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Numero do processo: 16682.903062/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS.
Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes.
IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA.
Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida.
A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituir-se ou compensar o indébito tributário da retenção.
Numero da decisão: 1201-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA. Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituir-se ou compensar o indébito tributário da retenção.
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Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de pagamento indevido ou a maior apurado em 29/10/2010 relativo à COSIRF, relativo ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. IRPJ. CSLL. PIS E COFINS. RETENÇÃO INDEVIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. FONTE PAGADORA. POSSIBILIDADE. ANALOGIA ART. 166 CTN. NECESSIDADE DE PROVA. Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. A ausência da prova do reembolso efetivo prejudica o direito da fonte pagadora restituirse ou compensar o indébito tributário da retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a homologação parcial da DCOMP, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 30 62 /2 01 2- 25 Fl. 174DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 127/133) interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG (fls. 118/121) que manteve a homologação parcial da DCOMP nº 22174.20323.310111.1.3.04 2479, conforme Despacho Decisório de fl. 114. O crédito trazido na DCOMP (fls. 100/109) teria origem em Retenção na Fonte de Tributos/Contribuições incidentes sobre Pagamentos Efetuados por Órgãos Públicos (abrangendo IRPJ, CSLL, PIS E COFINS código 6190), efetuada indevidamente em outubro de 2010, visando compensação com débito da mesma natureza, vencido em agosto de 2011. O referido crédito teria origem em retenção irregular contra o fornecedores LOCBAN LOCAÇÃO DE BANHEIROS ESPECIAIS e GALVÃO ENGENHARIA S/A no valor total de R$ 285.754,07 referente as notas fiscais nos valores de R$ 3.000,00 e R$ 7.929.737,94, respectivamente. Após a constatação das irregularidades, a PETROBRÁS teria efetuado a devolução e providenciado a "declaração de não compensação de tributos federais" com o fornecedor, conforme o documento anexado às fls. 91 e 94. Às fls. 03/09, foi apresentada a Manifestação de Inconformidade, na qual a ora Recorrente aduz, preliminarmente, que o alegado crédito tem respaldo em pagamento indevido ou a maior consubstanciado no DARF nº 52502769528 e foi espelhado em duas DCOMP's: 22174.20323.310111.1.3.042479 (objeto do presente processo e a 20256.14806.310811.1.3.049856 (objeto do processo nº 16682.903082/201204). Explica que desse valor pago no DARF acima (R$ 123.757.112,06), é certo que a PETROBRÁS tem direito a um crédito comprovado que soma R$ 359.698,20, em virtude de recolhimentos indevidos para os cofres públicos. Esse crédito, segundo a contribuinte, foi dividido em duas DCOMPs e detalha a composição do crédito: DCOMP 22174.20323.310111.1.3.042479: R$ 285.754,07 DCOMP 20256.14806.310811.1.3.049856: R$ 73.944,13 As razões dos recolhimentos indevidos, como foi dito acima, advém de retenções que a PETROBRÁS efetuou de seus fornecedores. Segundo a ora recorrente, tudo que defende está devidamente documentado da seguinte forma: Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16682.903062/201225 Acórdão n.º 1201002.138 S1C2T1 Fl. 175 3 Fl. 176DF CARF MF 4 Em seguida, foi proferido pela DRJ de Juiz de Fora/MG o Acórdão recorrido (fls. 118/121), mantendo a homologação parcial da DCOMP, por não entender juridicamente possível a repetição ou compensação pela fonte pagadora, independentemente da comprovação de ter arcado com o ônus financeiro: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 RETENÇÃO INDEVIDA. RESTITUIÇÃO. O sujeito passivo da relação jurídicotributária, nos casos de retenção de tributos na fonte, é a recebedora dos rendimentos. A pessoa jurídica legalmente obrigada a proceder à retenção de tais valores é mera responsável por essa retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Ausente a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, inexiste o direito desta última a ter restituídos eventuais valores retidos a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido VOTO A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. Tratase o presente pleito de utilização de suposto pagamento indevido, ou maior que o devido, para a compensação de débitos de titularidade do contribuinte e por ele confessados em DCTF. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16682.903062/201225 Acórdão n.º 1201002.138 S1C2T1 Fl. 176 5 A análise a ser levada a cabo pela autoridade fiscal neste caso fica limitada a verificar se o pagamento indicado como lastro da compensação encontrase nos sistemas de controle da RFB e em que medida foi utilizado para a quitação de débito confessado pelo próprio contribuinte em sua DCTF. A verificação é bastante simples, sendo também muito simples a solução a ser dada ao requerimento: havendo pagamento indevido ou maior que o devido deferese o pleito, caso contrário indeferese. O suporte legal da restituição é o artigo 165 do CTN e o da compensação são os artigos 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96. O citado artigo 165 aponta as situações em que são considerados indevidos os pagamentos. Tais situações estão reunidas em três incisos, conforme se observa a seguir: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória (grifos acrescidos).” Para solução do presente caso interessanos exclusivamente a previsão expressa e clara contida no caput: “O sujeito passivo tem direito”. É simples: se o requerente não figura como sujeito passivo da relação jurídicotributária não há se falar em direito à restituição daquilo que foi recolhido a maior (ou indevidamente recolhido), mesmo que o real sujeito passivo tenha convencionado particularmente com o requerente que não exerceria seu direito frente ao fisco. Os valores recolhidos pela requerente aos cofres públicos foram objeto de retenção relativa a tributos diversos que deveriam incidir sobre os recebimentos referemse a prestação de serviços onde a requerente figura como cliente da prestadora. Naturalmente, o sujeito passivo da relação jurídicotributária nesses casos é a recebedora dos rendimentos, sendo a requerente mera responsável pela retenção e pelo repasse dos respectivos valores à fazenda pública. Assim, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. Fl. 178DF CARF MF 6 O fato de a requerente ter devolvido à prestadora de serviço os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer os valores indevidamente retidos. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Nem mesmo a retificação da DCTF do período em análise, realizada em data posterior à ciência do Despacho Decisório combatido, é capaz de lhe socorrer, já que foi preenchida em desacordo com os documentos fiscais que deveriam lhe dar suporte pois a própria defendente afirma que realizou as retenções mencionadas e que tais valores já foram repassados ao Fisco. Na verdade a defendente vem fazer uma retificação indevida da sua DCTF, inserindo dados que não correspondem à realidade, com a intenção clara de dar um ar de regularidade àquilo que sabe ser irregular, como já mencionamos acima. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, mantendose a não homologação da compensação pleiteada. Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 127/133), ora sob apreço, requerendo, preliminarmente, que este processo seja apensado ao processo nº 16682.903082/201204, para que seja feita a análise conjunta dos pedidos, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. No mérito, traz as mesmas alegações de seu primeiro apelo, acrescentando que o despacho decisório e o acórdão da DRJ, se valem de argumentos falhos, absolutamente destoantes do que dispõe a legislação aplicável à espécie, visto que restringiram sua negativa sob o entendimento de que a recorrente não ostentaria legitimidade para pleitear o indébito proveniente das retenções por ela realizadas na fonte quando do pagamento dos seus fornecedores de bens e serviços, quando em verdade o disposto na IN RFB 1.300/2012, em seu artigo 8º, abaixo transcrito, confere o devido respaldo legal para o procedimento adotado pela fonte retentora. Art. 8º. O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. Não há juntada de novas provas. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16682.903062/201225 Acórdão n.º 1201002.138 S1C2T1 Fl. 177 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Preliminarmente, requer a tramitação deste processo em conjunto com o Processo Administrativo Fiscal nº 16682.903082/201204, de modo a evitar decisões conflitantes, uma vez que os mesmos decorrem da mesma competência e são complementares. De fato, ambos os processos tratam de PER/DCOMP cujo crédito tem como origem o pagamento indevido ou a maior de COSIRF (código de receita: 6190) do período de apuração da 2ª quinzena de outubro de 2010. A norma atual que disciplina a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é a Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. (Grifamos) O procedimento de apensação implica em que ambos processos receberão julgamentos em Acórdãos distintos, porém concomitantes, a fim de evitar duplicidade ou decisões conflitantes. No caso, os processos em questão não se encontram apensados, porém, nada obsta que o julgamento se processe como se o fossem. Assim será realizado. O Acórdão recorrido se fundamenta no art. 165 do CTN e adotou interpretação na qual, de plano, não haveria como a Recorrente ser titular do direito pleiteado, deixando de se conhecer das provas por consequência. Fl. 180DF CARF MF 8 Como se observa dos autos e do relatório, o objeto contencioso do presente processo é a existência do crédito estampado na DCOMP apresentada e a titularidade deste, vez que seria fruto de retenção no pagamento a outrem. Por se tratar de crédito oriundo de retenção na fonte, cujo o contribuinte ordinário, original, é um terceiro, a legitimidade da Recorrente para promover a compensação é matéria prejudicial à verificação precisa e quantitativa do crédito. Nesse sentido, cabe ressaltar que o Despacho Decisório não afastou a possibilidade jurídica da Recorrente ser o titular do crédito que pretendia usar na compensação declarada. A não homologação da DCOMP, inicialmente, deuse pela ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito, uma vez que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de primeira instância, cujo voto condutor encontra se transcrito no relatório deste Acórdão, adotou posicionamento mais estrito, afirmando que, uma vez feita a retenção e realizado o recolhimento surge para a recebedora dos rendimentos, no caso de retenção indevida, o direito de pleitear junto ao fisco a devolução daquele ônus que suportou indevidamente. O fato de a requerente ter devolvido à sua fornecedora os valores que entende terem sido indevidamente retidos (o fez por liberalidade sua) não lhe transfere o direito de requerer junto ao fisco esses mesmos valores. Não existe, no direito público, dispositivo legal que ampare tal pretensão. Invoca o art. 165 do CTN, norma geral que trata da restituição aplicável aos tributos diretos, apontando que, nos termos literais de seu caput, o legislador permitiu apenas ao sujeito passivo a restituição tributária, dizendo que não haveria norma de Direito Público que validasse a manobra pretendida pela Recorrente. Entendo que não assiste razão a decisão de piso em tal fundamentação. O Acórdão nº 1402002.332, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 05 de outubro de 2016, analisando caso semelhante, chegou a seguinte conclusão: "Constatada a retenção indevida, por analogia ao art. 166 do CTN e nos termos dos normativos internos da RFB, o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) pode postular a restituição ou compensação do indébito, desde que prove ter assumido o ônus financeiro do tributo, mediante a exibição de comprovante de reembolso ao beneficiário da quantia retida. " Por comungar do mesmo entendimento esposado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, trago a colação excertos do voto condutor que justifica aquele entendimento: A própria D. Administração Tributária Federal, em expressa aplicação analógica do art. 166 do CTN, reconhece a possibilidade de a fonte pagadora que efetuou retenção indevida se revestir de titular do crédito oriundo de tal equivoco. Confira se a Solução de Consulta COSIT nº 22, de 6 de novembro de 2013: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA RETENÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS NA FONTE. PESSOA LEGITIMADA A PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. Na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16682.903062/201225 Acórdão n.º 1201002.138 S1C2T1 Fl. 178 9 Pode a fonte pagadora pedir a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observada a disciplina própria. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), arts. 121 e 165, I; Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 2012, arts. 3º, § 12, e 8º; Pareceres Normativos SRF nº 313, de 1971, e nº 258, de1974. (...) 3.1. O sujeito passivo a que se refere esse dispositivo, de acordo com o art. 121, parágrafo único, do CTN, pode ser o contribuinte (aquele que diretamente se enquadra na situação descrita como fato gerador do tributo) ou o responsável – pessoa obrigada a satisfazer a obrigação tributária, mas cuja relação com o fato gerador é apenas indireta, a exemplo da fonte pagadora obrigada à retenção na fonte de tributos. 4. Na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, a exemplo do Parecer Normativo CST nº 313, de 6 de maio de 1971 (publicado no Diário Oficial da União DOU de 01.07.1971), e do Parecer Normativo CST nº 258, de 30 de dezembro de 1974 (publicado no DOU de 24.01.1975). 5. A par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. 5.1. Atualmente, os procedimentos para que o “sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB” pleiteie a restituição do indébito estão disciplinados no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, assim escrito (sublinhouse): Seção II Da Restituição da Retenção Indevida ou a Maior Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. Fl. 182DF CARF MF 10 §1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 41. (...) Conclusão 7. Ante o exposto, respondese à consulente que, na hipótese de retenção indevida de tributos na fonte, cabe ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito. Não obstante, pode a fonte pagadora pleitear a restituição, desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário, observados os procedimentos do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Ainda que não fosse vigente à data da apresentação da DCOMP tal Instrução Normativa nº 1.300/2012 em se fundamenta a resposta fazendária, a própria Solução de Consulta relata que a prática é muito aceita pela Fiscalização, bem como a Instrução Normativa nº 900/2008, que precedeu aquele normativo que balizou o posicionamento da COSIT, já possuía previsão juridicamente idêntica acerca da compensação de tributos retidos na fonte, pelo próprio responsável. A analogia ao art. 166 do CTN para a restituição/compensação de tributos retidos indevidamente pela fonte pagadora é muito correta, principalmente por ser norma de cunho procedimental em relação ao direito dos contribuintes à restituição de tributos, mostrandose imbuída de total razoabilidade e pertinência prática, permitindo aos particulares envolvidos adotarem o procedimento financeiro e contábil que lhes mais convier. Inclusive, à época da edição do Código Tributário Nacional, a retenção na fonte não era uma técnica arrecadatória tão popular e presente como se observa hoje. Esta necessária verificação de contexto históriconormativo endossa a extensão do procedimento previsto e exigido no art. 166 do CTN, revelando se um instrumento que serve à praticabilidade tributária, na medida em que, como meio de integração da legislação tributária, permite suprir as lacunas do ordenamento, que poderiam causar dificuldades tanto no exercício de direitos pelo Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16682.903062/201225 Acórdão n.º 1201002.138 S1C2T1 Fl. 179 11 contribuinte quanto na fiscalização e arrecadação dos tributos, como leciona Regina Helena Costa1 sobre o uso de analogia na adoção de normas e regras procedimentais. Posto isso, superado o argumento jurídico do v. Acórdão, cabe agora verificar a presença dos requisitos para o gozo dessa prerrogativa, previstos no art. 166 do CTN, na IN 900/2008 e esclarecidos na Solução de Consulta COSIT nº 22/2013. Claramente, o primeiro e maior pressuposto é a prova de que teria, então, a Recorrente arcado efetivamente com o encargo financeiro do tributo retido. Frisese que o art. 8 da IN nº 900/2008 expressamente arrola devolução da quantia ao beneficiário como requisito. É certo que, uma vez destacado o valor do tributo diretamente do pagamento, a devolução mostrase imperiosa, até para fins de fluxo financeiro, vez que, se indevida, faz parte da receita do beneficiário. No Recurso Voluntário, como único documento que comprovaria a devolução integral dos tributos retidos indevidamente, a Recorrente cita a "Declaração de não compensação de tributos federais" (fls. 91 e 94), assinada pelo Sócio Diretor da LOCBAN e pelo procurador da Galvão Engenharia S/A, beneficiários dos pagamentos, afirmando que a empresa não se creditou e não se creditará dos tributos retidos no valor total de R$ 3.000,00 (LOCBAN) e R$ 285.470,57 (Galvão). Em suas razões, estaria aí a prova do direito ao crédito. Fl. 184DF CARF MF 12 Ocorre que não existe qualquer prova do efetivo reembolso à empresa UTC Engenharia S/a do valor indevidamente retido nos pagamentos. Nenhum documento dos autos exprime a transferência de numerário ou de crédito, comprovando a devolução exigida pelos normativos autorizadores desta manobra excepcional. Desse modo, uma vez ausente a prova do requisito primordial que daria à Recorrente a titularidade do suposto crédito expresso na DCOMP, não se pode validar a compensação pretendida. Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a homologação parcial da DCOMP em questão, conforme despacho decisório. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.002065/2010-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995
RESSARCIMENTO. PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA.
Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originarem. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação tributária, não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-006.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA. Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originarem. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação tributária, não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 20 65 /2 01 0- 22 Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10930.002065/201022 Acórdão n.º 9303006.519 CSRFT3 Fl. 1.469 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 1.278 a 1.311), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra Acórdão 3402002.701, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 1.258 a 1.276), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. PEDIDO ANTERIOR. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. O requerimento formulado pela pessoa jurídica em sede de pedido de ressarcimento anterior, suspende o prazo de prescrição durante o tempo que a Administração demorar para decidir o pleito, nos termos do art. 4°, do Decreto n° 20.910/32. CREDITO PRESUMIDO DE IPI. DIREITO JÁ PARCIALMENTE RECONHECIDO PELA ANÁLISE FISCAL. MANUTENÇÃO. Em sendo mencionado pela própria Autoridade que analisou o pedido de ressarcimento o reconhecimento parcial da procedência de valores, é de se manter o entendimento mencionado, pois que superada a questão da prescrição antes imposta. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96, PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS. SIMPLES REVENDA. DESCABIMENTO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não industrializados pela beneficiária deve ser excluído no cálculo do incentivo, pois que não atendidos dos requisitos do artigo 1° da Lei 9.363/96. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. PRECEDENTES DO STJ. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RI CARF. A partir do julgamento, pelo STJ, do REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos Recursos Repetitivos (CPC, art. 543C), foi firmado entendimento no sentido de que é devida a atualização pela SELIC dos créditos objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, por resistência ilegítima da Administração, ainda que seja decorrente da demora na análise do respectivo processo administrativo. Direito a atualização do crédito ressarciendo Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10930.002065/201022 Acórdão n.º 9303006.519 CSRFT3 Fl. 1.470 3 desde o protocolo do pedido até o efetivo aproveitamento, via restituição ou compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.313 a 1.318), a PGFN defende ( i ) que estaria prescrito o direito a novo Pedido de Ressarcimento do Crédito Presumido de IPI, na forma da legislação, feito após a negativa do “original”, que não a observou, ao final de longo trâmite administrativo, e ( ii ) que a Taxa Selic (isto se referindo ao “novo” pedido) só incidiria após a ciência do Despacho Decisório denegatório, ou, em caráter secundário, após 360 dias do protocolo. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 1.353 a 1.363), ( i ) pugnado pelo não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, pois não teria sido feito o devido cotejo analítico, no caso da prescrição, e que havia sido contrariada jurisprudência vinculante do STJ, no que se refere à Selic; ( ii ) rebatendo a alegação de prescrição para a apresentação do novo pedido pela filial, com fulcro no art. 4º do Decreto nº 20.910/32 e ( iii ) defendendo a atualização pela Taxa Selic, desde o protocolo. Antes dessas Contrarrazões, o contribuinte já havia apresentado Recurso Especial de Divergência (fls. 1.326 a 1.337), tratando somente da Taxa Selic, pugnando pelo seu reconhecimento desde o protocolo do pedido original feito pela matriz. Ao seu recurso foi negado seguimento, em Exame (fls. 1.367 a 1.372) e Reexame (fls. 1.373 e 1.374) de Admissibilidade. Contra estas negativas, o contribuinte interpôs Agravo (fls. 1.398 a 1.408), o qual não foi conhecido (fls. 1.418 e 1.419), decisão contra a qual opôs de Embargos de Declaração (fls. 1.429 a 1.437), que foram rejeitados (fls. 1.446 a 1.448). Em nenhum momento, se discute a não admissibilidade, no cálculo do Crédito Presumido, da exportação de produtos não industrializados pela beneficiária. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator No seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional, ao contrário do que diz o contribuinte, não se apega simplesmente à ementa do acórdão recorrido, não por não ser clara em relação à prescrição qüinqüenal prevista no art. 1º do Decreto nº 20.910/32, mas pelo fato de que ela deixa implícita a discussão aqui travada, mesmo que efetivamente trate dela, quando se diz, no dispositivo, que “Acordam os membros do colegiado, ... Por unanimidade de votos, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso em relação à tese de inexistência de prescrição em face do pedido de restituição do estabelecimento matriz”. Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10930.002065/201022 Acórdão n.º 9303006.519 CSRFT3 Fl. 1.471 4 A situação fática é idêntica ?? Não. No acórdão recorrido o pedido inicial foi feito pela matriz, quando o correto seria pela filial, e, no Acórdão paradigma, o primeiro foi da filial, quando deveria ter sido feito pela matriz. Mas isto pouco importa. O que está em discussão não é se o primeiro pedido foi feito pela matriz ou pela filial, se o primeiro trâmite administrativo já tinha transitado em julgado ou ainda estava em curso, seja com uma, duas negativas, quantas forem. A questão é se um segundo pedido, feito em razão de que o primeiro tenha sofrido uma decisão denegatória qualquer, é atingido ou não pela prescrição qüinqüenal, ou se esta ficaria suspensa durante o desenrolar do contencioso em relação ao primeiro (o paradigma poderia até tratar de PIS/Cofins ou de outro tributo qualquer). E a PGFN fez, sim, o cotejo analítico, primeiro transcrevendo excerto do Voto Condutor do paradigma (fls. 1.288), onde é dito que “Não assiste razão à recorrente ao invocar a suspensão/interrupção do prazo prescricional com fulcro no art. 4° do Decreto n° 20.910/32 uma vez se trata de um novo pedido de ressarcimento ...”. Continua este cotejo (fls. 1.291), argumentando o mesmo aqui já colocado, ou seja, que pouco importa se o primeiro pedido deveria ter sido feito pela matriz ou pela filial, mas sim o dissídio jurisprudencial em relação à interrupção da prescrição. No caso da Selic, os paradigmas trazidos pela PGFN não estão a contrariar jurisprudência vinculante do STJ, tanto é que a citam. A verdade é que não existe uma definição de qual seria o prazo inicial da contagem: desde o protocolo do pedido, desde a ciência do ato denegatório ou a partir de 360 dias. Respeitadas as demais formalidades, conheço então do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Quanto ao Mérito, entendo que se faz necessário fazer um breve detalhamento de todo o trâmite dos pedidos feitos pela matriz (mesmo que a lide dele propriamente não trate) e, posteriormente, pela filial, para bem situar esta colenda Turma sobre aqui se discute: 1) Em 26/05/1998, foi protocolado Pedido de Ressarcimento do Crédito Presumido do IPI na exportação, pela matriz (fls. 1.102 e 1.103, fundamentado às fls. 003 a 007), relativo aos períodos de apuração 1995, 1996 e 1997 (1º a 4º trimestres), sob o nº de Protocolo 13811.000874/9879, no valor de R$ 10.700.021,60. 2) O Pedido foi Indeferido, via Despacho Decisório da DRF/São Paulo (fls. 1.120 a 1.123), do qual o contribuinte foi cientificado pessoalmente em 15/02/2000, sendo, no que nos interessa, o indeferimento relativo ao ano de 1995, foi em razão de que o pedido não poderia ter sido efetuado de forma centralizada, pela matriz, o que só passou a ser permitido a partir de 1996 (não adentrarei em detalhes da legislação, apesar de delineada em sua completude nos fundamentos da decisão, pois em nada contribuiria para a solução lide). 3) Irresignado, o contribuinte utilizouse de todos os remédios recursais possíveis na esfera administrativa, sem sucesso, tendo sido cientificado da última decisão denegatória, da CSRF (fls. 1.203 3e 1.204) em 28/06/2009. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10930.002065/201022 Acórdão n.º 9303006.519 CSRFT3 Fl. 1.472 5 4) Após o encerramento de todo este trâmite processual, entrou com novo Pedido de Ressarcimento, em 28/08/2009 (fls. 044), sob o nº de Protocolo aqui utilizado (10930.002065/201022) somente relativo a 1995 e de forma descentralizada, pela filial 0044, no valor de R$ 17.422.386,39 (R$ 4.878.341,83 mais Taxa Selic, requerendo ainda que fosse atualizado até a data do efetivo ressarcimento), alegando, nos seus fundamentos (fls. 003), que, como ficou ciente da decisão última somente em 28/06/2009, esta seria “a data a partir da qual iniciase a contagem do prazo a quo, para fins de prescrição qüinqüenal” e “Logo, não há que se falar em prescrição”. 5) O Pedido foi objeto de Fiscalização, pela DRF/Londrina (Unidade jurisdicionante do estabelecimento), sendo que, durante o procedimento (vide Informação Fiscal às fls. 982 a 991) foi constatado que haveria um crédito a ser ressarcido no valor de R$ 1.688.420,84, não estivesse prescrito o direito de pleiteálo, pelo que o indeferimento foi integral, conforme Despacho Decisório às fls. 1.024, também com fundamento no Parecer SAORT/DRF/LON nº 143/2014 (fls. 1.020 a 1.023). 6) A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 1.027 a 1.048), que foi objeto de julgamento pela DRJ/Ribeirão Preto (fls. 1.208 a 1.218), sendo que transcrevo o trecho da Ementa que trata da prescrição: PRESCRIÇÃO – DECRETO 20.910/32. A apresentação de novo pedido de ressarcimento de crédito presumido, após indeferimento do inicialmente apresentado, configura a prescrição, se efetuada fora do prazo qüinqüenal, notadamente, se tal fato se opera por escolha exclusiva do Interessado. 7) Contra esta decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1.225 a 1.153), que foi julgado nos termos já vistos do Acórdão recorrido, que não reconheceu a prescrição e, assim, ao menos o direito creditório “materialmente” apurado pela Fiscalização. O cerne de toda a discussão aqui não é propriamente o prazo prescricional para a apresentação de Pedidos de Ressarcimento, que, ninguém discute, é o estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. O caso concreto é bastante sui generis. Como já visto, o contribuinte apresentou, em 26/05/1998, um Pedido de Ressarcimento do Crédito Presumido do IPI englobando os anos de 1995, 1996 e 1997, de forma centralizada, pela matriz. Em razão de que, para o ano de 1995, a legislação previa que os pedidos só poderiam ser feitos de forma descentralizada, pelo estabelecimento filial produtor exportador, o pleito foi indeferido, tendo sido a interessada cientificada da decisão denegatória em 15/02/2000, ou seja, menos de dois anos depois, havendo ainda prazo mais que razoável para entrar com um novo pedido, pois longe de haver transcorrido o lustro fatal. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10930.002065/201022 Acórdão n.º 9303006.519 CSRFT3 Fl. 1.473 6 Ao invés disto, optou o contribuinte por contestar o indeferimento em todas as instâncias administrativas, até a CSRF, de cuja decisão irrecorrível foi cientificado em 28/06/2009. Entendendo que o prazo prescricional estava suspenso durante todo este trâmite, ingressou com um novo Pedido de Ressarcimento, agora de forma descentralizada, pela filial, no valor original de R$ 4.878.386,39 – que, almejava, fosse , realidade, de mais de R$ 17 milhões, pois entendia que deveria ser corrigido pela Selic (ainda pleiteando que o ainda fosse até o efetivo ressarcimento) Conforme apurado pela Fiscalização, ele teria direito a um crédito de R$ 1.688.420,84, isto se não tivesse se configurado a prescrição, pelo que nada foi efetivamente reconhecido pela autoridade competente, e contra isto é que ele se insurge neste Processo. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 990) está muito bem colocado, que o que o contribuinte, com este entendimento defendia, era “A prescrição eterna” (fls. 990), ou seja, que toda vez que um pedido fosse negado, e ele recorresse e perdesse, poderia fazer outro de outra forma, e, se também fosse negado e novamente recorresse, e novamente perdesse, poderia fazer mais outro, isto quantas vezes quisesse, o que, por óbvio, é absolutamente inadmissível, pois, se admitido, qualquer um poderia fazer o que bem entendesse, relegando a legislação tributária a uma mera “sugestão”. Apegase o contribuinte a outro artigo do mesmo Decreto 20.910/32, que reza o seguinte: Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. À primeira vista, isto lhe daria razão. Mas não é assim. Já no Termo de Informação Fiscal (fls. 991) é trazida uma argumentação em contrário bastante interessante, que é a de que o disposto só se aplicaria se a inércia não fosse causada por ele. Socorrome também do que diz o Relator no Voto do julgamento de 1º instância (fls. 1.213): “Contudo, tal dispositivo não se aplica ao presente caso, pois não estamos frente a uma dívida líquida, pois depende de apuração”. A PGFN, em seu Recurso Especial, também trata da questão de forma mais que cristalina, ao dizer o seguinte : “Cabe acrescer, em atenção ao dissenso em relação ao disposto no art. 4º do Decreto nº 20.910/32 que o dispositivo citado estabelece uma proteção ao direito do credor da Fazenda Pública pela inércia de seus agentes, colocando a salvo seus Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 10930.002065/201022 Acórdão n.º 9303006.519 CSRFT3 Fl. 1.474 7 interesses desde o protocolo de seu requerimento. Contudo, no caso, não ficou evidenciada essa premissa. Foi o próprio interessado que não apresentou o pedido na forma exigida pela legislação vigente à época. Não houve aí qualquer participação da Administração Tributária no erro cometido na apresentação do pedido. Dormientibus non succurrit jus. O direito não ajuda aos que dormem ou negligenciam em seu uso ou defesa. De toda forma, o dispositivo alude, alinhado à sua diretriz, ao fato de que a suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor. Aqui mais uma vez evidenciase a inaplicabilidade da norma. O pedido originário não foi realizado e protocolizado por quem deveria sêlo. Logo, não preenchidos os pressupostos para a aplicação do disposto no art. 4º do Decreto n. 20.910/32, o que deixa claro que não é norma direcionada a proteger aquele que, negligentemente, não apresenta seu pedido de ressarcimento no modo oportuno dentro do prazo prescricional. Visa essa norma ao revés proteger os contribuintes diligentes que não podem sofrer conseqüências nefastas em razão da demora imputável exclusivamente à Administração Tributária na análise do mérito do próprio pedido”. Darei um exemplo simples: Eu tenho um direito líquido e certo contra a Administração Pública, de R$ 100.000,00. Entro com o requerimento (seja lá que tipo é exigido). Se os “burocratas” levarem dois, cinco, dez, ou quinze anos para processálo e fazer valer meu direito, isto pouco importa. Eu não dei causa a isto. Meu direito ao recebimento de uma dívida líquida não prescreve (já, o prazo para eu fazer o requerimento, este depende de uma iniciativa minha, e aí estou, sim, sujeito à prescrição e, ainda, da forma correta: se não o fizer, a prescrição obviamente não se interrompe, até que eu o faça). Para arrematar a questão, traz a PGFN ainda o art. 5º do mesmo Decreto nº 20.910/32, dizendo, que “Ao caso, deveria ter sido aplicado ..., cuja teleologia é orientada no sentido de não ocorre a suspensão da prescrição qualquer demora imputável ao próprio contribuinte interessado, moldura na qual se enquadra o caso ora discutido”: Art. 5º Não tem efeito de suspender a prescrição a demora do titular do direito ou do crédito ou do seu representante em prestar os esclarecimentos que lhe forem reclamados ou o fato de não promover o andamento do feito judicial ou do processo administrativo durante os prazos respectivamente estabelecidos para extinção do seu direito à ação ou reclamação. Configurada a ocorrência da prescrição, afastase o reconhecimento a qualquer direito creditório, ainda que, “materialmente” ele tenha, em parte sido reconhecido pela Fiscalização. No que tange à atualização pela Taxa Selic, totalmente dezarrazoado estender esta discussão para o primeiro pedido, pelo simples fato de que ele foi indeferido, em decisão administrativa final. Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10930.002065/201022 Acórdão n.º 9303006.519 CSRFT3 Fl. 1.475 8 No que se refere ao segundo, efetivamente sob análise, abraçada a tese da prescrição, obviamente nada há que se discutir a respeito. Todavia, caso eu reste vencido, defendo – como já decidido por várias vezes por esta Turma, mesmo que de forma não unânime – que o prazo inicial de contagem se dê 360 dias após a protocolização do (segundo) pedido, quando efetivamente se caracterizaria a oposição estatal ilegítima. À vista do exposto, voto por dar provimento ao interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1475DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722256/2017-06
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente JERUSA ANDRADE MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 22 56 /2 01 7- 06 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10580.722256/201706 Acórdão n.º 2002000.082 S2C0T2 Fl. 104 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas (fls.10/11). A contribuinte apresentou impugnação (fls.3/16), indicando a juntada de documentação comprobatória das despesas glosadas. Argumenta ser absurdo pretender que a contribuinte pague todos seus compromissos com cheques, além de representar um cerceamento ao seu direito de escolha. Ressalta ser de conhecimento geral que a forma menos usual de pagamento nos dias de hoje é o efetuado por meio de cheques bancários. Argumenta que os recibos emitidos pelos profissionais comprovam o efetivo pagamento dessas despesas. Destaca que as declarações juntadas decorrem de ato exclusivo do contribuinte, visando sanear de uma vez por todas quaisquer dúvidas que possam pairar sobre sua conduta. Alega que a Receita Federal do Brasil não possui capacidade jurídica para afirmar que ela não adimpliu com sua obrigação de pagar. Aduz que somente seus credores poderiam argumentar falta de pagamento. No entanto, estes reiteradamente estão confirmando seus recebimentos. Sustenta que o entendimento unilateral de que esses pagamentos deveriam estar relacionados a cheques emitidos é absurdo e não deve prosperar. Requer, caso seu direito não seja reconhecido, que lhe sejam indicadas as irregularidades nas comprovações juntadas por ela. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) negou provimento à Impugnação (fls. 60/66). Cientificada dessa decisão em 12/7/2017 (fl.69), a contribuinte interpôs, em 9/8/2017 (fl.73), Recurso Voluntário (fls. 73/100), no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Inicia seu recurso elaborando breve resumo dos fatos e indicando as despesas médicas glosadas. Aponta que a DRJ/Juiz de Fora negou provimento a sua impugnação, seguindo o entendimento da autoridade revisora e consignando que restaram dúvidas acerca do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Reproduz trechos da decisão de piso. Aponta que a Lei nº 9.250, de 1995, estabelece que os pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames, restringemse a pagamentos especificados e comprovados. Diz Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10580.722256/201706 Acórdão n.