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Numero do processo: 10384.720174/2007-63
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.030
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência para que o órgão oficial competente informe a estimativa do VTN do imóvel à época do fato gerador, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 81 1 80 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.720174/200763 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.030 – 2ª Turma Especial Data 9 de fevereiro de 2012 Assunto ITR Recorrente CERÂMICA MAFRENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência para que o órgão oficial competente informe a estimativa do VTN do imóvel à época do fato gerador, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 04/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Versam os presentes autos sobre Auto de Infração relativo pelo qual se exige Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2005, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado "Saco", cadastrado na RFB, sob o n° 5.190.4705, com área declarada de 1.616,4 ha, localizado no Município de Teresina/PI. A ação fiscal iniciouse com a intimação, exigindose a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10384.720174/200763 Error! Reference source not found. n.º 2802000.030 S2TE02 Fl. 82 2 e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Por não ter sido apresentado nenhum documento de prova, foi alterado o VTN declarado de R$ 23.000,00 para R$ 1.170.322,09 ou R$ 724,03/ha, com base no SIPT/RFB, com conseqüente aumento do VTN tributável, e disto resultando o imposto suplementar de R$ 53.123,31, conforme demonstrativo de fl. 03. Apresentada Impugnação, o contribuinte alegou, em síntese: a) não concorda com o valor arbitrado pelo AuditorFiscal e informa que o imóvel está localizado em local de difícil acesso, uma vez que não há rodovias, sendo a estrada carroçável em péssima condição, em local desprovido de energia elétrica, telefone e água encanada; b) a metodologia utilizada pela Receita Federal na avaliação mostrase por demais simplificada e objetiva, pois não levou em conta inúmeros fatores inseridos na região imprescindíveis para apuração do VTN como: localização, área, terreno, declinação, vegetação, etc. Ao contrário, arbitrou objetivamente importância elevada baseado em valor superior ao levantamento de preços ofertados naquela região ou em terrenos lindeiros; c) o valor apurado não condiz com a verdadeira situação do bem, mostrandose nitidamente desproporcional à realidade fática. Indica a real avaliação do imóvel baseado no art. 8% § 2% da Lei 9.393/96, que determina que o valor da terra nua refletirá o preço de mercado de terras; d) a presente petição está instruída com um demonstrativo de cálculo, avaliação efetuada por profissional devidamente habilitado para exercício deste oficio. Requer diligencias que se fizerem necessárias para nova avaliação do imóvel rural, e; e) requer que seja retificado o débito fiscal reclamado para constar valor a menor, razoável e proporcional com o de mercado e protesta pela prova do alegado e por todos os meios em direito admitidos. A decisão de 1ª instância manteve o crédito tributário lançado de ofício, de acordo com as seguintes razões: a) o laudo apresentado não atende as normas ABNT por não demonstrar, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2005; b) o laudo apresentado deveria demonstrar, de maneira inequívoca, que o imóvel avaliado, quando comparado com outros imóveis da mesma região geoeconômica, possui características particulares desfavoráveis, inclusive, se for o caso, questões fundiárias, que pudessem justificar o valor apurado pelo autor do trabalho, muito aquém dos valores apontados no SIPT, e; c) desnecessidade de realização de perícia. Em Voluntário, a Recorrente sustenta a: i) prestabilidade do Laudo e a superavaliação do imóvel se tomado o SIPT como parâmetro para verificação do VTN, superiores inclusive aos dados fornecidos pelo INCRA; ii) violação ao direito à informação, pela impossibilidade de acesso ao dados do SIPT pelos contribuintes, e; iii) necessidade de perícia para demonstrar a completa desconformidade dos valores do SIPT com os valores de mercado. Era o de essencial a ser relatado. A jurisprudência deste E. Sodalício permite, caso o contribuinte não apresente Laudo de Avaliação, o arbitramento do VTN, com base no SIPT, cujos dados são de acesso restrito aos funcionários da RFB. No caso dos autos, o Recorrente, por ocasião da Impugnação, apresentou Laudo de Avaliação contestado pela decisão de 1ª instância, sob o fundamento de não atendimento pleno dos requisitos exigidos pelas Normas ABNT 14.653, mormente por chegar a valor muito Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10384.720174/200763 Error! Reference source not found. n.º 2802000.030 S2TE02 Fl. 83 3 inferior ao previsto no SIPT e por não se utilizar de fontes de pesquisa contemporâneas ao fato gerador (2005). Entretanto, é de se observar que o Recorrente, em Impugnação, requer diligência/perícia, indeferida pela decisão de 1ª instância, sob o argumento de que o Laudo de Avaliação apresentado foi suficientemente apreciado pelos integrante da Turma, não havendo matéria controversa ou de complexidade que justifique a produção de prova pericial ou realização de diligência. No caso em julgamento, ao menos no aspecto formal, o Laudo de Avaliação seguiu as Normas ABNT, cabendo ao órgão de julgamento, se inclinado a desconsiderar as conclusões do perito, apresentar outro Laudo ou colher provas adicionais em procedimento de fiscalização. Daí a necessidade, antes de arbitrar o VTN, de deferir a diligência/perícia requerida, de sorte a permitir a contradita do Laudo apresentado e colher informações adicionais a respeito do fato gerador. Ademais, se a legislação determina a apuração e o pagamento do ITR por conta do próprio contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária (art. 10 da lei n. 9.393), não há se exigir a elaboração prévia de Laudo, de sorte a tornar impossível que o perito colha informações precisas a respeito de exercícios passados, que aliás, provavelmente indicariam valores ainda inferiores àqueles apresentados. É de se considerar que o arbitramento de base de cálculo em matéria tributária é medida extrema. Somente se justifica na total ausência de informações a respeito do fato gerador pelo sujeito passivo ou no caso de imprestabilidade de seus documentos. Não é o que se verifica no caso presente, face à apresentação de Laudo assinado por profissional credenciado e, ao menos formalmente, em respeito às Normas ABNT exigidas. Aliás, o artigo 14 da lei n. 9.393/96, determina que nos casos de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá o arbitramento do imposto considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, A SER APURADO EM PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO! Mais uma razão para admitir diligência ou perícia com a finalidade de obter informações passíveis de afirmar ou infirmar as informações contidas no Laudo apresentado. Em sentido semelhante, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 2a. Seção 2a. Turma da 1a. Câmara, Processo n° 10670.720131/200752, Sessão de 12 de maio de 2010 : ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10384.720174/200763 Error! Reference source not found. n.º 2802000.030 S2TE02 Fl. 84 4 como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT . Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditálo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.). Nestes termos proponho a realização de diligência/perícia a fim de que o órgão oficial competente informe a estimativa do VTN do imóvel à época do fato gerador de sorte a permitir a contradita do Laudo de Avaliação unilateral apresentado. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 18336.000130/2001-13
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PROCESSUAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. - A existência de pronunciamento de órgão da Administração e o teor dos acordos internacionais em sentido contrário ao mérito dizem respeito à sua procedência, não constituindo causa de nulidade do lançamento.
PROCESSUAL. PERÍCIA. - Indefere-se o pedido de perícia efetuado sem observância das normas processuais e desnecessário para a formação da convicção do julgador.
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. ALADI. TRIANGULAÇÃO. - A preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica, ACE-39, depende do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/03-04.860
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Judith do Amaral Marcondes
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AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. - A existência de pronunciamento de órgão da Administração e o teor dos acordos Internacionais em sentido contrário ao mérito dizem respeito à sua procedência, não constituindo causa de nulidade do lançamento. PROCESSUAL. PERÍCIA. - Indefere-se o pedido de perícia efetuado sem observância das normas processuais e desnecessário para a formação da convicção do julgador. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. ALADI. TRIANGULAÇÃO. - A preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica, ACE-39, depende do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI. • Recurso especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS Presidente O A 7--- OtA C^C)t LA-/ JUDI 1 H DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Retbra /I FORMALIZADO EM: 14 AGI) 2007 mas Processo n° : 18336.000130/2001-13 Acórdão n° : CSRF/03-04.860 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: OTACE10 DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, LUÍS ANTONIO FLORA, ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLI e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR 2 • Processo n" :18336.000130/2001-13 Acórdão n° : CSRF/03-04.860 Recurso n° :301-124379 Recorrente : FAZENDA NACIONAL INTERESSADA : PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRÁS RELATÓRIO Os autos versam sobre o Auto de Infração de fls. 01/12 decorrente da utilização indevida de redução tarifária, por que o importador realizou operação triangular, aproveitando-se da redução prevista no ACE-39 e Decreto 3.138/99. A operação realizada pela Petrobrás, de adquirir o produto, óleo diesel, de empresa venezuelana, revendendo-o, em seguida, para uma subsidiária situada nas ilhas Cayman e recomprando-o posteriormente, segundo a Fiscalização, não é permitida pela Resolução ALADI 232. A empresa, em sua defesa, alegou a legalidade da operação, afirmando que adquiriu o produto venezuelano, que foi faturado contra a empresa subsidiária, porém enviado diretamente do país produtor para o Brasil. O procedimento apenas tem a finalidade de evitar uma liquidação à vista, uma alavancagem financeira, e que a interveniência posterior de terceiro nessa compra direta não é vedada pelos Acordos e Resoluções Internacionais, pelo contrário, é prevista e autorizada pela Resolução 232. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE considerou o lançamento procedente, conforme Acórdão DREFOR n° 421, de 29/11/2001, fls. 64/86, rejeitando a preliminar de nulidade do auto de infração, indeferindo o pedido de perícia e, no mérito, considerou incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e Fatura Comercial e a comercialização por terceiro país de produto importado, sem obediência a requisitos da legislação de regência. A Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, conforme Acórdão n°301-30.223, fls.129/134, de 21 de maio de 2002, assim ementado: "PROCESSUAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. A existência de pronunciamento de órgão da Administração e o teor dos acordos internacionais em sentido contrário ao mérito dizem respeito à sua procedência, não constituindo causa de nulidade do lançamento. PROCESSUAL. PERÍCIA. Indefere-se o pedido de perícia efetuado sem observância das normas processuais e desnecessária para a formação da convicção do julgador. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. ALADI. TRIANGULAÇÃO. A preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica, ACE-39, depende do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI. PROVIDO POR MAIORIA." O()3 Processo n° :18336.000130/2001-13 Acórdão n° : CSRF/03-04.860 A Fazenda Nacional interpôs tempestivamente Recurso Especial, alegando contrariedade à evidência das provas constantes dos autos (o representante da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão em 17/08/2004 e o Recurso foi protocolado em 18/08/2004), requerendo a cassação do acórdão recorrido, restaurando-se a decisão de l a instância. O apelo da Fazenda Nacional apóia-se, fundamentalmente, nos seguintes argumentos: - o certificado de origem emitido a destempo relativamente à fatura comercial emitida pela empresa PFICO, ao BILL OF LANDING e ao Laudo Técnico de Arqueação; - descumprimento das exigências constantes nas cláusulas nona e décima do Regimento de Origem da ALADI; - fatura comercial, emitida pela PFICO, inválida, pois não apresentada em via original; - divergência entre número de fatura comercial, constante do certificado de origem, e o número da fatura emitida pela mencionada empresa; - inexistência na fatura comercial dos elementos essenciais de validação, conforme a legislação; - o certificado de origem não menciona a quantidade do produto e nem existência de um terceiro pais como intertnediado na operação, violando o que estabelece o art. 1° do Acordo 91/89 e as cláusulas referentes à certificação. - a divergência apontada não é mera formalidade, constitui-se em instrumento de relevância inegável para a perda da redução tarifária; - a operação de triangulação comercial não está acobertada pela Resolução 78/87 e nem pelo o Acordo 91/89, no âmbito da ALADI; - a vedação à interveniência de um terceiro pais não signatário, ainda que por motivação de ordem econômico-financeira, advém da própria natureza dos acordos que, sendo eminentemente bilaterais, estão assentados nas preferências e condições acordadas entre países signatários; - não houve a interveniência de um operador, como prevê a Resolução 232, mas de um terceiro pais, na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI; - pelas provas dos autos, constata-se a total improcedência da operação realizada pela autuada, uma vez demonstrado que não há subsunção dos fatos arrolados às disposições da Resolução 232/97, para o gozo do tratamento preferencial estabelecido no Acordo firmado entre os países-membros. 4 *e Processo n° :18336.000130/2001-13 Acórdão n° : CSRF/03-04.860 A contribuinte foi devidamente cientificada da decisão do Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em 25/11/2004, tendo lhe sido facultada a apresentação de Contra-Razões Recursais, compareceu aos autos, em 09/12/2004, fis, 165/186, para alegar, em síntese, o que segue: - é absolutamente incongruente a objeção quanto à fatura final que acoberta a importação — e única passível de registro de DI — ter sido emitida por exportador de terceiro país; - a origem da mercadoria é incontroversa, conforme demonstram os conhecimentos de transporte; - a Resolução 78 é justamente para regular a certificação de origem, toda ela fala de país exportador, que é o de origem, e a própria Resolução em alguns de seus outros artigos se refere claramente a terceiro país, inclusive admitindo mercadorias de origem desses terceiros países; - o art. 10 da Resolução 78 obriga a consulta quando o país importador considere que o ato de certificação praticado por outro dos signatários "não se ajusta ao disposto nela; e é por demais óbvia, dispensando réplica, a inconsistência da alegação de que a consulta no caso seria ao país exportador e não ao de origem, emissor dos certificados; Requer, ao final, a improcedência da autuação, e anexa vasta jurisprudência dos Conselhos, tratando de autuações idênticas ao caso em comento. Na sessão realizada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 07/11/2005, fls. 288, os autos foram distribuídos, por sorteio, a esta conselheira, em conformidade com o art. 16 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Processo n° : 18336.000130/2001-13 Acórdão n° : CSRF/03-04.860 VOTO Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO - Relatora Submete-se à apreciação deste Colegiado o Recurso Especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com fulcro no art. 5 0, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, irresignada com o teor do Acórdão n° 301-30.223, da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, proferido por maioria dos votos, e assim ementado: "PROCESSUAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. A existência de pronunciamento de órgão da Administração e o teor dos acordos internacionais em sentido contrário ao mérito dizem respeito à sua procedência, não constituindo causa de nulidade do lançamento. PROCESSUAL. PERÍCIA. Indefere-se o pedido de perícia efetuado sem observância das normas processuais e desnecessária para a formação da convicção do julgador. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. ALADI. TRIANGULAÇÃO. A preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica, ACE-39, depende do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI. PROVIDO POR MAIORIA." A PGFN entende que há contrariedade à evidência das provas constantes dos autos pelas razões já elencadas na peça recursal, afirmando que foi comprovado que não há subsunção dos fatos arrolados nos autos às disposições da Resolução 232/97, para o gozo do tratamento preferencial estabelecido no acordo firmado entre os países-membro da ALADI. Todas as alegações da Procuradoria, ainda que pertinentes, não justificam a não aplicação da preferência tarifária. Ao meu sentir, não está violado o Acordo de Complementação Econômica, ACE-39, e adoto, para fundamentação do meu entendimento, o voto proferido na decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, do acórdão ora recorrido, que transcrevo: "Rejeito a preliminar de nulidade do Auto de Infração e mantenho o indeferimento do pedido de perícia, pelos fundamentos constantes da decisão recorrida, que leio em Sessão. No mérito, adoto o brilhante voto da ilustre Conselheira Márcia Regina Machado Melaré constante do Acórdão 301-29.049, de 19/02/02. o ev26 • • Processo n° : 18336.000130/2001-13 Acórdão n° : CSRF/03-04.860 A decisão recorrida ao justificar a procedência da ação fiscal entendeu não estar demonstrado que o produto constante do certificado de origem seria o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor. Entretanto, os documentos de fls. 19 e 20 demonstram o contrário. O certificado de origem faz referência à fatura comercial 77441-0 e a "invoice" emitida pela subsidiária da recorrente informa que o pagamento está sendo realizado para os produtos daquele certificado de origem. O que se verifica no certificado de origem de fls. 19, contudo, é o não atendimento ao disposto no artigo Segundo incorporado ao Acordo 91 pela Resolução 232, de 08/20/97, do Comitê de Representantes da ALADI, que trata do Decreto n.° 2.865/98. Não consta do Certificado, no campo "observações" a referência ao faturamento do negócio por terceiro. "Segundo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino". Entretanto, foi expressamente prevista, por norma constante de Resolução, a possibilidade do faturamento da mercadoria originária de país da ALADI por terceiro, associado ou não, conforme disposto no artigo segundo, da Resolução 232. A Divisão de Tributação da SRRF/8' RF, na Decisão n° 203, de 01/07/99, afirmou: "Com efeito, o pais de origem das mercadorias a serem importadas constitui-se em uma realidade fática passível de ser determinada de maneira concreta e objetiva, mediante aplicação dos critérios previstos na Resolução 78 da ALADI. Assim, uma vez caracterizada a mercadoria como sendo de origem mexicana, seria necessário, para refutar-lhe tal caracterização, que a legislação determinasse, através de urna ficção jurídica, que uma mercadoria fabricada no México não seria considerada um produto originário daquele pais, se ela tiver sido vendida e exportada através de empresa sediada em outro pais. Verifica-se que restrições dessa natureza não foram incorporadas em qualquer dos dispositivos do Acordo Regional de que trata o Decreto n° 90.782/1984 ou do próprio Tratado de Montevidéu (promulgado pelo Decreto Legislativo no. 66/81) que criou a ALADI. No caso deve ser observado que a Resolução n° 232, de 08/10/97, do Comitê de Representantes da ALADI, de que trata do Decreto n° 2.865/98, que modificou o Acordo 91, incorporando-lhe o artigo Segundo que dispõe: 7 • Processo n° :18336.000130/2001-13 Acórdão n° : CSRF/03-04.860 'Segundo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produto ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino.' Desta forma, constata-se que o texto supracitado admite claramente possibilidade de intervenção, em operações realizadas no âmbito da ALADI, de empresas de países não pertencentes à referida Associação. Por outro lado, verifica-se que a ALADI, através da citada Resolução n° 232, alterou apenas o Acordo 91, que cuida da certificação de origem das mercadorias negociadas, não introduzindo qualquer modificação no Acordo 78, na parte relativa à qualificação de origem desses bens. Assim, infere-se que foi acrescida, pela Resolução n° 232, uma exigência formal na elaboração do Certificado de Origem, na hipótese de as mercadorias serem negociadas através de operador de um terceiro país, porém tal fato não desqualifica a origem dessas mercadorias, ainda que esse pais não fosse membro da ALADI." No caso, apesar de, no Certificado de Origem de fl. 19, não ter constado, expressamente, no campo "observação" a ressalva prevista na norma ALADI, não se impugnou ou se pôs em dúvida, em momento algum, a origem das mercadorias e a sua importação pela recorrente, a determinar a manutenção dos benefícios fiscais, já que o produto importado é de origem de pais membro da ALADI. Além do mais, este "terceiro" é a própria Petrobrás, através de sua subsidiária integral. )5 Assim sendo, Nego Provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em maio de 2006 Gtic \ -JUDI O AMARAL MARCONDES ARMANDO — Relatora 94) Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10768.006375/00-48
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÓES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 1992
RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o
desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do
Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o
julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte.
LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de
Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no
recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda
Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo
decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade
social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n°
8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário
Nacional (artigos 150 § 4°, e 173).
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. - Súmula
Vinculante nº 8,. -O Supremo Tribunal Federal consagrou que o
prazo decadencial e prescricional das contribuições
previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição Social
Sobre o Lucro Líquido - CSLL, prevalece aqueles estabelecido no
Código Tributário Nacional.
Recurso extraordinário conhecido e negado no mérito.
