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Numero do processo: 10880.677974/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de julho/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 97 4/ 20 09 -1 8 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 291 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 292 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 293 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide gira se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 294 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 295 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 296 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 297 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 298 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 299 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 300 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 301 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 302 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 303 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677974/200918 Resolução nº 3302000.472 S3C3T2 Fl. 304 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 10410.902202/2012-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
PROCEDIMENTO FISCAL. ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. DISPONIBILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA.
As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e que não tenham optado pelo SIMPLES, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO.
Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não-atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo e indeferimento do pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23.878.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 PROCEDIMENTO FISCAL. ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. DISPONIBILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e que não tenham optado pelo SIMPLES, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não-atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo e indeferimento do pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS DE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO. DISPONIBILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA. As pessoas jurídicas que utilizam sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, e que não tenham optado pelo SIMPLES, são obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), os respectivos arquivos digitais e sistemas. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO ATENDIMENTO. INDEFERIMENTO. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o nãoatendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo e indeferimento do pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz, OAB/PE nº 23.878. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 22 02 /2 01 2- 61 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902202/201261 Acórdão n.º 3801004.068 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani –Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. . “O presente processo trata contencioso sobre o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, instruído através do PER/Dcomp 03540.25352.280408.1.1.112925, transmitido em 28/04/2008, relativo a suposto crédito de Cofins não cumulativa – mercado interno, do 3º trimestre de 2007. 2. Conforme informado no Despacho Decisório, “... não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF n. 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado”. Diante disto, foi indeferido o pedido de restituição/ressarcimento. 3. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, alegando que: 3.1. a fundamentação do Despacho Decisório é insubsistente, pois não estava obrigada a apresentar os tais arquivos digitais, uma vez que o art. 1º da IN 86/01 dispõe que apenas as pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, é que estão obrigadas a manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos arquivos digitais e sistemas, de sorte que as empresas que não utilizam sistema eletrônico não estão obrigadas; 3.3. seria absurdo exigir que empresas que não utilizam sistema eletrônico, assim que intimadas passem a adquirir software e lancem a contabilidade retroativamente para só aí poder gerar arquivos digitais, o que levaria anos para uma ME, além de ser caro; Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902202/201261 Acórdão n.º 3801004.068 S3TE01 Fl. 4 3 3.4. nenhum direito pode ser negado por falta de arquivo digital, pois não se enquadra na IN 86/01, por não usar sistema eletrônico; 3.5. a ressalva da IN é repetida no art. 11 da lei 8.212/91, reforçada pelo seu §2°, que dispensa da obrigação as empresas optantes pelo Simples Federal (lei 9.317/96); 3.6. não tendo a empresa descumprido nenhuma norma e como o Despacho só negou por esse motivo, não há o óbice apresentado no Despacho Decisório, devendo ser deferido o direito pleiteado no PER/Dcomp. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2007 ARQUIVOS DIGITAIS E SISTEMAS. FORNECIMENTO. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. Deve ser indeferido o crédito pleiteado por contribuinte que tenha optando pela escrituração em meio magnético (digital) e tenha se negado a apresentar os arquivos digitais correspondentes, quando para isso intimado. Ciente da decisão de primeira instância administrativa, a contribuinte apresentou recurso voluntário no alega que: i) Não utiliza sistema de processamento eletrônico para escriturar sua contabilidade; ii) Registra sua movimentação em livros fiscais em papel; iii) O fato de utilizar certificação digital para transmitir DIPJ e retirar certidão negativa não significa que faça contabilidade digital ou utilize o SPED e não se pode confundir software para conciliar movimentação em computador com o efetivo registro contábil, que se faz nos livros contábeis. iv) É microempresa e, por isso, não está obrigada a apresentar arquivos digitais, tendo em vista o disposto na IN 86/01, no ADE 15/01 e no art. 11 da Lei nº 8.218/91 v) Inexiste o único óbice apontado no despacho decisório que implicou o indeferimento do pedido de ressarcimento, logo, deve ser deferido seu pleito amparado no PER/DCOMP. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902202/201261 Acórdão n.º 3801004.068 S3TE01 Fl. 5 4 vi) Se não for deferido, que se proceda à diligência para verificar o registro contábil da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Sobre a admissibilidade do recurso. A ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 04/09/2013 e o recurso voluntário foi apresentado em 04/10/2013. Logo, é tempestivo. Também atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Mérito O Despacho Decisório contém no quadro 3, destinado à fundamentação, decisão e enquadramento legal, os seguintes dizeres: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado. Diante do exposto, INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado. Para informações complementares da análise de crédito, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMP Despacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 39 e 40 da Lei 9.784, de 1999, Instrução Normativa SRF nº 86, de 2001, Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 2001, e Art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.” Transcrevo as normas que fundamentaram a decisão: Lei nº 9.784, de 29/1/1999: “Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902202/201261 Acórdão n.º 3801004.068 S3TE01 Fl. 6 5 Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.” IN SRF 86, de 22/10/2001: "Art. 1º As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal (SRF), os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Parágrafo único. As empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo. Art. 2º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1º, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. Art. 3º Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE), estabelecer a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas dos arquivos digitais e sistemas de que trata o art. 2º. § 1º Os arquivos digitais referentes a períodos anteriores a 1º de janeiro de 2002 poderão, por opção da pessoa jurídica, ser apresentados na forma estabelecida no caput. § 2º A critério da autoridade requisitante, os arquivos digitais poderão ser recebidos em forma diferente da estabelecida pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, inclusive em decorrência de exigência de outros órgãos públicos. § 3º Fica a critério da pessoa jurídica a opção pela forma de armazenamento das informações." (grifouse). A Lei nº 8.212., de 1991, ampara a instrução normativa citada acima. Lei 8.212, de 1991 "Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902202/201261 Acórdão n.º 3801004.068 S3TE01 Fl. 7 6 decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) )...) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados.(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)" (grifou se) Da leitura destas normas verificamse dois requisitos não cumulativos para que a contribuinte não esteja obrigada a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os arquivos digitais e sistemas de processamento de dados: 1º) A nãoutilização dos sistemas e dos arquivos digitais; 2º) O nãoenquadramento no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A opção pela utilização dos sistemas de processamento eletrônico de dados e arquivos digitais é da contribuinte. Porém, uma vez efetivada a opção, não pode ela deixar de cumprir a obrigação de manter à disposição da RFB os arquivos digitais e sistemas, ressalvada a situação de se enquadrar, também por opção sua, no SIMPLES. No acórdão recorrido, foi copiada tela de consulta à DIPJ da contribuinte, em especial a Ficha 61A, na qual se verifica que ela fez opção pela escrituração em meio magnético para os exercícios 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008. Na mesma consulta se verifica a tributação pelo lucro real, o que também se vê no PER/DCOMP apresentado pela contribuinte. A recorrente afirma que é microempresa e que não utiliza sistema de processamento eletrônico para escriturar sua contabilidade. Por isso, não está obrigada a apresentar arquivos digitais. O que se verifica nos autos é que, no período em discussão, ela havia feito opção pela escrituração em meio magnético e não havia feito opção pelo SIMPLES. E, após intimada, não apresentou os arquivos digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, na forma e prazo estabelecidos em conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração. O comando de arquivamento do processo, previsto no art. 40 da Lei nº 9.784, de 1999, implica o indeferimento do pedido de ressarcimento, uma vez que a Administração Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10410.902202/201261 Acórdão n.º 3801004.068 S3TE01 Fl. 8 7 tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência, nos termos do art. 48 dessa lei. Ressaltese que o ônus da prova do direito de crédito alegado é da contribuinte, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil, e que o pedido de ressarcimento só poderia ser deferido para crédito devidamente comprovado.. Logo, correto o despacho decisório em não deferir o pedido de ressarcimento Conclusão. Pelo exposto, tendo em vista que a contribuinte optou pela escrituração em meio magnético, não optou pelo SIMPLES e, após intimada, não apresentou os arquivos digitais que permitiriam confirmar a existência do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 23034.005199/2002-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/2002
FALTA DE TIPIFICAÇÃO LEGAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular o lançamento por vício material. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1996 a 30/06/2002 FALTA DE TIPIFICAÇÃO LEGAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Recurso Voluntário Provido.
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NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular o lançamento por vício material. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 51 99 /2 00 2- 41 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 23034.005199/200241 Acórdão n.º 2403002.786 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da Divisão de Análise de Defesa, fls. 71/72, que julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no procedimento 467/2002, fl. 34, referente ao período compreendido entre o segundo semestre de 1997, segundo semestre de 1998 e primeiro semestre de 2001, conforme o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, fls. 20/23, no valor de R$ 49.164,10 (quarenta e nove mil, cento e sessenta e quatro reais e dez centavos). A presente autuação almeja o pagamento de crédito tributário referente à contribuição do SalárioEducação, pois, apesar de ter recolhido normalmente e apresentado todas as declarações, não ouve o prova suficiente do sistema RAÍ para comprovar as deduções efetuadas nos semestres acima informados. Para tanto, vejase trecho do documento de fl. 34: 2. Após inspeção na empresa e pesquisas em nossos sistema, constatamos que a empresa está recolhendo normalmente a contribuição do SalárioEducação. Quanto as indenizações a empresa apresentou todas as declarações, sendo que não houve o povoamento suficiente do sistema RAI para comprovar as deduções efetuadas, referentes aos semestres, 2º de 1997, 2º de 1998, 1º de 2001, conforme consta no Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento às fls. 19 a 22. DA DEFESA ADMINISTRATIVA Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do documento de fls. 39, juntando documentos nas fls. 40/46. No documento, o contribuinte afirma: 1) Os valores relativos às competências dez/97 e dez/98, já haviam sido recolhidos em 25/02/2002, conforme NRD 0000058/2002, e cópia da guia de recolhimento anexa; 2) No tocante à competência 01/2001, equívoco deve haver por parte do FNDE, uma vez que o recolhimento foi efetuado em 02/02/2001, na importância de R$ 31.584,57m resultante da aplicação do percentual de 2,5% sobre o salário de contribuição de R$ 1.623.382,94, abatendose ao final a quantia de R$ 9.000,00 para efeito de provisionamento do valor a ser pago a título de indenização bolsa de estudo. DA DECISÃO DA DIVISÃO DE ANÁLISE DE DEFESA Após analisar os argumentos da contribuinte, a Divisão de Análise de Defesa da Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e de Inspeção – Diretoria Financeira do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE/Ministério da Educação, decidiu Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 por expurgar as competências 12/97 e 12/98, por constatar que de fato foram pagas. Decidiu também manter o crédito da competência 01/2002. A decisão, fls. 71/72, foi prolatada da seguinte maneira: Em relação às competências 12/97 e 12/98, constatamos que de fato foram cobradas por meio da NRD n. 058/2002, vinculada ao processo n. 23034.000217/200206, encontrandose em situação de liquidado, conforme fls. 59/60. Dessa forma, expurgamos as competências 12/97 e 12/98, da presente notificação. Em se tratando da competência 01/2002, esclarecemos que o débito original se refere a deduções realizadas nas competências 01/2001 a 06/2001, conforme fls. 31, as quais não foram comprovadas por meio dos arquivos do Programa RAI, até a presente data. No entanto, constatamos que essa empresa realizou a devolução do valor pago de R$ 11.097,00, provocando a redução do débito em questão, conforme consta no demonstrativo de divergências por estabelecimento, fls. 65. Porém cabe ressaltar que, quando da atualização do débito para realizarmos a notificação, ocorreu a mesclagem dos valores residuais para a competência 01/2001, razão pela qual, sugerimos o desmembramento dos valores ora mesclados, conforme segue: ... Diante do exposto, sugerimos o encaminhamento do presente processo à Presidência do FNDE, propondo a homologação da retificação do débito, esclarecendo, ainda, que conforme Quadro de Atualização de Débitos emitido nesta data, o débito importa em R$ 61.185,81 (sessenta e um mil, cento e oitenta e cinco reais e oitenta e um centavos), fls. 68. ... Decido pela “Homologação da retificação do débito” em consonância com as razões expostas pela Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e de Inspeção. Retornem os autos à SETED, para que seja providenciada a reemissão da Notificação para Recolhimento de Débito e abertura de novo prazo para apresentação de defesa por parte da referida empresa. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, o recorrente, Banco do Estado de Sergipe S/A (BANESE), interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 94/109, requerendo a reforma da decisão da Divisão de Análise de Defesa, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) A nulidade da cobrança dos débitos em razão da reabertura do prazo concedido pela Presidência do FNDE; 2) A decadência em relação aos períodos de apuração posteriores a 01/2001 por ausência de notificação válida destas competências. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 23034.005199/200241 Acórdão n.º 2403002.786 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.144, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em razão da intimação SACAT n. 151/2010, que o cientificou da decisão 2702/2004, do Ministério da Educação, que manteve parcialmente procedente o crédito tributário exigido. No entanto, afirma que o teor da intimação determina que o contribuinte realize o pagamento ou parcele o crédito mantido em parte no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da intimação, salvo interposição de recurso voluntário ao CARF. A partir da leitura da referida intimação, constante na fl. 82 dos autos, verificase que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracajú não observou a determinação da Divisão de Análise de Defesas do FNDE/ME. Para tanto, vejase abaixo a determinação do Presidente do FNDE, fl. 72, in verbis: Decido pela “Homologação da retificação do débito”, em consonância com as razões expostas pela Coordenação Geral de Arrecadação, de Cobrança e Inspeção. Retornem os autos à SETAD, para que seja providenciada a reemissão da Notificação para Recolhimento de Débito e abertura de novo prazo para apresentação de defesa por parte da referida empresa. O que ocorreu no processo, fora o fato de, ao proceder a atualização do Débito, fl. 35, a fiscalização, nesse documento, ao atualizar os valores que estão discriminados de forma correta, mês a mês, no documento intitulado “Relação dos Débitos – Lançamentos Analíticos” fl. 31, somou os valores das competências do ano de 2001, e atualizando a soma como se se tratasse de valor unicamente da competência de janeiro de 2001. Em razão disso, conforme constatado, determinouse que a autoridade realizasse novo lançamento, ante o erro, constatado, bem como que fosse excluída a cobrança de 12/1997 e 12/1998, ante a prova do pagamento. No entanto, entendo que o erro procedido pelo fiscal do FNDE à época é de natureza material, ante o erro ao calcular o montante sob exigência, ferindo o art. 142 do CTN. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Outrossim, cumpre esclarecer também que, outro vício material está presente na autuação e, apesar de o contribuinte não o ter alegado, cabe o reconhecimento ex oficio por parte do julgador, uma vez que se trata de matéria de ordem pública: a falta de tipificação legal da exigência sob exame. O contribuinte foi intimado a recolher valores os quais teriam sido deduzidos indevidamente, tendo para tanto, a autoridade competente à época do Fato Gerador elaborado planilha de cálculo, sucinto relatório, bem como Notificação para Recolhimento de Débito NRD, fl. 14, ocorre que nestes documentos, não consta a tipificação exata da contribuição sob exigência, trazendose apenas os diplomas normativos, in verbis: Fundamentação Legal: DecretoLei n. 1.422, de 23/10/1975; Decreto n. 76.923, de 26/12/1975; Decreto n. 87.043, de 22/03/1982; Decreto n. 88.374, de 07/06/1983; Lei n. 7.787, de 30/06/1989; Lei n. 8.212, de 24/07/1991; Lei n. 8.383, de 30/12/1991; Lei n. 8.620, de 05/01/1993; Lei n. 8.981, de 20/01/1995; Lei 9.065, de 20/06/1995; Lei n. 9.424, de 24/12/1996; Lei n. 9.528, de 10/12/1997; Lei 9.601, de 21/01/1998; Lei 9.766, de 18/12/1998; Decreto n. 3.034, de 27/04/1999; Decreto n. 3.048, de 06/05/1999; Decreto n 23.142, de 16/08/1999 e Lei n. 9.876, de 26/11/1999. Diante desse quadro, entendo ter havido descumprimento do disposto no art. 142 do CTN, ensejador de vício material insanável. Por fim, com relação à extensão da declaração de nulidade, destaquese que o vício em questão é material, por atingir um dos pressupostos do art. 142 do Código Tributário Nacional, in casu, a determinação da matéria tributável. Nesse sentido, esta Segunda Seção já julgou desta forma no Recurso Voluntário n. 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/200632, em 21 de setembro de 2010, que resultou no Acórdão n. 240201.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. Da mesma forma foi o julgamento do Acórdão n. 10808.174 de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. Também, há de se destacar o julgamento no Recurso 129.310, Processo 10247.000082/0091 em 09 de julho de 2002, Acórdão n. 10706.695, ementado da seguinte forma: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 23034.005199/200241 Acórdão n.º 2403002.786 S2C4T3 Fl. 5 7 (...) RECURSO EX OFFICIO NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido a indentificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem o são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por função e o número de matrícula, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) No decorrer do voto condutor do acórdão, o relator, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz , afirma: Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à "fachada", na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na "fachada", não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contomáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. e, a meu ver, são esses "defeitos menores"que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. No mesmo norte, é o julgamento do Acórdão n. 19200 015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Fl. 226DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Portanto, deve ser o presente auto anulado por vício material, ante a omissão de capitulação legal da contribuição. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720018/2013-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de fatos relativos ao surgimento e ao emprego dos Juros sobre o Capital Próprio, nos termos do voto do relator..
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EDUARDO DE SOUZA LEÃO e DANIEL PEREIRA ARTUZO
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de fatos relativos ao surgimento e ao emprego dos Juros sobre o Capital Próprio, nos termos do voto do relator.. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EDUARDO DE SOUZA LEÃO e DANIEL PEREIRA ARTUZO
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E HYPERMARCAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de fatos relativos ao surgimento e ao emprego dos Juros sobre o Capital Próprio, nos termos do voto do relator.. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EDUARDO DE SOUZA LEÃO e DANIEL PEREIRA ARTUZO Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de Juros sobre Capital Próprio (JCP) de domiciliados no exterior, no valor de R$ 33.373.445,06, os quais, quando acrescidos de multa de ofício e juros de mora, atingem o valor de R$ 71.459.220,57 (efls. 5947 a 5954). Referese o lançamento ao período de apuração encerrado em 31/12/2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 01 8/ 20 13 -3 9 Fl. 6550DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.551 2 Na forma de Termo de Verificação Fiscal, de fls. 5955 a 5989, alega a fiscalização ter a autuada (Johnson & Johnson do Brasil Indústria e Comércio de Produtos para Saúde Ltda. – CNPJ 54.516.661/000101, doravante “JJ Produtos”, cuja razão social anterior era Johnson & Johnson Produtos Profissionais) creditado, sem oferecimento a tributação, montante (R$ 222.489.633,72) a título de JCP, em 31/12/2008, a favor de seus então sócios quotistas, a saber, Latam Investment International Company Ltda, CNPJ 08.238.476/000177, doravante “Latam Investment” e Latam Properties Holdings, CNPJ 09.249.346/000177, doravante “Latam Properties”. Tal montante teria se originado de direito creditório detido pela sua titular original, a saber, a antiga sócia da autuada, Johnson & Johnson Corporate, domiciliada no Estado de NJ, EUA, doravante “Johnson Corporate”, o qual foi objeto de renúncia no mesmo ato societário, datado de 31/12/2008, ato este que, assim, teria determinado a disponibilização do montante em favor do então sócio quotista, bem como sua posterior capitalização (vide alteração de efls. 179 a 181). Propugna a fiscalização que o autuado não teria comprovado nem o recolhimento do IRRF sobre tal montante nem a ocorrência do fato gerador do IRRF relativo à referida disponibilização de JCP em período pretérito ao referido ato, datado de 31/12/2008. Entende, destarte, a autoridade fiscal que não houve a disponibilização dos juros referidos até a referida data, quando a empresa os teria empregado para capitalizar a empresa, sendo este o momento da disponibilidade jurídica dos mencionados juros sobre capital próprio aos sócios, caracterizada, assim, também neste momento, a ocorrência do fato gerador do IRRF aplicável. Ainda, entendeu a fiscalização caracterizada a responsabilidade solidária por parte de Hypermarcas S/A, doravante “Hypermarcas”, CNPJ 02.932.074/000191, por ter se caraterizado essa Companhia como sucessora por incorporação, a partir de 31/01/2011, de Versoix Participações, doravante “Versoix”, CNPJ 11.218.372/000105 (vide efls. 4998 a 5050), com esta última, por sua vez, tendo absorvido, por cisão, parcela de patrimônio oriundo da autuada, em 01/12/2009, na forma de atos de efls. 720 a 722 e efls. 2033 a 2046. Adentrandose, agora, de forma mais detalhada, na instrução probatória do feito, no âmbito mesmo termo de verificação admite a fiscalização ter cogitado da hipótese do crédito a título de JCP do referido montante já ter sido promovido em favor do seu titular original (Johnson Corporate) em momento anterior ao ato societário mencionado de 31/12/2008 (efls. 179/181), o que faria com que o fato gerador do IRRF tivesse ocorrido também em tal momento pretérito, consoante o disposto no §2o. do art. 9o. da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995. De forma a averiguar tal hipótese, segue a autoridade autuante, se lavrou o termo de intimação datado de 16/02/2012 (efls. 3920 a 3922), onde em seu item 2, alíneas “a”, “b” e “f”, foram solicitados esclarecimentos específicos acerca da evolução do montante devido a título de JCP capitalizado em 31/12/2008. Em resposta, a fiscalizada apresentou, em 12/03/2012: a) Balanço Patrimonial de efls. 4061 a 4063, b) tabela (efl. 3934) onde demonstra a formação do referido montante, complementando, em 19/03/2012, as informações solicitadas (fls. 4113 a 4202), onde anexou DARFs e PER/DCOMPs supostamente relativos à extinção dos créditos tributários decorrentes dos montantes de JCPs disponibilizados na forma da mesma tabela de fl. 3934. Posteriormente, em 28/03/2012, a tabela de efl. 3934 foi complementada através da tabela de fl. 4209/4210, onde se segregou o montante sob análise em parcela supostamente distribuída a título de JCP por Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda., CNPJ 61.192.571/000160, doravante “Johnson & Johnson Comércio”, empresa Fl. 6551DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.552 3 incorporada pela autuada em 31/10/2007, consoante (efls. 121 a 130) e parcela distribuída pela própria fiscalizada. A Johnson e Johnson Comércio teve seus contratos sociais vigentes durante o período de interesse anexados em resposta à intimação, constantes de efls. 837 a 934. Verificada a divergência de datas e valores entre os comprovantes de extinção mencionados e os valores distribuídos a título de JCP e, consequentemente, aqueles assim devidos a título de IRRF entre 30/09/2003 e 31/08/2006 (efls. 4209/4210), optou a autoridade fiscal por realizar nova intimação, datada de 16/05/12. Ali, em seus itens 01 a 04, buscou a autoridade fiscal esclarecer tal divergência (efls. 4587 a 4590) e, ainda, obter informações mais detalhadas relativas ao balanço patrimonial e à já mencionada tabela de efls. 4209/4210, elementos através dos quais tinha se tentado comprovar a origem e evolução do montante a título de JCP capitalizado pela fiscalizada em 31/12/2008. Em resposta, a fiscalizada apresentou: a) Em 04/06/12 (resposta de efls. 4595 a 4599): a.1) alguns esclarecimentos acerca da tabela de efls. 4209/4210 e atas das deliberações que teriam disponibilizado os JCPs constantes da mesma tabela, anexadas às efls. 4601 a 4604 (JCP deliberados pela fiscalizada) e às efls. 4605 a 4620 (JCP deliberados por Johnson & Johnson Comércio) e a.2) tabela de e fl. 4598, onde se busca vincular os DARFs de efls. 4622 a 4624 à extinção do IRRF devido decorrente de distribuições a título de JCP realizadas pela fiscalizada; b) Posteriormente, em 15/06/2012 (resposta de efls. 4647 a 4651): b.1) Demonstrativo de efl. 4653; b.2) Excerto de Livros Diário e Razão de efls. 4658 a 4790, onde estariam registrados os valores a título de Juros sobre Capital Próprio e os respectivos tributos devidos mencionados na tabela de efls. 4209/4210, que justificariam o montante capitalizado em 31/12/2008. b.3) Reconhecimento da impossibilidade de comprovação, até então, da extinção da totalidade dos débitos referentes às distribuições realizadas, com base nos elementos anteriormente encaminhados através do expediente de efls. 4113 a 4202 (vide parágrafo final de efl. 4649). De posse dos elementos acima, defende a autoridade autuante, no mesmo Termo de Verificação, que o vocábulo “crédito”, quando utilizado no âmbito do art. 9o. da Lei no 9.249, de 1995, deva ser entendido como vínculo jurídico, ou seja, como “o liame jurídico correspondente ao direito de o sujeito ativo exigir do sujeito passivo o montante pecuniário” (e não o crédito contábil), citando, ainda, o art. 43 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 e colacionando, a propósito, doutrina e jurisprudência administrativa oriunda desta CARF acerca do tema. Conclui, assim, que o mero lançamento contábil registrando os juros não caracteriza o crédito de que trata a hipótese de incidência estabelecida no âmbito do mesmo artigo, não sendo, para fins de IRRF, condição necessária, quanto mais suficiente, para a caracterização do fato gerador, ressaltando, ainda, se referir o art. 1o. na Instrução Normativa SRF no 41, de 1998 a requisito para fins de dedutibilidade do montante distribuído de JCP da base de cálculo do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Ainda, segue a autoridade fiscal, consoante itens 42 a 46 do Termo de Verificação Fiscal: “ (...) 