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Numero do processo: 19515.721281/2014-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 18 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Jan 13 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010
CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA.
Incumbe ao titular da conta bancária, regularmente intimado, demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores nela creditados, de modo que, na falta dessa comprovação, deverá ser aplicada a presunção legal de omissão de receita estatuída no artigo 42 da Lei nº 9.430/96.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL.
O arbitramento do lucro é cabível nas hipóteses em que a empresa, regularmente intimada, não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA.
A defesa deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
É vedado aos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-006.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, vencido o conselheiro Ailton Neves da Silva (suplente convocado), que votou por conhecer parcialmente do recurso, deixando de conhecer da alegação relativa ao caráter confiscatório da multa de ofício, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (suplente convocado(a)), Flavio Machado Vilhena Dias, Sávio Salomão de Almeida Nobrega, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado(a)), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Marcelo Oliveira.
Nome do relator: SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA
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PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. Incumbe ao titular da conta bancária, regularmente intimado, demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores nela creditados, de modo que, na falta dessa comprovação, deverá ser aplicada a presunção legal de omissão de receita estatuída no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. O arbitramento do lucro é cabível nas hipóteses em que a empresa, regularmente intimada, não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A defesa deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. 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(documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (suplente convocado(a)), Flavio Machado Vilhena Dias, Sávio Salomão de Almeida Nobrega, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (suplente convocado(a)), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Marcelo Oliveira. Relatório Tratam-se, na origem, de Autos de Infração por meio dos quais foram constituídos créditos tributários de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1.74/1.092), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 1.116/1.124), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 1.107/1.115) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1.093/1.106), relativos ao ano-calendário de 2010 e cujas exigências restaram formalizadas no montante total de R$ 3.019.683,41, incluindo-se aí a cobrança dos respectivos impostos e contribuições, a incidência de juros de mora e a aplicação de multa qualificada no percentual de 150%. Com base no Relatório do Acórdão recorrido nº 16-69.921 que restou elaborado pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, o qual estarei por adotá-lo, aqui, e transcrevê-lo, a seguir, em razão de sua clareza e precisão, a autuação fiscal tal qual relatada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.128/1.146 pode ser facilmente compreendida a partir dos elementos fático-jurídicos a seguir reproduzidos: “1.2. Do regime de tributação No termo de verificação fiscal (fls. 1128 a 1146), a fiscalização relata que a contribuinte em epígrafe era optante pelo Simples Nacional relativamente ao ano-calendário de 2010, tendo entregue a Declaração Anual do Simples Nacional – DASN relativa ao período (fls. 3 a 77). Alega que a fiscalizada, em conjunto com outras cinco empresas, abaixo identificadas, constituíam um grupo econômico, exercendo a atividade de comércio de bolsas, malas e artigos de couro, sob o nome fantasia “Lua Luana”. [tabela] Sustenta que as seis empresas eram administradas pelo Sr. Moreno Longuinho de Souza e pelo Sr. Fausto Longuinho de Souza, de acordo com procurações públicas e substabelecimentos obtidos em tabeliães de notas. Acrescenta que as empresas tinham apenas aparência de unidades autônomas, mas atuavam em conjunto, tendo os mesmos administradores. Fl. 1458DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.341 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721281/2014-70 Alega que, caracterizado o grupo econômico, o limite de receita bruta para enquadramento no Simples Nacional deve ser considerado em conjunto. Informa que, no ano-calendário de 2009, foram declarados os seguintes montantes nas DASN e DIPJ: [tabela] Assim, conclui a fiscalização que restou ultrapassado o limite legal para enquadramento no Simples Nacional, tendo sido formalizada representação fiscal para exclusão de ofício do regime diferenciado. Acrescenta que a empresa foi excluída do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2009, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 50/2014, face ao disposto no art. 3º, §4º, V, da Lei Complementar nº 123/2006 e nos artigos 15, VI, e 75, §§ 1º a 5º, da Resolução CGSN nº 94/2011. A fiscalização alega que, intimada a apresentar a escrituração contábil e fiscal, a contribuinte não a apresentou, ficando sujeita à apuração do resultado pelo lucro arbitrado, conforme previsto no art. 530, III, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). 1.3. Dos créditos efetuados em contas bancárias A fiscalização alega que a contribuinte apresentou movimentação financeira incompatível com a receita declarada na DASN relativamente ao ano-calendário de 2010. Informa que, mediante autorização fornecida pela empresa fiscalizada, foram requisitados os extratos bancários às instituições financeiras Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, HSBC Bank Brasil e Itaú Unibanco. A fiscalização relata que os créditos efetuados nas contas bancárias foram auditados, excluindo-se as transferências entre contas da própria pessoa jurídica, os lançamentos cujo histórico demonstra não se tratar de receita e as devoluções de cheques. Acrescenta que, em relação aos demais créditos, a contribuinte foi intimada a justificar e a comprovar a origem dos recursos movimentados, por meio de termos de intimação lavrados em 13/05/2014, 03/06/2014, 14/08/2014, 01/10/2014 e 21/10/2014. Informa que, em resposta às intimações, a contribuinte apresentou justificativas, que foram analisadas e resultaram na exclusão de diversos créditos do montante a ser tributado, conforme descrito no item 5.4 do termo de verificação fiscal. Após análise das justificativas apresentadas pela contribuinte, restaram os créditos bancários não comprovados discriminados de maneira individualizada no anexo ao termo de verificação fiscal (fls. 1147 a 1299), que totalizaram R$15.932.122,23 no ano- calendário de 2010: [tabela] Alega a fiscalização que esses créditos, tendo sido considerados receitas, compreendem matérias tributáveis a serem divididas em duas infrações, descritas a seguir. 1.4. Infração I – Insuficiência de recolhimento A fiscalização alega que, face à exclusão do Simples Nacional e à falta de apresentação de livros contábeis e fiscais, o resultado, no ano de 2010, deve ser apurado pelo regime do lucro arbitrado, deduzindo-se os valores recolhidos a título de Simples Nacional. Acrescenta que, na DASN, foram declaradas as receitas discriminadas na tabela abaixo, que também traz os valores recolhidos no regime simplificado. (...) 1.5. Infração II – Omissão de receitas – Depósitos bancários com origem não comprovada Fl. 1459DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.341 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721281/2014-70 Alega a fiscalização que constituem receitas omitidas as diferenças entre os créditos bancários não comprovados e as receitas declaradas, discriminadas na tabela abaixo, devendo ser apurados os resultados pelo lucro arbitrado. (...) 1.6. Da multa de ofício A fiscalização sustenta que as pessoas integrantes do grupo econômico, sob gestão e administração do Sr. Moreno Longuinho de Souza e do Sr. Fausto Longuinho de Souza, criaram empresas individuais com o objetivo de permanecerem no regime tributário do Simples Nacional, mesmo com receita bruta global superior ao legalmente permitido. Argumenta que tal prática teve o intuito de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária de seu real movimento econômico, modificando as condições pessoais de forma a afetar a obrigação tributária principal. Alega que tal conduta configura sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64, devendo ser aplicada a multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. 1.7. Da sujeição passiva solidária A fiscalização alega que os integrantes do grupo econômico, sob gestão e administração do Sr. Moreno Longuinho de Souza e do Sr. Fausto Longuinho de Souza, criaram empresas individuais com o objetivo de se manterem no regime tributário do Simples Nacional mesmo com receita bruta global superior ao limite legalmente permitido. Sustenta que o Sr. Moreno Longuinho de Souza e o Sr. Fausto Longuinho de Souza são responsáveis pelo crédito tributário, conforme previsto no art. 135, III, do CTN, visto que praticaram atos com infração de lei. (...)” A empresa autuada foi intimada do Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do procedimento Fiscal através do seu representante em 08/12/2014 (fls. 1.299). Já os responsáveis foram devidamente intimados do Termo de Sujeição Passiva Solidária por via postal em 05/12/2014, conforme se verifica do AR’s juntados às fls. 1.314/1.315, sendo que, no final, apenas a autuada apresentou impugnação de fls. 1.344/1.402. Os autos foram encaminhados à autoridade julgadora de 1ª instância para que a respectiva defesa administrativa fosse apreciada e, aí, em Acórdão de fls. 1.410/1.433, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP entendeu por julgá-la improcedente, de modo que a cobrança dos créditos tributários foi mantida in totum. Ao final, o Acórdão nº 16-69.921 restou ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, é incabível cogitar a nulidade do auto de infração. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. SÓCIO ADMINISTRADOR DE OUTRA PESSOA JURÍDICA. EXCESSO DE RECEITA BRUTA GLOBAL. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse um dos limites máximos previstos no art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006. Fl. 1460DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.341 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721281/2014-70 CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. Incumbe ao titular da conta bancária, regularmente intimado, demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores nela creditados. Na falta dessa comprovação, incide a presunção legal de omissão de receita estatuída no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Uma vez que a empresa, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, cabível o arbitramento do lucro. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O julgador administrativo não pode afastar a aplicação da multa prevista em lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à inconstitucionalidade da legislação tributária. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas cumprir a determinação legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos, implicam a obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. ARROLAMENTO DE BENS. A apreciação do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Na sequência, a autoridade fiscal efetuou a intimação da empresa autuada, conforme se verifica do AR de fls. 1.436. Regularmente intimada e inconformada com a decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário (fls. 1.439/1.444) por meio do qual sustentou as razões de seu descontentamento. É o relatório. Voto Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Relator. Fl. 1461DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-006.341 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721281/2014-70 Verifico, inicialmente, que o presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, daí por que devo conhecê-lo e passo a apreciar as alegações formuladas. A recorrente sustenta, em síntese, as seguintes alegações: (i) Que apresentou todos os documentos e livros solicitados pela fiscalização, como consta do termo de encerramento de fiscalização, em especial uma planilha contendo a discriminação de todos os cheques e depósitos; (ii) Que recebeu mais de R$100.000,00 de clientes inadimplentes, referentes a vendas efetuadas em 2008 e 2009, que foram depositados em 2010 nas contas bancárias analisadas pela fiscalização e que, portanto, tratam-se de recebimentos já contabilizados como receitas e tributados em anos anteriores; (iii) Que, em relação à multa de ofício, alega que a exigência de multa depois de mais de três anos da ocorrência dos fatos geradores constitui ofensa ao princípio da segurança jurídica; e (iv) Que a multa aplicada é exagerada, configurando verdadeiro confisco, vedado pela Constituição Federal. Destaque-se, por oportuno, que a recorrente não devolveu a esta instância julgadora revisora as alegações acerca da possibilidade da realização do lançamento com base em movimentação financeira, bem como sobre juros aplicados com base na Taxa Selic. Além disso, registre-se, ainda, que os responsáveis solidários Moreno Longuinho de Souza e Fausto Longuinho de Souza não apresentaram impugnação, o que significa dizer, pois, que o contencioso não foi instaurado quanto a eles, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Dito isto, passemos, então, ao exame das questões que devem ser aqui conhecidas e, por conseguinte, devidamente discutidas. 1. Do arbitramento do Lucro Tendo sido excluída do Simples Nacional, a contribuinte estaria sujeita à apuração dos resultados pelo regime do lucro real, de modo que deveria apresentar a escrituração contábil e fiscal. A recorrente aduz que apresentou todos os livros e documentos solicitados pela fiscalização, conforme consta do termo de encerramento da fiscalização. Entretanto, cabe esclarecer que o termo de ciência de lançamento(s) e encerramento total do procedimento fiscal (fls. 1126 e 1127) traz apenas a seguinte informação: “Devolvemos, nesta data, todos os livros e documentos utilizados no presente procedimento de fiscalização, no estado em que foram recebidos”. Trata-se de informação genérica, que não comprova que a escrituração contábil e fiscal tenha sido efetivamente entregue. Fl. 1462DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-006.341 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721281/2014-70 Observe-se que, no termo de início de procedimento fiscal (fls. 86 e 87), consta a intimação expressa para apresentação dos “livros comerciais e fiscais obrigatórios e acessórios referentes ao período sob análise (Diário, Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Inventário e Caixa)”, sendo que os autos deste processo não trazem cópia de nenhum desses livros e nem comprovação de que os mesmos foram entregues à fiscalização. Não tendo sido apresentados os livros obrigatórios, correta a apuração dos resultados com base no lucro arbitrado, conforme previsto no art. 530, III, do RIR/99, vigente à época do fato gerador. Cofira-se: “Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;” Por fim, observe-se que a apuração dos resultados pelo lucro arbitrado implica a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, a teor do disposto nos artigos 8º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10, II, da Lei nº 10.833/2003. 2. Da Omissão de Receitas Primeiramente, é importante salientar que a contribuinte não renova a alegação sobre eventual impossibilidade do lançamento tendo como base depósitos bancários, apenas afirmando que recebeu mais de R$ 100.000,00 à título de recuperação de recebíveis dos anos anteriores. Pois bem. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira-se: “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição . financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 1463DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-006.341 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721281/2014-70 § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa .física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 Oitenta mil reais) (Alterado pela Lei n" 9.481, de 13.897). [...]” O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confundem com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado corno fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Para Pontes de Miranda, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm corno verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário, conforme demasiadamente tratado em diversos outros votos deste Relator. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem corno verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer Fl. 1464DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-006.341 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721281/2014-70 alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratar-se de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" - que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário e por este Tribunal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de n° 26, com a seguinte redação: “Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Especificamente quanto a alegação de que recebeu, no ano de 2010, mais de R$100.000,00 de clientes inadimplentes referentes a vendas efetuadas em 2008 e 2009, que já foram tributadas nos respectivos períodos, tem-se que a contribuinte, durante o procedimento fiscal e no contencioso administrativo, não carreou documentos comprobatórios correlacionando os depósitos bancários com as alegações trazidas. Por essas razões, as alegações nesse ponto não devem ser aqui acolhidas. 3. Da multa confiscatória Antes de adentrar no mérito propriamente dito do tema, cabe esclarecer que a recorrente não questiona os fundamentos da qualificação da multa e, no caso, acaba sustentando sua linha de defesa apenas quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade da multa aplicada por ofensa aos princípios da segurança jurídica e não confisco. Observe-se, de plano, que, de acordo com o artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, os órgãos de julgamento não podem afastar ou deixar de observar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Veja-se: “Decreto nº 70.235/72 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Fl. 1465DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-006.341 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721281/2014-70 De acordo com Hugo de Brito Machado 1 , A competência para dizer a respeito da conformidade da lei com a Constituição, ou resulta expressamente indicada na própria Constituição, ou encarta-se no desempenho da atividade jurisdicional. Em qualquer caso, pressupõe a possibilidade de uniformização das decisões, de sorte que uma lei não venha a ser considerada inconstitucional, em um caso, e considerada constitucional, em outros, sem que exista a possibilidade de superação dessas diferenças de entendimento, lesivas ao princípio da isonomia. Nossa Constituição não alberga norma que atribua às autoridades da Administração competência para decidir sobre a inconstitucionalidade de leis. Assim, já é possível afirmar-se que no desempenho de atividades substancialmente administrativas o exame da inconstitucionalidade é inadmissível. [...] É sabido que o princípio da supremacia constitucional tem por fim a unidade do sistema jurídico. É sabido também que ao Supremo Tribunal Federal cabe a tarefa de garantir essa unidade, mediante o controle da constitucionalidade das leis. Não é razoável, portanto, admitir-se que uma autoridade administrativa possa decidir a respeito dessa constitucionalidade, posto que o sistema jurídico não oferece instrumentos para que essa decisão seja submetida à Corte Maior. A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerá-la inconstitucional, ou, mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é ou não inconstitucional. Tal conclusão, que aparentemente contraria o princípio da supremacia constitucional, na verdade o realiza melhor do que a solução oposta, na medida em que preserva a unidade do sistema jurídico, que é objetivo maior daquele princípio.” Em consonância com o que determina o artigo 26-A do Decreto nº 70.235/72, registre-se que o artigo 62 do Regimento Interno - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de junho de 2015, também prescreve que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar quaisquer disposições contidas tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Veja-se: “PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A Súmula CARF nº 2 também dispõe que este Tribunal não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Veja-se: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 1 MACHADO. Hugo de Brito. Processo Administrativo Tributário. Pesquisas Tributárias Nova Serie nº 5 - XXIII Simpósio Nacional de Direito Tributário do Centro de Extensão Universitária. Coordenador Ives Gandra da Silva Martins, RTCEU, São Paulo, 1999, pp. 152-154. Fl. 1466DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-006.341 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.721281/2014-70 Tendo em vista que não cabe a este Tribunal Administrativo se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de tratados, acordos internacionais, leis ou decretos, é de se concluir que as alegações de que a multa aplicada na modalidade qualificada é confiscatória e viola o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal não devem ser aqui examinadas, haja vista que esse tipo de alegação reivindicaria a análise da inconstitucionalidade da própria norma tributária prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Por essas razões, entendo por não acolher das alegações meritórias no sentido de que a multa é confiscatória e, portanto, inconstitucional. 4. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta dos autos, entendo por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento de acordo com as razões expostas. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 1467DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720005/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2008
CONSOLIDAÇÃO DE RESULTADOS DECORRENTES DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR CONTROLADAS INDIRETAS. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ENTRE SOCIEDADES DIFERENTES.
Para fins de apuração do lucro real de grupos transnacionais, não é possível deixar de considerar o resultado positivo ou negativo dos balanços de companhias estrangeiras controladas por empresas brasileiras, demonstrando-se indevida e ilegal a pretensão fazendária de tributar o resultado operacional de controladas indiretas que não possuam vínculo societário imediato com o sujeito passivo no Brasil.
O lucro auferido por companhia estrangeira não controlada diretamente por empresa brasileira não se sujeita à composição do lucro real no Brasil, salvo após sua consolidação na demonstração de resultado do balanço de pessoa jurídica intermediária que a controle, admitida a compensação anual de resultados positivos e negativos. A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, depende de relação jurídica societária direta, para fins de registro para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil
A tributação com bases universais é técnica legislativa válida e reconhecidamente útil ao ordenamento jurídico nacional, porém, sua existência não autoriza a administração pública a pretender transfigurar e relação tributária e desfigurar os limites da legalidade para alcançar fato econômico indireto, não vinculado ao sujeito passivo situado em território nacional que não seja beneficiário direto de resultados econômicos havidos por terceiros indiretamente relacionados.
Por expressa previsão do art. 1º, § 6º, da IN SRF 213/2002, os resultados auferidos no exterior, por intermédio de outra pessoa jurídica que seja controlada indiretamente por companhia brasileira, serão consolidados no balanço da controlada direta também situada no exterior, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, razão pela qual a consolidação dos balanços das companhias estrangeiras, nela incluídas os resultados econômicos positivos e negativos decorrentes de suas atividades, regularmente registrados em sua contabilidade, será o elemento adequado para transferir ao sujeito passivo no Brasil a parcela remanescente de lucro a ser adicionado na apuração do lucro real.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
DEVER LEGAL DE PAGAR (LICITAMENTE) TRIBUTOS. DEVER DE SOLIDARIEDADE SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSTITUIÇÃO DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. INEXISTÊNCIA DE ABUSIVIDADE DE DIREITO, ARTIFICIALIDADE DE FORMAS, FRAUDE, DOLO, CONLUIO OU QUALQUER PATOLOGIA DO ATO JURÍDICO PRATICADO.
Nas circunstâncias em que, licitamente, o contribuinte realizar ato jurídico que importe em economia tributária válida, sem mácula ou vício previsto no ordenamento jurídico, ou seja, sem patologia de forma, de vontade, de intenção ou ocultação, torna-se ilegítima a autuação que dele decorra, inexistindo dever fundamental de pagar ilicitamente tributos.
A inexistência de norma jurídica específica que discipline a desconstituição de negócios jurídicos válidos não autoriza a administração tributária a se valer de critérios gerais, claramente subjetivos, para atribuir a pecha de planejamento tributário abusivo ao exercício regular de direitos de cunho empresarial e societário, de forma que a norma geral antielisiva do art. 116 do CTN possui mero comando autorizador do exercício secundário de competência legislativa ordinária.
Admite-se combate ao abuso, à fraude, à simulação, ao dolo e ao conluio, não sob o prisma da norma geral antielisiva, mas pela prática de ato antijurídico a que o ordenamento jurídico preveja tipo infracional específico.
Numero da decisão: 1201-005.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Efigênio de Freitas Júnior, Fernando Beltcher da Silva e Neudson Cavalcante Albuquerque acompanharam o voto do relator apenas nas suas conclusões. O Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz, Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Fredy José Gomes de Albuquerque
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2008 CONSOLIDAÇÃO DE RESULTADOS DECORRENTES DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR CONTROLADAS INDIRETAS. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ENTRE SOCIEDADES DIFERENTES. Para fins de apuração do lucro real de grupos transnacionais, não é possível deixar de considerar o resultado positivo ou negativo dos balanços de companhias estrangeiras controladas por empresas brasileiras, demonstrando-se indevida e ilegal a pretensão fazendária de tributar o resultado operacional de controladas indiretas que não possuam vínculo societário imediato com o sujeito passivo no Brasil. O lucro auferido por companhia estrangeira não controlada diretamente por empresa brasileira não se sujeita à composição do lucro real no Brasil, salvo após sua consolidação na demonstração de resultado do balanço de pessoa jurídica intermediária que a controle, admitida a compensação anual de resultados positivos e negativos. A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, depende de relação jurídica societária direta, para fins de registro para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil A tributação com bases universais é técnica legislativa válida e reconhecidamente útil ao ordenamento jurídico nacional, porém, sua existência não autoriza a administração pública a pretender transfigurar e relação tributária e desfigurar os limites da legalidade para alcançar fato econômico indireto, não vinculado ao sujeito passivo situado em território nacional que não seja beneficiário direto de resultados econômicos havidos por terceiros indiretamente relacionados. Por expressa previsão do art. 1º, § 6º, da IN SRF 213/2002, os resultados auferidos no exterior, por intermédio de outra pessoa jurídica que seja controlada indiretamente por companhia brasileira, serão consolidados no balanço da controlada direta também situada no exterior, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, razão pela qual a consolidação dos balanços das companhias estrangeiras, nela incluídas os resultados econômicos positivos e negativos decorrentes de suas atividades, regularmente registrados em sua contabilidade, será o elemento adequado para transferir ao sujeito passivo no Brasil a parcela remanescente de lucro a ser adicionado na apuração do lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DEVER LEGAL DE PAGAR (LICITAMENTE) TRIBUTOS. DEVER DE SOLIDARIEDADE SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSTITUIÇÃO DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. INEXISTÊNCIA DE ABUSIVIDADE DE DIREITO, ARTIFICIALIDADE DE FORMAS, FRAUDE, DOLO, CONLUIO OU QUALQUER PATOLOGIA DO ATO JURÍDICO PRATICADO. Nas circunstâncias em que, licitamente, o contribuinte realizar ato jurídico que importe em economia tributária válida, sem mácula ou vício previsto no ordenamento jurídico, ou seja, sem patologia de forma, de vontade, de intenção ou ocultação, torna-se ilegítima a autuação que dele decorra, inexistindo dever fundamental de pagar ilicitamente tributos. A inexistência de norma jurídica específica que discipline a desconstituição de negócios jurídicos válidos não autoriza a administração tributária a se valer de critérios gerais, claramente subjetivos, para atribuir a pecha de planejamento tributário abusivo ao exercício regular de direitos de cunho empresarial e societário, de forma que a norma geral antielisiva do art. 116 do CTN possui mero comando autorizador do exercício secundário de competência legislativa ordinária. Admite-se combate ao abuso, à fraude, à simulação, ao dolo e ao conluio, não sob o prisma da norma geral antielisiva, mas pela prática de ato antijurídico a que o ordenamento jurídico preveja tipo infracional específico.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-01-02T19:57:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-01-02T19:57:39Z; Last-Modified: 2023-01-02T19:57:39Z; dcterms:modified: 2023-01-02T19:57:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-01-02T19:57:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-01-02T19:57:39Z; meta:save-date: 2023-01-02T19:57:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-01-02T19:57:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-01-02T19:57:39Z; created: 2023-01-02T19:57:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2023-01-02T19:57:39Z; pdf:charsPerPage: 2572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-01-02T19:57:39Z | Conteúdo => S1-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16643.720005/2013-50 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-005.707 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de dezembro de 2022 Recorrente MARCOPOLO SA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2008 CONSOLIDAÇÃO DE RESULTADOS DECORRENTES DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR CONTROLADAS INDIRETAS. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ENTRE SOCIEDADES DIFERENTES. Para fins de apuração do lucro real de grupos transnacionais, não é possível deixar de considerar o resultado positivo ou negativo dos balanços de companhias estrangeiras controladas por empresas brasileiras, demonstrando- se indevida e ilegal a pretensão fazendária de tributar o resultado operacional de controladas indiretas que não possuam vínculo societário imediato com o sujeito passivo no Brasil. O lucro auferido por companhia estrangeira não controlada diretamente por empresa brasileira não se sujeita à composição do lucro real no Brasil, salvo após sua consolidação na demonstração de resultado do balanço de pessoa jurídica intermediária que a controle, admitida a compensação anual de resultados positivos e negativos. A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, depende de relação jurídica societária direta, para fins de registro para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil A tributação com bases universais é técnica legislativa válida e reconhecidamente útil ao ordenamento jurídico nacional, porém, sua existência não autoriza a administração pública a pretender transfigurar e relação tributária e desfigurar os limites da legalidade para alcançar fato econômico indireto, não vinculado ao sujeito passivo situado em território nacional que não seja beneficiário direto de resultados econômicos havidos por terceiros indiretamente relacionados. Por expressa previsão do art. 1º, § 6º, da IN SRF 213/2002, os resultados auferidos no exterior, por intermédio de outra pessoa jurídica que seja controlada indiretamente por companhia brasileira, serão consolidados no balanço da controlada direta também situada no exterior, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil, razão pela qual a consolidação dos balanços das companhias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 05 /2 01 3- 50 Fl. 1170DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 estrangeiras, nela incluídas os resultados econômicos positivos e negativos decorrentes de suas atividades, regularmente registrados em sua contabilidade, será o elemento adequado para transferir ao sujeito passivo no Brasil a parcela remanescente de lucro a ser adicionado na apuração do lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DEVER LEGAL DE PAGAR (LICITAMENTE) TRIBUTOS. DEVER DE SOLIDARIEDADE SOCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSTITUIÇÃO DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. INEXISTÊNCIA DE ABUSIVIDADE DE DIREITO, ARTIFICIALIDADE DE FORMAS, FRAUDE, DOLO, CONLUIO OU QUALQUER PATOLOGIA DO ATO JURÍDICO PRATICADO. Nas circunstâncias em que, licitamente, o contribuinte realizar ato jurídico que importe em economia tributária válida, sem mácula ou vício previsto no ordenamento jurídico, ou seja, sem patologia de forma, de vontade, de intenção ou ocultação, torna-se ilegítima a autuação que dele decorra, inexistindo dever fundamental de pagar ilicitamente tributos. A inexistência de norma jurídica específica que discipline a desconstituição de negócios jurídicos válidos não autoriza a administração tributária a se valer de critérios gerais, claramente subjetivos, para atribuir a pecha de planejamento tributário abusivo ao exercício regular de direitos de cunho empresarial e societário, de forma que a norma geral antielisiva do art. 116 do CTN possui mero comando autorizador do exercício secundário de competência legislativa ordinária. Admite-se combate ao abuso, à fraude, à simulação, ao dolo e ao conluio, não sob o prisma da norma geral antielisiva, mas pela prática de ato antijurídico a que o ordenamento jurídico preveja tipo infracional específico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Efigênio de Freitas Júnior, Fernando Beltcher da Silva e Neudson Cavalcante Albuquerque acompanharam o voto do relator apenas nas suas conclusões. O Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator Fl. 1171DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado(a)), Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz, Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário manejado em face do acórdão da DRJ que manteve o lançamento de IRPJ e CSLL, decorrentes de ação fiscal que identificou a ausência de tributação sobre lucro auferido no exterior por companhias controladas indiretamente pela contribuinte brasileira, no ano-calendário de 2008, quais sejam, MIC – MARCOPOLO INTERNACIONAL CORPORATION (Ilhas Virgens) e METALPAR ARGENTINA S/A (Argentina). Deve-se observar que todos os fatos trazidos à colação foram analisadas por este Colegiado, em composição parcialmente diversa, quando do julgamento do Processo 16561.720155/2012-92, em outubro/2021, que tratou do ano-calendário de 2007. São os mesmos fatos e os processos são conexos (o presente trata do ano-calendário de 2008, o outro de 2007), com a mesma Relatoria, havendo o Colegiado decidido, naquela oportunidade, desconstituir os lançamentos tributários, por unanimidade. A administração tributária aponta que a empresa autuada (MARCOPOLO S/A - Brasil) detinha o controle de 99,99% de outra companhia sediada na Argentina (“MAPLA” – MARCOPOLO LATINOAMERICA - Argentina), que, por sua vez, controla 100% de uma terceira empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas (“MIC” - MARCOPOLO INTERNACIONAL CORPORATION – Ilhas Virgens). Em 2008, o lucro obtido pela MIC nas Ilhas Virgens Britânicas foi distribuído à companhia MAPLA na Argentina, a fim de socorrê-la de prejuízos históricos que colocavam em risco sua existência, conforme justificou. Tal operação foi registrada contabilmente nos dois países, tendo o lucro sido consolidado na Argentina, na demonstração de resultado da MAPLA, como resultado positivo de equivalência patrimonial, sem qualquer remessa à companhia brasileira (MARCOPOLO S/A), dada a compensação entre as perdas e o lucro apurado. A autoridade administrativa desconsiderou tal operação, sob o entendimento de que a mesma foi abusiva, tendente a fraudar a arrecadação de tributos no Brasil, aduzindo que os resultados positivos da controlada (MIC – Ilhas Virgens Britânicas) deveriam ser considerados na composição do lucro real da contribuinte brasileira (MARCOPOLO S/A – Brasil), tratando as empresas internacionais (tanto a MAPLA – Argentina quanto a MIC – Ilhas Virgens Britânicas) como controladas da autuada. Relatou-se, ainda, uma segunda situação de controle acionário indireto, desta vez, relacionado à companhia METALPAR ARGENTINA S/A, sediada na Argentina, a qual era detida pela contribuinte brasileira (MARCOPOLO S/A – Brasil) em 1% de seu capital, sendo o restante detido por outra empresa, INVERSIONES LOMA HERMOSA S/A (LOMA), da qual a empresa autuada era sócia em 32,65%. Fl. 1172DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 No mesmo ano-calendário, a autuada teria deixado de apurar o lucro havido pela controlada indireta (METALPAR ARGENTINA), os quais foram consolidados na controlada direta (LOMA), de forma que foram lançados o IRPJ e a CSLL a eles referentes. A DRJ manteve o lançamento em decisão assim ementada: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. FALTA DE INDICAÇÃO DO VÍCIO. A falta de indicação de vício específico, referente ao planejamento tributário abusivo, não é motivo de nulidade da autuação se a descrição dos fatos é suficiente para o pleno exercício do direito de defesa. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR CONTROLADAS OU COLIGADAS. ADIÇÃO DOS RESULTADOS NA INVESTIDORA BRASILEIRA. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Os lucros oriundos do exterior de controladas ou coligadas devem ser computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da investidora nacional de forma individualizada, sendo vedada a compensação de prejuízos entre as diferentes sociedades. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. FRAUDE À LEI. Fraude à lei é espécie de planejamento tributário abusivo que permite desconsiderar efeitos tributários de atos concebidos formalmente como regulares. Tem pressupostos diversos da fraude tributária, que enseja a qualificação da multa de ofício. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR CONTROLADA. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. IRREGULARIDADE FORMAL NA DIPJ. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. Irregularidade formal no preenchimento da DIPJ não justifica a manutenção de exigência tributária sobre lucros auferidos no exterior por intermédio de coligada quando se comprova que os resultados desta foram oferecidos à tributação em conjunto com os de outra e que não houve prejuízo ao fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. As considerações formuladas para o IRPJ são extensíveis para a CSLL no que for decorrente. Irresignada, a contribuinte maneja Recurso Voluntário, reprisando as questões suscitadas em sua impugnação, a saber: Preliminarmente: a) Erro na identificação e determinação da matéria tributável, sob o argumento que a administração tributária equivocou-se na composição da base de cálculo por pretender alcançar fatos não suscetíveis à tributação, o que ensejaria a nulidade da autuação, porquanto pretensamente desatendido o art. 142 do CTN, uma vez que a matéria tributável foi tratada de forma errônea; b) Nulidade dos autos de infração por fundamentação insuficiente, porquanto não indicarem expressamente os dispositivos legais infringidos, descumprimento, em seu entender, o art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/72; No mérito c) Possibilidade de consolidação vertical dos resultados, considerando lícitas as operações internacionais realizadas, de acordo com a IN SRF 213/02, uma vez que os resultados das companhias estrangeiras “vão sendo consolidados nas Fl. 1173DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 bases de cálculo das empresas que detêm o controle da empresa que os auferiu – a empresa que detém o investimento (controlada direta) consolida os resultados da empresa por si controlada (controlada indireta). Da mesma forma, a empresa nacional que detém investimento na controlada direta irá consolidar os resultados destas em sua própria base de cálculo. Quando de sua consolidação pela investidora nacional, os resultados da controlada direta já estarão afetados pelos resultados da controlada indireta”. Assim, defende que o incido I do art. 16 da Lei nº 9.430/96 deve ser aplicado no sentido contrário ao entendimento da autoridade autuante, porquanto os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, notadamente porque a IN SRF 2013/02 claramente determina (art. 1º, § 6º) que os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação odo lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil; d) A Convenção Brasil-Argentina para Evitar a Dupla Tributação de Renda (Decreto nº 87.976/82) impede que os lucros consolidados na controlada argentina (MAPLA) sejam tributados na controladora brasileira (MARCOPOLO S/A), uma vez que todo o lucro foi tributado perante o fisco argentino; e) Inexistência de planejamento tributário abusivo, justificando as operações internacionais em razão de necessidade de preservação da companhia argentina, pois os prejuízos históricos lhe traziam riscos de dissolução em face da legislação daquele país; f) Os lucros da METALPAR já haviam sido oferecidos à tributação em conjunto com os resultados da LOMA HERMOSA, o que seria confirmado pela documentação juntada aos autos, reconhecendo que somente os lucros decorrentes de sua a participação direta de 1% sobre a companhia METALPAR deveriam ter sido apurados pela contribuinte brasileira, mas que não houve prejuízo ao Fisco, uma vez que tais importâncias foram incorporados à controlada LOMA HERMOSA; g) Ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade para conhecê-lo. Fl. 1174DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 Das nulidades apontadas pela recorrente São duas as preliminares suscitadas pela contribuinte, que merecem análise antes do julgamento do mérito. No que tange à nulidade por alegado erro na identificação e determinação da matéria tributável, penso que se equivocou a recorrente ao controvertê-la como preliminar, pois os argumentos apontados pela parte representam, em verdade, matéria inteiramente vinculada ao meritum causae, uma vez que a adequada composição da base de cálculo da autuação e a indicação de fatos que eventualmente não representem sua hipótese de incidência resvalariam na improcedência ou parcial procedência do lançamento. A adequada indicação da matéria tributável representa o mérito, inexistindo nulidade a ser reconhecida. Outrossim, equivoca-se a parte, igualmente, ao pugnar pela nulidade por fundamentação insuficiente, porquanto a autoridade administrativa apontou no Termo de Verificação Fiscal todos os elementos essenciais à compreensão dos fatos trazidos à colação, inclusive, no que tange à legislação aplicável. Assim, considerando que o TVF representa o eixo central da autuação e dela faz parte de modo indissociável, não há razões para desconstituir nenhum dos atos realizados pela pretensa – e claramente inexistente – pecha da nulidade, até porque a contribuinte realizou o amplo e irrestrito direito de defesa, inclusive sobre as matérias que pretende anular. Por tais razões, afasto as nulidades suscitadas. No mérito A matéria controvertida nos autos é antiga conhecida do CARF e consiste na pretensão do fisco de alcançar o lucro de companhia estrangeira não controlada diretamente por contribuinte brasileiro. Há de observar o desenho das pessoas jurídicas indicadas no TVF, para adequada compreensão da matéria: 1ª SITUAÇÃO: CONTROLE INDIRETO DE “MIC” Fl. 1175DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 2ª SITUAÇÃO: CONTROLE INDIRETO DE “METALPAR” Fl. 1176DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 SOBRE AO CONTROLE ACIONÁRIO DE MIC No que tange à 1ª situação, observe-se que não existe relação jurídica entre a empresa brasileira (MARCOPOLO S/A) e a empresa situada nas Ilhas Virgens Britânicas (MIC), uma vez que esta é controlada pela empresa argentina (MAPLA). O TVF registrou que o lucro foi auferido pela empresa MIC (Ilhas Virgens Britânicas) e repassado à sua controladora MAPLA (Argentina), mediante consolidação em sua demonstração de resultado (dela, MAPLA) como resultado positivo de equivalência patrimonial. Com efeito, a administração tributária consigna que “Este lucro apurado pela MIC consta na Demonstração de Resultado de sua controladora MAPLA como resultado positivo de Equivalência Patrimonial”. O problema surge em razão da compensação do referido lucro com prejuízos acumulados da beneficiária (MAPLA – Argentina), tendo a autoridade administrativa consignado que, em relação à sua controladora brasileira (ora recorrente, MARCOPOLO S/A), “verifica-se que a fiscalizada não adicionou o valor proporcional à sua participação (99,99%) à base de cálculo do IRPJ e da CSLL porque possuía em 2007 mais de R$ 80 milhões de prejuízos acumulados de períodos anteriores a compensar, evidenciados no Demonstrativo de Resultados Negativos elaborado em resposta a intimação lavrada na ação fiscal encerrada em 2011, a qual foi atualizada em atendimento ao Termo de Intimação nº 05, de 08/08/2012, que reproduzimos a seguir”: Tem-se, portanto, que o levantamento fiscal baseou-se na conclusão de que “a fiscalizada procurou “blindar” da tributação brasileira os lucros auferidos pela controlada MIC, compensando “disfarçadamente” os lucros de uma controlada com os prejuízos da outra, razão pela qual foi lavrado Auto de Infração em relação ao ano de 2006 (por meio da ação fiscal anterior, encerrada em 2011) e ora lavramos a autuação fiscal em relação ao ano de 2007”. Antes disso, consignou o TVF que “Não se discute que a fiscalizada possa gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazê-lo de forma a obter maior economia de tributos possível. Há, todavia, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir artificialmente a carga tributária como no caso em apreço”. Divirjo das conclusões a que chegou a administração tributária, pois pretende tratar como controlada direta uma pessoa jurídica indiretamente relacionada com a contribuinte. Esse é o nó górdio: é possível ao ente tributante, para auferir a máxima arrecadação tributária Fl. 1177DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 possível, desconsiderar – sem sequer desconstituir – o regular desenho societário e de negócios da pessoa jurídica brasileira? A controlada indireta (MIC – Ilhas Virgens Britânicas) não mantém relação jurídica direta com empresa brasileira (MARCOPOLO S/A – Brasil), apenas estão subconectadas com a terceira companhia (MAPLA – Argentina), detentora de 100% dos haveres e dos lucros disponibilizados pela primeira. Penso que a autoridade autuante equivocou-se, data vênia, ao fazer a leitura isolada do § 2º, do art. 4º, da IN SRF 213/2002, sem atentar para a redação do caput: Art. 4º É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os prejuízos a que se refere este artigo são aqueles apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio, correspondentes aos períodos iniciados a partir do ano-calendário de 1996. § 2º Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. Note-se que o dispositivo veda a compensação de prejuízos fiscais da controlada, no exterior, com lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. Não é essa a hipótese dos autos, pois a controlada (MAPLA – Argentina) compensou seus prejuízos na Argentina com o resultado positivo da empresa britânica (MIC – Ilhas Virgens Britânicas), que tem regulamentação diversa pela própria IN SRF 213/2002, qual seja: Art. 1º. § 6º Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. O dispositivo é de clareza solar! Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica (MIC – Ilhas Virgens), na qual a controlada, no exterior (MAPLA – Argentina), mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da controlada (MAPLA – Argentina) para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil (MARCOPOLO S/A – Brasil). Os lucros foram, sim, consolidados no balanço da controlada (MAPLA – Argentina), o problema é não aceitar o balanço! Vê-se que a administração tributária pretende lançar tributo contrariamente à sua própria normatização interna (IN 213/2002), sob a premissa de que haveria artificialidade na composição societária do grupo econômico envolvido, mediante interpretação que exige da contribuinte escolher o modelo societário que acarrete a maior carga tributária possível. Mais: só seria possível alcançar diretamente a integralidade do resultado positivo da controlada indireta (MIC – Ilhas Virgens Britânicas) mediante desconsideração total do balanço da controlada direta (MAPLA – Argentina), para forçar ilegalmente uma relação jurídica da empresa brasileira (MARCOPOLO S/A) com a empresa britânica (MIC). Fl. 1178DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 O § 6º acima transcrito versa sobre a consolidação vertical dos balanços, técnica aceita pela legislação (art. 25 da Lei 9.249/1995) e regulamentada pelo próprio fisco federal. Aliás, a MP nº 2.158-35/2001, julgada constitucional por decisão do STF com repercussão geral (RE 611586 - RG / PR, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, Julgamento: 05/04/2012, Publicação: 02/05/2012, Tribunal Pleno), reitera que, para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249/1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados (art. 74). É dizer: para fins de apuração do lucro real de grupos transnacionais, não é possível deixar de considerar o resultado positivo ou negativo dos balanços de companhias estrangeiras controladas por empresas brasileiras, demonstrando-se indevida e ilegal a pretensão fazendária de tributar o resultado operacional de companhias que não possuam relação direta com o sujeito passivo no Brasil. A tributação com bases universais é técnica legislativa válida e reconhecidamente útil ao ordenamento jurídico nacional, porém, sua existência não autoriza a administração pública a pretender transfigurar a relação tributária e desfigurar os limites da legalidade para alcançar fato econômico indireto, não vinculado ao sujeito passivo situado em território nacional que não seja beneficiário direto de resultados econômicos havidos por terceiros indiretamente relacionados. O lucro auferido por companhia estrangeira não controlada diretamente por empresa brasileira não se sujeita à composição do lucro real no Brasil, salvo após sua consolidação na demonstração de resultado do balanço de pessoa jurídica intermediária que a controle, admitida a compensação anual de resultados positivos e negativos. A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, depende de relação jurídica societária direta, para fins de registro para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. Cite-se, aliás, as lições de Alberto Xavier: Neste sistema, os lucros das controladas indiretas não podem ser considerados disponibilizados per saltum para a controladora brasileira e junto a ela tributados, pois tal tributação poderá estar incidindo sobre um resultado que jamais chegará às mãos daquela controladora. Tal ocorrerá na hipótese de existência de prejuízos ou perdas em sociedades estrangeiras sit uada em degraus, mais elevados do elo societário, que absorverão referidos lucros, e ainda na hipótese de o controlador brasileiro alienar a participação na primeira controlada estrangeira, quando deixa ipso iure de ter qualquer vínculo jurídico com as controladas indiretas legitimador de uma disponibilização, eis que sua relação societária passa necessariamente pela primeira controlada (XAVIER, Alberto. Direito Tributário Internacional do Brasil. 7ª ed. Forense: 2010, p. 421). Consigne-se que a autuação em análise, ao pretender ultrapassar a consolidação de dados do balanço da companhia controlada (MAPLA – Argentina) pelo contribuinte brasileiro (MARCOPOLO S/A – Brasil), destrói a sistemática legal de avaliação de investimentos pelo "método da equivalência patrimonial", cuja função é exatamente permitir que os resultados de Fl. 1179DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 companhias estrangeiras sejam adequadamente tributados no Brasil, desde que exista relação societária. O método permite, em cada balanço – e não fora dele, como pretende a administração tributária no caso dos autos –, que se reflitam o valor de participação nos resultados, positivos ou negativos, lucros ou prejuízos, acréscimos ou decréscimos ao patrimônio líquido das sociedades investidas. Só se assegura o método de equivalência patrimonial se for possível preservar o registro contábil dos ajustes realizados. Por isso mesmo, o lançamento em apreço vilipendia tal procedimento. Observe-se que a tese de fundo da autuação consiste na descaracterização da companhia que intermedia a tripla relação (MAPLA – Argentina), atribuindo-lhe a pecha de empresa veículo, servindo como mera condutora à finalidade de compensar prejuízos e evitar a tributação no Brasil, ou seja, seria uma espécie de "Treaty Shopping", que, para alguns, constitui burla à legislação, ante ao alegado abuso de tratados internacionais que evitam a dupla tributação e não é recomendada pela OCDE. Luís Eduardo Schoueri define que esse fenômeno ocorre quando, para obter benefício em local beneficiado por acordo de bitributação, “um contribuinte que, de início, não estaria incluído entre seus beneficiários, estrutura seus negócios, interpondo, entre si e a fonte de rendimento, uma pessoa ou um estabelecimento permanente, que faz jus àqueles benefícios” (SCHOUERI, Luís Eduardo. Planejamento fiscal através de acordos de bitributação: treaty shopping. São Paulo: RT, 1995, p.21). Nem assim a tese vingaria, pois as companhias já existiam em seus respectivos países muitos anos antes dos fatos geradores, aliás, a empresa argentina (MAPLA) amarga prejuízos históricos, conforme demonstrado no auto de infração. Não serve de “veículo” a nenhum tipo de ilegalidade, tem propósito, tem histórico, tem altos e baixos, conforme gráfico indicado pela defesa e abaixo reproduzido: O combate à artificialidade de mecanismos jurídicos apontados pela administração tributária para coibir a evasão fiscal é importante e deve pautar a proteção à legalidade e à boa-fé das relações jurídicas, mas não autoriza a administração tributária a valer-se Fl. 1180DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 de instrumentos antijurídicos para pretender alcançar fatos econômicos não relacionados com o contribuinte, atribuindo-lhe a pecha da simulação, fraude, conluio, abuso de direito, artificialidade de condutas ou falta de propósito. Apontar ilegalidade inexistente é tão deletério quanto a praticar! Não obstante as conclusões apriorísticas do fisco sobre as escolhas que levam empresas transnacionais a buscarem estruturas societárias e instalação de operações lícitas em diversos países reflete muito mais o desconhecimento dos agentes administrativos quanto às demandas econômicas internacionais do que verdadeira relevância argumentativa. Com efeito, em excelente estudo doutrinário sobre “O planeamento Tributário Abusivo das Transnacionais e a Erosão das Bases Tributárias: entre a Legalidade e a Moralidade”, vê-se as seguintes e lúcidas conclusões: Embora a tributação seja um influenciados na atração de empresas, não é ele o que prepondera. Quando o assunto é investimento estrangeiro direto (IED) genuíno, os tributos ocupam a quarta ou quinta posição na ordem do que é considerado pelos investidores. Antes, são apontados outros fatores tidos como mais importantes, a exemplo de: estabilidade política e instituições fortes, infraestrutura, acesso a mercados e matérias- primas e mão de obra qualificada. No mesmo sentido, a OCDE estende que a política fiscal e seus incentivos ocupam um espaço limitado na tomada de decisão do local onde será alocado o IED. Assim, é errado analisar a questão a partir de uma lógica essencialmente do país, mas, numa perspectiva nacional, não é estatisticamente tão relevante, uma vez que isso não torna o país desinteressante a investimentos externos por si, o que parece ser verificado no mundo real. (OLIVEIRA, José André Wanderley Dantas de; HOLMES, João Marcelo. O planeamento Tributário Abusivo das Transnacionais e a Erosão das Bases Tributárias: entre a Legalidade e a Moralidade. In RDTA Revista Direito Tributário Atual. vol. 48. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Tributário, 2021, p. 658). Conhecer os senões que estão além da fria relação tributária demanda interesse pela investigação da realidade que cerca o intérprete e o aplicador do direito, que deve estar atento ao conteúdo interdisciplinar com áreas afins ao Direito Tributário, historicamente encaixotado no conforto de repetições apriorísticas. Seja porque, no mundo real, o direito mais se cumpre do que se descumpre, o propósito negocial mais existe do que se simula, mas conceber isso como uma realidade demanda escolha interpretativa que exige do ourives jurídico lapidar os porquês e os “praquês” da fenomenologia jurídica a par da realidade econômica, nem sempre transparente às lentes de quem a investiga. Cotejar a interdisciplinaridade destes senões, conforme notável lição do Professor – e também i. Conselheiro deste Colegiado – Jeferson Teodorovicz, “Trata-se, portanto, de uma atitude de abertura epistemológica ou ‘abertura de pensamento’. O diálogo (recíproco) entre disciplinas é essencial para a efetivação da interdisciplinaridade. O cientista avança sobre o campo de interesse comum de outros ramos do conhecimento, permitindo-se receber contribuições de outras áreas.” (TEODOROVICZ, Jeferson. O Direito Tributário Brasileiro e a Interdisciplinaridade: Perspectivas, Possibilidades e Desafios. In RDTA Revista Direito Tributário Atual. vol. 48. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Tributário, 2021, p. 578). Ressalte-se, ainda, que as conclusões a que chegou a administração tributária para concluir por uma pretensa – e a meu ver inexistente – artificialidade na conduta do contribuinte em manter estrutura societária no exterior para, supostamente, “reduzir artificialmente a carga Fl. 1181DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 tributária como no caso em apreço”, não encontra guarida na realidade indicada nos autos processuais, nem se justifica pelas teorias de escol, que pretendem desconstituir negócios sob o prisma do dever de solidariedade que subjaz ao denominado Dever Fundamental de Pagar Tributos, conforme ensino do professor português José Casalta Nabais 1 . É bem verdade que tal teoria, utilizada inadequadamente, pode levar o intérprete apressado a pressupor que, sendo fundamental o dever do contribuinte de pagar tributo, deve o mesmo organizar seus negócios de forma a sujeitar-se à opção tributária mais onerosa. Ora, se pagar é um dever, tudo aquilo que fosse contrário ao pagamento seria ilegal (reitere-se que é um argumento hipotético e equivocado). Trata-se de equívoco interpretativo, até porque não é isso que a teoria prega. Não se pode conceber um livro pela capa ou uma teoria pelo título! No Brasil, há grandes professores que defendem o dever de pagar tributos como algo ínsito às sociedades modernas, a exemplo do professores Ricardo Lobo Torres 2 , Marcus Abraham 3 , Marco Aurélio Greco 4 , Marciano Seabra de Godoi 5 , Sérgio André Rocha 6 , Carlos Alexandre de Azevedo Campos 7 , Klaus Tipke 8 , Douglas Yamashita 9 , dentre outros. Citam o dever de solidariedade social e as exigências ínsitas coexistência da vida comum como elemento que torna admissível um dever coletivo fundamental de pagar tributos. Mas a doutrina nunca pretendeu justificar – e isso fica evidente em todas as obras citadas – pela opção da ilegalidade, do excesso, da desproporção ou da injustiça na cobrança de tributos, assim como não serve de parâmetro nem justifica qualquer tentativa de maximização de arrecadação, nem impõe ao contribuinte o exercício de escolha à tributação mais onerosa. Note-se que os defensores da teoria do dever fundamental de pagar tributos não afastam, em nenhuma hipótese, todos os limites e travas do ordenamento jurídico ao exercício do 1 NABAIS, José Casalta. O Dever Fundamental de Pagar Impostos. Almedina: Coimbra, 1998. 2 TORRES, Ricardo Lobo. Solidariedade e justica fiscal, In: TORRES, Ricardo Lobo (coord.). Estudos de Direito Tributário: Homenagem à memória de Gilberto de Ulhôa Canto, Rio: Forense, 1998; TORRES, Ricardo Lobo. Sistemas constitucionais tributários. In: BALEEIRO, Aliomar (Org.). Tratado de direito tributário brasileiro. t. II. v. II. Rio de Janeiro: Forense, 1986. 3 ABRAHAM, Marcus. Curso de Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2018. 4 GRECO, Marco Aurélio. Do Poder à Função Tributária. In: FERRAZ, Roberto (Coord.). Princípios e Limites da Tributação 2. São Paulo: Quartier Latin, 2009. 5 GODOI, Marciano Seabra de; ROCHA, Sergio André (Organizadores). O Dever Fundamental de Pagar Impostos. Belo Horizonte: Editora D’Plácido, 2017. GODOI, Marciano Seabra de. Tributo e solidariedade social. In: GRECO, Marco Aurélio; GODOI, Marciano Seabra de (coordenadoires). Solidariedade social e tributação. São Paulo: Dialética, 2005, p.158). 6 ROCHA, Sérgio André. Fundamentos do Direito Tributário Brasileiro. Belo Horizonte: Casa do Direito, 2020. 7 CAMPOS, Carlos Alexandre de Azevedo. Interpretação e Elusão Legislativa da Constituição do Crédito Tributário. In: CAMPOS, Carlos Alexandre de Azevedo; OLIVEIRA, Gustavo da Gama Vital de; MACEDO, Marco Antonio Ferreira (Coordenadores). Direitos Fundamentais e Estado Fiscal: Estudos em Homenagem ao Professor Ricardo Lobo Torres. Salvador: Jus Podivm, 2019. 8 TIPKE, Klaus; YAMASHITA, Douglas. Justiça fiscal e princípio da capacidade contributiva. São Paulo: Malheiros, 2002. 9 Idem. Fl. 1182DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 poder de tributar 10 . O próprio Prof. José Casalta Nabais dedica grande parte de sua obra para advertir que as limitações constitucionais e legais protetivas do contribuinte não são afetadas pelo reconhecimento desse dever coletivo. É dizer: Não há dever fundamental de pagar ilegalmente tributo, tanto quanto inexiste dever fundamental do contribuinte de sujeitar-se a excessos ou a qualquer exigência que não esteja objetivamente parametrizada pela licitude. Exatamente por isso, propõe-se aqui um novo olhar hermenêutico que afaste as amarras interpretativas sobre a teoria, passando a concebê-la não apenas sob a égide do dever fundamental de pagar tributos, mas sob a compreensão do dever fundamental de pagar (legalmente) tributos. Essa proposta autoriza admitir que todos estão conectados às demandas sociais exigidas pela solidariedade comunitária ínsita ao Estado Fiscal, exigindo de pessoas físicas e jurídicas o cumprimento do dever colaborativo tributário, porém, reforça que o dever fundamental de pagar tributo nunca nascerá da ilegalidade, em quaisquer de suas modalidades. Dito de outro modo, nas circunstâncias em que, licitamente, o contribuinte realizar ato jurídico que importe em economia tributária válida, sem mácula ou vício previsto no ordenamento jurídico, ou seja, sem patologia de forma, de vontade, de intenção ou ocultação, ter- se-á como inválida a exigência da exação que dele decorra, inexistindo dever fundamental de pagar ilicitamente tributos. Trata-se da realização do princípio da tributação conforme a lei 11 , em última instância, o princípio da legalidade, como elemento basilar do ordenamento jurídico, cuja aplicação conjunta torna possível o reconhecimento do dever jurídico em apreço. Assim, ainda que se admita que a existência do princípio da solidariedade social que justifica a existência do dever fundamental de pagar (legalmente) tributo, tal fato não tem a aptidão de afastar, limitar ou inviabilizar outros princípios e regras que integram a ordem constitucional e validam juridicamente o fenômeno da tributação, sobretudo, as limitações constitucionais ao poder de tributar e os direitos fundamentais do contribuinte. Em circunstâncias que desafiem o intérprete à derrotabilidade (defeasibility) 12 de algum deles, o dever fundamental de pagar (legalmente) tributos não terá ascendência sobre os demais, sugerindo-se a solução a partir do sobreprincípio da proporcionalidade e da técnica do balanceamento (balancing), a fim de alcançar solução verdadeiramente justa, servindo de freios e contrapesos do próprio 10 Cite-se o Professor Marciano Seabra de Godoi, também, um dos grandes defensores da teoria, para quem “a afirmação das íntimas relações entre solidariedade e tributo e o reconhecimento da existência de um dever fundamental de pagar impostos poderão causar espécie e ser mal compreendidos. Poder-se-ia pensar que o reconhecimento de um dever fundamental de pagar impostos credenciaria o Estado a exigir dos contribuintes qualquer tipo de prestações tributarias, enfraquecendo os limites formais e materiais do poder de tributar. De outra parte, poder-se-ia concluir que a vinculação do tributo com a solidariedade constitui uma ‘desculpa’ ou um ‘pretexto’ para justificar a cobrança de exações com graves violações das limitações constitucionais do poder de tributar” (GODOI, Marciano Seabra de. Tributo e solidariedade social. In: _____ (Coords.) GRECO, Marco Aurélio; GODOI, Marciano Seabra de. Solidariedade social e tributação. São Paulo: Dialética, 2005, p.158). 11 PONTES, Helenilson Cunha. Revisitando o tema da obrigação tributária. In: ______ SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário – Homenagem a Alcides Jorge Costa, vol. I. São Paulo: Quartier Latin, 2003 . 12 HART, Herbert Lionel Adolphus. The ascription of responsibility and rights: Proceedings of the Aristotelian Society. Londres, XLIX, p. 171-194, 1948. Fl. 1183DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 ordenamento jurídico. Sobre esse tema, tive oportunidade de me manifestar em recente trabalho acadêmico: Não obstante, há diversas situações em que a colisão se dá diretamente entre princípios que estão em patamares constitucionais idênticos, devendo o intérprete, nesse caso, valer-se de um sobreprincípio que busque sopesá-los, em proteção do próprio ordenamento jurídico, alcançando um balanceamento possível entre ambos (balancing) e, por meio do critério da ponderação, promover a adequada aplicação daquele que, em sendo privilegiado, faça menos mal ao outro. (...) Assim, a concepção da proporcionalidade como princípio norteador dos demais princípios e como garantia constitucional para a proteção de direitos fundamentais permite ao intérprete aplicar adequadamente a legislação infraconstitucional, inclusive em âmbito tributário, para validar ou afastar as normas jurídicas desafiadas por meio da subsunção às exigências da proporcionalidade. (ALBUQUERQUE, 2020) 13 Penso ser essa a hipótese em análise, onde não é possível vislumbrar, a meu sentir, qualquer pecha de ilegalidade que justifique a desconsideração da realidade fática que levou a administração tributária de atribuir artificialidade à conduta do sujeito passivo. Não houve empresa veículo envolvida, não existiu simulação, dolo, fraude, conluio – tanto que não houve qualificação da multa –, não se comprovou ausência de propósito negocial na composição societária internacional do grupo, não houve omissão de registros contábeis nos balanços das companhias envolvidas, razão pela qual não é possível validar a pretensão fazendária de alcançar os fatos econômicos indicados nos autos de infração. Cite-se decisões do CARF que corroboram com a tese ora ventilada: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO DOS RESULTADOS. Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, serão consolidados, no balanço da controlada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Inexiste previsão legal para a adição direta dos resultados da controlada indireta nos resultados da controladora indireta. (Acórdão nº 1302003.030 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária - Sessão de 16 de agosto de 2018) RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA. A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. PESSOAS JURÍDICAS CONTROLADAS INDIRETAMENTE, SEDIADAS NO EXTERIOR. REGIME DE TRIBUTAÇÃO NO BRASIL. Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual alguma filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, devem ser previamente consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no 13 ALBUQUERQUE, Fredy José Gomes de. A proporcionalidade e os limites ao poder sancionador tributário. In:________ (Coords.) VIANA FILHO, Jefferson de Paula; CELESTINO JUNIOR, José Osmar; FILGUEIRAS, Ingrid Baltazar Ribeiro; GOMES, Pryscilla Régia de Olveira. Novos tempos do direito tributário. Curitiba: Editora Íthala, 2020, p.71;73. Fl. 1184DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 Brasil. (Acórdão nº 1301002.443 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA. A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. Acórdão nº 1201001.465 - 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 9 de agosto de 2016) Consigne-se que a administração tributária presume a artificialidade da estrutura sociedade da contribuinte a partir de um critério de abusividade e, ainda que não deixe claro, pretende justificar a autuação na norma geral antielisiva prevista no parágrafo único do art. 116 do CTN, segundo o qual a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Penso que inexistência atual de norma específica que discipline a pretensa desconstituição de negócios jurídicos válidos não autoriza a administração tributária a se valer de critérios gerais, claramente subjetivos, para atribuir a pecha de planejamento tributário “abusivo” ao exercício regular de direitos de cunho empresarial e societário. Cabe ao legislador – e somente a ele – indicar normas ordinárias de reação ou proibição a planejamentos tributários específicos (assim entendidos as “SAAR – Special Anti Avoidance Rules”) ou normas gerais de idêntica natureza (“GAAR – General Anti Avoidance Rules”), sob pena de se admitir que a generalidade da norma geral antielisiva, que possui mero comando autorizador do exercício secundário de competência legislativa ordinária, autorize o fisco a indicar limites à regular prática de planejamento tributário lícito, que não representa qualquer prática de ato ilegal, não enseja presunção de abuso, não demanda ser combatido (até porque é lícito) ou justifica autuações subjetivas. Com efeito, conforme leciona Tércio Sampaio Ferraz Júnior, “a liberdade pode ser disciplinada, mas não pode ser eliminada” 14 , cabendo ao legislador, portanto, discipliná-la e a administração cumprir a disciplina. Fora daí repousará o excesso! Cito a doutrina de Marco Aurélio Greco em torno do tema do planejamento tributário, cuja obra é fruto de muita incompreensão, mas que busca indicar os limites a essa prática, mesmo que parametrizada por atos lícitos (sem patologias), porém, com a intenção exclusiva de obter economia tributária. O ilustre Professor afasta a possibilidade de desconsideração primária dos negócios jurídicos, sob o entendimento de que o CTN impõe a necessidade de promulgação de lei ordinária que fixe os limites ao agir estatal, nos seguintes termos: Ou seja, na medida em que o CTN, neste parágrafo único do artigo 116, prevê a necessidade de uma lei ordinária para disciplinar os procedimentos de aplicação do dispositivo, está determinando que a competência em questão não pode ser exercida de modo e sob forma livremente escolhidos pela Administração Tributária. A desconsideração só poderá ocorrer nos termos que vierem a ser previstos em lei, como corolário da garantia individual do devido processo legal. 14 FERRAZ JUNIOR, Tercio Sampaio. Direito constitucional: liberdade de fumar, privacidade, estado, direitos humanos e outros temas. Barueri: Manole, 2007, p. 196. Fl. 1185DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 Em suma, o CTN deferiu à lei ordinária a disciplina indispensável, de caráter procedimental (e não de direito material), para que a norma possa ser aplicada. Com isto, não veiculou uma norma de eficácia plena, mas uma norma de eficácia limitada, na medida em que a plenitude da eficácia somente será obtida após a edição da lei ordinária dispondo sobre tais procedimentos. Vale dizer, antes da mencionada lei ordinária, o conteúdo preceptivo do dispositivo não comporta aplicação. Isso significa que, enquanto não for devidamente editada a lei ordinária dispondo a respeito, falta um elemento essencial à aplicabilidade do parágrafo examinado, sendo ilegal o ato administrativo fiscal que, nesse interregno, pretender nele apoiar-se. Enquanto não vier a ser editada a lei ordinária prevista no dispositivo, falta ao dispositivo a plenitude da produção dos seus efeitos e, por consequência, a autoridade administrativa não pode praticar ato de desconsideração nele fundamentado (o que não impede, porém, as reações já examinadas, nos casos de abuso ou fraude à lei) 15 . (Grifou-se) O Prof. Luís Eduardo Schoueri confirma tal entendimento, ao estatuir que “não há lei que obrigue alguém a incorrer em fato jurídico tributário. Ao contrário, sob pena de caracterização de confisco, a hipótese tributária não pode ser conduta obrigatória. Ora, se ao particular é assegurado o direito de incorrer, ou não, naquela hipótese, então não se pode considerar fraudulenta a decisão do planejamento tributário” 16 . Não obstante, admite-se, sim, o combate ao abuso, à fraude, à simulação, ao dolo e ao conluio, não sob o prisma da norma geral antielisiva, mas pela prática de ato antijurídico a que o ordenamento jurídico preveja conduta específica. Nesses casos, o contribuinte transmuda artificiosamente a realidade de forma simulada, como forma de obter proveito ilícito, cabendo nesses casos – diferentes do que ora se julga – a aplicação firme da lei para impedir a perpetuação da ilegalidade praticada. Neste sentido, cite-se decisão deste Colegiado, relatada pelo voto do i. Conselheiro Efigênio Freitas Junior, neste sentido, a saber: SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA No cenário em que há cumprimento formal da lei - emissão de nota fiscal e respectiva contabilização - se analisados os fatos sob a lente restritiva do Direito Privado não há falar- se em simulação, afinal seguiu-se a letra da lei, a despeito da artificialidade. Analisar o conceito de simulação sob essa lente restritiva significa, por via indireta, restringir a atuação do fisco; permitir que o sujeito passivo, a despeito do exercício de atividade empresarial, cubra-se com o manto da isenção. O que, além de ilegal, vai de encontro ao princípio da livre concorrência e ao cumprimento do dever fundamental de pagar tributos. Arranjo tributário simulado, artificioso, com vistas a transparecer para o fisco inocorrência de ilegalidade ou descumprimento dos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, e artigo 12 e parágrafos da Lei nº 9.532, de 1997. Agir com consciência e vontade, e modificar características essenciais da ocorrência do fato gerador, as quais impactam na redução do montante devido de tributo, é conduta que atrai a incidência da multa qualificada, prevista no art. 44, § 1º, da Lei 9.430, de 1996 c/c art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. (Grifou-se) 15 GRECO, Op. Cit. p. 568. 16 SCHOUERI, Luís Eduardo. Planejamento Tributário: Limites à Norma Antiabuso. São Paulo: Revista Direito Tributário Atual, n. 24, 2010, p. 355. Fl. 1186DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 A necessidade de se combater atos ilícitos, mediante elementos de controle ou de fiscalização que demandem do ente tributante afastar do mundo jurídico atos jurídicos eivados da pecha do dolo, fraude, simulação ou abuso, tem como fundamento da desconstituição do ato uma contrariedade objetiva à norma vigente e se justificam no dever geral de combate à evasão (ilícita). Existe um defeito do ato ou negócio jurídico por patologia invencível, seja por defeito de forma, seja por vício da manifestação da vontade. Todas as razões de mérito apontadas trazem a esta Relatoria conclusões contrárias a que chegou a administração tributária e a douta instância de piso, a ensejarem a desconstituição dos autos de infração, devendo-se dar provimento ao apelo do sujeito passivo. Os demais pontos da defesa perdem objeto, em razão desta conclusão. SOBRE AO CONTROLE ACIONÁRIO DE METALPAR Registre-se que, nesse ponto, a decisão da DRJ considerou indevida a autuação, cancelando a cobrança de R$ 201.107,43 referentes ao controle acionário direto que a recorrente (MARCOPOLO) detém sobre a empresa estrangeira METALPAR. Diferentemente da controvérsia indicada no item anterior (relacionado à controlada direta MAPLA e indireta MIC), no que tange à companhia METALPAR, a autuação considerou que a recorrente deixou de tributar o lucro proporcional ao controle direto, no percentual de 1%. A DRJ demonstrou que o referido lucro, a despeito de não haver sido tributado diretamente pela recorrente no Brasil, foi incorporado ao lucro da companhia intermediária (LOMA), inexistindo prejuízo ao Fisco, mercê da regular tributação do lucro desta intermediária na apuração da empresa brasileira. É dizer: a autuada foi vencedora neste ponto e não houve irresignação recursal do Fisco ou interposição de recurso de ofício, dado o valor cancelado estar abaixo da alçada mínima legal. Apenas para fins de registro, transcreve-se a parte do acórdão que cancelou o lançamento neste ponto, ao qual subscrevo e incorporo como razões de decidir: Tributação dos resultados da Metalpar A fiscalização estranhou que as demonstrações de resultado da empresa Loma Hermosa não registrariam valor na rubrica resultado de equivalência patrimonial, já que a Metalpar era sua controlada e a Marcopolo havia compensado imposto pago no exterior pela Metalpar sobre lucros, rendimentos e ganho de capital. Intimada a justificar o ocorrido, a fiscalizada informou que as demonstrações incluíam os resultados dela própria e da Metalpar. Por fim, a fiscalização resolveu adicionar ao lucro real da autuada os resultados derivados da participação na Metalpar, correspondentes ao percentual de 1% e ao valor de R$ 201.107,43. Alegou que não ficou provado que os resultados da subsidiária argentina estivessem incluídos na demonstração denominada Income Statement Comparison nem em sua tradução e conversão para reais. Fl. 1187DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 A contabilidade da Metalpar, apresentada à fiscalização, revelava os seguintes valores de 2008 (fls. 405/411). O Income Statement Comparison informava os seguintes dados da Loma Hermosa, relativamente ao mesmo período (fls. 192/197): Observa-se que 98% do lucro líquido da Metalpar, de $ 19.856.086, equivale a $19.458.964 e que a diferença entre esse valor e o lucro líquido da Loma foi de $430.918. A DIPJ/2009 da Marcopolo consigna o oferecimento à tributação de R$ 6.816.823,53 referente aos lucros da Loma Hermosa (fl. 658), coincidindo com o lucro auferido antes da tributação na Argentina, proporcional à participação no percentual de 33%. A contribuinte junta com a impugnação documentos que corroboram a justificativa apresentada à fiscalização de que os resultados da Metalpar teriam sido tributados em conjunto com os da Loma Hermosa. O anexo 6, intitulado Memorias y Estados Contables, confirma: a) o reconhecimento da Metalpar como controlada da Loma Hermosa, com a participação desta em 98% do capital votante (fls. 886 e 893); b) a composição acionária da Loma Hermosa, da qual a Marcopolo participava com 32,65% do capital social, com direito a voto (fl. 880); c) o resultado do exercício da Metalpar, correspondente a $ 19.856.086, do qual coube à Loma Hermosa $ 19.458.964 por sua participação de 98% (fl. 884); d) o resultado da participação de investimentos da Loma Hermosa em entes relacionados, no valor de $ 19.458.964 (resultado da equivalência patrimonial) (fl. 879); e e) o lucro do exercício da Loma Hermosa de $ 19.028.046, formado a partir dos rendimentos por participação na Metalpar de $ 19.458.964, deduzidos de $ 310.918 de resultados financeiros e variações cambiais e $ 120.000 de gastos administrativos (fls. 867, 868, 872, 873, 879, 888, 891 e 900). Nos termos do art. 25, § 3º, I, da Lei 9.249/95, os lucros da coligada Metalpar deveriam ser adicionados ao lucro líquido da investidora do Brasil, na proporção de participação no capital da coligada. Como a participação da Marcopolo era de 1%, deveriam ser disponibilizados R$ 201.107,43. A autuada errou – e admite na impugnação – ao não prestar separadamente as informações relativas à Metalpar na DIPJ, uma vez que as instruções da declaração do exercício 2009 orientavam para seu o preenchimento: Fl. 1188DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 Ficha 34 Participações no Exterior Esta ficha deve ser preenchida pela pessoa jurídica, tributada pelo lucro real ou arbitrado, domiciliada no Brasil que tenha, no ano-calendário, participado no capital de pessoa jurídica domiciliada no exterior. Com relação aos 32% de participação indireta, a consolidação dos resultados proporcionais à participação do capital da Metalpar no balanço da Loma Hermosa foi correta, uma vez que esse procedimento é o preconizado pelo § 6º da IN SRF 213/02, anteriormente transcrito. A impugnante defende que, apesar da irregularidade quanto à DIPJ, os lucros da Metalpar já haviam sido oferecidos à tributação em conjunto com os resultados da Loma Hermosa. Confirmado que os dados do Income Statement Comparison continham os dados consolidados da Loma Hermosa e Metalpar, corrobora-se a alegação da autuada e confirma- se que a forma utilizada pela contribuinte para tributar o lucro das coligadas, neste caso, não causou prejuízo ao fisco, conforme se vislumbra a seguir: Enfim, entendo indevida a autuação na parte dos resultados da Metalpar. Assim, vê-se que o lucro da companhia METALPAR já foi tributado, equivalente à participação direta de 1% que a recorrente detinha sobre a mesma, inexistindo controvérsia adicional em relação à intermediária LOMA. Considerando que o presente voto desconstitui as autuações no ponto principal do meritum causae, torna-se desnecessária a análise das irresignações acessórias. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque Fl. 1189DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 Declaração de Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque O presente processo trata de lançamentos tributários (IRPJ e CSLL) decorrentes do fato de o contribuinte não ter considerado no seu lucro real o valor do lucro disponibilizado por empresa investida localizada no exterior, no ano 2008, nos termos do artigo 3º da Lei nº 9.249/1995, combinado com o artigo 1º da Lei nº 9.532/1997. O meu voto é no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, assim como proposto no voto inicial, contudo adoto fundamentos parcialmente diversos, pelo que solicitei a oportunidade de expor a minha motivação, compartilhada com outros conselheiros, conforme foi exposto nos debates. Segundo o referido o artigo 1º da Lei nº 9.532/1997, a qual foi aperfeiçoada pela Medida Provisória nº 2.158-35/2001, os lucros auferidos no exterior devem ser adicionados ao lucro líquido do contribuinte, para determinação do lucro real, no ano em que tiverem sido disponibilizados. No caso de empresa controlada ou coligada residente no exterior, seus lucros devessem ser considerados disponibilizados para a empresa no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. A empresa autuada possuía participação direta (1%) na empresa estrangeira Metalpar e possuía participação indireta (32%) na mesma empresa, por meio da empresa controlada Inversiones Loma Hermosa, também estrangeira. A fiscalização não localizou a tributação do correspondente lucro na empresa brasileira e realizou as correspondentes exigências. A decisão recorrida apreciou os documentos apresentados pelo impugnante e localizou a tributação do lucro correspondente à participação direta e verificou que o lucro correspondente à participação indireta havia sido corretamente consolidado no lucro da controlada Inversiones Loma Hermosa. Apesar desse entendimento, o dispositivo da decisão recorrida exonerou apenas a parcela relativa ao lucro da participação direta, sendo estabelecida uma contradição a qual foi apontada no presente recurso voluntário. Com isso, a decisão recorrida deve ser reformada, pelos seus próprios fundamentos, para que seja exonerada a parcela dos lançamentos tributários relativa a todo o lucro da Metalpar, ou seja, também devendo ser exonerada a parcela relativa à participação indireta (R$ 6.435.437,77). A empresa autuada também era controladora da empresa estrangeira Marcopolo Latinoamérica (Mapla) e esta, por sua vez, era controladora da empresa Marcopolo International Corporation (MIC), também estrangeira. A fiscalização verificou que a Mapla era operacionalmente deficitária, mas obteve lucro contábil em razão da consolidação do lucro da sua controlada MIC. Por fim, verificou que a MIC, até 2004, era controlada diretamente pela empresa autuada e, quando passou a ser controlada pela Mapla, em 2005, o lucro da MIC passou a ser compensado pelos prejuízos da Mapla. Fl. 1190DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 A fiscalização assinalou que a legislação tributária proíbe a compensação de lucros/prejuízos entre empresas controladas, citando o inciso I do artigo 16 da Lei nº 9.430/1996 e considerou que a reorganização societária que deslocou o controle da MIC para a Mapla foi um artifício do contribuinte para burlar esse imperativo legal, de forma que o lucro da MIC passou a compensar os prejuízos da Mapla. Com isso, realizou os lançamentos tributários correspondentes ao lucro da MIC. O recorrente afirma que a referida reorganização societária foi realizada para atender a requisito da legislação argentina para a manutenção da Mapla, que era deficitária por alguns anos. A decisão recorrida entendeu que a legislação argentina não poderia ser imposta frente à legislação brasileira, que proíbe a compensação de lucros/prejuízos entre empresas controladas. Assim, corroborou o lançamento tributário, nessa parte, É pacífico o entendimento de que a apontada mutação societária foi realizada conforme a legislação societária e dentro da liberdade de organização das sociedades empresárias, ou seja, há uma regularidade formal na presente organização societária. Do ponto de vista material, também me parece haver uma regularidade, uma vez que não há evidência da existência de fraude ou simulação, uma vez que as atividades das empresas continuaram ocorrendo dentro dos seus propósitos formalmente estabelecidos. Resta verificar se houve uma fraude à lei, como afirma a decisão recorrida, quando o agente abusa de direito para obter propósito defeso em lei. Na espécie, a fiscalização aponta o inciso I do artigo 16 da Lei nº 9.430/1996 como sendo a lei fraudada. Esse dispositivo tem a seguinte redação: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I - considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; Até o ano 2004, tanto a Mapla quanto a MIC eram controladas pela empresa autuada e, assim, seus lucros/prejuízos não poderiam ser compensados entre elas. Com a transferência do controle da MIC para a Mapla, em 2005, essa compensação passou a ser realizada por meio do reflexo contábil da evolução patrimonial da MIC na contabilidade da Mapla, o que gerou um efeito tributário equivalente a uma compensação entre lucros/prejuízos das empresas. Não há dúvida da existência desse efeito tributário, embora o recorrente negue que era este o seu propósito. O recorrente aponta como propósito da mutação societária a necessidade de atender à legislação societária de seu país de origem, Argentina, que não permitiria a manutenção de uma empresa seguidamente deficitária a ponto de perder o seu capital social, o que era a realidade da Mapla em 2004. Com isso, a efetivação da mutação societária em tela teria a finalidade de realizar um aporte na Mapla e, assim, evitar a sua dissolução. Também não há questionamento contra essa exigência legal do país platino. Entendo que nenhum desses propósitos pode ser desconsiderado e a solução para a lide, no meu entendimento, é a identificação do principal propósito do contribuinte. Caso tenha ficado demonstrado pela fiscalização que o principal propósito almejado com a mutação societária era evitar a tributação do lucro auferido pela MIC fosse minimizado pela compensação Fl. 1191DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1201-005.707 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16643.720005/2013-50 com os prejuízos da Mapla, então a fraude à lei estaria comprovada e o lançamento tributário deveria ser mantido. Contudo, no meu entendimento, as evidências trazidas aos autos não permitem afirmar que o principal propósito do contribuinte, ao mudar o controle da MIC para a Mapla, era permitir o surgimento de efeito tributário equivalente a uma compensação de lucros/prejuízos. Entendo que o propósito de manutenção da própria existência da Mapla é muito mais relevante, principalmente considerando que a Mapla já estava no limite da lei argentina quando realizou o aporte por meio da integralização com as ações da MIC. Assim, entendo que a fiscalização não logrou sucesso em demonstrar a fraude ao inciso I do artigo 16 da Lei nº 9.430/1996, ainda que o efeito tributário observado seja equivalente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário em razão da ausência de fato gerador para a tributação de lucros auferidos no exterior objeto dos presentes lançamentos tributários. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 1192DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.740826/2018-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2015
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito (ou de investimento) mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A origem não significa apenas saber de onde ou de quem vieram os recursos, mas também sob que natureza foram creditados, pois esta natureza é fundamental a identificar se são ou não tributáveis e se já foram ou não oferecidos à tributação. Não havendo razão para não se revelar tal natureza e origem completa dos créditos, vale a presunção legal de que se tratam de receitas omitidas.
