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Numero do processo: 10183.727000/2015-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PROCEDIMENTO FISCAL CONDUZIDO POR UNIDADE DA RFB DIVERSA DO DOMICÍLIO FISCAL DO CONTRIBUINTE. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. Nº 27.
Somente ensejam a nulidade do lançamento os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses não apuradas no presente feito.
É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da RFB de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CONFIGURAÇÃO.
São solidariamente obrigados, por determinação legal, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. APLICABILIDADE.
A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do art. 161, § 1º, do CTN, artigo 13 da Lei nº 9.065/95, art. 61 da Lei nº.9.430/96 e Súmulas nº 4 e 108 do CARF.
Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo CARF e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF deliberando sobre a inconstitucionalidade da legislação.
PAF. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA OU PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS.
Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar.
Presentes os elementos de convicção necessários à solução da lide, despiciendo o pedido de dilação probatória formulado.
Numero da decisão: 2001-007.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Goncalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente), Lilian Claudia de Souza, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Cleber Ferreira Nunes Leite (substituto integral), Carlos Marne Dias Alves (substituto integral) e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, substituído pelo conselheiro Carlos Marne Dias Alves.
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Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 PROCEDIMENTO FISCAL CONDUZIDO POR UNIDADE DA RFB DIVERSA DO DOMICÍLIO FISCAL DO CONTRIBUINTE. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. Nº 27. Somente ensejam a nulidade do lançamento os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses não apuradas no presente feito. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da RFB de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CONFIGURAÇÃO. São solidariamente obrigados, por determinação legal, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. APLICABILIDADE. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do art. 161, § 1º, do CTN, artigo 13 da Lei nº 9.065/95, art. 61 da Lei nº.9.430/96 e Súmulas nº 4 e 108 do CARF. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo CARF e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF deliberando sobre a inconstitucionalidade da legislação. PAF. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA OU PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Presentes os elementos de convicção necessários à solução da lide, despiciendo o pedido de dilação probatória formulado.
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NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF. Nº 27. Somente ensejam a nulidade do lançamento os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses não apuradas no presente feito. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da RFB de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CONFIGURAÇÃO. São solidariamente obrigados, por determinação legal, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. APLICABILIDADE. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Fl. 1469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 2 Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do art. 161, § 1º, do CTN, artigo 13 da Lei nº 9.065/95, art. 61 da Lei nº.9.430/96 e Súmulas nº 4 e 108 do CARF. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo CARF e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF deliberando sobre a inconstitucionalidade da legislação. PAF. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA, PERÍCIA OU PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Presentes os elementos de convicção necessários à solução da lide, despiciendo o pedido de dilação probatória formulado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Goncalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente), Lilian Claudia de Souza, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Cleber Ferreira Nunes Leite (substituto integral), Carlos Marne Dias Alves (substituto integral) e Wilderson Botto. Ausente o conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, substituído pelo conselheiro Carlos Marne Dias Alves. Fl. 1470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 3 . RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 1413/1421): O auto de infração de fls. 2/10 exige do sujeito passivo, já qualificado no presente processo, e da responsável solidária (Laura Tereza da Costa Dias, CPF 427.884.711 49, cônjuge do autuado - demonstrativo de fl. 4 e termo de sujeição passiva solidária de fls. 11/14) o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 458.637,26, assim discriminado: R$ 208.102,57 de imposto, R$ 156.076,93 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 94.457,76 de juros de mora (calculados até novembro/2015). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, apurou-se a infração descrita à fl. 5, consistente na "omissão de rendimentos tendo em vista o acréscimo patrimonial a descoberto, ou seja, excesso de aplicações/dispêndios sobre recursos/origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, ...", constatada em dezembro/2010 na monta de R$ 756.736,63. O Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 15/24, minudencia as ações adotadas pela Fiscalização, das quais se destacam, em síntese, os seguintes itens: ⇒ o rol das intimações dirigidas ao sujeito passivo, ao cônjuge deste e as diligências realizadas perante terceiros, nos quadros de fls. 15/17, além da menção de que foram utilizadas as informações contidas na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra os sujeitos passivos no curso da chamada "Operação Ararath"; ⇒ em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, com base nos dados disponíveis e nos elementos reunidos no decorrer da ação fiscal, foram elaboradas planilhas que demonstraram a insuficiência de recursos do casal para fazer jus às aplicações e dispêndios por ele realizados no ano-calendário 2010, gerando um desequilíbrio na monta de R$ 1.513.473,26; salientou a Fiscalização que como ocorreu a entrega em separado das declarações dos cônjuges, a importância de R$ 756.736,63 fora considerada como rendimento próprio de cada um deles; ⇒ quanto à sujeição passiva, "Éder e Laura formam uma sociedade conjugal regida pela comunhão parcial de bens, conforme Certidão de Casamento apresentada em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n. 130/2015. Assim, cada um dos cônjuges é responsável pessoal e solidariamente pelo crédito tributário constituído contra o outro, nos termos do art. 124, inc. I do CTN, ...". Os sujeitos passivos (o autuado e a responsável solidária) apresentaram em conjunto, por intermédio de procurador habilitado (documentação de fls. 1400/1405), a impugnação de fls. 1375/1399, da qual se extraem, em resumo, os reclamos adiante delineados. Às fls. 1376/1378, a preliminar de tempestividade, contendo itens atinentes ao prazo e os efeitos da entrega da impugnação a tempo, bem como a informação de que o sujeito passivo encontra-se preso, o que prejudicou, segundo entende, o exercício pleno de sua defesa. Fl. 1471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 4 Após, manifestam os impugnantes a ocorrência de vícios do auto de infração, sobretudo a nulidade em face de a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes em Belo Horizonte - Demac/BHE não possuir competência para o lançamento, uma vez que Cuiabá/MT consiste no domicílio fiscal dos autuados. Nesse mister, citam os interessados, além de doutrina, as atribuições daquela Delegacia Especial estampadas no art. 229 do Regimento Interno da RFB (Anexo da Portaria MF n. 203/2012), a Portaria RFB n. 2.193/2014, a Portaria RFB n. 641/2015 e a Portaria RFB n. 2.356/2010, bem como aduziram às fls. 1391/1392 que: "Em outras palavras da simples leitura das declarações de IRPF tanto de EDER DE MORAES DIAS quanto de LAURA TEREZA DA COSTA DIAS que constam tanto dos autos do presente feito quanto dos bancos de dados da receita federal ver-se-á facilmente que nenhuma das declarações contempla valores ao menos próximos daqueles exigidos pela norma como critérios para o enquadramento na competência do DEMAC/BH. (...)" (negritos do original) Em tópico intitulado "Da ausência de justificativa competente para a conclusão quanto ao valor do suposto crescimento patrimonial a descoberto", às fls. 1394/1397, os impugnantes revelam que todas as suas fontes de receitas foram devidamente apresentadas, não ocorrendo o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela Fiscalização. Ademais, houve empréstimos em favor dos contribuintes que, comprovadamente, indicariam a origem dos valores. Ao final, às fls. 1397/1398, os impugnantes arrolaram seus pedidos, conforme a seguir: "a) Recebam a presente impugnação administrativa; b) Suspendam em favor de EDER DE MORAES DIAS E LAURA TEREZA DA COSTA DIAS, a exigibilidade dos créditos fiscais contidos no auto de infração ora impugnado; c) Permitam aos impugnantes que apresentem novas provas e documentos no curso do presente feito em decorrência da situação sui generis dos mesmos conforme exposto no item 1 da presente impugnação; d) Declare a nulidade do auto de infração ora em apreço em face ao exposto no item 2 da presente impugnação; e) Seja declarado inexistente qualquer crescimento patrimonial a descoberto em desfavor dos ora Impugnantes nos termos do item 3.b acima, declarando-se indevido o pagamento de R$ 208.102,57 a título de imposto de renda valor este que desde já tem-se por impugnado; f) Em não sendo atendido o pedido imediatamente acima, sejam refeitos os cálculos e se apresente da maneira discriminada e detalhada qualquer crescimento patrimonial a descoberto dos Impugnantes; g) Seja declarado inexistente o dever de pagar quaisquer valores a título de multa e juros, em especial os valores de R$ 156.076,93 (multa) e R$ 94.457,76 (juros) contidos no auto de infração, considerando-se desde já impugnada a aplicação de qualquer sanção ou penalidade fiscal." A decisão de primeira instância, por maioria, manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: Fl. 1472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DEMONSTRATIVOS. EMPRÉSTIMOS CONSIDERADOS. A Fiscalização descreveu minuciosamente os itens que compuseram os quadros demonstrativos com vistas à apuração da variação patrimonial a descoberto, inclusive com o aproveitamento de valores a título de empréstimos, conforme delineado no Termo de Verificação Fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DA DEMAC. Pelos elementos constantes dos autos, ficam sem fundamento as alegações de nulidade, na medida em que não se encontram vícios no lançamento, lavrado com plena obediência ao processo administrativo fiscal. As aduções acerca de não serem os servidores da Demac/BH competentes para a fiscalização realizada não encontram eco na legislação tributária. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Os impugnantes não demonstraram a ocorrência de alguma das ressalvas previstas na legislação para a apresentação de provas em momento posterior ao prazo para impugnação, o que afastaria em termos formais o seu exame; contudo, materialmente, nada mais fora efetivamente entregue, no interstício compreendido entre a apresentação da defesa e este julgado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2011 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. No caso em espécie, considerando o vínculo existente entre o autuado (sujeito passivo) e seu cônjuge, caracterizou-se a sujeição passiva pessoal e solidária deste, com a lavratura do pertinente termo. Cientificados da decisão, em 13/05/2016 (fls. 1428/1429), o contribuinte e sua esposa/responsável solidária, por procurador habilitado interpuseram, em 09/06/2016, recurso voluntário em conjunto (fls. 1433/1458), insurgindo contra a manutenção da autuação, reportando e repisando basicamente as alegações da peça impugnatória, a seguir brevemente sintetizadas por meio dos seguintes tópicos: 1 – Da tempestividade e do cabimento; 2 - Resumo da respeitabilíssima decisão de primeira instância; 3 – Resumo do auto de infração ora impugnado; 4 – Dos vícios do auto de infração ora impugnado: a) – Da nulidade do auto de infração: Competência para lançar; b) – Da ausência de justificativa competente para a conclusão quanto ao valor do suposto crescimento patrimonial a descoberto. Requer, ao final, a) o recebimento do presente recurso; b) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ora recorrido; c) seja permitida a apresentação de novas provas e documentos; d) seja declarada a nulidade da autuação; e) seja declarado inexistente qualquer crescimento patrimonial a descoberto em Fl. 1473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 6 desfavor dos Recorrentes, declarando-se indevido o imposto suplementar lançado; f) em não sendo atendido o pedido anterior, sejam refeitos os cálculos e se apresente da maneira discriminada e detalhada qualquer crescimento patrimonial a descoberto dos Recorrentes; g) seja declarado inexistente o dever de pagar quaisquer encargos legais, considerando-se desde já impugnada a aplicação de qualquer sanção ou penalidade fiscal. Instrui a peça recursal com o documento de fls. 1459/1464. É o relatório. VOTO Conselheiro Wilderson Botto, Relator. Admissibilidade O recurso apresentado em conjunto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares As alegações trazidas em sede preliminar, a bem da verdade se confundem com as razões de mérito, e com ele serão apreciadas. Mérito Da omissão de rendimentos apurada: O litígio recai sobre a omissão de rendimentos apurada em desfavor do contribuinte principal, representada por acréscimo a descoberto, caracterizada pelo excesso de aplicações sobre origens de recursos, no valor de R$ 756.736,63, constatada em sede verificação do cumprimento das obrigações tributárias do ano-calendário de 2010 – restando também apurada a responsabilidade solidária de sua esposa, Laura Tereza da Costa Dias, ao teor do termo de sujeição passiva solidária lavrado (fls. 11/14) – importando na apuração do imposto suplementar no valor total de R$ 208.102,57, a ser acrescido dos encargos legais, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento da infração integral apurada. Pois bem. Em que pese as alegações recursais, do cotejo dos documentos carreados, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 1413/1421) e atendo-se às informações contidas no auto de infração e nos termos de sujeição passiva solidária e de verificação fiscal lavrados (fls. 2/42), não há como prosperar a pretensão recursal. Assim, considerando que os Recorrentes, nesta fase processual, não trouxeram novas razões contundentes para modificar o julgado, tanto em relação as preliminares quanto às alegações de mérito – limitando-se basicamente em repisar as alegações da peça impugnatória, Fl. 1474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 7 contudo sem demonstrar por documentação hábil a origem e aplicações de recursos diante da incompatibilidade dos gastos e aquisições de bens e direitos em comparação as rendas disponíveis no período, ou seja, excesso de aplicações sobre origens de recursos não respaldados sobre rendimentos declarados no decorrer dos anos-calendário autuados, restando assim subsistente o APD, ao teor dos demonstrativos mensais de variação patrimonial elaborados (fls. 25/40), cuja infração integral encontra-se detalhada no relatório fiscal lavrado (fls. 15/24) – me convenço do acerto da decisão, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos lançados no voto condutor (fls. 1417/1421), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do art. 114, § 12, I da Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023 (Novo RICARF): Da aduzida nulidade do auto de infração - competência para lançar Os interessados contestam a competência da Demac/Belo Horizonte/MG para fiscalizá- los, em lugar da DRF em Cuiabá/MT, município no qual residem e têm seu endereço tributário. De plano, vale frisar que a competência para o lançamento é a da autoridade fiscal, no caso o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, sendo que a exigência do crédito tributário por servidor lotado em unidade distinta da correspondente ao domicílio do sujeito passivo consiste em procedimento válido nos termos do art. 9º, caput e §§ 2º e 3º, do Decreto n. 70.235/1972: "Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (redação dada pela Lei n. 11.941/2009) ... § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (redação dada pela Lei n. 8.748/1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (incluído pela Lei n. 8.748/1993) ..." Em relação à competência da Demac, abstraindo-se o entendimento anterior, cabe firmar que regimentalmente atua de forma concorrente em todo o território nacional, nos termos definidos no art. 229 do Anexo à Portaria MF n. 203, de 14 de maio de 2012, conforme a seguir se verá. Nesse propósito, reputa-se como interessante o debate promovido pelos impugnantes, daí não se furta este relator à discussão. De início, há de se citar os itens destacados pelos impugnantes acerca das normas envolvidas: "Art. 229. Às Delegacias Especiais da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes - Demac compete, no âmbito de sua jurisdição e de forma concorrente em todo território nacional, em relação aos contribuintes de Fl. 1475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 8 relevante interesse , definidos de acordo com critérios aprovados por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, ...: ... § 2º À Demac Belo Horizonte compete desenvolver as atividades de fiscalização dos contribuintes pessoas físicas de relevante interesse e aos demais contribuintes a eles relacionados, bem como propor programas especiais de fiscalização para disseminação em âmbito nacional." (negritos e sublinhados constantes da impugnação, à fl. 1385) Compreenderam os impugnantes que não estavam "enquadrados" no rol de contribuintes passíveis de fiscalização pela Demac/BH, sobretudo, nos termos revelados, pelo previsto na Portaria RFB n. 2.193/2014, complementada pela Portaria RFB n. 641/2015. Isso é o que se depreende pela análise sintetizada no seguinte fragmento, à fl. 1391: "Tendo apresentado acima as normas que regem a competência da DEMAC/BH fica claro e evidente que a referida não teria sob nenhuma hipótese competência para fiscalizar/lançar créditos tributários do ora Impugnantes. Isso fica claro da simples leitura do artigo 8º, incisos I e II, da Portaria RFB 641/15, segundo a qual o critério para definição das pessoas físicas sujeitas a acompanhamento diferenciado se relacionam a rendimento total declarado direitos (inciso I) e bens e direitos (II)." (sublinhados como no original) Os parâmetros fixados nos atos arrolados são administrativos, prestando-se para a organização interna da RFB, no claro propósito de promover a especialização de funções visando ao incremento das atividades de planejamento, acompanhamento, fiscalização e controle inerentes ao Órgão, nunca se podendo deles extrair algum impeditivo de competência de lançamento realizado por servidores lotados na Demac/BH. Ademais, embora declare rendimentos e bens em valores inferiores aos que se prestariam, em tese, para se caracterizar como um contribuinte diferenciado a ser estudado pela Demac/BH, fato é que as investigações desenvolvidas pela Polícia Federal na "Operação Ararath" apontam a movimentação estimada de pelo menos R$ 500 milhões nos últimos anos no esquema do qual o autuado participou. Noutra ótica, tem-se que quando do início da ação fiscal, cujo termo fora recebido em 29/04/2015 (AR de fls. 47/48), ainda vigia a Portaria RFB n. 2.356, de 14 de dezembro de 2010, que em seu art. 9º dispunha: "Art. 9º As pessoas físicas objeto do acompanhamento diferenciado serão indicadas pela Comac, com base em critérios objetivos e parâmetros técnicos. § 1º As SRRF, as Coordenações Gerais e as Coordenações Especiais poderão propor a indicação de outras pessoas físicas para o acompanhamento diferenciado, observadas as orientações expedidas pela Comac. § 2º A proposta de que trata o § 1º deverá ser fundamentada." Em suma, não se encontra na legislação tributária e, em especial, nas normas que definem o processo administrativo fiscal, qualquer hipótese de nulidade, com destaque ao estabelecido pelo artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 1476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 9 II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Pelo exposto, tem-se que as autoridades lançadoras agiram em observância das normas legais que regem a matéria, não havendo como prosperar as alegações de nulidade do lançamento. Acréscimo patrimonial a descoberto Inferiram os interessados que no lançamento não ocorreu a comprovação do aumento patrimonial não justificado, sob a seguinte adução, à fl. 1395: "Pois bem, para que haja a constatação do crescimento patrimonial a descoberto há que se comprovar que o aumento patrimonial dos impugnantes não corresponda com o rendimento declarado em suas declarações do Imposto de Renda. Ocorre que, e desde já se tenha por expressamente impugnado, que o referido Auto de Infração simplesmente apresenta os valores referentes ao suposto crescimento patrimonial de maneira absolutamente aleatória, sem nenhum tipo de comprovação." No confronto entre os recursos e aplicações atinentes aos contribuintes, no concernente ao mês de dezembro do ano-calendário 2010, observou a Fiscalização o acréscimo patrimonial não justificado, nos termos do art. 55, XIII, do RIR/1999: "Art. 55. São também tributáveis: ... XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; ..." O acréscimo patrimonial apurado nos termos do dispositivo corresponde à presunção de omissão de rendimentos, legalmente prevista, sendo que os itens componentes da apuração realizada constam delineados nos "demonstrativos de variação patrimonial - recursos/origens" (fls. 25/29), "demonstrativos de variação patrimonial – aplicações / dispêndios" (fls. 30/39) e "demonstrativo de variação patrimonial - resultado da análise" (fl. 40), recebidos pelos sujeitos passivos em conjunto com o auto de infração e TVF. Todos os itens levados em consideração pela Fiscalização para a elaboração dos demonstrativos foram fielmente descritos, com base na documentação oferecida pelos contribuintes e terceiros. Não há, então, como atribuir à infração apontada alguma aleatoriedade, porquanto se deu a plena demonstração da ocorrência do desequilíbrio entre os recursos e os dispêndios, caracterizando a omissão de rendimentos nos termos da legislação delineada. De forma genérica, os impugnantes revelaram a ocorrência de empréstimos, à fl. 1396: "Para mais, quanto a supostos valores recebidos pelos Impugnantes os quais não teriam origem comprovada tem-se que comprovou-se que, para além de qualquer Fl. 1477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 10 dúvida, houve empréstimos em favor dos contribuintes que comprovadamente indicam a origem dos valores, sendo que tanto os empréstimos recebidos, quanto os pagos constam da declaração de IR dos cônjuges no ano de 2010." Se os impugnantes estão se reportando ao empréstimo tomado pelo cônjuge varão, no valor de R$ 2.595.000,000, esse foi levado em consideração pela Fiscalização, conforme demonstrativo de variação patrimonial, à fl. 39, e Termo de Verificação Fiscal, à fl. 20, contendo a seguinte conclusão: "(...) Afinal, se houve uma entrada no montante de R$ 2.595.000,00 (empréstimo contraído junto a João Carlos Simoni) houve uma aplicação de igual valor (pagamento de empréstimo a Gérson Marcelino Mendonça Júnior). Permaneceu, conforme declarado por Laura, uma dívida no montante de R$ 2.595.000,00 junto a João Carlos Simoni." Destarte, é de se manter a infração apurada e, em consequência, o imposto dela decorrente, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Da leitura dos autos, constato que o presente feito seguiu os trâmites regulares. A fiscalização atuou dentro da estrita legalidade e no limite institucional de sua competência, encontrando-se o lançamento devidamente formalizado, contendo ainda a indicação do cargo e o número de sua matrícula funcional dos auditores que o subscreveram (fls. 3), ao teor do art. 10, VI do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Ademais, o lançamento está claramente motivado com a base legal enquadrada, contendo a descrição da infração e dos dispositivos legais que deram suporte a penalidade aplicada e do valor devido, de maneira a oportunizar ao contribuinte e sua esposa/responsável solidária o pleno exercício ao contraditório, sendo concedido o prazo legal para apresentação de defesas que, diga-se passagem, foram exercidas a tempo e modo conjuntamente, não ocorrendo eventual cerceamento de defesa. Nessa mesma esteira, constata-se que também inexistir óbice para que o auto de infração fosse lavrado por servidores competentes de outra jurisdição. Aliás, tal procedimento encontra-se ancorado no art. 9º do PAF: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1478DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art25 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 11 § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Ademais, tal matéria já se encontra assentada neste CARF, importando na edição da Súmula nº 27: Súmula nº 27: É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Não obstante, alia-se o fato de que, da leitura da autuação, em detrimento das alegações recursais, pode-se apurar que o lançamento está amparado nos fatos descritos que, no entender da autoridade fiscal ensejaram a apuração detalhada do imposto e dos encargos aplicados, com a indicação dos dispositivos legais atinentes – cuja ação fiscal, como bem fundamentado na decisão recorrida, teve por base investigações desenvolvidas pela Polícia Federal na "Operação Ararath" apontando movimentação estimada de R$ 500 milhões nos últimos anos, esquema do qual o Recorrente participou, o que atrai a ação da Demac/BHE – não ocorrendo na espécie as causas ensejadoras da nulidade previstas no art. 59, I e II do PAF. Destarte, não restando comprovado o recebimento dos valores que motivaram o acréscimo patrimonial não justificado, ao teor dos arts. 806 e 807 do RIR99, sem que se tenha havido a efetiva comprovação da origem dos valores lançados – aliado à mingua de suporte probatório hábil e contundente a demonstrar a incorreção da autuação, diante da apuração do excesso de dispêndios em relação aos recursos disponíveis nos anos-calendários de 2010 e 2011, conforme aliás cabalmente demonstrado no relatório fiscal lavrado acompanhado pelas planilhas de demonstrativo mensal da evolução patrimonial, elaborado com base nos documentos fornecidos pelo próprio contribuinte – correta é manutenção do lançamento revisado pela decisão recorrida, tudo em sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho subsistente o crédito tributário no particular. Quanto à multa de ofício aplicada, nada a prover. Vale salientar, que sua incidência à base de 75% sobre o crédito tributário remanescente mantido, decorre de expressa previsão legal (art. 44, I da Lei nº 9.430/96), não podendo ser reduzida e nem dispensada, cabendo a fiscalização aplicá-la sob pena de violação do dever de ofício. Portanto, escorreita e legal a conduta fiscal no particular. No mesmo sentido também deverá incidir juros de mora sobre o crédito tributário remanescente. Cabe ressaltar que a tal matéria já se encontra pacificada neste CARF, culminando inclusive com a edição das Súmulas nº 4 e 108: Súmula nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 1479DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.942 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.727000/2015-06 12 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Súmula nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser aplicados, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. No que tange ao entendimento jurisprudencial trazido para justificar as pretensões recursais, o mesmo nesta seara é improfícuo, porquanto as decisões, mesmo que colegiadas, sem um normativo legal que lhe atribua eficácia, não se traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e somente vinculam as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos. Quanto ao pedido de dilação probatória, com especial destaque para a apresentação de novo suporte documental, não vislumbro a necessidade de sua realização, visto que o processo se encontra suficientemente instruído e é contundente em demonstrar a sujeição passiva em relação à matéria autuada. Ademais no processo fiscal a produção probatória somente se justifica se necessária à formação de convicção do julgador (art. 18 do Decreto nº 70.235/72), o que se torna despiciendo no presente feito. Cabe salientar, outrossim, que o lançamento rege-se por expressa determinação legal, sendo portanto a atividade fiscal vinculada e obrigatória, na exata dicção do art. 142 do CTN, competindo ao Fisco realizar a revisão da declaração de ajuste, calcular a exigência e constituir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional. Por fim, quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, vale registrar que, durante o curso processual, o crédito tributário ficará com a exigibilidade suspensa, na exata dicção do art. 151, III do CTN, sendo despiciendo o pedido formulado nesse sentido, sobretudo levando-se em conta que a suspensão requerida já foi aplicada por força de lei. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 1480DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10880.911535/2017-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO
Nos termos do art. 65, do RICARF, existindo obscuridade, omissão, contradição ou erro material, acolhem-se os Embargos de Declaração.
PARCELAMENTO DA COPA
Não há previsão legal para colocar débitos extintos em parcelamento e solicitar a restituição dos respectivos valores.
Numero da decisão: 3302-015.123
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para suprir a omissão apontada, analisando o fundamento em questão nos termos do voto condutor, sem efeitos infringentes. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.120, de 21 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.911533/2017-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Marco Unaian Neves de Miranda(substituto[a] integral), Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus, Lázaro Antonio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO Nos termos do art. 65, do RICARF, existindo obscuridade, omissão, contradição ou erro material, acolhem-se os Embargos de Declaração. PARCELAMENTO DA COPA Não há previsão legal para colocar débitos extintos em parcelamento e solicitar a restituição dos respectivos valores.
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OMISSÃO Nos termos do art. 65, do RICARF, existindo obscuridade, omissão, contradição ou erro material, acolhem-se os Embargos de Declaração. PARCELAMENTO DA COPA Não há previsão legal para colocar débitos extintos em parcelamento e solicitar a restituição dos respectivos valores. ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para suprir a omissão apontada, analisando o fundamento em questão nos termos do voto condutor, sem efeitos infringentes. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.120, de 21 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.911533/2017-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Marco Unaian Neves de Miranda(substituto[a] integral), Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus, Lázaro Antonio Souza Soares (Presidente). Fl. 123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.123 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.911535/2017-50 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Embargos opostos pela Recorrente face a decisão constante em acordão assim ementado: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. Inexiste direito creditório disponível para fins de restituição quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível, porque os valores respectivos já haviam sido alvo de aproveitamento, através de um pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido O Embargante sustenta que o Acórdão apresenta os seguintes vícios: A embargante sustenta que o acórdão padece de omissão quanto ao argumento de que os débitos declarados em DCOMP foram parcelados no parcelamento intitulado “REFIS da Copa” e que, portanto, o saldo credor estaria disponível para ser restituído Os Embargos de Declaração foram admitidos em Despacho de Admissibilidade, após análise das alegações e cabimento, dentro do previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, com os dizeres abaixo: De fato, a decisão embargada não apreciou tal argumento, decidindo, inclusive, que não havia saldo a restituir, em razão de sua utilização em uma declaração de compensação anteriormente requerida, declaração esta cujos débitos são o objeto do argumento não apreciado. Assim, os Embargos de Declaração opostos foram admitidos. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.123 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.911535/2017-50 3 ADMISSIBILIDADE Acolho os Embargos, por serem tempestivos, tratarem de matéria de competência desta turma e cumprirem os demais requisitos de admissibilidade ora exigidos. MÉRITO A controvérsia cinge-se em verificar se os documentos/pleitos aqui acostados não foram apreciados, conforme Omissão alegada pela Embargante. Compulsando os autos verifico que a questão suscitada nos Embargos não foi enfrentada no Acórdão, ou seja, não ocorreu manifestação sobre o “Parcelamento da Copa”. Passemos a analisar o caso em tela; QUANTO À ALEGAÇÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP nº 13245.44708.211209.1.3.04-8025. Trata-se da Dcomp de nº 13245.44708.211209.1.3.04-8025, que gerou o processo nº 10880.924.611/2012-82, cujo resultado foi Homologação Parcial conforme quadro abaixo: VALOR TOTAL DO DARF R$ 236.269,68 DATA DE ARRECADAÇÃO DO DARF 29/12/2005 VALOR DO CRÉDITO SOLICITADO R$ 17.860,23 VALOR DO CRÉDITO RECONHECIDO R$ 17.607,56 VALOR DO DÉBITO RESTANTE (PRINCIPAL) R$ 371,35 Ou seja, o valor que ficou devedor do débito foi de R$ 371,35 + Multa + Juros. O Despacho decisório foi emitido em 03/04/2012, com ciência em 16/04/2012, dentro do prazo de homologação e a Manifestação da Recorrente foi INTEMPESTIVA, acarretando o arquivamento do citado processo de Declaração de Compensação, encerrando-se em termos administrativos. Ressalte-se que o valor que foi reconhecido no Direito Creditório é exatamente o valor que consta da DCTF retificadora do contribuinte. Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.123 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.911535/2017-50 4 No presente caso, trata-se do Pedido de Restituição de pagamento maior e/ou indevido do mesmo DARF e valores já citados, por meio da PER nº 27081.48876.300709.1.2.04-3836, cujo pleito foi INDEFERIDO em 05/04/2017, com indicação que o crédito associado já havia sido totalmente utilizado na DCOMP nº 13245.44708.211209.1.3.04-8025, que gerou o processo nº 10880.924.611/2012-82, cujo resultado já foi devidamente explicitado acima. Em seu Recurso Voluntário, fls. 3, esclarece: Neste ínterim, oportuno esclarecer, que o saldo do crédito apurado e objeto de pedido de compensação via DCOMP n.º 13245.44708.211209.1.3.04- 8025, não foi homologado, conforme de se depreende do despacho decisório abaixo que indeferiu o pedido de compensação nos seguintes termos: Pela análise dos dados apresentados percebe-se que pode ter ocorrido equivoco por parte da Recorrente, pois a maior parte dos débitos foi homologada, conforme tabela abaixo: Fl. 126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.123 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.911535/2017-50 5 Conforme quadro acima, a homologação ocorreu da seguinte forma: TOTAL DO DÉBITO R$ 26.249,18 100,00 % TOTAL HOMOLOGADO R$ 25.877,83 98,58 % VALOR NÃO HOMOLOGADO R$ 371,35 1,41 % Ou seja, apenas 1,41 % do débito não foi homologado, demonstrando equívoco por parte da Recorrente na interpretação do Despacho Decisório. QUANTO ALEGAÇÃO DE INCLUSÃO NO PARCELAMENTO DA COPA Ressalta a Recorrente às fls. 4 de seu Recurso Voluntário: Por outro lado, importante ressaltar que a DCOMP nº 13245.44708.211209.1.3.04-8025 perdeu seu objeto, uma vez que a Recorrente incluiu os débitos com os quais pretendia compensar o saldo de crédito apurado, no Programa Especial de Parcelamento intitulado “REFIS da Copa” o que pode ser analisado pelo extrato de parcelamento anexo (Doc. 01). A Recorrente ao aderir no “REFIS da Copa”, os débitos que pretendia compensar com o saldo de crédito apurado no PER nº 27081.48876.300709.1.2.04-3836, insurgiu-se novamente no seu direito creditório de ter o seu pedido de ressarcimento analisado. Isto porque, é consequência lógica que havendo perda de objeto da DCOMP, por vinculação dos débitos que se pretendiam compensar ao “REFIS da Copa”, remanesce o direito creditório da Recorrente apurado no PER, frisa- se, decorrente de pagamento a maior devidamente retido em DCTF retificadora, devendo, portanto, ser analisado e restituído. Fl. 127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.123 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.911535/2017-50 6 Dessa forma, clarividente que a Recorrente não utilizou o saldo do crédito tributário apurado no PER nº 27081.48876.300709.1.2.04-3836, para compensar com outros débitos administrados pela Receita Federal. Dessa forma, se requer desde já a reforma integral do V. Acórdão recorrido, para o fim de reconhecer o direito crédito da Recorrente vinculado ao PER nº 27081.48876.300709.1.2.04-3836, inclusive para que possa vincular o referido Pedido de Restituição(PER) a futuras Declarações de Compensações DCOMPs que possam vir a ser utilizada Pela leitura dos argumentos elencados depreende-se que a intenção da Recorrente é cancelar os efeitos da Dcomp nº 13245.44708.211209.1.3.04- 8025, que foi homologada em cerca de 98,58 % dos débitos elencados, com Despacho decisório emitido em 03/04/2012, com ciência em 16/04/2012, com manifestação considerada intempestiva pela Unidade da Receita Federal, estando encerrado administrativamente. Não consta nos Autos nenhum pedido de Cancelamento e/ou Revisão dos débitos já apontados que seriam alvo de eventual parcelamento. Percorrendo também as informações do Processo verifica-se recibo do Parcelamento da Copa, com data de 21/08/2014, na modalidade para pagamento à vista com utilização de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL para liquidação de Multas e juros, da Lei nº 12.996/2014. Não há nenhuma relação de processos ou débitos discorridos para eventual Parcelamento. Normalmente nos citados Parcelamentos ditos como “especiais”, elencam- se saldos devedores de débitos ou processos que estejam em discussão administrativa ou judicial, com a respectiva desistência. Não há previsão legal para colocar débitos extintos e solicitar a restituição dos respectivos valores. Frise-se que o valor do Direito Creditório do pagamento indevido e/ou a maior também não é objeto de contestação pela Recorrente no presente processo. Conforme amplamente demonstrado, não assiste razão à Recorrente. Nesse sentido, voto por conhecer e acolher os Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada julgando os pedidos do contribuinte, sem efeitos infringentes. Fl. 128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.123 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.911535/2017-50 7 Assim, a ementa do Acórdão CARF deve incluir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2005 PARCELAMENTO DA COPA Não há previsão legal para colocar débitos extintos em parcelamento e solicitar a restituição dos respectivos valores. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para suprir a omissão apontada, analisando o fundamento em questão, sem efeitos infringentes. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Fl. 129DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721129/2015-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. MESMAS RAZÕES DE DEFESA ARGUIDAS NA IMPUGNAÇÃO. ADOÇÃO DAS RAZÕES E FUNDAMENTOS PERFILHADOS NO ACÓRDÃO RECORRIDO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 114, § 12, INCISO I DA PORTARIA MF Nº 1.634 DE 2023 (RICARF).
