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Numero do processo: 19515.002153/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1997
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1997 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 53 /2 01 0- 08 Fl. 191DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 192DF CARF MF Processo nº 19515.002153/201008 Acórdão n.º 2201004.263 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 193DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 19515.002153/201008 Acórdão n.º 2201004.263 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 195DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.724739/2016-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. DIRETORES NÃO EMPREGADOS.
É procedente o lançamento de ofício das contribuições que incidem sobre o pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais quando comprovado nos autos que a empresa autuada utilizou-se do artifício simulatório consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas (diretores não empregados), conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoas jurídicas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Constatada a prática da conduta típica da sonegação, deve ser mantida a penalidade qualificada porquanto aplicada pela autoridade autuante nos exatos termos das disposições legais que regem a matéria.
DECADÊNCIA.
Muito embora tenha sido comprovada a simulação que deu azo ao lançamento de ofício, dado que a ciência do sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária ocorreu em 2 de janeiro de 2017, o lançamento referente aos período de janeiro a novembro de 2011 encontra-se fulminado pela decadência, uma vez que não foi aperfeiçoado antes do fim do prazo decadencial que, iniciado em 1º de janeiro de 2012, já havia expirado em 1º de janeiro de 2017.
CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. DESCABIMENTO.
É incabível o lançamento de contribuição previdenciária patronal relativa a períodos de competência (agosto a dezembro de 2012) em que a empresa autuada estava sujeita à contribuição sobre o valor da receita bruta.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETOR-PRESIDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO
Da narrativa fática constante da acusação fiscal, não restou demonstrada alegada conduta de burla à legislação com ato volitivo dos sócios administradores no sentido de reduzir o pagamento de tributos da empresa ou atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fático-jurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS.RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fático-jurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar.
Numero da decisão: 2201-004.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que deu provimento parcial. Quanto ao recurso voluntário do contribuinte, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial para afastar a qualificação de multa de ofício, bem assim para reconhecer a decadência da exigência relativa ao mês dezembro de 2011. Em relação ao recurso voluntário do devedor solidário, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para afastar a responsabilização solidária, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. É procedente o lançamento de ofício das contribuições que incidem sobre o pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais quando comprovado nos autos que a empresa autuada utilizou-se do artifício simulatório consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas (diretores não empregados), conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Constatada a prática da conduta típica da sonegação, deve ser mantida a penalidade qualificada porquanto aplicada pela autoridade autuante nos exatos termos das disposições legais que regem a matéria. DECADÊNCIA. Muito embora tenha sido comprovada a simulação que deu azo ao lançamento de ofício, dado que a ciência do sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária ocorreu em 2 de janeiro de 2017, o lançamento referente aos período de janeiro a novembro de 2011 encontra-se fulminado pela decadência, uma vez que não foi aperfeiçoado antes do fim do prazo decadencial que, iniciado em 1º de janeiro de 2012, já havia expirado em 1º de janeiro de 2017. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. DESCABIMENTO. É incabível o lançamento de contribuição previdenciária patronal relativa a períodos de competência (agosto a dezembro de 2012) em que a empresa autuada estava sujeita à contribuição sobre o valor da receita bruta. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETOR-PRESIDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO Da narrativa fática constante da acusação fiscal, não restou demonstrada alegada conduta de burla à legislação com ato volitivo dos sócios administradores no sentido de reduzir o pagamento de tributos da empresa ou atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fático-jurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS.RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fático-jurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que deu provimento parcial. Quanto ao recurso voluntário do contribuinte, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial para afastar a qualificação de multa de ofício, bem assim para reconhecer a decadência da exigência relativa ao mês dezembro de 2011. Em relação ao recurso voluntário do devedor solidário, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para afastar a responsabilização solidária, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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E OUTRO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. É procedente o lançamento de ofício das contribuições que incidem sobre o pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais quando comprovado nos autos que a empresa autuada utilizouse do artifício simulatório consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas (diretores não empregados), conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Constatada a prática da conduta típica da sonegação, deve ser mantida a penalidade qualificada porquanto aplicada pela autoridade autuante nos exatos termos das disposições legais que regem a matéria. DECADÊNCIA. Muito embora tenha sido comprovada a simulação que deu azo ao lançamento de ofício, dado que a ciência do sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária ocorreu em 2 de janeiro de 2017, o lançamento referente aos período de janeiro a novembro de 2011 encontrase fulminado pela decadência, uma vez que não foi aperfeiçoado antes do fim do prazo decadencial que, iniciado em 1º de janeiro de 2012, já havia expirado em 1º de janeiro de 2017. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. DESCABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 47 39 /2 01 6- 90 Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.444 2 É incabível o lançamento de contribuição previdenciária patronal relativa a períodos de competência (agosto a dezembro de 2012) em que a empresa autuada estava sujeita à contribuição sobre o valor da receita bruta. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORPRESIDENTE. NÃO COMPROVAÇÃO Da narrativa fática constante da acusação fiscal, não restou demonstrada alegada conduta de burla à legislação com ato volitivo dos sócios administradores no sentido de reduzir o pagamento de tributos da empresa ou atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS.RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que deu provimento parcial. Quanto ao recurso voluntário do contribuinte, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, Relator, e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial para afastar a qualificação de multa de ofício, bem assim para reconhecer a decadência da exigência relativa ao mês dezembro de 2011. Em relação ao recurso voluntário do devedor solidário, por maioria de votos, em darlhe provimento para afastar a responsabilização solidária, vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. (assinado digitalmente) Fl. 3444DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.445 3 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/FNS de fls. 3.106/3.132, por bem relatar os fatos ora questionados. “Versa o presente processo sobre Autos de Infração (fls. 2.018 a 2.052) lavrados contra a contribuinte em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário nos valores de R$ 20.460.033,83 e de R$ 3.444.462,13, valores esses já acrescidos de multas de ofício qualificadas e proporcionais a 150% do valor da contribuição não declarada em GFIP e não recolhida, além de juros moratórios, relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro de 2012. Segundo descreve a autoridade autuante no Relatório Fiscal (fls. 2.055 a 2.124), os lançamentos das contribuições cumuladas com os mencionados consectários legais referemse, mais precisamente, ao seguinte: a) Contribuições destinadas à Seguridade Social não declaradas em GFIP relativas à parte patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, contribuições essas incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa (contribuição patronal) e segurados empregados (GILRAT); e b) Contribuições destinadas a outras entidades e fundos, também denominados "Terceiros" (FNDE, SENAI, INCRA, SESI e SEBRAE), contribuições essas que foram apuradas utilizando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.446 4 Mais precisamente, ainda, relata a autoridade autuante que, em face de diligências efetuadas e da análise da documentação coligida durante o procedimento fiscal, foi constatado que a contribuinte fiscalizada efetuava o procedimento vulgarmente conhecido como PEJOTIZAÇÃO, isto é, a utilização de pessoas físicas (diretores e empregados) como se pessoas jurídicas fossem, de molde a ocultar do Fisco a ocorrência dos fatos geradores do crédito tributário, ora formalizado pelos presentes lançamentos. Dentre os elementos coligidos na ação fiscal que arrimam a supracitada constatação destacamse, em síntese, os seguintes: a) No período de 2011 a 2012, a diretoria da empresa fiscalizada foi composta por representantes de pessoas jurídicas que, à exceção da empresa Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda, compunham o seu quadro societário, conforme evidenciado no seguinte demonstrativo: CNPJ Sócio quotista Nomes do Sócio quotista Participação % Total de quotas Valor unitário Valor em Reais Função 51.058.345/000137 NG Participações Ltda (João Marcos Gobbiu. CPF 539.853.03800) 96 96.000.000 1 96.000,000.00 Presidente 04.446.478000109 RF Consultoria Lida (Rogério Fauini Júnior. CPF 015.302.13819) 1 1.000.000 1 1.000,000.00 Diretor comercial 04..446.574/000109 A Marques Consultoria Ltda (Ariovaldo Marques, CPF 720.107.628 00) 1 1.000.000 1 1.000,000.00 Diretor Industrial 04.446.458/000120 MCA Assessoria Rnpresanal Ltda (José Mendes Pereira. CPF 375.452.48872 1 1.000.000 1 1.000,000.00 Gerente Finanças 04.446.538/000185 EGConsultora Ltda puardo Gobbm. CPF 078.839.89898) 1 1.000.000 1 1.000,000.00 Gerente Industrial b) A maior parte dos representantes das indigitadas empresas e, bem assim, da empresa Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda, que foram remuneradas por serviços de administração prestados à fiscalizada, nos anos de 2011 e 2012, são parentes (família Gobbin), conforme evidenciado no seguinte quadro demonstrativo: NG Participações Ltda, João Marcos Gobbin (presidente) e Flávia Gobbin (diretora) R. Faniní Consultoria Ltda. (responsável: Rogério Fanini Júnior) A. Marques Consultoria Ltda. (responsável: Ariovaldo Marques) MCA Assessoria Gestào Empresarial (responsável: José Mendes) EG Consultoria Ltda. (responsável: Eduardo Gobbin) Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda. a partir de 09/2012 (responsável: Giovanni Gimenes Gobbm) SG Consultoria Ltda. (Empresa sócia da NG Participações representante: Sandro Gobbin) c) As receitas das empresas A. Marques Consultoria Ltda, EG Consultoria Ltda, MCA Assessoria Gestão Empresarial Ltda, RF Consultoria Ltda e Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda são totalmente oriundas da empresa fiscalizada NG Metalúrgica Ltda; Fl. 3446DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.447 5 d) As empresas A. Marques Consultoria Ltda, EG Consultoria Ltda, MCA Assessoria Gestão Empresarial Ltda, RF Consultoria Ltda, Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda e SG Consultoria Ltda nunca se estabeleceram no domicílio informado nas cidades de Santa Maria da Serra (SP) e Pereiras (SP); e) Houve planejamento tributário abusivo, onde a fiscalizada paga apenas retenções da Lei n.º 10.833, de 2003 (COFINS = 3%, CSLL=1% e PIS=0,65%) incidentes sobre os valores pagos e o imposto de renda retido na fonte de 1,5% do valor da nota; f) Os representantes das empresas sócias da empresa fiscalizada recebem os valores pagos às empresas dos sócios na forma de lucro distribuído e isento de tributação na pessoa física, sendo que apenas 32% da receita dessas empresas é considerada lucro (presumido) e tributada nas pessoas jurídicas; g) Além das empresas que figuram no quadro de diretores, a empresa fiscalizada contratou pessoas jurídicas para prestarem serviços técnicos que guardam as mesmas características dos serviços prestados por empregados da empresa fiscalizada NG Metalúrgica; h) Nenhuma dessas empresas prestadoras de serviços que têm domicílio na cidade de Pereiras (SP) foram encontradas no endereço cadastrado; i) No endereço de Pereiras à Rua Tenente Carlos Jacob Bonini, n.º 358, onde, por exemplo, deveriam estar estabelecidas as empresas MD Elaboração Contratos ME, MTT Elaboração Contratos Ltda. ME, H2C Consultoria Assessoria Ltda. ME e Orlandin Assessoria e Consultoria Ltda. ME, foi encontrado o escritório de contabilidade Uirapuru, e obtida a informação de que o endereço foi cedido para a abertura dessas empresas a pedido dos donos do escritório de contabilidade; j) Em mais outro exemplo, no endereço de cadastro em Pereiras (SP) das empresas J. Cella Apoio Adm. Ltda. ME e da Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda. – ME, tais empresas não foram encontradas, sendo que, no endereço cadastrado como sendo da Trevo, o proprietário de uma oficina de costura afirmou ter sido procurado pelo contador do escritório Uirapuru, Sr Jurandir Landucci, para alugar uma sala para a empresa Trevo, mas que, apesar da anuência do proprietário, os pretensos interessados sequer retornaram para concretizar esse intento; Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.448 6 k) A maioria das 35 (trinta e cinco) empresas prestadoras de serviços fiscalizadas prestavam serviços nas dependências da empresa NG Metalúrgica, nos clientes da contratante, em atividades externas ou mesmo na residência do sócio da empresa contratada, sendo que algumas informaram que a pejotização foi proposta pela empresa contratante (NG Metalúrgica); l) A maioria das 35 (trinta e cinco) empresas prestadoras de serviços fiscalizadas tinham suas receitas oriundas exclusivamente da empresa NG Metalúrgica, sendo que várias pessoas físicas que constituíram essas empresas foram empregados da empresa NG Metalúrgica e/ou passaram a ser empregados dela a partir de 2015, ocasião em que a empresa NG Metalúrgica Ltda foi transformada em sociedade anônima e a diretoria, anteriormente composta por pessoas jurídicas, passou a ser constituída por pessoas físicas.; m) Os contratos de várias empresas prestadoras de serviços fiscalizadas previam o reembolso de despesas de refeições, hospedagem, pedágios, quilometragem, estacionamento, etc. Em face desses fatos, relata a autoridade autuante que a empresa fiscalizada pratica a pejotização desde 2001, ocasião em que admitiu como sócios, empresas criadas por antigos empregados e que em 2008 passaram a compor a administração da mesma. Segundo a fiscalização, o administrador da empresa fiscalizada ao implementar a política de contratação de profissionais através de prestadoras de serviços, pessoas jurídicas criadas muitas vezes por sugestão da fiscalizada, realizando as atividades fins da empresa, inclusive de gestão, deixou de pagar a contribuição previdenciária patronal, incidindo em sonegação previdenciária. Ainda segundo a autoridade autuante, no ano de 2015, já sob fiscalização, a empresa reviu essa conduta e contratou como empregados parte desses profissionais, já que alguns deles já tinham cessado a prestação de serviços, além do que a diretoria voltou a ter diretores pessoas físicas, informados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social. Dado este quadro, raciocina a fiscalização que o fato de os dirigentes terem voltado a ser remunerados como pessoas físicas, devidamente informados em GFIP, autoriza concluir que a fiscalizada reconheceu que as pessoas jurídicas, até então elencadas como dirigentes atuando Fl. 3448DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.449 7 com representantes, não correspondem à realidade das relações de trabalho existentes na empresa, onde a pessoalidade, a exclusividade, e mesmo o longo tempo de trabalho junto a empresa, caracterizam a relação de trabalho pessoal, no caso como diretor não empregado, ou seja, um contribuinte individual. O mesmo pode ser concluído, segundo o Fisco, com relação aos profissionais que passaram a ser informados como segurados empregados da fiscalizada. Destaca a autoridade autuante que os diretores que não fazem parte da família Gobbin, foram anteriormente empregados da empresa autuada, ou de empresas do grupo, e passaram a prestar serviços como pessoa jurídica no mesmo momento, o que leva a crer que por determinação da fiscalizada, para economia tributária, a "pejotização" foi adotada. A título de exemplo, a autoridade lançadora relata que nas notas fiscais n.ºs 263, 272, 276, 278, 280, 282, 285 e 293, emitidas pela empresa A. Marques Consultoria Ltda, a discriminação do serviço prestado informa “Consultoria em gestão empresarial – Bônus”, ao passo que na nota fiscal n.º 283, a discriminação do serviço prestado informa “Consultoria em Gestão Empresarial Abono de Dezembro/2011”, havendo ocorrido o mesmo nas notas fiscais nº s 264, 273, 277, 279, 281, 284, 287 e 295, emitidas pela empresa E.G. Consultoria Ltda., onde na discriminação dos serviços consta “Consultoria em gestão empresarial – Bônus”, ao passo que na nota fiscal n.º 285 também há a discriminação do serviço prestado como “Consultoria em Gestão Empresarial Abono de Dezembro/2011, aduzindo, ainda, a autoridade autuante que ambas as empresas citadas cadastraram como domicílio o mesmo endereço que se comprovou falso durante as diligências fiscais. Relata ainda a fiscalização que os profissionais que trabalham em funções essenciais (atividadefim) na NG Metalúrgica S/A, tais como desenhistas, engenheiros, administradores, vendedores e outros, que em muitos casos já pertenceram ao quadro da empresa na categoria de empregado e que passaram a prestar serviços como pessoa jurídica, com exclusividade, habitualidade e muitas vezes com remuneração regular no decorrer dos meses do período fiscalizado, passaram à condição de empregado da empresa nos anos seguintes, ao passo que outros deixaram de prestar os serviços, em função de aposentadoria ou por ter passado a trabalhar em outra empresa. Fl. 3449DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.450 8 Quanto à base de cálculo das contribuições exigidas, relata o Fisco que as remunerações auferidas pelos dirigentes (Anexo I prólabore) e pelos profissionais considerados empregados (Anexo II) foram arbitradas utilizando as notas fiscais emitidas, comprovantes de transferências, e depósitos feitos pela empresa NG Metalúrgica SA e pelos livros contábeis apresentados, sendo que as cópias digitalizadas dessas notas fiscais e dos livros contábeis apresentados pelos profissionais foram anexadas e fazem do presente processo. Ademais disso, relata a autoridade autuante ter aplicado, na espécie, a multa de ofício qualificada e proporcional a 150% ao valor das contribuições exigidas, prevista nos termos do inciso I e § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, sob o fundamento de que o sujeito passivo praticou, de forma reiterada, a conduta delituosa de não informar em GFIP as remunerações pagas aos dirigentes e segurados empregados com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, na forma do inciso I do artigo 71 da Lei 4.502, de 1964. Por último, informa a fiscalização ter atribuído responsabilidade solidária pelo pagamento do crédito tributário exigido a JOÃO MARCOS GOBBIN (CPF n.º 539.853.03800), que, na condição de presidente, administrou a empresa autuada no período fiscalizado, com base no disposto pelo inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN), por considerar que a indigitada pessoa é o mentor do esquema fraudulento desvendado na presente ação fiscal, esquema este que, no entender da autoridade autuante, somente poderia ser realizado com a anuência do administradorgeral e irrestrito da empresa, pois, somente ele tinha poderes para efetivar tal planejamento e, sem seu consentimento, o mesmo jamais teria acontecido. Inconformados com o lançamento, a contribuinte e o responsável solidário juntaram a documentação colacionada às fls. 2.873 a 3.090 e 2.633 a 2.824, e apresentaram as impugnações de fls. 2.828 a 2.872 e 2.594 a 2.630, onde, em síntese: NG METALÚRGICA S.A. (contribuinte) Relativamente à imputação de “pejotização” de dirigentes, alega que não haveria motivo para recorrer a um esquema fraudulento, pois, no período fiscalizado, a empresa autuada havia acumulado lucro suficiente para acomodar integralmente os pagamentos que foram efetuados às “sociedadesdirigentes”, pelo que teria sido muito mais Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.451 9 fácil simplesmente declarar e distribuir dividendos a essas sociedades, em lugar de remunerálas por serviços prestados por meio de emissão de notas fiscais; Sustenta, no ponto, que não se pode ignorar o fato de que as sociedades em geral (e as "sociedadesdirigentes" em especial) sujeitamse ao pagamento do PIS e da COFINS e do ISS, enquanto as pessoas físicas não, além do que as sociedades, mesmo as tributadas pelo lucro presumido sempre estarão sujeitas a algum recolhimento de tributo federal e, no caso dos pagamentos feitos às pessoas físicas, os tributos incidentes/retidos por ocasião do pagamento dos rendimentos acabarão representando, em realidade, meras antecipações, já que como regra os rendimentos auferidos pelas pessoas físicas ao longo do anocalendário sujeitamse aos efeitos da declaração anual de ajuste, o que implica inferir que só após a transmissão de referida declaração de ajuste é que seria possível apurar a tributação federal efetivamente suportada; Aduz que a razão das pessoas físicas (sócios das "sociedadesdirigentes") ocuparem cargos de administração na empresa autuada justificase pelo fato de que, por convenção societária delineada à época, cada sócio da empresa (dentre eles, portanto, as "sociedades dirigentes") teria o direito de indicar um representante seu para compor a administração, arranjo este que, aliás, não encontra qualquer óbice legal de natureza civil ou societária; Outrossim, alega que a exclusividade dos serviços prestados pelas “sociedadesdirigentes” é natural, dada a especificidade da natureza das atividades desenvolvidas e o grau de interesse das “sociedadesdirigentes” no seu sucesso; Já relativamente à imputação de “pejotização” de empregados, alega que também é natural a existência de afinidade entre as atividades da empresa autuada e das empresas prestadoras de serviço (“sociedades empregados”), visto que esta decorre do fato de que a empresa em questão atua em um setor em que a cadeia produtiva é muito especializada; Aduz que a contratação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços nunca foi a regra seguida pela empresa autuada que tem um extenso quadro de funcionários celetistas, além do que a esmagadora maioria das prestadoras de serviços diligenciadas declarou que em nenhum momento a empresa autuada teria sugerido, e Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.452 10 muito menos exigido, a constituição de sociedades como condição para a celebração do vínculo entre as partes; Argumenta que muitas das pessoas jurídicas prestadoras de serviço contratadas já existiam quando da celebração do contrato, sendo que, em alguns casos, há mais de cinco ou dez anos, ao que indaga que planejamento tributário abusivo seria esse do qual a empresa autuada não participa; Alega ainda que, no presente caso, não há subordinação jurídica entre a contratante e as prestadoras de serviços contratadas, não havendo como confundir a exclusividade na prestação de serviços de algumas pessoas jurídicas com subordinação, ao que aduz que a exclusividade decorre da observância de sigilo e dedicação integral das prestadoras, mas não implica subordinação jurídica; Reclama que, muito embora a fiscalização tenha adotado a exclusividade como critério para basear a imputação da fraude em comento, no caso da empresa Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda, o próprio Fisco relata que não era exigido que o serviço fosse prestado com exclusividade para a empresa autuada; Em outro plano, sustenta que o fato de a totalidade das receitas da maioria das pessoas jurídicas prestadoras de serviço advir da contratante se deve à especialidade e ao alto grau de sofisticação dos serviços e ao fato de a contratante ser uma das maiores indústrias da região de Piracicaba (SP), além do que este fato, a seu ver, tampouco comprova ser correta a imputação de pejotização ora hostilizada; Neste passo, noticia que a justiça do trabalho tem rejeitado a existência do vínculo empregatício em relevo sob o fundamento de que o reclamante, sócio de uma empresa prestadora de serviços (desenhos técnicos), prestava serviço de forma autônoma, sem subordinação e por meio de sua própria pessoa jurídica, ainda que tal prestação fosse feita com pessoalidade e habitualidade; Em razão disso, alega ser possível aplicar o mesmo raciocínio desenvolvido pelo Juízo trabalhista às sociedades, cujo objeto social é o mesmo da reclamante, uma vez que todas foram contratadas para a elaboração de desenhos técnicos, sem o que o entendimento contrario implicará em flagrante inobservância do disposto no art. 110 do CTN; Em outra vertente, reclama que a autoridade autuante firmou suas convicções no fato de as “sociedades Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.453 11 empregados” encontrarse sediada nos mesmos municípios (Pereiras e Santa Maria da Serra), por vezes compartilhando os mesmos contabilistas, mas que isto não denota a existência de vínculo empregatício entre a empresa autuada e as pessoas jurídicas contratadas; Argumenta que alguns contratos firmados com as prestadoras de serviço prevêem multa por rescisão contratual e que isto não é compatível com uma relação empregatícia, ao que aduz que muitas contratadas prestam serviço técnico, realizado por técnicos de campo e o serviço é estabelecido em base horária, sem subordinação e sem que o profissional fique à disposição da contratante; Reclama que o Fisco colocou na mesma vala prestadoras cujo CNAE é idêntico ao dos empregados da contribuinte e prestadoras cuja atividade, no entanto, é o marketing e a prestação de serviços jurídicos, o que, a seu ver, não corrobora a presunção adotada pela autoridade autuante; A título de exemplo, alega que a pessoa jurídica F. Ferreira Criação e Edição Gráfica presta serviços de marketing e sem exclusividade, o que, todavia, não fez a menor diferença para o Fisco que, ainda assim, colocou referida empresa no rol dos empregados “pejotizados”; Especificamente quanto aos pagamentos feitos à empresa Trevo Administração de Negócios Comerciais Ltda, alega que referida empresa foi colocada pela autoridade autuante no rol de empregados “pejotizados”, muito embora tenha sido também aludida, no Relatório Fiscal, dentre as “sociedadesdirigentes”; No ponto, reitera que o Fisco, muito embora tenha reconhecido que a Trevo prestou serviços à contribuinte sem exclusividade, relacionou o pagamento por esses serviços a pagamento de salários com arrimo no fato de que a totalidade das receitas desta empresa decorria de serviços prestados à empresa autuada, sendo que deste fato não se pode deduzir a existência de uma relação patronal; Reclama que a autoridade autuante não pode valerse do critério da exclusividade para dele inferir a existência de uma relação empregatícia apenas quando isto lhe é conveniente, ao que aduz que o contrato firmado com a Trevo diz expressamente que não estabelece vínculo empregatício entre a contratante e os funcionários, prepostos ou titulares da empresa contratada; Ademais disso, alega que o valor dos pagamentos feitos à empresa Trevo variava consideravelmente, o que, a seu ver, não se coaduna com o pagamento de salários, visto que o Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.454 12 valor não é fixo, a remuneração não ocorre com habitualidade e sequer é individualizada; Alega ainda que, no caso da Trevo, sequer há a personificação da sociedade na figura do sócio, pois referida empresa tem cinco sócios em seu quadro societário e o Fisco não julgou relevante considerar a atribuição de cada um deles de modo a justificar a sua condição de empregados; Reclama, enfim, que a autoridade autuante parte de uma idéia fixa e preconcebida e alega ser irrelevante para a empresa autuada se a Trevo teve, ou não, sucesso em conquistar outros e novos clientes, pois, o fato de a totalidade das receitas obtidas pela Trevo advir dos serviços prestados à empresa autuada não faz prova de que os sócios ou prepostos da Trevo prestavam serviços à autuada na condição de empregados desta, além do que o serviço prestado era a intermediação de negócios, a seu ver, incompatível com a noção de subordinação; Em tópico dedicado a considerações gerais, alega que situações como a de empresas que se resumem aos seus sócios, sem quaisquer empregados; empresas que dependem de clientes únicos; empresas que têm seus cadastros desatualizados; empresas que buscam sediarse em municípios fiscalmente mais interessantes; empresas cujos sócios abandonam o empreendimento de risco e aceitam a realocação no mercado de trabalho sob novos vínculos, etc., são apenas realidades dadas à impugnante e não por esta criadas, como sugere a autoridade autuante; Dado este quadro, sustenta enfim que o Fisco tratou um extenso e diverso rol de prestadores de serviço como se de uma massa indivisível se tratasse e que o feito é improcedente em face das incongruências no critério utilizado pela fiscalização com o fito de demonstrar o indigitado vínculo empregatício; Não obstante isso, alega também a existência de prejudiciais que afetam de forma integral ou parcialmente o lançamento, consistentes na ilegitimidade passiva da empresa autuada, na decadência do feito relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2011, na tributação a que estava sujeita a contribuinte autuada com base na desoneração da folha de pagamento referente ao período de agosto a dezembro de 2012, e no descabimento da multa qualificada em face da não comprovação do dolo. Mais precisamente, no que concerne à ilegitimidade passiva da empresa autuada, sustenta que o art. 135, inciso Fl. 3454DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.455 13 III, do Código Tributário Nacional, que serviu de base para a inclusão do Sr. João Marcos Gobbin no polo passivo da relação obrigacional tributária em relevo, não prevê hipótese de responsabilidade solidária, mas sim de responsabilidade pessoal do agente, o que, a seu ver, exclui a responsabilização da empresa autuada; Em apoio à tese sustentada, transcreve excertos doutrinários e decisões judiciais prolatadas pelo Superior Tribunal de Justiça que perfilhamse ao precitado entendimento; Quanto à decadência do feito relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2011, argui à aplicação à espécie do prazo ao fim do qual se dá a homologação tácita prevista nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, ao argumento de que a empresa autuada efetuou o pagamento das contribuições ora exigidas, relativamente aos períodos de competência de jan/2011 a dez/2011, e, no caso dos autos, não restou comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação que excepcionam a regra contida no citado dispositivo legal, sendo que a ciência do lançamento só veio a ocorrer em 2 de janeiro de 2017; Relativamente à tributação a que estava sujeita a contribuinte autuada com base na desoneração da folha de pagamento referente ao período de agosto a dezembro de 2012, alega que tal regramento tem arrimo na Lei n.º 12.546, de 2011, cujo artigo 8º prevê que as empresas que fabricam os produtos classificados na TIPI, aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 23 de dezembro de 2011, nos códigos referidos no Anexo da citada Lei, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, à alíquota de 1% (um por cento), em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; No ponto, alega que o fato de fazer jus ao referido regime de tributação pode ser confirmado pelo cumprimento de diversas obrigações acessórias a exemplo do preenchimento da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2013), onde, na ficha 70, é informado que a empresa autuada estava sujeita ao citado regime (IN RFB n.