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Numero do processo: 16707.002069/2002-21
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
DCTF. EXTINÇÃO POR PAGAMENTO. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPENSAÇÃO REALIZADA DIRETAMENTE NA ESCRITA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Constatado erro no preenchimento da DCTF e comprovando-se que a extinção do crédito tributário se deu mediante compensação realizada diretamente na escrituração contábil do contribuinte na vigência do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, cancela-se o crédito tributário constituído de ofício.
Numero da decisão: 1402-001.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 DCTF. EXTINÇÃO POR PAGAMENTO. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPENSAÇÃO REALIZADA DIRETAMENTE NA ESCRITA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado erro no preenchimento da DCTF e comprovando-se que a extinção do crédito tributário se deu mediante compensação realizada diretamente na escrituração contábil do contribuinte na vigência do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, cancela-se o crédito tributário constituído de ofício.
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EXTINÇÃO POR PAGAMENTO. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPENSAÇÃO REALIZADA DIRETAMENTE NA ESCRITA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatado erro no preenchimento da DCTF e comprovandose que a extinção do crédito tributário se deu mediante compensação realizada diretamente na escrituração contábil do contribuinte na vigência do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, cancelase o crédito tributário constituído de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 20 69 /2 00 2- 21 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.002069/200221 Acórdão n.º 1402001.532 S1C4T2 Fl. 139 2 Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ relativo ao 4º Trimestre de 1997. O lançamento decorreu de auditoria interna na DCTF, tendo sido constatado falta de recolhimento ou pagamento do principal pagamento não localizado, no valor de R$ 4.152,00. O contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: Que os valores de IRPJ que a fiscalização entendeu não haverem sido recolhidos nas datas de vencimento evidencia equívoco, conforme documentos em anexo (DARFs fls.10/11, requerimento de retificação de DARF – REDARF fls. 12); Da ilegalidade da taxa SELIC na cobrança de juros moratórios; que a multa de ofício aplicada seria inconstitucional, uma vez que violaria o princípio da capacidade contributiva, possuindo caráter confiscatório; que o procedimento fiscal cometeu o equívoco de desprezar a escrituração contábil da impugnante. A delegacia de julgamento considerou improcedente a impugnação, asseverando que nenhum dos DARFs apresentados se refere ao período de apuração, além disso, seria inócuo o REDARF acostado à sua impugnação. Inconformada, a Interessada apresentou recurso voluntário de fls. 6974. Os autos foram distribuídos à extinta Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sob a relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. O processo foi incluído em pauta na sessão de 13 de novembro de 2008. Aquele colegiado resolveu converter o julgamento em diligência (10700726), no seguinte sentido: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.002069/200221 Acórdão n.º 1402001.532 S1C4T2 Fl. 140 3 A DRF de origem procedeu à diligência, concluindo que: Intimado a se manifestar, o contribuinte quedouse inerte. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.002069/200221 Acórdão n.º 1402001.532 S1C4T2 Fl. 141 4 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O exame da admissibilidade do recurso já fora realizado na Resolução nº 10700726. A controvérsia é relativamente simples: o contribuinte informou em sua DCTF do 4º trimestre de 1997 que havia realizado o recolhimento de IRPJ devido. A Fiscalização, por sua vez, não identificou o pagamento, realizando o lançamento. Alega o contribuinte que houve mero erro de preenchimento da DCTF, pois, onde se preencheu que a quitação dos débitos se deu por pagamento, deveria ter sido preenchido que a extinção se deu por compensação. Em diligência realizada, constatou a DRF de origem que a tese de erro invocada pela Recorrente estaria correta. Analisando a escrituração contábil do contribuinte constatouse que o IRPJ devido no 4º trimestre de 1997 foi extinto por compensação realizada diretamente na escrita do contribuinte, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que então regulava o procedimento de compensação. Desse modo, a decisão recorrida deve ser reformada, homologandose a compensação declarada pelo contribuinte. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000307/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presente autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 30 7/ 20 10 -1 9 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000307/201019 Resolução nº 2401000.334 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrado sob o n. 37.171.3544, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não recolhida em época própria sobre os levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados, na competência 05/2005. Conforme relatório fiscal, fl. 13 a 15, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste AI, os valores das contribuições apuradas do montante lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A item 48 ( Participações de Empregados ) e folha de pagamento ( SUPERAÇÃO ) apresentada e cujos pagamentos efetuados não foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social. Foi utilizado o código de levantamento SI Base de Cálculo Sem Identificada Nominal e Não Declarada em GFIP. Ainda conforme descrito pelo auditor os motivos pelo qual os valores não foram considerados como PLR (excluídos do conceito de salário de contribuição) é o fato de não estar de acordo com a lei 10.101 de 19/12/2000, Art. 2°. § 1°: Acordo referente ano de 2004 firmado em 01/06/2004, o acordo tem que ser pactuado previamente este foi no meio do ano. 1. Os beneficiários do programa conforme determinado na cláusula quarta e parágrafos primeiro ao sexto do presente acordo não foram identificados na sua totalidade, mesmo sendo solicitado por varias vezes. 2. Nas cláusulas quinta, sexta e parágrafo único e sétima do presente acordo fala em participação nos resultados e é condicionado ao cumprimento de metas e o indicador para apuração será o EBITDA, que é calculado considerando o procedimento usual adotado na empresa : Margem Operacional expurgados os Valores da Depreciação, dos Impostos e das Despesas Financeiras e para medição será utilizado valores finais do ano 2004 em comparação com os valores constantes do Planejamento Operacional PO do RCCO Corporativo que será feita pela Diretoria de Finanças e Controle Corporativa, portanto entendendo este auditor que as regras não são objetivas, e fica prejudicada a sua mensuração com base na documentação deficiente apresentada. 3. As cláusulas oitava, nona e parágrafo único falam em valor do prêmio, base de pagamento usando média de comissões, horas extras, que ficaram impossibilitadas de análise visto que não foram apresentadas as folhas de pagamento com os referidos cálculos e valores motivo pelo qual foram lavrados Ais CFL 30 e 35. 4. Já na cláusula décima primeira é mencionado GRUPO ESPECIAL que também não foram identificados na sua totalidade mesmo sendo a empresa notificada por varias vezes conforme TIFs anexas. 5. 4. A empresa apresentou vários arquivos, planilhas, folhas de pagamento, ( ano 2006 ou sem a verba de participação nos resultados paga em 2005 referente ao acordo de 2004 ) em diversos momentos porém sempre sem informar, esclarecer e justificar através de documentos os valores que deram origem e identificando nominalmente o montante de R$ 1.314.172,96 lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A item Fl. 922DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000307/201019 Resolução nº 2401000.334 S2C4T1 Fl. 4 3 48 como Participações de Empregados, mesmo sendo notificada especificamente para isso. Destacase que realizou a autoridade fiscal o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando que o AI foi lavrado já na vigência da MP 449, convertida na lei 11.941/2009. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 19/02/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 22/02/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa pela autuada, fls. 162 a 190. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 546 a 570. ASSUNTO: C O N T R I B U I Ç Õ E S SOCIAIS P R E V I D E N C I Á R I AS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Considerase saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. LIMITES. A competência da Justiça do Trabalho limitase a determinar o recolhimento das contribuições previdenciárias provenientes das sentenças condenatórias em pecúnia que proferir, e dos valores objeto de acordo homologado, que integrem o saláriodecontribuição. Nos casos extrajudiciais, é indiscutível a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para apuração e cobrança das contribuições previdenciárias e devidas a Terceiros, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória. AFERIÇÃO INDIRETA. No cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mãodeobra indiretamente aferida, aplicase a alíquota mínima, sem limite e sem compensação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova Fl. 923DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000307/201019 Resolução nº 2401000.334 S2C4T1 Fl. 5 4 documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Existe motivação legal quando os dispositivos mencionados no auto de infração contêm as normas que a fiscalização entende deveriam ter sido respeitadas e não o foram. A motivação fática está contida no auto de infração que descreve os atos praticados pelo autuado que violaram a legislação tributária. O Relatório Fiscal, os Anexos do AI e demais documentos oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. MULTA APLICADA NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DA INFRAÇÃO. A norma atual somente se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 701 a 737. Em síntese, a recorrente repete as mesmas alegações já apresentadas em sua impugnação, quais sejam: 6. Preliminarmente, Indica erro na sujeição passiva, já que o AI foi lavrado contra pessoa jurídica extinta desde 31.12.2007, conforme demonstrado por meio do cartão CNPJ. É entendimento pacífico desde Conselho que não pode ser lançado débito contra pessoa extinta, conforme acordão CSRF/0105.352 e outros que cita. 7. No mérito, afirma que mesmo estando regulares os procedimentos por ela adotados foram lavrados nesta ação fiscal 09 autos de infração, discriminandoos às fls. 165/166. 8. Considerando os critérios estabelecidos na lei, frisese que a empresa cumpriu todos os critérios, quais sejam: 8.1. O acordo de PLR da recorrente resultou de negociação entre empresa e seus funcionários, havendo representante sindical da categoria. Todas as partes assinaram devidamente o acordo, tendo o mesmo sido arquivado na entidade sindical. 8.2. Está claro que o acordo cumpriu também as exigências quanto a fixação dos direitos substantivos e regras adjetivas, onde deverão constar nas regras mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. (cláusulas de quinta a décima segunda). Fl. 924DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000307/201019 Resolução nº 2401000.334 S2C4T1 Fl. 6 5 8.3. Foi devidamente arquivado no sindicato conforme documento 10 da impugnação. 8.4. Não substitui, nem complementa a remuneração devida a qualquer empregado, considerando que o pagamento deuse n ano de 2005 em uma única vez, sem modificar a remuneração devida, inclusive sendo pago no mesmo momento do salário de abril. 8.5. Foi observada a periodicidade de um semestre civil, como determina a lei. 8.6. Não houve impasse, já que o acordo foi devidamente assinado por todas as partes envolvidas. 8.7. Quanto ao momento em que tem que ser firmado, entende a Câmara superior de Recursos Fiscais que há obrigatoriedade legal de se acordar antes do fim do período a que se refere o acordo, como ocorreu no presente caso. 8.8. Por fim, quanto individualização dos funcionários argumenta que a lei em momento algum exige a individualização de metas, razão pela qual a exigência da fiscalização quanto a identificação dos beneficiários. Ou seja, resta demnostrado quem são os beneficiários do plano: todos os empregados da recorrente e seus estagiários sem discriminação alguma. 9. Quanto a desconformidade da GFIP, é obvio que só se declara em GFIP valores passíveis de tributação. 10. Transcreve o art. 28, I, da lei 8.212/91 que conceitua o salário de contribuição, salientando que o legislador reconhece como tal o montante dos valores auferidos pelo trabalhador como contraprestação do trabalho por ele prestado e de forma habitual, independente de sua espécie, sendo tal montante a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo que no §9° deste mesmo dispositivo legal estão discriminadas verbas que não compõe o salário de contribuição, pois tendo em vista sua natureza, não representam remuneração pela trabalho desenvolvido. Esse o caso da PLR (art.28, §9°, "j"). 11. Quanto à PLR, por ser um direito constitucional do trabalhador previsto no art. 7o , XI, da CF, de maneira alguma poderá ser suprimido, e não há que se falar em incidência de qualquer encargo fiscal. Explicitando o objetivo constitucional de proteção ao trabalhador e desoneração das verbas a ela destinadas a título de PLR, transcreve doutrina a respeito. 