Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10283.721110/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2006
ITR. IMÓVEL DESAPROPRIAÇÃO. IMISSÃO DA POSSE. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO CRIADOR DA FLORESTA NACIONAL. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites da Floresta Nacional criada antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade e tendo sido a gleba integrada a estrutura do IBAMA, deve-se cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário.
Numero da decisão: 2401-006.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720663/2007-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 ITR. IMÓVEL DESAPROPRIAÇÃO. IMISSÃO DA POSSE. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO CRIADOR DA FLORESTA NACIONAL. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites da Floresta Nacional criada antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade e tendo sido a gleba integrada a estrutura do IBAMA, deve-se cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.721110/2008-07
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6019842
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.525
nome_arquivo_s : Decisao_10283721110200807.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 10283721110200807_6019842.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720663/2007-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7778531
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121247514624
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-07T14:16:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-07T14:16:15Z; Last-Modified: 2019-06-07T14:16:15Z; dcterms:modified: 2019-06-07T14:16:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-07T14:16:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-07T14:16:15Z; meta:save-date: 2019-06-07T14:16:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-07T14:16:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-07T14:16:15Z; created: 2019-06-07T14:16:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-06-07T14:16:15Z; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-07T14:16:15Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10283.721110/2008-07 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.525 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2019 Recorrente DEDINI S/A EQUIPAMENTOS E SISTEMAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2006 ITR. IMÓVEL DESAPROPRIAÇÃO. IMISSÃO DA POSSE. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO CRIADOR DA FLORESTA NACIONAL. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites da Floresta Nacional criada antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade e tendo sido a gleba integrada a estrutura do IBAMA, deve-se cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720663/2007-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 11 10 /2 00 8- 07 Fl. 243DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.525 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721110/2008-07 relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.516, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10283.720663/2007-53, paradigma deste julgamento. “DEDINI S.A. EQUIPAMENTOS E SISTEMAS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa da área de preservação permanente por não restar comprovada e arbitramento do valor da terra nua - VTN. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, discordando da cobrança, por não ser mais de sua propriedade o imóvel em questão, desde a publicação do Decreto n° 2.485/1998, por ter sido desapropriado pelo INCRA e integrado à “Floresta Nacional de Humaitá” no Amazonas. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.516, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10283.720663/2007-53, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.516, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Fl. 244DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.525 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721110/2008-07 Acórdão nº 2401-006.516 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme se depreende da análise do Recurso Voluntário, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, não ser mais de sua propriedade o imóvel em questão, desde a publicação do Decreto n° 2.485/1998, por ter sido desapropriado pelo INCRA e integrado à “Floresta Nacional de Humaitá” no Amazonas, sendo incabível a cobrança do imposto. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva do contribuinte, relativamente ao imóvel rural em comento, em face da suposta desapropriação da terra pelo INCRA. Por sua vez, a Delegacia de Julgamento, o nobre relator do voto condutor do Acórdão recorrido acolheu a pretensão fiscal, entendo que o contribuinte continua sendo o proprietário, ou seja, responsável pelo tributo até a transferência da propriedade para o INCRA ou da imissão prévia da posse. Pois bem! O sujeito passivo do ITR é aquele que possui o animus domini em relação àquele imóvel, capaz de justificar a tributação, na forma que exigem os artigos 1º e 4º, da Lei nº 9.363/1996, in verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Neste ponto, aliás, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, reforçando o entendimento de que, inobstante haver o "proprietário" do imóvel, se este não deter o domínio útil, afasta-se, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber à autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastando-se dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer título dos invasores (duas das hipóteses legais). No caso concreto, a recorrente junta aos autos a seguinte documentação com o fito de comprovar suas alegações, quais sejam: a) Portaria/DF n° 326 de 03/12/1982, onde o INCRA arrecadou, como terra devoluta, a área denominada “Gleba Boa Esperança", situada no Municipio de Humaitá, Estado do Amazonas, incorporando-a ao patrimônio da União Federal, Fl. 245DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.525 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721110/2008-07 sendo que na referida área encontram-se as áreas relativas às Fazendas “Mogno I", “Mogno II" e “Mogno III" b) Decreto n° 2.485/98, criando a "Floresta Nacional de Humaitá", dentro da qual se encontra a Gleba Boa Esperança, da qual desmembrou-se as Fazendas Mogno I, II e III. c) Cópia da Ação Ordinária de Indenização por Desapropriação Indireta em face da União Federal, através da qual visa a contribuinte ser ressarcida da desapropriação efetuada pelo INCRA. d) Perícia Judicial determinada pelo juízo da ação encimada, através da qual restou comprovado que o imóvel em questão encontra-se dentro da Floresta Nacional de Humaitá, criada pelo Decreto n°. 2.485l1.998, que passou integrar a estrutura do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, em igualdade com as demais Florestas Nacionais, e portal razão o mesmo não pertence à ora Recorrente, mas sim a União Federal. e) Cópia de uma Ação Cautelar Inominada, na qual o referido imóvel foi ofertado á penhora em garantia de débitos tributários, tendo essa oferta, porém, sido recusada tanto pela União Federal, como pelo próprio Juízo, em razão do mesmo não pertencer à ora Recorrente, mas sim ã União Federal. Depreende-se da documentação retro mencionada, ter razão a recorrente ao argumentar não ser mais a proprietária do referido imóvel, em especial pela conclusão levantada pelo perito judicial, senão vejamos: Avaliar que as áreas de terras compreendidas pelas imóveis Mogno I, II e III, anteriormente integrados pela Fazenda Esperança, pertine (originalmente) a patrimônio privado do autor, já que a arrecadação e destinação havida em 1988 foram procedidas ilegalmente, conferindo-se, por tal circunstância, a obrigatoriedade de sua reparação por indenização, à luz do valor indicado de R$44.408.840,77 (Quarenta e quatro milhões, quatrocentos e oito mil, oitocentos reais e setenta e sete reais), que de acordo com pesquisas, métodos e investigação dominial conduzidos, está resumidamente configurado às pág 49 do presente Laudo pericial. No mesmo sentido, vide a manifestação do INCRA nos autos da Ação Cautelar: ...encerrados, referentes aos imóveis rurais denominados "FAZENDA MOGNO I", área 12.000,0 ha, Matrícula 1.405; "FAZENDA MOGNO 2" área 55.005,6 ha, Matrícula 1406; "FAZENDA MOGNO 3" ÁREA 55.005,6 ha, Matrícula 1.407, todos localizados no Município de Jumaitá/AM, tendo sido INDEFERIDA a solicitação de liberação dos CCIR´s, uma vez que as áreas em apreço foram ARRECADADAS pelo INCRA, e com o advento do Decreto n° 2.485 de 02 de fevereiro de 1988 criando a Floresta Nacional de Humaitá, foi integrada a estrutura do IBAMA. Ademais, a natureza da intervenção na propriedade decorrente da criação do Parque Nacional, a meu ver, Floresta Nacional tem o mesmo fim, deve ser compreendida a partir da exegese do §1º e do caput do art. 11 da Lei nº 9.985/2000. Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. Fl. 246DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.525 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721110/2008-07 Como dito anteriormente, o Fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel rural. Não obstante, o direito de propriedade sem posse, uso ou fruição, na essência deixa de ser direito de propriedade, o que é denominado de uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade negada pela realidade dos fatos. Neste diapasão, merece guarida a pretensão da recorrente, devendo ser afastada a sua legitimidade. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto.” Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.903372/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2009
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 3401-006.330
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2009 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.903372/2012-62
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6038545
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-006.330
nome_arquivo_s : Decisao_13851903372201262.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13851903372201262_6038545.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7832569
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121265340416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.903372/201262 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401006.330 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente NELSON CUCOLICCHIO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2009 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 33 72 /2 01 2- 62 Fl. 58DF CARF MF 2 A matéria não especificamente contestada na manifestação de inconformidade é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita da interessada, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subsequente. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário repisando os exatos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.326, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.903368/201202. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.326): "Tratase de recurso contra acórdão que manteve a decisão que deixou de homologar a compensação declarada pela Recorrente, pois reconheceu inexistir matéria impugnada na manifestação de inconformidade, posto que a impugnante trouxe alegações completamente estranhas ao teor do processo, como se depreende do excerto do voto condutor abaixo transcrito: As alegações da interessada não dizem respeito ao despacho decisório, pois, ao contrário do que argumentou, não existem nos autos: exigência de “multa e juros de mora de 40%”; discussão sobre omissão de receitas; discussão relativa a créditos sobre aquisição de embalagens; auto de infração a ser modificado; multa e juros a serem afastados. Em síntese, na ausência da apresentação de argumentos contrários ao despacho decisório, reputamse incontroversos os motivos pelos quais a DRF não homologou a compensação, razão pela qual VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. De fato, em se tratando de Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação sob o argumento de que o crédito a ser aproveitado já teria sido integralmente utilizado, há que se Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13851.903372/201262 Acórdão n.º 3401006.330 S3C4T1 Fl. 3 3 reconhecer a impertinência das alegações trazidas pela então impugnante e ora reproduzidas no Recurso Voluntário. Ademais, não procede a alegação genérica de ausência de fundamentação do despacho decisório, posto que o mesmo trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível, e indicou especificamente o pagamento ao qual fora alocado o crédito que a Recorrente pretendia levar à compensação, matéria sobre a qual silenciou a Recorrente, de modo que tenho por incontroversos os fatos apontados pela fiscalização. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901084/2010-74
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 9101-004.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento parcial. Votou pelas conclusões a conselheira Viviane Vidal Wagner. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal Araujo - Relator.
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10783.901084/2010-74
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6024263
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-004.130
nome_arquivo_s : Decisao_10783901084201074.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10783901084201074_6024263.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento parcial. Votou pelas conclusões a conselheira Viviane Vidal Wagner. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal Araujo - Relator. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
id : 7800408
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121267437568
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-27T13:38:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-27T13:38:55Z; Last-Modified: 2019-06-27T13:38:55Z; dcterms:modified: 2019-06-27T13:38:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-27T13:38:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-27T13:38:55Z; meta:save-date: 2019-06-27T13:38:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-27T13:38:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-27T13:38:55Z; created: 2019-06-27T13:38:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2019-06-27T13:38:55Z; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-27T13:38:55Z | Conteúdo => CSRF-T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10783.901084/2010-74 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101-004.130 – CSRF / 1ª Turma Sessão de 11 de abril de 2019 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARCA CAFÉ COMÉRCIO EXPORTAÇÃO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento parcial. Votou pelas conclusões a conselheira Viviane Vidal Wagner. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal Araujo - Relator. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 10 84 /2 01 0- 74 Fl. 367DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre compensação realizada a partir de indébito de saldo negativo de IRPJ, que, por sua vez, foi formado a partir de estimativas também quitadas por compensação. A recorrente insurge-se contra o Acórdão nº 1801-002.020, de 29/07/2014, por meio do qual a 1 a Turma Especial da 1 a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, entendendo que deveria reconhecer o saldo negativo de IRPJ formado a partir de estimativas compensadas, ainda que as compensações dessas estimativas não tenham sido homologadas. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃO HOMOLOGADAS. Estimativas quitadas por meio de declaração de compensação devem compor o saldo negativo do período a que se referem ainda que tenham sido objeto de despacho decisório que deixa de homologá-las. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez (Relatora), que negava provimento ao recurso, e Neudson Cavalcante Albuquerque, que votou para converter o julgamento na realização de diligência. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro acompanha a divergência pelas conclusões. O Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque apresentará Declaração de Voto. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outro processo, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: DA COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL (COTEJO ANALÍTICO) - na hipótese, o acórdão recorrido firmou o seguinte entendimento, verbis: [...]; - diversamente, decidiu o(s) acórdão(s) paradigma(s). Nesses termos: Acórdão nº 3301-002.191 Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 20/11/2008. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO FINANCEIRO INDEFERIDO EM OUTRO PROCESSO. HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO. A homologação de Dcomp está condicionada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. A compensação de crédito financeiro, em discussão administrativa, em outro processo, somente é possível depois da decisão definitiva sobre a certeza e liquidez do crédito financeiro naquele processo. Recurso Voluntário Negado. Fl. 368DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 Acórdão nº 1301-000.892 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ. Ano Calendário: 2005. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. Devem ser integradas ao saldo negativo do período as retenções confirmadas por Dirf e/ou comprovantes de rendimentos. Não possui liquidez e certeza o crédito oriundo de saldo negativo que traga em seu bojo estimativas confessadas em declaração de compensação não homologada, mesmo que ainda não haja decisão final na esfera administrativa. - as ementas transcritas, por si só, já demonstram a existência do dissídio jurisprudencial. Contudo, para evidenciar que, diante de contextos fáticos semelhantes, foram adotadas soluções jurídicas diversas, passa-se a transcrever os seguintes trechos do voto condutor dos acórdãos paradigmas: [...]; - é manifesta a identidade (ou similitude) fática entre as situações analisadas no acórdão recorrido e nos paradigmas; - como visto, os acórdãos confrontados tratavam da mesma discussão: homologação ou não de compensação veiculada por meio de PER/DCOMP na qual o crédito apontado ainda se encontra pendente de análise na esfera administrativa, não existindo até o momento da transmissão do documento relativo ao encontro de contas decisão definitiva, o que prejudica os atributos de certeza e liquidez do crédito; - nada obstante a identidade fática dos casos confrontados, os Colegiados adotaram entendimento jurídico divergente; - o acórdão recorrido assentou a impossibilidade de que um determinado saldo negativo seja reduzido em razão da não homologação de compensações transmitidas para a quitação de estimativas mensais, muito embora tenha reconhecido que a PER/DCOMP na qual se pretende exatamente a quitação dessas estimativas ainda se encontra pendente de análise na esfera administrativa; - os paradigmas, em sentido oposto, decidiram pela não-homologação da compensação tendo em vista a ausência de demonstração dos atributos de liquidez e certeza de que deve gozar o crédito indicado na DCOMP no momento de sua transmissão; - de acordo com os paradigmas, na hipótese de sobrevir decisão administrativa definitiva favorável ao contribuinte interessado, esse poderia valer-se da transmissão de nova PER/DCOMP, pois aí sim, os créditos gozariam, se reconhecidos por decisão administrativa irrecorrível, dos atributos de liquidez e certeza exigidos pela lei; - ou seja, de acordo com o entendimento perfilhado pelos precedentes indicados, somente quando homologadas as compensações quitando as estimativas mensais, e somente a partir desse preciso momento, é que essas estimativas poderiam compor o saldo negativo de IRPJ/ CSLL; - diante do quadro discutido nestes autos, semelhante àquele exposto nos paradigmas, fica evidente que as decisões paradigmas se alinham com a conclusão externada pela DRJ de origem neste feito, ou seja, pela não homologação de plano das compensações em lide. Não cogitaram os paradigmas de qualquer suspensão ou sobrestamento do feito, o que implicaria na possibilidade de aproveitamento do PER/DCOMP já enviado com base numa expectativa de direito no momento de sua transmissão (condicionado ao sucesso do interessado nas demais lides que discutem o crédito ou sua composição); Fl. 369DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 - outrossim, não admitiram os paradigmas qualquer discussão acerca do crédito, pois objeto a ser tratado nos outros feitos relacionados. Deixaram claro os arestos objetos de referência que a conclusão a ser adotada é pelo indeferimento de plano do pleito do interessado. Caso sobrevenha decisão favorável reconhecendo, de modo definitivo e irrecorrível, todo ou parte do crédito almejado, cabe ao contribuinte apresentar novo PER/DCOMP e não aproveitar o já existente transmitido de forma prematura e condicionada ao suposto sucesso do contribuinte em outras demandas; - por último, cabe destacar que os paradigmas não se reportaram a qualquer entendimento porventura existente na esfera administrativa que pudesse respaldar os argumentos dos contribuintes interessados. Os arestos em referência pautaram seu entendimento exclusivamente na análise das leis que regem a matéria; - fica claro, portanto, que diante da mesma situação fática discutida no acórdão recorrido e nos paradigmas, foi dada solução jurídica diversa pelos órgãos julgadores; - pelo exposto, afiguram-se presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso especial segundo as disposições do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO - trata o presente feito das Declarações de Compensação - Dcomp nº 03169.79377.130907.1.7.02-6872 e nº 21983.88626.270605.1.3.02-6580. O crédito utilizado foi o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2004, composto de IRRF e de Estimativas Mensais; - as parcelas de IRRF, no total de R$ 139.888,27, foram integralmente confirmadas pela DRF/Vitória (fls.42): [...]; - das parcelas de estimativas mensais declaradas (R$ 625.093,72), a DRF-VIT confirmou apenas R$ 185.304,53 (fls.42/43): [...]; - em decorrência, considerou a fiscalização que não houve formação de saldo negativo de IRPJ (R$ -200.955,69), mas sim, IRPJ a Pagar (R$ 238.833,50); - a lide versa, portanto, sobre as compensações das estimativas mensais que não foram homologadas; - os valores das ditas estimativas mensais constam, assim, na DIPJ do ano- calendário de 2004 (para 2004, o interessado apresentou apenas a DIPJ original): [...]; - as sobreditas estimativas foram, todas, objeto de processo de compensação. Contudo, na data em que transmitidas as PER/DCOMPs objetos deste feito, não havia ato decisório administrativo reconhecendo direito creditório em qualquer dos sobreditos processos; - assim, o Despacho Decisório foi proferido conforme a legislação de regência, segundo a qual, o crédito objeto de compensação deve reunir os atributos de liquidez e certeza (art.170 da Lei Complementar nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN), atributos que, evidentemente, não estão presentes quando o suposto crédito relativo a saldo negativo é formado por estimativas não quitadas, uma vez que foram objetos de outras PER/DCOMPs, ainda não homologadas no momento do encontro de contas (transmissão das PER/DCOMPs de que trata este feito); Fl. 370DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 - as formalidades existentes no pedido de compensação são definidas para dar transparência, segurança e uniformidade ao procedimento, e não por mero capricho da Administração; - sobre a compensação, o Código Tributário Nacional em seus artigos 156, II, e 170 prescrevem o seguinte: [...]; - como se pode concluir da leitura dos dispositivos transcritos, o CTN previu a compensação como forma de extinção do crédito tributário. Todavia, em atendimento ao princípio da legalidade acima mencionado, determinou que a extinção do crédito tributário por essa modalidade depende de lei autorizadora, que estabeleceria as condições e as garantias em que poderia ocorrer a compensação ou atribuiria à autoridade administrativa o estabelecimento dessas condições e garantias; - a fim de normatizar a forma pela qual se daria a compensação no âmbito tributário foram editados diplomas legais e normativos dentre os quais se destaca a Lei nº 9.430/96 e a IN SRF nº 21/97, e alterações posteriores, redundando inclusive na edição da IN SRF nº 460/2004; - dessa maneira, é importante verificar que a legislação em vigor à época, dispunha sobre a compensação: [...]; - a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, pode se dar de ofício ou por iniciativa daquele; - o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte; - com efeito, por um lado corre contra a administração o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão dos valores informados, visto que, uma vez analisada a DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo; - ademais, ainda nos termos da legislação retro transcrita, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; - os diplomas normativos regentes da matéria, quais sejam art. 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 170 do CTN deixam clara a necessidade da existência de créditos líquidos e certos no momento da declaração de compensação, hipótese em que o crédito tributário encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória, o que não ocorreu no caso dos autos. Da leitura dos dispositivos acima temos que os créditos a serem compensados devem ser líquidos e certos e devem ser minuciosamente informados na declaração de compensação quando de sua apresentação sob pena de invalidação do procedimento; - com efeito, a compensação de ofício ocorre “sempre que a Secretaria da Receita Federal verificar que o titular do direito à restituição ou ao ressarcimento tem débito vencido relativo a qualquer tributo ou contribuição sob sua administração”, nos termos do art. 7º do Decreto-Lei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, e do art. 6º do Decreto nº 2.138, de janeiro de 1997; Fl. 371DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 - por sua vez, a compensação por iniciativa do sujeito passivo ocorre mediante a entrega, por este, de pedido/declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; - insta salientar ainda que os princípios da verdade material e da economia processual, apesar de louváveis, devem ser aplicados com cautela e, sobretudo, sem desrespeito ao princípio da legalidade insculpido no art. 37 da CF; - assim, declaração de compensação apresentada sem que o respectivo crédito que a lastreie seja comprovado desde logo, vindo apenas a ocorrer em momento posterior (no caso, a depender de decisão administrativa definitiva no âmbito de outro feito), não pode ser aceita uma vez que constitui inovação à lide sendo situação nova que não estava em discussão quando da análise inicial da existência do crédito; - logo, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, pois analisando PER/DCOMP que indicava suposto crédito que não goza dos atributos de liquidez e certeza, uma vez que é objeto de outro processo administrativo cujo julgamento se encontra pendente, manteve a decisão pela não-homologação de plano das compensações postuladas pelo contribuinte interessado; - vale salientar que não há qualquer previsão na legislação de que a decisão proferida neste processo deva aguardar o desfecho de outras demandas. Primeiro, porque não há, na legislação de regência, previsão para o rito pretendido. Segundo, porque, já a partir do despacho exarado pela Delegacia da Receita Federal em Receita, tem-se a circunstância de que os créditos lá postulados careciam dos atributos de liquidez e certeza, em face do que não poderiam, à luz do art. 170 do Código Tributário Nacional, ser utilizados na compensação de débitos neste ou em qualquer processo. O rito processual cabível é o constante na Lei nº 9.430/96 (artigos 73 e 74), não cabendo a suspensão do processo nos termos do art. 265 do CPC; - prosseguindo, não pode o contribuinte valer-se de suspensão/sobrestamento ou mesmo do julgamento imediato do presente feito com o fim de utilizar, de forma válida e legítima, PER/DCOMPs transmitidas quando não havia créditos líquidos e certos, ainda que, o que se admite apenas para argumentar, decisão administrativa irrecorrível a ser proferida nos autos dos outros processos administrativos lhe seja favorável; - isso porque o encontro de contas deve ser analisado no momento da transmissão da DCOMP; - não é por outra razão que a lei determina que “A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação” (art. 74, § 2º, Lei nº 9.430/96). Dessa forma, os débitos próprios, identificados pelo contribuinte nas DCOMP anexadas ao processo passam a extintos pela compensação, e assim permanecem até a invalidação do procedimento pela RFB; - também de acordo com o disposto no parágrafo 6º do art. 17 da Lei nº 10.833/2003, transcrito a seguir, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados: [...]; - e também não é por outro motivo que o Superior Tribunal de Justiça defende que a lei a ser aplicável à compensação é aquela vigente no momento do encontro de contas (EREsp 488.992/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJU de 07/06/2004; REsp 1.100.483-AL, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 1º/9/2009); Fl. 372DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 - caso sobrevenha nos feitos correlatos decisão administrativa irrecorrível que seja favorável ao contribuinte reconhecendo total ou parcialmente, a existência do crédito indicado nas DCOMPs tratadas neste feito, o procedimento a ser adotado é a transmissão de novas PER/DCOMPs indicando aqueles mesmos créditos, no montante definitivamente reconhecido; - não há como transmitir PER/DCOMPs sob a condição de que os créditos ali indicados venham a existir ou venham a gozar dos atributos de liquidez e certeza em momento posterior; - não se admite no nosso sistema PER/DCOMPs condicionais. Isto é, PER/ DCOMPs transmitidas, sendo que os créditos ainda não líquidos e certos poderão gozar desses atributos em momento posterior em razão do reconhecimento do crédito discutido em outro feito, situação que poderá ocorrer ou não; - nessa perspectiva, válido transcrever as conclusões do Acórdão n.º 1802-001.866 (Processo nº 13629.720026/201012) que analisou situação semelhante à ventilada neste feito, com a diferença de que naqueles autos, cuidava-se de DCOMP indicando como crédito valores que haviam sido objeto de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte. In verbis: [...]; - logo, sob qualquer ótica que se vislumbre a questão, é forçoso concluir que o acórdão hostilizado merece reforma, devendo ser restabelecida a decisão de primeira instância que, de forma acertada, não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte interessado; PEDIDO - ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que: (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, mantendo-se o lançamento em sua integralidade. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 13/07/2015, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] A recorrente alega que, em sentido diverso àquele propugnado pelo v. acórdão atacado, acórdão paradigma nº 1301-000.892, proferido pela 1ª TO/3ª Câm./1ª Sejul, decidiu que “Não possui liquidez e certeza o crédito oriundo de saldo negativo que traga em seu bojo estimativas confessadas em declaração de compensação não homologada, mesmo que ainda não haja decisão final na esfera administrativa”, se não vejamos a ementa do referido acórdão: [...] As similitudes fática e jurídica entre os julgados são incontestáveis e podem ser verificadas do simples cotejo das ementas acima transcritas, restando assim demonstrada a divergência jurisprudencial que consiste em saber se já compõe o saldo negativo do IRPJ a estimativa confessada em declaração de compensação não homologada enquanto pendente de decisão final na esfera administrativa. Fl. 373DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 Uma vez demonstrada a divergência jurisprudencial que desafia recurso especial, opino pela sua ADMISSIBILIDADE. Posteriormente, percebeu-se que o exame de admissibilidade tinha levado em conta apenas um dos paradigmas apresentados pela PGFN (o segundo paradigma). Foi, então, exarado um novo despacho, em 08/02/2019, para a complementação da análise de admissibilidade do recurso. O entendimento manifestado nesse despacho complementar foi de que o primeiro paradigma, Acórdão nº 3301-002.191, não servia para a caracterização da divergência jurisprudencial, pelas razões lá registradas. O recurso especial foi novamente encaminhado a julgamento, com a caracterização da divergência jurisprudencial restrita ao contexto do segundo paradigma (Acórdão nº 1301-000.892), nos termo da análise feita no despacho de admissibilidade original. Em 14/08/2015, a contribuinte tinha sido intimada do primeiro despacho de admissibilidade (que deu seguimento ao recurso especial com base no segundo paradigma), e em 28/08/2015, ela apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os argumentos descritos a seguir: DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL - DA NÃO INDICAÇÃO DE PARADIGMA OU A DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DOS PONTOS DIVERGENTES - para a admissibilidade do recurso especial, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria; e a divergência deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido; - não foram apresentados paradigmas hábeis ao seguimento do recurso. Eis a ementa do acórdão que dá base ao recurso especial: Acórdão n° 3301-002.191 [...] - tal processo trata de "compensação de crédito financeiro, em discussão administrativa, em outro processo, somente é possível depois da decisão definitiva sobre a certeza e liquidez do crédito financeiro naquele processo; - já o acórdão recorrido, como bem menciona o relator, "A questão deduzida nos autos diz respeito à possibilidade (ou não) de que um determinado saldo negativo seja reduzido em razão da não homologação de compensações transmitidas para a quitação de estimativas mensais"; - portanto, houve a não observância dos parágrafos §§ 5º, 6º e 8º do artigo 67, uma vez que não foram trazidos dois acórdão divergentes, e nem demonstrada analiticamente a divergência com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados; DA NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO - como restou decidido, "a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, de modo que as estimativas mensais compensadas devem ser consideradas efetivamente pagas até que sobrevenha decisão administrativa definitiva que não homologue a compensação." Eis parte do voto vencedor que serve de síntese do que foi decidido: Fl. 374DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 A questão deduzida nos autos diz respeito à possibilidade (ou não) de que um determinado saldo negativo seja reduzido em razão da não homologação de compensações transmitidas para a quitação de estimativas mensais. Peço vênia para discordar do voto da E. Relatora, Conselheira Maria de Lourdes Ramirez. De acordo com o art. 156, II, do CTN, a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, de modo que as estimativas mensais compensadas devem ser consideradas efetivamente pagas até que sobrevenha decisão administrativa definitiva que não homologue a compensação. Com efeito, uma vez apresentada a manifestação de inconformidade, o crédito tributário exigido em razão da não homologação da compensação tem a sua exigibilidade suspensa até decisão final na esfera administrativa, nos termos da Lei n° 9.430/96: (...) Em assim sendo, por haver possibilidade de homologação das compensações, o pagamento da estimativa mensal deve ser considerado na apuração do saldo negativo. A desconsideração dos valores que se encontram com exigibilidade suspensa em virtude de recurso administrativo contra a não homologação de compensação afigura-se ilegítima, e por uma singela razão: se o débito está com a exigibilidade suspensa, o mesmo não pode ser cobrado do contribuinte. Ou seja, enquanto houver recurso administrativo pendente de decisão final, o débito de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL compensado tem a sua exigibilidade suspensa, de modo que não pode ser realizado qualquer ato tendente à sua cobrança pelo Fisco, o que também impede a cobrança indireta desse débito mediante redução do saldo negativo formado ao final do período de apuração. De todo modo, mesmo que haja decisão administrativa definitiva não homologando a compensação, ainda assim esta parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo. É que, em caso de não homologação da compensação, o respectivo crédito tributário será regularmente exigido do contribuinte através de execução fiscal, que, quando paga (voluntária ou forçadamente), irá impor a recomposição do saldo negativo. - o argumento do voto vencedor é corroborado por diversos acórdãos deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A jurisprudência deste Conselho também não discrepa: IRPJ. PERDCOMP. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE DE CÔMPUTO NO SALDO NEGATIVO. Comprovadas compensações através de PER/DCOMP's - declaração com caráter de confissão de dívida - as estimativas compensadas devem ser utilizadas para o cômputo do saldo negativo de IRPJ. (1ª Seção, 1ª Cam, 2ª TO, AC 1102-000.375, Rel. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, julgado em 27/01/2011) O VALOR DA COMPENSAÇÃO DECLARADA PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE PER/DCOMP IMPORTA EM CONFISSÃO DE DÍVIDA CASO NÃO SEJA HOMOLOGADA PELO ÓRGÃO COMPETENTE NOS TERMOS Fl. 375DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 DO ARTIGO 74, §§ 6º E 7º DA LEI N° 9.430/96. A SRF não exige que a PER/DCOMP tenha sido homologada, bastando que a compensação tenha sido solicitada para fins de confissão de dívida caso o Fisco não homologue a compensação. Assim, o valor declarado como compensado passa a ser imediatamente exigível, visto que a declaração PER/DCOMP tem natureza de confissão de divida. A PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADA CONSTITUI INSTRUMENTO HÁBIL DE CONFISSÃO DE DÍVIDA PARA O CONTRIBUINTE E OS VALORES ALI INFORMADOS COMPÕEM O SALDO DA BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CSLL. SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA COSIT N° 18 DE 13 DE OUTUBRO DE 2006. 'Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em DComp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ'. (1ª Seção, 1ª Câm., 2ª TO, Acórdão n° 1102-00.373, Rel. João Carlos de Lima Júnior, sessão de 26.01.2011) - nota-se, de outro lado, que os créditos compensados deveriam ter sido deferidos pela Receita Federal, pois as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 permitem que o crédito fiscal da contribuição ao PIS e a COFINS seja tomado com base na alíquota nova, isto é, respectivamente 1,65% e 7,6%, sem fazer restrição quanto ao fornecedor ou impondo a obrigação de que haja destaque em nota fiscal do valor do tributo, muito menos, certificar se foi recolhido ou não pelo fornecedor, apenas exigindo que ele seja pessoa jurídica domiciliada no Brasil; - além disso, as mercadorias (café) adquiridas das empresas supostamente "Pseudo Atacadistas" entraram no estoque, as notas fiscais foram pagas através de depósitos bancários, TED ou DOC diretamente aos emitentes, devidamente registradas, escrituradas e contabilizadas, e geram créditos de COFINS. Tudo isso, aliás, confirmado pelo próprio parecerista e Acórdão da DRJ proferido nos autos do processo n. 11543.001189/2004-79; - toda a sistemática da não-cumulatividade do PIS e também da COFINS está assentada na permissão de que compras e a prestação de serviços, mesmo que antecedidas por suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e COFINS, geram créditos; - dessa forma, os créditos lançados pela recorrente são legais, uma vez que são originados de documentos idôneos, devidamente contabilizados na forma da lei e são oriundos de pessoas jurídicas, cujas mercadorias deram entrada no estoque da recorrente; - tentar incriminar a empresa Recorrente da forma como a Receita Federal vem fazendo, e como ficou estampado também no r. Acórdão recorrido, é um abuso de autoridade, pois a contribuinte não tem nenhuma implicação com a operação "broca", como amplamente comprovado nos autos dos diversos processos administrativos já citados. A tal "operação broca", aliás, foi extinta pelo TRF2 justamente por conta de sua total insubstistência; - em conclusão, vemos que os créditos de PIS/COFINS apurados pela contribuinte sempre foram válidos; DOS PEDIDOS - diante do exposto, REQUER a recorrente: I- a não admissibilidade do recurso especial interposto; II- ultrapassada a preliminar, a confirmação do teor do acórdão recorrido. Fl. 376DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo trata de declarações de compensação em que a contribuinte utilizou direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2004, no valor de R$ 200.955,69. O Despacho decisório exarado pela Delegacia de origem não reconheceu o saldo negativo e, por conseqüência, não homologou as compensações. De acordo com esse despacho, o saldo negativo foi composto por retenções na fonte e estimativas. As retenções na fonte, no valor de R$ 139.888,27, foram integralmente confirmadas, enquanto que as estimativas só foram confirmadas em parte (dos R$ 625.093,72 informados na DIPJ, foram confirmados R$ 185.304,53). A parte não confirmada das estimativas implicou na reversão total do saldo negativo, com apuração de IRPJ a pagar, no valor de R$ 238.833,50, mas a controvérsia estabelecida nos presentes autos diz respeito apenas ao não reconhecimento do saldo negativo e à não homologação das compensações (PER/DCOMP nº 03169.79377.130907.1.7.026872 e nº 21983.88626.270605.1.3.026580). As estimativas não confirmadas foram quitadas por outros PER/DCOMP, que são objetos de outros processos ainda em tramitação. A decisão de primeira instância administrativa proferida nestes autos manteve a decisão dada pela Delegacia de origem. Ao tratar das estimativas não confirmadas, que implicaram no não reconhecimento do saldo negativo de 2004, essa decisão apresenta quadro demonstrativo discriminando os outros processos onde se examina a quitação dessas estimativas por compensação: Processo Estimativa 11543.000568/2004-41 jan/04 11543.000990/2004-05 fev/04 11543.001189/2004-79 mar/04 11543.002538/2004-70 jun/04 11543.003080/2004-76 jul/04 11543.003474/2004-24 ago/04 11543.003831/2004-54 set/04 11543.004262/2004-64 out/04 11543.004744/2004-14 nov/04 Fl. 377DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 Ela também apresenta um quadro identificando a situação de cada uma das estimativas que compuseram o referido montante de R$ 625.093,72, desde a análise feita pela Delegacia de origem: Mês Estimativa Análise Confirmado jan/04 127.119,50 Confirmada integralmente 127.119,50 fev/04 167.781,09 Confirmada parcialmente 52.705,11 mar/04 39.706,05 Não confirmada jun/04 30.317,41 Não confirmada jul/04 126.530,69 Confirmada parcialmente 5.479,92 ago/04 98.374,51 Não confirmada set/04 2.134,65 Não confirmada out/04 1.345,10 Não confirmada nov/04 31.784,72 Não confirmada total 625.093,72 185.304,53 E esclarece que após o julgamentos das manifestações de inconformidade apresentadas naqueles outros processos, a situação demonstrada no quadro acima não se alterou. Sendo assim, na primeira instância administrativa, o saldo negativo de 2004 continuou não reconhecido, e os dois PER/DCOMP objetos do presente processo continuaram não homologados. Já a decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido) deu provimento ao recurso voluntário que a contribuinte apresentou nos presentes autos, entendendo que as estimativas quitadas por meio de declaração de compensação devem compor o saldo negativo do período a que se referem ainda que essas compensações não tenham sido homologadas. A ideia básica dessa decisão é que "mesmo que haja decisão administrativa definitiva não homologando a compensação, ainda assim esta parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo. É que, em caso de não homologação da compensação, o respectivo crédito tributário será regularmente exigido do contribuinte através de execução fiscal, que, quando paga (voluntária ou forçadamente), irá impor a recomposição do saldo negativo". Com seu recurso especial, a PGFN contesta essa decisão, defendendo a ideia de que as estimativas cuja compensação não foi confirmada pela Delegacia de origem não poderiam compor o saldo negativo. Ainda de acordo com a PGFN, "caso sobrevenha decisão favorável reconhecendo, de modo definitivo e irrecorrível, todo ou parte do crédito almejado, cabe ao contribuinte apresentar novo PER/DCOMP e não aproveitar o já existente transmitido de forma prematura e condicionada ao suposto sucesso do contribuinte em outras demandas". Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta preliminar de não conhecimento do recurso, mas seus argumentos não procedem. Ela aponta problemas em relação à caracterização de divergência a partir do Acórdão paradigma nº 3301-002.191, mas, conforme já relatado, a conclusão do despacho complementar de exame de admissibilidade foi justamente no sentido de que esse paradigma não Fl. 378DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 serve para a caracterização da divergência jurisprudencial, porque a situação examinada por ele é diferente daquela que foi examinada pelo acórdão recorrido. De qualquer forma, o segundo paradigma, Acórdão nº 1301-000.892, serve perfeitamente para a caracterização da divergência jurisprudencial e, consequentemente, para a admissibilidade do recurso, nos termos da análise feita pelo despacho de admissibilidade original. Esse segundo paradigma trata exatamente da questão enfrentada pelo recorrido, propondo-se a verificar se as estimativas confessadas em declaração de compensação não homologada podem ou não compor saldo negativo. Basta a leitura das ementas para constatar a divergência entre as decisões. A contribuinte não aponta nenhum problema em relação a esse segundo paradigma. A ideia que ela defende em suas contrarrazões é que a PGFN tinha que ter trazido dois acórdão divergentes. O que se depreende de seus argumentos é que, como um dos paradigmas não serve para a caracterização da divergência, o recurso não poderia ser admitido. Mas ela incorre em grande equívoco ao entender que a regra regimental impõe um número mínimo de paradigmas por matéria. O que a regra regimental estabelece é que o recorrente deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria; e que na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartando-se os demais (RICARF, art. 67, §§ 6º e 7º). Não há nenhuma regra impondo um número mínimo de paradigmas por matéria. O que a regra estabelece é justamente o contrário, ou seja, de que vão ser examinados até dois paradigmas (no máximo dois), para os casos em que o recorrente apresentar uma quantidade maior que essa. A preliminar de não conhecimento do recurso, portanto, deve ser rejeitada. Quanto ao mérito, vê-se que as partes defendem linhas bem opostas. A contribuinte e o acórdão recorrido entendem que mesmo que venha ser proferida decisão administrativa definitiva não homologando a compensação das estimativas, ainda assim elas devem ser consideradas para fins de composição do saldo negativo. Já a PGFN defende que mesmo que possa haver no futuro uma decisão favorável reconhecendo, de modo definitivo e irrecorrível, a quitação das estimativas, elas não poderiam compor o saldo negativo reivindicado no PER/DCOMP original, e que caberia à contribuinte apresentar novo PER/DCOMP. Penso que a correta interpretação deve seguir uma linha intermediária entre essas duas posições. É bastante evidente a relação de dependência que há entre este processo (que trata do saldo negativo de IRPJ em 2004) e aqueles outros que tratam da quitação das estimativas que comporiam esse saldo negativo. Se a Delegacia de origem tivesse reconhecido a quitação integral de todas as estimativas (nos seus respectivos processos), o presente litígio simplesmente não existiria, porque ela também teria reconhecido o saldo negativo reivindicado nestes autos, por simples extensão do decidido naqueles outros processos. Não haveria manifestação de inconformidade, não haveria recurso voluntário, não haveria recurso especial. Fl. 379DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 Mas não foi isso o que ocorreu, gerando toda essa controvérsia sobre como articular a relação entre esses processos (principais e dependente), diante do curso que eles passaram a ter. Nada impede que a contribuinte pleiteie restituição/compensação de saldo negativo formado por estimativas que também foram quitadas por compensação. Mas também é bastante natural que a liquidez e certeza desse saldo negativo esteja condicionado à confirmação da quitação das estimativas (seja por pagamento, seja por compensação). E o tratamento dessa relação de dependência se dá fazendo simplesmente com que, num mesmo nível de instância de julgamento, a decisão dada no processo principal repercuta adequadamente no processo dependente. A Receita Federal sempre vem editando normas sobre a formalização de processos, prevendo esse tipo de situação, para que a matéria principal e a dependente componham o mesmo processo desde o início, ou, se tiverem sido formalizadas em autos distintos, para que esses autos sejam juntados (por apensação ou por anexação), de modo que os julgamentos sejam feitos conjuntamente, no mesmo nível de instância. Nesse sentido, vale citar as Portarias RFB nº 666/2008, RFB nº 354/2016 e RFB nº 1668/2016. É por isso que, por exemplo, o julgamento de um ato de suspensão de imunidade/isenção e o julgamento do lançamento de ofício de crédito tributário decorrente daquele ato normalmente caminham juntos. O mesmo se dá no caso do ato de exclusão do Simples (ou do Simples Nacional) e da exigência de crédito tributário decorrente desse ato de exclusão. A matéria tida como principal e a tida como dependente são julgadas conjuntamente no mesmo nível de instância. Com efeito, não é preciso esperar o julgamento final de um ato de suspensão de imunidade, para que se possa julgar os lançamentos decorrentes desse ato, inclusive, porque eles normalmente fazem parte de um mesmo processo. Nesse mesmo sentido, também vale destacar que o Regimento Interno do CARF contém normas que tratam da distribuição de processos por conexão ou dependência (RICARF, Anexo II, art. 6º), o que também evita decisões conflitantes sobre um mesmo fato, e promove a eficiência no trabalho de julgamento. O ideal seria que as compensações que estão interligadas fossem analisadas conjuntamente (num mesmo nível de instância), mas quando isso não é possível (porque os processos caminharam separados, não se desenvolveram ao mesmo tempo, estão sujeitos a seções diferentes do CARF, etc.), a decisão tem sim que levar em conta o que restou decidido sobre as compensações anteriores, porque há aí uma evidente relação de dependência. A norma regimental, inclusive, é bem clara a esse respeito (RI-CARF, Anexo II, art. 6º, §5º): Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: [...] § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o Fl. 380DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. O que importa em casos como o presente é que o processo principal já tenha sido julgado no mesmo nível de instância em que vai ser julgado o processo dependente, e foi exatamente isso o que ocorreu na Delegacia de origem, e também na Delegacia de Julgamento. Esses órgãos examinaram primeiramente as compensações para a quitação das estimativas, e depois simplesmente fizeram repercutir no presente processo o resultado desse exame. Tudo isso é muito lógico, e fácil de ser percebido. Mas há uma questão no contexto das estimativas que particulariza bem esse debate. É que a estimativa objeto de PER/DCOMP, ao mesmo tempo que configura um débito a ser quitado, pode configurar também um crédito (na forma de saldo negativo) passível de restituição/compensação futura. E é isso que faz surgir a alegação de cobrança em duplicidade da estimativa. O entendimento defendido pela contribuinte e também pelo acórdão recorrido é que, no caso de não homologação dos PER/DCOMP nos processos principais, as estimativas serão cobradas (e pagas), e o saldo negativo já teria sido negado (o que representa uma cobrança indireta das mesmas estimativas). Daí o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de que as estimativas quitadas por meio de declaração de compensação devem compor o saldo negativo do período a que se referem, ainda que a negativa dessa declaração de compensação se torne definitiva no curso do processo administrativo: Portanto, as estimativas cujo adimplemento se deu por compensação devem ser consideradas como pagas em qualquer hipótese, até porque, caso ao final não sejam homologadas, nenhum prejuízo advirá ao Fisco, que poderá exigir o débito decorrente da não homologação através de execução fiscal. A possibilidade de quitação de estimativas após o encerramento do período de apuração já traz em si certa controvérsia. Há quem pensa ser descabido falar em estimativa devida (em aberto) após o encerramento do ano-calendário. E houve época em que a Receita Federal não concedia parcelamento para estimativas que não tinham sido quitadas no momento oportuno. Mas esse tipo de posicionamento reflete apenas um lado da questão abrangendo as estimativas mensais, o lado do Fisco. Realmente, depois de encerrado o ano-calendário, a atuação da Fiscalização, no que toca ao tributo propriamente dito, se dá sempre pela ótica do ajuste anual. A Fiscalização não faz lançamento para exigir estimativas mensais não recolhidas. Em relação a essas estimativas, o que se lança é a multa isolada prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996. Contudo, na ótica dos contribuintes, detectada a falta de recolhimento de alguma estimativa mensal, há de haver a possibilidade de se pagar essa estimativa em atraso, com os devidos acréscimos legais, mesmo depois de encerrado o ano-calendário. Aliás, esta é a única forma que os contribuintes tem de evitar a referida multa isolada, ao mesmo tempo em que a estimativa recolhida em atraso (com os devidos acréscimos Fl. 381DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 legais) passa a contribuir adequadamente para a quitação do tributo no final do ano, ou para a formação de saldo negativo. Negar essa possibilidade aos contribuintes implicaria em mantê-los irreversivelmente em uma condição de infração, de irregularidade, o que não é razoável. E é nessa perspectiva, penso eu, que a Receita Federal não apenas admite que os contribuintes paguem estimativa depois de encerrado o período de apuração, como também concede parcelamento para isso. Mas por outro lado, também é importante lembrar que para um contribuinte postular restituição ou compensação de tributo, é necessário, de acordo com o Código Tributário Nacional - CTN, que seu direito seja líquido e certo, ou seja, que decorra de pagamento comprovadamente realizado em montante indevido ou a maior que o devido. Sabe-se muito bem que a compensação, na forma em que vem sendo realizada desde a Lei 10.637/2002, implica em um aproveitamento imediato do reivindicado indébito, sob condição resolutória. Sendo assim, o acolhimento do pleito da contribuinte implicaria em admitir a possibilidade de restituição/compensação de algo que ainda nem mesmo foi pago (que só seria pago no futuro - na execução das estimativas confessados no PER/DCOMP), o que afronta não só o sistema jurídico, mas a própria lógica das coisas, porque só se restitui (devolve) o que foi anteriormente dado (pago). Não há como admitir essa ideia, de a contribuinte primeiro receber a restituição, com a justificativa de que depois ela será cobrada e irá pagar o tributo que daria ensejo àquela restituição. É importante lembrar que o encontro de contas se dá na data de envio do PER/DCOMP, e nós estaríamos autorizando a restituição/compensação de crédito que ainda não existia naquela data. Não há dúvida de que as estimativas pagas posteriormente devem repercutir no ajuste anual. Seria contraditório, por exemplo, exigir da contribuinte a quitação das estimativas (via execução dos PER/DCOMP) e também exigir o tributo no ajuste em razão da ausência destas mesmas estimativas, ou negar o saldo negativo formado por elas. O voto vencido que consta do acórdão recorrido, proferido pela Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, aborda bem esse ponto: A recorrente argumenta que a glosa das antecipações, no presente caso, representaria dupla cobrança, pois desta não homologação também resultará a cobrança do débito então compensado. Ocorre que, caso homologada a compensação da estimativa que compõe o presente saldo negativo, a parcela correspondente estará aqui convalidada, impedindo a cobrança de débitos compensados até o limite do crédito comprovado. Já em se tornando definitiva a não homologação da compensação desta estimativa, somente o pagamento decorrente de sua cobrança lhe conferirá novamente a certeza retirada pelo anterior ato de não-homologação. E, uma vez restabelecida esta certeza acerca da antecipação que a interessada pretende aqui ver computada no saldo negativo em debate, este direito creditório será reconstituído para imputação aos débitos compensados, impedindo sua cobrança. Logo, seria exigível somente o pagamento das Fl. 382DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 estimativas compensadas, vinculadas aos créditos de PIS e COFINS tratados nos demais processos administrativos, não se verificando qualquer duplicidade em relação a exigência decorrente dos débitos aqui compensados. Já se o sujeito passivo optar não pagar o débito que venha a se tornar exigível naqueles outros autos, o crédito aqui utilizado não será confirmado e então apenas os débitos com ele compensados serão exigíveis. Por certo não poderá a autoridade administrativa proceder a ambas as cobranças concomitantemente, mas apenas sucessivamente, caso se mostre inviável prosseguir na primeira cobrança. Como exposto, as estimativas objeto de compensações não homologadas não se revestem da certeza necessária para integrar direito creditório utilizado em compensação extintiva do crédito tributário. Sua glosa, assim, subsiste enquanto não se verificar a homologação de sua compensação ou o seu pagamento, salvo se a contribuinte desistir da utilização do direito creditório a ela correspondente, e assim optar pelo pagamento do débito indevidamente compensado com o saldo negativo no qual ela foi computado. Assim, a compensação pleiteada nos presentes autos deve ser não homologada, em virtude da inexistência do direito creditório, pela ausência de certeza e liquidez do crédito invocado. O fato é que o pagamento das estimativas, mesmo extemporâneo, supre o imposto no ajuste, ao mesmo tempo em que afasta o fundamento para a sua cobrança (cobrança do tributo no ajuste). Mas a restituição/compensação dessas estimativas na forma de saldo negativo implica em questões adicionais, porque elas somente se tornam aptas a embasar restituição ou compensação na medida que forem pagas, e também na medida que o montante pago supere o valor do tributo devido, quando passam a convalidar o saldo negativo a ser restituído/ compensado. De modo que, enquanto não se confirmar a quitação das estimativas (nos chamados processos principais), não se pode reconhecer o saldo negativo reivindicado no presente processo. Nesse passo, registro que os processos que tratam das compensações das estimativas nos meses de fevereiro, março, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2004 (devidamente identificados no início deste voto) estão com recursos voluntários pendentes de julgamento no CARF, conforme consulta feita na página eletrônica do órgão. Esses recursos voluntários serão distribuídos para turmas da 3ª Seção do CARF, porque os créditos utilizados nos PER/DCOMP são de PIS/COFINS. O acórdão recorrido tinha que ter esperado as decisões destes recursos voluntários, para fazê-las repercutir no julgamento de segunda instância destes autos. Não deixo de observar que a referida regra contida no §5º do art. 6º do Anexo II do atual RI-CARF, acima transcrita, não existia quando foi exarado o acórdão recorrido. Mas era esse o procedimento correto, que foi inclusive adotado pela Delegacia de origem, e também pela Delegacia de Julgamento. Aliás, é naqueles outros processos que serão analisados os argumentos que a contribuinte traz em sede de contrarrazões, defendendo a validade dos créditos de PIS/COFINS que foram utilizados para a compensação das estimativas de 2004. Fl. 383DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 Finalmente, é importante esclarecer que o voto vencedor que orientou o acórdão recorrido não fez uma leitura correta do Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, quando afirma que ele não deixa nenhuma dúvida de que as estimativas objeto de compensações não homologadas sempre serão objeto de inscrição em dívida ativa e posterior execução fiscal. O que o referido parecer diz é que as estimativas objeto de compensações não homologadas poderão ser exigidas na medida em que elas correspondam ao tributo apurado no ajuste. Nesse caso, o que estaria sendo exigido são valores referentes a tributo, consolidados com o ajuste anual, e não mais mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. Nesse contexto, portanto, somente serão exigidas as estimativas que se configurarem como tributo devido no ajuste, e não serão exigidas estimativas quando a contribuinte tiver apurado prejuízo, e nem estimativas além do montante necessário para a quitação do ajuste. Enfim, não se exigirá estimativas que seriam necessárias para a formação de saldo negativo, que é a questão que está sendo discutida nestes autos. Assim, realmente não procede o entendimento que embasa o acórdão recorrido, no sentido de que se deve reconhecer de antemão o saldo negativo de IRPJ em 2004, porque as estimativas desse período, ainda em litígio, serão de qualquer modo exigidas no caso de não homologação dos PER/DCOMP a elas relativos. A decisão correta nesse momento é devolver o processo para a Turma Ordinária, para que ele fique sobrestado até que sejam decididos os recursos voluntários apresentados nos processos que tratam dos PER/DCOMP das estimativas, em observância à referida regra contida no §5º do art. 6º do Anexo II do atual RI-CARF. Depois disso, a Turma Ordinária deverá exarar nova decisão, levando em conta o que foi decidido naqueles outros processos em segunda instância administrativa. Diante do exposto, voto para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da PGFN, conforme o parágrafo acima. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS COMPENSADAS EM OUTROS PROCESSOS. RELAÇÃO DE DECORRÊNCIA/DEPENDÊNCIA. 1- O tratamento da relação de dependência se dá fazendo simplesmente com que, num mesmo nível de instância de julgamento, a decisão dada no processo principal repercuta adequadamente no processo dependente. De acordo com o próprio Regimento Interno do CARF (RI-CARF, Anexo II, art. 6º, §5º), o julgamento do processo decorrente/dependente deverá ser sobrestado, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. 2- Não procede o entendimento que embasa o acórdão recorrido, no sentido de que se deve reconhecer de antemão o saldo negativo de IRPJ em 2004, porque as estimativas desse período, ainda em litígio, serão de qualquer modo exigidas no caso de não homologação dos PER/DCOMP a elas relativos. Conforme o Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, somente serão exigidas as estimativas que se configurarem como tributo devido no ajuste, e não se exigirá estimativas que apenas seriam necessárias para a formação de saldo negativo. Fl. 384DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 3- Devolve-se o processo à Turma Ordinária, para que fique sobrestado até que sejam decididos os recursos voluntários apresentados nos processos que tratam dos PER/DCOMP das estimativas. A Turma Ordinária deverá, então, exarar nova decisão, levando em conta o que foi decidido naqueles outros processos em segunda instância administrativa. Em síntese, voto por CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa A quitação de estimativas, por compensação, para composição do saldo negativo - de 2004 - pleiteado pelo contribuinte é discutido nos Processos Administrativo nº 11543.001189/2004-79, 11543.001189/2004-24, 11543.001189/2004-54, 11543.001189/2004- 64, 11543.001189/2004-14. Não consta dos presentes autos notícia de decisão final favorável nos citados processos. A despeito da ausência de decisão definitiva favorável ao contribuinte nos processos que discutem a compensação das estimativas que originaram o saldo negativo, estas devem compor o saldo, notadamente por constituir confissão de dívida. Nesse sentido, decidiu esta Turma em precedentes (v.g. acórdão 9101-002.489, 9101-004.036). Colaciona-se trecho do preciso voto vencedor, elaborado pelo Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, no acórdão 9101-003.891: Ora, temos aqui uma situação gravosa sendo imposta à Recorrente. Isso porque, temos, de um lado, a não homologação das compensações efetuadas para fins de liquidação dos débitos de estimativa que passaram a compor o saldo negativo do ano-base e, de outro, o presente processo, por meio do qual a Fiscalização, DRJ e Turma Ordinária deste Conselho entendem que a estimativas em discussão não devem compor o saldo negativo utilizado pelo Recorrente, reduzindo o crédito utilizado, fazendo remanescer um débito em aberto. Assim, caso entendêssemos no presente processo que tais estimativas, extintas por compensações (em discussão administrativa) devem ser desconsideradas para fins de composição do saldo negativo do respectivo período e, nos demais processos, a Recorrente venha a ter uma decisão desfavorável, teríamos uma cobrança em duplicidade dos respectivos valores. Isso porque, a Recorrente seria chamada a pagar as estimativas indevidamente compensadas, com os devidos acréscimos legais ao mesmo tempo em que seria obrigada também, a pagar os débitos liquidados através do aproveitamento do saldo negativo do período. A não homologação das compensações vinculadas às estimativas de IRPJ e CSLL tem determinado, em efeito cascata, o não reconhecimento dos saldos negativos apurados ao final do exercício, o que vem causando um verdadeiro imbróglio processual. Fl. 385DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 O § 2° do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei 10.637/02, assim dispõe: “§ 2°A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” O texto legal é claro no sentido de prever que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, como, aliás, não poderia deixar de ser, em face do art. 156 do CTN. Desta forma, assim como ocorre no caso de pagamento antecipado dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a compensação validamente realizada (aquela que cumpre as formalidades legais) extingue o crédito tributário para todos os fins, a despeito de o Fisco poder desconsiderá-la no futuro. (...) A própria RFB, através da Coordenadoria de Tributos sobre a Renda, Patrimônio e Operações Financeiras (Cosit), editou a Solução de Consulta Interna nº 18/06, a qual determina que na hipótese de não homologação de Declaração de Compensação (DCOMP) relacionada a débito de estimativa mensal, o fato de tal compensação encontrar-se em discussão administrativa ainda não julgada definitivamente não macula o crédito relativo ao saldo negativo apurado ao final do período base relativo a tal estimativa, conforme assim trecho destacado da ementa: “Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança de multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” (grifos nossos) Essa posição adotada pela Receita Federal corrobora o entendimento do Poder Judiciário sobre a manutenção do status de "extinção" dos débitos compensados até o julgamento definitivo do respectivo processo administrativo fiscal, nos termos dos parágrafos 2º, 9º, 10º e 11º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Além disso, não podemos esquecer que, na hipótese de despacho decisório que não homologa a compensação efetuada pelo contribuinte, tem-se a possibilidade de impugnação dessa decisão, o que dá início ao contencioso administrativo. Neste sentido, o art. 74 da Lei 9.430/96 prevê o direito do contribuinte de interpor, no prazo de 30 dias, manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que deixou de homologar a compensação. Caso o despacho decisório seja mantido pelo órgão julgador de primeira instância, existe, ainda, a possibilidade de interposição de Recurso Voluntário ao CARF e, posteriormente, ao CSRF (quando houver cabimento). E, conforme disposto nos §§ 7º a 10º do art. 74 da Lei 9.430/96, os recursos apresentados contra despacho decisório que não homologa a compensação têm efeito suspensivo quanto à cobrança do débito compensado, nos termos do art. 151, III, do CTN. Assim, uma vez quitadas as estimativas em decorrência de procedimentos compensatórios, não há outra solução senão o cômputo para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ/CSLL, sem prejuízo de cobrança com acréscimos legais do crédito pleiteado no PER/DCOMP, na hipótese de ausência de homologação. (...) É certo, portanto, que não cabe a glosa do crédito referente à saldo negativo de CSLL baseada simplesmente na não homologação das compensações das estimativas do período, tendo em vista que eventual ausência de homologação de tais compensações em definitivo tem o condão de gerar a cobrança do valor indevidamente compensado em processo próprio, sem risco de dupla penalização do contribuinte. Fl. 386DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-004.130 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10783.901084/2010-74 A Turma a quo orientou-se no mesmo sentido, conforme voto vencedor, do qual se colaciona trecho a seguir: Em assim sendo, por haver possibilidade de homologação das compensações, o pagamento da estimativa mensal deve ser considerado na apuração do saldo negativo. A desconsideração dos valores que se encontram com exigibilidade suspensa em virtude de recurso administrativo contra a não homologação de compensação afigura-se ilegítima, e por uma singela razão: se o débito está com a exigibilidade suspensa, o mesmo não pode ser cobrado do contribuinte. Ou seja, enquanto houver recurso administrativo pendente de decisão final, o débito de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL compensado tem a sua exigibilidade suspensa, de modo que não pode ser realizado qualquer ato tendente à sua cobrança pelo Fisco, o que também impede a cobrança indireta desse débito mediante redução do saldo negativo formado ao final do período de apuração. De todo modo, mesmo que haja decisão administrativa definitiva não homologando a compensação, ainda sim esta parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo. É que, em caso de não homologação da compensação, o respectivo crédito tributário será regularmente exigido do contribuinte através de execução fiscal, que, quando paga (voluntária ou forçadamente), irá impor a recomposição do saldo negativo. (...) Portanto, as estimativas cujo adimplemento se deu por compensação devem ser consideradas como pagas em qualquer hipótese, até porque, caso ao final não sejam homologadas, nenhum prejuízo advirá ao Fisco, que poderá exigir o débito decorrente da não homologação através de execução fiscal. O que não se pode admitir, a toda evidência, é a dupla cobrança da estimativa mensal paga por compensação que venha a ser futuramente não homologada, pela dedução na composição do saldo negativo, e a posterior execução do débito compensado cujo crédito não foi reconhecido. Adoto as razões dos acórdãos acima referidos, para reafirmar orientação adotada em oportunidades anteriores e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 387DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004772/2002-86
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 1997
ALTERAÇÃO DA DCTF APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO INDISPENSÁVEL.
A retificação da DCTF é possível mesmo após iniciado o procedimento fiscal, desde que o contribuinte apresente provas contábil-fiscais para demonstrar o erro de fato no preenchimento da declaração (art. 145 e § 2º do art. 147 do CTN).
Numero da decisão: 1003-000.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 1997 ALTERAÇÃO DA DCTF APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO INDISPENSÁVEL. A retificação da DCTF é possível mesmo após iniciado o procedimento fiscal, desde que o contribuinte apresente provas contábil-fiscais para demonstrar o erro de fato no preenchimento da declaração (art. 145 e § 2º do art. 147 do CTN).
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.004772/2002-86
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6024575
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.719
nome_arquivo_s : Decisao_10880004772200286.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 10880004772200286_6024575.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7803162
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121274777600
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-26T23:38:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-06-26T23:38:44Z; Last-Modified: 2019-06-26T23:38:44Z; dcterms:modified: 2019-06-26T23:38:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-26T23:38:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-26T23:38:44Z; meta:save-date: 2019-06-26T23:38:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-26T23:38:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-06-26T23:38:44Z; created: 2019-06-26T23:38:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-06-26T23:38:44Z; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-26T23:38:44Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.004772/2002-86 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-000.719 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 04 de junho de 2019 Recorrente BANCO FIAT S/A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 1997 ALTERAÇÃO DA DCTF APÓS INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO INDISPENSÁVEL. A retificação da DCTF é possível mesmo após iniciado o procedimento fiscal, desde que o contribuinte apresente provas contábil-fiscais para demonstrar o erro de fato no preenchimento da declaração (art. 145 e § 2º do art. 147 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório rata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 16-20.112, de 15 de janeiro de 2009, da 8ª Turma da DRJ/SPOI, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no Relatório do acórdão da DRJ, transcrevo-o abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 47 72 /2 00 2- 86 Fl. 456DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.719 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.004772/2002-86 Trata-se de impugnação (fls.01 a 04) apresentada por BANCO FIAT S. A., supra qualificado, contra Auto de Infração (fls.07 a 15) relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF, relacionado a fato gerador ocorrido no ano calendário de 1997. 2. No item “Descrição dos fatos e enquadramento legal” (fls. 08), está declarado que o presente Auto de Infração tem sua origem na realização de Auditoria Interna, realizada nas DCTF indicadas no item 3 (fls. 07): as do 1° e 4° Trimestre do ano calendário de 1997. Como resultado, constatou-se falta de recolhimento do principal, conforme Demonstrativos anexos (fls. 09 a 13). 3. Tendo tomado ciência do lançamento em 19/03/2002 (cópia de envelope a fls. 17), o contribuinte, por intermédio de seus procuradores (docs. a fls.l89 a 198), interpôs impugnação (fls. 01 a 04), protocolada em 18/04/2002, relatando e alegando o que segue. 3.1. Após apresentar breve relato dos fatos, argumenta que os créditos tributários apontados no Auto de Infração estão todos devidamente quitados, informando que está apresentando cópias de DARF anexas. E com relação ao tributo que teria sido recolhido a destempo, afirma que o DARF a ele relativo foi alvo de um pedido de retificação (REDARF), protocolado em 11/09/2000, solicitando alteração na data de vencimento: de 30/12/1997 para 02/01/1998 (este pedido deu origem ao processo administrativo fiscal 16327.001774/-0-05). Nesse mesmo processo há um pedido de retificação de DARF para alterar o código da receita de 0481 para 5299, com ' relação ao valor de R$ 443.416,23. . 3.2. Além disso, acrescenta, foi apresentada uma DCTF retificadora relativa ao 4° trimestre/97, solicitando a alteração do período de apuração de "3ª semana dez/97” para “4º semana dez/97”, dando origem ao processo administrativo fiscal 16327002013/00- 26. 3.3. Reconhece a existência de outros equívocos com relação aos demais 1 débitos apontados, mas assinala que, “para regularizar a pendência, acostamos à presente impugnação um novo Pedido de Retificação da DCTF relativa ao 4° Trimestre/1997, conforme páginas numeradas de 001 a 144, anexas, requerendo a V.S.as. se dignem acatar o presente Pedido de Retificação, procedendo-se as correções necessárias, ...” 3 1 Conclui que os débitos apontados no Auto de Infração estão todos integralmente quitados e solicita a declaração da insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelando-se o débito mencionado. 3.5. Vindo a julgamento, entendeu a relatora, para que não pudesse ser alegado o cerceamento de defesa, ser necessária uma diligência para a manifestação da competente Delegacia da Receita Federal do Brasil sobre os dois pedidos de retificação apresentados pelo impugnante: o constante do processo n°. 16327.0020l3/00-26 e o inserido na própria impugnação (fls. 300 e 301). 3.6. Em resposta (fls. 308 e 309), a DRF/CON informa que: - “não se deve acatar o pedido da contribuinte, ..., para se alterar o período de apuração do débito de IRRF, R$ 1.377,13, para a 4” semana de dezembro/ 1 997.” - “de acordo com a legislação tributária, não se aceita a retificação de declaração que tenha por objeto alterar débitos em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início do procedimento fiscal.” 3.7. Tendo tomado ciência do despacho da DRF/CON, o contribuinte apresentou manifestação (fls. 313 a 318), por meio de seu advogado (fls. 339 a 342), alegando, em apertada síntese, a necessidade da observância do principio da verdade material para a Fl. 457DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.719 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.004772/2002-86 solução do caso concreto, pleiteando, ao final, o acolhimento da DCTF retificadora e a anulação do Auto de Infração. 4. É o Relatório. A DRJ/SPOI julgou procedente em parte o lançamento, para afastar apenas a reduzir a multa isolada para o valor de R$ 22,71, em observância ao princípio da retroatividade benigna, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 IRRF. DCTF. RETIFICAÇAO. Não produz efeito a retificação de DCTF solicitada após o início de procedimento fiscal, em razão de expressa vedação legal. IRRF. PAGAMENTO INDISPONÍVEL. AUSÊNCIA DE PROVA. DCTF. O pagamento alocado para quitação de outro débito e a ausência de prova de eventual erro de preenchimento da DCTF impõem a manutenção do lançamento. AUDITORIA DE DCTF. PAGAMENTO .DO IMPOSTO APÓS O PRAZO SEM RECOLHIMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA. A multa de mora é devida sempre que o pagamento de tributo ou contribuição se der após o vencimento. DCTF. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RECOLHIMENTO , FORA DO PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA Comprovado o recolhimento fora do prazo do tributo confessado em DCTF, é de manter-se o lançamento da multa de oficio isolada, observado o principio da RETROATIVIDADE BENIGNA, consagrado no art. 106, II, c, do CTN, segundo o qual se aplica penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Lançamento Precedente em Parte Inconformada com a decisão supra, a contribuinte apresentou recurso voluntário com fundamento nos argumentos abaixo sintetizados: (i) Em 19 de março de 2002, a Recorrente foi autuada pela Delegacia Especial de Instituição Financeira em São Paulo/SP, em função de revisões das DCTF's relativas ao primeiro e ao quarto trimestre de 1997. Contra a referida autuação, a Recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, que houve equívoco no preenchimento das DCTF's e dos respectivos documentos de arrecadação (DARF's). Entretanto, a contribuinte procedeu com a retificação das declarações e de alguns DARF's, tornando identificável o pagamento. A Autoridade administrativa, de ofício, reviu o auto de infração e cancelou vários lançamentos, restando apenas os lançamentos no valor de R$ 7.993,33 e a multa isolada de R$ 1.023,85; (ii) A DRJ, ao analisar as impugnações apresentadas pela Recorrente, manteve o lançamento no valor de R$ 7.993,33, sob o fundamento de que a retificação da DCTF não pode ser acolhida, tendo em vista ter sido apresentada após o início do procedimento fiscal, e reduziu o valor da multa para R$ 22,71 em observância ao princípio da retroatividade benigna. Com Fl. 458DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.719 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.004772/2002-86 relação ao crédito correspondente à multa isolada reduzida, a Recorrente efetuou o pagamento do valor remanescente; (iii) Em relação ao lançamento no valor de R$ 7.993,33, a Recorrente entende que, em razão do princípio da verdade material, o mesmo deve ser cancelado, haja vista que se encontra quitado. Aduz ter ocorrido mero equívoco nas informações prestadas em DCTF, pois, em 10 de dezembro de 1997, por meio de dois DARF's distintos, a Recorrente recolheu valores relativos ao período de apuração 1ª semana/dezembro/1997, conforme abaixo destacado no recurso: Ocorre que na DCTF apresentada no 'mês de dezembro/1997 foram informados, como devidos, a título de IRRF, os seguintes valores (relativos ao período de apuração 1” semana/dezembro/1997): (a) R$ 7.993,33, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte - código de arrecadação 8045, que foi vinculado ao debito no valor de R$ 8028.03; (b) R$ 7.993,33, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte - código de arrecadação 0561. Portanto, em relação ao código de arrecadação 0561 foi equivocadamente informado na DCTF original como devido o valor de R$ 7.993,33, quando, na verdade, deveria ter sido informado R$ 6.750,55. Visando sanar esse equívoco, a Recorrente retificou a DCTF relativa ao 4° trimestre/1997, para registrar os valores efetivamente devidos (e recolhidos) a título de IRRF: (a) R$ 7.993,33 referente ao código de arrecadação 8045; (b) R$ 6.750,55 referente ao código de arrecadação 0561. Pelas informações ora prestadas, é possível concluir, portanto, que o débito no valor de R$ 7.993,33, referente ao código de arrecadação 0561, informado equivocadamente na DCTF original, NUNCA EXISTIU: o valor correto devido, no período, sob o código de arrecadação 0561 era de R$ 6.750,55 (que foi efetivamente recolhido, conforme amplamente demonstrado nos autos). (iv) Defende a Recorrente ser equivocado o entendimento manifestado pelos Julgadores da DRJ que, no voto vencedor, entendeu não haver nos autos prova de que o IRRF em análise estivesse declarado em duplicidade, isto porque, conforme informou na impugnação, não se fala em pagamento em duplicidade, mas sim erro na informação do valor correto a ser recolhido sob o código 0561 a título de IRRF, que era de R$ 6.750,55. O valor de R$ 7.993,33 refere-se ao código de arrecadação 8045, o qual foi vinculado ao débito no importe de R$ 8.028,03; (v) Declara que houve mero erro de fato por parte da Recorrente ao declarar os valores recolhidos durante o período de apuração 1ª semana/dezembro/1997, contudo destaca que os dois valores foram efetivamente quitados. (vi) Informa que a Fiscalização não acolheu a alteração da DCTF retificadora pelo fato de ter sido apresentada após o lançamento, contudo, sob pena de violação ao princípio da verdade material, e com fundamento em todos os documentos acostados no processo, deve a Fl. 459DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.719 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.004772/2002-86 DCTF retificadora ser aceita. Apresenta doutrina e jurisprudência do CARF para embasar sua tese. Por fim, requereu a procedência do recurso voluntário, a fim de que seja reformada a r. decisão, sob pena de violação ao princípio da verdade material e, consequentemente, seja anulado o Auto de Infração, tendo em vista o pagamento do valor autuado. É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. De inicio, observo que a competência para julgamento deste processo foi conferida pela Portaria CARF nº 146, de 12/12/2018. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. O auto de infração nº 1695, lavrado pela Delegacia Especial de Instituição Financeira em São Paulo, contra o Banco Fiat, ora Recorrente, foi consequência de auditoria interna nas DCTFs originais apresentadas nos 1º e 4º trimestres de 1997. Segundo o relatório do Auto de Infração, não foram localizados os pagamentos dos seguintes valores declarados: Código Receita PA Vencimento Valor principal 1708 2ª sem.Fev/97 14.02.1997 20,08 1708 3ª sem.FEV/97 19.02.1997 998,98 0561 1ª sem.DEZ/97 10.12.1997 7.993,33 3426 4ª sem.OUT/97 29/10/1997 9.351,49 5299 3ª sem.NOV/97 19.22.1997 443.416,23 Como também verificou pagamento efetuado após o vencimento: 0561 3ª sem.DEZ/97 24.12.1997 Multa 1.032,85 A Recorrente, intimada da lavratura do auto de infração, apresentou impugnação carreando aos autos documentos suficientes para comprovar ter havido equívoco no lançamento. A DRF de origem, antes de enviar o processo para análise da DRJ competente, de ofício, revisou os lançamentos do auto de infração e cancelou parte deles, mantendo apenas os seguintes: Fl. 460DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.719 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.004772/2002-86 Código Receita PA Vencimento Valor principal 0561 1ª sem.DEZ/97 10.12.1997 7.993,33 0561 3ª sem.DEZ/97 24.12.1997 Multa 1.032,85 Em relação ao lançamento no valor de R$ 7.993,33, a DRF não aceitou a retificação da declaração, visto ter alterado débitos após intimação da início de procedimento fiscal. A Recorrente apresentou nova impugnação contra os lançamentos remanescentes e a DRJ, por maioria de votos, manteve o lançamento do R$ 7.993,33, sob o fundamento de que não há provas de que o IRRF no valor em destaque, sob o código 0561 estivesse declarado em duplicidade, como também que não deve produzir efeitos a DCTF retificadora apresentada após início de procedimento fiscal. Em relação à multa isolada, em razão de evolução legislativa que beneficiou a Recorrente, a mesma foi reduzida para R$ 22,72. Logo, remanesce para análise em segunda instância administrativa apenas o lançamento no valor de R$ 7.993,33, referente ao código 0561, vencimento em 10/12/1997. Em razão da r. decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário e destacou, mais uma vez, ter havido erro de fato no preenchimento da DCTF original, porque informou, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte - código de arrecadação 8045 - o valor de R$ 7.993,33, e, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte - código de arrecadação 0561 - igualmente o valor de R$ 7.993,33. Defende a Recorrente que, em relação ao código de arrecadação 0561, foi equivocadamente informado na DCTF original como devido o valor de R$ 7.993,33, quando, na verdade, deveria ter sido informado R$ 6.750,55. Em razão disso, a Recorrente requereu a retificação da DCTF relativa ao 4º trimestre/1997 para corrigir o equívoco. Tanto a DRF como a DRJ não acolheram as alegações da Recorrente, visto que a DCTF retificadora foi apresentada após iniciado o procedimento fiscal. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito. Em razão disso, a DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF exige comprovação material, com fulcro no inciso III, §2º do art. 11 da Instrução Normativa RFB 786/2007 (em vigor com o mesmo texto é a IN RFB nº 1599/2015, art. 9º, §2º, inciso III): Estando o crédito tributário formalmente constituído pela DCTF original, e o Fisco agindo em consonância com o que foi formalmente constituído, para que se pudesse retificá-lo após o procedimento de ofício, seria necessária prova de sua inexatidão. Obrigatoriamente é preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova, e respectivos lastros documentais. Fl. 461DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.719 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.004772/2002-86 A retificação da DCTF é possível mesmo após iniciado o procedimento fiscal, desde que o contribuinte apresente provas contábil-fiscais para demonstrar o erro de fato no preenchimento da DCTF (art. 145 e § 2º do art. 147 do CTN). A determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito anteriormente não declarado, longe de ser mero formalismo, é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. As alterações promovidas pela Recorrente em relação ao preenchimento da DCTF não são meros erros formais. Em verdade, eles alteram significativamente o valor declarado, visto que reduzem o valor do débito. Em outras palavras, se o contribuinte equivocou-se no preenchimento da DCTF e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar o erro e qual o montante efetivamente devido. De acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na impugnação "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Nos autos do processo, a Recorrente colacionou DCTF e DARF's objetos da controvérsia, contudo não foi demonstrado, através de documentos contábil-fiscais o erro no preenchimento da DCTF apontado no recurso voluntário e demais peças de defesa constante no processo. Outrossim, todos os documentos dos autos foram analisados e não foi possível concluir a existência do erro de fato apontado. Outrossim, é importante destacar que tais exigências são realizadas exatamente para que o princípio da verdade material seja observado. A Recorrente deveria ter colacionado aos autos os documentos contábil-fiscais da empresa, pois a autoridade fiscal poderia ter cancelado o lançamento de ofício, uma vez identificada a correição das retificações realizadas. O contrário - aceitar a retificação da DCTF sem os documentos contábeis indispensáveis, considerando apenas as declarações nas peças de defesa e cópias dos DARF e DCTF - não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como comprovar o equívoco no preenchimento da DCTF. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.003590/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A contradição sanável mediante embargos de declaração é aquela interna ao julgado embargado, que se dá entre a fundamentação e o dispositivo.
Numero da decisão: 2402-007.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, na parte admitida, uma vez que não restou caracterizada a contradição apontada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contradição sanável mediante embargos de declaração é aquela interna ao julgado embargado, que se dá entre a fundamentação e o dispositivo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13855.003590/2009-60
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023686
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.321
nome_arquivo_s : Decisao_13855003590200960.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 13855003590200960_6023686.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, na parte admitida, uma vez que não restou caracterizada a contradição apontada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7797743
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121277923328
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-25T14:34:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-06-25T14:34:23Z; Last-Modified: 2019-06-25T14:34:23Z; dcterms:modified: 2019-06-25T14:34:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-25T14:34:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-25T14:34:23Z; meta:save-date: 2019-06-25T14:34:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-25T14:34:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-06-25T14:34:23Z; created: 2019-06-25T14:34:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-06-25T14:34:23Z; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-25T14:34:23Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 401 1 400 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.003590/200960 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402007.321 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de junho de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL Embargante MAGAZINE LUIZA S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contradição sanável mediante embargos de declaração é aquela interna ao julgado embargado, que se dá entre a fundamentação e o dispositivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, na parte admitida, uma vez que não restou caracterizada a contradição apontada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 35 90 /2 00 9- 60 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Acórdão n.º 2402007.321 S2C4T2 Fl. 402 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, em face do acórdão nº 2402006.711, de 5/10/18, proferido por esta Turma Ordinária, que, por unanimidade de votos, conheceu parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Segue a ementa da decisão embargada: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF. Devem ser replicados ao julgamento relativo ao descumprimento de obrigação acessória os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119. MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE. 1. Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. 2. De acordo com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09, que inspirou a edição Súmula CARF 118, o art. 32A somente é aplicado isoladamente na hipótese de não ter havido a imposição de sanção pelo descumprimento da obrigação principal. O ilustre Presidente desta Turma admitiu parcialmente os embargos, para pronunciamento da Turma quanto ao seguinte ponto: (a) vício de contradição: a inclusão dos débitos principais em parcelamento não significa o reconhecimento da legitimidade da presente cobrança e não implica no não conhecimento dos fundamentos de mérito contidos nesses autos por serem feitos distintos. É o relatório. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Acórdão n.º 2402007.321 S2C4T2 Fl. 403 3 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento No entender deste relator, o juízo positivo e prévio de conhecimento dos embargos de declaração, pelo Presidente da Turma, não é definitivo, uma vez que nem o Regimento Interno deste Conselho RICARF e nem o Código de Processo Civil contêm qualquer disposição nesse sentido. Em sendo assim, deve ser preservada a soberania da decisão colegiada, motivo pelo qual estão sendo novamente analisados os pressupostos de admissibilidade recursal. Observase, nesse contexto, que os embargos são tempestivos e que foi objetivamente apontado o ponto que, no entender da embargante, seria contraditório, razões pelas quais o recurso deve ser conhecido, naquilo que já foi objeto de admissibilidade prévia. Já a decisão do Presidente, que rejeita os embargos nos demais pontos, é definitiva, conforme preleciona expressamente o § 3º do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho com destaques: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Logo, será julgado abaixo apenas o suposto vício de contradição. 2 Contradição Os embargos devem ser rejeitados, porque inexiste a alegada contradição. A contradição que autoriza o cabimento dos embargos de declaração é aquela interna ao julgado, mais precisamente a contradição entre a fundamentação e a conclusão do acórdão, evidenciando, assim, uma falta de lógica e de coerência no raciocínio desenvolvido ao longo do texto. A contradição externa, por outro lado, representa mero inconformismo da parte com o conteúdo da decisão e não autoriza a oposição e o acolhimento dos embargos declaratórios. Essa questão é totalmente pacífica na jurisprudência do STJ e do CARF, podendo ser citados os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. APRECIAÇÃO DE DISPOSITIVOS Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Acórdão n.º 2402007.321 S2C4T2 Fl. 404 4 CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. ART. 5º, LIV, LV, LVII E ART. 150, IV, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO. ART. 32, § 2º, DA LEI N. 6.830/80. LEVANTAMENTO DE DEPÓSITO JUDICIAL OU A SUA CONVERSÃO EM RENDA DA FAZENDA PÚBLICA. TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO PRINCIPAL. LEGITIMIDADE DA CONVERSÃO EM RENDA PARA A UNIÃO. HONORÁRIOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. INCIDÊNCIA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA CONFIGURADA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. HONORÁRIOS RECURSAIS. NÃO CABIMENTO. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. [...] III A contradição sanável mediante embargos de declaração é aquela interna ao julgado embargado, que se dá entre a fundamentação e o dispositivo, de modo a evidenciar uma ausência de logicidade no raciocínio desenvolvido pelo julgador. Portanto, o recurso integrativo não se presta a corrigir eventual desconformidade entre a decisão embargada e a prova dos autos, ato normativo, ou acórdão proferido pelo tribunal de origem ou em outro processo. [...] (STJ, AgInt no REsp 1696413/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 29/04/2019, DJe 02/05/2019) ......................................................................................................... EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE NÃO CARACTERIZADAS. REJEIÇÃO.Os embargos de declaração não podem ser utilizados para provocar reexame de questões de mérito. A contradição passível de embargos é a contradição interna entre a decisão e os seus fundamentos. Os embargos não têm por escopo sanar contradição entre a decisão e as razões defendidas pela contribuinte. (CARF, Acórdão 9101004.012, julgado em 12/2/19) Neste caso concreto, não há qualquer falta de lógica ou de coerência na decisão embargada, a qual entendeu que a confissão dos débitos controlados nos processos principais implica igual confissão da matéria principal e prejudicial ao presente julgamento, com o seu consequente não conhecimento. E mais, decidiuse que deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do processo principal; e que somente a matéria distinta é que deve ser julgada. Vejase: Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. Apenas a matéria eventualmente distinta daquela Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13855.003590/200960 Acórdão n.º 2402007.321 S2C4T2 Fl. 405 5 constante do recurso interposto no PAF principal deverá ser objeto de deliberação e julgamento, o que será analisado nos tópicos seguintes. Ocorre que os débitos controlados nos PAFs principais, relativos aos DEBCADs 37.250.6933 e 37.250.6941, foram objeto de parcelamento, o que, como sabido, implica confissão e consequente desistência do recurso quanto à matéria principal e prejudicial ao presente julgamento. Conforme preleciona o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a sua desistência: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...]§ 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. [...] (destacouse) Em sendo assim, o recurso voluntário não deve ser conhecido no ponto relativo à "não caracterização da conduta como descumprimento de obrigação acessória: as verbas pagas a título de incentivo não podem ser consideradas remuneração". Se a decisão embargada estiver porventura equivocada, é cabível a interposição de recurso especial, mas é inviável cogitarse da oposição e acolhimento dos embargos. Tal recurso integrativo é imprestável para corrigir eventual desconformidade entre a decisão embargada e a prova dos autos, ato normativo, etc. Por tais razões, voto por rejeitar os embargos, mantendo integralmente a decisão embargada. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer e rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722766/2013-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. LEI APLICÁVEL.
Incabível a aplicação de lei geral (Lei nº 8.218, de 1991) quando há lei específica regulando a mesma conduta (Lei nº 8.212, de 1991), conforme o princípio da lex specialis derrogat lex generalis.