º 1.344, de 2013), e, bem assim, pelo preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), onde é informado o valor da contribuição previdenciária sobre a receita bruta (CPRB), em substituição à contribuição previdenciária patronal, além das informações constantes na EFDContribuições (SPED) e no Sistema Empresa de Recolhimento de Fundo Fl. 3455DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.456 14 de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (SEFIP); Dado este quadro, alega que deve ser excluída do crédito tributário exigido a parcela referente às contribuições patronais apuradas relativamente aos períodos de competência de agosto a dezembro de 2012; Quanto à aplicação da multa qualificada proporcional a 150% do valor das contribuições exigidas, alega que, muito embora a "intenção dolosa" tenha sido atribuída pela autoridade autuante ao Sr. João Marcos Gobbin, não há no Relatório Fiscal uma prova ou indício sequer da participação do Sr. João Marcos Gobbin ou, em realidade, de qualquer outro administrador da empresa autuada no suposto "esquema fraudulento"; Reclama que a apontada fraude não passa de um artifício do qual se serviu a fiscalização para salvar da decadência a parcela do lançamento alusiva ao ano de 2011, imputando ao diretorpresidente da autuada a conduta delituosa de engendrar um esquema fraudulento com base na mera presunção de que este teria optado por essa política de contratação e direção e seria o mentor do indigitado esquema, sem atentar, contudo, que dolo não se presume, pois deve ser provado; Neste rumo, transcreve excertos de decisões administrativas prolatadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e, bem assim, excertos doutrinários que, a seu ver, corroboram a tese sustentada pela presente defesa; Reclama que, em nenhuma das diversas intimações formalizadas ao longo dos mais de 2 (dois) anos de fiscalização, a autoridade autuante teve por objetivo ou preocupação tentar bem compreender ou elucidar o efetivo alcance da participação do Sr. João Marcos Gobbin ou de qualquer outro administrador no suposto "esquema fraudulento", pois, do contrário, saberia que as atribuições do diretorpresidente cingiamse, em realidade, a questões mais consultivas e menos executivas, tais como: definição de estratégias de longo prazo, definição dos novos seguimentos de atuação, negociações dos acordos de intercâmbio/cooperação tecnológica em âmbito nacional e internacional, resolução de conflitos entre as diretorias, etc.; Alega que a maioria dos contratos de prestação de serviços não era assinado pelo diretorpresidente e reitera que, no ponto, se faz necessária a identificação da ação dolosa com Fl. 3456DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.457 15 a demonstração da conduta específica e conscientemente praticada, não sendo suficiente presumir; Aduz que, durante a ação fiscal, a empresa forneceu todas as informações sobre suas operações que, aliás, se encontram regularmente contabilizadas, nada tendo sido ocultado, o que, a seu ver, não condiz com a conduta que se espera de perpetradores de fraude; Finalmente, em face do exposto, requer: (i.a) que seja reconhecida a nulidade do feito ora impugnado em razão do erro na identificação do sujeito passivo; (i.b) cancelar a exigência dos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária patronal de 20% em relação aos fatos geradores ocorridos no período de agosto a dezembro de 2012; (i.c) reconhecer a inexistência de comprovação de fraude, dolo ou conluio na conduta da impugnante ou de seus representantes e, portanto, o não cabimento da aplicação da multa qualificada, proporcional a 150% do valor dos tributos exigidos; e (i.d) reconhecer a consumação da decadência em relação aos créditos tributários referentes aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2011; (ii) que sejam julgados improcedentes os lançamentos fiscais contestados e, por consequência, cancelados os respectivos créditos tributários constituídos por meio dos Autos de Infração ora impugnados; e, por fim, (iii) uma vez reconhecida a improcedência dos Autos de Infração em tela, especialmente no que tange ao reconhecimento da inexistência de fraude praticada pela impugnante com a consequente exoneração da multa qualificada, sejam os processos administrativos n.ºs 13888.724767/201615 e 13888.724768/201651 (que tratam da Representação Fiscal para Fins Penais) instruídos com cópia da decisão proferida neste feito, a fim de que sejam arquivados, conforme prevê o artigo 4º, § 4º, da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010. JOÃO MARCOS GOBBIN (responsável solidário) Relativamente à atribuição de responsabilidade solidária à sua pessoa, reitera as mesmas contrarrazões que foram encaminhadas pela contribuinte autuada para contestar a aplicação de multa de ofício qualificada, no sentido de que a autoridade autuante não apresentou prova, mas simplesmente presumiu a prática da conduta dolosa que lhe foi imputada; Em outro plano, reitera as mesmas contrarrazões que foram encaminhadas pela contribuinte autuada para arguir Fl. 3457DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.458 16 as prejudiciais de decadência do feito relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2011, e de tributação a que estava sujeita a contribuinte autuada com base na desoneração da folha de pagamento referente ao período de agosto a dezembro de 2012; Reitera, outrossim, as mesmas contrarrazões e considerações gerais que foram encaminhadas pela contribuinte autuada para contestar o mérito do presente lançamento, alusivo à ocorrência do que ficou vulgarmente conhecido como “pejotização”; Finalmente, em face do exposto, requer: (i.a) que seja anulado o termo de decretação de solidariedade passiva, por completa ausência de comprovação da responsabilidade do impugnante na suposta fraude imputada pela autoridade fiscal; (i.b) reconhecer a consumação da decadência em relação aos créditos tributários referentes aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 2011. nos termos do art. 150, § 4º, do CTN e da Súmula nº 99 do CARF; e (i.c) reconhecer a inexigibilidade dos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária patronal de 20% em relação aos fatos geradores ocorridos no período de agosto a dezembro de 2012 – período em que a NG estava sujeita ao regime da desoneração da folha de pagamento; (ii) que sejam julgados improcedentes os lançamentos fiscais contestados e, por consequência, cancelados os respectivos créditos tributários constituídos por meio dos Autos de Infração ora impugnados; e, por fim, (iii) uma vez reconhecida a improcedência dos Autos de Infração em tela, especialmente no que tange ao reconhecimento da inexistência de fraude praticada pela impugnante com a consequente exoneração da multa qualificada, sejam os processos administrativos n.ºs 13888.724767/201615 e 13888.724768/201651 (que tratam da Representação Fiscal para Fins Penais) instruídos com cópia da decisão proferida neste feito, a fim de que sejam arquivados, conforme prevê o artigo 4º, § 4º, da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010. 2 – A impugnação foi julgada improcedente por decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 3458DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.459 17 Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. É procedente o lançamento de ofício das contribuições que incidem sobre o pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais quando comprovado nos autos que a empresa autuada utilizouse do artifício simulatório consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas (diretores não empregados), conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoas jurídicas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Constatada a prática da conduta típica da sonegação, é irrelevante, no ponto, saber se a empresa autuada obteve, ou não, ganhos com a adoção do engenho simulatório se comparado com a obrigação de pagar outros tributos, devendo a penalidade qualificada ser mantida porquanto aplicada pela autoridade autuante nos exatos termos das disposições legais que determinam a sua aplicação. DECADÊNCIA. Muito embora tenha sido comprovada a simulação que deu azo ao lançamento de ofício, dado que a ciência do sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária ocorreu em 2 de janeiro de 2017, o lançamento referente aos período de janeiro a novembro de 2011 encontrase fulminado pela decadência, uma vez que não foi aperfeiçoado antes do fim do prazo decadencial que, iniciado em 1º de janeiro de 2012, já havia expirado em 1º de janeiro de 2017. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. DESCABIMENTO. É incabível o lançamento de contribuição previdenciária patronal relativa a períodos de competência (agosto a dezembro de 2012) em que a empresa autuada estava sujeita à contribuição sobre o valor da receita bruta. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORPRESIDENTE. Comprovada a existência do artifício simulatório voltado ao encobrimento do fato jurídico tributário consistente na remuneração de pessoas jurídicas pelo exercício de atividades de administração que a empresa autuada, na verdade, conferiu a pessoas naturais investidas nos cargos de diretores não empregados, é, por conseguinte, cabível a responsabilização solidária do diretorpresidente, dada a sua evidente participação no esquema fraudulento, tendo em vista que suas atribuições incluíam supervisionar as atividades da sociedade e até fixar os honorários dos diretores e gerentes, consoante o disposto no contrato social da empresa autuada. Fl. 3459DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.460 18 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. PEJOTIZAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. RELAÇÃO DE EMPREGO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constatado que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego, a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados não pode prosperar. 3 Cientificado da decisão de piso o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (2.893/2.913) e recurso voluntário do sujeito passivo solidário , mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 Os recurso são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Fl. 3460DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.461 19 Recurso de Ofício 5 A turma julgadora de piso recorreu de ofício pelo fato de ter exonerado o valor nesse processo de R$ 19.519.057,88 conforme indicado às fls. 3.131. 6 Quanto à decisão, a turma de piso manteve o lançamento em relação aos segurados contribuintes individuais (diretores não empregados), a multa qualificada e a sujeição passiva solidária do diretorpresidente. Houve o recurso de ofício pelo fato de ter reconhecido a improcedência do lançamento em relação à contribuição dos segurados empregados (pejotização) por falta de comprovação, reconhecimento da decadência do lançamento do período de janeiro de 2011 a novembro de 2011 e descabimento da autuação no período de agosto de 2012 a dezembro de 2012 pelo fato do contribuinte estar sujeito à contribuição sobre o valor da receita bruta época. 7 Quanto as matérias relacionadas à decadência do período de janeiro de 2011 a novembro de 2011 e o descabimento da autuação relacionada ao período de agosto de Fl. 3461DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.462 20 2012 a dezembro de 2012, entendo que não merece reforma a decisão de piso, em vista dos seus próprios fundamentos de direito. 8 Com efeito, em relação à decadência ficou assim fundamentada a decisão da DRJ: "Em outro plano, todavia, considero que assiste razão em parte à alegação da defesa segundo a qual o lançamento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, no período de janeiro a novembro de 2011, estaria prejudicado pela decadência, pois, ainda que constatada a simulação que deu azo ao lançamento de ofício, o lustro decadencial começou a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto no § 4º do art. 150, e inciso I do art. 173, ambos da Lei n.º 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) que estabelecem in litteris: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, dado que a ciência do sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária ocorreu em 2 de janeiro de 2017 (fls. 2.192 e 3.104), o lançamento não foi aperfeiçoado, relativamente aos meses de janeiro a novembro de 2011, antes do fim do prazo decadencial que, iniciado em 1º de janeiro de 2012, já havia expirado em 1º de janeiro de 2017. Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.463 21 Assinalese que em relação ao mês de dezembro de 2011, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado recai em 1º de janeiro de 2013, uma vez que o lançamento de ofício não poderia ser efetuado antes da data de vencimento da contribuição situada em janeiro de 2012, razão pela qual o lançamento referente a esse período não foi afetado pela decadência." 9 Portanto, valendo dos fundamentos da decisão de piso quanto à decadência, nego provimento ao recurso de ofício nessa parte. 10 Da mesma forma, valhome dos fundamentos da decisão de piso, quanto a matéria relativa ao descabimento da autuação no período de agosto de 2012 a dezembro de 2012 pelo fato do contribuinte estava sujeito à contribuição sobre o valor da receita bruta e nesse tópico nego provimento ao recurso de ofício nesse tópico, verbis: "Em outro plano, ainda, considero que também assiste razão à alegação da defesa segundo a qual a empresa autuada não estava sujeita, no período de agosto a dezembro de 2012, à contribuição previdenciária patronal que é apurada na forma do inciso III do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, mas sim à contribuição sobre o valor da receita bruta que, em substituição à contribuição patronal, foi instituída pela Lei n.º 12.546, de 2011, com redação dada pela Medida Provisória n.º 563, de 3 de abril de 2012 (Publicada no DOU em 04/04/2012), verbis: Art. 8º Até 31 de dezembro de 2014, contribuirão sobre o valor da receita bruta, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, à alíquota de um por cento, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, as empresas que fabricam os produtos classificados na TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, nos códigos referidos no Anexo a esta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 563, de 2012) (Vigência) (grifei). Para fazer prova à submissão a este regime de tributação, a impugnante juntou cópia (fl. 2.912) da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2013), onde, na ficha 70, é informado que a empresa autuada estava sujeita ao citado regime e, bem assim, cópias (fls. 2.914 a 2.925) das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), onde é informado o valor das contribuições previdenciárias apuradas sobre a receita bruta (CPRB), nos meses de agosto a dezembro de 2012. De outro lado, não há, por parte da autoridade autuante, qualquer comentário ou reparo à inclusão da contribuinte no mencionado regime de tributação, em razão de que considero Fl. 3463DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.464 22 também prejudicado o lançamento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, na forma do inciso III do art. 22 da Lei n.º 8.212, de 1991, relativamente aos períodos de competência de agosto a dezembro de 2012." 11 Outrossim, em relação à questão da pejotização de segurados empregados a decisão de piso entendeu o seguinte: "Já no que concerne à chamada “pejotização“ de empregados, importa verificar se há, ou não, a presença dos elementos fático jurídicos caracterizadores do vínculo empregatício na relação de trabalho constituída entre a impugnante e os trabalhadores que, apontados pela fiscalização, lhe teriam prestado serviço nos períodos de competência fiscalizados. Segundo se depreende da Consolidação das Leis do Trabalho (artigos 2º e 3º), os cinco elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego são: a prestação de trabalho por pessoa física, com pessoalidade pelo trabalhador, trabalho esse revestido da nãoeventualidade, sob subordinação e com onerosidade. Todavia, nos caso dos autos, a autoridade lançadora passou ao largo da demonstração inequívoca, e até mesmo da comprovação, da existência desses elementos fático jurídicos na relação de trabalho, sobretudo no que pertine à comprovação da subordinação na prestação dos serviços. A rigor, pelo que se depreende das considerações consignadas pela autoridade autuante no item 8 do Relatório Fiscal (fls. 2.116 a 2.119), os sócios das 35 (trinta e cinco) empresas contratadas pela autuada foram, em síntese, considerados segurados empregados pelas seguintes razões: a) por já terem, “em muitos casos”, trabalhado como empregados da empresa autuada; b) pelo fato de as pessoas jurídicas, por eles personificadas, prestarem serviços à autuada com exclusividade e habitualidade, e bem assim receberem, em outros tantos casos, remuneração regular no decorrer dos meses do período fiscalizado; c) pelo fato de as pessoas jurídicas, por eles personificadas, desempenharem funções essenciais ou que se assemelham à atividadefim da empresa autuada; d) pelo fato de que sócios das pessoas jurídicas contratadas, posteriormente (em 2015), voltaram a trabalhar como empregados da empresa autuada; e) pelo fato de que as empresas prestadoras de serviço contratadas pela autuada nunca se estabeleceram nos endereços cadastrados; Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.465 23 f) pelo fato de que muitas das empresas prestadoras de serviço contratadas pela autuada utilizarem os serviços do mesmo escritório de contabilidade; g) pelo fato de que muitas das empresas prestadoras de serviço contratadas pela autuada prestarem serviço nas dependências da própria autuada; e h) pelo fato de que algumas das empresas prestadoras de serviço contratadas pela autuada terem sido abertas a pedido da empresa autuada." 12 A decisão de piso tratou das questões relativas a onerosidade, da habitualidade (não eventualidade) e pessoalidade indicando em cada requisito desses pontuando ora a existência de pontos de convergência ora não em relação às 35 (empresas prestadoras de serviços) indicadas pela fiscalização, contudo no caso em concreto o mais importante em relação à subordinação após análise dos autos entendo que o lançamento carece realmente de muitos elementos definidores e com maior exatidão de informações no relatório fiscal quanto aos fatos ocorridos para se manter o lançamento em relação a esse ponto. 13 No ponto referente à subordinação a decisão de piso diz: "Da Subordinação Quanto ao elemento fáticojurídico da subordinação, depreende se que a imputação fiscal arrimase nos fatos de que muitas das empresas prestadoras de serviços contratadas pela autuada prestaram serviço nas dependências da própria autuada, algumas utilizando telefones e outras facilidades disponibilizadas pela autuada (V.S.J. Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda, Alima – Consultoria S/C Ltda, Arbex Consultoria S/C Ltda e VC Consultoria Ltda – ME), outras nas dependências de clientes da autuada, utilizandose, porém, de equipamentos de proteção, instrumentos e ferramentas cedidos pela autuada (ATR Assistência Técnica S/C Ltda e CRL Assistência Técnica S/C Ltda), e isto aliado ao fato de que sócios de 23 (vinte e três) pessoas jurídicas contratadas já haviam trabalhado como empregados da empresa autuada e, posteriormente (em 2015), voltaram a trabalhar como empregados da empresa autuada. Todavia, é razoável que, na prestação de serviços atinentes à atividadefim e à atividade de gestão da empresa autuada, o prestador utilize a estrutura fornecida pela contratante para o desempenho das atividades, sem que isto implique, de per si, a subordinação da contratada à contratante, visto que tais serviços podem ser prestados de forma autônoma, ainda que, para tanto, o prestador do serviço necessite utilizar a estrutura e Fl. 3465DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.466 24 mesmo equipamentos fornecidos pela contratante para o exercício de suas atividades. No ponto, considero que o feito carece da comprovação de que as pessoas naturais que prestavam serviços, em nome das pessoas jurídicas contratadas pela autuada, o faziam submetidas ao mesmo regime de trabalho dos empregados da autuada, e prestando contas a um mesmo superior hierárquico representante do empregador, sem o que, ainda que os sócios das pessoas jurídicas contratadas tenham sido empregados antes do período em relevo e, posteriormente a esse período, tenham sido novamente contratados como empregados, não há como afastar a hipótese de que tais pessoas tenham trabalhado, no período fiscalizado, como autônomos (contribuintes individuais) para a empresa autuada, mesmo que sob a falsa roupagem de uma pessoa jurídica, ante a falta de comprovação da efetiva subordinação jurídica desses prestadores de serviços, no período abrangido pela fiscalização. Em razão disso, visto que em nenhuma das relações de trabalho concernentes às pessoas jurídicas, cujos sócios foram qualificados como segurados empregados pela fiscalização, houve a comprovação da existência concomitante dos elementos fáticojurídicos caracterizadores da relação de emprego, considero que a parcela do lançamento, cuja base de cálculo foi a remuneração de segurados qualificados como empregados (GILRAT, CPP e TERCEIROS) não pode prosperar." 14 Portanto, entendo que a turma julgadora a quo ao analisar o caso concreto aplicou de forma correta em relação a esse tópico exonerando o crédito tributário em relação a esse ponto, não havendo nada a modificar em relação à decisão, que a adoto como razões de decidir para no mérito do recurso de ofício negarlhe provimento em sua totalidade. Do Recurso Voluntário da Contribuinte NG Metalúrgica S.A. 15 Em relação ao recurso voluntário do sujeito passivo principal passo às seguintes considerações, na ordem em que foram postas no apelo. Da Ilegitimidade Passiva da Recorrente 16 Nesse tópico não merece guarida o recurso voluntário uma vez que o crédito tributário fora lançado de forma perfeita em face do sujeito passivo que praticou o fato gerador da obrigação tributária. O fato do lançamento ter indicado a título de responsabilidade tributária na forma do art. 135, III do CTN o Sr. João Marcos Gobbin em nada altera o lançamento no que tange a sujeição passiva e portanto, resta afastada tal ponto. Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.467 25 Da Improcedência da Manutenção do Crédito quanto aos pagamentos feitos aos “dirigentes” ou “diretores empregados” (contribuintes individuais) 17 O ponto relativo à multa qualificada será analisada posteriormente a esse tópico. Em relação a esse ponto, entendo que não merece reparos a decisão da turma julgadora que assim decidiu o assunto, verbis: "No caso dos autos, de plano, se verifica ser incontroverso nos autos o fato de que as pessoas jurídicas A. Marques Consultoria Ltda (CNPJ n.º 04.446.574/000149), EG Consultoria Ltda (CNPJ n.º 04.446.538/000185), MCA Assessoria Gestão Empresarial Ltda (CNPJ n.º 04.446.458/000120) e RF Consultoria Ltda (CNPJ n.º 04.446.478/000109) foram remuneradas pela empresa autuada por exercerem as atividades de administração que a empresa autuada confere a seus diretores, conforme consta do Anexo I do Relatório Fiscal (fls. 2.126 a 2.132), uma vez que, no ponto, não há contestação expressa a este fato e a impugnante restringese à alegação de que referidas empresas, por figurarem no quadro societário da empresa autuada, teriam o direito de indicar um representante seu para compor a administração, arranjo este que, segundo aduz, não encontraria qualquer óbice legal de natureza civil ou societária. Ocorre que, uma coisa é a empresa que participa do capital social da autuada indicar um representante seu para exercer a função de diretor na empresa autuada, ao passo que, outra coisa, bem diferente, é a empresa que faz essa indicação ser remunerada pelos serviços que, afinal, são prestados, não por ela pessoa jurídica , mas pela pessoa natural que foi investida no cargo de direção. Vejase que o Código Civil Brasileiro, ao verter regras que definem e disciplinam a administração da sociedade limitada, referese ao administrador como pessoa natural cuja nomeação deve ser averbada no registro competente, nos dez dias seguintes ao da investidura, com indicação de estado civil e residência, além de exigir a exibição de documento de identidade, a teor do disposto no § 2º do art. 1.062 do mencionado diploma legal, verbis: CAPÍTULO IV Da Sociedade Limitada (...) Seção III Da Administração (...) Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.468 26 Art. 1.062. O administrador designado em ato separado investir seá no cargo mediante termo de posse no livro de atas da administração. (...) § 2o Nos dez dias seguintes ao da investidura, deve o administrador requerer seja averbada sua nomeação no registro competente, mencionando o seu nome, nacionalidade, estado civil, residência, com exibição de documento de identidade, o ato e a data da nomeação e o prazo de gestão. No caso vertente, aliás, colhese do contrato social da autuada (fls. 11 a 22) que a indicação da diretoria da sociedade, não destoou da norma civilista, eis que foram investidos nos cargos de diretores pessoas naturais, e não pessoas jurídicas, conforme se verifica à cláusula 7a. abaixo reproduzida: "DA ADMINISTRAÇÃO CLÁUSULA 7a A sociedade terá sua administração orientada por um colegiado, determinada pelo Diretor Presidente, e na sua ausência, pelos sócios que delem 2/3 do capital social da Sociedade, e será composta de Diretoria e Administração, cuja distribuição dos cargos ficam assim determinados, em dois níveis: (i) DIRETORIA: a) Diretor Presidente, o Sr. João Marcos Gobbin, já qualificado; b) Diretor Adjunto, o Sr. Giovanni Gimenes Gobbin, brasileiro', casado em regime do. separação total de bens, industrial, residente e domiciliado na Av. Sete de Setembro, 527, CEP. 13.440 000, na cidade de Saltinho, Estado de São Paulo, portador da cédula de identidade RG n° 23.051.0607, (SSP/SP) e inscrito no CPF/MF sob o n° 220.472.388 62, c) Diretora de Informática, a Sra. Flávia Gobbin, brasileira, divorciada, bacharel em Ciências da Computação, residente na Rua Mano Galvani, 271 Residencial Terras de Piracicaba IV, CEP 13403879, na cidade de Piracicaba, Estado de São Paulo, portadora da cédula de identidade RG n. 5.837.748 SSP/SP e inscrita no CPF/MF sob n. 715.058.218 72} d) Diretor Comerciai, o Sr. Rogério Fanini Junior, já qualificado; e) Diretor Industrial, o Sr. Ariovaldo Marques, já qualificado; (íi) ADMINISTRAÇÃO: a) Gerente de Controladoria, Administração e Finanças, o Sr. José Mendes'Pereira; b) Gerente Industrial, o Sr. Eduardo Gobbin, ambos anteriormente qualificados. As atribuições de cada Diretor e Administrador são as seguintes: Assinalese, ademais, que, mesmo quando da transformação da empresa autuada, de sociedade limitada para sociedade por ações (fls. 33 a 43), os sócios elegeram as pessoas naturais que, a rigor, já eram qualificadas pela empresa autuada como membros da diretoria da sociedade antes da transformação, a teor do disposto à cláusula 6.1 da 17a. Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.469 27 Alteração do Contrato Social, abaixo reproduzida: 6.1. Para compor a Diretoria, os sócios elegem os atuais membros da Diretoria da Sociedade da Sociedade, com mandato até a Assembleia Geral Ordinária que aprovar as contas relativas ao exercício social findo em 31 de dezembro de 2016: (i) Sr. João MARCOS GOBBIN, brasileiro, casado, industrial, portador da Cédula de Identidade HG nn 4.817.350 SSP/SP c inscrr.o no CPF/MF sob o n° 539.853.03800, residente e domiciliado na Cidade de Piracicaba, Estado de São Paulo, na Rua Antônio, n° 745, apartamento 15, Centro, CEP 13400160, para o cargo de Direioi Presidente; (ii) Sr. GIOVANNI GIMENES GOBBIN, brasileiro, casado, industrial, portador da Cédula dc identidade RG n° 23.051.0607 (SSP'SP), inscrito no CPF/MF sob o n° 220.472.38862, residente e domiciliado na Cidade dc Saltinho, Estado de São Paulo, na Rua Sete de Setembro, n° 527, Centro, CEP 13440000, para o cargo de Diretor Geral dc Operações; (iii) Sra. FLÁVIA GOBBIN, brasileira, divorciada, bacharel em Ciências da Computação, portadora da Cédula de Identidade RO nc 5.837.748 (SSP/SP), inscrita no CPF/MF sob O nô 715.058.218 72, residente e domiciliada na Cidade dc Piracicaba, Estado de São Paulo, na Rua Mário Galvani, n° 271, Terras dc Piracicaba, CEP 13403879, para o cargo de Diretora de Informática; ( v i )Sr. EDUARDO GOBBIN , brasileiro, casado, engenheiro mecânico, portador da Cédula de Identidade RG n° 15.435.3450 (SSP/SP), inscrito no CPF/MF sou o n° 078.839.89898, residente e domiciliado na Cidade de Piracicaba, Fstado dc Sào Paulo, na Rua Juca Fernando, nô 661, apartamento 121, São Dimas, CEP 13416070, para o cargo de Diretor industrial; e ( v i i ) Sr. JOSÉ MENDES PEREIRA, brasileiro, casado em regime de comunhão universal de bens, economista, portador da Cédula de Identidade RG n° 4.461.0476, SSP/SP, inscrito no CPF/MF sob o n° 375.452.48872, residente c domiciliado na Cidade Piracicaba, Estado de São Paulo, na Rua Athaualpa Vaz de Mello n° 284, Bairro Vila Rezende, CEP. 13.405216 Le Diretor de Controladoria, Administração e Finanças. Ora, o diretor não empregado é segurado obrigatório da Previdência Social na qualidade de contribuinte individual, em razão de que cabia, pois, à autuada recolher a contribuição previdenciária patronal à alíquota de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a estes segurados que lhe prestaram serviços, a teor do disposto no alínea “f” do inciso V do art. 12, e inciso III Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.470 28 do art. 22, ambos da Lei n.º 8.212, de 1991, que, na redação dada pela Lei n.º 9.876, de 1999, determina in litteris: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) 18 Outro ponto que chama a atenção é a informação no item 8.8. do relatório fiscal às fls. 2.117 que indica: "8.6 Em 2015, já sob fiscalização, a empresa reviu essa conduta e contratou como empregados parte desses profissionais, já que alguns deles já tinham cessado a prestação de serviços. A diretoria voltou a ter diretores pessoas físicas, informados em GFIP Guia de Recolhimento do GFTS e de Informações à Previdência Social. 8.7 O fato dos dirigentes terem voltado a ser remunerados como pessoas físicas, devidamente informados em GFIP, autoriza concluir que a fiscalizada reconheceu que as pessoas jurídicas até então elencadas como dirigentes atuando com representantes, não corresponde à realidade das relações de trabalho existentes na empresa, onde a pessoalidade, a exclusividade, e mesmo o longo tempo de trabalho junto a empresa, caracterizam a relação de trabalho pessoal, no caso como Diretor não empregado, ou seja, um contribuinte individual. O mesmo pode ser concluído com relação aos profissionais que passaram a ser informados como segurados empregados da fiscalizada. 8.8 Os diretores que não fazem parte da família, foram empregados da empresa anteriormente ou de empresas do grupo e passaram a prestar serviços como pessoa jurídica no mesmo momento, o que leva a crer que por determinação da fiscalizada, para economia tributária, a “pejotização” foi adotada. Um fato que demonstra esse fato são as notas 263, 272, 276, 278, 280, 282, 285 e 293, que A. Marques Consultoria Ltda. emitiu, onde na discriminação dos serviços consta: Consultoria em gestão empresarial – Bônus. Outra nota que chamou a atenção foi a NFS 283 com a discriminação dos serviços como Consultoria em Gestão Empresarial – Abono de Dezembro/2011. O mesmo ocorreu nas notas fiscais emitidas por E.G. Consultoria Ltda., onde na discriminação dos serviços consta: Consultoria em gestão empresarial – Bônus, nas notas fiscais: 264, 273, 277, 279, 281, 284, 287 e 295. A nota 285 também tem a discriminação dos serviços como Consultoria em Gestão Empresarial – Abono de Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.471 29 Dezembro/2011. Ambas empresas cadastradas no mesmo endereço, que se mostrou falso. (Grifei) 19 Esses pontos acima indicados a meu ver deixam claro a utilização da empresa como sócia apenas para mascarar a relação de trabalho do contribuinte individual como diretor não empregado a fim de afastar a remuneração pela atividade pessoal da pessoa física para com a empresa, sendo que a contribuinte não deixa claro o propósito negocial relativo a esses fatos. 20 A respeito do assunto sobre planejamento tributário aponto parte do voto do I. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto no Ac. 1402002.295 j. em 13/09/2016, verbis: "Não se pode olvidar que o contribuinte tem o direito de estruturar o seu negócio de maneira que melhor lhe convém, com vistas à redução de custos e despesas, inclusive à redução dos tributos, sem que isso implique, necessariamente, qualquer ilegalidade. Entretanto, o que não se admite atualmente é que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, quando unicamente almeje reduzir o pagamento de tributos. Nesse sentido, colacionamse a seguir os ensinamentos de Marco Aurélio Greco5: ... a pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar a sua vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer “planejamento” é admissível? Minha resposta é negativa. (pág. 190) Ou seja, cumpre analisar o tema do planejamento tributário não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos de igualdade, solidariedade social e justiça. (pág. 202) [...] com o advento do Código Civil de 2002 a questão ficou solucionada, pois seu artigo 187 é expresso ao prever que o abuso de direito configura ato ilícito: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. (pág. 206) Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.472 30 No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. Esta conclusão resulta da conjugação dos vários princípios acima expostos e de uma mudança de postura na concepção do fenômeno tributário que não deve mais ser visto como simples agressão ao patrimônio individual, mas como instrumento ligado ao princípio da solidariedade social. (pág. 208) Em suma, não há dúvida de que o contribuinte tem o direito, encartado na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor julgar. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto configura abuso de direito, além de poder configurar algum outro tipo de patologia do negócio jurídico, como, por exemplo, a fraude à lei. (pág. 228) Nota se, assim, que o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito. Ricardo Lobo Torres, a esse respeito, esclarece que “a proibição da elisão abusiva no campo tributário nada mais é que a especificação do princípio geral, jurídico e moral, da vedação do abuso de direito”.6 (...) Marco Aurélio Greco assevera ainda que “nem tudo o que é lícito é o honesto” e que o “o ordenamento jurídico não se resume à legalidade; ele contempla também mecanismos em última análise de neutralização de esperteza”, fazendo parte daquilo que Tércio Sampaio Ferraz Júnior denomina de regras de calibração do ordenamento. Ou seja, os textos legais dão as peças do sistema jurídico, mas para que funcionem coordenadamente precisam ser calibradas, ajustadas. 7 (grifo nosso) Sobre o tema, Ricardo Lobo Torres conclui que No direito tributário o mais importante para a Administração é requalificar o ato abusivo, sem anulálo em suas consequências no plano das relações comerciais ou trabalhistas.[...] Na elisão, afinal de contas, ocorre um abuso na subsunção do fato à norma tributária; como lembra Paul Kirchhof, a elisão é sempre uma subsunção Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.473 31 malograda [...] Cabe à Administração Tributária, conseguintemente, corrigir a subsunção malograda, requalificando o fato de acordo com a interpretação correta da regra de incidência. 8" 21 Portanto, nesse tópico afasto o apelo voluntário de acordo com os fundamentos acima indicados. Do Descabimento da Multa Qualificada 22 Nesse tópico entendo que merece reforma a decisão a quo, pois o relatório fiscal fundamenta a multa da seguinte forma: 11 DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA 11.1 Ao deixar de informar em GFIP as remunerações pagas aos dirigentes e profissionais que trabalharam sem vínculo trabalhista com a NG Metalúrgica, a fiscalizada evitou que o FISCO conhecesse o real valor devido à Previdência Social, e correu o risco de omitir tais fatos geradores para ter essa redução de carga previdenciária. Sendo assim, a empresa será representada ao Ministério Público Federal pelo crime de Sonegação Previdenciária, previsto no Código Penal artigo 337A DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL. (...) 