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Numero do processo: 10580.007309/2006-02
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ERRO NA DITR. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. VTN.
Comprovado por documentos hábeis que a área total do imóvel e o VTN
informados na DITR apresentada pelo contribuinte foram inadvertidamente superestimados, cabe retificá-los para adequá-los
à realidade fática do imóvel.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.393
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. VTN. Comprovado por documentos hábeis que a área total do imóvel e o VTN informados na DITR apresentada pelo contribuinte foram inadvertidamente superestimados, cabe retificálos para adequálos à realidade fática do imóvel. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 09/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02 a 05, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$2.490,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao imóvel denominado “Fazendo Rancho Alegre”, localizado no Município de Simões Filho/BA, NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 6.529.3681. A autuação decorreu de glosa de área declarada como sendo de pastagens (1.250,0 ha), em função dos valores informados na “Ficha 6 – Atividade Agropecuária” e dos Índices de Rendimentos Mínimos para a Pecuária. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 13), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 40): “O impugnante comunica que a DITR/2002 foi entregue com incorreções, tendo constado uma área de terra equivalente a 1.250,0 hectares, quando na verdade a dimensão real é de 125,0 hectares, ensejando, com esse equívoco, a lavratura do respectivo Auto de Infração. Para regularizar a situação, procedeu a retificação da respectiva DITR, recepcionada pela Receita Federal em 30.08.2006 sob o nº 09.50.88.04.56, cuja cópia anexa, ao tempo em que, pelos motivos expostos, pede tornar sem efeito referido Auto de Infração.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 1ª TURMA/DRJRECIFE/PE, conforme Acórdão de fls. 38 a 41, julgou procedente o lançamento. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. RETIFICAÇÃO A PEDIDO. Não se retifica a área total do imóvel, quando não restar comprovado erro com relação à área anteriormente informada na DITR. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 09/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.007309/200602 Acórdão n.º 280101.393 S2TE01 Fl. 96 3 A partir da edição do art. 19 da Medida Provisória nº 1.990, de 14/12/1999, o procedimento de retificação de declaração de ajuste independe de autorização, sendo, contudo, inadmissível a apresentação de declaração retificadora após o início de procedimento fiscal. ÁREA DE PASTAGEM. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA IMPUGNAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria, objeto da autuação, a respeito da qual o contribuinte não se manifestou expressamente. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente” RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 27/10/2008 (fls. 44), o contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 53) apresentou, em 21/11/2008, o Recurso de fls. 45 a 52, argumentando, em apertada síntese, que somente agora localizou a escritura do imóvel que vinha declarando como tendo área de 125,0 ha. Ocorre que o imóvel originário possuía 1.250 tarefas, correspondendo a 544,5 ha. Desse imóvel foi desmembrada uma parcela que veio a ser adquirida pelo contribuinte. Tal parcela é de 2ha 61 a 19ca. Quer dizer, não só a declaração de ITR do exercício em discussão está errada, como também todas as declarações anteriores. Por fim, solicita que os autos retornem à DRJ para que se pronuncie acerca das reais dimensões do imóvel e que seja aplicada a prescrição/decadência, onde couber. Instruindo o recurso foram apresentados os documentos de fls. 53 a 78, a saber, cópias de: instrumento de procuração; identidade do contribuinte e da procuradora; Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 9, de 5 de junho de 2007 (referente a arrolamento de bens para prosseguimento de recurso voluntário); Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel rural em questão, datada de 10 de outubro de 1989; registros dos imóveis de matrícula 5.111 e 54.080, ambos do 2º Ofício do Registro de Imóveis, Salvador/BA; envelope, informações dos Correios, intimação, demonstrativo de débito e DARF referentes ao acórdão recorrido; acórdão recorrido e auto de infração em discussão. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 80, a saber, Termo de Encaminhamento de Processo emitido pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes. DILIGÊNCIA SOLICITADA Esta Relatora, em sessão de julgamento de 13/04/2010, diante da Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel, datada de 10 de outubro de 1989 (fls. 57 e 58), bem como do registro do imóvel adquirido (fls. 62), demonstrando que a área total do imóvel de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 09/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 4 propriedade do interessado é de 2ha61a19ca, propôs a conversão do julgamento em diligência a fim de que o interessado fosse intimado a declarar, sob as penas da lei, se era possuidor, a qualquer título, em 1º de janeiro de 2002, na Fazenda Rancho Alegre, em Simões Filho/BA, de fração de terra superior àquela adquirida por meio da Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 57 e 58. Em caso afirmativo, deveria especificar o montante dessa parcela. Além disso, solicitouse à Fiscalização que informasse se o VTN constante da DITR de fls. 14 a 17, R$ 2.000,00, é compatível com a parcela de terra que o interessado admite ser possuidor a qualquer título, tomandose por base as informações constantes do Sistema de Preços de Terras – SIPT. Em resposta, o interessado afirmou que jamais foi possuidor, a qualquer título, na Fazenda Rancho Alegre, em Simões Filho/BA, de fração de terra superior àquela adquirida por meio da Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 57 e 58. A autoridade fiscalizadora, por sua vez, informou que no SIPT não havia informação referente ao VTN para o município e exercício em análise, porém, para o exercício 2003 o VTN médio das DITR é de R$2.616,80. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, conforme alegado, as declarações de ITR dos exercícios anteriores e posteriores ao em apreço informavam área total do imóvel de 125,0 ha. Ocorre que para o exercício 2002 o interessado apresentou, em 19/12/2002, DITR informando área total do imóvel de 1.250,0 ha e sem qualquer indicação de utilização, gerando um Grau de Utilização – GU de 0,0%. Logo em seguida, apresentou DITR retificadora para incluir área de pastagem, 1.250,0 ha, porém não informou a existência de animais na “Ficha 6 – Atividade Pecuária” do DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR. Tal omissão levou à glosa da área de pastagem declarada. O VTN tributável informado foi de R$ 30.000,00 (fls. 04, 33 e 34). Cientificado do lançamento em 17/08/2006 (fls. 11), o interessado apresentou, em 30/08/2006, DITR retificadora para o exercício 2002. Promoveu alterações da área total do imóvel e do VTN tributável, reduzindoos para 125,0 ha e R$ 2.000,00, respectivamente (fls. 14 a 17). Registrese que não foi indicada utilização pela atividade rural, obtendose GU de 0,0%. Tal declaração veio a ser cancelada por duplicidade e os valores nela informados não foram aceitos no julgamento de primeira instância por ausência de elementos de prova que a corroborassem. Em sede de recurso, o interessado apresenta a Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel, datada de 10 de outubro de 1989 (fls. 57 e 58), bem como o registro do imóvel adquirido (fls. 62), demonstrando que a área total de seu imóvel é de 2ha61a19ca e, em Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 09/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.007309/200602 Acórdão n.º 280101.393 S2TE01 Fl. 97 5 resposta ao pedido de diligência, informou que jamais foi possuidor, a qualquer título, na Fazenda Rancho Alegre, em Simões Filho/BA, de fração de terra superior àquela adquirida por meio da Escritura Pública de Compra e Venda de fls. 57 e 58. Portanto, no tocante à área total do imóvel, diante desses elementos probatórios, entendo que deva ser retificada para 2,6ha. Relativamente ao pedido de retificação do VTN, para R$2.000,00, entendo que esse deva ser acatado, tendo em vista que: a) não há informações no SIPT para o exercício e município em apreço; b) o valor disponível para o exercício de 2003 não decorre de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas, limitandose ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas e c) cabe, no caso, observar o disposto no art. 112 do CTN, a seguir transcrito: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 09/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004921/2001-95
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2007
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Ano-calendário: 2001
SIMPLES. Não se deve confundir contrato de prestação de serviços em que há, por decorrência do objeto do contrato, funcionários que prestam serviços com o objetivo de adimplir o contrato específico de locação de mão-de-obra, esta sim, atividade vedada pelo SIMPLES.
O serviço de terraplanagem com locação de equipamentos não se
equipara a atividade de locação de mão-de-obra e tampouco é
serviço típico de engenharia, assim, tais serviços podem ser
enquadrados no SIMPLES.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 301-34.225
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
1.0 = *:*
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2001 SIMPLES. Não se deve confundir contrato de prestação de serviços em que há, por decorrência do objeto do contrato, funcionários que prestam serviços com o objetivo de adimplir o contrato específico de locação de mão-de-obra, esta sim, atividade vedada pelo SIMPLES. O serviço de terraplanagem com locação de equipamentos não se equipara a atividade de locação de mão-de-obra e tampouco é serviço típico de engenharia, assim, tais serviços podem ser enquadrados no SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-16T16:17:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-16T16:17:28Z; Last-Modified: 2009-11-16T16:17:28Z; dcterms:modified: 2009-11-16T16:17:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-16T16:17:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-16T16:17:28Z; meta:save-date: 2009-11-16T16:17:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-16T16:17:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-16T16:17:28Z; created: 2009-11-16T16:17:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-11-16T16:17:28Z; pdf:charsPerPage: 1196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-16T16:17:28Z | Conteúdo => CCO3/C01 Fls. 85 MINISTÉRIO DA FAZENDA WAVS:-.9) s' TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES l'sg".-Prw.'" PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10280.004921/2001-95 Recurso n° 131.346 Voluntário Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO Acórdão n° 301-34.225 Sessão de 06 de dezembro de 2007 Recorrente REAL TERRAPLENAGEM LTDA. Recorrida DRJ/BELEM/PA 110 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROENIPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2001 SIMPLES. Não se deve confundir contrato de prestação de serviços em que há, por decorrência do objeto do contrato, funcionários que prestam serviços com o objetivo de adimplir o contrato específico de locação de mão-de-obra, esta sim, atividade vedada pelo SIMPLES. O serviço de terraplanagem com locação de equipamentos não se equipara a atividade de locação de mão-de-obra e tampouco é serviço típico de engenharia, assim, tais serviços podem ser enquadrados no SIMPLES. • RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. OTACíLIO DANTAS AR AXO - Presidente Processo n° 10280.004921/2001-95 CCO3/C01 Adm.& n.° 301-34.225 Fls. 86• it • NI, • Á 111 SUSY GO HOFF A — Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda e Patricia Wanderkoke Gonçalves (Suplente). Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Brochini. 111 2 I . , Processo n° 10280.004921/2001-95 CCO3/C0 I • Acórdão n.° 301-34.225 Fls. 87- Relatório O contribuinte REAL TERRAPLENAGEM LTDA, mediante Ato Declaratório N°. 28/2001 (fls.15/16) de emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Belém, foi excluído do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n°. 9.317, de 05/12/1996 e alterações posteriores. Insurgindo-se contra a referida exclusão, o interessado apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão da Opção pelo Simples — SRS (fls.01/02) alegando que sua atividade não foi alterada desde a sua inclusão na sistemática do SIMPLES. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém — PA proferiu acórdão O(fls.19/20) indeferindo a solicitação sob o fundamento de que são vedadas as atividades contidas no artigo 9°, inciso XII, alínea "f", quais sejam, prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e mão de obra. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso (fls.27/32) aduzindo em síntese que: A empresa presta serviços de aluguel de equipamentos de terraplenagem e serviços de terraplenagem. Esses serviços não se assemelham a atividades de engenharia. E, além disso, não há comprovação por parte do INSS, que efetuou o relato, que a recorrente opera com locação de equipamentos e locação de mão-de-obra;, As profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro agrônomo são regulamentadas pela Lei n°. 5.194/66, que assim dispõe: "a) desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, paraestatais, autárquicas, de economia mista e privada; b) planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; c) estudos, pesquisa, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica; d) ensino, pesquisa, experimentação • e ensaios; e) fiscalização de obras e serviços técnicos; f) execução de obras e serviços técnicos e h) produção técnica especializada, industrial ou agro-pecuária; A Lei n°. 5.194/66 determina a obrigatoriedade de registro das empresas que exercem atividades próprias de engenharia ou arquitetura, nos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Os Membros da I Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acordaram (fis.57/59) em converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de Origem procedesse a verificação da real atividade da contribuinte, à vista de seus documentos, ou com a utilização de outros recursos, a critério da autoridade fiscal. Após a apresentação das documentações pela empresa, a DRF de Belém constatou por meio de contato telefônico com a Recorrente, conforme disposto no Relatório de Divergência (fls.80/81), que a empresa realiza locação de maquinário, fornecendo mão-de-obra e caso solicitado, assessoria técnica (engenheiro civil). É o relatório. , 3 -., Processo n° 10280.004921/2001-95 CCO3/C01 ' Acórdão o.