Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
10247974 #
Numero do processo: 10805.720732/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO SEM ALEGAÇÃO DE TEMPESTIVADE. NÃO CONHECIMENTO. A apresentação intempestiva da impugnação não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, de forma que o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade da impugnação, se questionada.
Numero da decisão: 2202-010.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-010.441, de 6 de novembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10805.720730/2013-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto (Suplente Convocado), Gleison Pimenta Sousa, Thiago Buschinelli Sorrentino (Suplente Convocado) e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202311

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO SEM ALEGAÇÃO DE TEMPESTIVADE. NÃO CONHECIMENTO. A apresentação intempestiva da impugnação não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, de forma que o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade da impugnação, se questionada.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10805.720732/2013-31

anomes_publicacao_s : 202401

conteudo_id_s : 7002007

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 2202-010.443

nome_arquivo_s : Decisao_10805720732201331.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY

nome_arquivo_pdf_s : 10805720732201331_7002007.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-010.441, de 6 de novembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10805.720730/2013-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto (Suplente Convocado), Gleison Pimenta Sousa, Thiago Buschinelli Sorrentino (Suplente Convocado) e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2023

id : 10247974

ano_sessao_s : 2023

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:32 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339475116032

conteudo_txt : Metadados => date: 2023-12-19T17:35:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-12-19T17:35:49Z; Last-Modified: 2023-12-19T17:35:49Z; dcterms:modified: 2023-12-19T17:35:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-12-19T17:35:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-12-19T17:35:49Z; meta:save-date: 2023-12-19T17:35:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-12-19T17:35:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-12-19T17:35:49Z; created: 2023-12-19T17:35:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2023-12-19T17:35:49Z; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-12-19T17:35:49Z | Conteúdo => SS22--CC 22TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10805.720732/2013-31 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2202-010.443 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 6 de novembro de 2023 RReeccoorrrreennttee ROBERTO ELIAS COSTA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO SEM ALEGAÇÃO DE TEMPESTIVADE. NÃO CONHECIMENTO. A apresentação intempestiva da impugnação não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, de forma que o conhecimento do recurso voluntário estará adstrito apenas à análise da tempestividade da impugnação, se questionada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-010.441, de 6 de novembro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10805.720730/2013-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto (Suplente Convocado), Gleison Pimenta Sousa, Thiago Buschinelli Sorrentino (Suplente Convocado) e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) suplementar apurada em decorrência de dedução indevida de dependentes e de despesas médicas. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 07 32 /2 01 3- 31 Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.443 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.720732/2013-31 O contribuinte apresentou intempestivamente impugnação ao lançamento. O Colegiado da 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação. A decisão restou assim ementada INTEMPESTIVIDADE DA DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. A defesa apresentada após o seu termo final não é conhecida. Recurso Voluntário O contribuinte foi cientificado da decisão de piso e, inconformado, apresentou o presente recurso voluntário, por meio do qual, após relatar os fatos, devolve a este Conselho parte das teses já submetidas à apreciação do colegiado de primeira instância, sem qualquer alegação quanto a intempestividade da impugnação. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, porém não será conhecido. A impugnação à primeira instância foi apresentada intempestivamente e no recurso o contribuinte não verte uma linha sobre tal fato. Registre-se que a defesa intempestiva não instaura o litígio administrativo e sequer há que se falar em possibilidade de interposição de recurso voluntário, exceto para questionar a tempestividade, o que não aconteceu no presente caso, de forma que o recurso não será conhecido. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly – Presidente Redatora Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.443 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10805.720732/2013-31 Fl. 79DF CARF MF Original

score : 1.0
10250262 #
Numero do processo: 10935.004745/2010-31
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Jan 10 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando o lançamento contém descrição pormenorizada dos fatos apurados e indicação correta dos dispositivos legais aplicados. DEPENDENTES. CONCEITO. DIREITO TRIBUTÁRIO. O conceito de dependente para a legislação tributária diverge do conceito das obrigações do direito de família, que se relaciona ao dever moral e, por mais que cumpra esta responsabilidade, o fato não pode ser levado para o direito tributário quando não preenchidos os requisitos da norma específica. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF 02. Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA. SÚMULA CARF 04. Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2003-005.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, exceto na parte que discute a inconstitucionalidade da multa aplicada, afastar as preliminares de nulidade por ausência de fundamentação e nulidade por falta de apresentação analítica do crédito, e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto e Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite.
Nome do relator: RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202311

ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando o lançamento contém descrição pormenorizada dos fatos apurados e indicação correta dos dispositivos legais aplicados. DEPENDENTES. CONCEITO. DIREITO TRIBUTÁRIO. O conceito de dependente para a legislação tributária diverge do conceito das obrigações do direito de família, que se relaciona ao dever moral e, por mais que cumpra esta responsabilidade, o fato não pode ser levado para o direito tributário quando não preenchidos os requisitos da norma específica. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF 02. Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA. SÚMULA CARF 04. Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.

turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jan 10 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10935.004745/2010-31

anomes_publicacao_s : 202401

conteudo_id_s : 7002618

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 10 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 2003-005.991

nome_arquivo_s : Decisao_10935004745201031.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO

nome_arquivo_pdf_s : 10935004745201031_7002618.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, exceto na parte que discute a inconstitucionalidade da multa aplicada, afastar as preliminares de nulidade por ausência de fundamentação e nulidade por falta de apresentação analítica do crédito, e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto e Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite.

dt_sessao_tdt : Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2023

id : 10250262

ano_sessao_s : 2023

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:34 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339479310336

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-01-05T20:28:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-01-05T20:28:48Z; Last-Modified: 2024-01-05T20:28:48Z; dcterms:modified: 2024-01-05T20:28:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-01-05T20:28:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-01-05T20:28:48Z; meta:save-date: 2024-01-05T20:28:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-01-05T20:28:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-01-05T20:28:48Z; created: 2024-01-05T20:28:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2024-01-05T20:28:48Z; pdf:charsPerPage: 2319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-01-05T20:28:48Z | Conteúdo => SS22--TTEE0033 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10935.004745/2010-31 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2003-005.991 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 30 de novembro de 2023 RReeccoorrrreennttee VALTEMIR ALVES DE DEUS IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando o lançamento contém descrição pormenorizada dos fatos apurados e indicação correta dos dispositivos legais aplicados. DEPENDENTES. CONCEITO. DIREITO TRIBUTÁRIO. O conceito de dependente para a legislação tributária diverge do conceito das obrigações do direito de família, que se relaciona ao dever moral e, por mais que cumpra esta responsabilidade, o fato não pode ser levado para o direito tributário quando não preenchidos os requisitos da norma específica. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF 02. Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA. SÚMULA CARF 04. Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, exceto na parte que discute a inconstitucionalidade da multa aplicada, afastar as preliminares de nulidade por ausência de fundamentação e nulidade por falta de apresentação analítica do crédito, e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 47 45 /2 01 0- 31 Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilderson Botto e Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata-se de Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte acima mencionado, para exigência dos seguintes valores, relativos ao IRPF do Exercício 2006, Ano-Calendário 2005: IRPF-suplementar (sujeito à multa de ofício) R$ 6.620,52 Multa de Ofício R$ 4.965,39 Juros de Mora (calculados até 31/05/2010) R$ 2.999,09 Total do Crédito Tributário Apurado R$ 14.585,00 Segundo consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” e, o lançamento é decorrente das seguintes irregularidades: 1 – Dedução Indevida com Dependentes no valor de R$ 5.616,00. Consta da Descrição dos Fatos Enquadramento Legal: 0 contribuinte informou indevidamente como dependentes: o cônjuge CLEIDE DE SOUZA FREITAS ALVES DE DEUS que apresenta Declaração em separado; o filho RODRIGO ALVES DE DEUS nascido em 06/09/1982, (Completou 23 anos em 2005) que não cursava escola técnica de 2º grau ou ensino superior; a irmã LINDAMIR ALVES DE DEUS (informou a data de nascimento errada) da qual não detém a guarda judicial; a sogra BENICIA DA SILVA FREITAS que não pode ser dependente pois o cônjuge apresenta Declaração em separado; e o filho GUSTAVO ALVES DE DEUS que já havia sido informado como dependente na Declaração do cônjuge. 2 - Dedução Indevida com Despesa de Instrução no valor de R$ 4.396,00. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 1- O contribuinte informou pagamento para CENTRO EDUCACIONAL PLAZA LTDA no valor de R$ 2.345,00 e para ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE ENSINO E CULTURA no valor de R$ 2.356,00, e não apresentou documentação nem comprovação da efetividade dos desembolsos referentes a essas despesa. Desta forma será glosado o valor indevidamente deduzido de R$ 4.396,00. 3 – Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 12.372,84. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: Foram glosadas despesas no valor de-R$ 12.372,84, conforme abaixo demonstrado. 1 – O Contribuinte informou pagamento de despesas pare FAUSTINO GARCIA ALFEREZ, CPF 28ô.684.839-34, no valor de R$ 1.786,00, e não apresentou documentação nem comprovação da efetividade do desembolso referente .a essa despesa. Desta forma será glosado o valor de R$ 1.786,00. 2 0 contribuinte informou pagamento de despesas para MAURICIO PEREIRA BARBOSA, CPF 545.675.999-34, no valor de R$ 1.562,00, e não apresentou documentação da comprovação da efetividade do desembolso referente a essa despesa. Desta forma será glosado o valor de R$1:562,00. Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 3- 0 contribuinte informou pagamento de despesas para BÁRBARA & BÁRBARA CLÍNICA MÉDICAS LTDA no Valor de R$ 1.856,00, e não apresentou documentação nem comprovação da efetividade do desembolso referente a essa despesa. Desta forma será glosado o valor de R$ 1.856,00: 4- 0 contribuinte informou pagamento de despesas para SERVIÇO DE RADIOLOGIA MANOEL DE ABREU LTDA no valor de R$ 456,00, e não apresentou documentação nem comprovação da efetividade do desembolso referente a essa despesa. Desta forma será glosado o valor de R$ 456,00. 5- 0 contribuinte informou pagamento de despesas para HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA CATARINA no valor de R$ 856,00 e não apresentou documentação nem comprovação da efetividade do desembolso referente a essa despesa. Desta forma será glosado o valor de R$ 856,00. 6- 0 contribuinte informou pagamento de despesas para INSTITUTO OFTALMOLÓGICO BOM JESUS S/C LTDA no valor de R$ 1.896,00, e não apresentou documentação nem comprovação da efetividade do desembolso referente a essa despesa. Desta forma será glosado o valor de R$ 1.896,00. 7- 0 contribuinte informou pagamento de despesas para HOSPITAL POLICLÍNICA CASCAVEL LTDA no valor de R$ 1.879,00, e não apresentou documentação nem comprovação da efetividade do desembolso referente a essa despesa. Desta forma será glosado o valor de R$ 1.879,00. 8- 0 contribuinte informou pagamento de despesas para VERDE CLÍNICA, no valor de R$ 1.458,00, e não apresentou documentação nem comprovação da efetividade do desembolso referente a essa despesa. Desta forma será glosado o valor de R$ 1.458,00. 9- 0 contribuinte informou pagamento de Plano de Saúde para FUNDAÇÃO COPEL no valor de R$ 1.806,26. Conforme documentação apresentada, o valor das mensalidades pagas foi de R$1.588,11. Deste valor, R$ 405,69 se referem ao filho RODRIGO ALVES DE DEUS que não pode ser dependente do contribuinte por ter mais de 21 anos e não haver comprovação de que cursava escola técnica de 2a grau ou estabelecimento de ensino superior. Desta forma deve ser glosado o valor de R$ 623,84, sendo aceita a dedução de R$1.1842,42. 4 – Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício no valor de R$ 4.694,73, com IRRF no valor de R$ 75,09. O contribuinte apresentou impugnação tempestiva, com as seguintes alegações: Preliminarmente A) Da Nulidade do Lançamento Tributário por Ausência de Fundamentação. Alega que os dispositivos legais contidos no Lançamento foram meramente referidos no ato de comunicação, sem especificar a incidência do mesmo ao impugnante. Afirma que fundamentar a aplicação da lei não é apenas indicar aleatoriamente os dispositivos legais, faz-se necessário descrever pormenorizadamente os fatos e se demonstre através de um silogismo lógico a incidência de tais fatos nas hipóteses genericamente previstas em leis. Ressalta que somente com este silogismo que é possível ao administrado exercer o direito à ampla defesa e ao contraditório. Cita diversos dispositivos constitucionais e a Lei da Ação Popular que dispõem que havendo ausência de fundamentação torna qualquer ato administrativo plenamente nulo. Salienta que o ato administrativo deve ser motivado, sendo que o seu desrespeito ainda que parcial, torna o ato nulo. Cita a Teoria dos Motivos Determinantes que determina que todos os atos administrativos devem estar vinculados aos fatos que lhe deram ensejo. Informa que no caso em tela, o ato é vinculado, logo o agente público está completamente adstrito ao que diz a lei, não podendo se afastar dela. B) Da Nulidade da Presente Medida Fiscal Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 Alega que nos procedimentos fiscais deve-se aplicar o contido no Decreto nº 70.235/72. Cita o art. 11 do referido decreto que tem como requisito que a fundamentação traga a exigência tributária, apresenta doutrina de Leandro Paulsen neste sentido. Argumenta que a medida fiscal apresentou o valor do débito e seus consectários legais, sem apontar de forma analítica como se deu a aferição do valor total do crédito. Entende que a descrição meramente exemplificativa dos valores sem o correto apontamento da origem dos mesmos, viola o direito constitucionalmente assegurado da ampla defesa, pois não há como atacar pormenorizadamente a notificação. Mérito Da Legalidade das Deduções Efetuadas em face dos Princípios Legais e Constitucionais Vigentes. Informa o art. 226 da CF/88, no qual consta que a família receberá proteção especial do Estado. Sustenta que as glosas realizadas pelo Fisco foram relativas à instrução e despesas médicas a seus dependentes, encerrando uma cobrança em face do impugnante que assistiu sua família. Ressalta que é dever legal dos membros da família a mútua assistência nos termos do Código Civil. Aduz que tal determinação repousa no princípio da solidariedade que deverá envolver os membros da família. Afirma que a proteção concedida pela constituição deve ser respeitada pelo Estado, inclusive na esfera fiscal. Salienta que as despesas ocorreram e todas se deram em nome dos membros da família, portanto a glosa realizada restringe a aplicação do princípio da solidariedade entre os membros da família. Da Inaplicabilidade da Taxa Selic e sua Utilização Cumulativa com os Juros os Mora. Alega que inexiste legislação definidora e orientadora dos parâmetros da taxa Selic. Informa que a taxa é de natureza remuneratória, sendo que sua regulamentação é feita de forma exclusiva por circulares do BACEN, sendo portanto ilegítima a sua exigência. Esclarece que a aplicação da taxa SELIC aos débitos fiscais incorre em várias outras irregularidades. Ressalta que a taxa de juros deve necessariamente ser instituída por meio de lei complementar. Aduz que o art. 161; §1º da CF/88 determina que a taxa de juros moratórios será de 1% ao mês. Entende que o Fisco não pode utilizar a taxas de juros de natureza remuneratória, com a finalidade de juros de mora em razão de débitos fiscais, sob pena de ofensa ao conceito de jurídico e econômico de juros moratórios. Cita jurisprudência do STJ neste sentido. Do Excesso da Multa Aplicada em Face do Princípio da Vedação do Confisco e da Capacidade Contributiva. Entende que a multa está em descompasso com os princípios constitucionais do direito à propriedade, da vedação do confisco, da razoabilidade e da capacidade contributiva. Alega que a multa aplicada tem efeito confiscatório o que é inconstitucional. Cita doutrina de Celso Ribeiro Bastos sobre o princípio do não-confisco. Ressalta que a multa de 75% importa em violação ao postulado da razoabilidade e da proporcionalidade. Dos Pedidos Requer que seja acatadas as preliminares e julgado nulo de pleno direito o crédito tributário, caso não seja esse o entendimento, requer sejam acatadas as matérias de mérito acima argüidas em face das inconstitucionalidades e ilegalidades julgando improcedente a notificação. Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 A decisão de piso foi desfavorável à pretensão impugnatória, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando o lançamento contém descrição pormenorizada dos fatos apurados e indicação correta dos dispositivos legais aplicados. DEPENDENTES. CONCEITO. DIREITO TRIBUTÁRIO. O conceito de dependente para a legislação tributária diverge do conceito das obrigações do direito de família, que se relaciona ao dever moral e, por mais que cumpra esta responsabilidade, o fato não pode ser levado para o direito tributário quando não preenchidos os requisitos da norma específica. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos tributários da União, quando não pagos nos prazos previstos na legislação, são acrescidos de juros equivalentes à taxa Selic. Impugnação Improcedente Cientificado da decisão de primeira instância em 16/07/2013 (fl. 68), o sujeito passivo interpôs, em 15/08/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) nulidade do auto de infração por ausência de fundamentação; b) nulidade da medida fiscal por falta de apresentação analítica do crédito, violando o requisito da certeza do crédito fiscal; c) legalidade das deduções realizadas pelo recorrente em razão do princípio da solidariedade; d) inaplicabilidade da taxa Selic; e) inconstitucionalidade da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre a (in)existência de nulidades no auto de infração e legalidade das deduções realizadas pelo recorrente em razão do princípio da solidariedade, assim como a ilegal utilização da Taxa Selic e a inconstitucionalidade da multa aplicada. Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 Em relação à inconstitucionalidade da multa de ofício, não há como se conhecer do recurso em relação ao seu apelo. Isso porque este Conselho não é legitimado a analisar matérias Constitucionais, conforme se depreende do art. 26-A, do Decreto 70.235-72, in verbis: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Não obstante, a súmula 02 do CARF dispõe que o CARF "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, a jurisprudência deste Conselho é antiga sobre o tema e não permite o debate sobre constitucionalidade de Lei tributária. Portanto, dessa matéria não conheço do recurso por incompetência do Tribunal quanto à essa ou outra matéria alega no recurso dita como inconstitucional ou ilegal. Em relação à inaplicabilidade Taxa Selic, a súmula CARF n.º 04 pacificou o entendimento da sua aplicação, senão vejamos: "Súmula 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Acertadamente a decisão de piso afastou seu argumento, conforme abaixo transcrito, o qual me alinho e utilizo como razões de decidir: Juros de mora Quanto à cobrança de juros de mora, há que se observar a norma contida no CTN a esse respeito: “Art.161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.” (Grifou-se) Claramente, o dispositivo acima transcrito estatui que a lei ordinária pode adotar qualquer percentual a título de juros de mora, sendo que apenas na falta de tal lei é que se aplica o percentual de 1% ao mês. No caso, a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) foi fixada pelo art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96. Portanto, sua cobrança é absolutamente legal, valendo também aqui a regra mencionada no tópico anterior, segundo a qual a autoridade fiscal está adstrita ao cumprimento da legislação tributária. Tanto é assim que o Superior Tribunal de Justiça já pacificou entendimento de que é legal a aplicação da taxa SELIC, conforme decisões a seguir: “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 458 E 535, DO CPC NÃO CONFIGURADA. ARTIGO 11, § 3º, II DA LC Nº 87/96. VIOLAÇÃO REFLEXA. EXCESSO DE PENHORA. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CDA. SÚMULA 07/STJ. TAXA SELIC. LEGALIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. Fl. 104DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 (...) IV - A jurisprudência desta Corte consolidou o entendimento no sentido de que, a partir do advento da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ser legítima a aplicação da taxa SELIC no campo tributário.Precedentes: EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 13/09/04; REsp nº 653.324/SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de27/09/04 e REsp nº 475.904/PR, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 12/05/03.” (AgRg nos EDcl no REsp 868300/MG; Agravo Regimental nos Embargos de Declaração no Recurso Especial 2006/0104351-0, DJ 07.05.2007, p. 290) “TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante da previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento.” (EREsp nº 396.554/SC, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 13/09/2004, p. 167) Por fim, em relação à existência de nulidades no auto de infração e legalidade das deduções realizadas pelo recorrente em razão do princípio da solidariedade, tendo em vista que o recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Preliminar O interessado argüiu a nulidade do auto de infração, por vício na motivação do ato de lançamento. Inicialmente, deve-se dizer que, do ponto de vista formal, são requisitos da notificação os indicados no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, cuja ausência poderia acarretar a nulidade: Art 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I -a qualificação do autuado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; Fl. 105DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único: Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Pela análise da notificação impugnada, constata-se que os requisitos legais estão presentes, portanto, não caberia a anulação do feito por esse motivo. O art. 59 do Decreto nº 70.235/72 também apresenta situações processuais que ensejariam nulidade, e o art. 60 deixa claro que situações diversas dessas não importarão nesse efeito. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; § 1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2°. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3°. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Acrescido pelo art. 1° da Lei n.º 8.748/1993). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Portanto, ao rigor da legislação que rege o processo administrativo fiscal federal, não se vislumbra motivos para que se decrete a nulidade do feito. Apega-se o interessado à tese de que o motivo do ato é inexistente, uma vez que não há fundamentação para as exigências solicitadas pela Fiscalização, o que torna o ato viciado, do que decorreria a necessidade de decretar sua nulidade. Porém não é o caso. A teoria dos motivos determinantes, como se sabe, é de criação doutrinária. Analisemos seu significado, a partir dos ensinamentos de Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo: Malheiros, 1994, p. 181:182): A teoria dos motivos determinantes funda-se na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos determinantes e a realidade, o ato é inválido. O apelo à teoria dos motivos determinantes é inócuo ao caso em tela. A hipótese mais corriqueira de aplicação dessa teoria consiste na prática de atos repugnantes, que por vezes ocorrem na Administração Pública, em que o agente procura ocultar o verdadeiro motivo de um dado ato administrativo, dando-lhe outra motivação, que é mero pretexto de sua execução. O exemplo clássico, sempre citado pela doutrina, é o do administrador que exonera cargo em comissão sob determinada motivação (ineficiência por exemplo), quando, posteriormente, comprova-se que a exoneração deu-se por razões pessoais. Nessa hipótese, como o administrador ficou vinculado ao motivo determinante (a ineficiência), o ato pode ser anulado pelo descompasso entre ele e a realidade. Nesse sentido, Celso Antônio Bandeira de Mello tece os seguintes comentários, em sua obra Curso de Direito Administrativo, São Paulo: Malheiros, 2006, p. 376: Fl. 106DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 De acordo com esta teoria, os motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de motivos de fato falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente o motivos em que se calcou, ainda quando a lei não haja expressamente imposto a obrigação de enunciá-los, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o justificavam. Em termos mais gerais, segundo a lição acima, a teoria dos motivos determinantes alcança os atos com motivos falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados pelo administrador. Porém, não é esta a situação que ora se afigura. A premissa legal para a realização do lançamento de ofício, que se materializa com a lavratura da notificação foi buscada nos dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda abaixo transcritos: Dedução de dependentes Art.77.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1ºPoderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, §3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I-o cônjuge; II-o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III-a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV-o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V-o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI-os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII-o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. §2ºOs dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §1º). §3ºOs dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §2º). §4ºNo caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §3º). §5ºÉ vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §4º). Dedução de despesas médicas Art.80.Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, Fl. 107DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I-aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II-restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III-limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas-CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica-CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV-não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V-no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. §2ºNa hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. §3ºConsideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. §4ºAs despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. §5ºAs despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). Dedução de despesas com instrução Art.81.Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). §1ºO limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de um mil e setecentos reais, multiplicado pelo número de pessoas com quem foram efetivamente realizadas as despesas, vedada a transferência do excesso individual para outra pessoa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). §2ºNão serão dedutíveis as despesas com educação de menor pobre que o contribuinte apenas eduque (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, inciso IV). §3ºAs despesas de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §4ºPoderão ser deduzidos como despesa com educação os pagamentos efetuados a creches (Medida Provisória nº 1.749-37, de 1999, art. 7º). Fl. 108DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 Tais dispositivos legais permitem concluir pela possibilidade da Fiscalização exigir as comprovações conforme solicitado, e caso não apresentadas, realizar a respectivas glosas como fora feito. Portanto, no caso em concreto, é inaplicável a teoria dos motivos determinantes, porque não se vislumbra qualquer indício de tentativa, por parte da autoridade fiscal lançadora, de ocultar um suposto motivo real do ato em detrimento da motivação exposta. Ou seja, os motivos tido como determinantes não se revelam falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados pela autoridade fiscal notificante. Outrossim, o anexo do lançamento denominado “Descrição dos Fatos e Fundamentos Legais” contém descrição pormenorizada dos fatos verificados, com indicação precisa dos motivos das glosas das despesas médicas, instrução e dos dependentes, bem como da omissão de rendimentos. Esse documento contém também o enquadramento legal desses fatos, com citação dos dispositivos legais considerados infringidos. Da mesma forma, o imposto suplementar apurado está corretamente discriminado no “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” e os acréscimos legais – juros de mora e multa de ofício – estão devidamente indicados no “Demonstrativo de Apuração da Multa de Ofício e dos Juros de Mora”. Os elementos acima referidos são suficientes para amparar a exigência fiscal e possibilitam ao contribuinte o pleno conhecimento dos valores apurados e dos motivos da Notificação de Lançamento. Ao contrário do que defende o impugnante, não há necessidade de uma descrição detalhada do raciocínio de subsunção do fato à norma, pois a ilegalidade das deduções pretendidas pelo contribuinte mostrou-se evidente nos demonstrativos apresentados. Portanto, não se constatou nenhuma nulidade e nem prejuízo à ampla defesa e ao contraditório, uma vez que a peça fiscal permitiu ao contribuinte conhecer com exatidão a falta que lhe foi imputada, devendo-se afastar as preliminares de nulidade argüidas pelo Impugnante. Mérito Da Mútua Assistência Familiar O impugnante trouxe à discussão regras de direito de família, especificamente o dever de mútua assistência, e com base no argumento do princípio da solidariedade dos membros da família, pretende ver justificar às deduções pleiteadas. Com efeito, as normas de direito de família são observadas, mas dentro dos parâmetros que permitem o direito tributário que, como área de permanente contato entre direitos individuais e coletivos dos particulares e a indisponibilidade do interesse público, é orientado por princípios como capacidade contributiva, legalidade, isonomia, busca-se a arrecadação necessária à manutenção do Estado e dos serviços que deve prestar à sociedade, observando o respeito às individualidades de pessoas físicas e jurídicas. Assim, além do que se pode denominar núcleo familiar básico – cônjuge/companheiro(a)/filhos/enteados, a legislação define como dependentes, para fins de imposto de renda, parentes e mesmo não parentes que, em razão de condições específicas, dependem economicamente do contribuinte. É o que expressam os incisos do art. 77 do RIR/99. Fora dessas condições, não há que se falar em relação de dependência para fins de imposto de renda. No caso, agiu corretamente a Fiscalização ao glosar as deduções dos dependentes, pois a legislação tributária dispõe especificamente sobre tal enquadramento, e as justificativas que é dever da família a mútua assistência, nesta situação não lhe socorrem. Outrossim, em relação às despesas com instrução e médicas, conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o motivo da glosa foi, além da falta de documentação, a não comprovação do efetivo pagamento da despesas. Nesta situação a discussão em torno da possibilidade da dedução dos dependentes que o Impugnante afirma dele dependerem economicamente é inócuo, pois ainda que fosse afastada a questão da dependência, a glosa deveria ser mantida pela falta de comprovação dos Fl. 109DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 demais requisitos, como a falta de documentação relativa à prestação dos serviços e falta da comprovação do efetivo desembolso dos pagamentos informados. Multa Aplicada O peticionário questiona a multa de ofício, correspondente ao percentual de 75% do valor do imposto apurado, pois ela representaria afronta ao princípio do não-confisco, consagrado pela Constituição Federal de 1988. Sobre este tema, convém registrar que a multa em apreço constitui mera sanção por ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, razão pela qual se revela inaplicável o princípio da vedação do confisco, previsto no art. 150, inciso IV, da CF/88. Não obstante este fato, deve-se observar que não existe um patamar pré-definido que permita dizer que um tributo tem ou não efeito confiscatório, cabendo essa valoração ao legislador ou, mediante provocação, ao órgão judicial competente. Assim, em primeiro plano, pode-se dizer que o princípio do não-confisco é uma limitação imposta pelo legislador constituinte ao legislador infra-constitucional, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório, onerando excessivamente o contribuinte. Em segundo plano, o princípio dirige-se, eventualmente, ao Poder Judiciário, que deve aplicá-lo no controle difuso ou concentrado da constitucionalidade das leis. Não se pode, portanto, dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária, que submete-se ao princípio da legalidade, não podendo se esquivar da aplicação de lei editada conforme o processo legislativo constitucional. Em outras palavras, à Administração Tributária incumbe a execução da lei, em estrita observância dos seus mandamentos, sob pena de responsabilidade funcional. A autoridade lançadora, tampouco a julgadora, portanto, não devem e nem podem fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “ atividade administrativa plenamente vinculada”. O que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, e não a repercussão da exigência no patrimônio do contribuinte. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador, a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, sendo irrelevante sua repercussão na situação econômico-financeira do sujeito passivo. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, exceto na parte que discute a inconstitucionalidade da multa aplicada, afastar as preliminares de nulidade por ausência de fundamentação e nulidade por falta de apresentação analítica do crédito, e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2003-005.991 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004745/2010-31 Fl. 111DF CARF MF Original