Numero da decisão: 1001-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Beltcher da Silva Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira.
Nome do relator: Sérgio Abelson
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2015 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito (ou de investimento) mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A origem não significa apenas saber de onde ou de quem vieram os recursos, mas também sob que natureza foram creditados, pois esta natureza é fundamental a identificar se são ou não tributáveis e se já foram ou não oferecidos à tributação. Não havendo razão para não se revelar tal natureza e origem completa dos créditos, vale a presunção legal de que se tratam de receitas omitidas.
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito (ou de investimento) mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A origem não significa apenas saber de onde ou de quem vieram os recursos, mas também sob que natureza foram creditados, pois esta natureza é fundamental a identificar se são ou não tributáveis e se já foram ou não oferecidos à tributação. Não havendo razão para não se revelar tal natureza e origem completa dos créditos, vale a presunção legal de que se tratam de receitas omitidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva – Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão 11-65.118, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra os autos de infração de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 74 08 26 /2 01 8- 38 Fl. 854DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 IRPJ - Lucro Presumido e contribuições sociais reflexas (CSLL, Cofins e PIS), relativamente a fatos geradores ocorridos no ano-calendário 2015. Transcreve-se, pois, o relatório: “INFRAÇÃO: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação a qual o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) em anexo, que é parte integrante e indissociável deste auto de infração.” Fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2015 e de maio a dezembro de 2015. Multa de 75%. 2.1. Nos autos de infração de CSLL, Cofins e PIS/Pasep os respectivos lançamentos foram reflexos da mesma infração acima. 3. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 42 a 61, a Fiscalização informa, em síntese, que: 3.1. “Os procedimentos desenvolvidos visaram, conforme veremos a frente, averiguar a efetiva tributação de valores recebidos pelo sujeito passivo em decorrência de distribuição de vantagens indevidas por empresas para políticos, funcionários de empresas públicas e operadores financeiros" e que “Dentre estes operadores encontra- se o sujeito passivo”; 3.2. “a empresa fiscalizada é uma empresa individual pertencente a Raquel Albejante Pitta, CPF 184.357.558-27, que é casada com o operador financeiro e importante personagem a Operação Lava Jato o Sr. Lúcio Bolonha Funaro. 8. Assim, pelo histórico do operador financeiro de utilização de terceiros para perpetrar seus pagamentos ilícitos, é natural a execução de procedimento de fiscalização em pessoas físicas e jurídicas intimamente ligadas ao operador financeiro, como a empresa pertencente à sua esposa”; 3.3. após descrever operações policiais, do Ministério Público e com participação da Receita Federal, tais como Operação Lava Jato, Sépsis e Cui Bono, em que descreve, entre outros, participação do esposo da pessoa física sócia da autuada nas transações desveladas através das referidas operações, e assim contextualizar o procedimento fiscal, a fiscalização passa a descrevê-lo propriamente; 3.4. a empresa foi intimada a apresentar livros contábeis e fiscais do ano- calendário de 2015 e “documentos que comprovem os ingressos de recursos objeto do aumento de capital efetuado em agosto de 2015, que elevou o capital social da ALBEJ Administração de Bens de R$ 115.000,00 para R$ 9.115.000,00”, sendo esclarecido pela fiscalização que "Tais comprovações são as usuais neste tipo de transação, tais como TED, DOC, Cheques, etc”, e para “Apresentar documentação que comprove a aquisição pela ALBEJ Administração de Bens do prédio comercial, localizado na Rua Guadelupe, 54 em São Paulo/SP. Tais comprovações são as usuais neste tipo de transação, tais como TED, DOC, Cheques, etc"; 3.4. “Em resposta assinada pela proprietária, datada de 29/08/2016, esta alegou que por motivo de gravidez esteve “afastada da rotina profissional, e todas as questões Fl. 855DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 financeiras, comerciais e formais foram administradas por meu marido. Acrescentou que sua casa e o escritório do marido foram objeto de busca e apreensão. Por fim, solicitou prorrogação de prazo para a apresentação das informações. Juntou a resposta cópia do contrato social e 1ª alteração”; 3.6. a contribuinte foi reintimada a apresentar os mesmos documentos antes solicitados em diligência e ainda foram solicitadas “informações acerca das contas correntes e de investimentos mantidas pela empresa no Brasil e Exterior, e, também, a apresentação dos extratos bancários destas contas. 54. Em resposta, datada de 19/10/2016, a proprietária manteve a alegação de que a administração de sua vida financeira e comercial foi realizada por seu marido e que ele, à época da resposta, encontrava-se preso. Prestou esclarecimento acerca do item 3 do TIPF e informou que permanecia empreendendo esforços para obter a documentação solicitada”. Foi reintimada a apresentar os documentos não apresentados e “Em resposta ao TIF nº 1, datada de 14/11/2016, a empresa informou que em 2015 manteve contas correntes no Banco de Brasília - BRB e no Banco CCB (duas contas), mas que estas últimas não foram movimentadas e que já foram encerradas. Reiterou as informações sobre a situação familiar e acrescentou que permanecia empreendendo esforços para obter a documentação solicitada”; 3.7. “Em 22/12/2016 a empresa recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 2 através do qual foram constatados diversos fatos havidos na fiscalização até aquele momento e novamente intimada a apresentar diversos documentos e esclarecimentos solicitados através do TIF nº 1”. "Em resposta ao TIF nº 2, datada de 23/01/2017, a empresa apresentou os comprovantes de transferências das contas corrente da sócia para a conta corrente da empresa, bem como apresentou os extratos da conta do BRB". "Foi então enviado a contribuinte o Termo de Intimação Fiscal nº 3, através do qual foi intimada a apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados nos termos de intimação anteriores e ainda não apresentados, além disso, intimada a identificar o destinatário e o motivo de alguns débitos havidos em sua conta corrente". “Em resposta, datada de 13/03/2017, reiterou as informações sobre sua busca pela documentação e que permanecia empreendendo esforços para obter a documentação solicitada". "Em 30/03/2017 a contribuinte recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 4 com os mesmos questionamentos constantes do TIF nº 3". “Em resposta ao TIF nº 4, datada de 13/04/2017, a empresa apresentou cópia do Livro Diário do ano de 2015, as fichas cadastrais do BRB e comprovantes de operações ocorridas em maio de 2015 no BRB”; 3.8. “Em 18/05/2017 a fiscalizada recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 5 com alguns questionamentos acerca de débitos havidos na conta corrente da empresa e intimando a empresa a justificar a origem de 12 créditos havidos em sua conta corrente, isto é, identificar o depositante/remetente dos recursos e a causa/motivo do crédito”. "Não houve resposta ao TIF nº 5". “Em 29/06/2017 a fiscalizada recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 6, contendo os mesmos questionamentos do TIF nº 5”. “Em resposta ao TIF nº 6, datada de 05/07/2017, a fiscalizada afirma que o Livro Razão do ano-calendário de 2015 foi extraviado, conforme publicação no jornal e que a TED de R$ 8.000,00 (item 5 da intimação) refere-se à transferência de “mesma titularidade” proveniente da conta corrente de Raquel Pitta mantida no Banco BIC (atual CCB). Informou acerca das operações de busca e apreensão na residência da sócia e de seu marido Sr. Lúcio Funaro e pediu prorrogação de prazo para providenciar os documentos". “Em 14/08/2017 a empresa recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 07 contendo basicamente os mesmos questionamentos do TIF nº 6, Fl. 856DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 incluindo a intimação para justificar os créditos havidos em suas contas correntes, conforme relação constante do anexo I ao referido termo"; 3.9. “Em resposta ao TIF nº 7, datada de 17/08/2017, apresentou cópia legível da publicação do extravio do Livro Razão, justificou que o valor de R4 128.348,68 foi uma TED originada da conta corrente da proprietária e deu justificativa para o débito de R$8.000,00 na conta da empresa. Acrescentou que no “tocante aos valores de R$ 17.000,00 e R$ 47.000,00, tais depósitos foram realizados pela proprietária da empresa pois a mesma possui disponibilidade em saldo em espécie informada em sua DIRPF/2015. (DIRPF em anexo)”. “Ao final informou acerca das operações de busca e apreensão na residência da sócia e de seu marido Sr. Lúcio Funaro e pediu prorrogação de prazo para providenciar os documentos”; 3.19. “Em 05/10/2017 a fiscalizada recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 08 sendo novamente intimada a justificar os créditos havidos em suas contas correntes, conforme relação constante do termo, além de outros questionamentos acerca de débitos havidos na conta corrente da empresa. Em resposta ao TIF nº 8, datada de 10/10/2017, a empresa deu algumas explicações sobre os débitos em conta, apresentou cópia de 9 (nove) cheques depositados na conta corrente da empresa com identificação do depositante, mas sem dizer o motivo do depósito, acrescentou que solicitou cópia de duas TED ao banco e por fim, requereu prorrogação do prazo para resposta”. "Em 06/11/2017 a contribuinte recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 09 sendo intimada a apresentar os boletos quitados no montante de R$ 130.223,82 e a esclarecer a necessidade para a empresa de quitar tais boletos"; 3.20. “Em resposta ao TIF nº 9, datada de 09/11/2017, assinada por seu procurador constituído, a fiscalizada afirma que a proprietária é casada com o Sr. Lúcio Funaro, pessoa politicamente exposta e à época custodiada na penitenciária de Brasília (papuda) e que foi alvo de diversas diligência de busca e apreensão pela Polícia Federal e Polícia Civil do Rio de Janeiro, conforme amplamente divulgado pela mídia nacional e que grande maioria dos documentos foram apreendidos e recolhidos para os departamentos da Polícia Federal, assim como Justiça Federal de Brasília. Informou que solicitou a restituição dos documentos à 10ª Vara Federal do Distrito Federal e estava aguardando resposta, assim solicitou 40 dias de prazo para a fins de apresentação dos documentos solicitados na intimação”; 3.21. “Em 22/12/2017 a empresa recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 10, sendo intimada a apresentar os boletos quitados no montante de R$ 130.223,82 e a esclarecer a necessidade para a empresa de quitar tais boletos". “Em sua resposta ao TIF nº 10, datada de 27/12/2017, a empresa reiterou os mesmos argumentos acerca dos documentos que foram objeto de busca e apreensão e que os mesmos ainda não haviam sido restituídos, pedindo, por fim, a prorrogação de prazo para a entrega da documentação e comprovação da origem dos depósitos solicitados”. “Em 29/01/2018 a empresa recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 11, sendo intimada a responder os mesmos questionamentos do TIF nº 10”. "Em resposta, datada de 02/02/2018, a fiscalizada pediu nova prorrogação de prazo em 60 dias, reiterando os mesmos argumentos acerca dos documentos que foram objeto de busca e apreensão e que os mesmos ainda não haviam sido restituídos"; 3.22. “78. Em 21/032018 a fiscalizada recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 12, sendo intimada a responder os mesmos questionamentos dos TIF nº 11 e 10. 79. Em resposta, datada de 19/03/2018, a fiscalizada pediu nova prorrogação de prazo em 60 dias, reiterando os mesmos argumentos acerca dos documentos que foram objeto de busca e apreensão e que os mesmos ainda não haviam sido restituídos. 80. Em Fl. 857DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 07/05/2018 a fiscalizada recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 13 sendo intimada a responder os mesmos questionamentos dos TIF nº 12, 11 e 10 81. Não houve resposta ao TIF nº 13. 82. Em 02/07/2018 a contribuinte recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 14, sendo intimada a responder os mesmos questionamentos dos TIF nº 13. 12, 11 e 10. 83. Em resposta, datada de 12/07/2018, a fiscalizada pediu nova prorrogação de prazo em 60 dias, reiterando os mesmos argumentos acerca dos documentos que foram objeto de busca e apreensão e que os mesmos ainda não haviam sido restituídos. 84. Em 13/09/2018 a contribuinte recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 15, sendo intimada a responder os mesmos questionamentos dos TIF nº 14, 13. 12, 11 e 10. 85. Não houve resposta ao TIF nº 15. Em 09/11/2018 a contribuinte recebeu o Termo de Intimação Fiscal nº 16, sendo intimada a responder os mesmos questionamentos dos TIF nº 15, 14, 13. 12, 11 e 10. 87. Em resposta, datada de 16/11/2018, a fiscalizada pediu nova prorrogação de prazo em 60 dias, reiterando os mesmos argumentos acerca dos documentos que foram objeto de busca e apreensão e que os mesmos ainda não haviam sido restituídos”; 3.23. “Após intimar a fiscalizada e analisar suas respostas, tendo sido concedido mais de 500 dias de prazo para responder a alguns Termos de Intimação, concluímos pela existência da infração à legislação tributária abaixo citadas”; 3.24. “... o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação”, tendo por base “a presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento", conforme o art. 42 da Lei 9.430/96; 3.25. “A comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados nas contas correntes de sua titularidade”; 3.26. “... através dos Termos de Intimação Fiscal nº 5, 6, 7 e 8 a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem de diversos créditos havidos em suas contas correntes, listados corpo dos referidos termos. 102. Acerca dos créditos em suas contas correntes a empresa nada informou nas respostas aos TIF nº 5 e 6. 103. Em resposta ao TIF nº 7 a fiscalizada justificou os depósitos de R$ 17.000,00 e R$ 47.000,00 da seguinte forma: “No tocante aos valores de R$ 17.000,00 e R$ 47.000,00, tais depósitos foram realizados pela proprietária da empresa pois a mesma possui disponibilidade em saldo em espécie informada em sua DIRPF/2015 (DIRPF em anexo)”. “Em resposta ao TIF nº 8 a empresa apresentou cópias dos 9 cheques, nominais a Albej, que foram depositados em sua conta corrente, mas a fiscalizada não informou a causa/motivo pelo qual estes cheques foram depositados em sua conta corrente. Assim, existe a identificação do remetente, mas não comprovada a causa/motivo do depósito. 105. Conforme pode ser verificado na relação de bens e direitos constante da DIRPF do exercício 2015, relativa ao ano-calendário de 2014, da proprietária, que a mesma não declarou qualquer saldo em moeda nacional em seu poder na data de 31/12/2014. Esta situação é corroborada pela consulta a relação de bens e direitos constante da DIRPF do exercício 2016, relativa ao ano calendário de 2015, na qual a proprietária confirma Fl. 858DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 que em 31/12/2014 não possuía qualquer saldo em espécie em moeda nacional e que em 31/12/2015 passou a ter um saldo de R$ 150.000,00 em espécie. Ou seja, ao longo do ano-calendário de 2015 a proprietária afirma que juntou R$ 150.000,00 em espécie. Este saldo foi zerado ao longo do ano-calendário de 2016, conforme pode ser constatado pela consulta a relação de bens e direitos constante da DIRPF do exercício 2017, relativa ao ano-calendário de 2016"; 3.27. “Primeiramente deve-se esclarecer que não foi comprovado que foi a própria proprietária que realizou os depósitos em dinheiro na conta corrente da empresa, não foi apesentada pela empresa ou pela proprietária qualquer elemento para corroborar tal afirmativa. Logo, a própria identificação do depositante não foi comprovada. Mas, mesmo que se aceitasse que foi a proprietária quem depositou o dinheiro, não conseguiu ela comprovar a origem do dinheiro em espécie que foi depositado, como será a seguir explicado. 107. Ressalte-se que a explicação da empresa é idêntica àquela apresentada pela proprietária em resposta a questionamentos da fiscalização, em procedimento de fiscalização sobre ela realizado, acerca de depósitos em dinheiro efetuados em suas contas correntes. E a conclusão que aqui se chega é a mesma no caso da pessoa física, ou seja, que a explicação é ilógica e inaceitável por qualquer critério”; 3.28. “108. Observe-se que o ano-calendário fiscalizado é o 2015. Portanto, somente disponibilidade em espécie existente em 31/12/2014 em poder da proprietária poderia eventualmente justificar os depósitos em dinheiro por parte dela em favor de sua empresa, partindo do pressuposto de que foi a proprietária a depositante. Isto é um imperativo lógico, pois se a proprietária não tinha disponibilidade em 31/12/2014, não tinha lastro em espécie para efetuar depósitos em janeiro e fevereiro de 2015 em alta quantia na conta corrente de sua empresa. A proprietária teria de conseguir dinheiro em espécie ao longo do ano de 2015 suficiente para depositar em suas próprias contas correntes e de sua empresa, um montante superior a R$ 350.000,00, e ainda sobrar um saldo em espécie de R$ 150.000,00 em 31/12/2015. 109. Ou seja, o saldo detido em 31/12/2015 é no máximo o resto do dinheiro em espécie obtido pela contribuinte ao longo do ano-calendário de 2015. Poderia aventar a hipótese, não comprovada, de que a contribuinte tenha auferido ao longo do ano de 2015 mais de R$ 500.000,00 em espécie, tendo efetuados depósitos em suas próprias contas correntes e de sua empresa e que ao fim do ano de 2015 restou um saldo de R$ 150.000,00 em espécie, mas não existe qualquer comprovação dessa hipótese. 110. Isto posto, a justificativa apresentada pela contribuinte sobre a origem do dinheiro em espécie depositado em suas contas correntes é ilógica e inaceitável. 111. A alegação da empresa, ao longo de todo o processo de fiscalização, que a residência de sua sócia proprietária foi objeto de busca e apreensão e que os documentos não lhe foram restituídos, não pode ser impeditivo para que a empresa apresentasse as justificativas para os créditos em sua conta corrente. O tempo que lhe foi concedido foi suficiente para que diligenciasse junto a terceiros para buscar as provas de quem foi o depositante e da origem dos recursos depositante e assim comprovar que os recursos eram lícitos e que já haviam sido tributados ou eram de origem isenta ou imune. Se assim tivesse procedido, teria cumprido com sua parte, demonstrando que os depósitos não eram renda nova que devesse ser tributada”; 3.29. “... a empresa ficou o tempo inteiro utilizando-se das buscas e apreensão sofridas pelo cônjuge da proprietária para se abster de justificar os créditos em sua conta corrente”. Complementa, a fiscalização, que se ficasse aguardando indefinidamente a justificativa de documentos apreendidos e que houvesse a sua devolução, os créditos tributário seriam acobertados pela decadência; Fl. 859DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 3.30. “115. Cabe lembrar, que a proprietária da empresa é casada em separação total e absoluta de bens com o Sr. Lúcio Funaro e que consta do Pacto Antenupcial11 item 2.3 que os “saldos bancários, aplicações financeiras e os créditos e débitos de qualquer natureza, presentes e futuros, também não se comunicarão, ficando cada um deles com a responsabilidade individual de movimentação e administração de seus respectivos negócios financeiros”. Também consta do mesmo pacto item 3.1 “Estabelecem que cada um administrará os seus próprios bens e recursos, não interferindo um nos negócios e haveres do outro, visto que os bens já possuídos, bem como os havidos em seu lugar, são frutos do próprio esforço de cada um deles, não havendo concurso de recursos e/ou esforço do outro”. 116. É obvio que sendo a fiscalizada uma empresa individual limitada, EIRELI, a sócia é a única responsável por tudo que acontece na empresa. Assim, está claro que não é aceitável que a empresa fique escudando-se na busca e apreensão sofrida pelo cônjuge da proprietária para não apresentar justificativa para os créditos havidos em sua conta corrente, deveria ela ter procedido à diligências junto a terceiros para obter cópia de documentos que comprovassem a origem dos créditos havidos em suas contas correntes. 117. A alegação da empresa de que os depósitos foram efetuados pela proprietária não é justificativa para a origem dos recursos depositados, e mesmo esta alegação, que foi a proprietária a depositante, não foi comprovada com documentação hábil e idônea ou mesmo com qualquer documento. Assim, qual a origem do dinheiro em espécie depositado? Este dinheiro é originário de alguma operação tributável? É de origem lícita ou não? 118. Quanto aos demais valores a empresa apresentou cópia de cheques nominais à Albej Adm. de Bens, mas sem indicar qual o motivo/causa do depósito. Portanto, a empresa não demonstrou se estes valores eram originários de operação não alcançada pela tributação. ... 120. Ocorre que a fiscalizada não cumpriu de modo satisfatório sua parte ao não indicar o remetente/depositante e/ou não indicar o motivo/causa/razão jurídica para o crédito... . 121. Assim, não tendo a fiscalizada conseguido comprovar a origem dos depósitos em dinheiro havidos em suas contas correntes, isto é, comprovar individualizadamente quem foi o depositante e/ou qual a causa/motivo do depósito, incide tais recursos na regra do art. 42 da Lei 9.430/1996. 122. Dessa forma, elaboramos a tabela abaixo com a relação individualizada dos créditos cuja origem foi considerada não comprovada. A coluna “Ordem” informa a numeração utilizada para identificar o crédito nos anexos I aos TIF nº 5 a 8.” ... 3.31. “123. Por força do disposto na Instrução Normativa RFB nº 1442, de 19 de dezembro de 2013, a partir do ano-calendário de 2014 todas as empresas deveriam apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF), com algumas exceções expressas na norma legal. Assim, em cumprimento a tal norma a fiscalizada apresentou sua ECF, relativa ao ano-calendário de 2015, declarando que sua forma de tributação do lucro é pelo lucro presumido em todos os trimestres do ano-calendário de 2015. Compulsando sua ECF, verifica-se que a empresa não declarou qualquer rendimento auferido ao longo do ano de 2015. 124. Considerando que a empresa é um “Holding não- financeira” e que sua forma de tributação é pelo lucro presumido, ou seja, não é uma empresa operacional e não declarou qualquer receita operacional própria, deve-se considerar que os valores omitidos sejam considerados como outras receitas da empresa, isto é, que sejam integralmente adicionadas à base de lculo declarada pela empresa"; A ora recorrente apresentou a sua Impugnação, onde alegou que: Fl. 860DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 ...No decorrer da fiscalização, a Requerente apresentou seus extratos bancários de todas as contas correntes sob sua titularidade, comprovou o aumento de capital, mediante a juntada de contratos, TED, DOC e cheques, bem como comprovou a origem (fonte pagadora) dos 9 cheques nominais creditados em suas contas correntes no decorrer do ano fiscalizado(fls. 218/226)”; 4.3. as operações citadas são aquelas “em que seu marido, Lúcio Funaro, teve sua prisão decretada”, informa a impugnante; 4.4. “Além de fornecer todos os documentos contábeis e fiscais que estavam ao seu alcance, bem como prestar os esclarecimentos usuais e normais sobre as operações questionadas, a requerente também informou que, em decorrência da situação experimentada por seu marido, sofreu diversas buscas e apreensões em sua sede, na residência de sua sócia e nos escritórios vinculados a seu esposo. A Requerente requereu ainda a dilação de prazo para responder a todos os quesitos formulados pela autoridade fiscal pois no prazo por ela concedido não seria possível encontrar todos os documentos comprobatórios requeridos, sobretudo por causa das inúmeras buscas e apreensões incorridas nos imóveis da família, cuja apreensão se deu desde computadores, tablets, pen drives, HDs e celulares, a documentos físicos arquivados nas dependências daqueles imóveis. 14. A D. Fiscalização, outrossim, houve por bem lançar o presente auto de infração, cuja capitulação se deu com base na presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei 9.430/96, pois em seu entender “os documentos apreendidos nos endereços comerciais e residenciais do Sr. Lúcio Funaro, cônjuge da proprietária, nunca serão devolvidos, pelo simples fato de serem provas nos processos judiciais a que responde na Justiça”. 15. Com base na presunção por depósitos bancários de origem não comprovada, lançou-se o presente auto de infração, cuja cobrança se materializou para o IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS)”; 4.5. “nada obstante a Impugnante tenha juntado aos autos copia dos cheques nominais, cuja fonte pagadora fora devidamente reconhecida pela autoridade fiscal, entendeu a fiscalização pela manutenção da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96. 19. E a presunção estabelecida no dispositivo legal acima mencionado, como se sabe, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte autuado comprovar que tais rendimentos não seriam tributáveis. 20. Ocorre, todavia, que a utilização da presunção legal para o caso em comento não se sustenta, tendo em vista que o fato tido como infrator não poderia ser classificado como omissão de receita pois, além de ter sua origem comprovada, o lançamento foi efetuado com preterição do direito de defesa da Recorrente."; 4.6. “... em virtude das inúmeras buscas e apreensões realizadas nos endereços residenciais e comerciais do marido da única sócia da Recorrente, todos os documentos e mídias eletrônicas foram apreendidos e continuam sob custódia da Polícia Federal, do Supremo Tribunal Federal e da 10ª Vara da Seção Judiciária de Brasília. ... . Por corolário lógico, a demora na restituição dos bens acabou por impossibilitar que a Recorrente apresentasse suas respostas com a completude esperada pela Fiscalização. ... . Para as informações cuja documentação comprobatória não estaria em seu poder, juntou em inúmeras oportunidades petições protocoladas perante o Supremo Tribunal Federal, TRF da 1ª Região e Delegacias da Polícia Federal e Civil requerendo a sua restituição. 26. Ao contrário do aduzido pela Fiscalização, a recorrente não se “escudou-se nas diligências de busca e apreensão sofrida pelo cônjuge da proprietária”, visto que empreendeu todas as diligências para que se obtivesse a documentação comprobatória solicitada pela fiscalização. 27. Isso pode ser facilmente verificado mediante leitura das inúmeras petições intentadas nos Fl. 861DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 mais diversos juízos competentes buscando a restituição de tais documentos. Veja-se as petições de folhas número 200, 235, 242/245, 246, 254, 256, 257, 265/278, 287, 294. ... . 29. Tais fatos, a per si, afastam a alegação de que a Requerente não haveria cumprido com sua parte, relativamente a “diligenciar junto a terceiros” para fins de esclarecer as respostas a ela indagadas, conforme consta no Relatório Fiscal, no item n°. 111. 30. Cumpre esclarecer que todas as prorrogações de prazo solicitadas pela Recorrente se deram em virtude da demora do Poder Judiciário em restituir os documentos apreendidos. Isso também pode ser claramente verificado pela leitura da certidão de folha 235, emitida pela 10ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, assim como pela decisão do E. Ministro Edson Fachin, no incidente de restituição de bens apreendidos de fls. 265/278. 31. Todos os documentos e certidões carreados aos autos possuem um ponto de convergência, qual seja, não foram restituídos sob a alegação de que tais documentos ainda estariam sob análise.”; 4.7. “35. Dessa forma, o direito à ampla defesa e ao contraditório, consagrado pelo artigo 5° da Constituição Federal, deve ser observado pela autoridade lançadora. 36. Ao caso em comento, a preterição do direito de defesa da Recorrente é inequívoca, sobretudo porque os documentos apreendidos não foram restituídos e a não restituição decorre única e exclusivamente da morosidade do Poder Judiciário. Importante esclarecer que, como acima mencionado, a recorrente não olvidou esforços para a restituição daqueles documentos. 37. E o cerceamento do direito de defesa é causa de nulidade do presente lançamento, conforme se extraí do Decreto 7.574, de 2011”; 4.8. “... em todas as ocasiões a Recorrente tomou o cuidado de anexar petições, certidões e decisões que demonstrassem o esforço empreendido para ter seus documentos restituídos. 39. E sem a restituição daqueles documentos, ficou a recorrente obstada de responder a parte dos questionamentos aduzidos pela Receita Federal, posteriormente lançados com base na presunção legal de omissão de rendimentos por depósitos bancários não comprovados que, com a devida vênia, comprova o nítido cerceamento do direito de defesa e conduz o presente lançamento a sua integral nulidade”; 4.9. “... a linha central de alegação da D. Fiscalização é a de que a Recorrente se escudou nas buscas e apreensões realizadas em desfavor do cônjuge de sua sócia, de forma que não apresentou as justificativas dos créditos havidos em sua conta corrente. 43. Ao contrário, acima, a Recorrente demonstrou que: (i) Empreendeu todos os esforços e diligências necessários à restituição da documentação apreendida, sobretudo junto ao Poder Judiciário; (ii) Os esforços empreendidos demandaram inúmeras petições perante o STF, TRF e Delegacias de Polícia, o que afasta o argumento de que haveria faltado diligência de sua parte; (iii) Que a cópia dos cheques nominais apresentados demonstra o depositante (origem) e, por isso, não poderiam ser classificados como depósitos bancários de origem não comprovada. 44. Com base nesses pontos, resta clara a improcedência do presente lançamento, seja pelo evidente cerceamento de defesa incorrido, seja pela ausência de motivação/fundamentação, conforme adiante se demonstrará”; 4.10. os “créditos examinados foram comprovados pela Recorrente. 47. Denota- se dos itens números 104 e 118 do Relatório Fiscal que a autoridade fiscal informa que a Recorrente, em resposta ao Termo de Intimação n° 8, apresentou cópia de 9 cheques (fls. 218/226) nominais a Recorrente, cuja identificação do depositante foi possível”. 4.11. em relação aos depósitos questionados, os de R$ 17.000,00 e de R$ 47.000,00 para comprovação da origem a fiscalizada informa que os documentos se encontram apreendidos e para os demais valores de R$ 500,00 cada, informa que os Fl. 862DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 comprovantes se encontram nas fls. 218 a 226, perfazendo um “Total comprovado: R$ 11.500,00”, e assim, argumenta, “Demonstra-se, portanto, que grande maioria dos créditos tidos como não comprovados foram, em verdade, suficientemente comprovados pela Recorrente"; 4.12. “51. Ora, se a própria autoridade fiscal admite a identificação dos depositantes, a exigência descrita no Relatório Fiscal foi capitulada erroneamente no caput da exegese legal supramencionada, devendo ser o presente lançamento cancelado por vício material. 52. No caso dos autos, o desenvolvimento da ação fiscal capitaneada no caput do artigo 42 da Lei 9.430/96 compromete a licitude da fundamentação da infração fiscal. E esse defeito refere-se ao conteúdo do ato e, desse modo, está calcado em vício material, porquanto a validade do lançamento somente seria possível por meio da edição de um novo ato administrativo com conteúdo alterado (motivação). 53. Cuida-se, portanto, de ato inconvalidável, passível de nulidade integral do auto de infração.”; 4.13. “... o artigo 42, caput, da Lei 9.430/96 impõe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos créditos havidos em suas contas correntes e não, conforme pretende fazer crer a fiscalização, identificar a causa e o motivo da transação... . 56. Os cheques nominais apresentados pela Recorrente identificaram, com notória clarividência, a origem dos créditos tidos por omitidos; A própria autoridade fiscal reitera essa comprovação em seu relatório fiscal, conforme já demonstrado nem tópicos precedentes. 57. Como se vê, somente se pode falar em “depósitos bancários de origem não comprovada” para fins do caput do artigo 42 da Lei 9.430/96 quando se esteja diante de uma situação em que o contribuinte não apresenta documentação hábil e idônea a comprovar a fonte pagadora de tais créditos, o que não é o caso do presente processo. 58. Assim, o fato de a Recorrente ter demonstrado e identificado o depositante de tais valores, a presunção legal já não mais se sustenta”. Transcreve excertos de decisões administrativas sobre o tema de comprovação de origem de depósitos e repercussões; 4.14. referindo-se ao art. 42 da Lei 9.430/96, a contribuinte alega que “... caso o contribuinte apresente elementos que identifiquem as operações, independentemente de comprovar ou não o oferecimento à tributação, resta afastada a possibilidade de aplicação do dispositivo em questão, pois neste caso a fiscalização possui meios de apurar a efetiva omissão de receita. 