º 2002000.082 S2C0T2 Fl. 105 3 que a referida lei não especifica quais documentos seriam provas idôneas acerca da despesa declarada, o que comportaria certo subjetivismo. Entende que, no caso, o instrumento hábil é o recibo, documento escrito através do qual uma pessoa, física ou jurídica, declara ter recebido de outrem o que nele estiver especificado. Acrescenta que se trata de documento particular, como salientado pela decisão de piso, já que retrata a relação jurídica estabelecida entre particulares: pessoa física tomadora do serviço médico e o prestador do serviço médico. Argumenta que exigir que o recibo apresentado tivesse natureza diversa é o mesmo que determinar que o Poder Público tenha de ratificar/homologar o conteúdo especificado nos instrumentos particulares, o que, na sua opinião, é inconcebível. Questiona qual outra prova deve ser exigida do contribuinte, senão os recibos emitidos pelos profissionais. Ao longo do seu recurso, reproduz ementas de decisões judiciais acerca do tema. Argumenta que esse também é o posicionamento firmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reproduzindo ementa de julgado administrativo. Aduz que não há dúvidas acerca da necessidade de reconhecimento dos recibos e declarações entregues como instrumentos aptos a comprovarem as despesas declaradas. Aponta ainda que o relator da decisão de piso exige a existência de saques nos exatos valores e na data exata em que realizado o pagamento aos prestadores de saúde, o que não é a realidade de nenhum contribuinte. Afirma ser óbvio que as pessoas físicas não realizam saques separados para pagamento de cada uma de suas despesas, somando os valores devidos e efetuando apenas um saque na conta bancária. Explica que realizava saques em valores suficientes para o pagamento de despesas diversas e, em função disso, não se identificará saque no valor exato do valor pago a cada profissional. Argumenta que o Fisco não pode presumir infração à lei tributária, quando o contribuinte de fato comprovou a realização das despesas médicas. Reconhece que há, na hipótese em questão, clara inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte, uma vez fiscalizado, comprovar as despesas declaradas em sua declaração de ajuste. Mas alega que se o contribuinte logrou comprovar as despesas realizadas não deve ser outro o posicionamento do Fisco senão o restabelecimento dos valores glosados indevidamente. Aduz que não é possível ao Fisco negar o benefício apenas por entender que os recibos ou documentos apresentados, embora dotados de conteúdo formal suficiente, não eram idôneos para os fins colimados, até mesmo porque, na sua visão, a própria legislação é silente no que se refere às espécies de documentos que devem ou não ser aceitas. Repisa que inexiste na Lei nº 9.250, de 1995, previsão para exigência de comprovante de efetivo desembolso dos valores, sem qualquer motivo para tanto. Aduz que há Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10580.722256/201706 Acórdão n.º 2002000.082 S2C0T2 Fl. 106 4 clara presunção de falsidade dos comprovantes e máfé da contribuinte, o que contraria o ordenamento pátrio, que prestigia a presunção de boafé. Informa que fez o possível para comprovar as despesas realizadas e apresentou toda a documentação exigida pelo Fisco no curso da ação fiscal, bem como por ocasião de sua impugnação. Ressalta que os documentos juntados preenchem os requisitos exigidos pela legislação e são admitidos como prova dos pagamentos realizados. Defende que sua boafé é clara, inexistindo qualquer indício da existência de fraude ou causa que justifique a postura adotada pela autoridade administrativa, de presumir como inidôneos os documentos apresentados. Invoca o princípio da economia processual para defender o restabelecimento das deduções declaradas, de forma a evitar que a contribuinte recorra ao Poder Judiciário para ter declarado o seu direito às deduções realizadas, respaldadas na documentação comprobatória juntada. Ao final, requer o acolhimento e provimento do seu recurso. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.68). É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10580.722256/201706 Acórdão n.º 2002000.082 S2C0T2 Fl. 107 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probatório absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10580.722256/201706 Acórdão n.º 2002000.082 S2C0T2 Fl. 108 6 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10580.722256/201706 Acórdão n.º 2002000.082 S2C0T2 Fl. 109 7 No caso, por ocasião do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou a contribuinte para apresentação dos recibos e comprovação do efetivo pagamento das despesas declaradas com Jessica Novaes Mascarenhas, Ivete Couto Queiroz de Almeida e Flavia Bueno Siqueira (fl.34). Na ocasião, a contribuinte apresentou extratos bancários e os esclarecimentos de fl. 33. Na autuação, a autoridade fiscal consigna que não foi possível identificar coincidências entre datas/valores dos recibos e dos registros dos extratos. A DRJ manteve a autuação, destacando: A fisioterapeuta Jéssica Novaes Mascarenhas, a psicóloga Ivete Couto Queiroz de Almeida e a dentista Dra. Flávia Bueno Siqueira, nas declarações anexadas às fls.14/16, confirmam as importâncias pagas pela notificada nos anoscalendário de 2012, 2013 e 2014, informam que os referidos valores foram "pagos em espécie, conforme cada atendimento", ou seja, "pagos parceladamente, a cada sessão", sem contudo especificarem, para cada parcela porventura recebida, as datas de recebimento e as quantias recebidas. Portanto, a análise dos extratos bancários apresentados pela notificada, anexados às fls.26/59, relativos à sua conta/corrente no Banco do Brasil S/A, pertinentes ao período de janeiro a dezembro de 2013, encontrase prejudicada, visto que não é possível a este relator cotejar datas e valores dos pagamentos parcelados, conforme alegado pela contribuinte, com as datas e os valores dos saques por ela realizados no Banco do Brasil S/A. Em seu recurso, a contribuinte defende a suficiência dos recibos para fazer a prova exigida e diz que não pode ser exigido dela que faça saques nos exatos valores e datas dos pagamentos aos prestadores dos serviços. Primeiro, cabe observar que a DRJ não exigiu a comprovação com coincidência da datas e valores entre os saques e os pagamentos. A decisão de piso consigna que, diante dos recibos globais emitidos (fls. 14/16), não foi possível cotejar datas de pagamentos e saques efetuados, tornando a análise dos extratos prejudicada. Acompanho a decisão de piso. Ainda que o somatório de todas as retiradas mensais sejam suficientes para arcar com o valor das despesas questionadas, não há como relacionar a realização dos saques ao pagamento desses gastos. Como já defendi acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10580.722256/201706 Acórdão n.º 2002000.082 S2C0T2 Fl. 110 8 Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Por fim, importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. O ônus da prova do direito constitutivo, no caso, é do contribuinte, a teor do art. 373, inciso I, do CPC, na medida em que pretende deduzir de seus rendimentos tributáveis o valor pago a título de despesa médica. Na ausência dessa comprovação, as glosas devem ser mantidas. Por fim, cabe esclarecer que no presente lançamento a recorrente não está sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso apresentado, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000531/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004
EMBARGOS. INEXATIDÃO MATERIAL.
Constatada a ocorrência de inexatidão material na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos com vistas a sanear tais incorreções.
Numero da decisão: 2401-005.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o voto do acórdão embargado, alterando a conclusão do acórdão para: "Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO ".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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score : 1.0
Numero do processo: 13839.909940/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 99 40 /2 01 2- 05 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.909940/201205 Acórdão n.º 3301004.445 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.762, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.909940/201205 Acórdão n.º 3301004.445 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.909940/201205 Acórdão n.º 3301004.445 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.909940/201205 Acórdão n.º 3301004.445 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.909940/201205 Acórdão n.º 3301004.445 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.909940/201205 Acórdão n.º 3301004.445 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.909940/201205 Acórdão n.º 3301004.445 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.909940/201205 Acórdão n.º 3301004.445 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000367/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
RESIDENTE NO EXTERIOR. DIRPF. PROVA.
O contribuinte que apresentou DIRPF declarando-se residente no Brasil e teve os rendimentos considerados e o imposto apurado na forma da legislação aplicável aos residentes no país precisa demonstrar sua condição de não-residente com documentação hábil e idônea, para que sejam consideradas suas alegações de erro na apresentação da declaração.
Não basta para tanto a comprovação de residência em outro país, já que as normas internacionais contemplam a possibilidade de residência simultânea.
FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. ABSOLUTA CERTEZA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quanto aos lançamentos realizados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, matéria para qual existe presunção legal de omissão de rendimentos, não é necessário demonstrar com "absoluta certeza" a ocorrência do fato gerador, sendo suficiente que ocorra, cumulativamente: prova de que o contribuinte detém a titularidade da conta e de sua movimentação financeira; falta de comprovação da origem dos recursos movimentados.
DOCUMENTAÇÃO BANCÁRIA. CÓPIA. DECISÃO JUDICIAL PERMITINDO ACESSO. AUTENTICAÇÃO PELO CONSULADO-GERAL DO BRASIL.
A cópia dos documentos bancários obtidos através de decisões judiciais do Brasil e do país de sua origem e autenticada pela autoridade consular brasileira goza de presunção de veracidade quanto à sua origem e conteúdo, cabendo ao contribuinte que a contesta fazer prova em sentido contrário.
PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. NECESSIDADE DE TRADUÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA.
A nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente depende da comprovação de preterição ao direito de defesa. Conforme precedentes do STJ, é dispensável a tradução de documento redigido em língua estrangeira quando, em vista do caso concreto, se verificar que não houve prejuízo para a defesa.
Numero da decisão: 2201-004.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator) e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento ao recurso reconhecendo a condição do autuado de domiciliado no exterior no período lançado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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DIRPF. PROVA. O contribuinte que apresentou DIRPF declarandose residente no Brasil e teve os rendimentos considerados e o imposto apurado na forma da legislação aplicável aos residentes no país precisa demonstrar sua condição de não residente com documentação hábil e idônea, para que sejam consideradas suas alegações de erro na apresentação da declaração. Não basta para tanto a comprovação de residência em outro país, já que as normas internacionais contemplam a possibilidade de residência simultânea. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. ABSOLUTA CERTEZA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quanto aos lançamentos realizados com base em depósitos bancários de origem não comprovada, matéria para qual existe presunção legal de omissão de rendimentos, não é necessário demonstrar com "absoluta certeza" a ocorrência do fato gerador, sendo suficiente que ocorra, cumulativamente: prova de que o contribuinte detém a titularidade da conta e de sua movimentação financeira; falta de comprovação da origem dos recursos movimentados. DOCUMENTAÇÃO BANCÁRIA. CÓPIA. DECISÃO JUDICIAL PERMITINDO ACESSO. AUTENTICAÇÃO PELO CONSULADO GERAL DO BRASIL. A cópia dos documentos bancários obtidos através de decisões judiciais do Brasil e do país de sua origem e autenticada pela autoridade consular brasileira goza de presunção de veracidade quanto à sua origem e conteúdo, cabendo ao contribuinte que a contesta fazer prova em sentido contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 03 67 /2 00 7- 27 Fl. 428DF CARF MF 2 PROVA. DOCUMENTO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. NECESSIDADE DE TRADUÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. A nulidade do auto de infração lavrado por autoridade competente depende da comprovação de preterição ao direito de defesa. Conforme precedentes do STJ, é dispensável a tradução de documento redigido em língua estrangeira quando, em vista do caso concreto, se verificar que não houve prejuízo para a defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator) e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento ao recurso reconhecendo a condição do autuado de domiciliado no exterior no período lançado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante da Resolução da extinta 1ª Turma da 1ª Câmara dessa Seção (fls. 377/381) por sua clareza e precisão: “Tratase de recurso voluntário (fls. 356/367) interposto em 14 de abril de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio deJaneiro II (RJ), (fls. 298/304), do qual o Recorrente Fl. 429DF CARF MF Processo nº 18471.000367/200727 Acórdão n.º 2201004.452 S2C2T1 Fl. 423 3 teve ciência em 17 de março de 2011 (fls.310), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 81/86, lavrado em 18 de abril de 2007, em decorrência de Omissão de Rendimentos Recebidos do Exterior por Pessoa Física, AnoCalendário 2002 e 2003, formalizandose a exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 169.635,03 mais cominações legais. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 76/80 e resume o procedimento de fiscalização que foi desencadeado inicialmente na operação conjunta denominada de Operação Farol da Colina (Beacon Hill) de combate a crimes financeiros, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, realizada simultaneamente em 8 Estados, com a participação da Polícia Federal, da Receita Federal, do Banco Central e do Ministério Público Federal. No decorrer da investigação foi verificado que valores transitaram da extinta agência do Banestado em Nova Iorque para diversas outras instituições financeiras nos EUA, entre as quais o Delta Bank. A Justiça Federal autorizou o acesso aos dados bancários das contas movimentadas no Delta Bank e com base na respectiva documentação a Equipe de Fiscalização identificou a conta Tanagran, nº 602537 mantida no Delta National Bank and Trust Company, nos EUA, em nome do recorrente, seus pais (Otávio Franzim Stipp e Lydia Capuano Stipp) e irmão (Henry Stipp). Os depósitos bancários que deram azo ao lançamento ocorreram na supramencionada conta. Foram 3 depósitos em 2002 (02/07 – U$297.978,85; 22/10 – US$97.691,29 e 23/10 – US$96.000,00) e 1 em 2003 (01/04 – US$296.607,81). Todos cotitulares foram intimados para justificar a origem dos recursos. A intimação em nome do recorrente foi respondida por seu pai, Sr. Otávio Franzim Stipp que afirmou que todos os cotitulares desconheciam as respectivas operações bancárias, que seu filho Henry e sua filha Danielle não residiam no Brasil, desde 1993 e 1997, respectivamente. Fl. 430DF CARF MF 4 Os documentos comprobatórios da titularidade (fls. 112/220) e da movimentação bancária (fls. 19/68) foram obtidos com autorização da Justiça Federal (fls. 71/73), em investigação relativa à denominada Força Tarefa CC5. O crédito tributário apurado foi rateado na proporção de 25% para cada um dos 4 cotitulares, dando origem a este e outros três de nº 18471.000366/200782, 18471000365/200738 e 18471000364/200793. Na impugnação, a contribuinte alegou que não era residente no Brasil, que as DIRPF dos anocalendário 2002 e 2003 foram enviadas por engano, que não efetuou depósitos na conta apontada no lançamento, que não há prova de que é titular dessa conta; o lançamento não observou o princípio da legalidade por não se basear em absoluta certeza; na dúvida devese beneficiar o contribuinte (art. 112 do CTN); mesmo quando a lei autoriza a presunção, é ônus da fiscalização provar a titularidade e os depósitos, mas isto não ocorreu; ilegalidade da utilização da Selic. A impugnação foi indeferida com fundamento na presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, na prova da titularidade por meio dos documentos de fls. 112/220, entre os quais se destaca o de fls. 85 referente ao cadastro da conta nº 602537 que indica os cotitulares e o endereço no Brasil (na Rua Luiz Camarra, nº 141, Rio de Janeiro) que está diretamente vinculado ao recorrente, posto que nele esteve estabelecida a pessoa jurídica Lydantar Transportes Ltda, na qual seus pais participam com 100% das cotas do capital social; quanto à Selic, apontouse a previsão legal e jurisprudência deste Conselho que reconhecem sua legalidade. Na petição recursal o sujeito passivo repisa os mesmos argumentos de defesa apresentados na impugnação, especialmente: a) desde a fase de fiscalização, vem afirmando que desconhece as operações que deram causa ao lançamento; que não há nos autos qualquer documento original que comprove a titularidade da conta bancária e da transferência do numerário, situação que não autoriza a feitura do lançamento; e que não era residente no Brasil nos anos de 2002 e 2003; Fl. 431DF CARF MF Processo nº 18471.000367/200727 Acórdão n.º 2201004.452 S2C2T1 Fl. 424 5 b) desde 1993 encontrase na condição de não residente no Brasil, como prescreve o inciso V do art. 3º da Instrução Normativa SRF, para comprovar juntou à impugnação determinados documentos. Como a fiscalização não solicitou qualquer documento para comprovar essa condição, protesta pela eventual juntada de outros documentos, se necessário; por meio da análise dos documentos é evidente que a recorrente se mudou para o exterior com animo definitivo, aonde, em Portugal, veio a constituir família. Eventuais retornos ao Brasil nesse período não descaracterizariam a condição de não residente da Recorrente, como reconhecido em precedentes deste Conselho; c) a condição de não residente prescinde da entrega da Declaração de Saída Definitiva do País, conforme Solução de Consulta nº 124/2002 da 10ª RF e não é descaracterizada pela equivocada entrega das DIRPF dos anos 2002 e 2003; d) os rendimentos auferidos pelos não residentes no Brasil não são tributado pelo IR no Brasil; e) reitera a falta de prova de titularidade ou de depósitos o que desautoriza o lançamento por falta de certeza, e a dúvida opera em favor do contribuinte; não há, contra a recorrente, qualquer ação judicial em curso no Brasil ou no exterior referente ao suposto depósito no Delta Bank, de forma que a utilização dos documentos pela Receita Federal fere os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. f) somente teve acesso a cópia de alguns documentos redigidos em língua estrangeira, referentes ao suposto depósito bancário no Delta Bank, os quais sem a tradução por tradutor juramentado não têm efeito legal (art. 224 do Código Civil e 157 do Código de Processo Civil), portanto estes documentos devem ser desentranhados do processo em respeito ao princípio da estrita legalidade (art. 37 da Constituição), entendimento este adotado em precedentes de DRJ e do CARF. Fl. 432DF CARF MF 6 g) Por fim, requer seja acolhida a nulidade do lançamento ou, ainda, seja o auto de infração julgado improcedente, com o consequente cancelamento do crédito tributário dele decorrente. 2 – Através da Resolução 2101000.159 (fls. 377/381) de 13/05/2014 a C. extinta 1ª Turma da 1ª Câmara dessa Seção assim decidiu na conversão do julgamento em diligência: “Tenho que a comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados pressupõem a certeza manifesta de uma dada situação de fato. Assim, para que essa ainda presunção venha a se configurar em certeza irrefutável, tenho que as datas de saída/entrada no país mereçam ser confirmadas. Destarte, diante do conteúdo dos autos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, para, via ofício ao Departamento de Polícia Federal/Superintendência Regional no Rio de Janeiro/Delegacia de Política Marítima, Aeroportuária e de Fronteiras, obter informações quanto à movimentação da Recorrente, de sua entrada e de sua saída no país, no período de janeiro de 1997 a dezembro de 2003.” 3 – Em resposta à diligência a autoridade fazendária de origem às fls. 388/389 relata os procedimentos adotados e os documentos encaminhados pela DEAIN Delegacia Especial de Polícia Federal no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão Antônio Carlos Jobim às fls. 405/416 contendo a Certidão de Movimentos Migratórios em nome do contribuinte, além de cópias das telas de consulta do Sistema Nacional de Tráfego Internacional, sistema anteriormente utilizado para controle de entradas e saídas do território nacional. Alega ainda que os referidos documentos discriminam informações sobre datas de viagens, tipo de movimentação (entradas ou saídas), país de origem e ponto onde foi realizado o procedimento de migração. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 18471.000367/200727 Acórdão n.