contribuinte alega o seguinte: Devido a grande divergência do saldo das constas [sic] refis e o saldo da conta contábil a Requerente efetuou os ajustes na contabilidade com intuito de aproximar os referidos saldos para que melhor refletisse a posição patrimonial da empresa. A Requerente faz jus a este ajuste em virtude de em exercícios anteriores não o ter feito. Caso a Requerente não procedesse aos lançamentos, com certeza teria incorrido em tributo pago indevidamente. Referidos ajustes estão de acordo com a doutrina especializada. Até porque os lançamentos ajustados dos juros dos REFIS não significaram o abandono ao regime de competência. [...] Como se vê, o ajuste contábil efetuado pela Requerente pertinente aos juros dos REFIS a fim de aproximar o saldo da conta REFIS com o seu saldo contábil deu em consonância com as normas contábeis. Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 15 Assim, é totalmente descabida a glosa efetuada pela Receita Federal dos juros do Refis FEDERAL/ESTADUAL, que apurou a diferença de contribuição do IRPJ. No item 2 (Do Contrato de Prestação de Serviços da Lince Prestação de Serviços), a impugnante afirma que “as alegações da Receita Federal de que o contrato entre a Requerente e a Lince Serviços está eivado de irregularidades não prospera, visto que apresentou apenas suposições, divagando apenas no campo da subjetividade”. A impugnante ressalta que a Lince Serviços foi regularmente constituída no ano de 1999, e que tem em seu objeto social a prestação de serviços de consultoria e assessoria, entre outros. Afirma a impugnante que “todas as notas fiscais emitidas pela Lince Serviços e pagas pela Requerente foram derivadas de contratos de prestação de serviços firmados com outras empresas”, e que nas “notas emitidas no período constam todas as retenções de ordem tributária”. Ainda segundo a impugnante: Toda a documentação entregue à Receita Federal, pela Requerente, quanto aos serviços prestados pela Lince Serviços, tais como contratos, notas fiscais, Planos Operacionais Planos de Investimentos, Planejamento Estratégico, foram efetivamente realizados. A documentação trazida pela Requerente comprova que a contração dos serviços prestados pela Lince Serviços foi realizada dentro do que estabelece a legislação vigente e pertinente ao assunto. Sobre a falta de assinatura nos documentos apresentados para comprovar a efetiva prestação dos serviços, a impugnante afirma o seguinte: Assim, a mera suposição que os documentos acostados no Termo de Verificação de Infração (item 3.2.1) não possuem os requisitos de veracidade por falta de assinatura, situamse apenas no campo da subjetividade. Até porque, as empresas eliminaram papéis e conseqüentemente assinaturas, em face da nova onda tecnológica (ferramentas de informação), tais como a internet, promovendo e realizando trabalhos localizados em qualquer parte do mundo. Ou seja, hoje não há fronteiras nem limites para realização de qualquer trabalho para quem detém as tecnologias da informação. Sobre a prestação de serviços efetuada diretamente pelos sócios, a impugnante afirma o seguinte: Também não existe qualquer tipo de legislação que impeça que os próprios sócios realizem pessoalmente os próprios trabalhos de prestação de consultoria, até porque este tipo de atividade geralmente é efetuado pelos próprios sócios, pois se trata de trabalhos eminentemente intelectuais. Segundo a impugnante, “também não pode servir de justificativa para desconsiderar a prestação de serviços, o fato da Requerente e sua contratada não terem apresentado planilhas com a descrição das horas efetivamente trabalhadas na execução dos serviços. Isto porque a própria natureza dos serviços de Assessoria não permitem o detalhamento exato e específico do tempo gasto na execução dos referidos serviços”. A impugnante conclui esse tópico afirmando que “não existem fatos que autorizam a desconsideração dos contratos de prestação de serviços firmados pela Requerente”, e que: Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 16 Portanto, não é possível afirmar que os serviços contratados pela Requerente com a Lince Serviços inexistiram de fato. Consequentemente se torna ilegal e indevida a glosa do contrato de prestação de serviços que originou na nova apuração do IRPJ nestes exercícios, motivo pelo qual a presente infração deve ser declarada insubsistente. No item 3 (Do Contrato de Prestação de Serviços da empresa Lancaster e Círculo Comércio Exterior), a impugnante afirma que novamente não procedem as alegações trazidas pela fiscalização no Auto de Infração: As alegações da Receita Federal de que a Requerente não apresentou nenhum documento que pudesse comprovar a efetiva prestação de serviços não prospera, visto que apresentou os referidos contratos bem como as respectivas notas fiscais que dão suporte a prestação de serviços. A impugnante ressalta que a Lancaster foi regularmente constituída no ano de 1964, e que tem em seu objeto social a representação comercial, a prestação de serviços de processamento eletrônico de dados, consultoria e assessoria administrativa contábil e administração geral, entre outras atividades. Já a Círculo Comércio Exterior, empresa constituída no ano de 1982, tem em seu objeto social a exportação de produtos primários, manufaturados e semimanufaturados, mediante a compra no mercado interno e venda para o exterior; a prestação de serviços de comércio internacional na promoção, divulgação e colocação de mercadorias brasileiras nos mercados estrangeiros, a