62. Dito de outra forma, com a identificação dos depositantes e, por conseguinte, da origem de tais recursos, a presunção legal e seu efeito de inverter o ônus da prova já não mais se sustenta, cabendo à fiscalização identificar se tais valores foram ou não oferecidos à tributação”. Transcreve mais excertos de decisões administrativas que informa como sendo de acordo com o seu entendimento e acrescentou que “64. Assim, é inquestionável que a autoridade fiscal detinha conhecimento da origem dos depósitos creditados em favor da Recorrente, mas, contudo, optou pelo caminho mais fácil, qual seja, considerá-los como de origem não comprovada e, por conseguinte, inverter o ônus da prova, em total afronta ao artigo 142, do Código Tributário Nacional e do §2°, da Lei 9.430/96” e defende que o “o lançamento encontra-se maculado"; 4.15. “66. E a argumentação por parte da Autoridade Fiscal de que caberia ao contribuinte apresentar documentação demonstrando a que título os valores circularam nas suas contas correntes não se sustenta, sobretudo porque a simples constatação dos depósitos já afasta a aplicação da presunção legal estabelecida pelo caput do artigo 42, da Lei 9.430.96, cabendo neste caso a aplicação do §2° do mesmo dispositivo legal que dispõe sobre o tratamento a ser dado aos valores cuja origem houver sido Fl. 863DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 comprovada. 67. Segundo se depreende daquele dispositivo, os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 68. Portanto, reconhecida pela autoridade lançadora a origem dos depósitos, resta afastada a presunção legal que inverte o ônus da prova, cabendo ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração a legislação tributária (142, CTN). A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas, havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência fiscal jamais pode prosperar, por força do artigo 112, do Código Tributário Nacional. 69. Por conseguinte, resta demonstrado o absoluto descabimento do presente lançamento, razão pela qual requer-se seja integralmente cancelado, por vício material. 70. Subsidiariamente, requer-se sejam excluídos os créditos provenientes dos cheques constantes das fls. 218/226 cuja origem encontram-se devidamente comprovadas”; 4.16. “71. Além dos pontos acima tratados, que, por si só já são suficientes para comprovar o descabimento da presente exigência fiscal, a D. Fiscalização efetuou o lançamento reflexo para PIS/COFINS e CSLL, com base na receita supostamente omitida, sob a seguinte fundamentação: “124. Considerando que a empresa é um “Holding não financeira” e que sua forma de tributação é pelo lucro presumido, ou seja, não é uma empresa operacional e não declarou qualquer receita operacional própria, deve-se considerar que os valores omitidos sejam considerados como outras receitas da empresa, isto é, que sejam integralmente adicionadas à base de cálculo declarada pela empresa. 125. Como os valores acima são considerados receita omitida, sobre eles serão lançados o IRPJ e seus reflexos CSLL, PIS e Cofins, conforme legislação vigente.””; 4.17. “73. O Relatório Fiscal, ao apresentar o enquadramento legal relativo às Contribuições ao PIS e a COFINS, trouxe um emaranhado de normas das mais diversas espécies, de forma genérica e superficial, que nada demonstram o nascimento da obrigação tributária e o fato típico da ocorrência do fato gerador. 74. No que se refere à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), veja-se o enquadramento legal sugerido pelo auto de infração (fls. 36). Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2015 e 31/12/2015: Art. 8º da Lei nº 9.718/1998 Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 2º da Lei nº 9.718/98 Art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158- 35/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09 Art. 8º da Lei nº 9.718/1998. 75. O artigo 8°, 2° e 3°, da Lei n°. 9.718/1998 somente fazem menção à alíquota e a base de cálculo das contribuições; o artigo 1° da LC 70/91 instituiu a contribuição social, sem ter qualquer correlação com o caso em análise. 76. Situação semelhante se repete no enquadramento legal da Contribuição ao PIS... . 77. O Artigo 2°, inciso I, artigo 9° e 8° e artigo 3°, todos da Lei n°. 9.715/98, se limitam a conceituar referida contribuição, de forma a definir suas alíquotas, base de cálculo e sujeitos passivos. 78. A generalidade do auto de infração não possibilita a Recorrente o exercício regular do direito de defesa, o que nos remete novamente à afronta ao inciso LV, do artigo 5° da Constituição Federal. 79. E a ausência de indicação clara e precisa dos dispositivos legais tidos por violados acarreta a nulidade do lançamento, por vicio material”; 4.18. os requisitos do art. 142 do CTN "representam elementos essenciais para a formação e existência do lançamento, sendo que sua ausência gera insubsistência da Fl. 864DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 autuação e, por conseguinte, sua nulidade". Transcreve ementas do CARF sobre cerceamento ao direito de defesa e nulidade e conclui que “Assim, pela defeituosa e superficial fundamentação legal reproduzida no relatório fiscal, o presente lançamento, relativo às contribuições ao PIS/COFINS, deve ser cancelado integralmente"; 4.19. alega “Inconstitucionalidade detectada pelo STF na Lei n°. 9.718/98 – Não incidência de Contribuições ao PIS e a COFINS sobre receitas não operacionais”. “Na apreciação do RE n°. 585.235/MG, de reconhecida repercussão geral (tema n°. 110), a suprema corte brasileira decidiu ser “inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3°, §1°, da Lei 9.718/99””. Transcreve ementa de Recurso Extraordinário que final transcrito pela contribuinte dizendo que “É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3°, §1°, da Lei n°. 9.718/98. (...)”, e argumenta que “87. O julgamento acima transcrito definiu que o conceito de faturamento para PIS/COFINS estaria limitado à receita auferida com o produto de vendas de mercadorias e prestações de serviços"; 4.20. após transcrever o artigo 3°, §1°, da Lei n°. 9.718/98 , informando que o mesmo foi “utilizado como fundamento legal ao presente lançamento”, transcreve também o artigo 12 do Decreto-Lei n° 1.598/77, informando que sua redação foi dada pela Lei 12.973/14, e que o mesmo conceitua receita bruta. Acrescenta que "90. Com o advento da Lei 12.973/14, a redação do artigo acima transcrito dispôs as receitas de forma pormenorizada, trazendo para o rol de receita bruta outros valores como as receitas da atividade e objeto principal da pessoa jurídica"; 4.21. "91. Tendo em vista a anemia legislativa, que trouxe uma análise subjetiva sobre o conceito de “receita da atividade”, a Receita Federal do Brasil foi instada a se manifestar através de diversas soluções de consultas. 92. Dentre as mais recentes, destaca-se a Solução de Consulta DISIT/SRRF04 n°. 4.032, de novembro de 2016, onde a RFB apontou que a receita tributável é aquela decorrente da atividade exercida prevista no ato constitutivo (objeto social) ou aquela que, na prática, “seja habitualmente desenvolvida, no contexto de sua organização de meios, ainda que não contemplada de forma expressa no seu instrumento de constituição”. 93. Na mesma linha foi o posicionamento adotado pela Solução de Consulta DISIT/SRRF04 n°. 4005, de maio de 2016, na qual a RFB destacou que o conceito se refere às “receitas decorrentes da atividade típica da empresa, correspondente ao seu objeto social, ou efetivamente verificada em seu cotidiano, quando esta se afaste dos objetivos expressos em seu ato constitutivo.” Neste caso específico, a incidência de PIS/COFINS sobre receitas financeiras auferidas por empresa contábil foi afastada por entender que sua atividade ou objeto principal não tinha qualquer relação com as receitas lá discutidas". Transcreve ementa do CARF dispondo que “A partir da declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei 9.718/98, pelo STF, o faturamento, base de cálculo da contribuição, não pode corresponder ao somatório de todas as receitas auferidas como ali disposto. Nos termos da remansosa jurisprudência do STF, em se tratando de empresa comercial, industrial ou de prestação de serviços, ela está, indubitavelmente restrita ao somatório das receitas da venda de mercadorias, prestação de serviços ou da combinação de ambos, dúvidas permanecendo apenas quanto às instituições financeira”; 4.22. “95. Das manifestações da RFB bem como da jurisprudência do CARF, pode-se extrair que o conceito de atividade ou objeto principal, para fins de PIS/COFINS, refere-se à (i) atividade prevista no objeto social; (ii) atividade empresarial/atividade típica de empresa; (iii) atividade habitualmente desenvolvida/desenvolvida no cotidiano da Fl. 865DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 empresa. 96. Para o caso em análise, depreende-se dos atos societários da Recorrente (328/331) que seu objeto social prevê “a administração de bens próprios e a participação em outras pessoas jurídicas, empresárias ou não”... . 97. Como destacado pela própria autoridade fiscal no item 124 do TVF, a Recorrente é uma empresa “Holding não-financeira e que sua forma de tributação é pelo lucro presumido”, tratando-se de uma empresa “não operacional””; 4.23. “98. E as receitas cuja natureza não se enquadram nas atividades empresariais e operacionais, tal qual classificado pela própria fiscalização, jamais poderiam entrar na base de cálculo para as contribuições para o PIS e COFINS. 99. Ora, os supostos valores omitidos, adicionados à base de cálculo declarada pela empresa, não possuem qualquer relação com seu objeto social e atividade empresarial e, por causa disso, jamais poderiam ser utilizados para fins de composição da base de cálculo do PIS/COFINS, sob pena de afronta ao disposto no artigo 3° da Lei 9.718/98 c/c art. 12 do Decreto-Lei n°. 1.598/77. 100. Além do mais, é importante mencionar que o alargamento da base de cálculo das contribuições, declarada inconstitucional pelo STF, vincula o julgamento administrativo no âmbito da RFB (o que inclui a DRJ), conforme art. 19 da Lei n° 10.522/2002 e alterações posteriores, assim como no âmbito do CARF, conforme previsão regimental específica (art. 62, §2°, b, RICARF). 101. Dessa forma, tendo em vista que a Autoridade Fiscal classificou as receitas omitidas, para fins de convalidação de sua base de cálculo, como receitas não operacionais; considerando ainda que o faturamento compreende as receitas operacionais decorrentes do objeto social e da atividade empresarial da contribuinte e,; considerando que a autoridade fiscal sequer fez menção a tais hipóteses, conclui-se que não há espaço para manutenção do presente lançamento, tendo em vista que as receitas supostamente omitidas, por não fazem parte do objeto social e/ou atividade empresarial da Recorrente, tal como se expôs a autoridade fiscal, não compõe a base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, razão pela qual requer a Recorrente o imediato cancelamento deste lançamento relativamente à tributação reflexa”; 4.24. requer que “seja declarada a nulidade do lançamento por vício material”, “Subsidiariamente, caso não seja este o entendimento de V.Sa., o que se admite apenas para fins argumentativos, requer-se sejam os créditos cuja origem encontra-se devidamente comprovada excluídos do presente lançamento, conforme item n° V “a” da presente peça impugnatória"; 4.25. “protesta pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, sobretudo porque existem documentos que ainda não foram restituídos em sua integralidade pelo Supremo Tribunal Federal e TRF1, nos termos do artigo 16, §4°, alínea “a” do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal”. A DRJ decidiu pela improcedência da Impugnação tendo publicado o seguinte acórdão: Acórdão 11-65.118 - 4ª Turma da DRJ/REC Sessão de 29 de outubro de 2019 Processo 10880.740826/2018-38 Interessado ALBEJ ADMINISTRAÇÃO DE BENS E PARTICIPAÇÕES EIRELI CNPJ/CPF 19.292.120/0001-38 Fl. 866DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2015 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O contribuinte regularmente intimado a comprovar a origem de créditos bancários individualizadamente o deve fazer com documentação hábil e idônea. A origem não significa apenas saber de onde ou de quem vieram os recursos, mas também sob que natureza foram creditados, pois esta natureza é fundamental a identificar se são ou não tributáveis e se já foram ou não oferecidos à tributação. Não havendo razão para não se revelar tal natureza e origem completa dos créditos, vale a presunção legal de que se tratam de receitas omitidas. ARGUIÇÕES DE NULIDADE. Não ocorrendo cerceamento ao direito de defesa, o auto de infração tendo sido lavrado por autoridade competente, nem tendo ocorrido qualquer outra hipótese de nulidade, sua cogitação deve ser afastada. A recorrente foi cientificada do acórdão em 16/03/2020 (fl.847) e apresentou o seu Recurso Voluntário em 09/03/2020 (fl.796), portanto, antes mesmo da ciência, razão pela qual foi intimado (fl. 848) a apresentar termo de ratificação o que foi devidamente procedido pela recorrente (fl.851). Em seu RV, a recorrente argumenta: (i) A administração da Recorrente, no período fiscalizado, era realizada exclusivamente pelo Sr. Lucio Bolonha Funaro, cônjuge da proprietária da ALBEJ, como informado pela resposta de 29.08.2016, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal1; e, (ii) Em razão disso, especialmente no que diz respeito às limitações decorrentes de sua gravidez de risco, inúmeros documentos financeiros, contábeis e fiscais ficaram sob a guarda de seu marido, Lucio Funaro, posteriormente preso preventivamente e alvo de inúmeras diligências de busca e apreensão. ... Em preliminar, alega insuficiência de membros julgadores ou justificação de ausência na turma da DRJ. Isto porque: O artigo 2º da Portaria 341/11, “as DRJ são constituídas por Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou “pro tempore”. O parágrafo 4' do art. 15 da aludida Portaria estabelece que nenhum membro da Turma da DRJ pode se abster de julgar um recurso. Assim, em princípio, todos os casos dos contribuintes deverão necessariamente ser julgados por, no mínimo, 5 (cinco) membros da DRJ. Assim, a decisão foi tomada por apenas 4 julgadores, havendo vício de forma, devendo ser cancelado. No mérito, argumenta novamente que a manutenção do lançamento, em sua integralidade, se justifica apenas por conta do entendimento subjetivo da DRJ de que a Recorrente não teria comprovado a natureza dos depósitos bancários havidos em sua conta Fl. 867DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 corrente, saltando aos olhos a completa inobservância dos requisitos legais previstos pelo artigo 42 da Lei 9.430/96. Insiste na tese (defendida em sua impugnação) de que houve o cerceamento do seu direito de defesa pelo fato de o Poder Judiciário e demais órgãos públicos não terem entregue os documentos apreendidos e que (transcrição): Se a Receita Federal do Brasil pode legalmente solicitar o compartilhamento de provas para subsidiar seus lançamentos fiscais, não pode a Recorrente sofrer os custos desta desorganização e inercia sob o singelo fundamento de que se ela tivesse assinado os pedidos e solicitado “cópias” ao invés de restituição, talvez seria mais fácil obter tais documentos, como destacado pela r. decisão recorrida. Com a devida vênia, a r. decisão recorrida, ao afastar as alegações da Recorrente com base nestes argumentos – subjetivos e indutivos -, acabou por violar o princípio da legalidade, previsto no artigo 142, do Código Tributário Nacional, da eficiência e também o direito de defesa da Recorrente. Cita o inciso II, ao art. 59, do Decreto 70.235/72 para alegar a nulidade. Alega que 9 (dos 11) depósitos efetuados foram devidamente comprovados: ...Isso, inclusive, foi reconhecido pela própria Autoridade Fiscal, que consignou expressamente no Termo de Verificação Fiscal (“TVF”) que os depositantes estavam identificados. Confira-se a seguinte passagem do TVF: “104. Em resposta ao TIF n'. 8 a empresa apresentou cópias dos 9 cheques, nominais a Albej, que foram depositados em sua conta corrente, mas a fiscalizada não informou a causa/motivo pelo qual estes cheques foram depositados em sua conta corrente. Assim, existe a identificação do remetente, mas não comprovada a causa/motivo do depósito.” (destaques acrescidos) 51. E nem se diga que o fato de a Albej não ter comprovado a causa/motivo destes depósitos justificaria a manutenção do lançamento com base na presunção por depósitos bancários de origem não comprovada, premissa fática indevidamente adotada pela r. decisão recorrida. Como visto, o §2º do artigo 42 da Lei 9.430/96, que serve de base legal para o §2' do artigo 299 do RIR/18, estabelece que “os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto sobre a renda a que estiverem sujeitos, serão submetidos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos”. 52. Ora, se a origem dos depósitos foi devidamente comprovada pela Recorrente e categoricamente reconhecida pela d. Autoridade Fiscal, o crédito tributário jamais poderia ter sido mantido com fundamentação na presunção legal de omissão de receitas por falta da comprovação da origem dos recursos. Isso porque, como já exposto, os fatos transcritos não fazem subsunção à norma constante do caput do artigo 42 da Lei 9.430/96, mas sim ao §2º deste mesmo diploma legal. Cita decisões não vinculantes deste CARF e entende que: Fl. 868DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 Assim, carece de fundamento jurídico, portanto, as alegações contidas na r. decisão recorrida, no sentido de que não houve a comprovação da origem daqueles créditos provenientes dos cheques nominais apresentados, razão pela qual a r. decisão recorrida deve ser reformada para que o valor de R$ 11.500,00 (onze mil e quinhentos reais) seja excluído da base de cálculo do presente lançamento. Reafirma, tal como o fizera em sua Impugnação, que houve ofensa ao art. 142, do CTN, já que a Fiscalização não poderia optar, arbitrariamente, por utilizar a presunção de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no caput do artigo 42 da Lei 9.430/96, se a legislação determinava a subsunção dos créditos com origem comprovada as normas da legislação específica (§2˚ do art. 42 da Lei 9.430/96). 68. Também por isso, deve a r. decisão recorrida ser integralmente reformada, reconhecendo a nulidade dos autos de infração aqui discutidos. Cita a doutrina. Novamente, entende que o lançamento deva ser parcialmente cancelado pois somente não houve a comprovação dos valores de R$17.000,00 e de R$47.000,00. Reitera que as receitas não operacionais não entram na composição da base de cálculo Contribuições ao PIS e a COFINS face à Inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de ambas, com base na Lei 9.718/98, consoante decisão do STF, refutando a decisão da DRJ no que se refere ao argumento: A r. decisão recorrida, ao tentar afastar essa constatação, com a devida vênia, em nada a socorreu. Isso porque a d. Autoridade Julgadora aduz que a classificação das receitas realizada pela d. Autoridade Fiscalizadora diria respeito ao Lucro Presumido sem, contudo, justificar o porquê que teria chegado aquela conclusão. E conclui: Ora, o alargamento da base de cálculo, ainda no tocante ao Lucro Presumido, foi declarado inconstitucional pelo c. STF, tal como acima se expôs. As receitas cuja natureza não se enquadram nas atividades empresariais e operacionais, tal qual classificado pela própria fiscalização, jamais poderiam integrar a base de cálculo para as contribuições ao PIS e a COFINS. ... Assim, considerando que a d. Autoridade Fiscal (i) classificou as receitas supostamente omitidas, para fins de convalidação da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, como receitas não operacionais; (ii) que o faturamento compreende as receitas operacionais decorrentes do objeto social e da atividade empresarial da contribuinte; e, (iii) que a autoridade fiscal e a r. decisão recorrida não fazem menção a nenhuma destas hipóteses, conclui-se que não há espaço para manutenção do presente lançamento, uma vez que tais valores não compõe a base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, razão pela qual deve a r. decisão recorrida ser reformada integralmente, de modo a ser determinado o imediato cancelamento deste lançamento também no tocante as aludidas contribuições. Finaliza, requerendo: Do acima exposto, restou demonstrado que: Fl. 869DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 (i) O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser integralmente apreciado e acolhido em suas preliminares, bem como nas suas razões de fato e de direito que demonstram a total improcedência da exigência fiscal; (ii) preliminarmente, deve ser reconhecida a deficiência da r. decisão recorrida, por ter sido julgada por apenas quatro integrantes da DRJ e não cinco, como expressamente determinado pela Portaria 341/11; (iii) no mérito, ficou claro que foi equivocada a premissa adotada pela r. decisão recorrida ao manter o lançamento em tela. A D. Autoridade Julgadora supôs, de modo infundado e sem fazer qualquer referência às regras jurídico-tributárias aplicáveis, que a Recorrente não teria comprovado a origem dos 09 (nove) depósitos dos 11 (onze) questionados. A premissa adotada, contudo, é manifestamente equivocada e comprometeu todo o restante da sua análise dos fatos aqui discutidos; (iv) como visto, a Recorrente além de ter identificado os depositantes (origem) dos nove créditos provenientes de cheques, o fez antes da lavratura do presente auto de infração. Assim, o caput do art. 42 da Lei 9.430/96 é aplicável ao caso em espécie, sobretudo em razão da previsão constante de seu §2˚, o qual submete às normas de tributação específica os depósitos cuja origem houver sido identificada; (v) de acordo com a mais recente jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, restou claro que a identificação do depositante antes da formalização do lançamento tributário e, portanto, durante o procedimento de fiscalização, afasta por completo a necessidade de aplicação da presunção legal prevista no caput do art. 42 da Lei 9.430/96; (vi) a própria legislação de regência, aliás, obriga a d. Autoridade Fiscal a seguir exatamente o que diz a lei (art. 142, CTN) e o §2˚ do art. 42 da Lei 9.430/96, como visto, possui regramento específico para os créditos cuja origem foi devidamente identificada; e, (vii) no tocante a tributação reflexa, especialmente às contribuições ao PIS e a COFINS, foi demonstrada que a base de cálculo utilizada, classificada como receitas não operacionais, jamais poderia integrar o cálculo das aludidas contribuições, seja por determinação expressa do c. STF, ou mesmo pela pacífica jurisprudência do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 90. Pelo exposto, a Recorrente requer a esse e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que seja dado provimento integral ao presente Recurso Voluntário, reformando a r. decisão recorrida nos pontos anteriormente tratados e que restaram mantidos, para cancelar integralmente o Auto de Infração, juntamente com as penalidades e os juros aplicados, com o consequente arquivamento do processo administrativo. 91. Alternativamente, caso não seja esse o entendimento deste E. CARF, a Recorrente requer, ao menos, o cancelamento parcial do Auto de Infração, juntamente com as penalidades e os juros aplicados, de forma a excluir da base de cálculo do imposto lançado o montante equivalente a R$ 11.500,00 (onze mil e quinhentos reais) referente aos créditos efetivamente comprovados e identificados pela Recorrente. É o relatório. Fl. 870DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos determinados pelo Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. Em preliminar, a recorrente alega que a decisão da DRJ padece de vício de forma e deva ser cancelada por falta de quórum, com base na Portaria 341/2011 (referido como inciso ii, da conclusão, no RV). Descabida a pretensão da recorrente como se observa do parágrafo 6º, da própria Portaria MF 341/2011: Art. 4º O julgador será designado para mandato de até 24 (vinte e quatro) meses, com término no dia 31 de dezembro do ano subsequente ao da designação, admitidas reconduções. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 17, de 21 de janeiro de 2016) § 6º O Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento pode designar julgador ad hoc para participar de sessão específica em Turma de julgamento, visando a garantir o quórum mínimo de 3 (três) julgadores para a realização da sessão. (grifei) Assim, rejeito a preliminar suscitada. A recorrente, também, entende que a decisão deve ser reformada por afastar a alegação de cerceamento do direito de defesa, o que na minha opinião também não ocorreu pelos motivos claramente expostos na decisão da DRJ. A DRJ entendeu que a comprovação da origem não se dá somente com a identificação do depositante, como afirma a recorrente (referido como inciso iii). Afinal, nos dias de hoje, não há cheques ao portador, nem a possibilidade de depósitos (em cheque), nem transferências bancárias sem a identificação do remetente. Tal só ocorre em depósitos efetuados em dinheiro. Portanto, entendo também que a origem, devidamente comprovada, ou seja, acompanhada de documentação idônea, deve indicar claramente a natureza da operação. Se não for assim, a inteligência do parágrafo 2º, ao art. 42, da Lei 9.430/96, como a fiscalização (ou qualquer autoridade) poderia submeter as referidas receitas às normas de tributação específicas (referido como incisos iv, v e vi). As decisões administrativas citadas não são vinculantes além de não se aplicarem perfeitamente ao caso em disputa. A recorrente afirma que a autoridade tratou as receitas omitidas como receitas não operacionais (referido como inciso vii), o que não é fato. A fiscalização as classificou como outras receitas, obviamente, como outras receitas operacionais, para compor/definir a base de cálculo, ou seja o lucro presumido como prescreve a legislação, artigo 521, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos Fl. 871DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). (grifei) Assim, a decisão do STF, em relação ao denominado alargamento da base de cálculo das contribuições não se aplica ao caso, conforme explicitado na decisão da DRJ. Portanto, correta a interpretação da fiscalização, corroborada pela DRJ, com a qual concordo e adoto seus argumentos como meus. Por uma questão de economia processual, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99 e no art. 57, § 3º, do RICARF, transcrevo a decisão parcialmente: 5. A empresa autuada reivindica nulidade em diversas ocasiões alegando cerceamento ao direito de defesa, por falta de acesso a documentos apreendidos por órgãos de polícia, de fiscalização e do judiciário, e também porque a fiscalização teria admitido a identificação de origem de créditos, e ainda alega nulidade por falta de indicação clara de dispositivos da fundamentação legal da Cofins e PIS. 6. Conforme melhor detalhado em item próprio adiante, que trata de bens e documentos apreendidos, percebe-se que não houve o alegado cerceamento ao direito de defesa, até porque a contribuinte pertence à esposa do solicitante de bens e documentos aos órgãos do judiciário, de fiscalização e de polícia, sendo que os dois foram casados em regime de separação total de bens, conforme a fiscalização informou no Termo de Verificação Fiscal, fl. 59, parágrafo 115, que: ... 7. Isso demonstra que quem deveria responder pelos documentos, pela empresa e pela comprovação da origem seria a sócia da empresa, a Sra. Raquel Albejante Pitta, e não o seu cônjuge. No entanto, se o mesmo tinha interesse nesse esclarecimento também, deveriam demonstrar de forma inequívoca que os poucos créditos bancários questionados à empresa teriam sua comprovação de origem dependente dos documentos solicitados, os quais, conforme as solicitações, do cônjuge da única sócia da autuada, que constam dos autos, não restaram comprovados como dizendo respeito às contas da empresa e aos créditos questionados pela fiscalização. 8. Além disso, sequer o solicitante requereu cópias de documentos, o que seria muito mais fácil de receber, tendo solicitado apenas os próprios documentos apreendidos, o que não poderia ser fornecido enquanto estivessem sendo periciados e examinados, além de que a certidão que consta nos autos dá conta de devolução de bens e documentos ao solicitante e não terem sido identificados os documentos solicitados entre os devolvidos. Portanto, não se pode falar em cerceamento ao direito de defesa da empresa autuada e nem em nulidade, conforme esta explanação. 9. A alegada identificação de origem de créditos pela fiscalização não procede, o que a contribuinte confunde é identificação de cheques de depósitos de créditos questionados com a natureza efetiva dos mesmos, a razão de seus depósitos, isso sim que comprovaria a origem, o que não restou comprovado e a fiscalização deixou bem claro que não estava comprovada, logo, não houve tal origem comprovada e nem a alegada nulidade que seria decorrente. 10. Com relação os dispositivos legais que serviram de fundamentação às autuações de Cofins e PIS, a contribuinte não se deteve a examiná-los cuidadosamente embora demonstrou ter compreendido plenamente a autuação e ter contestado fatos que subsumem aos referidos dispositivos, observando-se que as normas e os fatos a Fl. 872DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 embasar a autuação não são apenas aquelas constantes na emissão dos respectivos Autos de Infração emitidos no sistema Safira, fls. 29 (PIS) e 36 (Cofins), mas constam também do Termo de Verificação Fiscal, nas fls. 42 a 61, onde é descrita a infração que serviu de motivo para incidência dos tributos lançados, quais sejam, IRPJ pelo Lucro Presumido e contribuições sociais reflexas (CSLL pelo Lucro Presumido e Cofins e PIS cumulativas), razão pela qual não há que se cogitar nulidade pelo alegado “emaranhado de normas” mencionado pela impugnante, pois além das normas se aplicarem aos respectivos tributos, os fatos narrados encerram a aplicação da norma, devendo a contribuinte conhecer as normas públicas aplicáveis aos casos concretos. Portanto, tampouco há que se cogitar de nulidade em função dos dispositivos normativos citados sob insatisfação pela contribuinte para se referir às contribuições PIS e Cofins. Alegação de origens comprovadas 11. A contribuinte alegou que teria comprovado parcialmente a origem dos créditos de R$ 500,00 cada, por ter apresentado os cheques referentes a tais depósitos. 12. Ocorre que a origem não se refere apenas a de onde ou de quem vieram os recursos, mas também por qual motivo/razão e que natureza têm. 13. A origem do ponto de vista tributário precisa ser inequívoca, inclusive para fins de se aplicar a norma correta de incidência e tributação, o que milita em favor da contribuinte, pois os créditos cuja origem for identificada como não tributável não podem ser tributados no procedimento de ofício, devendo-se, assim diferenciar as origens tributáveis das não tributáveis, sejam a que título for. Desse modo, a contribuinte intimada a comprovar pode comprovar, em sendo o caso, créditos de doação, créditos de empréstimos, de aplicações financeiras não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, além daqueles que seriam tributáveis, tenham sido estes recebidos de forma lícita ou ilícita, pois do ponto de vista do tributo em si pecunia non olet, todavia a depender da origem isso pode implicar em multas pecuniárias qualificadas para desincentivar as condutas ilícitas. 14. Portanto, para a origem do ponto de vista tributário importam, e precisam ser esclarecidos, atributos diversos a identificar não apenas quem remete o recurso, mas também a que título e que natureza (pagamento? De que? De prestação de serviço? De venda? Venda ou prestação de serviço de que especificamente? Ou se trata de doação? Ou empréstimo? Ou outra natureza, seja lícita ou ilícita? É tributável ou não tributável?). Saber só de onde vêm os recursos não é suficiente a se estabelecer todos os aspectos da origem e para a incidência ou não incidência tributária. 15. Por exemplo, pode-se saber, num caso hipotético que um determinado valor foi depositado ou creditado por uma pessoa “A”, mas se não se souber a natureza de tal depósito, e não fosse a presunção legal de se tributar os recursos depositados de origem não conhecida, origem, no caso, concebida em acepção ampla e plena, ou seja, completa, não se poderia por exemplo, dizer se tal crédito tem natureza não tributável ou tributável, origem lícita ou ilícita etc, o que impediria a sua tributação pelo simples fato do desconhecimento de sua efetiva origem do ponto de vista de natureza, se tributável ou não, se lícita ou ilícita, o que militaria em favor dos omissos em prejuízo dos transparentes e que oferecem todos os seus recursos ao órgão público estatal responsável por distribuir a sustentação do Estado a todos os contribuintes com capacidade contributiva aptos a contribuir conforme a previsão legal, o que se constituiria numa premiação aos omissos. Fl. 873DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 16. Logo, o legislador, visando a coibir tais práticas omissivas e prejudiciais ao financiamento do Estado e da sua Administração em prol de toda sociedade, com objetivos inclusive de redistribuir riqueza e erradicar as desigualdades, conforme consta da Constituição Federal, no seu art. 3o , estabeleceu a regra de presunção legal de que quem omite a origem, compreenda-se em sentido que faça real sentido e não apenas como de onde ou quem partiu o depósito, dos recursos, está, assim, diminuindo a tributação de receitas que não quis revelar, razão pela qual tais créditos presumem-se legalmente receitas omitidas, pois se não fossem omitidas, por que então não revelar e não comprovar a natureza dos créditos? 