° 301-34.225 Fls. 88 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora Conheço do Recurso por preencher os requisitos legais. Cuida-se de pedido de impugnação a Ato Declaratório de Exclusão, posto que negou permanência a REAL TERRAPLENAGEM LTDA como integrante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. A recorrente foi excluída do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo 110 n°. 28/2001, constante às fls.15/16, de onde se verifica a seguinte motivação: "a empresa realiza operações de aluguel de equipamentos de terraplenagem, com locação de mão-de-obra, configurando serviços de engenharia, atividades previstas no inciso V do artigo 9° da Lei n°. 9.317/96, com as alteraçóes promovidas pelo artigo 4° da Lei n°. 9.528/97 e Ato Declaratório Normativo COSIT n°. 030/99. A prática de tal atividade foi verificada em decorrência de trabalhos de diligência realizados pela Auditoria Fiscal da Previdência Social. Tal procedimento verificou que constava como natureza da operação o serviço de locação, numa tentativa de evitar a caracterização da atividade cla empresa, contida na própria denominação social, como senclo de , terraplenagem, com locação de mão-de-obra, configurando serviços de engenharia. Pelo que se verifica dos autos, a matéria em exame refere-se à exclusão da recorrente do SIMPLES, com fundamento no inciso XII do artigo 9° da Lei n°. 9.317/96, que veda esta opção à pessoa jurídica que: "Artigo 9". Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: • "XII que realize operações relativas a: fi prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra ". A atividade econômica da Recorrente, segundo seu contrato social, consiste em "prestar serviços de aluguel de equipamentos de terraplenagem e serviços de terraplenagem". Desta feita, tem-se que o objeto social desenvolvido pela empresa não encontra vedação legal capitulada no mencionado artigo 9 0. Explica-se. A atividade real da empresa, nos termos do seu contrato social, consiste em prestar serviços de aluguel de equipamentos e serviços de terraplenagem, que são prestados a terceiros, não caracterizando propriamente locação de mão-de-obra. A natureza jurídica da locação de mão-de-obra requer continuidade, pessoalidade e comando dos serviços contratados, fiscalizando a sua integral execução., 4 Processo n° 10280.004921/2001-95 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.225 Fls. 89 Nesta esteira, da análise do presente processo e seus documentos, nota-se que não restou configurada a atividade específica de locação de mão-de-obra, causa principal e impeditiva ao integrante do Simples. Ademais a Lei n°. 9711/98 não trata da definição das empresas que tem por atividade fim a locação da mão de obra, mas define em seu artigo 31, §3°, o conceito de cessão de mão-de-obra: "... entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação a disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação" sendo que tal conceituação tem por objeto forma de recolhimento das contribuições previdenciárias, não podendo ser utilizada para outros fins. Neste sentido, é firme o posicionamento deste Conselho de Contribuintes, cita- se o recurso voluntário 113734, da Segunda Câmara deste Conselho de Contribuintes, que não • tiveram dúvida em acolher a pretensão do contribuinte: Ementa: SIMPLES - OPÇÃO - Há que se distinguir a contratação da prestação de serviços com cessão de mão-de-obra da assim chamada locação de mão-de-obra. No primeiro caso há uma "locação de serviços" com disponibilização de mão-de-obra, de força de trabalho, não há, no entanto, obrigação da contratada de fornecer determinada pessoa, mas sim alguma pessoa, e, portanto, não há pessoalidade dos obreiros cedidos. Neste caso, nenhum impedimento à opção pelo SIMPLES. Recurso a que se dá provimento. Para exclusão da Empresa do Simples, necessita-se que os serviços contratados constituam parte integrante do processo produtivo da empresa contratante, alinhavando o visível comando sobre os serviços executados no interior desta: Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. Caracteriza-se como locação de mão-de-obra, atividade não permitida para o SIMPLES, o contrato de prestação de serviços a ser realizado, de forma contínua e permanente, dentro das instalações da empresa contratante, especialmente porque os serviços contratados constituem- . se em etapas do processo produtivo industrial da empresa contratante, que detém o comando dos serviços contratados e fiscaliza a sua execução. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.(Rec.Vol. 129020, Seg. Câm., CC). Em suma, não se nega a prestação de serviços a terceiros, mas se nega a ocorrência de locação de mão-de-obra, vez que está apenas provada a contratação da prestação de serviços de locação de equipamentos. Ademais, quanto à alegação, já nas informações fiscais que a Recorrente também presta serviços de engenharia conforme informação telefônica, há que ser considerado que: a) tal alegação não é fundamento do ato declaratório de exclusão; b) a informação dada pelo telefone consta como uma assessoria eventualmente prestada pelo filho do sócio, salientando que tal pessoa não é funcionário ou sócio da empresa; c) não foi juntado ao processo qualquer documento que indicasse que a Recorrente presta serviços típicos de engenharia; d) não é possível inovar o fundamento da autuação pelas informações constantes da diligência. Posto isto, constatado que a Recorrente não pratica locação de mão-de-obra ou que os serviços por ela prestados são 'picos de engenharia, voto para DAR PROVIMENTO ao 5 Processo n°10280.00492112001-95 CCO31C01 ,• Acórdão n.° 301-34.225 Fls 90 recurso voluntário, determinando, por conseqüência, a manutenção da Recorrente no SIMPLES. É como voto. Sala das Sessões, em 06 de dezembro de 2007 .1 /I SUSY 0 S H FFMANN - Relatora ' • 6
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Numero do processo: 13807.005979/2001-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão; no entanto, a patologia deve ser devidamente comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, produzindo efeitos tão-somente a partir da data da expedição do laudo ou da data em que a moléstia foi contraída, quando identificada no
referido documento.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2801-001.301
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão; no entanto, a patologia deve ser devidamente comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, produzindo efeitos tão-somente a partir da data da expedição do laudo ou da data em que a moléstia foi contraída, quando identificada no referido documento. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário que pretende a reforma do Acórdão DRJ/SPOII n° 17-21.085, de 10/10/2007, às fls. 154/158. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 2 O processo tem início com a petição às fls. 01/03, protocolizada em 23/05/2001, cujo objetivo é o reconhecimento da isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física incidente sobre proventos de aposentadoria, com a consequente restituição do tributo, referente aos anos-calendários de 1994 a 2000, uma vez que afirma o interessado (contribuinte) ser portador de cardiopatia grave. Por meio do Despacho Decisório n° 560/04, às fls. 111/113, a DERAT/SP deferiu parcialmente o pedido formulado pelo requerente, para reconhecer o direito à isenção tão-somente dos rendimentos percebidos pelo contribuinte a partir de 12/04/2000, data em que foi emitido o laudo pericial anexado ao processo. Notificada dessa decisão, a inventariante do espólio do requerente, por meio de sua procuradora, apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 128/132, juntando aos autos os documentos às fls. 133/152. Alega, em síntese, que embora o laudo tenha sido emitido em 12/04/2000, a patologia foi contraída em julho de 1994, conforme relatório médico especializado fornecido pelo Dr. Ricardo Pavanello, integrante da equipe médica do Hospital do Coração de São Paulo. Assevera ainda que outra declaração acostada aos autos fornecida pelo mesmo órgão especializado na patologia do caso, vem corroborar com a consolidação de que o contribuinte era portador da moléstia grave desde julho de 1994, e não a partir de abril de 2.000. A 4 a Turma da DRJ/São Paulo II, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da decisão às fls. 154/158, baseando-se nas seguintes considerações: [...] não se questiona a data em que a moléstia foi contraída, mas dada à ausência de identificação dessa data no laudo pericial de fl. 144, não há como se reconhecer a isenção em data anterior à de emissão do laudo. Não pode a autoridade administrativa concluir que o contribuinte já possuía a doença em 1994, como pretende o requerente, pois a interpretação da legislação que outorga isenção tem que ser literal nos termos do art. 111 do CTN. Assim, se não há nos documentos apresentados, a data de início da moléstia, só poderia a autoridade administrativa reconhecer a isenção sobre os proventos de aposentadoria a partir da data de emissão do laudo nos termos da IN SRF n° 15, de 2001 já transcrita. Dessa forma, por não ter restado comprovado por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado era portador de moléstia grave anteriormente ao mês de abril de 2000, entende-se que ele não tem direito à concessão de isenção do imposto de renda pessoa física relativa a períodos anteriores como ora está pleiteando. [...] Após tomar ciência do Acórdão exarado pela DRJ/SPO II, a inventariante Doracy Alvim de Toledo, através de seus procuradores, interpôs Recurso Voluntário a este Egrégio Tribunal administrativo, conforme documento às fls. 176/183, reiterando os argumentos dantes apresentados, bem como questiona os fundamentos postos na decisão recorrida para o indeferimento do pleito. Cita decisões do então Conselho de Contribuintes, para asseverar que, mesmo na ausência expressa da data de início da doença no laudo pericial apresentado, com base nos Fl. 215DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13807.005979/2001-68 Acórdão n.º 2801-01.301 S2-TE01 Fl. 191 3 demais documentos acostados ao processo (exames, declarações, e outros), pode-se concluir que desde o ano de 1994 o Sr. Floriano Lima de Toledo já era portador de moléstia grave enquadrada no rol do artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/88, sendo merecedor do direito à isenção. Ao final, pleiteia a reforma da decisão de primeiro instância, para que seja reconhecido o direito à isenção no caso em concreto, e determinado o pagamento das restituições do imposto de renda, relativas aos anos-calendário de 1994 a 1999. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Não há na peça recursal qualquer alegação preliminar. Passa-se, portanto, ao mérito da questão. A não tributação dos proventos de aposentadoria ou pensão recebidos por portador de moléstia grave encontra-se expresso nos incisos XXXI e XXXIII do artigo 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/1999, a seguir transcrito juntamente com seus parágrafos 4º e 5º, que definem critérios a serem devidamente observados para o reconhecimento da isenção: Decreto nº 3.000/1999 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ........................................ XXXI - os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); ......................................... XXXIII - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina Fl. 216DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 4 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei n.º 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei n.º 8.541, de 1992, art. 47, e Lei n.º 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); ....................................... §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle; §5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II - do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifos nossos) Nos termos do que preceitua a norma legal acima transcrita, dois são os requisitos (cumulativos) para fazer jus à isenção. Primeiro, que os rendimentos tenham a natureza de “proventos de aposentadoria, reforma ou pensão”; segundo, que o beneficiário seja portador de moléstia especificada na lei. Todavia, merece ainda consideração um dos termos iniciais estipulado para a concessão da isenção, qual seja, a “data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial”. Ora, seria muito difícil ou muita vezes até mesmo impossível em certos casos determinar com precisão a data em que a doença foi contraída (adquirida), especialmente considerando-se a etiologia das diversas doenças enumeradas no art. 39, inc. XXXIII do Decreto nº 3.000, de 1999. Portanto, a data a ser considerada nos casos de moléstias graves contraídas após a aposentadoria, reforma, ou pensão, é a indicada no laudo pericial correspondente ao seu diagnóstico conclusivo e inequívoco, seja por sintomas ou sinais patognomônicos ou mediante exames radiológicos, laboratoriais, anatomopatológicos, dentre outros. Na espécie dos autos, diante dos documentos anexados pelo contribuinte ao presente processo, verifica-se que apenas o Laudo n° 021/2000 emitido pelo Departamento Médico da Secretaria Municipal da Administração do Município de São Paulo, à fl. 144, atende o requisito básico de ter sido emitido por serviço médico oficial do Município. Todos os demais elementos juntados não podem ser acatados como laudos periciais, referindo-se a exames, declarações de internações, e atestados de médicos particulares. Ocorre que, o Laudo n° 021/2000 não indica data anterior em que a doença teria sido contraída. Desse modo, o benefício da isenção somente pode ser aplicado a partir da data da emissão do referido documento, ou seja, 12/04/2000. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13807.005979/2001-68 Acórdão n.º 2801-01.301 S2-TE01 Fl. 192 5 A isenção não pode ser estendida a período em que o contribuinte não comprove os requisitos exigidos para sua concessão, especificados em consonância com o art. 176 do CTN. Isto porque o único método de hermenêutica jurídica permitido para a definição do verdadeiro sentido e alcance da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção é o literal (inciso II do art. 111 do CTN). Assim, não há como acolher o pleito formulado pelo interessado. Isto posto, VOTO em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 218DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 17/01/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001758/99-52
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1995, 1997, 1998
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
Preliminar rejeitada.