representação comercial, entre outras atividades. Afirma que “todas as notas fiscais emitidas pela Lancaster e pagas pela Requerente foram derivadas de contratos de prestação de serviços firmados com outras empresas”, e que nas “notas emitidas no período constam todas as retenções de ordem tributária”. Ainda segundo a impugnante: Toda a documentação entregue à Receita Federal, pela Requerente, referente aos serviços prestados pela Lancaster e Círculo Comércio Exterior, tais como contratos, notas fiscais, demonstram que os serviços foram efetivamente realizados. A documentação trazida pela Requerente comprova que a contração dos serviços prestados pelas mesmas foi realizada dentro do que estabelece a legislação vigente e pertinente ao assunto. Sobre a falta de apresentação de documentos que dão suporte aos pagamentos, a impugnante afirma o seguinte: Assim, a mera suposição que a falta de entrega da documentação que dá suporte aos pagamentos, como valor da hora técnica e homens horas disponíveis acostados no Termo de Verificação de Infração, não possuem os requisitos de veracidade, situamse apenas no campo da subjetividade. Até porque, a prestação de serviços está vinculada a disponibilização de Hardware (locação) e software (serviços), o que não se permite detalhar pormenorizadamente homens x horas aplicadas no referido contrato. Também não existe qualquer tipo de legislação que impeça que determinadas empresas de tecnologias utilizem poucos recursos humanos quando da construção de software. Visto que referida atividade pode ser realizada com poucos recursos humanos o que não se impede ainda de trabalhar com parcerias. Ao revés, é característica da área de tecnologia a realização de serviços através da utilização de pouca mão de obra. Este inclusive é o principal objetivo da aplicação Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 17 da tecnologia, fazer com que o trabalho possa ser efetuado através do mínimo possível de mão de obra. [...] Também não pode servir de justificativa para desconsiderar a prestação de serviços, o fato da Requerente não ter apresentado planilhas com a descrição das horas efetivamente trabalhadas na execução dos serviços. Isto porque a própria natureza dos serviços de informática não permite o detalhamento exato e específico do tempo gasto na execução dos referidos serviços, já que contemplam a parte do Hardware. Não se pode olvidar que a absurda desconsideração dos contratos de prestação de serviços das empresas indicadas acima,com base em parâmetros subjetivos de não necessários a atividade, fere o princípio constitucional da ordem econômica fundada na valorização do trabalho e da livre iniciativa, principalmente no livre exercício de qualquer atividade econômica, insculpido no parágrafo único do artigo 170 da Constituição Federal. A impugnante conclui esse tópico afirmando que “não existem fatos que autorizam a desconsideração dos contratos de prestação de serviços firmados com as empresas Lancaster e Circulo Comércio Exterior”, e que: Consoante toda a argumentação em relação a validade dos contratos de prestação de serviços e a ainda considerando o princípio constitucional invocado, resta devidamente demonstrado a ilegalidade cometida pelo ente fiscalizador que desconsiderou os contratos de prestação de serviços pelo pressuposto de não necessário a atividade da Requerente. No item 4 (Da Multa Isolada e dos Juros Isolados), a impugnante alega o seguinte: Ocorre que as alegações da entidade fiscalizadora para impor multa e juros isolados pela suposta irregularidade no recolhimento do IRPJ em virtude da desconsideração do lançamento do juros do Refis no âmbito Federal e Estadual não está (sic) em consonância com a legislação de regência, tampouco com o entendimento do Conselho de Contribuintes. Apesar da Lei 9.430/96, rezar sobre a possibilidade de aplicação de multa isolada, esta se configura totalmente ilegal. Isto porque a Autoridade Fiscalizadora, já cobrou multa proporcional no valor de R$ 2.214.737,31. Não satisfeita impôs multa isolada no montante de R$ 1.208.461,73. Tanto a doutrina como o 1º C.C. tem entendido como ilegal o procedimento da fiscalização quando apura omissão de receita ou dedução indevida de custo ou despesa no lançamento do IRPJ e da CSLL. [...] Na mesma esteira a autoridade administrativa cobrou juros de mora no montante de R$ 1.170.896,18 e, impôs ainda juros isolados de R$ 153.476,04. Assim, neste mesmo passo verificase que a cobrança de juros isolados é totalmente ilegal por configurar um verdadeiro bis in idem. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 18 Por fim, no item III – Do Pedido, a impugnante: Diante do exposto, requerse à Vossa Senhoria, seja declarado INSUBSISTENTE o presente Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 7.700.554,35, em decorrência das nulidades apontadas, qual sejam: glosa indevida de despesas com juros do REFIS FEDERAL/ESTADUAL; glosa indevida de despesas afetas ao contrato de prestação de serviços da Lince Serviços; glosa indevida das despesas afetas ao contrato de prestação de serviços da Lancaster e Circulo Comércio Exterior; ilegalidade da aplicação de multa e juros de forma isolada, conforme explanado alhures. E anexa os seguintes documentos: • Estatuto Social da Requerente e atas de assembléias gerais extraordinárias (fls. 986 a 993); • Procuração (fls. 994 a 997); • Cópia de contratos de prestação de serviços firmados entre a Requerente e as empresas Círculo Comércio Exterior Ltda. CNPJ nº 76.569.532/000106, e