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Numero do processo: 10930.904512/2012-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 12 /2 01 2- 41 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904512/201241 Acórdão n.º 3803004.862 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904512/201241 Acórdão n.º 3803004.862 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904512/201241 Acórdão n.º 3803004.862 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720714/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL REQUERIDO FORA DO PRAZO REGULAMENTAR.
O ADA, mesmo requerido a destempo junto ao IBAMA, não pode ser descartado para fins de comprovação da existência das áreas isentas de tributação.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO PELO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA - SIPT.
O valor da terra nua não foi questionado no recurso, portanto, o crédito tributário restou definitivamente constituído no trânsito em julgado da decisão a quo, de acordo com o art. 42, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-002.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Ewan Teles Aguiar, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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O ADA, mesmo requerido a destempo junto ao IBAMA, não pode ser descartado para fins de comprovação da existência das áreas isentas de tributação. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO PELO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA SIPT. O valor da terra nua não foi questionado no recurso, portanto, o crédito tributário restou definitivamente constituído no trânsito em julgado da decisão a quo, de acordo com o art. 42, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 07 14 /2 00 7- 21 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Ewan Teles Aguiar, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Tratase de processo de autuação contra o contribuinte acima qualificado, para cobrança de Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR, exercício 2003, no qual o interessado foi intimado do início do procedimento fiscal, através do Termo de Intimação Fiscal n° 02103/00120/2007 (fl. 07), para apresentação dos documentos relacionados abaixo, conforme se extraí do próprio “Termo de Intimação Fiscal”: “Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2003: Cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Ibama. Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia Crea, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9º do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002. Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 30 da Lei 4.771165 (Código Florestal), acompanhado do ato do poder público que assim a declarou. Cópia da matrícula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do patrimônio natural ou de servidão florestal. Cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva registro imobiliário. Ato específico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico. Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720714/200721 Acórdão n.º 2102002.834 S2C1T2 Fl. 66 3 todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB [...]” Contra o interessado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 02103/00673/2007 e respectivos demonstrativos de fls. 02/03, por meio do qual fora exigido o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido multa de ofício e juros moratórios, totalizando o crédito tributário em R$ 21.537,16, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Rio Branco, com área declarada de 8.886,2/ha, NIRF 5.896.7800, localizado no município de São Felix do Xingu, PA. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 02), a citação da fundamentação que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural, bem como não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado, e que no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. No presente processo os valores declarados e as retificações de ofício da declaração do ITR exercício 2003 constam na fl. 02, os quais apresentam o seguinte histórico: ITR PeríodoBase 2003 Declarado, fl. 03 Retificação de ofício 02. Área de Preservação Permanente 800,0 0,0 04. Área Tributável 977,3 1.777,3 06. Área Aproveitável 967,3 1.767,3 13. Grau de Utilização 100,0 54,8 14. Valor Total do Imóvel 240.000,00 880.896,00 17. Valor da Terra Nua 70.000,00 710.896,00 18. Valor da Terra Nua Tributável 7.693,00 142.179,20 19. Alíquota 0,45 6,40 20. Imposto Devido 34,61 9.099,46 Diferença do Imposto 9.064,85 DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento lavrado pelo fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 24/01/2008 (fls. 26/34), acompanhada dos documentos de fls. 37 e seguintes. Em síntese, o interessado alegou o que segue: I que apresentou no momento oportuno a documentação expedida pelo Incra e o ADA, tendo comprovado a área de preservação permanente; II que, em relação ao valor da terra nua, não há qualquer interesse na subavaliação do imóvel, visto que o valor declarado e superior ao valor de compra e, além disso, será ele utilizado para apuração do ganho de capital em caso de alienação, a teor do disposto no art. 19 da Lei n° 9.393/1996. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte proferiu a seguinte decisão (excertos), fls. 46/52: “[...]No presente caso, o contribuinte comprovou a entrega do Ato Declaratório Ambiental — ADA em 06/04/2004 (fls. 21); intempestivamente, portanto. Assim sendo, restando não cumprida a exigência de protocolização tempestiva do ADA, para fins de dedução do ITR das áreas nele constantes, deve ser mantida a glosa da área de preservação permanente, e sua conseqüente reclassificação como área tributável. [...] In casu, verificase o VTN médio/ha fixado para o município de São Felix do Xingu/PA para o exercício de 2003 foi de 80,00 R$/ha (fls. 45) — registrese, o menor valor entre os listados (VTN médio/ha — florestas) , que, multiplicado pela área total do imóvel (8.886,2 ha), resultou em um VTN de R$ 710.896,00. [...] Assim, é perfeitamente legal que o Fisco, diante de um VTN/ha declara o muito inferior ao VTN médio constante do SIPT, considere este último, para fins de lançamento [...] In casu, para fins de revisão do VTN, o contribuinte limitase a alegar que o valor declarado seria superior ao valor de compra e, além disso, que seria ele utilizado para apuração do ganho de capital em caso de alienação. Não foi apresentado nenhum laudo ou qualquer outro documento de prova. [...]” DAS RAZÕES RECURSAIS O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1126.309 da 1ª Turma da DRJ/REC em 23/06/2009 (fl. 66). Sobreveio Recurso Voluntário em 21/07/2009 (fls. 56/), acompanhado de Ato Declaratório Ambiental (fl. 62). Em síntese, o Recorrente reprisou as alegações da impugnação e no mérito acrescentou que o nobre julgador não percebeu em seu exame, que o ADA apresentado, trata se de declaração retificadora da original, entregue anteriormente. Sustenta que a retificação de um ADA somente pode ser efetuada no mesmo Exercício em que se dá sua apresentação. Assim, para o ADA 2003, por exemplo, tantas quantas necessárias, as retificações de um ADA podem (e devem) ser feitas até o dia 30/06/2004, encerrado o prazo oficial de apresentação em 31/03/2004 – ao longo do qual, logicamente, também são possíveis. Alega que o contribuinte apresentou ADA em 12/07/2002 que não sofrera qualquer alteração em sua área não tributável, portanto, não estava obrigado a apresentálo novamente em 2003. Aduz que a apresentação anual do ADA passou a ser obrigatória apenas a partir do Exercício 2007, com base na Instrução Normativa Ibama nº 96, de 30/03/06. Cita jurisprudências do STJ. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720714/200721 Acórdão n.º 2102002.834 S2C1T2 Fl. 67 5 Alega que a Receita Federal extrapolou seu poder regulamentar ao exigir, por meio de sucessivas instruções normativas, a expedição do ato. Isso porque, instituiu obrigação tributária acessória, violando o parágrafo 2º do artigo 113 do Código Tributário Nacional CTN, o qual dispõe que esse tipo de obrigação decorre de lei e não de ato administrativo. Por fim, requerer a reforma integral da decisão recorrida, com conseqüente extinção do presente Processo Administrativo. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia da obrigatoriedade e prazo de apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental do Ibama, para exclusão das áreas de preservação permanente, da base de cálculo do ITR. Preliminarmente, cabe consignar que o valor da terra nua não foi objeto do presente recurso, limitandose o contribuinte tão somente à questionar a obrigatoriedade e tempestividade do ADA. Portanto, o crédito tributário quanto ao VTN restou definitivamente constituído no trânsito em julgado da decisão a quo, de acordo com o art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal. In verbis: “Art. 42. São definitivas as decisões: [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício.” Ademais, para se apurar a correta mensuração da área tributável, deveria o Recorrente ter acostado laudo técnico atual, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua. Nesse sentido, acolho por pertinente, excertos da decisão a quo, assim fundamentada: In casu, verificase o VTNmédio/ha fixado para o município de São Felix do Xingu/PA para o exercício de 2003 foi de 80,00 R$/ha (fls. 45) — registrese, o menor valor entre os listados (VTNmédio/ha — florestas) , que, multiplicado pela área total do imóvel (8.886,2 ha), resultou em um VTN de R$ 710.896,00. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 [...] a fiscalização, tendo em vista o fato de o contribuinte ter indicado um VTN/ha de 7,88 R$/ha (R$ 70.000,00/8.886,2 ha), intimou o contribuinte a apresentar laudo técnico que comprovasse que o valor de mercado em 01/01/2003 era, de fato, o valor constante da DITR, sob pena de utilização do valor constante do SIPT (fls. 07/08). [...] para fins de revisão do VTN, o contribuinte limitase a alegar que o valor declarado seria superior ao valor de compra e, além disso, que seria ele utilizado para apuração do ganho de capital em caso de alienação. Não foi apresentado nenhum laudo ou qualquer outro documento de prova. No que tange a exclusão das áreas de preservação permanente para fins de apuração da área tributável do ITR, a qual está prevista na alínea “a”, do inciso II, §1°, art. 10, da Lei n° 9.393, vejamos a redação do referido diploma legal abaixo transcrita: "Art. 10. § ]'Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas np Lei n"4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal " (Grifei) A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega do ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. No entanto, em que pese esta relatora entenda que o ADA não é exigência necessária para a constituição das Áreas de Preservação Permanente, compulsando os autos, verificase que o contribuinte protocolou tal documento no Ibama em 06/04/2004 (fl. 21), referente à 2003, ano em litígio, o qual descreve área de 800/ha de APP, e, inclusive, corrobora a alegação do contribuinte a Declaração Retificadora do ADA de 2005, constante em fl. 22, bem como a Declaração de fl. 62, protocolada em 12/07/2002, que indica a mesma área de APP préexistente em 1998, demonstrando efetivamente que no exercício 2003, o imóvel já possuía 800/ha de Área de Preservação Permanente, conforme declaração do DITR 2003 de fls. 11/12. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720714/200721 Acórdão n.º 2102002.834 S2C1T2 Fl. 68 7 Como se exemplifica pelo precedente abaixo da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, o ADA ainda que intempestivo, não pode ser descartado para fins de comprovação da existência de APP, conforme segue: “Acórdão nº 9202002.725 – 2ª Turma da CSRF Sessão de 11 de junho de 2013. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Ato Declaratório Ambiental ADA ,ainda que apresentado/protocolizado intempestivamente, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado). “[...]a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 27, datado de 21/06/2005, após o fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, contemplando a área objeto da demanda, ainda que intempestivamente. [...]” Assim, entendo que o ADA apresentado pelo Recorrente é documento hábil a comprovar que no imóvel à época do fato gerador – Exercício 2003, já existiam 800/ha de Área de Preservação Permanente. Ante o exposto, diante do entendimento desta relatora sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 85DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10830.002298/2003-24
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1993
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A desistência do recurso interposto evidencia a concordância do contribuinte com o crédito tributário exigido, implicando na ausência de litígio administrativo em relação ao débito objeto do respectivo processo.
Embargos Não Conhecidos
Numero da decisão: 2801-003.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1993 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A desistência do recurso interposto evidencia a concordância do contribuinte com o crédito tributário exigido, implicando na ausência de litígio administrativo em relação ao débito objeto do respectivo processo. Embargos Não Conhecidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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DESISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A desistência do recurso interposto evidencia a concordância do contribuinte com o crédito tributário exigido, implicando na ausência de litígio administrativo em relação ao débito objeto do respectivo processo. Embargos Não Conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 22 98 /2 00 3- 24 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.002298/200324 Acórdão n.º 2801003.389 S2TE01 Fl. 621 2 Tratase de Embargos de Declaração (fls. 340/347 deste processo digital) opostos em face do Acórdão nº 280101.254 (fls. 323/326) que negou provimento, por unanimidade de votos, ao recurso interposto pelo Recorrente. Em suas razões o Embargante aponta, no acórdão hostilizado, os seguintes vícios: OBSCURIDADE Alega que o fundamento jurídico da autuação (omissão de rendimentos em face de variação patrimonial a descoberto) é totalmente distinto daquele utilizado no acórdão embargado (omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada). Sustenta que a decisão recorrida faz indicação expressa à presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, instituto este totalmente diverso do alegado acréscimo patrimonial a descoberto mencionado no Auto de Infração e na ementa do acórdão recorrido. OMISSÃO Ressalta que a Autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material, a fim de garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador, bem como a regularidade na constituição do crédito tributário. Aduz que juntou aos autos todos os comprovantes de despesas relativos à construção do imóvel, elaborando planilha com a composição detalhada dos valores que deveriam ter sido informados em sua declaração. Tais comprovantes totalizam os mesmos valores informados nas planilhas anexadas à impugnação apresentada nos autos do processo nº 10840.004240/9363, anulado por vício formal em 1998. Obtempera que se o julgador entende que as provas juntadas aos autos não são suficientes para lhe proporcionar certeza na formação de sua convicção sobre os fatos alegados no processo, cabe a ele produzir outras provas capazes de suprir as lacunas porventura existentes, mediante a conversão do julgamento em diligência. Afirma que o valor venal do imóvel descrito no carnê de IPTU não corresponde ao valor de mercado do bem nele indicado, e, por este motivo, não seria hábil o bastante para justificar o valor informado pelo Embargante em sua declaração. Logo, além de omissão em relação à observância do princípio da verdade material, a Ilustre Relatora também foi ao desencontro, ao sugerir que a guia de IPTU seria capaz de demonstrar o fato alegado. PEDIDO Requer, ao final, o acolhimento dos presentes Embargos de Declaração para suprir os vícios apontados e assegurar a adequada apreciação do recurso voluntário interposto. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os embargos foram parcialmente acolhidos por intermédio do despacho de fls. 379/382 deste processo digital. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.002298/200324 Acórdão n.º 2801003.389 S2TE01 Fl. 622 3 Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Ao acessar o presente processo digital, após indicálo para a pauta desta sessão de julgamento, constatei que “existe pendência de solicitação de juntada” de documentos, datada de 30/12/2013. Dentre os documentos a serem anexados ao processo consta requerimento assinado pelo Embargante com o seguinte teor: Processo nº 10830.002298/200324 Acórdão nº 280101.254 Auto de Infração de IRPF (anocalendário 1992) ANTONIO LUIZ MOTTA ARDENGHE, já qualificado no processo epigrafado, vem, respeitosamente à presença de V. As., expor e requer o que se segue: 1. O Contribuinte, ora Recorrente, com o objetivo de aproveitar os benefícios conferidos pelo Programa de Regularização Fiscal conhecido como “REFIS da Crise”, instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, que teve seu prazo de adesão reaberto pelo artigo 17 da Lei nº 12.865, de 2013, efetuou o pagamento à vista do débito controlado pelo processo em epígrafe, conforme comprova a cópia do DARF tempestivamente recolhido (Doc. 01); (Grifo no original) 2. O pagamento efetuado é forma de extinção do crédito tributário, que deve ser reconhecida para o imediato arquivamento do processo. Ainda que entenda desnecessária qualquer outra providência, em razão dessa opção e em cumprimento ao que dispõe a Lei nº 11.941/09, o Requerente vem informar que desiste dos Embargos Declaratórios opostos em 17/08/2012, ao mesmo tempo em que DECLARA, em cumprimento à exigência contida no artigo 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 07 de 15 de outubro de 2013, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre os quais se fundamentam o referido Embargos. Termos em que, Pede deferimento. Campinas – SP, 30 de dezembro de 2013. ANTONIO LUIZ MOTTA ARDENGHE Ao requerimento foi anexado “Comprovante de Pagamento DARF” cujo número de referência coincide com o número deste processo digital, código de receita 2904 (Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar), revelando o pagamento no montante de R$ Fl. 622DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10830.002298/200324 Acórdão n.º 2801003.389 S2TE01 Fl. 623 4 26.314,58, sendo R$ 8.279,70 a título de principal (o mesmo deste processo) e R$ 18.034,88 a título de juros. Concluise, assim, que inexiste litígio a ser apreciado por esta Turma de Julgamento, haja vista que, após a apresentação dos Embargos de Declaração, o Interessado desistiu do presente recurso, demonstrando a sua concordância com o crédito tributário exigido, extinguindoo mediante pagamento. Por essa razão, o mérito das alegações suscitadas nos Embargos de Declaração não pode ser objeto de apreciação por esta Turma de Julgamento. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 623DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000317/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta.
