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Numero do processo: 10410.000140/2007-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO SUFICIENTE DA DESPESA CONDUZ A NÃO ACEITAÇÃO DA DEUÇÃO DO IMPOSTO.
Recibos de despesas médicas devem conter todos os elementos de configuração de legitimidade e idoneidade, também quanto à origem de quem os fornece. A ausência destes requisitos resulta na não aceitação do documento como prova válida para efeito de dedução do imposto.
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Todos os rendimentos recebidos ao longo do ano-calendário, independentemente de terem sido tributados mensalmente ou não, estão sujeitos ao ajuste anual do imposto.
Numero da decisão: 2001-001.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução dos valores das pensões alimentícias no valor de R$ 19.064,49, mantendo-se, porém, a glosa de R$ 9.000,00 referente à despesas médicas e mantendo-se a omissão de rendimentos no valor de R$ 4.386,86, para a determinação, por consequência, do crédito tributário remanescente.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO SUFICIENTE DA DESPESA CONDUZ A NÃO ACEITAÇÃO DA DEUÇÃO DO IMPOSTO. Recibos de despesas médicas devem conter todos os elementos de configuração de legitimidade e idoneidade, também quanto à origem de quem os fornece. A ausência destes requisitos resulta na não aceitação do documento como prova válida para efeito de dedução do imposto. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Todos os rendimentos recebidos ao longo do ano-calendário, independentemente de terem sido tributados mensalmente ou não, estão sujeitos ao ajuste anual do imposto.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO SUFICIENTE DA DESPESA CONDUZ A NÃO ACEITAÇÃO DA DEUÇÃO DO IMPOSTO. Recibos de despesas médicas devem conter todos os elementos de configuração de legitimidade e idoneidade, também quanto à origem de quem os fornece. A ausência destes requisitos resulta na não aceitação do documento como prova válida para efeito de dedução do imposto. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Todos os rendimentos recebidos ao longo do anocalendário, independentemente de terem sido tributados mensalmente ou não, estão sujeitos ao ajuste anual do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução dos valores das pensões alimentícias no valor de R$ 19.064,49, mantendose, porém, a glosa de R$ 9.000,00 referente à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 01 40 /2 00 7- 94 Fl. 104DF CARF MF 2 despesas médicas e mantendose a omissão de rendimentos no valor de R$ 4.386,86, para a determinação, por consequência, do crédito tributário remanescente. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual – DAA, dedução de Pensão Alimentícia e Omissão de Rendimentos. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.735,39, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2004. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido comprovado adequadamente as despesas médicas, dedução de pensão alimentícia e omissão de rendimentos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação outra e além dos recibos apresentados no momento da verificação fiscal e juntados aos autos, pensão alimentícia e omissão de rendimentos, como segue: Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4045, no qual é exigido o Imposto de Renda da Pessoa Física Suplementar, relativamente ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 6.735,39, que, acrescidos dos encargos legais, perfaz um crédito tributário total de R$ 13.335,39. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 4143) os motivos que deram ensejo ao lançamento acima: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 9.000,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação da Descrição dos fatos Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10410.000140/200794 Acórdão n.º 2001001.278 S2C0T1 Fl. 105 3 Dedução indevida das seguintes despesas médicas de Maria Vieira de Lima (R$ 9.000, 00) Em virtude deste profissional estar sob investigação por emissão de recibos sem a devida contraprestação de pagamento e ou serviços e o contribuinte sob intimação não apresentou documentação comprobatória de que houvesse o efetivo pagamento em relação a este profissional, já que o valor envolvido é elevado. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial Glosa do valor de R$ 11.105,45, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Bruno Muniz de Almeida Cabral em virtude da não apresentação de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente e os comprovantes de pagamento da pensão alimentícia. OBS.: Este pressuposto alimentado possuía à época mas de 21 anos e possuía renda. Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi. BRADESCO VIDA E PREVIDENCIA S.A., 4.387,86. Da dedução com despesas médicas Relativamente ao dispêndio pago à Maria Vieira Lima (CPF. 162.578.12453) cumpre apontar que o impugnante acostou um recibo (fl. 19), no valor de R$ 9.000,00, datado de 23/12/2004, onde consta consignado que aquela importância se refere a "psicoterapia durante o ano de 2004 sendo 2 sessões semanal (sic)". O recibo juntado não atende plenamente a norma citada, uma vez que, apesar de trazer alguns dos requisitos exigidos (indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu), não há a especificação do serviço prestado (número de sessões realizadas, valor cobrado por sessão, datas das realizações das sessões etc.), impossibilitando, dessa forma, a individualização do valor referente ao paciente/tomador do serviço. Além disso, o art. 73 mencionado determina que todas as deduções devem ser justificadas e comprovadas, o que não dispensa o contribuinte da prova do efetivo pagamento do dispêndio médico, pois um simples recibo não comprova efetivamente a realização do serviço, sendo necessário outros elementos, dentre os quais o pagamento, para que se possa demonstrar cabalmente a realização da despesa médica. Por outros termos, devem ser apresentadas as provas da saída dos recursos e a destinação coincidente com o fim utilizado, no caso, a tomada serviços psicológicos, hipótese que não se verificou no caso analisado. Diante disso, há que permanecer a glosa efetuada pela fiscalização relativamente ao suposto dispêndio médico analisado. Fl. 106DF CARF MF 4 Da dedução com pensão alimentícia judicial Sobre a dedução da pensão alimentícia judicial, cumpre trazer à colação as regras previstas no art. 49 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001: (...) Por se tratar de dedução, também aplicável à presente hipótese é o teor do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda, já anteriormente mencionado e transcrito. Destarte, dois requisitos deverão ser observados para que seja possível a dedução ora em análise: (i) que a importância paga a título de pensão alimentícia seja em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e (ii) a comprovação do efetivo pagamento. No que se refere ao primeiro requisito citado, o impugnante trouxe aos autos a cópia do Formal de Partilha (fls. 3237), onde é possível verificar que o cônjuge varão (impugnante) deverá contribuir mensalmente com o equivalente a 30% de seus ganhos líquidos que será entregue à mãe dos filhos menores (à época): Bruno Muniz de Almeida Cabral e Gláucia Muniz de Almeida Cabral. O impugnante juntou também uma declaração/recibo (fl. 21) firmado por Bruno Muniz de Almeida Cabral alegando ter recebido do impugnante a quantia de R$ 10.368,00 durante o anocalendário de 2004, além de acostar a cópia da Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) deste alimentando, exercício 2005, onde é possível verificar que a importância mencionada de R$ 10.368,00 está relacionada como rendimento tributável recebido de pessoa física. (...) Convém dizer que o fato de haver uma DIRPF oferecendo o montante de R$ 10.368,00 à tributação do imposto de renda, por si só, não atesta cabalmente que este valor fora efetivamente pago pelo alimentante. Tal fato poderia ser efetuado mediante a ,juntada de documentos que efetivamente demonstrasse o desembolso da importância por parte do alimentante ou o recebimento por parte do alimentando, tal como poderia ser demonstrado com comprovantes bancários (extratos, cópia de cheques, ordens de pagamento etc.). Em relação a outra alimentanda apontada no Formal de Partilha citado, Gláucia Muniz de Almeida Cabral, o impugnante não trouxe nenhum documento para comprovar o efetivo pagamento da pensão alimentícia. No que se refere a outra pensão alimentícia mencionada pelo impugnante em sua peça defensória, restou juntado o Comprovante de Rendimentos Pagos e de retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido pela Caixa Econômica Federal, fl. 14, onde é possível identificar a existência de um desconto em favor de Bruna Maria de Almeida Cabral (CPF. 007.793.19478), fato que prova o efetivo pagamento do encargo. Todavia, conforme já asseverado, a norma exige que a importância paga a título de pensão alimentícia seja em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10410.000140/200794 Acórdão n.º 2001001.278 S2C0T1 Fl. 106 5 judicialmente, o que não restou demonstrado pelo impugnante em relação a referida beneficiária. Diante desses fatos, não há como acatar o pleito do impugnante em relação a este parte da ação fiscal. Da Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi Sobre a omissão dos rendimentos recebidos pelo resgate de contribuições em entidades de previdência privada (Bradesco Vida e Previdência S.A.) o impugnante não contesta o recebimento do montante de R$ 4.386,86, apenas noticia que este valor foi resgatado em quatro parcelas mensais, cujos valores individuais estavam dentro dos limites de isenção, conforme documento fornecido pela instituição financeira pagadora (fl. 38). Cabe trazer à colação o disposto na Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que alterou a tributação dos rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas; (...) Inferese do art. 2ª da Lei nº 8.134, de 1990, que o imposto sobre a renda das pessoas físicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste a ser processado na declaração de ajuste anual. Verificase que a norma estipulou a obrigatoriedade na apresentação da declaração de ajuste anual, mas manteve a incidência do imposto no momento da percepção do rendimento e seu recolhimento dentro do ano calendário, conforme seja o caso (carnêleão, tributação na fonte, mensalão etc.). Em vista disso, ficouse diante de dois períodos de apuração, um mensal e outro anual. No caso em tela, não ocorreu a incidência mensal do imposto de renda nos rendimentos recebidos da pessoa jurídica apontada, porque a base de cálculo para cada resgate recebido ficou dentro da faixa de isenção, conforme previsto no art. 1º da Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, o qual prevê a tabela progressiva mensal a ser utilizada para o período considerado (ano calendário 2004). Todavia, conforme se infere dos mencionados artigos 9º e 10 da Lei nº 8.134, de 1990, exceto os rendimentos isentos, os nãotributáveis e os tributados exclusivamente na fonte, todos os rendimentos recebidos ao longo do anocalendário, independentemente de terem sido tributados mensalmente ou não, estão sujeitos ao ajuste anual. Assim, ainda que o recebimento dos valores dos resgates, isoladamente considerados, não tenha sofrido a incidência mensal do imposto, devem ser juntados aos demais rendimentos tributáveis auferidos no anocalendário, para serem oferecidos à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual (DIRPF). Entretanto, tal hipótese não foi observada no presente caso, configurando, de conseguinte, a omissão dos rendimentos (resgates). Por conta disso, não há nenhum reparo a efetuar nesta parte do lançamento. Fl. 108DF CARF MF 6 Ante 'o exposto, VOTO pela improcedência da impugnação (fls. 01 04), mantendo o crédito tributário contido na Notificação de Lançamento de fls. 4045, em todos os seus termos. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela procedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 6.735,39, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Glosa das despesas médicas pagas a Dra. Maria Vieira Lima, no valor de R$ 9.000,00 (nove mil reais) correspondentes à terapia psicológica durante o ano de 2004. Há equívoco quando se afirma que a despesa médica é indevida por falta de comprovação. O Recibo anexado pelo Requerente não só comprova como também indica as demais exigências legais, tais como: nome, endereço e número de inscrição no Cad. De Pessoas Físicas – DPF de que o recebeu; nome e endereço do beneficiário; especificação do serviço prestado (psicoterapia durante os meses de janeiro a dezembro de 2004, sendo 2 (duas) sessões semanais, perfazendo, aproximadamente, 96 (noventa e seis) sessões durante todo aquele ano. Relativamente à situação da prestadora dos serviços perante a Receita Federal, é óbvio que o Requerente nada tem a ver com tal questão, razão pela qual não pode essa assertiva da Autoridade Tributária ser considerada também como um fator de justificação da glosa. Por outro lado, embora se constituam em avaliações subjetivas, as afirmativas de que tratase de “valor elevado” (como afirma a Autoridade Tributária), ou de “deduções exageradas em relação ao rendimentos declarados” (como quer o Senhor Relator da DRJ/REC) não se aplicam ao presente caso. Como “chamar de exagerada ou elevada a despesa médica de R$ 9.000,00, correspondente a pouco mais de 5% (cinco por cento) dos rendimentos do contribuinte? Sim, porque, sendo a renda total de R$ 165.785,89 (Rendimentos Tributáveis – R$ 69.120,12 + rendimentos isentos e não Tributáveis – R$ 52.286,36 + Rendimentos sujeitos a Tributação Exclusiva – R$ 44.379,41), não parece razoável considerar exagerada a despesa de 5% dos rendimentos totais do contribuinte. Em assim sendo, tendo o Requerente se submetido a tratamento psicoterápico durante o ano de 2004 e desembolsado semanalmente e a cada sessão terapêutica, os custos individuais por sessão que somados ao longo do ano de 2004 perfazem o valor de R$ 9.000,00, requer a esse Egrégio Conselho em grau de recurso, a reforma da decisão da DRJ/REC, para considerar como devida a dedução em tela. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10410.000140/200794 Acórdão n.º 2001001.278 S2C0T1 Fl. 107 7 Glosa da Pensão Alimentícia Judicial, no valor de R$ 10.368,00 (e não R$ 11.105,45) pata a Bruno Muniz de Almeida Cabral, durante o anocalendário de 2004. Há equívocos cometidos tanto pela Autoridade Tributária quanto pelo Ilustre Relator da DRJ/REC, no que se refere ao valor da dedução feito na DIRPF – 2004/2005. O correto é R$ 10.368,00 e não R$ 11.105,45 como consta da glosa dos Relatórios de ambas as autoridades. Além do mais, o beneficiário da Pensão Alimentícia Judicial levou o Valor à Tributação – e sobre o mesmo foi tributado, conforme documentação já anexada, não cabendo nova Tributação (bitributação). E quanto a questão levantada pela Autoridade Tributária de que o beneficiário era maior de 21 anos, convém trazer à colação a Sumula nº 358, do STJ: “O cancelamento de Pensão Alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeita a decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos”. Por outro lado, equivocase, mais uma vez o Ilustre Relator, quando concorda com uma glosa inexistente, referente a Bruna Maria de Almeida Cabral. Na verdade, a Autoridade Tributária glosa, tão somente, a Pensão Alimentícia Judicial de Bruno Muniz de Almeida Cabral, no valor de R$ 10.368,00, nada alegando quanto à outra Pensão Alimentícia Judicial em favor de Bruna Maria de Almeida Cabral que, há quase 10 anos, é descontada diretamente no contracheque do Requerente. Glosa de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência, PGBL e FAPI, no valor de R$ 4.386,86. Novamente há equívoco quanto ao enquadramento, como rendimento, da parcela de R$ 4.386,86. A mesma corresponde ao resgate de aplicação feita no ano 2001 em Fundo Gerador de Benefício Individual e foi recebido em 4 (quatro) parcelas mensais (R$ 1.212,86 e mais 3 (três) parcelas de R$ 1.058,00 nas datas de 23.01.2004; 25.02.2004; 25.03.2004 e 13.04.2004), respectivamente, todas dentro do limite legal de isenção de saque cada 30 (trinta) dias. É certo que o Requerente não considerou tais saques em sua DIRPF2004/2005 e não fez por má fé e nem com o intuito de praticar sonegação mas tão somente por ignorância e desconhecimento da norma legal. Todavia, como a ninguém é dado o direito de desconhecer a Lei, o Requerente reconhece a falta de tributação, por sua culpa, porém, discorda do seu montante, pois ali naqueles R$ 4.386,86 estão compreendidos rendimentos e principal, este já tributado anteriormente. Nestas condições, ilustres Membros desse Egrégio Conselho, submete o Requerente a esse Colegiado, em grau de recurso, a revisão da matéria, objetivando a reforma das decisões das Autoridades Tributárias, por tratarse da mais lídma justiça. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DESPESAS MÉDICAS A decisão do Acórdão da DRJ considera não comprovada a despesa médica deduzida na Declaração de Ajuste Anual com recibo fornecido por Maria Vieira Lima no valor de R$ 9.000,00 que, de forma genérica diz se referir a tratamento de psicoterapia com duas sessões por semana durante o ano de 2004, sem especificar datas das sessões e valores individualizados, cujo comprovante único foi datado de 23/12/2004. Somese a isso a suspeição que paira sobre a emitente do recibo que se encontrava à época sob investigação exatamente pelo motivo de ter emitido recibos sem a devida contraprestação de serviços, conforme apontou o Agente Fiscal na Complementação dos Fatos anexo ao Lançamento, nos seguintes termos: Dedução indevida das seguintes despesas médicas de Maria Vieira de Lima (R$ 9.000,00) Em virtude deste profissional estar sob investigação por emissão de recibos sem a devida contraprestação de pagamento e ou serviços e o contribuinte sob intimação não apresentou documentação comprobatória de que houvesse o efetivo pagamento em relação a este profissional, já que o valor envolvido é elevado. Por essas razões fica mantida a glosa das despesas médicas no valor de R$ 9.000,00, por insuficiência de comprovação, considerandose o exposto na decisão de primeira instância administrativa e ausência de elementos convincentes também em sede de Recurso Voluntário. Negado provimento, portanto, no item despesas médicas. OMISSÃO DE RECEITA VERIFICADA A decisão do Acórdão da DRJ considera que realmente ocorreu omissão de rendimentos, fato que, de certa forma, não foi negado pelo Recorrente, somente alegando que o valor de R$ 4.386,86 foi recebido em quatro parcelas e que estas ficaram dentro da faixa de isenção no período do recebimento. A sistemática de apuração do imposto sobre a renda de pessoa física é realizada anualmente, contudo, os rendimentos mensais embora naquele momento estejam na faixa de isenção, devem, na sua totalidade, serem oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual para o cálculo do imposto sobre os rendimentos auferidos no período anual de referência, compensandose eventuais antecipações de tributação na fonte quando houver. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10410.000140/200794 Acórdão n.º 2001001.278 S2C0T1 Fl. 108 9 Neste sentido é importante repetir aqui a base da decisão da primeira instância administrativa que considerou como omissão de rendimentos o valor recebido a título de previdência privada e não oferecido à tributação na DAA, como segue: Em vista disso, ficouse diante de dois períodos de apuração, um mensal e outro anual. No caso em tela, não ocorreu a incidência mensal do imposto de renda nos rendimentos recebidos da pessoa jurídica apontada, porque a base de cálculo para cada resgate recebido ficou dentro da faixa de isenção, conforme previsto no art. 1º da Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, o qual prevê a tabela progressiva mensal a ser utilizada para o período considerado (ano calendário 2004). Todavia, conforme se infere dos mencionados artigos 9º e 10 da Lei nº 8.134, de 1990, exceto os rendimentos isentos, os nãotributáveis e os tributados exclusivamente na fonte, todos os rendimentos recebidos ao longo do anocalendário, independentemente de terem sido tributados mensalmente ou não, estão sujeitos ao ajuste anual. Assim, ainda que o recebimento dos valores dos resgates, isoladamente considerados, não tenha sofrido a incidência mensal do imposto, devem ser juntados aos demais rendimentos tributáveis auferidos no anocalendário, para serem oferecidos à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual (DIRPF). Entretanto, tal hipótese não foi observada no presente caso, configurando, de conseguinte, a omissão dos rendimentos (resgates). Por conta disso, não há nenhum reparo a efetuar nesta parte do lançamento. Por essas razões fica mantida a parte do Lançamento referente à omissão de rendimentos no valor de R$ 4.386,86, por não ter sido incluído na Declaração de Ajuste Anual, considerandose o exposto na decisão de primeira instância administrativa e ausência de elementos convincentes também em sede de Recurso Voluntário. Acrescentese que os valores são tributados na sua totalidade em razão do saque por não terem sido tributados anteriormente. Negado provimento, portanto, no item omissão de rendimentos. PENSÃO ALIMENTÍCIA COMPROVADA A decisão do Acórdão da DRJ não atende a demanda do Contribuinte porque considera não comprovado o direito, neste caso, de dedução a título de pensão alimentícia por insuficiência de material probante dos requisitos legais sobre a matéria, nos seguintes termos: Destarte, dois requisitos deverão ser observados para que seja possível a dedução ora em análise: (i) que a importância paga a título de pensão alimentícia seja em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e (ii) a comprovação do efetivo pagamento. No que se refere ao primeiro requisito citado, o impugnante trouxe aos autos a cópia do Formal de Partilha (fls. 3237), onde é possível verificase que o cônjuge varão (impugnante) deverá contribuir Fl. 112DF CARF MF 10 mensalmente com o equivalente a 30% de seus ganhos líquidos que será entregue à mãe dos filhos menores (à época): Bruno Muniz de Almeida Cabral e Gláucia Muniz de Almeida Cabral. O impugnante juntou também uma declaração/recibo (fl. 21) firmado por Bruno Muniz de Almeida Cabral alegando ter recebido do impugnante a quantia de R$ 10.368,00 durante o anocalendário de 2004, além de acostar a cópia da Declaração de Ajuste Anual (DIRPF) deste alimentando, exercício 2005, onde é possível verificar que a importância mencionada de R$ 10.368,00 está relacionada como rendimento tributável recebido de pessoa física. No que se refere a outra pensão alimentícia mencionada pelo impugnante em sua peça defensória, restou juntado o Comprovante de Rendimentos Pagos e de retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido pela Caixa Econômica Federal, fl. 14, onde é possível identificar a existência de um desconto em favor de Bruna Maria de Almeida Cabral (CPF. 007.793.19478), fato que prova o efetivo pagamento do encargo. Todavia, conforme já asseverado, a norma exige que a importância paga a título de pensão alimentícia seja em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, o que não restou demonstrado pelo impugnante em relação a referida beneficiária. De princípio é oportuno esclarecer que a decisão do Acórdão vergastado baseiase na exigência de dois pressupostos para o atendimento dos requisitos legais para a dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia, quais sejam: (i) que a importância paga a título de pensão alimentícia seja em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e (ii) a comprovação do efetivo pagamento. Vêse nos autos que o primeiro requisito está atendido pelo que consta nas fls. 35/40 e 96/101 no que se refere ao filho Bruno Muniz de Almeida Cabral e nas fls. 94/95, e no que se refere à filha Bruna Maria de Almeida Cabral com a juntada aos autos das decisões judiciais correspondentes. Estes são elementos probantes da decisão judicial que obrigou o Recorrente a pagar os valores ali definidos como pensão alimentícia. Também se vê nos autos que o segundo requisito, que se refere ao efetivo pagamento, está atendido pelo que consta nas fl. 24 onde consta o recibo firmado pelo alimentado que afirma ter recebido do Recorrente o valor de R$ 10.368,00, documento suficiente para a comprovação requerida. Da mesma forma que nas fls. 25/30 consta a Declaração de Ajuste Anual do Alimentado onde está informado o valor recebido do Recorrente a título de pensão alimentícia, considerado corretamente como tributável na sua DAA. No que se refere à filha Bruna Maria de Almeida Cabral, a comprovação do efetivo pagamento vêse na fl. 17 dos autos, no Comprovante de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal, que destaca no documento a retenção do valor de R$ 8.696,49 tendo como beneficiária a filha alimentada. Estes são elementos probantes do efetivo recebimento dos valores declarados pelo Recorrente como pagos a título de pensão alimentícia. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10410.000140/200794 Acórdão n.º 2001001.278 S2C0T1 Fl. 109 11 Assim, recepcionase as provas trazida aos autos tanto na fase de exame fiscal, em sede de impugnação ou de Recurso Voluntário, considerandose comprovados os valores deduzidos a título de pensão alimentícia paga pelo Recorrente, extinguindose a glosa neste item no valor total de R$ 19.064,49. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, restabelecendose a dedução dos valores das pensões alimentícias no valor de R$ 19.064,49, mantendose, porém, a glosa de R$ 9.000,00 referente à despesas médicas e mantendose a omissão de rendimentos no valor de R$ 4.386,86, para a determinação, por consequência, do crédito tributário remanescente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.721767/2011-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 17 67 /2 01 1- 55 Fl. 157DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual DAA. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.605,50, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2008. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado comprovação suplementar aos recibos de prestação de serviços profissionais de despesas médicas. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação outra e além dos recibos apresentados no momento da verificação fiscal e juntados aos autos, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da DRF/Juiz de Fora/MG, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, anocalendário 2008. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 5.805,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Dedução indevida de despesas médicas, sendo glosadas as seguintes despesas, por falta de comprovação do efetivo pagamento : Juliane Christine Gonçalves Pre R$ 2.000,00; Denis Tury Guimarães R$ 8.000,00; Jorgiane Aparecida de Souza Homem R$ 4.500,00 (alterado de R$ 5.000,00 para R$ 500,00); Daniela Filgueiras Britto R$ 4.520,00 (alterado de R$ 5.000,00 para R$ 480,00); Hiveraldo Henriques Franchini R$ 5.000,00. O direito à dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está previsto no art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), que assim dispõe: (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10640.721767/201155 Acórdão n.º 2001001.269 S2C0T1 Fl. 158 3 Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. O contribuinte se insurge contra a totalidade da glosa das despesas médicas e afirma que os recibos gozam de presunção de veracidade, que ante a falta de qualquer apontamento de indício de inidoneidade e/ou fraude dos recibos apresentados, deve ser revista a glosa e restabelecida a dedução, que os extratos da movimentação financeira são compatíveis com as despesas relativas aos pagamentos dos profissionais de saúde e que conforme tabela de saques e pagamentos, verificase que os saques realizados pelo contribuinte em sua conta bancária são suficientes para cobrir seus gastos com profissionais da área de saúde. Normalmente, o recibo é o documento hábil para comprovar a dedução da despesa médica. Entretanto, é facultado ao Auditor Fiscal nos casos em considerar necessários, solicitar ao contribuinte provas adicionais relativas às deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual, fundamentado no art. 73 combinado com o art. 80 do Decreto nº 3.000/99. Ademais, é equivocado entenderse que o inciso III do art. 8º da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação dessa legislação. A tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos, tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Porém, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo art. 8º da Lei 9.250, de 1995. Cabe, portanto, ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução no período assinalado. O interessado junta declarações emitidas pelos profissionais (fls. 21/26), recibos (fls. 49/58) a seguir relacionados: (...) O Auditor Fiscal durante a fiscalização considerou os seguintes pagamentos: Daniela Filgueiras Brito em 16/06/2008 no valor de R$ Fl. 159DF CARF MF 4 480,00 e Jorgeane A dos Santos Homem em 24/09/2008 no valor de R$ 500,00. O sujeito passivo argumenta que conforme tabela de saques e pagamentos, verificase que os saques realizados em sua conta bancária são suficientes para cobrir seus gastos com profissionais da área de saúde. Ocorre que o volume dos saques realizados e a capacidade financeira da contribuinte não são suficientes para comprovar o efetivo pagamento das despesas, se não estiver demonstrada a correlação entre os valores e datas de cada recibo e o respectivo desembolso. Analisando os extratos bancários, juntados aos autos (fls. 26/48), observase que os saques efetuados na conta do Banco do Brasil nos dias 14/05/2008 (R$ 1.000,00) e 13/08/2008 (R$ 1.000,00) atestam o efetivo pagamento das despesas com a profissional Daniela Filgueiras Britto no valor de R$ 480,00 no dia 15/05/2008 e com a profissional Juliane Christine Gonçalves no valor de R$ 500,00 no dia 13/08/2008, totalizando R$ 980,00, valor a ser restabelecido. Foi adotado o critério de saques com até três dias antes da data de emissão desses recibos em valores suficientes para quitálos, tendo sido esse o critério adotado para a verificação do efetivo pagamento. Registrese que o critério adotado é mais benéfico ao contribuinte, pois é mais flexível do que a exigência de que a data do saque coincida exatamente com a data do pagamento da despesa (ou com a data do recibo). Nos extratos bancários do Banco Itaú não foram localizados saques em datas compatíveis com as datas de emissão dos recibos. Assim, restabelecemse as despesas médicas no valor de R$ 980,00. Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 980,00, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$ 6.336,00, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 6.336,00, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Quanto aos recibos relativos a despesas médicas pagas de Juliane Gonçalves Prenassi – CPF: 003.268.55645 (cirurgiã dentista); Denis Tury Guimarães – CPF: 453.860.05634 (cirurgião dentista); Jorgeane Aparecida do Santos Homem – CPF: 041.683.82605 (fonoaudióloga); Daniela Filgueiras Brito – CPF: 041.454.33610 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10640.721767/201155 Acórdão n.º 2001001.269 S2C0T1 Fl. 159 5 (fonoaudióloga) e Hiveraldo Franchini Lima – FPF: 009.822.71654 (fisioterapeuta), o Auditor as glosou, adotando um critério arbitrário de três dias entre a movimentação bancária e a emissão dos recibos, desta forma justificou as glosas alegando que o contribuinte simplesmente não comprovou o pagamento devido à movimentação financeira incompatível. Ora, os recibos apresentados gozam de presunção de veracidade, devendo o Auditor apontar eventuais vícios que possam macular o teor das informações prestadas. A jurisprudência do próprio órgão julgador administrativo é clara ao enfatizar a validade dos recibos apresentados, quando corretamente identificado o profissional, seu registro no respectivo conselho, seu CPF e demais dados cadastrais, o que ocorreu nos recibos apresentados pelas profissionais Juliane, Denis, Jorgeane. A esse respeito diz o Decreto 3000 de 1999 e legislação correlata: Art. 80. (...) Art. 845 (...) Art. 924 (...) Assim, ante a falta de qualquer apontamento de indício de inidoneidade e/ou fraude dos recibos apresentados, deve ser revista a glosa e restabelecida a dedução. Conforme requisitado pelos Auditores, que não se bastaram com os recibos apresentados, foi apresentado pelo contribuinte sua movimentação bancária, uma vez que o mesmo não trabalha com cheques nominais, ou ordem de pagamentos. Ademais, os extratos da movimentação financeira apresentados pelo contribuinte, diferentemente do alegado pelo Auditor, são compatíveis com as despesas relativas aos pagamentos dos profissionais de saúde. 1) Em fevereiro de 2008 o contribuinte sacou de suas contas bancárias o valor de R$ 4.080,00, tendo efetuado o pagamento dos profissionais Daniela e Jorgiane. Podese observar que autor em 11 e 15 de fevereiro sacou a quantia de R$ 700,00, tendo efetuado o pagamento de R$ 375 à Dra. Daniela. Assim, analisando a tabela de saques e pagamentos em anexo, pode se verificar com clareza que os saques realizados pelo contribuinte em sua conta bancária são suficientes para cobrir seus gastos com profissionais da área de saúde. De um total de R$ 39.607,00 sacados de suas contas correntes foram gastos com pagamentos de profissionais um total de R$ 25.055,00 durante todo o ano de 2008, o que comprova claramente movimentação financeira compatível com os gastos. Ressaltese que o critério adotado pelos auditores, qual seja o critério de saques com até três dias antes da data de emissão dos recibos em valores suficientes para quitálos, como sendo o mais benéfico ao contribuinte, não se encontra legalmente amparado. Haja vista que a Fl. 161DF CARF MF 6 Lei 8.846 de 21 de janeiro de 1994 em seu artigo 1º determina apenas que a emissão de recibos referentes à prestação de serviços deverá ser realizada no momento da efetivação do serviço. É pertinente aqui transcrever o disposto no artigo 1º da Lei 8.846/94: Art. 1: A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. Assim sendo, não concorda o contribuinte com o critério adotado pelos auditores para conferência dos extratos bancários e recibos apresentados na forma da lei vigente. À vista de todo exposto, demonstrada as irregularidades da ação fiscal, espera e requer o recorrente seja acolhido o presente recurso voluntário para o fim de que seja revisto todos os lançamentos, conforme acima demonstrado e que sejam retiradas as glosas das deduções ora impugnadas, pelos fatos e fundamentos de direito expostos acima. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A decisão do Acórdão da DRJ contempla parcialmente a demanda do Contribuinte e reduz o crédito tributário lançado de R$ 6.605,50 para R$ 6.336,00, em razão da aceitação de parte dos recibos, pela comparação com a planilha de saques das disponibilidades bancárias apresentada pelo Recorrente, que o Relator do Acórdão vergastado constatou proximidade entre os saques e a data dos recibos, pelo critério adotado. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10640.721767/201155 Acórdão n.º 2001001.269 S2C0T1 Fl. 160 7 O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços Fl. 163DF CARF MF 8 radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10640.721767/201155 Acórdão n.º 2001001.269 S2C0T1 Fl. 161 9 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Fl. 165DF CARF MF 10 Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. No que se refere à observação constante no voto da DRJ quanto ao dever de constar no “documento comprobatório da despesa a indicação de nome endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente...”, constatase pelas provas acostadas aos autos que está demanda legal/fiscal foi atendida desde a fase de revisão fiscal, e em sede de impugnação pela apresentação das declarações dos profissionais fls. 21/25 e 95/99, e pelos recibos fls. 49/58 e 78/86. Quanto à observação constante do voto da DRJ de que deve constar nos documentos comprobatórios da despesa “o nome da pessoa beneficiária”, é oportuno dizer que o recibo é dado ao ContribuintePaciente e somente deve ser especificado outro nome de paciente quando é o caso de atendimento a dependentes, o que é destacado na INRFB nº 1.500/2014, art. 97, inciso II, como se vê: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; grifei A decisão do Acórdão da DRJ contestado na defesa do Recorrente e aceita em parte dos comprovantes emitidos, pela adoção de critério subjetivo que considera válidos os recibos com data de emissão com até três dias depois de algum saque bancário, argumentando que este “critério é mais benéfico ao contribuinte, pois é mais flexível do que a exigência de que a data do saque coincida exatamente com a data do pagamento da despesa (ou com a data do recibo)”, não conta com suporte legal. Destaquese que o critério mais benéfico ao contribuinte é aquele disposto em lei e a exigência dos saques bancários coincidirem com a data da emissão do recibo não está respaldado na legislação. Além disso, a data da emissão do recibo não garante que o pagamento tenha ocorrido naquele exato momento. Por isso, o critério adotado é subjetivo e inconsistente pelos motivos expostos. Assim, considerando que o Contribuinte apresentou extratos bancários, fls. 26/48 e 105/126, bem como planilha de disponibilidade financeira compatível com os desembolsos para cobrir despesas médicas, fica provada a sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie, assim como constatada a providência de atendimento da exigência da validade dos comprovantes apresentados e legitimada a dedução do imposto efetuada na DAA no valor total informado na Declaração do Imposto de Renda. Do processo, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante comprovantes assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declarações, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Verificase, neste caso, que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa realizada, correspondendo à comprovação do pagamento de Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10640.721767/201155 Acórdão n.º 2001001.269 S2C0T1 Fl. 162 11 profissionais e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas, excluindo se, por consequência, o crédito tributário na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000464/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO.
