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Numero do processo: 16643.000124/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. MÉTODO PVA. PREÇO-PARÂMETRO. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS.
Na apuração do preço-parâmetro com base no método PVA (Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro), poderão ser deduzidos apenas os tributos que guardem semelhança com o ICMS, o ISS, a COFINS e o PIS/PASEP.
CÁLCULO DOS PREÇOS-PARÂMETRO. DADOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE.
Tendo sido considerados na apuração dos preços-parâmetro dados informados pela própria contribuinte, improcede a alegação de que a fiscalização teria se utilizado de informações sigilosas, implicando cerceamento do direito de defesa. Não se verificando qualquer irregularidade nos cálculos efetuados pela fiscalização quanto aos preços-parâmetro, há que se admiti-los como corretos.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação dele decorrente.
Numero da decisão: 1302-002.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. MÉTODO PVA. PREÇOPARÂMETRO. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS. Na apuração do preçoparâmetro com base no método PVA (Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro), poderão ser deduzidos apenas os tributos que guardem semelhança com o ICMS, o ISS, a COFINS e o PIS/PASEP. CÁLCULO DOS PREÇOSPARÂMETRO. DADOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE. Tendo sido considerados na apuração dos preçosparâmetro dados informados pela própria contribuinte, improcede a alegação de que a fiscalização teria se utilizado de informações sigilosas, implicando cerceamento do direito de defesa. Não se verificando qualquer irregularidade nos cálculos efetuados pela fiscalização quanto aos preçosparâmetro, há que se admitilos como corretos. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 24 /2 01 0- 40 Fl. 6729DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nr. 1627.179, de 20/10/2010, da 5a. Turma da DRJ de São Paulo (DRJ/SP1) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendario: 2005 NORMAS ADMINISTRATIVAS. VALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. MÉTODO PVA. PREÇOPARÂMETRO. DEDUÇÃO DE TRIBUTOS. Na apuração do preçoparâmetro com base no método PVA (Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro), poderão ser deduzidos apenas os tributos que guardem semelhança com o ICMS, o ISS, a COFINS e o PIS/PASEP. CÁLCULO DOS PREÇOSPARÂMETRO. DADOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA CONTRIBUINTE. Tendo sido considerados na apuração dos preçosparâmetro dados informados pela própria contribuinte, improcede a alegação de que a fiscalização teria se utilizado de informações sigilosas, implicando cerceamento do direito de defesa. Não se verificando qualquer irregularidade Fl. 6730DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 4 3 nos cálculos efetuados pela fiscalização quanto aos preçosparâmetro, há que se admitilos como corretos. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO.EQUÍVOCO ADMITIDO PELA CONTRIBUINTE. A apuração dos preços praticados foi efetuada com base em dados informados pela própria contribuinte, que admitiu haver adicionado em duplicidade o frete internacional nos seus cálculos. Não se verificando qualquer irregularidade nos cálculos efetuados pela fiscalização quanto aos preços praticados, há que se admitilos como corretos. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Adoto os seguintes trechos do relatório da Resolução nr. 1103000.130, de 11/02/2014, da 3a. Turma Ordinária, da 1a. Câmara, da 1a. Seção: Na ação fiscal em debate verificouse a apuração do cumprimento das regras de preços de transferência dos produtos exportados no decorrer dos anos de 2002 a 2005. O processo administrativo n° 16561.000147/200769 referese ao ano calendário de 2002, o de n° 16561.000147/200840 aos anoscalendário de 2003 a 2004. Os presentes autos tratam do anocalendário de 2005. Procedeu a Fiscalização com a análise da apuração efetuada pela contribuinte para encontrar o preço praticado médio e o preço parâmetro. O preço médio praticado das exportações para pessoas vinculadas no exterior apurado pela contribuinte ficou em US$695,06 (R$1.626,92). Ao analisar como a fiscalizada calculou o preço praticado médio, a autoridade tributária constatou que o valor foi apurado na modalidade "custo e frete", conforme se pode deduzir a partir da compilação das informações presentes em todos os despachos de exportação de suco de laranja registrados em 2005 (fl. 728) e o quadro de fl. 729 (que sumariza as exportações de suco de laranja destinadas a países da América do Sul). Por sua vez, no que concerne ao preço parâmetro, a recorrente, ao apurar os preços de transferência na exportação, adotou o método Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro, disciplinado no artigo 18, § 3° , inciso II, da Lei n° 9.430/96, no qual consolidou todos os produtos exportados em uma única memória de cálculo. Ao analisar o cálculo ultimado pela contribuinte (fls. 37/72 e 77/83), constatou o Fisco que o preço líquido de venda no atacado do suco de laranja exportado foi determinado no valor de US$863,96. Tal valor foi encontrado a partir de deduções que estariam amparadas pelos artigos 15 e 24 da IN SRF n° 243/2002, Fl. 6731DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 5 4 referentes a tributos, fretes e outras despesas, dispêndios que foram informados nas planilhas descritivas das revendas realizadas no mercado atacadista do país de destino das mercadorias. Sobre tal valor, foram aplicados os redutores de margem de lucro (15%) e despesa de frete de US$143,49, resultando em um preço parâmetro (PVA) no montante de US$590,88 (R$1.383,06) (fl. 80). Nesse contexto, a Fiscalização intimou a contribuinte a comprovar as deduções utilizadas para o cálculo do preço parâmetro, tendo a empresa apresentado documentação referente a despesas incorridas com o transporte internacional, com o transporte local e com tributos incidentes na importação. Como resultado da auditoria empreendida, foram identificadas pela autoridade fiscal duas divergências, referentes ao frete e dedução de tributos. Quanto ao frete, constatou a autoridade autuante o seguinte: Na última memória de cálculo fornecida, foi descontado o valor de U$143,49, que é a média de alguns fretes internos selecionados pela contribuinte. Contudo, essa despesa encontrase discriminada nas planilhas de vendas da Votorantim Europa VTE e, consequentemente, já havia sido levada em conta, pela própria empresa, na obtenção do preço médio de venda líquido. No que concerne aos tributos, ao apreciar os documentos apresentados pela contribuinte, verificou a autoridade fiscal que as operações conduzidas pela VTE sofreram incidência de tributação do IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) e tributos aduaneiros enquanto que as revendas efetuadas pela Votorantin International North América VINA foram gravadas apenas com tributos aduaneiros. Assim, a Fiscalização desconsiderou as deduções atinentes ao frete (U$143,49) e aos tributos aduaneiros, uma vez que o § 1° do artigo 24 da IN SRF n° 243/2002 definiu que os tributos que podem ser diminuídos do preço do produto no país destino são "aqueles que guardem semelhança com o ICMS e o ISS e com as contribuições Cofins e PIS/Pasep". Ou seja, caberia dedução apenas do IVA. Em decorrência da análise efetuada, a Fiscalização segregou as exportações e as revendas por bens idênticos e elaborou novos cálculos de preços praticados e preçosparâmetro (PVA), tomando como referência declarações de exportação e demonstrativos amparados por documentos probatórios elaborados pela contribuinte, adotando, para a conversão da receita de exportação, a taxa de câmbio vigente na data de embarque da mercadoria, averbada no SISCOMEX (conforme disposto no artigo 22 da IN SRF n° 243/2002 e na Portaria MF n° 356/88) e, para as receitas das revendas, a taxa de câmbio divulgada pelo BACEN para a data da transação no exterior. Nesse contexto, foi apurada a diferença a ser ajustada na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, relativamente às exportações de Suco de Laranja Concentrado Congelado, Padrão e de Suco de Laranja Concentrado Congelado Polpa Baixa, conforme quadro a seguir. Produto Preço Praticado (R$) Preço Parâmetro PVA (R$) Qtde. exportada (TON) Ajuste (R$) FCOJ Padrão 1.661,20 2.008,19 82.617,49 28.667.342,65 FCOJ Polpa Baixa 1.607,24 2.076,27 3.452,31 1.619.230,29 TOTAL 30.286.572,94 Fl. 6732DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 6 5 Foi efetuado o lançamento de ofício de IRPJ e CSLL (Autos de Infração de fls. 1027/1038 e Termo de Verificação e Encerramento de fls. 725/731), com fulcro no art. 19 da Lei n° 9.340, de 1996 e no art. 240 do RIR/99, com a multa proporcional de 75%, cuja ciência foi dada à contribuinte em 21/06/2010. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 1059/1103 (IRPJ) e 1301/1345 (CSLL), que foram apreciadas pela 5a Turma da DRJ/São Paulo I, em sessão realizada no dia 20/10/2010. O Acórdão n° 1627.179, às fls. 2203/2217, julgou a impugnação improcedente, decisão que foi cientificada à contribuinte em 16/02/2011 ("AR" de fl. 2221). Foi interposto Recurso Voluntário em 18/03/2011 de fls. 2228/2287, no qual discorre sobre pontos descritos a seguir. Preliminar. Nulidade da Decisão Recorrida. Falta de Motivação do Ato Administrativo. Discorre a recorrente que a decisão da DRJ é ato administrativo e deverá como tal estar devidamente motivado conforme previsão no art. 50 da Lei n° 9.784, de 1998. Contudo, no presente caso, a decisão incorreu em vicio insanável de falta de motivação, vez que não analisou argumento aduzido pela contribuinte, no sentido de que, caso não fosse reconhecido que nenhum ajuste deveria prevalecer com relação ao preço praticado em virtude da existência de margem de divergência expressamente consignada pela legislação, o ajuste promovido deveria ser infinitamente menor do que o apurado pelo Fisco. Ou seja, restou demonstrado que o cálculo efetuado pela fiscalização estava equivocado, contudo, a DRJ não analisou o argumento apresentado pela defesa. A não apreciação dos pontos suscitados pela contribuinte implica em cerceamento ao direito de defesa e, por consequência, nulidade da decisão recorrida. Preliminar. Controle de Legalidade dos Atos Administrativos. O princípio da legalidade deve ser observado no âmbito do processo administrativo. A exigência de tributos deverá ocorrer tão somente por intermédio de LEI. Ocorre que, no caso concreto, a IN SRF n° 243, de 2002, em seu artigo 24, § 1°, desbordou o artigo 19, § 3°, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. Isso porque a lei estabelece que ao apurar o PVA Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro, podem ser deduzidos os tributos incluídos no preço. Por outro lado, a instrução normativa dispõe que os tributos seriam aqueles que guardem semelhança com o ICMS e o ISS e com as contribuições COFINS e PIS/PASEP. A Fiscalização, ao afastar as deduções referentes aos tributos aduaneiros, valeuse do disposto na IN, quando deveria terse amparado na lei, que não estabelece nenhuma discriminação quanto aos tributos que poderiam ser deduzidos. Em situação semelhante, o Conselho de Contribuintes analisou situação no qual a Lei n° 9.430, de 1996, não estabelecia qualquer vedação para a utilização do método PRL na importação, ao passo que a IN/SRF n° 38, de 2001, vedava o seu uso. Ao apreciar a questão, o tribunal afastou a vedação prevista na instrução normativa, visto que desbordava dos limites legais. Do Direito. Da Impossibilidade de Serem Glosados os Valores Descontados do Preço, a Título de Taxa Antidumping e Tributos Aduaneiros. Da Violação ao Controle de Legalidade Previsto no Art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999. Não Aplicação da Lei ao Caso Concreto pela Autoridade Fiscal. Discorre novamente a recorrente sobre a matéria exposta no tópico anterior, qual seja, que a autoridade fiscal valeuse do previsto no art. 24, § 1° da IN SRF n° 243, de 2002, dispositivo que, ao discriminar que os tributos dedutíveis na apuração do método PVA seriam aqueles que guardariam semelhança com o ICMS, ISS, PIS/Pasep e Fl. 6733DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 7 6 Cofins, teria desbordado do artigo 19, § 3°, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, que predica que poderiam ser deduzidos os tributos incluídos no preço. Da Adição em Duplicidade do Frete Internacional Na Composição do Preço Médio das Mercadorias. Foi desconsiderado pela Fiscalização as despesas referentes ao frete internacional, que argumentou que a contribuinte já teria efetuado o desconto de tal valor. Ocorre que no caso em tela a recorrente cometeu um equívoco quando a realizado do cálculo para apuração do preço médio das mercadorias, no que tange ao desconto do frete. Foi efetuado o cálculo partindo da Receita Líquida ("Net Sales"), ao invés de ter partido da Receita Bruta ("Gross Sales"). Contudo, apesar do equívoco, nenhum ajuste deveria ter sido efetuado, vez que os novos valores apurados de forma correta não atingiram o percentual de 5%, ou seja, estavam dentro dos limites da margem de divergência prevista no art. 38 da IN/SRF n° 243, de 2002. E, ainda que se fosse desconsiderar a margem de divergência, o ajuste ao preço de transferência seria pequeno, e não o montante apurado pelo Fisco, conforme quadro demonstrativo de fl. 2258. Das Distorções Inerentes à Sistemática de Apuração de Preços de Transferência Adotada Pela Legislação Pátria. O art. 100 do CTN dispõe que as convenções internacionais são consideradas como normas a serem observadas em nosso ordenamento jurídico. Assim, a Convenção Modelo da OCDE deve ser observada pela legislação brasileira no que tange às previsões dos preços de transferência. Ocorre que o Brasil regulamentou o tema por meio da Lei n° 9.430, de 1996, diploma que enveredou por caminho diverso do adotado pela OCDE. A sistemática adotada pela legislação pátria valese de presunções ou ficções e destoa do padrão internacionalmente aceito. Das Distorções Verificadas no Cálculo dos Preços Efetuado pelo D. Fiscal Autuante. A Fiscalização valeuse de cálculos obscuros, nos quais não há identificação precisa e pormenorizada dos valores descontados para a apuração tanto do preço praticado quanto do preço parâmetro (PVA). Ao contrário do que aduz a decisão da DRJ, a autoridade autuante não se utilizou de quaisquer dados informados pela Recorrente, vez que as planilhas de fls. 734/745 e 771/1024 foram elaboradas pela própria Fiscalização. Também incorreu em grave equívoco o Fisco ao desconsiderar as deduções dos tributos aduaneiros. A Lei n° 9.430, de 1996 objetivou evitar distorções e consagrar a igualdade nas condições comerciais entre os países no comércio internacional, tanto que, autorizou a dedução dos gastos incorridos com a exportação dos bens, como o frete, recolhimento de tributos no exterior e a taxa antidumping, do preço médio dos produtos, para que se torne possível a concorrência com as mercadorias internacionais. E, ainda que se pudesse considerar a assertiva que só caberia a dedução dos tributos que guardasse semelhança com o ISS, ICMS, PIS/Pasep e Cofins, os cálculos efetuados pela autoridade fiscal não devem prosperar, vez que, ao se analisar as planilhas acostadas aos autos de infração, constatase que os valores recolhidos a título de tributos estão representados em sua totalidade, sem a devida segregação. Fl. 6734DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 8 7 Faltou transparência por parte do Fisco, o que impediu a defesa de refutar os cálculos apresentados. Valeuse a autoridade autuante da utilização de secret comparables na apuração do preço parâmetro, conduta que não se pode permitir. Da Impossibilidade da Cobrança da Multa no Percentual de 75%. As multas não revelam natureza punitiva, mas sim de tributo "disfarçado", o que viola o princípio da proporcionalidade, razoabilidade e nãoconfisco. Da Impossibilidade de Utilização da Taxa SELIC como Índice de Juros de Mora. Não cabe a aplicação da SELIC com índice para os juros de mora, sistemática que fere, de maneira cabal e inequívoca, o preceituado no artigo 161, § 1° do CTN, bem assim no artigo 192, § 3° da Constituição Federal, e que se trata de taxa remuneratória, a exemplo do que ocorre com a TR e a TRD, e não de forma de cálculo de juros moratórios. Dos Pedidos. É imperiosa a reforma de decisão recorrida, pelas seguintes razões: (i) é nulo o v. acórdão recorrido, em virtude da falta de motivação, o que acarreta, inequivocamente, no cerceamento do direito de defesa da Recorrente, nos termos do artigo 59, II, do Decreto n.