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RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (SUBSTITUTO), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR E FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .0 00 31 7/ 20 08 -4 4 Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.073 2 Relatório Versam os autos de Declaração de Compensação de débitos de IRPJ e CSLL no montante de R$ 2.630.470,96 (dois milhões, seiscentos e trinta mil, quatrocentos e setenta reais e noventa e seis centavos), com créditos da Contribuição para o PIS, relativos ao quarto (4º) trimestre do ano de 2005, apurados na forma do §1º do artigo 5º da Lei 10.637/2002. Na análise da compensação efetuada, conforme fls. 165 – 180, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em VitóriaES, houve por bem em reconhecer parte do crédito utilizado nas compensações, homologandoas até o limite de R$ 2.155.131,88 (dois milhões, cento e cinqüenta e cinco mil, cento e trinta e um reais e oitenta e oito centavos). As razões que motivaram o não reconhecimento integral do crédito utilizado, e, portanto, a não homologação da integralidade das compensações sob análise pela DRF já citada, foram muito bem sintetizadas pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância, de modo que transcrevo o resumo das mesmas: “1) A produção da Cia Coreano Brasileira de Pelotização – KOBRASCO é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para a Companhia Vale do Rio Doce – CVRD, como no mercado externo. A partir de 01/12/2002 a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS; 2) O exame da escrita contábil e fiscal, notas fiscais de saída, dos demonstrativos de apuração do PIS nãocumulativo e dos demais elementos apresentados pela empresa revelou inconsistências nos valores dos créditos compensados. No que tange à base de cálculo apurada pelo sujeito passivo, foram utilizados ajustes e adições adequandoos a que foi disciplinado pela legislação tributária; 3) Ao analisar os DACON constatouse que praticamente toda a produção da empresa foi destinada ao mercado externo. Como revelam os Livros Registro de Apuração do ICMS, balancetes e Notas Fiscais de venda, a empresa destinou grande parte de sua produção para a sua coligada Companhia Vale do Rio Doce – CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, registrando as operações sob o Código Fiscal de Operação 5.11 e 5.101, utilizado para vendas no mercado interno. Da mesma forma, na escrituração contábil os lançamentos fazem menção a vendas no mercado interno; 4) O código utilizado nas Notas Fiscais revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.637/02, para a fruição do beneficio da isenção fiscal, bem como dá suporte para que o destinatário de seus produtos aproveite os créditos de PIS nãocumulativo vinculados às aquisições, o que em uma operação com fim específico de exportação não é admitido, conforme art. 21, §2º da IN 600/2005; 5) Em diligencia realizada junto à CVRD, CNPJ 33.592.510/022042 verificouse que em muitos casos, o estabelecimento escriturou em seus Livros de Entradas as compras como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.12 e 1.102. As vendas realizadas pela CVRD são registradas sob os códigos 5.11 e 7.11 (até dez/02) e 5.101 e 7.101 (a Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.074 3 partir de jan/03), todas identificadas como vendas de produção própria, não havendo registros no código 7.501 que identifica que as exportações de mercadorias recebidas com fim específico de exportação; 6) Em verdade, tratase de comercialização normal no mercado interno, em que se tributa a receita auferida pelo produtor e mantémse o crédito a escrita do comprador. 7) A própria CVRD, em atendimento ao Termo de Solicitação de Documentos, anexou consulta formulada internamente em que alega estar utilizando os créditos decorrentes destas vendas; 8) De acordo com a definição legal dada à expressão “fim específico de exportação”, para o gozo do benefício fiscal, as mercadorias vendidas devem ser remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. É o que dispõem a IN/SRF 247/02, art. 46, §1º, a Lei 9.532/97, art. 39, §2º e o DecretoLei 1.248/72, art. 1º, parágrafo único; 9) Intimada, a CVRD informou que as pelotas são entregues no pátio do remetente. Cumpre observar que o estabelecimento industrial KOBRASCO não está compreendido em área ou recinto alfandegado, conforme esclarecimento da Inspetoria da Receita Federal do Brasil; 10) Verificase, assim, que as vendas efetuadas pela interessada à CVRD não estão amparadas pela isenção da contribuição ao PIS, pois não se enquadram na definição de “fim específico de exportação; 11) Intimado, o contribuinte apresentou planilhas elencando os itens que compuseram a base de cálculo dos créditos de PIS não cumulativo; 12) Foram efetuadas glosas em alguns serviços contratados, tendo em vista não se enquadrarem na definição de créditos de PIS não cumulativo; 13) O conceito de insumo adveio do Decreto 247/2002. Destarte, para que o serviço prestado possa ser utilizado para fins de apuração dos créditos a descontar, deve ser necessariamente aplicado ou consumido na produção ou fabricação dos produtos; 14) Foram elaboradas as Tabelas de Serviços Contratados Diretos – Serviços Excluídos (fl. 156) onde são discriminados os serviços/contratos que foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar, visto não se enquadrarem na definição de insumos. A Planilha de Apuração da BC dos Serviços Contratados (fls. 157) corresponde à soma dos serviços que serviram de base para o cálculo dos créditos e que foi transportada para a Planilha de Apuração da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 158/163); 15) o sujeito passivo foi intimado a apresentar as notas iscais dos serviços contratados da CVRD e o contrato de operação da usina de pelotização. De posse do referido contrato, verificouse que a CVRD realizou a operação das usinas de pelotização da Kobrasco no período Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.075 4 analisado, ficando ajustada uma compensação a ser paga por essa operação; 16) O sujeito passivo aproveitou de forma integral os valores repassados pela CVRD. Foram glosados os serviços que não geram direito a crédito de PIS; 17) O fator K corresponde a despesas gerais e também foram excluídos da base de cálculo dos créditos por não se enquadrarem na definição de serviços aplicados na produção; 18) O fator Y corresponde à remuneração do capital de giro provido pela CVRD. Não existe previsão legal para que esse tipo de despesa se insira na base de cálculo dos créditos a descontar; 19) O fator T corresponde a gastos realizados pela utilização de uma pulha adicional, tendo sido mantido na base de cálculo dos créditos a descontar; 20) Foram elaboradas Planilhas de Apuração a Contribuição para o PIS (fls. 158/163). O campo Receita de Exportação foi preenchido já com seus valores líquidos, retratando nada mais que os valores lançados a crédito no Livro Balancete da empresa menos os valores lançados a débito. Foi utilizado o saldo das respectivas contas; 21) O sujeito passivo informou ter adotado o regime de rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas do mercado interno, sendo então utilizada essa metodologia no preenchimento das planilhas de apuração da contribuição; 22) Foi elaborada a planilha de compensação (fl. 164), a qual ilustra as compensações efetuadas a partir dos valores de débitos e créditos apurados pela diligência. O saldo de créditos do mercado externo existente ao final do trimestre foi integralmente utilizado para fins de compensação. As compensações foram homologadas em parte em função da insuficiência de créditos.” DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do lançamento em 28/10/2008, conforme AR de fls. 187, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 14/11/2008 a respectiva Manifestação de Inconformidade, alegando em apertada síntese: a) Que conforme seu objeto social, atua na produção e venda de pelotas de minério de ferro, e que adquire a matériaprima (ferro bruto) da Companhia Vale do Rio Doce, transformando este minério em pelotas destinadas à venda no mercado externo; b) Que não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; c) Que as imunidades tributárias devem ser interpretadas extensivamente, de forma que sendo receita de exportação, não importa se o destino seja recinto alfandegado ou não, bastando que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação; Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.076 5 d) Que desconsiderar a imunidade tributária que aproveita à Requerente na situação de vendedora na cadeia de exportação é aniquilar o preceito na nãocumulatividade; d) Que relativamente à glosa de créditos decorrentes da aquisição de serviços que teriam sido utilizados “indiretamente” no processo produtivo, tratamse tais serviços de insumos aplicados no processo produtivo, devendo ser reconhecido o direito creditório sobre os mesmos; e) Que o conceito de insumos não é tão restritivo quanto aplica a Autoridade Fiscal, trazendo doutrina; f) Quanto à glosa dos créditos relativos aos serviços de operações das usinas da recorrente, conforme dispõe o artigo 3º, II da Lei 10.637/2002 está a mesma autorizada à tomada dos créditos e não aceitálos é ofensa direta ao princípio da nãocumulatividade; DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2), houve por bem em considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, proferido Acórdão nº. 1330.260, ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo d força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que a rigor do art. 111 do CTN, a legislação que verse sobre isenção de tributos deve ser interpretada restritivamente, não sendo, portanto, permitida a interpretação extensiva. Frisa que a isenção Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.077 6 mencionada não é especificamente o objeto da lide, mas sim, a comprovação efetiva de que as receitas sobre o quais tomouse o crédito, tenham de fato sido destinadas à exportação, não logrando êxito o contribuinte neste tocante. Quanto à glosa de créditos calculados sobre determinados serviços, a Autoridade Julgadora entende que o termo “insumo” não pode ser compreendido como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, mas sim, apenas aqueles que sejam efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação do serviço, mantendo a glosa nos termos propostos pela DRF de VitóriaES. Ao final rejeita o requerimento de produção de provas por todos os meios em direito admitidos, apresentado pelo contribuinte, pois considera sua apresentação fora da impugnação como preclusa. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 14/03/2011, conforme AR de fls. 277, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 278 a 344, com anexos até fls. 667) em 05/04/2011, aduzindo os fundamentos que a seguir sintetizo: Que a Recorrente vende quantia específica de pelotas de minério de ferro para a Companhia Vale do Rio Doce, conforme contrato de compra e venda constante do denominado “anexo 3”; Que de acordo com o contrato anexado, cabe à recorrente remeter a quantia especificada diretamente de seu estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da CVRD, que atua como comercial exportadora; que o referido contrato condiciona o termo para pagamento do negócio realizado, à data de exportação das pelotas, havendo assim, expressa menção à condição de exportação do produto sob o qual tomou o crédito; que a operação contida no contrato mencionado ocorre em duas fases, quais sejam: 1ª) as pelotas deixam a área de produção da recorrente e são destinadas à estocagem nos pátios da própria recorrente; e 2ª) as pelotas deixam os pátios da recorrente por meio de esteiras e são destinadas por estas esteiras diretamente: 2.1) para os pátios da Vale, que são considerados áreas alfandegadas, de acordo com o que prescreve o ADE da 7ª RF de nº. 320, de 14/09/2006, dali seguindo para o embarque em navios com destino ao exterior; ou 2.2) diretamente para embarque em navios destinados ao exterior. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.078 7 Que os memorandos de exportação, constantes do denominado “anexo 4” demonstram que a Recorrente possui operações de venda com fim específico de exportação travadas com a Companhia Vale do Rio Doce; A recorrente apresenta ainda documentos relativos ao controle de estoque da CVRD e declaração da mesma ratificando que os termos do contrato com a Recorrente são para vendas com fim específico de exportação. Sustenta que o processo de produção perfaz o seguinte percurso: “Usina de pelotização à Armazenagem da própria Recorrente (pátio da própria recorrente) à terminal alfandegado da Vale (ou diretamente para o navio) à navio à mercado externo”. Trazendo “modelo esquemático” para comprovação, o qual solicita perícia em caso de dúvidas para interpretação; Argumenta ainda que a glosa dos créditos tomados se deu por dois motivos pelo Fisco, quais sejam: i) Que houve a compreensão equivocada da movimentação de pelotas de minério pela recorrente para o seu próprio pátio (antes de serem encaminhadas ao pátio da Vale SA ou diretamente para embarque de exportação) como sendo denotativa de venda para o mercado interno; e ii) Supervalorização de mero lapso no preenchimento dos CFOPs de notas fiscais de produtos cuja destinação ao exterior é inequívoca. Aduz também que conforme explicitado, ainda que haja a venda do produto para a Vale e a movimentação das pelotas para o seu próprio pátio, esta remessa não configura saída jurídica de seu estabelecimento, tampouco a transferência jurídica (tradição) dessas mesmas pelotas para a Vale, que só se dá após o embarque das mesmas nos navios que as destinarão ao exterior. Quanto ao argumento do Fisco de que o CFOP utilizado nas notas fiscais analisadas referese à venda no mercado interno, a Recorrente sustenta que o equívoco no preenchimento dos CFOPs não é suficiente para descaracterizar a real natureza das operações realizadas, primandose pela aplicação do princípio da verdade material; No mérito, a Recorrente discorre sobre a diferença entre as imunidades, não incidência e as isenções das contribuições sociais nas operações de vendas para o exterior, afirmando que cumpriu os requisitos legais para o aproveitamento do crédito pleiteado e utilizado nas compensações. Pontua novamente que a passagem do produto por seu próprio pátio não pode ser considerada circulação ou remessa, solicitando seja realizada perícia fiscal para elucidar tal ponto. No mérito ainda a Recorrente insurgese quanto à “indevida desconsideração do crédito decorrente de serviços que teriam sido usados indiretamente no processo produtivo”, pugnando pelo reconhecimento de tal direito de crédito com base no conceito alargado de insumos e no respeito ao princípio da nãocumulatividade. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.079 8 Ao final, a Recorrente requer seja realizada diligência fiscal para a devida apuração dos caminhos que percorrem as pelotas produzidas e para confirmação de que destinamse as mesmas à efetiva exportação, arrola peritos para tanto, bem como quesitos a serem observados. Em 16/04/2012 a Recorrente juntou nova petição, de fls. 722 alegando trazer fatos novos e imprescindíveis e paradigmáticos ao deslinde do caso, cujos fundamentos, abaixo sinteticamente resumo: Que é cabível a apresentação de novas provas em atenção ao princípio da verdade material, trazendo doutrina e jurisprudência; Que foi proferido julgado paradigma no processo nº. 15586.001584/201054 (cujo inteiro teor do Acórdão anexa à petição), o qual referese às mesmas partes e trata sobre mesmos fatos e operações idênticas, no qual houve pronunciamento favorável ao contribuinte. Alega que o processo foi instruído deficientemente, vez que os fatos indicados pelo Fisco não respaldam a conclusão a que ele chegou. A recorrente reproduz ainda os argumentos relativos à pretensa comprovação da efetiva venda com fins de exportação (aduzidos no recurso voluntário), requerendo ao final que nos termos do acórdão paradigma também lhe seja dado provimento ao recurso voluntário, ou assim não sendo entendido, seja convertido o julgamento em diligência para que a instrução deficiente do processo seja sanada, sendo constatado efetivamente que o recindo ao qual a mercadoria é destinada é alfandegado, sendo reconhecidas as vendas com fim específico de exportação. O contribuinte junta, além do já citado inteiro teor do acórdão paradigma, o alegado “fato novo”, cartas de correção dos CFOPs nas notas fiscais emitidas no denominado “anexo 5” e também declaração da Companhia Vale do Rio Doce declarando que não se creditou do PIS e Cofins discutidos nos autos, no denominado “anexo 6”. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 08 (oito) Volumes, numerado até a folha 1071 (hum mil e setenta e um), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.080 9 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Essencialmente a discussão em tela pautase na solução de dois principais pontos: (i) a real finalidade das vendas realizadas pela recorrente, para fins de apuração do direito creditório nos termos estabelecidos pela Lei 10.637/2002; e (ii) a natureza das prestações de serviço do qual a recorrente tomou crédito, se caracterizadas ou não como insumos no processo produtivo da mesma. Os pontos acima citados são controvertidos por que, à medida em que a recorrente considera as vendas realizadas para a empresa Vale do Rio Doce, como vendas com fim específico de exportação, a Autoridade Fiscal entende que, pela classificação de CFOP registrada pra as referidas vendas, bem como, pelo fato de que os produtos não são depositados diretamente em recintos alfandegados (ficam primeiramente no pátio da recorrente, sob espera de frete, por conta e ordem da compradora Vale), a venda está a ser realizada no mercado interno, não ensejando o direito creditório perseguido. Neste mesmo sentido, controversa é também a tomada de créditos sobre determinados serviços, efetuada pela recorrente e glosada pela Autoridade Administrativa, sob a alegação de que não se tratam estes de insumos “utilizados na prestação de serviços ou na produção de bens ou produtos destinados à venda”, conforme prevê o artigo 3º da Lei 10.637/2002. Em suma, os pontos acima destacados denotam que sua solução possui essencialmente um profundo conhecimento do processo produtivo da empresa, de forma que, tanto em relação à destinação ou não das vendas para fim específico de exportação, quanto a aplicação de determinados serviços dos quais a empresa tomou crédito, podem ser solucionadas esclarecendose esta questão. Tenho que a decisão da DRJ clareou bastante os motivos pelo qual parte do crédito tomado pelo sujeito passivo não foi reconhecido, tendo então o contribuinte reunido documentos de forma a combater estas alegações em seu recurso voluntário. Os fundamentos trazidos pelo contribuinte visavam comprovar o processo produtivo da empresa, bem como, esclarecer ainda o fato de que os CFOP’s classificados como venda no mercado interno realmente estavam equivocados, apresentando suas retificações. Ainda, o sujeito passivo rebateu os fundamentos do Fisco acerca da glosa dos créditos relativa aos serviços utilizados no processo produtivo, suscitando um julgamento sob o prisma do novo conceito de insumos, que não aquele restrito ao IPI. Assim, as razões trazidas pelo contribuinte em seu recurso, bem como os documentos anexados ao mesmo, me transmitem um início de prova a ser favor, porém, ainda Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.081 10 não são suficientes para um livre convencimento fundamentado que seja completamente justo, sem que pairem dúvidas acerca da verdade material, razão pela qual entendo que o melhor caminho é a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a Delegacia da Receita Federal apure algumas situações que abaixo serão elencadas. Neste sentido, o Decreto 70.235/72, em seu artigo 29, bem determina: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. A jurisprudência estendese na mesma esteira: PRELIMINAR. DILIGÊNCIA. CONVICÇÃO DO JULGADOR. A teor do art. 29 do Decreto nº 70.235/72 a realização de diligência vincula se ao livre convencimento da autoridade administrativa julgadora.(2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 20218.273 em 19.09.2007) Conforme mencionado anteriormente, tenho que a questão para a solução tanto das dúvidas no que tange à destinação das vendas da recorrente, quanto dos serviços sobre a qual apropriou o crédito nos termos da Lei 10.637/2002, necessitam de esclarecimentos acerca do processo produtivo adotado, razão pela qual voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência para que a Repartição de Origem tome as seguintes providências: a) Aponte pormenorizadamente o caminho que as pelotas de minério de ferro tomam desde a entrada da matériaprima no estabelecimento da recorrente, até a disponibilização do produto para a venda; b) Esclareça junto à recorrente e junto à Companhia Vale do Rio Doce o trâmite que envolve os negócios jurídicos entre as mesmas realizados, de modo a constatar quando o produto deixa efetivamente de ser propriedade da recorrente e passa a ser da compradora; c) Verifique onde e quando, dentro do negócio jurídico realizado entre as duas empresas citadas, as pelotas de minério de ferro são depositadas, transportadas e/ou armazenadas, e qual o fim a que este processo (armazenagem, transporte ou depósito) se presta; d) Aponte quem é o responsável pelo transporte das pelotas de minério de ferro do estabelecimento da Recorrente até o estabelecimento da compradora, descrevendo o caminho percorrido e as respectivas titularidades quanto à posse dos produtos industrializados, e assunção de riscos pela eventual perda dos citados produtos; e) Aponte a destinação dada pela Companhia Vale do Rio Doce às pelotas de minério de ferro adquiridas da recorrente, observando seus dados contábeis; f) Apure junto à Companhia Vale do Rio Doce o aproveitamento ou não dos créditos de PIS decorrentes da aquisição das pelotas de minério de ferro da recorrente, no período objeto do pedido de compensação sob análise; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15578.000317/200844 Resolução nº 3402000.631 S3C4T2 Fl. 1.082 11 g) Esclareça se o estabelecimento onde as pelotas de minério de ferro vendidas para a empresa Vale do Rio Doce ficam depositadas é ou não recinto alfandegado; assim como esclareça quando o produto é entregue à compradora Vale do Rio Doce, é direcionado/entregue em qual estabelecimento da referida compradora, informando se se trata ou não de recinto alfandegado; h) Aponte, dentro do processo produtivo da recorrente, a utilização/necessidade dos serviços sobre os quais tomou crédito, e indique sua relação ou não com a geração de receita da recorrente; Apontar se tais serviços são imposição de mercado, por normas de posturas, se são essenciais e/ou imprescindíveis ao processo empresarial da Recorrente, e o porque destas considerações. Enfim, descrever em que etapa do processo empresarial e para qual finalidade e destinação são empregados os serviços cujos créditos foram tomados pela Recorrente; i) Ao final, elaborar Relatório de Diligência, manifestandose de forma conclusiva sobre os resultados alcançados, concedendo, ao final, vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, sobre o Relatório, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 2/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10920.911365/2012-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 50 1 49 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.911365/201285 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.652 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente SUPERMERCADO FERNANDES LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 65 /2 01 2- 85 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10930.904533/2012-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 33 /2 01 2- 67 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904533/201267 Acórdão n.º 3803004.883 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904533/201267 Acórdão n.º 3803004.883 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904533/201267 Acórdão n.º 3803004.883 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11060.002282/2010-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. FUNRURAL. AUSÊNCIA DE DECISÃO TRANSITA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Diante da existência de ação judicial, na qual se discute a existência do crédito do contribuinte, não se afigura lícito à autoridade administrativa autorizar a compensação dos créditos questionados antes de decisão transitada em julgado.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
Após o advento da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, é vedada a compensação de créditos auferidos por terceiros por estrita vedação legal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.024
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. FUNRURAL. AUSÊNCIA DE DECISÃO TRANSITA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Diante da existência de ação judicial, na qual se discute a existência do crédito do contribuinte, não se afigura lícito à autoridade administrativa autorizar a compensação dos créditos questionados antes de decisão transitada em julgado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Após o advento da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, é vedada a compensação de créditos auferidos por terceiros por estrita vedação legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 82 /2 01 0- 71 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 485 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 486 3 Relatório 1. Cuidase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte COOPERATIVA AGRICOLA CACHOEIRENSE LTDA. em face da decisão do colegiado de primeira instância que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta e manteve o crédito tributário (DEBCAD n° 37.228.9355). 2. De acordo com o relatório fiscal (fls. 76/79), o contribuinte efetuou compensação tributária declarada nas Guias de Recolhimento do Fundo de garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) GFIP.. 3. Por oportuno, transcrevo excertos do referido relatório fiscal (fls. 76 e ss), in verbis: “(...). 2. Conforme os registros contábeis do contribuinte, os lançamentos foram efetuados a débito da conta 2.1.1.01.11.001 – Inss a recolher e a crédito das contas 1.1.2.01.09.007 Crédito Tributário INSS, relativamente as competências 07/2205 a 11/2005 e 1.2.1.01.13.003 () INSS Compensado, relativamente as competências 12/2005 a 09/2006. 3. No que se refere a conta 1.1.2.01.09.007 Crédito Tributário INSS, informamos que se trata de crédito resultante da compra de Precatório de Terceiros, intermediado pela empresa CWM Administração de Bens LTDA e, no que diz respeito a conta 1.2.1.01.13.003 () INSS Compensado, tratase de conta retificadora da conta 1.2.1.01.12.014 Depósito Judicial Funrural na qual registra os valores depositados relativamente a discussão judicial referente a contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural na qual é subrogada na obrigação dos produtores rurais a ela associados. 4. Quanto ao processo 2002.71.11.0002272, que tramita por dependência ao processo 200071000019840 no qual vinculamse os depósitos judiciais efetuados e no qual objetiva afastar, na condição de subrogada, a exigência de recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, pleiteando também a restituição/compensação das contribuições recolhidas no decênio que antecedeu a sua propositura, o contribuinte obteve sentença favorável em primeiro instância (JFRS). Ocorre que o INSS à época recorreu da decisão e o Tribunal Regional da 4ª Região reformou a decisão, entendendo que sempre teve base legal para a exigência da contribuição, sem solução de continuidade. (...). Fl. 486DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 487 4 5. Quanto ao andamento do referido processo, informamos que a cooperativa interpôs Recurso Extraordinário que se encontra sobrestado até a presente data. 6. Diante do exposto, verificase que ambas as situações não se enquadram na legislação permissiva de compensação à o época dos fatos (Lei 8.212/91, art. 89, na redação dada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95), no primeiro caso porque se referem a crédito de terceiros e no segundo porque o depósito judicial foi efetuado para suspensão do crédito tributário relativamente à contribuição sobre a produção rural, cujo processo se encontra pendente de Trânsito em Julgado (fls. 76 e 77). (...).” 4. Lavrado o auto de infração, o contribuinte foi dele cientificado em 24.11.2009, conforme comprovante de fl. 02, tendo apresentado Impugnação às fls. 81/130. 5. Ao analisar os argumentos apresentados pela contribuinte, o Colegiado de primeira instância não acolheu as teses apresentadas. O acórdão (fls. 411/426) restou lavrado com a ementa abaixo transcrita: “AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CESSÃO DE CRÉDITO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. E vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. As compensações de contribuições sociais previdenciárias devidas pelo sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SEDE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO À APRECIAÇÃO. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, motivo pelo qual descabe o julgamento destes argumentos na esfera administrativa. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 488 5 A falta de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em julgamentos do pleno, impede a apreciação de inconstitucionalidade alegada. JUROS. SELIC. Os juros incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia SELIC estão previstos na legislação de regência e em plena vigência no mundo jurídico. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido.” (fls. 411/3121). 6. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 430/480), no qual, aduz a reforma dos pontos que seguem: a) Sob diversos argumentos sustenta a inexigibilidade da contribuição social FUNRURAL e a validade da compensação efetuada, uma vez que o RE 363.852/MG teve seu julgamento transitado em julgado em 06.05.2011; b) Deve ser declarada a extinção do débito, haja vista já ter sido declarada a inconstitucionalidade do tributo objeto da compensação; c) Requer o reconhecimento da validade da compensação com precatórios, haja vista que restou comprovado a aquisição dos créditos por meio de cessão de direito mediante instrumento público; d) Sustenta a validade do procedimento tendo em vista que tanto as cessões de direito, quanto as compensações com os mesmos, foram convalidados pela emenda constitucional n. 62; e) Argui que os créditos adquiridos por cessão de direito não são créditos de terceiros e sim créditos próprios da recorrente; f) Por fim, considera ilegal e onerosa ao contribuinte a aplicação da taxa SELIC; 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 489 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DO “FUNRURAL” ANTES DE DECISÃO TRANSITA EM JULGADO 2. Neste ponto, válido mencionar que o Código Tributário Nacional em seu art. 170A prevê que: “é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. 3. Em contrassenso à norma, defende a recorrente que inexiste a necessidade de prévio reconhecimento judicial para realização do procedimento compensatório, ante a posição jurisprudencial favorável, determinando a inexigibilidade da contribuição social sobre comercialização rural desde o ano de 1991. 4. De fato, à época dos fatos, existia o questionamento quanto a constitucionalidade da contribuição em comento, no entanto, corretamente ponderou o julgador a quo ao considerar que tal inconstitucionalidade, ainda não havia sido declarada pelo Supremo Tribunal Federal. “O Recurso Extraordinário 363.852 MG, tomado pelo pleno do Supremo Tribunal Federal – STF, declarou “a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigo 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ocorre que, verificando o andamento do citado processo judicial (recurso Extraordinário 363.852 MG) através do “acompanhamento processual – STF – Supremo Tribunal Federal”, nesta data, ainda encontrase em andamento.(fl. 420).” 5. Vêse que inexiste o direito de compensação do contribuinte, por ausência de pronunciamento definitivo do judiciário quanto a matéria. A propósito, peço vênia para trazer a baila os ensinamentos do Professor James Marins em sua obra “Direito processual Fl. 489DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 490 7 tributário brasileiro: administrativo e judicial. 