score : 1.0
4698165 #
Numero do processo: 11080.005866/2007-65
Turma: Sexta Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 07/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N° 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449/2008, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações a legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2806-000.192
Decisão: ACORDAM os membros da 6ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200906

ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 07/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N° 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449/2008, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações a legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.

turma_s : Sexta Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009

numero_processo_s : 11080.005866/2007-65

anomes_publicacao_s : 200906

conteudo_id_s : 4427899

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 11 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 2806-000.192

nome_arquivo_s : 280600192_147212_11080005866200765_004.PDF

ano_publicacao_s : 2009

nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

nome_arquivo_pdf_s : 11080005866200765_4427899.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da 6ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009

id : 4698165

ano_sessao_s : 2009

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:39 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339484553216

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T13:44:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T13:44:42Z; Last-Modified: 2009-09-09T13:44:42Z; dcterms:modified: 2009-09-09T13:44:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T13:44:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T13:44:42Z; meta:save-date: 2009-09-09T13:44:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T13:44:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T13:44:42Z; created: 2009-09-09T13:44:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-09-09T13:44:42Z; pdf:charsPerPage: 1291; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T13:44:42Z | Conteúdo => S2-1-E06 Fl. 139 114.21 MINISTÉRIO DA FAZENDA lbZEL "1" - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.005866/2007-65 Recurso n° 147.212 Voluntário Acórdão n° 2806-00.192 — 6' Turma Especial Sessão de 2 de junho de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente JOSÉ CARLOS STURZA DE MORAES Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 07/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N° 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449/2008, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações a legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relata. os e discutidos os presentes autos. ACORD:1 o membros da 6' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimi, .de de tos, em dar provimento ao recurso. ELIAS • h' %tiv El • - Presidente MARCELO g r0 E UZA COSTA — Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo e Rogério de Lellis Pinto. Processo if 11080.005866/200745 82-TE06 Acórdão n.• 2806-00.192 Fl. 140 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por suposto descumprimento de obrigação acessória cujo amparo legal é estabelecido através da Lei 8212/91. De acordo com o Relatório Fiscal, a autuação foi lavrada em nome do contribuinte por força do contido no art. 41 da Lei 8212/91, que assim dispunha: Art. 41 — O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivo desta Lei ou do seu Regulamento, sendo obrigatório o desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Inconformado com a Decisão Notificação que julgou procedente a autuação, o contribuinte recorre à este conselho, rebatendo as justificativas da autoridade de primeira instância. É o relatório. 2 Processo n° 11080.005866/2007-65 S2-TE06 Acórdão n.° 2806-00.192 Fl. 141 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos deve-se preliminarmente considerar a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia o fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; (.) Vê-se que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, deve-se aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n° 8.212/1991, cancelando-se, assim, as penalidades decorrentes. • Sobre essa questão, concordo com o Parecer PGFN/CDA/CAT n.° 190/2009, de 02/02/2009, que já dá o tom de qual entendimento será adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplica-se a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penali a licadas com base no art. 41 da Lei n.° 8.212/199 3 Processo n0 11080.005866/2007-65 S2-TE06 Acórdão 8, 2806-00.192 Fl. 142 Considerando as argumentações acima , a revogação do art. 41 da Lei 8212/91 e tudo mais que dos autos constam. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito DAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 2 de junho de 2009 arnerauria) MARCEL rir S OSTA - Relator 4 Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1

score : 1.0
10248688 #
Numero do processo: 12448.738634/2011-20
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. Podem ser deduzidos na declaração do imposto de renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se comprovado que decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade. Afasta-se a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos, em conformidade com a legislação de regência. PAF. MATÉRIA DE PROVA,, PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que as mesmas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.
Numero da decisão: 1003-004.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução da despesa com pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 12.363,34, na base de cálculo do imposto de renda do ano-calendário 2009, exercício 2010. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202312

ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. Podem ser deduzidos na declaração do imposto de renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se comprovado que decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade. Afasta-se a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos, em conformidade com a legislação de regência. PAF. MATÉRIA DE PROVA,, PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que as mesmas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos.

turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 12448.738634/2011-20

anomes_publicacao_s : 202401

conteudo_id_s : 7002043

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1003-004.097

nome_arquivo_s : Decisao_12448738634201120.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO

nome_arquivo_pdf_s : 12448738634201120_7002043.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução da despesa com pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 12.363,34, na base de cálculo do imposto de renda do ano-calendário 2009, exercício 2010. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2023

id : 10248688

ano_sessao_s : 2023

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:33 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339485601792

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-01-03T18:28:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-01-03T18:28:59Z; Last-Modified: 2024-01-03T18:28:59Z; dcterms:modified: 2024-01-03T18:28:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-01-03T18:28:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-01-03T18:28:59Z; meta:save-date: 2024-01-03T18:28:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-01-03T18:28:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-01-03T18:28:59Z; created: 2024-01-03T18:28:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2024-01-03T18:28:59Z; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-01-03T18:28:59Z | Conteúdo => S1-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12448.738634/2011-20 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-004.097 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 05 de dezembro de 2023 Recorrente JOSE JULIO FIGUEIRINHAS MARTINS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. Podem ser deduzidos na declaração do imposto de renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se comprovado que decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade. Afasta-se a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos, em conformidade com a legislação de regência. PAF. MATÉRIA DE PROVA,, PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar- se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material. Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo, devendo a autoridade utilizar-se dessas provas, desde que as mesmas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução da despesa com pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 12.363,34, na base de cálculo do imposto de renda do ano- calendário 2009, exercício 2010. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 86 34 /2 01 1- 20 Fl. 55DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.097 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.738634/2011-20 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº. 03-069.184, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário. A DRF do Rio de Janeiro/RJ elaborou a Notificação de Lançamento- Imposto de Renda Pessoa Física nº. 2010/2705824171328681 no dia 10/10/2011 de e-fls. 5/11, cujos termos seguem em síntese: “(...) Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal Em procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual, com base nos arts 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), procedeu-se ao lançamento de ofício, originário da apuração da(s) infração(ões) descrita(s) em folha(s) de continuação anexa(s), identificada(s) nos dispositivos legais constantes do enquadramento legal. (...) DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos recebidos a título de resgaste de Contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Benefício Livre e aos Fundos de Aposentadoria Programa Individual, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 14.639,74, recebido (s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo, Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.195,96. (...) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública Fl. 56DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.097 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.738634/2011-20 Glosa do valor de R$ 12.363,34, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea ‘f”, da Lei nº. 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF nº. 15/2001, arts. 73, 78 e 841, inciso II do Decreto nº. 3.000/99- RIR/99. Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 4.194,92, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado. (...) Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea ‘a”, e §§ 2º. e 3º. da Lei nº. 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº. 15/2001, arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto nº. 3.000/99- RIR/99. DEDUÇÃO NÃO COMPROVADA- UNIMED. DEDUÇÃO INDEVIDA- CLÍNICA ODONTOLOGICA DR. JARBAS CUSTODIO E FILHOS LTDA. FATIMA BRESCIA- RECIBO NO VALOR DE R$ 160,00 EM NOME DE NÃO DEPENDENTE. (...) (A) DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA Imposto de Renda Pessoa Física- Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício- código DARF 2904) O Imposto de Renda Pessoa Física- Suplementar apurado em decorrência da alteração do valor do Imposto Devido está sujeito à Multa de Ofício, nos termos do art. 44, inciso I e § 3º. da Lei nº. 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. (...) (B) DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA MULTA DE MORA E DOS JUROS DE MORA Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora- código DARF 0211) O Imposto de Renda Pessoa Física, apurado em decorrência das alterações do valor do imposto retido na fonte ou pago (Imposto Retido na Fonte, Carnê- Leão e Imposto Complementar), informado pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual, está sujeito à Multa de Mora, nos termos do art. 18 da Lei nº. 10.833/03. (...)”. DA IMPUGNAÇÃO Afirmou o Contribuinte que desconhecia a necessidade de lançamento, uma vez que no momento do resgate total dos Rendimentos Recebidos a Título de Contribuições a Fl. 57DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.097 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.738634/2011-20 Previdência Privada, PGBL e FABI no valor de R$ 14.639,74, já havia sido recolhido o imposto devido na fonte. Asseverou que o valor de R$ 12.363,34 refere-se a pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública. Informou que as despesas médicas referem-se a despesas do mesmo, bem como despesas médicas de companheira com quem o contribuinte tem filho ou vive há mais de 5 anos ou cônjuge e que em virtude da incapacidade financeira dos alimentandos torna-se necessário o pagamentos das despesas médicas dos mesmos. Colacionou documentos com a impugnação apresentada (e-fls. 4/26). DO ACÓRDÃO PROLATADO PELA DRJ/BSB Nº. 03-69.184 A DRJ analisou a impugnação julgando-a improcedente, mantendo o crédito tributário e-fls. 35/40. O Contribuinte interpôs recurso voluntário nos seguintes termos, cuja síntese segue abaixo (e-fls. 48/53): “RECURSO VOLUNTÁRIO José Julio Figueirinhas Martins, CPF nº. 298.758.037-15, residente e domiciliado à Estrada Rio- Bahia, Km 71, Fazenda Texas, Três Córrego, CEP 25980-130, Teresópolis, RJ, não se conformando com o auto de infração/notificação de lançamento e a decisão de primeira instância, da qual foi cientificada em 04/10/2015, vem, respeitosamente, no prazo legal, com amparo no que dispõe o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, apresentar seu recurso, pelos motivos que se seguem. I- Os Fatos A decisão Judicial de Separação foi proferida em 2002, conforme documentos já anexados, quando a minha única fonte de renda era oriunda da aposentadoria pela Fundação Previdenciária IBM. Em 2007, quando da minha aposentadoria pelo INSS, a fim de não incorrer em novos custos judiciais, acordei com os alimentandos que passaria a pagar diretamente aos mesmos os valores correspondentes à pensão determinada em juízo. II- O Direito II.1. PRELIMINAR A sentença foi emitida em 2002, quando do acordo amigável de separação, após início litigioso. Na ocasião eu ainda era funcionário da IBM Brasil e essa era a minha única fonte de renda. Em junho de 2002 fui demitido e aposentado compulsoriamente pela Fundação IBM, passando a receber aproximadamente 35% do meu salário. Em 2007 Fl. 58DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.097 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.738634/2011-20 aposentei-me pelo INSS acrescendo os valores recebidos à minha renda e, portanto, sujeito ao pagamento obrigatório de pensão alimentícia sobre esse valor. II.2- MÉRITO O pagamento da pensão é obrigatório, inclusive sobre o valor recebido do INSS. Com vistas a eliminar qualquer dúvida de que os pagamentos foram efetuados, estou anexando declaração/recibo dos alimentandos que reconhecem que contribuo com valores superiores aos que são lançados com abatimento no IRPF. Solicito que sejam feitas as correções do valor total da pensão que passa a ser de R$ 30949,25 e não R$ 31944,50. Ressalvo também que na declaração da Fundação IBM a mesma deixou de lançar o valor correspondente a 40% do 13º salário que foi transferido para os alimentandos. III- A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado com a possível eliminação e o parcelamento do débito final apurado. Termos em que pede deferimento. Teresópolis- RJ, 03 de novembro de 2015”. É o relatório. . Voto Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Das glosas sobre as despesas de pensão alimentícia judicial Insta destacar, que o Contribuinte recorreu apenas do tópico referente “da dedução de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública”. Insurge-se o Contribuinte, em face da decisão proferida pela DRJ/BSB, que manteve a glosa das despesas com pensão alimentícia no valor de R$ 12.363,64, buscando, por Fl. 59DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.097 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.738634/2011-20 oportuno, nesta fase recursal, obter nova análise do todo processado, no sentido do acatamento das despesas declaradas. Insta destacar que no processo administrativo fiscal, os princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório devem prevalecer, sobrepondo-se ao formalismo processual, sobretudo quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, ou mesmo questionado pela decisão recorrida, caso em que é cabível a revisão do lançamento pela autoridade administrativa. Neste ponto o art. 149 do CTN, determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, harmonizando-se com os dispositivos legais, de cunho material e processual aplicáveis ao caso, assim, torna-se oportuno, a análise dos documentos colacionados pelo contribuinte em sede recursal. Outrossim, torna-se oportuno transcrever os fundamentos motivadores das glosas realizados no acórdão recorrido, cujo teor transcrevo em síntese: “(...) Com a prova da determinação de pagamento de pensão alimentícia judicial, o Impugnante apresentou os ofícios judiciais de fls. 13 e 14. Como prova do pagamento da pensão foi anexado somente o comprovante de rendimentos de fls. 15, no qual consta o desconto a título de pensão alimentícia de R$ 19.581,16, valor acatado pela autoridade lançadora. Quanto ao restante do montante declarado, R$ 12.363,34, não foram apresentadas quaisquer documentos como prova de seu pagamento, razão pela qual correta a glosa dessa quantia. Juntamente com sua impugnação, o Interessado não trouxe provas do pagamento do valor glosado. Assim, deve ser mantida a infração apurada”. Pode-se concluir pela análise da decisão recorrida, que a DRJ/BSB entendeu que a dedução do pagamento da pensão relativa aos rendimentos tributáveis do INSS foi indevida, diante da insuficiência de provas e que não restou demonstrado os pagamentos, afastando a dedutibilidades dos valores declarados. Assim, a controvérsia do processo gira em torno da falta de comprovação dos requisitos legais motivadores da dedução do imposto de renda, uma vez que os documentos ora apresentados não se mostraram suficientemente hábeis ao convencimento da autoridade fiscal. Objetivando suprir o ônus probatório do qual estava incumbido, o Recorrente instruiu a peça recursal, com as cópia das Declarações sobre Recebimento de Pensão Alimentícia por Determinação Judicial dos alimentandos (e-fls. 51/53). Pois bem. Quanto a dedução das despesas com pensão alimentícia, os documentos carreados aos autos em sede recursal são incontestes ao demonstrar que a Recorrente promoveu o pagamento da pensão alimentícia no percentual de 40% sobre os rendimentos de seus rendimentos de aposentadoria de INSS, em favor de sua ex-esposa Wanda de Sousa Pinto e de Fl. 60DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-004.097 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.738634/2011-20 seus filhos Caroline Pinto Martins e Júlio Cesar Pinto, conforme constam dos Ofícios nº. 718/02 e 1.098/02 oriundos da 3ª Vara da Família do Rio de Janeiro/RJ (e-fls. 13/14). Desta feita, respaldado na legislação de regência e nos documentos ora trazidos nessa seara recursal (e-fls. 51/53), afasto a glosa sobre a pensão alimentícia declarada, no valor de R$ 12.363,34. Neste sentido, os entendimentos jurisprudencial do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujos julgamentos seguem abaixo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física- IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE. Podem ser deduzidos na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se restar comprovado que os pagamentos efetuados decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade dos valores pagos. Restando demonstrado que a pensão decorre de determinação judicial ficam atendidos os requisitos para dedutibilidade dos valores pagos, devendo ser afastada a glosa efetuada e, consequentemente, restabelecida a dedução. (Acórdão nº. 2003-000.032, 3ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento CARF, sessão de 28 de março de 2019). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física- IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. Na determinação da base de cálculo sujeito à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas desde que efetivamente comprovadas, as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973- Código de Processo Civil. (Acórdão nº. 2001-005.745, 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 23 de março de 2023). Fl. 61DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-004.097 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.738634/2011-20 Dispositivo Isto posto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução da despesa com pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 12.363,34, na base de cálculo do imposto de renda do ano-calendário 2009, exercício 2010. (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado Fl. 62DF CARF MF Original

score : 1.0
4731706 #
Numero do processo: 19740.000439/2003-58
Turma: Primeira Turma Especial
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. TERMO DE INÍCIO. O Supremo Tribunal Federal aprovou, em sessão plenária, a Súmula Vinculante nº 08, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estipulavam um prazo de dez anos para ocorrência da decadência e prescrição de crédito tributário originado em contribuições sociais. Vigora para as contribuições o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4° do CTN – Lei nº 5.172/66, por força do disposto no artigo 146, inciso III, letra “b”, da Carta Constitucional de 1988. No caso do lançamento reputar-se à aplicação da penalidade pelos não recolhimentos da Contribuição Social devida, por estimativa, o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. CSLL POR ESTIMATIVA. ABATIMENTO EM DCTF COM VALORES RECOLHIDOS E DEPOSITADOS JUDICIALMENTE, EM EXERCÍCIOS ANTERIORES. CABIMENTO. Os valores depositados em juízo podem ser compensados em DCTF com os valores a recolher lançados em procedimento de ofício, sendo incabível a exigência de multa isolada.
Numero da decisão: 191-00.036
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA BARROS FERNANDES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)

dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200810

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. TERMO DE INÍCIO. O Supremo Tribunal Federal aprovou, em sessão plenária, a Súmula Vinculante nº 08, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estipulavam um prazo de dez anos para ocorrência da decadência e prescrição de crédito tributário originado em contribuições sociais. Vigora para as contribuições o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4° do CTN – Lei nº 5.172/66, por força do disposto no artigo 146, inciso III, letra “b”, da Carta Constitucional de 1988. No caso do lançamento reputar-se à aplicação da penalidade pelos não recolhimentos da Contribuição Social devida, por estimativa, o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. CSLL POR ESTIMATIVA. ABATIMENTO EM DCTF COM VALORES RECOLHIDOS E DEPOSITADOS JUDICIALMENTE, EM EXERCÍCIOS ANTERIORES. CABIMENTO. Os valores depositados em juízo podem ser compensados em DCTF com os valores a recolher lançados em procedimento de ofício, sendo incabível a exigência de multa isolada.

turma_s : Primeira Turma Especial

dt_publicacao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2008

numero_processo_s : 19740.000439/2003-58

anomes_publicacao_s : 200810

conteudo_id_s : 7003832

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 12 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 191-00.036

nome_arquivo_s : 19100036_157750_19740000439200358_006.PDF

ano_publicacao_s : 2008

nome_relator_s : ANA BARROS FERNANDES

nome_arquivo_pdf_s : 19740000439200358_7003832.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2008

id : 4731706

ano_sessao_s : 2008

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:39 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339495038976

