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Numero do processo: 15956.000108/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 14/12/2011
MULTA DECORRENTE DA CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Não é cabível a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração e os documentos que lhe integram evidenciam claramente as circunstâncias fáticas e jurídicas que motivaram o lançamento.
Verificada a ocultação de real interveniente em operações de comércio exterior, é correta a imposição da pena de perdimento das mercadorias importadas, aplicando-se ao principal beneficiário das operações, de forma alternativa, a multa pecuniária na hipótese de as mercadorias não serem passíveis de apreensão.
Numero da decisão: 3201-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDINO - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não é cabível a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração e os documentos que lhe integram evidenciam claramente as circunstâncias fáticas e jurídicas que motivaram o lançamento. Verificada a ocultação de real interveniente em operações de comércio exterior, é correta a imposição da pena de perdimento das mercadorias importadas, aplicandose ao principal beneficiário das operações, de forma alternativa, a multa pecuniária na hipótese de as mercadorias não serem passíveis de apreensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 08 /2 01 1- 41 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN. Relatório Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que a Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto por SMAR EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA., responsável solidária de CONDOR & SHARK COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 16040.851, de 21/08/2012, proferido pela 23ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo I (SP). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 14/12/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 16.214.354,00, em virtude dos fatos a seguir descritos. O presente auto de infração foi lavrado tendo como sujeito passivo a CONDOR & SHARK COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 07.549.586/000197 (doravante CONDOR) e como sujeito passivo solidário a SMAR EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA., CNPJ 46.761.730/000106 (doravante SMAR). A CONDOR emprestava seu nome, emitindo notas fiscais de venda e registros de exportação para clientes da SMAR no exterior e para tanto recebia uma COMISSÃO sobre as vendas ou seja era uma prestadora de serviços de interposição fraudulenta nas exportações. Sendo uma simples empresa de fachada sem recursos financeiros, técnicos ou operacionais, o controle total das operações e os recursos financeiros utilizados nas exportações eram da SMAR que também controlava a conta bancária da CONDOR. Intimada a esclarecer suas operações a CONDOR desapareceu e foi declarada inapta, restando o que ela tinha de real na figura do seu sócio Sr. PAULO ALEXANDRE que continuou prestando serviços de exportação fraudulenta para a SMAR, em nome de outra exportadora de fachada, utilizando computadores, funcionários e emails da CONDOR para estas operações. O “modus operandi” deste tipo de esquema é o da ocultação dos reais intervenientes e o desaparecimento das empresas de fachada quando intimadas, pelo fisco, a prestar informações Fl. 589DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15956.000108/201141 Acórdão n.º 3201001.886 S3C2T1 Fl. 589 3 sobre seus negócios. Foi o que aconteceu com a CONDOR que não atendeu as intimações do fisco e foi declarada inapta antes do inicio deste procedimento de fiscalização. Com o “desaparecimento” da CONDOR, a apuração dos fatos e a obtenção de provas cabais da interposição fraudulenta só foi possível através de: • Pesquisas em bancos de dados da SRF e do Banco Central do Brasil; • Intimações, apreensões e depoimentos obtidos em diligências feitas em empresas relacionadas ao mesmo esquema fraudulento; • Informações, apreensões e depoimentos obtidos em fiscalizações relacionadas ao mesmo esquema fraudulento; O contribuinte CONDOR foi cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 03/07/2009, às folhas 175. Posteriormente, o mesmo contribuinte foi cientificado do auto de infração, via EDITAL n° 077/2011/DRF/POR/SEFIS, às folhas 487. O contribuinte SMAR foi cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 29/12/2011, às folhas 485. O contribuinte SMAR protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 497 à 506, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante SMAR alegou que: Para justificar a presente autuação a fiscalização assinalou que: "Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foram apuradas as infrações descritas no Termo de Encerramento de 14/12/2011, que passa a fazer parte integrante deste Auto de Infração". Na folha de continuação do auto de infração há o seguinte registro: "001 MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA. Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, conforme descrito em Termo de Encerramento de Fiscalização de 14/12/2011 que passa a fazer parte integrante deste auto de infração". Contudo, quando se analisa o referido termo de encerramento não é possível em hipótese alguma localizar as descrições acima mencionadas, pois o documento não traz (assim como o próprio auto de infração) nenhuma informação acerca de infrações de natureza tributária. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 Por fim, não se extrai do auto de infração as razões que levaram a fiscalização agir de tal maneira. Se o auto de infração e respectivo termo de sujeição passiva solidária não enunciam, pormenorizadamente, como é o caso dos autos, as condutas ilícitas, as datas dos acontecimentos, os bens, os valores de cada bem, os locais dos acontecimentos e o nome dos envolvidos na conduta ilícita, decerto que não atende ao requisito da motivação, devendo ser anulado sob essa perspectiva formal. Neste contexto, vejamos que o auto de infração e o respectivo termo de sujeição passiva solidária, encaminhados à impugnante por meio de "SEDEX", não contém (sic) nenhuma descrição dos acontecimentos, bem como não revela data(s), descrição de bem(ens), valor(es), local(ais), nome(s), ou seja, não há nada. No caso em comento não pôde a impugnante se defender e/ou apresentar qualquer justificativa, pois não sabe do que está sendo acusado. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação nos termos dos artigos 5o, incisos LIV e LV, 37, ambos da CF/88; artigos 25, 38, § 1 e 39, inciso III, ambos do Decreto n. 7.574, de 29 de setembro do ano de 2011; artigos 9º e 10°, inciso III, ambos do Decreto n. 70.235/72, de 06 de março do ano de 1972; artigo 25 da Lei 11.941, de 27 de maio do ano de 2009 e artigos 2o, incisos VII e VIII, e 50, incisos I e II,ambos da Lei 9.784/1999, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado e/ou a responsabilidade passiva solidária que lhe fora atribuída através do "Termo de Sujeição Passiva Solidária em 14/12/2011. A instância a quo julgou improcedente a impugnação nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 14/12/2011 Autuação decorrente da constatação de esquema de ocultação dos reais intervenientes e o desaparecimento das empresas de fachada quando intimadas, pela fiscalização. Impugnação alega que ao se analisar o termo de encerramento da fiscalização não traz (assim como o próprio auto de infração) nenhuma informação acerca da motivação da ação fiscal. O termo de encerramento de fiscalização trouxe tanto fatos como o embasamento legal suficientes para motivar ação fiscal, com a descrição da participação do impugnante em um esquema de ocultação dos reais intervenientes no comércio exterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 591DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15956.000108/201141 Acórdão n.º 3201001.886 S3C2T1 Fl. 590 5 Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudino O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores, razão pela qual deve ser conhecido. O recurso voluntário reitera a linha de argumentação apresentada pela Recorrente na fase de impugnação, consistindo, basicamente, na ausência de informações/motivação do lançamento, o que, na sua visão, acabou por acarretar o cerceamento do seu direito de defesa. Por outro lado, a decisão recorrida enalteceu o trabalho intenso da fiscalização no sentido de identificar que a CONDOR & SHARK COMERCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. era apenas uma empresa de fachada para acobertar a real interveniente das operações de comércio exterior que foram objeto de autuação: a SMAR EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. Por descrever as informações/motivação do lançamento, mister analisar um longo trecho do voto condutor da decisão recorrida in verbis: Depreendese do texto da impugnação que o autuado teve acesso ao TERMO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO DE 14/12/2012, às folhas 9 dos autos. Do mencionado TERMO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO DE 14/12/2012, extraise as seguintes informações, dentre outras: • Por não atender os mínimos requisitos legais a SMAR teve seus pedidos de habilitação (ou senha) no sistema de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (doravante RADAR) desta SRF negados, ficando impedida de operar, diretamente, no comércio exterior. • Em 13/03/2008, a Coordenação Geral de Administração Aduaneira (doravante COANA) colocou uma ficha de alerta no sistema Radar da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (doravante SRF), informando que a SMAR estava operando no comércio exterior através de interpostas pessoas e detalhando várias destas operações que não descrevemos aqui em respeito ao sigilo fiscal das interpostas pessoas envolvidas. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 6 • A SMAR, não atendendo as mínimas condições legais para operar diretamente no comércio exterior ignorou, nas exportações no auto descritas, a imensa quantidade de empresas que operam idoneamente no comércio exterior e que poderiam exportar legalmente seus produtos, optando então pelo cometimento, serial, de fraudes e simulações diversas utilizando se de interpostas pessoas jurídicas para seus negócios de comércio exterior. • O “modus operandi” deste tipo de esquema é o da ocultação dos reais intervenientes e o desaparecimento das empresas de fachada quando intimadas, pelo fisco, a prestar informações sobre seus negócios. O referido Termo ainda relaciona as empresas que faziam parte do esquema com destaque para: • CONDOR que foi declarada INAPTA, no cadastro do CNPJ da SRF, em 12/11/2008, por PRATICA IRREGULAR de OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR, conforme consta do processo administrativo n° 10314.001188/200899. • ESPAÇO BRAZIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LLDA ME, CNPJ 08.637.299/000100 que operava como interposta pessoa de comércio exterior da SMAR. • WD2 COMERCIAL ELETRONICOS LTDA – ME, CNPJ 08.308.567/000131, sendo, fraudulenta, informada como fabricante das mercadorias produzidas pela SMAR. • SEG FORTE COMERCIAL ELETRONICOS LTDA – ME, CNPJ 08.111.026/000119, empresa de fachada que emitia notas fiscais fraudulentas, através das (???) era informada como fabricante das mercadorias produzidas pela SMAR. A SEG FORTE teve seu CNPJ anulado por ser uma empresa “FANTASMA”, não encontrada no seu domicilio tributário e que tinha em seu quadro societário pessoas físicas inexistentes, criadas com registros de identidade falsos. DAS PROVAS DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA: O TERMO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO assinala às folhas 14 e 15: Nos bancos de dados da SRF e do Banco Central do Brasil encontramos as provas de que a CONDOR exportou um total de R$16.214.354,00 de mercadorias produzidas pela SMAR. As exportações foram relacionadas nas planilhas EXPORTAÇÕES CONDOR & SHARK PARA SMAR VALORES EM REAIS (R$) (fls. 31) e EXPORTAÇÕES CONDOR E SHARK PARA SMAR PRODUTOS E IMPORTADORES NO EXTERIOR (fls. 69). (...) A CONDOR jamais produziu qualquer mercadoria, ao informar que era fabricante de mercadorias exportadas estava apenas fraudando o sistema e ocultando a SMAR, o verdadeiro fabricante. Cometeu a mesma fraude ao informar o não existente Fl. 593DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15956.000108/201141 Acórdão n.º 3201001.886 S3C2T1 Fl. 591 7 CNPJ 99.999.997/000100 como fabricante de significativa parte das mercadorias exportadas. Em relação ao contrato entre as empresas Smar e Condor o TERMO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO assinala às folhas 17: Dentre os documentos apreendidos na ESPAÇO através do Termo de Apreensão de Documentos n° 461 (fls. 193), encontramos no item 26 um contrato (fls. 233) com firma reconhecida, firmado entre a CONDOR e a SMAR em que são ajustadas as condições das transações comerciais entre a SMAR e a CONDOR. Analisadas as cláusulas deste contrato verificamos que as transações de compra e venda entre a CONDOR e a SMAR, documentadas através de notas fiscais de venda emitidas pela SMAR eram uma simulação, assim como simuladas eram as exportações da CONDOR que eram na realidade da SMAR para suas subsidiárias e seus clientes no exterior. Conforme o contrato, todos os recursos financeiros utilizados nas exportações pertenciam a SMAR. De fato, a CONDOR nunca comprou mercadorias da SMAR e nunca exportou mercadorias para o exterior todas as transações documentadas com notas fiscais, registros de exportação, fechamentos de câmbio eram na realidade simulações em que a CONDOR EMPRESTAVA SEU NOME E SEUS DOCUMENTOS FISC E ERA REMUNERADA COM UMA COMISSÃO DE 5% SOBRE O VALOR EXPORTADO SENDO AINDA OBRIGADA A ENVIAR PARA A SMAR, EM ATÉ 24 HS DO RECEBIMENTO OS VALORES RECEBIDOS DOS CLIENTES. Ainda neste contexto, às folhas 18 é apresentada informação crucial para apoiar a ação fiscal: Na clausula quinta, abaixo copiada, vemos que a CONDOR, à semelhança de um corretor de imóveis, recebia 5% sobre o valor FOB das mercadorias exportadas. A comissão era paga pela contratante (SMAR) no prazo de 15 dias da data da emissão da nota fiscal de exportação. É evidente que uma verdadeira empresa exportadora aufere suas receitas ao receber dos compradores no exterior o pagamento das mercadorias exportadas, a CONDOR, exportadora de fachada, recebia uma comissão paga pela SMAR. (...) Vemos na cláusula décima, abaixo transcrita, que a Contratada (CONDOR) era obrigada a transferir para a Contratante (SMAR) em até 24hs do fechamento de câmbio os valores os pagamentos recebidos, do exterior, pelas exportações. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI 8 Ficava ainda a CONDOR isenta de quaisquer pagamentos à SMAR no caso de inadimplemento dos clientes no exterior provando que todo o risco do negócio era do verdadeiro exportador a SMAR. O TERMO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO ainda cita emails comprovando subfaturamento de exportações entre as empresas Smar e Condor, às folhas 23: Em troca de emails entre funcionários da SMAR e funcionários da CONDOR, dentre eles a Sra. TATIANA, acima descrita, encontramos provas de uso da CONDOR no subfaturamento de exportações da SMAR. Os emails e seus anexos (fls. 299 a 317) foram copiados dos arquivos magnéticos do banco de dados de email da Sra. TATIANA. Conforme vemos na troca de emails, a Sra. CRISTIANE REATTO ROMEIRO, funcionária da SMAR, confirma que o pedido da QATAR PETROLEUM, está correto, e anexa uma cópia deste pedido no Valor de US$67.598,00. O valor declarado pela CONDOR, portanto pela SMAR, no Siscomex é de U$44.428,35. O valor declarado às autoridades aduaneiras corresponde a 66% do valor real da exportação. O TERMO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO teve a cautela de informar a LEGISLAÇÃO APLICADA DecretoLei n° 37 de 1966, artigos 94, 96, e 105. Decretolei n° 1.455 de 1976, art. 23, inciso V e parágrafos 1º e 3º (com a redação dada pela Lei n° 10.637 de 2002, art. 59). Lei 5.172 de 1966, artigos 113, 124, 150 e 173. Os itens aqui mencionados fazem ampla e precisa referência ao fato da empresa SMAR atuar em um esquema de interposição fraudulenta, atividade de cunho ilícito, com prática e sanções previstas no DecretoLei n° 1.455 de 1976, art. 23, inciso V e parágrafos 1º e 3º (com a redação dada pela Lei n° 10.637 de 2002, art. 59). Claras estão, portanto, as circunstâncias fáticas e jurídicas que levaram as autoridades fiscais a lavrarem o auto de infração ora combatido. A alegação de cerceamento de direito de defesa, por parte da Recorrente, faz parecer que não lhe restaram outros argumentos para se defender diante de tão evidentes provas do seu envolvimento no esquema de importação fraudulenta. Acaso houvesse outros argumentos, amparados em provas, no sentido de refutar as acusações sofridas, a Recorrente certamente teria feito uso deles, pois teve ciência do inteiro teor da decisão recorrida, que claramente aponta o contexto do auto de infração. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente o crédito tributário em discussão. Conselheiro Daniel Mariz Gudino Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 595DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 15956.000108/201141 Acórdão n.º 3201001.886 S3C2T1 Fl. 592 9 Fl. 596DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 24/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 24/07/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10314.007260/2003-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/02/2003
IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA SUSCITADA. DECISÃO RECORRIDA. NÃO APRECIAÇÃO. NULIDADE.
