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Numero do processo: 10783.921012/2011-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/COFINS. INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE.
A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88.
PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE.
O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887)
Numero da decisão: 9303-014.792
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional, apenas no que se refere a frete de aquisição de produtos não onerados. No mérito, negou-se provimento a ambos os recursos, por unanimidade de votos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-014.781, de 14 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10783.900009/2012-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocado(a)), Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/COFINS. INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887)
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INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional, apenas no que se refere a frete de aquisição de produtos não onerados. No mérito, negou-se provimento a ambos os recursos, por unanimidade de votos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-014.781, de 14 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10783.900009/2012-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 92 10 12 /2 01 1- 24 Fl. 1119DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10783.921012/2011-24 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocado(a)), Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. 1.1. Tratam-se de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte contra Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: (...) COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. 1.2. A Fazenda Nacional aponta divergência de interpretação jurídica nos temas fretes na aquisição de insumos desonerados (sujeitos à alíquota zero), frete em operação de Fl. 1120DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10783.921012/2011-24 revenda e despesas com armazenagem. Para demonstrar a divergência a Fazenda Nacional aponta os seguintes paradigmas: Frete na aquisição de insumos desonerados: Acórdão nº 9303-005.154 PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Frete de revenda: Acórdão nº 3301-002.298 CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. Acórdão nº 3403-002.855 COSMÉTICOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES. REVENDA. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. O direito à tomada de créditos em relação às despesas de armazenagem e fretes pagos pelo vendedor é vedada no caso de revenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à incidência monofásica da Contribuição na etapa industrial. Armazenagem: Acórdão nº 3102-001.400 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CALCULO. CRÉDITOS. 1NSUMOS. No cálculo do PIS não-cumulativo o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na compra de matéria-prima, bem como despesas. Não inclusão das despesas com comissões, com material de embalagem e com a contratação de serviço para estufamento de containeres. 1.3. No mérito, a Fazenda Nacional alega, em síntese: 1.3.1. Apenas os fretes de venda dão direito ao crédito ou enquanto custo de aquisição das mercadorias, porém, se não há tributação das mercadorias adquiridas, não há possibilidade de concessão de créditos para os fretes; 1.3.2. Os fretes tomados na venda de mercadorias somente dão direito ao crédito se as mercadorias transportadas forem tributadas; Fl. 1121DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10783.921012/2011-24 1.3.3. A Armazenagem não se enquadra no conceito de insumos. 1.4. Em contrarrazões, a Contribuinte argumenta: 1.4.1. O recurso especial fazendário não comporta conhecimento no tema frete de revenda pois enquanto o paradigma trata de frete de revenda de produto sujeito à monofasia, no recorrido o insumo transportado adquirido (e não revendido) é sujeito à alíquota zero das contribuições; 1.4.2. Os fretes das mercadorias adquiridas por si como insumos e para revenda foram regularmente tributados logo devem ser creditados; 1.4.3. Compra matéria prima em grandes quantidades visando baratear o preço, logo, a armazenagem é imperiosa para evitar perda dos insumos; 1.4.3.1. Ademais, a produção do fertilizante é distribuída de modo a acompanhar a sazonalidade agrícola. 1.5. A seu turno, a Contribuinte aponta divergência jurisprudencial no tema “possibilidade de creditamento de PIS/COFINS sobre dispêndios incorridos com despachantes aduaneiros” e, para demonstrá-la aponta os seguintes paradigmas: Acórdão nº 3301-010.096 INSUMOS. CRÉDITO BENS E SERVIÇOS DE DESPACHANTE. Gera direito a crédito das contribuições não cumulativas a aquisição de bens utilizados como instrumento de medição no processo produtivo de produtos alimentícios, de uso pessoal, como o termômetro e alcoômetro. No mesmo sentido, os serviços de despachantes incorridos para a importação de produtos são tributados pelas contribuições e representam despesas que serão incorporadas ao processo produtivo, devendo receber o tratamento de insumos. Acórdão n° 3301-002.061 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matérias-primas no armazém alfandegado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. 1.6. No mérito, a Contribuinte argumenta que o serviço de despachante é essencial à aquisição de produtos por si importados, na descarga dos bens importados, na locação do armazém alfandegado, na contratação do transporte interno, na vistoria do MAPA e no desembaraço aduaneiro. Fl. 1122DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10783.921012/2011-24 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Os Recursos são tempestivos, fundamentados em paradigmas não alterados, contra Acórdão de Turma Ordinária que não decretou a nulidade do processo na forma da Lei 9.784/99 versando sobre temas devidamente prequestionados e com identificação da legislação em debate (art. 3° incisos II e IX das Leis 10.637/02 e 10.833/02). Por falta de interesse recursal deixo de conhecer o recurso da Fazenda Nacional no tema FRETE na aquisição de insumos PARA REVENDA, vez que não há esta glosa (ou reversão da mesma) no presente processo. Por oportuno, o recurso fazendário trata da armazenagem somente ao apresentar os Acórdãos paradigmas, não apresenta quaisquer motivos de fato ou de direito pelos quais entende que o crédito decorrente das despesas com armazenagem pode ou não ser concedido – o que poderia levar ao não conhecimento por ausência de enfrentamento das teses dispostas no acórdão recorrido. Todavia, conheço do recurso neste ponto forte no artigo 322 § 2° do Código de Processo Civil: Art. 322 (...) § 2º A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o princípio da boa-fé. Há similitude fática e divergência de interpretação jurídica entre o Acórdão recorrido e o Acórdão 3301-010.096 no tema créditos decorrentes da contratação do serviço de DESPACHO ADUANEIRO na importação: ambos os casos tratam da contratação do mencionado serviço, porém, enquanto no recorrido o crédito é negado por se tratar de mera despesa administrativa, no paradigma o crédito é concedido por se tratar de despesa essencial ao processo produtivo: Recorrido: Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadram-se no conceito de despesa administrativa. Acórdão 3301-010.096 Penso que o mesmo entendimento deve ser aplicado para o serviço de despachante utilizado na importação. A meu ver, se trata de insumo, na medida em que o serviço será uma despesa que foi incorrida para o desembaraço aduaneiro de alguma matéria-prima ou produto intermediário importado do exterior, ou mesmo máquinas e equipamentos utilizados na produção, que Fl. 1123DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10783.921012/2011-24 passará a compor o custo do processo produtivo. Como sobre tais serviços incide as contribuições, é possível a apuração dos créditos. Já no Acórdão 3301-002.061 a então Recorrente (a mesma Contribuinte do presente caso) dispõe que os serviços que compõe a rubrica despachante aduaneiro são (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matérias-primas, no armazém alfandengado), ou seja, não se trata do serviço de representação de importadores e exportadores no despacho aduaneiro (serviço de despachante aduaneiro, stricto sensu) mas de outros, logo, o paradigma deve ser descartado: Assim, a recorrente faz jus aos créditos apurados sobre os custos com serviços de desestiva/despachantes, correspondentes exclusivamente ao descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matérias-primas no armazém alfandegado, conforme discriminado literalmente por ela, em seu recurso voluntário, pagos às pessoas jurídicas domiciliados no País, mediante notas fiscais de prestação de serviços. Tais custos integram o custo dos bens (matérias primas) utilizados na produção e fabricação dos produtos vendidos por ela e se enquadram no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. Há similitude fática e divergência de interpretação jurídica entre o recorrido e o paradigma 9303-005-154: ambos tratam de FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS pelas contribuições, enquanto no recorrido o crédito foi concedido ante a diferença de incidência das contribuições entre o frete e o insumo e a essencialidade deste frete, no paradigma restou fixada a impossibilidade do creditamento pois somente seria possível a concessão dos créditos para os fretes de venda e enquanto custo de aquisição das mercadorias: Acórdão recorrido: II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. (...) Dessa forma, dá-se provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. Acórdão 9303-005-154 Portanto da análise da legislação, entendo que o frete na aquisição de insumos só pode ser apropriado integrando o custo de aquisição do próprio insumo, ou seja, se o insumo é onerado pelo PIS e pela Cofins, o frete integra o seu custo de aquisição para fins de cálculo do crédito das contribuições. Não sendo o insumo tributado, como se apresenta no presente caso, não há previsão legal para este aproveitamento. Fl. 1124DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10783.921012/2011-24 Todavia, o Acórdão 3301-002.298 trata de frete na aquisição de produtos para revenda, devendo ser descartado por ausência de similitude fática: 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo, no presente caso, como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; Por fim, o acórdão recorrido concede créditos à ARMAZENAGEM DE COMPRA (IMPORTAÇÃO) das mercadorias, por se tratar de insumo, e o paradigma eleito pela Fazenda Nacional giza sobre estufamento de contêineres na venda das mercadorias, logo, não há similitude fática: Acórdão recorrido: Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matéria-prima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria-prima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matéria-prima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Trata-se de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazená-los, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Acórdão 3102-001.400 Busca a recorrente o crédito decorrente das comissões pagas quando da aquisição do couro bovino, sob o argumento de que seria insumo de produção, das despesas com material de embalagem ao afirmar que os “paletes de madeira” integram a 3ª etapa do processo produtivo, pois são indispensáveis a “acomodação e proteção para transporte do couro wet blue”, e das despesas com o estufamento de containeres, serviço que seria indispensável para armazenagem e embarque. (...) Quanto a embalagem, a própria recorrente demonstra que a mesma é necessária para o transporte final do produto já industrializado, não sendo utilizada na produção do couro, não ensejando assim o reconhecimento ao crédito, o mesmo se aplica aos serviços referente à estufamento de containeres. Fl. 1125DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10783.921012/2011-24 A contratação de DESPACHANTE ADUANEIRO é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada apor qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excedentes da responsabilidade do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela própria ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado, ou por despachante aduaneiro. Por sinal, despachante aduaneiro, nos termos da regulamentação acima é pessoa física que representa importadores e exportadores no curso do despacho aduaneiro. Assim, além da impossibilidade legal do creditamento (art. 3° § 2° inciso I das Leis 10.637/02 e 10.833/03), não é responsabilidade do despachante, e sim do agente de cargas (ou, no silêncio deste, do armador) direcionar a carga importada para um terminal portuário (Anexo III item 2.14 da IN 800/07). Do mesmo modo, é de responsabilidade dos estivadores e dos demais trabalhadores portuários a descarga da contêiner e não do despachante (art. 40 da Lei dos Portos). Esta Turma consolidou entendimento de que desde que cumpridos os demais requisitos legais (aquisição do frete de pessoa jurídica pelo comprador das mercadorias e desde que os fretes tenham sido tributados e contabilizados em separado), é possível a concessão de crédito para o FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO INDEPENDENTEMENTE DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES na aquisição dos bens transportados: FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Inclui-se na base de cálculo dos insumos para apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Nos casos de gastos com fretes incorridos pelo adquirente dos insumos, serviços que estão Fl. 1126DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10783.921012/2011-24 sujeitos à tributação das contribuições por não integrar o preço do produto em si, enseja a apuração dos créditos, não se enquadrando na ressalva prevista no artigo 3º, § 2º, II da Lei 10.833/2003 e Lei 10.637/2003. A essencialidade do serviço de frete na aquisição de insumo existe em face da essencialidade do próprio bem transportado, embora anteceda o processo produtivo da adquirente. (Acórdão 3301-008.789 – Relatora Liziane Angelotti Meira) PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887) Pelo exposto, admito e conheço do recurso especial da Contribuinte negando-lhe provimento. Ademais, admito em parte do recurso da Fazenda Nacional, negando-lhe provimento. Fl. 1127DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.792 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10783.921012/2011-24 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte e conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional, apenas no que se refere a frete de aquisição de produtos não onerados. No mérito, negou-se provimento a ambos os recursos. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Fl. 1128DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11040.720968/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO.
A empresa está obrigada a recolher, a título de contribuição previdenciária, vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço.
MULTA DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO.
Os municípios estão obrigados ao pagamento da multa de ofício incidente sobre as contribuições previdenciárias objeto do lançamento, da mesma forma que as empresas em geral.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Após as alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991 pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em se tratando de obrigações previdenciárias principais, a retroatividade benigna deve ser aplicada considerando-se a nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória.