17. Por conseguinte, ao contrário do sustentado na defesa, os créditos para os quais foram apresentados cheques não tiveram sua origem realmente identificada, mantendo-se a presunção de se tratarem de recursos tributáveis omitidos e que devem ser tributados, razão pela qual mantém-se a autuação em relação a tais créditos, além daqueles para os quais a contribuinte justificou que não apresentou comprovação em função dos bens e documentos apreendidos em operações de órgãos de polícia e fiscalização e que se encontrariam com tais órgãos, conforme a análise de tal justificativa no tópico seguinte. Alegação de documentos retidos por autoridades policiais, do Ministério Público e do Judiciário 18. Em relação aos demais valores de créditos, percebe-se que a contribuinte apenas alegou que teria solicitado às autoridades documentos que foram apreendidos e retidos, argumentando que os comprovantes se encontravam de posse das referidas autoridades, no entanto, os únicos documentos em que consta alguma solicitação de documentos a autoridades, são aqueles: 1. de fl. 200, cópia na sequência, constituindo-se de uma cópia de solicitação em nome do Sr. Lúcio Bolonha Funaro, mas não assinada, em que o mesmo supostamente solicita ao Delegado de Polícia da Delegacia Fazendária do Estado do Rio de Janeiro, cheques e cartões de crédito, no entanto, além de não se referir à empresa ALBEJ também não se refere à sua única sócia, que como informado pela fiscalização era casada em regime de separação total de bens, além do que o suposto solicitante sequer requer cópias dos documentos, já que o fornecimento dos originais somente poderiam ser fornecidos provavelmente após se encerrarem as apurações decorrentes das operações policiais e judiciais a que estava sujeito o suposto solicitante, além do que não relaciona nem estabelece conexão entre os documentos solicitados e a comprovação de origem dos créditos que foram questionados à contribuinte, pois cartão de crédito não produz prova de origem, já que sequer foram extratos de cartões de crédito que foram solicitados mas sim os próprios cartões, o que não comprova origem de nada, e talões de cheques, os quais também não comprovam origem de créditos, além de estes dizerem respeito a outras contas que não as contas- correntes da empresa, a de nº 023.003249-4 no Banco de Brasília – BRB – e a de nº 07107.533-9, agência 007 do Banco CCB Brasil S.A , apresentadas à fiscalização e de onde foram questionados créditos à contribuinte; ... 2. referidos na fl. 235, que é uma cópia de um termo de RESTITUIÇÃO DE COISAS APREENDIDAS Nº 70770-76.2016.4.01.3400, em que o chefe de secretaria da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, certifica que o requerente, o Sr. Lúcio Bolonha Funaro, requereu o cumprimento de decisão de ministro da corte suprema para entrega de documentos apreendidos e certifica também, entre outros aspectos, que foram devolvidos todos os bens apreendidos ao requerente, entre os quais não se encontram os documentos solicitados pelo requerente, e que seria procedida análise de Fl. 874DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 conteúdo dos autos de Medida Cautelar nº 65204-49.2016.4.01.3400, para se verificar a juntada de documentos naquele processo, o que deveria ocorrer no prazo de 30 dias; 3. de fls. 242 a 245, em que o Sr. Lúcio Bolonha Funaro solicita ao STF devolução de bens e documentos apreendidos, não solicitando cópias dos documentos; 4. de fl. 246, em que o mesmo Sr. Lúcio Bolonha Funaro solicita à Polícia Federal a devolução de bens e documentos que não fossem mais do interesse do processo investigativo, não tendo solicitado cópias de documentos; 5. de fls. 254 a 256, nas quais constam cópias de solicitações do Sr. Lúcio Bolonha Funaro de bens e documentos ao STF, não tendo solicitado cópias de documentos; 6. de fl. 257, que se constitui em Certidão da Polícia Civil do Rio de Janeiro informando que bens e documentos apreendidos, portanto, os originais apreendidos, encontravam-se sob procedimento de perícia; 7. de fls. 265 a 278, onde se encontra petição de devolução de bens e documentos, tais como foram apreendidos, ou seja, não se solicitando cópias dos documentos mas os próprios documentos, e decisão do STF para devolução apenas de alguns bens e documentos entregues na forma de cópias; 8. de fls. 287 a 288 e 294, que se referem a outras petições, nos casos, ao Juízo Federal da 10a Vara Federal do Distrito Federal de devolução de bens e documentos apreendidos, não sendo solicitadas cópias dos documentos apreendidos; 19. Percebe-se que a contribuinte em si e nem sua única sócia, que era casada em regime de separação total de bens com o solicitante de bens e documentos apreendidos em função operações da Polícia e demais órgãos, sequer elas próprias apresentaram solicitação, muito menos de cópias de documentos, além do que o solicitante de bens e documentos apreendidos, o cônjuge da única sócia da autuada, não comprovou que tivesse solicitado aos órgão judiciários, do Ministério Público e policiais, as cópias de documentos, sempre solicitando exatamente os documentos apreendidos, o que, por certo dificultaria a sua entrega enquanto não se encerrassem os procedimentos dos órgãos participantes na operação e do Judiciário, a exemplo de perícias. Além disso, nem sequer restou demonstrado que os documentos solicitados teriam relação com a comprovação de origem de depósitos nas contas da empresa de sua esposa. 20. Portanto, não procede a defesa de cerceamento ao direito de defesa e nem de nulidade alegados como decorrentes da indisponibilidade de documentos apreendidos, ainda mais quando se trataram de apenas 11 créditos questionados, em relação aos quais seria normal que a única sócia da empresa, e que tinha a responsabilidade total pela sua administração, já que casada em regime de separação total de bens, tivesse pleno conhecimento do que se tratava e informasse sua origem, não apenas do ponto de vista de onde vieram os recursos, mas por qual motivo e que natureza. Questão levantada de alargamento da base de cálculo para o PIS e COFINS 21. Conforme o ATO CONSTITUTIVO DE ALBEJ ADMINISTRAÇÃO DE BENS E PARTICIPAÇÕES EIRELI, fls. 328 a 331, a sua PRIMEIRA ALTERAÇÃO DE ATO CONSTITUTIVO, que não alterou o objeto da empresa, fls. 315 a 320 e cópias nas fls. 339 a 340 e também nas fls. 747 a 748, e a CONSOLIDAÇÃO DE ATO CONSTITUTIVO, fls. 320 a 322 e cópias nas fls. 340 a 343 e também nas fls. Fl. 875DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 748 a 750, além da segunda alteração contratual e consolidação, esta já de 2017, fls. 751 a 754, a empresa tinha e manteve o objeto empresarial de “administração de bens próprios e a participação em outras pessoas jurídicas, empresárias ou não”, conforme excerto abaixo de tais documentos, no caso daqueles constantes das fls. 316 e 317. ... 22. Percebe-se que a contribuinte tinha atividades de administração de bens próprios e a participação em outras pessoas jurídicas, conforme o Ato Constitutivo da empresa e suas alterações. 23. O fato da fiscalização ter se referido às receitas da contribuinte como outras receitas não se compreende, no presente voto, isso como alargamento de base de cálculo de Cofins e PIS, mas isso diz respeito apenas à forma de apuração do IRPJ pelo lucro presumido, forma de tributação essa não contestada pela contribuinte. 24. Com relação às contribuições Cofins e PIS, estas são tributadas cumulativamente pelo seu faturamento, em decorrência da tributação do IRPJ pelo lucro presumido. Os créditos bancários de origem não comprovada são considerados receitas omitidas da atividade da contribuinte, ainda que tais atividades sejam de holding de instituições não financeiras, pela administração de bens próprios e pela participação em outras pessoas jurídicas empresárias ou não, conforme como consta do objeto da contribuinte, portanto, não se tratam de alargamento das bases de cálculo da Cofins e PIS, já que as receitas tributadas pelas contribuições Cofins e PIS tratam- se de receitas omitidas decorrentes de sua atividade, conforme seu objeto, pois, muito embora sua atividade não seja operacional no sentido de operação normal de mercancia como vendas de produtos e serviços a terceiros, é operacional no sentido de ser de suas atividades, que visa a atender ao lucro derivado da administração de seus bens próprios, ou de sua participação em outras pessoas jurídicas, empresárias ou não, conforme o seu objeto no Ato Constitutivo e alterações. 25. O que caracteriza o alargamento da base de cálculo da Cofins e PIS não é se a receita é chamada de outras receitas, mas se a mesma não se encontra no conceito de faturamento advindo das atividades da contribuinte. No caso de origem não comprovada, os créditos bancários presumem-se receitas tributáveis omitidas da atividade da contribuinte, de modo que seria ônus da contribuinte comprovar efetivamente a natureza dessas receitas como diferentes de receitas tributáveis omitidas, de sorte que não tendo comprovado tal origem, as mesmas são consideradas receitas da contribuinte sujeitas à tributação do IRPJ e tributos reflexos, ou seja, o que no caso do IRPJ pelo regime de lucro presumido implica que as contribuições Cofins e PIS são tributadas cumulativamente e as receitas omitidas são consideradas integrantes de seu faturamento. Portanto, deve-se manter a tributação de tais receitas também para o PIS e Cofins, por compreender que não se tratou de, e nem houve, alargamento de base de cálculo da Cofins e PIS no caso em apreço. Decisões administrativas e judiciais citadas 26. As decisões administrativas transcritas ou citadas não modificam o presente voto, pela compreensão de que não têm efeito vinculante em sentido contrário ao decidido no mesmo, servindo apenas como referências para argumentação da defesa. ... Cogitação de aplicação o art. 112 do CTN Fl. 876DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1001-002.748 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.740826/2018-38 28. A contribuinte cogitou a aplicação do art. 112 do CTN com relação ao tratamento a ser dado aos créditos bancários, no entanto tal dispositivo não se aplica ao presente caso, por não restarem dúvidas quanto à capitulação legal dos fatos, nem quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, nem com relação à autoria, imputabilidade, ou punibilidade relativa à infração, e nem no que se refere à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, conforme os incisos do referido dispositivo. Descabida portanto, as pretensões da recorrente, inclusive, no que se refere à exclusão do montante de R$11.500,00, considerados pela recorrente como comprovados e identificados. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 877DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13855.723179/2016-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para a apresentação do Recurso Voluntário é de trinta dias, contado da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33, do Decreto nº 70.235/72. Apresentado o Recurso fora do prazo regulamentar, deve-se reconhecer a sua intempestividade e seu consequente não conhecimento.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3402-009.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão de intempestividade.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Renata da Silveira Bilhim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Renata da Silveira Bilhim, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado(a)), Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Joao Jose Schini Norbiato.
Nome do relator: RENATA DA SILVEIRA BILHIM
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para a apresentação do Recurso Voluntário é de trinta dias, contado da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33, do Decreto nº 70.235/72. Apresentado o Recurso fora do prazo regulamentar, deve-se reconhecer a sua intempestividade e seu consequente não conhecimento. Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão de intempestividade. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Renata da Silveira Bilhim, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado(a)), Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Joao Jose Schini Norbiato.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para a apresentação do Recurso Voluntário é de trinta dias, contado da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33, do Decreto nº 70.235/72. Apresentado o Recurso fora do prazo regulamentar, deve-se reconhecer a sua intempestividade e seu consequente não conhecimento. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em razão de intempestividade. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Renata da Silveira Bilhim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Renata da Silveira Bilhim, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado(a)), Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Joao Jose Schini Norbiato. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 08-41.881 (e-fls. 142-166), proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 31 79 /2 01 6- 33 Fl. 205DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.958 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723179/2016-33 A decisão recorrida possui a seguinte ementa, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 FALTA DE LIQUIDEZ NO LANÇAMENTO. NULIDADE. As causas para o reconhecimento da nulidade são somente aquelas evidenciadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), relativas à incompetência do autor do ato administrativo e ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Fosse o caso de falta de liquidez do lançamento, o resultado não seria a nulidade, mas sim a improcedência da autuação fiscal. Outrossim, como o lançamento se revelou em alinhamento com o art. 142 do CTN, não merece prosperar o pedido pela defesa formulado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2013 BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa do PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2013 BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Cofins devida nas operações realizadas no mercado interno. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013 MULTA DE OFÍCIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Tendo o § único do art. 138 do CTN estabelecido não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de procedimento de fiscalização relacionado com a infração em questão, cumpre a este órgão julgador rechaçar a tese da denúncia espontânea pela defendente arregimentada. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO IMPUTADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Os Órgãos Julgadores inseridos no organograma funcional da Administração Pública não possuem competência para apreciar temáticas voltadas para a inconstitucionalidade Fl. 206DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.958 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723179/2016-33 de lei, prerrogativa estabelecida pela Constituição Federal, de maneira exclusiva, para os membros do Poder Judiciário. Por bem retratar os fatos que gravitam em torno da presente demanda, reproduzo o relatório desenvolvido pela DRJ de Fortaleza (CE) e retratado no Acórdão nº 08-41.881, de 20/02/2008, o que passo a fazer nos seguintes termos: Versam os presentes autos sobre ação fiscal desenvolvida em desfavor do contribuinte em epígrafe, ao final do qual foram constituídos os créditos tributários a seguir quantificados (juros de mora calculados até setembro/2016): ......................................... R$ 1.304.944,52 A ação fiscal, atinente ao ano-calendário 2013, foi deflagrada mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 03/04, notificado pela via postal em 07/06/2016, fl. 11, por meio do qual a pessoa jurídica foi instada a apresentar a documentação necessária ao regular desenvolvimento dos trabalhos. O objeto da auditoria fiscal foi a divergência detectada entre as informações presentes nos DACONs e nos SPED - Contribuições pela pessoa jurídica apresentados, comparativamente com os valores dos débitos de PIS/Pasep evidenciados nas DCTFs transmitidas para a RFB. Os débitos confessados nas DCTFs e recolhidos eram menores do que aqueles constantes dos demonstrativos de apuração das contribuições sociais apresentados. A intimação para esclarecer tal fato se fez presente no acima mencionado Termo de Início de Procedimento Fiscal. Dada a inércia da pessoa jurídica, foi expedido o Termo de Intimação Fiscal nº 01, fls. __/__, cuja ciência se deu em 22/07/2016, fls. __/__, em que a autoridade fiscalizadora voltou a questionar as diferenças acima referidas. Em resposta datada de 24/08/2016, a fiscalizada reconheceu as divergências pelo fisco apontadas, alegando se tratar de mero equívoco contábil passível apenas de lançamento de ofício sem o respectivo agravamento da multa. As diferenças pela fiscalização encontradas alcançaram os seguintes resultados: Em vista disso, foram constituídos os créditos tributários adiante apresentados: Fl. 207DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.958 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723179/2016-33 Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) Fl. 208DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.958 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723179/2016-33 O Termo de Verificação Fiscal aludido nas autuações encontra-se juntado nos autos às fls. 57/62. A notificação da pessoa jurídica se deu pela via postal no dia 09/12/2016, fl. 76. Conforme verificado em Termo de Solicitação de Juntada datado de 03/01/2017, fl. 80, naquela data o contribuinte apresentou a sua impugnação, fls. 82/94. DA PRELIMINAR DE ILIQUIDEZ DO LANÇAMENTO Somente com a precisa quantificação do lançamento é que será declarada a existência do crédito tributário, apurando e definindo os limites e os alcances dos fatos geradores e conferindo validade e exigibilidade a este. A nulidade de qualquer parte do lançamento, macula o mesmo do vício de nulidade, tratando-se de um ato vinculado e obrigatório, conforme determinação legal (art. 142 do CTN). À administração compete verificar a existência do débito apontado, para, na hipótese de quaisquer irregularidades, providenciar o lançamento, nos termos do Código Tributário Nacional, bem como formalizar sua cobrança, através da respectiva notificação, conforme estabelecem as normas que regulamentam o processo administrativo. Como ao contribuinte cabe o direito à ampla defesa, a nulidade de qualquer dos tópicos integrantes do lançamento, como a Impugnante a seguir passa a esclarecer, macula o cálculo do montante do tributo devido, não tendo mais a matéria lançada se revestindo de todas as exigências do art. 142, devendo o ato administrativo ser nulo em sua totalmente. DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA E REGULARIZAÇÃO TEMPESTIVA O comparecimento espontâneo do contribuinte perante o Fisco, visando regularizar qualquer cumprimento a destempo de obrigação acessória, não deve ser objeto de responsabilização do contribuinte. E isso foi exatamente o que ocorreu no presente caso, como mencionado no Relatório pelo Auditor apresentado. O artigo 138 do Código Tributário Nacional é expresso quanto ao que está tentando buscar aqui explicitar. Quanto ao recolhimento ou não de Tributos, sendo ou não o caso em questão, o Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula 360, já nos idos de 2008 pacificou o entendimento que o instituto acima mencionado não se aplica a tributos sujeitos a lançamento por homologação. Antes que equivocadamente se diga que não se aplica ao presente caso concreto, não estamos aqui, falando de tributos, mas sim de penalidade pecuniária acessória, MULTA. O próprio ente que está exigindo tão pesada multa pela infração suprida pelo comparecimento espontâneo da ora Impugnante, Receita Federal do Brasil, excluiu a Fl. 209DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.958 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723179/2016-33 possibilidade da lavratura do Auto de Infração no presente caso, por meio do Artigo 472 da Instrução Normativa no. 971, de 13 de novembro de 2009. Acredita a contribuinte, ora impugnante, que a questão é absolutamente literal e prevista na legislação e não consegue compreender a razão de estar sofrendo a cobrança da multa objeto da Notificação de Lançamento que está na presente tentando atacar. O lançamento originário do presente é nulo de pleno direito. DA EXCLUSÃO DO ICMS DAS BASES DE CÁLCULO DO PIS/COFINS As contribuições sociais para o PIS/Pasep e a COFINS, destinadas a financiar a Seguridade Social, tem supedâneo no artigo 195, inciso I da Constituição Federal. Posteriormente foi editada a Emenda Constitucional n.° 20, de 15 de dezembro de 1998, que deu nova redação ao artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, para ampliar as hipóteses de incidência das contribuições sociais nela definidas. Seja na dicção original do artigo 195, inciso I, seja com a redação dada pela Emenda Constitucional n.° 20/1998, em momento algum a Constituição Federal autorizou a cobrança das contribuições sociais ali previstas sobre o montante de tributos destinados a outros entes da federação (Estados e Distrito Federal) incidente sobre o mesmo fato gerador. Isto porque o ICMS não integra os conceitos de faturamento nem de receita descritos no artigo 195, inciso I, "b", da CF/88, pois constitui receita dos Estados e do Distrito Federal, não sendo lícito agregar seu valor à base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS com a única finalidade de majorar o valor das referidas contribuições. Os valores do ICMS, não obstante circulem pelos livros contábeis da Impetrante, são direcionados aos cofres públicos, não representando riqueza própria da contribuinte, logo não podem ser considerados como receita ou faturamento. Tanto assim que ao julgar o Recurso Extraordinário n.° 240.785-2 o Supremo Tribunal Federal excluiu o montante de ICMS da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, pois trata-se de valor destinado aos Estados. Além disso, merece considerar que a exigência de inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS importa também na inobservância ao princípio da capacidade contributiva inscrito no artigo 145, § 1°, da CF. Se o 1CMS não integra o patrimônio do contribuinte, mas dos Estados ou o Distrito Federal para quem é destinado, não pode ser tido como sinal de riqueza para incidência de tributos sobre a receita ou faturamento do contribuinte, sob pena de caracterizar exigência tributária sobre receita de terceiros, por isso desproporcional à capacidade contributiva do sujeito passivo. Além disso, no momento em que a legislação infraconstitucional (Leis n.'s 9.718/98; 10.637/02; e 10.833/03) exorbita da hipótese legal contemplada na Constituição Federal para incidência da contribuição social (art. 195, I, "a"), alargando a base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS para além da receita ou do faturamento do sujeito passivo, viola a sua capacidade contributiva, assumindo o efeito confiscatório vedado pelo artigo 150, inciso IV. A inclusão do ICMS na apuração do PIS/Pasep e da COFINS implica na aceitação de uma base de cálculo mais ampla do que o fato jurídico tributário que ensejou a tributação, ou seja, na exigência de tributo sobre signo presuntivo de riqueza do Estado, e não do contribuinte, o que não se afina com as regras inseridas nos artigos Fl. 210DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.958 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723179/2016-33 150, inciso IV e 145, § 1° da Constituição Federal importando em evidente agressão às normas veiculadas por estes dispositivos constitucionais. Por derradeiro, também resta ofendido o Princípio da lsonomia tributária inserido no artigo 150, inciso II, da CF/88, vez que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS discrimina os sujeitos passivos da obrigação tributária pela única razão de serem ou não contribuintes da exação destinada aos Estados e ao Distrito Federal. Também implica tratamento desigual entre sujeitos passivos de obrigação tributária que se encontram na mesma situação jurídica, vez que os contribuintes arcarão com maior ou menor encargo tributário conforme forem ou não sujeitos ao pagamento do ICMS, o que importa em odiosa discriminação, que a carta política não permite. Por tudo isso, pode-se concluir que a inclusão do ICMS na base do PIS/Pasep e da COFINS, para além de ofender frontalmente a regra inserida no art. 195, I, "a", da CF, vulnera também, por via obliqua, os princípios da capacidade contributiva (art. 145, § 1°), da vedação ao confisco (art. 150, IV) e da isonomia tributária (art. 150, II), sendo assim incompatível com o sistema tributário nacional. Amparando a tese produzida pela pessoa jurídica contestante, foram apresentadas as doutrinas de José Souto Maior Borges, Geraldo Ataliba, Paulo de Barros Carvalho, Alfredo Augusto Becker, Marco Aurélio Grecco e Misabel Machado Derzi. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA A multa aplicada à base de 75% (setenta e cinco por cento) configura um verdadeiro abuso do poder fiscal, na exata medida em que seu montante é excessivo e despropositado. Desse modo, a norma insculpida no artigo 150, IV, da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco está sendo desrespeitada, cabendo, portanto, tanto aos Tribunais Administrativos como aos Judiciais coibir as multas exigidas de feitio confiscatório. Importante ressaltar ser mansa e pacífica a jurisprudência do STF no sentido de coibir as multas excessivas aplicadas pelo fisco, como são exemplos o que foi decidido nos Recursos Extraordinários de nºs 82.510-SP, 78.291-SP e 80.093-SP. Amparando o entendimento supra apresentado, a doutrina de Aliomar Baleeiro. A Impugnante, cumpridora dos seus deveres para com o fisco, ressalta estar plenamente imbuída da consciência cívica e política a que alude o ilustre Professor, porém, no estrito cumprimento de seus deveres, não pode concordar de forma alguma, com a cobrança de multa excessiva e confiscatória a base de 75% do valor principal, pois tal fato não é condizente com a realidade democrática pela qual atravessa o país e, que vai de encontro aos ditames constitucionais. Cumpre ressaltar, também, que com o advento do Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, de 1990, o Governo Federal determinou que as multas não podem ser cobradas acima do percentual de 2% sobre o valor do débito (art. 52, § 1°). Tal fato fere o princípio da moralidade administrativa, constitucionalmente consagrado. Por todo o acima exposto, requer a impugnante seja acatada a presente defesa, com a consequente ANULAÇÃO do presente Auto de Infração, ou caso V.Sa. assim não entenda, o que se aventa sem se admitir, seja declarado improcedente, com a revisão dos valores e com a redução do valor da multa, como medida de pleno direito e de inteira Justiça. Fl. 211DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.958 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723179/2016-33 O Contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância, por meio de sua Caixa Postal, em 08/03/2018, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 178, apresentando o Recurso Voluntário de fls. 183-197, na data de 05/07/2018, conforme termo de juntada de fls. 182, pugnando pelo provimento do recurso e o cancelando da exigência fiscal. Em síntese, em razões de recurso foram apresentadas com os mesmos fundamentos da peça de impugnação, já relatada. É o relatório. Voto Conselheiro Renata da Silveira Bilhim, Relator. 1. Pressupostos legais de admissibilidade A Recorrente foi intimada do acórdão nº 08-41.881 (e-fls. 142-166), proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, por meio de sua Caixa Postal, em 08/03/2018, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 178. Referido Termo atesta a ciência nos seguintes termos: TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, ciência esta realizada por seu procurador 560.932.339-87 - MARLI TEREZINHA RIBEIRO, na data de 08/03/2018 14:24:22, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Data do registro do documento na Caixa Postal: 01/03/2018 12:02:26 Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento Demonstrativos de Débitos do Processo Darf DATA DE EMISSÃO : 09/03/2018 (Grifou-se) Em 05/07/2018, a Recorrente, solicitou a juntada de Recurso Voluntário, de fls. 183-197, onde afirma sua tempestividade, alegando que tomou ciência do acórdão recorrido apenas em 13/06/2018, através de acesso ao Processo Digital acima, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e-CAC), conforme fl. 184. Confira o seguinte trecho: I – DA TEMPESTIVIDADE De início, cumpre esclarecer que a Recorrente teve ciência do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza-CE, em 13/06/2018 (quarta-feira), através de acesso ao Processo Digital acima, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e-CAC). Considerando-se que o prazo de 30 dias Fl. 212DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.958 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723179/2016-33 para apresentação de Recurso Voluntário ao Acórdão proferido encerra-se, apenas, no trigésimo dia útil, iniciando-se o cômputo do prazo em 14/06/2018 (quinta-feira), conforme o art. 50, parágrafo único, do Decreto n° 70.235/72, o prazo para protocolo deste Recurso se encerra no próximo dia 13/07/2018 (sexta-feira), demonstrando-se, assim, a tempestividade deste Recurso. Analisando os autos do processo, verifiquei que a Recorrente foi efetivamente intimada do acórdão de primeira instância em 08/03/2018 (quinta-feira), conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 178, iniciando-se a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação do recurso voluntário, a que alude o art. 33, do Decreto nº 70.235/72, em 09/03/2018 (sexta), findando-se em 07/04/2018 (sábado), prorrogando-se para o próximo dia útil seguinte, em 09/04/2018. Portanto, apresentado o Recurso Voluntário em 05/07/2018 é imperioso reconhecer a sua intempestividade. Nada obstante, averiguei que, em 13/06/2018, a Recorrente consultou o sistema do e-CAC, conforme Termo de Abertura de Documento, abaixo transcrito, fl. 179: TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 13/06/2018 15:46h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e-CAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos, os quais já se encontravam disponibilizados desde 01/03/2018 na Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico. Acórdão de Impugnação Darf Intimação de Resultado de Julgamento Demonstrativos de Débitos do Processo Contribuinte: 02.907.432/0001-06 VISA CLEAN PORTARIA E HIGIENIZACAO LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 13/06/2018 Como se vê, tal Termo não atesta a ciência do acórdão de primeira instância, mas somente a abertura de documentos, motivo pela qual não há que se cogitar que a data de uma simples consulta tenha o condão de iniciar ou de reiniciar a fluência do prazo para apresentação de recurso. Posto isso, não conheço do Recurso Voluntário da Recorrente, tendo em vista sua intempestividade. 2. Dispositivo Ante o exposto, não conheço o Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 213DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.958 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13855.723179/2016-33 Renata da Silveira Bilhim Fl. 214DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13736.000090/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO NOS TERMOS DA LEI 8.852/1994 NÃO CONFIGURA HIPÓTESE DE ISENÇÃO OU NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 68.
A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO NOS TERMOS DA LEI 8.852/1994 NÃO CONFIGURA HIPÓTESE DE ISENÇÃO OU NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 68. A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 00 90 /2 00 8- 41 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.04 e ss.), referente ao exercício 2005, anocalendário de 2004, em razão de suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Impugnou o lançamento (fls. 1 e ss) arguindo que o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 enumera hipóteses que excluiriam os rendimentos em questão (adicional por tempo de serviço e compensação orgânica pagas a servidor federal militar) do campo de incidência do imposto de renda Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/RJOII, em sessão realizada no dia 10/07/2008, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que a invocada Lei 8.852/94 não versa sobre matéria tributária, não contendo norma de isenção ou não incidência de imposto de renda; que a Lei 7.713/88 dispõe que o imposto incide sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos; que as hipóteses de exclusão de certas verbas do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda, estão previstas no RIR/99, artigo 39, não alcançando a situação do contribuinte ora em tela; que as normas contidas na Lei 8.852/94 destinamse à finalidade específica da lei em questão e não a regrar a matéria tributária. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 33, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 34, atacando a decisão exarada pela DRJ e repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, a omissão de rendimentos imputada ao recorrente. A questão contida nos presentes autos é de simples desenlace. A Medida Provisória n.2.21510 de 31 de agosto de 2001, em seu artigo 3º expressamente dispõe que tanto o adicional por tempo de serviço como o adicional por compensação orgânica são parcelas remuneratórias pagas ao servidor militar, não havendo em vigor qualquer disposição outra que determine a isenção ou a não incidência no caso sob exame. De fato, como bem o expõe a DRJ em seu acórdão, a Lei 8.852/94 estabelece definições que visam tão somente, como expressamente contém a referida lei, regrar a incidência dos tetos remuneratórios constantes do artigo 37, XI e XII, da CRFB, em nada obrando em matéria tributária ou para qualquer fim diverso do antes mencionado. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13736.000090/200841 Acórdão n.º 2802002.219 S2TE02 Fl. 40 3 Outrossim, com bem pontuou em sessão o Presidente desta Segunda Turma Especial, Dr. Jorge Cláudio Duarte Cardoso, o imposto de renda é regido pelo princípio da universalidade e a tributação independe da denominação dos rendimentos e a matéria em exame submetese à Súmula CARF nº 68. “ Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Desta forma, voto por negar provimento ao recurso, mantendose o lançamento. É como voto . (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003146/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Dec 19 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 1994, 1995
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR.
Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Nega-se provimento a recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte contestando o indeferimento da restituição pleiteada, quando o suposto pagamento indevido não for comprovado por meio de documentação hábil.
Numero da decisão: 2402-010.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado) e Vinícius Mauro Trevisan.