Lancaster Beneficiamentos Têxtil S/A CNPJ nº 76.541.317/000105 (fls. 998 a 1005); • Cópia do Auto de Infração de n° 0920400/00576/10 integrante do processo n°13971.005229/201085 (fls. 1008 a 1075); • Cópia do Termo de Intimação fiscal n° 2010.576/02 com a inclusão dos anexos que demonstram os ajustes das Contas Refis (fls. 1076 a 1102). DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO DE CSLL Por meio da petição de fls. 1103 a 1121 (mais anexos de fls. 1122 a 1228), e da petição de fls. 1359 a 1366 (mais anexos de fls. 1367 a 1464), a autuada impugna, respectivamente, o lançamento de CSLL, e a imposição de multa e juros isolados exigidos em razão da falta de pagamento de estimativas da CSLL. A argumentação aduzida nas impugnações acima referidas é idêntica à aduzida na impugnação contrária ao lançamento de IRPJ, razão pela qual não será relatada. DA IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO DE IRRF Por meio da petição de fls. 1231 a 1253 (mais anexos de fls. 1254 a 1358), a autuada impugna o lançamento de IRRF. Contra a exigência do IRRF, a impugnante alega que não procede o lançamento efetuado em face da “desconsideração dos contratos de prestação de serviços, por considerálos pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa”. Logo após narrar os fatos, valendose de diversos dispositivos da Lei nº 6.404, de 1976, a impugnante novamente refuta a afirmação de que faz parte de um grupo econômico. Em seguida, nos itens denominados Do Contrato de Prestação de Serviços da Lince Prestação de Serviços e Do Contrato de Prestação de Serviços da empresa Lancaster e Círculo Comércio Exterior, a impugnante repete a argumentação contida, em itens de mesmo título, na impugnação ao lançamento de IRPJ. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 19 Em argumentação específica contra o lançamento de IRRF, a impugnante alega o que se encontra a seguir relatado. No item 1 (Dos Pagamentos Sem Causa – Aplicação de Alíquota 35% Exclusiva na Fonte), a impugnante afirma não cabe a incidência do IRRF à alíquota de 35% considerando que “os contratos firmados bem como os serviços prestados ocorreram efetivamente dentro dos requisitos de legalidade, conforme já apreciados anteriormente”. No item 2 (Da qualificação da Multa de Ofício), a despeito do título do item, a impugnante identifica a imposição de multa de ofício ordinária de 75%, a qual alega indevida, “pois se o principal se caracterizou indevido, o seu acessório também o é, pois é lógico que o acessório segue o principal”. No item 3 (Do Reajustamento da Base de Cálculo do Mútuo), a impugnante afirma que “restou demonstrada a ilegalidade da cobrança de IR sobre os contratos de prestação de serviços entre empresas coligadas ou interligadas”, e portanto, “não há que se falar em reajustamento do respectivo rendimento bruto, pois como já repetido, se o principal se caracterizou indevido, o seu acessório também o é, pois é lógico que o acessório segue o principal”. No item 4 (Da Falta de Recolhimento de IRRF sobre a Remuneração de Serviços Profissionais Prestados pela Lince Participações), a impugnante afirma que “não há que se falar em responsabilidade da Requerente para cumprir a obrigação de retenção e recolhimento do IR incidente sobre serviços profissionais pelas empresas contratadas, nem tampouco a imposição de juros e multa proporcional”. Após reproduzir o teor do art. 647 do RIR/99, a impugnante afirma que “a atividade profissional de processamento de dados não se encontra inserida para efeito de retenção de Imposto de Renda na Fonte”. Por fim, conclui esse item nos seguintes termos: Desta forma restou demonstrada a ilegalidade da retenção do IR sobre os serviços profissionais realizados pelas contratadas a Requerente, não podendo a Secretaria da Receita Federal imputar responsabilidade tributária à Requerente pela falta de retenção do referido tributo. Assim, inexistindo a obrigação principal, se torna impossível a aplicação dos juros e multa proporcional, pois o seu acessório segue o principal. Registrese, foram anexados à petição contrária o lançamento de IRRF os mesmos documentos anexados às petições relativas aos demais lançamentos. A decisão recorrida está assim ementada: GLOSA DE DESPESAS. AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. VALORES INDEVIDAMENTE REGISTRADOS COMO DESPESA DO EXERCÍCIO. De acordo com a legislação societária, o lucro líquido do exercício não pode ser influenciado por efeitos que não pertençam ao exercício. Assim, os valores relativos a ajustes de exercícios anteriores, que sejam decorrentes de mudança de critério contábil ou retificação de erro, devem ser lançados diretamente na conta de lucros ou prejuízos acumulados, sem afetar as receitas ou despesas do períodobase. GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Em face da falta de comprovação da efetiva prestação dos Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 20 serviços, a glosa promovida pela fiscalização encontrase em prefeita consonância com o que dispõe a legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A pessoa jurídica optante pela apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual deve promover o recolhimento das estimativas mensais, a título de antecipação do referido imposto, com base na receita bruta e acréscimos, ou valendose de balanços de suspensão ou redução. A falta de recolhimento das estimativas, na forma da Lei, enseja a aplicação de penalidade, exigida isoladamente, correspondente a cinquenta por cento do valor do