Numero da decisão: 2401-011.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, somente em relação à multa, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para aplicar a retroação da multa da Lei 8.212/91, art. 35, na redação dada pela Lei 11.941/2009, até a competência 11/2008.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Guilherme Paes de Barros Geraldi - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: GUILHERME PAES DE BARROS GERALDI
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FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa está obrigada a recolher, a título de contribuição previdenciária, vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço. MULTA DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. Os municípios estão obrigados ao pagamento da multa de ofício incidente sobre as contribuições previdenciárias objeto do lançamento, da mesma forma que as empresas em geral. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. RETROATIVIDADE BENIGNA. Após as alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991 pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, em se tratando de obrigações previdenciárias principais, a retroatividade benigna deve ser aplicada considerando-se a nova redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, que fixa o percentual máximo de 20% para a multa moratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, somente em relação à multa, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para aplicar a retroação da multa da Lei 8.212/91, art. 35, na redação dada pela Lei 11.941/2009, até a competência 11/2008. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 09 68 /2 01 2- 48 Fl. 221DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-011.745 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.720968/2012-48 Guilherme Paes de Barros Geraldi - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls.165/174) interposto pelo Município de São José do Norte em face do acórdão de fls.152/157, que julgou procedente em parte sua impugnação de fls.80/83. Na origem, trata-se de auto de infração (DEBCAD 37.205.099-9) lavrado para cobrar a cota patronal relativa à remuneração de segurados considerados pela fiscalização como contribuintes individuais que prestaram serviços à Recorrente, além de multa. O período do lançamento compreende 01/2008 a 12/2008. Conforme o relatório fiscal (fls. 12/18), os valores componentes do auto de infração foram aferidos a partir dos seguintes levantamentos, apurados a partir dos dados obtidos diretamente nas informações relativas à execução de despesas do município, denominados registros de Natureza Financeira e Orçamentária, contidos no Bloco L do MANAD: Levantamento Descrição A1 – Auxílios Diversos até 122008 Pagamento de supostos auxílios financeiros a munícipes, mediante cheques nominais a médicos e dentistas (vide itens 16 a 20 do relatório fiscal). C1 – Contrib Indiv Emp até 122008 Pagamentos efetuados a diversos prestadores de serviço pessoas físicas, aferidos mediante confronto de GFIP x FOPAG x Contabilidade (vide itens 14 e 15 do relatório fiscal). A multa foi aplicada nos seguintes termos: “23. Sendo assim foi efetuada a comparação entre a multa de ofício estabelecida pelo incido I do art. 44 da Lei n 9.430/96 (75%) com a coma das multas de mora do inciso II do art. 35 (24%) mais a multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, prevista no § 5º, art. 32 da Lei n 8.212/91, por descumprimento da obrigação acessória, que encontra-se demonstrado mês a mês no relatório “SAFIS – Comparação de Multas” (Anexo E).” Fl. 222DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-011.745 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.720968/2012-48 Intimada, a Recorrente apresentou a impugnação de fls. 80/83, alegando, em síntese: 1. Que os valores aferidos no Levantamento A1– Auxílios Diversos até 122008 correspondem a auxílios pagos a pessoas carentes para a realização de procedimentos médicos. 2. Que, em relação ao Levantamento C1 – Contrib Indiv Emp até 122008, haveria discrepância na base de cálculo, a qual deveria ser reduzida em R$ 1.071,24, conforme as justificativas individualizadas e documentadas 3. A inaplicabilidade da multa punitiva a pessoas jurídicas de direito público, eis que (i) estas não atingem sua finalidade sancionadora e onera os contribuintes; e (ii) “considerando União, Estados e Municípios como uma único ente público, a multa atinge verbas públicas sem distinção” ou, subsidiariamente, sua redução. Em vista da documentação acostada à impugnação, a Recorrente foi intimada (fl. 137) a apresentar demonstrativo da base de cálculo por competência, o que foi atendido por meio da petição e documentos de fls. 140 e ss. Remetidos os autos à DRJ, foi proferido o acórdão de fls.152/157, que julgou a impugnação procedente em parte, mantendo integralmente os valores do Levantamento A1 – Auxílios Diversos até 122008 e excluindo os valores constantes da tabela de fls. 155/156 do Levantamento C1 – Contrib Indiv Emp até 2008. O acórdão em questão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.205.099-9 PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa está obrigada a recolher, a título de contribuição previdenciária, vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO Cabível a retificação do lançamento nos casos em que não ficou comprovada a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. MULTA DE OFÍCIO Os municípios estão obrigados ao pagamento da multa de ofício incidente sobre as contribuições objeto do lançamento, da mesma forma que as empresas em geral. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 307/313, alegando, em síntese: Fl. 223DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-011.745 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.720968/2012-48 1. Em relação ao Levantamento A1 – Auxílios até 2008, que os valores aferidos no correspondem a auxílios pagos a pessoas carentes para a realização de procedimentos médicos. 2. Em relação ao Levantamento C1 – Contrib Indiv Emp até 2008 a. Que, realizou o pagamento para os lançamentos apurados no período e não impugnados, conforme Memorando nº1023/2013- SMF/SJN, acompanhado do Ofício nº 1276/2012/DRF- PEL/SRRF10/RFB/MF-RS e Guia da Previdência Social, razão pela qual deveria ser reconhecida a extinção de tais débitos no presente processo fiscal; e b. Que deveriam ser excluídos do lançamentos os pagamentos feitos a Paulo Renato G. Farias, em 06/2008 e a Carlos Roney A. Tagliani, em 12/2008. 3. Em relação à multa, que esta deveria ser cancelada pelos mesmos fundamentos apresentados na impugnação ou, subsidiariamente, reduzida. Na sequência, os autos foram encaminhados ao CARF e a mim distribuídos. É o Relatório. Voto Conselheiro Guilherme Paes de Barros Geraldi, Relator. 1. Admissibilidade O recurso é tempestivo, como atestado pelo despacho de fl. 218, contudo deve ser conhecido apenas parcialmente, pelas seguintes razões. Analisando as alegações recursais e os documentos que acompanharam o recurso voluntário, verifica-se que, em 17/09/2012, a Recorrente encaminhou o ofício de fl. 174 à SRFB, nos seguintes termos: [...] Pelo presente, tendo em vista a tramitação dos Processos n.° 11.040.720.971/2012-61 e n.° 11.040.720.968/2012-48 nessa Delegacia da Receita Federal do Brasil, solicitamos esclarecimentos no sentido de este Município efetuar o pagamento dos débitos reconhecidos, sem a inclusão da multa punitiva de 150% e 75% respectivamente aplicada nos processos ora referidos, já que a mesma encontram-se impugnada na totalidade pelo Município. [...] Fl. 224DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-011.745 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.720968/2012-48 Em resposta, em 23/10/2012, a SRFB encaminhou o ofício de fl. 176, com o seguinte conteúdo: Senhora Secretária, Em atendimento ao Oficio n° 089/2012/SMF/PMSJN, datado de 17/09/2012, recebido em 26/09/2012, informamos: 1. Processo n° 11040.720968/2012-48 — Impugnação Parcial — em anexo, GPS código de pagamento 4103, vencimento em 31/10/2012, no valor de R$ 8.802,50 (oito mil, oitocentos e dois reais e cinquenta centavos). Pagamento parcial — excluídos os valores de multa de oficio. 2. Processo n° 11040:720.971/2012-61 — Impugnação Parcial — Débito desmembrado sendo gerado o Processo 1-7698.720341/2012-49 correspondente aos valores não impugnados, conforme Cana Cobrança n° 23/2012, cópia em anexo. Atenciosamente, À fl. 177 consta extrato do DEBCAD nº 37.205.099-9 (objeto deste PAF), com o valor do débito atualizado em 01/10/2012. Este extrato aponta os seguintes valores: Principal R$ 6.230,64 Juros R$ 2.571,86 Multa R$ 4.672,98 Total R$ 13.475,48 À fl. 178, consta GPS no valor de R$ 8.802,50 (valor que coincide com a soma do principal com os juros) e comprovante bancário de pagamento da GPS. Conclui-se, assim, que antes mesmo do julgamento da impugnação pela DRJ, que ocorreu em 16/07/2013, a Recorrente já havia realizado o pagamento do principal e dos juros do débito objeto do presente processo. A despeito desses acontecimentos, nenhuma informação a seu respeito foi trazida aos autos contemporaneamente aos fatos. Em razão disso, a DRJ tomou conhecimento amplo da impugnação, analisando não só a multa de ofício – que não fora objeto de pagamento – como também, o principal/fatos geradores. Com efeito, em seu recurso voluntário (fl.167), a Recorrente assevera que: Ao ensejo, cumpre marcar que o valor recolhido, embora corresponda ao débito perseguido nos moldes do Auto de Infração n° 37.205.099-9, não corresponde a confissão de dívida, mesmo porque os lançamentos ainda estão discussão, assim, resguardando-se o contribuinte ao direito de buscar o indébito, uma vez que houve acolhimento parcial da impugnação. Fl. 225DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-011.745 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.720968/2012-48 Entendo, contudo, que não assiste razão à Recorrente. O ato de pagar o principal e os juros implica no cumprimento dessas exigências fiscais e, consequentemente, no reconhecimento da procedência do direito pleiteado pelo fisco. Além disso, nos termos do art. 156, I do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário. Assim, no momento em que o principal e os juros foram pagos pela Recorrente, estes foram extintos, deixando, assim, de existir como objeto do presente litígio, que não serve como instrumento processual adequado para se pleitear eventual repetição de indébito tributário, como suscitado pela Recorrente. Ante o exposto, voto por CONHECER EM PARTE o presente recurso, tão somente em relação á multa. 2. Mérito: a multa Em seu recurso voluntário, o Recorrente pleiteou a exclusão da totalidade da multa de ofício com base nas alegações de que a aplicação de multas punitivas a pessoas jurídicas de direito público não atingem sua finalidade sancionadora, onera os contribuintes e “considerando União, Estados e Municípios como uma único ente público, a multa atinge verbas públicas sem distinção”. Quanto à aplicação da multa de ofício, entendo que o acórdão recorrido, que rejeitou a alegação da Recorrente, não merece reforma, motivo pelo qual adoto-o como razões de decidir: De acordo com o artigo 15, I da Lei nº 8.212/1991, considera-se empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Como consequência, o Município, em relação aos seus servidores não abrangidos por Regime Próprio de Previdência Social - RPPS, está obrigado ao recolhimento das contribuições devidas, na forma estipulada na legislação que rege a matéria para os segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Caso não o faça, está sujeito ao lançamento de ofício, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/1991: [...] A Lei nº 8.212/1991 estipula em seu artigo 35-A, acrescentado pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que em caso de lançamento de ofício deve ser aplicado o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que trata das multas: [...] Portanto, tendo sido efetuado o lançamento de ofício, o Município de São José do Norte está obrigado ao recolhimento das contribuições devidas, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora, na forma definida na legislação previdenciária para as empresas em geral. Por falta de permissivo legal, impossível atender ao seu requerimento de cancelamento da multa em razão de que sua aplicação oneraria o Poder Público e, em conseqüência, os contribuintes, ou ainda pelo argumento de que atingiria verbas públicas sem distinção. Ademais, não compete a este órgão de julgamento administrativo avaliar se as normas legais vigentes atingem ou não sua finalidade, nos termos do art. 26-A do Decreto 70.235/72 do art. 98 do RICARF. Fl. 226DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-011.745 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.720968/2012-48 Apesar disso, entendo ser necessário o recálculo, com aplicação da retroatividade benigna, da multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/09, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, inclusive nas hipóteses de lançamento de ofício. No que diz respeito a multa de 75%, aplicada na competência 12/2008, o artigo 35-A da Lei n.º 8.212/91, que atrai a incidência do disposto no artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação dada pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, já estava em vigor nesta competência, logo, a multa no percentual de 75%, aplicada em 12/2008, obedeceu ao disposto na legislação de regência. 3. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO EM PARTE o recurso voluntário, apenas em relação à multa e DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO para aplicar a retroação da multa da Lei 8.212/91, art. 35, na redação dada pela Lei 11.941/2009, até a competência 11/2008. (documento assinado digitalmente) Guilherme Paes de Barros Geraldi Fl. 227DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900243/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PIS E COFINS. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO.
Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação.
Decisão Anulada.