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:46:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:46:17Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:46:17Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:46:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:46:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:46:17Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:46:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:46:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:46:17Z; created: 2009-09-09T16:46:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-09-09T16:46:17Z; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:46:17Z | Conteúdo => CCOI/C01 Fls. 357 MINISTÉRIO DA FAZENDA tati.j.*4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 19740.000439/2003-58 Recurso n° 157.750 Voluntário Matéria CSLL - Multa Isolada Falta de Recolhimento das Estimativas Acórdão n° 191-00.036 Sessão de 21 de outubro de 2008 Recorrente BANCO MÁXIMA S/A Recorrida la TURMA-DRJ/R10 DE JANEIRO - RJ. I Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. TERMO DE INÍCIO. O Supremo Tribunal Federal aprovou, em sessão plenária, a Súmula Vinculante n° 08, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estipulavam um prazo de dez anos para ocorrência da decadência e prescrição de crédito tributário originado em contribuições sociais. Vigora para as contribuições o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4° do CTN 7 Lei n° 5.172/66, por força do disposto no artigo 146, inciso III, letra "b", da Carta Constitucional de 1988. No caso do lançamento reputar-se à aplicação da penalidade pelos não recolhimentos da Contribuição Social devida, por estimativa, o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. CSLL POR ESTIMATIVA. ABATIMENTO EM DCTF COM VALORES RECOLHIDOS E DEPOSITADOS JUDICIALMENTE, EM EXERCÍCIOS ANTERIORES. CABIMENTO. Os valores depositados em juizo podem ser compensados em DCTF com os valores a recolher lançados em procedimento de oficio, sendo incabível a exigência de multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . , . . Processo n° 19740.000439/2003-58 CCOI/C01 Acórdão n.° 19140.036 Fls. 358 AN ÔNIO P GA Presidente ANA DE BARROS FERNANDES Relatora FORMALIZADO EM: 2 3 DEZ 2008 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcos Vinícius Barros Ottoni e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório A instituição financeira em epígrafe foi autuada a recolher ao erário multa isolada pelo não pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido calculada sobre a base de cálculo estimada, conforme Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal pertinente juntados às fls. 187 a 201. Em apertada síntese, a autuação se deveu à não consideração de compensações efetuadas pela instituição de montantes depositados em juízo, sub judice ainda, não convertidos em favor da Fazenda Nacional, explicitando, minuciosamente, nos demonstrativos elaborados e textos explicativos quais valores que foram ou não considerados, ensejando a lavratura do Auto de Infração sob análise. A ora recorrente impugnou o feito fiscal, alegando, em preliminar, a decadência fluída, dada a natureza tributária das contribuições sociais e a sua subordinação aos ditames da Lei Complementar, no caso, Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), que estabelece o prazo de cinco anos para a Fazenda constituir o crédito tributário, a contar da ocorrência do fato gerador (artigo 150). No caso presente, as CSLL não recolhidas, que ensejaram a aplicação da multa isolada prevista na norma tributária, correspondiam aos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997 e o lançamento foi realizado em setembro de 2003. Nas razões meritórias, discorre sobre ter havido equívoco nas considerações da autora do lançamento fiscal, não restando compensações indevidas para o ano de 1997, e que, por seu equívoco, preencheu erroneamente a DIPJ do período, mas, na verdade, haver optado por fazer os Balanços de Redução/Suspensão. Por fim, pede a insubsistência do lançamento e argumenta a inconstitucionalidade da multa de oficio aplicada. 2 Processo n° I 9740.000439/2003-58 CCO 1/CO! Acórdão n.° 191-00.036 Fls. 359 Pelo Acórdão n° 12-13.250 proferido pela Primeira Turma da DRJ/RJO I, o lançamento fiscal foi mantido, com exceção da redução da multa aplicada no percentual de 75% para 50%, em vista da promulgação de Medida Provisória que cominou penalidade menos severa que a lei vigente à época dos fatos (atualmente, Lei n° 11.488/07, artigo 44, inciso II, alínea `b'). Às fls. 273 a 351, a instituição autuada, tempestivamente, recorre a este Conselho de Contribuintes objetivando a reforma da decisão de primeira instância e a insubsistência do lançamento, pelas mesmas razões expostas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo e passo a analisá-lo estando o crédito tributário objeto do presente litígio administrativo — multa isolada no valor de R$ 64.069,70 — , dentro do limite de alçada para apreciação por essa Turma Especial, de acordo com o definido no inciso II do artigo 2° da Portaria MF n°92/08. Trata o presente de exigência fiscal da multa isolada prevista no artigo 44, inciso I, § 1°, inciso IV, da Lei n°9.430/96 vigente à época, por ter a autoridade fiscal constatado que não houve os recolhimentos devidos da CSLL mensal, conforme relatado. Preliminarmente, cabe apreciar a argumentação do Auto de Infração estar fulminado pelo instituto da decadência, segundo o qual fica impedida a Fazenda Nacional de constituir crédito tributário por haver discorrido o tempo estipulado na lei para exercer esse direito. No caso em concreto, as multas isoladas são relativas aos períodos de setembro a dezembro de 1997 (fls. 188) e a autuação reputa-se perfeita e acabada na data da ciência do Auto de Infração, em setembro de 2003 (fls. 187). O Supremo Tribunal Federal, recentemente, em 12 de junho de 2008, declarou, por intermédio da Súmula Vinculante de n° 08, que: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei n" 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Por este ato, encerrou discussão sobre qual o prazo decadencial a que se sujeitam as contribuições para a Seguridade Social, sendo aplicável, para este efeito, as disposições contidas na Lei n° 5.172/66, Código Tributário Nacional - CTN, reconhecida com o stattts de Lei Complementar, conforme a Carta Magna exige para que se verse sobre normas gerais sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (artigo 146, III, b, da Constituição Federal). C;t2- 3 Processo n° 19740.000439/2003-58 CC0I/C01 Acórdão n.° 191-00.030 Fls. 360 O crédito tributário ora debatido não se refere à falta de recolhimento/insuficiência de tributo, mas à aplicação de penalidade pecuniária. Daí não se poder aplicar o artigo 150 do CTN, restrito aos lançamentos por homologação, como invocou a recorrente. Aplica-se à questão suscitada, o artigo 173, dispositivo genérico para as demais espécies de créditos tributários lançados, de oficio: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O fisco pode lançar a multa isolada pela falta de recolhimento do tributo ainda dentro do próprio ano-calendário, ao constatar que os recolhimentos com base nos valores apurados por estimativa não foram realizados, observando o preceito acima, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido efetuado. Desta forma, o termo a quo para a contagem correta do prazo hábil para a Fazenda constituir o presente crédito tributário, é da seguinte forma fixado: Fatos Competências Termo inicial Termo final Decadência não recolhimentos 1° dia do ex. seguinte Data da autuação das estimativas (an. 173, I, CTN) (14/09/2003) Out/97 Set/97 01/01/98 01/01/2003 SIM Nov/97 Out/97 01/01/98 01/01/2003 SIM Dez197 Nov/97 01/01/98 01/01/2003 SIM Jan/98 Dez/98 01/01/99 01/01/2004 NÃO Desta forma, as exigências de multa isolada referentes a setembro a dezembro de 1997 estão, de fato, decaídas, pelo que acata-se a preliminar de decadência. Resta, porém, a exigência fiscal relativa a dezembro de 1998, no valor de R$ 8.578,52. No mérito, a contribuinte reitera que não havia saldos em aberto ou valores a título de CSLL relativos aos meses de 1997 a recolher, portanto não se sujeitando à aplicação da multa isolada, ora objeto desse litígio. - Sintetizo os argumentos e raciocínio esposado da recorrente para avaliar melhor se procedentes — fls. 280 e 281, confrontando com as informações,depois, da auditora fiscal: 1) quando houve majoração da alíquota da CSLL de 8% para 18% ingressou com ação judicial e começou a depositar a diferença de valores, correspondente a 10%, em juízo — em maio de 1996; 4 . , . . Processo n° 19740.00043912003-58 CC01/CO 1 Acórdão n.° 191-00.036 Fls. 361 • 2) até essa data, havia procedido aos recolhimentos devidos, por DARF, e compensado o saldo negativo apurado em 1995; 3) no total, recolheu R$ 27.915,67 e depositou R$ 34.105,12, perfazendo R$ 62.056,79; 4) no encerramento do ano de 1996, apurou base de cálculo negativa de CSLL no valor de R$75.076,10, revertendo todo o valor recolhido, ou depositado, para compensar com as estimativas de 1997; 5) o artigo 151, inciso II, do CTN — Código Tributário Nacional, permitem, no entender da recorrente, a compensação dos valores depositados judicialmente; 6) tendo em vista a correção monetária dos depósitos, a recorrente procedeu acertadamente em abater dos valores vincendos e antecipou, na verdade, os valores devidos em 1997. II - Do relatório da fiscalização — fls. 196 e 197, extraímos: 1) a auditora fiscal apurou o valor de R$ 27.951,67 de recolhimentos por DARF; 2) a consulta de depósitos judiciais de fls. 48 e 49 demonstram que esses perfazem o valor de R$ 34.205,08, para o período de maio de 1996 a janeiro de 1997; 3) no encerramento do ano-calendário de 1996 apurou saldo negativo da CSLL no valor de R$ 67.647,52; 4) entende que os depósitos judiciais não podem ser considerados para abater os valores a serem recolhidos, por estimativa, pois não pertencem à Fazenda Pública enquanto em juízo; 5) procedeu à glosa dos valores depositados judicialmente, realizando imputação de pagamentos com os recolhimentos efetuados por DARF, apurando os valores devidos referentes a setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997— fls. 201. Bem, dos pontos destacados, constatamos que não há controvérsias quanto aos valores detectados pela auditoria fiscal. Há apenas que se decidir sobre o cabimento, ou não, da compensação efetuada com os valores depositados em juízo, cuja ação ainda está pendente de resolução judicial. Tanto a auditora fiscal como a DRJ, no acórdão vergastado, entendem que não há norma que autorize a compensação realizada nessa forma, o que é imperativo pelo comando do artigo 170 do Código Tributário Nacional - CTN, quando se trata da matéria compensação tributária. ir) Processo n° 19740.000439/2003-58 CCOI/C01 Acórdão n.° 191-00.036 Fls. 362 A recorrente entende que o artigo 151 do mesmo Código, CTN, supre a norma exigida no artigo 170, ao dispor sobre a suspensão de exigibilidade pelo depósito integral dos valores discutidos judicialmente. No presente caso, não se está exigindo as CSLL referentes ao ano de 1996, cujas majorações de alíquotas estão sendo decididas judicialmente, e foram recolhidas, por DARF, em menor valor do aquele preceituado em lei — ou lançando-se multa devido as diferenças de recolhimentos pelas aliquotas sub judice. A diferença não está sendo exigida, pelo que entendo que não se pode aplicar, de nenhuma forma, as disposições do artigo 151 do CTN ao presente caso; nem a súmula 112 do STJ. O que está sendo debatido é se os valores sub judice podem abater os débitos vincendos, como bem expressado pela recorrente. Neste ponto, pendo a discordar da decisão proferida pela DRJ, que acompanhou o raciocínio da fiscalização. Enquanto debelada a questão em juizo, a Fazenda não tem, de fato, a disposição do numerário que está sendo depositado, porém, uma vez finda a ação, se a União for vencedora, o valor todo será convertido a seus cofres e não haverá prejuízo à Fazenda, por ter admitido a referida compensação. Do contrário, se a recorrente obtiver êxito, a alíquota devida por ela não é aquela preceituada na norma, e considerada na autuação, tornando-se indevida a exação fiscal. Se a contribuinte recolher a multa isolada ora imposta e amanhã obtiver o ganho de causa, sem dúvida esta se tomará totalmente descabida. Observe-se, ainda, que a contribuinte não deixou de informar os valores devidos, segundo a norma vigente, nas DCTF entregues, mas sim registrou os pagamentos por DARF e os abatimentos pelos depósitos judiciais realizados, não havendo valores controversos. Pelo exposto, não vejo como exigir a multa isolada sobre os recolhimentos a título de CSLL por estimativa, visto que considerando os DARF e depósitos judiciais havidos em 1996 e convertidos em créditos, não se apuram saldos a recolher referente às CSLL por estimativas levantadas em 1997. CONCLUSÃO Voto no sentido de acolher a preliminar de decadência para o lançamento da multa isolada para os meses de setembro, outubro e novembro de 1997, e, no mérito, com relação à exigência da multa isolada sobre o valor apurado em dezembro de 1997, dou provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões em 21 de outubro de 2008 ANA Dfr3ARROS FERNANDES 6 Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1

score : 1.0
4667554 #
Numero do processo: 10730.005854/2002-61
Turma: Primeira Turma Especial
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição. DECADÊNCIA. APURAÇÃO ANUAL. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO ACIMA DO LIMITE LEGAL. O fato gerador do IRPJ completa-se em 31 de dezembro de cada ano, sendo os valores recolhidos por estimativas antecipações do imposto de renda devido. Respeitada esta regra e observado o prazo qüinqüenal, o lançamento fiscal não pode ser alcançado pela decadência. PREJUÍZO FISCAL. LIMITE LEGAL. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A Lei nº 8.981/95, em seu artigo 42, e a Lei nº 9.065/95, no artigo 15, impuseram o limite de 30% do lucro líquido ajustado, para cada período de apuração, para o contribuinte compensar os prejuízos fiscais acumulados, garantindo prazo indeterminado para o exercício do direito, não cabendo à autoridade administrativa apreciar a constitucionalidade da norma tributária ou a sua legalidade (art. 102, III, ‘b’, ‘c’, da Constituição Federal). Matéria já sumulada (Súmula nº 03/1ºCC). Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 191-00.011
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: ANA BARROS FERNANDES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais

dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200809

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição. DECADÊNCIA. APURAÇÃO ANUAL. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO ACIMA DO LIMITE LEGAL. O fato gerador do IRPJ completa-se em 31 de dezembro de cada ano, sendo os valores recolhidos por estimativas antecipações do imposto de renda devido. Respeitada esta regra e observado o prazo qüinqüenal, o lançamento fiscal não pode ser alcançado pela decadência. PREJUÍZO FISCAL. LIMITE LEGAL. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A Lei nº 8.981/95, em seu artigo 42, e a Lei nº 9.065/95, no artigo 15, impuseram o limite de 30% do lucro líquido ajustado, para cada período de apuração, para o contribuinte compensar os prejuízos fiscais acumulados, garantindo prazo indeterminado para o exercício do direito, não cabendo à autoridade administrativa apreciar a constitucionalidade da norma tributária ou a sua legalidade (art. 102, III, ‘b’, ‘c’, da Constituição Federal). Matéria já sumulada (Súmula nº 03/1ºCC). Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Primeira Turma Especial

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008

numero_processo_s : 10730.005854/2002-61

anomes_publicacao_s : 200809

conteudo_id_s : 7003440

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 12 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 191-00.011

nome_arquivo_s : 19100011_158244_10730005854200261_007.PDF

ano_publicacao_s : 2008

nome_relator_s : ANA BARROS FERNANDES

nome_arquivo_pdf_s : 10730005854200261_7003440.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2008

id : 4667554

ano_sessao_s : 2008

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:39 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339496087552

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:46:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:46:34Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:46:34Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:46:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:46:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:46:34Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:46:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:46:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:46:34Z; created: 2009-09-09T16:46:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-09-09T16:46:34Z; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:46:34Z | Conteúdo => CCOUT91 Fls. 287 4/ÁCÁ, MINISTÉRIO DA FAZENDA zotntir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • - PRIMEIRA TURMA ESPECIAL Processo n° 10730.005854/2002-61 Recurso n° 158.244 Voluntário Matéria IRPJ - Compensação de Prejuízos Acórdão n° 191-00.011 Sessão de 16 de setembro de 2008 Recorrente CAMB CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA Recorrida 4' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO - RJ. I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto n° 70.235/72, respeitando-se o princípio processual da dupla jurisdição. DECADÊNCIA. APURAÇÃO ANUAL. ADIÇÃO AO LUCRO REAL DESPESA NÃO DEDUTIVEL GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO ACIMA DO LIMITE LEGAL. O fato gerador do IRPJ completa-se em 31 de dezembro de cada ano, sendo os valores recolhidos por estimativas antecipações do imposto de renda devido. Respeitada esta regra e observado o prazo qüinqüenal, o lançamento fiscal não pode ser alcançado pela decadência. PREJUÍZO FISCAL. LIMITE LEGAL ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A Lei n°8.981/95, em seu artigo 42, e a Lei n°9.065/95, no artigo 15, impuseram o limite de 30% do lucro líquido ajustado, para cada período de apuração, para o contribuinte compensar os prejuízos fiscais acumulados, garantindo prazo indeterminado para o exercício do direito, não cabendo à autoridade administrativa apreciar a constitucionalidade da norma tributária ou a sua legalidade (art. 102, III, 'b', 'c', da Constituição Federal). Matéria já sumulada (Súmula n° 03/1°CC). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. _ \P/ . . I Processo rr 10730.005854/2002-61 CCOI/T91 Acórdão n.° 191-00.011 Fls. 288 ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AriSO GA Presidente ANk r---)l; BARROS FERNANDES Relatora FORMALIZADO EM: 20 Mn 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI e ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA. , Relatório A empresa foi autuada por ter sido constatado que compensou prejuízo fiscal em valor superior ao permitido na norma tributária (valor superior a 30% do lucro líquido) e por ter se apropriado do valor total de juros remuneratórios de empréstimo tomado do Banco Bradesco, de valor repassado aos sócios para aumento de capital, quando deveria ter feito a apropriação do valor pro-rata, conforme se verifica pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 07 a 08, Auto de Infração de fls. 04 a 06 e demonstrativos de fls. 09 a 11. Às fls. 162 a 170 foram juntados os demonstrativos do Sapli — Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais relativo à empresa, no qual se verificam a compensação de parte do prejuízo fiscal acumulado com o total do Lucro Real apurado na DIRPJ/98 (fls. 12 a 43). A recorrente impugnou o lançamento fiscal às fls. 178 a 180, alegando, em síntese, que: a auditoria se deu de forma sumária; as justificativas apresentadas no curso da fiscalização não foram acatadas; o lançamento baseou-se em relatório desconhecido à recorrente prejudicando a defesa e o exercício do contraditório; os documentos que acompanham o Auto de Infração são de dificil compreensão; e, por fim, é inadmissível o fato de a empresa não poder compensar a totalidade dos prejuízos fiscais com o lucro apurado no período, invocando julgado do Tribunal Regional Federal da 5' Região Fiscal que se manifestou sobre a inconstitucionalidade da limitação imposta pela Lei n°8.981/95. Requer, ao final, o cancelamento da autuação contra si imposta. ()( 2 Processo n° 10730.005854/2002-61 CC01/791 Acórdão n.° 191-00.011 p• Às fls. 201 a 208, a DRJ do Rio de Janeiro, por acórdão exarado pela Quarta Turma, se pronunciou consoante ementa a seguir reproduzida, encaminhando o processo ao setor competente para as devidas alterações no sistema Sapli, conforme autuada a empresa e mantido na integralidade o crédito tributário lançado, de oficio: DELIMITAÇÃO DA LIDE. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. A matéria que deixou de ser expressamente contestada pela interessada não comporá a lide tributária, devendo se situar fora dos limites do contraditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A alegação de infringência ao princípio do devido processo legal, diante do total entendimento da interessada sobre o assunto objeto da autuação, desde à época investigatória, faz cair por terra qualquer pretensão neste sentido. IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE PREVISTO NA LEI ULTRAPASSADO PELO SUJEITO PASSIVO. A exigência de IRPJ torna-se devida no caso de terem sido compensados pelo sujeito passivo prejuízos acima do limite estabelecido pela lei em vigor à época do fato. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. O Sapli foi devidamente atualizado, conforme demonstrativos juntados às fls. 211 a 224, precipuamente fls. 216 (ano-calendário de 1997). Inconformada, a recorrente apresenta o Recurso Voluntário de fLs. 232 a 284, argumentando, em mérito: a) em resposta à Intimação Fiscal, no curso do procedimento de fiscalização, esclareceu ao fiscal autuante que o valor das despesas financeiras com empréstimo para aumento de capital efetuado pelos sócios não deveriam ser adicionados ao lucro líquido, conforme estava a proceder, devendo esta matéria ser considerada como matéria controvertida e objeto da irresignação da recorrente quando ofereceu sua impugnação ao lançamento, devendo, por conseguinte, ser apreciada pela instância administrativa a guo; argumenta, ainda, que o valor do empréstimo contraído favoreceu diretamente a empresa e consistiram em despesas desta, efetivamente, não vindo a constituir rendimento tributável e, por conseguinte, insuscetível de tributação. b) a decisão exarada pela Quarta Turma da DRJ /RIO I, deve ser reformada, no que respeita à limitação legal do percentual de 30% do lucro real apurado no período para efeito de compensação com o prejuízo fiscal acumulado, em vista de julgados administrativos e a atual posição do Supremo Tribunal Federal - STF, na iminência de declarar inconstitucional esta limitação. Colaciona à peça recursal diversas ementas de ações cautelares que concederam efeito suspensivo aos recursos extraordinários interpostos perante o STF, cujo objeto é a limitação percentual ora debatida (fls. 235 a 238). 6) 3 Processo n° 10730.005854/2002-61 CCOI/T91 Acórdão n, 191-00.011 Fls. 290 Junta também artigos doutrinários relacionados à mesma questão — trava dos 30% (fls. 238 a 264). Segue invocando acórdão proferido pela Sétima Câmara deste Conselho, no qual decidiu-se que cabe à fiscalização compensar o excesso não compensável no período, nos períodos subseqüentes, até a data da ação fiscal. Alega, ainda, que o lançamento não pode prosperar em virtude da decadência operada. O lançamento ocorreu em 30.12.2002 e os fatos geradores do imposto são pertinentes a períodos fulminados pela decadência, visto tratar-se de lançamento por homologação. Finaliza solicitando a insubsistência da autuação fiscal por declaração da decadência, ou pelas razões de mérito trazidas, as quais não sendo acolhidas deve-se sobrestar o julgamento presente até a manifestação final do Supremo Tribunal Federal, conforme esposado. É o relatório. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora. Conheço do presente Recurso, por tempestivo. Preliminarmente, há que se abordar duas questões suscitadas pela recorrente. DECADÊNCIA A primeira concerne à decadência, que se, de fato, alcançou a autuação fiscal, fulmina-a e deve ser reconhecida de oficio. Todavia, no presente caso, não se aplica o instituto da decadência. A autuação em pauta baseou-se em duas infrações detectadas. Primeiro, na adição ao lucro líquido de valor que entendeu tributável, por não ter sido realizado o cômputo de despesa de forma rateada, ato esse que modificou o fato gerador da obrigação tributária. Considerando que a empresa opta pelo Lucro Real, com apuração anual, conforme comprova a DIRPJ/98 de fls. 12 às 43, têm-se que o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - 1RPJ ocorre em 31/12/1997, aplicando-se as disposições do artigo 150 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n°5.172/66). Ora, contado o prazo qüinqüenal da decadência, a autuação não poderia ser posterior a 31/12J2002, mas, observe-se, a empresa foi cientificada do Auto de Infração em 30/12/2002, portanto, ainda dentro do prazo que a Fazenda Nacional tinha para efetuar o lançamento. Já com relação ao outro fato que ensejou a autuação da contribuinte, diz respeito à compensação de prejuízo fiscal em valor a maior que o permitido por lei. P 4 • Processo n° 10730.005854/2002-61 CC01/791 Acórdão n.° 191-00.011 Fls. 291 Esta Conselheira entende que este fato — compensar o lucro apurado referente ao ano-calendário com saldo de prejuízos acumulados — se concretiza com a entrega da DIRPJ/98, no caso, em 30/04/1998, o que deslocaria o termo a quo para o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (aplicando-se o disposto no artigo 173, inciso I, Código Tributário Nacional). Ressalvo, por oportuno, ser esta a minha posição pessoal já havendo manifestado-a nessa Turma Especial que não a acolheu, a despeito de ser amplamente debatido que é sabido e ressabido que a autoridade lançadora, antes deste momento, não tem como evitar o procedimento indevido do contribuinte. Neste caso, saliente-se, ao verificar a compensação em valor superior ao permitido legalmente, a fiscalização não alterou qualquer elemento que compunha os saldos dos prejuízos, que vão se acumulando para, futuramente, serem utilizados pelo contribuinte. Não há, por conseguinte, neste momento, matéria tributável a ser lançada de oficio, mas mera constatação de que, em tese, a contribuinte estaria informando um valor ilegal para compensar o Lucro Real que apurou e, desta forma, evadir-se de calcular e pagar o Imposto de Renda devido. Ao incluir um valor indevido para alterar a base de cálculo do IRPJ, comete a infração tributária e sujeita-se às penalidades decorrentes. Até porque, nesse segundo tópico, não se está a discutir fatos geradores do Imposto de Renda de 1997, modificando-os ou alterando-os (quando o termo inicial seria 31/12/97, conforme acima explicitado). A questão limita-se a consolidar os saldos e verificar se o contribuinte tem ou não valores a compensar com o Lucro Real e se o fez conforme a lei autoriza. Assim, ao meu entender, isolado nessa Turma, destaco, não há que se falar em contagem do tempo decadencial a partir de 31/12/1997, fato gerador do Imposto de Renda. Todavia, ainda que rechaçada essa tese, pelos fundamentos retro expostos não se reconhece a ocorrência da decadência do feito fiscal ao glosar a compensação de prejuízo haja vista a contribuinte ter sido cientificada do lançamento em 30/12/2007, antes de iniciado o prazo decadencial, cujo termo seria o dia 31/12/2007. Rejeito, por conseguinte, a preliminar suscitada de decadência. PRECLUSÃO A outra preliminar a ser debatida diz respeito à matéria objeto da autuação, considerada como não expressamente impugnada pela contribuinte. A fiscalização adicionou ao lucro real despesa considerada indedutível face a sua natureza e à forma de apropriação. Com efeito, analisada a impugnação apresentada pela autuada, não há menção dessa matéria em seu texto. E apesar da recorrente argumentar que no procedimento fiscal esclareceu os fatos de forma a ilidir a tributação, estes foram considerados mas não impediram a autuação, a qual esclareceu que o capital social fora aumentado, beneficiando os sócios. Para deslindar essa questão, mister se faz analisar os artigos 14 e 17 do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal: <IP Processo n°10730.005854/2002-61 CCOI/T91 Acórdão n.° 191-00.011 Fls. 292 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 1-1 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) Os textos legais são claros. A fase de apuração da matéria tributável e o curso da ação fiscal não instauram litígio, agindo o Estado, de oficio, ainda que o contribuinte não 'colabore', principalmente na atividade pública de fiscalização. Somente apresentada a impugnação é que a fase litigiosa se instaura e, por força da norma processual tributária e os princípios que regem o processo administrativo fiscal, precipuamente o principio do duplo grau de jurisdição, as matérias objetos de atuação não contestadas expressamente, tem-se precluso o direito do contribuinte em contestá-las, na esfera administrativa, sendo defeso a esse órgão colegiado apreciar matéria que não constou da lide quando do julgamento em instância inferior. Não há como fugir do mandamento da norma, sendo a atividade administrativa de lançamento ou de julgamento, atividades vinculadas às normas, não cabendo acatá-las ou não. Considera-se, pois, incontroversa a matéria elencada no item 2 do Auto de Infração a seguir descrita (fls. 05), abstraindo esse colegiado de analisar a procedência das argumentações trazidas de forma extemporânea nesse Recurso Voluntário, mantendo-se a decisão da DRJ/R10 I neste tocante : Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, no valor de R513.135,00, correspondente a apropriação "pro-rata" dos juros pagos pela pessoa jurídica sobre empréstimo obtido junto ao Banco Bradesco S.A., tendo sido o montante de R$ 370.000,00 repassado para os sócios para aumento de capital da empresa, sendo, portanto descabido a utilização de tais encargos, na totalidade, como despesa financeira, apropriada ao resultado do exercício findo em 31/12/1997[...] Pela mesma razão, não tendo a contribuinte se insurgido, na impugnação, sobre o fato da autoridade lançadora não ter, de oficio, compensado o excesso dos 30% (do prejuízo compensado ao arrepio da norma tributária) com os resultados de períodos posteriores, esse colegiado deve, de igual forma, declarar como matéria preclusa afastando de ser apreciada. COMPENSAÇÃO DE PREJUIZO EM VALOR SUPERIOR A 30% DO LL No mérito, há que se enfrentar a questão suscitada sobre a inconstitucionalidade da norma tributária esculpida nos artigos 42 da Lei n° 8.981/95 e 15 da Lei n° 9.065/95, que impõem o limite de compensar o saldo do prejuízo acumulado em 30% do lucro líquido. Esta matéria, recorrente, já foi objeto de Súmula editada por este órgão julgador: Súmula PCC n° 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em 6 Processo n° 10730.00585412002-61 CCOUT91 Acórdão n.° 191-00.011 Fls. 293 razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Os reiterados julgados administrativos firmaram jurisprudência administrativa no sentido de admitir a aplicação das normas tributárias que impõem a trava dos 30% sobre o lucro líquido do valor a ser compensado. Ainda que não houvesse sido matéria sumulada, questões sobre a constitucionalidades das leis não podem ser abordadas na seara administrativa, sendo de competência do Poder Judiciário. Este assunto também já foi sumulado: Súmula I°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E, apesar da farta jurisprudência colacionada pela recorrente em seu Recurso, o Supremo Tribunal Federal não se pronunciou em favor da inconstitucionalidade dos dispositivos em tela, não podendo a autoridade julgadora deixar de aplicar a norma vigente por julgados que não possuem o efeito erga omnes. Nem tampouco pode-se sobrestar o andamento de processos administrativos fiscais até que o Supremo tribunal Federal se manifeste. Se é que vai haver a manifestação conforme expectativa da recorrente. De todo o exposto, conheço do presente recurso, por tempestivo, e concluo pela manutenção integral do lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração juntado às fls. 04 a 11. É o meu voto. Encaminhe-se o presente para o SECAT/DRF/Niterói para ciência da recorrente e providências cabíveis. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 2008 ANAID;BARROS FERNANDES Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1

score : 1.0
9230277 #
Numero do processo: 10865.000521/00-51
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 201-02.168
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200103

turma_s : Primeira Câmara

numero_processo_s : 10865.000521/00-51

conteudo_id_s : 6572493

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 11 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 201-02.168

nome_arquivo_s : Decisao_108650005210051.pdf

nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO

nome_arquivo_pdf_s : 108650005210051_6572493.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.

dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2001

id : 9230277

ano_sessao_s : 2001

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:41 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339518107648

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20202168_108650005210051_200103; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-05-11T14:04:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20202168_108650005210051_200103; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20202168_108650005210051_200103; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-05-11T14:04:10Z; created: 2017-05-11T14:04:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-05-11T14:04:10Z; pdf:charsPerPage: 565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-05-11T14:04:10Z | Conteúdo => Processo Sessão Recurso Recorrente Recorrida MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10865.000521/00.51 22 de março de 2001 116.085 ESCOLA INTERDISCIPLINAR S/C LIDA. DRJ em Campinas - SP DILIGÊNCIA N° 202-02.168 Vistos, relatados e. discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ESCOLA INTERDISCIPLINAR S/C LIDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 22 de março de 2001 I l//) ~tA M"arc6YVl1Jicius~eder de Lima ~idente,. . O/!/7/NJc:::==:- "J Luiz Roberto Domingo Relator la%vrs 1 A•Processo Diligência Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10865.000521/00-51 202-02.168 116,085 ESCOLA INTERDISCIPLINAR S/C LIDA. RELATÓRIO Tem por objeto o presente processo, o inconformismo da Recorrente em relação ao indeferimento de seu pedido de Opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, emitido em 08/02/00, expedido pela Delegacia da Receita Federal em Pirassununga - SP, fundamentada no artigo 12, inciso XIII, da Instrução Normativa 009, de 10 de fevereiro de 2000, Irresignada com tal ato, a recorrente manifestou-se pela apresentação de Impugnação, protocolizada em 03/05/00, eximindo a fase de SRS Solicitação de Revisão da VedaçãolExclusão à Opção pelo SIMPLES - SRS, onde aduz e requer, basicamente, que: (i) o art. 90 da Lei na 9.317/96, é inconstitucional, visto que de acordo com o art. 179 da Constituição Federal, cabe à Lei infraconstitucional a função de definir quantitativamente o que seja microempresa e/ou empresa de pequeno porte e não qualitativamente, sendo que o Constituinte não "delegou ao Legislador "comum" o poder de fixação ou até mesmo de definição de atividades "excluídas" do benefício", o que fere ainda o art. 150 da própria Constituição; (ii) a atividade empresarial exercida pela prestadora de serviços educacionais é muito mais ampla que aquela desenvolvida pelo professor ou seu assemelhado, pois para seu desenvolvimento, é necessária a contratação não só de professores, como também pessoal de limpeza e manutenção, bibliotecários, seguranças, ,." além de outros profissionais, dos quais se exige habilitação legal totalmente distinta da do professor; (iii) traz a baila o Acórdão na 104-9.223, prolatado pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que dá provimento a recurso de contribuinte em matéria idêntica; (iv) os sócios/mantenedores da prestadora de serviços educacionais não precisam possuir qualquer habilitação profissional; (v) Requer o provimento das razões expostas, considerando a impugnante como regularmente inscrita no sistema SIMPLES. 2 Processo Diligência MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10865.000521/00.51 202-02.168 il •• Remetidos os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas - SP, esta decidiu por ratificar o Indeferimento à Opção da Contribuinte, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 Ementa: O Controle da Constitucionalidade das Leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instãncia revisional no Supremo Tribunal Federal - ar!. 102, I, "a", III da CF 88 -, sendo, assim, defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegada inconstitucionalidade da lei que fundamenta o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicá-la ao caso concreto. SIMPLES/OPÇÃO: as pessoas jurídicas cuja atividade seja de ensino ou treinamento - tais como auto-escola, escola de dança, instrução de natação, ensino de idiomas estrangeiros, ensino pré-escolar e outras -, por assemelhar- se à de professor, estão vetadas de optar pelo SIMPLES. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA". Ainda Irresignada com a exclusão confirmada pela decisão singular, da qual foi intimada em 06/09/00, a Recorrente interpõs Recurso Voluntário, cujo protocolo data de 06/10/00, tempestivamente, alegando os mesmos pontos já aduzidos na peça impugnatória, e, quanto às garantias constitucionais dos direitos ao contraditório e à ampla defesa, expõe que "este direito do Administrado é amplo, trazendo no seu bojo o dever das autoridades administrativas e ou judiciais de analisar o conteúdo amplo e total da defesa, não se alegue com a separação de poderes e com subordinação hierárquica.", requer assim que sejam reiteradas e examinadas as Razões de Ordem Constitucional não apreciadas pela autoridade recorrida. É o relatório. 3 Processo Diligência MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10865.000521/00.51 202.02.168 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR LUIZ ROBERTO DOMINGO Pelo que se verifica dos autos, a matéria em exame refere-se à exclusão da Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, com fundamento no inciso XIII do artigo 9° da Lei nO9.317/96, que vedam a opção à pessoa jurídica que: "XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;" (grifas acrescidos ao original) Com a edição da Lei nO 10.034/2000, torna-se imprescindível para o julgamento deste processo averiguar qual o exato objeto social da Recorrente e a que níveis está habilitada a prestar serviços. Corno se pode observar, no caso, não foram juntados aos autos cópia do contrato social da Recorrente, não restando claro a que nível escolar dedica suas atividades, motivo pelo CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam juntados aos autos cópia do contrato social e subseqüentes alterações. Dando-se oportunidade de manifestação à Recorrente, retornem os autos para esta Eg. Câmara para apreciação . .On1~ LUIZ ROBERTO DOMINGO 4 00000001 00000002 00000003 00000004

score : 1.0
10249301 #
Numero do processo: 10314.721061/2015-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2011 a 30/04/2014 NORMAS GERAIS. ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA. As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa apenas tomam o caráter de normas complementares quando a lei lhes atribua eficácia normativa, caso contrário, apenas se aplicam às partes envolvidas, sem estender-se a outras lides. A interpretação de normas legais em vigor feita com amparo em atos administrativos que não se revestem do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração não caracteriza a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN. REVISÃO ADUANEIRA. ART. 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. O desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas não constitui lançamento de ofício nem homologação do lançamento feito pelo sujeito passivo. Conforme legislação de regência, há previsão legal expressa de que as informações prestadas pelo importador por ocasião do despacho de importação sejam revistas em ato de Revisão Aduaneira. O novo entendimento do Fisco acerca da classificação fiscal, do valor da mercadoria ou de quaisquer outras informações prestadas por ocasião do despacho não constitui alteração de critério jurídico.
Numero da decisão: 9303-014.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que votaram em 19/10/2022 pelo não conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Acordam ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Os Conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Tatiana Josefovicz acompanharam o relator pelas conclusões, por não adotarem integralmente a tese encampada sobre a revisão aduaneira, apesar de concordarem que, no caso em análise, não ocorreu alteração de critério jurídico. Em relação ao conhecimento, atuaram os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (em 12/02/2020), e Jorge Olmiro Lock Freire, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (em 19/10/2022). Nos termos da Portaria CARF no 107, de 04/08/2016, tendo em conta que o relator original, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas não mais compõe a CSRF, foi designado pela Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento o Conselheiro Vinícius Guimarães. Nos termos do art. 58, § 5o, do Anexo II do RICARF, o Conselheiro Rosaldo Trevisan não votou neste julgamento, por ter sido colhido o voto dos Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas na sessão de 12/02/2020. Por já terem votado o conhecimento do recurso os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, não foram colhidos em relação ao mesmo tema os votos dos Conselheiros Vinícius Guimarães, Gilson Macedo Rosemburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisário, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Cynthia Elena de Campos e Semíramis de Oliveira Duro. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (relator original), Semíramis de Oliveira Duro, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada) e Liziane Angelotti Meira (presidente). Em relação ao conhecimento, atuaram ainda os Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal (em 12/02/2020), e Jorge Olmiro Lock Freire, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (em 19/10/2022). Como redator ad hoc, o Cons. Vinícius Guimarães serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pelo relator original no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202310

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2011 a 30/04/2014 NORMAS GERAIS. ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA. As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa apenas tomam o caráter de normas complementares quando a lei lhes atribua eficácia normativa, caso contrário, apenas se aplicam às partes envolvidas, sem estender-se a outras lides. A interpretação de normas legais em vigor feita com amparo em atos administrativos que não se revestem do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração não caracteriza a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN. REVISÃO ADUANEIRA. ART. 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. O desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas não constitui lançamento de ofício nem homologação do lançamento feito pelo sujeito passivo. Conforme legislação de regência, há previsão legal expressa de que as informações prestadas pelo importador por ocasião do despacho de importação sejam revistas em ato de Revisão Aduaneira. O novo entendimento do Fisco acerca da classificação fiscal, do valor da mercadoria ou de quaisquer outras informações prestadas por ocasião do despacho não constitui alteração de critério jurídico.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10314.721061/2015-19

anomes_publicacao_s : 202401

conteudo_id_s : 7002095

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 09 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 9303-014.438

nome_arquivo_s : Decisao_10314721061201519.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS

nome_arquivo_pdf_s : 10314721061201519_7002095.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que votaram em 19/10/2022 pelo não conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Acordam ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Os Conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Tatiana Josefovicz acompanharam o relator pelas conclusões, por não adotarem integralmente a tese encampada sobre a revisão aduaneira, apesar de concordarem que, no caso em análise, não ocorreu alteração de critério jurídico. Em relação ao conhecimento, atuaram os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (em 12/02/2020), e Jorge Olmiro Lock Freire, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (em 19/10/2022). Nos termos da Portaria CARF no 107, de 04/08/2016, tendo em conta que o relator original, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas não mais compõe a CSRF, foi designado pela Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento o Conselheiro Vinícius Guimarães. Nos termos do art. 58, § 5o, do Anexo II do RICARF, o Conselheiro Rosaldo Trevisan não votou neste julgamento, por ter sido colhido o voto dos Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas na sessão de 12/02/2020. Por já terem votado o conhecimento do recurso os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, não foram colhidos em relação ao mesmo tema os votos dos Conselheiros Vinícius Guimarães, Gilson Macedo Rosemburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisário, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Cynthia Elena de Campos e Semíramis de Oliveira Duro. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (relator original), Semíramis de Oliveira Duro, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada) e Liziane Angelotti Meira (presidente). Em relação ao conhecimento, atuaram ainda os Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal (em 12/02/2020), e Jorge Olmiro Lock Freire, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (em 19/10/2022). Como redator ad hoc, o Cons. Vinícius Guimarães serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pelo relator original no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas.

dt_sessao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023

id : 10249301

ano_sessao_s : 2023

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:34 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339522301952