Numero da decisão: PLENO/00-00.078
Decisão: ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes
Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Relatora), Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Susy Gomes Hoffmann, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. - Súmula Vinculante n2 8,. -O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL, prevalece aqueles estabelecido no Código Tributário Nacional. Recurso extraordinário conhecido e negado no mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffinann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Relatora), Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos 4/, Processo n° 10768.006375/00-48 CSRF/T00 Acórdão 11.° 00-00.075 Fls. 3 Alberto Gonçalves Nunes. 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Susy Gomes Hoffinann, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AZif e/:11IPtyília‘ d e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES Redator Designado FORMALIZADO EM: 2 2 JUN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Antonio Carlos Atulim, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, lAntonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Ausente momentaneamente o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado). Relatório Trata-se de Recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão CSRF/01-05.173, de 14 de março de 2005, de fls. 3247/3286, no qual, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso, mantendo a decisão exarada no acórdão 101-93.743, de 21/02/2002, fls.3136/3171, que reconheceu a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos 1 0. e 2°. semestres de 1992, para a CSLL, posto que a ciência do mesmo se deu em 19/02/1998. O acórdão está assim ementado: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — CSLL - DECADÊNCIA - A contribuição social sobre o lucro liquido e COF1NS, "ez vi" do disposto no art. 149, c.c. ari 195, ambos da CF., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim em face do disposto nos arts. n° 148,111, "b", da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de iei complementar especifica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. CST,L - GASTOS INDEDUTIVEIS, GLOSA. FATO GERADOR OCORRIDO EM 1994. PERMISSIVO LEGAL INEUSTÊNCIA - Os gastos conceituados como indedutiveis na ótica do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, à Contribuição Social sobre o Lucro, não se estendem, por falta de permissivo legaL 472 • Processo n° 10768.006375/00-48 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.078 Fls. 4 IRPJ - RESERVA OCULTA - REFLEXO NA CMB - Não tendo sido computada a reserva oculta decorrente do lançamento cujos fatos geradores ocorreram em 1993 no cálculo da CMB dos períodos bases seguintes, a base tributável deve ser ajustada para que se verifiquem os efeitos da correção monetária do património liquido aumentado peio lançamento dos períodos bases anteriores. O contribuinte tem direito de utilizar dos efeitos fiscais decorrentes da reserva oculta gerada em _função de lançamento de oficio, que modificou seu patrimônio liquido.Recurso do PFN negado. Recurso do Contribuinte provido. Inconformado com o decidido o digno representante da Fazenda Nacional junto à Primeira turma apresenta recurso extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 3288/3296). Entende que, ao concluir nesse sentido, sem dúvida alguma, o acórdão, diverge, frontalmente, com a interpretação que lhe deu a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que o prazo para Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente as contribuições é de dez anos, contados a partir do 10 dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. Das razões recursais apresentadas pelo representante da Fazenda Nacional, depreende-se que a divergência pretendida encontrar-se-ia amparado no Acórdão n° CSRF/02- 01.655, apresentado como paradigma da matéria recorrida. O despacho CSRF n° 289/2005, fls. 3311/3314, dá seguimento ao recurso. A Interessada foi regularmente notificada e apresentou contra-razões em tempo hábil às tls.3539/3549 pugna pela manutenção do julgado recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relatora Entendo que o conhecimento deste recurso encontra-se prejudicado, ante a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8212/91, todavia, vencida nesta preliminar, passo a análise do mérito. Busca a i.Procuradoria da Fazenda Nacional rever decisão que reconheceu a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos 1°. e 2°. semestres de 1992, para a CSLL, posto que a ciência do mesmo se deu em 19/02/1998. A controvérsia cinge-se em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", 4) 3 Processo n°10768.006375/0048 CSRF/T00• Acórdão n. 00-00.078 Fls. 5 deve ser contado por uma das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei n°8.212/91. O Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vinculante n9 8, verbis: "Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4° do art. 2° da Lei n°11.417/2006: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; 1W 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; 1W 559.943, rel. Min. Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n" 117, de 20/06/2008, Seção 1, pág. 1) Nesta conformidade, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n2 8.212/91, nego provimento ao recurso. Sala d. Sessões, em 15 de dezembro de 2008 4.at. -te Malipp— soa Monteiro t"\ 4 , Processo n° 10768.006375/00-48 CSRF/T00 Acórdão n." 00-00.078 Fls. 6 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Goncalves Nunes, Redator Designado. Peço vênia para discordar da proposição de não conhecimento do recurso da Douta procuradoria da Fazenda Nacional por perda do objeto, em face da Súmula Vonculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal (STF). E o faço baseado nas seguintes razões: Inicialmente, cabe registrar que o Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais está previsto nos artigos 9° e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, segundo pressupostos constantes deste último artigo. Confira-se: "Art. 9° Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. • "omissis" Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 9° deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § I° O recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argiiida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2°A cópia de publicação de ementa referida no § 2°, quando extraída da internei, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 3° O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. • "omissis" Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte trâmite:, Já • % Processo n° 10768.006375/00-48 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.078 Fls. 7 1- quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurando- se-lhe o prazo de quinze dias para oferecer contra-razões; O recurso da douta Procuradoria atende todos pressupostos processuais constantes do RICSRF, tendo inclusive demonstrado a divergência entre os dois arestos dissidentes, no prazo para a interposição de seu apelo, como bem demonstrou o ilustre Presidente da CSRF. Isto posto, tenho que a Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Muito pelo contrário. Infere-se da referida lei que a autoridade julgadora deve conhecer a impugnação ou recurso para verificar se os fatos se enquadram no trato que lhe der a Suprema Corte, nesse instrumento. Observe-se que a referida lei até prevê no artigo 7° a possibilidade de descumprimento da súmula vinculante e estabelece o remédio para a prevalência da súmula, em tal caso. Ou seja, há lugar para reclamação ao STF sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. O Supremo Tribunal Federal diante da reclamação poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Com efeito, dizem os artigos 6° a 9° da mencionada lei, "in verbis": "Art. 60 A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão. Art. 7° Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. f 1° Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. § 2° Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme u caso. Art. 8° O art. 56 da Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte yç 3°: "Artigo56. (..) 47 • Processo n° 10768.006375/00-48 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.076 Fls. 8 § 3 0 Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." (NR) Art. 90 A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 64-A e 64-B: "Artigo 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." "Artigo 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilizaçã o pessoal nas esferas cível, administrativa e penal." Entendo que a Fazenda Nacional tem o direito de ter o seu recurso conhecido para apreciação do mérito que poderá ser decidido com aplicação da orientação contida na referida súmula. Isto posto, rejeito a preliminar em questão. Outrossim, também entendo que a preliminar levantada pela ilustre Conselheira Conselheira Karen Jureidini Dias, "data venia", não pode prosperar. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). É este o litígio a ser composto no Recurso Extraordinário sob exame, a que me atenho. Não há razão para estender-se o litígio assim formado para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN). E, assim, também rejeito esta preliminar. Assim, rejeito as preliminares em questão, e tomo conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008. S Sia n CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES 7 Page 1 _0035500.PDF Page 1 _0035600.PDF Page 1 _0035700.PDF Page 1 _0035800.PDF Page 1 _0035900.PDF Page 1 _0036000.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.000590/2004-60
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RATIFICAÇÃO DA DECISÃO —
Conhecidos os Embargos, vez que atendidos os requisitos de sua
admissibilidade, há de se manter a decisão antes exarada se a apreciação da omissão apontada não conduz à conclusão diferente da expendida no voto condutor guerreado.
Numero da decisão: 1301-00.056
Decisão: ACORDAM os membros da 3° câmara / 1° turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos para no mérito, rejeitá-los e ratificar a decisão contida no acórdão 105-16.711 de 17 de outubro de 2007, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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I , MINISTÉRIO DA FAZENDA 5.107 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.00059012004-60 Recurso n° 153.600 Embargos Acórdão n° 1301-00.056 — V Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2009 Matéria IRPJ E OUTRO - EX. 2000 Embargante ARYSTA LIFESCIENCE DO BRASIL INDÚSTRIA QUÍMICA E AGROPECUÁRIA LTDA ( ATUAL DENOMINAÇÃO DE HOIUCO DO BRASIL INDÚSTRIA QUÍMICA E AGROPECUÁRIA LTDA) Interessado ?TURMA DA DRJ SÃO PAULO (I) - SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RATIFICAÇÃO DA DECISÃO — Conhecidos os Embargos, vez que atendidos os requisitos de sua admissibilidade, há de se manter a decisão antes exarada se a apreciação da omissão apontada não conduz à conclusão diferente da expendida no voto condutor guerreado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" câmara / 1 turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos para no mérito, rejeitá-los e ratificar a decisão contida no acórdão 105-16.711 de 17 de outubro de 2007, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , • ' 1-• IS A / Presidente WIISONF' I . • ' • ES Rela \t,Q1 . Formalizado em: 19 JUN 2009 Processo n° 16327.000590/2004-60 SI-C3TI Acórdão n.• 1301-00.056 Fl. 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros. Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Allcmim Teixeira, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. 257 2 Processo n° 16327.00059012004-60 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.056 Fl. 3 Relatório Trata o presente de embargos de declaração interpostos por ARYSTA LIFESCIENCE DO BRASIL INDÚSTRIA QUÍMICA E AGROPECUÁRIA LTDA (atual denominação de HOICKO DO BRASIL INDÚSTRIA QUÍMICA E AGROPECUÁRIA LTDA). Em conformidade com o aludido pela embargante na peça de fls. 758/765, esta Quinta Câmara, ao prolatar o acórdão n° 105-16.711 (sessão de 17 de outubro de 2007), teria incorrido em omissão e contradição, razão pela qual requer seja o recurso conhecido e provido para sanar os vícios apontados Afirma a embargante: 11.1 — Da omissão em relação ao Acordo de Bitributação firmado entre Brasil e Japão. A Embargante verificou que a C. Quinta Turma de Julgamento (sic), não obstante ter abordado a matéria no relatório constante do acórdão, deixou de apreciar em seu voto a questão acerca do Acordo de Bitributação firmado entre Brasil e Japão, o qual é tema de análise obrigatória ao presente caso e, conforme explanado anteriormente, traz importantes consequências no tocante aos princípios ativos importados, tendo em vista que (1) o acordo de bitributação impede a aplicação da lei interna nos casos de operações efetuadas em bases "arm's lenght" e que (2) nada obsta, em casos como da Recorrente, seja a constatação da observância daquele princípio feita por método PRL, consagrado pela prática internacional. 