6ª ed.” no sentido de manter a autuação efetuada pelo fisco dada a impossibilidade de ratificação a compensação pela autoridade fiscal: “Com efeito, diante da existência de ação judicial em cujo o bojo se discute a existência ou não do crédito do contribuinte, não se afigura lícito à autoridade administrativa autorizar a compensação, pois semelhante juízo compete exclusivamente ao magistrado no âmbito do processo, por força do regime de prevalência da tutela jurisdicional sobre a administrativa, próprio do sistema brasileiro.(pg. 347)” 6. Por fim, ressalto que o contribuinte, ao efetuar procedimento semelhante de compensação de tributos (Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS) antes da decisão transitada em julgado do litígio, já obteve reprimenda do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, no processo 11060.001608/201314, no qual buscouse a compensação decorrente de créditos que pleiteava junto ao poder judiciário (sem decisão transitada em julgado). 7. Naquele caso, o posicionamento administrativo fiscal não foi diferente. Considerou, os créditos que o contribuinte alegava possuir em seu favor ilíquidos e incertos e concluiu que “a compensação não pode ser admitida pela inexistência de créditos a serem compensados” e manteve o lançamento. O acórdão restou ementado nos seguintes termos: “COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A compensação com créditos ilíquidos e incertos rende ensejo ao lançamento de oficio para a exigência do tributo que não foi pago. Recurso negado.” 8. Assim, quanto a esse ponto, mantenho o crédito tributário em favor da fazenda, nos termos da decisão de primeira instância. DA IMPOSSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE TERCEIROS 9. Da análise da documentação apresentada pela recorrente resta inconteste a existência do crédito adquirido mediante cessão de direitos, bem como ficou comprovado a validade do transito em julgado das decisões que culminaram no crédito de terceiros (precatórios) perante a Fazenda. 10. Não obstante ao arrazoado apresentado pela recorrente em suas razões recursais, entendo que, mesmo existindo o referido crédito, não há possibilidade de compensação pela recorrente, face o disposto na legislação de regência, senão vejamos. 11. A lei no 9.430/96 em seu artigo 74, com a redação dado pela lei no 10.637 de 30/12/2002, versa sobre a compensação de créditos e assim se pronuncia: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos Fl. 490DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 491 8 e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” (grifei). 12. Resta evidente a limitação à compensação de créditos, haja vista que as compensações devem ser efetuadas a débitos do próprio contribuinte que apurou o crédito, vedando a utilização de créditos de terceiros, como pretende o contribuinte. 13. Ademais, a alínea “a”, do inciso II, do §12 do art. 74 da Lei 9.430 introduzida pela Lei 11.051 de 29/12/2004, corrobora tal vedação e considera não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiro, in verbis: “§12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...). II em que o crédito: a) seja de terceiros;” 14. A controvérsia também já foi objeto de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme emenda que colaciono a seguir: “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. SENTENÇA CONDENATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. IMPOSSIBILIDADE. LEI 9.430/96. PROIBIÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. 1. A Lei n° 9.430/96, no artigo 74, utilizandose da faculdade que lhe foi conferida pelo CTN, proíbe a compensação de débitos tributários com créditos de terceiros, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 2. In casu, tratas e de decisão transitada em julgado reconhecendo o direito de compensação da cedente em face da Fazenda Nacional. Não obstante a admissibilidade da cessão de créditos na seara tributária, verifica se a existência de óbice legal à efetivação da compensação nos moldes requeridos pelas recorrentes (com créditos de terceiros), qual seja, o mandamento inserto no art. 74 da Lei 9.430/96, o que conduz à ineficácia da cessão de créditos perante o fisco e, consectariamente, à inoperosidade da substituição processual almejada. (Precedentes: REsp 1121045/RS, DJe 15/10/2009; REsp 939.651/RS, DJ 27/02/2008) (...). Fl. 491DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 492 9 8. Recurso especial desprovido.” Grifei.( REsp 993925 / RS, Relator Min. Luiz Fux, de 05/08/2010). 15. A clara conclusão alcançada é no sentido de que é vedada, por força da disposição do artigo 74 da lei nº 9.430/96, a compensação de créditos de terceiros com débitos próprios. 16. Quanto à cessão de créditos, entendemos valida, porém, o direito tributário pode dispor efeitos próprios na seara tributária e é exatamente isto que faz ao estabelecer as limitações do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. 17. Insta mencionar, a jurisprudência desse Conselho ao analisar a matéria: COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros. OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. (grifei) (Proc. nº 11020.724496/201150. Ac. 2401002.983, da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento. Data do julgamento: 29.11.2012. Rel. Kleber Ferreira de Araújo). COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS.GLOSA A compensação, sem a observância do que consta no art. 89 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.129/95, autoriza a glosa correspondente. Inexiste autorização para compensação de valores devidos a seguridade social com créditos advindos da compra de precatórios de terceiros. Recurso Voluntário Negado (Proc. nº 11065.001319/200961. Ac. 2803001.948, da 3ª Turma especial da 2ª Seção de Julgamento. Data do julgamento: 21.11.2012. Rel. Oséas Coimbra). 18. Ante o exposto, entendo eu ambas as situações fáticas que resultaram nas autuações fiscais não se enquadram na legislação permissiva de compensação à época dos fatos (Lei nº 8.212, art. 89, na redação dada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 493 10 19. A uma por que no caso que se referem às compensações a crédito de terceiros, a duas por que o depósito judicial que a recorrente pretende promover a compensação é referente à contribuição sobre a produção rural, cujo processo, ao qual o Recurso Extraordinário da recorrente estava vinculado, aguardando julgamento (RE 363.852/MG), encontravase pendente de transito em julgado, decisão essa que, como bem reconheceu a própria recorrente em suas razões recursais, somente ocorreu em 06/05/2011. DA TAXA DE JUROS SELIC 20. Não prosperam os argumentos da recorrente quanto a ilegalidade da aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). São devidas e legais a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, conforme dispõem enunciados de súmulas desse Conselho, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. CONCLUSÃO 21. Dessa forma, em razão do exposto conheço do recurso voluntário apresentado, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 15504.005841/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.333
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Não se aplica
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 05 84 1/ 20 10 -9 0 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto ASSOCIAÇÃO PROMOÇÃO HUMANA DIVINA PROVIDENCIA em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.273.5932, lavrado para cobrança de multa por ter deixado a recorrente de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo. O período apurado compreende a competência 01/2006 a 12/2007, tendo o contribuinte sido cientificado em 20/04/2010 (fls. 93). Consta do relatório fiscal que a recorrente declaravase como empresa isenta ao pagamento das contribuições previdenciárias parte patronal por entender preencher todos os requisitos determinados em Lei para fazer jus a benesse, enviando a GFIP com o código FPAS 639. Todavia, a fiscalização apurou que tal benesse não lhe deveria ser conferida, em razão da mesma ter deixado de observar aquilo o que descrito no art. 55, § 1o da Lei 8.212/91, por não possuir o Ato Declaratório de Isenção emitido pelo INSS, já que não efetuou o requerimento para que tal documento fosse emitido em seu favor, de modo que o código do FPAS correto deveria ser o 515. Ainda em sede de ação fiscal a empresa alegou não ter apresentado o documento em razão de ter impetrado junto à Justiça Federal do Distrito Federal o processo 2001.38.00.0359419, que aguardava decisão a ser proferida pelo Tribunal Regional da 1a Região, o qual teria transitado em julgado em 17/12/2009 em favor da Fazenda Nacional. Quanto ao trânsito em julgado a recorrente esclareceu ao fiscal que este havia sido proferido equivocadamente, de modo que o processo ainda teria os seus trâmites normais a serem realizados. O fiscal autuante, ao comparar as multas a serem aplicadas, verificou que a mais benéfica, de acordo com as determinações do art. 106 do CTN, foi a anterior as alterações levadas a efeito pela Lei 11.941/09, tendo aplicadoa ao caso. Julgada improcedente a impugnação, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual, sustenta a recorrente: 1. que o presente Auto de Infração foi lavrado considerandose que a impugnante não teria direito à imunidade contida no artigo 195, § 7o da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 CR/88 por não cumprir com os requisitos contidos no artigo 55 da Lei n° 8.212/1991; 2. que apesar do texto constitucional ter se utilizado a expressão "isenção" no artigo 195, § 7 o na realidade tratase de imunidade; 3. que dessa forma, as instituições beneficentes de assistência social são imunes desde que acatem as Fl. 617DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 4 3 exigências contidas em lei. Disserta sobre o conceito de entidade beneficente e sobre o conceito de assistência social acatado pelo Supremo Tribunal Federal; 4. que coaduna com entendimento de que as exigências contidas no artigo 55 da Lei n° 8.212/1991, "observada a desconsideração de alguns requisitos conforme prescreve a liminar na ADIn 2.0285/DF" está em sintonia com o artigo 14 do CTN 5. que pelos dispositivos contidos em seu estatuto e pela documentação ora acostada demonstra que cumpre todos os requisitos estabelecidos no artigo 55 da Lei n° 8.212/1991 quanto os requisitos do artigo 14 do CTN; 6. que "o direito à imunidade prevista no artigo 195, § 7o da CF/88 é regra e, portanto, não depende de decisão discricionária de qualquer autoridade administrativa [...] uma vez cumpridos todos os requisitos previstos em lei, o gozo é automático". Disserta acerca de suas atividades e projetos; 7. que era detentora nos anos de 2006 e 2007 de Declaração de Utilidade Pública Federal, Declaração de Utilidade Pública Estadual de Minas Gerais e Declaração de Utilidade Pública do Município de Belo Horizonte (cópias de fls. 29 a 32 do Anexo I); 8. que nos anos de 2006 e 2007, obteve do Conselho Nacional de Assistência Social o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e o Certificado de Entidade sem Fins Lucrativos (cópias de fls. 34/36 do Anexo I) 9. que todos os anos publica seu Balanço Patrimonial "validado" por auditoria externa e comprova que seus diretores conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, não percebem remuneração e não usufruem vantagens ou benefícios a qualquer título e que aplica integralmente o resultado operacional no desenvolvimento de seu objeto institucional (cópias de fls. 38 a 200 do Anexo I e de 01 a 72 do Anexo II); 10. que a Lei 12.101/09 revogou a necessidade do requerimento para expedição do Ato Declaratório de Isenção pelo INSS, devendo ser aplicada ao caso, de acordo com as regras do art. 106 do CTN; 11. que a decisão de primeira instância deixou de analisar o cumprimento dos requisitos insertos no art. 55 da Lei 8.212/91, conforme apontado na defesa da contribuinte; Fl. 618DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 5 4 Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 6 5 VOTO Antes mesmo de adentrar ao mérito da demanda, entendo haver questão preliminar a ser esclarecida nos autos para que o julgamento do presente recurso seja levado a efeito diante da certeza de todas as informações trazidas aos autos. Conforme consta do relatório fiscal do presente Auto de Infração a fiscalização informou a existência de uma ação judicial impetrada pelo contribuinte, de n. 2001.38.00.0359419, cuja última indicação era tramitar junto ao TRF da 1a Região. Sobre referida ação, apontou a fiscalização que esta havia transitado em julgado em favo do INSS, ao passo em que a recorrente sustenta que a informação do trânsito em julgado era equivocada. Vejamos o que dispõe o relatório fiscal sobre o assunto: Ao ser intimada a apresentar o referido ato (Termo de Intimação Fiscal, em 24/09/2009, cópia anexa), a instituição alegou que não o apresentava devido ao faro da instituição ter proposto (contra o INSS) Ação Declaratória de Imunidade das contribuições previdenciárias da parte patronal e o processo encontrase aguardando julgamento no TRF da 1a Região, conforme consta da cópia da documentação acostada. A referida documentação acostada se resume a um certificado emitido pelo TRF da 1 a Região descrevendo um breve histórico referente ao processo n° 2001.38.00.0359419 e a impressão do histórico de suas movimentações extraída do site do referido Tribunal através de consulta processual eletrônica. Analisandose esses documentos, verificouse que não estavam devidamente atualizados (certificado datado de 07/05/2009 e consulta processual em 18/11/2009). Após solicitada sua atualização, a instituição apresentou consulta processual atualizada em 29/03/2010 (cópia anexa), onde consta que o processo em epígrafe, após sucessivos recursos e embargos legais, transitou em julgado em 17/12/2009, cuja sentença foi favorável ao INSS/PGFN. A instituição apresentou cópia de ofício dirigido à mesma e remetido por empresa de advocacia, com data de 29/03/2010 (cópia anexa), onde alega que o referido processo transitou em julgado indevidamente e que, embora conste no sistema de consulta do TRF da 1a Região que o mesmo transitou em julgado, houve um equívoco que torna sem validade a publicação realizada. Dessa forma, diante da divergência de informações até então não comprovadas nos autos mediante documentação hábeil, verifico que alguns pontos relacionados a ação judicial devem ser esclarecidos antes mesmo do julgamento do presente recurso voluntário. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando a baixa dos autos à origem, para que a fiscalização se manifeste, mediante inclusive a obtenção de documentos pertinentes, acerca de (i) qual é o objeto da ação judicial n. 2001.38.00.0359419 impetrada pelo contribuinte, juntando aos autos o teor de sua petição inicial, bem como para que esclareça se (ii) referida ação atulamente Fl. 620DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 7 6 transitou em julgado ou não e em que sentido, juntando aos autos as respectivas decisões e a certidão de trânsito em julgado, se for o caso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10925.001567/2009-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que identificada uma das situações referidas no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3403-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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SEGREGAÇÃO NA ESCRITURAÇÃO. AUSÊNCIA. APURAÇÃO DE OFÍCIO. Não tendo segregado em sua escrituração os atos cooperativos dos não cooperativos (ou comprovado posteriormente à fiscalização especificamente o discernimento entre tais atos), cabível a ação de ofício do fisco para promover a segregação, à luz de documentos emitidos nas operações da empresa, e de dados de sistemas informatizados (não refutados objetivamente). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que identificada uma das situações referidas no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 67 /2 00 9- 71 Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 3 a 211) lavrado em 23/07/2009 para exigência da COFINS, em virtude de falta/insuficiência de recolhimento, no período de julho de 2004 a dezembro de 2008, no valor de R$ 2.863.620,70 (a título de principal). No Relatório de Atividade Fiscal de fls. 740 a 773, a fiscalização sustenta que: (a) na Lei Complementar no 70/1991, as sociedades cooperativas eram isentas de COFINS em relação aos atos cooperativos; (b) com a entrada em vigor da Lei no 9.718/1998, ampliouse o campo de incidência da contribuição, sendo que o benefício estabelecido pela Medida Provisória no 1.8587/1999 (art. 16), foi excluído pela Medida Provisória no 18589, de 24/09/1999, voltando a incidir a COFINS nas operações com cooperados; (c) em relação às cooperativas de transporte (como é o caso da fiscalizada), a normatização específica surge somente em 21/11/2005, com a Lei no 11.196/2005 (art. 46), sendo complementada pela Instrução Normativa SRF no 635/2006; (d) as cooperativas devem apurar a COFINS sob o regime cumulativo; (e) a empresa não possui caminhões, sendo os serviços de fretes realizados pelos cooperados e por outras pessoas físicas ou jurídicas; (f) a empresa começou a apresentar DACON somente a partir de janeiro de 2005 (para o período anterior há somente DCTF); (g) de julho a dezembro de 2004, e de janeiro a novembro de 2005, foram indevidamente abatidas das bases de cálculo as receitas tidas como de atos cooperados, motivando glosa pela fiscalização (demonstrada na planilha de fl. 22); (h) como não foram segregados na contabilidade os serviços prestados pela cooperativa de transporte realizados por cooperados e por não cooperados, a fiscalização tentou fazêlo, a partir dos CTR (Conhecimentos de Transporte Rodoviários), digitais (para os anos de 2007 e 2008) e em papel (2005 e 2006), e da lista de cooperados (do Livro de Matrículas), o que foi parcialmente possível, tendo em vista que também tais documentos, por vezes, não identificavam o prestador de serviço (nos casos em que não constava o prestador, mas havia a informação da placa do veículo, a fiscalização efetuou consulta ao sistema RENAVAM, identificando o proprietário, e cotejando com a lista de cooperados); (i) nos CTR em papel (2005 e 2006 cerca de 75 mil documentos), sem a indicação do prestador de serviço, a fiscalização aceitou ainda como prestador de serviço aquele CPF/CNPJ que constasse como prestador em outro CTR com veículo de mesma placa; (j) a fiscalização percebeu que os CTR em arquivo digital (2007 e 2008) representavam cerca de 50% do registrado nos livros contábeis, intimando a empresa a complementar as informações, sem sucesso, pelo que foram considerados atos não cooperados os serviços registrados na contabilidade sem segregação cooperado/ não cooperado, e sem CTR; (k) ao final dos trabalhos, a fiscalização gravou duas planilhas (uma com os CTR identificados, e 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 3403002.741 S3C4T3 Fl. 1.582 3 outra com os não identificados), intimando a empresa a se manifestar (tendo esta informado que era impossível vincular a placa do veículo ao associado); (l) a empresa apresentou “listagem paralela” de cooperados, divergente da constante do Livro de Matrículas, mas este é que foi tomado em conta, por ter validade legal (em que pese não ser substancial a diferença no resultado final da autuação); e (m) foram glosadas as exclusões indevidas no período de dezembro de 2005 a dezembro de 2008 (mantendose as exclusões de atos cooperados cf. tabela de fls. 26 a 39, ICMSsubstituição, FATES e sobras líquidas). Cientificada da autuação, a recorrente apresenta impugnação em 26/08/2009 (fls. 776 a 782), argumentando que: (a) a fiscalização invadiu a sede da empresa e desrespeitou seus funcionários, configurando abuso de poder e gerando a nulidade da autuação; e (b) todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados. A decisão de primeira instância (indeferimento unânime das pretensões da autuada) é proferida em 15/06/2012 (fls. 1378 a 1385), concluindo, em síntese, que os procedimentos de fiscalização obedeceram à legislação pertinente, e que as sociedades cooperativas têm o dever de segregar em sua contabilidade dos atos cooperados dos não cooperados, sendo ônus delas a demonstração da ocorrência dos atos cooperativos para fins de exclusão da base de cálculo dos repasses dos ingressos relativos aos cooperados. Cientificada da decisão da DRJ em 04/10/2012 (AR à fl. 1390), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 05/11//2012 (fls. 1471 a 1497), no qual argumenta que: (a) embora somente com a redação dada pela Lei no 11.196/2005 à Lei no 11.051/2004 as sociedades cooperativas de transporte tenham sido autorizadas a excluir ingressos oriundos de atos cooperados da base de cálculo da COFINS, a recorrente entende que esses ingressos não devem ser submetidos à tributação nem mesmo no período que antecede a vigência da referida Lei, porque não há receita bruta, ou faturamento, pela própria natureza jurídica da operação, como já entendeu o STJ, não havendo necessidade expressa de isenção em lei; (b) ainda que exista necessidade de norma isentiva, estarseia, como tratamento desigual, ferindo o princípio da isonomia, constitucionalmente assegurado, e a matéria seria de competência de lei complementar, sendo inconstitucional a Medida Provisória disciplinadora; (c) a partir da Lei no 11.196/2005, a ausência de segregação contábil não é motivo para a fiscalização desconsiderar integralmente os registros, nem para tributar toda a receita operacional da recorrente; (d) registrava no Livro de Matrícula de cooperados pelo nome da pessoa física até 2008 (embora estes tivessem já constituído empresas), sendo que a informação desatualizada, nestes casos, não pode acarretar prejuízos à recorrente, e foi corrigida em novembro de 2008, fato ignorado pela fiscalização (na época da fiscalização, o Livro de Matrículas ainda não havia sido alterado pela contribuinte); (e) a fiscalização ignorou ainda o procedimento adotado pela contribuinte no que diz respeito aos CTRC (todo frete realizado por intermédio da contribuinte é acobertado por CTRC emitido por ela, sendo que, ao final de cada mês, cada cooperado emite um CTRC para a recorrente com o valor total dos serviços por ele prestados naquele período, para lastrear a operação, o que se alega comprovar por amostragem), o que mostra que não são seguras as conclusões a que chegou o fisco; (f) a argumentação e os documentos apresentados comprovam cabalmente que as receitas operacionais da recorrente decorrem apenas de atos cooperativos, que, por expressa determinação legal, não são tributados pela COFINS; e (g) embora seja na motivação que devam ser expostos os motivos de fato e de direito, devese acolher a apresentação posterior em atenção aos princípios da verdade real, da oficialidade e do informalismo. Pedese, por fim, o julgamento conjunto com o processo de no 10925.001566/200927, relativo à Contribuição para o PIS/PASEP, para o mesmo período. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. De início, é de se destacar que se acolhe a solicitação para análise do presente recurso em conjunto com o apresentado no processo de no 10925.001566/200927, relativo à Contribuição para o PIS/PASEP lançada em relação ao mesmo período, basicamente pelas mesmas razões de fato e de direito. Compulsandose os autos do presente processo, percebese que há diametral alteração da defesa, da impugnação para o recurso voluntário. Na impugnação eram trazidos basicamente dois argumentos (abuso de poder e alegação, sem elementos de prova, de que todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados). Essa matéria de defesa, apreciada pela DRJ, ensejou a decisão recorrida. No recurso voluntário, contudo, a empresa discute uma série de questões de fato e de direito que sequer havia ventilado em sede de impugnação, e, ciente da absoluta inovação argumentativa, alega (fls. 1494 a 1497) que: “A argumentação e os documentos ora apresentados e juntados pela Contribuinte comprovam cabalmente que as receitas operacionais da Recorrente decorrem apenas de atos cooperativos, que, por expressa determinação legal, (Lei no 11.051/04, na redação que lhe foi dada pela Lei no 11.196/05), não são tributadas pela COFINS. Embora seja certo que “é na impugnação que o sujeito passivo expõe os motivos de fato e de direito, em que se fundamenta, instruindoa com os documentos comprobatórios das suas alegações”, não menos correto é considerar e analisar os fatos e documentos ora apresentados, em atenção aos princípio da verdade real, da oficialidade e do informalismo”. (...) Segundo o princípio da verdade real, a Autoridade Administrativa deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro e interessante para desvelar o direito do contribuinte. (...) Assim, demonstrado que o Fisco tributou indevidamente receitas oriundas de atos cooperativos pela COFINS, o acórdão recorrido deve ser reformado, a fim de cancelar integralmente o Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 3403002.741 S3C4T3 Fl. 1.583 5 Auto de Infração lavrado contra a recorrente.” (grifos no original) É preciso, no entanto, ter uma coerente compreensão do que se entende por verdade material. Como ensina JAMES MARINS, a verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 2 Recordese que a ação fiscal teve início em 13/02/2009, com ciência do responsável pela cooperativa, e intimação para apresentação de documentos. Analisandose a contabilidade da empresa, verificouse que não havia segregação das atividades em serviços prestados por cooperados e por não cooperados, em que pese a obrigação legal (arts. 87 e 111 da lei que rege as cooperativas Lei no 5.764/1971): “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.15835/2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” (grifo nosso) A inexistência de segregação na escrituração contábil (ou de detalhamento, quando solicitado pelo fisco), impossibilitando a apuração efetiva do valor a ser lançado, já motivou entendimento unânime desta turma no sentido do cabimento da autuação pela totalidade do valor das receitas: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CONTESTAÇÃO GENÉRICA. CARÊNCIA DE PROVA. DISTINÇÃO ENTRE ATOS. DEDUÇÕES LEGALMENTE ADMITIDAS. Não tendo segregado em sua escrituração os atos cooperativos dos não cooperativos (ou comprovado posteriormente à fiscalização especificamente o discernimento entre tais atos), nem detalhado ou comprovado em seu recurso as deduções às quais entende fazer jus, sujeitase o contribuinte à tributação sobre a totalidade das receitas.” 3 Contudo, no presente caso, como a cooperativa é prestadora de serviços de transporte, e são emitidos conhecimentos de carga a cada operação, o Fisco, norteado pelo dever de investigar, demandou à interessada a apresentação dos conhecimentos relativos ao período fiscalizado. O objetivo era cotejar os prestadores de serviço indicados nos conhecimentos com a lista de cooperados, permitindo as exclusões para todos os conhecimentos em que o prestador fosse um cooperado. Em resposta, a fiscalizada disponibilizou caixas de documentos em papel (mais de 75.000 documentos), para os anos de 2005 e 2006 (pois informou não possuir registros digitais para o período), e, depois de reintimada, registros digitais (para os anos de 2007 e 2008) e relação de cooperados. Contudo, na investigação, a fiscalização apurou, ao digitar manualmente os conhecimentos em papel entregues pela empresa, que grande parte deles sequer se indicava o prestador do serviço ou o valor da operação. Em relação aos registros digitais, verificou ainda que correspondiam a cerca da metade das operações contabilizadas, como a própria empresa reconhece (alegando que era o início da implantação do sistema). Na hercúlea tarefa de vincular cada um dos milhares de conhecimentos, buscando tão somente a verdade material, permitindo as exclusões lícitas, o fisco intimou ainda a cooperativa a apresentar relação com os veículos dos cooperados (e respectivas placas), possibilitando a exclusão das operações em que o conhecimento de carga, apesar de não indicar o prestador do serviço, contivesse a placa do veículo. Em resposta, obteve da recorrente (fl. 712) que a solicitação: “foge completamente aos preceitos da materialidade e do bom senso. A cooperativa não tem motivo algum em ter controle de placas por associado. Essa informação é colocada no CTRC para evitar multas nos postos fiscais de competência dos estados, onde os caminhões trafega, nada mais. 3 Acórdão n. 3403001.987, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 20/03/2013. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 3403002.741 S3C4T3 Fl. 1.584 7 É de costume no setor de transporte, a constante troca de veículos. O transportador seguidamente troca um veículo usado por um mais novo haja vista a necessidade de renovação de frota. Então, esses veículos que realizaram o transporte no período solicitado, certamente já mudaram de proprietário. A cooperativa não tem esse controle de placas por proprietário, por isso, é impossível fornecer essa informação”. Ainda assim, o fisco acabou por considerar as exclusões relativas às placas de veículos para as quais houvesse outros conhecimentos com idêntica placa, mas com o prestador de serviço (cooperado) identificado. E efetuou consultas individualizadas de mais de duas mil placas no sistema RENAVAM, acolhendo as exclusões em relação aos conhecimentos contendo placas para as quais o proprietário fosse um cooperado. E, por fim, concluída a análise fiscal, as planilhas resultantes foram apresentadas à cooperativa, que foi intimada a analisálas, e se pronunciar, por escrito, sobre eventuais incorreções, apresentando documentação que comprovasse o erro, em 22/06/2009 (fl. 733. Em resposta (fls. 735 e 736), há questionamentos quanto à lista de cooperados (divergências entre a lista que a cooperativa considera correta e aquela que utiliza em obediência ao art. 22 da Lei das Cooperativas / Livro de Matrículas), e informação de que é impossível vincular a placa do veículo ao associado. Se há algo que resta muito claro na leitura do processo, é a intensa atividade do fisco em seu dever de investigação, mesmo diante da deficiente conduta da empresa em seu dever de colaboração. O fisco chega a digitar manualmente milhares de documentos, e realizar consultas em sistemas informatizados como o RENAVAM, tão somente em nome da verdade material, para evitar autuar operações que eventualmente tivessem sido realizadas com cooperados. E a empresa evasivamente afirma que todas suas atividades são realizadas por cooperados, quando a própria documentação que apresenta não sustenta a afirmação. Imperioso destacar que a norma de estatura legal que rege o processo administrativo fiscal, o Decreto no 70.235/1972, dispõe, em seu artigos, 16 e 17: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Relevante aqui recordar que na impugnação apresentada a empresa limitase a discutir abuso de poder pelo Fisco (alegação rechaçada a contento pelo julgador a quo), e a afirmar (sem amparo probatório a refutar o resultado da fiscalização) que todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados. Assim, os argumentos (e documentos) inovadores apresentados no recurso voluntário encontram obstáculo de ordem legal, e não logram transpor a barreira dos arts. 16 e 17 do Decreto no 70.235/1972. É de se reconhecer que este CARF, nos casos em que há evidência de exigência de tributo indevido, ou prova de não ocorrência de situação tributável, tem analisado argumentos (e documentos) de ofício, sem que constem necessariamente de peças de defesa de recorrentes (ou mesmo os extemporâneos que nelas constem). No presente processo não se encontra tal evidência ou prova. O Fisco buscou por todos os meios legalmente possíveis e permitidos discernir os atos praticados com cooperados dos praticados com não cooperados, para efeito de tributação. E o fez da melhor maneira, diante das informações prestadas pela recorrente. Nessa linha, atenta contra a credibilidade do recurso voluntário a alegação (fl. 1488) de que: “o fato de a Recorrente não segregar em seus registros contábeis as receitas operacionais decorrentes de serviços de transporte realizados por cooperados e por não cooperados não é motivo para a Fiscalização desconsiderar integralmente tais registros e tributar a totalidade das receitas” Como visto (e revisto) aqui, a fiscalização não se contentou com o fato de a empresa não segregar as operações em sua escrituração, seguindo com numerosas tentativas de identificar a verdade real, acolhendo exclusões que a empresa sequer havia documentado, mas que o fisco, em consulta ao RENAVAM, ou em cruzamento de informações de planilhas por ele digitadas (a partir de documentos em papel fornecidos pela