12. Diante do exposto, resta demonstrado que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos funcionários a título de PLR, pois não há amparo constitucional para a manutenção desta Autuação, mormente porque os valores em questão não trazem os requisitos necessários ao seu enquadramento na classe das remunerações sujeitas ao saláriodecontribuição, que são (i) habitualidade, (ii) periodicidade, (iii) regularidade e (iv) contraprestação pelo trabalho. 13. Ressalta que a contribuição ao GILRAT não poderia ter sido instituída com base na competência residual da União Federal de criar outras fontes de custeio para o financiamento da Seguridade Social,competência essa, expressamente, prevista no artigo 195, § 4 o , da Constituição Federal, cujo dispositivo, apenas pode ser utilizado se observado o disposto no artigo 154, inciso I, também, da Carta Magna. A União Federal só pode instituir novos tributos, não expressamente previstos, através da Lei Complementar. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000307/201019 Resolução nº 2401000.334 S2C4T1 Fl. 7 6 14. Ademais, mesmo que não fossem aceitos os argumentos de inconstitucionalidade da Contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho, a exigência desta contribuição permaneceria indevida, pelo descumprimento dos artigos 195, parágrafo 4°, e 154, inciso I, da Constituição Federal, j á que seu fato gerador e sua base de cálculo são idênticos aos de outra contribuição existente, que é a contribuição previdenciária geral prevista no art. 195 da CF. 15. No presente caso, não há qualquer descrição da Fiscalização em relação ao grau de risco das atividades desempenhadas pela Impetrante, sendo que a tributação destinada ao GILRAT depende de tal classificação, sem a qual, de acordo com o artigo 22, II, da Lei n°8.212/91, não há possibilidade de incidência da alíquota devida. 16. Cita o disposto no § I o do artigo 161 do Código Tributário Nacional e afirma ser indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. 17. Ademais, mesmo que não fossem aceitos os argumentos de inconstitucionalidade da Contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho, a exigência desta contribuição permaneceria indevida, pelo descumprimento dos artigos 195, parágrafo 4°, e 154, inciso I, da Constituição Federal, j á que seu fato gerador e sua base de cálculo são idênticos aos de outra contribuição existente, que é a contribuição previdenciária geral prevista no art. 195 da CF. 18. No presente caso, não há qualquer descrição da Fiscalização em relação ao grau de risco das atividades desempenhadas pela Impetrante, sendo que a tributação destinada ao GILRAT depende de tal classificação, sem a qual, de acordo com o artigo 22, II, da Lei n°8.212/91, não há possibilidade de incidência da alíquota devida. 19. Cita o disposto no § I o do artigo 161 do Código Tributário Nacional e afirma ser indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. 20. Requer que seja integralmente provido, com a reforma do acordão recorrido, sendo reconhecido o acordo PLR entre a recorrente e os funcionários. É o relatório. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000307/201019 Resolução nº 2401000.334 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação constante nos autos, razão pela qual passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO QUANTO A INDICAÇÃO INDEVIDA DO SUJEITO PASSIVO Quanto ao lançamento referirse a pessoa jurídica extinta, notese que ditos argumentos não foram trazidos na impugnação, razão pela qual dita matéria não foi apreciada pelo julgador de primeira instância, tendo sido colacionados argumentos apenas quanto a nulidade do procedimento, pelo incorreta indicação do sujeito passivo na fase recursal. Todavia, a apreciação por parte deste colegiado, só se faz possível quanto a essa matéria, após a manifestação da autoridade fiscal sobre ditos argumentos, uma vez que o recorrente alega que, quando da realização do lançamento, a Pessoa Jurídica TVA, encontrava se extinta pela incorporação. A apreciação dessa matéria, nessa oportunidade, sem que a DRFB tenha a possibilidade de apresentar seus fundamentos, importa violação ao amplo exercício do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual deve o processo ser convertido em diligência, a fim de que a autoridade fiscal se manifeste acerca das alegações trazidas pelo recorrente sobre encontrarse a empresa extinta no momento da realização do procedimento fiscal. CONCLUSÃO Face o exposto voto por converter o julgamento em diligência. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10950.907735/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 35 /2 01 1- 41 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907735/201141 Acórdão n.º 3803005.166 S3TE03 Fl. 80 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/08/2002 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907735/201141 Acórdão n.º 3803005.166 S3TE03 Fl. 81 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907735/201141 Acórdão n.º 3803005.166 S3TE03 Fl. 82 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907735/201141 Acórdão n.º 3803005.166 S3TE03 Fl. 83 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10940.000229/2005-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de fato não definitivamente julgado, aplica-se retroativamente ao lançamento a lei nova que revogou o dispositivo legal que o havia fundamentado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de fato não definitivamente julgado, aplicase retroativamente ao lançamento a lei nova que revogou o dispositivo legal que o havia fundamentado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Helder Massaaki Kanamaru, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 02 29 /2 00 5- 09 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recursos voluntário interposto contra decisão da DRJ em Curitiba (PR) que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento de multa isolada, com fundamento no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, c/c os arts. 43, 44, § 1º, inciso II, e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, por ter efetuada compensações indevidas de débitos tributários de Cofins com crédito financeiro ilíquido e incerto, de natureza não tributária, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 344 e Relatório de Ação Fiscal às fls. 346/352. Inconformada o lançamento, a recorrente impugnouo, requerendo o seu cancelamento, alegando, em síntese, razões assim resumidas por aquela DRJ: 156. Inicialmente, no item “I Dos Fatos”, identifica que no auto de infração em comento existem dois lançamentos distintos, qual seja: (a) para os períodos de apuração 02/2003 a 07/2003, exigência de I0F, e correspondentes juros de mora e multa de oficio; e (b) para os períodos de apuração 08/2003 a 09/2003, exigência de multa isolada de oficio, no percentual de 150%, sobre os valores do IOF indicados em Dcomp; afirma que ambas as exigências são flagrantemente ilegais e não podem prosperar.” 158. Sob os títulos "11.1 – Da apuração equivocada do crédito relativo ao mês de fevereiro de 2003" e "11.2 – Da ilegalidade do lançamento dos créditos de IOF relativos ao período de fevereiro a julho de 2903", a interessada apresenta contestações a questões que serão analisadas no âmbito do PAF n.° 10940.001713/200466. 159. No item "11.3 – Da inaplicabilidade da multa de 150% prevista no art. 44, § 2', inciso II, da Lei n.° 9.430/96", questiona o lançamento de multa no percentual de 150%, dizendo que essa penalidade é completamente inaplicável ao presente caso, sendo ilegal a sua cobrança; entende que o art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, e os arts. 71 a 73 da Lei n.° 4.502, de 1964, para a tipificação de fraude exigem, de modo expresso, a realização de conduta dolosa, que exponha evidente intuito fraudulento, ardiloso, de máfé, que veicule um engano ou busque o engodo; em razão disso, alega que não basta que a ação ou omissão praticadas tenham afetado o fato gerador da obrigação tributária, mas há que restar claramente configurada a prática de ação ou omissão dolosa, intencional; na seqüência, tece considerações sobre a figura do dolo na caracterização da conduta do sujeito passivo, após o que diz: "ora, a conduta praticada pela impugnante, ainda que em última instância possa causar o diferimento do pagamento do tributo durante o processamento de suas manifestações de inconformidade, este não foi o efeito por ela pretendido, na medida em que buscou efetivamente a compensação dos tributos devidos com os créditos reconhecidos na ação judicial n." 96.00167613, da 15" Vara da Seção Judiciária de Brasília. Aliás, a impugnante em momento algum omitiu ou escondeu a natureza dos seus créditos ou a sua origem, tendo apresentado toda a documentação comprobatória a eles relativa juntamente com os respectivos pedidos de restituição." (fl. 3746), pelo que ficaria evidenciada a ilegalidade da caracterização de intuito fraudulento nas compensações que declarou, sendo indevida a aplicação da multa prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996. 160. Questiona, também, a legalidade da aplicação do Ato Declaratório Interpretativo n.° 17, de 2002, que teria objetivado a caracterização da conduta fraudulenta, extrapolando sua atividade regulamentar e violando o próprio art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996. 161. Entende que o reconhecimento e a caracterização de uma conduta fraudulenta, para fins de aplicação do art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996, cabe somente após a análise livre e desvinculada da autoridade fazendária competente das Fl. 822DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10940.000229/200509 Acórdão n.º 3301002.098 S3C3T1 Fl. 822 3 condutas praticadas e dos efeitos delas decorrentes, não se podendo admitir que mero ato regulamentar, sob o pretexto de 'interpretar' determinada regra legal, extrapole o conteúdo desta, indicando a priori a conduta tida como fraudulenta, posto que tal determinação amplia ilegalmente a hipótese 5aa' lei, transformando, indevidamente, a responsabilidade subjetiva para objetiva; acrescenta que o parágrafo único do citado ADI faz expressa referência à inaplicabilidade da regra disposta em seu artigo único, já que resta evidente que esse dispositivo a exime de qualquer responsabilidade pela compensação de créditos de natureza nãotributária, desde que estes tenham sido reconhecidos por meio de ação judicial, o que seria o caso dos autos. 162. Argumenta que é necessário o reconhecimento definitivo, em sede administrativa, do nãocabimento das compensações declaradas, posto que seria condição sine qua non para a imputação da multa prevista no art. 44, II, da Lei n." 9.430, de 1996, e sem esse reconhecimento, afigurarseia ilegal o fisco considerar que as operações que praticou caracterizam evidente intuito de fraude, devendose afastar a exigência de multa isolada de oficio no percentual de 150%. 163. Por fim, no que se refere à cobrança das multas isoladas de oficio, por entender ilegal a imputação da multa isolada de oficio no percentual de 150%, com base no art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996, requer o cancelamento do auto de infração. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, reduzindo o percentual da multa isolada aplicada de 150,0 % para 75,0 %, conforme acórdão nº 0610.707, datado de 26/04/2006, às fls. 454/530. Intimada da decisão de primeira instância, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 534/542), requerendo sua reforma a fim de que se cancele o lançamento, alegando, em síntese, a ilegalidade da multa aplicada, tendo em vista que o procedimento adotado por ela encontra respaldo no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Sorteado e distribuído o processo para a Relatora, por proposta sua, o julgamento foi convertido em diligência, retornando os autos à unidade de origem para se aguardar o julgamento definitivo, na instância administrativa, da declaração de compensação que deu origem ao lançamento em discussão, tendo em vista que se a recorrente tivesse a compensação homologada, automaticamente, a multa isolada, objeto deste processo, seria cancelada, conforme Resolução nº 20201.116, às fls. 580/594. Em atendimento à diligência, a DRF juntou aos autos os requerimentos às fls. 626/689 em que a recorrente desistiu das compensações que originaram o lançamento, em discussão, por ter optado pelo parcelamento dos débitos, mantendo, contudo a discussão relativa à multa isolada, objeto deste processo. O processo retornou à Relatora e novamente ela propôs converter o julgamento em diligência para que: “a) a DRF junte fotocópia da manifestação do órgão administrativo sobre o pedido de desistência/renúncia apresentado naquele processo administrativo, que com este possui dependência; b) seja apresentado demonstrativo sobre quais débitos foram confessados, assim como quais daqueles que eventualmente permanecem no pedido de restituição/compensação relacionamse com o presente processo; c) em havendo débito que permanece no pedido de compensação/restituição e que serviu como fato gerador do presente auto de infração, há que se aguardar a decisão definitiva daquele processo (PAF nº Fl. 823DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 13931.000557/200332), para que seja juntada a respectiva fotocópia a este processo; d) seja apresentada pela DRF manifestação conclusiva sobre o impacto da desistência/renúncia para o presente processo, e/ou de eventual débito que remanesça em discussão no pedido de restituição/compensação (manifestação essa adstrita As considerações sobre os fatos, e não sobre entendimentos, caso em que se estaria julgando novamente o feito); e) seja dado conhecimento a contribuinte para, querendo, se manifestar a respeito das conclusões da diligência realizada”, conforme Resolução nº 20201.183, às fls. 718/734. Em cumprimento a essa nova diligência, foi apresentado o Relatório de Diligência às fls. 804/810, no qual a autoridade administrativa informa que os débitos, objeto das Dcomp, que originaram o lançamento da multa isolada em discussão, neste processo, foram parcelados, via PAEX. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de voluntário apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. No julgamento de primeira instância, a autoridade julgadora reduziu o percentual da multa aplicada, de 150,0 % para 75,0 %, sob o fundamento de que não ficou caracterizada a prática de infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. O lançamento da multa isolada teve como fundamento o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, c/c os arts. 43, 44, § 1º, inciso II, e 74, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, pelo fato de a recorrente ter efetuado compensação indevida de débitos tributários com créditos financeiros de natureza não tributária, cedidos por terceiros, mediante a apresentação de declarações de compensação, protocoladas nas datas de 11/12/2003; 28/01/2004 e 22/03/2004 , que foram analisadas e não homologadas pela autoridade administrativa competente. Nas datas de realização das compensações indevidas e não homologadas pela autoridade administrativa, aqueles diplomas legais assim dispunham quanto à aplicação de penalidade: Lei nº 10.833, de 29/12/2003, convertida da MP nº 135, de 30/10/2003: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso.” Lei nº 9.430, de 27/12/1996: Fl. 824DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10940.000229/200509 Acórdão n.º 3301002.098 S3C3T1 Fl. 823 5 “Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. [...]. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...]; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; [...].” A autoridade julgadora de primeira instância reduziu o percentual da multa isolada aplicada, com amparo no art. 18 da Lei nº 8.833, de 2003, c/ a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, c/c o art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispunham: Lei nº 10.833/2003: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...]. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. [...]” Lei nº 9.430/1996 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 825DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...]”. À época da decisão recorrida, em 26 abril de 2006, a penalidade pela compensação indevida de créditos financeiros cedidos por terceiros e/ ou de natureza não tributária, mediante apresentação de Dcomp, com débitos tributários próprios, não encontrava amparo naqueles dispositivos legais. Segundo, o art. 18, citado e transcrito acima, a multa isolada somente era cabível, em razão da não homologação, em que ficasse caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Inclusive, o relator do voto da decisão de primeira instância entendeu que, no presente caso, não foi atribuído ao fato o caráter de evidente intuito de fraude. Além disto, a redação do dispositivo legal, art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, que fundamentou o lançamento, em discussão, foi alterada por meio da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, art. 18, que excluiu a aplicação de multa isolada nos casos de compensações indevidas, assim dispondo: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” Também, o art. 44, §§ 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996, foi alterado pelo art. 14 daquela lei, passando a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...].” Assim, levandose em conta que o dispositivo legal utilizado para o lançamento e exigência da multa isolada, em discussão, foi alterado e não prevê mais sua aplicação, como no presente caso, sua exigência deve ser cancelada, com fundamento no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional, pela aplicação retroativa do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, e do art. 44 da Lei nº 9.430, de l996, na redação que lhes foram dadas, respectivamente, pelos arts. 18 e 14 da Lei nº 11.488, de 207. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 826DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10940.000229/200509 Acórdão n.º 3301002.098 S3C3T1 Fl. 824 7 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10950.001163/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
CERCEAMENTO DE DEFESA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Não deve prosperar a alegação de cerceamento do direito de defesa quando são fornecidos ao contribuinte todos os elementos necessários à sua defesa.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Presume-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. IDENTIFICAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Nos casos em que o contribuinte indica a origem dos valores das operações realizadas, ainda que não demonstre se tais valores foram ou não oferecidos à tributação, mas torne possível ao fisco a verificação da efetiva omissão de receita, deve ser afastada a presunção do artigo 42 da lei 9430/96.
CRÉDITOS BANCÁRIOS. JUSTIFICATIVAS DESACOMPANHADAS DE PROVAS. Mantém - se a presunção legal de omissão de receitas relativas a créditos/depósitos recebidos pela empresa em contas de sua titularidade mantidas em instituições financeiras , se as alegações de que são receitas já declaradas em exercícios anteriores ou de que são recebimentos posteriormente debitados não estão comprovadas e se as transferências entre contas já foram excluídas.
Numero da decisão: 1201-000.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação os valores constantes das fls. 611 a 620 e 624 a 627 do processo.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco, (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Não deve prosperar a alegação de cerceamento do direito de defesa quando são fornecidos ao contribuinte todos os elementos necessários à sua defesa. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Presumese omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. IDENTIFICAÇÃO DAS OPERAÇÕES. Nos casos em que o contribuinte indica a origem dos valores das operações realizadas, ainda que não demonstre se tais valores foram ou não oferecidos à tributação, mas torne possível ao fisco a verificação da efetiva omissão de receita, deve ser afastada a presunção do artigo 42 da lei 9430/96. CRÉDITOS BANCÁRIOS. JUSTIFICATIVAS DESACOMPANHADAS DE PROVAS. Mantém se a presunção legal de omissão de receitas relativas a créditos/depósitos recebidos pela empresa em contas de sua titularidade mantidas em instituições financeiras , se as alegações de que são receitas já declaradas em exercícios anteriores ou de que são recebimentos posteriormente debitados não estão comprovadas e se as transferências entre contas já foram excluídas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 11 63 /2 00 8- 90 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação os valores constantes das fls. 611 a 620 e 624 a 627 do processo. (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco, (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 688/724) lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ Simples, CSLL Simples, PIS Simples, COFINS Simples e INSS Simples, em razão da apuração das seguintes irregularidades: (i) Omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados) e (ii) Insuficiência de recolhimento. O procedimento fiscal adotado que ensejou a autuação questionada tem relação com a fiscalização levada a efeito na pessoa física do contribuinte Pedro Campos Anacleto, isto porque este justificou suas movimentações bancárias afirmando que os valores eram decorrentes de transações comerciais da empresa Adriane Aparecida dos Santos (CNPJ 01.117.101/000100). Do termo de verificação fiscal consta: “2. DAS VERIFICAÇÕES Os contribuintes foram intimados nos termos de início de ação fiscal (doc..nexo) para apresentar a documentação e Extratos bancários das contas movimentadas pela Empresa e pela pessoa física, bem como comprovar a origem dos valores creditados nas contas corrente bancárias. O Sr. Pedro Campos Anacleto informou (...) que os valores que circularam em suas contas bancárias referiamse praticamente em sua totalidade, a depósitos e descontos de cheques oriundos de transações comerciais da Empresa ADRIANE APARECIDA DOS SANTOS CNPJ. 01.117.101/000100 que atua no comércio de couros. Os contribuintes apresentaram a documentação e extratos solicitados onde após análise constatouse que as movimentações financeiras eram muito superiores às receitas declaradas pela Empresa. Com base nos extratos bancários foram elaborados os demonstrativos denominados: Demonstrativos dos Valores Creditados nas Contas Correntes e Valores Comprovados e Demonstrativo das Receitas Declaradas e Apuradas. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 10950.001163/200890 Acórdão n.º 1201000.805 S1C2T1 Fl. 815 3 Nestes demonstrativos foram relacionados todos os créditos que o contribuinte deveria comprovar, consolidados por banco mês a mês. Os valores relacionados foram comparados com as Receitas Declaradas, onde ficou evidenciado que os valores declarados eram muito inferiores aos valores movimentados nas instituições financeiras, extratos anexos, (ver sumário contra capa). Com base nos demonstrativos citados o contribuinte foi intimado para comprovar a origem dos valores creditados nas contas correntes bem como apresentar demonstrativo das transferências, empréstimos ou outras transações que teriam ocorrido entre as contas bancárias. Foi informado ainda que deveria se manifestar se iria recompor a escrita fiscal, visto que seria excluído do SIMPLES, modalidade adotada pelo contribuinte para entrega da declaração do Imposto de Renda. (...) 3. DA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PELO SR. PEDRO CAMPOS ANACLETO COMPROVANDO MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. (...) Para comprovar que a movimentação pertencia à Empresa, o Sr. Pedro apresentou diversos documentos os quais foram denominados de Anexo I, Anexo II e Anexo III e IV, onde fica evidenciado o desconto de cheques, transferências e pagamentos efetuados pelo Sr. Pedro de contas pertencentes à Empresa, anexo, (ver sumário contra capa). Após conferência da documentação apresentada, concluise que a movimentação financeira em nome do Sr. Pedro Campos pertence realmente à Empresa, na qual serão tributados os valores que não foram comprovados e não declarados. 4 DOS VALORES SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO O contribuinte foi intimado para justificar os valores creditados nas contas correntes pertencentes à Empresa e da pessoa física do Sr. Pedro Campos Anacleto. Juntamente com a intimação fiscal foi entregue ao contribuinte os demonstrativos: a) Demonstrativo dos valores creditados – neste demonstrativo foram relacionados todos os créditos constantes dos extratos que deveriam ser justificados, já descontados os valores identificáveis nos extratos como não tributável como por ex. cheques devolvidos. b) Demonstrativo dos valores creditados nas contas correntes a serem comprovados neste demonstrativo foram relacionados os créditos mês a mês e por instituição financeira, totalizando o valor anual dos valores sujeitos a comprovação. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 4 c) Demonstrativo comparativo entre as receitas declaradas e créditos bancários neste demonstrativo foram relacionados os valores declarados pelo contribuinte os quais foram comparados com os valores dos créditos bancários não comprovados. O contribuinte apresentou documentos que comprovam que a movimentação existente nas contas da pessoa física Sr. Pedro Campos Anacleto pertencem à pessoa jurídica a saber: No anexo I, já citado, anexou COMPROVANTES DE DESCONTO DE CHEQUES E TÍTULOS, fica demonstrado várias operações de desconto e cobranças, valores estes creditados nas contas correntes. Estes valores comprovam que os valores movimentados pertencem à jurídica, mas não comprovam a origem dos recursos visto que os valores descontados referemse a vendas de mercadorias não contabilizadas ou escrituradas pela pessoa jurídica. No anexo II, o contribuinte apresentou várias transferências que ocorreram entre as contas correntes. Após conferência estes valores foram deduzidos dos valores a tributar conforme se verifica no demonstrativo dos valores creditados nas contas correntes a serem comprovados. Os valores constantes dos anexos IV, que foram creditados nas contas decorrentes de reembolso também foram considerados e excluídos dos valores a tributar. O contribuinte não apresentou outros documentos que comprovassem que a origem dos outros valores relacionados nos demonstrativos e creditados nas contas correntes, não eram decorrentes de vendas da Empresa. A diferença entre os valores declarados e os valores relacionados nos demonstrativos já mencionados e não comprovados, ficam sujeitos à tributação o que será feito. Portanto os valores sujeitos à tributação serão os valores apresentados no Demonstrativo comparativo entre as receitas declaradas e créditos bancários, após a exclusão dos valores anexo, (ver sumário contra capa). 5 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Os valores não comprovados pelo contribuinte que se encontram nos demonstrativos citados serão tributados como omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários. 6 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES O contribuinte ADRIANA APARECIDA SANTOS, encontra se cadastrada no SIMPLES, tendo entregado as declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica por essa modalidade de tributação. Conforme se verifica nos demonstrativos dos Valores creditados nas contas correntes e demonstrativo comparativo entre receitas declaradas e créditos bancários, a Empresa extrapolou os limites permitidos para permanência no SIMPLES. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 10950.001163/200890 Acórdão n.º 1201000.805 S1C2T1 Fl. 816 5 Conforme disposto na Lei 9.317/96 nos artigo 90, II quando o contribuinte ultrapassar ao valor de R$ 1.2000.000,00 (Hum milhão e duzentos mil reais) não pode permanecer no SIMPLES. O contribuinte poderia ter mudado a opção de declaração do Imposto de Renda passando a declarar pelo Lucro Real ou Presumido, o que não foi efetuado pela fiscalizada. Isto posto foi efetuada a exclusão do SIMPLES, a partir do ano calendário de 2.004, conforme ato declaratório 06 de 2.008, anexo, (ver sumário contra capa). O contribuinte foi intimado para se pronunciar se iria recompor a escrita fiscal incluindo toda movimentação da Empresa, inclusive a financeira. Em resposta ao intimado o contribuinte informou que não é possível recompor a sua escrituração fiscal doc. Anexo (ver sumário contra capa), tendo recomposto apenas o Livro Caixa, atendendo a intimação fiscal. A não recomposição da escrita fiscal com toda movimentação da Empresa inclusive financeira, sujeita o contribuinte ao ARBITRAMENO DO LUCRO. (...)” O contribuinte apresentou impugnação e alegou, em síntese, que: (i) simples depósitos bancários não são capazes de afirmar a omissão de receitas, pois estes não alcançam o conceito de receita e não podem ser considerados como entradas de numerários que integraram o patrimônio do contribuinte; (ii) para configuração da infração apontada (omissão de receita) é necessário que existam depósitos bancários não identificados, o que não ocorreu no caso, pois os lançamentos autuados tiveram sua origem comprovada; (iii) foi constatado da verificação fiscal que os valores movimentados pelo Sr Pedro Campos pertencia à empresa. Assim, a mera transferência entre as contas da pessoa jurídica e da pessoa física não gera acréscimo de patrimônio e por isso não deve ser tributado; (iv) que no mercado de comércio de couros existe alta inadimplência, razão pela qual recebeu duplicatas comerciais de seus clientes, como forma de pagamento e consequentemente: (a) ocorreram renegociações de dívidas relativas a receitas percebidas em exercícios anteriores ao fiscalizado "cujos documentos fiscais foram devidamente declarados" dado que o contribuinte optou pelo regime de competência, e assim devem ser reconhecidas suas receitas na apuração fiscal, bem como (b) recebeu de clientes duplicatas que estes emitiram contra terceiros, as quais o contribuinte descontou junto às instituições financeiras, sendo que, não raro, tais duplicatas não eram pagas por aqueles terceiros, resultando na devolução dessas duplicatas à litigante e débitos dos respectivos valores nas suas contas bancárias; nesses casos, a autuada renegociava a dívida com seu cliente trocando as duplicatas vencidas e devolvidas pelo banco, por outras que, por sua vez, eram descontadas. Afirmou que, em relação a essas operações, a fiscalização, incorretamente, tributou valores que efetivamente não foram recebidos pela impugnante, dado que simplesmente decorrentes de renegociações de Fl. 818DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 6 dívidas de clientes; (v) Afirmou a existência de valores considerados em duplicidade na autuação; (vi) houve cerceamento do direito de defesa em relação a autuação por insuficiência de valores recolhidos, pois não há menção no termo de verificação fiscal, o que prejudicou a defesa; (vi) a multa de ofício de 75% aplicada viola o princípio da proporcionalidade. Por fim, pugnou pelo cancelamento dos autos, ou, pelo menos, a exclusão dos valores recebidos referentes a descontos de cheques e duplicatas, cobranças de duplicatas, transferências entre contas da empresa, das duplicatas descontadas e posteriormente devolvidas, dos valores em duplicidade e redução da multa. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba manteve parte do lançamento, excluindo os valores considerados em duplicidade e proferiu o acórdão que restou assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, por falta de descrição do fato, relativamente à exigência fiscal de diferenças de simples sobre as receitas que a contribuinte declarou com percentuais inferiores aos que se revelaram devidos quando apuradas as omissões e computados os totais das receitas brutas acumuladas mensais, demonstrados nos autos. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 10950.001163/200890 Acórdão n.º 1201000.805 S1C2T1 Fl. 817 7 O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. CRÉDITOS BANCÁRIOS CONSIDERADOS EM DUPLIIDADE. Cabe excluir da autuação valores de depósitos/créditos bancários considerados em duplicidade. CRÉDITOS BANCÁRIOS. JUSTIFICATIVAS DESACOMPANHADAS DE PROVAS. Mantémse a presunção legal de omissão de receitas relativa a créditos/depósitos recebidos pela empresa em contas de sua titularidade mantidas em instituições financeiras, se as alegações de que são receitas já declaradas em exercícios anteriores ou de que são recebimentos posteriormente debitados não estão comprovadas e se as transferências entre contas já foram excluídas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS, CSLL E INSS SIMPLES. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal.” Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 800/812) argumentando, em síntese que: (i) não é cabível autuação com fundamento único em depósitos bancários, a partir dos quais se presumiu a omissão de receita; (ii) houve cerceamento de defesa, pois não consta do termo de verificação fiscal a fundamentação acerca da suposta insuficiência dos valores recolhidos; (iii) comprovada a origem dos depósitos, fica afastada a possibilidade de tributação com fulcro na omissão de rendimentos, cabendo, se for o caso, a tributação com lastro na regra ordinária de incidência tributária e (iv) afirmou que realizava algumas operações cujos pagamentos se davam por duplicatas comerciais e por isso: (a) ocorriam renegociações de dívidas relativas a receitas de anos anteriores, cujos documentos fiscais foram declarados e, por isso, o pagamento posterior de Notas fiscais emitidas e cuja receita foi declarada, não pode ser tributado novamente; (b) realizada renegociações com clientes trocando duplicatas vencidas e devolvidas por outras, resultando em nova operação de desconto comercial. Assim, incorreta a tributação de valores que não foram efetivamente recebidos, mas decorreram tão somente de renegociação. Por fim, requereu seja julgado improcedente o auto de infração, já que Fl. 820DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 8 fundamentado em mera presunção e, caso não seja este o entendimento do Conselho, que sejam excluídos da medida fiscal: (i) valores identificados nos extratos bancários, referentes à descontos de cheques e cobrança de duplicatas e (ii) os valores referentes à duplicatas que foram num primeira momento descontadas e, posteriormente, devolvidas por falta de pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. O Recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Tratase de Auto de Infração lavrado devido a apuração de omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados) e de insuficiência de recolhimento. Preliminarmente, quanto a alegação de cerceamento de defesa em razão de ausência de fundamentação acerca da suposta insuficiência dos valores recolhidos, entendo que esta não merece ser acolhida. Em que pese a alegação do Recorrente, extraise do item 02 do auto de infração as seguintes informações: (i) a descrição da infração: “Insuficiência de Recolhimentos”, bem como (ii) a capitulação legal de tal infração, qual seja: artigo 5º da lei 9.317/96, o que evidencia que as diferenças resultam da utilização pelo autuado de percentuais de apuração do Simples, inferiores aos devidos. Além disso, às fls. 650/651, consta a demonstração da receita bruta declarada pelo contribuinte, as diferenças apuradas (de receitas omitidas), bem como a receita bruta acumulada e, por fim, as alíquotas aplicáveis, capituladas no art. 23, II da Lei n° 9.317, de 1996. No caso dos autos, o contribuinte era optante do regime simplificado de tributação, razão pela qual tinha conhecimento de que na medida em que a receita bruta aumenta, a alíquota aplicável também é aumentada. Desse modo, a partir do confronto desse demonstrativo com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — PJSI (fls. 703/720 e 749/751), é possível constatar que as alíquotas por ele adotadas eram menores que as efetivamente devidas relacionadas na fl. 650. Assim, tendo em vista a receita declarada, para as quais utilizouse de percentuais de apuração do Simples inferiores aos devidos, foram apuradas diferenças a maior das alíquotas, dado que, somadas as receitas omitidas, os percentuais devidos eram maiores. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, já que a infração foi devidamente demonstrada e fundamentada no próprio auto de infração, possibilitando o exercício da ampla defesa pelo contribuinte. No mérito, em relação à alegação de que não é cabível autuação com fundamento único em depósitos bancários, a partir dos quais se presumiu a omissão de receita, entendo que este não subsiste em vista do que dispõe o art. 42, caput, da Lei 9430/96, que fundamentou o auto de infração. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR Processo nº 10950.001163/200890 Acórdão n.º 1201000.805 S1C2T1 Fl. 818 9 O art. 42, caput, da Lei 9430/96 dispõe: “Art. 42. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Diante da expressa disposição legal, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, passa a ser do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Da leitura da redação do artigo 42 da lei 9.430/96 é possível extrair que a intenção do legislador foi autorizar a presunção de omissão de receita nos casos em que o contribuinte não fornece elementos que possibilitem a atuação do fisco na verificação da efetiva omissão de receitas. Dessa maneira, se constatadas movimentações bancárias com valores superiores aos declarados e caso o contribuinte não identifique as operações que deram origem às movimentações, tornando inviável o exercício da fiscalização, é autorizada a presunção de omissão de receita. Entretanto, caso o contribuinte apresente elementos que identifiquem a origem das operações, independentemente de comprovar ou não o oferecimento à tributação, afasta a possibilidade de aplicação do artigo 42 da lei 9.430/96, pois neste caso a fiscalização possui meios de apurar a efetiva omissão de receita. No presente caso, o contribuinte apresentou: demonstrativos e comprovantes de operações de descontos de cheques e títulos (fls.251/576), demonstrativos e comprovantes de transferência entre as contas bancária movimentadas pela empresa (fls. 577/582), demonstrativos e comprovantes de pagamentos realizados nas contas do Sr. Pedro Campos Anacleto (fls. 583/639). Dos documentos acostados pelo contribuinte, em relação à demonstração da origem dos recursos movimentados, apenas parte da documentação acostada foi capaz de demonstrar a origem dos recursos movimentados e afastar a presunção da fiscalização, senão vejamos: (i) Dos demonstrativos de descontos de cheques não foi possível constatar qualquer informação que identificasse a operação cambial realizada, mas apenas que estes foram pagos pelo banco, portanto, não afastam a presunção do art. 42 da lei 8430/96. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR 10 (ii) Dos extratos e demonstrativos dos descontos de título (fls. 611/620) e 423/455) fornecidos pelo Banco do Brasil, foi possível verificar o número da operação e nome do sacado, informações estas que são capazes de identificar a operação realizada e fornecer ao fisco elementos para que proceda à verificação de suposta omissão de receita, não sendo cabível, portanto, a presunção. (iii) Os demonstrativos e comprovantes de pagamentos realizados nas contas do Sr. Pedro Campos Anacleto (fls. 624/627) da mesma forma indicam o nome do depositante, permitindo a identificação da operação, devendo ser afastada a presunção. (iv) E, os demonstrativos e comprovantes de transferência entre as contas bancárias movimentadas pela empresa (fls. 577/582) também indicam o nome do remetente e, por isso, fornecem elementos que identificam a operação realizada, afastando a presunção. Nesse ponto, consta do termo de verificação que tais valores foram deduzidos dos valores a tributar , ou seja, tais valores foram excluídos pela própria fiscalização. Assim, tendo em vista que parte dos documentos acostados pelo contribuinte são capazes de identificar as operações que deram origem às movimentações bancárias, caberia ao fisco comprovar a omissão de receita. É o caso dos autos, pois a fiscalização possuía a identificação de determinadas operações, razão pela qual poderia exercer sua atividade para demonstrar a efetiva omissão de receita. Se o legislador autorizou a presunção de omissão de receita para os casos em que o contribuinte não fornece elementos que possibilitem a atuação do fisco, no caso dos autos, os valores constantes às fls. 611 a 620 e 624 a 627 devem ser excluídos da tributação. Por fim, em relação aos valores referentes à operações com duplicatas, o contribuinte não apresentou documentos que demonstrassem que tais valores foram oferecidos à tributação. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir o lançamento dos valores cujas operações puderam ser identificadas e representadas pelos documentos acostados às fls. 611 a 620 e 624 a 627. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 823DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 02/01/2014 por JOAO CARLO S DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12670.000801/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. ALEGAÇÃO DE REPASSE DOS RENDIMENTOS A TERCEIROS.