Numero da decisão: 2801-001.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Fl. 167DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 16/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 2 Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Edgar Vidal, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 55.393,94, referente aos exercícios de 1995, 1997 e 1998, a título de imposto (R$ 24.063,94), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 18.047,96), além de juros de mora (R$ 13.282,05). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos tendo em vista que os demonstrativos de evolução patrimonial dos anoscalendário de 1994, 1996 e 1997 (fls. 73/76) apontaram sinais exteriores de riqueza, decorrentes da realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte, através da análise dos extratos bancários apresentados. Em sua impugnação, o contribuinte apontou os seguintes erros no levantamento da evolução patrimonial: • Quanto ao anocalendário de 1994, foram considerados como saídas ou cheques compensados todos os débitos efetuados na conta corrente do contribuinte, incluindose as aplicações financeiras, sendo que não se considerou como recursos ou entradas os respectivos resgates. Também não se computou o empréstimo de 1.161,17 UFIR obtido junto a instituição financeira, apesar de ter sido considerada a sua saída, seja na sua utilização como dispêndio, seja na sua amortização. Deixouse, ainda, de se levar em conta, no mês de dezembro, o saldo em conta corrente no valor de 1.809,43 UFIR; • Quanto ao anocalendário 1996, consta no extrato bancário do mês de agosto saldo negativo da conta corrente, enquanto que no quadro analítico consta saldo positivo. Para o último trimestre desse ano, reitera o erro mencionado em relação aos dispêndios e às aplicações financeiras; • Quanto ao anocalendário 1997, não se considerou como recurso o saldo de aplicação financeira existente em dezembro de 1996, e, ainda, ao longo do ano foram considerados como cheques compensado, as aplicações financeiras, gerando aumento das saídas além do efetivo. Além disso, vários cheques recebidos, no total de R$ 20.000,00, referemse a sinal da venda do imóvel agrícola situado em Pouso Alegre MG, concretizada em 30/10/98, conforme anexo apuração de ganho de capital da DIRPF/99. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 107/113, cancelou parte do lançamento após confirmar erros apontados pelo sujeito passivo, exceto em relação às seguintes questões: Fl. 168DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 16/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13808.001758/9952 Acórdão n.º 280101.341 S2TE01 Fl. 155 3 1. Apesar de ter sido confirmado o saldo final em conta corrente do ano calendário de 1994, concluise que tal saldo inicial em 1995 não interfere no crédito tributário, visto que nesse ano não houve apuração de acréscimo patrimonial a descoberto; 2. A alegação de que no ano de 1997 foram recebidos diversos valores decorrentes de sinal relativo a alienação de imóvel agrícola situado em Pouso Alegre não foi acolhida por falta de provas. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 10/03/2008 (fl. 116), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 119/138, em 04/04/2008, no qual, em preliminar, pretende seja reconhecida a prescrição do crédito tributário em desfavor da Fazenda Pública, face a sua inércia quanto ao impulso do processo administrativo superior a oito anos. No mérito, alega que a autuação é desprovida de elementos necessários para comprovar as irregularidades lhe imputadas. pois fora constituída em meras suposições, tomandose por base tãosomente extratos bancários, os quais, por si só, não podem servir de base à presunção legal relativa de omissão de rendimentos ou de receitas, havendo necessidade de prova evidente por parte do fisco de recebimento de renda ou de consumo incompatíveis com os rendimentos apontados. Aduz que não há qualquer justificativa para o lançamento, nem esclarecimento na decisão quanto à base legal para a cobrança do crédito tributário mantido. Sustenta que, no ano de 1997, recebeu valores, que somam R$ 20.000,00, a título de sinal pela venda concretizada em 1998 de uma propriedade, quando então lavrou a escritura definitiva. Afirma que vendeua em confiança, não fazendo à época documento vinculando pagamentos, visto que as partes se conheciam e tinham entre si confiança na realização de negócio nas condições realizadas. Defende que o ônus da prova quanto à omissão de rendimentos cabe à autoridade lançadora, razão pela qual descabe a tributação do valor de R$ 20.000,00, auferido no anocalendário 1997, como omissão de receita. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, há de se afastar a suscitada prescrição, eis que o prazo de prescrição só tem iniciada a sua contagem a partir da decisão definitiva no processo administrativo fiscal, vale dizer que, enquanto não resolvido o litígio, nenhum prazo de caducidade achase em curso. Esse entendimento já é posição sumulada neste Conselho: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) Quanto ao mérito, registrese, de plano, que estamos diante de um lançamento lastreado em fatos descritos em um relatório consubstanciado através de demonstrativos que foram preenchidos com valores constantes em documentos fiscais Fl. 169DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 16/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 4 apresentados pelo sujeito passivo, suficientes para justificar a imputação de omissão de rendimentos. O contribuinte, na fase impugnatória, rebateu de forma meticulosa as acusações, apontando erros que foram inclusive reparados pela decisão recorrida. Em sede de recursos, o interessado alega que a decisão recorrida não se sustenta sem contudo demonstrar de forma clara e objetiva sua improcedência, ao passo que o julgado, com se vê às fls. 107/113, analisou a integralidade dos elementos processuais, apreciou todos os argumentos da impugnante e elaborou os demonstrativos necessários à apuração do crédito tributário que restou mantido. O recorrente também defende que a autoridade fiscal deve comprovar a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda. Tal matéria, entretanto, já está sumulada de forma contrária ao seu entendimento pela Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto às quantias que foram creditadas na conta corrente do contribuinte no período de setembro a dezembro do anocalendário de 1997, constantes dos extratos de fls. 142/148, não há como se fazer correspondência entre tais recebimentos, que somam aproximadamente R$ 20.000,00, e a venda da propriedade agrícola localizada no município de Pouso Alegre, uma vez que não foram carreados aos autos documentos a embasar a alegação do recorrente, no sentido de que os referidos depósitos referemse adiantamento da alienação do imóvel que foi declarada na DIRPF/1999, conforme cópia de fl. 151. Portanto, resta corroborar a inviabilidade de cômputo dessa receita como origem do acréscimo patrimonial. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 170DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 16/02/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003904/00-92
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.558
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10730.007434/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI N° 8.852/94.
A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2801-001.248
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitaras preliminares de decadência e prescrição e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24 de setembro de 2009, publicada no. DOU de 29 de setembro de 2009, pág. 50, que trata dos recursos repetitivos.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI N° 8.852/94. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipôteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24 de setembro de 2009, publicada no DOU de 29 de setembro de 2009, pag. 50, que trata dos recursos repetitivos. Amarylles Reinaldi e Henriques Resende — Presidente e Relatora EDITADO EM: 03/12/2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Amarylles Rcinaldi e Henriques Resende, Antônio de Padua Athaycle Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Carlos Cesar Quadros Pierre e Julio Cezar da Fonseca Furtado. Relatório Trata-se de lançamento de oficio, cuja ciência se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do imposto em discussão, cuja matéria ern litígio restringe-se à omissão de rendimentos referidos no artigo 1°, inciso III, da Lei n° 8.852, de 1994. Adotar-se-á no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24 de setembro de 2009, publicada no DOU de 29 de setembro de 2009, pág. 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que vier a ser adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, sera' aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento . : "0 item 78 é acórdão paradigma do julgamento dos recursos correspondentes aos itens 108 a 305. Os interessados em fazer sustentação oral nos citados recursos deverão faze-lo no dia e hora previstos para o julgamento do item 78, na forma do Art. 47, parcigrafos 1°e 2° do Regimento Interno do CARF. 78 - Recurso: 172.519 - Processo: 13747.000277/2007-35 - Recorrente; ADEMIR DA SILVA - Recorrida: I' TURMA/D1?J- RIO DE JANEIRO II/RJ - Matéria: IRPF - Exercício: 2004." o relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Confonne relatado, a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do tributo em discussão (artigo 150, §4°, do CTN). Relativamente ao mérito, destaque-se que as razões de decidir são aquelas expostas no Acórdão 2801-01.039, anexo, proferido por este Colegiado, em 21/10/2010, no julgamento do Processo n° 13747.000277/2007-35, cujo recorrente é ADEMIR DA SILVA, o qual passa a ser parte integrante deste julgado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Amarylles Re aldi e Henriques Resende 2 DF CARF IvIF Fl. 52 S2-TE01 Fl. 52 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SECA.° DE JULGAMENTO Processo n° 13747.000277/2007-35 Recurso n" 172.519 Voluntário Acórdão n° 2801-01.039 — P Turma Especial Sessão de 21 de outubro de 2010 Matéria IRPF Recorrente ADEMIR DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003 IRPE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI N° 8.852/94. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009, publicada no DOU de 29/09/2009, página 50, que trata dos recursos repetitivos. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende - Presidente Assinado digitalmente Antonio de Padua Athayde Magalhães - Relator e} fl I 2h Participaram do pregenfé júlImentô os Conselheiros: Amarylles Rehialdi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Antonio de Padua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Eivanice Canário da Silva. Assinado digitalmente em 09/11/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL. 18/11/2010 por AMARYLLES REI NALDI E HENRIQUES Autenticado digitalmente ern 09/11/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Emitido em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CARF MF Fl. 53 Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento, fls. 04/06, decorrente do resultado da revisão efetuada na declaração de rendimentos retificadora apresentada pelo contribuinte, referente ao exercício 2004, ano-calendário 2003. A fiscalização apontou que houve omissão de rendimentos informados ern DLR_F pela fonte pagadora, além de compensação indevida de 1RRF. Cientificado do lançamento em 08/06/2007, confonne AR - Aviso de Recebimento 6. fl. 34, o contribuinte apresentou sua impugnação ern 19/06/2007, As fls. 01/02, argumentando, em síntese, que apresentou declaração retificadora do exercicio 2004 efetuando alteração de valores anteriormente informados corno rendimentos tributáveis, uma vez que, no Informe de Rendimentos, sua fonte pagadora não os havia excluído da tributação. Esclarece que assim o fez ao amparo do art. 1°, inciso III, alíneas "b", "j", e "n", da Lei n° 8.852/94. Ao apreciar a questão, o órgão colegiado de primeira instância decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência da exigência fiscal, nos termos do Acórdão As fls. 36/40. Devidamente intimado da decisão a quo em 15/10/2008, nos termos do AR— Aviso de Recebimento a fl. 47, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ás fls. 48/49. Em suas razões, o recorrente apresenta idêntica linha de argumentação posta na impugnação. Cumpre ressaltar que se adotará no presente julgamento o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009, publicada no DOU de 29/09/2009, página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que vier a ser adotada no presente recurso-padrão, sera aplicada a todos os demais recursos repetitivos incluídos na mesma pauta de julgamento, conforme a seguir: No julgamento dos itens 78 (recurso-padrão) e 108 a 305 (demais recursos repetitivos) sera adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 29/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito as exclusEies do conceito de remuneração comidas nas alíneas "a" até "r" do inciso III, do art. 1°, da Lei n°8.852/94. 