Não há como ser apreciada a preliminar de que a pessoa física deve ser equiparada à pessoa jurídica diante das comprovadas atividades empresariais, uma vez que a matéria não foi aventada em sede de impugnação, além de não apresentar nenhuma prova a corroborar suas alegações de defesa e tampouco se trata de matéria de ordem pública, cognoscível de ofício. Assim, a teor do que dispõe o arts. 15 e 16, inciso III, ambos do Decreto nº 70.235/1972, ocorreu preclusão quanto a matéria em questão.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A presunção estabelecida no art. 42 da lei nº 9.430/96 dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada alegações não comprovadas, nos termos da SÚMULA CARF Nº 26. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil.
JUROS. TAXA SELIC. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO.
Não há como ser apreciada a pretendida exclusão da taxa SELIC sobre a multa de ofício, uma vez que a matéria não foi aventada em sede de impugnação. Assim, a teor do que dispõe o arts. 15 e 16, inciso III, ambos do Decreto nº 70.235/1972, ocorreu preclusão quanto à matéria em questão.
Numero da decisão: 2401-006.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. Não há como ser apreciada a preliminar de que a pessoa física deve ser equiparada à pessoa jurídica diante das comprovadas atividades empresariais, uma vez que a matéria não foi aventada em sede de impugnação, além de não apresentar nenhuma prova a corroborar suas alegações de defesa e tampouco se trata de matéria de ordem pública, cognoscível de ofício. Assim, a teor do que dispõe o arts. 15 e 16, inciso III, ambos do Decreto nº 70.235/1972, ocorreu preclusão quanto a matéria em questão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A presunção estabelecida no art. 42 da lei nº 9.430/96 dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada alegações não comprovadas, nos termos da SÚMULA CARF Nº 26. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil. JUROS. TAXA SELIC. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 04 64 /2 00 5- 31 Fl. 1105DF CARF MF 2 Não há como ser apreciada a pretendida exclusão da taxa SELIC sobre a multa de ofício, uma vez que a matéria não foi aventada em sede de impugnação. Assim, a teor do que dispõe o arts. 15 e 16, inciso III, ambos do Decreto nº 70.235/1972, ocorreu preclusão quanto à matéria em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de auto de infração de fls. 373/377, lavrado para a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (“IRPF”), acrescido de juros de mora e multa proporcional de 75%, referente ao anocalendário de 2001, com fundamento em omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, bem como omissão de rendimentos de atividade rural, conforme identificado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 355/372. Devidamente cientificado do lançamento em 13/05/2005 (fl. 378), o Contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 14/06/2005 (fls. 386/395), alegando, em síntese: preliminar de nulidade do Auto de Infração por erro na apuração do IRPF, que deveria ser mensal ao invés de anual (fl. 387); no mérito, combate a omissão de rendimentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0222.366 da 5ª Turma da DRJ/BHE, às fls. 406/424, rejeitando a preliminar e julgando improcedente a impugnação, para manter a íntegra do lançamento. Recordese: Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13609.000464/200531 Acórdão n.º 2401006.214 S2C4T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. PROVA E ATIVIDADE VINCULADA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a comprovação da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Lançamento Procedente Inconformado com a r. decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 09/07/2009 (às fls. 430/440), argumentando o que segue: a) preliminarmente, reconhecer que a exigência do imposto e encargos apurados no auto de infração não são aplicáveis ao contribuinte, pessoa física, dada às características de pessoa jurídica (“empresa individual” de factoring) largamente demonstradas, nos termos do art. 150, II, do RIR/99, tornando insubsistente o Auto de Infração –fls. 431/434; b) se ultrapassada essa preliminar, o que se admite para argumentação, que sejam decotados da cobrança os juros de mora sobre a multa de ofício – fls. 434/436; c) os documentos juntados evidenciam “que o contribuinte exerceu a atividade informal de ‘factor’, realizando empréstimos a pessoas físicas e jurídicas, com recursos próprios” (fl. 439); d) seja considerado o valor de R$ 330.000,00, constante da declaração do anocalendário de 2001 do Sr. Ivan França Costa, para comprovação de depósitos; Fl. 1107DF CARF MF 4 e) sejam considerados os depósitos efetuados pelo contribuinte comprovados através dos boletos, planilhas, declarações de rendimentos e demais documentos acostados como regulamente comprovados, restando a tributação do rendimento demonstrado pelo contribuinte, excluindoos da tributação da pessoa física; f) restará à tributação tão somente aqueles que, eventualmente, não tenham sido comprovados. Se estes forem inferiores a R$80.000,00 no ano, que sejam considerados não tributáveis face ao inciso II, do artigo 42, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 9.481/97 (fl. 440). É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 10/06/2009, conforme AR de fl. 428, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 09/07/2009 (fls. 430/440), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES a) EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA – TRIBUTAÇÃO PELO IRPJ INOVAÇÃO RECURSAL DESCABIMENTO O Recorrente alega, às fls. 431/434, que, “tendo oferecido à fiscalização todos os elementos necessários para avaliação, indicado datas valor presente e valor futuro, donde se conclui os juros (receita de factoring), mostrou de forma clara, sua condição de ‘empresa individual’, tal como prescreve o inciso II, art. 150, do R.I.R […]” (fl. 431, destaquei), razão pela qual deve ser reconhecido, de ofício, como atividade empresarial e ser equiparado à pessoa jurídica para fins de tributação. Alega, ainda, que o nível de atividades bancárias com depósitos, cheques devolvidos, cheques reapresentados, são inerentes das atividades de uma factoring, passível de tributação pelo IRPJ. Nessa linha, defende que o Fisco deveria direcionar a tributação para descaraterização da pessoa física, enquadrando o contribuinte como pessoa jurídica e então tributála com base no lucro real se entender presentes os elementos aptos à exigência ou, caso não estejam, realizar o arbitramento do lucro, já que a receita poderia ser conhecida por meio dos boletos colacionados aos autos. Fundamenta essa tese em acórdãos do Conselho de Contribuintes, concluindo pela imperiosidade de observância dessa equiparação, por expressa determinação legal. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13609.000464/200531 Acórdão n.º 2401006.214 S2C4T1 Fl. 4 5 Todavia, o Recorrente deixou de aventar essa discussão em sua Impugnação (fls. 386/395) estando, por conseguinte, inovando em suas razões recursais; observese que referida matéria: a) não versa sobre fato ou direito superveniente; b) não visa combater fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; e c) tampouco é matéria de ordem pública, cognoscível a qualquer tempo. Diante destas razões, entendo que precluiu o direito de o Recorrente a alegar, nos termos do arts. 15 e 16, inciso III, ambos do Decreto nº 70.235/1972, razão pela qual não conheço dessa preliminar. 3. DO MÉRITO a) OMISSÃO DE RENDIMENTOS Aduz o Recorrente (fls. 436/440) que, desde o procedimento fiscal, explicitou que “costumeiramente, pessoalmente, de forma informal, emprestava recursos próprios a terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, mediante remuneração do seu capital, garantido por cheques dos mutuários” (fl. 436). Essa atividade era realizada mediante a substituição de cheque de um contribuinte “por outro prédatado, do mutuário, ou de seus clientes acrescido de juros, para vencimento em dia D+ (dias do empréstimo)” (idem). Diante da “garantia” dos cheques e da “informalidade” do negócio, não foram elaborados contratos ou registrados, em Livro Caixa, essas operações. Em complemento, afirmou que tal atividade estaria clara a partir dos “boletos que serviam para seu controle, demonstrando seu rendimento e a correspondência com os depósitos efetuados no decorrer do AC 2001, conforme planilhas anexadas (Anexo I – fls. 74 a 85) que relaciona a atividade do contribuinte com a de factoring. A fiscalização, no entanto, quedouse inerte e constituiu o crédito tributário sem efetuar qualquer verificação complementar” (fl. 436). E, desta forma, defendeu que devem ser considerados como regularmente comprovados os depósitos recebidos pelo contribuinte, diante dos boletos, planilhas, declarações de rendimentos e demais documentos acostados, restando a tributação do rendimento demonstrado pelo contribuinte, excluindoos da tributação da pessoa física. Contudo, não merece respaldo este entendimento do Recorrente. A Fiscalização apurou que a conta n° 12978, na agência n° 3175 da Cooperativa de Crédito Rural de Sete Lagoas Ltda., é mantida em conjunto pelo Recorrente com o Sr. Sérgio Lanza Geraldo Lanza França (o que foi reconhecido também em sede de impugnação, à fl. 394), razão pela qual foi imputado ao Recorrente a responsabilidade sobre 50% dos valores questionados nesta conta bancária, ora em exigência por meio do presente Processo Administrativo Fiscal (“PAF”) de n° 13609000464/200531, enquanto que os demais créditos foram exigidos do Sr. Sérgio França no PAF de n° 13609.000463/200597. Assim, temse a ocorrência de uma mesma fiscalização que analisou documentos em comum, apresentados em sua grande maioria pelo Recorrente, ensejando exigências distintas e dois PAFs que não estão em apenso. Diante disto, serão consideradas todas as provas colacionadas no presente feito e as conclusões presentes no Termo de Fl. 1109DF CARF MF 6 Verificação Fiscal de fls. 355/372, no qual está constatada a exclusão da base de cálculo dos depósitos abaixo de R$ 1.000,00 (fl. 357) e dos cheques devolvidos debitados na conta. Aqui, destacase que já foi observada a norma prevista no art. 42, inciso II, da Lei n° 9.430/1996 cuja aplicação foi requerida pelo Recorrente (fl. 440), não restando outros valores individuais iguais ou inferiores a R$ 1.000,00. A tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada tem como supedâneo o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com efeito, tratase de uma presunção legal de omissão de rendimentos que ocorrerá sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Presunção esta relativa, que pode ser infirmada por prova em contrário apresentada pelo