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Numero do processo: 10384.003022/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009
IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE.
A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitar-se a apreciar a preliminar levantada.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Súmula CARF n.º 09.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.725
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitar-se a apreciar a preliminar levantada. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Súmula CARF n.º 09. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 76 1 75 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.003022/201006 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.725 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2015 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente MUNICÍPIO DE CAMPINAS DO PIAUÍ SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitarse a apreciar a preliminar levantada. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Súmula CARF n.º 09. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Luciana Matos Pereira Barbosa, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 30 22 /2 01 0- 06 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no Código de Fundamento Legal 99, em 26/07/2010, cientificado ao sujeito passivo em 23/08/2010, através de registro postal e referente ao descumprimento da obrigação de inscrever na Previdência Social segurado contribuinte individual que prestou serviço à sociedade empresária nas competências de 01/2009 a 06/2009, descumprindo o §2º, do artigo 4º, da Lei n.º 10666, de 08/05/2003. A multa pelo descumprimento da obrigação acessória foi aplicada com fulcro no artigo 283§3º, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. O sujeito passivo apresentou impugnação intempestiva, protocolada em 23/09/2010, conforme documento de fls. 11 e posteriormente protocola Recurso Voluntário, onde alega: a) a nulidade da intimação por AR, porque foi recebido por pessoa sem qualquer identificação; b) que a defesa foi considerada intempestiva por apenas um dia após o prazo; c) que o ordenamento pátrio veda o excesso de formalismo; d) que a multa é confiscatória; e) que a autuação é nula frente ao artigo 32, II, §2º da Lei n.º 8.212/91; f) que a autuação tem que ser precedida de intimação; g) a retroatividade da multa nos termos do artigo 32A , porque devem ser aplicadas as multas mais benéficas. Requer a suspensão da exigibilidade do auto de infração; a anulação do auto de infração; que seja afastada a multa ou reduzida a 20%, conforme o artigo 32A, II. Foi lavrado Termo de Revelia e Despacho Decisório de fls. 66/67, explicita que a defesa intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo, motivo pelo qual não dará seguimento ao recurso voluntário e indefere a revisão de ofício. Inconformado, o contribuinte ajuizou ação para ver atendido o seu pleito e decisão liminar de fls. 71/73, determinou que o recurso voluntário fosse devidamente processado e julgado. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.003022/201006 Acórdão n.º 2302003.725 S2C3T2 Fl. 77 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso Voluntário será apreciado frente à determinação judicial para tanto. É de se asseverar que sem a apreciação da impugnação, por intempestiva e por conseqüência sem decisão de primeira instância a ser recorrida, este Colegiado se vê compelido a analisar o Recurso Voluntário, em vista da decisão judicial que contraria frontalmente o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.º 256/2009, onde está estipulado no seu artigo primeiro que a competência do CARF é o julgamento de recursos de decisão de primeira instância, o que não existe neste caso concreto: RICARF PT n.º 256/2009 Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Da análise da peça recursal se vê que o contribuinte argúi a nulidade da intimação por Aviso de Recebimento, uma vez que recebido por pessoa sem qualificação e por ter a intempestividade se configurado por apenas um dia além do prazo. De acordo com os elementos constantes do processo o Auto de Infração foi enviado ao contribuinte através de Registro Postal e recebido em 23/08/2010 conforme documento de fls.13, e o mesmo apresentou sua impugnação somente em 23/09/2010, de acordo com o documento de fls. 17, após a expiração do prazo de defesa, cuja data fatal era 22/09/2010. Conforme consta da legislação vigente, mais precisamente no Decreto n.º 70.235/72, artigo 15, o contribuinte tem o prazo de trinta dias para impugnar o lançamento, o que não ocorreu no presente processo: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Corroborando o disposto pelo Decreto acima citado, a Portaria RFB n.º10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições Fl. 78DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 sociais, traz no seu artigo quinto que a impugnação será apresentada no prazo de trinta dias da ciência do procedimento a ser impugnado: Art. 5º A impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. Parágrafo único.A impugnação e a manifestação de inconformidade: I serão instruídas com a comprovação de legitimidade do representante legal ou de seu procurador; II poderão ser entregues diretamente ou remetidas por via postal à unidade da RFB de jurisdição do sujeito passivo, considerandose tempestivas se postadas no prazo previsto no caput. O termo inicial para contagem do prazo é o primeiro dia útil posterior à ciência do contribuinte, nos termos do art. 30 da Portaria RFB n.º 10.875/2007, excluise o dia do começo e incluise o do vencimento. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade, em auto de infração apreciará tãosomente a tempestividade argüida, tendo em vista que não foi instaurada a fase litigiosa em relação às demais matérias constantes da peça impugnatória, as quais não serão conhecidas, a teor do disposto pelos artigos 14 do Decreto 70.235/72 e 2º, da já citada Portaria RFB n.º 10875/2007: Decreto n.º 70.235/72 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Portaria RFB n.º 70/875/2007 Art. 2º O processo administrativo fiscal iniciase: I com a impugnação tempestiva da NFLD e do Auto de Infração; Portanto está correta a decisão recorrida ao se pronunciar pela intempestividade da impugnação, que nesta condição não se prestou a iniciar a fase contenciosa do procedimento administrativo Ademais, são totalmente improcedentes as alegações do contribuinte quanto ao recebimento do auto de infração ter sido realizado por pessoa sem identificação, pois conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.). Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.003022/201006 Acórdão n.º 2302003.725 S2C3T2 Fl. 78 5 Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Assim, a alegação do contribuinte de que a notificação, encaminhada por via postal, fora recebida por pessoa não autorizada não constitui razão para conhecimento de impugnação intempestiva, com ou sem argüição de tempestividade, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. VIA POSTAL. POSSIBILIDADE. Não merece provimento recurso carente de argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo.” É possível a citação da pessoa jurídica pelo correio, desde que entregue no domicílio da ré e recebida por funcionário, ainda que sem poderes expressos para isso. (AgRg no Ag 711722 / PE ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2005/01614041, Ministro Humberto Gomes de Barros, 3ª Turma, DJ 27/03/2006, p. 267) Ademais, tal assunto já se encontra sumulado por este colegiado, Súmula n.º09, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF N.º 383, DOU de 14/10/2010: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Portanto, não deve ser conhecida a impugnação interposta por intempestiva, mantendo o crédito lançado na sua totalidade, sem apreciação do mérito. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 80DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.730231/2012-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2014
SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. DÉBITOS.
Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Não tendo sido regularizada a totalidade dos débitos no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ADE, deve ser mantido o efeito da exclusão do Simples Nacional.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2014 SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. DÉBITOS. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Não tendo sido regularizada a totalidade dos débitos no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ADE, deve ser mantido o efeito da exclusão do Simples Nacional. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 285 1 284 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.730231/201281 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.616 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de março de 2015 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente CASA MÁXIMA COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2014 SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. DÉBITOS. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Não tendo sido regularizada a totalidade dos débitos no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ADE, deve ser mantido o efeito da exclusão do Simples Nacional. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 02 31 /2 01 2- 81 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 286 2 Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/GO nº 465.195, de 03.09.2012, fl. 11, com efeitos a partir de 01.01.2013, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 73, combinada com o inciso I do art. 76, ambos da Resolução CGSN nº 94, de 2011: Nome Empresarial: CASA MÁXIMA COMERCIAL LTDA Número de Inscrição no CNPJ: 01.904.812/000124 Parágrafo único. A relação dos débitos deverá ser consultada no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, nos itens "Empresa", "Simples Nacional", "Exclusão 2012", "ADE de Exclusão 2012 – Consulta Débitos". Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 1º de janeiro de 2013, conforme disposto no inciso IV do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006. [...] Art. 4º Tornarseá sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica seja regularizada no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste ADE, ressalvada a possibilidade de emissão de novo ADE devido a outras pendências porventura identificadas. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0208, com os argumentos a seguir discriminados: A referida decisão fora pautada em Resolução CGSN nº. 94, art. 75 de 29.11.2011. Ocorre que, a regulamentação do ingresso e exclusão do Simples Nacional é efetuada pela Lei Complementar 123/2006, que, indiscutivelmente, possui força legislativa superior em relação a uma Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional, consoante pirâmide de Hans Kelsen, definição adotada na Constituição Federal de 1988, que em nada pode contrariar a LC 123/2006, sob pena de ilegalidade; Nesse sentido é que a Constituição Federal em seu artigo 59, define uma sequência de atos a serem realizados pelos órgãos legislativos, visando à formação das espécies normativas [...]. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 287 3 O respeito ao devido processo legislativo na elaboração das espécies normativas é um dogma corolário à observância do princípio da legalidade, consagrado constitucionalmente, uma vez que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de uma espécie normativa devidamente elaborado pelo Poder competente, segundo as normas do processo legislativo constitucional, determinando, dessa forma Carta Magna, quais os órgãos e quais os procedimentos de criação das normas gerais, que determinam, como ressaltado por Kelsen [...]. Ainda assim, o artigo 59, inciso VII da Constituição Federal, prevê resolução como ato do Congresso Nacional ou de qualquer das suas casas, tomado por procedimento diferente do previsto para elaboração das leis, destinado a regular matéria de competência do Congresso Nacional ou de competência privativa do Congresso Nacional ou da Câmara dos Deputados, mas em regra com efeitos internos. O Comitê Gestor do Simples Nacional é composto por,(Decreto 6.038/2007 Art. 2º e incisos) dois representantes da Secretaria da Receita Federal; dois representantes da Secretaria da Receita Previdenciária; dois representantes dos Estados e dois representantes dos Municípios. O Artigo 65, da Decreto 6.038/2007, prevê que o CGSN deliberará por meio de resoluções. Primeiramente, insta destacar que o artigo 69 da Lei 6.038/2007, revelase inconstitucional, vez que a Constituição Federal em seu artigo 59, definiu resolução como ato legislativo do Congresso Nacional, de forma que entidade como CGSN, não possui legitimidade para editar resoluções. Em último caso, admitindose que poderia o CGSN editar resolução, esta, em razão da disposição taxativa kelsiana do artigo 59 da CF/88, deve obediência primeiramente à Magna Carta e posteriormente às Leis, em sua ordem de força impositiva, ou seja, primeira às emendas Constitucionais, depois leis complementares, em seguida, 'eis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias e, por fim, decretos legislativos. Assim, a "resolução" do CGSN, somente pode ser considerada constitucional se conforme as disposições prescritivas da Constituição Federal, e legal, se obediente aos preceitos normativos das leis infraconstitucionais, em sua ordem esposada no artigo 59 da CF/88. Logo se a "resolução" fere a LC 123/2006, deve ser a mesma declara ilegal, visto que a "resolução" não tem condão de alterar dispositivo das leis superiores, consoante rol do art. 59 da CF/88. Logo se a "resolução" fere a LC 123/2006, deve ser a mesma declara ilegal, visto que a "resolução" não tem condão de alterar dispositivo das leis superiores, consoante rol do art. 59 da CF/88. [...] Primeiramente, insta esclarecer que o artigo 17, inciso V. [...] da LC 123/2006, que dispões sobre a vedação de ingresso ao Simples Nacional, assim o referido dispositivo diz que não é permitido o ingresso no Simples Nacional, por empresa devedora à Fazenda Pública Federal, não podendo de tal dispositivo abstrair entendimento de exclusão do Simples Nacional por quem possua débitos para com a Fazenda Nacional. A redação é clara e evidente, não justificando o disposto no artigo 73, inciso II, alínea 'd' da "resolução" 94 do CGSN. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 288 4 Em segundo lugar, o artigo 30, inciso II da LC 123/2006, preceitua que a exclusão do Simples Nacional, se dará consoante as previsões da LC 123/2006. Logo, o referido dispositivo apenas diz que a Fazenda Pública poderá promover a exclusão de uma empresa, obrigatoriamente, mas não indica quais os motivos ensejadores e permissivos da exclusão. Assim é lícito concluir, que o artigo 30, inciso II da LC 123/2006, não possui eficácia imediata, depende de dispositivo na LC 123/2006, para complementar sua disposição. Logo, o artigo 73, inciso II, aliena 'd' da "resolução" 94 do CGSN, não possui fundamento legal pleno no artigo 30, inciso II da LC 123/2006, depende de observação do restante da Lei Complementar para verificar a possibilidade exclusão por débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. [...] Verificase, portanto, que no artigo 29 e incisos da LC 123/2006, que dispõe sobre as causas de exclusão do Simples Nacional, não menciona a possibilidade de exclusão por existência de dívidas, suspensas ou não, perante a Fazenda Pública Federal. [...] Assim, resta evidente que a alínea 'd', do inciso II, do artigo 73, da "Resolução" 94 do CGSN, é ilegal, visto que contrário à LC 123/2006, em seu artigo 29 e incisos, bem como, é inconstitucional, pois inova quanto ao motivo permissivo da exclusão do Simples Nacional, ferindo a ordem de legislatura prevista no artigo 59 da CF/88; Ora, somente Lei Complementar é que poderia dispor, alterar ou acrescentar preceitos legais sobre as causa de exclusão de ofício do Simples Nacional, visto que a lei superior não pode ser revogada ou modificada por lei inferior, ainda mais, em se tratando de uma "resolução" atípica, pois não emanada do Congresso Nacional; Assim, não havendo previsão na LC 123/2006 de exclusão do Simples Nacional, por dívida perante a Fazenda Pública Federal, suspensa ou não, não poderá a Secretaria da Receita Federal, promover a exclusão da Casa Máxima Comercial Ltda ME, com base em dispositivo inconstitucional e ilegal. DA ESPERA DE MANIFESTAÇÃO JUDICIAL Os débitos a que se refere a Receita Federal, em sua comunicação, da qual se defende a empresa ora requerente, estão todos ajuizados, pendentes de julgamento de exceção de préexecutividade. Assim, enquanto pendente manifestação judicial sobre a exceção, fica suspensa a execução fiscal, bem como, qualquer ato derivado da exigibilidade do débito. Logo, a exclusão do Simples Nacional, havendo discussão em juízo sobre o débito, revelase ilegal por cercear o Acesso ao Judiciário, contraditório e ampla defesa, bem como, demonstrase temerária, vez que, se extintos os créditos, a exclusão demonstrarseá ilegal e abusiva, gerando direito indenizatórios à empresa, tanto a título de dano moral, em razão da coação, como título de dano material, vistos aos prejuízos decorrentes da pesada carga tributária incidente fora do Simples. Logo a exclusão, pendente julgamento de exceção, demonstrase por demais arbitrária. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 289 5 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Requer, seja julgada improcedente a pretensão de exclusão da empresa Casa Máxima Ltda ME do Simples nacional, teMo em vista a inconstitucionalidade e ilegalidade do artigo 73, inciso II, alínea d' da "Resolução" 94 do CGSN, em razão da falta de previsão legal na LC 123/2006, permitindo a exclusão por existência de débitos s suspensos ou não, bem como, pela arbitrariedade do ato de exclusão, enquanto, pendente, decisão judicial em exceção de pré executividade. O julgamento foi convertido na realização de diligência, de acordo com o Despacho da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 161, de 01.08.2013, fls. 7273, para que o processo fosse instruído com a relação de processo os débitos que ensejaram a emissão do ADE. A Consulta Débitos Geradores do ADE, fl. 74, extraída em 28.08.2013 e conferida com as cópias das inscrições em Dívida Ativa da PGFN, fls. 103248, foi regularmente cientificada a Recorrente. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03 58.367, de 08.01.2014, fls. 251255: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL Em obediência ao devido processo legal, o prazo para regularização ou impugnação deve ser contado a partir da ciência do Ato Declaratório Executivo (ADE) que contenha a relação discriminada dos débitos motivadores da exclusão do Simples Nacional. Não tendo sido regularizada a totalidade dos débitos no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ADE, deve ser mantido o efeito da exclusão do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Notificada, conforme Comunicado/DRF/GOI/Seort nº 83, de 28.01.2014, fl. 265, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.02.2014, fls. 267282, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: Inconformada com tal decisão alternativa não resta à recorrente, senão buscar no Conselho Fiscal, a legalidade e constitucionalização dos Atos da Administração. Ocorre que, a regulamentação do ingresso e exclusão do Simples Nacional efetuada pela Lei Complementar 123/2006, que, indiscutivelmente, possui força legislativa superior em relação a uma Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional, consoante pirâmide de Hans Kelsen, definição adotada na Constituição Federal de 1988, que em nada pode contrariara LC 123/2006, sob pena de ilegalidade. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 290 6 Nesse sentido é que a Constituição Federal em seu artigo 59, define uma sequência de atos a serem realizados pelos órgãos legislativos, visando à formação das espécies normativas [...]. O respeito ao devido processo legislativo na elaboração das espécies normativas é um dogma corolário à observância do princípio da legalidade, consagrado constitucionalmente, uma vez que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de uma espécie normativa devidamente elaborado pelo poder competente, segundo as normas do processo legislativo constitucional, determinando, dessa forma Carta Magna, quais órgãos e quais os procedimentos de criação das normas gerais, que determinam, como ressaltado por Kelsen [...]. Ainda assim, o artigo 59, inciso VII da Constituição Federal, prevê resolução como ato do Congresso Nacional ou de qualquer das suas casas, tomado por procedimento diferente do previsto para elaboração das leis, destinado a regular matéria de competência do Congresso Nacional ou de competência privativa do Congresso Nacional ou da Câmara dos Deputados, mas em regra com efeitos internos. O Comitê Gestor do Simples Nacional é composto por, (Decreto 6.038/2007 Art. 2º e incisos) dois representantes da Secretaria da Receita Federal; dois representantes da Secretaria da Receita Previdenciária, dois representantes dos Estados e dois representantes dos Municípios. O Artigo 62, da Decreto 6.038/2007, prevê que o CGSN deliberará por meio de resoluções. Primeiramente, insta destacar que o artigo 6º da Lei 6.038/2007, revelase inconstitucional, vez que a Constituição Federal em seu artigo 59, definiu resolução como ato legislativo do Congresso Nacional, de forma que entidade como CGSN não possui legitimidade para editar resoluções. Em último caso, admitindose que poderia o CGSN editar resolução, esta, em razão da disposição taxativa kelsiana do artigo 59 da CF/88, deve obediência primeiramente à Magna Carta e posteriormente às Leis, em sua ordem de força impositiva, ou seja, primeira às Emendas Constitucionais, depois leis complementares, em seguida, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias e, por fim, decreto legislativos. Assim, a "resolução" do CGSN, somente pode ser considerada constitucional se conforme as disposições prescritivas da Constituição Federal, e legal, se obediente aos preceitos normativos das leis infraconstitucionais, em sua ordem esposada no artigo 59 da CF/88. Logo se a "resolução" fere a LC 123/2006, deve ser a mesma declara ilegal, visto que a "resolução" não tem condão de alterar dispositivo das leis superiores, consoante rol do art. 59 da CF/88. [...] Verificase que para fundamentar o dispositivo da alínea 'd', inciso II do artigo 73, a "resolução" faz menção ao artigo 17, inciso V e artigo 30, inciso II da LC 123/2006. Vejamos então a disposição prescritiva do artigo 17, inciso V e artigo 30, inciso II da LC 123/2006 [...]. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 291 7 Primeiramente, insta esclarecer que o artigo 17, inciso V, integra a Seção II, da LC 123/2006, que dispõe sobre a vedação de ingresso ao Simples Nacional, assim o referido dispositivo diz que não é permitido o ingresso no Simples Nacional, por empresa devedora à Fazenda Pública Federal, não podendo de tal dispositivo db^iidír entendimento de exclusão do Simples Nacional por quem possua débitos para com a Fazenda Nacional. A redação é clara e evidente, não justificando o disposto no artigo 73, inciso II, alínea 'd' da "resolução" 94 do CGSN. Em segundo lugar, o artigo 30, inciso II da LC 123/2006, preceitua que a exclusão do Simples Nacional, se dará consoante as previsões da LC 123/2006. Logo, o referido dispositivo apenas diz que a Fazenda Pública poderá promover a exclusão de uma empresa, obrigatoriamente, mas não indica quais os motivos ensejadores e permissivos da exclusão. Assim é lícito concluir, que o artigo 30, inciso II da LC 123/2006, não possui eficácia imediata, depende de dispositivo na LC 123/2006, para complementar sua disposição; Logo, o artigo 73, inciso II, aliena 'd' da "resolução" 94 do CGSN, não possui fundamento legal pleno no artigo 30, inciso II da LC 123/2006, depende de observação do restante da Lei Complementar para verificar a possibilidade exclusão por débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa; Assim é que, a LC 123/2006 em seu artigo 29, elencou, taxativamente, os motivos pelos quais uma empresa poderia ser excluída do Simples Nacional [...]. Verificase, portanto, que no artigo 29 e incisos da LC 123/2006, que dispõe sobre as causas de exclusão do Simples Nacional, não menciona a possibilidade de exclusão por existência de dívidas, suspensas ou não, perante a Fazenda Pública Federal: Assim, resta evidente que a alínea 'd', do inciso II, do artigo 73, da "Resolução" 94 do CGSN, é ilegal, visto que contrário à LC 123/2006, em seu artigo 29 e incisos, bem como, é inconstitucional, pois inova quanto ao motivo permissivo da exclusão do Simples Nacional, ferindo a ordem de legislatura prevista [na] CF/88. Ora, somente Lei Complementar é que poderia dispor, alterar ou acrescentar preceitos legais sobre as causa de exclusão de ofício do Simples Nacional, visto que a lei superior não pode ser revogada ou modificada por lei inferior, ainda mais, em se tratando de uma "resolução" atípica, pois não emanada do Congresso Nacional; Assim, não havendo previsão na LC 123/2006 de exclusão do Simples Nacional, por dívida perante a Fazenda Pública Federal, suspensa ou não, não poderá a Secretaria da Receita Federal promover a exclusão da Casa Máxima Comercial Ltda ME, com base em dispositivo Inconstitucional e ilegal; DA ESPERA DE MANIFESTAÇÃO JUDICIAL: Primeiramente insta informar que, as inscrições descritas na consulta aos débitos geradores do ADE, encontramse ajuizadas junto à Vara de Fazendas Públicas da Comarca de Goiatuba/GO, com os seguintes protocolos: INSCRIÇÃO PROCESSO 1179900054111 200003376855 1169900344805 200003376937 1129900105380 200003376839 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 292 8 1169900344996 200003376847 1179900073922 200003376970 1169900439350 199902288929 1129900135883 199902288961 1169900439431 199902288945 1169901702012 200801998810 1179900281010 200801998810 1169901702101 200801998810 1129900571608 200801998810 1169901702284 200801998810 1140400594367 200801998810 1170900063060 201200709955 1160900210058 201200709955 1120900083243 201200709955 1160900210139 201200709955 1140900471213 201200709955 Verificase que a regularidade ou não das mencionadas inscrições, que permitiria ou não a exclusão do Simples Nacional, encontrase em discussão JUDICIAL, logo, o próprio Estado renunciou à via administrativa quando do oferecimento das execuções fiscais acima mencionadas. Ora como pode o contribuinte em processo administrativo, ser compelido ao pagamento de débitos fiscais, para afastar exclusão do simples nacional, se os mesmos encontramse em discussão judicial, sob competência da PGFN, em que o contribuinte alega não ser devedor de tais débitos? Ora, o parágrafo único do artigo 38 da LEF, determinada que a propositura de ação implica em renuncia à esfera administrativa, que segundo o STF em RE 234.277/RJ, o direito constitucional de petição e o princípio da legalidade não implicam a necessidade de esgotamento da via administrativa para discussão judicial da validade do crédito inscrito em Dívida Ativa". Ora considerando que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial, até porque, uma vez declarado inexistente o crédito ou extinto, até mesmo por prescrição, não há que se falar em penalização de exclusão do simples por dívida judicialmente considera inexistente. A última palavra cabe ao Poder Judiciário, que já tem em suas mãos processos administrativos fiscais de todas as inscrições debatidas neste processo administrativo. Ademais senhores conselheiros, o que mais causa dúvidas é o seguinte, acaso a recorrente viesse a pagar de quem seria a competência para dar quitação, da SRF ou da PGFN? Ora ambos são titulares dos supostos débitos? E se por acaso o recorrente vier quitar os débitos diretamente com a SRF, em razão do presente administrativo, ainda seria devedor de honorários à PGFN? Sendo assim, mister se faz a extinção do presente processo administrativo, ante propositura de ação judicial pela União para satisfação da dívida, uma vez que não pode o contribuinte ser compelido administrativamente à suposta regularização do débito, se este está em discussão judicial. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL IRRETROATIVIDADE Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 293 9 Revisão de Lançamento para atribuir efeitos retroativos ao ato de exclusão Quanto a irretroatividade da Lei, princípio máximo da consagrado na Constituição Federal, a Turma Julgadora sequer manifestou á respeito. Logo, novamente trago à apreciação do nobre Conselho Julgador. Segundo o despacho que determinou a presente manifestação, o § 2º artigo 31 da Lei 123/2006 somente permite a permanência de Micro Empresa no Simples Nacional mediante comprovação de regularização dos débitos no prazo de 30 dias da notificação. Consoante se verifica da própria relação de inscrições, que todas dizem respeitos à débitos constituídos antes do ano de 1999, e inscritos em Dívida Ativa nos idos de 1999. Verificase que a Lei Complementar 123 é datada de 2006 e alterações posteriores, bem como, o Ato Declaratório Executivo 485.195 no que se pretende a Exclusão do contribuinte é datado do ano de 2013, assim como, a Resolução CGSN 15, é datada do ano de 2007, bem como a Resolução nº 94 é datada de 2011. Assim, é possível se verificar que todas os dispositivos legais a que se pretende a exclusão do contribuinte Simples Nacional é posterior ao fato gerador que enseja a exclusão do exclusão do Simples Nacional, não havendo permissivo constitucional para retroatividade de lei em prejuízo dos contribuintes. A Constituição Federal não traz uma regra geral de irretroatividade. Seu artigo 5º, inciso XXXVI, estabelece, apenas que a lei não prejudicará o direito adquirido, ato jurídico perfeito e a coisa julgada. A CF/88 estabelece a irretroatividade, isto sim, em outros artigos, como garantia especial quanto à definição de crimes e ao estabelecimento de penas, e quanto a instituição e majoração de tributos. Ao prescrever que os entes políticos não podem instituir tributos em relação à fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado, o artigo 150, III, a, da CF/88, estabelece uma garantia adicional em favor do contribuinte que extrapola a proteção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito, assegurando contra exigências tributárias que tenham em consideração atos, fatos ou situações passados relativamente aos quais já suportou ou suportará ônus tributários estabelecidos ou que não ensejam imposições tributárias pelas leis vigentes à época, que eram de seu conhecimento; A irretroativa da lei tributária vem preservar o passado da atribuição de novos efeitos tributários, tal com a exclusão do Simples Nacional, reforçando a própria garantia da legalidade, porquanto resulta na exigência de lei prévia evidenciandose como instrumento de otimização da segurança jurídica ao prover uma maior certeza de direito. [...] Isso quer dizer que, não pode a Administração usar critérios contra seus administrados introduzidos no mundo jurídico posteriormente à ocorrência do fato gerador. Atuar de modo contrário ao art. 150, III, 'a' da CF/88 e art. 146 do CTN, é violar diretamente a segurança jurídica e o princípio da boafé objetiva que regulam as relações jurídicas, mormente as relações entre o contribuinte e o Fisco. Agir nesse sentido é permitir a aplicação retroativa da lei em prejuízo ao contribuinte, Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 294 10 contrariando dispositivo de cunho constitucional, precisamente expresso no art. 5°, inciso XL da Constituição Federal. [...] Ora, verificase que no presente caso, tratandose de débitos inscritos em dívida ativa em 1999, sobre os quais se pretende a exclusão do Simples Nacional com base em lei vigentes a partir de 2006, tendo ocorrido a Notificação de tal exclusão somente em 03.10.2012. Verificase que a pretensão do fisco em excluir o contribuinte do Simples Nacional, fere frontalmente à Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, em razão da segurança jurídica, dado que treze anos após o inclusão em dívida ativa, se pretende a exclusão do simples por lei vigente sete anos após o fato gerador! Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Requer, seja julgada improcedente a pretensão de exclusão da empresa Casa Máxima Ltda ME do Simples nacional, tendo em vista a inconstitucionalidade e ilegalidade do artigo 73, inciso II, alínea 'd' da "Resolução" 94 do CGSN, em razão da falta de previsão legal na LC 123/2006, permitindo a exclusão por existência de débitos, suspensos ou não, bem como, pela arbitrariedade do ato de exclusão, enquanto, pendente, decisão judicial em exceção de préexecutividade, e especialmente pelo impedimento constitucional de retroatividade de lei para prejudicar o contribuinte, bem como, impedimento de revisão de lançamento de lançamento para atribuir efeito retroativo ao ato de exclusão (art. 150, III, "a" da CF/88 e art. 146 do CTN). Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Sobre a tempestividade, temse que a Recorrente foi notificada, conforme Comunicado/DRF/GOI/Seort nº 83, de 28.01.2014, fl. 265, e apresentou o recurso voluntário em 05.02.2014, fls. 267282. Assim, ainda que os autos não tenham sido instruídos com a comprovação do dia em que a Recorrente tenha sido efetivamente notificada, o lapso temporal entre a emissão do Comunicado/DRF/GOI/Seort nº 83, de 28.01.2014, fl. 265 e a oposição do recurso voluntário em 05.02.2014, fls. 267282 está compreendido no trintídio legal (art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 295 11 A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes ao procedimento fiscal, as exclusões do Simples Nacional podem ser efetivadas sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, o qual devem estar instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes4. Os servidores agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 296 12 finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 5 O Ato Declaratório Executivo foi lavrado por servidor competente com observância de todos os requisitos legais e com a devida comprovação da situação excludente (Lei Complementar nº 123, de 2006 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional6. Assim, o Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/GO nº 465.195, de 03.09.2012, fl. 11 e o Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0358.367, de 08.01.2014, fls. 251255, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. No presente caso, verificase que a decisão de primeira instância está suficiente e pormenorizadamente motivada não obstante contrária à pretensão da Recorrente. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente discorda do procedimento fiscal em que houve a sua exclusão do Simples Nacional, inclusive com efeitos retroativos. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante ato administrativo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. Os seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. 5 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 6 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 297 13 Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Excepcionalmente é permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão 7. Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF), julgou o recurso extraordinário com repercussão geral (leading case RE 627543), tema nº 363, com trânsito em julgado ocorreu em 14.11.2014, cuja decisão definitiva de mérito ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009): Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Microempresa e empresa de pequeno porte. Tratamento diferenciado. Simples Nacional. Adesão. Débitos fiscais pendentes. Lei Complementar nº 123/06. Constitucionalidade. Recurso não provido. 1. O Simples Nacional surgiu da premente necessidade de se fazer com que o sistema tributário nacional concretizasse as diretrizes constitucionais do favorecimento às microempresas e às empresas de pequeno porte. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em consonância com as diretrizes traçadas pelos arts. 146, III, d, e parágrafo único; 170, IX; e 179 da Constituição Federal, visa à simplificação e à redução das obrigações dessas empresas, conferindo a elas um tratamento jurídico diferenciado, o qual guarda, ainda, perfeita consonância com os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. 2. Ausência de afronta ao princípio da isonomia tributária. O regime foi criado para diferenciar, em iguais condições, os empreendedores com menor capacidade contributiva e menor poder econômico, sendo desarrazoado que, nesse universo de contribuintes, se favoreçam aqueles em débito com os fiscos pertinentes, os quais participariam do mercado com uma vantagem competitiva em relação àqueles que cumprem pontualmente com suas obrigações. 3. A condicionante do inciso V do art. 17 da LC 123/06 não se caracteriza, a priori, como fator de desequilíbrio concorrencial, pois se constitui em exigência imposta a todas as pequenas e as microempresas (MPE), bem como a todos os microempreendedores individuais (MEI), devendo ser contextualizada, por representar também, forma indireta de se reprovar a infração das leis fiscais e de se garantir a neutralidade, com enfoque na livre concorrência. 7 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007,e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 298 14 4. A presente hipótese não se confunde com aquelas fixadas nas Súmulas 70, 323 e 547 do STF, porquanto a espécie não se caracteriza como meio ilícito de coação a pagamento de tributo, nem como restrição desproporcional e desarrazoada ao exercício da atividade econômica. Não se trata, na espécie, de forma de cobrança indireta de tributo, mas de requisito para fins de fruição a regime tributário diferenciado e facultativo. 8 Sobre os débitos não pagos, consta no Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0358.367, de 08.01.2014, fls. 251255, que as circunstâncias fáticas que motivaram a exclusão foram analisadas nos seguintes termos: A DRF de origem traz aos autos telas de sistemas da PGFN (fls. 98 a 248) que permitem verificar que os débitos motivadores da exclusão encontravamse em situação de exigibilidade após o prazo para regularização. Por fim, os débitos nãoprevidenciários em cobrança na PGFN não se enquadram nas hipóteses de suspensão da exigibilidade do art. 151 do CTN, sendo exigíveis, portanto. Sendo assim, verificase que os débitos motivadores encontravamse em situação de exigibilidade passados 30 dias da ciência do ADE e respectivas pendências motivadoras, sendo correta a exclusão da contribuinte do regime do Simples Nacional. O processo foi instruído com a Consulta Débitos Geradores do ADE, fl. 74, extraída em 28.08.2013 após o trintídio legal da ciência do ato de exclusão e conferida com as cópias das inscrições em Dívida Ativa da PGFN, fls. 103248, a qual foi regularmente cientificada a Recorrente: Os débitos nãoprevidenciários, previdenciários e de Simples Nacional junto à RFB foram listados com o valor do saldo devedor, sem os acréscimos legais. Os débitos junto à PGFN foram listados com o valor do saldo devedor consolidado. A regularização deve ser feita pelo saldo devedor atualizado, com os acréscimos legais. Nome Empresarial : CASA MAXIMA COMERCIAL LTDA ME CNPJ 01904812 Débitos NãoPrevidenciários em cobrança na PGFN Inscrição Valor Consolidado 00000011799000541 R$4.594,62 00000011699003448 R$16.520,42 00000011299001053 R$9.414,43 00000011699003449 R$7.357,86 00000011799000739 R$10.882,39 8 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=3922675&numero Processo=627543&classeProcesso=RE&numeroTema=363>. Acesso em: 10 mar.2015. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 299 15 00000011699004393 R$16.225,57 00000011299001358 R$18.581,30 00000011699004394 R$26.309,54 00000011699017020 R$8.478,68 00000011799002810 R$4.853,06 00000011699017021 R$12.803,18 00000011299005716 R$10.230,42 00000011699017022 R$8.184,18 00000011404005943 R$3.211,15 00000011709000630 R$2.764,30 00000011609002100 R$21.219,67 00000011209000832 R$3.603,28 00000011609002101 R$41.911,51 00000011409004712 R$44.684,37 Esses débitos foram a causa excludente da emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/GO nº 465.195, de 03.09.2012, fl. 11. Ressaltese que os débitos junto a RFB submetemse a cobrança amigável, e, quando sua extinção não tem êxito, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União junto a PFN para fins de cobrança judicial (Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e Regimento Interno da PFN, aprovado pela Portaria MF nº 36, de 24 de janeiro de 2014). Assim, os débitos não serão exigidos simultaneamente, pela RFB e pela PGFN, pois a competência da autoridade verificase conforme o estágio de cobrança, se amigável ou judicial. A Recorrente foi excluída do Simples Nacional pelo Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/GO nº 465.195, de 03.09.2012, fl. 11, com efeitos a partir de 01.01.2013, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 73, combinada com o inciso I do art. 76, ambos da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Verificase que a legislação expressamente indicada no ato de exclusão estava vigente à época em que foi proferido, nos exatos termos do art. 144 do Código Tributário Nacional. Por seu turno, a Recorrente afirma que esses débitos estão amparos pela exceção de preexecutividade e por isso os débitos estão com a exigibilidade suspensa (art. 151 do Código Tributário Nacional). A exceção de préexecutividade constituise em instituto Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 300 16 jurídico novo no ordenamento jurídico brasileiro e se estrutura somente em entendimentos doutrinários e jurisprudenciais. Argúise por meio de petição simples dandose os motivos de fato e de direito pelos quais o devedor entende ser incabível ou ilegal a execução. Não há lei que a regulamente9. Por essa razão não há norma específica que determine a suspensão da exigibilidade dos débitos que estejam sendo questionados por essa objeção. Nesse sentido a Recorrente não comprova a regularização dos débitos no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. A dedução esclarecida pela defendente, então, não está evidenciada. Relativamente aos efeitos da exclusão, embora não tenha sido pré questionado em sede de impugnação, ainda assim vale discorrer que a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, prevê: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; [...] IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; [...] §1o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três)anos calendário seguintes. [...] §3o A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; [...] 9 FERREIRA, Aislane Sarmento. “Da exceção de préexecutividade”. 03/2012. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/2763/daexcecaodepreexecutividade>. Acessado em: 20 mar.2015. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 301 17 Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão; [...] § 2º Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A norma trata o ato da exclusão do Simples como declaratório de uma circunstância impeditiva preexistente expressamente prevista em lei, permitindo a retroação de seus efeitos, independentemente se efetuado por comunicação da pessoa jurídica ou de ofício. Tendo em vista a falta do procedimento voluntário, a exclusão de ofício deve ser efetivada por ato declaratório da autoridade fiscal que jurisdicione o sujeito passivo, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal. Nesse sentido, verificando a circunstância preexistente impeditiva, a Recorrente deveria proceder a alteração voluntária, e como não o fez foi excluída de ofício, independentemente do lapso temporal ocorrido entre a data da opção e a ciência da exclusão, de acordo com a legislação de regência da matéria. No presente caso o ato de exclusão surte efeito a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.201010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF11. Esclareçase que o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagem à data da efetiva ocorrência da situação excludente. Por essa razão os efeitos da exclusão do Simples desde 01.01.2013 está correta. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. 10 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=966764&sReg=200900296277&sData=20100 506&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2014. 11 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 62A do Regimento Interno do CARF. 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10120.730231/201281 Acórdão n.º 1803002.616 S1TE03 Fl. 302 18 Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). Além disso, a Lei Complementar nº 123, de 2006, determina que o tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte será gerido pelo Comitê Gestor do Simples Nacional, vinculado ao Ministério da Fazenda, para tratar dos aspectos tributários, inclusive em relação a opção, exclusão e seus efeitos, indeferimento da opção, entre outras matérias. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10469.720613/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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NUNES FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .7 20 61 3/ 20 08 -8 9 Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720613/200889 Resolução nº 1301000.184 S1C3T1 Fl. 1.535 2 Relatório F. NUNES FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas decorrente da ausência de escrituração de resultados derivados de operações de factoring; e b) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 649/730), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que teria decaído o direito de lançamento em relação aos fatos geradores correspondentes ao PIS e à COFINS dos meses de janeiro e fevereiro de 2003; que deveriam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores do PIS e da COFINS lançados de oficio e as despesas bancárias relativas à conta mantida no BCN (fls. 661 a 664), cuja movimentação não fora contabilizada; que a operação de nº 2.499, relativa ao cheque de R$ 5.723,03, especificada às fls. 34, teria sido contabilizada, conforme comprovaria lançamento do Livro Razão, às fls. 564; que em diversas operações de factoring a Conta Caixa teria sido debitada do valor líquido da operação (débito Caixa x crédito Banco Conta Movimento) em data posterior ao lançamento relativo à entrega do cheque ao favorecido (crédito Caixa x débito Títulos a Pagar), o que teria afetado o saldo da Conta Caixa ; que, apesar de a conta do BCN não ter sido escriturada, as operações de factoring realizadas por meio dela teriam sido escrituradas a crédito de Caixa e a débito de Títulos a Pagar, o que teria afetado substancialmente o saldo da Conta Caixa; que a quantia de R$ 30.120,64, registrada como crédito da Conta Caixa pela Fiscalização (tabela 03, às fls. 36), por falta de comprovação do lançamento, tratarseia de ajuste efetuado em virtude da falta de contabilização, em 30/12/2002, dos eventos descritos às fls. 702; que diversos lançamentos a crédito da Conta Caixa não refletiriam a efetiva saída de recursos, sendo que não teriam sido contabilizados como entradas os descontos, os cheques sem fundos e os valores quitados, relativos a operações anteriores (relação de contratos às fls. 713 e 714), e que algumas operações, inclusive, não refletiriam pagamento algum; Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720613/200889 Resolução nº 1301000.184 S1C3T1 Fl. 1.536 3 que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa quanto à infração 001, por não ter sido indicado nos demonstrativos das fls. 34 e 35, de onde foram extraídos os seus dados, além do que não teriam sido discriminados os custos envolvidos nas operações; que solicitara ao Banco do Brasil cópias de todos os cheques de sua conta corrente, não tendo sido atendida, motivo pelo qual requereu o "enquadramento no parágrafo 5° do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972"; que, uma vez que teria provado que não houvera saldo credor de caixa no lançamento do Processo n° 10469.710262/200725, seria imprescindível que o julgamento desse processo fosse efetuado na ordem cronológica dos fatos, em face das repercussões nos saldos de caixa dos períodos subseqüentes. A contribuinte requereu, ainda, a realização de diligência e apresentou complementação à impugnação, por meio da qual juntou novos documentos. A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, analisando os feitos fiscais e as peças de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1125.364, de 12 de fevereiro de 2009, pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DA INFRAÇÃO. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa, por deficiência na descrição da infração, quando os fatos apurados, bem assim a legislação subsunsora, estão detalhados no Quadro da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos os elementos necessários à formação da convicção da autoridade julgadora. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A falta de escrituração contábil evidencia omissão de receita. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. Eventuais erros ou omissões que, comprovadamente, operam influência no saldo da conta caixa, devem ser considerados no cálculo da omissão. PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. O prazo para a constituição de crédito relativo às contribuições sociais sujeitas a lançamento por homologação , quando não há pagamento da dívida, é de cinco anos, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I do art 173 do CTN). Havendo pagamento, o prazo extinguese após cinco anos, a partir da data do fato gerador. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720613/200889 Resolução nº 1301000.184 S1C3T1 Fl. 1.537 4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 1.246/1.316, por meio do qual sustentou: anulação da decisão de primeira instância, em virtude de cerceamento do direito de defesa, vez que não foram apreciados documentos, fatos e alegações apresentados na impugnação; decadência do direito de constituir crédito tributário relativo ao PIS incidente sobre o fato gerador ocorrido no mês de fevereiro de 2003; equívoco no cálculo dos valores exonerados; dedutibilidade das contribuições lançadas (PIS e COFINS) e dos juros correspondentes das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; dedutibilidade das despesas bancárias pagas e incorridas que não foram contabilizadas; Adiante, a contribuinte explicitou os documentos, fatos e alegações que, para ela, não foram apreciados pela autoridade julgadora de primeiro grau. Nessa linha, argumenta: cerceamento do direito de defesa em razão do não acatamento de operações com cheques do BCN, operações essas comprovadas e aceitas pela Fiscalização; falta de apreciação, em primeira instância, dos argumentos relativos à exclusão de valor tributado indevidamente; apuração incorreta da movimentação da Conta CAIXA; falta de apreciação dos equívocos cometidos na apuração dos saldos das contas BANCO CONTA MOVIMENTO e CAIXA em 31 de dezembro de 2002; conclusão equivocada da Turma Julgadora de primeira instância acerca da influência da contabilização incorreta de operações nos saldos credores de caixa; contabilização de pagamentos a maior de operações de factoring; equívoco da decisão recorrida acerca da influência de saldos credores de caixa apurados em outros processos administrativos em relação aos determinados nos presentes autos; cerceamento do direito de defesa em razão da inobservância da ordem cronológica no julgamento de processos administrativos; cerceamento do direito de defesa em virtude do indeferimento injustificado do pedido de perícia. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720613/200889 Resolução nº 1301000.184 S1C3T1 Fl. 1.538 5 Às fls. 1.327/1.329, consta petição da fiscalizada, dirigida ao Delegado da Receita Federal em Natal e datada de 26 de maio de 2009, por meio da qual é requerida a autenticação de documentos e apresentada complementação ao recurso voluntário, tendo sido juntado os documentos de fls. 1.330/1.360. A 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara, por meio do acórdão nº 130200.668, de 03 de agosto de 2011, decidiu anular a decisão de primeira instância, por entender que determinados argumentos e documentos trazidos pela contribuinte via defesa inaugural não haviam sido analisados, revelando, assim, cerceamento do direito de defesa. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, não obstante tenha assinalado que, possivelmente, a redação da decisão anterior é que tenha contribuído para conclusão de que os argumentos e documentos não haviam sido apreciados, decidiu reapreciálos, não modificando, contudo, sua decisão no sentido considerar a impugnação interposta apenas parcialmente procedente. Registro, inclusive, que a ementa da nova decisão exarada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (fls. 1.423/1.424) em 18 de janeiro de 2012, não revela alteração significativa em relação a correspondente à decisão anulada (prolatada em 12 de fevereiro de 2009). Cientificada da nova decisão em 20 de março de 2012 (aviso de recebimento às fls. 1.449), a contribuinte, pelo que se pode depreender, encaminhou via correios o recurso voluntário de fls. 1.457/1.527, no qual sustenta: necessidade de julgamento em ordem cronológica do presente processo com os de nº 10469.720262/200725 e 10469.721334/200832, haja vista que nos três processos foi imputada idêntica infração (omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa), e, sendo o caixa seqüencial, os seus saldos transportamse para os períodos seguintes; decadência do PIS relativo ao mês de fevereiro de 2003; dedutibilidade das contribuições lançadas relativas ao PIS e à COFINS, bem como dos juros incidentes, das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; dedutibilidade das despesas bancárias incorridas, pagas e das incorridas e não contabilizadas; cerceamento do direito de defesa em razão de a Turma julgadora de primeiro grau não ter acatado operações bancárias com cheques do BCN, comprovadas e aceitas pela Fiscalização; falta de apreciação, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, de operação contabilizada; apuração incorreta da movimentação da conta CAIXA; equívocos na apuração dos saldos das contas BANCOS CONTA MOVIMENTO e CAIXA em 31 de dezembro de 2002; Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720613/200889 Resolução nº 1301000.184 S1C3T1 Fl. 1.539 6 influência da contabilização equivocada de operações nos saldos credores de caixa; contabilização das operações de factoring, a maior, a crédito de caixa, de forma indevida; influência dos saldos credores de caixa apurados em processos anteriores no julgamento dos posteriores; falta de apreciação, por parte da autoridade julgadora de primeira instância, de “adendo” datado de 22 de maio de 2009; A contribuinte requereu, caso remanesça dúvida, a realização de perícia contábil para que sejam respondidos os quesitos formulados nos itens 240 e 241 da impugnação. Sustentou, ainda, a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, face o indeferimento do pedido perícia veiculado por meio da impugnação anteriormente apresentada. Por meio de despacho (fls. 1.532/1.533), foi apresentada proposição no sentido de que fossem distribuídos, para fins de apreciação conjunta com o presente, os processo nºs 10469.720262/200725 e o de nº 10469.721334/200832. É o Relatório. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720613/200889 Resolução nº 1301000.184 S1C3T1 Fl. 1.540 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas decorrente da ausência de escrituração de resultados de operações de factoring; b) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa. Em uma primeira apreciação, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara decidiu anular a decisão de primeira instância, por entender que encontravamse presentes elementos caracterizadores de cerceamento do direito de defesa. Prolatada nova decisão de primeira instância e mantida parcialmente as exigências, a contribuinte, em sede de recurso voluntário, sustenta que o presente processo deve ser julgado conjuntamente com os processo nºs 10469.720262/200725 e 10469.721334/200832. Tal questão já foi objeto de apreciação nos autos do processo administrativo nº 10469.721334/200832. Nele, restou consignado: [...] Além do presente, encontramse sob apreciação neste Colegiado, os seguintes processos de interesse da contribuinte: 10469.720262/200725 e 10469.720613/2008 89. Todos, inclusive este, tratam, basicamente, das mesmas infrações, sendo que: a) o processo nº 10469.720262/200725 cuida dos fatos geradores ocorridos no segundo, terceiro e quarto trimestres de 2002; b) o processo nº 10469.720613/200889 cuida dos fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2003; c) o presente processo cuida dos fatos geradores ocorridos no segundo, terceiro e quarto trimestres de 2003. A Recorrente requereu nos autos do presente processo que as lides em questão fossem apreciadas em ordem cronológica da ocorrência dos fatos, isto é, primeiramente fosse julgado o processo nº 10469.720262/200725, depois o de nº 10469.720613/2008 89 e, finalmente, este processo. Quanto a tal solicitação, a decisão recorrida assinala: 29. Por sua vez, o argumento do item 3.11 é falacioso. Como se sabe, o saldo credor que é objeto da tributação por omissão de receita não influencia o saldo dos períodos subseqüentes, ou seja, a conta caixa é zerada no dia seguinte (vide tabela às fls. 58 a 64). Assim, o fato de ter sido apresentado provas de que não teria havido saldo credor de caixa nos lançamentos dos processos nº 10469.720262/200725 e 10469.7206131200889 (não existe o processo nº 10469.720612/2008 Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10469.720613/200889 Resolução nº 1301000.184 S1C3T1 Fl. 1.541 8 89, decerto referiuse a este), o que cogito para argumentar, não opera influência nos saldos credores apurados no caso em questão. De maneira que o julgamento deste processo independe do daqueles. Em tese, o raciocínio esposado na decisão de primeiro grau está correto, vez que, tratandose de tributação com base no lucro real trimestral1, o saldo inicial da conta CAIXA em cada um dos trimestres auditados deveria ser o constante da escrituração, face a suposição de que os valores ali indicados resultaram de inventário. Entretanto, não foi essa metodologia adotada pela autoridade fiscal. Com efeito, a Fiscalização promoveu a recomposição dos saldos da conta CAIXA com base no anocalendário. Penso que o critério adotado pela autoridade fiscal não traz mácula aos lançamentos. Porém, uma vez acolhida tal metodologia, vejo como clara a interdependência entre os processos, pois, neste caso, a recomposição deve levar em conta os saldos reconstituídos do período de 1º de janeiro de 20022 a 31 de dezembro de 2003. O citado processo nº 10469.721334/200832 e o de nº 10469.720262/200725, tiveram os seus julgamentos convertidos em diligência para que fossem analisados esclarecimentos e documentos trazidos pela contribuinte autuada. Diante de tal circunstância, conduzo meu voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente processo até que sejam concluídas as diligências requeridas nos processos administrativos nºs 10469.721334/200832 e 10469.720262/200725, momento em que o presente processo deve ser reenviado a este Colegiado, para fins de apreciação conjunta. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2014 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães 1 Opção registrada nas DIPJ/2003 e 2004, anexadas aos processos. 2 A auditoria realizada no primeiro de trimestre de 2002 foi objeto do processo nº 10469.720140/200739, apenso, por solicitação deste Colegiado, ao de nº 10469.720262/200725. Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10840.720630/2012-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DO PAGAMENTO.
A despesa médica cujo ônus do pagamento não ficou provado ter sido do contribuinte declarante não é dedutível da base de cálculo do imposto sobre a renda.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-003.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza, Ronnie Soares Anderson, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ÔNUS DO PAGAMENTO. A despesa médica cujo ônus do pagamento não ficou provado ter sido do contribuinte declarante não é dedutível da base de cálculo do imposto sobre a renda. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Vinicius Magni Verçoza, Ronnie Soares Anderson, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1640.818, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, fls. 38 a 42, que considerou improcedente a impugnação ao lançamento de glosa de despesas médicas, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 06 30 /2 01 2- 16 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 valor de R$ 6.284,91, relativa ao anocalendário de 2007, descrita na Notificação de Lançamento, fls. 08 a 13, nos seguintes termos. “GLOSADA A DEDUÇÃO REFERENTE AO PLANO DE SAÚDE UNIMED DEVIDO AO MESMO SER PAGO PELA EMPRESA BRENNO AUGUSTO SPINELLI MARTINS ME CONFORME BOLETOS BANCÁRIOS APRESENTADOS E PORTANTO NÃO FOI O CONTRIBUINTE QUE TEVE O ÔNUS DO PAGAMENTO.” Em sua impugnação, fls. 02 a 05, instruída com os documentos de fls. 06 a 36, o contribuinte alegou, em síntese, que: sua empresa está inativa há mais de cinco anos, o que se verifica pelo documento emitido pela própria Receita Federal. Não há qualquer faturamento pela empresa capaz de gerar recursos para o cumprimento da obrigação, daí esta ser cumprida pela pessoa física do titular da empresa e, assim sendo, a despesa suportada por ele pode ser deduzida em sua declaração de ajuste anual; embora o plano de saúde tenha sido contratado em nome da empresa Brenno Augusto Spinelli Martins – ME, tratase de uma contratação para uso exclusivamente familiar, haja vista que somente compõem o quadro de usuários o próprio contribuinte e seus dependentes, o que demonstra ser de sua responsabilidade a quitação do referido convênio – vide demonstrativo da fatura mensal em anexo; a Lei Complementar 139 de 10/11/2011, que altera a Lei Complementar nº 123 de 14.12.2006, enseja a responsabilidade tributária e trabalhista do titular no período dos fatos geradores. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/08/2012, segundafeira, o interessado ingressou recurso voluntário, 26/09/2012, fls. 47 a 69, reiterando os argumentos apresentados na impugnação, para aduzir que junta declaração da Unimed na qual afirma que Brenno Augusto Spinelli Martins ME “encontrase adimplente com suas mensalidades do respectivo contrato de Prestação de Assistência à Saúde.” Nesse sentido, conclui o recorrente que, estando inativa a empresa individual, coube ao titular pessoa física o ônus pelo pagamento das despesas com o plano de saúde. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O litígio gira em torno da glosa de despesas médicas no valor de R$6.284,91, glosadas em face da falta de comprovação de que coube ao contribuinte o ônus pelos pagamentos do plano de saúde contratado pela empresa individual Brenno Augusto Spinelli Martins ME. A decisão recorrida manteve o lançamento sob as seguintes razões de decidir: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.720630/201216 Acórdão n.º 2802003.310 S2TE02 Fl. 75 3 Para comprovar o direito à dedução das despesas médicas acima relacionadas, o Impugnante apresentou os seguintes documentos: Tela de Informações de Apoio para Emissão de Certidão, de fls. 14/15; Demonstrativo da Fatura Mensal do Contratante Brenno Augusto Spinelli Martins Me, de fls. 16; Faturas de Serviços da Unimed Ribeirão Preto, de fls. 21/29; Fatura de Serviços da Unimed Ribeirão Preto e Recebimento de Títulos de Outros Bancos, de fls. 30/31; e Fatura de Serviços da Unimed Ribeirão Preto e Comprovante de Pagamento de Títulos, de fls. 32. Os documentos acostados não comprovam que o ônus do pagamento das despesas médicas glosadas foi do Impugnante. Os comprovantes de pagamento não trazem qualquer informação que indique que o Impugnante arcou com o pagamento das despesas médicas glosadas, motivo pelo qual, a glosa deve ser mantida. Observase pelos documentos apresentados e da consulta aos sistemas da RFB que a empresa Brenno Augusto Spinelli Martins Me está ativa. Instruindo seu recurso, o Recorrente junta declaração firmada pela Unimed na qual apenas noticia o adimplemento das mensalidades do contrato de Prestação de Assistência à Saúde firmado com a referida empresa individual. Ao contrário do que alega o Recorrente o fato do adimplemento das mensalidades contratadas pela empresa individual e eventual inatividade desta não significa necessariamente que o contribuinte, pessoa física, tenha efetivamente arcado com as despesas médicas glosadas. Nos termos do inciso II do § 2º do art. 8º da Lei nº. 9.250/1995, a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Portanto, dos documentos acostados aos autos pelo Recorrente não se consegue evidenciar que o ônus do pagamento das despesas médicas glosadas foi do Recorrente. Finalmente, observese que quanto à Lei Complementar nº 123, de 2006, e alterações, citada pelo Recorrente, por definir a responsabilidade solidária do titular em relação aos fatos geradores advindos das relações tributárias e trabalhistas, não se estender às relações fora desse âmbito ocasionadas em razão do contrato firmado pela empresa individual com a Unimed. Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15586.000736/2010-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional - CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33%, ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Ausente momentaneamente o conselheiro Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário Nacional - CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000736/201000 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101002.680 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CENTRO EDUCACIONAL CASA DO ESTUDANTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 36 /2 01 0- 00 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33%, ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Ausente momentaneamente o conselheiro Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000736/201000 Acórdão n.º 1101002.680 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório Na forma do Relatório Fiscal de fls. 32, tratase de crédito lançado pela fiscalização referente a contribuições devidas à Seguridade Social correspondente à parte dos segurados no período 01/2006 a 12/2007. Constituem os fatos geradores as remunerações pagas pela empresa autuada aos segurados empregados ( planilha anexada), aos contribuintes individuais empresários e trabalhadores autônomos, assim como os serviços de fretes realizados pelo sr. Freancisco Fagundes do Nascimento, e pagamentos à Cooperativa de Trabalho UNIMED, não declarados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. que constituíram, os seguintes Levantamentos: CI 1 Contribuinte Individual ; FP 1 Folha de Pagamento; Pl 1 Pro Labore ; e TE 1 Transporte de Estudantes. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada a empresa apresentou impugnação de fls. 78 onde em apertada síntese alegou que: O auto de Infração não obedece os requisitos formais; e que se a descrição fática não delineia adequadamente o Auto de Infração , nulo estará o mesmo. DA APENSAÇÃO O presente foi juntado por apensação ao processo principal de n°15586.000733/201068 . DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 11ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1 ( RJ) DRJ/ RJ 1, em 17 de março de 2001, exarou Acórdão de n°1236.181, fls.124, negando provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. Fls.257, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000736/201000 Acórdão n.º 1101002.680 S1C1T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO. De plano , ressaltese que juntado por apensação ao processo principal de n°15586.000733/201068, uma vez derivado e vinculado por conexão àquele, a decisão do julgamento daquele aproveita este. DA MULTA Na forma do Relatório de Fundamentos Legais FLD de fls. 115, item 701, registra que a multa foi aplicada observando o comando do art. 35A com a redação dada pela Medida provisória 449, de 2008 , convertida na Lei n 11.941/2009. DO ART. 144 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN Conforme o comando do art. 144 do Código tributário Nacional CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, verbis: " Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido." À época dos fatos geradores , período 01/2006 a 12/2007, para aplicação das multas em comento vigiam os incisos I, II e III do alterado art. 35 da Lei n 8.212/91. A Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 alteração supra ocorreu em razão da nova redação para o art. 35, que, nas hipóteses de inadimplência com a União, decorrentes das contribuições sociais em tela prevê aplicação de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 verbis; "Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei ° 11.941, de 2009) " DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÍGNA Muito embora às fls, 33 a Autoridade autuante registre que teria aplicado o Principio da Retroatividade Benígna para aplicação das multas, na prática isto não se consolidou posto que impuseramse o comando do art. 35A com percentual de 75% do valor do principal. A planilha de cálculos colacionada às fls 37, mesmo que não tendo sido aludida a Portaria Conjunta PGFN/RFB Nº 14/2009 de 04 de dezembro de 2009, aduz que o procedimento praticado pela Autoridade autuante teve suporte nesta. Sobre o referido procedimento ressalto que meu entendimento não tem assento pacificado neste e. Colegiado posto que ilustres pares ecoam vozes dissonantes por entenderem correto o cálculos feitos à semelhança do ora em comento. Entretanto, salvo o contido na Portaria supra e na Instrução Normativa SRF nº 1.027, de 22/04/2010, não há, efetivamente, nenhum comando específico determinado por Lei ou Decreto para que se proceda os cálculos da forma implementada. MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106, II, "c" do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000736/201000 Acórdão n.º 1101002.680 S1C1T1 Fl. 5 7 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do valor se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” Apreciado nesta mesma sessão de julgamento, o Recurso Voluntário interposto para o sobredito processo principal logrou provimento parcial com atenuação da multa. Assim, em razão da conexão, mesmo resultado se observa ao caso em comento. CONCLUSÃO De tudo que foi exposto, conheço do recurso, para NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando que se proceda ao recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11080.722992/2013-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2009 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DAS COOPERATIVAS. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCURSSÃO GERAL RECONHECIDA.