º 2201004.452 S2C2T1 Fl. 425 7 4 – Subiram os autos ao E. CARF com nova distribuição a esse relator. É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 6 – Verificando os autos, após o cumprimento da diligência pela autoridade preparadora, não foi aberto prazo para o contribuinte se manifestar (apesar de não constar nos termos da resolução da extinta Turma) sobre os documentos juntados às fls. 405/416 pela DEAIN. 7 – A fim de se evitar a alegação de cerceamento de defesa e eventual nulidade desse processo administrativo e em proveito da melhor análise e cumprimento da verdade material, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que haja a intimação do contribuinte para se manifestar de forma conclusiva em relação aos documentos de fls. 405/415 no prazo de 30 (trinta) dias e após o retorno dos autos para julgamento. 8 Contudo, o Ilustre patrono do contribuinte Dr. Bruno Giembinsky Curvello, OAB/DF nº 55.886, em sustentação oral na sessão do dia 07 de Março de 2018 na tribuna, com a lealdade processual que lhe é peculiar, reconheceu a desnecessidade de tal diligência na medida em que teve ciência de tais documentos e entende estar bem instruído os autos. Em decorrência de tal fato, continuo em meu voto quanto ao mérito. Fl. 434DF CARF MF 8 9 – Quanto aos argumentos do contribuinte em relação a falta de prova de titularidade ou de depósitos o que desautoriza o lançamento por falta de certeza, referente ao depósito no Delta Bank, entendo que a titularidade está comprovada através dos documentos de fls. 109/167 contando com assinaturas da contribuinte não questionadas e fls. 168/220 relatório da movimentação financeira. Portanto, entendo como comprovada a titularidade de tais contas. 10 – Outrossim, o ônus da prova no caso de omissão de receita de acordo com artigo 42 da Lei 9.430/96 é do contribuinte identificar a natureza do rendimento de forma individualizada e através de documentação hábil e idônea a origem de recursos utilizados nessas operações. 11 – Em relação ao questionamento sobre a necessidade de tradução juramentada de tais documentos e seu desentranhamento por estar escrito em língua estrangeira, entendo que desnecessário em vista de sua prescindibilidade e ausência de prejuízo para a defesa. 12 Primeiro porque a contribuinte não questiona a validade de tais documentos e existem assinaturas não questionadas pela contribuinte, levando em conta que se assinou tais documentos provavelmente sabia o que estava assinando. 13 – Segundo porque o E. STJ vem relativizando a necessidade de tradução juramentada de documentos escritos em língua estrangeira utilizados no processo judicial como asseverado nos autos, sem grifos no original: PROCESSUAL CIVIL. DOCUMENTO REDIGIDO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA, DESACOMPANHADO DA RESPECTIVA TRADUÇÃO JURAMENTADA (ART. 157, CPC). ADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 18471.000367/200727 Acórdão n.º 2201004.452 S2C2T1 Fl. 426 9 1. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira, cuja validade não se contesta e cuja tradução não é indispensável para a sua compreensão, não é razoável negarlhe eficácia de prova. O art. 157 do CPC, como toda regra instrumental, deve ser interpretado sistematicamente, levando em consideração, inclusive, os princípios que regem as nulidades, nomeadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para acusação ou para a defesa (pas de nulitté sans grief). Não havendo prejuízo, não se pode dizer que a falta de tradução, no caso, tenha importado violação ao art. 157 do CPC. 2. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 616.103/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/09/2004, DJ 27/09/2004, p. 255) TRANSPORTE MARÍTIMO. AVARIA TOTAL. CONHECIMENTO DE TRANSPORTE. EXIBIÇÃO DO ORIGINAL. DISPENSABILIDADE NO CASO. TRADUÇÃO DE DOCUMENTO REDIGIDO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. PROVIDÊNCIA TAMBÉM PRESCINDÍVEL. – Tratandose de processo de conhecimento, no qual a ré não nega ter efetuado o transporte da mercadoria, nem a ocorrência da avaria, dispensável é a exibição do conhecimento de transporte em seu original. – A transportadora é parte no contrato e o assinou em língua estrangeira, sendo de presumirse ter assim pleno conhecimento das cláusulas nele insertas. Prescindível no caso a tradução do documento redigido em idioma alienígena. – Inexistência de prejuízo (pas de nullité sans grief). Recurso especial não conhecido. Fl. 436DF CARF MF 10 (REsp 151.079/SP, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 24/08/2004, DJ 29/11/2004, p. 341) 14 – Portanto, afasto essas matérias indicadas em recurso. 15 – Ponto controverso nos autos e objeto da diligência é reconhecer o fato da contribuinte ser considerada como não residente conforme solicitação de diligência no período de 1997 a 2003 em decorrência de não ter enviado em época própria a “Declaração de Saída Definitiva do País”. 16 – Cotejando as provas carreadas aos autos apresentadas pelo contribuinte às fls. 253/294 e as informações da diligência de fls. 390/415 entendo que resta comprovado o fato da contribuinte não ser residente no Brasil na época dos fatos geradores lançados que são 2002 e 2003 data dos depósitos na conta no exterior. 17 – No ano calendário de 2002 verificase pelos documentos (assento de Nascimento dos filhos (trigêmeos) nascidos em Portugal no dia 23/01/2002 às fls. 260,264 e 268 e não há prova de entrada da contribuinte no País no ano de 2002, independente dela não ter apresentado a “Declaração de Saída Definitiva do País” e ter apresentado a Declaração de IR de 2002 e 2003 no Brasil, sendo o que deve prevalecer no caso é o princípio da verdade material1, comprovando o contribuinte um fato jurídico que desconstitui o direito de lançamento da Fazenda, na forma do art. 373, II do CPC. 18 – Da mesma forma, entendo que pelo conjunto probatório resta comprovado a condição de não residente no país da contribuinte no anocalendário de 2003. 1 “o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material” (2014, p. 108). PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência/ Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. 8ª ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2014. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 18471.000367/200727 Acórdão n.º 2201004.452 S2C2T1 Fl. 427 11 Apesar de constar às fls. 409 documento da DEAIN do Sistema Nacional de Tráfego Internacional SINTI a entrada no País da contribuinte em 07/03/2003 vindo da Espanha. 19 Apesar de não constar a saída do País no ano de 2003, entendo que não podemos considerar como residente nesse período todo, pois, pela análise dos documentos seguintes de fls. 410/416 do SINTI, existe informação conflitante às fls. 410 de entrada em 10/06/2004 (sem constar a origem da viagem) e às fls. 411 a saída do País para a Espanha na data de 13/06/2004. Ou seja, houve a entrada posterior em 2004 sem o registro de saída da viagem de 2003. 20 – Por isso, pelo conjunto probatório, aliado a outros documentos juntados pela defesa às fls. 331/335 (despesas com seguro de veículo), por exemplo, comprovam despesas pessoais de pessoas que tem o ânimo de permanecer no local em que residem. Conclusão 21 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito DOU PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer a ilegitimidade passiva da recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Voto Vencedor Conselheira Dione Jesabel Wasilewski redatora designada Apesar do voto do relator retratar a lucidez que lhe é característica, ouso dele discordar. Fl. 438DF CARF MF 12 A meu ver, o juízo acerca da condição de residente ou não no país não pode ser feita com o grau de abstração demonstrado na fundamentação adotada. Para tanto, existem normas que devem ser aplicadas ao caso concreto e, nesse caso, elas estão consolidadas na Instrução Normativa SRF nº 208, de 27 de setembro de 2002, de onde destaco: Art. 2° Considerase residente no Brasil, a pessoa física: I que resida no Brasil em caráter permanente; II que se ausente para prestar serviços como assalariada a autarquias ou repartições do Governo brasileiro situadas no exterior; III que ingresse no Brasil: a) com visto permanente, na data da chegada; b) com visto temporário: 1. para trabalhar com vínculo empregatício, na data da chegada; 2. na data em que complete 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses; 3. na data da obtenção de visto permanente ou de vínculo empregatício, se ocorrida antes de completar 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses; IV brasileira que adquiriu a condição de nãoresidente no Brasil e retorne ao País com ânimo definitivo, na data da chegada; V que se ausente do Brasil em caráter temporário ou se retire em caráter permanente do território nacional sem entregar a Declaração de Saída Definitiva do País, durante os primeiros doze meses consecutivos de ausência. Parágrafo único. Para fins do disposto no inciso III, " b" , item 2, do caput, caso, dentro de um período de doze meses, a pessoa física não complete 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, novo período de até doze meses será contado da data do ingresso seguinte àquele em que se iniciou a contagem anterior. Art. 3º Considerase nãoresidente no Brasil, a pessoa física: I que não resida no Brasil em caráter permanente e não se enquadre nas hipóteses previstas no art. 2º; II que se retire em caráter permanente do território nacional, na data da saída, ressalvado o disposto no inciso V do art. 2º; III que, na condição de nãoresidente, ingresse no Brasil para prestar serviços como funcionária de órgão de governo Fl. 439DF CARF MF Processo nº 18471.000367/200727 Acórdão n.º 2201004.452 S2C2T1 Fl. 428 13 estrangeiro situado no País, ressalvado o disposto no inciso IV do art. 2º; IV que ingresse no Brasil com visto temporário: a) e permaneça até 183 dias, consecutivos ou não, em um período de até doze meses; b) até o dia anterior ao da obtenção de visto permanente ou de vínculo empregatício, se ocorrida antes de completar 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses; V que se ausente do Brasil em caráter temporário, a partir do dia seguinte àquele em que complete doze meses consecutivos de ausência. § 1° Para fins do disposto no inciso IV, " a" , do caput, caso, dentro de um período de doze meses, a pessoa física não complete 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, novo período de até doze meses será contado da data do ingresso seguinte àquele em que se iniciou a contagem anterior. § 2º A pessoa física nãoresidente que receba rendimentos de fonte situada no Brasil deve comunicar à fonte pagadora tal condição, por escrito, para que seja feita a retenção do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 35 a 45. Art. 4º A partir do momento em que a pessoa física adquira a condição de residente ou de nãoresidente no País, darseá o retorno à condição anterior somente quando ocorrer qualquer das hipóteses previstas nos arts. 2º ou 3º, conforme o caso. No caso em análise, é incontroverso que a recorrente é brasileira e que residiu no Brasil em caráter permanente (art. 2º, I). Estabelecida essa condição, para deixar de ser residente, ela deveria comprovar a ocorrência de uma das situações aptas a alterála, ou seja, a saída em caráter permanente, através da declaração de saída definitiva do Brasil, ou, com saída temporária ou permanente, a ausência durante mais de doze meses consecutivos. A comprovação de sua estada em outro país durante intervalos regulares de tempo não é suficiente para tanto, porque para perder o status de residente no Brasil ela precisaria ter passado mais de 12 meses consecutivos no exterior, e apenas após o transcurso desse prazo é que se alteraria sua condição. Fl. 440DF CARF MF 14 Também não basta comprovar a residência em outro país, pois as normas internacionais contemplam a possibilidade de dupla residência, ou seja, o fato de ser residente em Portugal, Espanha ou qualquer outro país, não exclui necessariamente a residência no Brasil, como evidenciam diversos acordos de bitributação firmados. Cito como exemplo o Decreto nº 4.012, de 2001, que promulga a convenção entre a República Federativa do Brasil e a República Portuguesa para evitar a dupla tributação: Artigo 4º Domicílio Fiscal ou Residência 1. Para efeitos desta Convenção, a expressão "residente de um Estado Contratante" significa qualquer pessoa que, por virtude da legislação desse Estado, está aí sujeita a imposto devido ao seu domicílio, à sua residência, ao local de direção ou a qualquer outro critério de natureza similar, e aplicase igualmente a este Estado e bem assim às suas subdivisões políticas ou administrativas ou autarquias locais. 2. Quando, por virtude do disposto no nº 1, uma pessoa singular ou física for residente de ambos os Estados Contratantes, a situação será resolvida do seguinte modo: a) será considerada como residente apenas no Estado em que tenha uma habitação permanente à sua disposição. Se tiver uma habitação permanente à sua disposição em ambos os Estados, será considerada residente do Estado com o qual sejam mais estreitas as suas relações pessoais e econômicas (centro de interesses vitais); b) se o Estado em que tem o centro de interesses vitais não puder ser determinado ou se não tiver uma habitação permanente à sua disposição em nenhum dos Estados, será considerada residente apenas do Estado em que permanece habitualmente; c) se permanecer habitualmente em ambos os Estados ou se não permanecer habitualmente em nenhum deles, será considerada como residente apenas do Estado de que for nacional; d) se for nacional de ambos os Estados ou não for nacional de nenhum deles, as autoridades competentes dos Estados Contratantes resolverão o caso de comum acordo. A própria convenção prevê a observância das normas internas e elas estão consolidadas na Instrução Normativa que foi acima transcrita. No caso concreto, caberia à fiscalizada a prova de ter preenchido os requisitos necessários para passar à condição de não residente, porque há prova inequívoca e produzida por ela mesma em sentido contrário. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 18471.000367/200727 Acórdão n.º 2201004.452 S2C2T1 Fl. 429 15 Com efeito, ao entregar sua declaração de imposto de renda nos anos calendário 2002 e 2003 ela atestou sua condição de residente no país, o que é corroborado pela manutenção em território nacional de imóvel e veículo no mesmo período. Esses fatos demonstram seu animus de manter neste país "habitação permanente à sua disposição". Por outro lado, deve ser lembrado que, a teor do inciso IV anteriormente transcrito, mesmo para um brasileiro que passou à condição de nãoresidente, basta a entrada no país com ânimo definitivo, para que readquira, no mesmo dia, a condição de residente. Neste caso, a entrega da DIRPF na condição de residente já seria prova suficiente desse ânimo. A meu ver, a diligência realizada em nada ajuda os argumentos da recorrente, porque os fatos geradores lançados são de 2002 e 2003 e a data mais antiga registrada é de uma entrada em 07/03/2003 que, no máximo, prova que esteve no exterior em algum período anterior a essa data. Ou seja, com esses registros não é possível afirmar que ela esteve por mais de doze meses consecutivos no exterior. E mesmo que tivesse apresentado essa prova, bastaria um dia no Brasil com ânimo definitivo, para que sua situação se alterasse. Quanto aos documentos que foram juntados por ela, um comprovante de residência ou o fato de ter tido um filho em Portugal em 2002 podem provar que ela teve residência naquele país, mas não que ela era exclusiva. Para o ano de 2003, a uma declaração de imposto de renda pela qual manifesta inequivocamente sua intenção de ser residente fiscal no Brasil contrapõese uma ecografia realizada no exterior. Desnecessários maiores comentários. O certificado eleitoral é de 2006, o que nada significa, já que título eleitoral ela tem também no Brasil e ele está regular. Talvez o documento mais significativo seja a declaração de rendimentos, mas ela é exclusivamente do ano de 1997. Ou seja, mesmo que em 1997 ela não fosse residente fiscal no Brasil, a partir da primeira entrada com ânimo definitivo essa condição seria readquirida. Além do que já foi exposto, registro a existência de jurisprudência recente no sentido aqui defendido: Fl. 442DF CARF MF 16 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 RESIDENTE NO EXTERIOR. DIRPF. PROVA O contribuinte que apresentou DIRPF declarandose residente no Brasil e teve os rendimentos considerados e o imposto apurado na forma da legislação aplicável aos residentes no país precisa demonstrar sua condição de nãoresidente com documentação hábil e idônea, para que sejam consideradas suas alegações de erro na apresentação da declaração. (Acórdão nº 2801003.405. Relator Marcio Henrique Sales Parada) Superada a questão da residência, a contribuinte argúi a necessidade de que seja demonstrada "com absoluta certeza" a ocorrência do fato gerador, o que não seria possível já que os documentos juntados aos autos não são originais. Também nesse caso não lhe assiste razão. Ao estabelecer uma presunção legal, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa a autoridade tributária de demonstrar com absoluta certeza a ocorrência do fato gerador. Se houvesse essa demonstração, não se trataria de presunção. Portanto, nessas circunstâncias há inversão do ônus probatório cabendo à fiscalizada demonstrar a origem dos recursos para afastar a presunção estabelecida. Por outro lado, dificilmente um lançamento será instruído com os documentos originais. A utilização de fotocópias é a praxe adotada e está embasada na fé pública de que goza a autoridade responsável. Aqui também existe uma presunção relativa que caberia à recorrente afastar. Como se vê pelo relatório da fiscalização, a documentação foi obtida através de decisões judiciais proferidas no Brasil e no exterior, e sua autenticidade foi atestada pela autoridade consular. Para constar, registro precedente deste Conselho, Acórdão nº 2401004.531 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, de onde se extrai: Anocalendário:2000 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NO EXTERIOR. PROVA. Até que se prove o contrário, o documento emitido por administração pública nacional ou internacional tem fé pública e é considerado Fl. 443DF CARF MF Processo nº 18471.000367/200727 Acórdão n.º 2201004.452 S2C2T1 Fl. 430 17 verídico e apto a dar suporte ao lançamento tributário deste processo. No caso dos autos, o lançamento foi efetuado com base em informações da Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, que foram devidamente periciados e comprovados por laudo conclusivo pela Polícia Federal. A "negativa geral" ofertada pela autuada não é suficiente para afastar a presunção de veracidade do que foi alegado e comprovado pela fiscalização, quando mais não é provável que alguém, ciente de que seu nome foi indevidamente utilizado para abertura de contas bancárias no exterior, como alega a recorrente, não tome nenhuma providência para responsabilizar quem o fez. Nesse ponto, cumpre trazer à colação o enunciado nº 32 da Súmula Carf, que contém a seguinte previsão: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Alega também a recorrente que o fato de o auto de infração ter sido lavrado com base em documentos em língua estrangeira acarretaria sua nulidade. Este argumento constitui inovação em relação à impugnação. Apesar disso, farei algumas considerações a respeito. O regime das nulidades, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, consta dos seguintes dispositivos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 444DF CARF MF 18 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Por força dessas disposições, tendo o auto sido lavrado por autoridade competente, a nulidade estaria condicionada à preterição do direito de defesa. Vejamos agora o que pode ser extraído do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015) aplicável de forma subsidiária e supletiva ao PAF: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. (...) Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. Na hipótese em questão, os documentos juntados ao processo e que serviram de sustentação para o auto de infração constituem contratos de abertura de conta em instituição financeira, seus cartões de assinatura e extrato de movimentação. Números e nomes, em regra, não se traduzem. Além disso, documentos bancários, em especial aqueles reveladores de movimentação financeira, seguem uma linguagem padrão em razão do que podem ser compreendidos mesmo por pessoas sem grande capacidade intelectual ou formação acadêmica. O mesmo se pode dizer quanto aos cartões de abertura de conta. Os contratos, por sua vez, únicos documentos que demandariam algum esforço para compreensão de seu significado, além de constituírem contratos de adesão, na hipótese em questão, não revelam em suas cláusulas qualquer informação relevante para o entendimento dos fatos imputados ao recorrente. O prejuízo à defesa não pode ser presumido a partir de um rigorismo formal que já se encontra superado pela dogmática jurídica, ele deve ser demonstrado. E essa demonstração não segue critérios universais, é avaliada caso a caso, de acordo com as circunstâncias pessoais de quem invoca essa condição. Nesse sentido, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.231.152PR, de relatoria da Ministra Nancy Andrighi, que a necessidade ou "dispensabilidade" da tradução juramentada deve ser avaliada "em concreto": PROCESSO CIVIL. DOCUMENTO REDIGIDO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. VERSÃO EM VERNÁCULO FIRMADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. DISPENSABILIDADE A SER AVALIADA EM CONCRETO. ART. 157 C/C ARTS. 154, 244 e Fl. 445DF CARF MF Processo nº 18471.000367/200727 Acórdão n.º 2201004.452 S2C2T1 Fl. 431 19 250, P. ÚNICO, CPC. TRADUÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE DEMONSTRADA. EMENDA À INICIAL. NECESSIDADE DE OPORTUNIZAÇÃO ESPECÍFICA. ARTS. 284 C/C 327, CPC. PRECEDENTES. 1. A dispensabilidade da tradução juramentada de documento redigido em língua estrangeira (art. 157, CPC) deve ser avaliada à luz da conjuntura concreta dos autos e com vistas ao alcance da finalidade essencial do ato e à ausência de prejuízo para as partes e(ou) para o processo (arts. 154, 244 e 250, CPC). No mesmo sentido, o REsp 616.103SC de relatoria do saudoso Ministro Teori Albino Zavascki: PROCESSUAL CIVIL. DOCUMENTO REDIGIDO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA, DESACOMPANHADO DA RESPECTIVA TRADUÇÃO JURAMENTADA (ART. 157, CPC). ADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. 1. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira, cuja validade não se contesta e cuja tradução não é indispensável para a sua compreensão, não é razoável negarlhe eficácia de prova. O art. 157 do CPC, como toda regra instrumental, deve ser interpretado sistematicamente, levando em consideração, inclusive, os princípios que regem as nulidades, nomeadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para acusação ou para a defesa (pas de nulitté sans grief). Não havendo prejuízo, não se pode dizer que a falta de tradução, no caso, tenha importado violação ao art. 157 do CPC. (...) Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado para, rejeitados os argumentos de nulidade do auto de infração, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski redatora designada Fl. 446DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.901373/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 13 73 /2 00 9- 61 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13984.901373/200961 Acórdão n.º 1201002.066 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, pleiteando a compensação de créditos de tributos recolhidos no SIMPLES com determinados débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de insuficiência de saldo credor. A contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que houve retificação da DSPJ em face de ter adotados alíquotas superiores a devida em 50%. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, uma vez que entendeu que o referido crédito não teria sido comprovado. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, instruído com documentação que, no seu entender, definitivamente comprovaria o direito creditório. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, pois, segundo o I. Relator, os esclarecimentos e documentos juntados pelo contribuinte deveriam ser confrontados com os sistemas da fiscalização. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio de Relatório Fiscal específico, do qual a contribuinte não foi chamada a se manifestar. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201 002.057, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.901377/200940, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento a maior de SIMPLES no AC 2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.057): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13984.901373/200961 Acórdão n.º 1201002.066 S1C2T1 Fl. 4 3 A presente discussão diz respeito à legitimidade ou não de créditos de tributos supostamente recolhidos a maior no âmbito do SIMPLES no AC de [...]. Por ocasião da diligência que foi determinada pelo CARF, o relatório fiscal atesta a legitimidade do direito creditório, merecendo destaque a seguinte passagem: Consultando o histórico do CNPJ quanto ao porte, constatase que a empresa estava enquadrada como microempresa nos anos 2004 e 2005, tendo alterado o enquadramento para empresa de pequeno porte a partir do ano 2006: [...] O CNAE que consta nas Declarações Simplificadas apresentadas é 64114/02 Atividades do Correio Nacional executadas por franchising. Consultando as declarações relativas aos anos de 2003 a 2005, verificase a evolução do faturamento da seguinte forma: EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO ano receita auferida 2003 42.484,37 2004 112.927,51 2005 132.270,87 Portanto, possível o enquadramento como microempresa nos anos 2004 e 2005. LEGISLAÇÃO As franqueadas dos Correios passaram a poder optar pelo Simples com a publicação da Lei 10.684/2003, que alterou a Lei 10.034/2000. A Lei 10.684/2003 determinava ainda que essas empresas estariam sujeitas aos percentuais majorados em 50%. A IN SRF 355/2003 dispunha, à época, sobre o Simples nos seguintes termos: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas, de agências terceirizadas de correios e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13984.901373/200961 Acórdão n.º 1201002.066 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês.(...)" (grifouse) Com o advento da Lei 10.833/2003, que também alterou a Lei 10.034/2000, as franqueadas dos Correios deixaram de estar sujeitas aos percentuais majorados em 50% e a instrução normativa acima passou a vigorar com o seguinte teor: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF n° 391, de 30 de janeiro de 2004) I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês. (...) § 6° O disposto no caput também se aplica às agências terceirizadas de correios no período de 31 de maio a 30 de novembro de 2003." Portanto, as franqueadas dos Correios estiveram sujeitas a percentuais diferenciados, majorados em 50%, no período de 31/05 a 30/11/2013 e, para os períodos posteriores, sujeitaram se às alíquotas normais. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS NO CASO CONCRETO Estes processos tratam de Simples dos anos 2004 e 2005, portanto, os valores devem ser apurados com alíquotas normais, aplicáveis às microempresas, previstas no art. 7° da instrução normativa: "Das Microempresas Optantes pelo Simples Percentuais aplicáveis Art. 7° O valor devido mensalmente pelas microempresas, inscritas no Simples nessa condição, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13984.901373/200961 Acórdão n.º 1201002.066 S1C2T1 Fl. 6 5 II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês." O contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Contábeis e as notas fiscais relativas aos anos 2004 e 2005. Com base na documentação apresentada, foram confeccionadas as planilhas abaixo, que contêm a receita, a receita acumulada e a alíquota de Simples aplicável a cada período de apuração. ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2004 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/04 7.316,75 7.316,75 3% 02/04 7.595,37 14.912,12 3% 03/04 9.473,60 24.385,72 3% 04/04 8.594,39 32.980,11 3% 05/04 8.407,44 41.387,55 3% 06/04 9.510,98 50.898,53 3% 07/04 9.075,25 59.973,78 3% 08/04 9.195,16 69.168,94 4% 09/04 8.809,84 77.978,78 4% 10/04 9.485,46 87.464,24 4% 11/04 11.169,36 98.633,60 5% 12/04 13.293,91 111.927,51 5% ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2005 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/05 10.119,01 10.119,01 3% 02/05 10.524,11 20.643,12 3% 03/05 12.160,20 32.803,32 3% 04/05 12.089,40 44.892,72 3% 05/05 10.857,54 55.750,26 3% 06/05 10.745,30 66.495,56 4% 07/05 10.087,06 76.582,62 4% 08/05 11.123,58 87.706,20 4% 09/05 10.096,33 97.802,53 5% 10/05 10.633,29 108.435,82 5% 11/05 10.996,57 119.432,39 5% 12/05* 12.838,48 132.270,87 567,61 5% 12.270,87 5,4% Analisando os pagamentos, observase que foram feitos considerando percentuais diferenciados (alíquotas majoradas em 50%). Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13984.901373/200961 Acórdão n.º 1201002.066 S1C2T1 Fl. 7 6 Como se percebe, restou demonstrado pela diligência que o contribuinte utilizou alíquota superior a devida (em 50%), razão pela qual o crédito ora pleiteado é líquido e certo. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000807/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/11/2004
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. MESMO FATO GERADOR, FUNDAMENTO LEGAL E COMPETÊNCIA DA AUTUAÇÃO.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento efetuado pelo contribuinte, desde que seja correspondente ao mesmo fato gerador, ao mesmo fundamento legal e à mesma competência da autuação, ainda que se refira a rubrica não incluída no auto de infração.
AUTARQUIA. PRESTAÇÃO SE SERVIÇO PÚBLICO. LICITAÇÃO, CONCESSÃO. COBRANÇA DE TARIFA. SUJEIÇÃO AO REGIME JURÍDICO PRÓPRIO DAS EMPRESAS PRIVADAS. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. PREVIDÊNCIA SOCIAL. TERCEIROS.
Autarquia criada pelo poder público para realizar a prestação se serviço público, mediante concessão e com a cobrança de tarifa, sujeita-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros.
COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL.
Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2004 a 30/11/2004 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. MESMO FATO GERADOR, FUNDAMENTO LEGAL E COMPETÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento efetuado pelo contribuinte, desde que seja correspondente ao mesmo fato gerador, ao mesmo fundamento legal e à mesma competência da autuação, ainda que se refira a rubrica não incluída no auto de infração. AUTARQUIA. PRESTAÇÃO SE SERVIÇO PÚBLICO. LICITAÇÃO, CONCESSÃO. COBRANÇA DE TARIFA. SUJEIÇÃO AO REGIME JURÍDICO PRÓPRIO DAS EMPRESAS PRIVADAS. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. PREVIDÊNCIA SOCIAL. TERCEIROS. Autarquia criada pelo poder público para realizar a prestação se serviço público, mediante concessão e com a cobrança de tarifa, sujeita-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros. COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL. Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/11/2004 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. MESMO FATO GERADOR, FUNDAMENTO LEGAL E COMPETÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento efetuado pelo contribuinte, desde que seja correspondente ao mesmo fato gerador, ao mesmo fundamento legal e à mesma competência da autuação, ainda que se refira a rubrica não incluída no auto de infração. AUTARQUIA. PRESTAÇÃO SE SERVIÇO PÚBLICO. LICITAÇÃO, CONCESSÃO. COBRANÇA DE TARIFA. SUJEIÇÃO AO REGIME JURÍDICO PRÓPRIO DAS EMPRESAS PRIVADAS. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. PREVIDÊNCIA SOCIAL. TERCEIROS. Autarquia criada pelo poder público para realizar a prestação se serviço público, mediante concessão e com a cobrança de tarifa, sujeitase ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros. COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL. Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 08 07 /2 00 9- 90 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 391 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 392 3 Relatório A fiscalização lavrou o seguinte Auto de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.086.2325, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI). Segundo a acusação fiscal, no período em que a empresa não estaria inscrita no PAT, toda despesa por ela realizada com fornecimento de alimentação ("Refeições, Lanches e Vale Alimentação") seria fato gerador de contribuição previdenciária. A base de cálculo teria sido apurada depois de deduzidos os valores pagos pelos próprios empregados. Os valores pagos pela empresa não constariam das GFIP, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração com CFL 68, que compõe outro PAF. Foi efetuado o comparativo da multa mais benéfica, considerandose a entrada em vigência da Lei 11941/09. Por fim, o agente fiscal relata que o sujeito passivo, muito embora fosse uma autarquia, estaria sujeito ao regime jurídico das empresas privadas para o cálculo das contribuições. A alíquota aplicada foi de 5,8%. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, na qual suscitou a decadência das contribuições lançadas, bem como a sua inexigibilidade por razões de mérito, questionando, ainda, o percentual da multa aplicada neste lançamento. Em razão da conexão existente entre o presente processo e o processo 12963.000816/200947 (contribuições patronais e dos segurados), o qual foi baixado em diligência, os autos foram também baixados em diligência para acompanhamento, conforme despacho de fl. 121. Em 25/06/2014, foi emitida a Informação Fiscal de fls. 122/128 e juntados os documentos de fls. 130 e seguintes, referentes às contribuições incidentes sobre a alimentação do trabalhador, apuradas nos processos 12963.000813/200947 e 12963.000816/200981, relativos à contribuição da empresa e dos segurados, dos períodos 04/2004 a 11/2004 e 12/2004 a 08/2007, respectivamente, e nos processos 12963.000807/200990 e 12963.000808/200934, relativos à contribuição destinada a outras entidades e fundos, dos períodos 04/2004 a 11/2004 e 12/2004 a 08/2007, respectivamente. Na referida Informação Fiscal, a autoridade lançadora afirmou que a não apresentação de demonstrativo individualizado das verbas recebidas a título de alimentação se deu em razão de o contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados ou têlos apresentado de forma insatisfatória, apesar de reiteradas intimações; explicitou as tentativas Fl. 392DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 393 4 efetuadas para obter as informações junto ao contribuinte por ocasião da ação fiscal e também na diligência. Deduzidos os descontos das remunerações, a autoridade fiscal apresentou planilha (Anexo XI) com valores a serem retificados. O presente processo foi apensado ao processo 12963.000816/200981, conforme despacho de fls. 342. Em 06/08/2014, os autos foram devolvidos para ciência do contribuinte, fl. 343, a qual se deu em 18/08/2014, conforme AR de fl. 345. O contribuinte não se manifestou novamente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme decisão assim ementada: DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INOCORRÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, contase o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NATUREZA JURÍDICA. ATIVIDADE ECONÔMICA. CÓDIGO FPAS. O enquadramento do contribuinte no código FPAS está relacionado à atividade econômica que exerce e não à sua natureza jurídica. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem contribuições previdenciárias sobre os valores relativos à alimentação in natura fornecida pela empresa, tendo em vista a emissão de Ato Declaratório da Procuradora Geral da Fazenda Nacional e de Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado. PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas no momento da impugnação. Diante do montante exonerado, não houve a interposição de recurso de ofício. Intimada da decisão em 10/02/2015, através de aviso de recebimento (fl. 372), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/03/2015, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, sustentou o seguinte: Decadência (a) o prazo de decadência é quinquenal e sua contagem se dá na forma do art. 150, § 4º, do CTN, e não na forma do art. 173, I, do Código; Fl. 393DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 394 5 Mérito Da natureza jurídica do autuado (b) o recorrente foi constituído como entidade autárquica para a prestação de serviço público exploração do serviço essencial de energia elétrica em favor dos munícipes de Poços de Caldas; (c) quem está fazendo a exploração é o próprio Ente Público através de sua administração indireta; (d) o recorrente tem caráter não lucrativo; Das contribuições (e) por ser uma autarquia legalmente constituída, o recorrente enquadrase no código FPAS 582, que não está sujeito ao pagamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos; (f) cita decisões da justiça do trabalho em processos de que é parte e parecer da Procuradoria do INSS; (g) cita decisão do TJMG, que lhe concedeu a imunidade tributária recíproca em processo relativo ao IPVA; Da multa aplicada (h) questiona a multa de 24%, sob o argumento de que a Lei 11941/09 teria revogado os incs. I a III do art. 35 da Lei 8212/91, de forma que a multa aplicável seria de no máximo 20%, conforme o art. 61 da Lei 9430/96. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 395 6 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da decadência No entender da DRJ, como não teria havido qualquer recolhimento relativo às contribuições devidas a outras entidades e fundos, a contagem do prazo decadencial se daria na forma do art. 173, inc. I, do CTN. Em seu recurso, o sujeito passivo contrapõese à citada tese, afirmando que o prazo seria contado na forma do art. 150, § 4º. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Para situar a questão, pode ser citado o verbete sumular CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Nesse sentido, eis o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 396 7 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 396DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 397 8 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Quanto às contribuições devidas a terceiros, que é o caso em discussão, o § 3º do art. 3º da Lei 11457/07 preleciona que elas se sujeitam aos mesmos prazos, condições e privilégios das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei 8212/91, e das contribuições instituídas a título de substituição. Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. § 3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. Desta sorte, e por força de expressa disposição legal, se porventura tiver havido o recolhimento das contribuições devidas à seguridade social, ainda que parcialmente, a contagem do prazo decadencial se dará na forma do art. 150, § 4º. Seria mesmo um contrasenso legal, num determinado caso concreto, fazerse a contagem do prazo decadencial das contribuições previdenciárias na forma do art. 150, § 4º, e a contagem do prazo decadencial das contribuições de terceiros na forma do art. 173, inc. I, na medida em que há disposição legal expressa determinando a uniformidade no tratamento dos prazos, condições, sanções e privilégios. Lembrese, por outro lado, que as contribuições de terceiros têm o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo das contribuições previdenciárias (o pagamento de remuneração e o seu valor, respectivamente). Nesse sentido, contandose o prazo decadencial das contribuições previdenciárias a partir do fato gerador, igualmente deve se contar o lustro decadencial das contribuições de terceiros desde o fato jurídico tributário, e não do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Por fim, deve ser lembrar que o recolhimento das contribuições previdenciárias propicia que o Fisco inicie a atividade de homologação do recolhimento ou a fiscalização para eventual lançamento de ofício, tanto das eventuais diferenças devidas, quanto das contribuições de terceiros integralmente não adimplidas. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 398 9 Neste caso concreto, e examinandose todos os lançamentos efetuados em face do sujeito passivo, é possível concluir que houve o recolhimento parcial das contribuições incidentes sobre a folha de salários. Todos os Autos de Infração lavrados pela fiscalização são relativos a rubricas específicas (alimentação, férias e prêmioprodutividade), sendo incontestável a existência de recolhimentos sobre os demais valores pagos a título de salários. Em sendo assim, deve ser acolhida a preliminar de decadência, pois, quando o lançamento foi efetuado (21/12/2009), já havia transcorrido prazo superior a cinco anos em todas as competências, inclusive desde a competência mais recente (11/2004). Passase à análise das demais matérias suscitadas em grau recursal, para a eventualidade de este relator ser vencido na preliminar. 