Nome do relator: Francisco Ibiapino Luz
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RECURSO VOLUNTÁRIO. NOVAS RAZÕES DE DEFESA. AUSÊNCIA. FUNDAMENTO DO VOTO. DECISÃO DE ORIGEM. FACULDADE DO RELATOR. Quando as partes não inovam em suas razões de defesa, o relator tem a faculdade de adotar as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. Nega-se provimento a recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte contestando o indeferimento da restituição pleiteada, quando o suposto pagamento indevido não for comprovado por meio de documentação hábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny (suplente convocado) e Vinícius Mauro Trevisan. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte com a pretensão de revisar despacho decisório que deferiu parcialmente pedido de restituição do IRRF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 31 46 /2 00 7- 11 Fl. 134DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.918 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.003146/2007-11 Auto de Infração e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto excertos do relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 07-21.905 - proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis - DRJ/FNS - transcritos a seguir (processo digital, fls. 113 a 116): O presente processo originou-se do Pedido de Restituição de fl. 1, por meio do qual o contribuinte pleiteou a devolução do indébito no valor atualizado de R$ 51.848,62, acrescido dos juros SELIC até agosto/2007, referente aos anos-calendário de 1993 e 1994, o qual é referente ao imposto de renda incidente sobre férias e licença-prêmio, reconhecido por decisão judicial. O Chefe da Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal em Itajai/SC, apreciando o pleito do interessado à vista dos documentos apresentados e com base no Parecer da fiscalização e seus anexos (fls. 60/72), proferiu o Despacho Decisório de fl. 73, que defere parcialmente o pedido no valor atualizado de R$ 48.507,94, em junho/2008. No Parecer, o auditor-fiscal relata que, conforme a decisão transitada em julgado na Ação Ordinária n°. 2003.70.00.056607-2, da l a. Vara Federal de Curitiba/PR, a União foi condenada a restituir ao autor, por meio de Declaração de Ajuste Anual, o que resultou neste processo de restituição, o IRRF incidente sobre férias vencidas e licenças- prêmio não gozadas e indenizadas, conversão de abono pecuniário em férias e abono assiduidade pago em pecúnia. Assim, tais verbas foram apuradas e excluídas dos rendimentos tributáveis constantes das Declarações de Ajuste Anual, dos citados anos-calendário, obtidas nos sistemas IRPF/CONS, as quais foram recalculadas, apurando-se os valores originais dos indébitos, conforme planilhas juntadas as fls. 60/64. Para o ano-calendário de 1993, o valor originário a ser restituído é o mesmo requerido pelo contribuinte — R$ 4.597,27, atualizado pela UFIR em 01/01/1996. Já para o ano-calendário de 1994, o auditor-fiscal relata que houve divergência entre as verbas indenizat6rias apuradas pela RFB e pelo contribuinte. O requerente considerou como verba indenizatória a quantidade de 52.968,68 UFIR no ano, isto em decorrência de que errou ao considerar indenizatória 52.132,42 UFIR no mês de junho/1994, que nada mais é que a antiga base de cálculo total do IRRF do referido mês, após excluir a dedução de 200,00, a titulo de dependente. Disto resulta que a verba "Abono Prov. Aposentadoria C/IR" paga naquele mês, no valor de 7.518,06 UFIR, foi também considerada como indenizatória nos cálculos atuais do contribuinte. Isto posto, a auditoria refez os cálculos das verbas indenizatórias e, ao se considerar as conversões URV/CR$ (pelo valor da URV do dia 1°) e reconversão para UFIR pelo valor do dia 10 (declaração de ajuste anual), conforme o Anexo I (fl. 60), chegou a quantidade de 45.650,62 UFIR a ser excluída da base de calculo, no ano-calendário de 1994, o que resulta na diferença a restituir de 10.062,96 UFIR em 01/01/1996 e não no valor pretendido pelo contribuinte (11.676,11 UFIR em 01/01/96). O contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade (fls. 87/88), na qual relata sobre o resultado da ação judicial e, ao final, argui que os seus cálculos foram efetuados em consonância com a sentença que determinou a restituição dos valores indevidamente retidos. Requer a revisão do despacho decisório para que se aperfeiçoe o comando judicial. (Destaques no original) Julgamento de Primeira Instância A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Fl. 135DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.918 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.003146/2007-11 Impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido, cuja ementa transcrevemos (processo digital, fls. 113 a 116): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1993 e 1994 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF if 1.364, de 10 de novembro de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (Destaques no original) Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, basicamente repisando os argumentando apresentados na impugnação, nada acrescentando de relevante para a solução da presente controvérsia (processo digital, fls. 121 a 127). Contrarrazões ao recurso voluntário Não apresentadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 10/12/2010 (processo digital, fl. 118), e a peça recursal foi interposta em 23/12/2010 (processo digital, fl. 121), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Mérito Fundamentos da decisão de origem Por oportuno, vale registrar que os §§ 1º e 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017, facultam o relator fundamentar seu voto mediante transcrição da decisão recorrida, quando o recorrente não inovar em suas razões recursais, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa Fl. 136DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.918 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.003146/2007-11 perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Nessa perspectiva, quanto às questões levantadas no recurso, o Recorrente basicamente reiterou os termos da impugnação, nada acrescentando que pudesse alterar o julgamento a quo. Logo, tendo em vista minha concordância com os fundamentos do Colegiado de origem e amparado no reportado preceito regimental, adoto as razões de decidir constantes no voto condutor do respectivo acórdão, nestes termos: [...] Inicialmente cumpre deixar claro que o Despacho Decisório não violou o direito do contribuinte, reconhecido através da decisão judicial proferida nos autos da Ação Ordinária n°. 2003.70.00.056607-2, da l a. Vara Federal de Curitiba/PR, na qual a União foi condenada a restituir ao autor o IRRF incidente sobre férias vencidas e licenças-prêmio não gozadas e indenizadas, conversão de abono pecuniário em férias e abono assiduidade pago em pecúnia a partir de janeiro/1993, corrigidos pela UFIR e pela SELIC, observando as implicações decorrentes nas declarações de ajuste anual e sem o reconhecimento da ocorrência da prescrição. Todavia, a sentença restou ilíquida, devendo a parte autora proceder mediante retificação da declaração de ajuste anual, afastada a restituição via precatório, nos termos da fundamentação. Trata-se, portanto, de processo de restituição autorizada judicialmente, cujos cálculos devem se submeter As regras normais da declaração de ajuste e segundo a legislação aplicável da RFB. Isto posto, verifico que existe apenas uma situação conflitante, relativa ao ano- calendário de 1994, entre o cálculo apresentado pelo contribuinte, As fls. 05/06, e o procedido pelo Fisco, as fls. 60/63, que é a consideração da verba "Abono Prov. Aposentadoria C/IR" paga no mês de junho/1994, no valor de 7.518,06 UFIR, como indenizatória. No cálculo do contribuinte, fl. 06, toda a base de cálculo do contracheque do mês de junho de 1994 — CR$ 55.680.554,85 (52.132,42 UFIR ou 29.172,28 URV), considerada indevidamente a dedução de dependente, foi considerada não tributável, sendo CR$ 36.300.494,00 de Licença-Prêmio e CR$ 19.380.060,85 como férias. Entretanto, observando-se a Folha Individual de Pagamentos (if 13), observa-se que lhe foram pagas as seguintes verbas, no total bruto de 29.284,20 em URV, o que corresponde ao valor de CR$ 55.894.166,86 ou 52.332,42 /UFIR: - Abono Prov. Aposent. C / IR: 4.206,96 - LP — Cony. Esp-Após/EX/DEM/FAL: 8.000,00 - LP — Cony. Esp-Após/EX/DEM/FAL: 7.656,55 - Férias — Conversão em Espécie: 5.420,69 - Férias — Conversão em Espécie: 4.000,00 E na DIRF da fonte pagadora consta como rendimento bruto o valor total de 52.332,42 UFIR, com a dedução de 200,00. Isto posto, estão corretos os cálculos efetuados pela fiscalização, As fls. 60/63, que excluiu da base de cálculo de junho de 1994, somente o montante de 25.077,24 URV, ou CR$ 47.864.426,44 (URV do dia 10 - 1.908,68), que corresponde a 44.814,36 UFIR (UFIR do dia 10 - 1.068,06), referente As quatro verbas correspondente As férias e licença prêmio pagas em pecúnia, que somadas As demais verbas excluídas em fevereiro/1994, totaliza 45.650,62 UFIR como rendimentos excluídos na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 1994, conforme Anexo II (fl. 63). Fl. 137DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.918 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.003146/2007-11 E não há nenhuma autorização legal ou judicial para também excluir a verba "Abono Prov. Aposent. C / IR", paga no valor de 4.206,96 URV, em junho/1994, do montante tributável para fins de imposto de renda, como pretendeu o contribuinte. A propósito, o PARECER SARAC/DRF/ITJ N.° 111/2008, de 10/7/2008, muito bem contextualiza as ocorrências ora analisadas, elucidando as divergências atinentes ao ano- calendário de 1994, conforme excertos dele transcritos (processo digital, fls. 73 a 79): Conforme decisão transitada em julgado na ação ordinária n°. 2003.70.00.056607-2/PR, que resultou no processo administrativo de restituição de IRPF ora analisado, conclui- se, em síntese, que o pedido judicial do autor foi julgado parcialmente procedente, tendo direito à dedução, da base de cálculo do IRPF, das quantias indevidamente recolhidas a partir de janeiro de 1993 sobre as férias vencidas e licenças-prêmio não gozadas e indenizadas, conversão do abono pecuniário de férias e abono assiduidade pago em pecúnia, devendo valer-se, para tanto, dos mecanismos próprios da legislação do IRPF. Determinado judicialmente que a restituição se dê por meio da declaração de ajuste anual do IRPF, afastando-se a repetição através de precatório. Atualização monetária dos valores indevidamente recolhidos pela UFIR (até 12/1995) e pela taxa SELIC (a partir de 01/1996), em conformidade com a Súmula 162 do STJ (desde a data do pagamento indevido do tributo). [...] “o contribuinte elaborou as "minutas" das declarações retificadoras anos- calendário 1993 e 1994, representadas pelos demonstrativos de fls. 03/06. Os valores foram recalculados considerando a base de cálculo anual para o IRPF”. Para fins de apuração do indébito a ser restituído procedemos à elaboração dos seguintes relatórios: Verbas de Caráter Indenizatório e Demonstrativo de Pagamentos - Base de Cálculo e Apuração do IRRF junho/1994 (Anexo l). Docs. fls. 60/61; Demonstrativos de Revisão da Base de Cálculo Apuração de Indébito de IRPF - anos-calendário 1993 e 1994 (Anexo II). Docs. fls. 62/63; Demonstrativo Resumo de Apuração de Indébito de IRPF - anos-calendário 1993 e 1994 (Anexo Ill). Doc. fl. 64; Demonstrativo de Indébitos por ano-calendário, atualizados para 31/08/2007. Doc. fl. 65; e Demonstrativo de Indébitos por ano-calendário, atualizados para 09/07/2008. Doc. fl. 66. As verbas de caráter indenizatório (Anexo I) foram apuradas com base nos "espelhos" demonstrativos de pagamentos (fls. 07/13). [...] Houve divergências entre as verbas indenizatórias apuradas pela RFB e o contribuinte para o ano-calendário 1994 (Anexo I - fls. 60/61). [...] Adotamos as bases de cálculo das DIRPFs dos anos-calendário 1993 e 1994, informações do sistema IRPF/CONS, tendo como única finalidade a restituição deferida judicialmente, para fins de exclusão das verbas consideradas indenizatórias e o processamento do resultado das declarações de ajuste anual determinado. Com base nos valores declarados nas DIRPFs anos-calendário 1993 e 1994, informações do sistema IRPF/CONS, com base nos valores declarados em DIRF pelas fontes pagadoras, com base nas verbas de caráter indenizatório constantes no Anexo I e com base nos demais documentos constantes no processo recalculamos os pedidos separadamente, DIRPFs relativas aos anos-calendário 1993 e 1994, apurando-se os valores originais dos indébitos do IRPF. Fl. 138DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.918 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.003146/2007-11 [...] ANO-CALENDÁRIO 1994 (fl. 63) O requerente considerou como verbas indenizatórias no mês de junho-1994 52.132,42 UFIR (fl. 06), que nada mais é do que a própria base de cálculo do IRRF no mês, considerando-se apenas as deduções a titulo de dependentes de 200 UFIR. Podemos visualizar estes valores na DIRF entregue pelo responsável tributário (fl. 52). A verba "Abono Prov. Aposent. c/ IR" foi considerada indenizat6ria nos cálculos do contribuinte (fl. 13). (Destaquei) Para o mês de junho de 1994 o demonstrativo de pagamentos foi elaborado em URV (fl. 13). O responsável tributário confeccionou o demonstrativo de pagamentos e a DIRF considerando a conversão do rendimento bruto pela UFIR mensal e a conversão do IRRF pela UFIR diária, segundo a legislação em vigor à época. No Anexo I está demonstrada a base de cálculo e apuração do IRRF do mês de junho de 1994, considerando-se as conversões/reconversões URV/CR$/UFIR. A conversão das verbas indenizatórias (rendimentos) de URV para CR$ (pela URV do dia 1°) e a reconversão para UFIR pelo valor do dia 1º. (declaração de ajuste anual). Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao recurso interposto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 139DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000585/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
ARBITRAMENTO. RAZOABILIDADE DO CRITÉRIO ADOTADO.
Não se pode confundir lançamento por arbitramento, com lançamento arbitrário. O lançamento arbitrário é aquele que foge ao razoável, sendo desproporcional. No presente caso, o lançamento respeitou os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e foi baseado em elementos próximos da realidade. O comportamento da fiscalização está perfeitamente compatível com o disposto no art. 33, parágrafo 3° da Lei n° 8.212 de 1991, bem como no art. 148 do CTN.
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
ERRO DE CÁLCULO OU DE APURAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DO FATO.
A alegação de erro de cálculo ou de apuração deve ser específica, sendo o fato objetivamente demonstrado, sob pena de se tornar genérica a alegação, insuscetível, portanto, de ser verificada.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-010.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. ARBITRAMENTO. RAZOABILIDADE DO CRITÉRIO ADOTADO. Não se pode confundir lançamento por arbitramento, com lançamento arbitrário. O lançamento arbitrário é aquele que foge ao razoável, sendo desproporcional. No presente caso, o lançamento respeitou os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e foi baseado em elementos próximos da realidade. O comportamento da fiscalização está perfeitamente compatível com o disposto no art. 33, parágrafo 3° da Lei n° 8.212 de 1991, bem como no art. 148 do CTN. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. ERRO DE CÁLCULO OU DE APURAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DO FATO. A alegação de erro de cálculo ou de apuração deve ser específica, sendo o fato objetivamente demonstrado, sob pena de se tornar genérica a alegação, insuscetível, portanto, de ser verificada. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. ARBITRAMENTO. RAZOABILIDADE DO CRITÉRIO ADOTADO. Não se pode confundir lançamento por arbitramento, com lançamento arbitrário. O lançamento arbitrário é aquele que foge ao razoável, sendo desproporcional. No presente caso, o lançamento respeitou os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e foi baseado em elementos próximos da realidade. O comportamento da fiscalização está perfeitamente compatível com o disposto no art. 33, parágrafo 3° da Lei n° 8.212 de 1991, bem como no art. 148 do CTN. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. ERRO DE CÁLCULO OU DE APURAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DO FATO. A alegação de erro de cálculo ou de apuração deve ser específica, sendo o fato objetivamente demonstrado, sob pena de se tornar genérica a alegação, insuscetível, portanto, de ser verificada. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 05 85 /2 00 8- 36 Fl. 209DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (e-fls. 111 e ss). Pois bem. Trata o presente do Auto de Infração - AIOP DEBCAD n° 37.205.497- 8, lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, de acordo com fls. iniciais e Relatório Fiscal - REFISC de fls. 63/73, referente à contribuição, à cargo da empresa, exclusivamente destinada a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). Segue abaixo a síntese do disposto no REFISC: Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal — MPF no 02.1.01.00- 2008-00021-4, foi emitido o Termo de Início de Ação Fiscal — TIAF, com ciência pessoal do contribuinte em 31/10/2007, às fls. 73 e 74 do processo AI DEBCAD 37.205.498-6, assinado pelo Sr. José Ivan Coutinho — procurador e empregado da empresa designado para atender a Fiscalização. A procuração consta as fls. 140 do processo do citado processo. No decorrer do Procedimento Fiscal foram emitidos os seguintes termos: Fl. 210DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 a. Termos fiscais solicitando livros, documento e esclarecimentos, com ciência do contribuinte em 30/11/2007; 19/02/2008; 11/03/2008; 28/05/2008; 1°/08/2008; 03/10/2008; 31/10/2008 e 11/12/2008, as fls. 75 a 91 do processo AI DEBCAD 37.205.498-6. b. Termos de devolução de livros e documentos de números 01 a 06, com ciência do contribuinte em 25/02/2008; 25/03/2008; 16/04/2008; 07/07/2008; 27/11/2008 e 11/12/2008, as fls. 92 a 99, do citado processo. A empresa atua no ramo de construção civil, executando obras de urbanização - ruas, praças e calçadas, além de trechos de rodovias, canalização, drenagens e outros serviços afins. Enquadra-se no Fundo de Previdência e Assistência Social _ FPAS 507, com as seguintes alíquotas de contribuição: Salário Educação (2,5%), INCRA (0,2%), SENAI (1,0%), SESI (1,5%), SEBRAE (0,6%). No Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF, as fls. 73 e 74, do processo AI DEBCAD 37.205.498-6, foram solicitados, entre outros, o livro diário; livro razão; livro caixa e registro de inventário; além das folhas de pagamento de todos os segurados. O contribuinte não atendeu a intimação, sendo reintimado a apresentar os referidos livros e documentos nas seguintes datas: 30/11/2007; 19/02/2008; 28/05/2008; 10/08/2008 e 31/10/2008. Foi encaminhado Ofício número DRF/BEL 4.382/2007, de 14 de dezembro de 2007 a Junta Comercial do Estado do Para — JUCEPA, as fls. 146, do processo AI DEBCAD 37.205.498-6, solicitando informar todas as ocorrências de registros de livros comerciais da empresa em tela. Em resposta, a JUCEPA relacionou três livros Diário pertencentes a Empresa KC EMPREENDIMENTOS ASSOCIADOS LTDA, conforme Ofício 0168/2008 — SOE e anexo, às fls. 147 e 148, do citado processo. Mesmo tendo citado os números de ordem e de registro dos livros no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, ainda assim o contribuinte não os disponibilizou para a Fiscalização. Tampouco disponibilizou o livro caixa. No que se refere as folhas de pagamento, a empresa apresentou uma documentação incompleta e deficiente, que não abrangeu todo o período fiscalizado e nem todos os Tomadores de Serviços. No Termo de Devolução de Livros e Documentos, as fls. 92 e 93, do processo AI DEBCAD 37.205.498-6, pode-se observar nos itens 4, 5 e 6 — Folhas de pagamento a observação: "Documentação Incompleta". Por outro lado, a Fiscalização também solicitou ao contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 003, as fls. 89, do processo AI DEBCAD 37.205.498-6, que informasse a quais Tomadores de Serviços (obras de construção civil — Matrículas CEI) estão vinculados os segurados empregados informados na RAIS - Relação Anual de Informações Sociais, relativas aos anos de 2003, 2004 e 2005. A empresa também não atendeu a essa intimação fiscal. De acordo com o disposto na Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 31, § 5º, o cedente de mão-de-obra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. Desse modo, a informação requerida pela Fiscalização — a obra de construção civil a que estão vinculados os segurados empregados, deveria já estar disponível na empresa, pois se trata de obrigação prevista em lei. A falta de apresentação da escrituração contábil - livros diário e razão ou livro caixa e a apresentação deficiente das folhas de pagamento inviabilizaram o lançamento fiscal da remuneração de segurados empregados de acordo com os parâmetros usuais, obrigando a utilizar Fl. 211DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 o critério alternativo de arbitramento, previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33 §§ 30, 4 0 e 6°. Por outro lado, a sonegação das informações requeridas, relativas aos vínculos dos segurados empregados com o Tomador de Serviços, também trouxe prejuízo para o Procedimento Fiscal, pois inviabilizou o lançamento dos fatos geradores de contribuição previdenciária segregados por Matrícula CEI do contribuinte. Pelas razões aqui expostas, o lançamento fiscal da remuneração de segurados empregados foi efetuado com base na RAIS, obtida por intermédio dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil — Sistema CNISA. Não foi possível, entretanto, conforme já mencionado acima, a segregação do lançamento fiscal por estabelecimento e matrícula CEI. Todos os fatos geradores tiveram que ser agrupados no CNPJ da Matriz. Da mesma forma, as GPS e os créditos do contribuinte decorrentes de parcelamento foram também agrupados no CNPJ da Matriz. No decorrer do procedimento fiscal foram analisados os seguintes documentos: Contrato social e alterações; GFIP's e GPS; Relação Anual de Informações Sociais — RAIS; Notas fiscais de prestação de serviços, com o escopo de efetuar o lançamento fiscal da remuneração por aferição indireta, de acordo com o disposto na Instrução Normativa MPS/SRP N° 3, de 14 de julho de 2005, art. 605. A empresa, contudo, apresentou de forma deficiente as notas fiscais de prestação de serviços relativas à execução de obras de construção civil, as quais foram requeridas por intermédio dos termos fiscais cuja ciência do contribuinte deu-se em 19/02/2008; 11/03/2008 e 01/08/2008. Foram omitidas principalmente as notas fiscais com emissão nos Estados de Minas Gerais e de Rondônia. Dessa forma ficou frustrada a possibilidade de lançamento fiscal por aferição indireta por essa modalidade. Com o objetivo de apurar o valor das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, foram elaborados os seguintes levantamentos: a. Levantamentos fiscais: FPAS LEVANTAMENTO DECLARAÇÃO EM GFIP 507 FP – Folha de Pagamento – RAIS Parcela da remuneração de segurados empregados constantes da RAIS em valor superior ao declarado em GFIP. Consideradas as GFIP’s entregues antes do início do procedimento fiscal. 507 FP1 – Folha de Pagamento Acréscimo da remuneração de segurados empregados declarado em GFIP após o início do procedimento fiscal. b. Rubricas adotadas nos levantamentos fiscais: CÓDIGO DA RUBRICA DESCRIÇÃO SC Valor da parcela de remuneração dos segurados empregados superior ao declarado em GFIP – t a base imponível para o cálculo da contribuição previdenciária de 20% (patronal) + 3% (SAT/RAT). Foi constatado que o valor da massa salarial informada pelo contribuinte por intermédio da RAIS é superior ao valor do salário de contribuição informado em GFIP. A relação completa, contendo o NIT e o nome dos segurados empregados, além do valor da remuneração, por competência, encontra-se no Anexo 1, às fls. 149 a 317 do processo AI DEBCAD 37.205.498-6. Fl. 212DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 No Procedimento Fiscal foram computados, a favor do contribuinte, além das UPS constantes dos sistemas informatizados da RFB, também quatro processos de parcelamento em nome do mesmo, conforme documentos às fls. 357 a 446 do processo AI DEBCAD 37.205.498-6. No presente Auto de Infração foram considerados somente os valores relativos à contribuição da empresa e SAT/RAT. Pelas razões já explanadas, as UPS recolhidas com identificador de Matrícula CEI foram transferidas para o CNPJ da Matriz. Da mesma forma, as GPS com Códigos de Recolhimento 2208, 2402 e 2216, tiveram os seus códigos alterados para possibilitar a apropriação das mesmas nos levantamentos fiscais. Para tanto foram preparadas as planilhas "De: — Para:" correspondentes, conforme Anexos II e III, às fls. 318 a 356 do processo AI DEBCAD 37.205.498-6. Conforme Termo de Intimação Fiscal n° 04, às fls. 91, o contribuinte foi informado de que a massa salarial declarada na RATS é superior ao salário de contribuição declarado em GFIP. Recebeu um anexo com a relação dos segurados empregados omitidos na GFIP ou cuja remuneração foi declarada a menor, por competência. E, de acordo com o disposto no art. 32-A da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991, alterado pela Medida Provisória 449, de 03 de dezembro de 2008, foi intimado a apresentar a GFIP com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas pela empresa. A referida intimação fiscal para a apresentação da GFIP não foi atendida, sendo lavrado o Auto de Infração correspondente. Além dos dispositivos legais citados neste relatório, fundamenta o presente lançamento, a legislação constante do anexo "FLD — Fundamentos Legais do Débito", que integra o Auto de Infração. No decorrer do procedimento fiscal, além do presente Auto de Infração, foram lavrados os seguintes documentos: Auto de Infração — AI DEBCAD 37.205.496-0 — Referente contribuição de responsabilidade da empresa, relativa à parcela devida por segurados empregados. Auto de Infração — AI DEBCAD 37.205.497-8 — Referente a contribuição da empresa para com os Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). Auto de Infração — AI DEBCAD 37.205.499-4 - Fundamentação legal 78 - Decorrente da omissão de informações em GFIP, no que se refere aos pagamentos efetuados a segurados empregados. Auto de Infração — AI DEBCAD 37.087.334-3 — Fundamentação legal: 35 — Decorrente da omissão na prestação de informações solicitadas pela Fiscalização. Auto de Infração — AI DEBCAD 37.087.329-7 — Fundamentação legal 38 — Decorrente da omissão na apresentação de livros e documentos solicitados pela Fiscalização. Em caso de apresentação de defesa, cada documento deverá ser objeto de defesa específica. O presente Procedimento Fiscal abrangeu os seguintes estabelecimentos e obras de construção civil do contribuinte: Tipo Identificador Tipo Identificador Tipo Identificador Tipo Identificador CNPJ 02.931.549/0001-25 CEI 38.670.04209/76 CEI 39.580.00092/76 CEI 43.510.07025/79 CNPJ 02.931.549/002-06 CEI 38.670.04826/73 CEI 39.580.00095/73 CEI 43.510.07026/71 CEI 37.040.01934/79 CEI 38.670.04852/74 CEI 39.580.00096/75 CEI 43.510.07055/79 Fl. 213DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 CEI 37.060.01553/79 CEI 38.670.04853/76 CEI 43.510.02843/70 CEI 43.510.07056/71 CEI 37.080.00505/74 CEI 38.670.05158/73 CEI 43.510.04767/77 CEI 43.510.07218/76 CEI 38.670.02573/72 CEI 38.670.05217/77 CEI 43.510.04825/79 CEI 43.510.07307/70 CEI 38.670.02974/78 CEI 38.730.09920/71 CEI 43.510.05599/74 CEI 43.510.07497/74 CEI 38.670.03231/79 CEI 39.010.05709/77 CEI 43.510.05835/75 CEI 43.510.07498/76 CEI 38.670.03350/74 CEI 39.010.05710/73 CEI 43.510.06114/74 CEI 50.006.24049/77 CEI 38.670.03411/72 CEI 39.010.06451/71 CEI 43.510.06496/72 CEI 38.670.04208/74 CEI 39.010.08916/70 CEI 43.510.07024/76 Não foram abrangidas pelo Procedimento Fiscal as obras de construção civil relativas a períodos anteriores a janeiro/2003 e para as quais não houve recolhimentos de contribuições previdenciárias no período de cobertura do Procedimento Fiscal (janeiro/2003 a dezembro/2006), a saber: CEI 33.720.01501/76 (matrícula efetuada no ano 2000); 33.720.03544/78 (ano 2002); 33.800.00435/70 (ano 2000); 38.670.00672/75 (ano 1999); 38.670.01710/73 (ano 2001) e 38.670.02582/76 (ano 2002). A autuada foi pessoalmente cientificada da autuação em 19/12/2008, conforme assinatura constante da fl. 01. Em 19/01/2009, a interessada apresentou defesa tempestiva (fls. 75/80), com anexos de fls. 81/108, com o teor essencial abaixo transcrito nos parágrafos que se seguem: 1. O Administrado, autuado, recorre voluntariamente, em Primeira Instância, com o fito de demonstrar a falta de razoabilidade com que foi penalizado, com base em ausência de informações prestadas ao fisco, em virtude do extravio de seus livros e documentos fiscais, desencadeando a presente autuação. 2. Infelizmente, não raro, empresas e pessoas comuns se veem expurgadas de seus documentos pelas mais variadas formas, como extravios, roubos, sinistros, desorganização documental, enfim, subtração irregular, que acarretam infindáveis prejuízos tanto morais como fiscais e ainda financeiros. No caso do Administrado, o extravio dos seus livros contábeis, bem como de todos os seus registros magnéticos, contribuiu para a não apresentação de suas informações ali apontadas, o que o levou a ser autuado. 3. O Administrado teve seus livros e registros contábeis extraviados, por conta de sucessivas mudanças em sua estrutura administrativa e contábil, e a autenticidade de que os mesmos foram elaborados é também confirmada pelo Auditor Fiscal, quando encaminhou ofício à Junta Comercial do Estado do Park que em resposta afirmou que os Livros Diários de números 5, 6 e 7 foram devidamente apontados naquele órgão público. Frise-se que os Livros de números 1 a 4 foram devidamente registrados na Junta Comercial do Distrito Federal, quando ainda ali era a sede da empresa. Infelizmente, tal incidente somente prejudicou o Administrado por ocasião do procedimento fiscal, uma vez que ficou impossibilitado de apresentar tanto os Livros Diário e Razão, como seus arquivos digitais para elaboração do MANAD. Saliente-se, no entanto, que a fiscalização também atestou a primariedade do Administrado, uma vez que jamais foi autuado no âmbito das contribuições previdenciárias. 4. Utilizando-se do instituto do arbitramento, baseado no artigo 33, parágrafos 3º, 4° e 6°, o auditor Fiscal baseou-se em um artificio capaz de atender as suas inquirições, demonstrando alguma lógica em seus procedimentos, tudo no intuito de levantar os valores devidos à Previdência Social, levando em conta o extravio dos Livros e registros apontados na escrita contábil do Administrado. Tal atitude procura sanar, ainda que de forma mais prejudicial ao Administrado, uma situação fatídica de impossibilidade de demonstrar a real situação patrimonial da Fl. 214DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 entidade, daí ser chamada de arbitrária, que por si só torna-se desumana. Erro, ainda que involuntário, do Administrado, por não ter sido capaz de suprir as informações solicitadas. 5. Tendo em vista a impossibilidade de apresentação de toda a documentação solicitada pelo Auditor Fiscal, em virtude do já exposto no item 1, e conforme explicitado nos Relatórios Fiscais de cada um dos DEBCAD's ora impugnados, a autoridade fiscal baseou-se nas informações declaradas através das RAIS – Relação Anual de Informações Sociais, confeccionadas pelo Administrado, onde estão discriminadas todas as remunerações pagas aos seus colaboradores. Dessa forma, todos os valores brutos devidos à Previdência Social seriam apurados. Restaria, então, abaterem-se todos os pagamentos efetuados, bem como retenções sofridas, para assim chegar-se a um possível valor ainda devido pelo Administrado. 6. Dos seus levantamentos, que incluíram a parcela devida pela Empresa (20%), Acidente de trabalho (3%), Terceiros (5,8%) e Segurados (8%), o Auditor Fiscal foi apropriando os valores, que geraram os três Autos de Infrações acima já descritos, ora sendo impugnados, com base no artigo 9°, parágrafo 1º, do Decreto n° 70.235/72. 7. De acordo com os dados disponíveis nos sistemas da Previdência Social, foram abatidas, dos valores apurados no item 4 acima, as GPS efetivamente liquidadas pelo Administrado, porém, nem todas as retenções sofridas por ocasião dos recebimentos dos serviços prestados aos órgãos públicos, com base em 11%, conforme disposição legal vigente, foram efetivamente abatidas por ocasião do levantamento por arbitramento, uma vez que no cruzamento das informações dos relatórios fiscais, com uma consulta feita em 20/09/2007, no sistema de arrecadação – DATAPREV, denominado CONRET – Consulta Valores de Retenção 11% Declarados X Recolhidos, resta uma diferença a favor do Administrado, a ser compensada, no valor de R$280.057,00, em valores originais, que confrontados com os valores históricos apurados pela fiscalização, no montante de R$316.640,06, restaria, então um valor devido pelo Administrado de apenas R$36.583,06. 8. A razoabilidade é juízo que, positivado (como princípio) recentemente em alguns diplomas normativos, como a Lei 9.784/99, em seu artigo 2°, também se faz presente no processo administrativo federal, e deve servir de parâmetro de valoração da justiça ou racionalidade dos atos estatais. Pino de Elide, citado por Nohara, Irene Patricia, em seu "Limites a Razoabilidade nos Atos Administrativos" (Atlas — 2006) diz que "Dada a variedade de regras de conduta, leis, hábitos e costumes, crenças derivadas das lendas e concepções dogmáticas, observadas no mundo, é ilegítimo tomar quaisquer das manifestações como critério ou paradigma da verdade". Há que se ter um juízo de razoabilidade no enquadramento de determinados fatos, pois imputar ao Administrado o pagamento de um pesado fardo tributário por um fatídico extravio de livros e registros, sem levar em consideração informações disponíveis nos próprios sistemas da DATAPREV, é condená-lo, é condená-lo por um roubo não praticado, onde o produto da fraude fica nas mãos de quem condena. 9. Invocando o Princípio da Razoabilidade, como disposto no artigo 2° da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, e mais especificamente elegendo o disposto no Inciso IV do parágrafo único do citado artigo, quando dispõe que a atuação da administração pública deve seguir padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé, é injurídica a Fl. 215DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 imputação ao Administrado de recolhimento de contribuições previdenciárias apuradas de forma arbitrária, porém sem as deduções efetivamente devidas, constantes dos próprios sistemas de dados da Previdência Social, que também seriam perfeitamente ratificados em seus Livros Contábeis (que efetivamente foram registrados na Junta Comercial do Estado do Pará), e em seus registros eletrônicos, extraviados invariavelmente. 10. O valor do crédito tributário existente nos sistemas de dados da Previdência Social (listagem em anexo), no valor de R$280.057,00, são perfeitamente factíveis e devem ser abatidos nos DEBCAD's, por seus valores originais, conforme abaixo, sendo ainda imputado ao Administrado que acerte com a Previdência Social, mesmo que desfavoravelmente a ele, uma vez que os levantamentos todos foram arbitrados, a importância de R$36.583,06. 11. Com base em suas contestações e explanações acerca da conclusão fiscal ínsita nos Autos de Infrações, nenhuma dúvida paira, no reduto do Administrado, de que são insensatas as exigências perpetradas nos lançamentos de ofício acima mencionados, que totalizam R$528.819,38, requerendo que lhe seja outorgada a reformulação total dos mesmos, para que totalizem somente a importância de R$36.583,06, conforme demonstrado acima. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão de e-fls. 111 e ss, cujo dispositivo considerou o lançamento procedente em parte, com a manutenção parcial do crédito tributário exigido, reconhecendo a decadência do período até 11/2003, tendo em vista que o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 19/12/2008. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. O crédito previdenciário plenamente regular, de conformidade com o art. 37 da Lei n° 8.212/91 e alterações c/c art. 142 do C.T.N, somente será elidido mediante a apresentação de provas, pelo contribuinte, que comprove a não ocorrência desses fatos. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, consoante o disposto no Artigo 142 e Parágrafo Único do CTN. COMPENSAÇÃO. A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito. DA REVISÃO DO LANÇAMENTO. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos (art. 53, da Lei n° 9.784/1999). A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme rege o art. 2° da Lei n° 9.784/1999. DECADÊNCIA. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência. Tratando-se de tributo lançado por homologação, havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, para fins de cômputo do prazo de decadência, conta-se o prazo nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, em conformidade com o Parecer PGFN/CAT n.° 1.617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, em 18/08/2008. Fl. 216DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 Lançamento Procedente em Parte O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 138 e ss), repisando, em grande parte, os argumentos apresentados em sua impugnação, além de solicitar a dedução, no lançamento, de GPS anexadas nessa oportunidade. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. Em relação ao mérito, entendo que as razões adotadas pela decisão de piso são suficientemente claras e sólidas, não tendo a parte se desincumbindo do ônus de demonstrar a fragilidade da acusação fiscal. Pois bem. Conforme narrado, trata o presente do Auto de Infração - AIOP DEBCAD n° 37.205.497-8, lavrado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, de acordo com fls. iniciais e Relatório Fiscal - REFISC de fls. 63/73, referente à contribuição, à cargo da empresa, exclusivamente destinada a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). A falta de apresentação da escrituração contábil - livros diário e razão ou livro caixa e a apresentação deficiente das folhas de pagamento inviabilizaram o lançamento fiscal da remuneração de segurados empregados de acordo com os parâmetros usuais, obrigando a utilizar o critério alternativo de arbitramento, previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33 §§ 3º, 4º e 6°. Por outro lado, a sonegação das informações requeridas, relativas aos vínculos dos segurados empregados com o Tomador de Serviços, também trouxe prejuízo para o Procedimento Fiscal, pois inviabilizou o lançamento dos fatos geradores de contribuição previdenciária segregados por Matrícula CEI do contribuinte. Nesse sentido, tem-se que, diante da não apresentação de todos os documentos por parte da empresa, bem como a apresentação deficiente, a legislação permite à Autoridade Fiscal fazer uso do disposto nos §§ 3º, 4° e 6º, do art. 33, da Lei n° 8.212/91: Lei n° 8.212/91 Art. 33. [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal-DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 217DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão-de-obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa co- responsável o ônus da prova em contrário. (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Observe-se que a aferição indireta tem por objetivo somente possibilitar a concretização dos §§ 3°, 4° e 6°, do art. 33, da Lei n° 8.212/91, eis que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, de modo que a não apresentação ou a apresentação deficiente da documentação não pode impedir a constituição do crédito tributário correspondente. A mesma lei que prevê a aferição das contribuições devidas em face da não apresentação ou a apresentação deficiente da documentação, também concede ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Dada a não apresentação pelo contribuinte dos documentos necessários para apuração da incidência das contribuições previdenciárias, o Auditor Fiscal efetuou arbitramento om base na RAIS, obtida por intermédio dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil — Sistema CNISA. O Relatório do Auto de Infração descreve de forma minuciosa os valores apurados e o Relatório de Lançamentos os informam individualizadamente. Nesse sentido, levando em consideração que o contribuinte deixou de apresentar os documentos solicitados, está a fiscalização autorizada a utilizar o método de arbitramento da base de cálculo, por aferição indireta, cabendo à empresa o ônus de descaracterizar a imputação que lhe é feita. A propósito, não se trata, pois, de mero descumprimento de obrigação acessória, mas de recusa em atender à intimação da fiscalização. Assim, a aferição indireta, não obstante seja procedimento excepcional, no presente caso acha-se perfeitamente autorizada, nos termos dos §§ 3°, 4° e 6°, do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Dessa forma, entendo que o auditor agiu ao amparo da lei e do Regulamento da Previdência Social, posto que autorizado pelo artigo 33 da Lei n° 8.212/1991 e alterações posteriores. Não há, pois, o que reparar no procedimento fiscal, em razão da impossibilidade de apuração regular dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Entendo que a Autoridade Lançadora utilizou critério razoável para arbitrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, porquanto as informações das RAIS utilizadas, contêm os valores que, em tese, integram o salário de contribuição, tendo sido feito o devido confronto com os valores constantes nas folhas de pagamento incluídas nas Guias Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIPs) e nas Guias da Previdência Social (GPS). Considero, pois, que o arbitramento realizado pela fiscalização é legítimo e o critério utilizado perfeitamente razoável. Em outras palavras, não vejo motivos para desqualificar o trabalho da fiscalização, nem mesmo em razão da metodologia empregada no arbitramento, que, a meu ver, foi razoável e calcada em critérios sólidos. Tem-se, pois, que resta perfeitamente demonstrada nos autos a motivação legal e fática do lançamento, tendo sido a aferição indireta, imbuída dos critérios de proporcionalidade e Fl. 218DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 razoabilidade, capaz de permitir uma maior aproximação dos verdadeiros salários-de- contribuição devidos, motivo pelo qual, não merece prosperar a insatisfação do recorrente. A propósito, não se pode confundir lançamento por arbitramento, com lançamento arbitrário. O lançamento arbitrário é aquele que foge ao razoável, sendo desproporcional. No presente caso, o lançamento respeitou os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e foi baseado em elementos próximos da realidade. O comportamento da fiscalização está, portanto, perfeitamente compatível com o disposto no art. 33, parágrafo 3° da Lei n° 8.212 de 1991, bem como no art. 148 do CTN. Observe-se que o critério de apuração, com base na aferição indireta, deve ser mantido, porquanto amparado na lei, mas pode, entretanto, ser ajustado a vista de eventuais provas em contrário aduzidas após o lançamento. Com efeito, o recorrente alega que existem sobras de valores recolhidos por meio de guias retenção (11%) não consideradas pela Fiscalização por ocasião da apuração do valor do débito. Também alega que a base de cálculo objeto de lançamento inclui parcelas sobre as quais não incidem contribuição previdenciária e, portanto, em relação a essas parcelas, defende que a base de cálculo deva ser recomposta. Contudo, conforme bem pontuado pela decisão recorrida, todas as guias de recolhimento de retenção constantes da consulta efetuada no sistema informatizado DATAPREV e juntada aos presentes autos pelo sujeito passivo foram consideradas pela Autoridade Fiscal Lançadora, posto que as mesmas constam dos relatórios RDA — Relatório de Documentos Apresentados e RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, o que demonstra a total correição e absoluta transparência do procedimento fiscal realizado. Ademais, sobre a possibilidade de que as “sobras” de valores recolhidos decorrentes de retenção, sejam deslocadas para compensar o não recolhimento em outra(s) competência(s), a homologação por parte do Fisco ficou absolutamente prejudicada/impossibilitada face a omissão de informações relevantes relacionadas às matriculas CEI de obras de construção civil realizadas pelo contribuinte em tela, omissão esta agravada pela não apresentação dos livros contábeis — escrituração contábil e pela apresentação de folhas de pagamento deficientes - em desconformidade com a legislação -, posto que não foram separadas por obra da construção civil (matricula CEI). Tem-se, pois, que os fatos aqui descritos inviabilizam a verificação, por parte do Fisco, da correição dos valores porventura informados em GFIP no campo "compensação", conforme prescrito na legislação pertinente a este instituto (Ordem de Serviço/INSS/DAF n° 209/1999, IN/INSS/DC n° 67, 69 e 71/2002, IN INSS/DC n° 100/2003 e IN MPS/SRP n° 3/2005). Diante de tal situação provocada pela própria recorrente, resta incólume a imputação fiscal de falta de recolhimento, posto que inviável a homologação da compensação pretendida. Conforme esclarecido pela decisão recorrida, a não apresentação da escrituração contábil, a apresentação de folhas de pagamento deficientes - em desacordo com a legislação pertinente -, bem como a omissão de informações relevantes no que se refere às obras de construção civil realizadas, tudo isso faz com que as alegadas sobras de valores recolhidos não passem de mera suposição, posto que não há como se ter a necessária segurança do quantum exato devido à Seguridade Social para que se possa fazer um batimento escorreito entre o devido e o recolhido e assim determinar com a certeza e a liquidez necessária o crédito que a recorrente ora alega possuir contra o Fisco. Esta foi inclusive a razão de o presente lançamento ter sido Fl. 219DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 arbitrado - técnica de aferição indireta. Não custa ressaltar mais uma vez que quem deu causa a esta situação foi o próprio sujeito passivo. Não é demais destacar que a compensação, por ser forma de extinção do crédito tributário, consoante art. 156, inciso II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), exige a certeza e a liquidez dos créditos a compensar, bem como prova efetiva de sua realização. Ademais, a compensação de sobras de retenção somente poderá ser efetuada com as contribuições devidas à Previdência Social, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (Terceiros), as quais deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo, na forma das instruções vigentes. Assim, no que se refere especificamente ao presente auto de infração, que trata EXCLUSIVAMENTE de débitos de TERCEIROS, não há que se falar em direito à compensação de valores de sobras de recolhimentos de retenção. Para além do exposto, o sujeito passivo também alega que não foram abatidos na ação fiscal os pagamentos efetuados nas seguintes matrículas CEI, apesar de terem sido relacionadas no relatório de auditoria, requerendo, ainda, a juntada das cópias das respectivas GPS: 1) 3.720.03544/78 - R$ 63.896,62 2) 43.510.04825/79 - R$ 4.991,91 3) 39.010.05710/73 - R$ 2.004,21 4) 02.931.549/0001-25 - R$ 3.759,08 TOTAL = R$ 74.651,82 Contudo, entendo que a dedução de tais valores foi suscitada apenas em sede recursal, tratando-se, portanto, de matéria preclusa, eis que o recorrente não suscitou essa questão em sua impugnação. Tal fato fica ainda mais claro considerando que, em sua impugnação, o sujeito passivo afirma, expressamente, que: [...] 5 — De acordo com os dados disponíveis nos sistemas da Previdência Social, foram abatidas, dos valores apurados no item 4 acima, as GPS efetivamente liquidadas pelo Administrado, porém, nem todas as retenções sofridas por ocasião dos recebimentos dos serviços prestados aos órgãos públicos, com base em 11%, conforme disposição legal vigente, foram efetivamente abatidas por ocasião do levantamento por arbitramento, uma vez que no cruzamento das informações dos relatórios fiscais, com uma consulta feita em 20/09/2007, no sistema de arrecadação — DATAPREV, denominado CONRET — Consulta Valores de Retenção 11% Declarados X Recolhidos, resta uma diferença a favor do Administrado, a ser compensada, no valor de R$ 280.057,00 (duzentos e oitenta mil, cinqüenta e sete reais), em valores originais, que confrontadas com os valores históricos apurados pela fiscalização, no montante de R$ 316.640,06 (trezentos e dezesseis mil, seiscentos e quarenta reais e seis centavos), restaria, então um valor devido pelo Administrado de apenas R$ 36.583,06 (trinta e seis mil, quinhentos e oitenta e três reais e seis centavos). (grifo nosso) Em seu recurso, o sujeito passivo, além de questionar, novamente, o abatimento das retenções sofridas, com base em 11% (código 2631), agora também questiona os recolhimentos efetuados sob os códigos 2208, 2100, 2801, cujas GPS foram juntadas apenas em grau recursal: [...] 1 — Quando o Administrado afirma que nem todas as suas guias de recolhimentos pagas à Previdência social foram consideradas para abater o débito apurado, o faz com perfeita convicção, utilizando-se da própria afirmativa do Auditor Fl. 220DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 Fiscal da Receita Federal, que informa "não terem sido abrangidas pelo procedimento fiscal as obras de construção civil relativas a períodos anteriores a janeiro/2003 e para as quais não houve recolhimentos de contribuições previdenciárias no período de cobertura do Procedimento Fiscal (janeiro/003 a dezembro/2006), a saber: ... CEI 33.720.03544/78 ...". Tal afirmação se faz, uma vez que o levantamento por arbitramento efetuado pela RATS, considerou os funcionários alocados naquela matricula CEI, sem, no entanto ter havido a compensação dos valores pagos naquela matricula, conforme cópias em anexo, que totalizaram, em valores históricos, a importância de R$ 63.896,62 (relatório em anexo). Também não foram abatidos na ação fiscal, os pagamentos efetuados nas seguintes matriculas CEI, apesar de estarem relacionadas no relatório de auditoria: a)43.510.04825/79 - R$4.991,91 b)39.010.05710/73 - R$ 2.004,21 c)02.931.549/0001-25 R$ 3.759,08 Dessa forma, o crédito não abatido no levantamento fiscal se eleva para R$ 74.651,82(!) em valores históricos. (grifo nosso) Nesse sentido, afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. A propósito, o instituto da preclusão existe para evitar a deslealdade processual, e tendo em vista que a questão não foi debatida em primeira instância, fica prejudicada, consequentemente, a dialética no debate da controvérsia instaurada. Ademais, não há que se invocar o princípio da verdade material para transpor mandamentos expressamente previstos no Decreto n° 70.235/72, em nítido desrespeito à legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal, mormente considerando que, no caso, o litígio em relação a matéria arguida pelo recorrente sequer foi instaurado. Para além do exposto, a própria fiscalização esclareceu que, no Procedimento Fiscal foram computados, a favor do contribuinte, além das GPS constantes dos sistemas informatizados da RFB, também quatro processos de parcelamento em nome do mesmo. Ademais, as GPS recolhidas com identificador de Matrícula CEI - foram transferidas para o CNPJ da Matriz. Da mesma forma, as GPS com Códigos de Recolhimento 2208, 2402 e 2216, tiveram os seus códigos alterados para possibilitar a apropriação das mesmas nos levantamentos fiscais. Em relação à alegação no sentido de que há diversos valores informados nas RAIS que não são tributáveis pela contribuição previdenciária, além de se tratar de alegação genérica (posto que as informações constantes nas RAIS, sem o questionamento específico e mediante o devido confronto com o montante objeto de lançamento e inequivocadamente demonstrado, são insuficientes para a comprovação do alegado), o contribuinte não combate os lançamentos apurados, de forma pontual, o que não só dificulta, mas impossibilita o exame de sua pretensão. O sujeito passivo sequer demonstrou, com clareza e exatidão, o montante que considera ter sido tributado, indevidamente, o que leva a crer que sequer possui o controle efetivo dessa informação. Aqui, cabe observar que a documentação acostada aos autos, não se presta à comprovação o alegado, sobretudo considerando que não houve a demonstração da correlação dos valores questionados, com os valores que constam do confronto entre RAIS x GFIP e, Fl. 221DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 portanto, objeto de lançamento, que pudesse identificar, de forma clara e precisa, o montante questionado. Sequer é possível, pois, atestar que a diferença objeto de lançamento, mediante o confronto entre RAIS x GFIP, tem como origem em “verbas indenizatórias”, como alega o recorrente, eis que não há nos autos qualquer comparativo trazido pelo recorrente, neste sentido, com o intuito de afastar a acusação fiscal. Certo é que as alegações apresentadas pelo Recorrente devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, especialmente para combater a aferição indireta, como no presente feito, não sendo suficiente juntar uma massa enorme de documentos aleatórios, sem a devida correlação com o que se pretende comprovar. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. Além disso, o ato de provar não é sinônimo de colocar à disposição do julgador uma massa de documentos, sem a mínima preocupação em correlacioná-los um a um com a movimentação bancária listada pela autoridade tributária, num exercício de ligação entre documento e o fato que se pretende provar. Sobre esse ponto, são esclarecedoras as lições de Fabiana Del Padre Tomé 1 , quando afirma que, “(...) provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendo-o com o animus de convencimento”. No mesmo sentido, manifesta-se com precisão Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em sua obra Processo Administrativo Tributário, Malheiros Editores, 2000, pg. 184/185: As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguram-se e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. (...) A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeita-se às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Ademais, cabe destacar que é do contribuinte o ônus de demonstrar, por meio de uma escrituração contábil clara e segregada, que todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias receberam o tratamento contábil adequado, eliminando dúvidas quanto aos fatos contábeis representados. A propósito, quanto aos valores expressos na planilha acostada aos autos pela autoridade lançadora, cabe destacar que o contribuinte as ignora completamente e não demonstra quais são os erros, fato este que impede a presente autoridade julgadora de concluir pela presença de erro nos cálculos efetuados. Para obter êxito em sua tentativa de afastar a validade dos procedimentos adotados, caberia ao recorrente rebater pontualmente cada um dos fatos geradores relacionados na tabela de lançamentos apresentados pela fiscalização, pois a mera alegação ampla e genérica, por si só, não traz aos autos nenhum argumento ou prova capaz de descaracterizar o trabalho efetuado pelo Auditor-Fiscal. Tem-se, pois, que os argumentos apresentados pelo contribuinte, desacompanhados de provas, não têm o condão de reverter a conduta relatada nos autos e nem de eximi-lo da obrigação legal, porquanto nenhum documento contundente foi ofertado para fazer 1 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 405. Fl. 222DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 prova de que os valores efetivamente despendidos sejam impróprios para integrar a base de cálculo do lançamento. Ademais, oportuno destacar que incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe, portanto, ao contribuinte o ônus de enfrentar a acusação fiscal, devidamente motivada, apresentando os argumentos pelos quais entende que o presente lançamento tributário merece ser declarado improcedente, bem como os documentos pertinentes para fins de comprovar os fatos narrados. No presente caso, o lançamento foi efetuado por aferição indireta e caberia ao impugnante o ônus da prova em contrário, que só seria cumprido mediante a apresentação de documentos e esclarecimentos incontroversos, comprovando, de forma consistente, que os fatos sobre os quais se funda o lançamento, ocorreram de modo diferente do considerado pela autoridade lançadora, o que não foi realizado no presente processo administrativo fiscal. Assim, sobre a comprovação dos fatos alegados, entendo que o recorrente não se desincumbiu de comprovar suas alegações, ficando apenas no campo das suposições, o que, a meu ver, não têm o condão de afastar a higidez da acusação fiscal. Sobre as demais alegações apresentadas pelo sujeito passivo, não acrescentam e nem diminuem o lançamento fiscal, quando, na verdade, confirmam que o trabalho da Fiscalização está correto. Em nenhum momento o sujeito passivo demonstra, efetivamente, que os valores lançados são indevidos, limitando-os a trazer alegações genéricas e que não afastam a responsabilidade pelo crédito tributário. A propósito, o princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal, não afasta a necessidade de prova das alegações de defesa contrárias ao lançamento fiscal. Comprovado que o procedimento fiscal levado a efeito atende às normas regulamentares, não há que se falar em falta de atendimento à verdade material. O ônus da prova existe, portanto, afetando ambas as partes litigantes. Não cabe a qualquer delas manter-se passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Ademais, cabe pontuar que o litigante deveria ter sido zeloso em guardar documentos para apresentação ao Fisco, até que ocorresse a decadência/prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (conforme art. 195, parágrafo único do CTN). Trata-se, pois, do ônus de munir-se de documentação probatória hábil e idônea de suas atividades. Para além do exposto, destaco que o sujeito passivo apresentou seu Recurso no ano-calendário 2009, sendo que até o presente momento (ano-calendário 2022), o recorrente não anexou qualquer documento complementar nos autos, que pudesse comprovar o adimplemento de suas obrigações tributárias, não havendo que se falar em dilação de prazo para a juntada de novos documentos, que, inclusive, deveriam ter sido apresentados quando da impugnação. Tem-se, pois, que o contribuinte teve tempo suficiente para encaminhar os documentos comprobatórios, durante o curso do processo administrativo fiscal, não havendo, pois, que se falar em cerceamento de defesa ou violação à ampla defesa, eis que, se não exercido, foi por opção do próprio contribuinte. Fl. 223DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2401-010.587 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 14337.000585/2008-36 Dessa forma, como o contribuinte não apresentou a documentação idônea solicitada pela fiscalização e nem mesmo demonstrou, de forma efetiva, a incorreção da base de cálculo do lançamento, reputo correto o arbitramento levado a cabo, por falta de comprovação. Ademais, sobre as demais arguições acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade da legislação tributária, oportuno observar que já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tem-se, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26- A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Ante o exposto, tendo em vista que o recorrente repete, em grande parte, os argumentos de defesa tecidos em sua impugnação, não apresentado fato novo relevante, ou qualquer elemento novo de prova, ainda que documental, capaz de modificar o entendimento exarado pelo acórdão recorrido, reputo hígido o lançamento tributário, endossando a argumentação já tecida pela decisão de piso. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 224DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10925.733528/2018-28
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Jan 10 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 06/07/2015
IPI, ISENÇÃO CONDICIONADA A PRAZO MÍNIMO PARA ALIENAÇÃO:
Veículo adquirido por PCD deverá atender a prazo mínimo legal para alienação.
Numero da decisão: 3002-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Delson Santiago Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira; Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Wagner Mota Momesso de Oliveira, Carlos Delson Santiago (Presidente).
Nome do relator: Paulo Régis Venter
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e rejeitar a preliminar suscitada. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Delson Santiago – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira; Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Wagner Mota Momesso de Oliveira, Carlos Delson Santiago (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 01-36.358 - 3ª Turma da DRJ/BEL, da sessão realizada em 20/03/2019, quando a turma acordou, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido.. Por bem descrever os fatos, adoto relatório proferido na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, em que foi lançado crédito tributário no valor total de R$ 19.331,43, incluídos o IPI, multa qualificada e juros de mora calculados até 08/2018. 2. Segundo Relatório Fiscal integrante do auto (fls. 10/19), o lançamento deu-se pelo fato da contribuinte haver transferido veículo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 73 35 28 /2 01 8- 28 Fl. 208DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.336 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.733528/2018-28 comprado com isenção do imposto antes de decorridos os dois anos da aquisição, a outra pessoa física que não atendia os requisitos do benefício. 3. Foi aplicada multa qualificada sob a seguinte justificativa: " (...) Nesse contexto, mesmo que a interessada e seu curador não tenham cumprido o requisito legal à época da alienação do veículo, esta fiscalização abriu nova oportunidade para manifestação, quando do início da ação fiscal, quando poderia ter sido apresentada justificativa para o descumprimento. Todavia, nenhuma resposta foi apresentada. Em 6 de julho de 2015, o veículo foi alienado, apenas 60 dias após a aquisição com isenção. O que se percebe, nesse caso, é que não houve intenção do curador em manter o veículo no patrimônio da contribuinte. Na verdade, desde o início a intenção foi somente obter lucro com a alienação, por meio da venda em um prazo extremamente exíguo. Assim, não é possível considerar tal fato como um mero erro ou esquecimento. Ademais, não é crível que o curador, Sr. Alexandre Di Domenico, que exerce a profissão de advogado, procedesse à alienação do veículo sem as cautelas legais necessárias. Pelo contrário, a intenção foi exatamente omitir, dolosamente, a ocorrência do fato gerador do IPI. Nessa esteira, diz-se que há dolo quando o agente quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo. O dolo é composto de três elementos: a) consciência da conduta e do resultado; b) consciência da relação causal objetiva entre a conduta e o resultado; e c) vontade de realizar a conduta e produzir o resultado. Nesse sentido, ao alienar o veículo sem solicitar autorização à RFB e sem recolher o tributo devido, a contribuinte, por meio de seu curador, conseguiu retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a tentar reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento, conduta tipificada no artigo 72 da Lei 4.502/1964, acima transcrito. Em suma, em função de sua conduta, a contribuinte incorreu no previsto no §1º do Art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c Art. 72 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, acima transcritos, razão pela qual teve o percentual da multa de ofício duplicado." 4. A Autoridade Fiscal apontou como sujeito passivo solidário o Sr. Alexandre Di Domenico, CPF 040.412.949-83, curador da contribuinte e responsável por todos os trâmites necessários para a aquisição e alienação do veículo. 5. Cientificada a Sr. Lúcia em 10.08.2018 (AR fl. 58) e o Sr Alexandre em 24.08.2018 (Edital de fl 60, em virtude da devolução do AR por mudança de endereço), ambos apresentaram, tempestivamente, em 21.08.2018, impugnação (fls. 64/74), com os seguintes argumentos: a) Em preliminar, requer a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, em função do curador não haver sido citado para prestar os esclarecimentos, sendo a contribuinte interditada, em inobservância ao art. 247, II, c/c art. 245, § 5º, do CPC; Fl. 209DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.336 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.733528/2018-28 b) No mérito, alega que a alienação do veículo efetivamente não ocorreu, afirmando que a transferência foi simulada para evitar a perda do bem objeto de penhora pela Justiça do Trabalho, fato que será comprovado através de depoimento do adquirente e "demais testemunhas oportunamente arroladas"; c) Em seguida, afirma que o adquirente – Sr. Osmir Rezende – também faz jus ao benefício em questão, conforme atestados, exames e receitas médicas anexadas, solicitando a concessão de prazo para que os impugnantes e o sr. Osmir apresentem os documentos previstos no ato normativo da Receita Federal que trata do referido benefício; d) Reclama da multa de ofício aplicada, argumentando que a mesma representa confisco; e) Ao final, requer ainda a suspensão da exigibilidade do crédito em função da impugnação ora apresentada e a abertura de prazo para a apresentação da comprovação do cumprimento dos requisitos pelo Sr. Osmir e a juntada de outras provas. O recorrente fora intimado do acórdão da DRJ, em 01/04/2019, e apresentou Recurso Voluntário em 09/04/2019, sendo assim tempestivo, e dele tomo conhecimento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Delson Santiago, Relator. Da competência para julgamento O presente colegiado é competente para apreciar o recurso, em conformidade com o prescrito no art. 4º, combinado com o artigo 23-B, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Da admissibilidade Atendido os requisitos de admissibilidade, o recurso encontra-se hábil para apreciação deste colegiado. Do recurso voluntário Como relatado, Preliminarmente o recorrente expressamente protestou contra a decisão recorrida, considerando-a Nula por falta de Notificação do representante Legal da Interditada, segundo alega, violando o Princípio do contraditório e da ampla defesa. Fl. 210DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.336 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.733528/2018-28 Também pugnou pela ausência de irregularidade, na alienação do bem. Relatou que o adquirente do veículo foi repassado/vendido a adquirente que também fazia jus a isenção. Identicamente, Peticionou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Vejamos. Da preliminar de Nulidade Alegou o recorrente que lhe foi negado o Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa em virtude de não ter acontecido a citação do Curador da Interditada, o ora recorrente o Sr. Alexandre Di Domenico. Como pode ter acontecido a Violação deste sagrado princípio processual, se o recorrente fora intimado através de Edital (fls. 60) a apresentar defesa em relação Auto de Infração e sujeição passiva, que o recorrente assim fez e dentro do prazo estabelecido na citação, no dia 21/08/2018, fls. 60 e seguintes. Com a citação válida, se instalou a lide, oportunizou-se a defesa, através da apresentação das provas e argumentos achados necessários, e sendo todos juridicamente analisadas, no Acórdão da proferido pela DRJ, pelo recorrente contestado. A citação foi válida, o fato do recorrente ter vindo a apresentar a o Recurso, conforme o Código de Processo Civil Art. 239, parágrafo primeiro, da Lei nº 13.105/2015, in verbis: Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado, ressalvadasas hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido. § 1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo apartir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução. (grifamos) Ante ao exposto acima, rejeito a preliminar de nulidade, visto que efetivamente o recorrente apresentou a defesa, e com isso foi respeitado o Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa. Fl. 211DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-002.336 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.733528/2018-28 Adentrando no mérito do Recurso Voluntário, o recorrente quis justificar a alienação do veículo em pouco mais de sessenta dias de sua aquisição com isenção do IPI, mesmo tendo assinado compromisso de não alienar o veículo no prazo mínimo estabelecido em lei. O recorrente também quis justificar que o veículo foi repassado para adquirente que também fazia jus ao benefício da isenção do IPI. Esta é uma justificativa teratológica, que não possui nenhum amparo no processo administrativo, além de, indevidamente, tomar às vezes/usurpar o poder decisório e controle da administração publica sobre as isenções utilizadas pelos jurisdicionados. O ora recorrente pugnou pela redução da multa, pois a penalidade não poderia ter efeito confiscatório. A qualificação da multa é tratada na Lei nº4.502/64, nos seus artigos: 7, 72 e 73, in verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A Autoridade Fiscal, assim justificou a aplicação da multa qualificada: Fl. 212DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-002.336 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.733528/2018-28 Nesse contexto, mesmo que a interessada e seu curador não tenham cumprido o requisito legal à época da alienação do veículo, esta fiscalização abriu nova oportunidade para manifestação, quando do início da ação fiscal, quando poderia ter sido apresentada justificativa para o descumprimento. Todavia, nenhuma resposta foi apresentada. Em 6 de julho de 2015, o veículo foi alienado, apenas 60 dias após a aquisição com isenção. O que se percebe, nesse caso, é que não houve intenção do curador em manter o veículo no patrimônio da contribuinte. Na verdade, desde o início a intenção foi somente obter lucro com a alienação, por meio da venda em um prazo extremamente exíguo. Assim, não é possível considerar tal fato como um mero erro ou esquecimento. Ademais, não é crível que o curador, Sr. Alexandre Di Domenico, que exerce a profissão de advogado, procedesse à alienação do veículo sem as cautelas legais necessárias. Pelo contrário, a intenção foi exatamente omitir, dolosamente, a ocorrência do fato gerador do IPI. (grifamos) Nessa esteira, diz-se que há dolo quando o agente quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo. O dolo é composto de três elementos: a) consciência da conduta e do resultado; b) consciência da relação causal objetiva entre a conduta e o resultado; e c) vontade de realizar a conduta e produzir o resultado. Nesse sentido, ao alienar o veículo sem solicitar autorização à RFB e sem recolher o tributo devido, a contribuinte, por meio de seu curador, conseguiu retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a tentar reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento, conduta tipificada no artigo 72 da Lei 4.502/1964, acima transcrito. Em suma, em função de sua conduta, a contribuinte incorreu no previsto no §1º do Art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c Art. 72 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, acima transcritos, razão pela qual teve o percentual da multa de ofício duplicado. Pelo demonstrado acima não houve excesso ou falta de justificativa em se qualificar a multa, sendo assim, mantenho a autuação sem realizar nenhum retoque ou alterações, inclusive na multa. Da conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de Nulidade por não ter ocorrido ofensa ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Delson Santiago Fl. 213DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3002-002.336 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.733528/2018-28 Fl. 214DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13888.005538/2010-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601.314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade - ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONSTATAÇÃO DE DOLO E FRAUDE. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, DO CTN.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos REs nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 173, I, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de dolo e fraude.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DISCUSSÃO PROCESSO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE REEXAME.
A discussão quanto à legalidade/regularidade da exclusão da empresa no regime de tributação do SIMPLES é levada a efeito em processo próprio, não cabendo o reexame da matéria nos autos de notificação fiscal e/ou auto de infração decorrente de referida decisão, sobretudo quando esta transitou em julgado, após o devido processo legal.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO.
O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, surtindo efeito já no ano-calendário subsequente àquele em que foi constatado o excesso de receita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.
