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Numero do processo: 14337.000121/2010-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO.
A descrição prevista no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, bem como restabelecer o lançamento em relação à educação fornecida aos dependentes, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, apenas em relação à retroatividade benigna.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO. A descrição prevista no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 01 21 /2 01 0- 44 Fl. 913DF CARF MF 2 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, bem como restabelecer o lançamento em relação à educação fornecida aos dependentes, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, apenas em relação à retroatividade benigna. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.224.7946, lavrado contra o contribuinte identificado acima por descumprimento de obrigação principal, consolidado em 28/05/2010, no valor de R$ 947.764,18 (Novecentos e quarenta e sete mil, setecentos e sessenta e quatro reais, e dezoito centavos), correspondente a pagamento de remuneração feito pelo interessado aos seus segurados empregados e contribuintes individuais no período de 05/2005 a 12/2006 e competências 13/2005 e 13/2006. O sujeito passivo foi cientificado do AI em questão em 31/05/2010, conforme declaração de ciência constante do rosto do AI, à fl. 01. De acordo com os diversos Relatórios que compõem o lançamento, o crédito tributário referese às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, relativa às rubricas: “Segurados” e “Contrib.indiv”. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 16/07/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário e negado provimento ao Recurso de Ofício, prolatandose o Acórdão nº 2402004.166 (fls. 762/779), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores relativos à bolsa de estudos e, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006 DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APURADA COM BASE EM DIRF. AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A apuração de contribuição previdenciária com base em Dirf entregue pela fonte pagadora configura aferição indireta, hipótese que só se admite em caso de falta de apresentação ou apresentação deficiente de documentos relacionados com as Fl. 915DF CARF MF 4 contribuições previdenciárias. Nos autos, está ausente a motivação fática para a utilização desse método excepcional de apuração das contribuições previdenciárias. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. BOLSA DE ESTUDOS. CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO COM EXTENSÃO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS DA RECORRENTE. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos a empregados, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que extensivo a todos, inserese na norma de não incidência. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílioeducação (bolsa de estudos) aos segurados empregados. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. CONCEDIDO AOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A concessão de bolsas de estudo e de material escolar aos empregados e aos dependentes, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que atenta os requisitos da legislação previdenciária, inserese na norma de não incidência. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do auxílioeducação aos segurados empregados e aos dependentes, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 19/08/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 01/10/2014, o presente Recurso Especial (fls. 780/812). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) aferição indireta; b) salário indireto – bolsas de estudo para o custeio de ensino superior; c) salário indireto – bolsas de estudo concedidas a dependentes; e d) retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, em relação aos itens “b”, “c” e “d”, conforme os Despachos nºs 2400929/2014, da 4ª Câmara, de 27/11/2014 Fl. 916DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 4 5 (fls.898/904) e 2400982R/2014, de 04/12/2014 (fl. 905), respectivamente Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial. O recorrente traz como alegações, em relação ao item “b” – salário indireto – bolsas de estudo para o custeio de ensino superior, que: § de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado, entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; assim, a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais; porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, e que que tais verbas estão arroladas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91, a saber: Art. 28 (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) § o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriode contribuição os valores relativos a planos educacionais, porém elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição, quais sejam, i) devem visar à educação básica; ii) os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa; iii) não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial; e iiii) devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes; requisitos não cumpridos no caso dos autos. § a verba relativa a bolsas de estudo em cursos de nível superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/91, uma vez que a isenção atinge apenas os valores pagos a título de bolsa de estudos que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, ou cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa dos empregados e dirigentes da empresa; sendo que o art. 21 da Lei nº 9.394/96 assim dispõe: Fl. 917DF CARF MF 6 Art. 21. A educação escolar compõese de: I – educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II – educação superior. § da análise do artigo 21 transcrito acima, a educação superior não se confunde com a básica, como também, curso de capacitação profissional não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade do legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária, concluindose, portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. § a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal; e sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, devese interpretar literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; § caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente à bolsa de estudos em curso de nível superior teria feito menção expressa na legislação previdenciária, o que não foi realizado. § que a Lei nº 10.243/01 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica; que o art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas; e que, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes, sendo estas últimas elencadas exaustivamente no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91, conforme demonstrado. § Em relação ao item “c” – salário indireto – bolsas de estudo concedidas a dependentes, o recorrente traz as seguintes alegações: § que a tese utilizada pelo acórdão recorrido para excluir do lançamento os valores relativos à bolsa de estudos a dependentes do segurado – retroatividade média da Lei nº 12.513/2011 (que incluiu, no âmbito da isenção, a concessão de bolsa de estudo aos dependentes dos empregados), conforme previsto no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN – não deve prosperar, uma vez que, assim fazendo, estarseia aplicando retroativamente uma lei tributária a caso por ela não albergado, em contrariedade expressa ao art. 106, do CTN. § que é sabido, como regra, que os conflitos da lei no tempo devem ser resolvidos sob a ótica do milenar Princípio da Irretroatividade (e exceções), que, no direito tributário, é extraído da combinação da Lei de Introdução ao Código Civil com o art. 101 do Código Tributário Nacional: CTN Fl. 918DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 5 7 Art. 101. A vigência, no espaço e no tempo, da legislação tributária regese pelas disposições legais aplicáveis às normas jurídicas em geral, ressalvado o previsto neste Capítulo. § Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. § que tal postulado jurídico, que dispensa maiores apresentações, significa que a lei (tributária ou não) somente se aplicará a fatos ocorridos após o início da sua vigência, de acordo com a noção tradicional de segurança jurídica; que esse princípio é regra geral do ordenamento pátrio e não se confunde com o princípio da irretroatividade tributária, que se destina especificamente a impedir a cobrança de tributo anterior à edição de lei; e que, no âmbito tributário, há ressalvas ao referido princípio, pois se permite que a lei volte ao passado, somente se o disser expressamente (e não houver vedação constitucional ou do próprio CTN), ou nas exceções previstas no CTN. Verificase que a Lei nº 12.513/2011 não dispõe expressamente sobre a possibilidade de retroatividade da lei, mui de revés, o art. 21 é claro em afirmar que a “Lei entra em vigor na data de sua publicação”. § que, no tocante à retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade; que esse dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensandose, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de “lei mitior” quanto a infrações ou penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. § que, da simples leitura do dispositivo, vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa; também não estamos diante de norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade, o que também afasta o inciso II da discussão; também não se pode pautar a conclusão pela retroatividade benigna na alínea “a” do inciso II, do art. 106, do CTN, pois os fatos Fl. 919DF CARF MF 8 geradores em comento (verbas pagas em desacordo com a legislação) não podem ser entendidos como uma “infração” praticada pela pessoa jurídica não houve qualquer infração no presente caso que atraísse a retroatividade de norma , o que se discute são requisitos para usufruto de um favor fiscal: isenção de contribuições previdenciárias, e pelo fato de não se preencher determinado requisito, não se poderia considerar como cometida uma infração, mas sim como devido o tributo correspondente. E tributo, na dicção do art. 3º do CTN, não é penalidade. § que, portanto, aqueles que cumprem os requisitos estabelecidos no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, vêm afastada a incidência de contribuições previdenciárias; os demais recaem na previsão geral que é a exigência dos tributos devidos, nos termos do art. 28 e incisos da mesma lei. § que o mesmo se pode dizer em relação à alínea “c” do dispositivo: a exigência dos tributos devidos, pelo fato de determinado contribuinte não preencher os requisitos previstos em lei para afastar a incidência tributária não pode ser entendida como uma penalidade; e, assim, a Lei nº 12.513/2011 jamais poderia estar “deixando de definir uma infração”, pois infrações não havia; o que ocorreu é que a legislação tributária, em razão de política tributáriofinanceira, alterou os requisitos para que os contribuintes pudessem usufruir da não incidência de contribuições previdenciárias. § que a decisão recorrida pautouse numa avaliação equivocada dessas normas, uma vez que, conforme se nota pelos termos do voto condutor, a análise da antiga e nova redação do art. 28, parágrafo 9º, alínea “t”, Lei nº 8.212, foi realizada de forma parcial; e quando se observa, na análise de um conflito temporal de normas, se caberá ou não retroatividade de uma determinada norma por se entender que é mais benéfica, é vedado ao órgão julgador proceder a uma combinação da legislação nova com a antiga. Nessa linha, poderseia argumentar que ou uma norma é mais benéfica ou não é; e para tanto, deverseia levar em consideração a sua integralidade. § que, em relação ao art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional (CTN), o legislador coloca uma condição para a configuração daquela hipótese: “quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”; em primeiro lugar, sequer se poderia cogitar que o art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91 pudesse tratar da exigência de determinada conduta ou inação, pois o que vem ali prevista é uma benesse fiscal, ainda que cercada de condições, requisitos e restrições; e, por outro lado, ainda que se cogitasse essa tese, o fato é que não há lugar para a incidência dessa norma no caso, em razão da ressalva feita no fim do texto: “desde que (...) não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”, pois o fato é que a Lei nº 12.513/2011, segundo a interpretação adotada pela decisão recorrida, implica na falta de pagamento de tributo. § que, portanto, como não houve expressa disposição da lei, nem lei interpretativa, nem regulação de sanções, então não há retroatividade; e, por outro lado, de acordo com o artigo 144 do Código Tributário Fl. 920DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 6 9 Nacional, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”; logo, evidente a correção do trabalho fiscal que analisou a lei então vigente na época de ocorrência dos fatos geradores para verificar se o autuado cumpriu os requisitos para afastar a incidência tributária sobre as parcelas pagas a título de bolsas de estudo. § que, a norma a ser aplicada é então aquela prevista no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991 (com a redação da Lei nº 9.711, de 1998), sem se cogitar no caso de qualquer retroatividade da Lei nº 12.513/2011. § Em relação ao item “d” retroatividade benigna obrigação acessória, o recorrente requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2402004.166, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 921DF CARF MF 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 898. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Bolsa de |Estudo aos dependentes de empregados. Quanto a concessão de bolsa de estudos aos dependentes dos empregados constituírem salário de contribuição, razão confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 922DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 7 11 No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária. O citado art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, realmente de encontrase previsto no relatório fiscal a concessão das bolsas: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente a lei 8212/91, o que autorizaria aplicação para definição do exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelas razões abaixo expostas: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro ponto que mostrase relevante é que em momento algum o próprio dispositivo da CLT determina o alcance irrestrito as bolsas concedidas aos dependentes dos empregados; Fl. 923DF CARF MF 12 3º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Ou seja, o legislador especificou não apenas que a dos dependentes referese apenas a educação básica, como limitou até mesmo para os empregados, que tipos de cursos podem ser fornecidos e o montantes. É de se concluir que, para efeitos previdenciários, até a edicação , não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. Senão vejamos novamente, o disposto no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991: Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considera infração determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um Fl. 924DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 8 13 serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA D ESTUDOS AOS DEPENDENTES, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida a argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, já que permite ao empregado dar ao seu dependente (filho) instrução em escola particular, que muitas vezes não poderia com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos Fl. 925DF CARF MF 14 casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Portanto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração (salário de contribuição) e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS DE DEPENDENTES, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, razão pela qual DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Auxílio Educação Superior Aproveitando toda a análise da legislação acima descrita, faz se necessário agora apreciar a procedência do lançamento em relação à concessão e auxílios de cursos superiores fornecidos pela empresa aos seus empregados. Primeiro, vejamos os fundamentos do lançamento quanto ao fato gerador ora sob análise: 6.1.1. É de se observar que o legislador incluiu alguns requisitos a serem cumpridos: a) O plano educacional vise à educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio ou o curso de capacitação e qualificação profissional se vincule às atividades desenvolvidas pela empresa. Os cursos de capacitação e qualificação profissionais de que trata o capítulo III da Lei n° 9.394/96 não se confundem com os de educação superior (graduação e pósgraduação), Capítulo IV da citada lei, com o pagamento deste último integrando o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a "qualquer título", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. b) Todos os empregados e dirigentes tenham acesso. 6.2. É de se ressaltar não haver previsão legal quanto à inclusão dos dependentes de empregados e dirigentes, restringindose aos titulares. 6.2.1. Resta claro que despesas com educação e capacitação concedidas a filhos ou outros dependentes de empregados e dirigentes integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias, haja vista esta hipótese não estar consignada de forma expressa no aludido preceito legal. 6.2.2. Ainda por falta de previsão legal de acordo com o § 9o do art. 28 da Lei n.° 8.212/91, anteriormente citado, o valor utilizado na compra de material escolar aos dependentes que cursam até o ensino médio é considerado base de cálculo das contribuições previdenciárias. 6.2.3. Fica evidenciado que tais despesas não irão melhorar a execução do trabalho, não representando instrumentalização laboral, apenas ganhos auferidos pelos empregados na modalidade de menos despesas a serem efetuadas. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 9 15 6.3. O entendimento acima exposto nos leva a concluir que somente os gastos com os próprios empregados e dirigentes envolvendo a educação básica ou curso de capacitação e qualificação profissional é que não se constituem em fato gerador das contribuições previdenciárias. DA BASE DE CÁLCULO, DAS CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA E DAS DEDUÇÕES LEGAIS 7.1. As bases de cálculo, a descrição das contribuições a cargo da empresa, os valores apurados, as deduções legais, quando existentes e, os créditos efetivamente lançados como devidos, estão relacionados por competência e levantamento a que se referem, no Discriminativo de Débito DD, parte integrante deste Auto de Infração, respectivamente nas colunas denominadas: BASE DE CÁLCULO, RUBRICAS, APURADO, DEDUÇÕES E LÍQUIDO. 7.2. Para o período analisado foram constatadas diferenças de contribuição a recolher cujas competências e as bases de cálculo que serviram para a apuração dos créditos, relativos às contribuições a cargo da empresa, bem como, as deduções legais das contribuições devidas estão especificadas a seguir: 7.2.1. LEVANTAMENTO SU: SALÁRIOUTILIDADE 7.2.1.1. Neste levantamento encontramse lançadas as bases de cálculo referentes às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, não declaradas em GFIP, incidentes sobre salário utilidade educacional na forma de subsídios à educação, regulamentados em cláusula integrante dos acordos coletivos de trabalho e concedidos aos segurados empregados e aos seus dependentes. 7.2.1.2. A empresa sob procedimento fiscal, no que concerne à educação, prevê tanto em suas cartilhas quanto nos acordos coletivos de trabalho a concessão aos seus empregados e respectivos dependentes dos seguintes benefícios: a) Subsídios à educação no ensino de 1o, 2o e 3o graus com pagamento de mensalidade escolar custeada integralmente pela empresa nos colégios conveniados ou subsídio parcial nas demais escolas ou faculdades particulares, com correspondente desconto em folha de uma pequena parte do subsídio, atentando se para os detalhamentos descritos a seguir: > Para os empregados com salários enquadrados a partir da faixa A37 a empresa paga as mensalidades escolares diretamente às escolas. > Custeada mensalidade em faculdade particular aos empregados e aos filhos que cursam nível superior até 24 anos. > Reembolsadas mensalidades escolares de esposas até o ensino médio. > Para dependentes que cursam até o ensino médio é oferecido benefício na compra de material escolar anualmente. Fl. 927DF CARF MF 16 7.2.1.3. De acordo com o explanado no item 6 precedente os gastos da empresa a título de subsídio a educação com os dependentes de seus empregados, incluindose a compra de material escolar, sofrem incidência de contribuições previdenciárias. Assim como, os dispêndios com educação superior (graduação e pósgraduação) dos seus empregados. 7.2.1.4. Não foi possível individualizar por segurado os valores pagos pela empresa a título de subsídio à educação em função da maior parte ser pago diretamente às entidades de ensino, de acordo com os acordos coletivos de trabalho, fato corroborado pelos lançamentos contábeis pertinentes. 7.2.1.5. As contas que registram os pagamentos efetivados pela empresa com educação são: 7.2.1.5.1. Foram considerados como saláriodecontribuição os valores lançados a débitos nessas contas, depois de deduzidos dos valores pagos pelo trabalhador, com lançamentos a crédito como desconto em Folha de pagamento. 7.2.1.6. A diferença (Valor Apropriado/Base de Cálculo) entre as remunerações lançadas a débito e aquelas registradas como "Desconto em Folha de Pagamento" a crédito, estão demonstrados por competência no Relatório de Lançamentos RL e no campo "01SC Salário de Contribuição" do Discriminativo de Débito DD. 7.2.1.7. Os detalhamentos dos lançamentos contábeis encontramse nas planilhas em anexo denominadas de "Conta 353014005 Reembolso Escolar" e "Conta 353037002 Escolares". 7.2.1.8. Os valores das contribuições previdenciárias apuradas, por competência, constam dos campos 12"Empresa" e 13 "Sat/rat" do Discriminativo de Débito DD. 7.2.1.9. Este levantamento comporta a multa anterior á vigência da lei n° 11.941/2009 como a mais benéfica. Conforme podemos extrair dos pontos descritos no relatório fiscal, a base para o lançamento é a interpretação da autoridade fiscal de que o ensino superior não estaria abrangido no programa de capacitação e qualificação profissional previsto no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/90: t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Embora tenha me filiado a tese da autoridade fiscal no passado, no sentido de que a educação superior não estaria abrangida no dispositivo acima transcrito, revisitando o texto da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, Lei 9394/1996, não vejo a impossibilidade de considerar a educação superior como uma forma de capacitação ou mesmo qualificação profissional. No caso, desde que a educação proporcionada seja vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, possível a sua exclusão do conceito de salário de contribuição. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 10 17 NOtese que não estou, com isso, afastando toda e qualquer fornecimento de auxílio educação de curso superior do conceito de salário de contribuição, mas tão somente, abrindo a possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso esteja amparada na exclusão prevista no art. 28, §º, "t" da lei 8212/90. No caso, poderia o auditor promover o lançamento sobre essa rubrica, mas teria a autoridade fiscal de identificar que o curso superior não possuía qualquer relação com as atividade desenvolvidas na empresa, ou tão somente não era extensível a todos os dirigentes e empregados. Pela transcrição dos trechos do relatórios fiscal, vislumbrase não ter sido essa a fundamentação abraçada pela autoridade fiscal. Ademais, na impugnação já trouxe o sujeito passivo argumentos no sentido de que : Face as considerações acima, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional em relação ao auxílio educação fornecido aos empregados para os cursos de educação superior. Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 929DF CARF MF 18 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores Fl. 930DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 11 19 no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 931DF CARF MF 20 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 12 21 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação Fl. 933DF CARF MF 22 do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 934DF CARF MF Processo nº 14337.000121/201044 Acórdão n.º 9202005.971 CSRFT2 Fl. 13 23 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, bem como manter o lançamento em relação a educação fornecida aos dependentes. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 935DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.905503/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/12/2003
PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
Numero da decisão: 1302-002.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 55 03 /2 01 0- 18 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10875.905503/201018 Acórdão n.º 1302002.468 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de processo de compensação em que o recorrente pretendeu a quitação de obrigações afeitas ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante pretenso crédito decorrente de pagamento indevido. A vista disto, transmitiu, em 06/10/2006, a Dcomp de nº 05124.93606.061006.1.3.046529, vinculando um DARF de recolhimento, sob o código IRPJ (2362 Estimativa), pago em 30/12/2003, no valor de R$ 177.381,25, a fim de quitar débito do próprio IRPJ, relativo à competência de agosto de 2003, no montante de R$ 10.094,84. Em Novembro de 2010, foi proferido despacho decisório por meio do qual deixouse de homologar a predita compensação tendo em conta a seguinte fundamentação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. O contribuinte manejou manifestação de inconformidade abordando, genericamente o seu direito de compensar o valor declinado na DCOMP, destacando que o direito creditório em questão decorreria de erro de preenchimento da DCTF. Em sessão realizada em maio de 2014, a DRJ de Juiz de Fora houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme argumentos resumidos na ementa, O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento acima em 27/06/2014, uma sextafeira (AR de fl. 48), tendo interposto o seu recurso administrativo em 29/07/2014 (doc. de fl. 50). O trecho a seguir transcrito resume suficientemente a tese central do apelo. Vejase: Sobre o assunto, a impugnante, absolutamente impossibilitada dado inexistir via legal de fazer frente à exigência de juntada de todos os documentos necessários e aptos a comprovação da regularidade de seu agir, antecipa a apresentação daqueles que instruem a presente 'Manifestação' (notas Fiscais e Extratos), cuja crítica cautelar e minudente já é suficiente ao desnude da conclusão, de que os valores dos serviços tomados e os valores destacados no recebimento líquido dos seus preço guardam identidade com os montantes declarados com retidos e que por consequência compuseram o meio formal da compensação ora discutida (PERDCOMP). Ao final, invoca o princípio da verdade material a fim de reforçar a sua tese quanto a consideração dos documentos, segundo ele, colacionados no feito. O processo foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10875.905503/201018 Acórdão n.º 1302002.468 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (2362 Estimativa) pago em 30/12/2003. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.402, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10875.900328/200858, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.402): O recurso voluntário é tempestivo, e sobre isso não há dúvidas. O problema, todavia, é que há, no caso, uma confusão impar!!! A questão aventada na manifestação de inconformidade cingia se à "erro material" de preenchimento da DCTF, na qual foi informado o DARF para recolhimento de IRPJ (estimativa) e que, em razão deste erro, transmitiuse, após a prolação do despacho decisório, declaração retificadora. A DRJ não acolheu a manifestação porque, a despeito da transmissão de uma nova DCTF para demonstrar a existência do crédito, considerando que esta providência se deu no curso de ação fiscal, caberia ao contribuinte demonstrar, por meio de documentos idôneos, que o novo valor refletiria, de fato, a correção da realidade apresentada, valendo destacar, neste particular, que da relação que consta da citada manifestação, não foram descritos livros, balancetes ou documentos fiscais que pudessem dar suporte às informações retificadas. No recurso voluntário, como se dessume do relatório acima, o contribuinte lança discussão absolutamente desconectada das razões propostas na manifestação de inconformidade e do próprio acórdão! Discutese, no apelo, a comprovação de valores retidos por tomadores de serviços a título de IRRF (?!?) e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com outros tributos ou com o próprio IRPJ relativo à competências subsequentes (?!?!?!), invocando, inclusive, o princípio da verdade material para justificar o conhecimento, pela autoridade julgadora, das notas fiscais juntadas ao processo (?!?!?!??!!?). Esta discussão, digase, é totalmente estranha ao processo; não se conecta com a manifestação de inconformidade, nem tampouco se opõe aos argumentos tratados no acórdão recorrido (cuja análise se cingiu à imprestabilidade da apresentação de DCTF após a prolação do despacho decisório, desacompanhada dos documentos que se prestariam para Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10875.905503/201018 Acórdão n.º 1302002.468 S1C3T2 Fl. 5 4 demonstrar, de fato, os motivos que levaram o contribuinte a retificar a sua declaração). No caso, pois, recurso voluntário é inadmissível, ante a inegável preclusão ocorrida quanto a fatos/argumentos não suscitados na manifestação de inconformidade, em especial à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Objetivamente, o contribuinte nem mesmo aventou os motivos pelos quais não trouxe a alegação, e respectivas provas, quando do oferecimento de sua manifestação de inconformidade. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta, de fato, pelo princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas e argumentos não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno; pretender, neste ponto, analisar provas e argumentos que não foram sequer disponibilizadas à DRJ, representaria iniludível supressão de instância. Em vista do exposto, não conheço recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.906316/2009-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
Numero da decisão: 3001-000.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a DIPJ da recorrente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
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POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a DIPJ da recorrente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 63 16 /2 00 9- 91 Fl. 35DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/FNS, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. O Contribuinte, na data de 08/06/2005, transmitiu PER/DCOMP nº 07191.68581.080605.1.3.047006 declarando a compensação de débito do PIS Faturamento do período 11/2004, com crédito da COFINS (cód.2172) recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 03/2004. A DRF de Florianópolis em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls. 6), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência do crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte. Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.8), justificando que: Após confrontarmos os valores declarados na DCOMP 07191.68581.080605.1.3.047006 com a DIPJ 2005 entregue, percebemos que a DCTF 3.0 referente ao 1° trim./04 não havia sido retificada, o que ocasionou a não homologação do crédito. Informamos que entregamos em 30/6/09 DCTF retificadora corrigindo as informações com número de recibo 16.27.87.70.4675, assim sendo solicitamos o cancelamento do Despacho Decisório e a aceitação da DCTF anexa que demonstra o crédito utilizado na referida DCOMP. Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/FNS, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade com seus fundamentos assim sintetizados (fls.23): Salientese que não se está aqui a afirmar que o crédito pretendido contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, isto sim, é que só a partir da retificação da Dctf é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei, razão pela qual a retificação já efetuada pode produzir efeitos em relação a Dcomp apresentadas posteriormente a esta, mas não para validar compensações anteriores. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls. 26) contra a decisão de primeira instância administrativa, com o intuito de ver seu pedido atendido, destacandose em suas razões os seguintes pontos: 1 que a compensação declarada está em conformidade com o art. 66 da lei 8.383/91, o qual permite a utilização de valores pagos a maior ou indevido para compensar débitos de períodos subsequentes; Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10983.906316/200991 Acórdão n.º 3001000.102 S3C0T1 Fl. 3 3 2 – que constatado o erro de declaração em DCTF prontamente a retificou, corrigindo o valor efetivamente devido da COFINS relativo ao 1º trimestre de 2004 no montante de R$ 13.368,62. Sendo o DARF de pagamento no valor de R$ 13.992,24 ocorreu pagamento a maior de R$ 623,62. 3 – que a retificação da DCTF ocorreu na forma da Instrução Normativa SRF nº 903, de 30 de setembro de 2008, art. 11, o qual atesta que a DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores; 4 – que a DIPJ entregue tempestivamente contempla o valor correto da COFINS devida, no item 40 da ficha 26ª – Cálculo da COFINS – Regime Cumulativo; Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente buscou através da transmissão eletrônica da PER/DCOMP nº 07191.68581.080605.1.3.047006, transmitida na data de 08 de junho de 2005, a compensação de PIS – Faturamento (código 8109) da competência 11/2004 no valor de R$ 94,65 com crédito de COFINS (cód.2172), pelo recolhimento a maior que o devido da competência 03/2004. Valor original do crédito utilizado foi de R$ 80,87. Contudo, ao tomar conhecimento do Despacho Decisório desfavorável ao seu pedido, constatou que havia incorrido em erro quando da transmissão da DCTF para o período do 1º Trimestre de 2004. Imediatamente, na data de 30/06/2009, transmitiu DCTF retificadora corrigindo o valor devido de COFINS para o período de apuração 31/03/2004, de forma a evidenciar o valor de seu pagamento a maior que o devido, resultando daí o crédito utilizado para a compensação requerida. A DRJ/FNS fundamenta sua decisão que manteve a não homologação da compensação pleiteada, no fato de que o crédito apontado em DCTF retificadora não pode alcançar compensação anteriormente praticada. Sobre a liquidez e certeza do crédito levantado pela recorrente em DCTF Retificadora, em nenhum momento foi objeto de análise pelo competente órgão fazendário. Valhome aqui de julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303 005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante confirmaram decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar Fl. 37DF CARF MF 4 parcial provimento ao recurso voluntário, sendo entendimento daquele colegiado, “em síntese, que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Oportuno destacar, também, parte do voto da Conselheira Relatora Vanessa Marini Cecconello (CSRF – T3), pelos seus comentários e associados ao Parecer Cosit nº 02/2015, nos orienta a dar o devido seguimento nesse julgado, “verbis”: O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário devem restar comprovadas por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10983.906316/200991 Acórdão n.º 3001000.102 S3C0T1 Fl. 4 5 decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Vêse que a administração tributária em questão normativa, preocupada com o assunto, já havia se posicionado sobre o tema que diz respeito à possibilidade de ocorrer DCTF retificadora para demonstrar a existência de crédito passível de compensação. Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo um deles a DIPJ da recorrente, que de acordo com as razões recursais foi um dos parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Diante do que foi exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com a DIPJ da recorrente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002503/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
CSLL. LIMITES DA COISA JULGADA.
Contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo, não podem ser cobrados em razão de legislação superveniente que não modificou o tributo em sua essência, nem tampouco em razão de posterior declaração de constitucionalidade do tributo pelo Supremo Tribunal Federal, consoante o entendimento consagrado no REsp no 1.118.893-MG, sujeito ao regime do art. 543-C do CPC.
Numero da decisão: 1301-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Em razão dos fundamentos da tese vencedora no julgamento do recurso voluntário, por unanimidade de votos, considera-se prejudicada a análise do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 CSLL. LIMITES DA COISA JULGADA. Contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo, não podem ser cobrados em razão de legislação superveniente que não modificou o tributo em sua essência, nem tampouco em razão de posterior declaração de constitucionalidade do tributo pelo Supremo Tribunal Federal, consoante o entendimento consagrado no REsp no 1.118.893-MG, sujeito ao regime do art. 543-C do CPC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Em razão dos fundamentos da tese vencedora no julgamento do recurso voluntário, por unanimidade de votos, considera-se prejudicada a análise do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
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LIMITES DA COISA JULGADA. Contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado, declarando a inconstitucionalidade da lei que instituiu o tributo, não podem ser cobrados em razão de legislação superveniente que não modificou o tributo em sua essência, nem tampouco em razão de posterior declaração de constitucionalidade do tributo pelo Supremo Tribunal Federal, consoante o entendimento consagrado no REsp no 1.118.893MG, sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. Em razão dos fundamentos da tese vencedora no julgamento do recurso voluntário, por unanimidade de votos, considerase prejudicada a análise do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 25 03 /2 00 9- 27 Fl. 14099DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.100 2 Milene de Araújo Macedo Relatora (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase o presente processo de julgamento de recursos voluntário e de ofício interpostos por Rima Industrial SA e Fazenda Nacional, contra acórdão que julgou parcialmente procedente o auto de infração de CSLL, relativo ao anocalendário de 2004, em que foi apurada falta de recolhimento da referida contribuição no valor de R$ 20.589.449,64, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora. Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Contra a interessada foi lavrado o Auto de Infração, fls. 01/13, para exigir a CSLL, por falta de recolhimento, no valor de R$ 20.589.449,64, com a multa de ofício de 75%, conforme enquadramento legal constante nos autos, e os juros de mora de acordo com a legislação pertinente. Consta, em síntese, da Descrição dos Fatos de fls. 06/10: a) que a contribuinte não declarou a CSLL na DIPJ e na DCTF e nada recolheu, relativo ao ano–calendário 2004; b) que foi apurada CSLL, referente ao período de apuração 01/2004 a 12/2004, conforme forma lá especificada; c) que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança, em 26/04/1989, contra ato do Delegado da DRF/Belo Horizonte, alegando inconstitucionalidade da lei 7.689/88 e que este transitou em julgado em 12/12/1991, concedendo a segurança; d) que o STF, através da ADIN nº 152, julgou inconstitucional apenas o art. 8º da Lei nº 7.689/89, conclusão esta que foi objeto da Resolução do Senado Federal nº 11, de 2005; e) que o mandado de segurança, pela sua natureza, não serve para o ataque à Lei em tese considerada, mas aos seus efeitos específicos, devidamente traçados na peça exordial e ao curso da contenda e que a providência solicitada ao Juízo diz respeito a exercícios financeiros estabelecidos dentro de determinado lapso Fl. 14100DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.101 3 temporal, que não pode, evidentemente, ultrapassar a data em que se deu o trânsito em julgado; Intimada em 30/12/2009, a interessada apresentou impugnação em 02/02/2010 (fls. 687/719), na qual alega, em síntese, o seguinte: Preliminarmente: a) que o lançamento tem origem na Lei nº 7689/88 e esta foi considerada inconstitucional em acórdão transitado em julgado e, assim o lançamento ofende a coisa julgada; b) que a coisa julgada só pode ser revista pelo próprio Poder Judiciário através da competente ação rescisória; c) que não é possível exigir da empresa o pagamento de CSLL em qualquer exercício sem agredir frontalmente a coisa julgada; d) que as leis posteriores não tem o condão de ressuscitar a CSLL e que a Lei 8.212/91 apenas majorou a alíquota. Do Mérito: a) que a construção da base de cálculo da contribuição em comento não encontra guarida no embasamento técnicocontábil, tão pouco na legislação vigente para apuração da base de cálculo da CSLL; b) que as rubricas glosadas pela fiscalização estão sustentadas nos acentos contábeis da impugnante, contabilizados em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos e certificados por auditoria independente; c) que, diante do lançamento, a empresa contratou auditoria independente para revisão contábilfiscal tributária e revisão da DIPJ/2005 e que o resultado final é parte integrante da peça impugnatória; d) que a fiscalização reconstituiu a apuração do CPV, ficha 4A da DIPJ/2005, apurando um CPV no valor de R$ 125.183.608,83; e) que a impugnante registrou em sua DIPJ/2005 o valor de R$ 310.732.554,10 como CPV, suportado na escrita contábil e convalidado por auditores independentes, conforme item seguinte; f) que não assiste razão à glosa de R$ 185.548.945,27 no CPV por: f.1 que o estoque inicial considerado não coaduna com os valores registrados nos livros contábeis, que montam em R$ 33.323.164,77; f.2 que as compras de insumos a prazo, consideradas no valor de R$ 40.101.992,69, representam tão somente 16,8% das aquisições de insumos do período, diretivas a produção no total de R$ 240.412.104,22; de um total de entradas/aquisições no valor de R$ 363.346.293,82, já expurgado o valor dos impostos incidentes e as devoluções havidas; f.3 que os outros custos montam R$ 8.462.316,67; f.4) que o saldo de estoque final, considerado no valor de R$ 26.431.324,77, distorce dos saldos esculpidos nos livros fiscais no valor de R$ 37.612.218,76; Fl. 14101DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.102 4 g) que a fiscalização retificou o valor da rubrica “Outras despesas operacionais” para R$ 12.921.897,17, diferentemente do apurado pela auditoria independente em relatório elaborado de forma analítica e pormenorizado; e que os valores apurados com base nos livros contábeis montam em R$ 12.852.132,75; h) por ser de menor relevância, os autos à fl. 306 apresentam erro material na somatória/apuração do lucro operacional (linha 41) no valor de R$ 226.478.045,18, enquanto o correto é 193.454.314,73. Neste mesmo passo, o valor do crédito tributário da CSLL no montante de R$ 20.589.449,64, vem consignado no relatório fiscal tendo como base o valor de R$ 228.656.609,85, diferentemente do valor de R$ 228.771.662,72 reportado na linha 37 de fl. 308; i) pelos motivos acima, não deve prevalecer a imputação da multa arrimada nos art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da Lei nº 10.637/02 e arts. 289 a 295 e §§, do RIR/99; j) por fim requer o cancelamento integral do auto de infração e valerse de todos os meios de prova em direito admitidos. Anexa, como parte integrante da impugnação, Relatório de Revisão Fiscal Tributária Especial elaborado por Soltz, Mattoso & Mendes Auditores Independentes que conclui: Verificamos que as informações obtidas pela Auditoria divergem das informações inseridas pela RIMA na DIPJ, divergências estas, tão somente na distribuição dos valores das linhas das fichas específicas, sem, contudo, alterar o resultado do lucro líquido do exercício que, após análises, conferem com os balancetes mensais. Posteriormente, em documento datado de 17/03/2010, a contribuinte apresentou aditamento à impugnação (fls. 724/768), na qual alega, em síntese: a autuação incorre em violação a coisa julgada em razão de decisão prolatada em Mandado de Segurança impetrado pela Impugnante; que o crédito tributário exigido, em quase sua totalidade, foi extinto pela ocorrência do fato decadencial. É o relatório." Em 25 de março de 2010, a 1a Turma/DRJ JFA julgou o lançamento parcialmente procedente, conforme ementa do Acórdão nº 0928.847, abaixo transcrita: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004 CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS. APURAÇÃO. O parágrafo 1º, do artigo 187 da Lei das Sociedades por Ações determina que na apuração do lucro do exercício social serão computados as receitas e os rendimentos no período, independentemente da sua realização em moeda; e os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Fl. 14102DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.103 5 A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 INTIMAÇÕES NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. As intimações e notificações, no processo administrativo fiscal, devem obedecer às disposições do Decreto nº 70.235/72, devendo ser endereçadas ao domicílio fiscal do sujeito passivo. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de produção de provas pois é na fase impugnatória o momento processual próprio para que o sujeito passivo apresente as provas que respaldam seus argumentos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. Mesmo em uma interpretação mais favorável para o contribuinte, no caso, não há que se falar em decadência do direito de o fisco constituir o crédito tributário, pois esse prazo se encerra cinco anos após a ocorrência do fato gerador. Devidamente cientificada em 20/04/2010 (fls. 812), a contribuinte apresentou, tempestivamente, em 20/05/2010 (fls. 864, 865), o recurso voluntário de fls. 816 a 863 alegando, em apertada síntese, os itens abaixo relacionados, os quais serão melhores descritos por ocasião do voto: (i) A impossibilidade de exigência do recolhimento da CSLL, tendo em vista que em 12/12/1991 transitou em julgado, perante o TRF/1ª Região, na apelação ao mandado de segurança nº 89.00015052, decisão judicial desobrigando a recorrente de adimplir o tributo exigido, face à inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88; (ii) Refuta as afirmações de que o alcance da coisa julgada estaria limitado diante das relações jurídicotributária continuativas, nos termos da Súmula nº 239 do STF. Sustenta que, a partir do julgamento do REsp nº 731.250/PE, restou consolidado o entendimento de que não há como exigir o pagamento de tributo sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência; (iii) Alega que caso a União desejasse exigir o tributo deveria ter pleiteado em ação rescisória o afastamento da coisa julgada sob pena de ofensa ao princípio da segurança jurídica e respeito à coisa julgada; (iv) Opõese ao entendimento do acórdão recorrido de que a situação do presente processo estaria sob abrigo da previsão contida no art. 471, do CPC, eis que as leis posteriores apenas modificaram a alíquota e base de cálculo da exação, sem alterar o aspecto material da hipótese de incidência e estabelecer uma nova relação jurídica entre as partes. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça nesse sentido; Fl. 14103DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.104 6 (v) Requer, caso seja considerada contribuinte da CSLL, o reconhecimento da decadência da exigência fiscal. Defende que a falta de recolhimento do tributo não tem o condão de descaracterizar a natureza do lançamento tributário e que a única possibilidade de aplicação de outra regra decadencial, que não a prevista no art. 150 do CTN para os tributos sujeitos à homologação, é a presença de dolo, fraude ou simulação, hipóteses estas que não teria ocorrido no presente caso; (vi) Afirma que a autoridade autuante e a decisão recorrida desconsideraram grande parte do custo dos produtos vendidos registrado em sua contabilidade, no valor de R$ 185.548.945,27, apesar de estarem documentalmente comprovadas todas as razões lançadas em sua defesa; (vii) Sobre a divergência apurada no estoque inicial, argúi que a contabilidade da recorrente não foi desprestigiada pela fiscalização devendo ser os dados nela apontados admitidos, salvo se cabalmente desconstituídos pelo Fisco, o que não foi o caso; (viii) Aponta equívoco da decisão recorrida ao afirmar que o contribuinte pretendeu retificar diversas linhas da DIPJ/2005 conforme valores apurados pela auditoria independente. Sustenta que ao apresentar os laudos de auditoria pretendeu apenas demonstrar que não há irregularidades em sua escrita contábil e que não há outras provas, como as exigidas pela decisão recorrida, senão a própria escrituração de sua contabilidade; (ix) Reitera que sua escrita fiscal é completamente regular e, portanto, não pode ser desconsiderada sem qualquer atividade probatória por parte da autuante, sob pena de inobservância ao dever constitucional de investigação e prova, bem assim, à busca pela verdade material; (x) Afirma que o relatório produzido pela equipe de auditoria independente, já juntado aos autos, demonstrou que não há qualquer irregularidade na escrita contábil do contribuinte, especialmente no custo dos produtos vendidos (CPV). Acrescenta que pela análise do relatório as imperfeições no preenchimento de algumas linhas da DIPJ não alteraram o resultado do lucro líquido do exercício e não trouxeram qualquer prejuízo para o Fisco Federal; (xi) Ao final, requer o provimento do recurso voluntário e a exoneração dos gravames decorrentes do litígio. Ao apreciar o Recurso Voluntário na sessão realizada em 07/08/2012, os membros desta turma, por unanimidade de votos, resolveram converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1301000.073, para que fossem adotadas as seguintes providências: "Nessas circunstâncias, considerando,ainda que excepcionalmente, a eventual possibilidade de insucesso da tese de respeito da impossibilidade de ofensa à coisa julgada trazida no recurso – o que aqui apenas se admite em sede de eventualidade , verificase a necessidade de adequada e específica avaliação dos instrumentos probatórios para que, em caso de eventual apuração de montante a ser exigido da contribuinte, seja então especificamente quantificado o crédito, a partir dos elementos e instrumentos por ela especificamente mantidos, conforme destacado, inclusive, em sua própria pretensão recursal. Fl. 14104DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.105 7 Em face dessas considerações, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para a apuração e verificação da forma de apuração da base de cálculo da CSLL efetivada pela contribuinte, visando à identificação dos montantes indicados como constantes nos apontados livros auxiliares, nos termos então sustentados em sede de defesa." A fiscalização realizou a diligência e, após efetuar o levantamento das aquisições de insumos através da escrituração contábil digital apresentada pelo contribuinte, elaborou o Termo de Conclusão de Diligência Fiscal (fls. 14.046 a 14.061) tendo ao final assim concluído: "Diante do acima relatado, da documentação apresentada encerro a diligência requisitada, com apuração de aquisição de insumos no total de R$184.573.372,63. No curso da fiscalização foi apurado o montante de R$40.101.992,69, remanescendo diferença de R$144.471.379,94 (cento e quarenta e quatro milhões, quatrocentos e setenta e um mil, trezentos e setenta e nove reais e nove e quatro centavos) a ser considerada como aquisição de insumos no ano calendário de 2004. " Cientificada do relatório de diligência fiscal, a recorrente apresentou a manifestação de fls. 14.064 a 14.073, apontando equívocos, por parte da fiscalização, na composição das aquisições dos insumos por ela realizadas no anocalendário de 2004, os quais compõem o custo de fabricação própria. Afirma que após as correções indicadas na manifestação, o valor total das aquisições de insumos a ser considerada pela fiscalização totaliza R$ 148.028.733,96. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. RECURSO VOLUNTÁRIO I DA PRELIMINAR DE COISA JULGADA CSLL Alega a recorrente que a autuação de CSLL, relativa ao anocalendário de 2004, incorre em grave afronta à coisa julgada, considerandose a existência de apelação cível, transitada em julgado em 12/12/1991, perante o TRF/ 1ª Região, em que foi garantido à recorrente o direito ao não recolhimento da contribuição social instituída pela Lei nº 7.689/88. A recorrente impetrou, em 26/04/1989, Mandado de Segurança nº 89.15052 (fls. 655 a 662), perante a 3ª Vara da Justiça Federal do Estado de MInas Gerais em que objetivava o direito ao não recolhimento da CSLL, com fundamento na inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. A ação foi inicialmente indeferida na decisão de primeira instância proferida em 29/09/1989 (fls. 663 a 681), entretanto, no julgamento da apelação nº 90.01.007120MG, foi dado provimento ao recurso da impetrante, para conceder a segurança, Fl. 14105DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.106 8 por meio do Acórdão (fls. 682 a 687) proferido em 30/10/1991, pela 3ª Turma do TRF 1ª Região, assim ementado: "CONSTITUCIONAL. PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7.689, DE 15.12.88. INCONSTITUCIONALIDADE. 1 É inconstitucional a lei 7.689, de 15.12.88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, conforme decidiu o egrégio Plenário do Tribunal Regional Federal 1ª Região, ao julgar. a Arguição de Inconstituciona1idade na Apelação em Mandado de Segurança nº 89.01.136147MG, em sessão de 03 de outubro de 1991, por violar os arts. 146, inc. III; 154, inc. I, 165, § 5º , inc III; e 195, §§ 4º e 6º da Constituição de Federal de 1988. 2 Apelação Provida" Observese que o acórdão deu provimento à apelação da contribuinte com alicerce no anteriormente decidido pelo plenário, em 03/10/1991, na arguição de inconstitucionalidade na Apelação em Mandado de Segurança nº 89.01.136147/MG. Consta no voto do relator da apelação cível da contribuinte (fls. 683 a 685), que aquela decisão foi assim ementada: “1 – Ante o disposto no art. 149, da Constituição Federal de 1988, que manda observar o art. 146, inc. III, só lei complementar pode instituir contribuição social. 2 Às contribuições sociais, que, em face dos arts. 149 e 146, inc. III, da CF/88, são tributos, não se aplica o disposto no art. 150, inc. III, tendo em vista o estabelecido no § 6º, do art. 195, da CF/88. 3 – As contribuições sociais novas não podem ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos impostos e contribuições já existentes (CF/88, art. 195 § º 4º c/c o art. 154, inc. I).A lei 7.689/88, no entanto, elege como base de cálculo da contribuição o lucro das pessoas jurídicas (art. 1º e 2º), que já é próprio do imposto de renda (art. 44 do CTN, e 153, do RIR/80), além de assemelhar o seu fato gerador ao deste imposto – aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43 CTN). 4 – A lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988, por outro lado, não poderia instituir contribuição social, pois o novo sistema tributário ainda não estava em vigor, ex vi do art. 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que estabeleceu que o sistema tributário entraria em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição – 1º de março de 1989. Infringência, por conseguinte, ao princípio da irretroatividade. 5 – Violou, outrossim, a lei 7.689/88 o art. 165, § 5º, inc. II, da CF/88, ao determinar, em seu art. 6º, que a contribuição social será administrada e fiscalizada pela Secretaria da Receita Federal, quando diante do preceito constitucional (art. 165, § 5º, inc. III), a sua arrecadação deveria integrar o orçamento da seguridade social. 6 – A lei 7.689/88 é inconstitucional, em razão, pois, de ter infringido os arts. 146, inc. III; 154, inc. I; 165, § 5º, inc. III; e 195, §§ 4º e 6º, da Constituição Federal de 1988. 7 – Incidente de inconstitucionalidade procedente.” De acordo com a Certidão expedida, em 12/12/1991, o acórdão que deu provimento à apelação da contribuinte transitou em julgado naquela data (fls. 689). Fl. 14106DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.107 9 O acórdão favorável à contribuinte, proferido em 30/10/1991, teve como fundamento decisão anteriormente exarada pelo plenário em 03/10/1991, ocasião em que foi efetuada a análise da Lei nº 7.689/88, sem considerar as diversas alterações supervenientes à legislação de regência da CSLL, tais como as introduzidas pela Lei Complementar nº 70, de 1991 (art. 11); Lei nº 8.383, de 1991 (arts. 41, 44, 79, 81, 86, 87, 89, 91 e 95); Lei nº 8.541, de 1992 (arts. 22, 38, 39, 40, 42 e 43); Lei nº 9.249, de 1995 (arts. 19 e 20); Lei nº 9.316 de 1996 (arts. 1º e 2º); Lei nº 9.430, de 1996 (arts. 28 a 30, sendo que o art. 28 remete aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 da mesma Lei) e Lei nº 10.637, de 2002 (arts. 35 a 37, 45). Os autos de infração do presente processo foram lavrados em 29/12/2009 e referemse a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, para os quais a fiscalização utilizou como enquadramento legal o art. 2º da Lei nº 7.689/88, que à época dos fatos estava em vigência com as alterações dadas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90; o art. 28 da Lei nº 9.430/96 e o art. 37 da Lei nº 10.637/02 e a Resolução nº 11/95 do Senado Federal. A recorrente alega que as leis posteriores apenas modificaram a alíquota e base de cálculo da exação, sem alterar o aspecto material da hipótese de incidência e estabelecer uma nova relação jurídica entre as partes. Diversamente do alegado, veja que um dos fundamentos pelos quais a Lei nº 7.689/88 foi declarada inconstitucional na apelação nº 90.01.007120MG, que transitou em julgado favoravelmente à recorrente, tem como fundamento o fato de que a CSLL somente poderia ser instituída por meio de lei complementar. De acordo com este entendimento, após a publicação da Lei Complementar nº 70/91, tal questão teria sido superada, haja vista o que dispõe o art. 11 da referida lei complementar: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Além das alterações legislativas já mencionadas, que por si só demonstram uma mudança no suporte jurídico ocorrido entre a decisão judicial transitada em julgado, diversas decisões do STF consideraram constitucionais os preceitos da Lei nº 7.689/88, com exceção de seu art. 8º. Nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nº 146.733 SP, em 29/06/1992 e nº 138.284 CE, em 01/07/1992, o Pleno do STF reconheceu, em sede de controle difuso, a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, a exceção do seu art. 8º, cujas ementas a seguir transcrevo: RE 146.733SP CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURIDICAS. LEI 7689/88. NÃO É INCONSTITUCIONAL A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURIDICAS, CUJA NATUREZA É TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1º, 2º E 3º DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS. AO DETERMINAR, PORÉM, O ARTIGO 8º DA LEI 7689/88 QUE A CONTRIBUIÇÃO EM CAUSA JÁ SERIA Fl. 14107DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.108 10 DEVIDA A PARTIR DO LUCRO APURADO NO PERIODOBASE A SER ENCERRADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988, VIOLOU ELE O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE CONTIDO NO ARTIGO 150, III, `A', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, QUE PROIBE QUE A LEI QUE INSTITUI TRIBUTO TENHA, COMO FATO GERADOR DESTE, FATO OCORRIDO ANTES DO INICIO DA VIGENCIA DELA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO COM BASE NA LETRA `B' DO INCISO III DO ARTIGO 102 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, MAS A QUE SE NEGA PROVIMENTO PORQUE O MANDADO DE SEGURANÇA FOI CONCEDIDO PARA IMPEDIR A COBRANÇA DAS PARCELAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL CUJO FATO GERADOR SERIA O LUCRO APURADO NO PERIODOBASE QUE SE ENCERROU EM 31 DE DEZEMBRO DE 1988. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 8. DA LEI 7689/88 RE 138.284CE CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURIDICAS. Lei n. 7.689, de 15.12.88. I. Contribuições parafiscais: contribuições sociais, contribuições de intervenção e contribuições corporativas. C.F., art. 149. Contribuições sociais de seguridade social. C.F., arts. 149 e 195. As diversas espécies de contribuições sociais. II. A contribuição da Lei 7.689, de 15.12.88, e uma contribuição social instituida com base no art. 195, I, da Constituição. As contribuições do art. 195, I, II, III, da Constituição, não exigem, para a sua instituição, lei complementar. Apenas a contribuição do parag. 4. do mesmo art. 195 e que exige, para a sua instituição, lei complementar, dado que essa instituição devera observar a tecnica da competência residual da União (C.F., art. 195, parag. 4.; C.F., art. 154, I). Posto estarem sujeitas a lei complementar do art. 146, III, da Constituição, porque não são impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador, base de calculo e contribuintes (C.F., art. 146, III, "a"). III. Adicional ao imposto de renda: classificação desarrazoada. IV. Irrelevância do fato de a receita integrar o orçamento fiscal da União. O que importa e que ela se destina ao financiamento da seguridade social (Lei 7.689/88, art. 1.). V. Inconstitucionalidade do art. 8., da Lei 7.689/88, por ofender o princípio da irretroatividade (C.F., art, 150, III, "a") qualificado pela inexigibilidade da contribuição dentro no prazo de noventa dias da publicação da lei (C.F., art. 195, parag. 