78 - Processo: 13747.000277/2007-35 - Recorrente: ADEMIR DA SILVA - Recorrida: I ° TURMA/DRJ-RIO DE JA1sIEIRO II/RJ - Matéria: IRPF— Exercicio: 2004. o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Padua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Assinado d:gitalmente em 09/11/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/11/2010 por AMARYLLES REi NALDI E HENRIQUES Autenticado digitalmente em 09111/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 2 Emiticio em 14112/2010 pelt) Wisteria da Fazenda DF CARF MF Fl. 54 Processo 13747.00027/12007-35 S2-TE01 AcórdRo a.° 2801-01.039 F I. 53 A partir da análise dos autos, constata-se que o presente litígio restringe-se discussão acerca da interpretação da Lei n° 8.852, de 04/02/1994, uma vez que o contribuinte não contestou a infração "Compensação Indevida de IRRF", encontrando-se, portanto, como bem ressaltado no acórdão recorrido, administrativamente consolidada, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, esta parcela do credito tributário lançado. E assim, no tocante à matéria que resta à apreciação, assevera-se, de inicio, que a norma posta em destaque pelo recorrente (Lei n° 8.852, de 04/02/1994) versa sobrc a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, §1°, da Constituição Federal, e di outras providências, in verbis: Art. 1°. Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administraçdo pública direta, indireta e .fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I - como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; b) o soldo definido nos termos do art. 6.° da Lei 8.237, de 30 de setembro de 1991, para os servidores militares; c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público lenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de inomporação ao patrimônio II - como vencimentos, a soma do vencimento básico como as vantagens permanentes relatives ao cargo, emprego, posto ou graduagdo; Ill - como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídos: • diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxilio-fardamento; d) gratificagão de compensação orgânica, a que se refere a art. 18 da Lei 8.237, de 1991; e) salcirio-familia; Assinado digitalmente em 09111 12010 por ANADiVefg0i6g2k,'FA4fif3r.'64,R@Wii?b1cil:6ZMWIAgiWit"?.e.ffiP■ Ef°; NALDI E HENRIQUES Autenticado digitalmente em 09/11/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 3 Erniddo em 14/12(2010 pelo Ministório da Fazenda DF CART' MF FL 55 g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxilio-natalidade; i) adicional ou auxilio-funeral; j) adicional ou férias, ate o limite de 113 (um terço) sobre a retribuição habitual; 1) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regimentos, convenções, acordos ou dissidios coletivos e desde que o valor pago não exceda em mais de 50% (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado ern horário que fundamente sua concessão; n) adicional por tempo de servi co; o) conversão de licença-premio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1°. de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosiclade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o period() em que o beneficiário estiver sujeito as condições ou riscos que deram causa a sua concessão; q) hora de repouso e alimentação e adicional de sobreaviso a que se referem, respectivamente, o inciso 11 do art. 3.° e o inciso lido art. 6. 0 da Lei 5.811, dell de outubro de 1972; r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja, reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo, (vetado pelo Presidente da República e mantido pelo Congresso Nacional - D.O.U. 05-04-94). Parágrafo 1°. 0 disposto no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. Como se pode observar, em seu art. I°, a Lei n° 8.852/94 define a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da Unido, dividindo-a em vencimento básico (inciso I), vencimentos (inciso II), e remuneração (inciso III), para aplicação dos seus dispositivos. 0 inciso ILI explica o que compreende a remuneração, configurando-se "a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual demais vantagens, nestas compreendidas as relativas a natureza ou local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei n° 8.112/90, ou outra paga sob o mesmo fundamento [..] ". Ao final, exclui da remuneração algufnas verbas. Para melhor esclarecer a matéria é necessário compreender qual foi a intenção do legislador ao fazer esta divisão, que se tornou importante para limitar o AssinadoOWdL-ediy:Fenpaclwillure-,J- " - ¡3N12.RbetR8W,I ff4%iflgM6"&q-ti dkV4tTrKfe:T. rlAado que: NALDI E HENRIQUES Auteriticado digitalmente em 00/11/2010 pm ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAC-AL 4 Einitido em 14/1212010 pelo Ministério da Fazenda DF CARY IVIF Fl. 56 Processo n°1374700027712007-35 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-01.039 Fl. 54 Parágrafo 2°, As parcelas de retribuição excluídas do alcance do inciso III não poderão ser calculadas sobre base superior ao limite estabelecido no art. 3°. Neste prumo, assim estabelece o art. 3°: Art, 3°. 0 limite máximo de remuneração, para os efeitos do inciso XI do art. 37 da Constituição Federal, corresponde aos valores percebidos, em espgcie, a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal. Portanto, o diploma legal em referência foi editado para regular os artigos 37, XI e XII da Constituição Federal, veiculando classificação dos diversos recebimentos para fins de determinação dos tetos de remuneração dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos, sem qualquer vineulacão quanto à matéria do imposto de renda. Importante, neste ponto, destacar o disposto no art. 3 0, § 1°, da Lei n° 7.713 188, ao estabelecer que o imposto de renda incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos ern dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9 0 a 14 desta mesma Lei. E neste sentido, o § 4° do art. 3° define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e. a qualquer titulo. Como se vê, as verbas destacadas pelo contribuinte em sua peça rectusal configuram claramente rendimentos do trabalho, subsumindo-se ao conceito de renda definido no art. 43 do Código Tributário Nacional e A hipótese de incidência veiculada pelo art. 43 do R1R/99. No mais, para a concessão de isenção, é necessário lei especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da Constituição Federal, de 1988. E as legislações que embasam o pedido do presente recurso voluntário, não tratam especificamente da matéria tributária de isenção ou não incidência. Destaque-se que, nessa mesma linha de entendimento são as decisões sobre a matéria até então proferidas por este Egrégio Conselho. Transcrevo a seguir algumas ementas: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPE Exercício. 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS - ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. A Lei n° 8.8.52, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas fisicas, portanto as verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. (Recurso n° 156.795. Acórdão I° CC o° 104-23.174, Sessão de 24 de abril de 2008) Assinado digitalmente em 0911/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/11/2010 por AMARYLLES REI NALDI E HENRIQUES Autenticado digitalmente Cm 09/1112010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 5 Emitido ern 14/1212010 polo Ministério da Fazenda DF CARF IvIF Fl. 57 IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS - A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas fisicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, ci mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. (Recurso n° 155.978. Acórdão I° CC n° 104-- 22,484, Sessão de 25 de maio de 2007) OMISSÃO DE RENDIMENTOS - CONCEITO DE REMUNERAÇÃO - As exclusões do Conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de 1RPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso negado. (Recurso n° 159.315. Acórdão 1° CC n° 104-22.932, Sessão de 07 de dezembro de 2007) Assim, é importante ressaltar que a regra geral é a tributação de todos os rendimentos decorrentes do trabalho assalariado, sendo necessária expressa previsão legal para que algumas verbas não se sujeitem à tributação. Verifica-se ainda que, na essência, a questão posta nos autos é similar a discussão travada no âmbito deste Egrégio Conselho, em que se discute a exclusão da "indenização de horas trabalhadas - JET " dos rendimentos tributáveis. E no tocante a este tema, a jurisprudência da Camara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é pacifica no sentido de que rendimentos percebidos a titulo de "IHT" não têm caráter indenizatOrio e, sim, natureza salarial ou remuneratOria, estando, pois, sujeitos a incidência do imposto de renda, sendo vejamos: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1997, 1998 IRP.F. REMUNERAÇÃO DE HORAS EXTRAS. PAGAMENTO SOB A DENOMINAÇÃO DE INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS. NATUREZA JURIDICA. Embora o pagamento tenha sido efetuado sob a denomina cão Indenização de Horas Trabalhadas, a natureza jurídica da verba é que define a incidência tributária ou não. Há incidência tributária, conforme dispõe o art. 43, II, do CTN, sobre renda e proventos quando ficar tipificado acréscimo ao patrimônio material do contribuinte, e ai estão inseridos os pagamentos efetuados por horas-extras trabalhadas, porquanto sua natureza é rem uneratória, e não indenizatória. (Recurso Especial no 149.316. Acórdão CSRF n° 9202-00.219, Sessão de 21 de setembro de 2009)" `Assunto: Imposto sabre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1996 6 IRPF - VERBAS RECEBIDAS A TITULO DE INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS (IHT) - NATUREZA SALARIAL - Asshado digital' rente em 09/11/2§WRAWASFAX IA5rDE MAGAL, 18/11/2010 por AMARYLLES REI NALDI E HEN RIQUES Autenticado digitalmente em 09/11/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Emitido em 14/12/2010 pelo Minisiêrio da Fazenda DF CARF MF Fl. 58 Processo a' 13747.000277/2007-35 52-TE01 Acórao n.°2801-01.039 F1, 55 Os valores percebidos pelo contribuinte a titulo de IHT não têm cardter indenizatório e, sim, natureza salarial ott remuneratória, estando, pois, sujeitos a incidência do imposto de renda, de acordo COM precedente bastante atual da Primeira Seção do Egrégio STJ pig. Rg. no REsp n° 933.117/RA9. (Recurso Especial n° 104-150.035. Acórdão CSRF n° 9202- 00183, Sessão de 18 de agosto de 2009)" (grifos acrescidos) Deste modo, diante da análise da referida legislação, infere-se claramente que as alíneas "a" até "r" do inciso III, do art. 1 0, da Lei no 8.852/94, tratam de exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, ou seja, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, mas sim, repise-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei no 8.852/94. Isto posto, VOTO em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário apresentado nos autos. Assinado digitalrnente Antonio de Padua Athayde Magalhães Assirtado digitalmente em 09/11/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, 18/11/2310 por AMARYLLES REI NALDI E HENRIQUES Autenticado digitalmente em 09111/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 7 Erniticia em 14/12/2010 pelo Ministério da Fazenda
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Numero do processo: 10730.000145/2002-90
Data da sessão: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício. 1997
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO.