Em face do reconhecimento da inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, deve ser afastado do presente auto de infração em fustigo os lançamentos que tiveram como fundamento os valores a título de contribuição previdenciária, a cargo das cooperativas, no percentual de 15% do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2302-003.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCURSSÃO GERAL RECONHECIDA. Em face do reconhecimento da inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, deve ser afastado do presente auto de infração em fustigo os lançamentos que tiveram como fundamento os valores a título de contribuição previdenciária, a cargo das cooperativas, no percentual de 15% do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 29 92 /2 01 3- 26 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 2 Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 51.035.6990, consolidado em 22/10/2010, em face da ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS DA CRT AACRT, no valor total de R$ 5.094.702,92 (cinco milhões noventa e quatro mil setecentos e dois mil reais e noventa e dois centavos)referente às contribuições previdenciárias sobre remunerações pagas a cooperados da Unimed Porto Alegre, que prestaram serviços à entidade,no período de 01/2009 a 12/2010. Segundo relatório fiscal, a entidade ora Recorrentequedouse inertequanto ao adimplemento das respectivas obrigações tributárias, ou seja, o não recolhimento da contribuição previdenciária relativamente a serviçosprestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, epela omissão, nas GFIPs apresentadas no período fiscalizado, os pagamentos efetuados a profissionais da Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico LTDA., cooperativas de trabalho – Unimed. Apresentada impugnação pela entidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG entendeu por manter o crédito tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 INCONSTITUCIONALIDADE. COOPERATIVA DE TRABALHO.BASE DE CÁLCULO. É vedado o afastamento de legislação por inconstitucionalidade em sedeadministrativa. A base de cálculo quando da prestação de serviços por cooperados atravésde cooperativas de trabalho é o seu valor determinado em nota fiscal oufatura. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 11080.722992/201326 Acórdão n.º 2302003.615 S2C3T2 Fl. 3 3 a) preliminarmente, que o processo deve ser sobrestado até que o STF julgue ação, que tem como cerne a análise da constitucionalidade do art. 22, da Lei 8.212/91, em que foi reconhecida a repercussão geral; b) no mérito, após discorrer acerca da possibilidade dessa Corte analisar a constitucionalidade de normas jurídicas, pugnou pela improcedência da ação fiscal em tela, fundamentando o pleito na inconstitucionalidade formal e material do dispositivo legal utilizado como base da autuação; c) que o NFLD é nulo por desconsiderar os termos do art. 291, I, A, da Instrução Normativa 03/2005, que limita a base de cálculo da contribuição em fustigo ao percentual de 30% do valor bruto das cobranças; Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito Da inconstitucionalidade Alega o contribuinte ser inconstitucional o inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876/99, visto que instituiu a contribuição previdenciária, a cargo das cooperativas, no percentual de15% do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados a título de remuneração ou retribuição pelos serviços queprestem a pessoas jurídicas por intermédio delas. De proêmio, cabe esclarecer que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 4 a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou a inconstitucionalidadedo inciso IV, do art. 32, da Lei nº 8.212/91, em sede de apreciação de Recurso Repetitivo RE595838 ,nos termos abaixo transcritos: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. De fato, a redação do inciso declarado inconstitucional subverte a regra matriz de incidência da contribuição previdenciária, prevista no art. 195, I, da Lei Maior, ao eleger o tomador do serviço como sujeito passivo da obrigação, desconsiderando a existência Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 11080.722992/201326 Acórdão n.º 2302003.615 S2C3T2 Fl. 4 5 da relação jurídica contratualmente firmada com a cooperativa, como se o prestador de serviço cooperado fosse uma pessoa física genuinamente autônoma. Em verdade, nesse tipo derelação contratual,acooperativaé a contratada como prestadora do serviço, e ninguém mais. Destarte,ainda que a concretização dos serviços contratados seja viabilizada pelos cooperados, estes, apenas mantêm vínculo jurídicocom a cooperativa, conforme dispõe ainteligência da Lei nº 5.764/71: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Outrossim, como bem obtempera Andrei Pitten Velloso, ao comentar o artigo em vergaste, em Constituição Tributária Interpretada, p. 585, “somente podem ser tributadas as remunerações pagas a pessoas físicas que prestem serviço aos empregadores, às empresas ou às entidades que lhes são equiparadas. As remunerações pagas a pessoas jurídicas, mesmo decorrentes de prestação de serviços, não estão sujeitas à incidência da contribuição do art. 195, I, a”. Em vista disso, é defeso ignorar a natureza jurídica da sociedade cooperativa, assim como deturpar os aspectos individuais dos contratos convencionados, a fim de tributar fatos que não se adequam a materialidade do tributo, consoante preconiza o art. 110, do Codex Tributário. Convém salientar, que a melhor doutrina ratifica este entendimento, como se vê pela transcrição abaixo: Sobre o equívoco de se dar prevalência a argumentos de ordem meramente prática ou de conveniência: “A conjugação desses fatores conduz à prevalência dos argumentos lingüísticos e sistemáticos sobre os meramente práticos. Essas regras de prevalência são decisivas para a interpretação dos limites à instituição de contribuições. Isso porque estabelecem que argumentos meramente práticos, como são os argumentos relacionados à necessidade de aumentar a arrecadação ou à importância do financiamento da saúde, não poderão prevalecer sobre os argumentos lingüísticos e sistemáticos, como são aqueles que se deixam reconduzir à estrutura do Sistema Tributário Nacional e às regras de competência.” (ÁVILA, Humberto. Sistema Constitucional Tributário. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 161) Desse modo, inarredável a conclusão de que o inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91, não encontra fundamento de validade nas competências específicas do art. 195, Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 6 incisos I ao IV, da CF/88, levando a conclusão insofismável de que é flagrantemente inconstitucional. No caso dos autos, verificase que a autuação decorreu do inadimplemento das respectivas obrigações tributárias, ou seja, o não recolhimento da contribuição previdenciária relativamente a serviços prestados por cooperativas de trabalho, exatamente a hipótese tratada no RE595838. Portanto, diante da citada declaração de inconstitucionalidade, deve ser afastado do presente auto de infração em fustigo os lançamentos que tiveram como fundamento legal o dispositivo em vergaste. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recursovoluntário, para, no mérito,DAR LHE PROVIMENTO, cancelando o lançamento fiscal contido no DEBCAD nº 51.035.6990. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2015.10 de fevereiro de 2015 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Numero do processo: 10680.001293/2003-45
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Voluntário interposto, cujo eventual provimento resultaria na desconsideração de homologação parcial de compensação já procedida nos autos e na consequente cobrança integral do débito indevidamente compensado (reformatio in pejus).
Numero da decisão: 1803-002.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em face do princípio da non reformatio in pejus, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Voluntário interposto, cujo eventual provimento resultaria na desconsideração de homologação parcial de compensação já procedida nos autos e na consequente cobrança integral do débito indevidamente compensado (reformatio in pejus). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 12 93 /2 00 3- 45 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 302 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em face do princípio da non reformatio in pejus, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Arthur José André Neto. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 303 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte objeto deste processo (fls. 170 a 175): O contribuinte acima identificado apresentou diversas PERDCOMP’s, utilizandose de “pagamentos indevidos ou a maior”, mediante a indicação de diversos DARF’s destinados ao pagamento de IRPJ e CSLL, apurados no ano calendário de 1998. A somatória dos créditos utilizados e dos débitos compensados importa em R$ 445.736,85. 2. Considerando o inciso II do art. 1º e o art. 3º da Portaria RFB nº 666, de 2008, e a origem do crédito utilizada nas DCOMP’s cadastradas nos processos nº 10680.002921/200318 e 10680.004068/200361, estes foram “juntados por anexação” a este, e serão analisados conjuntamente. 3. Os documentos apresentados pelo contribuinte, sinteticamente: Débitos compensados Data Crédito utilizado Origem Receita PA Vencimento Valor Soma débitos Observações Processo 10680.001293/200345 31/01/2003 R$ 127.684,51 Pagto Indevido/a maior 2484 31/12/2002 30/01/2003 R$ 127.684,51 R$ 127.684,51 Retificada pela posterior 17/10/2003 R$ 103.893,96 Pagto Indevido/a maior 2484 31/12/2002 31/03/2003 R$ 103.893,96 R$ 103.893,96 Fl. 18 Processo 10680.002921/200318 28/02/2003 R$ 1.960,47 Pagto Indevido/a maior 2484 31/01/2003 28/02/2003 R$ 1.960,47 R$ 1.960,47 Fl. 75 Processo 10680.004068/200361 29/03/2003 R$ 29.116,33 Pagto Indevido/a maior 2484 28/02/2003 31/03/2003 R$ 3.052,26 2362 28/02/2003 31/03/2003 R$ 26.064,07 R$ 29.116,33 Fl. 107 APRECIAÇÃO DA DRF/BELO HORIZONTEMG 4. Em análise aos documentos protocolizados pelo contribuinte, a DRF/Belo HorizonteMG emitiu, aos 18/12/2007, o Despacho Decisório anexado às fls. 20 a 27, de onde se transcreve: “Após análise mais apurada do processo e dos documentos que dele constam, constatamos que, na realidade, o contribuinte fez, num só pedido/processo, a compensação de vários débitos com créditos oriundos de SALDO NEGATIVO DE IRPJ AC 1998 E SALDO NEGATIVO DE CSLL AC 1998. Assim, apresentaremos nosso trabalho discriminando os saldos negativos apurados de IRPJ e CSLL – ano calendário de 1998”. 4.1 A DRF considerou os créditos utilizados nas DCOMP’s como decorrentes do “Saldo Negativo de IRPJ” e “Saldo Negativo de CSLL” apurado em 1998, uma vez que os DARF’s discriminados pelo contribuinte são destinados ao pagamento das estimativas mensais apuradas naquele período. Neste contexto, diante dos diversos documentos protocolizados pelo contribuinte, operacionalmente, considerou: Fl. 582DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 304 4 Este processo – 10680.001293/200345: análise das DCOMP’s mediante a utilização de “saldo negativo de CSLL” apurado no anocalendário de 1998. Processo 10680.017927/200209: análise das DCOMP’s mediante a utilização de “saldo negativo de IRPJ” apurado no anocalendário de 1998. 4.2 Quanto à análise do crédito referente ao “Saldo Negativo de CSLL”, AC 1998, assim se pronunciou: “O presente saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 94.803,45 (...), se constitui basicamente de pagamentos efetuados mediante DARF, aí incluídos os pagamentos a maior ou indevidos, valores estes devidamente comprovados”. Acrescenta ainda: “Efetuamos a glosa dos Darf’s – 2484 – de R$ 66,83 e R$ 690,81, por não encontrarmos em nossos sistemas tais pagamentos”. Neste contexto, a DRF reconheceu ao contribuinte o “Saldo Negativo de CSLL” no valor de R$ 94.045,81. Contudo, apurou que parte do direito de crédito apurado, no valor de R$ 22.832,26, já foi utilizada pelo contribuinte em compensações espontâneas, efetuadas através de informações em DIPJ/DCTF. Assim sendo, reconheceu, como disponível para utilização em DCOMP, o “saldo negativo de CSLL” no valor de R$ 73.520,59. 4.3 Concluindo, a DRF reconhece ao contribuinte o direito à utilização do crédito no valor de R$ 73.520,59, a título de “Saldo Negativo de CSLL”, AC 1998, e a inexistência do “Saldo Negativo de IRPJ” para o mesmo período, homologando parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte. 5. Considerando o direito de crédito reconhecido como utilizável em DCOMP (Saldo Negativo de CSLL – AC 1998 R$ 73.520,59), e as DCOMP’s cadastradas neste processo, a DRF assim decidiu: Data DCOMP Receita PA Vencimento Valor Resultado Saldo devedor 17/10/2003 2484 31/12/2002 31/03/2003 R$ 103.893,96 HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL R$ 0,00 28/02/2003 2484 31/01/2003 28/02/2003 R$ 1.960,47 HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL R$ 0,00 29/03/2003 2484 28/02/2003 31/03/2003 R$ 3.052,26 HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL R$ 0,00 29/03/2003 2362 28/02/2003 31/03/2003 R$ 26.064,07 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL R$ 6.577,77 O contribuinte foi cientificado da Decisão prolatada pela DRF em 22/12/2007, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 145. Em resposta, o contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade aos 22/01/2008, anexada às fls. 48 a 73, onde, em síntese, argumenta: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 6.1 Menciona inicialmente a tempestividade da manifestação e a aplicação dos seus argumentos aos processos 10680.001293/200345, 10680.002921/200318, 10680.017927/200209 e 10680.004068/200361. 6.2 Propugna pela suspensão da exigibilidade dos débitos constantes dos “Avisos de Cobrança”, buscando amparo na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e no art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN (Código Tributário Nacional). Fl. 583DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 305 5 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 6.3 Pleiteia a nulidade do Despacho Decisório nº 1.824, de 2007, prolatado pela DRF/Belo HorizonteMG, argumentando que este “não se encontra suportado com os devidos documentos que comprovam a origem de parte das glosas que menciona”. Ratifica suas alegações nos seguintes termos: “A recorrente entende que o Despacho decisório emitido pela Autoridade Fiscal deveria ser claro e preciso, demonstrando o valor do crédito tributário cobrado e, consequentemente, a conexão entre a conclusão e sua fundamentação”. Exemplifica a “falta de clareza e conexão”: 6.3.1 Transcreve o demonstrativo elaborado pela DRF, alegando que “O valor demonstrado pela Autoridade Fiscal apresentase incorreto, uma vez que o resultado apresentado pela soma dos valores devidos, subtraído das deduções, deveria ter gerado um saldo devedor de imposto de renda a pagar de R$ 12.225,05 (...) e não um saldo negativo de IRPJ, para o anocalendário de 1998, no valor de R$ 12.225,15”. Apresenta planilha demonstrativa para amparar suas alegações. Acrescenta: “Como não foram exibidos os documentos que embasam o saldo negativo de IRPJ demonstrado pela Autoridade Fiscal e diante da incorreção no demonstrativo que, por sua vez, não pode se limitar apenas ao referido quadro, verificase que ocorreu o cerceamento de defesa do contribuinte.” 6.3.2 Quanto à validação das estimativas mensais compensadas com o saldo negativo de 1997, o manifestante argumenta: “Apesar da Autoridade Fiscal mencionar em sua conclusão as “fls. 159/161”, em nenhum momento ficou demonstrado no Despacho Decisório e nas Cartas de Cobrança, a justificativa da glosa no montante de R$ 96.321,46”. 6.4 Acerca das suas alegações de nulidade, conclui: “Tendo em vista o cerceamento de defesa do contribuinte acima demonstrado, a recorrente exige a declaração de nulidade do Despacho Decisório e, consequentemente, das Cartas de Cobrança (Notificações de Lançamento), uma vez que estas se baseiam nas informações contidas no referido Despacho Decisório”. 