contribuinte, o qual possui a incumbência de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos, já que a própria lei define os depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de receita ou de rendimentos. Outra questão relevante sobre o tema é que a comprovação da origem dos recursos deve ser individualizada, ou seja, há que existir correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária, a fim de que se tenha certeza inequívoca da procedência dos créditos movimentados, consoante o §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Assim, não é preciso a coincidência absoluta entre os dados, mas os valores auferidos devem corresponder aos depósitos efetuados nas contas, para fins de provas robustas da origem do recurso. Inclusive, este E. Conselho já sumulou o assunto no sentido de que o Fisco não precisa comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, prevalecendo a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nesta linha, tendo em vista a presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, cabe ao contribuinte demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos questionados – o que não ocorreu no caso em apreço. Os depósitos bancários cuja origem é questionada estão listados diaadia às fls. 360/370 e foram resumidas no quadro presente às fls. 371/372, incluindo as omissões de rendimentos da atividade rural (tema não questionado pelo Recorrente). Ao longo da Fiscalização, foram juntados os seguintes documentos: Declaração de ajuste anual Completa referente aos anoscalendários de 2000 (fls. 534/540) e 2001 (fls. 528/533), além da Declaração Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13609.000464/200531 Acórdão n.º 2401006.214 S2C4T1 Fl. 5 7 de Atividade Rural AC 2001 (fls. 541/542), extratos da conta bancária (fls. 17/28, 31/42 e 52/202), “boletos” (fls. 586/1104) e planilhas demonstrativas da conta n° 1297/8 (sem identificar o beneficiário ou identificar o correspondente creditamento na conta bancária, com comprovação de depositante) de fls. 445/515. Especificamente, em relação aos “boletos” e planilhas apresentadas, é oportuno destacar as considerações da DRJ/BHE que, detidamente, analisou esses documentos e os refutou, diante da ausência de qualquer formalidade legal e, portanto, sua manifesta inadmissibilidade como meio de prova hábil a identificar os depósitos bancários relacionados. Confirase: O que o contribuinte chama na sua peça impugnatória de ‘anexo 1’, correspondente ao Anexo I (fls. 2/72). As planilhas aí constantes não são provas contundentes de nada, eis que não são acompanhadas de documentação idônea, como já afirmara a Fiscalização. O que o contribuinte chama de ‘Anexo 2’, corresponde ao Anexo 1 (fls. 73 a 84). As planilhas aí constantes não são provas contundentes de nada, eis que não são acompanhadas de documentação idônea, como já afirmara a Fiscalização. O que o contribuinte chama de ‘doc. 03 e anexo 4’, corresponde ao Anexo I (fls. 85 a 99). São as declarações de renda do Sr. Ivan França Costa. Ele alega que nessas declarações constam que o contribuinte teria feito vários empréstimos, principalmente a pessoas físicas. Frise se, entretanto, que isso por si só não justificaria a movimentação financeira do período. É preciso mais, muito mais. Simples declarações – do contribuinte – não são suficientes se não acompanhadas de provas robustas. Assim, por exemplo, declarações de que cheques foram depositados na sua contacorrente como pagamento dos alegados ‘mútuos’ não fazem, por si só, prova das origens de depósitos bancários. Repitase: é preciso mais. Isto é, um contrato de mútuo, poderia justificar a origem de possíveis depósitos bancários, desde devidamente provada a operação de mútuo, existindo coincidência de datas e valores, com comprovação inequívoca de que o depósito objeto de intimação para comprovação da origem corresponda exatamente ao cheque emprestado que adentrou na contacorrente do mutuário, por depósito bancário. Em suma, deve existir a exata correspondência entre os cheques emprestados e os depósitos efetuados […] (fl. 422, destaquei). A despeito desta documentação apresentada, temse que não é possível correlacionála de forma clara e objetiva com os depósitos cujas origens estão sendo questionadas no presente caso e tampouco o Recorrente ousou fazêlo em sua defesa, articulando os referidos valores com suas respectivas origens e saídas. Em verdade, o Recorrente se pautou em combater a invalidade da imputação da presunção legal de omissão de rendimentos, mas não fez provas do contrário. Fl. 1111DF CARF MF 8 Ora, certo é que as alegações apresentadas pelo Recorrente devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, especialmente para combater uma presunção legal (relativa) como a do presente feito, não sendo suficiente juntar documentos aleatórios, sem a devida correlação com os fatos geradores tributários. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil. Portanto, resta demonstrada a ocorrência do fato gerador in casu, qual seja, a aquisição de disponibilidade de renda pelo Recorrente representada pelos recursos que ingressaram em seu patrimônio, por meio de depósitos ou créditos bancários cuja origem não foi esclarecida, consoante o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Outra alegação do Recorrente é para ser considerado o valor de R$ 330.000,00, constante na sua Declaração de Imposto de Renda, para fins de exclusão do IRPF do anocalendário de 2001 e comprovação parcial dos depósitos. No entanto, novamente, a arguição do Recorrente é desacompanhada de elementos probatórios da origem deste rendimento, não podendo correlacionálo diretamente com os valores autuados. Destarte, mantenho a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, para fins de comprovação da omissão de rendimentos. b) APLICAÇÃO DA TAXA SELIC O Recorrente afirma às fls. 434/436 que não há previsão legal para a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, mas tão somente sobre os tributos e as contribuições administradas pela RFB. Neste sentido, requereu fosse decotado da cobrança os juros de mora sobre a multa de ofício. Pelos mesmos fundamentos expostos na questão preliminar, também não conheço deste tema, tendo em vista que não foi suscitado em sede de impugnação, sendo inafastável o reconhecimento da preclusão, nos termos do arts. 15 e 16, inciso III, ambos do Decreto nº 70.235/1972. De todo modo, a questão está sumulada neste Conselho, segundo a qual é legal a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados, nos termos do art. 34, da Lei n° 8.212/91 e da Súmula CARF n° 04, vejase: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13609.000464/200531 Acórdão n.º 2401006.214 S2C4T1 Fl. 6 9 Por essas razões, não conheço da pretensão recursal quanto à impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC para o cálculo do IRPF do anocalendário de 2001. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904926/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição ou omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição ou omissão no acórdão embargado, cumpre acolher os embargos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 26 /2 01 1- 07 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10840.904926/201107 Acórdão n.º 3301005.867 S3C3T1 Fl. 360 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do despacho de embargos: Tratase de embargos de declaração manejados em tempo hábil pelo contribuinte, em face do Acórdão proferido por este colegiado, sob os pressupostos regimentais da obscuridade e da omissão. Segundo a embargante, houve obscuridade no Acórdão porque enquanto a conclusão da relatora foi no sentido de negar provimento ao recurso, na folha de rosto do Acórdão constou que o recurso não fora conhecido pelo colegiado. Segundo a embargante, houve omissão na fundamentação do voto da relatora, uma vez que existindo decisão judicial transitada em julgado, deixou de constar o motivo pelo qual esta não prevaleceu no caso concreto. A decisão embargada teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Os embargos de declaração foram aceitos para "quanto à obscuridade aferida entre a conclusão da relatora e o resultado consignado na folha de rosto" e foram rejeitados nos demais aspectos. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O contribuinte apresentou embargos de declaração os quais foram admitidos em relação à obscuridade aferida entre a conclusão da relatora e o resultado consignado na folha de rosto. Afirma, a Embargante, que o Acórdão em pauta contém obscuridades cujos esclarecimentos são essências ao correto desfecho do processo e conclui: Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10840.904926/201107 Acórdão n.º 3301005.867 S3C3T1 Fl. 361 3 A razão assiste à Recorrente. Realmente houve um erro entre o relatório, a votação e o resultado consignado. Transcrevo integralmente o voto da decisão embargada: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10840.904926/201107 Acórdão n.º 3301005.867 S3C3T1 Fl. 362 4 A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10840.904926/201107 Acórdão n.º 3301005.867 S3C3T1 Fl. 363 5 V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10840.904926/201107 Acórdão n.º 3301005.867 S3C3T1 Fl. 364 6 De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10840.904926/201107 Acórdão n.º 3301005.867 S3C3T1 Fl. 365 7 a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Tendo em consideração o voto transcrito, proponho que seja alterado o resultado do julgamento para o seguinte: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Dessarte, voto no sentido de acolher os embargos, sem efeitos infringentes e corrigir a parte dispositiva para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 365DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.905348/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.486
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 48 /2 01 5- 79 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13839.905348/201579 Acórdão n.º 3402006.486 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.489. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13839.905348/201579 Acórdão n.º 3402006.486 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.905348/201579 Acórdão n.º 3402006.486 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.905348/201579 Acórdão n.º 3402006.486 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905348/201579 Acórdão n.º 3402006.486 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905348/201579 Acórdão n.º 3402006.486 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001872/2007-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2004, 13/08/2004, 15/12/2004, 15/07/2005
MULTA DE MORA. DÉBITOS. PAGAMENTOS A DESTEMPO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA.