11.3 Essa prática reiterada por muitos anos, esse planejamento tributário ilícito, fez com que o sujeito passivo deixasse de recolher milhões em contribuições previdenciárias e omitindo esses fatos geradores por vários anos, tendo ciência de que evitava a cobrança dos valores corretos, figurouse ação dolosa com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, na forma do inciso I do artigo 71 da Lei 4502/64, e artigo 44 da Lei 9430/96. 11.4 O esquema descrito e relatado aqui deixa cristalina a intenção dolosa de diminuir as contribuições devidas de maneira irregular, utilizando de subterfúgios ilegais, como a simulação de constituição e funcionamento de empresas entre Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.474 32 outros fatos exaustivamente relatados que corroboram a conclusão fiscal e a aplicação da multa qualificada. 23 Entendo que não houve a comprovação de dolo por parte da contribuinte e nenhum tipo de "esquema" ou planejamento tributário considerado totalmente ilícito, no sentido de ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, de acordo com os tipos indicados pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. 24 Em julgado de Relatoria do I. Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra no Ac. 2201003.719 j. 04/07/2017 essa turma afastou a multa qualificada de 150% em caso de pejotização, pedindo venia para sua transcrição da parte do voto: "A multa qualificada não deve ser mantida. Não obstante ter se constatado à exaustão, que a recorrente agiu com o claro propósito de esconder a ocorrência do fato gerador e se esquivar da tributação devida. Frisese que não é razoável que uma empresa do porte da recorrente não tivesse o conhecimento de que não poderia contratar a maior parte dos colaboradores da executar os serviços relacionados a sua atividade fim por intermédio de pessoas jurídicas interpostas, utilizadas com o claro propósito de gerar uma economia ilícita de tributos. Apesar de tudo isso, a multa qualificada não merece ser mantida, uma vez que não foi aplicada regularmente de acordo com o disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a caracterização das hipóteses definidas pelo art. 72 da Lei nº 4.502/1964. A acusação fiscal em nenhum momento justificou a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. A autoridade fiscal aponta uma simulação da recorrente, mas sem que essa afirmação seja suficiente para fundamentar a qualificação da multa de ofício. Isto posto, a multa de ofício qualificada resta afastada, devendo ser mantida a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). 25 Verificase inclusive que a maior parte da autuação em relação a caracterização de pessoas jurídicas como empregadas não logrou êxito em sua manutenção e portanto, não se revela razoável a sua manutenção. Por conta desse provimento, entendo que deve ser reconhecido de ofício a decadência inclusive da competência de dezembro de 2011, em vista que no caso é aplicável os termos do art. 150,§ 4º do CTN. Pelo exposto, afasto a multa qualificada e mantenho apenas a de ofício no valor de 75% e reconheço a aplicação dos Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.475 33 termos do art. 150§ 4º do CTN com a decadência da competência de dezembro de 2011, inclusive. Do Recurso Voluntário do Sujeito Passivo Solidário 26 Em síntese, o sujeito passivo solidário, além de questionar o termo de sujeição passiva questiona os fatos alegados e já julgados no recurso voluntário e portanto nesse ponto resta prejudicado o recurso sendo que apenas será objeto de julgamento a sujeição passiva solidária. 27 Nesse tópico, entendo merecer provimento o recurso do sujeito passivo solidário, explico. 28 O Relatório fiscal fundamenta a sujeição passiva solidária da seguinte forma: "10.1 Pelas razões mencionadas nos itens 8.1 a 8.10 e em razão da administração da empresa durante o período fiscalizado ter sido exercida pelo Sr.João Marcos Gobbin, CPF 539.853.038 00, presidente da empresa, o mesmo é considerado sujeito passivo neste processo conforme previsto em legislação transcrita no item a seguir. Conforme previsto na Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN): “ Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” 10.2 Constatase que João Marcos Gobbin é o mentor desse esquema de fraude contra a seguridade social, já detalhada neste relatório, que através de um planejamento tributário abusivo, deixou de recolher e declarar um montante expressivo de tributos e contribuições sociais. Esse esquema somente poderia ser realizado com anuência do administradorgeral e irrestrito da empresa, pois somente ele tinha poderes para efetivar tal planejamento e sem seu consentimento o mesmo jamais teria acontecido. 10.3 Esse planejamento não pode ser declarado como eventual ou interpretação dúbia da legislação, tendo em vista a quantidade de empresas simuladas, que foram constituídas com Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.476 34 finalidade exclusiva de deixar de pagar contribuições e tributos, e a prática reiterada por anos, deixando de pagar milhões em contribuições previdenciárias. 10.4 Desta forma, o mesmo está incluído no polo passivo da obrigação tributária, passando a responder solidariamente pelo crédito tributário, inclusive com a possibilidade de arrolamento de seus bens particulares." 29 Em linhas atrás houve o afastamento da multa qualificada pelo fato de entender que não há elementos nos autos de dolo, fraude ou simulação suficientes para a manutenção de tal multa de acordo com os ditames legais. 30 Entendo, outrossim, que em relação ao sujeito passivo solidário a fiscalização não demonstrou de forma clara e precisa a participação efetiva, clara e dolosa do sujeito passivo no sentido de agir para a prática das condutas elencadas no relatório fiscal em relação à Seguridade Social. 31 Vejo que o lançamento está calcado apenas quanto ao art. 135, III do CTN, sendo que este Relator entende que esse artigo não trata por si só dos casos de responsabilidade solidária, por si só no CTN. 32 Deveria a autoridade fiscal efetuar o lançamento da solidariedade passiva com base no artigo 124 do CTN relacionando uma das situações de seus incisos I ou II, e combinado com o artigo 135, III do CTN comprovar a situação ali elencada, contudo a autoridade fiscal deixou de fundamentar a responsabilidade solidária fazendo apenas em relação ao art. 135 do CTN que trata da responsabilidade pessoal de terceiros. 33 Mesmo que assim fosse, a situação elencada no inciso III do Art. 135 do CTN atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não restaram devidamente comprovados pela fiscalização. 34 Tomando por base novamente o excerto indicado alhures dessa Turma, houve por parte dessa Turma por bem afastar a responsabilidade do sujeito passivo solidário pelos seguintes fundamentos e tomo como razões de decidir: "O recorrente contesta a responsabilização solidária efetuada pelo Fisco, argumentando que não obstante a exclusão da responsabilidade pessoal do art. 135, da Lei n° 5.172, de 1966 CTN pela decisão de piso, também, não deve subsistir a responsabilidade solidária do art. 124, I, do CTN. Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.477 35 A responsabilização dos sócios está amparada nos arts. 124, inciso I e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 – CTN. Eis os dispositivos legais apontados pelo Fisco: O recorrente contesta a responsabilização solidária efetuada pelo Fisco, argumentando que não obstante a exclusão da responsabilidade pessoal do art. 135, da Lei n° 5.172, de 1966 CTN pela decisão de piso, também, não deve subsistir a responsabilidade solidária do art. 124, I, do CTN. A responsabilização dos sócios está amparada nos arts. 124, inciso I e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 – CTN. Eis os dispositivos legais apontados pelo Fisco: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico. Diante dos documentos constantes do processo, dos fatos apurados pelo fisco no curso da ação fiscal e os dispositivos legais acima transcritos, utilizados pelo fisco na responsabilização questionada, não há como ser mantida a responsabilidade solidária dos sócios da empresa recorrente. A Fiscalização não comprovou, incontestavelmente, que os sócios beneficiaramse das transferências financeiras efetuadas pela autuada, de forma continuada, de modo que restasse configurando o seu interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Destarte, o inconformismo recursal quanto à exclusão da responsabilidade solidária dos sócios administradores do recorrente merece acolhimento. A responsabilização solidária não pode ser efetuada por meio de simples ilação. Se assim fosse, todos os lançamentos tributários efetuados em face de pessoas jurídicas teriam os sócios administradores incluídos no polo passivo da lide tributária, em uma verdadeira mitigação ao instituto de direito empresarial da responsabilidade limitada. Diante de toda a narrativa fática constante da acusação fiscal, não restou demonstrada alegada conduta de burla à legislação com ato volitivo dos sócios administradores no sentido de Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.478 36 reduzir o pagamento de tributos da empresa e, com isso, otimizar os seus lucros, fato que se amoldaria ao requisito estabelecido pelo art. 124, I, do CTN, tendo os sócios interesse comum na situação que constitui o respectivo fato gerador, o que entendo, não ocorreu no caso dos autos. Assim sendo, o recurso voluntário merece provimento no que tange à exclusão da responsabilização solidária atribuída aos sócios administradores da recorrente." 35 Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário para excluir da responsabilidade solidária o Sr. João Marcos Gobbin. Conclusão 36 Diante do exposto, conheço do recurso de ofício para no mérito negar lhe provimento. Conheço do recurso voluntário do sujeito passivo principal para dar provimento parcial no sentido de afastar a multa qualificada mantendo a de ofício e reconhecer a decadência da competência de dezembro de 2011. Conheço do recurso voluntário do sujeito passivo solidário para darlhe provimento excluindoo do lançamento. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Voto Vencedor Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada Apesar das ponderações do Relator refletirem a lucidez que o caracteriza, ouso dele discordar no que diz respeito à qualificação da multa e ao reconhecimento da decadência. Para tanto, utilizome inicialmente de trecho do seu voto, que é copiado abaixo: 19 Esses pontos acima indicados a meu ver deixam claro a utilização da empresa como sócia apenas para mascarar a relação de trabalho do contribuinte individual como diretor não empregado a fim de afastar a remuneração pela atividade pessoal da pessoa física para com a empresa, sendo que a contribuinte não deixa claro o propósito negocial relativo a esses fatos. Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 13888.724739/201690 Acórdão n.º 2201004.539 S2C2T1 Fl. 3.479 37 Com efeito, no caso em análise não se trata de mera omissão dos fatos geradores, mas da utilização de artifício para impedir o conhecimento da sua ocorrência por parte da autoridade fiscal, conduta que se amolda à descrição legal de sonegação. A prática delituosa encontrase perfeitamente descrita na decisão de piso, cujos argumentos adoto como razão de decidir e à cuja leitura, por economia processual, remeto. Em função disso, deve ser mantida a qualificação da multa em 150%, bem como a aplicação da regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional, para fins de contagem do prazo decadencial. Conclusão Com base no exposto, e consolidando os entendimentos constantes do voto vencido e do voto vencedor: conheço do recurso de ofício e lhe nego provimento; conheço do recurso voluntário do sujeito passivo principal para lhe negar provimento; conheço do recurso voluntário do sujeito passivo solidário para darlhe provimento excluindoo do lançamento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada Fl. 3479DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.001556/2005-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório.
REP Negado e REC Negado
Numero da decisão: 9303-006.384
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RESSARCIMENTO. Recorrentes VITAPELLI LTDA. EM RECUPERACAO JUDICIAL E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. REP Negado e REC Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 15 56 /2 00 5- 77 Fl. 4527DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3102001.478, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMPRESA INAPTA. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Art. 82 da lei n° 9.430/96. Não comprovada a eletiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN n° 200 de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO A TERCEIROS. Não caracterizada relação jurídica negocial. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI não integra a base de cálculo da Cofins e do PIS. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão na parte em que houve reconhecimento pelo Colegiado a quo da não incidência de PIS/Cofins sobre o crédito presumido de IPI. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, defendendo que o crédito presumido de IPI não possui natureza de receita. Fl. 4528DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 4 3 Insatisfeito, o sujeito passivo também interpôs Recurso Especial contra o acórdão nº 3102001.478 na parte desfavorável, requerendo o afastamento das glosas de créditos das contribuições relativos às aquisições efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato e a correção dos créditos pela Selic. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo, apenas quanto à discussão acerca das aquisições perante fornecedores inexistentes de fato. O Despacho de Reexame de Admissibilidade manteve, na íntegra, o Despacho do Presidente de Câmara. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que seja negado provimento ao recurso do contribuinte, mantendose a decisão recorrida nesse ponto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.324, de 20/02/2018, proferido no julgamento do processo 10835.000067/200689, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.324): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos – eis que atendidos, para tanto, os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Para melhor elucidar, importante recordar que, quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, houve insurgência da discussão acerca da incidência ou não de PIS/Cofins sobre as receitas referentes a crédito presumido de IPI. O acórdão recorrido entendeu que o crédito presumido do IPI não integra a base de cálculo da contribuição, por não ter natureza de receita, mas de recuperação de custos. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma decidiu que “o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363/96, receita que é, inclui se naquela base”. Fl. 4529DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 5 4 Sendo assim, no que tange ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, vez que comprovada a divergência suscitada. Quanto ao recurso interposto pelo sujeito passivo que, por sua vez, suscitou divergências em relação às aquisições perante fornecedores inexistentes de fato, vêse que o acórdão recorrido considerou como não comprovada a operação de aquisição de insumos junto as empresas inaptas por inexistência de fato. Argumenta que os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200 de 2002. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma firma entendimento diverso, ao tratar das aquisições junto as pessoas jurídicas fornecedoras inexistentes de fato, considerando que a inidoneidade de documentos fiscais, originadores de créditos, emitidos pelas pessoas jurídicas declaradas inidôneas, com fundamento na inexistência de fato, nas circunstâncias presentes, geraria efeitos a partir da publicação do Ato Declaratório Executivo. Em vista do exposto, é de se conhecer o recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Do Mérito Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a discussão trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional – qual seja, sobre a incidência ou não de PIS/Cofins sobre o crédito presumido de IPI. Em relação a essa discussão, antecipo meu entendimento de que tais créditos não conferem a natureza de receita. Para melhor elucidar, importante trazer os ensinamentos de ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” ao tratar o conceito de receita: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo.” Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo”. Cabe trazer que em consonância com o entendimento de que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC – a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 4530DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 6 5 I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido.” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008)” Consoante esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: “Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, se subvenção ou recuperação de custo. A discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita e faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS e, no caso dos créditos presumidos de IPI. Para melhor compreensão e por não considerar tal crédito presumido como receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1.1. Hipótese: Fl. 4531DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 7 6 Critério Material: auferir receita. Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 1.2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo, Estado – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Critério Material: ser autoridade fazendária Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Consequente: Critério pessoal: Estado – autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. Portanto, crucial afastar o r. crédito da tributação das contribuições, pois não se configura juridicamente como tal, independentemente do registro contábil adotado ou adotável. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito pelo PIS e Cofins pois de receita auferida não se trata, tampouco de um ingresso que configuraria recomposição do patrimônio, até então decomposto pelo custo arcado com o pagamento do tributo. Indiscutível que seu efeito econômico não caracteriza nova riqueza, comportando somente a recomposição do patrimônio anteriormente desfalcado ou recomposição da mesma disponibilidade preexistente. Sendo assim, o crédito presumido de IPI não ostenta natureza de receita ou faturamento, mas mera recomposição do patrimônio, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Vêse que a operação de obtenção dos créditos, considerando até mesmo a essência contábil e sua primazia, deve ocorrer com a escrituração na contabilidade da empresa para posterior utilização. O que, por consequência, constatase que os créditos não utilizados se constituem em meros direitos. Fl. 4532DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 8 7 E, em respeito à Regra Matriz de incidência das contribuições ao PIS e Cofins, bem como a análise da essência do r. crédito, não há que se falar em tributação, pois forçoso se tributar tais direitos pelas r. contribuições. Nesse ínterim, é de se ressurgir com o conceito trazido pelo CPC 30: “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. ” O que, por conseguinte, facilmente constatável que contabilmente tais créditos também não conferem natureza de receita. Frisese ainda tal entendimento o acórdão 9303005.495 de nossa turma, que consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. ” O que, para melhor elucidar o entendimento desse Colegiado acerca da matéria, peço licença para transcrever parte do voto vencedor escrito pelo ilustre ex Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas: [...] No mérito, entendo que o crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito decorre dos insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrial exportador. A exigência do Fisco centrase no argumento de que a Lei nº 9.718/98 ampliou a base de cálculo de ambas as contribuições, constituindo regra a inclusão de qualquer receita auferida, inclusive os valores em questão, considerados como outras receitas operacionais, e exceção apenas as exclusões expressamente previstas na Lei. Assevera que, apesar de o crédito instituído pela Lei nº 9.363/96 ter como objetivo o ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre matérias Fl. 4533DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 9 8 primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos exportados, o ressarcimento em si é meramente presumido, não havendo como assemelhálo a uma restituição de tributos, porque não houve pagamento indevido de PIS e COFINS. Conclui afirmando que o crédito é receita nova, decorrente de benefício concedido, e não recuperação de custos. Em relação ao crédito presumido, o legislador, dentro da máxima econômica de que 'não se exportam tributos, buscou dar incentivo às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e COFINS, embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados, concebendo um benefício fiscal consubstanciado no crédito presumido de IPI, para ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI. Ou seja, o produtorexportador se apropria de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. Entretanto, a seguir a dicção da Lei, o incentivo não se direciona precipuamente ao imposto em comento, senão que o intento primeiro foi exonerar o pagamento das exações previstas nas Leis Complementares nº 7 e 8/70 e 70/91. Daí que a perspectiva adotada pelo criador da norma não pode ser distorcida de modo a colocar na base de cálculo do PIS e da COFINS importâncias que derivam, em última análise, da dispensa do pagamento das próprias contribuições. Isso implicaria diminuir o benefício fiscal, fazendo com que a desoneração pretendida ocorra de forma parcial. Do ponto de vista econômicofinanceiro e contábil, o incentivo instituído pela Lei nº 9.363/96, na verdade, não constitui receita, mas um valor retificador de custo. O que efetivamente gera o crédito presumido são os insumos comprados pelo industrial, em cujo preço foram adicionados os valores do PIS e COFINS, de forma cumulativa. Se a legislação oferecesse a esses tributos o mesmo tratamento jurídico dado ao IPI, a conta de insumos refletiria apenas o custo efetivo da matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois dele seriam expungidas as contribuições ao PIS e à COFINS, cujos valores seriam lançados na conta contábil pertinente, para posterior recuperação. Logo, ainda que o PIS e a COFINS a recuperar constituíssem um direito da empresa contra o Fisco, não representam ingresso de receita, seja na acepção contábil, seja na econômicofinanceira. Cumpre assinalar que esse raciocínio fundase na teleologia da norma inserta na Lei nº 9.363/96, uma vez que não há que falar, obviamente, em nãocumulatividade de PIS e COFINS, antes do advento da Lei nº 10.637/2002. Há que terse em vista a finalidade a ser atingida pelo incentivo às exportações. Se o crédito presumido receber o mesmo tratamento jurídico de rendimentos obtidos em aplicações financeiras, por exemplo, a empresa, na prática, pagará PIS e COFINS sobre os insumos consumidos no processo de industrialização, os quais são a causa da existência do crédito. Concordo que o crédito presumido não se equipara a restituição de tributos, mas também não entendo que seja equiparado a uma receita de venda, para fins contábeis e tributários. Na análise contábil, se a aquisição do insumo utilizado na industrialização de produtos exportados não estivesse onerada de PIS e COFINS, o valor lançado à conta de "Estoque de MatériaPrima" estaria livre de tributos e, consequentemente, o valor apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" seria menor. Fl. 4534DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 10 9 Melhor explicando, o valor do crédito presumido apurado, dentro do mês de competência a que se referem as exportações, não transitaria por conta de resultado a título de receita, mas sim como recuperação de custo, creditandose o valor do crédito presumido apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" e debitandose na conta "IPI a recuperar". Lançamento: IPI a Recuperar a Custo dos Produtos Vendidos Supondose, no entanto, que os contribuintes devessem incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS sobre o faturamento o valor do crédito presumido em questão, então, estarseia pagando PIS e COFINS sobre insumos aplicados no processo industrial de fabricação dos produtos exportados, quando foi justamente esta a razão da criação deste crédito: desonerar o custo de produção dos produtos exportados. De qualquer modo, o referido crédito presumido é ressarcimento de custo e ressarcimento de custo não é receita. Desse modo, se o objetivo da norma é desonerar as exportações, é irracional qualquer pretensão de exigir tais contribuições justamente sobre o benefício fiscal instituído para incentivar tais operações. O acórdão recorrido também traz que as próprias Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, ao disporem no §3º sobre as receitas que integram a base de cálculo, conferem natureza de receita às reversões de provisões e às recuperações de crédito baixados como perda, que foram expressamente excluídas da base, indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Também não concordo com tais argumentos, pois só haveria sentido que as Leis citadas previssem expressamente a exclusão do crédito presumido do conceito de receita se, em algum momento de todo o histórico normativo sobre o tema, as normas tivessem o considerado como receita, o que não me parece ter ocorrido.” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...)1 "Com a devida venia à ilustre conselheira relatora, mas divirjo do seu entendimento nas matérias relativas a ambos recursos. Porém fui designado para redigir o voto vencedor somente em relação ao recurso especial interposto pelo contribuinte, já que restei vencido quanto ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria do recurso especial do contribuinte referese à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS, da não cumulatividade, nas aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato. Antes de adentrar o mérito, é importante registrar que o contribuinte obteve provimento judicial em agravo de instrumento nos seguintes termos, conforme noticia os documentos de efls. 4345/4431: 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou das glosas dos créditos de aquisições efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato, pois seu entendimento foi vencido, não se aplicando na solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto encontrase no Acórdão 9303006.324 (processo 10835.000067/200689 paradigma). Fl. 4535DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 11 10 (...) Ante o exposto, julgo prejudicado o agravo interno e, com fulcro no art. 932, V, "b", do Código de Processo Civil, dou provimento ao agravo de instrumento, para reformar a r. decisão agravada e determinar à parte agravada que aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como que o faça com observância do decidido pelo E. STJ no REsp repetitivo n° 1.148.444/MG. (efl. 4353) (...) Portanto, transcrevese abaixo a ementa do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NAO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP , Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG , Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP , Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu , ao alienante). 3. In casu , o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." Fl. 4536DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 12 11 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc , o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como percebese tal decisão segue o rito dos recursos repetitivos previstos no art. 543C, do CPC, e, seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido no âmbito dos julgamentos deste colegiado. Portanto era desnecessário o contribuinte ter obtido provimento judicial neste sentido. O que necessitamos então é verificar se a situação fática do presente processo encaixase ao ditame do que foi decidido no âmbito do citado repetitivo. Observemos então que a tese firmada pelo próprio STJ em relação a este julgamento é a seguinte: O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação.(Tema 272 do STJ) Na minha avaliação, a tese firmada pelo STJ é perfeita e visa proteger o adquirente de boa fé, que adquire a mercadoria e comprova a veracidade da compra e venda efetuada. Mas, com a devida venia, os fatos minuciosamente levantados pela fiscalização no presente processo demonstram que o contribuinte, além de não agir de boa fé, não comprovou a veracidade da compra e venda efetuada. Penso que tal situação está inequivocamente demonstrada nos presentes autos. Referida fiscalização teve início em 16/01/2006, para análise dos créditos relativos ao período de outubro/2002 a junho/2007. Importante registrar que no TVF a justificativa para as glosas não foram a existência de Atos Declaratórios de Inaptidão da Pessoa Jurídica, mas sim as diligências realizadas nos supostos fornecedores, as quais comprovaram a impossibilidade de ter havido a transação comercial, quer pela inexistência destes, quer pela falta de comprovação do pagamento. Podese ver que no item "10. Das Glosas", efl. 1933, seu item "10.1 Diligências a empresas fornecedoras" seu conteúdo demonstra que a razão das glosas foram as diligências realizadas pela fiscalização. Transcrevo abaixo excertos retirados do Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 1916/1949), no qual consta todas as evidências que justificaram a glosa dos referidos créditos: (...) Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federai do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: Fl. 4537DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 13 12 (...) Tal fato demonstra que a fiscalização somente emitiu os ADE DE INAPTIDÃO após comprovar a inexistência das pessoas jurídicas, ou seja, ditos atos declaratórios não foram o ponto de partida para a glosa. Seguimos com mais excertos do TVF: (...) No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato contínuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. (...) Também efetuamos glosas de créditos do PIS/COFINS referentes a aquisições de empresas representadas pela Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente), relacionadas através de Ofício proveniente do Delegado Regional Tributário. As empresas, bem como os motivos para a glosa, estão relacionadas abaixo: a) Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA, CNPJ n° 02.987.722/000107. A data de início da situação é 03/10/2002. Os motivos descritos na representação são: Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais. Portanto, podese concluir pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002, glosando os créditos solicitados a partir desta data. Além disso, houve diligência à referida empresa, conforme item 10.1. b) Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda, CNPJ n° 04.842.983/000164. O motivo da representação é a inidoneidade de documentos fiscais. No presente caso, a empresa estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999. Portanto, não estava autorizada a emitir notas fiscais a partir da data em tela. A glosa dos créditos deverá ocorrer a partir das notas fiscais emitidas posteriormente à data em questão. (...) A empresa Vitapelli Ltda em vez de efetuar pagamento diretamente ao fornecedor efetuou pagamentos para outras empresas através de Cessão de Créditos a terceiros com autorização do fornecedor. Para subsidiar a fiscalização foram selecionadas, por amostragem, algumas empresas abaixo relacionadas, que receberam tais créditos, e estas foram intimadas a responderem alguns quesitos, conforme abaixo, in verbis: (...) Após esse trecho segue o relato da investigação em diversos cessionários de crédito e não se conseguiu comprovar a operação de pagamento. Os que a fiscalização obteve êxito em encontrálos, todos negaram relação negocial com o contribuinte. Alguns que não foram encontrados comprovouse que sequer tinham movimentação bancária no período como no exemplo a seguir: (...) 11.2. Fábio Benvindo Freitas Maia Fl. 4538DF CARF MF Processo nº 10835.001556/200577 Acórdão n.º 9303006.384 CSRFT3 Fl. 14 13 A pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRF revela que a referida empresa não apresentou nenhuma movimentação financeira nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e apresentou DIPJ na condição de "INATIVA" nos anoscalendário de 2002 a 2005. (...) Em conclusão, a razão principal das glosas não foi em decorrência de procedimentos formais nos quais a inexistência da relação comercial dáse por presunção, como são os casos decorrentes da simples existência de atos declaratórios de inaptidão da pessoa jurídica. Ao contrário, como visto, a fiscalização efetuou um minucioso trabalho de investigação e demonstrou a inexistência de relação negocial entre o contribuinte e vários de seus supostos fornecedores. Tal fato, afasta todo o argumento do voto vencido e do contribuinte de que as glosas só poderiam realizarse a partir da data de emissão dos atos declaratórios de inaptidão das pessoas jurídicas. Cumpre destacar que o contribuinte teve todo direito de defesa, com apresentação de impugnação, recurso voluntário e agora o presente recurso especial. Poderia ter se dedicado mais a descontruir as provas da fiscalização, comprovando de forma inequívoca a regularidade de seus créditos. Porém não obteve sucesso e tenta afastar as glosas utilizando, a meu ver, indevidamente, com apego a aspectos meramente formais, o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1148444, definitivamente não aplicável ao presente caso. Além de tudo o que já foi exposto, é importante ressaltar que estamos diante de um pedido de ressarcimento decorrentes de créditos de PIS e Cofins, no qual cumpre ao contribuinte, de maneira inequívoca, comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, os recursos especiais da Fazenda Nacional e do contribuinte foram conhecidos e, no mérito, o colegiado negoulhes provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 4539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720187/2014-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.713
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do
Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente
proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza.
