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Numero do processo: 10280.720103/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Ementa
Embargos de Declaração. Ausente a contradição apontada, descabe os embargos, com efeito infringente, para reexame da matéria julgada
Numero da decisão: 1202-001.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para negar-lhes provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Ausente a contradição apontada, descabe os embargos, com efeito infringente, para reexame da matéria julgada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para negarlhes provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 03 /2 00 7- 29 Fl. 791DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10280.720103/200729 Acórdão n.º 1202001.177 S1C2T2 Fl. 5 2 Trata o presente recurso de Embargos de Declaração, protocolado por Paulo Afonso Costa, referente ao acórdão nº 1202.000725, proferido em 15/03/2012 por esta câmara. Alega o Embargante haver contradição no r. acórdão proferido por inexistir no texto do voto relator, qualquer justificativa para o não provimento do Recurso Voluntário, bem como, alega na motivação dos Embargos de Declaração a inexistência de sua participação capital nas operações da empresa autuada e/ou interesse comum nos fatos geradores. Aduz ser frágil a presunção ou indício de sua participação capital nas operações da autuada, alegando que não há documento que comprove o seu vinculo com a Soberano Alimentos Ltda., ou desta com a Mafrinorte, bem como que o fato de possuir procuração, na qual a Soberano Alimentos (autuada) outorga poderes em seu nome, por si só, não justifica a sua responsabilização como solidário, reafirmando nos presentes Embargos alegações já conhecidas e analisadas neste processo, requerendo por fim o acolhimento dos embargos, com efeitos infringentes para o cancelamento do aludido Termo de Sujeição Passiva. Quanto à responsabilização do Embargante, o Recurso Voluntário entendeu que o Embargante possui interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação imposta, posto que é proprietário de 99% quotas da empresa Mafrinorte, que por sua vez, prestava serviços de abate para a Autuada. Entendeu o r. acórdão que a responsabilização do Embargante também decorre do fato que empresas Soberano Alimentos e a Boi Bom, foram constituídas para esconder as atividades de compra, processamento e venda da Mafrinorte, que é de sua propriedade. E neste sentido, ainda esclareceu o r. acórdão que o Embargante possuindo procuração pública para administrar isoladamente a empresa Autuada tinha plenos poderes de gestão para todos os atos da administração e portanto controle direto da empresa e conhecimento de todos os fatos a ela relativos. Por fim, o Embargante alega contradição quanto ao relatório do r. acórdão e as provas existentes nos autos, argumentando que estas seriam apenas indícios de participação capital e que não podem ser consideradas para presunção de participação capital. Eis o Relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 792DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10280.720103/200729 Acórdão n.º 1202001.177 S1C2T2 Fl. 6 3 Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele se toma conhecimento. Não se vislumbra no presente recurso contradição a ser sanada. Os Embargos de Declaração são tempestivos, nos termos do art. 65, § 1º do Regimento Interno deste E. Conselho: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão. O Embargante equivoca – se ao alegar que há contradição na decisão ora combatida. Pronunciouse o r.acórdão com a clareza e fundamentação necessárias para esclarecer a questão de responsabilidade solidária do Embargante. Trouxe à tona toda a construção realizada pela fiscalização quanto à criação de empresa de “fachada” para maquiar operações realizadas pela empresa Mafrinorte, cujo sócio majoritário é o Embargante. A autoridade administrativa, portanto, utilizandose da combinação dos indícios acima mencionados no relatório, concluiu que o Sr. Paulo Afonso Costa, possuía interesse comum na empresa autuada e na situação que constituiu a obrigação principal, o considerando responsável solidário pelo crédito tributário em foco. Discorreu acerca dos indícios que formaram a mais plena convicção dos julgadores da DRJ e deste E. Conselho, aprofundando todas as características necessárias ao reconhecimento do Embargante como responsável solidário nos presentes autos. A contradição apontada não merece prosperar, considerando que a expressão utilizada no r. acórdão “participação capital”, apontada pelo Embargante como participação não comprovada, demonstra não só interesse comum do Embargante nos fatos geradores do tributo, como a sua expressiva participação nos negócios da empresa autuada. Não se trata de necessidade de comprovação de tal ato, mas sim da afirmativa de que todos os indícios colhidos pela fiscalização, traduz uma situação em que há de fato e de direito a presença de responsabilidade solidária do Embargante, sem mais dúvidas acerca de sua participação. A construção dos fatos e das provas trazidas aos autos foram suficientes para chegar a decisão prolatada. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10280.720103/200729 Acórdão n.º 1202001.177 S1C2T2 Fl. 7 4 De acordo com o raciocínio construído no presente despacho e nas decisões prolatadas pela DRJ e no acórdão recorrido, não vislumbro contradição a ser enfrentada, pois a matéria foi apreciada em ambas decisões sobre provas robustas nos autos. Conclusão que se pode depreender é a de que o verdadeiro intuito das embargantes reside no interesse de buscar a reapreciação da matéria de mérito já decidida, situação essa que somente seria possível, em sede de Recurso Especial. Portanto, por não estar presente o requisito de cabimento dos presentes embargos, qual seja, a contradição, em conformidade com o que estabelece o artigo 65, caput do RICARF, votase pelo não provimento do recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 794DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 22 /08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907099/2011-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2002
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2002 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 99 /2 01 1- 46 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070396), indeferiu o Per/DComp transmitida em 15/01/2002, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.347, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/01/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907099/201146 Acórdão n.º 3803005.601 S3TE03 Fl. 7 3 as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907099/201146 Acórdão n.º 3803005.601 S3TE03 Fl. 8 5 Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10380.723002/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado
Numero da decisão: 2202-002.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 30 02 /2 00 9- 43 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) e VINÍCIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado) que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, VAGNER FERNANDES, foi lavrado auto de infração de fls. 02/16, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, ano calendário 2004, no valor de R$ 4.662.852,54, valor já acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Auto de infração e Termo de Verificação anexos, parte integrante deste Auto de Infração ora guerreado, conforme abaixo transcritos: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes de depósito, mantidas em instituições financeiras, Caixa Econômica Federal e Banco HSBC BANK BRASIL S/A, no ano calendário de 2004, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme especificado a seguir. De acordo com a descrição dos fatos presente no auto de infração e no relatório da autoridade de primeira instância: O contribuinte acima identificado, foi selecionado para fiscalização na operação Movimentação Financeira Incompatível com Rendimentos Declarados PF, mediante Mandado de Procedimento Fiscal n° 03.1.01.002008005113, emitido em 14/03/2008, relativo ao ano calendário de 2004, em razão de: Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física do Ano calendário 2004, exercício 2005 DIRPF/ 2005, anexa, ter informado rendimento disponível igual a R$27.593,37, inobstante ter apresentado movimentação financeira no montante de R$ 5.835.972,32 As informações sobre a movimentação financeira foram disponibilizadas pelos referidos bancos, em cumprimento ao que dispõe o parágrafo 2°, do artigo 11, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996. Através do Termo de Início de Fiscalização, anexo, cuja ciência ocorreu em 23/05/2008, conforme Aviso de Recebimento AR, anexo, foi o contribuinte acima identificado INTIMADO a apresentar, os elementos/esclarecimentos a seguir especificados: Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 1.Extratos bancários com a movimentação diária de todas as contas de depósito, poupança ou investimento, mantidas pelo contribuinte ora intimado, cônjuge e dependentes, durante o ano calendário de 2004, em qualquer instituição financeira, no Brasil ou no exterior. 2.Informar e comprovar, mediante documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados, durante o ano calendário de 2004, era todas as contas de depósito, poupança ou investimento, mantidas pelo contribuinte ora intimado, cônjuge e dependentes, em qualquer instituição financeira, no Brasil ou no exterior e se tais contas são conjuntas. Em 27/06/2008, após pedido de prorrogação de prazo, concedido em 13/06/2008, anexo, o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização, anexa, onde informou que: Estava repassando as cópias dos extratos bancários referentes ao ano de 2004 das contas, as quais mantinha movimentação, Caixa econômica Federal agência 0578, Caixa Econômica Federal agência 1560 e Banco HSBC agência 1258; e As correspondências em seu nome poderiam ser enviadas para seu novo endereço, Rua Homero Castelo Branco, 841 Lago Jacarei Fortaleza CE CEP: 60822280. Após análise da documentação apresentada pelo contribuinte constatamos os fatos especificados no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 11/08/2008(data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), anexo, cuja ciência ocorreu em 14/08/2008, conforme comprovante de recebimento, anexo, e informação do contribuinte na resposta recebida 27/08/2008, e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 28/08/2008, anexo, cuja ciência, pessoal, ocorreu em 29/08/2008, conforme consta no próprio termo, e intimamos o contribuinte a apresentar os necessários esclarecimentos ou documentos comprobatórios ou de contestação e, especificamente, em relação aos Créditos/Depósitos, informar e comprovar, mediante apresentação de documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados,durante o anocalendário de 2004, em suas contas corrente, especificados nos anexos ao termo lavrado em 11/08/2008 (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III) e no termo lavrado em 28/11/2008. Em 17/02/2009, através do Termo de Reintimação Fiscal, anexo, cuja ciência ocorreu em 19/02/2009, conforme Aviso de Recebimento AR, anexo, intimamos o contribuinte fiscalizado a apresentar todos os documentos e comprovantes solicitados através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), e Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 28/08/2008, e não atendidos integralmente até aquela data, inclusive já tendo sido vencido o prazo adicional concedido ao contribuinte em pedido de prorrogação de prazo, anexo. Destacamos nesse termo (Termo de Reintimação Fiscal), a REINTIMAÇÃO do contribuinte para informar e comprovar, mediante apresentação de documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados, Fl. 559DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 4 5 durante o ano calendário de 2004, em suas contas correntes, que seguiram especificados nos anexos (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III) ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 28/08/2008. Em 09/03/2009, o contribuinte apresentou resposta, anexa, informando que não foi possível entregar as informações solicitadas por essa fiscalização, pois as instituições financeiras, as quais mantinha suas contas correntes, não repassaram os dados que necessitava e, sendo assim, autorizava a Secretaria da Receita Federal a solicitar os dados necessários para o bom andamento da fiscalização. Através do Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 12/03/2009, anexo, cuja ciência ocorreu em 17/03/2009, conforme Aviso de Recebimento AR, anexo, essa fiscalização intimou o contribuinte fiscalizado a apresentar os elementos a seguir especificados: "1. Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos, que seguiram especificados nos anexos (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III) ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, de 28/08/2002, de forma que seja identificado o emitente do crédito; 2.Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos, relacionados nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte, efetuados em suas ContasCorrentes, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado." Em 24/03/2009 o contribuinte apresentou resposta, anexa, onde reafirma que as instituições financeiras não entregaram a documentação por ele solicitada e afirma que, sem a colaboração das instituições financeiras, nas quais mantinha suas contas, fica impossível apresentar e especificar os créditos efetuados no período de 01/01/2004 a 31/12/2004. Continuando ainda sua resposta, o contribuinte fiscalizado, no item 4, confirma a abertura de suas contas bancárias a Receita Federal, como foi descrito na resposta anterior de 09/03/2009, e reafirma que somente com os dados bancários, por ele solicitados aos bancos, ver a condição de atender a essa fiscalização e pede a intervenção junto às instituições financeiras, Caixa Econômica Federal e HSBC. Diante do não atendimento à intimação, da abertura de suas contas bancárias a Receita Federal, conforme especificado nas respostas citadas 09/03/2009 e 24/03/2009 e pelo pedido de intervenção junto às instituições financeiras, Caixa Econômica Federal e HSBC, e considerando ainda a afirmação do contribuinte fiscalizado de que somente com os dados bancários, por ele solicitados aos bancos, ver a condição de atender a essa fiscalização, foi solicitado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza Ce (DRF/FORTALEZA), por essa fiscalização, emissão de Requisição de Informações sobre Fl. 560DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Movimentação Financeira RMF em 02/06/2009, solicitação anexa. Em 08/06/2009 a DRF FORTALEZA emitiu a RMF n° 03.1.01.002 009000581, anexa, e a RMF n° 03.1.01.002009000590, anexa, dirigidas a Caixa Econômica Federal e ao Banco HSBC BANK BRASIL S/A, respectivamente, solicitando os dados a seguir especificados, relativos ao ano de 2004: A Caixa Econômica FederalCópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos acima de R$ 5.000,00, efetuados na C/C 202025, AG. 1560, de forma que seja identificado o emitente do crédito; e Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos acima de R$ 3.000,00, efetuados na C/C 202025, AG. 1560, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado. A Caixa Econômica Federal Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos acima de R$ 5.000,00, efetuados na C/C 84990, AG. 0578, de forma que seja identificado o emitente do crédito; e Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos acima de R$ 3.000,00,' efetuados na C/C 84990, AG. 0578, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado.Ao Banco HSBC BANK BRASIL S/A Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos acima de R$ 5.000,00, efetuados na C/C 850017, AG. 1258, de forma que seja identificado o emitente do crédito; e Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos acima de R$ 3.000,00, efetuados na C/C 850017, AG. 1258, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado. Em 27/10/2009, lavramos Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, anexo, cuja ciência ocorreu em 30/10/2009, conforme comprovante de recebimento, anexo, e informação do contribuinte no Termo de Declaração, anexo, informando ao contribuinte as constatações dessa fiscalização, conforme lá especificado, intimando a apresentar os necessários esclarecimentos ou documentos comprobatórios ou de contestação, onde destacamos os seguintes fatos: 1. que, até aquela data, o contribuinte não comprovou a origem dos Créditos/Depósitos intimados por essa fiscalização, no item 2 do Termo de Início de Fiscalização, depois especificados individualmente no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004) e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 28/08/2008 (Informar e comprovar, mediante documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados, durante o ano calendário de 2004, especificados); 2. não ser possível a essa fiscalização, isoladamente, sem a interferência e esclarecimentos do próprio contribuinte fiscalizado, identificar, através das respostas dos bancos referidos, a origem dos Créditos/Depósitos e Débitos/Saques, para que, com essa identificação, se pudesse determinar a origem dos Créditos/Depósitos que foram intimados; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 5 7 3. que se encontravam à disposição do contribuinte os dados enviados pelos referidos bancos (Caixa Econômica Federal e Banco HSBC BANK BRASIL S/A), que poderiam possibilitar a comprovação dos Créditos/Depósitos, intimados à comprovação por parte dessa fiscalização, conforme afirmou o próprio contribuinte fiscalizado em sua resposta. Através do citado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 27/10/2009, foi o contribuinte, também, especificamente, reintimado a; Em relação aos Créditos/Depósitos, informar e comprovar, mediante apresentação de documentação original, hábil e idônea (ou cópia autenticada), a origem dos valores depositados, durante o ano calendário de 2004, em suas contas correntes, especificados nos anexos ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 11/08/2008 (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III) e Termo de Constatação e de Intimação Fiscal lavrado em 28/08/2008. Ainda no citado Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 27/10/2009, informamos ao contribuinte que: O mesmo deveria esclarecer e comprovar individualmente cada um dos créditos/depósitos efetuados em sua contacorrente, que foram especificados nos anexos ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 11/08/2008 (ANEXO I, ANEXO II e ANEXO III), e no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 28/08/2008; caso julgasse necessário, poderia agendar comparecimento a essa DRF/FORTALEZA para recebimento ou consulta/esclarecimento dos dados enviados pelos referidos bancos; e segundo consta na Lei n.° 9.430, de 27/12/1996:"Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações". Em 13/11/2009, o contribuinte fiscalizado compareceu a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, onde, em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 27/10/2009, prestou a termo as declarações constantes no Termo de Declaração, que anexamos ao presente Auto de Infração. Observando as declarações prestadas pelo contribuinte fiscalizado, no citado Termo de Declaração, podemos destacar que, apesar de informar que sua atividade profissional em 2004 era como corretor de imóveis, tendo trabalhado para a empresa Magno Torres Muniz, como autônomo e com corretagem de câmbio para as empresas Wall Street Câmbio e Turismo, Amoretur Câmbio e Turismo e Barcelona Turismo e que sua principal fonte de renda em 2004 era decorrente da atividade citada, não apresentou documentação para comprovar as declarações prestadas (itens 4 e 5). Fl. 562DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Destacamos, ainda no citado Termo de Declaração que, em relação à constatação da conclusão de que até a data do referido Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (27/10/2009) o contribuinte não comprovou a origem dos Créditos/Depósitos intimados por essa fiscalização, o contribuinte declarou que os depósitos/créditos efetuados em suas contas correntes são oriundos das empresas de câmbio citadas, os quais eram depositados com a finalidade de aquisições de moedas estrangeiras, as quais, após compradas, eram transferidas, para as respectivas empresas, através de SEDEX, e que, com essa atividade, obtinha, em média, um ganho correspondente a 1% dos valores depositados por essas empresas de câmbio já citadas, e que toda a documentação referente às operações citadas, tais como planilha de controle de entrada dos créditos, comprovantes de envio de SEDEX, e, acredita que, comprovantes de depósitos efetuados pela Amoretur em suas contas correntes (do declarante), encontram se sob o poder da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, por terem sido apreendida pela Polícia Federal em 05/10/2005 em processo que continua em andamento, concluindo que, no momento não dispunha de nenhuma documentação para apresentar a essa fiscalização (item 7.4). No entendimento dessa fiscalização, a alegação do contribuinte, nesse item 7.4 do citado Termo de Declaração, de que a documentação (referente às operações citadas, tais como planilha, de controle de entrada dos créditos, comprovantes de envio de SEDEX, e comprovantes de depósitos efetuados pela Amoretur em suas contascorrentes), encontrase sob o poder da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, não justifica a não apresentação de comprovação da origem dos créditos/depósitos intimados, pois, do que se tem conhecimento, a Justiça Federal do Rio Grande do Sul (ou qualquer outra) poderia ter fornecido tal documentação, pelo menos, em cópia, e do início dessa fiscalização (23/05/2008) até a data do Termo de Declaração (13/11/2009) se passaram aproximadamente 17 meses, o que seria um tempo mais do que suficiente para obtenção de tal documentação. Destacamos ainda, no citado Termo de Declaração, a declaração prestada pelo contribuinte, no item 8, de que os rendimentos tributáveis declarados na DIRPF/2005, referente ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 35.000,00, foram decorrentes de comissões auferidas nas intermediações de aquisições de moeda estrangeira e foram recebidos das empresas de câmbio citadas, declaração esta que o contribuinte, também, não anexou comprovação. Destacamos ainda, por fim, no citado Termo de Declaração, que o contribuinte, verificando a documentação enviada pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco HSBC, apresentada por essa fiscalização, anexada ao citado termo, informou que os depósitos/créditos efetuados nos citados bancos, foram feitos pelas empresas de cambio, citadas, apesar de não constarem identificadas na documentação enviada pelos referidos bancos e que os cheques emitidos por ele (declarante), dos citados bancos, foram para transações pessoais, não tendo relação com sua atividade profissional de câmbio exercida em 2004, sem, no Fl. 563DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 6 9 entanto, apresentar nenhuma documentação para comprovação da declaração (itens 9.2 e 9.3). No entendimento dessa fiscalização, notase haver, entre essa declaração, por ultimo destacada e a declaração do item 7.4, do Termo de Declaração, uma contradição. Vejamos: quando o contribuinte informa, no item 7.4, que os depósitos/créditos, efetuados em suas contas correntes, são oriundos das empresas de câmbio, os quais eram depositados com a finalidade de aquisições de moedas estrangeiras, as quais, após compradas, eram transferidas, para as respectivas empresas, através de SEDEX, está afirmando que os depósitos foram efetuados para aquisição de moedas estrangeiras e, se as transferiu através de SEDEX, seria porque as comprou, e, se as comprou utilizou algum valor para essa finalidade, e, segundo ele próprio, os depósitos foram efetuados com essa finalidade. Segundo a outra informação prestada pelo contribuinte, os cheques por ele emitidos (saldo de valor), dos citados bancos, foram para transações pessoais, não tendo relação com sua atividade profissional de câmbio exercida em 2004. Se os cheques foram emitidos para transações pessoais, não tendo relação com sua atividade profissional, como afirma, com quais recursos, então, ele teria adquirido as citadas moedas que disse que repassou através de SEDEX? Considerando que os débitos são saídas de valores, que encontramse depositados nas contas correntes, então os créditos/depósitos que, segundo afirmação do contribuinte, tinham a finalidade de aquisição de moedas estrangeiras foram utilizados para finalidade diversa da definida pelos depositantes, em transações pessoais ? Diante do exposto, confirmado que o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que,comprovasse a origem dos créditos/depósitos efetuados em suas contas correntes, devidamente intimados, nos diversos termos lavrados no decorrer dessa fiscalização, efetuamos o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração, por omissão de rendimentos, com base em depósitos cuja origem não foi comprovada. Os valores mensais encontram se especificados na planilha "DEMONSTRATIVO MENSAL DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS", anexa ao presente Auto, a qual foi consolidada mensalmente com base nos valores individuais constantes nos anexos ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), anteriormente citados (ANEXOS I, II e III) e com base no valor constante no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 28/08/2008, estão considerados no mês em foram recebidos e sujeitos a tributação na Declaração de Ajuste Anual, conforme determina a legislação. Conforme, também, determina a legislação e especificado no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 11/08/2008 (data em que, por engano, foi posto o ano de 2004), nos anexos I, II e III foram excluídos os Créditos/Depósitos referentes aos cheques depositados e posteriormente devolvidos e os Créditos/Depósitos referentes às transferências entre contas correntes do contribuinte que foram detectados por esta fiscalização. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 28/12/2009, fls. 503/508, a seguir transcrita: Fl. 564DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 “(...) No dia 23/maio/2008 iniciouse a fiscalização sobre minha declaração de imposto de renda, exercício 2004, iniciando assim, conjuntamente, uma fiscalização sobre minhas contas correntes; Bancos: HSBC , agencia 1258 e CEF, agencias 1560 e 0578. Esta fiscalização ficou a cargo da Sra. Auditora Fiscal, Lúcia de Fátima Fernandes Souza, que intimou me a apresentar as origens dos créditos/depósitos efetuados em minhas contas correntes durante o período de 01/janeiro/2004 à 31 /dezembro/2004. Após o recebimento da intimação, através de correspondência protocolada, enviei minha solicitação às instituições financeiras, HSBC e CEF, para que as mesmas me entregassem cópias das movimentações financeiras durante o período acima citado. Este procedimento foi efetuado por duas vezes, pois na primeira tentativa não obtive êxito. Quando recebi os extratos bancários entreguei, ou melhor, apresentei os à Sra, Auditora que disse que os mesmos não satisfaziam as exigências e necessidades para o esclarecimento dos fatos relacionados àquela fiscalização, pois não continham dados específicos sobre os autores dos depósitos/créditos efetuados em minhas contas correntes. DA AUSÊNCIA DE FATO GERADOR PARA PAGAMENTO ORIUNDO DE QUANTIA. TRIBUTÁVEL Inicialmente vem o requerente solicitar que sejam respeitados as prescrições dos períodos supostamente tributáveis. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramentos legais do IRPF, aplicado pela Receita Federal, especialmente o agente fiscal, não revela a realidade dos fatos, vejamos: Como sempre agi durante o período da fiscalização, tentando facilitar a identificação dos depósitos e os depositantes, que até aquele momento era o pedido feito pela Sra. Auditora, entreguei a ela uma correspondência datada em 09/março/2009, onde autorizava à Receita Federal que interferisse junto às instituições financeiras, já citadas acima, para que repassassem as informações, na forma e conteúdo que era exigido pela Receita Federal, para poder esclarecer os referidos crédito/depósitos, durante o período de 01/janeiro/2004 a 31/dezembro/2004 À partir de 12/março/2009 a Sra Auditora Fiscal da Receita Federal, pede que seja apresentado, além dos créditos/depósitos em minha conta corrente, também os documentos relativos aos débitos/saídas efetuados nas mesmas. Com a emissão pela DRF/ Fortaleza solicitando às Instituições financeiras, HSBC agência 1258 e CEP, agências 1560 e 0578, uma requisição de informações sobre movimentação financeira, cujo teor é o seguinte: " Cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos créditos acima de RS 5,000,00, de forma que seja identificado o emitente do crédito; e cópia autenticada (frente e verso) dos documentos relativos aos débitos acima de RS 3.000,00, efetuados nas referidas contas, de forma que seja identificado o destinatário do valor debitado". Após receber os dados enviados pelas instituições financeiras a Sra. Auditora Fiscal conclui que: Fl. 565DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 7 11 "Constatamos não ser possível a essa fiscalização, isoladamente, sem interferência e esclarecimento do próprio contribuinte fiscalizado, identificar, em tais respostas, a origem dos créditos/depósitos que foram intimados". Estas informações me foram repassadas através de uma correspondência da Receita Federal datada em 27/outubro/2009, onde pediam maiores esclarecimentos. No dia 13/novembro/2009 estive na DRF em Fortaleza para prestar esclarecimentos e colaborar, como sempre fiz, na continuidade da fiscalização. Diante da Sra Auditora, Lúcia de Fátima Fernandes Souza e Sra Maria Mazzarelo Cito Ramalho Soares tentei esclarecer o que segue; Que durante o ano de 2004, além de Corretagem de imóveis atuei como intermediário na compra de moedas estrangeiras nesta cidade, para instituições de cambio cadastradas junto ao Banco Central do Brasil com sedes em Fortaleza e São Paulo, sendo que a empresa com maior fluxo de compras dessas moedas e responsável pela grande maioria dos depósito/créditos em minhas contas corrente chamava se Amoretur Cambio e Turismo, localizada na cidade de São Paulo. Esclareci sobre o meio e forma de remessa das moedas e qual seria a minha participação na intermediação. Foi apresentado pela Sra. Auditora cheques por mim emitido à terceiros, onde esclareci que em alguns casos não eram para pagamento de compra de moedas estrangeiras e sim para outros fins. Fiquei surpreso quando na "Conclusões Finais", do Auto de Infração, a Sra, Auditora conclui que: "Os cheques emitidos por ele (declarante), dos citados bancos foram para transações pessoais, não tendo relação com sua atividade profissional de cambio, exercida em 2004, sem no entanto apresentar nenhuma documentação para comprovação da declaração (itens 9,2 e 9.3)" ISSO NÃO OCORREU NEM MUITO MENOS CONSTA QUALQUER MATERIALIDADE DA SUPOSTA PRÁTICA DO ATO ACUSADO, CLARO QUE HOUVE CHEQUES PARA TRANSAÇÕES PESSOAIS, MAS NÃO ACERCA DOS VALORES LANÇADOS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Gostaria de esclarecer que esta declaração feita por mim no dia 13/novembro/2009, na sede da Receita Federal em Fortaleza, durou cerca de 3:00 hs, que não li o fechamento da declaração pois enquanto depunha a Sra. Auditora transcrevia para o seu computador. Recebi uma cópia da declaração somente após vários dias. Diante da conclusão da Sra. Auditora me pergunto, Se não emitisse cheques e fizesse saques como poderia ter recursos em espécie para a compra de moedas estrangeiras dentro do mercado de fortaleza? Sendo que o turista estrangeiro necessita do Real para cobrir seus custos durante sua estada na cidade. Tenho certeza que a Sra. Auditora não utilizou de má fé quando declara nas, Descrições dos Fatos; Fl. 566DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 "Que os cheques emitidos por mim foram para transações pessoais." Mas com isso, não quer dizer que os valores lançados no auto de infração são os valores tributáveis, pois o defendente não auferiu os referidos valores. Destarte que, contudo não houve valor tributável na forma que descreve o Auto de Infração, em nenhum momento há prova nesse sentido. Não foram rendas auferidas os valores lançados na descrição dos fetos e enquadramentos, o que será provado durante a instrução do processo e efetivação das diligências requeridas a seguir, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa. DAS DILIGÊNCIAS ACERCA DOS CRITÉRIOS ADOTADO PELO AGENTE FISCAL Gostaria de concluir este pedido de impugnação perguntando: 1) Se foi recebido das instituições financeiras os relatórios de crédito/depósitos como foram pedidos, (identificar o emitente do crédito), porque a fiscalização diz em seu relatório final, " Não ser possível identificar as origens dos depósitos" ? As instituições financeiras não apresentaram os relatórios/extratos como foram exigidos? Buscouse saber quem eram os donos das contas que fizeram os depósitos? 2) Porque a base de cálculo para emissão do auto de infração é sobre o montante depositado? a)Foi dito e esclarecido a finalidade dos depósitos. b)Foi dito quem eram as empresas responsáveis pelos depósitos e houve devolução dos valores em moeda estrangeira, que revela de forma inequívoca que não são reais os valores supostamente tributáveis nas descrições dos fatos e enquadramentos pelo agente fiscal. c)Foi dito para quem era entregue as moedas compradas no mercado de Fortaleza. d) Foi dito o quanto era a lucratividade na intermediação entre compra e venda. e)Depósitos/créditos não são rendimentos. 3) Porque não houve contato com as empresas citadas para comprovação do que foi declarado? 4) Porque não se consultou a Polícia Federal de Caxias do Sul e/ou a Justiça Federal de Caxias do Sul sobre as minhas declarações, já que foi declarado à Sra, Auditora Fiscal que não tenho em mãos nenhum documento, fiscal ou contábil, até a data de 05/outubro/2005, quando em uma operação da Polícia Federal foram apreendidos todos os meus documentos.? Não interferi de forma negativa na fiscalização realizada pela DRF de Fortaleza. Tentei colaborar sempre, de todas as formas possíveis. Caso tenha que pagar tributo à União, farei dentro das possibilidades e condições, porém peço que seja revisto os valores, que sejam justos e que os fatos possam ser analisados e concluídos com bom senso PARA UM REAL VALOR TRIBUTÁVEL, O QUE NÃO OCORREU ATÉ AGORA. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 8 13 A DRJ julga a impugnação improcedente, mantendo o lançamento em sua integridade, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratando se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Discute que os cheques não seriam utilizados para despesas pessoais. Reitera a natureza de sua atividade de corretagem que justificariam os depósitos efetuados, que não seria renda para o recorrente; Que não teria interferido de forma negativa na fiscalização. É o relatório. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 9 15 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 10 17 importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação: Percebese que a substanciosa movimentação detectada requereu aprofundamento. A presente ação fiscal iniciouse em 23 de maio de 2008 e finalizouse em 24/11/2009, com efeito, não lavrou a Autoridade Fiscal o Auto de Infração, pura e simplesmente, sem antes tentar obter esclarecimentos e procurar investigar adequadamente a matéria, segundo os meios legais à sua disposição. Inclusive, p. ex., comunicando o impugnante do procedimento fiscal em curso e permitindo, de forma ampla, que elidisse cabalmente, ponto a ponto, as questões levantadas. Há, portanto, suporte fático e legal para a lavratura do Auto de Infração. Não lhe assiste razão, quando tenta descaracterizar a movimentação financeira como fenômeno a dar ensejo à apuração de omissão de rendimentos, argumentando acerca de suposta dúvida da efetiva ocorrência dos fatos geradores. O fato imponível do lançamento não é a mera movimentação de recursos pela via bancária. Na realidade, o fato gerador é a aquisição de disponibilidade de renda representada pelos recursos que ingressaram no patrimônio por meio de depósitos ou créditos bancários, cuja origem não foi esclarecida, segundo o determinado pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividades de corretagem, cabe ao recorrente demonstrar o que alega, comprovando cada depósitos individualizadamente. A DRJ aponta com acerto no voto condutor do acórdão: A insinuação de que a Autoridade Fiscal não levou em consideração a sua atividade de corretor de imóveis e de cambio, perde sustentação, quando não se comprova, de forma individualizada, a alegada intermediação, isto é, a transferência dos recursos dos clientes/compradores para a(s) sua(s) conta(s) corrente(s), documentada com as notas fiscais, cheques nominativos ou outros documentos hábeis e idôneos da compra e venda; os contratos de intermediação firmados com os fornecedores do produto, identificando os termos do acordo (comissões, p.ex.) e a correlacionada transferência do valor Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 acertado para os representados. Ademais, após análise das respostas enviadas pelos referidos bancos (Caixa Econômica Federal e Banco HSBC BANK BRASIL S/A), a fiscalização intimou o autuado para identificar, em tais respostas, a origem dos Créditos/Depósitos e Débitos/Saques, para que, com essa identificação, pudesse determinar a origem dos Créditos/Depósitos que foram intimados, o que até o presente momento o mesmo não se manifestou. Cabe repisar, a partir do preceito legal acima transcrito, que a comprovação da origem dos recursos deve ser individualizada, ou seja, há que existir correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária, a fim de que se tenha certeza inequívoca da procedência e natureza dos créditos movimentados (§ 3º do art. 42 da Lei 9.430/1996). Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Entendo que inobstante os argumentos não há ainda elemento probante consistente, persiste a dúvida sobre a efetiva origem dos depósitos. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723002/200943 Acórdão n.º 2202002.714 S2C2T2 Fl. 11 19 b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11516.001488/2009-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, ou mesmo quando existe relação de coordenação entre as diversas empresas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: Por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da competência 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos em negar provimento ao recurso entendendo caracterizado o grupo econômico. Vencido o relator, Marcelo Magalhães Peixoto, e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. A conselheira Daniele Souto Rodrigues votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, ou mesmo quando existe relação de coordenação entre as diversas empresas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, ou mesmo quando existe relação de coordenação entre as diversas empresas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 14 88 /2 00 9- 45 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: Por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da competência 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos em negar provimento ao recurso entendendo caracterizado o grupo econômico. Vencido o relator, Marcelo Magalhães Peixoto, e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. A conselheira Daniele Souto Rodrigues votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA, em face do Acórdão n. 0725.478, proferido pela 5ª Turma da DRJ/FNS, que entendeu por bem manter o Auto de Infração, AI DEBCAD n. 37.204.6037, originalmente no importe de R$ 70.120,88 (setenta mil cento vinte reais e oitenta e oito centavos), referente ao período de 11/2005 a 04/2007, consolidado em 01/12/2010 e cientificado o contribuinte em 23/12/2010. Segundo a Fiscalização, fls. 22/37 (Relatório Fiscal), a base de cálculo utilizada no presente lançamento corresponde à diferença encontrada entre as remunerações creditadas pelo contribuinte fiscalizado (ARMIPLAN – ATERRO E TERRAPLANAGEM LTDA) a empregados reconhecidas por esta pessoa jurídica como bases de cálculo, conforme o art. 20, da Lei 8.212/91, nas folhas de pagamento elaboradas para os meses de 11/2005 a 04/2007, e os valores dos saláriosdecontribuição declarados nas últimas guias GFIP, do mencionado período, que a ARMIPLAN transmitiu antes do início da ação fiscal. Para tanto, afirma que analisados e confrontados a documentação e os esclarecimentos apresentados pelo contribuinte no decorrer da auditoria, constatouse que este deixou de informar nas últimas guias GFIP elaboradas e transmitidas até o início da fiscalização para as competências de 11/2005 a 04/2007 parte considerável das remunerações que reconheceu serem base de cálculo das contribuições previdenciárias acima mencionadas nas folhas de pagamento de empregados que elaborou para o mesmo período. Através de verificações feitas junto aos bancos de dados informatizados do Ministério da Fazenda – MF e da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, inferiu a fiscalização que não foram efetuados o recolhimento ou a regularização das contribuições previdenciárias nos incisos I e II do art. 22 da Lei n. 8.212/1991, incidentes sobre estas remunerações informadas nas folhas de pagamento e omitidas nas guias GFIP. Além de ter autuado a empresa ARMIPLAN, a fiscalização imputou responsabilidade solidária a empresa PROACTIVA, afirmando que esta realizou recolhimento de contribuições previdenciárias em relação às competências objeto da fiscalização sob a cifra de “Retenções para a Seguridade Social”, destacadas em notas ficais emitidas com o timbre do contribuinte fiscalizado, em referência a “Serviços de Terraplanagem”. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil considerou as notas fiscais como nulas e que os serviços de terraplanagem discriminados nos documentos seriam fictícios. Afirma também que em consulta ao programa de informática responsável pela apuração, após pesquisa ali demonstrada, os códigos CNAE 90.000 LIMPEZA URBANA E ESGOTO; E ATIVIDADES CONEXAS e o CNAE Fiscal 38211/00 Tratamento e disposição de resíduos nãoperigosos, como os mais apropriados à realidade da atividade econômica praticada pela empresa e aos serviços e funções desempenhados pela maioria dos trabalhadores contratados através da mesma, que foram lotados e colocados a laborar por todo o período fiscalizado no estabelecimento de propriedade da pessoa jurídica à qual se pretende atribuir responsabilidade solidária, responsável pela recepção e pelo depósito do lixo urbano e hospitalar produzido nos municípios da Região Metropolitana de Florianópolis – SC. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa solidária PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 39/72. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Autuada, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC, DRJ/FNS, prolatou o acórdão 07 25.478, fls. 171/186, mantendo o lançamento, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CONFIGURAÇÃO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas contribuições sociais previdenciárias devidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente responsáveis pela mesma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CRIMINAL. COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. A discussão sobre a ocorrência ou não de crime não é matéria de competência dos órgãos que atuam no processo administrativo fiscal. INTIMAÇÃO. ARTIGO 23 DO DECRETO N. 70.235/1972. As intimações, em sede de processo administrativo fiscal federal, devem ser efetuadas conforme o prescrito no artigo 23, do Decreto n. 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado com o resultado acima, a empresa PROACTIVA MEIO AMBIENTE BRASIL LTDA, apresentou Recurso Voluntário, de fls. 195/231, requerendo a Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 4 5 sua exclusão do pólo passivo da exação, uma vez que não haveria que se falar em grupo econômico. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fl. 195, conheço do recurso em razão de sua tempestividade, assim como por preencher os demais requisitos legais. DA APENSAÇÃO O presente processo encontrase em apenso ao processo principal de número 11516.001487/200909, no qual estão presentes demais documentos probatórios. PRELIMINARMENTE – DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 5 7 CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Analisando os autos, percebese que consta as Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP do período sob fiscalização. Ademais, o próprio Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil afirma que a pessoa jurídica apontada como responsável solidário realizou as retenções e os recolhimentos de contribuições em notas fiscais de serviços de terraplanagem, portanto, verifico que houve pagamento em todas as competências, mesmo que parcial, razão pela qual aplico o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 11/2005 a 04/2007. A notificação ocorreu em 23/12/2010 (fl. 2). Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação apenas à competência de 11/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. DO GRUPO ECONÔMICO A autoridade autuante justifica o arrolamento da empresa solidária com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional, assim como no art. 30 da Lei 8.212/91 por se tratarem de empresas integrantes de um mesmo grupo econômico. Para tanto, junta o que entende por provas aptas a caracterizar a presente situação. Dentre elas estão as seguintes: a) Declaração prestada pelo engenheiro Ernani Luz Santa Rita (fl. 24 do Anexo I do presente processo) na qual aduz que é o responsável pelo gerenciamento do aterro sanitário da PROACTIVA que apesar de ele ser Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 registrado como empregado na PROACTIVA, ele também gerencia o trabalho desempenhado tanto pelos funcionários da PROACTIVA, quanto da ARMIPLAN e que até o final do ano de 2008 todos os trabalhadores formalmente registrados como empregados da ARMIPLAN seriam transferidos para a PROACTIVA; e que o pagamento de funcionários e o recolhimento de impostos da ARMIPLAN são controlados pela PROACTIVA; b) Declaração prestada pela Sra. Ana Paula Ramos, na qual aduz que a partir de fevereiro de 2007 começou a emitir as notas fiscais da ARMIPLAN, mas que antes deste mês, quem emitia as notas em nome da ARMIPLAN era a própria PROACTIVA; c) Declaração prestada pelo Sr. Valdecir Antônio Ramos, formalmente sócio majoritário da ARMIPLAN, na qual aduz que aceitou emprestar o nome para criar tal empresa porque precisava de seu emprego no aterro sanitário localizado em Biguaçu/SC; que achava que a ARMIPLAN era do SIMLES; e que nem sabia que a ARMIPLAN não estava entregando declarações como a DIPJ e a DCTF; d) A ARMIPLAN a partir do início de 2005, prestou serviços unicamente à PROACTIVA, conforme demonstrado pelas notas ficais reproduzidas no Anexo I do presente processo; e) A ARMIPLAN fornece como seu próprio endereço a localização do aterro sanitário em Biguaçu/SC de propriedade da PROACTIVA; f) Há vários anos, todos os trabalhadores formalmente vinculados à ARMIPLAN, laboram exclusivamente no aterro sanitário de propriedade da PROACTIVA no município de Biguaçú/SC; g) Com base no Laudo de Condições Ambientais de Trabalho – LTCAT reproduzido nas fls. 250 a 275 e nas folhas de pagamento, de que diversos trabalhadores registrados formalmente na ARMIPAN exerciam, no aterro sanitário de propriedade da PROACTIVA no município de Biguaçu/SC, funções necessárias ao funcionamento do aterro sanitário em questão, mas totalmente desvinculadas do tipo de serviço que consta ter sido prestado pela ARMIPLAN à PROACTIVA nas notas ficais reproduzidas no Anexo I do presente processo; h) Declaração do Sr. Miguel Ramos Filho que figura nas folhas de pagamento da empresa ARMIPLAN como empregado na função de auxiliar administrativo, mas na verdade tem a incumbência de controle de acesso ao aterro sanitário de Biguaçu/SC de veículo e do pessoal tanto da ARMIPLAN quanto da PROACTIVA; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 6 9 i) Na fl. 1287 dos autos, o auditor afirma que a ARMIPLAN é na verdade empresa interposta, mascarada como um prestador de serviços para apenas vincular a empresa ao polo passivo de cada processo judicial, de execução fiscal ou trabalhista. Afirma que a parte tem se beneficiado desse procedimento, conforme se perceberiam de reclamações trabalhistas que já teriam sido arquivadas, ou mesmo as em curso de processamento nas Varas do Trabalho de São José SC, em que os trabalhadores reclamantes não conseguiram ver decretada pelo Juízo a responsabilidade solidária ou subsidiária da PROACTIVA em relação aos créditos trabalhistas dada a inexistência de patrimônio em nome da ARMIPLAN, ou mesmo de seus sócios formais. No entanto, apesar de as provas juntadas e os argumentos expendidos induzirem à conclusão da existência de um grupo econômico, este fato por si só não determina a inclusão da empresa solidária no polo passivo do presente processo. Este relator entende que para que haja a caracterização de grupo econômico é necessário mais do que empresas possuírem sócios em comum e a existência de um ou outro empregado que se transfere de uma empresa para outra. Na realidade, é entendimento deste, que mesmo que fosse provada a existência do grupo econômico, isso não seria motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como responsáveis solidárias. Ocorre que, invariavelmente se confundem relações tributárias com as relações trabalhistas quando se trata de solidariedade, como ocorreu no caso em apreço. Nas relações trabalhistas podem entrar no pólo passivo empresas com vínculo jurídico de controle, em face do seu caráter mais protecionista, pois se trata das relações com as empresas e os “hipossuficientes”, que devem ser protegidos de quaisquer “armadilha” tentada pelo empregador que não deseja pagar o devido ao seu empregado. Sendo assim juridicamente aceitável a configuração de grupo econômico independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica. É o denominado “grupo composto por coordenação” em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento (TRT4RO19827/97 – DOMG. 22.07.98). No entanto, quando se trata da aplicação da responsabilidade solidária no campo fiscal, esse caráter protecionista não pode ser aplicado, já que no polo ativo da relação não está o trabalhador e sim o Fisco. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, em recente julgado, já se manifestou em vários precedentes sobre o assunto, conforme colacionado, verbis: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. REEXAME DE PROVAS EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 1. Não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Precedentes do STJ. 2. Para verificar as alegações da parte agravante de existência de solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento, em contraposição ao que foi decidido pelo Tribunal de origem, é necessário o revolvimento de matéria de provas, o que é inadmissível em recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1240335/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2011, DJe 25/05/2011) **************************************************** AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES: AGRG NO ARESP 21.073/RS, REL. MIN HUMBERTO MARTINS, DJE 26.10.2011 E AGRG NO AG 1.240.335/RS, REL MIN. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJE 25.05.2011. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência dessa Corte firmou o entendimento de que o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a solidariedade passiva em execução fiscal. 2. Tendo o Tribunal de origem reconhecido a inexistência de solidariedade entre o banco e a empresa arrendadora, seria necessário o reexame de matéria fáticoprobatória para se chegar a conclusão diversa, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 3. Agravo Regimental do MUNICÍPIO DE GUAÍBA desprovido. (AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe 21/09/2012) ************************************************ TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 7 11 ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) Ademais, o entendimento do artigo 124 do CTN, somente permite que a fiscalização busque colocar no polo passivo da obrigação previdenciária empresas que possuem efetivamente vínculo jurídico de controle ou de administração ou que tenham participado conjuntamente da materialidade do fato gerador e não apenas se apresentem como um grupo empresarial para o mercado, devido a controle ou ligação comum no exterior, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Portanto, não merece prosperar a imputação fiscal em razão de não estar comprovado que as empresas arroladas como solidárias praticaram o fato gerador sob análise. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário interposto, para, preliminarmente, reconhecer a decadência da competência 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional e, no mérito, dar provimento ao recurso para determinar a exclusão da recorrente PROACTIVA do pólo passivo da autuação fiscal, ante a falta de demonstração da prática conjunta do fato gerador. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari – Redator Designado GRUPO ECONÔMICO – SOLIDARIEDADE Apresento aqui divergência com o relator do processo quanto ao tema grupo econômico – solidariedade. O artigo 30 da Lei 8.212/91, Lei essa que institui o plano de custeio da Previdência Social, estabelece a solidariedade entre os grupos de empresas de qualquer natureza, quanto ao cumprimento das obrigações previdenciárias. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; O legislador, na Lei 8.212/91, especificou que a solidariedade é para grupo econômico de qualquer natureza. Portanto, não fica restrito aos grupos econômicos regularmente constituídos. O Relator do voto vencido entende que “mesmo que fosse provada a existência do grupo econômico, isso não seria motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como responsáveis solidárias.” Transcrição do voto vencido: Este relator entende que para que haja a caracterização de grupo econômico é necessário mais do que empresas possuírem sócios em comum e a existência de um ou outro empregado que se transfere de uma empresa para outra. Na realidade, é entendimento deste, que mesmo que fosse provada a existência do grupo econômico, isso não seria motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como responsáveis solidárias. É essa a origem da divergência. Entendo que a Lei específica que trata do custeio da Previdência Social é harmônica com o CTN e deve ser aplicada num processo que trata das contribuições previdenciárias que custeiam o sistema previdenciário. Quanto à harmonia com o CTN temos que o artigo 124 deste, estabelece como regra para a solidariedade tributária o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 8 13 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Também a Consolidação das Leis do Trabalho Decretolei 5452/43 , em seu artigo 2º, § 2º estabelece a solidariedade (trabalhista) entre integrantes do mesmo grupo econômico e critérios legais para definição de grupo econômico. Conforme essa orientação, existe grupo econômico quando uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra (grupo econômico por subordinação). Tratase de grupo econômico de dominação, que pressupõe uma empresa principal ou controladora e uma ou várias empresas controladas (subordinadas). Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Entretanto, o entendimento prevalente na Justiça do Trabalho é no sentido de que também é possível a configuração de grupo econômico sem relação de dominação, bastando que haja uma relação de coordenação entre as diversas empresas, como acontece quando o controle das empresas está nas mãos de uma ou mais pessoas físicas, detentoras de um número de ações suficiente para criar um elo entre todas (unidade de comando). "EMENTA: GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO Para configuração do grupo econômico, não mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente da controle e fiscalização de uma empresalíder. Basta unia relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2", parágrafo 2° da CLT," (TR7' 3° R. 4T RO/8486/01 Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal DJMG 18/08/2001 P.14). Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 "EMENTA: GRUPO ECONÔMICO Empresas que embora tenham personalidade jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem sua atividade no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente á outra formam um grupo econômico a teor das disposições trabalhistas,sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas." (TRT 3"R, 2T RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier DJMG 12/09/1986P.). "EMENTA : GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO, O parágrafo 2º do art. 2º da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que o seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer; na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma subordinação especifica em relação a uma empresa mãe, mas sim uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados, fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas tísicas que, de fato, mantém a administração das empresas„ sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária." (PROCESSO TRT/15ª REGIÃON00902200108315000R0 (22352/2002RO9) RECURSO ORDINÁRIO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS). Em atenção ao princípio da verdade material, a responsabilidade solidária recai sobre grupos de empresas constituídos formal (contrato social ou estatuto social) ou informalmente, sendo que estes últimos são identificados a partir da análise da relação entre a empresa empregadora e as demais. Isto porque nem sempre é fácil a identificação da existência de grupo econômico, porque as empresas se utilizam de diferentes expedientes para ocultar o liame existente entre elas. A Justiça do Trabalho tem identificado grupos de empresas constituídos informalmente a partir dos seguintes indícios, conforme comentários da Juíza do Trabalho Regina M. V. Dubugras ao art. 2º, § 2º, da CLT (in CLT interpretada: artigo por artigo, parágrafo por parágrafo. Antonio Cláudio da Costa Machado (org.). Domingos Sávio Zainaghi (coord). 2ª ed. Barueri, SP: Manole, 2009. p. 4): · a direção e/ou administração das empresas pelos mesmos sócios e gerentes e o controle de uma pela outra; · a origem comum do capital e do patrimônio das empresas; · a comunhão ou a conexão de negócios; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.001488/200945 Acórdão n.º 2403002.606 S2C4T3 Fl. 9 15 · a utilização da mãodeobra comum ou outros elos que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mãodeobra contratada por outra. O conjunto de provas contido no processo deixa claro a existência do grupo econômico, como por exemplo: · a declaração prestada pelo Sr. Valdecir Antônio Ramos (fls. 57 a 59 do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), formalmente sócio majoritário da ARMIPLAN, na qual aduz que aceitou emprestar o nome para criar tal empresa porque precisava de seu emprego no aterro sanitário localizado em Biguaçu/SC; que achava que a ARMIPLAN era do SIMPLES; e que nem sabia que a ARMIPLAN não estava entregando declarações como a DIPJ e a DCTF; · a declaração prestada pela Sra. Ana Paula Ramos (fl. 38 do Anexo I do processo 11516.001487/200909), na qual aduz que a partir de fevereiro de 2007 começou a emitir as notas fiscais da ARMIPLAN, mas que antes deste mês, quem emitia as notas em nome da ARMIPLAN era a própria PROACTIVA; · a declaração prestada pelo Engenheiro Ernani Luz Santa Rita (fl. 24 do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), na qual aduz que é o responsável pelo gerenciamento do aterro sanitário da PROACTIVA localizado no município de Biguaçu/SC; que, malgrado seja empregado registrado da PROACTIVA, gerencia o trabalho desempenhado tanto pelos funcionários da PROACTIVA quanto da ARMIPLAN; que até o final do ano de 2008 todos os trabalhadores formalmente registrados como empregados da ARMIPLAN seriam transferidos para a PROACTIVA; e que o pagamento de funcionários e o recolhimento de impostos da ARMIPLAN são controlados pela PROACTIVA; · a declaração prestada pelo Sr. Armelindo Ramos (fls. 94/94v do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), procurador formalmente investido de poderes para administrar a gerir a ARMIPLAN (cópia de procuração de fl. 41 do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), na qual aduz que a sua função no aterro é de encarregado do pessoal; que a PROACTIVA emprestou R$ 60.000,00 a ARMIPLAN em 2005 para pagar o IRRF dos funcionário desta; e que a PROACTIVA, visando manter a ARMIPLAN em atividade, já a ajudou e quitou dividas dela. · a constatação de que a ARMIPLAN, a partir do inicio de 2005, prestou serviços unicamente a PROACTIVA, conforme demonstrado pelas notas fiscais reproduzidas as fls. 416 a 454 dos autos e as fls. 281 a 316 do Anexo I do presente processo (11516.001487/200909); Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 · a constatação de que a ARMIPLAN fornece como seu próprio endereço, a localização do aterro sanitário em Biguaçu/SC de propriedade da PROACTIVA, · a constatação de que, há vários anos, todos o trabalhadores formalmente vinculados à ARMIPLAN, laboram exclusivamente no aterro sanitário de propriedade da PROACTIVA no município de Biguaçu/SC (folhas de pagamento de fls. 476 a 857); · a declaração, pelo Sr. Miguel Ramos Filho (fl. 23 do Anexo I do presente processo 11516.001487/200909), que figura nas folhas de pagamento elaboradas em nome da empresa ARMIPLAN como empregado na função de auxiliar administrativo, de que tem como verdadeira incumbência laboral o controle de acesso ao aterro sanitário de Biguaçu/SC de veículos e do pessoal tanto da ARMIPLAN quanto da PROACTIVA; · o capital social previsto no documento de constituição da ARMIPLAN é irrisório (R$ 5.000,00) e de que esta não detém a propriedade/posse formal de nenhum equipamento/máquina necessário à prestação de serviços de terraplanagem. CONCLUSÃO Pelas razões legais e fáticas acima expostas, entendo correta a sujeição passiva solidária da empresa Proactiva Meio Ambiente Brasil Ltda. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/08 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721110/2010-56
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010
CUB. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. CRITÉRIO PREVISTO POR LEI E ESPECIFICADO EM ATO NORMATIVO. SITUAÇÃO ADMITIDA PELA SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PADRÕES E CRITÉRIOS ESTABELECIDOS PELA ABNT E APLICADOS POR INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. CUB DESONERADO, APLICAÇÃO RETROATIVA IMPOSSIBILITADADE. APLICAÇÃO DA LEI DA ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 CUB. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. CRITÉRIO PREVISTO POR LEI E ESPECIFICADO EM ATO NORMATIVO. SITUAÇÃO ADMITIDA PELA SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PADRÕES E CRITÉRIOS ESTABELECIDOS PELA ABNT E APLICADOS POR INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. CUB DESONERADO, APLICAÇÃO RETROATIVA IMPOSSIBILITADADE. APLICAÇÃO DA LEI DA ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente SHOPPING SÃO JOSÉ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 01/01/2010 CUB. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. CRITÉRIO PREVISTO POR LEI E ESPECIFICADO EM ATO NORMATIVO. SITUAÇÃO ADMITIDA PELA SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PADRÕES E CRITÉRIOS ESTABELECIDOS PELA ABNT E APLICADOS POR INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. CUB DESONERADO, APLICAÇÃO RETROATIVA IMPOSSIBILITADADE. APLICAÇÃO DA LEI DA ÉPOCA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 11 10 /2 01 0- 56 Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.230 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.254.2948, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da utilização de mão de obra para a realização de empreendimento de construção civil – empresa e SAT, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 246 a 260, com período de apuração de 01/2006 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 22 e 23. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 22/10/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 364 a 389, estando acompanhada dos documentos, de fls. 390 a 1.065. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 1.066. Os autos foram baixados em diligência pela 8ª Turma da DRJ/BHE, em 16/12/2011, fls. 1.071 a 1.077. A diligência foi atendida, conforme documentos, de fls. 1.080 a 1.095, o contribuinte tomou conhecimento desta e de seu resultado, em 08/05/2012, AR, de fls. 1.099. O contribuinte apresentou aditamento à impugnação, fls. 1.101 a 1.128. O órgão julgador a quo baixou os autos em diligência novamente, despacho, de fls. 1.131 e 1.132. A DRF origem atendeu a diligência pelos documentos, de fls. 1.137 a 1.141, o despacho, de fls. 1.144, informa que o contribuinte foi cientificado da diligência. O contribuinte apresentou um segundo aditamento à impugnação, fls. 1.146 a 1.170 O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0243.619 8ª, Turma DRJ/BHE, em 27/03/2013, fls. 1.172 a 1.188. A impugnação foi considerada procedente em parte e o salário de contribuição foi reduzido, Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 1.189. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 11/04/2013, conforme AR, de fls. 1.192. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 1.194 a 1.224, recebida, em 10/05/2013, desacompanhado de qualquer documento, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.231 3 Preliminar. · que o recurso é tempestivo, tendo em decorrência disso efeito suspensivo; · que em razão da SV 21 – STF, não cabe arrolamento de bens para a utilização da via recursal, pois o STF afastou o depósito prévio; Mérito · que a decisão da DRJ sustenta ter a recorrente descumprido sua obrigação de exigir das prestadoras de serviços as GFIP’s e seu recibo de entrega, o que não é verdade, pois a recorrente exigiu de todos os prestadores tal documento, cumprindo, assim, sua obrigação, porém alguns prestadores no término da obra deixaram de apresentar o documento, sendo isso informado espontaneamente pela recorrente; · que considerando a primazia da realidade jamais uma obra de construção, em especial de grande porte terá todas as GFIP’s, ainda, que se exija isso dos prestadores, pois se estará sujeito aos maus prestadores e a informalidade do setor de construção civil, não sendo apresentadas apenas vinte e quatro GFIP’s dos onze prestadores que listou, totalizando aproximadamente R$ 470.000,00 do faturamento, ou seja, 2,6% do valor constante do DISO total, o que implica em dizer que há 97,39% de eficiência, sendo que isso ocorre de forma idêntica com o salário de contribuição, tendo sido apresentadas 167 GFIP’s, bem como a prestadora DIANDRO Pisos Ltda é isenta de apresentação de GFIP, artigo 135, da IN RFB 971/2009; · que estando regular a contabilidade da recorrente não se pode utilizar a aferição indireta, devendo acaso mantido o lançamento ser o acórdão a quo reformado para reduzir o vultoso salário de contribuição, devido ao inexpressivo percentual de ausência de GFIP; · que a aferição indireta é medida excepcional, artigo 148, do CTN c/c o artigo 33, parágrafos 3º e 4º, da Lei 8.212/91, bem como do artigo 381 c/c 447, ambos, da IN/RFB 971/2009, devendo ser aplicada apenas e tão somente se houver irregularidade, omissões e/ou sonegações nas informações declaradas e escrituradas pelo contribuinte, neste mesmo sentido são as decisões judiciais citadas pela recorrente TRF4 e TRF1, cita, ainda, decisão do antigo 2º CC, não ocorrendo tal hipótese nesse caso, uma vez que a recorrente apresentou todos os documentos solicitados e o próprio agente lançador reconheceu a inexistência de irregularidades em sua escrituração, conforme citação no REFISC do DEBCAD 37.254.295 6, transcrita; · que desta forma a aferição indireta é inaplicável, tendo em vista a regularidade da escrituração contábil e a apresentação de todas as informações e documentos solicitados, bem como o fisco confirmou a Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.232 4 veracidade da escrituração da recorrente junto aos prestadores de serviço, não encontrando inconsistências, conforme consta de relatório anexo ao lançamento, o que reflete a regularidade das demonstrações contábeis, que foram atestadas pelos pareceres de auditoria anexos; · que todas as 167 GFIP’s apresentadas estão relacionadas a obra e ainda que não estivessem não poderia o fisco afastálas sob pena de enriquecimento ilícito, não podendo a simples diferença de valores entre o custo da obra e o praticado no mercado, levar a exigência de diferenças tributáveis, vez que a vultuosidade da obra permite a utilização de técnicas que minimizam seu custo, devendo o auto ser declarado insubsistente em razão da inexistência dos pressupostos da aferição indireta, bem como em razão da escrituração apresentar a real movimentação do custo da mão de obra aplicada na construção; · que de modo equivocado o acórdão recorrido reconheceu a legalidade da aplicação do CUB para a aferição da mão de obra, conforme IN/RFB 971/2009, bem como afastou a aplicação de outras modalidade/critérios de aferição e redução da área, sob a alegação de falta de previsão normativa, mas nos termos do artigo 33, § 4º, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 381, da IN/RFB 971/2009 este é o dispositivo a ser aplicado e não o artigo 344 aplicado pelo acórdão, não determinado estes dispositivos que a indicador seja o CUB, sendo este apenas um orientador do setor, mas apenas pela avaliação do projeto e suas especificações se pode apurar o valor real da obra, servindo o CUB como mera estimativa, não se confundindo este com os custos reais; · que não cabe ao SINDUSCON legislar e criar base de cálculo da contribuição, no lugar, violando o estabelecido no artigo 146, III, e no artigo 150, I, ambos, da CF/88 e artigo 97, do CTN, pois criação ou modificação de tributo, só pode ser feito por lei é o que diz a doutrina e cita ES, não sendo o que se dá com o CUB, pois a base de cálculo é elemento constitutivo do tributo é o que diz a jurisprudência do STJ, que transcreve, não sendo CUB “mero método de apuração, mas da própria base de cálculo para incidência tributária” (sic), o que deve ser previsto em lei, tornandose necessária a reforma do acórdão guerreado, para afastar a aferição e o CUB; · que o acórdão recorrido não considerou o padrão da obra e a forma de execução desta, que se realizou de forma diferenciada em relação à obras convencionais, pois sua obra é singular e não se enquadra nas obras padrão das empresas que fornecem dados ao SINDUSCON para elaboração do CUB, dividindoa por especialidade das prestadoras, favorecendo a excelência e eficácia a cada etapa da execução e com a aplicação de métodos específicos, sendo obra comercial com grandes vãos, que implica em menor custo com utilização maior de concreto, o qual não é produzido na obra, o qual é empregado por meio de bombeamento, reduzindo a mão de obra utilizada, no transporte deste Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.233 5 por carrinhos de mão, bem como a utilização de quarto gruas que eliminam setenta trabalhadores e demais equipamentos como: retroescavadeiras; empilhadeiras e paleteiros, os quais substituíam os profissionais de distribuição dos materiais empregados na obra, utilizandose, ainda, de estrutura metálica nas áreas de cinema e praça de alimentação, as quais são feitas fora do canteiro de obras, o que dispensa a contratação da mão de obra e diferencia esta obra das convencionais; · que a obra usava andaimes e escoramentos metálicos elétricos, o que a tornava mais célere e racionaliza a utilização da mão de obra, diferenciandoa das convencionais, sendo, ainda, utilizada argamassa prémisturada; placas plastificadas de acabamento; placas pré moldadas para piso, o que reduz a mão de obra, sendo que o próprio fisco reconheceu as peculiaridades da construção, no REFISC do DEBCAD 37.254.2956 e que transcreve, não apresentando esta obra parâmetros equivalentes as convencionais e com o CUB; · que as lojas do empreendimento foram entregues de forma bruta, sem instalações elétricas; hidráulicas, revestimento de pisos, teto ou parede, o que modifica e de forma substancial o custo da obra, bem assim altera o padrão atribuído a ela pelo fisco, pois conta do ARO “padrão normal”, não podendo ser este o padrão a ser utilizado, pois as lojas são entregues em bruto, além do que a utilização dos mecanismos e técnicas utilizados reduz e racionaliza a utilização da mão de obra, diferenciandoa das obras convencionais que são artesanais, o que implica em maior custo; · que os matérias empregados são adquiridos em grande quantidade, obtendose junto ao fornecedor melhor preço, reduzindo os custos, sendo que o próprio SINDUSCON – PR já admitiu que o CUB não se aplica as obras de Shopping Centers, pois essas são distintas das convencionais, não existindo no Paraná construtoras especializadas neste tipo de obras e que possam repassar ao SINDUSCON informações precisas sobre tais obras; · que o acórdão não considerou essas particularidades, bem como considerou que não se comprovou a entrega de obra inacabada, por falta de apresentação de art, mas todas as especificidades foram comprovadas por documentos, contratos de locação que deixam claro que as benfeitorias são de responsabilidade dos locatários e que as instalações foram entregues até a testada da loja, não se enquadrando a obra nos padrões definidos pelo CUB, não sendo a ART o único meio de prova da entrega das lojas em estado bruto, devendo, acaso, mantido o lançamento esse órgão arbitrar custo apropriado ao empreendimento, pelo aspectos esposados, diminuindo, ainda, o espaço interno das lojas entregues inacabadas 16.259,03 M², pois utilizava menos mão de obra; Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.234 6 · que o cálculo do ARO mantido parcialmente pelo acórdão a quo não é adequado a obra, pois apesar de aplicar o redutor de 50% 28.105,83 M² de área de estacionamento esta não se encontra acabado ou pintado, não sendo de padrão normal, como consta do ARO, ocorrendo o mesmo com a área das lojas entregues em bruto 16.259,03 M², devendo ser aplicado o percentual de redução do artigo 357, §1º, da IN/RFB 971/2009, devendo ser feita adequação da área tributável, pois G1 e G2 e a área das lojas, não podem ser consideradas padrão normal, pois não têm acabamento, tendo o acórdão fixado área tributável superior a devida, por não levar em consideração as características da obra; · que o CUB deve ser adequado ao caso em tela, tendo em vista que o cálculo da mão de obra é proporcional a área e ao padrão de execução, balizandose pelo que divulgado pelo SINDUSCON, mostrando o histórico de instruções as inúmeras tentativas de aperfeiçoamento de apuração do CUB por introdução de novos aspectos técnicos, contudo a NBR 12.271/2006 substituiu a NBR 12.271/1999, considerando a variação nas despesas administrativas, do custo com material e mão de obra, o que implicou em uma redução de 30% do CUB, considerando que a nova norma é de 28/08/2006 e adentrou no período da obra, nos termos do artigo 144, do CTN deve ser essa aplicada em todo o período de execução da obra, pois esta nova NBR aprimorou os critérios de apuração do CUB, devido aos novos padrões arquitetônicos e avanços tecnológicos e etc; · que o fisco utilizou critério ultrapassado para apuração do CUB, pois não observou os novos padrões da NBR 12.271/2006, conforme item 4.1 e 4.2 do REFISC, não se valendo a fiscalização do novos critérios determinados pela ABNT para aplicação do CUB, implicando isso em redução de pelo menos 30% dos valores exigidos no lançamento, devendo ser reformado o acórdão para determinar o recálculo do CUB; · Dos requerimentos: a) reforma integral do acórdão de primeiro grau e do DADR; b) que seja reconhecido que não houve irregularidade, omissões e/ou sonegações na contabilidade da recorrente, que justifiquem a aferição indireta e a apuração de diferenças, nos termos do artigo 33, §4º,da Lei 8.212/91, com o provimento do recurso, declarandose a insubsistência/anulação do auto de infração; c) reconhecimento da ilegalidade da aplicação do CUB, uma vez que inexiste previsão legal para sua utilização; d) reconhecida a validade do CUB, que seja reconhecida a impossibilidade de aplicação do CUB de obras convencionais, a obras de Shopping Centres, realizando o enquadramento adequado aos padrões e características da obra e revisando o cálculo do ARO e o DADR; e) que o CUB seja adequado aos critérios estabelecidos pelo NBR 12.271/2006 ABNT; f) que seja reduzida do cálculo a área de 16.259,03 M² referente as lojas entregue em estado bruto; g) que seja declarada a inexistência de qualquer inadimplemento por obrigação acessória do recorrente em relação as Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.235 7 informações declaradas pelas suas prestadoras de serviço, pois essas informações podem ser corrigidas e não se pode atribuir tal controle a tomadora dos serviços. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 1.227. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despachos de fls. 1.227. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 23/01/2014, fls. 1.228. É o Relatório. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.236 8 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminares. A questão relativa a tempestividade, efeito suspensivo, bem como da exigência de arrolamento de bens para a impetração do recurso são irrelevantes. A primeira, porquê a tempestividade do recurso foi reconhecida pelo fisco. A segunda, porquê o efeito suspensivo é automático como decorrência da legislação e deve ser implementado nos sistemas de controle e cobrança pela autoridade local e não concedido ou declarado por este colegiado. A terceira, porquê não foi exigido arrolamento de bens como condição para a via recursal, pois o artigo 126, parágrafo 1º, da Lei 8.213/91 foi revogado pelo MP 413/2008. Mérito. Nos termos do artigo 31, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 219, §6º, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 a empresa contratante é obrigada a exigir, guardar e apresentar a fiscalização os documentos das prestadoras relativos à obra, pois determinado pela legislação. O motivo do não cumprimento da obrigação fiscal por parte do sujeito passivo é irrelevante para o fisco. Caso a contratante tenha escolhido mal os prestadores, como alega, incorre ela em culpa in eligendo, artigo 932, III, da Lei 10.406/2002. A informalidade do mercado, acaso, ainda, existente, não pode servir de escusa para que a empresa responsável pela obra deixe de cumprir a lei, novamente, aqui opera com culpa in eligendo, pois ela tem a obrigação de afastar a contração de pseudos empresas e contratar apenas as que se encontram regular e formalizadas para poder exigir dessas o cumprimento das obrigações fiscais, trabalhistas, comerciais e outras, ressalvando, assim, de ficar a mercê de responsabilização por sua má escolha. De mais a mais, a alegação é irrelevante, pois quando a contratante exige que a prestadora lhe forneça os documentos elencados na legislação esses são aqueles produzidos e transmitidos no mês do cumprimento da obrigação legal, ou seja, qualquer alteração posterior é irrelevante, uma vez que a tomadora deve ter consigo o documento inicial transmitido para o cumprimento da obrigação no mês de sua ocorrência. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.237 9 No que tange a não demonstração da real movimentação do salário de contribuição, a situação não se limita, exclusivamente, a não apresentação de GFIP’s das doze empresas listadas no item 5.5 do REFISC, de fls. 246 a 260, pois o agente fiscal, também, listou no item 5.7 as empresas que declararam as GFIP’s com valores abaixo dos quarenta por cento de mão de obra, totalizando 22 empresas com GFIP’s com valores a quem do que o agente considerou normal, não havendo de forma alguma a repercussão do quantitativo de GFIP apresentadas com o valor das bases de cálculo declaradas ou mesmo do valor de contribuição recolhido, uma vez que o quantitativo pode não representar o valor real das remunerações. Nessa linha de raciocínio o agente fiscal deixou consignado que o custo da mão de obra própria da tomadora de serviços foi de R$ 288.035,95 planilha, de fls. 261, mão de obra decorrente da utilização de concreto usinado R$ 221.600,00, planilha, de fls. 261; 264 a 273 e mão de obra de empreiteiras/terceiros/prestadores de serviço foi de R$ 3.762.995,75, planilha, de fls. 261 a 263, totalizando a mão de obra própria e de terceiros R$ 4.051.031,70. De igual modo o valor da prestação de serviços constante da planilha, de fls. 262 e 263, totaliza R$ 13.827.236,98 que aplicando quarenta por cento da IN 971/2009 resultaria em R$ 5.530.894,79, o que por si só demonstra a insuficiência do valor da mão de obra retida, pois entre o que efetivamente retido é o estimado pela legislação verificouse a ocorrência de diferença, como consta R$ 5.530.894,79 – R$ 3.762.995,75 = R$ 1.479.863,09 a menor. A base de cálculo da contribuição social previdenciária não é determinada pela quantidade de GFIP’s declaradas, mas sim pelo valor dos salários auferidos ou pagos aos trabalhadores e declarados na GFIP a declaração de 167 GFIP necessariamente não precisa representar que o valor correto da contribuição foi declarado. Aliás, as planilhas, estudos e levantamentos realizados pelo agente lançador demonstram o contrário como ficou consignado no parágrafo anterior onde observouse uma diferença significativa entre os valores constantes das GFIP’s e o valor da mão de obra em razão do custo desta. As irregularidades não precisam ser constatadas nas informações e registros contábeis, pois é possível registrar valores compatíveis com os documentos apresentados e que dão suportes a tais registros, mas que quando comparados com o valor global da obra não reflitam a realidade dos custos da obra e da movimentação da remuneração em função dos custos, aliás o TRF3, assim já entendeu observese a ementa abaixo. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGITIMIDADE ANTE AO RECOLHIMENTO INSUFICIENTE E A IRREGULARIDADE NOS LIVROS CONTÁBEIS APRESENTADOS. LEGALIDADE DA TAXA SELIC 1. É legítimo o procedimento de lançamento por arbitramento (aferição indireta) de contribuições previdenciárias incidentes sobre mãodeobra de construção civil, realizado ante a falta de apresentação pelo responsável de documentação hábil a demonstrar a mãodeobra utilizada na construção, autorizando a utilização de critério técnico razoável para o cálculo dos custos da mãodeobra. 2. No entanto, os §§ 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 possibilitam ao contribuinte a prova em contrário. Se o contribuinte apresentar Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.238 10 outro critério que se mostre mais fidedigno e próximo da verdade material, ele deve ser considerado válido. 3. A Recorrente visando à expedição de certidão negativa de débito para regularizar a obra que havia concluído apresentou ao Serviço de Arrecadação da Previdência Social as guias que havia recolhido e notas fiscais; entretanto, o Auditor Fiscal apurou que os documentos apresentados não correspondiam às dimensões da obra realizada e que havia necessidade de se complementar o recolhimento das contribuições em montante expressivo (fls. 36/49). 4. Os livros contábeis apresentados também não se prestaram para apurar os valores das contribuições devidas, razão pela qual foi efetuado o lançamento por aferição indireta. 5. Restava à Autora demonstrar, nestes autos, a alegada regularidade de seus registros contábeis, entretanto, deste ônus não se desincumbiu, pois sequer juntou à presente ação as cópias das guias de recolhimento e os livros contábeis objeto da autuação, razão pela qual a sentença deve ser mantida tal e qual lançada. 6. A incidência da taxa SELIC, como juros moratórios, encontra respaldo legal, não ofendendo qualquer preceito constitucional: precedentes. 7. Apelação a que se nega provimento. (AC 00035502820024036106, JUIZ CONVOCADO LEONEL FERREIRA, TRF3 PRIMEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:28/03/2012 FONTE_REPUBLICACAO:.) (o grifo é meu). Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 04/2004 AFERIÇÃO INDIRETA. Serão calculadas por aferição indireta as contribuições devidas, quando constatado pela fiscalização que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. CONSTRUÇÃO CIVIL. Devidamente comprovados os fatos que constituem parâmetro ao lançamento, deve ser mantida a autuação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/199. Acórdão 2301002.950 PROC 37322.004038/20054, Cons. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Data 12/07/201. (este realce, também, é meu). Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.239 11 Fica afastada as jurisprudências alegadas pela recorrente, uma vez que a aferição indireta é admitida quando não se verifica a movimentação real da remuneração, ainda, que não haja irregularidade formal na escrituração, situação admitida no parágrafo 4º, do artigo 33, da Lei 8.212/91. A ausência de irregularidade formal na escrituração contábil, não implica em dizer de forma automática e absoluta que a mão de obra para a realização do empreendimento imobiliário está adequada ao empreendimento como um todo, pois a comparação do custo da obra, porte, padrão, finalidade, tempo de construção e etc, com o valor da mão de obra utilizada no empreendimento pode demonstrar o contrário como foi o caso. A utilização das técnicas modernas para a construção, bem como a redução das despesas administrativas, com material e mão de obra foram levadas em conta quando a Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT elaborou a Nota Técnica 12.271/2006 e que foi a base para a elaboração do capítulo da IN 971/2009 que orientou o enquadramento da obra para a elaboração do ARO, de fls. 280 a 283, e, certamente pelo SINDUSCON ao fixar o CUB em cumprimento a determinação legal, bem como foram considerados pelo agente lançador as reduções e deduções determinadas na legislação. O artigo 381, da IN/RFB 971/2009 só esclarece as situações em que se justifica a aferição indireta e no caso em análise foi esta a justificativa utilizada pelo agente fiscal lançador, já o artigo 344 citado no acórdão a quo e contestado pela recorrente determina a forma de apuração da mão de obra, utilizando o CUB e a NT 12.271/2006 da ABNT, conforme determina a lei 4.591/64. O SINDUSCON não está legislando e muito menos criando a base de cálculo da contribuição, pois está foi autorizada pela CRFB e criada por lei, o SINDUSCON apenas está cumprindo a determinação do artigo 54, da Lei 4.591/64 e nada mais. O Superior Tribunal de Justiça – STJ entende ser plenamente possível que Ordem de Serviço, ou seja, atos administrativos estabeleçam os critérios da aferição indireta sem que isso ofenda o princípio da legalidade tributária estrita, pois autorizado por lei, veja a ementa, o que afasta a violação ao artigo 150, I, da CRFB/88 c/c o artigo 97, da Lei 5.172/66. EMEN: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO INEXISTENTE. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. LANÇAMENTO FISCAL. REVISÃO. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES. PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ERRO DE LANÇAMENTO. ARTS. 33 DA LEI N. 8.212/91 E 124 DO CTN. CONSTITUIÇÃO VÁLIDA DO CRÉDITO ANTE A PRÉVIA FISCALIZAÇÃO NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. PROCEDIMENTO REGULADO POR ORDEM DE SERVIÇO. LEGALIDADE. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. O Tribunal de origem deixa delineado, levando em conta o relatório fiscal, que ocorrera equívoco na aplicação da alíquota, pois aplicou o percentual de 20% (vinte por cento) referente a "reformas em imóveis da empresa", quando o correto seria 40% Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.240 12 (quarenta por cento), ante a "cessão de mão de obra". 3. A suplementação do lançamento, ante a falta funcional da autoridade, é mecanismo previsto no art. 149, inciso IX, do CTN, pois, apurado erro no lançamento fiscal que aumente ou diminua o montante do tributo, é devida a revisão do lançamento fiscal. 4. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a procedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. 5. Contudo, no caso em apreço, o acórdão esclarece que o lançamento indireto ocorreu após verificação de contas fiscais do "prestador de serviço subempreiteira", o que legitima a empresa contratante a responder solidariamente pelo crédito tributário, visto que "a dívida tributária, quando há solidariedade passiva, pode ser cobrada de qualquer dos sujeitos passivos, não comportando benefício de ordem." (REsp 761.246/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 12.6.2007, DJ 29.6.2007, p. 538). 6. O STJ reconhece, ainda que de modo excepcional, a legalidade da aferição indireta prevista, no caso dos autos, nos art. 148 do CTN e 33, § 6º, da Lei n. 8.212/91. E consignado pela Corte a quo que não havia qualquer ilegalidade no lançamento, visto que devidamente constituído após análise das notas e livros fiscais dos prestadores de serviço, a modificação da conclusão encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 7. "A expedição de Ordens de Serviço a fim de regular o procedimento de arbitramento da base de cálculo, autorizada pela lei ordinária, não caracteriza ofensa ao princípio da legalidade tributária estrita" (REsp 719.350/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 21/02/2011). Recurso especial improvido. ..EMEN: (RESP 201101962151, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:19/12/2011 ..DTPB:.) (promovi o destaque no texto). De outro lado, tão pouco isso importa em violação ao artigo 146, III, da CRFB/88, haja vista que este veda o estabelecimento de normas gerais em matéria tributária por outro veículo que não seja lei complementar, porém a aferição indireta não está discriminada no citado artigo e tão pouco está é uma situação geral, ao contrário a aferição indireta é procedimento específico e determinado, a ser utilizado dentro das previsões legais. O padrão da obra e a forma de execução foram levados em consideração quando da apuração das regras estabelecida na NT 12.271/2006 ABNT e que foi considerada para a elaboração da IN/RFB 971/2009, pois os critérios constantes do ARO, de fls. 280, a seguir elencados estão estabelecidos pela citada NT 12.271/2006, quais sejam: a) comercial salas e lojas; b) normal; c) enquadramento CSL (08), basta observar e comparar. Podese verificar que a norma da ABNT leva em consideração as diversas características das obras e estabelece padrões e critérios distintos para cada uma delas. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.241 13 Ademais, a utilização de concreto usinado foi considerado quando da redução da base de cálculo, pois pela planilha, de fls. 264 a 273 e 261, a utilização desse insumo foi convertida e mão de obra de concreto. O agente fiscal lançador no item 5.10 de seu REFISC, a seguir transcrito diz que levou em consideração todas as especificidades da obra. 5.10. Em que pese, considerarse todas as peculiaridades inerentes à execução da Obra Shopping São Jose, ou seja, estrutura préfabricada e cobertura de estrutura metálica, os serviços com fornecimento de material e/ ou equipamentos, conforme discriminado em Nota Fiscal, percentuais de remuneração de mão de obra das Prestadoras de Serviço que declararam GFIP compatível com o valor previsto pela IN RFB nº 971, de 13/11/2009, em muitas delas inferior a 40% (consideramos que foram executados com tecnologia de construção otimizadas), ainda assim o valor recolhido como contribuição previdenciária não regularizou o total da área construída. Todos os padrões e critérios de enquadramento são estabelecidos pela ABNT e só se pode usar aqueles que estão normatizados e assim foi feito pela aplicação da IN/RFB 971/2009. O custo da obra para apuração do valor da mão de obra foi estabelecido pelo que consta da NFPS que estão discriminadas nas planilhas, de fls. 262 e 263, e descritos no item 5.8 do REFISC que transcrevo e que leva em consideração os descontos obtidos, pois só o custo efetivo é contabilizado. 5.8. Na “Planilha Demonstrativa dos Valores da Prestação de Serviços e da Mão de Obra dos Subempreiteiros”, o valor da prestação de serviços é de R$ 13.829.936,98 que somado à MO própria e considerandose uma correção estimada em 25% (SELIC), chegamos a um valor de aproximadamente R$ 17.000.000,00, que se constitui exatamente no valor da parcela da prestação de serviço, que compõe o CUB, fornecido pelo SINDUSCON/PR. Assim, fica evidente que todas as especificidades que a recorrente diz existir foram consideradas na elaboração do CUB tanto pela ABNT na NT 12.271/2006, como pela RFB na elaboração do capítulo da IN/RFB 971/2009 que utiliza o CUB como critério de apuração do base de cálculo da contribuição. O artigo 357, § 1º, da IN/RFB não estabelece nenhum percentual de redução, pois este é estabelecido pelo caput do artigo e diz que cabe a RFB averiguar a aplicação da redução e essa foi aplicada, veja a transcrição do artigo, bem como já ficou consignado que o padrão está na NT 12.271/2006 da ABNT, sendo reproduzido na norma em questão, devendo essa a ser aplicada, pois é o que determina a lei. Art. 357. Será aplicado redutor de 50% (cinquenta por cento) para áreas cobertas e de 75% (setenta e cinco por cento) para áreas descobertas, desde que constatado que as mesmas integram a área total da edificação, definida no inciso XVII do art. 322, nas obras listadas a seguir: Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.242 14 I quintal; II playground; III quadra esportiva ou poliesportiva; IV garagem, abrigo para veículos e pilotis; V quiosque; VI área aberta destinada à churrasqueira; VII jardim; VIII piscinas; IX telheiro; X estacionamento térreo; XI terraços ou área descoberta sobre lajes; XII varanda ou sacada; XIII área coberta sobre as bombas e área descoberta destinada à circulação ou ao estacionamento de veículos nos postos de gasolina; XIV caixa d’água; XV casa de máquinas. § 1º Compete exclusivamente à RFB, a aplicação de percentuais de redução e a verificação das áreas reais de construção, as quais serão apuradas com base nas informações prestadas na DISO, confrontadas com as áreas discriminadas: I no projeto arquitetônico aprovado pelo órgão municipal; ou II no projeto arquitetônico acompanhado da ART registrada no Crea, caso o órgão municipal não exija a apresentação do projeto para fins de expedição de alvará/habitese. A aplicação do CUB desonerado só é possível a partir da Lei 12.844/2013 e assim não se aplica ao presente caso, pois o cálculo deste lançamento foi efetuado, em 01/04/2010, e a lei não criou novos critérios de fiscalização, mas sim um novo valor diferenciado para base de cálculo com a redução dos encargos sociais com a política de desoneração da folha de pagamento para determinados setores que vem sendo implementada pelo Governo Federal. A base de cálculo do tributo a ser aplicada é aquela que estava em vigor no momento da ocorrência do fato gerador artigo 144, da Lei 5.172/66. As novos padrões e critérios de apuração do CUB foram aplicados pela utilização da NT 12.271/2006 pela IN/RFB 971/2009 como exaustivamente demonstrado linhas atrás. Assim com esses esclarecimentos afasto todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.721110/201056 Acórdão n.º 2803003.442 S2TE03 Fl. 1.243 15 Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10935.907117/2011-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/02/2003
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 71 17 /2 01 1- 90 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070246), indeferiu o Per/DComp transmitida em 14/02/2003, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.363, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/02/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907117/201190 Acórdão n.º 3803005.617 S3TE03 Fl. 7 3 as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907117/201190 Acórdão n.º 3803005.617 S3TE03 Fl. 8 5 No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11080.723262/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Recorrente REARSUL AR CONDICIONADO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 32 62 /2 01 1- 81 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723262/201181 Acórdão n.º 2402004.027 S2C4T2 Fl. 589 3 Relatório Tratase de ação fiscal em que foram lavrados os seguintes autos de infração: 1) AI DEBCAD n° 37.333.5180 – referente a contribuições previdenciárias patronais, incluindo GIILRAT, que tem como base de cálculo a remuneração de segurados empregados constantes da folha de pagamentos e valores pagos a contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa, nas competências de 01/2008 a 12/2008; 2) AI DEBCAD n° 37.333.5199 – referente a contribuições a cargo dos segurados e contribuintes individuais; 3) AI DEBCAD n° 37.333.5202 – referente a contribuições destinadas a outras entidades e fundos; 4) AI DEBCAD n° 37.333.5172 – referente a multa por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do art. 32, § 5° e inciso IV, da Lei n° 8.212/91, por deixar de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências de 01/2008 a 11/2008. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação em 21/06/2011 apenas em relação ao AI DEBCAD n° 37.333.5172 e informou que os autos de infração de obrigação principal (37.333.5180, 37.333.5199 e 37.333.5202) foram objeto de pedido de parcelamento da Lei n° 11.941/2009, restando controversos apenas os valores referentes à obrigação acessória. Ainda, em 13/10/2011, a Recorrente apresentou nova peça de impugnação alegando o exíguo prazo para apresentação de defesa. As impugnações foram julgadas improcedentes nos termos do acórdão de fls. 539/543, sob os seguintes fundamentos: 1) A verificação de constitucionalidade e legalidade da penalidade aplicada não cabe à autoridade julgadora administrativa, pois somente ao judiciário é permitida; 2) Quando do parcelamento das obrigações principais, há confissão dos débitos por parte do contribuinte, sendo conseqüente a obrigação acessória; 3) A segunda impugnação é intempestiva e, portanto, não pode ser apreciada; 4) O pedido de produção de provas é descabido, na medida em que o Decreto n° 70.235/72 estabelece que as provas devem ser apresentadas no momento da impugnação. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Ciente do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 549/582, segundo o qual: 1) O processo administrativo é pautado na verdade material, sendo inadmissível que o rigorismo administrativo impeça o recebimento e análise da impugnação apresentada; 2) O prazo para defesa é exíguo e, em que pese o prazo de 30 dias seja previsto em lei, ele fere os direitos constitucionais da ampla defesa e do contraditório; 3) A Lei n° 9.784/99, em seu art. 3°, prevê possibilidade de o contribuinte formular alegações e apresentar documentos até o encerramento da esfera administrativa. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723262/201181 Acórdão n.º 2402004.027 S2C4T2 Fl. 590 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende ao requisito da tempestividade, razão pela qual nesta parte o conheço. Deixo de conhecêlo, todavia, na parte em que trata das questões relacionadas a valores inclusos em parcelamento. Sem preliminares. Da impugnação fora de prazo A Recorrente, nas razões de seu recurso, insurgese tão somente quanto à negativa do julgador de primeira instância em apreciar as alegações trazidas em uma segunda peça impugnativa, apresentada fora do prazo estabelecido pelas normas de processo administrativo. O Decreto n° 70.235/72 dispõe sobre a impugnação administrativa: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Nos termos dos dispositivos supra, intimado o contribuinte da lavratura do auto de infração, a ele é conferido o prazo de trinta dias para apresentação de impugnação, na qual devem constar todas as alegações de defesa, as provas documentais e os requerimentos de diligências ou perícias que o autuado entenda necessários, acompanhados de justificativa. Excetuando a regra, o § 4° do artigo 16 prevê hipóteses taxativas em que a prova documental possa ser aceita em outro momento processual posterior à fase de impugnação. Da análise da segunda impugnação apresentada pela Recorrente, notase que nenhuma das hipóteses do § 4° foi alcançada, na medida em que a defesa trata de questões de mérito referentes às obrigações principais e que, inclusive, restaram incontroversas e preclusas no momento em que a Recorrente incluiu as obrigações principais em pedido de parcelamento, conforme informado nos autos. Sendo assim, descabida a discussão de mérito quanto às obrigações inclusas em parcelamento, bem como a intempestividade da segunda peça impugnatória, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. Da Multa aplicada Não obstante a ausência de alegação em sede de recurso voluntário, quanto à penalidade aplicada, passemos a análise: Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada Fl. 593DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723262/201181 Acórdão n.º 2402004.027 S2C4T2 Fl. 591 7 por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723262/201181 Acórdão n.º 2402004.027 S2C4T2 Fl. 592 9 Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Conclusão Por todo o exposto, conheço em parte do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para que seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10380.005824/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo Ministério da Fazenda, não constitui quebra de sigilo bancário.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Os lançamentos baseados em depósitos bancários devem necessariamente ser feitos de forma individualizada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
ESCRITURAÇÃO. DIPJ. ERROS. ÔNUS DA PROVA. É ônus do contribuinte demonstrar que seus registros contábeis e declarações de rendimentos incorreram em equívoco, para demonstrar a ausência de prestação de serviços.
CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal.