pagamento mensal não efetuado. Comprovado o recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. Contribuintes que deixarem de recolher, no curso do anocalendário, as parcelas devidas a título de antecipação (estimativa) do IRPJ sujeitamse à multa de ofício de cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre os valores de antecipação não pagos. Esta multa de ofício não se confunde com aquela aplicada sobre o IRPJ apurado no ajuste anual, não pago no vencimento, por não possuírem a mesma hipótese legal de aplicação. Em vista disso, o lançamento da multa isolada é compatível com a exigência de tributo apurado ao final do anocalendário, acompanhado da correspondente multa de ofício. JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária determina que a falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ, apurada em procedimento de ofício, enseja a aplicação (apenas) de Multa Isolada, não cabendo a cobrança de juros isolados. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Não comprovada a operação ou a causa dos pagamentos efetuados pelo contribuinte, com base em elementos sólidos e consistentes, correta a exigência do imposto correspondente, exclusivamente na fonte. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estendese ao lançamento decorrente (CSLL) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). Cientificada da aludida decisão em 5/7/2011, terça feira (AR de fls. 1645), a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1646 e seguintes em 5/8/2011 (sextafeira), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto as matérias mantidas, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento integral do recurso. É o relatório. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 21 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Inicio verificando os pressuposto de admissibilidade do recurso voluntário. O artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, estabelece que “Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Vejamos a transcrição do art. 5o. do Decreto n° 70.235, de 1972: “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” A expressão “prazos contínuos” prevista no artigo 5° do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, quer dizer em dias corridos, sem interrupção pelos domingos e feriados. O prazo recursal de trinta dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 começa a fluir no primeiro dia útil subsequente a intimação do interessado, sendo que esta pode ser pessoal, via postal ou por meio eletrônico. No caso dos autos, a recorrente tomou ciência do Acórdão de primeira instancia em 5/7/2011, terça feira (AR de fls. 1645). Protocolou o recurso voluntário de fls. 1646 e seguintes em 5/8/2011 (sextafeira), ou seja, 1 dias após o termino do prazo, quando já havia precluído seu direito de recorrer, sem apresentar qualquer justificativa (art. 67 da Lei n° 9.784, de 2001). Verificase que na peça recursal está registrado que foi elaborada em 5/8/2011 (fl. 1545), corroborando com o termo de recepção. Todavia, não há qualquer justificativa da recorrente quanto a perda do prazo recursal. A toda evidencia, o contribuinte não atentou ao fato de que o mês de julho tem 31 dias. Registrese também que a intempestividade foi constatada pela Unidade de Origem, consoante despacho de encaminhamento dos autos a este Conselho. Por oportuno, registrese o teor da Súmula 9 do CARF: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Diante do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13971.005229/201085 Acórdão n.º 140200.887 S1C4T2 Fl. 0 22 Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 10980.938790/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.199
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 38 79 0/ 20 09 -1 0 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10980.938790/200910 Resolução nº 3402001.199 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10980.938790/200910 Resolução nº 3402001.199 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10980.938790/200910 Resolução nº 3402001.199 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.902009/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.260
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 20 09 /2 01 1- 13 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13227.902009/201113 Acórdão n.º 3301004.260 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.147. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13227.902009/201113 Acórdão n.º 3301004.260 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13227.902009/201113 Acórdão n.º 3301004.260 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.938789/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.198
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 38 78 9/ 20 09 -8 7 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10980.938789/200987 Resolução nº 3402001.198 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10980.938789/200987 Resolução nº 3402001.198 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10980.938789/200987 Resolução nº 3402001.198 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929982/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 13/03/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.869