Numero da decisão: 9202-007.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. LEI APLICÁVEL. Incabível a aplicação de lei geral (Lei nº 8.218, de 1991) quando há lei específica regulando a mesma conduta (Lei nº 8.212, de 1991), conforme o princípio da lex specialis derrogat lex generalis.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.722766/2013-39
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6025041
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.950
nome_arquivo_s : Decisao_10980722766201339.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 10980722766201339_6025041.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7804693
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121307283456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 342 1 341 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.722766/201339 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.950 – 2ª Turma Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARQUIVOS DIGITAIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUTO CORPORE PARA O DESENVOLVIMENTO DA QUALIDADE DE VIDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. LEI APLICÁVEL. Incabível a aplicação de lei geral (Lei nº 8.218, de 1991) quando há lei específica regulando a mesma conduta (Lei nº 8.212, de 1991), conforme o princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 27 66 /2 01 3- 39 Fl. 342DF CARF MF 2 O presente processo trata do Debcad 51.042.4201 (AI 23), lavrado em razão de deixar a empresa de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação dos arquivos digitais de sua contabilidade e das folhas de pagamento do período de 07/2008 a 12/2008, conforme Relatório Fiscal de efls. 06 a 08. Em sessão plenária de 08/03/2016, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.210 (efls. 284 a 292), assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL DA INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. Na vigência do art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, a simples não apresentação de arquivo digital, sem prova que a escrituração efetivamente não ocorreu, não autorizava a aplicação de penalidade com fundamento no art. 11 da Lei nº 8.218, de 1991, c/c inciso III e parágrafo único do art. 12 da mesma Lei. Nesse hipótese, a autuação fiscal com base na Lei nº 8.218, de 1991, é nula, por vício material. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. No mérito, (i) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário por erro de enquadramento legal da infração. Vencidos o Relator e os Conselheiros ARLINDO DA COSTA E SILVA e MARIA CLECI COTI MARTINS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário; (ii) por maioria de votos, estabelecer que o vício reconhecido pela maioria do colegiado é material. Vencido o Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA que entendeu que o vício restringiase à formalização do Auto de Infração e, portanto, ostentaria natureza formal. O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS fará o voto vencedor." O processo foi encaminhado à PGFN em 02/05/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 293) e, em 12/05/2016, foi interposto o Recurso Especial de efls. 294 a 323 (Despacho de Encaminhamento de efls. 324), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a legislação aplicável no caso de ausência de apresentação de arquivos digitais. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 19/05/2017 (efls. 326 a 330). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: o art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, tanto em sua redação original quanto nas redações conferidas pela Lei nº 12.766, de 2012, e pela Lei n.º 12.873, de 2013, referese Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10980.722766/201339 Acórdão n.º 9202007.950 CSRFT2 Fl. 343 3 ao descumprimento de obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16, da Lei nº 9.779, de 1999; esse artigo outorga competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para instituir obrigações acessórias, inclusive forma e prazo, e para complementar o citado artigo quanto às penalidades, o art. 57, da MP nº 2.15835, de 2001, disciplinou a matéria; essa complementaridade entre o art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, e o art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, nunca deixou de existir, mesmo com as alterações posterioreS; na presente autuação, a base legal para a exigência da obrigação acessória foi o art. 11, da Lei nº 8.218, de 1991, e a base legal para a aplicação de penalidade pelo atraso na apresentação foi o art. 12, do mesmo diploma legal; concluise que a obrigação acessória do art. 11, da Lei nº 8.218, de 1991, nada se relaciona com a outorga de competência para a criação de obrigação acessória prevista no art. 16, da Lei nº 9.779, de 1999, visto que, no primeiro caso, é a própria lei que cria a obrigação acessória, enquanto no segundo a obrigação poderá ser criada pela RFB; nos dois casos, as penalidades também se diferenciam: no primeiro, a mesma lei (Lei nº 8.212, de 1991) cria a obrigação acessória (art. 11) e fixa as penalidades por seu descumprimento (art. 12); já no segundo, o art. 57 da MP 2.15835, de 2001, estabelece as penalidades para o descumprimento das obrigações exigidas nos termos do art. 16, da Lei nº 9.779, de 1999; não se tratando da superveniência de fixação de penalidade menos gravosa para a mesma infração, haja vista que a multa aplicada com base no art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, não se confunde com as penalidades do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, não se há de cogitar de erro na autuação fiscal ou pela aplicação da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inciso II, alínea “c”); caso não se entenda pela manutenção integral do lançamento, que se efetuem os devidos ajustes, sem cancelamento ou decretação de nulidade do Auto de Infração; em atenção ao princípio da eventualidade, subsidiariamente, caso não acatados os pleitos já formulados, que seja reconhecida a natureza formal do vício a inquinar o lançamento, de modo a possibilitar a incidência do disposto no inciso II, do art. 173, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida. Cientificado em 09/08/2017 (AR Aviso de Recebimento de efls. 333), o Contribuinte ofereceu, em 06/09/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 334), as Contrarrazões de efls. 336 a 339. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 344DF CARF MF 4 O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O Contribuinte foi intimado em 09/08/2017, quartafeira (AR de efls. 333), e teria até 24/08/2017, quintafeira, para oferecer Contrarrazões, o que somente foi feito em 06/09/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 334), portanto já fora do prazo de quinze dias. Assim, as Contrarrazões não podem ser conhecidas, por intempestividade. Tratase do Debcad 51.042.4201 (AI 23), lavrado em razão de deixar a empresa de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação dos arquivos digitais de sua contabilidade e das folhas de pagamento do período de 07/2008 a 12/2001, conforme se infere do Relatório Fiscal de efls. 06 a 08. A autuação foi fundamentada no art. 11, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação da Mediada Provisória nº 2.1585, de 2001, e art. 12, III, par. único, da mesma lei. O Colegiado recorrido deu provimento ao Recurso Voluntário, considerando a autuação nula por vício material, ao fundamento de que, na vigência do art. 57, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012, a simples não apresentação de arquivo digital, sem prova de que a escrituração efetivamente não ocorreu, não autorizava a aplicação de penalidade com fundamento no art. 11, da Lei nº 8.218, de 1991, c/c inciso III e parágrafo único do art. 12 da mesma Lei. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do lançamento, pleiteando a aplicação da Lei nº 8.218, de 1991, ao presente caso. Conhecido o Recurso Especial, a matéria devolvida a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais pode ser analisada e decidida, sem que o Julgador tenha de se filiar a uma das teses em confronto, ou seja, o apelo pode ser decidido mediante a aplicação de fundamento diverso daquele defendido no acórdão recorrido Quanto à penalidade pelo descumprimento de obrigação instrumental, como é o caso da ausência de apresentação de arquivos digitais, ou de apresentação de arquivos em forma diversa da estabelecida pela RFB, relacionados às Contribuições Previdenciárias, esta Conselheira já se manifestou pela aplicação da Lei nº 8.212, de 1991, de sorte que revelase incabível tanto a tese do acórdão recorrido como a da Fazenda Nacional, eis que preconizam a aplicação de legislação diversa. Com efeito, a exigência apresentada pela Fiscalização em face da Contribuinte encontrase prevista no art. 32, inc. III, da Lei 8.212, de 1991, e no art. 8º da Lei 10.666, de 2003, que assim especificam: Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Lei 10.666/2003: Art. 8º A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10980.722766/201339 Acórdão n.º 9202007.950 CSRFT2 Fl. 344 5 de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. Ademais, ainda conforme o art. 92, da Lei nº 8.212, de 1991, a infração a qualquer dispositivo daquele diploma legal, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, deve ser aplicada conforme o Regulamento da Previdência Social (RPS). Nesse passo, o Decreto nº 3.048, de 1999, assim estabelece: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II. a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (grifei) Destarte, a legislação previdenciária contempla penalidade específica para a hipótese de falta de apresentação de documentos, como ocorreu no presente caso. Quanto ao art. 11, §§ 1º, 3º e 4º, da Lei 8.218, de 1991, com a redação dada pela MP nº 2.15835, de 2001, e art. 12, inc. III, par. único, do mesmo diploma legal, que a Fazenda Nacional quer ver aplicados aos autos, tais dispositivos assim estabelecem: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 346DF CARF MF 6 § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)” “Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. Como se pode constatar, esses dispositivos legais são oriundos da Medida Provisória nº 2.15835/01, que na verdade, no que tange às Contribuições, tratam daquelas para a Seguridade Social (COFINS), para os Programas de Integração Social de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP), tanto assim que a base de cálculo da penalidade é a receita bruta da empresa, no anocalendário em que as operações tenham sido realizadas. Assim, não há qualquer razão em se aplicar a referida legislação às Contribuições Sociais Previdenciárias que, como se viu acima, possui disposição específica na Lei nº 8.212, de 1991, de sorte que aplicase aqui o princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Quanto à jurisprudência, esta corrobora o entendimento esposado no presente voto, conforme a seguir: Acórdão nº 2403001.194, de 17/04/2012 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. MULTA ISOLADA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ERRO DE CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Havendo antinomia, aplicase a norma especial. Devendo, por conseguinte, ser anulado o Auto de Infração capitulado com base na norma geral. Processo Anulado" Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10980.722766/201339 Acórdão n.º 9202007.950 CSRFT2 Fl. 345 7 Acórdão nº 2402003.076, de 18/09/2012 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 (...) APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI Nº 8.218/91. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há qualquer razão em se aplicar o art. 12, inc. I, da Lei nº 8.218/91 (que trata essencialmente sobre PIS e COFINS), quando se está tratando de contribuições previdenciárias (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que estas possuem legislação específica. (...)" Acórdão n° 240102.941, de 13/03/2013 "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 33, 2o DA LEI 8.212/91. A não apresentação da documentação contábil em formato digital enseja infração ao disposto no art. 33, 2o da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a obrigação do contribuinte em apresentar as informações em meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação ou mesmo apresentação de documentos. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Recurso Voluntário Provido." Acórdão nº 2402003.573, de 15/05/2013 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA Fl. 348DF CARF MF 8 CALCULADA COM BASE NA LEI Nº 8.218/91. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há qualquer razão em se aplicar a multa prevista no art. 12, inc. II, da Lei nº 8.218/91 (que trata essencialmente sobre PIS e COFINS), quando se está tratando de contribuições previdenciárias (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que estas possuem legislação específica. Recurso Voluntário Provido." Acórdão nº 2402003.737, de 17/09/2013 "OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI 8.218/1991. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há espaço jurídico para a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei 8.218/1991, que trata essencialmente sobre PIS e COFINS, quando se está tratando de contribuições previdenciárias, e respectivos deveres instrumentais, já que estas possuem legislação específica no que tange ao descumprimento de obrigação acessória. Acórdão nº 2301003.919, de 19/02/2014 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91. Acórdão 2402004.439, de 27/01/2016 Ementa "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10980.722766/201339 Acórdão n.º 9202007.950 CSRFT2 Fl. 346 9 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVO DIGITAL. Constitui infração à legislação tributária as omissões e incorreções em dados digitais pela pessoa jurídica que utilize sistemas eletrônicos para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escrituração de livros ou para elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. É observado o princípio da especialidade quando aplicada a legislação do tributo a que se refere a informação em meio digital." Voto "A fiscalização aplicou a multa na forma do art. 12, inciso II e parágrafo único da Lei n° 8.218, de 29/08/1991. Contudo, entendo não ser essa a regra aplicável à época às contribuições previdenciárias que possuíam norma específica para esse tipo de infração. Como se vê, a Lei nº 8.218/91 editada anteriormente à criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil tem por objeto tributos que adotam como base de cálculo a receita bruta, daí também ter sido esse o critério para a fixação da multa: (...) Para a sistemática das contribuições previdenciárias, vigia à época dos fatos o artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, combinado com o Artigo 225, §22 do regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: (...) Dessa forma, a multa tal como aplicada é improcedente, já que foi calculada pela regra geral no art. 12, inciso II e parágrafo único da Lei n° 8.218, de 29/08/1991." Acórdão 9202007.155, de 30/08/2018 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL EM DESCONFORMIDADE COM NORMAS ESTIPULADAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL EQUIVOCADA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. O Recurso Especial de Divergência somente poderá ser conhecido quando caracterizado que perante situações fáticas similares os colegiados adotaram decisões diversas em relação a uma mesma legislação. Fl. 350DF CARF MF 10 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES MAGNÉTICAS EM DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS ESTABELECIDAS PELA RFB. MULTA CALCULADA COM BASE NA LEI 8.218/1991. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. IMPOSSIBILIDADE. Não há espaço jurídico para a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei 8.218/1991, que trata essencialmente sobre PIS e COFINS, quando se está tratando de contribuições previdenciárias, e respectivos deveres instrumentais, já que estas possuem legislação específica no que tange ao descumprimento de obrigação acessória." Acórdão 2402006.660, de 03/10/2018 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2006 (...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL DE ACORDO COM O LEIAUTE. PRESTAÇÃO DEFICIENTE. PENALIDADE. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NULIDADE. ARTIGO 12, II, DA LEI 8.218/91. Deixar de apresentar informações em meio digital de acordo com o leiaute previsto no manual normativo de arquivos digitais constitui infração aos dispositivos da legislação previdenciária. A adoção de dispositivo diverso (art. 12, II, da Lei 8.218/91) constitui causa de nulidade de auto de infração. In casu há uma falha grave na fundamentação jurídica para a lavratura do auto de infração. O auto foi lavrado com o Código de Fundamentação Legal (CFL) “22”, ao invés do Código CFL “35”, que determina corretamente a aplicação da penalidade constante no inciso III do artigo 32 da Lei 8.212/91. O art. 112 do CTN assevera que a penalidade aplicada deverá ser aquela mais favorável ao acusado quando houver dúvida sobre a capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou, ainda, quanto à natureza ou extensão dos seus efeitos." Assim, o Auto de Infração há que ser considerado improcedente, por erro na aplicação de penalidade com base em lei geral (Lei nº 8.218, de 1991) quando há lei específica regulando a mesma conduta (Lei nº 8.212, de 1991), o que fere o princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10980.722766/201339 Acórdão n.º 9202007.950 CSRFT2 Fl. 347 11 Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901978/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.901978/2008-17
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6037776
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-000.700
nome_arquivo_s : Decisao_10166901978200817.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10166901978200817_6037776.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7832334