Numero da decisão: 1302-001.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo Ministério da Fazenda, não constitui quebra de sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Os lançamentos baseados em depósitos bancários devem necessariamente ser feitos de forma individualizada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. ESCRITURAÇÃO. DIPJ. ERROS. ÔNUS DA PROVA. É ônus do contribuinte demonstrar que seus registros contábeis e declarações de rendimentos incorreram em equívoco, para demonstrar a ausência de prestação de serviços. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 58 24 /2 00 7- 87 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.005824/200787 Acórdão n.º 1302001.419 S1C3T2 Fl. 473 3 Relatório O presente processo trata de lançamento de IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, no valor de R$ 1.459.077,34, aí já incluídos juros e multa regulamentar de 75%, referente aos anoscalendários de 2003 e 2004. Segundo as descrições do TVF e dos autos de infração destacase o seguinte: que os lançamentos foram feitos baseados em 3 infrações: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. 002 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS. 003 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. que em relação a primeira infraçõa foi efetuado o arbitramento do lucro, com base na receita omitida proveniente de serviços prestados pela fiscalizada, creditados nas suas contas bancárias do Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, conforme detalhado no "DEMONSTRATIVO COMPARATIVO MENSAL DOS DEPÓSITOS/CRÉDITOS BANCÁRIOS EM RELAÇÃO AS RECEITAS DE SERVIÇOS E VENDAS APURADOS" durante os anoscalendários de 2003 e 2004. que a fiscalização teve origem no cruzamento da movimentação financeira (CPMF), que se apresentou incompatível com os dados declarados à Receita Federal, pelo regime do SIMPLES nos anoscalendários de 2002 à 2004. que intimada a apresentar os extratos bancários e comprovar a origem dos depósitos, a empresa, juntamente com os extratos, trouxe demonstrativos denominados "Planilha de Créditos Tributáveis" com totais de R$ 2.383.155,60 em 2003 e R$ 2.634.615,15 em 2004. Foram apresentadas ainda demonstrativos discriminando todas as notas fiscais referentes à prestação de serviços e vendas de mercadorias. que verificadas através das Declarações Anuais Simplificadas, que as receitas declaradas o foram em valores bem inferiores aos depósitos realizados nas suas contas, bem como em relação aos totais das notas fiscais relacionadas, a Contribuinte foi excluída do regime do SIMPLES a partir de 01/01/2003 através do Ato Declaratório Executivo DRF/FOR n°043, de 09 de maio de 2007. que tendo em vista que os depósitos mantidos nas contas bancárias não tiveram suas origens comprovadas, restou configurada a hipótese de presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9430/96. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 que foram considerados como omissão os valores excedentes aos totais das notas fiscais de prestação de serviços de vendas apresentadas. que o arbitramento do lucro, referente ao item 002, se deu com base nos valores das receitas de venda de mercadorias, conforme notas fiscais relacionadas pela empresa no demonstrativon denominado de "Registro de Prestação de Serviço e Venda de Mercadorias" e a "Planilhan de Créditos Tributáveis" lançado pela fiscalização. que o arbitramento do lucro, referente ao item 003, se deu com base nos valores das receitas de prestação de serviços, conforme notas fiscais relacionadas pela empresa no demonstrativo denominado “REGISTRO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E VENDA DE MARCADORIAS” e a "Planilhan de Créditos Tributáveis" lançado pela fiscalização. Cientificada dos autos de infração, em 30/06/2011, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva, em 28/07/2011, argumentando, em síntese, o seguinte: que a empresa gráfica pode ter os três perfis, distintos, cumulativos ou alternados: (i) industrial, (ii) comercial e (iii) serviços. que a impugnante não é comercial, já que não revende mercadoria. Preenche o perfil "indústria", vez que exerce a transformação sobre matérias primas. que não se adéqua com os prérequisitos do ADN Cosit 18/2000 para que sua atividade seja classificada "serviços". Isso porque, no ano de 2004, empregou 91 funcionários, conforme RAIS. em conclusão: do ponto de vista de "serviços", ainda que a impugnante receba encomendas para produção de determinados bens, jamais se enquadraria como "de serviços". Logo, nenhum fundamento existe para o arbitramento ao índice de 38,4%. que no lançamento dos depósitos por presunção deve ser aplicado o percentual mais benéfico para o Contribuinte. que os tributos pagos no sistema SIMPLES devem ser considerados obrigatóriamente pela autoridade administrativa. que para evitar o enriquecimento ilícito, pede que dos valores lançados sejam abatidos os recolhidos, conforme decisão do Conselho de Contribuintes (Acórdão 10516281). A 4ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou o lançamento procedente em parte, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. ATIVIDADE NÃO IDENTIFICADA. PERCENTUAL MAIS ELEVADO. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.005824/200787 Acórdão n.º 1302001.419 S1C3T2 Fl. 474 5 ESCRITURAÇÃO. DIPJ. ERROS. ÔNUS DA PROVA. É ônus do contribuinte demonstrar que seus registros contábeis e declarações de rendimentos incorreram em equívoco, para demonstrar a ausência de prestação de serviços. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS. SIMPLES. Estando provado nos autos os recolhimentos de tributo na modalidade de SIMPLES relativos aos mesmos períodos fiscalizados, hão de ser descontados tais pagamentos, de acordo com cada rubrica de destinação, com os respectivos tributos devidos, antes de sua constituição em lançamento de ofício. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Cientificado da decisão da DRJ em 12/03/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário, em 09/04/2012, alegando em apertada síntese o seguinte: em preliminar anulação do auto diante da quebra de sigilo bancário. que a recorrente é gráfica de indústria e não gráfica de serviços, conforme registro no Sindicato da Indústria Gráfica do Estado do Ceará. que portanto devem ser reclassificadas todas as receitas para a atividade industrial, com base de cálculo de 8% em vez de 32%. É o relatório. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Conheço do recurso voluntário por ser tempestivo e preencher os requisitos do Decreto nº 70.235/72. Em relação a quebra de sigi lo bancário, mesmo estando preclusa, já que argüida somente em sede de recurso, esclareço que por conta da determinação do art. 62A do RICARF diante de recurso repetitivo sobre a matéria estar pendente de julgamento no STF, todos os processos referente a esta matéria estavam sobrestados por este E. Conselho. Porém com a publicação da Portaria nº 545, de 18/11/2013, o art. 62 do RICARF foi revogado e com ele o impedimento do julgamento de processos que envolvam a quebra de sigilo bancário, razão porque o pautei para julgamento. No que concerne às jurisprudências administrativas e judiciais mencionadas, que fariam prova em seu favor, cumpre esclarecer que nos termos do art. 4º do Decreto n° 2.346/1997, a extensão dos efeitos destas no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possuem como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, acerca da inconstitucionalidade da lei em litígio, o que até a presente data não ocorreu. Assim, não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças administrativas e judiciais só produzem efeitos em relação às matérias e às partes envolvidas na lide, não se aplicando a terceiros. Portanto, enquanto não for julgado o recurso repetitivo no STF sobre a matéria é lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. Em relação à infração 001 como os depósitos bancários foram depurados mensalmente, os mesmos não podem prosperar uma vez que o art. 42 da Lei nº 9.430/96, estabelece que os mesmos sejam depurados de forma individualizada. O contribuinte alegou que não prestava serviços em 2003 e 2004, nos termos do Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 18/2000. Todavia, entregou à autoridade fiscal o livro “Registro de prestação de serviços e venda de mercadorias”, no qual confessou e discriminou os valores dos serviços prestados naqueles anoscalendários, resumidos na planilha de serviços e vendas de fl. 132. Sendo assim, tornase irrelevante a relação RAIS do anocalendário 2004 ou o número de empregados, sob o manto do ADN Cosit n° 18/2000, pois ela própria declarou ter prestado serviços naquele ano e não demonstrou nem alegou eventuais erros cometidos no livro “Registro de prestação de serviços e venda de mercadorias” ao escriturar valores referentes a serviços prestados. Destaquese ainda, como bem observado pela decisão recorrida, que a Recorrente só trouxe a RAIS relativa ao anocalendário 2004, e nas DIPJ´s de 2004 e 2005, declarou que era contribuinte do ISS e, em todos os meses, sua receita originavase integralmente de prestação de serviços (fls. 388/401). Diante destas provas em sentido contrário, a simples invocação de que não prestava serviços conforme o disposto no ADN Cosit n° 18/2000, não se sustenta e como não Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.005824/200787 Acórdão n.º 1302001.419 S1C3T2 Fl. 475 7 logrou êxito em desconstituir suas próprias declarações e registros contábeis, não vejo como afastar o auferimento de receitas de prestação de serviços em 2003 e 2004, nos valores calculados pela fiscalização. A Recorrente alegou que o lançamento considerou todos os depósitos sob a rubrica do maior gravame (serviços), em vez de considerálos pelo mais benigno (vendas), conforme artigo 112 do CTN. Porém como bem destacou a decisão recorrida, a autoridade fiscal utilizou a seguinte metodologia de apuração das espécies de receitas e aplicação dos respectivos coeficientes de arbitramento: a) Em cada mês, os depósitos bancários com origem não justificada foram considerados como o total da omissão da receita; b) A apuração das receitas com serviços e com vendas, mês a mês, foi extraída do “REGISTRO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO E VENDA DE MERCADORIAS” (fls. 133/180) e resumidas na “PLANILHA DE CRÉDITOS TRIBUTÁVEIS” (fl. 132). À receita com serviços foi aplicado o coeficiente de 38,4%, ao passo que à receita com venda foi aplicado o de 9,6%, nos termos do artigo 532 c/c artigo 519 do RIR/1999; c) As diferenças entre os totais das receitas mensais (apuradas conforme item “a”, supra) e as somas das receitas de vendas mais serviços correspondem às receitas oriundas de depósitos bancários cuja natureza não foi comprovada pelo contribuinte e encontramse resumidas no “DEMONSTRATIVO COMPARATIVO MENSAL DOS DEPÓSITOS/CRÉDITOS BANCÁRIOS EM RELAÇÃO AS RECEITAS DE SERVIÇOS E VENDAS APURADOS DURANTE OS ANOS DE 2003 E 2004” (fl. 60). A tais diferenças foi aplicado o percentual mais elevado (38,4%), justamente porque não foi possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, na forma do artigo 537, parágrafo único, do RIR/1999. Como a lei em questão não possui caráter penal e, além disso, define claramente o percentual sobre as receitas de natureza incerta, descabe a aplicação do artigo 112 do CTN. Logo, não assiste razão ao administrado em seu pleito. Segundo a Recorrente cumpria à autoridade fiscal, sob pena de cobrar a mesma conta duas vezes, ter excluído os valores já recolhidos a título de Simples, de modo que multa e juros moratórios incidissem tão somente sobre os valores em aberto. Tendo em vista que a DRJ já acatou esta parte do recurso em sede de impugnação e não recorreu de ofício esta matéria já está decidida, razão porque me abstenho de pronunciar sobre a mesma. Em relação a exclusão do SIMPLES, a Autuada não impugnou a exclusão nem apresentou recurso voluntário sobre a matéria razão porque considero excluída conforme Ato Declaratório Executivo DRF/FOR nº 043, de 09/05/2007. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Ante o exposto, voto no sentido dar parcial provimento para afastar a infração 001, uma vez que a fiscalização não individualizou os lançametos como determina o art. 42 da Lei nº 9430/96. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11516.720986/2011-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008,2009,2010
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto e, conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. REDUÇÃO.
A multa de ofício proporcional e a multa de ofício proporcional qualificada são uma penalidades pecuniárias aplicadas em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa e dolosa, respectivamente.
No caso de pagamentos efetuados após o início da ação fiscal, , deve a Recorrente peticionar junto à DRF que a jurisdicione, que desenvolve as atividades relativas à cobrança para que tome as providências cabíveis em relação à imputação de pagamento e redução, se for o caso, da multa de ofício proporcional qualificada correspondente, nos termos do art. 149 e art. 163 do Código Tributário Nacional.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto e, conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 09 86 /2 01 1- 13 Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.865 2 titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. REDUÇÃO. A multa de ofício proporcional e a multa de ofício proporcional qualificada são uma penalidades pecuniárias aplicadas em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa e dolosa, respectivamente. No caso de pagamentos efetuados após o início da ação fiscal, , deve a Recorrente peticionar junto à DRF que a jurisdicione, que desenvolve as atividades relativas à cobrança para que tome as providências cabíveis em relação à imputação de pagamento e redução, se for o caso, da multa de ofício proporcional qualificada correspondente, nos termos do art. 149 e art. 163 do Código Tributário Nacional. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.866 3 I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 12841326, com a exigência do crédito tributário no valor de R$179.978,36 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. O lançamento se fundamenta na: I.1. Omissão de receita da atividade caracterizada pelo lançamento contábil da receita de prestação de serviços em valores inferiores àqueles constantes das notas fiscais emitidas, o que implicou a redução indevida da receita bruta, da base de cálculo e do IRPJ devido, com aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Restou esclarecido no Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal, fls. 13911408: Em análise da contabilidade da sociedade empresária fiscalizada, em especial o Livro de Registro de Apuração de ISS (fls. 855 a 935), o Livro Razão (fls. 731 a 854),Balanço patrimonial e Balancetes (fls. 47 a 60), relativos aos anoscalendário 2007 a 2009, foram identificadas divergências significativas entre os valores contabilizados e declarados como receita bruta auferida na prestação de serviços à sociedade empresária Indústria e Comércio de Produtos de Limpeza Girando Sol Ltda, CNPJ nº 93.973.329/000110, e àqueles informados pela empresa tomadora dos serviços (fonte pagadora), nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF relativas ao mesmo período (fls. 683 a 686). I.2. Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores creditados nas contascorrente nºs 100.6385 e 000.1282, ambas da agência nº 1555 da Caixa Econômica Federal (CEF), fls. 238557, 1257 1275 e 12811283, bem como na contacorrente nº 89790579 da agência nº 712 do Banco Real S/A (Banco Santander S/A), fls. 558581 e 12771280, cujos extratos foram espontaneamente apresentados pela Recorrente. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. Houve aplicação da multa de ofício proporcional. Restou esclarecido no Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal, fls. 13911408: Passados mais de 30 dias após o encerramento do prazo concedido nas intimações fiscais nº 001 e 002, as respostas parciais apresentadas foram analisadas pela Fiscalização, tendo constatado que parcela dos depósitos nas contascorrentes bancárias não tiveram sua origem comprovada pelo sujeito passivo. Em alguns casos o contribuinte limitouse a fazer menção à origem, sem apresentar documentação idônea que a comprovasse. Foram aceitas apenas àquelas justificativas acompanhadas de documentação comprobatória, ou que guardavam correlação de valores e datas com as notas fiscais mencionadas, bem como aquelas em que se confirmou tratarse de resgates de aplicações financeiras, empréstimos bancários ou transferências entre contas do mesmo titular. Como dito antes, diversos créditos em contacorrente, cuja descrição nos extratos bancários informava tratarse de depósitos em cheque, depósitos em dinheiro, transferências, DOC’s, entre outros, não tiveram a sua origem comprovada pelo contribuinte fiscalizado. Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.867 4 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 519, art. 519 e art. 528, do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 118124 a exigência do crédito tributário no valor de R$127.427,66 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. III O Auto de Infração às fls. 102109 com a exigência do crédito tributário no valor de R$77.147,76 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como parágrafo único, alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 110117 com a exigência do crédito tributário no valor de R$356.067,33 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 14131430, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: II Das Características da Empresa Impugnante 6.Conforme devidamente mencionado no Termo de Verificação anexo, trata se a Impugnante de pessoa jurídica organizadas ob a forma de Sociedade Limitada, tendo como objeto social a realização de "Construção, Incorporação, Empreiteira de Mão de Obra, Administração de Imóveis, Comércio e Representação Comercial de Produtos de Limpeza, Higiene, Bebidas, Gêneros Alimentícios e Artigos de Armarinhos e Confecções'', estando suas atividades sujeitas ao recolhimento de tributos federais, assim como IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme se verifica do Contrato Social Consolidado devidamente acostado ao final. Dentre as atividades sociais acima mencionadas, a que tem preponderado nos últimos anos é a Representação Comercial de produtos de limpeza da empresa "Indústria e Comércio de Produtos de Limpeza Girando Sol Ltda.", sua principal cliente. Como contribuinte responsável que é, a Impugnante sempre manteve um bom relacionamento com a Receita Federal do Brasil, posto que sempre manteve sua Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.868 5 escrituração contábil em dia, com o pagamento integral de todos os tributos, além do cumprimento de todas as obrigações acessórias. Até a presente data a Impugnante jamais possuiu débitos em aberto no sistema da Receita Federal, nem tão pouco possui qualquer parcelamento na esfera administrativa, inclusive a Impugnante não é sequer optante do parcelamento previsto na Lei n° 11.941/09, um dos mais vantajosos parcelamentos de longa duração já editado nos últimos anos. Não obstante a situação de regularidade fiscal acima mencionada, em recente procedimento de auditoria realizado na empresa, a Impugnante acabou por verificar a ocorrência de alguns equívocos na contabilização de suas Notas Fiscais de serviço dos últimos anos, o que ocasionou divergência nas informações dos valores das receitas tributáveis faturamento da empresa, informado até então à Receita Federal. Uma vez verificados os equívocos contábeis mencionados, a Impugnante providenciou de imediato a correção da contabilização de suas Notas Fiscais, assim como o cálculo e apuração dos valores a serem retificados, quitados e informados à Receita Federal através do protocolo de petição informando a ocorrência de Denúncia Espontânea. [...] Muito embora seja legítima a iniciativa de fiscalização por parte dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, tendo em vista a ocorrência dos já mencionados equívocos ocorridos na contabilidade da empresa, a Impugnante procurou assegurar o reconhecimento da denúncia espontânea por ela praticada,por intermédio do Ajuizamento da Ação Ordinária nº 5003100.71.2011.404.7200, onde se contrapõe à legalidade da intimação ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, uma vez que assinado por pessoa sem poderes para representar à Impugnante,assim como, na forma de pedido alternativo, requereu o reconhecimento do direito da Impugnante em realizar a retificação judicial de suas declarações, que, uma vez acompanhadas do pagamento integral dos tributos, visa afastar a aplicação de quaisquer multas punitivas ou práticas de ilícitos tributários de natureza criminal. DA NULIDADE DO TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL ALEGADA NA AÇÃO JUDICIAL [...] Cumpre informar, inicialmente, que a Impugnante não autorizou o envio de intimações fiscais por meio de sua Caixa Postal eletrônica, não tendo recebido, portanto, qualquer mensagem eletrônica a respeito do início da fiscalização. Verificase, também, que a intimação realizada através da assinatura do contador Adriano Mattos no Termo de Início de Procedimento Fiscal não se enquadra em nenhuma das modalidades previstas em lei, o que está a ocasionar a nulidade do referido Termo, senão vejamos. De acordo com as disposições acima citadas, a intimação do sujeito passivo podese dar de quatro maneiras diferentes: (1) de forma pessoal; (2) por via postal/ telegráfica; (3) por meio eletrônico; (4) por edital. Conforme já mencionado, a intimação realizada pelos AuditoresFiscais da Receita Federal não se deu por meio eletrônico, visto não haver autorização expressa da Impugnante; nem tão pouco se deu por meio de edital, visto que a suposta intimação foi feita através do recolhimento da assinatura de uns dos contadores que presta serviço ao escritório de contabilidade contratado pela Impugnante. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.869 6 Desta forma, restariam duas opções que poderíamos enquadrar a suposta intimação realizada pela Receita Federal: (1) de forma pessoal e (2) por via postal/telegráfica: Não se pode considerar que a intimação ocorreu de forma pessoal, haja vista que não há a assinatura do representante legal da pessoa jurídica Impugnante, nem tão pouco, a comprovação da assinatura de mandatário ou preposto devidamente autorizado a receber intimações fiscais em nome da Impugnante, não tendo sido consubstanciado, também, a recusa do sujeito passivo através de declaração escrita no Termo de Procedimento Fiscal; Não há que se falar, também, na intimação realizada por via postal ou telegráfica, ou através de qualquer outro meio, desde que provado o recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, vez que, ao invés de providenciar o envio do Termo de Início de Fiscalização pelo correio com aviso de recebimento — AR, ou através da intimação de qualquer pessoa no domicílio tributário do sujeito passivo, como reiteradamente aceito pela jurisprudência, os Auditoresfiscais preferiram exigir a assinatura de contador de escritório de contabilidade, na sede do escritório, sem poderes para realizar referido ato. Sendo assim, verificase que não há suporte legal fático que autorize a manutenção do Termo de Início de Procedimento n° 0920100.2011.001258, já que eivado de vício com relação à intimação do sujeito passivo, que está a gerar a nulidade do ato, fazendo com que o mesmo não possa surtir nenhum efeito legal até que regularize a correta intimação do sujeito passivo. [...] Ou seja, poderia a Receita Federal ter procedido a intimação do sujeito passivo dentro das várias possibilidade previstas em lei, inclusive com o benefício da interpretação abrangente adotada por nossos r. Tribunais Superiores, que consideram possível a aplicação da Teoria da Aparência nas situações relativas à intimação do sujeito passivo pela Administração Pública nos moldes das decisões acima citadas o que não foi feito. Ao contrário adotou medida que não se enquadra em nenhuma das modalidades previstas em lei, visto que intimou pessoa não habilitada a receber intimações em nome da autora, fora de seu domicílio fiscal, ou seja, em domicílio fiscal diferente. A previsão legal estabelecendo as formas de intimação do sujeito passivo e as formas de comprovação da intimação não existem em vão, uma vez que o início de procedimento fiscal é um ato extremamente importante na atividade de uma empresa, procedimento ao qual o contribuinte tem o pleno direito de acompanhar pessoalmente todas as etapas, ou delegar pessoa que em seu nome acompanhe a fiscalização, podendo apresentar, além dos documentos solicitados, quaisquer outros documento e informações que contribuam no procedimento de fiscalização, direitos estes que uma vez não respeitados podem ocasionar cerceamento do direito de defesa. Além disso, o início de procedimento fiscal causa um outro efeito de igual importância, quer seja, a falta de espontaneidade nas eventuais retificações de declarações realizadas após iniciado o procedimento de fiscalização, restando impraticável a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. São por essas e outras razões que a Constituição Federal previu a necessidade do respeito ao princípio da legalidade nos atos praticados pela Administração Pública. Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.870 7 O princípio da legalidade representa uma garantia para os administrados, pois, qualquer ato da Administração Pública somente terá validade se respaldado em lei, em sua acepção ampla. Tal princípio representa , em verdade, um limite para a atuação do Estado, visando a proteção do Administrado em relação ao abuso de poder. Como se sabe, o princípio da legalidade apresenta um perfil diverso no campo do Direito Público e no campo do Direito Privado. No Direito Privado, tendo em vista seus interesses, as partes poderão fazer tudo o que a lei não proíbe; no Direito Público, diferentemente, existe uma relação de subordinação perante a lei, ou seja, só se pode fazer o que a lei expressamente autorizar ou determinar. Tal idéia toma como alicerce a célebre lição do jurista Seabra Fagundes, sintetizada na seguinte fase: "administrar é aplicar a Lei de ofício". Sendo assim, uma vez a Lei prevendo as possibilidades da realização do ato administrativo, tendo o ato sido realizado fora das margens estabelecidas pela lei, o ato administrativo deve ser considerado nulo em razão da ofensa ao Princípio Constitucional da Legalidade, possibilitando, com isso, o reconhecimento da Denúncia Espontânea praticada pela Impugnante. No entanto, deixando de lado a questão da discussão judicial acerca do reconhecimento da denúncia espontânea ou da possibilidade da retificação judicial de suas declarações, verificase que a situação, da forma como está posta, já pode ser de imediato, resolvida na esfera administrativa.. Verificase que a Impugnante já confessou ter existido erro na quantificação dos valores declarados ã Receita Federal,que, conforme já se mencionou, foram inicialmente declarados a menor. As retificações realizadas pela impugnante basearamse na correta contabilização de suas notas fiscais, situação esta ratificada com relatório de notas fiscais e valores pagos, fornecidos pela empresa Indústria e Comércio de Produtos de Limpeza Girando Sol Ltda., cliente exclusivo da Impugnante no período retificado, conforme mencionando pelo próprio r. AuditorFiscal. Ao final da auditoria realizada pela Impugnante,verificouse uma diferença de R$1.274.041,75 [...] de receitas tributáveis não informadas à Receita Federal, diferença está oriunda da posterior contabilização correta de suas notas fiscais de serviço, o que repercutiu diretamente no valor do faturamento informado à [RFB] [...]