É nula a decisão que não enfrenta matéria contestada em sede de impugnação.
Numero da decisão: 3201-001.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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MATÉRIA SUSCITADA. DECISÃO RECORRIDA. NÃO APRECIAÇÃO. NULIDADE. É nula a decisão que não enfrenta matéria contestada em sede de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 28/11/2003, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 72 60 /2 00 3- 87 Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.007260/200387 Acórdão n.º 3201001.910 S3C2T1 Fl. 1.964 2 exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional e multa do controle administrativo no valor de R$ 3.440.154,55, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio das Declarações de Importação relacionadas no corpo do auto de infração Microsilica Dióxido de Silício de constituição química definida e isolada com classificação fiscal no código NCM 2811.22.90; • Em ato de revisão aduaneira, a fiscalização solicitou laudo de assistência técnica, cujo resultado apontou que a mercadoria se tratava de Dióxido de Silício contendo carbono e composto inorgânico a base de Ferro, Sódio e Manganês, com classificação fiscal no código NCM 2620.90.90; • Ressalvadas disposições em contrario, o Capitulo 28 só compreende os elementos químicos isolados (corpos simples) ou os compostos de constituição química definida; • Composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie /Molecular (covalente ou iônica, especialmente) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser apresentada por um diagrama estrutural único. • Incidência da multa por ausência de Licença de Importação; • Capitulação Legal: Artigos 490, 633, II, a) e 636 do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/2002. Em decorrência, foi lavrado o presente auto de infração. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 17/01/2004 (fls. 196verso o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 16/01/2004, de fls. 198 A 228, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • A classificação fiscal 2620.90.90 indicada pela fiscalização não está mais em vigor, tendo sido substituida pela classificação fiscal 2620.99.90, por força da Resolução No. 42101 da Câmara de Comércio Exterior; • A fiscalização se referiu a "exames laboratoriais" sem qualquer indicação especifica, citação ou apresentação de qualquer laudo de assistência técnica que serviu de base para a constituição do pretenso crédito tributário, o que implica em cerceamento do direito de defesa e o exercício do contraditório; • Em sua motivação, a fiscalização se limitou a transcrever as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do Capitulo 28; Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.007260/200387 Acórdão n.º 3201001.910 S3C2T1 Fl. 1.965 3 • Ainda que o auto de infração estivesse acompanhado de "prova emprestada", mesmo assim, por decisão do Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda não seria aceita; Os artigos 9º e 10 do Decreto 70.235/72 exigem a instrução do processo com o laudo de assistência técnica, sendo a nulidade a pena para a sua ausência; • Decisões administrativas, seja do Egrégio Conselho de Contribuintes, seja da Delegacia Regional de Julgamento reiteram este entendimento; • Impossibilidade da revisão do lançamento pois ele só pode ser proveniente de erro de fato, posição defendida tanto na doutrina como na jurisprudência; • Decisão exarada pelo STJ reconhece que uma vez aceita a classificação fiscal no momento do desembaraço aduaneiro, qualquer modificação de entendimento posterior se traduz em erro de direito; • O lançamento referente às Declarações de Importação No. 98/11075301, 98/11686599, 98/12566970 e 98/12880356 estaria decadente; • As Declarações de Importação No. 02/111112245, 03/00125822 e 03/01289446 devem ser excluídas da pretensa exigência do crédito tributário, por já serem objeto de exigências fiscais anteriores; DI No. 02/111112245 Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar No. 362/03, impugnado em 18/11/2003; DI No. 03/00125822 Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar No. 361/03, impugnado em 18/11/2003; DI No. 03/01289446 — Auto de Infração No. 11128.002096/200381, impugnado em 17/04/2003; • Pela Nota 3 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do Capitulo 26 da NCM, a posição eleita pela fiscalização se revela inadequada por não se tratarem de Cinzas e resíduos e estarem expressamente excluído da posição 2620 os compostos químicos definidos no capitulo 28, dentre eles o Dióxido de Silício; • As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do Capitulo 28 da NCM admite a presença de impurezas provenientes do processo produtivo, incluída a purificação, que vem a ser o caso aqui assinalado; • Não é possível tratar o Dióxido de Silício como desperdício de produção; Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.007260/200387 Acórdão n.º 3201001.910 S3C2T1 Fl. 1.966 4 • Ainda que houvesse dúvidas quanto aos códigos NCM, deveria prevalecer o código NCM 2811.22.90, em função das Regra Gerais do Sistema Harmonizado; • A classificação fiscal eleita pela fiscalização é descabida pelo fato do produto importado não se tratar de cinzas ou resíduos e estarem excluídos dessa posição os compostos químicos definidos do capitulo 28, dentre eles o Dióxido de Silício; • Segundo o parecer, as cinzas seriam o resíduo de um material submetido à combustão; • O teor de silica é de 98%, bem superior ao teor especificado para sílicas ativas de 85%; • O parecer ainda aponta que os resíduos são provenientes do processo de fabricação; • Muito embora a Microsilica seja um produto secundário do silício, definila como rejeito ou cinza é incompatível com o processo de beneficiamento necessário para manter o teor de pureza constatado; • Descabida a multa por falta de Licença de Importação; • Improcedência dos juros e multa aplicados; Pugna a nulidade e, alternativamente, a improcedência do Auto de Infração. Em exame preliminar, a lª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução No. 814, de 15/053/2008, indagando: 1) A respeito da classificação fiscal 2620.90.90 indicada pela fiscalização não está mais em vigor. Assim seria adequado dizer que o entendimento da fiscalização seria pela classificação fiscal 2620.99.90, por força da Resolução No. 42/01 da Câmara de Comércio Exterior? 2) Quais "exames laboratoriais" levou em consideração para promover a classificação fiscal dos produtos no código NCM 2620.90.90? 3)Se procede a alegação de que as Declarações de Importação No. 02/111112245, 03/00125822 e 03/01289446 devem ser excluídas da pretensa exigência do crédito tributário, por já serem objeto de outras exigência fiscais? 4) E, por fim ., se a presença de impurezas que a fiscalização se refere são aquelas admitidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado do Capitulo 28 da NCM? Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei n° 9.784/99, em face do principio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento — AR datado de 10/09/2008 (fls.1220verso), o interessado manifestou se no seguinte sentido: Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.007260/200387 Acórdão n.º 3201001.910 S3C2T1 Fl. 1.967 5 1. A autoridade preparadora concordou com a observação de que o código NCM 2620.90.90 foi substituído; 2. Os pedidos de "exames laboratoriais" são relativo à Declaração de Importação No. 02/11112245 e o laudo de assistência técnica relativo à Declaração de Importação No. 03/001255822 que não são objetos desse processo; 3. A autoridade preparadora concordou com a observação de que as Declarações de Importação No. 02/111112245, 03/00125822 e 03/01289446 devem ser excluídas da pretensa exigência do crédito tributário, por já serem objeto de outras exigência fiscais; 4. A impugnante reafirmou seu entendimento de que as impurezas contidas no produto são resultantes direta e exclusivamente do processo de fabricação. Para tanto, requer a juntada do Parecer Técnico 025/2008 que foi solicitado no Processo Administrativo 11128.002096/200381 Sobreveio decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/02/2003 Despacho aduaneiro de Microsilica Dióxido de Silício de constituição química definida e isolada com classificação fiscal no código NCM 2811.22.90. Fiscalização apontou que a mercadoria se tratava de Dióxido de. Silício contendo carbono e composto inorgânico à base de Ferro, Sódio e Manganês, com classificação fiscal no código NCM 2620.99.90. Laudo de assistência técnica o define como uma cinza obtida pela captação dos fumos produzidos durante a produção de ferroliga Ferro Silício e também do Silício Metálico, sendo um sub produto. Afastada a exigência fiscal referente as Declarações de Importação No. 02/11112245, 03/00125822 e 03/01289446, em virtude de reconhecimento pela autoridade preparadora do fato que já serem objeto de outra exigência fiscal. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.007260/200387 Acórdão n.º 3201001.910 S3C2T1 Fl. 1.968 6 Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de Auto de Infração que formaliza a exigência de Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa de ofício, multa pela mercadoria importada não se encontrar amparada por Licença de Importação ou documento equivalente, e multa pela mercadoria ter sido classificada incorretamente na NCM, prevista no artigo 636 do Decreto nº 4.543/2002. A recorrente, em sua peça impugnatória, contesta todas as exigências formalizadas neste processo, apresentando tópico específico (itens 81 a 86) no qual contesta a exigência da multa pela classificação incorreta na NCM, reiterando os argumentos em seu recuso voluntário. O acórdão recorrido, contudo, omitiuse em relação a esta matéria, que, como visto, foi expressamente contestada. O artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, que rege o contencioso administrativo fiscal, define que as decisões administrativas devem abranger a todos os autos de infração exigidos, bem como tratar das razões de defesa suscitadas em sua peça impugnatória: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. O artigo 59, II, deste mesmo Decreto nº 70.235/72, estabelece a nulidade de decisões proferidas com preterição do direito de defesa: Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pois bem, a omissão da decisão recorrida em relação a exigência da multa por classificação incorreta da mercadoria, infração esta devidamente impugnada, além de infringir o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, ainda ensejou no vício de cerceamento ao direito de defesa da recorrente, por supressão de instância de julgamento. Do exposto, voto por declarar a nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja proferido apreciando integralmente as matérias suscitadas na impugnação, notadamente à exigência da multa aplicada pela classificação incorreta das mercadorias na NCM. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.007260/200387 Acórdão n.º 3201001.910 S3C2T1 Fl. 1.969 7 Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 13822.000009/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 3401-002.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/2005-05 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que auto-designei-me para a tarefa, no que valho-me das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
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COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 09 /2 00 7- 73 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/200505 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que autodesigneime para a tarefa, no que valhome das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria. Relatório O Relatório a seguir é o que foi entregue à Secretaria pela relatora Angela: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos apurados pela sistemática da não cumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP: Crédito: PIS não cumulativa, Período de apuração: 4º trimestre de 2005 cujo Valor pleiteado: R$ 295.007,33. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, dado pelo art. 8º, § 4º c/c § 9º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004 a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado – o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha “Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007” e no Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 123 3 DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere à aquisição de insumos, matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindo se a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 b) Do método da apropriação do crédito presumido. Verificou que o interessado informou que o método de determinação dos créditos foi com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Assim, intimou o interessado a comprovar que os valores dos créditos informados nos DACON e nos livros auxiliares do PIS e Cofins são referentes apenas aos custos, despesas e encargos vinculados à receita sujeita ao regime não cumulativo da exportação. Examinando a documentação apresentada, verificouse que, no preenchimento dos DACON, o interessado não utilizou o método de apropriação direta, uma vez que todo o custo da cana de açúcar (insumo), do preparo e processamento da cana, da extração do caldo e do suporte a produção industrial foram apropriados, na sua totalidade, para o produto açúcar, ou seja, todos os custos comuns, vinculados ás receitas sujeitas aos regimes cumulativos e não cumulativo foram aproveitados integralmente como sendo regime não cumulativo. Em resumo, nos DACON entendeu o interessado apropriar todo o gasto com a aquisição do insumo cana de açúcar para o produto açúcar, independentemente se dela foi produzido álcool. Verificou, também: a) Que a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON, para o que somou valores de materiais em estoque. conforme resumo de fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); b) Inconsistências nas informações das planilhas apresentadas, demonstrando que os Razões não comprovam o método de apropriação direta e nem condizem com os valores dos DACON, pois: b.1) conforme esclarecimento do interessado, no valor dos insumos informados nos DACON está incluído o valor da cana adquirida de pessoas jurídicas e na planilha de fls 24 a 26 (numeração constante no relatório do Auto de Infração), não consta a conta correspondente a tal insumo; b.2) a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON (e diferente do valor da cana adquirida de pessoa jurídica) e para chegar ao valor informado nos DACON, o interessado somou o valor dos materiais em estoque, conforme consta no resumo apresentado às fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); e b.3) na planilha há contas estranhas ao conceito de insumo, tais como “Consultoria”, Copa, cozinha e limpeza”, Gêneros Fl. 281DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 124 5 Alimentícios”, Lanches e Refeições”, “Uniformes” e “Seguros Gerais”. Pelos fatos expostos, constatase que o método de aproveitamento dos créditos, informado nos DACON, não pode ser caracterizado como de apropriação direta, pois os custos comuns á receita sujeita ao regime não cumulativo e ao cumulativo foram informados integralmente como sendo de receita de exportação e os Razões apresentados não comprovam o declarado nos DACON e nas planilhas com a descrição dos insumos e, considerando que o interessado aufere receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação, com base no disposto nos arts. 3º, §§ 7º e 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, deve ser utilizado o método de rateio proporcional da receita bruta. Assim, calculou os percentuais aplicáveis a cada regime de tributação e aplicou os aos valores dos gastos considerados como insumos, apurando o valor do crédito a aproveitar no período. b.1) Energia Elétrica e Contraprestações de arrendamento mercantil. Considerando a utilização do método de rateio proporcional para a apuração dos créditos, recalculou os valores dos gastos com energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil considerados como créditos apurados no regime não cumulativo. c) Base de cálculo do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado– com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita A legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc, contrariando o disposto no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso II, da Lei nº 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 2º da Lei 11.051, de 2004, e demais dispositivos legacia acima citados; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 d) bens vinculados ás receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, meã alimentadora, etc. Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens “a” a “d” acima. Aos valores referentes ao item “e”, aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. d) Créditos presumidos – Atividades Agroindustriais. d.1) Apuração Conforme destacado no item “A”, e de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa (IN) SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON. Assim, relativamente aos valores das aquisições de cana efetuadas junto a pessoas jurídicas, aplicouse o percentual apurado para o rateio proporcional entre as receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo da contribuição. d.2) Forma de utilização do crédito Ressalta que, com base no disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006, o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, e que a apreciação desse item será feita pela Saort da DRF. e) Outros Créditos a descontar (linha 25 da ficha 12 do DACON Verificou que o interessado registrou créditos da contribuição, referente a valor do frete nas operações de venda, pago a pessoas físicas, contrariando as disposições do inciso IX, do art. 3º c/c art 15, ambos da Lei n º 10.833, de 2003. PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração e propôs o deferimento do valor de R$ 190.764,88, como direito creditório do interessado passível de compensação. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 125 7 Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (MI), onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações onde, preliminarmente, alega que os créditos objeto do presente processo já foram apreciados nos autos do processo 15868.000039/201084 e, assim, constatase a duplicidade das glosas de créditos e da cobrança dos valores atinentes às referidas glosas. Junta cópia do Auto de Infração que seria objeto do referido processo. Em seguida, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, em totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois o bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esse insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003., que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3º, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão Fl. 285DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 126 9 para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Do método de Apuração de Créditos (Créditos Presumidos da CanadeAçúcar) Que a fiscalização, ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação de créditos elaborado pelo contribuinte, optando pelo mais oneroso, argumentando que todos os custos de cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar, e que os Razões não permitem identificar quais os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, bem como há Razões em que as notas fiscais e fornecedores não constam dos livros auxiliares de PIS/Cofins. Que a legislação é clara quanto ao direito do contribuinte optar entre o método de apropriação direta e o método de rateio proporcional, no caso de existência de receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação Que o sistema de custo integrado separa os custos destinados à fabricação de açúcar e álcool, de modo que os insumos destinados a cada processo sejam diretamente direcionados a seus respectivos centros de requisição contábeis. Que todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial são exatamente custos de fabricação de açúcar, vez que cem pro cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar e que para a fábrica de álcool somente é destinado o “mel final” que resulta do processo de fabricação de açúcar, o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial, e que não houve fabricação de álcool direto da cana. Quanto a outra alegação, de falta de identificação de fornecedores, produtos, insumos dos custos apropriados, alega que adota há trinta anos tal procedimento, nunca senso questionado pela fiscalização e que tal procedimento é reconhecido a adotado como parte integrante das melhores técnicas de escrituração, que todas as requisições e notas fiscais foram apresentadas, o que deu margem à discussão sobre o conceito de insumos. Quanto a argumentação de que há Razões nos quais notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, Fl. 286DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 que tais livros não são obrigatórios e não possuem regramento específico para se preenchimento. Que inexistem custos comuns que são apropriados somente para a parte de produção não cumulativa, conforme mostra o trabalho pericial anexo que o processo de fabricação de açúcar e de álcool são independentes e partem de pontos totalmente distintos e que deve ser respeitado o sistema de custo integrado existente e mantido pelo interessado, e que a fiscalização obteve acesso a todos os documentos atinentes aos créditos. Da energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil Nesses itens, reitera as alegações acima quanto a apropriação do crédito presumidos. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados á venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto a limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maiô e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja vista o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Da utilização do crédito presumido Que a requerente sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições sociais, de modo que a acusação dos autos improcede. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 127 11 PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO RERATIFICADO– A DRF em Araçatuba, através do Parecer, reformulou o Parecer anteriormente exarado, para ressaltar que o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, á vista do disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, glosouse o valor do crédito presumido da agroindústria – R$ 116.236,43 reduzindo o direito creditório anteriormente deferido, R$ 190.764,87, para R$ 74.528,44, Através do Despacho Decisório (DD), acatouse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido, abrindose prazo para o interessado para a apresentação de nova manifestação de inconformidade (MI). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (MI) – fls. 337188 Na sua nova MI, inicialmente, o interessado reafirma a preliminar anteriormente esposada, a respeito da apreciação anterior dos créditos no processo 15868.000039/201084. No mérito, também reafirma que sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições, conforme pode se verificar nas próprias PER/DCOMP utilizadas no presente processo, e que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 serve a garantir ao contribuinte o direito de compensar quaisquer créditos fiscais que possua com quaisquer débitos federais. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 128 13 produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃOCUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser utilizados para a dedução dos valores devidos das contribuições para o PIS/Cofins, vedada a sua utilização para ressarcimento ou compensação com demais tributos. ADN SRF nº 15 de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” A Recorrente apresentou recurso voluntário, com as mesmas alegações acima. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Como acima indicado, transcrevo, ipsis litteris, o voto entregue pela relatora à Secretaria. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos para sua admissibilidade, por isso, dele conheço. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 necessidade. Logo, diante do convencimento da desnecessidade de quaisquer esclarecimentos adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento do pedido de perícia. Das alegações de inconstitucionalidade Quanto à alegação de inconstitucionalidade da IN SRF nº 247, de 2002, e das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 cabe esclarecer que não cabe a apreciação dos dispositivos legais sob o ponto de vista de sua constitucionalidade pela autoridade administrativa. Dos Bens utilizados como insumos Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Cabe esclarecer qual o conceito de insumos para as contribuições não cumulativas: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 129 15 Em relação a Cofins não cumulativa, o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Definido o conceito de insumos, cabe analisar se os itens glosados estão enquadrados no conceito legal. Foi glosado partes e peças de manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus, gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas. Foi glosado também o frete relativo a transporte de pessoas e a transporte de equipamentos do ativo permanente. A legislação adota, para fins de apuração de créditos na modalidade da não cumulatividade, a enumeração exaustiva dos bens e serviços capazes de gerar crédito e os vinculou a determinadas atividades, assim como ao modo de produção, no que respeita à questão do insumo. Dessa forma, a aquisição de um bem ou serviço poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Para qualquer análise sobre aquisições de bens e serviços que vise determinar a geração de crédito são indispensáveis o exato conhecimento da atividade e a forma de aplicação, em especial no caso de insumo. A Recorrente produz açúcar bruto e álcool carburante. Considerando a atividade da Recorrente é possível concluir que os itens glosados não se enquadram como insumos de sua produção. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Os itens relacionados no Auto de Infração, referente ao Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc, não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita, porquanto não se tratam de matérias primas ou materiais de embalagem e tampouco utilizado no processo produtivo da recorrente portanto, mantenho a glosa. Em relação à glosa efetuada referente ao item Material Intermediário – Serviços de Manutenção Industrial, foram contabilizadas despesas referentes a gastos com construção civil, reparação de caminhões, reboques, e com tintas, vernizes e diluentes, e cimento que também não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita. O mesmo se aplica ao frete relativo a transporte de pessoal e de ativo permanente, que também não se enquadram no conceito acima. Quanto à alegação de que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, cabe esclarecer que: Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o legislador, além de permitir a apuração de créditos calculados sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passou a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3o, caput, e incisos I, II e IX. O art. 15 da citada Lei no 10.833, de 2003, estendeu o benefício previsto no inciso IX do citado art. 3º acima transcrito também para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep. Conforme já visto, tratase do direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com armazenagem de mercadorias e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 130 17 A fiscalização juntou lista e Notas fiscais (fls. 217/220). Verifica se que as Notas se referem a transporte com pessoal e de ativo imobilizado, que não geram crédito, por não se tratar de operações de venda de mercadoria. A interessada não comprova ou aponta quais Notas seriam referentes à venda e tampouco foi identificada qualquer nesta condição que tenha sido glosada. Portanto mantenho a glosa neste item. Do método de apuração do crédito comum O §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003 regulamentam a matéria e nos casos em que a pessoa jurídica se sujeita a incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas, deverá ser adotado um dos dois métodos em relação aos custos, despesas, e encargos comuns. O Recorrente informou no DACON que teria utilizado a apropriação direta e a fiscalização desconsiderou o critério adotado e aplicou o rateio proporcional já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. Apurouse também que foram incluídos valores que não são insumos. Inicialmente cabe esclarecer que apurado o custo do produto sujeito à sistemática da não cumulatividade pelo custeio por absorção, deve ser apurado o percentual deste perante o custo total. Apurado o percentual que representa o produto sujeito à sistemática não cumulativa, este percentual deve ser aplicado nos custos, encargos, despesas comuns que dão direito ao crédito da não cumulatividade. Assim, não será o custo apurado na contabilidade que irá gerar crédito, mesmo porque compõe o seu valor os custos fixos e variáveis, que abrangem elementos que não geram credito. Ressalte – se também que tal sistemática somente se aplica se existem custos, encargos ou despesas comuns e a pessoa jurídica se sujeita à incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas. A interessada produz açúcar, produto sujeito à sistemática não cumulativa, e álcool, produto sujeito a sistemática cumulativa. Assim, cabe apurar se existem custos, encargos ou despesas comuns aos dois produtos. A Recorrente alega que os processos produtivos são independentes, na primeira etapa é produzido o açúcar, este processo gera um resíduo chamado de “mel pobre”. A partir do mel se produz o álcool. Os custos incorridos numa produção conjunta até o ponto de cisão (inclusive), são chamados de custos conjuntos. É possível concluir que o processo produtivo da interessada é uma produção conjunta até o ponto de cisão, ou seja, até o momento que é produzido o açúcar e o mel final, a Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 partir daí, o processo produtivo segue em relação ao mel final sendo considerado um processo único até a fabricação do álcool. Não é possível considerar que o mel final (matéria prima) do álcool seja apenas resíduo, mesmo porque este é produto que não tem mercado certo, o que não ocorre com o mel final. A produção do mel final é onde ocorre o ponto de cisão da produção do açúcar e do álcool. Assim a produção do álcool somente é possível se realizado todo o processo produtivo desde a extração do caldo da cana. Estabelecido que se trata de processo de produção conjunta, cabe relatar brevemente o que seria o custeio por absorção. Na obra citada acima assim se define o custeio por absorção: Custeio por absorção é um processo de apuração de custos, cujo objetivo é ratear todos os seus elementos (fixos ou variáveis) em cada fase da produção. Logo um custo é absorvido quando for atribuído a um produto ou unidade de produção, assim cada unidade ou produto receberá sua parcela no custo até que o valor aplicado seja totalmente absorvido pelo custo dos produtos vendidos ou pelos estoques finais. Concluise que a produção da Recorrente é uma produção conjunta, e como tal, possui custos, encargos e despesas comuns, então o contribuinte poderia optar entre as duas formas de rateio quais sejam: custeio direto por absorção ou o rateio proporcional a receita. Para optar pelo custeio direto por absorção a interessada deve ter o sistema de custos integrado e coordenado com o restante da contabilidade. Contudo, analisando a contabilidade da interessada, constatouse que os custos da produção conjunta foram integralmente direcionados para a produção do açúcar, portanto, não houve um rateio, não sendo possível aceitar que tal sistemática seja considerada custeio por absorção, já que neste processo a empresa utilizase de métodos (valor das vendas, volume produzido, igualdade do lucro bruto, etc.) para atribuir os custos conjuntos aos produtos. Para a fabricação do álcool, é absolutamente necessária a existência da matéria prima, no caso, a cana, assim como todos os demais produtos e bens utilizados no processo. Sem a cana e todo o processo posterior para a produção do “mel final” não haveria a produção de álcool que gera receitas significantes para a empresa. Assim, sendo a cana de açúcar insumo necessário para a fabricação tanto do álcool como do açúcar, inferese que tal custo é comum, e deve ser apropriado proporcionalmente, uma vez que não há possibilidade de distinção de custos no Fl. 295DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 131 19 processamento para fabricação de ambos os produtos. Tal entendimento aplicase a todos os custos, despesas e encargos envolvidos na produção de tais produtos. Quanto à verificação nos Razões, que não permitiram identificar quais os produtos, insumos, ou fornecedores dos custos apropriados, a empresa alega que adota há trinta anos tal procedimento e nunca foi questionada. Nos termos da lei, toda a escrituração deve ser fundamentada com documentação hábil e idônea e as aquisições de produtos e insumos devem ser comprovadas com a apresentação das notas fiscais correspondentes. Quanto às alegações a respeito da escrituração dos livros auxiliares, que não registraram dados a respeito de produtos, fornecedores e notas fiscais constantes dos Razões, o fato de tais livros não serem obrigatórios e não possuírem regramento específico para o seu preenchimento não muda o fato de que, se são complementares à escrituração e base para apuração de bases de cálculo de créditos das contribuições, obrigatoriamente os seus registros deverão ser baseados em documentação hábil e idônea. A falta de registros os inabilita para o objetivo a que se pretende – a comprovação da correta contabilização dos custos, despesas e encargos para apropriação por sistema integrado com a contabilidade. Correto, portanto, a decisão da DRJ de desqualificação do método de apropriado direta utilizado pelo interessado, pelas irregularidades na escrituração e pela inadequação do sistema adotado à vista do processo fabril da empresa, que tem uma única matéria prima(cana), que passa por procedimentos também únicos, para gerar, ao final, dois produtos tributados por sistemáticas diferentes. Em função da apropriação dos créditos da agroindústria pelo método do rateio proporcional, cujo percentual foi calculado de acordo com as normas legais, correta a glosa dos valores dos créditos referente aos gastos com insumos, energia elétrica, e demais custos comuns considerados na verificação fiscal. Cabe destacar que não foram alterados os valores da linha despesas de contraprestação de arrendamento mercantil Ressaltese que bens de natureza permanente, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes, correios e malotes, comunicações, outros serviços, serviços de manutenção e reparos, não se enquadram no conceito de Fl. 296DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 insumo, portanto, não geram crédito, conforme já tratado neste voto. Do aproveitamento do crédito presumido das atividades industriais. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004, assim dispõe: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ). O crédito presumido aplicase sobre o valor dos bens do inciso II do art. 3º da Lei 10.637 e 10.833, isto é, bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física. Portanto, não se aplica ao frete adquirido de pessoa física, já que frete não é insumo, e somente é possível apurar crédito em relação ao frete na venda se adquirido de pessoa jurídica, conforme art. 3º,inciso IX e §3º da Lei 10.833/2003 c/c art. 15 da mesma lei. Dos encargos de depreciação do ativo Nesse item, temos duas situações distintas – (i) a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos, e (ii) a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – edificações, veículos, motos , microonibus, caminhões, etc, rádios motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc não deixa duvidas que os mesmos não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por Fl. 297DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000009/200773 Acórdão n.º 3401002.970 S3C4T1 Fl. 132 21 infringência ao dispositivo legal acima transcrito, devem ser glosados. Correta, também, a glosa dos encargos de depreciação dos bens vinculados a receitas sujeitas ao regime cumulativo da contribuição – destilaria, fábrica de álcool, tanque de álcool – uma vez que não podem gerar créditos relativamente à apuração no regime não cumulativo. As disposições legais são expressas quanto aos períodos de aproveitamento dos créditos referentes aos encargos de depreciação, vedando expressamente, a partir de 1º de agosto de 2004, o desconto referente à depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquirido até 30/04/2004 e autorizando o aproveitamento desse tipo de crédito para os bens adquiridos a partir de 01/05/2004 (art. 31 e § 1º, da Lei nº 10.865). O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada, somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 (art. 2 º e § 2º, da Lei nº 11,051, de 2004). Por todo exposto, mantenho a decisão da DRJ e nego provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o colegiado, em sua integralidade, o voto acima, negando provimento, por unanimidade, ao recurso do contribuinte. Esse o acórdão que me exigi redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13771.000094/2001-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 09/07/1999 a 19/05/2000
NORMAS PROCESSUAIS. SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS
As decisões em processo de consulta de classificação fiscal de mercadorias têm efeito declaratório e, por isso, caráter ex tunc , razão pela qual, as decisões de instância hierarquicamente superior que reformem pareceres das que lhe são inferiores têm efeito retroativo tanto para cobrar quanto para restituir diferenças no pagamento de tributos devidos, observados, respectivamente, os prazos de decadência e prescrição.
Numero da decisão: 9303-003.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
JOEL MIYAZAKI - Relator.
