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Numero do processo: 10830.001377/99-06
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2002
Ementa: DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em caso de situação fática conflituosa, inicia-se a partir da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária.
Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.
Numero da decisão: CSRF/01-04.115
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão e Verinaldo Henrique da Silva.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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PRIMEIRA TURMA Processo n.° . 10830 001377/99-06 Recurso n ° 106-123622 (RP/106-0 627) Matéria I RPF - PDV Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : CLAINOR DE SANTIS Recorrida . 6' CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de . 20 DE AGOSTO DE 2002 Acórdão n°. CSRF/01-04 115 DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em caso de situação fática conflituosa, inicia-se a partir da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão e Verinaldo Henrique da Silva .-;-,;,;- ,---------- _-,.--,.,.,,.:.----..-,#-: - ,,..,_ _ _ „ ti- • , 1 • --, -,• • - em- ,,,, , PRESfln -490,r" ' / À(7,4~ JOSÉ/ AR OS PASSUEL O RE dr OR FORMALIZADO EM. 0 9 ril.: 7 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, 2 Processo n ° 10830 001377/99-06 Acórdão n.° CSRF/01-04 115 ZUELTON FURTADO, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ CLOVIS ALVES, CALOS ALBERTO GONÇALVES NUNE., MA . OEL ANTONIO GADELHA DIAS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. 'í 2 3 Processo n°. 10830001377/99-06 Acórdão n,° CSRF/01-04 115 Recurso n.° . 106-123614 (RP/106-0 655) Recorrente FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fulcro no art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes 1 (fls. 56 a 68), que teve seguimento apoiado no Despacho n° 106- 1,560 (fls. 69 e 70). A decisão recorrida, da 6a Câmara, está consubstanciada no Acórdão n° 106-11.832 (fls., 50 a 54), cuja decisão foi tirada por maioria, e tem como ementa: "DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em caso de situação tática conflituosa, inicia-se a partir da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária, PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA — Em tendo sido afastada por este Conselho a preliminar de decadência do requerimento, devem os autos retornar à repartição de origem para apreciação da contenda. Decadência afastada " o Ilustre Relator, Dr. Wilfrido Augusto Marques, resumidamente, assim colocou a questão, na peça decisória: "Consoante exposto pelo Ilustre Conselheiro José Antônio Minatel, da 88 Câmara deste Conselho, por ocasião do julgamento do RV 118858, para inicio da contagem do prazo Art 32 Caberá recurso especial à Câmara Superior de Rec sos iscais I - de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à ei • à evidência da prova, e ( ) I 3 \ Ws' 4 Processo n..° 10830.001377/99-06 Acóidão n.°. CSRF/01-04 115 decadencial há que se distinguir a forma como se exterioriza o indébito Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação tática não litigiosa, o prazo para pleitear restituição tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução administrativa conflituosa, o prazo deve iniciar a partir do reconhecimento pela Administração do direito à restituição Neste sentido também os acórdãos 106-11221 e 106-11261, todos da lavra desta Egrégia Câmara. Ora, o caso presente é exatamente este Anteriormente à edição da Instrução Normativa SRF n° 165/98 acreditavam os contribuintes que a retenção na fonte era legal e, por isso, não tinham como pleitear a restituição do valor. Posteriormente a essa, contudo, tiveram conhecimento de que o valor havia sido retido ilegalmente e injustamente, pelo que somente a partir deste momento nasceu o direito à restituição. Veja-se que a edição de tal instrução criou uma situação de direito até então inexistente. Em sendo assim, o termo a quo para a contagem do prazo decadencial do pedido de restituição deve ter início em tal data Assim sendo, entendo que in casu o pedido de restituição formalizado pelo contribuinte não foi atingido pelo instituto da decadência Afastada a preliminar de decadência, devem ser os autos remetidos à repartição de origem para que esta aprecie o mérito da contenda, sob pena de supressão de instância, Ante o exposto, conheço do recurso e dou-lhe provimento para tão somente afastar a decadência do direito de pleitear a restituição, determinando sejam os autos devolvidos à repartição de origem para que seja apreciado o mérito da lide " O Douto Procurador da Fazenda Nacional, após extenso arrazoado, veio (fls.. 67) assim finalizar seu pedido: "Portanto, Sr. Relator: primeiro, não há qualquer contradição entre os efeitos da decisão de inconstitucionalidade do Poder Judiciário no controle direto e no controle difuso (em virtude da qual a IN n° 165/98 foi editada) e a decadência do direito à restituição, se.qundo, o termo a quo da decadência é a data da extinção do crédito tributário (que ocorre com o pagamento), saiba o contribuinte ou não qu- ag o u indevidamente,' terceiro o art 168, I do Código Tribli " depende completamente da 4 5 Processo n° 10830 001377/99-06 Acórdão n° CSRF/01-04 115 data da decisão de inconstitucionalidade, quarto, a decisão de inconstitucionalidade deve respeitar, tal qual toda e qualquer lei, as situações definitivamente constituídas; quinto, exatamente porque passados cinco anos da data do pagamento (que extinguiu o crédito), o contribuinte perde o direito à repetição (art.. 168, I do Código Tributário) e a decisão de inconstitucionalidade, qualquer que seja ela, não pode mais atingir essa situação que, bem o mal, justa ou injustamente, já definitivamente se consolidou, sexto para a intercorrência da prescrição, o Código não exige o prévio conhecimento que o contribuinte pagou indevidamente, sétimo, o choro de contribuintes pela perda de uns míseros cruzeiros Enfim, como diz velho brocardo jurídico, universalmente conhecido e repetido, o Direito não protege os que dormem Pelo exposto, requer a Fazenda Nacional que V. Ex,a dê provimento a este Recurso Especial, mantendo a douta decisão monocrática que considerou caduco pedido de restituição, por corresponder à melhor exegese do dispositivo tributário." (destaques no original) Portanto, a questão é claramente posta e se busca o deslinde à dúvida sobre a data que deve ser adotada como sendo inicializadora da contagem do prazo decadencial, para a hipótese de tributo tratado na Instrução Normativa n° 165/98, relativamente à incidência do imposto de renda devido por pessoas físicas referente a verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária (PDV) O recurso especial ateve-se exclusivamente à tese acerca da contagem do prazo decadencial, deixando de lado a apreciação da prova ou da efetiva natureza indenizatória da verba sobre a qual se questiona a tributação, o que restringe a discussão à matéria de direito, unicamente Assim se apresenta o processo para julgamento do recurso especial É o relatório, 11., r`- 5 6 Processo n,° 10830001377/99-06 Acórdão n° CSRF/01-04 115 VOTO CONSELHEIRO JOSÉ CARLOS PASSUELLO, RELATOR O recurso especial foi devidamente acolhido e deve ser apreciado A divergência discutida é única e diz respeito tão somente ao prazo conferido ao contribuinte que sofreu indevidamente retenção do imposto de renda na fonte sobre rendimentos decorrentes de Plano de Desligamento Voluntário (ou de Demissão Voluntária) — PDV. A par da argumentação expendida pela Fazenda Nacional, de que o prazo para o contribuinte pleitear a devolução das parcelas indevidamente gravadas pelo imposto de renda na fonte se iniciaria da data da retenção e se extinguiria em cinco anos, na forma do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional 2 , data em que se teria como extinto o crédito tributário. A questão, porém, não é tão simples e já encontra posicionamento firme em todo Primeiro Conselho de Contribuintes, inclusive nesta Câmara., Como bem ressaltou o Conselheiro Remis Almeida Estol, ao proferir o voto condutor da decisão consubstanciada no Acórdão n° CSRF/01-03.593 (processo n° 13706,001667/99-92), de 05. 1.2101, casos semelhantes ao presente guardam diferenças fundamentas ao r- ig , nio simplista da tese trazida no recurso especial. 1 2 Art 168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; ( ) 6 7 Processo n° 10830 001377/99-06 Acórdão n° CSRF/01-04 115 Por ter termos mais precisos do que eu poderia produzir, transcrevo os argumentos trazidos no voto citado, de onde posso extrair, principalmente "Nesse contexto, cumpre inicialmente enfrentar a questão do termo inicial do prazo decadencial, especificamente em relação ao pedido de restituição do imposto retido na fonte, incidente sobre a verba percebida por força da adesão ao Programa de Desligamento Voluntário Antes de mais nada, é da maior importância ressaltar que não estamos diante de um recolhimento espontâneo feito pelo contribuinte, mas de uma retenção compulsória efetuada pela fonte pagadora em obediência a um comando legal, então válido, inexistindo qualquer razão que justificasse o descumprimento da norma Feito isso, me parece induvidoso que o termo inicial não seria o momento da retenção do imposto, isto porque o Código Tributário Nacional, em seu artigo 168, simplesmente não contempla esta hipótese e, por outro lado, a retenção do imposto pela fonte pagadora não extingue o crédito tributário, isto porque não se trata de tributação definitiva, mas apenas antecipação do tributo devido na declaração. Da mesma forma, também não vejo a data da entrega da declaração como o momento próprio para o termo inicial da contagem do prazo decadencial para o requerimento da restituição Tenho a firma convicção de que o termo inicial para a apresentação do pedido de restituição está estritamente vinculado ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes deste momento as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo contribuinte na sua declaração de ajuste anual. Isso significa dizer que, anteriormente ao ato da Administração atribuindo efeito "erga omnes" quanto a intributabilidade das verbas relativas aos chamados PDV, objetivada na Instrução mativa n° 165, de 31 de dezembro de 1998, tanto o em. , egaoor quanto o contribuinte nortearam 7 , 8 Processo n ° 10830 001377/99-06 Acórdão n°. CSRF/01-04 115 seus procedimentos adstritos à presunção de legalidade e constitucionalidade próprias das leis. Concluindo, não tenho dúvida de que o termo inicial para a contagem do prazo para requerer a restituição do imposto retido, incidente sobre a verba recebida em decorrência da adesão ao Plano de Desligamento Voluntário é a data da publicação da Instrução Normativa n° 165, ou seja, 06 de janeiro de 1999, sendo irrelevante a data da efetiva retenção que, no presente caso, não se presta para marcar o início do prazo extintivo Comungo da certeza de que uma visão diferente, fatalmente levaria a situações inaceitáveis como, por exemplo, o reconhecimento pela administração pública de que determinado tributo é indevido quando já transcorrido o prazo decadencial para o contribuinte pleitear a restituição, constituindo verdadeiro enriquecimento ilícito do Estado e tratamento diferenciado para situações idênticas, o que atentaria, inclusive, contra a moralidade que deve nortear a imposição tributária. Assim, com essas considerações, meu voto é no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial formulado pelo ilustre representante da Procuradoria da Fazenda Nacional." Essa posição, com a qual me perfilho, embasa meu voto, no mesmo sentido e no sentido convergente da jurisprudência dominante nas diversas Câmaras do Colegiado. Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negar-lhe provimento. Sala d- s Sessões1- DF, em 20 de agosto de 2002 e i, # n ,,, ,fr i-ie.4k : , 'i JO*4 CAOS L PASSUELLO 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 15586.000701/2005-03
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
COISA JULGADA. DIREITO ADQUIRIDO.
OS limites da lide e da coisa
julgada reportam-se à norma jurídica aplicada aos fatos e não albergam a pretensão do recorrente de projetar os efeitos da sentença para além da vigência do seu suporte normativo.
MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO.
A comprovação da moléstia grave deve ser efetuada por meio de laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial, e somente terá efeito a partir da data do laudo ou da data de ocorrência da moléstia quando determinada no laudo.
INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO.
O percentual mínimo de aplicação
da multa de oficio é de 75% (setenta e cinco por cento), consoante determina O artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC
A Súmula n° 4 do 1° CC dispõe que a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3301-000.063
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 COISA JULGADA. DIREITO ADQUIRIDO. OS limites da lide e da coisa julgada reportam-se à norma jurídica aplicada aos fatos e não albergam a pretensão do recorrente de projetar os efeitos da sentença para além da vigência do seu suporte normativo. MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO. A comprovação da moléstia grave deve ser efetuada por meio de laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial, e somente terá efeito a partir da data do laudo ou da data de ocorrência da moléstia quando determinada no laudo. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. O percentual mínimo de aplicação da multa de oficio é de 75% (setenta e cinco por cento), consoante determina O artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS DE MORA - TAXA SELIC A Súmula n° 4 do 1° CC dispõe que a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Acórdão nº 3301-00.063; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2016-10-19T17:46:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Acórdão nº 3301-00.063; xmpMM:DocumentID: uuid:e929fd4d-ec59-46dc-850c-fdd6abe1bb19; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: Acórdão nº 3301-00.063; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; ModDate--Text: ; dc:subject: ; meta:creation-date: 2016-10-19T17:46:49Z; created: 2016-10-19T17:46:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2016-10-19T17:46:49Z; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:custom:ModDate--Text: ; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2016-10-19T17:46:49Z | Conteúdo => Processo nO Recurso nO Acórdão nO Sessão de Matéria Recorrente Recorrida S3-C3T1 FI. 171 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 15586.00070112005-03 163.458 Voluntário 3301-00.063 - 33 Câmara /13 Turma Ordinária 07 de maio de 2009 IRPF ALCIDES DO AMARAL SEMBLANO 23 TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO lI/RJ ASSUNTO:IMPOSTOSOBREARENDADEPESSOAFíSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 COISA JULGADA. DIREITO ADQUIRIDO. OS limites da lide e da coisa julgada reportam-se à norma jurídica aplicada aos fatos e não albergam a pretensão do recorrente de projetar os efeitos da sentença para além da vigência do seu suporte nonnativo. MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO. A comprovação da moléstia grave deve ser efetuada por meio de laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial, e somente terá efeito a partir da data do laudo ou da data de ocorrência da moléstia quando determinada no laudo. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. O percentual mínimo de aplicação da multa de oficio é de 75% (setenta e cinco por cento), consoante determina O artigo 44, inciso I, da Lei nO9.430, de 1996. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A Súmula n° 4 do 1° CC dispõe que a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Recurso negado. ACORDAM os Membros da Primeira Tunna Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos tennos do voto do relator. Processo n° 15586.00070l/2005-Q]., Acórdão n.o 3301-00.063 JOSÉ RAI Relator .Ã~ PESSOA MONTEIRO OSTA SANTOS S3-C3T1 Fl.172 FORMALIZADO EM: o 3 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho (Suplente), Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Sidney Ferro Barros (Suplente), Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a refonna do Acórdão DRJ/RJO II nO13-16.491, de 28/06/2007 (fls. 143/154), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o 1ançainento. - As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados pelo contribuinte foram sumariados pela pelo Órgão julgador a quo nos seguintes tennos: Em 16 de novembro de 2005, foi lavrado contra o contribuinte o auto de infração de fls.66/73, em face da utilização indevida de decisão obtida em Mandado de Segurança, já que declarou, nos anos-calendário 2000, 2001, 2002 e 2003 seus rendimentos de aposentadoria como isentos. O crédito tributário perfaz o montante de R$ 338.322,54 (trezentos e trinta e oito mil, trezentos e vinte e dois reais e cinqüenta e quatro centavos), restando discriminado às fls. 67 e 72 dos autos os dispositivos legais adequados para dar amparo ao lançamento. Inconfonnado, o interessado ingressou com a impugnação de fls.79/86, instruída com os documentos de fls. 101/129,a1egando, em síntese que: l.em face de ser aposentado e maior de 65 anos e de ter como fonte exclusiva de renda os beneficios de sua aposentadoria, propôs, litisconsorciado com outros em idêntica situação, Mandado de Segurança (Processo. n° 94.0001527-5) com vistas a obter declaração da imunidade que era prevista no art. 153, S 2°,II da CF; 2.a segurança foi concedida e confirmada no Egrégio TRF 2a Região, bem como no STJ e STF; 2 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 173 3. em face das referidas sentença e Acórdãos e a partir do seu trânsito em julgado, não teve o IR recolhido na fonte, nem mesmo deveria fazê-lo mediante declaração de ajuste; 4. contudo, em 16/12/1998, a Emenda Constitucional(EC) nO20, em seu art. 17 revogou o citado inciso II do S 2° do art. 153 da Constituição Federal; 5. com esta supressão de dispositivo, a Receita Federal, após longos sete anos (2005 - 1998 = 7 anos), achou por bem tomar a exigir do contribuinte os valores relativos ao imposto de renda; 6. para tanto, a fiscalização efetuou o lançamento dos valores do imposto de renda pessoa física que considerou devido após o início da vigência da EC n° 20, ou seja, os anos-calendário 2000, 2001, 2002 e2003; 7. além do imposto que considerou devido, a autuante lançou a multa de ofício e juros de mora; 8. contudo, tal cobrança não pode persistir haja vista a sua ilegitimidade que decorre de "agressões" (sic) à princípios fundamentais da Constituição Federal e à legislação federal; 9. na hipótese de que Emenda Constitucional possa suprimir dispositivo relativo à imunidade a impostos, a pretensão da Receita em cobrar o imposto de renda do contribuinte não pode persistir haja vista o seu direito adquirido; 10.0 art. 153, S2°,II, revogado pela Emenda Constitucional n° 20/98 dispunha o seguinte: " Não incidirá, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a peSsoa com idade superior a sessenta e cinco. anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho. " .. 