O pagamento de débitos fiscais declarados nas respectivas DCTF, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), em data posterior à dos seus respectivos vencimentos, não configura denúncia espontânea, incidindo multa de mora sobre débitos compensados a destempo.
REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ.ART.62,§2º DO RICARF.
Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
Numero da decisão: 9303-008.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DÉBITOS. PAGAMENTOS A DESTEMPO. DCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O pagamento de débitos fiscais declarados nas respectivas DCTF, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), em data posterior à dos seus respectivos vencimentos, não configura denúncia espontânea, incidindo multa de mora sobre débitos compensados a destempo. REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ.ART.62,§2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 72 /2 00 7- 86 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200786 Acórdão n.º 9303008.370 CSRFT3 Fl. 223 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 380100.844, de 09/08/2011, proferido pela 1ª Turma Especial da 1ª Câmara da 3ª Seção desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA. De acordo com a Súmula nº 360 do STJ: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto à exigência de multa de mora sobre os débitos tributários vencidos, declarados nas respectivas DCTF e extintos, mediante a transmissão de Dcomp, em data posterior às dos seus respectivos vencimentos. Alega, em síntese, que a compensação efetuada antes de quaisquer procedimentos fiscais, visando suas cobranças, configurou denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade às fls. 210e/212e, o Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. .É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200786 Acórdão n.º 9303008.370 CSRFT3 Fl. 224 3 O recurso especial do contribuinte atende aos requisito do art. 67 do Anexo do RICARF; assim, deve ser conhecido. A matéria de mérito se restringe à aplicação do instituto da denúncia espontânea, na extinção de débitos tributários declarados nas respectivas DCTF e compensados, mediante a transmissão de Dcomp, em data posterior às dos seus respectivos vencimentos. O contribuinte não discordou do valor do indébito deferido e compensado pela Autoridade Administrativa, nos termos do despacho decisório. Sua discordância se limita à exigência da multa de mora sobre os débitos compensados, mediante a transmissão de Dcomp em datas posteriores às dos seus respectivos vencimentos. No seu entendimento, a extinção dos débitos tributários, mediante a transmissão espontânea da Dcomp, antes de quaisquer ações do Fisco para exigilos, afasta a aplicação da multa moratória, pelo fato de ter ocorrido a denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Contudo, esse entendimento é equivocado. A aplicação da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, na extinção de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, já foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o rito dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 16/03/2015, por meio do REsp nº 1.149.022/SP, no qual aquele Tribunal Superior decidiu que não se aplica aquele instituto aos débitos declarados pelo contribuinte nas respectivas DCTF e liquidados depois das datas de seus vencimentos. A ementa daquele julgado, assim dispõe: "RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200786 Acórdão n.º 9303008.370 CSRFT3 Fl. 225 4 Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008)." Cabe ainda ressaltar que se trata de matéria sumulada pelo próprio STJ, nos termos da Súmula nº 360, publicada no DJe de 8/9/2008, literalmente: "Enunciado O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." Assim, por força no disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aplicase ao presente caso essa decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reconhecendo que a transmissão da Dcomp depois das datas dos prazos de vencimentos dos débitos tributários compensados, visando suas extinções, não configurou denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. A extinção de débitos tributários depois das datas dos respectivos vencimentos, mediante pagamento à vista ou compensação, implica aplicação e exigência de multa de mora, nos termos do CTN e da Lei nº 9.430, de 1997, que assim dispõem: CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” (grifo nãooriginal). Lei nº 9.431, de 1997: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...].” A extinção de débitos tributários depois das datas dos respectivos vencimentos, mediante pagamento à vista ou compensação, via Dcomp, sujeita o contribuinte Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200786 Acórdão n.º 9303008.370 CSRFT3 Fl. 226 5 ao pagamento da multa de mora, nos termos do CTN, art. 161, e da Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, §§ 1º e 2º. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200786 Acórdão n.º 9303008.370 CSRFT3 Fl. 227 6 Fl. 228DF CARF MF
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Numero do processo: 13768.000107/2009-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
DASN. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49.
Numero da decisão: 1002-000.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 113 1 112 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13768.000107/200974 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.648 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 07 de maio de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CASA TAQUETÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DASN. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 00 01 07 /2 00 9- 74 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13768.000107/200974 Acórdão n.º 1002000.648 S1C0T2 Fl. 114 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exigência da multa por atraso na entrega da declaração, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ1: Versa o presente processo sobre o auto de infração de fl. 13, cientificado à interessada acima qualificada em 09/03/2009, por meio do qual é exigido da mesma a multa por atraso na entrega da sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ Simples, do exercício de 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 2.984,40. Inconformada, a interessada apresentou, em 27/03/2009, a impugnação de fls. 01/07, onde argüi a tempestividade e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, descreve a autuação e alega, em síntese: Que recebeu o comunicado do Ato Declaratório n° 210087 em 03/11/2000 e imediatamente fez a Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples SRS, mas mesmo assim o sistema não permitiu a transmissão da declaração em tempo e hora. Que, mesmo fora do prazo, apresentou espontaneamente a Declaração, antes de qualquer procedimento fiscal, estando, portanto, diante do instituto da denúncia espontânea albergada pelo art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN. Transcrevendo acórdãos e expondo sua opinião sobre o assunto, protesta contra a cobrança de multas nas denúncias espontâneas de entrega de Declarações e cumprimento de obrigações acessórias. Encerra pedindo seja determinada a suspensão da cobrança e seus efeitos e que seja julgado procedente o seu pleito, para declarar insubsistente o auto de infração, com as devidas baixas. A DRJ/RJ1 negou provimento à impugnação e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância no qual ratificou e reforçou os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Após uma primeira análise dos autos, este colegiado decidiu baixar o processo em diligência, conforme Resolução n.º 1002000.002, desta 2.ª Turma Extraordinária (efls. 37/43), abaixo reproduzida: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13768.000107/200974 Acórdão n.º 1002000.648 S1C0T2 Fl. 115 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, a fim de que informe o resultado da análise da SRS apresentada para a finalidade de reinclusão no Simples do anocalendário de 2003 e se referida SRS, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, teve efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário discutido nos presentes autos; esclareça por meio de parecer conclusivo, se houve, à época dos fatos, algum óbice na recepção da declaração do Simples nos sistemas de controle da SRF que teria motivado o atraso na entrega da declaração do anocalendário de 2003 nos moldes do relato feito pelo contribuinte; forneça, ou intime o contribuinte a apresentar, certidão de objeto e pé ou cópia da sentença judicial com trânsito em julgado dos Embargos à Execução de ns. 2002.02.01.0412285 e 2005.50.04.0007229. Em Relatório de Diligência (efls. 97) a Unidade Preparadora prestou os esclarecimentos conforme segue: Este processo trata da mesma situação do de nº13768.000105/200985, o qual foi encaminhado ao SECAT/DRF/VIT/ES para informação quanto aos questionamentos feitos na Resolução do CARF nº1002000.002 em seus itens “a” a “c”. Em análise nos sistemas da RFB, verificamos que o contribuinte foi excluído do SIMPLES FEDERAL, com efeitos a partir de 01/11/2000, e apresentou SRS cuja análise foi concluída em 10/04/2001, em decisão que manteve a exclusão, conforme tela do SIVEX, fl. 93. Em 16/12/2004, o interessado, alegando não ter obtido resposta quanto à sua SRS, protocolou o processo de nº13768.000151/200470 requerendo sua reinclusão a partir da data de 01/11/2000. Tal processo foi extinto pelo Ato Declaratório Executivo DRF/VIT/ES nº15, de 30 de março de 2016, sem análise do mérito, conforme cópia integral juntada aos autos. Durante todo este período, não era possível a entrega das DIPJ no modelo SIMPLES via Receitanet Contribuinte, tendo em vista que estava excluído da modalidade do SIMPLES FEDERAL. Em 23/10/2007, foram entregues as declarações referentes aos anos calendário 2005, 2004 e 2003, via Receitanet Receita, as quais geraram as MAED que estão sendo controladas nos processos nº13768.000105/200985, 13768.000106/200920 e 13768.000107/200974, respectivamente. Feitas estas considerações, encaminhese este processo ao SEORT/DRF/VIT/ES para providências relativas ao item “d” da Resolução CARF. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13768.000107/200974 Acórdão n.º 1002000.648 S1C0T2 Fl. 116 4 Consta, ainda, do relatório de diligência, Sentença de procedência do pedido com trânsito em julgado relativa aos embargos a execução constante do processo 2005.50.04.0007229 (efls. 104/107). Atendidas as solicitações constantes da Resolução n.º 1002000.002 (efl. 110), não consta que o Recorrente tenha apresentado contrarrazões, sendo os autos encaminhados a esta relatoria em 01/02/2019 (efls. 112). E o Relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares O Recorrente alega ausência de resposta de sua petição, a qual consta do processo nº 13768.000151/200470. Baseada nessa alegação, este colegiado decidiu baixar o processo em diligência objetivando verificar possível cerceamento do direito de defesa do Recorrente. Em cumprimento à diligência, constatase que a Unidade de Origem juntou aos autos o processo nº 13768.000151/200470 (efls. 49), no qual o ora Recorrente solicitou a sua manutenção no Simples Federal, afirmando não ter recebido nenhuma resposta acerca da SRS Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples perpetrada pelo ADE nº 210.087 com efeitos a partir de 01/11/2000 e alegando que o ADE em referência não explicitou a natureza das pendências junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Constatase, ainda, às efls. 89, que o requerente não obteve resposta de seu pedido, tendo o processo nº 13768.000151/200470 sido arquivado por meio do ADE/DRF/VITÓRIA nº 15/2016, com base no artigo 52 da lei nº 9.784/99 e sob a justificativa Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13768.000107/200974 Acórdão n.