3 Da inexigibilidade das contribuições de terceiros Nesse ponto, o contribuinte basicamente alega que, por ser uma autarquia, enquadrase no código FPAS 582, que não está sujeito ao pagamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos. É que o relatório fiscal e a decisão recorrida partiram da premissa de que o sujeito passivo, por exercer atividade econômica, condição inerente ao fato de ser empresa do setor elétrico, estaria sujeito ao regime jurídico próprio das empresas privadas. Num primeiro momento, portanto, deve ser analisado se a prestação do serviço de energia elétrica é uma atividade econômica (atividade econômica em seu sentido estrito) ou, como alega o recorrente, um serviço público. Pois bem. A Constituição Federal não define serviço público e nem atividade econômica. Em seu art. 170, entretanto, a Lei Maior traz um traço característico da atividade econômica: a livre iniciativa, em que é expressamente livre o exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Vejase: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 399 10 VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. (destacouse) Do texto constitucional, ainda se depreende que a atividade econômica está fundamentada em inúmeros princípios igualmente expressos, entre os quais o da propriedade privada e o da livre concorrência. Assim, as pessoas têm ampla liberdade para explorar as atividades econômicas e nem mesmo necessitam de autorização dos órgãos públicos para fazêlo, salvo nos casos previstos em lei. Como regra, ademais, as atividades econômicas apenas podem ser exploradas pelos particulares, somente sendo permitidas ao Estado quando necessárias aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. Vejase: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. Em contraponto, os serviços públicos são de prestação pelo Poder Público, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação. Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Parágrafo único. A lei disporá sobre: I o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; II os direitos dos usuários; III política tarifária; Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 400 11 IV a obrigação de manter serviço adequado. Ao contrário das atividades econômicas, fundadas primordialmente na livre iniciativa, os serviços públicos têm como traços característicos a obrigatoriedade, a continuidade, a regularidade, a universalidade, a modicidade, a eficiência, o controle, etc. O art. 175 retro transcrito determina, de forma clara, que a lei disporá sobre a obrigação de manutenção de um serviço adequado, o que se distingue totalmente da atividade econômica, a qual está alicerçada quase que apenas na livre iniciativa, dentro de uma economia de mercado livre, individualista e fortemente concorrencial. O jurista e exministro do Supremo, Eros Grau, faz interessante constatação que merece ser transcrita: A Carta Substancial de 1988 projeta um Estado desenvolto e forte, sob as balizas dos seus fundamentos constantes no art. 1° e objetivos, no art. 3°, para que este venha a ser concretizado. Assim, todas as parcelas da atividade econômica que sejam indispensáveis à realização e ao desenvolvimento da coesão e da interdependência social devem ser prestadas como serviço público; e não como atividade econômica em sentido estrito, que privilegia a perspectiva individualista do mercado e confronta a Constituição1. É que a Constituição adotou um estado predominantemente social, a quem incumbiu a prestação dos serviços públicos como forma de garantir a cidadania, a dignidade, a construção de uma sociedade justa e solidária, etc. A perspectiva não individualista dos serviços públicos é facilmente notada na conceituação do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello: [...]toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material destinada à satisfação da coletividade em geral, mas fruível singularmente pelos administrados, que o Estado assume como pertinente a seus deveres e presta por si mesmo ou por quem lhe faça as vezes, sob um regime de Direito Público – portanto, consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais – instituído em favor dos interesses definidos como públicos no sistema normativo2. Nesse contexto, não há dúvidas de que os serviços de energia elétrica são serviços públicos. A sua exploração é de competência estatal, como determina o art. 21, inc. XII, alínea b, da Constituição, e, diferentemente da atividade econômica em sentido estrito, os particulares necessitam de autorização, concessão ou permissão do ente competente para explorálo. Acrescentese que se trata de comodidade material destinada à coletividade, 1 Citado por Ricardo Duarte Jr, em http://www.ambito juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6746, acesso em 09/01/2018. 2 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, 25 ª Ed., 2 ª tiragem, São Paulo: Malheiros, 2008. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 401 12 conforme lição retro mencionada, e que a sua exploração não pode se dar dentro de uma perspectiva individualista, mas sim de acordo com os princípios do regime jurídico administrativo. Se os serviços de energia elétrica não fossem de competência do estado, mas sim uma atividade econômica pautada pelo princípio da livre iniciativa, é evidente e inegável que os municípios menores e menos abastados ficariam privados da sua prestação, o que explica o fato de a Constituição Federal, de caráter notadamente social, têlos colocado como serviços públicos obrigatórios e de competência da administração pública. Vejase: Art. 21. Compete à União: XII explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos; Não é por outra razão que a geração, a transmissão, a distribuição e a comercialização de energia elétrica é regulada e fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), autarquia em regime especial vinculada ao Ministério de Minas e Energia, conforme determina a Lei 9427/96 e o Decreto 2335/97. A citada lei, de forma expressa e já em seu preâmbulo, determina que os serviços de energia elétrica são serviços públicos, o que se alinha com a Constituição Federal, conforme antes demonstrado. Vejase: LEI Nº 9.427, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1996. Institui a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, disciplina o regime das concessões de serviços públicos de energia elétrica e dá outras providências. (destacouse) Por outro lado, e no caso em particular, a pessoa jurídica encarregada da prestação do serviço de energia elétrica para o Município de Poços de Caldas integra a administração pública indireta, na qualidade de órgão autárquico. O sujeito passivo foi assim criado pela Lei Municipal 420/1954 (criou o Departamento Municipal de Eletricidade), com as alterações da Lei 2547/77, o que é confirmado pelo seu Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral CNPJ. Vejase o teor da art. 1º da Lei 2547: Art. 1º O Departamento Municipal de Eletricidade é um órgão autárquico da Prefeitura Municipal de Poços de Caldas, com autonomia financeira, econômica e administrativa. E a legitimidade do recorrente para a execução dos serviços de energia elétrica naquele Município está comprovada no Contrato de Concessão 49/99 ANEEL, no qual a União, enquanto poder concedente, e por intermédio da citada agência reguladora, concedeulhe o direito de exploração do serviço público de distribuição de energia elétrica. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 402 13 Do citado contrato, ainda se depreende que o sujeito passivo, enquanto concessionário da exploração de serviço público dotado de utilidade pública, está obrigado a garantir a modicidade das tarifas, consoante previsão expressa de sua "CLÁUSULA PRIMEIRA", "Subcláusula Quinta", o que se coaduna com o regime jurídico administrativo próprio dos serviços públicos, diferentemente do regime privado das atividades econômicas em sentido estrito. Nesse mesmo contrato, observamse outras cláusulas próprias do regime jurídico administrativo, pois visam a garantir a obrigatoriedade, a continuidade, a regularidade, a universalidade, a eficiência e o controle dos serviços objeto da concessão. Daí se conclui que o sujeito passivo, entidade autárquica sem fins lucrativos, e obviamente integrante da administração pública indireta, presta os serviços públicos de energia elétrica mediante concessão da União, fazendolhe às vezes, sob um regime jurídico administrativo, e não sob um regime privado. Traçando um paralelo com a imunidade tributária recíproca de que trata o art. 150, inc. VI, alínea a, da Constituição Federal, lembrese que ela é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. Vejase: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Nessa toada, o recorrente não está sujeito ao recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos, cujo recolhimento é próprio das empresas privadas, devendo ser provido o seu recurso, para que seja cancelado o lançamento. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para ACOLHER a PRELIMINAR de decadência e declarar a extinção dos créditos tributários objeto deste processo. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 402DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 403 14 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado. Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto à decadência e quanto à inexigibilidade das contribuições destinadas a Entidade e Fundos denominados Terceiros. Da decadência e da antecipação de pagamento Antes de considerações outras, cabe destacar que o Recorrente não tratou da antecipação de pagamento em seu recurso voluntário, tendo se limitado a alegar que a decadência deve ser verificada diretamente com base no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional3 (CTN), uma vez que as contribuições em análise estão sujeitas a lançamento por homologação. Vide o seguinte excerto extraído do recurso (fl. 377): Logo, por ser tratar a presente discussão de tributo sujeito a lançamento por homologação aplicase a ele a regra do art. 150, § 4º do CTN, [...]. (sic) Todavia, no caso do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, a necessidade de haver pagamento antecipado já está sedimentada não só no CARF, mas no próprio Judiciário, conforme se observa no REsp 973.733/SC, citado pelo Relator. Pois bem, em nosso entendimento, para que um recolhimento possa ser considerado como antecipação de pagamento, é necessário não apenas que diga respeito ao mesmo fato gerador e base de cálculo da autuação, mas também ao mesmo fundamento legal. Esse posicionamento, inclusive, está em consonância com a decisão consignada no Acórdão nº 9202005.227, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF, cuja ementa transcrevemos a seguir: CS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. REGRA DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. Inexistindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores e fundamentação legal lançada de ofício, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Os recolhimentos efetuados antecipadamente como entidade isenta não são aproveitados para recolhimentos antecipados de entidades sem esse benefício fiscal. (Grifo nosso) No caso ora julgado, o qual diz respeito a lançamento de contribuições devidas a Entidade e Fundos denominados Terceiros (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI), apuradas sobre o levantamento ALI – ALIMENTAÇÃO, em relação ao período de 04/2004 a 11/2004, constatase que não houve qualquer recolhimento de contribuições destinadas a Terceiros, uma vez que o Recorrente não se considerava sujeito ao recolhimento 3 Lei 5.172, de 25/10/66. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 404 15 dessas contribuições. Logo, não há antecipação de pagamento realizada com base no fundamento legal de tais contribuições. Sendo assim, para a verificação do prazo decadencial, deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, considerando que o lançamento se refere ao período de 04/2004 a 11/2004 e que a ciência ocorreu em 21/12/2009, não restou configurada a decadência. Da natureza jurídica do Recorrente e das contribuições destinadas aos Terceiros Tendo em vista a natureza jurídica do Recorrente, ou seja, de entidade autárquica e prestadora de serviço público, o Relator acompanhou as razões recursais, invocando a imunidade tributária recíproca, prevista no art. 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal, e afastou a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições destinadas aos Terceiros, afirmando, ainda, que tal obrigação seria própria das empresas privadas. Primeiramente, gostaríamos de apontar que o Recorrente deixou de ser uma entidade autárquica, em 2010, para ser uma empresa pública, segundo dispõe a Lei Complementar nº 111, de 27/3/10, do Município de Poços de Caldas: De qualquer forma, o lançamento diz respeito ao período de 04/2004 a 11/2004, quanto o Recorrente ainda era uma entidade autárquica. Todavia, em que pese o Recorrente ter sido uma autarquia no período abrangido pelo lançamento e a Carta Republicana abrigar as autarquias na imunidade constitucional recíproca, tal imunidade diz respeito apenas a impostos, senão, vejamos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; [...] § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 405 16 § 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. (Grifo nosso) Portanto, como as contribuições em análise não estão abarcadas pelo art. 150, inciso VI, da Constituição Federal, não cabe serem afastadas com base na imunidade recíproca. Além do mais, o § 3º deixa claro que tal imunidade não se aplica em relação à exploração de atividade econômica regida pelas “normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário”, que é o que ocorre no caso da DME DISTRIBUIÇÃO S.A. Ademais, corroborando tal entendimento, trazemos à baila a ementa do Acórdão n° 10708.768, de 18/10/2006, citada na decisão a quo e que trata exatamente da questão em foco, pois o Recorrente é concessionário4 de serviço público de competência da União: IRPJ/CSLL/PIS E COFINS – PESSOA JURÍDICA CRIADA COMO AUTARQUIA MUNICIPAL PARA EXECUTAR, POR CONCESSÃO, SERVIÇO PÚBLICO DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO – NATUREZA JURÍDICA DE FATO – SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA O exercício pelo município, mediante concessão, de serviço público de competência da União, com cobrança de tarifas e nas mesmas condições aplicáveis a empreendimentos privados não está abrigado pela imunidade constitucional. Dessa forma, superada a questão quanto à imunidade, vamos tratar da natureza jurídica do Recorrente. Pois bem, independente da sua natureza jurídica, por ser uma concessionária de serviço público, o Recorrente deve e teve que se submeter à Lei 8.987, de 13/2/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, previsto no art. 175 da Constituição Federal. A Lei 8.987/95 estabelece que a concessão será objeto de licitação prévia e tratamento isonômico dos concorrentes, nos seguintes termos: Art. 14. Toda concessão de serviço público, precedida ou não da execução de obra pública, será objeto de prévia licitação, nos termos da legislação própria e com observância dos princípios da legalidade, moralidade, publicidade, igualdade, do julgamento por critérios objetivos e da vinculação ao instrumento convocatório. [...] 4 Contrato de Concessão nº 49, de 1999 – fls. 74 a 90. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 406 17 Art. 17. Considerarseá desclassificada a proposta que, para sua viabilização, necessite de vantagens ou subsídios que não estejam previamente autorizados em lei e à disposição de todos os concorrentes. § 1º Considerarseá, também, desclassificada a proposta de entidade estatal alheia à esfera políticoadministrativa do poder concedente que, para sua viabilização, necessite de vantagens ou subsídios do poder público controlador da referida entidade. (Renumerado do parágrafo único pela Lei n° 9.648. de 1998) § 2º Incluise nas vantagens ou subsídios de que trata este artigo, qualquer tipo de tratamento tributário diferenciado, ainda que em conseqüência da natureza jurídica do licitante, que comprometa a isonomia fiscal que deve prevalecer entre todos os concorrentes. (Incluido pela Lei n° 9.648, de 1998) Sendo assim, em que pese a natureza jurídica de autarquia, ao prestar serviço público de competência da União (distribuição de energia elétrica), por meio de concessão e com cobrança de tarifas, o Recorrente deve estar em par de igualdade com os demais concorrentes, o que o torna sujeito ao regime jurídico próprio das empresas privadas, em especial quanto à tributação, devendo, pois, recolher as contribuições destinadas aos Terceiros. Da multa aplicada Segundo o Recorrente, como a multa aplicada de 24% estaria prevista nos incisos do art. 35 da Lei 8.212/91, e como tais incisos foram revogados pela Medida Provisória 449, de 3/12/08, a qual foi convertida na Lei 11.941, de 27/5/09, pela nova sistemática, deveria ser aplicada a multa 20%, prevista no art. 61 da Lei 9430/96. Antes de considerações outras, devemos observar que a lei tributária é aplicável ao ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a lei vigente ao tempo do respectivo ato ou fato, nos termos art. 106 do CTN. Dessa forma, devemos examinar o que dispõe a legislação de regência das multas aplicáveis ao caso, antes e depois da entrada em vigor da MP 449/08. Antes da MP 449/08 Lei 8.212/91 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; Fl. 406DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 407 18 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Após a MP 449/08 Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Conforme se observa nos dispositivos transcritos acima, independente do nomen iuris dado a cada multa (ofício ou mora), em essência, todas são multas de mora, sendo aplicadas em razão da mora do contribuinte. A diferença é que a multa do art. 35, inciso I, alínea “c”, da Lei 8.212/91, e a multa do art. 61, da Lei 9.430/91, são aplicadas quando o contribuinte recolhe em atraso as contribuições, porém, espontaneamente, ou seja, sem que a fiscalização seja acionada. Por sua vez, a multa prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, e a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, são aplicadas quando o contribuinte Fl. 407DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 408 19 recolhe em atraso, porém, de forma não espontânea, ou seja, após as contribuições serem lançadas de ofício pela fiscalização. Tal situação explica o porquê da Lei 8.212/91 incluir em seu art. 35, que trata da multa de mora, a multa de ofício prevista no inciso II, alínea “a”. Portanto, diante desse quadro, somente é possível compararmos recolhimento espontâneo com recolhimento espontâneo e recolhimento não espontâneo com recolhimento não espontâneo, da seguinte forma: Nessa linha de raciocínio é o Acórdão 9202005.667, da Câmara Superior de Recurso Fiscais do CARF, proferido em 26/7/17, o qual apresenta a seguinte ementa: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Sendo assim, como a multa aplicável (de ofício) na sistemática anterior à MP 449/08, era a multa de 24%, prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, a multa correspondente, na nova sistemática, é a multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Além do mais, para que não paire qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade menos severa, devemos lembrar que na sistemática anterior, para o caso em análise, seria aplicada a multa de 24% mais a multa do CFL5 68, prevista no art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91, em razão do contribuinte ter apresentado GFIP6 com omissão ou incorreção de fatos geradores de contribuições previdenciárias. 5 Código de Fundamentação Legal. 6 Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 12963.000807/200990 Acórdão n.º 2402006.175 S2C4T2 Fl. 409 20 Na nova sistemática, porém, para o caso em análise, seria aplicável apenas a multa de 75%, pois esta já engloba o não recolhimento e a pena por apresentação de GFIP como omissão ou incorreção. Pois bem, compulsando a Planilha de fls. 17 a 19, constatase que a fiscalização realizou a comparação das multas, concluindo pela aplicação, em todo o período, da multa do 24% (mais a multa do CFL 68), por ser menos severa ao contribuinte. Portanto, improcedem as alegações recursais quanto à multa a ser aplicada. De qualquer forma, lembramos que no momento do pagamento do presente crédito ou no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) será verificada a multa mais benéfica a ser mantida, nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 4/12/09. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 409DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.000066/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2002
SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO INFORMADO NOS LIVROS DE APURAÇÃO DE ICMS.