42. É oportuno ainda destacar que os JCP foram capitalizados a favor dos sócios do fiscalizado contemporâneos a 31/12/2008 (Latam Fl. 6552DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.553 4 Investment e a Latam Properties), e não à antiga sócia (Johnson Corporate) da época em que foram incorridos, o que poderia levar alguns a entender que a capitalização, uma vez realizada em benefício de pessoas distintas daquela que originariamente tinha a expectativa jurídica de receber a quantia, não corresponderia ao crédito para fins de incidência do IRRF. 43. Ainda que venha posteriormente a prevalecer esse entendimento, o dever de retenção permanece totalmente intacto e submetido exatamente ao mesmo regime jurídico, pois o fato gerador continuaria a se caracterizar temporalmente em 31/12/2008 e seria relativo a contribuinte também domiciliado no exterior. 44. Como o fiscalizado não comprovou ter disponibilizado os JCP em momento anterior ao ato societário de 31/12/2008 (fls. 103/105 do Doe. 04), este documento necessariamente se caracteriza então como o instrumento empregado pela JJ Produtos para disponibilizar, individualizadamente, os recursos à Johnson Corporate. 45. Evidentemente, para ocorrer a transmissão de um direito, este direito deve ter sido adquirido pelo transmissor, ou seja, deve possuir a sua disponibilidade jurídica. E um pressuposto lógico que esta aquisição tenha ocorrido no passado ou no presente. Deve ser pretérita ou concomitante com o ato de transmissão. Só não pode ser futura. Não há como se transmitir, no presente, algo que ainda não tenha sido adquirido. Os atos que estabelecem a transmissão de direitos ainda não adquiridos têm seus efeitos jurídicos postergados justamente para a data da aquisição do direito. Estão, portanto, sujeitos a uma condição suspensiva e a ocorrência do falo gerador fica então diferida para a data do implemento desta condição, conforme expressa disciplina do art. 117, inciso I, ao Código Tributário Nacional. Não foi, contudo, o que ocorreu no presente caso. A renúncia do antigo sócio (Johnson Corporate) aos JCP foi empreendida por meio de cláusula componente do próprio instrumento que capitaliza os valores em benefício dos novos sócios (Latam Investiment e Latam Properties). Se o ato de transmissão tivesse sido realizado em documento específico pelo antigo sócio (Johnson Corporate) a favor dos novos sócios (Latam Investment e Latam Properties), seus efeitos jurídicos estariam suspensos até que a empresa deliberasse pela entrega incondicional dos recursos, data em que se caracterizaria a disponibilidade dos JCP e, por conseguinte, o fato gerador do dever de retenção do IRRF. No presente caso, contudo, todos esses fatos jurídicos, quais sejam, a disponibilização dos JCP pela JJ Produtos a favor do antigo sócio, a renúncia translativa dos valores para os novos sócios e o seu emprego para fins de capitalizar o fiscalizado, foram implementados por meio de um único instrumento, o ato societário de 31/12/2008 (fls. 103/105 do Doc 04) e, em razão disso, foi assinado por todas as partes envolvidas. (...) Discorre, então, acerca da possibilidade de consideração de renúncia pura ou imprópria na hipótese sob análise, o que resultaria, em seu entendimento, indiferente para a caracterização do fato gerador em 31/12/2008 e, assim, conclui que: Fl. 6553DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.554 5 “(...) Enfim, independentemente do ângulo de análise do conteúdo do ato societário celebrado em 31/12/2008 (fls. 103/105 do Doc. 04), o fiscalizado por meio deste instrumento disponibilizou, na referida data, JCP a sócio(s) domiciliado(s) no exterior e, portanto, promoveu a ocorrência do fato gerador do dever de reter e recolher o IRRF sob o regime jurídico da tribulação definitiva pela alíquota de 15%. (...)” Finalmente, quanto à responsabilidade subsidiária da empresa Hypermarcas S/A, reportase a autoridade fiscal aos atos societários de efls. 720 a 722, efls. 2033 a 2046 e efls. 4998 a 5050, a partir dos quais, na forma muito propriamente relatada pela autoridade julgadora, em excerto aqui reproduzido das efls. 6336/6337, verbis: “(...) 5.14 A fiscalização imputou a responsabilidade solidária pelo crédito lançado à empresa Hypermarcas S.A, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 5993/5994. 5.15 Segundo especifica o TVF, em seus subtítulos “8.1” e “8.2” (fls. 5977/5988), em 01/12/2009, parte do patrimônio do interessado foi cindida para imediata incorporação ao patrimônio da empresa Versoix Participações Ltda. 5.16 De sua vez, tal empresa, assim destaca o referido TVF, foi, em 01/02/2011, extinta por incorporação pela empresa Hypermarcas S.A. Dessa forma, a fiscalização, citando e comentando a legislação aplicável ao tema da responsabilização solidária, concluiu que a Hypermarcas responde solidariamente pelos créditos tributários ora constituídos contra o fiscalizado, na qualidade de sucessora por incorporação da Versoix, cuja responsabilidade tributária decorreu de cisão parcial, seguida de incorporação do patrimônio cindido. (...)” A contribuinte autuada e o responsável solidário foram cientificados da constituição de crédito tributário em 11/03/2013 (efls. 5992 e 5997), tendo apresentado impugnações de efls. 5999 a 6161 (contribuinte) e 6162 a 6239 (responsável solidário), muito propriamente resumidas pela autoridade julgadora de 1a. instância na forma abaixo (efls. 6337 a 6341): (...) 6. Tanto o fiscalizado, quanto a empresa Hypermarcas S.A. apresentaram impugnação ao lançamento, conforme veremos seguir. 1ª impugnação JOHNSON & JOHNSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA SAÚDE LTDA 7. Inconformado com a autuação, a empresa em epígrafe, por meio da peça de fls. 5999/6012, alegou, em síntese: 7.1 que justificou as operações realizadas, demonstrando parcialmente a composição dos referidos créditos e também dos pagamentos realizados; sendo que, quanto à parcela não informada e não Fl. 6554DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.555 6 comprovada, solicitou mais prazo para o referido cumprimento; 7.2 que dado ser este crédito formado por juros sobre capital próprio deliberados/disponibilizados e creditados na sua contabilidade na sociedade a que sucedeu, em favor dos controladores, no período entre 2003 a 2006, havia um extenso lapso temporal entre os eventos e a requisição, motivo pelo qual a localização de informações e documentos à época foi dificultada por demandar busca em arquivos mortos; 7.3 que, por equívoco, alguns DARF e PER/DComp não acompanharam a referida resposta e, portanto, foram juntados apenas em 19/03/2012; e que, em 28/03/2012, todas as informações pendentes foram fornecidas; 7.4 que, à exceção dos comprovantes de pagamentos, todos os demais documentos e informações foram devidamente prestados pelo impugnante em 04/06/2012 e 15/06/2012, a exemplo das atas de reunião dos sócios quotistas que deliberaram o pagamento dos juros sobre capital próprio, apresentadas em 04/06/2012; 7.5 que com relação aos comprovantes de extinção do IRRF, o impugnante informou que, em virtude do tempo entre o pagamento do referido tributo e a requisição, não conseguia localizar os documentos comprobatórios; 7.6 que para facilitar a compreensão dos fatos, apresenta o quadro de fls. 6003, o qual relaciona as datas das deliberações, os valores deliberados/disponibilizados valor bruto e valor líquido , o valor do IRRF incidente e os respectivos DARF que comprovam o recolhimento do imposto; destacandose ali os valores que foram efetivamente pago às controladoras e que diminuem o saldo de juros sobre capital próprio a pagar por parte do impugnante (...) (...) 7.7 que, “... como se verifica na coluna denominada "Valor Bloqueado (Capital Contaminado)", parte dos valores de JCP deliberados/disponibilizados não eram, efetivamente, creditados, uma vez que, à época, uma pequena parcela do capital da impugnante era enquadrada como "capital contaminado", ou seja, tal parcela correspondia a recursos pertencentes a investidor não residente (Johnson & Johnson Corporate), que, por critérios internos ou interpretações da Lei n° 4.131/1962, não foram reconhecidos para fins de registro perante o Banco Central do Brasil como investimento externo direto.” (sic); 7.8 que, assim, teria comprovado durante o procedimento fiscalizatório a composição dos juros sobre capital próprio em questão e comprovou o pagamento do IRRF de algumas das deliberações/disponibilizações relativas a operações sobre as quais já havia se operado a decadência para o lançamento dos tributos incidentes; 7.9 que embora a acusação fiscal afirme que o crédito contábil não corresponde ao crédito caracterizador da disponibilidade jurídica da renda e fato gerador do IRRF, não deixa claro qual seria o "crédito" que se enquadraria na definição; 7.10 que a fiscalização preferiu ignorar que o crédito foi devidamente comprovado pelo impugnante em 04/06/2012, e a documentação comprobatória consiste nas atas de reunião que deliberaram o pagamento dos juros sobre capital próprio, em consonância com as formalidades legais; 7.11 que, conforme doutrina que cita, no que toca aos juros sobre capital próprio deliberados/disponibilizados, a disponibilidade jurídica da renda ocorre com a deliberação formal efetuada pelos acionistas ou sócios, Fl. 6555DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.556 7 acompanhada do devido crédito contábil representativo da assunção da obrigação de pagar os juros sobre capital próprio, identificando nominalmente os beneficiários; 7.12 que os anexos 1 a 26, que junta, conforme visto no quadro acima, trazem a documentação comprobatório desse procedimento; 7.13 que a disposição contida no art. 1º, da IN SRF nº 41, de 1998, é simples, clara e objetiva, e estabelece que o crédito dos juros sobre capital próprio ocorre com o devido registro contábil dos valores deliberados em reunião de sócios, com o devido suporte documental, para todos os fins; 7.14 que caso o Secretário da Receita Federal quisesse que o crédito contábil valesse tão somente para a dedutibilidade do IRPJ (como acredita a fiscalização) e não para determinar o fato gerador da incidência do IRRF (previsto no § 2° do art. 9º), teria deixado isso expresso, no acima citado artigo 1º; 7.15 que a Receita Federal, em decisões de DRJ, que cita, já manifestou o entendimento de que para fins de incidência do IRRF sobre juros sobre o capital próprio, considerase creditado, individualizadamente, o seu respectivo valor quando a despesa for registrada na escrituração contábil da pessoa jurídica, em contrapartida a conta ou subconta de seu passivo exigível, representativa de direito de crédito do sócio ou acionista da sociedade ou do titular da empresa individual; 7.16 que o então Conselho de Contribuintes, em decisão que cita, também já entendeu no mesmo sentido; 7.17 que, no presente caso, a escrituração contábil dos valores de juros sobre capital próprio ocorreu após as deliberações ocorridas em reuniões entre as sócias quotistas, conforme atas apresentadas à fiscalização quando questionada (anexos 1 a 18); 7.18 que esse procedimento formalizou a disponibilidade jurídica da renda à controladora estrangeira e da sociedade que ela sucedeu, caracterizando o fato gerador do IRRF; 7.19 que a fiscalização faz uso equivocado da doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho, no livro "Imposto de Renda das Empresas", uma vez que tal autor, em texto subseqüente àquele usado pela fiscalização, expressamente corrobora o entendimento de o crédito contábil caracateriza sim o creditamento, conforme trecho transcrito; 7.20 que, em outra obra, o mesmo autor repete esse entendimento; 7.21 que, dado que as atas das reuniões entre as sócias cotistas (anexos 1 a 18), as deliberações/disponibilizações dos juros sobre capital próprio ocorreram entre 2003 e 2006, e não em 31/12/2008, ocorreu a decadência do direito de lançar o IRRF sobre essa matéria, seja na contagem do § 4º, do art. 150, seja na do art. 