A alegação de repasse a terceiros dos rendimentos considerados omitidos em Notificação de Lançamento não tem o condão de alterar o sujeito passivo do tributo devido em decorrência do recebimento de pensão auferida por dependente do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Assinado digitalmente
Rubens Maurício Carvalho Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 08/05/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE DEPENDENTE. ALEGAÇÃO DE REPASSE DOS RENDIMENTOS A TERCEIROS. A alegação de repasse a terceiros dos rendimentos considerados omitidos em Notificação de Lançamento não tem o condão de alterar o sujeito passivo do tributo devido em decorrência do recebimento de pensão auferida por dependente do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 67 0. 00 08 01 /2 00 8- 27 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 12670.000801/200827 Acórdão n.º 2102002.531 S2C1T2 Fl. 68 2 Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Presidente em Exercício Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 08/05/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ANTONIO WILSON GRANER GONÇALVES JR foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 31/34, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 9.874,52, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2008. As infrações apuradas pela autoridade lançadora foram: omissão de rendimentos recebidos da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), no valor de R$ 0,02 e omissão de rendimentos recebidos pela dependente do contribuinte, Ana Silvia Giani F G Gonçalves, CPF 214.648.63849, do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, no valor de R$ 29.256,92. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.01/02, onde alega que o rendimento considerado omitido se trata de pensão recebida em decorrência do falecimento de seu sogro e que embora em nome de sua esposa, Ana Silvia Giani F G Gonçalves, o valor correspondente é distribuído a sete netos, todos menores. A autoridade julgadora de primeira instância considerou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/SP2 nº 1747.594, de 18/01/2011, fls. 48/51. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/05/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 56, o contribuinte apresentou, em 08/06/2011, recurso voluntário, fls. 57/59, onde reitera e reforça os argumentos trazidos na impugnação, acrescentado que o prazo para exigência do crédito tributário já expirou e que o valor cobrado na Notificação supera sua capacidade contributiva. É o Relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 12670.000801/200827 Acórdão n.º 2102002.531 S2C1T2 Fl. 69 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese salientar que o princípio constitucional da capacidade contributiva, argüido pelo contribuinte em sua defesa, é direcionado para cada uma das esferas legislativas, ou seja, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, que deverá observálo quando da elaboração das leis. Ocorre que, conforme disposto na Súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, este colegiado está impedido de examinar a constitucionalidade de leis tributárias: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não será apreciada neste voto a argüição do contribuinte de que os valores exigidos no lançamento estão acima da capacidade contributiva do recorrente. O contribuinte suscita também que o prazo para a exigência do crédito tributário estaria expirado. Cuidase no lançamento de fato gerador ocorrido no anocalendário 2004, sendo certo que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 27/05/2008, conforme documento, fls. 26. Logo, não há que se falar em decadência do crédito tributário na data do lançamento, posto que o contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento antes de decorrido o prazo previsto no art. 150, §4º, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, o contribuinte afirma que o rendimento considerado omitido se trata de pensão recebida em decorrência do falecimento de seu sogro e que embora em nome de sua esposa, Ana Silvia Giani F G Gonçalves, o valor correspondente é distribuído a sete netos, todos menores. Dos documentos acostados aos autos, fls. 07 e 46, resta cristalino que a beneficiária dos rendimentos em questão é a esposa do contribuinte, Ana Silvia Giani F G Gonçalves, que foi relacionada como dependente do contribuinte, em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2005, fls. 38/44. Logo, nos termos da legislação de regência (art. 43 do CTN), correta a exigência fiscal, sendo certo que o fato de a esposa do contribuinte repassar as quantias recebidas à título de pensão para os netos de seu pai é mera liberalidade da mesma, que não tem o condão de alterar a sujeição passiva do tributo. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 12670.000801/200827 Acórdão n.º 2102002.531 S2C1T2 Fl. 70 4 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 po r RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA
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Numero do processo: 10980.007189/2003-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/11/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO ELETRÔNICO. DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (proc jud de outro CNPJ e proc inexist no Profisc) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
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DCTF. MOTIVAÇÃO INCONSISTENTE. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud de outro CNPJ” e “proc inexist no Profisc”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 71 89 /2 00 3- 80 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 161 a 167) contra o v. acórdão proferido pela Colenda 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção (fls. 157 a 158) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. O lançamento consubstanciado no auto de infração eletrônico de fls. 07 a 16 diz respeito a crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do tributo no anocalendário de 1998, detectada em auditoria interna de DCTF. Tal falta de recolhimento seria decorrente de declaração inexata, pois os processos que teriam dado azo a crédito compensável se referiam a outro CNPJ (“proc jud de outro CNPJ”) ou não foram identificados no Profisc (“proc inexist no Profisc”), conforme fls. 11. Não haveria, assim, crédito vinculado ao contribuinte. A Colenda Turma a quo anulou o processo ab initio porquanto o motivo da lavratura do auto de infração, qual seja, o processo judicial que fez surgir o crédito compensável ser de outro CNPJ, não era correto. Com isso, entendeuse que 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72 foram descumpridos. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: AUTO DE INFRAÇÃO. VALORES PAGOS E/OU INCLUÍDOS ANTERIORMENTE NO PROGRAMA REFIS. CNPJ INCORRETO. ALOCAÇÃO SOLICITADA PELA RECORRENTE. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. De se cancelar o auto de infração emitido eletronicamente que não levou em conta a existência de pagamento parcial por meio de Darf (ainda que emitido com CNPJ de estabelecimento incorporado), bem como a inclusão da parte restante do débito no Refis (ainda que em nome do estabelecimento matriz da autuada), em face dos referidos equívocos cometidos pela autuada serem decorrentes de processo de incorporação de empresas. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, com base em acórdão paradigma, que o lançamento deve ser mantido, porquanto não há motivo para se cancelar o auto de infração quando o débito já houver sido previamente incluído em parcelamento, notadamente o REFIS. Ademais, a Fazenda Nacional asseverou que, na hipótese de inadimplemento das prestações do REFIS, não haverá cobrança em duplicidade, mas sim a persecução de uma nova forma de adimplemento do crédito tributário remanescente. Seriam, assim, dois instrumentos de constituição de um mesmo crédito tributário, o que não é vedado pela legislação tributária. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10980.007189/200380 Acórdão n.º 9303001.700 CSRFT3 Fl. 185 3 O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 171. Contrarrazões às fls. 176 a 180, em que se propugnou pela manutenção do v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, o v. acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Com efeito, o Ilustre relator do v. acórdão recorrido, Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, foi certeiro. Nesse sentido, pedese vênia para transcrever trecho do voto condutor, verbis: (...) A motivação do lançamento propriamente dita não é contestada pela autuada, isto é, são mesmo procedentes as glosas efetuadas pela auditoria eletrônica em DCTF que não confirmou os créditos vinculados às compensações informadas. O que a autuada argumenta é que na época do lançamento, os débitos por meio dele constituídos de oficio já estariam, uma parte quitada por meio de Darf, embora, admitase, emitido com o número de CNPJ que ostentava antes de ser incorporada, e a parte restante sendo paga por meio do programa Refis. Tais alegações, todavia, não foram acatadas pela instância recorrida, e isso em face do resultado da diligência realizada pela Unidade de origem a pedido da DRJ, qual seja: a) de que o Darf de fl. 58, no valor de R$ 1.015,00, relativo ao PIS/Pasep de novembro de 1998, recolhido no dia 15/12/1998, embora conste efetivamente dos sistemas da Receita Federal, não pôde ser alocado ao débito ao qual era destinado por constar no campo próprio o número de outro CNPJ que não o da autuada, isto é, lá constou o CNPJ de n° 88.209.697/0025 23; e b) de que a Fl. 190DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 pesquisa para o CNPJ 77.961.431/00653 (da autuada) não retornou nenhuma informação acerca de sua opção pelo Refis. Outro motivo dado pela instância de piso para não acatar as argumentações da Recorrente foi o fato de que, embora lhe tivesse sido dada a oportunidade de trazer razões adicionais de defesa, não logrou fazêlo. Quanto à parte do lançamento, da ordem de R$ 1.015,00, não há dúvida de que tal importância está a disposição do erário, mas que, por ter sido a este entregue com uma identificação equivocada (o CNPJ de uma empresa extinta por incorporação), está errando pelos sistemas eletrônicos da Receita Federal até que alguém lhe pince e o aloque ao CNPJ correto. Ora, os documentos trazidos pela autuada mais que comprovam que a empresa que detinha o CNPJ n° 88.209.697/002523 e que recolheu tal importância de R$ 1.015,00, foi EXTINTA por incorporação em 20/11/1998, sucedendoa uma outra, de CNPJ obviamente diferente, o de n° 77.961.431/000149, a qual possui um estabelecimento filial cujo CNPJ é o de n° 77.961.431/0006753. E, diferentemente do entendimento da instância de piso, não vejo nenhum absurdo em que tal equívoco tenha sido cometido mesmo após a data da incorporação, pois, a meu ver, é perfeitamente plausível que esse tipo de confusão em grandes empresas vitimem as pessoas encarregadas de efetuar tais providências, mormente após transcorridos meros trinta dias, quando o grande evento (incorporação) ainda esteja surtindo seus efeitos. Devo admitir, todavia, que existe um componente kafkiano obstaculizando uma pacífica solução para esta parte da lide, já que, presumo, não caberia a este Colegiado determinar à Unidade de origem que faça a correta alocação do Darf ao CNPJ da autuada, de modo a esta ser eximida de recolher novamente tal quantia por conta deste auto de infração. Mas, é o contribuinte quem pede esta providência, senão vejamos na sua peça recursal, à fl.113, verbis: Para se resolver definitivamente a questão, já que a decisão ora combatida entendeu que o pagamento realizado não pode ser considerado, pois 'não foi vinculado ao débito por se tratar de CNPJ divergente', basta a Delegacia da Receita Federal utilizar a prerrogativa de alocar o pagamento realizado e comprovado ao CNPJ correto, em razão das comprovações das incorporações realizadas, lembrando que o pagamento somente foi feito por empresa com CNPJ diverso pois se deu na mesma época das incorporações. Assim, na premissa de que a Unidade de origem vá de fato proceder à alocação requerida pela Recorrente, voto por excluir da exigência a importância (original) de R$ 1.015,00, correspondente a uma parte da contribuição relativa ao período de apuração de novembro de 1998. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10980.007189/200380 Acórdão n.º 9303001.700 CSRFT3 Fl. 186 5 Quanto à outra parte do lançamento, aliás, a mais relevante, e que envolve os valores de R$ 98.426,41 e R$ 93.204,15, também não há dúvida de que os mesmos foram incluídos no Refis pela empresa de CNPJ n° 77.961.431/000149, a teor dos documentos por ela acostados — e não contestados pela DRJ — às fls. 54/56. O que a DRJ contesta é o fato de que tais valores não estão indicados na Declaração do Refis como sendo do estabelecimento filial, de CNPJ com final "000653", não obstante coincidam os períodos de apuração, os valores e a contribuição, tal como constou da autuação. Em outras palavras, o que foi incluído no Refis e está sendo pago (conforme atestam os documentos de fls. 39/52) é exatamente o mesmo valor que consta do auto de infração, o que significa dizer que, a prevalecer o presente lançamento, o contribuinte pagará o PIS/Pasep dos períodos de novembro e de dezembro de 1998 em duplicidade. E aqui, novamente, parece que estamos diante daquele componente kafkiano a que me referi acima, ou seja, os valores estão à disposição do erário, porém, por terem sido efetuados de forma equivocada, ou confusa, pela autuada e/ou por sua sucessora, não podem ser alocados aos débitos correspondentes. Lembrese aqui, que, além da confusão gerada pelo processo de incorporação por qual passou a autuada, outra circunstância certamente contribuiu para que a autuada incorresse em erro ao preencher sua declaração do Refis, qual seja, que, a partir de janeiro de 1999, com a edição do artigo 15 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, os recolhimentos do PIS/Pasep passaram a ser obrigatoriamente de forma centralizados pelo estabelecimento matriz. Assim, na linha do que propusera em relação à parcela de R$ 1.015,00, voto por cancelar também esta parte da exigência, na premissa de que a Unidade preparadora, ao executar este Acórdão, adote as providências necessárias — e isto ainda que demande providências da autuada, do tipo, retificação, novo requerimento etc. — para que os valores de R$ 98.426,41 e R$ 93.204,15, acima identificados, sejam considerados como tendo sido incluídos no Refis. Em face de todo o exposto, e aqui invocando aos princípios da moralidade, da verdade material e da finalidade, voto por cancelar o lançamento, restando prejudicada a análise quanto ao suposto caráter confiscatório da multa de oficio. (grifos e destaques nossos) Conforme se infere do excerto acima, comprovouse nos autos que parte do crédito tributário exigido foi pago e outra foi objeto de parcelamento no REFIS. É de se destacar, a propósito, que a inclusão no parcelamento especial REFIS exigia a desistência dos processos judiciais e administrativos, razão pela qual não há necessidade de constituição do crédito tributário através de lançamento de ofício. Basta a mera cobrança. Correta, assim, a r. decisão recorrida ao determinar o cancelamento da autuação. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 Assim, por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 193DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 19515.004856/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005
PRELIMINAR. DECISÃO DEFINITIVA. DECADÊNCIA.
A decisão definitiva no âmbito administrativo que considera que o lucro inflacionário fora integralmente realizado impede que outro julgador analise novamente a questão, em face de sua prejudicialidade e em respeito, ainda, ao princípio da segurança jurídica. Ocorre a decadência do direito de lançar após cinco anos da data em que o lucro inflacionário teria sido integralmente realizado.
Numero da decisão: 1202-001.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005 PRELIMINAR. DECISÃO DEFINITIVA. DECADÊNCIA. A decisão definitiva no âmbito administrativo que considera que o lucro inflacionário fora integralmente realizado impede que outro julgador analise novamente a questão, em face de sua prejudicialidade e em respeito, ainda, ao princípio da segurança jurídica. Ocorre a decadência do direito de lançar após cinco anos da data em que o lucro inflacionário teria sido integralmente realizado.
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Decadência Recorrente BANCO ITAUBANK S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 PRELIMINAR. DECISÃO DEFINITIVA. DECADÊNCIA. A decisão definitiva no âmbito administrativo que considera que o lucro inflacionário fora integralmente realizado impede que outro julgador analise novamente a questão, em face de sua prejudicialidade e em respeito, ainda, ao princípio da segurança jurídica. Ocorre a decadência do direito de lançar após cinco anos da data em que o lucro inflacionário teria sido integralmente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 56 /2 00 8- 48 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário do contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a sua impugnação contra Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, por ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO – REALIZAÇÃO MÍNIMA (fls. 292 a 298), relativo a fatos geradores ocorridos em 31/12/2003 e 30/06/2004. Consoante o Termo de Verificação Fiscal (fls. 288 a 291), o lançamento foi efetuado em face de BANCO ITAUBANK S/A, CNPJ nº 60.394.079/000104, na condição de sucessor, a partir de 04/96, de BOSTON ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTO LTDA, CNPJ 62.150.685/000100, titular originário do Saldo do Lucro Inflacionário de 1995, cuja realização, nos valores mínimos legais, não teria sido levada a efeito nos anoscalendário de 2003 e 2004. Como enquadramento legal, foram referidos, para o IRPJ, o art. 8º da Lei nº 9.065/95, os arts. 6º e 7º da Lei nº 9.249/95 e os arts. 249, inciso I, 447, 449, 860 e 861 do RIR/99 (fl. 297), para os juros moratórios, os arts. 6º, §2º, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, e, para a multa de ofício, o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Como consta do relatório da decisão recorrida, cujo trecho se reproduz, a autoridade fiscal consignou ao final do procedimento fiscal, em suma, que: o autuado teria registrado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica – DIRPJ do anocalendário de 95 (fl. 21) saldo acumulado de Lucro Inflacionário de R$ 43.068.898,00, valor este que pretendera reduzir para R$ 34.984.745,00 (fl. 31), mediante entrega, em 01/06/2005, de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ – Retificadora (fls. 22 a 31), que terminou por ser retida em malha, por intempestividade; no Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário – SAPLI (fl. 08) da RFB, que controla a realização do referido saldo com base em DIPJ´s entregues tempestivamente, o Saldo Acumulado do Lucro Inflacionário a Realizar em 31/12/95, seria de R$ 45.698.348,24; em resposta à intimação (fl. 02) para comprovar a correta tributação do referido Lucro Inflacionário, teria informado que optara pela realização incentivada dos seus valores, nos termos do artigo 7º da Lei nº 9.249/95, apresentando como comprovação da realização, o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR (fls. 252 a 255), cópia das Fichas do Razão (fls. 271 e 272) contendo a escrituração das contas “Provisão para Imposto de Renda Diferido” e “Antecipação de IRPJ de Exercícios Anteriores”; Fl. 816DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 4 3 intimado novamente (fl. 275), quando foi alertado de que a legislação por ele invocada previa que a opção deveria ser exercida mediante pagamento do imposto no código 3320, sendo a opção irretratável, considerado o imposto no regime de tributação exclusiva, não integrando, portanto, o lucro real , reafirmou (fl. 277) que, em 96, teria realizado integralmente o saldo de Lucro Inflacionário de 95, nos termos do artigo 7º, § 3º, da Lei nº 9.249/95, quitando o imposto devido à alíquota de 10%, para o que teria utilizado parte do crédito das antecipações de IRPJ do anocalendário de 95; o autuado, porém, não teria efetuado recolhimento do imposto antecipadamente e não declarado o débito em DCTF, consoante pesquisas realizadas nos sistemas de controle da arrecadação da RFB (fls. 148 a 159) , nem informado o número de processo ou pedido de compensação, conforme alegara; também, não teria procedido à adição dos valores mínimos de realização do Saldo do Lucro Inflacionário de 95, ao Lucro Real dos anoscalendário objeto da ação fiscal, 2003 e 2004; assim, não tendo o autuado comprovado o exercício da opção prevista na legislação, para recolhimento antecipado e incentivado do imposto, no anocalendário de 96, sobre o Lucro Inflacionário de 95, nem procedido à tributação dos valores mínimos dos anos de 2003 e 2004, tais valores foram, então, objeto de lançamento de ofício. Na impugnação, o contribuinte alegou, em síntese: a nulidade do lançamento, em face de decisão administrativa transitada em julgado, no Processo Administrativo nº 10882.000107/200201 (fls. 396 a 407), com efeito para impedir a presente exigência, que já teria sido acatada pelo próprio CARF em outro Processo Administrativo, de nº 10882.002770/200232 (fls. 408 a 420); que, da mesma forma, a presente exigência não poderia prevalecer porque teria sido desconsiderado o fato de que a empresa incorporada pelo autuado teria realizado, integralmente, em 31/03/96, o lucro inflacionário acumulado em 31/12/95, nos termos do artigo 7º, § 3º, da Lei nº 9.249/95, tendo o tributo incidente sobre o valor realizado, sido pago mediante compensação das antecipações de IRPJ de 95, como informado à autoridade fiscal (fls. 256, 263 a 266), e segundo cópia do razão analítico que junta (fls. 271 e 272); que teria ocorrido a decadência para o lançamento, visto que a realização integral teria se dado em 31/03/96, e a cisão, em 30/04/96, sendo que, na melhor das hipóteses, o fato gerador do IR teria se dado em 30/04/96, esgotandose, assim, em 04/2001, o prazo para lançamento, que somente veio a ser efetuado, posteriormente, em 29/08/2008; se, de qualquer forma, o lançamento fosse possível, só poderia ser lavrado à alíquota de 10%, nos termos do Fl. 817DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 5 4 artigo 7º, § 3º, da Lei nº 9.249/95, sendo ainda inaplicável a trava de 30% sobre o lucro líquido ajustado, prevista na legislação que rege a compensação de prejuízos acumulados; que existiria diferença entre o valor do saldo do lucro inflacionário de 95 contabilizado pela empresa incorporada e aquele apurado pela Fiscalização, em razão da adição, feita pela autoridade, ao saldo do lucro inflacionário, em 93, da parcela correspondente à diferença IPC/BTNF ocorrida em 90, incidente sobre o saldo de 31/12/89, com base no item 5 da IN 125/91, o que teria ofendido o ato jurídico perfeito e o direito adquirido, sendo que a exigência sobre esse lucro inflacionário somente poderia ser feita em 93, conforme julgados do CARF, tendo ocorrido, assim, a decadência; que como a Boston Administração foi extinta por incorporação pela interessada, não subsiste a trava de 30% na compensação dos prejuízos fiscais; que não cabe responsabilizar o sucessor por infração cometida pela sucedida; que, prevalecendo a exigência, os juros de mora não poderiam incidir sobre a multa de ofício por falta de base legal, nem com base na Taxa