Comprovado tratar-se de mero erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, afasta-se o lançamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3805-000.069
Decisão: ACORDAM os membros da QUINTA TURMA ESPECIAL da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida 4a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - 1 RRF Exercício. 1997 DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. Comprovado tratar-se de mero erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, afasta-se o lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da QUINTA TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimid.1e de v tos, em DAR PROVIMENTO AO RECURSO, nos termos do voto do relator. S1DNEY RR* : • RRO'S President • e ex . cí io 4/: do '1 '74,10 ,o RUBEN AUR1C10 CARVALHO Relator FORMALIZADO EM: 3Q JUL 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Suplente convocado) e Sandro Machado dos Reis. Processo n° 10730.000145/2002-90 53-TE05 Acórdão n.°3805-00.069 Fl. 106 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 39 a 44 da instância a ano, in verbis: I - Do lançamento Trata o presente processo de auto de infração (fls. 04/05) lavrado em 21/11/2001, pela DRF/NITERÓI-RJ, em razão da falta de pagamento de débito relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF incidente sobre Rendimentos do Trabalho Assalariado (código 0561), informado na DCTF do 1° trimestre do ano- calendário de 1997, apurado em procedimento de auditoria interna, do qual resultou na exigência do IRRF correspondente, no valor de R$ 140,00 (cento e quarenta reais), com o acréscimo da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora. Informações da DCTF Informações do DARF Código Período de Vencimento Débito Vencimento Valor Situação do DARF Apuração informado (i25) Pgto. sem pendência de multa de mora e juros de 05/02/1997 2.127,84 mora Pgto. sem pendência de 05/02/1997 1.807,56 multa de mora e juros de mora• Pgto. sem pendência de 05/0211997 1.382,50 multa de mora e juros de mora Pgto. não confirmado e não 0561 05- 05/02/1997 5.664,47 05/0211997 140,00 localizado 01/1997 Pgto. sem pendência de 05/02/1997 133,74 multa de mora e juros de mora Pgto. sem pendência de • 05/02/1997 72,83 multa de mora e juros de mora Total 5.524,47 - amortizado Saldo em 140,00 - aberto Enquadramento legal: . IRRF: art. 103, do Decreto-lei n° 5.844/1943; art. 43-inciso I e art. 45- único, do CTN; art. 8°-§ único, do Decreto-lei n° 1.736/1979; art. 7°-inciso 1 e 2 Processo n° 10730.000145/2002-90 83-TE05 Acórdão n°3805-00.069 Fl. 107 § 1 0, da Lei n° 7.713/1988; art. 83, inciso!, "d", da Lei n°8.981/1995; art. 1°, da Lei n°9.249/1995; art. 3'4 único e art. 5 0, da Lei n°9.250/1995; • Multa de oficio: art. 160 do CTN; art. 1° da Lei n° 9.249/1995; art. 44 - inciso! e § 1° - inciso I, da Lei n°9.430/1996; •Juros de mora: art. 161, § 1°, do CTN; art. 61, § 3°, da Lei n°9.430/1996. II — Da impugnação 2. Inconformada com o lançamento, do qual tomou ciência em 18/12/2001 (AR de fls. 23), apresentou a interessada, em 11/01/2002, a impugnação de fls. 01, instruída com os documentos de fls. 11/22, requerendo o cancelamento da exigência, alegando que o débito, originário de rescisão de contrato de trabalho ocorrida no inicio de janeiro de 1997, fora liquidado em 08/01/1997, conforme cópia do DARF trazida aos autos (fls. 11). 3. É o Relatório. Examino o presente processo somente nesta data em face do volume e das condições do serviço e das prioridades e ordens de preferência no julgamento de processos, estabelecidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, regulamentadas pela Portaria MF n° 29, de 17 de fevereiro de 1998 e disciplinadas pela Portaria SRF n° 1.512, de 30 de dezembro de 2002, Portaria SRF n°454, de 29 de abril de 2004, Portaria SRF n° 1365, de 10 de novembro de 2004 e Portaria n° 826, de 22 de março de 2005. Considerando esses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, pela falta de apresentação de provas já que os argumentos da recorrente foram improcedentes, no seu entender, diante dos fatos postos nos autos, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: DCTF. RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO INFORMADO. Mantém-se a exigência do imposto, com os respectivos acréscimos legais, se a pessoa jurídica não logra comprovar o recolhimento de débito informado em DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 52 a 53, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, alegando que o débito lançado é realmente originário de rescisão de um contrato de trabalho ocorrida no inicio de janeiro de 1997 e fora liquidado em 08/01/1997, conforme cópia do DARF trazida aos autos (fls. II), esclarecendo que o erro foi de preenchimento do vencimento dessa obrigação tributária na DCTF, resultando em pagamento não localizado. Para corrigir essa distorção, o interessado retificou a DC1T, anexando-a às fls. 55 a 97. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para este foro administrativo para julgamento. É O RELATÓRIO. "35 Processo n° 10730.000145/2002-90 S3-TE05 Acórdão n.° 3805-00.069 Fl. 108 Voto Conselheiro RUBENS MAURÍCIO CARVALHO, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. O lançamento em litígio tem origem em pagamento declarado em DCTF e não confirmado e não localizado. Contudo, juntamente com o recurso, ora apreciado, foi juntada a retificação de DCTF de fls. 55 a 97 que analisada em conjunto com o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho de fl. 98 e com o DARF de fl. 54, fica claro que o contribuinte incorreu em erro de preenchimento na DCTF, especificamente na data de vencimento do crédito tributário no valor de R$140,00, pois onde constou vencimento 05/02/1997, deveria ser 08/01/1997. Destarte, considero o débito remanescente nestes autos quitado, determinando a devida imputação e retificação da DCTF. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2009 int RILHE : MAURÍCIO CARVALHO. 4 Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10073.000391/2006-66
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2005
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Estando o
contribuinte obrigado a apresentar a declaração de ajuste anual de IRPF, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. IRPF. A isenção de IRPF sobre os
rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, para os portadores de moléstia grave, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-001.319
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a declaração de ajuste anual de IRPF, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. IRPF. A isenção de IRPF sobre os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, para os portadores de moléstia grave, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-06T12:22:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2171627_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-06T12:22:27Z; Last-Modified: 2010-12-06T12:22:27Z; dcterms:modified: 2010-12-06T12:22:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2171627_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:e3349625-09ff-44a3-9659-26def20ed647; Last-Save-Date: 2010-12-06T12:22:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-06T12:22:27Z; meta:save-date: 2010-12-06T12:22:27Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2171627_0.doc; modified: 2010-12-06T12:22:27Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-06T12:22:27Z; created: 2010-12-06T12:22:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-12-06T12:22:27Z; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-06T12:22:27Z | Conteúdo => S2-TE01 Fl. 127 1 126 S2-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.000391/2006-66 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801-001.319 – 1ª Turma Especial Sessão de 2 de dezembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente MARIA NATALINA DA COSTA MELO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a declaração de ajuste anual de IRPF, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. IRPF. A isenção de IRPF sobre os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, para os portadores de moléstia grave, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 09/12/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 2 EDITADO EM: 06/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Sandro Machado dos Reis e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 04, relativa à multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual – DAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, no valor de R$ 165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 03), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls.46 a 48): ser inativa e portadora de artrite reumatóide nas articulações do corpo, hipertensão arterial e distúrbios neurovegetativos, lembrando os custos para todo o tratamento e compra de medicamentos. Como não foram juntados documentos comprovando a alegação acima descrita, a contribuinte foi intimada, por duas vezes (Intimações nº 196/2008, fls. 18, e nº 401/2008, fls. 37), a apresentar a documentação exigida pela legislação como prova da existência da moléstia grave. Em atendimento às aludidas intimações, a contribuinte apresentou os documentos juntados às fls. 20/32 e 43/44. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ-Rio de Janeiro-II julgou procedente o lançamento em virtude de a contribuinte ter auferido rendimentos tributáveis que a obrigavam a apresentar a respectiva declaração, e pelo fato de não ter sido apresentado laudo médico pericial oficial comprovando a existência de moléstia grave no ano-calendário de 2004, tendo ressaltado que as enfermidades citadas pela recorrente não estão enquadradas dentre aquelas moléstias graves isentivas do imposto de renda de acordo com a legislação que trata da matéria. Vejamos abaixo trechos do voto do relator daquele acórdão que aborda essa questão: Cabe destacar que a contribuinte, no caso em análise, foi intimada duas vezes (fls. 18 e 37) a apresentar laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios atestando ser portadora de moléstia grave, conforme determinado pela legislação de regência acima reproduzida. Todavia, a despeito dos documentos juntados aos autos, de fls. 22/31, a interessada não logrou apresentar laudo pericial oficial de modo a comprovar ser portadora de moléstia grave no ano- calendário em tela. Ressalte-se, também, que apesar das Fl. 128DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 09/12/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10073.000391/2006-66 Acórdão n.º 2801-001.319 S2-TE01 Fl. 128 3 alegações de possuir artrite reumatóide nas articulações do corpo, hipertensão arterial e distúrbios neurovegetativos, tais enfermidades não estão enquadradas dentre aquelas isentivas do imposto de renda de acordo com a legislação anteriormente transcrita. Note-se que não há como interpretar de modo diferente, uma vez que, de acordo com o estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. (...) No caso em tela, a imposição da referida penalidade se deu em virtude de a contribuinte ter apresentado sua DIRPF/2005 (fls. 07/09), em 26/12/2005, meses após o prazo previsto pelo artigo 3º, acima transcrito. Verifica-se, ainda, que a contribuinte informou, em sua Declaração de Ajuste Anual (fl. 07) , que auferiu rendimentos tributáveis, no valor total de R$ 12.757,60 encontrando-se, assim, obrigada à apresentação da DIRPF/2005, conforme determina o inciso I, do art. 1º da IN SRF nº 507, de 11 de fevereiro de 2005. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 21/10/09, fls. 51, a contribuinte apresentou, em 12/11/09, o Recurso de fls. 52, juntamente com a documentação de fls. 53/61, solicitando nova análise do caso, alegando que, embora estivesse passando por situação de moléstia grave, não se recorda de ter apresentado a DAA em questão fora do prazo. Requer, ainda, a retirada da multa aplicada, à vista da documentação apresentada, ou a oportunidade de parcelar o respectivo crédito tributário. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento novo que pudesse alterar a decisão recorrida. Em que pese seu inconformismo com a autuação lavrada, ela não merece reparo, assim como o acórdão recorrido. A imposição da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual decorre de disposição legal e deve ser aplicada sempre que o contribuinte estiver obrigado a apresentar a declaração e não o fizer dentro do prazo limite. A aplicação da penalidade Fl. 129DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 09/12/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 4 independe da vontade da autoridade lançadora, haja vista o exercício da atividade vinculada, previsto no parágrafo único do art. 142 do CTN. No presente caso a contribuinte estava obrigada a apresentar a respectiva declaração por ter recebido rendimentos tributáveis no valor de R$ 12.757,60, superior, portanto, ao limite de isenção estabelecido pelo art. 1º, I, da Instrução Normativa SRF nº 507, de 11 de fevereiro de 2005, para o exercício de 2005. Como pode ser constatado às fls. 07, a entrega da DAA ocorreu em 26/12/05, portanto, após o vencimento do prazo de entrega, 29/04/05, sendo cabível a exigência da multa em discussão. A alegação da recorrente de que estaria isenta de apresentar a respectiva declaração por ser portadora de moléstia grave não prospera, por não ter sido comprovada mediante a documentação exigida na respectiva legislação, como será demonstrado a seguir. A isenção de imposto de renda dos valores recebidos a título de aposentadoria, pensão ou reforma para os portadores de moléstia grave está prevista no artigo 6º, inciso XIV e XXI, da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004: "Art.6o Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI - os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Com o intuito de regulamentar a comprovação das enfermidades acima mencionadas, para fins de gozo da citada isenção, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, determinou em seu artigo 6º, § 1º, que a concessão dessa isenção, solicitada a partir de 01/01/96, somente pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vejamos o teor daquele dispositivo legal: "Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) Fl. 130DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 09/12/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10073.000391/2006-66 Acórdão n.º 2801-001.319 S2-TE01 Fl. 129 5 XII - proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia( ...) 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam- se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II - do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial." A contribuinte foi intimada por duas vezes (fls. 18 e 37) a apresentar laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios atestando ser portadora de moléstia grave, para cumprir a exigência legal acima descrita, e em ambas as oportunidades não apresentou o documento solicitado. Tampouco o fez quando da interposição do recurso voluntário. Outrossim, as enfermidades que a recorrente afirmou ser portadora, inclusive as que constam na documentação apresentada, não estão entre aquelas isentas do imposto de renda pela legislação citada. Acerca do pedido de parcelamento da multa aplicada, cumpre informar que este Colegiado não tem competência para apreciá-lo, devendo tal solicitação ser feita ao titular da unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a contribuinte. Diante do exposto acima NEGO provimento ao recurso. Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 131DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 09/12/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 6 Fl. 132DF CARF MF Emitido em 17/12/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 06/12/2010 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 09/12/2010 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001396/99-03
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
Ementa: SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. MOTIVAÇÃO INVÁLIDA. NULIDADE.
A edição do Ato Declaratório de Exclusão é exigência da Lei. O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES, por se tratar de um ato vinculado, está sujeito à observância estrita do critério da legalidade, impondo o estabelecimento de nexo entre o motivo do ato e a norma jurídica, sob pena de sua nulidade.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
São nulos os atos proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade.