11.2 — Da contradição do acórdão em face da aplicação do método PRL para o produto Flumyzin 500 Com a devida vênia, restou configurada contradição no v. acórdão em exame, que deve ser esclarecida a fim de que se busque a decisão jurídica mais adequada ao presente caso. Neste particular, a C. Quinta Câmara entendeu que a aplicação do Método do Preço de Revenda menos Lucro — PRL eleito expressamente pela Embargante é absolutamente correta no tocante ao princípio ativo Flumtzin 500. Todavia, em relação aos princípios ativos Clethodin Técnico e Kasumin Técnico, a D. Autoridade Fiscal aceitou a opção pelo PRL, tendo rejeitado, todavia, os cálculos apresentados pela ora Embargante, conforme dem. ir o quadro abaixo: 3 Processo n• 16327.00059012004-60 SI-C3T1 Acórdão ri.° 1301-00.056 A. 4 Cálculos realizados pela Embargante Considerou-se o universo de revendas dos produtos Clethodin Técnico Kasumin Técnico Revendas Puras + Revendas Puras + Saídas do Produto com Saídas do produto com valor agregado valor agregado Em decorrência, a D. Autoridade Fiscal procedeu à realização de novos cálculos, nos quais considerou apenas parte das saídas realizadas pela Embargante, ou seja, somente aquelas relativas a revenda sem qualquer agregação de valor na produção, desconsiderando as demais saídas com agregação de valor Cálculos realizados pela D. Autoridade Fiscal Considerou-se apenas as revendas puras Clethodin Técnico Kasumin Técnico Revendas Puras Revendas Puras Contudo, tal entendimento não deve prosperar, uma vez que, ao autorizar a Embargante a aplicar o método PRL para o produto Flumyzin 500 não poderia ter excluído as saídas com agregação de valor na produção do cálculo dos produtos Clethodin Técnico e Kasumin Técnico. Isto porque, embora a Embargante tenha revendido os produtos Clethodin Técnico e Kasumin Técnico sem agregação de valores, houve outras operações que envolveram os mesmos bens, com agregação de valor. Ora, se o PRL se aplica às revendas com agregação de valores, como ficou decidido para o produto Flumyzin 500, então idêntico raciocínio se estende aos demais produtos. Também para estes, portanto, devem ser consideradas, no cálculo do PRL, as saídas com agregação de valor. Neste sentido, verifica-se que o v. acórdão é contraditório, na medida em que, no caso do produto Flumyzin 500, permite a aplicação do método PRL para saídas com agregação de valor e ao mesmo tempo, desconsidera tais saídas para efeito de cálculo do PRL para os demais produtos. É o Relatório 2?,9 4 Processo n° 16327.00059012004-60 SI-C3T1 Acórdão n.• 1301-00.056 Fl. 5 Voto Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARAES, Relator Trata o presente de Embargos de Declaração, opostos por ARYSTA LIFESCIENCE DO BRASIL INDÚSTRIA QUÍMICA E AGROPECUÁRIA LTDA (atual denominação de HOICKO DO BRASIL INDÚSTRIA QUÍMICA E AGROPECUÁRIA LTDA), com base na argumentação de que, ao prolatar o acórdão n° 105-16.711, a Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes teria incorrido em omissão e contradição. A omissão estaria representada pela a ausência de apreciação dos argumentos trazidos em sede de recurso voluntário acerca do ACORDO DE BITRIBUTAÇÃO firmado entre o Brasil e o Japão, enquanto que a contradição derivaria do fato de o Colegiado, segundo ela, ter considerado correta a aplicação do Método PRL para determinado produto (FLUMYZIN 500), porém, para outros (CLETHODIN TÉCNICO e KASUMIN TÉCNICO), apesar de aceitar a opção pelo PRL, rejeitou os cálculos efetuados pela empresa. Acolho os presentes Embargos única e exclusivamente em razão da confirmação de que o voto condutor da decisão exarada pelo Colegiado não trouxe qualquer consideração acerca dos argumentos expendidos pela contribuinte sobre o Acordo de Bitributação firmado entre o Brasil e o Japão. No que tange à contradição aventada, contudo, como se verá adiante, ela não existe. OMISSÃO: ACORDO BRASIL - JAPÃO Observo que, de fato, não obstante a contribuinte ter trazido argumentos acerca da matéria, o voto condutor do Acórdão n° 105-16.711 não tratou do acordo internacional firmado entre o Brasil e o Japão. Todavia, isso é explicado pelo fato de tal questionamento só ter sido apresentado por ocasião da interposição da peça recursal. Nesse diapasão, não caberia mesmo apreciar tais argumentos, pois, como é cediço, por força do disposto no artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Assim, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. CONTRADIÇÃO No que diz respeito a alegada contradição, sustenta a Embargante: 112 — Da contradição do ac' o em face da aplicação do método PRL para o produ lu z 500 Processou' 16327.000590/2004-60 SI-C3T1• Acórdão n.° 1301-00.056 Fl. 6 Com a devida vênia, restou configurada contradição no v. acórdão em exame, que deve ser esclarecida a fim de que se busque a decisão jurídica mais adequada ao presente caso. Neste particular, a C. Quinta Câmara entendeu que a aplicação do Método do Preço de Revenda menos Lucro — PRL eleito expressamente pela Embargante é absolutamente correta no tocante ao principio ativo Flumyzin SOO. Todavia, em relação aos princípios ativos Clethodin Técnico e Kasumin Técnico, a D. Autoridade Fiscal aceitou a opção pelo PRL, tendo rejeitado, todavia, os cálculos apresentados pela ora Embargante, conforme demonstrado no quadro abaixo: Equivoca-se a contribuinte, eis que o Colegiado não entendeu que a aplicação do Método PRL estava correta no tocante ao principio ativo Flumyzin 500, mas, sim, que o critério adotado pela autoridade fiscal para determinar o preço parâmetro não encontrava respaldo na legislação de regência. Nessa linha, restou consignado no VOTO VENCEDOR do acórdão em referência, verbis: A maioria da câmara afastou a tributação em relação ao produto Flumyzin SOO em virtude do ajuste de preço relativo às importações realizadas em 1999 terem sido comparadas com importações feitas em 2001, por contrariar a lei especialmente o artigo 18 parágrafo 1° da Lei n°9.430/96, verbis: Como se vê, não merere guarida o arguido pela Embargante, vez que, como assinalado no voto vencedor da lavra do Ilustre Conselheiro José Clóvis Alves, o afastamento da tributação se deu em razão de o Colegiado, por maioria, entender que o ajuste de preço não poderia ter por base operações efetuadas em ano distinto do submetido a exame. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de acolher os embargos para negar-lhes provimento. Sala das Sessões, em 13 de maio de 2009 WILSON 11111,- • • S' .0° 6 Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1 _0038400.PDF Page 1 _0038500.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.001115/2005-53
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/2000 a 31/07/2004
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA.
Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou de serviços.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
De acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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AUTO DE INFRAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO REGIMENTO DO CARF. Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários da Cofins e do PIS/PASEP nos casos em que se confirma a existência de pagamento antecipado dessas contribuições é a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador, consoante, inclusive, decisão do STJ proferida na sistemática do artigo 543C, do Código de Processo Civil. Aplicação ainda do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. No caso, a ciência do lançamento se deu em 12/09/2005, restando atingidos pela decadência os períodos de apuração de fevereiro a agosto de 2000. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2000 a 31/07/2004 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 15 /2 00 5- 53 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou de serviços. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001115/200553 Acórdão n.º 3401002.086 S3C4T1 Fl. 285 3 Relatório O presente processo retorna a julgamento em face da conclusão de uma segunda diligência, desta feita determinada por esta Turma por meio da Resolução nº 3401 000.488, de 22 de maio de 2012, para que fossem (e foram) confirmados os pagamentos antecipados da Cofins dos períodos de apuração de fevereiro a agosto de 2000. A primeira diligência fora determinada pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara por meio da Resolução nº 340300.063, de 29 de julho de 2010, ocasião em que foi esclarecido o nível de detalhamento das rubricas das receitas sobre as quais incidiu a Cofins lançada e que é objeto do presente auto de infração. As matérias agitadas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, visando cancelar o auto de infração da Cofins dos períodos de apuração de fevereiro de 2000 a julho de 2004, em apertadíssima síntese foram: decadência parcial do lançamento (períodos de apuração de fevereiro a agosto de 2000) pelo fato de sua ciência ter se dado em 12/09/2005; na condição de sociedade civil de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, estaria desobrigada do pagamento da Cofins, em face da Súmula 276 do STJ; haveria irregularidade na revogação do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91; não teriam sido considerados os efeitos da decisão do STF quanto à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição; os valores tributados pela fiscalização não corresponderiam a receitas suas, mas, de terceiros, o que demandaria a aplicação da regra do inciso III, do parágrafo 2º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; a DRJ não poderia ter deixado de enfrentar as argüições de inconstitucionalidades suscitadas na impugnação; haveria inconstitucionalidade nas modificações produzidas na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Além disso, inovando em relação à sua peça impugnatória, contestou a utilização do percentual de 75% na apuração da multa de oficio, por considerálo confiscatório, bem como a utilização da taxa Selic como forma de atualização do crédito tributário apurado. Para o caso de maiores esclarecimentos acerca do conteúdo deste processo, recorrerei, caso necessário nesta sessão de julgamento, à leitura dos relatórios constantes das duas Resoluções acima referenciadas. No essencial, é o Relatório. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Decadência– lançamentos por homologação. O Supremo Tribunal Federal, por meio da edição da Súmula Vinculante 8, definiu que o dispositivo legal que dava sustentação ao entendimento de que o prazo decadencial para o PIS/Pasep e para a Cofins era de dez anos, qual seja, o artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, foi considerado inconstitucional. Então, temse que, para fins de definição do termo inicial do prazo decadencial dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação, são dois os dispositivos legais a serem consultados, quais sejam, o artigo 173, inciso I, e o art. 150, § 4º, ambos do CTN, a depender da existência ou não de pagamento antecipado e/ou da existência ou não de imputação de dolo fraude ou sonegação, É que, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela da Portaria MF nº 586, de 2010, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E sobre a aplicação de tais dispositivos, o STJ vem adotando o seguinte posicionamento (contido no RE nº 973.733): “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte Fl. 699DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001115/200553 Acórdão n.º 3401002.086 S3C4T1 Fl. 286 5 não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Temse, então, que a aplicação deste ou daquele dispositivo, depende da existência ou não do pagamento antecipado, o que, no presente caso, efetivamente ocorreu para os períodos questionados pela Recorrente, quais sejam, aqueles compreendidos entre fevereiro e agosto de 2000. Dou provimento, pois, para cancelar os lançamentos de fevereiro a agosto de 2000, em face da decadência. Sociedade civil de profissão regulamentada e isenção A recorrente ressalta ser uma “sociedade pessoas jurídicas de direito privado sob a forma de sociedade civil, constituídas exclusivamente por pessoas físicas residentes e domiciliadas no Brasil, prestadoras de serviços atinentes à corretora de seguros.”