Nome do relator: José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-05-10T21:43:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 16004.720187-2014-75 - HYPERMARCAS - DILIGENCIA1; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2018-05-10T21:43:34Z; Last-Modified: 2018-05-10T21:43:34Z; dcterms:modified: 2018-05-10T21:43:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 16004.720187-2014-75 - HYPERMARCAS - DILIGENCIA1; xmpMM:DocumentID: uuid:b158676e-56f6-11e8-0000-67829bbbd080; Last-Save-Date: 2018-05-10T21:43:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2018-05-10T21:43:34Z; meta:save-date: 2018-05-10T21:43:34Z; pdf:encrypted: true; dc:title: 16004.720187-2014-75 - HYPERMARCAS - DILIGENCIA1; modified: 2018-05-10T21:43:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2018-05-10T21:43:34Z; created: 2018-05-10T21:43:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2018-05-10T21:43:34Z; pdf:charsPerPage: 1412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-05-10T21:43:34Z | Conteúdo => S3-C3T2 Fl. 1 1 S3-C3T2 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.720187/2014-75 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302-000.713 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente HYPERMARCAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc". (assinado digitalmente) Walker Araujo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior (suplente convocado) e Raphael Abad. Relatório Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 2 2 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização desta decisão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "Trata-se de recurso voluntário, que adveio de acórdão de manifestação de inconformidade, nos procedimentos fiscais com vistas a verificar a regularidade dos valores constantes dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS não-cumulativos, vinculados às vendas efetuadas no mercado interno, formalizados por intermédio dos PER (pedidos de ressarcimento) dos meses de julho de 2010 a setembro de 2011, com declarações de compensação DCOMP a ele vinculadas, neste processo especificamente, créditos da COFINS não-cumulativa do terceiro trimestre de 2010. A contribuinte, retrata a fiscalização, fls. 18/19 da informação fiscal 1 , possui uma ampla gama de atividades, in litteris: Comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos de limpeza e higiene doméstica; A exploração da indústria e do comércio de produtos alimentícios e bebidas em geral (laticínios, cereais, adoçantes etc.); a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de medicamentos, de produtos para saúde e de produtos farmacêuticos alopáticos, fitoterápicos e homeopáticos para uso humano; a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de produtos de higiene pessoal, toucador, cosméticos e perfumes; a fabricação, o comércio por atacado, a importação e a exportação de lubrificantes; o comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos desinfetantes para controle de insetos e roedores, inseticidas e defensivos agrícolas; a confecção, comercialização, importação e exportação de fraldas descartáveis, absorventes higiênicos, absorventes hospitalares e hastes flexíveis com algodão nas extremidades. Do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro, fls. 3/5 do acórdão, extraem-se trechos que explicam como ocorre o sistema de tributação da Recorrente: Em razão da multiplicidade de atividades desenvolvidas pela Hypermarcas, parte de suas receitas (oriunda do seguimento de cosméticos e medicamentos) é tributada de forma concentrada. Ou seja, quando a Hypermarcas vende cosméticos e medicamentos 1 Os números correspondem ao número no documento físico. Fl. 2982DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 3 3 fabricados por ela, está obrigada a tributar essas vendas com alíquotas diferenciadas do PIS e da Cofins, tendo em vista que a tributação é concentrada no fabricante. A sistemática de tributação do regime não-cumulativo, bem como da tributação diferenciada (também conhecida como incidência monofásica ou concentrada), possui diversas especificidades em razão do produto produzido (Cosméticos, Medicamentos, Alimentos etc.), destinação das vendas (Mercado Interno, Zona Franca de Manaus, Exportação, etc.), característica da contribuinte (Fabricante, Importadora, Atacadista/Varejista etc.), dentre outras, que tornam o sistema de apuração dos créditos e débitos uma tarefa muito complexa.. Ou seja, os fabricantes de produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas também poderão descontar créditos em relação às aquisições de produtos de outra pessoa jurídica, produtora ou importadora, para revenda no mercado interno, desde que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833 (produtos relacionados no inciso I, do art. 1° da lei n° 10.147/00). No caso citado acima, a Hypermarcas adquire produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal de outro fabricante para revenda. Como ela também fabrica produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, ela tem o direito de se creditar do PIS e da Cofins. Por outro lado, nesse tipo de operação (aquisição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal para revenda), as vendas (revendas) efetuadas pela Hypermarcas são tributadas pelo PIS e Cofins com alíquotas diferenciadas, pois conforme visto, a regra geral (art. 2° da Lei n° 10.147/2000) determina que se a pessoa jurídica não for fabricante a venda deverá ser feita com alíquota zero. (...) Entretanto, verificamos que a Hypermarcas, nas operações de aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica, está apropriando créditos, sem, contudo, apurar os débitos nas revendas destes produtos (está aplicando a alíquota zero nessas revendas). Isso ocorreu em virtude de a Hypermarcas ter se considerado fabricante no momento da aquisição para revenda (para ter direito ao crédito) e atacadista no momento da revenda (para revender com alíquota zero), fato que é inadmissível, pois ela só teve direito ao crédito porque também é fabricante dos produtos dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833. Portanto, restou comprovado que nas aquisições de produtos submetidos à tributação monofásica, a Hypermarcas poderá se creditar dos bens adquiridos, e DEVERÁ oferecer à tributação do PIS/COFINS as receitas oriundas das revendas destes produtos. (...) Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 4 4 Cumpre esclarecer que o artigo 3°, da Lei n° 10.147/2000, concedeu um crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS não cumulativos. O crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea “a”, do inciso I, do art. 1º da Lei 10.147/2000, sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo. (...) Posteriormente, há informações sobre as glosas. Observa-se que a fiscalização realizou uma apuração minuciosa em linha por linha da DACON, sendo transcrito abaixo tão somente as glosas efetuadas, que serão mais detalhadamente analisadas no transcorrer do voto: Linha 01-DACON- NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens para revenda. (...) COMPRA DE MATERIAL DE CONSUMO FABRIL – CFOP n°s 1.556 e 2.556 (VALOR TOTAL IGUAL A R$21.448.823,74) Os créditos relativos às compras de materiais de consumo fabril foram apropriados pela fiscalizada nas linhas 01 e 02 do DACON Analisando o arquivo entregue, percebemos que a maioria dos produtos adquiridos é utilizada em centros de custos que não fazem parte do processo de fabricação da empresa. Que dizer, estas aquisições não são utilizadas como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) Com efeito, serão glosados os créditos relativos às aquisições de bens de uso e consumo que não foram empregados nos setores de produção da Hypermarcas. (...) LINHA 02 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens utilizados como insumos. (...) Portanto, os produtos tributados com alíquota reduzida a 0 (zero), adquiridos pela Hypermarcas, não podem gerar crédito em razão da vedação imposta pelo art. 3°, §2°, da Lei n° 10.833/2003. (...) – BRINDES AO CONSUMIDOR FINAL (VALOR TOTAL IGUAL A R$ 6.298.618,72) (...) Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 5 5 - MATERIAIS PROMOCIONAIS (VALOR TOTAL IGUAL A R$19.706.386,92) (...) - CAMPANHAS PRÊMIOS - CONSUMIDOR (VALOR TOTAL IGUAL A R$747.676,20) (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NO ITEM 2 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO N° 03) - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.334.086,54) (...) LINHA 03 – DACON – NACIONAIS (...) – ANÁLISE LABORATORIAL - (VALOR TOTAL IGUAL A R$7.844.419,50) (...) - ANÚNCIOS E PUBLICAÇÕES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$69.922,18) (...) - COMISSÃO PAGA A PESSOA JURÍDICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$6.092.625,17) (...) -CONSULTORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.049.825,67) (...) – ESTADIA – TRANSPORTADORA DE MERCADORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$352.557,12) (...) – FEIRAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$556.485,88) (...) -INFORMÁTICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.313.948,44) (...) - MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$2.028.382,62) (...) – OUTROS GASTOS COM PROPAGANDA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.187.854,88) (...) Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 6 6 – PATROCÍNIO DE EVENTOS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$41.555,72) (...) -PESQUISA DE MERCADO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$9.502.440,11) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$308.381,33) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGEM - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.847.501,95) (...) – PROMOÇÕES DE VENDAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$32.945,36) (...) – PROMOÇÕES E EVENTOS DE MARKETING - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.151.777,22) (...) – PROMOTORES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.500,00) (...) – PUBLICIDADE PRODUÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$27.877.706,47) (...) – PUBLICIDADE VEICULAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$174.050.987,06) (...) - SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS - (VALORES TOTAIS IGUAIS A R$4.125.357,26 E 2.500,00) (...) – SERVIÇO DE PALETIZAÇÃO/REACONDICIONAMENTO DE PRODUTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$487.583,58) (...) – SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$150,00) (...) Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 7 7 LINHA 06 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. (...) Em razão da não apresentação do demonstrativo de composição da base de cálculo, estes créditos relativos aos dispêndios de locação estão sendo glosados pela fiscalização. LINHA 07 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda (base de cálculo igual a R$196.726.177,27) - 1.185/1.694 e 499: (...) Destarte, não bastasse a Hypermarcas não ter direito ao crédito extemporâneo não restou outra alternativa à fiscalização em também não aceitar o crédito em função da não vinculação das despesas com as operações de venda, já que somente geram direito ao crédito as despesas de armazenagem nas operações de venda. Pelo exposto, os créditos extemporâneos, cuja base de cálculo soma R$13.716.997,66 também serão glosados. LINHA 08 – DACON – NACIONAIS (...) Quanto aos créditos extemporâneos apropriados no mês de outubro de 2010 (R$508.418,54), estes serão glosados em razão da falta de retificação das declarações entregues (DACON, DIPJ e DCTF). (...) LINHAS 09, 10 E 11 – DACON – NACIONAIS (...) Destarte, os encargos de depreciação e/ou aquisição de bens, aplicados nos centros de custo cujos bens, integrantes do ativo imobilizado, não são utilizados na produção não geram créditos relativos às contribuições PIS/COFINS por expressa vedação legal. Por fim, também constatamos que a Hypermarcas está se creditando de encargos de depreciação relativo a bens integrantes do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004. Estas aquisições também não geram direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativas. (...) LINHA 13 – DACON – NACIONAIS (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NOS ITENS 2 E 8 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO 03) – VALOR TOTAL IGUAL A R$172.502.051,77. (...) Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 8 8 LINHA 26 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos calculados sobre insumos de origem vegetal. (...) Verificamos que a fiscalizada, à época que produzia gêneros alimentícios, no período de março de 2006 a dezembro de 2011, utilizou o disposto no artigo citado acima, adquirindo tomate in natura (NCM 0702.00.00) e milho verde in natura (NCM 0709.90.19) e industrializando produtos como, por exemplo, molhos de tomate e extrato de tomate (ambos com NCM 2103.20.10: Ketchup e outros molhos d/tom.inf. a 1kg Inc.). Todavia, produtos da Posição 2103 – preparações para molhos e molhos preparados; condimentos e temperos, do Capítulo 21 – preparações alimentícias diversas, não estão citados no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, razão pela qual não há previsão legal para o crédito presumido pretendido pelo contribuinte, sendo, portanto, glosado na sua totalidade. (...) Da manifestação de inconformidade, extrai-se em síntese: - Preliminarmente: i) Solicita, primeiramente, o sobrestamento do feito, a fim de ser verificada a decisão no processo administrativo sob número 16004.720187/2014-75, no qual foram lançados os créditos de contribuição ao PIS e à COFINS, que foram consideradas insuficientes para compensação; ii) Pleiteia pela legitimidade dos créditos, aproveitados pela Recorrente nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica para revenda; iii) Não aproveitamento de determinados créditos mencionados na Informação Fiscal no Período do despacho decisório – 3º trimestre de 2010; iv) Violação ao contraditório e à ampla defesa, pois embora os agentes fiscais tenham segregado a análise da legitimidade dos créditos, levando em consideração a sua origem (e analisado item por item das linhas da DACON da requerente) deferindo ou indeferindo o aproveitamento, esquivaram-se de trazer uma discriminação precisa dos valores e da natureza dos créditos glosados originários do Pedido de Ressarcimento para indeferir as compensações. Os agentes deveriam ter realizado uma análise estritamente do período objeto do Pedido de Ressarcimento em análise e feito uma recomposição dos créditos, listando os valores deferidos e indeferidos, a respectiva origem, dentro do período pertinente. - No mérito: i) Indevida glosa de créditos na apuração do PIS/COFINS. Defende que o saldo credor pode ser apurado nos meses subsequentes. Ademais, que os créditos extemporâneos Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 9 9 aproveitados pela requerente referem-se a operações com produtos submetidos à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. O pedido de ressarcimento foi uma forma da requerente exercer o seu direito constitucional e legal de reaver os créditos não aproveitados anteriormente. ii) Realiza considerações sobre o regime da não-cumulatividade no sistema da contribuição ao PIS e à COFINS; iii) Argumenta que o conceito de insumo das instruções normativas é mais restrito que o da lei e, assim, não pode ser lido; iv) Defende a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS sobre as despesas de publicidade e propaganda/marketing; v) Argumenta o direito ao crédito no que concerne ao frete, a transferência de mercadorias ou insumos de uma unidade para outra; a entrega de mercadorias que foram dadas em bonificação aos clientes, e a retirada de mercadorias devolvidas pelos clientes e/ou logística reversa, que são de responsabilidade da impugnante são despesas intrínsecas à geração de receitas da impugnante; vi) Pleiteia pelo direito ao crédito na estocagem e armazenagem; v) No que concerne aos créditos relativos a encargos de depreciação, defende que além da industrialização possui forte atuação nas operações de revenda de mercadorias produzidas por terceiros, as quais incorreram em diversos custos com esforço de vendas, tais como pesquisas de mercado, ações de publicidade, estoque, logística e toda uma complexa estrutura administrativa para que seus produtos sejam disponibilizados e vendidos em todo Brasil. Toda essa complexa estrutura demanda aquisições de ativos imobilizados necessários ao desenvolvimento de sua atividade empresarial, tais como empilhadeiras utilizadas nos centros de distribuição para movimentação de estoque, plataformas hidráulicas, equipamentos utilizados na análise de qualidade de produto, entre outros. vi) Quanto à glosa de aluguel de máquinas e equipamentos, que a fiscalização fundamentou que não foi apresentado o demonstrativo da base de cálculo e o centro de custos, encontra-se anexo à impugnação os contratos de aluguel e a base de cálculo, que poderia ser obtida do SPED; vii) Quanto à manutenção de máquinas e equipamentos, a fiscalização glosou o crédito sob alegação de que não houve esclarecimento quanto à divergência na base de cálculo. Ocorre que a interessada alega que os dados foram disponibilizados conforme IN SRF 86/01 dos pedidos de ressarcimento; viii) No que se refere à compra de consumo fabril, a contribuinte alega que os produtos glosados são exigências da ANVISA, tratando-se de equipamentos de segurança dos profissionais que atuam nos setores fabris e laboratoriais; Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 10 10 ix) Pleiteia pela concessão de créditos junto a serviços de análise laboratorial, consultoria, produção e desenvolvimento de embalagem e informática, bem como nas comissões pagas às pessoas jurídicas e a mão-de-obra temporária; x) Solicita pela concessão de créditos na compra de insumos agrícolas, que adquire o produto in natura de pessoa física ou cooperado pessoa física e procede a industrialização o que reforça a possibilidade de tomada de crédito presumido pela impugnante; xi) Alega que os produtos adquiridos à alíquota zero se sujeitaram à incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação. Sobreveio, então, decisão da DRJ/Rio de Janeiro, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NULIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o despacho decisório lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO . A apuração não cumulativa implica em diferença entre débitos da contribuição e créditos da não-cumulatividade. Assim sendo, a alteração na base de cálculo da contribuição, com a consequente apuração de maior valor de débito acarretará em uma redução dos créditos disponíveis. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação o crédito de não-cumulatividade relativo à aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno. Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 11 11 RESSARCIMENTO. ÚNICO TRIMESTRE DO ANO-CALENDÁRIO. Cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre- calendário; e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. A Recorrente interpôs recurso voluntário, onde reafirmou as considerações da manifestação de inconformidade, com a apresentação de algumas novas preliminares que serão analisadas no transcorrer do voto. Estão apensos ao presente processo administrativo, os seguintes processos: 10120.727124/2014-37 e 10880.723365/2014-13. É o relatório." Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: Dentre as diversas matérias à serem apreciadas nestes processo, restou duvidoso, na sessão de julgamento, duas questões no processo que merecem esclarecimentos. A primeira sobre os débitos apurados pela fiscalização com base nos fatos e fundamentos apresentados nos itens 4.2 e 4.3 do Termo de Descrição dos Fatos carreados aos autos. Isto porque, de um lado, a fiscalização afirma categoricamente que a Recorrente não teria direito à aplicação da alíquota zero do PIS e da COFINS na revenda dos produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador, por entender que a sua atuação também como fabricante de outros produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador afastaria o regime monofásico na revenda de mercadorias, a saber: Conforme relatado, para alguns seguimentos da economia, dentre os quais destacamos o de cosméticos e medicamentos, que fazem parte do objeto social da fiscalizada, o legislador deu um tratamento fiscal diferenciado em relação à sistemática da não-cumulatividade, de forma à obtenção de uma praticidade na tributação. Para estes seguimentos foi estabelecida a tributação diferenciada, também conhecida por incidência monofásica ou concentrada, uma vez que neste regime o ônus tributário de toda a cadeia de comercialização de um determinado produto recai em seu fabricante ou importador. Justamente por esta concentração da tributação no fabricante ou importador, esses contribuintes aplicam sobre as receitas auferidas na venda de tais produtos alíquotas maiores que as usuais. Vejamos a redação da Lei 10.147/2000, com as alterações das Leis 10.548/2002 e 10.865/2004: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 12 12 Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I - incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); Em contrapartida, os demais contribuintes da cadeia de comercialização (atacadistas e varejistas) são beneficiados com redução a zero das alíquotas conforme estabelece o art. 2º da Lei nº 10.147, de 2000: Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000 Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. (grifei) (...) Nesse caso, a Hypermarcas fabrica os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, sujeitos à tributação monofásica/concentrada, motivo pelo qual está obrigada ao pagamento do PIS e da Cofins com as alíquotas diferenciadas. Ou seja, toda a tributação do PIS e da Cofins está concentrada na venda efetuada pela Hypermarcas. A partir daí, as operações subsequentes (vendas efetuadas pelos atacadistas e varejistas) estão sujeitas à alíquota zero. Por outro lado, a Recorrente alega que todas as operações nas quais houve o afastamento da alíquota zero, a Recorrente procedeu à mera revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica, inexistindo, qualquer processo de industrialização, nos moldes do artigo 4º, do Regulamento do IPI. Segundo a Recorrrente,"...a Autoridade Fiscal elaborou, com base em todas as notas fiscais eletrônicas e no Sped Fiscal da Requerente (fls. 17 e 18 do TVF/1.731 e 1.732 dos autos), 16 planilhas (fls. 27 do TVF/1.741 dos autos e fls. 1.167 a 1.182 dos autos), as quais contêm a relação de todos os produtos de perfumaria e farmacêuticos sujeitos ao regime monofásico vendidos no período objeto deste processo (07/2010 a 09/2011)". E, afirma:"...que as referidas planilhas reproduzem todas as informações das notas fiscais da Requerente e são, portanto, extremamente detalhadas, contendo, dentre outras informações, descrição individualizando cada um dos produtos, bem como seu valor de venda e a identificação se estes foram objeto de (a) produção própria1 ou (b) adquiridos de terceiros (revenda)2. Cumpre mencionar ainda que as referidas planilhas foram utilizadas pela Autoridade Fiscal para quantificar o crédito tributário objeto deste processo administrativo." Analisando o processo, não há como auferir corretamente - entenda-se, com base em todo suporte documental carreado aos autos- , se nas referidas planilhas que deram suporte ao cálculo do montante exigido, há apenas produtos que foram objeto de produção Fl. 2992DF CARF MF Processo nº 16004.720187/2014-75 Resolução nº 3302-000.713 S3-C3T2 Fl. 13 13 própria ou produtos adquiridos de terceiros para revenda que são também fabricados pela recorrente (produtos coincidentes) ou produtos que foram revendidos e que não são fabricados pela recorrente. Tal fato é de suma importância para o deslinde do processo, posto que, partindo da premissa de que a Recorrente não industrializa os produtos que ela revende, fica afastado seu enquadramento no artigo 1º, da Lei nº 10.147/2000, do contrário, correto o lançamento fiscal. Neste ponto, entendo que há necessidade de converter o processo em diligência, para que seja comprovado/esclarecido pelas partes, se os produtos revendidos indicados na planilha foram também objeto de produção própria ou não. A segunda questão diz respeito ao fato de que na primeira autuação, objeto do processo administrativo nº 16004.7220544/2013-14, a fiscalização glosou créditos sem questionamento da aplicação da alíquota zero, ao passo que neste processo, os mesmos fiscais acolheram expressamente o aproveitamento de créditos e tributaram a revenda com a aplicação das alíquotas diferenciadas. Ou seja, há dúvidas quanto aos critérios jurídicos adotados e quanto à situação fática considerada pela fiscalização em ambos processos, merecendo, assim, esclarecimentos quanto a diferença de tratamento. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para: i) À recorrente: - Especificar os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente. A autoridade fiscal deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; ii) À autoridade fiscal: - esclarecer a distinção entre a situação fática autuada no processo 16004.720544/2013-14, no qual houve glosa de créditos e não cobrança de débitos, e este processo, já que tratam de períodos imediatamente subsequentes, tendo a recorrente afirmado em ambas fiscalizações que atuava na fabricação e revenda de produtos mencionados no artigo 1º da Lei 10.147/2000. Após, intime-se a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2993DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720890/2013-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I.