Numero da decisão: 3401-001.382
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da primeira instância, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Recorrente VIMEZER FORNC DE SERV LTDA Recorrida DRJ BELÉMPA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PIS E COFINS. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação. Decisão Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão da primeira instância, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Gerzoni Filho e Fernando Marques Cleto Fl. 76DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 18/05/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 30/05/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10245.900243/200977 Acórdão n.º 340101.382 S3C4T1 Fl. 72 2 Duarte e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que manteve despacho decisório eletrônico indeferindo Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito tem origem em pagamento realizado a maior de PIS, segundo a contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte alega, em síntese, ter retificado a DIPJ do período em questão e, posteriormente, transmitido PER/DCOMP solicitando restituição e compensação. Afirma também que não se creditou de valores retidos na fonte pelas fontes pagadoras. A 3ª Turma da DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, levando em conta tãosomente a DCTF. Após verificar que o valor do recolhimento coincide com o informado na DCTF, considerou que, “...como permanece validade a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão.” Não há menção, no voto do acórdão recorrido, nem à retificação da DIPJ nem à alegação de que os valores retidos teriam sido desprezados pela contribuinte. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte volta a tratar da DIPJ retificadora, argüindo que a DRJ, de forma precipitada, não levou em conta a retificação. Afirma o seguinte: Será que o Julgador de primeira instância, vendo que existia tanto uma declaração retificadora e uma declaração de compensação e a glosa, não viu que deveria analisar os fundamentos argüidos e proceder uma diligência?Pelo jeito optaram pela omissão... Mais adiante considera que o acórdão recorrido não contém a devida motivação e que houve negligência na análise das provas carreadas aos autos, com desrespeito a regras do Decreto nº 70.235/72 e da Lei nº 8.784/99 (menciona, dentre outros dispositivos, o art. 31 do primeiro diploma legal e o art. 2º do segundo). Afirma, ainda, o seguinte: ... no caso de existência de duas declarações conflitantes, DIPJ retificada e declaração de compensação conflitante com uma DCTF não retificada, onde o contribuinte apresenta aqueleas como prova, devem ser ambas analisadas, e dependendo do caso, apontados os motivos e provas que levaram o agente fiscal a não reconhecer o direito pretendido. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 18/05/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 30/05/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10245.900243/200977 Acórdão n.º 340101.382 S3C4T1 Fl. 73 3 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/725.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo , que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Fl. 78DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 18/05/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 30/05/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10245.900243/200977 Acórdão n.º 340101.382 S3C4T1 Fl. 74 4 novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 79DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 18/05/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 30/05/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720019/2012-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/COFINS. INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE.
A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88.
PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE.
O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887)
Numero da decisão: 9303-014.804
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional, apenas no que se refere a frete de aquisição de produtos não onerados. No mérito, negou-se provimento a ambos os recursos, por unanimidade de votos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-014.781, de 14 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10783.900009/2012-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocado(a)), Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS/COFINS. INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887)
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional, apenas no que se refere a frete de aquisição de produtos não onerados. No mérito, negou-se provimento a ambos os recursos, por unanimidade de votos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-014.781, de 14 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10783.900009/2012-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocado(a)), Liziane Angelotti Meira (Presidente).
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INSUMO. DESPACHANTE ADUANEIRO. IMPOSSIBILIDADE. A contratação de despachante aduaneiro é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional, apenas no que se refere a frete de aquisição de produtos não onerados. No mérito, negou-se provimento a ambos os recursos, por unanimidade de votos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-014.781, de 14 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10783.900009/2012-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 19 /2 01 2- 51 Fl. 1164DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720019/2012-51 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisario, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa, Cynthia Elena de Campos (suplente convocado(a)), Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. 1.1. Tratam-se de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte contra Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: (...) COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. 1.2. A Fazenda Nacional aponta divergência de interpretação jurídica nos temas fretes na aquisição de insumos desonerados (sujeitos à alíquota zero), frete em operação de Fl. 1165DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720019/2012-51 revenda e despesas com armazenagem. Para demonstrar a divergência a Fazenda Nacional aponta os seguintes paradigmas: Frete na aquisição de insumos desonerados: Acórdão nº 9303-005.154 PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Frete de revenda: Acórdão nº 3301-002.298 CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. Acórdão nº 3403-002.855 COSMÉTICOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES. REVENDA. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. O direito à tomada de créditos em relação às despesas de armazenagem e fretes pagos pelo vendedor é vedada no caso de revenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, sujeitos à incidência monofásica da Contribuição na etapa industrial. Armazenagem: Acórdão nº 3102-001.400 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CALCULO. CRÉDITOS. 1NSUMOS. No cálculo do PIS não-cumulativo o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na compra de matéria-prima, bem como despesas. Não inclusão das despesas com comissões, com material de embalagem e com a contratação de serviço para estufamento de containeres. 1.3. No mérito, a Fazenda Nacional alega, em síntese: 1.3.1. Apenas os fretes de venda dão direito ao crédito ou enquanto custo de aquisição das mercadorias, porém, se não há tributação das mercadorias adquiridas, não há possibilidade de concessão de créditos para os fretes; 1.3.2. Os fretes tomados na venda de mercadorias somente dão direito ao crédito se as mercadorias transportadas forem tributadas; Fl. 1166DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720019/2012-51 1.3.3. A Armazenagem não se enquadra no conceito de insumos. 1.4. Em contrarrazões, a Contribuinte argumenta: 1.4.1. O recurso especial fazendário não comporta conhecimento no tema frete de revenda pois enquanto o paradigma trata de frete de revenda de produto sujeito à monofasia, no recorrido o insumo transportado adquirido (e não revendido) é sujeito à alíquota zero das contribuições; 1.4.2. Os fretes das mercadorias adquiridas por si como insumos e para revenda foram regularmente tributados logo devem ser creditados; 1.4.3. Compra matéria prima em grandes quantidades visando baratear o preço, logo, a armazenagem é imperiosa para evitar perda dos insumos; 1.4.3.1. Ademais, a produção do fertilizante é distribuída de modo a acompanhar a sazonalidade agrícola. 1.5. A seu turno, a Contribuinte aponta divergência jurisprudencial no tema “possibilidade de creditamento de PIS/COFINS sobre dispêndios incorridos com despachantes aduaneiros” e, para demonstrá-la aponta os seguintes paradigmas: Acórdão nº 3301-010.096 INSUMOS. CRÉDITO BENS E SERVIÇOS DE DESPACHANTE. Gera direito a crédito das contribuições não cumulativas a aquisição de bens utilizados como instrumento de medição no processo produtivo de produtos alimentícios, de uso pessoal, como o termômetro e alcoômetro. No mesmo sentido, os serviços de despachantes incorridos para a importação de produtos são tributados pelas contribuições e representam despesas que serão incorporadas ao processo produtivo, devendo receber o tratamento de insumos. Acórdão n° 3301-002.061 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matérias-primas no armazém alfandegado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. 1.6. No mérito, a Contribuinte argumenta que o serviço de despachante é essencial à aquisição de produtos por si importados, na descarga dos bens importados, na locação do armazém alfandegado, na contratação do transporte interno, na vistoria do MAPA e no desembaraço aduaneiro. Fl. 1167DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720019/2012-51 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Os Recursos são tempestivos, fundamentados em paradigmas não alterados, contra Acórdão de Turma Ordinária que não decretou a nulidade do processo na forma da Lei 9.784/99 versando sobre temas devidamente prequestionados e com identificação da legislação em debate (art. 3° incisos II e IX das Leis 10.637/02 e 10.833/02). Por falta de interesse recursal deixo de conhecer o recurso da Fazenda Nacional no tema FRETE na aquisição de insumos PARA REVENDA, vez que não há esta glosa (ou reversão da mesma) no presente processo. Por oportuno, o recurso fazendário trata da armazenagem somente ao apresentar os Acórdãos paradigmas, não apresenta quaisquer motivos de fato ou de direito pelos quais entende que o crédito decorrente das despesas com armazenagem pode ou não ser concedido – o que poderia levar ao não conhecimento por ausência de enfrentamento das teses dispostas no acórdão recorrido. Todavia, conheço do recurso neste ponto forte no artigo 322 § 2° do Código de Processo Civil: Art. 322 (...) § 2º A interpretação do pedido considerará o conjunto da postulação e observará o princípio da boa-fé. Há similitude fática e divergência de interpretação jurídica entre o Acórdão recorrido e o Acórdão 3301-010.096 no tema créditos decorrentes da contratação do serviço de DESPACHO ADUANEIRO na importação: ambos os casos tratam da contratação do mencionado serviço, porém, enquanto no recorrido o crédito é negado por se tratar de mera despesa administrativa, no paradigma o crédito é concedido por se tratar de despesa essencial ao processo produtivo: Recorrido: Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadram-se no conceito de despesa administrativa. Acórdão 3301-010.096 Penso que o mesmo entendimento deve ser aplicado para o serviço de despachante utilizado na importação. A meu ver, se trata de insumo, na medida em que o serviço será uma despesa que foi incorrida para o desembaraço aduaneiro de alguma matéria-prima ou produto intermediário importado do exterior, ou mesmo máquinas e equipamentos utilizados na produção, que Fl. 1168DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720019/2012-51 passará a compor o custo do processo produtivo. Como sobre tais serviços incide as contribuições, é possível a apuração dos créditos. Já no Acórdão 3301-002.061 a então Recorrente (a mesma Contribuinte do presente caso) dispõe que os serviços que compõe a rubrica despachante aduaneiro são (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matérias-primas, no armazém alfandengado), ou seja, não se trata do serviço de representação de importadores e exportadores no despacho aduaneiro (serviço de despachante aduaneiro, stricto sensu) mas de outros, logo, o paradigma deve ser descartado: Assim, a recorrente faz jus aos créditos apurados sobre os custos com serviços de desestiva/despachantes, correspondentes exclusivamente ao descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matérias-primas no armazém alfandegado, conforme discriminado literalmente por ela, em seu recurso voluntário, pagos às pessoas jurídicas domiciliados no País, mediante notas fiscais de prestação de serviços. Tais custos integram o custo dos bens (matérias primas) utilizados na produção e fabricação dos produtos vendidos por ela e se enquadram no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. Há similitude fática e divergência de interpretação jurídica entre o recorrido e o paradigma 9303-005-154: ambos tratam de FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS pelas contribuições, enquanto no recorrido o crédito foi concedido ante a diferença de incidência das contribuições entre o frete e o insumo e a essencialidade deste frete, no paradigma restou fixada a impossibilidade do creditamento pois somente seria possível a concessão dos créditos para os fretes de venda e enquanto custo de aquisição das mercadorias: Acórdão recorrido: II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. (...) Dessa forma, dá-se provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. Acórdão 9303-005-154 Portanto da análise da legislação, entendo que o frete na aquisição de insumos só pode ser apropriado integrando o custo de aquisição do próprio insumo, ou seja, se o insumo é onerado pelo PIS e pela Cofins, o frete integra o seu custo de aquisição para fins de cálculo do crédito das contribuições. Não sendo o insumo tributado, como se apresenta no presente caso, não há previsão legal para este aproveitamento. Fl. 1169DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720019/2012-51 Todavia, o Acórdão 3301-002.298 trata de frete na aquisição de produtos para revenda, devendo ser descartado por ausência de similitude fática: 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo, no presente caso, como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; Por fim, o acórdão recorrido concede créditos à ARMAZENAGEM DE COMPRA (IMPORTAÇÃO) das mercadorias, por se tratar de insumo, e o paradigma eleito pela Fazenda Nacional giza sobre estufamento de contêineres na venda das mercadorias, logo, não há similitude fática: Acórdão recorrido: Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matéria-prima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria-prima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matéria-prima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Trata-se de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazená-los, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Acórdão 3102-001.400 Busca a recorrente o crédito decorrente das comissões pagas quando da aquisição do couro bovino, sob o argumento de que seria insumo de produção, das despesas com material de embalagem ao afirmar que os “paletes de madeira” integram a 3ª etapa do processo produtivo, pois são indispensáveis a “acomodação e proteção para transporte do couro wet blue”, e das despesas com o estufamento de containeres, serviço que seria indispensável para armazenagem e embarque. (...) Quanto a embalagem, a própria recorrente demonstra que a mesma é necessária para o transporte final do produto já industrializado, não sendo utilizada na produção do couro, não ensejando assim o reconhecimento ao crédito, o mesmo se aplica aos serviços referente à estufamento de containeres. Fl. 1170DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720019/2012-51 A contratação de DESPACHANTE ADUANEIRO é mera opção (não essencial, portanto) do contratante, que pode, caso queira, assumir por meio de seus prepostos a representação junto à Receita Federal no despacho aduaneiro, como dispõe o artigo 5° do Decreto 2.472/88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada apor qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excedentes da responsabilidade do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela própria ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado, ou por despachante aduaneiro. Por sinal, despachante aduaneiro, nos termos da regulamentação acima é pessoa física que representa importadores e exportadores no curso do despacho aduaneiro. Assim, além da impossibilidade legal do creditamento (art. 3° § 2° inciso I das Leis 10.637/02 e 10.833/03), não é responsabilidade do despachante, e sim do agente de cargas (ou, no silêncio deste, do armador) direcionar a carga importada para um terminal portuário (Anexo III item 2.14 da IN 800/07). Do mesmo modo, é de responsabilidade dos estivadores e dos demais trabalhadores portuários a descarga da contêiner e não do despachante (art. 40 da Lei dos Portos). Esta Turma consolidou entendimento de que desde que cumpridos os demais requisitos legais (aquisição do frete de pessoa jurídica pelo comprador das mercadorias e desde que os fretes tenham sido tributados e contabilizados em separado), é possível a concessão de crédito para o FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMO INDEPENDENTEMENTE DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES na aquisição dos bens transportados: FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Inclui-se na base de cálculo dos insumos para apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Nos casos de gastos com fretes incorridos pelo adquirente dos insumos, serviços que estão Fl. 1171DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720019/2012-51 sujeitos à tributação das contribuições por não integrar o preço do produto em si, enseja a apuração dos créditos, não se enquadrando na ressalva prevista no artigo 3º, § 2º, II da Lei 10.833/2003 e Lei 10.637/2003. A essencialidade do serviço de frete na aquisição de insumo existe em face da essencialidade do próprio bem transportado, embora anteceda o processo produtivo da adquirente. (Acórdão 3301-008.789 – Relatora Liziane Angelotti Meira) PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887) Pelo exposto, admito e conheço do recurso especial da Contribuinte negando-lhe provimento. Ademais, admito em parte do recurso da Fazenda Nacional, negando-lhe provimento. Fl. 1172DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.804 - CSRF/3ª Turma Processo nº 15586.720019/2012-51 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte e conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional, apenas no que se refere a frete de aquisição de produtos não onerados. No mérito, negou-se provimento a ambos os recursos. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente Fl. 1173DF CARF MF Original
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Numero do processo: 15956.000575/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2008
PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
O pedido de parcelamento importa em desistência do Recurso Voluntário e renúncia ao direito sobre o qual ele se funda.