11.0 dispositivo acima, airida que mencione " não incidência", trata de imunidade tributária, confonne entende a doutrina e os tribunais pátrios; "Segundo entende Roque Carrazza, não obstante o art. 153, S2°, II, da CF, tratar de norma de eficácia limitada, enquanto não sobreviesse a Lei Complementar por se tratar de limitação ao poder de tributar, ela deveria produzir todos os efeitos como se de eficácia plena fosse. Ou seja, o gozo de uma liberdade (Direito Fundamental), não pode ficar a mercê de iniciativas do Poder Legislativo, mesmo por que exigem um Status Negativus Libertatis"; entende, assim, que não é outro sentido da Decisão da qual se beneficia: A regra imunizante do art. 153, S2°,II, da CF , possui eficàcia plena.A título de reforço de seu entendimento, cita jurisprudência do STJ, muito emborfl reconheça que tal citação seja imprestável para fazer frente aos seus direitos; 3 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 174 a aplicabilidade imediata e plena da regra imunizante foi deferida ao interessado mediante uma decisão com trânsito em julgado ( Sentença e Acórdãos em MS) cujos efeitos não podem se desviar, possuindo, assim, direito adquirido à imunidade ao imposto de renda pessoa fisica; a proteção ao direito adquirido mereceu garantia expressa na própria Constituição da República ( art. 5° XXXVI) bem como na Lei de Introdução ao Código Civil (art. 6°); os dispositivos citados tratam do princípio da segurança jurídica, ou seja, que pretendem agregar segurança ao sistema jurídico , impedindo que transformações legislativas venham prejudicar situação prévia já tutelada e, portanto, certa; como se não bastassem os dispositivos citados, o Poder Constituinte derivado estabeleceu dispositivo" didático" na própria Emenda n020/98, para tutelar a transição; aliás, é esta a ementa da referida Emenda:" Modifica o sistema de previdência social, estabelece normas de transição e dá outras providências"; eis a regra "didática" sobre a transição: Art.3° g 3° são mantidos todos os direitos e garantias assegurados nas disposições constitucionais vigentes à data de publicação desta emenda aos servidores e militares, inativos e pensionista, aos anistiados e aos ex-combatentes, assim como àqueles que já cumpriram, até aquela data, os requisitos para usufruírem tais direitos, observado o disposto no art. 37,XI, da Constituição Fede;'al. "(g.n.),' neste sentido é imperioso o respeito aos direitos adquiridos pelo contribuinte e o conseqüente cancelamento dos tributos recorridos, bem como do auto de infração lavrado pelo seu não recolhimento; alega, ainda, ser portador de cardiopatia grave o que faz-lhe incidir a regra de isenção tributária prevista na Lei n° 7.713/88, art. 6°, inciso XIV; infonna que aguarda processo administrativo para apuração da cardiopatia grave e da concessão do beneficio da isenção do imposto de renda, junto ao SEGRE - processo administrativo nO320095695; para qualquer apuração que se fizer necessária, se predispõe para, se preciso for, se submeter a perícia médica para avaliação do seu quadro clínico; se os motivos de fato e de direito não forem suficientes para convencer os julgadores, o autuado pretende ver-se livre da obrigação de pagar a multa de ofício e dos juro moratórios em vista da sua boa fé; 4 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 175 a instabilidade gerada no sistema jurídico deveu-se a um ato Estatal (edição de EC). Portanto,imputar ao requerente o pagamento de juros e multa é inverter a responsabilidade sobre a referida instabilidade; quem incidiu em mora é o Estado (Receita Federal), que deveria ter notificado o autuado da alteração do regime jurídico bem como ter dado preferência o processo de constituição do auto de infração; argúi, ainda, que a Constituição da República, em seu art. 230 , e a Lei n° 10.74112003, tutelam a proteção do idoso, garantindo-o acesso preferencial, inclusive, em processos e procedimentos administrativos; por fim, contesta os cálculos do imposto de renda que acompanham o auto de infração, razão pela qual faz juntada de cálculos em que se aponta para valores inferiores aos cobrados pela Receita Federal (fls. 126/129); por fim, protesta provar o alegado por prova documental, pericial e testemunhal, caso necessário. Em 14/11/2006 o processo foi encaminhado à SECATIDRF?VITÓRIA, por intennédio do Despacho DRJ/RJO-Il/Secoj n00332912006 (fls. 131/132) para intimar o contribuinte a apresentar documentação específica, razão pela qual foram anexados aos autos a . petição de fls. 136/139, reiterando alguns tópicos de sua peçadefensória, e anexar os documentos de fls. 140/141. Tendo em vista a menção feita pelo contribuinte no corpo de sua impugnação à proteção constitucional ao idoso (Lei n° 10.74112003) foi dada prioridade à tramitação do presente processo. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 DIREITO ADQUIRIDO. Quando decisão judicial transitada em julgado tem seu dispositivo legal revogado por Emenda Constitucional, inexiste a obrigação da parte vencida em cumprir a sentença favorável ao vencedor. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Compõem a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual do beneficiário, os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão pagos a pessoa com idade superior a 65 anos, que excederem o limite de isençqo estabelecido em lei. MOLÉSTIA GRA VE - ISENÇÃOA comprovaçào da moléstia grave deve ser efetuada por meio de laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial, e somente terá efeito a partir da data 5 Processo n° J 5586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 do laudo ou da data de ocorrência da moléstia quando determinada no laudo. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA REGULAMENTARES. São aplicáveis sobre o valor de imposto apurado em auto de infração a multa de oficio e os juros de mora previstos na legislação de regência. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que, além de não ter observado os requisitos previstos no art. 16, inciso IV, ~ 1°, do Decreto 70.235/72, se revela impraticável e protelatória da decisão. Lançamento Procedente S3-C3T1 FI. J 76 ~---- ------- o recurso voluntário interposto (fls. 160/169) repIsa as mesmas questões suscitadas em sede de impugnação. É o relatório. Voto o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Do exame das peças processuais, firmo entendimento de que a decisão de primeiro grau não merece reparos. Com efeito, a exigência tributária em exame não está afrontando a coisa julgada nem o direito adquirido do contribuinte, porquanto dirigida, tão-somente, para os fatos geradores do imposto de renda ocorridos em momento posterior à Emenda Constitucional n° 20, DOU de 16/12/1998. A atividade do lançamento poderia ser efetuada, para fins de cumprimento da nova regra vigente, até o prazo estabelecido no artigo 150, S 4°, ou artigo 173 do CTN, razão pela qual não procede a insurgência do recorrente quanto ao lançamento efetuado no ano de 2005, em relação aos anos-calendário de 2000 a 2003. Da mesma forma com que o autuado teve a iniciativa de buscar a tutela jurisdicional, não havia obstáculo algum para que espontaneamente ajustasse suas contas com o fisco, após a edição da referida Emenda. Constata-se que a demora do fisco inclusive o beneficiou, pela decadência do direito de constituir o crédito em relação ao ano de 1999. O Estatuto do Idoso não possui regramento para a hipótese em tela, até porque somente passou a existir processo fiscal em tramitação após a lavratura deste Auto de Infração. A decisão judicial que albergava o reconhecimento do direito conquistado através da Ação Mandamental de n° 94.0001527-5 foi obedecida, enquanto vigente a ordem jurídica por ela disciplinada. A imunidade do artigo 153, S 2°, inciso II, da Constituição Federal, poderia, por prescrição da própria regra que a instituiu, sofrer restrições através de lei complementar - instrumento nonnativo competente para disciplinar as limitações constitucionais ao poder de tributar - consoante entendimento expresso na Sentença às fls. ~ 6 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 177 31140, com arrimo em doutrina e jurisprudência majoritária. Segundo manifestação do Relator Carreira Alvim do Tribunal Regional Federal da 23 Região (fls. 46), os limites impostos pelo artigo 10, inciso V, da Lei nO8.383, de 1991, deveriam ser disciplinados por lei complementar, e enquanto esta não fosse editada, estabelecendo os limites atinentes à imunidade, a regra constitucional que a instituiu é de eficácia direta, imediata e plena. Efetivamente os limites da lide e da coisa julgada reportam-se à norma jurídica concreta aplicada aos fatos e não albergam a pretensão do recorrente de projetar os efeitos da sentença para além da vigência do seu suporte normativo. Inexistindo a lei reclamada pelo texto constitucional (LC), a regra inibidora da tríbutação não poderia sofrer limitações por meio de lei ordinária. Tal conclusão é insofismável. Se a norma complementar poderia impingir restrições ao direito do contribuinte, com muito mais razão o poderá a própria norma constitucional, veiculada através da Emenda Complementar nO20. Enquanto esteve em vigor o artigo 153, S 2°, inciso lI, da Constituição Federal, houve o mais absoluto respeito à coisa julgada e ao direito adquirido do contribuinte, ou seja, à imunidade ao IR, por este auferir proventos de aposentadoria pagos pelo Estado e ter idade superior a sessenta e cinco anos, e renda total constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho. Não houve, portanto, qualquer violação ao princípio da segurança jurídica. A coisa julgada e o direito adquirido pelo contribuinte, no presente caso, sempre estiveram sujeitos a limitações, por via de lei complementar ou por alteração da própria Constituição Federal. Quanto ao argumento suscitado pelo contribuinte relativamente ao art. 3° S 3° da Emenda Constitucional nO20, 1998, cabe esclarecer que os direitos mantidos e às garantias assegurados nas disposições constitucionais vigentes à data de publicação desta emenda foram aqueles direcionados aos servidores e militares, inativos e pensionistas, aos anistiados e aos ex- combatentes, assim como àqueles que já cumpriram, até àquela data, os requisitos para usufruírem tais direitos, observado o disposto no art. 37, XI, da Constituição Federal, que não se aplica ao caso em exame, pois tratam dos limites aplicáveis às remunerações, proventos e pensões, pagas pela administração direta, autárquica e fundacional dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Em relação ao direito a Isenção dos proventos de aposentadoria, aos portadores de molésti a f,'Tave,vejamos o que dispõe a Lei n° 7.713/88, art. 6°, inciso XIV, com a redação com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004: Art. 6" Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (..) XIV - os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hansenÍase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radioçào, sÍndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusào da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; " 7 Processo nO 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 178 A partir do ano-calendário de 1996, deve-se aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: o artigo 30 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 dispõe: Art. 30 - A partir de 1()de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nO8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (g. n.) A Instrução Normativa SRF nO15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6°, XIV, da Lei nO7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: Art. 5° Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: ( ..) XII - proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia ( ...) 1° A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XITTI, solicitada a partir de 1()de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (g.n.). ~ 2" As isenções a que se referem os incisos XI! e XXXV aplicam- seaos rendimentos recebidos a partir: 1- do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II - do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municipíos, que reconhecer amoléstia, se estafor contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; 111- da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. " (g.n.) Conforme claramente indicado no voto condutor do Acórdão recorrido, de acordo com o texto legal,depreende-se que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta-se à natureza dos valores recebidos, que devem ser' proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Inicialmente, faz-se mister ressaltar que um dos requisitos essenCIals à concessão da isenção foi preenchido pelo interessado já que consta do processo cópia do D.a 8 Processo nO 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3Tl FI. 179 de 13/07/84, onde consta a infonnação de que foi concedida aposentadoria, a partir de 17/8/1983, ao Sr. Alcides do Amaral Semblano (fls. 141). Quanto ao outro requisito indispensável à concessão da isenção, é de se destacar que, analisando-se o laudo pericial de fls. 140, constata-se que o interessado é portador de cardiopatia grave, doença esta compatível com o CID (I 25), ressaltando-se, entretanto, que neste laudo contém a informação de que a data de início dos sintomas comprovados da doença ocorreu em 09/05/2005. É de se acrescentar que, apesar de o contribuinte se predispor a se submeter à perícia médica para avaliação de seu quadro clínico, o laudo pericial que ele acostou aos autos, foi expedido pelo Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado do Espírito Santo - IPAJM (serviço médico oficial), e é um instrumento hábil para a comprovação da cardiopatia grave que possui, foi diagnostica em 09/05/2005 , e, em conseqüência, para formar a convicção do julgador de que o autuado não era portador de moléstia grave nos anos- calendário de 2000 a 2003, de que trata a presente lide fiscal. Assim, não havendo matéria de fato a ser esclarecida, desnecessária a realização de diligências ou perícias. Nestas circunstâncias, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Compete privativamente à. autoridaôe administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O parágrafo único do artigo 142 do CTN ainda acrescenta: "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Em relação à multa de oficio, confira-se o que dispõe o enquadramento legal indicado no Auto de Infração (artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996), verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11 - cento e cinqüenta por cento, 110S casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifei) Pela letra da lei, sempre que o lançamento do crédito tributário for realizado pelos Agentes do Fisco, há que ser exigida a multa de ofício no percentual de 75%, nos casos de falta de pagamento, falta de declaração, declaração inexata, ou de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos 3liigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Considerando a boa-fé do contribuinte, foi aplicada a multa de 75%. A única previsão legal de abrandamento da multa está contida no artigo 6° da Lei nO8.218, de 1991, que prevê a redução de cinqüenta por cento da multa de lançamento de ofício, ao contribuinte que, notificado, 9 Processo nO 15586.000701/2005-03 Acórdào n.o 3301-00.063 S3-C3Tl FI. 180 efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Se houver impugnação tempestiva, a redução será de trinta por cento, se o pagamento do débito for efetuado dentro de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Da mesma fonna, a exigência dos juros moratórios decorre da falta de pagamento do imposto de renda, conforme previsto no artigo 161, do Código Tributário Nacional: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 81()Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. A cobrança dos juros de mora não tem caráter punitivo, a sua incidência visa compensar o período de tempo em que o crédito tributário deixou de ser pago. Paulo de Barros Carvalho, eminente tratadista do Direito Tributário, (Curso de Direito Tributário, 9a edição, Editora Saraiva: São Paulo, 1997, p. 337), discorre sobre as características dos juros moratórios, imprimindo-lhes um caráter remuneratório pelo tempo em que o capital ficou com o administrado a mais que o permitido: (..) Sobre os mesmos fundamentos, os juros de mora, cobrados na base de 1% ao mês, quando a lei não dispuser outra taxa, são tidos por acréscimo de cunho civil, à semelhança daqueles usuais nas. avenças de direito privado. Igualmente aqui não se lhes pode negar feição administrativa. Instituídos em lei e cobrados mediante atividade administrativa plenamente vinculada, distam de ser equiparados aos juros de mora convencionados pelas partes, debaixo do regime da autonomia da vontade. Sua cobrança pela Administração não tem fins punitivos, que atemorizem o retardatário ou o desestimule na prática da dilação do pagamento. Para isso atuam as multas moratórias. Os juros adquirem um traço remuneratório do capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido. Essa particularidade ganha realce, na medida em que o valor monetário da divida se vai corrigindo, o que presume manter-se constante com o passar do tempo. Ainda que cobrados em taxas diminutas (1% do montante devido, quando a lei não dispuser sobre outro valor percentual), os juros de mora são adicionais à quantia do débito, e exibem, então, sua essência remuneratória, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence. Após inúmeros debates a respeito da legalidade e constitucionalidade da utilização da taxa SELIC para fins tributários, no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes foi editada a Súmula n° 4, de aplicação obrigatória neste Órgão: Súmula 10 CC 11o 4: A partir de 1 {J de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de 10 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. S3-C3T1 FI. 181 11 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
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Numero do processo: 10980.001875/2009-32
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO DEMONSTRADO.
O lançamento sub examine se lastreia tão-somente nas provas que constam deste processo, sendo irrelevante qualquer documento que não tenha sido trazido aos autos pela autoridade lançadora. Sendo inconcusso que a recorrente teve acesso as peças deste processo, não há falar que tenha havido cerceamento do seu direito de defesa.
DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN.
Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplica-se a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento.
RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS.