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (presidente), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos (substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (substituto convocado), Fabíola Cassiano Keramidas (substituta convocada) e Maria Teresa Martínez López. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
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SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS As decisões em processo de consulta de classificação fiscal de mercadorias têm efeito declaratório e, por isso, caráter ex tunc , razão pela qual, as decisões de instância hierarquicamente superior que reformem pareceres das que lhe são inferiores têm efeito retroativo tanto para cobrar quanto para restituir diferenças no pagamento de tributos devidos, observados, respectivamente, os prazos de decadência e prescrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do relator. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JOEL MIYAZAKI Relator. EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (presidente), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama Rodrigo da Costa Pôssas, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 00 00 94 /2 00 1- 27 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos (substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (substituto convocado), Fabíola Cassiano Keramidas (substituta convocada) e Maria Teresa Martínez López. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório A matéria trazida ao debate pelo especial fazendário diz respeito à validade, no tempo, de decisões em solução de consulta emitidas pela Receita Federal do Brasil em matéria de classificação fiscal de sistemas de ar condicionado do tipo split em que uma unidade (evaporadora) funciona internamente (a um imóvel) e é ligada por cabos e tubos a unidade externa (condensadora), quando internalizados separadamente no país. Em apertada síntese, entende a Fazenda Nacional que pareceres reformadores de decisões de consulta não podem ser aplicados retroativamente, devendo ser aplicados apenas aos fatos geradores ocorridos após a ciência do consulente sobre o teor dessas decisões, não havendo previsão legal para retroação, ainda que benéfica. No entendimento da relatora expresso em seu voto na decisão do colegiado a quo, as soluções de consulta devem observar o instituto da retroatividade benigna. Abaixo reproduzo trecho de fls. 691, de autoria de integrante (vencida) da turma julgadora de primeira instância, mas adotado pela relatora: Sendo assim, é inconteste que às soluções de consulta, inclusive as proferidas sobre classificação de mercadorias, quando .objeto de nova orientação introduzida em face das hipóteses referidas no transcrito § 6°, deverá ser dispensado o tratamento ali previsto, o qual expressamente contempla a retroatividade benigna. No caso em análise, em resposta ao processo de consulta no. 12466.002683/9928, protocolado pela interessada em 26/10/1999, foram exarada três decisões, a saber: 1. Decisão DIANA/SRRF/7a. no. 359/99 de 28 de dezembro de 1999, 2. Parecer COANA no. 9/2000 de 18/05/2000 e 3. Parecer COANA no. 17/2000 de 8/11/2000. DIANA no. 359, 28/12/99 COANA no. 09, 18/05/00 COANA no. 17, de 08/11/00 Unidade interna 8415.90.000 8418.99.00 "Ex" 01 8415.82.10 Unidade externa 8415.90.000 8418.69.90 "Ex" 02 8418.69.90 "Ex" 02 Uma vez que o Parecer COANA no. 09 resultou em alíquotas menores do que aquelas estabelecidas com base na Decisão DIANA no. 359, a contribuinte protocolou (com base naquele parecer, posteriormente reformado) o presente processo de restituição/compensação de tributos em 08/02/2001 referente a importações realizadas entre 09/07/1999 a 19/05/2000. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13771.000094/200127 Acórdão n.º 9303003.123 CSRFT3 Fl. 3 3 O Parecer COANA no. 17/00 resultou em O acórdão recorrido, da 1a Turma da 2a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em sessão de 12/11/2008, deu parcial provimento ao recurso voluntário reconhecendolhe o direito à restituição dos tributos recolhidos a maior, na importação de unidades condensadoras de sistemas de ar condicionado de tipo “split”, reconhecendo a validade do Parecer COANA no. 17/00. Abaixo reproduzo ementa da decisão atacada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/07/1999 a 19/05/2000 RESPOSTA A CONSULTA. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO. A consulta, que deve ser solucionada por autoridade definida por lei, não consiste apenas em um ponto de vista da autoridade fiscal, mas obriga a Administração Tributária, corno orientação oficial sobre o caso consultado, até que venha de ser alterada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida que bem resumiu os fatos até então: Trata o presente processo do Pedido de Restituição cumulado com Compensação (fl. 01 e 02 a 04) da quantia de R$ 425.175,08 (quatrocentos e vinte e cinco mil cento e setenta e cinco reais e oito centavos) que a peticionária teria pagado a mais nas importações de unidades evaporadoras e unidades condensadoras, conforme DIs relacionadas na planilha de fls. 05 a 16. A requerente diz na petição de fls. 02 a 04 que tendo dúvida quanto à correta classificação fiscal dos produtos que importava ingressou com o processo de consulta no 12466.002683/9928, que definiu em última instância, através do Parecer IV 09, de 18/05/2000, publicado no DOU, em 28/07/00, que reformou a Decisão DIANA/SRRF/7 RF ri2 359/99, que o código TIPI/TEC dos produtos deveria ser 8418.99.00 "ex" 01, para a unidade evaporadora para sistema de ar condicionado, apresentadas com motor de ventilação e ventilador e 8418.69.90 "ex" 02 para unidade condensadora para sistema de ar condicionado, apresentada com compressor, motor de ventilação e ventilador. A peticionária argumenta que como as aliquotas para os "ex" relativos ao Parecer Coana n' 009, de 18/05/2000 eram menores que os indicados pela importadora, com base na Decisão reformada DIANA/SRRF/r RF n 359/99, houve recolhimento a maior de tributos. Pediu que fosse reconhecido seu direito à compensação no valor de R$ 425.175,08 (quatrocentos e vinte e cinco mil cento e setenta e cinco reais e oito centavos). Fl. 881DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 0 pedido foi julgado improcedente de acordo com o Despacho Decisório 11' 13.771.000094/200127, exarado com base no parecer SAORT no 141/2003 (fls. 638 a 640). 0 motivo do indeferimento teve por base o art. 48 da Lei if 9.430/1996 e a IN/SRF rig 02/1997 com as alterações das IN/SRF nQ. 49/1997 e 83/1997, além da IN/SRF trQ 230, de 25/10/2002. Essa legislação dispõe que o processo de consulta do tipo interposto pela peticionária deve ser resolvido ern instância única pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal, ou seja, na atual estrutura, pela DIANA/SRF. Dispõe, ainda, que eventual modificação posterior pela Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro — COANA, das conclusões postas na Decisão sobre o processo de consulta, somente surtirá efeito após a data de ciência ao consulente, aplicandose as conclusões da decisão alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data dessa ciência. Cientificada do Despacho Decisório em 25/03/2003 (fl. 640) a peticionária apresentou em 14/04/2003 (fl. 641) sua Manifestação de Inconformidade de fls. 642 a 646 argumentando que o entendimento da autoridade a quo não pode prevalecer tendo em vista que a solução sobre a consulta é um ato administrativo declaratório e não constitutivo e como tal declarou a correta aplicação das normas jurídicas aplicáveis à espécie desde sua entrada no ordenamento jurídico. Que uma vez declarado o direito aplicável o contribuinte se depara com uma das duas situações, ou ele já fazia a correta interpretação dos dispositivos legais objetos da consulta, ou não. No caso de o recolhimento dos tributos haver sido menor que o devido, por causa da sua errônea interpretação, o contribuinte deverá pagar a diferença em até 30 (trinta) dias. Assim, para que não haja quebra do principio da isonomia os tributos pagos a maior devem ser restituídos (combate as fls. 645/646 o entendimento da autoridade a quo a respeito das IN/SRF 230/2002 e 02/1997). Pede a reforma da Decisão que indeferiu o pedido de restituição ou compensação. O Acórdão n° DRJ/FNS n° 6.257/2005, indeferiu o pleito da Interessada, pelas razões sintetizadas na ementa abaixo transcrita: "CONSULTA SOBRE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA IMPORTADA • A consulta efetuada pela importadora, sobre o código de classificação fiscal, é solucionada em instância única pela DIANA de sua regido. Na eventual modificação do código estabelecido pela DIANA, procedida pela COANA, aplicamse as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13771.000094/200127 Acórdão n.º 9303003.123 CSRFT3 Fl. 4 5 TRIBUTOS RECOLHIDOS Tributos. pagos, com base na classificação fiscal estabelecida em Decisão da DIANA, não são passíveis de: serem alterados, pelo fato de a COANA haver modificado, posteriormente, o código de.classificação. Por esse motivo, nenhuma parte desses tributos pode ser considerada como indébito. Não existindo indébito, não há base fática para restituição ou compensação." Regularmente intimada da decisão acima em 09 de dezembro 2005, a Interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 669/678, no dia 03 de janeiro do não (sic) subseqüente. Nesta peça, alega, em síntese, os mesmos argumentos anteriormente aduzidos. Cabe esclarecer, ainda, que, mediante o Parecer n° 829/2005 (fls. 664/666), o i. Serviço de Orientação e Análise Tributária se pronunciou no sentido de encaminhar cópia dos presentes autos à COANA para que a mesma anulasse os termos do seu Parecer n° 09/2000, dando ciência a Interessada é à Procuradoria da Fazenda Nacional, no caso de interposição, pela primeira, de recurso a este Conselho. Em decorrência, a i.• Alfândega do Porto de Vitória/ES, se pronunciou como segue (fls..667): "A instrução dos autos tratará de informação: 1. da existência do Parecer COANA n° 17, de 08 de novembro de 2000, que reformou, de oficio, o Parecer COANA n° 09, de 18 de maio de 2000. Registrese que, em nosso entendimento, para fins de resguardar, definitivamente, os direitos da Fazenda Pública, o Parecer COANA n° 9 deveria ter sido anulado, em vez de reformado; 2.• de novos fatos, constatados à luz da revisão aduaneira, envolvendo as importações tratadas no processo em questão. Não haveria direito a restituição ou compensação da quantia pretendida, ao interessado, por inexistência de base fática. Ocorre que o interessado, em verdade, promoveu a importação de unidades funcionais de arcondicionado, com classificação fiscal ha posição 8415 da Tarifa Externa Comum, através das Declarações de Importação relacionadas à planilha de fls. 05 a 16 dos autos do processo n° 13771.000094/200127, em vez da importação de, simplesmente, unidades condensadoras e unidades evaporadoras. As unidades condensadoras e as unidades evaporadoras em questão são os elementos separados de unidades funcionais de arcondicionado, e deveriam ter sido classificadas, pelo importador, na posição 8415 da TEC, de acordo com o Fl. 883DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 disposto na Nota 4 da Seção XVI da Nomenclatura do Sistema Harmonizado." Voto Conselheiro Joel Miyazaki Em apertada síntese, a matéria trazida ao debate diz respeito aos efeitos jurídicos de consulta eficaz, em vista do fato de que a Administração proferiu, consecutivamente, três respostas à consulta da contribuinte sobre a correta classificação fiscal de mercadorias por ela importadas. Conforme relatado, a decisão recorrida deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição sobre os tributos pagos a maior na importação de unidades evaporadoras de sistemas de arcondicionado do tipo “split” por considerar que a solução de consulta de classificação de mercadorias vincula a administração quando favorável ao contribuinte. Tal solução consubstanciada no Parecer COANA no. 17/00, de 8 de novembro de 2000, (vigente quanto da apresentação do pedido de restituição pela Interessada), reformou o Parecer COANA no. 9, de 18 de maio de 2000 e a Decisão DIANA no. 359/99, esta, por sua vez, foi reformada pelo Parecer no. 9 retromencionado. Com relação a esta matéria, já expressei meu entendimento de que as decisões em processos de consulta têm efeito meramente declaratório, interpretativo. Têm a finalidade de esclarecer o entendimento da Autoridade Tributária quanto à aplicação de norma tributária a um caso concreto, notadamente no caso em tela que se trata de consulta sobre classificação de mercadorias. A solução não possui efeito constitutivo, não tem o condão de instituir, aumentar ou reduzir tributos. Apenas esclarece sobre a aplicação de norma já existente no mundo jurídico., conforme bem esclarece a ilustre Conselheira Maria Tereza Martinez Lopes, cujo excerto de voto adoto e peço venia para reproduzir abaixo: Não tem a solução de consulta, efeito constitutivo mas tão somente declaratório, interpretativo. Possui a finalidade de obter, de parte da Autoridade Tributária, esclarecimento sobre o seu entendimento relativamente à aplicação de norma tributária existente. Apenas isto. ... A solução de consulta tem o caráter de norma complementar, nos termos do art. 100 da Lei n° 5.172/1966 CTN, mas não revoga nem modifica a legislação interpretada de tal forma que, se uma determinada mercadoria, pela aplicação da lei e decretos pertinentes, tem uma correta classificação fiscal, tal classificação não poderá ser alterada por uma decisão em sede de processo de consulta. Dessa forma, o Parecer no. 17/00 consubstancia a "palavra final", o parecer definitivo da mais alta instância da Autoridade Administrativa que tem a competência legal para definir a classificação fiscal das mercadorias no território nacional. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13771.000094/200127 Acórdão n.º 9303003.123 CSRFT3 Fl. 5 7 Neste sentido, concordo com o resultado da decisão recorrida, não por causa da aplicação da retroatividade benigna, mas porque a decisão final da COANA tem sim aplicação retroativa, tanto para cobrar eventuais diferenças de tributos (sem penalidade, conforme disposto na regulamentação do processo de consulta), como para restituir aqueles comprovadamente pagos a maior pelo contribuinte, em ambos os casos, respeitados os prazos legais de prescrição e decadência. Com estas considerações, voto no sentido de NEGAR provimento ao especial fazendário. Joel Miyazaki Relator Fl. 885DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002262/2004-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/01/2003
RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO
Na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de até 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão a ser recorrida. Após esse prazo, o recurso que vier a ser protocolado não pode ser conhecido, por ser perempto.
Recurso voluntário não conhecido
Crédito tributário mantido
Numero da decisão: 3102-00.821
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Após esse prazo, o recurso que vier a ser protocolado não pode ser conhecido, por ser perempto. Recurso voluntário não conhecido Crédito tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Fl. 793DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13888.002262/200454 Acórdão n.º 3102000.821 S3‐C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório O presente processo trata de lançamento de diferenças de Programa de Integração Social (PIS/PASEP). Por bem relatar os fatos e o direito concernente à lide, adoto parte do relatório proferido pela DRJ de origem: (...) Os valores da autuação teriam sido declarados em DCTF como compensados, mas as compensações seriam indevidas, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal n°001, item 04.01, às fls. 68/69. (...) Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 97/127, na qual alegou preliminarmente, descumprimento dos arts. 3° e 4' do Decreto n°70.235, de 1972, em função do transcurso de mais de dois anos entre a expedição do mandado de procedimento e a lavratura do auto de infração, nulidade em função da desconstituição de créditos reconhecidos por decisão judicial e utilizados na compensação de valores lançados — sob o pretexto de não ter sido demonstrado pela empresa sua legitimidade. No mérito, alegou serem legitimas as compensações do PIS recolhido a maior em função da inconstitucionalidade dos DecretosLeis n's. 2.445 c 2.449, de 1988, como reconheceu a decisão judicial, e que as informações sobre as mesmas "foram prestadas minuciosamente para o sr. auditor responsável pela fiscalização, inclusive com a apresentação de cópias dos DARFs dos recolhimentos de todo o período". Também teriam sido "apresentados ao fisco demonstrativos de apuração do crédito, onde se demonstrou o valor pago, em contrapartida ao que efetivamente era devido e as diferenças a serem compensadas na forma da decisão judicial proferida." (...) Defendeu a legitimidade das compensações originárias de recolhimentos indevidos da própria Cofins, pois em sede de liminar em mandado de segurança fora reconhecido seu direito ao recolhimento da contribuição nos termos da Lei Complementar 70, de 1991, e à compensação das parcelas pagas nos termos da Lei n°9.718, de 1998, com suas parcelas Fl. 794DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13888.002262/200454 Acórdão n.º 3102000.821 S3‐C1T2 Fl. 3 3 vincendas. Portanto, diferentemente do consignado pelo autuante no termo de constatação, "a liminar concedida continua vigente e irradiando seus efeitos", tendo a impugnante procedido conforme o decidido judicialmente. (...) Refutou a aplicação da multa de 75%, pois não teve a empresa o objetivo de suprimir tributos, tendo sido a Cofins do período fiscalizado apurada corretamente por ela. Além disso, as compensações foram feitas "dentro dos critérios contábeis e fiscais regulares" estando os valores "respaldados em decisões judiciais ou (..) amparados em regular processo administrativo até o momento não julgado, o que, neste caso, impede a autuação fiscal". A DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento, por meio de acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2001 a 31/01/2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício cornos acréscimos legais. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INÉPCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXONERAÇÃO. Fl. 795DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13888.002262/200454 Acórdão n.º 3102000.821 S3‐C1T2 Fl. 4 4 Exonerase a multa de oficio imposta sobre diferença apurada em débito declarado na DCTE, tendo em vista a retroatividade benigna do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, com a redação do art. 18 da Lei n° 11.488, de 2007. Lançamento Procedente em Parte. Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, reitera os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário não merece conhecimento, por ter sido interposto fora do prazo legal. Com efeito, o Contribuinte foi intimado via carta registrada da r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I no dia 12 de setembro de 2007 (quartafeira), conforme consta de fls. 743. No entanto, não obstante o prazo recursal tenha se encerrado no dia 15 de outubro de 2007 (segundafeira, após o feriado de 12 de outubro), o Contribuinte protocolou o recurso voluntário apenas no dia 16 de outubro de 2007 (terçafeira,), conforme consta no carimbo de protocolo à fl. 744. Isso posto, o recurso voluntário não pode ser conhecido por ser perempto, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Há precedentes nesse sentido: PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA DATA DE RECEBIMENTO REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO TRINTÍDIO LEGAL RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIMENTO Na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Essa dicção do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal federal, é idêntica à do Código de Processo Civil e à do Código Civil. O recurso interposto após o prazo legal não deve ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido. Fl. 796DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13888.002262/200454 Acórdão n.º 3102000.821 S3‐C1T2 Fl. 5 5 (Recurso 151165, Processo 18471.000439/200493, Conselho de Contribuintes, Sexta Câmara, rel. Cons. Giovanni Christian Nunes Campos, julg. 06/03/2008) Pelo exposto, não conheço do recurso voluntário, por perempto. Sala das Sessões, em 8 de dezembro de 2010. Beatriz Veríssimo de Sena Relatora Fl. 797DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001843/2001-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. NULIDADE.