Numero da decisão: 2401-011.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O pedido de parcelamento importa em desistência do Recurso Voluntário e renúncia ao direito sobre o qual ele se funda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Por bem sintetizar os fatos até a decisão de primeira instância, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (e-fls. 435/436): Trata-se de auto de infração de obrigação principal (DEBCAD nº 37.273.407-3) lavrado contra a empresa em referência, para apuração da contribuição previdenciária da parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 75 /2 01 0- 91 Fl. 495DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-011.768 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15956.000575/2010-91 patronal, destinada ao FPAS e de contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, no período de 01/2008 a 12/2008. 2. No Relatório Fiscal de fls. 184/199, a autoridade lançadora esclarece que foram apuradas no presente auto de infração: 2.1. A contribuição previdenciária a cargo da empresa, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, constantes nas folhas de pagamento. 2.2. A contribuição previdenciária incidente sobre o valor dos serviços contratados de empresas prestadoras de serviços, mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, apurados em notas fiscais de prestação de serviços e contratos, cujos valores estão devidamente contabilizados em contas de despesas. 2.3. A contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a contribuintes individuais, contratados para a prestação de serviços, conforme lançamentos contábeis efetuados em contas de despesas. 2.4. E também a contribuição previdenciária da parte patronal calculada sobre o valor dos serviços prestados através de cooperativa de trabalho. 3. Cientificada da autuação, a empresa apresentou sua peça impugnatória, de fls. 336/366, na qual apresenta as seguintes razões de defesa: 3.1. Com relação ao levantamento em que foi apurada a contribuição previdenciária (cota patronal) em contratações com cessão de mão-de-obra, alega que a autuação considerou como cessão de mão-de-obra a prestação de serviços realizada diretamente por meio de trabalho pessoal dos sócios das pessoas jurídicas prestadoras. 3.1.1. As pessoas jurídicas contratadas para prestação de serviços à suplicante não possuem em seus quadros empregados com a habilitação profissional requerida, de sorte que não cedem mão-de-obra; apenas os sócios (estes sim médicos) é que pessoalmente prestam os serviços tomados pela autuada. 3.1.2. Solicita diligência junto às pessoas jurídicas envolvidas para que apresentem a documentação contendo o rol de empregados contratados por cada uma delas, para o fim de se saber se existe algum profissional médico que pudesse ter sido cedido (mão- de-obra) durante o período autuado. 3.1.3. Diante desse quadro, é inevitável concluir pela prevalência da personalidade jurídica das sociedades contratadas pela consulente à míngua da descrição de condutas passíveis da desconsideração, salvo as do art. 50 do CC. 3.2. Com relação ao levantamento referente à contribuição previdenciária na condição de tomadora de serviços de cooperativa de trabalho, alega a inconstitucionalidade formal e material da contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91. 3.3. No que tange à contribuição previdenciária relativa a prestadores autônomos (contribuintes individuais) aduz que é mera repassadora dos valores pagos aos médicos pelos pacientes que se utilizam apenas de seus serviços hospitalares. 3.3.1. Requer, nesse ponto também diligência para que seja solicitado a cada pessoa física envolvida na autuação a declaração da natureza dos pagamentos alvejados pela autuação, com a juntada posterior de provas. 3.4. Quanto à contribuição previdenciária (cota patronal) decorrente de diferenças em GFIPs ou folhas de pagamento, alega, em síntese, que: 3.4.1. “O procedimento evidentemente equivocado da suplicante não lhe pode implicar incidência tributária. Se de um lado a fiscalização levou em consideração a existência de erro para amainar a imposição de multa pelo defeito no cumprimento da obrigação instrumental, por outro lado há de fazê-lo igualmente quanto ao suposto crédito tributário decorrente das imperfeições nas GFIPs.” Fl. 496DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-011.768 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15956.000575/2010-91 4. A competência para julgamento deste processo foi prorrogada pela Portaria Sutri nº 2.825, de 26 de maio de 2011. 5. É o relatório. A Impugnação foi julgada Improcedente pela 12ª Turma da DRJ/RJ1 em decisão assim ementada (e-fls. 433/440): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 TOMADORA DE SERVIÇOS. DISPENSA DE RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. É devida a retenção de 11% a titulo de contribuição previdenciária se a tomadora de serviços não comprova, quando solicitada, que se enquadra na situação prevista em norma vigente, que a dispensa da referida obrigação tributária. COOPERATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. FORO INADEQUADO. O julgador administrativo não é competente para apreciar questões acerca de inconstitucionalidade de normas. ENTIDADE HOSPITALAR. REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. NÃO COMPROVADO. A entidade hospitalar é responsável pelo recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais que se utilizam de suas dependências no caso de sua contabilidade não espelhar a situação em que a mesma seria mera repassadora de tais honorários, transitando os referidos valores por contas de resultado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de diligência que não atenda aos requisitos da norma vigente, especialmente se se mostra desnecessária para o deslinde da controvérsia existente no processo. Cientificada do acórdão de primeira instância em 31/05/2013 (e-fls. 446), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 02/07/2013 (e-fls. 488/481) com mesmo teor de sua Impugnação. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, contudo, não deve ser conhecido. Conforme indicado pela Receita Federal do Brasil (e-fls. 441/445, 487), os débitos envolvidos no presente processo foram objeto de parcelamento nos termos da Lei nº 11.941/09. De acordo com o art. 133 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, o pedido de parcelamento importa em desistência do Recurso Voluntário e renúncia ao direito sobre o qual ele se funda: Art. 133. O recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo Fl. 497DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-011.768 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15956.000575/2010-91 contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Em vista do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 498DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19985.724472/2018-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2017
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Os proventos de pensão, aposentadoria ou reforma recebidos por pessoa física portadora de moléstia grave definida na legislação são isentos do imposto de renda.
Numero da decisão: 2001-006.803
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Gregorio Rechmann Junior (suplente convocado), Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilsom de Moraes Filho, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Andressa Pegoraro Tomazela.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2017 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os proventos de pensão, aposentadoria ou reforma recebidos por pessoa física portadora de moléstia grave definida na legislação são isentos do imposto de renda.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Gregorio Rechmann Junior (suplente convocado), Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilsom de Moraes Filho, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Andressa Pegoraro Tomazela.
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os proventos de pensão, aposentadoria ou reforma recebidos por pessoa física portadora de moléstia grave definida na legislação são isentos do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Gregorio Rechmann Junior (suplente convocado), Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Wilsom de Moraes Filho, Honório Albuquerque de Brito (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Andressa Pegoraro Tomazela. Relatório A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 08-52.463 da 6ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE (fls. 36 e segs.). Contra o sujeito passivo acima identificado foi expedida notificação de lançamento referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2017, ano-calendário 2016, formalizando a exigência de imposto no valor de R$ 5.807,63, com os acréscimos legais detalhados no “DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 44 72 /2 01 8- 81 Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.803 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.724472/2018-81 A(s) infração(ões) apurada(s), detalhada(s) na notificação de lançamento, “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL”, consistiu(ram) em: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Sobre Rendimentos Declarados Como Isentos por Moléstia Grave ou Rend. Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave - Não Comprovação da Moléstia ou sua Cond. de Aposentado. Cientificado do lançamento em 03/10/2018, o sujeito passivo apresentou impugnação em 01/11/2018. Informa o seguinte: À RECEITA FEDERAL DO BRASIL NÃO CONSIDEROU O DOCUMENTO APRESENTADO PARA A COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE DA CONTRIBUINTE. ASSIM A MESMA SOLICITOU NOVO LAUDO JUNTO AO INSTITUTO CURITIBA DE SAÚDE DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA DATADO DE 28/09/2018, O QUAL COMPROVA SUA CONDIÇÃO DE PORTADORA DE MOLÉSTIA GRAVE DESDE 01/03/1987. EM ANEXO SEGUE O LAUDO. Após análise, a DRJ não acatou os argumentos da contribuinte. Do voto do acórdão recorrido: A respeito de moléstia grave, cabe transcrever os seguintes dispositivos legais: Lei nº 7.713, de 22 de Dezembro de 1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Decreto 9.580, de 22 de Novembro de 2018 Art. 35. São isentos ou não tributáveis: (...) Consoante legislação transcrita, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Registre-se que a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por portadores de moléstias graves não exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação da recidiva da enfermidade, conforme Solução de Consulta Cosit nº' 220, de 09/05/2017, publicado no DOU em 12/05/2017. Conforme a Consulta Cosit nº 11, de 28/11/2012, publicada no sítio da RFB em 03/07/2012, para efeito do reconhecimento das isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, sem prejuízo das demais exigências legais relativas à matéria, somente podem ser aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas, ou seja, instituídas e mantidas pelo Poder Público, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda de acordo com a citada consulta, os laudos médicos expedidos por entidades privadas, por não se enquadrarem à exigência legal, não podem ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. Às fls 06 temos laudo do Instituto Curitiba de saúde, sendo que tal instituto é constituído como Serviço Social Autônomo, tendo como atividade econômica principal o oferecimento de planos de saúde, não se constituindo assim de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, únicos aptos a exarar Fl. 256DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.803 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.724472/2018-81 laudo oficial a comprovar doenças graves perante a receita federal, conforme a legislação vigente. Diante do exposto, voto por julgar a impugnação improcedente, mantendo a exigência em litígio. Cientificado da decisão de primeira instância em 29/01/2021, o sujeito passivo interpôs, em 23/02/2021, Recurso Voluntário, fl. 61, por meio do qual, em apertada síntese, alega ter sido portadora de moléstia grave isentiva à época dos fatos, conforme laudo médico anexado. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. Isenção do IR sobre proventos de aposentadoria – doença grave A contribuinte foi autuada por omissão de rendimentos e apresentou defesa em impugnação alegando ser portadora de moléstia grave relacionada na lei que concede isenção. A turma julgadora da primeira instância, conforme acima relatado, considerou não atendidas as condições para o gozo da isenção pela não existência nos autos de elementos comprobatórios da alegada moléstia grave isentiva, na forma da lei, por meio de laudo fornecido por serviço médico oficial da União, estado ou município. Não há questionamentos nos autos quanto a serem os rendimentos proventos de aposentadoria. Da análise da documentação disponibilizada, tem-se o Laudo de Perícia Médica, de fl. 34, emitido pela Gerência de Perícia Médica – Departamento de Saúde Ocupacional da Prefeitura Municipal de Curitiba, assinado por médicos perito e supervisor, constando a especificação da enfermidade (CID), bem como atestando o início da mesma em 01/03/1987. Entendo então que, no caso concreto, atendidos os condicionantes legais para que se faça jus à isenção do imposto por moléstia grave, deve ser afastado o crédito lançado. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 257DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.803 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.724472/2018-81 Fl. 258DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001182/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 23/02/2006
IMUNIDADE RECÍPROCA. PREVISÃO CONSTITUCIONAL PARA
IMPOSTOS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER.