Demonstrada à exaustão a omissão dos ganhos nas operações vermelha, azul, verde e rebate, conforme denominação cunhada pela própria recorrente nos seus relatórios confidenciais, devem ser mantidos os lançamentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Recusando-se a contribuinte a informar a origem dos depósitos bancários, há que se presumir que tais valores são receitas omitidas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, com o fito de omitir do Fisco os ganhos nas operações de importação, há que se manter a multa qualificada no percentual de 150% nos lançamentos tributários sobre as receitas não contabilizadas
Há que se manter a multa qualificada, quando a contribuinte age visando impossibilitar o conhecimento do Fisco de indício (depósito bancário de origem não comprovada) que levaria à presunção de omissão de receitas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa c efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-001.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros: Márcio Frizzo, que dava provimento parcial para reduzir a multa de ofício relativa ao item 002 da autuação (depósitos bancários de origem não comprovada) e exonerava parcialmente o crédito relativo ao item 001 (receitas não contabilizadas); e Paulo Cortez, que dava provimento para reduzir a multa de ofício relativa ao item 002 (depósito bancário de origem não comprovada)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO DEMONSTRADO. O lançamento sub examine se lastreia tão-somente nas provas que constam deste processo, sendo irrelevante qualquer documento que não tenha sido trazido aos autos pela autoridade lançadora. Sendo inconcusso que a recorrente teve acesso as peças deste processo, não há falar que tenha havido cerceamento do seu direito de defesa. DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplica-se a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Demonstrada à exaustão a omissão dos ganhos nas operações vermelha, azul, verde e rebate, conforme denominação cunhada pela própria recorrente nos seus relatórios confidenciais, devem ser mantidos os lançamentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recusando-se a contribuinte a informar a origem dos depósitos bancários, há que se presumir que tais valores são receitas omitidas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, com o fito de omitir do Fisco os ganhos nas operações de importação, há que se manter a multa qualificada no percentual de 150% nos lançamentos tributários sobre as receitas não contabilizadas Há que se manter a multa qualificada, quando a contribuinte age visando impossibilitar o conhecimento do Fisco de indício (depósito bancário de origem não comprovada) que levaria à presunção de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa c efeito que os vincula.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO DEMONSTRADO. O lançamento sub examine se lastreia tãosomente nas provas que constam deste processo, sendo irrelevante qualquer documento que não tenha sido trazido aos autos pela autoridade lançadora. Sendo inconcusso que a recorrente teve acesso as peças deste processo, não há falar que tenha havido cerceamento do seu direito de defesa. DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplicase a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Demonstrada à exaustão a omissão dos ganhos nas operações vermelha, azul, verde e rebate, conforme denominação cunhada pela própria recorrente nos seus relatórios confidenciais, devem ser mantidos os lançamentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recusandose a contribuinte a informar a origem dos depósitos bancários, há que se presumir que tais valores são receitas omitidas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, com o fito de omitir do Fisco os ganhos nas operações de importação, há que se manter a multa qualificada no percentual de 150% nos lançamentos tributários sobre as receitas não contabilizadas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 18 75 /2 00 9- 32 Fl. 7340DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Há que se manter a multa qualificada, quando a contribuinte age visando impossibilitar o conhecimento do Fisco de indício (depósito bancário de origem não comprovada) que levaria à presunção de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa c efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros: Márcio Frizzo, que dava provimento parcial para reduzir a multa de ofício relativa ao item 002 da autuação (depósitos bancários de origem não comprovada) e exonerava parcialmente o crédito relativo ao item 001 (receitas não contabilizadas); e Paulo Cortez, que dava provimento para reduzir a multa de ofício relativa ao item 002 (depósito bancário de origem não comprovada) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha. Relatório Versa o presente processo sobre recurso de ofício apresentado pela 1ª Turma da DRJ/CTA e recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n˚ 06 22.445 da 1ª Turma da DRJ/CTA, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendúrio: 2003, 2004, 2005 LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOBRE RECURSOS MOVIMENTADOS NO EXTERIOR. NULIDADE INEXISTENTE. Os recursos movimentados em contas abertas em paraísos fiscais vinculamse à pessoa responsável por sua origem. Se os recursos são provenientes das atividades operacionais da pessoa jurídica, correto mantêla no pólo passivo da exigência decorrente de tais movimentações, ainda que as contas tenham Fl. 7341DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.341 3 sido abertas em nome da pessoa física do sócio majoritário ou de empresas de fachada. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em casos de dolo, fraude ou simulação, o termo de inicio para contagem do prazo decadencial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. DESCONTOS NÃO ESCRITURADOS. PROVA DIRETA. A comprovação da obtenção de descontos financeiros pela empresa, não escriturados em sua contabilidade, constitui prova direta de receita omitida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A conduta do contribuinte de manter vultosa movimentação financeira em paraísos fiscais, utilizada para auferir descontos financeiros omitidos e para recebimento de depósitos sem comprovação de origem, omitindo suas receitas durante anos consecutivos, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de sonegação prevista no art. 71 da Lei n° 4.502/1964. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa c efeito que os vincula. Dessa decisão, a 1ª Turma da DRJ/CTA recorreu de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em face de o crédito tributário exonerado estar acima do limite de alçada fixado no art. 34, inciso I, do Decreto no 70.235/72, c/c a Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. O crédito tributário exonerado se refere aos lançamentos da Cofins e da Contribuição para o PIS dos fatos geradores dos meses de março a novembro de 2003, por entender a 1ª Turma da DRJ/CTA que tais créditos tributários já estavam extintos pela decadência no momento em que lavrado o auto de infração (20/02/2009). No seu recurso voluntário, a contribuinte aduz as seguintes razões de defesa: i) que mais de 90% dos insumos utilizados pela Fertipar na fabricação de fertilizantes são importados; ii) que, nos anos de 2003, 2004 e 2005, período objeto desta autuação, a recorrente importou 2.478.934 toneladas de matériaprima, no valor aproximado de US$ 395 milhões (trezentos e noventa e cinco milhões de dólares americanos); iii) que as importações sujeitamse a rigorosos controles internos e externos, estes exercidos pela Administração Pública Federal de forma constante e permanente, quer a priori, quer ao longo de cada processo; Fl. 7342DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 iv) que o prazo decadencial para lançamento dos referidos tributos é aquele disposto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional: 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador; v) que a DRJ de Curitiba aplicou o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, porquanto entendeu que houve dolo na conduta da recorrente; vi) que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entende que somente há dolo quando existir prova cabal, não se admitindo meras presunções ou indícios; vii) o presente auto de infração foi lavrado integralmente com base em presunções, o que afasta a ocorrência de dolo; viii) que, no caso em tela incide o disposto no artigo 150 do Código Tributário Nacional, com o que os créditos do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2003 e do PIS e da COFINS das competências anteriores a janeiro de 2004 foram atingidos pela decadência, haja vista que o auto de infração foi lavrado em 20/02/2009; ix) que os exportadores, quando o pagamento é a vista, somente enviam os documentos originais de embarque após a comprovação da remessa financeira para o exterior e (ii) o despachante aduaneiro necessitará dos dados do câmbio para registrar a Declaração de Importação no Siscomex; já nas importações em que o pagamento é a prazo, tais documentos são liberados pelo exportador após o aceite de um Saque (Draft) no valor da importação; xi) que o pagamento das importações, independentemente de sua modalidade (antecipado, à vista, a prazo e financiamento), é feito exclusivamente através de contrato de câmbio; xii) que, para a contratação do câmbio, é necessário apresentar à instituição bancária os seguintes documentos: i. pagamento antecipado: fatura proforma (proforma invoice) onde conste a previsão do embarque; ii. Pagamento à vista: a) fatura comercial (commercial invoice) e conhecimento de embarque (BL); iii. pagamento a prazo ou financiamento bancário: fatura comercial (commercial invoice), conhecimento de embarque (BL) e comprovante de importação — Cl; xiii) que a quitação do contrato de câmbio somente pode se dar mediante débito em contacorrente bancária mantida pelo importador; xiv) que assim a Fertipar só pode pagar suas importações com o débito em contacorrente bancária do valor fixado no contrato de câmbio; xv) que a conditio sine qua non para a quitação de uma importação passou inteiramente despercebida pelo digno agente fiscal e pela DRJ de Curitiba; xvi) que o agente fiscal e DRJ se mostraram impressionados com o reiterado registro nas faturas comerciais (invoices) emitidas pelos fornecedores internacionais, de conta corrente bancária que não corresponde com a que efetivamenie foi beneficiada pelos valores remetidos, ou onde ocorreu o crédito do valor dos contratos de câmbio; xvii) que somente alguém não afeito ao comércio exterior se impressionaria com tal fato, pois a menção de conta bancária do fornecedor na fatura (invoice) espelha o que ocorreu no momento da venda, mas é bastante comum que, após a emissão da fatura, o fornecedor negocie seu título, buscando liquidez, por razões muito simples: o exportador Fl. 7343DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.342 5 necessita de capital de giro, sendo que o prazo de pagamento das importações geralmente é de 180 dias após o embarque da mercadoria; xviii) que, na época em que a importação vier a ser liquidada (mais de 6 meses após a venda), o fornecedor instrui o importador a remeter o pagamento para conta diversa daquela que constou na fatura (invoice), conta essa que normalmente não pertence ao exportador, mas sim As empresas que descontaram o título; xix) que, ao invés de reconhecer que tal mudança resultou de uma negociação financeira entre o exportador e terceiros, numa operação de desconto que chega a ser corriqueira no comércio exterior, o autuante ousou expressar sua interpretação a respeito, para entender ... que a contribuinte ou pagou muito menos, ou simplesmente não pagou as Importações descritas no "Demonstrativo de Conversão para Real de Descontos Auferidos em Dolar" (item 9, intimação 4, fls. 366/375 da autuação); xx) que o presente auto de infração foi lavrado a partir de uma série de presunções, sendo a principal delas a de que a recorrente é sócia de empresas offshores estrangeiras, as quais possuem contas em instituições bancárias no exterior; xxi) que a autuação está embasada em diversos documentos que constam do Inquérito Policial n. 2 1248/05SR/DPF/PR8, cuja cópia (não se sabe se integral ou parcial) foi remetida (fls. 29) ao Delegado da Receita Federal em Curitiba; xxii) que a recorrente jamais teve acesso aos autos do referido inquérito, mas apenas e tão somente, de alguns fragmentos esparsos, cujas cópias vêm anexadas neste procedimento administrativo fiscal; xxiii) que o acórdão recorrido sustentou que: “O fato de a impugnante não ter tido acesso aos autos do inquérito policial instaurado em razão das investigações sobre a empresa Dourada Corretora de Câmbio Ltda. em nada impediu o livre exercício de seu direito de defesa. Afinal, todas as provas em que se baseia o lançamento foram remetidas a autuada durante o procedimento de fiscalização. E. mais, como os registros nas citadas contas "Anglo", "Riven" e "Crumer" espelham rigorosamente os pagamentos e recebimentos decorrentes de suas transações comerciais, presumese que a impugnante possua todas as provas sobre tais transações, mas não as apresenta em razão de sua estratégia de defesa de alegar desconhecimento sobre a existência de tais contas”; xxiv) que a a DRJ de Curitiba, partindo da presunção, falsa conforme a seguir se verá, de que a recorrente movimentou contas bancárias no estrangeiro, também presume que a Fertipar possui as provas necessárias à elaboração de suadefesa; xxv) a recorrente deve ter acesso a todos os elementos constantes do inquérito policial, os quais são imprescindíveis para o exercício do contraditório e da ampla defesa assegurados pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição da República, pois certamente foram anexados outros elementos, os quais não foram remetidos para a autoridade fiscal e tais elementos podem infirmar o conteúdo dos "documentos" apócrifos que fundamentam esta autuação; xxvi) que está a se exigir da recorrente tributos que superam a astronômica cifra de R$ 450.000.000,00 (quatrocentos e cinquenta milhões de reais) com base em Fl. 7344DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 elementos que não foram apreendidos em suas dependências, elementos esses que segundo a DRJ de Curitiba a recorrente teria ciência; xxvii) que toda a autuação está embasada em "documentos" apócrifos que o auditor fiscal designou de "extratos manuscritos", os quais se encontram no apenso I, volume 4 (fls. 31/123); xxviii) que todos os elementos anexados no apenso 1, inclusive o volume 4, foram apreendidos na residência de Juliana Feldmann, a qual sequer é sócia da Fertipar, sendo tal fato reconhecido no acórdão recorrido (fls. 4383) no seguinte trecho: “Já asseverei acima que o contribuinte de fato e de direito em relação aos tributos exigíveis sobre as transações identificadas nas contas "Anglo", "Riven" e "Crumer" é a autuada. Em nada influencia parte da documentação ter sido apreendida na residência da Sra. Juliana Feldmann, que não integra o quadro societário da impugnante. Afinal, além de ela ser filha do Sr. Alceu, dono de 90% das cotas de capital da autuada, constam dos autos inúmeras ordens de transferência de valores das referidas contas assinadas pela indigitada senhora”; xxix) que os peritos da Polícia Federal emitiram Laudo de Exame Financeiro de fls. 14/28, no qual afirmam que: "constam documentos indicando que os investigados [ou seja, Alceu Elias Feldmann e Juliana Feldmann mantinham e/ou movimentavam contas em bancos estrangeiros, tanto em nome próprio, como em nome de empresas"; xxx) que o auditor fiscal, a DRJ de Curitiba e o Banco Central do Brasil reconhecem que Alceu Elias Feldmann é (I) o titular de contas bancarias no exterior e (II) quem as movimenta (ou seja, quem assina as ordens de transferência); xxxi) que de maneira contraditória o agente fiscal imputou à Fertipar, que reconhecidamente não é titular de contas bancárias no estrangeiro, a responsabilidade pelo pagamento de tributos que incidiriam sobre supostos recursos mantidos nas contas bancárias das empresas Partner, Riven, Crumer e Anglo; xxxii) que é importante ressaltar que Alceu Elias Feldmann é sócio de outras empresas além da recorrente, inclusive no exterior (Fertipar International LLP, no Reino Unido, e Mintenvile Corporation, nas Ilhas Virgens Britânicas), bem como tem uma expressiva atuação na área agropecuária (6 proprietário de diversas fazendas); xxxiii) que os negócios de Alceu Elias Feldmann não se resumem à recorrente, como procurar fazer crer a DRJ de Curitiba; xxxiv) que a tributação da pessoa jurídica por fato reconhecidamente imputável à pessoa física de um de seus sócios encontraria ao menos um motivo lógico se (e este é um grande se) esta pessoa física não tivesse capacidade econômicofinanceira para fazer frente autuação fiscal; xxxv) se Alceu Elias Feldmann é o titular de contas bancárias fora do país e é quem as movimenta (isto é, tem a disponibilidade dos recursos), ele que é o contribuinte de eventual tributo devido, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional; xxxvi) que os pagamentos das importações objeto desta autuação, segundo a DRJ de Curitiba, foram efetuados nas contas bancarias das empresas Partner, Riven, Crumer e Anglo, e mais, considerando que o acórdão recorrido reconheceu que Alceu Elias Feldmann é o titular e quem movimenta tais contas, resta evidente que a presente autuação foi erroneamente endereçada à Fertipar, verdadeira parte ilegítima; Fl. 7345DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.343 7 xxxvii) que as presunções de que a Fertipar é sócia de empresas offshores estrangeiras e possui contas bancárias fora do país são falsas, eis que infirmadas pela prova colacionada nos autos; xxxviii) que cumpre ressaltar que mais de uma centena de importações relacionadas nas fls. 366/375, não foram realizadas pela recorrente, o que foi reconhecido pelo agente fiscal, mas sim por outras empresas e até mesmo por pessoas fisicas; xxxix) que Fertipar Sudeste Adubos e Corretivos Agricolas Ltda. (CNPJ 02.614.911/000134), Fertipar Fertilizantes do Nordeste Ltda. – Fertinor (CNPJ 02.119.258/000137), Fertipar Bandeirantes Ltda. (CNPJ 04.081.068/000101), Fertigran Fertilizantes Vale do Rio Grande Ltda. (CNN 53.400.818/000168), Fertilizantes Piratini Ltda. (CNN 78.937.158/000180), Fertilizantes Centro Oeste Ltda. (CNN 82.040.585/000138), Fertilizantes do Nordeste Ltda. Fertine (CNN 73.674.202/000192), Fertial Fertilizantes de Alagoas Ltda. (CNPJ 04.869.169/0001 33), Fecoagro e Adufertil não podem ser confundidas com a ora recorrente; xl) Conforme consta no Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização de fls. 02, a Fertipar Fertilizantes do Paraná (CNPJ 90.810.706/000101), e somente ela, foi objeto de fiscalização; xli) que eventual omissão de receita decorrente de "ganhos financeiros" obtidos em importações efetuadas por outras empresas não pode ser imputada à recorrente; xlii) que a DRJ de Curitiba entendeu que compete à recorrente comprovar que repassou supostos descontos auferidos em importações realizadas por outras empresas, mas a recorrente não auferiu nenhum beneficio em importações efetuadas por terceiros, até porque não atuou em tais operações, logo, a recorrente não pode fazer prova de que repassou qualquer espécie de beneficio para tais empresas; xliii) que se impõe a revisão do lançamento a fim de que sejam excluídas as supostas receitas advindas das importações realizadas pelos terceiros antes relacionados; xliv) que, após presumir que a Fertipar é acionista de empresas estrangeiras e possui contas bancárias no exterior, o auditor fiscal também presumiu que a recorrente: obteve descontos na aquisição de insumos no exterior, o que designou de "operação vermelha" e também de "rebate" e adquiriu insumos fora do país sem o dispêndio de recursos, o que chamou de "operação azul" e de "operação verde"; xlv) que, ao contrário do que presume o auditor fiscal, a recorrente não auferiu descontos na importação de matériaprima, muitos menos as importou a título gratuito; xlvii) que, como já se demonstrou, o pagamento de produtos importados somente pode ser efetuado mediante a contratação de câmbio junto às instituições financeiras; xlviii) que toda a autuação a título de omissão de receita decorrente de "ganhos financeiros recebidos em espécie ou em mercadorias" reportase ao demonstrativo de fls. 366/375, porém, mesmo após escoimada das importações que foram realizadas por outras empresas, cuja discussão é impertinente, a presunção fiscal não se sustenta; Fl. 7346DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 xlix) que, para que não restem dúvidas, procede a análise de cada uma das operações constantes do demonstrativo de fls. 366/375, realizadas pela recorrente; l) que, conforme exaustivamente demonstrado, todas as importações realizadas pela recorrente foram pagas sem qualquer desconto; li) que, afora o problema de crédito que a Fertipar enfrentaria se simplesmente não pagasse suas importações (como presumiu o digno agente fiscal), restaria ainda um verdadeiro "problemão": as Leis Federais nº 9.718/99 e 10.755/2003 preveem a aplicação de multa diária ao importador inadimplente, na hipótese das importações não serem liquidadas em até 180 dias do seu vencimento, multa esta calculada com base na taxa prefixada de empréstimo para capital de giro divulgada pelo Banco Central do Brasil; lii) que a presunção fiscal não se sustenta e é incoerente, porque há toda uma coleção de importações dentre aquelas mencionadas no demonstrativo de fls. 366/375 nas quais os pagamentos foram efetuados exatamente para a conta mencionada na fatura (final invoice); liii) que o razão analítico da conta fornecedores (fls. 556/588) registra o débito de maneira individualizada para cada uma das operações de importação, sendo que a recorrente, conforme reconheceu o agente fiscal, "mantém em boa guarda os livros contábeis e os dossiês de importacão de todas as unidades cujas pastas reúnem documentos de até três importações tendo sido atribuído pela fiscalizada, para facilitar seu controle, numeração própria que denominamos de Número de Referência Interno; liv) que insiste que não possui qualquer participação acionária em empresas estrangeiras, muito menos contas bancárias no exterior, o que foi corroborado pela documentação anexada neste procedimento e reconhecido pelo auditor fiscal, pela DRJ de Curitiba e pelo Banco Central do Brasil; lv) que ainda que admitido, por um momento, apenas a título de argumentação, como correta a presunção de que a Fertipar seria sócia de empresas situadas no exterior, ou offshore, nem assim o auto de infração teria como prosperar, pois a legislação brasileira é muito clara ao determinar que somente os lucros (e não a receita) gerados por empresa estrangeira integrarão a base de cálculo (lucro real) do IRPJ e da CSLL devidos por sua controladora ou coligada situada no Brasil; lvi) que eventuais depósitos nas contas bancárias de empresas estrangeiras constituem receita destas, e não de sua controladora ou coligada domiciliada no Brasil, e tais receitas, evidentemente, devem ser tributadas de acordo com a legislação do pais em que localizada a empresa, em observância ao princípio da territorialidade; lvii) que, somente dois tributos IRPJ e CSLL incidem sobre os lucros auferidos no exterior, com o que indevida a exigência de PIS e COFINS; lviii) que a presente autuação está totalmente embasada nos "extratos manuscritos" apócrifos de fls. 31/123 (apenso 1, volume 4 do inquérito policial), os quais, conforme reconheceu a DRJ de Curitiba, não foram apreendidos na sede da recorrente; lix) que os referidos "extratos" consignam créditos e débitos, tanto isso é verdade que foi lavrado outro auto de infração (PAF n. 10980.001876/200987), tendo por objeto a tributação de supostos pagamentos a beneficiários não identificados (débitos), logo pagamentos (despesas) devem ser considerados para apuração do lucro real; Fl. 7347DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.344 9 lx) que o lançamento deverá ser revisto a fim de que da receita supostamente omitida, apurada na presente autuação, sejam deduzidos os pagamentos a beneficiários não identificados objeto do PAF nº 10980.001876/200987; lxi) que, conforme se demonstrou à exaustão, o auto de infração está baseado somente em presunções, o que afasta a ocorrência de dolo, fraude, etc., logo, impõese a redução da multa de 150% para 75%. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso de ofício atende o disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. Todavia, negolhe provimento, pois os fatos geradores da Cofins e da Contribuição do PIS dos meses de março a novembro de 2003 poderiam ser objetos de lançamento no próprio ano de 2003, razão pela qual, in casu, o primeiro dia do ano de 2004 é o dies a quo do prazo decadencial. Assim sendo, em 31/12/2008 ocorreu a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento dos referidos créditos tributários, razão pela qual agiu bem a decisão recorrida quando cancelou o lançamento de tais créditos, efetuado em 27/02/2009. O recurso voluntário foi interposto tempestivamente, já que a ciência da decisão recorrida se deu em 10/06/2009 (AR a fls. 4392) e a peça recursal foi protocolizada em 30/06/2009 (doc. a fls. 4393), como também foi assinado por advogado devidamente constituído com poderes para tal (doc. a fls. 702/703). Por essas razões, conheço do recurso voluntário da contribuinte. De plano, afasto a preliminar de cerceamento do direito de defesa, com base na alegação de que a recorrente não teve acesso a todas as peças do Inquérito Policial, do qual foram emprestadas as provas que compõe estes autos, por autorização judicial (doc. a fls. 30 do vol. I). Ocorre que o lançamento sub examine se lastreia tãosomente nas provas que constam deste processo, sendo irrelevante qualquer documento que não tenha sido trazido aos autos pela autoridade lançadora, ou seja, a sorte do lançamento em tela depende unicamente das provas destes autos. Por sua vez, é inconcusso que a recorrente teve acesso as peças deste processo, razão pela qual não há falar que tenha havido cerceamento do seu direito de defesa, já que todas as provas que fundamentam os fatos que lhe são imputados, nestes autos, foram colocadas a sua disposição. Por último, salientese que a contraprova necessária para infirmar os fatos aqui imputados à recorrente constituise basicamente de registros contábeis e de documentos que o lastreiam, ou seja, algo que necessariamente é do conhecimento da recorrente e que está a sua disposição, razão pela qual a insistência da recorrente em querer ter acesso a documentos que só interessam ao Inquérito Policial, deve ser tido apenas como a tentativa de criar argumento de defesa em virtude de alguma dificuldade de refutar os fatos que lhe são imputados neste processo. Quanto à preliminar de mérito suscitada, consistente na alegação de que estariam decaídos, quando do lançamento, os créditos do IRPJ e da CSLL do anocalendário de Fl. 7348DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 2003 e da contribuição do PIS e da COFINS das competências anteriores a janeiro de 2004, sua análise impõe necessariamente que invertamos a lógica processual e adentremos no mérito. Isso porque, a se configurar, pela análise das provas, que a recorrente agiu com dolo, fraude ou simulação, deslocase a regra decadencial do art. 150 para o art. 173 do CTN, conforme preceitua o § 4º do art. 150 do CTN. Ressaltandose que, sendo aplicável, in casu, a regra decadencial do art. 173 do CTN, nenhum crédito tributário lançado estava decaído no momento do lançamento, logicamente, salvo aqueles já declarados decaídos na decisão de primeira instância. DAS PROVAS Sustenta a recorrente que toda a autuação está embasada em "documentos" apócrifos que o auditor fiscal designou de "extratos manuscritos", os quais foram apreendidos na residência de Juliana Feldmann, a qual sequer é sócia da Fertipar. Ora, a Sra. Juliana Feldmann é filha do Sr. Alceu Elias Feldmann, o qual detém 90% do capital da recorrente, e irmã do Sr. Alceu Elias Feldmann Filho, que detém 10% do capital da recorrida (doc. a fls. 619 do vol. III). Como se vê, não estamos falando de uma pessoa estranha ao grupo econômico da recorrente, mas de alguém que tem os mais estreitos laços familiares com os únicos titulares das cotas de capital da recorrente. Noutro ponto, há que se salientar que seria absurdo exigir que a escrituração contábil paralela (extratos manuscritos) estivessem assinados pelos representantes legais da recorrente. Por outro lado, vale salientar que a veracidade dos extratos manuscritos (doc. a fls. 31 e segs. do vol. I), apreendidos na casa da Sra. Juliana Feldmann, tornase incontestável quando se verifica a correlação deles com outros documentos constantes dos autos, como, por exemplo, as Solicitações de Transferências de Valores e as comunicações eletrônicas (emails) entre a recorrente e instituições financeiras, como também, o próprio cotejo de tais manuscritos com os registros internos de importação da recorrente já deixa claro que se tratam de uma escrituração paralela. Noutro ponto, o Termo de Verificação Fiscal (doc. a fls. 618 e segs. do vol. III) informa que, em ação fiscal executada na sede administrativa da recorrente, constatouse que a mesma movimentou contas bancárias, não escrituradas, por meio das seguintes offshores: a) Riven Incorporation, conta no banco Itaú em Luxemburgo; b) Anglo Discount Company, conta no banco Itaú em Luxemburgo; c) Farmer no banco Itaú em Luxemburgo; d) Partner no banco Itaú em Luxemburgo; e) Crumer no banco HSBC na Suiça; f) Minterville Corporation, conta no banco Safra em Nova York. A recorrente, em seu recurso, não contesta a existência das contas, mas a titularidade, pois sustenta que o próprio autuante reconhecera que o titular era o Sr. Alceu Elias Feldmann. Posteriormente à interposição do recurso, a recorrente peticionou, nos autos, para comunicar que, pelo Acórdão/CRSFN nº 10745/11 (doc. a fls. 7327 e segs.), o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN) condenou o Sr. Alceu Elias Feldmann a pagar multa pecuniária de R$ 625.000,00 por não ter prestado Declarações de Capitais Brasileiros no Exterior relativas aos anosbases de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Assim, Fl. 7349DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.345 11 entende a recorrente, na sua petição, que está configurado que ela não era titular das referidas contas. Há que se salientar que este Colegiado não está jungido ao que fora decidido naquela outra corte administrativa, mesmo porque não era da competência da CRSFN analisar a existência de interesse comum no fato gerador das obrigações tributárias ora em exame. Além do mais, a questão da origem dos recursos não foi objeto de profunda apreciação naquele Colegiado, tanto que a CRSFN afirma que o Sr. Alceu Elias Feldmann em momento algum se preocupou em demonstrar a origem dos recursos nem a cabal separação patrimonial entre ele e as empresas. Já nesse processo, sobejam provas nos autos que comprovam que as referidas contas bancárias serviam para as operações da recorrente (Fertipar), conforme a seguir trataremos, sem qualquer prejuízo ao que fora sustentado pela CRSFN, pois, em verdade, poderia a autoridade fiscal ter colocado os Srs. Alceu Elias Feldmann e Alceu Elias Feldmann Filho no pólo passivo, como responsáveis solidários pelos tributos lançados, já que aplicável ao caso o art. 124, I, c/c o art. 135 do CTN, em razão dos atos praticados por eles na gestão da recorrente. Preferiu, no entanto, a autoridade lançadora efetuar o lançamento apenas contra a Fertipar, a qual tinha relação direta e pessoal com o fato gerador dos tributos ora em análise, conforme a seguir demonstraremos. RECEITAS NÃOCONTABILIZADAS Com relação ao primeiro item do lançamento, receitas não contabilizadas, a autoridade lançadora verificou que a movimentação financeira consistia basicamente da aquisição, no exterior, com pagamento à vista (débito na conta offshore) ou sem pagamento, de insumos para a indústria de fertilizantes e adubos desenvolvida pela Fertipar no Brasil como para as suas coligadas…e na intermediação para outras pessoas físicas e jurídicas. Desembaraçada a mercadoria, o fluxo financeiro se completa com o suprimento de numerário para as referidas contas (crédito nas contas offshore), mediante transferência de recursos após liquidação dos contratos de câmbio junto às instituições financeiras nacionais, aproximadamente 180 dias após o desembaraço, simulando operação comercial à prazo. Sustenta a autuação que o pagamento antecipado dessas aquisições proporcionou benefícios financeiros à fiscalizada, conhecidos por descontos ou rebates e foram mantidos à margem da escrituração contábil e, por consequência, da tributação. Notese, então, que a autoridade lançadora alega que houve uma triangularização da recorrente com as empresas offshores constituídas pelo Sr. Alceu Elias Feldmann, de tal sorte que todo o custo do insumo importado, conforme registrado na DI, era repassado para a conta bancária no exterior de titularidade formal das empresas offshores. Todavia, os valores pagos aos exportadores estrangeiros eram menor do que aquele registrado, na contabilidade da recorrente ou de suas controladas, como custo do insumo, conforme os extratos manuscritos e as solicitações de transferências constantes dos autos, do que se conclui que se travam de ganhos decorrentes de descontos e de rebate. Vale, desde já registrar que tais descontos não eram incondicionais e nem eram dados na fatura, razão pela qual a sua contabilização deveria mesmo ser conforme apontada pelo autuante, ou seja, registrados como ganho financeiro. Por sua vez o autuante verificou que as movimentações financeiras eram classificadas pela recorrente em três diferentes operações: vermelha, verde e azul. Isso pode ser constatado em vários documentos juntados aos autos, mas, apenas para ilustrar, cito o documento a fls. 138 do Anexo VII, intitulado “Fechamento de Importação”, no qual consta Fl. 7350DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 expressamente que a legenda verde é Fertipar Internacional, a azul é operação rebate; e a vermelha é operação Riven. Pela Intimação nº 4, a autoridade fiscal solicitou a recorrente que esclarecesse o significado das expressões verde, azul e vermelha, que constam da legenda dos relatórios de fechamento de importações, mas a recorrente alegou desconhecer (item VI do doc. a fls. 391 do vol. II). Já no recurso voluntário, a recorrente alega que foi a autoridade fiscal que designou tais operações como verde, azul e vermelha, esquecendose de que tais expressões foram cunhadas em relatórios de Fechamento de Importações dela própria, apreendidos pela autoridade policial. Não obstante a recusa da recorrente, o conjunto probatório foi suficiente para que a autoridade fiscal pudesse esclarecer o critério de classificação das movimentações financeiras em operações verde, azul e vermelha, conforme podemos verificar a partir da análise das provas relativas a cada uma das importações, se não vejamos o que se segue. I Operação Vermelha: conforme o Termo de Verificação Fiscal a fls. 618 e segs. do Vol. III, são aquelas em que: “os dados das importações são grafados com a cor vermelha nos relatórios de Fechamento de importação, para indicar que houve desconto financeiro na operação, ou seja, houve dispêndio de recursos em montante inferior ao efetivo valor da mercadoria importada e desembaraçada. Tais ganhos em dólar na aquisição de matéria prima no exterior na modalidade vermelha foram apurados no Demonstrativo de Cálculo de Descontos Auferidos (fls. 356 a 365). Para esse efeito, comparouse o valor bruto total da mercadoria importada constante dos relatórios de Fechamento de Importação e o correspondente valor pago registrado pela fiscalizada nos extratos manuscritos que compõem o volume quatro do apenso 1 do IPL e/ou nos documentos de Solicitação de Transferência de Valores assinados pela direção da fiscalizada e encaminhados às instituições financeiras mantenedoras das citadas contas offshore.” Essa conduta da recorrente está perfeitamente demonstrada nos autos, se não vejamos, a título ilustrativo, a análise das provas referentes à importação de NP, transportada pelo navio Pochard: a) A fls. 138 do Anexo VII, consta documento interno da recorrente, intitulado “Fechamento de Importação”, datado de 01/06/2005, referente a importação de 8.000 toneladas de NP por US$ 1.800.000,00, a ser paga em 180 dias (COB 180). b) Consta, também, neste mesmo documento, na parte intitulada “Dados Confidenciais”, que a taxa anual seria de 6% ao ano para a Fertipar e que o preço unitário seria “217,00 + 1% = 219,17”, este valor multiplicado por 8000 t resulta no total de US$ 1.689.528,07, conforme ali também informado ao lado da indicação “Operação Vermelha”. c) Cabe aqui explicar que os relatórios de Fechamento de Importação foram emitidos em duas versões: uma versão completa que registra informações em todos os seus campos, inclusive no campo “Dados Confidenciais”, e que foram objeto de apreensão por agentes policiais; e uma versão incompleta do relatório, também batizada pela fiscalizada de "substitutivo", a qual suprime as informações a partir do campo “Dados Confidenciais”, e que foram objeto de apreensão pelas autoridades fiscais. d) A fls. 141 do Anexo VII, consta folha dos extratos manscritos apreendidos na casa da Sra. Juliana Feldmann, no qual está lançado Fl. 7351DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.346 13 uma saída da conta no Itaú Luxembourg S.A., para pagamento à “Ameropa Pochard”, em 12/07/2005, no valor de US$ 1.689.583,07 (neste valor está incluído US$ 55,00 a título de taxa). e) Por sua vez, a fls. 89 do vol. I, consta registro, em página dos extratos manuscritos, de lançamento em 14/09/2005 de quatro ingressos na conta no banco Itaú Luxembourg S.A., nos valores de US$ 337.480,00; US$ 112.480,00; US$ 224.980,00; e US$ 1.124.980,00, totalizando US$ 1.799.920,00, os quais se referem as operações de câmbio feitas pela Fertipar, com o fito de pagar as suas importações, cujos doc. estão a fls. 142 a 168 do Anexo VII. g) Assim, verificase que houve um ganho financeiro, já que foram reconhecidos, na contabilidade da empresa insumos no valor de US$ 1.800.000,00, quando o real custo de aquisição foi US$ 1.689.528,07, sendo que tal ganho foi sonegado e mantido em conta offshore no Itaú Luxembourg S.A. Há, também, operações em que a recorrente age como intermediária de suas controladas e até mesmo de terceiros, sendo que, em ambos os casos, o ganho financeiro fica depositado na sua conta offshore e não é oferecido à tributação, se não vejamos, a título de exemplo, o que ocorreu com a importação de uréia transportada pelo navio “Sea Pace”: a) A fls. 02 do Anexo IX, consta documento interno da recorrente, intitulado “Fechamento de Importação”, datado de 28/07/2004, referente a importação de 15.000 toneladas de uréia por US$ 3.291.600,00 do fornecedor Ameropa, o que dá um preço unitário da tonelada de US$ 219,44, sendo indicado que o pagamento seria para 180 dias. b) Consta, também, neste mesmo documento, que a taxa anual seria de 8% ao ano, sendo que o preço unitário à vista é US$ 211,00, logo, com o prazo de 180 dias, incorrese em 4% de juros, resultando no preço unitário de US$ 219,44. No verso deste documento, consta a indicação de que seria operação vermelha e que seriam 15.000 t de uréia por US$ 3.165.000,00. c) A fls. 03 do Anexo IX, consta o mesmo documento, intitulado “Fechamento de Importação”, com o timbre da Fertipar, agora com algumas informações manuscritas sobre os destinatários da carga, se não vejamos: 280FS....................... 4500 t.......................US$ 987.480,00 281FS....................... 3000 t.......................US$ 658.320,00 512FG.......................5000 t.....................US$ 1.097.200,00 128BAN....................2500 t........................US$ 548.600,00 _________________________________________________ TOTAL...................15000 t.....................US$ 3.291.000,00 Fl. 7352DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 d) Outros documentos deixaram claro que FS é Fertipar Sudeste, FG é Fertilizantes Vale do Rio Grande, e BAN é Fertipar Bandeirantes Ltda, todas controladas pela recorrente durante o período fiscalizado (vide TVF a fls. 619 do vol. III). e) A fls. 03 do Anexo IX, consta também a indicação “Itaú Lux.”, o que, logicamente, significa banco Itaú Luxembourg S.A., e que o embarque se deu em 08/08/2004. f) A fls. 04 do Anexo IX, consta documento intitulado “Solicitação de Transferência de Valores”, datado de 10/09/2004 (um mês depois do embarque da carga), pelo qual é solicitado ao banco Itaú Luxembourg S.A. que transfira da conta da empresa Anglo Discount Company, para o beneficiário Ameropa, o valor de US$ 3.165.000,00. Consta também o campo “Referência”, o qual foi completado com o nome do navio “Sea Pace”. Assinaram a solicitação a Sra. Juliana Gadotti Feldmann e o Sr. Alceu Elias Feldmann Filho, conforme se pode deduzir do cotejo deste documento com outros constantes dos autos (vide, por exemplo, o doc. a fls. 125 do volume I). g) As controladas registraram, na contabilidade, insumos no valor US$ 3.291.600,00, mas pagaram, por meio da conta no exterior da recorrente, apenas US$ 3.165.000,00 ao fornecedor (Ameropa). Há um ganho financeiro, então, de US$ 126.600,00, o qual é transferido para a conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., pois, com o fito de pagar suas importações, transferem para essa conta o valor de US$ 3.291.000,00. h) Assim, da conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A, saíram US$ 3.165.000,00, em 10/09/2004, para pagar o fornecedor, e foram transferidos, a partir de fevereiro de 2005, por suas controladas, o valor de US$ 3.291.000,00, conforme provam documentos sobre operações de câmbio a fls. 05 a 52. i) O registro do ingresso das remessas feitas pelas controladas para a conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A, constam também dos extratos manuscritos apreendidos na casa da Sra. Juliana Feldmann, os quais assim estão nos autos: a fls. 82 do vol I, consta, em 21/02/2005, o ingresso de US$1.097.200,00 na conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., feito pela “Fertigran 512”, com referência ao Sea Pace; a fls. 83 do Vol. I, consta, em 01/04/2005, o ingresso de US$ 658.320,00 na conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., feito pela “F. Sudeste 281”, com referência ao Sea Pace; a fls. 84 do Vol. I, consta, em 08/04/2005, o ingresso de US$ 548.580,00 na conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., feito pela “F. Bandeirantes 128”, com referência ao Sea Pace; Fl. 7353DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.347 15 a fls. 85 do Vol. I, consta, em 10/05/2005, o ingresso de US$ 999.420,20 na conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., feito pela “F. Sudeste 280”, com referência ao Sea Pace. Com algumas pequenas nuanças em cada caso, as quais não modificam o cerne do procedimento, este “modus operandi” intitulado “operação vermelha” foi verificado também nas movimentações financeiras relativas a outras 60 importações, cujas as cargas foram transportadas pelos seguintes navios: Ali Khaliq; Alex Dimitrov; Althea I; Anangel Argona; Apollonia; Betio; Bonita; Bulgaria II; Callanda; Chalkidon; Columbia Land; Dia P; Dominator; Edco; Esperia; Fair Lady; Fany; Federal Fuji; Federal Yukon; Fedon; Fetish; Fiesta; Fuat Bey; General Drabo; Gen Grot Rowecki; Giorgi Grigoro; Hinrish Oldendorff; Isa; Island Skiper; Kali; Kritika Naree; Kyma; Lady Z; Liliana Dimitrova; Maritime Valour; Maru D; Mathios; Mirande; Nogat; Phoenix; Omiros; Paciforest; Petimata; Pintail; Player; Polydefkis; Samos Sky; San Felipe; Scoter; Sea Lady; Sea Merit; Selandia; St George; Star Ace; Top Pioneer; Tuloma; Volcano; Win I; Yangtze River; Yordan Lutibro. II Operação Azul: conforme o Termo de Verificação Fiscal