As informações contidas nos livros de apuração do ICMS, mais precisamente sob os códigos fiscais que representam vendas de mercadorias e respectivas devoluções amoldam-se aos conceitos de faturamento e receita bruta previstos na legislação de regência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. REQUERIMENTO DE PROVA PERICIAL.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação. Não tendo sido arguida em primeira instância a realização de prova pericial, não há justificativa suficiente para tal requerimento na instância superior.
MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Tendo restado demonstrada a fraude praticada pelo contribuinte, correta a aplicação da multa agravada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1º de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. (Súmula n° 4, do Primeiro Conselho de Contribuintes).
Numero da decisão: 1401-002.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: 02875210602 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2002 SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO INFORMADO NOS LIVROS DE APURAÇÃO DE ICMS. As informações contidas nos livros de apuração do ICMS, mais precisamente sob os códigos fiscais que representam vendas de mercadorias e respectivas devoluções amoldam-se aos conceitos de faturamento e receita bruta previstos na legislação de regência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. REQUERIMENTO DE PROVA PERICIAL. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação. Não tendo sido arguida em primeira instância a realização de prova pericial, não há justificativa suficiente para tal requerimento na instância superior. MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Tendo restado demonstrada a fraude praticada pelo contribuinte, correta a aplicação da multa agravada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1º de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. (Súmula n° 4, do Primeiro Conselho de Contribuintes).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 565 1 564 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000066/200746 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.508 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente ARMAZEM DAS FITAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002 SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO INFORMADO NOS LIVROS DE APURAÇÃO DE ICMS. As informações contidas nos livros de apuração do ICMS, mais precisamente sob os códigos fiscais que representam vendas de mercadorias e respectivas devoluções amoldamse aos conceitos de faturamento e receita bruta previstos na legislação de regência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. REQUERIMENTO DE PROVA PERICIAL. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação. Não tendo sido arguida em primeira instância a realização de prova pericial, não há justificativa suficiente para tal requerimento na instância superior. MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO DE FRAUDE. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Tendo restado demonstrada a fraude praticada pelo contribuinte, correta a aplicação da multa agravada. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 00 66 /2 00 7- 46 Fl. 565DF CARF MF 2 Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1º de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. (Súmula n° 4, do Primeiro Conselho de Contribuintes). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.07.002006004768 (ver fl. 01), que culminou com a formalização de lançamento de ofício nos autos de dois processos administrativos fiscais: os processos n° 11065.000066/200746 e o de n° 11065 .000067/200791. Ou seja, o AuditorFiscal, após iniciar s trabalhos de fiscalização na interessada, empresa originalmente optante pelo SIMPLES. a) realizou o lançamento de ofício de fatos geradores ocorridos em 2002, na modalidade SIMPLES, nos autos do processo n° 11065.000066/200746 (presente processo); b) deu continuidade à auditoria fiscal no processo n° 11065.000067/200791, em que restaram forrnalizados: Ato Declaratório Executivo n° 114/2006, por meio do qual a autoridade fazendária procedeu à exclusão da contribuinte do sistema SIMPLES por fatos constatados em 2002, com efeitos surtindo a partir de 2003; lançamento de ofício de IRPJ e reflexos para os períodos de apuração encerrados entre 01/01/2003 e 31/12/2003, onde houve arbitramento do lucro e tributação de omissão de receitas. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 11065.000066/200746 Acórdão n.º 1401002.508 S1C4T1 Fl. 566 3 Quando da formalização do Ato Declaratório, a DRF inaugurou o processo de n° 11065 .003675/200676, destinado a concentrar a discussão acerca da exclusão da SIMPLES. Passaram a coexistir, portanto, três processos administrativos autônomos, quais sejam: a) o processo n° 11065.003675/200676, relativo exclusivamente à exclusão do SIMPLES, com efeitos a partir de 2003; b) o processo n° 11065000066/200746, que trata da tributação de omissão de receitas em 2002, na modalidade do SIMPLES (o presente processo); c) o processo .n° 11065.000067/200791, que trata de arbitramento do lucro para os períodos de apuração encerrados em 2003. O processo “a” acima restou apensado ao processo “c”, haja vista a identidade de provas entre ambos, conforme orienta a Portaria SRF n° 6.129/2005. Assim sendo, verificase que o presente processo diz respeito a uma única matéria: o lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos em 2002, na modalidade SIMPLES, seguindo os demais curso autônomo. Do litígio pertinente ao lançamento de ofício fatos geradores ocorridos em 2002 O lançamento de ofício está consubstanciado no auto de infração de fls. 60/85. A ciência à contribuinte ocorreu em 15/01/2007. A descrição dos fatos está complementada no Relatório da Ação Fiscal de fls. 47/52. O montante do crédito tributário lançado é de R$731.017,23 (ver fl. 03), já incluídos os acréscimos legais, calculados até 29/12/2006. A autuação diz respeito a omissão de receitas, determinada mediante a comparação da receita declarada à SRF e o faturamento registrado no livro Registro de Apuração do ICMS (ver fls. 28), com supedâneo legal nos artigos 241 da Lei n° 9.249/1995 e 182 da Lei 11° 9.317/2996. A omissão de receitas está devidamente evidenciada nos quadros de fls. 49 e 50/51. A contribuinte declarou à SRF a condição de inatividade para o ano de 2002, não obstante ter registrado nos livros do ICMS receitas no montante de R$2.563.644,02 no período. A apuração das bases de cálculo mensais estão especificamente indicadas no quadro de fl. 49. Houve aplicação da multa qualificada de 150% de que trata o art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996, de vez que a fiscalização entendeu caracterizado o evidente intuito de 1 Art. 24. Veriƒicada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. 2 Art. 18. Aplicamse a microempresa e a empresa de pequeno porte todas as presunções de omossão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Fl. 567DF CARF MF 4 fraude. A aplicação da multa qualificada está justificada no item 4 do relatório fiscal (ver fls. 51/52) e tem por fundamento as seguintes evidências: “Tendo em vista que a fiscalizada declarouse inativa em 2002 e que entregou declaração do Simples em 2003 com receita bruta igual a zero, apesar de auferir receitas nos dois anoscalendário na casa dos milhões de reais, (conforme itens 2,3 e 5 deste relatório), tal atitude enquadrase com autêntica sonegação fiscal. Agiu de modo a impedir o conhecimento pela Receita Federal de suas receitas, de forma reiterada, como se não devesse os tributos a elas correspondentes, tanto que o Fisco tomou conhecimento da possível existência de valores sonegados somente por meio de informação de terceiros (...) ”. A contribuinte impugnou o lançamento de ofício, tempestivamente, em 14/02/2007. Houve a apresentação de várias impugnações (fls. 89/133, 142/224, 233/275, 284/335 e 345/399), nominadas “IRPJ/Simples”, “INSSSimples”, “CSLL”, “COFINS” e “PIS”, com um núcleo de argumentos em comum. Em resumo, as alegações são as seguintes: a) Preliminarmente, requer que seja suspenso o procedimento até “o deslinde final do contencioso administrativo nos autos do processo formado pela manifestação de inconformidade ao Ato Declaratório n° 144/2006” (ver fl. 92). b) Adiante, defende a nulidade do lançamento de ofício, visto que baseado “unicamente no livro de apuração do ICMS”. Alega que o correto seria “considerar as entradas escrituradas como custos dedutíveis, tributandose apenas a diferença decorrente da operação matemática respectiva” (fls. 101/102). Reclama que diversas parcelas que são consideradas para fins de base de cálculo do ICMS não podem ser consideradas para fins de determinação da receita bruta (ver fl. 100), tal qual levado a efeito pela fiscalização. c) Entende que lançamento, nos moldes em que realizado, contraria a “noção básica de renda (...)” e ofende o princípio da capacidade contributiva. Reclama, ainda, que os fiscais “não levaram em consideração a pessoa tributada, sua atividade econômica, seu perfil profissional, seu padrão de consumo”, nem tampouco “se a pessoa tributada possuía patrimônio compatível com a renda a ela atribuída” (ver fls. 103/104). d) Argumenta a inconstitucionalidade da disposição legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que supostamente teria embasado o lançamento de ofício (ver fls. 111/114). e) Reclama que a exigência fiscal deveuse exclusivamente ao fato de que “a União Federal promoveu o achatamento das faixas de tributação do SIMPLES, provocadas por uma década de efeito inflacionário não ajustado (...)” (ver fls. 187/207). Nesse contexto, requer que “seja declarado o seu direito à aplicação de correção monetária pelo IGPDI sobre as faixas teto de faturamento do SIMPLES, para fins de verificação das alíquotas progressivas efetivamente aplicáveis em cada anocalendário (...)”. f) Alega a ilegalidade e inconstitucionalidade da majoração da alíquota da COFINS e da alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS. Contesta a exigência do Salário Educação, e das contribuições ao Seguro de Acidentes do Trabalho, SEBRAE, SESC/SENAC e INCRA. g) Insurgese contra a aplicação da multa qualificada de 150%, visto que entende não estar comprovada nos autos a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11065.000066/200746 Acórdão n.º 1401002.508 S1C4T1 Fl. 567 5 Ademais, reclama o afastamento da penalidade por tratarse de exigência com natureza confiscatória. h) Reclama a ilegalidade da exigência dos juros calculados à taxa SELIC. Julgado o processo pela DRJ, restou a decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUSPENSÃO DO PROCEDIMENTO. A apreciação da impugnação ao lançamento de ofício relativo aos fatos geradores ocorridos no ano de 2002 em nada depende do julgamento da manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório que excluiu a contribuinte do SIMPLES a partir do Anocalendário subseqüente. SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO INFORMADO NOS LIVROS DE APURAÇÃO DO ICMS. As informações contidas nos livros de apuração do ICMS, mais precisamente sob os códigos fiscais que representam vendas de mercadorias e respectivas devoluções, amoldamse aos conceitos de faturamento e receita bruta previstos na legislação de regência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. ARGUIÇAO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. MULTA QUALIFICADA. Se as provas carreadas aos autos evidenciam a intenção dolosa de evitar ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula n° 4, do Primeiro Conselho de Contribuintes). Lançamento Procedente Inconformada, interpôs recurso voluntário a contribuinte alegando em síntese: Fl. 569DF CARF MF 6 01) Preliminarmente o cerceamento de defesa por indeferimento de prova. Cita vasta jurisprudência sobre a necessidade de prova para garantir aos acusados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. 02) Preliminarmente, sobre a provisoriedade da exclusão da recorrente do simples. Requer a suspensão do processo até que seja decidido sobre o ato declaratório de exclusão. 03) repete basicamente toda a argumentação das 05 defesas apresentadas e ainda tece vasta argumentação sobre as "malfadadas exigência do salário educação, contribuição ao SEBRAE, SESC/SENAC, do seguro acidente de trabalho e do INCRA". Esse é o relatório do essencial. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos da legislação, dele devendose conhecer. Tendo em vista que o Recurso Voluntário interposto invoca as mesmas razões da Impugnação, aplico o Regimento Interno desse Conselho, art. 57, § 3º, nos seguintes termos abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Assim, adoto as razões decididas em primeira instância, conforme abaixo: Trata o mérito de omissão de receita constatada no período autuado, qual seja, anocalendário 2002, coligida a partir do confronto entre os valores declarados à SRF e o constante dos livros Razão e Registro de Apuração do ICMS, tendo sido mantida a sistemática de apuração pelo Simples. Preliminarmente arguiu a recorrente cerceamento de defesa por ter sido indeferida prova. Cita vasta jurisprudência sobre o devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Contudo, a recorrente não arguiu tal matéria quando da impugnação, restando, assim, preclusa essa matéria. Por outro lado, apesar de utilizar quase três laudas defendendo a prova, não diz a recorrente que prova pretende produzir, tampouco o que se pretende demonstrar. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11065.000066/200746 Acórdão n.º 1401002.508 S1C4T1 Fl. 568 7 Nesse sentido, essa preliminar que é a única matéria que diverge da impugnação deve ser rejeita, ou por que a matéria está preclusão, ou ainda por falta absoluta de fundamentação. Com relação à segunda preliminar arguida e já devidamente apreciada na decisão primeva, que trata do pedido de suspensão do processo enquanto não for julgado o Ato Declaratório da recorrente de exclusão do simples, confunde a recorrente essa autuação com as demais. Isso porque, nesses autos a empresa foi autuada ainda no simples. Sua autuação se deu porque ela apresentou ao fisco federal declaração de inatividade no ano autuado. Nesse sentido, o pedido de suspensão do procedimento administrativo é insubsistente. A apreciação do lançamento de ofício relativo aos fatos geradores ocorridos no ano de 2002 em nada depende do julgamento da manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório que excluiu a contribuinte do SIMPLES a partir do ano calendário subseqüente. As demais alegações são igualmente improcedentes. O lançamento de ofício foi realizado com estrita observância aos artigos 18 e 24 da Lei n° 9.249/1995, que dizem respeito à tributação dos valores apurados a título de omissão de receitas. No caso concreto, a receita omitida foi extraída do livro Registro de Apuração do ICMS como bem observa a fiscalização à fl. 84/85. As planilhas de fl. 83 evidenciam cada um dos códigos fiscais tomados pela fiscalização para calcular a receita bruta mensal. O dimensionamento da base de cálculo respeitou o mecanismo de apuração determinado no art. 5° da Lei n° 9.317/1996, que consiste na aplicação dos percentuais previstos no referido artigo sobre a receita bruta mensal auferida, de que trata o art. 2°, §2°, da mesma lei. A afirmação da interessada de que o correto seria “considerar as entradas escrituradas como custos dedutíveis, tributandose apenas a diferença decorrente da operação matemática respectiva” (ver fl. 102) é totalmente insubsistente à vista da sistemática de tributação adotada, qual seja o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Aqui, não há utilização dos custos na composição da base de cálculo, visto que a renda é evidenciada pela aplicação do coeficiente determinado legalmente sobre a receita bruta conhecida, como se disse acima. As considerações de que essa sistemática contraria a “noção básica de renda (...)” e ofende o princípio da capacidade contributiva são insuscetíveis de serem apreciadas nesta instância, visto que a atividade desse Conselho é especificamente vinculada pelo disposto no art. 7° da Portaria MF n° 258 de 27/08/2001, que determina observância obrigatória às normas legais e regulamentares (nos termos do art. 116, III da Lei n° 8.112/1990), bem como ao entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros. Fl. 571DF CARF MF 8 A reclamação de que “diversas parcelas que são consideradas para fins de base de cálculo do ICMS não podem ser consideradas para fins de determinação da receita bruta (...)”sucumbe diante do fato, já referido, de que a fiscalização teve o cuidado de selecionar, para fins de apuração da receita bruta, tãosomente os códigos fiscais que representam vendas de mercadorias e respectivas devoluções (ver fl. 48/49). Ou seja, ao contrário do que alega a recorrente, os dados contidos no quadro “Receitas de Vendas do Ano Calendário 2002” (ver fl. 49) amoldamse perfeitamente aos conceitos de faturamento e receita bruta previstos na legislação de regência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, mais especificamente nos artigos 279 do RIR/99 e o artigo 10 do Decreto n° 4.524/2002, a saber: “Art 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n” 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei n” 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário ”. “Art 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9°, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 1°, Lei n° 9.701, de 1998, art. 1°, Lei n° 9.715, de 1998, art. 2°, Lei n° 9. 716, de 26 de novembro de 1998, art. 5°, e Lei n° 9. 718, de 1998, arts. 2° e 3°) Nesse contexto, salvo prova em contrário de que teria havido erro material no preenchimento do livro de Registro e Apuração do ICMS ou na elaboração dos quadros de fl. 49, não vejo como acatar a alegação de que os valores lá contidos englobariam parcelas que não deveriam integrar a base de cálculo dos tributos lançados de ofício. Também insubsistente a alegação de que os fiscais não levaram em consideração, da forma devida, “a pessoa tributada, sua atividade econômica, seu perfil profissional, seu padrão de consumo” ou ainda “se a pessoa tributada possuía patrimônio compatível com a renda a ela atribuída”. Todos os elementos previstos na legislação tributária que dizem respeito à apuração dos tributos devidos foram devidamente analisados pela fiscalização, e estão em consonância com o disposto no art. 142 do CTN , conforme esmiuçado na descrição dos fatos e enquadramento legal do lançamento de ofício. A interessada argumenta, adiante, a inconstitucionalidade da disposição legal prevista no art. 42, §4°, da Lei n° 9.430/1996 6 (ver fl. 111), que reputa ser “embasadora do lançamento atacado”. Esse dispositivo legal, todavia, trata da tributação de depósitos bancários, e nada tem a ver com o objeto do lançamento de ofício. Há ainda, extensa argumentação quanto à ilegalidade e inconstitucionalidade da majoração da alíquota da COFINS, da alteração da base de cálculo do PIS e da COFINS e da suposta exigência do salário educação e das contribuições ao seguro de acidentes do trabalho, SEBRAE, SESC/SENAC e INCRA. Tais alegações são incompatíveis com o caso Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11065.000066/200746 Acórdão n.º 1401002.508 S1C4T1 Fl. 569 9 dos autos, visto que o lançamento de ofício foi realizado com base na sistemática do SIMPLES, cujo matriz legal fundamentalmente a Lei n° 9.317/1996 não se confunde com os atos normativos mencionados pela contribuinte. Ademais, mesmo que assim não o fosse, cumpre ratificar que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre a legalidade ou inconstitucionalidade de normas legais, sendo o contencioso administrativo foro impróprio para discussões desta natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos artigos 97 102 da Carta Magna. Essa orientação tem sido igualmente seguida pelo Conselho de Contribuintes, conforme súmula 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esse raciocínio é igualmente aplicável ao item “H” do recurso (ver fls.85 do Recurso Voluntário), em que a interessada reclama a atualização monetária das faixas teto de faturamento do SIMPLES. Foge ao escopo desse Conselho o deferimento do pleito, por tratar se direito não previsto em lei. À autoridade administrativa cumpre a aplicação estrita das disposições normativas sobre a matéria, não havendo como reconhecer, no âmbito administrativo, acréscimo aos limites quantitativos estabelecidos no art. 5° da Lei n° 9.317/19997 (com modificações promovidas pela Lei n° 9.732/1998 e Lei n° 10.034/2000, que altera parte das alíquotas referidas nesse mesmo artigo). No que tange à penalidade de 150% aplicada, é inequívoca a subsunção dos fatos ã hipótese de incidência indicada na autuação, qual seja o art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996. É flagrante que a contribuinte, ao omitir totalmente as suas receitas , ao longo de vários períodos de apuração, prestou de forma sistemática informações totalmente distorcidas à SRF, algo que seguramente não ocorreu como resultado de mero erro, face à total discrepância com a realidade. Perfeitamente caracterizada, portanto, a prática pela autuada de conduta tipificada no art. 71, I, da Lei 4.502/1964 9, tal qual descrito pela fiscalização à fl. 89,do que decorre a aplicação da multa qualificada. Não omitiu, errou ou ainda "esqueceu" de prestar informações, o que fez o contribuinte foi emitir falsa declaração ao apresentar a empresa como inativa. Nesse sentido é a jurisprudência desse Conselho: MULTA QUALIFICADA. INFORMAÇÃO FALSA EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Somente é justificável a exigência da multa qualificada de 150%, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Ao prestar informação falsa na Declaração de Ajuste (venda não realizada de bem), o contribuinte age de forma tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (fraude), ou impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária (sonegação). Fl. 573DF CARF MF 10 Processo nº 13839.001995/200708 Acórdão nº 2201004.133 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2018 Relator(a): RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM (grifos nossos) Com relação ao caráter confiscatório da multa, tal multa constitui penalidade pecuniária, já que não visa arrecadar mais tributo ou contribuição, mas sim desestimular a prática da ilicitude fiscal que visa coibir e, portanto, não está enquadrada na garantia constitucional prevista no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, que diz respeito apenas a tributos. E tributos, na definição do próprio texto constitucional, são os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria (CF/1988, artigo 145, I, II e III). As multas, portanto, não são tributos, como, aliás, já define o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966, artigo 3º), o qual dispõe, inclusive, que esses não constituam sanção de ato ilícito, distinguindoos das multas, que visam punir uma conduta ilegal. Somente incorre na multa quem infringe a legislação tributária e a contribuinte, ao deixar de cumprir a lei, assumiu o ônus de sua conduta inadequada. Quanto à argüição de inaplicabilidade da taxa SELIC, cabe ressaltar que o parágrafo primeiro do art. 161 do CTN determina que os juros moratórios aplicáveis a créditos tributários não integralmente pagos no vencimento serão de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Já o legislador ordinário, com a Lei n° 9.065/95, artigo 13, e, posteriormente, com a Lei n° 9.430/96, artigo 61, § 3°, determinou expressamente que a taxa de juros em questão seria equivalente à taxa SELIC. Conforme já descrito no item anterior, estando presente determinação legislativa válida e eficaz, para que seja exigida a taxa SELIC sobre “débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal exaurese a discussão na esfera administrativa, face à ausência de competência da Administração para negar eficácia a atos normativos. Conclusão Por todo acima exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário mantendo a totalidade da autuação. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720864/2008-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.