MULTA.
A imunidade tributária recíproca não engloba o conceito de multa, porquanto o preceito constitucional (artigo 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal) só faz alusão expressa a imposto.
DEPOSITÁRIO. FALTA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NA
FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS. PREVISÃO LEGAL DE MULTA.
Aplica-se a multa de cinco mil reais ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 3101-001.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em negar
provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a advogada Jacqueline Andrea Wendap, OAB/PR nº 13.027, representante do sujeito passivo.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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PREVISÃO CONSTITUCIONAL PARA IMPOSTOS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. MULTA. A imunidade tributária recíproca não engloba o conceito de multa, porquanto o preceito constitucional (artigo 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal) só faz alusão expressa a imposto. DEPOSITÁRIO. FALTA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NA FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS. PREVISÃO LEGAL DE MULTA. Aplicase a multa de cinco mil reais ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral a advogada Jacqueline Andrea Wendap, OAB/PR nº 13.027, representante do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 11 82 /2 00 8- 41 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 24/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Mônica Monteiro Garcia de los Rios (suplente). Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração por três supostas infrações praticadas pela empresa autuada: embaraço à fiscalização aduaneira (R$ 5.000,00), não prestação de informação sobre carga armazenada ou sob responsabilidade (R$ 5.000,00) e irregularidade relativa a atividades de armazenagem, movimentação e serviços conexos (R$ 15.000,00). Seguem as alegações da fiscalização. A Oceanus Agência Marítima protocolou pedido de devolução de cinco chapas de aço descarregadas no APPA, informando que houve erro no embarque pelo terminal portuário de origem (Antuérpia). A Alfândega tomou conhecimento de tais chapas que foram descarregadas e colocadas no aterro de lado da faixa portuária em frente ao berço n°216 no dia 09/03/2006, pelo representante do Transportador (Oceanus). O pedido não foi conhecido por não haver prova de propriedade e por não haver documento comprobatório de regular importação, sendo a mercadoria passível de pena de perdimento. As mercadorias em acréscimo devem ser anotadas em Termo pelo depositário e o fato deve ser comunicado à Alfândega, sendo que a autuada deixou de prestar tal informação sobre a carga. A folha de descarga relaciona exatamente a quantidade manifestada, não havendo registro das chapas de aço que foram posteriormente encontradas pela Alfândega, confirmando o informado pela Oceanus. Foi a empresa autuada intimada a apresentar documentos relativos às cargas desembarcadas, tais como relatório de descarga, termo de constatação acerca do excesso da mercadoria e termo de vistoria aduaneira relativo ao excesso de mercadorias. Em resposta, a APPA enviou o mesmo relatório de descarga que não continha informação sobre excesso de mercadoria. Não houve apresentação dos termos de constatação e de vistoria. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.001182/200841 Acórdão n.º 3101001.424 S3C1T1 Fl. 4 3 A empresa tinha a obrigação de lavrar Termo de excesso de carga recebida, bem como manter em arquivo, associado a NIC, os Termos de vistoria aduaneira. Pelo descumprimento de tais obrigações, aplicase a pena por descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para execução de atividade de movimentação e armazenagem de mercadorias. A falta de comunicação do excesso de mercadoria configura a penalidade de deixar de prestação informação sobre carga armazenada ou sob responsabilidade. Por dificultar, de forma omissa a ação da fiscalização, notadamente controle das mercadorias desembarcadas e conferência final de manifesto, incorre a empresa na infração de embaraço à fiscalização. Ingressou a empresa com a impugnação de fls. 98114. Seguem as alegações de defesa. Em 23/02/2007, houve descarregamento de mercadorias do navio Grande San Paolo procedente do Porto de Antuérpia, na qual, figurou, como agente portuário, a Oceanus Agência Marítima, e, como operador portuário responsável pela descarga da mercadoria, a empresa Marcon. Ao desembarcar a mercadoria, constatou a Agência Marítima Oceanus um excesso de mercadorias descarregada na APPA, informando à Receita Federal do erro cometido. Tal pedido não foi conhecido pois se entendeu não haver documento comprobatório de regular importação. Insta salientar da irregularidade da autuação fiscal pois a Receita Federal informa apenas haver excesso de carga de chapas de aço, mas não informa qual seria a quantidade correta que deveria ser descarregada. Tal fato macula a autuação fiscal de nulidade por ausência do requisito do artigo 10, III, Decreto n°70.235/1972. Segundo folha de descarga, foi descarregada do navio apenas 133 chapas de aço, sendo que, no termo de conferência, a operadora portuária Marcon também conferiu como sendo descarregada apenas 133 chapas de aço. Em nenhum momento foi informado pela Agência Marítima ou pela operadora portuária de que esta quantidade de mercadoria descarregada estaria em excesso. Na folha de descarga, consta devidamente rubricada pelo conferente da APPA a descarga de 133 chapas de aço, sendo que funcionário da Receita Federal prestou vista e tomou ciência. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 A Oceanus informou à Receita do excesso de carga, mas não informou em nenhum momento o quanto deveria ter sido descarregado. Simplesmente informou do excesso de cinco chapas à Receita Federal, que, também sem saber o quanto deveria ter sido descarregado, autuou a APPA por suposto excesso de carga. Se há culpado pelo fato é a agência marítima Oceanus pois esta deixou de informar devida e previamente à APPA sobre o desembarque em quantidade diversa do que foi realmente requisitado para importação. Alega ilegitimidade passiva. Alega imunidade em função de sua natureza de Autarquia pública estadual. A autarquia impugnante foi criada pela Lei Estadual n° 6249/1971, sendo que, mediante o Convênio de Delegação n°037/2001, a União delegou ao Estado do Paraná a administração e a exploração do Porto de Paranaguá. Atualmente, as atividades são exercidas pela Autarquia Estadual impugnante. Alega bis in idem pelo apenamento por três dispositivos diversos. Argüi a boafé. Em nenhum momento houve impedimento à atuação da Receita Federal. Incabível a penalidade do artigo 107, IV, 'I', do DecretoLei n° 37/1966 (redação dada pela Lei n° 10.833/2003) pelo fato de a quantidade desembarcada foi a efetivamente declarada, sendo que, em nenhum momento, a agência marítima ou a operadora portuária informaram que as cinco chapas descarregadas estariam em excesso. Improcede a multa do artigo 107, inciso VII, alínea 'f' pelo fato de a própria Receita Federal admitir que a autuada enviou novamente o mesmo relatório de descarga, que não continha informação sobre excesso de mercadoria. A empresa não informou sobre o suposto excesso de carga pois não tinha tal informação. Solicita a nulidade ou a improcedência da autuação. À folha 125, encaminhouse o processo para julgamento e informouse a tempestividade da impugnação. A DRJ de Florianópolis julgou a impugnação procedente em parte, mantendo crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, por entender que a contribuinte descumpriu sua obrigação exclusiva de comunicar à fiscalização aduaneira a existência das mercadorias localizadas em sua área de controle (alfandegada), sendo, portanto, procedente a multa do artigo 107, inciso IV, alínea 'f’, do DecretoLei n° 37/1966 com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003; afastando a aplicação da multa prevista no artigo 107 inciso IV, alínea 'c’, do Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.001182/200841 Acórdão n.º 3101001.424 S3C1T1 Fl. 5 5 DecretoLei n° 37/1966, por entender que a penalidade aplicada, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea `f’ seria específica para o caso em comento; e afastando a aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso VII, aliena 'f', por entender que não havia nos autos elementos que permitiriam concluir que a falta da contribuinte era continuada. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde alega: preliminarmente, (i) imunidade tributária, (ii) nulidade do auto de infração e cerceamento de defesa, (iii) ilegitimidade passiva; e no mérito, (iv) a improcedência da penalidade aplicada. Por fim, pede que seja acolhido o recurso voluntário para a reforma do acórdão e o cancelamento do débito fiscal reclamado. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Considerandose que a Requerente foi cientificada do acórdão recorrido em 31 de agosto de 2009 e apresentou o Recurso Voluntário em 25 de setembro de 2009, seu recurso é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A questão que restou para ser analisada é o lançamento da multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea 'f’, do DecretoLei n° 37/1966 com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, por descumprimento da obrigação de comunicar à fiscalização aduaneira a existência de mercadorias localizadas em sua área de controle (alfandegada). A defesa da recorrente alega, preliminarmente, (i) imunidade tributária, (ii) nulidade do auto de infração e cerceamento de defesa, (iii) ilegitimidade passiva; e no mérito, (iv) a improcedência da penalidade aplicada. DA PRELIMINAR DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA Quanto à alegação de que o lançamento da multa violaria a imunidade reciproca prevista no art. 150, VI, a §2° da Constituição Federal, não encontra razão a recorrente. A 2ª Turma da DRJ de Florianópolis julgou improcedente o reconhecimento da imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, “a”, e §2°, da Constituição Federal, por entender que o referido dispositivo constitucional impediria apenas a cobrança de impostos entre a União, Estado, Distrito Federal e Municípios, e não de multas por descumprimento de obrigações assessórias, bem como por não se aplicar tal imunidade em casos de exploração de atividades econômicas, conforme dispõe o parágrafo 3º do artigo 150 da Constituição Federal. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 A recorrente, ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA, alega que sua imunidade não seria excluída pelo referido dispositivo, visto que não explora atividades econômicas, mas apenas o serviço publico. Tratase de uma autarquia do Estado do Paraná, vinculada à Secretaria de Estado dos Transportes, criada pela Lei Estadual n° 6.249, de 10 de novembro de 1971, e responsável pela administração e a exploração dos portos de Paranaguá e Antonina. No caso das atividades da recorrente, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre sua natureza de serviço público (RE 612377/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 09/03/2012), entendendo ser inapropriada a alegação de que a recorrente, por força do § 3º do art. 150 da Constituição, não estaria abrangida pela imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, “a” (precedentes RE 172.816/RJ, Rel. Min. Paulo Brossard, DJ 13/05/1994, RE 253.472/SP, Relator para o acórdão Min. Joaquim Barbosa, DJe 01/02/2011). Também no RE 356.711/PR (DJ 07/04/2006), de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, o STF entendeu que a natureza jurídica da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina – APPA, seria uma autarquia prestadora de serviços públicos. Mesmo seguindo o entendimento esposado pelo STF quanto à natureza das atividades exercidas pela recorrente, caracterizada como serviço público e não atividade econômica, a imunidade prevista no artigo 150, VI, “a”, e §2°, da Constituição Federal está restrita à aplicação aos impostos, de acordo com o entendimento do próprio Supremo Tribunal Federal, que já se manifestou sobre a impossibilidade da desoneração desobrigar o ente público de cumprir a legislação que prescreve deveres acessórios: RE 638.832/DF, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 22/05/12 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. IMUNIDADE RECÍPROCA. PREVISÃO CONSTITUCIONAL PARA IMPOSTOS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. MULTA. REPERCUSSÃO GERAL NÃO ANALISADA. INVIABILIDADE DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. [...] 2. A imunidade tributária recíproca não engloba o conceito de multa, porquanto o preceito constitucional (artigo 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal) só faz alusão expressa a imposto. (Precedentes: RE nº 424.227, Segunda Turma, Relator o Ministro Carlos Velloso, DJ de 10/09/04; RE nº 253.394, Primeira Turma, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, 11/04/03; e AI nº 458.856, Primeira Turma, Relator o Ministro EROS GRAU, DJ de 20/04/07). [...] Por oportuno, ressaltese a impossibilidade de conferir imunidade recíproca quando se trata de uma obrigação acessória – MULTA , decorrente de um descumprimento de obrigação de fazer. Ex positis, nego seguimento ao recurso extraordinário, com fundamento no artigo 21, § 1º, do RISTF. Publiquese. Brasília, 17 de maio de 2012. RE 590421/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe 16/10/2012 “Ademais, entender que a imunidade protege aqueles que cometeram infrações à legislação tributária como por exemplo, preenchimento incorreto da documentação fiscal – importaria em conferir uma Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.001182/200841 Acórdão n.