recorrente) apurou. Recordese ainda que foram acolhidas pelo fisco as exclusões de atos cooperados cf. tabela de fls. 26 a 39, ICMSsubstituição, FATES e sobras líquidas. Ao afirmar que a fiscalização não analisou adequadamente os registros contábeis, ou que deveria ter considerado a “lista paralela” de cooperados, e não o Livro de Matrícula estabelecido em Lei (e retificado posteriormente à fiscalização), a recorrente não produz prova, mas apresenta dados esparsos, sem conexão direta com os detalhamentos da autuação, sem refutar o lançamento objetivamente. E a documentação anexada no Recurso Voluntário segue o mesmo destino, ao não contrapor especificamente as alegações da autuação. A simples apresentação de uma extensa lista de planilhas e documentos com extensão “pdf”, Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 3403002.741 S3C4T3 Fl. 1.585 9 listados às fls. 1560 a 1578, está longe de refutar individualizadamente as alegações da autuação. O que parece desejar a recorrente é um reexame, tendo em vista fatos que não são novos, e só traz à tona em sede de recurso voluntário. Pelo exposto, não se vê aqui evidência de exigência de tributo indevido, ou prova de não ocorrência de situação tributável. Atenta ainda contra o lógica a argumentação de que “embora somente com a redação dada pela Lei no 11.051/04 (na redação dada pela Lei no 11.196/05) as sociedades cooperativas de transporte tenham sido autorizadas a excluir ingressos oriundos dos atos cooperativos da base de cálculo da COFINS, a recorrente entende que esses ingressos não devem ser submetidos à tributação nem mesmo no período que antecede a vigência da referida Lei”. A empresa faz um apanhado histórico da evolução legislativa sobre a matéria, para ao final, informar que discorda da Lei, porque não há receita bruta em tais atividades ou porque, havendo, ferese a isonomia, ou estáse diante de matéria reservada a lei complementar. Percebase que todas as linhas encontram obstáculo na Súmula no 2 deste CARF (no que se refere ao afastamento da norma de ordem legal em nome de princípios/disposições constitucionais), e que seria absolutamente avesso à lógica uma lei dispor sobre isenção a um segmento específico se o benefício fiscal fosse extensível a todos os demais. Assim, a ausência de adequada escrituração pela recorrente, nos termos da lei, acabou por dificultar (mas não impedir) o fisco de precisar o quantum relativo à base de cálculo da contribuição, e tal tarefa foi levada a cabo a partir das informações disponibilizadas pela recorrente e de ação de ofício do fisco (confeccionando planilhas e extraindo informações de sistemas). E não foi objeto de questionamento objetivo ou refutação específica pela recorrente. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13931.000656/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos e a pertinente fundamentação legal permitem a plena compreensão da imputação fiscal e oferta de defesa eficaz, não se verificando qualquer das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do IRPJ apurado anualmente somente se aperfeiçoa no último dia do período de apuração, quando se inicia o lustro decadencial. Os balanços/balancetes de suspensão ou redução dos tributos, elaborados ao longo do ano-calendário, não assinalam o momento de ocorrência do fato gerador, não se prestando a antecipar o início da contagem do prazo decadencial.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DO TRIBUTO. DEDUÇÃO DA DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO.
O marco inicial para a contagem do prazo decadencial é a data em que foi cometida a infração, consistente na indevida amortização do ágio como despesa, reduzindo o resultado tributável, e não o momento em que o ágio foi constituído. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS.
Para ser considerada uma despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE DA DESPESA.
Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, sendo incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, vez que não há aquisição de nova propriedade quando não há transferência de controle entre as empresas.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento decorrente, no que couber, o quanto decidido em relação ao lançamento matriz.
Numero da decisão: 1202-000.883
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno acompanharam a relatora pelas suas conclusões.
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos e a pertinente fundamentação legal permitem a plena compreensão da imputação fiscal e oferta de defesa eficaz, não se verificando qualquer das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DO FATO GERADOR. O fato gerador do IRPJ apurado anualmente somente se aperfeiçoa no último dia do período de apuração, quando se inicia o lustro decadencial. Os balanços/balancetes de suspensão ou redução dos tributos, elaborados ao longo do anocalendário, não assinalam o momento de ocorrência do fato gerador, não se prestando a antecipar o início da contagem do prazo decadencial. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DO TRIBUTO. DEDUÇÃO DA DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO. O marco inicial para a contagem do prazo decadencial é a data em que foi cometida a infração, consistente na indevida amortização do ágio como despesa, reduzindo o resultado tributável, e não o momento em que o ágio foi constituído. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 06 56 /2 00 9- 18 Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 3 2 Para ser considerada uma despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE DA DESPESA. Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, sendo incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, vez que não há aquisição de nova propriedade quando não há transferência de controle entre as empresas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o quanto decidido em relação ao lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno acompanharam a relatora pelas suas conclusões.. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que manteve integralmente o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, num total de R$ 14.816.286,01, incluindo juros moratórios calculados até 30/11/2009 (fls. 361380). De acordo com o termo de verificação fiscal (fls.326/337), foram glosadas as apropriações de despesas de amortização de ágio por rentabilidade futura na aquisição de investimento em outras sociedades por meio de incorporação, em síntese, porque, como constou da decisão recorrida, o ágio não resulta de operação onerosa com terceiros, envolvendo pagamento, e sim de operação dos sócios com eles mesmos, em que houve mera reavaliação de ações, além de não se referir a investimento em outra empresa, e sim na própria autuada. Na impugnação (fls. 385442), a defesa argumentou, preliminarmente, que: (i) seus procedimentos seguiram as diretrizes do pensamento doutrinário e jurisprudencial dominante à época dos fatos e do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 7º e 8º, “b”, da Lei nº 9.532/97, tendo adquirido o direito à dedutibilidade do ágio, ficando a receita ou ganho de capital correspondente controlada no LALUR, parte B, da investidora, diferido para tributação futura, à medida da sua realização. (ii) a autoridade fiscal não logrou apontar, de forma clara e objetiva, qual a disposição legal infringida; (iii) o lançamento, apesar de obscuro quanto a essa parte, pretendeu abranger a glosa de despesas com amortização de ágios de duas operações acontecidas em anos distintos: a da empresa SCELTA S/A, no ano 2000, e a da empresa VEPAL, em 2004; (iv) a glosa relativa à amortização do ágio originário da incorporação da SCELTA S/A, acontecida no ano 2000, ficou carente de fundamentação específica, não tendo constado do auto de infração a descrição do fato e a disposição legal infringida; (v) como somente teve ciência do lançamento em 22/12/2009, houve a decadência dos fatos geradores referentes aos meses de janeiro a novembro de 2004, já que foi utilizado o sistema de balanços mensais, com balancetes de suspensão e redução, havendo a cada mês a apuração e liquidação do IRPJ e da CSLL, sujeitos ao lançamento por homologação; (vi) houve a decadência com relação à amortização do ágio que teve origem na incorporação que aconteceu no ano 2.000, mesmo que posteriores a 22/12/2004; Quanto ao mérito, após discorrer sobre as razões da reorganização societária, afirmou que não teve como fim único suprimir fatos geradores do IRPJ e da CSLL; que todas as operações de constituição e registro do ágio na PRINCETUR, na VEPAL e na própria impugnante (PRINCESA) foram embasadas no que dispõem os diplomas legais transcritos às fls. 404406; e que o ganho de capital previsto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 ocorreu na Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 5 4 holding PRINCETUR, foi diferido, está sendo controlado na parte B do LALUR, e seria oferecido à tributação quando ocorressem as hipóteses previstas nos incisos I e II do mencionado art. 36. Afirmou, ainda, que o ágio foi constituído na empresa VEPAL no momento em que a PRINCETUR subscreveu capital e o integralizou com a entrega das “ações que possuía na PRINCESA”, e que, na VEPAL, o desdobramento do custo de aquisição foi feito de acordo com o que dispõe o art. 385, inciso I (investimento) e inciso II (ágio) do RIR/99, tendo sido, após o desdobramento, registrado com o fundamento econômico baseado em previsão dos resultados nos exercícios futuros da empresa investida. Justificou que quatro horas foram suficientes para a confecção do laudo devido à dinâmica empresarial e que as reestruturações societárias normalmente demandam sucessivas alterações contratuais. Sustentou que o laudo de avaliação da rentabilidade futura considerou os riscos envolvidos; que as licitações podem ser oportunidades de aumento da rentabilidade futura, e não sua negação; e que o sentido econômico foi a razão de ser maior da reestruturação societária; e que não houve violação à legislação tributária; Discorreu sobre a dedutibilidade do ágio no caso concreto, estabelecendo correlação entre os art. 386 e 391, ambos do RIR/99 e sustentando que se tratam de ágios diferentes; que não existia conflito entre os art. 385 e 386 do RIR/99, e que, na hipótese de dúvida, a autoridade fiscal deveria se pautar pela norma do art. 112 do CTN. A 1ª Turma da DRJ/Curitiba julgou improcedente a impugnação, prolatando o Acórdão nº 0626.414, que teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DESCRIÇÃO DOS FATOS. Quando a exaustiva descrição dos fatos e a pertinente fundamentação legal permitem plena compreensão da imputação fiscal e oferta de defesa eficaz, não padece o lançamento de qualquer vício com relação a tais aspectos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O fato gerador do IRPJ e da CSLL apurados anualmente, termo de início do lustro decadencial, somente se aperfeiçoa no último dia do período de apuração. Os balanços/balancetes de suspensão ou redução dos tributos, elaborados ao longo do ano calendário, não assinalam o momento de ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O lançamento versa sobre o período em que foi cometida a infração, consistente na indevida amortização de ágio. Assim, esse é o momento relevante para a contagem do prazo decadencial, e não o momento em que o ágio foi constituído. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 6 5 ÁGIO CONSTITUÍDO SOBRE AÇÕES DA PRÓPRIA EMPRESA E DECORRENTE DE TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza (ágio) em decorrência de uma transação dos sócios com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, do ponto de vista econômico, tais transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Deve ser glosada eventual despesa lançada em função de ágio constituído nessas condições, dada a sua não oposição contra o Fisco, mormente se foi escriturada na própria sociedade sobre a qual o ágio foi constituído (ágio de si mesmo). DECORRÊNCIA. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz. Cientificado da decisão em 10/05/2010 (fl.543), o contribuinte, inconformado, interpôs recurso voluntário ao CARF, em 08/06/2010 (fls.548 e ss), manifestandose, em suma, pela: (i) nulidade do acórdão recorrido, por falta de fundamentação legal e violação aos princípios vinculadores da atividade administrativa (Lei nº 9.784/99, art. 20), pois não apreciou devidamente as alegações apresentadas pela impugnante, não indicou quais dispositivos legais determinaram sua conclusão, não apresentou a devida fundamentação fática, e, por isso, não observou as formalidades essenciais à garantia dos direitos da administrada; (ii) nulidade do lançamento por ausência de elementos essenciais, em ofensa ao art. 3º do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), pois o auto de infração pretendeu abranger a glosa de despesas com amortização de ágios de duas operações de incorporação ocorridas nos anos de 2000 e 2004, mas foi omisso quanto à incorporação da empresa Scelta S.A, ocorrida no ano de 2000; (iii) decadência dos créditos tributários, com base no art. 150, §4° do CTN, sob o argumento de que a "consideração dos fatos geradores mês a mês no caso, mais se impõe, porque a recorrente usa o sistema de balanços mensais, com balancetes de suspensão e redução, havendo a cada mês a apuração e liquidação dos tributos" (fls. 556); e, ainda, em relação às amortizações do ágio que teve origem na incorporação que aconteceu no ano 2000, mesmo que posteriores a 22/12/2004; (iv) conformidade das operações perpetradas entre as pessoas jurídicas PRINCESA, VEPAL e PRINCETUR e seus acionistas com os preceitos dos arts. 132, 464 e 465 do RIR/99, visto que não há norma proibindo a realização de negócio jurídico entre pessoas ligadas; (v) validade da reorganização societária realizada, a qual pretendeu demonstrar ao mercado o real valor da empresa, tendo sido realizadas operações de Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 7 6 combinação de negócios dentro de um mesmo grupo econômico, conforme autorizado pela Lei n° 10.637/2002, não havendo lei obrigando ou proibindo que determinada pessoa, física ou jurídica proceda ou não à reavaliação dos seus ativos, desde que observadas as regras estabelecidas, o que ocorreu no caso concreto; (vi) dedutibilidade da despesa de ágio originado pela reestruturação societária com base no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, o qual não se caracterizou como "ágio de si mesmo", sendo derivado de uma operação de reavaliação incentivada por lei. Em contrarrazões (fls.631 e ss), a PGFN pede a manutenção da autuação, após rebater os argumentos da defesa com os fundamentos a seguir sintetizados: (i) improcede a preliminar de nulidade do lançamento, pois a ausência de demonstração em concreto de qualquer cerceamento do direito de defesa não tem o condão de desconstituir o ato administrativo de lançamento, consoante jurisprudência pacificada do CARF. Ademais, de acordo com os itens 52 e 53 do TVF (fls.334), a fiscalização expõe de forma nítida a disposição legal infringida, atendendo ao disposto no art. 10, IV, do PAF; (ii) improcede a preliminar de nulidade da decisão da DRJ, pois o julgador explicitou de forma bastante clara os motivos de seu convencimento ao afastar a arguição de nulidade do lançamento, como se vê do trecho de fls.532 e verso; (iii) inocorreu decadência dos créditos lançados, nos termos definidos no Recurso Especial repetitivo n° 973.733/SC, já que não houve recolhimento antecipado ou em desconformidade com a legislação tributária. Ademais, como ressaltou a decisão recorrida, no ano calendário de 2004, o contribuinte se sujeitou à tributação com base no lucro real, logo, o fato gerador respectivo ocorreu no dia 28/12/2004, enquanto a ciência do lançamento ocorreu em 22/12/2009; (iv) quanto ao mérito, a criação de um ágio fictício, que não apresenta qualquer propósito negocial e substrato econômico, a justificar a sua existência real, não permite a dedução da despesa com sua amortização, nos termos previstos pela legislação tributária, já que, conforme verificado pela fiscalização, “nas integralizações de capital feitas nas sucessivas alterações sociais nos dias 13 (PRINCETUR), 20 (VEPAL) e 28/12/2004 (PRINCESA), não houve qualquer aporte de bens ou moeda em espécie, mas apenas declarações de integralização de quotas de capital e/ou subscrição de ações por meio de entrega de direitos representativos de quotas ou ações de outras sociedades”. No caso, “o que ocorreu foi apenas a mudança formal de titularidade das 3.981.028.192 ações da PRINCESA, ora recorrente. Primeiro, as ações foram transferidas para a PRINCETUR e destas para a VEPAL, retornando ao fim à própria recorrente, porém acrescidas do ágio gerado artificialmente na segunda operação de reorganização societária” e inexistiu qualquer propósito negocial e substrato econômico a fundamentar as operações realizadas, exigidos pelos arts. 385 e 386 do RIR/99, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSLL, consoante jurisprudência pacífica do CARF. É o relatório. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso merece ser conhecido. PRELIMINARES I De nulidade da decisão recorrida A recorrente aponta falta de fundamentação legal e violação aos princípios vinculadores da atividade administrativa pela decisão de primeira instância, contrariando o art. 20 da Lei nº 9.784/99, causando prejuízo à defesa pela apreciação indevida e superficial de suas alegações. Todavia, improcede a alegação da recorrente, haja vista que, em diversos trechos do voto, o julgador a quo explicita detalhadamente os fatos e fundamentos jurídicos que o levaram a determinada conclusão, como era de se esperar num julgamento administrativo, pautado pelo respeito aos princípios do devido processo legal e do livre convencimento motivado. Cito como exemplo os seguintes trechos: De sua parte, a contribuinte aduz que seu procedimento encontra respaldo na “legislação autorizativa e recomendativa dos procedimentos adotados”, por ela transcrita às fls. 404406, ou seja, artigos 36 da Lei nº 10.637, de 2002, e artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1.997. [...] Logo, o que se tem a fazer é investigar se o ágio cuja amortização foi glosada corresponde, em alguma medida, à diferença entre valores de custo e patrimônio líquido da empresa, aludida pelo citado inciso II. Por esse motivo, afasto a primeira preliminar. II De nulidade do lançamento A Recorrente, repisando as razões manifestadas na impugnação, requer novamente a nulidade do lançamento, pautandose na suposta inclusão, no mesmo lançamento, dos efeitos da amortização de ágios de duas operações de incorporação distintas, ocorridas nos anos de 2000 (da empresa SCELTA) e 2004 (da empresa VELPE), sem, contudo, detalhar precisamente a primeira operação, em ofensa ao art. 3º do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). O direito de defesa é princípio fundamental nas relações jurídicas e, no caso do processo administrativo, sua falta enseja a nulidade do lançamento, consoante o disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Cabe à recorrente demonstrar o prejuízo à sua defesa em razão de incompletude na fundamentação da autuação. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 9 8 O Termo de Verificação Fiscal (fls. 334 e ss) é bem detalhado e especifica minuciosamente a sequência de operações ensejadoras do ágio glosado. A autoridade fiscal fez constar de seu relatório (fl.334): 52. Alem da incorporação da VEPAL pela PRINCESA em 28/12/2004, houve também outra incorporação acompanhada de ágio no AC 2000. Tratase da alegada incorporação da empresa SCELTA S.A. PARTICIPACOES E ADMINISTRACOES, CNPJ 04.213.042/000161, doravante apenas SCELTA, coincidentemente também situada no mesmo endereço da PRINCESA, com sobreposição de sócios e acionistas entre as duas empresas (vide relatório do CNPJ). Na data da incorporação pela PRINCESA o capital realizado da SCELTA era de R$ 13.636.979,93. Na mesma data, por expectativa de rentabilidade futura, os investimentos tinham um "ágio" de R$ 23.498.167,44 totalizando um patrimônio liquido de R$37.135.147,37. 53. A obrigação de adição ao lucro real (art. 391 do RIR/1999) foi ignorada pela empresa nos AC 2004 a 2008; uma vez verificada, pela Fiscalização, esta irregularidade foi remediada por meio deste Termo fiscal e anexos de n° 01 a 15, consumandose nos Autos de Infração de IRPJ e CSLL dos AC 2004 a 2008 em anexo. (destaque no original) A autoridade julgadora observou, a partir da resposta dada ao Termo de Intimação Fiscal nº 194/2009 (fls. 133139), que a recorrente conhecia a acusação, como se vê do seguinte trecho da decisão recorrida: Como se vê, a própria impugnante equipara os dois ágios, não estabelecendo qualquer diferenciação entre eles. Por outro lado, a documentação fornecida deixa claro que ambos os ágios foram constituídos pelo mesmo fundamento: “Ágio sobre rentabilidade futura da empresa Expresso Princesa dos Campos S/A”, ou seja, a própria impugnante, conforme se vê na Oitava Alteração de Contrato Social da empresa VEPAL – Veículos, Pneus e Acessórios Ltda (fls. 154, 178), e no Protocolo de Incorporação da empresa SCELTA S/A Participações e Administrações (fls. 193). A documentação também autoriza concluir que se tratou de operação também circunscrita aos próprios acionistas da impugnante. Ademais, consoante o Termo de aprovação do laudo de avaliação (fls.203/210), firmado em 30/12/2000, como apontou a autoridade fiscal, ambas as empresas, incorporada (SCELTA) e da incorporadora (recorrente), funcionavam no mesmo endereço (Av. Anita Garibaldi n° 861, Ponta Grossa, Paraná) e seus acionistas eram as mesmas pessoas e os principais acionistas da incorporadora (recorrente) atuavam como diretores representantes da incorporada (SCELTA), e todos assinaram por ambas as empresas. Diante disso, resta evidenciado que a acusação de que o ágio por expectativa de rentabilidade futura configurado em 2000 foi gerado entre empresas do mesmo grupo (ágio interno) é a mesma da que justificou a glosa das despesas com o ágio gerado em 2004. Nesse caso, todas as considerações da autoridade fiscal para justificar a glosa das despesas com Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 10 9 amortização do ágio gerado internamente alcança ambas as operações. A defesa da recorrente, por sua vez, tratou de rebater as acusações fiscais em relação ao tema. Além disso, sobre a glosa decorrente do ágio de 2000, a recorrente se manifestou especificamente pelo reconhecimento da decadência. Sem prejuízo não há nulidade. Logo, essa preliminar é também improcedente por inexistir o alegado cerceamento do direito de defesa. III De decadência A recorrente sustenta, inicialmente, que os créditos tributários lançados estariam decaídos, com base no art. 150, §4° do CTN, considerando que a apuração dos fatos geradores ocorreu mensalmente, pois utilizava o sistema de balanços mensais, com balancetes de suspensão e redução, havendo apuração e liquidação dos tributos a cada mês. No caso concreto, a infração consiste na utilização indevida de ágio na apuração anual do resultado tributável a partir do anocalendário de 2004. O fato gerador, em se tratando de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, consoante o disposto na Lei nº 9.430/96, ocorre no momento da apuração do respectivo lucro, como regra, ao final de cada trimestre (art.1º) ou, opcionalmente, ao final do ano calendário (art.2º), como se depreende da leitura dos respectivos artigos: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) [...] § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Ao final do período, o imposto recolhido mensalmente poderá ser deduzido na determinação do saldo a pagar ou a compensar, nos termos do parágrafo quarto do mesmo artigo: Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 11 10 § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...] IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destaquei) Verificase, assim, que a apuração do lucro real sob a forma anual independe dos recolhimentos antecipados a título de estimativa, ainda que com base em balancetes de suspensão ou redução, os quais servem apenas para apurar a base mensal estimada, sem deslocar o momento da constituição do crédito tributário devido no período. Inexistindo apuração mensal de tributo, na forma da lei, não há que se falar início de prazo decadencial ao final de cada mês. Como a infração fiscal em análise constituise na dedução indevida de despesas de amortização de ágio fictício, gerado internamente, a contagem do prazo para a decadência do direito de lançar iniciase a partir da data do fato gerador, no caso, em 31 de dezembro de cada ano calendário. Como a ciência ocorreu dentro do quinquídio legal (31/12/2004 – 31/12/2009), não há que se falar em decadência. Sobre o segundo ponto levantado pela recorrente, com relação à decadência do direito de glosar as amortizações do ágio que teve origem na incorporação que aconteceu no ano 2000 (da SCELTA), cabe observar que o ágio pode ser gerado por diversos motivos e ser reconhecido na contabilidade. Enquanto essa constituição não afetar o resultado, inexiste motivo para questionamento por parte do Fisco. A partir do momento em que o ágio passa a ser aproveitado para reduzir o lucro tributável, iniciase para o Fisco o prazo decadencial de constituição do crédito tributário. O lançamento ora contestado referese ao momento do aproveitamento indevido de despesas com a amortização do ágio fictício para fins de redução da base tributável, quando, em tese, se deu a ocorrência do fato gerador, em razão da acusação fiscal de que a obrigação de adição ao lucro real, prevista no art. 391 do RIR/99, foi ignorada pela recorrente nos anoscalendário 2004 a 2008. Diante disso, e considerando que o auto de infração foi cientificado à recorrente em 22/12/2009, restou observado o lapso quinquenal do art. 150, §4º, do CTN, mesmo em relação ao período de apuração mais remoto, considerandose a apuração pelo lucro real anual (31/12/2004). Assim, rejeitase também essa preliminar de decadência, por lhe faltar suporte fático e jurídico. MÉRITO Diante dos fatos relatados e elementos juntados aos autos, cumpre perquirir sobre o efetivo direito à amortização do ágio gerado pela integralização de participações societárias e posterior incorporação realizada, considerando os argumentos da defesa. Inicialmente, porém, cabe tecer algumas considerações sobre o tema ágio. O ágio é formado na aquisição de uma participação societária por valor superior ao valor do patrimônio líquido. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 12 11 Na época das privatizações das empresas públicas brasileiras, o legislador criou norma para beneficiar as adquirentes, as quais, na maioria das vezes, adquiriam as participações societárias nas empresas privatizadas por valor superior ao do patrimônio líquido, gerando um ágio, seguido de uma operação de incorporação, fusão ou cisão. A Lei nº 9.532/97 disciplinou os efeitos fiscais do ágio posteriormente à realização das operações societárias, nos seguintes termos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 13 12 a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Do texto legal se extrai que se houver uma efetiva aquisição e o patrimônio líquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento, surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida ou viceversa, segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, que prevê: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 14 13 a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Como se vê, de acordo com o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598, de 1977, o ágio pode ter fundamento econômico nas seguintes hipóteses: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. A transação onerosa com terceiros, ou seja, entre empresas não ligadas entre si, é pressuposto da geração de ágio e decorre da lei. A leitura que se faz do art. 7° da Lei n° 9.532/97, combinado com o art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77, implica a verificação de ágio dedutível apenas quando formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Assim, para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. No presente caso, a fiscalização glosou as despesas de ágio após concluir que o ágio deduzido pela Recorrente não resultou de operação onerosa com terceiros, envolvendo pagamento, e sim de operação dos sócios com eles mesmos, em que houve mera reavaliação de ações, além de não se referir a investimento em outra empresa, e sim na própria Recorrente. A autoridade fiscal fez constar de seu relatório (fl.326) que “entre os dias 13 e 28/12/2004 houve algumas operações de reorganização societária cujo fim último, senão único, era suprimir fatos geradores do IRPJ e da CSLL durante cinco anos”. Foram descritas as seguintes operações: em 13/12/2004: a) os sócios pessoas físicas da Recorrente subscrevem ações da PRINCETUR e as integralizam por meio da entrega de ações da Recorrente, no montante de R$ 38,7 milhões, passando aquela a deter cerca de 97% do capital da Recorrente; em 20/12/2004: a) a Kochana Participações e Empreendimentos Imobiliários Ltda e os sócios pessoas físicas da Recorrente, à exceção de José Gulin, que cede todas as suas quotas a PRINCETUR, menos uma, retiramse da sociedade; b) a PRINCETUR ingressa na VEPAL, aumentando o capital social desta de R$ 145.423,11 para R$ 70.2125.878,23, por meio de subscrição de ações ordinárias e Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 15 14 preferenciais da Recorrente, avaliadas em R$ 69.980.455,12 (ágio) e a VEPAL vira controladora da Recorrente; em 28/12/2004: a) a VEPAL, representada pelos sócios JOSE GULIN (0,01%) e PRINCETUR (99,99%), cujo único ativo eram as próprias ações que detinha na Recorrente, é incorporada pela Recorrente; A autoridade fiscal verificou, todavia, que nas integralizações de capital feitas nas sucessivas alterações sociais nos dias 13/12/2004 (PRINCETUR), 20/12/2004 (VEPAL) e 28/12/2004 (Recorrente), não houve qualquer aporte de bens ou moeda em espécie, mas apenas declarações de integralização de quotas de capital e/ou subscrição de ações por meio de entrega de direitos representativos de quotas ou ações de outras sociedades (fls. 326/337). Em relação ao ingresso da PRINCETUR na VEPAL (em 20/12/2004), observou o fiscal que “com esta operação, as pessoas físicas anteriormente acionistas da PRINCESA intentaram burlar o Fisco alienando suas ações da PRINCESA à VEPAL e para isso se utilizaram da PRINCETUR como intermediária. Desta forma, o ganho auferido na operação de venda de ações da PRINCESA à VEPAL foi "descarregado" na PRINCETUR e não nas pessoas físicas acionistas da PRINCESA.” Conclui que, “ao final, a PRINCESA "incorporou" a VEPAL cujo maior (e único) ativo era a participação da VEPAL na própria PRINCESA. Não há qualquer sentido econômico, jurídico e contábil nesta operação de incorporação da VEPAL pela PRINCESA”. Como se vê, a fundamentação da autuação se concentra na irregularidade fiscal decorrente da utilização de um artifício contábil sem suporte econômico, representado pelo ágio gerado internamente, com o fim de se enquadrar no tratamento tributário previsto para o verdadeiro ágio. Notase dos elementos constantes dos autos, que restou demonstrado que os sócios da Recorrente apenas transitaram com suas ações entre as empresas, sem ter havido qualquer desembolso ou recebimento financeiro, ou seja, as ações circularam sem a respectiva circulação da riqueza correspondente. Inicialmente, os acionistas depositaram as ações na PRINCETUR e, num segundo momento, as transferiram à VEPAL por valor significativamente superior, dando origem a um ágio por expectativa de rentabilidade futura da Recorrente. Ocorre que, ao final do ciclo, as ações da Recorrente, que integravam o patrimônio da VEPAL, retornaram à própria Recorrente, como resultado da incorporação da VEPAL (controladora) pela Recorrente (controlada), representando o que se convencionou designar de “incorporação reversa”, tendo ocorrido, como bem observou a DRJ, o “ágio de si mesmo”. Caracterizada a operação entre partes relacionadas, temse o ágio gerado internamente, cujo reconhecimento não é admitido pela Teoria da Contabilidade. Sobre o tema, vale mencionar a posição da Comissão de Valores Mobiliários — CVM, embora destinada às sociedades de capital aberto, com a emissão do Oficio Circular/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 visando esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 16 15 Gerais de Contabilidade. No texto, abaixo transcrito, são destacadas situações semelhantes ao do presente caso, em que empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio artificialmente, sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial), o que é rechaçado: OFICIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas Prezados Senhores, Os OficiosCirculares emitidos pela área técnica da CVM tem como objetivo principal divulgar os problemas centrais e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse oficiocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas as normas internacionais emitidas pelo IASB. A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACON, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), Jose Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szuster (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, recentemente instalado. [...] 