. Desta forma, a Impugnante chegou a algumas conclusões: A soma das Notas Fiscais da empresa durante o período fiscalizado (2007/2008/2009) é de R$1.990.649,03; Verificase que o valor de faturamento inicialmente declarado pela empresa em sua DCTF foi de R$716.607,28 [...]; A diferença entre o valor inicialmente declarado e os valores posteriormente retificados (R$1.990.649,03 R$716.607,28) resulta no valor de R$1.274.041,75, utilizado como base de cálculo para apurarão " , valores dos tributos devidos. Uma vez retificadas as DCTF's, passando a constar como valor de faturamento o valor de R$1.990.649,03, ocasionou o recolhimento da diferença de impostos apurados, os quais foram pagos devidamente, com acréscimo de multa de mora [...]. Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.871 8 Após a realização da retificação mencionada, ao analisar a movimentação bancária do período, a Impugnante constatou, ainda, que a soma dos valores creditados em suas contas correntes perante à Caixa Econômica Federal era de R$2.347.762,77 [...]; Assim, tem vista que foram creditados em suas contas correntes o montante de R$2.347.762,77, a Impugnante calculou ainda a diferença entre essa valor creditado nas contas correntes e o valor do faturamento retificado (R$2.347.762,77 R$1.990.649,03), apurandose uma diferença no valor de R$357.113,74. Sendo assim, em um segundo momento, a empresa retificou novamente suas DCTF's, acrescentando ao valor declarado a diferença apurada de R$357.113,74, sendo que, hoje, nas declarações da empresa, coincidem o valor declarado como faturado, com o valor dos créditos feitos em suas contas correntes (R$2.347.762,77); Da diferença de R$357.113,74 retificada, foi apurado o valor a recolher de R$58.617,81, [...] Sendo assim, verificase que o valor de faturamento inicialmente declarado (R$716.607,28), foi 2 (duas) vezes retificados,totalizando um valor de faturamento retificado de R$2.347.762,77,que coincide com os valores creditados em suas contas correntes. Dos valores devidamente retificados, foram recolhidos o montante total de R$244.223,82, entre PIS, COFINS,IRPJ, CSLL, Multa moratória e Juros, na seguinte proporção: PIS = R$8.277,97 + R$2.321,04 = R$10.599,01 COFINS = R$38.613,54 + R$10.713,41 = R$49.326,95 CSLL = R$36.677,95 + R$10.284,88 = R$46.962,83 IRPJ = R$42.025,42 + R$17.141,46 = R$59.166,88 Multa Moratória = R$25.118,98 + R$8.092,20 = R$33.211,18 Juros = R$34.892,16 + R$10.064,63 = R$44.956.79 Valor total = R$185.606,01 + R$58.617,81 = R$244.223,82 Referidos pagamentos, muito embora mencionados pelo r. AuditorFiscal não foram abatidos dos valores notificados, tendo o mesmo informado na data da ciência da Autuação, que tal procedimento, por depender de Ação Judicial e análise de denúncia espontânea, só poderia ser abatido perante a Delegacia de Julgamento, órgão competente para fazer a análise. Segundo as informações repassadas, seria a DRJ competente para analisar a ocorrência ou não de denúncia espontânea, reduzir ou deixar de aplicar as penas punitivas, abater as multa de 20%já paga pela Impugnante e conceder o desconto de 50% pelo pagamento à vista até a Impugnação, haja vista que o pagamento foi realizado muito antes do encerramento da fiscalização, ou até mesmo, aguardar a solução na esfera judicial. Cumpre mencionar ainda, que a Impugnante concorda com todas as verificações dos lançamentos bancários considerados ou não considerados pelo r. AuditorFiscal, exceto, em duas situações, mencionadas até no momento da Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.872 9 assinatura do termo de ciência do Auto de Infração, que, por já estar pronto e encerrada a fiscalização, foi solicitado a apresentação das justificativas no âmbito da DRJ, já que nã' co am devidamente analisados durante a fiscalização. São eles: I Venda do Veículo Honda/CRV, ano/mod 2009, comb. Gasolina, chassi 3CZRE28709G502263 VENDA conforme NF n° 63.439 de GA BALDISSERA COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA = Valor R$97.000,00 (devidamente contabilizada), cujos depósitos, referentes à venda, estão a seguir arrolados: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta n° 100.6385 [...] TOTAL: R$ 97.000,00 A compra do referido veículo, pode ser verificada do seguinte lançamento de débito do extrato da mesma conta: 09/04/09 CHEQ COMP R$100.000,00 D (coincide com o lançamento contábil de compra em 02/04/2009) II Venda do Veículo Pajero Seort HPP, ano 2006, mod. 2007, comb. Diesel, CHASSI n° 9ZXPWK94W7C600157, vendida para Ademar José Kroth, pelo valor de R$ 65.000,00, em 18/09/09. Muito embora tal veículo não esteja registrado na contabilidade, que provavelmente não foi registrado por algum equívoco, verificase do documento de venda do veículo em anexo DUT, que o veículo era de propriedade da empresa ora Impugnante, e que o mesmo foi vendido na data de 18/09/09, pelo valor de R$ 65.000,00 [...] Os créditos identificadores da referida venda são os seguintes: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta n° 100.6385 [...] CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta n° 0001282 [...] TOTAL: R$ 65.000,00 Desta forma, uma vez comprovada a origem dos depósitos acima mencionados, requerse que os mesmos sejam abatidos da base de cálculo da notificação fiscal e seus reflexos. III Das Multas Aplicadas Independentemente da discussão acerca do acatamento da denúncia espontânea, verificase que os pagamentos realizados pela Impugnante podem ser de pronto abatidos da Notificação Fiscal, apôs reconhecidas as origem dos depósitos acima relacionados referente à venda de veículos, ocasionando, com isso, a quitação do presente Auto de Infração. Tendo a Impugnante realizado o pagamento dos valores com acréscimo de juros e multa moratória, não há cabimento para a aplicação das multas punitivas [...]. No presente caso, como a Impugnante procedeu à retificação com o pagamento/recolhimento integral dos valores das diferenças de tributos apuradas, acrescidos de juros e multa moratória, bem como prestou todos os esclarecimentos necessários aos Auditores Fiscais, inclusive com o protocolo de petição informando a realização da denúncia espontânea, com cópias de todos os documentos pertinentes, assim como DCTF's retificadores, comprovantes de pagamento, rol de Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.873 10 Notas Fiscais, relatório da empresa "Girando Sol", planilha de cálculos das retificações (petição anexa à exordial), bem como já entregou todos os documentos solicitados pelos AuditoresFiscais, verificase que não há nenhuma hipótese de incidência válida para aplicação das multas punitivas acima narradas, seja de forma isolada ou em conjunto com supostos tributos. De toda forma, tem a Impugnante, também, direito imediato ao abatimento dos valores pagos, dentre eles, 20% da multa moratória, além de, independentemente de qualquer análise de mérito, à redução de 50% das multas aplicas, vez que o pagamento se deu antes mesmo de finalizada a fiscalização. Assim, verificandose a origem dos valores referentes à venda dos veículos e abatendoos do cálculo dos impostos; posteriormente abatendo os pagamentos realizados sem a inclusão das multas punitivas ou com a redução dos 20% já pagos e acrescidos do desconto de 50%, verificase que o débito encontrarseá integralmente quitado, devendo a presente notificação fiscal ser extinta em razão do pagamento. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante de todo o exposto, requer a Impugnante sejam considerados procedentes os argumentos lançados na presente Impugnação, para o fim de cancelar integralmente o Auto de Infração e o crédito tributário nele exigido. Requer, ainda, a realização de diligências que se tornarem necessárias para comprovar a origem dos créditos, bem como a possibilidade de juntada posterior de documentos ainda pendentes, seja em instituições financeiras ou pelo fato de não logrado êxito em encontrar pessoas físicas e jurídicas dentro do prazo para a apresentação de defesa, nos termos do art. 16 e alíneas, do Dec. n° 70.235/72, por estarem tais documentos em posse de terceiros. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0432.875, de 19.05.2011, fls. 18111818: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AÇÃO JUDICIAL. SUPREMACIA DE DECISÕES. As decisões judiciais têm prevalência frente às administrativas, em face do princípio da inafastabilidade da jurisdição. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. As provas devem ser juntadas à impugnação e o pedido de diligência só é deferido quando necessário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ANÁLISE INDIVIDUALIZADA. Para efeito de comprovação de origem dos créditos bancários eles serão analisados individualizadamente. Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.874 11 MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. Tendo havido pagamento dos tributos anteriormente inclusive à lavratura dos Autos de Infração, a autuada tem direito à redução das multas nos termos do art. 6º, inciso I, da Lei nº 8.218/91. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. Aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 26.08.2013, fl. 1829, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.09.2013, fls. 18311855, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal e acrescenta que: II DO DIREITO II. 1 Das Características da Empresa Impugnante Conforme devidamente mencionado no bojo do Processo Administrativo, tratase a Recorrente de pessoa jurídica organizada sob a forma de Sociedade Limitada, tendo como objeto social a realização de "Construção, Incorporação, Empreiteira de Mão de Obra, Administração de Imóveis, Comércio e Representação Comercial de Produtos de Limpeza, Higiene, Bebidas, Gêneros Alimentícios e Artigos de Armarinhos e Confecções", estando suas atividades sujeitas ao recolhimento de tributos federais, assim como IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme se verifica do Contrato Social Consolidado devidamente acostado ao final. Dentre as atividades sociais acima mencionadas, a que tem preponderado nos últimos anos é a Representação Comercial de produtos de limpeza da empresa "Indústria e Comércio de Produtos de Limpeza Girando Sol Ltda.", sua principal cliente. Como contribuinte responsável que é, a Recorrente sempre manteve um bom relacionamento com a Receita Federal do Brasil, posto que sempre manteve sua escrituração contábil em dia, com o pagamento integral de todos os tributos, além do cumprimento de todas as obrigações acessórias. Até a presente data a Recorrente jamais possuiu débitos em aberto no sistema da Receita Federal, nem tão pouco possui qualquer parcelamento na esfera administrativa, inclusive a Recorrente não é sequer optante do parcelamento previsto na Lei n° 11.941/09, um dos mais vantajosos parcelamentos de longa duração já editado nos últimos anos. Não obstante a situação de regularidade fiscal acima mencionada,em recente procedimento de auditoria realizado na empresa, a Recorrente acabou por verificar a ocorrência de alguns equívocos na contabilização de suas Notas Fiscais de serviço dos últimos anos, o que ocasionou divergência nas informações dos valores das receitas tributáveis faturamento da empresa, informado até então à Receita Federal. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.875 12 Uma vez verificados os equívocos contábeis mencionados, a Recorrente providenciou de imediato a correção da contabilização d e suas Notas Fiscais, assim como o cálculo e apuração dos valores a serem retificados, quitados e informados à Receita Federal através do protocolo de petição informando a ocorrência de Denúncia Espontânea. [...] Muito embora seja legítima a iniciativa de fiscalização por parte dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, tendo em vista a ocorrência dos já mencionados equívocos ocorridos na contabilidade da empresa, a Recorrente procurou assegurar o reconhecimento da denúncia espontânea por ela praticada, por intermédio do Ajuizamento da Ação Ordinária n° 5003100.71.2011.404.7200, onde se contrapõe à legalidade da informação ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, uma vez que assinado por pessoa sem poderes para representar a Recorrente, assim como, na forma de pedido alternativo, requereu o reconhecimento do direito da Recorrente em realizar a retificação judicial de suas declarações, que, uma vez acompanhadas do pagamento integral dos tributos, visa afastar a aplicação de quaisquer munas punitivas ou práticas de ilícitos tributários de natureza criminal. II. 2 DA NULIDADE DO TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL ALEGADA NA AÇÃO JUDICIAL Cumpre informar, inicialmente, que a Recorrente não autorizou o envio de intimações fiscais por meio de sua Caixa Postal eletrônica, não tendo recebido, portanto, qualquer mensagem eletrônica a respeito do início da fiscalização. Verificase, também, que a intimação realizada através da assinatura do contador Adriano Mattos no Termo de Início de Procedimento Fiscal não se enquadra em nenhuma das modalidades previstas em lei, o que está a ocasionar a nulidade do referido Termo, senão vejamos. De acordo com as disposições acima citadas, a intimação do sujeito passivo podese dar de quatro maneiras diferentes: (1) de forma pessoal; (2) por via postal/ telegráfica; (3) por meio eletrônico; (4) por edital. Conforme já mencionado, a intimação realizada pelos AuditoresFiscais da Receita Federal não se deu por meio eletrônico, visto não haver autorização expressa da Impugnante; nem tão pouco se deu por meio de edital, visto que a suposta intimação foi feita através do recolhimento da assinatura de uns dos contadores que presta serviço ao escritório de contabilidade contratado pela Recorrente. Desta forma, restariam duas opções que poderíamos enquadrar a suposta intimação realizada pela Receita Federal: (1) de forma pessoal e (2) por via postal/telegráfica: Não se pode considerar que a intimação ocorreu de forma pessoal, haja vista que não há a assinatura do representante legal da pessoa jurídica Recorrente, nem tão pouco, a comprovação da assinatura de. mandatário ou preposto devidamente autorizado a receber intimações fiscais em nome da Impugnante, não tendo sido consubstanciado, também, a recusa do sujeito passivo através de declaração escrita no Termo de Procedimento Fiscal; Não há que se falar, também, na intimação realizada por via postal ou telegráfica, ou através de qualquer outro meio, desde que provado o recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, vez que, ao invés de providenciar o envio do Termo de Início de Fiscalização pelo correio com aviso de recebimento AR, ou através da intimação de qualquer pessoa no domicílio tributário do sujeito Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.876 13 passivo, como reiteradamente aceito pela jurisprudência, os Auditoresfiscais preferiram exigir a assinatura de contador de escritório de contabilidade, na sede do escritório, sem poderes para realizar referido ato. Sendo assim, verificase que não há suporte legal fático que autorize a manutenção do Termo de Início de Procedimento n° 0920100.2011.001258, já que eivado de vício com relação à intimação do sujeito passivo, que está a gerar a nulidade do ato, fazendo com que o mesmo não possa surtir nenhum efeito legal até que regularize a correta intimação do sujeito passivo. [...] Ou seja aderia a Receita Federal ter procedido a intimação do sujeito passivo dentro das várias possibilidade previstas em lei, inclusive c^m o benefício da interpretação abrangente adotada por nossos r. Tribunais Superiores, que consideram possível a aplicação da Teoria da Aparência nas situações relativas à intimação do sujeito passivo pela Administração Pública nos moldes das decisões acima citadas o que não foi feito. Ao contrário adotou medida que não se enquadra em nenhuma das modalidades previstas em lei, visto que intimou pessoa não habilitada a receber intimações em nome da Recorrente, fora de seu domicílio fiscal, ou seja, em domicílio fiscal diferente. A previsão legal estabelecendo as formas de intimação do sujeito passivo e as formas de comprovação da intimação não existem em vão, uma vez que o início de procedimento fiscal é um ato extremamente importante na atividade de uma empresa, procedimento ao qual o contribuinte tem o pleno direito de acompanhar pessoalmente todas as etapas, ou delegar pessoa que em seu nome acompanhe a fiscalização, podendo apresentar, além dos documentos solicitados, quaisquer outros documento e informações que contribuam no procedimento de fiscalização, direitos estes que uma vez não respeitados podem ocasionar cerceamento do direito de defesa. Além disso, o início de procedimento fiscal causa um outro efeito de igual importância, quer seja, a falta de espontaneidade nas eventuais retificações de declarações realizadas após iniciado o procedimento de fiscalização, restando impraticável a denúncia espontânea prevista no art. 138, do CTN. São por essas e outras razões que a Constituição Federal previu a necessidade do respeito ao princípio da legalidade nos atos praticados pela Administração Pública. O princípio da legalidade representa uma garantia para os administrados, pois, qualquer ato da Administração Pública somente terá validade se respaldado em lei, em sua acepção ampla. Tal princípio representa, em verdade, um limite para a atuação do Estado, visando a proteção do Administrado em relação ao abuso de poder. Como se sabe, o princípio da legalidade apresenta um perfil diverso no campo do Direito Público e no campo do Direito Privado. No Direito Privado, tendo em vista seus interesses, as partes poderão fazer tudo o que a lei não proíbe; no Direito Público, diferentemente, existe uma relação de subordinação perante a lei, ou seja, só se pode fazer o que a lei expressamente autorizar ou determinar. Tal idéia toma como alicerce a célebre lição do jurista Seabra Fagundes, sintetizada na seguinte fase: "administrar é aplicar a Lei de ofício". Sendo assim, uma vez a Lei prevendo as possibilidades da realização do ato administrativo, tendo o ato sido realizado fora das margens estabelecidas pela lei, o ato administrativo deve ser considerado nulo em razão da ofensa ao Princípio Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.877 14 Constitucional da legalidade, possibilitando, com isso, o reconhecimento da Denúncia Espontânea praticada pela Recorrente. No entanto, deixando de lado a questão da discussão judicial acerca do reconhecimento da denúncia espontânea ou da possibilidade da retificação judicial de suas declarações, verificase que a situação, da forma como está posta, já pode ser de imediato, resolvida na esfera administrativa. Verificase que a Recorrente já confessou ter existido erro na quantificação dos valores declarados à Receita Federal, que, conforme já se mencionou, foram inicialmente declarados a menor. As retificações realizadas pela Recorrente basearamse na correta contabilização de suas notas fiscais, situação esta ratificada com relatório de notas fiscais e valores pagos, fornecidos pela empresa Indústria e Comércio de Produtos de Limpeza Girando Sol Ltda., cliente exclusivo da Recorrente no período retificado, conforme mencionando pelo próprio r. AuditorFiscal. Ao final da auditoria realizada pela Recorrente, verificouse uma diferença de R$1.274.041,75 [...] de receitas tributáveis não informadas à Receita Federal, diferença esta oriunda da posterior contabilização correta de suas notas fiscais de serviço, o que repercutiu diretamente no valor do faturamento informado à Receita Federal [...]. Desta forma, a Recorrente chegou a algumas conclusões: A soma das Notas Fiscais da empresa durante o período fiscalizado (2007/2008/2009) é de R$1.990.649,03; Verificase que o valor de faturamento inicialmente declarado pela empresa em sua DCTF foi de R$716.607,28 (setecentos e dezesseis mil, seiscentos e sete reais e vinte e oito centavos); A diferença entre o valor inicialmente declarado e os valores/ posteriormente retificados (R$1.990.649,03 R$716.607,28) resulta no valor de R$1.274.041,75, utilizado como base de cálculo para fins de apuração dos valores dos tributos devidos. Uma vez retificadas as DCTF's, passando a constar como valor de faturamento o valor de R$1.990.649,03, ocasionou o recolhimento da diferença de impostos apurados, os quais foram pagos devidamente com acréscimo de multa de mora, na seguinte proporção: PIS = R$8.277,97 COFINS = R$38.613,54 CSLL = R$36.677,95 IRPJ = R$42.025,42 Multa Moratória = R$25.118,98 Juros = R$34.892,16 Valor total recolhido = R$185.606,01 [...] Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.878 15 Após a realização da retificação mencionada, ao analisar a movimentação bancária do período, a Recorrente constatou, ainda, que a soma dos valores creditados em suas contas correntes perante à Caixa Econômica Federal era de R$2.347.762.77 [...]; Assim, tem vista que foram creditados em suas contas correntes o montante de R$2.347.762,77, a Recorrente calculou ainda a diferença entre essa valor creditado nas contas correntes e o valor do faturamento retificado (R$2.347.762,77 R$ 1.990.649,03), apurandose uma diferença no valor de R$357.113,74. Sendo assim, em um segundo momento, a empresa retificou novamente suas DCTF's, acrescentando ao valor declarado a diferença apurada de R$357.113,74, sendo que, hoje, nas declarações, da empresa, coincidem o valor declarado como faturado, com os valores dos créditos feitos em suas contas correntes (R$ 2.347.762,77); Da diferença de R$357.113,74 retificada, foi apurado o valor a recolher de R$58.617,81, o que foi feito, na seguinte proporção: PIS = R$2.321,04 COFINS = R$10.713,41 CSLL = R$10.284,88 IRPJ = R$17.141,46 Multa Moratória = R$8.092,20 Juros = R$10.064,63 Total recolhido = R$58.617,81 Sendo assim, verificase que o valor de faturamento inicialmente declarado (R$716.607,28), foi 2 (duas) vezes retificados, totalizando um valor de faturamento retificado de R$2.347.762,77, que coincide com os valores creditados em suas contas correntes. Dos valores devidamente retificados, foram recolhidos o montante total de R$244.223,82, entre PIS, COFINS, IRPJ, CSLL, Multa moratória e Juros, na seguinte proporção: PIS = R$8.277,97 + R$2.321,04 = R$10.599,01 COFINS = R$38.613,54 + R$10.713,41 = R$49.326,95 CSLL = R$36.677,95 + R$10.284,88 = R$46.962,83 IR = R$42.025,42 + R$17.141,46 = R$59.166,88 Multa Moratória = R$ 25.118,98 + R$8.092,20 = R$33.211,18 Juros = R$34.892,16 + R$10.064,63 = R$44.956.79 Valor total = R$185.606,01 + R$58.617,81 = R$244.223,82 Referidos pagamentos, muito embora mencionados pelo r. AuditorFiscal não foram abatidos dos valores notificados, tendo o mesmo informado na data da ciência da Autuação, que tal procedimento, por depender de Ação Judicial e análise de Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.879 16 denúncia espontânea, só poderia ser abatido perante a Delegacia de Julgamento, órgão competente para fazer a análise. Segundo as informações repassadas, seria a DRJ competente para analisar a ocorrência ou não de denúncia espontânea, reduzir ou deixar de aplicar as penas punitivas, abater as multa de 20% já paga pela Recorrente e conceder o desconto de 50% pelo pagamento à vista até a Impugnação, haja vista que o pagamento foi realizado muito antes do encerramento da fiscalização, ou até mesmo, aguardar a solução na esfera judicial. Cumpre mencionar ainda, que a Recorrente concorda com todas as verificações dos lançamentos bancários considerados ou não considerados pelo r. AuditorFiscal, exceto, em duas situações, mencionadas até no momento da assinatura do termo de ciência do Auto de Infração, que, por já estar pronto e encerrada a fiscalização, foi solicitado a apresentação das justificativas no âmbito da DRJ, já que não foram devidamente analisados durante a fiscalização. São eles: I Venda do Veículo Honda/CRV, ano/mod 2009, comb. Gasolina, chassi 3CZRE28709G502263 VENDA conforme NF n° 63.439 de GA BALDISSERA COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS LTDA = Valor R$97.000,00 (devidamente contabilizada), cujos depósitos, referentes à venda, estão a seguir arrolados: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta n° 100.6385 [...] TOTAL: R$97.000,00 A compra do referido veículo, pode ser verificada do seguinte lançamento de débito do extrato da mesma conta: 09/04/09 CHEQ COMP R$100.000,00 D (coincide com o lançamento contábil de compra em 02/04/2009) II Venda do Veículo Pajero Seort HPP, ano 2006, mod. 2007, comb. Diesel, CHASSI n° 9ZXPWK94W7C600157, vendida para Ademar José Kroth, pelo valor de R$ 65.000,00, em 18/09/09. Muito embora tal veículo não esteja registrado na contabilidade, que provavelmente não foi registrado por algum equívoco, verificase do documento de venda do veículo em anexo DUT, que o veículo era de propriedade da empresa ora Impugnante, e que o mesmo foi vendido na data de 18/09/09, pelo valor de R$65.000,00 [...] Os créditos identificadores da referida venda são os seguintes: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta n° 100.6385 [...] CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta n° 0001282 [...] TOTAL: R$ 65.000,00 Diferentemente do que foi alegado pelos r. julgadores de 1ª instância, os depósitos que ora se pretende justificar estão completamente individualizados, sendo que todos se referem a depósitos das pessoas destacadas como compradores dos veículos. Não se pode alegar a existência de depósitos diferentes no mesmo dia, nem tão pouco a existência de números quebrados para descaracterizar a justificativa dos depósitos, uma vez que, como se sabe, no meio comercial ê muito comum os empresários lidarem com cheques de terceiros, que, para não ter que depositar em Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.880 17 suas próprias contas, acabam negociando e passando para a frente, honrando dívidas próprias com eles, sendo daí o surgimento de valores quebrados e mais de um depósito no mesmo dia. O mais importante é que os valores fecharam corretamente, tendo sido as vendas contabilizadas ou demonstrada a realização da venda através dos documentos de transferência DUT, devidamente apresentados junto com a Impugnação. Tendo em vista que dúvidas não existem quanto à realização da venda dos veículos, verificase absurdo o não acatamento das justificativas acima relacionadas, uma vez que, por se tratarem de valores elevados, por acaso entenderem os r. fiscais que Recorrente teria recebido e guardado os respectivos valores em espécie e guardado embaixo do colchão ? É evidente que os valores das vendas dos veículos transitaram nas contas correntes da Recorrente, tendo a Recorrente individualizado todos os depósitos, remontou todos os pagamentos, com a devida correspondência com os compradores dos veículos, o que está a possibilitar a consideração da justificativa dos depósitos, e, por consequência, a redução da base de cálculo das receitas omitidas Desta forma uma vez comprovada a origem dos depósitos acima mencionados, requerse que os mesmos sejam abatidos da base de cálculo da notificação fiscal e seus reflexos. III Das Multas Aplicadas Independentemente da discussão acerca do acatamento da denúncia espontânea, verificase que os pagamentos realizados pela Recorrente podem ser de pronto abatidos da Notificação Fiscal, após reconhecidas as origem dos depósitos acima relacionados/ referente à venda de veículos, ocasionando, com isso, a quitação do presente Auto de Infração. Tendo a Recorrente realizado o pagamento dos valores com acréscimo de juros e multa moratória, não há cabimento para a aplicação das multas punitivas [...] De toda forma, tem a Recorrente, também, direito imediato ao abatimento dos valores pagos, dentre eles. 20% da multa moratória, além de. independentemente de qualquer análise de mérito, à redução de 50% das multas aplicas, vez que o pagamento se deu antes mesmo de finalizada a fiscalização. Assim, verificandose a origem dos valores referentes à venda dos veículos e abatendoos do cálculo dos impostos; posteriormente abatendo os pagamentos realizados sem a inclusão das multas punitivas ou com a redução dos 20% já pagos e acrescidos do desconto de 50%, verificase que o débito encontrarseá integralmente quitado, devendo a presente notificação fiscal ser extinta em razão do pagamento. [...] Diante de todo o exposto, requer a Recorrente sejam considerados procedentes os argumentos lançados no presente Recurso Voluntário, para o fim de cancelar integralmente o Auto de Infração e o crédito tributário nele exigido. Requer, ainda, a realização de diligências que se tornarem necessárias para comprovar a origem dos créditos, bem como a possibilidade de juntada posterior de documentos ainda pendentes, seja em instituições financeiras ou pelo fato de não logrado êxito em encontrar pessoas físicas e jurídicas dentro do prazo para a apresentação de defesa [...] No presente caso, como a Recorrente procedeu à retificação com o pagamento/recolhimento integral dos valores das diferenças de tributos apuradas, Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.881 18 acrescidos de juros e multa moratória, bem como prestou todos os esclarecimentos necessários aos AuditoresFiscais, inclusive com o protocolo de petição informando a realização da denúncia espontânea, com cópias de todos os documentos pertinentes, assim como DCTF's retificadores, comprovantes de pagamento, rol de Notas Fiscais, relatório da empresa "Girando Sol", planilha de cálculos das retificações (petição anexa à exordial), bem como já .entregou todos os documentos solicitados pelos AuditoresFiscais, verificase que não há nenhuma hipótese de incidência válida para aplicação das multas venda de veículos, ocasionando, com isso, a quitação do presente Auto de Infração. Tendo a Recorrente realizado o pagamento dos valores com acréscimo de juros e multa moratória, não há cabimento para a aplicação das multas punitivas [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente não apresenta razões de defesa pertinentes à infração de omissão de receita da atividade com aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Assim, essa matéria ficou preclusa porque não foi expressamente contestada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente diz que ajuizou a Ação Ordinária n° 5003100.71.2011.404.7200, onde se contrapõe o lançamento. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.882 19 em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial1, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 1. Na Ação Ordinária (Procedimento Comum Ordinário) nº 5003100 71.2011.404.7200 (Processo Eletrônico Proc V2 SC) consta a seguinte decisão de primeiro grau2: AÇÃO ORDINÁRIA (PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO) Nº 500310071.2011.404.7200/SC AUTOR:BORSCHEID CONSTRUÇÃO E INCORPORAÇÃO LTDA ADVOGADO:Ana Paula Casagrande Nogueira RÉU:UNIÃO FAZENDA NACIONAL SENTENÇA I RELATÓRIO BORCHEID CONSTRUÇÃO E INCORPORAÇÃO LTDA., por procuradora habilitada nos autos, ingressou neste juízo com a presente ação ordinária em face da UNIÃO, objetivando a concessão de provimento antecipatório que imponha a suspensão do procedimento fiscalizatório iniciado pelo órgão fiscal, obstandose a imposição de multas punitivas relacionadas às contribuições confessadas pela autora, sendo ao final julgado procedente o pedido de mérito, deduzido nos seguintes termos: (...) c) seja reconhecido, em caráter definitivo, a nulidade da intimação realizada no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal n ° 0920100.2011.001254, haja vista que não foi respeitado as formas de intimação do sujeito passivo previstos em Lei; d) seja declarada legitima a Denúncia Espontânea apresentada pela Autora, já que realizada antes de qualquer procedimento de fiscalização, extinguindo a responsabilidade por eventuais infrações à legislação tributaria relativa aos débitos confessados 1 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. 2 Disponível em <http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&txtValor=50031007 120114047200&selOrigem=SC&chkMostrarBaixados=&todasfases=S&selForma=NU&todaspartes=&hdnRefId= 657fbd3d95e2592e49362906459e14bf&txtPalavraGerada=qnpP&txtChave=>. Acesso em 16 jul.2014. Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.883 20 e integralmente pagos pela Autora, nos termos do art. 138, do CTN; e) seja declarado o direito da Autora em ver restituído e /ou compensado os valores pagos a titulo de multa moratória, uma vez que descabida a sua exigência em virtude da ocorrência de denúncia espontânea seguida de pagamento integral dos va1ores confessados; f) seja declarado o direito da Autora em ter restituídos os Livros fiscais que se encontram na posse dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, exigidos da contabilidade no momento da realização da intimação equivocada do contador de escritório de contabilidade contratado pela Autora; g) em sede de pedido alternativo, acaso ultrapassados os pedidos principais acima mencionados, que seja declarado o direito da Autora de retificar judicialmente suas declarações por alegação e comprovação de erro na quantificação dos tributos declarados, afastandose com isso, também, a responsabilidade tributária relativas às infrações eventualmente cometidas à legislação tributaria referentes aos valores e competências retificadas e acompanhadas do pagamento integral dos valores apurados; h) a condenação do Réu, ainda, na devolução das custas processuais adiantadas pela Autora bem como ao pagamento dos honorários de sucumbência, a serem fixados por esse MM. Juízo; (...) A autora relata na inicial, em síntese, que é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, atuante no ramo da construção, incorporação, empreiteira de mão de obra, administração de imóveis, dentre outras atividades, sujeitandose ao recolhimento de tributos federais. Menciona que, dentre as atividades desenvolvidas, a que tem preponderado nos últimos anos é a representação comercial de produtos de limpeza. Refere que, a despeito da regularidade fiscal que sempre manteve, em recente procedimento de auditoria realizado na empresa, restou identificada a existência de equívocos na contabilização de suas notas fiscais de serviço, dos quais resultou a divergência nas informações dos valores das receitas tributáveis levadas ao órgão fiscal. Diz que, apontada a divergência, providenciou a correção das notas, bem como o cálculo e apuração dos valores a serem retificados, informados e quitados junto à Receita Federal. Relata ter sido surpreendida com a notícia da visita de agentes fiscais ao escritório que presta serviços de contabilidade à empresa, os quais solicitaram a assinatura do Termo de Início Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.884 21 de Procedimento Fiscal por um dos contadores, requerendo, ainda, a entrega imediata dos Livros Razão e Livro de Registro de Prestação de Serviços relativos aos anos de 2007, 2008 e 2009. A despeito da legitimidade do procedimento fiscalizatório iniciado, sustenta a ilegalidade da intimação efetuada pelos agentes do órgão fiscal quanto ao Termo de Início do Procedimento Fiscal. Diz que o ato de intimação não obedeceu a quaisquer das formas previstas no art. 23 do Decreto n. 70.732/72, que disciplina a questão. Sustenta que não se pode considerar como pessoal o ato de intimação efetuado na pessoa do contador da empresa, vez que o mesmo não dispõe de poderes legais para tal intento. Outrossim, refere que não foi efetivada a citação por via postal ou através de qualquer outra modalidade. Destaca, ainda, que o início do procedimento fiscal marca o final da espontaneidade nas eventuais retificações de declarações realizadas posteriormente, restando impraticável a denúncia espontânea prevista no art. 138, do Código Tributário Nacional. Sustenta que, diante da ilegalidade da intimação sobre o início do procedimento fiscalizatório, as declarações retificadores enviadas ao órgão fiscal nesse interregno atendem ao disposto no art. 138, do CTN, devendo ser admitidas como denúncia espontânea que, acompanhada do pagamento integral dos tributos devidos, impõe o afastamento da multa moratória. Por fim, formula pedido sucessivo quanto à possibilidade de retificação judicial das declarações apresentadas ao Fisco. Requer a concessão da medida antecipatória que reconheça a nulidade do ato de intimação realizado quanto ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, com o conseqüente reconhecimento da denúncia espontânea realizada através de confissão de dívida. Formulou pedido sucessivo para obter o reconhecimento judicial das retificações realizadas pela autora. Juntou procuração e documentos, e recolheu custas judiciais. A antecipação dos efeitos da tutela foi indeferida, bem como o pedido de reconsideração (Evento 3 DECLIM1; Evento 10 DEC2). A autora interpôs agravo de instrumento contra a decisão que denegou o pedido antecipatório, sendo o recurso convertido em agravo retido no âmbito do egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.885 22 Regularmente citada, a União contestou o feito (Evento 25 CONT1), aduzindo que o procedimento de fiscalização atende às disposições do Decreto 70.235/72, sem qualquer mácula, e ademais, 'ao contrário do que pretende fazer crer a autora, a intimação de seu contador possui caráter de intimação pessoal, realizada em face de preposto do sujeito passivo da relação tributária, cuja regularidade é respaldada pelo art. 23, inc. I, do mesmo Decreto.'. Discorreu sobre os demais pormenores acerca da situação fática, defendendo a legitimidade de atuação dos fiscais da Receita Federal do Brasil, e pugnou pela improcedência do pedido. Designada audiência de instrução e julgamento, foram inquiridas as testemunhas arroladas pela autora (Evento 55 TERMOAUD1). Apresentadas alegações finais pelas partes, vieram os autos conclusos para sentença. É o relatório. Decido. II FUNDAMENTAÇÃO Tratase de ação declaratória por meio da qual a autora busca ver reconhecida a nulidade da intimação realizada no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal n ° 0920100.2011.001254, porquanto alegadamente não se respeitou as formas de intimação do sujeito passivo, tal como previsto em lei, sendo, por conseguinte, admitida pelo juízo a ocorrência de Denúncia Espontânea, na medida em que as declarações retificadoras posteriormente apresentadas à Receita Federal não foram antecedidas de qualquer procedimento de fiscalização válido. No caso dos autos, observo que a autora sofreu fiscalização por parte de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, e alega a nulidade do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal n ° 0920100.2011.001254, já que a intimação do início do procedimento recaiu na pessoa do Contador da empresa, e não na pessoa do sujeito passivo. Sem razão, contudo, já que não se vislumbra existência da apontada eiva. Com efeito, por ocasião do exame do pedido de tutela antecipada, com base na documentação até então oferecida, este juízo não reconheceu a sugerida nulidade, posto que então consignei: Cuidase de ação ordinária em que a autora tenciona obter provimento antecipatório que reconheça a nulidade do ato de intimação do Termo de Início de Procedimento Fiscal, ao argumento de que não foi observada pelos agentes fiscais a forma prescrita em lei. Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.886 23 Refere que o contador signatário do documento não dispõe de poderes legais para a prática de tal ato, sendo nula a intimação realizada. Em face da alegada nulidade do ato epigrafado, requer o reconhecimento da denúncia espontânea que sustenta ter sido realizada com as declarações retificadoras enviadas ao órgão fiscal. A análise do pedido antecipatório está centrada no exame da regularidade da intimação realizada pelos agentes fiscais quanto ao início do procedimento fiscal. A ação fiscal é um procedimento administrativo que tem por escopo aferir o cumprimento da legislação tributária por parte do contribuinte. Tratase, pois, de manifesto exercício do poder de autotutela pela autoridade fiscal e se destina a investigar a capacidade contributiva do administrado, podendo resultar no ato privativo de lançamento, se apurado o descumprimento às obrigações tributárias. Tal procedimento se inicia com o Termo de Início de Ação Fiscal TIAF, a partir de quando o contribuinte passa a ser investigado pela autoridade fazendária que, no âmbito das suas atribuições, pode comandar desde o início a realização de diligências, a requisição de documentos, dentre outras medidas. Com a lavratura do referido documento pela autoridade fiscal e a sua entrega regular ao contribuinte, fica obstada a espontaneidade na correção das irregularidades praticadas pelo sujeito passivo. Em outras palavras, somente antes de iniciado o procedimento de fiscalização é que pode o contribuinte se valer do benefício da denúncia espontânea prevista no art. 138, do Código Tributário Nacional, afastandose a responsabilidade por infrações à legislação tributária mediante o pagamento integral do tributo devido acrescido dos juros de mora. Ultrapassado esse momento, qualquer iniciativa do contribuinte para a regularização de suas obrigações não configura denúncia espontânea. De outro lado, considerando as conseqüências podem advir da lavratura do Termo de Início de Ação Fiscal, é preciso que o contribuinte seja efetivamente notificado sobre a sua ocorrência. O Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, no ponto em exame, prescreve: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.887 24 Outrossim, o art. 23, do mesmo Diploma Legal, refere: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e No caso em apreço, compulsado os autos verifico que o Termo de Início de Ação Fiscal TIAF foi subscrito por pessoa identificada como ocupante do cargo de contador, no dia 28.02.2011 (Evento 1 INIC1 fl. 33), que se encontrava no momento da fiscalização no endereço da autora, apontado não apenas nas notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica (Evento 1 INIC2 fls. 7/45), como também nas próprias Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF enviadas ao órgão fiscal (Evento 1 INIC4 fl. 4). Ora, a despeito das razões apontadas pela autora na exordial, não vejo como dar guarida a sua pretensão. Como se disse, o termo foi subscrito nas dependências da empresa, por funcionário que, em razão do cargo ocupado, dispunha de discernimento e aparente competência técnica para identificar não apenas o ato praticado pela autoridade fiscal como, também, as conseqüências advindas de tal prática, dentre as quais a assinatura do Termo de Início de Ação Fiscal. Assim, mesmo que o referido documento não tenha sido firmado pelo representante legal da empresa, tenho por válida a intimação realizada, eis que se pode presumir ter o contador realizado o encaminhamento devido, seja para cientificar o responsável, como também para advertilo acerca das Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.888 25 consequências da ciência que apôs no Termo de Início de Ação Fiscal TIAF. Demais disso, vale lembrar que existem outros procedimentos considerados hábeis a identificar o início da ação fiscal, dentre eles está a apreensão de livros, tal como dispõe o art. 7º, II, do Decreto nº 70.235/72. Também sob esse aspecto, tenho por perfectibilizada a intimação acerca do início da ação fiscal deflagrada pelo fisco em razão do que foi atestado pelo próprio agente fiscal quanto ao recebimento dos livros Razão e Registro de Prestação de Serviço, ambos relativos aos anos 2007, 2008 e 2009 (Evento 1 INIC1 fl. 32). Apreendidos os livros mencionados, tenho efetivada a intimação da autora acerca do Termo de Início da Ação Fiscal. Nesse sentido: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NOTIFICAÇÃO DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL ADMINISTRATIVA. PREPOSTO. 1. A notificação do início da ação fiscal administrativa pode ser feita ao preposto do contribuinte, sem que acarrete a sua nulidade. 2. A ciência do contribuinte ou seu preposto não é o único meio capaz de instaurar o processo administrativo fiscal, conforme art. 7º, I, II e III, do Decreto nº 70.235/72. (TRF4, AC 000528805.2009.404.7100, Primeira Turma, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 01/06/2010). NOTIFICAÇÃO. ENDEREÇO DA EMPRESA. MULTA. VALOR MÍNIMO. 1. A intimação, do sujeito passivo, do Termo de Início de Ação Fiscal e requerimento para apresentação de informações é provada com sua assinatura, seu mandatário ou preposto, sendo desnecessário que o empregado que recebe tenha poderes especiais. Ademais, tendo em vista que foi entregue no exato endereço da pessoa jurídica, não há irregularidade na notificação. (...) (TRF4, AC 199804010621468, 1ª Turma, Rel. Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria, julg. em 04.02.2004, public. 25.02.2004). Desta forma, concluise que os atos pertinentes à ação fiscal são válidos porquanto executados em observância aos preceitos legais que disciplinam a sua realização. A prova oral produzida ao longo da instrução processual confirmou a legitimidade do procedimento de fiscalização, visto que o contador da empresa esclareceu o seguinte: a) foi intimado do início do procedimento de fiscalização da pessoa jurídica, fato ocorrido no mesmo prédio onde funciona a Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.889 26 empresa; b) tão logo tomou conhecimento do procedimento de fiscalização, comunicou de imediato aos sócios da pessoa jurídica; c) as DCTF's retificadoras foram apresentadas à Receita Federal do Brasil após o início da fiscalização. Cito o referido depoimento: Testemunha: Adriano da Silva Mattos, brasileiro, solteiro, contador, inscrito no CPF sob o n°. 986.541.60934, residente e domiciliado na Rua 24 de abril, n°. 3.002, apto. 908 centro, Palhoça/SC. Advertido e compromissado na forma da lei, aos costumes disse nada. Inquirido pelo MM. Juiz Federal Substituto, respondeu: Que o depoente é contador da pessoa jurídica autora desde o início de suas atividades; que o depoente assinou o Termo de Início do Procedimento Fiscal n°. 0920100.2011.001258, muito embora não possuísse autorização da empresa investigada para subscrever tal documento; que o depoente assinou o referido documento em seu escritório, que fica na parte inferior do mesmo edifício onde está estabelecida a pessoa jurídica autora; que o depoente, na condição de contador, comunicou de imediato a pessoa jurídica então fiscalizada a assinatura do referido documento, bem como acerca da presença dos fiscais para finalidade de fiscalização; que acredita que a fiscalização iniciada naquela data já chegou ao seu termo; que na ocasião entregou aos auditores fiscais o livrorazão, o livrodiário e o livro do ISS; que a empresa apresentou DCTF's à Receita Federal, em procedimento iniciado após a fiscalização; que o depoente já havia alertado a empresa acerca da necessidade de apresentar declarações retificadoras junto a Receita Federal. Reperguntas do Advogado da autora: Que quando os fiscais compareceram à sede da empresa, em cuja ocasião o depoente assinou o termo de início de fiscalização, os representantes legais da empresa encontravamse em viagem ao exterior (Chile), razão pela qual os comunicou acerca do procedimento por meio de ligação telefônica; que o próprio escritório do depoente constatou que havia diferenças relativamente ao montante do faturamento informado à Receita Federal, no que toca às competências do ano de 2007, 2008 e os três primeiros trimestres de 2009; que a partir do último trimestre de 2009 o faturamento informado à Receita Federal já correspondia ao valor efetivo; que tais divergências já haviam sido quantificadas antes do início do procedimento de fiscalização. (Evento 55 TERMOAUD1) Os agentes da fiscalização confirmaram que o contador da empresa se apresentou na ocasião como representante legal da pessoa jurídica, como se observa do depoimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Mário Reifegerste, que esclareceu outros pontos do procedimento: Testemunha: Mário Reifegerste, brasileiro, casado, auditor fiscal, inscrito no CPF sob o n°. 745.544.68968, com endereço comercial na Av. Rio Branco, n°. 919, 10° andar, Centro, Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.890 27 Florianópolis/SC. Advertido e compromissado na forma da lei, aos costumes disse nada. Inquirido pelo MM. Juiz Federal Substituto, respondeu: Que o depoente é auditor fiscal da Receita Federal, e nessa condição participou da fiscalização da empresa autora no ano de 2011, sendo que o termo de início daquele procedimento foi subscrito pelo contador da empresa, Sr. Adriano, como representante da pessoa jurídica; que o referido profissional se apresentou a fiscalização como representante legal da empresa; que o escritório de contabilidade e a sede da empresa ficam no mesmo prédio; que na ocasião o depoente teve contato apenas com o contador da empresa, e mais tarde com o Sr. Marcelino, procurador da pessoa jurídica; que antes do início da fiscalização apurouse no âmbito da Receita Federal que a empresa não havia prestado nenhuma declaração retificadora atinente ao período fiscalizado, mais precisamente de 2007 a 2009; que a fiscalização em questão já encerrou, restando constatado ao final do procedimento que o valor do faturamento informado em DCTF, posteriormente apresentado pela empresa, praticamente igualou àquele apurado pela fiscalização; que, no entanto, remanesceu crédito fiscal em face da multa de ofício imposta no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), haja a vista que a Receita Federal não considerou a presença de denúncia espontânea. Reperguntas do Advogado da autora: Que, na ocasião, o Sr. Adriano se apresentou como contador da empresa, recordando se o depoente que o mesmo ligou para o Sr. Marcelino, que estava no exterior, informando o procedimento que teve sequência; que é comum os contadores assinarem o referido termo como representante da empresa e serem posteriormente designados para acompanharem o procedimento de fiscalização; que o contador na ocasião não apresentou nenhuma procuração outorgada pela empresa; que algum tempo depois, o representante legal da empresa assinou um termo de continuidade do procedimento fiscal, em cuja ocasião foram solicitados outros documentos; que é praxe a assinatura desse termo de continuidade de procedimento fiscal, como ocorreu no caso concreto; que o referido termo de continuidade de procedimento fiscal foi assinado na sede da empresa por seu representante legal; que o depoente não questionou na ocasião quais pessoas jurídicas funcionavam no andar superior do prédio; que a fiscalização durante o procedimento foi comunicada pela advogada da empresa que declarações retificadoras haviam sido transmitidas à Receita Federal, bem como que um procedimento judicial havia sido deflagrado questionando a situação; que caso a empresa tivesse efetuado declarações retificadoras antes do início do procedimento de fiscalização, na hipótese de os auditores fiscais constatarem o acerto daquelas declarações, estaria afastada a multa de ofício. (Evento 55 TERMOAUD1) Quase no mesmo sentido é o depoimento do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Arlindo Torri, que também deixa evidenciada a regularidade do procedimento de fiscalização: Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.891 28 Testemunha: Arlindo Torri, brasileiro, casado, auditor fiscal, inscrito no CPF sob o n° 163.500.14987, com endereço comercial na Av. Rio Branco, n°. 