a fls. 618 e segs. do Vol. III, são aquelas em que: “no relatório de Fechamento de Importação, os dados das importações são grafados com a cor azul para indicar que não haveria qualquer dispêndio de recursos para aquisição da mercadoria ali descrita. Esta estratégia permaneceu em vigor nos anos calendário de 2003 e meados de 2004. Nesta modalidade de operação, observase que para possibilitar o regular desembaraço das mercadorias, as faturas comerciais (commercial invoice) foram generosamente cedidas pelos fornecedores observandose nelas, a inscrição do prazo como sendo de saque 180 dias”. Essa conduta da recorrente também está demonstrada nos autos, se não vejamos, a título ilustrativo, a análise das provas referentes à importação de DAP, transportada pelo navio Alycia: a) A fls. 97 do Anexo I, consta o relatório de Fechamento de Importação datado de 02/12/2003, no qual está registrada a Importação nº 1314/03, referente a 1402,73 toneladas de DAP adquirida por US$ 288.962,38, pela Fertipar da Ameropa. b) Consta lançamento, em 02/06/2004, de ingresso no valor US$ 288.943,20 na conta offshore Crumer no banco HSBC na Suiça, indicando como referente a “Fertipar 1314”, conforme página dos extratos manuscritos a fl. 98 do Anexo I. c) A fls. 99 do Anexo I, consta o contrato de câmbio, feito pela recorrente com o HSBC Bank Brasil, para compra de US$ 288.962,38. d) Embora o recurso para pagar a importação tenha sido remetido a conta offshore Crumer, ao se compulsar o registro da movimentação financeira desta conta no período entre dezembro de 2003 a junho de 2004, conforme extratos manuscritos juntados a fls. 49 a 52 vol. I, verificase que não houve qualquer saída de caixa para pagamento da refferida importação ao fornecedor Ameropa. Fl. 7354DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Vejamos, também a título ilustrativo, a análise das provas referentes à importação de KCL, transportada pelo navio Sylvia: a) A fls. 159 do Anexo IX, consta relatório completo de “Fechamento de Importação” da Fertipar (relatório que foi apreendido pela autoridade policial e que contém prenchido os campos “Dados Confidenciais” e outros abaixo deste), no qual consta a importação de 2.829,06 t de KCL por US$ 574.299,18, em que o adquirente é a Fertigran e o exportador é a Canpotex. b) Nesse relatório, consta que o embarque da mercadoria foi em 2/11/2004 e a chegada em 19/11/2004. c) No campo “Operações”, após o campo “Dados Confidenciais”, consta que se trata de operação azul a importação do produto KCL, no volume de 2.829,06 t, mas o que mais chama a atenção é que, com os descontos dados, não se seria pago pela mercadoria. d) A fls. 160 do Anexo IX, consta o relatório de “Fechamento de Importações) incompleto (ou substitutivo, como denomina a recorrente), o qual foi aprendido pela Fiscalização da RFB na sede da recorrente. Neste relatório, não há os registros constantes do campo “Operações” do relatório completo, logo, da sua leitura, aparentemente, seriam pagos US$ 574.299,18 pelas 2.829,06 t de KCL. e) A fls. 161 do Anexo IX, consta registro do ingresso, em 19/07/2005, de US$ 574.299,18, referente a “Fertigran 526 Sylvia”, na conta offshore Anglo no banco Itaú Luxembourg S.A.. f) A fls. 162 a 169 do Anexo IX, consta os documentos referentes a operações de câmbio feitas pela Fertigran para remessa dos US$ 574.299,18 para a conta offshore Anglo no banco Itaú Luxembourg S.A.. g) A importação nº 526 foi registrada na contabilidade da Fertigran, pelo custo de R$ 1.641.634,21 com uma VMP de R$ 1.148,60, conforme folha do Livro Diário a fls. 173 e 174 do Anexo IX, e o pagamento ao fornecedor da importação nº 526 foi registrado por US$ 1.339.897, 42, conforme folha do Razão Analítico a fls. 178 do Anexo IX, valor esse que corresponde ao informado no contrato de câmbio a fls. 165 do Anexo IX. h) Embora o recurso para pagar a importação tenha sido remetido à conta offshore Anglo, ao se compulsar o registro da movimentação financeira desta conta no período entre novembro de 2004 a outubro de 2005, conforme extratos manuscritos juntados a fls. 79 a 90 do vol I, verificase que não houve qualquer saída de caixa para pagamento da referida importação ao fornecedor Canpotex. Em verdade, há duas saídas para pagamento à Canpotex, mas referentes a outras importações, mas precisamente, as transportada pelos navios: Federal Yukon (fl. 86 do vol. I) e Argona (fl. 80 do vol. I). i) Assim, fica configurado que, embora a Fertigran tenha repassado US$ 574.299,18 para a conta offshore da recorrente, no banco Itaú Luxembourg S.A., para fins de pagamento do fornecedor internacional Canpotex, a recorrente não teve que liquidar a operação, o que confirma as informações colocadas no campo “Operações” do relatório completo de “Fechamento de Fl. 7355DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.348 17 Importações”. Da mesma forma, com algumas pequenas nuanças em cada caso, mas nenhuma capaz de desconfigurar o “modus operandi”, outras 25 movimentações financeiras são enqudráveis como “operação azuis”, as quais referemse a importações, cujas as cargas foram transportadas pelos seguintes navios: Alma; Angela R; Angela P; Annika N; Anthia; Aurelia; Chrysoula S; Eptalofos; Fanton; Federal Kumano; Georgios II; Golden Bay; Imperiale; Ken Ocean; Kovdor; Laine; Liliana Dimitrova; Marigold; Paragon; Sea Boxer; Sea Lady; Silver Shing; Star Ace; Tuloma I e Wish. III Operação Verde: conforme o Termo de Verificação Fiscal a fls. 618 e segs. do Vol. III, são aquelas em que: “Contrariamente ao modus operandi da operação azul ocorrido nos anos de 2003 e 2004, nesta, a partir de 2005, o desembaraço aduaneiro amparouse somente em faturas emitidas pela interligada Fertipar International LLP. Da mesma forma que na operação azul, não houve qualquer dispêndio de recursos pela fiscalizada, tendo havido o ingresso de matériaprima a custo zero, sem ônus.”. Da mesma forma, analisemos, então, a título ilustrativo, as provas relativas a uma dessas operações, qual seja, a importação da carga de sulfato de amonio cristal (SAFA), transportada pelo navio Alma: a) A fls. 76 do Anexo I, relatório de “Fechamento de Importação” da recorrente, datado de 24/01/2005, referente a carga do navio Alma, no qual consta a aquisição de 500 t de SAFA pelo valor de US$ 70 mil, pela Fertipar, sendo o fornecedor a Mekatrade. b) A fls. 78, consta “Planilha de Fechamento – Importação – Tipo 02”, na qual a Fertipar esta remetendo para conta offshore Anglo no banco Itaú Luxembourg S.A. a soma de US$ 70 mil, sendo o recebedor a Fertipar International LLP com sede em Londres. Consta a data de 13/06/2005, e a assinatura de Marcelo Loli Vieira, pelo Departamento de Importação da Fertipar. c) A fls. 79 do Anexo I, consta a operação de câmbio, feita pela Fertipar no Banco do Brasil, para remeter US$ 70 mil para a conta offshore Anglo no banco Itaú Luxembourg S.A.. d) A fls. 80 do Anexo I, consta “Bill of Lading”emitido pela Mekatrade para a Fertipar International LLP, referente às 500 t de SAFA. e) A fls. 81 do Anexo I, consta “Proforma Invoice”, emitido pela Fertipar International LLP, no qual a Fertipar é indicada com compradora de 500 t de SAFA por US$ 70 mil. Sabemos que a Fatura Proforma ou Proforma Invoice tem força de contrato e contém os compromissos assumidos durante a fase de uma suposta negociação entre a Fertipar International LLP e a recorrente (Fertipar). Fl. 7356DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 f) A fls. 82 do Anexo I, consta a “Final Invoice nº 18904”, datado de 28/02/2005, emitida pela Fertipar International LLP, referente a compra pela recorrente (Fertipar) de 500 t de SAFA por US$ 70 mil. O mais curioso é que está indicado que o pagamento deverá ser feito em favor da conta offshore Anglo da compradora (no banco Itaú Luxembourg S.A.). Isso mesmo, a compradora, ora recorrente, compra a mercadoria e deposita o pagamento na sua própria conta offshore Anglo. g) Se a recorrente (Fertipar) pagou os US$ 70 mil a ela mesmo, com a transferência para a sua conta offshore Anglo, de onde saiu os recursos para pagar a Mekatrade? h) Compulsamos os extratos manuscritos da conta Anglo (doc. a fls. 81 a 90), referente ao período de janeiro a outubro de 2005, não se verifica qualquer saída de caixa que para pagamento da Mekatrade. Os únicos lançamentos da conta Anglo referentes a Mekatrade são: pagamento de demurrage (fls. 84); pagamento referente a carga do navio Edco (fls. 86); depósito feito pela Fertigran referente a importação nº 537 navio Angela P (fls. 87); pagamento referente a carga do navio Apollonia II (fls. 88); depósitos, em 11/10/05, de US$ 591.996,20 e US$ 24.260,55 com referencia à Mekatrade. i) Concluise, assim, que , nos autos, não há qualquer documento que prove a transferência efetiva de US$ 70 mil para a Mekatrade, razão pela qual está correto o entendimento da autoridade fiscal, pois realmente, a recorrente simulou uma compra e venda, quando, na verdade, tratavase de mercadoria recebida sem custo. Neste item também, com algumas pequenas nuanças em cada caso, mas nenhuma capaz de desconfigurar o “modus operandi”, outras 9 movimentações financeiras são enquadráveis como “operação verde”, as quais referemse a importações, cujas as cargas foram transportadas pelos seguintes navios: Al Khaliq; Apollonia; Dia P; Flag Splendor; Gokhan Kiran; IVS Swift; Leon I; Polydefkis; Sea Pace I. III Operação Rebate: conforme o Termo de Verificação Fiscal a fls. 618 e segs. do Vol. III, em algumas movimentações financeiras houve ganho decorrente de rebates, ou seja, de vantagens que as empresas de navegação concedem aos embarcadores para obterem preferência nos embarques. Saliento, inicialmente, que as movimentações financeiras em que se verificaram operações “rebate” também foram verificadas as operações vermelhas e, no caso da importação cuja a carga foi transportada pelo navio Polydefkis foram as operações verde, vermelha e rebate. Analisemos, então, as provas relativas a uma dessas importações, , qual seja, a importação da carga transportada pelo navio Kyma, na qual ocorreu tanto a operação rebate como a vermelha, se não vejamos: a) A fls. 216 do Anexo V, consta documentação apreendida, que registra importações em nome da Fertipar, Livio e AEF, no total de Fl. 7357DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.349 19 32.999,49 toneladas de KCl, com valor nominal de US$5.056.323,50 para pagamento em 360 dias, lotes da AEF e da Livio, e pagamento via financiamento para os demais lotes (fechamento de importação datado de 04/03/2003). Observese que o custo nominal da tonelada de KC1 é de US$163,30 (para a AEF e Livio) e de US$150,00 para a Fertipar. O fornecedor é a Mekatrade. b) No verso do referido documento, consta o valor real da tonelada que a Fertipar estaria pagando pelo seus lotes seria de US$ 133,00, logo, tinha um desconto de US$ 17,00 em cada tonelada, razão pela qual, na aquisição das 24.999,49 toneladas, o desconto montava US$424.991,33 (operação vermelha). d) Ocorre que a recorrente também tinha outros créditos junto ao exportador no valor de US$419.879,40, a titulo de "rebate", o que totalizou desconto no valor de US$844.870,73. Esse crédito total foi utilizado para abater o valor da importação das 8 toneladas, resultando assim em um saldo a pagar de US$ 219.129,27, conforme consta do verso do aludido documento. Notese que também houve ganho da operação vermelha na compra das 8 toneladas, pois o valor escriturado da tonelada estava em US$ 163,30 e o valor efetivado foi US$ 133,00. e) Chamo atenção para o fato de que o desconto no valor de US$419.879,40, a titulo de "rebate", conforme registrado no verso da fls. 216 do Anexo V, decorre de operações feitas por outros navios, conforme ali informado, ou seja, ao contrário do que ocorria com outros ganhos (ganhos financeiros), esse era um crédito que a recorrente tinha junto ao exportador. e) A fls. 218 do Anexo V, consta solicitação da Intersud (representante da Mekatrade), para que seja feito o pagamento dos US$ 219.129,27. e) A fls. 217 do Anexo V, consta a solicitação de transferência, datada de 11/03/2004, de US$ 219.129,27 da conta offshore Crumer no HSBC na Suiça para a conta da Mekatrade no Banque Cantonale de Genebra. f) A fls. 219 do Anexo V, consta extrato manuscrito da conta Crumer, onde se pode vê o lançamento do pagamento a Mekatrade, em 11/03/2004, do valor US$ 219.129,27. g) Fica evidente assim o ganho na operação rebate, o qual não foi escriturado nem oferecido à tributação. Da mesma forma que nos itens anteriores, com algumas pequenas nuanças em cada caso, mas nenhuma capaz de desconfigurar o “modus operandi”, outras 4 movimentações financeiras são enquadráveis como “operação rebate”, as quais referemse a importações, cujas as cargas foram transportadas pelos seguintes navios: Fiesta; Player; Polydefkis; e Selandia. Da análise das provas de cada uma das operações vermelha, verde, azul e rebate acima tratadas, concluise que: a) configurase simulação a elaboração de dois relatórios de “Fechamento de Importações”, um com dados confidenciais (vontade real) e o outro com dados a serem escriturados na contabilidade (vontade declarada); Fl. 7358DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 b) a manutenção de escrituração contábil paralela (extratos manuscritos) teve a nítida finalidade de sonegar informações e, consequentemente, tributos ao Fisco; c) em razão do alto grau de sofisticação dos procedimentos utilizados pela recorrente para sonegar tributos, tais fatos jamais chegariam ao conhecimento do Fisco se não houvesse a ação policial, mesmo porque a recorrente se utilizava de paraísos fiscais, onde são rígidos os sigilos bancários e societários, o que demonstra ainda mais o caráter doloso da conduta da recorrente; d) tratouse de mais de 100 movimentações financeiras fraudulentas no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, o que configura a prática reiterada de omissão de receitas. d) as contas bancárias no exterior, embora abertas pelas pessoas físicas dos sócios, serviam para as atividades da recorrente, sendo lá que ela mantinha os valores que sonegava à tributação brasileira (art. 71, I, da Lei nº 4.502/64); e) embora possa ser normal que o pagamento da importação seja remetido para conta diferente da indicada no “Commercial Invoice”, como alega a recorrente; não é normal que os pagamentos das importações fossem remetidos para as contas offshores da própria importadora (a recorrente), a qual, em sua defesa, apenas alega que a conta é da titularidade do sócio que detém 90% do seu capital social; f) é irrelevante a alegação da recorrente de que a Fertipar só pode pagar suas importações com o débito em contacorrente bancária do valor fixado no contrato de câmbio, já que disso ninguém dúvida, mesmo porque foi o que ocorreu nessas operações, em que a recorrente fazia remessas do valor do contrato de câmbio para as suas contas offshores, possibilitando assim que os descontos obtidos lá ficassem, sem serem escriturados e, logicamente, sem serem oferecidos a tributação brasileira; g) diante de um conjunto probatório tão sólido a demonstrar condutas simuladas e fraudulentas, aplicarse ao item 1 da autuação a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, razão pela qual deve ser afastada a preliminar de decadência suscitada, bem como, deve ser mantida a multa qualificada de 150%, uma vez que a conduta da recorrente se subsume ao conceito de sonegação do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64; h) os sócios, em razão dos atos praticados, deveriam ter sido colocados no pólo passivo como responsáveis solidários, pois a contribuinte in casu é a recorrente, já que tinha relação direta e pessoal com toda a movimentação financeira das contas offshores, já que por elas transitavam os recursos das operações comerciais da recorrente; e h) restam demonstrados à exaustão os ganhos nas operações vermelha, azul, verde e rebate, conforme denominação cunhada pela própria recorrente nos seus relatórios confidenciais, razão pela qual devem ser mantidos os lançamentos referentes ao item 1 da autuação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O segundo item da autuação está caracterizado pela movimentação de contas correntes bancárias em empresas offshores no exterior, as quais receberam depósitos (créditos) Fl. 7359DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.350 21 relacionados na planilha de fls. 467 a 471, mantidos à margem da escrituração contábil e consequentemente da tributação. Devidamente intimada pela Fiscalização, para se pronunciar sobre a planilha, a recorrente alegou que "não tem como comprovar a origem dos recursos creditados (sic, item 2), simplesmente porque não os creditou" (doc. a fls. 484). Cabe aqui esclarecer que agiu bem a autoridade fiscal, quando excluiu da referida planilha os valores emprestados, estornados, devolvidos, bem como aqueles valores dos contratos de câmbio liquidados no Brasil relativos ao "simulado" pagamento de importações de que trata o item 1 da autuação. Sustenta a recorrente que eventuais depósitos nas contas bancárias de empresas estrangeiras constituem receita destas, e não de sua controladora ou coligada domiciliada no Brasil, logo, tais receitas, evidentemente, devem ser tributadas de acordo com a legislação do pais em que localizada a empresa, em observância ao princípio da territorialidade. Tal alegação não procede, pois como vimos tais empresas offshores (Anglo, Crumer, Farmer, Riven e Partner) não são nada mais do que meras contas bancárias, seja qual for a denominação que o paraíso fiscal dê a elas. Aliás, nesse sentido julgou o CSRFN e a própria recorrente parece concordar, ao insistentemente afirmar que o titular era o Sr. Alceu Elias Feldmann. Repito: enganase porém, ao pensar que, definido o Sr. Alceu Elias Feldmann como titular das contas, a recorrente estaria automaticamente excluída da relação jurídico tributária em tela, pois, conforme já abordado, na medida em que as contas bancárias offshores do Sr. Alceu serviam para as operações comerciais da recorrente, existia entre eles solidariedade tributária (até mesmo pela confusão patrimonial tão bem apontada pela CRSFN), que, ao revés, termina por confirmar a sujeição passiva da recorrente. Se a Anglo, Crumer, Farmer, Riven e Partner fossem empresas, já que elas são controladas pela mesma pessoa física que detém 90% do capital da recorrente (Alceu Elias Feldmann), poderia a recorrente ter apresentado provas de que elas produzem ou circulam bens ou serviços, ou seja, que são efetivamente empresas. Isso não foi feito. Na verdade, a constituição de contas bancárias travestidas de empresas nada mais prova do que mais uma simulação praticada pela recorrente. Por último, com a entrada em vigor da Lei nº 9.249/95, o IRPJ passou a ser informado pelo princípio da universalidade, razão pela qual a recorrente é tributada por receitas auferidas em qualquer lugar do mundo. O depósito bancário de origem não comprovada é apenas indício que, quando constatado, faz presumir a omissão de receitas, por expressa disposição legal. Isso, por si só, não autoriza a qualificação da multa, pois se faz necessário provar o evidente intuito de fraude, conforme dispõe a Súmula CARF nº 14. No presente caso, porém, os depósitos de origem não comprovada foram feitos em bancos situados em paraísos fiscais e sua escrituração era toda omitida do Fisco, o que se constituiu a meu ver em sonegação fiscal, pois, ao assim agir, a recorrente visou impossibilitar o conhecimento do Fisco do indício (depósito bancário de origem não comprovada) que levaria à presunção de omissão de receitas. Ademais, não há como equiparar a conduta de contribuinte que escritura e informa ao Fisco a sua movimentação bancária embora não consiga provar a origem de algum depósito – daquele que impede com sofisticados esquemas o conhecimento do Fisco das próprias contas bancárias. Assim, in casu, entendo que o contribuinte agiu dolosamente, razão pela qual há que se aplicar a regra decadencial do art. 173 do CTN, para se afasta a preliminar de decadência suscitada, bem como, deve ser mantida a multa qualificada de 150%, uma vez que a conduta da recorrente se subsume ao conceito de sonegação do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. Fl. 7360DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS Insurgese, indevidamente, a recorrente contra os lançamentos decorrentes da Cofins e da Contribuinte para o PIS, sob a alegação de que se estaria fazendo incidir tais contribuições sobre os lucros auferidos no exterior. Confundese a contribuinte, pois o que se está tributando são receitas omitidas decorrentes de ganhos da recorrente em suas importações. Já no que concerne ao item “002 – Depósito Bancário não Contabilizados”, reafirmo que ficou provado, a mais não poder, que as contas bancárias offshores serviam mesmo para as operações comerciais da recorrente, razão pela qual é ela que deve responder pelos tributos incidentes sobre a receita omitida, legalmente, presumida a partir da existência de depósito bancário de origem não comprovada. Em face do exposto, voto por: conhecer do recurso voluntário do contribuinte, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; afastar a decadência suscitada; e, no mérito, negar provimento ao recurso. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 7361DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000140/2001-72
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 01, 02, 03/2001
RECEITA BRUTA OPERACIONAL. EXPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO. Não se vê, na legislação de regência, nem tampouco na ratio essendi do conceito de receita de exportação, previsão de exclusão da receita de bens adquiridos de terceiros e revendidos no mercado externo. Se os referidos bens são revendidos para o mercado externo, por óbvio sua receita engloba a receita de exportação. Excluindo-se a mesma, deve-se também excluir a mesma parcela da receita bruta operacional.
IPI - RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE.
Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu benefício.