SELIC, índice imprestável para esse fim. A decisão de primeira instância considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003, 30/06/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO. PRELIMINARES. NULIDADE POR EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. Pretensa existência de coisa julgada administrativa, decorrente de decisão definitiva, não integra as causas de nulidade elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal, as quais se resumem a incompetência da pessoa que pratica o ato e a cerceamento do direito de defesa. À semelhança do que ocorre no âmbito judicial, somente a parte dispositiva da decisão é que faz coisa julgada, não seu fundamento, mesmo que determinante para o dispositivo. DECADÊNCIA. EXAURIMENTO DO PRAZO PARA O FISCO REJEITAR FORMA DE REALIZAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não tendo o contribuinte procedido à realização integral incentivada de saldo do lucro inflacionário em consonância com as normas de regência, e restando somente a alternativa de oferecer, anualmente, à tributação os valores mínimos obrigatórios, contase o prazo decadencial de 5 anos para a constituição dos créditos tributários correspondentes a partir das datas em que estava obrigado a oferecer à tributação os Fl. 818DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 6 5 valores do referido saldo, pois somente então passaram a ser exigíveis. MÉRITO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA DO LUCRO INFLACIONÁRIO POR COMPENSAÇÃO. DESCONFORMIDADE COM A NORMA LEGAL. IMPRESCINDIBILIDADE DE PAGAMENTO. A compensação, embora seja também forma de extinção de crédito tributário, não se confunde com pagamento, distinção esta que se torna impositiva quando se trata de benefício fiscal, in casu, a opção concedida ao contribuinte para realização integral do saldo de lucro inflacionário existente em 31/12/95 a ser exercida até 31/12/96, mediante pagamento do imposto em cota única, sob o regime de tributação exclusiva, sem adição ao lucro real do ano, e à alíquota de IR favorecida de 10%. ADIÇÃO EM 1993 DA DIFERENÇA IPC/BTNF SOBRE SALDO DE 31/12/89. OFENSA AO ATO JURÍDICO PERFEITO E AO DIREITO ADQUIRIDO. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. A adição ao saldo do lucro inflacionário a partir de 93, da parcela correspondente à correção do saldo de 31/12/89, pela diferença da variação do IPC/BTNF de 90, não somente foi expressamente prevista na IN nº 125/91, mas também no Decreto nº 332/91, que veio regulamentar o previsto na Lei nº 8.200/91, constatação esta que evidencia a legalidade da exigência feita em decorrência da referida adição. A alegada violação do ato jurídico perfeito e do direito adquirido, por parte dessas normas, constitui questão que foge à competência das autoridades julgadoras administrativas às quais cabe aplicar a lei aos casos concretos, sem poder para afastála sob fundamento de alegada invalidade ou inconstitucionalidade. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA NÃO CONSTANTE DO LANÇAMENTO. Descabe a argüição de cobrança indevida de juros de mora sobre a multa de ofício, quando tal exigência não consta do lançamento fiscal litigiado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Irresignação formulada contra a validade de norma legal que manda aplicar a TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não pode ser apreciada pelas instâncias julgadoras administrativas, às quais cabe apenas aplicar as normas legais aos casos concretos, sem poderes para afastálas por inconstitucionalidade ou ilegalidade, o que é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 7 6 Inconformado, o contribuinte, cientificado em 22/11/2011 (fl.802) apresentou recurso voluntário ao CARF em 22/12/2011 (fl.712 e ss.) em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, alegando, ainda, que mais recentemente, a DRJ de Belém/PA, quando do julgamento dos processos nºs 16515.003307/200422, 19515.004462/200385 e 19515.003379/200551, aplicou o resultado da decisão definitiva lavrada no processo nº 10882.000107/200201. É o relatório. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e assente em lei, sendo conhecido. Preliminares A recorrente sustenta que a exigência constante do presente processo não pode subsistir, pois o objeto do litígio fora decidido definitivamente nos autos do processo nº 10882.000107/200201 (Acórdão nº 10321749) da BOSTON ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA (por ela sucedida). Aduz que a mesma decisão já teria sido acatada pelo CARF em outro processo do mesmo contribuinte, de nº 10882.002770/200232 (Acórdão n° 10322.045, de 10/08/2005). A recorrente vem apontando a decadência do direito de questionar a forma de realização do lucro inflacionário tanto nos processos anteriores quanto neste, considerando ter adotado os procedimentos legais, nos termos da Lei n° 9.249/95, que dispôs: Art. 6º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão corrigidos monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodosbase posteriores. (...) Art. 7º O saldo do lucro inflacionário acumulado, remanescente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, será realizado de acordo com as regras da legislação então vigente. § 1º (...) (...) § 3º À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado existente em 31 de dezembro de 1995, corrigido monetariamente até essa data, com base no parágrafo único do art. 6º, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento. § 4º A opção de que trata o parágrafo anterior, que deverá ser feita até 31 de dezembro de 1996, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto em cota única, podendo alcançar também o saldo do lucro inflacionário a realizar relativo à opção prevista no art. 31 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 9 8 § 5º O imposto de que trata o § 3º será considerado como de tributação exclusiva. [destacouse] A referida Lei nº 8.541/92, por sua vez, assim dispôs: Art. 30. A pessoa jurídica deverá considerar realizado mensalmente, no mínimo, 1/240, ou o valor efetivamente realizado, nos termos da legislação em vigor, do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°). Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. § 1° O lucro inflacionário acumulado realizado na forma deste artigo será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do períodobase. § 2° O imposto calculado nos termos deste artigo será pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da realização, reconvertido para cruzeiro, com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. [destacouse] Segundo a legislação, em cada anocalendário considerarseia realizada parte do lucro inflacionário proporcional ao valor realizado no mesmo período, dos bens e direitos do Ativo Permanente, ressalvada ao contribuinte a opção pela realização integral, através do pagamento do IRPJ incidente sobre o lucro inflacionário acumulado. A recorrente sustenta que a empresa por ela incorporada (BOSTON) teria realizado, integralmente, em 31/03/96, o lucro inflacionário acumulado em 31/12/95, nos termos do art. 7º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.249/95, e que o tributo incidente sobre o valor realizado fora pago mediante compensação das antecipações de IRPJ de 1995, consoante demonstra o razão analítico juntado aos autos (fls. 271, 272 e 457). Aduz que o Acórdão nº 10321749 reconheceu a decadência do direito de revisar esse procedimento e lançar o tributo devido. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 10 9 O referido acórdão, da BOSTON ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA (sucedida pela recorrente), apresentou a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE RETIFICAÇÃO DO VALOR DO LANÇAMENTO Admitindo a decisão recorrida que houve erro no cálculo do lucro inflacionário tributado, fazendo excluir as parcelas já abrangidas pela decadência, essa adequação não caracteriza novo lançamento ou modificação da essência do lançamento para decretar sua nulidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO FALTA DE MOTIVAÇÃO A falta de anexação de documentos apresentados, no atendimento a intimação para prestar esclarecimentos, não constitui motivos para nulidade do lançamento, quando a descrição dos fatos foram suficientes motivar o lançamento e ensejar a impugnação com perfeito entendimento do exigido. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO E PAGAMENTO Distintas são as modalidades de extinção do crédito tributário, pelo pagamento ou por compensação, como posto no Código Tributário Nacional (CTN), sendo incabível o alargarmento da interpretação do termo compensação para equiparálo a pagamento. IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO DECADÊNCIA O prazo decadencial, para cobrança de diferenças de lucro inflacionário não realizado, tem inicio na data em que o mesmo poderia ser exigido, não prevalecendo a contagem a partir da data em que o mesmo foi diferido. IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INCENTIVADA —Tendo o sujeito passivo realizado o lucro inflacionário com os incentivos da Lei n° 9.249/95, o fisco tem o prazo de cinco anos, contados da data dessa realização, para examinar a correção do procedimento adotado pelo contribuinte. Rejeitada preliminar de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e acolhida preliminar de decadência de constituição do crédito tributário. Do voto condutor se extrai: Entretanto, os autos dão conta de que a contribuinte efetuou a compensação do imposto devido sobre o lucro inflacionário acumulado, em 31/03/96, fato não só admitido pela decisão recorrida, como verificado no LALUR com cópia às fls.142 dos autos, onde é visto o seguinte lançamento: "L. I. realizado nesta data, integralmente conf art. 7°, parágrafo 3° da Lei n° 9.249/95, tributado à alíquota de 10%. Também, às fls. 148, no Razão analítico, consta o lançamento da compensação com o seguinte histórico: "Compensação do IRPJ s/L. Infl. base 31112/95 à aliquota de 10% com as antecipações de IRPJ de 1995". Fl. 823DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 11 10 No entendimento de que a recorrente deveria ter satisfeito o pagamento integral e não efetuado compensação, teria a Fazenda Nacional o direito de rever este lançamento e a compensação no prazo de cinco anos contados de 31/03/96, para contestar a forma de extinção da obrigação de pagar o IRPJ sobre lucro inflacionário à alíquota de 10%. Assim, como o lançamento data de 20/12/2001, nesta data já estaria extinto o direito da Fazenda Nacional de contestar a forma de extinção da obrigação em discussão, visto que tal prazo expirouse em 31/03/2001. Há ainda que se observar que, em data de 30/04/96 foi feita a cisão parcial da recorrente, quando a mesma estaria obrigada à realização do lucro inflacionário na proporção do patrimônio vertido, fato este que já contaminaria o lançamento, visto também que da data do evento ao lançamento havia se operado a decadência da parcela obrigatoriamente realizada naquela data. Mesmo considerandose a data da entrega da declaração de rendimentos, para o início da contagem da decadência, esta foi entregue 30 dias após a data da cisão, operandose também nessa hipótese a decadência. Do exposto, concluise que o lançamento questionado já estava impedido pela decadência, valendo observar que a Fazenda Nacional não sofreu qualquer prejuízo, visto que o imposto a ser restituído ou compensado foi reduzido do montante devido e, a manutenção de qualquer parcela do lançamento somente viria a induzir a um justo pedido de restituição. (destacouse) A parte dispositiva da decisão corresponde a considerar que “o lançamento questionado já estava impedido pela decadência”, restando decidido que: Diante de tudo o que relatei, rejeito as preliminares de nulidade e dou provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário. Dessa