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional (CTN); 7.22 que, mesmo que não se considere ter havido a decadência, o impugnante alega que o IRRF incidente sobre esses juros sobre capital próprio foram, sim, extintos por pagamento/compensação, conforme documentos que junta (anexos 19 a 24, de sua impugnação); 7.23 que, conforme o mencionado quadro acima, já foi localizado o montante de R$ 4.774.773,03 de IRRF sobre tal matéria; 7.24 que a fiscalização sequer considerou os pagamentos de IRRF efetivamente comprovados, que deveriam ser abatidos do valor total autuado; 7.25 que continuará a buscar as demais provas, assim, requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, requerendo a juntada de novos documentos, até a prolação da decisão pelas Fl. 6556DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.557 8 autoridades julgadoras, com fundamento no artigo 38 da Lei n° 9.784, de 1999 aplicável ao caso nos termos do seu artigo 69 em caráter subsidiário ao Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). 2ª impugnação HYPERMARCAS S.A. 8. A empresa em epígrafe, trazida ao processo na condição de sujeito passivo solidário, apresentou sua impugnação (fls. 6162/6202), alegando, em síntese: 8.1 que não houve encerramento das atividades da Johnson& Johnson do Brasil Indústria e Comércio de Produtos para Saúde Ltda., o que torna absolutamente inaplicável a responsabilidade preconizada pelo art. 132 do Código Tributário Nacional; 8.2 que o máximo que poderia haver é uma responsabilidade subsidiária, à luz do art. 133, do CTN; 8.3 que por força do artigo 233, parágrafo único, da Lei n° 6.404/76, e do "Protocolo e Justificação de Cisão Parcial e Não Proporcional Seguida de Incorporação", o impugnante não tem qualquer responsabilidade no que concerne "às obrigações inerentes à parcela do patrimônio da J&J vertida para a VERSOIX"; 8.4 que inexiste norma tributária válida que atribua a responsabilidade tributária na cisão parcial, o que evidencia a injuridicidade da eleição do impugnante como responsável solidário; 8.5 que a parte cindida ("VERSOIX") e, posteriormente, incorporada pelo impugnante correspondia ao percentual reduzidíssimo de 0,05% do Patrimônio Líquido da "JJ Produtos", correspondente aos "direitos e obrigações relacionados ao negócio da 'JONTEX'" 72; assim, a cisão, e posterior incorporação, é um patente e legítimo ato societário e de mercado, que não pretendera, em absoluto, a elisão fiscal; 8.6 que inexiste qualquer vinculação do impugnante com o fato gerador do "IRRF" exigido, pois não participou (direta ou indiretamente) da tomada de decisões empresarias da "JJ Produtos", especialmente a deliberação pelo pagamento do "JCP" e, também, por não pertencer ao mesmo grupo econômico; 8.7 que ela, na condição de sucessora, não pode ser responsabilizada pelas multas devidas pela sucedida, conforme doutrina e jurisprudência que cita; 8.8 que, quanto ao mérito da autuação, ratifica todas as alegações constantes da Impugnação apresentada por Johnson & Johnson do Brasil Indústria e Comércio de Produtos para Saúde Ltda; 8.9 que, em vista do exposto, pede o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva. Em julgamento das impugnações supra, a autoridade julgadora considerou o lançamento integralmente procedente, na forma de Acórdão cuja ementa é abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. BENEFICIÁRIO RESIDENTE NO EXTERIOR. FATO GERADOR. DISPONIBILIDADE. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. Mantémse a exigência se não comprovado o recolhimento do IRRF relativo a juros sobre capital próprio destinados à integralização de capital. Fl. 6557DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.558 9 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. Verificado que a ciência do lançamento de ofício se deu dentro do prazo legal para constituição do crédito tributário correspondente, rejeitase a alegação de decadência. TRIBUTOS. MULTA DE OFÍCIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CISÃO. INCORPORAÇÃO. A responsabilidade dos sucessores por incorporação ou cisão parcial relativa a créditos tributários inclui as multas, moratórias ou punitivas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificados da decisão de 1a. instância em 16/01/2014, contribuinte autuado (ciência à efl. 6361) e responsável solidário (ciência à efl. 6362), apresentaram Recursos Voluntários a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de efls. 6363 a 6377 e 6433 a 6525 (contribuinte autuado) e 6378 a 6432 (responsável solidário), assim resumidos: a) O contribuinte repisa as argumentações trazidas em sede de impugnação, ressaltando serem as deliberações os momentos em que surgem as obrigações tributárias de IRRF para a recorrente. Ainda, quanto à doutrina citada pela decisão de primeira instância, entende ser importante mencionar que se trata de posicionamento isolado e que acaba por suprimir o significado da palavra crédito na determinação legal. Afinal, quando se entende que o crédito é apenas o "crédito em conta bancária" do beneficiário, acabase por eliminar o seu sentido, já que o crédito é modalidade de pagamento. Por fim, quanto à demonstração do saldo de JCP, argumenta que todas as deliberações de JCP que formam o referido saldo foram apresentadas, tanto no âmbito da Fiscalização quanto em sede de Impugnação. Ainda, os lançamentos contábeis relativos a estas deliberações foram efetivamente apresentados. A composição deste saldo foi apresentada pela Recorrente por meio de planilhas. Não se pode aceitar uma afirmação de que os documentos societários que deliberaram/disponibilizaram os valores de JCP aos quotistas, associados aos respectivos comprovantes de contabilização dos valores e demonstrados por meio de apresentação clara efetuada pela Recorrente, não guardariam nexo. b) A responsável solidária (Hypermarcas S/A), inicialmente entende afastada a aplicabilidade da Súmula CARF no 47, uma vez que, à época do fato gerador do tributo, não possuía qualquer vinculação societária com a Versoix ou com a JJ Produtos, entendendo que deva ser afastada a premissa de que as sociedades envolvidas no evento societário em que participou (incorporação pela Hypermarcas da Versoix) estivessem sob controle comum. A seguir, levanta preliminar de nulidade da decisão de 1a. instância, pela não manifestação da autoridade julgadora acerca de seu argumento de inaplicabilidade do parágrafo único do art. 132 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), o que, no entendimento da recorrente, faria com que estivesse caracterizado cerceamento do direito de defesa. No mais, repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação, adicionando aos mesmos porém: a) nova argumentação, no sentido de violação aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, ao ser considerado o minúsculo percentual cindido, objeto Fl. 6558DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.559 10 de posterior incorporação pela Hypermarcas S/A, entendendo que a responsabilidade deva estar limitada à proporção dos patrimônios líquidos transferidos. Entende que, de outra forma, estaria caracterizada violação ao princípio constitucional de vedação ao confisco. b) Alegação no sentido de que a multa transferível ao sucessor (por incorporação, no caso) é somente aquela que integra o passivo da pessoa jurídica no momento da sucessão empresarial. Apresenta a Fazenda contrarrazões de efls. 6528 a 6544, onde defende que: a) Não merece acolhimento a alegação de nulidade levada a cabo pela recorrente solidária, uma vez que a autoridade julgadora de 1a. instância, além de ter destacado em seu relatório o ponto questionado relacionado à extinção prévia da pessoa jurídica, expressou seu convencimento acerca da responsabilidade solidária da recorrente com fundamentação mais abrangente que a citada pelo contribuinte, tendo assim motivado devidamente a decisão. Traz, a propósito, jurisprudência administrativa que sustenta a desnecessidade de manifestação acerca de todas as alegações da parte. b) Sustenta, ainda, que as deliberações a que faz referência a autuada (a última se encerrando em 31/08/2006) previam a remessa dos JCP ao sócio titular no semestre ou ano seguinte, não se podendo simplesmente presumir que tais previsões tenham sido ignoradas, e que o processo de incorporação da Johnson e Johnson Comércio, antiga quotista da J&J Produtos, por esta última, levou a um processo de confusão que poderia a levar a que parcela dos JCP detidos pela primeira pudesse ter sido extinta, sendo necessária assim a análise da evolução da conta de passivo relativa aos JCP, a fim de que se chegasse a uma conclusão efetiva. Defende, assim, que com base nos elementos constantes dos autos, os JCP objeto das deliberações anexadas em questão não são os mesmos utilizados na integralização de capital em 2008. c) Defende que a tese jurídica esposada pelo recorrente, de incidência do IRRF no momento das deliberações societárias de distribuição a título de JCP não merece prosperar, uma vez que, no caso em questão, o valor referente aos juros sobre capital próprio permaneceu em poder da JJ Produtos até o momento em que foi utilizado para capitalização em 2008 e que a escrituração contábil não é fato jurídicotributário por si só. Entende que a Johnson Corporate possuía até o momento de capitalização mera expectativa de direito e que o fato gerador só se consumou em 31/12/2008, quando da renúncia da Johnson Corporate. Assim, não há que se falar em decadência. d) Quanto ao recurso voluntário da responsável solidária (Hypermarcas S/A), entende, ainda, que o art. 132, parágrafo único, trata de outra hipótese fática e não de pressuposto para a aplicação do caput do mesmo artigo, como alega a recorrente. Ressalta a plena aplicabilidade do referido caput à situação de cisão parcial, consoante jurisprudência oriunda do STJ, aplicandose ainda à situação fática o art. 5o do DecretoLei no 1.598, de 1977, que se constitui em norma tributária específica, posterior e contrária ao art. 233 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sendo este último dispositivo inoponível à Fazenda Nacional, consoante art. 123 do CTN, trazendo jurisprudência oriunda do Tribunal Regional Federal da 3a. Região acerca deste último tema. Traz jurisprudência oriunda do STJ e, ainda, administrativa oriunda deste CARF que estabelecem a responsabilidade tributária por sucessão extensiva às multas, ressaltando, por fim, uma vez mais, se tratar de hipótese de aplicação da súmula CARF no 47, tanto no caso da cisão parcial envolvendo JJ Produtos e Versoix (citado aqui o elemnto de efl. 1791) e, posteriormente, quando da incorporação pela Versoix pela Hypermarcas (citados aqui Fl. 6559DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.560 11 elementos de efls. 5027, 5036 e 5262 a 5267), evidenciado o controle comum ao tempo de cada um dos atos que ensejaram a sucessão empresarial. Pugna assim, pelo desprovimento de ambos os recursos voluntários. Assim, remetemse os autos à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratarseá primeiramente do Recurso Voluntário de iniciativa da autuada e, a seguir, do Recurso Voluntário da responsável solidária (Hypermarcas S/A). 1. Quanto ao Recurso Voluntário da Autuada (Johnson & Johnson do Brasil Indústria e Comércio de Produtos para Saúde Ltda. – CNPJ 54.516.661/000101): Entendo que preliminarmente, é necessário, para fins do deslinde do litígio (que envolve a deliberação de pagamento de juros sobre capital próprio não remetidos a seu titular e posteriormente utilizados para fins de integralização de capital junto à sociedade que houvera deliberado pela distribuição), que se determine, no caso fático, se teria ocorrido o fato gerador do IRRF: a) no momento das deliberações societárias anexadas às efls. 6433 a 6502 e resumidas em tabela de fls. 4209/4210, como defende a autuada ou, b) posteriormente, no momento de utilização dos recursos para fins de capitalização (ato de efls. 179 a 181), como defende a autoridade fiscal autuante. Somente a partir desta definição podese concluir acerca da ocorrência ou não do efeito decadencial, alegado preliminarmente pela autuada em sede recursal. Todavia, antes de adentrar em tal questão, noto, da análise da decisão recorrida, bem como do Recurso Voluntário da autuada, que a solução da questão, no caso concreto, está vinculada não somente à definição de posicionamento jurídico acerca do tema supra, mas também à consideração de natureza fática acerca da real origem do saldo de R$ 222.489.633,72 (R$ 189.116.188,67, quando líquidos de IRRF) capitalizados na forma de ato societário de fls. 179 a 181, consideração esta que, em meu entendimento, deve preceder a análise da questão jurídica principal, qual seja, repetindose, o momento de ocorrência do fato gerador do IRRF incidente sobre tal montante. Mais detalhadamente, no que diz respeito a tal consideração fática, contrapõese: a) O argumento do contribuinte de ter se originado o referido saldo de deliberações societárias anexadas às efls. 6433 a 6502 e resumidas em tabela de fls. 4209/4210, parte delas referindose à distribuições a título de JCP realizadas por Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda., CNPJ 61.192.571/000160, empresa incorporada pela autuada em 31/10/07 (efls. 121 a 130) e parte delas referindose a distribuições da própria autuada. Fl. 6560DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.561 12 b) A consideração também de natureza fática levantada, no âmbito da decisão recorrida e reforçada no âmbito das contrarrazões pela PGFN de não haver demonstração acerca da correspondência entre os valores objeto de capitalização e os deliberados na forma dos elementos apresentados pela recorrente. A propósito, entenderam tanto a autoridade julgadora de 1a. instância como a PGFN que não se pode concluir que o montante capitalizado é o mesmo objeto das deliberações anexadas pela recorrente. Assim, de forma a que se decida de forma segura acerca do momento de ocorrência do fato gerador do IRRF na situação sob análise, creio que se deva buscar esclarecimento fático adicional acerca da composição em detalhes do saldo capitalizado, uma vez que: a) Por um lado, acedendo aqui, inicialmente, aos argumentos tecidos na decisão recorrida e da Fazenda Nacional, entendo também que somente de posse da evolução completa das contas de passivo destinada a registrar os Juros Sobre Capital Próprio deliberados a Pagar, respaldada por livros contábeis revestidos de formalidades aplicáveis, contendo balanço e demonstrações financeiras, acompanhada, ainda, da totalidade das deliberações societárias das duas sociedades envolvidas (A saber, a autuada Johnson & Johnson do Brasil Indústria e Comércio de Produtos para Saúde Ltda., antiga Johnson & Johnson Produtos Profissionais Ltda. e, ainda, Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda.), podese garantir ser realmente o saldo oriundo de tais deliberações