6.5 O manifestante identifica as compensações homologadas, as compensações não homologadas e informa que o valor original constante das cartas de cobrança importa em R$ 445.649,93 que, acrescido da multa de 20% e dos juros de mora atualizados até 28/12/2007, alcança a importância de R$ 870.336,39. SALDO NEGATIVO DE IRPJ – ANOCALENDÁRIO 1998 [...]. SALDO NEGATIVO DE PERÍODOS ANTERIORES [...]. DOS TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA [...]. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 306 6 DA GLOSA DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR [...]. SALDO NEGATIVO DE CSLL 6.7 A Autoridade Fiscal reconheceu, como saldo negativo original de CSLL, referente ao anocalendário de 1998, o montante de R$ 94.045,81 (...), desconsiderando o saldo informado pela recorrente na DIPJ retificadora, no valor de R$ 94.803,45. A glosa de R$ 757,64 é decorrente da não localização do recolhimento correspondente. 6.8 O impugnante argumenta que os recolhimentos foram efetuados, discriminando os valores recolhidos, destinados aos meses de setembro/98 e dezembro/98. Neste contexto, propugna pelo reconhecimento da importância de R$ 94.803,45. DOS PEDIDOS 6.9 Tendo em vista os argumentos acima, enfim pleiteia: a) O recebimento da manifestação de inconformidade com efeito suspensivo. b) A Nulidade do Despacho Decisório e das Cartas de Cobrança, as quais atribui o título de “Notificações de Lançamento”. [...]. f) A validação do saldo negativo de CSLL pelo valor de R$ 94.803,45. g) O cancelamento das cartas de cobrança, no valor total de R$ 870.336,39. 7. Para dar suporte às suas alegações, apresenta diversos documentos, anexados ao processo 10680.017927/200209. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 168): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Compensação Homologada em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 02/07/2008 (fls. 193), a tempo, em 01/08/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 194 a 208, instruído com os documentos de fls. 211 a 294, nele argumentando, em síntese: a) que a decisão recorrida está a merecer reforma; Fl. 585DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 307 7 b) que os procedimentos adotados pela autoridade fiscal não refletem a realidade dos fatos; c) que a Recorrente utilizouse de crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ/1998 para extinguir o débito ainda em aberto, e não da CSLL; d) que a decisão recorrida reconheceu exatamente o valor informado pela Recorrente, de Saldo Negativo de CSLL — AC 1998, qual seja, R$ 94.803,45; e) que, além disso, reconheceu a importância de R$ 757,64, referente aos pagamentos então efetuados que, num primeiro momento, não foram localizados pela autoridade fiscal (R$ 66,83 + R$ 690,81); f) que, portanto, quanto ao crédito da Recorrente, acertou a autoridade julgadora em suas conclusões; g) que o que está a merecer reforma é o valor apropriado pela autoridade fiscal na compensação dos débitos tributários, em especial, do IRPJ relativo ao mês de fevereiro de 2003, no valor de R$ 26.064,07; h) que a Recorrente, para extinguir o mencionado débito de IRPJ, utilizouse do crédito oriundo do Saldo Negativo de IRPJ — AC 1998, e não do Saldo Negativo de CSLL, como quer acreditar a decisão recorrida; i) que já se afirmou que a Recorrente formalizou, num só pedido, a compensação de vários débitos mediante a utilização de Saldos Negativos de IRPJ e de CSLL, apurado em 1998; j) que, diante disso, a DRF/Belo Horizonte desmembrou os processos para analisar, separadamente, a compensação de tais créditos; k) que, ao adotar esse procedimento, a autoridade fiscal imputou ao processo nº 10680.004068/200361 [juntado por anexação a este], incorretamente, a compensação do IRPJ de fevereiro/2003; l) que, nesse processo, a única compensação registrada é relativa à contribuição da CSLL do mês de fevereiro/2003, no valor de R$ 3.052,26; m) que, repisese, a Recorrente não se utilizou de crédito de Saldo Negativo da CSLL para extinguir o débito do IRPJ; n) que, conforme se vê da planilha anexa, o crédito de Saldo Negativo de CSLL de 1998 foi suficiente para quitar os débitos informados nas DCOMPs correspondentes; o) que, ressaltese, por derradeiro, que, ao crédito da Recorrente foi aplicado índice de atualização pela taxa SELIC até o mês anterior ao vencimento dos débitos, acrescida de 1% no mês do vencimento (art. 39, § 4º, da Lei Fl. 586DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 308 8 nº 9.250/95), direito inconteste e reconhecido em nossa jurisprudência pátria; p) que, à evidência, não há falar em insuficiência capaz de gerar saldo devedor de tributo; q) que o equívoco é evidente; r) que decaiu o direito de a Fazenda rever a apuração da CSLL do ano calendário de 1998; s) que, não obstante tenha a decisão recorrida acatado o valor informado pela Recorrente, certo é que o Fisco pretende rever o saldo negativo de períodos anteriores, especificamente do anocalendário de 1998, o que lhe é defeso por se tratar de períodos alcançados pela decadência; t) que, atingido o termo final do prazo decadencial relativo à CSLL de 1998, o Fisco homologou tacitamente o saldo negativo correspondente; u) que, impossibilitado de autuar a Recorrente relativamente àquele ano, igualmente tomase impossível a contestação dos pagamentos de CSLL relativos ao mesmo período; v) que, pelos motivos aduzidos, a Recorrente se insurge contra a revisão do saldo negativo de CSLL, eis que carece de amparo legal; w) que traz à colação excertos do processo nº 10680.017927/200209 e dos documentos acostados naqueles autos, os quais demonstram a origem dos créditos utilizados; x) que o débito relativo ao IRPJ de fevereiro/2003, discutido nestes autos, compõe a planilha de compensações mediante utilização do crédito de IRPJ/1998, analisado no processo nº 10680.017927/200209; y) que, a prevalecer a decisão recorrida, estaríamos efetuando o pagamento do IRPJ relativo a fevereiro/2003 duas vezes, o que seria absoluto absurdo; e z) que, por oportuno, a Recorrente esclarece que o saldo negativo da CSLL de 1998 também foi objeto de questionamento nos autos do processo nº 10680.900056/200873, eis que a Recorrente compensou, por meio da PER/DCOMP nº 34376.5.4829.141103.1.3.044761, e utilizandose do saldo negativo da CSLL, parte da contribuição do PIS — período de apuração out/2003, no exato valor de R$ 21.316,37, conforme demonstrado na planilha ora juntada. Em mesa para julgamento. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 309 9 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator 4. Relativamente às declarações de compensação cujo direito creditório pleiteado se referiu a “pagamentos indevidos ou a maior de CSLL”, considerados pela DRF de origem como decorrentes de “saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998”, o único pedido da Recorrente, em sua manifestação de inconformidade, foi, no mérito, no sentido de que não fosse mantida a glosa dos Darf’s – 2484 – de R$ 66,83 e R$ 690,81, por não encontrados nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) tais pagamentos. 5. Confirase (fls. 68 a 70): 4.4. DO SALDO NEGATIVO DE CSLL [...]. A Recorrente requer que sejam reconhecidos os recolhimentos a título de CSLL das competências setembro de 1998 e dezembro de 1998, nos valores de R$ 66,83 (sessenta e seis reais e oitenta e três centavos) e R$ 690,81 (seiscentos e noventa reais e oitenta e um centavos), respectivamente, de forma que seja recomposta a base de cálculo negativa de CSLL, referente ao anocalendário de 1998, informado pela recorrente em sua DIPJ/99, no valor total de R$ 94.803,45 (noventa e quatro mil, oitocentos e três reais e quarenta e cinco centavos). [...]. 5. DOS PEDIDOS Por todo o exposto e pelas razões de fato e de direito apresentadas nesta peça, concluise pela improcedência e inexatidão do Despacho Decisório e da Carta de Cobrança. Diante do exposto, requer a Recorrente: [...]. f) Em relação ao Saldo Negativo de CSLL que: (i) sejam reconhecidos os recolhimentos a título de CSLL das competências setembro de 1998 e dezembro de 1998, nos valores de R$ 66,83 (sessenta e seis reais e oitenta e três centavos) e R$ 690,81 (seiscentos e noventa reais e oitenta e um centavos), respectivamente, de forma que seja recomposta a base de cálculo negativa de C5LL, referente ao anocalendário de 1998, informado pela recorrente em sua DIPJ/99, no valor total de R$ 94.803,45 (noventa e quatro mil, oitocentos e três reais e quarenta e cinco centavos). 6. A esse respeito, assim decidiu a decisão recorrida (fls. 183): Fl. 588DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 310 10 43. [...]. Verificando o “extrato do contribuinte” às fls. 161 a 163, confirmase o efetivo pagamento dos DARF’s apresentados pelo contribuinte na impugnação, destinados à CSLL apurada no decorrer do anocalendário de 1998. Desta feita, também devem integrar a apuração do saldo negativo de CSLL do período os seguintes pagamentos: PA Vencimento Pagamento Principal recolhido 31/12/98 31/01/99 31/03/00 R$ 690,81 30/09/98 30/10/98 31/07/02 R$ 66,83 SSoommaa RR$$ 775577,,6644 44. Recompondo o Saldo Negativo de CSLL – AC 1998, temse: CSLL Ajuste Anual DIPJ DRJ Total CSLL a pagar R$ 257.076,83 R$ 257.076,83 Estimativa mensal R$ 257.076,83 Pagamentos R$ 351.206,19 R$ 94.803,45 (R$ 350.448,55 R$ 256.402,74 + R$ 757,64) Compensações Saldo Negativo de Períodos Anteriores R$ 674,09 Saldo de CSLL a pagar R$ 94.803,45 R$ 94.803,45 Ou seja, computandose os DARF’s apresentados pelo contribuinte na impugnação, chegase ao mesmo saldo negativo de CSLL apurado pelo contribuinte em sua DIPJ 45. Entretanto, tal como mencionado pela DRF, o contribuinte já utilizou parte do crédito apurado em compensações espontâneas efetuadas através da informação em DIPJ/DCTF, nos moldes do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e IN SRF nº 21, de 1997. Este fato não foi contestado pelo impugnante em sua manifestação. 7. Assim, resta sem objeto a alegada decadência do direito de a Fazenda rever a apuração da CSLL do anocalendário de 1998 e o respectivo saldo negativo. 8. Já em seu Recurso Voluntário, insurgese a Recorrente contra a vinculação feita entre o saldo negativo de CSLL apurado e integralmente reconhecido pela DRF e o débito de estimativa de IRPJ relativo ao mês de fevereiro de 2003, no valor de R$ 26.064,07. 9. Afirma que, para extinguir o mencionado débito de IRPJ, utilizouse do crédito oriundo do Saldo Negativo de IRPJ — AC 1998, e não do Saldo Negativo de CSLL do mesmo anocalendário. 10. É esse o seu pedido final (fls. 207): Por todo o exposto, pede a Recorrente a procedência do presente recurso, a fim de que seja homologada a compensação do IRPJ de fevereiro de 2003, no valor de R$ 26.064,07, mediante utilização do crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ/1998, com a consequente insubsistência da carta de cobrança profligada e extinção do crédito nela consubstanciada. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 311 11 11. Conforme se verifica da Declaração de Compensação de fls. 107 e da planilha a ela anexada, de fls. 110, procede a irresignação da Recorrente. 12. Contudo, no processo nº 10680.017927/200209, não foi reconhecido qualquer direito creditório à Recorrente, no que se refere ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1998, conforme Acórdão nº 140100.686, de 23 de outubro de 2011, prolatado pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento. 13. Também, no referido processo, não está sendo cobrado o apontado valor de R$ 26.064,07 de IRPJ, mas apenas valores relativos a IRRF, IPI, Cofins e Pis, conforme constou da própria manifestação de inconformidade da Recorrente (fls. 56 e 57): 14. Dessa forma, o eventual provimento do Recurso Voluntário ora interposto resultaria, em última análise, na cobrança integral do débito de estimativa de IRPJ no valor de R$ 26.064,07, pela desconsideração de sua homologação parcial, já procedida nestes autos, que o reduziu a R$ 6.577,77, antes da decisão recorrida, e a R$ 5.244,93, depois desta (fls. 135 e 187, respectivamente): Fl. 590DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10680.001293/200345 Acórdão n.º 1803002.521 S1TE03 Fl. 312 12 15. Por conseguinte, não deve ser conhecido o presente Recurso Voluntário, sob pena de se proceder a uma reformatio in pejus. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, em face do princípio da non reformatio in pejus. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 591DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 13/02/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 11516.008502/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543-C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1ª Seção, no REsp n.º 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-003.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nubia Matos Moura - Presidente Substituta.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2316; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 146 1 145 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.008502/200851 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.265 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente CLAUDIO MOITA RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1ª Seção, no REsp n.º 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 85 02 /2 00 8- 51 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 2 (Assinado digitalmente) Nubia Matos Moura Presidente Substituta. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, João Bellini Junior, Dayse Fernandes Leite, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Livia Vilas Boas e Silva. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento lavrada em 29/09/2008 (fls. 21/24), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao anocalendário 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 13.580,62, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 30/09/2008. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” à fl. 22, o Fisco apurou Omissão de Rendimentos Recebidos de Organismo Internacional (UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 01/18), alegando em síntese, o que segue: Diz que os organismos internacionais vinculados à ONU podem contratar profissionais como servidores, para integrar as denominadas equipes permanentes, ou como prestadores de serviços autônomos. Afirma que “os servidores das equipes permanentes, como o impugnante, têm seus rendimentos pagos com recursos da ONU e estão sujeitos às normas e aos procedimentos estabelecidos pela UNESCO/ONU, sendo, também, atingidos por prerrogativas e privilégios previstos nas Convenções e Acordos firmados pelos Estados Membros”. Assevera que os comprovantes de pagamento reproduzidos às fls. 40 a 50 demonstram que o impugnante é servidor do quadro da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. Ressalta que “a vigência dos tratados ou convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário está assegurada pelo preceito contido no §2º, do art. 5º da Constituição Federal, o qual determina que as leis brasileiras não podem contrariar as normas neles contidas”. Lembra que o Código Tributário Nacional dispõe, no seu art. 98, que “os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária, e serão observados pela que lhes sobrevenha”. Aduz que o “Artigo V – Funcionários , Seção 18” da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, “promulgada pelo Dec. nº 27.784/50”, determina que os funcionários da ONU serão isentos de qualquer imposto sobre salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11516.008502/200851 Acórdão n.