A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidentes nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos imunes, não tributado (NT) ou sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas - NT (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 9303-006.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidentes nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos imunes, não tributado (NT) ou sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas - NT (Súmula CARF nº 20).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A possibilidade de manutenção e utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos de IPI incidentes nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos imunes, não tributado (NT) ou sujeitos à alíquota zero, não se estende às pessoas jurídicas não contribuintes do imposto, produtoras de mercadorias classificadas como não tributadas NT (Súmula CARF nº 20). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 64 /2 00 8- 98 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340301.678, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. IN SRF 33/99. ALCANCE. O direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779/99, decorrente das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização, observada a normatização da IN SRF 33/99, alcança os produtos acobertados pela imunidade. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · O art. 11 da Lei 9.779/99 não contempla a possibilidade de aproveitamento de crédito de IPI nas situações em que o produto final é não tributado ou imune; · O regramento é taxativo ao prever que o incentivo fiscal se estende apenas aos produtos isentos ou tributados à alíquota zero; · Mesmo se admitisse que a previsão contida na IN SRF 33/99 fosse extensiva a outros casos de imunidade constitucional, nem mesmo assim o sujeito passivo poderia se beneficiar, pois o produto fabricado pela empresa, segundo DRF, não se amolda à hipótese do art. 155, § 3º, da CF/88. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 4 3 Em Despacho às fls. 177 a 179, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · Os arestos chamados à colação pelo recurso fazendário vislumbram situações diversas ao caso em exame e, em virtude disso, não são aptos ao fim a que se destinam; · A PGFN não logrou êxito em comprovar a existência de similitude fática entre os arestos confrontantes; · O sujeito passivo formalizou pedido de homologação de compensação tributária pela utilização de créditos de IPI referentes à aquisição de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários, aplicados na industrialização de produto imune – emulsões asfálticas; · O processo de emulsão asfáltica é albergado pela imunidade constitucional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que comprovada a divergência exigida pelo art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O acórdão recorrido decidiu que o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei 9.779/99, decorrentes das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização, observada a IN SRF 33/99, alcança os Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 5 4 produtos acobertados pela imunidade. Imunidade conferida pelo art. 155, § 3º, da CF/88. Enquanto, nos acórdãos indicados como paradigmas, os Colegiados decidiram que o benefício fiscal não alcança os produtos exportados que possuam a notação NT na TIPI, por não estarem dentro do campo de incidência do imposto, ainda que beneficiados por imunidade constitucional. Faço menção que, independentemente de os produtos discutidos nos arestos serem diferentes, a discussão trazida em debate foi a mesma, o que, decidindo de forma divergente, atenderam os pressupostos de admissibilidade do recurso. Sendo assim, entendo que devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide, qual seja, se o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei 9.779/99, decorrentes das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização, alcança os produtos acobertados pela imunidade. Em relação à essa questão, entendo que assiste razão ao sujeito passivo – o que, para melhor elucidar, passo a discorrer sobre a lide. A priori, importante trazer que não há que se falar em se discutir a imunidade do produto em questão, vez que já restava superada tal situação no Colegiado a quo, conforme segue: “[...] No exame do pleito as autoridades administrativas acataram as conclusões dos aludidos atos opinativos e tomaram o produto (emulsão asfáltica) como imune ao IPI, pelo que, não será, nesta seara, debatido o acerto de tal ponto de vista, motivo pelo qual sua Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 6 5 inclusão no campo de incidência realizada pelos decretos que provaram as tabelas de incidência do imposto, a vigente naquela época e as que lhe sobrevieram, não será considerada neste julgamento, mesmo porque a premissa condutora de todo o processo, até então, é que o produto goza de não incidência constitucionalmente qualificada (imunidade, nas palavras de José Souto Maior Borges).[...]” Sendo assim, ressurgindo aos autos, temse que o caso vertente versa sobre pedido de ressarcimento de IPI como decorrência da aplicação de insumos tributados pelo imposto na industrialização de produto imune, conforme art. 155, §3º da CF/88, qual seja, “emulsão asfáltica de petróleo”. Eis o art. 155, § 3º, da CF/88: “[...] § 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. [...]” O aproveitamento do saldo credor do IPI ora discutido encontrase na Lei 9.779/99, que trouxe em seu art. 11: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 7 6 Tal dispositivo estabelece que o saldo credor do IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei 9.430/96, observadas as normas expedidas pela SRF. Vêse que o dispositivo não restringe o direito de crédito aos casos de industrialização de isentos e de tributados à alíquota zero, conferindo o direito “inclusive” nestas hipóteses. Não obstante, desde que tais matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem sejam aplicados na industrialização do produto. Cabe trazer, assim, que vários produtos imunes ao IPI resultam de atividade industrial – o que entendo que o saldo credor do IPI dos materiais utilizados na “industrialização” do produto imune pode ser objeto de ressarcimento – tal como possibilita o dispositivo legal. Desta feita, o processo industrial que resulta na saída de “emulsão asfáltica de petróleo” assegura o creditamento do IPI, relativamente aos insumos tributados nele empregados. Ademais, observandose a IN SRF 33/99, temos (Grifos meus): “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...) §3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...) Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 8 7 Art. 4º. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999.” Nesse ínterim, vêse claro no art. 4º da IN SRF 33/99 que há o direito ao crédito para itens consumidos na industrialização de produtos imunes. Não há que se falar em contrariedade ao art. 11 da Lei 9.779/99 e tampouco em se confundir produto imune de produto não tributado NT. Nessa parte, o próprio legislador difere produtos industrializados favorecidos por imunidade de produtos não industrializados ou produtos de fato industrializados e não tributados. Devese, além disso, aplicar a norma especial o art. 4º da IN, eis que excepciona e garante o direito ao ressarcimento do r. crédito quando se tratar de produtos industrializados favorecidos por imunidade constitucional. Cabe elucidar que no mesmo sentido temos o art. 195, § 2º, do RIPI/02 (vigente à época) – que estabelece que “o saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº. 9.779, de 1999, art. 11). Tal dispositivo encontrase no RIPI/2010, que revogou o de 2002, trazendo em seu art. 256, § 2º: “[...] § 2o O saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 9 8 industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11).[...]” Frisese tal entendimento a Solução de Consulta 14/03: “ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS IMUNES A partir de 01.01.99, poderão ser mantidos na escrita fiscal do IPI os créditos do imposto relativo à aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização de minerais do País, ainda que referidos minerais não sofram a incidência do imposto por força de imunidade constitucional. DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 11 da Medida Provisória nº. 1788/98; art. 11 da Lei nº. 9779/99; artigos 2º e 4º da IN SRF nº. 33/99; art. 155, parágrafo 3º da Constituição de 1988.” Ademais, apenas para esclarecimento, tal como estressado pelo Colegiado a quo nos autos do processo, reflito que a Sumula CARF 20 não se aplica ao presente caso. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao aproveitamento créditos do IPI sobre as aquisições de insumos empregados na produção e venda de produtos classificados na TIPI como não tributados (NT). Tratase de matéria já julgada nesta instância superior, reconhecendo a vedação de se aproveitar créditos sobre insumos utilizados na industrialização de produtos imunes ao IPI e/ ou classificados na TIPI como não tributados (NT). Dentre os diversos acórdãos, citamos o de nº 9303004.581, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, referente ao processo nº 16682.720026/201228. Os produtos fabricados pelo contribuinte sobre os quais se discute o direito ao aproveitamento de créditos do IPI sobre os insumos empregados na sua produção são emulsões asfálticas, derivadas de petróleo, imunes ao IPI, nos termos do art. 155 da Constituição Federal de 1988, que assim dispõe: "Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...) § 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)" A imunidade tributária é uma delimitação negativa da competência tributária dos entes políticos da Federação que os impede de instituir tributo sobre aqueles bens, Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 11 10 situações ou pessoas identificados no texto constitucional como excluídos do campo de incidência tributária. Tratase de um instituto que se diferencia das figuras exonerativas da isenção e da alíquota zero, principalmente pelo fato de que, nessas situações, os entes políticos têm competência para instituir o tributo, mas que, por razões extrafiscais, decidem exonerar determinados setores ou produtos por meio de normas infraconstitucionais, cuja tributação encontravase constitucionalmente autorizada. A Constituição Federal, em relação à hipótese de imunidade tributária sobre a qual se discute nestes autos, não faz qualquer referência aos limites semânticos do termo "derivados de petróleo" nem remete à norma infraconstitucional a sua limitação, não se vislumbrando, portanto, a possibilidade de se fixarem critérios delimitadores que não estejam previstos no ordenamento jurídico. O contribuinte busca o ressarcimento de créditos de IPI decorrentes das aquisições de insumos aplicados na produção de emulsões asfálticas derivadas de petróleo, que, de acordo com a Constituição Federal, é imune em relação ao IPI. A Lei nº 9.779/1999, art. 11, assim dispõe sobre a possibilidade de se requerer ressarcimento do saldo credor de IPI incidente nas aquisições de insumos aplicados na industrialização: "Art. 11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda." Verificase que a lei prevê o direito a ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente de aquisições de insumos aplicados na industrialização, ainda que de produto isento ou tributado à alíquota zero, observada a regulamentação por parte da Administração tributária federal. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 12 11 A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ao regulamentar o referido dispositivo, por meio da Instrução Normativa SRF nº 33/1999, assim dispôs: "Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (P1) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI. (...) § 3° Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT) Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidos no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Segundo estes dispositivos, os créditos relativos a insumos aplicados em produtos não tributados devem ser estornados para fins de fruição do benefício instituído pela Lei nº 9.779/1999, de conformidade com o princípio da não cumulatividade. A questão se complica, um pouco, em razão do contido no art. 4º da instrução normativa acima reproduzido, em que se altera a dicção da lei, prevendose, também, o aproveitamento do imposto relativamente a insumos aplicados em produtos imunes, podendo levar a entender que o benefício se estenderia a todas as hipóteses constitucionais de imunidade. Contudo, a leitura que se deve fazer do art. 4º da IN SRF nº 33/1999 não pode ser isolada de sua matriz legal (art. 11 da Lei nº 9.779/1999) e do ordenamento jurídico como um todo, pois às normas complementares das leis, como o são as instruções normativas, não é dado poder para criar incentivo fiscal, tarefa essa reservada à lei específica, conforme preceitua a própria Constituição Federal, no § 6º do art. 1.502. A IN SRF nº 33/1999, ao incluir a expressão "imune" no rol das hipóteses passíveis de ressarcimento de crédito de IPI, requer uma interpretação no sentido de que se autoriza a manutenção do crédito do imposto mas somente em relação a produtos cuja Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 13 12 exportação goza de imunidade tributária, produtos esses que, se comercializados no mercado interno, em regra, seriam tributados pelo IPI. A instrução normativa não tem poder para estender, sem base legal, o beneficio fiscal para os produtos NT e/ ou imunes, como o são os derivados de petróleo. Foi nesse sentido que se posicionou a SRF ao editar o ADI nº 5/2006: "Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF n°33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação 'NT' (não tributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n" 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002 — Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. (g. n.)" Também não socorre o contribuinte a sua alegação de que os seus produtos são imunes e, portanto, não enquadráveis como "Não Tributados" (NT), pois, diferentemente do que ele defende, para que um produto possa dar o direito ao crédito do IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/1999, há que ser, primeiramente, tributado pela legislação do IPI, o que não ocorre com as emulsões asfálticas derivadas do petróleo, pois a sua saída do estabelecimento, por se tratar de operação imune, não configura fato gerador do referido imposto. A TIPI engloba sob a rubrica "Não Tributável" os casos de (i) não incidência "pura e simples" (fatos estranhos à regra jurídica da tributação), (ii) isenção e (iii) imunidade. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 14 13 Assim, tratandose de produto classificado como imune ou NT, a aquisição de insumos aplicados em sua fabricação não gera direito a crédito de IPI, conforme preceitua a Súmula CARF nº 20, literalmente: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." De acordo com o art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, as súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do CARF, sob pena de perda de mandato4. Assim, independentemente da discussão acerca do alcance do termo "Não Tributado" (NT) utilizado na legislação do IPI, se aplica ou não às hipóteses de imunidade constitucionalmente instituídas, no presente caso, estáse diante de uma regra clara e objetiva em que se estipula uma vedação específica, sobre a qual este Colegiado não dispõe de discricionariedade para afastála, dado que a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) encontrase aprovada por meio de um decreto vigente à época dos fatos, cuja observância é obrigatória, nos termos do art. 62 do Anexo II do RICARF, que assim dispõe: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10830.720864/200898 Acórdão n.º 9303006.516 CSRFT3 Fl. 15 14 d) Parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)" Ora, segundo o dispositivo supra somente nas hipóteses elencadas é possível o afastamento da aplicação de um decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 236DF CARF MF
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