conteudo_txt : Metadados => date: 2023-12-15T18:11:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-12-15T18:11:01Z; Last-Modified: 2023-12-15T18:11:01Z; dcterms:modified: 2023-12-15T18:11:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-12-15T18:11:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-12-15T18:11:01Z; meta:save-date: 2023-12-15T18:11:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-12-15T18:11:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-12-15T18:11:01Z; created: 2023-12-15T18:11:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2023-12-15T18:11:01Z; pdf:charsPerPage: 2432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-12-15T18:11:01Z | Conteúdo => CSRF-T3 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10314.721061/2015-19 Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303-014.438 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2023 Recorrentes FAZENDA NACIONAL CROCS BRASIL COMERCIO DE CALCADOS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2011 a 30/04/2014 NORMAS GERAIS. ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA. As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa apenas tomam o caráter de normas complementares quando a lei lhes atribua eficácia normativa, caso contrário, apenas se aplicam às partes envolvidas, sem estender-se a outras lides. A interpretação de normas legais em vigor feita com amparo em atos administrativos que não se revestem do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração não caracteriza a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN. REVISÃO ADUANEIRA. ART. 146 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. O desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas não constitui lançamento de ofício nem homologação do lançamento feito pelo sujeito passivo. Conforme legislação de regência, há previsão legal expressa de que as informações prestadas pelo importador por ocasião do despacho de importação sejam revistas em ato de Revisão Aduaneira. O novo entendimento do Fisco acerca da classificação fiscal, do valor da mercadoria ou de quaisquer outras informações prestadas por ocasião do despacho não constitui alteração de critério jurídico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que votaram em 19/10/2022 pelo não conhecimento. No mérito, por unanimidade de votos, deu-se provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Acordam ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, também por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Os Conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Tatiana Josefovicz acompanharam o relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 10 61 /2 01 5- 19 Fl. 5609DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 pelas conclusões, por não adotarem integralmente a tese encampada sobre a revisão aduaneira, apesar de concordarem que, no caso em análise, não ocorreu alteração de critério jurídico. Em relação ao conhecimento, atuaram os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (em 12/02/2020), e Jorge Olmiro Lock Freire, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (em 19/10/2022). Nos termos da Portaria CARF n o 107, de 04/08/2016, tendo em conta que o relator original, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas não mais compõe a CSRF, foi designado pela Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento o Conselheiro Vinícius Guimarães. Nos termos do art. 58, § 5 o , do Anexo II do RICARF, o Conselheiro Rosaldo Trevisan não votou neste julgamento, por ter sido colhido o voto dos Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas na sessão de 12/02/2020. Por já terem votado o conhecimento do recurso os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, não foram colhidos em relação ao mesmo tema os votos dos Conselheiros Vinícius Guimarães, Gilson Macedo Rosemburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisário, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Cynthia Elena de Campos e Semíramis de Oliveira Duro. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Redator Ad Hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (relator original), Semíramis de Oliveira Duro, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Cynthia Elena de Campos (suplente convocada) e Liziane Angelotti Meira (presidente). Em relação ao conhecimento, atuaram ainda os Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal (em 12/02/2020), e Jorge Olmiro Lock Freire, Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (em 19/10/2022). Como redator ad hoc, o Cons. Vinícius Guimarães serviu-se das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pelo relator original no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzidas. Fl. 5610DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 Relatório Tratam-se de recursos especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra decisão tomada no acórdão nº 3302-005.322, de 22 de março de 2018 (e-folhas 5.339 e segs), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Direitos antidümping. Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais Período de apuração: 01/06/2011 a 30/04/2014 DUMPING. CALÇADOS ORIGINÁRIOS DA CHINA. IMPORTAÇÃO PARA O PAÍS. COBRANÇA DE DIREITO AN77DUMPING. POSSSBILDADE. As importações brasileiras de calçados, classificados nas posições 6402 a 6405 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), originários da República Popular da China, estão sujeitos a cobrança de direito antídumpmg a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de USS 13,85/par (treze dólares estadunidenses e oitenta e cinco centavos por par). Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/06-2011 a 30/04/2014 CALÇADOS DE PLÁSTICOS PERMEÁVEL. CÓDIGO NCM. Classificam-se no código NCM 6402.99.90 os modelos de calçados de plásticos permeáveis, ou seja. os calçados de plásticos que não asseguraram proteção contra a água ou outros líquidos. CALÇADOS DOMÉSTICOS (PANTUFAS). SOLA EXTERIOR CONSTITUÍDA DE TECIDO (FELTRO). PARTE SUPERIOR CONSTITUÍDA DE QUALQUER MATÉRIA. CÓDIGO NCM. Os calçados domésticos, denominados de pantufas, cuja sola exterior é constituída de tecido (feltro) e a parte superior constituída de qualquer matéria classificam-se no código NCM 6405.90.90 e não no código NCM 6402.99.90 adotado pela fiscalização. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01.06-2011 a 30/04/2014 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade a decisão de primeiro grau em que apresentado pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça defensiva e a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos da decisão. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. NATUREZA JURÍDICA. ATO DE LIBERAÇÃO DE MERCADORIA. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o desembaraço aduaneiro é o ato que põe termo a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria com a sua colocação à disposição do importador. Por ausência de previsão legal, o ato de desembaraço aduaneiro de importação não tem natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco de ato de homologação expressa de lançamento por homologação. Fl. 5611DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 REVISÃO ADUANEIRA PREVISÃO EXPRESSA EM LEI APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Se na fase de revisão aduaneira for apurada irregularidade no pagamento de tributos ou infrações à legislação tributária ou aduaneira, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de tributo apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. Recurso Voluntário Provido em Parte. A divergência suscitada pela Fazenda Nacional (e-folhas 5.391 e segs) está relacionada à exclusão dos consectários legais do lançamento de ofício, tendo em vista a suposta ocorrência de práticas reiteradas por parte da Fiscalização Federal. No caso concreto, foi excluída a multa de ofício e os juros de mora apenas em relação aos produtos classificados incorretamente no código NCM 6401.99.90 e reclassificados para o código 6402.99.90. O excerto que segue apresenta a razão nuclear da decisão tomada no acórdão recorrido: Ressalvando meu entendimento de que o desembaraço aduaneiro não representa lançamento por homologação expressa e que a situação não comporta alteração de critério jurídico, considero que o despacho de importação da DI nº 09/1306574-3, no qual houve expressa classificação fiscal empreendida pela autoridade fiscal, aliado a posteriores despachos de importação com verificações documentais e físicas das mercadorias pelo canal vermelho, representam práticas reiteradas das autoridades administrativas, quanto à classificação fiscal adotada pela recorrente, a qual seguiu determinação expressa de uma primeira autoridade fiscal e submeteu por outras três ocasiões à outras autoridades que, verificando documentalmente e fisicamente as mercadorias, mantiveram a classificação adotada nas Di’s, consubstanciando, assim, a prática reiterada. Neste sentido, citam-se os seguintes acórdãos: (...) O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e-folhas 5.417 e segs. A divergência suscitada pelo sujeito passivo (e-folhas 5.439 e segs) diz respeito à decisão do Colegiado recorrido de não aplicar o art. 146 do Código Tributário Nacional, uma vez que, como se depreende do excerto do voto acima transcrito, entendeu-se que o ato de Revisão Aduaneira não constitui alteração de critério jurídico. O recurso especial do contribuinte foi admitido, conforme despacho de admissibilidade de e-folhas 5.592 e segs. Contrarrazões do sujeito passivo às e-folhas 5.439 e segs. Pede não seja admitido o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, que lhe seja negado provimento. Contrarrazões da Fazenda Nacional às e-folhas 5.599 e segs. Pede que seja negado provimento ao recurso especial do sujeito passivo. É o relatório. Fl. 5612DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Redator Ad Hoc. Como redator ad hoc, sirvo-me das minutas de ementa, relatório e voto inseridas pelo relator original no diretório oficial do CARF. Assim, tanto a ementa quanto o relatório e o voto a seguir foram retirados da pasta “T” da 3ª Turma da CSRF (mês de fevereiro de 2020), sendo o voto proferido pelo Cons. Rodrigo da Costa Pôssas na sessão de 12/02/2020. Naquela ocasião, após o voto do relator original pelo conhecimento e provimento do RE da Fazenda, e pelo conhecimento e não provimento do RE do Contribuinte, acompanhado pelo Cons. Andrada Márcio Canuto Natal no tocante ao conhecimento dos dois recursos, houve pedido de vista pela Cons. Tatiana Midori Migiyama, conforme registrado em Ata: Vista para a conselheira Tatiana Midori Migiyama, convertida em vista coletiva. O relator votou por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por dar-lhe provimento. Votou, ainda, por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por negar-lhe provimento. O conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal acompanhou o relator quanto ao conhecimento de ambos os recursos especiais. Nesse ponto houve o pedido de vista. Não houve manifestação quanto ao mérito dos recursos. Não votaram os demais conselheiros. Participou do julgamento o conselheiro Valcir Gassen (suplente convocado). Presidiu o julgamento o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Fizeram sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Filipe Carra Richter, OAB-SP 234393, escritório Veirano Advogados e a representante da Fazenda Nacional, Dra. Maria Concília de Aragão Bastos. A votação foi retomada na sessão de 19/10/2022, tendo sido o resultado igualmente registrado em Ata: Vista ao Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. O relator original, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, votou pelo conhecimento de ambos os recursos, sendo acompanhado pelos Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire. Divergiu a Conselheira Tatiana Midori Migiyama, que votou pelo conhecimento do recurso do contribuinte e pelo não conhecimento do recurso interposto pela Fazenda, sendo acompanhada pelos Conselheiro Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Nesse ponto houve o pedido de vista. Presidiu o julgamento o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. vencidos os Conselheiros Valcir Gassen, Tatiana Midori Migiyama, e Vanessa Marini Cecconello, que votaram pelo conhecimento. Em função de substituírem os Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas e Andrada Márcio Canuto Natal, não votaram em relação ao conhecimento os Conselheiro Rosaldo Trevisan e Vinícius Guimarães. Julgamento iniciado na reunião de fevereiro de 2020. Sustentou pela Fazenda Nacional a procuradora Maria Concilia de Aragão Bastos, e pelo Contribuinte o advogado Filipe Carra Richter, OAB/SP 234.393. Feitos esses esclarecimentos iniciais, passa-se a reproduzir, na íntegra, o voto do Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, relator original, a seguir: Fl. 5613DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 Voto do Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, proferido em 12/02/2020 Em caráter preliminar, o sujeito passivo pede que não seja admitido o recurso especial da Fazenda Nacional. Inicialmente, alega que o acórdão paradigma nº 9303-003.575, a que faz referência a Fazenda Nacional em sede de recurso especial, restou reformado em decisão proferida na sessão 24/01/2017. A seguir, que não há similitude fática entre os acórdãos paradigma e o recorrido. Da leitura do Exame de Admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional, percebe-se que o mesmo foi baseado exclusivamente no acórdão paradigma nº 9303-004.154, razão pela qual deixo de examinar a alegação de que o acórdão paradigma nº 9303-003.575 teria sido reformado. Quanto à questão da ausência de similitude fática, a contrarrazoante sustenta, em linhas gerais, que os paradigmas apresentados analisam situação na qual teriam ocorrido simples operações de importação, diferentemente do caso concreto, no qual houve, inclusive, a elaboração de um laudo técnico. Em suas palavras: A ideia por trás dessa interpretação restritiva do dispositivo aqui analisado é a de evitar que ele seja aplicado em casos em que há diversas importações liberadas às pressas para o bom tráfego do trânsito aduaneiro. A intenção, assim, é fazer valer a regra da possibilidade de revisão aduaneira, na medida em que o Fisco teria condições de, em percebendo, lançar tributos e impor penalidades cabíveis. Assim, a "interpretação" constante nos paradigmas que afastaram a aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN se deu em um contexto de simples operações de importação. Aos olhos do Fisco (e dos precedentes), elas não configuram as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a que se refere o inciso III do art. 100 do CTN e, portanto, não se encaixam nos requisitos exigidos para aplicação do benefício de exclusão de multa e juros. No caso aqui analisado, no entanto, é patente a existência de situação bastante diferente dessas ordinariamente realizadas. Não se trata, evidentemente, de simples repetição de importações. A configuração da prática reiterada decorre de um fato relevante e completamente não usual: a elaboração de um laudo por engenheiro credenciado da Receita Federal do Brasil, a pedido dos Agentes Fiscais e aprovado por estes, que foi observado posteriormente nessas diversas outras importações. As passagens a seguir, do voto condutor do entendimento pela aplicação do parágrafo único do CTN, são reveladoras da situação peculiar da Recorrida: Sem razão o sujeito passivo. O Exame de Admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional é por demais preciso em relação a este ponto. Observe-se: Portanto, restou perfeitamente caracterizado o dissídio jurisprudencial, pois enquanto no acórdão recorrido restou decidido que uma série de despachos aduaneiros de mercadorias com as mesmas características caracterizaram prática reiterada porque em alguns deles houve conferência física e documental das mercadorias; nos paradigmas colacionados a decisão, foi no sentido de que nem mesmo a existência de conferência física e documental da mercadoria nos despachos aduaneiros caracteriza prática reiterada da Administração. Fl. 5614DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 A similitude fática reside no fato de que os julgados confrontados versaram sobre revisão aduaneira e em todos houve despachos nos quais houve conferência física e documental das mercadorias. Correta a interpretação empregada no Exame de Admissibilidade. Preenchidos os requisitos de admissibilidade de ambos recursos, passo ao mérito. Recurso Especial da Fazenda Nacional A matéria práticas reiteradas para efeito de exclusão dos juros e das multas, por força do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional já foi objeto de exame no âmbito deste Colegiado por diversas ocasiões, a exemplo da decisão tomada no acórdão nº 9303- 004.575, de minha própria relatoria, que restou assim ementado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/11/2001 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA. As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa apenas tomam o caráter de normas complementares quando a lei lhes atribua eficácia normativa, caso contrário, apenas aplicam-se às partes envolvidas, sem estender-se a outras lides. A interpretação de normas legais em vigor feita com amparo em atos administrativos que não se revestem do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração não caracteriza a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN. A mais completa abordagem do tema, creio, encontra-se no voto condutor do acórdão nº 9303-004.154, da relatoria do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que a seguir transcrevo, acolhendo in totum, seus fundamentos. Do texto legal extrai-se a ilação de que, na condição de instituto jurídico, a configuração de prática reiterada com natureza normativa, apta, portanto, a gerar direitos e obrigações, requer o atendimento de alguns requisitos, a saber: a) a prática reiterada pressupõe a inexistência de norma escrita específica a respeito de determinada matéria, motivando assim a adoção de práticas ou costumes, pela autoridade fiscal, com vista a regulamentar a execução da lei ou suprir uma lacuna legal, haja vista que, acaso exista norma disciplinando a mesma matéria é despiciendo instituir alguma prática administrativa e qualquer ato praticado nessa situação não se enquadra no conceito de “práticas reiteradas” de que trata o CTN; b) exatamente por ter o caráter de norma complementar, deve haver compatibilidade entre a prática tida por reiterada e as demais normas da legislação ou, em outras palavras, requer-se a inexistência de norma escrita dispondo de modo diverso ao da conduta adotada pela autoridade administrativa, sob pena de a aventada “prática” não se caracterizar como norma complementar e sim verdadeiramente um ato flagrantemente ilícito; c) a configuração de uma prática reiterada deve revelar uma conduta inequívoca que, de forma manifesta, oficial e conclusiva, veicule o entendimento da Administração acerca de determinado fato ou direito (por interpretação analógica dos demais incisos do referenciado art. 100, os quais dispõem sobre atos dotados dessas características), Fl. 5615DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 excluindo-se, por decorrência, os atos praticados a título precário ou ainda os informais ou perfunctórios. (...) Ademais, não se deve erroneamente imputar ao desembaraço aduaneiro o caráter de ato homologatório do pagamento efetuado, da classificação indicada pelo importador na DI ou de quaisquer outros aspectos fiscais da importação. Essa ilação é evidenciada pelo art. 54 do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pelo art. 2º do Decreto-lei nº 2.472/1988, o qual autoriza expressamente o Fisco a examinar, no prazo de cinco anos do registro da DI, a regularidade do pagamento do imposto e da exatidão das informações prestadas pelo importador, por ocasião do despacho aduaneiro. Assim, sem embargo das considerações antes expendidas, estando o despacho aduaneiro pendente de revisão, por força de expressa disposição legal, não se pode, nessa situação, falar ainda na consumação de uma prática reiterada, a qual, para se configurar, como visto, pressupõe a existência de um ato conclusivo e manifesto da Administração, revelador da vontade inequívoca acerca de determinado fato ou direito e não meramente a prestação de informações pelo contribuinte na DI e o despacho aduaneiro, durante o qual são praticados atos a título precário, porquanto passíveis de reexame. Portanto, estando os despachos sujeitos à revisão, por não haver transcorrido o interregno legal lhes atribua o caráter de imutabilidade, isso significa que não houve homologação por parte da autoridade fazendária, dispondo o fisco da prerrogativa de reexaminar a regularidade da importação, no período quinquenal, e exigir eventuais diferenças de tributos, multas e juros, inclusive decorrentes de classificação fiscal errônea da mercadoria. Cabe aduzir que eventual erro de fato ou de direito, ocorrido durante o despacho, seja por ato da autoridade administrativa, seja por ação do importador, não obsta a revisão aduaneira. Em face dos dispositivos legais acima mencionados, conclui-se que quaisquer dos procedimentos administrativos realizados no curso do despacho de importação não têm efeito homologatório das informações prestadas na DI e tampouco têm o condão de representar o entendimento formal, oficial e definitivo acerca da classificação da mercadoria ou de algum outro aspecto relativo à importação. Deve-se ter conta que eventual conferência realizada no curso do despacho não vai além de uma verificação preliminar e perfunctória. Não poderia ser diferente: os exames aprofundados e as diligências minuciosas não se compadecem com a celeridade que se deve imprimir ao despacho aduaneiro, só sendo realizados posteriormente à importação, exceto nas hipóteses de irregularidades ostensivas. Assim reclamam os intervenientes do comércio internacional e o próprio Estado, sempre a exigirem presteza das repartições alfandegárias. Daí o porquê de prever, a legislação aduaneira, mecanismos de seleção e distribuição das declarações por canais de conferência, possibilitando, cada vez com maior frequência, que ocorra, por meio do canal verde, o desembaraço automático da mercadoria sem exame de valor aduaneiro, sem análise documental e, até mesmo, sem verificação física, situação em que nenhum ato é praticado pela autoridade administrativa, pelo que, à obviedade, sequer caberia aventar a existência de prática reiterada. Fl. 5616DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 Recurso Especial do Sujeito Passivo E também não há que se falar em alteração de critério jurídico, tal como pretende o sujeito passivo. Como já mencionado, é consabido que despacho aduaneiro de importação se constitui apenas em uma etapa inicial e precária de conferência das mercadorias importadas, sua classificação fiscal, valor aduaneiro e tudo o mais o que diga respeito à importação que está sendo processada. Como se sabe, o enorme volume de importações processadas diariamente num país de proporções continentais como o Brasil não poderia ser conferido à exaustão e em caráter definitivo por ocasião do ingresso dessas mercadorias no território nacional, sob pena de grave prejuízo ao próprio importador e a toda economia interna. Não é por outra razão que a legislação aduaneira prevê expressamente a revisão de todas as informações e conclusões adotadas no curso do despacho pela Fiscalização Federal, não fazendo qualquer tipo de distinção (frise-se) ao canal de parametrização da importação. Outrossim, como destacou a decisão recorrida, certos requisitos devem necessariamente ser observados para que fale em alteração de critério jurídico. Pela clareza como o tema foi abordado, e por adentrar com propriedade em certas particularidades do caso concreto, reproduzo excerto do voto no qual a matéria é abordada, adotando, a exemplo do que fiz linhas acima, seus fundamentos como se meus fossem. II. 1 Da Mudança de Crirério Jurídico No recurso em apreço, a recorrente pleiteou o cancelamento do auto de infração sob o argumento de que houve mudança de critério em relação aos lançamentos em apreço, o que era vedada pelo art. 146 do CTN, que tem a seguinte redação, m verbis. Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão administrativa ou judiciai nos critérios jurídico adotados pela autoridade administrativa no exercido do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, (grifos não originais) Da simples leitura do citado preceito legal extrai-se que são 3 (três) as condições cumulativas necessárias, para fim de configuração de mudança do critério jurídico, a saber: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha fixado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anterior seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiram-se a um mesmo sujeito passivo. De todas, a primeira condição é a mais importante, logo, sem a ocorrência dela, obviamente, a análise das outras duas condições revela-se descabida. Em outras palavras, sem a ocorrência de prévio ato de lançamento de ofício, a análise da Fl. 5617DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 ocorrência das outras duas condições seguintes torna-se dispensável, por ser aquela a condição necessária, porém, não suficiente. E o lançamento de ofício, sabidamente, é aquele realizado pela autoridade administrativa, segundo os procedimentos estabelecidos no art. 142 do CTN, desde que presentes as situações elencadas no art. 149 do CTN. No caso em tela, não há noticia de que tenha havido lançamento ofício em relação a quaisquer das operações de importação realizada pela recorrente, objeto da presente autuação. No presente caso, o que houve foi apenas lançamento por homologação (ou autolançamento, segundo parte relevante da doutrina), conforme previsto no art. 150 do CTN, uma vez que a autuada foi quem apurou e recolheu antecipadamente o valor dos tributos informados nas respectivas DI documento base do despacho aduaneiro de importação. E o despacho aduaneiro de importação, sabe-se, consiste no procedimento em que é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, aos documentos apresentados e à legislação específica. Trata-se de procedimento de natureza mista, destinado à verificação do cumprimento das normas de controle aduaneiro e tributárias, incidentes sobre a operação de importação. O despacho aduaneiro processa-se em duas etapas sequenciais. A primeira é denominada de fase de conferência aduaneira e a segunda e seguinte de fase de revisão aduaneira. A fase de conferência aduaneira inicia-se com o registro da DI e se encerra com o ato de desembaraço aduaneiro (liberação da mercadoria), proferido pela autoridade fiscal. Nessa fase é feita (i) a identificação do importador, (ii) a verificação da mercadoria e da correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e (iii) a confirmação do cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. Por sua vez, a fase de revisão aduaneira inicia-se com o ato de desembaraço aduaneiro e se encerra (i) com ato de ciência do autuado da exigência do crédito tributário lançado, ou (ii) com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da DI. Nesta fase e feita apuração da regularidade do pagamento dos tributos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A principal justificativa para adoção das referidas fases no âmbito do procedimento de despacho aduaneiro de importação está relacionada com a premente necessidade de celeridade dos atos de liberação da imensa quantidade de mercadorias importadas e que transitam, diariamente, pelos diversos recintos alfandegados brasileiros, situação que, certamente, impossibilita a fiscalização aduaneira de, na fase de conferência aduaneira do despacho, realizar um exame minucioso de todos os aspectos do controle aduaneiro e tributário atinentes aos inúmeros e diversificados despachos aduaneiros de importação que ingressam e se processam todos os dias nas inúmeras unidades aduaneiras da RFB. Dada essa circunstância, o processamento do despacho aduaneiro em duas fases tem por objetivo, de um lado, evitar ônus financeiro adicional aos importadores, em decorrência da demora na liberação das mercadoria, e de outro, permitir que a fiscalização aduaneira, após a liberação da mercadoria e enquanto não concluído o prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário e/ou aplicar penalidades pecuniárias, proceda análise pormenorizada das informações prestadas pelo importador, com o objetivo de verificar se as obrigações aduaneiras e tributárias foram corretamente cumpridas. Com base nessa breve explicação, fica evidenciado que o ato de desembaraço aduaneiro, que põe termo à fase de conferência aduaneira, não tem natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco ato de homologação expressa do autolançamento. Neste caso, por não atender os requisitos fixados no art. 150 do CTN. O referido o ato. enfatiza-se novamente, tem o efeito jurídico de autorizar a liberação ou desembaraço da Fl. 5618DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decreto-lei 37/1966. com a redação dada pelo Decreto-lei 2.472 1988, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 51 - Concluida a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador. IRedaçào dada pelo Decreio-Lei n'2.472. d* 01/09/1988) § 1° - Se, no curso da conferência aduaneira, houver exigência fiscal na forma deste artigo, a mercadoria poderá ser desembaraçada, desde que, na forma do regulamento, sejam adotadas as indispensáveis cautelas fiscais. (Incluido pelo Decrero-Lei n°2.472. de 01/09/1988) § 2 o - O regulamento disporá sobre os casos em que a mercadoria poderá ser posta á disposição do importador antecipadamente ao desembaraço. (lncluído pelo Decrero- Lei nº 2.472. de 01/09/1988). - grifos não originais Assim, se há definição legal da natureza do ato de desembaraço aduaneiro, como mero ato de liberação da mercadoria importada, no sentido de colocá-la à disposição do importador, não pode o intérprete atribuir ao referido ato efeito jurídico distinto daquele expressamente determinado na norma legal. Em outras palavras, ao ato de desembaraço aduaneiro não pode ser atribuído o efeito de ato de lançamento de ofício ou ato de homologação expressa do lançamento por homologação, especialmente, porque tal interpretação implicaria retirar qualquer eficácia ou efeito jurídico prático à atividade de revisão aduaneira, prevista no art. 54 do Decreto-lei 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei 2.472 1988. a seguir transcrito: Art. 54 - A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames detidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fíical aplicado, e da exatidão das infoimaçÕes prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto-Lel (Redação dada pelo Decreto-Lei n° 2.472, de 01/09/1988) -grifos não originais Com efeito, se a atividade de revisão aduaneira destina-se a apurar a regularidade do pagamento dos tributos e demais gravames devidos na operação de importação, o que compreende a atividade de lançamento de direito anlidumping, induvídosaniente, pretender atribuir ao ato de desembaraço aduaneiro a natureza de lançamento de ofício ou homologação expressa de lançamento, na prática, significaria tornar sem qualquer efeito prático o trabalho de fiscalização realizado na fase de revisão aduaneira do despacho de importação e, ainda, implicaria a revogação tácita do citado preceito legal, retirando qualquer eficácia ou resultado prático da atividade de controle aduaneiro realizado após o ato de desembaraço aduaneiro, com grave prejuízo ao erário. Além disso, como todas as informações sobre a operação de importação consignadas na DI são prestadas pelo próprio importador, previamente ao inicio do despacho aduaneiro, obviamente, não há que se falar em critério jurídico da autoridade fiscal se ela não teve qualquer participação na formalização do despacho aduaneiro de importação. E após o registro, sabe-se que a DI registrada é submetida parametrização e distribuída para os canais de conferência aduaneira, conforme estabelecido no art. 21, I, da Instrução Normativa RFB 680/2016, a seguir transcrito: Art. 21. Após o registro, a DI será submetida a análise fiscal e selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira: I - verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame doa/mental e a verificação da mercadoria; Fl. 5619DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 II — amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; Hl — vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e Veja que, se a DI for selecionada para o canal verde, o que tem ocorrido com a quase totalidade dos despachos aduaneiros de importação e ocorreu no caso em apreço, o desembaraço ou liberação da mercadoria ocorre de forma automática pelo sistema eletrônico, sem qualquer participação da autoridade fiscal. E em relação aos demais canais de conferência aduaneira, embora haja participação da autoridade fiscal no ato de desembaraço aduaneiro, pelas condições estabelecidas no art. 146 do CTN, há de se cogitar de introdução de critério de jurídico se, no curso do despacho e previamente ao ato de desembaraço, houve lançamento de ofício pela autoridade fiscal. Sem o lançamento de ofício não há referencial para definição da ocorrência ou não mudança de critério jurídico. De acordo com o art. 54 do Decreto-lei 37/1966, a única condição exigida para apuração e constituição válida do crédito tributário, apurado na fase de revisão aduaneira, é que o lançamento seja concluído antes do prazo de cinco anos contados da data do registro da declaração de importação correspondente. Assim, se na fase de revisão do despacho aduaneiro de importação for apurada falta ou insuficiência de pagamento de tributos ou outro gravame, como ocorreu no caso em tela, por força do disposto no art. 142 do CTN, o lançamento dos valores apurados, não recolhidos ou confessados pelo contribuinte, deve ser feito pela autoridade fiscal, sob pena responsabilidade funcional. Feitas essas breves considerações, passa-se a analisar os argumentos suscitados pela recorrente no recurso em apreço. A começar pelo argumento de que a fiscalização ao ignorar por completo a conclusão da CAMEX veiculada Nota Técnica n° 109/2009, Circular SECEX rf 9.2015 e Parecer DECOM n° 62015, no tocante a todos os produtos classificados na posição NCM 6401, desobedecera cornando emanado de autoridade competente sobre a aplicação da medida anfídumpmg. Sabe-se que os atos administrativos expedidos pela CAMEX ou DECOM não tem natureza de lançamento tributário. Nos termos do art. 142 do CTN, a atividade de lançamento é privativa das autoridades fiscais integrantes dos quadros da RFB. E quais foram a modificação introduzida pelos referidos atos administrativos "nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento"? A recorrente não informou e não há nos atos qualquer informação a respeito. Em seguida, a recorrente alegou, que a autoridade fiscal lançadora também ignorara e invalidara (i) "a conclusão contida em laudo oficial elaborado quando da inspeção aduaneira das mercadorias importadas e declaradas na DI n° 09/1306574-3, que levou o Agente Fiscal, [...], a determinar a utilização da NCM 6401"; e as (ii) "práticas reiteradas por Agentes Fiscais da Receita Federal nos portos de entrada em posteriores e incontáveis operações de importação de produtos com as mesmas características." No que tange ao referido Laudo Técnico (fls. 46474660). previamente, é oportuno esclarecer que ele foi emitido em 4/12/2009 e se refere a identificação física das mercadorias descritas nas adições 001, 002 e 003 da DI n° 09 1306574-3 (fls. 4664/4675). Na resposta ao quesito n° 2 da Solicitação de Assistência Técnica de fl. 4.646, respondeu a engenheira credenciada perante a unidade aduaneira de origem, que as amostras dos modelos de calçados analisados (as fotos encontram-se na fl. 4650) tratavam-se "de calçados impermeáveis produzidos pelo processo de moldagem por injeção de plástico. 100% Croslite™ (Copolimero de EVA- Etileno Vinil Acetato)." As informações de natureza técnica, apresentadas no referido Laudo, foram utilizadas pela autoridade fiscal responsável pelo desembaraço aduaneiro, para a definição da Fl. 5620DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 classificação fiscal dos modelos de calçados despachados por meio da referida DI (fls. 4502/4603). E pertinente ainda ressaltar que, do referido procedimento, não resultou lavratura de auto de infração, mas apenas determinação da autoridade fiscal para que os produtos fossem reclassificados para o código NCM 6401.99.90 e retirada a exigência de recolhimento do direito antidianping. Além disso, a presente autuação refere-se às importações relativas às DI registradas no período de junho de 2011 a abril de 2014 e os modelos de calçados nelas descritos são distintos daqueles identificados no referido laudo técnico. E dada essa circunstância, não é possível aplicar a conclusão exarada no referido laudo, para os modelos de calçados objeto das importações objeto das presentes autuações. E como se trata de produtos de modelos diferentes dos importados por meio da citada DI, além da previsão legal da revisão aduaneira do lançamento, prevista no art. 54 do Decreto-lei 37.1966. combinado com o disposto no art. 149 do CTN, no caso, a autoridade fiscal ainda poderia proceder o lançamento do direito antidumping relativos às DI do período da autuação, por expressa permissão do inciso VII do art. 149 do CTN. Além disso, ainda que elaborado por técnico credenciado, ao contrário do que alegou a recorrente, o citado laudo técnico não representa a posição e a conclusão oficial das autoridades fiscais federais da RFB sobre a classificação dos produtos na NCM. Sabe-se que, no âmbito do processo administrativo fiscal, a atividade de identificação da mercadoria e atividade de classificação fiscal são distintas e, por razão óbvia, atribuidas a pessoas distintas. Nesse sentido, dispõe o art. 30 6 do Decreto 70.235/1972, que os laudos ou pareceres técnicos oficiais ou emitidos por técnicos credenciados '"serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres." E para afastar qualquer dúvida sobre a natureza estritamente técnica da atividade de identificação da mercadoria e a natureza estritamente jurídica da atividade de classificação fiscal o citado preceito legal, no seu § 1 o , deixou expresso que "não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produto." A leitura conjunta dos referidos preceitos legais informa que, enquanto atividade de elaboração de laudos ou pareceres tem natureza técnica e visa à identificação física da mercadoria, consoante as regras e os princípios próprios da merceologia. De outra parte, tem-se que a classificação fiscal de mercadorias na NCM reveste-se de aspecto jurídico e deverá ser feita segundo as '"Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH). da Organização Mundial das Aduanas", conforme expressamente determina o parágrafo único do art. 94 do Decreto 6.759.2009 (RA 2009), a seguir reproduzido: Art. 94. A alíquota aplicável para o cálculo do imposto é a correspondente ao posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez identificada sua classificação fiscal segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul. Parágrafo único. Para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com obsenância das Regrai Gerax% para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Xotas Complementares e. subsidiariamente, das Xotas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas (Decreto-Lei n° 1.154, de I o de março de 1971, art. 3°, caput). (grifos não originais) Assim, lendo em conta as características específicas de cada atividade, com respaldo no art. 813 do RA 2009, o Secretario da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Fl. 5621DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 Normativa RFB 1.020/2010, cujos os arts. 31 e 32 assim dispuseram sobre os requisitos dos laudos periciais: Art. 31. Os laudos pendais destinados a identificar e a quantificar mercadoria importada ou a exportar deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: I - explicitação e fundamentação técnica das verificações, testes, ensaios ou análises laboratoriais empregados na identificação da mercadoria; II - exposição dos métodos e cálculos utilizados para fundamentar as conclusões do laudo referente á quantificação de mercadoria a granel; e LU - indicação das fontes, referencias bibliográficas e normas nacionais e internacionais empregadas na elaboração do laudo, e cópia daquelas que tenham relação direta com a mercadoria objeto de verificação, teste, ensaio ou análise laboratorial § 1" Os laudos não poderão conter quaisquer indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) [...] Art. 32. Os laudos periciais que não atenderem aos requisitos pre\istos no art. 31 somente serão aceitos se sanadas suas falhas ou omissões, no prazo de 5 (cinco) dias úteis da ciência da intimação da autoridade fiscal da unidade local da RFB, da Divisão de Administração Aduaneira (Diana) ou da Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (Coana), conforme o caso. (grifos não originais) A determinação contida no § 1 o do art. 31 visa delimitar a atuação do perito apenas em relação aos aspectos técnicos ou merciológicos sobre a identificação do produto e evitar qualquer ingerência na atividade de classificação fiscal do produto na NCM. Entretanto, é pertinente esclarecer que, nos termos do § 3 o do citado art. 30, aos laudos e pareceres técnicos exarados em outros processos administrativos fiscais poderá ser atribuída eficácia em outros processos, nas seguintes hipóteses: a) quando tintarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação: (Redação dada pela Lei n°9.532. de 1997) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veiados e outros produtos complexos de fabricação em série, do mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. /Redação dada pela Lei n°9.532, de 199?) (grifos não originais) No caso em tela, se tais condições forem atendidas, inequivocamente, a conclusão técnica exarada no citado laudo será levada em conta na apreciação do mérito da correta classificação fiscal dos produtos importados pela recorrente, objeto da presente autuação. A recorrente ainda alegou que passara, inclusive, por outras verificações físicas em procedimentos de importação que caíram no canal vermelho. No entanto, as classificações fiscais e o tratamento dado ao recolhimento do direito anüdumping foram respeitados pelas autoridades fiscais responsáveis pelo controle aduaneiro dessas mercadorias. São exemplos as importações amparadas pelas DI n° 1107117048,1108090135 e 1103863551. Conforme anteriormente demonstrado, o desembaraço aduaneiro das DI ainda que submetidas a canal amarelo, vermelho ou cinza, não tem o efeito de lançamento, mas de liberação da mercadoria e. nessa condição, não representa critério jurídico, conforme previsto no art. 146 do CTN. Fl. 5622DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 Além disso, dada a insignificância das 3 (três) DI dentro do universo das 1.156 DI desembaraçadas, objeto da presente autuação, ainda que a autoridade fiscal tenha concordado de forma expressa com a classificação fiscal adotada pela recorrente, o que não foi provado nos autos, ainda assim, por razão óbvia, essa conclusão não poderia ser estendida para as demais importações desembaraçadas por meio das 1.153 DI. Assim, chega-se a conclusão de que, no caso em tela, não houve mudança de critério jurídico, conforme alegado pela recorrente, portanto, inaplicável ao caso em tela, o entendimento esposado na jurisprudencia do STJ. especialmente, do REsp 1.130.545 KJ, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, estabelecido no art. 543-C do CPC revogado, que trata de hipótese de revisão de lançamento por de erro de direito (equivoco na valoração jurídica dos fatos), situação que não ocorreu na autuação em apreço. Primeiro, porque não houve lançamento anterior e segundo, porque os produtos objeto da presente autuação são diferentes daqueles que foram analisados no citado laudo técnico. Para que não reste dúvida, transcreve-se a seguir o inteiro teor do enunciado da ementa do referido julgado (...) No caso, além de não ter havido lançamento em relação a referida DI, não há notícia nos autos de que tenha havido lançamento anterior em relação qualquer das DI objeto do presente lançamento. Assim, se não houve lançamento anterior, conforme exige o art. 146 do CTN, obviamente, não houve critério jurídico anterior, logo, não há que se falar em mudança de critério jurídico na autuação em apreço. Por essas razoes, fica afastada a alegação de existência de mudança de critério jurídico no caso, em decorrência, avança-se para as demais questões meritórias. Por fim, cumpre ainda destacar que o Resp 1347324/RS, citado no recurso especial do sujeito passivo, não tem efeito vinculante, como alegado, pois foi decidido em regime recursos repetitivos. Acerca da matéria objeto do recurso especial do sujeito passivo, recente decisão tomada no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, acórdão nº 9303-007.469, de 20 de setembro de 2018, que recebeu a seguinte ementa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146 CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei nº 2.472/1988, não representa nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Fl. 5623DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 9303-014.438 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10314.721061/2015-19 Recurso Especial do Procurador provido. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães (voto do Cons. Rodrigo da Costa Pôssas) Fl. 5624DF CARF MF Original

score : 1.0
10247980 #
Numero do processo: 11080.731600/2017-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/12/2012 MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PER/DCOMP. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA POR DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade do dispositivo legal que prevê a multa decorrente da não homologação de declarações de compensação, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, já transitado em julgado e de observância obrigatória por parte dos conselheiros do CARF.
Numero da decisão: 3201-011.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Presidente), Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Mateus Soares de Oliveira e Ana Paula Pedrosa Giglio.
Nome do relator: ANA PAULA PEDROSA GIGLIO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202312