° 70.235/72; (ii) é imperioso o controle de legalidade pela Administração Pública, devendo ser analisada a aplicação da legislação tributária ao caso concreto por esse E. Conselho, notadamente no que concerne à glosa dos valores deduzidos do cálculo do preço parâmetro, a título de taxa antidumping e tributos aduaneiros, que teve como fundamento a IN 243/02 e não a lei n.° 9.430/96, o que não se pode admitir; (iii) a restrição dos tributos que podem ser deduzidos do cálculo do preço médio pelo art. 19, §3°, II, da Instrução Normativa n.° 243/02, violou, inequivocamente, o princípio da legalidade, consagrado pelo art. 97, II, do Código Tributário Nacional e norteador do processo administrativo tributário, o que não se pode permitir; (iv) a autoridade fiscal não seguiu o critério de transparência — norteador do Acordo de Valoração Aduaneira, assim como do instituto dos preços de transferência, pelas razões acima esposadas quando da elaboração dos cálculos para apurar o preço médio, não sendo possível inferir qual tributo teria sido recolhido, bem como o montante por cada um deles. A ausência de transparência resulta no cerceamento de defesa da Recorrente que, ao não ter conhecimento acerca do tributo que teria sido/recolhido, tampouco o valor, não consegue refutar os cálculos elaborados pelo Fisco, tendo a sua defesa prejudicada. Ademais disso, a falta de transparência e, consequentemente, o prejuízo da elaboração da defesa pela Recorrente, também se revelou no que tange à utilização do secret comparables para apuração do preço parâmetro, o que não se pode admitir. (v) não deve prevalecer o adicional a título de frete, tendo em vista que os novos cálculos apresentados pela Recorrente demonstram que não foi atingido o percentual de 5%, previsto no art. 38 da Instrução Normativa n.° 243/02, estando dentro dos limites da margem de divergência. Entretanto, ainda que se desconsiderasse a margem de divergência, apenas um pequeno ajuste adviria no cálculo dos preços de transferência, jamais podendo atingir o valor perpetrado pelo DD. Fiscal autuante, posto que não condizentes com a realidade. Fl. 6735DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 9 8 (vi) deverá ser afastada a aplicação da multa prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96 (75%), por afrontar os mais comezinhos princípios do direito, notadamente da proporcionalidade e da razoabilidade. (vii) caso se entenda pela procedência da autuação, que seja afastada a aplicação da taxa SELIC. Em 12/09/2012, foi apresentada pela recorrente petição de fls. 6438/6446, no qual aduz que solicitou à KPMG a elaboração de estudo acerca dos preços de transferências praticados pela empresa. O resultado da análise foi no sentido de que a recorrente estaria desobrigada, no ano de 2005, de promover o ajuste nos preços de transferência, uma vez que não estaria sujeita ao arbitramento previsto no artigo 14 da Instrução Normativa 243/2002 em virtude de o preço de exportação praticado ser superior à 90% do preço médio de venda dos mesmos bens praticados no mercado brasileiro, durante o mesmo período, sob semelhantes condições de pagamento. Enfim, caso não seja dado provimento ao recurso, requer realização de diligência para a análise dos cálculos apresentados. Assim, o Recurso Voluntário foi submetido ao Carf e, em conformidade com o voto vencedor, concluiuse por converter o julgamento em diligência (Resolução nr. 1103 000.130, de 11/02/2014, da 3a. Turma Ordinária, da 1a. Câmara, da 1a. Seção), nos termos a seguir transcritos: Conforme Edmar Oliveira Andrade Filho (Imposto de renda das empresas CSLL, Operação de Hedge, Preço de Transferência, Planejamento Tributário, Reorganizações Societárias, Aspectos Contábeis e Jurídicos, São Paulo: Atlas, 10a ed., 2013, pp. 568/569): "De acordo com o art. 240 do RIR/99, as receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ou com pessoa com sede ou domicílio em país de tributação favorecida ficam sujeitas ao arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o período de apuração da base de cálculo do imposto, for inferior a 90% do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. Essa é uma regra que dispõe sobre as condições em que caberá a aplicação das demais regras sobre arbitramento, que, todavia, não alcança as operações referidas no art. 19A da Lei n° 9.430/96, introduzido no ordenamento jurídico pela Lei n° 12.715/12. Logo, após certificarse de que está sujeito ao arbitramento, o contribuinte deverá calcular o valor do eventual ajuste aditivo na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o qual será determinado por um dos quatro métodos previstos pela lei." Assim, conforme as lições acima, a condição ao arbitramento é o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o período de apuração da base de cálculo do imposto, seja inferior a 90% do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. A recorrente diz que essa condição não foi implementada, razão pela qual não estava obrigada a observar o art. 14, da IN SRF n° 243/02 (fls. 6439). Para comprovar o seu direito, a recorrente trouxe laudo da KPMG (fls. 6.438/6.500): Fl. 6736DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 10 9 a elaboração de estudo acerca dos preços de transferências praticados pela Recorrente. O resultado da minuciosa análise procedida nos documentos da empresa foi no sentido de que a Recorrente estava desobrigada, no ano de 2005, de promover o ajuste nos preços de transferência, uma vez que não estaria sujeita ao arbitramento previsto no artigo 14 da Instrução Normativa 243/2002 em virtude de o preço de exportação praticado pela Recorrente é superior à 90% do preço médio de venda dos mesmos bens praticados no mercado brasileiro, durante o mesmo período, sob semelhantes condições de pagamento." Todavia, o laudo técnico exibido pela recorrente não faz prova absoluta do seu direito, em que pese constituirse em forte indício daquilo que alega. Conforme a doutrina abalizada e jurisprudência deste Conselho, o processo administrativo é orientado princípio da verdade material: "Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 23/10/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE PARA CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A não apreciação de provas trazidas na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o principio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário, mormente quando sua tese de defesa não é acolhida e destinase a refutar entendimento da decisão de primeira instância. Recurso Especial do Contribuinte Provido." (Relator Rodrigo da Costa Possas, Proc. n° 10814.017735/9677). Por essa razão, é dever o aprofundamento da dilação probatória, com a finalidade de se verificar a verdade dos fatos. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal encarregada do procedimento: i) seja o contribuinte intimado a provar que o preço de exportação dos seus produtos, no período, foi superior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens no mercado brasileiro; (ii) elabore relatório de diligência detalhado e conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessária; (iii) entregue cópia do relatório à contribuinte; (iv) concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para pronunciamento sobre o relatório de diligência, em observância às prescrições do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento; e (v) por fim dêse vista da douta Procuradoria. Após a intimação da recorrente e respectiva apresentação de documentos e prestação de informações, a DRF apresentou o seguinte Relatório de Diligência Fiscal: (...) 7 Os relatórios apresentados pela empresa com o objetivo de afastar a apuração dos preços de transferência foram embasados em premissas incorretas. 8 Os preços médios das exportações foram obtidos mediante a consolidação das vendas de itens diferentes. Partiuse das informações preparadas Fl. 6737DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 11 10 pela fiscalização durante o procedimento de auditoria e apurouse a média ponderada dos preços praticados nas alienações de Suco de Laranja Concentrado Congelado Padrão e Suco de Laranja Concentrado Congelado Polpa Baixa. O preço médio de venda no mercado interno, no entanto, foi estabelecido por meio da unificação das vendas de Suco de Laranja Concentrado Congelado Orgânico e de Suco de Laranja Concentrado Congelado Extraído com Água. 9 Considerouse, portanto, que todos os itens exportados e vendidos no Brasil constituem um único produto, o que não corresponde à realidade. São obtidos mediante processos de industrialização distintos. Todos têm nome e sobrenome. As vendas são individualizadas, os produtos têm usos próprios, os preços de mercado são diferentes e, portanto, os dados não podem ser agrupados. 10 As receitas auferidas nas exportações de Suco de Laranja Concentrado Congelado Padrão e de Suco de Laranja Concentrado Congelado Polpa Baixa foram as únicas cujo arbitramento redundou na apuração de ajustes relativos à aplicação das regras de preços de transferência no período. Não constam vendas no mercado nacional de nenhum desses dois subtipos de suco de laranja. 11 O Suco de Laranja Concentrado Congelado Extraído com Água, que também foi exportado no período, mas não é objeto de discussão na seara dos preços de transferência, compõe mais de 97% das vendas no mercado interno consideradas no relatório da CITROVITA. É subproduto obtido pela lavagem do excesso de polpa retirada durante o processamento do Suco de Laranja Concentrado Congelado Padrão [i] [ii]. É item de qualidade distinta e não pode ter seu preço diretamente comparado com o preço das mercadorias exportados. 12 Não houve venda no mercado nacional de produtos idênticos aos exportados e cujas receitas foram objeto de lançamento tributário no período, inviabilizando a aplicação da salvaguarda prevista no artigo 19 da Lei na 9.430/96. 13 Tendo em vista que na memória de cálculo apresentada pela empresa não são discriminados os subtipos de suco de laranja vendidos no mercado nacional, abrimos campo e suprimos a informação faltante, anexandoa a este Relatório. E para constar e produzir os devidos efeitos legais, lavramos o presente Relatório Conclusivo, que é assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. A ciência da empresa darseá por via postal, com aviso de recebimento AR, sendo certo que poderá, se assim o desejar, apresentar manifestação no prazo máximo 30 (trinta) dias, a teor do disposto no art. 28 da Lei n° 9.784/99 e art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011. [i] "Como vimos anteriormente, na produção do FCOJ há o ajuste do teor de polpa do suco por intermédio dos finishers ou turbofiltros. A polpa que foi retirada no processo de ajuste é usada para fabricação do pulpwash e enviada a um novo conjunto de finishers, sendo lavada com o condensado recuperado do TASTE, onde se obtém um suco com BRIX inferior ao FCOJ. O pulp wash, é concentrado em evaporadores para perder água e a polpa exaurida vai para a fábrica de ração .(Yamanaka, Hélio Tadashi Sucos cítricos / Hélio Tadashi Yamanaka. São Paulo: CETESB, 2005, pág. 21) [ii] "De volta ao setor de extração, temse a fase suco com polpa, que é transportada por gravidade ao setor de filtragem e centrifugação (Figura 2.3). Neste setor, é retirado do suco o excesso de polpa e outros defeitos que possam estar nele incorporados, além de se efetuar o ajuste do teor de polpa Fl. 6738DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 12 11 do produto dentro dos padrões desejados. A polpa retirada do suco nesta etapa é utilizada na produção do subproduto conhecido como pulp wash (polpa lavada), que vem a ser um suco com qualidade inferior. O processo de produção do pulp wash consiste na lavagem da polpa retirada do suco com água em contrafluxo (Figura 2.3), e posterior concentração deste em evaporadores de múltiplos estágios com filme descendente (Figura 2.3), e pela combinação de temperatura e vácuo concentrasse o produto até a especificação desejada. Na sequência, o produto é resfriado em trocadores de calor e estocado a baixas temperaturas em câmaras frigoríficas (Figura 2.3) até o momento da comercialização que, usualmente, é feita em tambores metálicos de 200 (duzentos) litros. (Munhoz, José Renato Otimização no planejamento agregado de produção em indústrias de processamento de suco concentrado congelado de laranja / José Renato Munhoz. São Carlos:UFSCar, 2009. Tese de Doutorado, pág. 26). Em resposta ao Relatório de Diligência Fiscal, a recorrente manifestouse de cujos termos extraemse os seguintes trechos: (...) O produto fabricado pela Recorrente é o Suco de Laranja Concentrado e Congelado (FCOJ Frozen Concentrated Orange Juice). E o FCOJ é um produto único, não se podendo falar em "tipos diferentes de FCOJ", como quis fazer parecer a autoridade administrativa. As diferentes nomenclaturas que porventura aparecem relativamente ao FCOJ nada mais são do que denominações que visam atender a diferentes paladares de consumidores sem alteração do produto. Como exemplos temse sucos com maior ou menor grau de acidez; com mais ou menos polpa ("gominhos") ou ainda a coloração. Mas tratase do mesmo produto, com o mesmo processo de industrialização. Sobre o tema, é oportuno transcrever parte do mesmo relatório utilizado pelo fiscal2 em que tal fato fica evidenciado: f) ajuste do teor de polpa: O suco armazenado vai para a etapa de ajuste de polpa, o qual é realizado por finishers ou turbofiltros. Os finishers são cilindros de aço inox em cujo interior armações com telas de tecido sintético fazem o papel de filtros. O ajuste é feito em etapas