º 1002000.648 S1C0T2 Fl. 117 5 de que eventual decisão não teria o condão de produzir quaisquer efeitos tributários. Confira se: Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Compulsandose os autos do processo nº 13768.000151/200470 às efls. 57, vejo que o pedido do contribuinte diz respeito ao direito de apresentação da declaração do simples federal do exercício de 2004, conforme excerto seguinte: Entretanto, embora o auto de infração de efls. 15 refirase ao atraso na entrega da declaração do Simples Federal do exercício de 2004, o contribuinte não teve seu direito à entrega tempestiva da declaração prejudicado, eis que já estava enquadrado no Simples desde o exercício de 1999, conforme indica o documento seguinte: Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13768.000107/200974 Acórdão n.º 1002000.648 S1C0T2 Fl. 118 6 Correta, portanto, a afirmação da Unidade de Origem consignada no ADE/DRF/VITÓRIA nº 15/2016, no sentido de que o objeto da decisão do processo nº 13768.000151/200470 seria inútil ao presente processo, eis que não teria o condão de gerar quaisquer efeitos tributários. Com relação à Sentença de procedência a favor do contribuinte relativa aos embargos a execução constante do processo 2005.50.04.0007229, constato que não possui qualquer relevância para a solução do litígio constante desses autos, porque tem por objeto auto de infração lavrado em 24/10/1998 e não multa por atraso na entrega de declaração (efls 105). Rejeito, portanto as preliminares suscitadas. Mérito Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso na entrega da declaração e ao cálculo do valor da multa exigida, o que torna o fato incontroverso. Os argumentos do Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, baseiamse no instituto da denúncia espontânea, haja vista ter efetuado a entrega da declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Não vejo como acolher o pleito do Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, conforme consta de trechos do voto condutor do acórdão recorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlos e, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c §3º do art. 57 do RICARF, adotálos, desde já, como razões de decidir (grifos do original): A interessada protesta que o atraso na entrega de suas Declarações, que motivou a autuação, estaria albergado pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13768.000107/200974 Acórdão n.º 1002000.648 S1C0T2 Fl. 119 7 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Ocorre que, a multa imposta à interessada, referente ao atraso na entrega de Declarações, não pode ser excluída pelo instituto da denuncia espontânea, uma vez que o próprio art. 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, que prevê a imposição da multa, discorre em seu parágrafo 2o que as multas serão reduzidas à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Tal dispositivo foi observado no auto de infração e conta com a inaplicabilidade do art. 138 do CTN, uma vez que prevê a imposição da multa, mesmo que reduzida, exatamente no caso da entrega da Declaração após o prazo, espontaneamente, antes de procedimento de oficio. Voltandose ao exame do auto de infração, verificase estar indicado que as apresentações das Declarações ocorreram após o prazo final de entrega e que no demonstrativo do auto de infração, os cálculos das multas indicam ter sido observados os parâmetros dispostos no artigo 7o da Lei n° 10.426/2002, explicitados pelo artigo 7o da IN SRF 255/2002. Logo, tenho o entendimento que é fato incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e que a autuação se deu com observância ao que determina a legislação. É verdade que há julgados administrativos e de tribunais com entendimento diverso. A ciência do Direito suscita controvérsias. Embora tais julgados tenham apenas efeitos entre as partes, vale mencionar a decisão proferida pelo STJ no Resp n 246.963, demonstrando o entendimento de que o art. 138 do Código Tributário Nacional não pode ser invocado para afastar as multas aplicadas por atraso na apresentação das declarações (DIPJ, DCTF, DIRF etc), mesmo que o contribuinte tome a iniciativa de apresentálas antes de receber a respectiva intimação. 'DENÚNCIA ESPONTÂNEA, ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 , do CTN. 4. Recurso provido . Processo: 190388 RE/SP Recurso Especial UF: GO Decisão: Superior Tribunal de Justiça STJ Primeira Turma em 03.12.1998 Publicação: DJ em 22.03.1999 Relator: José Delgado Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13768.000107/200974 Acórdão n.º 1002000.648 S1C0T2 Fl. 120 8 Informações Adicionais: Decisão: Por unanimidade, dar provimento ao recurso. STJ RE/SP 190388 03.12.1998' Apesar de tratar de outro dispositivo legal que prescreve a aplicação de multa regulamentar por falta ou atraso no cumprimento da obrigação acessória de entregar a declaração de rendimentos (pessoa física e jurídica), a decisão não deixa dúvidas que seriada mesma no caso em exame, pois a natureza da infração é idêntica. Neste sentido não discrepa o entendimento do então Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, conforme Acórdão n° 10243711, de 14/04/1999, in verbis: 'ESPONTANEIDADE INAPLICABILIDADE DO ART. 138 DO CTN A entrega da declaração é uma obrigação acessória a ser cumprida anualmente por todos aqueles que se encontrem dentro das condições de obrigatoriedade e, independe da iniciativa do sujeito ativo para seu implemento. A vinculação da exigência da multa à necessidade de procedimento prévio da autoridade administrativa fere o artigo 150 inciso II da Constituição Federal na medida em que, para quem cumpre o prazo e entrega a declaração acessória não se exige intimação, enquanto para quem não a cumpre seria exigida. Se esta fosse a interpretação estaríamos dando tratamento desigual a contribuintes em situação equivalente.' Não há, portanto, nenhum conflito entre o artigo 138 do CTN e a legislação Federal que dispõe sobre a aplicação de multas regulamentares, pois o afastamento das penalidades em função da denúncia espontânea não ocorre quando o fato gerador é o descumprimento de uma conduta meramente formal. Do acima exposto, verificase a higidez do lançamento, eis que teve como lastro o artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. Concluise ainda, que a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso porque a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, vale dizer que o assunto encontrase sumulado no enunciado 49 do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Dispositivo Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13768.000107/200974 Acórdão n.º 1002000.648 S1C0T2 Fl. 121 9 Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem acolhimento. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.908255/2012-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035123 emitido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 25 5/ 20 12 -7 8 Fl. 888DF CARF MF Processo nº 13888.908255/201278 Resolução nº 3001000.185 S3C0T1 Fl. 3 2 eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 02590.45847.261011.1.3.042619. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$45.008,15, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 23/04/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de COFINS, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente Fl. 889DF CARF MF Processo nº 13888.908255/201278 Resolução nº 3001000.185 S3C0T1 Fl. 4 3 manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados Fl. 890DF CARF MF Processo nº 13888.908255/201278 Resolução nº 3001000.185 S3C0T1 Fl. 5 4 como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 930). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 13888.908255/201278 Resolução nº 3001000.185 S3C0T1 Fl. 6 5 Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do Fl. 892DF CARF MF Processo nº 13888.908255/201278 Resolução nº 3001000.185 S3C0T1 Fl. 7 6 julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 13888.908255/201278 Resolução nº 3001000.185 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 894DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000394/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOST0 SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
RECURSO MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. NÃO CONHECIMENTO.
Não devem ser conheeidos argumentos contido no recurso quo sejam
estranhos à. matéria discutida nos autos.
MULTA DE OFICIO CARÁTER CONFISCATÓRIO LEI TRIBUTARIA
INCONSTITUCIONALIDADE.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF n 2).
JUROS DE, MORA TAXA SELIC,
Na forma da Súmula n° 4 deste Tribunal, a partir de 1º de abril de 1995, os .juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Secretaria da Receita Federal silo devidos, no período de inadimplência, taxa referenciar do Sistema Especial de Liquidação e Custodia SELIC para títulos federais
Rceurso negado..
Numero da decisão: 2101-000.852
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma. Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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NÃO CON1IFCIMENTO. Não devem ser conheeidos argumentos contido no recurso quo sejam estranhos à. matéria discutida nos autos. MIA ,TA DE ONCE( CARAT.FR CONFISCAIOR10 LEI TRIM ITAR IA INCONS 111UCIONALIDADF. "O CAla não 6 competente para se pronunciar sobre a ineonstitueionalidade de lei tributária" (Súmula CARE it 2).. JI1ROS DE, Mt.MA TAXA SELIC, Na forma da Súmula n ° 4 deste Tribuna], a partir de 1`-' dc abril de 1995, os .juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Secretaria da Receila Federal silo devidos, no período de inadimplência, taxa referenciar do Sistema Especial de Liquidação e CustOdia SEI ,1C para 11 os federais .Rceurso negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. ACORDAM os Membros da Primeira Turma. Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Admini,trativc de Recursos Fiscais, por unanimidade de vo-.)-s.70.11 negar provimento ao recurso, jxôs termos lo voto do Relator. Process(' n" I 05 65 000394/2004-11 Acúnkio II 0 2101-00.852 (-A4 ANDRE A 0-,»DL AI ..L OKI N IS1 110K_A - Relator S2-( LI I 1.0.R.MALIZADO EM: 1 1 -FEW 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ana Ncyle Olímpio tiolan.da, (.4tio Marcos Candido, Alexandre -Naoki Nishioka, Jose Raimundo - .1. -osta Santos, Odmir Fetuandcs e Gonçalo Bonet Allage. Relatório '1 lata -se de recurso voluntatio (fls. 132/170) interposto, em 30 de janeiro de 2009, contra o acórdão de lis. 122/129, do qual a Recorrente teve ciOncia em 05 de janeiro de 2009 (1-1. 131), pro lendo pela 8 ' Turma da Delegacia da Receita Federal do 13tasil dc ulgamento em Km Paulo Ti (SP), que, por unanimidade dc votos, julgou procedente o auto de infração de lis.. 02/09, laviado em 20 de ablil de 2004, cm decorrência de omissiio dc rendimentos do trabalho corn vinculo empregalicio recebidos de pessoa jurídica, verilicada no ftio-calendatio de 1999. 