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/12/2012 MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PER/DCOMP. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA POR DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade do dispositivo legal que prevê a multa decorrente da não homologação de declarações de compensação, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, já transitado em julgado e de observância obrigatória por parte dos conselheiros do CARF.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 11080.731600/2017-43

anomes_publicacao_s : 202401

conteudo_id_s : 7002010

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3201-011.436

nome_arquivo_s : Decisao_11080731600201743.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : ANA PAULA PEDROSA GIGLIO

nome_arquivo_pdf_s : 11080731600201743_7002010.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Presidente), Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Mateus Soares de Oliveira e Ana Paula Pedrosa Giglio.

dt_sessao_tdt : Wed Dec 20 00:00:00 UTC 2023

id : 10247980

ano_sessao_s : 2023

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:32 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339547467776

conteudo_txt : Metadados => date: 2023-12-29T20:49:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-12-29T20:49:35Z; Last-Modified: 2023-12-29T20:49:35Z; dcterms:modified: 2023-12-29T20:49:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-12-29T20:49:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-12-29T20:49:35Z; meta:save-date: 2023-12-29T20:49:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-12-29T20:49:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-12-29T20:49:35Z; created: 2023-12-29T20:49:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2023-12-29T20:49:35Z; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-12-29T20:49:35Z | Conteúdo => S3-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11080.731600/2017-43 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-011.436 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de dezembro de 2023 Recorrente CORRECTA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/12/2012 MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PER/DCOMP. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA POR DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela inconstitucionalidade do dispositivo legal que prevê a multa decorrente da não homologação de declarações de compensação, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, já transitado em julgado e de observância obrigatória por parte dos conselheiros do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Presidente), Ricardo Sierra Fernandes, Márcio Robson Costa, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Mateus Soares de Oliveira e Ana Paula Pedrosa Giglio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 16 00 /2 01 7- 43 Fl. 188DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.436 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.731600/2017-43 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em contraposição ao Acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte acima identificado. Este recurso foi manejado em face da notificação de lançamento em que se exigiu a multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto das Declarações de Compensação (DComps) homologadas apenas parcialmente, prevista no § 17, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, pela utilização de créditos de PIS não cumulativo – mercado interno, do 4º Trimestre de 2010 e que foram declaradas no Processo Administrativo nº 10880-915842/2013-86. Na Impugnação, o contribuinte requereu o sobrestamento dos presentes autos até o julgamento definitivo da manifestação de inconformidade apresentada para se contrapor ao Despacho Decisório de não homologação da declaração de compensação. A DRJ julgou improcedente a Impugnação, mantendo a multa aplicada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Giglio, Relatora. Da Admissibilidade do Recurso O Recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, de sorte que dele se toma conhecimento. Da Mula por Compensação Não Homologada Conforme acima relatado, trata-se de Notificação de Lançamento em que se exigiu a multa prevista no § 17, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, decorrente da homologação apenas parcial da compensação de créditos de PIS não cumulativo. Quanto à multa que restou mantida após a decisão de primeira instância, trata-se de matéria objeto de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 796.939, submetido à sistemática da repercussão geral, de observância obrigatória por parte dos conselheiros do CARF, em que se reconheceu a inconstitucionalidade da referida penalidade. Fl. 189DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.436 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.731600/2017-43 Conclusão Neste sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa decorrente da não homologação da compensação. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Giglio Fl. 190DF CARF MF Original

score : 1.0
10247753 #
Numero do processo: 11128.723107/2016-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OMISSÃO DO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Configura-se cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora dos argumentos apresentados em sede de impugnação pelo sujeito passivo, o que gera, em consequência, a nulidade da decisão, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972. AÇÃO COLETIVA. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 1. O ajuizamento de ação coletiva, mediante o instituto de substituição processual, deve preencher, além dos elementos do processo administrativo e judicial, que é a conexão entre partes, pedidos e causa de pedir, deve atender à expressa autorização prévia, bem como a constância do associado como filiado, à data da propositura. Se não há o reconhecimento de tais requisitos, não há que se falar em concomitância. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. O colegiado não tem competência para se manifestar sobre os argumentos de inconstitucionalidade da lei tributária, conforme disposto na Súmula CARF nº 02. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ADUANEIRAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO TEMPESTIVA. A não prestação de informação da chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-lei 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei 10.833/2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF N° 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010, conforme dispõe a Súmula CARF nº 126.
Numero da decisão: 3302-013.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, deixando de apreciar as alegações relacionadas aos princípios constitucionais, e acolher a preliminar de nulidade suscitada de ofício pela relatora para anular a decisão de primeira instância, em consequência da constatação de vício formal concernente à preterição do direito de defesa, nos termos do voto condutor. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho - Presidente (documento assinado digitalmente) Mariel Orsi Gameiro – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Ausente(s), justificadamente, o conselheiro(a) Aniello Miranda Aufiero Junior.
Nome do relator: MARIEL ORSI GAMEIRO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 13 09:00:01 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202308

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OMISSÃO DO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Configura-se cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora dos argumentos apresentados em sede de impugnação pelo sujeito passivo, o que gera, em consequência, a nulidade da decisão, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972. AÇÃO COLETIVA. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 1. O ajuizamento de ação coletiva, mediante o instituto de substituição processual, deve preencher, além dos elementos do processo administrativo e judicial, que é a conexão entre partes, pedidos e causa de pedir, deve atender à expressa autorização prévia, bem como a constância do associado como filiado, à data da propositura. Se não há o reconhecimento de tais requisitos, não há que se falar em concomitância. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. O colegiado não tem competência para se manifestar sobre os argumentos de inconstitucionalidade da lei tributária, conforme disposto na Súmula CARF nº 02. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ADUANEIRAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO TEMPESTIVA. A não prestação de informação da chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-lei 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei 10.833/2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF N° 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010, conforme dispõe a Súmula CARF nº 126.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 11128.723107/2016-85

anomes_publicacao_s : 202401

conteudo_id_s : 7001908

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3302-013.627

nome_arquivo_s : Decisao_11128723107201685.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : MARIEL ORSI GAMEIRO

nome_arquivo_pdf_s : 11128723107201685_7001908.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, deixando de apreciar as alegações relacionadas aos princípios constitucionais, e acolher a preliminar de nulidade suscitada de ofício pela relatora para anular a decisão de primeira instância, em consequência da constatação de vício formal concernente à preterição do direito de defesa, nos termos do voto condutor. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho - Presidente (documento assinado digitalmente) Mariel Orsi Gameiro – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Ausente(s), justificadamente, o conselheiro(a) Aniello Miranda Aufiero Junior.

dt_sessao_tdt : Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2023

id : 10247753

ano_sessao_s : 2023

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 13 09:03:30 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1787965339550613504