919, 10° andar, Centro, Florianópolis/SC. Advertido e compromissado na forma da lei, aos costumes disse nada. Inquirido pelo MM. Juiz Federal Substituto, respondeu: Que o depoente é auditor fiscal da receita federal, e acompanhou a fiscalização empreendida na empresa Borscheid, iniciada em 2011; que se recorda que o termo de início do procedimento fiscal correspondente foi assinado pelo contador da empresa, Sr. Adriano; que na ocasião a fiscalização foi recebida pelo contador da empresa, que lhes comunicou que o representante legal da pessoa jurídica encontravase no Chile; que na sequencia o profissional em questão ligou para o representante legal da empresa, que determinou que o termo de início fosse recebido e assinado, ao passo que as notas fiscais então reclamadas encontravamse na casa do titular da empresa; que o escritório de contabilidade e a sede funcionavam no mesmo edifício; que o escritório de contabilidade funcionava no pavimento térreo, ao passo que o titular da empresa possuía uma sala no andar superior, onde provavelmente existiam outras empresas; que no momento em que chegaram ao escritório de contabilidade, o referido profissional entregou à fiscalização os livros diário, razão e ISS; que, depois do termo de início, a empresa apresentou declarações retificadoras à Receita Federal; que a fiscalização já foi concluída apurandose um débito tributário da empresa no patamar aproximado de R$500.000,00 (quinhentos mil reais), incluindo a multa de ofício, que foi agravada ante a não exibição de notas fiscais então reclamadas, que alegadamente foram furtadas. Reperguntas do Advogado da autora: Que a fiscalização recebeu as cópias das primeiras vias das notas fiscais emitidas pela empresa; que o valor de R$500.000,00 (quinhentos mil reais) aproximados, apurados pela fiscalização, não consideram os pagamentos anteriormente efetuados pela empresa, que serão apurados no julgamento da lide; que o termo de continuação do procedimento de fiscalização foi entregue ao Sr. Marcelino na sede da empresa; que a fiscalização foi comunicada, no curso do procedimento, que a empresa apresentara declarações retificadoras e ingressara com ação judicial questionando a validade do procedimento; que por ocasião da assinatura do termo de início, o Sr. Adriano se apresentou como preposto da empresa e não exibiu qualquer procuração outorgada pela pessoa jurídica; que, se a empresa tivesse efetuado as declarações retificadoras antes do início do procedimento, estaria afastada a multa de ofício em face do próprio pagamento da dívida. (Evento 55 TERMOAUD1) Desse modo, restando comprovado que o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal n ° 0920100.2011.001254 foi subscrito por Contador da empresa que se apresentou à fiscalização, naquela ocasião, como representante da pessoa jurídica, ou seu preposto, sendo o ato de intimação concretizado nas dependências da empresa (mesmo edifício), e sendo certo, ademais, que os sócios Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.892 29 da pessoa jurídica fiscalizada foram prontamente cientificados do procedimento, não há falar em nulidade do referido ato. De outra parte, tendo em conta a higidez do procedimento fiscalizatório, em sendo incontroverso que as declarações retificadoras foram apresentadas à Receita Federal após o início da fiscalização, não há falar em denúncia espontânea, nos exatos termos descritos pelo art. 138 do Código Tributário Nacional, sendo inteiramente improcedente o pedido da autora, inclusive o de 'retificação judicial de suas declarações' (item 'g' da inicial), por falta de amparo legal. III DISPOSITIVO Ante o exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido, e extingo o processo com resolução de mérito, nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil. Condeno a autora ao pagamento de honorários advocatícios arbitrados em 1% (um por cento) do valor atribuído à causa corrigido (art. 20, §4º, do Código de Processo Civil). Custas na forma da lei. Na hipótese de interposição voluntária de recurso de apelação, aferida a tempestividade e a regularidade do preparo, receboo desde logo nos efeitos devolutivo e suspensivo, determinando a intimação da parte contrária para apresentar contrarazões; e, após, a remessa dos autos ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Florianópolis, 29 de maio de 2012. DIÓGENES TARCÍSIO MARCELINO TEIXEIRA Juiz Federal Substituto Documento eletrônico assinado por DIÓGENES TARCÍSIO MARCELINO TEIXEIRA, Juiz Federal Substituto, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.jfsc.jus.br/gedpro/verifica/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 4471956v2 e, se solicitado, do código CRC A9256BF7. Informações adicionais da assinatura: Signatário (a): DIOGENES TARCISIO MARCELINO TEIXEIRA:2422 Nº de Série do Certificado: 3BF2C9388E8DDD0B Data e Hora: 29/05/2012 17:15:33 Houve Apelação Cível nº 500310071.2011.404.7200 (Processo Eletrônico EProc V2 TRF) e os autos foram remetidos ao TRF 4ª Região da Justiça Federal em Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.893 30 08.08.20123, oportunidade em que houve “Distribuição/Atribuição Por Prevenção Instantânea ao Magistrado Número: 50085038720114040000” 4. A referida ação judicial se encontra nessa fase processual. Consta no Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, fls. 13911408, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em 06/04/2011 o MM. Juiz Federal da 3ª Vara Federal de Florianópolis proferiu decisão nos autos da Ação Ordinária nº 500310071.2011.404.7200, através da qual indeferiu pedido de antecipação de tutela pleiteado pela autora, pelo qual pugnara pela suspensão do procedimento de fiscalização iniciado pela Receita Federal, obstandose à imposição de multas punitivas relacionadas às contribuições confessadas pela autora (fls. 233 a 237). Há que se averiguar se a ação via judicial tem o mesmo objeto do processo administrativo. Assim, a Recorrente optou por discutir na via judicial as seguintes matérias: (a) seja reconhecido, em caráter definitivo, a nulidade da intimação realizada no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal n ° 0920100.2011.001254, haja vista que não foi respeitado as formas de intimação do sujeito passivo previstos em lei; (b) seja declarada legitima a Denúncia Espontânea apresentada pela Autora, já que realizada antes de qualquer procedimento de fiscalização, extinguindo a responsabilidade por eventuais infrações à legislação tributaria relativa aos débitos confessados e integralmente pagos, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional; (c) seja declarado o direito em ver restituídos e/ou compensados os valores pagos a titulo de multa moratória, uma vez que descabida a sua exigência em virtude da ocorrência de denúncia espontânea seguida de pagamento integral dos valores confessados; (d) seja declarado o direito em ter restituídos os livros fiscais que se encontram na posse dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, exigidos da contabilidade no momento da realização da intimação equivocada do contador de escritório de contabilidade contratado; (e) em sede de pedido alternativo, acaso ultrapassados os pedidos principais acima mencionados, que seja declarado o direito de retificar judicialmente suas declarações por alegação e comprovação de erro na quantificação dos tributos declarados, afastandose com isso, também, a responsabilidade tributária relativas às infrações eventualmente cometidas à legislação tributaria referentes aos valores e competências retificadas e acompanhadas do pagamento integral dos valores apurados. 3 Disponível em: <http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&txtValor=5003100 71.2011.404.7200&selOrigem=SC&chkMostrarBaixados=S&selForma=NU&hdnRefId=51c1b263775ff39e72b3b 72946d3112f&txtPalavraGerada=QWvK>. Acesso em 16 jul.2014. 4 Disponível em: <http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&txtValor=50031007 120114047200&selOrigem=TRF&chkMostrarBaixados=S&todasfases=S&selForma=NU&todaspartes=&hdnRef Id=51c1b263775ff39e72b3b72946d3112f&txtPalavraGerada=QWvK&txtChave=>. Acesso em 16 jul. 2014. Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.894 31 A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto e, conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada, em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, 14 de fevereiro de 1996. Nesse sentido, importa renúncia a essa segunda instância administrativa de julgamento os seguintes argumentos constantes no recurso voluntário: (a) nulidade do termo de início do procedimento fiscal alegada na ação judicial; (b) confissão da dívida pela denúncia espontânea; (c) restituição e/ou compensação dos valores pagos a título de multa moratória; e (d) retificação das declarações apresentada após o início da ação fiscal. Cabe assim, nessa segunda instância de julgamento, o reexame das matérias diferenciadas. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes5. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente 5 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.895 32 que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais6. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos7. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 8 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional9. Assim, os Autos de Infração, fls. 12841389 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0432.875, de 19.05.2011, fls. 18111818, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. Em relação aos valores pagos depois do início da ação fiscal, temse que cabe à Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) que jurisdicione a Recorrente desenvolver as 6 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 8 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 9 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.896 33 atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação 10. A espontaneidade do sujeito passivo fica excluída a partir do primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária11. No presente caso, o termo de início da perda da espontaneidade foi 28.02.2011 com a ciência do Termo de Início da Ação Fiscal, fls. 0405. Assim, em relação aos mencionados pagamentos efetuados em 25.03.2011, fls. 70232, deve a Recorrente peticionar junto à DRF que a jurisdicione para que tome as providências cabíveis em relação à imputação de pagamento, nos termos do art. 149 e art. 163 do Código Tributário Nacional. Esclareçase que à época dos pagamentos a espontaneidade da Recorrente já havia sido afastada, nos termos do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos12. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 0405, Termo de Continuação de Procedimento Fiscal, fls. 0607, Termos de Intimação Fiscal, fls. 582583 e 588597 e Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 18201829) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A própria Recorrente poderia ter juntados aos autos os documentos produzidos em relação a si mesma. Ao contrário, procura demonstrar que caberia ao Erário produzir prova em seu favor. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da omissão de receitas presumida com base em depósitos bancários nos valores de R$97.000,00 e de R$ 65.000,00 relativos à venda de dois veículos. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de 10 Fundamentação Legal: art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 226 Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. 11 Fundamentação legal: art. 142 e art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. 12 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.897 34 ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica que adota o regime de tributação com base no lucro real. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada13. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores creditados nas contascorrente nºs 100.6385 e 000.1282, ambas da agência nº 1555 da Caixa Econômica Federal (CEF), fls. 238557, 1257 1275 e 12811283, bem como na contacorrente nº 89790579 da agência nº 712 do Banco Real S/A (Banco Santander S/A), fls. 558581 e 12771280, cujos extratos foram espontaneamente apresentados pela Recorrente. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. 13 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995,art. 1º, art. 25, art. 27 e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.898 35 Conforme com o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, fls. 13911408, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano, temse: 2.2 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Em análise à contabilidade do sujeito passivo a Fiscalização identificou que não foram devidamente escrituradas contas de depósito mantidas em estabelecimentos bancários. O sujeito passivo mantinha apenas uma conta “Caixa”, onde teoricamente registraria toda movimentação financeira, inclusive àquela realizada através de contascorrentes bancárias. O Manual de Contabilidade do Sistema CFC/CRC, aprovado pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (Resolução CFC) nº 1.161/09, em seu item 9.2.3.1.2, alínea “a”, assim dispõe sobre a conceituação do ativo circulante: “9.2.3.1.2. O ativo está desmembrado em circulante e nãocirculante: a) o ativo circulante compreende as contas representativas de disponibilidades, isto é, caixa, bancos, e as contas representativas de créditos da entidade, compostos em sua maioria pelos créditos realizáveis até o término do exercício seguinte;” (grifouse) O mesmo Manual, em seu item 9.5 Função e Funcionamento das Contas ao detalhar sobre as contas que compõem o Plano de Contas de uma entidade, dispõe que o subelemento de código 1.1.1.1.03 BANCOS CONTA MOVIMENTO “apresenta o somatório das contas destinadas ao registro da movimentação financeira em contacorrente bancária”. Tal norma deixa claro que todas as contas correntes bancárias devem ser incluídas no Plano de Contas da contabilidade das sociedades empresárias. Considerando o fato de tratarse de contas correntes bancárias com movimentações financeiras expressivas, tal omissão por parte do sujeito passivo acarretou em séria confusão contábil, causando embaraço e dificuldades para o cumprimento pela administração tributária do procedimento de auditoria fiscal. Uma vez que não era possível identificar através da contabilidade a origem dos recursos creditados em contas de depósito bancário, em razão da omissão do sujeito passivo em escriturálas corretamente, a Fiscalização selecionou nos extratos bancários lançamentos a crédito que foram transcritos para os anexos às Intimações Fiscais nº 001, de 25/04/2011 (fls. 588 a 595), e 002, de 11/05/2011 (fls. 596 a 597), a fim de que o sujeito passivo pudesse comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados nas respectivas contascorrentes bancárias. Em atendimento às Intimações Fiscais acima mencionadas, o contribuinte apresentou em 25/05/2011 justificativas parciais para explicar a origem dos valores creditados em contas bancárias, conforme documentação de fls. 600 a 644. Não tendo cumprido tudo o que lhe fora solicitado, em 16/06/2011 apresentou requerimento solicitando a dilação do prazo para mais oito dias, conforme documentação juntada às fls. 598 a 599. Em 1º/07/2011, a representante da pessoa jurídica encaminhou mensagem através de correio eletrônico (email), na qual juntou cópia de requerimento e anexos (fls. 645 a 657), através dos quais buscava justificar a origem de parte dos créditos bancários, Tais informações e anexos, em meio impresso, foram protocoladas na Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.899 36 Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, em 05/07/2011 (fls. 1129 a 1255). Passados mais de 30 dias após o encerramento do prazo concedido nas intimações fiscais nº 001 e 002, as respostas parciais apresentadas foram analisadas pela Fiscalização, tendo constatado que parcela dos depósitos nas contascorrentes bancárias não tiveram sua origem comprovada pelo sujeito passivo. Em alguns casos o contribuinte limitouse a fazer menção à origem, sem apresentar documentação idônea que a comprovasse. Foram aceitas apenas àquelas justificativas acompanhadas de documentação comprobatória, ou que guardavam correlação de valores e datas com as notas fiscais mencionadas, bem como aquelas em que se confirmou tratarse de resgates de aplicações financeiras, empréstimos bancários ou transferências entre contas do mesmo titular. Como dito antes, diversos créditos em contacorrente, cuja descrição nos extratos bancários informava tratarse de depósitos em cheque, depósitos em dinheiro, transferências, DOCs, entre outros, não tiveram a sua origem comprovada pelo contribuinte fiscalizado. A análise das justificativas apresentadas pelo sujeito passivo para comprovar a origem de cada um dos créditos bancários objeto das Intimações Fiscais nº 001 e 002, bem como a conclusão a que se chegou em relação a cada um deles foram devidamente instruídas aos autos do processo administrativo fiscal através de três relatórios distintos, um para cada conta bancária, juntados às fls. 1257 a 1283. Abaixo é apresentado um quadroresumo onde são informados, mês a mês, os valores dos créditos bancários para os quais o sujeito passivo não comprovou a respectiva origem. CRÉDITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Mês / Ano CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta nº 100.6385 BANCO REAL (SANTANDER) Conta nº 8.9790579 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta nº 000.1282 TOTAL Jan/2007 7.745,85 0,00 0,00 7.745,85 Fev/2007 14.290,00 0,00 0,00 14.290,00 Mar/2007 16.020,00 0,00 0,00 16.020,00 Abr/2007 311,85 0,00 0,00 311,85 Mai/2007 10.845,09 0,00 0,00 10.845,09 Jun/2007 10.170,87 0,00 0,00 10.170,87 Jul/2007 17.115,87 0,00 0,00 17.115,87 Ago/2007 1.470,87 0,00 0,00 1.470,87 Set/2007 470,87 0,00 0,00 470,87 Out/2007 7.800,87 0,00 0,00 7.800,87 Nov/2007 11.315,09 0,00 0,00 11.315,09 Dez/2007 6.740,92 0,00 0,00 6.740,92 Jan/2008 0,00 0,00 0,00 0,00 Fev/2008 7.742,85 0,00 0,00 7.742,85 Mar/2008 464,68 0,00 0,00 464,68 Abr/2008 4.463,62 0,00 0,00 4.463,62 Mai/2008 7.032,80 0,00 0,00 7.032,80 Jun/2008 14.513,62 0,00 0,00 14.513,62 Jul/2008 6.463,62 0,00 0,00 6.463,62 Ago/2008 1.020,82 0,00 0,00 1.020,82 Set/2008 7.907,47 0,00 0,00 7.907,47 Out/2008 4.196,65 0,00 0,00 4.196,65 Nov/2008 6.086,43 0,00 0,00 6.086,43 Dez/2008 62.488,72 0,00 0,00 62.488,72 Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.900 37 Jan/2009 1.930,82 0,00 0,00 1.930,82 Fev/2009 8.533,07 0,00 0,00 8.533,07 Mar/2009 4.664,68 0,00 0,00 4.664,68 Abr/2009 9.945,54 0,00 0,00 9.945,54 Mai/2009 37.484,54 0,00 0,00 37.484,54 Jun/2009 38.222,54 0,00 0,00 38.222,54 Jul/2009 745,84 0,00 0,00 745,84 Ago/2009 4.915,84 0,00 0,00 4.915,84 Set/2009 42.638,09 0,00 0,00 42.638,09 Out/2009 23.763,59 1.615,06 0,00 25.378,65 Nov/2009 11.281,44 3.656,14 25.000,00 39.937,58 Dez/2009 6.225,16 4.105,53 7.793,34 18.124,03 Total 417.030,58 9.376,73 32.793,34 459.200,65 Resta assim caracterizada a prática de infração tipificada na legislação tributária como o ilícito fiscal de “omissão de receita”, previsto no art. 42, “caput” e parágrafo primeiro, da lei nº 9.430, de 27/12/1996 [...]. No que se refere à “venda do Veículo Honda/CRV, ano/mod 2009, comb. Gasolina, chassi 3CZRE28709G502263 VENDA conforme NF n° 63.439 de GA Baldissera Comércio de Automóveis Ltda = Valor R$97.000,00 (devidamente contabilizada), cujos depósitos, referentes à venda, estão a seguir arrolados”: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta n° 100.6385 15/05/09 TRX ELETR R$32.000,00 25/05/09 DOC ELET R$4.999,00 01/06/09 CRED TED R$10.000,00 02/06/09 CRED TED R$20.550,00 08/06/09 DEP DINH R$2.000,00 08/06/09 DEP CH 24H R$1.000,00 22/06/09 DEP CH 4D R$4.187,00 10/08/09 TRX ELETR R$1.500,00 11/08/09 TRX ELETR R$700,00 19/08/09 DEP CH 24H R$1.200,00 28/08/09 TRX ELETR R$1.030,00 08/09/09 DEP CH 24H R$5.840,00 14/09/09 DEP DINH R$2.000,00 15/09/09 DEP CH 24H R$10.000,00 [...] A compra do referido veículo, pode ser verificada do seguinte lançamento de débito do extrato da mesma conta: 09/04/09 CHEQ COMP R$100.000,00 D (coincide com o lançamento contábil de compra em 02/04/2009). Cotejando os valores apresentados pela Recorrente com o Anexo I da Intimação Fiscal 001, fls. 12571276, a justificativa para serem incluídos como omissão de receita é: “venda CRV (veículo) valores não correspondem/não apresentou documentação que comprovasse a origem mencionada”. Atinente à “venda do Veículo Pajero Seort HPP, ano 2006, mod. 2007, comb. Diesel, CHASSI n° 9ZXPWK94W7C600157, vendida para Ademar José Kroth, pelo valor de Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.901 38 R$65.000,00, em 18/09/09. Muito embora tal veículo não esteja registrado na contabilidade, que provavelmente não foi registrado por algum equívoco, verificase do documento de venda do veículo em anexo DUT, que o veículo era de propriedade da empresa ora Impugnante, e que o mesmo foi vendido na data de 18/09/09, pelo valor de R$65.000,00 [...]” Os créditos identificadores da referida venda são os seguintes: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta n° 100.6385 22/09/09 DEP CH 24H R$12.004,86 30/09/09 DEP DINH R$2.000,00 06/10/09 DEP CH 24H R$4.000,00 07/10/09 DEP CH 24H R$3.000,00 08/10/09 DEP DINH R$1.000,00 08/10/09 DEP DINH R$1.000,00 08/10/09 DEP DINH R$1.500,00 15/10/09 CRED TED R$5.707,75 19/10/09 DEP CH 24H R$3.000,00 06/11/09 DEP CH 24H R$3.000,00 10/11/09 DEP CH 24H R$1.500,00 10/11/09 DEP CH 4D R$1.500,00 Cotejando os valores apresentados pela Recorrente com o Anexo I da Intimação Fiscal 001, fls. 12571276, a justificativa para serem incluídos como omissão de receita é: “venda Pajero veículo não constava na contabilidade, portanto os recursos de origem não foram submetidos à tributação devida.” Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL Conta n° 0001282 09/11/09 DEP DINH R$8.976,40 09/11/09 DEP CH 24h R$15.094,00 09/11/09 DEP CH 48h R$929,60 Cotejando os valores apresentados pela Recorrente com o Anexo I da Intimação Fiscal 001, fls. 12811283, a justificativa para serem incluídos como omissão de receita consta “venda Pajero veículo não estava na contabilidade, portanto a origem não foi tributada.” A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.902 39 Essas informações trazidas pela Recorrente já foram regularmente analisadas pelas autoridades fiscais e pela autoridade de primeira instância de julgamento que analisaram as provas produzidas nos autos e inferiram no mesmo sentido de que restou caracterizada a omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, com fundamento no princípio da persuasão racional. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente suscita que a multa de ofício proporcional e a multa de ofício proporcional qualificada devem ser reduzidas. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Em relação à omissão de receitas decorrente de depósitos bancários houve aplicação da multa de ofício proporcional, que está motivada pela constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício. Essa penalidade pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos14. No que se refere à omissão de receitas da atividade, houve aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Essa penalidade pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto15. 14 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 15 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.903 40 A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada se justifica pela conduta reiterada, conforme o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, fls. 13911408, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 2.1 – OMISSÃO DE RECEITA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Em análise da contabilidade da sociedade empresária fiscalizada, em especial o Livro de Registro de Apuração de ISS (fls. 855 a 935), o Livro Razão (fls. 731 a 854), Balanço patrimonial e Balancetes (fls. 47 a 60), relativos aos anoscalendário 2007 a 2009, foram identificadas divergências significativas entre os valores contabilizados e declarados como receita bruta auferida na prestação de serviços à sociedade empresária INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS DE LIMPEZA GIRANDO SOL LTDA, CNPJ nº 93.973.329/000110, e àqueles informados pela empresa tomadora dos serviços (fonte pagadora), nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF relativas ao mesmo período (fls. 683 a 686). Tais diferenças podem ser verificadas no quadro comparativo abaixo, elaborado a partir da transcrição da receita bruta auferida com prestação de serviços escriturada pelo sujeito passivo e das informações prestadas pelo tomador dos serviços (Girando Sol) a respeito dos pagamentos efetuados, extraídos a partir das DIRF relativas aos mesmos períodos. Comparativo entre receita bruta contabilizada com prestação de serviços e valores pagos informados pelo tomador do serviço (Ind e Com de Prod de Limpeza Girando Sol Ltda) A B C D Ano Receita Bruta contabilizada Rendimentos declarados pelo tomador do serviço (fonte pagadora) em DIRF Diferença apurada 2007 152.046,23 611.144,02 459.097,79 2008 180.069,05 681.158,59 501.089,54 2009 384.762,00 684.130,12 299.368,12 TOTAL 716.877,28 1.976.432,73 1.259.555,45 A receita bruta submetida à tributação pelo contribuinte, transcrita na coluna “B’ da tabela acima, foi muito aquém daquela informada pelo tomador dos serviços como pagamentos efetuados pelos respectivos serviços, importando em uma diferença de R$ 1.259.555,45 nos três anos. [...] O legislador estabeleceu que a conduta fraudulenta no caso pode ser praticada mediante “ação” ou “omissão” do agente, ou seja, o simples “deixar de fazer”, quando com intuito doloso e voltado a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, caracteriza a conduta típica ensejadora da aplicação da multa qualificada. No caso em análise, houve uma conduta omissiva que importou na ocultação ao Fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação principal e por consequência ao não pagamento do imposto devido. O que está a se falar é de uma manobra que simplesmente omitiu da contabilidade do contribuinte o montante de R$ 1.273.085,49, correspondente a 178% de sua receita bruta contabilizada e declarada ao Fisco no período fiscalizado, mediante supressão da contabilidade de valores lançados em notas fiscais, decorrentes de prestação de serviços, causando Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.904 41 sérios prejuízos aos cofres públicos. Não há que duvidar de que tal ação foi promovida de forma intencional e dolosa, e ainda, com a finalidade única de suprimir o pagamento de tributos devidos. E para a consecução de seu objetivo, agiu mediante condutas reiteradas de reduzir de sua contabilidade valores lançados em notas fiscais de prestação de serviços. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância16. Conforme com o Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, fls. 13911408, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano, temse: Em 31/03/2011 compareceu na sede da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis a Sra. Ana Paula Casagrande Nogueira, advogada da pessoa jurídica sob procedimento fiscal. Na ocasião a advogada apresentou à Fiscalização cópia de petição protocolada na DRF Florianópolis com cópias de denúncia espontânea, DCTF, DARF e documentos encaminhados pela empresa Indústria e Comércio de Produtos de Limpeza Girando Sol Ltda (fls. 70 a 231). A advogada informou que o sujeito passivo havia regularizado todos os débitos tributários relativos a receitas que não haviam sido declaradas, oriundas da empresa Indústria e Comércio de Produtos de Limpeza Girando Sol Ltda. Alegava suposta falha do contribuinte na hora de contabilizar tais receitas. Atinente aos mencionados pagamentos efetuados em 25.03.2011, fls. 70232, ou seja, após o início da ação fiscal em 28.02.2011, fls. 0405, deve a Recorrente peticionar junto à DRF que a jurisdicione, que desenvolve as atividades relativas à cobrança17, para que tome as providências cabíveis em relação à imputação de pagamento e redução, se for o caso, da multa de ofício proporcional e da multa de ofício proporcional qualificada correspondentes, nos termos do art. 149 e art. 163 do Código Tributário Nacional. Reiterese que à época dos pagamentos a espontaneidade da Recorrente já havia sido afastada, nos termos do art. 7º do 16 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 17 Fundamentação Legal: art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 226 Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.905 42 Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso18. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade19. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 20. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 18 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 19 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 20 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11516.720986/201113 Acórdão n.º 1803002.273 S1TE03 Fl. 1.906 43 Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10880.962377/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 77 /2 00 8- 13 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 06559.28329.101104.1.3.048889 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 15/01/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de COFINS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962377/200813 Acórdão n.º 3802002.261 S3TE02 Fl. 112 3 saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962377/200813 Acórdão n.º 3802002.261 S3TE02 Fl. 113 5 tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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