Nas hipóteses em que o sujeito passivo não apresenta novas razões de defesa em sede recursal, o artigo 114, § 12, inciso I do Regimento Interno do CARF (RICARF) autoriza o relator a adotar a fundamentação da decisão recorrida mediante a declaração de concordância com os fundamentos da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DISPOSIÇÕES CONSTANTES DA LEI Nº 10.101/00. NORMA ISENTIVA. EXIGÊNCIA DE CUMPRIMENTO.
Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição se, e somente se, forem observados os requisitos constantes da Lei nº 10.101/00, entre eles, a exigência da existência de regras claras e objetivas sobre as metas a serem alcançadas.
AJUSTE PRÉVIO. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO.
Não há, na Lei nº 10.101/00, determinação sobre quão prévio deve ser o ajuste de PLR. Tal regra demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto. No entanto, é de rigor que a celebração de acordo sobre PLR preceda os fatos que se propõe a regular, ou que a sua assinatura seja realizada com antecedência razoável ao término do período de aferição, pois o objetivo da PLR é incentivar o alcance dos resultados pactuados previamente.
DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. CONSEQUÊNCIA.
O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais atrai a incidência da contribuição social previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de PLR.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFICÁCIA NORMATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais, e decisões administrativas para os quais a lei atribua eficácia normativa, de modo que as decisões suscitadas pelo recorrente em seu recurso voluntário não são aplicáveis ao caso analisado.
Numero da decisão: 2201-012.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Thiago Álvares Feita, que lhe deu provimento.
Assinado Digitalmente
Luana Esteves Freitas – Relatora
Assinado Digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Álvares Feital, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: LUANA ESTEVES FREITAS
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MESMAS RAZÕES DE DEFESA ARGUIDAS NA IMPUGNAÇÃO. ADOÇÃO DAS RAZÕES E FUNDAMENTOS PERFILHADOS NO ACÓRDÃO RECORRIDO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 114, § 12, INCISO I DA PORTARIA MF Nº 1.634 DE 2023 (RICARF). Nas hipóteses em que o sujeito passivo não apresenta novas razões de defesa em sede recursal, o artigo 114, § 12, inciso I do Regimento Interno do CARF (RICARF) autoriza o relator a adotar a fundamentação da decisão recorrida mediante a declaração de concordância com os fundamentos da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DISPOSIÇÕES CONSTANTES DA LEI Nº 10.101/00. NORMA ISENTIVA. EXIGÊNCIA DE CUMPRIMENTO. Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição se, e somente se, forem observados os requisitos constantes da Lei nº 10.101/00, entre eles, a exigência da existência de regras claras e objetivas sobre as metas a serem alcançadas. AJUSTE PRÉVIO. ASSINATURA DO ACORDO DURANTE O PERÍODO DE APURAÇÃO. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. Não há, na Lei nº 10.101/00, determinação sobre quão prévio deve ser o ajuste de PLR. Tal regra demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto. No entanto, é de rigor que a celebração de acordo sobre PLR preceda os fatos que se propõe a regular, ou que a sua assinatura seja realizada com antecedência razoável ao término do período de aferição, pois o objetivo da PLR é incentivar o alcance dos resultados pactuados previamente. Fl. 2618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 2 DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. CONSEQUÊNCIA. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais atrai a incidência da contribuição social previdenciária sobre a totalidade dos valores pagos a título de PLR. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFICÁCIA NORMATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais, e decisões administrativas para os quais a lei atribua eficácia normativa, de modo que as decisões suscitadas pelo recorrente em seu recurso voluntário não são aplicáveis ao caso analisado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Thiago Álvares Feita, que lhe deu provimento. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Álvares Feital, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). Fl. 2619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 3 RELATÓRIO Do Auto de Infração Por esclarecedor, utilizo para compor o presente relatório o resumo constante no acórdão de piso (fls. 2388/2391): Trata o processo em epígrafe de lançamento de contribuições previdenciárias patronais e de contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – (SAT/RAT), e de contribuições devidas a outras entidades e fundos (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SEBRAE e SESCOOP), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. Relata a fiscalização que, em auditoria realizada na empresa, constatou-se que a mesma deixou de declarar em GFIP o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. A divergência foi apurada na análise das folhas de pagamento, apresentadas pela empresa em arquivo digital padrão MANAD, e das GFIPs entregues, constantes do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil na situação exportada. A empresa apresentou GFIP para o ano calendário de 2011 de sua Matriz, enquadrada no CNAE preponderante 65.50-2/00, Planos de Saúde, sendo que informa nessas mesmas GFIPs o FPAS 515 e o código de Terceiros 4163, Salário Educação (2,5%), INCRA (0,2%), SEBRAE (0,6%) e SESCOOP (2,5%). A análise dos documentos revelou que as diferenças de remuneração não declaradas correspondem a pagamentos efetuados a segurados empregados a título de “Participação nos lucros ou resultados – PLR, código da rubrica 430”, Participação Espontânea – código da rubrica 643” e “Abono de VT – código da rubrica 314”, a seguir descritos: a) Participação nos lucros ou resultados – PLR, código da rubrica 430 A auditoria constatou que a empresa efetuou pagamento a seus empregados, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, em desacordo com a legislação em vigor, pelo que considerou os valores pagos como integrantes da remuneração paga aos segurados empregados. Os valores foram pagos de acordo com previsão em Convenção Coletiva de Trabalho 2010 e Termo Aditivo a essa Convenção, celebrados entre o Sindicato Nacional das Cooperativas de Serviços Médicos - SINCOOMED e o Sindicato dos empregados de cooperativas médicas do Estado de São Paulo - SECMESP, abrangendo o período de apuração dos exercícios de 2009 e 2010, e prevendo o pagamento da Participação nos Resultados até o final de abril de 2011. Os valores pagos a título de PLR estão relacionados, por empregado, na planilha de fls. 1.539/1.547. Fl. 2620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 4 O Termo Aditivo examinado, apresentado pela empresa, abrange o período base dos exercícios de 2009 e 2010, e apresentam como "METAS", a serem atingidas, "a variação positiva entre os anos de 2009/2010 do Faturamento/Usuário, do Faturamento/Empregado, do Repasse aos Cooperados; a variação negativa entre os anos de 2009/2010 do Custo Indireto/Faturamento e a Assiduidade do empregado beneficiado", conforme sua Cláusula 3ª. Observa a fiscalização que o acordo para pagamento da PLR deve estipular previamente metas claras e objetivas que devem ser apuradas e acompanhadas durante todo o ano a que se referem, para, se atingidas, justificarem o pagamento da participação, após a verificação do cumprimento desses objetivos. Ocorre que o Termo Aditivo que definiu as metas foi assinado apenas em 14/12/2010, quando a empresa já possuía o conhecimento sobre o atingimento de tais "METAS" estipuladas, não podendo ser considerado previamente pactuado, conforme determina o Artigo 2º, parágrafo primeiro, inciso II da Lei nº 10.101/2000, que regula a matéria, estando, dessa forma, em desacordo com a legislação. O não atendimento a qualquer um dos artigos, parágrafos ou incisos da Lei nº 10.101/2000, que rege a matéria, já descaracteriza o enquadramento dos pagamentos efetuados aos segurados empregados citados anteriormente como sendo "PLR" e, assim, foram considerados pela fiscalização como Salário, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. b) Participação Espontânea – código da rubrica: 643. Trata-se de valor pagos a segurados empregados, como participação nos lucros ou resultados, previsto em Acordo Coletivo de Trabalho - ACT de 2011, celebrado entre a empresa, assistida pelo Sindicato Nacional das Cooperativas de Serviços Médicos - SINCOOMED, e o Sindicato dos empregados de Cooperativas Médicas do Estado de São Paulo - SECMESP, relativo ao período de outubro de 2010 a setembro de 2011. O ACT estabelece, na cláusula segunda, que "para a aferição do benefício será utilizado um mecanismo, a Avaliação de Desempenho Global, compostas pelos indicadores globais, de acordo com a Cláusula 4ª do acordo. Na sua Cláusula 4ª foram definidos em uma tabela os “Indicadores Estratégicos e Metas 2011". Observa a fiscalização que o acordo para pagamento da PLR deve estipular previamente metas claras e objetivas que devem ser apuradas e acompanhadas durante todo o ano a que se referem, para, se atingidas, justificarem o pagamento da participação, após a verificação do cumprimento desses objetivos. Entretanto, o ACT 2011 somente foi assinado em 30/09/2011, quando a empresa já possuía o conhecimento sobre o atingimento de tais "METAS 2011" estipuladas na Cláusula 4ª., não podendo ser considerado previamente pactuado, conforme determina o Artigo 2º, parágrafo primeiro, inciso II da Lei Fl. 2621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 5 nº 10.101/2000, que regula a matéria, estando, dessa forma, em desacordo com a legislação. Os valores relativos à PLR foram incluídos em folha de pagamento do mês de outubro de 2011 como “Participação Espontânea – código da rubrica: 643”, e estão relacionados, por empregado, na planilha de fls. 1.548/1.556. O Acordo Coletivo de Trabalho de 2011, foi registrado apenas em 24/10/2011 e encaminhado ao Ministério do Trabalho e Emprego em 26/12/2011, quando o pagamento já havia sido realizado. O não atendimento a qualquer um dos artigos, parágrafos ou incisos da Lei nº 10.101/2000, que rege a matéria, já descaracteriza o enquadramento dos pagamentos efetuados aos segurados empregados citados anteriormente como sendo "PLR" e, assim, foram considerados pela fiscalização como Salário, integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Os valores pagos pela empresa a título das rubricas código 430 - "PLR" e código 643 -PARTICIPAÇÃO ESPONTÂNEA, foram devidamente contabilizados na conta contábil 5.01.02.01.01.02.01.01- EMPREGADOS - PART SOBRE O LUCRO. c) Abono de VT – código da rubrica 314 (...) QUALIFICAÇÃO DA MULTA Relata a fiscalização que a empresa reiteradamente deixou de informar em suas GFIPs do ano calendário de 2011, em todos os meses, fatos geradores de contribuições previdenciárias, apurados na ação fiscal. Em razão dos fatos relatados e do exame da documentação apresentada, estima- se presente o dolo do contribuinte, dolo este que quando não concorre para a desfiguração do fato gerador, atua no sentido de ocultá-lo da autoridade fazendária, ocasionando formalização de Representação Fiscal para Fins Penais - RFFP, em tese, por crimes contra a ordem tributária, sonegação fiscal, e, em razão disso, a multa aplicada de 75% nos valores devidos apurados, foi qualificada em 100% (cem por cento), passando a ser de 150,00% (cento e cinqüenta por cento), conforme determinado no artigo 35-A da Lei 8.212/91 introduzido pelo artigo 26 da Lei nº 11.941/09 que determina a aplicação do artigo 44 da Lei 9.430/96 nos casos de lançamentos de ofício de contribuições previdenciárias e de Terceiros. Da Impugnação Cientificado do Auto de Infração por via postal na data de 16/11/2015, conforme Aviso de Recebimento – A.R. acostado à fl. 1592, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1598/1634), na data de 17/12/2015 (fl. 1598), na qual alegou, em breve síntese, as razões sintetizadas nos seguintes tópicos: I – PRELIMINAR Fl. 2622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 6 I.1. Da Ausência de Crime contra a Seguridade Social; II. – DO MÉRITO II.1. Vale Transporte: (a) Da equivocada interpretação fiscal de que o pagamento se deu em pecúnia; (b) Da não incidência de contribuição previdenciária da empresa destinada a Seguridade Social, GILRAT e de Terceiros sobre Valores Pagos a Título de Vale Transporte; II.2. Da Participação nos Lucros ou Resultados (a) Da imunidade de Contribuição Previdenciária destinada a Seguridade Social e a Terceiros sobre a Participação nos Lucros ou Resultados de Trabalhadores; (b) Dos fundamentos da Descaracterização da Participação nos Lucros ou Resultados de Trabalhadores; (b.1.) Da anterioridade do Acordo Coletivo e do 1º Termo Aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho – Assinatura Antes do Efetivo Pagamento da Participação; II.3. Do valor da multa e dos juros aplicados (a) Da inexistência de Prova de Dolo ou Fraude para atrair a aplicação de multa qualificada – controvérsia interpretativa da matéria envolvendo o Vale-Transporte e a Participação nos Resultados – Improcedência da Multa Qualificada de 150%; (b) Do caráter confiscatório da multa aplicada e desobediência ao princípio da capacidade contributiva; (c) Da impossibilidade de incidência da SELIC sobre a Multa de Ofício – Ausência de autorização legal. Da Decisão em Primeira Instância A 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO, em sessão realizada na data de 20/09/2016, por meio do acórdão nº 14- 62.744 (fls. 2386/2419), julgou procedente em parte a impugnação apresentada, para: (a) reduzir a multa de ofício aplicada, de 150% para 75%; (b) excluir da base de cálculo os valores pagos a título de vale transporte, cujo acórdão restou assim ementado (fls. 2386/2387): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA. CRITÉRIOS E METAS. CONHECIMENTO PRÉVIO AO PERÍODO DE APURAÇÃO. A Lei nº 10.101/2000 traz intrínseca a exigência do conhecimento prévio sobre as regras e metas estabelecidas para a participação nos lucros ou resultados. O Fl. 2623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 7 pagamento de participação nos lucros e resultados sem que os trabalhadores tenham se envolvido no esforço para atingimento das metas não atende à intenção maior prevista na Lei n° 10.101/2000 e, estando em desacordo com os objetivos da Lei ou dos requisitos por ela exigidos, enseja a sua descaracterização, importando no seu reconhecimento como pagamento a título de prêmio ou gratificação. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Nos termos das orientações exaradas no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016 e no Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) nº 04, de 31/03/2016, não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DA FRAUDE, DOLO OU CONLUIO. A falta de declaração em GFIP, por si só, não é suficiente para justificar a aplicação da multa qualificada, sendo necessária a demonstração da falsidade da declaração e o dolo específico de afastar ou reduzir a contribuição devida. MULTA. CONFISCO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, é dirigida ao legislador, não cabendo a autoridade administrativa afastar a incidência da lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A penalidade pecuniária integra a obrigação principal sujeitando-se, assim, à incidência dos juros de mora. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO, REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador de tributo, e, caso esse tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a legislação aplicável. Assim, não há qualquer razão para pronunciamento da autoridade julgadora no que se refere a Representação Fiscal para Fins Penais, posto que esta trata de crime, ainda que em tese. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário Cientificado do acórdão de primeira instância na data de 30/11/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl. 2449), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 2451/2479), na data de 21/12/2016 (fl. 2450), no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na Impugnação. Fl. 2624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 8 Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Luana Esteves Freitas, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Participação nos Lucros e Resultados – PLR A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) é um direito constitucional dos trabalhadores e uma forma relevante de integração do capital e do trabalho e incentivo à produtividade. O inciso XI, do artigo 7º, da Constituição Federal determinou a desvinculação da participação nos lucros ou resultados da remuneração. Contudo, trata-se de norma de eficácia limitada, de modo que depende de lei ordinária para ter eficácia plena. Portanto, a não incidência da contribuição previdenciária sobre a referida ocorrerá somente após a regulamentação dispositivo constitucional, o que se deu com o advento da MP n.º 794, de 1994, a qual, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n.º 10.101, de 2000, atualmente em vigor. Tal previsão também consta na Lei nº. 8.212/91, artigo 28, §9º, alínea “j”, que, seguindo os ditames constitucionais, retirou do salário de contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias, a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Assim, para que os valores pagos a título de PLR não integrem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, deverão ser observados os requisitos e procedimentos estabelecidos em Lei Específica – Lei nº 10.101/2000. O artigo 2º da Lei 10.101/200 determinou que o instrumento de negociação, a ser escolhido de comum acordo pelas partes envolvidas, pode ser: (i) comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria (artigo 2º, inciso I, com efeitos a partir de 1º de Janeiro de 2013); ou (ii) convenção ou acordo coletivo (artigo 2º, inciso II). Em seguida, no §1º do referido dispositivo legal, preconiza que no plano acordado deverão constar regras claras e objetivas (contornos concretos), fixando-se os direitos substantivos da participação (o conjunto de definições, de direitos, de obrigações e de relações, o direito material à PLR) e das regras adjetivas (o conjunto de regras procedimentais a serem executadas, atendidas e observadas no fluxo que terá como produto final a apuração se será efetivado o pagamento da PLR, ou não, devendo constar do plano os mecanismos de aferição das Fl. 2625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 9 informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo). A supracitada Lei traz, ainda, um rol exemplificativo de quais os critérios e condições que podem ser considerados no plano de pagamento da PLR: (i) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa (art. 2º, §1º, I); e (ii) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente (art. 2º, §1º, II). Em regras gerais, são estes os requisitos previstos na Lei nº. 10.101/2000, conforme redação vigente à época dos fatos. Ajuste prévio No caso dos autos, a fiscalização considerou que os pagamentos efetuados pela Recorrente a título de PLR não atendem à legislação vigente, em breve síntese, por não terem sido pactuados previamente. Tendo em vista que a recorrente repisa os mesmos argumentos trazidos em sede de Impugnação, manifestando um mero inconformismo com a decisão de piso, e uma vez que amplamente enfrentada pela primeira instância, cujos fundamentos concordo, adoto como razões de decidir os fundamentos expostos na decisão recorrida, nos termos do artigo 114, § 12, inciso I da Portaria MF nº 1.634 de 2023, mediante a reprodução do seguinte excerto (fls. 2400/): No caso dos autos, temos o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de participação dos empregados nos resultados da impugnante, uma Cooperativa que atua no ramo de planos de saúde. A Auditoria considerou que os pagamentos efetuados pela impugnante a título de Participação nos Resultados não atendem à legislação que rege a matéria, por não terem sido pactuados previamente. Em relação aos pagamentos efetuados a título de PLR – rubrica 430, em abril de 2011, o Auditor esclarece no Relatório Fiscal (fls. 1.558/1.570), que: “O Termo Aditivo examinado, apresentado pela empresa, abrange o período base dos exercícios de 2009 e 2010, e apresentam como "METAS", a serem atingidas, "a variação positiva entre os anos de 2009/2010 do Faturamento/Usuário, do Faturamento/Empregado, do Repasse aos Cooperados; a variação negativa entre os anos de 2009/2010 do Custo Indireto/Faturamento e a Assiduidade do empregado beneficiado", conforme sua Cláusula 3ª. Ocorre que tal Termo Aditivo, relativo ao período base de 2009 e 2010, foi assinado apenas em 14/12/2010, quando a empresa já possuía o conhecimento sobre o atingimento de tais "METAS" estipuladas, NÃO PODENDO SER CONSIDERADO PREVIAMENTE PACTUADO, conforme determina o Artigo 2º, parágrafo primeiro, Inciso II da Lei 10.101/2000, que regula a matéria, a saber: (...)” Fl. 2626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 10 Quanto aos pagamentos efetuados em outubro de 2011, a título de Participação Espontânea – código 643, a Auditoria traz as seguintes razões: “Ocorre que, da mesma forma que o 1º Termo Aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho de 2010, examinado anteriormente, tal Acordo Coletivo de Trabalho de 2011 somente foi assinado em 30/09/2011, quando a empresa já possuía o conhecimento sobre o atingimento de tais "METAS 2011" estipuladas na Cláusula 4ª, NÃO PODENDO SER CONSIDERADO PREVIAMENTE PACTUADO, conforme determina o Artigo 2º , parágrafo primeiro, Inciso II da Lei 10.101/2000, que regula a matéria, já citado e transcrito anteriormente.” E conclui: Uma empresa que celebre um Acordo de PLR, relativo ao ano calendário de 2010, para efetuar tais pagamentos no ano calendário de 2011, deveria estipular previamente metas claras e objetivas que deveriam ser apuradas e acompanhadas durante todo o ano de 2010, para, se atingidas, justificarem o pagamento que deveria ser realizado apenas no ano calendário de 2011, após a verificação do cumprimento desses objetivos. (...) Por essas razões anteriormente citadas, por não atender o disposto na Lei 10.101/2000 que rege a matéria, consideramos os pagamentos realizados aos segurados empregados a título de "Participação nos Resultados - PLR", código da rubrica de folha 430, e a título de PARTICIPAÇÃO ESPONTÂNEA, código da rubrica de folha 643, como sendo SALÁRIO, e, portanto, base de cálculo da previdência social, apurada a PARTE PATRONAL e de TERCEIROS, por reflexo, e lançada nessa Auto de Infração, conforme consta das planilhas digitais de apuração denominadas de ANEXO I, e também na planilha totalizadora denominada de ANEXO II, parte integrante desse Auto de Infração. Está correto o entendimento da fiscalização. A Lei nº 10.101/2000 tem como objetivo a "integração entre o capital e o trabalho" e o “incentivo à produtividade”, nos termos de seu artigo 1º, in verbis: (...) O objetivo da lei é a "integração entre o capital e o trabalho", e "incentivo à produtividade", e esse objetivo deve ser observado pelas partes na implantação dos programas de PLR, sob pena de descaracterização do instituto. A Lei nº 10.101/2000, no artigo 2º, impôs diversos requisitos a serem observados pelo empregador para caracterizar e validar a participação nos lucros e resultados da empresa. Dispõe o referido normativo, in verbis: (...) A legislação exemplifica alguns parâmetros que poderão, a critério da empresa, ser adotados, tais como a estipulação de índices de produtividade, qualidade ou Fl. 2627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 11 lucratividade da empresa, ou programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Como explicitado no texto legal, tais parâmetros são facultativos. Não há, na Lei, regras detalhadas sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. Devem, entretanto, como já dito, observar os objetivos pretendidos pelo legislador – a integração entre o capital e o trabalho e incentivo à produtividade, sob pena de desvirtuar a natureza da PLR. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. A objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se garantir que não haja dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado. Nesse sentido, entendo que a Lei nº 10.101/2000 traz intrínseca a exigência do conhecimento prévio sobre as regras e metas que o trabalhador deverá observar e atingir para que faça jus à participação nos resultados. Sobre a necessidade de definição e conhecimento prévio dos critérios da participação, Sergio Pinto Martins assim de posiciona: Os critérios da participação nos resultados não poderão ficar sujeitos apenas a condições subjetivas, mas objetivas, determinadas, para que todos as possam conhecer e para que não haja dúvida posteriormente sobre se o empregado atingiu o resultado almejado pela empresa” (Martins, Sergio Pinto. Participação dos empregados nos lucros das empresa, 4ª ed. – São Paulo: Ed. Atlas, 2015, p. 150) Assim, para cumprir com os objetivos da Lei, fazendo com que o trabalhador se sinta engajado no processo de trabalho, estimulado e empenhado ao atingimento de um objetivo comum, faz-se necessário o conhecimento prévio do objetivo a ser alcançado e do quanto o seu engajamento, a sua dedicação, resultará em seu benefício na forma de participação nos lucros ou resultados. Com esse entendimento, é de se concluir que os pagamentos efetuados pela empresa, a título de participação nos resultados, não estão de acordo com os preceitos da Lei nº 10.101/2000, por ausência de conhecimento prévio por parte dos trabalhadores das regras e objetivos a atingir. No caso, como veremos adiante, as regras, a definição dos critérios e metas foram definidas ao final do período de apuração das mesmas. Quanto à data de assinatura dos instrumentos de instituição da PLR, devo esclarecer, não tenho o entendimento de que o acordo deva, necessariamente, Fl. 2628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 12 ser assinado antes do exercício a que se refere, entretanto, resta claro que deve ser assinado com a anterioridade necessária para que os trabalhadores tenham as condições e o tempo suficiente para dimensionar o esforço necessário para atingir os objetivos propostos. Exemplificando, situações há em que categorias profissionais tradicionalmente ajustam o pagamento de PLR por ocasião da data-base da categoria, no decorrer do ano, repetindo-se ao longo dos anos. Nesses casos, normalmente, tais categorias de trabalhadores tem a sua motivação, o seu incentivo à maior produtividade, na habitualidade do recebimento da PLR, que ano a ano se renova, orientando-se pelos indicadores usualmente utilizados. Os trabalhadores já têm a perspectiva (com algum grau de certeza) que sua representação sindical atuará para garantir a continuidade do benefício, em moldes semelhantes aos então vigentes, e, assim, direcionam seus esforços para o melhor desempenho ou produtividade daqueles indicadores. Podem ocorrer, também, situações em que a negociação gire em torno da mudança da situação existente, a partir da qual se propõe como objetivo uma dada situação futura a ser atingida. Ou seja, parte-se da situação existente em determinado momento do ano, para uma mudança, com o empenho e esforço conjunto, atingir uma situação desejada ao final de um período (reversão de uma situação financeira negativa, ganho de mercado, redução de custos etc.). Várias podem ser as situações possíveis, entretanto, entendo que os critérios e metas devem ser de conhecimento prévio dos trabalhadores, a tempo suficiente para que o seu empenho e maior esforço, altere o ritmo de produção e resultem em um resultado maior que o anteriormente esperado. Definitivamente, não é o caso dos autos. Ao estabelecer-se critérios e metas com o período de apuração já transcorrido, retira-se dos trabalhadores o seu poder de atuação para, com o seu esforço, garantir o direito à participação. Se o resultado já foi alcançado e é conhecido, não podemos considerar que há o incentivo à produtividade, mas sim um prêmio pelo resultado obtido. Ao analisar os documentos apresentados, vemos que os critérios e metas foram estabelecidos ao final do período de apuração, conforme a seguir detalhamos. Deve-se esclarecer, inicialmente, que a Convenção Coletiva de Trabalho - CCT, assinada em 14/12/2009 (doc. Fls. 173/190), não pode ser considerada como o estabelecimento do direito à participação dos empregados nos lucros da empresa, eis que totalmente em desacordo com as disposições da Lei nº 10.101/2000. Assim está redigida a cláusula 38ª da CCT: Cláusula 38-. Fica convencionada a participação dos empregados nos resultados das cooperativas no exercício de 2010 que será paga até o mês de Abril de 2011 após a Assembleia Geral Ordinária de cada cooperativa. Fl. 2629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 13 § 1º Os critérios para a participação dos empregados serão estabelecidos em comum acordo entre os Sindicatos signatários da presente convenção a partir das sugestões apresentadas e discutidas pelos representantes daquelas entidades classistas. Os sindicatos signatários se comprometem a reunir-se ao longo de 2010 para rever os critérios existentes para pagamento do benefício e criar um procedimento diferenciado para as Federações Intrafederativas não operadoras de planos de saúde. § 29. Os percentuais apurados incidirão sobre o salário base, mais o Adicional por Tempo de Serviço, do mês em que o benefício for concedido ao empregado Vemos que, de fato, não há na CCT 2010 o estabelecimento de quaisquer regras quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Ao convencionar a participação dos empregados, a CCT 2010 simplesmente se limitou a uma promessa, vez que não estabelece as regras, condições ou metas para o seu recebimento e sequer quantifica o direito dos trabalhadores. Na prática, o parágrafo primeiro da cláusula 38ª remeteu para momento futuro a instituição do direito à PLR. Conforme estabelece o parágrafo 1º do artigo 2º, da Lei nº 10.101/2000, as regras que fixam os direitos substantivos da participação e as regras adjetivas devem constar do próprio instrumento que instituir a PLR, o que não aconteceu. Assim, a CCT 2010 não pode ser considerada com o instrumento que institui a PLR aos empregados da impugnante. Posteriormente, em 14/12/2010, o Sindicato Nacional das Cooperativas de Serviços Médicos – SINCOOMED, e o Sindicato dos Empregados de Cooperativas Médicas no Estado de São Paulo – SECMESP, firmaram o 1º Termo Aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho de 2010 (doc. Fls. 192/194), convencionando a participação dos empregados nos resultados das cooperativas entre os exercícios de 2009 e 2010, com previsão para pagamento até o mês de Abril de 2011. Os critérios estabelecidos para a aferição da participação nos resultados (faturamento, custo, assiduidade e repasse), consideram a variação (positiva ou negativa) entre os anos de 2009 e 2010 (cláusula 3ª do 1º Termo Aditivo). Entretanto, observa-se que o estabelecimento dos critérios e metas para percepção da participação ocorreu em 14/12/2010, a apenas 16 dias do final do período de apuração dos resultados, que se deu em 31/12/2010. Em 30/09/2011, a impugnante, assistida pelo Sindicato Nacional das Cooperativas de Serviços Médicos – SINCOOMED, e o Sindicato dos Empregados de Cooperativas Médicas no Estado de São Paulo – SECMESP, firmaram Acordo Coletivo de Trabalho – ACT (doc. Fls. 195/197), no qual ajustaram a participação dos empregados nos resultados da empresa. Fl. 2630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 14 Estabelece a cláusula 3ª do ACT, a participação dos empregados nos resultados através dos Indicadores Globais (índices de produtividade), do período de Outubro de 2010 a Setembro de 2011, com pagamento em 01/11/2011. Os indicadores estratégicos e metas estão estabelecidos na cláusula 4ª do ACT. O período de apuração da produtividade para a participação nos resultados de 2011 foi de outubro de 2010 a setembro de 2011, e o ACT foi assinado no último dia do período de apuração, em 30/09/2011. Evidentemente, nos dois casos não se pode falar em incentivo à produtividade. Repito, ao estabelecer-se critérios e metas com o período de apuração já transcorrido, retira-se dos trabalhadores o seu poder de atuação para, com o seu esforço, garantir o direito à participação. Se o resultado já foi alcançado e é conhecido, não podemos considerar que há o incentivo à produtividade, mas sim um prêmio pelo resultado obtido. Portanto, descumpre-se com os objetivos da Lei nº 10.101/2000, em especial ao incentivo à produtividade, tanto em relação aos pagamentos realizados com base no 1º Termo Aditivo à CCT 2010, como em relação aos pagamentos realizados com base no ACT 2011. A mera celebração da CCT ou do ACT e o pagamento de participação nos lucros e resultados sem que os trabalhadores tenham se envolvido no esforço para atingimento das metas não atende à intenção maior prevista na Lei n° 10.101/2000, porque tal documento, em tal contexto, acaba por apenas simular a participação dos empregados nos resultados da empresa, verificando-se o instrumento de negociação como mero instrumento formal garantidor de prêmios. Como previsto na legislação, a PLR, quando instituída de acordo com a legislação, é desvinculada da remuneração. Assim sendo, não sofre a incidência de contribuições previdenciárias e reflexos trabalhistas (13° salário, férias, DSR, Aviso Prévio). Os benefícios tributários e trabalhistas tem feito com que algumas empresas, visando somente a obtenção de redução indevida de custos, criem programas de participação nos lucros ou resultados em desacordo com os princípios constitucionais e legais. (...) O pagamento de verbas a título de PLR, em desacordo com os objetivos da Lei ou dos requisitos por ela exigidos, enseja a sua descaracterização, importando no seu reconhecimento como pagamento a título de prêmio ou gratificação, tendo a fiscalização procedido corretamente ao considerá-los como salário, portanto, integrantes da remuneração dos empregados. No presente caso resta patente que não se tratava de participação nos resultados da empresa, mas de prêmio, que ostenta nítida natureza salarial, e integra o salário de contribuição dos segurados empregados. Fl. 2631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 15 Sobre os prêmios, ensina Mauricio Godinho Delgado (Delgado, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho, 5. ed. – São Paulo: LTr, 2006): Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. O fato eleito como hábil a ensejar o prêmio tende a ser favorável ao empregador, porém vinculado à conduta do trabalhador ou grupo destes (produção e/ou produtividade; assiduidade; zelo etc.). Concluindo, pelo aqui exposto, entendo que a participação dos empregados nos resultados da empresa, não está de acordo com a Lei nº 10.101/2000 e, em conseqüência, as parcelas pagas a título de participação nos resultados integram a remuneração, sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias. Quanto à informação da fiscalização, quanto ao registro do ACT no Ministério do Trabalho, de se observar que ao artigo 2º, § 2º, da Lei nº 10.101/2000, prevê o arquivamento do instrumento de acordo apenas na entidade sindical dos trabalhadores, ato que entendo superado, vez que referida entidade sindical é signatária dos instrumentos. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão de piso. Incidência de Juros Moratórios sobre a Multa de Ofício O recorrente, pugnou, ainda, caso não sejam acolhidas as razões expostas no Recurso Voluntário, que seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre os valores da multa de ofício. Entretanto, o pedido não comporta acolhimento. Isso porque, forçosa a aplicação da Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória por parte de seus membros, nos termos do artigo 123, § 4º do RICARF, que determina a incidência de juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, sobre o valor correspondente à multa de ofício: Súmula CARF nº 108 Aprovada pelo Pleno em 03/09/2018 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Decisões administrativas e judiciais A Recorrente cita ao longo de toda a sua peça recursal diversas decisões administrativas e judiciais. Quanto ao entendimento que consta das decisões proferidas pela Administração Tributária ou pelo Poder Judiciário, embora possam ser utilizadas como reforço a Fl. 2632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.203 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.721129/2015-78 16 esta ou aquela tese, elas não se constituem entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, portanto, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. São inaplicáveis, portanto, as decisões administrativas e judiciais trazidas pela recorrente à presente lide. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas Fl. 2633DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727994/2017-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RAZÕES APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando, assim, o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto a tempestividade arguida.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho decisório que indeferiu direito creditório postulado.