º 3101001.424 S3C1T1 Fl. 6 7 interpretação extensiva a uma hipótese em que o constituinte foi propositadamente restritivo. Não obstante, desobrigar o contribuinte a cumprir a legislação tributária como um todo, acabaria por incentivar as condutas ilícitas tributárias, o que não se deve estimular sob nenhuma hipótese. Ante o exposto, nos termos do artigo 557, § 1ºA, do Código de Processo Civil, conheço do recurso extraordinário e lhe dou provimento para reformar o acórdão regional, restabelecendo o crédito tributário decorrente da aplicação da multa que deu origem à Certidão de Dívida Ativa nº 00/0375.” Portanto, o lançamento das multas objeto do presente processo não encontra óbice na imunidade reciproca prevista no art. 150, VI, “a” e §2° da Constituição Federal, cujo alcance limitase aos impostos e não à aplicação de multa decorrente de um descumprimento de obrigação de fazer. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO CERCEAMENTO DE DEFESA Quanto à alegação de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa, por haver falta de requisitos imprescindíveis para caracterizar o “fato gerador” da autuação, não encontra razão a recorrente. Na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração em discussão (fls. 8 a 10), o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil descreve de forma clara o fato que motivou o lançamento da multa em discussão: que a recorrente deixou de prestar informações sobre a carga sob sua responsabilidade (cinco chapas de aço com vinte e um metros de comprimento estacasprancha, modelo AZ36700 com 21000MM), descarregadas e colocadas no aterro ao lado da faixa portuária em frente ao berço 216 no dia 09/03/2006, conforme informação prestada pelo representante do Transportador (Oceanus Ag. Marítima) e confirmada em diligência fiscal, que ensejou a aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea 'f’, do DecretoLei n° 37/1966. Os acréscimos verificados no momento do recebimento da mercadoria deveriam ser anotados em termo pelo depositário e encaminhado ao Protocolo Geral da Alfândega da Receita Federal no Porto de Paranaguá. Deixou, portanto, a recorrente de prestar informação sobre carga armazenada sob sua responsabilidade na forma e no prazo estabelecidos pela Secretária da Receita Federal. O dever de o depositário prestar informações sobre carga recebida sob sua responsabilidade permite que a Receita Federal possa exercer o controle das cargas que entram no território nacional. O desconhecimento de tais situações deixa a zona primária vulnerável a ocorrências de ilícitos aduaneiros. Portanto, não procede a alegação de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa, visto que o auto de infração descreveu de forma clara o fato que ensejou à aplicação da multa, com sua perfeita fundamentação, permitindo sua ampla defesa. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 DA PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DA APPA Quanto à alegação de ilegitimidade passiva, também não encontra razão a recorrente. A alínea “f” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37/66, prevê a aplicação da multa ao depositário ou ao operador portuário, que deixar de prestar informação sobre carga armazenada ou sob sua responsabilidade, na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. Ficou demonstrado nos autos que a recorrente descumpriu sua obrigação exclusiva de comunicar à fiscalização aduaneira a existência das mercadorias localizadas em sua área de controle (alfandegada). A responsabilidade por infrações na Aduana independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da ato, nos termos do artigo 94, §2°, do Decretolei n°37/66. Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1° O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2° Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, correto está a legitimidade passiva da recorrente quanto à infração objeto do presente processo, com multa prevista na alínea “f” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37/66. DO MÉRITO DO REESTABELECIMENTO DOS FATOS Quanto ao mérito, a recorrente inicialmente discorre sobre o restabelecimento dos fatos, discordando da descrição feita pela Delegacia de Julgamento, de forma a se eximir da responsabilização pela autuação, visto que o lançamento, em seu entendimento, baseouse em uma diferença a maior no desembarque de 133 (cento e trinta e três) chapas de aço, que não foi apurado na conferência por aquela autarquia portuária e devidamente atestada pelo funcionário da Receita Federal. Afirma que a culpa pelos fatos autuados é única e exclusivamente da Agência Marítima Oceanus, por não ter informado devidamente e previamente à APPA sobre o desembarque em quantidade diversa do que realmente requisitado de mercadoria para importação, e que agiu de boafé. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.001182/200841 Acórdão n.º 3101001.424 S3C1T1 Fl. 7 9 Defende que o presente Auto de Infração é irregular, visto que a autuante informa apenas ter excesso de carga em cinco chapas de aço, mas sem informar qual seria o valor correto que deveria ter sido descarregado, apontando sua nulidade por falta de informações concretas contra a Autarquia Portuária. Analisando os elementos do autos, contatamos que o fato que motivou o lançamento da multa em discussão foi a ausência de informações sobre a carga sob a responsabilidade da recorrente (cinco chapas de aço com vinte e um metros de comprimento estacasprancha, modelo AZ36700 com 21000MM), que foram descarregadas e colocadas em sua área de controle (alfandegada). Tal informação foi prestada originalmente pelo representante do Transportador (Oceanus Agência Marítima) e confirmada em diligência fiscal pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Os acréscimos verificados no momento do recebimento da mercadoria deveriam ser anotados em termo pelo depositário e encaminhado ao Protocolo Geral da Alfândega da Receita Federal no Porto de Paranaguá. Em procedimento fiscal, a recorrente foi intimada a fornecer o Relatório da descarga das mercadorias (fl.20), o qual não evidenciou ressalva acerca do acréscimo na descarga (fls. 21 a 28). A folha de descarga (f1.24) do dia 23/02/2006 relaciona exatamente a quantidade manifestada. Essas mercadorias foram vinculadas as Declarações de importação n°06/02582312 e 06/03015187 com a quantidade constante dos conhecimentos de transporte (fls. 42 e 43), que se igualava com a quantidade manifestada (cópia do manifesto às fls.56 a 61). Os fatos apurados no procedimento fiscal, relativos à penalidade em discussão, não deixam dúvidas de que ocorreu uma omissão por parte da recorrente, relativo a carga colocada em sua área de controle (alfandegada), que deixou de prestar informação sobre carga armazenada sob sua responsabilidade na forma e no prazo estabelecidos pela Secretária da Receita Federal. Não restam dúvidas que o auto de infração em julgamento foi motivado pelo de descumprimento de norma operacional, e omissão de informação por parte do depositário Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina de mercadoria colocada em sua área de controle. DA IMPROCEDÊNCIA DA PENALIDADE APLICADA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, no acórdão recorrido, afastou a aplicação da multa prevista no artigo 107 inciso IV, alínea 'c’, do DecretoLei n° 37/1966, por entender que a penalidade aplicada, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea `f’ seria específica para o caso em comento; e afastou a aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso VII, aliena 'f', por entender que não havia nos autos elementos que permitiriam concluir que a falta da contribuinte era continuada. Também aplicou o disposto no artigo 112, incisos II e III, do Código Tributário Nacional, por entender que havia dúvidas quanto às circunstâncias materiais do fato e à sua autoria. A recorrente alega que foi mantido, erroneamente pela Delegacia de Julgamento de Florianópolis, a multa da alínea "f' do inciso IV, do art.107 do Decretolei n° 37/66, a qual determina sanção à APPA pela falta de comunicação do excesso de mercadoria descarregada sob responsabilidade da Autarquia Portuária, visto que houve declaração de boa fé da recorrente, que em nenhum momento constatou o excesso de carga. Alega que, mesmo não apresentando informações sobre o excesso de carga, não o fez porque não tinha tal Fl. 180DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 informação, aponta o caráter arrecadatório da multa e requer a aplicação da razoabilidade na sanção. Entretanto, os fatos apurados comprovam que a recorrente descumpriu sua obrigação exclusiva de comunicar à fiscalização aduaneira a existência das mercadorias localizadas em sua área de controle (alfandegada). A recorrente tinha a obrigação de lavrar termo do excesso de carga recebida, encaminhandoo, no primeiro dia útil subsequente ao recebimento da carga, ao Protocolo Geral da Delegacia da Receita Federal em Paranaguá, bem como manter em arquivo, associado ao Número Identificador da Carga (NIC) correspondente, os termos de vistoria aduaneira lavrados pela fiscalização. Intimada a apresentar tais documentos, a APPA não os possuía, descumprindo norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem capitulada nos artigos 9° e 10 da Portaria DRF/PGA 138, de 14 de Outubro de 2005, abaixo transcrita: Art. 9°. O depositário, no momento do recebimento das mercadorias, deverá certificarse da integridade da carga e dos dispositivos de lacração que lhe foram aplicados. § 1°. Constatado excesso falta ou avaria e lavrado o competente termo deverá o depositário encaminhar, no primeiro dia útil subseqüente ao recebimento da carga, duas vias do termo ao Protocolo Geral da Delegacia da Receita Federal em Paranaguá que: a) devolverá uma via recibada ao depositário b) encaminhar a outra ao Setor de Manifestos da Seção de Controle Aduaneiro desta Delegacia que deverá providenciar sua juntada à pasta do navio. Art. 10. A carga recebida com ressalva na forma do artigo anterior só deverá ter o número identificador da carga, NIC, informado no S1SCOMEX pelo depositário após a realização da vistoria aduaneira ou a dispensa desta em razão de desistência assumida pelo importador ou seu representante. § 1°. Em se tratando de excesso a parcela não manifestada deverá ser retida pelo depositário até manifestação expressa e formal da Autoridade Aduaneira, não cabendo a desistência de vistoria prevista no capta; § 2°. O depositário deverá manter em arquivo, associado ao N/C correspondente, os termos de vistoria aduaneira lavrados pela fiscalização bem como os termos de desistência de vistoria firmados pelo importador. § 3°. O termo de desistência de vistoria firmado pelo importador deverá estar previamente recibado pelo Protocolo da DRF/Paranaguá. Na sua qualidade de interveniente no comércio exterior, a contribuinte autuada tem a obrigação de controlar as mercadorias localizadas na área a ela alfandegada, e prestar as informações à fiscalização aduaneira acerca das mercadorias ali localizadas. No presente caso, a empresa não prestou tal informação à Delegacia da Receita Federal em Paranaguá, sendo, portanto, procedente a multa do artigo 107, inciso IV, alínea 'f’, do Decreto Lei n° 37/1966 com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003. Quanto a sua responsabilidade na infração, também não encontra razão a recorrente, visto que a responsabilidade por infrações aduaneiras independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos da ato, nos termos do artigo 94, §2°, do Decretolei n°37/66, em redação similar ao disposto no Código Tributário Nacional, para as infrações tributárias. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.001182/200841 Acórdão n.º 3101001.424 S3C1T1 Fl. 8 11 Por fim, esclareço que a penalidade prevista no art. 107, IV, “f”, do Decreto Lei nº 37 de 1966 já foi exaustivamente analisada por este colegiado, inclusive quando o infrator era o depositário das mercadorias importadas. Confirase: Acórdão nº 30239536, Rel. Cons. Marcelo Ribeiro Nogueira, Sessão de 18/06/2008 MULTA ADMINISTRATIVA. CONTROLE DE CARGA. PRAZO DE ARMAZENAMENTO. É cabível a aplicação de multa administrativa por descumprimento pelo depositário do prazo legal para o registro do armazenamento de carga no Sistema MANTRA, na forma prevista no art. 107, inciso IV, alínea “f”, do Decretolei nº 37/66. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Acórdão nº 310200.776, Rel. Cons. Ricardo Paulo Rosa, Sessão de 29/09/2010 DEPOSITÁRIO. FALTA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NA FORMA E PRAZO ESTABELECIDOS. PREVISÃO LEGAL DE MULTA. Aplicase a multa de cinco mil reais ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado. CONCLUSÕES Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 27 de junho de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/07 /2013 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11065.100166/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO.
É vedado o aproveitamento de crédito relativo ao valor pago a pessoa física por mão-de-obra empregada na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda, ainda que dissimulado como prestação de serviço terceirizada. A comprovada dependência econômica, administrativa e comercial da empresa contratada com a empresa contratante descaracteriza a operação de industrialização por encomenda, confundindo-se o contratante com o contratado, caracterizando uma só pessoa jurídica.