6). Vigencia e eficacia da lei: distinção. VI. Recurso Extraordinário conhecido, mas improvido, declarada a inconstitucionalidade apenas do artigo 8. da Lei 7.689, de 1988. O acórdão do RE 138.284CE foi publicado em 03/08/92 e transitou em julgado em 29/09/92. Já o acórdão do RE 146.733 foi publicado em 01/07/92 e transitou em Fl. 14108DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.109 11 julgado em 13/04/93. Posteriormente a estas decisões, em 04/04/1995, o Senado Federal emitiu a Resolução nº 11 de 04/04/95, por meio da qual foi suspensa a execução do disposto no art. 8º da Lei nº 7.689/88. Assim, por serem dotadas dos atributos da definitividade e objetividade, as decisões do plenário do STF em controle difuso de constitucionalidade, seguidas de Resolução Senatorial, possuem força normativa. É certo que, em respeito ao princípio da segurança jurídica, tais decisões não afastam, retroativamente, a eficácia da coisa julgada, entretanto, são eficazes e produzem efeitos prospectivos. Aliás, este também entendimento foi confirmado pelo Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, que teve por escopo analisar os reflexos gerados pela alteração da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal em relação à coisa julgada em matéria tributária, tendo assim concluído: "(i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinteautor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; (v) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a Fl. 14109DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.110 12 exigir, do contribuinte autor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer." Assim, como regra geral, o parecer tem efeitos prospectivos conferindo ao Fisco o direito de constituir créditos tributários somente para fatos geradores ocorridos a partir da data de sua publicação. Entretanto, consta do parágrafo 79, hipótese em que o parecer, excepcionalmente, teria aplicação a períodos anteriores à sua publicação: "79.Em outras palavras: este parecer não retroage para alcançar aqueles fatos geradores pretéritos, que, mesmo sendo capazes, à luz do entendimento ora defendido, de fazer nascer obrigações tributárias, não foram, até o presente momento, objeto de lançamento. Por óbvio, se nas situações pretéritas o Fisco já tiver adotado o entendimento ora defendido, efetuando a cobrança relativa aos fatos geradores ocorridos desde a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado, em relação a essas situações pretéritas o critério jurídico contido no presente Parecer não poderá ser considerado " novo" , o que afasta a aplicação do princípio da não surpresa e do art. 146 do CTN; esses lançamentos, portanto, deverão ser mantidos." No caso concreto, em que as autuações relativas ao anocalendário de 2004 foram realizadas em 2009, verificase que a Receita Federal do Brasil já vinha adotando o mesmo entendimento posteriormente ratificado pelo Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, motivo pelo qual são procedentes os lançamentos efetuados relativamente a fatos geradores ocorridos anteriormente à publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011. Com relação às afirmações de que a partir do julgamento do REsp nº 731.250/PE, restou consolidado o entendimento de que não há como exigir o pagamento de tributo sem ofender a coisa julgada, ainda que para exercícios posteriores e com fundamento em lei diversa que tenha alterado somente aspectos quantitativos da hipótese de incidência, de igual sorte não assiste razão à recorrente. Por ocasião do REsp 731.250/PE, o voto da relatora Min. Eliana Calmon, analisou detalhadamente cada dispositivo da Lei Complementar nº 70, de 1991, e das Leis nº 7.856, de 1989, nº 8.034, de 1990, nº 8.383, de 1991 e nº 8.541, de 1992, entretanto, algumas das leis que serviram para fundamentar o julgamento não foram analisadas, tais como o art. 28 da Lei nº 9.430/96 e o art. 37 da Lei nº 10.637/02. Assim, não se pode afirmar que essas leis estariam alcançadas pelo REsp nº 731.250/PE, a ponto de não serem aplicáveis à pessoa jurídica que possua decisão judicial favorável fundamentada na inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Vale ressaltar ainda que o decidido pelo STJ no REsp nº 1.118.893/MG, cujo acórdão sujeitouse ao rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil, não se aplica ao caso concreto. Para aplicação de um acórdão julgado em sede de recurso repetitivo pelo STJ devese comparar o caso concreto com o decidido pelo STJ, a fim de identificar se os aspectos materiais do caso específico ora analisado subsumemse ao decidido no REsp nº 1.118.893/MG, cuja ementa a seguir transcrevo: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇAO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇAO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇAO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT , DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. Fl. 14110DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.111 13 PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇAO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores"(AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7."As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material"(REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ." Fl. 14111DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.112 14 A legislação analisada pelo STJ no REsp 1.118.893/MG e que teria alterado a incidência da CSLL a partir da Lei nº 7.689/88, corresponde à Lei Complementar nº 70/91 e às Leis nº 7.856/89, nº 8.034/90, nº 8.212/91, nº 8.383/91 e nº 8.541/92. O voto do relator, ao analisar referidas leis, é alicerçado no voto da Min. Eliana Calmon, proferido no julgamento do REsp 731.250/PE, que analisou detalhadamente cada uma dessas leis. Assim, verificase que algumas das leis utilizadas nos autos de infração ora recorridos não foram objeto de análise no REsp nº 1.118.893/MG: art. 28 da Lei nº 9.430/96 e o art. 37 da Lei nº 10.637/02. Por este motivo, o repetitivo do STJ não se aplica ao caso concreto, cujos fatos geradores ocorreram no anocalendário de 2004, e os lançamentos foram efetuados com fundamento em legislação não analisada pelo REsp nº 1.118.893/MG. Importante ressaltar que o afastamento da aplicação do REsp nº 1.118.893/MG ao caso concreto não implica em descumprimento ao disposto art. 62, § 2º do Anexo II do RICARF, o qual determina que no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, devem ser reproduzidas as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543C do antigo CPC. Com relação às alegações de que se desejasse exigir o tributo a Fazenda Nacional deveria ter pleiteado em ação rescisória o afastamento da coisa julgada sob pena de ofensa ao princípio da segurança jurídica e respeito à coisa julgada, também não assiste razão à recorrente. Conforme já demonstrado, com as alterações legislativas e os precedentes definitivos e objetivos do STF, restou configurada circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado, motivo pela qual tornase desnecessária a ação rescisória. Diante de todo o exposto e considerando: (i) as alterações da legislação de regência da CSLL, posteriores à analisada na decisão transitada em julgado favoravelmente à recorrente; (ii) a força normativa dos julgados do STF em sentido contrário à decisão transitada em julgado favorável à contribuinte; (iii) a inaplicabilidade do REsp nº 1.118.893/MG ao caso concreto; (iv) a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, nos termos do art. 13 c/c art. 42 da LC nº 73/93, voto por negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na questão relativa à possibilidade de exigência do recolhimento da CSLL diante da existência de decisão transitada em julgado favorável à recorrente. RECURSO DE OFÍCIO Em razão dos fundamentos da tese vencedora no julgamento do recurso voluntário, considerase prejudicada a análise do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Voto Vencedor Fl. 14112DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.113 15 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto da ilustre Relatora, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, no que se refere à eficácia da coisa julgada relativamente à inconstitucionalidade da CSLL instituída pela Lei nº 7.698/88. Passo a expor os fundamentos das divergências e as conclusões às quais chegou o Colegiado, relativamente à situação em análise: A discussão reside em saber se há ou não possibilidade da Fazenda Nacional constituir e exigir do sujeito passivo, créditos tributários de CSLL, tendo em vista a existência de coisa julgada em favor do contribuinte para o não recolhimento da contribuição com base na Lei nº 7.689/88. De um lado, alega o contribuinte a necessidade de observância do art. 62, §2º, do RICARF, em decorrência do julgamento do Resp nº 1.118.893 do STJ, submetido ao rito de recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC); inaplicabilidade do entendimento proferido pela PGFN por meio do Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011; além do que, no presente caso, o lançamento se refere à CSLL apurada no anocalendário 2004, cuja ciência ocorreu em 29/12/2009, ou seja, os fatos geradores ocorreram antes da decisão do STF e antes do Parecer CRJ 492/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda. Por outro lado, sustenta a fiscalização, ratificado pelas razões de voto da i. Relatora, que o entendimento trazido no Resp nº 1.118.893, exarado em sede de recurso repetitivo, não tem o alcance defendido pela recorrente, pois o caso analisado naqueles autos tratava de uma exigência de CSLL do anocalendário 1991, de modo que o que o STJ firmou, naquele caso, foi a impossibilidade de uma decisão posterior do STF (ADI 151/DF, publicada em 31/08/2007) atingir uma situação jurídica anterior (1991), consolidada anteriormente à decisão do STF. Pois bem, no caso em apreço, é possível a conclusão da impossibilidade de manutenção do lançamento relativo à CSLL, apurado no anocalendário de 2004, tendo em vista a proteção inequívoca do manto da coisa julgada, pela leitura das conclusões do próprio Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, proferido após a lavratura do auto de infração aqui em discussão: 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: [...] (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iii) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade Fl. 14113DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.114 16 da lei tributária, o contribuinteautor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; Isso porque, nos termos do citado Parecer, considerando que a publicação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 151/DF) ocorreu em 31/08/2007, e os fatos geradores do presente PAF ocorreram em 2004, o Fisco não possui o direito de cobrar o tributo aqui exigido, pois os fatos geradores ocorridos foram anteriores à publicação da ADIN, o que impõe o cancelamento da predita exigência. Com efeito, o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2011, conquanto sustente a possibilidade do Fisco voltar a exigir o tributo do contribuinte, outrora protegido pela coisa julgada em decisão obtida em caráter difuso, nos casos em que o STF proclama a constitucionalidade da lei que instituiu o tributo, independentemente de qualquer ação rescisória, o mesmo parecer destaca a impossibilidade do Fisco adotar o entendimento nele exarado para os fatos geradores ocorridos antes de sua publicação, " por razões ligadas ao relevante princípio da segurança jurídica, com os seus corolários em matéria tributária, a saber, os princípios da não surpresa e da proteção da confiança". Mas não é só, pois há um outro argumento que impede a exigência da CSLL. De acordo com a melhor doutrina, coisa julgada material, em síntese, significa a qualidade que torna imutável e indiscutível o comando originado da parte dispositiva da sentença de mérito, e em relação à qual não caiba mais recurso ordinário ou extraordinário, nem sujeição à remessa necessária. A coisa julgada não é oponível em relação a todas e quaisquer situações que guardam grau de relação com a demanda originalmente proposta ou, ainda, em face de toda e qualquer pessoa.. No particular, necessária a percepção dos limites subjetivos e objetivos (inclusive no aspecto temporal) da res iudicata. Sinteticamente, os limites subjetivos da coisa julgada consistem na adequada determinação das pessoas sujeitas à imutabilidade e indiscutibilidade decorrentes do trânsito em julgado da sentença de mérito proferida na demanda judicial. Por sua vez, os limites objetivos dizem respeito à determinação da matéria que não mais poderá ser revista ou discutida perante os órgãos judiciários ou administrativos. Sob o aspecto temporal, os limites objetivos relacionamse ao contexto "espaçotempo" em que a sentença é proferida, melhor dizendo: mantida a situação de fato e de direito verificada entre as partes no tempo da propositura da demanda, mantida a autoridade da coisa julgada. No caso, o contribuinte aduziu pretensão (e obteve decisão judicial) em termos amplos, tomando em conta a perspectiva de repetição periódica da incidência do tributo, razão pela qual a decisão judicial definitiva que a acolheu (tal como formulada) produz efeitos em relação a mais de um exercício fiscal e até que sejam alteradas as situações fáticas e normativas que foram