Restando comprovado, por meio de diligência fiscal, que as operações foram lançadas em duplicidade, há que se reformar o Auto de Infração correspondente.
OPERAÇÕES QUE NÃO SE ENQUADRAM NO TIPO DO LANÇAMENTO. EXCLUSÃO.
Sendo a capitulação da presente autuação a Transferência a Terceiro de Papel Importado com Imunidade, sem previa autorização da repartição aduaneira, não se pode incluir no lançamento as transações que foram feitas com ele mesmo, afinal, falta aqui um elemento essencial do tipo que é justamente a presença da transferência a terceiro. Afinal, operação com si próprio não é de venda ou transferência, muito menos a terceiro.
RO Negado e RV Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da autuação a DI 01/0101827-9/001, tendo em vista que ela foi liberada/registrada em 2001, e todas as DIs que tiveram como destinatário a própria Recorrente, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. NULIDADE. Restando comprovado, por meio de diligência fiscal, que as operações foram lançadas em duplicidade, há que se reformar o Auto de Infração correspondente. OPERAÇÕES QUE NÃO SE ENQUADRAM NO TIPO DO LANÇAMENTO. EXCLUSÃO. Sendo a capitulação da presente autuação a Transferência a Terceiro de Papel Importado com Imunidade, sem previa autorização da repartição aduaneira, não se pode incluir no lançamento as transações que foram feitas com ele mesmo, afinal, falta aqui um elemento essencial do tipo que é justamente a presença da transferência a terceiro. Afinal, operação com si próprio não é de venda ou transferência, muito menos a terceiro. RO Negado e RV Provido em Parte.
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II Recorrente VIDA IMPORT. EXPORT. E AGENCIAMENTO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. NULIDADE. Restando comprovado, por meio de diligência fiscal, que as operações foram lançadas em duplicidade, há que se reformar o Auto de Infração correspondente. OPERAÇÕES QUE NÃO SE ENQUADRAM NO TIPO DO LANÇAMENTO. EXCLUSÃO. Sendo a capitulação da presente autuação a Transferência a Terceiro de Papel Importado com Imunidade, sem previa autorização da repartição aduaneira, não se pode incluir no lançamento as transações que foram feitas com ele mesmo, afinal, falta aqui um elemento essencial do tipo que é justamente a presença da transferência a terceiro. Afinal, operação com si próprio não é de venda ou transferência, muito menos a terceiro. RO Negado e RV Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da autuação a DI 01/01018279/001, tendo em vista que ela foi liberada/registrada em 2001, e todas as DI’s que tiveram como destinatário a própria Recorrente, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 18 43 /2 00 1- 32 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em São Paulo que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, para acatar a retificação dos Autos de Infração procedida pela autoridade fiscal em decorrência da conversão do julgamento em diligencia (fls. 180/216), excluindo do crédito tributário fiscal apenas os valores dos tributos das DA's que estavam sendo exigidos em duplicidade (item 1 fls.217/2198). Por bem descrever os fatos ocorridos até a remessa os autos para este E. Conselho, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão da DRJ de São Paulo, transcrevendoo abaixo na íntegra: Os presentes autos de infração, fls. 02/68, lavrados contra o contribuinte acima qualificado, foram formalizados para exigência do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, Multa regulamentar e Juros de Mora, no valor de R$2.369.315,01, pelos motivos a seguir expostos. A fiscalização da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo apurou que o contribuinte promoveu a importação e posterior venda de papel nacionalizado com imunidade tributária, para empresas não habilitadas a operar com papel imune. Durante o exercício de 2000, a empresa ora autuada vendeu papel imune a diversas empresas que sequer possuíam autorização para operar com papel e usufruir desse beneficio fiscal. A empresa apresentou à fiscalização um 'Termo de Responsabilidade' assinado pelos compradores, se comprometendo a vender o papel apenas a fabricantes de livros, jornal e periódico, ou recolher os tributos, documento não previsto na legislação de regência, portanto não podendo ser oposto à Fazenda Pública, para modificar a situação do sujeito passivo da obrigação tributária (CTN, art. 123). A fiscalização desconsiderou o referido documento e, por meio destes autos de infração, passou a exigir os tributos (II e IPI), a multa do art.106, inciso II, alínea 'a' e §1° do Decretolei n 37/66, com as alterações do art. 3° do Decretolei n° 751/69, regulamentado pelo art. 523, inciso IV, do Decreto n° 91.030/85 Regulamento Aduaneiro, prevista pela venda de papel imune a terceiros não habilitados. A autuada foi cientificada, fls. 118v., apresentou a impugnação, fls. 119/122,. E, em suas alegações formulou questionamentos relacionados com a autuação, o que motivou a conversão do julgamento em diligência (fls.137/139). Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.001843/200132 Acórdão n.º 3102002.393 S3C1T2 Fl. 12 3 As fls.156/157, a Auditora Fiscal da IRF/SP, designada, se manifestou nos seguintes termos: "1. relativamente a mercadoria da DI n° 00/01518121, informa que o fiscal autuante, ao elaborar o Anexo 01 Demonstrativo de Vendas Regulares incluiu indevidamente as duas saídas para o próprio contribuinte como vendas regulares, mas não as considerou regulares no auto de infração, embora tendo tributado de duas saídas de 598,75 kg, apenas uma, cujo valor em reais corresponde a R$976, 58 conforme Anexo 01 Demonstrativo de Apuração do Valor a ser Tributado (fl; 71); 2. conforme pesquisa no sistema LincFisc97, fls. 141 a 143, as datas de registro e de desembaraço encontramse as fls.1 57, conforme quadro elaborado; 3. conforme consta no Anexo 01 Demonstrativo de Apuração do Valor a ser Tributado, fls. 69/71, e em pesquisa LincFisc97, fls. 144/152, foram incluídos no auto de infração os valores referentes às adições das DA 's cuja classificação tarifária da mercadoria era 4811.90.00, para as quais o contribuinte não apresentou comprovação de que as mesmas foram nacionalizadas sem o beneficio da imunidade; 4. as fls.. 121, o contribuinte deixou de relacionar a DA 00/4821291 e as DI's de nacionalização, conforme consta à fl.. 132; a DI 00/10005891 é referente à nacionalização da DA 00/09882558, fls. 153, e não da DA 00/09595266, como consta às fls. 132 e 121; a DI 00/10010623 é referente à nacionalização da DA 00/09595266, fls.154, e não da DA 00/09882558, como consta às fls. 132 e 21; na relação de fls.121 e132, o contribuinte deixou de relacionar a DI 0/111887472, referente ix nacionalização de parte da DI 00/06783117, fls. 155. Da análise do auto de infração e do Anexo 01 Demonstrativo de Apuração do Valor a ser Tributado, podese constatar que foram incluidos no auto de infração tantos os valores das DA 's quanto das Dl's de nacionalização". O contribuinte tomando ciência deste despacho se manifestou as fls.160/162, alegando e reafirmando que: "1. no auto de infração foi indevido o valor pertinente as mercadorias desembaraçadas pela DI 00/01518121; 2. as DI's n° 00/11887472, 00/12258843, 00/12258860, foram indevidamente incluídas no auto de infração, visto que o AFRF do despacho não levou em consideração as Declarações retificadoras das DI's n° 00/12258843, 00/12258860, conforme documento anexo, fls.162/163, de 05/01/2001. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 Se as mercadorias foram liberadas somente em 05/01/2001, não poderiam ter sido objeto de vendas no ano 2000, foram incluídos pelo contribuinte como mercadorias em estoque, conforme documento apresentado ao SEFL4, em de 14/01/200, juntamente com o processo de solicitação, de Registro Especial para Importadores e Usuários de Papel Imune Importado; 3. com relação as DA 's reafirma que houve nacionalização pelas DI's desembaraçadas por terceiras empresas sem o beneficio da imunidade, tendo o recinto alfandegado condições de informar as respectivas DI's de nacionalização; 4. o auto de infração está eivado de irregularidades pela inclusão de DA 's e DI's referentes as mesmas mercadorias ". Após o despacho daautoridadefiscal e da manifestaçãodo contribuinte o processo, por equivoco, voltou para o estoque de processos. Casualmente, foi constatado tal fato e imediatamente dado o necessário prosseguimento com a sua distribuição para esta julgadora, por motivo de aposentadoria da julgadora anteriormente designada. Esta julgadora propôs nova diligência, fls. 168/172, a fim de que outros esclarecimentos, objeto das alegações do contribuinte em sua manifestação relativamente a primeira diligência, e, por unanimidade dos membros desta Turma, a diligência foi aprovada (art.29 da Lei n°9.748/99 e art.18 do Decreto n° 70.235/72). O processo retornou A Inspetoria da Receita Federal em São Paulo/SP, para o seguinte procedimento a ser promovido pela autoridade preparadora: Com relação ao despacho de fls. 156/157, alguns pontos merecem ser melhor explicitados: "a — declara a AFRF que "podese constatar que foram incluídos no auto de infração tantos os valores das DA's quanto das DI's de nacionalização". Nesse caso, esclarecer se ocorreu, por equivoco, a autuação em duplicidade relativamente a mesma mercadoria (das DA 's e das DI's); b declara a AFRF que "foram incluídos no auto de infração os valores referentes às adições das DA 's cuja classificação tarifária da mercadoria era 4811.90.00, para as quais o contribuinte não apresentou comprovação de que as mesmas foram nacionalizadas sem o beneficio da imunidade". Solicitouse também que fosse informado se foi apurado junto ao recinto alfandegado o destino das mercadorias das DA's objeto deste auto de infração, e se as mesmas foram efetivamente nacionalizadas". Assim também foi requerido o exame dos pontos abordados pelo contribuinte em sua manifestação, fls. 160/162: "a se as DI's n° 00/11887472, 00/12258843, 00/12258860, foram indevidamente incluídas no auto de infração, como alega o Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.001843/200132 Acórdão n.º 3102002.393 S3C1T2 Fl. 13 5 contribuinte, por não ter sido levado em consideração as Declarações retificadoras das DI's n° 00/12258843, 00/12258860, conforme documento anexo, fls.162/163, de 05/01/2001, juntado ao processo". As fis.175/17/177, a autoridade preparadora relaciona as DTA's e as respectivas DI's; As fls.178, informa que a DA 99/1122894 1 foi nacionalizada pela DI 00/0014619, registrada em 06/01/200: As fls. 179, encontrase o Memo n° 038/2007, do supervisor do Porto Seco Cragea/Suzano, encaminhando para a IRF/SP, cópia das DA's e respectivas DI's de nacionalização da empresa autuada. As fls.180/216, encontrase os autos de infração retificados, tendo sido excluídos os tributos referentes as mercadorias das DA's relacionadas em duplicidade. As fls.217/219, a Auditora Fiscal em despacho detalhado: informa as DA's/DI's objeto de duplicidade e que foram excluídas (item 1 fls.217/218); informa, que em consulta ao Siscomex (11s.173/174) obteve as seguintes datas para a emissão de comprovante de importação (item 3 fls.219), e que foram excluídas dos autos de infração as DI's 00/12258843 e 00/12258860, pois as mercadorias amparadas por elas só foram liberadas em 2001 As fls.227/228, o contribuinte se manifestou alegando que: 4 mesmo apesar da diligencia realizada, constatou discrepâncias tais como: algumas DA 's foram registradas em 2001, com nacionalizações ocorridas após 2000, quando o auto de infração referese ao ano de 2000; para o ano de 2001, não tinha habilitação para nacionalizações com imunidade tributária; a venda de papel imune para empresas sem autorizar para operar com papel imune, ocorreu com base em "Termo de Responsabilidade" assinado por essas empresas, procedimento aceito em 1999, portanto essas empresas é que deveriam ser responsabilizadas. A DRJ em São Paulo julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada nos seguintes termos: IMUNIDADE TRIUBTARIA DE PAPEL. Cabível a exigência dos tributos devidos referente ao papel importado e nacionalizado com imunidade tributária, quando vendido a empresas não habilitadas a operar com papel imune. Lançamento Procedente em Parte. Na parte dispositiva do acórdão, o i. relator deixou consignado o seguinte: Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 De todo o exposto, VOTO pela PROCEDÊNCIA do LANÇAMENTO.EM PARTE, decorrente dos autos de infração retificados pela unidade autuante. Tendo em vista o valor do crédito tributário exonerado, a DRJ em São Paulo recorreu de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. O contribuinte também apresentou Recurso Voluntário, praticamente repetindo as alegações da impugnação e das manifestações de resultado das diligências. Num primeiro momento, este processo foi distribuído neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para a Relatora Judith Marcondes Armando, que à época, compunha esta Turma, a qual, mais uma vez, determinou a conversão do julgamento em diligencia, nos seguintes termos: Tendo em vista minha necessidade de firmar posição com respeito aos fatos que ao meu sentir não estão devidamente esclarecidos os fatos trazidos no recurso a este conselho, e que estão as fls. 245 a 248 deste processo, proponho que se converta o julgamento em diligência para que possamos receber da administração tributária as respostas as indagações do contribuinte quanto aos fatos referidos, especialmente porque a imunidade é objetiva para o papel destinado a produção de meios de informação e cultura, cabendo ao fisco demonstrar, inequivocamente, que houve malversação no uso do papel importado. S.M.J., a imunidade, ou isenção do papel para jornais, livros, e quaisquer outras formas de expressão da cultura, como é tratada nas normas regulamentares, é matéria constitucional e ao meu sentir s6 deve ser afastada diante de argumentos e fatos sólidos e inquestionáveis. No Relatório de Diligência realizado pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo – IRF/SPO restou consignado o seguinte: 1. Do Ilícito Tributário O interessado promoveu a importação e posterior venda de papel nacionalizado com imunidade tributária, para empresas não habilitadas a operar com papel imune. Não há questionamento quanto a este fato, sendo que o interessado apenas informa em sua impugnação que entendia ser este procedimento aceitável desde que amparado por “TERMOS DE RESPONSABILIDADES”, conforme reprodução parcial abaixo da folha 228: (...) Fazendo um apanhado da legislação aplicável, temos (grifos nossos): (...) Está clara a não existência de previsão legal para o instrumento utilizado, “Termo de Responsabilidade”, para justificar as vendas de papel com imunidade: (...) 2. Dos Valores Apurados Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.001843/200132 Acórdão n.º 3102002.393 S3C1T2 Fl. 14 7 Uma leitura atenta das folhas 245 a 248 mostra que os questionamentos feitos são os mesmos que, com algumas alterações na apresentação e na ordem, foram completa e detalhadamente respondidos na diligência anterior, com os devidos resultados e providências tomadas, folhas 156 a 219, inclusive com retirada de DIs motivo de questionamento dos Autos de Infração revistos, folhas 180 a 216. 3. Conclusão O interessado vem sistematicamente repetindo os mesmos questionamentos com relação ao Auto de Infração em tela, assim resumidos: – que não haveria irregularidade em suas operações de venda de papel imune para empresas não habilitadas, sendo lhe facultado impor à Fazenda Pública aceitação de convenções particulares, Termos de Responsabilidade, ao arrepio de toda a legislação a respeito, em particular ao artigo 123 da Lei nº 5. 172, de 25 de Outubro de 1966, Código Tributário Nacional. – que imprecisões cometidas pela autoridade autuante original, mesmo após corrigidas e retificado o Auto de Infração para os valores corretos, seriam suficientes para eximílo da responsabilidade pelos ilícitos tributários cometidos, e portanto do recolhimento do crédito tributário devido, incluídos o principal e acréscimos legais. No entanto, revisados os dados e informações do processo em questão, constatouse que tanto no fundamento quanto nos valores do presente Auto de Infração, já retificado, não há motivos pelos quais o interessado possa deixar de cumprir suas obrigações para com Fazenda Pública, decorrentes de sua venda de papel imune para empresas não habilitadas. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou sua manifestação fora o prazo estipulado de 30 dias. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Recurso de Ofício Como é possível perceber do relato acima, a DRJ em São Paulo julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, para acatar a retificação dos Autos de Infração procedida pela autoridade fiscal. Na fundamentação do voto restou consignado o seguinte: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 8 Após o reexame dos documentos em confronto com os autos de infração, a autoridade fiscal concluiu pela retificação dos referidos autos (fls. 180/216), excluindo do crédito tributário fiscal, os valores dos tributos das DA's que estavam sendo exigidos em duplicidade (item 1 fls.217/2198), em decorrência da conversão do julgamento em diligencia (fls. 180/216), excluindo do crédito tributário fiscal os valores dos tributos das DA's que estavam sendo exigidos em duplicidade (item 1 fls.217/2198). Como visto, a DRJ se restringiu a homologar, supostamente, a integralidade do crédito o que já havia sido exonerado pela autoridade fiscal ao retificar os autos de infração, por constatar que haviam sido lançados em duplicidade. Com efeito, na conversão do julgamento em diligência, a autoridade fiscal deixou consignado o seguinte no seu relatório: Dessa forma, para eliminar a duplicidade contida no Auto de Infração feito anteriormente, foram excluídas das seguintes DAs ou DIs: 00/00591240, 00/03777108, 00/02740235, 00/04807426, 00/02450962, 00/02275818, 00/03098898, 00/06372630, 00/07110140, 00/05346112, 00/04938121, 00/06787279, 00/06056096, 00/07427713, 00/06788704, 00/05801472, 00/06372354, 00/05571477, 00/07426725, 00/07110493, 00/06700/11887472, 00/07428663, 00/0959526 6, 00/10005891. (...) Em consulta aos Recintos onde as mercadorias foram desembaraçadas obtivemos informações a cerca do destino das mercadorias, de onde concluímos que foram nacionalizadas as DIs abaixo relacionadas, com recolhimento integral da tributação incidente da importação. Assim, excluímos estas Declarações de Admissão em Entreposto Aduaneiro do Auto de Infração. (...) Através de Consulta ao Siscomex, conforme fls: 173 e174, obtivemos as seguintes datas para emissão do comprovante de importação DI 00/11887472: 08/12/2000; DI 00/12258843: 05/01/2001; DI 00/12258860: 05/01/2001 Assim, retiramos do Auto de Infração as DIs 00/12258843, 00/12258860, pois as mercadorias amparadas por elas só foram liberadas em 2001. Como é possível perceber, a DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada diante da certificação, pela autoridade fiscal, de que parte dos débitos exigidos nestes autos de infração foi lançada em duplicidade. Neste contexto, restando incontroverso nos autos que parte dos débitos havia sido lançado em duplicidade, a conclusão é única: deve ser mantida integralmente a decisão recorrida neste ponto. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.001843/200132 Acórdão n.º 3102002.393 S3C1T2 Fl. 15 9 Cabe aqui, todavia, um esclarecimento. Analisando o relatório de diligência que motivou a revisão dos lançamentos (fl. 231 a 233), verificase que a autoridade fiscal excluiu da autuação as DI’s 00/12258843, 00/12258860, pois as mercadorias por elas amparadas só foram liberadas em 2001, enquanto que a autuação se restringiu ao exercício de 2000. Analisar se as DIs 00/11887472, 00/12258843, 00/12258860 foram indevidamente incluídas no Auto de Infração. Através de Consulta ao Siscomex, conforme fls: 173 e174, obtivemos as seguintes datas para emissão do comprovante de importação: DI 00/11887472: 08/12/2000 DI 00/12258843: 05/01/2001 DI 00/12258860: 05/01/2001 Assim, retiramos do Auto de Infração as DIs 00/12258843, 00/12258860, pois as mercadorias amparadas por elas só foram liberadas em 2001. A DRJ, por outro lado, ao enfrentar a presente questão, entendeu que deveriam ser mantidas as exigências relativas a estas DI’s. Nas suas palavras: Mesmo após toda essa revisão de reexame dos autos de infração e as exclusões de exigência fiscal consideradas indevidas, mesmo assim, o contribuinte (fls. 227/228), ainda apresenta novas alegações: Apesar da diligencia realizada constatou divergências tais como: algumas DA's foram registradas em 2001, com nacionalizações ocorridas após 2000, quando o auto de infração referese ao ano de 2000. Parece que neste tópico não cabe razão ao impugnante, pois no próprio auto de infração, fls.09, encontramos DI's do ano de 2001, que foram objeto de autuação, portanto a ação fiscal não se restringiu tão somente ao ano de 2000, embora a quase totalidade das DI's sejam desse ano, porém, não exclusivamente. Ocorre que, analisando a planilha analítica do débito incluída na parte dispositiva do acórdão, verificase que, a despeito de a DRJ não ter “supostamente” excluído essas DI’s da autuação, o montante do crédito que foi mantido pela decisão recorrida corresponde exatamente ao valor indicado nos autos de infração substitutivos, já após ter a autoridade fiscal retirado essas DI do lançamento. Assim, apesar de a autoridade julgadora afirmar que não estava excluindo referidas DI’s da autuação, ao proceder o cômputo do saldo remanescente do débito as excluiu. Assim, o que se verifica é que a decisão neste ponto terminou também por afastar a presente exigência, razão pela qual tomo a presente matéria também como objeto do RO. Assim, quanto a este ponto também entendo que deva ser mantida a exclusão da exigência em relação as DI’s 00/12258843, 00/12258860, haja vista que, como bem Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 10 pontuado pela autoridade fiscal, o lançamento se restringiu ao exercício de 2000, não podendo, por esta mesma razão incluir DI liberadas em outros exercícios. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente alega em sua defesa que: (i) as DIs 00/12258843, 00/12258860, 01/01018279/001 foram liberadas em 2001, com nacionalizações ocorridas após 2000, quando o auto de infração referese ao ano de 2000; (ii) teria direito à venda o papel importado ou imunidade tributária, uma vez que apresentou nos autos 'Termo de Responsabilidade' assinado pelos compradores, se comprometendo a vender o papel apenas a fabricantes de livros, jornal e periódico, ou recolher os tributos, (iii) a fiscalização teria incluído na autuação DA’s nacionalizadas através da emissão de DI sem o benefício da imunidade; (iv) foram incluídos no Auto de Infração, tanto os valores das D.A.'s quanto das D.I.'s de nacionalização. Passemos à análise de cada um desses argumentos. Com relação às DI’s 00/12258843, 00/12258860, verificase, que, a despeito da fundamentação da decisão recorrida, elas já foram excluídas da exigência, seja em face da retificação procedida pela autoridade fiscal, seja pela própria DRJ, na medida em que no valor indicado como mantido não estão incluídas essas DI’s. Já no que se refere à DI 01/01018279/001, a despeito de constar expressamente no AI que foi registrada em 2001, com nacionalizações ocorridas após 2000, ela não foi excluída da autuação. Assim, entendo que esta DI também deva ser excluída da exigência, haja vista que, como bem pontuado pela autoridade fiscal para excluir as duas outras, o lançamento se restringe ao exercício de 2000, não podendo, por esta mesma razão incluir DI liberadas em outros 2001. No que se refere à possibilidade de afastar a presente infração em face da apresentação nos autos de 'Termo de Responsabilidade' assinado pelos compradores, se comprometendo a vender o papel apenas a fabricantes de livros, jornal e periódico, ou recolher os tributos, acato integralmente os argumentos apresentados pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Paulo – IRF/SPO no ultimo Relatório de Diligência: O interessado promoveu a importação e posterior venda de papel nacionalizado com imunidade tributária, para empresas não habilitadas a operar com papel imune. Não há questionamento quanto a este fato, sendo que o interessado apenas informa em sua impugnação que entendia ser este procedimento aceitável desde que amparado por “TERMOS DE RESPONSABILIDADES”, conforme reprodução parcial abaixo da folha 228: (...) Fazendo um apanhado da legislação aplicável, temos (grifos nossos): (...) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.001843/200132 Acórdão n.º 3102002.393 S3C1T2 Fl. 16 11 Está clara a não existência de previsão legal para o instrumento utilizado, “Termo de Responsabilidade”, para justificar as vendas de papel com imunidade: (...) Ora, o que o interessado fez foi justamente se utilizar de uma convenção particulapar a justificar o emprego ou destinação do papel em desacordo com a legislação aplicável, ficando consequentemente sujeito ao pagamento do imposto dispensado por ocasião do despacho aduaneiro, como perfeitamente identificou a autoridade autuante e como admitiu o próprio interessado, embora este último no entendimento ser cabível o procedimento adotado, inclusive alegando haver assim procedido anteriormente, só que: (...) Reapresentamos a seguir a lista de empresas que apresentaram os “Termos de Responsabilidade”, lista essa que serviu de base para a pesquisa das atividades segundo o CNAE cadastrado na Secretaria da Receita Federal. Embora o ilícito já esteja devidamente caracterizado, verificase ainda que poucas das empresas têm atividades que poderiam ser relacionadas diretamente a meios de informação e cultura, requisitos para a imunidade tributária. Face do exposto, não acato o presente argumento. Sustenta a Recorrente, ainda, que foram indevidamente incluídos valores pertinentes às mercadorias desembaraçadas conf. D.I. 00/01518121. Nas suas palavras: 2) Conforme consta no anexo "DEMONSTRATIVO DE VENDA DE PAPEL NACIONALIZADO COM IMUNIDADE" (Fls. 107, 109 e 112 do processo), confirmamos a saída, o montante total de 8.651,72 Kg. Na D.I. 00/01518121 sendo: 730,52 Kg. Conf. N. Fiscal/Saida: 00/0000040 — (fls. 112) 598,75 Kg. Conf. N. Fiscal/Saida: 00/0000043 — (fls. 112) 598,75 Kg. Conf. N. Fiscal/Saida: 00/0000042 — (fls. 112) 3.592,25 Kg. Conf. N. Fiscal/Saida: 00/0000040 — (fls. 109) 3.041,20 Kg. Conf. N. Fiscal/Saida: 00/0000040 — (fls. 107) Portanto, no auto de infração foram indevidamente incluídas valores pertinente às mercadorias desembaraçadas conf. D.I. 00/01518121.” Ocorre que, conforme esclarecido em todos os resultados de diligencia constante desses autos, no auto de infração (original ou retificado) estão lançados os valores devidos apenas sobre uma quantidade de 598,75 kg de uma venda feita pelo interessado a ele mesmo, não havendo nenhuma cobrança sobre os demais 7.962,72 kg. Entretanto, entendo que a devem ser excluídas da presente autuação todas as DI’s que tiveram como destinatário a própria recorrente. Isso por uma razão singela, mas decisiva: sendo o título da presente autuação a Transferência a Terceiro de Papel Importado com Imunidade, sem previa autorização da repartição aduaneira, não se pode incluir na Fl. 311DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 12 autuação as transações que foram feitas com ele mesmo, afinal, falta aqui um elemento essencial do tipo que é justamente a presença da transferência a terceiro. Afinal, operação com si próprio não é de venda ou transferência, muito menos a terceiro. Com relação aos demais argumentos, deixo de apreciálos tendo em vista a perda de objeto, na medida em que eles já foram excluídos da autuação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da autuação a DI 01/01018279/001, tendo em vista que ela foi liberada/registrada em 2001, e todas as DI’s que tiveram como destinatário a própria recorrente, uma vez que a acusação fiscal é apenas a Transferência a Terceiro de Papel Importado com Imunidade, sem previa autorização da repartição aduaneira. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 312DF CARF MF Impresso em 17/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002085/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. A ausência de escrituração da principal conta bancária do contribuinte, e a caracterização de omissão de receitas autoriza o agravamento da multa.
Numero da decisão: 1102-000.388
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barretto
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Recorrida 8ª TURMA DRJ SÃO PAULO I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. A ausência de escrituração da principal conta bancária do contribuinte, e a caracterização de omissão de receitas autoriza o agravamento da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Silvana Rescigno Guerra Barretto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma à época), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente), João Otávio Oppermann Thomé, José Sergio Gomes, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Frederico de Moura Teophilo. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10865.002085/200729 Acórdão n.º 110200.388 S1C1T2 Fl. 2 2 A Recorrente teve contra si lavrados Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos de juros e de multa qualificada, relativos ao anocalendário de 2004, sob a acusação de omissão de receitas, caracterizada pela falta de escrituração e de oferecimento à tributação de receitas provenientes da sua atividade, com base no art. 24, da Lei n.° 9.249/95, conforme Termo de Verificação e Irregularidade de fls. 28/35. Cientificada do lançamento, a Recorrente reconheceu em parte a exigência e apresentou Impugnação (fls. 1968/1978) insurgindose exclusivamente sobre a qualificação da multa de ofício, sob o entendimento de que a mera omissão de rendimentos não caracterizaria o intuito de fraude exigido e apresentando decisões administrativas que suportariam a sua pretensão. A DRJ manteve a multa qualificada, por entender estaria evidenciado o dolo pela ausência de registro em seus livros contábeis de conta corrente bancária e sua movimentação que impediram a apuração correta do resultado de suas atividades durante todo o exercício. Intimada em 16 de junho de 2008, a Recorrente interpôs tempestivamente o presente recurso (fls. 2086/2097), pugnando pelo afastamento do agravamento da multa, por entender inexistente o necessário intuito de fraude, caracterizado pela colaboração com a fiscalização, mediante apresentação de documentos e planilhas, além de detalhamento das operações de factoring realizadas no período fiscalizado. É o relatório. Voto Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto. O Recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Cingese a controvérsia sobre a manutenção da multa qualificada na hipótese de lançamento originado pela caracterização de movimentação bancária incompatível com as declarações apresentadas, mas formalizado com base em informações e documentos apresentados pelo contribuinte que comprovam a ausência de escrituração da principal conta bancária e omissão de receitas durante o anocalendário de 2004. A exigência de manutenção da escrituração de todas as operações está contemplada no art. 251, do RIR/99 que assim determina, verbis: “Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior.” Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10865.002085/200729 Acórdão n.º 110200.388 S1C1T2 Fl. 3 3 Além de ilegal a conduta da Recorrente de se furtar do dever de manter escrituradas todas as operações, restou caracterizado que tal prática teve por escopo se eximir de obrigações tributárias decorrentes de sua atividade, caracterizando evidente hipótese descrita no art. 44, I, da Lei n.° 9.430/96, conforme demonstrado no Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal de fls. 28/35. Em face do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Silvana Rescigno Guerra Barretto Relatora Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002172/95-98
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - EXS.: 1991 e 1992 - OMISÃO DE RECEITAS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO - A exigência de imposto calculado sobre o acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos tributados, não tributados ou tributados exclusivamente na fonte somente pode ser elidida através da produção de provas hábeis e idôneas.