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121334546432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1244; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 394 1 393 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.901978/200817 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.700 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 12 de junho de 2019 Assunto Conversão em Diligência Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão nº 0330.340, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSA que, ao apreciar a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 01 97 8/ 20 08 -1 7 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10166.901978/200817 Resolução nº 1301000.700 S1C3T1 Fl. 395 2 Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase o presente processo das Declarações de Compensação (DCOMP) de n° 19434.25307.290604.1.3.042140 (fls. 97/100) e n° 30604.40425.290604.1.3.045202 (fls. 174/178), transmitidas eletronicamente em 29/06/2004, com base em créditos relativos a Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, tendo a contribuinte vinculado débitos no montante de, respectivamente, R$ 25.941,80 e R$ 49.204,26, totalizando R$ 75.146,06. Os Despachos Decisórios foram originariamente tratados em processos distintos, • etiquetados sob os ris 757713970 e 757713966, os quais foram juntados por anexação, de acordo com a Portaria RFB n°. 666, de 24 de abril de 2008, art. 1% inciso IV, por se tratar de Declarações de Compensação (Dcomp) que têm por base o mesmo crédito, implicando renumeração das peças processuais a partir da fl. 105. Em 24/04/2008, foram emitidos eletronicamente os Despachos Decisórios (fls. 9 e 173), fundamentados nos termos dos artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional e do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujas decisões: • Despacho Decisório n° 757713970: não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, • Despacho Decisório n° 757713966: homologou parcialmente a compensação declarada, pelo fato do crédito disponível ser inferior ao crédito pretendido, e, consequentemente, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, via postal, dessas decisões em 06/05/2008 (fls. 92/93 e 179/180), bem corno da cobrança dos débitos compensados nas Deomp, o sujeito passivo apresentou em 04/06/2008, manifestação de inconformidade às fls. 01/08, corri cópia anexada às fls. 105/112, acrescida de documentação anexa. Quanto ao crédito nãohomologado, a manifestação de inconformidade alega, em síntese: • PERDCOMP n° 30604.40425.290604.1.3.045202 (R$ 49.204,26): "(..) tal crédito foi extraído do pagamento efetuado a maior, através do DARF recolhido em 3010412003, no valor de R$267.520,00, sendo efetivamente devido o montante de R$ 218.315, 74 relativo à 1' quota do IRPJ do 1 " trimestre de 2003 (total apurado no 1" Trimestre de 2003 — R$ 654.947,22), conforme DIPJ, em anexo, resultando no saldo credor remansecente de R$ 49.204,26 em favor da Impugnante, sendo este valor totalmente utilizado para pagamento complementar das quotas do IRPJ referente ao 20 Trimestre de 2003, em conformidade com a legislação em vigor, bem como com a cilada PERIDCOMP". Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10166.901978/200817 Resolução nº 1301000.700 S1C3T1 Fl. 396 3 • PERDCOMP n° 19434.25307.290604.1.3.042140 (R$ 25.941,80): "(..) tal crédito .foi extraído do pagamento efetuado a maior, através do DARF recolhido em 3010512003, no valor de R$244.257,55, acrescido de juros de 1%, totalizando o valor pago de RS 246.700,13, sendo efetivamente devido o montante de R$ 218.315, 74 relativo à 2° quota do IRPJ do ]'trimestre de 2003 (total apurado no 1" Trimestre de 2003 — R$ 654.947,22 dividido em 3 quotas), conforme DIPJ, em anexo, resultando no saldo credor remanescente de R$ 25.941, 81 em favor da Impugnante, sendo este valor totalmente utilizado para pagamento complementar da 3° quota do IRPJ referente ao 2' Trimestre de 2003, em conformidade com a legislação em vigor, bem como a citada PERIDCOMP ". A contribuinte argumenta, também, que os PER/DCOMP estariam amparados pelos respectivos créditos, devidamente comprovados por meio do DARF e demonstrados em planilha, além de estarem ratificados pela apuração apresentada nas respectivas DIPJ e documentos em anexo. Ao final requer que seja julgado insubsistente e/ou improcedente a exigência formulada através dos Despachos Decisórios. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Data do fato gerador: 24/04/2008 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO EFETUADO A MAIOR. O julgador deve buscar analisar as razões e provas apresentadas pelo impugnante, em confronto com as documentações e fatos (comprovados) que serviram de base ao lançamento. A contribuinte não logrou trazer aos Autos imaterial probatório que comprovasse as alegações feitas, o que permitiria a este colegiado fonnar convicção sobre as mesmas alegações. Solicitação Indeferida Ciente em 07/05/2009 do acórdão recorrido (efls. 261), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 05/06/2009 (efl.268 e seguintes), tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10166.901978/200817 Resolução nº 1301000.700 S1C3T1 Fl. 397 4 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Porém, do exame dos autos, considero que o processo ainda não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Da Análise do Recurso Voluntário Resumo dos Fatos Inferese dos autos que a Recorrente reivindica a titularidade de direito creditório, no valor total de R$ 75.146,06, através de duas Dcomps, transmitidas eletronicamente em 29/06/2004, oriundo de recolhimentos via DARF (código 0220 pessoas jurídicas obrigadas ao lucro real trimestral) a maior relativos à 1ª quota e à 2ª quota do IRPJ do 1° trimestre de 2003. Os Despachos Decisórios foram originariamente tratados em processos distintos, etiquetados sob os nºs 757713970 e 757713966, os quais foram juntados por anexação, por se tratar de Declarações de Compensação (Dcomp) que têm por base o mesmo crédito, implicando renumeração das peças processuais a partir da fl. 105. Em 24/04/2008, foram emitidos eletronicamente os Despachos Decisórios, cujas decisões: • Despacho Decisório n° 757713970: não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; • Despacho Decisório n° 757713966: homologou parcialmente a compensação declarada, pelo fato do crédito disponível ser inferior ao crédito pretendido, e, consequentemente, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada com os referidos Despachos Decisórios, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, sendo julgada improcedente pelo Colegiado da DRJ, sob os seguintes argumentos: No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído" pelo Despacho Decisório. (...) Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10166.901978/200817 Resolução nº 1301000.700 S1C3T1 Fl. 398 5 Assim, considero que o sujeito passivo não trouxe aos autos documentos que comprovassem as alegações feitas, necessários para formar a convicção do julgador. Irresignado com a decisão que lhes foi desfavorável, o contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho, juntando na oportunidade novos documentos, e ao final, pugna pela procedência do recurso. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Antes da análise dos argumentos de defesa, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação. De fato, o §4o do art. 16 do PAF determina a apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. No caso, penso ser possível se admitir a análise das novas provas, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Há ainda um outro fundamento para aceitação dos referidos documentos: penso também que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas, sob pena de ferir os princípios da verdade material, da racionalidade, da formalidade moderada e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal. Primeiro, de acordo com esse mesmo Decreto, em seu artigo 18, pode o julgador, espontaneamente, em momento posterior à impugnação, determinar a realização de diligência, com a finalidade de trazer aos autos outros elementos de prova para seu livre convencimento e motivação da sua decisão. Se isso é verdade, porque não poderia o mesmo julgador aceitar provas, ainda que trazidas aos autos após à Impugnação, quando verificado que são pertinentes ao tema controverso e servirão para seu livre convencimento e motivação da decisão? A rigidez na aceitação de provas apenas em um momento processual específico não se coaduna com a busca da verdade material, que é indiscutivelmente informador do processo administrativo fiscal pátrio. Desse modo, existindo matéria controvertida, e o contribuinte traz novos elementos de provas relacionados a essa matéria, de modo a corroborar, materialmente, com o desfecho da lide, ainda que as apresente após sua Impugnação. não deve estas provas ser Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10166.901978/200817 Resolução nº 1301000.700 S1C3T1 Fl. 399 6 desconsideradas pelo julgador administrativo, em face do momento processual em que ocorre a juntada. Notese que a possibilidade de conhecer de elementos de provas trazidos posteriormente à impugnação, não só representa uma medida de racionalização e maximização da efetividade jurisdicional do processo administrativo fiscal, como também representa um positivo reflexo na redução da judicialização de litígios tributários. Logo, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, isso não impede, segundo meu modo de ver, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial os princípios da verdade material, da racionalidade e o da própria efetividade do processo administrativo fiscal, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, em que também se conheceu da possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por essas razões, os documentos apresentados em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Conversão do Julgamento em Diligência Como se viu, admitiuse a juntada dos documentos e sobre eles não se manifestou a unidade de origem. Da análise destes documentos, em tese, somados a outros, podem comprovar a existência do direito creditório postulado. Tratase de pleito em que se alega erro de fato na apuração dos recolhimentos relativos à 1ª quota e à 2ª quota do IRPJ do 1° trimestre de 2003. Pois bem. Tratandose de pleito compensatório de crédito originado de pagamento indevido ou a maior, o contribuinte possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado de fato existe. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10166.901978/200817 Resolução nº 1301000.700 S1C3T1 Fl. 400 7 Assim, cabe ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao glosar seu pleito creditório. O contribuinte trouxe inicialmente cópia da DIPJ e DCTF para sustentar o direito creditório que alega possuir, porém, estes documentos, como deixou claro a decisão recorrida, por si só, não possuem força probante capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito alegado. Necessária a demonstração e a causa do erro, acompanhando de documentos que os comprovem. Tal conclusão decorre do que dispõe o art. 165, I do CTN, que estabelece que mero erro forma de preenchimento de obrigação acessória, desde que devidamente comprovado por outros elementos de prova, não teria o condão de invalidar ou macular eventual direito creditório do contribuinte, oriundo de pagamento a maior, à luz da legislação aplicável. Confirase o dispositivo: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. É de se ver que o artigo 165, I dispõe que a identificação do indébito deve se dar à luz da legislação aplicável, e não do que foi confessado pelo contribuinte em sua DCTF. Estabelece, pois de forma clara e literal o parâmetro de cotejo para o pagamento indevido: aquilo que seria devido à luz da lei, e não aquilo que informou o contribuinte ao realizar a sua declaração no contexto de um lançamento por homologação. Desse modo, pareceme que mesmo nas hipóteses em que o contribuinte não transmitido retificação de sua declaração, uma vez demonstrada de forma inequívoca, por meio de documentação contábil e fiscal suficiente, a existência do indébito em relação à aquilo que deveria ser recolhido em face da legislação aplicável, há de se reconhecer o direito creditório alegado, ficando a retificação das declarações a cabo da própria fiscalização, de ofício. O CTN, em outra passagem, deixa claro que o erro de fato em que se funda eventual retificação da declaração deve ser informado e comprovado pelo contribuinte. Confirase o seu o artigo 147, §§1º e 2º: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10166.901978/200817 Resolução nº 1301000.700 S1C3T1 Fl. 401 8 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Logo, se o contribuinte não retificou tempestivamente suas declarações isto é, antes do Despacho Decisório cabe a ele arcar com o ônus de comprovar o erro de fato em que se funda a retificação. No caso vertente, como se viu, o contribuinte trouxe documentos em sede de recurso, quais sejam: DARFs; planilha de cálculo; DCTF original e retificadora; DIPJ 2003 e Razão analítico, e sobre eles não se manifestou a Unidade de Origem, que proferiu o Despacho Decisório sem antes intimar o contribuinte acerca das divergências existentes em suas declarações. Desta forma, conduzo meu voto, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da Unidade de Origem: a) Analise os documentos juntados aos autos para verificar se eles comprovam a liquidez e certeza do direito creditório alegado, solicitando, se assim entender necessário, demais documentos pertinentes, especificandoos. b) A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá apresentar relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, se manifestando ao final sobre a existência e disponibilidade do crédito apresentado, trazendo, a seu juízo, outras considerações que entender relevantes para o deslinde da questão. c) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.921019/2012-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO.
A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva, que votou por converter o julgamento em diligência.
Márcio Robson Costa - Relator.
Marcos Antonio Borges Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação dar-se na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12448.921019/2012-63
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020024
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3003-000.294
nome_arquivo_s : Decisao_12448921019201263.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCIO ROBSON COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 12448921019201263_6020024.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva, que votou por converter o julgamento em diligência. Márcio Robson Costa - Relator. Marcos Antonio Borges Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
dt_sessao_tdt : Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7778621
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121337692160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.921019/201263 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.294 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 24 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente GAN RIO APOIO NUTRICIONAL GANUTRE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONOS DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. A norma que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal não traz previsão da possibilidade da intimação darse na pessoa dos advogados do recorrente, tampouco o Regulamento do CARF apresenta regramento nesse sentido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. A manipulação de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 para a venda a clínicas ou hospitais, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, é considerada industrialização, sendo submetidos à tributação da Cofins nas alíquotas ali descritas, e, conseqüentemente, é inaplicável a redução a zero AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 92 10 19 /2 01 2- 63 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 12448.921019/201263 Acórdão n.º 3003000.294 S3C0T3 Fl. 3 2 das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva, que votou por converter o julgamento em diligência. Márcio Robson Costa Relator. Marcos Antonio Borges – Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Reproduzo o relatório da DRJ por traduzir bem os fatos e alegações da recorrente. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 40153795 emitido eletronicamente em 05/11/2012, referente ao PER/DCOMP nº 04770.18560.220811.1.3.046501. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 29.543,49, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 18/04/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, em fevereiro de Fl. 505DF CARF MF Processo nº 12448.921019/201263 Acórdão n.º 3003000.294 S3C0T3 Fl. 4 3 2011, tomou conhecimento de que estava tributando a Cofins de forma incorreta, ou seja, com alíquota superior a zero dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, contrariando a Lei 10.147/2000, por se tratar de produtos manipulados; que imediatamente apurou o montante do crédito que teria direito e começou a compensar este crédito com os débitos de IRPJ apurados no meses subsequentes, através do DACON; que entretanto se equivocou em não efetuar também a retificação da DCTF do mesmo período de apuração, ocasionado o não reconhecimento do crédito. Solicita o direito de retificar a DCTF para que possa compensar o recolhimento efetuado indevidamente. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), no acórdão n° 0250.441, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto a origem do direito creditório e a relativização da confissão de dívida dos débitos declarados em DCTF, apresentando documentação que entende hábil a comprovar o seu direito e pleiteando ainda a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, período de apuração de 31/03/2008, no valor histórico de R$ 29.543,49, decorrente da tributação equivocada dos seus produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04, os quais estariam sujeitos ao benefício fiscal previsto no art. 2º da Lei 10.147/2000, e, portanto, deveriam sofrer aplicação da alíquota zero, não obstante a ausência de retificação em DCTF. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 12448.921019/201263 Acórdão n.º 3003000.294 S3C0T3 Fl. 5 4 Sem embargo, antes de tratarse dos temas aos quais o litígio se restringe, importa registrar que é demandada a ciência dos patronos do contribuinte. Todavia, para fins de esclarecimento, os incisos I a III do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não ao seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Quanto a ausência de retificação da respectiva DCTF, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Quanto ao mérito, a Recorrente informa que exerce as atividades de "manipulação, dispensação e comercialização de fórmulas farmacêuticas e produtos nutricionais e a exportação e importação de produtos farmacêuticos, correlatos, alimentos e suplementos alimentares...". alegando que, por realizar as atividades de comercialização varejista de medicamentos não importados e a manipulação de medicamentos para a venda direta a consumidores finais, não estaria enquadrada no conceito de industrialização pela legislação pátria, fazendo jus ao benefício fiscal concedido pelo artigo 2o da Lei n° 10.147/2000, que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS sobre a venda dos produtos classificados nos códigos especificados. Os arts. 1º e 2º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, assim dispõe: Art. 1º A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Fl. 507DF CARF MF Processo nº 12448.921019/201263 Acórdão n.º 3003000.294 S3C0T3 Fl. 6 5 Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1º Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. [...] Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. [...] (grifouse) Para verificar o enquadramento no conceito de industrialização, no caso, devemos nos socorrer do disposto no inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010: Art. 5º Não se considera industrialização: [...]VI a manipulação em farmácia, para venda direta a consumidor, de medicamentos oficinais e magistrais, mediante receita médica (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso III, e DecretoLei nº 1.199, de 27 de dezembro de 1971, art. 5º, alteração 2ª); [...] (grifouse) A Recorrente trouxe aos autos como documentação comprobatória para embasar o seu direito amostras de Notas Fiscais em que verificase a venda de medicamentos por ela manipulados basicamente para clínicas e hospitais. Nos termos do inciso VI do art. 5º do Decreto nº 7.212, para não ser industrialização, a manipulação deve ser para venda direta ao consumidor com receita médica. Nesse caso, entendo “consumidor” como o consumidor final da medicação, o cliente em tratamento que fará uso da(s) substância(s) contida(s) no produto manipulado. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 12448.921019/201263 Acórdão n.º 3003000.294 S3C0T3 Fl. 7 6 Logo, em sentido contrário, se a venda não se dá para o consumidor final, mas para clínicas ou hospitais, como no caso, está caracterizada a industrialização. Assim, a atividade do contribuinte na venda de produtos classificados com o código da TIPI 30.03 e 30.04 é considerada industrial na aludida situação e enquadrase no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, sendo tributado pela Cofins com alíquotas positivas e não com alíquota zero prevista no art. 2º do referido dispositivo legal. Nesse sentido, segue ementa da Solução de Consulta nº 48 Cosit: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS MANIPULAÇÃO DE MEDICAMENTOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CRÉDITO PRESUMIDO. A manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos é considerada industrialização, estando os produtos de tal atividade incluídos no escopo do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, que apenas alcança os produtos nele citados, estão submetidos ao regime concentrado de tributação da Cofins e, consequentemente, é inaplicável a redução a zero das alíquotas incidentes sobre a receita bruta de venda prevista no art. 2º daquela lei. Desde que atendidas as condições previstas no art. 3º, I e II, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, a manipulação de medicamentos oficinais e magistrais para a venda a clínicas, hospitais e médicos gera direito ao crédito presumido ali previsto. Dispositivos Legais: Lei nº 10.147, de 2000, com alterações, arts. 1º, 2º e 3º; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 5º, VI. No mais, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador e amostras de Notas Fiscais, porém sem nenhum documento hábil, idôneo e suficiente que os embasassem. As declarações retificadas, bem como, provas apresentadas por amostragem desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Quanto ao pedido de diligência da requerente, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas Fl. 509DF CARF MF Processo nº 12448.921019/201263 Acórdão n.º 3003000.294 S3C0T3 Fl. 8 7 necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a não homologação das compensações. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa Fl. 510DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.004091/2006-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2002-001.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11618.004091/2006-14
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6029147
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.170
nome_arquivo_s : Decisao_11618004091200614.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 11618004091200614_6029147.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7814975