Numero da decisão: 2201-012.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apenas na parte relativa à tempestividade da impugnação, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Weber Allak da Silva – Relator
Assinado Digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Thiago Álvares Feital, Luana Esteves Freitas e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: WEBER ALLAK DA SILVA
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RAZÕES APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando, assim, o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto a tempestividade arguida. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece de manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho decisório que indeferiu direito creditório postulado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apenas na parte relativa à tempestividade da impugnação, e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Weber Allak da Silva – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Fl. 1128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.269 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.727994/2017-22 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Thiago Álvares Feital, Luana Esteves Freitas e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO 1 – DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO Em 21/08/2017 foi emitido Despacho Decisório glosando as compensações declaradas em GFIP realizadas pela Recorrente no período de 01/2013 a 13/2014. O sujeito passivo informou que o crédito compensado era oriundo de decisão advinda do Processo Judicial nº 291543420104013400. Segundo narrado no Despacho Decisório, após consulta realizada ao site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (fls. 133 a 138), verificou- se que a ação tratava de Mandado de Segurança impetrado pela empresa em 08/06/2010. O Mandado de Segurança citado teve por objeto a obtenção de liminar para (i) suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidente sobre os valores pagos aos seus empregados nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, sobre o salário- maternidade, sobre as férias e o adicional de férias de 1/3, e ao final a concessão em definitivo da segurança; (ii) garantia do direito da impetrante de efetuar a compensação dos valores indevidos recolhidos nos últimos dez anos; e (iii) obstar a cobrança dos valores pela autoridade impetrada. Segundo a autoridade fiscal, em nenhum momento houve decisão assegurando ao contribuinte o direito de efetuar compensações, utilizando-se do crédito pleiteado judicialmente. Assim, diante da impossibilidade de compensar créditos oriundos de decisões judiciais sem trânsito em julgado, conforme preconiza o artigo 170-A do CTN, foram glosados os créditos compensados. 2- DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 05/10/2017 foi solicitada a juntada aos autos de documento nominado Manifestação de Inconformidade, no entanto tal documento era apenas a cópia do despacho decisório. Em 09/10/2017 foi juntado outro Despacho Decisório, corrigindo erro do documento anterior. Assim, foi aberto novo prazo para o contribuinte apresentar manifestação de inconformidade, que se encerrou em 08/11/2017. Apenas em 07/12/2017 o contribuinte juntou o documento (fls. 961/1.028). Em 29/05/2018 a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela 7ª TURMA/CTA, tendo em vista intempestividade da peça impugnatória, apresentada somente em 07/12/2017, portanto fora do prazo legal, que teria se encerrado em 08/11/2017. Fl. 1129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.269 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.727994/2017-22 3 O órgão julgador de 1ª instância desconsiderou o documento apresentado em 05/10/2017, por entender que não se tratava de Manifestação de Inconformidade por não conter quaisquer razões de recurso, somente cópia do Despacho Decisório. Diante do não conhecimento da Manifestação de Inconformidade, não foram analisadas as demais alegações contidas no referido documento, apresentado em 07/12/2017. 3 – DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 03/07/2018 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a decisão de 1ª instância, contendo as seguintes alegações: Que a Manifestação de Inconformidade foi protocolada tempestivamente em 05/10/2017. Que a ausência das razões recursais decorreu do fato de o sistema da RFB não ter realizado o correto upload dos documentos. Que o sistema jurídico tributário brasileiro permite a auto compensação pelo contribuinte. Que tal procedimento não violaria os artigos 170-A do CTN, na medida que o contribuinte não buscava autorização judicial ou administrativa para que a compensação tributária seja efetuada antes ou depois do trânsito em julgado da decisão, pois tal permissivo já está contido no bojo do art. 66 da Lei nº 8.383/91; Que poderia realizar a compensação, já que os créditos decorriam de verbas de caráter indenizatório, tais como: valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento dos funcionários doentes ou acidentados, 1/3 de férias e aviso prévio indenizado. Protesta contra a aplicação de juros e multa de mora, diante da regularidade do procedimento de compensação. É o relatório. VOTO Conselheiro Weber Allak da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Apesar de o Recurso Voluntário apresentar alegações relativas a diversas matérias, este voto ficará restrito à análise da tempestividade da Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório, na medida que a decisão recorrida não conheceu das demais matérias. Fl. 1130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.269 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.727994/2017-22 4 A autoridade julgadora de 1ª instância não conheceu a peça recursal de folhas 936/944 por considerar que não se tratava materialmente de um recurso, já que continha apenas uma cópia do Despacho Decisório emitido pela autoridade fiscal. Já em relação ao documento de folhas 961/1.028, argumentou que a solicitação de juntada (07/12/2017) foi intempestiva, na medida que o prazo para a interposição do recurso se esgotou em 08/11/2007. Inconformado com a decisão de 1ª instância, alegou que o primeiro documento juntado (fls. 936/944) deveria ter sido recebido como Manifestação de Inconformidade, anexando cópia da solicitação de juntada (fls. 934). Alega que o sistema da RFB não teria realizado o correto upload dos documentos. Assim entende que a tempestividade do recurso deveria ser aferida a partir da apresentação do documento de folhas 936/944, cuja solicitação de juntada se deu em 05/10/2017, último dia do prazo legal. Em que pese as justificativas apresentadas pelo Recorrente, é incontestável que não foi apresentada a Manifestação de Inconformidade em 05/10/2017, conforme se constata no conteúdo do documento de folhas 936/944, que apesar de ser nominado Manifestação de Inconformidade no termo de solicitação de juntada, materialmente se trata de uma simples cópia do primeiro Despacho Decisório. A suposta falha no upload dos documentos, alegada pelo contribuinte, mesmo que verdadeira, não permite validar a apresentação de um recurso inexistente. Neste caso, caberia ao Recorrente se certificar de que o documento correto foi anexado aos autos. Caso fosse admitido o argumento postulado pelo Recorrente, abrir-se-ia a possibilidade de descumprimento dos prazos processuais, mediante juntada ao processo de quaisquer documentos não relacionados ao recurso. Considerando o não reconhecimento do documento apresentado em 05/10/2017 como Manifestação de Inconformidade, a aferição da tempestividade deve ser aferida com base na data de apresentação do segundo documento (fls. 961/1.028), que se deu em 07/12/2017, após o término do prazo recursal. Portanto, correta a decisão de 1ª instância, que não conheceu do recurso apresentado. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por não conhecer das matérias não relacionadas à tempestividade do recurso de 1ª instância, e, na parte conhecida em negar provimento ao Recurso. (documento assinado digitalmente) Weber Allak da Silva Fl. 1131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.269 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.727994/2017-22 5 Fl. 1132DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003479/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO INDIRETA. PRÊMIO DE INCENTIVO ATRAVÉS DE CARTÕES. INCIDÊNCIA.
Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares pagas em função do exercício de atividades se atingidas determinadas condições, a título de incentivo ao aumento da produtividade. Neste sentido, adquirem caráter de contraprestação pelo serviço prestado e integram o salário de contribuição por possuírem natureza remuneratória.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CFL 59.
Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição dos segurados contribuintes individuais a seu serviço.
O valor da penalidade é único e indivisível, independentemente do número de infrações verificadas no período de autuação
Numero da decisão: 2201-012.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Álvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa
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REMUNERAÇÃO INDIRETA. PRÊMIO DE INCENTIVO ATRAVÉS DE CARTÕES. INCIDÊNCIA. Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares pagas em função do exercício de atividades se atingidas determinadas condições, a título de incentivo ao aumento da produtividade. Neste sentido, adquirem caráter de contraprestação pelo serviço prestado e integram o salário de contribuição por possuírem natureza remuneratória. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CFL 59. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. O valor da penalidade é único e indivisível, independentemente do número de infrações verificadas no período de autuação ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Fl. 104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.242 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.003479/2009-89 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Álvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil Julgamento em Belo Horizonte (MG), consubstanciada no Acórdão nº 02- 29.517 (fls. 74/78), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo acima identificado, mantendo integralmente o crédito tributário em litígio. Em face do sujeito passivo, foi efetuado lançamento fiscal em virtude de infração à Lei 8.212/91, artigo 30, inciso I, “a”, combinado com o Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 216, inciso I, “a”, tendo em vista que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição de segurados contribuintes individuais. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social- RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A Contribuinte apresentou Impugnação com os seguintes argumentos, em breve síntese: 1. Em preliminar, alega que ocorreu a decadência dos lançamentos relativos à competência 01/2004 e 02/2004, nos termos do que dispõe o artigo 173 do CTN. 2. Afirma que é ilegal a cobrança das contribuições previdenciárias, pois o valor pago via cartão de incentivo é fruto de uma relação contratual entre ela e empresas de marketing de serviços que visa premiar de forma esporádica e eventual os funcionários da empresa pelas metas e resultados batidos ou alcançados. 3. Cita a Lei 8.212/91, artigo 28, incisos I e III, aduzindo que o requisito essencial para o desconto e recolhimento das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a entrega de valores em favor do empregado, é ser tal quantia paga em decorrência da contraprestação ao serviço realizado, ao trabalho produzido, e não sobre valores advindos de uma premiação extra, esporádica, pontual e extemporânea, paga a título de incentivo. 4. Afirma que as contribuições previdenciárias deverão incidir apenas sobre valores pagos aos empregados de forma habitual. Cita a CLT, artigo 458, e a Lei 8.212/91, artigo 22, inciso I. Fl. 105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.242 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.003479/2009-89 3 5. Diz que, por consequência, está fadada ao cancelamento a cobrança decorrente da obrigação presente no inciso III do artigo 22 da Lei 8.212/91. A Delegacia da Receita Federal do Brasil Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário em litígio, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE ARRECADAR As CONTRIBUIÇÕES DO SEGURADO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração à legislação previdenciária, a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Entende-se por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrado por intermédio de empresas de premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão da DRJ em 10/01/2011, por via postal (fl. 82), a Contribuinte apresentou, em 1º/02/2011, por meio de procurador legalmente habilitado, o Recurso Voluntário de fls. 83/932, repisando as alegações da Impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Trata a presente lide de infração ao disposto no artigo 30, inciso I, "a", da Lei n° 8.212/91, tendo em vista ter deixado a empresa de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições devidas pelos segurados empregados incidentes sobre as verbas pagas a título de cartão incentivo. Fl. 106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.242 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.003479/2009-89 4 Sustenta a Recorrente que é ilegal a cobrança das contribuições previdenciárias, pois o valor pago via cartão de incentivo é fruto de uma relação contratual entre ela e empresas de marketing de serviços que visa premiar de forma esporádica e eventual os funcionários da empresa pelas metas e resultados batidos ou alcançados. Cita a Lei 8.212/91, artigo 28, incisos I e III, aduzindo que o requisito essencial para o desconto e recolhimento das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a entrega de valores em favor do empregado, é ser tal quantia paga em decorrência da contraprestação ao serviço realizado, ao trabalho produzido, e não sobre valores advindos de uma premiação extra, esporádica, pontual e extemporânea, paga a título de incentivo. Não cabe razão à Recorrente. Inicialmente, cabe destacar que o recurso é desprovido de argumentos específicos de defesa sobre a lavratura dos autos de infração relativos às obrigações acessórias, limitando-se a contestar o lançamento fiscal das obrigações principais. Em se tratando de obrigação previdenciária acessória vinculada à obrigação principal, por consequência lógica, o resultado do julgamento da obrigação acessória deve seguir a mesma sorte da obrigação principal. Observa-se que foram mantidas as contribuições previdenciárias principais, incidentes sobre os contribuintes individuais, conforme decisão nos processos nºs 15504.003469/2009-43 e 15504.003470/2009-78, pelas razões abaixo. Os prêmios pagos por meio de cartão de incentivo integram a remuneração do empregado, pois estão vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção e a eficiência. Tais pagamentos caracterizam-se pelo seu aspecto condicional, porquanto uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, ele faz jus à quantia. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, trata-se de contraprestação do serviço prestado e, por consequência, possui natureza jurídica salarial, integrando o salário de contribuição do segurado. Nesse sentido, temos as seguintes decisões recentes deste Conselho: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO INDIRETA. PRÊMIO DE INCENTIVO ATRAVÉS DE CARTÕES. INCIDÊNCIA. Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares pagas em função do exercício de atividades se atingidas determinadas condições, a título de incentivo ao aumento da produtividade. Neste sentido, adquirem caráter de contraprestação pelo serviço prestado e integram o salário de contribuição por possuírem natureza remuneratória. (Acórdão nº 2201-008.532, de 09/03/2021, Rel. Débora Fófano dos Santos). Fl. 107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.242 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.003479/2009-89 5 REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. (Acórdão nº 9202-011.288, de 22/05/2024, Rel. Mauricio Nogueira Righetti) PREVIDENCIÁRIO. PAGAMENTOS EFETUADOS POR INTERMÉDIO DE CARTÃO PREMIAÇÃO. NATUREZA DE GRATIFICAÇÃO. INCLUSÃO NO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, mediante o desconto de suas respectivas remunerações, e a recolher as importâncias arrecadadas, juntamente com as suas próprias contribuições, na forma e no prazo estabelecidos em lei. (Acórdão nº 2202-008.624, de 02/09/2021, Rel. Sonia de Queiroz Accioly) A multa aplicada deveu-se pelo fato de a Contribuinte ter deixado de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições devidas pelos segurados empregados incidentes sobre as verbas pagas a título de cartão incentivo. Ao agir dessa forma, a Contribuinte infringiu o disposto no artigo 30, inciso I, "a", da Lei n° 8.212/91. Assim, a multa aplicada deve ser mantida. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 108DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10665.721300/2017-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
É legítima a exigência concomitante da multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão (50%) e da multa de ofício pelo lançamento dos mesmos rendimentos no ajuste anual (75%), a partir da edição da Medida Provisória nº 351/2007, conforme a Súmula CARF nº 147.
MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO DIVERGENTE AO CNJ. QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF N. 14.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. A declaração divergente a outro órgão não consubstancia, por si só, em evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
MULTA QUALIFICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 2.
Não cabe ao CARF afastar a incidência da multa de ofício sob alegação de efeito confiscatório, em razão da vedação expressa da Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. SELIC. ÍNDICE APLICÁVEL.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal, a partir de 1º de abril de 1995, devem ser calculados pela taxa SELIC, conforme Súmula CARF nº 4, não prevalecendo a taxa fixa de 1% ao mês.
INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO. SÚMULA CARF N. 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-012.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em darprovimento parcial ao Recurso Voluntário, para desqualificar a multa de ofício,reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
Fernando Gomes Favacho – Relator
Assinado Digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO GOMES FAVACHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. É legítima a exigência concomitante da multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão (50%) e da multa de ofício pelo lançamento dos mesmos rendimentos no ajuste anual (75%), a partir da edição da Medida Provisória nº 351/2007, conforme a Súmula CARF nº 147. MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO DIVERGENTE AO CNJ. QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF N. 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. A declaração divergente a outro órgão não consubstancia, por si só, em evidente intuito de fraude do sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 2. Não cabe ao CARF afastar a incidência da multa de ofício sob alegação de efeito confiscatório, em razão da vedação expressa da Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. SELIC. ÍNDICE APLICÁVEL. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal, a partir de 1º de abril de 1995, devem ser calculados pela taxa SELIC, conforme Súmula CARF nº 4, não prevalecendo a taxa fixa de 1% ao mês. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO. SÚMULA CARF N. 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em darprovimento parcial ao Recurso Voluntário, para desqualificar a multa de ofício,reduzindo-a ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
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CONCOMITÂNCIA. É legítima a exigência concomitante da multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão (50%) e da multa de ofício pelo lançamento dos mesmos rendimentos no ajuste anual (75%), a partir da edição da Medida Provisória nº 351/2007, conforme a Súmula CARF nº 147. MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO DIVERGENTE AO CNJ. QUALIFICAÇÃO. SÚMULA CARF N. 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. A declaração divergente a outro órgão não consubstancia, por si só, em evidente intuito de fraude do sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 2. Não cabe ao CARF afastar a incidência da multa de ofício sob alegação de efeito confiscatório, em razão da vedação expressa da Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. SELIC. ÍNDICE APLICÁVEL. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal, a partir de 1º de abril de 1995, devem ser calculados pela taxa SELIC, conforme Súmula CARF nº 4, não prevalecendo a taxa fixa de 1% ao mês. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO. SÚMULA CARF N. 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Fl. 362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.342 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721300/2017-12 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Débora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Trata o Auto de Infração (fl. 2 a 26) de Imposto de Renda de Pessoa Física lavrado por omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física, lavrados com multa sob o percentual de 150%. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fl. 27 a 34), o auto de infração se pautou na omissão de rendimentos advindos da atividade da contribuinte como tabeliã. Além disso, houve representação fiscal para fins penais em razão da conduta dolosa identificada pela fiscalização. Na Impugnação (fl. 167 a 188), a contribuinte alegou (i) erros materiais na apuração da omissão dos rendimentos referentes aos anos-calendários de 2013 e 2015; (ii) impossibilidade de concomitância de multa isolada com a multa de ofício; (iii) ausência de dolo que impõe a eliminação da qualificação da multa; (iv) necessidade de incidir juros sob a taxa SELIC; (v) desnecessidade de representação fiscal para fins penais sob a alegação de despreparo e desconhecimento da contribuinte; (v) necessidade de diligência junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A 1ª Turma da DRJ/FOR, por meio do Acórdão n. 08-41.610 (fl. 288 a 326) decidiu que (i) o pedido de diligência é desnecessário; (ii) não são vinculantes as decisões administrativas Fl. 363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.342 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721300/2017-12 3 e judiciais citadas; (iii) a autuação deve ser mantida, assim como as multas; (iv) a qualificação da multa deve ser mantida; (v) a representação fiscal para fins penais deve ser mantida. No Recurso Voluntário (fl. 339 a 358), o contribuinte demandou (i) a exclusão da multa isolada da autuação, dado o princípio da consunção; (ii) que a multa deixe de ser qualificada, sendo reduzida a 50% ou, subsidiariamente, a 75%, tendo em vista a Súmula CARF 25 e a noção de que seria inconstitucional; (iii) a incidência da SELIC como índice de taxa de juros, conforme a Súmula CARF n. 4; (iv) a reabertura dos prazos para redução das multas passíveis de redução. É o relatório. VOTO Conselheiro Fernando Gomes Favacho, Relator. 1. Admissibilidade. Cientificado em 02/03/2018 (fl. 337), interpôs recurso voluntário em 13/03/2018 (fl. 339). Tempestivo, portanto, o recurso. 2. Incidência e qualificação de multa. Confisco. a) Alega o contribuinte que a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício é uma duplicação da penalidade, desproporcional ao eventual prejuízo causado, desta forma, o justo e correto, nesta circunstância, é manter apenas a multa de ofício (fl. 344). Pela aplicação da Súmula CARF nº 147, aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 03/09/2019, com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). Dado os anos-calendário serem de período posterior, mantém-se a aplicação. b) Segundo o contribuinte, a qualificação da multa de ofício não pode prosperar, vez que não foi comprovado nenhuma das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (fl. 351). Consta no Termo de Verificação Fiscal que o dolo da contribuinte foi verificado ao informar valores na IRPF diferentemente do que foi informado ao Conselho Nacional de Justiça, no que se refere aos emolumentos (fl. 32), e por isso a qualificação da multa de ofício é devida. É caso de aplicação da Súmula CARF nº 14, aprovada pelo Pleno em 2006: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.342 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721300/2017-12 4 A multa de ofício deverá permanecer, mas sem a qualificação. c) Por fim, traz que o STF já sinalizou em inúmeras decisões que não é possível a aplicação de multa de 150%, pois vedado ao efeito confiscatório (fl. 355). Dada a desqualificação da multa, o pedido fica sem objeto imediato. Mas em relação ao efeito confiscatório da multa, este Conselho não tem competência para julgar constitucionalidade de determinação legal: Súmula CARF n 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3. Taxa de juros aplicável. Alega o contribuinte que, conforme a Súmula CARF n. 4, a taxa de juros aplicável é a SELIC (fl. 355 e 356). Todavia, a DRJ somente explica como funciona a aplicação da taxa Selic. Consta da decisão de primeira instância a explicação da incidência de juros: (fl. 323) Está preceituado no Código Tributário Nacional, art. 161, que: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Isto significa dizer que a taxa de juros de mora a ser exigida sobre os débitos fiscais de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser em percentual diferente de 1%, bastando que uma lei ordinária, assim determine. Eis que a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, que deu nova redação a dispositivos da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispôs, em seu art. 13, que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, de que trata a Lei nº 8.981, de 1995, art. 84, I e parágrafos 1º, 2º e 3º, serão equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais, acumulada mensalmente até o mês anterior ao do pagamento e a 1% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Exigência esta que foi mantida para débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997 pelo art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Convém, ademais, lembrar que a Lei nº 9.065, de 1995, foi decretada pelo Poder Legislativo e sancionada pelo Poder Executivo, a quem compete a sua fiel execução. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir a constitucionalidade da taxa Selic. Fl. 365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.342 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.721300/2017-12 5 Veja-se que a Selic já constava no Demonstrativo: (fl. 24) A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (para Fatos Geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial TAXA DO SIST. ESPEC. DE LIQ. E CUSTODIA - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96. A a Súmula CARF n. 4 consolidou esta aplicação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. A taxa SELIC como o índice aplicável para o cálculo dos juros de mora, não havendo o que prover. 4. Intimação dirigida ao patrono. No final da peça recursal consta: “5.6. Por fim, seja este procurador intimado de todos os atos processuais, sob pena de eventuais nulidades” (fl. 357). Sobre o tema, basta trazer a Súmula CARF nº 110, aprovada pelo Pleno em 03/09/2018: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Conclusão. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dou parcial provimento para desqualificar a multa de ofício. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho Fl. 366DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10880.722375/2014-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
INTIMAÇÃO PARA CIÊNCIA DE DECISÕES E TERMOS EM SEDE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
A intimação por edital requer apenas que a Administração Tributária tente, primeiramente, realizar a ciência quer pessoal, quer postal, quer eletrônica, não sendo necessário que sejam esgotadas todas essas formas.
Ainda que haja petição nos autos para que a ciência seja realizada na pessoa dos prepostos ou representantes legais, no âmbito do processo administrativo a legislação é clara no sentido que a intimação por via postal será feita no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo perante a Administração Tributária, assim se entendendo aquele pelo qual ele se cadastra.
TDPF. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO. NULIDADE. AUSÊNCIA.
O TDPF é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência ou não prorrogação não são causas de nulidade do auto de infração.
MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF.
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. MANDADO JUDICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
A apreciação de arguições de ilegalidade ou violação de princípios atinentes ao mandado judicial extrapola a esfera de competência do juízo administrativo, ante a supremacia das decisões judiciais sobre as decisões proferidas em processo administrativo.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
PAF. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO.
No processo administrativo fiscal, as provas das alegações de defesa devem ser apresentadas, ordinariamente, na impugnação, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se relativas a fato ou a direito superveniente ou se destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Além destas hipóteses, admite-se a apresentação da prova na fase recursal, mas apenas quando estas forem conclusivas na demonstração do fato alegado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA.
A realização de diligência/perícia deve se restringir à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação.
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio profissional do procurador.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO.
Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL.
Um dos efeitos produzidos pela apresentação do Recurso Voluntário tempestivo, independente de qual legitimado questionou, em se tratando da matéria tributária sob julgo, salvo o vínculo de responsabilidade tributária devido à natureza personalíssima, é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11.
As peças recursais tempestivas suspendem a exigibilidade do crédito tributário e impede o início do prazo prescricional para a sua cobrança. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO - CTN, ART. 150, § 4º. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO OU COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - CTN, ART. 173, I.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houver pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, na ausência de pagamento ou havendo a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se o disposto no art. 173, I, do mesmo dispositivo legal, contando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO.
A multa de ofício deve ser qualificada quando o contribuinte faz um esforço adicional para ocultar a infração, praticando ato que não faz parte do núcleo da ação que concretizou a infração. A utilização de sistema digital de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal, além dos atos que materializam a infração, é ato que exterioriza e evidencia o dolo do contribuinte, dando ensejo à qualificação da multa de ofício, mormente quando inseridos em contexto que caracteriza fraude.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A modificação inserida no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, ao reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% atrai a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez que lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração.
SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE SÓCIOS DE FATO E PESSOA JURÍDICA AUTUADA.
Constatado que os proprietários de fato da autuada não constam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN, resultando na imputação de responsabilidade tributária aos titulares de fato da pessoa jurídica.
SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE.
A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, enseja a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A Súmula Carf nº 108 definiu pela legitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo ao PIS/Pasep, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO.
Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
Numero da decisão: 1201-007.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento aos recursos voluntários apenas para aplicar a retroatividade benigna reduzindo o índice de qualificação da multa de ofício de 150% para 100%, nos termos do voto do relator.
Sala de Sessões, em 21 de outubro de 2025.
Assinado Digitalmente
Raimundo Pires de Santana Filho – Relator e Presidente
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antônio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral) e Raimundo Pires de Santana Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Nilton Costa Simões.