MULTA. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Numero da decisão: 2401-010.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE. LEI COMPLEMENTAR Nº 105. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601.314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade - ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONSTATAÇÃO DE DOLO E FRAUDE. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO ARTIGO 173, I, DO CTN. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 173, I, do CTN, eis que restou comprovada a ocorrência de dolo e fraude. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DISCUSSÃO PROCESSO PRÓPRIO. IMPOSSIBILIDADE REEXAME. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 55 38 /2 01 0- 02 Fl. 203DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 A discussão quanto à legalidade/regularidade da exclusão da empresa no regime de tributação do SIMPLES é levada a efeito em processo próprio, não cabendo o reexame da matéria nos autos de notificação fiscal e/ou auto de infração decorrente de referida decisão, sobretudo quando esta transitou em julgado, após o devido processo legal. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, surtindo efeito já no ano-calendário subsequente àquele em que foi constatado o excesso de receita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. MULTA. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2 PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier. Relatório CICERO MELO DA SILVA PIRACICABA - EPP, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da Fl. 204DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 decisão da 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 14-34.401/2011, às e-fls. 104/114, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente às contribuições sociais destinadas aos TERCEIROS, em relação ao período de 01/2005 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal, às e- fls. 34/37, consubstanciados no DEBCAD n° 37.258.048-3. De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos de remuneração pela autuada a segurados empregados que lhe prestaram serviço no período da apuração. Afirma o fisco que o contribuinte foi excluído de ofício do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, conforme Despacho Decisório vinculado ao Processo 13888.004880/201087, por prática reiterada de infração tributária, culminando com o Ato Declaratório Executivo n.º 104 de 19/10/2010 (juntado). Foram utilizados na apuração fiscal os seguintes “levantamentos”: a) DAL – Diferença de Ac. Legais: juros e multa não incluídos em guias recolhidas em atraso; b) DF – DEB FOPAG (01/2005 a 11/2006): remunerações pagas a segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e GFIP; c) DF1 – DEB FOPAG (07/2005 a 12/2006): remunerações pagas a segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e GFIP; d) DI – DEB CONTR INDL (01/2005 a 11/2006): remunerações pagas a segurados contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento e GFIP; e) DI1 – DEB CONTR INDL (07/2005 a 12/2006): remunerações pagas a segurados contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento e GFIP f) DP – DEB PAGTOS EXTRA (01/2005 a 11/2006): remunerações pagas a segurados empregados sem contabilização e não lançadas em folha e GFIP, obtidas da movimentação bancária; g) DP1 – DEB PAGTOS EXTRA (07/2005 a 12/2006): remunerações pagas a segurados empregados sem contabilização e não lançadas em folha e GFIP, obtidas da movimentação bancária. Assevera-se que as remunerações não registradas nas folhas foram obtidas mediante Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF encaminhadas ao Bradesco e Banco do Brasil, de cujas respostas se pode inferir que havia pagamentos a segurados empregados. Sustenta-se que, instada a se manifestar, a empresa não ofertou esclarecimentos. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a procedência do seu pedido. Por sua vez, a Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às e-fls. 113/315, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: a) o período de 01 a 11/2005 foi fulminado pela decadência; Fl. 205DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 b) o procedimento fiscal é nulo, posto que as provas relativas à movimentação bancária da recorrente são ilícitas, posto que obtidas com quebra do sigilo bancário, o que somente é admitido mediante autorização judicial, que deve ser precedida do devido processo legal; c) o pressuposto do lançamento, que é a exclusão da recorrente do SIMPLES, ainda encontra-se pendente de julgamento definitivo na esfera administrativa; d) a jurisprudência do próprio CARF tem se inclinado no sentido de que movimentação financeira não pode ser confundida com rendimento tributável a ensejar incidência do imposto de renda; e) o mero depósito de valores pela empresa em conta corrente de empregados não autoriza a conclusão de que houve pagamento de remuneração, posto que pode corresponder, dentre outros motivos, a reembolso de despesas; f) não deve subsistir lançamento em que o fisco não se desincumbiu da tarefa de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores; g)não se admite que haja exigência de contribuições previdenciárias sem que se individualize os beneficiários das remunerações supostamente pagas pela empresa; h) há uma contradição evidente entre o Despacho Decisório e o Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES, posto que o primeiro indica que os efeitos da exclusão retroagem a 01/01/2006, enquanto o outro menciona o mesmo marco como 01/01/2005; i) não há o que se falar em contribuições previdenciárias para o ano de 2005, uma vez que a empresa era tributada junto ao SIMPLES, e para este regime tributário, não cabem receitas previdenciárias, tampouco, PIS, COFINS, IRPJ e CSLL; j) ainda não há o que se falar em sujeição passiva de CÍCERO MELO DA SILVA e LÍGIA SANTANA CORRER, posto que o crédito ainda se encontra em discussão administrativa; k) a multa no patamar de 75% da contribuição devida é inconstitucional, em face do seu caráter confiscatório. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornando-o sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 20 de setembro de 2012, foi proposta resolução pela 1° Turma da 4° Câmara, por unanimidade dos votos do Colegiado, às e-fls 155/160, in verbis: Observo que há um processo, cujo resultado irá influir decisivamente no destino da presente lide. Falo do Ato de Exclusão do SIMPLES e Exigências Tributárias, cadastrado sob o n.º 13888.004880/201087, o qual não teve ainda o trânsito em julgado administrativo, encontrando-se sobrestado por força dos parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, com a redação da Portaria MF 586/10: (...) Diante desses fatos, é notório o caráter de prejudicialidade que o processo n.º 13888.004880/201087 exerce sobre o que ora se julga, devendo-se determinar o retorno dos autos sob cuidado à DRF de origem para que aguarde o julgamento definitivo da lide relativa à exclusão da recorrente do SIMPLES. Fl. 206DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 Em resposta a diligência encimada, a autoridade preparadora juntou aos autos a cópia do acórdão do Processo de Exclusão do Simples (e-fls. 165/196), bem como a informação sobre o seu encerramento. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A recorrente arguiu, em preliminar, a nulidade do lançamento, por violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sob a argumentação da ilicitude das provas que embasaram o lançamento, especificamente a quebra do sigilo bancário. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentam-se formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que trata-se de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Relatório Fiscal", além do "Discriminativo Analítico de Débito", "Fundamentos Legais do Débito" e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Fl. 207DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram-se maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito da contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. Concebe-se que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Dito isto, quanto ao argumento do desatendimento à norma previdenciária, verifica-se claramente que a fiscalização observou, criteriosamente, as normas vigentes. Especificamente quanto o argumento de ausência de documentos no processo, observa-se que a Lei Complementar n° 105/2001, a qual dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, já previa, desde janeiro/2001, a possibilidade de a autoridade fiscal examinar as informações referentes a contas de depósito em instituições financeiras. Vejamos: Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Vale salientar ainda que, em 24/02/2016, o Supremo Tribunal Federal julgou, com repercussão geral, constitucionais os dispositivos da LC n° 105/2001 que permitem à Receita Federal obter dados bancários de contribuintes, fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial1. Prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. No que tange à retroatividade da Lei Complementar 105, de 2001, deve ser aplicada a Súmula Carf 35 (vinculante), pela qual “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente”. Explicito ainda que todos os contribuintes, pessoas físicas ou jurídicas, estão obrigados a prestar informações ao Fisco sobre seus rendimentos e operações financeiras, tanto que apresentam regularmente Declarações de Ajuste Anual, ficando sujeitos à auditoria das Fl. 208DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 informações prestadas, quando a fiscalização pode exigir a documentação que julgar necessária para verificar a veracidade das informações prestadas, a cuja entrega estão obrigados os contribuintes. Logo, em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. PREJUDICIAL DE MÉRITO DA DECADÊNCIA A contribuinte alega que deve ser decretada a decadência de parte do lançamento tendo em vista o prazo quinquenal insculpido no § 4° do artigo 150 do CTN. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...] Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de Fl. 209DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Registre-se, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores Fl. 210DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o auto-lançamento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar- se-ia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 211DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontra-se distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula CARF n° 99, que assim dispõe: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato Fl. 212DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. No entanto, no caso dos autos, há de se observar primeiro a existência ou não do DOLO. Em suma, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, no presente caso, por todo o exposto nos itens 5. 6 e 7 do Relatório Fiscal e pelo constante do Termo de Sujeição Passiva Solidária, depreende-se sem nenhuma dúvida a ocorrência de DOLO e FRAUDE, especialmente e principalmente, porque foram constatados pagamentos aos trabalhadores à margem da contabilidade e das Folhas de Pagamento apresentadas. Neste diapasão, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 21/12/2010 (TEAF – fls. 46) com a devida ciência da contribuinte, não há que se falar em decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN. MÉRITO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Como já relatado, o presente auto de infração foi lavrado como consequência da exclusão da contribuinte do Simples. Em suas razões recursais pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal, suscitando basicamente questões relativas ao Ato da sua exclusão do SIMPLES, notadamente quanto ao mérito da exclusão. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Aliás, procede o norte admitido pela contribuinte em sua defesa, uma vez que a presente notificação fora lavrada justamente em decorrência de exclusão da empresa daquele regime de tributação. Entrementes, olvidou-se que aludida questão deve ser objeto de contestação no foro específico, ou seja, em processo administrativo próprio, na forma que a legislação de regência estabelece. Observando-se o processo administrativo n° 13888.004880/2010-87, relativo à exclusão do Simples, houve contestação (manifestação de inconformidade) sido julgada por meio do Acórdão nº 14-33.960, em 27.05.2011, pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, cujo resultado foi pela manutenção da exclusão em tela. A contribuinte apresentou recurso voluntário, o qual foi julgado procedente em parte, porém mantida a exclusão, conforme depreende-se do Acórdão n° 1401-004.338 (e-fls. 352/383), transitado no que diz respeito ao mérito da exclusão, conforme informação constante do Despacho de fls. 388, vejamos: Fl. 213DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 Trata o presente de Auto de Infração Previdenciário. Conforme Resolução de fl. 328, este processo deveria aguardar a conclusão do processo 13888.004880/2010-87. O contencioso do processo citado já está encerrado com ciência ao contribuinte em 14/06/2021, fls. 352 a 386. Portanto, retorno ao CARF para conclusão do julgamento do Recurso Voluntário. Na esteira desse entendimento, torna-se defeso a este Colegiado se manifestar propósito da legalidade/regularidade na exclusão da notificada do SIMPLES, eis que essa matéria deveria ser debatida e encontra-se consumada (contra a recorrente) em processo administrativo próprio, impondo seja contemplada a presente demanda com esteio na decisão exarada nos autos do processo específico do SIMPLES. Dessa forma, uma vez inconteste a condição da contribuinte à época da ocorrência dos fatos geradores, de empresa não optante pelo SIMPLES, sequer merece analisar as demais alegações suscitadas pela autuada. Ademais, acerca da retroatividade dos efeitos do Ato Declaratório Executivo, destaco que, os arts. 31 e 32 da Lei Complementar n° 123/2006 , vigente à época dos fatos e que disciplinava o regime de tributação Simples, definiam o marco temporal dos efeitos da exclusão da seguinte forma: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I - na hipótese do inciso I do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir de 1 o de janeiro do ano-calendário subseqüente, ressalvado o disposto no § 4 o deste artigo; II - na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; III - na hipótese do inciso III do caputdo art. 30 desta Lei Complementar: a) desde o início das atividades; b) a partir de 1º de janeiro do ano-calendário subsequente, na hipótese de não ter ultrapassado em mais de 20% (vinte por cento) o limite proporcional de que trata o§ 10 do art. 3 o ; IV - na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do ano-calendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão; V - na hipótese do inciso IV do caput do art. 30: a) a partir do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) do limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3 o ; b) a partir de 1 o de janeiro do ano-calendário subsequente, na hipótese de não ter ultrapassado em mais de 20% (vinte por cento) o limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3o. § 1 o Na hipótese prevista no inciso III do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a microempresa ou empresa de pequeno porte não poderá optar, no ano-calendário subseqüente ao do início de atividades, pelo Simples Nacional. § 2 o Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. § 3 o O CGSN regulamentará os procedimentos relativos ao impedimento de recolher o ICMS e o ISS na forma do Simples Nacional, em face da ultrapassagem dos limites estabelecidos na forma dos incisos I ou II do art. 19 e do art. 20. Fl. 214DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 § 4 o No caso de a microempresa ou a empresa de pequeno porte ser excluída do Simples Nacional no mês de janeiro, na hipótese do inciso I do caput do art. 30 desta Lei Complementar, os efeitos da exclusão dar-se-ão nesse mesmo ano. § 5 o Na hipótese do inciso II do caput deste artigo, uma vez que o motivo da exclusão deixe de existir, havendo a exclusão retroativa de ofício no caso do inciso I do caput do art. 29 desta Lei Complementar, o efeito desta dar-se-á a partir do mês seguinte ao da ocorrência da situação impeditiva, limitado, porém, ao último dia do ano-calendário em que a referida situação deixou de existir. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitar-se-ão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, um dos efeitos imediatos da exclusão do Simples Federal é a tributação pelas regras aplicáveis às empresas em geral, por força de expressa disposição legal, sendo que a decisão que exclui a empresa do Programa Simples Nacional, apenas tem o condão de formalizar uma situação que já ocorrera de fato, tendo, assim, efeitos meramente declaratórios. Em outras palavras, a exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base na legislação de regência. E ainda que assim não o fosse, a retroatividade dos efeitos do ato de exclusão da empresa do Simples Federal é determinada pela legislação tributária e seu eventual afastamento por suposta ofensa ao Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária é matéria que foge à competência material do Processo Administrativo Fiscal. Neste diapasão, deve ser mantido o lançamento. DA MULTA – CONFISCATÓRIA A recorrente insurge-se também quanto à multa ferir o princípio do não confisco. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restando-lhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo, fato incontestável, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 215DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-010.480 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.005538/2010-02 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Neste diapasão, irretocável o lançamento neste quesito. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Nos presentes autos, não foi imputada a responsabilidade passiva solidária com relação as pessoas físicas Cicero Melo da Silva e Lígia Santana Correr. Portanto, deixo de tecer maiores elucidações a respeito da matéria. CONCLUSÃO Por todo o exposto, estando o lançamento sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para rejeitar a preliminar e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 216DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724349/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 19 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Jan 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO.
Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os requisitos da lei, dentre eles terem sido os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e terem sido tributados pela contribuição na aquisição.
CRÉDITO. ARMAZENAGEM. CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS. TERMÓGRAFO. APARELHOS DE FILTRAR GASES. FILTROS. CERA DE POLIMENTO. POSSIBILIDADE.
Considerando que a conservação de alimentos é elemento inerente e imprescindível à sua armazenagem nas diferentes etapas de venda, admite-se o desconto de crédito nas aquisições de termógrafo, aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros e cera de polimento, mas desde que não tenham vida útil superior a um ano, observados os demais requisitos da lei.
CRÉDITO. ÓLEO LUBRIFICANTE. PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
Dão direito a crédito os gastos com óleo lubrificante consumido em tratores utilizados no processo produtivo, observados os demais requisitos da lei.
CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE. ALIMENTO. POSSIBILIDADE.
Dão direito a crédito os dispêndios com material de embalagem de transporte de alimentos (caixas de papelão, pallet marítimo, cantoneiras, sombrites, telas mosquiteiro, rede de proteção para manga, fitas, papel cristal, papel seda, selos, etiquetas etc.) em razão de sua imprescindibilidade à conservação dos produtos durante o transporte da origem até o destino final, observados os demais requisitos da lei.
CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Por se tratar de serviços dispendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
MATÉRIA NÃO ARGUIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Por preclusão, não se conhece de matéria não arguida na primeira instância, somente alegada em sede de recurso voluntário.
Numero da decisão: 3201-010.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de reverter as glosas de crédito, observados os demais requisitos da lei, relativamente aos seguintes itens: (i) aquisições de termógrafo, aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros e cera polimento, desde que tais produtos não tenham vida útil superior a um ano, (ii) aquisições de óleo lubrificante, (iii) aquisições de caixas de papelão, pallets, cantoneiras e demais itens utilizados em embalagem de transporte das frutas e (iv) dispêndios com fretes no transporte de adubo, fertilizantes e materiais de embalagem; vencidos os conselheiros Ricardo Sierra Fernandes, que negava provimento integral ao recurso, e Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, que negava provimento em menor extensão, alcançando apenas os créditos referentes a embalagens de transporte e seu reflexo nos respectivos fretes. Inicialmente, o conselheiro Ricardo Sierra Fernandes havia proposto a conversão do julgamento em diligência, proposta essa rejeitada pelos demais conselheiros.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO. Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os requisitos da lei, dentre eles terem sido os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e terem sido tributados pela contribuição na aquisição. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS. TERMÓGRAFO. APARELHOS DE FILTRAR GASES. FILTROS. CERA DE POLIMENTO. POSSIBILIDADE. Considerando que a conservação de alimentos é elemento inerente e imprescindível à sua armazenagem nas diferentes etapas de venda, admite-se o desconto de crédito nas aquisições de termógrafo, aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros e cera de polimento, mas desde que não tenham vida útil superior a um ano, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. ÓLEO LUBRIFICANTE. PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Dão direito a crédito os gastos com óleo lubrificante consumido em tratores utilizados no processo produtivo, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM DE TRANSPORTE. ALIMENTO. POSSIBILIDADE. Dão direito a crédito os dispêndios com material de embalagem de transporte de alimentos (caixas de papelão, pallet marítimo, cantoneiras, sombrites, telas mosquiteiro, rede de proteção para manga, fitas, papel cristal, papel seda, selos, etiquetas etc.) em razão de sua imprescindibilidade à conservação dos produtos durante o transporte da origem até o destino final, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 43 49 /2 01 3- 29 Fl. 266DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 Por se tratar de serviços dispendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 MATÉRIA NÃO ARGUIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Por preclusão, não se conhece de matéria não arguida na primeira instância, somente alegada em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de reverter as glosas de crédito, observados os demais requisitos da lei, relativamente aos seguintes itens: (i) aquisições de termógrafo, aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros e cera polimento, desde que tais produtos não tenham vida útil superior a um ano, (ii) aquisições de óleo lubrificante, (iii) aquisições de caixas de papelão, pallets, cantoneiras e demais itens utilizados em embalagem de transporte das frutas e (iv) dispêndios com fretes no transporte de adubo, fertilizantes e materiais de embalagem; vencidos os conselheiros Ricardo Sierra Fernandes, que negava provimento integral ao recurso, e Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, que negava provimento em menor extensão, alcançando apenas os créditos referentes a embalagens de transporte e seu reflexo nos respectivos fretes. Inicialmente, o conselheiro Ricardo Sierra Fernandes havia proposto a conversão do julgamento em diligência, proposta essa rejeitada pelos demais conselheiros. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte acima identificado para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem em que se reconhecera apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa (vendas no mercado externo e no mercado interno não tributadas), e, por conseguinte, se homologaram parcialmente as compensações correspondentes. Fl. 267DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 Segundo o contrato social, a empresa tem como objeto social a exploração da atividade agrícola de plantio e cultivo de frutas tropicais, a exportação, a importação, a comercialização, o beneficiamento e a industrialização de produtos agrícolas, próprios ou de terceiros, bem como de quaisquer outros produtos manufaturados, podendo, também, promover vendas no mercado interno de produtos agrícolas e o transporte intermunicipal e interestadual de cargas. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, devidamente intimado, o contribuinte apresentou todos os documentos e informações solicitados, tendo sido glosados créditos em relação aos bens e serviços a seguir identificados, em razão do entendimento da Fiscalização de que, para se caracterizar como insumo, o bem ou serviço devia ser intrínseco à atividade desenvolvida, aplicado ou consumido na fabricação do produto ou no serviço prestado, e empregado diretamente na produção, não bastando a geração de um custo/despesa fabril: a) bens adquiridos sem incidência da contribuição (adubos, fertilizantes e defensivos agrícolas); b) produtos não enquadrados como insumos: (i) termógrafos (utilizados para registrar a temperatura do contêiner nas operações de exportação desde a origem até o destino), (ii) aparelhos para filtrar gases (utilizados para diminuir a concentração de gases no interior do contêiner e, por consequência, retardar o processo de maturação do fruto), (iii) filtro etileno Always Fresh (utilizado em conjunto com o aparelho para filtrar gases), (iv) cera para polimento do fruto e (v) óleo lubrificante utilizado em veículos da empresa; c) material de embalagem para transporte, utilizados no acondicionamento, proteção, amarração e separação das frutas (produto final) desde a expedição da empresa até a chegada ao cliente (caixas de papelão, pallet marítimo, cantoneiras, sombrites, telas mosquiteiro, rede de proteção para manga, fitas, papel cristal, papel seda, selos, etiquetas etc.); d) fretes vinculados a aquisições de adubos e fertilizantes, bem como de materiais de embalagem para transportes ou de produtos não utilizados como insumos. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da procedência dos créditos, aduzindo o seguinte: 1) a não cumulatividade das contribuições deve ser interpretada de forma ampla, razão pela qual dão direito a crédito as aquisições de bens e serviços considerados custos de produção, conforme jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário; 2) o termógrafo é essencial ao transporte, armazenagem e conservação das frutas, sendo, portanto, despesas necessárias à produção, consistindo em aparelho utilizado para registrar e monitorar a temperatura do contêiner, tendo sido criado para solucionar, de vez, as variações de temperatura no transporte de cargas perecíveis e/ou sensíveis ao calor, pois acompanha a carga em todo o seu trajeto, traduzindo em gráfico todo o histórico das oscilações de temperatura sofridas pelo produto transportado até o destino final; 3) no mesmo sentido, os aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros destinam-se a reter as partículas sólidas ou líquidas em suspensão na atmosfera a fim de retardar a maturação da fruta durante a viagem no interior do contêiner; Fl. 268DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 4) a cera de polimento é empregada extensivamente, não só para melhorar a aparência do fruto, mas também e sobretudo, para conservar a fruta, impedindo a perda de água; 5) a fruta é um organismo vivo que respira e responde aos estímulos externos, como as temperaturas, pancadas e umidade, influenciando seu tempo de vida e apresentação, sendo por esse motivo que os exportadores precisam utilizar os referidos aparelhos para realizar o transporte dos frutos, mantendo suas características próprias para um determinado tempo de consumo; 6) o Acordo Internacional de Transportes - ATP estabeleceu uma regulamentação técnico-sanitária, instituída para garantir que os alimentos perecíveis cheguem preservados no mercado consumidor final, sendo que, para se garantir a conservação das frutas, sem perder sua originalidade ou higidez, o exportador precisa se adequar às exigências rigorosas do transporte de alimentos perecíveis, investindo em produtos e aparelhos modernos, sobretudo relacionados à manutenção da temperatura dos alimentos; 7) as aquisições de óleo lubrificante geram direito a crédito no regime não cumulativo das contribuições PIS/Cofins, já que são utilizados ou consumidos por tratores que efetuam o transporte das frutas da área de produção até os galpões da empresa, além de auxiliar na aplicação de inseticidas e defensivos no pomar, sendo, assim, considerados insumos indiretos, conforme soluções de consulta da Receita Federal; 8) as caixas de papelão, os pallets, as cantoneiras e demais itens discriminados, não retornáveis, se revelam indubitavelmente imprescindíveis para com a conservação dos produtos, tendo como finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores e promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos contêineres, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até o destino final, conforme jurisprudência do CARF; 9) os dispêndios com os fretes pagos pelo contribuinte para transportar adubo, fertilizantes e materiais de embalagem compõem custos necessários à produção, gerando, assim, direito a crédito, independentemente de os produtos transportados serem ou não tributados pelas contribuições. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo as glosas efetuadas pela Fiscalização, inobstante ter adotado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) expresso no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em que o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins passou a ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa, aduzindo ainda o seguinte: a) o acórdão recorrido falta com a necessária boa-fé ao afirmar que o STJ vinculou o crédito das contribuições unicamente às despesas relacionadas ao processo produtivo, tratando-se de verdadeiro malabarismo argumentativo para continuar aplicando o entendimento reconhecidamente ilegal; Fl. 269DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 b) o direito a crédito em relação a gastos com serviços de transporte, abarcando os aparelhos utilizados na conservação das frutas durante o transporte, encontra suporte legal no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, inexistindo vinculação desse gasto ao processo produtivo; c) por se tratar de produtos perecíveis, o produtor/exportador não pode, simplesmente, despachar as frutas em um contêiner convencional, como um produto qualquer, posto ser fundamental garantir sua conservação, através dos referidos aparelhos, para viabilizar sua venda e consumo no exterior após dias de trajeto, via de regra marítimo; isso porque as frutas, diferentemente de alguns outros produtos agrícolas, são altamente perecíveis e por esse motivo os exportadores precisam utilizar técnicas sofisticadas para manter a qualidade do fruto transportado ao consumidor final, isto com o mínimo de perdas possível; d) atualmente, o CARF entende que o conceito de insumo também se estende aos materiais de embalagem de produtos perecíveis; e) a aquisição de produtos com alíquota 0 (zero) não significa não incidência ou isenção da contribuição, gerando, portanto, direito ao desconto de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que se reconheceu apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa (vendas no mercado externo e no mercado interno não tributadas), e, por conseguinte, se homologaram parcialmente as compensações correspondentes. De início, deve-se registrar que, somente em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente passa a contestar a glosa de crédito nas aquisições de produtos submetidos à alíquota zero, tratando-se, portanto, de matéria preclusa, já decidida definitivamente na esfera administrativa, que não será objeto de análise neste voto. Remanescem controvertidas nesta instância as seguintes matérias: a) crédito na aquisição de termógrafo, aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros, cera de polimento e óleo lubrificante; b) crédito na aquisição de caixas de papelão, pallet marítimo, cantoneiras, sombrites, telas mosquiteiro, rede de proteção para manga, fitas, papel cristal, papel seda, selos, etiquetas e demais itens utilizados em embalagem de transporte; Fl. 270DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 c) crédito em relação a fretes pagos pelo contribuinte para transportar adubo, fertilizantes e materiais de embalagem. Para análise do pleito do Recorrente, observar-se-ão os dispositivos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 que regem as matérias controvertidas, com destaque para o seu art. 3º, inciso II, em que se prevê o desconto de créditos na aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na produção ou na prestação de serviços, tendo-se em conta o critério da essencialidade (dispêndios necessários ao funcionamento do fator de produção), nos termos definidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1.221.170, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. I. Crédito. Aquisição de termógrafo, aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros, cera de polimento e óleo lubrificante. A Fiscalização glosou créditos relativos à aquisição de termógrafo, aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros, cera polimento e óleo lubrificante, por considerar tais itens como não enquadráveis no conceito de insumo por ela adotado. O Recorrente argumenta que as frutas por ele vendidas, inclusive ao mercado externo, são organismos vivos que respiram e respondem aos estímulos externos, como as temperaturas, pancadas e umidade, influenciando seu tempo de vida e apresentação, sendo por esse motivo que os exportadores precisam utilizar os referidos aparelhos para realizar o transporte dos frutos, mantendo suas características próprias para um determinado tempo de consumo. Ainda segundo ele, o Acordo Internacional de Transportes - ATP estabeleceu uma regulamentação técnico-sanitária, instituída para garantir que os alimentos perecíveis cheguem preservados no mercado consumidor final, sendo que, para se garantir a conservação das frutas, sem perder sua originalidade ou higidez, o exportador precisa se adequar às exigências rigorosas do transporte de alimentos perecíveis, investindo em produtos e aparelhos modernos, sobretudo relacionados à manutenção da temperatura dos alimentos. Em relação aos aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros, o Recorrente aduz que eles se destinam a reter as partículas sólidas ou líquidas em suspensão na atmosfera a fim de retardar a maturação da fruta durante a viagem no interior do contêiner. Quanto à cera de polimento, ela é empregada extensivamente, não só para melhorar a aparência do fruto, mas também e sobretudo para conservar a fruta, impedindo a perda de água No que tange às aquisições de óleo lubrificante, segundo o Recorrente, elas geram direito a crédito por se referirem a bem utilizado ou consumido em tratores que efetuam o transporte das frutas da área de produção até os galpões da empresa, além de auxiliar na aplicação de inseticidas e defensivos no pomar, sendo, assim, considerados insumos indiretos, conforme soluções de consulta da Receita Federal. Daniel Bouzas Savia, especialista em controle de qualidade de alimentos, assim expôs acerca do termógrafo: O termógrafo é um dispositivo eletrônico capaz de medir e ao mesmo tempo registrar a temperatura, oferecendo grande utilidade durante o transporte de mercadorias que devem atender a uma determinada cadeia de frio. É muito Fl. 271DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 utilizado em contêineres em navios, bem como em conjunto com o carregamento rodoviário em caminhões ou veículos de pequeno porte, pois é utilizado tanto no transporte de alimentos quanto no transporte de medicamentos que necessitam de rede de frio. Existem diversos modelos adaptáveis à duração da viagem e à frequência com que se pretende medir e registrar a temperatura, podendo-se registrar em papel num gráfico de fácil leitura ou com dados digitais que ficam armazenados em dispositivos informáticos. Em geral, são baratos e garantem um registro adequado da constância das condições de temperatura durante o transporte. Constituem também uma garantia para as partes envolvidas, sejam elas o produtor, o transportador ou o cliente. Na minha experiência, durante a exportação por transporte rodoviário de queijo prato de uma fábrica de processamento localizada na cidade de Paysandú (Uruguai), para a cidade de São Paulo no Brasil, a mercadoria chegava ao seu destino com um problema de alta temperatura, que afetava sua qualidade e prazo de validade. Nesse caso aconteceu que o caminhão teve problemas com seu equipamento de refrigeração e isso ficou evidenciado no registro dos 2 termógrafos localizados junto à carga. Esse registro foi um teste consistente para fazer a reclamação correspondente à seguradora e manteve a confiança entre o produtor e o comprador. Respeite a autoria e a continuidade da informação de qualidade, referenciando a fonte pelo hiperlink completo. O material produzido pela FoodSafetyBrazil.org é protegido pela lei 9.610/98. (do artigo: https://foodsafetybrazil.org/importancia-do-uso-do-termografo-no- transporte-de-alimentos/ - g.n. Consulta realizada em 05/10/2021) O Centro de Pesquisa em Alimentos assim se pronunciou sobre a cera aplicada em frutas,: As frutas produzem uma cera natural para protegê-las, mas ela é eliminada no processo de beneficiamento após a colheita, quando passam por lavagens com detergente e cloro para eliminar os defensivos agrícolas e sujeira do campo. Por isso, os produtores precisam repor a cera artificialmente, na forma de uma película protetora brilhosa. Além de impedir parte da perda de água, a cera também protege a fruta contra o ataque de fungos que se encontram no ambiente. (https://alimentossemmitos.com.br/ceras-que-dao-brilho-as-frutas-nao-sao-toxicas-e- tem-a-funcao-de-protege-las - g.n. Consulta realizada em 05/10/2021) Em relação aos aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros, obteve-se a seguinte informação: O processo consiste em substituir o ar que envolve o produto que se deseja conservar ou envasar por um gás ou mistura de gases de pureza alimentar, o qual (ou os quais) ofereça(m) melhores condições para a manutenção da qualidade física, química e microbiológica do produto, por um período de tempo maior. Tal processo pode aumentar ainda a resistência mecânica das embalagens. (https://ambientes.ambientebrasil.com.br/energia/gases/aplicacao_de_gases_em_transpo rte_de_alimentos.html – g.n. Consulta realizada em 05/10/2021) Verifica-se dos excertos supra, bem como das informações constantes do Termo de Verificação Fiscal e dos recursos do Recorrente, que se está diante de equipamentos utilizados na conservação de produtos alimentícios durante o seu transporte em operações de venda nos mercados interno e externo. Sobre essa matéria, transcrevem-se os seguintes excertos: O “Acordo sobre transportes internacionais de mercadorias perecíveis e sobre veículos especiais utilizados neste transporte” (ATP) foi assinado em Genebra em 01- 09-1970 tendo em vista garantir ao consumidor final que os alimentos cheguem em condições higiénicas adequadas. O referido acordo é uma regulamentação técnico- Fl. 272DF CARF MF Original https://foodsafetybrazil.org/importancia-do-uso-do-termografo-no-transporte-de-alimentos/ https://foodsafetybrazil.org/importancia-do-uso-do-termografo-no-transporte-de-alimentos/ https://alimentossemmitos.com.br/ceras-que-dao-brilho-as-frutas-nao-sao-toxicas-e-tem-a-funcao-de-protege-las%20-%20g.n https://alimentossemmitos.com.br/ceras-que-dao-brilho-as-frutas-nao-sao-toxicas-e-tem-a-funcao-de-protege-las%20-%20g.n https://ambientes.ambientebrasil.com.br/energia/gases/aplicacao_de_gases_em_transporte_de_alimentos.html https://ambientes.ambientebrasil.com.br/energia/gases/aplicacao_de_gases_em_transporte_de_alimentos.html Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 sanitária que estabelece como se devem transportar os alimentos perecíveis, especifica os requisitos que os veículos especiais que os transportam devem cumprir e estabelece os procedimentos de controlo necessários para garantir o seu cumprimento. (https://www.tatomafrio.com/pt/acordo-sobre-transportes-internacionais-de-mercadorias -pereciveis-atp. g.n. Consulta realizada em 05/10/2021) (...) O transporte internacional de produtos alimentares perecíveis só pode ser realizado por quem possua um Certificado ATP, de acordo com acordo relativo a transportes internacionais de produtos alimentares e aos equipamentos especializados a utilizar nesses transportes (ATP) A obtenção de certificado ATP é obrigatória para os veículos que realizam transportes internacionais de produtos alimentares perecíveis, e também para os veículos que realizam transportes desses produtos exclusivamente no território nacional se a respetiva largura for superior a 2.55 m (podendo, no caso de ser obtido o certificado ATP, atingir 2.60m). Para a realização de transportes nacionais nos casos de veículos cuja largura não exceda 2.55 m, a certificação ATP tem atualmente carácter voluntário. Cabe ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT -www.imtt.pt), assegurar o cumprimento da regulamentação relativa aos equipamentos utilizados em veículos de transporte de produtos alimentares perecíveis. (https://www.asae.gov.pt/perguntas-frequentes1/transporte-internacional-de-alimentos- pereciveis.aspx. g.n. Consulta em 05/10/2021) Verifica-se que a conservação de alimentos durante o transporte é matéria regulamentada internacionalmente, razão pela qual as medidas tomadas pelas empresas que atuam no setor se mostram não apenas essenciais mas imprescindíveis, sob pena de se inviabilizar o negócio, pois se está diante de produtos perecíveis que afetam diretamente a saúde humana. A compreensão acerca da inclusão de tais produtos no bojo da operação de armazenagem pode ser extraída do seguinte texto: Nas empresas modernas, que sempre estão em busca de redução de estoques, soluções em armazenagem de alimentos pode ser um ponto de extrema garantia da qualidade dos alimentos. E o fator “tempo”, passa a ser um dos principais elementos da cadeia de distribuição. Os alimentos perdem sua originalidade geralmente dentro do processo logístico praticado pela empresas, durante a armazenagem, movimentação dos itens e durante o transporte dos mesmos. A logística precisa agregar mais valor ao produto em todos os processos, contudo isso se torna difícil, quando chega ao cliente e o produto não consegue atender as suas necessidades. Na logística de alimentos perecíveis, a diferença entre um bom alimento e um perfeito, é a habilidade de se resolver os gargalos do processo da cadeia de distribuição que prejudicam seu desempenho. A necessidade de desenvolver centros de distribuição (CD), próximos aos grandes centros de consumo, é de grande importância para as empresas do setor alimentício, devido à grande sazonalidade dos produtos. Os alimentos em geral, precisam sempre estar à disposição, e próximo da demanda das grandes praças de consumo, ou seja, perto do consumidor final. Neste momento a cadeia de distribuição entra com grande valor relacionado à sua complexa função, tempo e o lugar, em busca do atendimento perfeito. Mas o problema maior esta geralmente na sua produção, se as empresas conseguissem entrar em um processo produtivo enxuto, que engloba vários fatores, consistindo em reduzir falhas e desperdícios durante a produção dos alimentos, elas conseguiriam maximizar os desperdícios durante toda a cadeia de distribuição. Fl. 273DF CARF MF Original https://www.tatomafrio.com/pt/acordo-sobre-transportes-internacionais-de-mercadorias https://www.asae.gov.pt/perguntas-frequentes1/transporte-internacional-de-alimentos-pereciveis.aspx https://www.asae.gov.pt/perguntas-frequentes1/transporte-internacional-de-alimentos-pereciveis.aspx Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 (https://www.solucoestransportes.com.br/blog/a-perecibilidade-como-fator-critico-na- logistica-de-distribuicao-de-alimentos/ g.n. Consulta em 05/10/2021) Diante do exposto e tendo em vista a regra contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 1 , revertem-se as glosas de créditos relativos às aquisições de termógrafo, aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros e cera polimento, observados os demais requisitos da lei e desde que tais produtos não tenham vida útil superior a um ano. Quanto ao óleo lubrificante consumido em tratores que efetuam o transporte das frutas da área de produção até os galpões da empresa, sendo usados ainda na aplicação de inseticidas e defensivos no pomar, trata-se de item cujo direito ao desconto de crédito encontra- se previsto expressamente no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 2 , dado seu uso no contexto do processo produtivo. Esta turma julgador já decidiu sobre essa matéria nos seguintes termos: CRÉDITO. TRANSPORTE DE MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS EM ELABORAÇÃO E PRODUTOS ACABADOS. PROCESSO PRODUTIVO. OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. Por se inserir no contexto do processo produtivo ou em operação de venda, enseja direito a crédito da contribuição não cumulativa a aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados no transporte, em veículos próprios, de matérias primas, bens em produção ou bens prontos para venda, independentemente de se tratar de transporte entre estabelecimentos ou no interior do parque produtivo, mas desde que observados os demais requisitos da lei e se encontrar devidamente comprovada com documentação hábil e idônea. (Acórdão nº 3201-009.150, rel. Hélcio Lafetá Reis, j. 27/08/2021) (...) CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE INSUMOS E PRODUTOS ACABADOS. Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados no transporte de insumos (matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem) e de produtos acabados, por serem tais serviços essenciais para a produção e atividade do sujeito passivo - industrialização e comercialização. (Acórdão nº 3201-008.620, rel. Paulo Roberto Duarte Moreira, j. 21/06/2021) II. Crédito. Embalagem de transporte. O Recorrente pleiteia o direito ao desconto de crédito em relação às aquisições de caixas de papelão, pallets, cantoneiras e demais itens utilizados em embalagem de transporte. Segundo ele, tais itens se revelam imprescindíveis à conservação dos produtos, tendo como 1 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. 2 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 274DF CARF MF Original https://www.solucoestransportes.com.br/blog/a-perecibilidade-como-fator-critico-na-logistica-de-distribuicao-de-alimentos/ https://www.solucoestransportes.com.br/blog/a-perecibilidade-como-fator-critico-na-logistica-de-distribuicao-de-alimentos/ Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 finalidade a acomodação das caixas em unidades maiores, promovendo, assim, uma eficiente movimentação das mercadorias nas empilhadeiras e carregamento nos contêineres, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até o destino final. Trata-se de matéria também já enfrentada no CARF, conforme se verifica dos trechos de ementa a seguir transcritos: PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM E DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os custos/despesas incorridos com embalagens utilizados para acondicionamento e transporte, como garrafas para iogurte, potes, tampas de alumínio, rótulos, caixas de papelão, sacos de papel c/ plástico, filme “stretch, pallet de madeira, entre outros, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. (Acórdão nº 3302-011.391, rel. Denise Madalena Green, j. 28/07/2021) (...) CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e chegar ao consumidor em perfeitas condições, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. (Acórdão nº 3302-011.168, rel. Gilson Macedo Rosenburg Filho, j. 22/06/2021) (...) PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. PALETES. ESTRADOS. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. A respeito de paletes, estrados e semelhantes encontrando-se preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esses insumos, quais sejam: i) a importância para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito. (Acórdão nº 3201-005.563, rel. Leonardo Correia Lima Macedo, j. 21/08/2019) Nesse sentido, revertem-se as glosas relativas às aquisições de material de embalagem, observados os demais requisitos da lei. III. Crédito. Fretes. O Recorrente pleiteia o direito ao desconto de crédito em relação aos fretes por ele pagos para transportar adubos, fertilizantes e material de embalagem. Fl. 275DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 Trata-se de serviços essenciais ao processo produtivo, independentemente da tributação ou não dos bens transportados, cujo desconto de crédito encontra respaldo no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 3 , conforme jurisprudência deste Colegiado: COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado, não sendo aplicada a restrição na apuração do crédito do art. 8º da Lei nº 10.925/2004.Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido, geram direito integral ao crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (Acórdão nº 3201-008.498, rel. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, j. 27/05/2021) (...) FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU COM APURAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os serviços de transporte utilizados na aquisição de insumos, apesar de integrarem o custo de aquisição dos bens adquiridos, possuem análise autônoma, sendo possível o desconto de créditos dada a sua essencialidade ao processo produtivo. (Acórdão nº 3402-008.165, rel. Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, j. 23/03/2021) Revertem-se, também, as glosas relativas aos fretes, observados os demais requisitos da lei. IV. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por não conhecer de parte do recurso voluntário, por preclusão, e, na parte conhecida, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de reverter as glosas de crédito, observados os demais requisitos da lei, relativamente aos seguintes itens: a) aquisições de termógrafo, aparelhos de filtrar gases e seus respectivos filtros e cera polimento, desde que tais produtos não tenham vida útil superior a um ano; b) aquisições de óleo lubrificante; c) aquisições de caixas de papelão, pallets, cantoneiras e demais itens utilizados em embalagem de transporte de frutas; d) dispêndios com fretes no transporte de adubo, fertilizantes e materiais de embalagem. É o voto. 3 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 276DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-010.111 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.724349/2013-29 (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 277DF CARF MF Original
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