20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 17 16 Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando hit o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (destaquei) Ainda nesse sentido, registrese o item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis: [...] só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Logo, a necessidade de uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio deve ser considerada no exame das operações de reorganização societária, para fins de incidência tributária, já que tais operações podem ser utilizadas como instrumento de planejamento tributário, desde que demonstrem os fundamentos econômicos da operação (benefícios operacionais), o que não ocorre quando se adquire de partes interligadas. No presente caso, verificase que a geração do ágio glosado se deu dentro de grupo econômico, cuja definição passa pelo controle societário de umas pelas outras. Por lhe faltar fundamentação econômica, a reestruturação entre empresas do mesmo grupo econômico, engendrada com o objetivo de reduzir a tributação, como é o caso dos autos, não pode ser oponível ao Fisco. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 18 17 Neste ponto, a jurisprudência do CARF é pacífica. Como fundamento subsidiário, cabe transcrever as conclusões do voto do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães quando apreciou a questão do ágio interno gerado mediante reorganização societária envolvendo apenas empresas sob controle comum, no Acórdão n° 130100.058, decidido à unanimidade pela lª Turma Ordinária da 3ª Câmara da lª Seção de Julgamento do Carf, em sessão de 13 de maio de 2009, litteris: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como AGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. Como salientado pela autoridade fiscal, o ágio objeto de amortização por parte da Recorrente, na forma como foi criado, representa a sua própria expectativa de lucro, nascida em decorrência da avaliação solicitada da empresa ERNST & YOUNG. O que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. Notese que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarandoos ilegais ou ilegítimos. Apenas e tãosomente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária. Assim, a presença concomitante dos requisitos propósito negocial real, assim como um efetivo substrato econômico é imprescindível ao reconhecimento da existência de ágio suportado por uma empresa com a aquisição de uma participação societária. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 19 18 Em sua defesa, a recorrente limitase a tentar enquadrar o procedimento adotado nos dispositivos legais. Todavia, as alegações são insuficientes para afastar os elementos apontados pela autoridade fiscal como indicativos da artificialidade das operações. Quanto aos laudos de avaliação apresentados pela recorrente, cabe referir que, diante dos dispositivos legais referidos, sua validade se restringe às partes, sustentando a reavaliação das participações societárias, mas são inócuos para a formação de ágio passível de ser dedutível na apuração do resultado tributável. O papel do laudo de avaliação não é relevante, nesse caso, pois não é o documento que gera o ágio. A rentabilidade futura deve ser passível de ser verificada no caso concreto, o que fica prejudicado quando se tratam de empresas vinculadas. Nesse sentido, as operações realizadas em datas muito próximas, além de denotar ausência de propósito negocial e de substrato econômico, reforçam o vínculo entre as envolvidas no processo de reestruturação societária que deram ensejo ao ágio sob exame. O presente caso envolve ágio formado a partir de operação entre empresas do mesmo grupo, com a participação de empresa veículo, sem dispêndio de recursos e tendo como rentabilidade futura os lucros da própria empresa incorporada. Acrescentese a isso a ausência de um intervalo mínimo entre as operações e se está diante de um ágio formado sem qualquer propósito negocial e sem substrato econômico. Logo, indedutível, por ausência dos requisitos de dedutibilidade. Cumpre, ainda, afastar a alegação de validade do procedimento na vigência do art. 36, da Lei nº 10.637, de 2002. Até sua revogação, a partir de 1º de janeiro de 2006, o referido dispositivo previa: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado;(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 20 19 § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Notase que o ágio previsto pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, assim como pelos arts. 385 e seguintes do RIR/99, não visa refletir a reavaliação de uma participação societária por equivalência patrimonial, mas decorre da mais valia embutida no preço pago por um investimento. À vista disso, o acréscimo patrimonial correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital e o valor contábil dessa participação societária, deverá ser levado à tributação somente por ocasião da alienação, liquidação, baixa, ou conferência de capital em outra pessoa jurídica, nas condições estabelecidas no dispositivo. Em não havendo interesse em alienar, liquidar ou baixar a participação societária em jogo no caso concreto, por pertencer às mesmas pessoas, nunca haverá tributação. Nesse sentido, é precisa a fundamentação contida no voto da ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa dado no processo administrativo n° 10980.017339/200878, que, embora vencido, representa a melhor interpretação da norma: Do disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um beneficio na tributação do ganho auferido na transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 290 edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: 0 art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio liquido, ainda que a contra partida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial não poderá diferir a tributação da contrapartida. 0 diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 21 20 A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP n° 66, de 2908 2002, convertido no art. 36 da Lei n° 10.637, de 30 122002, dispondo: 1...1 A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio liquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio liquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio liquido sem tributação. A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei especifica não foi revogado. Diante de todos os argumentos até aqui expostos, considerase que o aproveitamento de ágio gerado internamente para fins tributários deve ser rechaçado. Nesse sentido se incluem os ágios decorrentes da incorporação da empresa SCELTA (ano 2000) e da empresa VELPE (ano 2004). Em complemento à posição aqui demonstrada, cabe, ainda, tecer algumas considerações sobre o recente julgado que se afastou da jurisprudência sedimentada nessa matéria, consubstanciado na decisão proferida no acórdão nº 110100708, de 11/04/2012, aprovado por maioria de votos, no processo mencionado anteriormente, devido à sua grande repercussão. Entendese, com a devida vênia da maioria daquele colegiado, que os fundamentos apontados no voto vencedor verificamse frágeis, como se demonstrará. Sobre o tema de interesse, ficou consignado na ementa: ÁGIO INTERNO. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. Como um dos principais argumentos favoráveis à tese da possibilidade de amortização do ágio interno, foi referido o artigo “Incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade”, de autoria dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, disponível no endereço da Internet http://www.congressousp. fipecafi.org/artigos42004. Os autores desse estudo, renomados profissionais da área contábil, abordaram a modalidade de incorporação reversa que toma por base o ágio gerado internamente, analisando e concluindo que, contabilmente, referido evento, do ponto de vista estritamente técnico, não é admissível, mas, do ponto de vista tributário, haveria previsão legal para sua Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 22 21 consecução de acordo com o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. As conclusões do referido trabalho, literalmente, foram: O surgimento do ágio em operações de combinação de negócios, realizadas dentro de um mesmo grupo societário, não tem sentido econômico. A Contabilidade, sabiamente, expurga essa informação ao considerar o grupo societário uma entidade única, quando reporta suas demonstrações consolidadas. O correto, contabilmente, é fazer o mesmo nas demonstrações individuais também. Entretanto, o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferida do Estado para o grupo via renúncia fiscal. É bem verdade que referido respaldo legal concorre, ainda que indiretamente, para o retrocesso do estágio avançado de desenvolvimento em que se encontra a Contabilidade Brasileira. A bem da verdade, pavimenta um caminho tortuoso: o fomento à indústria do ágio. Enquanto desenvolviam o assunto dentro de sua área de especialização, a contabilidade, os doutrinadores reconheceram categoricamente que o ágio gerado internamente não tem sentido econômico. De outro lado, ao adentrarem no campo tributário, concluíram que a legislação tributária, mais especificamente, o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, é que dá sentido econômico à operação de geração de ágio interno. Todavia, a interpretação dada pelos ilustres contabilistas é passível de críticas, quando analisada sob a ótica tributária. Por oportuno, transcrevese outro trecho do voto vencido no acórdão nº 110100.708, em que a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa aponta a contradição presente no referido artigo: Consignou esta Relatora a contradição presente em referido artigo, que de um lado conceitua ágio como resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas, e repudia o reconhecimento de resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade, concluindo ser inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico, mas de outro infere que a Fazenda Pública admite a dedução as amortizações deste valor como sendo ágio. Dizem Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior que o artigo 36 da Lei no 10.637/2002 permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem, artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de "sociedades veiculo", que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas "casca", com finalidade meramente elisiva. Mas, como visto, o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 deixa claro que não há renda tributável nestas operações, e determina o diferimento de eventual ganho de capital contabilizado. Para manter a coerência com este entendimento, o ágio eventualmente Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 23 22 contabilizado em razão desta mesma operação não pode ser classificado como tal, nem ter os mesmos efeitos de uma mais valia paga pela aquisição de um investimento entre partes não relacionadas. Repudiase, portanto, a afirmação contida naquele artigo, no sentido de que a Fazenda Pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL, pois nenhum ato normativo da Receita Federal admite tal dedução. A resposta dada pela Fazenda Pública a estas ocorrências está expressa em reiterada jurisprudência administrativa deste Conselho, citada pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, a qual manteve, até agora, todas as exigências formalizadas em razão da glosa do ágio gerado neste tipo operações. Na medida em que o lucro real tem por base o lucro contábil, devese aplicar aqui o entendimento doutrinário acerca do que pode ser admitido conceitualmente como ágio, até porque, o art. 110 do CTN não permite à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. E, como extensamente demonstrado neste voto, não so o artigo em destaque, como também a mais abalizada doutrina contábil, reafirmada pela Comissão de Valores Mobiliários, sempre repudiou a classificação da maisvalia gerada em operações intragrupo como ágio. Em síntese, como dito por esta Relatora durante a sessão de julgamento, não há o que se falar, aqui, em operações envolvendo entidades "A", "B" e "C", na medida em que o resultado final desta reorganização é a manutenção do controle de "A" sobre "B", que apenas transitoriamente passou a indireto, sob a titularidade da empresa veiculo "C". Inexiste aquisição entre "A" e "C", inexiste ágio. Assim, verificase que não há que se falar em ágio quando não existe alteração patrimonial decorrente de aquisição. Ainda no voto vencedor do referido acórdão, a artificialidade da conduta foi descrita como uma expressão genérica, a qual seria insuficiente para caracterizar a irregularidade da operação de criação de ágio, por se considerar que o tudo o que é realizado de modo intencional (pelo contribuinte) é artificial e que “o fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio” [à operação]. A afirmação de que tudo que é intencional é artificial parece se espelhar na tese do escritor inglês Thomas Browne, que, no século XVII, escreveu: “tudo é artificial, uma vez que a Natureza é a arte de Deus”. Em outras palavras, tudo o que o homem constrói, seja de ordem material ou imaterial, é artificial. Sob esse prisma, a equiparação entre conduta intencional e conduta artificial faz sentido. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 24 23 Ocorre que, dentro do ordenamento jurídico pátrio vigente no século XXI, intencionalidade não se confunde com artificialidade. Para fins tributários, é artificial a conduta (intencional, obviamente), mas que busca subterfúgios ou caminhos alternativos para escapar à tributação correta. Corresponde à intenção de se evadir à tributação criando mecanismos irregulares. Vejase o exemplo do art. 285 do RIR/99: Art. 285. É facultado à autoridade tributária utilizar, para efeito de arbitramento a que se refere o artigo anterior, outros métodos de determinação da receita quando constatado qualquer artifício utilizado pelo contribuinte visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento (Lei nº 8.846, de 1994, art. 8º). (destaquei) Nesse caso, como em tantos outros, o termo “artifício” utilizado pelo legislador referese a um procedimento em desacordo com o que seria esperado na situação, com vistas a obter indevida desoneração tributária. Em outras palavras, a busca pela redução da carga tributária não pode se dar “a qualquer preço”. Distinguese, contudo, conduta artificial de conduta dolosa, pois nesta se configura a presença do ilícito. Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, com o único propósito de reduzir a base tributável pelo aproveitamento de despesas de amortização do respectivo ágio. Todavia, é incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, pois, como não há transferência de controle entre as empresas, logicamente, não há aquisição de nova propriedade. A lei não permite ágio interno, porque deve ser interpretada de modo a se evitar a conduta abusiva, tendo em conta as exigências do bem comum e a função social da empresa, prevista no art. 170 da Constituição Federal. A segurança jurídica, no caso, decorre da interpretação racional e lógica do ordenamento jurídico, pautado em orientações consistentes de órgãos normativos e na jurisprudência consolidada deste órgão de julgamento. Como a Recorrente, em sua defesa, não logrou desconstituir os argumentos da autoridade fiscal, e diante da evidente caracterização de ágio formado internamente, outra não pode ser a conclusão senão pela indedutibilidade das despesas de ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidas no período fiscalizado. Diante de todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 25 24 Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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