Nome do relator: RAIMUNDO PIRES DE SANTANA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. INTIMAÇÃO PARA CIÊNCIA DE DECISÕES E TERMOS EM SEDE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. A intimação por edital requer apenas que a Administração Tributária tente, primeiramente, realizar a ciência quer pessoal, quer postal, quer eletrônica, não sendo necessário que sejam esgotadas todas essas formas. Ainda que haja petição nos autos para que a ciência seja realizada na pessoa dos prepostos ou representantes legais, no âmbito do processo administrativo a legislação é clara no sentido que a intimação por via postal será feita no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo perante a Administração Tributária, assim se entendendo aquele pelo qual ele se cadastra. TDPF. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO. NULIDADE. AUSÊNCIA. O TDPF é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência ou não prorrogação não são causas de nulidade do auto de infração. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. MANDADO JUDICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. A apreciação de arguições de ilegalidade ou violação de princípios atinentes ao mandado judicial extrapola a esfera de competência do juízo administrativo, ante a supremacia das decisões judiciais sobre as decisões proferidas em processo administrativo. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. PAF. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal, as provas das alegações de defesa devem ser apresentadas, ordinariamente, na impugnação, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se relativas a fato ou a direito superveniente ou se destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Além destas hipóteses, admite-se a apresentação da prova na fase recursal, mas apenas quando estas forem conclusivas na demonstração do fato alegado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA. A realização de diligência/perícia deve se restringir à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio profissional do procurador. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS.CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL. Um dos efeitos produzidos pela apresentação do Recurso Voluntário tempestivo, independente de qual legitimado questionou, em se tratando da matéria tributária sob julgo, salvo o vínculo de responsabilidade tributária devido à natureza personalíssima, é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11. As peças recursais tempestivas suspendem a exigibilidade do crédito tributário e impede o início do prazo prescricional para a sua cobrança. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO - CTN, ART. 150, § 4º. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO OU COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - CTN, ART. 173, I. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houver pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, na ausência de pagamento ou havendo a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se o disposto no art. 173, I, do mesmo dispositivo legal, contando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. A multa de ofício deve ser qualificada quando o contribuinte faz um esforço adicional para ocultar a infração, praticando ato que não faz parte do núcleo da ação que concretizou a infração. A utilização de sistema digital de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal, além dos atos que materializam a infração, é ato que exterioriza e evidencia o dolo do contribuinte, dando ensejo à qualificação da multa de ofício, mormente quando inseridos em contexto que caracteriza fraude. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A modificação inserida no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, ao reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% atrai a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez que lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE SÓCIOS DE FATO E PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Constatado que os proprietários de fato da autuada não constam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN, resultando na imputação de responsabilidade tributária aos titulares de fato da pessoa jurídica. SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, enseja a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A Súmula Carf nº 108 definiu pela legitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo ao PIS/Pasep, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias.
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As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. INTIMAÇÃO PARA CIÊNCIA DE DECISÕES E TERMOS EM SEDE DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. A intimação por edital requer apenas que a Administração Tributária tente, primeiramente, realizar a ciência quer pessoal, quer postal, quer eletrônica, não sendo necessário que sejam esgotadas todas essas formas. Ainda que haja petição nos autos para que a ciência seja realizada na pessoa dos prepostos ou representantes legais, no âmbito do processo administrativo a legislação é clara no sentido que a intimação por via postal será feita no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo perante a Administração Tributária, assim se entendendo aquele pelo qual ele se cadastra. TDPF. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO. NULIDADE. AUSÊNCIA. O TDPF é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência ou não prorrogação não são causas de nulidade do auto de infração. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 31263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 2 Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62-A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE. MANDADO JUDICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. A apreciação de arguições de ilegalidade ou violação de princípios atinentes ao mandado judicial extrapola a esfera de competência do juízo administrativo, ante a supremacia das decisões judiciais sobre as decisões proferidas em processo administrativo. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. PAF. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal, as provas das alegações de defesa devem ser apresentadas, ordinariamente, na impugnação, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, se relativas a fato ou a direito superveniente ou se destinadas a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Além destas hipóteses, admite-se a apresentação da prova na fase recursal, mas apenas quando estas forem conclusivas na demonstração do fato alegado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA. A realização de diligência/perícia deve se restringir à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio profissional do procurador. Fl. 31264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS.CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL. Um dos efeitos produzidos pela apresentação do Recurso Voluntário tempestivo, independente de qual legitimado questionou, em se tratando da matéria tributária sob julgo, salvo o vínculo de responsabilidade tributária devido à natureza personalíssima, é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11. As peças recursais tempestivas suspendem a exigibilidade do crédito tributário e impede o início do prazo prescricional para a sua cobrança. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO - CTN, ART. 150, § 4º. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO OU COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - CTN, ART. 173, I. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houver pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido de ofício, o prazo Fl. 31265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 4 decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, na ausência de pagamento ou havendo a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se o disposto no art. 173, I, do mesmo dispositivo legal, contando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. A multa de ofício deve ser qualificada quando o contribuinte faz um esforço adicional para ocultar a infração, praticando ato que não faz parte do núcleo da ação que concretizou a infração. A utilização de sistema digital de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal, além dos atos que materializam a infração, é ato que exterioriza e evidencia o dolo do contribuinte, dando ensejo à qualificação da multa de ofício, mormente quando inseridos em contexto que caracteriza fraude. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A modificação inserida no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, ao reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% atrai a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez que lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE SÓCIOS DE FATO E PESSOA JURÍDICA AUTUADA. Constatado que os proprietários de fato da autuada não constam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN, resultando na imputação de responsabilidade tributária aos titulares de fato da pessoa jurídica. SUJEIÇÃO PASSIVA. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera Fl. 31266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 5 criminal, enseja a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A Súmula Carf nº 108 definiu pela legitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à CSLL, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo ao PIS/Pasep, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Fl. 31267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 6 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento aos recursos voluntários apenas para aplicar a retroatividade benigna reduzindo o índice de qualificação da multa de ofício de 150% para 100%, nos termos do voto do relator. Sala de Sessões, em 21 de outubro de 2025. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho – Relator e Presidente Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antônio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto integral) e Raimundo Pires de Santana Filho (Presidente). Ausente o Conselheiro Nilton Costa Simões. RELATÓRIO Da Autuação e da Impugnação Trata o presente de Recursos Voluntários, às fls. 31.009/31.067, 31.070/31.129, 31.132/31.191 e 31.194/31.251, apresentados em face do acórdão nº 12-81.381, exarado pela 5ª Turma da DRJ/RJO, em 12/05/2016, às fls. 30.959/30.977, que julgou improcedente as Impugnações protocoladas pelos responsáveis tributários, às fls. 30.754/30.805, 30.700/30.751, 30.809/30.860 e 30.865/30.916, contra Autos de Infração lavrados pela DRF – Maringá-PR, às fls. 29.882/30.007, através dos quais foram constituídos os tributos abaixo relacionados, no montante principal de R$ 3.849.895,89, apurados em conformidade com o regime tributário do Lucro Arbitrado, referente aos anos-calendário de 2009 a 2012. Além disso, também foi caracterizada a responsabilidade tributária dos diretores da fiscalizada à época dos fatos os Senhores: ROBSON MARCELO TOLARDO, CPF 623.843.849-53, ÍRIS DA SILVA TOLARDO, CPF 958.804.969-53, ROGÉRIO Fl. 31268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 7 MARCIO TOLARDO, CPF 723.045.539-15, SAMUEL TOLARDO JUNIOR, CPF 121.023.838-14, e JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, CPF 828.784.559-91, em relação ao crédito tributário constituído: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ R$ 497.959,35 JUROS DE MORA (Calculados até 12/2014) R$ 185.250,10 MULTA PORPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 746.939,07 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 1.430.148,52 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL R$ 262.187,98 JUROS DE MORA (Calculados até 12/2014) R$ 97.563,94 MULTA PORPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 393.282,06 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 753.033,98 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP R$ 102.731,20 JUROS DE MORA (Calculados até 12/2014) R$ 39.983,92 MULTA PORPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 154.096,91 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 296.812,03 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS R$ 474.144,02 JUROS DE MORA (Calculados até 12/2014) R$ 184.541,15 MULTA PORPORCIONAL (Passível de Redução) R$ 711.216,19 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 1.369.901,36 Por bem descrever os fatos que desembocaram no presente processo, reproduzo os termos do relatório da decisão da DRJ de origem, complementando-o ao final: De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 29.890 a 29.893 e do termo de verificação fiscal de fls. 30.010 a 30.451, os lançamentos se Fl. 31269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 8 devem a apuração da omissão de receitas da atividade referentes à revenda de mercadorias com e sem emissão de documento fiscal, com arbitramento do lucro com base na receita conhecida, por ter a autuada deixado de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração, embora tenha sido regularmente notificada. Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da operação “Laranja Mecânica”, deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), no qual apurou-se, por meio de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da justiça federal, a existência de uma rede intrincada de empresas atuando no ramo de comercialização de autopeças, denominada Rede Presidente, do qual a autuada faz parte, constituídas por interpostas pessoas, porém administradas de fato por integrantes da família Tolardo. O histórico de atuação das empresas e pessoas físicas envolvidas, somado à farta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados, apontariam de forma contundente e inequívoca para a existência de um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio no auto peças (atacado e varejo), denominado Rede Presidente, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de “laranjas”, trata-se, em verdade, de um único empreendimento, que teria sido originariamente iniciado por Samuel Tolardo (CPF 006.914.709-44), já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo (CPF 958.804.969-53), e os filhos, Róbson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.849-53), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.539-15), Samuel Tolardo Júnior (CPF 121.023.838-14) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.559-91). Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido possível apurar que a receita bruta efetiva da fiscalizada nos anos-calendários de 2009, 2010, 2011, e de janeiro a setembro de 2012 foram, respectivamente, de R$ 7.050.600,86, R$ 6.338.242,31, R$ 7.469.035,93 e R$ 3.418.786,37, sendo calculados o montante de IRPJ e CSLL devidos, com base no lucro arbitrado. Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto, parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude, segundo a Fl. 31270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 9 definição contida nos incisos I e II do art. 71 e art. 72 da Lei nº 4.502/64, com fundamento no § 1º, do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.969-53; Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.849-53; Rogério Marcio Tolardo, CPF 723.045.539-15; Samuel Tolardo Junior, CPF 121.023.838-14; Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.559-91. Cientificada da autuação em 30/12/2014, conforme Edital de fl. 30.682, a interessada não apresentou impugnação. Cientificado da autuação e do termo de sujeição passiva em 30/12/2014, conforme Edital de fls. 30.693, Robson Marcelo Tolardo também não apresentou impugnação. Cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva em 09/12/2014, conforme AR de fls. 30.695, 30.685, 30.683 e 30.697, Rogério Marcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Júnior apresentaram em 07/01/2015 as impugnações de fls. 30.754 a 30.805, 30.700 a 30.751, 30.809 a 30.860 e 30.865 a 30.916, respectivamente, nas quais alegam, em apertada síntese, a tempestividade e: 1) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal; 2) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos correios; 3) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; 4) a ilegitimidade passiva dos impugnantes, ante a ausência de prova do vínculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 5) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 6) a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes; 7) a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; Fl. 31271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 10 8) pugna pela necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105; 9) a ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica; 10) a decadência ou a prescrição dos créditos tributários lançados; 11) pleiteiam a exclusão ou redução da multa, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; 12) a inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal; Por fim, requereram a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos, bem como que fosse julgada improcedente a exigência fiscal. É o relatório. Da Decisão Recorrida Após apreciar os Autos de Infração, às fls. 29.882/30.007, o Relatório de Atividade Fiscal, às fls. 30.010 a 30.451, e as Impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários, às fls. 30.754/30.805, 30.700/30.751, 30.809/30.860 e 30.865/30.916, a 5ª Turma da DRJ/RJO exarou o Acórdão nº 12-81.381, em 12/05/2016, às fls. 30.959/30.977, que, por unanimidade de votos, declarou REVÉIS a ROLCAR AUTO PECAS DE PRESIDENTE PRUDENTE LTDA – ME e o responsável tributário ROBSON MARCELO TOLARDO, CPF 623.843.849-53, ante a ausência de impugnação; e julgou improcedentes as impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, juntamente com a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora. Ademais, manteve as imputações de responsabilidade tributária dos senhores: ROBSON MARCELO TOLARDO, ÍRIS DA SILVA TOLARDO, ROGÉRIO MARCIO TOLARDO, SAMUEL TOLARDO JUNIOR e JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, em relação ao crédito tributário constituído. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 31272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 11 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-GERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Fl. 31273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 12 Crédito Tributário Mantido Dos Recursos Voluntários A ciência da sobredita decisão alusiva à ROLCAR e aos responsáveis tributários: ÍRIS DA SILVA TOLARDO, ROBSON MARCELO TOLARDO e JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, por meio postal, restaram infrutíferas, posto que os respectivos Avisos de Recebimento – AR foram devolvidos. Diante desta constatação, a Delegacia de origem efetivou a sinalada ciência por Edital Eletrônico, em 04/10/2016, respectivamente, às fls. 31.004, 31.007, 31.005 e 31.006. Já os responsáveis tributários: ROGÉRIO MARCIO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO JUNIOR, foram cientificados, em 19/08/2016, consoante AR, respectivamente, às fls. 31.002 e 31.003. Registro que tanto a ROLCAR como o Sr. ROBSON, similar ao pontuado na fase impugnatória, NÃO apresentaram Recurso Voluntário. Dos Recursos Voluntários Impetrados Pelos Responsáveis Tributários Srs: ÍRIS DA SILVA TOLARDO, JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, ROGÉRIO MARCIO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO JUNIOR. Irresignados os responsáveis tributários, apresentaram, em 19/09/2016 – ÍRIS, JEANE e SAMUEL – e 20/09/2016 - ROGÉRIO, em peças separadas, os respectivos Recursos Voluntários, respectivamente, às fls. 31.009/31.067, 31.070/31.129, 31.132/31.191 e 31.194/31.251. Considerando que os conteúdos são semelhantes, em favor de evitar a repetição, resumiremos, de forma conjunta, os pontos guerreados. Nessa quadra, citando doutrina e jurisprudências administrativas e judiciais, apresentaram as seguintes argumentações: a) Das Preliminares: i. De Nulidade: Da ilegitimidade do auditor fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da ROLCAR e imputar responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes, e da incompetência da autoridade julgadora; ii. De Nulidade: Da falta de fundamentação e motivação dos autos de infração, do termo de sujeição passiva solidária e da decisão recorrida, desrespeitando as garantias do contraditório e ampla defesa; iii. De Nulidade – Da decisão de primeiro grau por ausência de análise de todas as matérias invocadas em defesa via impugnação administrativa; iv. De Nulidade: Da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal; v. De Nulidade: Da ausência de intimação pessoal e nulidade da realizada por via Fl. 31274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 13 postal; vi. De Nulidade: Da ilicitude das provas por incompetência da Autoridade Judicial; vii. De Nulidade: Da responsabilização tributária fundada em prova emprestada; viii. De Ilegitimidade Passiva dos Recorrentes. b) Do Mérito: i. Da Prejudicial ao Mérito: Da necessidade de suspensão do procedimento administrativo fiscal; e De prescrição e decadência. ii. Da Ausência de Responsabilidade da Recorrente: Impossibilidade de Imputação da Responsabilidade a Terceiro; iii. Da Ausência de Responsabilidade da Recorrente: Inexistência de Prova de Benefício pela Recorrente; iv. Da Multa de Ofício Imputada: Da ausência de requisitos para aplicação; Da exclusão ou redução; e Da natureza confiscatória. v. Da Inaplicabilidade da Taxa Selic para Correção de Créditos Tributários c) Dos Pedidos: i. De produção de prova pericial; ii. De produção de prova suplementar; iii. De sustentação oral; e iv. Da intimação para o advogado. Em 01/11/2024, a responsável tributária ÍRIS DA SILVA TOLARDO atravessou Requerimento, às fls. 31.258/31.262, pleiteando, em apertada síntese, que: a) Seja reconhecida e declarada a prescrição dos créditos tributários em relação à ROLCAR e ao Responsável Tributário Robson Marcelo Tolardo; b) Seja reconhecida e declarada a ocorrência de Prescrição Intercorrente; e c) No que tange a multa de ofício qualificada imputada, requereu a sua redução/limitação ao percentual de 100% (cem por cento), nos termos da Lei nº 14.689/2023 e nas orientações estabelecidas no Parecer SEI nº 3.950/2023/MF, da CAT/PGFN. Fl. 31275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 14 É o Relatório VOTO Conselheiro Raimundo Pires de Santana Filho, Relator 1 DA ADMISSIBILIDADE Apresentaram recursos voluntários, em peças separadas, os responsáveis tributários: ÍRIS DA SILVA TOLARDO, JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, ROGÉRIO MARCIO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO JUNIOR. Nessa quadra, entendo que foram tempestivos e atenderam aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço, exceto quanto às questões atinentes a confisco e a inconstitucionalidade de lei, conforme se abordará oportunamente. Todavia, compulsando os autos, constata-se que não constam as peças recursais protocoladas pela ROLCAR e pelo responsável solidário o Sr. ROBSON MARCELO TOLARDO, os quais registro já haviam sido considerados revéis pela decisão guerreada, por não terem apresentado impugnações. Nessa toada, tanto o Contribuinte no que concerne ao crédito tributário constituído de ofício, como o Sr. ROBSON, no que toca aos valores lançados de ofício e o vínculo de responsabilidade imposto, por não terem recorrido, restou caracterizada a preclusão temporal. Entretanto, sou da linha de pensamento que defende a unicidade do processo administrativo fiscal, abarcando o Sujeito Passivo Principal e os responsáveis tributários arrolados, assim independente da instância recursal e de qual legitimado questionou, em se tratando da matéria tributária sob julgo, salvo o vínculo de responsabilidade tributária devido à natureza personalíssima, uma vez arguida deve ser apreciada por essa Egrégia Turma, posto que não alcançada pelo instituto da preclusão. Inclusive, a sobredita ilação encontra guarida na Súmula Carf nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Nesse racional, em virtude dos demais responsáveis tributários terem recorrido combatendo os valores lançados de ofício, até porque há determinação expressa no art. 5º, caput Fl. 31276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 15 e § 4º, da Instrução Normativa RFB nº 1.862/20181, a exigibilidade do crédito tributário em questão encontra-se suspensa em relação a ROLCAR e todos responsabilizados, uma vez que as renúncias apontadas não implicam em desistência dos recursos interpostos pelos demais. 2 DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA Inicialmente, cumpre esclarecer que os acórdãos das instâncias administrativas, bem como decisões judiciais e posicionamentos doutrinários, embora de inestimável valor como fonte de consulta, servem apenas como forma de ilustrar e reforçar a argumentação dos litigantes, dado que não têm o condão de alterar determinações expressas na legislação. Ademais, no que diz respeito às decisões judiciais, além de não se constituírem em normas complementares do direito tributário nos termos do art. 100, do CTN2, devem ser respeitadas as limitações impostas pelo Decreto nº 2.346/1997, e as determinações contidas no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002. Quanto às citações doutrinárias que a defendente traz lume em seu petitório, em diversos tópicos da peça recursal, ressalva-se que a doutrina não integra a legislação tributária, conforme define o art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN3. Também as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e mesmo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ainda que reiteradas sobre determinada questão, não se fazem oponíveis à autoridade administrativa de Julgamento, ressalvada a hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do art. 26 A, do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.196/20054. Veja-se também a 1 Art. 5º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. (...) § 4º A desistência de impugnação ou de recurso por um autuado não implica a desistência das impugnações e dos recursos interpostos pelos demais autuados. 2 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 3 Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sôbre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 4 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 31277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 16 conclusão do Parecer Normativo Cosit nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013, que se presta a bem elucidar o tema: Diante do exposto, conclui-se que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. 3 DAS PRELIMINARES 3.1 DA NULIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 3.1.1 DA INTRODUÇÃO Os Responsáveis Tributários alegam que os atos administrativos questionados – Autos de Infração, Termos de Sujeição Passiva Solidária e o Acórdão combatido – estão eivados de nulidade alicerçados em diversos argumentos, os quais estão assim resumidos e consolidados: a) Da ilegitimidade do Auditor Fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da Rolcar e imputar responsabilidade objetiva e solidária aos Recorrentes, e da incompetência da Autoridade Julgadora; b) Da falta de fundamentação e motivação dos Atos Administrativos recorridos, desrespeitando as garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa; c) Da decisão de primeira instância por ausência de análise de todas as matérias invocadas em defesa via impugnação administrativa; d) Da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal; e) Da ausência de intimação pessoal e nulidade da realizada por via postal; f) Da ilicitude das provas por incompetência da Autoridade Judicial; e § 6 o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n o 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 31278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 17 g) Da Responsabilização Tributária fundada em prova emprestada. Todavia, antes de aprofundarmos a análise individualizada dos apontados questionamentos, é salutar esclarecer que em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa esculpidos no inciso LV, art. 5º, da Constituição Federal5, tem-se como dispositivo legal aplicável no âmbito da Administração Tributária o Decreto nº 70.235, de 1972, que versa a respeito do processo administrativo fiscal e do julgamento do contencioso (PAF), por conseguinte, no tema, não demanda aplicação subsidiária de outros dispositivos da lei geral do processo administrativo federal (Lei no 9.784/1999). A par disso, observa-se que consoante o art. 14, do Decreto nº 70.235, de 19726, a fase processual da relação fisco-contribuinte inicia-se com a impugnação tempestiva da exigência e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração Tributária. Neste ponto, merece citação a Súmula CARF nº 1627, estabelecida nos termos do art. 123, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, através da qual se denota que só a partir do protocolo da impugnação se instaura o direito ao contraditório e a ampla defesa. Ainda, nos termos do Decreto nº 70.235, de 19728, somente se pode cogitar de declaração de nulidade do ato administrativo de lançamento quando o ato tiver sido lavrado por agente incompetente (art. 59, inciso I) ou, quando a preterição do direito de defesa se der em uma fase posterior à lavratura do ato pela autoridade fazendária (art. 59, inciso II). Veja-se que as demais irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade, sendo sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio, conforme o art. 60, do assinalado dispositivo. 5 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 6 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 7 Súmula CARF nº 162: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). 8 Das Nulidades Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 31279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 18 Feita a introdução, segue análise dos pleitos de nulidade arguidos pelos Responsáveis Tributários. 3.1.2 DAS ANÁLISES DOS PLEITOS DE NULIDADE Os Responsáveis tributários alegaram que os Atos Administrativos atacados devem ser declarados nulos, tendo em vista que a Autoridade Autuante extrapolou os limites de sua competência funcional, previstas na Lei 10.593/2002, ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária à parte Recorrente, bem como em virtude do julgamento ter sido proferido por Autoridade Incompetente, dado que deveria ter sido realizado por Delegado da Receita Federal, nos termos do art. 25, alínea “a”, do PAF, portanto nulo segundo o art. 59, I, do mesmo normativo. Entendo que esses pleitos das Defesas não merecem prosperar pelos seguintes motivos. A princípio, à luz dos dispositivos legais que regem a matéria, sinalados na introdução, não se evidencia motivos capazes e suficientes para decretar a nulidade em razão da incompetência da Autoridade Autuante, a uma, porque, na espécie, não se cogitou a desconsideração da personalidade jurídica da autuada, tampouco se atribuiu responsabilidade objetiva aos Recorrentes. A duas, em virtude de o lançamento de ofício ter sido concretizado por Autoridade competente uma vez que a legislação em vigor conferiu ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competência privativa para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições, de acordo com o preceituado no art. 6º, inciso I, alínea “a”, da Lei n° 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 16 de março de 20079. A três, conforme muito bem destacado pela decisão guerreada, a competência para atribuição da responsabilidade solidária, nos casos de apuração de dolo, fraude ou simulação, tal qual na espécie, decorre de previsão expressa contida no inciso VII, do art. 149, do Código Tributário Nacional – CTN 10 . Nesse diapasão, embora a apreciação das responsabilidades tributárias em questão será efetivada no momento oportuno, as atribuições encontram-se legitimadas pelo entendimento da Fiscalização de que as condutas praticadas pelos Recorrentes se 9 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições;(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) 10 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (g.n.) Fl. 31280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 19 subsumiram ao disposto nos arts. 124, I, e 135, III, ambos do CTN, sustentado em farto conjunto probatório, e, repito, foram imputadas por quem detém a competência legal de concretizar o lançamento de ofício e atribuir a corresponsabilidade tributária, na forma da lei. Na mesma linha de pensamento, totalmente incabível decretar nulidade da decisão recorrida por incompetência dos julgadores que compõem a 5ª Turma da DRJ/RJO, eis que a legislação em vigor conferiu às turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ competência para apreciar, por decisão colegiada, em primeira instância, as impugnações apresentadas pelo Sujeito Passivo e Responsáveis Tributários em desfavor de determinação e exigência de créditos tributários e de penalidades, nos termos do art. 6º, inciso I, alínea “b”, da Lei n° 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 16 de março de 200711, c/c art. 233, inciso I, da Portaria nº 203/201212(Aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB), e Portaria MF nº 341/2011, ambos vigentes à época em que foi exarada. Prosseguindo, sustentam os Recorrentes que carecem da necessária motivação e fundamentação, desrespeitando os princípios da ampla defesa e do contraditório: os Autos de Infração, os Termos de Sujeição Passiva Solidária e a Decisão Atacada. Mais uma vez desacertam as Defesas. A saber. Inicialmente peço vênia para transcrever excertos do voto prolatado pelo eminente Conselheiro Rosaldo Trevisan, parte integrante do Acórdão nº 3401-006.532 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sessão de 17/06/2019: 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência - seguindo em parte a Supreme Court - apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o 11 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Alínea com redação dada pela Lei nº 11.457, de 16/3/2007) (g.n.) 12 Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I - de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; Fl. 31281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 20 contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos "à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio" eivando de nulidade o procedimento administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa.(g.n.) Desse modo, impende ressalvar que é possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, contudo esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato - corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato -; ou fundamentos de direito - dispositivo legal em que se baseia o ato. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão torna-se nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade de refutá-la, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. Nessa linha intelectiva, é fato que não pode prosperar a alegação de suposta ausência de motivação e fundamentação do lançamento e da imputação de responsabilidade tributária, posto que os elementos de prova se encontram todos nos autos, que foram devidamente cientificados ao contribuinte, inclusive o Relatório de Atividade Fiscal contendo 441 laudas, às fls. 30.010/30.451. Quer dizer, contrariamente ao que pensa a Defesa, tanto a autuação, como a corresponsabilidade dos membros da família TOLARDO, estão devidamente motivadas e fundamentadas, de forma clara e objetiva, possibilitando não só o pleno exercício do direito de defesa dos interessados como também o julgamento da presente lide. No que toca à acusação de que o acórdão recorrido foi singular e simplista, visto que não teria analisado, ou sequer lido, diversas questões invocadas trazidas em impugnação que provam a inexigibilidade do crédito tributário. Ademais, de não passar de um resumo do relatório fiscal, em razão de ter sido baseado em provas indiciárias, contidas em inquérito policial, sobre o qual não existe julgamento de validade das provas coligidas, entendo completamente insustentável. Ora, de forma muito densa, a decisão da 5ª Turma da DRJ/RJO deixou absolutamente claros os fundamentos de fato e de direito pelos quais julgou improcedente as Impugnações, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, bem como os encargos legais, inclusive a multa de ofício qualificada, e as responsabilidades tributárias imputadas. Em outras palavras, o Aresto atacado fundamentou seu entendimento com base nos elementos de prova colacionados pela Fiscalização, embasando-se na legislação vigente, o que não poderia se dar de modo diferente, uma vez que os Recorrentes, em nenhum momento, trouxeram, no entender da turma julgadora de primeira instância, qualquer prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo dos fatos colacionados pela Autoridade Fiscal Autuante. Fl. 31282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 21 Dessarte, é inaceitável acatar a alegação de desrespeito ao contraditório e ampla defesa, primeiro em razão de, conforme expomos, inclusive trata-se de questão sumulada, só com o protocolo tempestivo da impugnação da exigência é que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Portanto, não há que se falar em ampla defesa e contraditório até o momento da apresentação da impugnação – tanto para o Contribuinte como para os Responsáveis Tributários - exceto quando a lei expressamente assim determina (como no caso do art. 42, da Lei nº 9.430/96, por exemplo). Segundo, em virtude de toda a possibilidade de defesa ter sido dada aos Recorrentes a partir da ciência do lançamento e dos Termos de Sujeição Passiva, quer com base nos elementos de prova acostados aos autos e cientificados aos Recorrentes, quer pela profunda e pormenorizada descrição dos fatos levada a efeito pela Autoridade Fiscal Autuante. Já para a turma julgadora de primeira instância, não houve apresentação, por parte dos Recorrentes, de elementos suficientes e aptos a infirmar as conclusões que lastreiam os lançamentos e as responsabilizações tributárias. Convém transcrever excerto do voto recorrido: Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa pela suposta falta de acesso ao inteiro teor dos presentes autos apesar de requerido, tenho como não demonstrada, ademais, a apresentação das impugnações contestando as condutas atribuídas aos interessados na autuação, da qual os impugnantes foram devidamente cientificados de seu inteiro teor, caracteriza o pleno exercício do direito de defesa, o que não se coaduna com o alegado cerceamento. Diferentemente do que afirmam os impugnantes, a autuação esta devidamente motivada e fundamentada, de forma clara e objetiva, possibilitando não só o pleno exercício do direito de defesa dos interessados como também o julgamento da presente lide. Podem os Recorrentes não concordar com tais conclusões. Contudo, isso não torna a decisão recorrida nula. Pelos mesmos argumentos, não procede a alegação de nulidade do lançamento e da Sujeição Passiva Solidária por cerceamento do direito de ampla defesa e do contraditório e por ausência de motivação e fundamentação. Em suma, indubitavelmente os atos administrativos estão motivados de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica e os responsabilizados foram regularmente cientificados. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade pretendida. Ademais, conforme exaurido, os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos possibilitando o julgamento dos recursos administrativos. Fl. 31283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 22 O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridades fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo. Houve observância das normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Ainda sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE com trânsito em julgado em 28.02.2010, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 98, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Ademais, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”, conforme preceitua o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. No que diz respeito ao sobredito entendimento, nos acompanha a jurisprudência do CARF, consoante ementas abaixo transcritas: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão n° 1401 003.149. Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 31284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 23 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. (Acórdão n° 3401-006.532 - Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan) ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não constatada a existência de vício de motivação ou ausência de análise de fundamentos e elementos de prova utilizados pelo contribuinte em Manifestação de Inconformidade e capazes de infirmar o Despacho Decisório que não homologou declaração de compensação, incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa e nulidade da decisão de primeira instância. (Acórdão n° 3001- 001.253 - Relator: Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche) No que tange à alegação de que o acórdão combatido ignorou a denúncia, presente na peça impugnatória, sobre a falta de disponibilização de elementos de prova indicados nos autos de infração, indispensáveis ao exercício da ampla defesa por justamente dizerem respeito à imputação de responsabilidade tributária que lhes foi atribuída. Como também, no que tange à falta de acesso a uma série de documentos apreendidos referenciados na cópia do CD que receberam, os quais, uma vez requeridos na RFB, não foram fornecidos a tempo e no prazo da impugnação, demonstrando o menoscabo com o sagrado direito à ampla defesa e ao contraditório, peço vênia para discordar da Defesa, pois não procedem. A esse respeito, assim se manifestou a decisão de primeira instância: Os impugnantes argúem a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal e por cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido, por falta de motivação e fundamentação da autuação, a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, bem como a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente. (...) Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa pela suposta falta de acesso ao inteiro teor dos presentes autos apesar de requerido, tenho como não demonstrada, ademais, a apresentação das impugnações contestando as condutas atribuídas aos interessados na autuação, da qual os impugnantes foram devidamente cientificados de seu inteiro teor, caracteriza o pleno exercício do direito de defesa, o que não se coaduna com o alegado cerceamento. Fl. 31285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 24 Resta assim evidente que a decisão recorrida se manifestou sobre o tema. Aliás, embora de forma sucinta, mas com muita exatidão, pois, compulsando os autos não identifiquei qualquer elemento de prova que possa confirmar as alegações dos Recorrentes. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos do art. 36, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 199913 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal). No mesmo sentido dispõe o art. 373, da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (CPC/2015)14. Saliento que mesmo após a decisão de primeira instância, os Recorrentes mantiveram seus argumentos sem trazer, novamente, qualquer elemento comprovasse suas alegações. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.171-0 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211-276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 8-3 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93-116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇA-PRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre 13 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 14 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 31286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 25 verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/0099660-7) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ - PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Em relação ao pleito de nulidade concernente a suposta ausência de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, pois alegam os Recorrentes que jamais foram intimados do início do procedimento fiscal, também é descabido. A esse respeito, perfeitas as considerações da decisão recorrida, as quais a seguir reproduzo: Não há que se falar em nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal (MPF), em primeiro lugar porque a ação fiscal foi desenvolvida com a emissão do mandado de procedimento fiscal nº 08.1.05.00-2013-00864-0, conforme informação constante do termo de início de ação fiscal de fls. 13.789 e 13.790, a qual a fiscalizada foi devidamente cientificada em 31/10/2013, conforme edital de fl.13.794, em segundo lugar porque o lançamento efetuado com a ausência ou em desconformidade com MPF, instrumento de controle administrativo interno das atividades de programação e execução de ações fiscais no âmbito Receita Federal do Brasil, não importa na nulidade do procedimento, quando muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. A atribuição de co-responsabilidade pelos tributos devidos decorre do apuratório realizado no curso da ação fiscal, com base nos documentos e provas obtidas no procedimento e prescindem de prévia emissão de mandado em relação aos coobrigados, uma vez que apenas a empresa foi alvo da fiscalização efetuada. Fl. 31287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 26 Nessa toada, cumpre esclarecer que o vínculo de responsabilidade tributária ocorre quando uma pessoa, física ou jurídica, é legalmente designada como responsável pelo pagamento de um tributo que originalmente seria devido por outra pessoa. São ações que visam garantir a arrecadação tributária e evitar que o fisco seja prejudicado pela impossibilidade de cobrança direta do devedor original. A legislação tributária determina de maneira clara quem são os responsáveis em cada caso, visando à segurança jurídica e à efetividade na arrecadação dos tributos. Também não podemos olvidar que a imputação de responsabilidade tributária deve ser formalizada no lançamento de ofício, do qual deve ser dada a ciência a todos sujeitos passivos autuados (art. 2º e 4º, da Instrução Normativa RFB nº 1.862/201815). Destarte, diferente do que sustentam as Defesas, até a conclusão do procedimento fiscalizatório, não há norma que condicione a imputação da responsabilidade tributária à intimação dos potenciais responsabilizados para cientificar do início do procedimento inquisitorial, apresentar quaisquer esclarecimentos no tocante aos tributos lançados, tampouco em favor de demonstrar a inexistência dos fatos que embasaram a atribuição. Com base nessa cognição, só após a ciência da autuação e das multicitadas responsabilizações e consequente protocolo das impugnações, iniciou-se a fase contenciosa e, em prol de afastar a acusação fiscal, abriu-se oportunidade para o Fiscalizado e os responsáveis tributários demonstrarem a improcedência da autuação e responsabilização, conforme vislumbramos na presente contenda. Ainda sobre o tema, impende registrar que a análise do arcabouço jurídico que fornece legitimidade ao lançamento tributário, em particular o art. 142, do CTN, e o art. 10, do PAF, permite verificar que o MPF (extinto pelo Decreto nº 8.303/2014 que criou o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF), não se encontra, conforme vimos, elencado dentre os requisitos de validade do auto de infração, constituindo-se em mero instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização pela RFB. Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Fazenda Nacional são executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil – AFRFB. Melhor dizendo, o art. 2º, do Decreto nº 8.303/2014, deixa claro que tais instrumentos referem-se a controles administrativos: 15 Art. 2º O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil que identificar hipótese de pluralidade de sujeitos passivos na execução de procedimento fiscal relativo a tributos administrados pela RFB deverá formalizar a imputação de responsabilidade tributária no lançamento de ofício. Parágrafo único. Não será exigido Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) para a imputação de responsabilidade tributária. Art. 4º Todos os sujeitos passivos autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura do prazo estabelecido no inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, para que a exigência seja cumprida ou para que cada um deles apresente impugnação. Fl. 31288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 27 Art. 2º Os procedimentos fiscais iniciados antes da publicação deste Decreto permanecerão válidos, independentemente das alterações no instrumento de controle administrativo nele veiculadas, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (g.n.) Destarte, trata-se de ato administrativo de natureza discricionária de controle e planejamento da atividade fiscal e de informação ao contribuinte, sendo que eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência ou não renovação não geram nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal ou contaminam o lançamento decorrente da ação fiscal. Neste sentido é pacífico os precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a ver: VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração. (Acórdão 2401-005.706 do CARF) (g.n.) TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL - TDPF. ATO DE CONTROLE. O Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal manifesta-se como elemento de controle interno da administração tributária e não influi na validade do lançamento, que é pautado pelos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Eventuais omissões ou incorreções do TDPF não são causa de nulidade do auto de infração. (Acórdão nº 3201-004.570 do CARF) (g.n.) Ainda, segundo o art. 7º, do Decreto nº 70.235/1972 (PAF)16, basta ato de ofício emitido por servidor competente e cientificado ao sujeito passivo para que o procedimento fiscal tenha início. Ou seja, o MPF/TDPF constitui-se em instrumento de controle criado pela Administração Tributária tanto para fins de controle interno, quanto para dar segurança e transparência à relação fisco-contribuinte, assegurando ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar o procedimento fiscal. Ademais, no caso concreto, o procedimento fiscal transcorreu absolutamente nos moldes estabelecidos pelas normas infralegais que regem a matéria. Outro argumento das Defesas relaciona-se à nulidade pela ausência de intimação pessoal. Afirmam que a intimação pessoal precede à postal, ou seja, a regra é a pessoal. Além 16 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 31289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 28 disso, a realizada por via postal teria sido encaminhada para endereços distintos dos informados em suas declarações de imposto de renda da pessoa física. Ora, conforme os próprios Recorrentes alegam, há previsão legal expressa de intimação pessoal, por via postal ou por meio eletrônico, sem preferência de ordem (art. 23, inciso I e II, e seu § 1º, do Decreto nº 70.235/7217). Isso significa que a lei não exige que a escolha do meio a ser utilizado para cientificar o contribuinte sobre determinada decisão observe uma ordem de preferência, muito pelo contrário, trata-se de opção a ser feita pela Administração Pública. Assim, nada impede que a intimação seja realizada por via postal, e não por meio eletrônico (caso tenha optado pelo domicílio eletrônico), ou o contrário, por exemplo. Caso resulte improfícuo um dos meios de intimação previstos na lei, surge a possibilidade de que a intimação seja realizada por meio de edital, não se exigindo o esgotamento das modalidades de ciência nos termos da Súmula CARF nº 17318. Com efeito, a intimação será realizada por edital quando restar frustrada tentativa de intimação por via pessoal, postal ou eletrônica. Em resumo, para intimação por edital não é necessário que todos os meios de intimação sejam colocados em prática, bastando que se utilize da via postal, por exemplo. É o que se verifica no presente caso. Compulsando os autos, na espécie, restaram observados os preceitos legais sinalados, posto que os responsáveis tributários: ROGÉRIO MARCIO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO JUNIOR, foram regularmente cientificados, em 19/08/2016, por via postal, consoante 17 Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (g.n.) 18 Súmula CARF nº 173 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 A intimação por edital realizada a partir da vigência da Lei nº 11.196, de 2005, é válida quando houver demonstração de que foi improfícua a intimação por qualquer um dos meios ordinários (pessoal, postal ou eletrônico) ou quando, após a vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal. Fl. 31290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 29 AR, respectivamente, às fls. 31.002 e 31.003, entretanto, tal espécie de intimação se demonstrou infrutífera em relação a: ÍRIS DA SILVA TOLARDO e JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, razão da concretização por meio de Edital. Todavia, se as intimações foram encaminhadas para endereços distintos do cadastro, esta prova competiria aos Recorrentes, que, por sua vez, mais uma vez argumentaram sem trazer qualquer elemento de prova a confirmar suas alegações. Cumpre ainda destacar que é obrigação da contribuinte manter seus dados cadastrais junto à RFB atualizados, especialmente quando se trata de mudança de endereço. Nesse sentido, dispõe o art. 30, do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), vigente à época dos fatos: Art. 30. O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 195). Parágrafo único. A comunicação será feita nas unidades da Secretaria da Receita Federal, podendo ser também efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas. Isto é, ao pretender a invalidação das intimações postais ou por edital, é como se os Recorrentes estivessem imputando à Administração Pública a responsabilidade por seu descumprimento da legislação tributária. Pelo exposto, conclui-se que é válida a intimação de contribuinte postal, independente de realização pessoal, ou por edital, caso não se obtenha sucesso com a utilização de um dos meios de intimação previstos no art. 23, do Decreto nº 70.235/72. Dando continuidade à apreciação das preliminares de nulidade, os Recorrentes apontam ainda possível nulidade em razão da ilicitude das provas por incompetência da Autoridade Judicial, e em virtude de as responsabilizações tributárias embasarem-se em prova emprestada, visto que o Fisco se valeu dos elementos informativos colhidos no inquérito policial. Aduzem que as provas obtidas se deram por meio ilícito, pois houve compartilhamento de dados entre COAF, Receita Federal e o Ministério Público, já que não havia qualquer crime antecedente ao suposto delito de lavagem de dinheiro e o juízo que decretou a busca e apreensão (juízo da 3ª Vara Federal Criminal de Curitiba) seria especializado em lavagem de dinheiro, implicando violação ao princípio do juiz natural. Além disso, mesmo que fosse competente, os elementos de provas em que a Fiscalização se baseou decorreu da extrapolação dos limites do mandado de busca e apreensão, quer dizer, não havia autorização judicial específica; e não houve perícia, caracterizando-se violação ao devido processo legal. A respeito dos temas, já enfrentados na decisão de primeira instância, entendo pertinentes suas considerações, razão pela qual as transcrevo: Fl. 31291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 30 A sujeição passiva solidária atribuída decorreria de condutas praticadas pelos impugnantes com infração a lei e em razão de serem os proprietários de fato da autuada, com base em farto conjunto probatório coletado em busca e apreensão realizada com autorização da justiça federal do Paraná, e foram atribuídas por quem detém a competência legal de proceder ao lançamento e atribuir a corresponsabilidade tributária, na forma da lei. Quanto à alegada ilicitude das provas utilizadas por empréstimo, obtidas em decorrência de ordem judicial expedida por autoridade supostamente incompetente, não há como dar guarida às pretensões dos impugnantes. A ordem emanada por autoridade judicial reputa-se como válida até que outra lhe sobrevenha, alterando-a ou cancelando-a. Não cabe ao julgador administrativo avaliar a validade das decisões proferidas em sede judicial, por lhe faltar competência legal, e em respeito ao princípio constitucional de separação dos poderes. Nessa senda, não me parece que neste processo tenha havido utilização de provas ilícitas, pois entendo que todas as provas foram obtidas legalmente, inclusive sob o manto de ordem judicial. Outrossim, extrapola a competência deste Tribunal Administrativo apreciar a legitimidade da autoridade judicial, tampouco a correção da execução do mandado de busca e apreensão ou necessidade de periciamento das provas obtidas, sob pena de violar a supremacia das decisões judiciais em relação às decisões proferidas em processo administrativo. De outro giro, não se pode falar que a apreensão foi feita sem ordem judicial, pois tudo o que consta dos autos informa que havia um inquérito em andamento e que a Policia Federal apreendeu os documentos com base em mandado judicial regularmente expedido, e depois a Fiscalização da Receita Federal teve acesso aos documentos e arquivos eletrônicos, também corroborado por autorização judicial (que teve o condão de ratificar a lisura do procedimento da Fiscalização quando teve acesso aos documentos apreendidos pela Polícia Federal). Em suma, por todos os ângulos, a garantia da ampla defesa e do contraditório está em que à vista das provas e ilações que o Fisco embasou os lançamentos e atribuiu responsabilidades tributárias, os Recorrentes puderam infirmá-las e inclusive apresentar novos elementos quando da apresentação das peças recursais. Assim, não vislumbro arbitrariedade ou cerceamento de direito de defesa nos lançamentos, nas responsabilizações tributárias ou na decisão recorrida. No que toca à constatação de que às provas foram emprestadas, importa registrar que não se tomou de empréstimo as conclusões do inquérito policial, mas sim os elementos colhidos no curso do inquérito, tendo sido submetidos ao contraditório quando da ciência do lançamento aos Recorrentes. Fl. 31292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 31 Ante o exposto, entendo que é de rigor o afastamento das preliminares nulidade dos atos administrativos atacados. 3.2 DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DA RECORRENTE Os Recorrentes apontam a preliminar de ilegitimidade passiva. Em prol de subsidiar seu pleito, suscitam vários argumentos no sentido de demonstrar que os fundamentos utilizados pela Fiscalização não fariam prova da responsabilização tributária imputada. Ora, residem em alegações que dizem respeito ao mérito da lide, o qual será apreciado em momento oportuno, não sendo, portanto, tratada em sede preliminar. Nessa senda, deixo-o de apreciar em sede preambular. 3.3 DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA SUPLEMENTAR No que tange ao protesto dos Recorrentes pela juntada posterior de quaisquer documentos comprobatórios do seu pleito, é salutar registrar que a apresentação da prova documental no Processo Administrativo Fiscal - PAF está disciplinada nos §§ 4º e 5º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/7219 . De acordo com esse dispositivo legal, o momento para apresentação de documentos comprobatórios é o da apresentação da Impugnação. Transcorrido este, apenas será possível a juntada de tais elementos ao processo administrativo se, e somente se, ocorrer algum dos eventos descritos na norma legal, ou quando da apresentação de provas na fase recursal, neste último caso apenas quando estas forem conclusivas na demonstração do fato alegado. Dessa forma, não tendo os Recorrentes demonstrado enquadrar-se nos casos de excepcionalidade elencados no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, tampouco carrearam novas provas quando do protocolo do Recurso Voluntário, tem-se por prejudicado o pleito. 19 Art. 16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Fl. 31293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 32 Portanto, há que ser indeferido o protesto genérico da Defesa pela produção de provas em momento posterior ao da apresentação do Recurso Voluntário. 4 DO MÉRITO 4.1 DAS PREJUDICIAIS DO MÉRITO Antes de darmos seguimento a análise meritória dos presentes autos, nos inclinaremos na apreciação dos pleitos dos Recorrentes prejudiciais de mérito. Nessa linha intelectiva, as Defesas requereram: a) Sobrestamento do presente julgamento em prol de aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal – STF das cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADIN relativas à Lei Complementar nº 105/01, no tocante à quebra de sigilo bancário diretamente pela Autoridade Fiscal; b) Decadência dos valores lançados de ofício em relação aos Recorrentes, visto que decaiu o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, já que não foi realizado o lançamento deste e a respectiva cientificação; ou prescrição dos sinalados créditos tributários, (...) considerando a data do fato gerador e falta de intimação da Recorrente anteriormente à lavratura do auto de infração; c) Seja reconhecida e declarada a prescrição dos créditos tributários, diante da ausência de cobrança destes em face da ROLCAR e do responsável tributário o ROBSON MARCELO TOLARDO, visto que foram considerados revéis pela decisão combatida, transcorreram 08 (oito) anos da cobrança administrativa e não existe execução fiscal a respeito; e d) Seja reconhecida e declarada a Prescrição Intercorrente frente o decurso de prazo de mais de 06 (seis) anos da apresentação de Recursos Voluntários, pelos demais responsáveis solidários, e a sua pendência de julgamento. No tocante ao pedido de sobrestamento do feito, tal prejudicial não pode ser acatada. Inicialmente, é salutar colacionar o irretocável tratamento do questionamento dado pela decisão de primeira instância: Afirmam os impugnantes a necessidade de suspensão do presente processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco ações diretas de inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105. Fl. 31294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 33 Descabida a pretensão, pois não constam dos autos nenhuma quebra de sigilo bancário efetuada pela autoridade fiscal. Com efeito, o lançamento de que trata o presente processo não foi efetuado com base na movimentação financeira da contribuinte e expedição de requisição de movimentação financeira a qualquer banco, em que pese haja decisão judicial nos autos determinando não só a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, como também o compartilhamento das informações e documentos colhidos no âmbito do inquérito policial com a Receita Federal. Mesmo que o lançamento tivesse sido efetuado com base na obtenção de informações requeridas pela autoridade fiscal junto a instituições financeiras a suspensão requerida não poderia ser acatada, pois a Lei Complementar nº 105 encontra-se com sua vigência integralmente mantida, posto que não foi deferido nenhum pedido de liminar nas mencionadas ações diretas de inconstitucionalidade suspendendo a aplicação de qualquer dispositivo da norma atacada, devendo a mesma ser inteiramente aplicada enquanto não declarada inconstitucional. Tendo em vista que recentemente foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal a constitucionalidade das alterações promovidas na Lei complementar nº 105 nas ações mencionadas pelos impugnantes, menos motivos haveria para acatar seu pedido de suspensão, ante a sua perda de objeto. Prosseguindo, de pronto, já podíamos afastar tal refutação, posto que a previsão regimental de suspensão do julgamento dos recursos sempre que o STF também sobrestasse o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que fosse proferida decisão nos termos do então art. 543-B, do CPC/1973, então prevista no art. 62- A, §1º, do Anexo II, do RICARF/2009, não mais persistiu nas posteriores edições do Regimento Interno do CARF. Além disso, conforme muito bem salientado pela decisão de piso, contribuem para a rejeição do pleito, o fato de, na espécie, inexistir quebra de sigilo bancário efetuada pela Autoridade Fiscal. E mesmo que superássemos essa constatação, é público e notório que nos julgamentos das Ações Diretas de Inconstitucionalidade: 2859, 2390, 2386 e 2397, o STF decidiu que o disposto na Lei Complementar nº 105 não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. Decidiu-se ainda que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto, não havendo que se falar em ofensa à Constituição Federal. No que diz respeito aos pedidos de declaração de prescrição intercorrente ou prescrição da cobrança dos créditos tributários, neste último caso fundado: i) na falta de intimação dos Recorrentes anteriormente à lavratura dos autos de infração; ou ii) em relação à ROLCAR e ao Responsável Tributário ROBSON MARCELO TOLARDO, em razão de não terem apresentado peças recursais, ter transcorrido 08 (oito) anos da cobrança administrativa e não ter Fl. 31295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 34 ocorrido a correspondente execução fiscal, com a devida vênia trata-se de pleitos despropositados. A saber. Inicialmente, é salutar registrar que os Recorrentes inovam, em relação à contestação apresentada em primeiro grau, ao alegar que se operou o instituto da prescrição, tanto tributária – em relação a ROLCAR e ao Responsável Tributário Sr. ROBSON -, como intercorrente no caso em tela, visto que esses temas não foram esgrimidos em primeira instância, daí porque causa efeito devera substancioso, sob o ponto de vista processual, nesta esfera. Todavia, entendo que este capítulo recursal não se encontra precluso, por se tratar de uma matéria de ordem pública cognoscível em qualquer instância e, portanto, passível de ser apreciado nesta instância. Nesse racional, em que pesem os argumentos utilizados pelos Recorrentes, é assente neste Tribunal a inaplicabilidade da prescrição intercorrente a processos administrativos fiscais, conforme ao que se depreende do enunciado da Súmula CARF nº 11, in verbis: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ademais, considerando que, na espécie, a exigibilidade do crédito tributário se suspendeu em relação ao Sujeito Passivos e a todos os responsáveis tributários, impedindo-se o exercício do direito da Administração de cobrar referido crédito, quando os quatro Responsáveis Tributários protocolaram tempestivamente as impugnações e os recursos voluntários, em respeito ao disposto no art. 151, III, do CTN20, até porque, conforme exaurimos, as renúncias da ROLCAR e do Sr. ROBSON não implicaram em desistência dos recursos interpostos pelos demais, indiscutivelmente não se pode imputar ao Fisco um estado de inércia, como pretendem as Defesas, enquanto perdurar a eficácia suspensiva em questão. É dizer, no trâmite do processo administrativo tributário, não corre prazo prescricional. Igualmente deve ser afastada a pretensão das Defesas de que seja declarada a prescrição em razão dos Recorrentes não terem sido cientificados anteriormente à lavratura dos Autos de Infração. Tal ilação encontra albergue no fundamento, exaustivamente explanado neste voto, de que a atribuição de responsabilidade tributária pelos tributos devidos decorre do apuratório realizado no curso da ação fiscal, com base nos documentos e provas obtidas no procedimento inquisitorial e prescindem de prévia emissão de MPF/TDPF, tampouco da ciência de Termo de Início de Fiscalização em relação aos coobrigados, uma vez que, na espécie, apenas a ROLCAR foi alvo da fiscalização efetuada. Melhor dizendo, repiso, até a conclusão do procedimento fiscalizatório, NÃO HÁ NORMA que condicione a imputação da responsabilidade tributária à intimação dos potenciais 20 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III - as reclamações e os recursos, nos têrmos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 31296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 35 responsabilizados para cientificar do início do procedimento inquisitorial, apresentar quaisquer esclarecimentos no tocante aos tributos lançados, tampouco em favor de demonstrar a inexistência dos fatos que embasaram a atribuição. Inclusive, impende pontuar que a imputação da multicitada responsabilidade pode ocorrer até mesmo após o fim do contencioso administrativo e efetuada em sede de execução fiscal, mesmo após a inscrição em dívida ativa, conforme faculdade contida no inciso I, do art. 202, e art. 203, ambos do CTN21. Em suma, tendo a autuação e a sujeição passiva sido devidamente cientificadas aos quatro responsáveis tributários em 30/12/2014, e terem tempestivamente apresentado as impugnações e os recursos voluntários, segundo extenuamos, os créditos tributários lançados encontram-se com as respectivas exigibilidades suspensas, nos termos do inciso III, do art. 151, do CTN, e sequer começou a contar o prazo prescricional, cujo início da contagem se dará na data de sua constituição definitiva, nos termos do caput art. 174 do CTN22, ou seja, quando os créditos tributários passam a ser exigíveis. Por derradeiro, no que toca ao pleito de decadência, em razão da relação umbilical com a imputação da multa de ofício qualificada no percentual de 150%, que requer o exame da ocorrência ou não de fraude, dolo ou simulação, apreciaremos após análise dessa. Nessa senda, oriento meu voto no sentido de afastar as prejudiciais de mérito relacionadas aos pedidos de: sobrestamento, prescrição intercorrente e tributária. 4.2 DA OMISSÃO DE RECEITAS Em apertada síntese, a infração de omissão de receitas indicada pelo Fisco baseia-se em extensa documentação e, notadamente, arquivos digitais apreendidos nos próprios estabelecimentos da Fiscalizada com autorização judicial (Justiça Federal de Curitiba-PR), nos quais 21 Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará obrigatoriamente: I - o nome do devedor e, sendo caso, o dos co-responsáveis, bem como, sempre que possível, o domicílio ou a residência de um e de outros; (...) Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo, são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá versar sobre a parte modificada. 22 Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) II - pelo protesto judicial ou extrajudicial; (Redação dada pela Lei Complementar nº 208, de 2024) III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 31297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 36 foram encontrados os seus controles de vendas, abarcando matriz e todas as suas filiais, mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal, e eram elaborados pelos administradores de fato ou por seus empregados. A decisão combatida manteve a exigência. O ataque dos Recorrentes cingiu-se às preliminares, ao suscitarem a declaração de nulidade por ausência de motivação e fundamentação da autuação; ou em razão da ilicitude das provas que o Agente Fiscal utilizou para alicerçar as exações em comento. Levando-se em conta que tais preliminares foram afastadas neste voto, passo a análise da comprovação da omissão de receitas. Ora considerando que os Recorrentes não trouxeram quaisquer elementos de prova capazes de infirmar as conclusões da Autoridade Fiscal e também do Aresto guerreado, bem como por se tratar de tema já enfrentado na decisão de primeira instância e concordar integralmente com as razões de decidir, adoto seus fundamentos, transcrevendo-os a seguir, albergado pela faculdade garantida ao julgador prevista no § 12º, do art. 114, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 202323 - possibilita ao Conselheiro relator do voto condutor, no âmbito das decisões colegiadas, fundamentar a decisão através da declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida – c/c art. 50, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 199924: Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita de vendas obtidas não só pela autuada, como de todas as empresas da denominada “Rede Presidente”, uma vez que era efetuado pela autuada o controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que, em regra, as vendas com emissão de notas fiscais eram devidamente escrituradas e suas receitas declaradas ao Fisco. Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões “TAB1” e “TAB2”. Apurou-se que “TAB1” referia-se a vendas com nota fiscal, e “TAB2” referia-se a 23 Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; 24 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V - decidam recursos administrativos; (...) § 1 o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3 o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito Fl. 31298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 37 vendas sem documento fiscal. Tal constatação é confirmada pela informação constante da agenda encontrada na loja de Curitiba-PR, constante das fls 1.200 a 1.242, e reproduzida à fl. 30.303 a 30.305 do relatório fiscal, com agravante de que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada em 50 % em relação às das vendas com nota. Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório fiscal à fl. 30.305, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR. Da análise efetuada aos relatórios de vendas extraídos do programa AUTOW (fls. 26.967 a 29.593), validados pelo Laudo Pericial nº 300/2014 (fls. 29.870 a 29.873), confirmadas com consultas realizadas nos programas Central de Cobranças e Caixa, e somadas as vendas realizadas entre empresas da rede com emissão de nota fiscal eletrônica, foi possível apurar as receitas mensais da autuada, possibilitando o lançamento, levando-se em conta que a autuada era considerada a filial 38 da Rede Presidente, conforme metodologia de cálculo explicitada no relatório de atividade fiscal, às fls. 30.338 a 30.435, sendo a receita bruta considerada para fins de determinação do lucro arbitrado composta por: a) Vendas extraídas do programa AUTOW mediante emissão de notas fiscais (TAB1) (fls. 26.967 a 28.021); b) Vendas mediante emissão de notas fiscais, feitas por uma empresa do esquema, para outra empresa do esquema. Tais notas fiscais eletrônicas foram obtidas a partir dos sistemas RFB (planilha as fls. 18.234); c) Vendas extraídas do programa AUTOW, sem emissão de documento fiscal (TAB2) (fls 28.022 a 29.593); d) (-) Devoluções de vendas extraídas do programa AUTOW (fls. 29.594 a 29.598); A prova obtida foi sem dúvida elaborada pela própria autuada, por meio dos seus administradores de fato ou por seus empregados, e mantida nos computadores e pendrives apreendidos das empresas da Rede Presidente, de seus empregados ou de seus administradores de fato do grupo empresarial. Assim, tenho como comprovada a omissão de receitas de vendas da autuada, razão pela qual mantenho, neste aspecto, o lançamento. Desse modo, oriento meu voto no sentido de manter a infração relativa à omissão de receitas tanto em relação ao IRPJ quanto à CSLL, PIS e COFINS, dada a relação de causa e efeito. Fl. 31299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 38 4.3 DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 4.3.1 DA INTRODUÇÃO Os Recorrentes indignaram-se com a decisão recorrida que manteve a imputação da multa qualificada, no percentual de 150%, por entender que a Fiscalização comprovou a ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária nas modalidades de fraude e sonegação – vide tópico 11, do Relatório de Atividade Fiscal, especialmente às fls. 30.446/30.448 -, em razão da suposta utilização de interpostas pessoas – “laranjas” -, componentes do quadro societário da autuada, de modo a encobrir os reais sócios, integrantes da família TOLARDO, eximindo-os da responsabilidade pela infração apurada. Tal interposição teria sido perpetrada mediante a utilização de expedientes escusos tais como documentos elaborados com falsidade ideológica ou falsificação de assinaturas. Além disso, o Agente Fiscal constatou que a ROLCAR omitiu a totalidade de suas receitas de vendas, obtidas com ou sem a devida emissão de notas fiscais, as quais eram controladas em arquivos digitais mantidos em computadores de empresas da denominada REDE PRESIDENTE ou em pendrives dos seus administradores de fato ou de seus empregados e que foram apreendidos em operação conjunta da Polícia, Ministério Público e Receita Federais, em cumprimento a ordem expedida pela Justiça Federal do Paraná. Em razão do sobredito, verificou-se que autuada teria se eximido do pagamento da totalidade de seus tributos, tendo em vista que não declarou ter auferido receita nos anos- calendário de 2009, 2010, 2011, e de janeiro a setembro de 2012, tendo sido apurada no lançamento a obtenção de receita com vendas de mercadorias no mesmo período nos valores respectivos de: R$ 7.050.600,86, R$ 6.338.242,31, R$ 7.469.035,93 e R$ 3.418.786,37. Destarte, restou caracterizada a ocorrência de ações dolosas que se adequam às hipóteses de sonegação e fraude, previstas nos incisos I e II, do art. 71, e art. 72, ambos da Lei nº 4.502/64, subsumindo-se ao disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, redação dada pela Lei nº 11.488/07. Contrapondo, protestaram em favor do cancelamento ou redução da multa de ofício qualificada (150%) aplicada no caso concreto, alicerçados nas seguintes razões: a) Que deve ser cancelada, visto que a simples apuração de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, nos termos das Súmulas CARF nºs: 14 e 25; b) Que deve ser cancelada, pois fere os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, agravar a multa de ofício em relação à Recorrente, (...) quando ela não responde pela empresa e sequer tinha conhecimento do mandado de procedimento fiscal. Quer dizer, aplicou-se uma dupla penalidade: uma pelo arbitramento; e outra pela não entrega de documentos; Fl. 31300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 39 c) Por ferir o princípio constitucional da capacidade contributiva, uma vez se trata de imputação de multa nitidamente confiscatória, devendo ser reduzida ao patamar de 10%; e d) Que caso os lançamentos sejam mantidos e não haja redução para 10%, que seja reduzida para 75% (setenta e cinco por cento), posto que não foi praticado nenhuma fraude, bem como omissão dolosa durante o processo fiscalizatório, tampouco restaram comprovadas. Conforme será demonstrado, não procedem as alegações dos Recorrentes. 4.3.2 DAS QUESTÕES ENVOLVENDO CONFISCO E VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Inicialmente, impende sinalar que os argumentos das Defesas relacionados ao confisco, especialmente, a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da CF 8825, não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. Outrossim, no que tange às questões que envolvem os demais princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pela Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Deve-se observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 98, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto”. O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: 25 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV - utilizar tributo com efeito de confisco; Fl. 31301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 40 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, este colegiado não é competente para apreciar sobre confisco, violação de princípios constitucionais e de inconstitucionalidade de lei. 4.3.3 DA IMPUTAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA – 150% Antes de avaliarmos as razões da combatida qualificação da multa de ofício, é salutar trazer a este voto entendimentos sobre o tema. Inicialmente, é importante registrar que a multa qualificada, à época dos fatos, se encontrava regulada pelo art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 200726. Portanto, o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) deve ser aplicado apenas nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 196427, ou seja, o intuito de fraude foi aí aludido em seu sentido amplo, devendo para seu entendimento serem observadas as definições dos indigitados dispositivos Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma, pois se refere à possibilidade de a sonegação e/ou a fraude serem orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). 26 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n) 27 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. (g.n) Fl. 31302DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 41 A qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita quando e apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja em conformidade com o modelo arquetípico estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Analisando-se as características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, a primeira premissa indispensável é a de que sonegação e fraude são condutas dolosas. Isso se depreende da expressão “(...) toda ação ou omissão dolosa tendente (...)”, que é repetida em ambos os artigos. Quer dizer, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Portanto, sonegação e fraude são condutas dolosas (dolo direto ou eventual). Para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, mediante apresentação de conjunto probatório suficiente. Ademais, é cediço que a imposição de multa qualificada é tema sempre muito espinhoso, mesmo porque tal cominação prescinde da demonstração de um “algo mais”, no procedimento do agente fiscalizador, que transcenda a conduta objetiva descrita no tipo tributário, sendo preciso que haja a efetiva comprovação da intenção da prática do fato delituoso. Nesse sentido, é o entendimento firmado pelo CARF nas Súmulas n° 14 e 25, citadas pelas Defesas: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Retomando a análise do caso concreto, de imediato, cumpre esclarecer que, na espécie, houve qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, nos termos do art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e NÃO elevação da multa em 50% - agravamento da multa de ofício - a que se refere o § 2 º, do inciso I, do art. 44, do mesmo diploma legal. Nessa linha, não se faz sequer necessário analisar os argumentos relativos ao pretenso atendimento às intimações no curso do procedimento fiscal. Prosseguindo, observa-se que a decisão atacada assim justificou a exasperação da penalidade: Entendo que assiste razão a autoridade administrativa, na medida que a conduta praticada pela impugnante se enquadra perfeitamente na hipótese de qualificação da multa de ofício. Fl. 31303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 42 A aplicação da multa de ofício no percentual de 150 % está assim prevista no § 1º e inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96: (...) Os dispositivos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, utilizados como fundamento da qualificação da multa, estão a seguir transcritos: (...) Na busca e apreensão efetuada à rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, foram encontradas pastas contendo recibos de entrega das DIRPF/2006, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012 de diversos laranjas da Rede Presidente, todos dispostos em ordem alfabética. Entre estes recibos encontravam-se os de Juliana Colhante e Lourdes Chitaro Pardinho, sócias de direitoda autuada (MGA19.10.45, MGA19.10.46, MGA19.10.47, MGA19.10.10, MGA19-10.11 e MGA19-10.12). Segundo consulta ao Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), Lourdes Chitaro Pardinho, é falecida desde outubro de 2007, dez meses após a constituição da autuada. Rolcar foi uma das empresas citadas pelo fornecedor Cinpal, como sendo uma das empresas “pagadoras” das compras feitas pela Rede Presidente. Nas buscas e apreensões efetuadas foram encontrados nos diversos locais documentos ligados à Rolcar, dentre outros: a) Cópia Contrato Social da autuada (MGA08-5.52 – fls. 2.419 a 2.421); b) Relatório de cheques recebido de clientes, relação de duplicatas e cópias de cheques do cliente Scala Dracena Auto Peças, reunidos sob uma folha de rosto que faz referência à Rolcar/38 de Prudente/SP (MGA08.6.66 – fls 2.721 a 2.751); c) Contrato de prestação de serviços de cobrança entre o banco SICOOB e Rolcar, de 19/09/2008 (MGA08-7.3 – fls 2.811 a 2.815); d) Cópia fax de declaração de faturamento da Rolcar (MGA18-15.17 – fls 4.761); e) Cópia e original de contas telefônicas de empresas da Rede Presidente, dentre as quais a autuada (MGA17-33.4); f) Recibo de entrega da RAIS, ano base 2010, de várias empresas do esquema, dentre elas a Rolcar (MGA18-150 – fls 5.303 a 5.367); g) Envelopes plásticos com GPS/2010 de diversas empresas do esquema, dentre elas a Rolcar (MGA18-152.1); h) Certidão simplificada da Junta Comercial do Estado de São Paulo da empresa Rolcar (MGA19-19.166 – fls 8.374 a 8.375); i) Contrato de locação, para o período de 01/01/2010 a 31/12/2012, de um galpão situado à Avenida Luiz Cezário, 614 – Jardim Cambuí – Presidente Prudente-SP, tendo como locador Rogério Márcio Tolardo e como locatária a Rolcar, por R$ 2.000,00 mensais (MA19-19.181 – fls 8.390 a 8.394); Fl. 31304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 43 j) Despesas mês de agosto de 2012, da “Loja 38” - Rolcar Auto Peças, na cidade de Presidente Prudente (MGA19-17.5); k) O carimbo da Rolcar encontrava-se também junto aos diversos carimbos de empresas da rede presidente encontrados em uma caixa no escritório da rua das Camélias, 690, em Maringá/PR (MGA18-103 – fls 5.111 a 5.115); l) No arquivo “empresa ativas”, localizado na rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, encontrava-se também a pasta da Rolcar, com cópia da contrato social (MGA19-16.11 – fls 7.462 a 7.464). Destaque-se também a presença da Rolcar no documento controle das filiais (MGA19- 19.214 – fls 8.481 a 8.515), encontrado na rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, que identifica as diversas empresas (filiais) da Rede Presidente. A Rolcar aparece identificada como Filial 38 – Presidente Prudente, tendo como gerente Fátima, conforme a imagem a seguir. Desse modo, resta evidente a utilização de interpostas pessoas no quadro societário da autuada e de seu vínculo à Rede Presidente, sendo considerada por seus administradores de fato como mais uma das filiais do mesmo grupo empresarial. Além disso, a autuada não apresentou declaração informando ter auferido receitas de sua atividade, deixando de contabilizar a totalidade das receitas às quais foram auferidas sem a devida emissão de notas fiscais de venda, mantendo controle dessas operações não contabilizadas; além disso, utilizou-se de pessoas interpostas em seu quadro societário, mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica e falsificação de assinaturas. Tais fatos demonstram a prática de sonegação e fraude conforme as definições dos incisos I e II, do art. 71, e art. 72 da Lei nº 4502/64.(g.n.) Assim, restou configurada a hipótese de qualificação da multa de ofício sendo correta a sua aplicação. No que toca ao cerne da qualificação da multa, embora considere que o fato de uma pessoa jurídica estar em nome de interpostas pessoas não possui correlação com os fatos geradores28, mas sim com a cobrança do crédito tributário, no caso concreto há razão autônoma, 28 A esse respeito, veja-se o Acórdão 1402-002.120, de relatoria do ilustre Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, julgado na sessão de 01 de março de 2016, cujo seguinte excerto do voto condutor do aresto é elucidativo: “[...]A meu ver, os elementos apontados pela autoridade fiscal não permitem concluir ter o contribuinte tenha agido com dolo, de modo a caracterizar a fraude a que alude o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Fl. 31305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 44 que, por si só, justifica a exasperação da penalidade: conforme se observa, a autuada omitiu 100% de suas receitas nos anos-calendário de 2009, 2010, 2011, e de janeiro a setembro de 2012, as quais se encontram demonstradas abaixo. Em outras palavras, manteve-se omissa de DIPJ e não declarou nenhum débito em DCTF: E não é só isso. A autuada é uma das empresas de um grande grupo – REDE PRESIDENTE - cujas receitas omitidas, nos mesmos períodos e utilizando-se do mesmo modus operandi, foram de aproximadamente R$ 2 BILHÕES!!! Outrossim, regularmente intimado, o Sujeito Passivo não apresentou os livros contábeis obrigatórios. Contudo, ainda que tivesse apresentado contabilidade, certamente não contemplaria os diversos registros de operações encontrados pelo Fisco no programa CAIXA atinentes à ROLCAR – Filial 038 PP, às fls. 29.759/29.830 -, o que implicaria em completa imprestabilidade tanto para a identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, como para apuração de eventual Lucro Real. Isto porque, tal programa – vide detalhamento, às fls. 30.206/30.215 – representa uma espécie de contabilidade que controlava os recursos físicos (não bancários) de todo o esquema da REDE PRESIDENTE, controlando o fluxo financeiro deste, com as remessas de valores das empresas (ou “filiais”) partícipes e a destinação dos recursos em espécie. Ainda, o esquema mantinha um controle de resultados globalizado, como denotam as planilhas BALA – tópico 8.1, do Relatório de Atividade Fiscal, às fls. 30.010/30.451 -, contudo totalmente divorciado das operações oficiais – amparadas por documentação formal -, vinculadas a cada CNPJ, de forma que a maior parte dos custos, despesas e receitas, não eram escriturados. Como muito bem destaca a Autoridade Fazendária, a fragilidade da contabilidade oficial (quando existente) é notória, visto que era confeccionada apenas pró-forma, unicamente [...]. No mais, o fato de a fiscalização acusar o contribuinte de possuir interpostas pessoas, embora possa surtir efeitos no que atine à responsabilidade tributária de terceiros, em nada altera as características da ocorrência do fato gerador, este sim, elemento a ser levado em consideração para fins de dosimetria da penalidade a ser cominada. Veja-se que o fato de a empresa estar em nome de terceiros em nada dificultou a seleção da pessoa jurídica para procedimento fiscal, ou seja, não impediu, dificultou ou retardou tanto o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal (sonegação) quanto a própria ocorrência do fato gerador (fraude), uma vez que as contas bancárias a partir das quais se apurou a omissão de receita estavam em nome da própria RECORRENTE. Assim, concluo que a fraude detectada tem a ver com a cobrança do crédito tributário, e não com sua constituição.” Fl. 31306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 45 em prol do cumprimento de uma obrigação legal, sem guardar qualquer relação com a efetividade das operações de cada filial. A título de exemplo, cita, no mencionado relatório, troca de e-mails entre o principal comandante do esquema – ROBSON MARCEO TOLARDO, e seu preposto, DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR (às fls. 13.538/13.541): 1012.Inicialmente DANIEL tece comentários acerca de cuidados que devem ser tomados para que não se misturem as constas bancárias que recebem recursos de vendas com nota fiscal (TAB1) com contas que movimentam recursos de operações sem nota fiscal (TAB2). De: XXXX DANIEL JR CENTRAL DE COBRANÇAS Assunto: Re: ADEUS MARCELO Para: marcelordo2000@yahoo.com.br Data: Segunda-feira, 7 de Julho de 2008, 23:15 ADEUS TUDO BEM... ENTAO , MAS TEM Q TER CUIDADO PARA NAO VINCULAR AS CONTAS TAB2 COM AS TAB 1 SE VINCULAR PODE TRAZER PROBLEMAS..... ESTIVE NOTANDO QUE NA RETIFICA TEVE TRANSFERENCIA DA IMOLA, UMA CONTA TAB2 . A RD E A APE EU CONSIDERO COMO OS [[XODOS ]] DO GRUPO ......TRABALHO 99.99 %%% CERTO COM ESTAS DUAS PARA NAO TER ERRO. ESTOU PEDINDO SUAS COORDENADAS, PQ TAMBEM TEM A PARTE DA CONTABILIDADE ONDE TODO MES EU PASSO RELATORIOS . ESTES RELATORIOS SO MOSTRA OS TAB 1 E SE COMPARAR COM OS EXTRATOS DA UMA DIFERENCA IMENSA. FICO PREOCUPADO POR CAUSA DISSO . FICA NAS PAZ DE DEUS !! AT DANIEL 1013.Na resposta ROBSON informa que uma empresa (APE) já foi multada, porque “o estoque está absurdo ... colocaram nf para tampar buraco”. From: "robson marcelo" To: "XXXX DANIEL JR CENTRAL DE COBRANÇAS" Sent: Tuesday, July 08, 2008 4:49 PM Subject: Re: ADEUS MARCELO Adeus Daniel levamos uma multa da APE em Recife de 1.200.000,00 e nosso estoque está absurdo no valor de 9.000.000,00 colocaram nf para tampar buraco e já esta ferado. Então podemos ver que as empresas já estão tudo enrolado, por isso de empresas novas e pessoas que respondem pela empresa, porque o futuro proximo, não conseguiremos trabalhar com as empresas com rolo. Fique nas Paz de Deus Marcelo Com base em tais elementos, entendo que, corretamente, concluiu a Autoridade Fiscal autuante que houve a ocorrência de sonegação e fraude: 1039.Cita-se também toda a elaborada sistemática de vendas sem nota fiscal (TAB2), e que, obviamente, não são declaradas à RFB. Mais que notório, o fato de que ao omitir parcela relevante de suas vendas mediante intrincado sistema (programa informatizado denominado “AutoW”, contemplando vendas “TAB2”, emissão de “cotações para verificação”, etc...), o contribuinte incorre tanto no conceito de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou Fl. 31307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 46 modificar suas características essenciais), como no conceito de sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do imposto devido). De fato, conforme já explanado, a ROLCAR omitiu à tributação 100% das receitas auferidas nos anos-calendário fiscalizados. Comprovou-se à exaustão, os valores efetivos de receita de vendas auferida pelo contribuinte. Logrou também a autoridade fiscal demonstrar que houve, inclusive, a utilização de sistema informatizado com o intuito específico de burlar o Fisco, caracterizando, sem dúvida, o conceito de fraude estampado no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Relativamente à omissão de receitas, nos moldes praticada, sem dúvida caracteriza a intenção dolosa na sua conduta com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, enquadrando-se na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação). Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzi-lo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo ser considerado mero erro de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito doloso, posto que não se trata de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todo o período auditado, e em relação a 100% das operações realizadas no mesmo período. Os valores envolvidos em tais infrações ultrapassam o montante de R$ 24 milhões de receitas não oferecidas ao crivo da tributação e em inúmeras operações realizadas pelo autuado. Em tais circunstâncias, não há como se presumir não haver dolo. A intenção de sonegar, ocultando o fato gerador, é conclusão imediata e inequívoca. Em síntese, registre-se que a sobredita inferência foi construída a partir da apreciação de toda explanação integrante do Relatório, alicerçado por detalhada descrição das infrações constatadas pelo Fisco constante do Relatório de Atividade Fiscal, às fls. 30.010 a 30.451, calcada em vasto cabedal probatório colacionado aos autos - obtido através da operação “Laranja Mecânica”, deflagrada em 17/11/2012, e compartilhado com a RFB -, que culminou na intelecção inquestionável que, em relação a tais infrações, correta a posição do Fisco em exasperar a penalidade. Ou melhor, trata-se da comprovação daquele “algo a mais”, de um “esforço adicional”, de uma “conduta extra” que suplanta o ato objetivo descrito no tipo tributário e, por conseguinte, evidencia o dolo específico por parte da ROLCAR, justificando a imputação de multa de ofício qualificada sobre a exigência dos tributos combatidos, visto que os fatos constatados se amoldam às hipóteses tipificadas nos arts. 71 e 72, da Lei nº 4.502/64, c/c com o art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Logo, presentes elementos que permitam enquadrar a conduta da autuada nos conceitos de sonegação e fraude (arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64), pugno em favor da manutenção da qualificação da multa de ofício em questão, devendo repercutir em todos os Fl. 31308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 47 lançamentos que integram a presente lide, notadamente, sobre os pleitos específicos, tais como a prejudicial de decadência. 4.3.4 DA RETROATIVIDADE BENIGNA No presente caso, ocorre que após a 5ª Turma da DRJ/RJO, em 12 de maio de 2016, às fls. 30.959/30.977, exarar o Acórdão recorrido, mantendo a qualificação da multa de ofício no percentual de 150%, em respeito ao disciplinamento normatizado no inciso I, c/c § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, este sofreu modificação pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, e, notadamente o inciso VI, do § 1º, do assinalado normativo, passou a disciplinar a questão da seguinte forma, abaixo in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023) (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) (g.n.) Quer dizer, a alteração mencionada reduziu o percentual da multa de ofício qualificada imputada de 150% para 100%. Dessarte, atrai-se a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do art. 106 do CTN29, inclusive passível de aplicação de ofício, uma vez que lei nova se aplica a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. Nessa senda, embora no presente caso, decidimos pela manutenção, indubitavelmente cabe a redução do percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% 29 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 31309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 48 para 100% em respeito à retroatividade benigna, inclusive em atendimento à petição da Responsável Tributária, Sra. ÍRIS DA SILVA TOLARDO, às fls. 31.258/31.262. 4.3.5 DA PREJUDICIAL DE DECADÊNCIA RELACIONADA À QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Quanto a este item, repisamos, que os Recorrentes protestaram em favor de que decaiu o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, já que não foi realizado o lançamento deste e a respectiva cientificação em relação a eles, nos termos do art. 156, V, do CTN30. Inicialmente, temos que firmar a cognição de que a decadência31 consiste na perda do direito da Administração Tributária de constituir o crédito tributário. Trata-se de instituto de direito público, não atingido pela preclusão, e sendo indisponível o crédito tributário deve ser declarado de ofício, independentemente do requerimento do sujeito passivo da ação fiscal. No que toca ao tema, o entendimento consolidado, sob prisma doutrinário e jurisprudencial, do tratamento a ser dispensado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, previsto no caput do art. 150, do CTN, deve-se considerar os prazos decadenciais no âmbito tributário nos seguintes termos: se houver pagamento, ainda que parcial, do tributo exigido de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, na ausência de pagamento ou havendo a comprovação da ocorrência de 30 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V - a prescrição e a decadência; 31 CONCEITO DE DECADÊNCIA Decadência, no nosso conceito, é o fenômeno que acarreta a perda do direito subjetivo do Fisco constituir o crédito tributário pelo ato jurídico chamado lançamento, em decorrência da inércia, ultrapassando o prazo legal para tanto. A decadência faz morrer, decair, perecer o próprio direito material, impedindo que a Fazenda Pública proceda ao lançamento, e constitua, conseqüentemente, o crédito tributário. Melhor explicando, devemos esclarecer que, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária, ainda ilíquida. A legislação tributária exige a formalização de um ato oficial do Fisco para conferir liquidez à obrigação tributária surgida após a ocorrência do fato gerador, e tal formalização se dá com o ato denominado lançamento. O lançamento, uma vez formalizado, tem o condão de constituir o crédito tributário, ou seja, oficializa e documenta um crédito tributário da Fazenda Pública, surgido com a ocorrência daquele fato gerador, do qual nasceu uma obrigação tributária. O lançamento, como veremos mais adiante, torna líquida a obrigação tributária surgida. Conforme o Ministro do STF Moreira Alves [02], "o direito de lançar é um direito potestativo modificativo”, pois o Fisco transforma a obrigação tributária ilíquida em obrigação tributária líquida, isto é, no próprio crédito tributário. Relembrando, então, a decadência atinge o direito subjetivo do sujeito ativo da relação jurídica tributária, que é uma relação jurídica de direito material. A decadência decorre sempre de lei, mais especificamente de Lei Complementar, pois o artigo 146, III, alínea “b” da Carta Magna exige. E o Código Tributário Nacional é uma Lei Complementar, embora seja materialmente complementar e formalmente ordinária. E à decadência se aplicam os princípios da legalidade e da segurança jurídica. [...] http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/decad%C3%AAncia nº direito tribut%C3%A1rio brasileiro Fl. 31310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 49 dolo, fraude ou simulação, aplica-se o disposto no art. 173, I, do mesmo dispositivo legal32, contando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Inclusive a precitada ilação encontra-se estabilizada na Súmula CARF nº 7233, de observação obrigatória pelos Conselheiros deste Tribunal. Nessa senda, considerando que pugnamos em favor da manutenção da multa qualificada, por restar caracterizado o dolo específico, aplica-se a regra geral disposta no art. 173, I, do CTN, por conseguinte, desloca-se o prazo inicial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, na espécie, os créditos tributários lançados mais antigos, fatos geradores do PIS e da COFINS, relativos ao mês de janeiro de 2009, poderiam ter sido constituídos até 31/12/2014. Tendo em vista que a autuada foi cientificada do lançamento em 30/12/2014, incabível o reconhecimento da decadência. Descabe, portanto, a argüição de caducidade, visto que, nesse caso. 5 DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 5.1 DA INTRODUÇÃO Segundo relatado, os responsáveis tributários: IRIS DA SILVA TOLARDO, JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, SAMUEL TOLARDO JUNIOR e ROGÉRIO MARCIO TOLARDO, membros da família TOLARDO, insurgiram-se contra o acórdão recorrido, mediante apresentação de peças recursais separadas, às fls. 31.009/31.067, 31.070/31.129, 31.132/31.191 e 31.194/31.251, respectivamente. Registro que o responsável tributário Sr. ROBSON MARCELO TOLARDO NÃO APRESENTOU Recurso Voluntário. Segundo Relatório de Atividade Fiscal, às fls. 30.010 a 30.451, a Autoridade Fiscal, partindo da premissa que há nos autos farto conjunto probatório - particularmente no tópico 6. DOS RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE – FAMÍLIA TOLARDO - apto a demonstrar que os integrantes da família TOLARDO são os verdadeiros proprietários e beneficiários de todo o 32 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 33 Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 31311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 50 esquema REDE PRESIDENTE, inferiu que restou manifesto o fato deles terem interesse comum nos negócios da REDE PRESIDENTE, da qual faz parte a empresa alvo do presente relatório, dessa forma, deve-lhes ser imputada Responsabilidade Tributária, em respeito ao disposto no art. 124, I, do CTN34. Ainda, por resultar clarividente que comandavam a REDE PRESIDENTE – repito da qual a ROLCAR faz parte - utilizando-se de meios fraudulentos, tais como a interposição de “laranjas” em suas empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, a margem da escrituração ou de declaração, os membros da família TOLARDO são pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário decorrente dos atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, nos termos do art. 135, III, do CTN35. Na fase impugnatória, objetivando combater as responsabilizações, os Recorrentes arguiram sinteticamente: a) As suas ilegitimidades passivas, ante a ausência de prova do vínculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; e b) A ausência de responsabilidade das pessoas físicas, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica. O Aresto atacado manteve as responsabilidades tributárias em exame. Nessa senda, peço vênia para transcrever excerto da decisão recorrida a respeito do tema em especial pela riqueza de análise dos fatos controvertidos: Alegam, ainda, a ausência de responsabilidade, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio seria exclusiva da pessoa jurídica. Diferentemente do alegado pelos impugnantes, há um conjunto probatório robusto no sentido de atribuir a propriedade e a administração do empreendimento a todos os sujeitos passivos solidários, em especial a Róbson Marcelo Tolardo, principal responsável pela administração do grupo empresarial formado pelas empresas da Rede Presidente, o que se comprova por meio de interceptações telefônicas, de e-mails, arquivos e documentos aprendidos. 34 Art. 124. São solidàriamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interêsse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 35 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de podêres ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 31312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 51 Há toda evidência de que a autuada faz parte do mesmo grupo empresarial denominado Rede Presidente, tanto é assim que diversos documentos relativos a autuada foram encontrados nos escritórios mantidos em Maringá, ao passo que a fiscalizada tem sede em Presidente Prudente, denotando que a administração dos negócios da sociedade era efetuada remotamente naquela cidade por membros da família Tolardo, e por seus empregados diretos. A administração do grupo empresarial e conhecimento de suas ações, por parte de Robson Marcelo Tolardo pode ser ilustrada pela resposta dada a seu funcionário Daniel de Oliveira Júnior em e-mail do dia 08/2/2010, constante de fls 13.583 a 13.586, mencionado no relatório fiscal à fl. 30.310, a seguir transcrito: “Adeus Daniel Preciso verificar mas acho que é complicado vender tab 01 porque não tem muita entrada e custa para nós os impostos que nós ganhariamos na inadiplicência e perderia pagando mais imposto, então o certo é cortar os limites de quem não está pagando e tentar falar com o cliente que não está pagando que vamos ter que emitir a nota fiscal do pedido que ele comprou e não pagou e dar mais prazos para ele pagar e depois se eles não pagar executar eles.” Para não restar dúvidas, quanto à propriedade da sujeição passiva solidária de Robson Marcelo Tolardo transcreve-se a pergunta de Daniel de Oliveira Júnior, contida no e-mail encontrado no computador de Daniel de Oliveira Junior (MGA08.23 – fl. 2.237): Diretório: DANIEL \daniel2 \atualizacoes \mailnet\ CENTRAL03EMAILS. Arquivo: 98 MARCELO TOLARDO.dbx: “Marcelo adeus ? Algumas regioes como Pernambuco, Maranhao e até Distrito Federal em determinados ramos são classificadas como regiões de maior indice de PRINAD (Probabilidade de Inadimplência ) . Maranhao esta com uma inadimplencia alta porem sao clientes da própria capital. Ja pedi para a supervisora Rose e seu gerente reanalisar os clientes . Brasilia é um caso sério, lá se nao mudarmos para vendas 100% T1 agente sempre vai ficar como ultima opção para receber dividas. Como agente vende tabela especial eles alem de aproveitar este beneficio, eles acabam agindo de má fé quando estao com dificuldades financeira. Vai fazer uns 5 anos que esta filial so fica em ultimo lugar na inadimplencia. Vc pretende continuar com esta loja aberta? Se sim , tem como agente mudar o perfil de vendas para 100% T1 na opção duplicatas? Resp.: Recife esta com uma inadimplencia alta e o maior motivo foi a venda especial para fora de Recife . tem determinadas cidades que o ideal seria vender somente t1 !! a cidade de Carpina/PE deu inadimplencia de acima de 10% , a cidade de Igarassu/PE deu inadimplencia acima de 11% , outras cidades deu acima de 1% no maximo 2% . os pernambucanos e paraibanos tambem aproveitam muito a situação das vendas tabela especial, sempre deixam nós como ultima opçao de acertos de dívidas!! Estas cidades posso bloquear para vender somente Tabela 01 com duplicatas ? Fl. 31313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 52 Resp.: Paz de Deus Daniel Jr ®” Samuel Tolardo Junior teve pendrives apreendidos, CTB29.12d, que continham arquivos excel, com os balanços das empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada, e com o controle de “saldos”, referente aos pagamentos de pró-labore aos sócios de fato da autuada. Rogério Márcio Tolardo é proprietário de um Galpão, sede da autuada. Dentre as provas coletadas ainda se destaca o fato de despesas pessoais de valores expressivos de todos os coobrigados eram pagas com receitas das empresas da Rede Presidente, como se fosse uma espécie de pró-labore mensal, uma vez que nenhum deles era formalmente sócio das empresas do grupo. Isto caracteriza, em face de confusão patrimonial, o interesse comum de todos os responsabilizados na situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, uma vez que parcela considerável do lucro obtido pela autuada, e não submetido à tributação eram utilizados para pagamento de despesas pessoais dos impugnantes. Também chama a atenção que todos os responsabilizados tinham a exata noção da ilicitude perpetrada, como a utilização de interpostas pessoas e a não contabilização de receitas de vendas, demonstrando o dolo deste quanto à sonegação fiscal. É o que depreende dos conteúdos das escutas telefônicas e e- mails interceptados com autorização judicial. Assim, mantenho a atribuição da co-responsabilidade de todos os obrigados, tal qual efetuado pela fiscalização. Em sede de Recurso Voluntário, os responsáveis tributários fundamentaram as peças recursais com base nas seguintes argumentações: a) Da ilegitimidade Passiva, em razão de não haver nos autos provas que justifiquem ou tampouco seja capaz de demonstrar a existência de qualquer vínculo com a empresa autuada; b) o Auditor Fiscal imputou a responsabilidade aos Recorrentes, pessoas estranhas ao quadro societário da empresa autuada, invocando o art. 124, I do CTN, sem, contudo, fundamentar a exigência e baseado em presunções, ficções e provas ilícitas; c) (...) não prova que a parte Recorrente tenha recebido qualquer recurso da referida pessoa jurídica. Aliás, o próprio Fisco reconhece que a Recorrente jamais participou de qualquer sociedade, tampouco da administração ou mesmo dando ordens, autorizações ou qualquer outro ato de que ele fosse efetivamente gerenciadora de quaisquer atividades; d) (...) Não há vinculação da Recorrente com os fatos geradores. Não há interesse comum da Recorrente no fato gerador, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica, enquanto a Recorrente não teve qualquer participação em sua gestão ou administração; Fl. 31314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 53 e) Diante do que dispõe o Código Tributário sobre responsabilidade de terceiro (art. 134) e pessoal (art. 135), está claro ser indevida a sujeição passiva solidária da Recorrente, porque além de ser pessoa estranha ao quadro societário da empresa fiscalizada/autuada, não há comprovação do preenchimento de requisitos para responsabilização; f) (...) Da análise dos documentos mencionados no Relatório Fiscal, verifica-se que as empresas mencionadas, supostamente pertencentes ao mesmo grupo econômico "Rede Presidente" como quer fazer crer os agentes fiscais, tratam-se na verdade de EMPRESAS ABSOLUTAMENTE AUTÔNOMAS, COM SÓCIOS DISTINTOS, LOCALIZADAS EM BAIRROS, CIDADES E ESTADOS DISTINTOS, SEM QUALQUER IDENTIDADE EM SEU QUADRO SOCIAL E QUIÇÁ DE OBJETO SOCIAL, COM QUADRO DE FUNCIONÁRIOS PRÓPRIO e em dia com suas obrigações tributárias, razão pela qual não se pode sustentar a tese apresentada pela autoridade fiscal; g) (...) Não se tratam sequer de grupo econômico, visto que possuem administração própria e descentralizada como se apurou, e não realizavam conjuntamente a situação configuradora do fato jurídico tributário; h) (...) Isto posto, não merece prosperar a tentativa de impor à Recorrente a responsabilidade tributária solidária por eventuais débitos de empresas estranhas aos mesmos, devendo o auto de infração ser declarado insubsistente, com a exclusão da parte Recorrente do polo passivo da obrigação, o que desde já se requer. Concluindo a introdução, impende registrar as premissas que limitarão nossa análise. Primeiro restringir-se-á à participação dos Interessados nos fatos e condutas apurados e demonstrados pela Fiscalização, nos estritos limites dos autos e da competência deste Conselho. Segundo a apreciação da imputação de responsabilidade tributária partirá do pressuposto de que a multa qualificada cominada foi mantida por este colegiado. Fixadas as premissas da nossa análise, a seguir disporemos sobre os entendimentos jurídicos, jurisprudenciais e doutrinários relacionados às responsabilidades tributárias imputadas na espécie. 