Processo que se anula ab initio, com cancelamento da exclusão procedida pelo Fisco.
PROCESSO ANULADO AB INITIO
Numero da decisão: 301-33.545
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular o processo ab
initio, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 Ementa: SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. MOTIVAÇÃO INVÁLIDA. NULIDADE. A edição do Ato Declaratório de Exclusão é exigência da Lei. O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES, por se tratar de um ato vinculado, está sujeito à observância estrita do critério da legalidade, impondo o estabelecimento de nexo entre o motivo do ato e a norma jurídica, sob pena de sua nulidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. São nulos os atos proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. Processo que se anula ab initio, com cancelamento da exclusão procedida pelo Fisco. PROCESSO ANULADO AB INITIO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e. PRIMEIRA CÂMARAPa.4- Processo n° 13811.001396199-03 Recurso n° 132.651 Voluntário Matéria • SIMPLES - EXCLUSÃO Acórdão n° 301-33.545 Sessão de 23 de janeiro de 2007 Recorrente TRADITION INSTITUTO DE IDIOMAS E COMÉRCIO LTDA. Recorrida DRJ/SÃO PAULO/SP • Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 Ementa: SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. MOTIVAÇÃO INVÁLIDA. NULIDADE. A edição do Ato Declaratório de Exclusão é exigência da Lei. O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES, por se tratar de um ato vinculado, está sujeito à observância estrita do critério da legalidade, impondo o estabelecimento de nexo entre o motivo do ato e a norma jurídica, sob pena de sua nulidade. • PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. São nulos os atos proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. Processo que se anula ab initio, com cancelamento da exclusão procedida pelo Fisco. PROCESSO ANULADO AB INITIO . • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n.° 13811.001396/99-03 CCO3/C01 Acórdão n.°301-33.545 Fls. 89 ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio , nos termos do voto do relator. ct‘ \)3 OTACÍLIO D • t S ARTAXO - Presidente • VALMAR FO /CA D MENEZES - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz • Roberto Domingo, Susy Gomes Hoffmann, Irene Souza da Trindade Torres e Davi Machado Evangelista (Suplente). Ausentes os Conselheiros Carlos Henrique Klaser Filho e Atalina Rodrigues Alves. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. • • Processo n.°13811.001396/99-03 CCO3/C01 Acórdão n.°301-33.545 Es. 90 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "O contribuinte acima qualificado, mediante Ato Declaratório de emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo, foi excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, ao qual havia anteriormente optado, na forma da Lei n° 9.317, 05/12/1996 e alterações posteriores. Ins. urgindo-se contra a referida exclusão, a interessada apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão da Opção pelo Simples — SRS, junto à DISIT da Delegacia da Receita Federal/SP, que manifestou-se • pela improcedência da mesma (fls. 04 e verso). Em 27/05/1999, de acordo com os artigos 14 e 15 do Decreto n° 70.235/1972, com a nova redação dada pela Lei n° 8.748/1993, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 01 a 03), através de seu representante, alegando, em síntese: I. O impugnante é empresa que tem por objetivo o ensino de línguas e revenda de materiais didáticos, paradidáticos e promocionais, consoante seu contrato sociaL 2. Desta feita, claro está que o impugnante não faz parte do rol das vedações à opção pelo SIMPLES, considerando a previsão legal inserta no artigo 90 da Lei n° 9.317/96, posto que o mesmo preenche todos os requisitos exigidos. 3. Ademais, a Constituição Federal só garante o tratamento diferenciado em razão do faturamento e não da atividade. Esse tem sido o entendimento dos tribunais país afora, em face da avalanche de • liminares concedidas às escolas." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, à fl. 29, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 Ementa: SIMPLES Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas cuja atividade não esteja contemplada pela legislação de regência, tal como é o caso de prestação de serviços de professor. Solicitação indeferida" Processo n.° 13811.001396/99-03 CCO3/C01 Acórdão n.°301-33.545 Eis. 91 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, pela petição de fl. 34. À fl. 78, este Colegiado determinou a realização de diligência para que fosse juntado aos autos o Ato Declaratório de exclusão, providência esta que se revelou infrutífera, em vista do que consta do despacho de fl. 87. É o Relatório. • • • • Processo n.° 13811.001396199-03 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.545 Fls. 92 Voto Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, Relator Verifico, preliminarmente, que, em que pese o esforço empreendido por esta Câmara no sentido de saneamento do processo, a repartição de origem foi incapaz de encontrar o documento solicitado, e considerado extrema relevância, cuja instituição decorre de mandamento legal. Desta forma, devemos julgar o litígio com base nos elementos constantes nos autos. Pelas informações trazidas pela autoridade que apreciou a SRS, fl. 04, como relatado, a exclusão se deu em virtude de atividades da empresa. • Na hipótese de Ato Declaratório emitido em casos sem a discriminação a das pendências da empresa junto ao Fisco, esta Câmara já firmou jurisprudência no sentido de que este seria nulo, nos termos do voto da eminente Conselheira Atalina Rodrigues Alves, por ocasião do julgamento do recurso 124.796, o qual, pela relação com este processo, adoto como razões de decidir, transcrevendo-o adiante, em excertos: "Tendo em vista que no presente processo a lide surge com a manifestação de inconformidade da interessada em relação ao Ato Declaratório n° 278.635, que declarou sua exclusão do SIMPLES por motivo de "pendências da empresa e/ou sócios junto a PGFN", cumpre-nos, preliminarmente, examinar a validade do referido ato. Na lição do Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, na obra "Elementos do Direito Administrativo", Ed. Revista dos Tribunais, 1980, página 39, "o ato administrativo é válido quando foi expedido em absoluta conformidade com as exigências do sistema normativo. Vale dizer, quando se encontra adequado aos requisitos estabelecidos • pela ordem jurídica. Validade, por isto, é a adequação do ato às exigências normativos". Sendo o ato declaratório de exclusão um ato administrativo vinculado, visto que a lei instituidora do SIMPLES estabelece os requisitos e condições de sua realização, para produzir efeitos válidos é indispensável que atenda a todos os requisitos previstos na lei. Desatendido qualquer requisito, o ato torna-se passível de anulação, pela própria Administração ou pelo Judiciário. Dentre os requisitos do ato que declara a exclusão da pessoa jurídica do Sistemática de Pagamentos dos Tributos e Contribuições denominada SIMPLES, destacam-se o pressuposto de fato que o autoriza, isto é, o seu motivo ou causa e a previsão abstrata da situação de fato (hipótese legal). Na realidade, o motivo do ato é a efetiva situação material que serviu de suporte para a prática do ato, o qual está previsto na norma legal. Para fins de análise da validade do ato é necessário verificar se realmente ocorreu o motivo em função do qual foi praticado o ato Processo n.° 13811.001396/99-03 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.545 Fls. 93 (materialidade do ato) e se há correspondência entre ele e o motivo previsto na lei. Não havendo correspondência entre o motivo de fato e o motivo legal o ato será viciado, tornando-se passível de invalidação. Feitas estas considerações, cumpre-nos examinar se ocorreu a situação de fato que autorizou a expedição do Ato Declaratório n°278.635 que excluiu a recorrente do SIMPLES e se há correspondência entre o motivo de fato que o enzbasou com o motivo previsto na lei instituidora do SIMPLES. Ao instituir o SIMPLES, a Lei n° 9.317, de 1996, e alterações posteriores, determinou, in verbis: 'Art. 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XV — que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do • Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa". Por sua vez, o art. 14 c/c o art. 15, § 3° da citada lei, determina que, ocorrida a hipótese legal de impedimento e deixando a pessoa jurídica de formalizar sua exclusão mediante alteração cadastral, ela será excluída de oficio mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Verifica-se, assim, que a lei especifica a hipótese que, uma vez ocorrida, motivará a exclusão do SIMPLES de ofício, mediante ato declaratório da autoridade fiscal: ter o contribuinte débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Da análise do ato declaratório (fl. 39) constata-se, de plano, a • inadequação do motivo explicitado ("Pendências da Empresa e/ou Sócios junto a PGFN") com o tipo legal da norma de exclusão ("débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa"). Frise-se que o motivo antecede a prática do ato administrativo e, quando previsto em lei, o agente que o praticou fica obrigado a justcar a sua existência, demonstrando a sua efetiva ocorrência, sob pena de invalidade do ato. Conforme esclarecido anteriormente, tratando-se o ato declaratório de ato administrativo vinculado é imprescindível a observância do critério da legalidade, ficando a autoridade fiscal inteiramente presa ao enunciado da lei em todas as suas especificações. Assim, não tendo a autoridade fiscal dado como motivação do ato declaratório ter o contribuinte débito exigível inscrito no INSS, na forma prevista na lei, e, tampouco especificado o débito inscrito, o ato é passível de nulidade. Ademais, configurado que ao ato declaratório foi exarado com vício, é pacifica a tese de que a administração que praticou o ato ilegal pode anulá-lo (Súmula 473 do STF)." Processo n.• 13811.001396/99-03 COB/C01 Acórdão n.• 301-33.545 Fls. 94 Acrescente-se a tão bem fundamentadas razões que a não explicitação da motivação que terminou por impor a penalidade à recorrente redunda na conseqüência de que a repartição não propiciou à contribuinte o pleno conhecimento das circunstâncias de tal fato, com evidente cerceamento do direito de defesa, nos termos da Lei instituidora do SIMPLES, que, textualmente, afirma, em seu artigo 15 ., parágrafo 3.: "§ 3° A exclusão de oficio dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo." Por outro lado, o artigo 59 do Decreto 70.235/72, determina que são nulos os atos proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em outra vertente, a Lei 9.784/99, em seu artigo 53 determina: "ART.53 - A Administração deve anular seus próprios atos, • quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos." Entendo que a aplicação de determinada penalidade a um contribuinte sem a emissão do documento de exclusão, contendo a sua clara e detalhada especificação da motivação para tal, se constitui em evidente cerceamento ao direito de defesa. No presente caso, não dispõe a repartição do documento que consubstanciou a exclusão da recorrente do SIMPLES e cuja formalização é exigida por Lei, como antes mencionado. Se esta Câmara considera nula exclusão mediante Ato Declaratório emitido de forma genérica — como exposto — imaginemos o que se pode inferir acerca de uma exclusão cujo ato a repartição do Fisco não localiza e cujo processo de formalização não contempla a ciência ao contribuinte das circunstâncias que teriam motivado a aplicação daquela penalidade. • O que é amplo não pode ser restrito e os atos para os quais a Lei exige determinadas formalidades, na forma da Lei devem ser constituídos. Diante do exposto, por voto no sentido de que seja anulado o processo ab initio, em virtude da constatada inexistência do Ato Declaratório de Exclusão — exigido por Lei - e do evidente cerceamento do direito de defesa, o que implica no cancelamento da exclusão da sistemática do SIMPLES, imposta à recorrente. Sala das Sessões, em 2/ e janeiro de 2007 • VALMAR FO CA E MENEZES - Relator Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13819.003857/2002-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.
Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a arguição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO.
Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas § 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966).
SIGILO PROFISSIONAL DO ADVOGADO. INAPLICABILIDADE COM RELAÇÃO A INFORMAÇÕES SOBRE ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DO PRÓPRIO PROFISSIONAL.