Numero da decisão: 3101-001.500
Decisão: Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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RESSARCIMENTO. É vedado o aproveitamento de crédito relativo ao valor pago a pessoa física por mãodeobra empregada na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda, ainda que dissimulado como prestação de serviço terceirizada. A comprovada dependência econômica, administrativa e comercial da empresa contratada com a empresa contratante descaracteriza a operação de industrialização por encomenda, confundindose o contratante com o contratado, caracterizando uma só pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 30/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 66 /2 00 5- 18 Fl. 596DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0919.16147.DNWV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Trata o presente do ressarcimento pleiteado pela interessada em epígrafe, relativo aos créditos de PIS não cumulativa. A DRF em Novo Hamburgo emitiu Despacho Decisório com base no Relatório de Informação Fiscal, reconhecendo parcialmente o crédito passível de ressarcimento. Foram glosados os valores decorrentes de créditos de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante constatação de que a empresa que prestava tais serviços (PUPPIES TIME, CNPJ 04.585.274/000140) era, na realidade, estabelecimento da própria interessada. O Relatório fiscal transcreve parte de relatório anterior resultado de ação fiscal detalhada realizada pela fiscalização em relação ao ano calendário 2004, no qual são apontados os diversos aspectos que resultaram na constatação de inexistência de serviços prestados por empresa independente, em desacordo com o critério para a apuração de créditos. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade na qual se insurge contra a glosa dos créditos decorrentes dos serviços que outra pessoa jurídica terlheia prestado, questionando as alegações fiscais. Juntou notas fiscais de remessa de mercadorias entre as empresas, contrato de locação, inventário de material de embalagem e documentação relativa ao contrato de seguro. Na decisão de primeira instância, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, considerando corretas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde alega a ilegalidade da glosa efetuada, a indevida utilização pela fiscalização da denominada "norma antielisiva" a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN, e requer a reforma do decisum. A unidade de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O referido recurso ataca a glosa do crédito de PIS decorrente da contratação de mãodeobra terceirizada para processo de industrialização. O despacho inicial glosou os créditos decorrentes de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante a constatação de que a empresa que prestava tais serviços (Puppies Time) era, na verdade, estabelecimento da própria interessada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, concordando com o despacho decisório da unidade de origem. Fl. 597DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0919.16147.DNWV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11065.100166/200518 Acórdão n.º 3101001.500 S3C1T1 Fl. 4 3 Em uma operação regular, os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produto, geram direitos a créditos do PIS nãocumulativo nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Entretanto, há situações em que a operação de fornecimento de bens e serviços, utilizados como insumo, ou mesmo a industrialização por encomenda, que gerariam créditos da contribuição, são, na verdade, um desmembramento da própria atividade da empresa industrial, que em situação normal não gerariam créditos. Uma das situações em que ocorre tal desmembramento é a terceirização de alguma atividade industrial intensiva de mãodeobra, visto que o valor pago a pessoa física por mãodeobra empregada na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda não gera crédito da contribuição, conforme restrição expressa do inciso I do parágrafo 2º do artigo 3º. A terceirização, em tese, é um instrumento de gestão. Tal situação ocorre quando uma empresa industrial contrata uma terceira empresa, especialista em determinada operação industrial ou serviço, para executar uma atividade, de forma independente, inclusive economicamente, em relação à contratante. Situação diversa ocorre quando a empresa interessada transfere parte de sua atividade fim (na forma de prestação de serviço ou industrialização por encomenda), a uma empresa com total dependência econômica, administrativa e comercial. Nesses casos é claro a falta de propósito negocial da terceirização, cujo objetivo é o aproveitamento de créditos da contribuição sobre a mãodeobra empregada, o que é vedado pela norma. No caso em análise, restou caracterizada a nítida dependência econômica, administrativa e comercial da empresa Puppies Time Ltda para com a empresa IMS Brazil Ltda.. No relatório fiscal, inúmeras situações revelam a existência de estreita relação entre a fiscalizada e a empresa Puppies Time, as quais podem ser assim resumidas: i. A empresa Puppies Time foi a principal fornecedora de serviços de industrialização da IMS Brazil; ii. A empresa Puppies Time trabalhou exclusivamente para a IMS Brazil; iii. A empresa Puppies Time desenvolveu suas atividades com máquinas, equipamentos e em prédio pertencente a IMS Brazil; Fl. 598DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0919.16147.DNWV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 iv. A empresa Puppies Time foi gerenciada por pessoa contratada pela IMS Brazil, que inclusive utilizava cartões de visita em nome das duas empresas; v. A empresa Puppies Time tinha como sóciaadministradora uma exfuncionária da IMS Brazil, que ainda assinava em nome desta e pouco participava da administração daquela; e vi. A empresa Puppies Time possuía passivo a descoberto em mais de 800% (oitocentos por cento) do valor total do seu Ativo, em decorrência de vultosos adiantamentos recebidos da IMS Brazil. Para o caso em análise importa também reconhecer que se confundia o prestador de serviços de fato com seu contratante. Pelo descrito pela autoridade autuante, ocorreu uma caracterização de dependência econômica e gerencial entre a Puppies Time e a autuada. Tais situações, olhadas em conjunto, denotam que, efetivamente, a prestadora de serviços, embora formalmente constituída, não era uma pessoa jurídica independente, constituindose apenas em uma extensão industrial da recorrente. Conforme apurado pela fiscalização, constatase que a efetiva atividade da Puppies Time consistia em fornecer mão deobra para embalar os produtos da recorrente, o que formalmente permitia que ela se creditasse sobre os valores correspondentes à mãodeobra empregada nessa etapa industrial, crédito esse vedado pela norma. Correta está a conclusão da autoridade fiscal, onde afirma que “as atividades desenvolvidas neste estabelecimento não configuravam, para a fiscalizada, serviços de industrialização de terceiros, mas sim custos com mãodeobra própria, de pessoas físicas”, sendo indevidos os créditos calculados sobre estas operações. Portanto, assiste razão a decisão recorrida ao manter a autuação e, dessa forma, convalidar a exclusão dos créditos relativos aos valores da contribuição que incidiram sobre a prestação de serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das sessões, em 25 de setembro de 2013. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 599DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0919.16147.DNWV. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RODRIGO MINEIRO FERNANDES em 30/10/2013 17:36:57. Documento autenticado digitalmente por RODRIGO MINEIRO FERNANDES em 30/10/2013. Documento assinado digitalmente por: HENRIQUE PINHEIRO TORRES em 18/11/2013 e RODRIGO MINEIRO FERNANDES em 30/10/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por HIULY RIBEIRO TIMBO em 10/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0919.16147.DNWV Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 85227409D671C7381FF8F7FFAE3A77AF432BCCB5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11065.100166/2005-18. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10380.013654/2001-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
RESSARCIMENTO. GLOSA PARCIAL NÃO CONTESTADA.
De se manter a glosa parcial decretada na apreciação de pedido de
ressarcimento de créditos de IPI para cuja contestação limitou-se
a invocar a dependência de matéria discutida em outro processo administrativo no qual a interessada pediu desistência expressa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-001.328
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 RESSARCIMENTO. GLOSA PARCIAL NÃO CONTESTADA. De se manter a glosa parcial decretada na apreciação de pedido de ressarcimento de créditos de IPI para cuja contestação limitou-se a invocar a dependência de matéria discutida em outro processo administrativo no qual a interessada pediu desistência expressa. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 11080.720372/2014-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 1402-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos o Relator e o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Alexandre Iabrudi Catunda.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Piza Di Giovanni - Relator
(documento assinado digitalmente)
Alexandre Iabrudi Catunda - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Jandir Jose Dalle Lucca, Mauricio Novaes Ferreira, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: RICARDO PIZA DI GIOVANNI
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RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos o Relator e o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Alexandre Iabrudi Catunda. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Piza Di Giovanni - Relator (documento assinado digitalmente) Alexandre Iabrudi Catunda - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Jandir Jose Dalle Lucca, Mauricio Novaes Ferreira, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 21/01/2014, mediante o qual é exigido da ora Recorrente crédito tributário relativo à multa isolada por compensações consideradas não declaradas nos termos do § 12, inciso II, DO ARTIGO 74 da Lei nº 9.430/96, no valor total de R$ 747.762,62, correspondente a 75% do valor total dos débitos indevidamente compensados, com enquadramento legal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 37 2/ 20 14 -3 3 Fl. 132DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1402-001.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.720372/2014-33 Ou seja, a fiscalização entendeu que ocorreu FRAUDE na compensação e por esse motivo a multa tem a qualificação do § 12, inciso II, do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (diferente da capitulação do § 17, inciso II, do mesmo artigo 74, analisada pelo STF). Segundo consta do Termo de Constatação Fiscal de fls. 47/49, o presente lançamento decorre das declarações de compensação nºs. 31313.03784.230410.1.3.04-2986 e 33593.61945.030510.1.3.04-2031, tratadas no processo administrativo nº 11080.720216/2014- 72, que foram consideradas não declaradas em razão de utilizarem crédito de terceiros, conforme despacho decisório proferido naquele processo. A ora Recorrente ingressou com a impugnação de fls. 59 a 68 em 08/12/2014, alegando, preliminarmente, a nulidade dos atos praticados no processo administrativo fiscal nº 11080.000515/2010-63, em razão de que o processo nº 11080.720216/2014-72 é originado da transferência de créditos do processo nº 11080.000515/2010-63, conforme item 6 da Decisão proferida no processo nº 11080.720216/2014-72. Afirma que o processo nº 11080.000515/2010-63 sustenta as execuções fiscais nºs 50153720920114047100, 50304833320114047100 e 50582140420114047100, e que portanto não está mais à disposição da administração, senão por ato realizado nos autos da referida execução fiscal. Solicitou a então impugnante a retificação dos débitos informados no Per/Dcomp e por consequência a redução da multa isolada em razão do expurgo do imposto recolhido sobre o ganho de capital e sobre a receita financeira. Diz que “ A Parte Recorrente adquiriu os créditos tributários da FNT através Escritura pública de cessão de créditos com deságio de 50% (cinqüenta por cento). Assim, para cada PerDcomp apresentada, apurava-se a RECEITA FINANCEIRA (atualização do valor nominal do crédito) e o GANHO DJ DRJ08 SP Fl. 97 Original PROCESSO 11080.720372/2014-33 ACÓRDÃO 108-005.681 DRJ08 3 DE CAPITAL (diferença entre o valor atualizado e o montante que representa 50% do valor a ser compensado), que passavam a integrar o base de cálculo do IRPJ e CSLL.” Alegou a ora Recorrente que os débitos do processo administrativo nº 11080.720216/2014-72 estão sendo debatidos, no processo judicial nº 50627947720114047100, que tramita na 23ª VF da Justiça Federal de Porto Alegre, na qual a recorrente busca o direito de revisão de todos os débitos declarados como não compensados pela Receita Federal. Pede a suspensão do presente PAF até derradeira decisão do poder judiciário, pela evidente litispendência entre o processo administrativo e a ação declaratória. Aponta a ora Recorrente que os pedidos de restituição que buscam o reconhecimento dos créditos, que sustentam todas os Per/Dcomps apresentados pela Recorrente, foram formalizados nos meses de agosto e setembro de 2004, por meio dos processos nºs 13807.006828/2004-70 e 13807.005634/2004- 57, sob as regras da Lei nº 10522/2002 e da IN SRF nº 210/2002, e que tinham como fundamento os créditos do FNT, declarado inconstitucional, recolhidos por meio de Darf e administrado pelo Ministério das Comunicações, afirmando que o Delegado da Receita Federal negou seguimento ao pedido de restituição, em desrespeito à previsão legal (IN 210/;02, IN 460/04 e IN 600/05), e que impetrou ação declaratória de nulidade nº 0007533/38.2011.40.6100 contra este ato, que tramita na 16ª Vara Federal da Circunscrição de São Paulo. Fl. 133DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1402-001.