5.2 DOS ENTENDIMENTOS JURÍDICOS, DOUTRINÁRIOS E JURISPRUDENCIAIS SOBRE AS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS DO REPRESENTANTE LEGAL DE EMPRESAS Inicialmente, importar ressalvar que a responsabilização dos membros da família TOLARDO amparou-se nos arts. 124, I, do CTN – por terem interesse comum no fato gerador dos tributos lançados de ofício - e 135, III, ambos do CTN – por terem praticado atos praticados com infração a lei, na forma de sonegação, dolo e conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Fl. 31315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 54 Nesse diapasão, é salutar pontuar que no Direito Civil, a solidariedade pode se dar tanto entre os devedores como entre os credores, decorrendo de lei ou da vontade das partes, conforme estabelecem os arts. 264 e 265, do Código Civil36. Diferentemente, no Direito Tributário a solidariedade decorre sempre de lei e só pode ocorrer no polo passivo. O artigo 124 do CTN37 cuida das hipóteses de solidariedade, estabelecendo em seu inciso I, a chamada solidariedade de fato, para as pessoas que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O inciso II estabelece a chamada solidariedade de direito, que ocorre entre as pessoas expressamente designada em lei, sem que seja necessária a presença do interesse comum. Nestes casos, a autoridade fiscal constitui o crédito tributário identificando uma relação obrigacional tributária que vincula o sujeito ativo (ente tributante) a dois ou mais sujeitos passivos (contribuinte e responsável). O sujeito passivo solidário é integrante da própria relação jurídico-tributária ab inicio, de maneira que sua sujeição passiva é congênita ao acontecimento do fato gerador, ou seja, a obrigação tributária já nasce apresentando dois ou mais sujeitos passivos igualmente responsáveis pelo adimplemento da obrigação, em solidariedade. Na solidariedade passiva existe uma única obrigação e mais de um devedor obrigado por ela como um todo. Não há um devedor “principal” e um responsável “solidário”. Há dois ou mais devedores, que são obrigados por uma única, idêntica e indivisível obrigação. Conforme disposto no parágrafo único do referido art. 124, a solidariedade não admite o chamado “benefício de ordem”, que seria a exigência de o credor primeiro dirigir sua exigência para um devedor e, apenas se insolvente este, impossibilitado de adimplir a obrigação, sucessivamente, direcionar-se ao outro devedor, “solidário”. Pode então traduzir que a solidariedade não é, stricto sensu, um instituto voltado à garantia do adimplemento da obrigação pelo devedor, posto que diz respeito à própria constituição do crédito tributário sobre uma pluralidade de devedores, todos responsáveis pela obrigação como um todo. Os sujeitos passivos tributários estão visceralmente ligados por um vínculo de origem, congênito ao surgimento da obrigação tributária. Paulo de Barros Carvalho ensina que existe solidariedade sempre que houver mais de um devedor na mesma relação jurídica, cada um obrigado ao pagamento da dívida integral: No direito tributário, o instituto da solidariedade é um expediente jurídico eficaz para atender à comodidade administrativa do Estado, na procura da satisfação dos seus direitos. Sempre que haja mais de um devedor, na mesma relação 36 Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. 37 Art. 124. São solidàriamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interêsse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 31316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 55 jurídica, cada um obrigado ao pagamento da dívida integral, dizemos existir solidariedade, na traça do que preceitua o art. 264 do Código Civil brasileiro38. (g.n) Nas palavras de Mizabel Abreu Machado Derzi, atualizadora da obra de Aliomar Baleeiro, a solidariedade não é forma de inclusão de um terceiro no polo passivo da obrigação tributária, mas apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o polo passivo: A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. (...) Quando houver mais de um obrigado no pólo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, um contribuinte e um responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com benefício de ordem ou não, etc. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo39. (g.n) Assim, no momento em que a autoridade fiscal detecta que está diante de uma das situações previstas no art. 124, do CTN, é seu dever efetuar o lançamento sobre a pluralidade de sujeitos passivos solidários, constituindo o crédito tributário de maneira a identificar corretamente as pessoas ligadas ao polo ativo solidariamente. Dando seguimento, importa para este voto o estudo da solidariedade de fato, prevista no art. 124, I, do CTN. Trata-se do tema “responsabilidade solidária por interesse comum” bastante controvertido no âmbito da doutrina e da jurisprudência, mormente a administrativa. Para tanto, é preciso entender o que venha ser o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Segundo a doutrina, existe interesse comum entre duas ou mais pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato gerador. Quer dizer, há que se constate a existência da comunhão na posição jurídica das pessoas em relação direta com o fato gerador da obrigação tributária. É necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico, mas, sim, jurídico. Conforme exemplifica Paulo de Barros Carvalho40, é o que ocorre em relação ao ITBI, quando dois ou mais são os compradores, ao ICMS, quando dois ou mais forem os 38 CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 17ª ed., São Paulo: Saraiva, 2005, p. 317. 39 BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., atualizada por Mizabel Abreu Machado Derzi, Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 729. 40 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 8. ed.. São Paulo: Saraiva, 1996. p. 220. Fl. 31317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 56 comerciantes vendedores, e ao ISS, quando dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador. Para elucidar a questão, vale reproduzir lição de Marcos Vinícius Neder sobre a expressão “interesse comum”, utilizada no art. 124, inciso I, do CTN: Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situam-se em cada um dos pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. [...] Não é outro entendimento de Paulo de Barros Carvalho, que sustenta que, nas ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se, e somente se, for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Também a esta conclusão chegou Hugo de Brito Machado: “O fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir solidariedade entre elas (...). Uma coisa é duas ou mais pessoas terem interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. Comprador e vendedor têm interesse na compra e venda, mas não ser trata de interesse comum e sim de interesses contrapostos”. Conclui-se, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário.41 Nessa linha de raciocínio, o Superior Tribunal de Justiça ratificou tal entendimento ao atestar que o “interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”. Confira-se: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 41 NEDER, Marcos Vinícius. Responsabilidade Tributária. Coord. Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder, São Paulo, Dialética, 2007. p. 39/42. Fl. 31318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 57 1.A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídico-tributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato, a co-propriedade é-lhes comum. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: ... 7. Conquanto a expressão ‘interesse comum’ encarte um conceito indeterminado, é mister proceder-se a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, tem-se que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídico-tributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: ‘... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.’ (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220). 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível (**). 10. “Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucro auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico.” (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, Dje 15/12/2008). 11. In casu, verifica-se que o Fl. 31319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 58 Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tão-somente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deu-se entre o tomador e a empresa arrendadora. ... 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.” (REsp 884.845/SC (2006/02065654), STJ, 1ª Turma, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 05/02/2009, Dje 18/02/2009 – grifos nossos) (*) destaques do original (**) destaques acrescidos A sobredita acepção está em consonância com a jurisprudência administrativa prevalente do CARF, notadamente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme ementas transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. Comprovado nos autos que as pessoas físicas e jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira ativa, individual e unida com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. (Acórdão nº 9101-003.889 – CSRF/1ª Turma. Sessão de 07/11/2018) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de Fl. 31320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 59 sua titularidade atuação negocial conjunta. (Acórdão nº 9101-002.349 – CSRF/1ª Turma. Sessão de 14/06/2016) No que tange à responsabilidade tributária de terceiros, nos termos do art. 135, III, do CTN, ressaltamos que é plenamente possível os sócios administradores responderem pessoalmente, perante a sociedade e terceiros prejudicados (Fazenda Pública, inclusive), por culpa no desempenho de suas funções, ou seja, pelos fatos decorrentes de sua má gestão, consoante disposto no artigo 1.016 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil)42. Todavia é imperioso que, para aplicação do mencionado preceito, a Autoridade Fazendária comprove, para além de qualquer dúvida, que os administradores agiram com excesso de poderes ou infração à lei. O ato ilícito ensejador da responsabilidade tributária do administrador pode ser tanto culposo quanto doloso, mas tanto um quanto o outro satisfaz a hipótese do artigo 135 do CTN. Sobre o assunto, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 assim se manifestou: 59. A respeito da necessidade de presença de ato doloso por parte do administrador ou da suficiência da presença de culpa, deve-se observar que, ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ exige tão-só a presença de ‘infração de lei’ (= ato ilícito), a qual, pela teoria geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade de prova do dolo, em contraposição à imensa maioria que exige somente a culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separaram as hipóteses de culpa em sentido estrito e dolo, tanto um quanto outro elemento subjetivo satisfaz a hipótese do art. 135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupa-se com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução do dolo; basta a culpa. 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; 42 Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Fl. 31321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 60 d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; e) O ato ilícito ensejador de responsabilidade tributária pode ser tanto culposo quanto doloso; f) A prova da prática de ato ilícito por parte do administrador compete à Fazenda Pública (salvo normas especiais probatórias, como a relativa à CDA). 61. De tudo isso, é importante guardar que o ‘sócio-gerente’, de acordo com a jurisprudência hoje aceita pelo STJ, torna-se responsável não por ser ‘sócio’, mas por ter cometido ato ilícito enquanto ‘gerente’. Em verdade, a condição de sócio é irrelevante. Dois são os elementos verdadeiramente relevantes para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Por ser administrador e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado; não por ser sócio. Destarte, podemos afirmar com segurança que, segundo o entendimento firmado no STJ, o administrador é chamado a pagar o crédito tributário da pessoa jurídica administrada em forma de responsabilidade por ato ilícito. (g.n) Destarte, é relevante ressaltar ilações relativas à responsabilidade solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN, que contribuem para sua caracterização, corroboradas pelo Parecer supra. A primeira refere-se a natureza da pessoa jurídica. Trata-se de uma ficção da lei, não sendo capaz, portanto, de implementar suas ações por si própria, mas sim por meio da atuação dos seus diretores, gerentes e representantes ou dos seus mandatários, prepostos e empregados, quem demonstra capacidade de expressar vontade, elemento subjetivo necessário para caracterizar o ato ilícito, do qual resulta a responsabilidade. A segunda diz respeito a interpretação do capitulado no inciso III, do art. 135, do CTN, uma vez que o malefício que decorre da norma não se corporifica com uma simples participação como sócio-gerente, administrador, diretor ou equivalente nos atos da empresa que determina a responsabilização tributária pessoal. Há que se reconhecer a existência de contudo que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, trata-se do elemento fático43. Desse modo, só se configura com a junção dos dois elementos, quer dizer: “não basta ser sócio da empresa (pessoa jurídica), é indispensável que exerça função de administração no período contemporâneo aos fatos geradores”44. Conforme já salientado, a multicitada positivação possibilita responsabilizar os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado desde que sejam os 43 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 124. 44 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. 5. reimp. Curitiba: Juruá, 2010, p. 99. Fl. 31322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 61 responsáveis pela ocorrência do elemento fático que ensejou o nascimento da obrigação tributária. O conceito de diretor é dado pelo art. 144 da Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades Anônimas: o sócio ou administrador de uma organização é o que possui poderes para representá-la, inclusive em juízo, bem como para praticar todos os atos necessários ao seu regular funcionamento45. Já a definição de gerente é trazida pelo Código Civil (art. 1.172 e seguintes): considera-se gerente o preposto permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial ou agência. Note-se que na hipótese de lei não determinar poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados46. Maria Rita Ferragut assim conceitua representante: é a pessoa física ou jurídica que, em função de um contrato mercantil, obriga-se a obter pedidos de compra e venda de mercadorias fabricadas ou comercializadas pelo representado, não tendo poderes para concluir a negociação em nome do representado. Não possui vínculo empregatício, e sua subordinação tem caráter empresarial, cingindo-se à organização do exercício da atividade econômica.47 Destarte, repiso, para a caracterização da responsabilidade de que trata o predito preceptivo, faz-se necessária a coexistência de dois elementos essenciais em relação a um fato: que seja praticado por um representante legal de empresa e que denote excesso de poder ou infração à lei ou atos constitutivos da pessoa jurídica. Ainda no que toca à responsabilidade tributária dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, registro que não desconheço da jurisprudência do STJ que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. Também a suscitada matéria foi julgada sob a égide do disposto no art. 543-C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. 45 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 125. 46 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 126. 47 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. São Paulo: Noeses, 2009, p. 126. Fl. 31323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 62 Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, pode-se sim atribuir a responsabilidade de que trata o art. 135, do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo infrações às leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma norma tributária, exclua-se do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. E não se fala aqui de um simples inadimplemento de tributo, mas sim de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. Doutrina e farta jurisprudência, endossam tal entendimento. O Juiz Federal, Zenildo Bodnar, assim se manifestou a respeito do inadimplemento tributário: Uma vez definido com precisão o que vem a ser “atos práticos com infração à lei”, é fácil concluir que o simples inadimplemento tributário da pessoa jurídica não autoriza a responsabilização do sócio-gerente ou administrador, salvo, evidentemente, quando acompanhado de condutas dolosas ou culposas, a exemplo da sonegação fiscal e outras fraudes.48 (g.n) No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: A diferenciação entre os arts. 134 e 135 do CTN pode ser resumida assim: - Art. 134: exigência de culpa, restrição da responsabilidade à obrigação tributária principal e limitação do montante ao valor do tributo, acrescido de juros de multa de mora; - Art. 135: exigência de dolo, abrangência da responsabilidade para abarcar as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e ampliar o montante, com inclusão da multa de ofício. Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. 48 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. Curitiba: Juruá, 2010, p. 128. Fl. 31324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 63 O que não pode é a responsabilidade ser atribuída à pessoa física com supedâneo no art. 134 ou 135, sem qualquer investigação sobre a existência de culpa ou dolo. Permitir que assim aconteça é substituir a responsabilidade subjetiva por outra, objetiva, sem guarida no ordenamento jurídico. Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente).49 (...) (g.n.) Também em pronunciamentos da PGFN - PARECER/PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 já transcrito neste voto - e da Receita Federal do Brasil pode-se extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: - NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder – não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter conseqüências tributárias. 56. Observa-se que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. (g.n.) E a jurisprudência também caminha nesse mesmo sentido. Vejamos: - Tribunal Regional Federal da 3ª Região: 49 DANTAS DE ASSIS, Emanuel Carlos. Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Culposa e Dolosa dos Sócios e Administradores de Empresas por Dívidas Tributárias da pessoa Jurídica. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 158-159. Fl. 31325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 64 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA. REDIRECIONAMENTO AO SÓCIO-GERENTE. DECRETOLEI Nº 1.736/79. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E JULGAR PREJUDICADA A APELAÇÃO INTERPOSTA PELO EXECUTADO. 1. Os embargos declaratórios somente podem ser utilizados quando houver no acórdão obscuridade, contradição ou omissão acerca de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o Tribunal e não o fez, isso nos exatos termos do artigo 535 do Código de Processo Civil. 2. Assiste razão à embargante, pois efetivamente o acórdão embargado não apreciou detidamente a questão referente a aplicação do artigo 8º do Decreto-lei nº 1.736, de 20/12/1979, sendo omissa nesta parte. 3. Os débitos em execução referem-se a IRPJ-Fonte, devendo ser aplicado o Artigo 8º do Decreto-lei nº 1.736/79, porque está autorizado pelo artigo 124, II, do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas... as pessoas expressamente designadas por lei... A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem). 4. É correto fixar a responsabilidade dos sócios-gerentes ou administradores nos casos de IPI e imposto de renda retido na fonte, pois nesses casos o não pagamento revela mais que inadimplemento, mas também o descumprimento do dever jurídico de repassar ao erário valores recebidos de outrem ou descontados de terceiros, tratando-se de delito de sonegação fiscal previsto na Lei nº 8.137/90, o que atrai a responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional (infração a lei). 5. Recurso provido para dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a apelação interposta pelo executado. (Embargos de Declaração em Apelação Cível Nº 0509878- 53.1997.4.03.6182/SP, Relator Desembargador Federal JOHONSOM DI SALVO, Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sessão de 24/10/2013) (g.n.) - Tribunal Regional Federal da 4ª Região: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. 1. A jurisprudência da 1ª Seção desta Corte firmou-se, em consonância com entendimento atual da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o redirecionamento contra o sócio-gerente somente tem lugar com início de prova de que o sócio agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou estatuto, não decorrendo da simples inadimplência no recolhimento de tributos. 2. Nos casos em que a empresa deixa de recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, é possível Fl. 31326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 65 a responsabilização solidária dos sócios, pois configura infração expressa à lei, não em razão do mero inadimplemento, mas em virtude da prática, em tese, de infração penal (apropriação indébita de contribuições previdenciárias - 168-A do CP). (EMBARGOS INFRINGENTES Nº 2006.70.99.002075-0/PR, Relatora Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA, 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decisão unânime, sessão de 04 de junho de 2009) (g.n.) - Superior Tribunal de Justiça – STJ – Primeira Turma: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIO-GERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sócio-gerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) (g.n.) Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária. Entendo ser desarrazoado pensar que o responsável pela administração da pessoa jurídica possa vir a ser responsabilizado penalmente, inclusive com restrições ao seu direito de ir e vir, e não possa, diante dos mesmos fatos, responder também pela obrigação tributária correspondente. Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. Fl. 31327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 66 Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se pode fazer o raciocínio inverso a ponto de se concluir que, na ausência de tal penalidade qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN. Isso porque há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício do crédito tributário para que o responsável legal da pessoa jurídica responda pelo crédito tributário, como, por exemplo, nos casos de apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do Código Penal) e na apropriação indébita de que trata como crime contra a ordem tributária pela art. 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/90 (falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte e de IPI destacado na nota fiscal, por exemplo). Em tais hipóteses, basta o contribuinte declarar o débito e não recolhê-lo para que o administrador da pessoa jurídica, ao lado da própria empresa, passe a responder pelo débito correspondente, sem que haja necessidade sequer da realização do lançamento de ofício, e, muito menos, de penalidade qualificada. Outrossim, considerando o até aqui exposto e afirmado, é plenamente possível a imputação concomitante da responsabilidade solidária prevista no art. 124, com a pessoal determinada no art. 135, inciso III, ambos do CTN, em desfavor de um ou vários dirigentes de uma Pessoa Jurídica, entretanto, é imperioso que a Autoridade Fazendária comprove que os atos envolvidos na autuação foram praticados, no caso, com excesso de poderes ou infração à lei ou ao estatuto. Tal entendimento decorre da possibilidade dos diretores responderem pessoalmente, perante a sociedade e terceiros prejudicados (Fazenda Pública, inclusive), por culpa no desempenho de suas funções, ou seja, pelos fatos decorrentes de sua má gestão, consoante disposto no artigo 1.016, do CC. Feitas as sobreditas considerações, passo à análise do caso concreto. 5.3 DA ANÁLISE DAS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS IMPUTADAS As provas coligidas e sintetizadas no voto condutor do aresto recorrido alhures reproduzido demonstram claramente que todos os Recorrentes participavam, de algum modo, na administração da autuada, percebendo, inclusive pró-labore mensal (mais de duzentos mil reais mensais). A prova mais evidente diz respeito a pen drives apreendidos (cujos conteúdo de interesse, arquivo anexado aos documentos de fls 9.751 – pendrive de ODETE, importante operadora do sistema; e fls 9.684 – pendrive de Samuel Tolardo Júnior, coproprietário da REDE PRESIDENTE) que continham planilhas (arquivos em formato excel) denominadas "ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls” – vide detalhamento no item 6.1, do Relatório de Atividade Fiscal, às fls. 30.010 a 30.451 -, que continham os balanços das empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada e com o controle de “saldos” referente aos pagamentos de prólabore aos sócios de fato da autuada, ora Recorrentes. Fl. 31328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 67 Aliás, é importante sinalar que a Fiscalização foi diligente em confirmar plenamente os valores constantes das apontadas planilhas no programa CAIXA – vide detalhamento no item 6.2, do Relatório de Atividade Fiscal, às fls. 30.010 a 30.451 - encontrado em computadores aprendidos nas residências de importantes operadores e programadores do esquema. Conforme já discorremos, tal programa consiste em uma espécie de controle dos recursos físicos do esquema REDE PRESIDENTE. No presente caso, contudo, já analisei que restou comprovado o intuito doloso (fraude e sonegação), razão mais do que suficiente para manutenção da multa qualificada, e por todo o exposto, a manutenção da coobrigação imputada aos Recorrentes com base no art. 135, III, do CTN. Ainda que discordem de tal conclusão, há de se levar em consideração, no presente caso, que a autuada estava, sem sombra de dúvidas e conforme já analisado, em nome de interpostas pessoas (“laranjas”), havendo comprovada confusão patrimonial entre as empresas do grupo e seus reais proprietários, ora Recorrentes. A respeito do art. 124, I, do CTN, entendo que uma vez comprovado que os proprietários de fato da autuada não constavam em seu quadro societário, aliado à confusão patrimonial entre esses e a pessoa jurídica autuada, implica reconhecer o interesse comum a que alude o apontado preceptivo. Ademais, o Fisco, particularmente nos itens: 6.4 ao 6.8, do Relatório da Atividade Fiscal, às fls. 30.010 a 30.451, detalhou minuciosamente a relação visceral de cada um dos responsabilizados no esquema da REDE PRESIDENTE, as quais robustecem nossa ilação. Na espécie, portanto, quer com base no art. 135, III, ou ainda no art. 124, I, ambos do CTN, justifica-se a inclusão dos Recorrentes no polo passivo da relação tributária. Assim sendo, oriento meu voto no sentido de manter a imputação de responsabilidade tributária aos coobrigados. 6 DA TAXA SELIC E DA SUA APLICAÇÃO SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Os Recorrentes arguiram que não deve ser aplicada a taxa SELIC para correção de créditos tributários. Além disso, é ilegal a aplicação de juros de mora, com base na apontada taxa, sobre a multa de ofício imputada. No que tange ao questionamento da aplicação da taxa Selic, a matéria encontra-se absolutamente pacificada no âmbito do CARF, tendo sido alvo, inclusive de súmula, cujo enunciado número 4 recebeu a seguinte redação: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 31329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 68 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Já no que diz respeito à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, igualmente o tema está albergado pela Súmula Carf nº 108: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. Desse modo, correta a aplicação da taxa SELIC sobre os tributos apurados e sobre a multa de ofício imputada, por conseguinte, oriento meu voto no sentido de rejeitar as alegações. 7 DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL Os Recorrentes, de forma genérica, defenderam a produção de prova pericial. Entendo que não se faz necessária. Vejamos. Como é cediço, a autoridade julgadora, na formação de sua livre convicção é que avaliará a necessidade de eventual diligência ou perícia, indeferindo aquelas que forem consideradas desnecessárias. Deve-se levar em conta, ainda, que os pedidos de diligência e perícia não servem para suprir a deficiência no cumprimento do ônus da contribuinte de apresentar os elementos probatórios necessários para dar suporte à constituição do direito ao crédito pleiteado. Desta forma, afiguram-se desnecessários e devem ser indeferidos. Na espécie, conforme exaurimos, a autuação baseou-se em robusta documentação e, notadamente, vários arquivos digitais apreendidos nos próprios estabelecimentos da Fiscalizada com autorização judicial (Justiça Federal de Curitiba-PR), nos quais foram encontrados os seus controles de vendas, abarcando matriz e todas as suas filiais, mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal, e eram elaborados pelos administradores de fato ou por seus empregados. É importante destacar que a determinação de perícia, nesta fase processual, teria cabimento na formação do juízo de convencimento, para sanar eventuais dúvidas ou a chancelar o demonstrado na completude das provas trazidas aos autos pela parte que postula o direito, o que não vislumbramos nestes autos. Assim, no presente processo, portanto, a realização de perícia é desnecessária e deve ser indeferida conforme disposição do caput do art. 18, do Decreto nº 70.235/7250. 50 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 31330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 69 8 DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS Quanto aos Autos de Infração de CSLL, PIS e COFINS decorrente das mesmas matérias fáticas descritas no Auto de Infração do IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado, mutatis mutandis, o que foi decidido para o Auto de Infração principal, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. 9 DO PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL Os Recorrentes ao final da peça recursal protestaram pela sustentação oral de suas razões de recurso quando do oportuno julgamento por esse E. Conselho administrativo. Saliento que o Recurso Voluntário não é meio apropriado para requerimento de sustentação oral e a intimação acerca da inclusão do processo em pauta de julgamento deve respeitar o Regimento Interno do CARF. As pautas de julgamento dos recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação de dia, hora e local para acompanhamento de cada sessão de julgamento, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o mandatário da Contribuinte, querendo, realizar sustentação oral na sessão de julgamento, conforme o RICARF e portarias que regulamentaram o requerimento da realização de Sustentação Oral. Pelo exposto, esta pretensão não poderá ser atendida, porquanto sem amparo legal. 10 DO PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA A ADVOGADO Por derradeiro, quanto ao requerimento dos Recorrentes para todas as intimações sejam realizadas no endereço do seu procurador, necessário citar o art. 23, do Decreto n° 70.235/197251, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. 51 Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; Fl. 31331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 70 Conforme exaurimos, as modalidades de intimação estão estabelecidas nos incisos do caput do artigo 23, e não estão sujeitas a ordem de preferência (§3°), cabendo aí a discricionariedade à Administração Tributária. Não sendo pessoal, não é possível a intimação ser feita em endereço diverso daquele que é o domicílio tributário da contribuinte, razão pela qual não se pode deferir a solicitação de endereçamento de intimações para mandatários. Inclusive, trata-se de tema já pacificado neste tribunal, consoante Súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Destarte, oriento meu voto no sentido de não acabar o pedido de intimação endereçada ao advogado. 11 DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, oriento meu voto no sentido de conhecer dos RECURSOS VOLUNTÁRIOS e DAR-LHES PARCIAL PROVIMENTO, para: a) Nas Preliminares: i. REJEITAR as de nulidade dos atos administrativos; e ii. INDEFERIR o protesto pela produção de provas em momento posterior ao da apresentação do Recurso Voluntário. b) No Mérito: i. REJEITAR as prejudiciais de sobrestamento, prescrição, prescrição intercorrente e de decadência; ii. MANTER integralmente todos os créditos tributários integrantes da lide, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive a REDUÇÃO do percentual da multa de ofício qualificada imputada de 150% para 100%, em decorrência da aplicação obrigatória da retroatividade benigna, em estrito respeito à modificação inserida no inciso VI, do §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023; II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) §4° Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 31332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.310 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.722375/2014-23 71 iii. MANTER as responsabilidades tributárias, nos termos dos arts. 124, I, e 135, III, ambos do CTN, dos Senhores: ROBSON MARCELO TOLARDO, CPF 623.843.849-53, ÍRIS DA SILVA TOLARDO, CPF 958.804.969-53, ROGÉRIO MARCIO TOLARDO, CPF 723.045.539-15, SAMUEL TOLARDO JUNIOR, CPF 121.023.838-14, e JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, CPF 828.784.559-91; iv. INDEFERIR o pedido de perícia; e v. REJEITAR os pedidos de sustentação oral e de intimação endereçada ao advogado. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho Fl. 31333DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 DA ADMISSIBILIDADE 2 DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 3 das preliminares 3.1 Da Nulidade dos Atos Administrativos 3.1.1 Da Introdução 3.1.2 Das Análises dos Pleitos de Nulidade 3.2 Da Ilegitimidade Passiva da Recorrente 3.3 Do Pedido de Produção de Prova Suplementar 4 DO MÉRITO 4.1 DAS PREJUDICIAIS DO MÉRITO 4.2 DA OMISSÃO DE RECEITAS 4.3 DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 4.3.1 Da Introdução 4.3.2 Das Questões Envolvendo Confisco e Violação de Princípios Constitucionais e Inconstitucionalidade de Leis 4.3.3 Da Imputação da Multa de Ofício Qualificada – 150% 4.3.4 Da Retroatividade Benigna 4.3.5 Da Prejudicial de Decadência Relacionada à Qualificação da Multa de Ofício 5 Da Responsabilidade Tributária 5.1 Da Introdução 5.2 DOS ENTENDIMENTOS JURÍDICOS, DOUTRINÁRIOS e jurisprudenciais SOBRE AS RESPONSABILIDADES TRIBUTÁRIAS do representante legal de empresas 5.3 da análise das responsabilidades tributárias imputadas 6 DA TAXA SELIC e da sua aplicação sobre a multa de ofício 7 DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL 8 Dos Lançamentos Reflexos de CSLL, PIS E COFINS 9 Do Pedido de Sustentação Oral 10 Do Pedido de Intimação Endereçada a Advogado 11 DA CONCLUSÃO
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Numero do processo: 10970.720246/2018-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2015 a 31/12/2016
SIMPLES NACIONAL. SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA, LIMPEZA OU CONSERVAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL.
A sociedade empresária no ramo de serviço de portaria, limpeza ou conservação pode se enquadrar no Simples Nacional, entretanto está sujeita a Contribuição Patronal Previdenciária - CPP, segundo o § 5º-C, do art. 18, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, não ficando dispensada do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais na forma das demais pessoas jurídicas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2015 a 31/12/2016
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se verifica nulidade no procedimento fiscal que apresenta fundamentação legal e permite ao recorrente entender perfeitamente a exigência fiscal e apresentar impugnação e recurso.
TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
A alegação genérica de ser o tributo utilizado com efeito confiscatório, comparando-se o valor da exigência com alegada falta de capacidade econômica dos recorrentes transcende a competência deste julgamento administrativo. Em relação a questões de inconstitucionalidade da lei tributária, cite-se a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-012.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Apresentou declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
Sala de Sessões, em 8 de outubro de 2025.
