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Numero do processo: 10314.724346/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA.
A Lei 8.212/1991 equipara as cooperativas às empresas para fins previdenciários.
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA.
A cooperativa é responsável pela retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
SEST. SENAT. CONTRIBUIÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA.
Sobre a prestação de serviços por transportador autônomo (inclusive na condição de associado de cooperativa) são devidas as contribuições sociais destinadas ao SEST e SENAT, sendo responsabilidade da cooperativa a sua retenção e recolhimento.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA.
As contribuições previdenciárias pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2301-005.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício e por conhecer em parte o Recurso Voluntário, deixando de conhecer acerca das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora
EDITADO EM: 22/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. A Lei 8.212/1991 equipara as cooperativas às empresas para fins previdenciários. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA. A cooperativa é responsável pela retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. SEST. SENAT. CONTRIBUIÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA. Sobre a prestação de serviços por transportador autônomo (inclusive na condição de associado de cooperativa) são devidas as contribuições sociais destinadas ao SEST e SENAT, sendo responsabilidade da cooperativa a sua retenção e recolhimento. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. As contribuições previdenciárias pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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COOPERATIVAS DE TRABALHO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. A Lei 8.212/1991 equipara as cooperativas às empresas para fins previdenciários. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA. A cooperativa é responsável pela retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. SEST. SENAT. CONTRIBUIÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA. Sobre a prestação de serviços por transportador autônomo (inclusive na condição de associado de cooperativa) são devidas as contribuições sociais destinadas ao SEST e SENAT, sendo responsabilidade da cooperativa a sua retenção e recolhimento. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. As contribuições previdenciárias pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 43 46 /2 01 4- 21 Fl. 816DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício e por conhecer em parte o Recurso Voluntário, deixando de conhecer acerca das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face do Acórdão nº 1273.875 da 10ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (efls. 738 a 753). Do Relatório do acórdão recorrido extraemse as seguintes informações: Tratase de crédito lançado pela fiscalização, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 452/488), referese aos autos de infração abaixo relacionados, lavrados em 14/07/2014, a saber: a) AI DEBCAD Nº 51.000.2803, valor original de R$ 3.809.544,12, acrescidos de juros e multa de ofício: referese às contribuições devidas à Seguridade Social, referente à parte devida pelos segurados contribuintes individuais (cooperados condutores autônomos e auxiliares), não retidas e não declaradas pela empresa; b) AI DEBCAD Nº 51.000.2811, valor original de R$ 158.315,34, acrescidos de juros e multa de ofício: referese às contribuições devidas à Seguridade Social, referente à parte devida pelos segurados contribuintes individuais (prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício), apuradas por aferição indireta, não retidas e não declaradas pela empresa; c) AI DEBCAD Nº 51.000.2820, valor original de R$ 1.731.484,07, acrescidos de juros e multa de ofício: referese às contribuições devidas ao SEST/SENAT incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados condutores autônomos; Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 3 3 d) AI DEBCAD Nº 51.000.2838, valor original de R$ 359.228,79, acrescidos de juros e multa de ofício: referese às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais – Diretores eleitos e serviços prestados por pessoa física. 2. Informa a Auditoria Fiscal que: 2.1. Em relação ao AI nº 51.000.2803: a) os valores das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais foram obtidos através das folhas de pagamentos apresentadas pela empresa, a qual contempla: mês, nome e CPF do cooperado e o valor bruto pago; b) sobre o valor bruto foi aplicado o valor de 20% para a apuração da base de cálculo e verificado o limite do salário de contribuição à época, a partir do salário de contribuição apurado foi aplicada a alíquota de 11%; c) os valores encontramse em planilha anexa ao Auto de Infração denominada “CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO DOS COOPERADOS”; d) como a empresa não recolheu o tributo, nem declarou os valores devidos em GFIP, foi utilizada a multa de ofício de 150%. 2.2. Em relação ao AI nº 51.000.2811: a) diante da impossibilidade de obter os valores pagos individualizados para os prestadores de serviços pessoas físicas, apesar de formalmente solicitado, por meio de Termo de Intimação Fiscal, a base da cálculo foi arbitrada, considerando se o valor total mensal dos pagamentos efetuados, e sobre esses, aplicandose a alíquota de 11%, para a apuração da contribuição devida; b) os valores foram apurados a partir dos pagamentos escriturados em contabilidade – SPED contábil, em contas contábeis referentes a pagamentos de mão de obra pessoa física e honorários de diretores, consoante item 34 do Relatório Fiscal; c) os valores pagos também estão declarados em DIPJ, na Ficha 04A– na linha 03 – Prestação de Serviços por PF sem Vinc. Empregatício; d) como a empresa não apresentou esclarecimentos e os documentos solicitados, nem recolheu o tributo, foi utilizada a multa de ofício de 225%. 2.3. Em relação ao AI nº 51.000.2820: a) os valores das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais foram obtidos através das folhas de Fl. 818DF CARF MF 4 pagamentos apresentadas pela empresa, a qual contempla: mês, nome e CPF do cooperado e o valor bruto pago; b) sobre o valor bruto foi aplicado o valor de 20% para a apuração da base de cálculo e verificado o limite do salário de contribuição à época, a partir do salário de contribuição apurado foram aplicadas as alíquotas de 1% e 1,5%; c) os valores encontramse em planilha anexa ao Auto de Infração denominada “CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO DOS COOPERADOS”; d) como a empresa não recolheu o tributo, nem declarou os valores devidos em GFIP, foi utilizada a multa de ofício de 150%. 2.4. Em relação ao AI nº 51.000.2838: a) os valores das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais diretores foram obtidos através das folhas de pagamentos apresentadas pela empresa. Os honorários pagos à diretoria eleita também estão registrados em conta contábil específica e declarada em DIPJ, na ficha 04A, linha 01 – Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração. b) os detalhamentos mensais individualizados contendo o nome dos diretores e os valores pagãos encontramse na planilha anexa ao Auto de Infração, denominada “Folha de pagamentos a diretores”; c) também foram apuradas neste Auto de Infração as contribuições patronais incidentes sobre os pagamentos a prestadores pessoas físicas sem vínculo empregatício; d) como a empresa não recolheu o tributo, nem declarou os valores devidos em GFIP, foi utilizada a multa de ofício de 150%. DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada, cientificada do lançamento em 23/07/2014 (fls. 528), apresenta impugnações em 20/08/2014, às fls. 533/563, 620/653, 656/686 e 689/728, trazendo as alegações a seguir reproduzidas em síntese: 3.1. que não existe qualquer tipo de prestação de serviços por parte dos cooperados para a cooperativa e tampouco de pessoas físicas para a mesma, ou de diretores eleitos; 3.2. que sem a prestação de serviços, não há incidência de contribuição previdenciária; 3.3. que ao equiparar a cooperativa com uma sociedade tomadora de serviços de seus cooperados, a autoridade fiscal está praticando verdadeira tributação por analogia; 3.4. que o art. 12, V, “g”, da Lei 8212/1991 não é aplicável às sociedades cooperativas, como quer fazer crer a autoridade autuante, pois o mesmo se refere a uma equiparação a empresa e Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 4 5 considera que o cooperado estaria prestando serviços à cooperativa sem relação de emprego; 3.5. que não existe remuneração paga, devida ou creditada aos cooperados ou a pessoas físicas, uma vez que a cooperativa simplesmente repassa os valores recebidos pela prestação dos serviços de transporte para os cooperados, sem que haja qualquer relação de prestação de serviços entre eles; 3.6. que os cooperados são individualmente contribuintes do INSS como autônomos, pagando sua contribuição social através de carnês; 3.7. que se os cooperados não podem ser considerados empregados em suas relações com as cooperativa, tampouco se pode pretender que a cooperativa seja equiparada a empresa, na forma do art. 15, da Lei 8.212/1991; 3.8. que a fim de se adequar aos ditames constitucionais (art. 195, §4º e art. 154, I), para que as contribuições previdenciárias possam incidir sobre o trabalho cooperado, farseá indispensável a edição de Lei Complementar. 3.9. que a ausência de norma legal específica torna a autuação improcedente; 3.10. que há que se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a pessoas físicas e diretores, eis que tais valores não constituem contraprestação por serviços prestados; 3.11. que é a cooperativa que presta serviço aos cooperados, mediante suas normas estatutárias e sem visar qualquer obtenção de lucros, tão somente objetivando o desenvolvimento do trabalho cooperado, na forma da lei; 3.12. que o serviço que a cooperativa presta é ao seu cooperado e não ao usuário de transporte público de passageiros, sendo que esse serviço é o de ampliar o mercado de trabalho de seus associados, facilitando o desenvolvimento de suas atividades, buscando novas oportunidade de trabalho aos cooperados e distribuindoas aos seus próprios cooperados; 3.13. que a cooperativa opera e coordena a programação de linhas de transporte de passageiros, organizando assim, a prestação dos serviços pelos cooperados, através de suas atividades a cooperativa possui o objetivo de apenas organizar e viabilizar que a prestação dos serviços de transporte seja devidamente efetivada por seus cooperados; 3.14. que cabe a cooperativa receber a remuneração paga e encaminhálas aos cooperados; 3.15. que da mesma forma, os diretores da cooperativa prestam serviço para os cooperados e não para a cooperativa; Fl. 820DF CARF MF 6 3.16. a inexigibilidade das contribuições ao SEST/SENAT sobre os valores repassados aos cooperados; 3.17. que as cooperativas de transporte não podem ser equiparadas a empresas de transporte; 3.18. que a Lei 8706/93 transferiu para o decreto a conceituação do sujeito passivo e a atribuição de estabelecer a alíquota da exação, ferindo o princípio da reserva legal; 3.19. que ainda que fossem exigíveis e devidas as contribuições para o SEST/SENAT, estas não podem ser exigidas sobre os valores repassados aos cooperados, visto que a contribuição incide somente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, o que não existe no caso em exame; 3.20. a inaplicabilidade da taxa SELIC, por estar em descompasso com o art. 161, do CTN; 3.21. que as multas punitivas, nos percentuais de 150% ou 225%, também são inaplicáveis, eis que a autuada não deixou de recolher as contribuições sociais ora cobradas, por não ser sujeito passivo das mesmas; 3.22. que por esse motivo não restou demonstrada prova de conduta dolosa ou fraudulenta da cooperativa; 3.23. que a multa fixada tem nítido efeito confiscatório, pelo que requer sua exclusão, ou, no mínimo, sua relevação; 3.24. que requer a improcedência das autuações. As impugnações apresentadas foram julgadas parcialmente procedentes pela DRJ/Rio de Janeiro I, sendo mantido em parte o crédito tributário, com a retificação do percentual das multas de ofício de 150% para 75% e de 225% para 112,5%., nos termos do Acórdão nº 1273.875, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 COOPERATIVA. SUJEITO PASSIVO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E PARA TERCEIROS. As cooperativas são consideradas empresa, em relação às obrigações previstas na legislação previdenciária. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. As contribuições previdenciárias pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. Incabível a aplicação da multa qualificada se a autoridade lançadora não demonstra o evidente intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/1964. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 5 7 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da decisão, a DRJ recorreu de ofício em virtude da exoneração do crédito em valor superior ao limite de alçada, previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008 (exoneração de R$ 4.603.297,54). Cientificado em 22/07/2015 (efl. 774), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20/08/2015 (efls. 776 a 804) em que repisa as alegações da impugnação, exceto as relacionadas às multas qualificadas (itens 3.21 a 3.23 transcritos acima). É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Recurso de Ofício O recurso de ofício foi interposto pela DRJ/Rio de Janeiro I em decorrência do valor exonerado do crédito tributário (R$ 4.603.297,54) referente à redução da multa de ofício aplicada. Entendeu a turma da DRJ que a multa qualificada (de 75% para 150%) não procede pois não teria ficado comprovada a prática da conduta dolosa pelo sujeito passivo (sonegação, fraude ou conluio). Assim, a decisão de piso manteve apenas a agravante no AI 51.000.2811 pela falta de apresentação de documentos e esclarecimentos solicitados. Verificando os autos, constatase que a decisão a quo merece ser mantida, uma vez que, no Termo de Verificação Fiscal (efls. 482/483) consta como fato motivador da multa qualificada a falta de declaração em GFIP dos fatos geradores e falta de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Entretanto, como ressaltado pela decisão de piso, tal conduta é punível com a multa de 75%, pelas seguintes razões de decidir que passo a adotar: 38. No entanto, a mera falta de declaração de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, não é conduta tipificada nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, a que faz remissão o art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996, mormente quando os fatos geradores apurados estão devidamente escriturados contabilmente em seus títulos próprios e declarados em DIPJ, como revela o próprio Relatório Fiscal. (...) Fl. 822DF CARF MF 8 39. Com efeito, o que se verifica, a partir da leitura dos dispositivos acima transcritos, é que a multa de ofício de 75% já pune a falta de declaração dos fatos geradores em GFIP. A qualificadora da multa, por sua vez, depende de um algo a mais, qual seja, a demonstração por meio de provas robustas , não da mera intenção de não pagar/confessar o tributo devido, e sim, do dolo de ocultar, total ou parcialmente, a própria ocorrência do fato gerador, ou aspectos quantitativos, temporais da obrigação tributária. Citamse como exemplos de condutas dolosas com evidente intuito de fraude: Caixa 2, escrituração de notas frias/calçadas, realização de negócios simulados. 40. Assim, em relação aos AIs nº 51.000.2803, 51.000.2820 e 51.000.2838, há de se reduzir a multa de ofício aplicada, para seu patamar mínimo de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/1996, ante a falta de caracterização das hipóteses previstas para sua qualificação. 40.1. Já com relação ao AI nº 51.000.2811, devese também excluir a qualificadora da multa, pelas mesmas razões acima. Todavia, há de se manter a agravante, por falta de apresentação de documentos e esclarecimentos solicitados (conduta que restou inconteste), retificandose, assim, o percentual da multa aplicada de 225% para 112,5%, com base no art. 44, I e § 2º, da Lei 9.430/1996 (...). Portanto, nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a exclusão da multa qualificada. Recurso Voluntário Verificada a tempestividade do recurso apresentado, dele conheço. Contribuições previdenciárias a cargo das cooperativas de trabalho O contribuinte insurgese contra a cobrança de contribuições previdenciárias alegando que não houve prestação de serviços para a cooperativa, seja por parte de cooperados, de pessoas físicas, tampouco de diretores eleitos, e portanto não haveria incidência das contribuições. Invoca a Lei 5.764/71, que trata das cooperativas, para fazer crer que não estaria sujeita ao recolhimento das contribuições previdenciárias. Não é o que prevê a legislação previdenciária. A Lei 8.212/91 equipara as cooperativas às empresas para fins previdenciários (art. 15, parágrafo único): Lei 8.212/91 Art.15. Considerase: empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 6 9 Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) (grifamos) A mesma lei estabelece que se enquadra na categoria de segurado contribuinte individual quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego (art. 5º, V, g). O Decreto 3.048/99 explicita que, nessa condição, enquadramse tanto o associado eleito para o cargo de diretor da cooperativa (art. 5º, V, i), quanto o associado à cooperativa que presta serviços a terceiros (art. 5º, V,' j', e §15, IV). Por seu turno, a Lei 10.666/2003 instituiu a obrigação da cooperativa de trabalho reter e recolher a contribuição previdenciária devida pelos contribuintes individuais a seu serviço (tanto cooperados associados, como demais pessoas físicas). Art. 4°. Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. § 1° As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia quinze do mês seguinte ao de competência a que se referir.(...) Com relação à contribuição patronal (Debcad 51.000.2838) está prevista no art. 22, III da Lei 8.212/91 em relação aos contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Portanto, assim como decidido no acórdão recorrido, confirmase que a cooperativa é sujeito passivo na relação jurídica previdenciária, equiparada à empresa nos termos da legislação previdenciária. Conforme o conjunto probatório trazido aos autos, a prestação de serviços foi ajustada em nome da cooperativa, sendo os valores pagos pela Secretaria Municipal de Transportes à cooperativa, que remunerava os cooperados que lhe prestavam serviços. Sendo assim, são inafastáveis as seguintes conclusões da decisão a quo, que se integram ao presente voto como razões de decidir: 12. Como sujeito passivo na relação jurídica tributária previdenciária, ao contrário do que alega a impugnante, tem sim a cooperativa o dever legal de proceder ao desconto e retenção dos valores relativos à contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual (cooperado ou não), assim como efetuar o recolhimento desses valores, juntamente com a contribuição patronal devida, bem como a de terceiros (SEST e SENAT). 13. Também não prosperam as demais alegações da impugnante de que os serviços foram prestados exclusivamente pelos cooperados, diretamente aos usuários de transporte público de Fl. 824DF CARF MF 10 passageiros, e não pela Cooperativa que não remunera seus associados, mas apenas repassa o valor recebido da Secretaria Municipal de Transporte, motivo pelo qual não haveria incidência das contribuições sociais devidas apuradas pela fiscalização. 14. Como a própria impugnante confessa, é fato que os associados da cooperativa prestam serviço público de transporte coletivo de passageiros à população, porém a permissão foi concedida à Cooperativa e não diretamente a eles. Tanto é assim que órgãos públicos, como a Prefeitura do Município de São Paulo, remuneram os cooperados através da Cooperativa e, conforme disposto no artigo 9°, inciso V, parágrafo 15 do Decreto n° 3.048/99, acima transcrito, são segurados obrigatórios da previdência social, como contribuinte individual, o trabalhador associado a cooperativa que, nessa qualidade, presta serviços a terceiros. 15. Observese que o lançamento em questão não está adstrito somente aos cooperados da impugnante que prestaram serviços de transporte público a Secretaria Municipal de Transportes, abrange também os honorários pagos aos diretores eleitos da cooperativa e os valores pagos aos prestadores de serviços à cooperativa, sem vínculo empregatício, sendo todos eles considerados "contribuintes individuais". 16. Assim, o presente crédito tributário foi constituído com base nas informações e valores contidos nos documentos examinados, corroborados pelos lançamentos constantes da escrituração contábil da cooperativa e referese a pagamentos efetuados somente a contribuintes individuais, de acordo com o relatório fiscal. 17. No presente caso, é certo que a incidência de contribuição previdenciária encontrase normatizada na Lei n° 8.212/1991 e n° 10.666/2003, acima descritas, onde se contemplam todos os aspectos da hipótese de incidência tributária, não havendo, no caso, aumento do campo de incidência do tributo, ou seja, a tributação por analogia, terminantemente vedada em nosso ordenamento jurídico, nos termos do artigo 108, § 1° do CTN, como aduz a impugnante. 18. Deste modo, o Fisco adstrito aos limites da legalidade, atuou no sentido de verificar se o contribuinte cumpriu suas obrigações tributárias, quer seja a obrigação principal (de recolher tributo), quer seja a acessória (cumprimento de deveres instrumentais) e, ao constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária efetuou o lançamento, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, conforme disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. 19. Assim, ao contrário do que alega a impugnante, ao lavrar os AI DEBCAD n° 51.000.2803, 51.000.2811, 51.000.2820 e 51.000.2838, a autoridade fiscal cumpriu fielmente os ditames legais e constitucionais que regem a atividade da cooperativa e seus cooperados e, demais pessoas envolvidas na prestação de serviços, pelo que a autuação é procedente. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 7 11 20. O Relatório Fiscal traz, de forma clara e minuciosa, toda a fundamentação legal, o fato gerador das contribuições lançadas e as bases de cálculos utilizadas na apuração das contribuições lançadas nos referidos Autos. 21. No que tange às contribuições apuradas sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais diretores eleitos e prestadores de serviços pessoas físicas, sem vínculo empregatício, sua fundamentação legal está no inciso III, do art. 22, da Lei 8.212/1991. 21.1. A contribuição social devida pela empresa prevista no artigo 22, III da Lei 8.212/1991, vai ao encontro da determinação contida no artigo 195 da Constituição Federal, que arrolou como fonte de custeio da Previdência Social, a contribuição social paga pela empresa incidente sobre "a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício" (artigo 195, I, a, CF). 22. Desta feita, o fato gerador da contribuição previdenciária em apreço é a prestação de serviço remunerada, inexistindo no ordenamento jurídico, norma que isente a autuada das contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas a segurados que prestem serviços para a Cooperativa. 23. Assim, os valores pagos aos diretores eleitos e prestadores de serviços pessoas físicas, sem vínculo empregatício, retribuem o trabalho prestado à Cooperativa, motivo pelo qual as referidas verbas encontramse sob o âmbito de incidência tributária, restando definitivamente demonstrado que não procedem as alegações genéricas da impugnante de que esses segurados não prestaram serviços à Cooperativa. 