(sic), o que a levaria a ser enquadrada na regra de isenção contida no artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91, c/c o artigo 1º do Decretolei nº 2.397, de 1987. A recorrente parece, primeiramente, não ter levando em conta que no seu estatuto social a descrição de seus objetivos sociais revela que sua finalidade é "o negócio de imóveis e todas as suas modalidades abrangendo compra e venda, administração, bens ou valores, móveis ou imóveis, loteamentos, incorporações, constituição de condomínios, corretagem, construção civil; prestar assistência técnica, administrativa, jurídica ou por outras modalidades a pessoas jurídicas ou físicas, podendo ainda participar como acionista, constar ou Fl. 700DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 sócia de outras organizações comercial, industriais e rurais", não podendo, à evidência, por essa razão, ser considerada como uma sociedade civil prestadora de serviços “atinentes à corretora de seguros”, como alegou e, portanto, ser enquadrada na regra isenção do citado inciso II, do artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91. Sumula 276 do STJ Ainda que de passagem, a recorrente invocou a aplicação em seu socorro o enunciado da Súmula 276 do STJ para fins de reconhecimento da não incidência da Cofins sobre suas receitas. Ocorreu, no entanto, que em data posterior à que entregou seu Recurso Voluntário, o STJ, na sessão de 12/11/2008, deliberou pelo cancelamento da referida Súmula, conforme informação que se colhe no sítio do referido Tribunal na internet, verbis: “ julgando a AR 3.761PR, na sessão de 12/11/2008, a Primeira Seção deliberou pelo CANCELAMENTO da súmula n. 276”. Assim, descabida se mostra a aplicação da referida Súmula 276 ao presente caso. Alargamento da base de cálculo da Cofins A recorrente argumentou também que a Lei nº 9.718, de 1998, não poderia ter alargado o conceito de receitas, devendo limitarse a incidência da contribuição apenas sobre o valor do faturamento. Ela tem razão em relação apenas aos períodos da autuação que estão sob o regramento da referida lei, isto é, entre setembro de 2000 [aqui já considerandose os efeitos da decadência dos lançamentos de fevereiro a agosto de 2000] e janeiro de 2004. É que, a partir de fevereiro de 2004, a autuação se deu sob as regras do regime da não cumulatividade instituído pela lei nº 10.833, de 29/12/2003, sobre o qual, ao menos por enquanto, não pesa a eiva de inconstitucionalidade decretada pelo STF. Inconstitucionalidade que, voltando aos períodos de apuração compreendidos entre setembro de 2000 e janeiro de 2004, foi reconhecida pelo STF em relação ao alargamento da base de cálculo trazido pelo § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de sorte que só podem ser consideradas na formação da base de cálculo das pessoas jurídicas, o valor do seu faturamento, por este entendido o produto da venda de bens e/ou de serviços. Senão, vejamos o julgado no Recurso Extraordinário 346.084 – Paraná, Relatoria Ministro Ilmar Galvão: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – Pis – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98/98. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindose à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº Lei nº 9.718/98/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Fl. 701DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001115/200553 Acórdão n.º 3401002.086 S3C4T1 Fl. 287 7 A par disso, de se considerar que partir da Portaria MF nº 586, de 2010, que introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, de se dar provimento ao recurso voluntário para retirar da base de cálculo que ensejou as diferenças de Cofins lançadas, todas as receitas que não aquelas originadas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, ressaltando que isso envolve apenas os lançamentos dos períodos de apuração compreendidos entre setembro de 2000 e janeiro de 2004. Em outras palavras, nesse período, deve ser mantida a exação apenas sobre os valores contidos na rubrica “Receitas Operacionais”. Valores recebidos e repassados aos condôminos Alega a recorrente que o fisco fez incidir a Cofins sobre valores que não podem ser considerados como receitas. Referese ela a recebimentos de valores devidos aos condôminos que devem ser repassados aos condomínios que administra, os quais não seriam apropriados por ela, recorrente, cabendolhe, tão somente, apenas um percentual a título de comissão. Toma como exemplo, os “serviços bancários”, cujos valores apenas transitariam em sua contabilidade e não seriam de sua propriedade. Nesse caso, pediu a aplicação da regra contida no § 2º, inciso II, do art. 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, que tratava da retirada da base de cálculo da Cofins, dos valores recebidos e repassados a terceiros. Com a devida vênia, a recorrente não se ajuda, haja vista que limitase a argumentar... e argumentar...., sem nada trazer de concreto aos autos no sentido de demonstrar suas afirmações. A diligência acima referida apontou de que forma foram apurados os valores da autuação, isto é, ora a partir dos balancetes, ora dos razões contábeis, de sorte que, levando se em conta a questão do alargamento da base de cálculo, tema já enfrentado e que propiciou a retirada da exação dos valores outros que não aqueles representativos de receitas originadas do faturamento da empresa, os tais valores supostamente de “terceiros” não deverão mesmo continuar a fazer parte da base de cálculo, caso, se confirme a hipótese de eles não estarem contidos nas rubricas contábeis denominadas “Receitas Operacionais”. Pois, se estiverem, nenhum ajuste há de ser efetuado, porquanto a autuada não comprovou quais exatamente são eles, nem tampouco onde, isto é, em quais rubricas estão registrados. Dito de outra forma, mantendose a exação apenas com base nas receitas operacionais, originadas do faturamento da empresa [Comissões sobre condomínios e sobre Locação] não terão sido onerados quaisquer dos valores a que a recorrente de forma precária se referiu. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Ad argumentandum, não mais tem aplicação a regra invocada pela recorrente para o trato de receitas repassadas a terceiros, e que constava do inciso II, do § 2º do artigo 2º, da Lei nº 9.718, de 1998. Não obstante a matéria ainda padeça de um entendimento definitivo do STJ, tanto assim que a mesma foi subsumida às regras do art. 543C do Código de Processo Civil1, valhome da jurisprudência firmada neste Conselho e no próprio STJ para não reconhecer à interessada o direito reclamado. É que a exclusão da base de cálculo prevista pelo inciso III do § 2º do art. 3o da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, tinha sua eficácia condicionada a uma regulamentação que não se concretizou, até que se deu a sua revogação expressa pela alínea “b” do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.99118, de 9/06/2000. Vejase, por exemplo, o Acórdão nº 20312.999, de 05/06/2008, de relatoria do Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva, votação unânime: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000 PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. (...). COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA À REGULAMENTAÇÃO. O art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, que previa a exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, é norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada. Recurso negado.” E também os votos proferidos no âmbito do STJ: à "TRIBUTÁRIO PIS LEI 9.718/98 REGRA DE INTERPRETAÇÃO. 1. O artigo 3º, § 2º, III, da lei 9.718/98, estabeleceu regra de exclusão condicionada a regulamento do poder executivo.2. Condição não implementada, sendo revogada a regra de exclusão pela MP 199118/2000.3. Legalidade da norma contida e condicionada a regulamento.4. Recurso especial improvido (REsp 502.263/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 13.10.2003)” à "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS.BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 3º, § 2º, INCISO III, DA LEI N.9.718/98. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N. 199118/2000. I O comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n. 9.718/98 estabelecia a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS, das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, a depender de normas regulamentares do Poder Executivo. II Com a edição da Medida Provisória nº 1.99118/2000, o dispositivo em comento foi retirado do mundo jurídico, antes mesmo de produzir os efeitos pretendidos. Portanto, embora vigente, não teve eficácia, já que não editado o decreto regulamentador. III Recurso especial improvido (REsp 512.232/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 20.10.2003)” à "RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEI N. 9.718/98, ARTIGO 3º, § 2º, INCISO III. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO.REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N. 199118/2000.AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 97, 1 RECURSO ESPECIAL Nº 1.144.469 PR (2009/01124142). Fl. 703DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 18471.001115/200553 Acórdão n.º 3401002.086 S3C4T1 Fl. 288 9 IV, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESPROVIMENTO. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n. 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000. Não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 2. 'In casu', o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 3. Recurso Especial desprovido. (REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ 10.3.2003)”; à "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO.INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INCISO III, DA LEI N. 9.718/98. REVOGAÇÃO. ART. 111, I, DO CTN. 1. É certo que a Lei n. 9.718/98 previu, em seu art. 3º, § 2º, inciso III, que a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas estava condicionada à edição de normas regulamentadoras do Poder Executivo. Sucede, entretanto, que, malgrado esse mandamento estivesse em plena vigência, não possuía eficácia porquanto não havia sido editado o respectivo decreto regulamentador. Posteriormente, aliás, a mencionada regra veio a ser revogada pela Medida Provisória n. 1.99118/2000. 2. Diante disso, não se exclui da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receitas, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. 3. Recurso especial provido" (REsp 654.175/SC, Rel. Min.João Otávio de Noronha, DJ 11.10.2004) à "RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS 'A' E 'C' TRIBUTÁRIO PIS E COFINS RECEITA BRUTA – PRETENDIDA COMPENSAÇÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA ART. 3º, § 2º, INCISO III DA LEI N. 9.718/98 AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO POR DECRETO DO PODER EXECUTIVO POSTERIOR REVOGAÇÃO DO FAVOR FISCAL PELA MEDIDA PROVISÓRIA N. 199118/2000 PRECEDENTES – SÚMULA 83 DO STJ. Sabemno todos, ocioso rememorar, que a lei tributária concessiva de qualquer favor ao contribuinte, a exemplo da isenção concedida pelo art. 3º, § 2º, inciso III da Lei n. 9.718/98, sujeitase às regras estabelecidas pelo Fisco para o gozo do benefício. Dispõe o artigo 3º, § 2º, inciso III da Lei n. 9.718 que poderiam ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida a título de PIS e COFINS 'os valores que, computados como receita,tenha sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo'. A aplicabilidade da referida norma esteve condicionada, até sua revogação pela Medida Provisória 199118/2000, à edição de decreto pelo Poder Executivo Federal. Dessa forma, a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que, ao constituírem a receita da empresa, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, somente poderia ocorrer após a devida regulamentação. Se tal não se deu, inviável o deferimento da pretensão do contribuinte. Precedentes: REsp 502.263 RS, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU 13.10.2003; REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado,DJU 10.03.2003; REsp 512.232/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJU Fl. 704DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 20.10.2003.Recurso especial não provido (REsp 529.745/RS, Rel Min. Franciulli Netto, DJ 10.5.2004)”. Assim, nem mesmo fosse o caso, caberia aqui a retirada da base de cálculo de valores recebidos e repassados a terceiros. Inconstitucionalidade de leis A recorrente considera inconstitucional as alterações promovidas nas regras de apuração da Cofins, trazidas pela Lei nº 10.833, de 2003, bem como a utilização da taxa Selic e o percentual da multa de oficio de 75%, este por supostamente de efeito confiscatório. Todavia, as alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade de leis, não podem ser tratadas por este Colegiado, a teor do enunciado da Súmula CARF nº 2, consolidada no Anexo III da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, segundo a qual "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". De se negar provimento, pois, ao recurso voluntário, na parte em que a recorrente clama pelo enfrentamento deste tema pelos órgãos de julgamento da esfera administrativa. Conclusão Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para cancelar os lançamentos dos períodos de apuração de fevereiro a agosto de 2000, em face da decadência, e para determinar sejam retirados da exação relacionada aos períodos de apuração de setembro de 2000 a janeiro de 2004 (regime da cumulatividade), os valores da Cofins calculados sobre receitas outras que não apenas aquelas originadas do “faturamento” da empresa, na esteira do entendimento do STF que considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo trazido pelo § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 705DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13811.002799/2005-99
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO.