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/03/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 99 82 /2 00 9- 55 Fl. 132DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 16030.234, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/03/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.929982/200955 Acórdão n.º 3402004.869 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 134DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.929982/200955 Acórdão n.º 3402004.869 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 136DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.929982/200955 Acórdão n.º 3402004.869 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 138DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.929982/200955 Acórdão n.º 3402004.869 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 140DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.929982/200955 Acórdão n.º 3402004.869 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 142DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.929982/200955 Acórdão n.º 3402004.869 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.909845/2008-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 09 84 5/ 20 08 -0 0 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 11080.909845/200800 Resolução nº 3001000.032 S3C0T1 Fl. 49 2 Despacho Decisório 790541655 : Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 0478.04384.301204.1.3.049073 o direito à compensação ficou limitado ao valor do crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP. De acordo com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por esta razão, não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que em determinado momentos passou por dificuldades financeiras, acarretando no atraso no pagamento de tributos, sendo que, nesta ocorrência, teria recolhido com juros e multa, mesmo antes da entrega da DCTF. Pagamento Indevido Conforme seu entendimento, esses pagamentos seriam indevidos, pois configurariam o instituto da Denúncia Espontânea. Fundamento da Glosa O fundamento da glosa, conforme o mencionado despacho, seria a ausência de crédito, ressaltando a recorrente que a Fazenda assim o fez sem solicitar ao contribuinte nenhum documento capaz de comprovar a existência do crédito. Sustenta que se porventura a autoridade fazendária houvesse solicitado tais documentos, teria tido acesso à planilha de apuração e teria verificado a regularidade do encontro de contas. Segundo os documentos acostados aos autos, verificase que o pagamento deuse fora do prazo, mas que, no entanto, anterior à entrega da DCTF DRJ/POA A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1028.719 2ª Turma Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDÊNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados em DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez c certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 11080.909845/200800 Resolução nº 3001000.032 S3C0T1 Fl. 50 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: A empresa citada identificada por IFORTIX INSTALAÇÕES E CONSTRUÇÕES LTDA transmitiu declaração de compensação (Dcomp) em 30/12/2004, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para O PIS/Pasep, sendo que o valor total do pagamento é R$ 1.895,08 . A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre pelo Despacho Decisório não reconheceu o direito pleiteado e não homologou a compensação declarada, afirmando que o DARF foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados em dcomp. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que em algumas oportunidades teve dificuldades em recolher pontualmente os tributos. Sempre que ocorreram tais fatos, o contribuinte acabou efetuando o pagamento do débito, acrescido de multa e juros, antes mesmo da apresentação da DCTF. Conforme art. 138 CTN, as multas recolhidas nas situações acima são indevidas, e, ao tomar conhecimento de tal fato, o contribuinte alegou que mensurou o crédito e procedeu a compensação na forma da legislação em vigor. Alega que se a autoridade fiscal tivesse cumprido com seu dever de solicitar a prova dos créditos, teria acesso às planilhas de apuração e verificaria a regularidade do encontro de contas efetuado, além de constatar o pagamento dos tributos espontaneamente, portanto, inexigível sendo a multa. Requer que se anule o despacho decisório em questão, apurando a existência do crédito utilizado pelo contribuinte nas compensações glosadas. Isto porque, no presente litígio, a empresa interessada entregou declaração de compensação onde manifestou intenção de extinguir débitos tributários mediante oposição de indébitos que julga ser detentor. Ocorre, no entanto, que a contribuinte apenas alega na impugnação que teriam ocorrido tais indébitos, não trazendo ao processo nenhuma comprovação da efetividade da recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Em sede de exame de declaração de compensação, no qual a ação cabe à interessada, à esta cabem todos os esclarecimentos e as comprovações de seu pleito. O art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser efetivada a restituição pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações constantes da impugnação devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cabendo à interessada, quando da impugnação do lançamento, apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: Na manifestação de inconformidade entregue, a empresa interessada sequer se deu ao trabalho de apontar o processo judicial ou administrativo que suporta o direito creditório oponível ao Fisco. Não é possível fazer nenhuma confrontação de dados se o contribuinte não Fl. 50DF CARF MF Processo nº 11080.909845/200800 Resolução nº 3001000.032 S3C0T1 