ACRÉSCIMOS LEGAIS - Exclui-se da incidência da Taxa Referencial Diária - TRD, cobrada a título de juros, o período de fevereiro a julho de 1991, anterior à vigência da Lei N°. 8.218/91.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 102-42496
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, PARA EXCLUIR DA EXIGÊNCIA O ENCARGO DA TRD RELATIVO AO PERÍODO DE FEVEREIRO A JULHO DE 1991.
Nome do relator: Ursula Hansen
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DRJ em FLORIANÓPOLIS - SC Sessão de 10 DE DEZEMBRO DE 1997 Acórdão n° . 102-42.496 IRPF - EXS, , 1991 e 1992 - OMISÃO DE RECEITAS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO - A exigência de imposto calculado sobre o acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos tributados, não tributados ou tributados exclusivamente na fonte somente pode ser elidida através da produção de provas hábeis e idôneas ACRÉSCIMOS LEGAIS - Exclui-se da incidência da Taxa Referencial Diária - TRD, cobrada a título de juros, o período de fevereiro a julho de 1991, anterior à vigência da Lei N° 8.218/91 Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por OSNILDO BARTEL. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o f presente julga.. MNS MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10920.002172/95-98 Acórdão n° 102-42.496 Recurso n° 11 562 Recorrente OSNILDO BARTEL A ANTONIO De/ FREITAS DUTRA PRESIDENTE f _ HANSEN R VEATORA FORMALIZADO EM. 20 MAR 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ CLOVIS ALVES, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, CLAUDIA BRITO LEAL IVO, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. Ausente, justificadamente, a Conselheira MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS 2 -4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°, , 10920.002172/95-98 Acórdão n°, 102-42.496 Recurso n° 11.562 Recorrente OSN I LDO BARTEL RELATÓRIO OSNILDO BARTEL inscrito no CPF/MF sob o n° 004.357.919-15, jurisdicionado à Delegacia da Receita Federal em Joinville, SC, recorre a este Colegiado de decisão que manteve parcialmente o lançamento de Imposto de Renda, reduzindo-o de montante equivalente a 35.034,12 UFIR para 29.714,64 UFIR, acrescido dos correspondentes gravames legais. A exigência, conforme consta do Auto de Infração de fls.. 301 e anexos, decorreu. 1 - da omissão de rendimentos tendo em vista a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, que evidenciam a renda mensalmente auferida e não declarada, conforme Termos de Verificação de fls. 287/292 e Relatório da Determinação da Variação Patrimonial a Descoberto de fls.. 285/286, nos meses de janeiro, fevereiro e agosto de 1990 e dezembro de 1991, fevereiro, abril, junho e setembro de 1992; Como enquadramento legal citam-se os artigos 10 a 3° e seus parágrafos e 80 da Lei n° 7.713/88, artigos 10 a 40 da Lei n° 8.134/90 e artigos 40 a 6° da Lei n° 8,383/91 dc artigo 6° e parágrafos da Lei n° 8021/90,. 2 - da glosa de deduções com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme Termo de Verificação de fls. 292, ano calendário de 199 , 7 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10920,002172/95-98 Acórdão n° 102-42.496 A infração foi enquadrada no artigo 11, inciso I e parágrafos 1°, 2° e 4° da Lei n° 8.383/91 3 - da glosa de despesas - Livro Caixa - deduções não escrituradas, conforme Termo de Verificação de fls 292, nos meses de janeiro a dezembro de 1993 A base legal encontra-se no artigo 6° e parágrafos da Lei n° 8.134/90 e artigo 10, inciso Ida Lei n° 8 282/91 Os termos da impugnação, de fls. 308/312, instruída com os anexos de fls., 313/334, apresentada tempestivamente, podem ser sintetizados, à similaridade de seu resumo na decisão singular, de fls 343/364, como segue "preliminarmente, considera indevida a utilização da TRD por entender que a autoridade lançadora valeu-se de tal índice a título de correção monetária, conclusão a que chegou pelo fato de, conforme afirma, ter inexistido qualquer índice de atualização de débitos fiscais no período de 02/91 a 12/91 - no mérito, questiona os cálculos da autoridade fiscal ao não considerar os valores obtidos com a venda de veículos, justificando a não entrega dos certificados de transferência, em vista da enchente ocorrida no CIRETRAN, que inviabilizou o acesso aos arquivos Para comprovar, anexa o laudo pericial de fls 313//322 e consultas no sistema RENAVAM de fls., 323-325 - quanto à movimentação financeira, que também não foi considerada pela autoridade lançadora, anexa extratos bancários de fls.. 326-328 e 330-331 e a declaração do Banco Bamerindus de fls., 329, visando a comprovar os saques efetuados nas cadernetas de poupança - quanto aos empréstimos desconsiderados no lançamento, — alega que apresentou cópias dos contratos firmados entre os mutuantes e que não pode ser responsabilizado ppl 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA,,, • ;-= ,+.4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° . 10920.002172/95-98 Acórdão n° ':102-42.496 documentação incorreta e/ou obrigações fiscais não cumpridas pela outra parte contratante - finalizando, requer seja extirpado do lançamento o acréscimo da título de TR, bem como que seja considerado totalmente insubsistente o Auto de Infração." Submetidos os autos ao Delegado de Julgamento da Receita Federal em Florianópolis, SC, este, inicialmente, esclareceu que a TR fora lançada a título de juros, como determinado pelo artigo 30 da Lei n° 8.218/91, e não como índice de correção monetária. Quanto aos empréstimos, mantém a sua glosa, tendo em vista que o contribuinte procurou comprová-los através de instrumentos particulares, sem assinatura de testemunhas ou firma reconhecida, e que além dos valores nem sempre conferirem com aqueles lançados nas Declarações de Rendimentos, haver discrepância quanto aos números de inscrição no CPF e uma das indicadas ser falecida e não ter apresentado declaração há mais de seis anos Entende tratar-se de documentos inábeis para elidir o acréscimo patrimonial apurado Com relação à alienação dos veículos Monza/88 e Fiat Uno/88 em 1990, Monza/90 em dezembro/91 e Gol/90 em janeiro de 1992, a autoridade singular entende que o laudo pericial apresentado não comprova que os documentos inutilizados pelas chuvas de 09/02/95 se referem aos veículos que teriam sido alienados pelo contribuinte, e que não está devidamente demonstrada a inexistência de outros fontes, outros arquivos que poderiam confirmar as transferências Por outro lado, entende que outros documentos poderiam, subsidiariamente, atestar as alegações do impugnante, tais como recibos ou notas fiscais, cópias de cheques nominativos vinculados aos recibos, etc. Acrescenta que os extratos do REBAVAM não contém data e valor das operações de alienação, e que o interessado não forneceu os dados pessoais das pessoas que teria / , ,Lnk 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10920 002172/95-98 Acórdão n°. 102-42.496 adquirido os veículos, apesar de intimado. Especificamente quanto ao Gol/90, se constata que o extrato não se refere ao mesmo, sendo diferente a numeração do chassi inserida e aquela constante da respectiva Nota Fiscal de aquisição, juntada aos autos Quanto ã movimentação financeira, tendo o contribuinte informado que a origem dos recursos não escriturados em seu Livro Caixa era proveniente de aplicações financeiras, rendimentos de poupança e de empréstimos, intimado a comprovar as aplicações financeiras, deixou de apresentar os respectivos extratos mensais. Analisados os documentos esparsos apresentados, a autoridade "a quo" decide manter o lançamento Após analisar detalhadamente os cálculos efetuados pelo autuante e aqueles contrapostos pelo contribuinte, e constatando equívocos, a autoridade monocrática, refazendo os demonstrativos, mantém o lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de janeiro, fevereiro e agosto/90, dezembro/91, fevereiro e abril/92 e setembro/93, reduzindo o imposto de renda, apurado inicialmente, para 29 714,64 UFIR. Não foram impugnadas as glosas relativas a deduções do Livro Caixa e de despesas médicas Em suas Razões de recurso voluntário, acostadas aos autos às fls 365/370, o contribuinte reitera, na essência, os argumentos já expendidos na fase impugnatória Em consonância com o disposto na Portaria MF n° 260 de 24/10/95 e alterações posteriores, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas Contra-razões, juntadas aos autos às fls É o Relatório 1 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA .z. .e__n,? PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10920 002172/95-98 Acórdão n° 102-42 496 VOTO Conselheira URSULA HANSEN, Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento O ora Recorrente analisa a lide sob dois aspectos, a saber - as questões decorrentes do não aproveitamento dos valores provenientes de empréstimos, alienação de veículos e resultantes de movimentação financeira, como Recursos - origem para acobertar a variação patrimonial ocorrida, e - a questão da utilização da TRD como índice de atualização monetária Do Auto de Infração constam, como enquadramento legal, especificamente, os artigos 1° a 30 e seus parágrafos e 8° da Lei n° 7.713/88, Dos artigos citados consta. "Art 1° - Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo Imposto sobre a Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei Art 2° - O Imposto sobre a Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos Art.. 30 - O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts 9° a 14 desta / L)( 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10920.002172/95-98 Acórdão n° 102-42.496 § 1° - Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados § 2° - Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerando- se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei § 3° - Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins § 4° - A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título § 5° - omissis § 6° - omissis Art.. 4° - Fica suprimida a classificação por cédulas dos rendimentos e ganhos de capital percebidos pelas pessoas físicas Art 8° - Fica sujeita ao pagamento do Imposto sobre a Renda, calculado de acordo com o disposto no art 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no 8 , e . n::::z;:l MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 10920 002172/95-98 Acórdão n° 102-42.496 exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País § 1° - O disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos 11 No caso em apreciação, pelo que se depreende do exame dos autos, ocorreu um lançamento de imposto de renda, nos anos-base de 1990 a 1993, tendo, como base tributável, a aplicação de rendimentos, representando valores aquém da capacidade financeira do ora Recorrente Ao proceder à a apreciação das Razões apresentadas, cabe destacar que, segundo disposições da legislação do imposto de renda, os contribuintes são obrigados a manter em boa guarda, pelo período de 5 (cinco) anos, os documentos que fundamentaram sua declaração de rendimentos, sendo competência legal da Secretaria da Receita Federal verificá-los, a qualquer momento, dentro do mesmo prazo O procedimento fiscal que culminou com o lançamento de ofício ora contestado, iniciou-se regularmente com a intimação de fls 01/02, através da qual são solicitados diversos esclarecimentos referentes aos diversos exercícios O meio de provar determinado fato é através de documento legal quanto à sua forma, autêntico quanto à sua origem e verdadeiro quanto ao fato que se pretende provar Tem razão o ora Recorrente quando alega que não lhe compete pesquisar se as pessoas de quem obtém um empréstimo são cumpridores de suas obrigações perante o fisco No entanto, os contratos de empréstimo deveriam estar."Áz 9 Y. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10920 002172/95-98 Acórdão n° 102-42,496 formalizados de acordo com as regras mínimas, por demais conhecidas do contribuinte no exercício de sua profissão de Tabelião - as partes deveriam estar corretamente qualificadas e identificadas, deveriam constar as assinaturas de testemunhas, as firmas deveriam estar reconhecidas, etc. No caso concreto, os contratos foram firmados, entre outros, com cidadãos omissos, impossibilitando a verificação de sua capacidade financeira, como bem destacou a autoridade "a quo", há discrepância entre os valores indicados, repetições Intimado, não logrou o contribuinte comprovar o recebimento e a quitação das importâncias correspondentes aos mútuos indicados, através de documentos, como cópias de cheques, transferências bancárias, enfim, outros comprovantes hábeis e idôneos para elidir as dúvidas existentes, demonstrando cabalmente a disponibilidade de recursos. Sendo altas as taxas de inflação, no País, a época, é, no mínimo incomum firmarem-se contratos de empréstimo com duração de médio a longo prazo (um a dois anos), sem previsão de pagamento de juros, ou de correção monetária dos débitos. Analisando-se as Declarações apresentadas pelo contribuinte, se constata, ainda, que no quadro - "Dívidas e Ônus Reais" em 31/12/ 92 constam como 0,00 UFIR os saldos dos empréstimos obtidos com Leopoldo Freiner e Maurita M Rosa (de 8.374,37 e 30 147,72 UFIR em 31/12/91, respectivamente) aparecendo estes valores, integrais, como dívidas em 31/12/92 e informados como reduzidos para 6.250,00 e 25 130,00 UFIR em 31/12/93, na Declaração de Ajuste apresentada em 1994 Com referência aos recursos obtidos com a alienação de veículos, deveria o ora Recorrente ter providenciado a guarda de documentos e comprovantes que pudessem compor as provas do alegado. Inexiste, mesmo, — qualquer início de prova, como, por exemplo, informação quanto aos nomes e CPFs dos adquirentes, dados que permitiriam ao representante do fisa7 io -- . ---i, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10920.002172/95-98 Acórdão n° 102-42.496 complementar a pesquisa, através das Declarações apresentadas pelos adquirentes O autuante elaborou Termo em que detalha, com minúcias, o modo como foram apuradas as receitas e despesas mensais, resultando no acréscimo patrimonial a descoberto Resta comprovado nos autos que, ao contrário do afirmado pelo ora Recorrente, os saldos de recursos efetivamente existentes ao final de um mês foram aproveitados para justificar os dispêndios no período mensal seguinte. Não foi apresentada a devida comprovação de extratos bancários que permitam analisar o movimento de depósitos e saques, tanto na conta corrente bancária como de suas aplicações financeiras, não sendo estabelecido o fluxo financeiro, não á como se considerar saldos para justificar o acréscimo patrimonial. Esclarece, também, as glosas de despesas médicas e outras lançadas de forma equivocada no Livro Caixa, glosas estas não contestadas pelo ora Recorrente em sua impugnação, tratando-se, portanto, de matéria preclusa Procedeu a autoridade "a quo", ao acerto dos levantamentos quanto a valores arrolados, os novos demonstrativos, retificados, e cálculo do imposto devido foram considerados pela autoridade prolatora da decisão ora recorrida, da qual decorreram exoneração de imposto Considerando estarem preenchidos os pré requisitos necessários à inclusão dos diversos recursos financeiros disponíveis do contribuinte, Considerando, por outro lado, que a ora Recorrente pleiteia a não incidência da Taxa Referencial Diária - TRD na apuração do débito tributário, procurando provar a inviabilidade de sua cobrança como fator de atualização do tributo ?, ,u/ 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. '10920.002172/95-98 Acórdão n° . 102-42 496 Considerando que os integrantes deste Conselho de Contribuintes tem entendido ser correta a cobrança da TRD a título de juros sobre débitos vencidos, conforme fazem certo diversas decisões, mencionando-se os Acórdãos n 102-28.469/93 e 102-28.876/94, entre outros, Considerando que os argumentos sobre a ilegalidade de cobrança de débitos fiscais com aplicação da TRD foram reduzidos a procedimentos de cálculo para cobrança, medida meramente executória, e que o cálculo da TRD a título de juros, expurgada da base de cálculo para outros acréscimos - multa - vem sendo feita pelas autoridades executoras das decisões administrativas, Considerando, no entanto a data de vigência da Medida Provisória n° 297/91 (Lei n° 8.218/91) que interpretou e complementou o contido sobre a matéria em legislação anterior, bem como a fundamentação que vem sendo dada pelos Conselhos de Contribuintes em suas decisões, é de se entender não estar sujeito à incidência da Taxa Referencial Diária - TRD, calculada a título de juros, o período de fevereiro a julho de 1991 Neste sentido, decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela unanimidade de seus membros, conforme faz certo o Acórdão CSRF/01- 1 773/94, ao examinar a aplicabilidade da legislação que criou a Taxa Referencial Diária, decidiu que esta somente poderia ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991, quando entrou em vigor a Lei n° 8 218 O mencionado Acórdão apresenta a ementa a seguir transcrita. "VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA - INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA - Por força do disposto no artigo 101 do CTN e no § 4° do artigo 1° da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária - TRD só poderia ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991 quando entrou em vigor a Lei n° 8 218 Recurso Provi o 12 , &=4 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 .114-t SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10920 002172/95-98 Acórdão n° : 102-42.496 Do exposto, resta claro que a aplicação da Taxa Referencial Diária - TRD, a título de juros, sobre os débitos vencidos não interfere na liquidez do lançamento, tendo a legislação apenas determinado a forma de cálculo de encargos em caso de inadimplência Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta, Considerando que o ora Recorrente não logrou carrear aos autos quaisquer fatos, provas ou razões novas passíveis de elidir o acerto da decisão recorrida, Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso, para excluir da incidência da TRD o período anterior à vigência da Lei n° 8.218/91 Sala das Sessões - DF, em 10 de dezembro de 1997. fI S 1 ANSEN 13 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10930.002579/96-03