conteudo_txt : Metadados => date: 2023-12-29T01:49:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-12-29T01:49:19Z; Last-Modified: 2023-12-29T01:49:19Z; dcterms:modified: 2023-12-29T01:49:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-12-29T01:49:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-12-29T01:49:19Z; meta:save-date: 2023-12-29T01:49:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-12-29T01:49:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-12-29T01:49:19Z; created: 2023-12-29T01:49:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; Creation-Date: 2023-12-29T01:49:19Z; pdf:charsPerPage: 2060; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-12-29T01:49:19Z | Conteúdo => S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11128.723107/2016-85 Recurso Voluntário Acórdão nº 3302-013.627 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2023 Recorrente MANUPORT LOGISTICS DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OMISSÃO DO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Configura-se cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora dos argumentos apresentados em sede de impugnação pelo sujeito passivo, o que gera, em consequência, a nulidade da decisão, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972. AÇÃO COLETIVA. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 1. O ajuizamento de ação coletiva, mediante o instituto de substituição processual, deve preencher, além dos elementos do processo administrativo e judicial, que é a conexão entre partes, pedidos e causa de pedir, deve atender à expressa autorização prévia, bem como a constância do associado como filiado, à data da propositura. Se não há o reconhecimento de tais requisitos, não há que se falar em concomitância. ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. O colegiado não tem competência para se manifestar sobre os argumentos de inconstitucionalidade da lei tributária, conforme disposto na Súmula CARF nº 02. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ADUANEIRAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO TEMPESTIVA. A não prestação de informação da chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-lei 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei 10.833/2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF N° 126. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 31 07 /2 01 6- 85 Fl. 287DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010, conforme dispõe a Súmula CARF nº 126. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, deixando de apreciar as alegações relacionadas aos princípios constitucionais, e acolher a preliminar de nulidade suscitada de ofício pela relatora para anular a decisão de primeira instância, em consequência da constatação de vício formal concernente à preterição do direito de defesa, nos termos do voto condutor. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho - Presidente (documento assinado digitalmente) Mariel Orsi Gameiro – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Jose Renato Pereira de Deus, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Ausente(s), justificadamente, o conselheiro(a) Aniello Miranda Aufiero Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão 16-078.334, da DRJ/SPO, que manteve integralmente o crédito lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório proferido no acórdão de primeira instância supramencionado: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 10/10/2016, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em virtude dos fatos a seguir descritos. Empresa de transporte internacional/prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta/agente de carga, deixou de prestar as informações sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executou, identificadas em Tabela anexa, parte constante deste Auto, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, na Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007 e Ato Declaratório Executivo Corep n° 3, de 28 de março de 2008. OCORRÊNCIA N° 1. - DATA DE REFERÊNCIA 17/08/2013 Fl. 288DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 O Agente de Carga MANUPORT LOGISTICS DO BRASIL LTDA., CNPJ N°07696753000122, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151305166774432 a destempo em/a partir de 17/08/2013 15:24, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151305169135112. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) TEMU9002864 TEMU9022670, pelo Navio M/V MAERSK LABERINTO, em sua viagem 1311, com atracação registrada em 19/08/2013, 03:01. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 13000262210, Manifesto Eletrônico 1513501921825, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151305166774432 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151305169135112. Destarte, configura-se penalidade punível com multa no valor de R$5.000,00 (cinco mil reais), com base na alinea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37, de 18/11/1966, com r edação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833 , de 29/12/2003. Cientificado do auto de infração, por via eletrônica, em 28/11/2016 (fls. 43) o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 01/12/2016, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 45 à 64, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: Insubsistência do auto por decisão judicial; Das informações efetivamente prestadas; Do ferimento ao princípio da proporcionalidade e da isonomia; Da não tipificação da penalidade; Ofensa ao princípio da motivação; Princípio da razoabilidade; Da denúncia espontânea. DO PEDIDO Diante do exposto, a Impugnante está convicta que será julgada insubsistente a autuação em tela, bem como determinado, consequentemente, o cancelamento da multa oriunda do PAF 11128.723107/2016-85 e definitivo arquivamento, medida que se requer. Repise-se que o Poder Público tem sua atuação adstrita aos limites da Lei, devendo cumprir rigorosamente o que é previsto nas normas específicas, de forma que a insubsistência do referido auto é medida de rigor a ser aplicada. A 21ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo decidiu baixar os presentes autos em diligência, através da Resolução nº -16.000.707, de 15 de março de 2017, indagando à autoridade preparadora o seguinte: O processo judicial n° 000523886.2015.4.03.6100, tramita na 14a Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, tem por autora a Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissária de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC). Não consta nos autos qualquer documento que a empresa, ora autuada, seja membro da Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissária de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC). Por isso, INTIME-SE a parte interessada para ser concedido prazo de 30 (trinta) dias, em atenção ao art. 28 da Lei No. 9.784/99 c/c art. 35, Parágrafo ùnico do Decreto 7.574/2011, para juntada de documentação hábil referente à comprovação de sua filiação à Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissária de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC). A parte se manifestou procedendo a juntada de Certidão, às folhas 123 do processo digital. É o Relatório. A 21ª Turma da DRJ/SPO, em 28 de junho de 2017, decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo-se o crédito, nos termos da seguinte ementa: Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/08/2013 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada. Configurada a infração, não é passível de denunciação com adimplemento posterior. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se conhece da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Suspensão de exigibilidade do crédito tributário. A existência do crédito tributário ocorre via lançamento. O lançamento é o procedimento necessário para que a Fazenda Pública se veja a salvo do ônus da DECADÊNCIA. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com os seguintes argumentos: Preliminarmente: i) Suposta concomitância com ação judicial, posto que o AI não foi objeto de contestação judicial; ii) insubsistência do auto por decisão judicial, tendo em vista a existência do processo judicial nº 0005238-86.2015.4.03.6100, que tramita na 14ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissária de despachos e Operadores Intermodais (ACTC); Mérito: iii) que as informações foram efetivamente prestadas; iv) da inexistência de tipificação da penalidade, porque não houve conduta de embaraço à fiscalização, conforme artigo 107, inciso IV, alínea c, do DL 37, de 1966, inexistência da hipótese de incidência tributária porque as informações foram prestadas e inexistência da conduta de não prestação da informação; v) ofensa ao princípio da motivação; e, vi) ocorrência de denúncia espontânea e inexistência de renúncia à esfera administrativa porque a ação coletiva não trata do auto de infração combatido. É o relatório, em síntese. Voto Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Conselheira Mariel Orsi Gameiro, Relatora. Antes de adentrar à parte técnica, é preciso apontar quais os pilares argumentativos presentes na controvérsia: Preliminares: i) Preliminares de nulidade apontadas pelo recorrente, quanto a inexistência de identidade de objeto entre a ação judicial e o processo administrativo e insubsistência do auto de infração pela liminar concedida na ação para não autuação em casos de denúncia espontânea; ii) Preliminar de nulidade, de ofício, do acórdão da DRJ; iii) Preliminar de mérito quanto à ocorrência da prescrição intercorrente; Mérito: que as informações foram efetivamente prestadas; da inexistência de tipificação da penalidade, porque não houve conduta de embaraço à fiscalização, conforme artigo 107, inciso IV, alínea c, do DL 37, de 1966, inexistência da hipótese de incidência tributária porque as informações foram prestadas e inexistência da conduta de não prestação da informação; ofensa ao princípio da motivação; e, ocorrência de denúncia espontânea e inexistência de renúncia à esfera administrativa porque a ação coletiva não trata do auto de infração combatido. Pois bem, tratarei em partes. Admissibilidade O recurso preenche em parte os requisitos de admissibilidade, tendo em vista os argumentos de afronta a princípios constitucionais, como da proporcionalidade, e motivação – para análise da inconstitucionalidade da norma, que não estão sob a guarida de competência de análise deste Tribunal Administrativo. Nesse sentido, aplica-se a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103- 21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102-46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203-09298, de 05/11/2003 Fl. 291DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201- 78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005 Portanto, presentes os demais requisitos, conheço parcialmente do recurso, excluindo-se da presente decisão análise dos princípios supramencionados. Preliminares de nulidade do recorrente O recorrente afirma a ocorrência preliminares de nulidade: 1. Suposta concomitância da ação judicial e insubsistência do auto por decisão judicial, tendo em vista a existência do processo judicial nº 0005238-86.2015.4.03.6100, que tramita na 14ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, pela ACTC. A primeira questão aqui a ser tratada é o reconhecimento de concomitância do tema em litígio na esfera administrativa e esfera judicial, aplicando-se, caso positivo, a Súmula CARF nº 1, que afirma que o ingresso, pelo sujeito passivo, de qualquer medida judicial, por qualquer instrumento, implica na renúncia da discussão na esfera administrativa. Há, de fato, divergência de entendimentos neste Tribunal sobre o reconhecimento da concomitância em ações coletivas – sejam elas ações ordinárias ou mandado de segurança resguardadas as devidas peculiaridades para cada, especialmente em razão da legitimidade de composição das partes do processo judicial discutido. A despeito do recorrente fazer parte, como associado, da Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissária de despachos e Operadores Intermodais (ACTC), é ela quem pleiteia – como parte do processo judicial 0005238- 86.2015.4.03.6100, a discussão sobre denúncia espontânea e sua (in)aplicabilidade às multas regulamentares aduaneiras. As ações coletivas, quando ajuizadas, se vencedoras pela entidade pleiteante, na figura de substituta processual, ainda que mantenha os efeitos jurídicos da decisão para seus representados, não configuram a identidade entre os sujeitos do processo - autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo. Por tais razões, não se aplica ao presente caso a Súmula CARF nº 1, a qual dispõe que: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A redação dada demonstra que a renúncia ou desistência do litígio administrativo somente resta caracterizada quando a ação judicial é proposta pelo contribuinte ou sujeito passivo, ou, minimamente, integre seu pólo ativo como litisconsorte, considerando a possibilidade de ciência do autor da renúncia à discussão na esfera administrativa quando ingresso na esfera judicial. Fl. 292DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Nesse sentido, já foi manifestado no Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014 (publicado no DOU em 27/08/2014): Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poder-se-ia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, faz-se mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota - e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) - a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Leva-se em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configura-se a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontra-se entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF-5ª, 1ª T., Ap 17299- RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). Fl. 293DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) Não só, diversas decisões deste tribunal já manifestaram mesmo posicionamento: Acórdão 3001-000.389 Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/11/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade. (Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção, publicado em 09 de julho de 2018) O Supremo Tribunal Federal, através do RE 573.232/SC e RE 612.043/PR, dotada a matéria de repercussão geral, entendeu pela existência de requisitos legais para que o substituto processual se utilize da ação coletiva proposta, são eles: i) deve haver autorização expressa e prévia do associado para legitimar a Associação à propositura da ação judicial; ii) a eficácia da coisa julgada da ação coletiva atinge apenas os filiados em momento anterior ou até a data da propositura da demanda, desde que constantes da relação jurídica juntada à inicial e residentes no âmbito da jurisdição do julgador. Face ao entendimento acima esposado, não há que se falar em concomitância entre a pretensão administrativa e a judicial, e registro aqui a incoerência do próprio recorrente que, para sustentar a nulidade do auto de infração, suscita a impossibilidade de autuações em conformidade com a ação judicial mencionada, ao mesmo passo que, ao fim de sua defesa, aponta a possibilidade de discussão administrativa sobre denúncia espontânea, porque o objeto da ação não atinge o auto de infração em si. Nesse sentido, rejeito ambas preliminares de nulidade. Preliminar de nulidade – Decisão da DRJ O pilar fático e técnico que tratarei aqui quanto à respectiva nulidade da decisão de primeira instância, diz respeito a evidente cerceamento de defesa do contribuinte, posto que os argumentos apresentados na defesa não foram enfrentados pela DRJ. A decisão de primeira instância, em que pese tenha tratado em várias páginas sobre o instituto da denúncia espontânea e a concomitância entre ação judicial e processo administrativo fiscal, limitou-se a refutar todos os argumentos postos pelo contribuinte, para além da denúncia espontânea que foi objeto de não conhecimento em razão da concomitância, em apenas uma frase: Fl. 294DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Da mesma forma, de forma deveras contraditória, aduz longamente sobre a denúncia espontânea, justamente o ponto que não foi objeto de análise em razão do não conhecimento, posto que reconhecida a concomitância entre a ação judicial coletiva da ACTC e o presente processo administrativo fiscal. Entendo que, a inexistência de manifestação da primeira instância sobre os argumentos técnicos do contribuinte em sede de impugnação, afrontam diretamente o artigo 31, do Decreto 70.235/1972: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância (...) Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) E, nesse sentido, a consequência do vício formal – relativo à preterição do direito de defesa, contido na decisão de primeira instância, é sua nulidade, embasada pela norma que regulamenta o processo administrativo fiscal, com intuito de preservar o direito constitucional de defesa. O Decreto 70.235/1972, enumera, em seu artigo 59, as possíveis nulidades que devem ser verificadas no processo administrativo fiscal, e especificamente, destaco para o presente caso, seu inciso II, e parágrafo 1º: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Contudo, e já adiantando o próximo tópico, entendo também ter havido a ocorrência da prescrição intercorrente, nos termos do artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei 9.873/1999. É necessário analisar o cotejo entre a preliminar de nulidade relativa ao cerceamento de defesa e a preliminar de mérito relativa à prescrição intercorrente, sendo, contudo, essencial destacar que não está sendo aqui tratado o cotejo entre preliminar de mérito e mérito, mas sim, e insisto na redundância, preliminar de nulidade e preliminar de mérito. Entendo que, conforme dispõe o parágrafo 3º, do artigo 59, do Decreto 70.235/1999 – colacionado acima, no mesmo passo que se aproveitaria ao contribuinte o Fl. 295DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 julgamento favorável quanto ao mérito, sem o pronunciamento da nulidade – no caso, da decisão da DRJ, da mesma forma se aproveita a preliminar de mérito. Nesse sentido, passo à análise da respectiva preliminar, superando expressamente a nulidade existente no acórdão de primeira instância, quanto ao cerceamento de defesa do contribuinte, pelas razões já expostas. Preliminar de Mérito Da ocorrência da prescrição intercorrente Conforme já esposado em outros casos de multas aduaneiras, se decorrido lapso temporal além de três anos entre despachos ou julgamentos no processo administrativo, entendo no sentido da ocorrência da prescrição intercorrente, prevista no artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei 9.873/1999, tendo em vista a natureza não tributária do crédito discutido, afastando, em consequência, a aplicabilidade da Súmula CARF º 11, conforme as razões a seguir expostas Desde logo, é essencial trazer o conteúdo da respetiva súmula à lume, para que possamos entender, dentro de cada uma das figuras jurídicas que habitam seu conteúdo, a razão pela qual não se aplica ao caso concreto: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. O conteúdo da súmula refere-se à prescrição intercorrente prevista no artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei 9.873/1999: Art. 1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1o Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. Nota-se que a prescrição acima aludida refere-se ao lapso temporal de três anos, em procedimento administrativo, quanto à desídia da Administração Pública em sua pretensão punitiva, contados a partir do ato que depende de julgamento ou de despacho, e que podem/devem ser arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada. Como costumeiramente feito em meus votos, tratarei em partes, inclusas as duas questões pontuadas expressamente acima, com a seguinte ordem: i) a diferença e ligação entre processo e procedimento; ii) a diferença entre crédito tributário e crédito não tributário, bem como entre direito tributário e aduaneiro; iii) a diferença entre prescrição e prescrição intercorrente; Fl. 296DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 vi) a ratio decidendi dos acórdãos utilizados para formação da Súmula CARF nº 11 e o distinguishing na perspectiva da Teoria dos Precedentes; vii) Precedentes judiciais sobre a prescrição intercorrente da Lei 9.873/1999 com relação às multas aduaneiras; vii) e, finalmente, a conclusão compilada das exaustivas razões pelas quais entendo ser devido o afastamento da Súmula CARF nº 11 às multas aduaneiras, exatamente a multa aqui tratada. Pois bem. i) Processo x Procedimento O primeiro ponto que nos interessa diz respeito ao cotejo entre os termos procedimento e processo, esse contido no teor da Súmula CARF supracitada, e aquele contido na norma relativa à prescrição intercorrente aplicada em âmbito administrativo. Todo processo tem um procedimento. Tal afirmativa é resultado da prevalência, no ordenamento jurídico brasileiro, da Teoria da Relação Jurídica, abordada por Oskar von Bülow, em 1868, na obra “Teoria das Exceções e dos Pressupostos Processuais”, escrita em 1868 1 . Ainda, James Godschmidt, mesmo que crítico à teoria de Bulow – aceita à época, contudo, superada pela decorrência natural do tempo e do desenvolvimento da dogmática jurídica, afirma que “o processo civil é um procedimento, um caminhar concebido, desde a Idade Média, para aplicação do Direito.” 2 Nesse mesmo sentido, processo é o veículo/instrumento pelo qual o Estado-juiz, exerce a jurisdição, o autor o direito de ação e o réu o direito de defesa, enquanto que o procedimento é a faceta dinâmica do processo, é o modo pelo qual os diversos atos processuais se relacionam na série constitutiva do processo. 3 Em que pese o reconhecimento de que não há identidade integral entre os dois termos – processo e procedimento, é necessário entender que existe uma relação de inclusão. Processo tem 1 O processo é uma relação jurídica que avança gradualmente e se desenvolve passo a passo. (...) Porém, nossa ciência processual deu demasiada transcendência a esse caráter evolutivo. Não se conformou em ver nele somente uma qualidade importante do processo, mas desatendeu precisamente outra não menos transcendente ao processo como uma relação de direito público, que se desenvolve de modo progressivo, entre o tribunal e as partes, destacou sempre unicamente, aquele aspecto da noção de processo que salta aos olhos da maioria: sua marcha ou adiantamento gradual, o procedimento:(...). BÜLOW, Oscar von. Teoria das Exceções e dos Pressupostos Processuais. Tradução e noras de Ricardo Rodrigues Gama. Campinas, LZN. 2003. 2 GOLDSCHMIDT, 2003. P. 21. Vide uma crítica à teoria da situação jurídica de Goldschmidt em DINAMARCO, Execução Civil, p. 120-121: COUTURE. 2002. P. 110-113. 3 GAJARDONI, Fernando da Fonseca. Procedimento. Enciclopédia jurídica da PUC-SP. Celso Fernandes Campilongo, Alvaro de Azevedo Gonzaga e André Luiz Freire (coords.). Tomo: Processo Civil. Cassio Scarpinella Bueno, Olavo de Oliveira Neto (coord. de tomo). 1. ed. São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2017. Disponível em: https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/199/edicao- 1/procedimento Fl. 297DF CARF MF Original https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/199/edicao-1/procedimento https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/199/edicao-1/procedimento Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 procedimento, de modo que, a matéria processual, ao menos no ordenamento jurídico brasileiro, abarca a matéria procedimental, mas nela não se esgota. Para o presente caso, a elucidação de que todo processo tem procedimento, reside justamente na utilização de ambos os institutos, conforme ilustrado no início da discussão, em que a Súmula CARF nº 11, em seu conteúdo, se utiliza do PROCESSO administrativo fiscal, enquanto que o parágrafo 1º, do artigo 1º, da Lei 9.873/1999, utiliza-se do PROCEDIMENTO administrativo. Ora, se todo processo tem procedimento, em que um é gênero e outro espécie, não há que se falar em qualquer delimitação de natureza exclusiva e integralmente diferenciada de tais institutos. Não adentrarei sequer nas inúmeras vezes em que há expressa menção do termo procedimento nas normas que cotidianamente lidamos – por exemplo, Título II, artigo 46 e seguintes, do próprio Regulamento deste Tribunal - RICARF, utilizado nos moldes conceituais acima. Pois bem, superada a questão da ferramenta utilizada – processo/procedimento, e demonstrado que o argumento de segregação integral dos conceitos é inválido, para tratativa do direito material, há de se estabelecer a partir de agora, uma das principais questões para o deslinde dos próximos argumentos: a prescrição intercorrente é instituto de direito material – artigo 487, inciso II, do Código de Processo Civil. Dessa premissa, conclui-se: o direito processual percorrido e arguido para sustentar a aplicação da Súmula CARF nº 11 aos processos que tratam de créditos de natureza não tributária, é equivocado, pois difere-se, quase que por óbvio, do direito material. Ou seja, a despeito do esclarecimento quanto à espécie/gênero que foi tratada no presente tópico, quanto à acepção jurídica de processo e procedimento, na Lei 9.873/99 e na Súmula supracitada, será demonstrado, em seguida, o delineamento do respectivo direito material. Para tal delineamento, valho-me, especialmente, dos limites traçados entre créditos de natureza tributária e créditos de natureza não tributária, que são reflexos das meças entre direito aduaneiro e direito tributário. ii) Crédito Tributário x Crédito não tributário Esse tópico inaugura o segundo ponto a ser tratado, e o principal argumento quanto à (in)aplicabilidade da Súmula CARF nº 11: a prescrição intercorrente, como direito material, é excepcional aos créditos de natureza tributária, e deve, portanto, ser aplicada aos créditos de natureza não tributária, contidos no direito aduaneiro. Para além das devidas peculiaridades de cada um dos casos, certo que é que as normas aduaneiras carregam, em si, créditos de natureza tributária e não tributária. No primeiro momento, é válido distinguir o direito tributário do direito aduaneiro. Essa é uma afirmação de fácil comprovação. Basta que se investiguem as finalidades de cada atividade. Enquanto a administração tributária busca arrecadar recursos para suprir as Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 necessidades do Estado, a administração aduaneira busca proteger os bens tutelados por esse mesmo Estado, exercendo de forma efetiva um controle sobre o fluxo de comércio exterior, inclusive por meio da imposição de tributos. Na própria Carta Magna, há contundente distinção dos dispositivos que tratam a esfera tributária – com início no artigo 145, que inaugura o Título VI, “Da tributação e do Orçamento, Capítulo I, Do Sistema Tributário Nacional, e vai até o artigo 162, da esfera aduaneira, como supracitada acima, pelo artigo 237 4 . Além de outros institutos inseridos em diversas discussões de notória diferenciação entre o regime tributário e regime aduaneiro: aplicação do instituto da denúncia espontânea – que existe tanto no Regulamento Aduaneiro (Art. 102, Decreto-lei 37/1966), quanto no Código Tributário Nacional (artigo 138, CTN), responsabilidade de terceiros, interposição fraudulenta etc. A despeito da evidente segregação, é essencial destacar que, enquanto o tributário trata unicamente de créditos tributários, o direito aduaneiro se encarrega, além desses, de créditos não tributários, classificados dessa forma em razão de sua natureza administrativa – como as sanções aplicadas em descumprimento às regras de controle de entrada e saída de mercadorias no país. Tais figuras muito se confundem em razão da utilização da mesma ferramenta procedimental/processual para percorrer o caminho de sua punibilidade e exigibilidade, contudo, são evidentemente diferenciadas. Em que pese exaustivamente tratados na doutrina e na jurisprudência – inclusive do CARF, traço breves considerações sobre o conceito de créditos tributários e não tributários, com objetivo de uma construção lógica do posicionamento inicialmente abordado. No ordenamento jurídico brasileiro, a análise deve iniciar-se mediante o disposto no artigo 39, da Lei 4.320/1964: Art. 39. Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados nas respectivas rubricas orçamentárias. § 1º - Os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento, serão inscritos, na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a sua liquidez e certeza, e a respectiva receita será escriturada a esse título. § 2º – Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza, proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas, e Dívida Ativa não Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública, tais como os provenientes de empréstimos compulsórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, laudêmios, alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos, indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de subrogação de hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações legais” O parágrafo segundo, acima colacionado determina de forma bem delimitada que o crédito tributário necessariamente se dá pela relação obrigacional existente com essa natureza – 4 Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 tal como se verifica nas figuras que se enquadram no conceito de tributo (art. 3º, CTN), bem como pelo lançamento (art. 142, CTN), obrigações principais e acessórias (art. 113, CTN), ou ainda seus adicionais e multas oriundos de tal ligação. Por sua vez, os créditos não tributários – ainda que pareça óbvio dizer sobre o suposto lado oposto da relação tributária, são os demais créditos, que, por exclusão, não carregam qualquer peculiaridade ou característica intrínseca à relação tributária, como por exemplo, as multas aduaneiras. Ainda, e apenas para melhor ilustrar a relevância de tal diferenciação, bem como a forma pela qual ela se opera nas decisões proferidas por este Tribunal Administrativo, temos claramente uma segregação das espécies de processos julgados em razão da alteração do voto de qualidade – conforme artigo 19-E, da Lei 10.522/2002, e consequente Portaria ME nº 260/2020, que regulamentou a proclamação do resultado nas hipóteses de empate na votação. A norma determina, em seu artigo 2º, parágrafo 1º, que o resultado será proclamado em favor do contribuinte, na forma do art. 19-E da Lei 10.522, de 19 de julho de 2020, quando ocorrer empate no julgamento do processo administrativo de determinação e exigência do crédito tributário, assim compreendido aquele em que há exigência de crédito tributário por meio de auto de infração ou de notificação de lançamento. Posto tal contraste, é importante dizer também que o crédito – tributário ou não, em que pese utilizarem-se da mesma ferramenta processual/procedimental para o percurso de sua pretensão, não perdem, em sua essência, ou permutam sua natureza, por tal razão. Diferencia-se, quase de forma cartesiana, as figuras contidas no processo administrativo, que são ou serão objetos do contencioso – o conteúdo relativo ao direito material, do processo em si, que é feito das regras de natureza evidentemente processual e que tratarão apenas das ferramentas utilizadas para o desenvolvimento e encerramento do litígio. Inclusive, a aplicação do processo administrativo fiscal à condução de créditos não tributários é feita mediante remissões legais, determinadas por leis específicas, o que não implica, tão menos justifica, a confusão que vem sendo tecida sobre os institutos tratados. E, nesse passo, em que direito tributário não é aduaneiro, e que os créditos não tributários são tratados por este, ainda que pela mesma ferramenta procedimental/processual, é que reside o meu entendimento sobre a aplicação da Súmula CARF nº 11, resguardado o peso dos demais argumentos que se complementam. Explico: Veja, a Lei 9.873/1999, em seu artigo1º, §1º e em seu artigo 5º, afirma que: Artigo 1º — Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. §1º. Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. (...) Fl. 300DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Artigo 5º — O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. As normas acima colacionadas nos dizem que: há prescrição intercorrente em procedimento administrativo – quanto à pretensão punitiva do Estado, se decorridos três anos sem qualquer movimento relevante, contados de ato dependente de despacho/julgamento, mas tal instituto não se aplica em casos de natureza tributária. Ora, a exceção – contida no artigo 5º, da Lei 9.873/99, é expressa ao se referir aos créditos tributários, enquanto que, os créditos não tributários não são tratados nessa reserva, o que, consequentemente, leva-os à regra geral: aplicação da prescrição intercorrente. Nesse sentido, o tratamento dispendido pelo conteúdo da Súmula CARF nº 11- que afirma não se aplicar a prescrição intercorrente para o processo administrativo fiscal, deve seguir a mesma diferenciação: aplica-se a prescrição intercorrente para os créditos de natureza não tributária, ao mesmo passo que o artigo 5º expressamente veda tal observação para os créditos de natureza tributária. Até aqui, já superado, portanto: a diferenciação – mas interligação de gênero e espécie, entre processo e procedimento; delineado e pontuado que a prescrição intercorrente é instituto de direito material e não processual; e que, quanto a esse ponto, a norma faz expressa exceção à sua aplicação aos créditos de natureza tributária, e, consequentemente, é aplicável aos créditos de natureza não tributária. Em que pese essenciais – e penso que, protagonistas do meu entendimento, outros pontos, tratados em seguida, merecem atenção: a razão pela qual não há que se confundir prescrição com prescrição intercorrente – como levantei, inclusive, em voto proferido em sessão de julgamento sobre o tema 5 , tão menos a suspensão da exigibilidade do crédito tributário à impossibilidade de afastar a Súmula; as razões utilizadas nos acórdãos que embasaram a Súmula CARF nº11, ainda, e apenas para rememorar a condução técnica que lhe é devida, tratarei rapidamente de como se dá a aplicação das Súmulas na esfera administrativa, especialmente neste Tribunal, e como lidar com as figuras da Teoria dos Precedentes (overruling, distinguishing, ratio decidendi, etc) – tão bem postas pelo novo Código de Processo Civil – e frequentemente utilizadas pelos Conselheiros. E, por fim, serão demonstrados os precedentes judiciais sobre o tema. iii) Prescrição x prescrição intercorrente e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário Como dito no tópico anterior, minha afirmação proferida em sessão de julgamento segue a mesma, e presta-se ao início desse terceiro ponto: prescrição não é prescrição intercorrente 6 . Como bem esclarecido pelo ex-conselheiro Carlos Daniel, em artigo publicado sobre o tema 7 : 5 Sessão de julgamento ocorrida no dia 25 de março de 2021, na 1º Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção de Julgamento – CARF. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=DYKuUOE2R3I. 6 Sessão de julgamento ocorrida no dia 25 de março de 2021, na 1º Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção de Julgamento – CARF. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=DYKuUOE2R3I. Fl. 301DF CARF MF Original https://www.youtube.com/watch?v=DYKuUOE2R3I https://www.youtube.com/watch?v=DYKuUOE2R3I Fl. 16 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Há que se distinguir com clareza o que é a prescrição do que é a prescrição intercorrente. A existência de processo administrativo não é impeditiva à ocorrência da prescrição intercorrente, pelo contrário é condição necessária para tanto! Em outras palavras, prescrição intercorrente pressupõe a existência de um processo, como a lição de Arruda Alvim esclarece: “A prescrição intercorrente é aquela relacionada com o desaparecimento da proteção ativa, no curso do processo, ao possível direito material postulado, expressado na pretensão deduzida: quer dizer, é aquela que se verifica pela inércia continuada e ininterrupta no curso do processo por segmento temporal superior àquele em que ocorre a prescrição em dada hipótese”. Nesse sentido, não há dúvida de que se trata de institutos absolutamente distintos, com condições particulares de verificação em concreto, e definições próprias consolidadas na doutrina e na jurisprudência. (...) O argumento em questão é absolutamente válido para o âmbito dos créditos tributários, onde efetivamente inexiste regra que preveja a prescrição intercorrente durante os processos administrativos, mas perde completamente o sentido para análise de créditos não tributários, sancionatórios, que possuem regime próprio, regulado pela Lei nº 9.873/99, e com a previsão específica de prescrição intercorrente. O equívoco se instaura no momento em que o artigo 174, do Código Tributário Nacional, é aplicado aos casos de forma totalmente equivocada, considerando que os institutos protegidos, e em discussão, são completamente diferentes. Enquanto a prescrição intercorrente necessariamente demanda a existência de um procedimento/processo administrativo em curso, contudo sem qualquer movimentação considerada como válida (meros despachos não são relevantes para tanto), a prescrição tem seu início marcado pelo fim do respectivo processo e consequente constituição definitiva do crédito tributário. Para além disso, a prescrição atinge a pretensão executória da Administração Pública, enquanto a prescrição intercorrente atinge a pretensão punitiva. Não só, como já posto, inexiste em âmbito administrativo uma regra que determine o lapso temporal de desídia da Administração para os créditos tributários, constante tão somente no artigo 40, da Lei de Execuções Fiscais. E, ainda, destaco que é de suma importância que o termo e o instituto da “prescrição” sejam devidamente analisados, apontando-se a distinção, sob a perspectiva de disposição não só no Código Tributário Nacional, mas também na própria lei 9.873/1999. Em suma: há que se tomar cuidado com a confusão conceitual e o resguardo das evidentes diferenças técnicas – origem normativa, institutos protegidos pela figura jurídica em questão (como por exemplo, pretensão punitiva e pretensão executória), a observância da correta aplicação dos prazos, considerando i) a figura da prescrição prevista no artigo 174, do Código Tributário Nacional, ii) a figura da prescrição prevista no artigo 1º, da Lei 9.873/1999, e iii) a figura da prescrição intercorrente prevista no parágrafo 1º, do artigo 1º, da Lei 9.873/1999. 7 Súmula 11 do Carf: entre o argumento de autoridade e a autoridade do argumento. Disponível em: https://www.conjur.com.br/dl/direto-carf.pdf Fl. 302DF CARF MF Original https://www.conjur.com.br/dl/direto-carf.pdf Fl. 17 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 E, feitas tais considerações, para relevância da aplicação (ou não) das diferentes prescrições acima descritas e dos respectivos prazos, indago: e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário? A suspensão da exigibilidade em nada interfere na ocorrência da prescrição intercorrente prevista na Lei 9.873/1999, considerando que a existência e a forma pela qual se desenvolve o processo administrativo são condições necessárias à sua configuração. Isso porque, conforme pontuado no presente tópico, é necessário conceituar corretamente os institutos da prescrição e da prescrição intercorrente, ambos presentes na Lei 9.873/1999. Veja, a prescrição intercorrente ocorre justamente porque o crédito não é exigível – e essa inexigibilidade está relacionada à pretensão executória, e não à pretensão punitiva, eis, portanto, a razão pela qual as prescrições determinadas pela lei supracitada são diferenciadas, tanto quanto ao prazo, quanto ao momento de sua aplicação Ademais, não há regra específica sobre a suspensão da exigibilidade de créditos não tributários, contrário do que determina o artigo 151, do Código Tributário Nacional, que carrega expressa menção à créditos tributários. Como já entendeu o Superior Tribunal de Justiça 8 , respectivo instituto se aplica de forma análoga, bem como, já mencionado nos tópicos anteriores, o caminho processual a ser percorrido pela multa administrativa será aquele disposto no Decreto 70.235/1972, por remissão, assim como outros institutos também são tratados por tal rito 9 . Portanto, o argumento relacionado à suspensão da exigibilidade durante o processo administrativo fiscal atinge somente a pretensão executória, bem como, apenas complementa a razão pela qual as prescrições contidas na Lei 9.873/1999 são de naturezas distintas, e que a intercorrente demanda, de forma condicional, o curso de tal processo. iv) A ratio decidendi nos acórdãos utilizados para criação da Súmula CARF nº 11, o distinguishing e a Teoria dos Precedentes As decisões judiciais ou administrativas, quando abordam um precedente um ou enunciado de súmula, devem adentrar os fundamentos determinantes de sua existência e o nexo causal com o caso que está sendo julgado. 