Assinado Digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada – Relator
Assinado Digitalmente
Miriam Denise Xavier – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Elisa Santos Coelho Sarto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Leonardo Nunez Campos, Marcio Henrique Sales Parada, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA, LIMPEZA OU CONSERVAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A sociedade empresária no ramo de serviço de portaria, limpeza ou conservação pode se enquadrar no Simples Nacional, entretanto está sujeita a Contribuição Patronal Previdenciária - CPP, segundo o § 5º-C, do art. 18, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, não ficando dispensada do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais na forma das demais pessoas jurídicas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2015 a 31/12/2016 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se verifica nulidade no procedimento fiscal que apresenta fundamentação legal e permite ao recorrente entender perfeitamente a exigência fiscal e apresentar impugnação e recurso. TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A alegação genérica de ser o tributo utilizado com efeito confiscatório, comparando-se o valor da exigência com alegada falta de capacidade econômica dos recorrentes transcende a competência deste julgamento administrativo. Em relação a questões de inconstitucionalidade da lei tributária, cite-se a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃO Fl. 318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.360 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720246/2018-15 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Apresentou declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Sala de Sessões, em 8 de outubro de 2025. Assinado Digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Elisa Santos Coelho Sarto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Leonardo Nunez Campos, Marcio Henrique Sales Parada, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrado Auto de Infração (fl. 2) de contribuições previdenciárias relativo a GILRAT, no valor de R$ 57.851,51, e relativo a Contribuição Patronal (empregador), no valor de R$ 198.214,53. As exigências estão acrescidas de juros de mora e multa proporcional de 75%. Existe a imputação de responsabilidade solidária de sócio de direito, nos termos dos artigos 124, II e 134, VII do Código Tributário Nacional, conforme demonstrativo de fl. 4. No Relatório Fiscal (fl. 15) narra a autoridade fiscal autuante que: (...) refere-se ao lançamento da contribuição previdenciária patronal – CPP a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, que incide sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e aos contribuintes individuais a seu serviço, bem como ao lançamento da contribuição destinada ao financiamento do Benefício previsto no art. 57 e 58 da Lei. 8213/91 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) o qual incide sobre as mesmas bases de apuração da CPP. O procedimento fiscal fora instaurado na empresa TERLIMP, CNPJ: xx.084.xxx/0001- 10, que se encontrava baixada, por extinção das atividades e liquidação voluntária. Analisando o Fl. 319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.360 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720246/2018-15 3 quadro societário, foram identificados os contribuintes aqui recorrentes como responsáveis, no período de apuração em questão. Registra ainda o Relatório Fiscal que (fl. 19 a 21): As empresas optantes pelo SN, cujas atividades estão enquadradas no inciso VI do §5º - C do art.18 da Lei Complementar nº 123/2006, devem ser tributadas na forma do anexo IV da mesma Lei, hipótese que estão sujeitas à tributação das contribuições previdenciárias patronais previstas no art. 22 da Lei nº 8.2121/91. Dessa forma, o contribuinte deve declarar em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, a contribuição Previdenciária Patronal – CPP, podendo “excluir” apenas a contribuição para Outras Entidades (Terceiros). No entanto, a empresa declarou e recolheu apenas a contribuição previdenciária descontada dos seus segurados empregados e contribuintes individuais. (...) Através da análise das folhas de pagamento apresentadas, bem como das GFIP constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, apuramos as bases de cálculo, os valores da contribuição previdenciária PATRONAL. Na planilha “Discriminativo da Remuneração, contribuições, Retenções e Diferenças a recolher”, anexa a este Relatório Fiscal, demonstramos as bases de cálculo bem como a contribuição devida (alíquota de 20% de CPP, GILRAT de 3%). (...) Constatamos que somente houve declaração e recolhimento da parte descontada dos segurados empregados e contribuintes individuais. Assim, a empresa declarou e recolheu tão somente a contribuição previdenciária descontada, razão porque lançamos através deste Auto de Infração as contribuições não declaradas nas GFIP (CPP e RAT). Cientificados da autuação, os contribuintes apontados como solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apresentaram impugnação ao lançamento (fl. 214). Em sede de impugnação, apresentam argumentos preliminares e de mérito, que foram analisados pela DRJ/CGE (fl. 276). Em suma, disse o Julgador de 1ª instância que (i) não procedia a alegação de cerceamento de defesa; (ii) as exigências relativas a todas as contribuições lançadas encontram-se previstas nos diplomas legais especificados, não cabendo ao julgamento administrativo juízo de inconstitucionalidade; (iii) a empresa não fora excluída do Simples Nacional, é que a empresa se enquadra no inciso VI do §5º - C do art.18 da Lei Complementar nº 123/2006, e deve ser tributada na forma do anexo IV da mesma Lei, hipótese em que fica sujeita à tributação das contribuições previdenciárias patronais conforme artigo 22 da Lei nº 8.2121/91 e (iv) a empresa declarou e recolheu apenas a contribuição previdenciária descontada dos seus segurados empregados e contribuintes individuais. Fl. 320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.360 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720246/2018-15 4 Assim, decidiu o Julgador recorrido pela rejeição das preliminares arguidas e pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificados dessa decisão em 24/05/2019, conforme Aviso de Recebimento na fl. 289, apresentaram recurso voluntário em 13/06/2019 (fl. 292). Em sede de recurso, declinam as seguintes razões: a) Ausência de indicação especificada do fato gerador dos tributos, com prejuízos à defesa; b) Nulidade da autuação por ser o tributo utilizado com efeito confiscatório; c) Parte das verbas sobre as quais se exige contribuições previdenciárias teriam natureza indenizatória; d) A empresa não foi excluída do SIMPLES em momento anterior ao procedimento fiscal; e) Não se pode aferir se houve dedução dos valores já recolhidos pelos autuados nem se houve penalidade sobre parcelas de natureza indenizatória; f) Efeito suspensivo de seu recurso; PEDE total provimento, a fim de reformar o Acórdão recorrido e cancelar o mencionado Auto de Infração. É o Relatório. VOTO Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator Admissibilidade. O recurso é tempestivo e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. 1. Preliminares. O recurso apresentado suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966). 1.1 Nulidade. Não se verifica nulidade no procedimento fiscal que apresenta fundamentação legal e permite ao recorrente entender perfeitamente a exigência fiscal e apresentar impugnação e recurso. De acordo com o art. 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula as normas do processo administrativo fiscal: Art. 59. São nulos: Fl. 321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.360 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720246/2018-15 5 I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Relatório Fiscal, conforme relatado, contém todos os elementos necessários à compreensão do procedimento e da exigência e o Julgador de 1ª instância também foi bastante específico, permitindo aos recorrentes, se quisessem, contraditar todo o ali disposto. Estão indicados no auto de infração os elementos da obrigação tributária (período, fato gerador, base de cálculo, alíquotas) e os respectivos enquadramentos legais, que não foram rechaçados pelo recurso. A alegação genérica de ser o tributo utilizado com efeito confiscatório, comparando-se o valor da exigência com alegada falta de capacidade econômica (não demonstrada) dos recorrentes transcende a competência deste julgamento administrativo. Em relação a questões de inconstitucionalidade da lei tributária, cite-se a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2. Mérito O Recorrente alega que parte das verbas sobre as quais estão sendo exigidas contribuições teria natureza indenizatória. Diz o Relatório Fiscal (fl. 20): Através da análise das folhas de pagamento apresentadas, bem como das GFIP constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, apuramos as bases de cálculo, os valores da contribuição previdenciária PATRONAL. Na planilha “Discriminativo da Remuneração, contribuições, Retenções e Diferenças a recolher”, anexa a este Relatório Fiscal, demonstramos as bases de cálculo bem como a contribuição devida (alíquota de 20% de CPP, GILRAT de 3%). Nas folhas 114 e seguintes estão resumos das folhas de pagamento. Nas folhas 191/2 estão as planilhas com os cálculos para demonstrar como se chegou às diferenças a recolher (CPP e GILRAT) em cada uma das competências. Assim, competiria ao impugnante/recorrente apontar quais rubricas que alega serem de natureza indenizatória foram utilizadas na composição da base de cálculo acima citada. Citar jurisprudências que apontam que existem no sistema previdenciário rubricas sobre as quais não incidem contribuições não é hábil a contradizer a apuração fiscal. Concordo com o julgador recorrido (fl. 280): Com a falta de indicação das rubricas apuradas, torna-se impossível verificar a composição dos tributos, o que impede a averiguação quanto a possível inclusão de verbas de tal natureza na base de cálculo apurada pela fiscalização. Fl. 322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.360 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720246/2018-15 6 Como disse o Julgador de 1ª instância, o contribuinte não foi excluído do SIMPLES, e o lançamento em caso prescinde de exclusão prévia da empresa dessa sistemática. A questão é que: As empresas optantes pelo Simples Nacional, cujas atividades estão enquadradas no inciso VI do §5º - C do art.18 da Lei Complementar nº 123/2006, devem ser tributadas na forma do anexo IV da mesma Lei, hipótese em que ficam sujeitas à tributação das contribuições previdenciárias patronais conforme artigo 22 da Lei nº 8.2121/91. Dessa forma, o contribuinte deve declarar em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, a contribuição Previdenciária Patronal – CPP, podendo “excluir” apenas a contribuição para Outras Entidades (Terceiros). (...) A contribuinte Terlimp – Comércio Serviços e Decorações Ltda., optante pelo Simples Nacional, desde 01/07/2007, exerce atividade de prestação de serviços, que a sujeita à tributação na forma do Anexo IV da Lei Complementar nº 123/2006. No entanto, declarou e recolheu apenas a contribuição previdenciária descontada dos seus segurados empregados e contribuintes individuais. Para bem esclarecer a atividade da empresa, o relatório fiscal copia o Contrato Social Consolidado (fl. 19) e cita que: “Analisando as notas fiscais de prestação de serviços e os contratos apresentados constatamos que a empresa aufere receita preponderantemente na venda de serviços de Limpeza, vigilância, etc.” Assim, a atividade não é questionada nos autos. Na jurisprudência deste Conselho: Acórdão 2202-010.138, sessão de 12 de julho de 2023 SIMPLES NACIONAL. SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA, LIMPEZA OU CONSERVAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A sociedade empresária no ramo de serviço de portaria, limpeza ou conservação, pode se enquadrar no Simples Nacional, entretanto está sujeita a Contribuição Patronal Previdenciária - CPP, segundo o § 5º-C, do art. 18, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, não ficando dispensada do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais na forma das demais pessoas jurídicas. (destaquei) Acórdão 2402-010.256, sessão de 9 de agosto de 2021 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. SIMPLES NACIONAL. LC 123/2006. ATIVIDADES DE LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E VIGILÂNCIA. A contribuição previdenciária patronal, a cargo da pessoa jurídica, não está incluída no Simples Nacional quando se tratar de serviço de vigilância, limpeza ou conservação - art. 18, § 5º-C, inciso VI, da LC 123/2006. Acórdão 2301-006.700, sessão de 04 de dezembro de 2019 Fl. 323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.360 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720246/2018-15 7 SIMPLES NACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS. SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA NÃO INCLUÍDA NO REGIME SIMPLIFICADO. A Lei Complementar 123/2003 impôs um tratamento diferenciado e favorecido para as Micro e Pequenas Empresas. Contudo, nem toda atividade está desobrigada a recolher as Contribuições Previdenciárias Patronais na forma do regime jurídico diferenciado. Os serviços de vigilância é um dos casos que não está dispensado do recolhimento da contribuição patronal previdenciária, pois tal comando decorre da própria lei do SIMPLES Nacional. O que deve ser observado é considerar eventuais recolhimentos feitos pela empresa, pela sistemática do SIMPLES, na apuração da infração. E conforme o relatório fiscal (fl. 20): Observamos que a empresa também recolheu no documento de Arrecadação do SIMPLES NACIONAL – DAS, nas competências citadas, os tributos relativos a tal regime. Nas competências em que informou receitas da prestação de serviços com enquadramento no Anexo-III, houve recolhimento da contribuição previdenciária patronal – CPP. Dessa forma, no presente lançamento, consideramos os valores de CPP recolhidos e os abatemos do lançamento da contribuição previdenciária (base de cálculo Folha de Pagamento). (destaquei) Portanto, não se afigura pertinente o recurso dizer que “não se pode aferir se houve dedução dos valores já recolhidos pelos autuados nem se houve penalidade sobre parcelas de natureza indenizatória”. Conclusão. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcio Henrique Sales Parada DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro Não obstante as sempre bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para, alinhando-me ao entendimento do Relator, aprofundar o seguinte ponto. Fl. 324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.360 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10970.720246/2018-15 8 Conforme especificado no DISCRIMINATIVO DA REMUNERAÇÃO, CONTRIBUIÇÕES, RETENÇÕES E DIFERENÇAS A RECOLHER (e-fls. 191/192), a base de cálculo da contribuição patronal (código de receita 2141) foi apurada a partir dos totais de remuneração informada em Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social - GFIP para os segurados empregados (coluna GFIP REMUN DECLARADAS SALARIOS DE CONTRIBUIÇÃO) e para os segurados contribuintes individuais (CI - REM (Cat11) VALOR DECL GFIP) e a base de cálculo da contribuição GILRAT (código de receita 2158) foi apurada a partir do total da remuneração informada em GFIP para os segurados empregados (coluna GFIP REMUN DECLARADAS SALARIOS DE CONTRIBUIÇÃO). Sendo as GFIPs documentos elaborados pela própria empresa e, considerando a posterior baixa da empresa, tendo o procedimento fiscal e o lançamento se operado em face de sócios e que eram inclusive sócios à época dos fatos geradores, não há que se cogitar de não compreensão das bases de cálculo apuradas no lançamento fiscal, cabendo à defesa especificar as rubricas indenizatórias que considera terem sido incluídas indevidamente quando da elaboração das GFIPs; cabendo ainda à defesa instruir sua alegação com prova e demonstrativos de modo a desdobrar os totais de remuneração confessados em GFIP, evidenciando cada pagamento a ser excluído da base de cálculo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°). No caso concreto, entretanto, os recorrentes alegam apenas em tese a inclusão de verbas indenizatórias, sem especificação de verbas em concreto e nem demonstração dos pagamentos a gerar divergências, argumento insuficiente para infirmar o lançamento. Isso posto, acompanho o voto do Conselheiro Relator. Assinado Digitalmente Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 325DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10530.000190/94-57
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 203-00.626
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FRANCISCO SERGIO NALINI
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.722815/2011-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
O ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento, não ensejando qualquer nulidade por cerceamento de defesa.
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da decisão proferida quando a DRJ explicitou as razões pelas quais não foram considerados os créditos alegados pela empresa contribuinte, na constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE COMPENSAÇÃO NÃO REALIZADA. NÃO PODE SER CONSIDERADO.
Lançamento para a cobrança de IRPJ e CSLL não pagos pela contribuinte. Alegação de compensação nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91 inexistente. Período posterior a de 01/10/2002, quando ocorreram mudanças nos procedimentos compensatórios. A compensação deve ser realizada por iniciativa do contribuinte, com a respectiva entrega da Declaração de Compensação prevista no § 1° do artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, conforme alterações introduzidas pela Lei nº 10.637/2002. No caso, o crédito alegado se refere ao período em que já estava em vigor a obrigatoriedade de apresentação de declaração de compensação, o que que não foi feito pelo contribuinte para eventual aproveitamento de crédito.
Numero da decisão: 1002-003.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Andréa Viana Arrais Egypto – Relator
Assinado Digitalmente
Ailton Neves da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luís Ângelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andrea Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva(Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. O ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento, não ensejando qualquer nulidade por cerceamento de defesa. NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão proferida quando a DRJ explicitou as razões pelas quais não foram considerados os créditos alegados pela empresa contribuinte, na constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE COMPENSAÇÃO NÃO REALIZADA. NÃO PODE SER CONSIDERADO. Lançamento para a cobrança de IRPJ e CSLL não pagos pela contribuinte. Alegação de compensação nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91 inexistente. Período posterior a de 01/10/2002, quando ocorreram mudanças nos procedimentos compensatórios. A compensação deve ser realizada por iniciativa do contribuinte, com a respectiva entrega da Declaração de Compensação prevista no § 1° do artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, conforme alterações introduzidas pela Lei nº 10.637/2002. No caso, o crédito alegado se refere ao período em que já estava em vigor a obrigatoriedade de apresentação de declaração de compensação, o que que não foi feito pelo contribuinte para eventual aproveitamento de crédito.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. O ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento, não ensejando qualquer nulidade por cerceamento de defesa. NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão proferida quando a DRJ explicitou as razões pelas quais não foram considerados os créditos alegados pela empresa contribuinte, na constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE COMPENSAÇÃO NÃO REALIZADA. NÃO PODE SER CONSIDERADO. Lançamento para a cobrança de IRPJ e CSLL não pagos pela contribuinte. Alegação de compensação nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91 inexistente. Período posterior a de 01/10/2002, quando ocorreram mudanças nos procedimentos compensatórios. A compensação deve ser realizada por iniciativa do contribuinte, com a respectiva entrega da Declaração de Compensação prevista no § 1° do artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, conforme alterações introduzidas pela Lei nº 10.637/2002. No caso, o crédito alegado se refere ao período em que já estava em vigor a obrigatoriedade de apresentação de declaração de compensação, o que que não foi feito pelo contribuinte para eventual aproveitamento de crédito. Fl. 3766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto – Relator Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luís Ângelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andrea Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva(Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa ATTO TELEINFORMATICA LTDA, contra decisão proferida pela DRJ, que julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário exigido. O presente processo decorre de Auto de Infração (fls. 118/135), lavrado em 31/05/2011, em que se apurou IRPJ e CSLL, no valor total, acrescido de multa e juros, no importe de R$ 3.407.563,48, em face da verificação de apuração incorreta de tributo e glosa de incentivos fiscais (utilização indevida). De acordo com as informações constantes no Auto de Infração, durante o trabalho de fiscalização no contribuinte, cuja tributação é com base no Lucro Presumido, foi apurado insuficiência de recolhimento e de declaração em DCTF do IRPJ e da CSLL devidos, correspondente aos valores informados nas DIPJ de 2010 (AC 2009), 2009 (AC 2008) e 2008 (AC 2007),e não foram localizados pagamentos no sistema sinal da Receita Federal do Brasil e/ou compensação em PERDCOMPs. Procedeu-se a glosa pela dedução indevida de valores constantes nas DIPJs, Linhas Imposto de Renda Retido na Fonte, que confrontados com as Notas Fiscais do contribuinte, a totalidade das retenções por trimestre não correspondem com os valores informados nas DIPJs, Fl. 3767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 3 ou seja, o contribuinte compensou valores de saldos negativos de exercícios anteriores conforme demonstrativo apresentado pela empresa. Da mesma forma, no caso da CSLL, procedeu-se a glosa pela dedução indevida de valores de retenção na fonte para órgãos, autarquias e fundações federais. A empresa foi cientificada do lançamento em 31/05/2011 (fl. 119 e 135), e em 29/06/2011 apresentou impugnação (fls. 143/235), na qual traz o resumo dos fatos e alega o seguinte: A contribuinte aponta erros cometidos no procedimento de fiscalização com relação às divergências nas bases de cálculo para a tributação no lucro presumido; Erro no apontamento dos valores a pagar antes da compensação do IRPJ; A Fiscalização não levou em consideração o Livro Diário e Razão apresentados e nem o Balanço Patrimonial da empresa; Afirma que nos anos de 2004, 2005 e 2006, a forma de tributação foi com base no Lucro Real, gerando Saldos Negativos de IRPJ e SCLL a recuperar, o que não foi levado em consideração pela Fiscalização; Os créditos de CSLL e IRPJ compensa o montante da CSLL do quarto trimestre de 2009; Ressalta que foram unificadas muitas características no art. 66 da Lei nº 8.383/91, que assegurava ao contribuinte a possibilidade de efetuar a compensação por sua conta e risco, sem ter que informar nada ao Fisco, desde que no âmbito de tributos com a mesma destinação constitucional; e o previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, na qual a compensação poderia se operar entre quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, através de deferimento de pedido específico; Cuida-se de uma compensação de futuro crédito tributário, logo, de crédito não constituído ainda, com um crédito que tem o contribuinte perante a Fazenda em virtude de pagamento indevido; A Autoridade Fiscal menciona que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, mas nos anos de 2007, 2008 e 2009 a empresa foi tributada pelo Lucro Presumido em que há uma presunção da base de cálculo, portanto, há erro na fundamentação; Ocorrência de nulidade por não conter o lançamento a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Fl. 3768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 4 A 13ª Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, conforme ementa do Acórdão nº 14- 88.995 (fls. 3539/3579) a seguir transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional pro decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF. NULIDADE. Não se acata de invocação de nulidade de lançamentos formalizados com observância dos pressupostos formais e materiais, previstos da legislação, pela autoridade competente, com respeito aos preceitos do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, tendo a contribuinte sido cientificada das acusações e apresentado a defesa ora sob apreciação. BASES DE CÁLCULO. ERRO DE APURAÇÃO. Como o lançamento de ofício se vez com base em informações prestadas pela própria contribuinte em declaração apresentada em cumprimento a dever instrumental previsto na legislação (DIPJ), não se pode imputar à fiscalização os erros porventura existentes na determinação das bases de cálculo. Os erros de preenchimento da declaração devem ser devidamente comprovados pela contribuinte, mediante a apresentação de provas hábeis. Admite-se a escrituração do Livro Registro de Serviços Prestados como prova das receitas de prestação de serviços auferidas na atividade. ERRO DE ENQUADRAMENTO LEGAL. Não verificado qualquer erro no enquadramento legal da exigência, procedente a autuação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE DECLARAÇÃO. Procedente o lançamento de ofício se apesar de informar a apuração de bases de cálculo positivas, a contribuinte não procede à constituição do crédito tributário Fl. 3769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 5 em instrumento competente - DCTF, por conta de deduções, não confirmadas no curso do procedimento fiscal. IRPJ. CSLL. DEDUÇÕES. Para efeito de determinação do saldo de IRPJ/CSLL a pagar, a pessoa jurídica pode deduzir as antecipações efetuadas, no curso do período de apuração, a título de retenções e de estimativas mensais. Os créditos de períodos anteriores não podem ser objeto de dedução do IRPJ/CSLL, para fins de determinação do saldo a pagar, apenas de compensação a ser formalizada em Declaração de Compensação - DCOMP. COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO EM VIGOR NA DATA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. A compensação entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional efetuada sem prévia autorização fiscal, na escrituração, prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, foi tacitamente revogada pelas disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que veio a regular a mesma matéria (compensação de tributos e contribuições administrados pela RFB) de forma completamente diferente. JUROS DE MORA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, devem ser acrescidos de juros de mora calculados à taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 RETENÇÕES. DIRF. Na apuração do IRPJ/CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir o valor do retido na fonte, desde que comprovada a retenção, mediante informe de rendimentos ou Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - DIRF prestada pela fonte pagadora, e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, verificada falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, deve ser aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Fl. 3770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 6 Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 RETENÇÕES. DIRF. Na apuração do IRPJ/CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir o valor do retido na fonte, desde que comprovada a retenção, mediante informe de rendimentos ou Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - DIRF prestada pela fonte pagadora, e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, verificada falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, deve ser aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Deve ser cancelado o lançamento de ofício na parte em que verificado o erro de identificação do período de apuração. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ em 17/12/2018 (fls. 3593) e, inconformada com a decisão prolatada, em 20/12/2018 (fl. 3594) apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 3597/3614), onde traz uma síntese dos fatos e assevera o seguinte: Aponta, de maneira dispersa, nulidade do lançamento; A Recorrente traz a questão apresentada na impugnação relativa à compensação de valores retidos nos anos calendários de 2004, 2005, 2006 para o IRPJ e CSLL, quando era tributada pelo Lucro Real, e os valores retidos para os anos de 2007, 2008, 2009, tributada no Lucro Presumido. Afirma que realizou compensação de créditos de valores de tributos retidos na forma prevista no artigo 66 da Lei 8383/91. Disserta acerca das modalidades de compensação; Assevera que a controvérsia dos autos cinge-se em saber se poderia a contribuinte optar pela compensação na forma prevista na Lei nº 10.637/2002; Aduz que o Fisco não levou em consideração a devida retenção, gerando enriquecimento ilícito por parte do ente administrativo; Que não restou explicado e demonstrado, na decisão recorrida, qualquer critério utilizado para averiguação dos valores retidos nos exercícios anteriores de 2004,2005,2006, não reconhecendo os créditos existente nos exercícios anteriores, gerando assim, o vultuoso e vicioso débito tributário. Não foram respeitados os princípios da finalidade da Lei, Razoabilidade, Proporcionalidade e Capacidade Contributiva; Fl. 3771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 7 Pugna pela nulidade do acordão da DRJ, visto a ausência de determinação de qualquer critério pois não levou em consideração os valores retidos dos anos de 2004,2005,2006, pois levando em consideração estes valores não é devido nenhum montante ao fisco federal. Requer perícia administrativa, diligência “pois os valores retidos a título de IRPJ e CSLL referente aos anos de 2004,2005, 2006,2007,2008,2009, desbasta o montante devido indevidamente”. É o Relatório VOTO Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto, Relator Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nulidade do Lançamento A Recorrente traz, de maneira dispersa, a questão da nulidade do Auto de Infração. Assevera acerca de arbitramento e de cerceamento do direito de defesa. Importante nesse ponto esclarecer que, diferente do alegado pela contribuinte, no presente caso, não foi efetuado lançamento por arbitramento. O que ocorreu foi a lavratura de Auto de Infração em que se apurou saldos de IRPJ e CSLL a pagar, com base na sistemática do Lucro Presumido, em face da glosa das retenções não regularmente comprovadas. Destaque-se ainda que o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, estabelece as causas da nulidade dos atos administrativos, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 3772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 8 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. No presente caso, o ato administrativo de lançamento foi realizado por autoridade competente, contendo todos os requisitos legais estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72, encontra-se em perfeita harmonia com o artigo 142 do CTN, e foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal. O processo administrativo foi instaurado proporcionando ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa em todas as fases e instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer embaraço ao conhecimento das questões de fato e de direito nele constantes. Dessa forma, rejeito a preliminar suscitada. Nulidade da decisão da DRJ A Recorrente pugna pela nulidade do acordão da DRJ, visto a ausência de determinação de qualquer critério, pois não levou em consideração os valores retidos dos anos de 2004,2005,2006, e, levando em consideração estes valores não seria devido nenhum montante ao fisco federal. Não assiste razão à Recorrente. De forma clara, a decisão de piso, ao asseverar acerca das glosas das antecipações efetuadas a título de retenções, trouxe as razões da diferença existente entre dedução de retenções/estimativas e compensação de créditos de períodos anteriores, esclareceu a sistemática de compensação nos termos da Lei nº 9.430/96, verificou a documentação juntada às fls. 3269/3279 e concluiu que, além de não se constituírem em informes de rendimentos e retenções, emitido nos termos da legislação de regência, não trazem informação fundamental que é o período a que se referem – aparentemente 2004, 2005 e 2006, conforme excertos a seguir colacionados: No que se refere à dedução das antecipações efetuadas a título de retenções, a Impugnante se refere à existência de créditos de IRPJ/CSLL a recuperar relativos aos anos-calendário 2004, 2005 e 2006. Entretanto, se porventura existentes, esses créditos não podem ser simplesmente deduzidos do IRPJ/CSLL devidos, como foram, no curso do período de apuração, para fins de determinação do saldo a pagar. Fl. 3773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 9 Nesse aspecto, importante distinguir as hipóteses de dedução e de compensação de tributos. Nos termos do art. 2º, § 4º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, somente se admitem como deduções do IRPJ/CSLL devidos as antecipações efetuadas a título de retenções e recolhimentos de estimativas mensais, verbis: Art. 2º Omissis § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV - do imposto de renda pago na forma deste artigo. Por sua vez, os créditos de saldos negativos de período anteriores devem ser utilizados na compensação do saldo a pagar de IRPJ/CSLL, apurado após a dedução das antecipações já acima referidas, compensação a ser formalizada, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, verbis: [...] De outro lado, não tem sustentação, também, a alegação de que a obrigação tributária não poderia ser constituída pelo fato de o crédito ser anterior ao débito. Na verdade, desde que legalmente autorizada, a compensação sempre dependeu de iniciativa da parte interessada, ainda que pudesse ser formalizada independentemente de qualquer procedimento fiscal. Ou seja, o fato de existir crédito não obsta a constituição de débito fiscal, se a titular do crédito não adotou as providências cabíveis para formalização do encontro de contas, nos termos da legislação em vigor. [...] Saliente-se que as normas jurídicas que regulam as retenções de imposto de renda se aplicam também às retenções de CSLL. [...] Quanto à documentação juntada às fls. 3269/3279, além de não se constituírem em informes de rendimentos e retenções, emitido nos termos da legislação de regência, mas apenas demonstrativos de rendimentos financeiros, não trazem informação fundamental que é o período a que se referem – aparentemente 2004, 2005 e 2006. Fl. 3774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 10 Constata-se que a DRJ explicitou as razões pelas quais não foram considerados os créditos alegados pela empresa contribuinte, relativos aos anos calendário 2004, 2005 e 2006. Dessa forma, não há que se falar em nulidade da decisão proferida. Mérito Conforme Relatado, o lançamento foi realizado em face da falta ou insuficiência de declaração em DCTF de valores de IRPJ e CSLL apurados nas DIPJ 2008, 2009 e 2010, anos- calendário 2007, 2008 e 2009, devido à utilização de retenções de imposto e CSLL não confirmadas na base de dados da RFB. Dessa forma, a Fiscalização apurou saldos de IRPJ e CSLL a pagar, em face da glosa das retenções não regularmente comprovadas. A DRJ acatou a arguição de que a diferença não escriturada no Livro Fiscal de Serviços Prestados deveria ser tributada, respectivamente, no percentual de 8% e 12%, para determinação das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL devidos. Quanto às retenções de IRPJ e CSLL, efetuadas no curso dos anos-calendário 2007, 2008 e 2009, procedeu ao aproveitamento na dedução do IRPJ/CSLL conforme quadro de fls. 3575/3576. Pois bem. A Recorrente traz, em sua peça recursal, demonstrativos oriundos da Contabilidade com base no Lucro Real nos anos de 2004/2006, que teriam gerado o Saldo a Recuperar de Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 896.135,33 e Contribuição Social a Recuperar de R$ 894.060,83. Afirma que optou pela compensação com base no artigo 66 da Lei 8.383/91, por sua conta e risco, e em face desta opção, a contribuinte entregou da DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS dos anos de 2008/2007, 2009/2008, 2010/2009, informando possuir créditos oriundos de rendimentos retidos na fonte. Sendo assim, não haveria óbice para a verificação do encontro de contas, mormente porque houve a entrega da declaração de rendimentos informando os valores retidos. Aduz que o Fisco, em não concordando com a compensação declarada, deveria, obrigatoriamente, proferir decisão, de forma fundamentada, e notificar o contribuinte, inclusive para que pudesse exercer o direito de defesa. Entretanto, isso não ocorreu, visto que apenas recebeu os Autos de Infração com os saldos devedores obtidos a partir das informações prestadas, o que tornaria indevida a exigência fiscal. Afirma que “a controvérsia dos autos cinge-se em saber se poderia a contribuinte optar pela compensação na forma prevista na Lei nº 10.637/2002”. Fl. 3775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 11 O primeiro ponto a ser esclarecido é a natureza originária do presente processo administrativo. Conforme visto, após ampla auditoria fiscal para a verificação do cumprimento da obrigação tributária, foi perfectibilizado lançamento para a constituição do crédito tributário de IRPJ e CSLL, através da lavratura de Auto de Infração. Portanto, o presente processo trata de lançamento tributário e não da análise de direito creditório do contribuinte. Quanto à compensação, insiste a Recorrente ter ocorrido e informada através das DIPJ entregues com o montante dos créditos das retenções na fonte, entretanto, cabe de já destacar que nos termos do Tema Repetitivo 345 do STJ, a lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos crédito e débito da Fazenda Pública e do contribuinte. Nesse contexto, a partir de 01/10/2002, data da entrada em vigor do artigo 49 da Medida Provisória n° 66, de 30/08/2002, convertida na Lei n° 10.6372002 – que alterou os procedimentos de compensação a ser realizado pelo contribuinte – a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração, nos termos das regras inseridas no artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 3776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 12 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme se destaca das normas introduzidas pelas Lei nº 10.637/2002 e Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.833/2003, a partir de 1º de outubro de 2002 os procedimentos de compensação tributária perante a Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no artigo 74 da Lei 9.430/1996, especialmente a prevista em seu § 1º, segundo o qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. Desta forma, antes da vigência da norma que exige a transmissão do pedido de compensação eletrônico, era possível que o contribuinte procedesse à auto compensação na contabilidade, devidamente informada em DCTF. No entanto, levando em conta que o direito creditório pleiteado relativo aos valores de CSLL e IRPJ, referem-se aos anos calendário de 2004, 2005, 2006, além dos valores retidos nos anos 2007, 2008 e 2009, e segundo o Recorrente foi compensado com a apresentação das DIPJ, nenhum outro documento supriria a falta da entrega da declaração de compensação (DCOMP), muito menos apenas o registro em DIPJ, tal como fez a empresa. Nesse contexto, na hipótese de não apresentação a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) englobando o valor integral do suposto crédito e do débito a ser compensado, não há que se falar em compensação realizada, até porque, a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito por meio de documentos hábeis e idôneos pelos meios e procedimentos adequados e respaldados na legislação de regência. Na verdade, a empresa apenas alegou a compensação para justificar o não adimplemento dos tributos devidos, no entanto, não existe declaração de compensação realizada consoante os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam, o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430/96, que deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo objeto da compensação realizada dentro de um procedimento estabelecido. Fl. 3777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.934 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10980.722815/2011-71 13 Importante ainda destacar que, conforme inteligência da Súmula CARF nº 92, a DIPJ (Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica) tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário. O reconhecimento de direito crédito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência. Nesse contexto e, conforme já ressaltado, o presente processo administrativo não trata de análise de direito creditório que, nos termos da lei, haveria de ser procedido por via própria, a fim de atestar a liquidez e certeza de eventual crédito a ser compensado. Entretanto é bom lembrar que a decisão de piso procedeu toda uma análise das retenções efetuadas e o aproveitamento na dedução do IRPJ/CSLL devidos. Com relação à alegação da Recorrente de que o lançamento está baseado apenas nos valores glosados, sem levar em consideração as retenções nos exercícios anteriores de 2004/2006, consoante reiteradamente ressaltado, inexiste compensação a ser considerada, portanto, não há respaldo jurídico para a confirmação dos valores indicados como créditos compensados. A análise pleiteada pela empresa contribuinte não é cabível no presente processo de exigência de IRPJ e CSLL em face de valores devidos. Não há como se justificar o pagamento dos tributos por uma compensação apenas afirmada pelo contribuinte, mas sem qualquer iniciativa por parte da empresa, sem a formalização do encontro de contas e sem averiguação de créditos, a partir dos meios e procedimentos próprios, legalmente estabelecidos, para que se cumpra o disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 3778DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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