º 2102003.265 S2C1T2 Fl. 147 3 Diz que “em relação aos servidores da UNESCO, aplicamse as disposições da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nº 52.288/63”, que seguem “a mesma linha da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, inclusive quanto à isenção de tributos”. Assevera que “Artigo 6º Funcionários, 19ª Seção” desta convenção dispõe que “gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as de que gozam os funcionários das Nações Unidas”. Afirma que “as relações entre o Brasil e organismo internacional no campo da cooperação técnica são reguladas pelas disposições contidas no Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica’, promulgada pelo Decreto nº 59.308/1966 e incorporado ao direito positivo interno”. Transcreve os itens 1 e 2 do artigo V e o item 6 do artigo I do referido Acordo Básico. Argumenta que o mencionado Acordo Básico “não estabelece distinções entre os diversos servidores do organismo internacional, estendendo a todos os benefícios nele previstos (perito, agente e funcionários)”. Sustenta que quando o referido Acordo Básico se refere à mãodeobra diversa da contratada pelo organismo internacional “o faz de forma clara, como se extrai do item 3, do artigo IV, que trata das ‘Obrigações Administrativas e Financeiras do Governo’”. Lembra que o inciso II, do artigo 22, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), determina que estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho percebidos por “servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção”. Assevera que resta evidente que no presente caso se aplica a isenção prevista no inciso II, do artigo 22, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), pois, “como reconhece a autoridade lançadora, o impugnante recebe rendimentos pagos por organismo internacional e os contracheques trazidos aos autos comprovam ser ele servidor da UNESCO”. Ressalta que “as orientações emanadas da Secretaria da Receita Federal, seja por meio de Pareceres CST seja pelas ‘PERGUNTAS E RESPOSTAS’, disponível no site daquela Secretaria, são no sentido de que somente os rendimentos decorrentes de prestação de serviço AUTÔNOMO – remunerado por tarefa ou por hora – são tributados pelo IR”. Diz que mesmo que se adotasse o absurdo entendimento no sentido de que somente os funcionários do quadro efetivo de organismo internacional fazem jus ao benefício da isenção tributária, também deveria ser reconhecido o direito do Impugnante à isenção, visto que possui vínculo laboral com a UNESCO. Afirma que a relação jurídica celebrada entre o Impugnante e a UNESCO “implica existência de vínculo jurídicolaboral, porquanto presentes os requisitos que caracterizam a existência de contrato de trabalho”. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 4 Sustenta que jamais poderia prevalecer o entendimento de que não haveria relação de emprego entre o Impugnante e a UNESCO, visto que existia subordinação hierárquica na prestação dos serviços. Aduz que “exercia seus serviços sempre com a chancela de direção ou comando” da UNESCO. Assevera que “como servidor do organismo internacional, o impugnante aufere regularmente salários e está sujeito às normas contratuais específicas estipuladas pela UNESCO, que não se subsumem à lei brasileira trabalhista e à previdenciária”. Diz que suas férias “são de dois dias a cada trinta dias trabalhados, podendo ser acumulados em 24 dias no ano”, que não há pagamento de 13º salário e que sofre desconto compulsório de seguro de vida. Alega que “os documentos trazidos aos autos comprovam o vínculo laboral com a UNESCO, com o exercício de função específica – CONSULTOR TÉCNICO – não podendo se cogitar de prestação de mero serviço autônomo”. Argumenta que não se pode alegar que o nome do Impugnante teria que constar em relação entregue à Receita Federal na forma do anexo II da Instrução Normativa SRF nº 208/2002, já que a isenção do IR está prevista em normas legais superiores que não podem ser afrontadas por obrigações acessórias constantes em simples instrução normativa. Afirma que são os fatos, e não a vontade dos sujeitos ativo e passivo, que vão determinar a tributação ou a isenção dos rendimentos recebidos, pois a incidência da tributação ou o seu afastamento por meio da isenção decorrem da reprodução, no mundo fenomênico, da hipótese abstrata prevista em lei. Argumenta que tanto é assim, que a normatização do art. 123 do CTN é no sentido de que, com exceção das situações em que há expressa disposição em lei, o que não é o caso, “as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes”. Sustenta que não é o contrato particular e, sim, a lei, que dispõe sobre quem deve arcar com o ônus tributário e se os rendimentos são ou não alcançados pela isenção e, ainda, se resta ou caracterizado o vínculo laboral. Aduz que os Conselhos de Contribuintes, em diversos julgados, já reconheceram a isenção de rendimentos recebidos de organismo internacional por “servidores brasileiros que nele desempenham função específica e tenham comprovado o vínculo laboral”. Argumenta que no momento em que a autoridade lançadora considerou que os rendimentos recebidos da UNESCO são tributáveis, deveria, de ofício, ter aplicado o desconto simplificado para fins de dedução na determinação da base de cálculo do imposto, pois, na oportunidade em que o Interessado entregou sua declaração de ajuste anual, “não era relevante a escolha do modelo de declaração que lhe seria mais favorável”, já que os referidos rendimentos foram declarados como não tributáveis. Requer, ao fim, sucessivamente: o cancelamento da notificação de lançamento; a aplicação do desconto simplificado na determinação da base de cálculo do imposto. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11516.008502/200851 Acórdão n.º 2102003.265 S2C1T2 Fl. 148 5 O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0725.897 da 5ª Turma da DRJ/FNS em 16/01/2012 (fl. 80). Sobreveio Recurso Voluntário em 25/01/2012 (fls. 81/95), o qual, em suma, ratificou as razões da impugnação. Em sessão realizada no dia 19 de fevereiro de 2014, esta turma entendeu por converter o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 2102000.179, a fim de verificar o cargo ocupado pelo recorrente, conforme voto excertos do voto transcritos abaixo: “[...] Examinando a divergência de entendimentos, tenho para mim que o deslinde da presente controvérsia depende da análise do Contrato de Serviço firmado entre o autuado e a UNESCO, que não consta dos autos, já que o STJ entendeu que os "peritos de assistência técnica" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, também estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Neste sentido, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que o interessado seja intimado a apresentar o(s) Contrato(s) de Serviço relativos ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006 com a fonte pagadora (UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, CNPJ nº 03.736.617/000168), esclarecendo o cargo/função ocupado pelo recorrente no referido período. [...] (Assinado digitalmente) Rubens Maurício Carvalho – Relator” Intimado da diligência em 23/04/2014 (fl. 101), o contribuinte acostou os documentos de fls. 102/141. Considerando que o Conselheiro Relator não é mais membro deste E. Conselho, os autos foram sorteados e distribuídos a esta relatora É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 6 O presente recurso se cinge à controvérsia da falta de declaração e da respectiva tributação dos rendimentos auferidos de Organismo Internacional pelo contribuinte no qual este alega que são isentos ou não tributáveis. Compulsando os autos, verificase que houve efetivamente omissão de rendimentos, ainda que estes sejam considerandos isentos e não tributáveis, isso porque, o contribuinte deveria ter informado na Declaração de Ajuste Anual os rendimentos recebidos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, o que não se vislumbra. Mesmo sendo os rendimentos isentos, como resta comprovado, o mesmo deveria ter sido declarado em campo próprio, na Declaração de Ajuste Anual, deixando de tomar tal providência, agiu com propriedade o Fisco. O requerimento de retificação da declaração de ajuste anual para fazer constar os valores recebidos do PNUD como não tributáveis, não pode ser deferido depois de efetuado o lançamento fiscal, tendo em vista a disposição expressa no §1º, do art. 7º, do Decreto 70.235/72, abaixo transcrito: "O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas". No entanto, em que pese o contribuinte tenha deixado de declarar os rendimentos, estes são isentos em decorrência do contribuinte ser técnico contratado como consultor por Organismo Internacional. No âmbito deste Egrégio Conselho, o entendimento prevalecente sempre foi no sentido de considerar tributáveis os rendimentos auferidos por técnicos, contratados no Brasil, a serviço das Nações Unidas, no âmbito do seu PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. De início, vejamos o que dispõe o artigo 5º da Lei nº 4.506, de 1964, reproduzido no art. 22 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999: “Art. 5º. Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: I Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; (grifei) III Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e III deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país.” Observese que a matéria de direito aqui versada foi submetida ao procedimento estabelecido no art. 75 do Regimento Interno deste Conselho, resultando na Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 11516.008502/200851 Acórdão n.º 2102003.265 S2C1T2 Fl. 149 7 edição da Súmula CARF nº 39, com efeito vinculante para toda a administração tributária federal (Portaria MF nº 383, de 12/07/2010): Súmula CARF nº 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Contudo, a Primeira Seção do STJ, em julgado submetido ao rito do art. 543 C do CPC (acórdão publicado em 07/11/2012), decidiu, por unanimidade, de forma contrária ao entendimento pacificado administrativamente pela Súmula CARF nº 39, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (RESP nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012) Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA 8 artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.(grifos acrescidos) Portanto, em consonância com o entendimento do STJ, são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho auferidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. Da análise dos documentos acostados após a intimação da diligência (fls. 102/141), consta Contratos de Serviços, o qual descreve a função do contribuinte no Projeto, qual seja, “1 Supervisionar a execução do Projeto CNS em nível local [...]; 2 Validar mapa de implantação; 3 Acompanhar o cumprimento do cronograma de implantação; 4Realizar levantamento de informações junto às Unidades de Saúde; 5Vistoriar os locais de instalação dos equipamentos de rede; 6 Elaborar relatórios de acompanhamento; 7 Levantar informações sobre os sistemas de informatização de Unidades de Saúde; 8 Participar de reuniões com os fornecedores e membros do NIL para acompanhamento dos compromissos assumidos no Edital”, porquanto, isentos de tributação. Ademais, em que pese não constar a função específica como Técnico no Contrato com a UNESCO, nos “Termos de Referência de Pessoa Física” dentre os Requisitos Mínimos de Qualificação estão as exigências de Ensino Médio Completo e Curso Técnico na área de Informática, Computação ou Processamento de Dados, o que configura o exercício da atividade como técnico, de acordo com as funções desempenhadas acima transcritas. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA
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Numero do processo: 10293.720040/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), ainda que a averbação se verifique em momento posterior à ocorrência do fato gerador mas anteriormente ao início do procedimento fiscal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Redator-Designado
EDITADO EM: 29/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), ainda que a averbação se verifique em momento posterior à ocorrência do fato gerador mas anteriormente ao início do procedimento fiscal. Recurso especial provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Redator-Designado EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
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LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), ainda que a averbação se verifique em momento posterior à ocorrência do fato gerador mas anteriormente ao início do procedimento fiscal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo e Marcelo Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 00 40 /2 00 7- 61 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 450 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad RedatorDesignado EDITADO EM: 29/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), abrangendo, na forma de demonstrativo de efl 14: a) Glosa de área de utilização limitada declarada no exercício de 2003, no montante de 20.563,0 ha., a partir de sua não comprovação em sede de ação fiscal, após intimação. b) Alteração do valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte em sua DITR/2003, através de arbitramento utilizandose o VTN/ha. obtido a partir do sistema SIPT (no valor de R$ 750,00/ha.), uma vez que também restou não comprovado pelo contribuinte o respectivo VTN/ha constante de sua declaração. Insurgindose contra o lançamento, protocolizou o contribuinte impugnação de efls. 19 a 140, com o Acórdão de 1a. instância de lavra da DRJ/BSB (efls. 143 a 169) tendo afastado todas as preliminares levantadas pelo contribuinte para, no mérito, julgar totalmente procedente o lançamento. Protocolizou o contribuinte, então, Recurso Voluntário insurgindose contra a decisão de 1a. instância (efls. 174 a 260). Fl. 450DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 451 3 Analisando o mencionado Recurso Voluntário, em sessão plenária de 15/05/2012, a 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) exarou o Acórdão nº 220201.793 (efls. 298 a 314), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL/INTERESSE ECOLÓGICA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / Reserva Legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA VTN SUBAVALIAÇÃO Para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/há do SIPT, exigese Laudo de Avaliação firmado por profissional habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado. Recurso negado. Contra essa decisão, o contribuinte manejou recurso especial de divergência (efls. 323 a 417), onde defendeu a existência de divergência em relação a paradigmas ali apresentados, quanto às seguintes matérias: a) necessidade de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de Reserva Legal da tributação do ITR, a partir do exercício de 2001; b) possibilidade de arbitramento do VTN por meio do uso do Sistema de Preços de Terras SIPT, uma vez não tendo sido concedido ao contribuinte o acesso às informações daquele Sistema; c) imotivada desconsideração das provas produzidas no decorrer do procedimento fiscal; d) inexistência de provas no feito de forma a sustentar a pretensão fiscal. Na forma de exame de admissibilidade de efls. 423 a 429 e reexame de fls. 430/431, admitiuse o recurso especial tão somente quanto à matéria citada no item “a” supra (necessidade de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de Reserva Fl. 451DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 452 4 Legal da tributação do ITR, a partir do exercício de 2001), a qual assim se constitui na única matéria sob litígio. A título de esclarecimento, reproduzse a seguir a ementa dos paradigmas colacionados pelo recorrente, relativos à matéria controversa: 1. Acórdão 9.20202.017 (2a. Turma da 2a. Câmara Superior de Recursos Fiscais em 20 de março de 2012) Imposto Sobre A Propriedade Territorial RuralITR Exercício: 2001 ITR ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. A regra expressa no artigo 170 da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, O ADA restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico.(g.n.). Extraise do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso, o contribuinte apresentou laudo e a materialidade da área sequer foi questionada pela recorrente. Ainda de acordo com tal orientação, o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal e a própria averbação são formas de comprovação da existência desta área, sendo que, no caso em apreço, ambos os documentos são incontroversos. A verdade formal não pode se sobrepor à verdade material. ITR AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Como regra, para que a área de Reserva Legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nºs 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal. Recurso especial provido em parte. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 453 5 2. Acórdão 9.20202.102 (2a. Turma da 2a. Câmara Superior de Recursos Fiscais em 21 de junho de 2012) IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de Reserva Legal, independentemente da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Recurso especial negado. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 440 a 446), onde defende que o artigo 10, inciso II da Lei nº 9.393, de 19 de novembro de 1996, deva ser literalmente interpretado, na forma inclusive respaldada pelo art. 10, I e II, e § 3º, I, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002 , pelo art. 9º, I e II, e § 3º, I, da Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002 e, ainda, pela Solução de Consulta Interna RFB/COSIT nº 12, de 21 de maio de 2003. Ressalta, ainda, que a exigência do ADA para fins de redução da incidência do ITR foi consagrada pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em seu art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Assim, entende a Fazenda Nacional que, no caso em questão, ainda que o recorrente desejasse excluir a área de Reserva Legal da base de cálculo do ITR relativo ao exercício de 2003, não comprovou a apresentação do ADA ao órgão competente, não atendendo, por essa razão, às exigências da legislação do ITR, motivo por que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização, conforme acertadamente entendeu a Egrégia Turma recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão trata da necessidade de protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA e de averbação tempestiva no registro de imóvel para fins dedução de área de Reserva Legal, quando da apuração da base de cálculo do ITR no exercício de 2003. Sobre o tema, esclareçase que, em linha com o disposto no recorrido, verifico que a Reserva Legal tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, a existência dos seguintes procedimentos: (a) apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à Reserva Legal que, de acordo com a localização, corresponde a Fl. 453DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 454 6 um percentual da área do imóvel; e (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1o de janeiro do ano calendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O acórdão recorrido rejeitou a dedução da área de Reserva Legal declarada pelo contribuinte, a partir do não cumprimento da obrigação de apresentação tempestiva do ADA, defendendo, porém, também a necessidade de averbação da Reserva Legal à margem da matrícula de registro do imóvel no cartório competente, a fim de que o contribuinte pudesse usufruir da nãoincidência do ITR sobre a mesma. Particularmente, como já tive oportunidade de me manifestar em outras ocasiões, ainda que discorde que simples laudo técnico sirva para comprovar a área de Reserva Legal, julgo que a averbação tempestiva (leiase, antes da ocorrência do fato gerador) da área de Reserva Legal na matrícula do imóvel, por ser constitutiva da referida reserva, é condição suficiente para fins de sua dedução, mesmo se desacompanhada de ADA, uma vez que supre a função daquele, no sentido de permitir a comprovação da existência, pela autoridade ambiental, da área que se tenciona preservar através do benefício fiscal concedido (qual seja, de não incidência no momento de ocorrência do fato gerador). A propósito, ressalto que, na 2a Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, existem posicionamentos diversos que defendem: a) a desnecessidade da averbação, por se tratar de exigência da lei ambiental, sem consequências na esfera fiscal; b) a necessidade da averbação antes da ocorrência do fato gerador; c) a necessidade da averbação antes do início do procedimento fiscal. Para que todos possam decidir com suas convicções, esclareço que, no presente caso, a área de Reserva Legal declarada é de 20.523,0 ha. e foi averbada no registro de imóveis do imóvel em 14/05/2004 (efl. 124), posteriormente à ocorrência do fato gerador em 01/01/2003. Do meu ponto de vista, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada às margens da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de Reserva Legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, §2o, na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a Reserva Legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. Observese que, após as alterações da Medida Provisória nº 2.166 67, de 24 de agosto de 2001, essa exigência passou para o §8o do mesmo artigo. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 455 7 Ressaltese que a obrigatoriedade de averbação foi trazida ao ordenamento jurídico em 1989, muito antes dos fatos geradores sob análise. Considero inaceitáveis os argumentos de que essa exigência foi feita na lei ambiental, não surtindo efeitos na esfera tributária. Isso porque, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, a lei tributária fez expressa menção às áreas de Reserva Legal e de preservação permanente nos termos da lei ambiental, sendo evidente que se deve buscar suas características e requisitos no escopo do ato legal indicado. Do mesmo modo, não concordo com a alegação de que nem a lei tributária, nem a lei ambiental, definiram prazo para a averbação dessa área, sendo possível admitila em momento posterior ao fato gerador. Penso que, em linha com o acima disposto, a averbação é requisito formal de existência da área de Reserva Legal, não sendo possível se falar nesse instituto antes do ato cartorial, nem muito menos se pleitear sua dedução tributária. No presente caso, não houve a averbação tempestiva da área de Reserva Legal e, assim, não se deve admitir sua dedução da base de cálculo do ITR. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 455DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 456 8 Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Designado Em que pese o merecido respeito a que faz jus o Ilustre Relator, peço vênia para dele discordar em relação à necessidade de averbação da área de Reserva Legal em momento anterior ao fato gerador para fins de exclusão de tal reserva do cálculo do ITR. Conforme constou no voto vencido do I. Relator a glosa da área de Reserva Legal decorreu da ausência da apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (“ADA”), bem como da ausência de averbação da referida área no registro de imóvel em momento anterior à ocorrência do fato gerador, para fins do cálculo do ITR referente ao exercício de 2003. Em relação ao ADA, sua finalidade precípua foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base no referido ADA, não tendo condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão da área de reserva legal de que trata o art. 16 da Lei n.4.771/65 da base de cálculo do ITR. Quanto à averbação, já me manifestei em diversas oportunidades que a chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal (Lei nº 4.771/1965), com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e Fl. 456DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 457 9 IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 458 10 § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. “ (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 8º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequencias diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 459 11 (i) para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, (ii) para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à área de reserva legal está condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuros. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independentemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frustra o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 8º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação antes do início do procedimento fiscal o viés indutor de comportamento que informa a dispensa do tributo. Verifico que a averbação da reserva legal pelo contribuinte se deu em 14/05/2004 (efl. 124), anteriormente à intimação fiscal datada de 09/07/2007 (fls. 01/02), ainda que posteriormente à ocorrência do fato gerador. A meu ver a averbação da reserva legal pelo contribuinte em momento posterior à ocorrência do fato gerador por si só não é óbice ao reconhecimento do direito à dedução. Não obstante, ela precisa ocorrer antes de iniciado qualquer procedimento de ofício em relação ao contribuinte, sob pena de ficar afastada a espontaneidade que justificaria o privilégio ao caráter indutor da norma. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10293.720040/200761 Acórdão n.º 9202003.415 CSRFT2 Fl. 460 12 Em face de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para restabelecer a exclusão da área de reserva legal. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 460DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Ass inado digitalmente em 02/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15504.018348/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Wilson Antonio De Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 18 34 8/ 20 08 -1 5 Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.018348/200815 Resolução nº 2301000.503 S2C3T1 Fl. 1.113 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa EDUCAÇÃO INFANTIL FUNDAMENTAL MANGABEIRAS S.C LTDA E OUTROS, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário. 2. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de auto de infração referente à infringência ao disposto no artigo 33, § 2°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, por ter a empresa deixado de apresentar os livros diários dos exercícios de 2003 a 2007. 3. Após devidamente intimada do lançamento, em 05/11/2008, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 54/60. No entanto, a Delegacia da Receita Federal manteve o lançamento, tendo a ementa do acórdão de primeira instância restado lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO. Constitui infração a legislação previdenciária, deixar o contribuinte de exibir à fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, quando solicitados. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando ainda não transcorrido o prazo legal para a Seguridade Social constituir seus créditos. POLO PASSIVO. COOBRIGADOS. No polo passivo estão incluídas as pessoas jurídicas responsáveis pelo pagamento do crédito lançado, contribuinte e componentes do mesmo grupo econômico, por solidariedade. MULTA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, A qual este julgador está vinculado. REPRESENTAÇÃO FISCAL. Ê obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRAZOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.018348/200815 Resolução nº 2301000.503 S2C3T1 Fl. 1.114 3 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO. RESPONSABILIDE TRIBUTARIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer titulo, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até A data do ato. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis A validade do lançamento do crédito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal. IMPUGNAÇÃO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CALCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4. Intimada da decisão a quo em 23/02/2011, conforme aviso de recebimento da ECT de fls.1006/1008, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário, fls.1054.1092, alegando em síntese que: a) preliminarmente, a exclusão dos representantes legais consignados como coobrigados do débito; b) as pessoas apontadas nos referidos relatórios foram qualificadas como co responsáveis pelo crédito apurado pela fiscalização. Assim, é ocioso o debate da tese de isenção de responsabilidade tributária dos administradores, como arguido pela defesa; c) os juros e multa são confiscatórios, além do que a multa aplicada é exagerada e ofende o principio do nãoconfisco; d) a empresa SOEBRAS, na qualidade de subsidiária, impugnou o lançamento, arguindo a inexistência da sujeição passiva que lhe foi imposta pela fiscalização, argumentando que arrendou a marca "Promove", e, posteriormente, firmou Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.018348/200815 Resolução nº 2301000.503 S2C3T1 Fl. 1.115 4 contrato de “Trespasse” para assumir as empresas da marca "Promove", sendo que ambas coexistem e atuam cada uma com seus objetivos sociais; e) requer que seja reconhecida a ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas contraídas pelo grupo “PROMOVE”, pela mera utilização da marca em contrato de licença para uso de marca, que seja excluído do polo passivo da obrigação os sócios da ora recorrente. Por fim, o reconhecimento da imunidade tributária. 5. Consta nas folhas nº 1105 informação que a contribuinte manifestouse pela inclusão da totalidade dos débitos no parcelamento, de que trata a Lei nº 11.941/2009. 6. Sem contrarrazões do Fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.018348/200815 Resolução nº 2301000.503 S2C3T1 Fl. 1.116 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. A impugnação do sujeito passivo (fl. 107/119) notícia pedido de parcelamento nos seguintes termos: “Observem, V. Ex.as que as solicitações de parcelamento protocoladas cumprem os requisitos legais e necessários ao deferimento, tudo na forma da Lei 11345/2006 e do Decreto 6187 de 14/08/2007, sendo que tais ainda estão em análise no Órgão Responsável — Setor de Parcelamentos do INSS (Rua_Levindo Lopes, 357 — 11º Andar, em Belo Horizonte/MG).” 3. A decisão a quo, discorre que não é da competência daquele órgão julgador deferir ou indeferir pedido de parcelamento. No entanto, a contribuinte não requereu apreciação de pedido de parcelamento junto à DRJ, apenas trouxe em sua impugnação a informação que há pedido de parcelamento em andamento junto ao órgão competente, na época, o INSS. 4. Sobre a matéria, o Regimento Interno do CARF (RICARF) estabelece que: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação: “§ 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).” 5. Importante frisar que em caso de confirmação de parcelamento estará configurada confissão irretratável da dívida, demonstrando a concordância da recorrente com o crédito tributário exigido, nos termos do art. 78 do Regimento Interno do CARF. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 15504.018348/200815 Resolução nº 2301000.503 S2C3T1 Fl. 1.117 6 6. Em despacho de 06/12/20111, emitido pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT, às fls. 1105/1108, nesta última, consta a informação que a empresa é optante do parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, in verbis: “(...). 2. Após pesquisas efetuadas no Sistema Paex e Plenus, constatamos que o contribuinte é optante pela Lei 11.941/09. No entanto, não constatamos, entre os créditos, o número do AI citado, conforme telas juntadas ao processo. 3. O evento do Sicob/Plenus não foi alterado para Recurso Tempestivo, devido a data em que o mesmo foi protocolizado, isto é, em 30/03/2011. (...).” 7. Ademais, o histórico trazido pela contribuinte em sua impugnação acerca da concretização da adesão ao parcelamento carece ser melhor investigado, a fim de não gerar dúvidas quanto ao efetivo prosseguimento do processo de formalização do débito fiscal. 8. Desta feita, considerando o acima exposto e observando o princípio do contraditório e da ampla defesa, entendo que o presente processo deva ser devolvido a primeira instância para que o fisco traga informações complementares que possibilitem a averiguação da existência ou não da adesão regular ao parcelamento pela recorrente, ante ao posicionamento sobre a questão exposto no acórdão recorrido. 9. Assim, por se tratar de ponto essencial à decisão deste Colegiado, entendo ser necessária à conversão do julgamento em diligência para que o fisco traga aos autos informações discriminadas e atualizadas sobre o andamento do pedido de parcelamento realizado pelo sujeito passivo. CONCLUSÃO 10. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, em seguida, converter o seu julgamento em diligência para que o fisco preste os esclarecimentos sobre as seguintes questões: a) traga aos autos informações discriminadas e atualizadas sobre o andamento do pedido de parcelamento realizado pela contribuinte; b) após esse procedimento, dêse vista do resultado da diligência a recorrente para que, no prazo de 30 dias, caso queira, manifestese sobre o documento produzido pelo fisco. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 2/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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