submetidas à apreciação do Poder Judiciário. As reformas legislativas implementadas até a presente data, modificaram apenas a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídica tributária da sentença que transitou em julgado em 12/12/1991. Nenhuma delas foi substancial Fl. 14114DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.115 17 a ponto de representar "modificação no estado de fato ou de direito" capaz de fazer cessar os efeitos da coisa julgada, conforme prescrito pelo artigo 505, I, do CPC/2015. Ora, desde a sua criação até os tempos atuais, não foi alterada a hipótese de incidência da CSLL: a pessoa jurídica domiciliada no Brasil (e as que lhe forem equiparadas) que vier a auferir lucro deverá apurar e recolher a contribuição social. Nem sequer uma única reforma foi realizada no art. 1º da Lei 7.689/88, que prescreve o aspecto material da hipótese de incidência da CSLL, qual seja, auferir lucro (“Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social”.) Nenhuma alteração tampouco foi realizada no caput do art. 2º da Lei 7.689/88, segundo o qual " A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda". Em especial, o §1º, "c", embora tenha ganho nova redação em 1989, 1990 e 2014, mantevese essencialmente inalterado. Mais evidente ainda é a insignificância, ao presente caso, das alterações de natureza meramente procedimental, atinentes à data ou à forma de recolhimento do tributo. À essa mesma conclusão, segundo minha ótica, chegou o E. Superior Tribunal de Justiça, quando analisou o Resp nº 1.118.893MG, submetido ao no regime de recursos repetitivos previsto no art. 543C do antigo CPC, onde assentou o entendimento de que a edição de legislação superveniente (Leis nºs 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.383/91, 8.542/91 e Lei Complementar n. 70/91) e posterior declaração de constitucionalidade do tributo pela C. Suprema, não retiram os efeitos da sentença de mérito transitada em julgado em favor do contribuinte. Vejase, nesse sentido, ementa do citado precedente jurisprudencial, verbis: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). Fl. 14115DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.116 18 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ.” (G.N) Segundo às razões descritas no voto vencido do presente acórdão (PAF nº 10670.002503/200927), entendeu a I. Relatora inaplicável o entendimento do E. STJ, manifestado no Resp. nº 1.118.893/MG, em face da matéria fática analisada naquele precedente está relacionada à CSLL dos exercícios de 1991 e 1992. De fato, na referida decisão, o E. STJ entendeu que as Leis nºs 7.856/89, 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92, não estabeleceram nova relação jurídico tributária com a União, tendo em vista que apenas dispuseram sobre alíquota e base de cálculo da CSLL, motivo pelo qual assegurou a impossibilidade de cobrança da referida exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992, em respeito à coisa julgada material. Ocorre que, em que pese o E. STJ ter analisado as alterações legislativas posteriores à edição da Lei 7.689/88 até 1992, da mesma forma, os diplomas legais posteriores ao anocalendário de 1992 também não estabeleceram nova relação jurídicatributária capaz de ensejar a cobrança da CSLL, tendo em vista que dispuseram apenas sobre (i) alíquota; (ii) base de cálculo; e (iii) normas de apuração e recolhimento. Fl. 14116DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.117 19 Sendo assim, penso que as alterações legislativas que ocorreram após o ano calendário de 1992, possuem a mesma natureza daquelas analisadas pelo STJ, quando do julgamento do Recurso Especial nº 1.118.893MG, mesmo porque tais mudanças não introduziram nova contribuição social. Por fim, impõese analisar se a partir da proclamação de declaração de constitucionalidade da CSLL por meio da ADIn 15, o STF tornou legítima a cobrança do referido tributo, no caso aqui analisado, ou seja, na hipótese do contribuinte possuir em seu favor decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade da CSLL e que sequer foi desafiada por ação rescisória. Entendo que este argumento é meramente teórico e não traz conseqüência efetiva para o julgamento do presente recurso. Primeiro porque a decisão em sede de ADIN é posterior ao lançamento e segundo porque o STF, até o presente momento, não proferiu nenhuma decisão sob o rito de repercussão geral quanto ao aludido mérito, de forma que não há, por esse meio, norma que atribua à União legitimidade para desconsiderar os efeitos da coisa julgada obtida por decorrência automática da ADIn 15, ou seja, à revelia de competente ação rescisória. A recente afetação do RE 929.297 (2016) como recurso representativo de repercussão geral1, especificamente quanto ao tema objeto do presente recurso, é prova cabal de que o STF não possui decisão de tal magnitude. Se hoje não há decisão de mérito, mas mera afetação da matéria ao rito da repercussão geral, a segurança jurídica consagrada pelo instituto da coisa julgada, em ação proposta pelo contribuinte, deve nortear o presente julgamento. Conclusão Por esses fundamentos, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de que seja cancelado o auto de infração lavrado em afronta à decisão judicial com trânsito em julgado obtida pelo contribuinte, que lhe garante o direito à não incidência de CSLL sobre as suas atividades no período em questão. Em razão destes fundamentos, considerase prejudicada a análise do recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza 1 ´TEMA 881 Limites da coisa julgada em matéria tributária, notadamente diante de julgamento, em controle concentrado pelo Supremo Tribunal Federal, que declara a constitucionalidade de tributo anteriormente considerado inconstitucional, na via do controle incidental, por decisão transitada em julgado. Fl. 14117DF CARF MF Processo nº 10670.002503/200927 Acórdão n.º 1301002.580 S1C3T1 Fl. 14.118 20 Fl. 14118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000091/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. PEQUENAS OBRAS. COMPROVAÇÃO. IN SRF N° 84/2001. POSSIBILIDADE.
Tributa-se, na forma da legislação de regência, o ganho de capital verificado na alienação de imóveis.
In casu, é permitido incorporar ao custo de aquisição o somatório dos gastos previstos em lei, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 2401-005.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo o montante de R$ 3.419,64, a título de dispêndios com pequenas obras, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. PEQUENAS OBRAS. COMPROVAÇÃO. IN SRF N° 84/2001. POSSIBILIDADE. Tributase, na forma da legislação de regência, o ganho de capital verificado na alienação de imóveis. In casu, é permitido incorporar ao custo de aquisição o somatório dos gastos previstos em lei, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 00 91 /2 00 6- 13 Fl. 128DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo o montante de R$ 3.419,64, a título de dispêndios com pequenas obras, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 14041.000091/200613 Acórdão n.º 2401005.159 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório NUBIA DAVID MACEDO, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0325.428/2008, às fls. 116/119, que julgou parcialmente procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação aos exercícios 2004 e 2005, conforme peça inaugural do feito, às fls. 06/08, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS INFRAÇÃO: APURAÇÃO INCORRETA DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de imóveis. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 123/126, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, afirma ter sido o imóvel alienado em 27/10/2004, conforme escritura de compra e venda juntada aos autos, e não em 01/09/2004 como informa a redação da decisão recorrida. Sendo os recibos apresentados para comprovar as benfeitorias datados entre agosto e setembro de 2004, razão pela qual devem ser aproveitados para dedução. Em razão dos esclarecimentos acima apontados, requer a recorrente que seja computado a integralidade dos custos despendidos com as benfeitorias na apuração do ganho de capital, nos termos do disposto no art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 84/2001. Alega também nada haver empecilhos que a contribuinte objetivado impulsionar a venda de um imóvel realize benfeitorias nele, e, caso durante a execução dessas obras, algum comprador se apresente interessado em adquirir o imóvel, pode o proprietário vender e computar as despesas totais com as obras, pois estas foram computadas, embora não concluídas, no preço de venda máximo, quando o comprador sabe que o imóvel a ser adquirido será acrescido de benfeitorias em execução. Aponta que embora constante da peça de impugnação a indicação de responsabilidade exclusiva, ou quiçá solidária com a contribuinte, do corretor Sr. Ronei Celso Martinelli, a pretensão não foi analisada. Nos termos do art. 135, inciso II, do CTN, o preposto responde pessoalmente pelos atos que exceder os poderes conferidos pelo mandato. A venda anterior à conclusão da obra de beneficiamento, que ocasionou a presente discussão, decorre única e exclusivamente da conduta do preposto. Fl. 130DF CARF MF 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 14041.000091/200613 Acórdão n.º 2401005.159 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Conforme depreendese do relato acima, a recorrente insurgese apenas quanto ao aproveitamento dos recibos para comprovação das benfeitorias e a responsabilidade solidária do corretor, motivo pelo qual iremos nos ater apenas a estes dois temas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA/EXCLUSIVA Na impugnação o sujeito passivo argumentou apenas que a venda do imóvel foi confiada ao Sr. Ronei Celso Martinelli, nada questionando acerca da responsabilidade exclusiva ou solidária deste, bem como não explicitando nada quanto a atos que excederam os poderes conferidos pelo mandato. No recurso, apresentou inovação ao alegar que embora constante da peça de impugnação a indicação de responsabilidade exclusiva, ou quiçá solidária com a contribuinte, do corretor Sr. Ronei Celso Martinelli, a pretensão não foi analisada. Nos termos do art. 135, inciso II, do CTN, o preposto responde pessoalmente pelos atos que exceder os poderes conferidos pelo mandato. A venda anterior à conclusão da obra de beneficiamento, que ocasionou a presente discussão, decorre única e exclusivamente da conduta do preposto. Nos termos da legislação processual tributária, esse argumento recursal se encontra fulminado pela preclusão, uma vez que não foi suscitado por ocasião da apresentação da defesa, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação. BENFEITORIAS/CUSTO DE AQUISIÇÃO Afirma ter sido o imóvel alienado em 27/10/2004, conforme escritura de compra e venda juntada aos autos, e não em 01/09/2004 como informa a redação da decisão recorrida. Sendo os recibos apresentados para comprovar as benfeitorias datados entre agosto e setembro de 2004, razão pela qual devem ser aproveitados para dedução. Em razão dos esclarecimentos acima apontados, requer a recorrente que seja computado a integralidade dos custos despendidos com as benfeitorias na apuração do ganho de capital, nos termos do disposto no art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 84/2001. Alega também nada haver empecilhos que a contribuinte objetivado impulsionar a venda de um imóvel realize benfeitorias nele, e, caso durante a execução dessas Fl. 132DF CARF MF 6 obras, algum comprador se apresente interessado em adquirir o imóvel, pode o proprietário vender e computar as despesas totais com as obras, pois estas foram computadas, embora não concluídas, no preço de venda máximo, quando o comprador sabe que o imóvel a ser adquirido será acrescido de benfeitorias em execução. De fato, ao analisar os documentos acostados aos autos, mais precisamente a Escritura Pública de Venda e Compra, às efls. 66/67, a alienação do imóvel em questão deuse em 27/10/2004. Não sendo bastante este documento, o próprio auditor fiscal considerou 27/10/2004 como sendo a data da efetiva alienação, efls. 07. Desta forma, acato parcialmente o pedido da contribuinte, no sentido de considerar os recibos referentes a gastos com pequenas obras, benfeitorias, realizadas na sala 103, Bloco A, que não foram consideradas pela decisão a quo, que considerou como sendo a data de alienação o dia 01/09/2004. O artigo l7 da.Instrução Normativa SRF n" 84/2001 autoriza computar tais custos na apuração do Ganho de Capital, in verbis: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; Logo, o valor de R$3.419,64, relativo aos documentos ainda não considerados pela DRJ, será incluído no custo de aquisição do imóvel, cujo deverá ser excluído do Ganho de Capital. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir da base de calculo o valor de R$ 3.419,64, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.903288/2011-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA.
Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.666
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente I.J.G. SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 32 88 /2 01 1- 69 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10925.903288/201169 Acórdão n.º 3302004.666 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PERDCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não reconhecendo o direito creditório/não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição e compensação dos débitos informados no PerDcomp. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que a empresa se dedica ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, tendo verificado que estava tributando PIS e Cofins de produtos sujeitos à alíquota zero. Diante disso, constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses. Assevera que foram retificados os Dacon e feito um pedido de restituição do crédito referente ao pagamento do Darf e, posteriormente, feito um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição. Assim, o manifestante não pode ter a DCOMP indeferida sem que se analise o crédito que lhe deu origem como demonstra comprovante em anexo, tendo destacado que não se justifica a não homologação da compensação, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior. Ao final, requer seja homologada a compensação, cujo crédito está demonstrado em Dacon e objeto de pedido de restituição e, se assim não for decidido, que seja determinada a apreciação e julgamento do pedido de restituição mencionado, para que se confirme o crédito pleiteado na forma da legislação. O Acórdão a quo manteve o indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão 02056.310. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na primeira instância, e acrescenta que não apresentou a DCTF retificadora correspondente ao Dacon retificador, com débito reduzido, porque não sabia desta exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.659, de Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10925.903288/201169 Acórdão n.º 3302004.666 S3C3T2 Fl. 4 3 29 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.902188/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.659): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Segundo a decisão recorrida, os fatos ocorreram na seguinte sequência: Vêse que para a retificação do Dacon em 22/11/2007 não houve a correspondente retificação obrigatória da DCTF1. Em 04/10/2007 foi transmitido o PER pedindo restituição de R$ 608,37, antes mesmo de ser retificado o Dacon acima, restando sem análise. Em 17/10/2007, também antes de ser entregue o Dacon retificador, foi transmitida a Dcom indicando como valor original do crédito o mesmo valor de R$ 608,37. finalmente, em 05/07/2011 foi emitido o despacho decisório correspondente à PerdComp 29929.28859.171007.1.3.040235, constante na fl. 2 indicando a não homologação e consequente emissão de DARF para pagamento. 1 Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10925.903288/201169 Acórdão n.º 3302004.666 S3C3T2 Fl. 5 4 Na análise da matéria, inicialmente verificase que está correta a decisão a quo quando afirma que a Dcomp anula o Per anterior, pois evidentemente o mesmo crédito não pode ser restituído e compensado simultaneamente, pois constituiria dupla repetição de indébito. Evidenciase que o erro cometido pela recorrente ao deixar de apresentar a DCTF retificadora vinculada ao Dacon retificador prejudicou a análise tanto do seu pedido de restituição (Per) quanto da declaração de compensação (Dcomp), estranhamente transmitidos antes do Dacon retificador, uma vez que o débito anteriormente declarado na DCTF original não foi alterado e com isso ele absorveu todo valor do DARF, nada havendo a restituir ou a compensar. Nos autos não existe prova de que a Recorrente teria direito ao crédito pleiteado, pois a retificação do Dacon em si mesmo não produz efeito probatório, mormente quando desacompanhada da correspondente retificação da DCTF que levaria o fisco a intimar a declarante para comprovação. Pedido de reconhecimento de crédito realizado sem as formalidade acima exigem que a requerente desde o início carreie para os autos as provas das suas alegações. A simples menção à legislação que reduziu à zero a alíquota do PIS e da Cofins para determinados produtos não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, não retificada, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido. Assim sendo, por falta de provas sobre a existência de crédito líquido e certo, não há como se admitir a compensação pleiteada. Conclusão Isto posto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Recorrente não retificou a DCTF e nem trouxe aos autos escrituração e/ou documentos fiscais, não logrando comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903910/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN.
A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84.
BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA.
A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologando-se as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
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NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 39 10 /2 00 8- 95 Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.124 2 acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologandose as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório constante da Resolução nº 1301000.316, proferida por esta Turma na sessão realizada em 05/04/2016, complementando o ao final: "Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão n° 1433.106, às fls. 47 a 55: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.125 3 Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n.° 28623.05598.250804.1.3.017067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00; Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.126 4 dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em "valores exatos" (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: • R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; • R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; • R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; • R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5a Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a não homologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao "Tipo do Crédito" a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.127 5 ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior" defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção "Saldo Negativo do IRPJ" (anocalendário de 2003); todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao "tipo de crédito" informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e distorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; a incorreção foi ratificada pela 5a Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o "Tipo do Crédito" como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.128 6 aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo "tipo do crédito"; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores "pagos a maior" (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a "renda" ou contribuição social sobre o "lucro líquido", o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a "decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização", considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório." Na sessão de julgamento realizada em 05/04/2016, esta Turma julgadora reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo entendeu a Turma que a solução do presente processo ainda Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.129 7 demandaria instrução complementar, e converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 1301000.316, para: "Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.114 a 1.117, tendo concluído que: A base de cálculo das estimativas em janeiro/2003 é de R$ 658.028,25, e o valor do IRPJ devido de R$ 162.507,06; O débito de IRPJ relativo à estimativa de janeiro/2003 foi integralmente liquidado com pagamento e compensações já homologadas; A soma dos débitos de estimativas devidos no anocalendário de 2003, deduzida dos pagamentos em DARF para extinção das estimativas no anocalendário de 2003, dos valores das estimativas extintas por compensação e do IRRF utilizado na quitação do débito de estimativa apurada no mês de agosto/2003, resulta em sobra de R$ 800.000,00, valor este idêntico ao DARF recolhido em 19/03/2003; Parte das estimativas dos meses de fevereiro/2003, março/2003 e abril/2003 foram incluídas em compensações analisadas no processo nº 10865.720313/200827, ainda pendente de decisão administrativa. Assim, caso a decisão seja favorável à contribuinte, do montante de R$ 858.160,00 (principal de R$ 800.000,00 + multa de 50.160,00 + juros de R$ 8.000,00) recolhido a maior em 19/03/2003, estaria disponível para compensação o valor total de R$ 844.453,02 para compensações com outros débitos ou mesmo débitos de outros períodos diferente do anocalendário de 2003. Devidamente cientificada da Intimação Fiscal nº 99/2016, em 20/09/2016, a recorrente não apresentou manifestação. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.130 8 É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora. O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINAR Alega a recorrente que a fiscalização não homologou a compensação sob o fundamento de que o crédito seria insuficiente pois teria sido utilizado para o pagamento de outros débitos, entretanto, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto afastou o óbice apontado pela fiscalização no Despacho Decisório e decidiu pela nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização. Fundamentouse no fato de que os recolhimentos por estimativa, por se tratarem de mera antecipação do tributo devido no final do ano, não se caracterizam como pagamento indevido ou a maior passível de restituição. Entende a recorrente que já tendo transcorrido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, o Fiscal não poderia proferir novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento. Assim, requereu, a reforma do acórdão, para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Dessa forma, procedeu corretamente o julgador de primeira instância que, após superar o motivo inicialmente apontado pela fiscalização para indeferimento do crédito, prosseguiu na verificação da certeza e liquidez do crédito e identificou situação, a seu juízo, igualmente capaz de retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez. Com relação às alegações de que teria transcorrido o prazo decadencial de 5 anos para que o Fisco pudesse não homologar a compensação por novo fundamento, não assiste razão à recorrente. O prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150,§ 4º do CTN é aplicável aos lançamentos de ofício realizados para constituição de créditos tributários. A análise de direito creditório não está sujeita a prazo decadencial mas apenas ao prazo de cinco anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para homologação tácita das compensações, o que não ocorreu no presente caso. A declaração de compensação objeto de análise foi enviada em 10/12/2003 e o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 17/11/2008 (fls. 45 a 48), portanto, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos. Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.131 9 Diante do exposto não merece ser acolhido o pedido do recorrente para que sejam afastadas as decisões de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização e após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos. MÉRITO Relativamente ao mérito, a recorrente requereu a análise da documentação contábil anexada ao recurso voluntário, a qual demonstra a existência do crédito informado, afirmando que eventual equívoco quanto ao tipo do crédito não poderia ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito. Na sessão de julgamento realizada em 05/04/2016, esta Turma julgadora reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Entretanto, entendeu pela necessidade de conversão em diligência do presente processo, em virtude da existência de outras compensações que afetariam o presente processo, dentre elas a quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, estaria vinculada a outras compensações. Assim, foi determinada a realização de diligência fiscal para que a unidade de origem, à luz da documentação contábil e fiscal da contribuinte: "1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.114 a 1.117, tendo prestado as seguintes informações: "Pelas informações analisadas foi confirmado o valor de R$ 658.028,25 correspondente à base de cálculo do IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003, que apresentou o valor de R$ 162.507,06. De acordo com as informações declaradas na DCTF e demais informações constantes nos bancos de dados da RFB, foram apurados os pagamentos em DARF realizados para liquidação de débitos de IRPJ no período (fls. 1.084 a 1.086) e créditos utilizados em compensações, alocados para a liquidação do débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003, como segue: DISCRIMINATIVO VALOR A Pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003 valor principal 800.000,00 Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.132 10 B Pagamento n° 3928679608, realizado em 30/05/2003 valor principal 56.470,37 C Compensação formalizada pela DCOMP n° 16895.65143.210503.1.3.048488. 76.208,64 D Compensação formalizada pela DCOMP n° 21298.07778.210503.1.3.049740. 10.711,46 E Compensação formalizada pela DCOMP n° 17482.92249.031103.1.3.048560. 19.116,60 F Débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003 162.507,06 (A + B + C + D + E F) 800.000,01 Por fim, conferindo todos pagamentos em DARF realizados para extinção de débito de IRPJ apurado no ano calendário 2003, somados aos valores dos débitos de IRPJ apurados por estimativas extintos por compensação no mesmo período, mais a dedução de IRRF sobre o débito de estimativa apurado no mês de agosto/2003 e, desta soma, deduzindose o valor do IRPJ mensal pago por estimativa levado ao cálculo do IRPJ a pagar pela apuração anual declarada na DIPJ, teríamos como sobra valor idêntico ao valor principal do pagamento em DARF realizado em 19/03/2003 (fls. 1.085), pois vejam: Período Discriminativo Valor Janeiro/2003 Pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003 valor principal 800.000,00 Janeiro/2003 Pagamento n° 3928679608, realizado em 30/05/2003 valor principal 56.470,37 Janeiro/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 16895.65143.210503.1.3.048488. 76.208,64 Janeiro/2003 Compensação foramlizada pela DCOMP n° 21298.07778.210503.1.3.049740. 10.711,46 Janeiro/2003 Compensação foramlizada pela DCOMP n° 17482.92249.031103.1.3.048560. 19.116,60 Fevereiro/20 03 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 2.000,00 Fevereiro/200 3 Compensação formalizada pela DCOMP n° 09485.96361.041103.1.3.045595. 47.357,43 Março/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 3.999,99 Março/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 12702.93357.041103.1.3.043072. 13.095,16 Abril/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 6.000,00 Abril/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 22780.66384.041103.1.3.045184. 