8 Resp 1.381.254: (...) 16. Sendo assim, vislumbra-se claro não subsistir previsão legal de suspensão de exigibilidade de crédito não tributário no arcabouço jurídico brasileiro. 17. É importante registrar, diante dessa constatação, que a norma jurídica não pode regular todas as situações possíveis e imagináveis da convivência humana. Nesses casos, há ocorrência de lacuna normativa e, não havendo lei prévia tratando do tema, a situação se resolve mediante as técnicas de integração normativa de correção do sistema previstas no art. 4o. da LINDB, quais sejam: a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito; assim, colmatando o sistema jurídico e tornando-o prático e abstratamente pleno (sem lacunas). (...)25. Cabe mencionar, por fim, que o crédito não tributário, diversamente do crédito tributário, o qual não pode ser alterado por Lei Ordinária em razão de ser matéria reservada à Lei Complementar (art. 146, III, alínea b da CF/1988), permite, nos termos aqui delineados, a suspensão da sua exigibilidade mediante utilização de diplomas legais de envergaduras distintas por meio datécnica integrativa da analogia. 9 Exemplo disso são as disposições do art. 3º, II da Lei nº 6.562/78; art. 23, §3º do DL nº 1.455/76; art. 74, §11, da Lei nº 9.430/96; art. 7º, §5º, da lei nº 9.019/1995; art. 32, §7º, da Lei nº 9.430/96; art. 8º, §6º, da lei nº 9.317/95; art. 39 da LC nº 123/2003). Fl. 303DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 É isso que determina o artigo 489, parágrafo 1º, inciso V, do Código de Processo Civil 10 . Nesse sentido, a primeira análise a ser feita, diz respeito às razões utilizadas nos acórdãos que embasam a criação da Súmula CARF nº 11 – com efeito do conteúdo postulado nos votos dos conselheiros à época dos julgamentos, e não apenas nas ementas das decisões, para que, em um segundo momento, seja analisado se tais razões se enquadram no caso que está sendo julgado (como no presente, às multas administrativas). Antes, importante destacar que: todos os acórdãos foram proferidos em casos de créditos tributários. a) Acórdão nº 103-21113, de 05/12/2002: O relator claramente confunde os institutos de prescrição quando afirma que: É a chamada prescrição intercorrente, e tem seu fundamento na excessiva demora no julgamento dos recursos administrativos pela repartição fazendária. Pleiteia, assim, a Recorrente, diante da inércia do credor do tributo de solucionar a demanda do contribuinte, a perda do direito de realizar a cobrança depois de transcorridos mais de 5 anos do lançamento. Invoca, para sustentar seu entendimento decisão proferida no Supremo Tribunal Federal, em Embargos no Recurso Extraordinário 94.462/SP, que possui a seguinte ementa: "Ementa: PRAZOS DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA EM DIREITO TRIBUTÁRIO. Com a Iavratura do auto de infração, consuma-se o lançamento do crédito tributário (art. 142 do CTN). Por outro lado, a decadência só é admissivel no período anterior a sua lavratura; depois, entre a ocorrência dela e até que flua o prazo para a interposição do recurso administrativo, ou enquanto não for decidido o recurso dessa natureza que se tenha valido o contribuinte, não mais corre prazo para a decadência, e ainda não se iniciou o prazo para a prescrição; decorrido o prazo para interposição do recurso administrativo, sem que ela tenha ocorrido, ou decidido recurso administrativo interposto pelo contribuinte, há a constituição definitiva do crédito tributário, a que alude o art. 174, começando a fluir, dal, o prazo de prescrição da pretensão do Fisco. - É esse o entendimento atual de ambas as turmas do STF. Embargos de divergência conhecidos recebidos.” Após, o relator limita-se a citar os outros acórdãos que entendem pela aplicação da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Na mesma linha de argumentação, pela aplicação do artigo 174, do CTN, seguem os Acórdão nº 201-76985, de 11/06/2003, Acórdão nº 104-19410, de 12/06/2003, Acórdão nº 104- 19980, de 13/05/2004 e Acórdão nº 105-15025, de 13/04/2005, Acórdão nº 203-02815, de 23/10/1996. b) Acórdão nº 107-07733 (IRPJ), de 11/08/2004: 10 Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...) § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; Fl. 304DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Foi a única decisão que se utilizou da excepcionalidade do artigo 5º, da Lei 9.873/1999, para afastar a prescrição intercorrente (ao meu ver, inclusive, corretamente, tendo em vista a natureza tributária do crédito): A alegação preliminar de prescrição é descabida, não só porque não se tem admitido a chamada prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo (do que, particularmente e em algumas situações, discordo), como, também, porque a lei utilizada pela Recorrente — Lei n.° 9873/99 - como supedâneo para a sua pretensão é taxativa ao dizer que suas disposições não se aplicam à matéria tributária: "Art. 5º. O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária". c) Acórdão nº 202-07929, de 22/08/1995 (Imposto único sobre Minerais – IUM) Limita-se a decisão à seguinte razão de decidir, quanto à prescrição intercorrente: No que diz respeito à preliminar da ocorrência da prescrição intercorrente, perfilando a reiterada jurisprudência deste e dos demais Conselhos, entendo-a inadmissível, especialmente em face da não-comprovação da omissão da autoridade administrativa, invocando dita jurisprudência, entre outras decisões, a do Acórdão n° 202-03.600. d) Acórdão nº 203-04404, de 11/10/1997 (Finsocial) O relator do caso invoca a Súmula 153, do TRF 11 : Deflui, da leitura dos autos, que decorreram mais de 05 (cinco) anos entre a única manifestação da Contribuinte a Impugnação (fls. 31 a 38) e a decisão recorrida. Inclusive, o processo não sofreu nenhuma movimentação entre 27.02.1992 e 04.02.1997, consoante deflui das fls. 42 a 43. Todavia, segundo a inteligência da súmula n° 153, do extinto Tribunal de Recursos — TRF, não se inicia fluência de prazo prescricional, entre a data da lavratura de Auto de Infração e o trânsito em julgado administrativo, em face do crédito tributário encontrar- se suspenso. e) Acórdão nº 201-73615, de 24/02/2000 (ITR) O relator suscita que não existe prescrição intercorrente no processo administrativo federal considerando a legislação que rege a matéria: De outra banda, já assentado nesta Câmara que não existe prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal federal à míngua de legislação que regre a matéria nos termos do que existe hoje no direito penal. E o próprio lançamento ora guerreado, é um bom exemplo de que tal instituto seria penoso à Fazenda, uma vez que, como na hipótese versada nos autos, houve, via Lei n° 8.022/90, uma transferência de competência do ITR, passando sua administração, cobrança e lançamento do INCRA para a Receita Federal. Face a tal, até que a máquina burocrática desses órgãos pudesse implementar a citada legislação, houve demanda de tempo, tempo este que não poderia fulminar o direito subjetivo dos entes públicos de cobrar os tributos que lhe são devidos, mormente quando já devidamente constituídos como no presente caso. Assim, afasto a alegação de prescrição intercorrente. 11 Súmula 153 – Extinto TRF: Constituído, no qüinqüênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos. Fl. 305DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Vê-se, das razões acima expostas, que nenhum processo administrativo fiscal, utilizado como base, tratava de crédito não tributário, tão menos, exauriu o tema constante à Lei 9.873/1999, muitas vezes confundindo a prescrição intercorrente com a prescrição disposta no artigo 174, do Código Tributário Nacional. Se as razões pelas quais a Súmula CARF nº 11 se apoia para inaplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal restringem-se a casos de créditos tributários, não há que se falar em nexo de tal enunciado com casos que tratam de créditos não tributários – tal como as multas administrativas/regulamentares, aplicáveis em sede do direito aduaneiro. Ademais, súmula não é lei. Como afirma o autor Marcelo Souza, a origem da súmula no Brasil remonta à década de 1960, tendo em vista o acúmulo de processos pendentes de julgamento sobre questões idênticas. A edição da súmula, e seus enunciados, é resultante de um processo específico de elaboração, previsto regimentalmente, que passa pelas escolhas dos temas, discussão técnico-jurídica, aprovação, e, ao final, publicação para conhecimento de todos e vigência. 12 Nota-se que o iter percorrido para criação de uma súmula – é regimental, que tem como objetivo a celeridade de decisões sobre temas recorrentes e idênticos, além da uniformização da jurisprudência, é diferente do iter percorrido para a criação de uma lei – que deve, necessariamente, obedecer às regras constitucionais e infraconstitucionais do processo legislativo. É presunçoso afirmar que o conteúdo de qualquer Súmula esgota os casos concretos – e as características de cada um, resguardadas suas peculiaridades, com a redação resumida daquilo que costumeiramente é decidido pelos tribunais, seja em sede administrativa, seja em sede judicial. E a análise dos fundamentos determinantes de uma Súmula é essencial ao deslinde de sua (in)aplicabilidade ao caso que está sob julgamento pelo conselheiro ou pelo juiz, especialmente porque não exaure os fatos e os traços contidos no litígio, sendo passível, portanto, de interpretação. Ainda, e enfim, aplicar cegamente o enunciado sem o aprofundamento de suas razões – seja quanto às razões de formação de um precedente, ou quanto à norma que é a base do entendimento técnico, com o devido cotejo àquilo que está sendo julgado, beira o comodismo da função judicante. Nesse ensejo, finalmente, adentro nas afirmações finais, sobre a possibilidade de afastar a supracitada Súmula, em razão da utilização da ferramenta denominada distinguishing, oriunda da Teoria dos Precedentes. Em que pese o desenvolvimento da Teoria dos Precedentes tenha sido feito de forma maciça nos países que adotam o sistema da common law, calcado na doutrina do stare decisis, que compreende o precedente judicial como sendo um instituto vinculante, não só para o órgão judicial que decide, mas para todos os que lhe forem inferiores, entende-se no direito processual 12 SOUZA, Marcelo Alves Dias de. Do precedente judicial à súmula vinculante. Curitiba: Juruá, 2006, p. 253. Fl. 306DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 contemporâneo, que o ordenamento jurídico brasileiro é miscigenado, e não mais segue a integralmente a tradição romanística. Quando partimos dessa premissa, a mudança disposta no novo CPC apresenta a positivação de vários aspectos relativos aos precedentes, consagrando-os na dogmática jurídica nacional. E um dos princípios tutelados pelos institutos abarcados pela Teoria é a segurança jurídica, considerando tanto o respeito aos precedentes – que diferentemente da jurisprudência, é substantivo singular, quanto à uniformização da jurisprudência, evitando o inconcebível fenômeno da propagação de teses jurídicas diferentes para situações análogas. A primeira figura, essencial ao deslinde de qualquer litígio administrativo ou judicial, é a ratio decidendi (ou holding para os norte-americanos), que se consubstancia nos fundamentos jurídicos da decisão, e se dispõe como a tese jurídica acolhida pelo juiz ao proferir o decisum. Importante destacar que a ratio decidendi, sempre deságua e se refere à interpretação – ou raciocínio lógico construído, dado à legislação aplicável ao caso – como o presente, em que tratei do Código Tributário Nacional, a Lei 9.873/1999, o Código de Processo Civil, etc. A segunda figura, que utilizo aqui para afastar a Súmula, é o distinguishing, que, segundo José Rogério Cruz e Tucci, é um método de confronto pelo qual o juiz verifica se o caso em julgamento pode ser ou não análogo ao paradigma, e é disposto nos artigos 489, parágrafo 1º, incisos V e VI, 926, parágrafo 2º, e 927, do Código de Processo Civil, bem como é posto no Manual dos Conselheiros 13 . Nesse contexto, pode o juiz deixar de aplicar o enunciado sumular sem embargo de estar desrespeitando-o, caso contrário, o sistema de precedentes engessaria o contencioso administrativo e judicial, e não haveria necessidade da existência de conselheiros/julgadores. Inclusive, tal ferramenta tem sido utilizada há muito tempo neste Tribunal Administrativo. Exemplifico: o distinguishing foi realizado quanto à Súmula CARF nº 01, nos casos de processos judiciais extintos sem resolução de mérito (acórdão 9303-01.542), ou nos casos de mandado de segurança coletivo (acórdão 3402-004.614); à súmula CARF nº 20 nos casos de produtos imunes (acórdãos 3402-003.012 e 3402-004.689); à súmula CARF nº 29 em caso de co-titular não residente (acórdão 2802-003.123); à Súmula CARF nº 66, nos casos de administração pública indireta (acórdão 9202-006.580); e quanto à Súmula CARF nº 105, nos casos de infrações posteriores à Lei 11.488/2007 (acórdão 9101-005.080). No presente caso, valho-me da prerrogativa de utilização do distinguishing, para afastar a Súmula CARF nº 11 - em que pese aplicável aos casos de natureza tributária, considerando que, a prescrição intercorrente se aplica à multa regulamentar, disposta no artigo 107, do Regulamento Aduaneiro – conforme auto de infração discutido, por configurar-se como crédito não tributário. 13 Quando a matéria tangenciar súmula do CARF e o julgador não a aplicar por entender que os fatos ou direito não se subsumem a ela, é preciso deixar expresso no voto tal entendimento – pág. 51. Fl. 307DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Há uma terceira figura denominada overruling, que é a superação do enunciado sumular criado com base nos precedentes decisórios dos casos concretos, é a revisão de um entendimento já consolidado, e que não é aplicado na presente questão. Inclusive, não há sequer uma linha tênue que permeia a diferenciação das figuras distinghuishing e overruling, delimitadas de forma pontual: vê-se que, a Súmula CARF nº 11 – que carrega a exceção do artigo 5º, da Lei 9.873/1999, pelo meu entendimento, continua sendo aplicada, neste Tribunal, aos processos que tratam de créditos tributários. Não se trata, portanto, de uma superação do enunciado – isso se dá mediante o procedimento de revisão de Súmulas – que é determinado pelo próprio CARF com os passos procedimentais que lhe são impostos, mas sim, da distinção da aplicação de seu conteúdo sobre um determinado caso, que, embora trate da mesma matéria, implica em características específicas que norteiam respectivo afastamento do enunciado. Ainda, e caminhando ao final, adentro no último ponto que diz respeito às decisões proferidas pelos Tribunais Regionais Federais - no mesmo sentido do entendimento aqui esposado – aplicação da prescrição intercorrente aos casos de natureza não tributária: AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. PROCESSUAL CIVIL. ADUANEIRO. AGENTE DE CARGA. OBRIGAÇÃO DE PRESTAR INFORMAÇÕES ACERCA DAS MERCADORIAS IMPORTADAS. INCLUSÃO DE DADOS NO SISCOMEX EM PRAZO SUPERIOR AO PERMITIDO PELA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO ARTIGO 728, IV, "E", DO DECRETO Nº 6.759/09 E NO ARTIGO 107, IV, "E", DO DECRETO-LEI Nº 37/66. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. DECADÊNCIA NÃO VERIFICADA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE DE PARTE DO DÉBITO MANTIDA. RECURSOS NÃO PROVIDOS. 1. A parte autora afirma que as infrações foram cometidas no período de 02.03.2004 a 27.03.2004, sendo o auto de infração lavrado em 27.01.2009, pelo que não se verifica a decadência do direito da Administração de impor a penalidade em questão. Isso porque os prazos de decadência e prescrição da multa aplicada com fulcro no art. 107, IV, "e", do Decreto nº 37/96 – hipótese dos autos – estão disciplinados nos arts. 138, 139 e 140 do referido diploma legal. 2. Nos termos do o art. 31, caput, do Decreto nº 6.759/09, "o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado". 3. Na singularidade, consta dos autos que a autora, por diversas vezes, registrou os dados pertinentes ao embarque de mercadoria exportada após o prazo definido na legislação de regência, o que torna escorreita a incidência da multa prevista no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei nº 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03. 4. Improcede alegação da autora de nulidade do auto de infração por ausência de prova das infrações, haja vista que a autuação foi feita com base em informações prestadas pela própria empresa no Sistema SISCOMEX. 5. Além disso, o auto de infração constitui ato administrativo dotado de presunção juris tantum de legalidade e veracidade, sendo condição sine qua non para sua desconstituição a comprovação (i) de inexistência dos fatos descritos no auto de infração; (ii) da atipicidade da conduta ou (iii) de vício em um de seus elementos componentes (TRF 3ª Região, SEXTA TURMA, Ap - APELAÇÃO CÍVEL - 1528241 - Fl. 308DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 0004962-44.2005.4.03.6120, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA, julgado em 08/11/2018, e-DJF3 Judicial 1 DATA:22/11/2018). Em outras palavras, cabe ao contribuinte comprovar a inveracidade do ato administrativo, o que não ocorreu no presente caso. 6. Também não há prova suficiente de que a Administração estaria ferindo a isonomia ao afastar a penalidade aplicada à algumas empresas em situação idêntica à da autora. É certo que alegação e prova não se confundem (TRF 3ª Região, SEXTA TURMA, Ap - APELAÇÃO CÍVEL - 1604106 - 0001311-96.2003.4.03.6112, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL FÁBIO PRIETO, julgado em 22/03/2018, e-DJF3 Judicial 1 DATA:04/04/2018), mormente diante de ato administrativo, cuja legitimidade se presume e só é afastada mediante prova cabal (TRF 3ª Região, SEXTA TURMA, AC - APELAÇÃO CÍVEL - 1861838 - 0005491-87.2009.4.03.6002, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL CONSUELO YOSHIDA, julgado em 26/02/2015, e-DJF3 Judicial 1 DATA:06/03/2015). 7. O princípio da retroatividade da norma mais benéfica, previsto no art. 106, II, "a", do CTN, não tem qualquer relevância para o caso. A uma, pois estamos diante de infração formal de natureza administrativa, o que torna inaplicável a disciplina jurídica do Código Tributário Nacional. A duas, pois, de qualquer modo, a hipótese dos autos não se amoldaria ao que previsto no referido art. 106, II, do CTN; a novel legislação (IN RFB nº 1.096/10) não deixou de tratar o ato como infração, nem cominou penalidade menos severa, mas apenas previu um prazo maior para o cumprimento da obrigação. 8. Da mesma forma, não procede o pleito quanto à aplicação do instituto da denúncia espontânea ao caso, vez que o dever de prestar informação se caracteriza como obrigação acessória autônoma; o tão só descumprimento do prazo definido pela legislação já traduz a infração, de caráter formal, e faz incidir a respectiva penalidade. 9. A alteração promovida pela Lei nº 12.350/10 no art. 102, § 2º, do Decreto-Lei nº 37/66 não afeta o citado entendimento, na medida em que a exclusão de penalidades de natureza administrativa com a denúncia espontânea só faz sentido para aquelas infrações cuja denúncia pelo próprio infrator aproveite à fiscalização. 10. Na prestação de informações fora do prazo estipulado, em sendo elemento autônomo e formal, a infração já se encontra perfectibilizada, inexistindo comportamento posterior do infrator que venha a ilidir a necessidade da punição. Ao contrário, admitir a denúncia espontânea no caso implicaria em tornar o prazo estipulado mera formalidade, afastada sempre que o administrado cumprisse a obrigação antes de ser devidamente penalizado. 11. O recurso da União Federal também não merece prosperar, pois, diante da natureza administrativa da infração em questão, é evidente a incidência da prescrição intercorrente prevista no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99 quanto ao débito objeto do processo administrativo nº 10814008859/2007-21 . Ressalto que a União, em momento algum, argumenta no sentido da não paralisação do processo administrativo por mais de três anos, limitando-se a questionar a aplicação da norma ao caso concreto. 12. A inovação legislativa mencionada pela agravante (artigo 19-E da Lei nº 10.522/2002) não se aplica aos autos; o processo administrativo já se encerrou. 10. Decadência rejeitada. Agravos internos não providos. (TRF 3ª Região, 6ª Turma, ApCiv - APELAÇÃO CÍVEL - 5002763-04.2017.4.03.6100, Rel. Desembargador Federal LUIS ANTONIO JOHONSOM DI SALVO, julgado em 18/12/2020, e - DJF3 Judicial 1 DATA: 28/12/2020) Fl. 309DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 EMENTA: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ- EXECUTIVIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. OCORRÊNCIA. EXTINÇÃO DO FEITO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. ART. 85 DO CPC. READEQUAÇÃO. 1. A Lei nº 9.873/99 cuida da sistemática da prescrição da pretensão punitiva e da pretensão executória referidas ao poder de polícia sancionador da Administração Pública Federal. 2. Incide a prescrição prevista no artigo 1º, §1º da lei no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho que deliberem a respeito de providências voltadas à apuração dos fatos. Meros despachos ordinatórios de encaminhamento ou impulso do processo administrativo não configuram causa interruptiva do prazo prescricional. 3. O valor da verba sucumbencial devida pela União deve ser fixado de acordo com as regras do art. 85, §§ 2º a 5º, do NCPC. (TRF4 5002013-95.2016.4.04.7203, PRIMEIRA TURMA, Relator FRANCISCO DONIZETE GOMES, juntado aos autos em 28/08/2019 Na decisão supracitada, afirma o Desembargador: (...)2. Prescrição. Multa administrativa Destaco, inicialmente, que, sendo o débito constante do Auto de Infração Aduaneiro n. 0910600/13737/04 (Processo Administrativo n.12547.002016/2006-71) relativo a multa prevista no artigo 631 do Regulamento Aduaneiro, sua natureza é não tributária. (...) Desta forma, aplicam-se ao caso as disposições contidas na Lei nº9.873/99, que assim dispõe: Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração PúblicaFederal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurarinfração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no casode infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1° Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por maisde três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serãoarquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, semprejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente daparalisação, se for o caso. § 2° Quando o fato objeto da ação punitiva da Administração tambémconstituir crime, a prescrição reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal. Art. 1°-A. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o términoregular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação deexecução da administração pública federal relativa a crédito decorrente daaplicação de multa por infração à legislação em vigor. (Incluído pela Lei nº11.941, de 2009) Art. 2° Interrompe-se a prescrição da ação punitiva: (Redação dada pela Leinº 11.941, de 2009) I - pela notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio deedital; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II - por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato; III - pela decisão condenatória recorrível. Fl. 310DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 IV - por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação expressa detentativa de solução conciliatória no âmbito interno da administraçãopública federal. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Também deve ser observada a prescrição intercorrente, prevista noparágrafo 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99, que define o prazo de 3 anos para aduração do trâmite do processo administrativo. No caso em exame, bem destacou a sentença a cronologia dos atospraticados no procedimento administrativo (evento 68 - SENT1): "(...) No presente caso, a excipiente América Micro sustenta a ocorrência daprescrição intercorrente, visto que transcorrido prazo superior a 3 (três) anos sem movimentação do processo administrativo pela Administração PúblicaFederal. Em relação ao processo administrativo nº 12457.002016/2006-71 (evento 56),decorrente do Auto de Infração Aduaneiro nº 0910600/13737/04 (evento56/PROCADM16 - fls. 101/106), extrai-se que a autuada apresentou defesaadministrativa (evento 56/PROCADM16 - fls. 131/196) e em 07/12/2007sobreveio decisão mantendo o crédito tributário exigido (evento56/PROCADM25 - fls. 67/83). Em 11/01/2008 a autuada foi intimada da decisão tendo apresentado recursoem 12/02/2008 (evento 56/PROCADM25 - fls. 91/167) e petição com novosdocumentos em 15/04/2008 (evento 56/PROCADM26 - fls. 57/60), tendo seurecurso voluntário negado em 10/12/2008 (evento 56/PROCADM26 - fls.91/97). Intimada em 18/05/2009 (fls. 104), interpôs embargos de declaração,juntado aos autos em 26/05/2009 (fls. 105/125). Em 11/04/2011 a autuadaprotocolou petição a fim de informar sobre fatos novos. A decisão que apreciouos embargos de declaração foi proferida em 20/08/2014 (fls. 209/223),acolhendo os embargos e suprindo a omissão apontada. Ocorre que entre a decisão condenatória recorrível, proferida em 10/12/2008, cuja intimação da autuada se deu em 18/05/2009 e a decisão final dos embargos em 20/08/2014, transcorreu prazo superior a 03 (três) anos para a finalização do procedimento, motivo pelo qual resta configurada a prescrição intercorrente a fulminar a pretensão de punir na seara administrativa. A manifestação exarada entre os referidos marcos temporais em nadainfluenciou o curso do prazo extintivo, pois se trata de mera movimentaçãoformal do processo, encaminhando os embargos para análise (evento56/PROCADM26 - fl. 186). Nesse contexto, o tempo corre a favor do administrado e incumbe aoadministrador praticar os atos considerados hábeis a interromper a prescriçãodentro de determinado lapso temporal. Meros atos de movimentaçãoprocessual ou de expediente não são suficientes para afastar a ocorrência daprescrição intercorrente, porque "destituídos de conteúdo valorativo ou semefeito para a solução do litígio na esfera administrativa" (AC 5002952-05.2016.404.7000, Desembargadora Federal VIVIAN JOSETE PANTALEÃOCAMINHA, TRF4 - QUARTA TURMA - Data da decisão:19/07/2017)." Assim, incide a prescrição prevista no artigo 1º, §1º da lei no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente dejulgamento ou despacho que deliberem a respeito de providências voltadas à apuração dos fatos. Meros despachos ordinatórios de encaminhamento ou impulso do processo administrativo não Fl. 311DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 configuram causa interruptiva do prazo prescricional, como ocorrido no caso em análise. Notório, portanto, que a prescrição intercorrente prevista no artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei 9.873/1999, tem sido reconhecida em sede judicial, conforme demonstrado nas decisões acima colacionadas, bem como nas apelações: i) TRF3, Apelação nº 5000518- 71.2018.4.03.6104; ii) TRF4, Apelações nº 5001168-55.2019.4.04.7204; 0010648- 12.2013.4.04.9999 e 5005281-11.2017.4.04.7208; e iii) TRF2. Feitas tais considerações sobre a operacionalidade dos precedentes e o cotejo do conteúdo sumulado com o caso aqui julgado, bem como demonstradas exaustivamente as razões pelas quais entendo tecnicamente pelo afastamento da Súmula CARF nº 11, passo às conclusões. v) Conclusões E, em conclusão, para demonstrar todo exposto: i) Todo processo tem um procedimento, afirmação que respalda o cotejo e a ligação do conteúdo da norma prevista no artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei 9.873/1999, bem como a disposição contida na Súmula CARF nº 11; ii) Prescrição intercorrente é matéria de direito material – conforme dispõe o artigo 487, inciso II, do Código de Processo Civil; iii) Direito Tributário se difere do direito aduaneiro, considerando que aquele dispõe sobre créditos tributários, enquanto que este dispõe sobre créditos tributários e não tributários (multas administrativas); iv) Prescrição não é prescrição intercorrente, e é necessário observar os prazos a serem obedecidos em cada um dos institutos – resguardada a devida observância também à natureza jurídica, conforme dispõe o artigo 1º, da Lei 9.873/1999 (prescrição da pretensão punitiva do Estado – prazo para fins de constituição do ato infracional e da correlata sanção); o artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei 9.873/1999 (prescrição intercorrente relativa à pretensão punitiva); e o artigo 174, do Código Tributário Nacional (prescrição da pretensão executória ocorrida após constituição definitiva do crédito tributário); v) O artigo 5º, da Lei 9.873/1999 dispõe sobre uma exceção: afirma que a prescrição intercorrente - prevista na mesma lei, não se aplica aos processos/procedimentos que tratam de créditos de natureza tributária. E, consequentemente, tal instituto se aplica aos processos/procedimento que tratam de créditos de natureza não tributária. vi) A suspensão da exigibilidade não é impeditivo à ocorrência da prescrição intercorrente supracitada, tendo em vista que a existência do processo Fl. 312DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 administrativo é condição de sua configuração – especialmente porque a pretensão punitiva é diferente da pretensão executória; vii) Os acórdãos que constituem a ratio decidendi da matéria sumulada – Súmula CARF nº 11, tratam apenas de créditos tributários e confundem, em sua maioria, a prescrição com prescrição intercorrente, sem a formação de uma interpretação que efetivamente se dirija aos conceitos trazidos no decorrer da presente declaração de voto; viii) O afastamento da Súmula CARF nº 11, aos casos em que o processo administrativo fiscal tratar de créditos não tributários (multas administrativas/aduaneiras), é possível mediante exercício do distinguishing, figura da Teoria dos Precedentes – prevista nos artigos 498, parágrafo 1º, incisos V e VI, e 927, do Código de Processo Civil, que justamente diferencia o apoio técnico das razões de decidir e da previsão normativa do precedente às condições fáticas, jurídicas e legais do caso que está sendo julgado; ix) Entendo, por fim, que transcorrido o lapso temporal de três anos, contados da data do ato até despacho/julgamento, é aplicável a prescrição intercorrente, prevista no artigo 1º, parágrafo 1º, da Lei 9.873/1999, à multa regulamentar aduaneira aqui discutida, por tratar de crédito não tributário, e configurar-se evidente distinção do conteúdo previsto na Súmula CARF nº 11, que se aplica tão somente aos créditos de natureza tributária. No presente caso, considerando que a o Recurso Voluntário foi apresentado em10 de agosto de 2017, e a data do presente julgamento é 24 de agosto de 2023, decorrido o lapso temporal de mais de três anos entre respectiva defesa e julgamento de segunda instância, entendo pela ocorrência da prescrição intercorrente, como preliminar de mérito, e voto pela procedência do Recurso Voluntário. Mérito Se vencida nas preliminares, seguimos ao exame do mérito, que apoia suas controvérsias nos seguintes pilares argumentativos: vii) que as informações foram efetivamente prestadas; viii) da inexistência de tipificação da penalidade, inexistência da hipótese de incidência tributária porque as informações foram prestadas e inexistência da conduta de não prestação da informação; ix) ocorrência de denúncia espontânea e inexistência de renúncia à esfera administrativa porque a ação coletiva não trata do auto de infração combatido. viii) Do atraso das informações e da tipicidade da penalidade Fl. 313DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Afirma o recorrente que não houve subsunção do fato à norma, porque não preenchido o núcleo típico da penalidade, que é deixar de prestar as informações, alegando ainda, de forma equivocada, sobre a penalidade aplicada ao embaraço à fiscalização – que não foi objeto do auto. Não há razão no argumento. Em que pese a subjetividade residente na diferenciação de obrigações acessórias, especialmente na esfera exclusiva do direito aduaneiro, de fato, a norma que traduz a penalidade aponta que não se trata de mera prestação de informações, mas sim sua tempestividade, considerando os apontamentos do objetivo da fiscalização aduaneira, que é o controle efetuada sobre a chegada e saída de mercadorias mediante toda operação internacional. Vê-se, que a norma expressamente prevê supracitado prazo e respectiva multa, no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-lei 37/66: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; (destaquei) (...) Bem como, tal previsão encontra-se distinta na IN RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, em seu artigo 22: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I - as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II - as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e Fl. 314DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. O prazo de quarenta e oito horas é previsto para que as informações prestadas sejam relativas aos conhecimentos eletrônicos, desconsolidação, dentre outras, conforme dispõe o artigo 10, da mesma Instrução Normativa: Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I - a informação do manifesto eletrônico; II - a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III - a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV - a informação da desconsolidação; e V - a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga. (destaquei) E a desconsolidação da carga compreende a inclusão dos conhecimentos eletrônicos agregados pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico, artigo 17 e 18 da IN SRF nº 800/2007: Da Informação da Desconsolidação da Carga Art. 17. A informação da desconsolidação da carga manifestada compreende: I - a identificação do CE como genérico, pela informação da quantidade de seus conhecimentos agregados; e II - a inclusão de todos os seus conhecimentos eletrônicos agregados. Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. § 1º O agente de carga poderá preparar antecipadamente a informação da desconsolidação, antes da identificação do CE como genérico, mediante a prestação da informação dos respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório. § 2º O CE agregado é composto de dados básicos e itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV. Fl. 315DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 § 3º A alteração ou exclusão de CE agregado será efetuada pelo transportador que o informou no sistema.(destaquei) Desta feita, corretamente aplicada a penalidade imposta no presente caso, em que houve o atraso na prestação das informações após atracação da embarcação, nos termos da legislação aduaneira. Denúncia Espontânea Enfim, o último argumento apresentado pelo recorrente em sua peça, diz respeito à ocorrência do instituto da denúncia espontânea, rechaçando – de forma contrário ao dito inicialmente, a concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Vale, antes de qualquer afirmação sobre o tema, registrar que a denúncia espontânea contida no artigo 102, do Decreto-lei 37/1966, não é a mesma denúncia espontânea do artigo 138, do Código Tributário Nacional, após alteração promovida pela Lei 12.350/2010, considerando que o novo texto passou a excluir a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, sendo excepcionada apenas aos casos sujeitos à pena de perdimento: Art.102 - A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º - Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; = (Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo Decreto- Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º - A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2 o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 2 o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Incluídas as penalidades administrativas, com a alteração legislativa supramencionada, há grande dificuldade em afastar a aplicação da denúncia espontânea às infrações e penalidades aduaneiras, que estão sob a guarida da natureza administrativa. Não só, em entendimentos esposados pelas Soluções de consulta COSIT 2/2016 e 8/2016, foi sustentada a aplicação da denúncia espontânea às infrações aduaneiras correlacionando o instituto ao arrependimentoeficaz, oriundo do direito penal, positivado naquela norma, que não é o caso aqui apresentado. Fl. 316DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1965-1988/Del2472.htm#art102 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1965-1988/Del2472.htm#art102 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1965-1988/Del2472.htm#art102 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1965-1988/Del2472.htm#art102 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1965-1988/Del2472.htm#art102 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1965-1988/Del2472.htm#art102 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1965-1988/Del2472.htm#art102 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1965-1988/Del2472.htm#art102 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Mpv/497.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12350.htm#art40 Fl. 31 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 Para ratificar, ainda resta as razões expostas pela motivação da Medida Provisória 497/2010, que é a base legislativa transformada na Lei 12.350/2010: 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (...) 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao não-pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. O Superior Tribunal de Justiça, possui entendimento consoante com a Súmula CARF nº 49, que dispõe sobre a inaplicabilidade de denúncia espontânea ás obrigações acessórias autônomas, ambos embasados pelo artigo 138, do Código Tributário Nacional, que é distinto da denúncia contida no direito aduaneiro, nos termos do artigo 102, parágrafo 2º, do DL 37-66, bem como no artigo 683, parágrafo 2º, do Regulamento Aduaneiro. Contudo, ainda que guarde meu entendimento na seara técnica administrativa- aduaneira, a denúncia espontânea tem Súmula sobre o tema, a qual não carrega, a priori. possibilidade de distinguishing ou overruling, sendo aplicável ao presente caso: Súmula CARF nº 126 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2018 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos Precedentes: 3102-001.988, de 22/08/2013; 3202-000.589, de 27/11/2012; 3402-001.821, de 27/06/2012; 3402-004.149, de 24/05/2017; 3801-004.834, de 27/01/2015; 3802- Fl. 317DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 32 do Acórdão n.º 3302-013.627 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11128.723107/2016-85 000.570, de 05/07/2011; 3802-001.488, de 29/11/2012; 3802-001.643, de 28/02/2013; 3802-002.322, de 27/11/2013; 9303-003.551, de 26/04/2016; 9303-004.909, de 23/03/2017. Vê-se, então, que é inaplicável a denúncia espontânea no presente caso. Conclusões Portanto, ante todo exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares de nulidade arguídas pelo recorrente, e acatar, a preliminar de mérito suscitada de ofício quanto à prescrição intercorrente, dando-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Mariel Orsi Gameiro Fl. 318DF CARF MF Original

score : 1.0