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IPI - PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ISENÇÃO CONDICIONADA À EXPORTAÇÃO - Estando a isenção condicionada à exportação e não tendo esta ocorrido é de ser exigido o IPI correspondente. MULTA DE OFÍCIO - No lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício, no percentual de 75%, nos termos da legislação de regência. TAXA SELIC - Nos termos do art. 161, parágrafo 1º, do CTN (Lei nº 5.172/66) se a lei não dispuser de modo diverso, a taxa de juros será de 1%. Como a Lei nº 8.981/95 c/c art. 13 da Lei nº 9.065/95 dispôs de forma diversa é de ser mantida a Taxa SELIC. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-76880
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Serafim Fernandes Corrêa
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Segundo Conselho de Contribuintes Processo n' : 10930-002579/96-03 Recurso n' : 114.197 Acórdão o' : 201-76.880 Recorrente : JABUR PNEUS S/A. Recorrida : DRJ em Curitiba-PR IPI PRODUTOS ADQUIRIDOS COM ISENÇÃO CONDICIONADA À EXPORTAÇÃO - Estando a isenção condicionada à exportação e não tendo esta ocorrido é de ser exigido o IPI correspondente. MULTA DE OFICIO — No lançamento de oficio aplica-se a multa de oficio, no percentual de 75%, nos termos da legislação de regência. TAXA SELIC — Nos termos do art. 161, parágrafo 1°, do CTN (Lei n° 5.172/66) se a lei não dispuser de modo diverso, a taxa de juros será de 1%. Como a Lei n° 8.981/95 c/c art. 13 da Lei n° 9.065/95 dispôs de forma diversa é de ser mantida a Taxa SELIC. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JABUR PNEUS S/A. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em15 de abril de 2003. 14 abotii-jok- StÀMfor Josefa Maria Coelho Marques Presidente 111, Serafim Fernandes Corrêa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Antonio Mario de Abreu Pinto, José Roberto Vieira, Sérgio Gomes Velloso e Rogério Gustavo Dreyer. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gilberto Cassuli. Ia& 1 22 CC-MF Ministério da Fazenda ir Segundo Conselho de Contribuintes Processo n' : 10930-002579/96-03 Recurso n2 : 114.197 Acórdão flQ : 201-76.880 Recorrente : JABUR PNEUS S/A. RELATÓRIO Adoto como relatório o do julgamento de primeira instancia de fls. 542/544 com as homenagens de praxe à DRJ em Curitiba-PR. O lançamento foi parcialmente mantido, sendo reduzida a multa de oficio de 100% para 75%. De tal decisão foi nterposto recurso que subiu mediante liminar e posterior sentença sem o depósito de 3ذ/. É o relatório 42/1k1" 2 17,h tn 22 CC-MF " Ministério da Fazenda?o Fl. t' Segundo Conselho de Contribuintes Processo ir' : 10930-002579/96-03 Recurso n° : 114.197 Acórdão n0 201-76.880 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SERAFIM FERNANDES CORRÊA O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Do exame do processo verifica-se que o litígio abrange três tópicos, quais sejam: 1. Exigência do IPI sobre produtos adquiridos com isenção para fins de exportação e que não foram exportados; 2. Cabimento da multa de oficio; 2. Taxa SELIC. Tais pontos serão abordados a seguir, de per si. NÃO COMPROVACÃO DAS EXPORTACÕES A recorrente adquiriu produtos com isenção a fim de exportá-los. Quando da fiscalização, foi intimado quatro vezes a comprovar as exportações, mas não o fez a contento. Foi, então, lavrado de forma circunstanciada o auto de infração. Na impugnação, a alegação foi de que a autuação baseava-se em Instruções Normativas e como tal não poderia prosperar. Depois juntou centenas de telas e cópias de documentos como sendo provas sem que haja no texto de sua impugnação ligação entre a mesma e as cópias juntadas. Agora, no recurso, abandona a tese de que a autuação baseara-se em Instruções Normativas, mas junta, de novo, centenas de cópias para dizer que procedeu às exportações. De novo, não há ligação entre o recurso e os documentos. Foram, portanto, seis oportunidades para que a recorrente comprovasse as exportações: quatro intimações no curso da fiscalização, impugnação e recurso. Ora, se as exportações efetivamente tivessem ocorrido não seria nada dificil provar. Bastaria relacionar as notas e indicar uma a uma quais os documentos, do tipo, fechamento de cambio, conhecimento de carga, confirmação do SISCOMEX, etc. que comprovavam a exportação. Ao invés disso, o recurso é vago e anexa centenas de cópias de telas do SISCOMEX sem que haja ligação entre as notas relacionadas pela fiscalização e tais documentos. Sendo assim, é de se negar provimento ao recurso, quanto a este item. MULTA CONFISCATÓRIA Alega a recorrente inicialmente que a multa é confiscatória por que equivale à setenta e cinco vezes o valor do crédito tributário. Equivoca-se por completo quanto a sua alegação. A multa lançada foi de 100%, tendo a decisão recorrida reduzido a 75% e n a 75 vezes. Tal multa, de 75%, é a multa de oficio prevista na legislação de regência e não p s a fazer. Wft • 3 2° CC-MF 3...?4; Ministério da Fazenda Fl. 'r Segundo Conselho de Contribuintes Processo 112 : 10930-002579196-03 Recurso n' : 114.197 Acórdão ri 201-76.880 Na seqüência, alega que somente podia ser aplicada a multa se tivesse havido dolo e má fé, que não é o caso. Por oportuno, cabe transcrever o art. 45 da lei n°9.430/96, a seguir: "Art. 45. O art. 80 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de oficio: 1- setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; 11 - cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada." Da leitura do texto, resulta evidente que, se tivesse havido dolo, a multa seria qualificada, portanto, de 150%, o que não é o caso do presente processo. TAXA SELIC A respeito o CTN — Lei n°5.172/66 -em seu art 161, parágrafo 1°, estabelece : "Art. 161 — O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora , seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Parágrafo 1° - Se a lei não dispuser de modo diverso os juros de mora são calculados à taxa de I% ao mês ,formulada pelo devedor dentro do prazo legal para o pagamento do crédito." Ora, tal dispositivo é muito claro. Se a lei não dispuser de modo diverso, a taxa de juros será de 1%. No presente caso, no entanto, a lei dispôs de forma diversa ( Lei n° 8.981/95 c/c art. 13 da Lei n°9.065/95 ) , razão pela qual está correta a decisão recorrida. Isto posto, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 15 de abril de 2003. —as SERAFIM FERNANDES CORRÊA Nsw, 4
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Numero do processo: 10907.000201/98-25
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IPI - PENALIDADE - MULTA DO ART. 368, II, DO RIPI/1982 - Não merece reparos a decisão de primeiro grau que cancelou a multa prevista no art. 368, c/c o art. 364, ambos do RIPI/1982, aplicada em nome do emitente das notas fiscais, por inobservância das prescrições do art. 173 do mesmo diploma legal, portanto, com engano na identificação do sujeito passivo. Recurso de ofício a que se nega provimento.
Numero da decisão: 202-13484
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: ADOLFO MONTELO
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' LM MINISTÉRIO DA FAZENDA de 19 i o et i ?MR. 4;t: 7r.Rubrica „skt:,. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES g444:' Processo : 10907.000201/98-25 Acórdão : 202-13.484 Recurso : 115.977 Sessão- 05 de dezembro de 2001 Recorrente : DRJ EM CURITIBA - PR Interessada : N'Gola Exportações Representações e Participações Ltda. IPI — PENALIDADE — MULTA DO ART. 368, II, DO RIPI/1982 - Não merece reparos a decisão de primeiro grau que cancelou a multa prevista no art. 368, c/c o art. 364, ambos do RIP111982, aplicada em nome do emitente das notas fiscais, por inobservância das prescrições do art. 173 do mesmo diploma legal, portanto, com engano na identificação do sujeito passivo. Recurso de oficio a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: DRJ EM CURITIBA — PR. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Sala das Sess. em 05 de dezembro de 2001 i ie Ma f, - inicius Neder de Lima Pr , ente ~-2? Adolfo Monteio Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Luiz Roberto Domingo, Ana Paula Tomazzete Urroz (Suplente), Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Eduardo da Rocha Schmidt e Ana Neyle Olímpio Holanda. Eaal/cUcesa 1 1 r o ,..-ky;),» MINISTÉRIO DA FAZENDA ; on, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10907.000201/98-25 Acórdão : 202-13.484 Recurso : 115.977 Recorrente : DRJ EM CURITIBA - PR RELATÓRIO O presente processo trata de exigência, por meio de o Auto de Infração e suas folhas de continuação de fls. 01/03 e demais demonstrativos, de multas por infração a dispositivos do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — RIPI, pelos seguintes fatos e enquadramentos: 1 — emissão ou utilização de notas fiscais irregulares e que não correspondam a uma saída efetiva do produto nelas descrito, por não comprovar a exportação dos cigarros adquiridos para exportação, fato que configura venda no mercado interno, a teor do subitem V111.2, alínea "b", da Portaria MF n° 471/78. Além de não comprovar a exportação, as referidas notas fiscais estão com carimbos e assinaturas falsas. Quando do inicio da fiscalização, não foi encontrado estoque de cigarros nas dependências da empresa, por ocasião da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal. Configura-se a infração definida no art. 240 do RIPI182, aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82, sujeitando a contribuinte à penalidade prevista no art. 365, inciso II, do citado Regulamento, equivalente a 100% do valor comercial da mercadoria. O valor comercial dos cigarros foi obtido junto à Cia. de Cigarros Souza Cruz. Multa exigida de R$1.226.275,00; e 2 — falta de cumprimento de obrigação acessória pelos adquirentes e ou depositários, por adquirir cigarros destinados à exportação, com suspensão tributária, nos termos do art. 44, inciso I, do RIPI/82, aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82, e os revender no mercado interno sem o devido selo de controle, configurando a infração ao disposto no art. 173 do citado Regulamento, sujeitando-se à penalidade prevista no art. 376, inciso I, do mesmo diploma legal, equivalente a 100% do valor da mercadoria. Valor da multa: R$1.226.275,00. Enquadramento legal: artigo 368, c/c o art. 364, ambos do RIPI aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82. Discordando da autuação a empresa apresentou a Impugnação de fls. 35/45 e juntou as cópias de fls. 47/53, onde, em síntese, faz diversos pedidos tendentes a fazer prova a seu favor e, finalmente, requer a improcedência do lançamento. O Delegado da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba - PR, às fls. 55/56, entendendo que não havia nos autos todos os elementos necessários a formar a convicção acerca da matéria em lide, encaminhou os autos à 11ff em Paranaguá - PR para diversas providências. 2 • in„, MINISTÉRIO DA FAZENDA • t-i"4:r SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10907.000201/98-25 Acórdão : 202-13.484 Recurso : 115.977 Aos autos foram trazidos diversos relatórios e outros elementos, constantes de fls. 57/147. Após as diligências realizadas, foi reaberto o prazo para a contribuinte aditar e/ou formalizar novas razões de defesa, o que ocorreu com a apresentação da Petição de fls. 151/156 e dos elementos de fls. 157/203. A autoridade monocrática, por meio da Decisão DRJ/CTA n° 634, de 23 de maio de 2000, resolveu considerar não formulado o pedido de penda grafotécnica, não acolher as preliminares argüidas e, no mérito, julgar procedente, em parte, a ação fiscal, cancelando a multa do art. 368 do RIPI/1982 e prosseguindo-se na exigência da multa do art. 365, II, do RIPI aprovado pelo Decreto n.° 87.981, de 23/12/1982. A mencionada decisão de primeira instância tem a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 06/03/1998, 0903/1998 Ementa: PERÍCIA/DILIGÊNCIA Considera-se não formulado o pedido de perícia/diligência que desatenda ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, com a redação do art. 1° da Lei n.° 8.748/1993. PENALIDADES-MULTA DO ART 365, II, DO RIPI '1982. Emissão de Nota Fiscal que não corresponda à saída efetiva da mercadoria nela descrita do estabelecimento emitente; ainda que o documento se refira a produto isento, sujeita-se à multa do art. 365, II, do RIPI/1 982. MULTA DO ART. 368 DO RIPI/ 1982 Sendo o adquirente o sujeito passivo da penalidade descabe sua imposição em nome do emitente das notas fiscais. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE". 9- 3 httt,t)- MINISTÉRIO DA FAZENDA -4 • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10907.000201/98-25 Acórdão : 202-13.484 Recurso : 115.977 Em face do cancelamento da multa do artigo 368, c/c o artigo 364, ambos do RIPI/82, no valor de R$1.226 275,00, a autoridade de primeiro grau recorreu de oficio a este Colegiado. À fl. 230, consta que o crédito tributário remanescente foi transferido para o Processo n.° 16572.000090/00-31. É o relatório. 4 4 aMf>";.."'„,r MINISTÉRIO DA FAZENDA • .14lie SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES :14-4íc. - Processo : 10907.000201/9S-25 Acórdão : 202-13.484 Recurso : 115.977 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ADOLFO MONTELO Por preencher os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso de Oficio. Como se depreende do Auto de Infração e seus anexos de fls. 01/15, foi exigido da contribuinte multas por infrações previstas no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados - RI!'!. O ceme da questão, ora levada à apreciação deste Colegiado, trata da apreciação do Recurso de Oficio em razão da exoneração do crédito tributário, no que diz respeito ao cancelamento da exigência quanto à multa do artigo 368, c/c o artigo 364, ambos do RIP111982, por inobservância das prescrições do art. 173 do mesmo diploma legal, como se vê pela transcrição das razões citadas pela autoridade de primeiro grau (fl. 225), que transcrevo e adoto para decidir: "(..) Falta de cumprimento da obrigação acessória pelo adquirente Quanto ao item 2 do auto de infração, em que é exigida da contribuinte a multa do artigo 368 c/c o art. 364 do RIP1 aprovado pelo Decreto n.° 87.981, de 31/12/1982, que se refere à inobservância das prescrições do art. 173, é de se cancelar neste ato, por ser incabível, conforme afirma o autuanle na resposta a solicitação de esclarecimentos desta DRJ no item 10, à fl. 95, e por erro na identificação do sujeito passivo, já que a emitente das notas fiscais não responde pelas infrações praticadas pelo adquirente." Mediante todo o exposto, e o que consta dos autos, voto para que seja negado provimento ao Recurso de Ofício. Sala das Sessões, em 05 de dezembro de 2001 ai dr ADOLFO MONTEL.0 5 - . Ia -
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