Recurso Voluntário Negado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É de quem alega o ônus de provar suas alegações.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-00.170
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para excluir da receita operacional bruta a receita decorrente de bens exportados adquiridos de terceiros; 2) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao ressarcimento dos valores referentes ao mês de janeiro de 2001; e, 3) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à aplicação da taxa Selic sobre ressarcimento Vencidos os Conselheiros Dr Gustavo Kelly Alencar (Relator), Dra Maria Teresa Martinez Lopez e Dr Antônio Lisboa Cardoso que a reconheciam Designado o Conselheiro DrMaurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor, em relação à Selic.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 01, 02, 03/2001 RECEITA BRUTA OPERACIONAL. EXPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO. Não se vê, na legislação de regência, nem tampouco na ratio essendi do conceito de receita de exportação, previsão de exclusão da receita de bens adquiridos de terceiros e revendidos no mercado externo. Se os referidos bens são revendidos para o mercado externo, por óbvio sua receita engloba a receita de exportação. Excluindo-se a mesma, deve-se também excluir a mesma parcela da receita bruta operacional. IPI - RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu benefício. Recurso Voluntário Negado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É de quem alega o ônus de provar suas alegações. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Numero do processo: 11020.005231/2007-72
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
DECADÊNCIA - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
PRESCRIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO
O prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN é contado a partir da constituição definitiva do crédito tributário que se dá quando o lançamento não possa mais ser contestado administrativamente
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes
LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. PRESCRIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO O prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN é contado a partir da constituição definitiva do crédito tributário que se dá quando o lançamento não possa mais ser contestado administrativamente AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. PRESCRIÇÃO CONTAGEM DO PRAZO O prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN é contado a partir da constituição definitiva do crédito tributário que se dá quando o lançamento não possa mais ser contestado administrativamente AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 52 31 /2 00 7- 72 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 11) informa que a autuada deixou de informar nas GFIPs os valores relativos às remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, bem como os valores das contribuições patronais incidentes sobre remunerações que haviam sido informadas nas respectivas GFIPs, demonstrado nas planilhas anexas ao relatório fiscal da aplicação da multa. A autuada também apresentou GFIPs com informações inexatas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, uma vez que no campo "FPAS", no período de 01/2002 a 12/2006, para todos os estabelecimentos, foi informado o FPAS 639, que corresponde à informação das entidades filantrópicas e entidades beneficentes de assistência social, isentas das contribuições patronais, quando o correto seria o FPAS 574, destinado aos estabelecimentos de ensino para os quais não existe a referida isenção. A auditoria fiscal informa que a autuada teve a isenção patronal cancelada a partir de 04/08/1998, por meio do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 19.422.1/001/2004, de 05/05/2004 (doc. 01). Da decisão, a FUCS recorreu em 27/08/2004 (recurso protocolado sob nº 37071.001984/200454) e pelo Acórdão nº 1234/2005, proferido pelos membros da Quarta Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS em 20/06/2005 (doc. 02), foi negado provimento ao recurso da FUCS. A FUCS teve ciência da autuação em 27/12/2007 e apresentou defesa (fls. 181/195) nos termos que se seguem. Argumenta que todo o procedimento da Fiscalização do INSS parte de premissa equivocada, qual seja, a de que a impugnante não faria jus ao beneficio da isenção. Aduz que a alegada perda da isenção patronal, levada a cabo pelo INSS, não prevalece ante os critérios fixados em lei e que garantem à Impugnante não apenas o direito à isenção, como ao beneficio maior da imunidade tributária. Tece considerações a respeito da imunidade tributária que entende ter direito, trazendo doutrina à colação, bem como questiona as razões que levaram ao cancelamento da isenção. Alega que o chamado cancelamento de isenção, em razão do qual nasceu o presente processo de autuação, apresentase como uma verdadeira aberração jurídica. E porque Fl. 354DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 5 4 fere a imunidade tributária da Impugnante, é um ato ilícito, ilegal, improcedente, injurídico, injusto e abusivo. Argumenta que em razão de falta de amparo legal para a multa aplicada, deve a mesma ser desconstituída. De igual modo, inocorrente a hipótese da gradação baseada no art. 292, I, do RPS. Ressalta que o levantamento realizado pela Fiscalização atinge até mesmo período prescrito, eis que qüinqüenal o prazo para a prescrição de quaisquer tributos. Pelo Acórdão nº 1025.547 (fls. 215/223) a 6ª Turma da DRJ/Porto Alegre (RS) considerou a autuação procedente. A autuada, inconformada, apresentou recurso tempestivo (fls. 228/271) onde repete as alegações de defesa e inova na alegação de que a infração está fundada no descumprimento de requisitos constantes no art. 55, da Lei 8.212/91, revogado pela Medida Provisória nº 446/2008, medida legal que a União Federal tem obrigação de cumprir e aceitar, já que a reclamada cumpre os requisitos previstos no art. 28, da referida Medida Provisória 446/2008. Argumenta que diante da vigência da Medida Provisória 446/2008 foram considerados deferidos os certificados de entidade beneficente de assistência social e prorrogados os certificados existentes, não havendo amparo legal para a exigência pretendida, sob a alegação de não atendimento dos requisitos do revogado art.55, da Lei 8.212/91. Salienta que em vigência a referida Medida Provisória, deve ser analisada na forma do parágrafo 3°, do art.62, da Constituição Federal e não tendo havido legislação regulamentando a Medida Provisória 446/2008 sua eficácia só desapareceria seria suspensa por ordem judicial. Alega que deve ser respeitada a data do fato gerador, para a aplicação do instituto da decadência para as parcelas anteriores ao quinquídeo legal. De igual forma, invoca a prescrição, pelo mesmo prazo, como direito do contribuinte, caso incidente, em qualquer tempo e instância. Mantém seus argumentos relativamente ao gozo da isenção e afirma aderiu ao Programa Universidade para Todos (PROUNI), que nos termos da Lei n° 11.096/2005, passou a regular a atuação das entidades beneficentes de assistência social no ensino superior, dispondo no seu art. 8°, a isenção que a União Federal diz não mais existir. Alega que comprovado o direito da Recorrente à isenção tributária, não pode, legalmente, sofrer a incidência da cota patronal. No mesmo sentido, sendo comprovadamente entidade beneficente de assistência social, as informações prestadas na GFIP são corretas, e indevida a penalidade aplicada. Requer a aplicação retroativa dos benefícios trazidos pela Lei n° 11.941/2009, reduzindose o montante da multa aplicada, com o cumprimento das disposições legais mais favoráveis ao contribuinte. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 6 5 Os autos foram encaminhados a este Conselho e, por meio da Resolução nº 2402000.148 (fls. 316/317), foi solicitada diligência para que fosse informado o destino nas notificações correlatas. Em resposta (fls. 322) a auditoria fiscal informou que as autuações correlatas, correspondentes aos processos nº 11020.005236/200703, 11020.005239/200739 e 11020.005235/200751 já se encontrariam no âmbito do CARF. Também correlato, o processo 11020.005238/200794 teria sido encaminhado, equivocadamente, para a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN e que já teria ocorrido a solicitação para o encaminhamento correto ao CARF. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente traz argumentos relativamente à decadência e à prescrição. Quanto à decadência, esta deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 357DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 8 7 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que não se verificou a decadência, ainda que parcial. O lançamento ocorreu em 27/12/2007, data da intimação do sujeito passivo, o que poderia levar ao reconhecimento de decadência até a competência 11/2001, inclusive. No entanto, o lançamento compreende as competências de 01/2002 a 12/2006, ou seja, totalmente compreendido em período não decadencial. Assim, não há que se falar em decadência. Quanto à alegação de prescrição, não merece melhor sorte. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 9 8 A prescrição extingue o direito, pertencente ao credor, da ação de cobrança do crédito tributário, também pelo decurso do prazo de 5 anos, contado da data da sua constituição definitiva, conforme dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional CTN. Por outro lado, a constituição definitiva do crédito tributário se dá quando o lançamento não possa mais ser contestado administrativamente. Assim, só há que se falar em ocorrência de prescrição após a decisão administrativa definitiva, o que não se verifica no presente caso, onde o contribuinte está questionando o lançamento. A recorrente argumenta que o lançamento seria indevido em razão do gozo de imunidade constitucional por parte da recorrente. Asseverese que tal questão é matéria que já foi discutida nos autos do processo em que a entidade manifestou seu inconformismo pela emissão do ato cancelatório de isenção. A discussão administrativa chegou ao CRPS onde a 4ª Câmara de Julgamentos pelo Acórdão nº 1234/2005, negou provimento ao recurso apresentando, mantendo o Ato Cancelatório de Isenção nº 19.422.1/001/2004. Abaixo, transcrevo trecho do citado acórdão de lavra do Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira: Neste contexto, muito embora discordamos de alguns pontos levantados pela fiscalização. como afronta aos requisitos legais à concessão e manutenção da isenção da quota patronal, quais sejam, 1) A Concessão. de_Empréstimos; 2) Integralização de Capital da COOPERUCS; 3) Administração do Hospital Geral de Caxias do Sul; 4) Desvio de finalidade com a Publicação do Livro de autoria do Presidente/Reitor; e 5) Férias pagas em dobro ao Presidente/Reitor, tudo na forma que restou demonstrado, ainda assim, de conformidade com as demais situações apresentadas pelo AFPS, impõe afirmar que ; de fato, a Fundação Universidade de Caxias do Sul, deixou de cumprir com os requisitos necessários à concessão e manutenção da isenção sub examine, inscritos no artigo 55, inciso IV, V, e§ 6º , da Lei 8.21/91, devendo ser mantido o Ato Cancelatório recorrido. Por todo o exposto, estando o Ato Cancelatório sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Portanto, no que tange ao cancelamento da isenção, esta foi mantida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, nos autos do processo nº 37071.001984/200454. Quanto ao alegado gozo de imunidade constitucional, não confiro razão à recorrente. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 10 9 Em 1988, a Constituição Federal veio disciplinar sobre a isenção de contribuições previdenciárias em seu art. 195, § 7º, dispondo que seriam isentas de tais contribuições as entidades beneficentes de assistência social que atendessem as condições estabelecidas em lei; A lei que estabeleceu as condições para que uma entidade fosse isenta das contribuições previdenciárias foi a Lei nº 8.212/91 que dispôs em seu art. 55 os requisitos para o benefício; Para corroborar o entendimento de que os requisitos a serem cumpridos pelas entidades beneficentes de assistência social são os estabelecidos pela Lei nº 8.212/91, artigo 55, transcrevo trecho extraído do voto do Ministro do STF Moreira Alves no julgamento do Mandado de Injunção nº 232/RJ impetrado em razão da mora em que se encontrava o Congresso Nacional em cumprir a obrigação de legislar decorrente do art. 195, 7º da Constituição Federal: “Sucede, porém, que, no caso, o parágrafo 7º do art. 195 não concedeu o direito de imunidade às entidades beneficentes de assistência social, direito esse que apenas não pudesse ser exercido por falta de regulamentação, mas somente lhes outorgou a expectativa de, se vierem a atender as exigências a ser estabelecidas em lei, farão nascer, para si, o direito em causa, o que implica dizer que esse direito não nasce apenas do preenchimento da hipótese de incidência contida na norma constitucional, mas, depende, ainda, das exigências fixadas pela lei ordinária, como resulta claramente do disposto no referido parágrafo 7º.” Assim, resta claro que o gozo de isenção, à época dos fatos geradores, estava diretamente relacionado ao cumprimento dos requisitos do então art. 55 da Lei nº 8.212/1991, os quais não foram cumpridos em sua integralidade, conforme verificou ação fiscal que resultou na emissão de ato cancelatório de isenção. Em sede recursal, a entidade faz menção à Medida Provisória nº 446/2008 e argumenta que esta teria reconhecido seu caráter filantrópico, estendido a validade das certificações das entidades beneficentes de assistência social, outorgandolhes o prazo de doze meses para adaptação às novas normas editadas no aludido diploma. Assim, considera que com o reconhecimento do caráter filantrópico da recorrente, a ela não poderiam ser exigidas as contribuições objeto do lançamento. Não há razão no argumento. Cumpre informar que a Medida Provisória nº 446/2008 foi rejeitada por Ato do Presidente da Câmara dos Deputados de 10 de fevereiro de 2009. Com a rejeição da citada MP, mantevese vigente o art. 55 da Lei nº 8.212/1991. É certo que a MP nº 446/2008, em sua curta vigência, pode ter gerado efeitos decorrentes das relações jurídicas que porventura possam ter ocorrido. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 11 10 No entanto, a recorrente não aponta qualquer dispositivo da MP nº 446/2008 que possa expressamente têla favorecido. Além disso, não se verifica na leitura da citada MP que esta tenha o condão de desconstituir o presente lançamento. Asseverese que o único efeito que poderia beneficiar as entidades beneficentes seria aquele decorrente dos artigos 37 e 39 da MP nº 446/2008, os quais determinaram o deferimento dos pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, ainda não julgados, bem como daqueles objeto de pedido de reconsideração contra indeferimento, também não julgados, conforme se verifica. Art.37.Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolizados, que ainda não tenham sido objeto de julgamento por parte do CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. Parágrafo único. As representações em curso no CNAS propostas pelo Poder Executivo em face da renovação referida no caput ficam prejudicadas, inclusive em relação a períodos anteriores. (...) Art.39.Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos pelo CNAS, que sejam objeto de pedido de reconsideração ou de recurso pendentes de julgamento até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. No entanto, observase que não foi a ausência de certificação que levou ao cancelamento da isenção usufruída pela entidade, requisito previsto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, mas o descumprimento dos requisitos previstos nos incisos IV e V e § 6º do mesmo artigo, os quais proíbem a concessão de remuneração, vantagens ou benefícios a qualquer título aos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, obrigam a aplicação integral do eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da entidade, como também, determinam que a continuidade do gozo da isenção esteja condicionada à inexistência de débitos para com a Seguridade Social. Assim, concluise que a recorrente de fato perdeu o direito ao usufruto da isenção em decisão administrativa definitiva o que torna exigíveis as contribuições patronais e as destinadas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. O cancelamento da isenção se dá a partir da data em que se verificou o descumprimento do requisito e não a partir da data da emissão do Ato Cancelatório, conforme argumentou a recorrente. Tal entendimento encontra respaldo no art. 206, § 8º, do decreto nº 3.048/1999, vigente à época dos fatos geradores. Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 12 11 §8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: (g.n.) Asseverese que nem poderia ser diferente, uma vez que o caput do ora revogado art. 55 da lei nº 8.212/1991 é claro ao dispor que a isenção só pode ser usufruída pela entidade que cumprir os requisitos que especifica, conforme se verifica no trecho: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente Demonstrado que a recorrente não possuía o direito ao usufruto de isenção, foram mantidos os lançamentos no que tange às contribuições patronais e de terceiros. Quanto aos fatos geradores apurados nos lançamentos de obrigações principais, verificase que foram mantidos no mérito, conforme se verifica nos acórdãos mencionados e respectivos processos. Recurso contra o lançamento objeto do processo 11020.05238/200794, correspondente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores de bolsas de estudos concedidas a funcionários e dependentes Este colegiado negou provimento ao recurso pelo Acórdão nº 2402003.423. Recurso contra o lançamento objeto do processo 11020.005239/200739, correspondente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais apurados em folhas de pagamento e GFIP, lançados em razão da perda da isenção pela entidade. Este colegiado negou provimento ao recurso voluntário por meio do Acórdão nº 2402003.140. Recurso contra o lançamento objeto do processo 11020.005235/200751, correspondente às contribuições dos segurados incidentes sobre os valores pagos aos segurados professores, tidos pela Fundação Universidade de Caxias do Sul FUCS como contribuintes individuais e enquadrados como segurados empregados pela fiscalização. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, por meio do Acórdão nº 230102.408, negou provimento ao recurso, por unanimidade de votos, sob o argumento de que os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estavam devidamente demonstrados no relatório fiscal. Quanto ao processo nº 11020.005236/200703, referese às contribuições patronais incidentes sobre os valores pagos a professores caracterizados como segurados empregados pela fiscalização, esclarecese que, embora este processo encontrese na 3ª Câmara aguardando julgamento, a matéria em questão já foi tratada por aquela Câmara no acórdão mencionado no parágrafo anterior, razão pela qual, não há óbice ao julgamento do presente auto de infração. Se este Conselho corroborou a ocorrência dos fatos geradores não declarados em GFIP, bem como considerou que a entidade não fazia mais jus ao gozo de isenção nos julgamentos das obrigações principais, o lançamento da obrigação acessória deve prevalecer. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 13 12 No que tange à multa aplicada, observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 14 13 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 e comparado ao cálculo anterior, para que seja aplicado o valor mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 364DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10855.003479/99-98
Data da sessão: Mon May 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO.
Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhidos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. Inaplicabilidade do art. 3º da lei Complementar nº 118/2005.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.037
Decisão: ACORDADM os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que deu provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Numero do processo: 16327.001930/2004-70
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1999
RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o
desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do
Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o
julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte.
LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no
recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda
Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo
decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade
social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n°
8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário
Nacional (artigos 150 § 40, e 173).
CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro
Líquido tem natureza de tributo e, portanto, deve ser aplicada a
regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional, em
detrimento do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91,
conforme Súmula Vinculante n° 08 editada pelo Supremo
Tribunal Federal em 12.06.08.