e de acordo com o pedido do cliente, mas em geral, ao final do ajuste o teor de polpa estará em torno de 4%. O suco com seu teor de polpa ajustado passa então por centrífugas para acerco da cor. Ora, a sintética explicação técnica do relatório vai exatamente ao ponto: o FCOJ passa por "acertos", seja do teor de polpa, seja de cor. E não deixa de ser o mesmo FCOJ, passível de comparação para os fins e efeitos do cálculo de salvaguarda. Destaquese ainda que o FCOJ, como o próprio nome diz, é um suco congelado. Sua reconstituição com água para venda e consumo interno não tem o condão de alterar as características do produto original, permanecendo com a mesma classificação. Em consonância com a Anvisa, sucos concentrados: são aqueles obtidos a partir de sucos naturais, com a extração de cerca de 50% da água e adição de açúcar ou adoçantes, através de processos tecnológicos apropriados. Tais sucos Fl. 6739DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 13 12 quando diluídos em água, recuperam a sua densidade original, com as mesmas características anteriores ao processamento. Ora, se a água é utilizada somente para a reconstituição do suco — uma vez que 50% da água foi retirada durante o processo produtivo para tornar o produto concentrado — é inequívoco afirmar que o suco de laranja reconstituído com água é o mesmo produto do FCOJ. O mesmo ocorre com o suco orgânico. Ele é elaborado em consonância com o mesmo processo de industrialização do FCOJ. A diferença reside apenas que no suco orgânico a matéria prima (laranja) é produzida sem agrotóxicos, ao passo que no FCOJ a laranja é submetida ao processo de cultura normal. Mas tratase de produtos idênticos. Notese, portanto, que o suco de laranja acrescido de polpa, o suco de laranja reconstituído com água e suco orgânico são nitidamente o mesmo produto do FCOJ, aplicandose, de modo inexorável, a salvaguarda almejada e fartamente comprovada pela Recorrente. O DD. Fiscal, no Relatório Conclusivo, adotou premissa equivocada ao dizer que o "pulp wash" (ou polpa lavada) era um suco de laranja de baixa qualidade e que o mesmo era exportado pela Recorrente como suco de laranja concentrado. Observandose a nomenclatura constante do próprio relatório da diligência, notase tratar de "suco de laranja polpa baixa" (notoriamente em decorrência do ajuste do teor de polpa) e não apenas de polpa baixa (pulp wash).Mas o fiscal, no anseio de dizer que tratavase de produtos diferentes, não coleta a nomenclatura correta de suco com polpa (como fez a Recorrente na presente, linhas atrás) mas sim de um subproduto da laranja que é a polpa lavada. Transcreveremos, a seguir, de forma correta e contextualizada o produto denominado "polpa baixa" constante do mesmo relatório utilizado pelo fiscal: 3.2. Obtenção de subprodutos (...) c) Como vimos anteriormente, na produção do FCOJ há o ajuste do teor de polpa do suco por intermédio dos finishers ou turbofiltros. A polpa que foi retirada no processo de ajuste é usada para fabricação do pulpwash e enviada a um novo conjunto de finishers, sendo lavada com o condensado recuperado do taste, onde se obtém um suco com Brix inferior ao FCOJ. O pulp wash é concentrado em evaporadores para perder água e a polpa exaurida vai para a fábrica de ração. É forçoso concluirmos, pelas próprias explanações adrede consignadas, que o suco de laranja polpa baixa nada tem a ver com o pulp wash. O primeiro é suco com a polpa ajustada ao gosto do consumidor; o segundo é um subproduto da laranja que não pode ser denominado de FCOJ. Desta forma, promoveu a Recorrente o cálculo da salvaguarda de forma correta. Mas, para espancar quaisquer dúvidas que possam advir da realização do cálculo da salvaguarda, anexa a Recorrente memorando da KPMG com o cálculo da salvaguarda utilizandose de todos os produtos vendidos no mercado interno (orgânico e reconstituído com água), bem como somente o suco reconstituído com água, evidenciandose que sob qualquer prisma e forma de cálculo que possa ser Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 14 13 realizada com relação ao tema, a salvaguarda remanesce. Colacionamos, abaixo, os dados fornecidos pela KPMG: Mas, ainda que não se pudesse identificar os produtos comparados pela Recorrente como idênticos — o que se admite apenas por amor à argumentação — a legislação dos preços de transferência expressamente admite a utilização do conceito de similaridade. Referido conceito, esposado no artigo 28 da Instrução Normativa 243/02 (vigente à época dos fatos), estabelece que: mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, serão considerados similares quando, simultaneamente: I tiverem a mesma natureza e a mesma função; II puderem substituirse mutuamente, na função a que se destinem; III tiverem especificações equivalentes. Ora, no caso em tela notoriamente os produtos em questão se não fossem considerados idênticos, enquadramse no conceito de similaridade trazido pela Instrução Normativa. Todos tem a mesma natureza e a mesma função (consumo humano de suco de laranja), pode substituirse mutuamente na mesma função (são iguais e, portanto, substituemse no consumo humano) e tem especificações equivalentes (mesmo processo de industrialização, só diferindo teor de polpa ajustada, coloração, se foi reconstituído com água ou, ainda, se advém de matéria prima orgânica. Fl. 6741DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 15 14 Desta forma, não há como negarse o equívoco da autoridade administrativa ao considerar os produtos objeto da salvaguarda como "diferentes". E a Recorrente comprovou, de modo cabal e inequívoco, tratarse dos mesmos produtos, utilizando se do mesmo laudo em que a autoridade administrativa pautou seu relatório. Mas ainda que não fossem idênticos, a similaridade é inafastável, cumprindo tais produtos os requisitos veiculados pelo artigo 28 da Instrução Normativa 243/02, vigente à época dos fatos, fazendo jus à salvaguarda prevista no artigo 19 da Lei 9.430/96. Portanto, reitera a Recorrente, por todas as razões ora expedidas, bem como tudo o mais que consta dos autos, seja dado provimento ao recurso ordinário interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram apreciadas por ocasião da referida conversão do julgamento em diligência, conhecendose do recurso. Preliminarmente, a recorrente requereu a declaração de nulidade do auto de infração, com base no argumento de há falta de motivação do ato administrativo, bem assim em função de questões relativas ao controle de legalidade dos atos administrativos. Observo que para a apreciação das alegações preliminares há a necessidade de se adentrar às questões de mérito. Nesse sentido, analisarei as preliminares em conjunto com as matérias de mérito, como segue. Apuração dos Preços Praticados e Preços Parâmetro Previamente à apreciação do Relatório de Diligência Fiscal e da respectiva manifestação da recorrente, quanto à apuração do preço parâmetro, analisamos as razões da recorrente, como segue. A recorrente sustenta que a regulamentação dos preços de transferência disposta na Lei n° 9.430, de 1996, ao valerse de presunções e ficções, teria enveredado por caminho diverso do preconizado pela OCDE e, nesse contexto, destoaria do padrão internacionalmente aceito. Salienta que a fiscalização teria se baseado em cálculos equivocados e teria utilizado informações secretas para a apuração do preço parâmetro. Alegou que essa metodologia teria prejudicado o perfeito entendimento quanto à abrangência da autuação. Ressaltou, ainda, que a dedução dos tributos prevista no art. 19, § 3°, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, para a apuração do preço parâmetro com base no PVA, não se restringe apenas aos similares ao ICMS, ISS, PIS e Cofins, vez que o diploma legal referese a tributos, sem qualquer distinção. O acórdão recorrido baseouse na seguinte fundamentação: Fl. 6742DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 16 15 A princípio, cumpre breve síntese sobre a normatização dos preços de transferência no Brasil. Diante do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem desenvolvendo mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles têm sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações nas quais as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm's length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, cuja exposição de motivos (transcrita na obra Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro, de Luís Eduardo Schoueri), mereceu as seguintes considerações: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados "Preços de Transferência", de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. Nesse contexto, no Brasil, há que se observar o que predica a Lei n° 9.430, de 1996, que trata dos preços de transferência nas operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Diante do contexto normativo apresentado, a Fiscalização procedeu com a apuração efetuada pela recorrente para calcular o preço parâmetro e o preço praticado. Fl. 6743DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 17 16 Quanto ao preço parâmetro, intimou a contribuinte a apresentar as memórias de cálculo relativas às operações sujeitas às regras de preços de transferência. Na resposta de fls. 28/32, a fiscalizada informou que o método utilizado era o PVA Preço de Venda no Atacado no Destino. Em documento encaminhado ao Fisco de fls. 75/83, a contribuinte ratificou a opção pelo método PVA, previsto no art. 19, § 3°, inciso II, da lei em debate: Receitas Oriundas de Exportações para o Exterior Art. 19. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. (...) § 3° Verificado que o preço de venda nas exportações é inferior ao limite de que trata este artigo, as receitas das vendas nas exportações serão determinadas tomandose por base o valor apurado segundo um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro PVA: definido como a média aritmética dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado atacadista do país de destino, em condições de pagamento semelhantes, diminuídos dos tributos incluídos no preço, cobrados no referido país, e de margem de lucro de quinze por cento sobre o preço de venda no atacado; Ocorre que a Fiscalização, ao analisar a apuração realizada pela recorrente, encontrou as seguintes divergências: (1) o valor de frete internacional foi utilizado em duplicidade, primeiro na apuração do preço líquido médio, e em seguida, foi deduzido na apuração do preço parâmetro, ocasionando uma redução artificial do PVA; (2) na apuração do preço parâmetro, foi descontado do preço de revenda, além do IVA permitido pela legislação, valores referentes a tributos aduaneiros (imposto de importação e direito antidumping). No que concerne ao frete, manifestouse a recorrente na peça de defesa: No caso em tela, no entanto, a impugnante cometeu um equívoco quando da realização do cálculo para apuração do preço médio das mercadorias, no que tange ao desconto do frete, visto que efetuou esse cálculo partindo da Receita Líquida ("Net Sales"), ao invés de partir da Receita Bruta ("Gross Sales "). Fl. 6744DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 18 17 A explicação mostrase esclarecedora. A receita líquida é encontrada a partir da receita bruta deduzida do frete e outros dispêndios. E o preço parâmetro, a partir da média dos preços de venda (divisão da receita líquida pela quantidade de produtos), diminuídos os tributos previstos na legislação e margem de lucro presumida. Contudo, o procedimento adotado pela recorrente para apurar o preço parâmetro foi, a partir da receita líquida, deduzir os tributos, a margem de lucro e o frete. Por isso a explicação da recorrente: só poderia ter deduzido o valor do frete na apuração do preço parâmetro se tivesse tomado como referência a receita bruta. Há que se observar que, não obstante a recorrente ter admitido expressamente o equívoco, no sentido de incluir em duplicidade o valor do frete, logo em seguida reclamou pela incidência do art. 38 da IN SRF n° 243, de 2002, norma que trata de safe harbour, aspecto que será apreciado no próximo item do presente voto. Em relação aos tributos deduzidos do preço de revenda, há que se observar o que dispõe o art. 24 da IN SRF n° 243, de 2002, tratou sobre o tema: Método do Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro (PVA) Art. 24 . A receita de venda nas exportações poderá ser determinada com base no método do Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro (PVA), definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda de bens, idênticos ou similares, praticados no mercado atacadista do país de destino, em condições de pagamento semelhantes, diminuídos dos tributos incluídos no preço, cobrados no referido país, e de margem de lucro de quinze por cento sobre o preço de venda no atacado. § 1° Consideramse tributos incluídos no preço, aqueles que guardem semelhança com o ICMS e o ISS e com as contribuições Cofins e PIS/Pasep. § 2° A margem de lucro a que se refere este artigo será aplicada sobre o preço bruto de venda no atacado. § 3° Aplicamse aos preços a serem utilizados como parâmetro, por este método, os ajustes a que se referem os arts. 15 a 18. Protesta a recorrente que a instrução normativa teria extrapolado os limites da legalidade, ao detalhar os tributos do qual faz referência o art. 19, § 3°, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. Entendo que não há que se falar em qualquer irregularidade no § 1° do art. 24 da IN SRF n° 243, de 2002. O cálculo do preço parâmetro, no caso, o PVA, vem justamente apurar o preço da mercadoria produzida no mercado interno do país de destino e, por isso, toma como parâmetro inicial o preço de revenda no mercado atacadista, reduzido da margem de lucro de 15% e dos tributos incidentes na operação. A especificação dos tributos dedutíveis no mercado interno do país de destino, como aqueles que guardam semelhança como o ICMS (no caso de mercadorias), ISS (no caso de serviços), PIS e Cofins, não é por acaso. São precisamente tributos que gozam de imunidade ou isenção nas operações de Fl. 6745DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 19 18 exportação no Brasil. Ou seja, na formação do preço para exportação, em linhas gerais, a legislação brasileira permite ao exportador excluir o ICMS, o ISS, o PIS e o Cofins. Assim, na equiparação entre o preço praticado pelo exportador brasileiro, que goza, em regra geral, de exclusões de ICMS, o ISS, o PIS e o Cofins, e o preço parâmetro (PVA), que leva em consideração o preço de revenda no mercado interno do país destino reduzido da margem de lucro e dos tributos, a legislação especificou que tais tributos são precisamente os que guardam semelhança com os que o exportador brasileiro tem o benefício de imunidade ou isenção. Entender ao contrário implicaria tornar a comparação do preço praticado e do preço parâmetro distorcida. Diante do contexto apresentado, o preço parâmetro apurado é comparado com o preço efetivamente praticado pelo exportador, para verificar se não houve manipulação artificial do preço entre partes vinculadas na operação de exportação. Portanto, não há reparos a fazer na decisão da DRJ, ao manter o entendimento da