25. Com relação às contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais –diretores eleitos, prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício e cooperados, melhor sorte não assiste à interessada. Também pela própria legislação previdenciária, a obrigação e responsabilidade pelo desconto e recolhimento são da fonte pagadora, conforme o previsto no artigo quatro° da Lei n° 10.666, de 08 de Maio de 2003, acima transcrita. 26. Por outro lado, como alega a impugnante, a inexistência de vínculo empregatício entre os associados e à cooperativa encontra previsão legal, conforme determinado no artigo 90 da Lei n° 5.764/71, que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. Lei n° 5.764/71 Art. 90. Qualquer que seja o tipo de cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados. Fl. 826DF CARF MF 12 27. Entretanto, não consta dos autos qualquer referência à existência de vínculo empregatício entre a autuada e seus cooperados, os quais foram corretamente considerados pelo AuditorFiscal como contribuintes individuais, nos termos do artigo 12, inciso V, da Lei n° 8.212/91 e artigo 9°, inciso V, parágrafo 15, inciso IV do Decreto n°3.048/99, acima transcrito, sendo lançadas as contribuições devidas por esses segurados contribuintes individuais à alíquota de 11%, nos termos do art. 21 da lei 8212/91, que deveriam ter sido descontadas pela cooperativa da remuneração paga, devida ou creditada aos referidos associados, e não o foram. 28. Para os demais Prestadores de Serviços Pessoa Física e Diretores eleitos, enquadrados corretamente pela fiscalização como contribuintes individuais, nos termos do artigo 12, inciso V, alíneas "f"; "g" e "h", da Lei n° 8.212/91, abaixo transcrito, em que foi possível a identificação individualizada dos valores pagos, lançouse também as referidas contribuições previdenciárias, observandose o limite máximo do salário de contribuição (teto): (...) 29. Cabe observar novamente que, em nenhum momento os cooperados foram considerados empregados da cooperativa, mas sim, contribuintes individuais, nos termos do artigo 9°, inciso V, § 15, IV, do Decreto n° 3.048/99. Observese que o fato gerador da contribuição previdenciária em apreço é a prestação de serviço remunerada, art. 195, I, da CF, inexistindo no ordenamento jurídico, norma que isente a autuada das contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas a segurados "contribuintes individuais" que prestem serviços à Cooperativa, ou com sua intermediação, retribuindo assim o trabalho por eles prestado, motivo pelo qual as referidas verbas encontramse sob o âmbito de incidência tributária. 30. Com relação às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos Terceiros (SEST/SENAT), instituída pela Lei n° 8.706, de 14 de setembro de 1993, lançadas no Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD n° 51.000.282 0, teve como base os valores brutos pagos, consoante folhas de pagamento, aos Cooperados pelos serviços de transporte, por eles prestados, que não foram retidas e recolhidas, nas épocas próprias, pela TRANSCOOPER, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores. 31. Conforme disposto na Lei 8.706/1993 (art. 7º) e no Decreto 1.007/1993 (art. 2º), está definido como sujeito passivo de tais contribuições o "transportador autônomo", não tendo o Auditor Fiscal equiparado a cooperativa a empresa de transporte, para fins de determinação do sujeito passivo. 32. A cooperativa deve reter a contribuição do transportador autônomo para o SEST e SENAT e recolher o valor retido. Tal previsão sempre esteve presente nas instruções normativas do INSS/SRP/RFB, e, à época dos fatos geradores, estava descrita no art. 65, § 5º e art. 11, §§ 8º e 9º, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, como segue: Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 8 13 (...) 33. Portanto, a fiscalização ao constatar que o serviço de transporte foi prestado por condutores autônomos ou auxiliares de condutores autônomos de veículo rodoviário (cooperados) considerou, corretamente, que a remuneração paga a esses transportadores autônomos é base de cálculo da contribuição social ora lançada. Taxa Selic Com relação à aplicação da Taxa de juros Selic, além de previsão legal expressa nesse sentido, este conselho firmou entendimento pela sua procedência, inclusive com edição da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, sem razão o recorrente. Alegações de inconstitucionalidade Como já manifestado na decisão de piso, as alegações de inconstitucionalidade de lei não podem ser apreciados pela administração pública, sendo o CARF expressamente incompetente para se pronunciar sobre o assunto (Súmula CARF nº 2). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício e por conhecer em parte o Recurso Voluntário, deixando de conhecer acerca das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 828DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.901419/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO
Uma vez comprovado que o valor devido de estimativa é menor que o recolhido, deve ser reconhecida a diferença como direito creditório do contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo à estimativa de IRPJ de janeiro de 2004 no valor original de R$ 95.105,16, determinando à Unidade de origem para que promova as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo à estimativa de IRPJ de janeiro de 2004 no valor original de R$ 95.105,16, determinando à Unidade de origem para que promova as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 14 19 /2 00 9- 16 Fl. 595DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A empresa acima qualificada, por meio do PER/DCOMP nº 41860.72604.200705.1.3.046808, pretende compensar pretenso crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código 2362, P.A. 31/01/2004, arrecadado em 27/02/2004, no valor original de R$ 1.275.127,35 com débito próprio de IRPJ 2362, P.A. 0106/ 2005. A DRF/Jundiaí, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 49 (nº 821072132) resolveu por não homologar a compensação declarada, tendo em vista a utilização total do DARF relacionado no PER/DCOMP em questão, consoante demonstrado a seguir: (...) Não se conformando, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 02), alegando, em síntese, que cometeu equivoco ao informar na DCTF os débitos de IRPJ e CSLL, referentes ao 1° trimestre de 2004, especificamente do mês de Janeiro/2004, corrigindoos conforme DCTF Retificadora entregue em 11/03/2009 (protocolo de entrega n° 24.36.07.23.6481). DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 5659) negou provimento à impugnação nos seguintes termos do voto do relator: A declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. Para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é necessário que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Para comprovar suas alegações a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da DCTF retificadora. Logo, além de não retificar a DCTF, antes do Despacho Decisório, que constituía obrigação sua (obrigação mantida nas Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13839.901419/200916 Acórdão n.º 1401002.060 S1C4T1 Fl. 596 3 Instruções Normativas seguintes) não trouxe a interessada provas do alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Portanto, não merece reparo o Despacho Decisório, por ter sido efetuado de acordo com as determinações legais sendo improcedente a manifestação de inconformidade. Ante o exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho (nossos destaques). DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 72 a 89 com as razões que se seguem. A decisão da DRJ seria nula em razão de ter alterado a fundamentação para negar o pedido do interessado. Nulidade do despacho decisório em razão do cerceamento do direito de defesa. Em primeiro lugar, o formulário padrão não permite que o interessado informe todos os detalhares necessários para o reconhecimento do seu direito; em segundo lugar, ao ser realizado o tratamento eletrônico do pedido, a administração deixou de examinar outros documentos, inclusive por meio da intimação prévia do interessado. O mesmo tipo de procedimento foi realizado pela DRJ, uma vez que deixou de intimar o interessado para apresentar a documentação que considerasse apta para comprovar o seu crédito. A recorrente, porém, apresentou a documentação necessária para comprovar seu crédito (no caso, a DCTF retificadora), a qual, uma vez não sendo considerada suficiente pela autoridade julgadora, deveria ter sido dado oportunidade para apresentar nova documentação. Entende que o valor está comprovado por meio da DIPJ do período e para comprovar o alegado requer perícia, em que formula questões e indica o seu perito. DA DILIGÊNCIA Fl. 597DF CARF MF 4 O feito foi baixado em diligência por meio da Resolução nº 1401000.363, de 19 de janeiro de 2016, nos termos que se seguem: O recorrente alega que cometeu erro material ao preencher a DCTF original. No entanto, na impugnação, apresentou apenas uma DCTF "retificadora", a qual não produz qualquer efeito jurídico por ser intempestiva. Aduziu ainda que o valor correto do IRPJ do período seria de R$ 1.738.669,32 e não R$ 1.833.774,48. O primeiro valor estaria consignado na sua DIPJ, enquanto o segundo (incorreto) teria constado incorretamente na DCTF original. Na fl. 46, consta cópia da DIPJ com o valor apurado de IRPJ de R$ 1.738.669,32. O deslinde da refrega depende da apuração fática. O documento carreado aos autos pela defesa precisa ser confirmado pela autoridade local. Ademais, pode não ser o único apresentado pelo interessado, além de divergir da sua contabilidade. Isso posto, proponho a conversão do processo em diligência para a autoridade local: a) trazer aos autos todas as DCTF e DIPJ (originais e retificadoras) apresentadas no período; b) identificar os valores que serviram para extinguir o débito da estimativa de IRPJ de janeiro de 2004 (pagamentos e compensações); c) dirimir, com base nas informações contábeis do interessado, a suposta divergência entre os valores consignados na DIPJ e na DCTF. Encerrada a instrução processual, deverá ser intimada a interessada para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. Após realizar a diligência como solicitado, a autoridade local expediu o relatório de fls. 587588 favorável à pretensão do interessado, o qual tomou ciência e não mais se manifestou no processo. É o relatório do essencial. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 13839.901419/200916 Acórdão n.º 1401002.060 S1C4T1 Fl. 597 5 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Conforme havíamos consignado no julgamento anterior em que propomos a realização de diligência, o deslinde da questão depende exclusivamente de análise fática. Esta foi minudentemente realizada pela autoridade local, de cujo relatório extraímos as seguintes passagens: 2 O contribuinte alega que apurou incorretamente o valor de R$ 1.833.774,48 de estimativa de IRPJ, relativa ao mês de janeiro de 2004. Ao passo que o valor correto alegado seria de R$ 1.738.669,32; (...) 6 O contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes elementos: a) Balancete de verificação do mês de janeiro de 2004; b) Livro Razão do mês de janeiro de 2004; e c) Memória de Cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL do mês de janeiro de 2004 em excel. 7 Os documentos foram entregues dentro do prazo estipulado e estão anexados ao presente processo; (...) 9 Em atendimento ao segundo item da diligência, apurouse que o crédito tributário foi extinto da seguinte forma: a) Pagamento de um DARF no valor de R$ 1.275.127,35; e b) Compensação no valor de R$ 558.647,13, efetuada mediante a DCOMP de nº 27064.64839.260204.1.3.012368, controlada pelo PAF de nº 13839.001.308/200746. 10Os débitos vinculados à DCOMP de nº 27064.64839.260204.1.3.012368 foram transferidos para o processo de débito 13839.720.240/200889 e estão extintos por compensação (...) 13O valor apurado de R$ 1.738.669,32 confere com os valores encontrados na DCTF atual e na Ficha 11, da DIPJ 2005; Conclusão e Encaminhamento: Fl. 599DF CARF MF 6 14De acordo com os elementos apresentados pelo contribuinte, o valor apurado a pagar de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2004 seria de R$ 1.738.669,32; Desse modo, o contribuinte recolheu, a título de estimativa de IRPJ de janeiro de 2004, o total de R$ 1.833.774,48 (R$ 1.275.127,35 por pagamento mais R$ 558.647,13 por meio de compensação), ao passo que o valor devido é de R$ 1.738.669,32. Desse modo, faz jus ao indébito da diferença. Voto, pois, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo à estimativa de IRPJ de janeiro de 2004 no valor original de R$ 95.105,16 e para promover as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 600DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.004144/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/06/2010
AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-004.005
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do DecretoLei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 41 44 /2 01 0- 03 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 200 2 José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 46/56): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada deixou de atender ao prazo legal para prestar informações sobre carga transportada, sujeitandose assim à multa prescrita na legislação que disciplina a matéria. 2) Essas informações estão dispostas na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, que regulamentou o art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, estabelecendo as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali definidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 201 3 5) A autuada protocolou pedido de desbloqueio de manifestos eletrônicos, pois houve a vinculação deles fora do prazo estabelecido, o que gerou o bloqueio automático no sistema. Consultandose o Siscomex Carga verificouse que consta como transportador responsável nesses manifestos a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. 6) A obrigação da autuada de prestar as informações fornecidas a destempo está disposta nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Portanto, ela responde pelo descumprimento desse dever legal. 7) A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato infracionário, consoante dispõe o artigo 136 do Código Tributário Nacional. 8) Ao deixar de prestar a informação dentro do prazo estabelecido, o transportador omitiu informações necessárias ao controle aduaneiro, comprometendo a prévia análise de risco quanto a carga transportada, a logística, em fim, a operação como um todo. Tal conduta materializou claramente a hipótese infracional descrita no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, consoante dispõe o art. 45 da IN RFB nº 800/2007. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 20/7/2010 e apresentou impugnação (fls. 2427) em 17/08/2010, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante (atraso na vinculação de manifesto) não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, pois ela não deixou de prestar as informações exigidas, nem causou nenhum embaraço ou impedimento à fiscalização, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 202 4 necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.790 7ª Turma da da DRJ/FOR, julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/06/2010 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/06/2010 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas transportadas configura atraso no cumprimento dessa obrigação, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação tempestiva de informação sobre carga transportada é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada pela legislação no caso de prévia atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 64/73), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.278– 1ª Turma Especial (fls.104/112), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/06/2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 203 5 os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 129/135 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100431– 1ª Câmara (fls 114/124), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 130/138). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.616– 3ª Turma (fls. 178/186) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/06/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 186) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 204 6 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 64/73) o Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: I DA TEMPESTIVIDADE II. DO LANÇAMENTO III. DA DECISÃO RECORRIDA IV. DA ANÁLISE DOS FATOS V. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Sobre o item I, já houve manifestação admitindo e conhecimento o Recurso. No item II, o Recorrente faz referência à infração e à respectiva penalidade constantes do Auto de Infração. No item III, há menção à decisão recorrida e é transcrita a sua ementa. O item IV, apesar de também fazer referência à responsabilidade solidária, valendose da Súmula 192 do extinto TRF, concentrase nos argumentos no sentido de teria ocorrido denúncia espontânea; a questão da denúncia espontânea já resta decidida nesta Corte, cabendo neste momento somente analisar as outras questões. Por sua vez, no item V, o Recorrente apresenta seus argumentos relativos à ilegitimidade de sua autuação como responsável, transcrevemos: 21. De início, cabe esclarecer que, o e. relator do acórdão ora recorrido pretende impor ao agente marítimo responsabilidade tributária pela retificação de ofício de informações relativas ao Conhecimento Eletrônico já referido. 22. Para uma melhor análise da matéria e para evitar dispositivos legais que possam ser utilizados para tentar transferir a responsabilidade do transportador, do agente de carga e do operador portuário para o agente marítimo, convém transcrever a seguir dispositivos legais do Decretolei no 37/66, a fim de que se afastar qualquer possibilidade de assunção de responsabildiade com base nos artigos, 32, 37, § 1o, do referido diploma legal: "Art. 32 É responsável solidário pelo imposto:" 23. Com efeito, a responsabilidade tributária solidária está prevista expressamente em lei para o imposto de importação e não para multa isolada que a fiscalização pretende impor à Recorrente. Não há como a fiscalização pretender, por analogia, exigir da Recorrente a multa isolada ora em discussão. 24. O art. 37, § 1o, do DecretoLei no 37/66, dispõe: Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 205 7 "Art. 37 O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas." 25. Como se observa em nenhum momento o dispositivo legal acima transcrito menciona a responsabilidade à agência marítima,deixando claro que essa responsabilidade é do transportador (caput), do agente de carga e do operador portuário. 26. O Código Tributário Nacional determina em seu artigo 121, II, que a responsabilidade tributária deve ser expressamente prevista em lei, já que o responsável tributário não ostenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal. 27. Assim, sem previsão legal não pode a multa prevista na alínea "e", do Inciso IV, do art. 107 do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03, ser aplicada à Recorrente. 28. Com efeito, representação também não se confunde com responsabilidade solidária para fins tributários, daí porque às agências marítimas, como no caso da Recorrente, não pode ser imputada a multa prevista no art. art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03. 29. E, nesse sentido, decidiu pela ilegitimidade passiva das agências marítimas, no Recurso Voluntário no 506.150, processo no 10711.003636/200644, a 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, da 3a Seção, do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 30. A lei e a jurisprudência não dispõem responsabilidade à agência de navegação no que tange à assunção de ônus pertinente à multa estabelecida pelo art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo Art. 77 da Lei no 10.833/03, sendo esta única e exclusivamente de responsabilidade da empresa transportadora ou do agente de carga. 31. Consequentemente, qualquer equiparação de uma agência de navegação à uma empresa de transporte internacional para efeito de cominação da penalidade pretendida pela fiscalização, caracteriza, para todos os efeitos legais, extrapolação do poder de regulamentar da autoridade administrativa. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 206 8 32. Ademais, exige a legislação de regência a identificação do sujeito passivo, art. 142 do CTN, no caso, a pessoa do transportador, o que não se acha devidamente esclarecido na peça fiscal. De se dizer que o auto de infração, por si só, não traz qualquer informação capas de ao menos, contribuir para a identificação do transportador. 33. Ainda há que se considerar, conforme se depreende da parte final do caput do art. 9o do Decreto no. 70.235/72, que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à compração do ilícito. 34. Portanto, as ações da fiscalização devem estar devidamente consubstanciadas por provas que sustentem o fato acusado, o que no caso do presente auto de fato não aconteceu. 35. Dessa forma, ao se pesquisar sobre a pessoa que atuou na condição de transportador para fins de aplicação da norma disposta, respectivamente nos art. 37 e 32, ambos do DecretoLei no 37/66, ficase diante dos autos que integram o presente processo, sem a devida resposta, uma vez que dito os autos nada informaram a respeito no que tange à agência marítima. 36. Apenas para esclarecer que as pessoas citadas no parágrafo 1o, do art. 37 do DecretoLei no 37/66, agente de carga e operador portuário também devem prestar informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, bem como o transportador mencionado no "caput" do referido comando legal. Contudo, essas pessoas mencionadas pelo texto legal não se confundem com a agência marítima que tem personalidade e atividades próprias, por isto é, de atender as necessidades do navio no porto de destino. 37. Assim, não procede o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condições. Inúmeras decisões nesse sentido há estão sendo proferidas pela 1a Turma de Julgamento da DRJ/FNS. Necessário se volver à análise da lei e da legislação concernente à responsabilidade da Recorrente pela infração. O DecretoLei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 207 9 (...) (grifouse) O art. 107 do DecretoLei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e No exercício da competência estabelecida pelo art. 107, IV, "e", do Decreto Lei nº 37/66, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que nos seus arts. 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o Recorrente concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente, ele responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decretolei n° 37/66 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 208 10 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pela Recorrente, perfilhase a conclusão adotada no Acórdão no 0826.790 7ª Turma da DRJ/FOR (fl. 51/52), de que o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, "há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do DecretoLei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do DecretoLei nº 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação." Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei nº 10.833/2003, o que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex . Ao descumprir esse dever, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Transcrevese Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso voluntário negado. (grifei) Consignase, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: no 3401003.883; no 3401003.882 ; no 3401003.881; no 3401002.443; no 3401002.442; no 3401002.441, no 3401002.440; no 3102001.988; no 3401002.357; e no 3401002.379. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 209 11 Dessa forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.728181/2015-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA.