Alegações acerca do sigilo profissional do advogado sobre aquilo que saiba em razão de seu ofício acerca de seus clientes, não podem ser opostas à solicitação de informações acerca da origem de depósitos na conta bancária desse mesmo advogado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-001.337
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada o valor de R$ 6.941,36, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a arguição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966). SIGILO PROFISSIONAL DO ADVOGADO. INAPLICABILIDADE COM RELAÇÃO A INFORMAÇÕES SOBRE ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DO PRÓPRIO PROFISSIONAL. Alegações acerca do sigilo profissional do advogado sobre aquilo que saiba em razão de seu ofício acerca de seus clientes, não podem ser opostas à solicitação de informações acerca da origem de depósitos na conta bancária desse mesmo advogado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, Fl. 144DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 2 em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Preliminares Rejeitadas. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada o valor de R$ 6.941,36, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Edgar Silva Vidal, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Valdir José Soares Ferreira, já devidamente qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeira instância prolatada pela 6a Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo II (SP), nos termos do Acórdão n° 1718.616, de 13/06/2007, às fls. 94/108, pleiteia junto a este Egrégio Conselho a sua reforma, por meio do Recurso Voluntário às fls. 146/161. Mediante Auto de Infração, às fls. 37/42, formalizouse exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário de 1998, no valor total de R$ 176.778,76, incluídos a multa de oficio (75%) e os juros de mora, estes calculados até 30/09/2002. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes do Auto de Infração, bem como do Termo de Verificação e Reintimação Fiscal, às fls. 34/36, que é parte integrante da peça de autuação, foi constatada a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários efetuados no ano de 1998, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformado com a exigência da qual tomou ciência em 16/10/2002, o contribuinte apresentou, em 14/11/2002, impugnação, às fls. 45/52, em que: Fl. 145DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.003857/200289 Acórdão n.º 280101.337 S2TE01 Fl. 166 3 argumentou primeiramente acerca da inconstitucionalidade e ilegalidade na quebra do sigilo bancário, sendo vedada a utilização de informações relativas à CPMF, diante do princípio da irretroatividade; destacou que a Receita Federal é obrigada a resguardar, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas pelas instituições financeiras, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições e impostos, que não a CPMF; salientou que os incisos X e XXXVI, ambos do art. 5° da Constituição Federal, garantem, respectivamente, a inviolabilidade da intimidade da vida privada das pessoas e a irretroatividade da lei, sendo que os direitos e garantias individuais são imutáveis, como dispõe o inciso IV, do §4°, do art. 60, da Constituição Federal, e guardam no seu âmago dois princípios: a) a impossibilidade de quebra do sigilo bancário sem ordem judicial; e b) a impossibilidade de retroatividade de lei para criar ou modificar obrigações; baseandose em jurisprudência e doutrina, ressaltou que a Lei n° 10.174/2001, que modificou o § 3°, do art. 11, da Lei n° 9.311/1996, não poderia retroagir para possibilitar a ação fiscal referente a fatos relacionados ao ano de 1998; no que se refere aos depósitos bancários apurados pelo Fisco junto ao Banco Nossa Caixa S/A e ao Banco do Estado de São Paulo S/ABanespa, afirmou que na auditoria fiscal realizada não houve qualquer alusão aos pagamentos efetuados por emissão de cheques, já que, pela simples leitura dos inclusos extratos, notase que houve várias emissões de cheques para entrega de valores a titulo de prestação de contas, devendo ele, contribuinte, preservar o sigilo profissional em relação a seus clientes, fato não levado em consideração pelo fiscal autuante; quanto à movimentação financeira junto ao Banco Bradesco S/A, alegou que a respectiva conta bancária tinha por finalidade, tãosomente, receber os depósitos das parcelas relativas a financiamento imobiliário e, não obstante a apresentação ao Fisco da documentação pertinente, tais informações não foram levadas em consideração, esclarecendo ainda que: a) os depósitos de R$ 1.947,00, efetuado em 05/03/1998, e de R$ 890,00, efetuado em 15/06/1998, foram realizados pelo próprio contribuinte, para fins de pagamento das parcelas n°s 115, 116 e 120 de financiamento imobiliário; b) o depósito de R$ 2.939,00, foi efetuado, em 13/05/1998, por Natalina Olga Guazzelli, excônjuge do impugnante, para o pagamento das parcelas n°s 117, 118 e 119 de financiamento imobiliário, esclarecendose que, na partilha havida quando do divórcio, o imóvel objeto do financiamento passou a pertencer a ela, na integra; ao final de sua defesa, solicitou o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração, posto que não haveria infração (omissão) na espécie, e o lançamento resultado de auditoria que não retratou a realidade dos fatos, realizada sem obediência aos limites legais e constitucionais. Em decisão unânime, a 6a Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo II (SP), concluiu por rejeitar as preliminares arguidas, e julgou procedente em parte o lançamento, para excluir da exigência fiscal tãosomente a parcela do montante tributável referente aos depósitos bancários efetuados pelo excônjuge do contribuinte, para pagamento de prestações de financiamento imobiliário, ou originários de débitos em outra contacorrente de titularidade do interessado, com base nos comprovantes colacionados pelo contribuinte. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 4 Transcrevese, a seguir, as ementas constantes do Acórdão n° 1718.616, de 13/06/2007, às fls. 94/108: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA 4111 FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 E DA LEI N° 10.174/2001. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à. ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Assim sendo, face aos elementos constantes dos autos, é de se excluir do montante tributável os depósitos bancários não deduzidos pelo Fisco, efetuados pelo excônjuge do contribuinte, para pagamento de prestações de financiamento imobiliário, ou originários de débitos em outra contacorrente de titularidade do interessado. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/11/2007, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 111, o contribuinte, interpôs, em 26/12/2007, o Recurso Voluntário às fls. 146/161, apresentando, basicamente, a mesma argumentação posta na impugnação ao lançamento. Todavia, acrescentou em sua defesa que: à vista do sigilo profissional encontrase impossibilitado de revelar nomes com relação aos depósitos e pagamentos realizados, sob pena de lhe ser imputada sanção por parte da Ordem dos Advogados do Brasil; no ano de 1998 prestou serviços profissionais para um condomínio/edifício à época em construção, sobretudo para fins de cobrança de condôminos inadimplentes, sendo certo que os pagamentos dos débitos em valores muito altos eram efetuados em sua conta corrente, e as prestações de contas eram realizadas junto à Administradora Moraes Assessoria Fl. 147DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.003857/200289 Acórdão n.º 280101.337 S2TE01 Fl. 167 5 Adm. Empres. S/C Ltda., podendose constatar pela leitura dos extratos que os depósitos eram realizados e posteriormente valores eram pagos a clientes; como exemplo, os depósitos de R$ 35.000,00. em 20/03/1998, e de R$ 48.034,26, em 01/05/1998, e respectivamente, os pagamentos em cheque posteriormente efetuados nos valores de R$ 30.107,50, em 25/03/1998, e R$ 37.200,00, em 02/08/1998, descontados valores referentes a honorários e reembolso de despesas; valeuse de diversos empréstimos bancários para cobrir seus débitos, como se vê do extrato da Nossa Caixa Nosso Banco, sendo que na maior parte do ano de 1998 sua conta permaneceu com valores negativos; o valor de R$ 2.700,00 depositado no Banco Banespa em 16/01/1998 corresponde ao cheque da Nossa Caixa Nosso Banco emitido pelo recorrente no mesmo valor e na mesma data; o valor de R$ 6.941,36, depositado na conta corrente da Nossa Caixa Nosso Banco em 27/10/1998, corresponde à venda do automóvel Fiat/Tipo, placa BKH 6927, conforme declarado pelo recorrente, pois o referido veículo foi vendido pela quantia de R$ 9.000,00, mas o cheque do comprador foi emitido no valor de R$ 6.941,36, descontados multas, taxas e impostos à época devidos pelo recorrente com relação ao automóvel, fato este comprovado por documentação anexa; o valor de R$ 1.500,00, depositado na conta corrente da Nossa Caixa Nosso Banco em 29/10/1998, tem como origem transferência feita da contacorrente da filha do recorrente em seu favor, como se vê do comprovante anexado aos autos, não podendo ser considerado renda. Ao final de seu recurso, requer seja dado provimento ao seu recurso, reconhecendose nulo o auto de infração, e/ou julgada improcedente a lavratura do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Da análise dos autos, depreendese inicialmente que não assiste razão ao recorrente na pretendida nulidade do procedimento fiscal. Não há nele vício que o comprometa. O auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 1993. Observase que ao contribuinte foram oferecidas, pela autoridade lançadora, possibilidades de resposta ao que lhe foi questionado ou solicitado comprovar no decorrer da Fl. 148DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 6 ação fiscal, conforme revelam os termos de intimação acostados às fls. 07 e 34/36 do presente processo. Não se pode olvidar que a atividade administrativa do lançamento é plenamente vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, § único, do Código Tributário Nacional, e artigo 8° da Lei n° 9.250/95. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço estão todos expressos na peça de autuação (fls. 37/42) e em termo anexo (fls. 34/35), não havendo que se cogitar em abuso do poder de fiscalizar, nem tampouco em desrespeito às disposições dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não vislumbro no presente processo vícios que dêem causa à nulidade pretendida, pelo que rejeito a preliminar suscitada pelo recorrente. Quanto à alegação de quebra irregular de sigilo bancário, entendo, acompanhando a jurisprudência desse Egrégio Conselho que, atendidas as condições fixadas na lei, o Fisco pode ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes e utilizálas como base para o lançamento tributário, independentemente de prévia autorização judicial. É verdade que o art. 5°, inciso X, da Constituição Federal garante o direito à privacidade, no qual se inclui o sigilo bancário, mas esse direito não é absoluto e ilimitado, a ponto de se opor aos próprios agentes do Estado, na sua atividade de controle, por exemplo, do cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes. Isto é, não se pode pretender, por exemplo, que o sigilo bancário se preste para acobertar irregularidades passíveis de apuração pelos agentes do Fisco. O ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, embora sempre reconhecendo o sigilo das informações bancárias, tem uma larga tradição em franquear o acesso a essas informações aos agentes fiscais. Assim, a Lei n° 4.595, de 1964, já prescrevia no seu art. 38, in verbis: Lei n° 4.595, de 1964: Art. 38 — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 5° Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. O próprio Código Tributário Nacional, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 como lei complementar, expressamente determina que as instituições financeiras devem prestar informações sobre negócios de terceiros, o que, obviamente, inclui Fl. 149DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.003857/200289 Acórdão n.º 280101.337 S2TE01 Fl. 168 7 as operações financeiras, silenciando, inclusive, sobre a exigência de prévio processo administrativo instaurado: Lei n° 5.172, de 1966: Art. 197 Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: ii os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Ainda nesse mesmo sentido, foi editada, posteriormente, a Lei n° 8.021, de 1990, ampliando, inclusive, o rol das instituições obrigadas a prestar informações ao Fisco: Lei n° 8.021, de 1990: Art. 7° A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8° Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no 1° do art. 7°. Finalmente, a Lei complementar n° 105, de 2001, a qual versa expressamente sobre o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, fez a ressalva quanto ao acesso a essas informações pelos agentes do Fisco, a saber: Lei Complementar n° 105, de 2001: Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] 3° Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° e 9° desta Lei Complementar. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 8 [...] Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como se vê, o ordenamento jurídico brasileiro de há muito vem estabelecendo, em caráter sempre excepcional e em determinadas condições previamente estabelecidas, o acesso a informações bancárias dos contribuintes pelos agentes do Fisco. Assim, a legislação brasileira tem, insistentemente, se inclinado no sentido da relativização do alcance do sigilo bancário, prevendo expressamente as situações excepcionais em que se admite a abertura daquelas informações. Por outro lado, não se deve esquecer que os agentes do Fisco, assim como os auditores do Banco Central do Brasil, e as próprias instituições financeiras, estão sujeitos ao dever de manter sigilo das informações a que tenham acesso em função de suas atividades. Desse modo, a rigor, sequer se pode falar em quebra de sigilo, mas em mera transferência deste. Assim, resta afastada a argumentação em relação à quebra irregular de sigilo bancário, já que há permissão legal para que o Estado, através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ressaltese, ainda, que não se verifica do exame dos autos, nenhuma infringência aos dispositivos constitucionais citados pelo contribuinte em sua peça recursal. Apresenta ainda o recorrente argumentação preliminar direcionada à irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Neste ponto, esclareçase que o art. 1º da referida lei deu nova redação ao § 3º da Lei nº 9.311, de 1996, facultando a utilização das informações relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo e efetuar lançamento de outros tributos, conforme se depreende de sua simples leitura: Art. 1º (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores.” Fl. 151DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.003857/200289 Acórdão n.