autoridade autuante, que decidiu desconsiderar as exclusões dos tributos aduaneiros efetuados pela recorrente. Nesse sentido, concordo com as razões de decidir da DRJ e, da mesma forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário, neste ponto, por considerar indevida a exclusão dos referidos tributos aduaneiros. Em relação às inconsistências apontadas pela recorrente, quanto à apuração do preço parâmetro, a DRF concluiu por realizar nova apuração, valendose das informações prestadas pela própria recorrente. Para o preço parâmetro, foram utilizados demonstrativos fornecidos pela contribuinte no decorrer da ação fiscal, e para o preço praticado, a apuração valeuse das declarações de exportação (OCDE) prestadas pelo sujeito passivo. Verificase que o acórdão recorrido apresenta análise minuciosa do procedimento adotado pela fiscalização, conforme segue: Com relação ao produto FCOJ Polpa Baixa, o cálculo do preçoparâmetro, no valor de R$ 2.076,27, foi efetuado a partir das planilhas de fls. 734/745, fornecidas pela contribuinte (a fiscalização apenas acrescentou as 3 últimas colunas, para transformar os valores expressos em dólares para reais), as quais foram sintetizadas à fl. 730. Observese que: • nas referidas planilhas de fls. 734/745 não se verificam quaisquer valores a título de IVA ("VAT" "Value Added Tax"), que seriam passíveis de dedução, nem a título de tributos aduaneiros ("Duty"), não passíveis de dedução; • na apuração do preçoparâmetro (fl. 730), a fiscalização: • deduziu os valores a título de frete internacional ("Freight"), inclusive os relativos às exportações para o Japão (que não constaram das planilhas de fls. 734/745; • não deduziu nenhum valor a título de IVA simplesmente porque a contribuinte nada informou a esse título. Fl. 6746DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 20 19 Com relação ao produto FCOJ Padrão, o cálculo do preçoparâmetro, no valor de R$ 2.008,19, foi efetuado a partir das planilhas de fls. 771/1024, fornecidas pela contribuinte (a fiscalização apenas acrescentou as 3 últimas colunas, para transformar os valores expressos em dólares para reais), as quais foram sintetizadas às fls. 746/748. Observese que: • nas referidas planilhas de fls. 771/1024 constam os valores a título de IVA ("VAT" "Value Added Tax") e frete internacional ("Freight"), passíveis de dedução, e a título de tributos aduaneiros ("Duty"), não passíveis de dedução; • na apuração do preçoparâmetro (fls. 746/748): • não foram consideradas as vendas efetuadas pela VTC para a VINA Votorantin International North América, por serem empresas coligadas; • não foram deduzidos os valores a título de tributos aduaneiros ("Duty"), por não serem passíveis de dedução; • foram deduzidos todos valores de IVA informados pela contribuinte (a contribuinte informou valores a esse título apenas com relação a vendas efetuadas pela VTE Votorantin Europa, conforme síntese à fl. 747); • foram deduzidos os valores a título de frete ("Freight"), sendo que os fretes constantes das planilhas das revendas promovidas pela Votorantrade foram considerados no cálculo do preço praticado, fls. 749/770, conforme informado pela fiscalização à fl. 748. A autoridade autuante elaborou demonstrativos no qual resta consolidada a apuração para o FCOJ Padrão, do preço praticado (fl. 770) e do preço parâmetro (fl. 748) e para o FCOJ Polpa Baixa, do preço praticado (fl. 733) e do preço parâmetro (fl. 730). Mostrase, portanto, improcedente o protesto da recorrente ao aduzir que a Fiscalização não teria se pautado pela transparência. Pelo contrário, o procedimento fiscal mostrouse correto e minucioso, o que permitiu apurar com precisão o preço praticado e o preço parâmetro e a adequada apreciação da incidência da legislação referente aos preços de transferência no caso concreto. Nesse sentido, concordo com as razões da DRJ de que a fiscalização motivou corretamente o auto de infração. Ainda sobre a apuração do preço parâmetro, em cumprimento à referida Resolução a DRF intimou a recorrente a provar que o preço de exportação dos seus produtos, no período, foi superior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens no mercado brasileiro. Após a apresentação de documentos e prestação de informações pela recorrentes, a DRF elaborou o Relatório de Diligência Fiscal retro transcrito, por meio do qual concluiu que não há reparos a serem feitos no Auto de Infração, pelo fato de que, não se Fl. 6747DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 21 20 sustentou a tese da recorrente de que o caso envolveria um único produto, suco de laranja. Em atendimento às diligências designadas pelo Carf, concluiuse que temse em questão produtos que se distinguem por sua qualidade e, nesse sentido, não se enquadrariam nas referidas disposições legais que determinam que o preço parâmetro seja apurado, com base em produtos "similares". Sendo assim, não obstante as transcritas alegações da recorrente, apresentadas em resposta à diligência, no sentido de que tratase de um único produto, suco de laranja, concordo com os fundamentos e conclusões da diligência de que estão corretos os critérios e regras adotados pela fiscalização para a apuração do preço parâmetro. Regras de Safe Harbour. Não incidência. A recorrente sustenta que, no caso, há a necessidade de se observar as disposições de duas regras referentes ao que a doutrina denomina "safe harbour". A obra Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro, de Luís Eduardo Schoueri, mostrase bastante didática ao discorrer sobre o conceito: 12.1.1. No Glossário da International Fiscal Association, a expressão safe harbour é utilizada para designar um padrão objetivo ou medida, tal como um intervalo, porcentagem ou valor absoluto, que pode ser utilizado pelo contribuinte como uma alternativa a uma regra baseada em fatores subjetivos ou em fatos e circunstâncias incertos. 12.1.2. No contexto dos preços de transferência, as exigências administrativas de um safe harbour podem ir desde uma total exoneração da obrigação de atender às normas nacionais de preços e transferência, até a obrigação de atender a diversos deveres instrumentais (por exemplo: exigência de o contribuinte estabelecer seus preços de transferência por um método mais simplificado, ou de dar informações específicas etc,) como condição para fazer jus ao safe harbour. 12.1.3. O safe harbour pode ter o efeito de excluir determinadas transações do escopo de aplicação das normas de preços de transferência (por exemplo, mediante a definição de patamares mínimos), ou de permitir que a elas se apliquem regras mais simplificadas (por exemplo, fixando faixas nas quais os preços ou lucros devem encaixarse). 12.1.4. Os objetivos gerais das regras de safe harbour, em matéria de preços de transferência, são: simplificação das exigências feitas aos contribuintes para determinação dos preços de transferência; conferir certeza aos contribuintes de que seus preços de transferência serão aceitos pela Administração; e simplificar a atividade da própria administração. A respeito, a recorrente salienta a necessidade de incidência da norma prevista no artigo 38 da IN SRF n° 243, de 2002: Margem de Divergência Art. 38. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando Fl. 6748DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 22 21 o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Sustenta a recorrente que, apesar de ter incorrido em equívoco ao efetuar apuração do preço médio das mercadorias e incluído o valor do frete em duplicidade, estaria amparada pela margem de divergência de cinco por cento do preço parâmetro comparado com o constante dos documentos de exportação, qual seja, o preço praticado. Verificase, contudo, que não é o que se observa no caso concreto. Na apuração efetuada pela Fiscalização, foi calculado, como já dito, o preço praticado com base nas DDE apresentadas pela recorrente, para o FCOJ Padrão o valor de R$1.661,20 e para o FCOJ Polpa Baixa, o montante de R$1.607,24. O preço parâmetro para o FCOJ Padrão foi de R$2.008,19 e para o FCOJ Polpa Baixa de R$2.076,27. Já a recorrente apurou o preço parâmetro (PVA) no montante de R$1.383,06 (US$590,88). Como se pode observar, a diferença entre os valores apurados encontrase bem acima da margem de divergência de cinco por cento admitida pela legislação. No que concerne à planilha acostada pela contribuinte, ao apresentar a impugnação de fls. 1296, observase que a apuração apresentada referente ao preço praticado encontrase bastante próximo ao que foi apurado pela autoridade autuante. Aplicandose o câmbio de R$2,3878, o preço praticado calculado pela contribuinte foi de R$1.634,45, e o da autoridade fiscal de R$1.661,20 (FCOJ Padrão) e R$1.607,24 (FCOJ Polpa Baixa). Entretanto, a divergência reside precisamente na apuração do preço parâmetro. E, como já dito no tópico anterior, não há reparos a fazer no procedimento da Fiscalização para calcular o PVA, que se valeu das informações fornecidas pela própria recorrente. Tampouco há que se falar que a decisão da primeira instância não teria apreciado a questão. Basta observar a fl. 2216 para constatar que a DRJ apreciou o ponto suscitado na impugnação, inclusive transcrevendo o art. 38 da IN SRF n° 243, de 2002. A recorrente ainda sustentou, após a interposição do recurso voluntário, (fls. 6438/6446), que seria devida a aplicação de outra norma de safe harbour, prevista no art. 19, caput, da Lei n° 9.430, de 1996, e no art. 14 da IN SRF n° 243, de 2002: Receitas Oriundas de Exportações para o Exterior Art. 14 . As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada, ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. A recorrente sustenta que, no anocalendário de 2005, o preço de exportação praticado pela empresa teria sido superior a noventa por cento do preço médio de venda dos mesmos bens no mercado brasileiro, sob semelhantes condições de pagamento. Para comprovar o alegado, acosta estudo elaborado pela KPMG. Fl. 6749DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 23 22 A empresa de consultoria contratada pela recorrentes, manifestouse nos sentido de que, as vendas no mercado interno do produto FCOJ no anocalendário de 2005 teriam sido no valor de R$1.593.157,61, para 1.349,96 toneladas, perfazendo um valor líquido unitário de R$1.180,15. Por sua vez, o preço praticado em exportações com pessoas vinculadas teria sido de R$1.659,04, o que abrigaria a recorrente no safe harbour em debate. Ou seja, alega a recorrente que o preço praticado nas exportações para empresas vinculadas seria superior a 40% (quarenta por cento) do preço destinado para vendas no mercado interno. Nesse ponto, é fundamental verificar se foram atendidas as condições impostas pela legislação, quais sejam, preço médio praticado na venda de bens, produtos idênticos ou similares, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. Observase que, não há evidência de que os preços tratados correspondem à totalidade do produto FCOJ no mercado interno. O relatório da KPMG consolida um valor de R$1.593.157,61 de vendas. Na DIPJ do anocalendário de 2005, verificase que a recorrente declarou um valor de R$45.916.714,75 a título de Receita de Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria (Ficha 06A Demonstração de Resultado PJ em Geral, fl. 7). Tampouco se mostra possível apreciar as condições de pagamento em que se deram as vendas no mercado interno. Ressaltese que, no decorrer da ação fiscal, em mais de uma oportunidade, a recorrente informou que o método de apuração utilizado foi o PVA Preço de Venda no Atacado no Destino, como se pode observar nos documentos de fls. 28/32 e 75/83. Sendo assim, não cabe a alegação de desconhecimento da legislação. Pois, a própria recorrente informou o método de apuração, e respondeu que deveria ser o PVA, sem nenhuma menção a qualquer natureza de safe harbour. Na fase contenciosa, apresentou impugnação, no qual em nenhum momento discorreu sobre a incidência do art. 14 da IN SRF n° 243, de 2002. No recurso voluntário, também não tratou do assunto. Desse modo não há como acolher o pedido de incidência de safe harbour que não foi arguido em momento algum do processo. Também não há como acolher a manifestação da KPMG, pois discorreu sobre apenas um dos produtos da autuação, com um valor de vendas internas significativamente inferior ao que consta na DIPJ, e sem detalhar as condições de pagamento negociadas. Como se pode observar, não foi atendida nenhuma condição estabelecida pela legislação. No que diz respeito às razões de recurso relativas à multa proporcional de 75%, que afrontaria princípios constitucionais, e da taxa SELIC aplicada aos juros de mora, verificase que não há como serem acolhidas, haja vista as Súmulas do CARF: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 6750DF CARF MF Processo nº 16643.000124/201040 Acórdão n.º 1302002.814 S1C3T2 Fl. 24 23 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 6751DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900443/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso voluntário improvido
Direito creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-005.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso voluntário improvido Direito creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 43 /2 00 8- 33 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10882.900443/200833 Acórdão n.º 3402005.398 S3C4T2 Fl. 117 2 Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. Waldir Navarro Bezerra Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente) Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP), até aquela fase processual: “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: “[...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. () Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10882.900443/200833 Acórdão n.º 3402005.398 S3C4T2 Fl. 118 3 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.729, de 12 de agosto de 2010 (fls. 52 a 59), a 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas A observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argtiiçaes de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Não existindo evidências documentais de que o direito de crédito tenha origem na indevida apuração de tributo a pagar sobre tais receitas, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10882.900443/200833 Acórdão n.º 3402005.398 S3C4T2 Fl. 119 4 O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10882.900443/200833 Acórdão n.º 3402005.398 S3C4T2 Fl. 120 5 Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10882.900443/200833 Acórdão n.º 3402005.398 S3C4T2 Fl. 121 6 fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10882.900443/200833 Acórdão n.º 3402005.398 S3C4T2 Fl. 122 7 instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10882.900443/200833 Acórdão n.º 3402005.398 S3C4T2 Fl. 123 8 divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.720441/2011-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