Fl. 51 4 traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, nem cabe ao Fisco procurar supostas provas a favor do contribuinte, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art.333, do Código de Processo Civil A interessada apresentou declaração de compensação alegando a existência de direito creditório oriundo do recolhimento de multa de mora pelo pagamento a destempo da Cofins/Pis. Argumenta que não seria devida a multa de mora tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Pacifico é o entendimento, tanto no contencioso administrativo como no Poder Judiciário, de que valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco Recurso Voluntário Segundo a recorrente, foram apresentados diversos pedidos de compensação de crédito cuja origem terseia dado em recolhimentos indevidos de multa, que, posteriormente, teriam sido utilizados para compensação de débitos de Pis e Cofins. Denúncia Espontânea A tese defendida pela Recorrente valese do argumento no qual reside sorte a seu raciocínio, qual seja, a possibilidade de aplicação do artigo 138 do CTN, quando o pagamento espontâneo ocorre após o vencimento do tributo, mas antes da entrega da DCTF. É o Relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário cuja pretensão escorase em legitimar a compensação de valores pagos a título de multa de mora. Argumenta pela aplicação de jurisprudência do STJ, indicando estar submetida aos requisitos do precedente judicial apontado. Origem do Crédito pagamento indevido por recolhimento de multa de mora ausência de procedimento fiscalizatório Ao analisar a Perd Dcomp acostada a estes autos percebese que se trata de pagamento ocorrido a destempo, com recolhimento de multa. Pleiteia a devolução do crédito, pago a título de multa, pois entende estar submetido à denúncia espontânea, vez que o recolhimento se deu ante a ausência de procedimento de fiscalização. Débito compensado sem recolhimento de multa de mora Já o débito compensado, no caso em análise, há que confrontálo com a data do pedido de Compensação, ocorrido em 27 de janeiro de 2005 , conforme imagem do carimbo aposto em efls. 02. Neste caso, falta à análise, a DCTF correspondente, para sacar as dúvidas quanto à aplicação do conteúdo prescrito no Resp nº 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 11080.909845/200800 Resolução nº 3001000.032 S3C0T1 Fl. 52 5 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 11080.909845/200800 Resolução nº 3001000.032 S3C0T1 Fl. 53 6 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) De acordo com o precedente judicial, seguiuse a orientação aos julgados deste CARF, conforme se depreende: Acórdão nº 3302004.451 Ano calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP). Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Compulsando os autos, verificase que no preenchimento da PER/DCOMP em análise, entregue em 17.11.2004 (fls. 0204), a Recorrente informou débitos de PIS, código de receita 6912 (PISNão Cumulativo), relativos ao mês de março de 2003, sem considerar as multas de mora. Consultando a DCTF entregue pela Recorrente em 15.05.2003 (fls.8182), constatase que o débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003, não havia sido declarado quando foi objeto de pedido de compensação por meio da Dcomp. Adicionalmente, não há notícia de nenhum procedimento fiscal com relação ao débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003 informado na Declaração de Compensação, o qual, Fl. 53DF CARF MF Processo nº 11080.909845/200800 Resolução nº 3001000.032 S3C0T1 Fl. 54 7 conforme já mencionado, também não havia sido previamente confessado por meio de DCTF. Assim, considerando que a Recorrente efetuou o pagamento do débito não declarado antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, com base no entendimento proferido pelo Ministro Luiz Fux no RESP anteriormente citado, reconheço o benefício da denúncia espontânea, descabendo a exigência de multa de mora em relação ao débito sob análise. Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp, e, para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF, e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este requisito, a meu ver, satisifeito. Ausência de declaração em DCTF A recorrente argumenta, tanto em manifestação de inconformidade, como em seu recurso voluntário, que o recolhimento da multa de mora, em decorrência do atraso em seu pagamento, se deu antes da entrega da DCTF, o que, por via de consequência, poderseia inferir a ausência desta informação na declaração referenciada. Entretanto, compulsando os autos, não localizo a DCTF, mas tão somente, a Per Dcomp, tornandose inviável a análise da existência das condições para fruição da Denúncia Espontânea prevista no artigo 138 do CTN e com aplicação referendada pelo (REsp 1.149.022) Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.909104/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de IPI relativo ao 4º trimestre de 2006 objeto do PER/DCOMP n.º 18848.95603.070308.1.5.015940, ao qual foi vinculada declarações de compensação (DCOMP n.º 09042.79843.030308.1.7.014795). O crédito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .9 09 10 4/ 20 11 -9 6 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13884.909104/201196 Resolução nº 3402001.310 S3C4T2 Fl. 504 2 pleiteado foi parcialmente reconhecido, ensejando na homologação parcial das compensações vinculadas, pelo motivo indicado nos seguintes termos no Despacho Decisório: "Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP." (efl. 280) Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão n.