pregressas. b) Por outro lado, não vejo como se poder concluir, de forma cabal, que não houve disponibilidade jurídica pregressa caracterizadora do fato gerador do IRRF pela mera insuficiência de comprovação plena da origem do saldo capitalizado, levando à conclusão de se ter caracterizado tal disponibilidade somente em 31/12/2008, conclusão esta que, realizada nestas bases, poderia acarretar nítida violação ao princípio da verdade material, norteador do Processo Administrativo Fiscal. Tal esclarecimento fático acerca da origem do saldo capitalizado ganha importância fundamental ao considerar, ainda: a) Meu entendimento, o qual me permito aqui adiantar, no sentido de que, assim como relatado pela fiscalização (vide Termo de Verificação Fiscal de fls. 5955 a 5989), a disponibilidade jurídica caracterizadora do fato gerador do IRRF no presente caso, ainda que se trate, aqui, de Juros sobre Capital Próprio destinados a domiciliados no exterior, se encontra vinculada não necessariamente ao crédito contábil ou a efetiva disponibilidade financeira, mas sim ao nascimento da relação jurídica obrigacional credordevedor, relação esta que permitiria que, no caso em questão, na forma do direito aplicável, o quotista passasse a poder exigir da sociedade o montante devido a títulos de JCP previamente deliberados. b) Os relevantes indícios probatórios, trazidos em anexo à argumentação da contribuinte, de ter se originado o saldo capitalizado objeto de tributação das deliberações anexadas às fls. 6433 a 6502, quais sejam: b.1) A diferença irrisória entre o montante capitalizado líquido e o total expresso em tabela de fls. 4209/4210 (R$ 189.116.188,67 vs. R$ 189.222.096,10 e b.2) A inexistência no balanço patrimonial levantado em 30/11/2008 e transcrito no diário, de valor suficiente a título de lucros apurados no período ou de saldo de lucros acumulados suficientes para a capitalização realizada em 31/12/2008, acompanhados de elevado montante registrado na rubrica de contas a pagar (R$ 338.699.608, consoante efls. 4062/4063), aos quais se pode contrapor: b.3) o também relevante indício apontado tanto pela PFN como pela autoridade julgadora de grande discrepância entre os valores recolhidos Fl. 6561DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.562 13 anexados às efls. 6503 a 6525 e os devidos, uma vez considerado o fato gerador do IRRF ocorrido a cada deliberação. Assim, entendo, de que se deva, inicialmente, antes que se prossiga no julgamento do feito, tentar esclarecer, de forma definitiva, através de elementos adequados, a origem do montante do saldo a pagar capitalizado consoante deliberação de 31/12/2008, e, destarte, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que sejam obtidos os seguintes elementos: a) LivroRazão ou fichas do mesmo, abrangendo a evolução completa das contas e subcontas passivas de Juros sobre Capital Próprio a Pagar e de IRRF sobre JCP a pagar e contas e subcontas patrimoniais de Lucros ou Prejuízos Acumulados, Apuração do Resultado e Capital Social, devendo estar compreendida aqui a integralidade dos lançamentos referentes aos seguintes períodos, para cada uma das sociedades abaixo: a.1) Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda.: 01/10/2003 a 31/12/2008. a.2) Johnson & Johnson do Brasil Indústria e Comércio de Produtos para Saúde Ltda., antiga Johnson & Johnson Produtos Profissionais Ltda.: 01/09/2004 a 31/12/2008. Os elementos encaminhados deverão abranger todos os lançamentos efetuados nas contas e subcontas mencionadas durante os intervalos supra (e não somente excertos relativos a determinados eventos societários), incluindo quaisquer totalização e transposição de saldos das contas e subcontas citadas e, ainda, os registros decorrentes de eventuais operações de reorganização societária (tais como a incorporação da Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda. pela Johnson & Johnson do Brasil Indústria e Comércio de Produtos para Saúde Ltda., antiga Johnson & Johnson Produtos Profissionais Ltda.), bem como a contabilização do valor capitalizado decorrente da deliberação ocorrida em 31/12/2008. Assim, deverá estar demonstrada, de forma clara, toda a evolução dos saldos das contas e subcontas passivas e patrimoniais supracitadas, desde o saldo inicial registrado na contas e subcontas no 1o. dia dos períodos delineados, até o saldo final remanescente no encerramento do último dia dos mesmos períodos, para ambas as sociedades acima mencionadas. b) Cópias de todos os registros efetuados no Livro Diário das sociedades para os períodos acima, que respaldem os elementos acima, os quais deverão, ainda, restar plenamente comprovados como extraídos de livros revestidos da formalidades aplicáveis. Devem ser apresentadas, ainda, as transcrições, no(s) referido(s) livro(s), das demonstrações financeiras para todos os exercícios acima abrangidos que respaldem os saldos em final de exercício constantes dos elementos encaminhados em cumprimento ao item “a”. c) Cópias de todas as atas de deliberações societárias das sociedades supra (envolvendo estas ou não deliberações acerca de pagamento a título de Juros sobre Capital Próprio), novamente ocorridas para os períodos de: Fl. 6562DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16561.720018/201339 Resolução nº 2101000.184 S2C1T1 Fl. 6.563 14 c.1) 01/10/2003 a 31/12/2008 : Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda. c.2) 01/09/2004 a 31/12/2008: Johnson & Johnson do Brasil Indústria e Comércio de Produtos para Saúde Ltda., antiga Johnson & Johnson Produtos Profissionais Ltda. O resultado da diligência deverá ser encaminhado através de relatório circunstanciado, com a devida ciência à autuada, abrindose prazo de 30 dias para sua manifestação. 2. Quanto ao Recurso de Ofício da Responsável Solidária (Hypermarcas S/A – CNPJ 02.932.074/000191) A partir do acima disposto, resta temporariamente prejudicada a análise do recurso da responsável solidária, uma vez considerada a proposta de conversão do presente feito em diligência para fins de esclarecimento de questão de fato relacionada ao pleito recursal da autuada. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 6563DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10980.006692/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
RETORNO DE DILIGÊNCIA - VALORES CONFIRMADOS
Reconhecido o crédito, deve ser cancelado o auto de infração resultante de sua negativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo Da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo Da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 66 92 /2 00 3- 18 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10980.006692/200318 Acórdão n.º 3301002.460 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir da recorrente valores a título da PIS em razão da ausência de recolhimento do tributo declarado em DCTF. A recorrente alega que os valores exigidos em auto de infração foram compensados com créditos de PIS, que por sua vez se encontram vinculados a pedido de restituição materializado no processo administrativo n° 10980.001760/200191, indeferido pela DRF competente mas até então objeto de recurso perante esse Conselho. Também foram indeferidos pedidos de compensação incluídos no processo n° 10980.003733/200314 em razão da ausência de reconhecimento dos créditos de PIS, conforme cópia do despacho decisório. O Termo de Verificação Fiscal de fls. corrobora tais afirmações. A recorrente apresentou impugnação alegando a impossibilidade de cobrança dos créditos de COFINS enquanto tramitar o pedido de restituição na esfera administrativa, o que foi afastado pelo acórdão da DRJ que velou pela independência entre os processos e considerou o lançamento procedente. Em seu recurso voluntário a recorrente alega, em síntese, que o resultado dos processos administrativos relacionados é essencial ao prosseguimento da cobrança materializada nesses autos. Em análise do recurso voluntário a 1ª Turma Especial da 1ª Câmara dessa Seção entendeu que “o auto de infração, portanto, decorre diretamente do não reconhecimento, pela autoridade administrativa, do direito creditório pretendido pelo contribuinte, o qual seria utilizado para fins de compensação com os valores objeto do lançamento. Assim, não há como proferir manifestação definitiva nos presentes autos, enquanto não encerrado o processo administrativo relativo ao reconhecimento de tal direito.” Foi então o julgamento convertido em diligência para determinar: “1. Juntar ao presente cópia do acórdão proferido pela DRJ/Curitiba relativo ao processo n° 10980.001760/200191, caso seja a decisão final, ou aguardar até que esta seja prolatada, na hipótese de apresentação de recurso voluntário, juntando cópia de ambas as decisões; 2. Retornar o presente a este CARF para julgamento” Retornando o processo da diligência pleiteada a DRF de origem atestou que os valores de COFINS em cobrança por meio do presente auto de infração, informados pelo contribuinte em DCTF, foram compensados com créditos de PIS objeto do pedido de restituição de que trata o processo administrativo no 10980.001760/200191. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10980.006692/200318 Acórdão n.º 3301002.460 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, caso fosse deferida a restituição dos valores pleiteados naquele processo restariam extintos os créditos tributários em cobrança nestes autos. Em cumprimento à determinação de diligência exarada pela 1ª Turma Especial da 1ª Câmara dessa 3ª Seção do CARF, foram anexadas aos presentes autos as decisões proferidas naquele processo de n.º 10980.001760/200191 que deferiu apenas em parte o pedido de restituição de valores de PIS, tendo indeferido os pedidos relativos a fatos geradores anteriores a 01/1995 em razão da ocorrência da “decadência, entretanto, o acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa 3ª Sessão reformou a decisão de primeiro grau e reconheceu a procedência do recurso do contribuinte para lhe permitir a restituição de todo o montante pleiteado, inclusive os valores relacionados aos exercícios de 1992 em diante, conforme os seguintes termos: “Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a inocorrência de prescrição e, portanto, o direito à restituição de valores pagos a maior, de acordo com a sistemática do PIS/Repique, devidamente corrigidos e homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido.” Entretanto, por não saber qual foi o total do crédito reconhecido e se ele foi suficiente para suprir a cobrança decorrente do presente auto de infração a 1ª Turma Especial novamente baixou o processo para a DRF de origem para que fosse feita a apuração do crédito reconhecido no processo de n.º 10980.001760/200191 e fosse informado se houve algum débito remanescente dos respectivos pedidos de compensação. É o que importa relatar. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10980.006692/200318 Acórdão n.º 3301002.460 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Tratase de retorno de diligência. Pelo que pode ser visto a diligência requerida serviu para confirmar a existência de crédito a favor da contribuinte. A DRF em Curitiba concluiu que os montantes eram suficientes para homologar as compensações, tendo inclusive havido direito creditório residual. Não havendo, desse modo, mais valores em litígio decorrente do processo n.º 10980.001760/200191 nada há mais a fazer senão julgar procedente o presente Recurso Voluntário para cancelar o presente auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.909678/2011-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2004
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/10/2004 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 96 78 /2 01 1- 20 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909678/201120 Acórdão n.º 3801004.347 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909678/201120 Acórdão n.º 3801004.347 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909678/201120 Acórdão n.º 3801004.347 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909678/201120 Acórdão n.º 3801004.347 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.723962/2013-37
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida, por não preencher os requisitos de admissibilidade.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.908
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