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada.
Numero da decisão: 1401-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 81 81 /2 01 5- 47 Fl. 1758DF CARF MF 2 Relatório O presente feito trata do lançamento de autos de infração, fls.15371557, relativos ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2010, no valor total de R$ 5.191.716,20 inclusos multa de oficio de 75% e juros de mora à taxa Selic, calculados até dezembro/2015. A acusação fiscal, conforme termo de verificação de fls. 15211531, referese à exclusão indevida de valores de depreciação incentivada de lavoura de canadeaçucar. Basicamente, a autoridade fiscal entendeu que a referida cultura sujeitase à exaustão e não à depreciação. Desse modo, não faria jus ao benefício fiscal. O contribuinte impugnou a exigência às fls. 15751603 para alegar que a cultura, em razão da sua natureza fática, sujeitase à depreciação, pois a planta não se exaure com a colheita. Subsidiariamente, aduz que a fiscalização deveria ter compensado o lucro real e a base de cálculo da CSLL das atividades em geral com os prejuízos e bases de cálculo negativa da CSLL A decisão de primeiro grau (fls. 16931703) negou provimento ao recurso, conforme ementa abaixo reproduzida: IRPJ E CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS. IMPOSSIBILIDADE DA DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA (INTEGRAL) DA LAVOURA DE CANA DE ACUÇAR. À luz do Parecer Normativo CST nº 18/1979, que deve ser observado no julgamento administrativo em primeira instância, as quotas de exaustão devem ser calculadas e apropriadas como custo ou encargo ao longo de todo o período da extração dos recursos de origem agrícola, em se tratando de espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, mas depois de dois ou mais cortes. O recurso voluntário foi apresentado às fls. 17141748. Nele, em longa explanação o recorrente busca demonstrar sua tese de que a cultura de canadeaçucar perde valor por meio da depreciação e não da exaustão. Ademais, reitera o pedido subsidiário atinente à compensação de valores. É o relatório do essencial. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10314.728181/201547 Acórdão n.º 1401002.039 S1C4T1 Fl. 1.759 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator O tema do modo de reconhecimento da perda de valor da cultura canavieira é tema ainda controvertido neste colegiado. De fato, há decisão do CARF no sentido da decisão recorrida. Cito, nesse sentido, o acórdão nº 10318.812, de 20/08/1997: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA FORMAÇÃO DE LAVOURA CANAVIEIRA A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem a produzir, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão. Todavia, há também decisão favorável, como o Acórdão nº 1202000.795, de 12/06/2012: ATIVIDADE RURAL. CUSTOS DA LAVOURA CANAVIEIRA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. As razões do Acórdão podem ser identificadas no seguinte trecho do voto condutor: Em resumo, temos que a depreciação ocorre quando o bem está sujeito a desgaste ou perda pelo uso na atividade da empresa, enquanto que a exaustão se dá quando, durante o processo, o próprio bem é extinto. Repetimos, a depreciação se aplica quando há desgaste de uso, enquanto que a exaustão se dá quando os próprios bens se esgotam no tempo e, portanto, o bem desaparece. O esgotamento ou desaparecimento físico do ativo é o elemento que distingue a exaustão da depreciação. Como bem ficou demonstrado nas sustentações orais e nos memoriais, os cortes feitos na canadeaçúcar não extinguem a planta, portanto, o bem não se esgota, logo não se aplica a exaustão. Todavia, o bem é desgastado pelo uso ou emprego na atividade da fonte produtora, perdendo seu valor a cada corte, através da depreciação. Fl. 1760DF CARF MF 4 Tenho para mim que a posição adotada é a correta e já me posicionei assim no AC 1401001.523, de 01 de fevereiro de 2016, conforme ementa abaixo: LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. Exaustão vem de exaurir, de esgotar, ou seja, o bem é extinto, eliminado, integralmente consumido. É essa a razão pela qual tanto uma floresta, como uma mina de ouro se exaurem. Tanto o ouro como as árvores se esgotam com a extração. Não é o caso da cana deaçúcar. A exploração é promovida como uma colheita não extintiva da planta. Esta volta e crescer e a proporcionar novas colheitas. Todavia, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz. Por isso, essa cultura perde valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. Essa perda de valor é, pois, tipicamente reconhecida por meio da depreciação. Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1761DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720018/2011-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
O fato gerador de IRPJ no regime de tributação do lucro real anual ocorre em 31/12, de modo que o direito de a Fazenda Pública efetuar o respectivo lançamento referente ao ano-calendário de 2006 decairia somente em 31/12/2011, nos moldes do lançamento por homologação. Portanto, em 30/09/2011 data do lançamento , não havia ainda se dado o decurso do prazo decadencial. Além disso, não ocorreu o pagamento antecipado que caracteriza o lançamento por homologação. Preliminar indeferida.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS.
A diligência trouxe explicações suficientes para a correta compreensão da origem dos valores compensáveis de IRPJ e CSLL (valores das DIPJs e dos lançamentos de ofício) e saneou o lançamento deduzindo do valor das infrações todos os prejuízos fiscais e bases negativas compensáveis, tanto da atividade geral quanto da atividade rural. Preliminares indeferidas.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO.
A reserva de reavaliação deve ser considerada realizada quando são descumpridas as condições que autorizam continuar a diferir a sua tributação.
AUTO REFLEXO.CSLL.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação dele decorrente.
Numero da decisão: 1301-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
assinado digitalmente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O fato gerador de IRPJ no regime de tributação do lucro real anual ocorre em 31/12, de modo que o direito de a Fazenda Pública efetuar o respectivo lançamento referente ao ano-calendário de 2006 decairia somente em 31/12/2011, nos moldes do lançamento por homologação. Portanto, em 30/09/2011 data do lançamento , não havia ainda se dado o decurso do prazo decadencial. Além disso, não ocorreu o pagamento antecipado que caracteriza o lançamento por homologação. Preliminar indeferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. A diligência trouxe explicações suficientes para a correta compreensão da origem dos valores compensáveis de IRPJ e CSLL (valores das DIPJs e dos lançamentos de ofício) e saneou o lançamento deduzindo do valor das infrações todos os prejuízos fiscais e bases negativas compensáveis, tanto da atividade geral quanto da atividade rural. Preliminares indeferidas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. A reserva de reavaliação deve ser considerada realizada quando são descumpridas as condições que autorizam continuar a diferir a sua tributação. AUTO REFLEXO.CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação dele decorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. assinado digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 564 1 563 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.720018/201167 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301002.518 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria IRPJ: RESERVA DE REAVALIAÇÃO Recorrentes J & F PARTICIPAÇÕES S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O fato gerador de IRPJ no regime de tributação do lucro real anual ocorre em 31/12, de modo que o direito de a Fazenda Pública efetuar o respectivo lançamento referente ao anocalendário de 2006 decairia somente em 31/12/2011, nos moldes do lançamento por homologação. Portanto, em 30/09/2011 data do lançamento , não havia ainda se dado o decurso do prazo decadencial. Além disso, não ocorreu o pagamento antecipado que caracteriza o lançamento por homologação. Preliminar indeferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. A diligência trouxe explicações suficientes para a correta compreensão da origem dos valores compensáveis de IRPJ e CSLL (valores das DIPJs e dos lançamentos de ofício) e saneou o lançamento deduzindo do valor das infrações todos os prejuízos fiscais e bases negativas compensáveis, tanto da atividade geral quanto da atividade rural. Preliminares indeferidas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. A reserva de reavaliação deve ser considerada realizada quando são descumpridas as condições que autorizam continuar a diferir a sua tributação. AUTO REFLEXO.CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 18 /2 01 1- 67 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 565 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. assinado digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório J & F PARTICIPAÇÕES S/A, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade (fls. 432/454). Do Lançamento Tratase de auto de infração para lançamento de IRPJ e CSLL, cumulados de juros e multa de ofício de 75%, lavrado contra J & F PARTICIPAÇÕES S/A, em razão da não adição ao lucro líquido a reserva de reavaliação realizada, no anocalendário de 2006, no valor de R$237.457.729,48, com base nos arts. 249, inciso II, 434, 435, 439, parágrafo único, todos do RIR/99, art. 4º da Lei 9.959/2000 e art 133 da Lei 11.196/05. Passo ao relato da decisão recorrida: O interessado foi autuado, em 30/09/2011, no IRPJ e reflexo, no regime do lucro real anual, por não adicionar ao lucro líquido a reserva de reavaliação realizada no anocalendário de 2006, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 237.457.729,48, incluindo imposto, contribuição, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2011 (fls. 1 a 273, do eprocesso). O Termo de Verificação Fiscal (TV) aponta os seguintes fatos (fls. 50 a 65, do eprocesso): “(...) FALTA DE ADIÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO REALIZADA PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 566 3 (...) 1.2. Em 06 de maio de 2005 foi constituída a empresa, denominada à época, JBS S.A., CNPJ n° 07.452.328/000198 (diversa da atual JBS S.A.), com Capital Social de R$ 200.000,00 ... e tendo, como acionistas, José Batista Sobrinho, com 199.998 ações, Viviane Mendonça Batista, com uma ação, e Flora Mendonça Batista, com uma ação; 1.3. Em 1º de dezembro de 2005 foi realizada assembléia geral da JBS S.A. (CNPJ n° 07.452.328/000198) para aprovação da nomeação dos peritos ... para realizar reavaliação de bens da Agropecuária Friboi Ltda. (atual J&F Participações S.A.), CNPJ n° 00.350.763/000162, com a finalidade de integralização de capital naquela empresa; 1.4. Na mesma data... foram aprovados os laudos e o respectivo aumento de capital na JBS S.A., no valor de R$ 547.805.210,00 que, somados ao capital pré existente no valor de R$ 200.000,00, totaliza ... R$ 548.005.210,00; 1.5. O referido Laudo de Avaliação partiu do montante original do ativo imobilizado líquido de R$ 194.693.429,30, portanto, a reavaliação elevou o valor em questão em R$ 353.111.781,18, conforme cálculos apresentados pela fiscalizada em ... anexo; 1.6. A Agropecuária Friboi Ltda. (atual J&F Participações S.A) constitui então, Provisão para Imposto de Renda sobre Lucros Diferidos ... de R$ 78.955.273,10 (Ficha 37A, item 17 da DIPJ 2006, anocalendário 2005); 1.7. Em 1º de março de 2006, ou seja, menos de 9 meses após sua constituição, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária da antiga JBS S.A. (CNPJ n° 07.452.328/000198), ficam aprovados tanto a indicação dos peritos avaliadores quanto do Laudo de Avaliação Contábil da empresa, e sua incorporação à Friboi Ltda. (atual JBS S.A.); 1.8. Quando de sua incorporação, o patrimônio líquido da antiga JBS S.A. totalizava R$ 508.135.240,59, tendo em vista a redução do valor de R$ 548.005.210,00 apurado em 01/12/2005, em razão de um prejuízo acumulado até 01 de março de 2006 ... de R$ 39.869.969,41; 1.9. Na DIPJ 2006, anocalendário 2005, na Ficha 09A, Linha 18, consta que a J&F Participações S.A. adiciona ao Lucro Líquido, por conta de Realização de Reserva de Avaliação ... R$ 14.062.900,12, o que não corresponde à totalidade da reserva de reavaliação; (...) 2. ANÁLISE DA OPERAÇÃO REALIZADA E SUA CARACTERIZAÇÃO 2.1. O RIR/99 ... dispõe em seu art. 434: Seção II Reavaliação de Bens Subseção I Reavaliação de Bens do Permanente Diferimento da Tributação Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei n° 6.404, de 1976, não será computada Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 567 4 no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto Lei n° 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). § 1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. § 2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 35, § 2º). §3° Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 43, § 1º, alínea "h", e Lei n° 154, de 1947, art. 1º). 2.2. No caso em tela, a empresa reavaliou seus bens em 2005 na forma preconizada pela Lei, portanto, podendo diferir a tributação de seu valor não adicionandoo para apuração do Lucro Real; 2.3. Entretanto, a Lei não faculta diferimento ‘eterno’, porém apenas até a realização da reserva de reavaliação, conforme preconiza o Art. 4º da Lei 9.959 de 27 de janeiro de 2.000: Art. 4º A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. 2.4 A Lei 10.637/02, em seu artigo 36, § 2º dispunha: (...) Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. (Revogado pela Lei n° 11.196, de 2005) § lº O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (Revogado pela Lei n° 11.196, de 2005) I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; (Revogado pela Lei n° 11.196, de 2005) Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 568 5 II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. (Revogado pela Lei n° 11.196, de 2005) § 2º Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1°. (...) Porém tal dispositivo foi revogado pela Lei 11.196/05, que em seu art. 133 determina: (...) Art. 133. Ficam revogados: I a partir de lº de janeiro de 2006: (...) III o art. 36 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; (...) Portanto, é fácil depreender dos dispositivos acima que a transferência de participação societária é considerada realização; 2.5. Conforme já relatado acima, a então JBS S.A., controlada da fiscalizada, foi incorporada pela Friboi S.A. (atual JBS S.A.), em março de 2006, o que configura a extinção da participação societária que a fiscalizada detinha em sua controlada, e sua alienação por meio da transferência de todos os seus ativos, portanto, sua realização, conforme abaixo demonstrado. Assim, o valor da reserva de reavaliação deveria ter sido, à época, adicionado ao lucro da Agropecuária Friboi (atual J&F), para obtenção do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL; 2.5. O art. 439, § único, inciso I do RIR 99 dispõe claramente: Art. 439. A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo incorporados ao patrimônio de outra pessoa jurídica, na subscrição em bens de capital social, ou de valores mobiliários emitidos por companhia, não será computada na determinação do lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 36). Parágrafo único. O valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 36, parágrafo único, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, arts. 1º, inciso VII, e 8°): I na alienação ou liquidação da participação societária ou dos valores mobiliários, pelo montante realizado; (...) Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 569 6 IV proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica que houver recebido os bens reavaliados realizar o valor dos bens, na forma do inciso II do art. 435, ou com eles integralizar capital de outra pessoa jurídica. 2.6. Por sua vez, o Art. 435, inciso II, item a) determina: Tributação na Realização Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 35, § 1º, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. 2.7. No caso em tela, em 2006 a fiscalizada realizou sua reserva de reavaliação quando extinguiu a participação societária que detinha em sua controlada, alienandoa à Friboi S.A. (Art. 439, § único, I); 2.8. Ressaltese ainda que a fiscalizada, no mesmo ano, transferiu a reserva de reavaliação para o capital social (capitalizou a reserva de reavaliação), não restando, portanto, nenhuma memória ou registro a respeito do fato em qualquer das empresas (fiscalizada, sucedida ou sucessora), que pudesse ensejar sua tributação no futuro, encerrandose, portanto, em 2006, qualquer efeito tributário que a operação pudesse acarretar. Portanto, se admitirmos, por absurdo, a não tributação da Reserva de Reavaliação em 2006, estaremos aceitando a possibilidade de haver o acréscimo patrimonial sem incidência tributária, o que não é aceitável; 2.9. Além disso a sucedida (antiga e extinta JBS S.A.), anteriormente controlada da fiscalizada (antiga Agropecuária Friboi e atual J&F), no mesmo ano acima, se utilizou dos bens reavaliados, recebidos quando da integralização de seu capital, para integralizar o capital social de outra pessoa jurídica, ou seja sua sucessora, a antiga Friboi, atual JBS S.A. (Art. 439, § único, IV); (...)” O TVF discorre ainda acerca dos institutos da incorporação e da alienação em sentido amplo, para concluir que as características essenciais da incorporação são a sucessão a título universal e a extinção da incorporada em decorrência da transmissão do patrimônio. E prossegue: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 570 7 “(...) 2.17. No caso em questão, o que realmente ocorreu foi a alienação do patrimônio da JBS S.A. para a Friboi S.A., prevista na legislação vigente, conforme ... discorrido, como ‘realização’.; (...) 2.22. O dicionário Aulete assim define alienação: 1. Ação ou resultado de alienar(se); estado ou condição daquilo ou daquele que se alienou. (...) 4. Jur. Transferência de bens, de direitos a outrem. 3. DA INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO A fiscalizada, ao alienar sua participação societária na antiga JBS S.A. à Friboi S.A., não adicionou a reserva de reavaliação assim realizada, em sua integralidade, para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, infringindo o art. 439, § único, I e IV do RIR 99. (...)” Os autos de infração constam às fls. 35 a 46 do eprocesso, e apontam a seguinte base legal para a autuação: arts. 249, inciso II, 434, 435, 439, parágrafo único, todos do RIR/99, art. 4º da Lei 9.959/2000 e art 133 da Lei 11.196/05. O interessado apresentou impugnação, em 31/10/2011 (fls. 274 a 287, do e processo), por meio de advogados (fls. 287 a 308, do eprocesso), acompanhada de documentos (fls. 309 a 390, do eprocesso), alegando, em resumo, que: 1 há nulidade, por cerceamento de defesa, pois o demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais traz números que desconhece, quais sejam: a) na "descrição da autuação" há um "valor tributável" de R$ 353.111.781,18, mas após a compensação de prejuízos fiscais e base negativa, restaram RS 312.468.005.19 de IRPJ e R$ 313.538.498,82 de CSLL, o que mostra a inconsistência da autuação; b) o demonstrativo traz "saldo de prejuízos operacionais" de R$ 45.796.698,22 (item 2), quando na verdade, conforme Ficha 58 A da DIPJ (ano calendário 2006), o prejuízo em tela soma R$ 55.922.600.87 (RS 43.783.450,72 + R12.139.150.15); c) o demonstrativo traz lucro antes da compensação de R$ 17.176.407,43 (item 3), enquanto a DIPJ (anocalendário 2006) traz prejuízo de R$ 26.318.895,74, na ficha 9A; d) o demonstrativo traz R$ 5.152.922,23 de "prejuízo operacional compensado" (item 6), mas a ficha 9A da DIPJ mostra que nenhum valor foi compensado, mesmo porque houve prejuízo no período; 2 essas inconsistências fogem do conceito de mero erro de cálculo ou aritmético, pois há o confronto de números que constam na escrita contábil com números desconhecidos, tratandose de vício que causa cerceamento de defesa, por Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 571 8 impossibilitar o confronto desses dados com os que constam nos seus documentos fiscais e por trazer dúvidas sobre os motivos que levaram à lavratura do auto; 3 ocorreu a decadência, o lançamento deuse em 30/09/2011 ao passo que o fato gerador em tela teria ocorrido em 01/03/2006 com a incorporação da sua controlada JBS S/A, nos moldes do lançamento por homologação, conforme argumentos de praxe; 4 no mérito, a autuação não merece subsistir, pois não há que se falar em "acréscimo" patrimonial, pois: a) em 01/12/2005, a Agropecuária Friboi Ltda., sua antiga denominação social, reavaliou seus bens e os integralizou como capital na empresa JBS S/A., sendo que a reavaliação em questão elevou seu ativo líquido em R$ 353.111.781,18 e constituiu uma "Provisão para Imposto de Renda sobre Lucros Diferidos", de R$ 78.955.273,10, devidamente registrado na sua DIPJ (DOC. 03); b) em 01/03/2006, sua controlada JBS S/A, é incorporada por Friboi Ltda., trazendo a si a condição de sócia majoritária e controladora da Friboi Ltda., sendo a "reserva de reavaliação" devidamente inserida na DIPJ da Impugnante (Ficha 37A Linha 31), bem como foi realizada a reserva de reavaliação (Ficha 09A Linha 18), referente apenas à depreciação ou baixa dos bens de sua controlada. (DOC. 04); 5 assim, concluise que: a) a reserva de reavaliação que ensejou a autuação vem sendo regularmente contabilizada; b) a depreciação ou perda proveniente dos bens "reavaliados" conferidos à sua controlada vem sendo devidamente levada à tributação (realizada) por via reflexa; c) não há que se falar em "alienação", vez que a Impugnante continuou na condição de controladora da empresa titular dos bens reavaliados; 6 essa situação não se subsume à hipótese de incidência do tributo ora exigido, pois: a) o art. 434 do RIR/99, diz que: Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei n° 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto Lei n° 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). b) o art. 439 do RIR/99 determina o mesmo tratamento: Art. 439. A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo incorporados ao patrimônio de outra pessoa jurídica, na subscrição em bens de capital social, ou de valores mobiliários emitidos por companhia, não será computada na determinação do lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 36). c) da mesma forma os arts. 440 e 441 do RIR/99: Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 572 9 Art. 440. A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade resultante da fusão ou incorporação, na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão (DecretoLei n 5 1.598, de 1977, art. 37). Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida. 7 a interpretação literal desses artigos não dá margem a outra conclusão, senão a de que enquanto a reserva de reavaliação for devidamente computada e não ocorrer sua realização, a tributação deve ser diferida; o diferimento cessa com a realização do ganho de capital obtido com a reavaliação, cujas hipóteses constam do art. 435 do RIR/99: a) for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; b) alienação, sob qualquer forma; c) depreciação, amortização ou exaustão; d) baixa por perecimento. O interessado prossegue discorrendo sobre alienação e incorporação, institutos diversos, com apoio no art. 227, da Lei das S/A, art. 110 do CTN, e ressalta que não houve perda da propriedade a ser confundida com alienação, pois o patrimônio reavaliado, que pertencia a controlada da Impugnante, JBS S/A, foi transferido à Friboi Ltda. em razão da incorporação. Também não se trata de "eternizar" o diferimento do ganho proveniente da reserva de reavaliação, pelas seguintes razões: 1 a “impugnante é controladora da Friboi Ltda. (atual JBS S/A), sendo certo que tem a faculdade de alienar (perder a propriedade), ocasião em que será levado à tributação o ganho proveniente da reavaliação”; 2 as “depreciações e baixas por perecimento dos bens reavaliados vêm sendo devidamente computados/adicionados ao lucro da Impugnante na conta específica de suas controladas, conforme planilhas e cópias das DIPJ's em anexo (DOC.06).”; 3 a “tributação ‘reflexa’ tratada no item anterior demonstra que não há intuito de elisão fiscal, vez que a Impugnante vem levando à tributação os bens reavaliados (depreciação e baixa)”; 4 a demonstração de que nas DIPJ's posteriores da Impugnante consta o valor da reserva de reavaliação em questão, bem como as adições por depreciação ou baixa, garante ao Fisco a plena e irrestrita possibilidade de fiscalizar eventual realização. E mais: sustenta que a fiscalização pretende equiparar a transferência de bens reavaliados numa incorporação à transferência de bens reavaliados decorrentes de uma alienação, sendo que tal pretensão esbarra no art. 100 do CTN, vez que não houve alienação de bens reavaliados, pois: Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 573 10 1 o TVF (item 2.1.) reconhece que numa incorporação de sociedades ocorre a transferência de bens em razão de uma sucessão a título universal, que difere de uma alienação (art. 1.275 do Código Civil: perda de propriedade); na sucessão a título universal, não se perde a propriedade, que apenas é transferida para um terceiro em razão da extinção ou desaparecimento do proprietário original, como ocorre na transferência de bens causa mortis, ou, ainda, numa incorporação de sociedades; 2 assim, não se aplica o instituto de permuta, muito menos por analogia, por vedação expressa do art. 108 do CTN, de modo que só podem ser aplicados ao caso os preceitos que regem a incorporação de sociedades (art. 227 da Lei n° 6.404/76), a não ser que a fiscalização alegue vício no ato jurídico e evidencie a dissimulação, que não ocorreu. Resume os fatos da seguinte forma: a situação objeto da autuação diz respeito à incorporação da JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198) pela empresa Friboi Ltda. (CNPJ 02.916.265/000160), ocorrida em 01 de março de 2006. Neste ato, a Friboi Ltda. (CNPJ 02.916.265/000160) sucedeu, a título universal, a JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198), nos estritos limites do art. 227 da Lei n° 6.404/76. A autuada, então titular de participação societária na JBS S/A (CNPJ 07.452.328/0001¬98), mantinha uma reserva de reavaliação reflexa, sendo que até a presente data essa reserva de reavaliação é realizada nos termos do art. 435 do RIR/99. Busca concluir: assim, não pode a fiscalização pretender equiparar o evento da incorporação da JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198) pela Friboi Ltda. (CNPJ 02.916.265/000160) a uma alienação de participação societária de que a Autuada era titular na JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198), conforme descrito no item 2.5 do Termo de Verificação Fiscal. A extinção da JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198) por incorporação, não equivale a uma alienação de bens, ativos ou direitos, muito menos a uma permuta, num raciocínio de analogia que não pode resultar em exigência de tributo, por vedação do art. 110 do CTN. E finaliza sua defesa: “(...) 4.23 O fato é que ... vem realizando ..., nos termos do art. 435 do RIR/99, a reserva de reavaliação reflexa, conforme demonstram os documentos ora juntados, na medida da depreciação e amortização desses ativos. Então, ou a Autoridade Fiscal continua nessa tentativa sem base legal de construir uma incorporação como se fosse uma espécie de alienação, ou se reconhece o óbvio, que é o fato de uma incorporação não equivaler a uma alienação para fins tributários, e que a Autoridade Fiscal reconhece a correção do procedimento adotado pela Autuada, que vem, inclusive, submetendo à tributação pelo IRPJ/CSL, da reserva de reavaliação reflexa, na medida da depreciação e amortização dos ativos contribuídos para a JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198). (...) Por fim, cabe trazer à colação recente decisão proferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADA AO LUCRO LÍQUIDO. Na situação em que a reserva de reavaliação é incorporada ao capital pela sociedade que procedeu à reavaliação de imóvel, e Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 574 11 esse imóvel reavaliado é entregue a terceiros a titulo de integralização de aumento de capital, a subscritora deverá, na subconta de investimento que registrar a parcela da participação societária, manter o destaque do montante correspondente à reavaliação ainda não oferecida à tributação. Ao não fazêlo, a empresa deixou de cumprir a obrigação legal que lhe daria o direito de continuar a diferir a tributação do acréscimo de valor de seu imóvel (terreno), decorrente da reavaliação. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF – 1ª Seção – 1ª Turma da 3ª Câmara, Processo n° 11516.003276/200498, Recurso n° 155.537 Voluntário, Acórdão n° 1301¬00.260, Sessão de 28 de janeiro de 2010) 4.26 Notese que no caso em evidência, o diferimento somente foi afastado em razão de a empresa não manter registrado o montante correspondente à reavaliação. Mutatis Mutandis mantido o registro, como feito no caso em tela, há de ser mantido o diferimento. (...)” O processo foi baixado em diligência, em 29 de fevereiro de 2012, com o seguinte teor (fls. 395 e 396, do eprocesso): “(...) O interessado apresentou impugnação, em 31/10/2011 (fls. 274 a 287, no eprocesso), por meio de advogados (fls. 287 a 308, no eprocesso), acompanhada de elementos (fls. 309 a 390), alegando, dentre outros argumentos, em resumo, que: 1 há nulidade, por cerceamento de defesa, pois o demonstrativo da compensação de prejuízos fiscais traz números que desconhece, quais sejam: a) na "descrição da autuação" há um "valor tributável" de R$ 353.111.781,18, mas após a compensação de prejuízos fiscais e base negativa, restaram RS 312.468.005.19 de IRPJ e R$ 313.538.498,82 de CSLL, o que mostra a inconsistência da autuação; b) o demonstrativo traz "saldo de prejuízos operacionais" de R$ 45.796.698,22 (item 2), quando na verdade, conforme Ficha 58 A da DIPJ (anocalendário 2006), o prejuízo em tela soma R$ 55.922.600.87 (RS 43.783.450,72 + R12.139.150.15); c) o demonstrativo traz lucro antes da compensação de R$ 17.176.407,43 (item 3), enquanto a DIPJ (anocalendário 2006) traz prejuízo de R$ 26.318.895,74, na ficha 9A; d) o demonstrativo traz R$ 5.152.922,23 de "prejuízo operacional compensado" (item 6), mas a ficha 9A da DIPJ mostra que nenhum valor foi compensado, mesmo porque houve prejuízo no período. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 575 12 Assim, proponho encaminhar o processo ao órgão de origem para que a fiscalização se manifeste de forma conclusiva no sentido de esclarecer a origem e/ou a composição desses valores, bem como de outros que julgue necessários. A propósito, verificase que os formulários FAPLI e FACS não foram preenchidos e que tampouco o sistema SAPLI foi alterado. (...)” Foi dada a ciência ao contribuinte, por meio postal (AR), do Termo de Verificação Fiscal – Diligência, em 21 de junho de 2013 (acompanhado de Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais e de Demonstrativo da Compensação de Bases Negativas), com o seguinte teor (fls. 399 a 402, do e processo): “(...) DO RELATÓRIO: 1 – Cabe ressaltar, previamente, que as compensações de Base de Cálculo Negativa de Contribuição Social e de Prejuízo são atividade discricionária da fiscalização, podendo ou não ser incluídas no cálculo de valor tributável, cabendo ao contribuinte, se for de seu interesse, requerêlas à unidade de administração tributária jurisdicionante; 2 – Com relação ao item “a” acima, os valores da base de cálculo do IRPJ e CSLL não são necessariamente iguais, dependendo dos montantes dos saldos de prejuízos e de bases negativas de CSLL a serem compensados; 3 – Quanto às alegações do item “b”, os saldos de prejuízos compensáveis, levandose em conta os prejuízos da atividade rural, não incluídos originalmente no Auto de Infração, totalizam, conforme sistemas da RFB, R$ 56.913.474,90, valor esse que poderia ou não ser incluído, por essa fiscalização, no cálculo do valor tributável; 4 – Dentro da mesma linha de raciocínio, relativamente ao item “c”, o prejuízo das atividades em geral, adicionados àquele da atividade rural, antes das compensações, totaliza um saldo negativo de R$ 26.318.895,74; 5 – No item “d”, na realidade, houve um prejuízo no período, não havendo, conforme alegou o contribuinte, valor a ser compensado; 6 – Como resultado das compensações acima, o valor tributável original de IRPJ é R$ 296.196.584,39 e o de CSLL é R$ 296.198.306,28. Fica o contribuinte cientificado que o prazo para manifestação acerca do presente relatório é de 10 (dez) dias, contados do recebimento do presente Termo. (...)” Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 576 13 Foi dada ciência ao contribuinte, em 21/06/2013, que, em 28/06/2013, pediu prorrogação de 15 dias (fls. 405 a 410) e, em 15/07/2013, assim se manifestou (fls. 411 a 417, do eprocesso): “(...) Em diligência, esta D. Delegacia chegou à conclusão de que o valor tributável deveria ser reduzido para R$ 296.196.584,39 para o IRPJ; e R$ 296.198.306,28 para a CSLL. Nada obstante o resultado da diligência já demonstre equívocos cometidos na lavratura da autuação, o AIIM continua impreciso, pois meramente afasta os números trazidos na impugnação e traz "novos" números sem especificar sua origem, a exemplo do que ocorre no item "3" do Relatório contido na intimação. Ademais, diferente do alegado no referido Relatório, a inclusão de Base de Cálculo Negativa de Contribuição Social e de Prejuízo não é atividade discricionária da fiscalização, mas sim seu múnus. Neste ponto, a própria Fiscalização se contradiz, pois além de ter efetivamente realizado adições e exclusões quando da lavratura da autuação, retificou seus números e reduziu a base de cálculo tributável no curso da diligência. Vejamos recente decisão do ... CARF, acerca da busca pela verdade: (...) Dessa forma, a Peticionária requer seja revisto o trabalho realizado para esclarecer a origem dos números que ensejaram a redução da base tributável, sem prejuízo do reconhecimento de cerceamento de defesa ... ante os diversos vícios apontados. (...) Foi dada ciência ao contribuinte, em 19/07/2013 (fls. 419 a 423, do eprocesso), do “RELATÓRIO FINAL DILIGÊNCIA”, acompanhado de Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais e Demonstrativo da Compensação de Bases Negativas, que aponta, em resumo: “(...) De modo a atender a solicitação da fiscalizada, encaminhamos anexo ao presente relatório, as planilhas de compensação de prejuízos e base negativa de CSLL, elaboradas tendo como base o sistema reservado da RFB denominado SAPLI, sistema esse alimentado com os dados das DIPJ apresentados pelo próprio contribuinte e por resultados de autuações efetuadas contra o mesmo sujeito passivo. Na planilha de compensação de prejuízos consta o valor de Saldo de Prejuízos Operacionais de R$ 30.596.301,05 constituído de R$ 22.882.472,32 de Saldo de PREJUÍZO FISCAL COMPENSÁVEL COM LUCRO REAL de períodos base anteriores (atividades em geral) e de R$ 7.713.828,73 de PREJUÍZO FISCAL COMPENSÁVEL COM LUCRO REAL de Fl. 576DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 577 14 períodos base anteriores (atividades rural, não considerada anteriormente). Na mesma planilha consta o valor de R$26.318.895,74, constituído de R$ 22.914.225,90 de prejuízo antes das compensações do próprio período (atividade geral) e de R$ 3.404.669,84 de Lucro Real Antes das Compensações do próprio período (atividade rural). Portanto, o valor de base de cálculo do IRPJ, no montante de R$ 296.196.584,38 é resultante das infrações, reduzidas da soma dos valores acima, ou seja, R$ 353.111.781,18 – 30.596.301,05 – 26.318.895,74. Da mesma forma, na planilha de compensação de base negativa de CSLL constam os valores de SALDO DE BASES NEGATIVAS ANTES DA COMPENSAÇÃO de R$ 30.594.579,16, constituído pela somatória dos valores de Saldo de BC Negativa de Períodos Anteriores (atividade em geral) de R$ 21.811.978,69 e de Saldo de BC Negativa de Períodos Anteriores (Atividade Rural) de R$ 8.782.600,47. Na mesma planilha, consta o valor de BASE CÁLC. NEGATIVA DA CSLL ANTES DA COMPENSAÇÃO de R$26.318.895,74, constituída de BC antes das Compens. de BC Neg. do Próprio Período de R$ 22.914.225,90 e de BC negativa antes das Compens. de BC Neg. do Próprio Período (atividade rural) de R$ 3.404.669,84. Portanto, o valor de base de cálculo de CSLL, no montante de R$ 296.198.306,28, é resultante das infrações operacionais, reduzida dos valores acima, ou seja, R$ 353.111.781,18 – 30.594.579,16 – R$ 26.318.895,74. Era o que havia a relatar. (...)” Por fim, assim se manifestou o interessado, em 01/08/2013, (fls. 424 a 428, do eprocesso), acostando a “Ficha 58A – Outras Informações”, que sustentaria o seu total de base negativa: “(...) ... a planilha que instruiu a presente intimação é a mesma trazida na intimação anterior, sendo que continua sem qualquer explicação a origem do valor de R$ 30.596.301,05 ... encontrado à título de prejuízo operacional. Ademais, conforme enfatizado no item 2.3 (a) da Impugnação apresentada pela Peticionária, seu saldo de prejuízo operacional para o exercício em questão é de R$ 55.922.600,87, conforme consta na ficha 58 (A) da DIPJ do anocalendário de 2006 (Doc. Anexo I), o que não corresponde ao trabalho revisional. Dessa forma, a Peticionária manifesta discordância com o intitulado "resultado final diligência", sendo que em seu entendimento, ainda resta sem comprovação a origem dos números lá encontrados, devendo ser reconhecido o cerceamento de defesa .... Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 578 15 (...)” A 4ª Turma da DRJ/SP1, analisou os argumentos apresentados pela impugnante, proferindo decisão unânime para julgar procedente em parte sua manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O fato gerador de IRPJ no regime de tributação do lucro real anual ocorre em 31/12, de modo que o direito de a Fazenda Pública efetuar o respectivo lançamento referente ao ano calendário de 2006 decairia somente em 31/12/2011, nos moldes do lançamento por homologação. Portanto, em 30/09/2011 data do lançamento , não havia ainda se dado o decurso do prazo decadencial. Além disso, não ocorreu o pagamento antecipado que caracteriza o lançamento por homologação. Preliminar indeferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. A diligência trouxe explicações suficientes para a correta compreensão da origem dos valores compensáveis de IRPJ e CSLL (valores das DIPJs e dos lançamentos de ofício) e saneou o lançamento deduzindo do valor das infrações todos os prejuízos fiscais e bases negativas compensáveis, tanto da atividade geral quanto da atividade rural. Preliminares indeferidas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. A reserva de reavaliação deve ser considerada realizada quando são descumpridas as condições que autorizam continuar a diferir a sua tributação. AUTO REFLEXO.CSLL. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 463/478), onde repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 579 16 Em 21/04/2014, a PGFN, apresentou CONTRARAZÕES ao RECURSO VOLUNTÁRIO do contribuinte (fls. 500/509), requerendo seu recebimento e regular processamento. É o relatório. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 580 17 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. O contribuinte foi autuado, em 30/09/2011, no IRPJ e reflexo, no regime de lucro real anual, por não adicionar ao lucro líquido a reserva de reavaliação realizada no ano calendário de 2006, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 237.457.729,48, incluindo imposto, contribuição, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2011 (fls. 1 a 273, do eprocesso). Em suma, a situação objeto da autuação diz respeito à incorporação da JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198) pela empresa Friboi Ltda. (CNPJ 02.916.265/000160), ocorrida em 01 de março de 2006. Neste ato, a Friboi Ltda. (CNPJ 02.916.265/000160) sucedeu, a título universal, a JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198), conforme art. 227 da Lei n° 6.404/76. A autuada (J&F Investimentos), então titular de participação societária na JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198), mantinha uma reserva de reavaliação reflexa decorrente da reavaliação de bens para integralização de capital na JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198) em 01 de dezembro de 2005. Entende a fiscalização que o evento da incorporação da JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198) pela Friboi Ltda. (CNPJ 02.916.265/000160) corresponde a uma alienação da participação societária de que a autuada (J&F Investimentos) era titular na JBS S/A (CNPJ 07.452.328/000198), conforme descrito no item 2.5 do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 581 18 A autuada, ao contrário, entende que a incorporação, por se tratar de sucessão a título universal não corresponde a alienação ou permuta, vez que a recorrente continua na condição de controladora da empresa que agora é titular dos bens reavaliados. A DRJ/SP1 julgou, por unanimidade, a impugnação Procedente em Parte, exonerando do lançamento os valores reconhecidamente excedentes, conforme resultado de diligência de fls. 399/402 e 419/423. Contra essa decisão foi interposto recurso de ofício e voluntário, em que é alegado ter havido cerceamento de defesa, decadência do direito de constituir o crédito tributário e inocorrência de alienação a ensejar a realização da reserva de reavaliação. RECURSO DE OFÍCIO No que tange à admissibilidade do recurso de ofício, ressalto o determinado no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em referência, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Dessa forma, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. A exoneração relativa a parcela adicional de prejuízos compensáveis tomou por base confirmação, por meio de diligência fiscal, da ocorrência de erro na determinação da base negativa e prejuízo fiscal. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 582 19 Assim, considerando que a alegação do contribuinte procedia, a fiscalização elaborou um novo demonstrativo de cálculo dos prejuízos fiscais compensáveis, compensado tais prejuízos com o saldo de imposto devido. Comprovado que houve, de fato, a exclusão indevida de prejuízo fiscal compensável, a fiscalização recalculou as bases de cálculo do IRPJ e CSLL devidos, exonerando, parcialmente, parte dos créditos tributários lançados de ofício. No que se refere a este item, entendo que a decisão a quo deve ser mantida, uma vez que o crédito tributário encontrase baseado em verificações realizadas pela própria autoridade autuante, por meio de diligência fiscal. Dessa forma, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexos em 02/01/2014 (fl. 455 e 461), e apresentou em 30/01/2014, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 463/478. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e sendo o mesmo tempestivo, dele conheço. DAS PRELIMINARES 1) DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega o contribuinte que teve seu direito de defesa cerceado, já que mesmo após as diligências determinadas, a divergência relacionada ao saldo de prejuízo operacional restou mantida. No caso em tela, não vejo qualquer um dos requisitos que dariam ensejo a declaração de nulidade do auto de infração. Ademais, este contém, dentre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. O contribuinte conheceu plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Por fim, a diligência requerida pelo órgão a quo saneou o lançamento reduzindo o valor tributável após as compensações de R$ 312.468.005,19 para R$ 296.196.584,38, e de R$ 313.538.498,82 para R$ 296.198.306,28, no IRPJ e na CSLL, respectivamente, trazendo as necessárias explicações para a boa compreensão da origem desses valores compensáveis. Assim, deixo de conhecer desta preliminar argüida. 2) DA DECADÊNCIA Fl. 582DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 583 20 Segundo o recurso voluntário, o fato gerador da obrigação tributária se deu em 01/03/2006, na data da incorporação da JBS S/A pela empresa Friboi ltda. Como o lançamento se aperfeiçoou em 30/09/2011, já teria decorrido o prazo prescricional de 5 anos estabelecido no artigo 150, § 4º do CTN. No entanto, é sabido que o valor da reserva de reavaliação formada em contrapartida ao aumento do valor de bens do ativo permanente deve ser computado na determinação do lucro real, nas hipóteses dos artigos 435 e 439 do RIR/99. Em sendo integrante do lucro real, base de cálculo do IRPJ, o seu fato gerador, conforme doutrina e jurisprudência pacíficas, se dá no dia 31/12 do ano calendário correspondente. Assim, o direito de a Fazenda Pública efetuar o respectivo lançamento referente ao anocalendário de 2006 decairia somente após 31/12/2011, nos moldes do lançamento por homologação. Dessa forma, em 30/09/2011, data do lançamento, não havia ainda se dado o decurso do prazo decadencial. Além disso, não ocorreu o pagamento antecipado que caracteriza o lançamento por homologação. Assim, meu voto é no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas. 3) DO MÉRITO No mérito, a recorrente resume seu entendimento da seguinte forma: “(i) a reserva de reavaliação que ensejou a autuação vem sendo regularmente contabilizada pela recorrente; (ii) a depreciação ou perda proveniente dos bens reavaliados – conferidos à sua controlada – vem sendo devidamente levado à tributação (realizado) pela recorrente por via reflexa; (iii) não há que se falar em alienação vez que a recorrente continuou na condição de controladora da empresa titular dos bens reavaliados”. Alega que teriam sido desrespeitados os artigos 440 e 441 do RIR/99; que alienação e incorporação são institutos completamente distintos; que o valor reavaliado deve ser levado à tributação apenas na medida em que se reconhece sua depreciação ou baixa na controlada, como vem sendo feito. Art. 440. A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade resultante da fusão ou incorporação, na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 37 ). Parágrafo único. O valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real de acordo com o disposto no § 2º do art. 434 e no art. 435 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 37, parágrafo único ). Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 584 21 Destarte, vejo que os artigos 440 e 441 do RIR/99 não se aplicam ao caso em análise, uma vez que se referem à reserva de reavaliação registrada na incorporada, fundida ou cindida, nos termos do art. 434 do mesmo Regulamento. Essa reserva não será computada no lucro real da sociedade resultante dessas operações, recebendo nessa sociedade o mesmo tratamento que possuía na sucedida. Verificamos na situação dos autos que se trata de reserva de reavaliação registrada na controladora da empresa incorporada, quando da reavaliação de seus bens, dados em aumento de capital à incorporada. A recorrente não foi incorporada, fundida ou cindida, pelo que são inaplicáveis à reserva de reavaliação registrada nela os mencionados dispositivos. Assim, cumpre tecer comentários sobre a incorporação como forma de alienação de participação societária. A incorporação é prevista no artigo 227 da Lei nº 6.404/76, e tratase de operação na qual a sociedade incorporadora absorve outra, sucedendolhe em todos os direito e obrigações, sendo a incorporada extinta. Não vejo como ela pode ser considerada como forma de alienação, pelo menos não para os fins da questão posta em discussão nestes autos. Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 3º Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. Ou seja, com a incorporação verificase a extinção da participação societária antes existente, deixando de existir na forma como era antes, ou seja havendo a sua liquidação. Assim, não é do meu entendimento a tese de que a incorporação possa ser comparada à uma alienação, nem tão pouco de que a mesma tenha natureza de subscrição (integralização) de capital a favor de seus sócios. No entanto, conforme ressaltado no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalizada transferiu a reserva de reavaliação para o seu capital social ainda no anocalendário de 2006, matéria incontroversa nos autos. Neste cenário, o artigo 439, IV, do RIR/99 dispõe que o valor da reserva formada quando da reavaliação de ativos integralizados ao patrimônio de outra pessoa jurídica para fins de subscrição de capital social, deverá ser computado na determinação do lucro real quando a reserva for utilizada para integralizar o capital social. É o caso da reserva de reavaliação registrada pela recorrente. Nas palavras da Fiscalização: Fl. 584DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 585 22 Art. 439. A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo incorporados ao patrimônio de outra pessoa jurídica, na subscrição em bens de capital social, ou de valores mobiliários emitidos por companhia, não será computada na determinação do lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 36 ). Parágrafo único. O valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 36, parágrafo único, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, arts. 1º, inciso VII, e 8º ): I na alienação ou liquidação da participação societária ou dos valores mobiliários, pelo montante realizado; II quando a reserva for utilizada para aumento do capital social, pela importância capitalizada; III em cada período de apuração, em montante igual à parte dos lucros, dividendos, juros ou participações recebidos pelo contribuinte, que corresponder à participação ou aos valores mobiliários adquiridos com o aumento do valor dos bens do ativo; ou IV proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica que houver recebido os bens reavaliados realizar o valor dos bens, na forma do inciso II do art. 435, ou com eles integralizar capital de outra pessoa jurídica. (grifos nossos) Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 35, § 1º, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 586 23 E nesses termos, filiome à tese trazida, de Modesto Carvalhosa, de que : a incorporação, que se efetiva com a subscrição do capital da incorporadora com o patrimônio líquido da incorporada, não constitui nem compra e venda, nem alienação sui generis. Isto porque a transferência do patrimônio de uma para outra sociedade dáse a título de pagamento das ações subscritas pela incorporada a favor de seus sócios ou acionistas. (...) Assim, a subscrição, que é obrigação da incorporada, cumprese com a integralização em bens e direitos que constituem o seu patrimônio, fazendoo pelo valor líquido deste. A entrega desse patrimônio como forma de pagamento tem como efeito a transferência de propriedade sobre o mesmo, no valor correspondente ao da subscrição. (...) Tratase de ato de contribuição para o capital social." (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 5ª ed., 4º volume, Tomo I, p. 299/300) Ademais, de se ressaltar que a referida reserva de realização não consta sequer dos controles contábeis da recorrente, fato também incontroverso nestes autos, ou seja, ao transferir tal reserva de realização para o seu capital social, não restou qualquer registro da mesma em sua contabilidade. Assim, a manutenção apartada em subconta de investimento, que registrar a parcela da participação societária é determinação legal que não foi obedecida pela recorrente, mais uma razão do lançamento. O que diz a norma: Art. 436. A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do art. 434, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.978, de 21 de dezembro de 1982, art. 3º ). Art. 437. O valor da reavaliação referida no artigo anterior, incorporado ao capital, será (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, § 1º ): Fl. 586DF CARF MF Processo nº 16643.720018/201167 Acórdão n.º 1301002.518 S1C3T1 Fl. 587 24 I registrado em subconta distinta da que registra o valor do bem; II computado na determinação do lucro real de acordo com o inciso II do art. 435, ou os incisos I, III e IV do parágrafo único do art. 439. Nesse sentido, decisão do CARF: “RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADA AO LUCRO LÍQUIDO. Na situação em que a reserva de reavaliação é incorporada ao capital pela sociedade que procedeu à reavaliação de imóvel, e esse imóvel reavaliado é entregue a terceiros a titulo de integralização de aumento de capital, a subscritora deverá, na subconta de investimento que registrar a parcela da participação societária, manter o destaque do montante correspondente à reavaliação ainda não oferecida à tributação. Ao não fazêlo, a empresa deixou de cumprir a obrigação legal que lhe daria o direito de continuar a diferir a tributação do acréscimo de valor de seu imóvel (terreno), decorrente da reavaliação. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1ª. Seção 1ª. Turma da 3ª. Câmara / ACÓRDÃO 130100.260 em 28.01.2010.” (grifouse) Dessa forma, portanto, seja através da extinção da participação societária, seja pela integralização do capital de outra pessoa jurídica, e pela falta do registro contábil adequado, entendo caracterizada a necessidade de se levar ao cálculo do lucro real e da contribuição social os montantes realizados, mantendose o lançamento fiscal, nos exatos termos da decisão recorrida. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Em conclusão, NEGO PROVIMENTO aos Recursos de Ofício e Voluntário nos termos acima. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 587DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724958/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Lançadora se manifeste sobre os documentos apresentados pela empresa que alteram a base de cálculo da parcela paga a título de PLR em fevereiro de 2010.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Lançadora se manifeste sobre os documentos apresentados pela empresa que alteram a base de cálculo da parcela paga a título de PLR em fevereiro de 2010. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recursos voluntários (fls 851 e 861) apresentados em face do Acórdão nº 1664.165, da 14ª Turma da DRJ/SPO (fls 780), que negou provimento às impugnações (fls 456 e 673) formuladas pelo contribuinte e responsáveis solidários ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo à contribuição previdenciária da empresa e Gilrat à alíquota de 1% (um por cento), tendo como base de cálculo os valores pagos no ano RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 24 95 8/ 20 14 -0 8 Fl. 900DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 893 2 de 2010 a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR (Auto de Infração Debcad 51.061.6984 a fls 291). De acordo com o Relatório Fiscal (fls 5), nas competências 02/2010, 08/2010 e 11/2010: 3.2.1 Foram constatados pagamentos de valores a segurados empregados, lançados em Folha de Pagamento, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, através das rubricas 0341 PARTICIPAÇÃO LUCROS RESULTADOS, 360 ANTECIPAÇÃO ADICIONAL PLR, 340 ANTEC PLR PROGRAMA PROPRIO E 0361 ADICIONAL PLR. Estes pagamentos, efetuados nas competências acima citadas, não foram considerados pela empresa como parcela e incidência de contribuições para Previdência Social. Alega a fiscalização que, do modo como realizados, esses pagamentos estariam em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, mais especificamente com o § 2º do art. 3º, que veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil. Assim, sobre os valores pagos a título de PLR no ano de 2010, a fiscalização aplicou a alíquota de 20% mais o adicional de 2,5% correspondente a instituições financeiras. Além disso, o sujeito passivo estaria sujeito também à alíquota de 3% para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho Gilrat. Contudo, por força de decisão judicial autorizando o depósito do valor correspondente à majoração de alíquota promovida pelo Decreto nº 6.042, de 2007, neste processo foi lançada a alíquota de 1% e a diferença no percentual de 2% foi lançado no âmbito do processo nº 15504.724961/201413. A alíquota de 3% também foi ajustada a partir de janeiro de 2010 em função do Fator Acidentário de Prevenção FAP e, no caso do sujeito passivo em questão, foilhe atribuído o percentual de 1,6435. Este ajuste também é objeto de questionamento judicial com liminar deferida (Mandado de Segurança Preventivo nº 2010.38.00.0014151). Em razão disso, a diferença gerada pelo FAP no RAT (1,9305%) foi lançada também em processo autônomo, sob nº 15504.725110/201498. Ainda segundo a Autoridade Fiscal, com base em declaração firmada pelo sujeito passivo, foi lavrado termo de sujeição passiva solidária em face das empresas que integrariam o mesmo grupo econômico e que estão listadas no item 6.1 do relatório fiscal (fl 11). Cientificados os sujeitos passivos (ARs a fls 431/454), a exigência fiscal foi impugnada através dos documentos de fls 456 (devedores solidários) e fls 673 (contribuinte). A DRJ/SPO julgou improcedentes as impugnações mantendo integralmente o crédito tributário, em Acórdão (1664.165) que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2010 CONVENÇÃO COLETIVA/ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. Fl. 901DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 894 3 INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. As Convenções e os Acordos Coletivos de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. Tendo a empresa remunerado segurados empregados e contribuintes individuais com verbas integrantes do saláriodecontribuição previdenciário, tornase obrigada ao recolhimento das contribuições patronais incidentes sobre tais valores, conforme determina o art. 22, I e II, da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição (Lei 10.101/00). Cientes dessa decisão (fls 813/850), os sujeitos passivos apresentaram, tempestivamente, os recursos de fls 851 responsáveis solidários e fls 861 contribuinte. Em suas razões recursais, os responsáveis solidários aduzem, em síntese, que: a responsabilidade tributária é matéria submetida à reserva de lei complementar, e o caso em questão não se enquadra em nenhuma das hipóteses prescritas pelo Código Tributário Nacional solidariedade de fato e solidariedade de direito; quanto à solidariedade de fato, a autoridade lançadora não demonstrou haver interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, limitandose a afirmar a existência de grupo econômico a partir de suposta informação prestada pelo sujeito passivo; a caracterização de grupo econômico exige a demonstração de que as empresas encontramse sob direção, controle ou administração de uma terceira, não bastando a simples participação societária; é inviável a aplicação da solidariedade prevista no art. 30, IX, da lei nº 8.212 de 1991, já que esta não é lei complementar. A empresa fiscalizada, por sua vez, apresenta como razões de recorrer os seguintes argumentos: Fl. 902DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 895 4 o único critério jurídico utilizado pela fiscalização para realizar a exigência fiscal foi a existência de parcelas de PLR pagas em mais de duas vezes no mesmo ano civil; se o plano foi formulado de acordo com os parâmetros legais, a mera execução em contrariedade à regra do art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.101, de 2000, não implica mácula a todo o programa de PLR; a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu que o descumprimento da regra de periodicidade não macula todo o programa, mas apenas a parcela paga em desacordo com a lei; apresenta o resumo da folha de pagamentos do mês de fevereiro de 2010 para comprovar que nele foi quitado o ajuste final do PLR decorrente do Acordo Coletivo de 2009, o que significaria que essa parcela não se relaciona com o exercício de 2010; o programa de PLR de 2010 foi pago com base em dois planos complementares: um próprio, via Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e outro decorrente da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT); em geral, há coincidência nas datas de pagamentos com base nesses instrumentos, contudo, excepcionalmente em 2010, "houve descasamento" entre as datas previstas em cada plano; entre a parcela paga em fevereiro de 2010 e a paga em agosto do mesmo ano foi observada o periodicidade prevista na Lei nº 10.101, de 2000; a única parcela que descumpriu essa regra foi a de novembro, mas seu pagamento é decorrente da força normativa da CCT, o que impede que seja tributada; por fim, a recorrente alega que houve erro na apuração da base de cálculo de fevereiro de 2010, uma vez que o valor utilizado pela fiscalização, R$ 18.752.420,15, compreenderia também a parcela que foi adiantada em 2009. Assim, o valor efetivamente pago nessa competência seria de R$ 11.437.020,05, o que restaria comprovado pelos documentos juntados a fls 880. Após a distribuição deste processo em sessão pública a esta Conselheira, foi solicitada conexão com os demais processos lavrados durante a mesma ação fiscal (fls 889), o que foi deferido pelo Sr. Presidentes desta 2ª Seção de Julgamento (fl 891). É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os recursos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Enfrentarei inicialmente os argumentos apresentados pela empresa fiscalizada, Banco Mercantil do Brasil S/A. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 896 5 Contra ela foi lavrada exigência fiscal relativa à contribuição previdenciária patronal e Gilrat na alíquota de 1% tendo por base de cálculo os valores pagos a título de PLR nas competências 02/2010, 08/2010 e 11/2010. A autoridade fiscal fundamentou o lançamento no descumprimento da regra constante do § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.101, de 2000, que estabeleceria a periodicidade a ser observada nessa modalidade de pagamento. Em relação à correção desse proceder, farei uma manifestação breve, uma vez que, apesar de entender que a interpretação conferida ao texto legal pela fiscalização foi a mais correta, ao aplicar esse entendimento ao processo em questão, com os efeitos que julgo adequados (desconsideração de todo o valor pago no ano civil como PLR), verifico que ainda não está pronto para julgamento do mérito. Com efeito, conforme me manifestei em outras ocasiões, a partir do esforço teórico empreendido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, em voto proferido no Acórdão nº 2201003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, considero inevitável a conclusão de que a norma em análise (Lei nº 10.101, de 2000) tem natureza isentiva. Daí decorre a obrigatoriedade de adoção do método literal de interpretação, de forma que apenas os programas que atenderem integralmente ao comando obtido pelos limites impostos pela investigação sintática estariam excluídos da tributação. Neste processo, a controvérsia ficou restrita à observância da seguinte condição: a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas no mesmo ano civil. Vejamos o que dizia o texto legal, à época dos pagamentos realizados: Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. O texto legal prevê expressamente que é "vedado" o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ou seja, tratandose de PLR que se pretende acobertado pelo disposto na Lei nº 10.101, de 2000, essa forma de pagamento recebe o modal deôntico "proibido". A taxatividade do texto não condiz com a interpretação conferida a ele pela recorrente. Com efeito, ao se afirmar que o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil ensejará a desconsideração de apenas parte deles, não se está aplicando a norma com razoabilidade, mas legislando, porque não há espaço no texto legal para essa interpretação. A razoabilidade na leitura desse comando residiria na aceitação de pagamentos em desconformidade com a periodicidade/número de parcelas estabelecidos pela lei para, por exemplo, corrigir eventuais erros de apuração do valor já pago. Mas desde que resultasse de erro e que fosse eventual. Ou, ainda, em caso de desligamento do empregado, que faria jus ao recebimento proporcional do valor ajustado no instrumento de negociação. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 897 6 Se o programa de participação nos lucros é composto por mais de um instrumento, como relata a recorrente, cabe à empresa, cuja vontade é elemento integrante da constituição deles, laborar para que haja observância da periodicidade estipulada por lei. O entendimento aqui esposado está de acordo com a jurisprudência recente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do que servem de exemplo os Acórdãos 9202 004.543, 9202004.347, 9202004.342. Deste último, transcrevo abaixo parte da ementa: Assunto: Contribuições Sociais PrevidenciáriasPeríodo de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2008PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. PERIODICIDADE SEMESTRAL.É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados.No caso, restou comprovado descumprimento do critério da periodicidade para alguns dos empregados. E do voto, de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Reparase da leitura acima, que não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Por esse motivo, entendo que, para cada empregado, pagamentos sem respeito à periodicidade mínimima legalmente estabelecida, desconfiguram o programa e, portanto, todas as verbas a ele pagas a título de PLR devem compor o salário de contribuição. Portanto, em relação à descaracterização dos pagamentos realizados pela empresa fiscalizada nas competências 02/2010, 08/2010 e 11/2010 como PLR, assiste razão à fiscalização ao afirmar que não foram observadas as exigências estabelecidas pela lei no que diz respeito à periodicidade e ao número de parcelas. Por outro lado, quanto à competência 02/2010, analisandose a documentação juntada pela empresa fiscalizada, vêse que há verossimilhança em suas alegações, ao afirmar que houve erro na identificação da base de cálculo. De fato, segundo a folha analítica juntada a fl. 880, do valor registrado como PLR de R$ 18.752.420,20 (resultante da soma das verbas 0341 Participação Lucros Resultad de R$ 17.510.036,70 e 0361 Adicional PLR R$ 1.242.383,45), aparentemente, parte se refere à antecipação (código 0359 Antecipação part. lucros e R no valor de R$ 6.781.659,81). Essa informação é condizente com os registros contábeis de fls 883/885. O auto de infração foi instruído com a listagem que tem início na fl 21. Essa listagem só contempla os códigos 0361 e 0341. A documentação juntada pela empresa foi suficiente para incutir dúvida sobre a suficiência das informações constantes nessa listagem, de forma que entendo prudente a Fl. 905DF CARF MF Processo nº 15504.724958/201408 Resolução nº 2201000.272 S2C2T1 Fl. 898 7 conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal se manifeste sobre a alegação e os documentos apresentados pela empresa, o que deve incluir resposta à seguinte pergunta: qual o valor efetivamente pago pela fiscalizada a título de PLR na competência 02/2010? Conclusão Com base no exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal se manifeste sobre a alegação e os documentos apresentados pela empresa, o que deve incluir resposta à seguinte pergunta: qual o valor efetivamente pago pela fiscalizada a título de PLR na competência 02/2010? Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 906DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.722778/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, alcança apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Incabível a apuração, a escrituração, utilização ou a transferência do crédito presumido de IPI, a que fazem jus os cooperados, pela Cooperativa centralizadora de vendas.
O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa.
IPI. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. NÃO APLICÁVEL.
O regime de suspensão a que se refere o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003, não se aplica ao estabelecimento equiparado a industrial, ainda que se trate de cooperativa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013
IPI. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO CREDOR EQUIPARA-SE A PAGAMENTO.
Segundo o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002 -RIPI/2002 (redação preservada no Decreto nº 7.212/2010, art. 183 - RIPI 2010), é admitida como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher".
Tendo ocorrido pagamento antecipado ou crédito equivalente, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-003.953
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por maioria de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 18 de dezembro de 2009, mantendo-se, no mais, o Acórdão recorrido. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen que Davam Provimento também quanto ao item "3 - Da saída com suspensão indevida do IPI", por entenderem que o artigo 29 da Lei nº 10637/2002 não se restringe à estabelecimento industrial, alcançando também o equiparado a industrial.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, alcança apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Incabível a apuração, a escrituração, utilização ou a transferência do crédito presumido de IPI, a que fazem jus os cooperados, pela Cooperativa centralizadora de vendas. O direito de aproveitar o crédito presumido de IPI, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. IPI. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. NÃO APLICÁVEL. O regime de suspensão a que se refere o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003, não se aplica ao estabelecimento equiparado a industrial, ainda que se trate de cooperativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013 IPI. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO CREDOR EQUIPARASE A PAGAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 27 78 /2 01 4- 56 Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.109 2 Segundo o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002 RIPI/2002 (redação preservada no Decreto nº 7.212/2010, art. 183 RIPI 2010), é admitida como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Tendo ocorrido pagamento antecipado ou crédito equivalente, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.110 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de votos, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 18 de dezembro de 2009, mantendose, no mais, o Acórdão recorrido. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen que Davam Provimento também quanto ao item "3 Da saída com suspensão indevida do IPI", por entenderem que o artigo 29 da Lei nº 10637/2002 não se restringe à estabelecimento industrial, alcançando também o equiparado a industrial. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.111 4 Relatório Por bem reproduzir os fatos, adoto o relatório constante do Acórdão de primeira instância. Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o auto de infração de fls. 840/867, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, concernente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2009 e março de 2013, através do qual foi constituído crédito tributário no valor de R$ 26.904.604,56, já incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 12/2014. De acordo com o que consta do auto de infração em apreço e do Relatório Fiscal de fls. 868/873, o lançamento foi efetuado por ter sido constatado que o contribuinte: i) deu saída a produto (açúcar) com suspensão indevida do IPI, por não atender a requisito essencial ao gozo do referido instituto, que impõe seja ele um estabelecimento industrial e não, como no caso do autuado, um estabelecimento equiparado a industrial por opção (conforme indicado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ às fls. 453/457); e ii) utilizouse indevidamente de créditos presumidos do IPI, haja vista terem sido tais créditos recebidos em transferência do estabelecimento matriz, o qual não teria direito à sua apuração, por não se enquadrar como empresa produtoraexportadora, nos termos da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Tendo sido pessoalmente cientificado em 18/12/2014 (fls. 874/875), o contribuinte ingressou, tempestivamente, em 15/01/2015, com a impugnação de fls. 987/1011 dos autos digitais, formulando, em síntese, as seguintes razões de defesa: a) Sustenta que, em vista de a ciência do auto de infração ter ocorrido em 18/12/2014 e por se tratar o IPI de tributo sujeito ao lançamento por homologação, em conformidade com o § 4o do art. 150 do CTN, estaria decadente o lançamento correspondente aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2009 (na realidade o contribuinte em evidente equívoco cita em seu arrazoado o ano de 2014). b) Em reforço a tese da decadência, apresenta ementa de julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF e alega que lançou débitos de IPI no período, não tendo havido pagamento apenas porque o saldo teria sido zerado, e que “a existência de lançamento de débitos, ainda que não tenha havido pagamento, implica ter havido o lançamento por homologação, de modo que a contagem do prazo de decadência obedece à regra do art. 150, §4° do CTN”. c) Passa a defender, com suporte nos princípios constitucionais da isonomia e da proporcionalidade/razoabilidade, a inexistência de imposição legal no sentido de restringir a suspensão aos industriais e, conseqüentemente, excluir a aplicação do benefício aos equiparados. Nesse diapasão, argumenta que o art. 27, II, da IN nº 648/09 (por óbvio, deve estar o contribuinte se referindo a IN nº Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.112 5 948, de 2009), reproduzindo conteúdo da IN nº 296/03, introduziu sem respaldo legal a restrição em apreço. d) Assevera que o objetivo da suspensão estabelecida pelo art. 29 da Lei nº 10.637/02 é desonerar a cadeia produtiva e fomentar a indústria, evitando o acúmulo de créditos, melhorando o fluxo financeiro e operacional e reduzindo os preços – tudo no sentido de aprimorar a atividade industrial. Com base em sua tese, alega que a interpretação restritiva da fiscalização “contraria expressamente a finalidade da norma”. e) Argumenta que se configura como sendo “uma cooperativa de vendas da produção de seu cooperado” e que a comercialização dos produtos a ela repassados é, “na realidade, uma única operação, de natureza tipicamente cooperativa”, nos moldes do que dispõe a Lei nº 5.764/71 (arts. 79, § único, e 83) e a CF (arts. 146, III, c, e 174, § 2º), razão pela qual não haveria como admitir “que a venda efetuada por intermédio de cooperativa de vendas, como a Impugnante, pudesse submeterse a tratamento fiscal mais oneroso, sob pena de inadmissível desestímulo ao ato cooperativo e contrariedade à legislação que assegura de modo expresso a neutralidade do ato cooperativo para fins fiscais”. f) No sentido de sustentar “que a venda com intermediação de cooperativa deve ser protegida” e “nunca pode ser mais onerosa do ponto de vista fiscal”, cita aspectos concernentes à legislação e à jurisprudência administrativa e judicial de outros tributos e conclui afirmando que: “O fato de a venda ter sido intermediada pela Impugnante, entidade cooperativa, para posterior comercialização, não pode ensejar a tributação pelo IPI”. g) Contesta a informação constante do Relatório Fiscal relacionada a não apresentação das declarações previstas no art. 29, §7°, II, da Lei nº 10.637/02, afirmando têlas apresentado, em sua maioria, conforme demonstrado no Termo de Apresentação e Devolução de Documentos (doc. 04) emitido pela própria fiscalização. h) Alega que os créditos presumidos, cujo aproveitamento foi contestado pela fiscalização, foram calculados pela Cooperativa, estabelecimento matriz, da qual a autuada é filial. Tal Cooperativa matriz deteria todos os dados das exportações realizadas por suas filiais, recebendo das cooperadas as informações sobre o valor dos insumos e se configurando como sendo o seu substituto tributário, em relação ao IPI devido, assim como, o responsável pelo recolhimento do PIS e Cofins das mesmas cooperadas. i) Aduz que é uma cooperativa centralizadora de vendas que tem por finalidade a comercialização das mercadorias produzidas por suas cooperadas, e, por força de lei, age em nome e por conta destas. j) Afirma que por determinação da própria Secretaria da Receita Federal, a Cooperativa exerce o papel de contribuinte substituto do IPI, sendo responsável pelo recolhimento do imposto, em nome de cada cooperada, além de ser responsável pelo recolhimento da Cofins e do PIS das suas filiadas. k) Diz que há falta de consistência na autuação, pois, a fiscalização não percebeu que não se trata de pessoa jurídica que produz diversa da pessoa jurídica que exporta; na verdade a Cooperativa, na condição de uma cooperativa centralizadora de vendas, não reivindica para si o direito ao benefício em questão, mas sim em nome e para seus associados. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.113 6 l) Acresce que as cooperativas não auferem lucros, rendas ou receitas, sendo que eventual resultado positivo é dividido na proporção do trabalho de cada cooperado. m) Argumenta que a realização de vendas por parte da cooperativa traduziria o exercício do mandato que lhe é outorgado pelas filiadas, de forma que o direito ao benefício é das cooperadas e para elas se destina, sendo que a Cooperativa tão somente viabilizaria a utilização desse direito pelas cooperadas, em razão de ser ela a substituta tributária do IPI e a responsável legal pelo recolhimento do PIS e da Cofins. n) Argúi que a legislação não determina que a exportação deva ser realizada diretamente pelo produtor, nada impedindo que ela seja efetuada por intermédio de uma cooperativa centralizadora de vendas e menciona que “O PRODUTOR É O EXPORTADOR e, portanto, tem direito, ao crédito presumido em discussão”. Por fim, requer o provimento da impugnação e a improcedência do auto de infração. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ/REC exarou o Acórdão 1149.535, de 19 de março de 2015, que, por unanimidade de votos, julgoua improcedente, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013 IPI. SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. O regime de suspensão a que se refere o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003, não se aplica ao estabelecimento equiparado a industrial (salvo quando se tratar de empresa comercial atacadista). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração, utilização ou a transferência do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/03/2013 ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. Sem que tenha ocorrido pagamento antecipado do IPI, nos termos da legislação desse imposto, a contagem do prazo decadencial de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o art. 173, inciso I, do CTN. ILEGALIDADE. NORMAS ADMINISTRATIVAS. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.114 7 O julgador administrativo é incompetente para apreciar argüição de ilegalidade de instrução normativa editada por autoridade administrativa competente a quem está hierarquicamente subordinado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado o contribuinte apresentou, em 12/5/2015, Recurso Voluntário, fls. 1074/1102, reprisando, na essência, as argumentações apresentadas na Impugnação Foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da RFB que, em procedimento fiscal junto ao recorrente, constatou (i) a utilização indevida de crédito presumido de IPI e (ii) saídas com suspensão indevida do IPI. Em sede de Recurso Voluntário pendem três matérias a serem apreciadas, a saber: I. Da decadênica. II. Do crédito presumido. III. Da saída com suspensão indevida do IPI. 1 Da Decadência. Da decadência relativa ao período de janeiro a dezembro de 2009 Em Preliminar argüiu a recorrente o instituto da Decadência em relação ao períodos encerrados antes de 18/12/2009, em razão da aplicação pela fiscalização do prazo contado na forma do art. 173, I do Código Tributário Nacional (CTN). Entende a recorrente que para o IPI, por ser espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável é do art. 150, § 4º do CTN. Assim, o lançamento de ofício formalizado em 18/12/2014, não poderia se reportar a fatos geradores ocorridos em momento anterior a 18/12/2009. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.115 8 Em sua peça recursal aduz a recorrente que os débitos de IPI foram escriturados, apenas não houve pagamento de IPI porque havia créditos a absorver os valores. E o fato de tais créditos terem sido glosados em nada altera o quanto suscitado desde a impugnação. E complementa a recorrente: "Afinal, entendendo a fiscalização que os créditos não seriam legítimos, poderia a partir de sua escrituração supostamente indevida, proceder ao lançamento das diferenças então resultantes, mesmo porque os débitos foram regularmente escriturados". Entendo que assiste razão a recorrente. No caso de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o reconhecimento do débito é feito antecipadamente, sem prévio exame da autoridade fazendária, caracterizandose a modalidade lançamento por homologação. Sendo assim, é o caso de aplicação do artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN), o qual estabelece: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] §4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco anos), a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Sobre a matéria encontrase pacificado no âmbito de nossa jurisprudência que tendo havido antecipação de pagamento, desde que inexista fraude, aplicase o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, Lei nº 5.172/66, e, conseqüentemente, considerase homologado e definitivamente extinto o crédito tributário não cobrado nos cinco anos subseqüentes à ocorrência do fato gerador. O Auditor Fiscal autuante concluiu pela afastamento do disposto no art 150, § 4º do CTN, impondose a aplicação do disposto no artigo 173, I, do CTN, em face da inexistência de pagamento de IPI, relativamente aos meses de 2009, entendimento mantido pelo colegiado de Primeira Instância. Entretanto, segundo o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002),1 é admitida como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Vejamos: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 1 Idêntica redação foi conferida pelo Decreto nº 7.212, art. 183 (RIPI de 2010), que revogou a RIPI de 2002. O período ãutuado compreende a vigência de ambos os Decretos. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.116 9 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, tendo ocorrido pagamento antecipado ou crédito equivalente, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador. A própria fiscalização evidencia que a presente autuação referese a diferença de IPI devido, saldo resultante da diferença entre os valores pagos e os apurados pela fiscalização, como se depara na Reconstituição da escrita fiscal, fls. 850 e ss., especialmente no demonstrativo de fls. 865/867, bem assim no Demonstrativo dos Ajustes Lançados a Crédito no RAIPI, fl. 349 e nos Resumos mensais do RAIPI, ref. 01/2009 a 03/2013, baixados do SPED, fls. 351/452. Assim, se o Fisco encontrar diferença de imposto pressupõese que havendo diferença a lançar tenha havido pagamento a menor, este possui o prazo de 5 anos a contar do fato gerador, para lançar, em procedimento de oficio. Portanto, no caso em questão, considero que há decadência dos créditos tributários lançados contra a Recorrente, referente aos fatos geradores ocorridos antes de 18/12/2009, data do quinto ano antes do lançamento, formalizado em 18/12/2014. 