0 acórddo teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOST() SOBRE A REN RETIDO NA FONTE - 11ZR Ano -calendinio: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALI 10 COM VINCULO EMPRECATICIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Constituem-se CM base de a:widen:era de imposto dc Felicia da pessoa lírica rendimentos de trabalho com vinculo empicgaticio recebidos de pessoa juridica , laieligância dos artigos 1", 2 0 , 3 e §§, da Lei II 7 713/88 e in ligo 43 do Decrclo 3.000/99 — R1R199, JUROS. TAXA Os jutos calculados pela irixa sulc sUo aplicavers aos cralitos li ibutarios Liao pagos ao prazo de vencimento consoante previsao do I do artigo 161 (10 C1 N, tigo 13 da Lei () 9 065/95 e artigo 61 da ri.." 9 430/96 MULTA DE OFÍCIO DE 75%, ARGÜIÇÃO DE EFILl'IO CON FISCATÚRIO A multa de 75%, preserna iio at ligo 44, inciso 1, da Lei 9 /130/1996, 6: upheave' sempre nos lançamentos de Mick) irealizados pela Fiscalizaç5o da Recoil a Federal do Brasil As multas de oficio nao possuem. natureza conliscatária, coast 1 a:a -Rio-se antes em la.strumento de desestirnalo ao sisternatieo inadimpl.emento das obrigações PI occsso n'' 1 ()X65 00094/2004- I I S2-CI Ac6r,15011" 210 - 1-00,852 Pl. I 14 trihritarias, atingindo, por via de conseciiiiMcia, z .ipenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obriga0es fiscais. Lançamento Procedente" (OH 22) Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso vo un 11r ri o de lis.. 132/170, pedindo a. reforma do acórdão reeorrido, para exonerar o etc:x.14o tributário. E o relatório. Volo Conselheiro A FIAANDRF NAOK.I NISI110K A, Relator 0 recurs() preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele C01111eÇo 0 presente caso diz respeito a lançamento referente ao ano-calendário de 1999, exercicio de 2000, relativo a rendimentos percebidos nos autos da Reclamação Trabalhista n." 537/9 I , da Vara. do Trabalho de Araras-SP, atribuidos a -Valdir Antônio Poncio, já deduzidos os honorários advocaticios, conforme demonstrativo elaborado pela fiscalização e constante das 'lis 89/90 dos autos. Iniciahnente, conv6m salientar (foe a argumentação constante do recurso voluntário sob os seguintes tópicos "DECADÊNCIA MENSAL ART 42, § 1" DA LEI N ,430/96", "OBTFNÇÃO DE PROVA IFÍCITA POR OFENSA AOS PRINCINOS CONSTITLICIONA LS DA IRRETROATIVIDADI I DO SICHLO", "A PRF SI INC.AO ADM - ADA NO Al] DF IN FR AÇÃO" e "DO D1R Frro" não pode sei conhecida, tendo CM vista que, além de caracterizar inovação em relação à impugnação, refere-se a um suposto lançamento realizado com base em presunção de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, o clue, Como visto, não tern qualquer relação coin a matéria discutida nos presentes autos. Ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para argumentar, são esclarecedoras as obser vações da Recorrida a respeito do lançamento, in verbis: "Inver id ica a assertiva da Imputmante de quo a autatidade adirliniarativa lavrou o auto de inflaçã o tondo por supeddrico a meta presumed°, eis gut confrri me se verifica nos autos a matéria tributada Ioi devidamente identificada, qua] seja, recebimento, por "mute da Imprurnanic, de valor es reeebi('_los de pessoas jurídicas, decorrente dos autos do processo de Reclamação Ti i sta IV 537/91, da Vara do Trabalho de Arams-SP, por conta dos valores anibuidos a Valdir .Antonio Poncio. Os valoies recebidos constam dos recibos, lis 82 e 83 e diante de tais prova, nao ha como aceitar a alegação dc clue tal lançamento teve por supedãneo a mera prcsuneao. Desta forma, restart comprovado que o autuado percebeu rendimentos oriundos de trabalho com vinculo cinpregalicio de pessoas juridic:as que não ini..etaar am sua Declatacão de Ajuste, não mcieceindo o la nçamento nenliuni reparo" (II. 126). a Pyocesso [I" 10 565 ()OtH 9412004-11 52-C I II AcOnEo ii 2101-00..852 1' 1 175 Passa-se entiro a análise dos demais argumentos lançados pela Recorrente: "DAS MULIAS APLICADAS" e "DOS JUROS", COIII lelit(,:j0 i alegação de que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) possui earitter con fiscatOrio, vale ressaltai quo tal percentual é oriundo de norma cogente Portanto, tratando-se de norma vigente, não poderia este Olga° achninistrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, prouunciar-se acerca da constitucionalidade da norma, o que 6 vedado pelo art. 26-A do Decreto 70.235/72, 'diem de violar a jurisprudência unissona deste tribunal, materializada na Snmula n", 2, de acordo corn a qual não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciar-se acerca da inconstitucional idade de Assim, por existir previsão legal para a aplicação da multa não se pode afastar ou reduzir o referido percentual sob pena de se ultrapassar a compet6ncia deste órgão administrativo. No que tange a impossibilidade de cobrança da taxi' de juros também seni razão a Recorrente. A respeito da possibilidade de aplicação da Taxa SM IC a titulo de jiff:Qs de mora, é expressa a legislação federal, mais especificamente a Lei Federal n. 9 430/96. Con [II `‘.1- tie: "Art. 61 Os débitos para Coln a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos tatos geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, il5o pagos nos prazos previstos na legislaczTio especilica. Sera/ acrescidos de multa de morn, calculada taxa de trinta e tr6s centésimos por cento, por dia dc atraso..( §3" Sobre os débitos a fine se refere este artigo incidirão ¡tiros de mora calculados ii taxa a se refere o §1' 3" do art. 5 a partir do pr Mien .° dia do mós subsegiicnte ao vencimento do prazo até o mós anterior ao do pagamento e de um por conk) no més de pagamento." Desta feita, como já visto, não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciar-se acerca da inconstitucionalidade de leis.. Isso porque, tendo tais normas obedecido o triimite previsto na Lei. Maior paw ingressar no ordenarnento juridic°, tornam-se cogentes e, portanto, silo plenamente aplicáveis por força da presunção de validade. Nib o cabe, portanto, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, usurpando preTTOgItilqt própria de .611,..ao do Poder Judiei(trio, jUlgar a relação de pel iirlelleialidade das normas COM o ordenamento. Deve-se limitar, pois, a estabelecer fenómeno de subsunção do fato à norma. Assim, ui luz do dispositivo mencionado rctio, Ibi sum olada a questão, atual Súmula 4 deste CARE, segundo a qual "a pallid. de I" de abril de I99.5, ai juio.s moratórios- incidentes wine debitos tributárias adminishados pact Secretario da Receita federal sir-to dcvidos, no período dc inadimpk;.ncia, à lava reji>rencial do ,S'htetna hspecial de Liquida(i:io e Custodia - SELIC para títulos kderais." Procosso M65 00039.1/200 ,1-11 S2-( i Ac6rckio ii " 2101-00 .852 Lis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao 1 Celli 80 Sala das Sessões-DF, em 21 de outubro e 2010. ALEXANDRE NAOKI N SHIOKA.
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000886/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004
PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
O lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4º, e 173, I, do CTN.
IRPF, DESPESAS ODONTOLÓGICAS, RECIBOS DECLARADOS INIDÔNEOS POR MEIO DE SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. GLOSA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
"A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício." (Súmula CARF n. 40).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.695
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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TERMO INICIAL. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO O lançamento tributário efetuado nos casos em que haja comprovação de dolo, fraude ou simulação desloca o dies a qua do prazo decadencial para o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante determinado pela combinação dos arts. 150, §4 0, e 173, I, do CTN. IRPF, DESPESAS ODONTOLÓGICAS, RECIBOS DECLARADOS INIDÔNEOS POR MEIO DE SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. GLOSA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. "A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício." (Súmula CARF n. 40). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. ) N - \ /7"---) . ----CAIO MARCOS CÂNDIDO' - Presidente ( / 1 J1 -J., ALE NDRE NAOKI NISHIOKA - Relator EDITADO EM: 24 SEI 2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cãndido, Alexandre Naoki Nisliloka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 77/84), interposto em 27 de julho de 2009, contra o acórdão de fls, 71/73, do qual o Recorrente teve ciência em 29 de junho de 2009 (fl. 76), proferido pela 6 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 30/32, lavrado em decorrência de dedução indevida de despesas odontológicas para efeitos de apuração do IRPF, verificada nos anos-calendário de 2002 e 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 DESPESAS ODONTOLÓGICAS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São dedutiveis despesas odontológicas, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, Lançamento Procedente" (fl. 71) Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 77/84, no qual reiterou os argumentos expostos em sede de impugnação, bem como decadência do crédito tributário em relação ao ano-calendário de 2002. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitas de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, deve-se afastar a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente, pois, nos termos do artigo 150, §4 0., do CTN, o Fisco teria 5 (cinco) anos, a partir 2 Processo n° 11634000886/2008-17 S2-C1T1 Acórdão n ° 2101-00.695 Fl 95 da data da ocorrência do fato gerador, para constituir o crédito tributário por meio do lançamento, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, em que o termo inicial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto no artigo 173, 1, do CTN. No presente caso, em que houve dolo, fraude ou simulação, como se verá adiante, considerando-se que o fato gerador ocorreu no dia 31 de dezembro de 2002, o Fisco teria até o dia 31 de dezembro de 2008 para efetuar o lançamento. Corno o auto de infração foi lavrado em 25 de novembro de 2008, com ciência no dia 27 de novembro (fl. 68), conclui-se que não se operou a decadência, motivo pelo qual a preliminar deve ser afastada. No que se refere ao mérito propriamente dito, a controvérsia gira em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços odontológicos, bem como dos respectivos pagamentos, no caso, em dinheiro. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: "Art, 8', A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; 11 — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §2", O disposto na alínea 'a' do inciso II: — aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; 11 — restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; 11I — limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação dà nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas — CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes — CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento" Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: "Art. 73, Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei ri,' 5844, de 1 943, art. 11, § 3°). 3 § 1'. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n,° 5,844, de 1943, art. 11, § 4°)." Consoante se extrai dos autos, verifica-se que os recibos emitidos pelo profissional ALVARO EDUARDO FRANÇA DE ABREU, entre 01/01/2002 até 31/12/2004, foram considerados imprestáveis e ineficazes para quaisquer deduções da base de cálculo do IRPF, consoante o conteúdo da "Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz" (Processo 11634.000450/2008-28), nos termos do ATO DECLARATORIO EXECUTIVO DRF/LON N° 59, de 13 de outubro de 2008, salvo quando "os tomadores dos serviços comprovem a efetividade de sua prestação e do desembolso dos valores pagos, por qualquer meio de prova admitido no direito" (fl. 20). Sustenta o Recorrente em seu recurso voluntário que os recibos apresentados são idôneos e que os serviços odontológicos foram efetivamente prestados a ele e seus dependentes. Ocorre, todavia, que a jurisprudência mansa e pacifica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais firmou-se no sentido de que, em casos como o presente, o contribuinte deve comprovar a efetiva prestação do serviço, bem como o respectivo pagamento, sob pena de glosa da dedução correspondente e de aplicação da multa qualificada. É o que se extra do Súmula CARF n. 40, in verbis: "A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício." Como não houve, in casu, qualquer tentativa de produção de prova do efetivo pagamento e da prestação dos serviços, limitando-se o Recorrente a apresentar os recibos declarados inidôneos, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, inclusive quanto à multa qualificada, aplicada nos casos de evidente intuito de fraude, como o presente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, 19 de agosto de 20 ni1 çui ALEXANDRE NAOKI NISHIDKA 4
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