Apenas os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de doença grave, comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, é que estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052, de 2004, combinado com o artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1995. No caso, deixou-se de comprovar que os rendimentos são decorrentes de aposentadoria.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. Apenas os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de doença grave, comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, é que estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052, de 2004, combinado com o artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1995. No caso, deixouse de comprovar que os rendimentos são decorrentes de aposentadoria. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 27 99 /2 00 5- 99 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN 2 AMAURY PALERMO ESPÓLIO, contribuinte inscrito no CPF/MF 018.908.32804, representado pela inventariante legalmente nomeada HELENA GARCIA DE LIMA PALERMO, com domicílio fiscal na cidade de Dutra, Estado São Paulo, à Av. Senador Teotônio Vilela, nº 802 – casa, Bairro Água Verde, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 116/120, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fl. 126. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo SP, em 21/09/2005, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 06/11), com ciência através de AR, em 24/10/2005 (fl. 114), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.485,73 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2003, correspondente ao anocalendário de 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2003 onde a autoridade lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1) RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE: Através do processo 13811.002203/200399, contribuinte requer a restituição do imposto de renda retido na fonte, sobre seus proventos de aposentadoria, amparado pela isenção para os portadores de moléstia grave. Entretanto, pela não apresentação de Laudo Médico Pericial emitido por serviço médico oficial, foi considerado tais rendimentos como tributáveis. Para atestar a doença, contribuinte e seus representantes legais apresentaram uma Declaração fornecida em 10/07/2003 pelo Hospital Maternidade Interlagos da Secretaria Municipal da Saúde e um Relatório Médico emitido em 17/06/2005 pelo Hospital do Servidor Público Estadual da Secretaria de Estado da Saúde, que não atendem aos requisitos estabelecidos pela legislação que disciplina a matéria. Desta forma foram considerados como tributáveis os seguintes rendimentos: São Paulo Transportes S/A, CNPJ 60.498.417/000158, no valor de R$ 41.429,44 e INSS, CNPJ 29.979.036/0001–40, no valor de R$ 2.866,24, totalizando R$ 44.295,68. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 1988; arts. 1° ao 3°, da Lei nº 8.134, de 1990; art. 47 da Lei no 8.541, de 1992; arts. 3°, 11 e 30, da Lei nº 9.250, de 1995; art. 21 da Lei nº 9.532, de 1997; Lei nº 9.887 de 1999; arts. 1°, 2° e 15, da Lei nº 10.451, de 2002; art. 5°, incisos XII e XXXV, da Instrução Normativa SRF no 15/2001. 2) RENDIMENTOS ISENTOS E NÃ0 TRIBUTÁVEIS: O valor da Linha 38 Rendimentos Isentos e NãoTributáveis, foi alterado em razão da exclusão de rendimentos tributáveis na declaração, indevidamente informados na Linha 38. Em sua peça impugnatória de fl. 01, instruída pelos documentos de fls.02/05, apresentada, tempestivamente, em 03/11/2005, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que venho pela presente manifestar minha discordância quanto ao Auto de Infração em anexo, que reclassificou como tributáveis os proventos de aposentadoria do Sr. Amaury Palermo, falecido em 06 de março de 2004; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 13811.002799/200599 Acórdão n.º 2202002.162 S2C2T2 Fl. 3 3 que, conforme documentação em anexo, foi atestado que desde janeiro de 2001 o Sr. Amaury Palermo era portador de "Linfoma não Hodgkin” (neoplasia maligna), estando portanto isento do desconto do imposto de renda retido na fonte, conforme legislação em vigor; que solicito assim o cancelamento do referido Auto de Infração, e a conseqüente restituição dos valores relativos ao imposto de renda retido na fonte, conforme declaração de ajuste apresentada. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF concluíram pela improcedência da impugnação e a manutenção do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a impugnação é tempestiva e, conseqüentemente, deve ser conhecida, haja vista considerarse legalmente notificado o sujeito passivo na data da apresentação da impugnação, na hipótese de o Aviso de Recebimento — AR, referente ao presente auto de infração, não estar acostado ao processo, consoante o disposto na Nota/COSIT/Assessoria/n° 423/94, item 3; que cuidam os autos de omissão de rendimentos, considerados como isentos. A impugnante, viúva do contribuinte, alega que o seu cônjuge era isento do imposto de renda, já que portador de Linfoma não Hodgkin; que da exegese dos dispositivos, deduzse que a isenção deve ser concedida se comprovados, concomitantemente: a) ser portador de moléstia grave prevista em lei; b) que os rendimentos auferidos pelo seu portador sejam decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma; c) que a enfermidade contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão , esteja devidamente comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle; que, no caso em concreto, após análise da documentação acostada (fls. 04 a 113), deduzse, especialmente do Laudo n° 1989/05RM, Relatório Médico da Secretaria de Saúde de Estado (fl. 12), emitido em 17/06/2005, que o contribuinte Amaury Palermo, de fato, era portador de neoplasia maligna desde janeiro de 2001 (CID10: C85.9); que, contudo, como se detalhou acima, para o reconhecimento do beneficio, é necessário o atendimento simultâneo de todos os requisitos enumerados na legislação / tributária. Verificase que não há qualquer documentação confirmatória de que os rendimentos auferidos são decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão, requisito essencial. Assim, em face da deficiência probatória, o beneficio da isenção não pode ser deferido. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN 4 Somente é reconhecida a isenção do imposto de renda aos contribuintes portadores de moléstia grave, quando preenchidos todos os requisitos exigidos na legislação tributária. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 27/10/2008, conforme Termo constante à fl. 124, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (11/11/2008), o recurso voluntário de fl. 126, instruído pelos documentos de fls. 127/130, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, segue anexo documentação confirmatória de que os rendimentos auferidos pelo Sr. Amaury Palermo são decorrentes de aposentadoria por parte do INSS e complementação salarial Vertida pela São Paulo Transportes S/A., ano base 2003. Solicito ainda a conseqüente restituição dos valores retidos na fonte relativo ao Imposto de Renda, ano base 2003, bem como o cancelamento das multas e demais obrigações exigidas no Processo. É o Relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 13811.002799/200599 Acórdão n.º 2202002.162 S2C2T2 Fl. 4 5 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN 6 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão teve início em razão da revisão da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício de 2003, correspondente ao anocalendário de 2002, onde a autoridade fiscal revisora entendeu haver irregularidades na declaração dos rendimentos tributáveis, ou seja, entendeu que são tributáveis os rendimentos recebidos de São Paulo Transportes S/A, CNPJ 60.498.417/000158, no valor de R$ 41.429,44 e INSS, CNPJ 29.979.036/0001–40, no valor de R$ 2.866,24, totalizando R$ 44.295,68. Assim, cuidam os autos de omissão de rendimentos, considerados como isentos. A recorrente, viúva do contribuinte, alega que o seu cônjuge era isento do imposto de renda, já que portador de Linfoma não Hodgkin. Nesse sentido, devo destacar que a isenção do imposto de renda para os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, está prevista no artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052, de 2004, da seguinte forma: Art. 6°. Ficam isentos do Imposto sobre a Renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI – os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doenças tenha sido contraída após a concessão da pensão. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 13811.002799/200599 Acórdão n.º 2202002.162 S2C2T2 Fl. 5 7 A legislação ordinária trata do assunto, ainda, no artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1995, que assim dispõe: Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Já o RIR/99 traz as seguintes previsões a respeito da matéria, em seu artigo 39, inciso XXXIII e § 5°: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XIV, Lei n° 8.541, de 1992, art. 47, e Lei n° 9.250, de 1995, art. 30, § 2°); (...) § 5°. As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos percebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Da redação desses dispositivos podese constatar que, para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, a partir de 01/01/1996, devem concorrer, concomitantemente, dois requisitos: a comprovação da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e, ainda, exigese que os rendimentos estejam relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. O benefício em questão retroage à data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial oficial. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN 8 Ora, os documentos acostados na fase recursal como sendo prova de que os rendimentos se referem a proventos de aposentadoria não podem ser aceitos, pois tratam de documentos relativo a outro anocalendário (2003) e a causa em discussão se refere ao ano calendário de 2002. Ademais, os valores recebidos da São Paulo Transporte S/A constam como se fossem de rendimentos de trabalho assalariado (fls. 127/129) e não de aposentadoria. Da forma como este processo está instruído e considerando as regras contidas nos dispositivos legais acima transcritos, entendo que não se pode reconhecer o direito à isenção pretendida para o período em questão, em razão da ausência de prova documental de que os rendimentos em discussão são, de fato, relativos a proventos de aposentadoria. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 11128.007345/98-61
Data da sessão: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2003
Ementa: "Estando corretamente descrita a mercadoria importação nos
documentos de importação, havendo apenas divergência na
interpretação das regras de classificação, não tem aplicação a multa do art. 526, II do RA então vigente à época dos fatos, por ausência de tipificação legal.
Recurso Especial da Procuradoria Fazendária que se nega provimento"
Numero da decisão: CSRF/03-03.441
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Sessão de : 17 DE MARÇO DE 2003 Acórdão n° : CSRF/03-03.441 "Estando corretamente descrita a mercadoria importação nos documentos de importação, havendo apenas divergência na interpretação das regras de classificação, não tem aplicação a multa do art. 526, li do RA então vigente à época dos fatos, por ausência de tipificação legal. Recurso Especial da Procuradoria Fazendária que se nega provimento" Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. "77....ri___---5--,-- ----_;,;,a----, - a --eN PER ,x,.,;-foi-lí IGUES PRESIDEW `A-- IFV,ilk,T2N L ARTOL/.I/5- FORMALIZADO EM: 22 M A I 21)05 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES; MOACYR ELOY DE MEDEIROS; MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ; HENRIQUE PRADO MEGDA; PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e JOÃO HOLANDA COSTA. i Processo n° : 11128.007345/1998-61 Acórdão n° : CSRF/03-03.441 Recurso n° : 301-120.593 (RP/301-0.577) Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : UBEL ULMASUD INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado em razão de erro cometido pelo contribuinte na classificação fiscal de mercadoria importada. Isto porque, o contribuinte descreveu-a, na respectiva DI, como sendo "monoliato desorbitan, nome comercial: ERCASORB 2080 V/FD", classificando-a na posição fiscal NBM/NCM 2106.90.90, enquanto que, de acordo com o laudo LABANA N 0684/98, Pedido de Exame 011/090, trata-se de uma "mistura de reação constituída de ésteres graxos de álcool poliidrico etoxilado", um produto diverso das indústrias químicas, a ser classificada na posição fiscal NCM 3824.90.29. Exige-se, conseqüentemente, do contribuinte, o recolhimento da diferença apurada relativa ao IPI, decorrente da classificação fiscal inexata, acrescida dos juros de mora, da multa de ofício prevista no artigo 45 da Lei n° 9430/96 e da multa por falta de guia de Importação, prevista no inciso II, do artigo 526, do Regulamento Aduaneiro. Irresignado, com tal lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, alegando, em síntese, que: i) é fabricante exclusivamente de produtos destinados à alimentação e à panificação, os quais possuem registro no Ministério da Saúde; ii) efetuou a importação de produto destinado à panificação com o nome: "Polisorbato 80", cuja classificação química é "POE — Monoleato de Sorbitan" e nome comercial para importação "Ercasob 2080 V/FD Food Grade"; iii) como não há classificação fiscal para o Polisorbato 80, houve por bem classificar a mercadoria na posição 2106.90.90; 2 Processo n° : 11128.007345/1998-61 Acórdão n° : CSRF/03-03.441 iv) o Polisorbato 80 é utilizado na linha Elviplan, produtos de panificação, identificado e analisado pelo Instituto Noel Nutels — RJ (fls. 40 e 41); v) é estranho o resultado do Exame Laboratorial realizado, uma vez que considera o produto como destinado à indústria têxtil e não à indústria alimentícia; Na decisão de 1a instância, a autoridade julgadora houve por bem julgar totalmente procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Conforme laudo técnico, o produto importado é uma mistura de reação constituída de Ésteres graxos de álcool Poliídrico etoxilado, utilizado como lubrificante de fibras na indústria têxtil e classificado na posição 3824.90.29. Não se trata, desta forma, de preparação alimentícia da posição 2106.90.90. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Devidamente intimado da decisão, o contribuinte tempestivamente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expendidos na Impugnação e aduzindo aos mesmos, dentre outros, que: i) a classificação fiscal adotada decorre da total desconsideração de que se trata neste caso de alimento; ii) a classificação fiscal, que utiliza, é a mesma utilizada pelos seus fornecedores; A 1 a Câmara do Terceiro de Conselho de Contribuintes houve por bem, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para excluir as multas constantes do auto de infração, nos seguintes termos: "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS — o produto descrito como "Monoliato Desorbitan para a estabilização de farinha utilizada na panificação", classificado na posição 2106.90.90, classifica-se na posição 3824.90.29, por não ser preparação alimentícia, e sim por se I ' tratar de "mistura de reação constituída de ésteres graxos de álcool poliídrico etoxilado,", em conformidade com as NESH da posição 2106 I e laudo do LABANA. 3 Processo n° :11128.007345/1998-61 Acórdão n° : CSRF/03-03.441 Não cabe a aplicação da penalidade de controle às importações quando existe a guia nos autos e, de acordo com o ADN 10/97, não cabe a aplicação de multas de ofício. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO." Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, objetivando a manutenção da cobrança da multa prevista no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro — multa por falta de guia de importação. Restando preenchidos, neste caso, os pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, foi dado seguimento ao mesmo. Posteriormente, o contribuinte apresentou contra-razões ao recurso da Fazenda Nacional, com evidentes características de um recurso próprio, pois pugna pela alteração da decisão do 3° Conselho de Contribuintes, na parte que lhe foi desfavorável, isto é, pretende ver reconhecida a classificação fiscal por ele adotada como sendo a correta para o produto objeto dos autos. Entretanto, além de ter apresentado contra-razões com caráter de um autêntico recurso, o fez intempestivamente, conforme atestado às fls. 145 dos autos. Assim, os autos foram encaminhados a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, para julgamento. É o relatório. 4 Processo n° :11128.007345/1998-61 Acórdão n° : CSRF/03-03.441 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator: Primeiramente, deve ser anotada a impossibilidade de serem levadas em consideração, neste julgamento, as contra-razões apresentadas pelo contribuinte interessado, uma vez que, conforme atestado às fls. 145, as mesmas foram apresentadas fora do prazo legal. Por outro lado, como atestado no relatório, as contra-razões apresentadas assumem o caráter de um autêntico recurso, uma vez que pretendem alterar a decisão do 3° Conselho de Contribuintes, para manter a classificação fiscal por ele adotada para o produto objeto dos autos. Evidentemente, pelas regras processuais, deveria o contribuinte, caso não concordasse com parte da decisão do tribunal administrativo, ingressar com Recurso de Divergência, dentro do prazo legal para tanto, preenchendo os requisitos de admissibilidade, notadamente a apresentação de decisões divergentes, o que não fez. Assim, ineptas as contra-razões de fls. 137/143, quer por serem intempestivas, quer por conterem matéria já preclusa. Portanto, o presente julgamento deve se ater somente ao recurso fazendário, que pretende a reforma de parte da decisão do Conselho de Contribuintes, consubstanciada no acórdão n° 301-29.206, de fls. 107/116, que exclui a imposição da penalidade prevista no art. 526, II do RA então vigente. Em suma, deve ser analisado se a aplicação da citada multa penal está correta ou não na hipótese. 5 4 Processo n° :11128.007345/1998-61 Acórdão n° : CSRF/03-03.441 Neste particular, como tenho constantemente me pronunciado, entendo que não assiste razão ao recurso fazendário, devendo ser mantida a decisão recorrida, na parte objeto do recurso. Conforme se pode depreender da leitura dos documentos de importação anexados aos autos, verifica-se que a mercadoria importada pelo contribuinte encontra-se descrita como "Monoliato de Sorbitan", sendo classificada pelo mesmo na posição 2106.90.90, e posteriormente reclassificada para o código 3824.90.29. Verifica-se do acórdão n° 301-29.206, fé dls 107/116, em parte recorrido pela Fazenda Nacional, que o Terceiro Conselho de Contribuintes concordou com a tese da d. fiscalização federal. Entretanto, a divergência se dá tão somente quanto ao correto enquadramento tarifário da mercadoria. Não há, naquele julgado, qualquer menção do fato de o contribuinte haver descrito incorretamente a mercadoria, com algum intuito doloso de se furtar ao pagamento dos tributos aduaneiros devidos. O que se verifica é apenas e exclusivamente divergência de interpretação quanto às Regras Gerais de Classificação, tendo saído vencedora a tese da fiscalização Em sendo assim, sustenta a Fazenda Nacional, em seu recurso especial, deve ser mantida a penalidade do artigo 526, li, do RA, por ter ficado evidenciado que a mercadoria foi indevidamente descrita, não se aplicando, pois, na hipótese, o ADN COSIT n° 10/97. Discordo, como discordado tenho em casos que tais. De acordo com o disposto no Ato Declaratório (Normativo) n.° 12/97, "não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II, do artigo 526, do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior — SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque 6 Processo n° : 11128.007345/1998-61 Acórdão n° : CSRF/03-03.441 "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, Intuito doloso ou má-fé por parte do declarante." Ora, analisando todos os documentos que instruíram a importação, pode-se concluir que a mercadoria importada foi corretamente descrita, com todos os elementos essenciais para sua identificação, e não foi constatado intuito doloso ou má-fé, razões pelas quais têm que ser aplicado os ato deciaratório supra referido. Aliás, não só os documentos de importação conduzem à essa conclusão, como a própria decisão recorrida deixa evidente que a questão em discussão cinge-se, apenas, a interpretação das Regras Gerais; nenhuma menção faz à eventual descrição incorreta da mercadoria. Ademais, cumpre destacar que dispositivo dado como infringido, o inciso II do art. 526 do RA -- que comina multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria quando a importação desta se der sem Guia de Importação que não implique em falta de depósito ou pagamento de ônus financeiro ou cambial -- não se encaixa na suposta conduta delituosa do contribuinte: erro na classificação fiscal. Com efeito, como é sabido, o direito penal tributário também está submetido ao princípio da tipicidade da norma legal. "Nullum crimen sino lego", isto é, não há crime sem lei anterior que o preveja, princípio do direito do cidadão esculpido no art. 50, inciso XXXIX, da Constituição Federal. Desta forma, o fato tido como delituoso tem que estar claramente identificado na forma jurídica. É isso que ensina Damásio E. de Jesus (in "Comentários ao Código Penal), ou seja, que o fato delituoso é aquele que se amolda à conduta criminosa descrita pelo legislador. Assim sendo, não há que se falar em aplicação da multa determinada no art. 526, inciso II do RA, uma vez que tal disposição trata da falta de GI na 1importação de mercadoria, o que não ocorreu no caso em tela, logo incabível a aplicação de multa por analogia ou extensão. 7 Processo n° : 11128.007345/1998-61 Acórdão n° : CSRF/03-03.441 Isto posto, voto no sentido de negar ao recurso voluntário, mantendo em todos os seus termos, a decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões-DF em 17 de março de 2003. NI,T2oN L BARTO 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10630.001526/2007-29
Data da sessão: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 22/09/2006
DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. INFRAÇÃO.
Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das
remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.344
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n0 10630.001526/2007-29 Recurso n° 154.336 Voluntário Acórdão n° 2402-00.344 — 4' Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente DELTA ENGENHARIA E MANUTENÇÃO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/09/2006 DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das runiunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. RCE 01nRA residente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lenis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa (Convocado) e Nribia Moreira Barros Mazza (Suplente). Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRY), Governador Valadares / MG, fls. 087 a 091, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 020 a 022, a autuação refere-se a recorrente não ter arrecadado a contribuição dos segurados a seu serviço. A omissão ocorreu no pagamento de parcela relativa a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), pois o Fisco considerou que esses pagamentos foram feitos em desacordo com a legislação, integrando o Salário-de-Contribuição (SC), devido ao pagamento ter sido realizado em período em que ocorreu prejuízo, sem o estabelecimento de programa de metas e sem observar a periodicidade de um semestre civil ou duas vezes ao ano. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 22/09/2006 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 060 a 073, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 095 a 0108, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: O recurso é tempestivo; A parcela paga a titulo de PLR não integra o SC; A relação de co-responsáveis está equivocada, pois não pode arrolar sócio; Isto posto, requer que seja anulada a decisão e declarada improcedente a autuação; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, Es. 0120. É o relatório. 2 Processo n° 10630.001526/2007-29 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00344 Fl, 122 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de co- responsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Portanto, não há razão no argumento. Pela análise do processo e das alegações da recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão. Assim, o lançamento e a decisão encontram-se revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. _Por todo o exposto, rejeito-as preliminares g passono-exame-do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente alega que a parcela paga a titulo de PLR não integra o SC, não podendo, por isso, ser motivadora da presente autuação. Em seu RF o Fisco demonstrou, de forma clara e precisa, os motivos para considerar os pagamentos de PLR com SC. Apesar do detalhamento do Fisco, a recorrente não apresentou nenhuma alegação contrária as conclusões da fiscalização. O Fisco alega que a recorrente pagou PLR em período em que oco4u prejuízo, sem o estabelecimento de programa de metas e sem observar a periodicidade de um semestre civil ou duas vezes ao ano, mas a recorrente não contradiz essas alegações. 3 Apesar de estarem claros os motivos que levaram o Fisco a concluir que esses valores integram o SC, a recorrente não o contradiz. Destarte, o Fisco possibilitou que a recorrente contraditasse suas acusações, mas a recorrente não o faz. As afirmações do Fisco demonstra que esses pagamentos foram feitos em desacordo com a legislação, acarretando que _ esses valnreg devam integrar n SC„ Lei 8.212/1991: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; § 9 Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei especifka; Lei 10.101/2000: Art.2'24 participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: 1-comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; 11-convenção ou acordo coletivo. ,¢ Mios instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: 1-índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; 11-programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. ••• 4 Processo IV 10630.001526/2007-29 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.344 Fl. 123 Art.3214 participação de que trata o art. 2' não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §PPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. Pi vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Claro está pela legislação citada acima que somente quando pago de acordo com a legislação os valores referentes a PLR não integram o SC e que os motivos apontados pelo Fisco são fatos que demonstram que os pagamentos foram em desacordo com a legislação. Portanto, não há razão no argumento. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. CONCLUSÃO • Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, na forma do voto. Sala das Sess; , em 1 d: dezembro de 2009 4 1I• RCEtO OLIVEIRA - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002403/2005-21
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA.