Numero da decisão: 9202-006.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 90 /2 01 3- 19 Fl. 2987DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 230201.630, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, a cargo da empresa e, também, a cargo dos segurados contribuintes individuais, abrangendo o período de 01/1999 a 12/2004, consolidado em 08/07/2005, no montante do crédito lançado é de R$ 9.927.171,15 (nove milhões novecentos e vinte e sete mil, cento e setenta e um reais e quinze centavos), conforme descrito no Relatório Fiscal a fls.64/72. O Contribuinte apresentou impugnação às fls. 186/194. A Delegacia RJSul, às fls. 2418/2429, através da DecisãoNotificação nº 17.003/0019/2007, julgou procedente em parte o lançamento, para dela excluir os pagamentos efetuados a pessoas físicas que se referiam a alugueis, bem como aqueles em que restou comprovado o devido recolhimento das contribuições devidas, retificandose o crédito tributário na forma da tabela a fls. 2.423/2.424, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 2.434/2447. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 2777/2759, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, devendo ser excluídos do lançamento todos os fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/1.999, exclusive, e NEGOU PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. ART. 22, III DA LEI Nº 8.212/91. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 16682.720890/201319 Acórdão n.º 9202006.664 CSRFT2 Fl. 10 3 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. NFLD. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A apresentação de documentação deficiente autoriza o Fisco a lançar a contribuição previdenciária que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, § 3º, in fine da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. Os artigos 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. Recurso Voluntário Provido em parte e Recurso de Ofício Negado Às fls. 2878/2889, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial em relação a seguinte matéria: regra correta de aplicação do prazo decadencial, prevista no art. 173, I, do CTN, que prevê a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou conforme art. 150, § 4º, também do CTN, cuja contagem iniciase da ocorrência do fato gerador. Para o acórdão recorrido, tratandose de contribuições previdenciárias, mesmo tendo ocorrido pagamento antecipado, o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado nos termos do art. 173, I do CTN. Diferentemente, no acórdão paradigma, em caso semelhante, havendo pagamento antecipado, aplicase o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, seguindo orientação do Superior Tribunal de Justiça. Às fls. 2975/2980, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade dos Recursos Especiais interpostos, DANDO SEGUIMENTO ao recurso interposto pelo Contribuinte em relação à divergência sobre a regra decadencial aplicada. Às fl. 2982/2985, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, ratificando os argumentos da decisão para requerer a sua manutenção na parte recorrida pelo Contribuinte. Fl. 2989DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, a cargo da empresa e, também, a cargo dos segurados contribuintes individuais, abrangendo o período de 01/1999 a 12/2004, consolidado em 08/07/2005, no montante do crédito lançado é de R$ 9.927.171,15 (nove milhões novecentos e vinte e sete mil, cento e setenta e um reais e quinze centavos), conforme descrito no Relatório Fiscal a fls.64/72. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso voluntário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte, trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à regra correta de aplicação do prazo decadencial, prevista no art. 173, I, do CTN, aplicada pelo acórdão recorrido a qual prevê a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou conforme art. 150, § 4º, também do CTN, cuja contagem iniciase da ocorrência do fato gerador. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 16682.720890/201319 Acórdão n.º 9202006.664 CSRFT2 Fl. 11 5 INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Contudo, aplico neste caso uma exceção ao meu posicionamento habitual em razão exclusivamente do caso concreto em razão das inferências realizadas pelo auditor fiscal, Fl. 2991DF CARF MF 6 bem como por observar que todas as demais autuações foram consideradas com pagamento prévio. Neste caso o acórdão recorrido merece reparo, isso por que embora não haja nos autos informação de pagamento antecipado referente a rubrica específica CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS , tratase de uma empresa com inúmeros funcionários e qualquer pagamento referente a folha de pagamento, lhes aproveita. A fim de melhor esclarecer, saliento que compulsando os autos observo que não há outras indicações de débitos. Considerando que no TAF não há nenhum outro lançamento sobre folha, considero que as demais exações tributárias foram pagas e por isso servem de início de pagamento. Logo, constatada a existência de recolhimento, atrai a aplicação do disposto no 150, §4 do CTN, diferentemente do que decidiu o acórdão recorrido. Assim considerando que o Contribuinte somente foi notificado em 12/07/2005, não poderá a Fazenda Nacional efetuar cobrança dos períodos anteriores 12/07/2000. Estando, portanto, decaídas estas competências. Diante do exposto conheço do Recurso interposto pelo Contribuinte para no mérito darlhe provimento. É como voto (assinatura digital) Ana Paula Fernandes. Fl. 2992DF CARF MF
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Numero do processo: 10814.009536/2005-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/10/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 95 36 /2 00 5- 92 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 169 2 Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3101001.739, de 18 de setembro de 2014 (fls. 169 a 178 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo Contribuinte de restituição de Imposto de Importação alegadamente recolhido a maior, pago através de débito automático em conta corrente bancária na data do registro da DI n°03/08564329, em 06/10/2003, no valor de R$ 1.449,56 (um mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e cinquenta e seis centavos). Alega o interessado ter direito ao benefício fiscal concedido pelo art. 50 das Medidas Provisórias n's. 193924 (de 06/01/00), 206837 (de 27/12/00) e 206838 (de 25/01/01), convertidas em Lei n° 10.182, de 12 de fevereiro de 2001. Tal benefício consiste na redução de 40 % (quarenta por cento) do imposto de importação, para empresas devidamente habilitadas quanto ao mesmo no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, referindose especificamente a importação de partes, peças, componentes, Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 170 3 conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinadas aos processos produtivos das empresas e dos fabricantes de produtos relacionados no art. 5°, § 1° I a X (veículos leves: automóveis e comerciais leves; ônibus; caminhões, etc). Em 06/10/2003 o interessado submeteu a despacho aduaneiro mercadorias beneficiárias da mencionada redução, pela Declaração de Importação n° 03/08564329, tendo deixado de pleitear o benefício em questão, e recolhido integralmente o Imposto de Importação. Em 22/11/2005, por requerimento de fls. 1/2, pleiteou a restituição do valor que entende recolhido a maior, no total de R$ 1.449,56 (um mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e cinquenta e seis centavos), pelo Pedido de Restituição de fls. 1/2 e Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório de fls. 3/4. Anexou as fls. 24 documento comprobatório fornecido pelo DECEX, segundo o qual a empresa está habilitada a fruir o benefício da Lei 10.182/2001 desde 18/01/2000. O processo tramitou pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo — (IRFSP), para revisão aduaneira e eventual retificação de Declaração de Importação. Dentro do procedimento de análise da retificação prevista no art. 45 da In no 680/2006, o contribuinte em tela foi intimado a apresentar as certidões negativas de débito (CND, FGTS e Dívida AtivadaUnião) abrangendo as datas de registro da DI. Em atendimento ao termo em questão o contribuinte apresentou tempestivamente resposta em que se manifestou pelo não cabimento da exigência de certidões negativas no caso em tela e também que caberia à administração verificar internamente se a empresa estaria ou não em regularidade com os tributos administrados pela União. Tendo em vista o previsto no artigo 120 do Regulamento Aduaneiro vigente A. época dos fatos, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, combinado com o artigo 60 da Lei 9.069, de 29/06/1995, entendeu a autoridade aduaneira que, da combinação dos Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 171 4 dois dispositivo legais, fica caracterizado que a exigência de prova de quitação se renova a cada despacho objeto de redução pretendida e que a comprovação em questão deve ser feita pelo contribuinte, não se aplicando aqui o disposto no art. 37, da Lei 9.784/99. Em decorrência do exposto, foi indeferido o pedido de retificação da Declaração de Importação. Em 15/05/2008 foi proferido despacho indeferindo a retificação da Declaração de Importação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: a Lei 10.182/01, que instituiu o benefício da redução de 40% do II na importação de determinados produtos, para empresas montadoras e dos fabricantes do setor automotivo não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto (comprovação já feita quando de sua habilitação ao regime, feita junto ao SECEX); não se aplica ao caso o art. 60 da Lei 9.069/95, que condiciona apresentação de CND apenas a concessão ou reconhecimento de benefício fiscal. Entende que o dispositivo legal prevê a apresentação em somente uma das ocasiões, e ele já apresentara as CND's quando da habilitação do benefício; pela doutrina, lei posterior derroga lei anterior e lei especial derroga lei geral. Portanto, a Lei nº 10.182/2001 teria prevalência sobre a Lei nº 9.069/1995, já que lei posterior derroga a anterior. Também a derrogaria por ser a Lei nº 9.069/1995 geral, e a Lei nº 10182/2001 especial; caberia à Receita Federal aferir a regularidade fiscal do interessado, pela simples verificação de seus sistemas informatizados, conforme art. 37 da Lei n° 9.784/99; Por fim, reapresenta jurisprudência administrativa e judicial, que entende reforçar seu ponto de vista. A 1ª Turma da DRJ/SP2 julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 172 5 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por maioria de de votos, deu provimento ao recurso voluntário, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). PROVA DA REGULARIDADE FISCAL. O direito aos benefícios conferidos pelo regime automotivo estão condicionados à comprovação da regularidade fiscal, com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, quando da habilitação do regime, conforme artigos 5° e 6° da Lei n° 10.182/2001, enunciado que deve prevalecer em face do princípio da especialidade da norma jurídica. REGULARIDADE FISCAL E CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. OUTRAS FORMAS DE COMPROVAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO DÉBITO. No entanto, ainda que a especialidade dessa norma não seja questão pacificada na jurisprudência administrativa e judicial, a regularidade fiscal não pode ser confundida com a apresentação do documento intitulado “Certidão Negativa de Débitos CND”, uma vez que tal documento tem presunção de validade em favor do contribuinte no seu prazo de validade, mas não é exclusiva para comprovação da regularidade fiscal. De modo que a Administração Tributária, que tem pleno conhecimento da situação do contribuinte, inclusive porque é emitente da referida CND, ao negar pedido de restituição sob o argumento de não comprovação de regularidade fiscal, deve indicar qual o débito que fundamenta a ato administrativo. Recurso Voluntário Provido Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 173 6 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls.180 a 191) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à necessidade de apresentação de prova de regularidade fiscal, através de certidão negativa de débitos, a cada despacho aduaneiro de importação, para aproveitamento dos benefícios conferidos pelo regime automotivo. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 9303002.821. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão, documento de fls. 192 a 195 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 197 a 199. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 206 a 215, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 174 7 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 197 a 199. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime. Dispõe a lei em questão: LEI No 10.182, DE 12 DE FEVEREIRO DE 2001. Restaura a vigência da Lei no 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, que dispõe sobre a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis destinados ao transporte autônomo de passageiros e ao uso de portadores de deficiência física, reduz o imposto de importação para os produtos que especifica, e dá outras providências. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 175 8 Faço saber que o PRESIDENTE DA REPÚBLICA adotou a Medida Provisória nº 2.06838, de 2001, que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Antonio Carlos Magalhães, Presidente, para os efeitos do disposto no parágrafo único do art. 62 da Constituição Federal, promulgo a seguinte Lei: Art. 1o É restaurada a vigência da Lei no 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, que, com as alterações determinadas pelo art. 29 da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, passa a vigorar até 31 de dezembro de 2003. § 1o No período de 1o de outubro a 31 de dezembro de 1999, a vigência da Lei no 8.989, de 1995, observará as prescrições contidas no art. 2o da Lei no 9.660, de 16 de junho de 1998. § 2o É mantida a isenção fiscal aos portadores de deficiência física na forma do art. 1o, inciso IV, da Lei no 8.989, de 1995, para aquisição de veículos movidos a qualquer combustível. Art. 2o O art. 1o da Lei no 8.989, de 1995, alterado pelo art. 29 da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1o Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) os automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), de no mínimo quatro portas, inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável, quando adquiridos por: ................................ Parágrafo único. A exigência para aquisição de automóvel de quatro portas e de até 127 HP de potência bruta (SAE) não se aplica aos deficientes físicos de que trata o inciso IV do caput deste artigo." (NR) Art. 3o A Lei no 9.660, de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1o ................................ § 2o Excluemse da obrigatoriedade prevista neste artigo os veículos componentes da frota das Forças Armadas, os de representação dos titulares dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e, conforme dispuser regulamento, aqueles destinados à prestação de serviços públicos em faixas de fronteira e localidades desprovidas de abastecimento com combustíveis renováveis." (NR) Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 176 9 "Art. 2o ................................ § 3o Fica excluído da obrigatoriedade prevista no caput deste artigo o veículo nacional destinado ao integrante de missões diplomáticas, de repartições consulares de carreira e de delegações especiais acreditadas junto ao Governo brasileiro, bem assim ao funcionário, perito, técnico ou consultor de representações de organismos internacionais ou regionais de caráter permanente, dos quais o Brasil seja membro, ou amparado por acordos internacionais celebrados pelo Brasil, observado o princípio da reciprocidade quando cabível, desde que de nacionalidade estrangeira e não possua residência permanente no Brasil." (NR) Art. 4o O disposto no art. 2o desta Lei somente se aplica a partir de 1o de janeiro de 2000. Art. 5o O Imposto de Importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos fica reduzido em: (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) I – 40% (quarenta por cento) até 31 de agosto de 2010; (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – 30% (trinta por cento) até 30 de novembro de 2010; (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) III – 20% (vinte por cento) até 30 de maio de 2011; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) IV – 0% (zero por cento) a partir de 1o de junho de 2011. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: I veículos leves: automóveis e comerciais leves; II ônibus; III caminhões; IV reboques e semireboques; V chassis com motor; VI carrocerias; VII tratores rodoviários para semireboques; VIII tratores agrícolas e colheitadeiras; Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 177 10 IX máquinas rodoviárias; e X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. § 2o O disposto nos arts. 17 e 18 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, e no DecretoLei no 666, de 2 de julho de 1969, não se aplica aos produtos importados nos termos deste artigo, objeto de declarações de importações registradas a partir de 7 de janeiro de 2000. Art. 6o A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único. A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: I comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais; II cópia autenticada do cartão de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. ...( grifo nosso) Vale ressaltar que a Lei nº 10.182, foi publicada em 14 de fevereiro de 2001. Portanto, o legislador, ciente das prescrições legais definidas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com as alterações trazidas pela Lei nº 9,032, de 28 de abril de 1995, e na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, ao redigir o art. 6º da Lei nº 10.182/2001, decidiu, para os benefícios do Regime Automotivo, reduzir o escopo das exigências de: “apresentação” de CND e Certificado de Regularidade do FGTS, para: “comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais”, a qual pode ser feita por qualquer meio. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 178 11 Ainda que não se limite a obrigação de comprovação de regularidade fiscal à habilitação no regime automotivo, ampliando a para o momento do desembaraço aduaneiro, é certo que a Lei nº 9.069, publicada em 30 de junho de 1995, também atende ao critério cronológico para que se afaste a aplicação das normas precedentes de 1991 e 1990. É com base nesse supedâneo que a norma mais recente prevalece sobre as mais antigas, não havendo base jurídica para o Fisco formular exigência mais abrangente que a definida na lei de regência. Nesse ponto, inclusive – lei de regência – é que se insere a segunda regra de solução de antinomias, ou seja, a norma especial prevalece ante a norma geral. A Lei nº 10.182/2001, apresentação como norma especial que regula os critérios, requisitos e condições para obtenção do benefício fiscal do regime automotivo, a saber: “Restaura a vigência da Lei no 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, que dispõe sobre a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis destinados ao transporte autônomo de passageiros e ao uso de portadores de deficiência física, reduz o imposto de importação para os produtos que especifica, e dá outras providências”. Estabelecendo, especifica e especialmente, para o regime automotivo as condições de regularidade fiscal, perante, apenas os tributos administrados pela Receita Federal. Diante do critério da especialidade não há como dizer que as normas de institutos jurídicos especiais de outros regimes ou de regimes gerais prevaleçam sobre normas especiais aplicáveis ao caso concreto. Da interpretação literal dos dispositivos acima, em homenagem à interpretação que a administração dá ao art. 111 do CTN, depreendese que a certidão de regularidade fiscal deve ser exigida no momento da solicitação de habilitação ao beneficio fiscal; sendo que a fruição do beneficio, ao seu turno, depende apenas de habilitação especifica no SISCOMEX (caput do artigo 6°). Verificase que a Lei não exige a apresentação de CND para a fruição da redução do imposto. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 179 12 A apresentação da CND somente era obrigatória no momento da habilitação no SISCOMEX e, considerando que a RECORRENTE obteve regularmente sua habilitação junto aquele órgão (o que significa dizer que a CND foi oportuna e devidamente apresentada), não há argumentos para impedila de fruir da redução do imposto e obter os créditos correspondentes. Ademais o fato de o Contribuinte obter autorização perante ao SISCOMEX revela estar em estado regular fiscal, assim sendo, atendia a contento aquela exigência. O administrado deve atender exigência proveniente de previsão legal, isso é em decorrência de Lei. No caso concreto, não se vislumbra em normas disciplinadoras do benefício a necessidade de apresentação de certidão de regularidade fiscal, em cada desembaraço aduaneiro. Segundo a Lei a prova da regularidade fiscal deve ser feita no momento da fruição do benefício, que se dá na habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Assim, a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação de mercadoria, na hipótese em que já tenha sido apresentado o certificado negativo quando da concessão do beneficio deve ser afastada. Não há sentido que a cada desembaraço aduaneiro o contribuinte tenha que apresentar certidões negativas ao Fisco. Esse procedimento só aumenta a burocratização dos regimes aduaneiros. Ademais, da análise da referida legislação, vemos que a mesma estabelece um momento único para a apresentação da regularidade fiscal, ou na concessão do beneficio ou no seu reconhecimento, não podendo ser adotado em ambos. Cabe ressaltar ainda que o despacho decisório fundase na não apresentação de Certidões Negativas de Tributos e Contribuições da SRF para alguns períodos entre a emissão das Certidões apresentadas, Certidão do FGTS e Certidão Negativa da Dívida Ativa da União. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 180 13 A fiscalização constrói o indeferimento da restituição a partir da interpretação da exigência específica de regularidade fiscal da norma que criou o regime automotivo – Lei n.º 10.182/01, da Lei n.º 9.069/95, cujo art. 60 impõe a comprovação de quitação de tributos na concessão ou reconhecimento de incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, para definir que a apresentação da CND prevista na Lei n.º 8.212/91 e do Certificado de Regularidade do FGTS, previsto no art. 27 da Lei n.º 8.036/90, são instrumentos necessários e imprescindíveis ao gozo da redução do II, suspensão do IPI. Quanto ao artigo 60 da Lei n.º 9.069/95, este exige a certidão na concessão ou no reconhecimento do incentivo, vale dizer: em um momento ou em outro e não sob a forma cumulativa. O artigo 60, da Lei n° 9.069/95, dispõe que: A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (grifo nosso) Assim, entendo não ser possível a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço já que a referida certidão já foi exigida quando da concessão daquele beneficio. Por fim, vale ressaltar que em 2016 o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu ser ilícito exigir uma nova certidão negativa de débitos no momento final do despacho aduaneiro, isto é, quando a mercadoria importada fosse desembaraçada para ser entregue ao importador, acaso já tenha sido apresentada a comprovação de quitação de débitos fiscais referentes aos tributos federais incidentes na importação, quando da concessão do benefício relativo ao Drawback. Deste entendimento, fruto da jurisprudência pacificada daquele Tribunal Superior, foi publicada a Súmula 569, que assim dispõe: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 181 14 “Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada à comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback.” O entendimento do STJ firmado na súmula e no sentido que seria ilegítimo exigir do beneficiário uma nova certidão negativa de débitos, quando desembaraçada a mercadoria importada. Ora, o tema central da súmula é o mesmo que ocorre nos autos, ou seja, a exigência de uma nova certidão negativa de débitos, de um beneficiário de regime, quando desembaraçada a mercadoria importada. No caso do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Integrado Suspensão, como exemplo, o interessado deverá apresentar ao Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX), da SECEX, um plano de exportação, indicando os bens que pretende importar ou adquirir no mercado doméstico, além dos bens a exportar. Ao analisar e deferir o pedido, a DECEX permitirá a aquisição dos insumos solicitados com suspensão da exigibilidade da COFINS – Importação, PIS/ PASEP – importação, IPI, e imposto de importação, acaso o beneficiário pretenda adquirir no mercado externo. Porém, optando em adquirir parcela das mercadorias no mercado interno, além do IPI, será estendida, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ao PIS/PASEP e COFINS. Neste momento, haverá a emissão da certidão negativa de débitos, já que os tributos elencados se encontram com a exigibilidade suspensa, consoante o artigo 206, do Código Tributário Nacional. Isto é, este momento precede o desembarque da mercadoria e a finalização do procedimento de despacho aduaneiro: o desembaraço aduaneiro. Aqui incide o entendimento do STJ firmado na súmula analisada, pelo qual seria ilegítimo exigir do beneficiário uma nova certidão negativa de débitos, quando desembaraçada a mercadoria importada. No caso dos autos, os dispositivos que tratam do benéfico fiscal dispõem que a fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 182 15 Verificase que nos dois casos, para ter o beneficio fiscal o contribuinte deverá se habilitar especificamente no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. ou no Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX), da SECEX, no caso do Drawback. Entendo que a jurisprudência do STJ indica a improcedência da exigência da CND. Uma vez o importador sendo titular do benefício fiscal em razão do ato concessivo não é passível nova exigência de apresentação do documento como condição para o desembaraço das mercadorias. A importação do bem e seu desembaraço já se encontram amparados legalmente, pois atenderam aos requisitos indispensáveis à concessão do regime em conformidade com o ordenamento. Assim, com vários precedentes e jurisprudência reiterada do STJ, tal entendimento pacifica o assunto e aplicase aos casos semelhantes como este. Por fim, cabe trazer ao colegiado varias decisões deste Conselho sobre o assunto, que devem ser mencionada, senão vejamos: 1Em sessão do dia 18 de setembro de 2014, o Ilustre Conselheiro Relator Luiz Roberto Domingo, no Acórdão n.º 3101001.739, processo administrativo, o qual traz entendimento consonante com o até aqui exposto e que passam a integrar o presente voto como razões de decidir, in verbis: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RECOLHIMENTO A MAIOR POR NÃO UTILIZAÇÃO DA REDUÇÃO PREVISTA NA LEI 10.182/2001 (REGIME AUTOMOTIVO). PROVA DA REGULARIDADE FISCAL. O direito aos benefícios conferidos pelo regime automotivo estão condicionados à comprovação da regularidade fiscal, com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, quando da habilitação do Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 183 16 regime, conforme artigos 5° e 6° da Lei n° 10.182/2001, enunciado que deve prevalecer em face do princípio da especialidade da norma jurídica. REGULARIDADE FISCAL E CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. OUTRAS FORMAS DE COMPROVAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO DÉBITO. No entanto, ainda que a especialidade dessa norma não seja questão pacificada na jurisprudência administrativa e judicial, a regularidade fiscal não pode ser confundida com a apresentação do documento intitulado “Certidão Negativa de Débitos CND”, uma vez que tal documento tem presunção de validade em favor do contribuinte no seu prazo de validade, mas não é exclusiva para comprovação da regularidade fiscal. De modo que a Administração Tributária, que tem pleno conhecimento da situação do contribuinte, inclusive porque é emitente da referida CND, ao negar pedido de restituição sob o argumento de não comprovação de regularidade fiscal, deve indicar qual o débito que fundamenta a ato administrativo. Recurso Voluntário Provido Trechos do voto: (...) Mas não são apenas essas razões que protegem o direito da recorrente. No âmbito do próprio CARF já se encontra SUMULADO, em caso que guarda verossimilhança, o entendimento de que o contribuinte pode comprovar seu adimplemento do curso do processo administrativo: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 184 17 Ora, como se sabe regularidade fiscal não deve ser confundido com o “papel” que demonstra tal situação, ou seja, não se confunde com a chamada Certidão Negativa de Débitos. Tratase de uma situação que pode ser comprovada a qualquer tempo pelo contribuinte e, portanto, é “estado” que pode ser demonstrado pela parte ou verificado pela própria administração. Inclusive, a perda do direito ao benefício fiscal depende da prova do inadimplemento; da prova da irregularidade; a prova de que as eventuais declarações não correspondem à realidade. De outro lado, a exclusão da Recorrente do regime automotivo pela simples não apresentação do papel que comprova a adimplência das obrigações fiscais federais, apesar de ter comprovado que recolheu todos os tributos devidos, não atende aos requisitos da razoabilidade, pois se quer substituir o requisito material de “regularidade fiscais” pelo requisito formal “apresentação de certidão” o que implica em impedir a obtenção do benefício no caso de, apesar de não ter qualquer irregularidade fiscal, não obter no prazo do vencimento da CND vincenda, uma nova CND. É fato público e notório que a Receita Federal do Brasil, em especial em Delegacias de grandes cidades, a dificuldade e a morosidade na obtenção de certidões negativas por grandes empresas, de modo que não se pode negar a realidade que há lapsos temporais entre o vencimento de uma certidão negativa e a vigência de uma nova certidão. E essa realidade não era diferente no âmbito do Instituto Nacional da Seguridade Social, quando tinha a atribuição de fiscalização, arrecadação e controle do custeio da previdência social, antes da Lei 11.941/2009. Desta forma, por quaisquer perspectivas que se analise a lide posta a julgamento, não vejo como conferir legalidade ou justiça ao indeferimento do pedido da recorrente, apenas por não apresentar um “papel” que ateste a regularidade fiscal da Recorrente, sem que o Fisco aponte os débitos em aberto. (...) Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 185 18 2 Em sessão do dia 27 de novembro de 2012, o Ilustre Conselheiro Relator Winderley Morais Pereira, no Acórdão nº 3102001.672, processo administrativo, o qual traz entendimento consonante com o até aqui exposto e que passam a integrar o presente voto como razões de decidir, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2010 CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais, por ela emitida, para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Trechos do voto: (...) O art. 60 da Lei nº 9.069/95 deixa claro que para a concessão de benefício fiscal e necessário a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições da Receita Federal. Conforme é cediço, o instrumento utilizado para confirmar a regularidade do contribuinte é a Certidão Negativa de Débito (CND) emitida atualmente de forma conjunta pela Receita Federal e Procuradoria da Fazenda Nacional, normatizada na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 3/07. Tratando da exigência de CND para a fruição de benefício, a Receita Federal, editou a Instrução Normativa SRF nº 93/01, que no seu art. 16, vedou a exigência de CND para a concessão de benefício tributário, cabendo a unidade da SRF responsável pela análise do pedido, a verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 186 19 "Art. 16. Na hipótese de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal no âmbito da SRF, é vedada a exigência da certidão de que trata o art. 1°, cabendo a verificação de regularidade fiscal do sujeito passivo unidade encarregada da análise do pedido. Redação semelhante foi mantida nas instruções normativas que se seguiram: IN RFB n° 565/05 (artigo 10), IN RFB n° 574/05 (artigo 10) e, IN RFB n° 734/07, artigo 10, in verbis: Art. 10. Na hipótese de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, no âmbito da RFB, é vedada a exigência da certidão conjunta de que trata o art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 2007, cabendo a verificação de regularidade fiscal do sujeito passivo à unidade da RFB encarregada da análise do pedido." As Instruções Normativas da Receita Federal não, afastaram a exigência da regularidade fiscal do contribuinte que deseja utilizar benefício fiscais, conforme determina o art. 60 da Lei nº 9.069/95, entretanto, deixou cristalina a determinação que a verificação desta regularidade fiscal, cabe às Unidades da Receita Federal responsáveis pela concessão do benefício. Conforme se depreende da leitura dos autos, a motivação para a negativa do benefício, quanto a parte da regularidade fiscal, foi motivado pela ausência de Certidões Negativas, emitidas pela Recorrente para o período em que ocorreram as importações. Diante da determinação da própria Receita Federal, por meio de suas Instruções Normativas. A ausência de CND emitida pelo contribuinte não é razão suficiente para considerar irregular a situação fiscal da Recorrente, fato que deverá ser verificado pela Unidade da Receita Federal e não ser exigido do contribuinte. Estudando a decisão ora guerreada, verificasse que não foi apreciado o restante da discussão processual, quanto à comprovação da utilização das mercadorias importadas na fabricação de produtos automotivos. Assim, entendo que a decisão de piso precisa ser reformada quanto à matéria Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 187 20 referente às certidões negativas, devendo ser emitida nova decisão daquela autoridade quanto ao restante das alegações constantes da impugnação. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso, para reformar a decisão da primeira instância quanto à exigibilidade da certidão negativa para fruição do benefício tributário, determinado o retorno dos autos a Delegacia de Julgamento para pronunciamento sobre as demais questões de mérito. 3 Em sessão do dia 26 de junho de 2012, o Ilustre Conselheiro Relator Winderley Morais Pereira, no Acórdão nº 310201.526, processo administrativo, o qual traz entendimento consonante com o até aqui exposto e que passam a integrar o presente voto como razões de decidir, in verbis: Assunto: Auto de Infração Aduaneiro Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS FEDERAIS. BENEFÍCIO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é vedada a exigência de certidão negativa de débitos federais, por ela emitida, para fins de concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. A verificação da regularidade fiscal do sujeito passivo cabe à unidade da RFB encarregada da análise do pedido. ISENÇÃO DE IMPOSTOS NA IMPORTAÇÃO. NORMAS APLICÁVEIS. As normas a serem observadas na concessão ou reconhecimento de isenção de impostos na importação de mercadorias são aquelas que regem a matéria especifica. Cumpridos os requisitos específicos instituídos para a concessão ou reconhecimento da isenção esta deve ser deferida. Recurso de Ofício Negado Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 188 21 4 O Ilustre Conselheiro Relator LUCIANO LOPES DE ALMEIDA, no Acórdão nº 310200.384, o qual traz entendimento consonante com o até aqui exposto e que passam a integrar o presente voto como razões de decidir, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/10/2003 APRESENTAÇÃO DE CNDs POR OCASIÃO DO DESPACHO ADUANEIRO DE MERCADORIA BENEFICIADA POR ISENÇÃO / REDUÇÃO DE CARÁTER SUBJETIVO OU MISTO. DESNECESSIDADE. Deve ser afastada a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do despacho aduaneiro da mercadoria se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do beneficio pleiteado pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 189 22 Voto Vencedor Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5691 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação 1 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 190 23 pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte o contribuinte quando se adentra à essência da lide. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 191 24 Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 192 25 Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de têlo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10814.009536/200592 Acórdão n.º 9303006.660 CSRFT3 Fl. 193 26 o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinatura digital) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720008/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: (a) efetue reapuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não cumulativos, com especial atenção à existência, em tese, de produtos sujeitos a alíquota zero ou tributação diferenciada, bem assim, apropriação dos créditos a que faz jus o contribuinte, à luz da legislação de regência; (b) elabore relatório circunstanciado e conclusivo com as verificações efetuadas, observações pertinentes e conclusões alcançadas; e (c) em seguida, abra vista ao recorrente para que, entendendo necessário, manifeste-se no prazo de 30 (trinta) dias, findos os quais, deve o processo ser devolvido ao CARF para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. O Conselheiro Tiago Guerra Machado, diante da informação veiculada em sustentação oral no processo congênere da mesma empresa, de que a empresa é do grupo "AMBEV", declarou impedimento, sendo a votação efetuada com apenas sete conselheiros.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: (a) efetue reapuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não cumulativos, com especial atenção à existência, em tese, de produtos sujeitos a alíquota zero ou tributação diferenciada, bem assim, apropriação dos créditos a que faz jus o contribuinte, à luz da legislação de regência; (b) elabore relatório circunstanciado e conclusivo com as verificações efetuadas, observações pertinentes e conclusões alcançadas; e (c) em seguida, abra vista ao recorrente para que, entendendo necessário, manifestese no prazo de 30 (trinta) dias, findos os quais, deve o processo ser devolvido ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. O Conselheiro Tiago Guerra Machado, diante da informação veiculada em sustentação oral no processo congênere RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 00 8/ 20 09 -6 7Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10283.720008/200967 Resolução nº 3401001.385 S3C4T1 Fl. 224 2 da mesma empresa, de que a empresa é do grupo "AMBEV", declarou impedimento, sendo a votação efetuada com apenas sete conselheiros. Relatório Versa o presente processo sobre lançamento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos decorrente de divergência entre a escrituração e os valores declarados/pagos, períodos de apuração janeiro, fevereiro, abril, maio e junho, todos de 2004. O contribuinte defendeu a improcedência da autuação, com a apresentação de demonstrativos de reapuração das contribuições, acompanhados de cópias dos balanços/balancetes, com destaque para as vendas de concentrados, que, segundo aduz, gozariam de alíquota zero, informando que verificara a existência de créditos a liquidar, tanto de PIS/Pasep quanto Cofins, já devidamente quitados, conforme cópias de DARFs que anexou. A DRJ Belém/PA julgou a impugnação improcedente, ao argumento que os valores devidos foram extraídos da própria contabilidade do sujeito passivo, que, por seu turno, não teria apresentado documentação suficiente à demonstração da insubsistência do lançamento, não servindo a esse propósito simples planilhas de apuração dos tributos. O recurso voluntário repetiu ipsis litteris a peça inaugural, acrescentando que, em nome do princípio da verdade material, ditas planilhas deveriam ser consideradas no exame processual. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que, dele se conhece. Como mencionado pelo recorrente, o princípio da verdade material é vetor do processo administrativo fiscal, mormente nos casos de exigência de crédito tributário, sofrendo alguma atenuação apenas nas hipóteses de pedidos de restituição e ressarcimento, em função da distribuição do ônus probatório. No caso vertente, de fato, os montantes que serviram para apuração das contribuições, como salientado pela decisão reclamada, foram retirados das rubricas PIS/Pasep e Cofins a recolher (21.11.0001 e 21.12.0001) e respectivos direitos de crédito (11.32.0009 e 11.32.0010), o que, em tese, exigiria um mínimo de prova a evidenciar equívoco nos ditos registros contábeis. Os recursos interpostos, por sua vez, são demasiadamente sintéticos e não esclarecem bem a situação, porém, sinalizam a existência de possíveis erros nos valores então apurados e registrados naquelas contas, principalmente, pela existência de produtos comercializados e sujeitos a alíquotas zero, como o caso, dos denominados “concentrados”. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10283.720008/200967 Resolução nº 3401001.385 S3C4T1 Fl. 225 3 A esse respeito, os balancetes coligidos indicam a existência de vendas desses produtos (rubrica 30.04.007), de modo que, mesmo que a reclamação não seja suficientemente esclarecedora, consegue incutir dúvida no julgador, para, em homenagem ao já citado princípio da verdade material, converter o julgamento em diligência para informações e documentos adicionais. Vale registrar que, no mesmo lote sorteado ao ora julgador, veio o PA 10283.720728/201066, de titularidade da mesma pessoa jurídica, tratando da mesma infração – ainda que melhor instruído pela defesa –, que, após realização de diligência, revelou erro no preenchimento das declarações apresentadas, bem assim, equívoco no levantamento das contribuições devidas, com tributação ordinária de produtos sujeitos a alíquota zero ou tributação diferenciada, como o caso das rolhas metálicas, o que aparentemente ocorre nesses autos. Essas circunstâncias, ainda que insuficientes à declaração de insubsistência do lançamento, lançam dúvidas sobre a correta definição do seu quantum debeatur, militando essa situação jurídica em favor do sujeito passivo. Assim, considerando que os elementos acostados aos autos não são bastantes à conclusão pela procedência ou improcedência da autuação, especialmente, pelo princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja providenciado o seguinte: 1) Reapuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não cumulativos, com especial atenção à existência, em tese, de produtos sujeitos a alíquota zero ou tributação diferenciada, bem assim, apropriação dos créditos a que faz jus o contribuinte, à luz da legislação de regência; e, 2) Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo com as verificações efetuadas, observações pertinentes e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente para que, entendendo necessário, manifestese no prazo de 30 (trinta) dias, findos os quais, deve o processo ser devolvido ao CARF para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722323/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA
Não devem ser acolhidos embargos de declaração quando inexiste omissão ou obscuridade no acórdão embargado.
Numero da decisão: 2401-005.200
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado,. por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma e, no mérito, negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess , Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Não devem ser acolhidos embargos de declaração quando inexiste omissão ou obscuridade no acórdão embargado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,. por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma e, no mérito, negar-lhes provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess , Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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E OUTROS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Não devem ser acolhidos embargos de declaração quando inexiste omissão ou obscuridade no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 23 23 /2 01 0- 91 Fl. 1616DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado,. por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios, na parte admitida pelo despacho da Presidente da Turma e, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente.em exercício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess , Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401005.200 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.669 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 15 de março de 2017 (fls. 1573/1597), que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. RETENÇÃO DOS 11% SOBRE O VALOR BRUTO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ARMAZENAMENTO A execução do serviço é feita sob a administração da contratada. Não há a caracterização da prestação de serviços de cessão de mão de obra da forma estabelecida na lei de regência DIFERENÇAS APURADAS A TÍTULO DE RAT. FALTA DE MOTIVAÇÃO Em face da falta de motivação verificase a insuficiência das razões apontadas no Relatório Fiscal para alterar a alíquota indicada pelo contribuinte em GFIP. Fl. 1618DF CARF MF 4 A postulante apresentou embargos de declaração alegando (i) omissão quanto ao pronunciamento sobre a fundamentação contida no lançamento relativa ao Decreto 3.048/99, limitandose o julgado a afirmar que o lançamento se fundamentou no Decreto 6.042/07; (ii) omissão quanto à fundamentação para o CNAE considerado pela fiscalização; (iii) omissão quanto ao pronunciamento acerca da anulação do lançamento ou da sua complementação. Em despacho exarado às fls. 1608/1613, os embargos de declaração foram parcialmente admitidos, com relação aos itens (ii) e (iii), razão pela qual o processo foi devolvido à esta Relatoria para inclusão em pauta para julgamento. É o relatório Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 13603.722323/201091 Acórdão n.º 2401005.200 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Assevera a Embargante, com relação aos levantamentos AE e AE1 (diferença RAT), que a decisão embargada não teria indicado os fundamentos pelos quais afastou o CNAE considerado pela fiscalização. Afirma ainda que há omissão e obscuridade do Acórdão ao não se pronunciar sobre a possibilidade de complementação do relatório fiscal, ou o reconhecimento de nulidade do lançamento por vício formal, haja vista os defeitos em sua formalização, em especial quanto à motivação. Pois bem. No Acórdão embargado foi firmado entendimento de que a norma utilizada pela fiscalização para motivar a exigência da diferença do RAT, considerando a alíquota de 3% (três por cento), somente passou a vigorar após a ocorrência dos fatos geradores, conforme se destaca: Em Recurso Voluntário a empresa alega que a fiscalização utilizou como fundamento o Decreto nº 6.042/2007 que alterou o Regulamento da Previdência Social, com início de vigência a partir de julho de 2007, data posterior ao período dos fatos geradores lançados, e que a aplicação do Decreto para fatos ocorridos em período anterior à sua vigência afronta o princípio da irretroatividade. Entendo que assiste razão à Recorrente. Foi acatado o Recurso interposto pela empresa, que teve como principal argumento o fato de que a fiscalização utilizou como fundamento do lançamento o Decreto nº 6.042/2007 que alterou o Regulamento da Previdência Social, com início de vigência a partir de julho de 2007, data posterior ao período dos fatos geradores lançados. A referência ao CNAE foi mencionada no voto apenas para demonstrar que a norma que fundamentou a acusação fiscal indica grau de risco diferente do assinalado para o código CNAE constante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ da empresa (fl. 1561). Firmouse entendimento de que a motivação inserida no lançamento relativa às diferenças de valores apurados correspondentes ao Riscos Ambientais do Trabalho – RAT nas competências de janeiro de 2006 a maio de 2007, com base no Decreto 6.042/2007, encontrase incongruente, razão da sua improcedência. Fl. 1620DF CARF MF 6 Assim, não entendo que ocorreu omissão ou obscuridade, razão pela qual nego provimento aos embargos de declaração. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e NEGARLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1621DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002404/2006-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA.
Na ausência de balanços de suspensão, a falta de recolhimento mensal de IRPJ sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. A mesma multa isolada também se aplica às estimativas de CSLL, que também não foram recolhidas.
Numero da decisão: 9101-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Na ausência de balanços de suspensão, a falta de recolhimento mensal de IRPJ sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. A mesma multa isolada também se aplica às estimativas de CSLL, que também não foram recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 24 04 /2 00 6- 72 Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à manutenção do lançamento de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1301000.408, de 10/11/2010, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, por voto de qualidade, manter a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLl.. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 e 2003. IRPJ, CSLL. ESTIMATIVAS FALTA DE RECOLHIMENTO MULTA ISOLADA AJUSTE ANUAL. Na ausência de balanços de suspensão e redução transcritos no Livro Diário, a falta de recolhimento mensal sobre a base de cálculo estimada por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de oficio isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. PIS. COFINS. CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição, sem a efetivação da "confissão de dívida" em DCTF, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração para a constituição do crédito tributário. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS e da COFINS é a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. MULTA DE OFICIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONFISCO. A multa de lançamento de oficio decorre de expressa previsão legal e não se confunde com a multa de mora, aplicável aos pagamentos efetuados com atraso, porém de forma espontânea. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 4 3 A alegação de ofensa a princípios constitucionais diz respeito a inconstitucionalidade da lei, matéria cuja apreciação não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso; por unanimidade de votos, em relação às exigências do PIS e da COFINS, e, por voto de qualidade em relação à multa isolada, vencidos os Conselheiros Ricardo Luiz Leal de Melo, André Ricardo Lemes da Silva e Valmir Sandri No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, quanto ao que foi decidido sobre a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos apresentados a seguir: o V. acórdão recorrido adotou interpretação divergente da firmada pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que não cabe a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal, bem como pelo fato de que após a apuração anual não há o que se falar em obrigatoriedade de recolhimento de estimativa, pois o tributo na medida correta já foi apurado, bem como pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que determina que encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido e apurado com base no lucro real, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças; DO CABIMENTO DO RECURSO. DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de oficio, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de cálculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa. Acórdão n° CSRF/0105.675 (cópia em anexo). IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalecerá exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 5 4 lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças, mormente quando verificado o prejuízo no anocalendário. Acórdão 103 2103 (cópia em anexo). transcrevemos a seguir as ementas de outras decisões divergentes, verbis: [...]; vejamos alguns trechos da decisão recorrida: [...]; destacamos a seguir alguns trechos dos Acórdãos paradigmas (divergentes): [...]; pelo que foi exposto, resulta inelutável a divergência jurisprudencial na interpretação e aplicação do direito federal, uma vez que os julgados já fartamente mencionados, partindo de um mesmo suporte, qual seja, a concomitância da cobrança da multa isolada e da multa de ofício, bem como a cobrança de multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas quando já ocorreu o encerramento do período de apuração do Imposto de Renda, deram interpretação e aplicação totalmente antagônicas e divergentes sobre o mesmo tema, na medida em que o Acórdão recorrido não adota o posicionamento que dispõe a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e a 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, as quais entendem que não cabe a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal, bem como pelo fato de que após a apuração anual não há o que se falar em obrigatoriedade de recolhimento de estimativa, pois o tributo na medida correta já foi apurado; DO PEDIDO a recorrente requer que o presente Recurso Especial seja conhecido e provido, para o fim de reformar a decisão recorrida, prevalecendo o entendimento proferido pelos Acórdãos divergentes proferidos pelas Egrégias 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (cópias das divergências em anexo), bem como pelas decisões relativas às ementas transcritas (Acórdão n° CSRF/01 05.179. D.O.U. 1 de 26.12.2006, PP 166/7; Acórdão 10708001; Acórdão CSRF/0104.263), e por conseguinte, seja declarado insubsistente o lançamento ora recorrido. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 308/2013, exarado em 01/11/2013, deu seguimento ao recurso, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Para análise do recurso, transcrevo as ementas dos acórdãos paradigmas, na parte que interessa ao presente exame: [...]. De outra parte, está consignado na ementa do acórdão recorrido, igualmente no que pertine ao exame do aspecto questionado: [...]. Tratase da mesma matéria analisada nos acórdãos paradigmas e no acórdão recorrido, com conclusões distintas. Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 6 5 A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que após o encerramento do exercício não cabe a exigência de multa isolada se o sujeito passivo apura base de cálculo negativa ao final do exercício ou o imposto apurado ao final do exercício é inferior às estimativas apuradas. O acórdão recorrido, por seu turno, traz entendimento que é cabível a aplicação das multas isoladas, independente do resultado apurado ao final do exercício, pois estas têm natureza diversa da multa de ofício aplicada em face da insuficiência de recolhimentos do imposto apurado anualmente pelo lucro real. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso especial. Em 07/01/2014, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e nessa mesma data, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: no recurso especial, a contribuinte defendeu que, apesar de não recolhido o imposto de renda por estimativa, o pagamento do lucro real anual ou eventual ausência de base tributável pela empresa no ano calendário respectivo, deveria afastar a multa isolada aplicada; consoante se logrará demonstrar, o aresto recorrido não está a merecer nenhum reparo; MÉRITO apurouse que a Recorrente não efetuou o recolhimento mensal das estimativas de CSLL de forma mensal, razão pela qual lhe foi imputada a penalidade prevista no art. 44, § 1º, IV da Lei 9430/96 e que foi mantida no art. 44, II, “b”, nos termos da Lei 11.488/07; a Recorrida, como já foi relatado, infringiu o disposto no art. 2º da Lei 9.430/96, ao não recolher o imposto devido por estimativa, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução exigidos pelo art. 35 da Lei 8.981/95. Em vista da infração, foilhe exigido o pagamento da “multa isolada” prevista no art. 44, §1º, “IV”, da Lei 9.430/96, na sua redação original; portanto, a “multa isolada” é devida pelos contribuintes que optaram pela apuração anual do imposto de renda, mas não efetuam recolhimentos mensais, e não justificam esse fato com a transcrição dos balancetes de suspensão/redução no Livro Diário; ora, estando a infração corretamente tipificada em lei, e havendo sido plenamente caracterizada no presente processo administrativo, a responsabilidade da Recorrida só pode ser afastada caso exista expresso permissivo legal, a teor não só do art. 136 do CTN, como do art. 97, VI, do Código, verbis: [...]; eventual inexistência de tributo devido ao final do período não afasta incidência da multa prevista no art. 44, §1º, inc. IV, da Lei 9.430/96, uma vez que a Lei não dispensa a cobrança de penalidade nesses casos, ao contrário, o que dizer da situação em que Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 7 6 restou apurado que a contribuinte excluiu indevidamente o lucro líquido? Os efeitos de tal conduta merecem reprovação, assim estabelecida pela Lei 9.430/96 (cuja transcrição abaixo é fiel à redação original), verbis: [...]; seguindo o preceito legal acima, há decisões de outras Câmaras deste e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que mantêm a cobrança da multa do art. 44, §1º, inc. IV, da Lei 9.430/96, quando o contribuinte não recolhe o tributo devido por estimativa, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição do balancete de suspensão no Livro Diário; a e. Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes já se manifestou em sentido contrário à Recorrente, mantendo o lançamento da multa isolada. Confirase a ementa do acórdão n.º 10513.557: [...]; por outro lado, a Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão 10706.277, já negou provimento a recurso voluntário contra decisão de primeira instância que manteve a cobrança de multa isolada, exigida de contribuinte que havia optado por recolher o IRPJ mediante a apuração de lucro real anual com balanços de suspensão ou redução, mas não recolheu o imposto devido, e não justificou o não recolhimento mediante transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução. A ementa do acórdão é a seguinte: [...]; portanto, concluise que, a partir da Lei 9.430/96, o contribuinte somente estará dispensado de recolher os tributos devidos, apurados pelo sistema de estimativa, quando transcrever no Livro Diário os balancetes de suspensão ou redução. Quando deixar de recolher os tributos devidos, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição no Livro Diário dos balancetes de suspensão ou redução, estará sujeito ao pagamento da multa prevista no art. 44, §1º, inciso IV da Lei n.º 9.430/96; CONCLUSÃO ante o exposto, a União requer que seja negado provimento ao recurso do contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela Quinta Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para exigência de multa isolada por falta de recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL nos anoscalendário 2002 e 2003, e também para exigência das contribuições PIS e COFINS com fatos geradores ocorridos nesses mesmos anoscalendário. A multa isolada foi aplicada porque a contribuinte não efetuou pagamento de estimativas com base na receita bruta e acréscimos, e nem com base em balancetes de suspensão/redução. No caso, já foi aplicada a multa no percentual de 50%, conforme previsto na Lei 11.488/2007, e não 75%, como era previsto na redação original da Lei 9.430/1996. Para as contribuições PIS e COFINS, o lançamento abrangeu as diferenças entre os valores calculados com base nos assentamentos contábeis da empresa e aqueles declarados ou pagos pela contribuinte. A controvérsia que remanesce nessa fase de recurso especial diz respeito apenas à exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. O lançamento abrange os anoscalendário de 2002 e 2003, períodos anteriores a 2007, quando foram modificadas as normas sobre a referida multa isolada (Lei 11.488/2007). Vêse pelas cópias das DIPJ que constam dos autos (fls. 88/93), que em 2002 a contribuinte apurou resultado positivo no ajuste anual (lucro), e IRPJ a pagar. Entretanto, a dedução de IRfonte gerou saldo negativo de IRPJ. A CSLL no ajuste ficou declarada como "CSLL a pagar". Mas como não houve lançamento da CSLL no ajuste, a indicação é de que a contribuinte ou pagou ou declarou em DCTF essa CSLL apurada no ajuste anual. O que é importa destacar, no caso, é que não houve lançamento de ofício no ajuste, nem para o IRPJ, nem para a CSLL. Em 2003, a contribuinte apurou resultado negativo no ajuste (prejuízo). Não constam da DIPJ nem IRPJ a pagar, nem CSLL a pagar no ajuste (fls. 113/118), e a Fiscalização não contestou essa apuração. Ou seja, também não houve para 2003 lançamento de ofício no ajuste, nem para o IRPJ, nem para a CSLL. Enfim, nesses dois anos, a Fiscalização só aplicou a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. As estimativas foram calculadas com base na receita bruta e acréscimos, porque a contribuinte não apresentou balancetes mensais de suspensão/redução. O quadro acima evidencia que não é caso de concomitância de multas, porque não houve lançamento nem de tributo e nem da multa de ofício em relação ao ajuste anual. Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 9 8 Fica, portanto, afastado um dos argumentos da contribuinte, e também afastada a aplicação da Súmula CARF nº 105, que trata dos casos de concomitância de multas para períodos anteriores a 2007. Além da questão da concomitância, a contribuinte também alega que após a apuração anual não há que se falar em obrigatoriedade de recolhimento de estimativas; que a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, conforme a apuração no ajuste anual. Em síntese, a argumentação é no sentido de que se não há tributo devido no ajuste, também não há razão para exigir estimativas mensais, e nem para aplicar multa isolada pela falta de seu recolhimento. Esta 1ª Turma da CSRF examinou situação muito semelhante à contida nestes autos, quando exarou o Acórdão nº 9101002.604, na sessão realizada em 15/03/2017. Aquele julgado também analisou exigência de multa isolada relativamente a períodos anteriores a 2007, em que não houve a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. E tratou de anoscalendário em que o contribuinte ou não tinha apurado tributo a pagar no final do ano, ou tinha apurado prejuízo fiscal, ou tinha apurado tributo no ajuste em valor inferior ao montante das estimativas que seriam devidas ao longo do ano. Vale transcrever trechos do voto do Conselheiro André Mendes de Moura que orientou a referida decisão, e também declaração de voto por mim apresentada naquela ocasião: Acórdão nº 9101002.604 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999, 2000, 2001 APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submetese a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do anocalendário. [...] Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro André Mendes de Moura [...] Mérito. A matéria devolvida trata da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, no decorrer dos anoscalendário de 1997, 1999, 2000 e 2001, conforme relato da autoridade fiscal (efls. 57/58): [...] A multa isolada, após ter sido mantida na decisão de primeira instância, foi mantida parcialmente pela decisão recorrida. Para os anos calendário de 1997, foi afastada integralmente, porque não se apurou tributo a pagar ao final do anocalendário. Para o anocalendário de 1999, também foi afastada a autuação porque se apurou prejuízo fiscal em 31 de dezembro. Para os anoscalendário de 2000 e 2001, a decisão recorrida manteve a autuação fiscal até o limite apurado de IRPJ a pagar, pautando se nas seguintes conclusões (efls. 3223/3225): [...] Tomandose por base todo o exposto até o momento, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal, sendo necessário apenas tecer considerações complementares. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 11 10 Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação à época dos fatos geradores): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 12 11 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Registrese que o percentual da multa isolada sobre estimativa mensal não recolhida, foi alterado de 75% para 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007. A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. A sanção tem base legal. A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Nesse contexto, não obstante as substanciosas argumentações da decisão recorrida, entendo que, no caso concreto, não há base legal para se afastar a multa isolada para o anocalendário de 1997 porque a contribuinte, ao final do anocalendário, não apurou lucro, e para o anocalendário de 1999 porque a contribuinte não apurou tributo a pagar. Tampouco carece de base legal limitar a aplicação de multa isolada ao valor de imposto apurado ao final do anocalendário, como ocorreu para os anoscalendário de 2000 e 2001. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 13 12 Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a aplicação da multa isolada no percentual de 50%. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. A presente declaração de voto se faz necessária tendo em vista que, em relação à matéria objeto do recurso especial ora sob exame, passo a adotar entendimento distinto daquele por mim acolhido no âmbito de alguns antigos acórdãos. A matéria trazida à apreciação desta 1ª Turma diz respeito à divergência interpretativa quanto à exigência de multa isolada imposta pela autoridade fiscal por falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ devidas. Inicialmente considero importante registrar que, conforme bem enfatizado pelo Relator, no presente caso a multa isolada foi imposta sobre os valores das estimativas já declaradas pelo sujeito passivo, não alcançando os valores referentes às provisões não autorizadas, objeto de lançamento de ofício para exigência de IRPJ e CSLL. Noutras palavras, não houve aqui exigência concomitante entre a multa isolada imposta por falta de pagamento de estimativas de IRPJ, e a multa de ofício imposta por falta de pagamento do IRPJ devido ao final dos respectivos anoscalendários, razão pela qual também não se aplica aqui o disposto na Súmula CARF nº 105. Pois bem, no caso a Turma recorrida afastou integralmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas ao longo dos anos de 1997 e 1999, e parcialmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas no decorrer dos anos de 2000 e 2001. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 14 13 Relativamente aos períodos objeto da presente autuação, acima mencionados, a referida multa isolada encontra previsão legal no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, o qual faz remissão ao art. 2º da mesma Lei, também na redação original, ambos a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; (g.n.) (...) Pelo exame do acórdão recorrido é possível resumir da seguinte maneira a interpretação que a Turma emprestou às normas acima reproduzidas: a) a multa isolada deve ser aplicada em caso de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e/ou CSLL devidas ao longo do ano calendário; b) todavia, encerrado o anocalendário, o valor total da multa isolada está limitado a 50% (percentual previsto na MP 351/2007, aplicado retroativamente) do valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do mesmo ano; c) como corolário da afirmativa acima, encerrado o anocalendário com apuração de prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, incabível a Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 15 14 imposição de multa isolada pois inexistentes IRPJ e/ou CSLL devidos ao final do ano; d) entretanto, a multa isolada poderá ser imposta sem observância do afirmado nos itens "b" e "c", desde que o lançamento seja realizado antes de encerrado o respectivo anocalendário. Bem, como se verá a seguir, das quatro afirmações acima apenas aquela contida no item "a" é correta. As outras três ("b", "c" e "d") são incorretas. Da fato, a construção interpretativa levada a efeito pela Turma recorrida para chegar às conclusões contidas nos itens "b" e "c" retro parte do disposto no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 segundo o qual as multas ali previstas (isoladas ou não) só podem incidir sobre o valor do "tributo ou contribuição". E como a Turma recorrida entendeu que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição", concluiu que a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, não poderia incidir sobre o valor daquelas estimativas. A multa, assim, incidiria sobre um valor equivalente ao da estimativa mensal, desde que tal valor não ultrapassasse o valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "b"). E acaso apurado prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, a multa isolada sequer poderia ser exigida, pois inexistentes IRPJ e CSLL devidos ao final do ano calendário (afirmativa "c"). Ocorre que, embora sob o ponto de vista científico até seja possível considerarse correta a premissa de que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição" (e não estou afirmando aqui que são, ou que não são), o fato iniludível é que a própria Lei nº 9.430/96, ao se referir àquelas estimativas mensais, expressamente às denominou de "imposto" ou "contribuição" mensais, com vistas a distinguilas do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Vejamos novamente o que estabelece o art. 2º: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (g.n.) (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (g.n.) Como dito, a norma acima textualmente denomina as estimativas mensais de IRPJ como "imposto". E não é só. Outras normas da mesma Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 16 15 Lei, ao se referirem às estimativas mensais de IRPJ previstas no art. 2º, expressamente às denominam de "imposto", senão vejamos: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. (g.n.) (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. (g.n.) (...) Quanto às estimativas mensais de CSLL, o art. 30 da Lei nº 9.430/96 textualmente denomina as estimativas mensais de CSLL como "contribuição social sobre o lucro líquido". Vejamos: Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. (g.n.) (...) Ora, se a própria Lei nº 9.430/96, em diversos de seus artigos, expressamente conferiu às estimativas mensais de IRPJ e CSLL a denominação de "imposto" ou "contribuição", a Turma recorrida jamais poderia interpretar as expressões "imposto de renda", "contribuição social sobre o lucro líquido" e apurados "na forma do art. 2º", todas contidas no art. 44, § 1º, IV daquela Lei, como se tais expressões se referissem ao IRPJ e à CSLL devidos ao final do anocalendário, e não às próprias estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Essa premissa inicial equivocada, de que ao empregar as expressões "imposto de renda" e "contribuição social sobre o lucro líquido" o art. 44, § 1º, IV não poderia estar se referindo às estimativas mensais, mas sim ao IRPJ e à CSLL devidos final do ano, causou grande dificuldade à Turma recorrida para interpretar a parte final daquela mesma norma, à qual estabelece que a multa isolada é exigida "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente". Foi a partir da dificuldade da Turma recorrida em compatibilizar essa (equivocada) premissa inicial com a parte final da norma que surgiu a "interpretação", descrita na afirmativa "d" retro, segundo à qual na hipótese de a autuação ser realizada no decorrer do próprio anocalendário (e só nessa hipótese) a multa isolada poderá incidir sobre o valor das estimativas mensais, sem qualquer limitação aos valores do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano, já que no decorrer do anocalendário a fiscalização não poderia Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 17 16 saber qual o valor de IRPJ ou CSLL seriam devidos ao final do ano, se é que algum valor seria devido. Ocorre que essa imaginativa "interpretação" do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 levou à Turma recorrida a violar a sua própria premissa inicial, que tanto lhe era cara. De fato, veja que a premissa inicial da Turma (a multa isolada não pode incidir sobre o valor da estimativa mensal, pois esta não é tributo ou contribuição) colide frontalmente com a afirmativa "d" (a multa isolada incide sobre a estimativa mensal, desde que a autuação seja realizada ao longo do ano calendário respectivo). Ora, o fato de a autuação ser realizada no decorrer do anocalendário nada pode dizer sobre a natureza do valor sobre o qual incide a multa isolada (se sobre o valor das estimativas ou sobre o valor do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano). Em verdade, como sugerido antes, a correta interpretação do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 deve levar em consideração o fato de que essa Lei, em diversos momentos, denominou as estimativas mensais de IRPJ e CSLL como "imposto" ou "contribuição". E ainda que seja possível afirmar se que essa denominação não seja cientificamente correta (e, novamente, não acolho nem afasto aqui essa proposição), o fato é que, como essa denominação foi empregada ao longo do texto legal, não haveria razão para o intérprete deixar de considerála justamente ao examinar a multa isolada de que trata o art. 44. Somese a isso o fato de que, ao empregarse a denominação legal (estimativa mensal como "imposto" ou "contribuição"), a interpretação do art. 44 tornase linguisticamente muito mais fluida (ao contrário do esforço interpretativo hercúleo empreendido pela Turma recorrida), além de consentânea com a finalidade da multa isolada, que é de reprimir a falta dos pagamentos mensais por estimativa. Tendo em vista o exposto, voto por manter integralmente as exigências das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ verificada ao longo dos anos de 1997, 1999, 2000 e 2001. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Adotando os mesmos fundamentos acima transcritos, concluo que a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 2002 e 2003 deve ser mantida nos presentes autos. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10320.002404/200672 Acórdão n.º 9101003.520 CSRFT1 Fl. 18 17 Fl. 1380DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.720626/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS NOS REGISTROS CONTÁBEIS. IMPRESTABILIDADE PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL.
Definido como base de cálculo, o lucro arbitrado deve ser utilizado na apuração do IRPJ sempre que, conforme as hipóteses legais, não seja possível se obter de forma precisa e confiável o lucro real. Sua adoção, portanto, não decorre de discricionariedade da autoridade fiscal nem tampouco de prerrogativa do contribuinte. Omissões e deficiências que comprometam o aproveitamento dos registros contábeis relativos a todo um mês, dentro de um período de apuração trimestral, mostram-se razões suficientes para a aplicação das regras de arbitramento para o trimestre em questão.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE VALORES SIGNIFICATIVOS. APLICABILIDADE.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Provada a reiteração de uma conduta cujo resultado seja a redução irregular em montantes significativos dos tributos devidos afasta-se a possibilidade de erro eventual, restando configurado o dolo.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS. INCOMPATIBILIDADE COM CONCEITO DE SONEGAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Tendo o sujeito passivo apresentado declaração à administração tributária contendo os valores que serviram de base para o lançamento, mostra-se insustentável a tese que aponte para deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Portanto, incabível a aplicação de multa qualificada que se sustente na hipótese de sonegação.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO TEMPESTIVO A INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE.
O agravamento da multa pela não apresentação dos arquivos e sistemas digitais, conforme hipótese prevista no inciso II, § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, dever ser aplicado em um contexto de uma recusa deliberada de atendimento às intimações, com claro intuito de impedir ou prejudicar, de forma essencial, a constituição do crédito tributário.
ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa, por ultrapassar os limites da sua competência legal. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. O mesmo se aplica às alegações de ofensa a princípios consagrados, implícita ou explicitamente, na Carta Magna. Tais princípios dirigem-se aos órgãos legiferantes e, portanto, deve-se pressupô-los devidamente observados nas normas vigentes.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS.
Aplica-se à tributação da CSLL, PIS e Cofins, solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Portanto, o decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Numero da decisão: 1401-002.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício.
(assinado digitalmente)
Luis Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS NOS REGISTROS CONTÁBEIS. IMPRESTABILIDADE PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. Definido como base de cálculo, o lucro arbitrado deve ser utilizado na apuração do IRPJ sempre que, conforme as hipóteses legais, não seja possível se obter de forma precisa e confiável o lucro real. Sua adoção, portanto, não decorre de discricionariedade da autoridade fiscal nem tampouco de prerrogativa do contribuinte. Omissões e deficiências que comprometam o aproveitamento dos registros contábeis relativos a todo um mês, dentro de um período de apuração trimestral, mostram-se razões suficientes para a aplicação das regras de arbitramento para o trimestre em questão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE VALORES SIGNIFICATIVOS. APLICABILIDADE. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Provada a reiteração de uma conduta cujo resultado seja a redução irregular em montantes significativos dos tributos devidos afasta-se a possibilidade de erro eventual, restando configurado o dolo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS. INCOMPATIBILIDADE COM CONCEITO DE SONEGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Tendo o sujeito passivo apresentado declaração à administração tributária contendo os valores que serviram de base para o lançamento, mostra-se insustentável a tese que aponte para deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Portanto, incabível a aplicação de multa qualificada que se sustente na hipótese de sonegação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO TEMPESTIVO A INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa pela não apresentação dos arquivos e sistemas digitais, conforme hipótese prevista no inciso II, § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, dever ser aplicado em um contexto de uma recusa deliberada de atendimento às intimações, com claro intuito de impedir ou prejudicar, de forma essencial, a constituição do crédito tributário. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa, por ultrapassar os limites da sua competência legal. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. O mesmo se aplica às alegações de ofensa a princípios consagrados, implícita ou explicitamente, na Carta Magna. Tais princípios dirigem-se aos órgãos legiferantes e, portanto, deve-se pressupô-los devidamente observados nas normas vigentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS. Aplica-se à tributação da CSLL, PIS e Cofins, solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Portanto, o decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Luis Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS NOS REGISTROS CONTÁBEIS. IMPRESTABILIDADE PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. Definido como base de cálculo, o lucro arbitrado deve ser utilizado na apuração do IRPJ sempre que, conforme as hipóteses legais, não seja possível se obter de forma precisa e confiável o lucro real. Sua adoção, portanto, não decorre de discricionariedade da autoridade fiscal nem tampouco de prerrogativa do contribuinte. Omissões e deficiências que comprometam o aproveitamento dos registros contábeis relativos a todo um mês, dentro de um período de apuração trimestral, mostramse razões suficientes para a aplicação das regras de arbitramento para o trimestre em questão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE VALORES SIGNIFICATIVOS. APLICABILIDADE. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Provada a reiteração de uma conduta cujo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 06 26 /2 01 4- 31 Fl. 1966DF CARF MF 2 resultado seja a redução irregular em montantes significativos dos tributos devidos afastase a possibilidade de erro eventual, restando configurado o dolo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS. INCOMPATIBILIDADE COM CONCEITO DE SONEGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Tendo o sujeito passivo apresentado declaração à administração tributária contendo os valores que serviram de base para o lançamento, mostrase insustentável a tese que aponte para deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Portanto, incabível a aplicação de multa qualificada que se sustente na hipótese de sonegação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO TEMPESTIVO A INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa pela não apresentação dos arquivos e sistemas digitais, conforme hipótese prevista no inciso II, § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, dever ser aplicado em um contexto de uma recusa deliberada de atendimento às intimações, com claro intuito de impedir ou prejudicar, de forma essencial, a constituição do crédito tributário. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa, por ultrapassar os limites da sua competência legal. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. O mesmo se aplica às alegações de ofensa a princípios consagrados, implícita ou explicitamente, na Carta Magna. Tais princípios dirigemse aos órgãos legiferantes e, portanto, devese pressupô los devidamente observados nas normas vigentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS. Aplicase à tributação da CSLL, PIS e Cofins, solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Portanto, o decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Luis Augusto de Souza Gonçalves Presidente Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.967 3 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes ao anocalendário 2011. O relatório da decisão recorrida assim resume o lançamento efetuado e os argumentos da impugnação: 1. INTRODUÇÃO 1.1 O litígio que se aprecia foi inaugurado por interposição de impugnação, em 03/07/2014 (fl. 1.875/892) 2, contra lançamento em Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep – acrescidos de multa proporcional qualificadas de 150%, multa agravada 225% e de juros de moratórios calculados até 06/2015 – no valor total de R$ 8.700.827,13. 1.2 Os valores lançados no Auto de Infração (exceto juros moratórios, os quais serão recalculados por ocasião do pagamento), que referemse a fatos geradores pertinentes ao anocalendário de 2011, constam do quadro a seguir. Resumo – Valores Lançados no Auto de Infração* 1.3 A ação fiscal estendeuse de 27/12/2013 a 04/06/2014 e teve como escopo a verificação da regularidade fiscal verificações fiscais relativas aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, para o anocalendário 2011. Fl. 1968DF CARF MF 4 2 PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO 2.1 A autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar livros e documentos e a para prestar esclarecimentos quanto às divergências constatadas entre os valores de IRPJ/CSLL a pagar informados na DIPJ, e PIS/COFINS a pagar informados na DACON, e aqueles confessados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). 2.2 Tendo verificado a documentação apresentada, o autuante solicitou a apresentação da escrituração contábil referente ao mês de dezembro de 2011, como também os extratos bancários relativos a estes lançamentos e explicações detalhadas a respeito da natureza das transações/operações. Informou ao contribuinte que a não apresentação dos documentos solicitados ensejaria o lançamento de ofício por arbitramento. Não obstante a advertência, o contribuinte nada apresentou ou argumentou. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 70): 10. Por meio do TIF nº 0002, cuja ciência pessoal se deu em 04/04/2014, esta fiscalização concedeu novo prazo de 20 (vinte) dias ao contribuinte para a apresentação da escrituração contábil referente ao mês de dezembro de 2011 a que está obrigado, informando que os Livros apresentados devem satisfazer todas as formalidades intrínsecas e extrínsecas, reiterando a advertência com respeito ao arbitramento do lucro relativo ao 4º trimestre. Nesta mesma intimação, com base no fato de cerca de 80% dos lançamentos a crédito da conta de Receitas Eventuais terem como contrapartida lançamentos a débito em contas do Ativo Circulante (Bancos c/ Movimento), foram requeridos os extratos bancários relativos a estes lançamentos e explicações detalhadas a respeito da natureza das transações/operações a eles correspondentes. 11. Este último prazo expirou em 28/04/2014, sem qualquer manifestação do contribuinte, permanecendo inerte até a presente data. 2.3 Face ao silêncio do contribuinte – mesmo após concessão de prazo adicional – a autoridade fiscal lavrou auto de infração constituindo os créditos tributários. Para o 4º trimestre, o lançamento foi realizado com base nas regras de arbitramento. Foram, ainda, realizados lançamentos referente à falta/insuficiência de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e Cofins e lançamento por omissão de receita. Qualificação e Agravamento da Multa de Ofício 2.4 Além de realizar os lançamentos para constituir os créditos tributários regulares, a autoridade fiscal entendeu tratarse de situação na qual caberia a aplicação de multa agravada e multa qualificada. Com relação ao agravamento da multa, assim se justificou (fl. 76): 39. Constatada a falta de atendimento, por parte do intimado, nos prazos marcados, do quanto solicitado mediante o TIF nº 0001 e o TIF nº 0002, notadamente a não apresentação da escrituração referente ao mês de dezembro de 2011 e de esclarecimentos a respeito de receitas omitidas, procederseá, em função de tal ato omissivo, ao agravamento da multa de ofício, conforme prescrito no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96, transcrito abaixo. [Transcreve o ditado dispositivo legal] 2.5 No caso da qualificação da multa, as razões para sua aplicação foram assim sustentadas (fl. 77): 40. A empresa fiscalizada informou, em sua DIPJ, ter auferido receitas de prestação de serviços tributáveis, no anocalendário de 2011, no valor de R$ 18.218.799,20. No Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.968 5 entanto, a despeito de ter escriturado valores de IRPJ e CSLL a pagar, não confessou a totalidade dos débitos de IRPJ e CSLL nas DCTF. 41. Também, embora tenha apresentado os DACON, referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro, com as informações de apuração do PIS e da COFINS e tenha escriturado valores de PIS e COFINS a pagar, não confessou a totalidade dos débitos de PIS e COFINS nas DCTF. 42. Não é razoável supor que tal discrepância entre as informações prestadas ocorreu por um simples “erro material”. Não se trata de um erro de cálculo, de uma transcrição errônea de um valor da escrita fiscal para as declarações, mas sim da entrega de 12 (doze) DCTF preenchidas com valores inferiores aos constantes na escrita contábil/fiscal, com respeito ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à COFINS. A grande quantidade de declarações apresentadas contendo informações falsas forma um conjunto de circunstâncias que demonstra, de forma clara e evidente, a intenção, o propósito do fiscalizado de não submeter parte de suas receitas à tributação. 43. Vale ressaltar que, nas contas contábeis do passivo circulante 21307 – IRPJ a Recolher, 21313 – CSLL a Recolher, 21304 – PIS Faturamento a Recolher e 21305 – COFINS a Recolher, constam lançamentos a crédito com os valores informados na DIPJ/DACON (exceto o 4º trimestre, pela inexistência da escrituração de dezembro) e lançamentos a débito com os valores confessados em DCTF, evidenciando a intenção inequívoca do contribuinte em impedir que o fisco tomasse conhecimento de parte do tributo/contribuição a ser pago(a). 44. A prática reiterada de apresentar declarações fiscais contendo informações falsas só leva a fortalecer as conclusões sobre a sua deliberada intenção de tentar impedir ou retardar, ao menos parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. 45. Neste ponto cabe uma explicação sobre a natureza destas declarações para elucidar os motivos de se entregar uma DCTF com valores inferiores aos declarados em DIPJ/DACON. A DCTF é instrumento de confissão de dívida, na qual devem ser informados todos os tributos federais apurados pelo contribuinte. Os tributos que não forem pagos, compensados, parcelados ou suspensos por medida judicial, ou seja, os “saldos a pagar”, são passíveis de imediata e automática inscrição em Dívida Ativa da União. A DACON e a DIPJ não tem essa característica; são documentos meramente informativos. Mesmo o tributo apurado estando informado nestes, ainda há a necessidade de que o crédito tributário respectivo seja constituído através de Auto de Infração, após procedimento de fiscalização, para só então se tornar exigível. Por sua vez, se o débito apurado estiver declarado em DCTF, já estará constituído, sendo desnecessária a autuação. 46. Não há dúvidas de que a RFB não tem condições de fiscalizar todos os contribuintes. Ao prestar declarações falsas, tornando o levantamento de indícios para uma fiscalização mais difícil, a empresa pode ludibriar o Fisco, desviando a atenção deste para outros contribuintes. 47. Além disso, a empresa também escriturou valores de receitas financeiras e não financeiras sem têlas oferecido à tributação. Sequer foram informadas nas declarações que a empresa apresentou ao Fisco. 48. Diante de todo o exposto, concluise que o contribuinte, dolosamente, tentou impedir o conhecimento, por parte do Fisco Federal, da ocorrência do fato gerador, em virtude do mesmo escriturar valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS a pagar, e não confessar esses débitos em DCTF, além de não informar nas declarações apresentadas à RFB valores escriturados de receitas tributáveis, infringindo o disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, que caracteriza tal prática como sonegação fiscal. Fl. 1970DF CARF MF 6 49. Esta infração enseja a qualificação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Medida provisória nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488/07. Infrações Penais e Responsabilidade Tributária Solidária 2.6 Segundo a interpretação do agente fiscal a conduta do contribuinte enquadrase na tipificação de crime contra a ordem tributária e, em razão disso, formulou Representação Fiscal para Fins Penais (Processo Administrativo nº 13502.720639/201418). 2.7 Por fim, com fulcro no art. 135, do Código Tributário Nacional, atribuiuse responsabilidade tributária solidária aos sóciosadministradores Raimundo Ramos de Andrade e Josenildes Luz Lago de Andrade. Nesse particular, a motivação foi assim apresentada (fl. 79): 52. Em decorrência das infrações penais e das infrações à legislação tributária apontadas anteriormente, encaminhase, conjuntamente com este Termo de Verificação Fiscal, os Termos de Sujeição Passiva nº 01 e 02, nos quais atribuise responsabilidade tributária aos sóciosadministradores Raimundo Ramos de Andrade e Josenildes Luz Lago de Andrade, em conformidade com a regra insculpida na Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), em seu art. 135, inciso III, a seguir transcrito: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (grifo nosso) (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 53. Os representantes da pessoa jurídica ora fiscalizada, à época dos fatos, eram os já mencionados sóciosadministradores, segundo consta no Contrato Social registrado na JUCEB. Em decorrência dos fatos descritos neste Termo, bem como dos documentos apresentados, não há como negar que exerciam plenamente a gestão da empresa, lhes cabendo, inclusive, a administração de forma conjunta, conforme consta no Contrato Social. 3 ALEGAÇÕES DO IMPUGNANTE 3.1 Inconformada com o lançamento fiscal, o contribuinte apresentou impugnação discordando da interpretação dada pela autoridade fiscal. A título de preliminar, apresenta pormenorizadamente o entendimento de diversos autores sobre a questão da nulidade do ato jurídico para, ao fim, emendar as seguintes considerações (fl. 1.877): No caso em tela, vislumbrase com facilidade a nulidade ora apontada quando, ao autuar o contribuinte em razão do arbitramento no período do 12/2011 (cf, 05 dos autos), o agente procede ao arbitramento do 4º trimestre, sob a justificativa de que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável, em virtude de deficiência quanto à ausência de escrituração do mês de dezembro, E, devido a essa ausência de escrituração fez recair sobre o contribuinte uma multa de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) advinda de suposta omissão de ganhos de capital e outras receitas, bem como uma multa de 150% (cento e cinquenta por cento) em virtude de uma suposta apuração incorreta de imposto e/ou falta/insuficiência de recolhimento do IRPJ. 3.2 No entender do autuado, o lançamento não merece prosperar porque fundase somente em percepção subjetiva do autuador, não encontrando base material que suporte a exigibilidade. Em suas palavras: Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.969 7 Observase claramente que as infrações foram apontadas unicamente com base no "achismo" do agente autuador, que justifica as penalidades por uma suposta ausência de escrituração do mês de dezembro, ausência esta que não condiz com a verdade. Sob a égide deste frágil argumento insculpido pelo agente autuador das supostas infrações cometidas pelo contribuinte, foram lavrados todos os autos de infração, que acarretaram valores de alta monta, chegando a uma totalidade superior a oito milhões de reais, todos advindos de uma mera suposição fática, evasiva e com completa falta de concretude, pautandose exclusivamente em uma ausência de escrituração do mês de dezembro, o que, devida aos valores levantados, acarretou outras infrações ao contribuinte, tais como inexatidão no pagamento ou recolhimento ou Declaração de valor a menor da CSLL, dentre outros. 