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.033
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da relatora, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de voto, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1999 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 40, e 173). CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido tem natureza de tributo e, portanto, deve ser aplicada a regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, conforme Súmula Vinculante n° 08 editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius , Processo n° 16327.001930/2004-70 CSRF/T00 AcOrdào ti.° 00-00.033 Fls. 2 Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Femandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da relatora, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Femandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de vot , NEGAR provime ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam " te ar o presente ado. O RAGA residente CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUN S Redator Designado FORMALIZADO EM: 2 2 JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Antonio Carlos Atulim, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de Recurso Extraordinário apresentado em 01/10/2007 pela Fazenda Nacional, com base no artigo 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria n° 147/2007), contra o acórdão n° 01-05.651, proferido pela i s Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual entendeu por bem negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de reconhecer a decadência da CSLL, em razão da aplicação do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. O processo se refere a auto de infração lavrado para constituição de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, relativo ao ano-calendário de 1999. A ciência foi dada ao contribuinte em 24/12/2004. O acórdão recorrido entendeu ser aplicável, para a contagem da decadência, o prazo previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo previsto no artigo 45, da Lei n°8.212/91. O acórdão restou assim ementado: DECADÊNCIA — CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA — TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF — A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n°8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade de homologação. O inicio da contagem 2 n • . Processo n° 16327.001930/2004-70 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.033 Fls. 3 do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Tendo o pleno do STF já se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculação de normas regulando as matérias contidas no artigo 146-111 da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar à referida tese, aplicando-se o Código Tributário Nacional em detrimento de lei ordinária. (STF Tribunal Pleno — RE 407190/RS — sessão de 27/10/2004) Recurso Especial negado. A Fazenda Nacional, em sede de Recurso Extraordinário, apontou que o r. acórdão está em divergência com o acórdão CSRF/02-01.722, proferido pela Segunda Turma da CSRF, que concluiu pela aplicabilidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, nos termos da seguinte ementa: - "COFINS — DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, é de dez anos, contado a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído". Argumentou a Fazenda Nacional que (i) não cabe ao Conselho de Contribuinte deixar de aplicar o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, uma vez que estaria decretando a sua inconstitucionalidade; e (ii) o artigo 45 da Lei n° 8,212/91 é norma especial frente ao artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, e como esta própria norma admite a edição de normas especificas sobre o prazo decadencial, inexiste conflito de normas. O exame de admissibilidade foi realizado (fls. 706/707), determinando o SEGUIMENTO do Recurso Extraordinário. Foram apresentadas contra-razões pelo contribuinte, no qual são reiterados os argumentos anteriormente expostos, apontando, ainda, para a edição da Súmula n°08 do STF. 41 É o relatório. • )ÇffSi 3 41 , Processo n° 16327.001930/2004-70 CSRF/T00 Acórdão n." 00-00.033 Fls. 4 Voto Vencido Conselheira Karern Jureidini Dias, Relatora Em decisão plenária, restou afastada a preliminar de não conhecimento do Recurso em razão da Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, entendendo o Plenário que deve ser conhecido o Recurso para, então, aplicar a mencionada Súmula Vinculante. Ainda, entendeu o plenário que a matéria sob apreciação restringe-se apenas à aplicação do prazo previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo previsto no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, não sendo objeto do recurso e deste julgamento eventual hipótese de aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional. O presente processo versa sobre lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, relativo ao ano-calendário de 1999. A ciência foi dada ao contribuinte em. 24/12/2004. Entende a Fazenda Nacional ser aplicável ao caso as disposições da Lei n° 8.212/91, que teria legalmente fixado o prazo decadencial de 10 (dez) anos para as contribuições sociais, alegando, ainda, o acórdão seria nulo, pois o colegiado teria extrapolado sua competência ao julgar inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91. O primeiro ponto que deverá ser analisado, imprescindível para a solução do presente caso, é a natureza jurídica das contribuições sociais, o que determinará o prazo decadencial a ser aplicado. Dispõe o artigo 149, capta, da Constituição Federal: "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio económico e de interesse das categorias profissionais e econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observando o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6°, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo." Ainda, assevera o artigo 195 da mesma Lei Maior: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I — do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: 4 Processo n°16327.001930/2004-70 CSRFT00 Acórdão n.° 00-00.033 • Fls. 5 b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Tem-se, pois, que a Contribuição Soéial sobre o Lucro Líquido é contribuição destinada a financiar a seguridade social, sujeitando-se, portanto, às normas veiculadas pelos artigos 146 e 195 da Lei Maior. A referência ao artigo 146, inciso III, da Constituição Federal, no corpo do texto veiculado pelo artigo 149, também da Constituição Federal, deixa evidente a natureza das contribuições sociais como espécie de tributo incidente sobre atividade do particular, mas com destinação específica, o que a diferencia dos impostos. Visando sedimentar tal orientação constitucional, o Supremo Tribunal Federal se manifestou no sentido de que as contribuições sociais são espécies de tributo e, por assim ser, devem obediência ao artigo 146, inciso III, da Constituição Federal, em especial no que tange à determinação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Nesse sentido dispôs o Exmo. Ministro Carlos Velloso, verbis: "A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, "b"). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por apressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art. 146. Hl, b, art. 149). (Recurso Extraordinário n° 148.754-2/RI, acerto do voto do Ministro Carlos Velloso, junho/1993, grifos nossos). No mesmo sentido, o plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 146.733-9 — SP, também afirmou o caráter tributário das contribuições sociais, no caso, a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, como se percebe na seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURID1CAS. LEI 7689/88. - NÃO E INCONSTITUCIONAL A INSTITUICÃO DA CONTRIBUIU° SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JUR1DICAS, CUJA NATUREZA E TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1., 2. E 3. DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONAL1DADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS)." Dessa maneira, tendo em vista o caráter tributário das Contribuições Sociais, no que tange ao prazo para constituição e cobrança do crédito tributário, deve-se observar os dispositivos do Código Tributário Nacional, o qual foi recepcionado pela Constituição Federal com status de Lei Complementar. No presente caso, contudo, temos um aparente conflito normativo, iniciado com a entrada em vigor da Lei n° 8.212/91, em especifico seu artigo 45, o qual estabelece o prazo de 10 (dez) anos para constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa quando se tratar de contribuições sob administração, à época, do Instituto Nacional da Seguridade Social - INSS. Instaurou-se, pois, uma contrariedade legal, impossibilitando a aplicação, ao mesmo I 41 s . . Processo n°16327.001930/2004-70 CSIZE/T00 Acórdão n.° 00-00.033 Fls. 6 tempo, de ambos os dispositivos, quais sejam, o artigo 150, §, 4° do Código Tributario Nacional e o artigo 45 da Lei n°8.212/91. O conflito entre disposições legais pode se constituir como contrariedade ou antinomia jurídica, cuja diferença encontra-se calcada na possibilidade de contornar tal conflito por meio de critérios aptos, previstos no ordenamento ou resultado de criação doutrinária. Nesse sentido, leciona o Professor TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JUNIOR, verbis: "Podemos definir, portanto, antinomia jurídica como a oposição que ocorre entre duas normas contraditórias (total ou parcialmente), emanadas de autoridades competentes num mesmo âmbito normativo, que colocam o sujeito numa posição insustentável pela ausência ou inconsistência de critérios aptos a permitir-lhe uma saída nos quadros de um ordenamento dado".i No presente caso, tem-se que as autoridades que emanaram as normas jurídicas em debate estão inseridas no ordenamento jurídico brasileiro, que o sujeito aplicador encontra- se impossibilitado de aplicá-las ao mesmo tempo, mas que possui critérios aptos a resolver tal contrariedade. Não se configura, pois, uma antinomia. No ordenamento jurídico brasileiro, alguns princípios emanam na solução de controvérsias legislativas. Temos o princípio da especificidade, da anterioridade, e, no que tange ao presente caso, o princípio de hierarquia entre os textos legais. A Constituição Federal destina a certas matérias atenção especial. Entendendo o constituinte se tratar de pontos fulcrais para o desenvolvimento nacional e a aplicação dos valores constitucionais, reserva à Lei Complementar competência exclusiva para legislar. Isso porque, por se tratarem de matérias cruciais, a Lei Complementar apresenta maior segurança no sistema de criação legislativa, pois requer rito especial para sua aprovação. Nesse sentido, determina o artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal, que as regras sobre decadência e prescrição no direito tributário serão determinadas por Lei Complementar, consubstanciada no Código Tributário Nacional. Tal determinação não pode ser ignorada, sobrepondo-se o Código Tributário Nacional a qualquer outro dispositivo legal que se proponha a dispor sobre prescrição e decadência. É superior, pois, a Lei Complementar no que tange a tal matéria. A Lei n° 8.212/91, ao dispor sobre o prazo decadencial para constituição de crédito tributário específico de contribuições sociais, estabeleceu diferentemente do que determina o Código Tributário Nacional, supostamente ampliando o prazo decadencial para constituição de contribuição social para 10 (dez) anos. Por assim ser, ao se deparar com a contrariedade vislumbrada entre os dispositivos legais acima explanados, o Superior Tribunal de Justiça, órgão responsável pela análise de conflitos envolvendo lei federal, em sua Corte Especial, suscitou incidente de inconstitucionalidade por meio de Argüição de Inconstitucionalidade no REsp 616.348/MG, reconhecendo vício no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, por adentrar em matéria destinada Intrudução ao Estudo do Direito — Técnica, Decisão, Dominação. 4° ed., Atlas, São Paulo — 2003, pg. 212. ! 6 Processo n° 16327.001930/2004-70 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.033 Fls. 7 constitucionalmente à Lei Complementar, determinando, pois, aplicação exclusiva do Código Tributário Nacional, em decisão assim ementada, verbis: "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL ' CIWL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. I. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 2. Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente." Ainda, no decorrer de seu voto, o Ministro Relator Teori Albino Zavascki entendeu que, verbis: "Não há dúvida, portanto, que a matéria disciplinada no artigo 45 da Lei 8.212/91 (bem como no seu artigo 46, que aqui não está em causa) somente poderia ser tratada por lei complementar, e não por lei ordinária, como o foi. Poder-se-ia argumentar que o dispositivo não tratou de "normas gerais" sobre decadência, já que simplesmente estabeleceu um prazo. É o que defende Roque Antonio Carazza ("Curso de Direito Constitucional Tributário", 1? ed., Malheiros, 2003, páginas 816/817), para quem "a lei complementar, ao regular a prescrição e a decadência tributárias, deverá limitar-se a apontar diretrizes e regras gerais. Não poderá, por um lado, abolir os institutos em tela (que foram expressamente mencionados na Carta Suprema) nem, por outro descer a detalhes, atropelando a autonomia das pessoas políticas tributantes (.) Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada 'economia interna', vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas (...) Eis por que, segundo pensamos, a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais dependem de lei da própria entidade tributante. Não de lei complementar. Nesse sentido, os arts. 173 e 174 do Código Tributário Nacional, enquanto fixam prazos decadenciais e prescricionais, tratam de matéria reservada à lei ordinária de cada pessoa política. Portanto, nada impede que uma lei ordinária' federal fixe novos prazos prescricionais e decadenciais para um tipo de tributo federaL No caso, para as 'contribuições previdenciá rias Acolher esse argumento, todavia, importa, na prática, retirar a própria substância do preceito constitucional. É que estabelecer "normas gerais (...) sobre (.) prescrição e decadência " significa, necessariamente, dispor sobre prazos, nada mais. Se, conforme se reconhece, a abolição desses institutos não é viável nem mesmo por lei . . Processo n°16327.001930/2004-70 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.033 Fls. 8 complementar, outra matéria não poderia estar contida nessa cláusula constitucional que não a relativa a prazos (seu período e suas causas suspensivas e interruptivas). Tem-se presente, portanto, no artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, inconstitucionalidade formal por ofensa ao art. 146, III, b, da Carta Magna. Sendo inconstitucional, o dispositivo não operou a revogação da legislação anterior, nomeadamente os artigos 150, § 4° e 173 do Código Tributário Nacional, que fixam em cinco anos o prazo de decadência para o lançamento de tributos." Nesse sentido ainda decidiu monocraticamente o Excelentíssimo Senhor Ministro Marco Aurélio, nos autos do Recurso Extraordinário n° 552.710-7, baseando-se em jurisprudência pacífica da Corte Suprema, no seguinte sentido, verbis: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PRAZOS DECADENCIAL E PRESCRICIONAL — REGÊNCIA - ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/91 — DECLARAÇÃO DE LVCONSTITUCIONALIDADE PELA CORTE DE ORIGEM — HARMONIA COM A CONSTITUIÇÃO FEDERAL — PRECEDENTES — RECURSO EXTRAORDINÁRIO — NEGATIVA DE SEGUIMENTO. No julgamento do Recurso Extraordinário n" 138.284-8/CE, decidido à unanimidade de votos pelo Plenário em 1° de julho de 1992, o ministro Carlos Velloso, relator, quanto à natureza da norma para a disciplina do instituto da prescrição consideradas as contribuições sociais, expressamente consignou: t.1 Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se à lei complementar de normas gerais, assim ao C.T.N. (art. 146, III, ex vi do disposto no art. 149). Isto não quer dizer que a instituição dessas contribuições exige lei complementar: porque não são impostos, não há a exigência no sentido de que os seus fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes estejam definidos na lei complementar (art. 146, III, a). A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, Hl, "b"). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTIV) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art. I46,111, b; art. 149). Esse entendimento veio a ser novamente ressaltado pelo Plenário, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n° 396266-3/SC, também relator o ministro Carlos Velloso, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça de 27 de fevereiro de 2004. Assim restou assentado: As contribuições do art. 149 da C.F., de regra, podem ser instituídas 9111 por lei ordinária. Por não serem impostos, não há necessidade de que • Processo n° 16327.001930/2004-70 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.033 Fls. 9 a lei complementar defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes (CF., art. 146, IlL a). No 'mais, estão sujeitas às regras das alíneas b e c do inciso III do art. 146, C.F. Assim, decidimos, por mais de uma vez como, v.g., RE I 38.284/CE por mim relatado (RTJ 143/313), e RE I46.733/SP, Relator o Ministro Moreira Alves (RTJ 143/684). Realmente, descabe concluir de forma diversa." Já se pronunciou essa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisões assim emetadas, verbis: "CSLL — DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CTIV). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4° do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei n" 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4", da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE n° I46.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, HL da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que a autoridade fazendária se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade não exercida pelo sujeito passivo, do qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo." (Recurso Especial n° 108-129.376, Acórdão n° CSRF/01-05.533, Sessão de 19.07.06) "CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI IV° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4 0, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, Hl, 'b', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do C7'N) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CIN em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso HL 'b', da Constituição Federal." (Recurso Especial n107-133.941, Acórdão n° CSRF/01-05.473, sessão de 19.06.06) Processo n°16327.001930/2004-70 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.033 • Fls. 10 Não bastasse, foi também recentemente aprovada a Súmula n° 08 do Supremo Tribunal Federal que determina que "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Sobre este aspecto, lembro que respectiva súmula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do artigo 103, "a" da Constituição Federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional n° 45/2004, e também do disposto nos artigo 64-A e 64-B da Lei n° 9.784/99. Não bastasse, foi também recentemente aprovada a Súmula n° 08 do Supremo Tribunal Federal que determina que "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Sobre este aspecto, lembro que respectiva súmula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do artigo 103, "a" da Constituição Federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional n° 45/2004, e também do disposto nos artigo 64-A e 64-B da Lei n° 9.784/99.-A Súmula Vinculante n° 08 foi publicada no D.O.U. de 20/06/2008 com o seguinte teor: Súmula vinculante n° 8 - Sâo inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção 1, pág. 1) Portanto, respaldada nas decisões e súmula do Supremo Tribunal Federal, bem como decisões do Superior Tribunal de Justiça e dessa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendo que não merece reparos o r. acórdão que declarou a decadência dos valores lançados a titulo de CSLL, de acordo com o prazo previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto e considerando que o lançamento de oficio foi cientificado ao contribuinte em dezembro de 2004, constata-se a decadência para os fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1999, pelo que voto .por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 15 de dezembro de 2008. ,VICA.REM JURE NI DIAS 10 ti? Processo n°16327.001930/2004-70 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.033 Fls. I I Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Redator Designado. Peço vênia para discordar da proposição de não conhecimento do recurso da Douta procuradoria da Fazenda Nacional por perda do objeto, em face da Súmula Vonculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal (STF). E o faço baseado nas seguintes razões: Inicialmente, cabe registrar que o Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais está previsto nos artigos 9° e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, segundo pressupostos constantes deste último artigo. Confira-se: "Art. 9° Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. "omissis •" Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 90 deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § I" O recurso deverá demonstrar, funda" mentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2°A cópia de publicação de ementa referida no § 2", quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 3° O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. • "omissis" Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte trâmite: I I fr • • . Processo n°16327.001930/2004-70 CSRF/T00 Acórdão ri? 00-00.033 Fls. 12 1 - quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurando- se-lhe o prazo de quinze dias para oferecer contra-razões; O recurso da douta Procuradoria atende todos pressupostos processuais constantes do RICSRF, tendo inclusive demonstrado a divergência entre os dois arestos dissidentes, no prazo para a interposição de seu apelo, como bem demonstrou o ilustre Presidente da CSRF. Isto posto, tenho que a Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Muito pelo contrário. Infere-se da referida lei que a autoridade julgadora deve conhecer a impugnação ou recurso para verificar se os fatos se enquadram no trato que lhe der a Suprema Corte, nesse instrumento. Observe-se que a referida lei até prevê no artigo 7° a possibilidade de descumprimento da súmula vinculante e estabelece .o remédio para a prevalência da súmula, em tal caso. Ou seja, há lugar para reclamação ao STF sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. O Supremo Tribunal Federal diante da reclamação poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida - com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. . Com efeito, dizem os artigos 6° a 9° da mencionada lei, "in verbis": "Art. 60 A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão. Art. 7" Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. § 1° Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. § 2° Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, confirme o caso. Art. 8° O art. 56 da Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3°: 4)"Artigo56. (.) 12 - . ' Processo n°16327.001930/2004-70 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.033 Fls. 13 (-) g 3° Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso."(AR) Art. 9° A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 64-A e 64-B: "Artigo 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." "Artigo 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas eive!, administrativa e penal" Entendo que a Fazenda Nacional tem o direito de ter o seu recurso conhecido para apreciação do mérito que poderá ser decidido com aplicação da orientação contida na referida súmula. Isto posto, rejeito a preliminar em questão. Outrossim, também entendo que a preliminar levantada pela ilustre Conselheira Conselheira Karen Jureidini Dias, "data venia", não pode prosperar. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos corno consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). É este o litígio a ser composto no Recurso Extraordinário sob exame, a que me atenho. Não há razão para estender-se o litígio assim formado para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN). E, assim, também rejeito esta preliminar. Assim, rejeito as preliminares em questão, e tomo conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 15 de dezembro de 2008. IS11140.1-1 CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES 13 Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1
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Numero do processo: 12045.000286/2007-71
Data da sessão: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1996 a 30/10/1997
DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.798
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / lª turma ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1996 a 30/10/1997 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3° câmara / l• turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. • Processo e 12045.000286/2007-71 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.798 Fl. 173 4 JULIO ESAR VIEIRA GOMES - Presidente ca BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS — Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Maria Helena Lima dos Santos (suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Esteve presente ao julgamento a advogada da recorrente Dra. Flávia Domingues Costa, OAB/MG 71849. Relatório Trata-se de recurso interposto contra a Decisão-Notificação que julgou procedente o débito lançado contra a empresa acima identificada. O crédito previdencitio lançado por intermédio da NFLD se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório da NFLD (fls. 75/78), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento, nas competéncias 10/96, 04 e 10/97, de verbas constantes de Acordos Trabalhistas, consideradas de natureza remuneratória pela fiscalização. A recorrente impugnou o débito via peça de fls. 85 a 106, aditando a defesa 1 às fls. 110/111 e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, resultando na Informação Fiscal de fls. 135 e na retificação do débito. A Secretaria da Receita Previdenciária, por intermédio da Decisão- Notificação de n° 11.401.4/0466/2007 (fls. 138 a 142), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 158/161), requerendo a aplicação da Súmula n° 08, com o conseqüente cancelamento dos débitos já decaídos. É o relatório. 2 Processo n° 12045.000286/2007-71 52-C3T1 Acórdão n.° 130140.798 Fl. 174 Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. A notificada alega, em seu recurso, decadência do débito, requerendo a aplicação da Súmula Vinculante n° 08. A fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue- se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, 'b' da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidacle dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, publicada em 20106/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009,- que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou 11 - que fundamente crédito tributário objeto de: 3 Processo.? 12045.0002862007-71 52-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.798 Fl. 175 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Naciona4 na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n°73, de 1993. Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n°45/2004. in verbis: "Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1° A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas eive], administrativa e penal. 4 Processo n°12045.000286/2007-71 82-C311 Acórdão n.° 2301-00.798 Fl. 176 "Art 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas eive!, administrativa e penal" Verifica-se, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pelo sujeito passivo se deu em 29/12/2006, e o débito se refere ao período compreendido entre 10/1996 a 10/1997. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4 0, e 173 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, Voto por CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO. É como voto Sala das Sessões, em 1 de dezembro de 2009 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001173/2002-80
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998
INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. POSSIBILIDADE.
A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo.
Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Recurso provido.