15.162,43 Agosto/2003 Imposto de renda retido na fonte 72.068,49 IRPJ mensal pago por estimativa 322.190,57 Pagamentos + Compensações + Dedução de IRRF IRPJ mensal pago por estimativa 800.000,00 Ocorre que, o crédito utilizado nas compensações de débitos de estimativas do período, formalizadas pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488, teve origem neste pagamento. Cabe esclarecer que esta DCOMP foi analisada no processo nº 10865.720313/200827 e não foi homologada. As extinções dos débitos informados em compensação encontramse pendentes de decisão administrativa (fls. 1.098 a 1.102). Com base nas informações acima, é possível afirmar que, caso a decisão administrativa sobre as compensações formalizadas pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488 seja favorável à contribuinte, o crédito formado pelo pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003, pelo valor principal de R$ 800.000,00 e valor total de R$ 858.160,00, estaria parcialmente disponível, pelo valor total de R$ 844.453,02 (fls. 1.113), para ser utilizado em compensações com Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.133 11 outros débitos ou mesmos débitos de outros períodos diferentes do ano calendário 2003. Parte do pagamento, face as compensações com débitos de estimativas no período, estaria vinculada no ajuste anual. É preciso deixar claro que, antes da formalização das compensações pela DCOMP acima, o pagamento já havia dado suporte a créditos utilizados em compensações formalizadas por outras DCOMP. Pelo quadro a seguir, dá para visualizar que o pagamento em questão é suficiente para as extinções dos débitos compensados na DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488: Verificase, portanto, que apesar do relatório de diligência ter concluído que o valor total de R$ 858.160,00 estaria parcialmente disponível pelo valor de R$ 844.453,02 para utilização em compensações com outros débitos ou mesmos débitos de outros períodos, como as estimativas objeto da compensação nº 35863.47312.240604.1.3.043488 estão sendo analisadas no processo nº 10865.720313/200827, que também utiliza o mesmo direito creditório ora apreciado, seria necessário o reconhecimento integral do crédito para homologação da referida DCOMP. Por outro lado, no Relatório de Diligência Fiscal anexado às fls. 666 a 672 do processo nº 10865.903917/200815, que trata de compensação com utilização do mesmo direito creditório ora analisado, a unidade preparadora chegou a conclusão diversa acerca do valor da estimativa devida em janeiro/2003: "O contribuinte foi intimado para cumprirmos a diligência solicitada pelo CARF e apresentou o Livro Razão e o Diário da época, juntamente com outros documentos, entre eles a apuração da base de cálculo do IRPJ. Na DIPJ/2004 retificadora foi assinalado que a base de cálculo foi apurada com base na receita bruta e acréscimos. As receitas informadas no demonstrativo da base de cálculo foram confirmadas no Livro Razão e, nos termos do artigo 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta é de oito por cento: "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. " Conta Receita Valor 3.1.11.1 Vendas Produção Própria 8.093.340,95 3.1.12.1 Receita Exportação 18.093,60 3.1.31.1 Receita Vendas não Agrícolas 3.601,50 3.3.91 Outras Receitas Operacionais 3.885,67 Receita Bruta 8.118.921,72 Percentual 8% Base de Cálculo Operacional 649.513,74 3.3.61.1.1 Variações Cambiais Realiz. 51.687,09 3.3.61.3.2 Outros Ganhos Financeiros 4.294,02 3.5.11.2 Ganho Venda Bens do Imobilizado 3.478,53 3.5.21.3.1.001 Ganho c/Arrendamento Al 1.742,18 Base de Cálculo do Imposto de Renda 710.715,56 Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.134 12 A Alíquota de 15% 106.607,33 Adicional 69.071,56 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 175.678,89 Há divergência entre o valor apurado nesta diligência e o informado pelo contribuinte, porque ele aplicou oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta." O Relatório de Diligência Fiscal anexado às fls. 666 a 672 do processo nº 10865.903917/200815, elaborado pela unidade de origem identificou divergência entre o valor da estimativa de janeiro/2003 apurado na diligência (R$ 175.678,89) e o valor informado pelo contribuinte (R$ 162.507,07). A diferença decorre da aplicação indevida pela recorrente do percentual de oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta definido pelo art. 224 do RIR/99, contrariamente ao disposto no art. 225 do RIR/99 que determina a adição integral das receitas nele relacionadas: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial(Lei nº 8.981,de 1995, art. 32§ 1º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 2º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). Considerando que a recorrente foi regularmente cientificada às fls. 673 a 675 do processo nº 10865.903917/200815 sobre as conclusões do referido relatório que apurou divergência entre a estimativa de janeiro/2003 apurado em diligência no valor de R$ 175.678,89 e o valor informado pelo contribuinte de R$ 162.507,07, entretanto, não apresentou manifestação quanto à diferença apurada, tenho como correto o valor apurado na diligência fiscal. Dessa forma, entendo que a diferença a menor da base de cálculo apurada pela recorrente na estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 13.171,82, deve ser reduzida do crédito pleiteado sobre o recolhimento a maior, consubstanciado no DARF pago em 19/03/2003, com valor principal de R$ 800.000,00 acrescido de multa e juros de mora. Assim, deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa e juros de mora. Importante ressaltar que parte do valor reconhecido de R$ 786.828,18, foi utilizado nas compensações já homologadas, a seguir relacionadas, conforme Informação Fiscal prestada em procedimento de diligência fiscal às fls. 1.116 do presente processo: Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10865.903910/200895 Acórdão n.º 1301002.680 S1C3T1 Fl. 1.135 13 PER/DCOMP Valor Débito Data Situação Atual Situação da Declaração Motivo da Situação da Declaração Processo Nº 39035.35092.280704. 1.7.044892 12.676,68 11/07/2012 HOMOLOGAÇÃO TOTAL AGUARDANDO PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO 28623.05598.250804. 1.3.047067 2.453,78 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903912/200884 22743.16824.020904. 1.3.040251 22.331,36 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903913/200829 08891.60465.080904. 1.3.045809 35.110,22 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903914/200873 30276.47095.140904. 1.3.049480 19.478,48 06/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903915/200818 15738.53242.210906. 1.7.045707 2.558,50 23/09/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.902975/200813 Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa de mora, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. Na apuração do saldo disponível para as compensações ainda não homologadas devem ser considerados também os juros de mora recolhidos e excluídos os valores das compensações já homologadas que utilizaram o mesmo crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 1135DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.015261/2009-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 52 61 /2 00 9- 77 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 222DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 225DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 226DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 227DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 228DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 229DF CARF MF Processo nº 15504.015261/200977 Acórdão n.º 9202005.904 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009603/2004-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/06/1999
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N.8/STF.
Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante nº 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 3001-000.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Ávila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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SÚMULA VINCULANTE N.8/STF. Aplicase ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante nº 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Ávila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 96 03 /2 00 4- 51 Fl. 674DF CARF MF 2 Tratam os autos de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ/BH, que por unanimidade de votos julgou procedente o lançamento, na parte objeto de litígio, no sentido de rejeitar a decadência arguida consubstanciado no auto de infração, para exigir do autuado o pagamento da contribuição referente aos fatos geradores compreendidos entre 01/03/1996 e 30/06/1999. Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto o relatório que compõe a Decisão Recorrida: Lavrouse contra o contribuinte identificado o presente Auto de Infração (fls.04/13), relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, totalizando um crédito tributário de R$ 23.536,03, incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 08/10. A autuação ocorreu em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado ou pago, tendo a fiscalização efetuado o lançamento dos valores não recolhidos, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fl. 15/18 e demonstrativos de fls. 19/25. 0 enquadramento legal encontrase citado em fls. 06. Irresignado, tendo sido cientificado em 04/08/2004 (fl. 04), o autuado apresentou, em 03/09/2004, as suas razões de discordância (fls. 229/234), assim resumidas: No que pertine aos créditos tributários constituídos pelo lançamento em foco, cujos fatos geradores se deram a partir de 31/10/1999, inclusive, o peticionário informa que os mesmos foram arrolados como "pedidos de compensação" por parte do contribuinte, conforme documentação anexa, destacandose que tais pedidos não foram formalizados tomandose por base os valores levantados pelo agente autuante, mas sim de acordo com as DCTF's Retificadoras apresentadas pelo contribuinte. Há muito já está consolidado, na jurisprudência advinda de nossos Tribunais Superiores, bem como das Cortes Administrativas, o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários inerentes a tributos sujeitos ao lançamento por homologação — como é o caso do PIS tem seu dies ad quem em exatos 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN). Requer o peticionário, desde já, seja cancelado parcialmente o lançamento ora combatido, no que pertine aos créditos oriundos dos fatos geradores havidos entre 31/03/1996 e 30/06/1999, inclusive, tendo em vista a decadência. Os demais créditos aqui lançados serão declarados extintos quando da homologação dos pedidos de compensação formalizados pelo contribuinte, em autos apartados, nos termos da documentação em anexo. Requer o peticionário o cancelamento do lançamento, no que pertine aos. créditos tributários cujos fatos geradores se Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10680.009603/200451 Acórdão n.º 3001000.007 S3C0T1 Fl. 3 3 deram entre 01/03/1996 e 30/06/1999, porque decadente o direito da Fazenda Nacional em constituir tais créditos. A decisão proferida pela DRJ/BH, mantendo o crédito tributário exigido, está consubstanciada na tese dos 10 (dez) anos do prazo decadencial da Contribuição para o PIS, já que essa se tornou uma das contribuições componentes do orçamento da Seguridade Social, sendo regida, no que se refere ao mencionado prazo, pela Lei n° 8.212, de 1991, e não pela regra genérica contida no art. 150 do CTN. Em face de recurso voluntário tempestivamente apresentado às folhas 644 a 652 dos autos, insurgese a recorrente contra a decisão proferida em primeiro grau, expondo que não há que se falar em aplicação do artigo 45 da Lei Federal n° 8.212/91, restando, pois, afastada a tese de prazo decadencial de 10 (dez) anos, devendo ser aplicada a tese que vigora nas Cortes Superiores, qual seja, de aplicação do prazo de 5 (cinco) anos, previsto no art. 150 §4° do CTN, para a efetiva constituição do crédito tributário. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Não há discussão de mérito nos presentes autos. Restringese a controversa em definir a base legal de atribuição de decadência para a falta de recolhimento de diferenças apuradas de PIS/Pasep para os períodos de apuração entre 01/03/1996 a 30/06/1999. Embora exista débitos arrolados para os meses de 10 e 12 de 1999, 01 03 05 e 07 de 2000, estes não foram objeto de impugnação por opção do contribuinte, sendo incluídos em pedido de compensação. Esse fato os tornam preclusos no presente litígio. A ciência tomada pelo sujeito passivo do Auto de Infração se deu em 04/08/2004, quando já ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos contados do último fato gerador da contribuição para o PIS/Pasep, objeto de impugnação, que foi 30/06/1999. Desde a impugnação a recorrente buscou o reconhecimento da decadência com amparo no disposto no art. 150, § 4º do CTN, visto que o STF através da Súmula Vinculante nº 08, de 12/09/2008, já havia considerado inconstitucionais os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratavam da decadência e prescrição. Fl. 676DF CARF MF 4 Temos como precedente recente o voto proferido na data de 24/04/2017 da lavra do Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan, acórdão nº 3401003.469, Processo nº 10855.004348/200249, que trata de caso idêntico: Da decadência Alega a recorrente que não poderia a fiscalização ter lançado em setembro/2002 a contribuição referente aos períodos de janeiro a agosto de 1997, por ter sido extrapolado o prazo de cinco anos a que se refere o art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, ocorrendo a decadência do direito de lançar. O julgador de piso entendeu ser equivocado o posicionamento defendido pela empresa, e que o citado comando legal contém a expressão “se a lei não fixar prazo à homologação”, sendo que, no caso, o prazo foi fixado pelo DecretoLei no 2.053/1983 e pela Lei no 8.212/1991 (art. 45), em 10 anos. Em seu recurso voluntário, a empresa destacou que é inconstitucional o artigo 45 da Lei no 8.212/1991, citando jurisprudência administrativa e judicial endossando seu entendimento. Sobre o tema, a Súmula Vinculante no 8 do Supremo Tribunal Federal (publicada em 12/09/2008, após o julgamento de primeira instância DRJ) estabeleceu que são inconstitucionais os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência do crédito tributário. E dispõe o caput do art. 103A da Constituição Federal de 1988 que: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)” (grifo nosso) Aplicase, assim, no caso, tratando a autuação de diferenças, a regra estabelecida no art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4o Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10680.009603/200451 Acórdão n.º 3001000.007 S3C0T1 Fl. 4 5 sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A autuação de que trata o presente processo foi cientificada à empresa em 20/09/2002 (cf. fl. 159), e os créditos exigidos se referem ao período de janeiro de 1997 a novembro de 1998. Portanto, todos os lançamentos que se reportam a fatos geradores de 01/1997 a 08/1997 devem ser cancelados, por ter ocorrido decadência. Restam incólumes, pelo exposto, os lançamentos presentes na autuação, com fatos geradores em 30/09/1997 e posteriores. Assim sendo, considerando ultrapassada a tese esposada na decisão recorrida e diante do que foi exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o crédito tributário que envolve o presente litígio, por ter ocorrido a decadência do direito à Fazenda Pública realizar o lançamento tributário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 678DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721490/2011-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 14 90 /2 01 1- 70 Fl. 90DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.443,56, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2008. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, como se aqueles acostados não estivessem a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente, como segue: No Acórdão vergastado estão apresentadas as razões da decisão, o embasamento legal apontado e a argumentação utilizada para nortear o decidido, como segue: (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13819.721490/201170 Acórdão n.º 2001000.111 S2C0T1 Fl. 88 3 (...) Ao final, conclui o acórdão vergastado pela improcedência, em parte, da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar, referente à glosa do valor das despesas médicas. Irresignado com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) (...) Assim, à vista do exposto, entendendo a requer, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, segundo seu dizer, seja decidido cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente Fl. 92DF CARF MF 4 aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decretolei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 RIR/99 atual), e de outro a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13819.721490/201170 Acórdão n.º 2001000.111 S2C0T1 Fl. 89 5 O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Fl. 94DF CARF MF 6 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13819.721490/201170 Acórdão n.º 2001000.111 S2C0T1 Fl. 90 7 autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto às deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso apontado no Lançamento. É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com Fl. 96DF CARF MF 8 toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que a decisão de primeiro grau não veda a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13819.721490/201170 Acórdão n.º 2001000.111 S2C0T1 Fl. 91 9 No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. Quanto à comprovação documental no presente processo considero que a juntada dos recibos, ainda na fase de impugnação, supre a exigência legal. Desnecessária, portanto, a comprovação adicional sem que fosse indicado qualquer indício de inidoneidade na comprovação das despesas médicas. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas, restando, por consequência, improcedente a íntegra do lançamento. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 98DF CARF MF 10 Fl. 99DF CARF MF
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