3.3 Ainda a título de preliminar, afirma que a apuração dos valores devidos se deu de forma obscura, sem um detalhamento necessário para seu entendimento e eventual discordância. Teria sido, portanto, prejudicado seu exercício de defesa. In verbis: Nesse mesmo diapasão, temse, ainda, que o auditor, em sua conclusão, não esclarece de maneira pormenorizada os critérios ou métodos adotados para o fim de obtenção do montante relativo ao suposto débito fiscal; desconsiderando a escrita contábil da empresa, pelo que, age em descumprimento explícito do determinado pelo inciso LV, do art. 5° da Constituição Federal de 1980: "Art. 5º LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes," Como não constam no Auto os esclarecimentos devidos, o Contribuinte autuado encontrase duplamente prejudicado: primeiro, porque não tem corno verificar se os cálculos do proposto Fiscal estão corretos; segundo, porque todo a sua defesa tem de ser feita, em decorrência daquela omissão, com base em suposições. Destarte, demonstrada a existência de vícios no lançamento ora atacado, o sendo o motivo originário da lavratura dos presentes autos meramente subjetivo, evasivo, desprovido de qualquer concretude ou provas que de fato justifiquem a aplicabilidade de exorbitantes valores apontados, requer seja a preliminar acolhida, a fim de que sejam os autos em comento declarados nulos face aos argumentos expostos, por ser de pleno direito! Alegações de Ilegalidade/Inconstitucionalidade das Multas Aplicadas 3.4 Apresentadas as preliminares, o impugnante discorre longamente sobre a questão da legalidade/inconstitucionalidade das multas qualificada e agravada, em tópico eloquentemente intitulado “DAS MULTAS APLICADAS CONFISCO PROIBIÇÃO CONSTITUCIONALREDUÇÃO PARA 20% JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA IMPOSSIBILIDADE DA MULTA ULTRAPASSAR O VALOR PRINCIPAL”. 3.5 Desenvolve todo seu raciocínio apoiandose em citações colhidas de obras jurídicas doutrinárias além de trazer diversos excertos de decisões judiciais no mesmo sentido. Intercala as remissões com os comentários que a seguir se reproduzem a título exemplificativo: Conforme se depreende das multas acima expostas. todas elas foram aplicadas no patamar de 150% a 225%, patamares que, segundo a jurisprudência majoritária, se configura como um confisco, alo proibido pela Carta Magna. Fl. 1972DF CARF MF 8 A legislação tributária brasileira contem inúmeros casos de multas absurdas, totalmente em desacordo com o determinado pelo artigo 150, inciso IV da Constituição Federal, que proíbe o confisco. Embora tal dispositivo faça referência apenas ao tributo quando proíbe sua cobrança com efeito confiscatório, a jurisprudência e a doutrina entendem perfeitamente aplicável às multas a mesma limitação. [fl. 1.882] ... No caso em comento, as multas aplicadas nos percentuais de 150% e 225% apresentam nítido caráter confiscatória, pois superiores a 100% do valor do débito e, assim, indiscutivelmente desproporcionais. Destarte, acerca do lema já pacificado pela jurisprudência e em respeito aos princípios constitucionais e a proibição do confisco, mister que sejam as multas de 150% e 225% aplicadas ao presente caso reduzidas para 20%, por ser uma questão de DIREITO! [fl. 1.886] ... Resta claro que, no tocante às multas de 150% e 225% aplicadas, entendese que a fixação neste percentual, nos termos da Lei n. 9.430/90, é excessiva e desproporcional. De fato, a aplicação da multa se reveste de sanção tributária que visa desestimular as infrações e punir a sonegação. No entanto, o princípio constitucional da vedação ao confisco (CF, art. 150, IV), que se aplica as multas punitivas, impede a voracidade da Administração Pública contra o patrimônio do contribuinte. Desta forma, a multa, por não ter caráter confiscatório, pode sofrer redução em face do valor excessivo, em observância aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade. [fl.1.888] 3.6 Esgotadas suas argumentações relativas às multas qualificadas e agravadas, o impugnante, no tópico “DA POSSIBILIDADE LEGAL DE PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM ISENÇÃO/EXCLUSÃO DOS JUROS DE MORA APLICADOS INCLUSÃO NO PROGRAMA REFIS”, solicita sua inclusão em programa de parcelamento, nos seguintes termos (fl. 1.889): Desta forma, sabendo ser um pleito legalmente amparado por lei. vez que se trata de prática costumeira e amplamente divulgada, c vislumbrando sanar o crédito de forma que possa vir a adimplir com o mesmo, sem que o parcelamento a ser efetuado venha a comprometer o sustento e funcionamento da empresa, pugna pela inclusão em um programa de refinanciamento fiscalREFIS a fim de que, desde forma, mediante redução da multa para 20%. e concessão de isenção dos juros de mora, seja possível efetuar um parcelamento que esteja em condições de ser honrado. Em 18 de março de 2016 a DRJ em Florianópolis julgou a impugnação parcialmente procedente, cancelando a qualificação e o agravamento da multa de ofício (quando aplicadas), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. OMISSÕES E DEFICIÊNCIAS NOS REGISTROS CONTÁBEIS. IMPRESTABILIDADE PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. Definido como base de cálculo, o lucro arbitrado deve ser utilizado na apuração do IRPJ sempre que, conforme as hipóteses legais, não seja possível se obter de forma precisa e confiável o lucro real. Sua adoção, portanto, não decorre de discricionariedade da autoridade fiscal nem tampouco de prerrogativa do contribuinte. Omissões e deficiências que comprometam o aproveitamento dos registros contábeis relativos a todo um mês, dentro de um Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.970 9 período de apuração trimestral, mostramse razões suficientes para a aplicação das regras de arbitramento para o trimestre em questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA DE VALORES SIGNIFICATIVOS. APLICABILIDADE. (01/01/2011 A 30/09/2011) Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Provado o reiteramento de uma conduta cujo resultado seja a redução irregular em montantes significativos dos tributos devidos afastase a possibilidade de erro eventual, restando configurado o dolo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. VALORES DECLARADOS. INCOMPATIBILIDADE COM CONCEITO DE SONEGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. (01/01/2011 A 30/09/2011) Tendo o sujeito passivo apresentado declaração à administração tributária contendo os valores que serviram de base para o lançamento, mostrase insustentável a tese que aponte para deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Portanto, incabível a aplicação de multa qualificada que se sustente na hipótese de sonegação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO TEMPESTIVO A INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa pela não apresentação dos arquivos e sistemas digitais, conforme hipótese prevista no inciso II, § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, dever ser aplicado em um contexto de uma recusa deliberada de atendimento às intimações, com claro intuito de impedir ou prejudicar, de forma essencial, a constituição do crédito tributário. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa, por ultrapassar os limites da sua competência legal. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. O mesmo se aplica às alegações de ofensa a princípios consagrados, implícita ou explicitamente, na Carta Magna. Tais princípios dirigemse aos órgãos legiferantes e, portanto, devese pressupô los devidamente observados nas normas vigentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS. Aplicase à tributação da CSLL, PIS e Cofins, solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Portanto, o decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele Fl. 1974DF CARF MF 10 compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado em 6 de abril de 2016 (fl. 1.964), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 5 de maio de 2016, alegando, em síntese: (i) nulidade do auto de infração, eis que "infrações foram apontadas unicamente com base no “achismo” do agente autuador, que justifica as penalidades por uma suposta ausência de escrituração do mês de dezembro, ausência esta que não condiz com a verdade", bem como porque "não esclarece de maneira pormenorizada os critérios ou métodos adotados para o fim de obtenção do montante relativo ao suposto débito fiscal". (ii) improcedência das penalidades impostas, que seriam confiscatórias, devendo ser reduzidas para 20%. Recebi o processo em distribuição realizada em 23 de fevereiro de 2018. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Recurso Voluntário O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Conforme se depreende da análise do relatório, o recurso voluntário apresenta exatamente as mesmas razões de defesa constantes da impugnação, sem qualquer diálogo com a decisão que supostamente pretenderia contraditar. Em casos como este, o regimento interno deste CARF permite ao julgador transcrever e adotar como razões de decidir as da decisão de primeira instância vejase neste sentido o disposto no artigo 57, § 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.971 11 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. No caso, entendo que decisão recorrida foi acertada ao manter a autuação. De fato, quanto aos 3 primeiros trimestres de 2011, foram verificados rendimentos não oferecidos à tributação no regime do lucro presumido, sem que a contribuinte tivesse conseguido trazer qualquer explicação plausível no sentido da não incidência de tributos sobre tais valores. Já quanto ao 4o trimestre, acertada foi a conclusão pelo arbitramento com base nos valores informados na Declaração e Apuração Mensal do ICMS tendo em vista a inexistência de registros contábeis e respectiva documentação relativos ao mês de dezembro. Por ter a autoridade fiscal agido em estrita conformidade à lei no que tange ao lançamento dos principais de tributo, voto por manter o lançamento, adotando como razões de decidir as da decisão da DRJ/FNS, que transcrevo abaixo: CONSIDERAÇÕES INICIAIS 4.2 Como visto, tratase de lançamento de ofício realizado em procedimento fiscal cujo objetivo foi verificar a regularidade da escrituração e consistência entre os valores declarados pelo contribuinte (DIPJ e Dacon) e aqueles confessados em DCTF. Sumarizando, a autoridade fiscal constatou as seguintes irregularidades, a partir das quais efetuou os lançamentos de ofício: 1. Omissão de receita (1º, 2º e 3º trimestres). Receitas contabilizadas e não oferecidas à tributação, em especial aquelas registradas na conta contábil 66104 Receitas Eventuais. A autoridade entendeu tratarse de rendimentos que deveriam ser adicionados diretamente ao lucro presumido, ou seja, sem aplicação do percentual de presunção. Nesse caso, os valores foram lançados com a incidência da multa agravada de 225%. 2. Recolhimento a menor em relação ao tributo declarado (1º, 2º e 3º trimestres). Constatação de que o contribuinte declarou valores devidos, porém, efetuou recolhimentos a menor. Nesse caso, os valores foram lançados com a incidência da multa qualificada de 150%. 3. Arbitramento do resultado e apuração do IRPJ (4º trimestre). Em razão da inexistência de registros contábeis e respectiva documentação relativos ao mês de dezembro, a autoridade entendeu necessário da aplicação das regras de arbitramento para o 4º trimestre. A base para o arbitramento foram os registros obtidos da Declaração e Apuração Mensal do ICMS. Nesse caso, os valores foram lançados com a incidência da multa agravada de 225%. 4.3 Cada uma dessas infrações – que implicou os lançamentos, bem como a aplicação das penalidades pecuniárias – são a Fl. 1976DF CARF MF 12 seguir analisadas à luz das contraargumentações apresentadas pelo impugnante. A questão do agravamento e da qualificação das multas será analisada em um tópico à parte. PRELIMINARES 4.4 O impugnante levanta questões de natureza preliminar e, após concisa explanação, afirma que “vislumbrase com facilidade a nulidade ora apontada”. Porém, tal facilidade não afetou esse Relator, que procurou extrair do texto recursal aqueles que parecem ser os principais pontos que sustentam as preliminares de nulidade. De se ver. 4.5 Alega, o contribuinte, “as infrações foram apontadas unicamente com base no "achismo" do agente autuador, que justifica as penalidades por uma suposta ausência de escrituração do mês de dezembro, ausência esta que não condiz com a verdade”. Portanto, segundo a versão do impugnante, o lançamento careceria de suporte fático e teria como suporte apenas valorações subjetivas do agente autuador. Porém, os elementos contidos nos autos desacreditam essa versão. Todo o procedimento de verificação foi pautado nas regras da Decreto nº 70.235, de 06/03/1972 (Processo Administrativo Fiscal) e nas normativas complementares. 4.6 O contribuinte foi intimado (e reintimado) a justificar, contestar ou corrigir as divergências encontradas durante o procedimento. Foi confrontado com elementos probatórios de sua própria lavra (declarações e registros contábeis). As divergências e omissões foram objetivamente constatadas, explicitadas e apresentadas ao contribuinte. Portanto, não se sustenta a alegação que o lançamento fundouse em valorações subjetivas. 4.7 Outro ponto abordado na preliminar, referese à obscuridade dos demonstrativos de apuração dos valores lançados, o que teria prejudicado seu direito de defesa. Reclama que o autuante “não esclarece de maneira pormenorizada os critérios ou métodos adotados para o fim de obtenção do montante relativo ao suposto débito fiscal”. 4.8 Por um lado, concordo que os demonstrativos de apuração dos valores lançados estão distantes de serem um referencial didático em termos de clareza e objetividade. A disposição gráfica não ajuda, a terminologia é confusa e a ausência de notas explicativas é lamentável. Por outro, não concordo que essa falta de clareza na demonstração da apuração possa ser alegada como cerceamento ao exercício do direito de defesa. Isso porque, embora os demonstrativos não sejam um paradigma de didatismo, não apresentam um nível de complexidade que os tornem indecifráveis para os profissionais da área jurídico/contábil. 4.9 Considero, assim, que não merecem prosperar as alegações relativas às preliminares de nulidade do lançamento, passando se, pois, à análise do mérito. OMISSÃO DE RECEITA (1º, 2º E 3º TRIMESTRES) Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.972 13 4.10 Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, o autuado foi intimada a esclarecer a natureza das receitas lançadas na conta contábil 661045 RECEITAS EVENTUAIS, que registrava na contabilidade, no somatório dos três primeiros trimestres, valores não oferecidos à tributação de R$ 4.664.684,27 (a receita declarada na DIPJ, nesse mesmo período, foi de R$ 13.224.048,28). 4.11 Em resposta (fl. 1.860) o contribuinte apresentou alegações vagas (“acredito que foram cometidos erros na escrituração...”), ou que não condiziam com os registros contábeis (“... em sua grande maioria a Conta Partida [sic] são Contas Contábeis do passivo referente a obrigações a pagar com fornecedores.”). Com relação a essa última colocação, a autoridade fiscal rebate, afirmando que “cerca de 80% dos lançamentos a crédito da conta de Receitas Eventuais terem como contrapartida lançamentos a débito em contas do Ativo Circulante (Bancos c/ Movimento)”. Intimada a apresentar os extratos bancários relativos a esses lançamentos, não houve resposta. 4.12 Portanto, em sua impugnação, o contribuinte não trouxe elementos ou argumentos que pudessem alterar o entendimento sustentado pela autoridade fiscal e objetivamente apresentados no curso da fiscalização, razão pela qual entendo que, em relação a essa omissão de receitas, o lançamento deve ser mantido. RECOLHIMENTO A MENOR (1º, 2º E 3º TRIMESTRES) 4.14 O contribuinte recolheu IRPJ devido trimestralmente em valores inferiores àqueles informados e apurados na DIPJ. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício relativo à diferença entre os valores declarados e os valores efetivamente recolhidos. Em sua impugnação, o contribuinte não apresenta alegações específicas contra esse procedimento do autuante que justificassem qualquer reparo à ação da autoridade fiscal. Portanto, entendo que os lançamentos relativos aos recolhimentos a menor verificados nos três primeiros trimestres do anocalendário fiscalizado também devem ser mantidos. ARBITRAMENTO DO RESULTADO (4º TRIMESTRE) 4.15 É em relação ao lançamento realizado com base no arbitramento que o impugnante se mostra mais eloquente. Segundo afirma em sua impugnação, não haveria razão para a autoridade fiscal lançar mão das regras de apuração com base no lucro arbitrado. Vejamos. 4.16 A autoridade fiscal não encontrou a escrituração contábil relativa a todo o mês de dezembro, o que indubitavelmente prejudicaria a verificação do 4º trimestre. Não se trata da ausência de alguns registros ou documentos comprobatórios ou deficiência na escrituração de alguns lançamentos – situações essas que poderiam ser superadas sem prejuízo da manutenção da apuração no lucro presumido. Apontase a ausência da contabilidade relativa a todo um mês do trimestre de apuração. Fl. 1978DF CARF MF 14 4.17 Por seu turno, o contribuinte reconheceu tal omissão, informando que “a escrituração referente ao mês de dezembro de 2011, não foi feita pela contabilidade anterior responsável pela gestão” (fl. 1.860, resposta à intimação recepcionada em 26/03/2014). Não obstante a fiscalização terse prolongado por mais dois meses, ao que tudo indica, a escrituração faltante não foi (re)feita e/ou apresentada. 4.18 Importante observar que o agente autuante, em sua intimação, já alertava o contribuinte de que, a ausência da escrituração do mês de dezembro teria como consequência o necessário arbitramento do lucro relativo ao 4º trimestre. Não se pode alegar, por isso, que a adoção das regras de arbitramento do lucro possam ter surpreendido o contribuinte. 4.19 A legislação que estabelece as hipóteses de arbitramento assim estabelece (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, destaques do relator): Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. 4.20 O agente fiscal entendeu que a conduta da contribuinte teria se subsumido à hipótese de incidência descrita no inciso II, alínea b do citado artigo; o que realmente se caracterizou pela ausência da escrituração relativa ao mês de dezembro. 4.21 Já em sede de julgamento – e sem aportar documentação comprobatória – o impugnante, referindose a essa omissão contábil, aduz: “ausência esta que não condiz com a verdade.” Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.973 15 Segue em suas argumentações afirmando tratarse de “mera suposição fática, evasiva e com completa falta de concretude”. Porém, pelas razões já expostas, discordo desse ponto de vista, pois entendo que houve constatação fática da irregularidade, não refutada ou sanada ao longo do procedimento de verificação. 4.22 Por tudo isso, voto pela rejeição das alegações apresentadas na impugnação e pela manutenção do lançamento pelas regras de arbitramento para o 4º trimestre de 2011. (...) ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS LEGAIS/CONSTITUCIONAIS 4.39 As alegações de que as multas aplicadas seriam abusivas, ferindo princípios legais e/ou constitucionais devem, preliminarmente, ser submetidas ao crivo da admissibilidade, no contexto das limitações e restrições referentes ao Processo Administrativo Fiscal. De se observar que compete à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade de ato regularmente editado ou se este fere ou não os princípios consagrados na Carta Magna. Tais princípios, no entender desse julgador, dirigemse aos órgãos legiferantes e, portanto, devese pressupor devidamente observados nas normas vigentes. 4.40 Destaque que o dever de observância das normas abrange também o julgamento administrativo em relação, inclusive, aos atos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, conforme o dispositivo abaixo transcrito (destaques do relator): Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006 O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993 e da Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de julho de 2001, resolve: [...] Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros. 4.41 Portanto, por entende que falta a esse juízo competência legal bastante para a pretendida discussão, deixo aqui de apreciar as argumentações trazidas pela impugnante e que encontram seu substrato em eventual violação de princípios constitucionais. SUJEIÇÃO PASSIVA DOS ADMINISTRADORES 4.42 Como relatoriado, a autoridade fiscal atribuiu responsabilidade tributária solidária aos sóciosadministradores Raimundo Ramos de Andrade e Josenildes Luz Lago de Andrade. Fl. 1980DF CARF MF 16 Não consta nos autos aqui analisados manifestação dos responsáveis tributário, razão pela qual considero como não impugnada a sujeição passiva. TRIBUTAÇÃO REFLEXA 4.43 Com relação aos autos de infração reflexos (CSLL, PIS e Cofins), sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito, até porque não foram trazidos pela impugnante argumentos específicos contra esses lançamentos. Recurso de Ofício Atualmente, cabe recurso de ofício quando a decisão exonera sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, nos termos da Portaria MF 63/2017. É o caso em questão. A DRJ/FNS exonerou o contribuinte do agravamento e qualificação das multas (quando aplicados) por entender que a empresa, além de contestar a constitucionalidade de tais exações, questionou a sua legalidade, e analisando o caso entendeu não estarem presentes as hipóteses de sua aplicação. Foi mantida apenas a qualificação da multa no caso da omissão de receitas, na medida em que a reiteração caracterizou o dolo necessário à exasperação da penalidade. Entendo que a decisão foi acertada. De fato, no caso do recolhimento a menor do 1º, 2º e 3º trimestres, não se pode falar em deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ja que os valores, embora não constassem da DCTF, foram declarados na DIPJ/Dacon. Já em relação ao arbitramento das receitas do 4º trimestre, não há menção às razões pelas quais a multa teria sido qualificada, o que leva à improcedência de tal exasperação. Quanto ao agravamento da multa de ofício para 225% (aplicado exceto para o caso de recolhimento a menor), não se verifica no caso a hipótese de sua aplicação, já que tratouse muito mais de respostas insuficientes e não recusa deliberada de atendimento às intimações adotada com o propósito de impedir a atividade da autoridade autuante. Neste sentido, peço vênia para reproduzir os termos da decisão recorrida, que também adoto como razões de decidir no presente voto: QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO 4.23 Diferente do lançamento dos valores do crédito tributário relativo ao principal, na aplicação da multa qualificada (150%) e da multa agravada (112,5%), entendo caber à autoridade fiscal o ônus da prova da ocorrência das situações fáticas culminadoras dessas sanções. Em razão disso – e considerando que as alegações do impugnante foram no sentindo de considerar a aplicação das multas como ilegal/inconstitucional – , vale buscar, na narrativa do autuante, suas motivações básicas para o recrudescimento da penalidade financeira. Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.974 17 Qualificação da Multa Recolhimento a Menor 4.24 Como relatado, em uma primeira linha de argumentação, o autuante entende que a discrepância entre os valores declarados em DIPJ/Dacon e os valores (a menor) declarados na DCTF seria razão suficiente para – em relação aos valores na DCTF a menor – aplicar a multa qualificada de 150%. Isso porque, a seu juízo, não se tratou de erro isolado, que poderia ser caracterizado como erro material, “mas sim da entrega de 12 (doze) DCTF preenchidas com valores inferiores aos constantes na escrita contábil/fiscal”. Com isso, concluiu ter havido “deliberada intenção de tentar impedir ou retardar, ao menos parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal”. 4.25 Entretanto, não comungo desse entendimento. Não obstante ser inegável que somente a DCTF tenha força de confissão de débito – e, por isso, lhe ser conferida a força constitutiva do crédito tributário – é igualmente inegável que o contribuinte informou à administração tributária (DIPJ e Dacon) os valores de seus débitos (utilizados inclusive para fins de lançamento). A este Julgador, se apresenta incongruente falarse de deliberada intenção de tentar impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, em relação a débitos já – espontaneamente e antes do início dos procedimentos fiscais – informados a essa mesma autoridade fazendária. No meu entender, o caráter operacional/administrativo, que implica multiplicidade de declarações e dá azo a inconsistências entre elas, não pode operar no sentido de fundamentar o agravamento da sanção para o contribuinte. 4.26 Em relação aos valores já constantes da DIPJ/Dacon, não há que se falar em tentativa de ocultar informações do conhecimento autoridade fazendária, a despeito de eventuais dificuldades administrativas que essas inconsistências apuradas possam impor à administração fiscal, conforme destacado pela autoridade fiscal. Por conseguinte, deve ser afastada a qualificação da multa no caso dos lançamentos por recolhimento a menor nos 1º, 2º e 3º trimestres. Qualificação da Multa Omissão de Receita 4.27 Diferente se mostra a situação relativa à omissão de receita relativa a esses mesmos trimestres. Nesse caso, conforme bem caracterizou o agente autuante, durante vários meses (reiteramento) valores substanciais (significância) deixaram de ser informados à autoridade fazendária. Os valores constavam exclusivamente dos registros contábeis do contribuinte e não se logrou apresentar razões suficientes pelas quais as receitas ali informadas não terem sido oferecidas à tributação, como determina a legislação tributária. 4.28 A pratica omissiva reiterada e de valores significativos, no entender desse Julgador, caracteriza conduta que subsumese à Fl. 1982DF CARF MF 18 norma que prevê a qualificação da multa, como abaixo transcrito (§1º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, destaque do relator): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos referenciados no § 1º tem a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 4.29 Portanto, entendo que o caráter doloso da omissão de receitas encontrase presente e materialmente comprovado nos autos. A demonstração do dolo pode ser efetuada por várias vias distintas, mas não há dúvidas de que uma das mais consistentes e seguras é aquela vinculada à caracterização do reiteramento da conduta ao longo do tempo e da significância dos valores subtraídos à tributação. Sim, pois enquanto o reiteramento afasta o erro involuntário (conduta não intencional), a Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.975 19 significação dos valores subtraídos à tributação fornece o objetivo, o motivo para o ato intencionalmente infracional. 4.30 Em conseqüência do exposto, concluise que a situação descrita e comprovada pela autoridade tributária corresponde àquela prevista nos arts. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Mantido, nesse particular, o lançamento da multa qualificada de 150% aplicada às receitas omitidas nos 1º, 2º e 3º trimestres. Qualificação da Multa Arbitramento da Base de Cálculo 4.31 Em relação ao arbitramento das receitas do 4º trimestre – que se deu em consequência da não apresentação dos registros contábeis referentes a dezembro – a autoridade fiscal não lhe faz referência quando fundamenta a aplicação da multa qualificada. Embora, em seu relatório, ao descrever o lançamento do principal afirme que devese considerar “o agravamento da multa de ofício conforme explicado no item “Do Agravamento da Multa de Ofício” deste Termo, e considerando a qualificação da multa de ofício conforme explicado no item “Da Qualificação da Multa de Ofício”, deste Termo de Verificação Fiscal”, não há nos itens citados referência às razões para qualificação da multa no tocante ao lançamento com base nas regras do lucro arbitrado. 4.32 Por si só, a falta de fundamentação já se mostra suficiente para afastar a aplicação da multa qualificada. Mas há de se considerar, ademais, que o arbitramento se deu por falta de apresentação dos registros contábeis de dezembro, falta essa que foi justificada pelo impugnante como erro (“não foi feita pela contabilidade anterior responsável pela gestão”). Até aí, e sem qualquer evidência de dolo, não se pode concluir, sem mais, pela qualificação prevista na legislação. 4.33 Portanto, entendo não terem sido apresentadas razões e evidências suficientes para se manter a qualificação da multa nos lançamentos referentes ao arbitramento do 4º trimestre. Agravamento da Multa de Ofício 4.34 Ainda no tocante à penalização da conduta da contribuinte, a autoridade autuante, apontando como fundamento legal o §2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, elevou a multa de ofício para 225%, exceto para o caso de recolhimento a menor. O dispositivo invocado encontrase a seguir reproduzido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes muitas: ... § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: Fl. 1984DF CARF MF 20 I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. 4.35 Para subsumir a conduta do contribuinte à norma citada, a autoridade fiscal enumera os seguintes fatos (i) “falta de atendimento, por parte do intimado, nos prazos marcados, do quanto solicitado mediante o TIF nº 0001 e o TIF nº 0002, notadamente a não apresentação da escrituração referente ao mês de dezembro de 2011” e (ii) falta “de esclarecimentos a respeito de receitas omitidas”. 4.36 Não obstante a displicência da fiscalizada no atendimento às intimações e na apresentação da escrituração do mês de dezembro, não creio se tratar de situação em que seja aplicável a multa agravada. Isso porque, entendo que aquele agravamento de penalidade se impõe em um contexto de rebeldia evidente e acintosa do contribuinte contra a ação fiscal. Pressupõese uma recusa deliberada de atendimento às intimações adotada com o claro propósito de turbar, obstaculizar e, por fim, impedir a constituição do crédito tributário a favor da Fazenda Nacional. 4.37 No caso em tela, as explicações iniciais do contribuinte mostraramse insatisfatórias para evitar o lançamento de ofício. O fato da não existência de justificativas satisfatórias – a juízo da autoridade fiscal – ou a não apresentação de escrituração (já informada como inexistente) não se mostra suficiente para o agravamento da multa. Cada uma dessas omissões já tem suas consequências específicas, inclusive a aplicação de multa. Para haver o sobreapenamento pretendido, seriam necessárias evidências de uma conduta dolosa no claro intuito de obstruir/impedir os trabalhos da autoridade fiscal, situação essa não devidamente caracterizada nos autos. 4.38 Portanto, a aplicação da multa agravada prevista no §2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996 deve ser afastada. Ante o exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recursos voluntário e de ofício, mantendo integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 13502.720626/201431 Acórdão n.º 1401002.357 S1C4T1 Fl. 1.976 21 Fl. 1986DF CARF MF
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