Numero da decisão: 1302-000.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Andrada Marcio Canuto Natal, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. Ausente justificadamente o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998 INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. POSSIBILIDADE. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Recurso provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. POSSIBILIDADE. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. 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(Assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 11 73 /2 00 2- 80 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente em Exercício), Paulo Roberto Cortez, Andrada Marcio Canuto Natal, Diniz Raposo e Silva, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. Ausente justificadamente o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001173/200280 Acórdão n.º 1302000.997 S1C3T2 Fl. 3 3 Relatório CARROCERIAS LINSHALM LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF 86.375.458/000140, com domicílio fiscal na cidade de Timbó, Estado Santa Catarina, à Rua Ruy Barbosa, nº 336, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau SC, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 167/171), prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 178/179. A requerente protocolou Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais datado de 04/09/2000, onde solicita o pedido de revisão de incentivos fiscais de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1997, correspondente ao exercício de 1998, onde declara haver recolhido Imposto de Renda Pessoa Jurídica no valor de R$ 44.681,41. A base de cálculo dos incentivos fiscais é na ordem de R$ 59.574,67, opção pelo FINAN (até 24%), sendo o valor líquido dos incentivos o valor de R$ 14.297,92. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau – SC apreciou e concluiu que o presente pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais é improcedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que os valores informados pelo contribuinte na ficha 10 de sua declaração IRPJ/98 (Aplicações em Incentivos Fiscais), foram corretamente calculados, sendo os mesmos apurados pelo sistema IRPJOEIF (valores declarados são iguais aos valores "normalizados"). Em relação ao pagamento do imposto devido para o exercício em análise não houve problemas, tendo sido considerado pelo sistema o percentual de 100% dos valores devidos (fls. 55/59); que o motivo dos valores terem sido zerados no extrato dos incentivos fiscais, foi o fato do contribuinte possuir débito de tributos e contribuições federais (fls. 03, 57 e 59); que tendo em vista o exposto acima, imprimi extratos da situação fiscal do contribuinte e de suas filiais no sistema SINCORTRATANI, às fls. 60/69 e o intimei a regularizar o débito de FINSOCIAL, código 6120, período de apuração nov/91, no valor de CR$ 2.082.866,00, constante da Conta Corrente na situação suspenso por medida judicial pelo contribuinte. Como o débito nesta situação carece de verificação para se poder concluir sobre sua exigibilidade ou não, os documentos referentes à respectiva ação impetrada pelo contribuinte foram encaminhados à equipe de ações judiciais da delegacia, a qual, após sua análise, concluiu que são devidos valores de FINSOCIAL pelo interessado, inclusive no período aqui analisado (nov/91), conforme informação de fl. 127; que pelo acima exposto, uma vez que já se constatou que o contribuinte deve à Secretaria da Receita Federal, valores cuja cobrança estará sendo controlada no processo de n.° 10983.003762/9142, não cabe a concessão de incentivos fiscais; Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 29/08/2002, conforme Termo constante à fl.136, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em Fl. 270DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 tempo hábil (26/09/2002), a sua Manifestação de Inconformidade de fls.137/141, instruído pelos documentos de fls. 143/146, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que quanto ao suposto débito da contribuição ao Finsocial (código 6120 PA 11/91), temos a informar que o mesmo encontrase atingido pela decadência; que o período do Finsocial que pretende esta Delegacia seja regularizado, foi objeto de processo judicial junto a Justiça Federal de Joinville, sob n° 9101011502 (2a Vara Federal), o qual tinha como objetivo a declaração de inconstitucionalidade do aumento das alíquotas do Finsocial de 0,5% a 2% sobre o faturamento; que o referido processo encontrase atualmente arquivado (CX609), conforme consulta processual obtida junto ao site da Justiça Federal (www.jfsc.gov.br); que, segundo a consulta processual, se verifica que, quando da baixa do processo da instância superior (TRF 4ª Região), isto em data de 08.11.94, às partes foram devidamente intimadas a fim de requererem o que acharem de direito, sendo que a Fazenda Nacional, através de seus procuradores, requereram a conversão em renda da união de 25% dos valores depositados, com seus acréscimos legais, o que foi devidamente atendido pelo MM. Juiz em data de 14/12/94 e a requerente, por sua vez, através de seu procurador, requereu o levantamento dos 75% a que tinha direito. Nada mais sendo requerido pelas partes, foram os autos arquivados em data de 02/08/1995; que tendo já transcorridos mais de 05 anos desde a intimação nos autos supracitado para a devida manifestação sem que nada fosse requerido, decaiu a Fazenda Nacional do direito a pretensão do crédito tributário atinente à contribuição ao Finsocial de 11/91. A decadência é um instituto que da causa a extinção da obrigação, visando não permitir à Fazenda Nacional que eternize o direito de constituir o crédito tributário; que o processo judicial se findou em agosto de 1995, razão por que não há que manter o processo administrativo acima citado ainda em processamento, fazendo com que a Fazenda Nacional eternize o seu direito em constituir em crédito tributário. Após resumir os fatos constantes do pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 19/10/2007, a Terceira Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC a autoridade julgadora revisora resolveu julgar improcedente à manifestação de inconformidade, para manter a decisão hostilizada, com base, em síntese, nas seguintes considerações do voto vencedor (fls.167/171): que é preciso, de pronto, ressaltar que a opção da impugnante pelo FINAN, espelhada na DIPJ/1998, somente pode ser aceita se a empresa preencher os requisitos previstos no artigo 60 da Lei n.° 9.069, de 1995; que notase de imediato a insuficiência das provas apresentadas pela contribuinte, uma vez que se restringiu a alegar a decadência do débito, em aberto, de Finsocial, relativo ao período de apuração de novembro de 1991, objeto de ação judicial; que a alegação de decadência, neste caso, mostrase vazia em vista de que o débito já estava regularmente constituído, como informado no Despacho Decisório, quando do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. A decadência é conceituada como sendo o perecimento do direito de efetuar o lançamento para constituição de crédito Fl. 271DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001173/200280 Acórdão n.º 1302000.997 S1C3T2 Fl. 4 5 tributário por não ter sido exercitado dentro de um prazo determinado. Com o débito já constituído não há que se falar em lançamento e, por conseguinte, em decadência; que o litígio, no presente processo, não se refere a lançamento de tributo, onde deve ser analisada, além do mérito, a preliminar de decadência. O litígio se limita, neste caso, a verificar se a contribuinte atendia as condições para reconhecimento de incentivo fiscal e as preliminares devem se restringir a questões relacionadas ao Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais; que a contribuinte, então, provar que o débito de Finsocial, relativo ao período de apuração de novembro de 1991, encontravase quitado em vista do levantamento dos depósitos judiciais autorizados na Ação Judicial sob n° 9101011502, ou por outra forma de recolhimento. Ressaltase que, ciente dos débitos remanescentes (em procedimento de diligência) apurados pela auditoria responsável pelo acompanhamento de processos judiciais, a contribuinte não apresentou qualquer contestação; que sem comprovação, pela contribuinte pessoa jurídica, da inexistência de débitos de contribuição federal — Finsocial — não ha como ser reconhecido o incentivo fiscal pleiteado para o anocalendário 1997. A ementa que consubstancia a decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Solicitação Indeferida Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, vencidos o relator e o julgador José Aparecido da Conceição, em INDEFERIR A SOLICITAÇÃO de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Designada para redigir o Voto Vencedor a Julgadora Patrícia Stahnke Schveitzer. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 08/11/2007, conforme consta à fl. 171, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (10/12/2007), o recurso voluntário de fls. 178/179, instruído pelos documentos de fls.180/212, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que não há dúvida de que incide a decadência em primeiro plano, e, mesmo a prescrição no que se refere à constituição e cobrança do débito ou dos pretensos débitos aqui em questão, prazos estes de cinco anos, e não, de dez como aqui se pretendo nos autos; que conforme podemos ver da ação judicial n. 9101011502, o valor do finsocial do período aqui pretendido deve ser calculado à base de 0,5% do faturamento, e, não, a 2% conforme aqui se pretende. Realmente, conforme podemos ver de guias de recolhimento Fl. 272DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 (DARF) e mapa em anexo, a Requerente pagou valores superiores aos devidos durante os 18 meses (10/89 a 03/91) e, assim, resultou credora junto à UNIÃO; que após isto, depositou judicialmente os valores até a competência de outubro de 1991, aonde a UNIÃO recebeu somente o valor até 0,5% do faturamento conforme ordem judicial na ação referida (cópia dos depósitos igualmente em anexo); que o valor devido a título de FINSOCIAL no mês de novembro de 1991 é de somente 0,5% sobre o faturamento conforme claramente o determina a ação judicial acima referida, e não, de 2% conforme aqui se pretende, sendo que os valores que a Requerente já recolhera indevidamente anteriormente superam em muito os que aqui figuram como ainda devidos, impondose portanto a compensação. Na Sessão de Julgamento de 18 de julho de 2009, os Membros da 1ª TO – 2ª Câmara – 3ª Seção de Julgamento do CARF, acordaram, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário (declinação de competência de julgamento), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 Competência Material. Improrrogabilidade. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Recurso Voluntário Não Conhecido É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001173/200280 Acórdão n.º 1302000.997 S1C3T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. O litígio tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC, no qual a requerente solicita o pedido de revisão de incentivos fiscais de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1997, correspondente ao exercício de 1998, onde declara haver recolhido Imposto de Renda Pessoa Jurídica no valor de R$ 44.681,41. A base de cálculo dos incentivos fiscais é na ordem de R$ 59.574,67, opção pelo FINAN (até 24%), sendo o valor líquido dos incentivos o valor de R$ 14.297,92. Constatase, que o pedido devese ao fato do recorrente ter feito opção por aplicação no FINAM e o extrato ter sido emitido com os valores de incentivo "zerados", tendo em vista constar débito de tributos e contribuições federais em nome do mesmo, quando da emissão do referido extrato. Constatase, ainda, que foram juntados pelo contribuinte, além do Pedido de Revisão, cópias de comprovantes de pagamento do imposto de renda — IRPJ, código 2089, cópia do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, cópia da certidão negativa do INSS e do Certificado de Regularidade do FGTS, cópia da declaração IRPJ exercício 1998 e cópia de certidão positiva com efeitos de negativa, expedida pela ARF/TIMBÓ/SC (fls. 01/41). É de se ressaltar, que no caso em análise, os valores informados pelo contribuinte na ficha 10 de sua declaração IRPJ/98 (Aplicações em Incentivos Fiscais), foram corretamente calculados, sendo os mesmos apurados pelo sistema IRPJOEIF (valores declarados são iguais aos valores "normalizados"). Em relação ao pagamento do imposto devido para o exercício em análise não houve problemas, tendo sido considerado pelo sistema o percentual de 100% dos valores devidos (fls. 55/59). Observase, que o motivo dos valores terem sido zerados no extrato dos incentivos fiscais, foi o fato do contribuinte, no entender da Secretaria da Receita Federal, possuir débito de tributos e contribuições federais (fls. 03, 57 e 59). Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em saber a data em que deve ser verificada a regularidade fiscal da empresa, se na data da apresentação da DIRPJ ou no momento do despacho no PERC ou se ainda pode ser em algum momento posterior durante o trâmite do processo. A decisão recorrida posicionase no sentido de que para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), é indispensável à regularidade fiscal da empresa na data do despacho. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 Firmo a minha convicção de que a data mais correta é o momento da opção pelo incentivo, qual seja: a data da entrega da Declaração de Rendimentos, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. É fato, que a lei condiciona a concessão ou reconhecimento de benefícios fiscais à comprovação, pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais, senão vejamos: Lei nº 9.069, de 1995 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributes e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais Tal disposição legal é semelhante à contida no artigo 27, da Lei nº 8.036, de 11/05/1990, vejamos: Art. 27. A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória nas seguintes situações: c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o FGTS. No campo do direito constitucional, o parágrafo 3°, do artigo 195, também dispõe: I A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Como se vê, a disposição legal é cristalina: cabe ao contribuinte a obrigação de comprovar a quitação de tributos e contribuições federais. Não há dúvidas de que face às condições dinâmicas da atividade a situação do postulante ao beneficio pode variar de "sem debito em aberto" a "com debito em aberto", propiciando o surgimento de situações não isonômicas no tratamento dado aos contribuintes pela administração tributária. Assim, dependendo da data em que seja verificada a situação do contribuinte, pode ser ou não concedido o beneficio pleiteado. Essa incerteza no tempo com relação à situação fiscal não satisfaz aos ditames do principio da segurança jurídica. Assim, se faz necessário adotar um único momento para avaliar as condições de regularidade fiscal do contribuinte, pleiteante de benefícios fiscais. Da análise atenta do dispositivo em discussão, percebese não haver, de forma expressa, qualquer definição com relação ao momento no qual devem ser verificadas as condições de regularidade com relação à quitação de tributos e contribuições federais. Levando em conta da necessidade se interpretar a legislação de forma não haver palavras desnecessárias no texto legal, é possível se interpretar, o dispositivo em Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001173/200280 Acórdão n.º 1302000.997 S1C3T2 Fl. 6 9 discussão, como definindo dois atos distintos: a concessão e o reconhecimento. Dessa forma, aceitado o principio, há a definição de duas datas diferentes: a data da concessão e a data do reconhecimento. Concessão é o ato ou efeito de conceder, é o consentimento, a permissão. Ocorre no momento do processamento da declaração (DIPJ) onde consta a opção feita pelo contribuinte. E reconhecimento é o ato ou efeito de reconhecer, podendo, ainda, em termos jurídicos ter a acepção de ato através do qual alguma coisa é admitida como verdadeira. Dessa forma, concessão poderia estar ligada ao primeiro momento, época do processamento da declaração com a opção do contribuinte, enquanto que o reconhecimento se daria numa etapa posterior, quando da análise do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais temse manifestado da seguinte forma: Acórdão nº 10195.809: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias no momento em que é protocolado o pedido perante SRF. Não se pode exigir posterior comprovação da regularidade fiscal se quando do pedido o contribuinte possuía situação fiscal regular. Recurso voluntário provido Acórdão nº 10196.15: IRPJ INCENTIVOS FISCAIS — PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — A lei estabelece que a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação, pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Todavia, se constatada a juntada de certidões de regularidade fiscal no curso do processo, considerarseá satisfeita a condição, desde que tais certidões tenham sido juntadas aos autos durante o período de sua validade. Recurso provido. Acórdão nº 10323.569: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 10 jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal. Acórdão nº 10709.362: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PERC. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A apresentação de Certidão Positiva com Efeito de Negativa faz prova da quitação dos tributos e contribuições federais, exigida como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Recurso Voluntário Provido Feitas estas referências legais e administrativas, concluise assim que, para fins de obtenção de favores fiscais, como o do caso em exame, a regularidade fiscal do contribuinte, no que se refere aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal podem ser atestadas pela própria administração, através de despacho constante do processo, emitido pela Inspetoria ou Delegacia encarregada de apreciar o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. De modo diverso, contudo, cabe ao contribuinte a apresentação dos seguintes documentos à autoridade tributária encarregada de analisar o seu pedido, segundo se depreende da leitura dos dispositivos legais referenciados: Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal; Certidão Negativa emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Certidão Negativa emitida pelo Instituto Nacional de Seguridade Social INSS, quanto às contribuições para a previdência social. No caso em discussão, observase que o contribuinte foi instado a comprovar a sua regularidade fiscal, através da intimação de fls. 73/74, apresentando a seguinte documentação: 1 Regularização (baixa ou suspensão pela UL) junto ao setor competente da SRF, do debito de Finsocial, código 6120, PA 11/91, o qual se encontra suspenso por medida judicial, pelo contribuinte; 2 Certidão Negativa da Procuradoria da Fazenda Nacional PFN; 3 Certidão negativa junto ao INSS; 4 Certificado de Regularidade do FGTS, emitido pela Caixa Econômica Federal. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13971.001173/200280 Acórdão n.º 1302000.997 S1C3T2 Fl. 7 11 Em 23 de maio de 2002, a recorrente apresentou Certidão Quanto Dívida Ativa da União Negativa (fls. 82), atestando a inexistência de qualquer inscrição em dívida ativa. Certidão negativa de débito da Previdência Social, atestando a inexistência de qualquer débito impeditivo (fls. 83). Certificado de regularidade do FGTS – CRF expedido pela Caixa Econômica Federal, certificando que a empresa encontrase em situação regular. Alegou, ainda, a recorrente, que segundo a consulta processual, se verifica que, quando da baixa do processo da instância superior (TRF 4 Regido), isto em data de 08.11.94, as partes foram devidamente intimadas a fim de requererem o que acharem de direito, sendo que a Fazenda Nacional, através de seus procuradores, requereram a conversão em renda de 25% dos valores depositados, com seus acréscimos, o que foi devidamente atendido pelo MM. Juiz em data de 14/12/94 e a requerente, por sua vez, através de seu procurador, requereu o levantamento dos 75% a que tinha direito. Nada mais sendo requerido pelas partes, foram os autos arquivados em data de 02/08/1995. Observou a recorrente, que tendo já transcorridos mais de 05 anos desde a intimação nos autos supracitado para a devida manifestação sem que nada fosse requerido, decaiu a Fazenda Nacional no direito â pretensão do crédito tributário atinente ao finsocial PA 11/91. A decadência é um instituto que da causa a extinção da obrigação, visando não permitir á Fazenda Nacional que eternize o direito de constituir o crédito tributário. Também é necessário se ressaltar, que consta às fls. 41 a Certidão Positiva de Tributos e Contribuições Federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com efeitos de negativa, atestando que a única pendência registrada esta com a exigibilidade suspensa nos termos de art. 151 do Código Tributário Nacional. Ora, se a Recorrente apresenta Certidões Positivas com Efeito de Negativas atestando a inexistência de débito em aberto expedidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como da Dívida Ativa da União, não há razão para que se glose o gozo do beneficio dos incentivos fiscais. Aliás, nesse sentido cabe destacar a Súmula nº 37 do CARF, aprovada pelo Pleno e Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 08.12.2009: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Do exposto, comprovada a regularidade fiscal do contribuinte é de se acolher o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, para restabelecer o incentivo fiscal pleiteado. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 12 Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10167.001214/2007-39
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/05/2006
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
AUSÊNCIA DA INDICAÇÃO DA DATA E HORA DA LAVRATURA.
A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência.
Numero da decisão: 2403-001.542
Decisão: Recurso Voluntário Provido Em Parte
Crédito Tributário Mantido Em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2004 a 30/05/2006 MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. AUSÊNCIA DA INDICAÇÃO DA DATA E HORA DA LAVRATURA. A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido Em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. AUSÊNCIA DA INDICAÇÃO DA DATA E HORA DA LAVRATURA. A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido Em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 7. 00 12 14 /2 00 7- 39 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10167.001214/200739 Acórdão n.º 2403001.542 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0321.836 da 7ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Segundo o Relatório Fiscal da Notificação de Lançamento de Débito, DEBCAD n° 35.871.9593, As fls. 26/28, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas o pagamento de remunerações aos segurados empregados/contribuintes individuais, apurados com base nas informações declaradas em GFIP pelo contribuinte. Os respectivos valores estão discriminados, por competência, As fls. 04/07, no Discriminativo Analítico do Débito DAD. 0 débito foi apurado por meio de fiscalização de fato gerador seletivo através da confrontação entre os valores declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social — GFIP e os recolhimentos correspondentes efetuados pela empresa através de GPS — Guia da Previdência Social no período de 09/2004 a 05/2006. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Lançamento contém vício insanável, Faltou a hora da lavratura. · INCRA. · SEST · SENAT. · SEBRAE. · SESCOOP. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Registro que os procedimentos adotados pela fiscalização na constituição do crédito tributário estão bem descritos e fundamentados no voto condutor do julgamento de primeira instancia, razão pela qual não os repetirei. AUSÊNCIA DA INDICAÇÃO DA HORA DE LAVRATURA Quanto à ausência da indicação da data e da hora de lavratura da notificação, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 7. Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. TERCEIROS Todas alegações sobre terceiros são improcedentes neste processo visto que o presente lançamento não contém terceiros. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10167.001214/200739 Acórdão n.º 2403001.542 S2C4T3 Fl. 4 5 Conforme consta do Relatório Fiscal, o lançamento aqui discutido referese às contribuições destinadas Seguridade Social, arrecadados pela empresa, relativo à parte do segurado (empregados e autônomos), no período fiscalizado. Este Relatório Fiscal visa prestar os esclarecimentos necessários acerca da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) acima, relacionados às contribuições destinadas Seguridade Social, arrecadados pela empresa, relativo à parte do segurado (empregados e autônomos), no período fiscalizado. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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