É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o
art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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MINISTÉRIO DA FAZENDA IN :'` • - ':/,,,,e.: .\/. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4;,,ii CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAISg Processo n° 10950.002403/2005 -21 Recurso n° 102-151.750 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.136 — 2 Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NIVALDI ARCANJO DE OLIVEIRA Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA. É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira ) Ámes e Carlos Alberto Freitas Barreto. / .4Á 4 itieço , CARLOS ALBERTO " ' S BARR O - Presidente , ,---- liibb -' ths MOISES GIACOMELLI N S DA S LVA - Relator EDITADO EM: N IS sp zio ,, • 1 Participaram, da sessão de julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O recorrente foi autuado em face das seguintes infrações descritas no auto de infração de fls. 564 e seguintes: Omissão de rendimentos recebidos de alugueis e royalties recebidos de pessoas fisicas, sendo que em relação a esta omissão foi aplicada multa qualificada. Acréscimo patrimonial a descoberto, sendo que em relação a esta omissão foi aplicada multa qualificada. Multa isolada por falta de recolhimento do carnê-leão. O autuado foi notificado do auto de infração em 27/07/2005 (fl. 51) e em 26/08/2005 apresentou a impugnação de fls. 53 e seguintes. A Segunda Turma da DRJ de Curitiba, por meio do acórdão de fls. 111 a 114 julgou procedente o lançamento, sendo que desta decisão houve recurso ao Conselho de Contribuintes que por meio do acórdão de fls. 125 a 133, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada da exigência tributária. Desta decisão a Fazenda Nacional, conforme Comunicação e Protocolo — COMPROT, foi intimada em 11/12/2007 (fl. 135) e, invocando o artigo 7°, § 1°, do Regimento Interno da CSRF, em 18/12/2007 ingressou com o recurso de fls. 137 e seguintes alegando, em síntese, que a multa de oficio e a multa isolada são multas inteiramente diversas e não configuram bis in idem conforme entendimento consignado no acórdão recorrido. Com a finalidade de demonstrar divergência jurisprudencial, a Fazenda Nacional destaca o acórdão de n°101-94858, cuja ementa, no ponto que interessa ao presente feito, espelha a seguinte decisão: "MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas." O Recurso Especial foi admitido, por meio do despacho de fls. 147/149. Cientificada da decisão do acórdão, a parte ifiteressãda não apresentou manifestação (fl. 151). É o relatório. 2 Processo n° 10950.002403/2005-21 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.136 Fl. 2 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Ao tratar dos requisitos para admissibilidade do recurso especial em face de decisões unânimes, os artigos 7°, II e 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim dispõe: Art. 7 0 . Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: II — decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 2°. Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de inteiro teor ou de cópia de publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara Recorrida. Assim, quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, passo a confrontar a decisão recorrida e o acórdão paradigma: Decisão recorrida Acórdão paradigma MULTA ISOLADA E MULTA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA — RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de oficio aplicada isoladamente, na MESMA EIASE DE CÁLULO - A falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa aplicação concomitante da multa isolada dos valores devidos, por expressa previsão legal. e da multa de oficio não é legítima 3 quando incide sobre uma mesma base de MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE cálculo (Acórdão CSRF n° 01-04.987 de CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O 15/06/2004). lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas Recurso Parcialmente provido, infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. Fixado a matéria do acórdão recorrido e o acórdão divergente, observo que o artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória 351, de 27 de janeiro de 2007, que foi convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, dispõe in verbis: Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n°351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra) H - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada ao inciso pela Lei n°11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n° 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra). Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por competência precípua apreciar divergência jurisprudencial quanto à aplicação de norma. Assim, para este relator, ainda que a matéria fática, no acórdão recorrido, verse sobre omissão de rendimentos recebidos de alugueis e no acórdão paradigma sobre a CSLL, o que se discute neste recurso não é matéria fática e sim se a multa isolada de que trata o artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio, incidindo sobre a mesma base de cálculo. Em que pese meu ponto de vista pessoal, ao apreciar o tema, na forma regimental, em sessão que se realizou no dia 04 de agosto de 2008, no exame dos recursos de n°106-149655; 106-149656; 106-149857; 106-149859; 106-149860 e 106-150058, por maioria de votos, decidiu o colegiado que o acórdão que exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática era a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não serve de paradigma para acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática não seja a CSLL. Além das decisões administrativas acima referidas, tema referente à admissibilidade de recurso especial, só que relacionada à matéria de fato correspondente à prestação de serviços a organismos internacionais foi objeto de apreciação pelo Pleno da 4 Processo n° 10950.002403/2005-21 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.136 Fl. 3 Câmara Superior de Recursos Fiscais que ao apreciar o Recurso Especial n° 106-132169, na sessão de 15/10/2008, deliberou por não conhecer do recurso. No caso dos autos o acórdão paradigma trata de CSLL e o acórdão guerreado versa sobre IRPF, razão pela qual não há identidade de matéria fática. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência majoritária da CSRF, cujo voto divergente é apenas deste relator, ressalvo o meu ponto de vista, não conheço do recurso. ISSO POSTO, não conheço do recurso. Moisés Giacome 1 N unes oa Silva - Relator. 5[1. 5
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Numero do processo: 10314.004099/99-98
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 17/03/1999
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.103
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Data do fato gerador: 17/03/1999 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados .e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira rma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR p , • imento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira J • ith do Amara arcondes Armando. „ é CARLOS ALBERTO F ITAS BARR TO- Presidente ( *f\--1-"141E 14\THEIR20 •• • S Relator FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz (Substituto convocado), José Adão Vitorino de Morais (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez Lopez e Leonardo Siade Manzan (Vice-Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Em exame o recurso interposto contra a decisão proferida pela 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que indeferiu a solicitação da interessada pertinente à restituição da quantia de R$ 11.225,84, recolhida indevidamente a título de Imposto de Importação, em decorrência do cancelamento da DI n' 99/02 1 0856-3, registrada em duplicidade na IRF em São Paulo. O julgamento foi consubstanciado no Acórdão DRJ/SPO II n' 8.600, de 15/9/2004 (fls. 233/239), cuja ementa dispôs, verbis: "Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 17/03/1999 Restituição de Imposto de Importação. Duplicidade de Declarações de Importação. Ainda que cancelada a Declaração de Importação, a restituição do tributo somente será feita a quem prove haver assumido seu encargo fmanceiro, conforme preceitua a Lei 5.172/66 — Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida" O órgão julgador expôs, com clareza, sua conclusão no sentido de que, mesmo no caso do Imposto de Importação, o art. 166 do CTN deverá ser observado, sustentando esse entendimento com base no que explicitou o Parecer CST/DAA n 1.965, de 18/7/1980. A interessada recorre tempestivamente (fls. 248/254), reconhecendo que efetuou procedimento equivocado quanto à escrituração contábil dos valores cuja restituição solicitou e alegando que tais créditos jamais foram utilizados pela recorrente para compensação com o imposto exigido nos autos do processo de autuação n 10314.006114/99-51, cujos valores recolheu utilizando-se do regime especial de tributação previsto na Medida Provisória n' 66/2002. Aduz que simples erro contábil não pode obstar a restituição dos valores recolhidos indevidamente, e que, ademais, ainda que não se aceite os argumentos expostos, o que se admite apenas por amor ao debate, verifica-se nítido pagamento em dobro do tributo em questão, haja vista que, ainda que se tivesse compensado tal crédito, houve novo pagamento dos mesmos tributos, o que implicaria, de qualquer forma, a restituição dos valores pagos em duphcidade. P • • •Of f o • ./ II • II., I/ I ue seja reformada a decisão proferida pela DRJ, com a conseqüente, 2 Processo n° 10314.004099/99-98 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.103 Fl. 390 determinação de prosseguimento da restituição com os valores já reconhecidos pela IRF em São Paulo. A Câmara a quo deu provimento ao Recurso Voluntário mediante o Acórdão n° 301-32.782 (fls. 322/325), de 24/05/2006, cuja ementa transcrevo: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se caracteriza como tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A Procuradoria da Fazenda Nacional, alegando contrariedade à lei tributária, interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 327/371) contra decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por ter deixado de aplicar ao Imposto de Importação as disposições contidas no art. 166 do CTN. Por meio do Despacho n° 1313-131787 (fls. 372/374) deu-se seguimento ao recurso do Procurador. Posteriormente, a interessada apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial às fls. 380/386. É o relatório. 1 3 , Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atendeu aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão que se apresenta a debate cinge-se em decidir se a restituição do imposto de importação está condicionada ao atendimento dos requisitos fixados no art. 166 do CTN. De início, cabe esclarecer que o litígio não envolve a existência do indébito, posto que quanto a isso não há controvérsia. Diante disso, deve-se passar de imediato ao debate acerca da exigência da autoridade fazendária de condicionar a restituição ao fato de a requerente não haver demonstrado o atendimento das condições estabelecidas no mencionado dispositivo legal. Segundo o art. 166 do Código Tributário Nacional: Ar. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, esteja por este expressamente autorizado a recebê-la. A norma inserta no dispositivo retrotranscrito é destinada, especificamente, ao tributo cuja natureza jurídica implica transferência do encargo financeiro, do sujeito passivo da obrigação tributária — contribuinte de direito — ao contribuinte de fato, vale dizer, àquele que adquire a mercadoria ou o serviço prestado. Como bem anotou o Conselheiro José Luiz Novo Rossari, no voto condutor do Acórdão n° 301-32.780, da Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, que transcrevo para fundamentar este voto: Essa situação ocorre com os impostos classificados no próprio C7N como Impostos sobre a Produção e a Circulação, v.g. IPI, ICMS, I0F, os quais são comumente classificados como impostos indiretos por grande parte dos estudiosos em direito tributário. No Imposto de Importação não se tipificam as figuras de contribuinte de direito e contribuinte de fato, visto que a lei básica aduaneira (art. I', inciso I, do Decreto-lei rt2 37/66, com a redação que lhe deu o art. 1' do Decreto-lei n' 2.472/88) estabelece que a responsabilidade tributária pela introdução de mercadoria estrangeira no País é do importador e o imposto pago no despacho aduaneiro não é destacado em notas fiscais para repasse aos consumidores subseqüentes. Destarte, não se caracteriza o Imposto de Importação como um imposto indireto. E em decorrência, tal imposto não se classificai 4 Processo n° 10314.004099/99-98 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.103 Fl. 391 entre os que comportam transferência do encargo financeiro de que trata o art. 166 do CTN. Importante ressaltar que, já por ocasião da instituição da Instrução Normativa SRF n 21, de 10/3/1997, houve a preocupação da SRF em disciplinar a matéria ora sob exame. Para isso foi estabelecido no art. 18 da referida IN que, verbis: "Art. 18. Nenhum contribuinte poderá solicitar restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outrem (IOF e IPI)" A norma retrotranscrita deixou claro serem os ali indicados (IOF e IPI) os tributos federais sujeitos à prova de assunção do encargo financeiro para os fins previstos no art. 166 do CTN No entanto, a matéria voltou a ter a preocupação da SRF, tendo sido editado o Parecer Cosit if 47, de 17/11/2003, que, analisando as particularidades do Imposto de Importação com vistas à aplicabilidade do disposto no art. 166 do CTIV; deu disciplina final à matéria no sentido de que descabe tal requisito no caso de pedido de restituição desse tributo. Tal Parecer recebeu a seguinte ementa, verbis: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Reforma do Parecer CST/DAA rz' 1.965, de 18 de julho de 1980." A orientação trazida pela Cosit, órgão responsável pela interpretação da legislação tributária federal, ficou claramente explicitada no Parecer Cosit ri' 47/2003, que reformou o Parecer CST adotado no julgamento de primeira instância e dispensou o sujeito passivo de comprovar a assunção do encargo financeiro. Tratando-se de norma de caráter interpretativo, é inteiramente aplicável à hipótese o disposto nos art. 106, I, do CTN, que permite a interpretação retroativa nos casos da espécie, razão pela qual entendo estar assegurado o direito de restituição à recorrente. Diante do exposto e considerando que ficou confirmado no processo o cancelamento da DI e o pagamento do imposto reclamado, matéria de fato que nem foi suscitada na decisão recorrida, voto por que seja dado provimento ao recurso voluntário. De outro lado, o fato de o sujeito passivo haver escriturado o valor do II pago como custo, não importa em perda do direito à restituição do indébito, pois a lei não previu tal restrição, e, onde a lei não restringe não cabe ao intérprete fazê-lo. Todavia, cabe ao Fisco, se o sujeito passivo utilizou esse custo como despesa dedutível do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, glosá-la. No caso presente, é incontroversa a existência de indébitos, havendo divergência apenas no tocante ao direito de restituição em face do não atendimento dos requisitos do art. 166 do CTN e da escrituração do valor do imposto pago como custos. Todavia, conforme escrito linhas acima, a forma de escrituração do indébito que se pretende repetir, pode ensejar autuação (glosa de despesas) pertinente ao Imposto de Renda, mas não é causa impeditiva de restituição. Já no tocante aos requisitos do art. 166 do CTN, demonstrou- se, também em linhas acima, que o imposto de importação não se afigura como imposto que por sua natureza comporta a repercussão tributária, como é o caso do IPI, do ICMS e do I0F. Registre-se, por oportuno, que nada impede a Fiscalização de apurar eventuais irregularidades nas declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica decorrentes da escrituração e utilização como custos dos valores correspondentes aos indébitos destes autos e, se houver, exija, de oficio, a diferença do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro. Frente ao exposto, nego provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 08 de julho de 2009. tO 11ENRI7PlNHEIRO l*RTÉS 6
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