Numero da decisão: 3201-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para permitir o creditamento apenas sobre as despesas realizadas com laboratórios e análises microbiológicas.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMO. Recorrente MARFRIG GLOBAL FOODS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para permitir o creditamento apenas sobre as despesas realizadas com laboratórios e análises microbiológicas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 04 41 /2 01 1- 48 Fl. 802DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 803 2 Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento, cumulado com compensações, de crédito oriundo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa, apurado em novembro de 2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 30/01/2012, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de COFINS nãocumulativa vinculados à receita de exportação do 1º trimestre de 2010. Houve vinculação de DCOMPs (relação de fls. 03 e 04). A repartição fiscalizadora efetuou a necessária verificação e emitiu Despacho Decisório por meio do qual reconheceu parcialmente o direito creditório da COFINS nãocumulativa vinculada à receita de exportação (1º trimestre de 2010), sendo, por consequência, homologadas as DCOMPs vinculadas até o limite do crédito disponível. Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 07/07/2012 (Termo de fl. 331) e, não se conformando, apresentou, através de procuradoras, longa manifestação de inconformidade. Nessa, inicialmente referiu aos fatos, para depois argumentar (em síntese): 1) Bens adquiridos para revenda: a empresa apropriouse de créditos de COFINS em relação a bens adquiridos para revenda (art. 3º da Lei nº 10.833/2003). A Fiscalização identificou nos arquivos magnéticos de NFs de compras de bens sujeitos ao regime de substituição tributária, o que sujeita à vedação prevista no inciso I daqueles artigos. Protesta pela posterior juntada de documentos com o objetivo de afastar a glosa em questão, comprovando, por consequencia, o direito aos créditos pleiteados. 2) Bens utilizados como insumos: a empresa apropriouse de créditos de COFINS com base em despesas de aquisição de variados bens e serviços, enquadrados como insumos (art. 3º, inciso II, da Lei n° 10.833/2003). Disse a Fiscalização que foram encontradas, nos arquivos magnéticos, NFs de compras de insumos de origem animal (bovinos vivos para abate) adquiridos de produtores pessoas físicas e jurídicas e carnes de bois abatidos por outras agroindústrias. Entendeu que a empresa fazia jus ao crédito presumido de que trata o art. 5º da IN RFB nº 977/2009 quando adquirisse bovinos vivos, destinados ao abate e à preparação (fabricação) de carnes classificadas no capítulo 2 da NCM, para alimentação humana ou animal. Afirmou que a empresa utilizouse de alíquota integral para o cálculo dos créditos em relação às aquisições de bovinos vivos, Fl. 803DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 804 3 destinados ao abate e à preparação (fabricação) de carnes classificadas no capítulo 2 da NCM. Houve glosa sumária. Também houve equivocada glosa de direito creditório calcado em aquisições de insumos oriundos de compras de combustíveis, embalagens e demais insumos (os montantes apurados pela empresa eram superiores aos identificados nos arquivos magnéticos fiscais). Disse, por fim, que os créditos presumidos identificados no Despacho Decisório não poderiam ser ressarcidos ou compensados por meio do PER/DCOMP vinculado a este processo, mas somente através de uma petição ou declaração efetuada em meio papel, conforme disposto no art. 28 da IN RFB 900/2008. Assim: 2.1) crédito integral nas aquisições de bens para produção de carnes e seus derivados: o crédito presumido na aquisição de gado para a produção de carne, nos termos da Lei n° 12.058/2009, somente pode ser constituído mediante a aplicação, sobre as aquisições, de percentual correspondente a 50% sobre as alíquotas de 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS), gerando em termos percentuais limitação nos montantes de 3,8% e 0,825%, respectivamente. Essa limitação na apuração do crédito não cumulativo mitiga de forma latente o direito ao regime de valor agregado outorgado pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando um desequilíbrio econômico para este setor. Desta forma, deve ser reconhecido o direito ao crédito de forma integral (100%), sem a limitação estabelecida pelo art. 33, § 3º, da Lei n° 12.058/2009 e IN RFB 977/2009; 2.2) alíquota a ser aplicada nas atividades das empresas fabricantes de produtos de origem animal: a empresa tem por objeto social a exploração de frigorífico (abate de bovinos e preparação de carnes, desossa e subprodutos do abate). Por tal razão faz jus ao crédito de PIS/COFINS (arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003). Mesmo que existam aquisições de bovinos vivos de pessoas jurídicas com a suspensão da contribuição, de pessoas físicas e de cooperados pessoa física, o crédito decorrente das respectivas aquisições devese basear na alíquota de 1,65% e 7,6%. 2.3) aquisição de gado pelos frigoríficos: a possibilidade de creditamento sofre restrições legais. O gado, que corresponde ao principal insumo na produção da carne, quando adquirida por pessoa jurídica agroindustrial sujeita à nãocumulatividade junto a pessoas jurídicas, com suspensão das contribuições, pessoas físicas e cooperados pessoa física, não gera crédito integral. A concessão de crédito no percentual de 50% não tem o condão de superar a problemática criada pela não cumulatividade. A única opção que pode ser admitida é a constituição integral do crédito, já que para o frigorífico o principal insumo é o gado, não havendo como mitigar o direito à Fl. 804DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 805 4 constituição do crédito dessas aquisições seja de pessoa física, seja de pessoa jurídica; 2.4) analogia com o crédito presumido do IPI: a RFB mitigou de forma abusiva o direito à constituição integral dos créditos nas aquisições de gado, tanto para a produção de carne e subprodutos destinados à alimentação humana ou animal, cuja receita de vendas sujeitase ao regime da nãocumulatividade, gerando graves distorções de ordem econômica e operacional, tanto para os frigoríficos, bem como para os criadores de gado que também foram prejudicados com a nova sistemática. Não há dúvida de que a empresa possui direito ao creditamento integral nos ciclos de produção de carne no tocante as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas com suspensão das contribuições, de pessoas físicas e cooperados pessoas físicas. 3) Demais insumos: nas NFs apresentadas pela empresa, foram identificados insumos como sendo oriundos de compras de combustíveis, embalagens e demais insumos. Sobre estas aquisições aplicamse as alíquotas dos arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Contudo, o Fisco afirmou que os montantes apurados eram superiores aos identificados nos arquivos magnéticos fiscais (CONTÁGIL), sendo glosadas essas diferenças. No que tange ao tópico, protesta a empresa pela posterior juntada de documentos com o objetivo de afastar a glosa em questão e, conseqüentemente comprovar o direito aos créditos ora pleiteados. 4) Ressarcimento/compensação mediante declaração: a fim de atender ao disposto no art. 28 da IN RFB nº 900/2008, a empresa realizou pedido de ressarcimento/compensação de créditos presumidos através de declaração efetuada em meio papel, pedido este que gerou o processo administrativo n° 18186.720910/201299. Assim, os débitos constantes do pedido eletrônico vinculados ao presente processo administrativo deverão ser vinculados ao Pedido de Ressarcimento apresentado, devendo ser homologadas as compensações até o limite do direito creditório, haja vista que o pedido de ressarcimento apresentado em meio papel preencheu todos os requisitos e disposições legais da legislação acerca da matéria. 5) Créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos: o Fisco entendeu que a prestação de serviços à empresa (foram glosados) não se caracterizam como insumo, na forma da legislação específica, eis que não foram aplicados ou consumidos nos serviços prestados pela empresa (laboratórios, Serviço de Inspeção Federal SIF e Análises Microbiológicas). Em que pese o entendimento fiscal, o aproveitamento desses créditos encontra amparo nos arts. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Ao contrário do posicionamento da autoridade administrativa, o termo insumo representa cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à produção de produtos e serviços, como por exemplo, matériasprimas, Fl. 805DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 806 5 máquinas, equipamentos, capital, dentre outros (a empresa discorre longamente acerca da natureza jurídica dos créditos de PIS/COFINS e sobre o conceito de insumos – acepção e terminologia concluindo que todos os serviços que adquiriu correspondem a insumos utilizados no processo produtivo, possibilitando, portanto, o aproveitamento dos créditos glosados pela Fiscalização). A fim de comprovar a utilização direta das despesas aplicáveis sobre os bens produzidos/industrializados, a empresa protesta pela posterior juntada de dossiê que está sendo preparado pela área industrial, no qual restará demonstrada a função de cada um dos insumos/despesas no processo produtivo. 6) Encargos de depreciação: quanto a esta rubrica, a empresa protesta pela posterior juntada de documentos, que terão o objetivo de afastar a glosa em questão, comprovando, conseqüentemente, o direito aos créditos pleiteados. 7) Devolução de vendas: quanto a este tópico, protesta a empresa pela posterior juntada de documentos, que terão o objetivo de afastar a glosa em questão, comprovando, conseqüentemente, o direito aos créditos pleiteados. 8) Pedidos: a empresa requer: a) seja recebida e processada sua manifestação de inconformidade, acatandose os argumentos nela consignados, dandoselhe provimento; b) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, consoante disposição do art. 151, III, do CTN; c) seja parcialmente reformado o Despacho Decisório, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório postulado, homologandose totalmente as compensações que realizou. A repartição de origem atestou a tempestividade da peça de contestação. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POA n.º 1050.309, de 10/06/2014 (fls. 689 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PROTESTO. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase Fl. 806DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 807 6 a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório demandado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. BOVINOS PARA ABATE. PERCENTUAIS PARA APURAÇÃO. No caso em tela, os percentuais a serem aplicados na apuração do crédito presumido são aqueles especificados na Lei nº 12.058, de 2009, com suas alterações e normatização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COBRANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O tempestivo protocolo de peça reclamatória suspende a exigibilidade do crédito tributário eventualmente cobrado, até o desfecho do processo administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 807DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 808 7 Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 713 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, alega, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu o ressarcimento, cumulado com compensação de débitos próprios, de crédito da Cofins apurada em novembro de 2006. Deferido em parte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, mas a DRJ manteve a decisão. No recurso voluntário, a Recorrente repete os mesmos argumentos de defesa antes já apresentados. São eles: Bens adquiridos para revenda A fiscalização identificou que a Recorrente creditouse de valores oriundos da aquisição de bens sujeitos ao regime de substituição tributária, o que é expressamente vedado pelo art. 3°, inciso I, alínea "a", da Lei nº 10.833, de 20031. A Recorrente, todavia, contesta a glosa, protestando pela juntada posterior de documentos com o objetivo de comprovar os créditos. A glosa, contudo, como se viu, não decorreu da falta de sua comprovação, mas de óbice legal ao seu aproveitamento, pelo que deve ser mantida. Bens utilizados como insumos A Recorrente adquire bovinos vivos para abate, de produtores pessoas físicas e jurídicas, e carnes de bois abatidos por outras agroindústrias, motivo por que faz jus ao crédito presumido de que trata o art. 33 da Lei nº 12.058, de 2009, cuja redação é a seguinte redação: Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas 1 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008)" Fl. 808DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 809 8 nos códigos 02.01, 02.02, 02.04, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.80.00, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados nas posições 01.02 e 01.04 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) § 1o O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições de pessoa jurídica que exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o O crédito apurado na forma do caput deste artigo deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno. § 6o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre calendário, não conseguir utilizar o crédito na forma prevista no § 5o deste artigo poderá: I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 7o O disposto no § 6o aplicase somente à parcela dos créditos presumidos determinada com base no resultado da aplicação sobre o valor da aquisição de bens classificados nas posições 01.02 e 01.04 da NCM da relação percentual existente entre a Fl. 809DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 810 9 receita de exportação e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) § 8o O disposto neste artigo aplicase também no caso de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Constatou a fiscalização, no entanto, a apropriação de créditos em valores superiores aos permitidos por lei. Assevera a Recorrente que a limitação à apuração dos créditos em tela no percentual de 50% "mitiga de forma latente o direito ao regime de valor agregado outorgado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando um desequilíbrio econômico para este setor". O argumento, como se vê, é de política tributária. Aqui não cabe a concessão de créditos não previstos em lei. Portanto, correta a glosa, assim como correto o entendimento de que os créditos presumidos da Cofins devem ser requeridos noutro processo administrativo, uma vez que o dispositivo legal que fundamentou o pedido foi outro, qual seja, o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Isso porque não compete à fiscalização conceder créditos de ofício, ampliando o pedido formulado pela próprio interessado. O mesmo se deu – a apropriação de créditos em valores superiores aos previstos em lei – nas aquisições combustíveis, embalagens e demais insumos, já que os montantes apurados pela Recorrente eram superiores aos identificados nos seus próprios arquivos magnéticos. A diferença, obviamente, devia ser, como de fato foi, glosada. A fiscalização também glosou créditos derivados da aquisição de serviços, quais sejam, despesas com laboratórios, Serviço de Inspeção Federal e análises microbiológicas. Temos, no entanto, o entendimento, em consonância com recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, na sistemática dos recurso repetitivos (portanto, de observância obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), que as despesas com laboratórios e em análises microbiológicas devem ser consideradas insumos, para o efeito de permitir o creditamento na sistemática do PIS/Cofins não cumulativo. A Recorrente, como se sabe, é uma indústria de produtos de origem animal destinados à alimentação humana, de forma que submetese a rigorosos requisitos de controle sanitário. Tais despesas, por óbvio, atendem aos critérios de essencialidade e relevância adotados pelo Tribunal nos autos do Recurso Especial nº 1.221.170/PR: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). Fl. 810DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 811 10 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Concordamos, porém, com a glosa referente às despesas com o Serviço de Inspeção Federal SIF, as quais não podem ser enquadradas como insumo. Além do mais, este Serviço constitui um sistema de controle do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, e as suas receitas não se submetem ao pagamento do PIS/Cofins, daí a impossibilidade de creditamento (art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). Encargos de depreciação e Devolução de vendas Com relação a tais itens, a Recorrente afirmou que iria acostar provas da viabilidade dos créditos glosados. Não o fez, porém. De qualquer modo, ainda que o fizesse, cabe registrar que os créditos foram glosados porque havia vedação legal ao seu aproveitamento, como bem destacado no Relatório que integra o Despacho Decisório (fls. 304 e ss.), fato não contestado no recurso voluntário. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para permitir o creditamento apenas sobre as despesas realizadas com laboratórios e análises microbiológicas. É como voto. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 12585.720441/201148 Acórdão n.º 3201003.777 S3C2T1 Fl. 812 11 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 812DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.914201/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.892
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 01 /2 01 2- 03 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.914201/201203 Acórdão n.º 3201003.892 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.821, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.914201/201203 Acórdão n.º 3201003.892 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.914201/201203 Acórdão n.º 3201003.892 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.914201/201203 Acórdão n.º 3201003.892 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000663/2002-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES PIS/COFINS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como o são, em regra, as cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES PIS/COFINS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como o são, em regra, as cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 767 1 766 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13827.000663/200222 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.805 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANTA CÂNDIDA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES PIS/COFINS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como o são, em regra, as cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 06 63 /2 00 2- 22 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13827.000663/200222 Acórdão n.º 9303006.805 CSRFT3 Fl. 768 2 Relatório Foi trazido para julgamento por esta Turma Recurso Especial por contrariedade à lei em decisão não unânime (fls. 459 a 469), interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, contra o acórdão 20313.727, proferido pela Terceira Câmara de Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 435 a 455), da seguinte forma (os grifos são meus): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas n°s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas A COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN n° 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. AQUISIÇÕES. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que sejam caracterizados como matériaprima ou produto intermediário, fazse necessário o comprovado consumo, o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa, oriunda de ação exercida diretamente pelo produto em industrialização. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA cio SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto ao aproveitamento dos insumos adquiridos de pessoas físicas ... Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13827.000663/200222 Acórdão n.º 9303006.805 CSRFT3 Fl. 769 3 Designado o Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais para redigir o voto vencedor; II) por maioria de votos, deuse provimento quanto ao aproveitamento dos insumos adquiridos de cooperativas. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais; e III) por unanimidade de votos, negase provimento ao recurso quanto aos insumos que não sofrem desgaste direto com o produto produzido. Pelo que ainda será aduzido no meu Voto, cumpreme aqui transcrever o que está consignado, tanto ao final do Voto Vencido, como do Voto Vencedor do Acórdão recorrido: Voto Vencido (Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) “... voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto, revisando e reformando, conseqüentemente, o acórdão recorrido neste particular – aquisição de pessoas físicas nãocontribuintes do PIS e Cofins –, com a determinação de se homologar as compensações efetuadas”. Voto Vencedor (Conselheiro José Adão Vitorino de Moraes) “Dessa forma, não há que se falar em créditos presumidos de IPI decorrentes de PIS e Cofins nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, posto que não são contribuintes dessas contribuições”. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 471 a 473), a PGFN contesta a admissão, para fins de cálculo do Crédito Presumido de IPI, das aquisições realizadas pelo produtorexportador “de cooperativas, como dispôs, equivocadamente, a decisão recorrida, tendo em vista que quase a totalidade dos atos ditos cooperativos continuam a não sofrer a incidência das referidas contribuições” (PIS/Cofins). O contribuinte (já com o Nome Empresarial da sucessora, TONON BIOENERGIA S/A) também apresentou Recurso Especial, este de Divergência (fls. 585 a 600), ao qual foi negado seguimento, em Exame (fls. 700 a 706) e Reexame (fls. 707 e 708) de Admissibilidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. Fiz questão de transcrever não só a Ementa, mas também o Dispositivo do Acórdão recorrido e as conclusões finais a que se chegou nos Voto Vencido e Vencedor, para bem demonstrar que houve equívocos, provavelmente na sua formalização, pois: Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13827.000663/200222 Acórdão n.º 9303006.805 CSRFT3 Fl. 770 4 1) Na Ementa dáse a entender que se acataram tanto as aquisições de pessoas físicas como de cooperativas; 2) No Dispositivo está expressamente dito que não se admitem as aquisições de pessoas físicas, mas acatamse as de cooperativas; 3) O Voto Vencedor não admite o crédito, tanto nas aquisições de pessoas físicas como de cooperativas. A PGFN tomou por base o dispositivo, pois ataca somente as aquisições de cooperativas. Mas, para o deslinde da questão, entendo que isto não traz qualquer dificuldade. O que interessa saber é se é admissível ou não a inclusão, na base de cálculo do Crédito Presumido, de aquisições do produtorexportador ao fornecedor (última etapa da cadeia produtiva) nas quais não houve incidência da contribuição. Se o fornecedor é produtor rural pessoa física, nunca haverá esta incidência. Se é pessoa jurídica, pode haver ou não (no caso das cooperativas, em regra, não há). Então, se é pessoa física ou cooperativa, pouco importa. A pergunta é: houve incidência ou não na aquisição ??? A Receita Federal, em suas normas reguladoras, entende que tem que haver incidência na última etapa da cadeia produtiva, ainda que haja contribuições “embutidas” nas etapas anteriores. Mas o STJ “elasteceu” esta interpretação, com efeito vinculante. Assim, o tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da ementa do referido acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 13827.000663/200222 Acórdão n.º 9303006.805 CSRFT3 Fl. 771 5 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disto, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13827.000663/200222 Acórdão n.º 9303006.805 CSRFT3 Fl. 772 6 acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 773DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.000955/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1994 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 30/06/1994, 01/12/1994 a 31/12/1994
DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
O prazo decadencial para constituição da contribuição previdenciária é de cinco anos.
Numero da decisão: 2301-005.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O prazo decadencial para constituição da contribuição previdenciária é de cinco anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 55 /2 00 7- 41 Fl. 237DF CARF MF 2 Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias, NFLD Debcad nº 37.132.1751, relativo aos períodos de 4/1994, 6/1994 e 12/1994, devidas por responsabilidade solidária em razão de cessão de mãodeobra, cuja ciência se deu em 12/11/2007 (efl. 56). Consta do processo (efl. 192) que o lançamento em questão substituiu a NFLD Debcad nº 35.781.9861, de 20/09/2005, que foi anulada por vício formal e que, por sua vez, também substituía a NFLD nº 35.781.7834, de 21/12/2004, também anulada. A Recorrente apresentou impugnação (efls. 62 a 74) em que alegou a decadência quinquenal. A DRJ de origem, por meio do Acórdão nº 14.24.671 (efls. 188 a 198), de 18/06/2009, entendeu que não se aplicaria, ao caso o disposto na Súmula Vinculante nº 8 e, portanto, a decadência seguiria a regra do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. No recurso voluntário (efls. 212 a 224), a Recorrente reafirmou estarem decaídos os períodos lançados. É o suficiente relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. A única questão sob litígio é decadência. Alega a Recorrente que os períodos lançados já haviam sido atingidos pela decadência quinquenal. A decisão a quo apreciou a matéria e assim se pronunciou (efls. 196 e 197): Portanto, não restaram alcançados pela decadência os lançamentos anteriormente efetuados posto realizados em conformidade respectivamente com os incisos I e II do artigo 45 da Lei 8.212/91, submetendose a presente NFLD em decorrência da alteração no dispositivo legal aplicável advinda da publicação da Súmula Vinculante 08 do STF ao prazo decadencial cominado no artigo 173, II do CTN o qual foi regularmente observado pela autoridade lançadora. O entendimento do colegiado recorrido é que, por ter havido três lançamentos, sendo que os dois primeiros foram anulados, o prazo decadencial passaria a contar da anulação do ato administrativo, nos termos do in. II do art. 173 do CTN1. No entendimento da decisão de origem, se o lançamento original se aperfeiçoou antes do advento da Súmula Vinculante nº 8, a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, estaria correta, porquanto era a norma vigente ao tempo do lançamento. Entenderam, os julgadores de primeira instância, que a alteração no dispositivo legal aplicável promovida pela decisão do STF não alcançaria os lançamentos perfeitamente constituídos. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16004.000955/200741 Acórdão n.º 2301005.482 S2C3T1 Fl. 238 3 Ainda que seja respeitável o entendimento do colegiado precedente, com ele não posso concordar. Eis que a declaração de inconstitucionalidade não implica na simples alteração do dispositivo legal tido por inconstitucional, mas em extirpálo do mundo jurídico desde o seu surgimento, pelo menos enquanto regra geral. A Súmula Vinculante nº 8 deve ser interpretada para além do seu enunciado, sendo importante conhecer seus fundamentos. O STF foi chamado a dirimir a controvérsia a partir de reiteradas decisões quanto à prevalência das regras decadenciais do CTN sobre as que constavam dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça assim havia decidido na Arguição de Inconstitucionalidade em Recurso Especial nº. 616.348/MG: Nos termos do art. 146, III da Constituição Federal, a Lei Complementar deve estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. Dentre esses temas de normas gerais estão a decadência e a prescrição, que somente podem ser veiculadas por instrumentos normativos próprios. Daí se conclui, ao menos nesses exame preliminar, que o art. 45 da Lei 8.212, que instituiu o plano de custeio da Previdência Social, padece de vício de inconstitucionalidade ao dispor de prazo de 10 anos para que o INSS lance os tributos sob sua administração. Ora, sendo o CTN materialmente lei complementar e considerando que decadência é norma geral de direito tributário, cuja regulação somente pode se dar por lei complementar2, não poderia o legislador, em 1991, instituir a decadência por lei ordinária. Este é o fundamento da Súmula Vinculante nº 83. É certo que os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 foram modulados, nos termos do art. 27 da Lei nº 9.868, de 19994, para aplicar efeitos ex nunc à decisão apenas às repetições de indébitos ajuizadas após 11/06/2008. Para qualquer outra circunstância, a decisão vinculante retroage ao advento da norma atingida, como se ela sequer houvesse existido. Portanto, ao contrário do que sustentou a decisão recorrida, Súmula Vinculante nº 8 é de aplicação obrigatória no presente caso. Nos autos consta que o lançamento contempla contribuições de 1994 e se completou, originariamente, em 21/12/2004 com a NFLD nº Debcad 35.781.7834, que foi anulada por vício insanável e substituída pela NFLD Debcad 35.781.9861, de 20/09/2005, também anulada e substituída pela NFLD Debcad 37.132.1786, que é a matéria deste litígio. Ora, o primeiro lançamento, a despeito de ter sido anulado, já estava atingido pela decadência; tanto pela aplicação do art. 173, I, quanto do art. 159, § 4º do CTN. Assim, os fatos 2 Art. 146. Cabe à lei complementar: ................................................................................ III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: ................................................................................ b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 3 Precedentes representativos do STF: RE 556.664 e RE 559.943. 4 Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. Fl. 239DF CARF MF 4 subsequentes não poderiam ter o condão de restabelecer o crédito tributário que já se encontrava extinto. Conclusão Voto por conhecer do recurso e DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 13709.000381/93-83
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 1995