º 0950.810 da 3ª Turma da DRJ/JFA, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE UTILIZAÇÃO PARCIAL NA ESCRITA FISCAL PARA ABATER DÉBITOS EM PERÍODOS SUBSEQUENTES [LIVRO APÓS]. PROCEDÊNCIA. Ratificase o procedimento adotado pelo processamento eletrônico quando restar comprovado que parte dos créditos passíveis de ressarcimento apurados ao fim do trimestrecalendário a que se refere o pedido (Saldo Credor Passível de Ressarcimento) foi utilizada para abater débitos informados em períodos subsequentes, pelo contribuinte, não se mantendo, pois, na escrita, até o período imediatamente anterior ao da transmissão da DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" (efl. 418) Intimada desta decisão em 14/04/2014 (efl. 428), a empresa apresentou Recurso Voluntário por via postal em 14/05/2014 (efls. 429/440) alegando, em síntese, a ocorrência de erro material no preenchimento do pedido (preenchimento do campo "Estorno de crédito" com informações que deveriam ser indicadas no campo "Ressarcimento de Créditos"), sendo que a empresa efetivamente possuiria saldo credor suficiente à homologação de todas as compensações. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Resolução Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, entendo que o processo não se encontra em condições para julgamento. Senão vejamos. Atentandose primeiramente para o Despacho Decisório, constatase que foi reconhecida a existência de crédito de ressarcimento do 4º trimestre de 2006 no exato valor pleiteado pela empresa, de R$ 102.714,00. Contudo, parcela desse montante teria sido parcialmente consumida em períodos de apuração posteriores, qual seja, em março/2007, remanescendo um saldo credor de R$ 6.269,36. Como indicado no "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento" da efl. 282: Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13884.909104/201196 Resolução nº 3402001.310 S3C4T2 Fl. 505 3 Em sua defesa, sustenta a Recorrente que o valor não foi consumido em março/2007, vez que o valor de R$ 248.388,41 não corresponde ao valor de débito daquele período. Essa informação foi extraída do PER 10791.92791.050308.1.5.015757 relativo ao 1º trimestre de 2007 que, segundo a Recorrente, teria sido preenchido equivocadamente para indicar como débitos valores referentes à Ressarcimento de Créditos de período anteriores. A decisão recorrida bem esclarece a lide dos presentes autos: "Verificase, no Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível, que o saldo credor ressarcível é exatamente igual ao valor pleiteado pelo contribuinte, ou seja, R$ 102.714,00. Ocorre, no entanto, que a etapa seguinte da verificação consiste em analisar se os créditos passíveis de ressarcimento apurados ao final do trimestrecalendário a que se refere o pedido [Saldo Credor Ressarcível], se mantêm na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do(s) PERDCOMP. Vale dizer, devese verificar se o saldo credor apurado ao fim do trimestrecalendário foi utilizado para abater débitos informados no PGD ou apurados pela Fiscalização. Nesse propósito foi elaborado o Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento, cuja análise revela que o saldo credor ressarcível apurado ao final do trimestre calendário de referência [4º/2006] foi parcialmente “consumido” pelo débito informado no mês de março/2007, da ordem de R$ 248.388,11. Referido débito originase da informação prestada pelo contribuinte no PER nº 10791.92791.050308.1.5.015757 [relativo ao 1º trimestre/2007, anexado, nesta data, por esta Relatora, na parte que interessa, às fls. 413/414 dos autos], Ficha Livro Registro de Apuração do IPI no Período do Ressarcimento – Saídas, Mês Março/2007, Quadro Demonstrativo de Débitos, linha “Estorno de Créditos – valor R$ 231.034,55”que adicionado ao valor da linha “Saídas para o Mercado Nacional” – R$ 376,02, resulta R$ 231.410,57. A diferença de R$ 16.977,54 referese ao estorno promovido pelo sistema SCC, do valor deferido relativamente ao referido PER apresentado para utilização do saldo credor apurado ao final do 1º trimestre/2007 (...). Alega o contribuinte, em sua defesa, que é equivocado o apontamento do referido débito no mês de março/2007, conforme Demonstrativo de Apuração do IPI e Compensação do Saldo Credor Utilizado em PER DCOMP [DOC 09, fl. 327] e cópia do RAIPI dos anos de 2006 e 2007 [DOC 10], que evidenciam que a impugnante sempre manteve saldo credor do IPI, seja ao longo de 2006, seja nos meses subsequentes. Inicialmente é de se esclarecer que o valor R$ 231.410,57, como indicado anteriormente, resultou da informação prestada pelo próprio contribuinte no PER nº 10791.92791.050308.1.5.015757, sendo composto pelas rubricas “Estorno de Créditos – valor R$ 231.034,55” e “Saídas para o Mercado Nacional” – R$ 376,02. Cabe aqui, perquirir, acerca do componente lançado na linha “Estorno de Créditos”, uma vez que a linha Saídas para o Mercado Nacional não suscita qualquer indício de engano cometido."" (efls. 420/421 grifei) Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13884.909104/201196 Resolução nº 3402001.310 S3C4T2 Fl. 506 4 Desta forma, segundo afirmado pela Recorrente, teria ocorrido um erro material no preenchimento do PER/DCOMP relativo ao 1º trimestre de 2007 (nº 10791.92791.050308.1.5.015757), que teria indicado equivocadamente valores de "Ressarcimento de Créditos" como "Estorno de créditos" (montante de R$ 231.410,57), o que ensejou na indicação indevida desse valor dentro do campo "Débitos ajustados do período" no "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento" (efl. 282). A referida PER/DCOMP foi devidamente acostada aos autos pela julgadora de 1ª instância (efl. 414): A Recorrente traz na defesa uma memória de cálculo da composição desse montante de R$ 231.034,55 que deveria ser indicado no campo ressarcimento de créditos e não como estorno: Ainda que a recorrente tenha trazido no anexo da fl. 442 a relação de declarações de compensações que alcançam essa soma de R$ 231.034,55, observase que pelos documentos acostados aos autos não é possível identificar quais os números dos pedidos de ressarcimento aos quais essas compensações se vinculam, ou mesmo o valor dessas PER/DCOMPs de ressarcimento. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13884.909104/201196 Resolução nº 3402001.310 S3C4T2 Fl. 507 5 Além disso, não é possível precisar se os valores relacionados pela Recorrente, ou mesmo aqueles objeto do presente pedido de ressarcimento, teriam sido efetivamente estornados de sua escrita fiscal. Com efeito, pela análise dos livros de apuração do IPI acostados aos presentes autos (janeiro/2006 a março/2008 efls. 444/470) observase que somente há indicação de estorno por ressarcimento em novembro/2007, no qual foi estornado o valor de R$ 7.907,77 (e fl. 466), em dezembro/2007 com o estorno da soma de R$ 32.243,89 (efl. 467) e em janeiro/2008, com um estorno de R$ 24.726,17 (efl. 468). Tratamse de valores que não alcançam a soma informada pela Recorrente (R$ 231.034,55) ou mesmo o valor pleiteado pela Recorrente no presente processo (R$ 102.714,00) Assim, entendo que para confirmar a validade do crédito pleiteado no presente processo, ainda há dúvida se os valores do crédito de ressarcimento foram estornados da escrita fiscal da Recorrente e se efetivamente esses valores não foram aproveitados em período de apuração posterior. Ainda que a Recorrente tenha buscado evidenciar a que se refere o valor de R$ 231.034,55 indicado como "Débito Ajustado do Período" no Despacho Decisório, pela documentação acostada aos autos não está claro que a Recorrente teria procedido com o estorno desse valor em sua escrita como "Ressarcimento de crédito". Da mesma forma, ainda não está claro se o valor de ressarcimento do 4º trimestre de 2006 (R$ 102.714,00) teria sido aproveitado em períodos seguintes e se efetivamente foi estornado da escrita para fins de ressarcimento. E essa confirmação é essencial para evitar um eventual aproveitamento em duplicidade do crédito de IPI. Com efeito, para que o pedido de ressarcimento seja deferido em sua integralidade, crucial comprovar a não utilização do crédito na escrita fiscal, em conformidade com a exigência do art. 11, da Lei n.º 9.779/99: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." (grifei) É o que igualmente expressava a Instrução Normativa n.º 600/2005, vigente à época da transmissão do PER/DCOMP, evidenciando que o crédito deve ser devidamente estornado da escrituração fiscal após a formulação do pedido de ressarcimento para evitar o seu aproveitamento em duplicidade: "Art. 17. No período de apuração em que for apresentado à SRF o pedido de ressarcimento, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor do crédito solicitado. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 728, de 20 de março de 2007)" Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13884.909104/201196 Resolução nº 3402001.310 S3C4T2 Fl. 508 6 Desta forma, para que não restem dúvidas quanto a validade do despacho decisório emitido e para confirmar as alegações trazidas pela Recorrente em sua defesa, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem elabore um relatório com as seguintes informações: (i) informar se o valor de R$ 231.410,57 indicado na planilha apresentada pela Recorrente à efl. 433 corresponde ao ressarcimento de créditos de períodos anteriores a março/2007. Neste ponto, elaborar uma planilha relacionando os números dos PER/DCOMPs de ressarcimento apresentados pela Recorrente que respaldaram estes créditos, indicando se o valor desses créditos foram estornados da escrita fiscal da Recorrente. Somente para evidenciar o valor do crédito de ressarcimento pleiteado, anexar aos autos as cópias da "Ficha Ressarcimento de IPI" das PER/DCOMPs de ressarcimento correspondentes; (ii) considerando as informações obtidas no item anterior, confirmando que o valor de R$ 231.410,57 não se refere à débito apurado pela Recorrente, mas de ressarcimento de créditos de períodos anteriores, informar qual o valor do débito apurado em março/2007 que deve ser considerado no "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento" do despacho decisório (efl. 282); (iii) informar se a Recorrente estornou o valor do crédito do ressarcimento do 4º trimestre de 2006, objeto deste processo, de sua escrita. Caso positivo, informar qual o valor estornado e em qual período de apuração esse estorno foi realizado. A fiscalização poderá intimar a Recorrente para a apresentação de informações e documentos considerados relevantes para a elaboração da diligência, caso entender necessário. Com a conclusão da diligência, a Recorrente deverá ser intimada do seu resultado para manifestação, se assim desejar, em 30 (trinta) dias. Em seguida, os autos deverão retornar para este Conselho para julgamento. É como voto a presente Resolução. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 508DF CARF MF
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