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NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida, por não preencher os requisitos de admissibilidade. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 39 62 /2 01 3- 37 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa SHOWLUX ILUMINAÇÃO LTDAEPP, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário. De acordo com a descrição dos fatos, o auto de infração foi lavrado por descumprimento de obrigações tributárias principal e acessória, com crédito consolidado em 24/04/2013. Segue a descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “O presente auto de infração originouse em 08/02/2013, com a ciência do sujeito passivo via Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF). A auditoria fiscal corresponde às competências 1/2008 a 12/2011 e foi executada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n.° 10.1.01.00201300076. O contribuinte foi excluído de ofício do SIMPLES NACIONAL, por motivo de débito com a Fazenda Pública a partir de 01/11/2011, conforme ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/POA n.° 435704, e apesar disso continuou informando em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) as contribuições devidas à Previdência Social incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais na condição de optante pelo SIMPLES NACIONAL. Os valores apurados no lançamento fiscal destinamse à Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos e se referem ao descumprimento das obrigações principais e acessórias. Os elementos que serviram de base para a apuração do crédito foram as folhas de pagamento, apresentadas pela empresa, e as GFIP constantes no sistema GFIPWEB. Para constituição do crédito da OBRIGAÇÃO PRINCIPAL foram emitidos os Autos de Infração: DEBCAD 51.037.2597 CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA: sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais; e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. ” Inconformada com o lançamento fiscal, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 54/171), tendo o colegiado de primeira instância julgado improcedente a impugnação. O acórdão recorrido (fls. 200/217) restou lavrado com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.723962/201337 Acórdão n.º 2803003.908 S2TE03 Fl. 276 3 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS À OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (TERCEIROS). INCIDÊNCIA. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos), conforme preconiza o art. 3º, da Lei n.º 11.457, de 2007. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E / OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n.° 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, constitui infração ao art. 33, parágrafos 2º e 3º, da Lei n.º 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ter sido cientificada do referido acórdão (fl. 234), a contribuinte interpôs recurso voluntário intempestivamente (fls. 239/260), no qual traz razoes pelas quais entende indevido o lançamento fiscal. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Preliminarmente, enfrento a questão da tempestividade do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Para tanto, importante ressaltar que o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. Nesse sentido, permitome tecer algumas considerações. Todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não o ato processual a ele assegurado. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. Com efeito, o artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. No mesmo sentido, o artigo 5º do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. E sobre a questão, o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: Art. 9º. Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º). 8. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.723962/201337 Acórdão n.º 2803003.908 S2TE03 Fl. 277 5 II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). [...] Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria, como segue: Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. In casu, verificase que a contribuinte foi cientificado do acórdão nº 15 34.402, prolatado pela 7ª Turma da DRJ/SDR, no dia 04/04/2014 (sextafeira), conforme cópia do AR juntado às fls. 234, começando a contar o prazo de 30 dias no dia 07/04/2014 (segunda feira), por ser o primeiro dia útil seguinte ao da intimação. Contudo, o recurso voluntário foi postado apenas no dia 09/05/2014, conforme fls. 264. Portanto, o recurso foi interposto fora do prazo recursal – o último dia para recorrer seria dia 06/05/2014. Dessa forma, não conheço do recurso, por não preencher o requisito formal (tempestividade) para admissibilidade recursal. Conclusão Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, por tratarse de peça intempestiva. É como voto. (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti – Relator Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 16327.001716/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
A via dos embargos é normalmente estreita não ensejando rediscussão de matéria, e ainda mais estreita quando se pretende através deles fazer uma revalorização das provas. Uma vez demonstrado a não ocorrência de omissão, contradição obscuridade e que o inconformismo do embargante refere-se ao fato de o acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto em questão de matéria probatória, devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 1401-001.302
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. A via dos embargos é normalmente estreita não ensejando rediscussão de matéria, e ainda mais estreita quando se pretende através deles fazer uma revalorização das provas. Uma vez demonstrado a não ocorrência de omissão, contradição obscuridade e que o inconformismo do embargante refere-se ao fato de o acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto em questão de matéria probatória, devem ser rejeitados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
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A via dos embargos é normalmente estreita não ensejando rediscussão de matéria, e ainda mais estreita quando se pretende através deles fazer uma revalorização das provas. Uma vez demonstrado a não ocorrência de omissão, contradição obscuridade e que o inconformismo do embargante referese ao fato de o acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto em questão de matéria probatória, devem ser rejeitados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 16 /2 01 0- 61 Fl. 887DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega omissões no Acórdão nº 1401000.957, proferidos por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF que julgou o recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. POSTERGAÇÃO. Na determinação do lucro real, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições impostas pela legislação tributária (art. 9º da Lei n. 9.430/96). Sendo a glosa feita unicamente pela inobservância do prazo para proceder à dedução, mas quando em períodos posteriores provouse nos autos que as demais condições de dedutibilidade (manutenção da cobrança administrativa, início e manutenção de ação/procedimento judicial e arresto de garantias) foram atendidas, impõese a necessidade cobrança apenas do pagamento postergado do imposto e da contribuição, na forma de juros selic, que se deu com a dedução antecipada. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO COM O CRÉDITO INSTITUÍDO PELO ART. 8° DA MP N° 1.807/99 (RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. CABIMENTO. A instituição financeira que tiver base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro liquido, para apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, poderá optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas (MP n° 1.807/99, art. 8°). Nesse sentido, tal crédito tema a mesma natureza da base negativa da CSLL, prestandose assim para liquidar o débito da contribuição lançada de ofício como se base negativa ainda o fosse até limite de 30%. O resultado de julgamento restou assim assentado: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para: I) Por unanimidade de votos, recompor a base de cálculo da CSLL com o Fl. 888DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401001.302 S1C4T1 Fl. 887 3 aproveitamento do crédito relativo ao art. 8º da Medida Provisória n° 1.807/99 até o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, envolvendo no caso todas as infrações; II) Por maioria de votos, cancelar as infrações I, II, II para considerar somente os efeitos da postergação, na forma apenas de juros de mora, calculados até 31/12 do ano em que se deu a postergação. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Victor Humberto da Silva Maizman que davam provimento integral a este item. A embargante aponta dois grupos de omissões, no Acórdão embargado: No primeiro grupo ele aponta uma incompletude no conjunto das provas, nos seguintes termos naquilo que é relevante: Como já apontado, o acórdão embargado cancelou a exigência tributária em relação a todas as três irregularidades sem que o contribuinte trouxesse provas sobre todas as glosas efetuadas. Como visto, compulsando o teor do TVF, notase que o presente feito apresenta certa complexidade diante do número de glosas e do valor total alcançado pela exigência tributária. Em relação ao item I (artigo 9º, §1°, inciso II, “b’ da Lei n° 9.430/96), foram apontadas 486 irregularidades. No item II (artigo 9º, §1°, inciso II, ‘c’ da Lei n° 9.430/96) foram detectadas 8 inconsistências. E, finalmente, em relação ao item III (artigo 9º, §1°, inciso III da Lei n° 9.430/96), foram verificadas 63 irregularidades. Exemplificativamente, em relação ao item II (artigo 9º, §1°, inciso II, “c’ da Lei n° 9.430/96), no qual foram detectadas 8 inconsistências pelo Fisco, o autuado elabora tabela no recurso voluntário apontando 7 contratos, sendo que um deles, o celebrado com a empresa Iná Discos e Acessórios se trata de irregularidade relacionada ao item III (artigo 9º, §1°, inciso III da Lei n° 9.430/96). O contribuinte pretendeu sua comprovação com os documentos relacionados nos anexos 6 e 7. Pelo próprio teor da planilha acostada como documento 6, verificase que o contribuinte não trouxe aos autos a devida comprovação capaz de elidir a irregularidade 2 em sua inteireza. Exemplificativamente, não se encontra no anexo 7 a documentação pertinente às perdas registradas em relação ao contrato celebrado com Posto Souza e Brito Ltda.: Em um segundo grupo, a omissão se relaciona ao fato de que algumas provas trazidas não se pode fazer o cotejamento os itens autuados. Vejamos o teor em parte dos embargos a esse respeito: (...) De um modo geral, observase que o autuado não correlacionou as perdas registradas com os respectivos documentos que lhe dariam suporte. Essa constatação ganha ainda mais força quando se verifica que há, com relação a algumas empresas, mais de um contrato celebrado, que nos documentos trazidos junto com o recurso voluntário, há diferentes nomes de executados e que, por fim, dos elementos passíveis de análise (como valor da causa, tendo em vista que, na maior parte das vezes, foram trazidos apenas extratos processuais) não se coadunam com as perdas registradas. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Vejase, v.g., que, em relação à empresa Marck Trabalhos Temporários Ltda., foi registrada uma perda de R$ 71.441,40 e o valor da ação no extrato processual aceito como comprovação pela decisão embargada é de R$ 19.854,90. Em outro caso, a petição juntada pelo autuado relativa ao processo nº 002.05.0524870 faz referência ao contrato nº 351/1.2206682 não relacionado na tabela elaborada no recurso voluntário. Como visto, o autuado não logrou êxito em trazer aos autos a comprovação que lhe cabia. Assim, o acórdão embargado foi omisso sobre todas essas particularidades. Vale destacar que cada contrato corresponde a uma glosa, sendo que seu conjunto integra os grupos das irregularidades I, II e III. Por fim, solicita a conversão do julgado em diligência nos seguintes termos: Portanto, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Outrossim, prequestionamse as matérias aqui tratadas, uma vez que não foram objeto de análise expressa pelo Colegiado, a fim de que a Fazenda Nacional possa interpor recurso, se cabível. Ressaltese, por fim, que diante do volume de documentos apresentados, do número de glosas, do valor do crédito tributário exigido nestes autos e das omissões acima apontadas, a Fazenda Nacional requer a conversão do julgamento em diligência para que seja analisada toda a documentação trazida pelo autuado juntamente com seu recurso voluntário em relação a cada perda registrada/contrato (Irregularidades I, II e III). É o relatório. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001716/201061 Acórdão n.º 1401001.302 S1C4T1 Fl. 888 5 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Como se relatou, apontouse dois grupos de omissões: omissões relacionadas à incompletude e outra a indeterminação. Em primeiro lugar cabe esclarecer que a via dos embargos de declaratório é notoriamente estreita e o embargante a trata como um via larga. Em segundo lugar cabe salientar que todos os pontos foram minuciosamente tratados pelo Acórdão embargado, abrindose tópicos específicos para fundamentar cada uma das matérias envolvidas. Em terceiro lugar, tratase de matéria eminentemente de prova, onde o relator fundamentou os motivos que o levaram a dar provimento e, como se sabe, em matéria de prova a vida dos embargos é mais estreita ainda, pois a análise do conjunto probatório enseja sempre uma certa subjetividade inerente a esse tipo de análise, mormente quando o grande volume de provas impera, como é o caso. A linha de encaminhamento do voto em relação ao fundamento da natureza das glosa e ao grande volume de provas foi o de verificar especificamente que as novas provas trazidas ensejavam que se ultrapassasse o fundamento original da glosa. Ultrapassada essa fase, não caberia uma análise minuciosa sobre os demais atributos da prova como pretendeu fazer a PGFN. O que esse novo contexto pedia era apenas uma análise global e por amostragem das provas, procurando inconsistências e incoerências, de forma a atingir o fim maior que é a formação de convicção do julgador a respeito do cabimento ou não do lançamento. Nesse tipo de direcionamento, a tolerância a alguma incompletude fazia parte inerente dessa linha de entendimento, uma vez que a formação de convicção veio a partir do “conjunto da obra”, a partir de conjunto coerente e convergente de provas, como assinalou literalmente o voto condutor. O Trecho abaixo do voto, deixa clara essa linha de entendimento: Como se vê, a Recorrente trouxe aos autos um farto conjunto probatório para cada uma das três irregularidades que pretendeu se defender, convencendome pela coerência, convergência e força das informações e sobretudo pelo “conjunto da obra”, demonstrando ter atendido plenamente as condições da Lei n. 9.430/96 e infirmando parcialmente a autuação. É sabido que a coerência e a ausência de consistência é tido também como um conceito de verdade. Pois a verdade pressupõe coerência interna. Na falta de uma verdade absoluta, o conceito moderno de coerência prevalece sobre outros conceitos de verdades, como por exemplo, o conceito de verdade como correspondência, que se busca normalmente através de diligências. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 O que se verifica é que o julgador nesse contexto valeuse do princípio da livre convicção motivada na apreciação da prova (formada de parte a parte), segundo dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, fazendo não subsistir, diante do conjunto de provas trazidos aos autos os fundamentos das glosas. Assim, fica demonstrado que o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto em questão de matéria probatória. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. Por todo o exposto, rejeito os embargos da PGFN. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 892DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13855.001762/2009-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/06/2009
OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. EXPOSIÇÃO CLARA E PRECISA. INEXISTÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO
Não há que se falar em relação de subordinação entre os funcionários, uma vez que está devidamente comprovada a inexistência de subordinação entre o sujeito passivo destes autos e as outras empresas optantes pelo SIMPLES, dada a patente irregularidade que se apresenta na relação entre estas.