Ementa: IPI -Admite-se o crédito na aquisição de insumos, uma vez comprovado que houve apenas erro escritural. Indevido o crédito na entrada de bens de importação própria destinados ao ativo. Na hipótese de que tais bens saiam em r operação tributada, o crédito deve ser lançado nessa ocasião. Inexistência de prova dos fatos alegados em defesa. O valor tributável é o preço da operação, na forma da lei em vigor. Não tem aplicação a norma inscrita no artigo 15, II, "b", da Lei nº 4.502/64, que diz respeito a valor mínimo e somente rege, desde a introdução do Decreto-Lei n° 400/66, as operações referidas no artigo 16 da
mesma lei. Os juros calculados pela TRD somente são devidos relativamente ao período que medeou de 02.02 a 29.08.91. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 201-69.975
Decisão: ACORDAM. os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Sergio Gomes Velloso
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DRF no Rio de Janeiro/Centro Norte - RJ l I ".. IPI -Admite-se o crédito na aquisição de insumos, uma vez comprovado que houve apenas erro escrituraI. Indevido o crédito na entrada de bens de importação própria destinados ao ativo. Na hipótese de que tais bens saiam em r operação tributada, o crédito deve ser lançado nessa ocasião. Inexistência de prova dos fatos alegados em defesa. O valor tributável é o preço da operação" na forma ida lei em vigor. Não tem aplicação a norma inscrita no artigo 15, 11, "b", da Lei nO4.502/64, que diz respeito a valor mínimo e somente rege, desde a introdução do Decr~to-Lei n° 400/66, as operações referidas no artigo 16 da mesma lei. Os juros ;éalculados pela TRD somente são devidos relativamente ao período que medeortde 02.02 a 29.08.91. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: NOVATRON S.A. ACORDAM. os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 1995 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Selma Santos Salomão Wolszczak, Geber Moreira, Expedito Terceiro Jorge Filho, Rogério Gustavo Dreyer e Jorge Olmiro Lock Freire. mdm/CF/ML 1 Processo Acórdão Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13709.000381/93-83 201-69.975 97.589 NOVATRON S.A. RELATÓRIO Trata-se de recurso oposto pela empresa contra decisão de primeiro grau que confirmou parcialmente lançamento de crédito tributário relativo ao IPI. Remanesceram, da exigência inicial, as parcelas relativas a crédito indevido registrado quando da aquisição de bens destinados a comercialização e a integrar o ativo fixo .da empresa, conforme registros constantes do Livro de Entradas e Saídas (Notas Fiscais nOs6336, 4182, 0024 e O145), bem como a concernente a lançamento insuficiente do IPI calculado indevidamente com base em 70% do preço da operação, e em flagrante contradição com a norma inscrita no art. 63, inciso I, alínea "b", e 11,do RIPI/82. A recorrente argüíra em sua impugnação a nulidade da exigência fiscal por se haver dado efeito retrooperante para a lei, e por se haver exigido além da multa de 100% os juros moratórios em duplicidade (TRD e 1% ao mês), o que configuraria confisco e bis in idem. A decisão monocrática rejeitou as preliminares por não caracterizada nenhuma das hipóteses elencadas no artigo 59 do Decreto nO70.235/72, e porque os juros não foram cobrados em duplicidade, mas sim por critérios diferentes quanto ao período. Em seu recurso a este Conselho a empresa reedita seus argumentos relativamente à inconstitucionalidade da cobrança dos juros calculados pela TRD no período que antecedeu a Lei n° 8.218/91, e expende ainda argumentação no sentido de que, mesmo para o período subseqüente, não é cabível aquele índice para a quantificação dos juros. Nesse sentido, disse que os juros moratórios, a que se refere o art. 161 do CTN, foram fixados em 1% ao mês pelo art. 16 do Decreto-Lei n° 2.323/87 , alterado pelo art. 6° do Decreto-Lei nO2.331/87, correspondendo tais juros à remuneração do capital do Estado retido pelo contribuinte em mora. Diz então que ((Não se inclui nos juros moratórios a atualização monetária. O S.T.F. ao rejeitar a TR como índice de correção, o fez justamente porque tal valor era superior à variação monetária. A TR reflete a remuneração dos depósitos bancários, incluindo a correção monetária e juros. Dessa forma a adoção desse índice como juros de mora pressupõe a inclusão da correção monetária, alterando a natureza e finalidade dos juros de mora." (destaque do original) 2 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13709.000381/93-83 201-69.975 A recorrente insiste em que a única causa da alteração na cobrança de juros moratórios sobre débitos fiscais foi a insistência do Fisco de manter a exigência dos encargos da TRD, apesar de sua manifesta inconstitucionalidade. Assim, aduz, "A aplicação da TRD recebeu o nome de juros moratários, sem qualquer alteração em sua natureza de remuneração bancária. " Por fim, nesse tópico, diz que os juros têm limite constitucional e que o julgador singular limitou-se a alegar incompetência para manifestar-se acerca de constitucionalidade de leis, deixando, assim, de simplesmente dar-lhes plena aplicação na forma do melhor direito. Quanto às Notas Fiscais nOs6336 e 4182, a recorrente diz que a diligência fiscal não logrou identificar os bens a que concernem porque limitou-se a verificar o Livro Diárip, quando a empresa indicara claramente, em sua impugnação, que tanto no carimbo de recebimento das notas fiscais como no Livro de Controle da Produção e do Estoque, modelo IH, os bens estão nitidamente discriminados como insumos para industrialização - código 1.11, fato aliás comprovado pela documentação anexada na defesa inicial, e expressamente apontado em suas fls. 5/6. Ademais, pondera que a empresa, a partir de insumos importados e nacionais, fabrica e comercializa impressoras a "laser" de alta capacidade, sem similares no mercado nacional, fato que por si só evidencia que não faria sentido a aquisição de fitas plásticas, fitas adesivas e suportes (mercadorias constantes das referidas notas fiscais) para simples comercialização. Quanto às Notas Fiscais nOs0024 e 0145, a recorrente insiste em que se trata de aquisição de bens destinados a saída para demonstração, e incorretamente registrados no Ativo Fixo. Entende a recorrente que, não se tratando de bens destinados' a manutenção das atividades da empresa, eles são sujeitos à incidência do IPI em suas saídas do estabelecimento importador, equiparado a industrial. Dessa forma, tanto o registro equivocado não pode surtir o efeito de tornar indevido o tributo nessas saídas, quanto desse registro não pode decorrer a perda do direito de crédito. Assinala ainda que "não houve irregularidadeno procedimento adotado ... que visou evitar a recomposição dos créditos a cada saída, uma vez que todas seriam tributadas pelo imposto.". Ressalta, por fim, que todos os débitos decorrentes de saídas tributadas aconteceram dentro do mesmo período de apuração, não ocorrendo aproveitamento indevido de crédito para outras operações tributadas dentro da respectiva quinzena. Quanto ao valor tributável nas vendas a varejo, a empresa expende as razões que estão a fls. 776/780, cuja leitura faço em sessão para melhor clareza. Em resumo, argumenta que o Decreto-Lei n° 400/68 não revogou a alínea "b" do inciso H do artigo 15 da Lei n° 4.502/64, que fixa em 70% do preço de venda a base de cálculo do tributo nas vendas a varejo realizadas pelo fabricante. É o relatório. 3 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13709.000381/93-83 201-69.975 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SÉRGIO GOMES VELLOSO Em preliminar. Não vejo presente qualquer vício de nulidade, seja no lançamento de oficio, seja na decisão de primeiro grau. Observo, nesse particular, que as razões invocadas pela recorrente para argüir .nulidade são na verdade razões de mérito, concernentes a matéria acessória (acréscimos legais, juros). Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. No mérito, como se deduz de todo o exposto, a ação fiscal decorreu, quanto ao primeiro tópico da controvérsia, de registros equivocados efetuados na escrita da empresa, fato já verificado em diligência fiscal e de que decorreu o cancelamento da quase totalidade do crédito tributário objeto do primeiro item da autuação. Restaram apenas os créditos relativos a fitas plásticas, fitas adesivas e suportes (mercadorias constantes das referidas notas fiscais) e que, segundo os registros, teriam sido adquiridos para simples comercialização. A empresa apresentou, acostados à defesa inicial, documentos probatórios do engano (páginas do Livro de Controle da Produção e do Estoque) e indicou claramente a especificação da real natureza dos bens constante no carimbo de recepção aposto nas notas fiscais. A fiscalização não contestou a veracidade de tais documentos, mas limitou-se a dizer que não há especificação da natureza dos bens objeto dessas notas no Livro Diário. Assim sendo, e tendo em vista a espécie de bens descritos nas notas fiscais, a documentação anexada à defesa e não contrariada na fala fiscal, bem como sua compatibilidade com a atividade industrial da empresa, tenho que os elementos constantes dos autos são suficientes para a formação da convicção de que ocorreu apenas erro nos lançamentos escriturais. Concluo, portanto, que são legítimos os créditos pertinentes às Notas Fiscais nOs 6336 e 4182. Já no que concerne às Notas Fiscais nOs0024 e 0145, observo que a empresa apenas argumenta que os bens eram importados diretamente e saíam para demonstração, sofrendo lançamento do tributo, tudo sempre no mesmo período fiscal, sem que, portanto, tenha ocorrido utilização do crédito para abatimento de outros débitos. Entretanto, não se fez qualquer 4 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13709.000381/93-83 201-69.975 demonstração desses fatos. Se os bens se destinavam, como consta, ao ativo da empresa e não à produção ou circulação, essas saídas em demonstração ficam inexplicadas. Tratando-se de bens de importação própria, destinados ao ativo da empresa, não cabia o creditamento nas entradas, de sorte que ele somente poderia ser registrado, na hipótese, quando e se saísse para demonstração ou outro fim. O creditamento na primeira entrada somente tem cabimento quando o bem se destina a industrialização ou comércio, e não é essa a situação segundo as alegações de defesa. Desta forma, havendo a empresa confirmado que se trata de bens não destinados em princípio a industrialização ou comércio, mas sim ao seu próprio ativo, está claro que o creditamento na entrada era indevido. Competia à empresa a produção da prova de que as saídas em demonstração ocorreram, e no mesmo período, havendo sido lançado o tributo, e assim buscar a evidência de que não houve insuficiência no recolhimento do imposto, o que não foi feito. Nessas condições, não vejo como possa prosperar a pretensão da defesa. Nem considero que a recusa da prova pericial, pela primeira instância julgadora, que, ao invés, determinou apenas a realização de diligência fiscal, tenha por qualquer forma cerceado o direito de defesa, eis que, como acentuei, a empresa trouxe meras alegações, desassistidas de qualquer elemento que ensejasse a dúvida quanto ao creditamento indevido na aquisição de bens do seu ativo. Competia à defesa a produção da prova, que não veio aos autos. Quanto ao valor tributável nas vendas a varejo pelo produtor, a matéria foi já objeto da vários pronunciamentos, tanto deste Colegiado quanto da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, sempre no sentido de que o Decreto-Lei nO400/68 não revogou o artigo 15, inciso 11, alínea "b", da Lei nO4.502/64. Nesse rumo, o Acórdão nO201-63.411 e o Acórdão CSRF n° Ocorre que esse dispositivo legal perdeu sentido no que concerne às vendas efetuadas a varejo pelo fabricante, restando-lhe apenas o conteúdo normativo para as hipóteses regidas pelo artigo 16, que a ele se reporta. Com efeito, diz a regra, in verbis: "Art. 15 - O valor tributável não poderá ser inferior: (...) n - a 70% (setenta por cento) do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso anterior: (...) b - quando o produto for vendido a varejo pelo próprio estabelecimento produtor." A norma invocada pela recorrente, portanto, fixa um limite e não o valor tributável na operação. O seu objetivo era regular uma situação que não mais remanesce no nosso ordenamento: à época, os fabricantes que efetuavam vendas a varejo eram obrigados a uma série de procedimentos cautelares e ocorria o fato gerador da obrigação tributária principal no momento em que os bens eram transferidos para a seção de varejo, ocasião em que não se tinha ainda o 5 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13709.000381/93-83 201-69.975 preço da venda a que se destinavam. Assim, a regra do artigo 15, lI, "b", fixava que o valor tributável mínimo seria 70% do preço que o fabricante adotava nas vendas a consumidor. Com o advento do Decreto-Lei nO 400/68, não mais se caracteriza o fato gerador naquelas transferências e, conseqüentemente, não tem mais sentido a regra para as vendas efetuadas pelo fabricante. Com efeito, a lei é taxativa ao estipular que o valor tributável é o preço da operação, e este preço, nas vendas a consumidor efetuadas pelo próprio fabricante, é necessariamente superior ao limite eleito no inciso lI, alínea "b", do artigo 15. Desta maneira, a recorrente se equivoca quando toma a norma da Lei nO 4.502/64 como regente do valor tributável nas vendas a varejo realizadas pelo produtor. Por fim, no que concerne à cobrança dos juros pelos índices da TRD, o pronunciamento uniforme desta Câmara é firme no sentido de que, de fato, não é cabível a aplicação retroativa da Lei n° 8.218/91. Não assiste razão, entretanto, à recorrente quando se insurge contra a aplicação desse índice para o período subseqüente. Com efeito, o artigo 161 do CTN admite que a lei defina o índice dos juros, e estabelece regra apenas para o caso em que ela se omita. Ao eleger a TRD, que de fato era um índice oriundo da prática no setor bancário, e de cálculo extremamente complexo, a lei atuou em seu campo próprio. Não há qualquer razão para que (usando as palavras da recorrente) o juro interbancário seja superior ao juro que remunera o capital do Estado em poder do contribuinte em mora. Quanto ao limite constitucional, já se pronunciou o Judiciário no sentido de que a regra inscrita na Carta Magna não é auto-aplicável. Com essas considerações, voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir da exigência os valores concernentes às Notas Fiscais nOs6636 e 4182 e à aplicação dos índices da TRD no período que medeou de 02.02 a 29.08.91. Sala das se1;jjJ7 ~ outubro de 1995 GOMES VELLOSO 6 ,I 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720171/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 15/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO NO ENVIO.
Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu.
Numero da decisão: 2401-005.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 15/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. ERRO NO ENVIO. Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu.