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121357615104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 460 1 459 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.004091/200614 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.170 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 17 de junho de 2019 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORGANISMO INTERNACIONAL. Recorrente ADAILSON BERNARDO DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. ISENÇÃO. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. EFEITO REPETITIVO. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 1.306.393 DF), definiu que são isentos do Imposto de Renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, a citada decisão do STJ deve ser reproduzida nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 40 91 /2 00 6- 14 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 11618.004091/200614 Acórdão n.º 2002001.170 S2C0T2 Fl. 461 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 46/51), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2005. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir para saldo de imposto a pagar de R$3.416,21. A notificação noticia omissão de rendimentos recebidos do exterior, no valor de R$30.884,05, da Fundação Nacional de Saúde Unesco Org. das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (fl.51). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 2/10/2006, a NL foi objeto de impugnação, em 1/11/2006, às fls. 2/380 dos autos, na qual o contribuinte, por intermédio de seu representante legal, contestou a autuação. Sua defesa foi assim sintetizada na decisão recorrida: 3.1. o lançamento foi fundado em suposta omissão de rendimentos no valor de R$ 30.884,05, que teriam sido recebidos de organismo internacional, apurados em informação de Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores — DERC; 3.2. é servidor de organismo internacional, conforme contrato firmado com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — Unesco, remunerado por produto, para o desenvolvimento de atividades específicas iniciadas em 30/08/2003 e que duram até "o presente ano" (doc. 3); 3.3. o contrato de serviço "consistiu basicamente em autêntica relação de emprego, remunerado por tarefa, mantida (..) deforma continuada, com execução pessoal e subordinada das atividades específicas do projeto 914BRA1015 Funasa Produc, mantido pela Unesco (doc. 4)"; 3.4. o vínculo laboral consistia na execução de estudos técnicos de projetos de engenharia e elaboração de orçamento de obras, de saneamento, de água, esgoto sanitário e resíduos sólidos (doc. 5); 3.5. embora remunerado por tarefa (por produto), era de fato servidor da Unesco, na medida ém _que submetia ao poder diretor do organismo, prestandolhe serviços de forma pessoal, subordinada e continuada, o que é condizente com o estabelecimento dos critérios para as tarefas, inclusive o rígido cronograma de entrega dos produtos aos quais estava condicionada a respectiva remuneração; Fl. 461DF CARF MF Processo nº 11618.004091/200614 Acórdão n.º 2002001.170 S2C0T2 Fl. 462 3 3.6. em função da subordinação se sujeitava ao cronograma de folga estabelecido pelo organismo (doc. 6); 3.7. seus serviços eram imprescindíveis aos interesses da Unesco para execução do projeto 914BRA10I5 — Funasa Produc, conforme atesta o memorando n° 372/04/SENSP/CORERN, de 06/08/2004 (doc. 7); 3.8. reiterando a condição de servidor do organismo internacional, destacamse os inúmeros relatórios de viagens realizados pelo contratado, com aspectos técnicos dos trabalhos, em que era enquadrado como consultor da Unesco, sem qualquer embargo dos seus superiores (doc. 8); 3.9. realizava visitas técnicas a municípios conveniados e emitia pareceres sobre a observância de critérios para aplicação dos recursos financeiros com vistas à celebração dos convênios com os municípios (doc. 9); 3.10. as tarefas eram efetuadas. "sob a subordinação e monitoramento do Coordenador Executivo do Projeto — Coordenação Regional da Funasa do Rio Grande do Norte. Ao coordenador, o Consultor da Unesco confiava as atividades executadas (..)" (doc.10); 3.11 . suas folgas semanais eram definidas pela Unesco e as viagens dependiam da autorização desse organismo, assim, " despeito de remuneração por tarefa, ele cumpria horário normal de funcionamento na repartição onde estava lotado, como os demais funcionários"; 3.12. atesta o seu status de servidor do organismo internacional o fato de prestar contas periodicamente dos produtos ao coordenador do projeto, planejar atividades e assinar documentos sem qualquer embargo por parte da Unesco, que de tudo tinha conhecimento e em nenhum momento lhe negou esta condição. Por isso declarou os rendimentos recebidos daquele organismo como isentos, conforme art. 22, inciso II, do RIR/99; 3.13. se não fosse assim o próprio organismo internacional quando da emissão do comprovante de rendimentos (doc. 11) teria destacado os valores tributáveis, com retenção mensal; 3.14. não foi descontada contribuição previdenciária sobre os rendimentos, pois, como servidor de organismo internacional, não se vinculava ao regime de previdência oficial; 3.15. em 18/0912006 apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento (doe. 12), "na qual comprovou sua condição de servidor da Unesco através da juntada de cópias de documentos. No entanto, a referida SRL foi indeferida (doc. 13), motivo pelo qual se irresigna"; 3.16. é servidor de organismo internacional através de contrato firmado com a Unesco, remunerado por produto, tendo a Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11618.004091/200614 Acórdão n.º 2002001.170 S2C0T2 Fl. 463 4 relação contratual se iniciado em 07/08/2001 e persistindo até os dias atuais; 3.17. sua situação se enquadra na previsão do art. 22, II, do RIR/99, uma vez que o termo servidor abrange tanto os admitidos por concurso público como prestadores de serviços contratados em caráter precário para atender necessidade excepcional de serviço público, estrangeiros ou brasileiros. Pensar diferente é violação do princípio constitucional da igualdade, tendo em vista ad situações fáticas equivalentes; 3.18. a isenção a servidor de organismo internacional é tratada em Convenção internacional de que o Brasil é signatário, promulgada pelo Decreto 52.288/63, e em Acordo de Cooperação Técnica que segue a orientação da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aprovada em 13110211946 e que foi recepcionada pelo Decreto 27.784, de 16/02/1950; 3.19. os privilégios de servidores de organismos internacionais têm natureza de imunidade e assim devem ser consideradas por força do art. 5°, §2° da Constituição Federal, sob pena de responsabilização da República Federativa do Brasil perante tribunais internacionais por violação a acordos aos quais o país aderiu e ratificou voluntariamente, afrontando ainda o art. 98 do Código Tributário Nacional; 3.20. de acordo com a Consolidação da Leis do. Trabalho — CLT — a remuneração do empregado pode ser por unidade de tempo trabalhada, por unidade de obra executada e salário por tarefa, que é forma mista de salário entre a remuneração por tempo ou por obra. Não é o fato de ser remunerado por tarefa que desnatura o vínculo jurídico entre as partes, sendo a forma de remuneração estabelecida para atender as conveniências do empregador, no caso, a Unesco. Tratamento distinto para servidores de acordo com a forma como são remunerados é flagrante inconstitucionalidade, violando os princípios da igualdade e proporcionalidade. Anexa ementas de julgamentos administrativos, do Conselho de Contribuintes, e judiciais, acerca da isenção do IRPF sobre a remuneração auferida como rendimento do trabalho prestado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento —PNUD, e alega que outra não é a sua condição como consultor da Unesco, remunerado por tarefa ao longo de três anos; 3.21. além de ter seguido o art. 22, 11, do RIR/99, declarando "os seus rendimentos originários da Unesco como rendimentos isentos e não tributáveis", "a própria fonte pagadora do interessado ao fornecer o comprovante anual de rendimentos corroborou com tal entendimento, na medida que omitiu completamente a natureza tributária daqueles valores e não efetuou qualquer desconto durante todo o exercício'; 3.22. admitir tese de que os rendimentos são tributáveis significa responsabilizar a própria Unesco, que a despeito de ser organismo internacional, não se desobriga do cumprimento das Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11618.004091/200614 Acórdão n.º 2002001.170 S2C0T2 Fl. 464 5 obrigações tributárias acessórias decorrentes de ser fonte pagadora. Se não as cumpriu, foi em função dos privilégios de "imunidade" conferidas aos servidores das Nações Unidas em serviço no país, sejam brasileiros ou estrangeiros. Do contrário, resta sua responsabilidade tributária pór não ter descontado qualquer valor a título de imposto de renda na fonte, induzindo o servidor a erro; 3.23. fica claro que a Unesco admitiu a isenção, senão teria cumprido suas obrigações acessórias. Além da legislação dar própria respaldo à declaração dos rendimentos como isentos "a própria fonte pagadora omitiu tal informação. Na verdade induz o contribuinte a fazêlo da forma como de fato foi realizado. Restaria, portanto, para ela a responsabilidade fiscal". Anexa excertos de decisões judiciais sobre natureza de rendimentos, se tributáveis ou não, e sobre a responsabilidade da fonte pagadora pelo imposto; 3.24. há de se afastar a responsabilidade tributária do impugnante. "Não houve dolo ou má é, mas tão somente induzimento a erro, do qual não deu causa". Não pode agora, de súbito, desorganizar sua vida pessoal, desfazendose de bens, sacrificar obrigações familiares "em face de um crédito do qual foi induzido a crer como isento e não tributável, em face de uma conduta omissa da fonte pagadora. (..) Diante da omissão danosa da fonte pagadora, no seu dever de reter o imposto, eventualmente, cabido, que se faça prevalecer a sua responsabilidade tributária (..)"; 3.25. de acordo com o entendimento administrativo e judicial, `tendo o contribuinte sido induzido a erro, ante o não lançamento correto, pela fonte pagadora, do tributo devido, restar descaracterizada a sus intenção de omitir certos valores da declaração do imposto de renda, motivo a desamparar o interesse da Fazenda, no tocante à imposição de multa ao contribuinte' (Resp 3746031SC)". Transcreve súmula do Conselho de Contribuintes que diz que a simples omissão não autoriza a qualificação da multa de oficio; 3.26. o crédito contém parcela de 75% do imposto. Considerandose que não houve máfé do impugnante, que foi induzido a erro pela fonte pagadora, que de forma danosa se omitiu no cumprimento de suas obrigações acessórias, é imperativo de justiça fiscal que o impugnante seja desonerado da multa imposta no valor de R$ 2.562,15; 3.27. como se não bastasse o equívoco já exposto, até mesmo diárias pagas ao impugnante, referentes a ressarcimento de despesas em deslocamentos a serviço, foram objeto de tributação. O valor considerado como rendimentos foi de R$ 30.884,05, dos quais a Unesco em seu comprovante anual de rendimentos expressamente informa R$ 6.884,05 como diárias; 3.28. requer a improcedência total do lançamento, mas se a Delegacia de Julgamento entender diferente, que haja a responsabilização direta da fonte pagadora, considerando sua Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11618.004091/200614 Acórdão n.º 2002001.170 S2C0T2 Fl. 465 6 condição de responsável tributário pelo crédito e conduta omissiva que induziu o contribuinte a erro, ou se não aceita tal defesa, que sejam excluídos R$ 6.884,05 referentes a diárias comprovadas através de comprovante de rendimentos da Unesco, e que se exclua a multa de oficio de R$ 2.562, 15 por inexistência de dolo ou intuito de fraude, bem como induzimento ao erro pela fonte pagadora, que o levou a declarar os rendimentos como isentos e não tributáveis. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/REC que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 399/417): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. O colegiado de primeira instância cancelou parte da omissão lançada, no valor de R$6.884,05, correspondente a diárias recebidas. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 23/7/2009 (fl. 424), o contribuinte, em 11/8/2009 (fl. 431), apresentou recurso voluntário, às fls. 431/457, no qual repete o teor de sua impugnação, alegando, em especial, que os valores tidos por omitidos seriam isentos, visto que se configuram em rendimentos recebidos de organismo internacional Unesco, em decorrência de contrato de trabalho. Suscita ainda a responsabilidade da fonte pagadora e, ao final, requer a exclusão da multa de ofício, dada a inexistência de dolo ou intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11618.004091/200614 Acórdão n.º 2002001.170 S2C0T2 Fl. 466 7 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente de Organismo Internacional. Os documentos acostados aos autos demonstram que o recorrente prestou serviços à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Unesco (fls. 54/368). Sobre a matéria, o STJ definiu que são isentos do IR os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviços das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do PNUD. Tratase do Recurso Especial nº 1.306.393DF, julgado em 24/10/2012, sendo relator o Ministro Mauro Campbell Marques, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11618.004091/200614 Acórdão n.º 2002001.170 S2C0T2 Fl. 467 8 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. Ressalto que a Súmula CARF nº 39, que apontava a natureza tributável desses rendimentos, foi revogada por meio da Portaria nº 3, de 9/1/2018. Assim, deve ser cancelada a omissão de rendimentos remanescente após a decisão de primeira instância. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 467DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000040/2003-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Ano-calendário: 1997
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO lPI. PRESCRIÇÃO.
O direito de solicitar o ressarcimento de crédito presumido do LPI fica sujeito ao prazo de prescrição de cinco anos, contados do encerramento do trimestre de referência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.193
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200906
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 1997 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO lPI. PRESCRIÇÃO. O direito de solicitar o ressarcimento de crédito presumido do LPI fica sujeito ao prazo de prescrição de cinco anos, contados do encerramento do trimestre de referência. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 13501.000040/2003-11
conteudo_id_s : 6030552
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-000.193
nome_arquivo_s : Decisao_13501000040200311.pdf
nome_relator_s : WALBER JOSÉ DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13501000040200311_6030552.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
id : 7816063
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052121362857984
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-15T17:53:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-15T17:53:25Z; Last-Modified: 2009-10-15T17:53:25Z; dcterms:modified: 2009-10-15T17:53:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-15T17:53:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-15T17:53:25Z; meta:save-date: 2009-10-15T17:53:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-15T17:53:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-15T17:53:25Z; created: 2009-10-15T17:53:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-10-15T17:53:25Z; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-15T17:53:25Z | Conteúdo => , . _ MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIE:UN :... . CONFERE COM O ORIGINAL ; S2-C1T2 Brasília, (- • ) 0-1 1(:: 9 Fl. 372 )1.—,r.:.':-y, -i MINISTÉRIO DA FAZENDA .- --4-: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS' 7- ti2:,...,...n,,A4 »,.., . SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13501.000040/2003-11 Recurso n° 159.228 Voluntário Acórdão n° 2102-00.193 — 1* Câmara /2* Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2009 Matéria Ressarcimento de Crédito Presumido do IPI Recorrente BlIESPEL COMPANHIA INDUSTRIAL BRASIL ESPANHA Recorrida DRJ em Salvador - BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 1997 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO lPI. PRESCRIÇÃO. O direito de solicitar o ressarcimento de crédito presumido do LPI fica sujeito ao prazo de prescrição de cinco anos, contados do encerramento do trimestre de referência. Recurso Voluntário Negado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ) . • •i - Witai Otbahl(ÁP/0 .. . le SE 'A COELHO MARQ S Presidente i / L ‘ . JA 4i WALBE4 JOS DA SI `• A Relator (i , iiParticiparam, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. 1 Processo n° 13501.000040/2003-11 S2-C1T2 LIF SEGliND° C°N. CONFERE COti. O ORiC(.3°14JN ATIRIBtilf.":1 Acórdão n.° 2102-00.193 Fl. 373 BraSika, •41e1n1_ I 9, Relatório 4 No dia 12/02/2003 a empresa BRESPEL COMPANHIA INDUSTRIAL BRASIL ESPANHA, já qualificada nos autos, apresentou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao ano de 1997, nos termos da Lei n° 9363, de 1997, e na Portaria MF n° 38, de 1997. Nos termos do Despacho Decisório DRF/CCI n° 0358/2007, o pedido foi indeferido em face da extinção do direito de a recorrente pleitear o ressarcimento. Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas alegações estão resumidas no relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 4 Turma de Julgamento da DRJ em Salvador - BA indeferiu a solicitação da recorrente e não homologou as compensações, nos termos do Acórdão n 15-15.677, de 14/05/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Ano-calendário: 1997 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PRESCRIÇÃO. O direito a requerer o ressarcimento do crédito presumido do IPI referente ao ano de 1996 fica sujeito ao prazo prescricional de 5 anos, contado da data de encerramento do balanço anual Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 16/06/2008, conforme AR de fl. 348, e, no dia 16/07/2008, ingressou com o recurso voluntário de fls. 349/357, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre a tempestividade de seu pleito na medida em que este processo é uma continuação dos processos n° 13501.000185/99-85 e 13501.000144/00-11, iniciados dentro do prazo prescricional, e que a desistência dos mesmos foi feita para segregar o pedido em outros processos e este procedimento não pode importar na desconsideração do pedido anteriormente realizado. Deve- se homenagear o princípio da verdade material, da razoabilidade e da informalidade. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 02/12/2008, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 371. É o Relatório. 2 Processo n° 13501.000040/2003-11 S2-C1T2 • Acórdão n.° 2102-00.193 Fl. 374 --- - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUI:; -; ' CONFERE COM O ORIGINAI. armasà, 0-59 r 0 9 Voto • • Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Com o seu protesto, a empresa interessada pretende que este Colegiado reforme a decisão recorrida para considerar seu pedido de ressarcimento dentro do prazo prescricional sob a alegação de que o crédito aqui pleiteado fora objeto de pedido apresentado em 1999 e 2000, cujo processo pediu desistência para segregar o pedido. A decisão recorrida não merece reforma. Tem o administrado o direito de peticionar perante a administração pública. E este direito deve ser exercido livremente, como também livremente é o direito do administrado de desistir de qualquer pleito formulado junto à administração pública. No caso em tela, a recorrente apresentou pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI nos anos de 1999 e 2000 e, por entender que os mesmos não cumpriam os requisitos formais exigidos pela legislação, solicitou a desistência dos mesmos e apresentou novos pedidos de ressarcimento envolvendo os mesmos créditos presumidos anteriormente pleiteados. O pedido de desistência extinguiu o processo administrativo, sem julgamento do mérito do pedido. O fato de a recorrente ter efetuado outro pedido contendo parte ou totalidade do pedido que desistiu não importa em dar algum efeito ao processo extinto a seu pedido, ainda mais o relativo à prescrição. Não há que se falar em continuidade dos processos administrativos, posto que distintos e autônomos. Neste processo, o pedido foi efetuado em fevereiro de 2003 e diz respeito a crédito presumido de EPI, instituído pela Lei n2 9.363/96, vinculado a exportações que ocorreram no ano de 1997. Tratando-se de crédito relativo ao IPI, correspondente a um estímulo fiscal de natureza orçamentária, ou seja, crédito não decorrente de um pagamento a maior ou indevido de tributo ou contribuição, portanto, não sujeito repetição, aplica-se a regra do art. 1 2 do Decreto n2 20.910/32, verbis: "Art. 1° - As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem." <yoitp 4 3 ffi liii 1 •• Processo n° 13501.000040/2003-11 S2-C1T2 • Acórdão n.° 2102-00.193 Fl. 375 • No mais, com fulcro no art. 50, § 1, da Lei n 9.784/1999 1 , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Ses es, em 03 de junho de 2009 ( • WALBE ' J. SÉ DA SI A MF - SEGUNDO CONSEL HO DE CONTRii-k..:i .: '" 31 CONFERE COM O ORIGNAL 4WL/ 'Ck / C.-Y22‘ 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (- • .) § l g A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 4
score : 1.0