MULTA. RECÁLCULO. GFIP.
Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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EXPOSIÇÃO CLARA E PRECISA. INEXISTÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO Não há que se falar em relação de subordinação entre os funcionários, uma vez que está devidamente comprovada a inexistência de subordinação entre o sujeito passivo destes autos e as outras empresas optantes pelo SIMPLES, dada a patente irregularidade que se apresenta na relação entre estas. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 17 62 /2 00 9- 61 Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001762/200961 Acórdão n.º 2403002.857 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1334.510, fls. 979/984, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal, representadas pelos seguintes DEBCAD`s. 1. AI DEBCAD nº. 37.220.0206 no valor de R$ 691.173,60 (seiscentos e noventa e um mil, cento e setenta e três reais e sessenta centavos), por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. As exigências fiscais se referem ao fato de ter o contribuinte se utilizado de interpostas pessoas para contratar mãodeobra sem a incidência da contribuição previdenciária, uma vez que aquelas que seriam favorecidas pelo regime de tributação destinadas às empresas de micro e pequeno porte – SIMPLES, quais sejam: OS BARBOSA PERSPONTO – EPP e DM DE SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – EPP. Abaixo seguem trechos do relatório fiscal de fls. 05/33: 1. Durante auditoria fiscal realizada na empresa ESTIVAL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ n. 01.145.506/0001 51, foi constatado que a empresa doravante denominada ESTIVAL, atua no ramo de indústria, comércio, exportação e importação de calçados, onde ficou constatado que esta utilizou no período da cobertura fiscal, das empresas ºS. BARBOSA PESPONTO EPP, CNPJ, n 03.186.205/000100. E D M DE SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – EPP, CNPJ n. 07.418.488/000110, ambas OPTANTES pelo SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições (doravante denominadas respectivamente por P.S.BARBOSA e DM DE SOUZA) como INTERPOSTAS PESSOAS com a finalidade de contratar segurados empregados com redução de encargos previdenciários, uma vez que, por serem optantes pelo SIMPLES não recolhem a contribuição previdenciária patronal e para Outras Entidades e Fundos. 1.1. Diante de fatos constatados e relatados de maneira detalhada nos itens a seguir, acompanhados por vastos elementos de prova, esta fiscalização entende que todos os segurados das empresas PS BARBOSA PESPONTO – EPP e DM DE SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – EPP são, para fins previdenciários, empregados da empresa ESTIVAL. 3.1. Em diligência efetuada no endereço das empresas envolvidas (Rua Joaquim Neves, 1360, 1370 e 1400) no dia 18/08/2008, quando acompanhei a Auditora Fiscal Elizabete Chaves, responsável pelo Procedimento Fiscal n. 08123002008005717, emitido em 10 de junho de 2008, para o período de 01/2004 a Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 12/2007, encerrada em 17/09/2009, e fomos atendidas pelos senhores Marcelo Kanaiama Lemos, CPF n. 127.504.52864, sócioadministrador da ESTIVAL e Francisco Carlos Siqueira Silva, CPF n. 005.729.74876, contador da empresa na [época, constatamos que, embora constassem números diferentes no cadastro da Receita Federal, as três empresas funcionavam no mesmo prédio, constituído de 02 (dois) barracões interligados, construídos no mesmo terreno, com trânsito livre entre eles, não havendo muros ou divisões separandoos. À frente do barracão maior estava instalada a recepção e a administração da empresa. No barracão menor, estavam os empregados da Seção de Corte, todos os demais estavam no barracão principal, onde funcionavam também o refeitório e os banheiros, que são usados por todos os empregados, e também a área administrativa. A entrada era única e no local existia uma guarita, onde funciona a recepção (das três empresas – ESTIVAL, OS e DM) para visitantes (vide foto n. 01) 3.2. Nessa mesma ocasião, com a anuência do senhor Marcelo e acompanhadas pelo senhor Francisco, efetuamos visita ao interior dos barracões e verificamos a presença de um grande número de funcionários trabalhando no local, e este último nos informou que os funcionários que ali se encontravam eram empregados das empresas P S BARBOSA e D M de SOUZA. Segundo ele, em nome da P S BARBOSA estavam registrados os empregados das áreas de pesponto e administração, e em nome da D M DE SOUZA estavam registrados os empregados das áreas de corte e montagem. Salientese que a ESTIVAL não possuía à época, nenhum empregado registrado em seu nome, todos estavam registrados em nome da OS Barbosa ou da DM de Souza. 3.3. Não obstante a afirmação do contador de que os empregados das empresas estavam separados por seções (P S BARBOSA: pesponto e administração) e (D M DE SOUZA: corte e montagem), não foi isso que constatamos no local. A situação fática, constatada por ocasião da diligência efetuada na empresa, é que os empregados trabalhavam todos juntos numa linha de produção continua, onde se verificava apenas a separação da seção de corte e o almoxarifado (barracão menor), exclusivamente por falta de espaço, os demais empregados estavam todos alocados no outro barracão. Portanto, não havia como se diferenciar, visualmente, qual empregado pertencia a uma ou outra empresa (vide fotos ns. 01 a 04). 3.4. Embora o senhor Francisco tivesse se empenhado em afirmar que todos os funcionários eram empregados das empresas P S BARBOSA e D M DE SOUZA, durante a visita efetuada ao interior dos dois barracões, encontramos todos os trabalhadores desempenhando suas funções no mesmo local (que não possui paredes ou divisórias que possam determinar qual o espaço pertence a uma ou outra empresa) e usando uniformes com a estampa da ESTIVAL. Estas informações são comprovadas através de fotos divulgadas no site da empresa www.estivalshoes.com, atualmente desativado. (fotos n.s 01 e 02). 4.1.2.2. Fato importantíssimo que não pode deixar de ser registrado é que embora o faturamento da PS BARBOSA não fosse suficiente para cobrir todas as despesas da empresa, estas Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001762/200961 Acórdão n.º 2403002.857 S2C4T3 Fl. 4 5 despesas, juntamente com os encargos sociais e os impostos, foram pagos pela ESTIVAL e por ela ‘contabilizados’ na conta ’1.01.03.06.0000268Adiantamento a FornecedorP.S.BARBOSA’, que manteve um saldo devedor crescente no período de 2008 a 2009, e em dezembro de 2009 superou R$ 1.500.000,00 conforme se demonstra no quadro a seguir: 4.1.2.3. Importante destacar ainda que a PS BARBOSA prestava serviços exclusivamente para ESTIVAL, conforme se verifica pelo talonário de notas ficais e pela seqüência de numeração destas, e para cobrir integralmente suas despesas, embora pudesse faturar um valor maior, não o fez, pois se o fizesse extrapolaria o limite anual do SIMPLES e com isso seria desenquadrada deste regime, e, a partir de então seria obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a cargo da empresa, o que, no entender desta fiscalização, motivou a sua criação. 4.3. Portanto, esta fiscalização conclui que a DM de Souza foi criada em 05/2005 para ‘dividir/ com a OS Barbosa as despesas oriundas da contratação de funcionários, que DE FATO são empregados da ESTIVAL, com o benefício do não pagamento da contribuição patronal devida a Previdência Social por também ser optante pelo SIMPLES. Desta forma, a partir da criação desta última, as duas empresas poderiam ‘faturar’ para a ESTIVAL o valor suficiente para cobrir suas despesas e ainda assim não ultrapassar o limite máximo anual estabelecido na legislação para opção a este sistema de tributação até o ano de 2005, que era de R$ 1.200.000,00, o que aconteceria caso os empregados continuassem sendo contratados apenas pela OS Barbosa. 9. CONCLUSÃO 9.1 Os fatos acima descritos, acompanhados por inúmeros elementos de prova anexados a este Processo evidenciam uma situação fática que não se coaduna com a situação jurídica apresentada à fiscalização, o que permite CONCLUIR, DE FORMA IRREFUTÁVEL, que as empresas P.S.BARBOSA PESPONTOEPP, CNPJ n. 03.186.205/000100 e D M DE SOUZA PESPONTO – EPP, IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 01.145.506/000151 para contratar empregados com redução de encargos previdenciários. 9.2.2 Pela leitura dos artigos supra obtemos a fundamentação legal para desconsiderar o vínculo empregatício dos funcionários das empresas P.S. BARBOSA PESPONTO – EPP, e D M DE SOUZA PESPONTO – EPP, uma vez que o mesmo foi instituído com o intuito exclusive de não recolher as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 979/984. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 12ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), DRJ/RJ1, prolatou o Acórdão n° 12 34.510, fls. 979/984, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/06/2009 OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. CÁLCULO DA MULTA. FAIXA DE SEGURADOS, EXPOSIÇÃO CLARA E PRECISA DOS FATOS. INEXISTÊNCIA DO CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCESSOS CONEXOS. IDENTIDADE DE CAUSA DE PEDIR. TRAMITAÇÃO E JULGAMENTO EM CONJUNTO. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DEPENDÊNCIA ENTRE OS PROCESSOS CONEXOS. Na autuação por omissão de fatos geradores em GFIP não há que se falar em cerceamento do direito de defesa se a fiscalização demonstrou de forma clara e precisa, através de planilhas demonstrativas, como calculou a faixa de segurados que delimita o limite máximo por competência da penalidade. A conexão dos processos de débitos tributários, baseada na identidade de causa de pedir, enseja a sua tramitação e julgamento em conjunto, a fim de evitar possíveis decisões contraditórias, e não o sobrestamento de quaisquer dos processos conexos. A penalidade pecuniária exigida do sujeito passivo em razão da inobservância da obrigação acessória de informar todos os fatos geradores em GFIP não se consubstancia mera decorrência da constituição do crédito tributário relativo à contribuição previdenciária incidente sobre os fatos geradores omitidos, razão pela qual não há que se cogitar em sobrestamento do processo relativo à multa aplicada até o desfecho daquele relativo ao tributo inadimplido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 989/1011, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, afirmando em síntese que Deve ser aplicada a retroatividade benéfica prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. As empresas P.S. BARBOSA PESPONTO – EPP e D.M. SOUZA PESPONTO DE CALÇADOS – EPP eram prestadoras de serviço da Estival. Não foi caracterizada a pessoalidade. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001762/200961 Acórdão n.º 2403002.857 S2C4T3 Fl. 5 7 Houve boafé do contribuinte. A inexistência de norma geral antielisão. É o relatório. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 989, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS DO SIMPLES A Recorrente levantou várias questões preliminares antes de entrar no mérito, contudo, verifico que elas estão diretamente ligadas ao objeto da lide, razão pela qual, passase a analisálo. Segundo o fiscal, no relatório, estase diante de uma situação fática que configura simulação, com a utilização de interpostas pessoas à fim de reduzir os encargos previdenciários e trabalhistas. Nesse diapasão, mister se faz analisar o que vem a ser Elisão Fiscal e Evasão Fiscal, o lícito com o ilícito, o planejamento tributário legal com a fraude e/ou simulação, para, em seguida, analisar o caso concreto. Em obra pretérita de minha autoria me manifestei da seguinte maneira1, in verbis: “Elisão Fiscal, portanto, é a redução tributária legal, lícita, pois a mesma elide o surgimento do fato jurídico tributário, eliminando a ocorrência do respectivo fato gerador; ou ainda, reduz o impacto tributário, mutilando parcialmente o critério quantitativo da Regra Matriz de Incidência Tributária, ou, posterga a ocorrência do fato jurídico tributário descrito no antecedente normativo para um período posterior, dando nesse último um ganho temporal, vale dizer, um maior prazo para efetuar o cumprimento da obrigação tributária. Destarte, a Elisão é o fruto obtido do Planejamento Tributário lícito. É o resultado da prática de atos ou negócios jurídicos, ou a sua não prática, com vistas a elidir, reduzir ou postergar o surgimento da obrigação tributária. Evasão fiscal, ao contrário, é a redução tributária ilegal, ilícita, pois, por meio dessa, o contribuinte se evade da obrigação tributária já nascida, agindo de maneira oposta aos ditames de nosso ordenamento jurídico. Poderá ocorrer a indevida redução do ônus tributário de uma obrigação tributária, em relação ao seu exato montante previsto em lei. 1 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord.) Planejamento Tributário – São Paulo: Quartier Latin, 2004. Pág. 73/74. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001762/200961 Acórdão n.º 2403002.857 S2C4T3 Fl. 6 9 Portanto, a Evasão Fiscal (que sempre será ilegítima) é a fuga total ou parcial da obrigação tributária já existente pela anterior ocorrência do fato gerador previsto em lei, ou que está prestes a acontecer.” A Elisão Fiscal busca evitar ou minorar a carga tributária incidente sobre o contribuinte, por meio de operações lícitas, utilizadas, principalmente, para esse fim. Por outro lado, a Evasão Fiscal é ilícita, pois visa ocultar do Fisco a ocorrência de fatos geradores por meio de operações fraudulentas.2 Para Hermes Marcelo Huck3, verbis: “A elisão, em algumas de suas formas, pode ser enquadrada como abuso de direito. Estruturas elisivas, nas quais o agente utilizase de formas jurídicas anormais, insólitas ou inadequadas, com o fito único de escapar ao tributo, têm sido consideradas abusivas. O abuso na utilização da forma jurídica é equiparável ao que no direito angloamericano se tem chamado de business purpose test, ou seja, o teste da finalidade negocial, pelo qual buscase desconsiderar o negócio jurídico constituído sem qualquer objetivo senão o de pagar o imposto que seria devido, não fosse adotada a forma jurídica anormal, insólita ou inadequada.” Conforme destacado alhures; para a Fiscalização, houve simulação por parte da Recorrente. O conceito de simulação advém do Direito Civil, mais especificamente no art. 167, § 1o, do Código Civil, in verbis: “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados.” (sem destaques no original) Feitas as considerações, passase a analisar o caso concreto. Vários são os pontos enumerados pelo fiscal que levaram à sua conclusão de utilização de interpostas pessoas, para tanto, vejamos, em síntese, os principais, com as respectiva indicação no REFISC, abaixo: a) As 03 (três) empresas, embora constassem números diferentes no cadastro da Receita Federal, possuíam o mesmo endereço, composto por 2 Idem, ibidem. Pág. 65. 3 HUCK, Hermes Marcelo. Evasão e elisão: rotas nacionais e internacionais – São Paulo: Saraiva, 1997. Pág. 138. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 02 (dois) barracões interligados, construídos no mesmo terreno, com trânsito livre entre eles (Item 6.1.); b) A ESTIVAL não possuía à época, nenhum empregado registrado em seu nome, todos estavam registrados em nome da PS Barbosa ou da DM de Souza, apesar de os empregados laborarem todos juntos, numa linha de produção contínua, sem condições de diferenciar visualmente qual empregado pertencia a uma ou outra empresa (Item 6.2 e 6.3.); c) Todos os funcionários usavam uniformes com a estampa da ESTIVAL (item 6.4.) d) Toda documentação contábil e financeira das três empresas envolvidas estava localiza no mesmo local físico (item 6.6.); e) A auditoria se dirigiu até o endereço residencial da sócia administradora da empresa PS BARBOSA à fim de cientificála do procedimento fiscal, tendo sido localizada e declarado espontaneamente que a empresa OS BARBOSA foi constituída em 1999 a pedido de seu companheiro, senhor Marcelo Kanaiama (sócio administrador da ESTIVAL), com o qual mantém união estável há 12 anos e que não atua na administração da empresa, que é dona de casa e cuida dos dois filhos do casal (item 7.2.); f) O valor da receita bruta da PS BARBOSA era insuficiente para pagar sequer as despesas de salários por ela declaradas em GFIP (item 8.1.); g) Embora o faturamento da PS BARBOSA não fosse suficiente para cobrir todas as despesas da empresa, eram elas, juntamente com os encargos sociais e os impostos, pagos pela ESTIVAL e por ela contabilizados na conta 1.01.03.06.000268 Adiantamento a Fornecedor – PS BARBOSA (item 8.2.); h) A PS BARBOSA prestava serviços exclusivamente para a Estival (item 8.3.); i) A DM DE SOUZA PESPONTO foi criada em 04/05/2005, foi criado pela senhora Delcy Maria de Souza, exesposa do senhor Marcelo Kanaiama Lemos (sócio administrador da ESTIVAL), e contratou naquele mês 51 (cinqüenta e um) empregados, sendo 40 (quarenta) ex funcionários da OS BARBOSA, que tiveram seus contratos ‘rescindidos’ e imediatamente registrados como empregados da DM DE SOUZA, que, também prestava serviços exclusivamente para a ESTIVAL (item 9.1. e 9.2.); j) A DM DE SOUZA teria sido criada para dividir com a PS Barbosa as despesas oriundas da contratação de funcionários, à fim de não ultrapassar o limite máximo anual estabelecido à época pela legislação (item 9.3.); k) Os aluguéis das empresas PS Barbosa e DM de Souza foram sempre feitos pela ESTIVAL e contabilizados em Livro Diário – Adiantamento a Fornecedor – Aluguel PS Barbosa e DM de Souza (item 10.9.); Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001762/200961 Acórdão n.º 2403002.857 S2C4T3 Fl. 7 11 l) As despesas de energia, água e telefone sempre foram e continuam sendo pagas pela Estival, devidamente contabilizadas em Livro Diário (Item 11.1); m) O contrato de prestação de serviços entre a estival e a PS Barbosa traz uma série de cláusulas questionáveis, dentre elas a de que o contrato terá vig6encia com prazo indeterminado (item 12.1.1.); n) Em reclamatórias trabalhistas a ESTIVAL assumia as obrigações trabalhistas das empresas prestadoras de serviços perante a Justiça (item 12.1.3.); o) O maquinário da ESTIVAL era utilizado pela PS BARBOSA, a partir da elaboração extemporânea de um contrato de cessão de máquinas e equipamento em regime de Comodato, sem ter sido registrado na contabilidade da ESTIVAL (item 13.1); p) O controle de todo o pessoal, sejam eles empregados registrados na PS BARBOSA ou na DM de SOUZA era realizado por um único departamento de recursos humanos que estava localizado no endereço das empresas, da mesma forma o controle da produção também era feito pela ESTIVAL (item 14.3. e 14.4.); q) A ESTIVAL fornecia lanches aos empregados registrados na PS BARBOSA e DM DE SOUZA, bem como realizava a compra de equipamentos de segurança e proteção à saúde e uniformes (14.6. e 14.7.); r) A Estival manteve Convênio Odontológico com o dentista Dr. César Augusto Goulart Xavier para prestação de serviços aos empregados da DM e PS, que eram descontados em folha (item 14.9.); s) Para efetuar pagamentos as duas empresas recebiam da ESTIVAL, por meio de transferência eletrônica, valores que são creditados em suas contas correntes em montante igual ao da folha de salários, acrescidos apenas de um pequeno valor para cobrir as despesas de movimentação bancária cobradas (Item 16.5.) A partir da análise dos 19 itens colacionados acima, é de concluirse que se está diante da utilização de interpostas pessoas optantes pelo simples, à fim de a empresa evadirse do pagamento das contribuições previdenciárias (parte patronal). A utilização dessa manobra não é particularidade do presente caso, já foi julgado por esta turma, da mesma forma, nos autos do processo 11065.003161/201005, na sessão de 17 de outubro de 2012, que resultou na prolatação do acórdão 2403001.686, que restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 28/02/2010 Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 SIMULAÇÃO. FORMA DE EVADIRSE DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. A simulação não é aceita como forma de planejamento tributário com vistas a reduzir a carga tributária da empresa. Manobra considerada ilegal. MULTA. Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Não há cerceamento de defesa para o indeferimento de requerimentos genéricos de produção de prova. Recurso Voluntário Provido em Parte A prática dessa manobra é recorrente, tendo gerado, inclusive, estudo doutrinário exclusivo ao tema, de autoria da Conselheira Ana Maria Bandeira, no Livro Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, São Paulo: MP Editora, 2012, p. 158/159, de coordenação do Conselheiro Elias Sampaio Freire e deste conselheiro redator deste voto, in verbis: “Quanto à utilização de interpostas pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES para concentrar a mão de obra necessária ao processo produtivo das empresas originárias, o lançamento da contribuição patronal se dá em face da conduta simulada que se verifica. (...) Escudada no princípio da verdade material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio, pois, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos.” Por esses motivos, concluise que de fato houve simulação por parte da Recorrente, razão pela qual deve o lançamento ser mantido. Como restou comprovada a simulação, as matérias preliminares restaram prejudicadas. DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13855.001762/200961 Acórdão n.º 2403002.857 S2C4T3 Fl. 8 13 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, da Lei nº 8.212/91 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para, no mérito, dar parcial provimento, para determinar o recálculo da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908701/2009-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 87 01 /2 00 9- 33 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO DE ANÁLISE PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. Tendo em vista o princípio de unicidade de jurisdição judicial, é descabida a análise, pela autoridade administrativa de julgamento, de matéria submetida à apreciação na esfera judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908701/200933 Acórdão n.º 3801004.670 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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