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ERRO NO ENVIO. Comprovado o erro do contribuinte no envio da DCOMP, deve ser cancelado o crédito apurado pela homologação parcial da compensação, relativo a diferença correspondente à multa por suposto recolhimento em atraso, que, de fato, não ocorreu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 01 71 /2 00 9- 47 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10680.720171/200947 Acórdão n.º 2401005.696 S2C4T1 Fl. 146 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 71/775) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE (fls. 60/66), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte (fls. 2/4) em face de Despacho Decisório (fl. 5) que homologou parcialmente a compensação informada na Declaração de Compensação – DCOMP nº 22671.44473.150604.1.3.042730, transmitida em 15/06/2004 (fls. 13/18). De acordo com o Despacho Decisório: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 14.379,66. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. [...] Entretanto. considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado. correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2008. Principal Multa Juros 1.599,97 319,99 1.905,40 O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2/4), alegando, em síntese, que: O IRRF apurado na 3ª semana de fevereiro de 2001 importou em R$ 14.379,66, conforme DCTF, enquanto o recolhimento efetuado para o período importou em R$ 14.692,78, ocasionando um pagamento a maior no valor de R$ R$ 313,12. Para recuperação do valor recolhido a maior foram apresentadas duas DCOMPs: 22671.44473.150604.1.3.042730 (cadastrada neste processo), onde foi utilizada a importância de R$ 14.379,66 na extinção do IRRF referente à 3ª semana de fevereiro de 2001, através da compensação. 16162.76172.150604.1.3.047731, quando foi utilizada a importância de R$ 313,12 na extinção do IRRF apurado na 1ª semana de março de 2001, através da compensação. O manifestante argumenta que o procedimento executado na DCOMP de n° 22671.44473.150604.1.3.042730 foi “indevido”, considerando que no caso em questão a compensação efetuada era desnecessária. Esclarece que “tal procedimento gerou indevidamente a aplicação de multa, motivada por erro operacional e não por um valor efetivamente devido pela empresa”. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10680.720171/200947 Acórdão n.º 2401005.696 S2C4T1 Fl. 147 3 Requereu o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, o cancelamento da cobrança no Despacho Decisório n° 790520377 e a suspensão da exigibilidade dos débitos em cobrança, nos termos do Decreto 70.235/72. A DRJ/BHE, por meio do Acórdão 0223.166 (fls. 60/66), considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme disposto a seguir: Delimitou o litígio à parcela de compensação não homologada. O argumento utilizado pelo contribuinte neste processo reportase unicamente à solicitação de cancelamento da DCOMP, por considerála desnecessária, e que, uma vez apresentada, gerou a multa de mora que deu origem ao saldo de débitos exigidos. A Declaração de Compensação é um instrumento fundamental na execução do procedimento, na medida em que identifica os créditos utilizados e os débitos compensados. Esta foi a ferramenta instituída pelo legislador com o intuito de permitir ao fisco o controle dos atos praticados pelos contribuintes. Neste contexto, os elementos essenciais da DCOMP se traduzem na identificação dos créditos utilizados e dos débitos compensados (extintos pela compensação). Os créditos utilizados pelo contribuinte na DCOMP, bem como os débitos por ele compensados não podem simplesmente ser ignorados ou substituídos quer seja por ato informal do contribuinte ou mesmo exofício pela Administração Pública. Contudo, a legislação tributária também prevê a alteração destes dados, considerando exatamente possíveis erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento destas declarações. Cita a Lei 9.430/97, as Instruções Normativas SRF 460/2004 e RFB 900/2008, e esclarece que a retificação ou o cancelamento da PER/DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais verificadas no seu preenchimento. Contudo, não indiscriminadamente, o procedimento é efetuado formalmente, quer seja através da apresentação de formulário ou de PER/DCOMP eletrônica, e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa. Concluiu que a operacionalização da compensação em litígio neste processo foi efetuada nos termos em que determinada na legislação tributária vigente, embasada pelas informações prestadas pelo próprio contribuinte nas declarações apresentadas à RFB. Assim sendo, não há como alterála. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 71/77), alegando, em síntese, o que segue: Diz que caso seja mantido o entendimento da DRJ, haverá enriquecimento sem causa da arrecadação fazendária. Cita o CTN, art. 165, o Código Civil, artigos 876 e 877, e disserta sobre o conceito de pagamento indevido. Afirma que o Acórdão da DRJ se baseou em norma infralegal (Instrução Normativa) e seu direito não pode ser limitado por norma infralegal. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10680.720171/200947 Acórdão n.º 2401005.696 S2C4T1 Fl. 148 4 Requer a reforma do acórdão recorrido, o cancelamento do PER/DCOMP efetuado indevidamente, e que o valor considerado como compensado seja efetivado como valor devido da terceira semana de fevereiro/01, e considerado sua quitação pelo próprio DARF de R$ 14.692,78, vencido e quitado em 21/02/2001.' É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. ADMISSIBILIDADE Conforme despacho de fl. 144, o recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO No caso em análise, vêse que o contribuinte cometeu um equívoco ao preencher a DCOMP, para justificar o crédito de R$ 313,12 que seria usado para compensar parte do IRRF devido relativo à 1ª semana de março de 2001. Conforme relatado, o contribuinte apurou o IRRF para 3ª semana de fevereiro de 2001 no valor de R$ 14.379,66 e efetuou o recolhimento a maior, no vencimento da obrigação, em 21/2/01, no valor de R$ 14.692,78. A DCOMP com tais informações foi transmitida em 15/6/04. Da análise do documento de fl. 27, Despacho Decisório Detalhamento da compensação, observase que foram efetuadas os seguintes ajustes: Crédito reconhecido de R$ 14.379,66, recolhido em 21/2/01, valorado de 59,75% de juros, pois a DCOMP foi enviada em 15/6/04, totalizando R$ 22.971,50. Foi apurado o valor utilizado do crédito na data da valoração da seguinte forma: Principal R$ 12.279,70 Multa R$ 2.555,04 Juros R$ 7.635,86 Vêse que o crédito total valorado seria para abater do valor devido, considerando principal, juros (59,75%) e multa (20%). Fezse a conta ao inverso: partindose do total recolhido, ele foi rateado em principal, 59,75% de juros e 20% de multa, os dois últimos incidentes sobre o valor do principal. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10680.720171/200947 Acórdão n.º 2401005.696 S2C4T1 Fl. 149 5 Desta forma, o principal recolhido seria de R$ 12.279,70 e como o saldo devedor declarado na DCOMP foi de R$ 14.379,66, apurouse um valor ainda devido de R$ 2.099,96. Da análise da situação que se apresenta é possível verificar que valor lançado é a multa apurada na conta invertida, que seria devida caso o recolhimento tivesse ocorrido com atraso. A diferença se deve aos juros de 59,75% aplicado sobre R$ 14.379,66 na valoração e sobre R$ 12.279,70 na conta invertida = R$ 955,98; logo a multa de R$ 2.555,04 R$ 955,97 = R$ 1.599,97, que é o valor lançado, considerado não homologado. Assim, sob o aspecto formal, tratouse a compensação declarada, sendo valorado o crédito e extinto parte do débito na data do encontro de contas, 15/6/04. Contudo, sob o aspecto material, o débito relativo à 3ª semana de janeiro de 2001, foi extinto pelo pagamento na data do vencimento, 21/2/01. Conforme as instruções normativas citadas no acórdão recorrido, não seria possível cancelar a DCOMP. Acontece, que a verdade material que se apresenta é realmente a cobrança de uma multa de mora, decorrente do erro do contribuinte ao enviar a DCOMP que serviu de base para o Despacho Decisório que apurou crédito tributário, diante da compensação parcialmente homologada. A Lei 9.430/96, assim dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifo nosso) . § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Logo, o crédito tributário lançado, que equivale à multa de mora apurada por suposto atraso no pagamento não pode prosperar, pois o pagamento ocorreu na data do vencimento da obrigação (21/2/01). CONCLUSÃO Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10680.720171/200947 Acórdão n.º 2401005.696 S2C4T1 Fl. 150 6 Sendo assim, prestigiando o princípio da verdade material, dou provimento ao recurso voluntário, para declarar extinto o crédito tributário constituído por meio do Despacho Decisório de fl. 5. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13128.720302/2017-60
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2014
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
A multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtar-se à sua aplicação.
Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, por expressa disposição legal.
Numero da decisão: 2002-000.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2014 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtar-se à sua aplicação. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, por expressa disposição legal.
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DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente WANDIR BONIFACIO GALVAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 8. 72 03 02 /2 01 7- 60 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13128.720302/201760 Acórdão n.º 2002000.226 S2C0T2 Fl. 83 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13128.720302/201760 Acórdão n.º 2002000.226 S2C0T2 Fl. 84 3 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 35/38), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2015. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$2.193,24 para saldo de imposto a pagar de R$14.422,92. A notificação consigna a dedução indevida de pensão alimentícia judicial. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 6/7/2017, a NL foi objeto de impugnação, em 24/7/2017, à fl. 2/28 dos autos, na qual o contribuinte indicou a juntada de documentação comprobatória da pensão declarada. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, julgoua procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 56/58): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Somente é dedutível a pensão alimentícia paga dentro dos limites estabelecidos no acordo homologado judicialmente. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 10/11/2017 (fl. 63), o representante do contribuinte (fl.69), em 27/11/2017 (fl. 66), apresentou recurso voluntário, às fls. 66/78, no qual alega, em apertado resumo, que: sentença judicial estabeleceu o pagamento de 30% dos seus rendimentos líquidos ao excônjuge e 20% aos quatro filhos. ainda que dois filhos tenham atingido a maioridade, não houve ainda a exoneração da pensão alimentícia, tendo havido continuidade no pagamento da pensão. teria ocorrido erro material no preenchimento de sua Declaração, quando fez constar o pagamento a apenas dois filhos e ao excônjuge. o pagamento está demonstrado por meio dos comprovantes de rendimentos juntados e o valor deve ser acatado, do contrário o Estado estaria se beneficiando de forma indevida de um cálculo que não corresponde a realidade do contribuinte. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13128.720302/201760 Acórdão n.º 2002000.226 S2C0T2 Fl. 85 4 a decisão de primeira instância deveria ter excluído a cobrança de multa e juros, visto que se trata de uma forma de punição e ele tem por direito o contraditório. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.79). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13128.720302/201760 Acórdão n.º 2002000.226 S2C0T2 Fl. 86 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Pensão Alimentícia Judicial O litígio recai sobre a pensão alimentícia declarada pelo recorrente, integralmente glosada na autuação, nos seguintes termos: Na apreciação da impugnação, a DRJ restabeleceu parcialmente o valor declarado, consignando: O impugnante apresenta informes de rendimentos da Polícia Militar do Distrito Federal comprovando o desconto da pensão alimentícia. Não tem, porém, direito a deduzir o total declarado. O acordo homologado judicialmente em 2002 estabelecia que deveria pagar 20% dos seus rendimentos líquidos (rendimentos brutos menos os descontos legais), para quatro dos seus filhos, ou seja 5% para cada um deles. Deveria ainda pagar 30% para o excônjuge. Como dois dos filhos beneficiários já haviam atingido a maior idade em 2013, o contribuinte declarou como dedutível a pensão paga a apenas dois dos seus filhos ainda menores em 2013, Lucas da Silva Galvão, nascido em 1994, e Keyza Beatriz da Silva Galvão, nascida em 1998. Ocorre que informou haver pago a estes dois um montante total de R$ 18.075,50, correspondente a 20% dos seus rendimentos menos os descontos legais, quando somente poderia deduzir 10% (5% para cada filho), dentro dos limites estabelecidos no acordo. (destaques acrescidos) Entendo que não há reparos a se fazer na decisão de piso. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13128.720302/201760 Acórdão n.º 2002000.226 S2C0T2 Fl. 87 6 Os valores pagos a título de pensão alimentícia podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que sejam comprovados com documentação hábil, como dispõe o caput do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99. Nesse sentido, é o entendimento manifestado na Súmula CARF nº 98, de observância obrigatória por este Colegiado, a teor do artigo 72 do RICARF: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (destaques acrescidos) O contribuinte informou pagamento de pensão a Kezya Beatriz da Silva Galvão, Lucas da Silva Galvão e Maria Cristina da Silva Galvão (fl.44). Por seu turno, o acordo homologado em 2002 demonstra que caberia a Maria Cristina a título de pensão 30% dos seus vencimentos brutos e aos filhos Thiago, Marcus Filipe, Lucas e Kezya, 20% (fls.10/16). É de se concluir que caberia a cada filho 5% dos vencimentos brutos do recorrente. Tendo declarado, além de Maria Cristina, apenas os filhos Kezya e Lucas, a pensão a ser acatada, paga em decorrência de acordo judicial, é de 5% de seus rendimentos para cada um desses filhos, exatamente como se procedeu na decisão a quo. Não tendo sido informados os filhos Thiago e Marcus, como alimentantes, a parcela da pensão relativa a eles não pode ser acatada. Quanto à alegação de erro de preenchimento da Declaração de Ajuste, ao não incluir os filhos Thiago e Marcus Filipe como beneficiários de pensão paga, é de se esclarecer que o recorrente deve, se assim desejar, solicitar junto a Unidade da Receita Federal do Brasil do seu domicílio tributário o pedido de retificação da Declaração de Ajuste Anual, para inclusão. Já manifestei entendimento de que, em observância de princípios da Administração Pública, os princípios da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, e quando os elementos trazidos sejam evidentes, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, atender a pedidos de retificação efetuados em sede de impugnação e recurso. Cumpre frisar que se trata de medida excepcional, que entendo possível em casos em que a prova seja robusta e não paire qualquer dúvida acerca do direito do contribuinte ao que está sendo pleiteado. Não é o caso de tal pleito, visto que, no meu entendimento, sua análise demandaria diligências, não restando devidamente comprovado o direito do recorrente à dedução desses valores, uma vez que o acordo apresentado data de 2002 e os filhos Thiago e Marcus já contavam com 32 e 22 anos no anocalendário 2014, ora sob análise. Assim, é de se manter a decisão de piso. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13128.720302/201760 Acórdão n.º 2002000.226 S2C0T2 Fl. 88 7 Multa de Ofício e Juros de Mora O recorrente entende que caberia a suspensão da exigência de multa de ofício e dos juros de mora, dado o seu direito de recorrer da autuação. A exigência do crédito tributário encontrase suspensa por força do recurso voluntário, ora em análise, na forma do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Tal suspensão não se confunde com a incidência de multa de ofício de 75% e dos juros de mora sobre o imposto suplementar apurado pelo Fisco, prevista em lei. A exigência da multa, cuja base legal encontrase indicada na notificação de lançamento, é uma sanção pecuniária com origem no descumprimento de obrigação principal consistente na falta de pagamento do imposto. Os juros de mora, exigíveis com base nos dispositivos legais também indicados na notificação de lançamento, decorrem, por sua vez, do não pagamento do tributo no prazo fixado. No presente caso, a falta de declaração e/ou pagamento do tributo correspondente à dedução indevida de pensão alimentícia judicial – mantida no presente julgamento – impõe, por força de lei, o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora. Se a infração atribuída ao contribuinte tivesse sido desqualificada na fase recursal, o que não ocorreu, a exigência do tributo seria cancelada, bem como a exigência da multa e dos juros. Deste modo, cabe a aplicação da legislação que prevê a exigência do tributo acompanhado da multa de ofício de 75% e dos juros no lançamento de ofício. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725492/2012-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/03/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.967
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/03/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.725492/201299 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.967 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA Recorrente MANPOWER STAFFING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/03/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 54 92 /2 01 2- 99 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13811.725492/201299 Acórdão n.º 3201003.967 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.438, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13811.725492/201299 Acórdão n.º 3201003.967 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13811.725492/201299 Acórdão n.º 3201003.967 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13811.725492/201299 Acórdão n.º 3201003.967 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 79DF CARF MF
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