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.720372/2014-33 Sustentou a ora Recorrente que em caso de sucesso poderia reverter todos os procedimentos de indeferimentos de compensações e pediu a suspensão do presente processo até a derradeira decisão no processo nº 0007533/38.2011.40.6100, afirmando que não existe qualquer indício ou evidência de falsidade nas declarações apresentadas pela Recorrente, defendendo a inaplicabilidade do inc. II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o qual possui sua redação dada pela Lei nº 11.051/2004, promulgada em 29/12/2004, e portanto, após os pedidos de restituição formulados pelo cedente do crédito, cujos processos 13807.006828/2004-70 e 13807.005634/2004-57, foram protocolados em agosto e setembro de 2004. Sustentou ainda a Impugnante que seria inaplicável a atual redação do inc. I do art. 44 da lei nº 9.430/96, em razão de que, da mesma forma, na época do pedido de restituição, a base legal ora apresentada como fundamento para aplicação da multa isolada, vigorava com redação diversa da atual. Afirma que não se verifica nenhuma das hipóteses para aplicação da multa, quais sejam, falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o prazo de vencimento sem o acréscimo da multa moratória e falta de declaração ou declaração inexata. Requereu a realização de diligências e perícia contábil. Às fls. 108 dos autos consta o termo de registro de mensagem de ato oficial na caixa postal DTE emitido pela unidade de origem, declarando que o destinatário (ora Recorrente) recebeu mensagem com acesso aos documentos relacionados abaixo (acordão da Impugnação) por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 23/06/2022 11:46:58 e que a data da ciência, para fins de prazos processuais, será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou, não o fazendo, o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada. Ato contínuo, às fls. 109, o unidade de origem emitiu TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO declarando que Foi dada ciência dos documentos relacionados abaixo por decurso de prazo de 15 dias ao destinatário a contar da disponibilização dos documentos através do Caixa Postal, Módulo e-CAC do Site da Receita Federal. Base legal da ciência: alínea 'a', inciso III, § 2º, do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972. Data da disponibilização no Caixa Postal: 23/06/2022 11:46:58 Data da ciência por decurso de prazo: 08/07/2022 Acórdão de Impugnação Darf - Documento de Arrecadação de Receitas Federais - 11080720372201433 DATA DE EMISSÃO : 09/07/2022. Ato contínuo, às fls. 110 consta TERMO DE PEREMPÇÃO lavrado em 05 de setembro de 2022 pela unidade de origem certificando que Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavra-se este termo de perempção na forma da legislação vigente. Esgotado o prazo da cobrança amigável, sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva (art. 21, § 3º do Decreto 70.235/1972), consequentemente, às fls. 111 consta despacho de encaminhamento do processo para cobrança. Às fls. 112 consta TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO declarando que o Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 19/09/2022 17:26h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes, acesso esse realizado ou através do sistema Processo Digital, disponível no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e-CAC), acessando a opção Consulta Comunicados/Intimações ou a opção Consulta Processos, ou através Fl. 134DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1402-001.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.720372/2014-33 do aplicativo e-Processo para dispositivos móveis acessando a aba de Documentos após realizar a Consulta do Processo. Esses documentos já se encontravam disponibilizados desde 23/06/2022 na Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico. Em 21 de setembro de 2022, a empresa Recorrente apresentou os mesmos argumentos da impugnação e, todavia, acrescentou preliminarmente que a intimação seria nula, visto que tomou ciência do recurso quando da emissão da sua CND e que a exigência foi implantada em 19/0/2021, e portanto, data em que a Recorrente tomou ciência da decisão da sua defesa administrativa em primeira instancia, proferida pela DRJ08. Alega que a intimação tácita de 15 dias após a emissão do correio eletrônico via E-CAC foi realizada de forma unilateral pela Receita Federal do Brasil, e portanto, não executou todos os meios regulares de intimação possível, em especial a manutenção da forma que as intimações estavam sendo realizadas A Recorrente alegou também a ocorrência da prescrição intercorrente porque a intimação do contribuinte via AR registrado sob o código “JL762482355BR” teria corrido em 12 de novembro de 2014 e primeiro recurso (defesa) fora protocolado em 08 de dezembro de 2014 e que referido recurso em primeira instância administrativa foi julgado em 12 de novembro de 2020, ou seja, 05 (cinco) anos e 11 (onze) meses após a sua interposição. Todavia, a intimação do contribuinte teria ocorrido somente em setembro de 2022, embora a receita federal considere para tal fim, o 15º dia após a disponibilização no domicílio eletrônico, que se deu em 23 de junho de 2022. Argumenta também a Recorrente que a multa isolada por declaração de não compensação tem caráter punitivo e possui natureza não tributária, conforme entendimento do TRF-4 em decisão em agravo de Instrumento o qual transcreveu no recurso. Não fora apresentada contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Piza Di Giovanni, Relator. Como destacado no relatório, sustentou o contribuinte preliminarmente a nulidade da intimação eletrônica em razão de que não teria autorizado a RFB a utilizar o Domicílio Tributário Eletrônico – DTE para realização de intimações fiscais. Assim, o recurso argumenta que a intimação da decisão da DRJ foi nula. Diz que tomou ciência do da decisão do recurso diante da exigibilidade do crédito tributário que impediu a emissão da sua CND. A exigência foi implantada em 19/0/2021 (sic) segundo o Recorrente, e portanto, data em que teria tomado ciência da decisão da sua defesa administrativa em primeira instancia, proferida pela DRJ08. A intimação tácita de 15 dias após a emissão do correio eletrônico via E-CAC foi realizada de forma unilateral pela Receita Federal do Brasil, e portanto, não executou todos os meios regulares de intimação possível, em especial a manutenção da forma que as intimações estavam sendo realizadas, sendo o Recurso. Argumentou que o presente PAF foi inaugurado em 2014, na forma física e as intimações ocorriam por meio de AR, no mesmo endereço da sua sede, que permanece até Fl. 135DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1402-001.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.720372/2014-33 hoje, bem como que o presente processo administrativo não contém o termo de ciência por abertura de mensagem, informação que registra a leitura da intimação enviada via domicílio eletrônico, em especial, pela inexistência da ciência de que o mesmo passou a tramitar eletronicamente, do qual o contribuinte nunca foi intimado. Primeiramente, deve ser mencionado que a Recorrente efetivamente aderiu ao DTE espontaneamente, conforme extrato do sistema DTE anexado ‘autos às fls. 112 onde consta a informação de que o contribuinte acessou o DTE APÓS o prazo de 15 dias de intimação tácita. Logo, entendo que não se faz necessário consular o respectivo Termo de Opção enviado pela Recorrente, conforme determina o § 2º do art. 4º da Portaria SRF nº 259/2006. Conforme é cediço, as formas de intimação válidas, previstas para os processos administrativos fiscais, estão estabelecidas no art. 23 do Decreto 70.235/72, sendo que as Leis 11.196/05, e Lei 12.844/13 trouxeram alterações ao artigo 23 do Decreto 70.235/72 para incluir, nas formas de intimação do contribuinte, a possibilidade de intimação eletrônica, por meio do seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE). No entanto, é certo que, nos termos do parágrafo 5º do artigo 23 do Decreto 70.235/772 e parágrafos 1º e 2º do artigo 4º da Portaria SRF 259/20063, a utilização do Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) depende de expressa autorização do contribuinte, que se dá quando este envia Termo de Opção à RFB, por meio do e-CAC. Ora, o DTE é uma opção realizada de forma espontânea, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF), e não é vinculada à utilização de qualquer aplicativo ou serviço da RFB. No entanto, conforme mencionado, a própria Recorrente acessou o DTE, todavia, também intempestivamente. Desde a referida opção, o contribuinte tem a consciência de que deve acessar a Caixa Postal Eletrônica dentro do prazo de 15 (quinze) dias para tomar ciência das suas comunicações oficiais, pois, de acordo com o inciso III do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, já transcrito pelo próprio contribuinte em seu Recurso Voluntário, dentro desse prazo de 15 dias considera-se feita a intimação. Relativamente ao instituto da intimação eletrônica, assim dispõe o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, que novamente transcrevemos (grifos nossos): “Art. 23. Far-se-á a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 136DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 1402-001.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.720372/2014-33 envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Consideras-se feita a intimação: I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III - se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844,de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Conforme acima relatado, a Recorrente recebeu mensagem com acesso aos acordão da Impugnação por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 23/06/2022, data da ciência, para fins de prazos processuais, foi o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega do documento, vez que o Recorrente não efetuou a consulta à mensagem na sua Caixa Postal dentre de referido prazo de 15 dias. Desta maneira, a Recorrente tomou ciência por meio de seu domicílio eletrônico em 08 de julho de 2022, e interpôs Recurso Voluntário em 21 de setembro de 2022. De fato, o Recurso Voluntário da Recorrente é intempestivo, eis que foi protocolado após o prazo previsto na legislação de 30 dias. Ademais, a partir do momento em que a contribuinte é incluída no Domicílio Eletrônico, está só poderá receber intimações das decisões do processo, por meio eletrônico. Sendo assim, para efeitos de prazo recursal, o artigo 23, parágrafo segundo e seus incisos I e II, do Decreto 70.235/72, determina que a data da ciência, para fins de prazos processuais, será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou, não o fazendo, o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada. A Recorrente interpôs o Recurso Voluntário em 21/09/2022, muito tempo depois de ter expirado o prazo recursal de 30 dias, que se iniciou em 08/07/2022, restando assim, intempestivo. No caso, mesmo incluindo o prazo os 15 dias da intimação tácita, o recurso foi protocolizado intempestivamente. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso somente em relação a preliminar de sua tempestividade, e na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Fl. 137DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 1402-001.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.720372/2014-33 Ricardo Piza Di Giovanni Voto vencedor Discordando do bem fundamentado voto do Ilustre Relator, passo a redigir o seguinte voto. A questão a ser apreciada é a intempestividade do recurso voluntário apresentado pela empresa autuada contra o Acórdão de impugnação de fls. 96/101. A recorrente alega que foi intimada em seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), previsto no art 23, Inciso III, do Decreto nº 70.235/72, o Decreto do Processo Administrativo Fiscal, o PAF: Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) De acordo com os autos do processo, a recorrente recebeu mensagem com acesso ao acordão de impugnação por meio de sua Caixa Postal, considerada pela administração tributária como sendo seu DTE perante a RFB, na data de 23/06/2022. A data da ciência foi considerada o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega do documento já que a Recorrente não efetuou a consulta à mensagem na sua Caixa Postal dentro do referido prazo. A data da entrega do recurso voluntário ocorreu em 21 de setembro de 2022, prazo superior, portanto, ao previsto no art 33 do PAF. Ocorre que a recorrente alega que durante todo o trâmite do processo administrativo recebia, até então, as intimações por via postal. O Ilustre Relator entende que houve adesão espontânea ao DTE, uma vez que a recorrente acessou o DTE, após o prazo de 15 dias de intimação tácita. Em que pese os bem fundamentados argumentos do Ilustre Relator, entendo de maneira diversa. Fl. 138DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 1402-001.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.720372/2014-33 O art 127 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN), define que a autoridade tributária somente pode definir o domicílio tributário do contribuinte quando este não fizer sua opção: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal: I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. Portanto na ausência de eleição pelo sujeito passivo de seu domicílio tributário, a administração tributária somente poderia considerar como tal nas formas dos incisos I a III, do art 127. Em consonância com o CTN a RFB, então Secretária da Receita Federal, publicou a Portaria SRF 259/2006 que, em seu art 4º, regulamentou a ciência eletrônica, bem como a opção do contribuinte pelo DTE: Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I - envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II - registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no e-CAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º dar-se-á mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e-CAC, sendo-lhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. § 4º Após concluída a transmissão da declaração do sujeito passivo à RFB, o aplicativo por ele utilizado para gerar a declaração exibirá o recibo de entrega e a intimação a que se refere o § 3º, bem como possibilitará sua impressão. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Observa-se que a referida Portaria, no § 1°, há a exigência da autorização expressa do contribuinte para a criação da Caixa Postal atribuída a ele pela administração tributária. Portanto, não há a possibilidade de sua aceitação tácita. De fato não constam dos autos, sua eleição pelo DTE, tampouco a recorrente foi intimada anteriormente por esta forma de intimação. Fl. 139DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 1402-001.807 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.720372/2014-33 No entanto, o fato de não ter ocorrido a intimação por meio eletrônico em outro momento processual, não comprova que esta opção não foi autorizada pela recorrente. Desta forma, entendo que o presente processo deve retornar à unidade de origem para que informe se houve, por parte da recorrente, a opção expressa, nos termos do art 127 do CTN e do art 4° da Portaria SRF 259/2006, vigente a época dos fatos, ao Domicílio Tributário Eletrônico. Sendo assim, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem informe: 1) Se a recorrente optou pelo DTE, na forma do art 4° da Portaria SRF 259/2006, vigente a época dos fatos. 2) Em caso positivo, a data de sua opção. Após o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Alexandre Iabrudi Catunda - Redator designado Fl. 140DF CARF MF Original
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