º 280101.337 S2TE01 Fl. 169 9 Logo, ao autorizar a instauração de procedimento de fiscalização referente a qualquer outro imposto ou contribuição, com base nas informações decorrentes da CPMF como no caso concreto a Lei nº 10.174, de 2001, inquestionavelmente, estabeleceu novos procedimentos de fiscalização, que ampliaram o poder de investigação das autoridades administrativas. Sua aplicação regese, pois, pelo § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (...) A análise do artigo leva à conclusão de que o seu caput põe regra de direito material, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto os seus parágrafos contêm uma solução aplicável ao procedimento, processo ou aspecto formal do lançamento. Por outro lado, o § 1º, regulando matéria diferente do caput, consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse sentido, citase a lição de José Souto Maior Borges, em sua obra Lançamento Tributário – 2a ed. – São Paulo – Malheiros Editores S.A., posto que, ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: Lançamento está, aí, no art. 144, ‘caput’, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1º o art. 144 reporta se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § 1º, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao ‘caput’ desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato Fl. 152DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 10 de lançamento aplicase, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplicase legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente a estabelecer as alterações estipuladas no § 1º do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico – enquanto ‘in fieri’ o procedimento de lançamento legislação nova, aplicarselheá também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário. Também a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional se pronunciou sobre a questão, ao exarar o Parecer PGFN/CAT nº 1.649/2003, cuja conclusão transcrevo a seguir: IV Conclusão 81. Ante o exposto, concluise: 81.1) alteração introduzida na parte final do § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, por força da Lei nº 10.174, de 2001, deve ter aplicação imediata, de modo que a Secretaria da Receita Federal está autorizada a utilizar as informações obtidas no âmbito da fiscalização da CPMF, já disponíveis ou obtidas após o advento da nova Lei, para, após o início da vigência da Lei nº 10.174, de 2001, instaurar procedimento administrativo com o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador de obrigação tributária relativa a tributo distinto da CPMF e de realizar o lançamento respectivo, ainda que se trate de obrigação cujo fato gerador tenha ocorrido antes da vigência da Lei nº 10.174, de 2001; 81.2) não se trata, no caso, de aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001, mas da sua aplicação imediata, com espeque no princípio tempus regit actum, no art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil, e no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional, pois não ocorre, no caso, ofensa potencial a ato jurídico perfeito, a direito adquirido ou a coisa julgada, devendose, apenas nesta última hipótese, realizar o exame caso a caso; 81.3) não está correto o entendimento adotado pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de que a Lei nº 10.174, de 2001, criou nova hipótese de incidência do imposto de renda; 81.4) o § 2º do art. 144 do Código Tributário Nacional não constitui exceção à regra do § 1º do mesmo dispositivo, não sendo relevante para o deslinde da questão relativa à aplicação no tempo da alteração introduzida pela Lei nº 10.174, de 2001; 81.5) os dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que autorizam o acesso da administração tributária a informações bancárias mais detalhadas acerca da vida financeira dos contribuintes não são inconstitucionais; 81.6) os Conselhos de Contribuintes não estão autorizados, atualmente, a afastar a aplicabilidade desses dispositivos com fundamento na sua inconstitucionalidade, mas competelhes Fl. 153DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.003857/200289 Acórdão n.º 280101.337 S2TE01 Fl. 170 11 apreciar se o acesso às informações em questão foi realizada com a observância do devido processo legal; 81.7) a aplicação no tempo dos dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, ou não oferece conflitos de direito intertemporal, ou, se admitido o conflito, há de ser regulada mediante a regra da aplicação imediata, adotandose a mesma solução proposta para a Lei nº 10.174, de 2001, por se tratar de disciplina jurídica de aspectos processuais da atividade de lançamento. O referido Parecer foi aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, mediante Despacho, abaixo reproduzido, e publicado no Diário Oficial da União de 13/01/2004 (Seção 1, pág. 00007): Despacho: Aprovo o Parecer PGFN/CAT/Nº 1.649/2003, que concluiu pela aplicação imediata da alteração legislativa que possibilita a utilização de informações obtidas no âmbito da fiscalização da CPMF para instaurar procedimento administrativo destinado a verificar a existência de obrigação tributária relativa a outros tributos e a constituir o respectivo crédito, e pela constitucionalidade dos dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permitem a complementação dessas informações. Na mesma linha de entendimento, decisão do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento proferido pela sua Segunda Turma, cuja ementa transcrevese a seguir: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6º DA LC 105/01 E 11, § 3º DA LEI Nº 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1º DO CTN. 1. O artigo 38 da Lei nº 4.595/64 que autorizava a quebra de sigilo bancário somente por meio de requerimento judicial foi revogado pela Lei Complementar nº 105/2001. 2. A Lei nº 9.311/96 instituiu a CPMF e no § 2º do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federal, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3º a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 3. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3º do artigo 11 da Lei nº 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 12 4. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de sigilo bancário, foi veiculada pela o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001. 5. O artigo 144 , § 1º do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. 7. Ressalvado o prazo que dispõe a Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário. 8. Recurso especial improvido. (RESP 628116, Ac. da Segunda Turma do STJ, Rel. Ministro Castro Meira – Decisão de 15/09/2005 – DJU 03/10/2005, Seção I, pág. 181) No mesmo sentido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme ementa abaixo transcrita: AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174, DE 2001 – É legítimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei nº 10.174, de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas (precedentes do STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais). (Ac. CSRF/0400.500, sessão de 20/03/2007) Não prospera, portanto, a tese defendida pelo recorrente de impossibilidade da aplicação retroatividade da Lei nº 10.174/2001. Quanto ao mérito, a autuação em questão tem como fundamentação legal o art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.003857/200289 Acórdão n.º 280101.337 S2TE01 Fl. 171 13 §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (vide art. 4° da Lei n° 9.481/1997) §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...) Como se vê, no dispositivo legal retrocitado o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos e informações/esclarecimentos com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. Fazse necessário, portanto, reforçar que a presunção criada pela Lei n° 9.430/96 é uma presunção relativa passível de prova em contrário, ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. Assim, o entendimento esposado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, no sentido de ser ilegítimo o lançamento arbitrado, apenas, em extratos ou Fl. 156DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 14 depósitos bancários, restou inteiramente superado em função da entrada em vigor da Lei n° 9.430/96. Indiscutivelmente, esta presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Neste ponto é importante ressaltar que, as alegações acerca do sigilo profissional do advogado sobre aquilo que saiba, em razão de seu ofício, acerca de seus clientes, não podem ser opostas à solicitação de informações acerca da origem de depósitos na conta bancária desse mesmo advogado. Em sua defesa, insurgese o recorrente em relação a determinados valores apontados no Demonstrativo (de apuração mensal dos depósitos não comprovados) elaborado pela autoridade fiscal. Analisamos a seguir os argumentos do litigante: I) quanto aos recursos decorrentes de serviços profissionais prestados a clientes: O contribuinte alega que realizava serviços de cobrança e que os valores recebidos eram depositados em sua contacorrente, sendo posteriormente pagos a seus clientes, descontados os honorários, além do reembolso de despesas. Cita como exemplo as seguintes transações: i) depósito no valor de R$ 35.000,00 em 20/03/1998, e, posteriormente, o pagamento em cheque efetuado no valor de R$ 30.107,50, em 25/03/1998; ii) depósito de R$ 48.034,26 em 01/05/1998, e em seguida, o pagamento em cheque feito no dia 02/08/1998, no valor de R$ 37.200,00. Todavia, diante das peças constantes do processo, o que se observa é que o recorrente não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores que posteriormente teriam sido pagos a terceiros. No caso, seria imprescindível a apresentação de documentos capazes de comprovar, mediante a compatibilidade de datas e valores, que tais recursos depositados referiamse a prestação de serviços profissionais, e o montante individualizado em relação à alegada dedução a título de honorários e/ou reembolso de despesas. Sem tal demonstração, permanecem injustificados os depósitos perquiridos. II) quanto aos recursos oriundos de empréstimos bancários: Sustenta o recorrente que realizou diversos empréstimos bancários para cobrir seus débitos. No entanto, da análise dos autos, verificase que a fiscalização não incluiu, entre os recursos computados no Demonstrativo de Apuração à fl. 36, as quantias creditadas em contacorrente do autuado a título de empréstimos. III) quanto à venda do automóvel Fiat/Tipo: Argumenta o interessado que o valor de R$ 6.941,36, depositado na conta corrente da Nossa Caixa Nosso Banco em 27/10/1998, corresponde à venda do automóvel Fiat/Tipo, placa BKH 6927, pelo valor de R$ 9.000,00, no entanto, o cheque para quitação da venda foi emitido no valor de R$ 6.941,36, descontados as multas, taxas e impostos à época devidos pelo recorrente em relação ao automóvel. A esse respeito, observase que, de fato, consta dos autos o documento de transferência do citado veículo (fl. 162) que corrobora a informação do valor da venda destacado pelo contribuinte (R$ 9.000,00). Tal importância, deduzida dos encargos (multas, taxas, etc.) suportados na transação, reflete com razoabilidade a diferença entre os valores Fl. 157DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13819.003857/200289 Acórdão n.º 280101.337 S2TE01 Fl. 172 15 apontados. Portanto, diante da prova apresentada pelo recorrente, deve ser excluído o valor de R$ 6.941,36 da base de cálculo lançada no auto de infração. IV) quanto aos valores objeto de transferências entre contascorrentes bancárias: Neste ponto, observase que a decisão recorrida já considerou, para fins de exclusão da base de cálculo lançada, os valores a seguir destacados, visto que foram devidamente comprovados pelo contribuinte. R$ 1.947,00, valor do depósito efetuado, em 05/03/1998, no Banco Bradesco S/A, contacorrente 93.6677 (fl. 34), resultante de débito na contacorrente n° 01 001.2281 (Banco Nossa Caixa S/A), de titularidade do contribuinte, conforme documentos às fls. 9 e 85; R$ 890,00, valor do depósito efetuado, em 15/06/1998, no Banco Bradesco S/A, contacorrente 93.6677 (fl. 34), resultante de débito na contacorrente n° 01001.2281 (Banco Nossa Caixa S/A), de titularidade do contribuinte, conforme documentos às fls. 12 e 84; e R$ 2.939,00, valor do depósito efetuado, em 13/05/1998, no Banco Bradesco S/A, contacorrente 93.6677 (fl. 34), pelo excônjuge do contribuinte, Natalina Olga Guazzelli, para pagamento de prestações de financiamento imobiliário, conforme documentos às fls. 5 e 78/90. Com relação aos valores de R$ 1.500,00 e R$ 2.700,00, depositados em contas bancárias do autuado, respectivamente, nas datas de 29/10/1998 e 16/01/1998, temse que a documentação colacionada pelo contribuinte não se revela hábil a comprovar a efetiva transferência destes numerários como alegado em sua peça recursal, tampouco a origem destes recursos. Por fim, cabe repisar que a Lei n° 9.430/96 definiu que os depósitos bancários de origem não comprovada efetuados a partir do anocalendário de 1997 caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, tais valores sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3°, §4°, da Lei n° 7.713, de 1988. Ademais, a legislação é bastante clara quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao longo do anocalendário, até que se expire o direito de o Fisco realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de efetuar o lançamento. Face o exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo lançada o valor de R$ 6.941,36. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 158DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL 16 Fl. 159DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Assinado digitalmente em 23/02/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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