2 Do crédito presumido. O estabelecimento matriz, cooperativa de usinas de açúcar, apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, com base no artigo 1º da Lei nº 9.363/96. Posteriormente, transferiu o referido crédito para a filial ora autuada, que o utilizou na compensação de débitos do IPI. O Auditor Fiscal da RFB, por seu turno, efetuou a glosa do crédito presumido, por entender que o autuado não faria jus ao benefício instituído pela Lei n° 9.363, de 1996, posto que o benefício legal é para empresa produtora e exportadora. No caso, o estabelecimento não produz o açúcar. Quem produz o açúcar são as cooperadas. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.117 10 A recorrente contesta o entendimento do Auditor Fiscal sob o argumento de que a Cooperativa (matriz) promove a venda e exportação do produto em prol dos cooperados, de modo que a apuração centralizada do crédito presumido pela Cooperativa seria feita em nome e para as usinas cooperadas. Eis o disposto na Lei nº 9.363/96, art. 1º: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. [Destaquei] Depreendese do disposto normativa acima transcrito, fundamento do direito de crédito, que quem detém o crédito presumido é o produtor, atuando diretamente como exportador ou por meio de venda para comercial exportadora. O aproveitamento do crédito presumido, na forma pretendida pela recorrente, não tem amparo na legislação de regência, pois o direito ao crédito não alcança empresas que não sejam produtoras das mercadorias que exporta ou comercial exportadora, conforme dispõe o art. 1 ° da Lei 9.363/96. O contribuinte, que é uma Cooperativa, não pode ser considerado como empresa comercial exportadora, tampouco produtora de mercadoria industrializada. Não há cabimento dar nova dimensão ao disposto normativo para incluir extensivamente, às cooperativas, o alcance da Lei. Para o usufruto do benefício fiscal caberia ao autuado comprovar que é produtor e exportador ou que tenha efetivado venda a empresa comercial exportadora, o que não se mostra presente nos autos. No caso das cooperativas centralizadoras de vendas, o direito ao crédito presumido de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/1996 pertence ao produtor/exportador cooperado, e não à cooperativa, não sendo possível a admissão de crédito presumido por parte de filial da cooperativa, mediante transferência de créditos apurados pela matriz da cooperativa. A Cosit ja se manifestou acerca da matéria por meio da Nota Cosit nº 234, de 1/8/2003, que assim se posicionou: “[...] Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.118 11 21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação específica; [...] 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias. [...]" Destaquei Importante notar, para não ficar desavisado, que "estabelecimento matriz" disposto no item 21.5 da Nota Cosit diz respeito a uma mesma sociedade empresarial, não guardando relação com a estrutura social de uma cooperativa onde os cooperados são pessoas jurídicas distintas entre si. Esse tem sido o entendimento já consagrado no âmbito do Carf, inclusive nos vários processos2 da mesma recorrente, tratando de idêntico procedimento fiscal, relativamente a fatos geradores a partir do ano de 2000, que tramitaram nesse Conselho. Por exemplificativo, trago à baila excertos do Voto Vencedor condutor do Acórdão 3301001.7283, de 26 de fevereiro de 2013, processo nº 13830.000804/200681: 2 Processos Administrativos Fiscais de titularidade da recorrente que já tramitaram no Carf: 13830002342/200556; 13830002343/200509; 13830000756/200621; 13830000789/200671; 13830000790/200604; 13830000804/200681; 13830000805/200626; 11444000624/200717; 11444001114/200911; 13830720004/201318. 3 Acórdão nº 3301001.728, Terceira Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, processo nº 13830.000804/200681, da lavra da Conselheira Andrea Medrado Darzé. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.119 12 " [...] De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. [...], a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. [...]. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora." Nessa mesma linha temos o Acórdão nº 20178.168, de 26 de janeiro de 2005, processo nº 13807.008605/0005, do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, cujo Voto condutor foi da lavra do Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, que, pela sua relevância no tempo e conteúdo, merece ser destacado, foi assim ementado: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito à apuração e ao aproveitamento do crédito presumido do IPI pertence à usina cooperada, sendo inadmissível a apuração centralizada por parte da cooperativa, porque os valores de receita bruta, aquisições de Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.120 13 insumos (ou custo do produto) e o percentual de exportação precisam ser calculados individualmente por cooperada, impedindo que o crédito presumido de uma usina cooperada seja utilizado na compensação de tributos de outra. Ante o todo exposto, nesse pormenor, voto por Negar Provimento ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em face dos créditos presumidos, recebidos por transferência da cooperativa matriz, apurados centralizadamente. 3 Da saída com suspensão indevida do IPI. O estabelecimento autuado deu saídas de açucar com suspensão do IPI, com base na Lei 10.637/2002, artigo 29. Entendeu o Auditor Fiscal da RFB que referido dispositivo legal não alcança o estabelecimento equiparado a industrial, como é o caso da recorrente. Assim, o cerne da questão posta ao crivo desse colegiado é definir se estabelecimento equiparado a industrial faz jus ao instituto da suspensão, nos termos do dito artigo 29. Eis o teor do art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003: “Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.121 14 § 2o O disposto no caput e no inciso I do § 1o aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. § 3o Para fins do disposto no inciso II do § 1o, considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, tenha sido superior a 50% (cinquenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo período, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) § 4o As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que tratam o caput e o § 1o serão desembaraçados com suspensão do IPI. § 5o A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. § 6o Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no § 5o, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos.” [Destaquei] Alega a recorrente, que o dispositivo em exame não estabelece diferença entre o estabelecimento industrial e o a ele equiparado, assim a suspensão alcançaria todos os contribuintes do IPI, já que industriais e equiparados são contribuintes do IPI e praticam o fato gerador do imposto. sustenta ainda que o sujeito passivo não é meramente equiparado a industrial, pois como cooperativa, age como se fosse os próprios cooperados, devendo ser considerada uma única operação o recebimento e a venda dos produtos. Não assiste razão a recorrente. Para fins fiscais e tributários, a legislação de Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI classifica os estabelecimentos em Industriais, Equiparados a Industriais, Comerciais Atacadistas e Varejistas. Definese como estabelecimento industrial aquele onde é executada qualquer das operações consideradas de industrialização (transformação, Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.122 15 beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação). É a indústria propriamente dito, de fato e de direito. Conquanto estabelecimento equiparado é aquele em que a legislação, em função das atividades desenvolvidas, equiparao à estabelecimento industrial, mesmo nos casos em que não há, diretamente, operações de industrialização. Portanto, os equiparados não executam atividades industriais, pois sua natureza de industrial derivase de uma "ficção jurídica", visando a cobrança e administração do IPI. Outrossim, vêse significativa diferença entre ambos. Estabelecimento industrial é , originariamente, aquele que industrializa, fato inexistente nos equiparados. Quando que a norma pretender atingir outra espécie de estabelecimento, Equiparados a Industriais, Comerciais Atacadistas ou Varejistas, o fará de forma expressa. As disposições do artigo 29, em seu contexto, são conclusivas no sentido de referiremse à estabelecimento industrial, não alcançando os equiparados, diversamente do que pretende fazer crer a recorrente. Não foi outra a razão de a Receita Federal do Brasil, autorizada pelo art. 29, § 7º, I, da Lei 10.637/2002, suso transcrito, editou a IN RFB nº 948/2009, reiterando dispositivos já introduzidos pela IN SRF nº 296/2003, Disciplinando a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), nos seguintes termos: “Art. 21. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex 01 do código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados). (...) Art. 27. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (...) II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º. (...)” [Destaquei] Nesse pormenor, andou bem o julgador de primeira instância ao manifestarse favoravelmente à autuação, nos seguintes termos: Como se observa, nos termos da legislação aplicável à espécie, as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem somente podem sair com suspensão do imposto naquelas operações em que o Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 13830.722778/201456 Acórdão n.º 3301003.953 S3C3T1 Fl. 1.123 16 estabelecimento industrial vendedor seja o fabricante dos bens em questão. E, [...], a saída com suspensão não alcança aquelas originárias dos estabelecimentos equiparados a industrial. No caso que se cuida, conforme relatado, não há dúvidas de que o autuado se configura como sendo um estabelecimento equiparado a industrial, de forma que as saídas dos produtos implementadas por ele não se encontram amparadas com a suspensão ora tratada, motivo pelo qual as mesmas caracterizam fato gerador do IPI. [Destaquei] No mais, os demais argumentos trazidos pela recorrente diz respeito a entendimentos teóricos quanto ao objetivo da Lei (desonerar a cadeia produtiva e fomentar a indústria) e à natureza dos atos cooperativos. Ainda que se depreenda coerência lógica nos argumentos apresentados, não se vislumbra amparo jurídico que os abrigue, para fins de respaldar a pretensa suspensão de IPI, tampouco se vê elementos que possam influenciar na formação de convicção diversa da ora exposta no presente voto, Ante o exposto, entendo que o regime de suspensão a que se refere o art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pela Lei nº 10.684/2003, não se aplica ao estabelecimento equiparado a industrial Dispositivo Com os fundamentos expostos voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 18 de dezembro de 2009, mantendose, no mais, o Acórdão recorrido. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 1123DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001985/2003-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/1998, 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/07/2001 a 30/04/2003
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Numero do processo: 11516.722518/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO.
O aprofundamento das razões constantes do lançamento fiscal por parte do julgador de primeira instância não se consubstancia inovação ou alteração de critério jurídico aptos a motivar a nulidade do Acórdão da DRJ.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PAGAMENTOS EFETUADOS A MINISTROS DE CONFISSÃO RELIGIOSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os pagamentos efetuados a ministros de confissão religiosa que deixam de cumprir todos os requisitos previstos na legislação previdenciária são considerados base de cálculo das contribuições sociais.
Numero da decisão: 2402-005.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso e afastar as preliminares de nulidade do lançamento, por maioria, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencida os conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora) e o Jamed Abdul Nasser Feitoza, e no mérito, também por maioria, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO. O aprofundamento das razões constantes do lançamento fiscal por parte do julgador de primeira instância não se consubstancia inovação ou alteração de critério jurídico aptos a motivar a nulidade do Acórdão da DRJ. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PAGAMENTOS EFETUADOS A MINISTROS DE CONFISSÃO RELIGIOSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os pagamentos efetuados a ministros de confissão religiosa que deixam de cumprir todos os requisitos previstos na legislação previdenciária são considerados base de cálculo das contribuições sociais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso e afastar as preliminares de nulidade do lançamento, por maioria, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencida os conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora) e o Jamed Abdul Nasser Feitoza, e no mérito, também por maioria, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho.
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ASSEMBLEIAS DE DEUS SC SO PR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO. O aprofundamento das razões constantes do lançamento fiscal por parte do julgador de primeira instância não se consubstancia inovação ou alteração de critério jurídico aptos a motivar a nulidade do Acórdão da DRJ. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PAGAMENTOS EFETUADOS A MINISTROS DE CONFISSÃO RELIGIOSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os pagamentos efetuados a ministros de confissão religiosa que deixam de cumprir todos os requisitos previstos na legislação previdenciária são considerados base de cálculo das contribuições sociais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 18 /2 01 3- 37 Fl. 1801DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso e afastar as preliminares de nulidade do lançamento, por maioria, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, vencida os conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora) e o Jamed Abdul Nasser Feitoza, e no mérito, também por maioria, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araujo, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Mario Pereira de Pinho Filho e Waltir de Carvalho. Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme minucioso relatório da decisão recorrida, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 e seguintes, no qual é cobrado o valor de R$ 27.445.239,20 (vinte e sete milhões, quatrocentos e quarenta e cinco mil, duzentos e trinta e nove reais e vinte centavos), relativamente ao período de 01/2009 a 12/2011, referente a contribuição previdenciária a cargo da empresa (20%), incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais pastores, evangelistas e presbíteros – a título de prebendas pagas pela Convenção das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná CIADESCP, não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIPs. Destaquese que as bases de cálculo foram apresentadas pelo sujeito passivo e confrontadas com as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física DIRFs do período. A autoridade tributária expôs no relatório fiscal, fls. 79, que o levantamento referese às diferenças de contribuições patronais devidas à previdência social sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais (pastores, evangelistas e presbíteros) não declarados em GFIP, conforme consta no Discriminativo de Débito. Relata ainda que foram examinadas as folhas de pagamento, recibos de pagamento de prebendas, comprovantes de recolhimento (GPS), GFIPs, RAIS, DIRFs, cadastros das igrejas (CNPJ), registros de empregados, fichas cadastrais de obreiros, atas, Balanços Patrimoniais e de Resultados, dentre outros. Esclarece também a fiscalização que, nos recibos de pagamentos, os valores são tratados como sendo pagos a título de Renda Eclesiástica, com a descrição de Espórtula Manutenção e, em sua relação com a auditoria, os valores são tratados como Prebendas. Foram constatadas pela fiscalização grandes diferenças entre os valores pagos aos diversos membros das igrejas, tendo sido informado pelo sujeito passivo que os valores pagos obedecem a uma hierarquia de cargos: presbítero, evangelista, pastor e pastor presidente, sendo também considerados fatores relativos ao tempo de criação da igreja bem como o tempo de ordenação do pastor. Destaquese, ainda, que em atendimento ao disposto na Portaria RFB nº 2.439 de 21/12/2010, em razão do sujeito passivo ter deixado de lançar, em suas folhas de pagamento e GFIPs, os segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou, fl. 1657 e seguintes, em 25 de novembro de 2013, sua impugnação para, em síntese, alegar: Ônus probatório da autoridade administrativa no lançamento de tributos; Inidoneidade do conteúdo probatório do lançamento impugnado; Fl. 1803DF CARF MF 4 Ausência de fundamentação quanto aos exercícios de 2009 a 2011; Inclusão da totalidade de dispêndios na base de cálculo; Ausência de caráter remuneratório dos dispêndios; Impugnação à base de cálculo do tributo. Em sessão realizada em 17 de julho de 2014, a DRJ/RPO julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada (fl. 1727 e segs): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PAGAMENTOS EFETUADOS A MINISTROS DE CONFISSÃO RELIGIOSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. São considerados base de cálculo das contribuições sociais os pagamentos efetuados a ministros de confissão religiosa que deixam de cumprir todos os requisitos previstos na legislação previdenciária. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No entender da autoridade julgadora: “mesmo que se considerem plausíveis as justificativas apresentadas pelo sujeito passivo no tocante às diferenças entre os pagamentos efetuados aos religiosos de diferentes igrejas, não foi apresentada qualquer prova de que os valores pagos aos religiosos o foram a título de subsistência, em que pese a grande quantidade de pagamentos mensais efetuados” (fl. 1737). Ademais, “a denominação ‘ministros de confissão religiosa’ deve ser entendida de forma restritiva, eis que recebem tratamento excepcional às regras gerais estabelecidas (recolhimento a prisão especial, dispensa do serviço de júri ou exclusão dos valores a eles despendidos pelas entidades religiosas do conceito de remuneração para os fins previdenciários)” (fl. 1737). Assim, concluiu a turma julgadora da DRJ/POR consignando que “por não ter o sujeito passivo comprovado que os pagamentos efetuados foram dedicados Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 4 5 exclusivamente à manutenção e subsistência dos religiosos e nem mesmo que os pastores se revestiam dessa condição, não restou comprovado, pela interessada, que os valores por ela pagos atendem a todas as exigências do art. 22, § 13 da Lei nº 8.212/91, razão pela qual não podem ser considerados como excluídos da base de cálculo das contribuições sociais” (fl. 1738 destacamos). Registrese que também foi indeferido o pleito do contribuinte referente à realização de perícia contábil, pois se entendeu que as provas já produzidas nos autos seriam suficientes. A recorrente foi intimada, em 14/08/2014 (fl. 1748), da mencionada decisão e interpôs, em 15/09/2014 (fl. 1751 e segs), recurso voluntário no qual praticamente reitera os argumentos declinados na sua anterior impugnação, para aduzir: (i) Nulidade do acórdão recorrido em razão de inovação de fundamentação; No ponto, alega o recorrente que a fiscalização apontou como causa para a inviabilidade da isenção tributária o fato de que os pagamentos realizados aos ministros de confissão religiosa possuíam caráter remuneratório. Por outro lado, nas razões do voto proferido no acórdão recorrido, alegase ausência de prova a cargo do recorrente. Daí surgiria, na visão da recorrente, a suposta inovação da fundamentação. (ii) Ônus probatório da autoridade administrativa no lançamento de tributos; Nesse item, vale destacar o excerto (fl.1761) a seguir: Com esse raciocínio, sustenta o recorrente que houve no acórdão recorrido indevida inversão do ônus da prova. (iii) Inidoneidade do conteúdo probatório do lançamento impugnado; Defende, ainda, o recorrente que a documentação constante do auto de infração seria inidônea. Alega para tanto que a fiscalização se limitou a presumir que os pagamentos se relacionavam com a natureza e a quantidade de trabalho realizado pelos religiosos. Sustenta, mais uma vez, uma tentativa de inversão de ônus da prova no caso. (iv) Ausência de fundamentação quanto aos exercícios de 2009 a 2011; Fl. 1805DF CARF MF 6 Nesse aspecto, afirma (fl. 1772) a recorrente que: Sob tal argumento, isto é, ausência de prova apta a embasar a autuação fiscal, busca reformar o acórdão recorrido. (v) Nãoincidência da contribuição previdenciária patronal sobre o auxílio prestado aos ministros religiosos; Esse fundamento do recurso voluntário se revela central na análise do mérito recursal. Já foi transcrito, linhas atrás, o argumento da DRJ quando examinou a impugnação. Todavia, o contribuinte ora se insurge em seu recurso alegando (fl. 1776) que: (vi) Inclusão da totalidade de dispêndios na base de cálculo; (vii) Ausência de caráter remuneratório dos dispêndios; (viii) Impugnação à base de cálculos do tributo. Os demais argumentos apresentados no recurso voluntário em exame (itens vi, vii e viii, acima indicados) buscam impugnar e descaracterizar a base de cálculo utilizada pela fiscalização e, mais uma vez, irresignamse contra o conteúdo probatório do auto de infração lavrado. É o relatório. Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheira Bianca Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 14/08/2014 (fl. 1748), a recorrente interpôs recurso voluntário no dia 15/09/2014 (fl. 1751), atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Uma vez analisada a tempestividade do Recurso Voluntário, passase a analise da próxima preliminar citada pela Convenção das Igrejas Evangélicas Assembléia de Deus de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná CIADESCP. Nulidade Inovação na fundamentação jurídica do lançamento pelo acórdão de primeira instancia Alega a recorrente que a fiscalização apontou como causa para a inviabilidade da isenção tributária o fato de que os pagamentos realizados aos ministros de confissão religiosa possuíam caráter remuneratório, variando entre si em razão da natureza e da quantidade de trabalho realizado por cada religioso, não se enquadrando, portanto, nos requisitos do art. 22, parágrafo 13 da Lei Federal nº 8.212/91. Por outro lado, nas razões do voto proferido no acórdão recorrido, alegase ausência de prova a cargo da recorrente de que os religiosos seriam, reconhecidamente, ministros de confissão religiosa. Daí surgiria, na visão da recorrente, a suposta inovação da fundamentação. Para analise da questão, se faz necessário analisar as fundamentações do Relatório Fiscal vis a vis as do voto condutor do Acórdão da primeira instancia. Em relação ao Relatório Fiscal, vale transcrever os seguintes trechos: Conforme as planilhas em anexo, existem grandes diferenças entre os valores pagos aos diversos membros das igrejas, com predominância dos maiores valores serem para pastores eleitos para a Diretoria e demais pastores e depois para os evangelistas. Os presbíteros, em geral, recebem valores menores. Em relação a esta diferença, fomos informados que o valor pago pelas Igrejas aos pastores iniciase pelo cargo: presbítero, evangelista, pastor e pastor presidente. Ainda, existe uma diferença nos valores para Igrejas que foram criadas há um ano e Igrejas criadas há sessenta anos. Os pastores com mais tempo de ordenação receberão valores mais altos e os pastores que integram Igrejas mais recentes receberão valores mais baixos. O pastor presidente, além da responsabilidade teológica, Fl. 1807DF CARF MF 8 precisa obter conhecimentos administrativos. O pastor presidente e os demais que suportam maiores responsabilidades e cobrança recebem valores maiores. A Lei 8.212/1991 diz que não se considera como remuneração direta ou indireta os valores despendidos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional com ministro de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa em face do seu mister religioso ou para sua subsistência desde que fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado. (fl. 16) Vale destacar que o Relatório Fiscal cita como normativa (fl. 68 e segs), artigos da legislação previdenciária grifando sempre a mesma expressão " desde que fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado.", demonstrando inequivocamente que este é seu argumento base para o lançamento. Já no que tange ao voto que fundamenta o acórdão, vale reproduzir alguns trechos: Embora sejam plausíveis as justificativas trazidas pela autuada para a variação entre os valores pagos aos religiosos ligados às igrejas participantes da Convenção em função das diferentes possibilidades financeiras dessas igrejas, a questão que se apresenta é a necessidade da comprovação da inequívoca vinculação dos pagamentos efetuados à manutenção e subsistência dos beneficiados, necessidade corroborada, conforme contido no Relatório Fiscal, que cita decisões recentes de DRJs e do TRF4, que consideram que pagamentos efetuados por igrejas a seus ministros de confissão religiosa a título de sustento pastoral, sem a devida comprovação, constituem remuneração sujeita à incidência de contribuição previdenciária.(fl.1736) (...) Observase, pelo dispositivo transcrito, no que se refere aos ministros de confissão religiosa e membros de institutos de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa, que são duas as espécies de valores que não se enquadram como remuneração direta ou indireta, para efeitos da lei supracitada: a remuneração paga em razão de seu mister religioso; as despesas com sua subsistência. Ressaltese que tais valores somente deixarão de integrar o salário de contribuição se, cumulativamente, forem fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado. É evidente que a retribuição concedida ao religioso deve visar exclusivamente seu sustento ou subsistência. Porém, concessões de pagamentos de despesas diferenciadas a ministros de confissão religiosa a título de retribuição pelas atividades religiosas desempenhadas descaracterizam a situação, evidenciando o pagamento de verdadeira Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 6 9 remuneração. A propagação da religião é decorrente da fé e não é compatível com a busca do enriquecimento pessoal ou de favorecimento individual de acordo com a situação de cada religioso. No presente caso, mesmo que se considere plausíveis as justificativas apresentadas pelo sujeito passivo no tocante às diferenças entre os pagamentos efetuados aos religiosos de diferentes igrejas, não foi apresentada qualquer prova de que os valores pagos aos religiosos o foram a título de subsistência, em que pese a grande quantidade de pagamentos mensais efetuados. (1737). Tendo em vista que toda a fundamentação de voto condutor do acórdão foi baseada na premissa que não houve comprovação de que a remuneração não possuía caráter de subsistência, enquanto a motivação do relatório fiscal, diferentemente, relacionouse com o fato de que a remuneração era baseada na natureza e quantidade de trabalho, forçoso concluir que houve, de fato, inovação de fundamento jurídico por parte da autoridade julgadora de primeira instancia. Necessário, desta forma, se faz novo julgamento, por parte da DRJ. *** Para a hipótese de meus pares não comungarem de semelhante pensamento quanto ao deferimento da preliminar de nulidade, permitome proceder à análise das demais questões. 1. Nulidade do Lançamento por Insuficiência de Fundamentação A) Conteúdo Probatório do lançamento impugnado. Inidoneidade. Em relação a este tópico, já trazido a baila em sede de impugnação, entendo que o lançamento tributário goza de presunção relativa de validade, ou seja, uma vez que se admite que foi elaborado em conformidade com as devidas normas legais e baseado em um conjunto probatório sólido, como é o caso, somente pode ser descaracterizado mediante prova em contrário do sujeito passivo. Ao realizar analise da folha de pagamentos da diretoria e conselho fiscal (fl. 61 e segs), que cita o salário e cargo do religiosos, vis a vis o Estatuto Geral (fl.21) e Regime Interno da CIADESP (fl. 26) e Estatuto Social das Igrejas (i.e. fl.41), que mencionam os direitos e deveres de cada cargo ocupado, o fiscalização corretamente conclui que há conexão entre a quantia paga e as responsabilidade delegadas. Não se cogita aqui de inversão do ônus da prova, uma vez que a fiscalização desincumbiuse de seu ônus probatório em relação a vinculação entre o montante pago e os cargos dos religiosos. B) Exercícios de 2009 a 2011. Ausência absoluta de fundamentação. Aduz a recorrente, conforme já mencionado em sede de Impugnação, que todos os elementos de prova analisados pela fiscalização referemse ao exercício de 2010 e que, uma vez formada sua convicção acerca da existência de proporção entre pagamentos e Fl. 1809DF CARF MF 10 natureza e quantidade de trabalho, limitouse a presumir irregularidades configuradas no exercícios de 2009 e 2011. Entendo que neste ponto não assiste razão aa recorrente, pois, conforme mencionado pela autoridade de primeira instancia, consta, às fls. 1.003/1.552, as relações, mês a mês, de todas as remunerações a contribuintes individuais não declarados em GFIP no período de 01/2009 a 12/2011 e, à fl. 1.643, consolidação, também mês a mês, dessas remunerações, cujos valores são os mesmos das bases de cálculo das contribuições exigidas. Vale mencionar, ainda, que o Termo de Intimação Fiscal no. 02 (fl. 92), em complementação ao de no. 01, solicitou a Recorrente os documentos relativos a todo o período de apuração fiscalizado, qual seja, de 01/2009 a 12/2011. Uma vez constatado pela fiscalização que os dados dos documentos eram os equivalentes em todos os exercícios fiscalizados, procedeu, corretamente, ao lançamento. De mais a mais, a recorrente sequer citou quais seriam as diferenças existentes entre os documentos apresentados em relação ao exercício de 2010 dos de 2009 e 2011, de forma a corroborar a real existência de dados distintos. C) Base de cálculo. Inclusão da totalidade dos dispêndios. Ausência absoluta de fundamentação. Alega a recorrente, pugnando pela nulidade do lançamento, que a autoridade apontou discrepâncias em alguns pagamentos e que, com base nisto, considerou que a totalidade dos pagamentos realizados a todos os ministros religiosos constituída remuneração. Entendo que neste aspecto, carece de razão a recorrente, pois o Relatório Fiscal se baseou na própria sistemática adotada pela recorrente, conforme demonstrada claramente pela leitura de seus documentos internos, que envereda por reconhecer a posição e, conseqüentemente, o salário dos religiosos com base na natureza e quantidade do trabalho realizado. Não se nota, neste ponto, qualquer problema em relação a higidez do lançamento neste sentido. Caso houvesse uma exceção à regra, que repisase foi estabelecida por seus próprios documentos, caberia aa recorrente apontálas individualmente para que fosse possível a realização de uma análise pormenorizada destes casos. No entanto, a recorrente limitouse a mencionar o caso dos obreiros, sem contudo trazer elementos fáticos que comprovassem a natureza desvinculada do trabalho realizados de seus pagamentos. 2. Não incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre o auxilio prestado aos ministros religiosos A) Ausência de caráter remuneratório dos dispêndios Alega a recorrente que a renda eclesiástica paga aos religiosos tem objetivo único de atendimento as necessidades básicas dos religiosos e suas famílias, não sendo, portanto, de caráter remuneratório. Importante mencionar, no entanto, que a tônica do Relatório Fiscal não se insurge em relação a renda eclesiástica ser direcionada a subsistência dos religiosos, mas que estas eram quantificadas em função da natureza e quantidade do trabalho executado, em dissonância ao disposto no art. 22, § 13 da Lei nº 8.212/91 para fins de concessão do benefício fiscal. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 11516.722518/201337 Acórdão n.º 2402005.854 S2C4T2 Fl. 7 11 Neste sentido, vale, ainda, transcrever parte do Relatório Fiscal (fl. 16): Verificamos que o maior valor total pago em 2010 é de R$ 230.715,00, para o Pastor Antonio Nemer Bordin, de Itajaí/SC. Logo em seguida vem o Pastor Arcelino Vitor de Melo de Joinville/SC com R$ 181.720,00. Conforme as planilhas em anexo, existem grandes diferenças entre os valores pagos aos diversos membros das igrejas, com predominância dos maiores valores serem para pastores eleitos para a Diretoria e demais pastores e depois para os evangelistas. Os presbíteros, em geral, recebem valores menores. Em relação a esta diferença, fomos informados que o valor pago pelas Igrejas aos pastores inicia se pelo cargo: presbítero, evangelista, pastor e pastor presidente. Ainda, existe uma diferença nos valores para Igrejas que foram criadas há um ano e Igrejas criadas há sessenta anos. Os pastores com mais tempo de ordenação receberão valores mais altos e os pastores que integram Igrejas mais recentes receberão valores mais baixos. O pastor presidente, além da responsabilidade teológica, precisa obter conhecimentos administrativos. O pastor presidente e os demais que suportam maiores responsabilidades e cobrança recebem valores maiores. Assim, concluise que o ditame base da remuneração paga pela CIADESCP é a natureza e quantidade do trabalho realizado e não a natureza de subsistência como tenta argumentar a recorrente. Tendo em vista o supracitado, entendo que carece de razão a recorrente neste sentido. Os itens B) Pagamentos. Beneficiários. Isenção. Enquadramento. Fato incontroverso e C) Pedido Sucessivo. Base de cálculo do tributo. Pagamentos Remuneratórios podem se considerar analisados, conforme argumentos acima, pois coincidem em seu teor com os já mencionados. Diante do acima, voto por CONHECER, ACOLHER a preliminar de nulidade da decisão de primeira instancia, mas NEGAR provimento ao Recurso Voluntário em relação ao mérito, pelas razoes acima mencionadas. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1811DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Dissinto do entendimento da D. Relatora no que toca ao seu encaminhamento pela nulidade da decisão de piso. Ainda que se reconheça ter sido a ênfase principal da análise do Fisco voltada para a existência de discrepância entre os valores pagos aos diversos membros das igrejas, o que feriria os preceitos do § 13 do art. 22 da Lei nº 8.212/91, também foi considerado requisito relevante para o gozo das benesses isentivas, já naquela ocasião, a necessidade de que as verbas servissem apenas para subsistência dos pastores, e que não dependessem da natureza ou da quantidade do trabalho prestado, como ilustra o seguinte trecho do relatório fiscal (fl. 16): Conforme Acórdãos recentes da DRJ (vide item 24 deste Relatório Fiscal), os pagamentos efetivados por igreja diretamente a seus ministros de confissão religiosa, a título de sustento pastoral, sem comprovação dos dispêndios de referidos segurados, constitui remuneração, integrando base de cálculo de contribuição social, ainda mais quando referidos valores são distintos para cada beneficiário, sinalizando variação segundo a natureza e quantidade do trabalho executado. Temos também uma Ementa do TRF4 (vide item 23 do Relatório Fiscal) que diz que para que tais valores não fossem caracterizados como remuneração era necessário que a apelante comprovasse que as verbas serviam apenas para subsistência dos pastores, e que não dependiam da natureza ou da quantidade do trabalho prestado, e que os demonstrativos apresentados indicam exatamente o contrário, pois verificase a existência de grandes disparidades entre valores pagos. Por amostragem, conforme planilhas, verificamos que os valores pagos mensalmente em sua maioria não sofrem variações durante o ano, que existem variações quando o membro troca de localidade e também que alguns membros receberam em dobro no mês de dezembro. (grifei) Vêse, assim, que a fiscalização incorporou na fundamentação de suas conclusões o entendimento judicial a que se refere, no sentido de necessidade de comprovação de que as verbas servissem apenas para a subsistência dos pastores, como razão adicional para a constituição do crédito tributário lançado. De sua parte, a DRJ apenas aprofundou, nas suas considerações (fls. 1735/1738), a abordagem da fiscalização, sem inovar ou trazer argumento desconexo aos mencionados, de modo tal que pudesse implicar cerceamento de defesa ou nulidade por outro motivo da decisão guerreada. Cabe rejeitar, por conseguinte, a nulidade postulada, acompanhandose a relatora nas questões de mérito. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1812DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.000542/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IMPOSTO TEMPESTIVAMENTE PAGO. FALTA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE.
Incabível a aplicação de penalidade por lançamento de ofício em relação a tributo pago dentro do prazo legal, ainda que não tenha sido declarado. Neste caso, o tributo pago deve ser deduzido do lançado.
Numero da decisão: 2201-003.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário .
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário . (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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FALTA DE DECLARAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. Incabível a aplicação de penalidade por lançamento de ofício em relação a tributo pago dentro do prazo legal, ainda que não tenha sido declarado. Neste caso, o tributo pago deve ser deduzido do lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário . (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 42 /2 00 7- 45 Fl. 956DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls 945/953) apresentado em face do Acórdão nº 1729.117, da 7ª Turma da DRJ/SPOII (fls 929/936), que negou provimento à impugnação parcial apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração (fls 8/11) pelo qual se exigiu dele imposto de renda relativo aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Tendo tomado ciência do auto de infração em 05/12/2007 (fl 862), o contribuinte efetuou o recolhimento do imposto, da multa e dos juros de mora relativos aos exercícios 2004 e 2005 (DARF a fls 875/878, valores lançados a fls 13/14). Quanto ao exercício 2003, o contribuinte efetuou o recolhimento em 03/01/2008 da importância de R$ 3.501,53, no qual R$ 1.665,10 corresponde ao principal (fls 874) e, em relação ao saldo remanescente, alega que, embora tenha entregue sua Declaração de IRPF/2003 com valores zerados (fls 842/845), efetuou em 30/04/2003 o pagamento do imposto que considerou devido no valor de R$ 18.775,28 (fl 873). Em vista disso, pleiteou a declaração de que a exigência desse valor seria insubsistente, assim como as multas aplicadas sobre ele, parte em 75% e parte em 150%. Tendo tomado ciência da decisão que negou provimento ao seu apelo em 07/01/2009 (fls 943), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário a este Conselho em 06/02/2009 (fls 944), alegando, em síntese, que: o valor exigido em relação ao anocalendário 2002 já foi integralmente pago pelo contribuinte, R$ 18.775,28 em 30/04/2003 (fl 873) e R$ 3.501,53 em 03/01/2008 (fl 874); a ausência dos valores na declaração de 2003 não trouxe prejuízo ao fisco já que foi realizado o pagamento; não houve dolo, fraude ou simulação. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora A controvérsia submetida à análise deste Conselho restringese a definir os efeitos sobre o lançamento fiscal dos valores que foram pagos pelo contribuinte a título de IRPF dentro do prazo legal, contudo sem que tenha havido a correspondente declaração dos rendimentos tributáveis. Penso que deve ser aplicada à hipótese em questão o que prescreve o seguinte dispositivo do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 957DF CARF MF Processo nº 15956.000542/200745 Acórdão n.º 2201003.832 S2C2T1 Fl. 957 3 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Pela literalidade do dispositivo, o lançamento por homologação caracterizase pelo dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e operase pela homologação realizada por esta. Neste caso, os atos anteriores à homologação devem ser considerados na apuração do saldo devido, na imposição da penalidade ou sua graduação. O pagamento realizado pelo sujeito passivo, no caso, não apenas implica confissão do valor devido, mas também extingue o crédito tributário sob condição de sua ulterior homologação pela autoridade fiscal. Devese atentar ainda para o que estabelece a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, base legal para a imputação da penalidade aplicada: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Se, com base nesse dispositivo, a existência de declaração realizada pelo contribuinte desacompanhada do pagamento do tributo confessado já constitui obstáculo suficiente à aplicação de penalidade, com mais razão deve ser atribuído o mesmo efeito ao pagamento do tributo desacompanhado da declaração. Fl. 958DF CARF MF 4 Com base no exposto, entendo que não apenas a autoridade fiscal deveria ter aproveitado de ofício o pagamento espontaneamente realizado pelo contribuinte dentro do prazo legal, como esse pagamento constituía obstáculo para aplicação de qualquer penalidade por lançamento de ofício. Há que se mencionar, ainda, o seguinte precedente proferido pela primeira seção de julgamento deste CARF no Acórdão nº 1201001.235, Sessão de 9 de dezembro de 2015, Relator o Conselheiro Marcelo Cuba Netto: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Incabível a lavratura de auto de infração para exigência de tributos não declarados e pagos em atraso, mas antes de cientificado o sujeito passivo do início da ação fiscal. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe integral provimento. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 959DF CARF MF
score : 1.0