decisão não houve recurso, tendo se tornado definitiva no âmbito administrativo. Em seguida, o Acórdão n° 10322.045, também da BOSTON ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA (sucedida pela recorrente), adotou expressamente a decisão anterior, nos termos da seguinte ementa: DECISÃO DEFINITIVA PROLATADA EM OUTRO PROCESSO. Se há identidade entre as causas de pedir, entre os pedidos e entre os sujeitos passivos, a decisão que já se firmou como definitiva tem efeitos extraprocessuais, repercutindo não só no processo em que foi prolatada, mas também fora dele, em razão de sua imutabilidade, em sede administrativa. Do voto condutor, naquele caso, se extrai: Fl. 824DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 12 11 A segunda tese sobre decadência diz respeito à tributação, à aliquota de 10%, do saldo do lucro inflacionário acumulado em 31.12.1995, compensandose o tributo dai decorrente no dia 31.03.1996, segundo informa a recorrente, com créditos provenientes do excesso de estimativas recolhidas em relação ao imposto apurado no balanço de 1995. Entendo que esta Câmara já decidiu a questão no julgamento do processo n° 10882.000107/200201, Acórdão n° 10321.749. Ou seja, a decisão sobre a lide já se tomou definitiva, nos termos do art. 42, II, do Decreto n° 70.235/72, concluindo pela ocorrência da decadência do direito estatal no dia 31.03.2001. Percebese, comparandose o que consta em ambos os feitos, que há identidade entre as causas de pedir, entre os pedidos e entre os sujeitos passivos, o que me obriga a adotar o pronunciamento anterior, em obediência ao preceito legal já referido. Vejo, portanto, que aquela decisão tem efeitos processuais, repercutindo não só no processo em que foi prolatada, mas também fora dele. Assim, respeito a opinião que já se solidificou, tornandose imutável em sede administrativa, conforme as exigências da estabilidade das relações sociais. Vale dizer, em suma, que acolho a preliminar argüida. (destacouse) Vejase que o primeiro precedente informado considerou que o procedimento da recorrente não encontrava fundamento legal, pois a Lei n° 9.249/95 determinava expressamente que a opção seria manifestada por meio de pagamento, não fazendo qualquer referência a compensação e que, embora se tratassem ambas de meio de extinção do crédito tributário, consoante o art. 156 do CTN, não poderiam ser confundidos pagamento e compensação, por serem institutos distintos. Como se viu, ficou evidenciado que o procedimento adotado pelo autuado de pretender efetivar a realização integral, em 31/03/96, do estoque do lucro inflacionário de 1995, mediante compensação, contrariou o previsto no art. 7º, § 3º, da Lei nº 9.249/95, que requer pagamento. Todavia, a referida decisão, aplicada integralmente em outro processo, considerou que, em face da informação de realização integral do saldo do lucro inflacionário de 95, caberia à autoridade fiscal, por dever de ofício e dentro do prazo decadencial, verificar se houve o efetivo oferecimento anual dos valores mínimos obrigatórios à tributação, consoante o disposto no RIR/99: Art.449. A partir de 1º de janeiro de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda ou dois e meio por cento no caso de apuração trimestral, quando o valor assim determinado resultar superior ao apurado na forma do artigo anterior (Lei nº 9.065, de 1995, art. 8º, Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, parágrafo único, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º ). A partir dessa decisão definitiva, a Administração Tributária autorizou a baixa, no sistema SAPLI da RFB, do saldo total do lucro inflacionário a tributar, inexistindo saldo remanescente, como pressupôs a presente autuação. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 13 12 Nesse caso, como reconhecido no Acórdão nº 10322.045, existe a identidade entre as causas de pedir, entre os pedidos e entre os sujeitos passivos, do presente recurso com o recurso cuja decisão reconhecendo a decadência (Acórdão nº 10321749) se tornou definitiva. Em razão disso, foi revista a posição manifestada por esta relatora na primeira sessão de julgamento, quando se iniciou a votação da preliminar, antes do pedido de vista. Sabese que a aplicação subsidiária do CPC aos processos administrativos tributários não deve ser afastada em nome do caráter integrativo do sistema jurídico. Ademais, o Anteprojeto do Novo CPC encomendado pelo Senado Federal a uma Comissão de Juristas, previu expressamente sua aplicação subsidiária aos demais subsistemas processuais, assim prescrevendo seu artigo 14: “na ausência de normas que regulem processos penais, eleitorais, administrativos ou trabalhistas, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletivamente”, o que reforça o entendimento adotado. Assim, aplicamse ao processo administrativo tributário, subsidiariamente, as seguintes regras do CPC: Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Il a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Art. 470. Faz, todavia, coisa julgada a resolução da questão prejudicial, se a parte o requerer (arts. 5o e 325), o juiz for competente em razão da matéria e constituir pressuposto necessário para o julgamento da lide. Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. No caso concreto, ao contrário do que entendeu a DRJ, verificase que o reconhecimento da decadência faz parte da decisão, não como simples fundamento, mas inserida na parte dispositiva da decisão, para resolver uma questão preliminar de mérito. A questão decidida tornouse, então, prejudicial em relação a litígios decorrentes de lançamentos em anos subsequentes, nos termos do art. 468 do CPC. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004856/200848 Acórdão n.º 1202001.068 S1C2T2 Fl. 14 13 Dessa forma, a decisão definitiva que considerou a decadência do direito de lançar após cinco anos da data em que o lucro inflacionário teria sido integralmente realizado (31/03/96) impede que outro julgador analise novamente a questão, em face de sua prejudicialidade e em respeito, ainda, ao princípio da segurança jurídica, expressamente previsto no art. 2º da Lei nº 9.784/99, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo tributário (art. 69). Em outras palavras, o julgamento em segunda instância que considerou o lucro inflacionário realizado integralmente, com o cancelamento da exigência constante do processo administrativo nº 10882.000107/200201, tornou definitiva a decisão sobre a matéria, consubstanciada no acórdão nº 10321749, não devendo prevalecer lançamentos posteriores que desconsiderem aquela conclusão. Cabe ressaltar que essa prejudicialidade foi reconhecida, além do acórdão referido anteriormente (n° 10322.045), relativo ao ano calendário de 1997, também em relação aos anos calendário de 1998 (Acórdão nº 120100265) e 2000 (Acórdão nº 120100266). Diante disso, no presente caso, a decadência do direito de lançar é evidente, visto que a realização integral, nos termos daquela decisão definitiva, se deu em 31/03/96, enquanto o lançamento ora em litígio somente veio a ser efetuado em 29/08/2008. DISPOSITIVO Em razão do exposto, dáse provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 827DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 36222.000692/2003-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/03/2003
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação.
Numero da decisão: 2403-002.355
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1993 a 31/03/2003 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 22 2. 00 06 92 /2 00 3- 80 Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros, Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36222.000692/200380 Acórdão n.º 2403002.355 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1626.867 da 14ª Turma, que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. Trata o processo de pedido de restituição dos recolhimentos da quota patronal, período 01/1993 a 03/2003. A recorrente se declara isenta. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 04/02/2011. Inconformada com a decisão, em 05/07/2012, a recorrente apresentou recurso voluntário contendo 122 folhas mais anexos, onde alega/questiona, em síntese: · Nulidade. A Notificação 1974/2011, que intimava a recorrente da decisão da DRJ, foi entregue no enderece fiscal da entidade, a pessoa Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 estranha do quadro de direção ou representante legal da Fundação, sob a revelia dos patronos da causa. · A ciência do patrono só aconteceu em 05/06/2012. · Tempestividade do recurso. · O CARF é competente para analisar o recurso. · Tem direito à isenção. · Teve renovado o CEAS por força da MP 446/2008. · Tem direito à restituição. · Discute a Ação Civil Pública. · Aplicação Retroativa do Ato Cancelatório. · Ausência de exigência de ato cancelatório pela Lei 12.101/2009. · Requer que publicações e intimações sejam realizadas exclusivamente em nome de Marcelo Aparecido Batista Seba. É o relatório Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36222.000692/200380 Acórdão n.º 2403002.355 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A primeira questão a ser enfrentada neste processo é a da tempestividade do recurso. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 04/02/2011, conforme Aviso de Recebimento. Em 05/07/2012 foi apresentado o recurso voluntário, que se diz tempestivo. A recorrente reconhece que a notificação do resultado do julgamento da DRJ foi entregue no endereço fiscal da entidade e afirma que foi entregue a pessoa estranha do quadro de direção ou representante legal da Fundação quando deveria ser enviada ao advogado patrono, o que motivaria a nulidade. Para essa questão da notificação via postal no domicílio fiscal do contribuinte, mesmo sendo recebedor pessoa não representante legal do destinatário, o CARF editou súmula, de seguimento obrigatório, abaixo transcrita, firmando ser válida. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Resolvida a questão da validade da ciência, resta verificar se o recurso foi apresentado dentro do prazo legal. O Decreto 70.235/72 estabelece prazo de 30 dias da ciência da decisão do julgamento em primeira instância para apresentação do recurso. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 O recurso foi apresentado 1 ano e 5 meses após a ciência, sendo considerado intempestivo. CONCLUSÃO Voto por não conhecer do recurso em razão da intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/02/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907780/2011-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 80 /2 01 1- 04 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907780/201104 Acórdão n.º 3803005.210 S3TE03 Fl. 99 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre ingressos (ICMS) não abrangidos pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCTF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/02/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907780/201104 Acórdão n.º 3803005.210 S3TE03 Fl. 100 3 ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 17 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal 1 ADC n° 18/DF Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907780/201104 Acórdão n.º 3803005.210 S3TE03 Fl. 101 4 Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907780/201104 Acórdão n.º 3803005.210 S3TE03 Fl. 102 5 tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Além disso, mesmo que houvesse previsão legal do direito à exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo (escrituração contábilfiscal e documentos fiscais) foi apresentado para comprovar o direito arguido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907780/201104 Acórdão n.º 3803005.210 S3TE03 Fl. 103 6 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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